RESUMO DE DIREITO ADMINISTRATIVO

CONCEITO – Conjunto de normas jurídicas e administrativas que regem as relações existentes entre o Estado e seus nacionais, com fins de preservação, efetividade e proteção do interesse público. Tem como função essencial disciplinar as relações existentes entre os órgãos públicos e suas atividades junto aos interesses coletivos.

ÓRGÃO PÚBLICO – É uma espécie de célula do ente estatal, por onde se manifesta sua vontade, por meio de atos disciplinados devidamente praticados por agentes públicos legítimos.

AGENTES – São os representantes do estado no desempenho de suas funções por meio dos órgãos estatais constituídos.

FONTES - O direito administrativo se manifesta e efetiva por meio das leis e seus princípios legais.

PRINCÍPIOS DE DIREITO ADMINISTRATIVO

São

orientações

essenciais

e

paradigmas

de

efetivação

da

função

administrativa do Estado, os quais direcionam a elaboração normativa pertinente ao direito administrativo.

Princípios Expressos – São os princípios ditados pela Constituição Federal de 88, em seu artigo 37.

Princípio da Legalidade - Toda a atividade pública tem como base a lei, para

1

sua efetiva aplicabilidade. Atos administrativos ilegais são passíveis de nulidade e responsabilização.

Princípio da Impessoalidade – Tem as mesmas características da isonomia, segundo a qual os administrados devem ser tratados de forma igualitária frente ao interesse público.

Princípio da Moralidade – A conduta do administrador público deve estar pautada na moral e na ética, para que os administrados e administradores não sejam vítimas de atos desonestos e antijurídicos.

Princípio da Publicidade – Os atos administrativos devem ser amplamente divulgados, para que os administrados possam, de forma direta, controlar a efetividade das condutas dos órgãos e dos agentes públicos.

Princípio da Eficiência – Este princípio visa impedir a ineficiência dos serviços prestados pela administração pública em favor de seus administrados.

Princípio da Supremacia do Interesse Público – Os interesses coletivos têm supremacia sobre os interesses individuais, devendo o Estado preservar por meio de seus atos o bem estar de toda a sociedade.

Princípio da Autotutela – A administração pública, de ofício ou mediante provocação direta, pode rever seus atos que, inoportunamente, se encontrem em vício de formação e/ou aplicação.

Princípio da Indisponibilidade – Os bens públicos são indisponíveis, devendo ser preservados em favor da coletividade, evitando-se seu perecimento e perda por mau uso.

2

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Estrutura física e pessoal de manifestação do Estado na execução de seus fins. capacitados dentro de uma sistemática legal. os Estados e os Municípios são entidades estatais. devem indicar os fundamentos de sua formação. a fim de se evitar a ocorrência de vício descrito no próprio ato administrativo que está sendo executado (aplica-se sobre a legislação). Entidades Fundacionais – Pessoa jurídica de direito público. entidades e órgãos estatais. Princípio da Proporcionalidade – Visa evitar a prática de excessos pela administração pública.Princípio da Razoabilidade – Os atos administrativos devem guardar consonância e aceitabilidade mínima em relação às normas administrativas publicadas. a fim de permitir o seu controle de validade. 3 . isto é. criada mediante lei. quando da execução e aplicabilidade de seus atos junto à coletividade por ela administrada (aplica-se ao exercício do poder). com os fins e atuação definidos na própria lei que as instituiu. Princípio da Motivação – Todos os atos administrativos devem ser motivados. depois da devida criação por meio de lei específica (pessoa jurídica de direito público). Entidades Estatais – A União. que se manifestam de forma meramente administrativa. É formada por agentes. também consideradas pessoas jurídicas de direito público. Entidades Autárquicas – Autarquias são desmembramentos das entidades estatais. para atender às expectativas do conjunto social e coletivo administrado.

quando no exercício de uma conduta administrativa. que não se confunde com a função estatal exercida por meio de órgãos policiais e suas corporações. após avaliar sua conveniência e oportunidade. Poder Regulamentar – Poder que tem a administração pública de regulamentar e disciplinar a aplicação de leis editadas que sejam de seu interesse. ligada ou não às entidades estatais. optar pela que melhor atenda ao interesse público. organização e funcionamento firmado no direito positivo. buscando escolher a que melhor atenda ao fim almejado. Indireta é a forma de exteriorização 4 . Poder discricionário é a valoração pessoal e legal aplicada pelo agente publico às várias possibilidades de sua conduta. Entidades Privadas – Pessoa jurídica de direito privado. com direcionamento. de. sob a supervisão das entidades estatais. na forma de cooperação.Entidades Paraestatais – São autorizadas por lei a prestarem serviços e atividades de interesse público ou coletivo. PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Poder Discricionário – É o poder que tem o agente público. preservando o interesse coletivo. e que tem por finalidade o exercício de atividade econômica de interesse coletivo. Administração Pública Direta e Indireta – Direta é a administração pública exercida pelos órgãos das entidades estatais. Os atos de regulamentação não podem alterar a legislação existente sobre a matéria. Poder de Polícia – Cabe à administração pública restringir os atos individuais. Essa restrição é a base do poder de polícia.

ATO ADMINISTRATIVO Também chamados de atos jurídicos. por meio do simples exercício da vontade administrativa (sujeito a controle). Objeto – A manifestação da vontade da Administração pública se manifesta através do objeto contido no ato administrativo.O ato administrativo possui os seguintes requisitos para sua eficácia e aplicabilidade: competência. motivo e objeto. devem respeitar a existência de um fato ou situação de direito que autorize a sua realização. Requisitos . O motivo é a causa de sua realização como ato administrativo. finalidade. Mérito Administrativo – É um procedimento ligado à avaliação de conduta 5 . Finalidade – Objetivo de interesse coletivo a ser atingido pelo ato administrativo. os atos administrativos são os atos em que a administração pública atende aos interesses de caráter coletivo. o conteúdo do ato. Forma – Exteriorização do ato administrativo. isto é. que deve guardar respeito à legalidade. para implemento e efetivação de sua validade.do poder público por intermédio de pessoas jurídicas distintas das entidades estatais. sem o qual sua validade se torna anulável. forma. ou seja. Motivo – Os atos administrativos devem ser motivados. Competência – Poder legal e hierárquico que o gente da administração possui para a prática do ato administrativo (é o mesmo que atribuições).

Quanto à formação – São simples – quando externados por um único órgão. Atributos – O ato administrativo. à conveniência e à oportunidade. feita pelo agente devidamente autorizado para a execução de um ato administrativo. Quanto ao regramento: São: vinculados – estabelecem regras para a sua execução. Classificação dos atos administrativos Quanto aos destinatários: São: gerais – regulam um número indeterminado de pessoas. ou compostos 6 . ou discricionários – a Administração tem certa liberdade na sua prática. Quanto ao alcance: São: internos – incidem sobre os órgãos e agentes públicos. ou externos – têm alcance sobre os administrados e contratantes.(conveniência e oportunidade). ou individuais – mesmo que coletivamente. determinando condutas frente à Administração Pública. complexos – quando externados por mais de um órgão público. tem como características intrínsecas: a presunção de legitimidade (os atos nascem com uma certificação de legitimidade que só é contestada através de oposição e argüição de vício). alguns atos podem ser executados pela administração sem a necessidade de intervenção judicial). Está ligado à avaliação das conseqüências e vantagens de um ato. a qual se vincula ao conteúdo. ao destinatário. a imperatividade (poder de coerção do ato administrativo que só pode ser afastado pela revogação ou anulação) e a auto-executoriedade (por urgência ou previsão legal. as quais não podem sofrer mudanças em seus requisitos e condições. regulam um número determinado de pessoas. que não se confunde com o ato jurídico.

parceria e consórcio público. gerenciamento. em virtude da ocorrência de ilegitimidade ou ilegalidade). O contrato administrativo é sempre formal. Espécies: Atos normativos (são da alçada do poder executivo. as portarias.666/93. Essa invalidação se opera da seguinte forma: pela revogação (efeito ex nunc .invalidação do ato pelo judiciário ou pela administração. os regulamentos. as ordens de serviço. por intermédio do judiciário ou pela própria administração. as instruções normativas. os avisos. fornecimento.– quando externados por um único órgão público com fiscalização de outro. gestão. com finalidade de atendimento ao interesse público. as resoluções e as deliberações. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS Contrato – É a criação de direitos e obrigações por meio da exteriorização da vontade das partes contratantes. por sua inconveniência e ilegitimidade. comutativo e pessoal. as circulares. Contrato Administrativo – Acordo de vontade celebrado pela Administração Pública com particulares ou entidades administrativas. programa. Principais Contratos Administrativos – Obra pública. serviço. Atos regulamentares (disciplinam o funcionamento da administração e de seus agentes) – são as instruções. 7 . Invalidação – Os atos administrativos podem ser invalidados. concessão. os regimentos. ofícios e despachos. e têm a finalidade de regulamentar a correta aplicação da lei) .são os decretos. os provimentos. e pela anulação (efeito ex tunc .o ato é invalidado por não mais atender ao interesse público). também conhecida como Lei de Licitações. Atualmente os contratos administrativos são regidos pela Lei 8. oneroso.

nos casos exigidos por lei. ou por meio de rescisão ou anulação pelo descumprimento de cláusulas. Basicamente. A garantia deve ser devolvida após a execução do contrato. tem a obrigação de pagar o preço ajustado e o direito de receber o objeto contratado. sendo-lhe garantido o exercício de suas prerrogativas em igualdade com o contratado. Garantias – São exigências impostas pela administração pública ao contratar. Extinção. dinheiro).Formalização – Os contratos administrativos formalizam-se mediante lavratura própria em livro da administração ou por escritura pública. a Administração. seguro garantia. 8 . expressa na formação do contrato. A Administração não necessita de intervenção do judiciário para o exercício de suas atribuições. Prorrogação e Renovação – O contrato pode ser extinto após o termino das obrigações pactuadas. Execução do Contrato Direitos e Obrigações – A Administração tem direito à execução do contrato. além de fiscalizar. ou pode se perdida em favor do contratante por falta cometida pelo contratado (caução. A prorrogação ocorre mediante termo aditivo ajustado entre as partes para dilação de seu prazo. Conteúdo – Exteriorização da vontade das partes. A renovação ocorre com a manutenção do contratado na continuidade do serviço.

Fato da administração – Falta. Pode ser judicial. Inexecução culposa – Decorre da imperícia. que onera em demasia a continuidade de execução do contrato. Inexecução sem culpa – São os eventos externos e inerentes à vontade das partes contratantes. em face do 9 . A rescisão é a ocorrência oriunda da inexecução. Revisão e Rescisão – A inexecução é a inadimplência ou descumprimento total ou parcial das cláusulas contratuais.Inexecução. administrativa ou de pleno direito. sem trazer a obrigatoriedade da indenização para a reparação de danos. Caso fortuito – Evento natural que cria obstáculo imprevisível e inevitável à fiel execução do contrato. por omissão da Administração. da imprudência e da negligência da parte em face das obrigações contidas em contrato. que obstam a execução do contrato. amigável. a rescisão. Ato do príncipe – Determinação que parte da Administração Pública. Justificativas para Inexecução do Contrato Força maior – Evento humano. a qual desfaz a eficácia do contrato. imprevisível e inevitável que impossibilita a execução do contrato. provocado por uma das partes sempre que ocorrer um evento fortuito ou de força maior que traga prejuízo à continuidade de sua execução. A revisão é o ato de reapreciação do contrato. Suas repercussões legais podem ser: as multas. a suspensão e a responsabilidade civil por danos.

Lesão – Conforme o novo Código Civil. sigilo na apresentação de propostas. LICITAÇÃO Procedimento administrativo que precede a celebração do contrato administrativo.contrato.666/93). caderno de obrigações. tem dificuldades em executar o contrato. julgamento. edital e carta convite. obrigada por contrato administrativo. vinculação de edital ou convites. 10 . Não se confunde com formalismo legal. isonomia de tratamento dos licitantes. sendo sua efetivação obrigatória. a suspensão provisória e a declaração de inidoneidade. regulamentos. Sua principal função é destacar as propostas que melhor atendam ao interesse público. com exceção dos casos previstos em lei (Lei 8. e. por conseguinte. Estado de perigo – Constante no novo Código Civil. É a obrigação excessiva suportada por quem se salva ou salva alguém da família. adjudicação compulsória ao vencedor e probidade administrativa. ocorre quando pessoa. Seus princípios de formação são: procedimentos formais. assume prestação desproporcional à sua capacidade. publicidade. o que vem a retardar ou impedir a sua efetiva execução. Conseqüências - A inexecução gera conseqüências civís e administrativas. possuindo certa flexibilidade. Procedimento Formal – Respeito às exigências legais contidas em lei específica. dentre as quais podemos citar: a reparação por responsabilidade civil ou administrativa.

Julgamento – Critério utilizado pela administração para a escolha da melhor proposta apresentada na licitação. a apresentação de propostas com preços excessivos.Publicidade: Todos os atos pertinentes à licitação têm que ser públicos. bem como de emergência ou calamidade pública. a inexistência de interessados na licitação. Adjudicação Compulsória do Vencedor – Legitimação do vencedor da licitação. que leva em conta fatores como o valor de obras e serviços de engenharia e de compras. a necessidade de intervenção da União no domínio econômico. os casos de guerra ou grave perturbação da ordem. Dispensa e Inexigibilidade – Dispensa calcada em lei. Vinculação de Editais e Convites – Obrigação da Administração Pública de editar a forma e o modo de participação dos licitantes. Sigilo na Apresentação das Propostas – Ato pelo o qual se preserva a proposta apresentada pelo licitante do prévio conhecimento das propostas dos outros licitantes. devidamente publicados e divulgados nos meios cabíveis. Isonomia de tratamento – As cláusulas contidas nos editais e convites não podem conter qualquer tipo de discriminação aos participantes da licitação. em concordância com os critérios preestabelecidos pela Administração Pública. a possibilidade de comprometimento da segurança 11 . Probidade Administrativa – Dever do administrador público para com a honestidade na condução das licitações.

Modalidades de Licitação Concorrência – Utilizada nos contratos de obras. habilitação de licitantes.nacional. por conveniência da Administração. ensino ou desenvolvimento institucional. os objetos a serem licitados. serviços e compras de grande valor. podendo a anulação ser efetivada pela própria Administração ou pelo Judiciário. Sua aplicação obriga o poder público a indenizar. 17 e 24 da Lei de Licitações. a revogação se opera sem prejudicar os atos válidos. a recuperação social de presos. admite a participação de quaisquer interessados que satisfaçam às condições estabelecidas em edital. julgamento das propostas. a contratação de instituição brasileira de pesquisa. homologação. Revogação – Diferente da anulação. mas todo o procedimento. as datas e os recursos cabíveis. e outros casos previstos nos arts. adjudicação e Anulação – Segundo artigo 49 da Lei de Licitações. toda licitação é passível de anulação. por meio dos registros cadastrais. as fases. A autoridade competente delimita as regras de realização. Tomada de Preços – Sua característica principal é a necessidade de existência de habilitação prévia dos licitantes. e seus efeitos surgem após a decisão revogatória. 12 . edital ou convite. a necessidade de compra ou locação de imóvel pela administração pública. e externa – audiência pública. Fases da Licitação – interna – inicia-se com o procedimento licitatório propriamente dito. Não se revoga um simples ato. calcada na prática de ato ilegal ou ilegítimo. de compra de gêneros alimentícios perecíveis. recebimento de documentação e propostas.

com base em normas e diretrizes legais. predominantemente de criação intelectual. podendo ser premiada ou remunerada. SERVIÇOS PÚBLICOS Prestação de serviços oriunda dos órgãos e agentes públicos. Pregão – Licitação feita por lances públicos para a aquisição de bens e serviços comuns. e produtos apreendidos ou penhorados. Classificação – Públicos – todos os serviços prestados diretamente pela Administração. com o fim de atendimento eficaz das necessidades coletivas. em casos especiais.520/02 disciplina sua regulamentação). Dispensa a formalidade específica da concorrência. possui as mesmas características da concorrência. animais). sem a necessidade de publicação de edital. de pelo menos três interessados. para a venda de imóveis. de utilidade pública – são os serviços prestados diretamente pela Administração ou indiretamente por terceiros. podendo ser utilizado também. Leilão – Licitação para venda de bens móveis. para que. que não podem ser delegados a 13 . com o fim de facilitar e dar melhores condições de sobrevivência à coletividade. próprios – são os de exclusividade da Administração Pública. possam ser selecionados para contratações de pequeno valor. qualquer que seja o valor estimado da contratação (A Lei 10. semoventes (isto é. por meio dessa simples licitação.No mais. Convite – Chamada. Concurso – Licitação destinada à escolha de trabalho técnico ou artístico.

E modicidade (serviços prestados a custos aceitáveis). Competência – Os artigos 21 e 23 da Constituição Federal enumeram as competências exclusivas da União e as que permitem a atuação paralela do Estados e dos Municípios. dos serviços locais de gás canalizado. atribui-se a competência básica de legislar sobre assuntos de serviços locais. 14 . gerais (ou uti universi) – são os mantidos por impostos ou taxas. diretamente ou mediante concessão. e aos Municípios.particulares. industriais – os que podem ser prestadas pela Administração. e individuais (ou uti singuli) – são os mantidos por taxas e impostos. 30. As faltas cometidas durante a vigência dos contratos permitem a intervenção direta da Administração Pública. mas são fornecidos para que atendam aos interesses comuns de seus membros. Eficiência (os serviços devem ser prestados de forma aperfeiçoada). 25 da Constituição Federal. Controle e Regulamentação do Serviço Público – São de competência do poder público. para atendimento da sociedade como um todo (ex.: polícia e iluminação pública). Generalidade (igualdade na execução dos serviços em favor da sociedade). de acordo com o art. administrativos – são os serviços que atendem às necessidades internas da Administração. aos Estados cabe a exploração. impróprios – são aqueles que não afetam substancialmente as necessidades da comunidade. e que têm como destinatário os usuários determinados (como o fornecimento de água e energia elétrica). De acordo com o art. ou por terceiros sob seu controle. no que se refere aos serviços públicos por ela prestados. de competência exclusiva da Administração. Requisitos – Permanência (obrigação de se dar continuidade aos serviços prestados). com efetiva produção de renda para quem os executa. Cortesia (respeito ao público beneficiado pelos serviços prestados). mesmo tratando-se de serviços delegados a terceiros.

cultura e meio ambiente). precisam de licitação para contratar. inciso XIX. com todos os direitos e deveres do cargo. Por serem extensões do poder público. da Constituição Federal) – Pessoa jurídica de direito público. personalidade jurídica de 15 . seus funcionários são contratados pelo regime da CLT. 37. personalidade jurídica de direito público. sua criação tem as seguintes características: seu patrimônio inicial é formado por bens móveis e imóveis da entidade estatal a que pertencem. cujas função e criação devem ser especificadas por lei.Consolidação das Leis do Trabalho. dentre essas. e seus funcionários são considerados servidores públicos. Empresas Governamentais ou Estatais – Todas as empresas que estão sob controle do governo. Sua função basilar é a realização de funções não-lucrativas e atípicas da Administração Pública. seus contratos estão sujeitos à Lei de Licitação. seu orçamento é idêntico ao das entidades estatais. Fundações – São. as empresas públicas e as sociedades de economia mista. essencialmente. e controle estatal com função basilar pública. Empresas Públicas – Empresas com capital público. criada por lei com autonomia interna e controle externo (exercido pela entidade estatal a que pertencem). pessoas jurídicas de direito privado. Existem autarquias de regime especial.ADMINISTRAÇÃO INDIRETA Autarquia (art. É uma forma de descentralização administrativa para a prática de um serviço público. Suas principais características são: criação por lei. Sua criação depende de lei específica. que não esteja ligado a atividades industriais e econômicas (de interesse coletivo – como saúde. mas de interesse coletivo. seus bens e rendas são considerados públicos. autoadministração. patrimônio próprio. têm controle externo. excluídas as fundações públicas.

pela efetividade da prestação de serviços. que atuam em favor da Administração Pública.direito privado. que se manifesta por meio de órgãos destinados a esse fim. As agências reguladoras têm como função basilar regular os contratos de concessão e permissão de serviços públicos. a qual tem caráter definitivo. de forma permanente ou temporária. Tem imposições legais a serem cumpridas. São de duas espécies: as agências executivas têm previsão legal nos decretos 2. Classificação Os servidores públicos são classificados como: civis e militares. trabalhistas (os regidos pela CLT – Consolidação das Leis do 16 .488. Agências – Forma de regulação e fiscalização da administração pública. autorizadas por lei. estatutários (os funcionários cuja relação jurídica é regida por estatutos). de fevereiro de 98.487 e 2. podendo auferir lucros. Sociedade de Economia Mista – Pessoa jurídica de direito privado. dos Estados e dos Municípios. Exemplo: Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. cujo capital e administração pertencem em parte ao poder público. com função administrativa regulada em lei. regendo-se pelas normas das sociedades mercantis. comuns e especiais. com fornecimento de trabalho aos órgãos da União. O servidor público difere-se dos demais agentes públicos. exerçam uma função pública. Estão sujeitas aos ordenamentos de empresas privadas com liberdade de organização. Sua atuação está vinculada ao interesse coletivo. e sua função basilar é a reestruturação e o desenvolvimento institucional dos ministérios a que estão ligadas. SERVIDOR PÚBLICO São todos os agentes que.

Acesso ao Serviço Público – Geralmente é feito por concurso público. Cargos. Acumulação – É vedada pela Constituição de 1988 (art. ter direito à reintegração no serviço público. Perda do Cargo – Só ocorre mediante sentença judicial transitada em julgado. ocupados por servidor dentro da administração direta. por meio de nomeação e contratação. Função pública é o exercício de atividade ou tarefa idêntica às prestadas pelos servidores públicos. Empregos e Função Pública – Cargos públicos são os de caráter permanente. empregos e funções públicos. No caso de demissão injusta. após o cumprimento de tempo em estagio probatório (de três anos). pode o servidor. a acumulação remunerada de cargos. as quais podem ter caráter temporário. mediante intervenção do judiciário. ficando o servidor em disponibilidade até seu reaproveitamento. ou insuficiência de desempenho (esta última instituída pela Emenda 19/98). 17 . incisos XVI e XVII).Trabalho) e temporários (os servidores especiais contratados por tempo limitado). mas existem outras modalidades de aceso ao serviço público. Os cargos públicos podem ser extintos. 37. com direito aos vencimentos do cargo. para cargos de exercício definitivo. nas sociedades de economia mista e nas empresas controladas pelo poder público. processo administrativo que assegure ampla defesa. Empregos são atividades laborais exercidas em cargo público. Estabilidade – Garantia constitucional de permanência do servidor público em suas funções. na administração direta.

aos Estados ou aos Municípios. e voluntária..). por concessão de direito real (transferência de uso visando o interesse social). BENS PÚBLICOS (DOMÍNIO PÚBLICO) Bens que compõem todo o patrimônio da Administração Pública. Direitos. jornada de oito horas. salário família. quando o servidor completar setenta anos. e classificam-se em três categorias: os de uso comum (mares. repouso semanal enumerado. A aposentadoria será proporcional ao tempo de contribuição.. com estrutura de direito privado. podendo ser públicos ou privados.Aposentadoria – Direito que os servidores têm após cumprimento do lapso de tempo previsto em legislação pertinente. use o bem público com exclusividade). por permissão de uso (a administração faculta ao particular a utilização individual). com atribuição de utilização exclusiva do bem). remuneração noturna. os de uso especial (edifícios e terrenos da administração pública) e os dominicais (bens pertencentes ao direito público. Deveres: lealdade. Será compulsória. licença maternidade e outros legalmente previstos. quando ocorrer por invalidez. obediência e conduta ética. férias. há transferência gratuita 18 . por concessão de uso (celebração mediante contrato. administrativa ou judicialmente. os servidores podem responder por seus atos. No que se refere às responsabilidades. quando requerida pelo servidor. e por cessão de uso (nesse caso. Os Bens públicos podem ser utilizados da seguinte forma: por autorização de uso (autorização da administração para que o particular. 13º salário. de forma graciosa ou não. Deveres e Responsabilidades dos Servidores Públicos – Direitos: garantia de salário. rios estradas. por atos de responsabilidade administrativa (violação de normas internas). de responsabilidade civil (obrigação de reparar a administração por dano causado) e de responsabilidade criminal (crimes funcionais). como as terras devolutas e os prédios públicos desativados). Os bens públicos podem pertencer à União.

assim como o bem pode ser reavido. em caso de urgência. para. no caso de desacordo sobre o valor da indenização.da posse de um para outro órgão). Servidão – Ato pelo qual a Administração Pública usa um imóvel particular sem a transferência do domínio ou da posse. e o bem expropriado pode ser utilizado para outros fins (sempre tendo em vista o interesse coletivo). 19 . incide sobre a posse legítima ou de boa-fé. e sobre ações. utilidade pública ou interesse social. de forma compulsória. quando o expropriante não der ao imóvel a destinação pública mencionada no ato de expropriação. com exclusão dos direitos personalíssimos. Além disso. quotas e direitos. mediante retrocessão. A desapropriação pode ainda vir precedida de imissão na posse. ou por processo judicial. cabe ressaltar que a desapropriação pode ocorrer de forma amigável. necessita ser precedida de declaração expropriatória (com indicação do bem e sua destinação). e devida indenização com transferência da propriedade (na fase executória). Desapropriação – Transferência compulsória da propriedade para a Administração Pública. Intervenção do Estado na Propriedade Privada Ocorre sempre que o interesse público sobrepõe o particular. A expropriação pode ser anulada pelo poder judiciário. mediante acordo entre as partes (pela via administrativa). tem marco com publicação de decreto de desapropriação (na fase declaratória). por necessidade pública. retirar ou restringir direitos sobre a propriedade privada. Principais características: não aceita reivindicação. é aplicável a todos os bens e direitos patrimoniais. haja vista a inexistência de título anterior. devido a interesse de cunho coletivo.

com o fim de obrigar o proprietário a fazer. a teoria do risco administrativo – basta a comprovação da lesão praticada pela administração. tem cobertura de seus atos. com ou sem ônus. ao prestar serviços à administração. por parte do Estado. Tombamento – Ato declaratório. responde a administração por sua falta em relação ao serviço que deveria prestar. segundo a qual é afastada a responsabilidade do servidor e imposta a responsabilidade à Administração Pública.Requisição – Utilização coercitiva de bem particular pelo poder público. editado pelo poder público sobre bem imóvel.segundo a qual a responsabilidade de indenizar é integralmente da administração. RESPONSABILIDADE CIVIL ESTATAL É a obrigação de reparar danos patrimoniais. não fazer ou deixar de fazer imposição editada pela administração. Responsabilidade Civil e Direito Pátria – No Brasil a teoria aceita é a da responsabilidade objetiva. e a teoria do risco integral . independente de o dano ser resultante de culpa ou dolo do agente passivo. mediante devida indenização. com interesse em sua preservação. Ocupação temporária – Utilização de bens particulares. para execução de serviços ou atividades públicas. Entende-se que o servidor. 20 . Limitação administrativa – Intervenção na propriedade particular. Tal reparação tem base doutrinária em três teses: a teoria da culpa administrativa – independente da culpa subjetiva.

Resta por afastado o direito à indenização. quando do evento danoso. Exemplo: o dano oriundo de greve (salvo demonstração de responsabilidade). Reparado o dano pela Administração Pública. imprudência. No que diz respeito aos atos administrativos e judiciais. por meio de ação de regresso a ser proposta contra o servidor causador dos danos. Não obstante. tem esta o direito de reaver os valores pagos. pela via judicial ou mediante acordo amigável. estes só serão indenizados se comprovada a culpa manifesta em sua expedição. deve ser aferida.pelo fato de a administração assumir o risco proveniente de sua execução. a ser paga pelo poder público. a ocorrência dos requisitos da responsabilidade civil. 21 . ou seja. imperícia e/ou negligência. no evento natural e no ato danoso provocados por terceiros sob sua responsabilidade territorial.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful