DISCIPLINA

METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR

Apostila elaborada pelos professores de MES do ICPG

INSTITUTO CATARINENSE DE PÓS-GRADUAÇÃO

ICPG

IMPORTANTE: Esta apostila é utilizada exclusivamente com fins didáticos na disciplina de METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR no Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Não deve ser considerada como base para consulta bibliográfica, mas como material orientativo. É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei n. 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.

Plano de estudo da disciplina
EMENTA
Metodologia do Ensino Superior. O Ensino Superior e a docência. Os processos de ensino e de aprendizagem. Planejamento. Avaliação da aprendizagem. Dinâmicas de condução da aula.

OBJETIVOS
Definir a educação e os processos de ensino e de aprendizagem no contexto atual do Ensino Superior. Analisar criticamente o processo de planejamento a partir da descrição das tendências pedagógicas existentes ao longo da história da educação brasileira. Fornecer subsídios com relação a pressupostos teórico-práticos da Metodologia do Ensino Superior para a construção de uma ação docente de qualidade.

AVALIAÇÃO
A avaliação do aluno será resultado de um processo que envolverá: a presença e a pontualidade; a participação nas atividades propostas; a elaboração, individual ou em grupo, de um Plano de Aula que deverá ser considerado Trabalho Final da Disciplina (o tema/conteúdo, as unidades e as subunidades ficarão a critério do professor); a exposição oral do Plano de Aula.

REFERÊNCIAS BÁSICAS
ANASTASIOU, Lea das Graças Camargo; ALVES, Leonir Pessate. Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. 3. ed. Joinville: UNIVILLE, 2004. MASETTO, Marcos Tarciso. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo: Summus, 2003. LEITURA COMPLEMENTAR MEIREU, Philippe. Aprender... sim, mas como? Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. ZABALZA, Miguel A. O ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas. Porto Alegre: ARTMED, 2004.

9 1......................................................................................... 19 4................16 4....................... 19 ............16 4.................................1 TRADICIONAL..............................................3 Critérios para atuar no ensino a distância................9 1.........2 O que é um regime de ensino semipresencial?...........1FACULDADES..............................................3 O ENSINO SUPERIOR NO CONTEXTO ATUAL......2 CENTROS UNIVERSITÁRIOS...................................................................................8 1.................................. 8 1.... 15 3....................6 CURRÍCULO: CONCEITUAÇÃO E DIFERENTES DIMENSÕES................................................................................. 15 4 PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DE ENSINO: DA ELABORAÇÃO A EXECUÇÃO............2 TECNICISTA..........................2 UM BREVE HISTÓRICO DO ENSINO SUPERIOR E DA DOCÊNCIA NO BRASIL .4 CRÍTICO-SOCIAL........................SUMÁRIO 1 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. 14 3....................................................................................................... 8 1...................................1 O que Educação a Distância?.......... 17 4.....17 4........4.....................................5 AVALIAÇÃO...................4 MODALIDADES DE ENSINO: A DISTÂNCIA E SEMIPRESENCIAL.....................11 2.... 14 3...........................................................................................3 LIBERTADORA.................................................................4...............................1 OS MODELOS METODOLÓGICOS: JESUÍTICO................ 9 1.1 A SALA DE AULA E O PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DE ENSINO....................4. 18 4.... 9 2 O ENSINO SUPERIOR E A DOCÊNCIA NO BRASIL.............................................................................................................................................. 12 3 TENDÊNCIAS NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM...3 MODELO DE PLANO DE ENSINO: UMA PROPOSTA................................ 14 3......................2 INDICADORES QUE AUXILIAM NO PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DE ENSINO............................. FRANCÊS E ALEMÃO......................................... 10 2................................................3 UNIVERSIDADES................... 8 1.....4 AULAS EXPOSITIVAS: SUA IMPORTÂNCIA E SEUS PERIGOS........................................................ 10 2...................................................

................................. 25 7 ANDRAGOGIA: APRENDIZAGEM DO ADULTO............................ 32 .. 23 5........................................................................22 5.....................................................4 FÓRUM............................... 24 6...........................................................................................3 SEMINÁRIO....... 24 6................5 AMBIENTE VIRTUAL: NOVOS DESAFIOS PARA PROFESSORES E ALUNOS............... 23 5........................ 24 6.................................... 28 ANEXOS............................... 24 6............................................................................................................................................................................................................................ 26 REFERÊNCIAS..............................1 ESTUDO DE TEXTO................ 23 6 ESTRATÉGIAS DE ENSINO.....2 SOLUÇÃO DE PROBLEMAS...............................................................................................................................................................................................................5 SIMPÓSIO.......................................6 OFICINA (WORKSHOP)....................................4 DRAMATIZAÇÃO.................................................. 23 5.........3 WEBCONFERÊNCIA...................................................................1 CHAT.......................................................................................................................................... 24 6....2 QUIZ......... 25 6..................................

METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 07 INTRODUÇÃO O reconhecimento da necessidade da preparação metodológica tem levado muitas instituições a desenvolver programas com o intuito de alcançar objetivos desta natureza. aqui. conceitos ou propostas de atividades da prática docente. Historiar o início do Ensino Superior no Brasil e a função da universidade na sociedade atual e refletir sobre os mesmos. nossa intenção é fornecer alguns subsídios necessários para a prática docente. Identificar e descrever as tendências pedagógicas existentes. o conteúdo é trabalhado rapidamente. bem como refletir sobre as suas formas de manifestação na prática docente. Ao analisar o currículo da disciplina Metodologia do Ensino Superior (MES). na maioria das vezes. No entanto. pelos seguintes objetivos: Caracterizar a organização das instituições de Ensino Superior no Brasil. os seus objetivos em sala de aula. Descrever a importância do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) como um instrumento auxiliar no processo educativo. sem possibilidades de ser pormenorizado. total ou parcialmente. Nossa finalidade é apontar caminhos e procedimentos que poderão ser adotados pelo professor para que atinja. Conscientes da existência deste fator e de que a disciplina Metodologia do Ensino Superior se caracteriza pelo rigor científico. não temos. Neste sentido. na forma como é oferecida nas diversas instituições. como também identificar e descrever algumas ferramentas existentes. Assim. fica evidenciado que o seu objetivo é capacitar os profissionais para o exercício da docência. a pretensão de padronizar métodos. nós. em linhas gerais. . nos norteamos. devido ao fator tempo. responsáveis pela organização deste material. Oferecer subsídios para a elaboração de um Plano de Ensino ou Projeto deAção. da Equipe de MES do ICPG.

dispõe: Art. (BRASIL. Os centros universitários não estão comprometidos com a institucionalização da pesquisa. do Decreto nº 2. que se caracterizam por: I . 1996). 1996). e não Faculdade de Farmácia de Coimbra. programas de extensão e pesquisa (BRASIL. estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. grande parte dos centros universitários utiliza a pesquisa como um componente indispensável à formação do graduado de nível superior. como. a LDB descreve que a educação superior deverá abranger cursos seqüenciais. e pelo Decreto nº 2. são compreendidos como instituições de Ensino A exigência da pesquisa e da formação docente é fator que diferencia a universidade de um centro universitário. fazse necessário registrar que essa abrangência não é obrigatória nem está presente em todas as instituições de Ensino Superior. os centros universitários emergem como mais uma opção de organização institucional dedicada ao Ensino Superior. cursos de pós-graduação. em seu artigo 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior. (BRASIL. Para alguns estudiosos. isso não os desclassifica ou isenta de promover iniciação científica. pela legislação vigente – artigo 60. desde que estruturalmente preparadas. No artigo 44. (BRASIL. os centros universitários deveriam representar o estágio de transição das faculdades para as universidades. 1996). centros universitários e universidades – sendo que poderão. ocasionalmente. . é justamente a qualidade do desenvolvimento de suas pesquisas e a constante formação de seu quadro docente. artigo 43. em seu Capítulo IV. 1.3 UNIVERSIDADES ALDB.um terço do corpo docente. Cada faculdade de uma universidade ou de um centro universitário está direcionada para uma área do conhecimento e. A grande preocupação das universidades. Na identificação de uma faculdade. oferecer cursos a distância. nos termos das normas estabelecidas pelo Ministro de Estado da Educação e do Desporto para seu credenciamento”. fenômeno encontrado largamente no Brasil em instituições particulares de Ensino Superior. cursos de graduação. Neste sentido. Pela Lei nº 9. é mencionado o seu nome. e colaborar na sua formação contínua. No entanto.207/97. seguido do nome da respectiva universidade: Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. que devem açambarcar uma ou mais áreas do conhecimento e oferecer um ensino de excelência.207. Faculdade de Direito. 1997). III . 1. 1. “comprovada pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico oferecidas à comunidade escolar. Entretanto. As instituições de Ensino Superior estão basicamente divididas em três grupos – faculdades.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. pelo menos. de pesquisa. quanto regional e nacional.394/96. É possível que a faculdade seja desvinculada de uma universidade ou de um centro universitário. 52. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. por exemplo.08 1 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). II . formar diplomados nas diferentes áreas do conhecimento. para se manterem universidades. atribui à educação superior. por exemplo.2 CENTROS UNIVERSITÁRIOS Os centros universitários. Superior pluricurriculares. aptos para inserção nos setores profissionais e para participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. entre outras finalidades. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano.1 FACULDADES Faculdade é uma das denominações adotadas pelas universidades para as suas unidades orgânicas. artigo 45. tanto do ponto de vista científico e cultural.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. para duas ou mais áreas do conhecimento afins. de 15 de abril de 1997 –.

1996). quando for o caso [.. a distância e semipresencial. capacidade financeira. os seguintes: I – breve histórico que contemple localização da sede. elenco dos cursos já autorizados e reconhecidos. entre outros critérios. ementa.394. o Ministério de Educação e Cultura credencia instituições de Ensino Superior para que ofereçam cursos de graduação em regime presencial. Para obterem o credenciamento. . as instituições deverão observar. de 19 de dezembro de 2005 (que revoga o Decreto nº 2. determina que as instituições de Ensino Superior que desejarem oferecer cursos a distância.494/98). administrativa. de acordo com o disposto na Lei nº 9. à manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ou do Conselho Nacional de Saúde [. por intermédio do disposto no artigo 81 da Lei nº 9.622. situação fiscal e parafiscal e objetivos institucionais [. 1986). “odontologia e psicologia. 1. como.]. denominação.]”. o qual pode oferecer 20 % (vinte por cento) do total da carga horária mediado por recursos tecnológicos e tutores. Anotações 1. de 20 de dezembro de 1996. é a modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. condição jurídica. 1986). bem como prever encontros presenciais sob a supervisão de tutores especializados. Vale destacar que as avaliações devem ser presenciais e que o processo de ensino e aprendizagem deverá incorporar o uso integrado de tecnologias.394.. A criação de cursos de graduação em direito. por exemplo: estatuto da instituição e seu modelo de gestão.4.. nosso interesse é fornecer algumas informações sobre essas modalidades de ensino e sobre os requisitos necessários para que as instituições de Ensino Superior possam receber o credenciamento. 2006). além dos critérios citados. medicina. que regulamenta o artigo 80 da Lei nº 9.. (BRASIL.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 09 1. (BRASIL. poderão solicitar credenciamento em qualquer época do ano (BRASIL.] III – infra-estrutura adequada aos recursos didáticos. inclusive em universidades e centros universitários. deverá ser submetida. respectivamente. segundo o artigo 1º do Decreto nº 5. Aqui.394/ 96. [. 2005). (BRASIL. estrutura curricular. etc...1 O que é Educação a Distância? A Educação a Distância.3 Critérios para atuar no ensino a distância O Ministério da Educação.. Cabe destacar que.4.]. com carga horária específica ara os momentos presenciais e a distância. considera regime de ensino semipresencial a atividade de ensino de um curso de nível superior.4 MODALIDADES DE ENSINO: A DISTÂNCIAE SEMIPRESENCIAL Atualmente.). 1.4. infraestrutura. as instituições deverão apresentar um projeto que contemple as informações mínimas exigidas pelo Ministério de Educação. (BRASIL..2 O que é um regime de ensino semipresencial? O Ministério da Educação. IV – resultados obtidos em avaliações nacionais. suportes de informação e meios de comunicação que pretende adotar. com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. de 20 de dezembro de 1996. dados sobre o curso pretendido (objetivos.

o papel da memorização do conteúdo realizado pelo aluno era obrigação primordial. o qual. havia a preocupação com a preservação de uma metodologia tradicional. engenheiros e técnicos de nível superior –”. permanecendo pela força do hábito. permanecendo fiéis ao modelo medieval de ensino.. ficando a transmissão do saber acumulado como decorrência natural. é possível identificar a influência de modelos europeus. A predominância da pesquisa tornou-se característica básica da escola superior. de certa forma. mesmo passados mais de duzentos anos. era a livre pesquisa que deveria se tornar a principal missão da universidade. extremamente seletiva. colocava “em pauta a questão da pesquisa científica. (ANASTASIOU. no que diz respeito à metodologia. revelavam. assim como maturidade para se orientar por conta própria nos seminários. com a criação da universidade imperial de Napoleão. Surgido a partir da década de 1950 em quase toda a América Latina. (ANASTASIOU. A relação professor-aluno extremamente autoritária. o que também aconteceu em terras brasileiras a partir de 1808. que “a predominância da aula expositiva. com predominância de aulas expositivas. podemos conhecer um pouco esses modelos e ver em que sentido ainda fazem parte do ensino em algumas de nossas universidades. surgiu a ideia da produção do conhecimento por meio da pesquisa. A partir do início do século XIX. ainda se faz presente entre nós. Ao adentrar a universidade. juristas. e a força da avaliação era “elemento essencialmente classificatório e decorrente de decisões definidas pelo poder do professor”. nos quais o professor elaborava sua própria doutrina. o estudante já portava sólida formação básica. professores. a maior influência que herdamos está na organização administrativa. O modelo alemão. assegurando uma relação entre professor-aluno calcada no seminário e no controle informal. de acordo com Anastasiou (2008). a América Latina e o Brasil passaram a sofrer influências do modelo universitário francês – também chamado de modelo napoleônico –. a relação professor/aluno/conhecimento limitava o foco para um ensino predominantemente profissionalizante. Portanto. que podemos chamar de pedagogia da manutenção. A análise do modelo jesuítico e de sua recepção em nossas universidades permite concluir. que. FRANCÊS EALEMÃO Pimenta e Anastasiou (2002. sempre “centrado na figura do professor repassador e no estudo das obras clássicas de cada época”. sem um compartilhar sistemático de situações de troca ou . de acordo com Anastasiou (2008). Com o modelo humboldtiano-alemão. Em se tratando do modelo francês-napoleônico. [. tanto do ponto de vista humanístico quanto científico. também chamado humboldtiano. ainda interferem no paradigma atual da universidade brasileira. Além disso. o que lhe possibilitava um trabalho intelectual independente.. sendo que os modelos escolares portugueses. mas dedicava-se predominantemente à preparação dos quadros administradores do país tratava-se de uma universidade elitista.10 2 O ENSINO SUPERIOR E A DOCÊNCIA NO BRASIL No que se refere à metodologia de ensino presente hoje na sala de aula do Ensino Superior brasileiro. Anastasiou (2008) explica que “a universidade napoleônica não se preocupava com a pesquisa científica. em 1806. médicos. baseado unicamente na dedução filosófica e em princípios apriorísticos. tanto do ponto de vista social quanto intelectual. era necessário levar em consideração as condições que cercavam e possibilitavam tal acontecimento: 2. visando preparar o homem para a descoberta científica. p. levando em conta as grandes transformações da época. de certa forma. 2008).se defasados e superados. cujo surgimento ocorreu.] tomando como método de ensino os elementos do modelo jesuítico. para formular a ciência a ser ensinada. essencialmente diferente do modelo jesuítico ou napoleônico. na fragmentação organizacional curricular e nas estruturas de poder. e não o ensino. esse modelo igualmente influenciou a universidade no Brasil. A partir de Pimenta e Anastasiou (2002). como o jesuítico. Da mesma forma. comparados com os europeus de sua época. do 'falar' do professor e do repasse do conhecimento tem sua origem metodológica nos passos fixos do método jesuítico/português”. o francês e o alemão. No modelo francês. 45) nos ensinam que “as escolas superiores aqui estabelecidas foram cópias pioradas das escolas portuguesas”. Segundo a mesma autora.1 OS MODELOS METODOLÓGICOS: JESUÍTICO. 2008).

crítico e interativo. Parafraseando Tardiff (1997). o analisar. impera. na década de 1960. Essas respostas ainda aparecem com uma carga identitária muito forte. a qual foi transferida para o estudante.] Essas práticas docentes revelaram influências da pedagogia tradicional. o que os impossibilitou de alavancar qualquer iniciativa crítica. considerada. Sabemos que os modelos aqui apresentados não esgotam a amplitude dos determinantes da atual universidade brasileira. os docentes apareceram na busca de nova expectativa. em que o professor. ou mesmo na educação superior. Na década de 1980. com considerada qualificação. (ANASTASIOU. 2008). citado por Tardiff (1997).. Leitura complementar Características do senso comum [. com suporte do modelo da formação religiosa. a eficiência e a produtividade.. sendo que seus reflexos se estendem até os dias de hoje e se mostram insuficientes. ainda. a escola começa a assumir um papel mais organizativo e transformador junto à sociedade. a fragmentação dos conhecimentos e a formação docente para atividades específicas. baseado na práxis. somente a partir dos anos 1990. 2.692/71. em que as experiências vividas passaram a ser valorizadas como possibilidades de aprendizagem. no Brasil. no mínimo. pode-se dizer que. perfazendo um total aproximado de 10 anos de formação profissional. o refletir. No que diz respeito aos tempos e aos espaços de formação docente. detentores de um saber plural. e. na década de 1970. passou a ser um técnico especialista. mesmo nos tempos da racionalização e da uniformização. Com o surgimento da escola nova. sou advogado. com a chegada dos jesuítas. Conforme Therrien. Por esses indicadores. configuraram-se como esmagados. o professor. tanto no ensino de primeiro grau. cada um continuou a produzir sua maneira de ser professor. na educação brasileira – mobilizada pela expansão industrial –a racionalidade técnica. o professor passou a ser colocado no centro dos debates e das problemáticas educativas. pois o tempo de formação dedicado à construção dessas profissões é de longa duração: geralmente inicia em nível médio. é comum recebermos respostas como: sou engenheiro. Já em 1964. Neste sentido.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 11 pesquisas conjuntas. Salienta-se. em nível de especialização. num processo oposto ao da pedagogia tradicional. Nesse contexto. de mais um curso de pós-graduação. A predominância dos aspectos produtivos e do fazer acontecer preponderaram sobre o pensar. a fase de controle sobre os professores. seguido de um curso degraduação e. e o currículo passa a ser determinado em âmbito nacional e obrigatório. algumas questões são . que acabou não se efetivando na prática. vem sendo moldada por variadas forças históricas que se sucedem através dos tempos. No entanto. mas o conhecimento dos elementos explicitados pode nos auxiliar na discussão de posicionamentos que deveriam se constituir em preocupação de todos que atuam no Ensino Superior na função ensino. enfatizando a formação técnicoprofissional. teve início em 1500. Nóvoa (1995) afirma que estamos no cerne do processo identitário da profissão docente e. então.2 UM BREVE HISTÓRICO DO ENSINO SUPERIOR E DADOCÊNCIANO BRASIL A trajetória das práticas docentes. deixa sérias lacunas quanto às questões relacionadas com a teoria-prática. passando a agir como instigador de aprendizagem.que profissões exercem. os professores foram ignorados na sua capacidade de transformação e usados para a perpetuação do status quo e que. sou consultor de empresas. o professor deixa essa posição central. sobrepondo-se a uma formação que permitisse um olhar crítico e reflexivo sobre o sentido de sua prática e de seu compromisso com a educação e com a sociedade como um todo. como no de segundo grau. a partir do governo militar. ultrapassando a visão tecnicista para uma concepção mais dialética. ao perguntarmos aos professores das mais diversas áreas do conhecimento. na década de 30. desde então. Essa premissa influenciou profundamente a ação docente. centro das ações pedagógicas era reconhecido como “o detentor do saber”. inclusive tendo como apoio a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 5. mobilizada pelas teorias críticas que surgiam. os profissionais se sentem preparados a exercer a docência em cursos técnicos profissionais.

independente do nível de atuação. avaliação de cursos e.+algumas+quest%C3%B5es+s%C3%A3o+recorrentes. Os seus problemas e suas soluções possuem uma variedade de dimensões – política.br/olhardepr ofessor/pdf/revista72_artigo10. do advogado e do administrador continuam sendo suficientes para exercer a função de “professor”? Como essa prática se efetiva em aula? Esses e outros questionamentos. em resposta às exigências de novas vagas. respectivamente.215. cultural. pois os mesmos detêm um profundo conhecimento da sua especificidade. administrativa e organizacional –. a chamada Lei da Reforma Universitária. possuíam “a Igreja Católica como responsável pelos primeiros atos de criação”. Constituídas “de uma comunidade de discípulos que gravitavam em torno de um mestre responsável pela sua escola”. 58) ratifica essa questão: nesse grupo de profissionais que atuam na docência.3 O ENSINO SUPERIOR NO CONTEXTO ATUAL As universidades brasileiras chegaram ao século XXI com muitas questões para serem resolvidas. daremos uma rápida olhada em sua história. o destaque da contribuição assenta-se exatamente na preciosidade das experiências vivenciadas em sua área de atuação. o sistema de matrícula por disciplinas. A contribuição de Behrens (1998. os vestibulares classificatórios. 1211 e 1222. várias turbulências ocorreram no Brasil. Considerando-se que a docência é uma profissão tão importante como outras. Essa crise ocorreu em 1968 e. como também da sua experiência prática. cujas respostas exigem toda uma reflexão na realidade presente e em todos os seus pressupostos sociais. Como profissionais em exercício contaminam os estudantes com os desafios e as exigências do mundo mercadológico. 1999). Disponívelem:<http://209. Na Europa. em virtude do regime autoritário. Paris e Pádua. instituiu a departamentalização acadêmica. Ainda segundo Campos (1999). políticos. 2008. As instituições de Ensino Superior se estruturaram como universidades apenas entre os séculos XI e XV. p. Dessa forma foram fundadas. as primeiras universidades surgiram em Bolonha. o que se requer? Qual é a formação para o exercício do magistério? Que tempo demanda essa formação? Que enfoque científico deve orientá-la? As práticas profissionais do engenheiro. em 1933. Estão sendo alvo de discussão questões curriculares. entre os quais são alvo de uma abordagem mais direta aqueles relacionados à sua estrutura e ao seu funcionamento. uma Reforma Universitária sendo proposta e discutida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pela comunidade brasileira. integrando o ensino superior e a pesquisa”. os . principalmente. o que ocorreu pela simples aglutinação das faculdades e das escolas existentes na época. sobretudo causadas por perseguições políticas. Apesar da existência. esta. Esse conhecimento. desde o início do século XIX. trazem a realidade para a sala de aula e contribuem significativamente na formação dos acadêmicos. Formação docente e as mudanças na sala: um diálogo complexo. Para entendermos a universidade brasileira e suas funções na atualidade. Pesquisadores da formação docente apontam que é preciso contar com a experiência teórica e prática dos profissionais das mais diversas áreas do conhecimento para atuarem como docentes.Acesso em: 12 abr. a função que a universidade brasileira deve ter.104/search? q=cache:sU6fdZcdVTYJ:www. acesso especial para alguns segmentos da população. Há. decorrente dos anos de atuação no mercado de trabalho. Essa reforma eliminou a cátedra. ocorrida em 1934. não se basta. Quanto à criação da Universidade de São Paulo. (CAMPOS. deve ser visto como possibilidade de diálogo entre aqueles saberes (da experiência) com os novos saberes a serem construídos com os estudantes. Fonte: GOMES.85. construído ao longo dos cursos de formação inicial. em 1108.+tais+como:+O+que+se+requ er+para+ser+profissional+docente%3F&hl=ptBR&ct=clnk&cd=1>. esta representou uma inovação desse processo. Apesar de estudos apontarem como verdadeira a premissa apresentada. 1999). Heloisa Maria et al. implantado em março de 1964. instituiu-se um grupo de trabalho que gerou a Lei 5. o surgimento da universidade foi tardio. as universidades de Minas Gerais. a formação pedagógica se torna indispensável para que possa o docente tornar-se um verdadeiro profissional.uepg.540/68. pois “procurou determinar objetivos institucionais que harmonizassem estrutura organizacional e metas acadêmicas consistentes. inclusive.pdf+Neste+sentid o. 2. por si só. No Brasil. os ciclos básicos e profissionais. (CAMPOS. de cursos superiores. somente a partir de 1930 começou o processo de organização das universidades.12 recorrentes: Para ser profissional docente. históricos e culturais.

Conforme o Plano Nacional de Graduação (1999). tem alguns princípios bem claros. Entretanto. a universidade brasileira construiu um modelo que. Contudo e apesar de não existir nenhuma política substancial estabelecida pelos últimos governos desde a Reforma de 1968. a universidade tem a tarefa de proporcionar uma formação para o exercício de uma profissão que. em uma era de rápidas. Para finalizar. que busca aproximar o país do padrão internacional pelo fortalecimento científico e tecnológico de determinados setores da sociedade. O objetivo proposto pelo Plano Nacional de Graduação (1999) “exige o domínio dos modos de produção do saber na respectiva área. sempre buscando um ensino indissociável da pesquisa e da extensão. Esse modelo deve contribuir para o desenvolvimento sustentável de nosso país. coordenadores de cursos. corpo discente. podemos citar: • responsabilidade e compromisso social da universidade no processo de formação profissional. ou seja. professores. conforme aponta o Plano Nacional de Graduação (1999). pressupõe duas vicissitudes extremas ligadas ao modelo ou à estratégia de desenvolvimento a que ela está a serviço. que amplie os espaços e as oportunidades para o atendimento de novas demandas de ensino e de conhecimento. • formação humanística que privilegie a sólida visão de homem. os sujeitos envolvidos. consideramos importante dizer que deve acompanhar os elementos mencionados uma política de flexibilização de currículos e de pluralização de formação que garanta sólida formação. Sua função essencial. A outra é o modelo includente. • pesquisa como princípio educativo. (CAMPOS. pensada com base no referido modelo. alcançando a unidade do saber. têm colocado que o exercício da autonomia universitária requer que a universidade não aceite ser colocada a serviço de um único segmento social. avançando na prática deste princípio e enfocando nos projetos pedagógicos as ações que consubstanciem tal princípio.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 13 colegiados de cursos. a partir do qual é aceita a exclusão de enormes segmentos sociais”. segundo o “qual o desenvolvimento deve ser igualitário. no sentido apresentado. necessariamente. corpo docente. organização didático. de modo que todos os cidadãos possam partilhar os avanços alcançados”. a função social da universidade. é tanto contribuir para a formação de Anotações . pesquisa e extensão. constantes e profundas mudanças. centrado no princípio da cidadania como patrimônio universal. A decorrência normal deste processo parece ser a adoção de uma nova abordagem de modo a ensejar aos egressos a capacidade de investigação e a de sempre 'aprender a aprender'.pedagógica e infraestrutura devem ser articulados e mobilizados. a universidade tem o dever de dar a formação constante para todos que a procuram. estudantes. e que permita ganhos qualitativos para o desenvolvimento de nosso país. é o “modelo concentrador. os conselhos de ensino e pesquisa. quadros para o desenvolvimento científico e tecnológico. a política de ensino de qualquer universidade brasileira deve lançar as bases para o desenvolvimento de ações das diferentes áreas de conhecimento. • indissociabilidade entre ensino. atenta consideração por parte da universidade. etc. Para essa conquista. profissional e cidadania e • necessidade de instituir espaços e experiências interdisciplinares. entre outros. 1999). visa à ética e à ampliação da prática da cidadania. próreitores. 1999). profissionais de diferentes organizações. Dessa forma. requer. e que não pode ser esquecida. Diante do exposto. que é primordial para a construção de autonomia intelectual. bem como ser concebida de forma a contemplar atividades voltadas à realidade próxima e ao patrimônio científico universal. quanto para uma concepção radical e universal de cidadania. Entre os elementos que devem estar presentes. de modo a criar as condições necessárias para o permanente processo de educação continuada”. O ensino de graduação e de pós-graduação. Uma delas. (PLANO NACIONAL DE GRADUAÇÃO. atualmente.

a relação com seus alunos pode ocorrer de forma unilateral – o professor fala e o aluno escuta – ou de forma multilateral – professor e alunos se comunicam. deve buscar o que há de melhor em cada uma e usar com intuito de auxiliar na eficiência de sua prática. Os conteúdos estão vinculados à transmissão da cultura acumulada. ao aluno. A sala de aula: é organizada de forma racional. As tendências pedagógicas são teorias norteadoras. No entanto. A avaliação: é utilizada com o objetivo de revelar se o aluno conseguiu reter o conteúdo repassado pelo professor. e o aluno ouve. sendo conferida importância suprema aos conteúdos. Em geral. Todavia. o tecnicismo faz parte dos bancos escolares há mais de 200 anos. A avaliação: tem por objetivo avaliar o desempenho do aluno. etc. sendo que. 2008) 3. Os fundamentos básicos deste paradigma educacional são: Os conteúdos: as informações são ordenadas numa sequência lógica de conteúdos. pois o professor. conhecimentos. apresentaremos algumas das tendências pedagógicas que norteiam a prática do professorado. Geralmente. libertadora e crítico-social. Os fundamentos básicos deste paradigma educacional são: Os conteúdos: não existe a preocupação com a compreensão dos conteúdos vistos. A relação professor/aluno é objetiva. necessariamente. discutem.2 TECNICISTA Esta tendência surgiu com o objetivo de atender às necessidades oriundas do processo de industrialização do mundo: sua origem remonta à Revolução Industrial. Os livros didáticos e as palavras transmitidas pelo professor são as únicas fontes de informações exigidas e disponíveis aos alunos. A memorização é a principal meta da prática pedagógica. Isto nos permite afirmar que “a palmatória se foi. “deposita” os conteúdos na “cabeça” dos alunos. o conteúdo programático não é única fonte de estudo. refletem. O aluno não é avaliado no processo. ficar preso a uma delas. A pedagogia tradicional está muito presente nos colégios e nas faculdades. diretamente relacionada à sua formação acadêmica ou cultural. é detentor do saber. O professor é autoridade em sala de aula. com base na participação ativa e no diálogo constante entre professores e alunos. Neste sentido. em que. A seguir. parte da ideia de que o aluno é uma tabula rasa. cabendo ao professor a função de a ele transmitir tais informações. mas a educação tradicional ainda continua arraigada na prática escolar. Cabe ao aluno se adaptar à metodologia do professor. isto é. neste caso. As tendências pedagógicas são genericamente classificadas em: tradicional. tecnicista. em que o professor é um transmissor do saber. e a avaliação aparece como instrumento que serve para mensurar o que o aluno conseguiu memorizar. Freire (1979) se referia a essa educação como uma educação bancária.” (DANTON. pois as experiências exteriores a ela são pouco valorizadas. não existe 3. A relação é verticalizada: o professor fala. e a preocupação é.1 TRADICIONAL Trata-se de uma modelo educacional fortemente marcado pelo método cartesiano. conceitos. ressaltamos que o professor não deve. Portanto. CARLO.14 3 TENDÊNCIAS NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM A maneira como o professor encara o processo pedagógico está. Bordenave e Pereira (2001) abordam que os educadores reconhecem a oposição entre dois tipos de educação: a educação bancária. a transmissão de conteúdos que habilitem os alunos a atenderem às necessidades do mercado de trabalho. e não receitas prontas. a aula expositiva é a principal metodologia. ocorrida na Inglaterra do final do século XIX. . O professor toma a lição. basicamente. A sala de aula: é vista como o único espaço possível de aprendizado. cabendo ao professor transmitir as informações e. fixá-las. somente no momento das provas. para a maioria das instituições. e educação problematizadora. a prova é o instrumento de avaliação mais utilizado. muitas vezes. a aprendizagem só é possível na sala de aula. os alunos são dispostos de maneira que o professor possa atingir todos. formulam e reformulam convicções. sem informações. e cabe ao aluno responder exatamente aquilo que foi transmitido em sala de aula.

como mediador entre o saber e o aluno. sendo o foco central o questionamento da realidade. o aluno passa a ser o centro de um processo de ensino que não mais privilegia os conteúdos e a disciplina rígida. 3. e o professor. A avaliação: geralmente se baseia na auto-avaliação. . Na relação professor/aluno. mas dinâmico. portanto. da maneira como o homem se relaciona com os outros homens e com seu meio ambiente. O aluno aparece como participador. o mundo externo está presente nos conteúdos e nos debates de sala de aula. em reconstrução. existe uma preocupação que vai além da compreensão deste mundo. ao contrário. predomina o diálogo. que possui os seguintes fundamentos básicos: Os conteúdos: não resultam de um projeto de ensino elaborado pelo professor ou pelo coletivo da escola. A relação é de igual para igual. A aprendizagem é centrada nas capacidades cognitivas já estruturadas nos alunos. de acordo com esta tendência. A sala de aula: é calcada no princípio da criticidade. e permanece até os dias de hoje. sendo contemporânea ao modelo tecnicista. Grupos de discussão são muito presentes. o mundo não é estático. Seu foco principal é levar professores e alunos a atingir um nível de consciência da realidade em que vivem na busca da transformação social. A avaliação: não apresenta o objetivo de mensurar o conhecimento do aluno. Os seus principais fundamentos são: Os conteúdos: são baseados nos aspectos culturais presentes na realidade escolar e visam articulá-los com os movimentos concretos de transformação da sociedade. logo. aparecem naturalmente do cotidiano dos educandos. exames nem castigos. a construção de novos conhecimentos.4 CRÍTICO-SOCIAL Esta tendência apresenta algumas mudanças em relação às anteriormente citadas: nela.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 15 preocupação em diversificar as fontes de informação e. não existem notas. sendo necessário compreendê-lo. cabendo aos professores respeitarem os diversos ritmos de desenvolvimento dos educandos. conseqüentemente. a liberdade de expressão. A tendência crítico-social chegou ao Brasil no início da década de 1970. o mundo é dinâmico. Anotações 3. É interessante observar que. sendo assim. está em constante transformação. Neste sentido.3 LIBERTADORA Não aparece com frequência nas práticas de ensino. Paulo Freire foi o principal difusor desta tendência. da realidade e/ou das necessidades do grupo. A tendência tecnicista chegou ao Brasil nos anos de ditadura militar. Para a tendência libertadora. pois o método busca transformá-lo. período em que o país demandava de mão-de-obra especializada para atender à crescente necessidade do setor industrial. A sala de aula: tem como base um método que parte da experiência do aluno e a confronta com a realidade. mas sim.

é preciso saber promover a compreensão desses conteúdos. O professor/transmissor e o aluno/receptor de conteúdos é uma relação que entrou em falência no século passado. ninguém quer nada com nada mesmo”. A parte teórica à que nos referimos é aquela que corresponde aos conteúdos que o docente acumulou ou construiu ao longo de sua carreira profissional ou de sua formação acadêmica. A sala de aula é um espaço de diversidades (culturais. ouvimos expressões como: “Para 'dar' aula. basta saber bem o conteúdo” ou. Com essa ação. Não basta saber transmitir conteúdos. muitas vezes. a todo o momento. se não se levam em consideração as condições em que eles vêm existindo. não enquanto indivíduos. na sala de aula. p. A compreensão da diversidade só é possível quando compreendemos e/ou conhecemos um pouco sobre cada aluno: Onde trabalha? O que faz? Onde mora? É casado? Tem filhos? Por que está cursando esta ou aquela faculdade? Na verdade. vivemos neste constante devir. 1996. ideológicas. ainda. no Médio ou no Superior. (FREIRE. e os desafios. à sua dignidade. faz-se necessário um Projeto de Ação. os saberes trazidos. os quais geralmente são orientados por procedimentos de ordem puramente técnica e. Na atividade docente. as respostas a estas simples perguntas contribuirão para a revisão ou reformulação do Plano de Aula.16 4 PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DE ENSINO: DA ELABORAÇÃO À PRÁTICA 4. toda disciplina é carregada de conteúdos e objetivos previamente determinados. sem dúvida. Neste sentido. se não se reconhecesse a importância dos 'conhecimentos de experiência feitos' com que chegam à escola.1 A SALA DE AULA E O PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DE ENSINO É utópico. a busca constante pelos caminhos mais eficazes para tornar os conteúdos (Arcabouço Teórico) acessíveis aos alunos (Transposição Didática). concebido no próprio espaço em que será aplicado. 64) Não estamos sugerindo que o professor vá para a sala de aula sem um projeto inicial. ao contrário. Tal entrelaçamento constante entre teoria e prática nos permite vislumbrar que a atividade docente não é uma atividade exclusivamente prática ou teórica. permitirá que o professor atrele os conteúdos à realidade. a realidade é outra. Portanto. Essa sujeição. torna-se essencial que o professor compreenda que a docência é uma atividade permanentemente orientada por uma teoria e por uma prática. se constroem e se reconstroem. A atividade prática corresponde à ação orientada por essa teoria. As realidades são mutáveis. ou seja. econômicas e sociais). zombar do saber que ele traz consigo para a escola. Não é possível respeito aos educandos. onde as pessoas. O dia-a-dia da sala de aula. um Plano de Aula. em nosso cotidiano escolar. professores e alunos. ao seu ser formando-se. para que as aulas se desenvolvam de maneira tranqüila e agradável e os conteúdos possam ser compreendidos pelos alunos. Nós. Isto não é verdade. aplique dinâmicas que atinjam o maior número de alunos e utilize uma linguagem acessível a . na chamada sociedade do conhecimento e da informação. etc. pior ainda. a sua identidade fazendo-se. o professor respeitará as individualidades. repetitiva. O respeito devido ao educando não me permite subestimar. é muito diferente. mas enquanto agentes sociais. tampouco concebida numa realidade rotineira. Na verdade. Com frequência. exclusivamente. em pleno século XXI. como a atividade prática de um caixa bancário ou de um mecânico de automóveis. constantes. utilize instrumentos de avaliação adequados. acreditar que a sala de aula seja composta por pessoas de comportamentos e pensamentos padronizados: todas alegremente dispostas a ouvir e concordar passivamente com as “coisas” a serem ditas pelo professor. as diferenças existentes. seja no Ensino Fundamental. O professor deve ter a concepção de que vivemos numa sociedade de constantes transformações. “Todo aluno é igual. isto é. o que propomos é a sujeição dos objetivos e conteúdos previamente determinados à realidade à qual serão aplicados. O Projeto de Ação deve ser resultado de um entendimento coletivo que envolve alunos e professores.

Quantidade de alunos: esta informação é fundamental. em geral. etc. os instrumentos de avaliação mais adequados. 4. Essas informações permitem ao professor identificar os alunos mais extrovertidos (que se expõem com mais tranqüilidade) e também os mais introvertidos ou mais acanhados. pois os conteúdos. enfim. um Projeto de Ação ou Plano de Aula. algumas informações são indispensáveis para nortear a prática docente. tendo em vista levá-lo a atingir um estado de maturidade que lhe permita encontrar-se com a realidade e na mesma poder atuar de maneira consciente. É interessante que a apresentação seja descontraída ou o menos formal possível. ocupação (se tiver). Expectativa com relação à disciplina: compreendemos que esta etapa seja fundamental para a elaboração de um Plano de Aula realmente comprometido com a disciplina e com o curso. nesses casos. neste sentido.METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO I 17 todos. trabalhos. sentem-se mais à vontade e começam a interagir com o professor. 1993. Para Nérici (1993. Sugerimos as seguintes etapas para essa leitura: 1.2 INDICADORES QUE AUXILIAM O PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DE ENSINO Conforme comentamos anteriormente. faça as devidas alterações. não se incomodando com a realidade de seus discípulos e das realidades circunstanciais que constituem o momento presente. entre outras. idade. O modelo (Quadro 1) que propomos pode e deve ser alterado sempre que necessário. Nesta etapa. novamente. certamente proporcionará ao professor. a didática é um conjunto de recursos técnicos que tem em mira dirigir a aprendizagem do educando. estabelecem um modelo que melhor atenda às suas necessidades. críticos. 4. 3. As instituições de ensino. A seleção geralmente ocorre após o professor pesquisar/estudar o perfil dos alunos da turma. bem como sua trajetória docente (sua formação. apresentação de seminários. 1 São conteúdos selecionados para atender às necessidades dos alunos. 4. é flexível. O essencial. avaliações e metodologias). reflexivos e maduros. porém. sobre o seu Plano de Aula inicial e. Apresentação dos alunos: entendemos que algumas informações sejam indispensáveis. eficiente e responsável. por exemplo. aplicará seu plano. muda de acordo com as realidades. 2. é aconselhável que o professor leia e refletia. os alunos. p. se necessário. é comum alunos de cursos distintos comporem uma única turma e. que quer dizer arte de ensinar. de maneira a não ficar o trabalho docente em pura improvisação ou rotina. p. conseqüentemente. etc. faz-se necessário um breve estudo da turma em que o professor ministrará a sua aula e. a partir de conteúdos 1 previamente selecionados . os objetivos. faz-se necessária a aplicação de uma didática adequada (conteúdos. sobre a maneira como vai orientar a aprendizagem de seus discípulos. sua produção científica. suas atividades profissionais. O número de alunos presentes na sala sugerirá ao professor o tom de voz a ser utilizado. verdadeiramente concebido no espaço em que será aplicado. suas expectativas em relação à turma. É possível que vários alunos queiram esclarecer dúvidas a respeito dos temas ou assuntos propostos no Plano Inicial. 5. por exemplo: nome. . linguagem. como. as avaliações e os procedimentos metodológicos serão expostos e discutidos. Aqui o professor começa a vislumbrar os instrumentos avaliativos e as dinâmicas de grupo mais adequados à turma. Em cursos de graduação e de pós-graduação. um ambiente formado por alunos interessados. como já dissemos. como. expositivodialogadas. etc. (NÉRICI. O Plano de Aula. se reside próximo à instituição de ensino ou se reside em outro município. Percorridas as etapas mencionadas. quanto ao planejamento de aula. Apresentação do professor: é o momento em que o professor expõe sua história de vida. aulas expositivas. Apresentação da disciplina: talvez seja o momento mais importante.). em geral. se deverão ser utilizadas dinâmicas de grupos. as dinâmicas de grupo que poderão ser usadas. 108).3 MODELO DE PLANO DE ENSINO: UMAPROPOSTA Não existem modelos de Plano de Aula padronizados. 49). por que escolheu o curso. faça uso de uma didática verdadeiramente comprometida com a participação efetiva dos alunos e permanentemente vinculada aos objetivos da disciplina. e. é que o professor reflita sobre o que vai fazer. se os instrumentos avaliativos devem ser provas. A palavra didática vem do grego didaktiké. As informações aqui concebidas permitirão ao professor utilizar uma Didática que atenda às expectativas.

impõe ao professor. quando bem elaborado. Nossa proposta é que.Apresentamos quatro deles: • Conhecer a fundo a matéria: é uma exigência essencial para a clareza da exposição. Devem estar em sintonia com a ementa. até mesmo. Objetivos Específicos O objetivo expressa e intencionalidade da ação docente. razão pela qual resolvemos reservar um espaço para refletir rapidamente sobre a mesma. e isto tem uma explicação histórica. esta prática docente é utilizada. dinâmicas de grupo. etc) Procedimentos de Avaliação (instrumentos) Identificar/listar os instrumentos que serÃo utilizados na avaliaç ão dos alunos (provas. afinal.) Recursos utilizados: Referências: Básicas Complementares Eletrônicas Quadro 1 –Modelo Plano de Aula Fonte: Elaborado pelos autores (2008) Temos o entendimento de que o modelo apresentado. Claro que existem professores que. área ou projeto. seja traçado um objetivo. trabalhos individuais. dramatização. 4 . as unidades e as subunidades que serão trabalhadas e. Não queremos enaltecer ou condenar a prática expositiva. fazendo uso da prática expositiva. os objetivos específicos.etc. contém os grandes temas que deverão ser tratados. ao mesmo tempo. seminários. trabalhos em grupo. O que pretendemos é alertar para as armadilhas que ela. O modelo apresenta. são utilizadas como alternativas complementares à aula expositiva. inconscientemente. em si mesma. (aulas expositivas. Propostas de Atividades Identificar os mecanismos didátic os utilizados para atingir os objetivos propostos e garantir a aprendizagem do aluno. 4 A U L A S E X P O S I T I VA S : S U A IMPORTÂNCIAE SEUS PERIGOS A prática de aulas expositivas é largamente utilizada pelos docentes. • Levar em conta o tipo de auditório: neste caso. As demais práticas. dinâmicas de grupos ou. Às vezes. cansativas. É interessante que cada tema/unidade seja subdividido e subunidades. o docente torna suas aulas informativas. do outro. o professor passa a ter as suas aulas traçadas no próprio Plano de Ensino. Objetos do Conhecimento (unidades e subunidades) Reúne um c onjunto de Temas/Unidades que serão trabalhados. os quais nortearão a organização do conteúdo programático para cada unidade a ser des envolvida no curso. pode auxiliar de forma eficiente o professor no seu dia-a-dia em sala de aula. seguindo essa proposta. autoritárias e com poucos momentos de estímulos para a compreensão do aluno. ou seja. conseguem promover aulas interessantes e. quando for o caso. Balcells e Martin (1985.18 Identificação: Fase: Disciplina: Professor (a): FILOSOFIA DA INSTITUIÇÃO EMENTA Carga Horária A ementa apresenta o rol das temátic as que c onstituem a disciplina. como. de um lado. apud GODOY. 1997) sugerem nove pontos a serem levados em consideração no momento de preparar uma aula expositiva. desde os tempos mais remotos do Ensino Superior. estudo de cas o. Assim. por exemplo. é . carregadas de conteúdos. para cada uma das subunidades. pois entendemos que. o professor ganha tempo e direcionamento nas suas atividades.

não há consenso sobre o significado da palavra currículo. conteúdos e sequência de atividades a serem implementados pela escola. o professor só age de forma justa se der as notas de acordo com as regras e normas apropriadas ao contexto particular. o professor precisa ter cautela para que isso não transforme a exposição em uma leitura simples e enfadonha do material por ele preparado. jornada. • fixar um norte e buscar referenciais (o processo de avaliação precisa estar relacionado aos objetivos da disciplina). 4. . • A duração da aula expositiva: uma vez que a exposição oral feita pelo professor é. Para Pacheco (1996. propomos que a avaliação seja um instrumento para: • revelar o que ainda precisa ser feito (os instrumentos avaliativos são indicadores daquilo que o aluno aprendeu/compreendeu e daquilo que precisa ser ainda compreendido). derivada do verbo currere. trajetória. • identificar o que de positivo já foi feito.. 59). baixar ou aumentar os níveis de expectativas).6 CURRÍCULO: CONCEITUAÇÃO E DIFERENTES DIMENSÕES Currículo é palavra de origem latina. as normas e regras apropriadas às provas.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 19 importante certificar-se se os alunos possuem os conhecimentos prévios necessários para acompanhar a exposição que está sendo realizada. quando atribuímos ao currículo a sequência linear e ordenada de estudos ou o conjunto de disciplinas que compõe um determinado curso. não apresentam sentido ou vínculos com a realidade. p. • programa com conteúdos e valores social. muitas vezes polissêmicas e controversas. o aluno pode sentir-se instigado em querer saber mais sobre os temas expostos. nesse caso.] uma de sequência ordenada. Todo professor sabe que os alunos que fazem as melhores provas não são. Sob esta ótica. muitas vezes. os que merecem as melhores notas. o currículo tem sido definido como: • rol de disciplinas ou grade curricular a ser seguida. outra de noção de totalidade de estudos”. podendo despertar o aluno para a importância do que está sendo trabalhado. 4. • determinação de objetivos. • Uso de apontamentos: embora seja útil que a aula expositiva seja dada a partir de anotações elaboradas previamente. política e economicamente contextualizados para que os alunos possam contribuir e interferir na reconstrução da sociedade. comemorar as conquistas). • compreender o processo (tanto para os alunos como para os professores). Conforme argumentaApple (1994. O termo currículo. Para Heller (1998). temos a compreensão de currículo como uma sequência ordenada. normalmente. pois requer imparcialidade.. • O uso dos audiovisuais: a utilização de imagens e de pequenos textos contribuem à medida que podem seduzir o aluno na prática de ensino. não se pode negar que ele é fruto do seu tempo. Como podemos observar. • resultados pretendidos de aprendizagem pela escola ou professor. p. necessariamente. tem apresentado diversas definições. • habilidades a serem dominadas visando ao desenvolvimento profissional dos alunos. pois é o momento em que o professor socializa todo o seu arcabouço teórico e prático. A aula expositiva não pode ser evitada. que significa caminho ou percurso a seguir. ratificar o que já existe (inclusive. Contudo. sob o risco de provocar a desatenção dos estudantes. Nesse instante. O professor deve evitar falar incansavelmente coisas que. o professor deve evitar estendê-la por um tempo excessivo. Entretanto. • experiências recriadas pelos alunos por meio das quais se desenvolverão.5AVALIAÇÃO A avaliação deve ser entendida como um instrumento que vai além de uma simples mensuração dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula. • implementação do plano reprodutivo para a escola de uma determinada sociedade. desde sua concepção como campo de trabalho específico na área educacional. • corrigir os rumos (alterar procedimentos metodológicos. em que eles podem ter uma participação mais ativa. Atualmente. • conjunto de conhecimentos ou matérias a serem superados pelo aluno. • programa de atividades planejadas seqüencialmente e metodologicamente ordenadas conforme orientação obtida no manual do professor. a justiça é uma virtude fria. Ao longo da história. mais cansativa para os alunos do que outras práticas de ensino. 15) encerra duas ideias principais: “[.

como das práticas da sala de aula (currículo em ação). sobretudo. O currículo apresenta diferentes dimensões: • Currículo oficial: é o que foi planejado oficialmente para ser trabalhado nas diferentes disciplinas e séries de um curso. como daquilo que silencia. assim.prima de criação. O currículo revela aspectos vinculados a relações de poder. 28). qualificada pelo conhecimento. Historicamente. também. O currículo é. as escolas se preocuparam mais em desenvolver os conteúdos conceituais. indo deste para as práticas e ações dos professores. tanto das propostas curriculares (currículo formal).. Portanto. • Currículo explícito: representa a dimensão visível do currículo e se constitui nas aprendizagens intencionalmente buscadas ou deliberadamente promovidas por meio do ensino. há de ser construída uma escola cuja construção demande uma passagem que se inicia no âmbito dos princípios filosóficos e prossiga em direção a um projeto pedagógico. Inclui. passando pelas aulas. tanto em função do que diz. até. O currículo não é um veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido. da visão de algum grupo acerca do que seja conhecimento legítimo. 1993). p. Deve haver um repensar constante sobre sua contemporaneidade. É produto de tensões. recriação e. o que configura o contexto educacional como um espaço fundamentalmente político (FREIRE. resultado da seleção de alguém. pelas que se referem à gestão escolar. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. desde o currículo e o comprometimento dos pais. que. para Moreira (1994. ou seja. • Currículo em ação ou real: são todos os tipos de aprendizagens que os estudantes realizam como consequência de estarem escolarizados. seu significado é fundamental para entender o currículo como espaço de afirmação e negação de elementos das diferentes culturas. pelas metodologias adotadas e. • Currículo formal: abrange todas as atividades e conteúdos planejados para serem trabalhados na sala de aula. nas Propostas Curriculares das Secretarias de Educação ou nos livros didáticos elaborados a partir destas. e não só de conteúdos de conhecimentos a assimilar. Nenhum currículo pode fixar-se por muito tempo. alcançada pela convivência e pela ação concreta. também.. Também chamado “campos de silêncio” ou de “omissões”. políticas e econômicas que organizam e desorganizam um povo. de contestação e transgressão. o currículo oficial. um terreno de produção e de política cultural no qual os materiais existentes funcionam como matéria. A educação assim concebida indica uma função da escola voltada para a realização plena do ser humano.] Ele é sempre parte de uma tradição seletiva. abrangem conhecimentos significativos e fundamentais para a compreensão da realidade e para a atuação nela. Essa passagem pressupõe uma reflexão de todos os envolvidos sobre todas as decisões que dão forma a uma escola. Os alunos precisam. É a consequência de viver uma experiência num ambiente que propõe-impõe todo um sistema de comportamento e valores.20 O currículo nunca é apenas um conjunto neutro de conhecimentos [. produzindo efeitos sobre o estudante. Nesta perspectiva. sua atualidade e sua adequação ao que está acontecendo no mundo real. É o que consta na Proposta Curricular do Estado. muitas vezes. de conteúdos atitudinais e procedimentais que lhes sirvam para melhor entenderem a sociedade global e melhor conviverem e agirem em sua comunidade e em sua atividade. conflitos e concessões culturais. . • Currículo vazio ou nulo: se constitui nos conhecimentos ausentes.

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contribuir com os esclarecimentos e exposições do professor e participar ativamente das discussões em sala de aula e dos trabalhos em grupo. além de saber trabalhar em equipe e ser um grande pesquisador. as escolas se aproveitaram disso e criaram oAmbiente Virtual deAprendizagem (AVA). se o aluno não desenvolve atividades para o aproveitamento de seu potencial. podem ser realizadas on-line. buscando aprimorar seus conhecimentos. o professor só se preocupava com o aluno em sala de aula. Deve. Nesse ambiente. Em um mundo onde as informações estão disponíveis para qualquer um. Algumas das diversas atividades realizadas pelo homem. bem como salas de aulas equipadas. OAVAtem vários objetivos. privilegiando a atividade do sujeito na construção do conhecimento. também já está presente na educação. “um ambiente de aprendizagem poderá ser muito rico. entre os quais citamos: • oportunizar um espaço de interação entre os sujeitos por meio de diferentes tipos e objetos de conhecimento possibilitados pelo ambiente. facilitando o processo de aprendizado do aluno como usuário. sua relação com o aluno pode ocorrer. e este. • propiciar um espaço para a realização de experiências educacionais com uma proposta pedagógica inovadora. 1998). como com internet. agora. O AVA é um sistema que fornece suporte a qualquer tipo de atividade realizada pelo aluno. • possibilitar a interdisciplinaridade num ambiente de cooperação entre sujeitos de diferentes áreas de conhecimento. Enfim. Os ambientes virtuais surgem como mecanismos auxiliares. a maior e talvez mais significativa esteja ocorrendo atualmente por intermédio da tecnologia. também. O ambiente virtual torna-se um grande parceiro do professor em regime presencial. Nos ambientes virtuais. o professor deve estar preparado para qualquer questionamento.22 5 AMBIENTE VIRTUAL: NOVOS DESAFIOS PARA PROFESSORES E ALUNOS Os professores do Ensino Superior necessitam conviver e aprender a trabalhar com os novos espaços de aprendizagem escolar presentes no século XXI. Cabe. Um exemplo disso é quando vamos ao banco. • possibilitar a vivência de uma cultura da aprendizagem que implique rupturas paradigmáticas. nada acontecerá”. mas não como substitutos da relação presencial entre professores e alunos. interessado e autônomo. A inserção da tecnologia na educação começou com a popularização da internet como um espaço de pesquisa. passa a ser um usuário ativo que contribui para o aprimoramento de sua aprendizagem. também. pois ele deve ser participativo. assim como amplia e enriquece os espaços de aprendizagem. é um conjunto de ferramentas para diferentes situações do processo de aprendizagem. de comunicação e de aprendizagem. Consequentemente. ainda. utilizando diversos . que já é ferramenta importante nas casas e escolas brasileiras. Para Galvis (1992. • oportunizar um espaço de desenvolvimentopesquisa-ação-capacitação de forma sistemática e sistêmica. Este sistema possibilita a interação entre os participantes. cabe ao aluno o papel principal. hoje. ao mesmo tempo em que permite uma continuidade das atividades em ambientes externos aos bancos escolares. efetivando a cooperação e a importância do trabalho em grupo como alavancador do processo de mecanismos cognitivos e afetivos. chamado de ambiente virtual. quando fazemos compras pela internet ou. são mecanismos indispensáveis para a efetivação do processo técnicopedagógico. porém. p. a distância. por sua vez. são fundamentais os papéis do professor e do aluno. Apesar de as mudanças na educação brasileira ocorrerem com pouca frequência e permanência. O AVA é um sistema de gerenciamento de ensino e aprendizagem que funciona pela internet. pois só assim terá a certeza de que os softwares e demais tecnologias poderão atingir os objetivos pedagógicos (VILLA. i to é. o ambiente online. Estamos nos referindo ao computador. Antes. Os laboratórios de informática. igualmente. lemos um jornal on-line. principalmente em sua área de atuação. 52). ao professor sempre se reciclar e aprender a aprender constantemente. Compete ao educador o papel de mediador de informações. organizado.

mesmo. o professor pode elaborar questões de múltipla escolha. chat. O chat é uma ferramenta de comunicação que permite a interação entre duas ou mais pessoas em tempo real. em tempo real. proporcionando a possibilidade de aprofundamento dos mesmos e a troca de informações e de conhecimento. Outra forma de usar o fórum é formular argumentos a partir de uma problemática.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 23 recursos de comunicação. Assim. etc. o que ajuda quem não pode estar on-line na hora de um chat. São alguns desses recursos: o chat. a webconferência e o fórum. 5. estimular a reflexão sobre um tópico ou revisar o conteúdo. simplesmente. refletir sobre eles. o quiz. Com este recurso. pois utiliza áudio. o trabalho da correção.3 WEBCONFERÊNCIA A webconferência é um recurso que possibilita a comunicação de um ou mais participantes por meio de webcam. na qual o aluno deve postar os argumentos a favor ou contra. gráficos. ainda. organizar o estudo de textos ou. constituir-se numa prova virtual. transferência de arquivos e ainda serve como ponto de encontro para os participantes e suporte para dúvidas. pois permite que. O professor pode trabalhar com um tema polêmico e orientar o grupo a dar sua opinião sobre o tema ou posicionar-se diante dos colegas. Possibilita encontros virtuais para a discussão e a troca de informações de modo mais informal e atrativo. O quiz também pode ser utilizado o questionário para verificar a aprendizagem do aluno em determinado conteúdo. a turma pode ser dividida em dois ou mais grupos. interação e construção entre os sujeitos que participam do ambiente. independente de elas estarem on-line. 5. associação ou descrição.2 QUIZ O quiz é uma atividade composta por questões elaboradas pelo professor. É um recurso completo. os alunos precisam pesquisar e estudar o tema. 5. desenhos. O aluno também é livre para designar um questionamento para um ou mais colegas responderem por meio do fórum. Os alunos e os professores podem se comunicar em tempo real. verdadeiro ou falso. . vídeo. poupando. significa conversação ou. Pode ser utilizado para a discussão de temas propostos em sala. é fortemente utilizada no Ensino a Distância. além de que este recurso permite a apresentação e o recebimento de textos. Na educação. pelo professor. assim. por exemplo. que pode ter prazo definido para a sua realização e ser avaliada automaticamente pelo sistema.1 CHAT A palavra chat. Anotações 5.4 FÓRUM O fórum de discussão é uma ferramenta que permite a interação entre duas ou mais pessoas. resposta numérica. apresentação de slides ou outros documentos. resposta breve. Além disso. em português. Um fórum proporciona a discussão de temas mais específicos relacionados aos conteúdos mediados e orientados pelo professor. alunos e professores conversem com o intuito de esclarecer dúvidas sobre os temas estudados ou. e cada grupo ficar responsável pela defesa de um determinado ponto de vista. para os alunos tirarem dúvidas sobre determinado tema ou para elaboração. bate-papo. de questões sobre um tema e realização de questionamentos.

o ensino “[. pois. O aluno universitário deve ser desafiado como investigador.. “[. 2004. O acompanhamento do professor é condição especial para a utilização dessa estratégia. em si. algumas vezes. Neste contexto relacional.] contém. Os alunos precisam ter clareza dos estudos a serem feitos e dos papéis a serem desempenhados em um seminário. p.] devem se tornar objeto de trabalho sistemático na universidade para todas as áreas de formação”. a historicidade e a contextualização dos temas trabalhados devem estar sempre incluídas nas aulas. que. apresentar resultados e recomendações.. Permite verificar o levantamento de hipóteses. bem como orientar os alunos durante o processo para que tenham domínio e coerência no momento da socialização. selecionar dados e procedimentos de investigação analisar. deve resolvêlo aplicando leis ou princípios que estão sendo discutidos como objeto de estudo. basicamente. as habilidades de leitura e interpretação ainda se encontram pouco desenvolvidas nos alunos. (ANASTASIOU. O problema deve levar em conta o enfrentamento de uma situação nova para o aluno. deve construir projetos: definir problemas de pesquisa. organiza. solução de problemas. o professor direciona. a participação do grupo é imprescindível. A condução de uma aula ou a aplicação de uma dinâmica será sempre útil desde que envolva reflexão e sentimento. 6. A seleção das estratégias e da metodologia de ensino a ser utilizada está diretamente relacionada ao Projeto Político-Institucional (PPI) e ao Projeto Pedagógico de Curso (PPC). operacionaliza e insere as estruturas de ensino e de aprendizagem. ALVES. a reflexão. 6. a intenção de ensinar e a efetivação dessa meta pretendida”. O que garante o sucesso desta estratégia de ensino e de aprendizagem é a sua preparação. dramatização. adquirir autonomia e desenvolver a disciplina. a criticidade.2 SOLUÇÃO DE PROBLEMAS Trata-se da apresentação de um problema em sala. desenvolve a criatividade e a imaginação. dinâmicas de aulas em que o ensino se resumia à apresentação. explorar ideias.1 ESTUDO DE TEXTO Um texto pode ser utilizado para buscar informações novas. Em sua formação profissional inicial. ou seja. Nesta direção. Trata-se. capaz de mobilizar o aluno para a busca de soluções. seminário. simpósio e oficina (workshop).. da exploração das ideias de um autor a partir de um estudo crítico. 80). fazer análises ou elaborar novos conhecimentos. “soltos”. possibilita interação e liberdade de . seguida de explicação de conteúdos. a partir de dados expressos na descrição desse problema. interpretar e validar suas suposições. Hoje sabemos que. O trabalho docente. além da construção de conhecimentos.. Trata-se da apresentação de um tema resultante de um trabalho de pesquisa sobre determinado conteúdo. Lembramos que o ensino com pesquisa deve estar presente sempre. É preciso organizar um calendário para as apresentações e espaço físico. a análise de dados. não se reduz ao ensino e requer a avaliação constante de um processo que envolve um conjunto de pessoas na construção de conhecimentos e saberes. A criticidade.3 SEMINÁRIO É um espaço para semear ideias. 13).24 6 ESTRATÉGIAS DE ENSINO Muitos professores vivenciam. A transmissão imperava. na condição de alunos. devem ser propostas ações que desafiem o aluno e que possibilitem o desenvolvimento de suas operações mentais. deve assumir responsabilidades.4 DRAMATIZAÇÃO É uma representação e atende a várias finalidades: incita a capacidade de os alunos se colocarem no papel de um “outro”. a criatividade e a totalidade de diferentes contextos. Procuramos pontuar algumas estratégias capazes de acrescentar elementos que auxiliem o professor na organização da sua atuação docente: estudo de texto. duas dimensões: uma utilização intencional e uma de resultado. Para Anastasiou e Alves (2004. p. A sensação de pertencimento à turma é outra condição necessária para que a aula aconteça. muitas vezes. pois é o momento de apresentar sínteses integradoras. 6. 6. então.

conceitos e argumentos relacionados a um objeto de estudo ou a uma situação. saídas a campo. relato de pesquisas e de experiências. como: palestras. a pertinência das questões.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 25 expressão. poesias.6 OFICINA(WORKSHOP) Favorece a aprendizagem de um ofício. releituras de músicas. evitando repetições. Na oficina. É preciso levar em conta a logicidade dos argumentos. Além das estratégias citadas. apresentadas por várias pessoas sobre diversos aspectos de um mesmo assunto. o estabelecimento de relações e os conhecimentos relacionados ao tema. processamento de dados e de conceitos já adquiridos. Os jogos e os portfólios são exemplos de estratégias que também podem ser utilizadas. 6. Anotações . implica aplicação. Deve conter ideias. dinâmicas recreativas. vivência de sentimentos. e estimula o pensamento. Pode ser planejada ou espontânea. atividades práticas. a visão de múltiplos olhares e escutas diferenciadas. Trata-se da reunião de um grupo com interesses comuns.5 SIMPÓSIO Possibilita a ampliação de conhecimentos. outras poderão se fazer presentes no dia-a-dia de sala de aula. vídeos. A organização e o planejamento são condições para que a oficina aconteça. Um mesmo conteúdo é dividido em unidades significativas e cabe ao professor a indicação de bibliografias a serem consultadas. Pode conter dinâmicas diferenciadas. a experiência de cada um é muito importante para a construção de um novo fazer. pois trata de reunir palestras e preleções breves. 6. confronta pontos de vista. Tem efeito multiplicador. etc. que aprofunda um tema sob a orientação do professor.

Todas as possibilidades de abertura que conduzem para uma confiança mútua. também. A educação precisa ser “emancipadora”. podemos arrolar algumas características dessa etapa da vida que distinguiriam. Esta particularidade precisa ser considerada no sentido de o professor conhecer melhor esses sujeitos.26 7 ANDRAGOGIA: APRENDIZAGEM DO ADULTO No Ensino Superior. criadas pelas experiências de vida. para que este não se sinta inferiorizado e se torne retraído. Acumulam experiências de vida que vão ser fundamento e substrato de seu aprendizado futuro. essas peculiaridades da etapa de vida em que se encontra o adulto fazem com que ele traga consigo diferentes habilidades e dificuldades (em comparação com a criança) e. Preferem aprender para resolver problemas e desafios. em pouco tempo. Alguns pesquisadores. Oliveira (1999. Cavalcanti (2007) apresenta um estudo. podendo o mesmo durar a vida toda. de maneira geral. trabalhamos com sujeitos que chegam à universidade ainda adolescentes e que. percebendo que muitos métodos de aprendizagem possuem direções específicas para crianças. para Pinto (1991). que tem sua origem no grego (paidós = criança e agogós = que conduz). reduzindo seu interessepor conhecimentos a serem úteis num futuro distante. termo próprio para designar a educação de adultos. por exemplo. precisam ser oportunizadas. de que andragogia é “a arte e a ciência de orientar os adultos a aprender”. . introduzem a palavra andragogia. Por isso. Alguns estudos atuais têm apontado para a necessidade de conhecer o processo de aprendizagem dos adultos. entre o educador e o educando adulto. Neste sentido. A própria palavra pedagogia ou paidagogos. que não pode ser o mesmo das crianças. diferentemente da “educação bancária ou domesticadora”. No sentido apontado. que. necessariamente. tem ideias próprias. portanto. Cavalcanti (2007) destaca. aquele que conduz a criança. autodirecionados. maior capacidade de reflexão sobre o conhecimento e sobre seus próprios processos de aprendizagem. Estudos da psicologia também têm apontado para um processo evolutivo do desenvolvimento cognitivo na idade adulta. significa. A este respeito. que. 60-61) afirma que Embora nos falte uma boa psicologia do adulto e a construção de tal psicologia esteja. apresentando habilidades cognitivas de aprendizagem diferentes das crianças e dos pré-adolescentes. literalmente. Assim. sobre si mesmo e sobre as outras pessoas. contestam-nos no sentido de que o adulto aprende de outras formas. conhecimentos acumulados e reflexões sobre o mundo externo. provavelmente. sentir-se realizadopor ser capaz de uma ação recém-aprendida etc. O educador precisa partir da premissa de que o adulto é um ser pensante. Passam a esperar uma imediata aplicação prática do que aprendem. então.reconhecimento. como se pode constatar em programas de educação permanente ou continuada. Traz consigo uma história mais longa (e provavelmente mais complexa) de experiências. para a interpretação da realidade que o cerca e a conscientização de sua situação. em 1926. “à medida que as pessoas amadurecem. Freire (1970) afirma que o ser humano deve ser o sujeito de sua educação.). e expõe oralmente com uma facilidade impressionante. para Knowles. p. como notas em provas. mais que aprender simplesmenteum assunto. o adulto da criança e do adolescente. fortemente atrelada a fatores culturais. Desenvolver ações pedagógicas que extrapolem a passividade do estudante adulto é oportunizar a participação do mesmo. Direcionam seus interesses pelo aprendizado para o desenvolvimento das habilidades que utilizam no seu papel social. Passam a apresentar motivações internas (como desejar uma promoção. avançam para a idade adulta e. o educador não pode se apresentar de forma arrogante e erudita diante do adulto que busca ampliar sua formação. sofrem transformações e: Passam de pessoas dependentes para indivíduos independentes. no qual cita Knowles. passou a ser o disseminador das ideias geradas por Lindermann. quando seu interlocutor lhe oferecer abertura para isso. capaz de habilitar o indivíduo para o auto. destacando-a como a educação que conscientiza ou problematiza. em 1970. mais intensas que motivaçõesexternas. Com relação à inserção em situações de aprendizagem. para que o planejamento de ensino apresente estratégias compatíveis aos estilos de aprendizagem dos mesmos. na sua profissão. O adulto está inserido no mundo do trabalho e das relações inter-pessoais de um modo diferente daquele da criança e do adolescente.

Quadro 2 – Princípios da pedagogia e da andragogia Fonte: Cavalcanti (2007). Não se trata de abandonar todas as metodologias tradicionais. 2. auto-avaliar-se e ser capaz de desencadear um processo de motivar. após 72 horas. Estilo Ativo: se apresenta nos indivíduos ousados. a utilidade. que. sistemáticas. como o intitulado “estilo de aprendizagem”. analíticas. após o mesmo prazo. 4. que buscam a lógica no que fazem. participativos.se tem propiciado às empresas muitas vantagens. descobridores. observadoras. prudentes e que gostam de estudar o comportamento humano. são objetivas. Estilo Teórico: predomina em pessoas mais metódicas. receptivas. simultaneamente. no sentido de possibilitar. são quatro os estilos de aprendizagem observados em alunos universitários. a produção de conhecimento e a humildade. Estilo Reflexivo: encontra-se em pessoas ponderadas. Segundo Portilho (2008). por meio de suas características específicas. Andragogia A aprendizagem adquire uma característica mais centrada no aluno. desejosos por aprender e que geralmente são muito falantes. através da discussão e da solução de problemas em grupo. currículo padronizado). como ensinar e avalia a aprendizagem. inclusive. na independência e na auto-gestão da aprendizagem. e a experiência do aluno tem pouco valor. padronizado.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 27 Cavalcanti (2007) destaca. para a administração de recursos humanos de muitas empresas. Experiência do Aluno Orientação da Aprendizagem Aprendizagem por assunto ou matéria. planejadoras. além de serem diretos e objetivos nas coisas que fazem. Características da Aprendizagem 1. pois. competitivos. Outros estudos apontam para diferentes maneiras e estratégias que os indivíduos adultos apresentam para aprender. uma relação horizontal entre o mestre e o aprendente. criativos. Estilo Pragmático: aparece em alunos cujas características mais expressivas são a praticidade. espontâneos. e as informações mais lembradas são aquelas recebidas nos primeiros 15 minutos de uma aula ou palestra. a adoção de estratégias e de conceitos andragógicos nos currículos e abordagens didáticas no Ensino Superior. 3. Os princípios apresentados no Quadro 2 já estão sendo utilizados. (Grifos do autor). Aprendizagem baseada problemas. detalhistas. as diferenças entre os princípios da andragogia e da pedagogia. a segurança em si. disciplinadas e curiosas. A experiência é rica fonte de aprendizagem. decide o que ensinar. persistentes. improvisadores.. Entretanto serão capazes de lembrar de 85% do que ouvem. Pedagogia O professor é o centro das ações.. Cavalcanti (2007) também apresenta a observação de Kelvin Miller sobre a análise de que estudantes adultos retêm apenas 10% do que ouvem. Gostam de experimentar técnicas novas e atuais. exigindo amplagama de conhecimentospara se chegar à solução. vêem e fazem. gostam de saber os “porquês” e buscam modelos e teorias em tudo o que conhecem. planejadas e dirigidas para a formação dos profissionais. O ensino é didático. mas se trata de oportunizar um aprender e um ensinar mais compartilhado e democrático. ainda. a eficácia. úteis quanto às estratégias e aos planejamentos para facilitar a aprendizagem do adulto (Quadro 2). Relação Professor/Aluno Razões da Aprendizagem Pessoas aprendem o Crianças (ou adultos) devem aprender o que realmente precisam saber (aprendizagem para a a sociedade espera que aplicação prática na saibam (seguindo um vida diária). O fato de o adulto autogerir seu próprio aprendizado. ajudam a identificar quais estilos cada um adota no momento de aprender: . críticas. As reflexões e os estudos aqui apresentados exigem.

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Arte e História da Cultura . um terreno de produção e de política cultural no qual os materiais existentes funcionam como matéria. recursos e 2 Disponível em: <http://www.LEITURAS COMPLEMENTARES O PAPEL DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO EM TERMOS DA DIDÁTICA. No entanto. da metodologia utilizada pelo professor universitário em sala de aula. Palavras-chave: Professor universitário. considerando os avanços alcançados como alavanca para novas aprendizagens. depende para que ocorram mudanças. sua curiosidade.MBA em Gestão Educacional (Monografia Científica: As competências do líder-gestor educacional na organização escolar privada) . para buscar ideias inovadoras de autores pertinentes ao assunto. A didática é a procura de escolha de procedimentos para que o aluno aprenda. Diante dos aspectos apontados. construindo e vivenciando com eles atividades pedagógicas no cotidiano da sala de aula universitária. Para que isso ocorra.Universidade Mackenzie Pós-graduação .UNIP (2001) Pedagogia – Habilitação: Administração Escolar (Monografia Científica: A psicopedagogia e os problemas de aprendizagem) – Universidade Mackenzie (1997) Magistério – Colégio Sagrado Coração de Jesus (1994). 3 Formação Acadêmica Pós-graduação stricto sensu – Mestranda em Educação. assim. FRENTE AOS NOVOS DESAFIOS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA² Daniella Basso Batista Pinto³ Resumo Com o presente texto. é de extrema importância que o professor universitário tenha consciência do sentido do ensino como sendo o ato de se organizar. planejamento. O professor deve se utilizar da avaliação como atividade contínua e diagnóstica. de contestação e transgressão. Foi realizado por meio de uma revisão bibliográfica referente aos conteúdos trabalhados e discutidos em sala de aula na disciplina de Didática do Ensino Superior. ou melhor. a fim de “ser” um professor marcante positivamente para os alunos. frente aos novos desafios da sociedade contemporânea. Não basta apenas o professor tomar conhecimento da teoria que cerca o seu trabalho. São os métodos. Faz-se necessário que o profissional passe constantemente pelo processo de formação. dificuldades do corpo discente.br>.com. O currículo é.gestaouniversitaria. posturas utilizados pelos docentes visando à aprendizagem do aluno. com postura flexível e utilização de avaliações diversificadas. o qual se dá por meio de um processo contínuo de reflexão-ação-reflexão.Universidade Paulista . Para tanto.prima de criação. bem como para uma reflexão da teoria e mobilização da prática desses profissionais da educação. devido aos impactos das novas tecnologias na sociedade e na educação. objetivou-se mostrar o papel do professor universitário. O currículo não é um veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido. avaliação. Didática. sobretudo. 1 INTRODUÇÃO O artigo traz uma reflexão sobre o papel do professor universitário. a aprendizagem do professor deve ser sempre atualizada. à sua identidade. sem haver uma mobilização de sua ação consciente de acordo com os novos desafios propostos. Deve ter em mente a importância das implicações do ofício de docente no que se diz respeito às suas competências. Teoria. A formação do professor se dá por meio de um processo contínuo de reflexão. Mobilização. articular e apresentar o conteúdo.Uni FMU (2007) Epanhol – CNA (cursando) Pós-graduação lato sensu – Curso de Especialização em Psicopedagogia (Monografia Científica: Os comprometimentos do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade em crianças na fase de alfabetização) . Sociedade. recriação e. criando situações para que os alunos interajam entre si e com os conteúdos de ensino e desperte. reflexíveis. Além disso. sem se importar com o desempenho dos alunos. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. refletir sobre a sua prática. tem-se que considerar a importância da base intelectual do profissional. O professor universitário que não tem didática só pensa na transmissão do conteúdo trabalhado. Mas faz-se. Desafios. para que o processo ensinoaprendizagem ocorra por meio de conteúdos significativos. frente aos novos desafios da sociedade contemporânea. assim. necessário que ele coloque em prática os quatro pilares da educação. em termos da didática. é necessário prever e organizar o espaço e o tempo. Prática. deve haver um .32 ANEXO A . em termos da didática. ou seja. sem se preocupar com a formação integral do sujeito que quer formar para a vida. também. Neste sentido.

(ISAIA. seja na escola. o professor ideal é aquele que marca positivamente seus alunos. revela a compreensão do processo de ensinar e de aprender pelo professor. verificar e fazer julgamentos. formar e elevar o indivíduo e o gênero humano. finalmente aprender a ser. sonhos. é de grande importância trabalhar com as atividades pedagógicas diversificadas.. autoavaliação e auto-regulação. Não fica preso a uma única estratégia. a fim de levar o aluno a progredir e realizar com mais segurança as atividades futuras. envolvê-los com sua formação profissional e tornar significativo para eles o curso de graduação [. Neste sentido. tem anseios. explicações e demonstrações. busca a verdade a despeito de todas as dificuldades e contingências.. por melhores que sejam. conhece bem a área. então. Por isso. aprende a viver com os outros e aprende a ser. Castanho (2001) conclui que o professor: “[. Está constantemente se atualizando. 2001). nem um simples exercício de criação ou construção de novas ideias. 2004). pois é por meio deles que se formam cidadãos conscientes de que o respeito e a solidariedade são . mas também à função do ensino.] sempre que desenvolvemos atividades pedagógicas com a preocupação de criar melhores condições para a aprendizagem dos alunos. Permite a troca. para torná-la compreensível. aprender a viver juntos. Ensina a caminhar com passos firmes e também ensina o fascínio do ousar.. esperanças.Ama a profissão. em seu relatório para a UNESCO (1999) A educação deve organizar-se em torno de quatro pilares fundamentais que serão de algum modo para cada indivíduo. a qual leva à transformação de sua ação.. aquele que aprende a conhecer. ilustrações. Enfim. Motiva as aulas. Esta é capaz de motivar os alunos para desenvolverem seu processo de aprendizagem. contínua e processual. aquele que não dá apenas aulas expositivas. assim. que pode ser imposto ao fazer docente. Valoriza. tem o olhar além do que é óbvio. aquele que planeja suas aulas. aceita a aproximação com o aluno (afetividade). detectar as dificuldades durante o processo. O professor não deve ficar amarrado só às questões cognitivas. Assim. mas uma prática que expressa a tomada de decisões e as concepções que temos acerca de nossa ação pedagógica. mas uma atividade que permite diagnosticar o que foi aprendido.. desenvolve os quatro pilares nos quais a educação se baseia ao longo de toda a vida. a fim de levar à reflexão e buscar informações para mobilizar o processo de aprendizagem e adquirir percepções que ajudarão por toda a vida.. ou seja. aprender a fazer. Não permanece preso a livros. usa. o diálogo e permite a integração do grupo... Neste sentido. as formas mais úteis de representação das ideias. o professor ideal é aquele que cria situações para desenvolver o olhar crítico e o pensamento reflexivo. (CASTANHO. A Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI afirma. ensinar. deve se preocupar com a realização pessoal do aluno em sua totalidade. adquirir os instrumentos da compreensão. Procura conhecer o aluno. integrando as várias contribuições das várias disciplinas. afirmando que: A construção do papel do de ser professor é coletiva. seja na universidade. se faz na prática de sala de aula e no exercício de atuação cotidiana.] Vale ressaltar que há uma atividade pedagógica que é fundamental que o professor universitário desenvolva: a avaliação. a maneira de representar e formular a matéria. Os valores humanos são essenciais para a formação do aluno. O domínio desses aspectos é fundamental na construção do conhecimento pedagógico pelo professor. em sua prática. as quais devem ser eficientes e eficazes para colaborar com a aprendizagem dos alunos e melhorar a qualidade dos cursos. Educa para a vida.] amplia os horizontes próprios e dos alunos.. via essencial que integra as três precedentes. para poder agir sobre o meio envolvente. aprende a fazer. O professor universitário.. deve ser formativa. as analogias. É o chamado professor inesquecível. Valoriza e propicia situações que aumentam a auto-estima.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 33 embasamento teórico e prático de didática. faz-se seguro e incute segurança. conseguimos motivá-los para o estudo das disciplinas. Masetto (2003) contribui dizendo que [. Enfim. os pilares do conhecimento: aprender a conhecer. demonstra preocupação por ele e o orienta. habilitar.: O professor é um artesão numa prática pessoal.] a reflexão não é um processo mecânico e solitário.” Por falar no professor universitário. aquele que alia características positivas do domínio afetivo às do domínio cognitivo. não é uma atividade que tem como objetivo apenas medir e controlar. como cidadão crítico... isto é. pressupostos da teoria interacionista e articula as posições teóricas na disciplina que ensina com postura política clara. [. aquele que ensina bem. ou seja. Aprende-se a ser professor com a prática reflexiva. Educar é a atividade humana que consiste em cultivar. com o objetivo de formar o homem total. pois implica em trocas e representações. dúvidas. Ensina trilhas e desenvolve o atrevimento de sair das trilhas aprendidas. Isaia (2004) completa o seu pensamento. a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas. exemplos. compartilhada. É uma conquista social. capaz de auto-observação. vai além da transmissão de conteúdos.

Ao ensinar. ano X. 2003. Deve buscar caminhos a fim de aprimorar e aprofundar seus conhecimentos e suas habilidades e se tornar. Somente assim haverá a transformação tão sonhada por todos. e sim no diálogo. Formação do professor do Ensino Superior: um processo que se aprende? Revista do Centro de Educação. Pedro. e não como mero reprodutor de ideias e práticas que lhe são exteriores. os dias passam. Marcos T. 2. S. ISAIA. et al. DEMO. PERRENOULD. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo. (org). São Paulo: Summus. MASETTO. Suplemento. 3. Precisam desenvolver as competências de criar. onde cada professor aprende a ter amor por aquilo que realiza e estimula as capacidades e as inteligências dos alunos. Infelizmente. São Paulo: Papirus. O novo papel dos professores. 2001. Para tanto. S. passa a ser o cerne das suas relações com os alunos. se questionando. Folha Dirigida. na capacidade de ouvir o outro. dinamizar situações de aprendizagem e estimular a aprendizagem e a autoconfiança nas capacidades individuais. v. os alunos passam os professores vão passando rapidamente por esses dias sem deixarem marcas profundas naquilo que realizam. onde as inteligências são somadas. RELATÓRIO PARA A UNESCO DA COMISSÃO INTERNACIONAL SOBRE A EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI. Enfim. se está atrasado e precisa ser atualizado. Educação: um tesouro a descobrir. o professor está participando de um processo de autoconhecimento e autotransformação. deve repensar em sua postura didático-pedagógica. Para eles.Assim. Os professores têm que repensar o seu papel. 2004. o conteúdo é mais importante e. marcante. Cortez. Neste sentido. O professor universitário deve estar a todo o momento se reciclando. ed. no confronto de ideias e práticas. 29. M. O grande desafio para os professores será ajudar a desenvolver nos alunos as capacidades de trabalho cooperativo e também o espírito crítico. ed. 2003. Philippe. nº 2. REFERÊNCIAS CASTANHO. considerando a noção de professor reflexivo que se baseia na consciência da capacidade de pensamento e reflexão que caracteriza o ser humano como criativo. 1999. PortoAlegre:Artmed. Santa Maria. a si próprio. Temas e textos em metodologia do ensino superior. nº 1017. p. É com a transmissão desses valores que o professor universitário deve se preocupar ao formar seus alunos para a vida. tem de se considerar num constante processo de autoformação e identificação profissional. Mas este não se desenvolve por meio de monólogos expositivos. O educador precisa agir na mesma lógica das capacidades e das atitudes que pretende ajudar a desenvolver nos alunos. .34 os pilares da sociedade. 1999. estruturar. ideal e fascinante no processo ensino-aprendizagem. o aluno como pessoa não é preocupação para muitos professores. para que haja mobilização em sua prática. 121-133. Construir as competências desde a escola. a cada dia. 17 a 23 out. a aula deve ser transformada em palco de discursos e práticas direcionadas para a autonomia e liberdade.

que predispõe ao bom humor como forma de ser. VALORES FUNDAMENTAIS DO MAGISTÉRIO Sempre coube à Família a tarefa de educar. por força do milagre sacramental (ex opereoperato). de um lado. muito mais sofrido e doloroso. De outro lado. não é possível o autodidatismo ? Sempre é possível.se o Mestre. uma 6 casta de Dirigentes Filósofos . Por isso. então. 2. Este é a liga. O processo de ensino e de aprendizagem prevê ao Mestre Professor a missão de ser a pedra de toque (a Pedra Filosofal dos alquimistas). Sujeito de direitos e obrigações na Sociedade. e pelo Coração. Platão. mas. o castelo da dedicação à causa. Esta energia deve tomar a forma da cordialidade. 7 Deve-se ter cuidado nas críticas ao Ensino a Distância. Em vários de seus diálogos. a cordialidade. O contato do aluno com os professores é fortemente acentuado pelo Material de Aprendizagem. 8 Sócrates. soergue coletivamente. . o citado filósofo expressa com ênfase a necessidade que tem a polis de governantes sábios que possam governar mesmo sem lei. Da própria Alquimia veio a noção do termo “catalisador”. 7 do referido Diálogo) não deixa de ser uma visão mística do Mestre. e grandemente versátil de outro. de inculcar nas novas gerações os valores fundamentais de suas respectivas culturas. sabedor do tremendo esforço dessa passagem da ignorância ao saber. pela complexidade da divisão social do Trabalho e das necessidades de força de trabalho altamente especializada. VALORES ESPECÍFICOS DA PRÁTICA MAGISTERIAL Os valores enraízam-se em nosso ser duplamente: pela Razão. tudo o que se denomina como “bons modos”. “Bom humor” é o fruto direto da harmonia entre o corpo e o psiquismo. o bom humor e o ideal da dedicação à causa acabam por levar finalmente à meta. Cordialidade e bom humor são o “assoalho do Castelo de Camelot”. formando-se. 6 Especialmente no diálogo A República. aquele elemento na presença do qual se realiza o milagre da transformação do “chumbo em ouro”. Esse milagre só é comparável ao das Bodas de Caná (Jo. por sua vez exigiram mestres com idênticas habilidades: conhecimento aprofundado e versatilidade nas ações pedagógicas. Dessa forma. assim. É esse o papel do Professor. O próprio Mito da Caverna (cap. demorado. com especialização pela Universidade Federal de Santa Catarina (1980) e mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina (1987). pela Cultura. as exigências de conhecimento e de diversidade de habilidades pediram a constituição de poderosas estruturas de ensino e de aprendizagem. em grego). planejador. compara-o ao trabalho de parto e. a própria relação Professor-Aluno é o sujeito (autor da ação) do processo de ensino e de aprendizagem. é fácil perceber que pessoa mal-humorada é como maçã estragada: acaba por contaminar o cesto todo. 7 Mas. Para a superação desse impasse. mostrando atalhos . Assim. levanta-se a questão da Educação e dos educadores como problema central. o “milagre” de fato ocorre na relação ensino e aprendizagem plena quando assistida pelo Professor. O Professor deve adotar esses valores como a força capaz de efetivamente tornar real a aprendizagem. entende-se o conjunto de princípios universais que norteiam a ação humana em seu amplo espectro. mas que de modo estrito aplica-se especialmente à política (relações de Cidadania) e às práticas profissionais (relações resultantes da divisão social do Trabalho). muito mais custoso. 8 apontando caminhos. que une as pessoas. o espírito. Feita a comparação. Estas. Com a Revolução Industrial e com o advento da Era Tecnológica. o personagem central é a própria transformação que acontece no âmago dos alunos: o milagre da passagem da ignorância ao saber. o cimento. O processo é interior ao aluno. produzindo os “humores espiritualizados”. inerente a toda e qualquer abordagem ética que se faça nos estudos da Sociedade. por sua Razão e Vontade Livre. embora seja pequena fisicamente. explicita a necessidade de uma educação primorosa. entre outros. Mais ainda: o Professor é a ponte com a Consciência. o Homem. o início do Pensamento Grego. já que a esta cabe a função de kubernetes (piloto navegador. delicadeza sem afetação e disponibilidade irrestrita (estar totalmente “presente”). fundindo-as em um único destino: a felicidade. (In memorian). com a Fonte Coletiva do Saber. da busca do Santo Graal. em honra a sua mãe.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 35 PRINCÍPIOS ÉTICOS QUE REGEM A PRÁTICA DO ENSINO SUPERIOR Prof. o Amor. Sálvio Alexandre Müller 5 4 Por Ética.1-12) e à “transubstanciação”. tanto em sala de aula quanto em outras modalidades de aprendizagem. que era parteira. o Filósofo denominou sua metodologia de ensino com o termo “maiêutica”. pela qual. pão e vinho são transformados no Corpo e no Sangue do Senhor (concepção medieval que trai a influência alquímica). constitui. a fonte perene da energia vital. 4 Arquivo particular do autor. 5 Graduado pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira (1975).

respectivamente. Que superação é esta? É o início de um caminho áspero em direção à “aula perfeita” que. Outra forma seria. em vez de encolher. VÍCIO Ira Orgulho Vaidade Inveja Avareza Medo Insaciabilidade Luxúria Preguiça VIRTUDE Misericórdia Humildade Plenitude Despreendimento Generosidade Coragem Sabedoria Moderação Amor Quadro 1 – As díades Fonte: Elaborado pelo autor. Por outro lado. Vale a pena dar uma passada de olhos nessas virtudes e nesses vícios que. Neste texto. na conquista da qual alcançará o ponto onde terá início sua marcha rumo à perfeição do exercício profissional. Aparentemente. a busca da consciência de si. em parte adquiridas pela prática ascética. o lado sombrio da personalidade. no final do séc. A comunicação. visam-se focar os vícios que entravam o processo de ensino-aprendizagem. traduzida em um enorme esforço pessoal. a conquista do equilíbrio emocional na vida familiar. cacoetes e desagradáveis manifestações do descontrole emocional. a base da utopia pessoal. Como Professor. por exemplo. como arremessar uma caneta contra os mesmos. que espetacularmente implementam os processos gerais da comunicação. outra. a cada dia. Uma das possíveis formas de apresentação desse paradigma é o de nove díades. capaz de agir impulsivamente. O protótipo histórico sob influência marcante dessa díade é o inquisidor espanhol. de abrir os horizontes para além de seu estreito casulo. facilitando extraordinariamente a busca dos dados do conhecimento. o que. transtorna-se e entra em crise histérica. Embora também acompanhem esse contexto. leva. repleto de manias. em sua plenitude. Esses novos processos têm como seu paradigma máximo a rede mundial de dados (internet). É de “marcar” certos alunos e os “persegue” pelo simples fato de pensarem diferentemente e com liberdade. jamais será alcançada. É uma proposta muito antiga. representou um belo achado intelectual para se dar conta das relações professor/aluno. meios auxiliares do ensino. Eis as díades (Quadro 1). de tal forma que. 10 Por que “uma das possíveis formas”? Porque a determinação dessa forma dependerá do objetivo que se queira atribuir a determinado trabalho. A comunicação também faz emergir as virtudes do bom Professor. Cordialidade e bom humor conformam a predisposição que antes se chamou de “assoalho de Camelot”. uma tipologia das personalidades originária provavelmente do Oriente. . elevam o Professor ao êxtase de uma aula perfeita ou o atiram no inferno e no caos de uma aula sem controle. Esta. mas que não perdeu sua força explicativa e está fazendo sucesso acadêmico nos Estados 9 Unidos . embora tenha enorme dificuldade de aceitar a opinião dos alunos. na e para a didática. sem dúvida. os demorados processos para a obtenção desses dados encareciam e retardavam a produção de novos conhecimentos. proveniente da frustração que decorre da concepção demasiado estreita que se tem do mundo e do Cosmos. o que se abordará aqui poderá parecer uma lição de psicologia educacional ou de formação da personalidade. Se os alunos persistirem em sua contestação. mas que. à Consciência infinita de Deus e à própria consciência. o dominicano Frei Tomás de Torquemada. é a própria essência do processo ensino e aprendizagem. Esse Professor cricri deve buscar a Magnanimidade (grandeza de alma: magna + anima). O cultivo dessas virtudes impede igualmente a florescência dos vícios correlatos. multiplicam-se os meios audiovisuais de grande efeito. Fornece uma compreensão mais operacional do inter-relacionamento das pessoas. Aferra-se aos dogmas. com o objetivo de servir de “caminho para o aperfeiçoamento”. que se parecem efetivamente à suprema e absoluta Verdade. 9 Faz-se referência aqui ao eneagrama. “dá conta do recado”. Antes. ainda. uma passagem segura dos vícios às virtudes. quer tomar o lugar pertinente à Consciência absoluta. quando esta perder os contornos limitadores do ego. Condenou milhares de judeus e hereges à fogueira em nome da ortodoxia católica. os fundamentos da tipologia dos professores propostos neste texto efetivamente vão muito além disso. em parte inatas. Esse Professor tem necessidade de desenvolver sentimentos de Misericórdia. A primeira díade tem como vício dominante a raiva. O pequenino ego. utilizando-se da Razão.36 Outro conjunto de valores que deve ser levado em conta são os recursos que os modernos processos de comunicação dispõem. Quer-se a realidade reduzida à própria medida. também. cada uma constituída do vício dominante na personalidade e da virtude que 10 representa sua superação . possibilitando a superação dos entraves e ruídos nesses processos interativos. sem dúvida. juntamente com a respectiva virtude. estará mais próxima. etc. XV.

Suas aulas são monótonas e sem vida. principalmente prestimoso e cooperativo. ele próprio o espetáculo. dar-lhe ciência de sua origem divina. à inveja e ao ciúme. platéia. As aulas tornam-se repetitivas. não conseguem aceitar a aula caótica. A terceira díade configura normalmente um padrão brilhante de Professor. vocês nada sabem e a nada chegarão”. Também não lhe interessa conhecê-los em seus anseios e em suas angústias. atrás da máscara. um sucesso de vendas! Entretanto. “Vocês sabem alguma coisa porque eu os ensinei. Trata-se aqui de um Professor conhecido por “Senhor Desastre”. não há prazer nem energia disponível. cultivar em si a virtude do Desprendimento. O Professor que “veste” essa fantasia normalmente é um bom Mestre. e percebe-se que tudo não passou de encenação armada pelo vício da Vaidade (em latim vanitate. o chamado showman. Mas. perdem a concentração. no reconhecimento de suas reais limitações e na disponibilidade incondicional ao exercício do Magistério. Sem dúvida. as mais das vezes alegre e comunicante. A quarta díade retrata normalmente um Mestre em oposição ao anterior. Normalmente. após o primeiro choque. A salvação desse Professor está no exercício cotidiano da Humildade. A recuperação desse profissional de ensino está. Trata bem os alunos. Tem enorme dificuldade para aceitar a “ingratidão” (ou o que ele julga que ela seja). Aliás. da mesma forma como acontece com uma fagulha da Grande Fogueira Cósmica que. escondem um vasto e profundo saber. mas condicionalmente. Sente necessidade de rodear-se de bajuladores e de colaboradores e acólitos que rendam submissa homenagem ao seu ego inflado. a principal característica sua é não conseguir se prender a um plano. A realidade é reduzida a algumas de suas possíveis representações. nada existe. um bom caminho em direção a essa virtude é a expressão artística. bloqueando a energia catalisadora que dele deveria emanar. trazendo à baila assuntos não previstos no Plano de Aprendizagem. Sobre os mascarados da quinta díade. até certo ponto. inicialmente. invariavelmente as mais charmosas. esse profissional deverá. mesmo. um grande hiato na formação dos futuros profissionais. São professores que. veste-se bem. A segunda díade apresenta-se sob a forma do Orgulho. Apresentam grande dificuldade de expressar o que sabem. o Professor se dispersa mais ainda. Suas aulas são confusas pelo fato de não conseguir construir um modelo adequado de Ensino. Orgulho e Soberba: a figura mítica que melhor caracteriza essa díade é Lúcifer (Feito de Luz). O tédio se instala entre os alunos. inicia-se um processo de esvaziamento. derivada de vanu. lhe advirá a capacidade de se organizar e. literalmente. seus colegas de Magistério. de uma ou de outra forma. Suas palestras são concorridas. Depois disso. deprime-se mais ainda e dá vazão à amargura. isto é. os alunos se dispersam. assim.METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 37 expanda seu espírito para gestos acolhedores. é exilado aos abismos do Tártaro. primeiramente. com verdadeiro empenho. Seduz seus alunos com seu discreto charme. O vício dominante na estrutura dessa personalidade é a Inveja. será um excelente Professor. Tal Professor não se preocupa com seus alunos. a não ser enquanto claque. em restituir-lhe a auto-estima ou. retorna à chama central. Olha ao seu redor e percebe a alegria (é muito sensível) que existe no mundo. armando-se. E a condição que ele lhes impõe é lhe deverem “eterna” gratidão. Com a arte. Vale a pena assistir ao filme “Agonia e Êxtase”. A máscara do sucesso esconde um coração vazio. após ser expelida. Entretanto. Sem mim. Deve reconhecer se como simples instrumento dentro do processo de ensino e aprendizagem. O maior problema dessas aulas não é o caos que possa se 11 É preciso lembrar a definição de “necessário”: aquilo que não pode não ser . agora necessita plenificar-se e harmonizar-se interiormente. apresenta modos de comportamento Impecáveis. Não consegue disciplinar seus alunos que. Ai do aluno que se atravessar em sua brilhante e gloriosa trajetória acadêmica! Julga-se estrela de raro brilho e desdenha. Como é dono de uma sensibilidade acentuada. sem emoções. a partir do gozo estético. pois Michelangelo Buonarotti enquadrava-se nessa díade. presenteá-lo com ela. Esse vício brota da falta de esperança (desespero). Tem boa capacidade de trabalho e é responsável. faz tudo isso apenas para sua satisfação pessoal. por sua vez. Como se alienou em certo momento de si mesmo. procurando aprofundar seus conhecimentos e aprimorar sua sensibilidade falando menos e escutando mais. É o caos. Para recuperar esse profissional. é preciso. que se compara a Deus (Consciência absoluta). da sensação terrível de ter sido abandonado pela Divindade. vazio). tem-se a dizer que correm mais piadas sobre suas boutades (mancadas) do que queixas de suas aulas. o desprender-se da autocomiseração. Derrotado. largando mão da 11 falsa idéia de que ele seja necessário nesse processo. Ativo. é. Tudo o que lhe interessa é o aplauso.

num frenesi de atividades díspares. no seu Conto “A Christmas Carol” (1843). Suas aulas. mesmo na pesquisa mais séria. Tendem a buscar. e. não sabem o que é essencial. que serve. provavelmente alguns deles também acabarão por se transformar em bons conferencistas. se prejudicam ou não a terceiros. pela prática da generosidade. importante ou apenas assessório no desenvolvimento da disciplina. e costumam depositar inteira confiança em seus alunos. reúnem-se em uma só pessoa os dois “avarentos” (Tio Patinhas/Scrooge e Enstein): o empresário americano Bill Gates. por isso mesmo. os objetivos propostos no planejamento da disciplina. mas a intensidade com que o fazem. Do lado do conhecimento. da intensidade. mostrando um vício específico de sua situação: a Gula. para Sócrates. Só mais tarde foi Professor em grandes universidades americanas. São amorais. a ausência de qualquer movimento. “Divertem-se” com a conseqüente gritaria e lamúrias dos estudantes. Preocupam-se apenas com a intensidade da experiência. Trata-se de um medo visceral que os torna ansiosos e incapazes de relaxar. pelo Conhecimento. A oitava díade abriga leões. de ver-se espoliado pelos seus alunos. . Mas. revelam alguns graves defeitos. por isso mesmo. não lhes interessa o que fazem. ainda. Os alunos também se dispersarão e passarão a manifestar grande insegurança. donde possam extrair o máximo de emoções. A isso se chama Sabedoria. definida como a incapacidade de partilhar com os outros algo que se considera seu. de algum sinal vital. a traição é o pior dos pecados. criado por Walt Disney. O “certo” e o “errado” parecem não lhes dizer respeito. Trata-se de uma exagerada abertura para o exterior de si e da sala de aula. Hoje. As conseqüências não-desejáveis acontecerão. em conseqüência. Exemplo acabado de avarento é o personagem “Tio Patinhas”. só sabe “viajar”. não sabem que trabalhos desenvolver. que revolucionou a Física Clássica enquanto trabalhava num departamento burocrático do Estado Suíço. uma constante necessidade de coisas novas. O exemplo de vida é a única maneira de transmitir os valores. também. é preciso discipliná-lo e convencê-lo a disciplinar seus alunos. Assim. Munido dessa coragem. nascerá dentro dele a grande virtude da coragem que. assim. Mas. gerando tamanha energia gravitacional que até mesmo a luz é absorvida. Com isto. Ebenezer Scrooge. na prática do ensino. ter-se-á gerado um gênio. e principalmente. principalmente no que tange à avaliação: não sabem o que estudar para a prova. Esse vício é a busca.38 instalar. calcado no personagem criado por Charles Dickens. Como corrigir esse Professor? Antes de mais nada. Como domar esses “leões”. É a inércia. indicando que ainda ocorre algo ligado ao processo de ensino e de aprendizagem. São bons professores. para o processo ensino e aprendizagem. Ora. A virtude corrige o Professor “guloso” que. Assim. apresentam algo de prazer sádico (Luxúria) em produzir esse “terror” entre os alunos. Quanto à sexta díade. O avarento não sonega apenas dinheiro. será necessário reconquistar-lhe a confiança na Humanidade. Há uma dose não desprezível de irresponsabilidade. até mesmo brilhantes observadores de muitas e muitas coisas e. o Professor será capaz de não só participar ativamente do processo ensino e aprendizagem. egocêntricos. tem-se a afirmar que cobre grandes aventureiros. assim. São inflexíveis no “passar” a matéria. como também de se tornar um grande e verdadeiro Mestre para seus discípulos durante e depois de seus estudos. exigem de todos os alunos uma performance geralmente muito acima do normal. O vício que provoca em sala de aula 12 esse verdadeiro buraco negro é a Avareza. Não é possível impingir aos alunos uma norma se o professor não a respeita como tal. pregustar da própria Onisciência divina. por sua vez. poder é Luxúria. Como salvar este avarento de seu abismo devorador? Primeiramente. de outras pessoas e de novas relações. tanto quanto justo ou injusto ou. personalidades com sede de poder. Este leva o Professor a ver com clareza os infinitos desígnios da Consciência absoluta. E o primeiro a aplicar a regra tem de ser o Professor. serão traídos uma única vez. Ele pode. tendem a ser pesadas. Quanto à sétima díade. desfocando-se. mas também. era a maior das virtudes. o que lhes tira a visão e a experiência da transcendência. Ele precisa acreditar na bondade intrínseca do homem e na Justiça divina. que o faz abrir-se sem temor. os que se encontram detrás de suas máscaras caracterizam-se pelo medo que lhes rói as entranhas. Em segundo lugar. Ai dos alunos que se atreverem a tanto! Para uma pessoa acossada pelo medo. Esta é a regra número um no processo de ensino e aprendizagem. Para recuperar o Professor da sexta díade. pura e simples. Somente pela coragem é possível evoluir e manter a esperança de uma sobrevivência na e pela Consciência universal. São por demais loquazes e superficiais. ainda mais por obterem normalmente bons resultados em seus trabalhos e 12 A expressão buraco negro pertence ao jargão da Astronomia e define uma estrela que implode. de maravilhoso exemplo de superação pela filantropia. encarcerado no medo. mesmo com sacrifício da maior cientificidade. sérios e honestos. conhecimento. exemplo marcante de avarento é Albert Einstein. o lado prazeroso e mais descomprometido.

METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 39 serem grandes mobilizadores de recursos para a universidade? Além disso. porque possuirão a terra” (Mt. Usa-se. essencial ao desenvolvimento do Conhecimento e a evolução da Consciência absoluta. também. com o significado de “indolência”. e o resultado não é satisfatório. Não consegue ser objetivo. pela disciplina que conseguem impor aos alunos. é “preguiça de ser”. Em grego. mas para “não aparecer”. uma burocrática e insossa “passada de matéria”. ou apenas um caos. É órfão de si mesmo. a nona díade. Isto dependerá do “humor de camaleão” que pode acometê-lo no próprio transcurso da aula. trata-se de algo que deve ser feito. Finalmente. a “máscara” do camaleão. Conseguir mudar o foco desses Professores não é tarefa fácil e. Entretanto. também. Portanto. é um excelente cumpridor de ordens e apegado às suas funções. o que acontecerá em uma aula dirigida por ele. não tem noção de sua importância para o mundo. premiando. bom demais! Domina a sala de aula com relativa facilidade. É preciso mostrar-lhes que a imposição é a forma completamente equivocada de se estabelecer um bom padrão de conhecimento e que esta inibe a criatividade. não tem acesso ao Amor por ausência de amor próprio. os maus e prejudicando os bons. ainda. Profissionalmente. assim. Deve-se convencê-lo do acerto do que afirma o Evangelho: “Bem-aventurados os mansos. Jamais se pode saber. Mas. é carente de iniciativas. Essa personalidade. esse vício era denominado acídia. ou antever. em algum momento de sua existência. muito menos. mas indolência é mais que preguiça. Poderá ser uma brilhante aula. 5). elevando o padrão e o perfil dos egressos. Acaba aprovando todos os seus alunos. acabam por se impor. em sala de aula. mas tem enorme dificuldade de “cobrar desempenho” dos alunos. nos Departamentos e Conselhos. representa sempre um enigma. É bom Professor. Onde buscar a solução para o “camaleão”? Trata-se de ajudá-lo a se redescobrir e ao seu valor para o grupo. 5. “perdeu sua face”. não por incapacidade. Esconde-se como se fosse continuamente apontado como culpado. o termo “preguiça”. perdeu a si mesma. bem como pela própria e enorme capacidade de trabalho. não é visível a si mesma. ou. não chamar a atenção dos demais. Lentamente (trata-se de Personalidades que se mobilizam com lentidão). A moderação de seu ímpeto realizador é a única maneira de diminuir a tensão que costuma criar em sala de aula. bem recebida pelos próprios. caminhará à plenitude de si . a partir de onde se apresenta um personagem que. Grandes realizadores e batalhadores incansáveis. Isso se deve ao vício que afeta a personalidade do Professor sob essa díade.

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Apostila elaborada pelos professores de MES do ICPG INSTITUTO CATARINENSE DE PÓS-GRADUAÇÃO ICPG .