Módulo: Conhecimentos Pedagógicos – SEC/BA 2010

O QUE É EDUCAR A palavra educar deriva da palavra latina educare, que significa "revelar o que está dentro", deixar florescer as habilidades e potencialidades, tornando explícitos os poderes inatos do homem. Faremos, por nossa conta, para fins de um melhor entendimento, uma distinção semântica do termo educação, ficando este como a instrução acadêmica e profissional passada de fora para dentro, ou seja, o conhecimento técnico transmitido pelo educador ao educando, independentemente do método pedagógico adotado. Chamaremos de educare a educação que aflora de dentro para fora, aquela que diz respeito ao ser, e não ao saber. Aquela que legará condutas morais e éticas responsáveis pelo norteamento da vida de cada um. A educação em valores humanos busca a união desses dois importantes conceitos. Educar é estabelecer uma troca com o educando. Educar não é um ato de "doação" de conhecimento, mas um processo que se realiza no contato do homem com o mundo vivenciado, o qual não é estático, mas dinâmico e em transformação contínua. A relação vertical, onde o educador é superior ao educando deve dar lugar à relação dialógica, a qual supõe troca, pois "os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” Para Paulo Freire, educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa (...)". O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educando, é essencial à prática pedagógica proposta. Sem respeitar a identidade do educando, sem levar em conta as experiências vividas pelo educando antes de chegar à escola, o educador não terá êxito na sua tarefa, e o processo será inoperante, consistirá em meras palavras despidas de significação real. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". O educador deve incentivar a curiosidade do educando valorizando a sua liberdade e a sua capacidade de aventurar-se. RELAÇÃO EDUCANDO-EDUCADOR A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bom próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um «empurrão». Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal, que é definido por ele como: (..) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes. (VYGOTSKY), “A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores”. São Paulo, Martins Fontes. 1989. Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro. Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. Ao educador, restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não o farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra 1

perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. Para isso, o professor tem que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotky, essa se dava através da linguagem. Baseado nisso, dois autores Newman, Griffin & Cole, desenvolveram essa idéia. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback), que o professor “dando pistas” para o aluno iniciava o processo, assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta (GOMES, 2002). Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são, o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa idéia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz. Ainda a respeito da relação professor-aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor-aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As conseqüências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto.

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 2

A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis. A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de qualidades. Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção. Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoio necessário. Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana. EDUCAÇÃO COMO DIREITO Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO 3

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no “caput” deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. 4

mas. e a transmissão de emoções. nos termos do plano nacional de educação. fechando-o em seu mundo. aluno enfatizado como cidadão. Com a escola tecnológica. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando. o aluno era impedido de criar e pensar. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. sem afinidade com o social e alienado em suas relações com o global. § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. sendo empregados todos os contornos que possibilitavam a apreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos com enfoque na construção e reconstrução do saber. § 1º . § 2º . O professor do século XXI deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade. A formação identitária do professor abrange o profissional. e o modelo americano é instituído em nosso país. Os padres da Companhia de Jesus instalaram a primeira escola em 1549. de duração plurianual.As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. onde o professor era o educador que orientava o contorno da aprendizagem com participação real do aluno. Com o tecnicismo empregado em todos os campos. no caso de encerramento de suas atividades. Com o governo de Getúlio Vargas. V . sem explicação dialética do dia-a-dia. na forma da lei. na forma da lei Art. visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I .§ 3º . deu-se início à escola nova. a instrução programada e o ensino individualizado.universalização do atendimento escolar. constituiu fundamentalmente a sua atuação profissional na prática social.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. O advento da escola nova foi em 1932. II . pois a educação tem por intenção a humanização do homem. corre-se o risco de exclusão do indivíduo no social. impedindo a atuação dialógica. 208. falta de opções ou porque é preciso auferir ganhos (extras). definidas em lei.promoção humanística. onde o professor não se comportava como o transmissor de conhecimentos e sim um facilitador de aprendizagem. Devemos aliar forças para que isso não aconteça. II . confessionais ou filantrópicas. observamos que na construção do saber a tecnologia passa a dominar os espaços locais e temporais. 214. onde o aluno era um ser ativo e participante e estava no centro do processo de ensino/aprendizagem. Em 1964 tem início a Escola Tecnicista. A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica e/ou como apenas executores de decisões alheias. O ensino nesta época era tradicional. buscando todas as oportunidades em busca da criatividade. 213. III . Devemos ter em mente que os professores exercem um papel insubstituível no processo da transformação social. Nesta época foram instalados os recursos audiovisuais como suporte pedagógico. pois a docência vai mais além do que somente dar aulas. recolhida pelas empresas. Nessa era da 5 .melhoria da qualidade do ensino. serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. Na escola tecnicista o social era ditado pelos militares que detinham o poder. a interação.Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio. Essa escola era uma escola democrática e divulgada para todos (o cidadão democrático). Com o uso inadequado da tecnologia há a individualização do ser humano. Art. A escola tradicional permaneceu por aproximadamente trezentos e oitenta e três anos. IV . filantrópica ou confessional. aluno que construía e ressignificava a história. VII.Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. Impediu-se a expressão dialética. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. Já no século XXI. e foram anunciados padrões e métodos educacionais com ferramentas que impressionavam e davam subsídios diferentes nas formas de ensinar. tornando-o espectador e talvez um indivíduo sem estímulo para superar barreiras.formação para o trabalho. § 4º . cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir. que: I . Em 1983 deu-se o aparecimento da Escola Crítica. científica e tecnológica do País. sem articulação com os demais membros da sociedade. A lei estabelecerá o plano nacional de educação.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. Na Escola Crítica havia articulação e interação entre o educador e o educando. ou ao Poder Público.erradicação do analfabetismo. produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. O PROFESSOR COMO PROFISSÃO A arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo.

mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública. pelas opiniões tendenciosas da mídia. com competência do conhecimento. 4.tecnologia. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem. Só assim. A participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública. Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar. políticas e culturais. A ESCOLARIZAÇÃO E AS LUTAS DEMOCRÁTICAS A escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas. afirma Libâneo. O COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO DOS PROFESSORES 6 . Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades. sociais. complementa dizendo que o professor deve descobri-lo e basear-se nisto em seus ensinamentos. deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. habilidades e atitudes. culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. São exemplos de alguns fatores que promovem o fracasso escolar: dificuldades emocionais. como principal. os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola. AS TAREFAS DA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA Todos sabem da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo. mas considera. Ética como compromisso profissional e social devem ser respondidas e solucionadas para a garantia de uma sociedade melhor. O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já conhece. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo. o ensino é sem dúvida promotora de ações indispensáveis para ocorrer a instrução. dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. DIDÁTICA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO A democratização do ensino e a importância de oferecer este de qualidade e a toda sociedade é sempre uma reflexão importante. São tarefas principais das escolas públicas: 1. Algumas perguntas envolvendo a escolarização. estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana. além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita. Aponta muitos motivos para isto. compreendendo os contextos históricos. aquela que esta inserida em um contexto único. Libâneo (1994) "A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática". e ressalta também os índices de escolarização no Brasil. da formação de suas capacidades. a falta de preparo da organização escolar. que aponta para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. 2. pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais. fracasso escolar. 3. Proporcionar escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização. qualidade do ensino do povo. Assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente. falta de acompanhamento dos pais. Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta. e continua dizendo que a escola é o meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas. com profissionalismo ético e consciência política. A transformação da escola depende da transformação da sociedade. metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. imaturidade. entre outros. usando para isso a compreensão e a proposição do real. de igualdade nas oportunidades em educação. Democracia poderia ser entendida como um conjunto de conquistas de condições sociais. O FRACASSO ESCOLAR PRECISA SER DERROTADO O fracasso escolar é um grave problema do nosso sistema escolar. sem deixar se seduzir pelos caminhos deslumbrantes dos anúncios publicitários.

OS COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO O ensino. 3. As formas organizadas do ensino. o currículo como expressão dos conteúdos de instrução. Ação de aprender. Ação de ensinar. DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO É preciso conhecer os vínculos da didática com os fundamentos educacionais. estabelecendo na obra alguns princípios com: 1. Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática: 1. A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor. com João Amos Comenio. 6.O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família. social e técnica. O trabalho docente visa também à mediação entre a sociedade e os alunos. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS A didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino. no trabalho e na vida cultural e política. Aplicação de técnicas e recursos. Podemos definir o processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. 2. Controle e avaliação da aprendizagem. Conteúdos da matérias. Os princípios didáticos. É fundamental nesta estruturação escolar. 3. na sua dimensão político. Libâneo ainda coloca que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo. o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem. 2. como toda a profissão. sendo as técnicas recursos ou meios de ensino seus complementos. por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. 7. Os conteúdos escolares. OBJETIVO DE ESTUDO: O PROCESSO DE ENSINO Sem dúvida. Sintetizando. 5. O ensino deve seguir o curso da natureza infantil. 4. Libâneo afirma que. 2. isto é de acordo com suas características de idade e capacidade. Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. Os métodos de ensino aprendizagem. A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR Sabedores que a pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social. sendo influenciado por condições internas e externas. e a metodologia como conjunto dos procedimentos de investigação quanto a fundamentos e validade das diferentes ciências. afetando assim a ação didática diretamente. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna". A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais. A situação didática em sala de aula esta sujeita também a determinantes econômico-sociais e sócioculturais. Define assim a didática como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino. compreender o objetivo de estudar e relacionar os principais temas da didática que são indispensáveis para o exercício profissional. a didática coloca-se para assegurar o fazer pedagógico na escola. Conhecer estas condições é fator fundamental para o trabalho docente. os temas fundamentais da didática são: 1. envolve uma atividade complexa. a instrução como processo e o resultado da assimilação sólida de conhecimentos. Entretanto. por mais simples que pareça. 7 . afirmando daí o caráter essencialmente pedagógico desta disciplina. a didática aparece em obra em meados do século XVII. 3. Os objetivos sócio-pedagógicos. Assim sendo. o objetivo do estudo da didática é o processo de ensino. 4.

determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. i. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA Nos últimos anos. e. Já a direção do ensino e aprendizagem requer outros procedimentos do professor: a. antes. Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades b. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas. e. É importante lembrar que as tendências progressivas só tomaram força nos anos 80. c. que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora. d. d. para a avaliação. o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina. Os principais objetivos da atuação docente são: a. g. ajuda o aluno a aprender. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino.Já mais adiante. f. c. centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa. no Brasil. classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. Conhecimento dos programas oficias. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. h. g. Porém. Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando à autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos. Capacidade de dividir a matéria em módulos ou unidades. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem. Domínio do conteúdo e sua relação com a vida prática. cabendo mais adiante a outro pesquisador fazê-lo. os procedimentos são: a. j. Compressão da relação entre educação escolar e objetivo sócio-políticos. pois a aprendizagem é um processo. f. Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841). com regras e procedimentos padrões. o autor levanta os principais pontos do planejamento escolar: a. Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos. b. com as denominadas "teorias críticas da educação A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR O modo de fazer docente determina a linha e a qualidade do ensino. Conhecer as características sócio-culturais e individuais dos alunos. c. b. Dominar os meios de avaliação diagnóstica 8 . Depois. Domínio de métodos de ensino. baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. Henrique Pestalozzi (1746-1827). este autor não colocou suas idéias em prática. Manter-se bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes. que trabalhava com a educação de crianças pobres. Conhecimento das funções didáticas Compatibilizar princípios gerais com conteúdos e métodos da disciplina Domínio dos métodos e de recursos auxiliares Habilidade de expressar idéias com clareza Tornar os conteúdos reais Saber formular perguntas e problemas Conhecimento das habilidades reais dos alunos Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente Ter uma linha de conduta de relacionamento com os alunos Estimular o interesse pelo estudo Por parte do professor. Estes três itens se integram entre si. b.

mas sim deve ser utilizada como um instrumento de coleta de dados sobre o aproveitamento dos alunos. dificuldades e orientar o trabalho para as correcções necessárias. representando algo que seja para a criança se comunicar a partir do vocabulário formal a partir de uma linguagem "normalizada" determinada pela sua evolução mental. determina o grau de assimilação dos conceitos." Para GOLIAS (1995) a avaliação é "entendida como um processo dinâmico. Também ajuda o aluno a realizar um esforço de sinetes das diferentes partes do programa do ensino. no ato profissional. daí.identifica as dificuldades do aluno e os conhecimentos prévios. contribui para a avaliação para correcção de erros de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. propostas nos objetivos. experimentar. ao mesmo tempo favorece uma atitude mais responsável do aluno em relação ao estudo. A motivação do docente no ensino e a sua adequada formação deve dar o direito de comunicar ou se expressar. A avaliação reflete sobre o nível do trabalho do professor como do aluno. Conhecer os tipos de provas e de avaliação qualitativa Estes requisitos são necessários para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha. tendo em vista mudanças esperadas no comportamento dos alunos. conforme os objetivos propostos. a determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho. a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas de planificação do trabalho e da escola como um todo" PILETTII (1986). a avaliação é o processo de atribuir valores ou notas aos resultados obtidos na verificação da aprendizagem". criar hábitos de trabalho independente e consciencializar o grau consecutivo dos objectivos atingidos após um período de trabalho. 9 . com capacidades para descobrir. Pedagogico-Didáctica – refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar. porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados nas unidades temáticas. desconfiando do normal e olhando sempre por traz das aparências. Segundo o professor Cipriano Carlos Luckesi "a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho. Já LIBÂNEO (1991) define "avaliação como uma componente do processo de ensino que visa. NÉRICI (1985) "relaciona avaliação com a verificação de aprendizagem pois. também ajuda os alunos a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem do aluno. orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes". seja do livro didático ou mesmo de ações pré-estabelecidas. A avaliação insere-se não só nas funções didáticas. para ele."Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa a interpretar os conhecimentos. Permite um reajustamento com vista à processução dos objectivos pedagógicos pretendidos. determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas. AVALIAÇÃO A avaliação educacional é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho do professor. aprofundando os seus conhecimentos no domínio da natureza e da sociedade. É através dela que vão sendo comparados os resultados obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos. Diagnóstica . habilidades e atitudes dos alunos. A avaliação tem a função diagnostica psico-pedagógica e didática. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. ela deve acompanhar todos os passos do processo de ensino e aprendizagem. assumindo-o como um dever social. a fim de verificar progressos. Por isto. Esta. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO A importância da avaliação reside na sua função social e pedagógica. continuo e sistemático que acompanha o desenrolar do ato educativo". Ajuda ao professor a constatar as falhas no seu trabalho e a decidir a passagem ou não para uma nova unidade temática. por isso a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos alunos. porém. mas também na própria dinâmica e estrutura do Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). deve exercitar o pensamento para descobrir constantemente as relações sociais reais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada. A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem. o professor.c. aprender e fazer. investigar.

Conhecer o aluno: Pode-se orientar e guiar o aluno no processo educativo avaliando-o. ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho. Seleccionar as técnicas e instrumentos de avaliação. Também pode apontar as dificuldades no mesmo caderno. O professor pode organizar um caderno para anotar a progressão dos alunos em cada período. exigindo mais dos professores. ajuda o aluno a desenvolver as capacidades cognitivas. • Constata deficiências em termos de pré-requisitos. Verificar os ritmos de progresso do aluno: É a colecta de dados sobre o aproveitamento dos alunos através de provas. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do aluno. para estimular o sucesso de todos. 3.Função de Controle . Estabelecer os critérios e as condições para a avaliação. • Para avaliação formativa. ETAPAS DA AVALIAÇÃO Durante o PEA podemos encontrar as seguintes etapas: • • • • Determinar o que vai ser avaliado. como técnica pode se utilizar o pré-teste.controla o Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). melhorar e completar o trabalho. encontramos os dois instrumentos mais utilizados que são as provas objetivas e subjetivas. TAREFAS DA AVALIAÇÃO São tarefas da avaliação as seguintes: 1. escreve correctamente e conhece bem a Gramática. interesses e dificuldades. objectividade e precisão – são directas. para verificar se houve um progresso do aluno desde o ponto de partida da aprendizagem até ao momento. exercícios ou de meios auxiliares. Com base nesses resultados deve. TIPOS DE AVALIAÇÃO a) Avaliação diagnostica: Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso. fazendo com que o professor se adapte aos diferentes comportamentos dos alunos. temos como técnicas a observação de trabalhos. os exercícios práticos. identificar os fatores do ensino. aptidões. 2. adequar o ensino de forma que a aprendizagem se torne mais fácil e eficaz. • Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem. Permite que haja um controle contínuo e sistemático no processo de interacção professor . • Constata particularidades b) Avaliação formativa: Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. atitude.alunos no decorrer das aulas. o professor pode detectar algumas dificuldades dos alunos. que se apresentam com maior clareza. provas. 4. Detectar as dificuldades de Aprendizagem: Ao avaliar. pois a observação visa a investigar. a ficha de observação ou qualquer instrumento elaborado pelo professor para melhor controle. • Informa sobre os objetivos se estão ou não a ser atingidos pelos alunos. etc. na medida do possível. do ano letivo. Realizar a aferição dos resultados. da unidade ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte: • Identificar alunos com padrão aceitável de conhecimentos. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Existem várias técnicas e instrumentos de avaliação: • Para a avaliação diagnostica. do semestre/ trimestre. Orientar a aprendizagem: Os resultados obtidos pela avaliação devem ser utilizados para corrigir. Por exemplo. para melhor conhecer a sua personalidade. Este registo deve ser acompanhado de modo a superar as dificuldades. o Carlos tem "problemas na representação do afastamento ou cota de um ponto". Para o caso concreto da disciplina de biologia deve-se utilizar as provas objectivas. • Para avaliação Sumativa. 10 . como observação do desempenho e entrevista.

A forma como se avalia. Tem a função classificadora. sobre a acção. Dos conteúdos/complexidade da matéria.• Localiza deficiência/dificuldades. O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica. Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem. segundo níveis de aproveitamento. questionar e transformar nossas acções. Deve ser justo e uniforme. reflexão. segundo Luckesi (2002). MODELO TRADICIONAL E ADEQUADO DA AVALIAÇÃO Gadotti (1990) diz que a avaliação é essencial à educação. Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento. c) Avaliação somativa: Esta avaliação classifica os alunos no fim de um semestre/trimestre. Tempo disponível/duração. È uma classificação final . COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO Visão tradicional • • • • • • Acção individual e competitiva Concepção classificatória Apresenta um fim em si mesma Postura disciplinadora e directiva do professor Privilégio à memorização Pressupõe a dependência do aluno Modelo adequado • Ação coletiva e consensual • Concepção investigativa e reflexiva • Atua como mecanismo de diagnóstico da situação 11 . Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil. é crucial para a concretização do projecto educacional. As condições da sala de aula. Dos meios. O processo de avaliação deve ser aberto. do ano letivo. Ela se faz necessária para que possamos reflectir. O tipo do aluno. do curso. questionamento. Deve estar ao alcance dos alunos. OS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DEPENDEM: • • • • • • • • Dos objectivos de avaliação. As conclusões finais devem ter certa validade e longo prazo. É ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam. sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A avaliação deve obedecer os seguintes critérios: • • • • • • • • Tem que ser benéfico. Número de alunos na turma. Deve ser global. A idade dos alunos. Entende-se que a avaliação não pode morrer. inerente e indissociável enquanto concebida como problematização.

Dessa forma. ou seja. que é o de apoiar as Secretarias de educação na melhoria da qualidade do ensino. Ele é proposto pelo trabalho pedagógico nas escolas. AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Novos mecanismos da aplicação do Censo Escolar e do Sistema de avaliação do Ensino Básico no Brasil (SAEB) serão implementados no início de 2005. bem como da estrutura física (número de laboratórios e bibliotecas. raça e etnia. por exemplo. Atualmente. A operacionalização é de responsabilidade do Inep. instituições acadêmicas e público em geral.861. mas também é um cenário de socialização da mudança. que deixará de ser amostral Diferente da análise qualitativa do Saeb. tanto o Censo como o Saeb passarão a ter o foco no aluno. o currículo é uma construção social. pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas e pelos estudantes. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). Avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro). Um dos focos mais importantes é o exame de múltipla escolha. as escolas públicas já têm disponível no site do Inep um resumo de dados por escola. realizado em 1931 no governo Getúlio Vargas. garante. a pesquisa. segundo Carlos Henrique Araújo. O resultado das provas. desde 1990. região e país. O Saeb é o instrumento nacional de avaliação do ensino básico no País e coleta. municipal e particular. a extensão. Ele possui uma série de instrumentos complementares: auto-avaliação. diretor de avaliação da educação básica do Inep. dos cursos e do desempenho dos estudantes. organizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educaionais Anísio Teixeira (Inep) a partir de 1997. a responsabilidade social. turmas e profissionais. o Censo Escolar é o instrumento do governo federal que traz um raios-X quantitativo das escolas. o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições. As informações obtidas com o Sinaes são utilizadas pelas IES. professores. a gestão da instituição. CURRÍCULO A escola. Desde 2003. por exemplo). o oculto e informal. com nome.• Postura cooperativa entre professor e aluno • Privilégio à compreensão • Incentiva a conquista da autonomia do aluno. o desempenho dos alunos. as instalações e vários outros aspectos. o Ministério da Educação pretende aperfeiçoar o objetivo desses diagnósticos. "Na época do primeiro Censo. para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. avaliação externa. afirma Dirce Gomes. diretores e escolas. cada estudante terá um cadastro pessoal que permitirá o acompanhamento de sua trajetória escolar. A prática do currículo é geralmente acentuada na vida dos alunos estando associada às mensagens de natureza afetiva e às atitudes e valores. com número de alunos. em que os estudantes respondem a questões de língua portuguesa e matemática. data de nascimento. obtido através do censo. na acepção de estar inteiramente vinculado a um momento histórico. O objetivo é informatizar tudo e disponibilizar as informações na Internet em tempo real". o corpo docente. Realizados desde a década de 90 por amostragem de alunos das redes estadual. para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social. O Sinaes avalia todos os aspectos que giram em torno desses três eixos: o ensino. SINAES Criado pela Lei n° 10. diretora de estatística da educação básica do Inep. o resultado demorou sete anos para ser contabilizado. à determinada sociedade e às relações com o 12 . O Currículo educativo representa a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social. mas. era mostrado sempre por Estado. tem um duplo currículo. informações sobre alunos da 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. o explicito e o formal. Os resultados das avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no País. nome da mãe. A novidade é que ele passará a incluir os dados por aluno. a estrutura física de escolas na mesma cidade. que permite comparar. Sendo um ambiente social. de 14 de abril de 2004. não é apenas um espaço social emancipatório ou libertador. "Assim eliminaremos duplicidade de matrículas e alunos fantasmas". Enade. pais de alunos. em 2005 toda escola e todo aluno da rede pública fará o exame.

das elites. os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico. A cultura é o conteúdo da educação. de tomada de decisão sobre a ação. instituições. organizações grupais e outras atividades humanas. O ato de planejar é sempre processo de reflexão. axiologia (preocupa-se com a natureza do bom e mau. das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". 1995). econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. é um processo que "visa a dar respostas a um problema. e currículo é a opção realizada dentro dessa cultura. incorporando as políticas educacionais. estadual e municipal". sendo o centro da ação educativa. entre recursos e objetivos. Planejar. Porém. estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa. de modo a atingir objetivos antes previstos. gerador de inovação. Nesse sentido. Hoje existem várias formas de ensinar e aprender e umas delas é o currículo oculto. Para Vasconcellos (1995). não é imparcial. ao reconhecimento do belo. e ao respeito pelo outro. na medida do possível. de sociedade e de educação. prever o futuro. implica relações de poder. O currículo é um instrumento político que se vincula à ideologia. visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação. multidisciplinar e pluridisciplinar. Existe uma diferença conceitual entre currículo. estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação. Há várias formas de composição curricular. mas que são implicitamente ensinados através das relações sociais. pois por trás das nossas diferenças. pensando e prevendo necessariamente o futuro". em certo espaço e tempo histórico. Planejamento Educacional é processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá'. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. Planejar também é uma atividade que está dentro da educação. dos rituais. também refletiremos em um currículo que atenderá. de responsabilidade e de participação cívica. é social e culturalmente definido. PLANEJAMENTO É: 1. o currículo oculto é “o conjunto de atitudes. Para Silva. "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS. aparece o movimento de exigência dos grupos culturais dominados que lutam para ter suas raízes culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. 2001). como construção de identidades locais e nacionais.conhecimento. a partir dos resultados das avaliações (PADILHA. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo. ao sentido crítico. Para elaboração de um currículo escolar devemos levar em consideração as vertentes caracterizadas pela: ontologia (trata da natureza do ser). em prazos determinados e etapas definidas. quanto as do indivíduo. 3. 4. em épocas diferentes a interesses. para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade. as experiências do passado. sua essência e sua defesa. processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis. E que a escolarização é a condição fundamental de acesso à cultura. visando à concretização de objetivos. cultural. As ciências nos mostram que não há desenvolvimento sustentado sem o capital social. em sentido amplo. visando ao melhor funcionamento de empresas. mas considerando as condições do presente. correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. incluindo o estético). A visão do currículo está associada ao conjunto de atividades intencionalmente desenvolvidas para o processo formativo. O processo de busca de equilíbrio entre meios e fins. devem ser substituídos. pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. Ao pensarmos no homem como um ser histórico. à participação cívica. a educação e currículo são vistos intimamente envolvidos com o processo cultural. essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola. que é o conjunto de ações pedagógicas e a matriz curricular. à cultura e ao poder. com a pluralidade cultural. 2. da burguesia. tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. epistemologia (define a natureza dos conhecimentos e o processo de conhecer). mas os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam que os modelos dominantes na escola brasileira. As teorias críticas nos informam que a escola tem sido um lugar de subordinação e reprodução da cultura da classe dominante. reflete uma concepção de mundo. marcados por uma forte fragmentação. O Currículo. por uma perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar. há a mesma humanidade. à estrutura social. 13 . prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. que é a lista de disciplinas e conteúdos do currículo. Portanto. setores de trabalho.

o sentido. o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. Na opinião de Sant'Anna et al (1995). principalmente após a ampliação do ensino fundamental para nove anos. Citando Paulo Freire. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores. O que é um currículo interdisciplinar? É o modo de viabilizar as interações e inter-relações entre as diferentes disciplinas existentes. 1992). educandos e o currículo. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN. organização dos tempos e espaços escolares. quando existe correlação entre as capacidades exigidas para o exercício da cidadania e para as ações produtivas. Currículo é o ambiente do conhecimento. que é a noção da realidade. procura parceria. coopera. buscar conceber visões globalizantes e de eficácia. Mediante as demandas contemporâneas. busca a inclusão. momento de execução para solucionar problemas.5. áreas do conhecimento. O conceito de interdisciplinaridade foi organizado propondo-se restabelecer um diálogo entre as diversas áreas dos conhecimentos científicos. A interdisciplinaridade pode ser compreendida como sendo a troca de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências. através das diferentes disciplinas e além de toda disciplina e sua finalidade é compreender o mundo atual. conhecimento e cultura. Tem sua expressão nos programas e. articular teoria e prática. estimulando a vinculação e indicando uma visão contextualizada do conhecimento. Uma sugestão curricular de alcance para a sociedade contemporânea deverá agregar as tendências atuais da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas interações sociais. onde a ênfase é o presente. esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno. A preocupação central é definir fins. o espaço de contestação das relações sociais e humanas e também o lugar da gestão. o diálogo. adiciona. CURRÍCULO E INTERDISCIPLINARIDADE A palavra Currículo é de origem latina e significa o caminho da vida. A transdisciplinaridade busca a compreensão do conhecimento. Devemos lembrar que a exclusão proveniente da sociedade do consumo e do capitalismo poderá sofrer diminuição através da idéia de currículos que privilegiem áreas que estão em crescimento no momento atual. movimento. centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. Ao buscarmos um novo olhar interdisciplinar chegaremos ao olhar transdisciplinar com mais entrosamento e fortalecimento. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê". O currículo deve ser entendido como componente central do procedimento da educação institucionalizada. ou melhor. Como vemos. constatamos que a fala desse educador nos elucida ao colocar que devemos aproximar a atitude interdisciplinar da atitude transdisciplinar: porque encontraremos nas duas o coletivo instituinte. numa forma interdisciplinar sem perder de vista os objetivos fundamentais elencados para a sua disciplina. como a etimologia da palavra recomenda. serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação. envolvendo o processo de reflexão. Nessa expectativa compete ao professor. a transversalidade. 8. o trabalho em grupo. tratando prioritariamente dos meios. 7. A transdisciplinaridade considera o que está ao mesmo tempo entre as disciplinas. pois a idéia é modernizar o debate sobre a importância do currículo. percurso. a rota de uma pessoa ou grupo de pessoas. compartilha. assim como. currículo interdisciplinar não é apenas combinar algumas disciplinas em projetos. 1994). da vida e do mundo. a preocupação é responder as perguntas "o quê". "para quem" e também com "o quê". mais especificamente. "como" e "com quê". Os estudos serão estruturados em seis eixos temáticos: currículo e desenvolvimento humano. diversidade e inclusão 14 . na situação de ensino-aprendizagem". em médio prazo e/ou longo prazo. nos projetos. mas para que a interdisciplinaridade aconteça é necessário a colaboração e a parceria entre as disciplinas do currículo para se chegar a um finalidade única. articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO. "É um processo de racionalização. organização e coordenação da ação docente. O papel da educação como elemento de desenvolvimento social é reorientado. de decisões sobre a organização. 2001). agrega. os instrumentos. envolvendo as ações e situações. currículo. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica. no cotidiano de seu trabalho pedagógico. sendo sobretudo tarefa de administradores. A transdisciplinaridade é a investigação da acepção da vida através de relações entre os diversos saberes das ciências exatas. educadores de todo o país estão reunidos para discutir o entendimento do currículo no ensino infantil e fundamental. da cooperação e participação. No Planejamento Operacional. humanas e artes. consentindo que cada aluno perceba o conhecimento coletivo e construa o seu de maneira individual. em constantes interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA. Currículo indica processo. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola. 6.

Ignorar a diversidade. numa sociedade e num certo momento. Antes. quaisquer que sejam. Um currículo. hoje. no discurso pedagógico e social em relação à multiculturalidade que.Diante da constatação de necessidades contemporâneas. as atitudes e as competências que. em particular na Sociologia da Educação. são consideradas relevantes tendo em conta as características da população escolar e as finalidades do sistema educativo. o currículo tem. enquanto variável constante na construção e realização do currículo. inclusiva e pluralista do currículo. e orienta para concepções dicotômicas do currículo. por outro. os eixos temáticos referentes aos estudos em andamento incorporam a preocupação dos educadores com a necessidade de um currículo que contemple a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. e currículo e avaliação. menos em Desenvolvimento Curricular e em algumas metodologias de ensino e é frágil na Intervenção/Prática Educativa. descontínua e pouco integrada. reforçaram o peso da diversidade e colocaram-na no centro do debate e das práticas educativas. Ou. é entendido como uma adaptação das competências exigidas pelo trabalho com classes padrão ou por competências adicionais a usar e desenvolver face aos contextos multiculturais. As raízes da persistência desta dicotomia encontram-se no peso das práticas monoculturais anteriores. de modos muito diferenciados. as ignora. é hoje. freqüentemente. de um currículo multicultural a que alguns professores deverão recorrer. a concepção e realização das melhores formas de adequar o currículo à diversidade dos seus destinatários. como souberem e puderem. Dicotomias que indiciam. No entanto prevalecem. mostra que o tema é. cada vez mais. qualquer currículo. por inerência. estão unidas e ligadas pelo sentido da totalidade. é. significa ignorar muitos daqueles saberes e atitudes bem como o princípio da igualdade de oportunidades educativas. de modo mais ou menos implícitos. porque o ser humano é ser de múltiplas dimensões e aprendem em tempos e em ritmos diferentes. As transformações demográficas e culturais ocorridas nas duas últimas décadas. una e pluralista do currículo e tornando mais óbvia a necessidade de incluir a vertente multicultural na preparação e no desempenho profissional de professores. Embora reconhecendo teoricamente a importância da multiculturalidade na gestão do currículo. acentua as diferenças e na formação de professores que. quando a composição das classes for marcadamente discrepante daquela uniformidade. por inerência. A formação inicial constitui a etapa estruturante de concepções coerentes e pluralistas do currículo. mais ou menos lateral ou oculta. processualmente e sucessivamente. Não será a crescente diversificação cultural da sociedade e das escolas que altera estes princípios. o contributo de peças associadas à multiculturalidade. É condição para uma concepção una. multicultural seja qual for o sentido que queiramos atribuir à raiz (cultura) do termo. A análise de alguns dados sobre a multiculturalidade em alguns cursos de formação inicial de professores.social. o conhecimento deve ser construído e reconstruído. que faz sentido como um todo e cujas peças. Tem tido um peso significativo nas unidades curriculares da área das Ciências Sociais. A multiculturalidade é. CURRÍCULO E MULTICULTURALIDADE O currículo "coerente" é aquele que permanece uno. ainda. freqüentemente. a existência de um currículo oficial de um certo ciclo. PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS 15 . Hoje. a sua versão multicultural. por outro. nos discursos e nas práticas escolares. Enquanto totalidade integrada. os novos diplomados colocam a incidência da sua formação no elenco de competências para o trabalho com classes situadas num padrão cultural de referência. nas ideologias pessoais em relação às diferenças humanas. reforça-os no sentido da afirmação de uma concepção coerente. dicotomias curriculares quando entram em jogo variáveis multiculturais. por um lado. e o conhecimento deve ser abordado em uma perspectiva de totalidade. uma dimensão essencial da coerência do currículo. parte dessa formação mas indicia que a sua abordagem é ainda bastante avulsa. a prevalência de uma concepção de currículo dirigido a grupos definidos por uma suposta uniformidade cultural e social para os quais todos os professores devem ser formados e. Contempla os conhecimentos. por um lado. professor de currículos que são multiculturais. A razão de ser e grande finalidade da teoria e da prática de organização e desenvolvimento curricular. e sempre foi. qualquer professor é. ano ou disciplina e. O trabalho com populações culturalmente discrepantes desse padrão.

4.que. as resoluções da Conferência Mundial de Educação Para Todos. 2. em todas as pessoas. realizada em Jomtien. constituindo-se em um compromisso da comunidade internacional em reafirmar a necessidade de que "todos dominem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem". provendo-lhes as competências fundamentais requeridas para a participação na vida econômica. portanto. possuem mais da metade da população mundial. recomendando o empenho de todos os países participantes em sua melhoria. As idéias contidas no Plano Decenal. Egito. aprovada em 1996. México. social. O Plano Decenal de Educação para Todos foi apresentado pelo governo brasileiro em Nova Delhi. até o ano 2003. devendo desenvolver. cujo objetivo mais amplo é assegurar. 7. a educação fundamental tem sido considerada um "passaporte para a vida". de garantir a satisfação das necessidades básicas de educação de seu povo. Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das crianças. Em seu conjunto. que também ajudaram a elaborar a Declaração de Nova Delhi. Segundo o Plano. estabelecendo posições consensuais entre os nove países participantes. das teses e estratégias que estavam sendo formuladas nos foros internacionais mais significativos na área da melhoria da educação básica. Nigéria e Indonésia . Lá o documento foi aprovado pelas duas organizações internacionais. PNUD e Banco Mundial. multilateral e internacional. Ampliar os meios e o alcance da educação básica. Unicef. jovens e adultos. Bangladesh. têm origem na preocupação da comunidade internacional com a educação. a crianças. em 1990. Brasil. O plano expressa sete objetivos gerais de desenvolvimento da educação básica: 1. especialmente as necessidades do mundo do trabalho. Universalizar. Índia. pela Unesco. Nesse sentido. Os objetivos do Plano Decenal de Educação para Todos são lembrados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. pelo governo federal brasileiro. conferindo maior eficiência e eqüidade em sua distribuição e aplicação. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO — PDE 16 . Dessa forma. política e cultural do país. na Tailândia. Esse documento é considerado "um conjunto de diretrizes políticas voltado para a recuperação da escola fundamental no país". no período de uma década (1993 a 2003). as oportunidades de alcançar e manter níveis apropriados de aprendizagem e desenvolvimento. Incrementar os recursos financeiros para manutenção e para investimentos na qualidade da educação básica. Fortalecer os espaços institucionais de acordos. num encontro promovido pela Unicef e pelo Banco Mundial e que reuniu os nove países mais populosos do Terceiro Mundo Tailândia. com eqüidade. 5. juntos. ao consolidar e ampliar o dever do poder público com a educação em geral e em particular com o ensino fundamental. "os compromissos que o governo brasileiro assume. um corpo de conhecimentos essenciais e um conjunto mínimo de competências cognitivas. conteúdos mínimos de aprendizagem que atendam a necessidades elementares da vida contemporânea". 6. Favorecer um ambiente adequado à aprendizagem. o Plano Decenal marca a aceitação formal. expressam-se no Plano Decenal de Educação para Todos. Paquistão. parcerias e compromisso. Estabelecer canais mais amplos e qualificados de cooperação e intercâmbio educacional e cultural de caráter bilateral.Documento elaborado em 1993 pelo Ministério da Educação (MEC) destinado a cumprir. na luta pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos. para que possam viver em ambientes saturados de informações e continuar aprendendo. a Conferência de Jomtien é um marco político e conceitual da educação fundamental. jovens e adultos. tendo em vista o novo cenário social advindo da sociedade da informação. 3.

do ensino profissionalizante e médio.O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi aprovado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministro da Educação Fernando Haddad em 24 de abril de 2007. O prevê várias ações que visam identificar e solucionar os problemas que afetam diretamente a Educação brasileira. . . melhoria da infra-estrutura física.Biblioteca na escola: com a criação desse programa.Educação Superior: duplicar as vagas nas universidades federais. os alunos do Ensino Médio terão acesso a obras literárias no local em que estudam.Proinfância: construção. em um prazo de quinze anos.Piso do magistério: definição do piso salarial nacional de 850 reais para os professores. estados e municípios. . .Formação: o programa Universidade Aberta do Brasil. Saúde nas escolas e Olhar Brasil. . formar novos docentes e propiciar formação continuada. feita por professores das redes públicas. entre outros. . .Brasil Alfabetizado: terá dois focos: a Região Nordeste. . . 17 . . reestruturação e aquisição de equipamentos nas creches e pré-escolas. como Luz para todos. A alfabetização de jovens e adultos será. no contra turno de sua atividade.Índice de qualidade: avaliará as condições em que se encontra o ensino com o objetivo de alcançar nota seis no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).Educação profissional: os Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFETs) reorganizarão o modelo da educação profissional e atenderão as diferentes modalidades de ensino. visa capacitar professores da Educação Básica pública que ainda não têm graduação. que concentra 90% dos municípios com altos índices de analfabetismo.Transporte escolar: Caminho da Escola é o novo programa de transporte para alunos da Educação Básica que residem na zona rural. Ações do PDE: . por meio de um sistema nacional de ensino superior à distância. As ações deverão ser desenvolvidas conjuntamente pela União. A prioridade é a Educação Básica. com o objetivo de melhorar a Educação no País.Salas multifuncionais: ampliação de números de salas e equipamentos para a Educação Especial e capacitação de professores para o atendimento educacional especializado. .Gosto de ler: a Olimpíada Brasileira da Língua Portuguesa será realizada em 2008 e pretende resgatar o prazer da leitura e da escrita no Ensino Fundamental. O plano Compromisso Todos Pela Educação propõe as diretrizes e estabelece as metas para as escolas das redes municipais e estaduais de ensino. que vai do Ensino Infantil ao Médio. em todas as suas etapas.Luz para todos: programa no qual as escolas terão prioridade. e os jovens de 15 a 29 anos.Acesso facilitado: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) aumentará o prazo para o aluno quitar o empréstimo após a conclusão do curso. .Provinha Brasil: instrumento de aferição do desempenho escolar dos alunos de seis a oito anos. . prioritariamente. mas vai além por incluir ações de combate a problemas sociais que inibem o ensino e o aprendizado com qualidade. .Estágio: alterações nas normas gerais da Lei do Estágio para beneficiar alunos da Educação Superior. ampliar e abrir cursos noturnos e combater a evasão são algumas das medidas.

Olhar Brasil: o programa identificará os estudantes com problemas de visão. e nº 7044/82 (que tornou opcional a profissionalização no 2º grau. com o objetivo de incentivar a leitura. que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.Censo pela Internet: com o levantamento do Educacenso. com o objetivo de efetivar a política de acessibilidade universal.. a lei nº 9 394/96 afirma destinar-se a disciplinar “a educação escolar.Cidades-pólo: o Brasil terá 150 novas escolas profissionais. predominantemente. nº 5 692/71 (que estabelecia as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º grau). . obrigatória pela lei de 1971). em instituições próprias” (§ 1º) que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. materiais e processos.Saúde nas escolas: o Programa Saúde da Família atenderá alunos e professores para prevenir doenças e tratar outros males comuns à população escolar sem sair da escola. terão mais atividades no contra turno e ampliação do espaço educativo.Professor-equivalente: a própria universidade poderá promover concurso público para a contratação de professores nas universidades públicas federais. Os estudos que faremos sobre o sistema escolar brasileiro devem ser sempre baseados na lei nº 9 394/96. revogou as leis nº 4 024/61 (que foi nossa primeira lei de diretrizes e bases da educação. .Mais Educação: alunos passarão mais tempo na escola. por meio do ensino. . . A ação faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. .Coleção educadores: a coleção Pensadores. . nos dispositivos que ainda vigoravam). .Dinheiro na escola: todas as escolas de Ensino Fundamental Pública Rural receberão a parcela extra de 50% do Programa Dinheiro Direto na Escola. a pesquisa e a busca pelo conhecimento. que receberão óculos gratuitamente. os gestores conhecerão detalhes da Educação do Brasil. . que engloba 60 obras de mestres brasileiros e estrangeiros. que se desenvolve.Inclusão digital: todas as escolas públicas terão laboratórios de informática. aprovada após oito anos de discussão comandada pelo Congresso Nacional.Educação Especial: monitorar a entrada e a permanência na escola de pessoas com deficiência. Esta lei. será doada para as escolas e bibliotecas públicas da Educação Básica. . em especial. NÍVEIS DE ENSINO 18 . ambientes. . após declarar que a educação abrange “os processos formativos” que se desenvolvem em todas as instâncias da vida social. O SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO Atualmente o sistema escolar brasileiro é regido pela lei nº 9394/1996. . crianças e jovens de zero a dezoito anos atendidas pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). Em seu artigo 1º.Concurso: prevê a realização de concursos públicos para ampliação do quadro de pessoal do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da expansão da rede profissional. . .Pós-doutorado: jovens doutores terão apoio do governo para continuar no Brasil.Guia de tecnologias: as melhores experiências tecnológicas educacionais serão um referencial de qualidade para utilização por escolas e sistemas de ensino.Acessibilidade: as universidades terão núcleos para ampliação do acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços. As escolas urbanas só receberão a verba se cumprirem as metas estabelecidas.

na maioria das vezes. A educação profissional será feita em cursos específicos. enquanto os pobres só conseguem fazer um curso superior em escolas particulares e com muita dificuldade. abrangerá os seguintes cursos e programas: I – cursos seqüenciais por campo de saber. diversificando-se gradualmente até alcançar uma especialização em nível superior. Educação Superior. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. em no mínimo 800 horas e 200 dias anuais de efetivo trabalho escolar (art. Medicina. deve ter um mínimo de 800 horas anuais em 200 dias de efetivo trabalho escolar (arts. o que pode acontecer é o seguinte: Educação infantil. e gratuito na escola pública (art. III – de pós-graduação. compreendendo programas de mestrado e doutorado. 40). IV – de extensão. 35). então. aperfeiçoamento e outros. complementando a ação da família e da comunidade”. Economia. Geografia são apenas algumas entre as muitas habilitações oferecidas. 21) a educação escolar compõe-se da educação básica (educação infantil. intelectual e social. por uma parte diversificada. Ao contrário da lei nº 5 692/71. Administração. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. Educação. que instituiu a profissionalização compulsória. ensino fundamental e ensino médio) e da educação superior: Educação infantil. já que dispõem de melhores meios de estudar. não pagam. De acordo com o artigo 29 da lei 9394/96. História. II – de graduação. seja constituído de uma “base nacional comum. Ensino Médio. sendo disputadas por muitos candidatos. Artes Plásticas. Conforme o artigo 44. As vagas para os cursos superiores. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. de diferentes níveis de abrangência. 24). 24 e 32). que deixou em aberto a opção pela formação profissional nesse nível do ensino. da economia. a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. formação básica para o trabalho e a cidadania. é que os ricos. vencem aqueles que desfrutam de melhores condições socioeconômicas. ainda são bastante limitadas. principalmente nas escolas públicas e gratuitas. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. em seus aspectos físico. é praticamente igual para todos. Para crianças até seis anos de idade. da cultura . a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. Será oferecida em creches. Embora. “a educação infantil. Ensino fundamental. as matérias são praticamente as mesmas em todas as escolas de ensino fundamental do país. Jornalismo. que sempre termina por uma especialização profissional. Educação superior.De acordo com a lei (art. Ensino Médio. 26). Deve ter a duração mínima de três anos (art. e da lei nº 7 044/82. articulados ou não com o ensino regular (art. psicológico. GESTÃO ESCOLAR 19 . a lei nº 9 394/96 atribui ao ensino médio um caráter de formação geral básica: consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos. e da clientela”. MODALIDADES DE ENSINO O ensino oferecido pelo sistema escolar brasileiro começa por uma base comum para todos. e em pré-escolas (de quatro a seis anos). que poderiam pagar.35). Ensino fundamental. primeira etapa da educação básica. aprimoramento do educando como pessoa humana e compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos (art. O que acontece. Ao menos.32). O desejável seria que a educação fosse pública e gratuita para todos. pela lei (art. Em parte isso acontece porque os sistemas de ensino e os estabelecimentos escolares têm dificuldades em adaptar-se às características culturais e sociais diversificadas coexistentes em nosso país. conforme o artigo 30. Em linhas gerais. em todos os níveis. cursos de especialização. Direito. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. Uma série de modalidades são oferecidas no ensino superior. Tem a duração de oito anos letivos e é obrigatório. Geralmente. ou entidades equivalentes (até três PDEanos de idade).

Art. Conseqüentemente. metas. avaliação e treinamento da equipe escolar. sendo dessa forma assegurada como o princípio da educação pública. nos princípios da Gestão. mas também de concepções teóricas a respeito dessa atividade. outras medidas são previstas em lei com o objetivo de promover uma cultura de sucesso escolar para todas as crianças. pois esta se relaciona aos diferentes momentos da história que varia ao longo do tempo. plano de curso. atividades de secretaria). funcionando interligadas. que é a sua razão de ser. plano de aula. na medida em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos. de modo integrado ou sistêmico: GESTÃO PEDAGÓGICA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS GESTÃO ADMINISTRATIVA 1. o norte da escola. A partir dessa lei a organização escolar ganha um novo perfil. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas. Elabora os conteúdos curriculares. O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. como detalha Vieira (2005): • A elaboração e a execução de uma proposta pedagógica são as primeiras e as principais das atribuições da escola. Outro marco foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9. PARTICULARIDADES DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR A partir de então. suas incumbências modificaram-se. • A escola tem como tarefa especifica a gestão de seu pessoal. com efeito. A mudança de denominação não foi apenas na escrita. Segundo Vieira (2005). nesse mesmo sentido. às diferentes clientelas e necessidades do processo de aprendizagem (LDB. Origem Normativa No Brasil. Avalia o desempenho dos alunos. Essa é a primeira das leis de educação a dispensar atenção particular à gestão escolar. além disso. esta se situa no âmbito da escola e diz respeito a tarefas que estão sob sua esfera de abrangência. em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. costuma-se classificar a Gestão Escolar em 3 áreas. Cuida de gerir o área educativa. gerais e específicos. mas. A proposta pedagógica é. AUTONOMIA DAS ESCOLAS É importante salientar um importante aspecto da gestão escolar que é a autonomia das escolas para prever formas de organização que permitam atender as peculiaridades regionais e locais. anteriormente nomeada Administração Escolar. oferecendo. Gestão Administrativa: Cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar.Para fim de melhor entendimento. que vem unir forças com a Constituição de 1988. um marco normativo foi a Constituição Federal de 1988 que institucionalizou a “Gestão Democrática do Ensino Público”. • Uma importante dimensão da gestão escolar é a relação com a comunidade (Art. direitos e deveres. agora não mais embasada nas conjeturas da administração. é um termo recente. por possuir um caráter mais democrático.A Gestão Escolar. 23). e com o mesmo objetivo. Propõe metas a serem atingidas. reflete as transformações oriundas de um determinado contexto histórico. surge para assegurar o princípio da Gestão Democrática do Ensino Público.Suas 20 . Estabelece objetivos para o ensino. definindo caminhos e rumos que uma determinada comunidade busca para si e para aqueles que se agregam em seu torno. Define as linhas de atuação.relativamente recente . de seus recursos materiais e financeiros. Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. da escola e da educação escolar. O conceito de Gestão Escolar . propriamente dita. 2.394/96. • Acima de qualquer outra dimensão é incumbência da escola zelar pelo ensino e a aprendizagem. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe). do corpo docente e da equipe escolar como um todo. ainda. e. dos objetivos e o cumprimento de metas.é de extrema importância. Gestão Pedagógica: É o lado mais importante e significativo da gestão escolar. embora muitas de suas funções que hoje lhe são atribuídas já existissem. a escola passa a ter uma nova função social. a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. 12 da LDB). sim. e assume distinta configuração na política educacional. Parte do Plano Escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos.

moral. isto sim. para os efeitos desta Lei. devem atuar integradamente. alunos. Art. nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas. Nos casos expressos em lei.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. 13.A criança e o adolescente têm direito à educação. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. Art.gestões pedagógica. de forma a garantir a organicidade do processo educativo. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA – Lei 8069/90 Art. AO ESPORTE E AO LAZER .correspondem a uma formulação teórica. as três não podem ser separadas mas. A guarda obriga a prestação de assistência material. sem prejuízo de outras providências legais.DO DIREITO À EDUCAÇÃO. assegurando-se-lhes.direito de contestar critérios avaliativos. Gestão de Recursos Humanos: Não menos importante que a Gestão Pedagógica. podendo ser deferida.Sem dúvida. pois. nos procedimentos de tutela e adoção.Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado. § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato. tutela ou adoção. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. 3. independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente. administrativa e de recursos humanos . 21 . À CULTURA. Art. por lei ou por outros meios. 53 . 2º Considera-se criança. Art. nos termos desta Lei. CAPÍTULO IV . Parágrafo único. moral e educacional à criança ou adolescente. equipe escolar e comunidade) constitui a parte mais sensível de toda a gestão. lidar com pessoas.estão previstos no Regimento Escolar. a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa. II . a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. rendendo o máximo em suas atividades. aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. liminar ou incidentalmente.de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola. pessoal administrativo. mantê-las trabalhando satisfeitas. Parágrafo único. atribuições . ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar. podendo recorrer às instâncias escolares superiores. na realidade escolar. assegurando-se-lhes: I . 25. Art.direito de ser respeitado por seus educadores. 33. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda. visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal. A organização acima . exceto no de adoção por estrangeiros.ECA Art. a pessoa até doze anos de idade incompletos. explicativa. todas as oportunidades e facilidades.alunos. conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente.de professores. formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. inclusive aos pais. pais e comunidades .em termos de fracasso ou sucesso .Direitos. não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar. mental. Art.especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. em condições de liberdade e de dignidade. deveres. preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. a gestão de pessoal . contornar problemas e questões de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança . corpo técnico. 28. espiritual e social. III .

através de programas suplementares de material didáticoescolar.oferta de ensino noturno regular. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. 55 . a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ele ter passado pela formação "teórica". Art. é um dos aspectos centrais na formação do professor.elevados níveis de repetência. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. Atualmente. V . O caminho deve ser outro. com apoio dos Estados e da União. em termos mais amplos.No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais.O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente. III . ao se pensar um currículo de formação. A profissão de professor precisa combinar sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. II .IV . É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. metodologia. Art. III . 59 .ensino fundamental. junto aos pais ou responsável. artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente.O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 1° . 54 . como 22 . § 2° .É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico.maus-tratos envolvendo seus alunos. Desde o ingresso dos alunos no curso. VII . II . em boa parte dos cursos de licenciatura.Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I . estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais. Art. 56 . pela freqüência à escola. Isso significa ter a prática. IV .atendimento no ensino fundamental. serração. tanto na disciplina especifica como nas disciplinas pedagógicas. Por essa razão. esgotados os recursos escolares. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções.direito de organização e participação em entidades estudantis.É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I .acesso aos níveis mais elevados do ensino. bem como participar da definição das propostas educacionais. transporte. Art.atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. 57 .Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental.Os Municípios.progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio. Parágrafo Único .O Poder Público estimulará pesquisas. FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão essencial o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. currículo. ao longo do curso. VI . adequado às condições do adolescente trabalhador. Art. V . fazer-lhes a chamada e zelar. experiências e novas propostas relativas a calendário. com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório.acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência. segundo a capacidade de cada um. 58 . à primeira vista. garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade. obrigatório e gratuito. esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. § 3° . Entretanto. alimentação e assistência à saúde. da pesquisa e da criação artística. como exercício formativo para o futuro professor. preferencialmente na rede regular de ensino.Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino.reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar. Art. didática e avaliação.

os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo. de acordo com as relações que estabelecemos com o meio físico. a articulação entre formação inicial e formação continuada. Para ele. Os esquemas afetivos levam à construção do caráter. sujeito-objeto. Fonte: aula professora Andrea Studart. assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio. são: maturação. ou seja. transmissão ou experiência social. também. a criança reconstrói suas ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. sendo que o organismo discrimina entre estímulos e sensações. A aprendizagem não influencia o desenvolvimento. existe também uma relação evolutiva entre o sujeito e o seu meio. segundo Piaget. A adaptação ocorre através da organização. são modos de sentir que se adquire juntamente às ações exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. entende que o desenvolvimento acontece por causa do ambiente. A criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. estamos diante de modalidades de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos de trabalho. o conhecimento é a equilibração/reequilibração entre assimilação e acomodação. a formação continuada. concluindo que. a pode ser feita na escola a partir dos saberes e experiências dos professores adquiridos na situação de trabalho. FARIA salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento. experiência física e lógico-matemática. costumes são incorporadas à atividade do sujeito. articula-se com a formação inicial.referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções a respeito. capazes de construir nossas próprias características. a criança constrói sua realidade como um ser humano singular. entendendo por ambiente os espaços sociais. Somos sujeitos ativos. indo os professores à universidade para uma reflexão mais apurada sobre a prática. Segundo Piaget. Em ambos os casos. O desenvolvimento seria fruto da aprendizagem e esta aconteceria por condicionamento. Concepção interacionista .Fruto de uma ciência positivista. Concepção ambientalista . passando a falar de forma compreensível. tendo uma melhor organização em momentos sucessivos de adaptação ao objeto. que garantem o processo de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação. Os esquemas cognitivos conduzem à formação da inteligência. equilibração. que podem ou não dar algum prazer a ela.o desenvolvimento humano é resultado de uma interação de fatores biológicos e ambientais. Na perspectiva construtivista de Piaget. A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos. selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma de estrutura. ou seja. os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. ou seja. social e cultural. Através da discriminação progressiva dos objetos. transformando isso em conhecimento seu. As formas de conhecer são construídas nas trocas com os objetos. 23 . DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM Quais são as concepções de desenvolvimento? Concepção inatista – É inspirada nas teorias de Darwin e explica o desenvolvimento humano como resultado único de informações biológicas. a criança identifica os objetos que pode ou não pegar. possibilitando pensar as disciplinas com base no que pede a prática. Outra propriedade do esquema é a ampliação do campo de aplicação. Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio. é algo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. Segundo FARIA (1998). também chamada de assimilação generalizadora (a criança não pega apenas um objeto. é o processo pelo qual as idéias. Significa. tendo a necessidade de serem repetidos (a criança pega várias vezes o mesmo objeto). situação em que o cognitivo está em supremacia em relação ao social e o afetivo. Por um lado. ou seja. na EAPE TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Formado em Biologia. o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobre o objeto. Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo. A adaptação possui dois mecanismos opostos. ou seja. da capacidade chamada de assimilação recognitiva ou reconhecedora. históricos e culturais. pessoas. por controle do ambiente. entre os indivíduos e os objetos do mundo. Ou seja. a criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor gradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouve. pega outros que estão por perto). mas complementares. cai por terra aquela idéia de que o estágio é aplicação da teoria. Por outro.

ou seja. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM PARA PIAGET Ao elaborar a teoria psicogenética. conceito central na teoria construtivista. Segundo Piaget. valores e sentimentos. a partir da adolescência. assimilando tudo para si e ao seu próprio ponto de vista. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. Dolle (1993). o indivíduo deverá equilibrar uma descoberta. estando o pensamento e a linguagem centrados na criança. pela sua própria estrutura mental. motivado e. A criança vai usando o sistema. A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função da experiência e que terá caráter imediato. O processo de desenvolvimento mental é lento. e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre os objetos de modo a descobrir propriedades e relações que são abstraídas de suas próprias ações. 24 . A adaptação do sujeito vai ocorrendo. A aprendizagem é sempre provocada por situações externas ao sujeito. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. uma ação com outras ações. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. isto é. instigado. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. Piaget afirma que. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. fica curioso. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. é um processo ativo de auto-regulação. através de assimilações e acomodações. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. Com sucessivas aproximações. A base do processo de equilibração está na assimilação e na acomodação. é também possível graças à atividade do sujeito. mediante experiências. de maneira que é necessário investigar. Segundo ele. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. Para Piaget. promove a reversibilidade do pensamento. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. a lógica. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém”. e período da inteligência operatório-formal. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. Ela poderá ser: experiência física . através de estágios diferentes um do outro. embora seja estimulado pelo objeto. A educação é um processo necessário. comer com colher. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. o falante passa por pensamento autístico. uma suposta falta no conhecimento. até o pensamento formal. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. lógico-dedutivo. A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. Por isso. Para que esta adaptação se torne abrangente. fala egocêntrica para atingir o pensamento lógico. com maior facilidade utiliza a mamadeira. construindo acomodações e assimilações. é o produto das ações do sujeito sobre o objeto. a moral. uma criança que já construiu o esquema de sugar. para a criança adquirir pensamento e linguagem. ela já tem esquemas assimilados. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. resulta da coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e da tomada de consciência dessa coordenação. Piaget chamou de acomodação. etc. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. a criança vê o mundo a partir da perspectiva pessoal. sejam eles do mundo físico ou cultural. ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora. tanto intelectual como moral. Também será mais fácil para essa criança. Essas duas experiências estão inter-relacionadas. que Piaget destaca. supondo a atuação do sujeito sobre o meio. partindo do individual para o social. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. interesses e valores. uma é condição para o surgimento da outra. Diante de um estímulo. No processo de egocentrismo. o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. deve passar por várias fases de desenvolvimento psicológico. Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente. sendo o egocentrismo o elo de ligação das operações lógicas da criança. mas terá que modificar o esquema para chupeta. ”A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. O que promove este movimento é o processo de equilibração. A cada adaptação constituída e realizada. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. período da inteligência operatória-concreta.comporta ações diferentes em função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre esses objetos para descobrir as propriedades que são abstraídas deles próprios.motivação. período da inteligência pré-operatória. o indivíduo pode olhar como desafio.

permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente). a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. rupturas. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. a criança interage com o meio regida pela afetividade. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. é um desenvolvimento conflituoso. A parte cognitiva social é muito flexível. Assim como Vygotsky. VYGOTSKY 25 . com seu mundo sócio-afetivo.TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE HENRY WALLON A criança. aparece a imitação inteligente.No início do desenvolvimento existe uma preponderância do biológico e após o social adquire maior força. isto é. os significados próprios. As emoções intermediam sua relação com o mundo. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. suas condições de existência. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. Esta redução do sincretismo e o estabelecimento da função categorial dependem do meio cultural no qual está inserida a criança. que emerge da imitação motora-gestual ou motricidade emocional. mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”. Do estágio sensório-motor ao projetivo (1 a 3 anos). é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. Neste estágio predominam as relações cognitivas da criança com o meio. isto é. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. sendo este descontínuo e. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. porém. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. contradição. podendo voltar-se para a imitação de cenas e acontecimentos. a criança voltase a questões pessoais. no estágio personalístico. exploração e conhecimento do mundo social e físico. Essa é a forma pela qual a criança se desloca da inteligência prática ou das situações para a inteligência verbal ou representativa. a criança está voltada novamente para si própria. tornando-se habilitada à representação da realidade. a qual constrói os significados diferenciados que a criança dá para a própria ação. O autor estudou a criança contextualizada. tautologia e elisão. sofre crises. como um movimento que tende ao crescimento De acordo com GALVÃO no primeiro ano de vida. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. forma-se uma ponte entre formas concretas de significar e representar e níveis semióticos de representação. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". Pela imitação. No simulacro. as ações da criança não mais precisarão ter origem na ação do outro. A criança. Segundo GALVÃO (2000). Antes do surgimento da linguagem falada. morais. conflitos. que é a imitação em ato. Para isso. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. predominam as atividades de investigação. assim como Piaget. Dos 3 aos 6 anos. para ele. No estágio da adolescência. Durante esse período. via expressões tônicas. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. Nessa fase. por isso. A criança começa a negociar. A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os elementos para evoluir. Ainda conforme GALVÃO é nesse estágio que se intensifica a realização das diferenciações necessárias à redução do sincretismo do pensamento. No estágio sensório-motor. lentamente. Os fenômenos típicos do pensamento sincrético são: fabulação. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. Imitando. Na gênese da representação. Aos 6 anos a criança passa ao estágio categorial trazendo avanços na inteligência. definido pela simbiose afetiva da criança em seu meio social. sofisticar. construindo suas próprias emoções. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. a criança desdobra. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE LEV S. ela vai “desprender-se” do outro. para Wallon. Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. não existindo linearidade no desenvolvimento. Wallon acredita que o social é imprescindível. a criança coloca-se em oposição ao outro num mecanismo de diferenciar-se. o estágio impulsivo-emocional. por pelo menos três anos. Este salto qualitativo da passagem do ato imitativo concreto e a representação é chamado de simulacro. retrocessos. predominando a afetividade. através da ação e interpretação do meio entre humanos.

Estes elementos de mediação são os signos e os instrumentos. memória lógica. Durante esse processo. generalizante. Essa teoria apóia-se na concepção de um sujeito interativo que elabora seus conhecimentos sobre os objetos. sendo capazes de transformar o funcionamento mental. Esse impulso é dado pela inserção da criança no meio cultural. que une a natureza ao homem e cria. atingindo a fala interior que é pensamento reflexivo. Segundo Vygotsky. Para ele. no nível social (entre pessoas.Para Vygotsky. Os significados das palavras fornecem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. exige-se o planejamento. a criança torna-se capaz de atuar sobre suas próprias ações por meio da fala. Os sistemas simbólicos organizam os signos em estruturas. Porém. A relação entre homem e mundo é uma relação mediada. A internalização é relacionada ao recurso da repetição onde a criança apropria-se da fala do outro. Essas duas mudanças são essenciais e evidenciam o quanto são importantes as relações sociais entre os sujeitos na construção de processos psicológicos e no desenvolvimento dos processos mentais superiores. Esta fala interior. Signos e palavras são para as crianças um meio de contato social com outras pessoas. Nas interações cotidianas. é a forma de linguagem interna. formação de conceitos. é na interação com outros sujeitos que formas de pensar são construídas por meio da apropriação do saber da comunidade em que está inserido o sujeito. no nível individual (no interior da criança. tornem-se estruturas básicas de seu próprio pensamento. da mesma forma. a criança tem a capacidade de resolver problemas práticos (inteligência prática). Vygotsky destaca a importância da cultura. de fazer uso de determinados instrumentos para alcançar determinados objetivos. entre o homem e o mundo existem elementos que auxiliam a atividade humana. Os signos também auxiliam nas ações concretas e nos processos psicológicos. assim. sempre mediado por significados fornecidos pela linguagem. o desenvolvimento caminha do nível social para o individual. duas vezes: primeiro. é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal. estas são complexas e articuladas. ao mesmo tempo que a criança passa a entender a fala do outro e a usar essa fala para regulação do outro. em um processo mediado pelo outro. A fala para si mesma assume a função autoreguladora e. Os signos internalizados são compartilhados pelo grupo social. ocorrem duas mudanças qualitativas no uso dos signos: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. Pensamento e linguagem associam-se devido à necessidade de intercâmbio durante a realização do trabalho. tornando-a sua. que é dirigida ao sujeito e não a um interlocutor externo. Sendo assim. sociais e históricas. na interação com adultos mais capazes da cultura que já dispõe da linguagem estruturada. passando pela fala egocêntrica. o homem se produz na e pela linguagem. Vygotsky chama isto de fase pré-verbal do desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. desenvolve a atividade coletiva. as relações sociais e a utilização de instrumentos. A fala interior não tem a finalidade de comunicação com outros. que é a família. Por volta dos 2 anos de idade. a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem. depois. planejem uma solução para um problema e controlem seu comportamento. As funções psicológicas superiores aparecem. o pensamento e a linguagem iniciam-se pela fala social. Esta vai usando a fala de forma a afetar a ação do outro. isto é. antes dessa associação. Os instrumentos são utilizados pelo trabalhador. etc. O conhecimento tem gênese nas relações sociais. Para Vygotsky. O trabalho humano. assim como os instrumentos. a comunicação social. No início do desenvolvimento. a criança nasce inserida num meio social. A capacidade humana para a linguagem faz com que as crianças providenciem instrumentos que auxiliem na solução de tarefas difíceis. na qual. se desenvolve mediante um lento acúmulo de mudanças estruturais. no contexto das situações imediatas. e o pensamento torna-se verbal. um objeto social. a fala do outro dirige a ação e a atenção da criança. sendo produzido na intersubjetividade e marcado por condições culturais. com função simbólica. sendo assim. a fala da criança torna-se intelectual. e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. portanto. Desta maneira. A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e pessoais. ou seja. signos são meios que auxiliam/facilitam uma função psicológica superior (atenção voluntária. ou seja. sendo 26 . no nível intrapsicológico). a ação coletiva. ela começa a falar para si mesma. fazendo com que as estruturas de fala que a criança já domina. as formas de mediação permitem ao sujeito realizar operações cada vez mais complexas sobre os objetos. exige-se a utilização de instrumentos para transformar a natureza e. no nível interpsicológico) e. como diz VYGOTSKY (1987). o surgimento da fala egocêntrica indica a trajetória da criança: o pensamento vai dos processos socializados para os processos internos. para ele. ou discurso interior. ampliando as possibilidades de transformar a natureza.). Segundo Vygotsky. A fala interior. Para Vygotsky. no desenvolvimento da criança. Como visto. permitindo o aprimoramento da interação social e a comunicação entre os sujeitos. então. o grupo cultural fornece ao indivíduo um ambiente estruturado onde os elementos são carregados de significado cultural. constitui-se como uma espécie de “dialeto pessoal”. a cultura e a história do homem.

Causa ansiedade nas crianças expectadoras por nada poderem fazer para ajudar o colega agredido. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. Por isso. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras idéias que completa a idéia central. c) Segundo Vygotsky (1987). é fundamental que as práticas pedagógicas trabalhem no sentido de esclarecer a importância da fala no processo de interação com o outro. Quando o professor. É apenas pela relação da criança com a fala do outro em situações de interlocução. através da assistência e auxílio do adulto. Esse comportamento. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional. Ele explica esta conexão entre desenvolvimento e aprendizagem através da zona de desenvolvimento proximal (distância entre os níveis de desenvolvimento potencial e nível de desenvolvimento real). constituindo-se em um movimento contínuo de vaivém do pensamento para a palavra e vice-versa. Temos de levar em consideração que as crianças que assistem a esses episódios agressivos tendem a experimentar sensações como o medo e a ansiedade. e o nível de desenvolvimento potencial. Desta forma. no início. se utilizando a mediação. A preocupação fica ainda maior quando nos remete o fato de que a escola é um local onde as crianças estão para aprender regras e valores. ajudando à criança a superar suas capacidades. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. para com os colegas ou até mesmo com os professores. a agressividade não aparece só em escolas públicas. através dos “porquês” e dos “como”. E uma vez o comportamento aprendido. Lima (1990). pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. Comportamento agressivo na escola vem se tornando um dos vários fatores que atrapalham a aprendizagem atualmente. que sejam professores. quando apresentado por crianças. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. inclusive na escola. são sempre palavras do outro. Esse processo passa por transformações que. mas. Todo e qualquer processo de aprendizagem é ensino-aprendizagem. ou por outra criança mais velha. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. que. para em seguida. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. Os estudantes podem ter em casa um modelo de solucionar problemas de forma agressiva ou explosiva. VYGOTSKY diz que o pensamento nasce através das palavras. já que não são somente as crianças que praticam ou sofrem agressões que se prejudicam nesse caso. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. consegue chegar à zona de desenvolvimento proximal. Segundo VYGOTSKY (1989). aparece também nas escolas particulares. AGRESIVIDADE E APRENDIZAGEM O crescente aparecimento de comportamentos agressivos nas escolas tem cada vez mais preocupado pais e principalmente professores.fragmentada. aquele que ensina e a relação entre eles. abreviada. sendo que a linguagem funciona como mediador”. DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DESENVOLVIMENTO REAL PARA VYGOTSKY Para Vygotsky (1987). A relação entre pensamento e palavra acontece em forma de processo. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio-histórico da espécie. costuma estar relacionado a problemas familiares. a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber. incluindo aquele que aprende. É importante afirmar que não estamos falando somente de agressões físicas. chegar a dominá-los por si mesma (nível de desenvolvimento potencial). Do mesmo modo que não se vê diferença entre as escolas da área rural e urbana nesse aspecto. com maior propriedade. ou seja. pois tal atitude penderia para fazer da criança delatora 27 . tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio-interacionista. um “espaço dinâmico” entre os problemas que uma criança pode resolver sozinha (nível de desenvolvimento real) e os que deverá resolver com a ajuda de outro sujeito mais capaz no momento. visuais e reais. ele poderá ser reproduzido em todo lugar. do conhecimento. aquele momento. em si mesmas. que a criança se apropria das palavras. mais tarde poderá realizar sozinha. estamos tratando também de falas e atitudes hostis.

Neste sentido. 1999). Isto quer dizer que o aluno tem o direito de participar das atividades de planejamento. antecedentes familiares e condições socioeconômicas. Em outros casos mais agravados. Cabe ao educador respeitar e despertar a curiosidade dos seus educandos.). podem influenciar notavelmente não só no aprendizado dos conteúdos ou habilidades dos alunos. os alunos terão apatia ou simpatia pela disciplina que ele leciona. formas imaginárias. e a qualidade de nossa relação com os alunos podem ser determinantes para conseguir nosso objetivo profissional. a ênfase na emoção e na afetividade humana imprime ao professor a essência humanizadora de seu próprio ser. o professor que ironiza o aluno que o minimiza. agir e refletir. sociabilidade. em alguns casos é viável fazer um trabalho psicológico com o aluno agressivo. O professor que desrespeita a curiosidade do educando. Uma influência específica vem da relação do professor com os alunos (disponibilidade. o aluno deve manifestar livremente suas opinião e até mesmo ser estimulado a fazê . Essas sensações descritas não são adequadas para um ambiente de aprendizado. Cabe. auxiliando-o a lidar com os problemas em casa e dessa forma fazendo com que a agressividade diminua.lo sem medo de ser ignorado e/ou contrariado pelo professor. mas somente se estiver pautada na realidade concreta e iluminada pela esperança de 28 . eu me limito a ensinar. etc. relaciono-me com os alunos apenas fora da classe [. execução e avaliação das matérias escolares. Segundo Tisatto e Simadon (2002). interesse manifestado por todos os alunos. Vive-se em relação com as outras pessoas nas diversas esferas da vida. os métodos utilizados na sala de aula. Sendo assim. descartar a frase: “na sala de aula. AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM Somos profissionais do ensino. tais como constituição física. Assim. Ser educador requer muita responsabilidade. é necessária a mudança da prática educativa visando à formação do aluno e promovendo a sua participação: ver o aluno como um sujeito social com direitos e deveres. o sucesso da aprendizagem se caracteriza como resultado da afetividade por parte do professor.]” Quando o professor interage com os alunos de maneira afetiva. Se levar em consideração que os alunos possuem características comuns. É no respeito às diferenças das crianças e na condução adequada de formas de tratamento a todos com igualdade. construindo uma relação interativa com os alunos. carinho. oportunizando o acesso e a construção do conhecimento..o próximo alvo.Uma relação afetiva com os seus alunos. se faz necessário um trabalho de parceria da escola com a família. mas também características diferenciadas entende-se que as características comuns são a manifestação pelo desejo de aprender e a expectativa de que a escola possa melhorar sua vida. As crianças. Para que seu trabalho seja realizado com amor. os exercícios. a sua linguagem. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE 1999).). quando as crianças chegam à escola. toda a turma sai prejudicada por essas circunstâncias. precisam da ajuda do professor para uma interação com a escola e com outras crianças. de interpretar o que está ao seu redor. a aprendizagem se torna intencionalmente significativa. mas também em suas atitudes. Muitas vezes. E grande parte das crianças sente medo de passar por tal situação. amor e afeto que o aluno terá sucesso na aprendizagem cognitiva. respeito e afeto. quer se pretenda conscientemente quer não. para que desse modo todos possam compartilhar suas dificuldades e dúvidas. assim. nível intelectual. com relação à matéria. temperamento. etc. paciência. Pelo contrário. nossa tarefa é ajudar os alunos em seu aprendizado. Como se pode perceber.. ao estudo. o professor estará respeitando o aluno. não implica diminuir a autonomia docente em sala de aula. onde possam existir trocas de experiências. precisam ser recebidos com amor. a sua inquietude. que manda que ‘ele se ponha no seu lugar (. e de como eles podem agir para reverter à situação. Conforme o professor se apresenta e ministra suas aulas. buscamos seu êxito e não seu fracasso. mais do que ninguém. as práticas. Por outro lado. as características diferenciadas englobam alguns fatores. de maneira participativa e afetiva.. Para que a escola possa orientar os pais sobre como o comportamento da criança na escola pode ser reflexo do comportamento da família em casa. Para solucionar ou amenizar o problema. boa preparação das aulas. cada uma com maneiras diferentes de perceber.. mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia. assim como a respeito de si mesmos (MORALES. Saber lidar com elas é uma arte necessária ao sucesso de qualquer atividade humana. é preciso que este profissional esteja se identificando e se sinta realizado em sua profissão. “todas as pessoas são merecedoras da confiança. O professor precisa saber buscar. porque sua realização como pessoa não poderá construir-se estando embasada em ilusões. Para Werneck (2002): É preciso que ele ame o que faz e o espaço físico em que trabalha. aparência. e ao trabalho. sem perder sua autonomia. Concretizar tudo isso não é fácil. comprometimento e muito amor pelo que faz. o seu gosto estético. ensinar e aprender. da amizade e do respeito dos outros”. evidentemente. Além disso.

O jogo e a brincadeira são. estimulando o pensamento. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. integra percepções. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola. O APRENDER ATRAVÉS DO BRINCAR O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. Portanto. não a percorremos sozinhos. por si só. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. seleciona idéias. estabelece relações lógicas. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. respeito mútuo e democracia. criando um clima de entusiasmo. compreensão. A escola deve facilitar a presença dos pais no cotidiano escolar porque uma escola não se faz de paredes. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. LUDICO E APRENDIZAGEM O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. mas de pessoas e ideais compartilhados. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. simpatia. Ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano. ou seja. e neste sentido. a socialização. confiança em si mesmo e certeza de que a estrada é longa e que. A escola que cria um clima de afeto. As regras e a imaginação favorecem a criança comportamento além dos habituais. vai se socializando. o pensamento. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. capaz de gerar um estado de vibração e euforia. a criança forma conceitos. Através deles. ou seja. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa. Esta relação afetiva constitui incentivo para o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva. um lugar onde todos compartilhem suas experiências e opiniões proporcionam o envolvimento de todos os segmentos que dela fazem parte. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. mas também requerem um esforço voluntário. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total. A ludicidade. satisfazem uma necessidade interior.que é possível mudar. com as pessoas e com os objetos. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. Caso achasse confinada a sua origem. a iniciativa e a auto-estima. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. que através do “faz-de-conta” são reelaboradas criativamente. Em geral. Sendo uma atividade física e mental. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. contudo. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. a criança desenvolve a linguagem. Assim. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. 29 . O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. Ele é considerado prazeroso. É importante que o educando seja orientado e motivado para a busca efetiva da construção do conhecimento. vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real. O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. Através da atividade lúdica e do jogo. A participação da família também é muito importante para o sucesso e faz parte integrante desse processo. uma situação de aprendizagem. tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. ao movimento espontâneo. a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. ao brincar. as atividades lúdicas são excitantes. o que é mais importante. Várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança.

a sala de aula é apresentada como coisa séria. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. além do tateio. pode-se constatar que estar motivado é estar animado. animação. as faculdades intelectuais. Qualquer coisa que se faça na vida. que envolvam os alunos e o conhecimento. Nesta. brinquedos e brincadeiras. ao invés de aproveitarem como instrumento facilitador da aprendizagem. O professor deve descobrir estratégias. longe dos gostos das crianças. que é a maneira privilegiada de contato com o mundo. maior será o material disponível e acessível a sua imaginação. MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM Atualmente a motivação dos alunos para a aprendizagem é o centro das atenções no processo educaticional. 2004). Isso também ocorre na educação. Segundo o dicionário Silveira Bueno. pelos quais o mundo tem seus limites ultrapassados: a criança cria o mundo e a natureza. A impressão que tivemos. senão nada acontece. de imaginação. O mundo da fantasia. quebra-cabeça. é necessário ter motivos para se chegar a esse estado. com o silencio e a organização na sala de aula. O brincar se resume em ouvir histórias ou cantar algumas músicas. não apenas nos aspectos físicos ou emocionais. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente. ela se cria e se transforma. a criança sadia possui a capacidade de agir sobre o mundo e os outros através da fantasia. pintura. ela está livre para explorar. No jogo. neste momento. envolvimento e dedicação e muitos não estão dispostos a sair de suas posições cômodas. é necessário primeiro a vontade de realizá-la. as vivências da criança com os jogos. psíquicos e motor. Eles devem ter em mente que o jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos. o rigor e a disciplina são mantidos em nome dos padrões institucionais. para autocontrolar suas atividades. reflexivo e sistemático que depende do despertar das potencialidades do educando. nesse caso. recursos para fazer com que o 30 . tais como. proporcionando uma aprendizagem de qualidade.Segundo Redin (2000): A criança que joga está reinventando grande parte do saber humano. Os professores estão mais preocupados com o conteúdo. Além do valor inconteste do movimento interno e externo para os desenvolvimentos físicos. A hora do recreio e a hora da saída se tornam os únicos momentos em que as crianças desnudam da responsabilidade da escola para permitir-se brincar e ser criança. jogo de memória e a educação física. Os educadores e pais devem estar cientes que brincar só faz bem para a criança. é que o lúdico e o brincar estão mais presentes na educação infantil do que nas séries iniciais. brincadeiras livres com brinquedos e atividades no parquinho da escola. da imaginação e do simbólico. da imaginação. utilizando suas potencialidades de maneira integral. a iniciativa individual. muitas vezes é reforçada com respostas imediatas de sucesso ou encorajada tentar novamente. não permitindo espaço para o divertimento. se da primeira alternativa não obteve o resultado esperado. a vontade de aprender. Através das observações e da prática em sala de aula. além de prazeroso também é um mundo onde a criança está em exercício constante. há o APRENDIZADO. que haja a VONTADE. inicialmente. Cabe ao educador propor atividades que promovam essa motivação. o que torna o ambiente infantil artificial. Já nas séries iniciais geralmente são utilizados os jogos educativos. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. testar hipóteses. mas. As crianças estão sempre dispostas a jogar e brincar. constatamos que os jogos e brincadeiras mais freqüentes na educação infantil são: massinha de modelar. o forma e o transforma e. de criatividade. de maneira sozinha ou com a ajuda do educador. daí a necessidade do professor ampliar. Educação requer Ação e como resultado dessa ação. ao contrário. rodas e cantigas. a coordenação muscular. Pois trabalhar de forma lúdica exige mais tempo. Mas o que pudemos observar nas realizações dos estágios. explorar toda a sua espontaneidade criativa. sabendo que eles trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. do jogo. favorecendo o advento e o progresso da palavra. os brinquedos e as brincadeiras são atividades fundamentais nas áreas de estimulação da educação infantil e nas séries iniciais. pois ao brincar se sente livre para criar e recriar o mundo ao seu modo. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. brincar e/ou jogar com seus próprios ritmos. entusiasmado. uma vez que este reconhece que a aprendizagem é um processo pessoal. sobretudo no aspecto intelectual. Os jogos. brincadeiras e/ou jogos que são necessários para as crianças. e que ela desenvolve. Segundo Santos (2000): Educadores e pais necessitam ter clareza quanto aos brinquedos. contar histórias. jogos matemáticos. Estimula o crescimento e o desenvolvimento. Através dessas definições. e é uma das formas mais natural e prazerosa no processo de aprendizagem. num lugar onde as crianças sintam prazer pelo ato de aprender. motivação quer dizer exposição de motivos ou causas. entusiasmo. foi que os professores das séries iniciais afastam o lúdico da vivência dos alunos em sala de aula. Mas para que se realize a ação e esta resulte no aprendizado é necessário. A ludicidade deve permear o espaço escolar a fim de transformá-lo num espaço de descobertas. do brinquedo e da brincadeira. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. enfim. Para isso. Quanto mais rica for à experiência pela criança. cada vez mais. amadurece e aprende ao mesmo tempo.

respeitando a sua vida social. Se conseguir fazer com que o aluno passe de um nível para outro. 1999) A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. segundo a autora. • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. interior à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento. estejam ligados à realidade do aluno. claros e disponíveis na estrutura cognitiva. quer na sua qualidade. visando resultados esperados e compreendidos. A abordagem cognitivista diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa. estilo e ritmo. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Em outras palavras. estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem. promovem a educação. • Procurar elevar a auto-estima do aluno. psicossociais e culturais. Por isso a ação educativa da escola deve propiciar ao aluno oportunidades para que esse seja induzido a um esforço intencional. ou seja. em outras palavras. respeitando-o e valorizando-o. • Mostrar-se disponível para o aluno. mesmo que a aprendizagem ocorra na intimidade do sujeito. envolvendo aspectos cognitivos. de uma série de condições internas e externas ao sujeito. sendo assim assimilado. então terá registrado um processo de aprendizagem. É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem. bem como da transferência destes para novas situações. processa-se quando um novo conteúdo (idéias ou informações). Ao aprender o sujeito acrescenta aos conhecimentos que possui novos conhecimentos. Porque. DESENVOLVIMENTO A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores. Dessa forma a aprendizagem numa perspectiva cognitivoconstrutivista é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental. Embora haja discordâncias entre os estudiosos. podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa. No entanto. etc. que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente. ou seja. orgânicos. Cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais. Como por exemplo: • Dar tratamento igual a todos os alunos. incluir temas que tenham relação. com seus colegas e com os próprios professores. a sua história de vida. isto é. o conceito de aprendizagem não é tão simples assim. • Aproveitar as vivências que o aluno já tem e traz para a escola no momento de montar o currículo. Tal processo compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura. tentativas e erros. relaciona-se com conceitos relevantes. mostrar que ele pode contar sempre com o professor. estável e organizada de forma adequada. • Ser paciente e compreensivo com o aluno. O processo de aprendizagem é pessoal. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. ensino. emocionais. No nível social podemos considerar a aprendizagem como um dos pólos do par ensino-aprendizagem. sendo resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras. cada pessoa aprende a seu modo. Há diversas possibilidades de aprendizagem. fazem parte de um todo que depende. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias. o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. quer na sua natureza. tendo a vantagem de poder consolidar conhecimentos novos. que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento. Já a aprendizagem significativa. mas como todo produto é indissociável de um processo. Através dela o sujeito 31 . cuja síntese constitui o processo educativo. complementares e relacionados de alguma forma. De acordo com Bock o processo de organização das informações e de integração do material à estrutura cognitiva é o que os cognitivistas denominam aprendizagem. O principal objetivo da educação é o de levar o aluno com um certo nível inicial a atingir um determinado nível final. descobertas.aluno queira aprender. para a Psicologia. há diversos fatores que nos leva a aprender um comportamento que anteriormente não apresentávamos um crescimento físico. Bock destaca que a aprendizagem mecânica refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva. familiar. inclusive os objetivados como instituições que. fazendo ligações àqueles já existentes. (BOCK. E durante o seu trajeto educativo tem a possibilidade de adquirir uma estrutura cognitiva clara. idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens. específica (escola) ou secundariamente (família).

A motivação é um fator que deve ser equacionado no contexto da educação. na motivação está incluído o objeto que aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade.histórico exercita. Assim. adquire então relevo especial – além da análise do processo de comunicação – análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e. uma vontade ou uma predisposição para agir. ou seja. um interesse. um desejo. Desejar saber deve passar a ser um estilo de vida. dos erros. Ao sentir-se motivado o individuo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto. Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai a criança. Uma compreensão plena e verdadeira do pensamento de outrem só é possível quando entendemos sua base afetivo-volutiva. ter a disposição. Para Vygotsky. nossos interesses e emoções. usa utensílios. na concepção Vygotskyana. nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. Nas situações escolares. a intenção e a motivação suficientes. Propiciando a descoberta. Vygotsky diz ainda que o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação. uma atitude que garanta o desejo mais duradouro de saber. a decidir a sua prossecução e o seu termo A motivação é. uma intenção. entretanto. às estratégias e às destrezas necessárias. tendo grande importância na análise do processo educativo. a análise qualitativa das “estratégias”. intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio. Segundo Vygotsky uma vez admitido o caráter histórico do pensamento verbal. seus professores e colegas. principalmente. está sempre um organismo que apresenta uma necessidade. a necessidade e o objeto de satisfação. desenvolver nos alunos uma atitude de investigação. relação e motivação. O aluno deve ser desafiado. A motivação é um processo que se dá no interior do sujeito. para isso é necessário “querer” fazê-lo. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação. Segundo a concepção de Vygoysky se a aprendizagem está em função não só da comunicação. na base da motivação. o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata. por nossos desejos e necessidades. Bruner é defensor desta proposta. estando. o que faz referência às capacidades. Com isso entende-se que o desenvolvimento do individuo é um processo que se dá de fora para dentro. (PAÍN. a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente. o que o leva a iniciar uma ação. Bock. mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala. aquilo do que ela gosta. aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. Diante desse contexto percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa. de querer saber sempre. prender a atenção. utilizando o que a criança gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino. para que deseje saber. mas também do nível de desenvolvimento alcançado. 2. Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração. do processo de generalização. cita algumas sugestões de como criar interesses: 1. portanto. para as teorias de aprendizagem e ensino. Não há como aprender e apreender o mundo se não tivermos o ouro. por fim. A autora Bock (1999) destaca que a motivação continua sendo um complexo tema para a Psicologia e. seduzir o aluno. a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. devemos considerá-lo sujeito a todas as premissas do materialismo histórico. que são válidas para qualquer fenômeno histórico na sociedade humana. Trata-se de compreender como funcionam esses mecanismos mentais que permitem a construção dos conceitos e que se modificam em função do desenvolvimento. A relação do individuo com o mundo está sempre medida pelo outro. ciência e tecnologia. encantar. a orientá-la em função de certos objetivos. E. como modo de privilegiar seus interesses. também. Para ter bons resultados acadêmicos. Pode-se afirmar que a aprendizagem acontece por um processo cognitivo imbuído de afetividade. o que conduz à necessidade de integrar tanto os aspectos cognitivos como os motivacionais. um trabalho de atrair. e uma forma de criar este interesse é dar a ele a possibilidade de descobrir. Motivar passa a ser. que o aluno “fique a fim” de aprender. os alunos necessitam de colocar tanta voluntariedade como habilidade. para aprender é imprescindível “poder” fazê-lo. 1985) Assim. sendo que o meio influencia o processo de ensino-aprendizagem. portanto. Veja bem. Por trás de cada pensamento há uma tendência afetivo-volitiva. Essa atitude pode 32 . aos conhecimentos. procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível. A motivação apresenta-se como o aspecto dinâmico da ação: é o que leva o sujeito a agir. o processo que mobiliza o organismo para a ação. particularmente. A preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais. isto é. Isso significa que. Vygotsky defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa. fabrica e reza segundo a modalidade própria de seu grupo de pertencimento.

utilizando para tal métodos adequados e um currículo bem estruturado.ser desenvolvida com atividades muito simples. o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e. o aluno se dedica às tarefas inerentes até se sentir satisfeito. a competência a qualquer custo e a escola também segue esta concepção. a partir daí. torna-se comum o surgimento em todas 33 . 3. proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. descobrir. O desejo de realização é a própria motivação. supõe-se algo que deveria ser atingido. SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudados e discutidos. Não deve expurgar a responsabilidade de um fracasso escolar. que não desafiam. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. 5. pois ensinar está relacionado à comunicação. Quando se fala em fracasso. orgânicos. O propósito é discuti-lo como um elemento resultante da integração de várias “forças” que englobam o espaço institucional (a escola). Por meio dessa necessidade. São os conhecimentos que o aluno já possui que influenciam o comportamento do aluno em cada momento. ora todo um sistema econômico. Alicia Fernández nos lembra que “a culpa. emocionais. está no nível imaginário” O contrário da culpa é a responsabilidade. ora a família. O aluno não “fica a fim”. assim um aluno está motivado quando sente necessidade de aprender o que está sendo tratado. levam à perda do interesse. e tarefas fáceis. . o espaço das relações (vínculos do ensinante e aprendente). psicossociais e culturais.. considerando-o como peça resultante de muitas variáveis. 4. é necessário poder sair do lugar da culpa. É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. Porém mau êxito em quê? De acordo com que parâmetro? O que a nossa sociedade atual define como sucesso? Daí a necessidade de analisar o fracasso escolar de forma mais ampla. Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. Porém. Os conhecimentos que o aluno apresenta e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos. uma ruína. Essas observações sistematizadas vão gerar duvidas (por que as coisas são como são?) e aí é preciso investigar. aprendizagem é também motivação. percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança. envolvendo aspectos cognitivos. Não é difícil para o professor estar sempre retomando em suas aulas a importância e utilidade que o conhecimento tem e poderá ter para o aluno. ora uma determinada classe social. O professor deve descobrir estratégias. Os exercícios e tarefas deverão ter um grau adequado de complexidade. Ao estimular o aluno. por isso é necessário conhecer como o professor ensina e entender como o aluno aprende. recursos para fazer com que o aluno queira aprender. Compreender a utilidade do que se está aprendendo é também fundamental. Somos sempre “ a fim” de aprender coisas que são úteis e têm sentido para nossa vida. o educador desafia-o sempre. que começam pelo incentivo á observação da realidade próxima ao aluno – sua vida cotidiana . A estrutura cognitiva do aluno tem que ser levada em conta no processo de aprendizagem. de fácil compreensão. Para ser responsável por seus atos. A sociedade busca cada vez mais o êxito profissional. assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços. o considerar-se culpado.As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado. Mas será que existe mesmo um culpado para a nãoaprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo. não esquecendo do papel fundamental que a motivação apresenta neste processo.Não há aprendizagem sem motivação. a família e a sociedade em geral. nunca uma única pessoa pode ser culpada. para ele. Falar ao sempre numa linguagem acessível. os objetos que fazem parte de seu mundo físico e social. O professor deve utilizar as estratégias que permitam ao aluno integrar conhecimentos novos. que geram fracasso. Tarefas muito difíceis. se ela é um processo que ocorre entre subjetividades.É necessário refletir sobre o que é o conhecimento e perceber que é algo de complexo que deve ser entendido como um processo de construção e não como um espelho que reflete a realidade exterior. Assim. a sentir e a agir. em geral. só assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar. onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. A busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos. Conclusão: A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. político e social. uma vez que disponibiliza os recursos para a aptidão. bem como da transferência destes para novas situações. captando a atenção do aluno. Ele é definido por um mau êxito.

Em seu livro. etc. Porém. ocorre. o acesso a diversas formas de cultura (cinema. isolado. computador. mitos relativos à aprendizagem muitas vezes levam muitos ao fracasso. uma alimentação adequada. e que necessitam de um raciocínio matemático eles vão muito bem. Perde-se o sujeito.instituições educativas de “crianças problemas”. A sociedade do êxito educa e domestica. As atividades visam à assimilação da realidade e não possibilitam o processo de autoria do pensamento tão valorizada por Alicia Fernández. analisando a história de vida do sujeito e buscando uma significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender. etc). ao conceder este rótulo à criança. propiciando um espaço para a autoria de pensamento. ele passa a ser sua dificuldade. O sujeito pode estar em dificuldades de aprendizagem por ter ligado este fato a uma situação de desprazer. A aprendizagem tem um caráter subjetivo. Quando se fala em “famílias possibilitadoras de aprendizagem” tem-se uma tendência a excluir as famílias de classes baixas já que estas não podem fornecer uma qualidade de vida satisfatória. conhecimento e informação. ele pode assumir. Este caráter informativo da educação se manifesta até mesmo nos livros didáticos. Seus valores. Entretanto é possível a existência de facilitadores de autoria de pensamento mesmo convivendo com carências econômicas. Em nosso sistema educacional. nos quais o aprendente é levado a memorizar conteúdos e não a pensá-los. Ou seja. é necessário conceituar aquilo que viria a ser seu oposto: a aprendizagem. Isso não é apenas uma diferença terminológica. É importante lembrar que o desejar é o terreno onde se nutre a aprendizagem. pois implica no inconsciente. cursos. Claparéde diz que a escola pode provocar na criança conflitos que influenciarão seu gosto pelo aprender. cotidianas. pela ação sobre ele. ao valorizar a inteligência. daquilo que ela reflete em termos do sistema em que se insere. Na escola os alunos vão mal. A família. ou seja. mas sim dentro de um contexto muito mais amplo e repleto de significados. podemos definir aprendizagem como uma construção singular que o sujeito vai fazendo a partir de seu saber e assim ele vai transformando as informações em 34 . uma função. disléxicas. agressivas. portanto entre subjetividades. pois o aprender implica em desejo que deve ser reconhecido pelo aprendente. ela revela uma possibilidade de mudança. já que os pais são os primeiros ensinantes e as atitudes destes frente às emergências de autoria do aprendente. Outra questão referente à escola é que esta. Para aprender. Esses problemas tornam-se parte da identidade da criança. Também contribuem para o fracasso escolar a própria instituição educativa que muitas vezes não leva em consideração a visão de mundo do aprendente. Aprender passa pela observação do objeto. por sua vez. Já mencionamos que a aprendizagem é um processo vincular. A aprendizagem é a articulação entre saber. um sintoma não deve ser considerado de forma única. em termos de dificuldades. o ser humano coloca em jogo seu organismo herdado. não se observa em quais circunstâncias ela apresenta tais dificuldades (ele está assim e não é assim). na escola zero” que trata do ensino da matemática. A partir disso. As discrepâncias entre o desempenho fora e dentro da escola são significativas. teatro. o conhecimento é considerado conteúdo. O perguntar é possível e favorecido. muitas vezes os profissionais da educação não conseguem transpor o conhecimento ensinando para a realidade do aprendente. O que caracteriza estas famílias é a criação de um espaço favorável para que cada membro possa escolher e responsabilizar-se pelo escolhido. de “crianças fracassadas”. Desta forma. É preciso distinguir aquilo que é próprio da criança. se repetidas constantemente. irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos. ao passar pelo portão da escola. porém em situações naturais. APRENDIZAGEM X FRACASSO ESCOLAR: QUAL O LIMITE QUE OS SEPARA? Ao falarmos de fracasso escolar. Alicia Fernández cita uma pesquisa com famílias de classe baixa facilitadoras da aprendizagem. Além disso. Ela define como autoria “o processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção”. o conhecimento é o resultado de uma construção do sujeito na interação com os objetos (PIAGET) e o saber é a apropriação desses conhecimentos pelo sujeito de forma particular. hiper-ativas. se esquece da interferência afetiva na não aprendizagem. há facilidade de aceitar as diferentes opiniões e idéias. a criança assume o papel que lhe foi atribuído e tende a correspondê-lo. também é responsável pela aprendizagem da criança. dentro da família. que se dá no vínculo entre ensinante e aprendente. Condições estas que não são comuns em famílias produtoras de problemas de aprendizagem. segundo Maud Mannoni. seu corpo e sua inteligência construídos em interação e a dimensão inconsciente. pelo desejo. Assim acontece com o fracasso escolar. Esta situação pode estar ligada a algum acontecimento escolar. Esta última é o conhecimento objetivado que pode ser transmitido. própria dele. Isso pode ser exemplificado no livro: “Na vida dez. uma informação a ser transmitida. Daí a necessidade de buscar o significado do “não aprender”. não ocorrendo de fato uma aprendizagem. “O saber em jogo”. além de tentarmos analisar os fatores que contribuem para seu surgimento.

deixando sua marca como autor e vivenciando a alegria que acompanha a aprendizagem. 35 . com pelo menos um ano de atraso. e. revelam que as taxas decaíram. efetivando o pleno desenvolvimento de habilidades e competências em todos os componentes curriculares. os alunos que estão na idade correta auferiram nota média de 182 pontos. Para a obtenção do sucesso. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tem produzido um volume significativo de dados sobre os desempenhos dos alunos e os seus fatores associados. é de praticamente 48%. como docente. na avaliação de leitura. é o da qualidade. contra 177 da média nacional. pouco contribuem para o bom aprendizado dos estudantes. O grupo de alunos. distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança. tentando descobrir a função do não aprender. No Norte. acima da média nacional que é de 169. Os condicionantes do fracasso são diversos. sobressaem-se o seu universo familiar. A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem. mas também organizar metodologias para facilitar a aprendizagem e o desempenho escolar. Os dados de fluxo mostram que as chances de repetência são bem maiores no Nordeste e no Norte do país.aprendente. o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais.1%. portanto. é de magnitude considerável. Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família. inclusive em tarefas do cotidiano escolar. na região mais pobre (Nordeste) o número é de 43%. O segundo conjunto refere-se ao clima escolar. O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família. O terceiro refere-se à gestão da educação. Este processo se difere bastante do fracasso escolar que pode evidenciar uma falha nesta relação vincular ensinante. constituindo-se um sério problema para a educação. na segunda série. conforme a trajetória escolar. monitoramento e avaliação do trabalho docente e de seus resultados junto aos alunos. (FERNANDEZ. tentando também engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade. Em matemática. professores e funcionários escolares. de 19. A proporção nacional. em muitos casos são deficitárias. são necessárias ações claras e racionais de alcance de metas. Quase 11% dos alunos da região mais rica (Sudeste) refazem a primeira série. É preciso combater o fracasso escolar representado pela repetência. na primeira série do ensino fundamental é de 30. pelo abandono das salas de aula e pela reprovação ao final do ano letivo. o grupo sem defasagem obteve média de 189 pontos. ações que maximizam as chances de sucesso. Esses números são sinais de como as oportunidades educacionais estão distribuídas de forma não equânime. 1994). seja por falta de coordenação do trabalho docente. Os resultados do Saeb de 2003 mostram que cerca de 38% dos alunos.conhecimento. recentemente divulgados. incluindo desde a administração superior até a da escola propriamente dita. poderíamos pensar no papel de psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. Nessa etapa. ou seja. tenho um problema de ensinagem com ele”. Os números da educação no Brasil de 2003. É certo que o principal desafio da educação brasileira. qual a modalidade de aprendizagem da criança. mas eu. aos resultados das interações sociais e intelectuais entre alunos.8%. é fazer uma escuta particular do sujeito que possibilite não só encontrar as causas do não. Alicia Fernández diferencia fracasso escolar. uma diferença de 23 pontos.aprendizado. Relativamente às características dos alunos. Os estudantes com um ano de atraso obtiveram 166 pontos. O primeiro diz respeito à formação e atuação dos professores que. As avaliações educacionais têm constatado que são altas as taxas de repetência e baixos os níveis de aprendizado na educação básica. problema de aprendizagem e deficiência mental. para as próximas décadas. estão em situação de atraso escolar. constatava-se que mais de 50% dos alunos repetiam a primeira série do ensino fundamental. São ainda elevadas. Uma educação bem sucedida deve conjugar um fluxo escolar regular com o progresso cognitivo dos estudantes. acompanham e incentivam os seus filhos. não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado. na 4ª série do ensino fundamental. O problema de aprendizagem pode ser um sintoma de outros conflitos ou ainda uma inibição cognitiva. Esta é motivada pelo ingresso tardio da criança na escola. teve média de 158 pontos. Alicia Fernández fala de um enfoque clínico que significa preocupar-se com os processos inconscientes e não somente com a patologia. As evidências mostram que familiares mais escolarizados atribuem maior valor à educação. Em 1990. e a deficiência mental tem incidência pequena na população. seja por aspectos disciplinares. Escolas com clima degradado. Para ela no fracasso escolar “a criança não tem um problema de aprendizagem. Os condicionantes originados no ambiente escolar podem ser agrupados em três grandes conjuntos. Conclui-se que a diferença da medida de aprendizagem.

o desenvolvimento da capacidade dos estudantes em utilizar a linguagem escrita e ler. criatividade e neurose têm a mesma fonte de origem:os conflitos do inconsciente. educadores. Parando de brincar ao se tornar adulto. ela origina-se num conflito dentro do inconsciente. como não possui os meios de alcançar determinadas satisfações. Isto se dá. filósofos ou mesmo outros profissionais. que o levam. Para Sigmund Freud. composição de sinfonias musicais. são algumas das medidas. à solução do problema. Uma etapa necessária é a do letramento. o indivíduo cria para aliviar certos impulsos. é amplo e muitas vezes até controvertido. de cópia. poesias. É o ler para aprender. cujos líderes são M. desta forma. leitura e discussão de diversificados gêneros textuais. É a reconstrução do campo perceptivo do indivíduo. Algumas das principais evidências do Saeb revelam que o ensino de língua portuguesa centrado na evolução da capacidade de leitura dos estudantes obtém melhores resultados. mais precisamente. Os professores podem e devem iniciar mudanças em suas práticas docentes cotidianas para o alcance desse objetivo. como debate sobre textos de jornais e revistas. Práticas. o oposto de imitação. o indivíduo só aparentemente desiste desta grandiosa fonte de prazer. Segundo Freud. É urgente e imprescindível buscar obsessivamente a qualidade na Educação. É a tese da “catarsis criadora”. Este é um tema central de desenvolvimento da nação com impactos nas relações sociais e econômicas. seus fatores condicionantes. Esta habilidade modifica-se nas diferentes idades. textos de gêneros variados. definições operacionais. Melhorar os processos de alfabetização. tentando encontrar melhores explicações. a fluência na leitura. estabelecendo-se. O artista ou criador. conscientemente.A ação pública no setor educacional pode combater o fracasso minimizando efeitos não desejáveis de progressão escolar sem aprendizado. porque a noção de criatividade abrange um conjunto de fronteiras incertas. é a gratificação do seu próprio inconsciente inacessível. Koffka e W. A teoria gestaltista. passando a elaborar desejos imaginários. para superar o fracasso evidenciado e experimentado por boa parte dos estudantes no sistema educacional brasileiro. parte/todo. uma reconstrução de configurações. É necessário. considera a criatividade como a habilidade do indivíduo reverter à relação figura/fundo. Ela é crucial e irá contribuir para uma boa trajetória posterior da ampla maioria dos estudantes. é “insight”. Criatividade é uma forma de reduzir tensão. Portanto. o domínio da associação entre fonema e grafema. Ao perder a ligação com os objetos reais das brincadeiras. criar é o seu consolo. bem-sucedidas de aprendizado. de se atingir indiretamente algo que.As teorias sicológicas modernas em muito contribuíram para uma melhor compreensão do complexo fenômeno da criatividade. quase que instantaneamente. primariamente. Wertheimer. tais como a codificação e decodificação. foge da realidade. para superar os problemas de fluxo educacional e de aprendizado é necessário adotar políticas de transformação da vida cotidiana das famílias e das escolas. não está longe de ser um neurótico. na etapa de alfabetização. a percepção brusca. que eram anteriormente separadas. Suas fantasias podem ser tanto desejos eróticos quanto desejos de engrandecimento. ou seja. Kohler. não se teria condição de fazê-lo. através dos tempos. chegouse a considerar a criatividade como inspiração divina – o criador como um ser divinamente inspirado – ou tém como loucura – considerando o ato de criação como proveniente de um acesso de loucura. CRIATIVIDADE Criatividade é. quanto uma nova receita de bolo feito por uma cozinheira. desenvolvendo as habilidades centrais. desde a criação de trabalhos artesanais. A criatividade tem sido abordada de maneiras distintas. passa a fantasiar. A teoria humanista de Carl Rogers enfatiza que criatividade pode ser tanto a teoria da relatividade de Einstein. a consciência fonológica e fonêmica são metas incontornáveis para o sucesso dos estudantes. O indivíduo criativo é aquele que aceita livremente as idéias que surgem do ID. que o indivíduo 36 . estudo de textos explorando as diferenças entre fatos e opiniões. O “insight” envolve a percepção ou reconhecimento súbito da associação entre duas unidades de pensamento. pai da psicanálise. Populares aplicam a palavra indiscriminadamente para uma série de produtos finais. de uma forma geral. Seu conceito. É o aprender a ler. com competência. Um aspecto importante é a necessidade de melhorar as condições da escolarização nas séries iniciais. incluir atividades desta natureza no material didático e prever a melhor forma de avaliar o progresso dos alunos. instrumentos de avaliação. no seu ambiente. entretanto. exercícios de gramática relacionados com os textos. seja entre psicólogos. Para que tais habilidades sejam desenvolvidas plenamente é importante dotar os docentes das competências para o seu ensino. A criação é uma forma de sublimação. uma nova conexão. até as descobertas da física e da matemática. Em tempos passados. Segundo Freud. É necessário abandonar a idéia de que essa é uma etapa simples do processo de escolarização. K. O pensamento criador é. de novas possibilidades de ação. provavelmente.

de brincar espontaneamente com idéias. é que a avaliação do produto final seja feita internamente. Outra condição importante. esclarecendo que o professor deve incentivar o aluno a encontrar suas próprias idéias. Os primeiros autores vêm à criatividade como uma forma de vida. de Expressar o ridículo. que o próprio indivíduo julgue o ato de criação. A ação criativa é uma situação onde se produz o novo. social. de algo concreto ou de uma forma de comportamento que seja nova para quem o fez. Outra importante contribuição na área da criatividade foi à análise fatorial de J. relações. É necessário. influi em sua habilidade de criar algo novo. Quando o indivíduo descobre algum fato que já foi revelado por outros. Dieckert (1985 e 1984) prefere o termo criatividade pedagógica. assustam. mesmo que estas já lhes sejam conhecida. uma aprendizagem que provoca mudança no comportamento. emocional. quantas vezes seja necessário. que é. emoções. o oposto de defesa psicológica. Não é o caso de se desprezar a aprendizagem mecânica. pois conteúdos factuais são melhor ensinados e aprendidos por meio de repetição e memorização. o processo educativo é insuficiente para desenvolver a criatividade e a educação formal não tem oportunizado o ensino do pensamento criativo. satisfazê-lo e. originado de múltiplas fontes: cognitiva. entendemos a aprendizagem significativa como a aquisição de conhecimentos em que somos capazes de atribuir significado ao conteúdo aprendido. um estilo de criatividade mais centrada no ser humano e no seu desenvolvimento pessoal. Apesar da aceitação do conceito de criatividade e da proliferação dos trabalhos nesta área. técnicas de movimentos esportivos. trazendo como conseqüência o aprender. fórmulas. Aí estariam incluídos princípios. exatamente. que haja liberdade psicológica e que não se faça uma avaliação do indivíduo. o sistema educativo deveria se preocupar em oferecer experiências que promovessem o desenvolvimento da criatividade em todas as áreas de expressão. Mudança. Ressalta. Sefchovich & Waisburd (1995) e Capra (1982) assinalam que a cultura ocidental sempre valorizou o pensamento dedutivo racional. primeiramente. igualmente. por considerála um sistema de atitudes capaz de modificar-se e adaptar-se. o que vale observar é o nível de significância que pode resultar de cada uma delas. um fenômeno multifacetado. Desde o ponto de vista pedagógico. entre o novo conteúdo e as experiências vividas ou com os conhecimentos já adquiridos. A educação tem sido questionada por dar ênfase à aprendizagem mecânica ou de memorização e por não estimular uma forma autônoma de pensar e de agir. para haver criatividade. como predeterminadas. apenas. Por aprendizagem mecânica ou repetitiva entende-se a aquisição de conhecimentos que nos possibilita memorizá-los e repeti-los literalmente quando somos questionados. à sociedade. O que se pretende é valorizar outros tipos de aprendizagem que possibilitem o desenvolvimento do pensamento divergente e da criatividade. cores. de ver a vida de uma forma nova e significativa. no caso da Educação Física. para converter cada situação em uma possibilidade de aprendizagem e ensino. Central para todo tipo de atividade criativa é o que ele chama de “abertura à experiência”. formas. Encontramos na literatura vários conceitos e definições sobre criatividade que apontam para uma capacidade humana. Mesmo entendendo que os dois tipos de aprendizagem não ocorrem de forma pura. causam estranheza e têm tendência a não serem aceitas de imediato. O contexto sócio-histórico-cultural pode fomentar ou inibir a criatividade. transformação. podemos concluir que é inevitável se trabalhar com a criatividade na sala de aula”. ainda assim representa uma realização criadora. como forma de construção de conhecimento e de aprendizagem significativa. 37 . uma pessoa é criativa na medida em que realiza suas pontencialidades como ser humano. maximizar a possibilidade de emergência da criatividade.possua a habilidade de lidar com conceitos e elementos. em quantidade e qualidade. Quando se oferece ao aluno oportunidade para ser criativo está se oferecendo também uma abertura para a expressão de sentimentos. que debates de estudiosos concluem que a criatividade é um conceito muito abrangente. a expressão de uma idéia. inter pessoal e irracional. que: "ao considerarmos a noção de aprendizagem como um ato onde se encontram elementos cognitivos. conjugação de verbos e. que gera um tipo de pensamento divergente. em segundo plano. enquanto que a civilização oriental privilegia a experiência subjetiva como forma de conhecimento. Se aprendizagem for conceituada como toda nova reorganização que tem caráter de permanência e disponibilidade no tempo. emocionais e sociais. O meio ambiente pode.P. atitudes que muitas vezes chocam outras pessoas. Wechsler (1995) comenta a esse respeito. em atitudes e na personalidade. segundo Rogers. tem como base experiências anteriores e resulta em algo produtivo para o indivíduo ou para a sociedade. Estimular o potencial de alunos faz parte de um tipo de prática pedagógica que envolve mudanças. transformar os elementos. Este tem que. que interagem para trazer a motivação e o envolvimento com a tarefa. pode-se supor que toda aprendizagem é primeiramente uma criação. Isso ocorre quando a aprendizagem possibilita o estabelecimento de relações e vínculos. ainda. Apoiando-nos em Ausubel e Rogers . O fato de o indivíduo perceber ou não as categorias. gerando um estilo de criatividade estreitamente relacionado com o produto. sair da rotina são experiências que causam temor. Guilford.

intuição. comenta as duas dimensões pessoais que os coloca como pessoas difíceis. populares e bem aceitos pelos colegas . metodologias de ensino que estimulem formas de pensamento divergente e canalizem o agir para mudanças positivas também representam um obstáculo para o desenvolvimento do potencial criativo dos alunos. cultos. a estética dos movimentos. obstinação. A mesma autora. estes estudantes são também originais. intolerância.traços negativos do ponto de vista social. De certa forma. seriam criativos. No entanto. na capacidade que o indivíduo possui de utilizar movimentos corporais para expressar uma idéia. às técnicas esportivas. o que pode gerar uma idéia errônea de que somente os indivíduos com performance corporal. geralmente. Algumas pesquisas sugerem que apesar de a criatividade ser considerada importante como habilidade de pensamento e como fator de desenvolvimento humano. Estaria implícito aí o conceito de motricidade. trabalhadores.variáveis positivas no aspecto social. a exemplo de atletas e bailarinos. curiosidade. de julgamento. Para o primeiro autor. atenciosos. Ser curioso. o conceito de criatividade e o de pessoa sadia e plenamente humana talvez resultem a mesma coisa. descontrolados. Características associadas à criatividade. mas pobres em comodidade emocional. vivências motoras ou domínio corporal implica experiências anteriores. artísticos . Antunes (1999) comenta que alunos considerados criativos comparados com figuras históricas consideradas geniais por sua criatividade. Isso não significa que estejam relacionadas. o que se percebe nos discursos de alguns docentes é a associação que se faz da capacidade de se “expressar bem corporalmente" com a habilidade física. e as práticas docentes que indicam um comportamento convergente. ser questionador durante as aulas. que valoriza a criatividade. referem-se ao produto que o sujeito apresenta e nos esclarecem pouco sobre atitudes e comportamentos da pessoa criativa nos momentos de sua atuação. CARACTERÍSTICAS DE ALUNOS CRIATIVOS Um aspecto comprovado é a tendência dos docentes em privilegiar características de indivíduos criativos que se relacionam mais ao produto que este apresenta. forma de agir ou mesmo de personalidade do indivíduo são incompatíveis com aquelas mais enfatizadas pela sociedade em geral e pelo professor em particular. sinceros. Parece existir “discordância" em relação ao que se entende por técnicas no esporte e dança e vivência corporal diversificada que um indivíduo adquiriu em sua história de vida. como a independência de pensamento. “A estimulação intelectual e a privação emocional podem produzir um gênio. Algumas características do comportamento de pessoas criativas são consideradas inadequadas ou negativas e acabam por rotulá-las como pessoas difíceis. espontâneos. a qualidade técnica. contrários às regras . desordenados. pessoas que pouco se incomodam em sacrificar o bem estar pessoal ou mesmo suas relações afetivas em troca do desenvolvimento de sua obra. No entanto. que pode ou não incluir técnicas esportivas. a flexibilidade (riqueza das respostas). São. Segundo Vigotski (1998). ao estudar indivíduos altamente criativos.são vistas muitas vezes como condutas que atrapalham a aula. necessariamente. e “querer saber de tudo”. Possuir um bom repertório de movimentos. interesseiros. Geralmente a infância de pessoas consideradas criativas são ricas em estímulo intelectual. Rogers (1985 a e b) acredita que a criatividade envolve toda uma orientação do organismo e não apenas a mente consciente. aponta que mais de 95% dos professores gostariam que seus alunos fossem obedientes. aventureiros. esses estudos vão contra as concepções de Maslow (1998) e Rogers (1985) em relação à criatividade como auto realização. A outra dimensão revela a tendência à conservação de traços ou aspectos menos atraentes da infância: egoísmo. As características de aluno criativo que mais chamam a atenção de docentes de Educação Física estão ligadas ao aspecto motor. Uma delas é a determinação em fazer algo. Estudantes criativos em relação aos não criativos são instáveis. fluidez (quantidade de respostas). espontaneidade não foram consideradas importantes. aponta para uma certa inconstância entre o discurso. a depreciação dos outros e a auto promoção destes indivíduos. mas também podem gerar pessoas frustradas e insatisfeitas.Em nosso entender o desconhecimento de características de personalidade e da forma de agir e se expressar. despertando insensibilidade de amigos ou mesmo da sociedade. que acaba por conduzi-los a tornarem-se marginalizados.um dos requisitos para o desenvolvimento de habilidades de pensamento divergente . 38 . Alencar (1993) ao analisar as características e comportamentos desejados e encorajados pelos professores em sala de aula. o que ocorre apenas em uma pessoa psicologicamente saudável. elaboração (número de detalhes). estupidez. demonstram extrema ousadia e ambição em sua maneira de agir.atitudes que parecem facilitar a disciplina em sala de aula. a variedade e riqueza de experiências estão em relação direta com a atividade criadora. A originalidade (respostas inovadoras). egocentrismo. em vários outros trabalhos. algumas características de sua conduta. flexíveis.” Gardner (1996 e 1999).

de inventar novas formas de relação com o grupo. que pode ter diferentes causas. Cabe ao professor criar ambientes de respeito e aceitação que oportunizem as diferentes formas de expressão de criatividade do aluno. Mosston & Ashworth (1996). as formas estereotipadas das danças transmitidas pelos meios de comunicação. embora numerosas atividades na Educação Física reclamem um pensamento convergente e reprodutor. com os ganhos e mais com o processo. amigos. medo de serem diferentes. As pesquisas sobre criatividade no Brasil têm sido realizadas principalmente com alunos e professores do ensino fundamental e médio e relatam estudos 39 . acaba por criar barreiras à expressão criativa do aluno. descobrimento. Para Maslow (1990) os exemplos de criatividade sempre fazem referência a produtos masculinos. Em nossas pesquisas uma das causas alegadas pelos docentes universitários como dificuldade para identificar alunos criativos é o medo e a vergonha que os alunos têm de se expor. de manusear materiais de forma inusitada . espontaneidade e sensibilidade. Aquelas velhas e tão conhecidas frases do tipo “isso não é pergunta que se faça”. O culto ao corpo perfeito. Expressar a criatividade por meio da motricidade é um problema na maioria das vezes. a falta de tempo e o pouco conhecimento que têm sobre a criatividade impossibilitam o reconhecimento da capacidade criativa dos alunos. Isso também foi evidenciado em nossa pesquisa realizada com docentes universitários de Faculdades de Educação Física (Tibeau. ainda. Parece que para as meninas essa situação é mais comum que para os meninos. mas sim um veículo para acrescentar a ideação através dos conteúdos figurativos. sendo o professor mediador e facilitador da construção de conhecimento do aluno. semânticos ou comportamentais. para o sexo feminino. Torre (1997:9) adverte que os conteúdos não devem ser obstáculos para o desenvolvimento da criatividade. aceitar e valorizar as idéias e as soluções encontradas pelos alunos. A inibição na utilização do corpo como linguagem de expressão. A utilização de metodologias de ensino diretivas. invenção e de ir mais além do conhecido. de serem criativos. simbólicos. Pensar de forma diferente. em um dos mais importantes trabalhos sobre metodologias de ensino em Educação Física.MEDO DE SE EXPOR Muitas pessoas têm dificuldades e. professores). tentar novas formas de expressão. METODOLOGIAS DE ENSINO Uma questão que é sempre presente nas discussões sobre criatividade no processo educacional versa sobre como os educadores reconhecem e cultivam uma forma de pensar divergente e autônoma de seus alunos e. As mulheres se comprometem menos com os produtos. existem numerosas oportunidades para aprender de forma mais criativa. nas quais o professor e o conteúdo a ser aprendido são o centro do processo ensino-aprendizagem. até certo ponto. não como desvio de sexualidade. Ruiz Perez (1995) acrescenta que. O receio e a vergonha de se expor em atividades motoras está relacionado ao fracasso. a independência e a iniciativa como características mais exigidas para o sexo masculino e a intuição. Concepções de ensino em que são privilegiadas e valorizadas a reprodução de conhecimento e a memorização de fatos são projetadas para que os alunos adquiram conhecimento de forma passiva. 2001): estar preso a programas e conteúdos. Isso exige que o professor esteja preparado para proporcionar aos alunos problemas e situações relevantes. Estudos comprovam que o medo aumenta com a idade e é na fase da adolescência (fase também de transformações corporais) que se pode observar melhor o temor de se expor. acabam por inibir e aparecimento de formas de expressão individuais. Isso pode ser observado já nas primeiras séries escolares e mesmo na educação não formal. Afirmam que as áreas de Educação Física. as formas de manifestação corporal ditadas pela sociedade moderna. De acordo com Mackinnon (1980) pessoas criativas são as que apresentam mais indicadores de feminilidade. ainda são comuns em nossa sociedade. como por exemplo o medo de ser avaliado negativamente por outros (pais. “menino não dança assim” ou “meninas não se comportam desta maneira”. associada a uma resistência ao que novo ou diferente. Alencar (1993) aponta a liderança. especialmente nas atividades motoras. questionar são encaradas com receio. Os sentimentos negativos em relação ao próprio corpo geram um tipo de ansiedade que é pouco produtiva para a expressão de idéias e emoções por meio da motricidade. descrevem formas de trabalho ou estilos de ensino nas quais o aluno é protagonista do processo e a principal meta é sua autonomia. que nós é imposta pela sociedade acaba por intimidar nossa capacidade de criar novos movimentos. que colocam o êxito e o triunfo em evidência. como esses educadores proporcionam aos estudantes oportunidade para canalizar sua energia criativa. mas como maior interesse por atividades estéticas que envolvem emoção e sentimentos. Esportes e Dança oferecem grandes oportunidades para desenvolver a capacidade humana de diversidade.

com uma predisposição ao pensamento criativo. assim. é necessário incrementar um tipo de ensino que combine o esforço de pensar com o de aprender. Questionam também a própria forma de atuação do professor. espera-se que o professor tenha sido preparado no seu curso de formação profissional para atuar de maneira crítico-reflexiva em relação aos conteúdos a serem ensinados e a valorizar a construção do conhecimento dos alunos. A psicologia admite que. procurando tornar o indivíduo sensível aos estímulos ambientais. principalmente. tais como a auto-confiança. que o indivíduo recebe. Segundo Maria Helena Novaes (1975). a abertura à percepção. á avaliação do pensamento produtivo. autônomo. há uma tendência para levar os indivíduos a interpretarem fatos. flexibilidade. o indivíduo utilize o seu potencial criador contribuindo. Wechsler (1995) vai mais longe e assinala o próprio despreparo do futuro profissional para entender. no sentido de estimularem os indivíduos a elaborarem e transformarem as suas idéias. quando este é encorajado a manipular objetos e idéias. para considerar que a educação formal suprime muito a criatividade natural. Relatam também a falta de preparo dos professores. muito freqüentemente. habilidade para sentir problemas. as pessoas possuem. para ser autocrítica. È. de acordo com uma série de valores introjetados. fundamental que. isto funciona como um incentivo ao desenvolvimento de suas próprias idéias. projetando-se no futuro. consequentemente. as atividades relacionadas ao pensamento divergente (fantasias. Boa Sorte! 40 . dependendo do meio ambiente em que os mesmos se desenvolvam. Qualquer indivíduo. diante do volume e da complexidade dos problemas dos tempos atuais e da rapidez com que se processam as mudanças. devem ser devidamente estimulados. romper com o passado e o presente. deve ser suficientemente aberta. potencial presente em todos os indivíduos por ocasião do nascimento. Estabelecer um relacionamento criativo com uma determinada realidade é. ao treinar e incentivar as atividades relacionadas com o pensamento convergente (reprodução de fatos conhecidos). a educação sem criação não é uma educação de verdade. exceto em casos patológicos. valorizar e lidar com sua própria criatividade. todas as habilidades em potencial. E como bem o afirma Ostrower: “Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. De uma certa forma. Tendências e traços da personalidade criativa. a velhos problemas. julgarem. Os condicionamentos agem. destruída ou incentivada. fatores inibidores e promotores da criatividade e. portanto. abandonando. divergente e de trabalhar os conteúdos de maneira questionadora e indagadora. especialmente no Brasil.sobre avaliação da criatividade em alunos. entre outros. para a descoberta de melhores respostas aos obstáculos e desafios do mundo moderno. habilidade para reestruturar idéias. curiosidade inteletual. na maioria das vezes. Geralmente. compararem. sexo. é encontrada em cada indivíduo. independente de idade. E é do mesmo modo necessário”. pode ser inibida. em muitos pesquisadores na área da criatividade. inteligência ou nível sócio-econômico. idéias novas. pode melhorar sua capacidade de pensamento criativo. A emergência da era industrial e conseqüente modernização e automação da sociedade definiram muito as características das transformações que o processo educacional deveria incorporar. a classificarem. fluência. como a emergência de originalidade e individualidade. na formação de profissionais da educação. o humor. portanto. A educação formal. conformismo. Mudanças tecnológicas e científicas que ocorrem neste final de século têm ocasionado uma crise na universidade e. influência da criatividade no rendimento escolar. metodologias e programas para o desenvolvimento de diferentes formas de expressão da criatividade. Há uma tendência. A velocidade das informações e dos conhecimentos enfatiza a necessidade de o Homem se adaptar continuamente a novas situações a fim de responder. A FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estudos realizados na área de formação de professores têm evidenciado a carência dos cursos de licenciatura em fornecer meios ao futuro profissional de desenvolver e aprimorar sua própria capacidade criativa e para reconhecer e valorizar esta forma de pensar e agir em seus alunos. a descobertas de outras. com novas idéias e soluções. assim. pois. autogeradora. para oferecer condições para o desenvolvimento de formas de pensamento crítico. em graus diferentes. A criatividade. Criatividade. e os métodos de ensino reformulados. soluções originais).

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