Presidente da República

Luis Inácio Lula da Silva
Ministra de Estado do Meio Ambiente
Marina Silva
Secretário Executivo do Ministério do
Meio Ambiente
João Paulo Ribeiro Capobianco
Secretário de Recursos Hídricos e
Ambiente Urbano
Eustáquio Luciano Zica
Diretor de Recursos Hídricos
João Bosco Senra
Presidente da Associação Brasileira de
Águas Subterrâneas
Everton de Oliveira
ÁgUAS SUBtERRânEAS
UM REcURSo A SER conHEciDo E PRotEgiDo
BRASíliA – 2007
EqUiPE DE ElABoRAção
Adriana Niemeyer Pires Ferreira
Claudia Ferreira Lima
Fabrício B. da Fonseca Cardoso
Júlio Tadeu Kettelhut
colABoRAção
Celso Marcatto
Cristhophe Saldanha Balmant
Ianaê Cassaro
Jaciara A. Rezende
Laestanislaula Sousa da Silva
Ligia Souto Ferreira
Priscila Maria Wanderley Pereira
Renato Saraiva Ferreira
ilUStRAçõES
Gustavo Tomé de Oliveira
Claudia Ferreira Lima
PRojEto gRÁfico E REviSão
Agência Crio – Comunicação e Negócios
MiniStéRio Do MEio AMBiEntE
ASSociAção BRASilEiRA DE ÁgUAS SUBtERRânEAS
PEtRoBRAS
Contrato 6000.0027020.06.2
Contrato de Patrocínio que entre si celebram Petróleo Brasileiro S.A.
– PETROBRAS e a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas
– Abas – I Congresso Aqüífero Guarani
" ( ž / $ * "
Quando o Ministério do Meio Ambiente propôs um
novo modelo para a política ambiental, pensou em algo
compatível com o avançado arcabouço legal brasileiro,
mas que fosse muito além da agenda do “não pode”
e das medidas de redução de impactos ambientais.
Pensou em compartilhar a gestão ambiental com
todos os setores do Governo Federal, envolvendo
estados, municípios e Agenda Ambiental Integrada,
capaz de agregar conceitos socioambientais ao novo
ciclo de desenvolvimento econômico do país.
Ao fnal de quatro anos, o Ministério do Meio
Ambiente constata o avanço da implantação dessa
política. Articulações e parcerias resultaram na
defnição de planos, programas e ações que aplicaram
princípios e critérios para um conceito moderno e
apropriado de desenvolvimento. Essa estratégia de
integração e compartilhamento se estendeu da A-
mazônia ao semi-árido nordestino, dos programas
destinados a garantir o acesso e a melhoria da
qualidade da água ao controle da poluição, da criação
de unidades de conservação ao fortalecimento do
licenciamento ambiental. Por meio de iniciativas em
diferentes políticas públicas, a Política Ambiental
Integrada vem consolidando um direcionamento
prioritário: contribuir para a promoção do
desenvolvimento sustentável em todo o país.
O Brasil é, neste sentido, um país de dimensões
continentais que apresenta grande disponibilidade
hídrica, mas com diversos desafos a serem superados
e problemas a serem enfrentados. A distribuição dos
recursos hídricos não é uniforme, tanto espacial como
temporalmente, existindo regiões com graves cenários
de escassez, em quantidade, com destaque para o
semi-árido nordestino, e em qualidade, no caso das
regiões mais industrializadas do sudeste do país.
No caso das águas subterrâneas, quando comparada
à gestão das águas superfciais, é notória a defasagem
do conhecimento básico, do monitoramento e de
estudos hidrogeológicos que indiquem com certo
grau de certeza o comportamento destas águas e
características dos aqüíferos, além da necessidade de
implementação de mecanismos legais e capacitação
técnica e social.
A Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente
Urbano do Ministério do Meio Ambiente (SRU/
MMA) vem debatendo e promovendo a articulação
da questão das águas subterrâneas por meio de alguns
programas e projetos, como o Programa Nacional de
Águas Subterrâneas, o Projeto Aqüífero Guarani,
o Programa ISARM Américas e o Programa Água
Doce, assim como no Plano Nacional de Recursos
Hídricos (PNRH).
O Plano Nacional de Recursos Hídricos foi
desenvolvido mediante um processo que propiciou
ampla participação social resultando em importantes
contribuições de diversos segmentos, e vem tratando
o tema das águas subterrâneas em seu detalhamento,
principalmente por meio do Programa VIII –
Programa Nacional de Águas Subterrâneas, bem
como utilizando abordagens transversais e correlatas
nos outros programas.
Para que possamos atribuir às águas subterrâneas
seu devido valor como recurso estratégico e
importante fonte de abastecimento, são necessárias
ações no sentido de ampliar os conhecimentos
técnicos, implantar uma rede de monitoramento
efetiva, implementar a gestão integrada das águas
subterrâneas e superfciais, bem como a capacitação
de técnicos, gestores e da sociedade em geral.
Neste sentido, o presente documento apresenta
conceitos relevantes para o entendimento das
peculiaridades da gestão das águas subterrâneas, suas
características básicas, ações de proteção, além de
traçar um panorama das principais ações da SRU/
MMA relacionadas à questão.
Esperamos que este documento introduza e fortaleça
o processo de discussão da inserção das águas
subterrâneas na Gestão Integrada de Recursos
Hídricos, uma vez que este recurso estratégico
precisa ser efetivamente conhecido para ser protegido
e utilizado de maneira adequada.
Demonstra-se, assim, por meio do tema das águas
subterrâneas, a amplitude que as políticas ambientais
assumiram no Brasil nos últimos quatro anos.
O MMA tem procurado apontar claramente para
um novo paradigma de desenvolvimento econômico
e demonstrar, pelos seus resultados, que este é viável.
Temos condições de avançar muito mais porque hoje
sabemos que as políticas públicas podem dar respostas
aos desafos civilizatórios brasileiros. Penso que este
é o recado que estamos recebendo da sociedade e que
nos anima a continuar no caminho.
MARinA SilvA
Ministra de Estado do Meio Ambiente
5
Prefácio
1 intRoDUção ................................................................................................. 7
2 DiStRiBUição E DiSPoniBiliDADE DE ÁgUA ...................................... 8
3 AS ÁgUAS SUBtERRânEAS no ciclo HiDRolÓgico ...................10
4 oS AqUífERoS E SUAS cARActERíSticAS ........................................11
4.1 Tipos de Aqüíferos ....................................................................................................... 12
4.2 A Dinâmica de Reabastecimento dos Aqüíferos – As Áreas de Recarga ............ 15
5 PRoPRiEDADES DAS ÁgUAS SUBtERRânEAS ...................................16
6 iMPActoS SoBRE AS ÁgUAS SUBtERRânEAS ..................................18
7 PAnoRAMA DAS ÁgUAS SUBtERRânEAS ..........................................21

7.1 Águas Subterrâneas no Mundo .................................................................................. 21
7.2 Águas Subterrâneas no Brasil ...................................................................................... 22
8 A gEStão DAS ÁgUAS SUBtERRânEAS .............................................26

8.1 Arcabouço Institucional e Legal da Gestão das Águas Subterrâneas .................. 26
8.2 Algumas Estratégias de Proteção, Conservação e
Gestão das Águas Subterrâneas ......................................................................................... 28
9 PRinciPAiS AçõES DA SRU/MMA EM ÁgUAS SUBtERRânEAS ....30
10 BiBliogRAfiA .........................................................................................37
11 onDE oBtER MAiS infoRMAçõES ..................................................38
Sumário
6
1 introdução
A água é um elemento fundamental para a manutenção de todas as formas de vida em nosso planeta.
Apesar de dois terços da superfície da Terra ser coberta por água, apenas uma pequena porção dessa
água é doce.
De toda a água doce disponível para consumo, 96% é proveniente de água subterrânea. São elas as
responsáveis pela garantia da sobrevivência de parte signifcativa da população mundial. Países como
Arábia Saudita, Dinamarca e Malta utilizam exclusivamente dessas águas para todo o abastecimento
humano. Enquanto que na Áustria, Alemanha, Bélgica, França, Hungria, Itália, Holanda, Marrocos,
Rússia e Suíça, mais de 70% da demanda por água é atendida por manancial hídrico subterrâneo
(CPRM, 1997).
No Brasil, segundo dados do IBGE (2000), cerca de 55 % dos distritos são abastecidos por água
subterrânea. Cidades como Ribeirão Preto (SP), Maceió (AL), Mossoró (RN) e Manaus (AM), suprem
todas as suas necessidades hídricas utilizando esse tipo de abastecimento. Além de atender diretamente
à população, esses recursos são utilizados na indústria, agricultura (irrigação), lazer, etc.
Em função dessa crescente demanda, as água subterrâneas estão sob forte pressão. A superexplotação,
ou seja, a extração de água em volume maior do que o reposto pela natureza, pode provocar a redução
da quantidade de água que abastece os rios, a seca de nascentes, o esgotamento dos reservatórios, entre
tantos outros impactos negativos.
Somam-se a esses os problemas relacionados com a contaminação das águas pelas atividades humanas
(ação antrópica), sendo as principais fontes de poluição: as fossas, os esgotos domésticos e industriais,
os vazamentos em postos de gasolina, os lixões, os agrotóxicos utilizados na agricultura, os poços
profundos mal instalados ou abandonados, entre outros.
A poluição provocada pelas atividades humanas, o aumento da população mundial, o consumo excessivo
e o alto grau de desperdício são fatores que colocam em risco a disponibilidade de água doce. Por
sua importância estratégica para as gerações presentes e futuras, nossas reservas de água subterrânea
necessitam de um cuidado especial, para sua preservação e utilização de forma sustentável.
A maior parte da população brasileira tem pouca informação sobre as águas subterrâneas, sua dinâmica,
os possíveis impactos e suas potencialidades de uso. Considerando que o conhecimento é fundamental
no processo de preservação dos recursos naturais, a Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano
do Ministério do Meio Ambiente (SRU/MMA) e a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas
(Abas) produziram este documento, com o intuito de facilitar o acesso às informações necessárias à
conservação e ao uso sustentável desse bem natural.
Ao longo deste documento, serão apresentadas noções básicas e as particularidades das águas subterrâneas,
com uma contextualização sobre sua ocorrência e a indicação das normas legais federais relacionadas
à sua gestão. O objetivo é o de disseminar informações relativas às águas subterrâneas para aos atores
do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos a fm de ampliar o conhecimento para
dar base à Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH). Também serão apresentadas de forma
sintética as ações da SRU/MMA relacionadas ao tema, como o Plano Nacional de Recursos Hídricos,
o Programa de Águas Subterrâneas, o Programa ISARM Américas, o Projeto Aqüífero Guarani e
o Programa Água Doce. Por fm, são recomendados alguns sítios eletrônicos, livros e documentos
destinados a um maior aprofundamento sobre os conhecimentos referentes às águas subterrâneas.
7
2 diStriBuição e diSPoniBiLidAde de áGuA
A maior parte da superfície da Terra está coberta por água (70%), por isso a chamamos de
Planeta Azul. Do volume total de água do planeta, 97,5% é salgada, compondo os mares e
oceanos, e apenas 2,5% é doce.
Porém, da água doce existente na Terra, 68,9% formam as calotas polares, geleiras e neves eternas
(que cobrem os cumes das montanhas), 0,9% corresponde à umidade do solo e pântanos, 0,3%
aos rios e lagos, e os 29,9% restantes são águas subterrâneas.
Desta maneira, do total de água doce disponível para consumo, descontando-se aquela presente
nas calotas polares, geleiras e neves eternas, as águas subterrâneas representam um total de
96%, conforme apresentado na Figura 1.
8
97,5%
De todo óguo presente
no ploneto Terro,
Águo Doce
(Gelo + Lìquido}
Águo
5olgodo
óß,9%
Gelo,
Colotos Folores
31,10%
Águo Doce
Lìquido
Águo
5uperficiol
9ó%
Águo 5ubterrôneo
4%
2,5%
Figura 1 – Distribuição da água na Terra.
ABUnDânciA
> 20.000
MUito Rico
10.000 A 20.000
Rico
3.000 A 10.000
RORAIMA
AMAZONAS
AMAPÁ
ACRE
MATO GROSSO
PARÁ
RONDôNIA
TOCANTINS
GOIÁS
MATO GROSSO DO SUL
RIO GRANDE DO SUL
MARANHãO
PARANÁ
SANTA CATARINA
MINAS GERAIS
PIAUí
ESPíRITO SANTO
BAHIA
SãO PAULO
CEARÁ
RIO DE JANEIRO
ALAGOAS
RIO GRANDE DO NORTE
SERGIPE
DISTRITO FEDERAL
PARAíBA
PERNAMBUCO
1.147.668
657.160
410.874
276.220
208.557
181.629
108.857
106.128
56.743
33.542
18.650
14.987
11.858
11.575
10.838
8.722
6.070
2.747
2.482
2.086
2.057
1.559
1.549
1.457
1.365
1.336
1.187
372.3
1.848.30
196
154
522.3
1.124.70
150.2
122.8
283.9
69.7
190
84.7
113.4
62
193.9
24.8
18
35.9
91.9
15.5
29.6
4.4
4.3
2.6
2.8
4.6
9.4
6.49
32.24
3.42
2.69
9.11
19.62
2.62
2.14
4.95
1.22
3.31
1.48
1.98
1.08
3.38
0.43
0.33
0.67
1.6
0.27
0.52
0.08
0.08
0.05
0.05
0.08
0.16
PoBRES
< 3.000
cRíticA
< 1.500
DiSPoniBiliDADE
HíDRicA PER cAPitA
M
3
/HAB/Ano
EStADo
DiSPoniBiliDADE
HíDRicAPER cAPitA
M
3
/HAB/Ano
PotEnciAl
HíDRico
(kM
3
/Ano)
PotEnciAl
HíDRico
(% Do totAl)
Fonte: Borghetti et alli, 2004
A água doce não está uniformemente
distribuída pela superfície do planeta,
ocorrendo regiões de extrema escassez e outras
com relativa abundância. No Brasil, um dos
países com maior disponibilidade hídrica da
Terra (13,8%), existem regiões extremamente
ricas, como a Amazônica, e outras com baixa
disponibilidade (Tabela 1).
Com relação à abundância e à distribuição
das águas subterrâneas, a situação não é
diferente. O país como um todo possui uma
reserva de águas subterrâneas estimada em
cerca de 112.000 km
3
, considerando uma
profundidade de até 1000 metros, com um
volume de reabastecimento (recarga) de 3.500
km
3
anuais (Rebouças, 1997).
Há regiões com grande disponibilidade
hídrica subterrânea, como aquelas abrangidas
pelo Aqüífero Guarani e regiões sedimentares
em geral, e outras pobres, como aquelas de
ocorrência das rochas cristalinas no semi-
árido brasileiro.
9
Tabela 1 – Disponibilidade de água superfcial e subterrânea.
Considerou-se apenas a produção hídrica em território necional. IBGE (2003)
Apesar das denominações água superfcial,
subterrânea e atmosférica, é importante
salientar que, na realidade, a água é uma só e
está sempre mudando de condição. A água que
precipita na forma de chuva, neve ou granizo,
já esteve no subsolo, em icebergs e passou
pelos rios e oceanos. A água está sempre em
movimento; é graças a isto que ocorrem: a
chuva, a neve, os rios, lagos, oceanos, as nuvens
e as águas subterrâneas.
Figura 2 – Ciclo Hidrológico
O ciclo hidrológico, ou ciclo da água, é o
movimento contínuo da água presente nos
oceanos, continentes (superfície, solo e rocha)
e na atmosfera (Figura 2). Esse movimento
é alimentado pela força da gravidade e pela
energia do Sol, que provocam a evaporação
das águas dos oceanos e dos continentes.
Na atmosfera, forma as nuvens que, quando
carregadas, provocam precipitações, na forma
de chuva, granizo, orvalho e neve.
Nos continentes, a água precipitada pode
seguir os diferentes caminhos:
• Infltra e percola (passagem lenta de um
líquido através de um meio) no solo ou nas
rochas, podendo formar aqüíferos, ressurgir
na superfície na forma de nascentes, fontes,
pântanos, ou alimentar rios e lagos.
• Flui lentamente entre as partículas e espaços
vazios dos solos e das rochas, podendo fcar
armazenada por um período muito variável,
formando os aqüíferos.
• Escoa sobre a superfície, nos casos em que a
precipitação é maior do que a capacidade de
absorção do solo.
• Evapora retornando à atmosfera. Em adição
a essa evaporação da água dos solos, rios e
lagos, uma parte da água é absorvida pelas
plantas. Essas, por sua vez, liberam a água
para a atmosfera através da transpiração. A
esse conjunto, evaporação mais transpiração,
dá-se o nome de evapotranspiração.
• Congela formando as camadas de gelo nos
cumes de montanha e geleiras.
3 AS áGuAS SuBterrÂneAS e o cicLo
HidroLÓGico
Evaporação
Precipitação
Geleiras
Degelo
Infiltração
Infiltração
Escoamento
Superficial
Evapotranspiração
Mar
Fraturas
na Rocha
Fluxo Água Subterrânea
Fluxo
Base Rio
Infiltração
Recarga
D
esca
rg
a
10
Figura 3 – Caracterização esquemática das
zonas saturadas e não saturadas no subsolo
Para entendermos melhor o que são os aqüíferos e suas características, serão apresentadas
algumas defnições que ajudarão a compreender o tema.
As águas subterrâneas são aquelas que se encontram sob a superfície da Terra, preenchendo
os espaços vazios existentes entre os grãos do solo, rochas e fssuras (rachaduras, quebras,
descontinuidades e espaços vazios).
A Figura 3 mostra o caminho percorrido pelas águas, desde a superfície, passando pela:
• zona não saturada, onde a água e o ar preenchem os espaços vazios entre os grânulos;
• zona saturada, onde a maioria dos espaços vazios é preenchida por água.
No limite entre as duas zonas, ocorre o nível freático, que demarca o contato entre estas,
conhecido popularmente como lençol freático.
4 oS AQuÍferoS e SuAS cArActerÍSticAS
11
Hidrogeologia é a ciência que estuda as águas subterrâneas (aqüíferos), seu movimento,
ocorrência, propriedades, interações com o meio físico e biológico, bem como os impactos das
ações dos seres humanos na qualidade e quantidade nessas águas (poluição, contaminação e
superexplotação).
As rochas saturadas que permitem a
circulação, armazenamento e extração de água
são chamadas de aqüíferos. Geralmente os
aqüíferos possuem a capacidade de armazenar
grande quantidade de água.
Neste contexto, é importante observar
que as rochas podem ser classifcadas
em sedimentares, ígneas ou
metamórfcas:
• ígneas (granitos, basaltos, diabásio
e piroclásticas) são aquelas formadas
diretamente pelo magma, material
similar aquele lançado pelos vulcões.
São também chamadas rochas
cristalinas ou embasamento cristalino,
onde a água subterrânea ocorre nas
fraturas e fssuras.
• sedimentares (conglomerados,
arenitos, siltitos, argilitos, pelitos,
folhelhos, sedimentos calcários,
lentes, entre outras) são formadas
por fragmentos de rochas pré-
existentes, desagregados pela erosão,
transportados e acumulados em locais
propícios à deposição. São as rochas
que compõem as bacias sedimentares,
formando os melhores aqüíferos.
• metamórfcas (metassedimentos,
metacalcários, mármores, gnaisses,
xistos, milonitos, etc) são formadas
pela transformação de outras rochas,
sob ação da pressão ou temperatura.
(Adaptado de Abas,1999)
4.1 tipos de aqüíferos
Os aqüíferos podem ser classifcados quanto
aos tipos de espaços vazios em (Figura 4):
(a) poroso – com água armaze-
nada nos espaços entre os grãos
criados durante a formação
da rocha; é o caso das rochas
sedimentares, como os arenitos
do Sistema Aqüífero Guarani.
Os aqüíferos porosos funcionam
com esponjas onde os espaços
vazios são ocupados por água.
(b) fissural (cristalino/embasa-
mento cristalino) – a água
circula pelas fssuras resultantes
do fraturamento das rochas
relativamente impermeáveis
(ígneas ou metamórfcas), como
os basaltos, que estão sobre
arenitos do Guarani.
(c) Cársticos – São os aqüífe-
ros formados em rochas car-
bonáticas (sedimentares, ígne-
as ou metamórfcas). Consti-
tuem um tipo peculiar de
aqüífero fraturado, onde as
fraturas, devido à dissolução
do carbonato pela água, podem
atingir aberturas muito grandes,
criando, neste caso, verdadeiros
rios subterrâneos. São exemplos
destes, as regiões da Gruta de
Maquiné, São Domingos, Vale do Ribeira e
Bonito.
Figura 4 – Classifcação
dos tipos de aqüíferos,
quanto a porosidade
'*4463"- $–345*$0 103040
'*4463"- $–345*$0 103040
'*4463"- $–345*$0 103040
12
Figura 5 – Classifcação dos aqüíferos, com respectivos níveis de pressão.
"RV½GFSP
$BNBEB$POGJOBOUF
"RV½GFSP$POGJOBEP
–
S
F
B

E
F

3
F
D
B
S
H
B
E
P

"
R
V
½
G
F
S
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$
P
O
G
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B
E
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1P¸P"SUFTJBOP
1P¸P
/·P"SUFTJBOP
/*7&-
'3&–5*$0
1P¸P
$PNVN
13
Pode-se também classifcar os aqüíferos
segundo a sua posição e estrutura (Figura 5):
(a) livres – aqüíferos que se localizam mais
próximos à superfície. Como no caso do aqüí-
fero Pantanal.
(b) Confnados – presença de uma camada
de menor permeabilidade (confnante) que
submete as águas a uma pressão superior à
atmosférica, caso da porção central do Sistema
Aqüífero Guarani. Nos aqüíferos confnados
os poços tubulares profundos podem apre-
sentar artesianismo, isto é, a água jorra do
poço sem necessidade de equipamento de
bombeamento.
(c) semi-confnados – situação intermedi-
ária entre os dois.
O acesso dos seres humanos às águas subterrâneas normalmente se dá por meio da perfuração
de poços. Estes podem ser escavados manualmente, como as cacimbas, poços amazonas e
cisternas ou perfurados com equipamentos, caso dos poços tubulares profundos. (Figura 6)
Figura 6 – Perfl esquemático de poços tubulares profundos em rochas sedimentares e cristalinas
14
4. 2 a dinâmiCa de reabas-
teCimento dos aqüíferos
– as Áreas de reCarga
A maioria dos aqüíferos são constantemente
reabastecidos. O processo por meio do qual
um aqüífero recebe água é chamado de
recarga.
A recarga natural depende fundamentalmente
do regime pluviométrico (quantidade de
chuvas) e do equilíbrio que se estabelece entre
a infltração, escoamento e evaporação. Sendo
assim, a topografa da área, a natureza do solo
e a situação atual da cobertura vegetal, têm
papel fundamental na recarga dos aqüíferos.
Os aqüíferos são reabastecidos por meio de
infltração direta das águas na superfície do
solo/rocha (recarga direta). Esta infltração
ocorre em toda superfície dos aqüíferos livres
ou, no caso dos aqüíferos confnados, nas áreas
de aforamento (áreas onde a rocha “aparece”
na superfície).
Porém, existem locais em que os aqüíferos
não estão em contato direto com as águas
superfciais, mas continuam a ser recarregados.
Nesse caso, os aqüíferos recebem água através
de outras rochas (recarga indireta). Vide
fgura 5.
As áreas de recarga direta geralmente estão
localizadas em altos topográfcos (morros,
serras, etc) e aforamentos de rochas
sedimentares. São áreas extremamente
importantes para a manutenção da qualidade
e quantidade das águas subterrâneas.
Portanto, é fundamental que estas áreas sejam
protegidas, evitando-se o desmatamento,
o uso incorreto dos solos e a instalação de
atividades potencialmente poluidoras.
15
Além disso, estas características e propriedades
conferem às águas subterrâneas diversas
vantagens entre elas:
• Qualidade – As águas subterrâneas possuem
elevado padrão de qualidade físico-química
e bacteriológica. Por serem naturalmente
protegidas (mas não imunes) dos agentes
de poluição e contaminação, essas águas
dispensam, na maioria dos casos, tratamento
físico-químico.
• Quantidade – Os volumes são superiores aos
das águas superfciais. Sua vazão (quantidade
de água/tempo) é menos afetada por períodos
de estiagem prolongada e não apresenta perdas
por evaporação, como nos reservatórios de
superfície.
Figura 7– Principais funções dos aqüíferos (Adaptado de Rebouças,1997 e Rebouças et al., 2002).
5 ProPriedAdeS dAS áGuAS SuBterrÂneAS
Com a crescente degradação da qualidade das águas superfciais, as águas subterrâneas tendem
a assumir uma posição de maior importância. Devido às suas características e propriedades
podem exercer diferentes funções que são apresentadas na Figura 7.
PRinciPAiS fUnçõES DoS AqüífERoS
produção
Fornecem água em quantidade e qualidade adequadas
para os usos múltiplos
estoCagem e regularização
Armazenam água em períodos de chuva e cedem em épocas
de estiagem para rios e lagos
filtragem
Atuam como fltros naturais, minimizando os custos
de tratamento para consumo
transporte
Conduzem água de uma área de recarga (onde a água infltra) para
as áreas de bombeamento, onde estão situados os poços
estratégiCa
Protegem a água armazenada tanto da evaporação,
como das conseqüências das guerras e sabotagens
energétiCa
Permitem a utilização da água subterrânea aquecida pelo gradiente geotermal, como
fonte de energia elétrica ou termal
ambiental
Fornecem água para a manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade
16
• Distribuição – As águas subterrâneas ocu-
pam áreas muito maiores do que a calha de
um rio ou lagoa, o que permite a perfuração de
poços nos locais onde as demandas ocorrem.
Nesse sentido, as águas subterrâneas facilitam
a distribuição setorizada, visto que a distância
dos poços até o reservatório ou caixa de água
é, em geral, de pequena extensão.
• Usos – Além dos diversos usos das águas
subterrâneas (por exemplo, abastecimento, in-
dústria, agricultura, entre outros), aquelas que
apresentam temperaturas elevadas também
podem ser exploradas economicamente em
atividades relacionadas com o turismo termal
(estâncias termais) e na indústria.
• Custos – O valor de perfuração dos poços,
assim como os prazos de execução, são
geralmente inferiores aos necessários para as
obras de captação e transporte de águas de
superfície. Outro fator a ser destacado é a
facilidade da perfuração de poços que permite
planejar a implantação gradual do sistema de
abastecimento à medida que cresce a demanda,
e os custos de manutenção e operação são
mais baixos. Além disso, não há custo de
armazenamento primário, como nas barragens
e açudes, e não requer a desapropriação de
grandes áreas.
• Meio ambiente – Os impactos ambientais
relacionados com as instalações para o
aproveitamento das águas subterrâneas
são consideravelmente pequenos, quando
instalados e operados adequadamente,
fcando restritos a área de captação (poço
tubular). Para efeito de comparação citam-
se os impactos causados pelas barragens, que
envolvem grandes áreas e alteram o equilíbrio
dos ecossistemas.
Por outro lado, devido as suas peculiaridades as
águas subterrâneas exigem certos cuidados:
• A renovação (recarga) das águas retiradas
dos aqüíferos nem sempre ocorre na mesma
velocidade da extração, o que pode provocar
a superexplotação ou sua exaustão. Nesse
sentido, a exploração das águas subterrâneas
exige um monitoramento constante dos vo-
lumes extraídos.
• Por estarem “escondidas” no subsolo, as á-
guas subterrâneas são mais difíceis de serem
avaliadas, exigindo metodologias complexas.
• A baixa circulação da água nas fraturas (a-
qüíferos fssurais), principalmente em áreas
com índice elevado de evaporação, pode
provocar a salinização (aumento do teor de
sal) do aqüífero.
• A exploração dos aqüíferos de forma ina-
dequada, principalmente em áreas carbonáticas,
pode causar subsidência (afundamentos) de
terrenos como, por exemplo, o que ocorre na
região de Sete Lagoas (MG).
• No caso de poluição ou contaminação os
custos e a complexidade técnica de remediação
(processo de despoluição e minimização dos
impactos negativos) e recuperação podem ser
extremamente elevados, demandado longos
períodos.
Além disso, a falta de monitoramento, conhe-
cimento e pessoal técnico especializado em
águas subterrâneas são desafos a serem
superados na gestão integrada e sistêmica de
recursos hídricos.
Fonte: Adaptado de Feitosa – CPRM (1997) e
Abeas (1999).
17
6 imPActoS SoBre AS áGuAS SuBterrÂneAS
Com o crescimento das cidades e aumento da
demanda por água, tanto em ambiente urbano
quanto rural, os problemas envolvendo a
manutenção da qualidade e da quantidade das
águas superfciais e subterrâneas tendem a se
agravar. Neste contexto, é importante lembrar
que tudo que afeta as águas subterrâneas pode
também afetar as águas superfciais, já que
estas possuem uma forte relação.
No Brasil, os problemas mais comuns das
águas subterrâneas estão relacionados com a
superexplotação, impermeabilização do solo e
com a poluição.
a) superexplotação
A superexplotação, ou seja, quando a extração
de água ultrapassa o volume infltrado, pode
afetar o escoamento básico dos rios, secar
nascentes, infuenciar os níveis mínimos
dos reservatórios, provocar subsidência
(afundamento) dos terre-nos, induzir o
deslocamento de água conta-minada, salinizar,
provocar impactos negativos na biodiversidade
e até mesmo a exaurir completamente o
aqüífero.
Em áreas litorâneas, a superexplotação de
aqüíferos pode provocar a movimentação
da água do mar no sentido do continente,
ocupando os espaços deixados pela água doce
(processo conhecido como intrusão da cunha
salina).

(Adaptado de Feitosa – CPRM, 1997)
b) poluição das Águas
subterrâneas
Devido às baixas velocidades de infltração e
aos processos biológicos, físicos e químicos
que ocorrem no solo e na zona não saturada,
os aqüíferos são naturalmente mais protegidos
da poluição. Porém, ao contrário das águas
superfciais, uma vez ocorrida a poluição, as
baixas velocidades de fuxo tendem a promover
uma recuperação muito lenta da qualidade.
Dependendo do tipo de contaminante, essa
recuperação pode levar anos, com custos
muito elevados, não raro, proibitivos.
O risco potencial de um determinado aqüí-
fero ser contaminado está relacionado ao
tipo de contaminante e suas características,
como: litologia (tipo de rocha), hidrogeologia,
gradientes hidráulicos (diferença de pressão
entre dois pontos), entre outros. A maior
ou menor susceptibilidade de um aqüífero
à contaminação e poluição é chamada de
vulnerabilidade.
A poluição/contaminação da água subter-
rânea pode ser direta ou indireta. Ambas
podem estar relacionadas com as atividades
humanas e/ou por processos naturais.
As fontes mais comuns de poluição e conta-
minação direta das águas subterrâneas são:
• deposição de resíduos sólidos no solo:
descarte de resíduos provenientes das ativi-
dades industriais, comerciais ou domésticas
em depósitos a céu aberto, conhecidos como
lixões. Nessas áreas, a água de chuva e o líquido
resultante do processo de degradação dos
18
resíduos orgânicos (denominado chorume),
tendem a se infltrar no solo, carreando
substâncias potencialmente poluidoras,
metais pesados e organismos patogênicos
(que provocam doenças).
• esgotos e fossas: o lançamento de esgotos
diretamente sobre o solo ou na água, os
vazamentos em coletores de esgotos e a
utilização de fossas construídas de forma
inadequada constituem as principais causas
de contaminação da água subterrânea.
• atividades agrícolas: fertilizantes e agro-
tóxicos utilizados na agricultura podem
contaminar as águas subterrâneas com
substâncias como compostos orgânicos,
nitratos, sais e metais pesados. A contaminação
pode ser facilitada pelos processos de
irrigação mal manejados que, ao aplicarem
água em excesso, tendem a facilitar que estes
contaminantes atinjam os aqüíferos.
• mineração: a exploração de alguns minérios,
com ou sem utilização de substâncias químicas
em sua extração, produz rejeitos líquidos e/ou
sólidos que podem contaminar os aqüíferos.
•Vazamento de substâncias tóxicas:
vazamentos de tanques em postos de
combustíveis, oleodutos e gasodutos, além de
acidentes no transporte de substâncias tóxicas,
combustíveis e lubrifcantes.
• Cemitérios: fontes potenciais de conta-
minação da água, principalmente por micro-
organismos.
As formas mais comuns de poluição/conta-
minação indireta são:
• filtragem vertical descendente: poluição
de um aqüífero mais profundo pelas águas de
um aqüífero livre superior (que ocorre acima
do primeiro).
• Contaminação natural: provocada pela
transformação química e dissolução de
minerais, podendo ser agravada pela ação
antrópica (aquela provocada pelos seres
humanos), por exemplo, a salinização, presença
de ferro, manganês, carbonatos e outros
minerais associados a formação rochosa.
• poços mal construídos e/ou abando-
nados: poços construídos sem critérios téc-
nicos, com revestimento corroído/rachado,
sem manutenção e abandonados sem o fecha-
mento adequado (tamponamento), podem
constituir vias importantes de contaminação
das águas subterrâneas.
19
Figura 8 – Principais fontes de contaminação de águas subterrâneas
C) impermeabilização
O crescimento das cidades causa diversos
impactos ao meio ambiente, com refexos
diretos na qualidade e quantidade da água.
A impermeabilização do solo a partir da cons-
trução de casas, prédios, asfaltamento de ruas,
ausência de jardins e parques, entre outros,
reduz a capacidade de infltração da água no
solo.
Como a água não encontra locais para
infltrar, acaba escoando pela superfície,
adquirindo velocidade nas áreas de declive
acentuado, em direção às partes baixas do
relevo. Os resultados desse processo são
bastante conhecidos: redução do volume de
água na recarga dos aqüíferos, erosão dos
solos, enchentes e assoreamento dos cursos de
água.
Normalmente os rios possuem dois leitos,
o menor (onde a água escoa na maior parte
do tempo), e o maior, que é naturalmente
inundado em períodos de chuvas intensas.
A ocupação do leito maior pelos seres humanos
potencializa os impactos das enchentes.
As enchentes causam grandes prejuízos à
população, não só materiais, como de saúde
(doenças de veiculação hídrica). Em locais
sem redes pluviais e/ou coleta de lixo, o
escoamento superfcial tende a carregar
grande quantidade de sedimentos e de lixo
para os rios, aumentando o risco de enchente
e comprometendo ainda mais a qualidade
destas águas.
&TUB¸·P
5SBUBNFOUP
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1SPEVUPT1FSJHPTPT
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'PTTB
20
7.1 Águas subter-
râneas no mundo
Nas últimas décadas, em diver-
sos países, tem-se tornado evi-
dente a importância das águas
subterrâneas, tanto para o a-
bastecimento das populações,
como para outros usos. O ma-
pa a seguir procura ilustrar es-
quematicamente os recursos hí-
dricos subterrâneos do planeta
e a tabela apresenta alguns dos
principais aqüíferos distribuídos
nos diversos continentes.
7 PAnorAmA dAS áGuAS SuBterrÂneAS
Figura 9 – Mapa dos recursos hídricos subterrâneos do mundo
Adaptado de UNESCO, 2003
(Adaptado de BGR/UNESCO, 2006 e UNESCO, 2001)
21
Tabela 2 - A tabela ao lado mostra os principais
aqüíferos apresentados por continente.
Principais bacias
hidrogeológicas com
aqüiferos altamente
produtivos
Área com estrutura
complexa incluindo
alguns aqüiferos
importantes
Área com aqüíferos
geralmente pobres,
localmente coberto por
aqüíferos aluvionares
Gelo permanente
Lagos grandes
LEGENDA
noME
SISTEMA AQüíFERO
AMAZONAS
(Solimões, Iça, Alter do Chão)
NúBIA
NORTE SAHARA
SISTEMA AQüíFERO
GUARANI
GRANDE BACIA
ARTESIANA
HIGH PLAIN
(Aquífero Ogallala)
NORTH CHINA PLAIN
VECHT
KALAHARI/KAROO BASIN
íNDIA RIVER PLAIN
LESTE PRúSSIA
AQüíFERO RIO GRANDE
3.95
2
1.03
1.2
1.7
0.45
0.14
0.38
0.144
0.560
––––
0.108
BOLíVIA, BRASIL,
COLôMBIA, EQUADOR,
PERU, VENEZUELA
LíBIA, EGITO, CHAD, SUDãO
ARGENTINA, BRASIL,
PARAGUAI, URUGUAI
AUSTRÁLIA
ESTADOS UNIDOS
CHINA
ALEMANHA E HOLANDA
NAMíBIA, BOSTWANA,
ÁFRICA DO SUL
íNDIA E PAQUISTãO
RúSSIA, POLôNIA E LITUâNIA
ESTADOS UNIDOS E MéxICO
ALGéRIA, LíBIA E TUNíSIA
––––
75
60
37
20
15
5
––––
––––
––––
––––
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
PAíSES
ÁREA
(MilHõES
kM
2)
volUME
EStiMADo
(BilHõESM
3
)
7.2 Águas subterrâneas no brasil
Para facilitar o estudo das águas subterrâneas, o Brasil foi dividido em regiões homogêneas,
formando 10 províncias hidrogeológicas (Figura 10). Estas províncias são regiões onde
os sistemas aqüíferos apresentam condições semelhantes de armazenamento, circulação e
qualidade de água.
22
1
2
3
4
5
ó
7
ß
9
10
11
12
1
2
3
4
5
ó
7
ß
9
10
11
12
kegiôes Hidrogóficos
1} Amozônico
2} Tocontins-Aroguoio
3} Atlôntico Mordeste Ocidentol
4} Fornoìbo
5} Atlôntico Mordeste Orientol
ó} 5ôo Froncisco
7} Atlôntico Leste
8} Atlôntico 5udeste
º} Atlôntico 5ul
10} Uruguoi
11} Foronó
12} Foroguoi
divisão Hidrográfca nacional
Adaptado: (BrASiL.dnPm/cPrm,
1981)
figura 10 – representação esquemática das Províncias Hidrogeológicas do Brasil X Bacias Hidrográfcas
Tabela 3 – Descrição das províncias hidrogeológicas e principais aqüíferos do Brasil
Província Escudo Setentrional – caracterizada pela ausência quase total de informações
hidrogeológicas, estima-se que os aqüíferos Boa Vista, Tacatu, e Grupo Roraima e Benefcente são
os mais promissores, sendo formados de areias, arenitos fnos, médios e grosseiros.
O Aqüífero Boa Vista constitui-se de arenitos com intercalações de níveis conglomeráticos e
camadas pelíticas (argila), com poços apresentando vazão média de 30 m
3
/h.
Província Amazonas – os melhores aqüíferos conhecidos são os depósitos arenosos correspondentes
às Formações Solimões, Içá e Alter do Chão, que apresentam bons índices de produtividade em
diversas áreas, como Belém, Ilha de Marajó, Santarém e Manaus (Alter do Chão), além de Rio
Branco e Porto Velho (Solimões).
Os depósitos que compõem o Sistema Aqüífero Solimões são arenitos, conglomerados, siltitos,
argilitos e calcários síltico-argilosos, localizados no topo da seqüência sedimentar da Bacia
Sedimentar Amazônica, apresentando espessura máxima total de 2.200 m. A vazão média dos
poços é de 28 m
3
/h e profundidade média de 60 m.
O Sistema Aqüífero Alter do Chão ocorre abaixo da Formação Solimões, sendo constituído por
arenitos e argilitos, compondo uma espessura máxima de 1.250 m. A vazão média dos poços é de
54 m
3
/h e profundidade média de 130 m.
Província Escudo Central – estima-se que os aqüíferos mais promissores correspondem aos
arenitos das Formações Benefcente e Pacaás Novos.
Província Parnaíba – apresenta três sistemas aqüíferos principais de extensão regional, Poti-Piauí,
Cabeças e Serra Grande, além de outros menores tais como: Codó, Sambaíba, Corda e Itapecuru
pertencentes à bacia sedimentar Parnaíba, que apresentam águas de boa qualidade química. O
poço jorrante do Vale do Gurguéia – o Violeta – antes de ser tamponado, captava diretamente dos
sistemas Cabeças e Serra Grande, com vazão de 1000 m
3
/h.
O Aqüífero Poti-Piauí é constituído por arenitos, siltitos e folhelhos, localmente calcários,
apresentando espessura média de 400 m. As vazões médias nas porções livre e semi-confnada são
respectivamente 18 e 40 m
3
/h.
O Sistema Aqüífero Cabeças apresenta o melhor potencial hidrogeológico da bacia sedimentar,
apesar da espessura menor (300 m). Compõe-se de arenitos apresentando vazões médias na
porção livre e confnada, respectivamente de 12 e 50 m
3
/h.
O Sistema Aqüífero Serra Grande engloba arenitos fnos a grossos, níveis de conglomerados e
intercalações de siltitos, apresentando vazões médias de 6,0 e 14 m
3
/h, para as poções livres e
confnadas.
Província São Francisco – predominam aqüíferos fraturados cársticos (Chapada Diamantina e
Bambuí). O Bambuí ocorre na região da bacia do rio Verde Grande, e na região de Sete Lagoas-
Lagoa Santa.
O Sistema Aqüífero Bambuí compreende os metassedimentos, em sua maioria de natureza
carbonática dos Grupos Bambuí e Una, além dos carbonatos da Formação Caatinga. Os poços
apresentam vazão média de 10 m
3
/h para uma profundidade média de 90 metros.
1
2
3
4
5
23
Outro importante sistema aqüífero é a Formação Urucuia, que abastece diversas cidades da Bahia
e Goiás. Este aqüífero tem uma função reguladora para o escoamento de trecho médio do rio São
Francisco.
O Sistema Aqüífero Urucuia-Areado engloba sedimentos (arenitos muito fnos a médios, com
intercalações de conglomerados, folhelhos e siltitos) apresentando espessura máxima de 1.500 m.
A vazão dos poços na camada superior é de até 60 m
3
/h, enquanto na inferior pode atingir mais
de 600 m
3
/h.
Além destes, vale citar a existência de aqüíferos de menor expressão tais como: Salitre, Jacaré,
Uruçuí, Mata da Corda e Paranoá.
Província Escudo Oriental (6) – ocorrem duas subprovíncias, a nordeste com potencial
hidrogeológico muito fraco e a sudeste, fraco a médio. Na primeira, normalmente às vazões médias
dos poços são baixas (1 a 3 m
3
/h) e com ocorrência de sal, já na segunda as vazões são médias
(10 m
3
/h), com boa qualidade química.
Na subprovíncia nordeste (6a) o reduzido potencial hidrogeológico (disponibilidade de água) está
relacionada às condições defcientes de circulação das águas subterrâneas, aliadas às condições do
clima semi-árido e à presença de rochas cristalinas, que resultam nas taxas excessivas de salinidade.
Porém, há ocorrência de pequenas bacias sedimentares, que apresentam maior potencial, com
destaque para a do Araripe, que cobre uma área de 11.000 Km
2
, com poços de vazões da faixa de
5 a 150 m
3
/h para profundidade de 50 a 300 m.
Na subprovíncia sudeste (6b) as condições climáticas propiciam um manto de alteração das
rochas cristalinas que podem atingir várias centenas de metros de espessura, favorecendo melhores
condições hídricas subterrâneas, tanto no aspecto quantitativo como qualitativo. Há a ocorrência
de pequenas bacias como a de São Paulo, Taubaté e Resende, que têm sua importância associada
à presença na área metropolitana de São Paulo e adjacências.
Província Paraná – possui os aqüíferos mais promissores do país, tais como o Sistema Aqüífero
Guarani, Bauru-Caiuá e Serra Geral e, com menor expressão, o Furnas, Ponta Grossa e
Aquidauana.
O Sistema Aqüífero Bauru-Caiuá ocorre no topo da seqüência sedimentar da bacia do Paraná,
sendo constituído por arenitos fnos a médios com intercalações de argilitos e siltitos. Em algumas
regiões é intensamente explotado, com vazões dos poços variando de 10 a 80 m
3
/h, constituindo-
se importante fonte de abastecimento público.
O Sistema Aqüífero Serra Geral é formado pelas rochas basálticas que recobrem o Sistema
Aqüífero Guarani, tratando-se de rochas cristalinas onde a água esta associada à presença de
fraturas, fssuras e zonas vesiculares (espaços vazios). Apresenta vazões variáveis, podendo chegar
a 150 m
3
/h, sendo muito utilizado para o abastecimento nas regiões sul e sudeste.
O Sistema Aqüífero Guarani é, provavelmente, o maior aqüífero transfronteriço das Américas,
possuindo uma área aproximada de 1,2 milhões de Km
2
e estendendo-se desde a Bacia Sedimentar
do Paraná (Brasil, Paraguai e Uruguai) até a Bacia do Chaco (Argentina). No Brasil ocorre nos
estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul.
5
6
7
24
Este manancial dispõe de um volume de água de aproximadamente 37.000 km
3
, em grande parte
de boa qualidade, porém, existem áreas com a presença de sais, o que pode inviabilizar alguns usos.
Em alguns pontos do sistema (porções confnadas) ocorrem águas com temperaturas superiores
a 30ºC, que podem ser utilizadas para o turismo termal e até mesmo pela indústria. Suas vazões
variam de 50 a 100 m
3
/h, com predominância entre 100 e 500 m
3
/h.
Estudos recentes têm sugerido que o Guarani tem partes compartimentadas (compartimentação
em blocos) e levantado dúvidas acerca de seus limites reais, especialmente na porção oriental.
Neste sistema ocorrem os dois tipos de recarga: a direta nas áreas de aforamento, onde os arenitos
estão em contato com a superfície; e a indireta por meio de água proveniente das fraturas das
rochas da Formação Serra Geral.
Província Escudo Meridional – Localiza-se no extremo sul do país e apresenta alguns aqüíferos,
de pouca expressão, restritos às zonas fraturadas cristalinas.
Província Centro-Oeste – subdivida em quatro sub-províncias: Ilha do Bananal (9a), Alto xingú
(9b), Chapada dos Parecis (9c) e Alto Paraguai (9d), com a presença de diversos tipos de rochas,
tais como: metamórfcas, calcários, sedimentos, etc.
O Sistema Aqüífero Parecis é constituído por arenitos com intercalações de níveis de conglomerado
e camadas de argila, tendo espessura média de 150 m. Poços tubulares construídos neste Sistema
apresentam vazão média de 147 m3/h e atendem a todo o sistema de abastecimento de Vilhena
– RO (ANA, 2005).
O Sistema Aqüífero Pantanal, é formado por sedimentos arenosos recentes, com espessuras que
podem atingir mais de 600 metros. Este sistema é responsável pela manutenção do ecossistema
pantaneiro.
Província Costeira – Está dividida em nove subprovíncias: Amapá (a); Barreirinhas (b); Ceará
e Piauí (c); Potiguar (d); Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte (e); Alagoas e Sergipe
(f ); Recôncavo, Tucano e Jatobá (g); Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia (h), Rio Grande do
Sul (i). Trata-se de bacias sedimentares de pequenas dimensões, com espessuras muito variáveis.
Comparativamente, é a província mais ameaçada pela forma de extração das águas subterrâneas
no Brasil (Rebouças, 2002).
Os aqüíferos mais promissores e bem distribuídos são os sedimentos do Grupo Barreiras, presentes
em diversas subprovíncias, que abastecem Belém, Recife, São Luiz, Fortaleza e Natal. Destaca-se,
ainda, na subprovíncia Barreirinhas o Marituba, que junto ao Barreiras, respondem por 80% do
abastecimento público de Maceió. Na subprovíncia Ceará e Piauí ocorrem os aqüíferos Beberibe
e Dunas. Na Potiguar destacam-se o Jandaíra e Açu; na Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do
Norte os aqüíferos Beberibe, Maria Farinha e Gramame; na Recôncavo,Tucano e Jatobá, Marizal,
São Sebastião (que abastece Salvador e Camaçari), Ilhas e Tacarutu.
Fonte: Adaptado de Feitosa – CPRM (1997), ANA (2005), Rebouças et al (2002) e
SRH – Plano Nacional de Recursos Hídricos (2006).
7
8
9
10
25
é importante ressaltar que os limites destas províncias não coincidem, necessariamente, com os das
bacias hidrográfcas. Desta forma, os aqüíferos ou sistemas aqüíferos, em geral, não guardam relação
com estas, podendo abranger mais de uma bacia hidrográfca, se comportar como nascente ou divisor
de bacias ou ainda constituir o baixo curso (mais próximo da foz) de uma ou mais bacias.
8.1. arCabouço instituCio-
nal e legal da gestão das
Águas subterrâneas
A primeira lei que dispôs sobre águas no Brasil
foi o Decreto Lei nº 22.643/34 chamado
Código das Águas que constitui um marco
no gerenciamento de recursos hídricos no
Brasil, onde as águas podiam ser públicas ou
privadas.
Na Constituição Federal de 1988 as águas
passaram a ser de domínio público, isto é,
todos têm direito ao seu uso. Nesta nova
visão, foram estabelecidos dois domínios: da
União (corpos de água que atravessam mais
de um estado e/ou país) e dos Estados. Esta
norma legal estabelece, ainda, que as águas
subterrâneas são de domínio estadual.
A Lei de Águas (Lei nº 9433/97) estabeleceu
a Política Nacional de Recursos Hídricos e
o Sistema Nacional de Gerenciamento de
Recursos Hídricos – SINGREH, tendo os
seguintes fundamentos: a água é um bem
de domínio público; um recurso natural e
limitado, dotado de valor econômico; em
situações de escassez, o uso prioritário é o
consumo humano e dessedentação animal;
uso múltiplo das águas deve ser proporcionado
e a gestão descentralizada e participativa.
Entre os objetivos da política destaca-se a
utilização racional e integrada das águas,
tendo como unidade de gerenciamento a bacia
hidrográfca.
Alguns estados possuem, além das leis estaduais
de recursos hídricos, regulamentações dos
instrumentos de outorga de direito de uso e
cobrança pelo uso da água, bem como, normas
que tratam da proteção das águas subterrâneas
e da sua gestão.
8 A GeStão dAS áGuAS SuBterrÂneAS
26
A fm de coordenar a gestão integrada de
recursos hídricos entre os estados, Distrito
Federal, municípios e a União, foi criado
o Sistema Nacional de Gerenciamento de
Recursos Hídricos, cujos objetivos são:
coordenar, arbitrar administrativamente os
confitos relacionados com os recursos hídricos;
implementar a Política Nacional de Recursos
Hídricos; planejar, regular e controlar o uso,
a preservação e a recuperação dos recursos
hídricos; e promover a cobrança pelo uso
de recursos hídricos. Este é constituído pelo
Conselho Nacional de Recursos Hídricos
(CNRH); Agência Nacional de Águas;
conselhos de Recursos Hídricos dos estados
e do Distrito Federal; Comitês de Bacias
Hidrográfcas; os órgãos públicos dos poderes
federal, estaduais, do Distrito Federal e
municipais cujas competências se relacionem
com a gestão de recursos hídricos; e as agências
de Água.
O CNRH, principal instância do SINGREH,
possui caráter normativo e deliberativo, tendo
importante papel no estabelecimento de diretri-
zes complementares para a implementação
da Política Nacional de Recursos Hídricos
e dos instrumentos de gestão nela previstos.
Ressalta-se que sua Secretaria Executiva é
exercida pela SRU/MMA. (www.cnrh-srh.
gov.br).
Nas questões relativas às águas subterrâneas,
o CNRH é assessorado pela Câmara
Técnica de Águas Subterrâneas (CTAS),
que possui entre suas atribuições: compa-
tibilizar as legislações relativas à exploração
e utilizaçãodestes recursos, propor mecanis-
mos institucionais de integração das á-
guas superfciais e subterrâneas, além de
mecanismos de proteção e gerenciamento
das águas subterrâneas (Resolução CNRH
nº 09/00).
Uma vez que os órgãos estaduais de recursos
hídricos são responsáveis pela gestão das
águas subterrâneas e, portanto, da outorga,
apresentando leis diferenciadas, e que os limites
dos aqüíferos não coincidem, necessariamente,
com os das bacias hidrográfcas (vide Figura
10), nem com os limites administrativos, torna-
se necessária a gestão conjunta e articulada
entre estes, intermediada pela União.
Para promover esta articulação, foram atribuídas à
SRH/MMA (atual SRU/MMA), pelo Decreto
nº 5.776/06, diversas competências, entre as
quais se destacam: a proposição de políticas,
planos, normas e a defnição de estratégias de
gestão de águas transfronteiriças; a promoção,
em articulação com órgãos e entidades esta-
duais, federais e internacionais, de estudos
técnicos relacionados aos recursos hídricos; a
proposição de encaminhamento de soluções;
a coordenação, em sua esfera de competência,
da elaboração de planos, programas e projetos
nacionais referentes às águas subterrâneas e o
monitoramento do desenvolvimento de suas
ações, dentro do princípio da gestão integrada
de recursos hídricos.
Existem outras regulamentações relacio-
nadas às águas subterrâneas, como a relativa
à fscalização da qualidade para água potável,
pela Agência Nacional Vigilância Sanitária
(Anvisa) além do disciplinamento do uso das
águas minerais, potáveis de mesa, balneárias e
geotermais que, segundo o Código de Águas
Minerais (Decreto-Lei nº 7.841/45), são
consideradas um bem mineral e cuja concessão
é disciplinada pelo Departa-mento Nacional
de Produção Mineral (DNPM).
27
8.2 algumas estratégias
de proteção, ConserVa-
ção e gestão das Águas
subterrâneas
Pelo exposto, observa-se que a Lei de Águas,
bem como outros diplomas legais visam
o estabelecimento da gestão de recursos
hídricos de forma mais integrada possível.

Uma abordagem integrada pressupõe a
utilização e gestão coordenada da água, solo
e recursos relacionados, a fm de maximizar
o bem estar econômico e social resultante,
de maneira eqüitativa sem comprometer
a sustentabilidade de ecossistemas vitais,
incluindo o desenvolvimento coordenado
e o gerenciamento das águas superfciais e
subterrâneas, bacias hidrográfcas, seus am-
bientes adjacentes costeiros e marítimos e os
interesses a montante e a jusante (GWP, 2006).
Neste sentido, uma efetiva gestão integrada e
proteção dos aqüíferos compreende:
• A confecção e atualização de mapas de
vulnerabilidade de aqüíferos, com identifcação
das fontes poluidoras potenciais, integrados à
gestão de uso e ocupação do solo.
• A inserção das águas subterrâneas nas po-
líticas federal e estaduais de recursos hídricos.
• O estabelecimento de legislação de proteção
das águas subterrâneas e inserção na gestão
integrada dos recursos hídricos.
• A educação ambiental voltada para a proteção
das águas subterrâneas.
• O estabelecimento de perímetros de prote-
ção, normas construtivas para poços tubulares
profundos e fscalização da construção e
operação dos mesmos.
• O monitoramento da qualidade e da quan-
tidade das águas subterrâneas.
• O acompanhamento das áreas contamina-
das e o cadastramento de fontes poluidoras.
• A remediação (processo de despoluição e
minimização dos impactos negativos) das
áreas contaminadas.

28
• A fscalização e o acompanhamento dos lan-
çamentos de efuentes e da disposição de
resíduos.
• O reconhecimento da água subterrânea co-
mo um recurso estratégico, incentivando
sistemas de abastecimento mistos.
Além disso, este processo deve contar com a
participação de toda a sociedade, que pode
ajudar a proteger as águas subterrâneas com
atitudes simples, como:
• Antes de perfurar um poço deve-se procurar
o órgão estadual de recursos hídricos, visando
obter informações sobre normas técnicas para
a perfuração e exigências para a regularização
de poços tubulares (autorização para
perfuração, licença ambiental e outorga de
direito de uso).
• Contratar empresas idôneas de perfuração,
que possuam: Responsável Técnico, Registro
no CREA e Atestado de Capacidade Técnica.
• Exigir que a empresa de perfuração apresente
a Anotação de Responsabilidade Técnica
(ART) e realize: teste de bombeamento de 24
horas, análise físico-química-bacteriorológica,
desinfecção e devidas medidas de proteção
sanitária do poço, além de Relatório Técnico
Detalhado (contendo, no mínimo: descrição
das amostras, interpretação do teste de
vazão e descrição dos materiais aplicados
e quantidades). Esses documentos são ne-
cessários para solicitar a licença e outorga do
poço tubular profundo.
• Perfurar poços tubulares profundos somente
em casos de extrema necessidade.
• Destinar a água proveniente dos poços tu-
bulares profundos para fns mais nobres (por
exemplo, consumo humano) utilizando esse
recurso com racionalidade.
• Realizar, periodicamente, as análises da qua-
lidade da água e a manutenção de rotina dos
poços.
• Lançar esgoto somente na rede pública de
esgotamento sanitário, não na rede de águas
pluviais.
• Perfurar poços somente em locais com boas
condições sanitárias, longe de fossas, lixões,
criadouros de animais e áreas de cultivo.
• Respeitar sempre a legislação e as normas mu-
nicipais de uso e ocupação do solo, procurando
participar da sua elaboração (Plano Diretor,
Zoneamento Ambiental, Econômico-
Ecológico, Lei de Uso e Ocupação do Solo,
Código de Posturas Urbanas e Estatuto da
Cidade).
• Evitar a impermeabilização das áreas ext-
xernas, optando-se, sempre que possível, por
jardins, gramados ou hortas (como forma
de facilitar a infltração da água de chuva no
solo).
• Coletar e armazenar a água de chuva das
calhas dos telhados; essa água pode ser
utilizada para os mais diversos fns (irrigação
de jardins, limpeza de pisos, etc.).
• Aproveitar as águas já utilizadas, destinando-
as para fns menos nobres (por exemplo, a
água da máquina de lavar para limpeza de
pisos, descarga sanitária, entre outros).
• Participar ou indicar seus representantes
no Sistema Estadual de Recursos Hídricos,
por meio dos comitês de bacias ou conselhos
estaduais de recursos hídricos.
29
9 PrinciPAiS AçÕeS dA Sru/mmA em áGuAS SuBterrÂneAS
30
O Plano Nacional de Recursos Hídricos
(PNRH) é um dos instrumentos da Lei nº
9433/97, sendo sua elaboração coordenada
pela SRU/MMA. Este documento é um
pacto nacional para a defnição de diretrizes
e políticas públicas voltadas para a melhoria
da oferta de água, em quantidade e qualidade,
gerenciando as demandas e considerando
a água um elemento estruturante para a
implementação de políticas setoriais, sob a
ótica do desenvolvimento sustentável e da
inclusão social. Seus objetivos fnalísticos
são: a melhoria das disponibilidades hídricas,
superfciais e subterrâneas, em quantidade
e qualidade; a redução dos confitos reais
e potenciais de uso da água, bem como dos
eventos hidrológicos críticos; a percepção da
conservação da água como valor socioambiental
relevante (SRH/MMA, 2006).
Entre as seis metas de curto prazo do Plano está
à elaboração do Programa VIII – Programa
Nacional de Águas Subterrâneas (SRH/
MMA, 2006), cujo escopo foi discutido e
acordado na Ofcina de Detalhamento dos
Programas do Plano Nacional de Recursos
Hídricos, de março de 2007, com participação
de todas as Câmaras Técnicas do Conselho
Nacional de Recursos Hídricos, incluindo a
de Águas Subterrâneas, além de técnicos de
vários estados.
O Programa Nacional de Águas Subterrâneas
tem como objetivo a ampliação dos
conhecimentos técnicos relacionados às águas
subterrâneas em todo o país, bem como o
desenvolvimento da base legal e institucional
para a sua adequada gestão, considerando
o princípio da gestão sistêmica, integrada e
participativa das águas, além do fomento às
ações de capacitação para a gestão racional e
eqüitativa destes recursos.
Além disso, a SRU/MMA tem tratado
do tema em diversos programas e projetos
nacionais e internacionais, conforme apre-
sentado a seguir.
31
projeto internaCional de gestão de aqüíferos
transfronteiriços das amériCas
(isarm amériCas)
O International Shared (Transboundary) Aquifer Resources Management – ISARM
Américas é uma iniciativa conjunta da UNESCO e da Secretaria Geral dos Estados
Americanos (Unidade de Meio Ambiente), com o objetivo de elaborar diretrizes para a gestão
de aqüíferos transfronteiriços por meio de levantamentos de experiências internacionais e dos
países das Américas, bem como identifcar e caracterizar os mesmos, e procurar fontes de
fnanciamento para desenvolvimento de projetos conjuntos com outros países.
Com base em levantamento bibliográfco, em informações recolhidas e consenso entre os técnicos
representantes dos diversos países, foram, de forma preliminar, identifcados, caracterizados e
elaborados esboços geológicos e dos limites dos onze principais aqüíferos transfronteiriços do
Brasil com os países vizinhos. Esta identifcação e defnição foram baseadas, em sua maioria,
nos limites das formações geológicas e em alguns casos com base em aspectos como estrutura
geológica e geomorfologia da região.
Os aqüíferos preliminarmente identifcados no Brasil, no escopo deste programa, foram o
Amazonas, Pantanal, Boa Vista-Serra do Tucano/North Savanna, Grupo Roraima, Costeiro,
Aquidauana/Aquidabán, Litorâneo/Chuy, Permo-Carbonífero, Serra Geral, Guarani e
Caiuá-Bauru/Acaray.
32
Figura 14 – Mapa dos principais aqüíferos transfronteiriços identifcados preliminarmente pelo projeto ISARM – Amércias
33
Obs.: O Aqüifero Guarani está representado na Figura 15
projeto de proteção ambiental e desenVolVimento
sustentÁVel do sistema aqüífero guarani
O Brasil paticipa de um projeto de abrangência transfronteiriça que contempla o estudo das
águas subterrâneas, o Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do
Sistema Aqüífero Guarani (PSAG), que objetiva a ampliação do conhecimento hidrogeológico
básico, visando dar maior efciência ao gerenciamento e à preservação do Sistema Aqüífero
Guarani pelos quatro países: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Este projeto ainda prevê a
implantação de rede de monitoramento, sistema de informações, além de capacitação, divulgação
de sua importância e educação ambiental.
Este projeto é fnanciado com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF – Global
Environment Facility) sendo o Banco Mundial a agência implementadora dos recursos e a
Organização dos Estados Americanos (OEA), a agência executora internacional do Projeto.
O PSAG é executado por meio da Secretaria Geral do Projeto, em estreita coordenação com
as quatro agências executoras nacionais. No Brasil, o papel de Agência Executora Nacional
do projeto é desempenhado pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do
Ministério do Meio Ambiente (SRU / MMA).
34
Figura 15 – Representação Esquemática do Aqüífero Guarani
35
programa Água doCe
O Programa Água Doce (PAD) é uma ação do
Governo Federal coordenada pelo Ministério
do Meio Ambiente, por meio da Secretaria
de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano
(SRU/MMA) em parceria com instituições
federais, estaduais, municipais e da sociedade
civil.
Sua área de abrangência é o Semi-árido, que
abrange porções dos estados de Alagoas,
Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí,
Rio Grande do Norte, Sergipe, Maranhão,
Minas Gerais e Espírito Santo, e onde
grande parte das águas subterrâneas captadas
estão salinizadas, impróprias para consumo
humano.
Assim, o PAD visa ao estabelecimento de
uma política pública permanente de acesso à
água de boa qualidade para consumo humano,
promovendo e disciplinando a implantação,
a recuperação e a gestão de sistemas de
dessalinização ambiental e socialmente
sustentáveis, usando essa ou outras tecnologias
alternativas, para atender, prioritariamente,
as populações de baixa renda residentes em
localidades difusas do semi-árido brasileiro.
Para o desenvolvimento do Programa, em
cada estado há um Núcleo Estadual, instância
máxima de decisão, e uma Coordenação
Estadual, com seu respectivo Grupo
Executivo composto por técnicos capacitados
pelo Programa em cada um dos componentes,
coordenados pelo órgão de recursos hídricos
estadual. Nas localidades atendidas, a gestão
dos sistemas é realizada pelo Núcleo Local,
a partir de um acordo celebrado entre todos,
com participação do estado e do município.
O programa prevê a recuperação e a
implantação de dessalinizadores em poços
tubulares, com a disposição do efuente
(concentrado) em de leitos de evaporação para
a produção de sal ou, nas comunidades que
atendam aos requisitos técnicos estabelecidos
pelo programa, sua utilização em um
sistema produtivo integrado sustentável, que
compreende o aproveitamento na aqüicultura
e, sequencialmente, na irrigação de plantas
que absorvam grande quantidade de sal e
serão utilizadas na alimentação de caprinos e
ovinos.
Água Bruta
Casa do
Dessalinizador
Água Potável
Caprinos
Chafariz
Concentrado
Poço Laje de Proteção
Tanque de Peixes
Atriplex
36
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de 1997. Institui a Política Nacional de
Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional
de Gerenciamento de Recursos Hídricos,
regulamenta o inciso xIx do art. 21 da
Constituição Federal e altera o art. 1° da Lei n°
8.001, de 13 de março de 1990 que modifcou
a Lei n° 7.990, de 28 de dezembro de 1989.
BRASIL. Decreto 5.776 de 12 de maio de
2006. Aprova a estrutura regimental e o quadro
demonstrativo dos cargos em comissão e das
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www.ana.gov.br
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38

Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva Ministra de Estado do Meio Ambiente Marina Silva Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente João Paulo Ribeiro Capobianco Secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano Eustáquio Luciano Zica Diretor de Recursos Hídricos João Bosco Senra

Presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas Everton de Oliveira

ÁgUAS SUBtERRânEAS
UM REcURSo A SER conHEciDo E PRotEgiDo

BRASíliA – 2007

EqUiPE DE ElABoRAção Adriana Niemeyer Pires Ferreira Claudia Ferreira Lima Fabrício B. da Fonseca Cardoso Júlio Thadeu Kettelhut colABoRAção Celso Marcatto Cristhophe Saldanha Balmant Ianaê Cassaro Jaciara A. Rezende Laestanislaula Sousa da Silva Ligia Souto Ferreira Priscila Maria Wanderley Pereira Renato Saraiva Ferreira ilUStRAçõES Gustavo Tomé de Oliveira Claudia Ferreira Lima PRojEto gRÁfico E REviSão Agência Crio – Comunicação e Negócios

MiniStéRio Do MEio AMBiEntE ASSociAção BRASilEiRA DE ÁgUAS SUBtERRânEAS PEtRoBRAS Contrato 6000.0027020.06.2 Contrato de Patrocínio que entre si celebram Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS e a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas – Abas – I Congresso Aqüífero Guarani

dos programas destinados a garantir o acesso e a melhoria da qualidade da água ao controle da poluição. da criação de unidades de conservação ao fortalecimento do licenciamento ambiental. e em qualidade. do monitoramento e de estudos hidrogeológicos que indiquem com certo grau de certeza o comportamento destas águas e características dos aqüíferos. Temos condições de avançar muito mais porque hoje sabemos que as políticas públicas podem dar respostas aos desafios civilizatórios brasileiros. Pensou em compartilhar a gestão ambiental com todos os setores do Governo Federal. Penso que este é o recado que estamos recebendo da sociedade e que nos anima a continuar no caminho. bem como a capacitação de técnicos. implantar uma rede de monitoramento efetiva. em quantidade. Essa estratégia de integração e compartilhamento se estendeu da Amazônia ao semi-árido nordestino. quando comparada à gestão das águas superficiais. bem como utilizando abordagens transversais e correlatas nos outros programas. municípios e Agenda Ambiental Integrada. são necessárias ações no sentido de ampliar os conhecimentos técnicos. uma vez que este recurso estratégico precisa ser efetivamente conhecido para ser protegido e utilizado de maneira adequada. gestores e da sociedade em geral. ações de proteção. Para que possamos atribuir às águas subterrâneas seu devido valor como recurso estratégico e importante fonte de abastecimento. principalmente por meio do Programa VIII – Programa Nacional de Águas Subterrâneas. assim. A Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (SRU/ MMA) vem debatendo e promovendo a articulação da questão das águas subterrâneas por meio de alguns programas e projetos. assim como no Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). Esperamos que este documento introduza e fortaleça o processo de discussão da inserção das águas subterrâneas na Gestão Integrada de Recursos Hídricos. a amplitude que as políticas ambientais assumiram no Brasil nos últimos quatro anos. com destaque para o semi-árido nordestino. o Ministério do Meio Ambiente constata o avanço da implantação dessa política. No caso das águas subterrâneas. O Brasil é. implementar a gestão integrada das águas subterrâneas e superficiais. que este é viável. um país de dimensões continentais que apresenta grande disponibilidade hídrica. Neste sentido. o Projeto Aqüífero Guarani. neste sentido. como o Programa Nacional de Águas Subterrâneas. Articulações e parcerias resultaram na definição de planos. Ao final de quatro anos. suas características básicas. envolvendo estados. mas que fosse muito além da agenda do “não pode” e das medidas de redução de impactos ambientais. o Programa ISARM Américas e o Programa Água Doce. no caso das regiões mais industrializadas do sudeste do país. O MMA tem procurado apontar claramente para um novo paradigma de desenvolvimento econômico e demonstrar. além da necessidade de implementação de mecanismos legais e capacitação técnica e social. tanto espacial como temporalmente. é notória a defasagem do conhecimento básico. e vem tratando o tema das águas subterrâneas em seu detalhamento. a Política Ambiental Integrada vem consolidando um direcionamento prioritário: contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável em todo o país.Prefácio Quando o Ministério do Meio Ambiente propôs um novo modelo para a política ambiental. mas com diversos desafios a serem superados e problemas a serem enfrentados. MARinA SilvA Ministra de Estado do Meio Ambiente 5 . pelos seus resultados. O Plano Nacional de Recursos Hídricos foi desenvolvido mediante um processo que propiciou ampla participação social resultando em importantes contribuições de diversos segmentos. programas e ações que aplicaram princípios e critérios para um conceito moderno e apropriado de desenvolvimento. além de traçar um panorama das principais ações da SRU/ MMA relacionadas à questão. capaz de agregar conceitos socioambientais ao novo ciclo de desenvolvimento econômico do país. o presente documento apresenta conceitos relevantes para o entendimento das peculiaridades da gestão das águas subterrâneas. A distribuição dos recursos hídricos não é uniforme. Demonstra-se. Por meio de iniciativas em diferentes políticas públicas. por meio do tema das águas subterrâneas. existindo regiões com graves cenários de escassez. pensou em algo compatível com o avançado arcabouço legal brasileiro.

21 7............................................................................................................1 Tipos de Aqüíferos .....................16 6 iMPActoS SoBRE AS ÁgUAS SUBtERRânEAS .................2 Águas Subterrâneas no Brasil .................................................................................................1 Águas Subterrâneas no Mundo ............... 22 8 A gEStão DAS ÁgUAS SUBtERRânEAS ............2 A Dinâmica de Reabastecimento dos Aqüíferos – As Áreas de Recarga....................................................................................................................... 28 9 PRinciPAiS AçõES DA SRU/MMA EM ÁgUAS SUBtERRânEAS ...... 7 2 DiStRiBUição E DiSPoniBiliDADE DE ÁgUA ..............................................30 10 BiBliogRAfiA ................... Conservação e Gestão das Águas Subterrâneas ....... 8 3 AS ÁgUAS SUBtERRânEAS no ciclo HiDRolÓgico ......................1 Arcabouço Institucional e Legal da Gestão das Águas Subterrâneas ....... 12 4.................................38 6 ...................Sumário 1 intRoDUção ..................................... 15 7............37 11 onDE oBtER MAiS infoRMAçõES ......................................................26 8...........11 5 PRoPRiEDADES DAS ÁgUAS SUBtERRânEAS ....................................10 4 oS AqUífERoS E SUAS cARActERíSticAS ...................................................................2 Algumas Estratégias de Proteção....................................................... 26 8.........18 7 PAnoRAMA DAS ÁgUAS SUBtERRânEAS ......21 4........................................................

lazer. Holanda. Bélgica. cerca de 55 % dos distritos são abastecidos por água subterrânea. Em função dessa crescente demanda. esses recursos são utilizados na indústria. apenas uma pequena porção dessa água é doce. 7 . etc. com o intuito de facilitar o acesso às informações necessárias à conservação e ao uso sustentável desse bem natural. o Projeto Aqüífero Guarani e o Programa Água Doce. mais de 70% da demanda por água é atendida por manancial hídrico subterrâneo (CPRM. o consumo excessivo e o alto grau de desperdício são fatores que colocam em risco a disponibilidade de água doce. Por fim. Maceió (AL). os esgotos domésticos e industriais. o aumento da população mundial. Enquanto que na Áustria. 96% é proveniente de água subterrânea. Cidades como Ribeirão Preto (SP). serão apresentadas noções básicas e as particularidades das águas subterrâneas. A superexplotação. sua dinâmica. suprem todas as suas necessidades hídricas utilizando esse tipo de abastecimento. Alemanha. agricultura (irrigação). entre tantos outros impactos negativos. Somam-se a esses os problemas relacionados com a contaminação das águas pelas atividades humanas (ação antrópica). para sua preservação e utilização de forma sustentável. De toda a água doce disponível para consumo. os possíveis impactos e suas potencialidades de uso. No Brasil. o Programa ISARM Américas. são recomendados alguns sítios eletrônicos. Marrocos. Apesar de dois terços da superfície da Terra ser coberta por água. pode provocar a redução da quantidade de água que abastece os rios. o Programa de Águas Subterrâneas. a extração de água em volume maior do que o reposto pela natureza. ou seja. Rússia e Suíça. com uma contextualização sobre sua ocorrência e a indicação das normas legais federais relacionadas à sua gestão. França. as água subterrâneas estão sob forte pressão. Dinamarca e Malta utilizam exclusivamente dessas águas para todo o abastecimento humano. Hungria. Além de atender diretamente à população. o esgotamento dos reservatórios. sendo as principais fontes de poluição: as fossas.1 introdução A água é um elemento fundamental para a manutenção de todas as formas de vida em nosso planeta. A poluição provocada pelas atividades humanas. os poços profundos mal instalados ou abandonados. 1997). São elas as responsáveis pela garantia da sobrevivência de parte significativa da população mundial. entre outros. como o Plano Nacional de Recursos Hídricos. a Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (SRU/MMA) e a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas) produziram este documento. Considerando que o conhecimento é fundamental no processo de preservação dos recursos naturais. Países como Arábia Saudita. Por sua importância estratégica para as gerações presentes e futuras. livros e documentos destinados a um maior aprofundamento sobre os conhecimentos referentes às águas subterrâneas. Ao longo deste documento. Também serão apresentadas de forma sintética as ações da SRU/MMA relacionadas ao tema. nossas reservas de água subterrânea necessitam de um cuidado especial. Mossoró (RN) e Manaus (AM). a seca de nascentes. A maior parte da população brasileira tem pouca informação sobre as águas subterrâneas. O objetivo é o de disseminar informações relativas às águas subterrâneas para aos atores do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos a fim de ampliar o conhecimento para dar base à Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH). Itália. os agrotóxicos utilizados na agricultura. segundo dados do IBGE (2000). os lixões. os vazamentos em postos de gasolina.

9% restantes são águas subterrâneas.2 diStriBuição e diSPoniBiLidAde de áGuA A maior parte da superfície da Terra está coberta por água (70%). Desta maneira. do total de água doce disponível para consumo.3% aos rios e lagos.9% formam as calotas polares. 0. Figura 1 – Distribuição da água na Terra. conforme apresentado na Figura 1. geleiras e neves eternas.9% corresponde à umidade do solo e pântanos. 8 . e apenas 2. da água doce existente na Terra. 68. descontando-se aquela presente nas calotas polares. Porém. 0. por isso a chamamos de Planeta Azul.5% é doce. Do volume total de água do planeta.5% é salgada. as águas subterrâneas representam um total de 96%. compondo os mares e oceanos. geleiras e neves eternas (que cobrem os cumes das montanhas). e os 29. 97.

4 6.000 km3.124.8 18 35.38 0.858 11.220 208.3 1. e outras com baixa disponibilidade (Tabela 1).42 2.557 181.9 91.6 2.69 9.62 2.4 4.08 0.6 9. Há regiões com grande disponibilidade hídrica subterrânea.52 0. 2004 9 . considerando uma profundidade de até 1000 metros.057 1.11 19. IBGE (2003) DiSPoniBiliDADE HíDRicA PER cAPitA M3/HAB/Ano EStADo DiSPoniBiliDADE HíDRicA PER cAPitA M3/HAB/Ano PotEnciAl HíDRico (kM3/Ano) PotEnciAl HíDRico (% Do totAl) ABUnDânciA > 20.559 1.000 MUito Rico 10.3 2. No Brasil.722 6.08 0.8 283.482 2.33 0.62 2.000 A 20.48 1.747 2.9 69.8%).9 24.A água doce não está uniformemente distribuída pela superfície do planeta.22 3.67 1.000 A 10.6 0.365 1.31 1.95 1.187 372.874 276.9 15.743 33.838 8.7 113.549 1.05 0. Com relação à abundância e à distribuição das águas subterrâneas.6 4.43 0. como aquelas de ocorrência das rochas cristalinas no semiárido brasileiro.575 10. como a Amazônica.98 1.05 0.848. um dos países com maior disponibilidade hídrica da Terra (13.336 1.128 56.27 0. ocorrendo regiões de extrema escassez e outras com relativa abundância.14 4. existem regiões extremamente ricas. Considerou-se apenas a produção hídrica em território necional.24 3.857 106.4 62 193.000 PoBRES < 3.08 3. 1997). como aquelas abrangidas pelo Aqüífero Guarani e regiões sedimentares em geral.086 2. a situação não é diferente.147.629 108.987 11.49 32.542 18. e outras pobres. Tabela 1 – Disponibilidade de água superficial e subterrânea.5 29.457 1.668 657.70 150.070 2.08 0.160 410. com um volume de reabastecimento (recarga) de 3.3 1.500 km3 anuais (Rebouças.8 4. O país como um todo possui uma reserva de águas subterrâneas estimada em cerca de 112.000 Rico 3.000 cRíticA < 1.650 14.7 190 84.16 Fonte: Borghetti et alli.500 RORAIMA AMAZONAS AMAPÁ ACRE MATO GROSSO PARÁ RONDôNIA TOCANTINS GOIÁS MATO GROSSO DO SUL RIO GRANDE DO SUL MARANHãO PARANÁ SANTA CATARINA MINAS GERAIS PIAUí ESPíRITO SANTO BAHIA SãO PAULO CEARÁ RIO DE JANEIRO ALAGOAS RIO GRANDE DO NORTE SERGIPE DISTRITO FEDERAL PARAíBA PERNAMBUCO 1.2 122.30 196 154 522.

Esse movimento é alimentado pela força da gravidade e pela energia do Sol. dá-se o nome de evapotranspiração. A esse conjunto. a neve. quando carregadas. é graças a isto que ocorrem: a chuva. os rios. a água é uma só e está sempre mudando de condição. por sua vez. • Escoa sobre a superfície. Essas. A água que precipita na forma de chuva. granizo. solo e rocha) e na atmosfera (Figura 2). fontes. liberam a água para a atmosfera através da transpiração. • Congela formando as camadas de gelo nos cumes de montanha e geleiras. . já esteve no subsolo. lagos. Na atmosfera. rios e lagos. forma as nuvens que. Geleiras Precipitação Evaporação Escoamento Superficial Degelo Infiltração Evapotranspiração Mar Infiltração Recarga Fluxo Base R io a carg Des Fraturas Infiltração na Rocha Fluxo Água Subterrânea Figura 2 – Ciclo Hidrológico 10 Apesar das denominações água superficial. evaporação mais transpiração. provocam precipitações. as nuvens e as águas subterrâneas. podendo formar aqüíferos. ressurgir na superfície na forma de nascentes. em icebergs e passou pelos rios e oceanos. uma parte da água é absorvida pelas plantas. O ciclo hidrológico. nos casos em que a precipitação é maior do que a capacidade de absorção do solo. é o movimento contínuo da água presente nos oceanos. ou alimentar rios e lagos. é importante salientar que. oceanos. continentes (superfície. formando os aqüíferos. ou ciclo da água. podendo ficar armazenada por um período muito variável. neve ou granizo. • Evapora retornando à atmosfera. na realidade. a água precipitada pode seguir os diferentes caminhos: • Infiltra e percola (passagem lenta de um líquido através de um meio) no solo ou nas rochas. pântanos. que provocam a evaporação das águas dos oceanos e dos continentes. orvalho e neve. A água está sempre em movimento.HidroLÓGico 3 AS áGuAS SuBterrÂneAS e o cicLo • Flui lentamente entre as partículas e espaços vazios dos solos e das rochas. Nos continentes. subterrânea e atmosférica. Em adição a essa evaporação da água dos solos. na forma de chuva.

serão apresentadas algumas definições que ajudarão a compreender o tema. preenchendo os espaços vazios existentes entre os grãos do solo.4 oS AQuÍferoS e SuAS cArActerÍSticAS Para entendermos melhor o que são os aqüíferos e suas características. descontinuidades e espaços vazios). No limite entre as duas zonas. A Figura 3 mostra o caminho percorrido pelas águas. onde a maioria dos espaços vazios é preenchida por água. que demarca o contato entre estas. passando pela: • zona não saturada. As águas subterrâneas são aquelas que se encontram sob a superfície da Terra. quebras. conhecido popularmente como lençol freático. rochas e fissuras (rachaduras. ocorre o nível freático. • zona saturada. desde a superfície. onde a água e o ar preenchem os espaços vazios entre os grânulos. Figura 3 – Caracterização esquemática das zonas saturadas e não saturadas no subsolo 11 .

São Domingos. formando os melhores aqüíferos. Vale do Ribeira e Bonito. São as rochas que compõem as bacias sedimentares. material similar aquele lançado pelos vulcões. etc) são formadas pela transformação de outras rochas. Geralmente os aqüíferos possuem a capacidade de armazenar grande quantidade de água. transportados e acumulados em locais propícios à deposição. lentes. ígneas ou metamórficas). Os aqüíferos porosos funcionam com esponjas onde os espaços vazios são ocupados por água. que estão sobre arenitos do Guarani. • metamórficas (metassedimentos. • sedimentares (conglomerados. armazenamento e extração de água são chamadas de aqüíferos. Neste contexto.1 tipos de aqüíferos Os aqüíferos podem ser classificados quanto aos tipos de espaços vazios em (Figura 4): (a) poroso – com água armazenada nos espaços entre os grãos criados durante a formação da rocha. Constituem um tipo peculiar de aqüífero fraturado. onde a água subterrânea ocorre nas fraturas e fissuras. São exemplos destes. bem como os impactos das ações dos seres humanos na qualidade e quantidade nessas águas (poluição. pelitos. podem atingir aberturas muito grandes. contaminação e superexplotação). xistos. arenitos. entre outras) são formadas por fragmentos de rochas préexistentes. folhelhos. diabásio e piroclásticas) são aquelas formadas diretamente pelo magma.Hidrogeologia é a ciência que estuda as águas subterrâneas (aqüíferos). mármores. é o caso das rochas sedimentares. como os basaltos. como os arenitos do Sistema Aqüífero Guarani. neste caso. quanto a porosidade . ígneas ou metamórficas: • ígneas (granitos.1999) 12 4. Figura 4 – Classificação dos tipos de aqüíferos. devido à dissolução do carbonato pela água. propriedades. é importante observar que as rochas podem ser classificadas em sedimentares. sedimentos calcários. interações com o meio físico e biológico. (Adaptado de Abas. São também chamadas rochas cristalinas ou embasamento cristalino. ocorrência. as regiões da Gruta de Maquiné. sob ação da pressão ou temperatura. milonitos. desagregados pela erosão. basaltos. (b) fissural (cristalino/embasamento cristalino) – a água circula pelas fissuras resultantes do fraturamento das rochas relativamente impermeáveis (ígneas ou metamórficas). argilitos. (c) Cársticos – São os aqüíferos formados em rochas carbonáticas (sedimentares. onde as fraturas. gnaisses. As rochas saturadas que permitem a circulação. metacalcários. seu movimento. criando. verdadeiros rios subterrâneos. siltitos.

Como no caso do aqüífero Pantanal. com respectivos níveis de pressão. 13 . (c) semi-confinados – situação intermediária entre os dois. caso da porção central do Sistema Aqüífero Guarani. Figura 5 – Classificação dos aqüíferos. Nos aqüíferos confinados os poços tubulares profundos podem apresentar artesianismo. a água jorra do poço sem necessidade de equipamento de bombeamento. (b) Confinados – presença de uma camada de menor permeabilidade (confinante) que submete as águas a uma pressão superior à atmosférica. isto é.Pode-se também classificar os aqüíferos segundo a sua posição e estrutura (Figura 5): (a) livres – aqüíferos que se localizam mais próximos à superfície.

Estes podem ser escavados manualmente.O acesso dos seres humanos às águas subterrâneas normalmente se dá por meio da perfuração de poços. poços amazonas e cisternas ou perfurados com equipamentos. caso dos poços tubulares profundos. (Figura 6) 14 Figura 6 – Perfil esquemático de poços tubulares profundos em rochas sedimentares e cristalinas . como as cacimbas.

– as Áreas de reCarga A maioria dos aqüíferos são constantemente reabastecidos. 2 a dinâmiCa de reabas. Os aqüíferos são reabastecidos por meio de infiltração direta das águas na superfície do solo/rocha (recarga direta). os aqüíferos recebem água através de outras rochas (recarga indireta). é fundamental que estas áreas sejam protegidas. a natureza do solo e a situação atual da cobertura vegetal. A recarga natural depende fundamentalmente do regime pluviométrico (quantidade de chuvas) e do equilíbrio que se estabelece entre a infiltração. têm papel fundamental na recarga dos aqüíferos. Nesse caso.ou. escoamento e evaporação.4. São áreas extremamente importantes para a manutenção da qualidade e quantidade das águas subterrâneas. serras. a topografia da área. O processo por meio do qual um aqüífero recebe água é chamado de recarga. 15 . no caso dos aqüíferos confinados. Vide figura 5. existem locais em que os aqüíferos não estão em contato direto com as águas superficiais. mas continuam a ser recarregados. Esta infiltração ocorre em toda superfície dos aqüíferos livres Porém. nas áreas teCimento dos aqüíferos de afloramento (áreas onde a rocha “aparece” na superfície). As áreas de recarga direta geralmente estão localizadas em altos topográficos (morros. etc) e afloramentos de rochas sedimentares. o uso incorreto dos solos e a instalação de atividades potencialmente poluidoras. Sendo assim. Portanto. evitando-se o desmatamento.

tratamento físico-químico. como fonte de energia elétrica ou termal Fornecem água para a manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade Figura 7– Principais funções dos aqüíferos (Adaptado de Rebouças. como das conseqüências das guerras e sabotagens Permitem a utilização da água subterrânea aquecida pelo gradiente geotermal. 2002). . Sua vazão (quantidade de água/tempo) é menos afetada por períodos de estiagem prolongada e não apresenta perdas por evaporação. essas águas 16 dispensam. Por serem naturalmente protegidas (mas não imunes) dos agentes de poluição e contaminação. estas características e propriedades conferem às águas subterrâneas diversas vantagens entre elas: • Qualidade – As águas subterrâneas possuem elevado padrão de qualidade físico-química e bacteriológica. Devido às suas características e propriedades podem exercer diferentes funções que são apresentadas na Figura 7. como nos reservatórios de superfície.5 ProPriedAdeS dAS áGuAS SuBterrÂneAS Com a crescente degradação da qualidade das águas superficiais. na maioria dos casos.1997 e Rebouças et al. • Quantidade – Os volumes são superiores aos das águas superficiais. minimizando os custos de tratamento para consumo Conduzem água de uma área de recarga (onde a água infiltra) para as áreas de bombeamento. as águas subterrâneas tendem a assumir uma posição de maior importância.. PRinciPAiS fUnçõES DoS AqüífERoS Fornecem água em quantidade e qualidade adequadas para os usos múltiplos Armazenam água em períodos de chuva e cedem em épocas de estiagem para rios e lagos Atuam como filtros naturais. produção estoCagem e regularização filtragem transporte estratégiCa energétiCa ambiental Além disso. onde estão situados os poços Protegem a água armazenada tanto da evaporação.

ficando restritos a área de captação (poço tubular). o que pode provocar a superexplotação ou sua exaustão. quando instalados e operados adequadamente.• Distribuição – As águas subterrâneas ocupam áreas muito maiores do que a calha de um rio ou lagoa. Para efeito de comparação citamse os impactos causados pelas barragens. a falta de monitoramento. visto que a distância dos poços até o reservatório ou caixa de água é. agricultura. pode causar subsidência (afundamentos) de terrenos como. as águas subterrâneas facilitam a distribuição setorizada. conhecimento e pessoal técnico especializado em águas subterrâneas são desafios a serem superados na gestão integrada e sistêmica de recursos hídricos. exigindo metodologias complexas. Nesse sentido. Além disso. abastecimento. principalmente em áreas com índice elevado de evaporação. Fonte: Adaptado de Feitosa – CPRM (1997) e Abeas (1999). aquelas que apresentam temperaturas elevadas também podem ser exploradas economicamente em atividades relacionadas com o turismo termal (estâncias termais) e na indústria. não há custo de armazenamento primário. assim como os prazos de execução. Além disso. Nesse sentido. demandado longos períodos. a exploração das águas subterrâneas exige um monitoramento constante dos volumes extraídos. o que permite a perfuração de poços nos locais onde as demandas ocorrem. o que ocorre na região de Sete Lagoas (MG). • Custos – O valor de perfuração dos poços. as águas subterrâneas são mais difíceis de serem avaliadas. Por outro lado. que envolvem grandes áreas e alteram o equilíbrio dos ecossistemas.principalmente em áreas carbonáticas. são geralmente inferiores aos necessários para as obras de captação e transporte de águas de superfície. como nas barragens e açudes. • A baixa circulação da água nas fraturas (aqüíferos fissurais). por exemplo. • A exploração dos aqüíferos de forma inadequada. devido as suas peculiaridades as águas subterrâneas exigem certos cuidados: • A renovação (recarga) das águas retiradas dos aqüíferos nem sempre ocorre na mesma velocidade da extração. em geral. • No caso de poluição ou contaminação os custos e a complexidade técnica de remediação (processo de despoluição e minimização dos impactos negativos) e recuperação podem ser extremamente elevados. e os custos de manutenção e operação são mais baixos. pode provocar a salinização (aumento do teor de sal) do aqüífero. • Usos – Além dos diversos usos das águas subterrâneas (por exemplo. de pequena extensão. e não requer a desapropriação de grandes áreas. • Por estarem “escondidas” no subsolo. Outro fator a ser destacado é a facilidade da perfuração de poços que permite planejar a implantação gradual do sistema de abastecimento à medida que cresce a demanda. indústria. 17 . • Meio ambiente – Os impactos ambientais relacionados com as instalações para o aproveitamento das águas subterrâneas são consideravelmente pequenos. entre outros).

Porém. ou seja. os problemas envolvendo a manutenção da qualidade e da quantidade das águas superficiais e subterrâneas tendem a se agravar. provocar subsidência (afundamento) dos terre-nos. induzir o deslocamento de água conta-minada. já que estas possuem uma forte relação. Ambas podem estar relacionadas com as atividades humanas e/ou por processos naturais. impermeabilização do solo e com a poluição. uma vez ocorrida a poluição. A maior ou menor susceptibilidade de um aqüífero à contaminação e poluição é chamada de vulnerabilidade. pode afetar o escoamento básico dos rios. Dependendo do tipo de contaminante. proibitivos. os problemas mais comuns das águas subterrâneas estão relacionados com a superexplotação. ocupando os espaços deixados pela água doce (processo conhecido como intrusão da cunha salina). como: litologia (tipo de rocha). os aqüíferos são naturalmente mais protegidos da poluição. as baixas velocidades de fluxo tendem a promover uma recuperação muito lenta da qualidade. salinizar. é importante lembrar que tudo que afeta as águas subterrâneas pode também afetar as águas superficiais. No Brasil. essa recuperação pode levar anos. Em áreas litorâneas. (Adaptado de Feitosa – CPRM. provocar impactos negativos na biodiversidade e até mesmo a exaurir completamente o aqüífero. comerciais ou domésticas em depósitos a céu aberto. não raro. hidrogeologia. físicos e químicos que ocorrem no solo e na zona não saturada. O risco potencial de um determinado aqüífero ser contaminado está relacionado ao tipo de contaminante e suas características. gradientes hidráulicos (diferença de pressão entre dois pontos). quando a extração de água ultrapassa o volume infiltrado.6 imPActoS SoBre AS áGuAS SuBterrÂneAS Com o crescimento das cidades e aumento da demanda por água. entre outros. conhecidos como lixões. 1997) 18 . influenciar os níveis mínimos dos reservatórios. Neste contexto. Nessas áreas. b) poluição das Águas subterrâneas Devido às baixas velocidades de infiltração e aos processos biológicos. com custos muito elevados. a água de chuva e o líquido resultante do processo de degradação dos a) superexplotação A superexplotação. tanto em ambiente urbano quanto rural. As fontes mais comuns de poluição e contaminação direta das águas subterrâneas são: • deposição de resíduos sólidos no solo: descarte de resíduos provenientes das atividades industriais. secar nascentes. a superexplotação de aqüíferos pode provocar a movimentação da água do mar no sentido do continente. A poluição/contaminação da água subterrânea pode ser direta ou indireta. ao contrário das águas superficiais.

• Contaminação natural: provocada pela transformação química e dissolução de minerais. por exemplo. podem constituir vias importantes de contaminação das águas subterrâneas. 19 . •Vazamento de substâncias tóxicas: vazamentos de tanques em postos de combustíveis. principalmente por microorganismos. • atividades agrícolas: fertilizantes e agrotóxicos utilizados na agricultura podem contaminar as águas subterrâneas com substâncias como compostos orgânicos. com ou sem utilização de substâncias químicas em sua extração. a salinização. sais e metais pesados. tendem a se infiltrar no solo. os vazamentos em coletores de esgotos e a utilização de fossas construídas de forma inadequada constituem as principais causas de contaminação da água subterrânea. além de acidentes no transporte de substâncias tóxicas. A contaminação pode ser facilitada pelos processos de irrigação mal manejados que. carbonatos e outros minerais associados a formação rochosa. • mineração: a exploração de alguns minérios. oleodutos e gasodutos. tendem a facilitar que estes contaminantes atinjam os aqüíferos. com revestimento corroído/rachado. podendo ser agravada pela ação antrópica (aquela provocada pelos seres humanos). • esgotos e fossas: o lançamento de esgotos diretamente sobre o solo ou na água. metais pesados e organismos patogênicos (que provocam doenças).resíduos orgânicos (denominado chorume). As formas mais comuns de poluição/contaminação indireta são: • filtragem vertical descendente: poluição de um aqüífero mais profundo pelas águas de um aqüífero livre superior (que ocorre acima do primeiro). combustíveis e lubrificantes. nitratos. • poços mal construídos e/ou abandonados: poços construídos sem critérios técnicos. sem manutenção e abandonados sem o fechamento adequado (tamponamento). carreando substâncias potencialmente poluidoras. • Cemitérios: fontes potenciais de contaminação da água. presença de ferro. manganês. produz rejeitos líquidos e/ou sólidos que podem contaminar os aqüíferos. ao aplicarem água em excesso.

em direção às partes baixas do relevo. enchentes e assoreamento dos cursos de água.Figura 8 – Principais fontes de contaminação de águas subterrâneas C) impermeabilização O crescimento das cidades causa diversos impactos ao meio ambiente. entre outros. não só materiais. o menor (onde a água escoa na maior parte do tempo). acaba escoando pela superfície. . Em locais sem redes pluviais e/ou coleta de lixo. As enchentes causam grandes prejuízos à população. reduz a capacidade de infiltração da água no solo. que é naturalmente inundado em períodos de chuvas intensas. ausência de jardins e parques. prédios. e o maior. o escoamento superficial tende a carregar grande quantidade de sedimentos e de lixo para os rios. A impermeabilização do solo a partir da construção de casas. asfaltamento de ruas. Como a água não encontra locais para infiltrar. com reflexos diretos na qualidade e quantidade da água. adquirindo velocidade nas áreas de declive acentuado. aumentando o risco de enchente e comprometendo ainda mais a qualidade destas águas. Os resultados desse processo são bastante conhecidos: redução do volume de água na recarga dos aqüíferos. 20 Normalmente os rios possuem dois leitos. como de saúde (doenças de veiculação hídrica). erosão dos solos. A ocupação do leito maior pelos seres humanos potencializa os impactos das enchentes.

BOSTWANA.95 2 1. CHAD. noME SISTEMA AQüíFERO AMAZONAS (Solimões.144 –––– –––– –––– 0. BRASIL. localmente coberto por aqüíferos aluvionares Gelo permanente Lagos grandes Figura 9 – Mapa dos recursos hídricos subterrâneos do mundo Adaptado de UNESCO. Alter do Chão) NúBIA NORTE SAHARA SISTEMA AQüíFERO GUARANI GRANDE BACIA ARTESIANA HIGH PLAIN (Aquífero Ogallala) NORTH CHINA PLAIN VECHT KALAHARI/KAROO BASIN íNDIA RIVER PLAIN LESTE PRúSSIA PAíSES BOLíVIA.A tabela ao lado mostra os principais aqüíferos apresentados por continente. tanto para o abastecimento das populações. 2006 e UNESCO. VENEZUELA LíBIA. ÁFRICA DO SUL íNDIA E PAQUISTãO RúSSIA. POLôNIA E LITUâNIA 0. Iça. como para outros usos.14 0.7 PAnorAmA dAS áGuAS SuBterrÂneAS 7. PERU. COLôMBIA. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Tabela 2 .560 –––– 75 60 37 20 15 5 –––– ESTADOS UNIDOS CHINA ALEMANHA E HOLANDA NAMíBIA. EQUADOR. tem-se tornado evidente a importância das águas subterrâneas. 2001) LEGENDA Principais bacias hidrogeológicas com aqüiferos altamente produtivos Área com estrutura complexa incluindo alguns aqüiferos importantes Área com aqüíferos geralmente pobres. LíBIA E TUNíSIA ARGENTINA. EGITO.38 0. O mapa a seguir procura ilustrar esquematicamente os recursos hídricos subterrâneos do planeta e a tabela apresenta alguns dos principais aqüíferos distribuídos nos diversos continentes.108 –––– AQüíFERO RIO GRANDE ESTADOS UNIDOS E MéxICO (Adaptado de BGR/UNESCO. 2003 21 . BRASIL.1 Águas subterrâneas no mundo Nas últimas décadas.03 1.7 0. PARAGUAI. URUGUAI AUSTRÁLIA ÁREA (MilHõES kM2) volUME EStiMADo (BilHõES M3) 3.2 1. em diversos países. SUDãO ALGéRIA.45 0.

1981) figura 10 – representação esquemática das Províncias Hidrogeológicas do Brasil X Bacias Hidrográficas 22 divisão Hidrográfica nacional . circulação e qualidade de água.dnPm/cPrm. formando 10 províncias hidrogeológicas (Figura 10). o Brasil foi dividido em regiões homogêneas.7. Adaptado: (BrASiL.2 Águas subterrâneas no brasil Para facilitar o estudo das águas subterrâneas. Estas províncias são regiões onde os sistemas aqüíferos apresentam condições semelhantes de armazenamento.

apresentando espessura média de 400 m. com vazão de 1000 m3/h. O poço jorrante do Vale do Gurguéia – o Violeta – antes de ser tamponado.Tabela 3 – Descrição das províncias hidrogeológicas e principais aqüíferos do Brasil Província Escudo Setentrional – caracterizada pela ausência quase total de informações hidrogeológicas. compondo uma espessura máxima de 1. Os poços apresentam vazão média de 10 m3/h para uma profundidade média de 90 metros. como Belém. Içá e Alter do Chão. e na região de Sete LagoasLagoa Santa.250 m. e Grupo Roraima e Beneficente são 1 os mais promissores. conglomerados.0 e 14 m3/h. O Bambuí ocorre na região da bacia do rio Verde Grande. Compõe-se de arenitos apresentando vazões médias na porção livre e confinada.200 m. localmente calcários. que apresentam águas de boa qualidade química. Santarém e Manaus (Alter do Chão). siltitos e folhelhos. As vazões médias nas porções livre e semi-confinada são 4 respectivamente 18 e 40 m3/h. em sua maioria de natureza carbonática dos Grupos Bambuí e Una. Tacatu. O Sistema Aqüífero Alter do Chão ocorre abaixo da Formação Solimões. apresentando vazões médias de 6. além de outros menores tais como: Codó. O Sistema Aqüífero Serra Grande engloba arenitos finos a grossos. que apresentam bons índices de produtividade em diversas áreas. sendo formados de areias. Província Amazonas – os melhores aqüíferos conhecidos são os depósitos arenosos correspondentes às Formações Solimões. O Sistema Aqüífero Cabeças apresenta o melhor potencial hidrogeológico da bacia sedimentar. localizados no topo da seqüência sedimentar da Bacia Sedimentar Amazônica. 23 5 . Cabeças e Serra Grande. Província São Francisco – predominam aqüíferos fraturados cársticos (Chapada Diamantina e Bambuí). siltitos. Província Parnaíba – apresenta três sistemas aqüíferos principais de extensão regional. 2 argilitos e calcários síltico-argilosos. estima-se que os aqüíferos Boa Vista. Província Escudo Central – estima-se que os aqüíferos mais promissores correspondem aos 3 arenitos das Formações Beneficente e Pacaás Novos. A vazão média dos poços é de 54 m3/h e profundidade média de 130 m. níveis de conglomerados e intercalações de siltitos. Sambaíba. respectivamente de 12 e 50 m3/h. O Aqüífero Boa Vista constitui-se de arenitos com intercalações de níveis conglomeráticos e camadas pelíticas (argila). além dos carbonatos da Formação Caatinga. O Aqüífero Poti-Piauí é constituído por arenitos. além de Rio Branco e Porto Velho (Solimões). apresentando espessura máxima total de 2. médios e grosseiros. sendo constituído por arenitos e argilitos. arenitos finos. Ilha de Marajó. com poços apresentando vazão média de 30 m3/h. para as poções livres e confinadas. Corda e Itapecuru pertencentes à bacia sedimentar Parnaíba. O Sistema Aqüífero Bambuí compreende os metassedimentos. Poti-Piauí. Os depósitos que compõem o Sistema Aqüífero Solimões são arenitos. captava diretamente dos sistemas Cabeças e Serra Grande. apesar da espessura menor (300 m). A vazão média dos poços é de 28 m3/h e profundidade média de 60 m.

7 O Sistema Aqüífero Serra Geral é formado pelas rochas basálticas que recobrem o Sistema Aqüífero Guarani. constituindose importante fonte de abastecimento público. com vazões dos poços variando de 10 a 80 m3/h. que resultam nas taxas excessivas de salinidade. enquanto na inferior pode atingir mais de 600 m3/h. O Sistema Aqüífero Urucuia-Areado engloba sedimentos (arenitos muito finos a médios. aliadas às condições do clima semi-árido e à presença de rochas cristalinas. O Sistema Aqüífero Guarani é.000 Km2. Apresenta vazões variáveis. A vazão dos poços na camada superior é de até 60 m3/h. 6 Porém. há ocorrência de pequenas bacias sedimentares. que apresentam maior potencial. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Este aqüífero tem uma função reguladora para o escoamento de trecho médio do rio São Francisco. já na segunda as vazões são médias (10 m3/h). provavelmente. com destaque para a do Araripe. tratando-se de rochas cristalinas onde a água esta associada à presença de fraturas. possuindo uma área aproximada de 1. com poços de vazões da faixa de 5 a 150 m3/h para profundidade de 50 a 300 m. Mata da Corda e Paranoá. com 5 intercalações de conglomerados. que abastece diversas cidades da Bahia e Goiás. Goiás. sendo constituído por arenitos finos a médios com intercalações de argilitos e siltitos. O Sistema Aqüífero Bauru-Caiuá ocorre no topo da seqüência sedimentar da bacia do Paraná. o maior aqüífero transfronteriço das Américas. normalmente às vazões médias dos poços são baixas (1 a 3 m3/h) e com ocorrência de sal. Taubaté e Resende. favorecendo melhores condições hídricas subterrâneas. Província Paraná – possui os aqüíferos mais promissores do país. São Paulo.Outro importante sistema aqüífero é a Formação Urucuia. com boa qualidade química. que cobre uma área de 11. Na subprovíncia sudeste (6b) as condições climáticas propiciam um manto de alteração das rochas cristalinas que podem atingir várias centenas de metros de espessura. com menor expressão. Mato Grosso. Uruçuí. Além destes.500 m. Província Escudo Oriental (6) – ocorrem duas subprovíncias. que têm sua importância associada à presença na área metropolitana de São Paulo e adjacências. Em algumas regiões é intensamente explotado. a nordeste com potencial hidrogeológico muito fraco e a sudeste. Paraguai e Uruguai) até a Bacia do Chaco (Argentina). o Furnas. fissuras e zonas vesiculares (espaços vazios). Há a ocorrência de pequenas bacias como a de São Paulo. Minas Gerais. folhelhos e siltitos) apresentando espessura máxima de 1. vale citar a existência de aqüíferos de menor expressão tais como: Salitre. tais como o Sistema Aqüífero Guarani. fraco a médio. Bauru-Caiuá e Serra Geral e. sendo muito utilizado para o abastecimento nas regiões sul e sudeste. tanto no aspecto quantitativo como qualitativo. Na primeira. Ponta Grossa e Aquidauana.2 milhões de Km2 e estendendo-se desde a Bacia Sedimentar do Paraná (Brasil. 24 . Jacaré. No Brasil ocorre nos estados de Mato Grosso do Sul. podendo chegar a 150 m3/h. Na subprovíncia nordeste (6a) o reduzido potencial hidrogeológico (disponibilidade de água) está relacionada às condições deficientes de circulação das águas subterrâneas. Paraná.

Este manancial dispõe de um volume de água de aproximadamente 37. respondem por 80% do abastecimento público de Maceió. com os das bacias hidrográficas. Província Centro-Oeste – subdivida em quatro sub-províncias: Ilha do Bananal (9a). Ilhas e Tacarutu. Alagoas e Sergipe (f ). Paraíba e Rio Grande do Norte (e). Suas vazões 3 3 7 variam de 50 a 100 m /h. Fortaleza e Natal. Rio Grande do Sul (i). etc. necessariamente. em grande parte de boa qualidade. Província Costeira – Está dividida em nove subprovíncias: Amapá (a). 8 Província Escudo Meridional – Localiza-se no extremo sul do país e apresenta alguns aqüíferos. São Luiz. na Pernambuco. 10 é importante ressaltar que os limites destas províncias não coincidem. que podem ser utilizadas para o turismo termal e até mesmo pela indústria. Em alguns pontos do sistema (porções confinadas) ocorrem águas com temperaturas superiores a 30ºC. Recife. Rio de Janeiro. Pernambuco. O Sistema Aqüífero Parecis é constituído por arenitos com intercalações de níveis de conglomerado 9 e camadas de argila. Barreirinhas (b). e a indireta por meio de água proveniente das fraturas das rochas da Formação Serra Geral. na Recôncavo. Na subprovíncia Ceará e Piauí ocorrem os aqüíferos Beberibe e Dunas. Marizal. Na Potiguar destacam-se o Jandaíra e Açu. Paraíba e Rio Grande do Norte os aqüíferos Beberibe. São Sebastião (que abastece Salvador e Camaçari). Espírito Santo e Bahia (h). com espessuras muito variáveis. com predominância entre 100 e 500 m /h. porém. com a presença de diversos tipos de rochas. Alto xingú (9b). restritos às zonas fraturadas cristalinas. Trata-se de bacias sedimentares de pequenas dimensões. na subprovíncia Barreirinhas o Marituba. que abastecem Belém. especialmente na porção oriental. 2002). é formado por sedimentos arenosos recentes. sedimentos. é a província mais ameaçada pela forma de extração das águas subterrâneas no Brasil (Rebouças. em geral. calcários. O Sistema Aqüífero Pantanal. 2005). Ceará e Piauí (c). Fonte: Adaptado de Feitosa – CPRM (1997).Tucano e Jatobá. ANA (2005). existem áreas com a presença de sais. o que pode inviabilizar alguns usos. Maria Farinha e Gramame. Chapada dos Parecis (9c) e Alto Paraguai (9d). Rebouças et al (2002) e SRH – Plano Nacional de Recursos Hídricos (2006). Os aqüíferos mais promissores e bem distribuídos são os sedimentos do Grupo Barreiras. Potiguar (d). Desta forma. Estudos recentes têm sugerido que o Guarani tem partes compartimentadas (compartimentação em blocos) e levantado dúvidas acerca de seus limites reais. não guardam relação com estas. que junto ao Barreiras. Comparativamente. podendo abranger mais de uma bacia hidrográfica. presentes em diversas subprovíncias. os aqüíferos ou sistemas aqüíferos. de pouca expressão.000 km3. Neste sistema ocorrem os dois tipos de recarga: a direta nas áreas de afloramento. Tucano e Jatobá (g). Poços tubulares construídos neste Sistema apresentam vazão média de 147 m3/h e atendem a todo o sistema de abastecimento de Vilhena – RO (ANA. onde os arenitos estão em contato com a superfície. tais como: metamórficas. se comportar como nascente ou divisor de bacias ou ainda constituir o baixo curso (mais próximo da foz) de uma ou mais bacias. Este sistema é responsável pela manutenção do ecossistema pantaneiro. ainda. tendo espessura média de 150 m. Recôncavo. 25 . Destaca-se. com espessuras que podem atingir mais de 600 metros.

Entre os objetivos da política destaca-se a utilização racional e integrada das águas.além das leis estaduais de recursos hídricos. Nesta nova visão.1. dotado de valor econômico. uso múltiplo das águas deve ser proporcionado e a gestão descentralizada e participativa. bem como. isto é. foram estabelecidos dois domínios: da União (corpos de água que atravessam mais de um estado e/ou país) e dos Estados.8 A GeStão dAS áGuAS SuBterrÂneAS 8. um recurso natural e limitado. arCabouço instituCio. ainda. tendo os seguintes fundamentos: a água é um bem Águas subterrâneas A primeira lei que dispôs sobre águas no Brasil foi o Decreto Lei nº 22. Alguns estados possuem. Esta norma legal estabelece. que as águas subterrâneas são de domínio estadual. A Lei de Águas (Lei nº 9433/97) estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos e de domínio público. normas que tratam da proteção das águas subterrâneas e da sua gestão. 26 . regulamentações dos instrumentos de outorga de direito de uso e cobrança pelo uso da água. onde as águas podiam ser públicas ou privadas. o uso prioritário é o consumo humano e dessedentação animal. Na Constituição Federal de 1988 as águas passaram a ser de domínio público. tendo como unidade de gerenciamento a bacia hidrográfica. todos têm direito ao seu uso.o Sistema Nacional de Gerenciamento de nal e legal da gestão das Recursos Hídricos – SINGREH.643/34 chamado Código das Águas que constitui um marco no gerenciamento de recursos hídricos no Brasil. em situações de escassez.

da outorga. normas e a definição de estratégias de gestão de águas transfronteiriças. os órgãos públicos dos poderes federal. de estudos técnicos relacionados aos recursos hídricos. Existem outras regulamentações relacionadas às águas subterrâneas. além de mecanismos de proteção e gerenciamento das águas subterrâneas (Resolução CNRH nº 09/00). e as agências de Água. como a relativa à fiscalização da qualidade para água potável. e que os limites dos aqüíferos não coincidem. Para promover esta articulação. 27 . a promoção. municípios e a União. a proposição de encaminhamento de soluções.841/45). tendo importante papel no estabelecimento de diretrizes complementares para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e dos instrumentos de gestão nela previstos. programas e projetos nacionais referentes às águas subterrâneas e o monitoramento do desenvolvimento de suas ações. foi criado o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. entre as quais se destacam: a proposição de políticas. arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos. Nas questões relativas às águas subterrâneas. Distrito Federal. planejar. planos. Ressalta-se que sua Secretaria Executiva é exercida pela SRU/MMA. tornase necessária a gestão conjunta e articulada entre estes.foram atribuídas à SRH/MMA (atual SRU/MMA). da elaboração de planos. Agência Nacional de Águas. O CNRH.A fim de coordenar a gestão integrada de recursos hídricos entre os estados. gov. apresentando leis diferenciadas. intermediada pela União. portanto. Uma vez que os órgãos estaduais de recursos hídricos são responsáveis pela gestão das águas subterrâneas e. possui caráter normativo e deliberativo.776/06. e promover a cobrança pelo uso de recursos hídricos. regular e controlar o uso. a coordenação.br). são consideradas um bem mineral e cuja concessão é disciplinada pelo Departa-mento Nacional de Produção Mineral (DNPM). diversas competências. Este é constituído pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). (www. Comitês de Bacias Hidrográficas. pela Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa) além do disciplinamento do uso das águas minerais. nem com os limites administrativos.cnrh-srh. que possui entre suas atribuições: compatibilizar as legislações relativas à exploração e utilizaçãodestes recursos. implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos. dentro do princípio da gestão integrada de recursos hídricos. pelo Decreto nº 5. estaduais. balneárias e geotermais que. com os das bacias hidrográficas (vide Figura 10). federais e internacionais. potáveis de mesa. em articulação com órgãos e entidades estaduais. em sua esfera de competência. segundo o Código de Águas Minerais (Decreto-Lei nº 7. cujos objetivos são: coordenar. propor mecanismos institucionais de integração das águas superficiais e subterrâneas. o CNRH é assessorado pela Câmara Técnica de Águas Subterrâneas (CTAS). conselhos de Recursos Hídricos dos estados e do Distrito Federal. do Distrito Federal e municipais cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos. necessariamente. a preservação e a recuperação dos recursos hídricos. principal instância do SINGREH.

Pelo exposto. solo e recursos relacionados. • O monitoramento da qualidade e da quantidade das águas subterrâneas. bacias hidrográficas. 28 • A remediação (processo de despoluição e minimização dos impactos negativos) das áreas contaminadas.8. uma efetiva gestão integrada e proteção dos aqüíferos compreende: • A confecção e atualização de mapas de vulnerabilidade de aqüíferos. normas construtivas para poços tubulares profundos e fiscalização da construção e operação dos mesmos. integrados à gestão de uso e ocupação do solo. com identificação das fontes poluidoras potenciais. a fim de maximizar o bem estar econômico e social resultante. • O estabelecimento de legislação de proteção das águas subterrâneas e inserção na gestão integrada dos recursos hídricos. incluindo o desenvolvimento coordenado e o gerenciamento das águas superficiais e subterrâneas. . 2006).2 algumas estratégias de proteção. observa-se que a Lei de Águas. • A inserção das águas subterrâneas nas políticas federal e estaduais de recursos hídricos. • A educação ambiental voltada para a proteção das águas subterrâneas. Neste sentido. bem como outros diplomas legais visam o estabelecimento da gestão de recursos hídricos de forma mais integrada possível. seus ambientes adjacentes costeiros e marítimos e os interesses a montante e a jusante (GWP. ConserVação e gestão das Águas subterrâneas Uma abordagem integrada pressupõe a utilização e gestão coordenada da água. de maneira eqüitativa sem comprometer a sustentabilidade de ecossistemas vitais. • O acompanhamento das áreas contaminadas e o cadastramento de fontes poluidoras. • O estabelecimento de perímetros de proteção.

a água da máquina de lavar para limpeza de pisos. como: • Antes de perfurar um poço deve-se procurar o órgão estadual de recursos hídricos. • Destinar a água proveniente dos poços tubulares profundos para fins mais nobres (por exemplo. limpeza de pisos. • O reconhecimento da água subterrânea como um recurso estratégico. não na rede de águas pluviais. descarga sanitária. • Realizar. licença ambiental e outorga de direito de uso). Código de Posturas Urbanas e Estatuto da Cidade). longe de fossas. além de Relatório Técnico Detalhado (contendo. no mínimo: descrição das amostras. • Contratar empresas idôneas de perfuração. as análises da qualidade da água e a manutenção de rotina dos poços. Lei de Uso e Ocupação do Solo. entre outros). análise físico-química-bacteriorológica. que pode ajudar a proteger as águas subterrâneas com atitudes simples. interpretação do teste de vazão e descrição dos materiais aplicados e quantidades). por meio dos comitês de bacias ou conselhos estaduais de recursos hídricos. 29 . por jardins. lixões. sempre que possível. • Exigir que a empresa de perfuração apresente a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e realize: teste de bombeamento de 24 horas. incentivando sistemas de abastecimento mistos. • Participar ou indicar seus representantes no Sistema Estadual de Recursos Hídricos. Esses documentos são necessários para solicitar a licença e outorga do poço tubular profundo. • Coletar e armazenar a água de chuva das calhas dos telhados. optando-se. visando obter informações sobre normas técnicas para a perfuração e exigências para a regularização de poços tubulares (autorização para perfuração. • Aproveitar as águas já utilizadas. periodicamente. • Perfurar poços somente em locais com boas condições sanitárias. • Respeitar sempre a legislação e as normas municipais de uso e ocupação do solo. etc. gramados ou hortas (como forma de facilitar a infiltração da água de chuva no solo). Zoneamento Ambiental. destinandoas para fins menos nobres (por exemplo. • Perfurar poços tubulares profundos somente em casos de extrema necessidade. Além disso. Registro no CREA e Atestado de Capacidade Técnica. procurando participar da sua elaboração (Plano Diretor.• A fiscalização e o acompanhamento dos lançamentos de efluentes e da disposição de resíduos.). este processo deve contar com a participação de toda a sociedade. que possuam: Responsável Técnico. criadouros de animais e áreas de cultivo. essa água pode ser utilizada para os mais diversos fins (irrigação de jardins. • Lançar esgoto somente na rede pública de esgotamento sanitário. • Evitar a impermeabilização das áreas extxernas. consumo humano) utilizando esse recurso com racionalidade. EconômicoEcológico. desinfecção e devidas medidas de proteção sanitária do poço.

9 PrinciPAiS AçÕeS dA Sru/mmA em áGuAS SuBterrÂneAS 30 .

Seus objetivos finalísticos são: a melhoria das disponibilidades hídricas. Além disso. Entre as seis metas de curto prazo do Plano está à elaboração do Programa VIII – Programa Nacional de Águas Subterrâneas (SRH/ MMA. integrada e participativa das águas. sendo sua elaboração coordenada pela SRU/MMA. conforme apresentado a seguir. 2006). em quantidade e qualidade. a SRU/MMA tem tratado do tema em diversos programas e projetos nacionais e internacionais. superficiais e subterrâneas. bem como o desenvolvimento da base legal e institucional para a sua adequada gestão. 31 . além de técnicos de vários estados. cujo escopo foi discutido e acordado na Oficina de Detalhamento dos Programas do Plano Nacional de Recursos Hídricos. Este documento é um pacto nacional para a definição de diretrizes e políticas públicas voltadas para a melhoria da oferta de água. incluindo a de Águas Subterrâneas. a percepção da conservação da água como valor socioambiental relevante (SRH/MMA. sob a ótica do desenvolvimento sustentável e da inclusão social. O Programa Nacional de Águas Subterrâneas tem como objetivo a ampliação dos conhecimentos técnicos relacionados às águas subterrâneas em todo o país. em quantidade e qualidade. com participação de todas as Câmaras Técnicas do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. além do fomento às ações de capacitação para a gestão racional e eqüitativa destes recursos. bem como dos eventos hidrológicos críticos. de março de 2007. a redução dos conflitos reais e potenciais de uso da água. gerenciando as demandas e considerando a água um elemento estruturante para a implementação de políticas setoriais. 2006).O Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) é um dos instrumentos da Lei nº 9433/97. considerando o princípio da gestão sistêmica.

foram. em sua maioria. Com base em levantamento bibliográfico. no escopo deste programa. Boa Vista-Serra do Tucano/North Savanna. Guarani e Caiuá-Bauru/Acaray. identificados. Serra Geral. Pantanal. bem como identificar e caracterizar os mesmos. Grupo Roraima. Esta identificação e definição foram baseadas. com o objetivo de elaborar diretrizes para a gestão de aqüíferos transfronteiriços por meio de levantamentos de experiências internacionais e dos países das Américas. em informações recolhidas e consenso entre os técnicos representantes dos diversos países. foram o Amazonas. 32 . Permo-Carbonífero. caracterizados e elaborados esboços geológicos e dos limites dos onze principais aqüíferos transfronteiriços do Brasil com os países vizinhos. Costeiro. de forma preliminar. Litorâneo/Chuy. e procurar fontes de financiamento para desenvolvimento de projetos conjuntos com outros países. Os aqüíferos preliminarmente identificados no Brasil. nos limites das formações geológicas e em alguns casos com base em aspectos como estrutura geológica e geomorfologia da região. Aquidauana/Aquidabán.projeto internaCional de gestão de aqüíferos transfronteiriços das amériCas (isarm amériCas) O International Shared (Transboundary) Aquifer Resources Management – ISARM Américas é uma iniciativa conjunta da UNESCO e da Secretaria Geral dos Estados Americanos (Unidade de Meio Ambiente).

Figura 14 – Mapa dos principais aqüíferos transfronteiriços identificados preliminarmente pelo projeto ISARM – Amércias Obs.: O Aqüifero Guarani está representado na Figura 15 33 .

a agência executora internacional do Projeto. 34 . além de capacitação. sistema de informações. o papel de Agência Executora Nacional do projeto é desempenhado pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (SRU / MMA).projeto de proteção ambiental e desenVolVimento sustentÁVel do sistema aqüífero guarani O Brasil paticipa de um projeto de abrangência transfronteiriça que contempla o estudo das águas subterrâneas. que objetiva a ampliação do conhecimento hidrogeológico básico. visando dar maior eficiência ao gerenciamento e à preservação do Sistema Aqüífero Guarani pelos quatro países: Brasil. em estreita coordenação com as quatro agências executoras nacionais. Paraguai e Uruguai. Argentina. Este projeto ainda prevê a implantação de rede de monitoramento. Este projeto é financiado com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF – Global Environment Facility) sendo o Banco Mundial a agência implementadora dos recursos e a Organização dos Estados Americanos (OEA). O PSAG é executado por meio da Secretaria Geral do Projeto. divulgação de sua importância e educação ambiental. No Brasil. o Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani (PSAG).

Figura 15 – Representação Esquemática do Aqüífero Guarani 35 .

instância máxima de decisão. para atender. com a disposição do efluente (concentrado) em de leitos de evaporação para a produção de sal ou. Nas localidades atendidas. sua utilização em um sistema produtivo integrado sustentável. que abrange porções dos estados de Alagoas. as populações de baixa renda residentes em localidades difusas do semi-árido brasileiro. na irrigação de plantas que absorvam grande quantidade de sal e serão utilizadas na alimentação de caprinos e ovinos. Pernambuco. com participação do estado e do município. por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRU/MMA) em parceria com instituições federais. estaduais. prioritariamente. Maranhão. em cada estado há um Núcleo Estadual. municipais e da sociedade civil. e uma Coordenação Estadual. a partir de um acordo celebrado entre todos. coordenados pelo órgão de recursos hídricos estadual. Minas Gerais e Espírito Santo. a gestão dos sistemas é realizada pelo Núcleo Local. Bahia. Rio Grande do Norte.programa Água doCe O Programa Água Doce (PAD) é uma ação do Governo Federal coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente. Sua área de abrangência é o Semi-árido. Assim. Piauí. Paraíba. o PAD visa ao estabelecimento de uma política pública permanente de acesso à água de boa qualidade para consumo humano. usando essa ou outras tecnologias alternativas. Água Bruta Água Potável Concentrado Atriplex Caprinos Chafariz Tanque de Peixes Poço Laje de Proteção Casa do Dessalinizador 36 . Sergipe. e onde grande parte das águas subterrâneas captadas estão salinizadas. Ceará. O programa prevê a recuperação e a implantação de dessalinizadores em poços tubulares. sequencialmente. impróprias para consumo humano. com seu respectivo Grupo Executivo composto por técnicos capacitados pelo Programa em cada um dos componentes. nas comunidades que atendam aos requisitos técnicos estabelecidos pelo programa. a recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental e socialmente sustentáveis. que compreende o aproveitamento na aqüicultura e. promovendo e disciplinando a implantação. Para o desenvolvimento do Programa.

cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.. et al. Roberto Marinho. Política Nacional de Recursos Hídricos. 576p. ANA. Decreto 5. de 13 de março de 1990 que modificou a Lei n° 7. Março de 2006.000. Disponibilidades e Demandas de Recursos Hídricos no Brasil. World Water Assistent Programme. Fernando A. 1988. Comitê Científico (TEC). Curitiba: Ed. Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior. R. BRASIL. F. Fortaleza: Serviço Geológico do Brasil (CPRM. ROSA FILHO. Conjunto de Normas Legais: recursos hídricos. de 28 de dezembro de 1989. 1998. BORGHETTI. IBGE. Groundwater Resources of the World: Transboundary Aquifer Systems. Versão em Português. E. 2006. 1° da Lei n° 8. BRASIL. J. Aprova a estrutura regimental e o quadro demonstrativo dos cargos em comissão e das funções gratificadas do Ministério do Meio Ambiente e dá outras providências. 21 da Constituição Federal e altera o art.990.001. 1:50. 37 . N. Police Brief. reservas. regulamenta o inciso xIx do art. Hidrogeologia: Conceitos e Aplicações. B.433 de 08 de janeiro de 1997.10 BiBLioGrAfiA BRASIL. 1999. Brasília: MMA. Brasília: SRH/FGV. 2006. Resoluções do CNRH. Aqüífero Guarani: A Verdadeira Integração dos Países do Mercosul. Autora: Sarah Carriger. ABEAS. Special Edition for the 4 th World Water Fórum. 2000. BGR/UNESCO. FUNDAÇãO GETúLIO VARGAS. GWP. México City. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. 1997. Agencia Nacional de Águas. Nacions World Water Develophent Report. Plano Nacional de Recursos Hídricos. BRASIL. . C. usos e mitos – Brasília. FEITOSA. 4 ed. Lei n° 9. 2004. BORGGHETTI.. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Recursos Hídricos na Bacia do Rio Paraguai. Estudo Técnico Preliminar. Águas Subterrânas: Conceitos. Constituição da República Federativa do Brasil. 2005. LABHID–UFPE). Volume VIII. Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Recursos hídricos.776 de 12 de maio de 2006. Global Water Partnership.000.

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