conhecimantos pedagógicos]

Módulo: Conhecimentos Pedagógicos – SEC/BA 2010

O QUE É EDUCAR A palavra educar deriva da palavra latina educare, que significa "revelar o que está dentro", deixar florescer as habilidades e potencialidades, tornando explícitos os poderes inatos do homem. Faremos, por nossa conta, para fins de um melhor entendimento, uma distinção semântica do termo educação, ficando este como a instrução acadêmica e profissional passada de fora para dentro, ou seja, o conhecimento técnico transmitido pelo educador ao educando, independentemente do método pedagógico adotado. Chamaremos de educare a educação que aflora de dentro para fora, aquela que diz respeito ao ser, e não ao saber. Aquela que legará condutas morais e éticas responsáveis pelo norteamento da vida de cada um. A educação em valores humanos busca a união desses dois importantes conceitos. Educar é estabelecer uma troca com o educando. Educar não é um ato de "doação" de conhecimento, mas um processo que se realiza no contato do homem com o mundo vivenciado, o qual não é estático, mas dinâmico e em transformação contínua. A relação vertical, onde o educador é superior ao educando deve dar lugar à relação dialógica, a qual supõe troca, pois "os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” Para Paulo Freire, educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa (...)". O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educando, é essencial à prática pedagógica proposta. Sem respeitar a identidade do educando, sem levar em conta as experiências vividas pelo educando antes de chegar à escola, o educador não terá êxito na sua tarefa, e o processo será inoperante, consistirá em meras palavras despidas de significação real. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". O educador deve incentivar a curiosidade do educando valorizando a sua liberdade e a sua capacidade de aventurar-se. RELAÇÃO EDUCANDO-EDUCADOR A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bom próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um «empurrão». Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal, que é definido por ele como: (..) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes. (VYGOTSKY), “A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores”. São Paulo, Martins Fontes. 1989. Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro. Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. Ao educador, restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não o farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra 1

perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. Para isso, o professor tem que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotky, essa se dava através da linguagem. Baseado nisso, dois autores Newman, Griffin & Cole, desenvolveram essa idéia. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback), que o professor “dando pistas” para o aluno iniciava o processo, assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta (GOMES, 2002). Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são, o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa idéia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz. Ainda a respeito da relação professor-aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor-aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As conseqüências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto.

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 2

A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis. A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de qualidades. Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção. Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoio necessário. Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana. EDUCAÇÃO COMO DIREITO Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO 3

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no “caput” deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. 4

O professor do século XXI deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade.Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio. onde o professor era o educador que orientava o contorno da aprendizagem com participação real do aluno. observamos que na construção do saber a tecnologia passa a dominar os espaços locais e temporais. pois a docência vai mais além do que somente dar aulas. 208. Os padres da Companhia de Jesus instalaram a primeira escola em 1549. § 4º . na forma da lei. serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. filantrópica ou confessional. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. Nessa era da 5 . Devemos ter em mente que os professores exercem um papel insubstituível no processo da transformação social. e o modelo americano é instituído em nosso país. deu-se início à escola nova. Impediu-se a expressão dialética.melhoria da qualidade do ensino. onde o professor não se comportava como o transmissor de conhecimentos e sim um facilitador de aprendizagem. IV . A formação identitária do professor abrange o profissional. e foram anunciados padrões e métodos educacionais com ferramentas que impressionavam e davam subsídios diferentes nas formas de ensinar. O PROFESSOR COMO PROFISSÃO A arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo.universalização do atendimento escolar. corre-se o risco de exclusão do indivíduo no social. Art. onde o aluno era um ser ativo e participante e estava no centro do processo de ensino/aprendizagem. falta de opções ou porque é preciso auferir ganhos (extras). Com a escola tecnológica. recolhida pelas empresas.formação para o trabalho. a instrução programada e o ensino individualizado. cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir. A escola tradicional permaneceu por aproximadamente trezentos e oitenta e três anos. confessionais ou filantrópicas. impedindo a atuação dialógica.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. V . Já no século XXI. Com o governo de Getúlio Vargas. 214. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. ou ao Poder Público. Com o uso inadequado da tecnologia há a individualização do ser humano. tornando-o espectador e talvez um indivíduo sem estímulo para superar barreiras. o aluno era impedido de criar e pensar. II . para os que demonstrarem insuficiência de recursos. científica e tecnológica do País. sendo empregados todos os contornos que possibilitavam a apreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos com enfoque na construção e reconstrução do saber. produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar.§ 3º . A lei estabelecerá o plano nacional de educação. sem articulação com os demais membros da sociedade. Em 1983 deu-se o aparecimento da Escola Crítica.promoção humanística. visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I . sem explicação dialética do dia-a-dia. mas. Na Escola Crítica havia articulação e interação entre o educador e o educando. no caso de encerramento de suas atividades. Essa escola era uma escola democrática e divulgada para todos (o cidadão democrático). definidas em lei. buscando todas as oportunidades em busca da criatividade. Devemos aliar forças para que isso não aconteça. Nesta época foram instalados os recursos audiovisuais como suporte pedagógico. O ensino nesta época era tradicional. III . II . Com o tecnicismo empregado em todos os campos. fechando-o em seu mundo. Na escola tecnicista o social era ditado pelos militares que detinham o poder. Em 1964 tem início a Escola Tecnicista. na forma da lei Art. VII. nos termos do plano nacional de educação. e a transmissão de emoções. § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. de duração plurianual.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. 213. sem afinidade com o social e alienado em suas relações com o global. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando. O advento da escola nova foi em 1932.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. aluno que construía e ressignificava a história.Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica e/ou como apenas executores de decisões alheias. § 2º .As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público.erradicação do analfabetismo. § 1º . que: I . a interação. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. constituiu fundamentalmente a sua atuação profissional na prática social. aluno enfatizado como cidadão. pois a educação tem por intenção a humanização do homem.

Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta. falta de acompanhamento dos pais. DIDÁTICA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO A democratização do ensino e a importância de oferecer este de qualidade e a toda sociedade é sempre uma reflexão importante. metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. Só assim. políticas e culturais. Ética como compromisso profissional e social devem ser respondidas e solucionadas para a garantia de uma sociedade melhor. de igualdade nas oportunidades em educação. pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais. culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. com competência do conhecimento. 4. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem. A transformação da escola depende da transformação da sociedade. fracasso escolar. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo. imaturidade.tecnologia. pelas opiniões tendenciosas da mídia. aquela que esta inserida em um contexto único. Assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente. São tarefas principais das escolas públicas: 1. AS TAREFAS DA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA Todos sabem da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo. compreendendo os contextos históricos. entre outros. habilidades e atitudes. Algumas perguntas envolvendo a escolarização. Proporcionar escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização. Aponta muitos motivos para isto. São exemplos de alguns fatores que promovem o fracasso escolar: dificuldades emocionais. o ensino é sem dúvida promotora de ações indispensáveis para ocorrer a instrução. e ressalta também os índices de escolarização no Brasil. O COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO DOS PROFESSORES 6 . Libâneo (1994) "A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática". dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. e continua dizendo que a escola é o meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas. com profissionalismo ético e consciência política. deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. mas considera. a falta de preparo da organização escolar. afirma Libâneo. complementa dizendo que o professor deve descobri-lo e basear-se nisto em seus ensinamentos. da formação de suas capacidades. A ESCOLARIZAÇÃO E AS LUTAS DEMOCRÁTICAS A escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas. Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades. O FRACASSO ESCOLAR PRECISA SER DERROTADO O fracasso escolar é um grave problema do nosso sistema escolar. os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola. A participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública. usando para isso a compreensão e a proposição do real. mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública. sociais. estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana. que aponta para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. Democracia poderia ser entendida como um conjunto de conquistas de condições sociais. como principal. qualidade do ensino do povo. 2. O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já conhece. sem deixar se seduzir pelos caminhos deslumbrantes dos anúncios publicitários. Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar. 3. além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita.

sendo as técnicas recursos ou meios de ensino seus complementos.O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família. ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna". Podemos definir o processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. por mais simples que pareça. OBJETIVO DE ESTUDO: O PROCESSO DE ENSINO Sem dúvida. Os métodos de ensino aprendizagem. Define assim a didática como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino. Assim sendo. Ação de ensinar. a instrução como processo e o resultado da assimilação sólida de conhecimentos. É fundamental nesta estruturação escolar. a didática aparece em obra em meados do século XVII. como toda a profissão. 7. Os princípios didáticos. Ação de aprender. 6. o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais. DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO É preciso conhecer os vínculos da didática com os fundamentos educacionais. O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. 2. A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. Os objetivos sócio-pedagógicos. Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática: 1. Conteúdos da matérias. Entretanto. Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. Conhecer estas condições é fator fundamental para o trabalho docente. o objetivo do estudo da didática é o processo de ensino. O trabalho docente visa também à mediação entre a sociedade e os alunos. Os conteúdos escolares. social e técnica. os temas fundamentais da didática são: 1. estabelecendo na obra alguns princípios com: 1. envolve uma atividade complexa. 3. 3. no trabalho e na vida cultural e política. na sua dimensão político. com João Amos Comenio. 2. e a metodologia como conjunto dos procedimentos de investigação quanto a fundamentos e validade das diferentes ciências. sendo influenciado por condições internas e externas. a didática coloca-se para assegurar o fazer pedagógico na escola. 4. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. A situação didática em sala de aula esta sujeita também a determinantes econômico-sociais e sócioculturais. o currículo como expressão dos conteúdos de instrução. 3. A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR Sabedores que a pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social. afirmando daí o caráter essencialmente pedagógico desta disciplina. As formas organizadas do ensino. OS COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO O ensino. Aplicação de técnicas e recursos. 7 . 2. O ensino deve seguir o curso da natureza infantil. o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem. 4. isto é de acordo com suas características de idade e capacidade. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS A didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino. Controle e avaliação da aprendizagem. 5. que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor. Libâneo ainda coloca que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo. compreender o objetivo de estudar e relacionar os principais temas da didática que são indispensáveis para o exercício profissional. A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. Libâneo afirma que. Sintetizando. afetando assim a ação didática diretamente.

o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina. c. Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando à autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos. Capacidade de dividir a matéria em módulos ou unidades. que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora. j. Compressão da relação entre educação escolar e objetivo sócio-políticos. Os principais objetivos da atuação docente são: a. Conhecimento das funções didáticas Compatibilizar princípios gerais com conteúdos e métodos da disciplina Domínio dos métodos e de recursos auxiliares Habilidade de expressar idéias com clareza Tornar os conteúdos reais Saber formular perguntas e problemas Conhecimento das habilidades reais dos alunos Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente Ter uma linha de conduta de relacionamento com os alunos Estimular o interesse pelo estudo Por parte do professor. centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico. d. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. e. Porém. pois a aprendizagem é um processo. Dominar os meios de avaliação diagnóstica 8 . no Brasil. g. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841). com regras e procedimentos padrões.Já mais adiante. f. i. Henrique Pestalozzi (1746-1827). É importante lembrar que as tendências progressivas só tomaram força nos anos 80. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino. Conhecimento dos programas oficias. b. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa. f. Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem. antes. Domínio de métodos de ensino. c. Estes três itens se integram entre si. g. e. ajuda o aluno a aprender. Manter-se bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes. Já a direção do ensino e aprendizagem requer outros procedimentos do professor: a. h. que trabalhava com a educação de crianças pobres. baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA Nos últimos anos. este autor não colocou suas idéias em prática. d. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. b. Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade. o autor levanta os principais pontos do planejamento escolar: a. os procedimentos são: a. vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas. determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. Domínio do conteúdo e sua relação com a vida prática. c. Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades b. b. Conhecer as características sócio-culturais e individuais dos alunos. Depois. com as denominadas "teorias críticas da educação A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR O modo de fazer docente determina a linha e a qualidade do ensino. para a avaliação. cabendo mais adiante a outro pesquisador fazê-lo.

determina o grau de assimilação dos conceitos. Esta. desconfiando do normal e olhando sempre por traz das aparências. porém. Pedagogico-Didáctica – refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar. continuo e sistemático que acompanha o desenrolar do ato educativo". a avaliação é o processo de atribuir valores ou notas aos resultados obtidos na verificação da aprendizagem". com capacidades para descobrir. A motivação do docente no ensino e a sua adequada formação deve dar o direito de comunicar ou se expressar. no ato profissional. A avaliação tem a função diagnostica psico-pedagógica e didática. A avaliação reflete sobre o nível do trabalho do professor como do aluno. conforme os objetivos propostos. Segundo o professor Cipriano Carlos Luckesi "a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho. dificuldades e orientar o trabalho para as correcções necessárias. daí. por isso a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos alunos. para ele. Ajuda ao professor a constatar as falhas no seu trabalho e a decidir a passagem ou não para uma nova unidade temática. também ajuda os alunos a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem do aluno. NÉRICI (1985) "relaciona avaliação com a verificação de aprendizagem pois. mas também na própria dinâmica e estrutura do Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). experimentar. o professor. ela deve acompanhar todos os passos do processo de ensino e aprendizagem. aprofundando os seus conhecimentos no domínio da natureza e da sociedade. investigar. habilidades e atitudes dos alunos. Já LIBÂNEO (1991) define "avaliação como uma componente do processo de ensino que visa. contribui para a avaliação para correcção de erros de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. representando algo que seja para a criança se comunicar a partir do vocabulário formal a partir de uma linguagem "normalizada" determinada pela sua evolução mental. a fim de verificar progressos. a determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. tendo em vista mudanças esperadas no comportamento dos alunos. porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados nas unidades temáticas. ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho. Permite um reajustamento com vista à processução dos objectivos pedagógicos pretendidos. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem. aprender e fazer. assumindo-o como um dever social."Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa a interpretar os conhecimentos. deve exercitar o pensamento para descobrir constantemente as relações sociais reais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada. Também ajuda o aluno a realizar um esforço de sinetes das diferentes partes do programa do ensino. criar hábitos de trabalho independente e consciencializar o grau consecutivo dos objectivos atingidos após um período de trabalho. A avaliação insere-se não só nas funções didáticas. orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes". a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas de planificação do trabalho e da escola como um todo" PILETTII (1986). propostas nos objetivos. Diagnóstica . ao mesmo tempo favorece uma atitude mais responsável do aluno em relação ao estudo. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO A importância da avaliação reside na sua função social e pedagógica. seja do livro didático ou mesmo de ações pré-estabelecidas. AVALIAÇÃO A avaliação educacional é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho do professor. Conhecer os tipos de provas e de avaliação qualitativa Estes requisitos são necessários para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha." Para GOLIAS (1995) a avaliação é "entendida como um processo dinâmico. É através dela que vão sendo comparados os resultados obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos. mas sim deve ser utilizada como um instrumento de coleta de dados sobre o aproveitamento dos alunos.c.identifica as dificuldades do aluno e os conhecimentos prévios. Por isto. 9 . determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas.

do semestre/ trimestre. 2. fazendo com que o professor se adapte aos diferentes comportamentos dos alunos. O professor pode organizar um caderno para anotar a progressão dos alunos em cada período. ajuda o aluno a desenvolver as capacidades cognitivas. Realizar a aferição dos resultados.controla o Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Existem várias técnicas e instrumentos de avaliação: • Para a avaliação diagnostica. • Constata particularidades b) Avaliação formativa: Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. objectividade e precisão – são directas. para verificar se houve um progresso do aluno desde o ponto de partida da aprendizagem até ao momento. Conhecer o aluno: Pode-se orientar e guiar o aluno no processo educativo avaliando-o. exercícios ou de meios auxiliares. Verificar os ritmos de progresso do aluno: É a colecta de dados sobre o aproveitamento dos alunos através de provas. que se apresentam com maior clareza. os exercícios práticos. • Constata deficiências em termos de pré-requisitos. provas. Para o caso concreto da disciplina de biologia deve-se utilizar as provas objectivas. o Carlos tem "problemas na representação do afastamento ou cota de um ponto". Este registo deve ser acompanhado de modo a superar as dificuldades. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do aluno. Detectar as dificuldades de Aprendizagem: Ao avaliar. • Informa sobre os objetivos se estão ou não a ser atingidos pelos alunos. Seleccionar as técnicas e instrumentos de avaliação. ETAPAS DA AVALIAÇÃO Durante o PEA podemos encontrar as seguintes etapas: • • • • Determinar o que vai ser avaliado. para estimular o sucesso de todos.Função de Controle . identificar os fatores do ensino. Por exemplo. etc. • Para avaliação formativa. Com base nesses resultados deve. do ano letivo. a ficha de observação ou qualquer instrumento elaborado pelo professor para melhor controle. 3. Permite que haja um controle contínuo e sistemático no processo de interacção professor . o professor pode detectar algumas dificuldades dos alunos. 4. TAREFAS DA AVALIAÇÃO São tarefas da avaliação as seguintes: 1. Também pode apontar as dificuldades no mesmo caderno. TIPOS DE AVALIAÇÃO a) Avaliação diagnostica: Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso. interesses e dificuldades. melhorar e completar o trabalho. • Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem. da unidade ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte: • Identificar alunos com padrão aceitável de conhecimentos. exigindo mais dos professores. pois a observação visa a investigar. • Para avaliação Sumativa. 10 . na medida do possível. encontramos os dois instrumentos mais utilizados que são as provas objetivas e subjetivas. Orientar a aprendizagem: Os resultados obtidos pela avaliação devem ser utilizados para corrigir. aptidões. atitude. para melhor conhecer a sua personalidade. como técnica pode se utilizar o pré-teste. adequar o ensino de forma que a aprendizagem se torne mais fácil e eficaz. temos como técnicas a observação de trabalhos. escreve correctamente e conhece bem a Gramática. como observação do desempenho e entrevista. Estabelecer os critérios e as condições para a avaliação. ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho.alunos no decorrer das aulas.

As conclusões finais devem ter certa validade e longo prazo. OS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DEPENDEM: • • • • • • • • Dos objectivos de avaliação. O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica.• Localiza deficiência/dificuldades. Tempo disponível/duração. Tem a função classificadora. É ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam. Dos meios. Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil. O processo de avaliação deve ser aberto. segundo Luckesi (2002). Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem. do curso. sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações. Dos conteúdos/complexidade da matéria. questionamento. Ela se faz necessária para que possamos reflectir. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A avaliação deve obedecer os seguintes critérios: • • • • • • • • Tem que ser benéfico. A forma como se avalia. Entende-se que a avaliação não pode morrer. Deve estar ao alcance dos alunos. inerente e indissociável enquanto concebida como problematização. As condições da sala de aula. A idade dos alunos. Número de alunos na turma. Deve ser global. O tipo do aluno. é crucial para a concretização do projecto educacional. Deve ser justo e uniforme. questionar e transformar nossas acções. È uma classificação final . MODELO TRADICIONAL E ADEQUADO DA AVALIAÇÃO Gadotti (1990) diz que a avaliação é essencial à educação. COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO Visão tradicional • • • • • • Acção individual e competitiva Concepção classificatória Apresenta um fim em si mesma Postura disciplinadora e directiva do professor Privilégio à memorização Pressupõe a dependência do aluno Modelo adequado • Ação coletiva e consensual • Concepção investigativa e reflexiva • Atua como mecanismo de diagnóstico da situação 11 . sobre a acção. Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento. c) Avaliação somativa: Esta avaliação classifica os alunos no fim de um semestre/trimestre. do ano letivo. reflexão. segundo níveis de aproveitamento.

diretor de avaliação da educação básica do Inep. afirma Dirce Gomes. as escolas públicas já têm disponível no site do Inep um resumo de dados por escola. A operacionalização é de responsabilidade do Inep. A prática do currículo é geralmente acentuada na vida dos alunos estando associada às mensagens de natureza afetiva e às atitudes e valores. ou seja. com número de alunos. o resultado demorou sete anos para ser contabilizado. a pesquisa. à determinada sociedade e às relações com o 12 . "Na época do primeiro Censo. SINAES Criado pela Lei n° 10. A novidade é que ele passará a incluir os dados por aluno. que permite comparar. que deixará de ser amostral Diferente da análise qualitativa do Saeb. Ele possui uma série de instrumentos complementares: auto-avaliação. com nome. avaliação externa. data de nascimento. em 2005 toda escola e todo aluno da rede pública fará o exame. segundo Carlos Henrique Araújo. o oculto e informal. Desde 2003. Atualmente. de 14 de abril de 2004. nome da mãe. não é apenas um espaço social emancipatório ou libertador.• Postura cooperativa entre professor e aluno • Privilégio à compreensão • Incentiva a conquista da autonomia do aluno. As informações obtidas com o Sinaes são utilizadas pelas IES. diretora de estatística da educação básica do Inep. na acepção de estar inteiramente vinculado a um momento histórico. Ele é proposto pelo trabalho pedagógico nas escolas. desde 1990. a responsabilidade social. Realizados desde a década de 90 por amostragem de alunos das redes estadual. Os resultados das avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no País. tem um duplo currículo. turmas e profissionais. O Currículo educativo representa a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social.861. o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições. diretores e escolas. O resultado das provas. cada estudante terá um cadastro pessoal que permitirá o acompanhamento de sua trajetória escolar. "Assim eliminaremos duplicidade de matrículas e alunos fantasmas". que é o de apoiar as Secretarias de educação na melhoria da qualidade do ensino. para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. o corpo docente. pais de alunos. por exemplo. O objetivo é informatizar tudo e disponibilizar as informações na Internet em tempo real". Enade. municipal e particular. para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social. AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Novos mecanismos da aplicação do Censo Escolar e do Sistema de avaliação do Ensino Básico no Brasil (SAEB) serão implementados no início de 2005. tanto o Censo como o Saeb passarão a ter o foco no aluno. Sendo um ambiente social. era mostrado sempre por Estado. Dessa forma. por exemplo). mas. O Saeb é o instrumento nacional de avaliação do ensino básico no País e coleta. a extensão. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). a gestão da instituição. região e país. bem como da estrutura física (número de laboratórios e bibliotecas. o desempenho dos alunos. Um dos focos mais importantes é o exame de múltipla escolha. O Sinaes avalia todos os aspectos que giram em torno desses três eixos: o ensino. em que os estudantes respondem a questões de língua portuguesa e matemática. as instalações e vários outros aspectos. CURRÍCULO A escola. informações sobre alunos da 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. instituições acadêmicas e público em geral. obtido através do censo. Avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro). a estrutura física de escolas na mesma cidade. professores. garante. raça e etnia. o explicito e o formal. mas também é um cenário de socialização da mudança. pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas e pelos estudantes. o Censo Escolar é o instrumento do governo federal que traz um raios-X quantitativo das escolas. organizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educaionais Anísio Teixeira (Inep) a partir de 1997. o currículo é uma construção social. dos cursos e do desempenho dos estudantes. realizado em 1931 no governo Getúlio Vargas. o Ministério da Educação pretende aperfeiçoar o objetivo desses diagnósticos.

PLANEJAMENTO É: 1. incorporando as políticas educacionais. implica relações de poder. em prazos determinados e etapas definidas. das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. sendo o centro da ação educativa. em certo espaço e tempo histórico. prever o futuro. de responsabilidade e de participação cívica. mas os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam que os modelos dominantes na escola brasileira. por uma perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar. mas que são implicitamente ensinados através das relações sociais. os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico. estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa. Hoje existem várias formas de ensinar e aprender e umas delas é o currículo oculto. Planejar também é uma atividade que está dentro da educação. sua essência e sua defesa. das elites. de tomada de decisão sobre a ação. Nesse sentido. em épocas diferentes a interesses. é um processo que "visa a dar respostas a um problema. através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS. visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação. Portanto. Para elaboração de um currículo escolar devemos levar em consideração as vertentes caracterizadas pela: ontologia (trata da natureza do ser). que é a lista de disciplinas e conteúdos do currículo. a partir dos resultados das avaliações (PADILHA. "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis. O ato de planejar é sempre processo de reflexão. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. quanto as do indivíduo. pois por trás das nossas diferenças. a educação e currículo são vistos intimamente envolvidos com o processo cultural. ao sentido crítico. Planejar. setores de trabalho. cultural. o currículo oculto é “o conjunto de atitudes. instituições. e ao respeito pelo outro. à cultura e ao poder. pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante. não é imparcial. dos rituais. em sentido amplo. com a pluralidade cultural. na medida do possível. Para Vasconcellos (1995). É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". gerador de inovação. E que a escolarização é a condição fundamental de acesso à cultura. As teorias críticas nos informam que a escola tem sido um lugar de subordinação e reprodução da cultura da classe dominante. à estrutura social. 2001). que é o conjunto de ações pedagógicas e a matriz curricular. pensando e prevendo necessariamente o futuro". à participação cívica. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo. aparece o movimento de exigência dos grupos culturais dominados que lutam para ter suas raízes culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. Existe uma diferença conceitual entre currículo. 4. devem ser substituídos. tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. 13 . multidisciplinar e pluridisciplinar. 1995). estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação. As ciências nos mostram que não há desenvolvimento sustentado sem o capital social.conhecimento. 2. também refletiremos em um currículo que atenderá. para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade. mas considerando as condições do presente. da burguesia. incluindo o estético). O Currículo. O currículo é um instrumento político que se vincula à ideologia. Planejamento Educacional é processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá'. de sociedade e de educação. correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. epistemologia (define a natureza dos conhecimentos e o processo de conhecer). marcados por uma forte fragmentação. estadual e municipal". A cultura é o conteúdo da educação. Para Silva. axiologia (preocupa-se com a natureza do bom e mau. prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. O processo de busca de equilíbrio entre meios e fins. Há várias formas de composição curricular. visando à concretização de objetivos. essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola. é social e culturalmente definido. como construção de identidades locais e nacionais. reflete uma concepção de mundo. as experiências do passado. 3. visando ao melhor funcionamento de empresas. de modo a atingir objetivos antes previstos. Ao pensarmos no homem como um ser histórico. organizações grupais e outras atividades humanas. há a mesma humanidade. e currículo é a opção realizada dentro dessa cultura. ao reconhecimento do belo. entre recursos e objetivos. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. A visão do currículo está associada ao conjunto de atividades intencionalmente desenvolvidas para o processo formativo. Porém.

movimento. procura parceria. diversidade e inclusão 14 . A preocupação central é definir fins. compartilha. O currículo deve ser entendido como componente central do procedimento da educação institucionalizada. O papel da educação como elemento de desenvolvimento social é reorientado. áreas do conhecimento. constatamos que a fala desse educador nos elucida ao colocar que devemos aproximar a atitude interdisciplinar da atitude transdisciplinar: porque encontraremos nas duas o coletivo instituinte. 7. articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO. 2001). a preocupação é responder as perguntas "o quê". busca a inclusão. O que é um currículo interdisciplinar? É o modo de viabilizar as interações e inter-relações entre as diferentes disciplinas existentes. Ao buscarmos um novo olhar interdisciplinar chegaremos ao olhar transdisciplinar com mais entrosamento e fortalecimento. 1994). que é a noção da realidade. pois a idéia é modernizar o debate sobre a importância do currículo. através das diferentes disciplinas e além de toda disciplina e sua finalidade é compreender o mundo atual. como a etimologia da palavra recomenda. CURRÍCULO E INTERDISCIPLINARIDADE A palavra Currículo é de origem latina e significa o caminho da vida. Currículo é o ambiente do conhecimento. sendo sobretudo tarefa de administradores. buscar conceber visões globalizantes e de eficácia. onde a ênfase é o presente. A transdisciplinaridade busca a compreensão do conhecimento. envolvendo o processo de reflexão. Na opinião de Sant'Anna et al (1995). 1992). organização e coordenação da ação docente. principalmente após a ampliação do ensino fundamental para nove anos. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN. A interdisciplinaridade pode ser compreendida como sendo a troca de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências. o espaço de contestação das relações sociais e humanas e também o lugar da gestão. na situação de ensino-aprendizagem". em constantes interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA. coopera. 8. Mediante as demandas contemporâneas. no cotidiano de seu trabalho pedagógico. a transversalidade. humanas e artes. conhecimento e cultura. Citando Paulo Freire. Nessa expectativa compete ao professor. 6. Currículo indica processo. percurso. a rota de uma pessoa ou grupo de pessoas. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores. Tem sua expressão nos programas e. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica. estimulando a vinculação e indicando uma visão contextualizada do conhecimento. quando existe correlação entre as capacidades exigidas para o exercício da cidadania e para as ações produtivas. ou melhor. o trabalho em grupo. o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. Os estudos serão estruturados em seis eixos temáticos: currículo e desenvolvimento humano. currículo interdisciplinar não é apenas combinar algumas disciplinas em projetos. Devemos lembrar que a exclusão proveniente da sociedade do consumo e do capitalismo poderá sofrer diminuição através da idéia de currículos que privilegiem áreas que estão em crescimento no momento atual. agrega. Como vemos. currículo. em médio prazo e/ou longo prazo. o diálogo. tratando prioritariamente dos meios. "para quem" e também com "o quê". Planejamento Escolar é o planejamento global da escola. o sentido. "É um processo de racionalização. educandos e o currículo. da vida e do mundo. O conceito de interdisciplinaridade foi organizado propondo-se restabelecer um diálogo entre as diversas áreas dos conhecimentos científicos. mais especificamente. momento de execução para solucionar problemas. educadores de todo o país estão reunidos para discutir o entendimento do currículo no ensino infantil e fundamental. A transdisciplinaridade considera o que está ao mesmo tempo entre as disciplinas. os instrumentos. esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê". "como" e "com quê". assim como. centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. articular teoria e prática. da cooperação e participação. Uma sugestão curricular de alcance para a sociedade contemporânea deverá agregar as tendências atuais da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas interações sociais. organização dos tempos e espaços escolares. consentindo que cada aluno perceba o conhecimento coletivo e construa o seu de maneira individual. A transdisciplinaridade é a investigação da acepção da vida através de relações entre os diversos saberes das ciências exatas. serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação.5. mas para que a interdisciplinaridade aconteça é necessário a colaboração e a parceria entre as disciplinas do currículo para se chegar a um finalidade única. No Planejamento Operacional. numa forma interdisciplinar sem perder de vista os objetivos fundamentais elencados para a sua disciplina. envolvendo as ações e situações. de decisões sobre a organização. nos projetos. adiciona.

nos discursos e nas práticas escolares. professor de currículos que são multiculturais. O trabalho com populações culturalmente discrepantes desse padrão. Ignorar a diversidade. por inerência. e sempre foi. nas ideologias pessoais em relação às diferenças humanas. Contempla os conhecimentos. por um lado. de modos muito diferenciados. processualmente e sucessivamente. enquanto variável constante na construção e realização do currículo. os novos diplomados colocam a incidência da sua formação no elenco de competências para o trabalho com classes situadas num padrão cultural de referência.social.Diante da constatação de necessidades contemporâneas. os eixos temáticos referentes aos estudos em andamento incorporam a preocupação dos educadores com a necessidade de um currículo que contemple a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS 15 . mais ou menos lateral ou oculta. de um currículo multicultural a que alguns professores deverão recorrer. a existência de um currículo oficial de um certo ciclo. qualquer professor é. a prevalência de uma concepção de currículo dirigido a grupos definidos por uma suposta uniformidade cultural e social para os quais todos os professores devem ser formados e. multicultural seja qual for o sentido que queiramos atribuir à raiz (cultura) do termo. estão unidas e ligadas pelo sentido da totalidade. numa sociedade e num certo momento. A multiculturalidade é. Um currículo. por inerência. o conhecimento deve ser construído e reconstruído. quando a composição das classes for marcadamente discrepante daquela uniformidade. porque o ser humano é ser de múltiplas dimensões e aprendem em tempos e em ritmos diferentes. são consideradas relevantes tendo em conta as características da população escolar e as finalidades do sistema educativo. de modo mais ou menos implícitos. inclusiva e pluralista do currículo. é. e o conhecimento deve ser abordado em uma perspectiva de totalidade. ainda. qualquer currículo. A análise de alguns dados sobre a multiculturalidade em alguns cursos de formação inicial de professores. hoje. no discurso pedagógico e social em relação à multiculturalidade que. uma dimensão essencial da coerência do currículo. A formação inicial constitui a etapa estruturante de concepções coerentes e pluralistas do currículo. reforçaram o peso da diversidade e colocaram-na no centro do debate e das práticas educativas. o currículo tem. freqüentemente. As transformações demográficas e culturais ocorridas nas duas últimas décadas. quaisquer que sejam. dicotomias curriculares quando entram em jogo variáveis multiculturais. As raízes da persistência desta dicotomia encontram-se no peso das práticas monoculturais anteriores. descontínua e pouco integrada. Tem tido um peso significativo nas unidades curriculares da área das Ciências Sociais. reforça-os no sentido da afirmação de uma concepção coerente. o contributo de peças associadas à multiculturalidade. que faz sentido como um todo e cujas peças. é entendido como uma adaptação das competências exigidas pelo trabalho com classes padrão ou por competências adicionais a usar e desenvolver face aos contextos multiculturais. No entanto prevalecem. as atitudes e as competências que. Hoje. ano ou disciplina e. por outro. e currículo e avaliação. a concepção e realização das melhores formas de adequar o currículo à diversidade dos seus destinatários. Enquanto totalidade integrada. significa ignorar muitos daqueles saberes e atitudes bem como o princípio da igualdade de oportunidades educativas. CURRÍCULO E MULTICULTURALIDADE O currículo "coerente" é aquele que permanece uno. é hoje. as ignora. a sua versão multicultural. Dicotomias que indiciam. por outro. acentua as diferenças e na formação de professores que. mostra que o tema é. por um lado. Embora reconhecendo teoricamente a importância da multiculturalidade na gestão do currículo. É condição para uma concepção una. e orienta para concepções dicotômicas do currículo. una e pluralista do currículo e tornando mais óbvia a necessidade de incluir a vertente multicultural na preparação e no desempenho profissional de professores. em particular na Sociologia da Educação. parte dessa formação mas indicia que a sua abordagem é ainda bastante avulsa. A razão de ser e grande finalidade da teoria e da prática de organização e desenvolvimento curricular. como souberem e puderem. menos em Desenvolvimento Curricular e em algumas metodologias de ensino e é frágil na Intervenção/Prática Educativa. Não será a crescente diversificação cultural da sociedade e das escolas que altera estes princípios. Ou. freqüentemente. cada vez mais. Antes.

juntos. das teses e estratégias que estavam sendo formuladas nos foros internacionais mais significativos na área da melhoria da educação básica. 5. a Conferência de Jomtien é um marco político e conceitual da educação fundamental. a crianças. pela Unesco. pelo governo federal brasileiro. tendo em vista o novo cenário social advindo da sociedade da informação.Documento elaborado em 1993 pelo Ministério da Educação (MEC) destinado a cumprir. em 1990. cujo objetivo mais amplo é assegurar. Fortalecer os espaços institucionais de acordos. social. com eqüidade. jovens e adultos. Unicef. no período de uma década (1993 a 2003). num encontro promovido pela Unicef e pelo Banco Mundial e que reuniu os nove países mais populosos do Terceiro Mundo Tailândia. Estabelecer canais mais amplos e qualificados de cooperação e intercâmbio educacional e cultural de caráter bilateral. As idéias contidas no Plano Decenal. especialmente as necessidades do mundo do trabalho. Lá o documento foi aprovado pelas duas organizações internacionais. Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das crianças. política e cultural do país. Dessa forma. em todas as pessoas. O Plano Decenal de Educação para Todos foi apresentado pelo governo brasileiro em Nova Delhi. Nesse sentido. Em seu conjunto. provendo-lhes as competências fundamentais requeridas para a participação na vida econômica. que também ajudaram a elaborar a Declaração de Nova Delhi. PNUD e Banco Mundial. 3. a educação fundamental tem sido considerada um "passaporte para a vida". 6. Os objetivos do Plano Decenal de Educação para Todos são lembrados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. para que possam viver em ambientes saturados de informações e continuar aprendendo. de garantir a satisfação das necessidades básicas de educação de seu povo. O plano expressa sete objetivos gerais de desenvolvimento da educação básica: 1. Índia. possuem mais da metade da população mundial. 7. devendo desenvolver. Ampliar os meios e o alcance da educação básica. Egito. México. expressam-se no Plano Decenal de Educação para Todos. Universalizar. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO — PDE 16 . o Plano Decenal marca a aceitação formal. Nigéria e Indonésia . Esse documento é considerado "um conjunto de diretrizes políticas voltado para a recuperação da escola fundamental no país". Incrementar os recursos financeiros para manutenção e para investimentos na qualidade da educação básica. Favorecer um ambiente adequado à aprendizagem. Bangladesh. conferindo maior eficiência e eqüidade em sua distribuição e aplicação. portanto. 4. Paquistão. jovens e adultos. na luta pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos. Segundo o Plano. multilateral e internacional. as oportunidades de alcançar e manter níveis apropriados de aprendizagem e desenvolvimento. recomendando o empenho de todos os países participantes em sua melhoria. "os compromissos que o governo brasileiro assume. um corpo de conhecimentos essenciais e um conjunto mínimo de competências cognitivas. têm origem na preocupação da comunidade internacional com a educação. parcerias e compromisso. constituindo-se em um compromisso da comunidade internacional em reafirmar a necessidade de que "todos dominem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem". aprovada em 1996. 2. estabelecendo posições consensuais entre os nove países participantes. Brasil. conteúdos mínimos de aprendizagem que atendam a necessidades elementares da vida contemporânea".que. as resoluções da Conferência Mundial de Educação Para Todos. na Tailândia. realizada em Jomtien. ao consolidar e ampliar o dever do poder público com a educação em geral e em particular com o ensino fundamental. até o ano 2003.

. formar novos docentes e propiciar formação continuada.Piso do magistério: definição do piso salarial nacional de 850 reais para os professores. melhoria da infra-estrutura física.Estágio: alterações nas normas gerais da Lei do Estágio para beneficiar alunos da Educação Superior.Salas multifuncionais: ampliação de números de salas e equipamentos para a Educação Especial e capacitação de professores para o atendimento educacional especializado. e os jovens de 15 a 29 anos. como Luz para todos. no contra turno de sua atividade. os alunos do Ensino Médio terão acesso a obras literárias no local em que estudam. . As ações deverão ser desenvolvidas conjuntamente pela União. 17 . A alfabetização de jovens e adultos será. estados e municípios. .Educação profissional: os Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFETs) reorganizarão o modelo da educação profissional e atenderão as diferentes modalidades de ensino. em um prazo de quinze anos.Gosto de ler: a Olimpíada Brasileira da Língua Portuguesa será realizada em 2008 e pretende resgatar o prazer da leitura e da escrita no Ensino Fundamental. com o objetivo de melhorar a Educação no País. que concentra 90% dos municípios com altos índices de analfabetismo. por meio de um sistema nacional de ensino superior à distância. reestruturação e aquisição de equipamentos nas creches e pré-escolas.Índice de qualidade: avaliará as condições em que se encontra o ensino com o objetivo de alcançar nota seis no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). . .O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi aprovado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministro da Educação Fernando Haddad em 24 de abril de 2007.Brasil Alfabetizado: terá dois focos: a Região Nordeste. feita por professores das redes públicas.Acesso facilitado: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) aumentará o prazo para o aluno quitar o empréstimo após a conclusão do curso. . O prevê várias ações que visam identificar e solucionar os problemas que afetam diretamente a Educação brasileira.Educação Superior: duplicar as vagas nas universidades federais. ampliar e abrir cursos noturnos e combater a evasão são algumas das medidas. . que vai do Ensino Infantil ao Médio. .Luz para todos: programa no qual as escolas terão prioridade. . .Transporte escolar: Caminho da Escola é o novo programa de transporte para alunos da Educação Básica que residem na zona rural. prioritariamente.Provinha Brasil: instrumento de aferição do desempenho escolar dos alunos de seis a oito anos. . mas vai além por incluir ações de combate a problemas sociais que inibem o ensino e o aprendizado com qualidade. .Formação: o programa Universidade Aberta do Brasil. visa capacitar professores da Educação Básica pública que ainda não têm graduação.Proinfância: construção. em todas as suas etapas. do ensino profissionalizante e médio. . O plano Compromisso Todos Pela Educação propõe as diretrizes e estabelece as metas para as escolas das redes municipais e estaduais de ensino. . entre outros. Ações do PDE: .Biblioteca na escola: com a criação desse programa. Saúde nas escolas e Olhar Brasil. A prioridade é a Educação Básica.

Acessibilidade: as universidades terão núcleos para ampliação do acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços. . . em instituições próprias” (§ 1º) que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. que engloba 60 obras de mestres brasileiros e estrangeiros. . crianças e jovens de zero a dezoito anos atendidas pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC).Censo pela Internet: com o levantamento do Educacenso. Esta lei.Pós-doutorado: jovens doutores terão apoio do governo para continuar no Brasil. ambientes. os gestores conhecerão detalhes da Educação do Brasil.Cidades-pólo: o Brasil terá 150 novas escolas profissionais. As escolas urbanas só receberão a verba se cumprirem as metas estabelecidas. . em especial. materiais e processos. A ação faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. predominantemente. que se desenvolve. aprovada após oito anos de discussão comandada pelo Congresso Nacional. Em seu artigo 1º. Os estudos que faremos sobre o sistema escolar brasileiro devem ser sempre baseados na lei nº 9 394/96. .Dinheiro na escola: todas as escolas de Ensino Fundamental Pública Rural receberão a parcela extra de 50% do Programa Dinheiro Direto na Escola. .Educação Especial: monitorar a entrada e a permanência na escola de pessoas com deficiência. .Guia de tecnologias: as melhores experiências tecnológicas educacionais serão um referencial de qualidade para utilização por escolas e sistemas de ensino. . . terão mais atividades no contra turno e ampliação do espaço educativo. será doada para as escolas e bibliotecas públicas da Educação Básica. O SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO Atualmente o sistema escolar brasileiro é regido pela lei nº 9394/1996. . .. após declarar que a educação abrange “os processos formativos” que se desenvolvem em todas as instâncias da vida social. obrigatória pela lei de 1971). com o objetivo de efetivar a política de acessibilidade universal. . revogou as leis nº 4 024/61 (que foi nossa primeira lei de diretrizes e bases da educação. que receberão óculos gratuitamente. por meio do ensino.Professor-equivalente: a própria universidade poderá promover concurso público para a contratação de professores nas universidades públicas federais.Saúde nas escolas: o Programa Saúde da Família atenderá alunos e professores para prevenir doenças e tratar outros males comuns à população escolar sem sair da escola.Mais Educação: alunos passarão mais tempo na escola.Concurso: prevê a realização de concursos públicos para ampliação do quadro de pessoal do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da expansão da rede profissional. NÍVEIS DE ENSINO 18 .Olhar Brasil: o programa identificará os estudantes com problemas de visão. a lei nº 9 394/96 afirma destinar-se a disciplinar “a educação escolar. . e nº 7044/82 (que tornou opcional a profissionalização no 2º grau. com o objetivo de incentivar a leitura. que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.Inclusão digital: todas as escolas públicas terão laboratórios de informática. a pesquisa e a busca pelo conhecimento. nos dispositivos que ainda vigoravam).Coleção educadores: a coleção Pensadores. nº 5 692/71 (que estabelecia as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º grau).

Em linhas gerais. Será oferecida em creches. “a educação infantil. Educação superior. Tem a duração de oito anos letivos e é obrigatório. vencem aqueles que desfrutam de melhores condições socioeconômicas. deve ter um mínimo de 800 horas anuais em 200 dias de efetivo trabalho escolar (arts. Administração. Educação. e em pré-escolas (de quatro a seis anos). que instituiu a profissionalização compulsória. Ensino Médio. em todos os níveis. 24). então. é que os ricos. compreendendo programas de mestrado e doutorado. o que pode acontecer é o seguinte: Educação infantil. Embora. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Ao contrário da lei nº 5 692/71. IV – de extensão. III – de pós-graduação. Educação Superior. e gratuito na escola pública (art. de diferentes níveis de abrangência. II – de graduação. Jornalismo. 40). e da clientela”. da economia. diversificando-se gradualmente até alcançar uma especialização em nível superior. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. abrangerá os seguintes cursos e programas: I – cursos seqüenciais por campo de saber. As vagas para os cursos superiores. ou entidades equivalentes (até três PDEanos de idade). as matérias são praticamente as mesmas em todas as escolas de ensino fundamental do país. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. e da lei nº 7 044/82. da cultura . O desejável seria que a educação fosse pública e gratuita para todos. ainda são bastante limitadas. intelectual e social. pela lei (art. que deixou em aberto a opção pela formação profissional nesse nível do ensino. aprimoramento do educando como pessoa humana e compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos (art.32). aperfeiçoamento e outros. formação básica para o trabalho e a cidadania. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. articulados ou não com o ensino regular (art. psicológico. complementando a ação da família e da comunidade”. Medicina. 21) a educação escolar compõe-se da educação básica (educação infantil. 24 e 32). conforme o artigo 30. MODALIDADES DE ENSINO O ensino oferecido pelo sistema escolar brasileiro começa por uma base comum para todos. Direito. ensino fundamental e ensino médio) e da educação superior: Educação infantil. Geralmente. Ensino fundamental. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. O que acontece.De acordo com a lei (art. GESTÃO ESCOLAR 19 . em no mínimo 800 horas e 200 dias anuais de efetivo trabalho escolar (art. Uma série de modalidades são oferecidas no ensino superior. a lei nº 9 394/96 atribui ao ensino médio um caráter de formação geral básica: consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos. que poderiam pagar. Artes Plásticas. Economia. Ensino fundamental. principalmente nas escolas públicas e gratuitas. Ao menos. Conforme o artigo 44. sendo disputadas por muitos candidatos. Geografia são apenas algumas entre as muitas habilitações oferecidas. não pagam. cursos de especialização. seja constituído de uma “base nacional comum. em seus aspectos físico. Em parte isso acontece porque os sistemas de ensino e os estabelecimentos escolares têm dificuldades em adaptar-se às características culturais e sociais diversificadas coexistentes em nosso país.35). História. já que dispõem de melhores meios de estudar. Para crianças até seis anos de idade. A educação profissional será feita em cursos específicos. na maioria das vezes. enquanto os pobres só conseguem fazer um curso superior em escolas particulares e com muita dificuldade. primeira etapa da educação básica. Ensino Médio. Deve ter a duração mínima de três anos (art. 35). De acordo com o artigo 29 da lei 9394/96. é praticamente igual para todos. que sempre termina por uma especialização profissional. por uma parte diversificada. 26).

394/96. atividades de secretaria). ainda. Propõe metas a serem atingidas. suas incumbências modificaram-se. agora não mais embasada nas conjeturas da administração. de seus recursos materiais e financeiros. direitos e deveres. um marco normativo foi a Constituição Federal de 1988 que institucionalizou a “Gestão Democrática do Ensino Público”. 12 da LDB).A Gestão Escolar. Art. o norte da escola. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas. com efeito. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe). metas. Conseqüentemente. sendo dessa forma assegurada como o princípio da educação pública. é um termo recente. Avalia o desempenho dos alunos. outras medidas são previstas em lei com o objetivo de promover uma cultura de sucesso escolar para todas as crianças. O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. • Acima de qualquer outra dimensão é incumbência da escola zelar pelo ensino e a aprendizagem.relativamente recente . costuma-se classificar a Gestão Escolar em 3 áreas. em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. PARTICULARIDADES DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR A partir de então. sim. surge para assegurar o princípio da Gestão Democrática do Ensino Público. Parte do Plano Escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos. Elabora os conteúdos curriculares. definindo caminhos e rumos que uma determinada comunidade busca para si e para aqueles que se agregam em seu torno. nesse mesmo sentido. reflete as transformações oriundas de um determinado contexto histórico. propriamente dita. O conceito de Gestão Escolar . Cuida de gerir o área educativa. a escola passa a ter uma nova função social. plano de aula. Essa é a primeira das leis de educação a dispensar atenção particular à gestão escolar.é de extrema importância. nos princípios da Gestão. AUTONOMIA DAS ESCOLAS É importante salientar um importante aspecto da gestão escolar que é a autonomia das escolas para prever formas de organização que permitam atender as peculiaridades regionais e locais. que vem unir forças com a Constituição de 1988. por possuir um caráter mais democrático. anteriormente nomeada Administração Escolar. 23).Para fim de melhor entendimento. do corpo docente e da equipe escolar como um todo. e com o mesmo objetivo. A mudança de denominação não foi apenas na escrita. mas também de concepções teóricas a respeito dessa atividade. a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. esta se situa no âmbito da escola e diz respeito a tarefas que estão sob sua esfera de abrangência. que é a sua razão de ser. na medida em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos. de modo integrado ou sistêmico: GESTÃO PEDAGÓGICA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS GESTÃO ADMINISTRATIVA 1. oferecendo. A proposta pedagógica é. Estabelece objetivos para o ensino. gerais e específicos. • A escola tem como tarefa especifica a gestão de seu pessoal. pois esta se relaciona aos diferentes momentos da história que varia ao longo do tempo.Suas 20 . como detalha Vieira (2005): • A elaboração e a execução de uma proposta pedagógica são as primeiras e as principais das atribuições da escola. mas. às diferentes clientelas e necessidades do processo de aprendizagem (LDB. Gestão Pedagógica: É o lado mais importante e significativo da gestão escolar. Define as linhas de atuação. A partir dessa lei a organização escolar ganha um novo perfil. e. Segundo Vieira (2005). • Uma importante dimensão da gestão escolar é a relação com a comunidade (Art. e assume distinta configuração na política educacional. Outro marco foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9. embora muitas de suas funções que hoje lhe são atribuídas já existissem. Gestão Administrativa: Cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar. avaliação e treinamento da equipe escolar. da escola e da educação escolar. plano de curso. 2. funcionando interligadas. Origem Normativa No Brasil. além disso. dos objetivos e o cumprimento de metas.

não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar. espiritual e social. A organização acima . corpo técnico. devem atuar integradamente. formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. por lei ou por outros meios. Art. CAPÍTULO IV . Parágrafo único. 28.Direitos. assegurando-se-lhes. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. a gestão de pessoal . em condições de liberdade e de dignidade.alunos. podendo ser deferida. Art. 53 .de professores. pois. Art. assegurando-se-lhes: I . inclusive aos pais. todas as oportunidades e facilidades. III .Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado.direito de ser respeitado por seus educadores. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. 21 . Parágrafo único.estão previstos no Regimento Escolar. Art.de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola. mantê-las trabalhando satisfeitas. mental. atribuições . na realidade escolar. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente. Art. conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros. 2º Considera-se criança.gestões pedagógica. exceto no de adoção por estrangeiros. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. para os efeitos desta Lei. contornar problemas e questões de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança .em termos de fracasso ou sucesso . Art. 25. 33. alunos. deveres. as três não podem ser separadas mas.correspondem a uma formulação teórica. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda. rendendo o máximo em suas atividades. de forma a garantir a organicidade do processo educativo. nos procedimentos de tutela e adoção. aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa. ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar. a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa. moral. administrativa e de recursos humanos . 3. Nos casos expressos em lei. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA – Lei 8069/90 Art. isto sim. moral e educacional à criança ou adolescente. pais e comunidades . a pessoa até doze anos de idade incompletos. explicativa. II . lidar com pessoas.especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar.Sem dúvida. AO ESPORTE E AO LAZER . 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. nos termos desta Lei.A criança e o adolescente têm direito à educação. equipe escolar e comunidade) constitui a parte mais sensível de toda a gestão. tutela ou adoção. liminar ou incidentalmente. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. A guarda obriga a prestação de assistência material. À CULTURA.DO DIREITO À EDUCAÇÃO.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal.direito de contestar critérios avaliativos. sem prejuízo de outras providências legais. podendo recorrer às instâncias escolares superiores. § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato. Gestão de Recursos Humanos: Não menos importante que a Gestão Pedagógica. 13. nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas.ECA Art. pessoal administrativo.

a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ele ter passado pela formação "teórica". VII .maus-tratos envolvendo seus alunos. VI . estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais. ao se pensar um currículo de formação. esgotados os recursos escolares.O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. Art. 55 . 57 . é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. A profissão de professor precisa combinar sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais.oferta de ensino noturno regular. didática e avaliação. § 2° . ao longo do curso. tanto na disciplina especifica como nas disciplinas pedagógicas. Art.Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino. experiências e novas propostas relativas a calendário. é um dos aspectos centrais na formação do professor. com apoio dos Estados e da União.atendimento no ensino fundamental. artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente. 56 . através de programas suplementares de material didáticoescolar.acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência.O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente. com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório. Parágrafo Único .reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar.atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade. IV . Art.É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico.direito de organização e participação em entidades estudantis. alimentação e assistência à saúde. a ênfase na prática como atividade formadora aparece.Os Municípios. preferencialmente na rede regular de ensino. segundo a capacidade de cada um.IV . § 3° . V . esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude.atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. Por essa razão. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. II . 54 .Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I . como exercício formativo para o futuro professor. Desde o ingresso dos alunos no curso. metodologia. III .progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio.elevados níveis de repetência. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. como 22 . § 1° . em termos mais amplos. O caminho deve ser outro. Isso significa ter a prática. obrigatório e gratuito. junto aos pais ou responsável. 59 . em boa parte dos cursos de licenciatura.No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais. Entretanto. transporte. Art. fazer-lhes a chamada e zelar. bem como participar da definição das propostas educacionais. currículo.Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental. III .acesso aos níveis mais elevados do ensino.O Poder Público estimulará pesquisas. V . da pesquisa e da criação artística. Art. Atualmente. adequado às condições do adolescente trabalhador. II . pela freqüência à escola.É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I . serração. à primeira vista.ensino fundamental. 58 . Art. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura. FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão essencial o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática.

Na perspectiva construtivista de Piaget. entendendo por ambiente os espaços sociais. ou seja. pega outros que estão por perto). transformando isso em conhecimento seu. o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobre o objeto. Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. da capacidade chamada de assimilação recognitiva ou reconhecedora. selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma de estrutura. FARIA salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento. Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo. a criança identifica os objetos que pode ou não pegar. indo os professores à universidade para uma reflexão mais apurada sobre a prática. são: maturação. concluindo que. na EAPE TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Formado em Biologia. tendo a necessidade de serem repetidos (a criança pega várias vezes o mesmo objeto). possibilitando pensar as disciplinas com base no que pede a prática. também chamada de assimilação generalizadora (a criança não pega apenas um objeto. de acordo com as relações que estabelecemos com o meio físico. é o processo pelo qual as idéias. transmissão ou experiência social. a formação continuada. capazes de construir nossas próprias características. o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio. social e cultural. o conhecimento é a equilibração/reequilibração entre assimilação e acomodação. mas complementares. 23 . também. a articulação entre formação inicial e formação continuada. entre os indivíduos e os objetos do mundo. Os esquemas cognitivos conduzem à formação da inteligência. O desenvolvimento seria fruto da aprendizagem e esta aconteceria por condicionamento. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito. sendo que o organismo discrimina entre estímulos e sensações. A adaptação possui dois mecanismos opostos. históricos e culturais. costumes são incorporadas à atividade do sujeito. são modos de sentir que se adquire juntamente às ações exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. a criança reconstrói suas ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. As formas de conhecer são construídas nas trocas com os objetos. existe também uma relação evolutiva entre o sujeito e o seu meio.Fruto de uma ciência positivista.o desenvolvimento humano é resultado de uma interação de fatores biológicos e ambientais. que podem ou não dar algum prazer a ela. Segundo Piaget. A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio. Através da discriminação progressiva dos objetos. Concepção ambientalista . Segundo FARIA (1998). ou seja. a criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor gradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouve. A adaptação ocorre através da organização. ou seja. tendo uma melhor organização em momentos sucessivos de adaptação ao objeto. A criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve. sujeito-objeto. Para ele. situação em que o cognitivo está em supremacia em relação ao social e o afetivo. Em ambos os casos. por controle do ambiente. estamos diante de modalidades de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos de trabalho. Significa. a pode ser feita na escola a partir dos saberes e experiências dos professores adquiridos na situação de trabalho. segundo Piaget. a criança constrói sua realidade como um ser humano singular. os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. Ou seja. Por um lado. Outra propriedade do esquema é a ampliação do campo de aplicação. Fonte: aula professora Andrea Studart. passando a falar de forma compreensível. experiência física e lógico-matemática. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM Quais são as concepções de desenvolvimento? Concepção inatista – É inspirada nas teorias de Darwin e explica o desenvolvimento humano como resultado único de informações biológicas. Somos sujeitos ativos. articula-se com a formação inicial. equilibração. Por outro. entende que o desenvolvimento acontece por causa do ambiente. os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo.referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções a respeito. é algo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. A aprendizagem não influencia o desenvolvimento. Os esquemas afetivos levam à construção do caráter. ou seja. ou seja. cai por terra aquela idéia de que o estágio é aplicação da teoria. Concepção interacionista . pessoas. que garantem o processo de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação.

é um processo ativo de auto-regulação. através de assimilações e acomodações. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. O que promove este movimento é o processo de equilibração. através de estágios diferentes um do outro. deve passar por várias fases de desenvolvimento psicológico. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. o falante passa por pensamento autístico. uma ação com outras ações. mas terá que modificar o esquema para chupeta. o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. No processo de egocentrismo. Dolle (1993). valores e sentimentos. 24 . a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. estando o pensamento e a linguagem centrados na criança. Para Piaget. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. A cada adaptação constituída e realizada. construindo acomodações e assimilações. O processo de desenvolvimento mental é lento.motivação. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. assimilando tudo para si e ao seu próprio ponto de vista. uma criança que já construiu o esquema de sugar. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM PARA PIAGET Ao elaborar a teoria psicogenética. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. sejam eles do mundo físico ou cultural. supondo a atuação do sujeito sobre o meio. A criança vai usando o sistema. A aprendizagem é sempre provocada por situações externas ao sujeito. para a criança adquirir pensamento e linguagem. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. Piaget afirma que. a partir da adolescência. Piaget chamou de acomodação. o indivíduo pode olhar como desafio. A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. Para que esta adaptação se torne abrangente. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. lógico-dedutivo. Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente. Diante de um estímulo. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. e período da inteligência operatório-formal. o indivíduo deverá equilibrar uma descoberta. ”A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. fala egocêntrica para atingir o pensamento lógico. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. Essas duas experiências estão inter-relacionadas. ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora. Com sucessivas aproximações. promove a reversibilidade do pensamento. isto é. fica curioso. ela já tem esquemas assimilados. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. de maneira que é necessário investigar. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. a moral. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). mediante experiências. partindo do individual para o social. período da inteligência operatória-concreta. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. Por isso. Ela poderá ser: experiência física . pela sua própria estrutura mental. sendo o egocentrismo o elo de ligação das operações lógicas da criança. motivado e. A base do processo de equilibração está na assimilação e na acomodação. é também possível graças à atividade do sujeito. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. instigado. A educação é um processo necessário. Segundo Piaget. com maior facilidade utiliza a mamadeira. a lógica. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. comer com colher. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. conceito central na teoria construtivista. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico.comporta ações diferentes em função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre esses objetos para descobrir as propriedades que são abstraídas deles próprios. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. uma suposta falta no conhecimento. Também será mais fácil para essa criança. interesses e valores. Segundo ele. período da inteligência pré-operatória. embora seja estimulado pelo objeto. é o produto das ações do sujeito sobre o objeto. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém”. até o pensamento formal. uma é condição para o surgimento da outra. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. tanto intelectual como moral. a criança vê o mundo a partir da perspectiva pessoal. etc. resulta da coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e da tomada de consciência dessa coordenação. que Piaget destaca. A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função da experiência e que terá caráter imediato. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. ou seja. e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre os objetos de modo a descobrir propriedades e relações que são abstraídas de suas próprias ações.

no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". O autor estudou a criança contextualizada. tornando-se habilitada à representação da realidade. lentamente. mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”. No simulacro. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. Este salto qualitativo da passagem do ato imitativo concreto e a representação é chamado de simulacro. suas condições de existência. tautologia e elisão. a criança voltase a questões pessoais. para ele.TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE HENRY WALLON A criança. As emoções intermediam sua relação com o mundo. por pelo menos três anos. aparece a imitação inteligente. a qual constrói os significados diferenciados que a criança dá para a própria ação. Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. os significados próprios. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. Assim como Vygotsky. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. porém. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. retrocessos. que emerge da imitação motora-gestual ou motricidade emocional. no estágio personalístico. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. predominam as atividades de investigação. Dos 3 aos 6 anos. No estágio da adolescência. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. isto é. Ainda conforme GALVÃO é nesse estágio que se intensifica a realização das diferenciações necessárias à redução do sincretismo do pensamento. sofre crises. a criança está voltada novamente para si própria. No estágio sensório-motor. com seu mundo sócio-afetivo. Os fenômenos típicos do pensamento sincrético são: fabulação.No início do desenvolvimento existe uma preponderância do biológico e após o social adquire maior força. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. Aos 6 anos a criança passa ao estágio categorial trazendo avanços na inteligência. faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. Para isso. morais. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. por isso. Segundo GALVÃO (2000). As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. construindo suas próprias emoções. contradição. Wallon acredita que o social é imprescindível. via expressões tônicas. Durante esse período. VYGOTSKY 25 . a criança desdobra. Essa é a forma pela qual a criança se desloca da inteligência prática ou das situações para a inteligência verbal ou representativa. definido pela simbiose afetiva da criança em seu meio social. como um movimento que tende ao crescimento De acordo com GALVÃO no primeiro ano de vida. Na gênese da representação. permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente). exploração e conhecimento do mundo social e físico. A criança começa a negociar. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. Esta redução do sincretismo e o estabelecimento da função categorial dependem do meio cultural no qual está inserida a criança. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. Imitando. A parte cognitiva social é muito flexível. é um desenvolvimento conflituoso. para Wallon. Neste estágio predominam as relações cognitivas da criança com o meio. Pela imitação. as ações da criança não mais precisarão ter origem na ação do outro. através da ação e interpretação do meio entre humanos. sendo este descontínuo e. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. Nessa fase. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE LEV S. que é a imitação em ato. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. conflitos. sofisticar. a criança coloca-se em oposição ao outro num mecanismo de diferenciar-se. Antes do surgimento da linguagem falada. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. o estágio impulsivo-emocional. assim como Piaget. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. A criança. Do estágio sensório-motor ao projetivo (1 a 3 anos). podendo voltar-se para a imitação de cenas e acontecimentos. a criança interage com o meio regida pela afetividade. A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os elementos para evoluir. isto é. não existindo linearidade no desenvolvimento. rupturas. forma-se uma ponte entre formas concretas de significar e representar e níveis semióticos de representação. predominando a afetividade. ela vai “desprender-se” do outro.

signos são meios que auxiliam/facilitam uma função psicológica superior (atenção voluntária. Essa teoria apóia-se na concepção de um sujeito interativo que elabora seus conhecimentos sobre os objetos. que é a família. ao mesmo tempo que a criança passa a entender a fala do outro e a usar essa fala para regulação do outro. Para Vygotsky. na interação com adultos mais capazes da cultura que já dispõe da linguagem estruturada. o desenvolvimento caminha do nível social para o individual. que é dirigida ao sujeito e não a um interlocutor externo. o surgimento da fala egocêntrica indica a trajetória da criança: o pensamento vai dos processos socializados para os processos internos. a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem. no nível interpsicológico) e. o homem se produz na e pela linguagem. Vygotsky chama isto de fase pré-verbal do desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. como diz VYGOTSKY (1987). generalizante. o grupo cultural fornece ao indivíduo um ambiente estruturado onde os elementos são carregados de significado cultural. é a forma de linguagem interna. planejem uma solução para um problema e controlem seu comportamento. Os signos internalizados são compartilhados pelo grupo social. se desenvolve mediante um lento acúmulo de mudanças estruturais. A relação entre homem e mundo é uma relação mediada. a criança tem a capacidade de resolver problemas práticos (inteligência prática).). atingindo a fala interior que é pensamento reflexivo. As funções psicológicas superiores aparecem. Desta maneira. portanto. sempre mediado por significados fornecidos pela linguagem. sendo assim. o pensamento e a linguagem iniciam-se pela fala social. sendo 26 . um objeto social. Segundo Vygotsky. as relações sociais e a utilização de instrumentos. tornem-se estruturas básicas de seu próprio pensamento. isto é. Para Vygotsky. A capacidade humana para a linguagem faz com que as crianças providenciem instrumentos que auxiliem na solução de tarefas difíceis. duas vezes: primeiro. tornando-a sua. etc. sendo produzido na intersubjetividade e marcado por condições culturais. assim como os instrumentos. no nível social (entre pessoas. é na interação com outros sujeitos que formas de pensar são construídas por meio da apropriação do saber da comunidade em que está inserido o sujeito. exige-se a utilização de instrumentos para transformar a natureza e. e o pensamento torna-se verbal. e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. O conhecimento tem gênese nas relações sociais. no contexto das situações imediatas. de fazer uso de determinados instrumentos para alcançar determinados objetivos. desenvolve a atividade coletiva.Para Vygotsky. no desenvolvimento da criança. Essas duas mudanças são essenciais e evidenciam o quanto são importantes as relações sociais entre os sujeitos na construção de processos psicológicos e no desenvolvimento dos processos mentais superiores. Esse impulso é dado pela inserção da criança no meio cultural. a criança torna-se capaz de atuar sobre suas próprias ações por meio da fala. permitindo o aprimoramento da interação social e a comunicação entre os sujeitos. ou seja. a criança nasce inserida num meio social. Para ele. na qual. A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e pessoais. No início do desenvolvimento. Por volta dos 2 anos de idade. sociais e históricas. A fala interior não tem a finalidade de comunicação com outros. ela começa a falar para si mesma. no nível individual (no interior da criança. no nível intrapsicológico). em um processo mediado pelo outro. assim. então. Signos e palavras são para as crianças um meio de contato social com outras pessoas. Durante esse processo. formação de conceitos. ou discurso interior. ampliando as possibilidades de transformar a natureza. estas são complexas e articuladas. Esta vai usando a fala de forma a afetar a ação do outro. ou seja. entre o homem e o mundo existem elementos que auxiliam a atividade humana. ocorrem duas mudanças qualitativas no uso dos signos: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. a ação coletiva. que une a natureza ao homem e cria. Como visto. Segundo Vygotsky. A fala interior. Os signos também auxiliam nas ações concretas e nos processos psicológicos. é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal. Os instrumentos são utilizados pelo trabalhador. a fala do outro dirige a ação e a atenção da criança. passando pela fala egocêntrica. Os significados das palavras fornecem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. fazendo com que as estruturas de fala que a criança já domina. Esta fala interior. antes dessa associação. Nas interações cotidianas. O trabalho humano. constitui-se como uma espécie de “dialeto pessoal”. Sendo assim. Estes elementos de mediação são os signos e os instrumentos. A internalização é relacionada ao recurso da repetição onde a criança apropria-se da fala do outro. para ele. Porém. Pensamento e linguagem associam-se devido à necessidade de intercâmbio durante a realização do trabalho. depois. a cultura e a história do homem. a comunicação social. da mesma forma. memória lógica. sendo capazes de transformar o funcionamento mental. A fala para si mesma assume a função autoreguladora e. exige-se o planejamento. Os sistemas simbólicos organizam os signos em estruturas. com função simbólica. a fala da criança torna-se intelectual. Vygotsky destaca a importância da cultura. as formas de mediação permitem ao sujeito realizar operações cada vez mais complexas sobre os objetos.

É apenas pela relação da criança com a fala do outro em situações de interlocução. Comportamento agressivo na escola vem se tornando um dos vários fatores que atrapalham a aprendizagem atualmente. Ele explica esta conexão entre desenvolvimento e aprendizagem através da zona de desenvolvimento proximal (distância entre os níveis de desenvolvimento potencial e nível de desenvolvimento real). chegar a dominá-los por si mesma (nível de desenvolvimento potencial). a agressividade não aparece só em escolas públicas. através da assistência e auxílio do adulto. É importante afirmar que não estamos falando somente de agressões físicas. aquele momento. Segundo VYGOTSKY (1989). tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. Os estudantes podem ter em casa um modelo de solucionar problemas de forma agressiva ou explosiva. Desta forma. Lima (1990). mas. já que não são somente as crianças que praticam ou sofrem agressões que se prejudicam nesse caso. pois tal atitude penderia para fazer da criança delatora 27 . por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio-interacionista. são sempre palavras do outro. abreviada. A preocupação fica ainda maior quando nos remete o fato de que a escola é um local onde as crianças estão para aprender regras e valores. AGRESIVIDADE E APRENDIZAGEM O crescente aparecimento de comportamentos agressivos nas escolas tem cada vez mais preocupado pais e principalmente professores. que a criança se apropria das palavras. Do mesmo modo que não se vê diferença entre as escolas da área rural e urbana nesse aspecto. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. ou seja. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. Esse processo passa por transformações que. A relação entre pensamento e palavra acontece em forma de processo. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. mais tarde poderá realizar sozinha. c) Segundo Vygotsky (1987). para com os colegas ou até mesmo com os professores. consegue chegar à zona de desenvolvimento proximal. quando apresentado por crianças. DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DESENVOLVIMENTO REAL PARA VYGOTSKY Para Vygotsky (1987). que. é fundamental que as práticas pedagógicas trabalhem no sentido de esclarecer a importância da fala no processo de interação com o outro. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam. constituindo-se em um movimento contínuo de vaivém do pensamento para a palavra e vice-versa. a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber. e o nível de desenvolvimento potencial. Esse comportamento. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional. costuma estar relacionado a problemas familiares. Causa ansiedade nas crianças expectadoras por nada poderem fazer para ajudar o colega agredido. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. E uma vez o comportamento aprendido. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras idéias que completa a idéia central. ele poderá ser reproduzido em todo lugar. com maior propriedade. VYGOTSKY diz que o pensamento nasce através das palavras. em si mesmas. um “espaço dinâmico” entre os problemas que uma criança pode resolver sozinha (nível de desenvolvimento real) e os que deverá resolver com a ajuda de outro sujeito mais capaz no momento. estamos tratando também de falas e atitudes hostis. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema.fragmentada. sendo que a linguagem funciona como mediador”. Temos de levar em consideração que as crianças que assistem a esses episódios agressivos tendem a experimentar sensações como o medo e a ansiedade. se utilizando a mediação. que sejam professores. visuais e reais. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. ajudando à criança a superar suas capacidades. Por isso. ou por outra criança mais velha. do conhecimento. aparece também nas escolas particulares. inclusive na escola. através dos “porquês” e dos “como”. aquele que ensina e a relação entre eles. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio-histórico da espécie. incluindo aquele que aprende. Quando o professor. Todo e qualquer processo de aprendizagem é ensino-aprendizagem. para em seguida. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. no início.

E grande parte das crianças sente medo de passar por tal situação. Se levar em consideração que os alunos possuem características comuns. em alguns casos é viável fazer um trabalho psicológico com o aluno agressivo. os métodos utilizados na sala de aula. a sua inquietude. o aluno deve manifestar livremente suas opinião e até mesmo ser estimulado a fazê . Cabe ao educador respeitar e despertar a curiosidade dos seus educandos. agir e refletir. Ser educador requer muita responsabilidade.. Assim. Para que a escola possa orientar os pais sobre como o comportamento da criança na escola pode ser reflexo do comportamento da família em casa. Além disso. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE 1999). sem perder sua autonomia.Uma relação afetiva com os seus alunos. tais como constituição física. a aprendizagem se torna intencionalmente significativa. o sucesso da aprendizagem se caracteriza como resultado da afetividade por parte do professor. O professor que desrespeita a curiosidade do educando. formas imaginárias. e a qualidade de nossa relação com os alunos podem ser determinantes para conseguir nosso objetivo profissional. quer se pretenda conscientemente quer não.). auxiliando-o a lidar com os problemas em casa e dessa forma fazendo com que a agressividade diminua. AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM Somos profissionais do ensino. Uma influência específica vem da relação do professor com os alunos (disponibilidade. Concretizar tudo isso não é fácil. onde possam existir trocas de experiências. descartar a frase: “na sala de aula. as características diferenciadas englobam alguns fatores. construindo uma relação interativa com os alunos. Vive-se em relação com as outras pessoas nas diversas esferas da vida. é necessária a mudança da prática educativa visando à formação do aluno e promovendo a sua participação: ver o aluno como um sujeito social com direitos e deveres. carinho. de maneira participativa e afetiva. As crianças. toda a turma sai prejudicada por essas circunstâncias. ao estudo. e ao trabalho. não implica diminuir a autonomia docente em sala de aula. interesse manifestado por todos os alunos. boa preparação das aulas. que manda que ‘ele se ponha no seu lugar (. a ênfase na emoção e na afetividade humana imprime ao professor a essência humanizadora de seu próprio ser. os alunos terão apatia ou simpatia pela disciplina que ele leciona. etc. 1999). se faz necessário um trabalho de parceria da escola com a família. Para que seu trabalho seja realizado com amor.. Cabe. buscamos seu êxito e não seu fracasso. Sendo assim. cada uma com maneiras diferentes de perceber. mas somente se estiver pautada na realidade concreta e iluminada pela esperança de 28 . Em outros casos mais agravados.. respeito e afeto. precisam ser recebidos com amor. da amizade e do respeito dos outros”. Saber lidar com elas é uma arte necessária ao sucesso de qualquer atividade humana. etc. mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia. antecedentes familiares e condições socioeconômicas. a sua linguagem. Segundo Tisatto e Simadon (2002). Como se pode perceber. paciência. nossa tarefa é ajudar os alunos em seu aprendizado. mais do que ninguém. comprometimento e muito amor pelo que faz. mas também em suas atitudes. mas também características diferenciadas entende-se que as características comuns são a manifestação pelo desejo de aprender e a expectativa de que a escola possa melhorar sua vida. podem influenciar notavelmente não só no aprendizado dos conteúdos ou habilidades dos alunos. precisam da ajuda do professor para uma interação com a escola e com outras crianças. Por outro lado. aparência. amor e afeto que o aluno terá sucesso na aprendizagem cognitiva.]” Quando o professor interage com os alunos de maneira afetiva. Essas sensações descritas não são adequadas para um ambiente de aprendizado. eu me limito a ensinar. assim. Muitas vezes. Para Werneck (2002): É preciso que ele ame o que faz e o espaço físico em que trabalha.. de interpretar o que está ao seu redor. e de como eles podem agir para reverter à situação. os exercícios. nível intelectual. execução e avaliação das matérias escolares. é preciso que este profissional esteja se identificando e se sinta realizado em sua profissão. Isto quer dizer que o aluno tem o direito de participar das atividades de planejamento. quando as crianças chegam à escola. O professor precisa saber buscar.lo sem medo de ser ignorado e/ou contrariado pelo professor. relaciono-me com os alunos apenas fora da classe [. assim como a respeito de si mesmos (MORALES. Conforme o professor se apresenta e ministra suas aulas. porque sua realização como pessoa não poderá construir-se estando embasada em ilusões. “todas as pessoas são merecedoras da confiança. Para solucionar ou amenizar o problema. o professor que ironiza o aluno que o minimiza. as práticas. oportunizando o acesso e a construção do conhecimento. Neste sentido. Pelo contrário. o professor estará respeitando o aluno. sociabilidade.). para que desse modo todos possam compartilhar suas dificuldades e dúvidas. o seu gosto estético. temperamento. ensinar e aprender. com relação à matéria.o próximo alvo. É no respeito às diferenças das crianças e na condução adequada de formas de tratamento a todos com igualdade. evidentemente.

a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. um lugar onde todos compartilhem suas experiências e opiniões proporcionam o envolvimento de todos os segmentos que dela fazem parte. vai se socializando. respeito mútuo e democracia. criando um clima de entusiasmo. ao brincar. ou seja. a iniciativa e a auto-estima. O jogo e a brincadeira são. por si só. A escola deve facilitar a presença dos pais no cotidiano escolar porque uma escola não se faz de paredes. capaz de gerar um estado de vibração e euforia. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. Esta relação afetiva constitui incentivo para o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. A participação da família também é muito importante para o sucesso e faz parte integrante desse processo. a criança desenvolve a linguagem. seleciona idéias. uma situação de aprendizagem. As regras e a imaginação favorecem a criança comportamento além dos habituais. Ele é considerado prazeroso. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. É importante que o educando seja orientado e motivado para a busca efetiva da construção do conhecimento. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. o que é mais importante. estimulando o pensamento. ao movimento espontâneo. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. que através do “faz-de-conta” são reelaboradas criativamente. a criança forma conceitos. satisfazem uma necessidade interior. o pensamento. Várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança. estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória.que é possível mudar. estabelece relações lógicas. mas de pessoas e ideais compartilhados. Caso achasse confinada a sua origem. Em geral. vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real. com as pessoas e com os objetos. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. ou seja. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. mas também requerem um esforço voluntário. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. a socialização. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo. compreensão. as atividades lúdicas são excitantes. LUDICO E APRENDIZAGEM O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. 29 . Assim. O APRENDER ATRAVÉS DO BRINCAR O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa. integra percepções. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total. não a percorremos sozinhos. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. contudo. Portanto. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. Através deles. A ludicidade. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. confiança em si mesmo e certeza de que a estrada é longa e que. simpatia. Através da atividade lúdica e do jogo. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. Ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano. tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. e neste sentido. Sendo uma atividade física e mental. A escola que cria um clima de afeto. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola.

entusiasmado. é que o lúdico e o brincar estão mais presentes na educação infantil do que nas séries iniciais. ela se cria e se transforma. pois ao brincar se sente livre para criar e recriar o mundo ao seu modo. além do tateio. se da primeira alternativa não obteve o resultado esperado. Além do valor inconteste do movimento interno e externo para os desenvolvimentos físicos. animação. de imaginação. que envolvam os alunos e o conhecimento. os brinquedos e as brincadeiras são atividades fundamentais nas áreas de estimulação da educação infantil e nas séries iniciais. 2004). de maneira sozinha ou com a ajuda do educador. brincar e/ou jogar com seus próprios ritmos. sobretudo no aspecto intelectual. com o silencio e a organização na sala de aula. o que torna o ambiente infantil artificial. explorar toda a sua espontaneidade criativa. jogo de memória e a educação física. brincadeiras e/ou jogos que são necessários para as crianças. sabendo que eles trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. foi que os professores das séries iniciais afastam o lúdico da vivência dos alunos em sala de aula. Para isso. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. é necessário ter motivos para se chegar a esse estado. do brinquedo e da brincadeira. as faculdades intelectuais. Cabe ao educador propor atividades que promovam essa motivação. Segundo o dicionário Silveira Bueno. Os professores estão mais preocupados com o conteúdo. não permitindo espaço para o divertimento. pintura. o rigor e a disciplina são mantidos em nome dos padrões institucionais. O professor deve descobrir estratégias. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. para autocontrolar suas atividades. Os jogos. num lugar onde as crianças sintam prazer pelo ato de aprender. brincadeiras livres com brinquedos e atividades no parquinho da escola. a criança sadia possui a capacidade de agir sobre o mundo e os outros através da fantasia. Estimula o crescimento e o desenvolvimento. O mundo da fantasia. Educação requer Ação e como resultado dessa ação. Através das observações e da prática em sala de aula. O brincar se resume em ouvir histórias ou cantar algumas músicas. há o APRENDIZADO. além de prazeroso também é um mundo onde a criança está em exercício constante. utilizando suas potencialidades de maneira integral. longe dos gostos das crianças. rodas e cantigas. do jogo. amadurece e aprende ao mesmo tempo. Quanto mais rica for à experiência pela criança. tais como. Eles devem ter em mente que o jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos. da imaginação. mas. A ludicidade deve permear o espaço escolar a fim de transformá-lo num espaço de descobertas. MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM Atualmente a motivação dos alunos para a aprendizagem é o centro das atenções no processo educaticional. A impressão que tivemos. nesse caso. Os educadores e pais devem estar cientes que brincar só faz bem para a criança. Nesta. pode-se constatar que estar motivado é estar animado. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. ao invés de aproveitarem como instrumento facilitador da aprendizagem. pelos quais o mundo tem seus limites ultrapassados: a criança cria o mundo e a natureza. Mas o que pudemos observar nas realizações dos estágios. entusiasmo. não apenas nos aspectos físicos ou emocionais. envolvimento e dedicação e muitos não estão dispostos a sair de suas posições cômodas. a coordenação muscular. cada vez mais. proporcionando uma aprendizagem de qualidade. A hora do recreio e a hora da saída se tornam os únicos momentos em que as crianças desnudam da responsabilidade da escola para permitir-se brincar e ser criança. o forma e o transforma e. que é a maneira privilegiada de contato com o mundo. de criatividade. senão nada acontece. testar hipóteses. daí a necessidade do professor ampliar. enfim. ela está livre para explorar. Através dessas definições. Segundo Santos (2000): Educadores e pais necessitam ter clareza quanto aos brinquedos. reflexivo e sistemático que depende do despertar das potencialidades do educando. inicialmente. brinquedos e brincadeiras.Segundo Redin (2000): A criança que joga está reinventando grande parte do saber humano. maior será o material disponível e acessível a sua imaginação. uma vez que este reconhece que a aprendizagem é um processo pessoal. muitas vezes é reforçada com respostas imediatas de sucesso ou encorajada tentar novamente. quebra-cabeça. é necessário primeiro a vontade de realizá-la. a iniciativa individual. No jogo. da imaginação e do simbólico. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. a vontade de aprender. recursos para fazer com que o 30 . favorecendo o advento e o progresso da palavra. constatamos que os jogos e brincadeiras mais freqüentes na educação infantil são: massinha de modelar. motivação quer dizer exposição de motivos ou causas. Qualquer coisa que se faça na vida. e é uma das formas mais natural e prazerosa no processo de aprendizagem. e que ela desenvolve. Mas para que se realize a ação e esta resulte no aprendizado é necessário. Pois trabalhar de forma lúdica exige mais tempo. neste momento. As crianças estão sempre dispostas a jogar e brincar. ao contrário. Já nas séries iniciais geralmente são utilizados os jogos educativos. Isso também ocorre na educação. as vivências da criança com os jogos. jogos matemáticos. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente. psíquicos e motor. a sala de aula é apresentada como coisa séria. que haja a VONTADE. contar histórias.

familiar. E durante o seu trajeto educativo tem a possibilidade de adquirir uma estrutura cognitiva clara. Há diversas possibilidades de aprendizagem. específica (escola) ou secundariamente (família). Embora haja discordâncias entre os estudiosos. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. interior à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento. idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens. Em outras palavras. processa-se quando um novo conteúdo (idéias ou informações). O principal objetivo da educação é o de levar o aluno com um certo nível inicial a atingir um determinado nível final. então terá registrado um processo de aprendizagem. É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem. Tal processo compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura. mas como todo produto é indissociável de um processo. No nível social podemos considerar a aprendizagem como um dos pólos do par ensino-aprendizagem. inclusive os objetivados como instituições que. • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras. o conceito de aprendizagem não é tão simples assim. A abordagem cognitivista diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa. envolvendo aspectos cognitivos. ou seja. Como por exemplo: • Dar tratamento igual a todos os alunos. Por isso a ação educativa da escola deve propiciar ao aluno oportunidades para que esse seja induzido a um esforço intencional. mostrar que ele pode contar sempre com o professor. promovem a educação. psicossociais e culturais. estilo e ritmo. No entanto. Ao aprender o sujeito acrescenta aos conhecimentos que possui novos conhecimentos. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. há diversos fatores que nos leva a aprender um comportamento que anteriormente não apresentávamos um crescimento físico. • Procurar elevar a auto-estima do aluno. • Ser paciente e compreensivo com o aluno. Já a aprendizagem significativa. ou seja. sendo assim assimilado. Cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais. estejam ligados à realidade do aluno. ensino. 1999) A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. sendo resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras. fazendo ligações àqueles já existentes. o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. de uma série de condições internas e externas ao sujeito. Bock destaca que a aprendizagem mecânica refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva. visando resultados esperados e compreendidos.aluno queira aprender. mesmo que a aprendizagem ocorra na intimidade do sujeito. De acordo com Bock o processo de organização das informações e de integração do material à estrutura cognitiva é o que os cognitivistas denominam aprendizagem. Se conseguir fazer com que o aluno passe de um nível para outro. que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento. segundo a autora. • Aproveitar as vivências que o aluno já tem e traz para a escola no momento de montar o currículo. para a Psicologia. quer na sua qualidade. tendo a vantagem de poder consolidar conhecimentos novos. Porque. claros e disponíveis na estrutura cognitiva. etc. complementares e relacionados de alguma forma. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias. estável e organizada de forma adequada. DESENVOLVIMENTO A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores. fazem parte de um todo que depende. incluir temas que tenham relação. respeitando-o e valorizando-o. descobertas. relaciona-se com conceitos relevantes. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. (BOCK. podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa. O processo de aprendizagem é pessoal. Através dela o sujeito 31 . Dessa forma a aprendizagem numa perspectiva cognitivoconstrutivista é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental. bem como da transferência destes para novas situações. orgânicos. a sua história de vida. estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem. cada pessoa aprende a seu modo. quer na sua natureza. com seus colegas e com os próprios professores. respeitando a sua vida social. em outras palavras. • Mostrar-se disponível para o aluno. cuja síntese constitui o processo educativo. emocionais. que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente. isto é. tentativas e erros.

ou seja. Pode-se afirmar que a aprendizagem acontece por um processo cognitivo imbuído de afetividade. Trata-se de compreender como funcionam esses mecanismos mentais que permitem a construção dos conceitos e que se modificam em função do desenvolvimento. por nossos desejos e necessidades. o que o leva a iniciar uma ação. Vygotsky defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa. para que deseje saber. Segundo Vygotsky uma vez admitido o caráter histórico do pensamento verbal. A autora Bock (1999) destaca que a motivação continua sendo um complexo tema para a Psicologia e. ter a disposição. de querer saber sempre. seus professores e colegas. Desejar saber deve passar a ser um estilo de vida. uma intenção. uma vontade ou uma predisposição para agir. a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. A motivação apresenta-se como o aspecto dinâmico da ação: é o que leva o sujeito a agir. utilizando o que a criança gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino. usa utensílios. a análise qualitativa das “estratégias”. Assim. aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. principalmente. a necessidade e o objeto de satisfação. encantar. relação e motivação. que o aluno “fique a fim” de aprender. a orientá-la em função de certos objetivos. na motivação está incluído o objeto que aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade. Vygotsky diz ainda que o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação. fabrica e reza segundo a modalidade própria de seu grupo de pertencimento. Nas situações escolares. sendo que o meio influencia o processo de ensino-aprendizagem. adquire então relevo especial – além da análise do processo de comunicação – análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e. Para ter bons resultados acadêmicos. devemos considerá-lo sujeito a todas as premissas do materialismo histórico. 2. um desejo. a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente. nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação. particularmente. o que conduz à necessidade de integrar tanto os aspectos cognitivos como os motivacionais. Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração.histórico exercita. o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata. isto é. o processo que mobiliza o organismo para a ação. uma atitude que garanta o desejo mais duradouro de saber. a decidir a sua prossecução e o seu termo A motivação é. um trabalho de atrair. Com isso entende-se que o desenvolvimento do individuo é um processo que se dá de fora para dentro. mas também do nível de desenvolvimento alcançado. A motivação é um processo que se dá no interior do sujeito. 1985) Assim. A motivação é um fator que deve ser equacionado no contexto da educação. A preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais. mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala. aos conhecimentos. e uma forma de criar este interesse é dar a ele a possibilidade de descobrir. entretanto. estando. para aprender é imprescindível “poder” fazê-lo. na base da motivação. Não há como aprender e apreender o mundo se não tivermos o ouro. um interesse. para isso é necessário “querer” fazê-lo. também. prender a atenção. Diante desse contexto percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa. como modo de privilegiar seus interesses. Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai a criança. intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio. Bruner é defensor desta proposta. cita algumas sugestões de como criar interesses: 1. o que faz referência às capacidades. E. Propiciando a descoberta. ciência e tecnologia. Para Vygotsky. o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. por fim. Motivar passa a ser. Uma compreensão plena e verdadeira do pensamento de outrem só é possível quando entendemos sua base afetivo-volutiva. na concepção Vygotskyana. seduzir o aluno. Isso significa que. aquilo do que ela gosta. procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível. às estratégias e às destrezas necessárias. Veja bem. que são válidas para qualquer fenômeno histórico na sociedade humana. para as teorias de aprendizagem e ensino. Essa atitude pode 32 . portanto. tendo grande importância na análise do processo educativo. (PAÍN. desenvolver nos alunos uma atitude de investigação. os alunos necessitam de colocar tanta voluntariedade como habilidade. dos erros. do processo de generalização. Ao sentir-se motivado o individuo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto. Por trás de cada pensamento há uma tendência afetivo-volitiva. a intenção e a motivação suficientes. portanto. A relação do individuo com o mundo está sempre medida pelo outro. Segundo a concepção de Vygoysky se a aprendizagem está em função não só da comunicação. O aluno deve ser desafiado. nossos interesses e emoções. está sempre um organismo que apresenta uma necessidade. Bock.

Conclusão: A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. o educador desafia-o sempre. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. ora uma determinada classe social. ora a família. é necessário poder sair do lugar da culpa. assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços. Porém. descobrir. O propósito é discuti-lo como um elemento resultante da integração de várias “forças” que englobam o espaço institucional (a escola). está no nível imaginário” O contrário da culpa é a responsabilidade. São os conhecimentos que o aluno já possui que influenciam o comportamento do aluno em cada momento. utilizando para tal métodos adequados e um currículo bem estruturado. uma ruína. ora todo um sistema econômico. O professor deve descobrir estratégias. aprendizagem é também motivação. SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudados e discutidos. só assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar. Não é difícil para o professor estar sempre retomando em suas aulas a importância e utilidade que o conhecimento tem e poderá ter para o aluno. A busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos. A sociedade busca cada vez mais o êxito profissional. não esquecendo do papel fundamental que a motivação apresenta neste processo. o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e. que geram fracasso. bem como da transferência destes para novas situações. envolvendo aspectos cognitivos. psicossociais e culturais. proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente. considerando-o como peça resultante de muitas variáveis. emocionais.As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado. assim um aluno está motivado quando sente necessidade de aprender o que está sendo tratado. para ele. que não desafiam. É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. Os exercícios e tarefas deverão ter um grau adequado de complexidade. percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança. A estrutura cognitiva do aluno tem que ser levada em conta no processo de aprendizagem.. o aluno se dedica às tarefas inerentes até se sentir satisfeito. O aluno não “fica a fim”. onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. Não deve expurgar a responsabilidade de um fracasso escolar. orgânicos. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. Para ser responsável por seus atos. a competência a qualquer custo e a escola também segue esta concepção. torna-se comum o surgimento em todas 33 . Falar ao sempre numa linguagem acessível. uma vez que disponibiliza os recursos para a aptidão. de fácil compreensão. Por meio dessa necessidade.É necessário refletir sobre o que é o conhecimento e perceber que é algo de complexo que deve ser entendido como um processo de construção e não como um espelho que reflete a realidade exterior. . levam à perda do interesse. Quando se fala em fracasso. pois ensinar está relacionado à comunicação. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. Ao estimular o aluno. que começam pelo incentivo á observação da realidade próxima ao aluno – sua vida cotidiana . 5. supõe-se algo que deveria ser atingido. o considerar-se culpado. Ele é definido por um mau êxito. a família e a sociedade em geral. Porém mau êxito em quê? De acordo com que parâmetro? O que a nossa sociedade atual define como sucesso? Daí a necessidade de analisar o fracasso escolar de forma mais ampla. 4. por isso é necessário conhecer como o professor ensina e entender como o aluno aprende. Somos sempre “ a fim” de aprender coisas que são úteis e têm sentido para nossa vida. os objetos que fazem parte de seu mundo físico e social. se ela é um processo que ocorre entre subjetividades.ser desenvolvida com atividades muito simples.Não há aprendizagem sem motivação. e tarefas fáceis. captando a atenção do aluno. O professor deve utilizar as estratégias que permitam ao aluno integrar conhecimentos novos. a partir daí. nunca uma única pessoa pode ser culpada. 3. o espaço das relações (vínculos do ensinante e aprendente). Tarefas muito difíceis. Essas observações sistematizadas vão gerar duvidas (por que as coisas são como são?) e aí é preciso investigar. em geral. Compreender a utilidade do que se está aprendendo é também fundamental. Mas será que existe mesmo um culpado para a nãoaprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo. recursos para fazer com que o aluno queira aprender. Assim. Alicia Fernández nos lembra que “a culpa. político e social. a sentir e a agir. Os conhecimentos que o aluno apresenta e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos. O desejo de realização é a própria motivação.

disléxicas. se esquece da interferência afetiva na não aprendizagem. Isso não é apenas uma diferença terminológica. ao passar pelo portão da escola. agressivas. uma função. pela ação sobre ele. que se dá no vínculo entre ensinante e aprendente. hiper-ativas. mitos relativos à aprendizagem muitas vezes levam muitos ao fracasso. Em nosso sistema educacional. Daí a necessidade de buscar o significado do “não aprender”. também é responsável pela aprendizagem da criança. Esta situação pode estar ligada a algum acontecimento escolar. Esses problemas tornam-se parte da identidade da criança. o conhecimento é considerado conteúdo. e que necessitam de um raciocínio matemático eles vão muito bem. seu corpo e sua inteligência construídos em interação e a dimensão inconsciente. Isso pode ser exemplificado no livro: “Na vida dez. já que os pais são os primeiros ensinantes e as atitudes destes frente às emergências de autoria do aprendente. uma informação a ser transmitida. Claparéde diz que a escola pode provocar na criança conflitos que influenciarão seu gosto pelo aprender. ele pode assumir. isolado. Esta última é o conhecimento objetivado que pode ser transmitido. cursos. Outra questão referente à escola é que esta. As atividades visam à assimilação da realidade e não possibilitam o processo de autoria do pensamento tão valorizada por Alicia Fernández. etc). daquilo que ela reflete em termos do sistema em que se insere. pois implica no inconsciente. A partir disso. Porém. se repetidas constantemente. dentro da família. pelo desejo. Desta forma. As discrepâncias entre o desempenho fora e dentro da escola são significativas. não se observa em quais circunstâncias ela apresenta tais dificuldades (ele está assim e não é assim). propiciando um espaço para a autoria de pensamento. É importante lembrar que o desejar é o terreno onde se nutre a aprendizagem. ou seja. “O saber em jogo”. Entretanto é possível a existência de facilitadores de autoria de pensamento mesmo convivendo com carências econômicas. Seus valores. é necessário conceituar aquilo que viria a ser seu oposto: a aprendizagem. A família.instituições educativas de “crianças problemas”. etc. Para aprender. Além disso. mas sim dentro de um contexto muito mais amplo e repleto de significados. O sujeito pode estar em dificuldades de aprendizagem por ter ligado este fato a uma situação de desprazer. A sociedade do êxito educa e domestica. Condições estas que não são comuns em famílias produtoras de problemas de aprendizagem. podemos definir aprendizagem como uma construção singular que o sujeito vai fazendo a partir de seu saber e assim ele vai transformando as informações em 34 . a criança assume o papel que lhe foi atribuído e tende a correspondê-lo. nos quais o aprendente é levado a memorizar conteúdos e não a pensá-los. ao valorizar a inteligência. segundo Maud Mannoni. A aprendizagem é a articulação entre saber. o ser humano coloca em jogo seu organismo herdado. O perguntar é possível e favorecido. porém em situações naturais. própria dele. ao conceder este rótulo à criança. Este caráter informativo da educação se manifesta até mesmo nos livros didáticos. na escola zero” que trata do ensino da matemática. computador. ela revela uma possibilidade de mudança. É preciso distinguir aquilo que é próprio da criança. não ocorrendo de fato uma aprendizagem. cotidianas. analisando a história de vida do sujeito e buscando uma significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender. um sintoma não deve ser considerado de forma única. Já mencionamos que a aprendizagem é um processo vincular. muitas vezes os profissionais da educação não conseguem transpor o conhecimento ensinando para a realidade do aprendente. ocorre. Em seu livro. APRENDIZAGEM X FRACASSO ESCOLAR: QUAL O LIMITE QUE OS SEPARA? Ao falarmos de fracasso escolar. há facilidade de aceitar as diferentes opiniões e idéias. Quando se fala em “famílias possibilitadoras de aprendizagem” tem-se uma tendência a excluir as famílias de classes baixas já que estas não podem fornecer uma qualidade de vida satisfatória. irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos. Ela define como autoria “o processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção”. além de tentarmos analisar os fatores que contribuem para seu surgimento. Na escola os alunos vão mal. de “crianças fracassadas”. pois o aprender implica em desejo que deve ser reconhecido pelo aprendente. em termos de dificuldades. o acesso a diversas formas de cultura (cinema. o conhecimento é o resultado de uma construção do sujeito na interação com os objetos (PIAGET) e o saber é a apropriação desses conhecimentos pelo sujeito de forma particular. A aprendizagem tem um caráter subjetivo. Assim acontece com o fracasso escolar. Aprender passa pela observação do objeto. conhecimento e informação. Também contribuem para o fracasso escolar a própria instituição educativa que muitas vezes não leva em consideração a visão de mundo do aprendente. por sua vez. Perde-se o sujeito. ele passa a ser sua dificuldade. portanto entre subjetividades. Alicia Fernández cita uma pesquisa com famílias de classe baixa facilitadoras da aprendizagem. uma alimentação adequada. Ou seja. O que caracteriza estas famílias é a criação de um espaço favorável para que cada membro possa escolher e responsabilizar-se pelo escolhido. teatro.

na segunda série. Uma educação bem sucedida deve conjugar um fluxo escolar regular com o progresso cognitivo dos estudantes. ou seja. é o da qualidade. Quase 11% dos alunos da região mais rica (Sudeste) refazem a primeira série. na avaliação de leitura. e. (FERNANDEZ.8%.aprendizado. constituindo-se um sério problema para a educação. e a deficiência mental tem incidência pequena na população. O primeiro diz respeito à formação e atuação dos professores que. na região mais pobre (Nordeste) o número é de 43%. tenho um problema de ensinagem com ele”. O problema de aprendizagem pode ser um sintoma de outros conflitos ou ainda uma inibição cognitiva. Os números da educação no Brasil de 2003. recentemente divulgados. uma diferença de 23 pontos. é de magnitude considerável. aos resultados das interações sociais e intelectuais entre alunos. efetivando o pleno desenvolvimento de habilidades e competências em todos os componentes curriculares. deixando sua marca como autor e vivenciando a alegria que acompanha a aprendizagem. sobressaem-se o seu universo familiar. inclusive em tarefas do cotidiano escolar. distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. Em matemática. O segundo conjunto refere-se ao clima escolar. qual a modalidade de aprendizagem da criança. não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado. Para ela no fracasso escolar “a criança não tem um problema de aprendizagem. ações que maximizam as chances de sucesso. modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança. Os condicionantes originados no ambiente escolar podem ser agrupados em três grandes conjuntos. na primeira série do ensino fundamental é de 30. É preciso combater o fracasso escolar representado pela repetência.1%. Este processo se difere bastante do fracasso escolar que pode evidenciar uma falha nesta relação vincular ensinante. professores e funcionários escolares. mas também organizar metodologias para facilitar a aprendizagem e o desempenho escolar. o grupo sem defasagem obteve média de 189 pontos. contra 177 da média nacional. monitoramento e avaliação do trabalho docente e de seus resultados junto aos alunos. As avaliações educacionais têm constatado que são altas as taxas de repetência e baixos os níveis de aprendizado na educação básica. revelam que as taxas decaíram. São ainda elevadas. o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais. tentando descobrir a função do não aprender. estão em situação de atraso escolar. Esta é motivada pelo ingresso tardio da criança na escola. Escolas com clima degradado.aprendente. incluindo desde a administração superior até a da escola propriamente dita. como docente. Alicia Fernández fala de um enfoque clínico que significa preocupar-se com os processos inconscientes e não somente com a patologia. 1994). problema de aprendizagem e deficiência mental. com pelo menos um ano de atraso. tentando também engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade. Os resultados do Saeb de 2003 mostram que cerca de 38% dos alunos. acompanham e incentivam os seus filhos. Em 1990. teve média de 158 pontos. seja por aspectos disciplinares. Conclui-se que a diferença da medida de aprendizagem. para as próximas décadas. Relativamente às características dos alunos. Esses números são sinais de como as oportunidades educacionais estão distribuídas de forma não equânime. é de praticamente 48%. pelo abandono das salas de aula e pela reprovação ao final do ano letivo. portanto.conhecimento. na 4ª série do ensino fundamental. É certo que o principal desafio da educação brasileira. em muitos casos são deficitárias. seja por falta de coordenação do trabalho docente. No Norte. Alicia Fernández diferencia fracasso escolar. Para a obtenção do sucesso. O terceiro refere-se à gestão da educação. conforme a trajetória escolar. constatava-se que mais de 50% dos alunos repetiam a primeira série do ensino fundamental. acima da média nacional que é de 169. mas eu. são necessárias ações claras e racionais de alcance de metas. Nessa etapa. A proporção nacional. é fazer uma escuta particular do sujeito que possibilite não só encontrar as causas do não. Os condicionantes do fracasso são diversos. pouco contribuem para o bom aprendizado dos estudantes. As evidências mostram que familiares mais escolarizados atribuem maior valor à educação. poderíamos pensar no papel de psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família. os alunos que estão na idade correta auferiram nota média de 182 pontos. de 19. Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família. A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem. 35 . O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tem produzido um volume significativo de dados sobre os desempenhos dos alunos e os seus fatores associados. Os dados de fluxo mostram que as chances de repetência são bem maiores no Nordeste e no Norte do país. Os estudantes com um ano de atraso obtiveram 166 pontos. O grupo de alunos.

CRIATIVIDADE Criatividade é. o indivíduo cria para aliviar certos impulsos. Wertheimer. Isto se dá. textos de gêneros variados. que o indivíduo 36 . de se atingir indiretamente algo que. Segundo Freud. composição de sinfonias musicais. estabelecendo-se. seus fatores condicionantes. é “insight”. entretanto. o indivíduo só aparentemente desiste desta grandiosa fonte de prazer. considera a criatividade como a habilidade do indivíduo reverter à relação figura/fundo. criatividade e neurose têm a mesma fonte de origem:os conflitos do inconsciente. O “insight” envolve a percepção ou reconhecimento súbito da associação entre duas unidades de pensamento. como não possui os meios de alcançar determinadas satisfações. Práticas. estudo de textos explorando as diferenças entre fatos e opiniões. a consciência fonológica e fonêmica são metas incontornáveis para o sucesso dos estudantes.As teorias sicológicas modernas em muito contribuíram para uma melhor compreensão do complexo fenômeno da criatividade. uma reconstrução de configurações. A criação é uma forma de sublimação. Um aspecto importante é a necessidade de melhorar as condições da escolarização nas séries iniciais. passa a fantasiar. é a gratificação do seu próprio inconsciente inacessível. pai da psicanálise. chegouse a considerar a criatividade como inspiração divina – o criador como um ser divinamente inspirado – ou tém como loucura – considerando o ato de criação como proveniente de um acesso de loucura. Kohler. É o aprender a ler. É necessário. instrumentos de avaliação. que o levam. primariamente. Em tempos passados. Populares aplicam a palavra indiscriminadamente para uma série de produtos finais. com competência. filósofos ou mesmo outros profissionais. a percepção brusca. ou seja. Ela é crucial e irá contribuir para uma boa trajetória posterior da ampla maioria dos estudantes. poesias. tentando encontrar melhores explicações. O pensamento criador é. desenvolvendo as habilidades centrais. É necessário abandonar a idéia de que essa é uma etapa simples do processo de escolarização. o oposto de imitação.A ação pública no setor educacional pode combater o fracasso minimizando efeitos não desejáveis de progressão escolar sem aprendizado. o desenvolvimento da capacidade dos estudantes em utilizar a linguagem escrita e ler. porque a noção de criatividade abrange um conjunto de fronteiras incertas. quase que instantaneamente. K. Melhorar os processos de alfabetização. exercícios de gramática relacionados com os textos. à solução do problema. cujos líderes são M. criar é o seu consolo. a fluência na leitura. Para que tais habilidades sejam desenvolvidas plenamente é importante dotar os docentes das competências para o seu ensino. É a tese da “catarsis criadora”. de uma forma geral. Uma etapa necessária é a do letramento. desde a criação de trabalhos artesanais. são algumas das medidas. conscientemente. Ao perder a ligação com os objetos reais das brincadeiras. tais como a codificação e decodificação. Algumas das principais evidências do Saeb revelam que o ensino de língua portuguesa centrado na evolução da capacidade de leitura dos estudantes obtém melhores resultados. É a reconstrução do campo perceptivo do indivíduo. ela origina-se num conflito dentro do inconsciente. incluir atividades desta natureza no material didático e prever a melhor forma de avaliar o progresso dos alunos. como debate sobre textos de jornais e revistas. leitura e discussão de diversificados gêneros textuais. seja entre psicólogos. É o ler para aprender. para superar os problemas de fluxo educacional e de aprendizado é necessário adotar políticas de transformação da vida cotidiana das famílias e das escolas. A teoria gestaltista. de novas possibilidades de ação. o domínio da associação entre fonema e grafema. educadores. O artista ou criador. Portanto. bem-sucedidas de aprendizado. foge da realidade. de cópia. A criatividade tem sido abordada de maneiras distintas. através dos tempos. Koffka e W. para superar o fracasso evidenciado e experimentado por boa parte dos estudantes no sistema educacional brasileiro. no seu ambiente. O indivíduo criativo é aquele que aceita livremente as idéias que surgem do ID. Seu conceito. quanto uma nova receita de bolo feito por uma cozinheira. é amplo e muitas vezes até controvertido. que eram anteriormente separadas. Esta habilidade modifica-se nas diferentes idades. passando a elaborar desejos imaginários. até as descobertas da física e da matemática. Este é um tema central de desenvolvimento da nação com impactos nas relações sociais e econômicas. não se teria condição de fazê-lo. Para Sigmund Freud. definições operacionais. provavelmente. A teoria humanista de Carl Rogers enfatiza que criatividade pode ser tanto a teoria da relatividade de Einstein. desta forma. Segundo Freud. não está longe de ser um neurótico. Parando de brincar ao se tornar adulto. uma nova conexão. Suas fantasias podem ser tanto desejos eróticos quanto desejos de engrandecimento. na etapa de alfabetização. É urgente e imprescindível buscar obsessivamente a qualidade na Educação. Criatividade é uma forma de reduzir tensão. Os professores podem e devem iniciar mudanças em suas práticas docentes cotidianas para o alcance desse objetivo. parte/todo. mais precisamente.

igualmente. formas. o que vale observar é o nível de significância que pode resultar de cada uma delas. em segundo plano. que debates de estudiosos concluem que a criatividade é um conceito muito abrangente. transformação. de ver a vida de uma forma nova e significativa. por considerála um sistema de atitudes capaz de modificar-se e adaptar-se. Este tem que. A ação criativa é uma situação onde se produz o novo. originado de múltiplas fontes: cognitiva. à sociedade. O que se pretende é valorizar outros tipos de aprendizagem que possibilitem o desenvolvimento do pensamento divergente e da criatividade. a expressão de uma idéia. ainda assim representa uma realização criadora. atitudes que muitas vezes chocam outras pessoas. entre o novo conteúdo e as experiências vividas ou com os conhecimentos já adquiridos. o processo educativo é insuficiente para desenvolver a criatividade e a educação formal não tem oportunizado o ensino do pensamento criativo. segundo Rogers. para converter cada situação em uma possibilidade de aprendizagem e ensino. que gera um tipo de pensamento divergente. transformar os elementos. Isso ocorre quando a aprendizagem possibilita o estabelecimento de relações e vínculos. mesmo que estas já lhes sejam conhecida. tem como base experiências anteriores e resulta em algo produtivo para o indivíduo ou para a sociedade. Mesmo entendendo que os dois tipos de aprendizagem não ocorrem de forma pura. um estilo de criatividade mais centrada no ser humano e no seu desenvolvimento pessoal. técnicas de movimentos esportivos. gerando um estilo de criatividade estreitamente relacionado com o produto. entendemos a aprendizagem significativa como a aquisição de conhecimentos em que somos capazes de atribuir significado ao conteúdo aprendido. como predeterminadas. Não é o caso de se desprezar a aprendizagem mecânica. em atitudes e na personalidade. é que a avaliação do produto final seja feita internamente. satisfazê-lo e. Estimular o potencial de alunos faz parte de um tipo de prática pedagógica que envolve mudanças. de algo concreto ou de uma forma de comportamento que seja nova para quem o fez. sair da rotina são experiências que causam temor. O fato de o indivíduo perceber ou não as categorias. quantas vezes seja necessário. exatamente. no caso da Educação Física. Outra importante contribuição na área da criatividade foi à análise fatorial de J.P. de brincar espontaneamente com idéias. ainda. conjugação de verbos e. Central para todo tipo de atividade criativa é o que ele chama de “abertura à experiência”. que o próprio indivíduo julgue o ato de criação. esclarecendo que o professor deve incentivar o aluno a encontrar suas próprias idéias. Dieckert (1985 e 1984) prefere o termo criatividade pedagógica. o oposto de defesa psicológica. enquanto que a civilização oriental privilegia a experiência subjetiva como forma de conhecimento. Apesar da aceitação do conceito de criatividade e da proliferação dos trabalhos nesta área. social. que interagem para trazer a motivação e o envolvimento com a tarefa. de Expressar o ridículo.possua a habilidade de lidar com conceitos e elementos. O meio ambiente pode. uma pessoa é criativa na medida em que realiza suas pontencialidades como ser humano. apenas. emocional. Apoiando-nos em Ausubel e Rogers . para haver criatividade. que é. um fenômeno multifacetado. 37 . Outra condição importante. Wechsler (1995) comenta a esse respeito. influi em sua habilidade de criar algo novo. podemos concluir que é inevitável se trabalhar com a criatividade na sala de aula”. Ressalta. Se aprendizagem for conceituada como toda nova reorganização que tem caráter de permanência e disponibilidade no tempo. que haja liberdade psicológica e que não se faça uma avaliação do indivíduo. emocionais e sociais. fórmulas. Aí estariam incluídos princípios. maximizar a possibilidade de emergência da criatividade. Quando se oferece ao aluno oportunidade para ser criativo está se oferecendo também uma abertura para a expressão de sentimentos. A educação tem sido questionada por dar ênfase à aprendizagem mecânica ou de memorização e por não estimular uma forma autônoma de pensar e de agir. O contexto sócio-histórico-cultural pode fomentar ou inibir a criatividade. trazendo como conseqüência o aprender. o sistema educativo deveria se preocupar em oferecer experiências que promovessem o desenvolvimento da criatividade em todas as áreas de expressão. Sefchovich & Waisburd (1995) e Capra (1982) assinalam que a cultura ocidental sempre valorizou o pensamento dedutivo racional. Guilford. em quantidade e qualidade. que: "ao considerarmos a noção de aprendizagem como um ato onde se encontram elementos cognitivos. pode-se supor que toda aprendizagem é primeiramente uma criação. cores. Os primeiros autores vêm à criatividade como uma forma de vida. emoções. Quando o indivíduo descobre algum fato que já foi revelado por outros. relações. pois conteúdos factuais são melhor ensinados e aprendidos por meio de repetição e memorização. uma aprendizagem que provoca mudança no comportamento. assustam. Encontramos na literatura vários conceitos e definições sobre criatividade que apontam para uma capacidade humana. Mudança. como forma de construção de conhecimento e de aprendizagem significativa. Por aprendizagem mecânica ou repetitiva entende-se a aquisição de conhecimentos que nos possibilita memorizá-los e repeti-los literalmente quando somos questionados. É necessário. inter pessoal e irracional. causam estranheza e têm tendência a não serem aceitas de imediato. primeiramente. Desde o ponto de vista pedagógico.

demonstram extrema ousadia e ambição em sua maneira de agir. A mesma autora. Características associadas à criatividade. São. contrários às regras . aponta que mais de 95% dos professores gostariam que seus alunos fossem obedientes. flexíveis. espontâneos. geralmente. o que ocorre apenas em uma pessoa psicologicamente saudável.Em nosso entender o desconhecimento de características de personalidade e da forma de agir e se expressar. espontaneidade não foram consideradas importantes. a exemplo de atletas e bailarinos. a depreciação dos outros e a auto promoção destes indivíduos. o que pode gerar uma idéia errônea de que somente os indivíduos com performance corporal. artísticos . aponta para uma certa inconstância entre o discurso. elaboração (número de detalhes). Uma delas é a determinação em fazer algo. às técnicas esportivas.atitudes que parecem facilitar a disciplina em sala de aula. interesseiros. ao estudar indivíduos altamente criativos. o conceito de criatividade e o de pessoa sadia e plenamente humana talvez resultem a mesma coisa.” Gardner (1996 e 1999). a flexibilidade (riqueza das respostas). “A estimulação intelectual e a privação emocional podem produzir um gênio. A originalidade (respostas inovadoras). sinceros. populares e bem aceitos pelos colegas . trabalhadores. Estaria implícito aí o conceito de motricidade. Para o primeiro autor.são vistas muitas vezes como condutas que atrapalham a aula. Segundo Vigotski (1998). Antunes (1999) comenta que alunos considerados criativos comparados com figuras históricas consideradas geniais por sua criatividade. como a independência de pensamento. comenta as duas dimensões pessoais que os coloca como pessoas difíceis. na capacidade que o indivíduo possui de utilizar movimentos corporais para expressar uma idéia. No entanto. Parece existir “discordância" em relação ao que se entende por técnicas no esporte e dança e vivência corporal diversificada que um indivíduo adquiriu em sua história de vida. atenciosos. Algumas características do comportamento de pessoas criativas são consideradas inadequadas ou negativas e acabam por rotulá-las como pessoas difíceis.traços negativos do ponto de vista social. cultos. que valoriza a criatividade. despertando insensibilidade de amigos ou mesmo da sociedade. forma de agir ou mesmo de personalidade do indivíduo são incompatíveis com aquelas mais enfatizadas pela sociedade em geral e pelo professor em particular. aventureiros. Isso não significa que estejam relacionadas. De certa forma. que pode ou não incluir técnicas esportivas. No entanto. curiosidade. estes estudantes são também originais. seriam criativos. A outra dimensão revela a tendência à conservação de traços ou aspectos menos atraentes da infância: egoísmo. Possuir um bom repertório de movimentos. algumas características de sua conduta. desordenados. CARACTERÍSTICAS DE ALUNOS CRIATIVOS Um aspecto comprovado é a tendência dos docentes em privilegiar características de indivíduos criativos que se relacionam mais ao produto que este apresenta. egocentrismo. esses estudos vão contra as concepções de Maslow (1998) e Rogers (1985) em relação à criatividade como auto realização. necessariamente. pessoas que pouco se incomodam em sacrificar o bem estar pessoal ou mesmo suas relações afetivas em troca do desenvolvimento de sua obra. e “querer saber de tudo”. Rogers (1985 a e b) acredita que a criatividade envolve toda uma orientação do organismo e não apenas a mente consciente. referem-se ao produto que o sujeito apresenta e nos esclarecem pouco sobre atitudes e comportamentos da pessoa criativa nos momentos de sua atuação. Ser curioso. estupidez. ser questionador durante as aulas. obstinação. metodologias de ensino que estimulem formas de pensamento divergente e canalizem o agir para mudanças positivas também representam um obstáculo para o desenvolvimento do potencial criativo dos alunos. Geralmente a infância de pessoas consideradas criativas são ricas em estímulo intelectual. As características de aluno criativo que mais chamam a atenção de docentes de Educação Física estão ligadas ao aspecto motor. a estética dos movimentos.um dos requisitos para o desenvolvimento de habilidades de pensamento divergente . vivências motoras ou domínio corporal implica experiências anteriores. que acaba por conduzi-los a tornarem-se marginalizados. Alencar (1993) ao analisar as características e comportamentos desejados e encorajados pelos professores em sala de aula. 38 . e as práticas docentes que indicam um comportamento convergente. a variedade e riqueza de experiências estão em relação direta com a atividade criadora. mas pobres em comodidade emocional. Estudantes criativos em relação aos não criativos são instáveis. a qualidade técnica. o que se percebe nos discursos de alguns docentes é a associação que se faz da capacidade de se “expressar bem corporalmente" com a habilidade física. fluidez (quantidade de respostas). Algumas pesquisas sugerem que apesar de a criatividade ser considerada importante como habilidade de pensamento e como fator de desenvolvimento humano. intolerância. mas também podem gerar pessoas frustradas e insatisfeitas. de julgamento.variáveis positivas no aspecto social. descontrolados. em vários outros trabalhos. intuição.

tentar novas formas de expressão. especialmente nas atividades motoras. mas como maior interesse por atividades estéticas que envolvem emoção e sentimentos. Alencar (1993) aponta a liderança. amigos. A utilização de metodologias de ensino diretivas. questionar são encaradas com receio. professores). semânticos ou comportamentais. ainda são comuns em nossa sociedade. Em nossas pesquisas uma das causas alegadas pelos docentes universitários como dificuldade para identificar alunos criativos é o medo e a vergonha que os alunos têm de se expor. descrevem formas de trabalho ou estilos de ensino nas quais o aluno é protagonista do processo e a principal meta é sua autonomia. invenção e de ir mais além do conhecido. Pensar de forma diferente. de manusear materiais de forma inusitada . Aquelas velhas e tão conhecidas frases do tipo “isso não é pergunta que se faça”. Estudos comprovam que o medo aumenta com a idade e é na fase da adolescência (fase também de transformações corporais) que se pode observar melhor o temor de se expor. Cabe ao professor criar ambientes de respeito e aceitação que oportunizem as diferentes formas de expressão de criatividade do aluno. O receio e a vergonha de se expor em atividades motoras está relacionado ao fracasso. como por exemplo o medo de ser avaliado negativamente por outros (pais. mas sim um veículo para acrescentar a ideação através dos conteúdos figurativos. A inibição na utilização do corpo como linguagem de expressão. “menino não dança assim” ou “meninas não se comportam desta maneira”. Parece que para as meninas essa situação é mais comum que para os meninos. embora numerosas atividades na Educação Física reclamem um pensamento convergente e reprodutor. METODOLOGIAS DE ENSINO Uma questão que é sempre presente nas discussões sobre criatividade no processo educacional versa sobre como os educadores reconhecem e cultivam uma forma de pensar divergente e autônoma de seus alunos e. para o sexo feminino. até certo ponto. Afirmam que as áreas de Educação Física. acabam por inibir e aparecimento de formas de expressão individuais. que nós é imposta pela sociedade acaba por intimidar nossa capacidade de criar novos movimentos. sendo o professor mediador e facilitador da construção de conhecimento do aluno. De acordo com Mackinnon (1980) pessoas criativas são as que apresentam mais indicadores de feminilidade. Isso também foi evidenciado em nossa pesquisa realizada com docentes universitários de Faculdades de Educação Física (Tibeau. Mosston & Ashworth (1996). Esportes e Dança oferecem grandes oportunidades para desenvolver a capacidade humana de diversidade. acaba por criar barreiras à expressão criativa do aluno. de serem criativos. a falta de tempo e o pouco conhecimento que têm sobre a criatividade impossibilitam o reconhecimento da capacidade criativa dos alunos. Os sentimentos negativos em relação ao próprio corpo geram um tipo de ansiedade que é pouco produtiva para a expressão de idéias e emoções por meio da motricidade. associada a uma resistência ao que novo ou diferente. nas quais o professor e o conteúdo a ser aprendido são o centro do processo ensino-aprendizagem. ainda. Concepções de ensino em que são privilegiadas e valorizadas a reprodução de conhecimento e a memorização de fatos são projetadas para que os alunos adquiram conhecimento de forma passiva.MEDO DE SE EXPOR Muitas pessoas têm dificuldades e. que pode ter diferentes causas. as formas estereotipadas das danças transmitidas pelos meios de comunicação. as formas de manifestação corporal ditadas pela sociedade moderna. 2001): estar preso a programas e conteúdos. As mulheres se comprometem menos com os produtos. Isso exige que o professor esteja preparado para proporcionar aos alunos problemas e situações relevantes. Para Maslow (1990) os exemplos de criatividade sempre fazem referência a produtos masculinos. Ruiz Perez (1995) acrescenta que. Expressar a criatividade por meio da motricidade é um problema na maioria das vezes. Torre (1997:9) adverte que os conteúdos não devem ser obstáculos para o desenvolvimento da criatividade. aceitar e valorizar as idéias e as soluções encontradas pelos alunos. com os ganhos e mais com o processo. medo de serem diferentes. espontaneidade e sensibilidade. não como desvio de sexualidade. descobrimento. a independência e a iniciativa como características mais exigidas para o sexo masculino e a intuição. de inventar novas formas de relação com o grupo. como esses educadores proporcionam aos estudantes oportunidade para canalizar sua energia criativa. simbólicos. que colocam o êxito e o triunfo em evidência. O culto ao corpo perfeito. Isso pode ser observado já nas primeiras séries escolares e mesmo na educação não formal. As pesquisas sobre criatividade no Brasil têm sido realizadas principalmente com alunos e professores do ensino fundamental e médio e relatam estudos 39 . em um dos mais importantes trabalhos sobre metodologias de ensino em Educação Física. existem numerosas oportunidades para aprender de forma mais criativa.

valorizar e lidar com sua própria criatividade. no sentido de estimularem os indivíduos a elaborarem e transformarem as suas idéias. conformismo. independente de idade. em graus diferentes. para ser autocrítica. em muitos pesquisadores na área da criatividade. Boa Sorte! 40 . Qualquer indivíduo. tais como a auto-confiança. sexo. é necessário incrementar um tipo de ensino que combine o esforço de pensar com o de aprender. de acordo com uma série de valores introjetados. procurando tornar o indivíduo sensível aos estímulos ambientais. curiosidade inteletual. com uma predisposição ao pensamento criativo. Geralmente. a descobertas de outras. exceto em casos patológicos. E como bem o afirma Ostrower: “Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. A psicologia admite que. as pessoas possuem. autônomo. a velhos problemas.sobre avaliação da criatividade em alunos. quando este é encorajado a manipular objetos e idéias. principalmente. Criatividade. Estabelecer um relacionamento criativo com uma determinada realidade é. a abertura à percepção. flexibilidade. fluência. na formação de profissionais da educação. Tendências e traços da personalidade criativa. A FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estudos realizados na área de formação de professores têm evidenciado a carência dos cursos de licenciatura em fornecer meios ao futuro profissional de desenvolver e aprimorar sua própria capacidade criativa e para reconhecer e valorizar esta forma de pensar e agir em seus alunos. E é do mesmo modo necessário”. fatores inibidores e promotores da criatividade e. entre outros. Há uma tendência. há uma tendência para levar os indivíduos a interpretarem fatos. autogeradora. diante do volume e da complexidade dos problemas dos tempos atuais e da rapidez com que se processam as mudanças. para considerar que a educação formal suprime muito a criatividade natural. com novas idéias e soluções. na maioria das vezes. pode ser inibida. De uma certa forma. Relatam também a falta de preparo dos professores. assim. habilidade para reestruturar idéias. é encontrada em cada indivíduo. a classificarem. Wechsler (1995) vai mais longe e assinala o próprio despreparo do futuro profissional para entender. o humor. influência da criatividade no rendimento escolar. projetando-se no futuro. o indivíduo utilize o seu potencial criador contribuindo. julgarem. deve ser suficientemente aberta. habilidade para sentir problemas. soluções originais). devem ser devidamente estimulados. A educação formal. todas as habilidades em potencial. portanto. ao treinar e incentivar as atividades relacionadas com o pensamento convergente (reprodução de fatos conhecidos). potencial presente em todos os indivíduos por ocasião do nascimento. A criatividade. isto funciona como um incentivo ao desenvolvimento de suas próprias idéias. Os condicionamentos agem. abandonando. portanto. consequentemente. È. pode melhorar sua capacidade de pensamento criativo. metodologias e programas para o desenvolvimento de diferentes formas de expressão da criatividade. Segundo Maria Helena Novaes (1975). as atividades relacionadas ao pensamento divergente (fantasias. A emergência da era industrial e conseqüente modernização e automação da sociedade definiram muito as características das transformações que o processo educacional deveria incorporar. Questionam também a própria forma de atuação do professor. pois. destruída ou incentivada. e os métodos de ensino reformulados. como a emergência de originalidade e individualidade. romper com o passado e o presente. A velocidade das informações e dos conhecimentos enfatiza a necessidade de o Homem se adaptar continuamente a novas situações a fim de responder. idéias novas. fundamental que. para a descoberta de melhores respostas aos obstáculos e desafios do mundo moderno. espera-se que o professor tenha sido preparado no seu curso de formação profissional para atuar de maneira crítico-reflexiva em relação aos conteúdos a serem ensinados e a valorizar a construção do conhecimento dos alunos. a educação sem criação não é uma educação de verdade. divergente e de trabalhar os conteúdos de maneira questionadora e indagadora. á avaliação do pensamento produtivo. especialmente no Brasil. que o indivíduo recebe. assim. compararem. dependendo do meio ambiente em que os mesmos se desenvolvam. para oferecer condições para o desenvolvimento de formas de pensamento crítico. Mudanças tecnológicas e científicas que ocorrem neste final de século têm ocasionado uma crise na universidade e. inteligência ou nível sócio-econômico. muito freqüentemente.

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