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Projecto de Órgãos

de Máquinas II
 Selecção de Rolamentos

 Selecção de Correias

 Selecção de Correntes

18-01-2011
Escola Superior de tecnologia e Gestão de Leiria

Calculado e redigido por:


Romeu Rei nº. 2071433
Pedro Rodrigues nº. 2080506
Projecto de Órgãos de Máquinas II

Índice
Objectivo do Projecto.................................................................................................... 3
Dados do projecto ......................................................................................................... 4
Dados fornecidos pelo docente .................................................................................. 4
Condições de funcionamento ..................................................................................... 5
Selecção de rolamentos para o veio 2 ............................................................................ 6
Cálculo das reacções nos apoios ................................................................................ 6
Calculo das cargas dinâmicas equivalentes em cada rolamento ( ) .................... 8
Cargas radiais: ........................................................................................................... 8
Cargas axiais: ............................................................................................................ 8
Selecção de um rolamento Hipotético ........................................................................ 9
Cargas dinâmicas equivalentes .................................................................................. 9
Cálculo da vida nominal ajustada ................................................................................ 10
Cálculo de a23II ........................................................................................................ 10
Cálculo da relação de viscosidade: ...................................................................... 10
Cálculo do factor K= K1 + K2 .............................................................................. 11
Cálculo do factor de limpeza, s ................................................................................ 14
Cálculo do factor para o material e condições de serviço, a23 ................................... 14
Cálculo da vida nominal ajustada, L3a e L3ah ............................................................ 14
Conclusão................................................................................................................ 15
Segunda iteração da selecção de um rolamento para o veio 2 ...................................... 16
Cálculo do factor para o material e condições de serviço, a23 ................................... 17
Cálculo da vida nominal ajustada, L3a e L3ah ............................................................ 17
Conclusão................................................................................................................ 17
Selecção de um sistema de transmissão por correias dentadas ..................................... 18
Step1- Cálculo do factor de serviço, Ks .................................................................... 18
Step2- Potência de cálculo, Pc.................................................................................. 19
Step3- Tipos de correias possíveis + passo............................................................... 19
Step4- Dados da correia seleccionada ...................................................................... 20
Step5-Calculo da largura da correia, W.................................................................... 20
Selecção do sistema de transmissão ......................................................................... 22

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Correia ................................................................................................................ 22
Polias .................................................................................................................. 22
Selecção de um sistema de transmissão por correntes .................................................. 23
Step1-Selecção do pinhão, roda e relação de transmissão......................................... 23
Step2- Factores de serviço, f1 e f2 ............................................................................ 24
Step3-Calculo da potência de selecção..................................................................... 25
Step4- Selecção das correntes .................................................................................. 25
Step5-Calculo do comprimento da corrente ............................................................. 29
Step5-Calculo do entre eixos exacto, C.................................................................... 29
Selecção da transmissão .......................................................................................... 29
Trabalho suplementar – Forças envolvidas .............................................................. 30
Conclusões finais ........................................................................................................ 31

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Objectivo do Projecto
Este projecto, inserido na unidade curricular de Órgãos de Máquinas 2, pretende
desenvolver as nossas capacidades de selecção de rolamentos, correias e correntes para
sistemas em que é necessária uma transmissão de potência entre eixos paralelos.
Os rolamentos são utilizados no suporte dos eixos em que a energia mecânica
será transmitida, tanto no eixo motor como no movido. Os rolamentos permitem que os
veios rodem livremente com o menor atrito possível, permitindo menores perdas de
potência. Já as correias e as correntes permitem que se transmite potência entre veios
paralelos com distâncias de entre eixos relativamente elevadas.
Neste projecto serão seleccionados os rolamentos, correias e correntes para um
dado sistema mecânico, um tambor misturador, este sistema está representado na figura
1. Com os dados fornecidos no enunciado e pelos dados fornecidos pelo docente serão
calculadas as forças em jogo neste sistema, para a posterior selecção dos elementos
pretendidos.

Figura 1

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Dados do projecto
Os dados essenciais do problema estão no enunciado e nos dados fornecidos
pelo docente, com todos esses dados será possível efectuar a análise das forças que
estão em jogo neste sistema mecânico, e a partir dai poder-se-á seleccionar todos os
componentes que este projecto exige. Para que assim seja será utilizada uma
simplificação do sistema (na figura2), será com base nesta simplificação que todas as
forças serão calculadas.

Figura 2
As solicitações que estão presentes no veio 2 são as que estão representadas na
figura 2:
 Fr – Força radial transmitida à roda dentada;
 Fa – Força axial transmitida à roda dentada;
 Ft – Força tangencial transmitida à roda dentada;
 P – Peso da roda 2; (Este peso será desprezado, uma vez que a sua influência
no sistema será mínima);

Dados fornecidos pelo docente


Relação de transmissão: u=i= 4,05
Viscosidade: ʋ40C= 32 mm2/s
Momento torçor requerido no tambor: Mt = 1200 N.m
Dimensões dos veios no local dos rolamentos:
d1= 27 mm; d2= 35 mm; d3= 30 mm; d4= 38 mm;
Dimensões na figura 1: a = 35 mm b = 25 mm c = 40 mm d = 30 mm

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Condições de funcionamento
 Lpret – 15000 horas
 Tfunc – 30o C
 Fiabilidade – 97%
 Condições de limpeza – más
 Tempo médio de funcionamento por dia – 12 horas
 n – 1910 r.p.m.
 z1 – 20 dentes
 αn – 20o
 βn – 15o
 mn – 3
 Máquina motora – motor eléctrico alternado trifásico

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Selecção de rolamentos para o veio 2


Os rolamentos que se pretendem para este veio são de rolos cónicos com
configuração em “X”. Neste ponto será realizada a selecção dos rolamentos para o veio
2 com base no seguinte critério de dimensionamento:

Critério de dimensionamento: L3a ˃ Lpret

L3a = a1.a23. e Lpret=15000h

Cálculo das reacções nos apoios


 Cálculo das forças ( , , ) nas engrenagens ( estas forças são iguais nas duas
engrenagens)
 A relação de transmissão é dada, logo é possível calcular a velocidade da roda 2:

i=  N=  N=471,6 r.p.m.
,

 Relacionando as seguintes equações é possível calcular a força tangencial gerada


nas rodas dentadas, tal como a potência do motor requerida, sabendo que o
momento torçor requerido no tambor é de 1200N.m.Com o número de dentes e o
ângulo de inclinação da roda dentada helicoidal determina-se o diâmetro
primitivo da roda:
.
Mt= Ft . Pot = Mt . = =

A potência do motor será:


× ,
= × = , ≈

O diâmetro da roda dentada será:


×
= = ,
°
Utilizando a relação de transmissão determinamos o diâmetro da roda dentada motora:

= ↔ = , × , = ,

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Agora com os dados anteriores determinamos as forças que estão aplicadas nas rodas
dentadas:
Força tangencial:
×
= . . ↔ = = ,

Força axial:
= . ↔ = , × °= ,
Força radial:
°
= . ↔ = , × = ,
°
 Com as forças que estão aplicadas nas rodas dentadas iremos decompor essas
mesmas forças em dois planos para assim determinar as forças aplicadas em
cada apoio do veio 2:
Reacções no plano XY

⎧ = ↔ = ↔ = ,

= ↔ − + = ↔ = , − , = ,

⎪ , ×
⎩ , = ↔ × − × = ↔ = = ,

Reacções no plano YZ

⎧ = ↔ = ↔ = ,

= ↔ − + = ↔ = , − , = − ,

⎪ , × + , × ,
⎩ , = ↔− × − × − × = ↔ = = ,

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Calculo das cargas dinâmicas equivalentes em


cada rolamento ( )
 As cargas dinâmicas equivalentes são calculadas com base nas reacções de
cada apoio.

Cargas radiais:
= , + , = ,

= , + , = ,

Cargas axiais:
= (No apoio 3 a força axial é nula, pois o rolamento é móvel)
= , =
Deve-se verificar a seguinte condição que diz respeito ao tipo de construção do
rolamento, neste caso a construção é em “X”:

>
Os “Y” são iguais pois são rolamentos iguais, logo desaparecem.
= = 8,7 kN
= = 5,15 kN
Logo verifica-se que:
8,7 > 5,17 (kN)
Agora deve-se verificar uma nova condição:
≤ −
, ×
>
 Para esta verificar a condição necessitamos do Factor Y. Ao invés de escolher já
um rolamento verificámos o valor mínimo desse factor nos rolamentos de 40mm
até as 60mm de diâmetro interno.
O menor valor de Y é 0,69.
Logo teremos:
, ,
, > , × = , (kN)
,

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Com isto sabemos que qualquer rolamento de 40mm a 60mm irá seguir a seguinte
equação:

= + , ×

Selecção de um rolamento Hipotético


Agora para determinar a força axial já será necessário seleccionar um rolamento, o
seleccionado foi o de referência 32308B com as seguintes características:
 C=122kN
 e=0,55
 Y=1,1
 C0=150kN
 Y0=0,6
 D=90mm
 d=40mm
Logo com base na equação teremos a carga axial:

,
= , + , × = ,
,
Cargas dinâmicas equivalentes
Com a verificação da seguinte equação calculamos as cargas dinâmicas equivalentes:

Determinamos para o rolamento 3:

0<e
Logo a carga dinâmica equivalente do rolamento do apoio 3 é:

P3=Fr3=5,17kN
E para o rolamento 4:

0,57>0,55
Logo a carga dinâmica equivalente do rolamento do apoio 4 é:

P4=0,4 x Fr4 + Y x Fa4 = 8,91 kN


Assim podemos concluir que o rolamento mais solicitado é o rolamento 4 e será
com base nesse rolamento mais solicitado que iremos seleccionar os dois
rolamentos.

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Cálculo da vida nominal ajustada


L3a = a1.a23.
 Factor a1=0,44

 p= (Pois é um rolamento de rolos)

 a23 = a23II . s
Cálculo de a23II
Cálculo da relação de viscosidade:
ʋ
К=
ʋ
Para que se determine a relação de viscosidade teremos que determinar a viscosidade de
referência e a viscosidade de serviço.
 Diâmetro médio será:
+ +
= = =
 n – 471,6 r.p.m.
Do gráfico:

Podemos retirar que a viscosidade de referência ʋ1 será aproximadamente de 35 mm2/s.

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Sabendo que:
 Viscosidade a 40oC é de 32 mm2/s
 Temperatura em serviço de 30oC.
Com o auxílio do gráfico:

Retira-se que a viscosidade em serviço ʋ será de 50 mm2/s.


Logo a relação de viscosidade será a seguinte:

К= = ,

Cálculo do factor K= K1 + K2
Para calcular o factor K1 será necessário calcular:


=

 = 150
 = 0,6
Para determinar a carga estática equivalente é necessário verificar o seguinte:
≤ , ≤
⇔ ⇔ , ≤ ,
> ∗ , > ∗ ,

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Logo sabemos que:

= Fr=8,7 kN
Portanto:


= = = ,
,
Recorrendo à seguinte tabela:

Logo,

K1=0
Para calcular o factor K2 será necessário utilizar a seguinte tabela:

 К = 1,43
 f ∗ = 17,2

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Logo,

K2=0

Portanto o factor K= K1 + K2 = 0 + 0 = 0
Para que finamente se chegue ao valor básico a23II é necessário uma outra tabela:

 K=0
 К = 1,43

Logo o valor básico,

a23II =2

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Cálculo do factor de limpeza, s


Este factor de limpeza, s, calcula-se com o auxílio de uma tabela para o efeito:
 V=3 (más condições de limpeza)
 f ∗ = 17,2
 К = 1,43

Logo o factor de limpeza,

s = 0.06

Cálculo do factor para o material e condições de serviço, a23


a23 = a23II . s =2*0.06=0,12
Cálculo da vida nominal ajustada, L3a e L3ah
 a1=0,44
 a23=0.12
 C=122 kN
 P=8,91 kN
 p=

L3a = a1.a23. = 0,44*0,12* = 324,27*106 Rotações


,

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

, ∗
L3ah= = 11459,9 horas
, ∗
Aplicando o critério de dimensionamento,

L3ah ˃ Lpret ⇔11459,9 ˃15000 (Horas)


Esta verificação é falsa!

Conclusão
O rolamento seleccionado não satisfaz a condição! Para que esta condição seja
satisfeita, deve-se escolher um novo rolamento e voltar a verificar todas as condições
anteriores. Mas caso seja possível, se se melhorarem as condições de limpeza já se
obtém uma vida útil superior.
Por isso decidimos realizar os mesmos cálculos utilizando condições de limpeza
moderadamente contaminada, pois este factor irá aumentar consideravelmente a vida do
rolamento.

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Segunda iteração da selecção de um


rolamento para o veio 2
Para calcular esta segunda iteração basta calcular um novo factor de limpeza, s,
pois os restantes factores serão exactamente iguais.
Ou seja, teremos a seguinte equação:

L3a = a1.a23.
Onde já conhecemos os seguintes valores:
 a1=0,44
 a23II=2
 C=122 kN
 P=8,91 kN
 p=

Basta calcular um novo factor de limpeza para determinar o valor do factor para o
material e condições de serviço.
Logo recorrendo à tabela:

Retira-se,

s = 0.18

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Cálculo do factor para o material e condições de serviço, a23


a23 = a23II . s =2*0.18=0,36
Cálculo da vida nominal ajustada, L3a e L3ah
 a1=0,44
 a23=0.36
 C=122 kN
 P=8,91 kN
 p=

L3a = a1.a23. = 0,44*0,36* = 705,87*106 Rotações


,
, ∗
L3ah= = 24945,9 horas
, ∗
Aplicando o critério de dimensionamento,

L3ah ˃ Lpret ⇔24945,9 ˃15000 (Horas)


Esta verificação é verdadeira!

Conclusão
Podemos concluir então que este rolamento seria mais do que suficiente para a
utilização pretendida se as condições de limpeza fossem ligeiramente melhoradas, as
condições de limpeza influenciam em muito a vida do rolamento, quanto melhores estas
forem mais longa será a vida deste.

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Selecção de um sistema de transmissão por


correias dentadas
Em primeiro lugar deve-se determinar uma aproximação de entre eixos com base
no sistema de transmissão por engrenagens, para que este sistema fique o mais
compacto possível.
Sabendo que as dimensões das engrenagens são:
dz1= 62,12 mm;
dz2= 251,6 mm;
Teremos:
, ,
CAprox= = = ,

Portanto a correia será seleccionada para um entre eixos similar a esta dimensão, para
que os eixos não tenham que ser deslocados em demasia da sua posição original.

Step1- Cálculo do factor de serviço, Ks


Com base na tabela de selecção do factor de serviço do catálogo de selecção de
correias dentadas, sabendo que o sistema sofre choque moderados e utiliza um motor
trifásico. Consideramos que o sistema é um agitador para semi-liquidos.
Usando a tabela,

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Obtemos o seguinte factor de serviço:


Ks = 1,5

Step2- Potência de cálculo, Pc


A potência de cálculo é determinada usando o factor de serviço que calculamos
anteriormente, usando a seguinte formula:
Pc = Ks * P ⇔
Sabendo que a potência a transmitir é de 60 kW, teremos:
Pc = 1,5 * 60 ⇔ Pc = 90 kW

Step3- Tipos de correias possíveis + passo


Utilizando os vários gráficos disponíveis no catálogo de correias dentadas é
possível perceber quais as correias que são possíveis de utilizar para efectuar esta
transmissão de potência.
Para isso utilizamos a potência de cálculo e a velocidade do eixo mais rápido, que neste
caso é de 1920 r.p.m.

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Como é possível verificar, é possível utilizar a correia Powergrip GT2 - 8MGT e


Powergrip HTD - 14M.
Posto isto, optamos por seleccionar a correia Powergrip GT2 – 8MTG pois são das mais
utilizadas, assim sendo o passo utilizado será de 8 mm.

Step4- Dados da correia seleccionada


Agora é necessário seleccionar os parâmetros principais da correia, por isso iremos
consultar as tabelas para esse efeito. A razão de transmissão, i, será a mais próxima do
valor que nos foi proposto 4,05.
Verificando a tabela seguinte e sabendo que pretendemos o entre eixo menor possível:

Logo é possível verificar na tabela que a razão de transmissão mais próxima é


4,09, e com esse valor teremos:
 C=150,3 mm;
 Número de dentes da polia menor = 22 dentes;
 Número de dentes da polia maior = 90 dentes;
 Comprimento da correia = 800 mm.
Com estes dados já é possível seleccionar a correia que será utilizada, será a de
referência:
800 – 8MTG

Step5-Calculo da largura da correia, W


Para o cálculo da largura da correia é necessário usar a seguinte equação:
= ∗ ∗ ∗
Onde diz respeito à potência de calculo (102 kW).

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

corresponde a um factor retirado da seguinte tabela:

Como se verifica,
= ,
, é um factor que depende de se calcula com base na seguinte formula:
( − )∗
= , −
, ∗
Onde e são o número de dentes da polia menor e maior, respectivamente. P o
passo da correia, e C o entre eixo entre as polias.
Logo teremos:
( − )∗
= , − = ,
, ∗ ,
Usando esse valor iremos retirar da seguinte tabela:

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Logo,
=
O factor corresponde a um factor que depende do tamanho da correia dado pela
seguinte tabela:

Portanto,
= ,
Sabendo todos estes factores poderemos calcular o factor que nos permitirá
determinar a largura da correia.

= ⇔ = = 18,13 mm
∗ ∗ , ∗ , ∗

Sabendo este valor, teremos que consultar a tabela:

Logo a largura da correia será de 20 mm, pois é o valor mais próximo do resultado
obtido e é uma largura normalizada. Portanto já é possível seleccionar a correia bem
como as polias.

Selecção do sistema de transmissão


Correia
Ref: 800 – 8MTG - 20
Polias
Ref: P22 – 8MTG – 20
Ref: P90 – 8MTG - 20

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Selecção de um sistema de transmissão por


correntes
Para a selecção das correntes para este equipamento iremos basear-nos nos
dados que temos do exercício da selecção dos rolamentos e na informação do enunciado
da selecção de correntes. Para este exercício teremos duas velocidades do pinhão
possíveis, n1 e n2, e iremos calcular o tipo de correntes para cada uma destas velocidades
se possível. Para a selecção deste tipo de transmissão será necessário verificar qual será
o tipo de corrente utilizada, bem como o tipo de lubrificação. O pinhão e a roda serão
também seleccionados em conjunto com a corrente.
Vamos optar por determinar a transmissão por correntes que seja mais
compacta, para que esta ocupe o menor espaço possível, este será o parâmetro de
selecção imposto por nós.
Dados do exercício:
 n1 – 1910 r.p.m.
 n2 – 1000 r.p.m.
 i=4,05
 Mt requerido no tambor = 1200 N.m
 Pot = 60 kW (calculado no primeiro exercício)

Step1-Selecção do pinhão, roda e relação de transmissão


A relação de transmissão que nos foi dada no enunciado foi:
i = 4.05
No entanto não é possível manter essa relação de transmissão devido às combinações de
pinhões rodas dentadas existentes, como se pode ver na seguinte tabela:

Portanto a relação de transmissão que iremos utilizar será,


i=4

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Portanto seleccionamos o pinhão e a roda dentada dependendo desse constrangimento


(verificando as condições de montagem e tamanho):
z1 = 19 dentes (z1 ≥ 19 dentes e Impar)
z2 = 76 dentes (z2 ≤ 114 dentes e Par)

Step2- Factores de serviço, f1 e f2


Estes factores de serviço dependem o tipo de equipamento para o qual se está a
seleccionar a corrente do tipo de fonte de potência, com esses dados determinamos o
factor f1 com ajuda da seguinte tabela:

 O equipamento sofre choques moderados e é um agitador de sólidos e líquidos;


 O motor usado é trifásico;
Logo verificando na tabela,
f1 = 1,4
O factor f2 depende do número de dentes do pinhão e calcula-se com a seguinte tabela:

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Como o pinhão seleccionado tem 19 dentes,


f2 = 1

Step3-Calculo da potência de selecção


A potência de selecção é calculada usando a seguinte formula:
Pc= Pot * f1*f2
Logo,
Pc = 60*1.4*1= 84kW

Step4- Selecção das correntes


Com a potência de selecção iremos utilizar um gráfico que permite verificar qual o tipo
de corrente que permite efectuar a transmissão, cruzando essa potência com a
velocidade de rotação do veio motor obtemos o tipo de corrente, o passo e o tipo de
lubrificação.
Para a 1ª opção, com n1 = 1910 r.p.m. teremos:

Ou seja não é possível realizar a transmissão de potência com esta velocidade de


pinhão, não há nenhum tipo de corrente que suporte estas condições impostas!

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Posto isto, iremos fazer a mesma verificação para a segunda opção.


Para a 2ª opção, com n2 = 1000 r.p.m. teremos:

Logo, sabemos:
 Corrente simples:
Não é possível fazer a transmissão por correntes!
 Corrente dupla:
Passo = 31,75 mm
Tipo de lubrificação: Tipo 4
 Corrente tripla:
Passo = 25,40 mm
Tipo de lubrificação: Tipo 4
Tendo estas informações iremos fazer duas verificações, verificação de não
interferência e de transmissão óptima. Como pretendemos ter uma transmissão o mais
compacta possível será a primeira verificação a entrar em conta, mas não iremos
descurar a segunda hipótese, ou seja, será a transmissão mais compacta possível com a
verificação das duas condições.

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

A-Verificação de não interferência


A fórmula usada é:
+
>

Em que C é o entre eixo e são os diâmetros do pinhão e da roda,


respectivamente.
Os diâmetros primitivos das cremalheiras é dado por:

Em que p é o passo, e z o número de dentes.


 Corrente dupla
Passo = 31,75 mm
Tipo de lubrificação: Tipo 4
Os diâmetros primitivos são:
,
= = ,

,
= = ,

Portanto,
+ , + ,
> = = ,

Logo para a transmissão por correntes duplas o entre eixo mínimo possível é de 481
mm.
 Corrente tripla
Passo = 25,4 mm
Tipo de lubrificação: Tipo 4
Os diâmetros primitivos são:
,
= = ,

,
= = ,

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Projecto de Órgãos de Máquinas II

Portanto,
+ , + ,
> = = ,

Logo para a transmissão por correntes triplas o entre eixo mínimo possível é de 385
mm.
A-Verificação de transmissão óptima
Para que uma transmissão de correntes faça uma transmissão de potência eficaz é
necessário verificar a seguinte condição:

30< <50
Para calcular-mos este valor será utilizado o menor entre eixo permitido, mas caso esse
não seja permitido esse será calculado com base nesta equação.
 Corrente dupla
Para a corrente dupla temos:
p = 31,75 mm e C = 481 mm logo,

30< <50 ⇔ 30< <50 ⇔30< , <50


,
A condição é falsa!
Portanto,

30< ⇔30< ⇔C > 952,5 mm


,
Este é o entre eixo menor que é possível ter para que as duas condições se verifiquem, C
deve ser maior que 952,5 mm.
 Corrente tripla
Para a corrente dupla temos:
p = 25,4 mm e C = 385 mm logo,

30< <50 ⇔ 30< <50 ⇔30< , <50


,
A condição é falsa!
Portanto,

30< ⇔30< ⇔C > 762 mm


,
Este é o entre eixo menor que é possível ter para que as duas condições se verifiquem, C
deve ser maior que 762 mm.

Docente: Eng.º. Mário Pereira 2010\2011 28


Projecto de Órgãos de Máquinas II

Logo concluímos que a corrente que será seleccionada será a tripla, pois esta é a
mais compacta e verifica as duas condições!

Step5-Calculo do comprimento da corrente


O comprimento da corrente em número de elos é calculado com base na seguinte
equação:

+ ∗ ( − ) ∗
= + +
∗ ∗
Considerando C=763 mm e a restante informação anterior teremos:

+ ∗ ( − ) ∗ ,
= + + = ⇒
, ∗ ∗
Serão 112 elos e não 111, pois estes têm que ser sempre um número par, caso contrário
não será possível fechar a corrente aquando à sua montagem.

Step5-Calculo do entre eixos exacto, C


Para que o entre eixos exacto seja calculado teremos que usar a seguinte equação:

= ∗ − − + ( ∗ − − ) − ( − )
,

Ou seja o entre eixos exacto é:

,
= ∗ − − + ( ∗ − − ) − ( − )
,

= ,

Selecção da transmissão
Consultando o catálogo é possível verificar que existem vários tipos de correntes
possíveis, mas optámos por seleccionar as convencionais, logo a selecção é:
 Passo = 25,4 mm
 Corrente ISO: 16B-3
 Número de elos = 112, 56 de ligação e 56 não ligantes.
 Largura total da corrente, H = 99, 9 mm

Docente: Eng.º. Mário Pereira 2010\2011 29


Projecto de Órgãos de Máquinas II

Trabalho suplementar – Forças envolvidas


A velocidade média da corrente é dada por:
∗ ∗
=

Portanto a velocidade média da corrente, utilizando os dados do exercício, será:


, ∗ ∗
= ⇔ = , /

Tendo em conta que as correntes não devem funcionar a uma velocidade média
superior a 17 m/s esta velocidade é perfeitamente aceitável.
Força centrifuga, Fc, é dada por:

= ∗

Consultando o catálogo onde foi seleccionada a corrente, retira-se:


q=8 kG/m
Logo:

= ∗ , ⇔ = . = ,
.
A força útil é dada pela equação:

Logo teremos:


= ⇔ = , = ,
,

Docente: Eng.º. Mário Pereira 2010\2011 30


Projecto de Órgãos de Máquinas II

Conclusões finais
Este trabalho foi desenvolvido durante o semestre, os problemas propostos
foram usados para estudar e aplicar os conhecimentos antes da frequência. Estes
problemas foram úteis para melhorar os conhecimentos e a prática a realizar este tipo de
dimensionamento.
Foi um trabalho acessível e não muito complicado de realizar. Os
dimensionamentos propostos foram aqueles exigidos pelo docente, não foram realizados
muitos mais extras pois não existiu tempo suficiente para estes serem incluídos aqui.

Docente: Eng.º. Mário Pereira 2010\2011 31