UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

A PROBLEMÁTICA DO LIXO EM NATAL E AS IMPLICAÇÕES POSITIVAS DE SUA RECICLAGEM

Fábio Fonseca Figueiredo

Orientador Willian Eufrásio Nunes Pereira

Natal(RN), Dezembro de 2000

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A PROBLEMÁTICA DO LIXO EM NATAL E AS IMPLICAÇÕES POSITIVAS DE SUA RECICLAGEM

FÁBIO FONSECA FIGUEIREDO

Monografia

de

graduação

apresentada

ao

Departamento de Economia da UFRN para obtenção do grau acadêmico de Bacharel em Ciências Econômicas.

NATAL (RN), DEZEMBRO 2000

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A PROBLEMÁTICA DO LIXO EM NATAL E AS IMPLICAÇÕES POSITIVAS DE SUA RECICLAGEM

_____________________________________ Aluno: FÁBIO FONSECA FIGUEIREDO

_____________________________________ Orientador: Williame Eufrasio N. Pereira

_____________________________________ Examinador 1: Flavio Aguiar de Souza

______________________________________ Examinador 2: Francisco Borba

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente gostaria de agradecer a meu pai, a pessoa mais próxima que tenho neste planeta, pois a seu jeito sempre torceu por mim e sempre esteve próximo, me dando força e contribuindo para a minha formação acadêmica, mas principalmente para me tornar o homem que hoje sou, por isso: Pai, obrigado, obrigado por tudo. Agradeço a minha avó, com quem me criei e que foi, talvez, uma das maiores responsáveis pela realização deste trabalho pois se não fosse ela com seus conselhos e sua ação nos momentos difíceis da minha vida, eu certamente teria largado os estudos antes de chegar a Universidade. Gostaria também de agradecer a toda minha família, que de uma maneira geral torceram e me deram força. A minha Ritinha em especial, pelos conselhos e força que me deu; a minha tia Leidinha pela paciência de ler e sugerir mudanças necessárias a esse trabalho e ao primo Santieire, com quem lhe confessei todas as minhas dificuldades nos últimos 05 anos e de quem sempre encontrei um ombro amigo. Gostaria de prestar um agradecimento especial ao meu grande amigo e companheiro Ricardo Boer, de quem devo muito por ter ele segurado minha onda nos momentos mais difíceis; a Motinha, sempre prestativo; a Rosangela, que apesar do pouco tempo de convivência, considero-a uma irmã. Poderia citar mais nomes, mas não gostaria de correr o risco de ser injusto, esquecendo algum deles, assim, agradeço a todos meus amigos, alunos do curso de economia ou não, por terem me dado força e terem torcido por mim durante todo esse tempo. Do corpo docente, reconheço o empenho em me ajudar, dando-me conselhos valiosos, os seguintes professores: Lindaura, Denilson, Flávio Aguiar, Chico Nabuco, Cortez, e Rogério Cruz. A todos estes, o meu muitíssimo obrigado.

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RESUMO

O desenvolvimento da cidade do Natal nos últimos anos foi condição necessária para a formação do grande volume de lixo. O lixo, além de ser um inconveniente para as pessoas que o produzem, provoca efeitos nocivos ao meio ambiente, fazendo com que haja uma diminuição na qualidade de vida das pessoas. Sendo assim, o homem terá consciência de que não poderá conviver pacificamente com o lixo, e então procurará formas de evitar os efeitos nefastos causados pelo lixo na sociedade. A pesquisa foi realizada de duas formas, através da coleta e análise de dados quantitativos – fornecidos por órgãos públicos, indústrias recicladoras e cooperativas de catadores de lixo – dados qualitativos – pela realização de entrevistas com os agentes inseridos na indústria da reciclagem – e pela literatura especializada no setor da reciclagem dos resíduos do lixo. Visto que o lixo é nocivo ao homem e que a sua produção está intrinsecamente ligada à existência humana, constata-se que algo deve ser feito de modo a evitar tais malefícios. Nesse ínterim, surge a indústria da reciclagem como uma alternativa no combate à poluição ambiental oriunda da formação do lixo. Na cidade do Natal, caso houvesse um maior incentivo para a reciclagem do lixo, haveria uma substancial redução da poluição do espaço urbano pois com a reciclagem diminuiria o volume do lixo que é despejado à céu aberto. Um outro benefício que a atividade da reciclagem poderia trazer à sociedade natalense seria o de gerar ganhos econômicos para os agentes envolvidos nela, além de criar emprego e renda para as camadas mais baixas da sociedade por ser a reciclagem uma indústria que não requer mão-de-obra de alta qualificação profissional. Embora a reciclagem dos resíduos do lixo seja uma solução eficiente no combate a problemática do lixo na cidade do Natal, a sociedade natalense deve, antes de mais nada, tratar de solucionar essa questão, seja através da reciclagem ou por outras formas existentes. Palavras-chave: Reciclagem de lixo; Catadores de lixo; Lixo em Natal

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SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS .................................................................................................................. IV RESUMO ........................................................................................................................................V INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 1 CAPÍTULO 1: CONHECENDO O LIXO ....................................................................................... 4 1.1 – A formação do lixo ............................................................................................................ 4 1.2 – Classificação do Lixo ........................................................................................................ 6 1.2.1 – Domiciliar.................................................................................................................... 7 1.2.2 – Comercial .................................................................................................................... 7 1.2.3 – Públicos ....................................................................................................................... 7 1.2.4 – Hospitalar .................................................................................................................... 8 1.2.5 – Industrial ..................................................................................................................... 8 1.2.6 – Agrícola ....................................................................................................................... 9 1.3 – Valor do lixo na sociedade ................................................................................................. 9 1.4 – O lixo em Números .......................................................................................................... 12 CAPÍTULO 2: A RECICLAGEM ................................................................................................. 14 2.1 – Vantagens e implicações decorrentes da reciclagem de lixo ....................................... 14 2.1.1 – Implicações ambientais ............................................................................................. 17 2.1.2 – Vantagens econômicas .............................................................................................. 24 2.2 – Produtos mais utilizados na reciclagem........................................................................ 29

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2.2.1 – Plásticos .................................................................................................................... 30 2.2.2 – Papeis ........................................................................................................................ 30 2.2.3 – Metais ........................................................................................................................ 31 2.2.4 – Vidro .......................................................................................................................... 32 CAPÍTULO 3: O LIXO EM NATAL ............................................................................................ 34 3.1 – A dura realidade da situação do lixo em Natal ............................................................ 34 3.2 – Tratamento final dado ao lixo de Natal ........................................................................ 35 3.2.1 – O lixão de Cidade Nova............................................................................................. 35 3.2.2 – Riscos devido a formação do lixão ............................................................................ 37 3.3 – Os números do lixo em Natal ......................................................................................... 38 CAPÍTULO 4: A INDÚSTRIA DA RECICLAGEM DO LIXO EM NATAL ............................. 46 4.1 – Características da indústria da reciclagem em Natal .................................................. 47 4.2 – O mercado da reciclagem do lixo .................................................................................. 51 4.3 – Perspectivas da atividade da reciclagem em Natal ...................................................... 51 CONSIDERACOES FINAIS ........................................................................................................ 53 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO ............................................................................................. 54

INTRODUÇÃO

Na última década, afloraram em todas as partes do mundo as preocupações relativas ao meio ambiente. As constatações de que a poluição ambiental poderá trazer danos irreparáveis ao planeta e consequentemente ao homem, fez com que as pessoas adquirissem consciência para a questão e procurassem discutir formas para a elucidação do manejo do lixo urbano. As preocupações com o meio ambiente perpassaram o âmbito das florestas, mangues, rios e mares, chegando à cidade onde se constata que uma das conseqüências do seu desenvolvimento reside na formação do lixo. Os Governos pressionados pela sociedade também passaram a encarar a situação de frente, participando dos fóruns de discussões internacionais de controle ambiental e implementando leis de controle e uso racional dos recursos naturais. No Brasil, a preocupação com o espaço urbano encontra-se no Capítulo VI (1988:124) da Constituição Brasileira, que trata do meio ambiente. Neste capítulo:
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

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De acordo com a Constituição, é um direito de todo cidadão brasileiro viver com boa qualidade de vida, o que significa habitar em um meio ambiente saudável. Por outro lado, é dever de cada brasileiro contribuir para manutenção do espaço sem degradação ambiental. Ao poder público compete fazer cumprir as normas vigentes, promovendo uma melhor qualidade de vida para gerações presentes e futuras. Do que foi colocado, conclui-se que de alguma forma o homem deverá interagir com seu meio ambiente porém de maneira a não mais poluir, pois uma vez isso ocorrendo poderá significar o início do fim da existência humana. Em Natal, a formação do lixo surge a medida que a cidade cresce e se desenvolve. O fato de que a produção do lixo é uma condição decorrente do crescimento da cidade passa a ser contestada com o aparecimento das entidades de proteção ao meio ambiente urbano, as quais exercem funções de fiscais da natureza. Os representantes destes movimentos travam verdadeiras batalhas com alguns setores da sociedade natalense e com o próprio poder municipal, sempre com o intuito de manter preservado a qualidade da vida dos cidadãos. Embora haja todo um empenho por parte das pessoas envolvidas nesses movimentos em preservar o espaço urbano saudável, infelizmente elas ainda não dispõem de um maior poder de convencimento junto à sociedade. Sendo assim, estes movimentos de combate à degradação ambiental, na qual a formação do lixo merece destaque, desempenham um papel social muito mais de dilatador dos crimes ecológicos do que, propriamente, de combate e resolução das questões relativas ao meio ambiente. Refletindo sobre a atual conjuntura na cidade do Natal, no concernente a necessidade de se minimizar os aspectos maléficos relativos da formação do lixo, este trabalho tem por finalidade contribuir de alguma maneira para que a problemática da formação do lixo tome uma outra conotação desde então. Não nos cabe apontar soluções para a temática do lixo na cidade, mas subsidiaremos os atores sociais interessados pela questão, reportando-lhes informações importantes sobre o tema estudado em Natal. Sendo assim, iniciaremos o Capítulo 01 desse trabalho fazendo uma discussão sobre a formação do lixo. Em seguida, apresentaremos uma classificação dos tipos mais comuns de lixo encontrados nas cidades. Depois, trataremos de mostrar o porquê do lixo passa de resíduo, a algo possuidor de valor perante a sociedade e por último, apresentaremos alguns números sobre o lixo no Brasil.

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No Capítulo 02, a discussão gira em torno da reciclagem dos resíduos sólidos encontrados no lixo. Esse capítulo mostra uma série de implicações positivas relativas à reciclagem de resíduos, com destaque para as implicações de cunho ambiental e econômico. Apresenta números também relativos à reciclagem de alguns produtos no Brasil tais como plástico, papel, alumínio e vidro. O terceiro capítulo trata da problemática do lixo em Natal, sendo apresentado números concernentes à produção do lixo na cidade. Neste capítulo, será dado maior ênfase à realidade da problemática da formação do lixo na cidade, mostrando a atual situação em que se encontra a questão perante a sociedade e o posicionamento do poder público municipal na resolução dessa temática. No quarto e último capítulo, será feito um breve comentário sobre a atual situação da indústria da reciclagem dos resíduos sólidos do lixo na cidade do Natal. Devido a carência de dados referentes a essa atividade econômica, este capítulo desempenhará muito mais a função de esclarecer o funcionamento desta indústria, do que propriamente de fazer algum levantamento estatístico e comparativo sobre ela.

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CAPÍTULO 1: CONHECENDO O LIXO

Geralmente chamamos de lixo tudo aquilo que não mais nos é útil, o qual consideramos como resíduos, restos de coisas que não nos servem mais. O lixo nada mais é do que um objeto que inicialmente foi útil à sociedade, mas que passado um certo tempo perdeu sua utilidade. Utilidade que para JEVONS (1996:63): “ (...)significa uma qualidade abstrata que torna um objeto apropriado para nossos fins, caracterizando-o como um bem ou serviço.” Portanto desde que um objeto seja apropriado ao consumo humano, este passa a ser considerado como um bem. Por outro lado, quando empregamos o termo lixo estamos falando dos mesmos objetos, só que desta vez eles não mais servem ao homem por terem perdido sua qualidade abstrata de serem úteis, tornando-se assim resíduos nocivos ao homem.

1.1 – A formação do lixo

A formação do lixo está intrinsecamente ligada a existência humana, haja vista, ser resultante da interação do homem com a natureza. Desde a pré-história, a sobrevivência e a perpetuação da espécie sempre estiveram condicionados à transformação do meio ambiente pelo homem, que conforme as

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suas necessidades, ia adequando seu espaço. A citação de GRADVOHL apud CABRAL (1997) ilustra bem a temática da formação do lixo quando o autor diz: “ O lixo que sobra da produção e do consumo, é uma realidade cotidiana de todos os momentos e lugares.” Sob várias formas ocorre a formação do lixo, seja através da extração dos recursos minerais, seja construindo uma rodovia e/ou até mesmo no simples ato de consumir um fruto retirado da natureza, sempre após a ação do homem haverá a geração do lixo. O lixo, portanto, é uma conseqüência da existência e da evolução das atividades humanas e ocorre em todas as sociedades, desde as mais miseráveis e paupérrimas até as mais ricas e desenvolvidas. Para LEME(1984:249):
“As varias formas com as quais o lixo se apresenta dependem do status econômico, composição etária, costumes sociais, características climáticas, locais, hábitos populacionais e tipos de alimentos, bebidas, etc., cujas embalagens concorrem para a formação do lixo.”

O simples fato das pessoas consumirem as mercadorias para o suprimento das suas necessidades, já seria, per si, condição necessária para o surgimento do lixo nas cidades. Entretanto, o consumo ocorre também por outros motivos, sendo os costumes sociais e o nível de renda, dois dos fatores preponderantes para a formação dos resíduos do lixo nas sociedades modernas. É pouco provável que encontremos computadores, baterias de telefones celulares e produtos similares compondo o lixo das comunidades indígenas mais primitivas do Alto Xingu brasileiro. Conforme a cultura e os costumes daqueles povos, seus integrantes não consomem estes bens, logo seu lixo não constará de resíduos provenientes destes bens. Por outro lado, em sociedades como a americana e a japonesa, por exemplo, em que a maioria dos indivíduos se utilizam de produtos como os citados anteriormente, grande parcela dos resíduos do lixo é formada por estes produtos. Outro motivo importante para a formação do lixo nas sociedades é o elevado nível de renda, o que faz os indivíduos tenderem a consumir mais. Para isso, as empresas tratam de produzir os mais variados produtos a fim de satisfazer as necessidades e ou desejos de consumo das pessoas, ou como BENTHAM apud HUNT (1982:148): “O homem é motivado a maximizar o prazer em detrimento da dor, sendo assim procurará consumir aquelas mercadorias que lhe proporcione satisfação, que lhes seja úteis e que lhes dê prazer.”

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Visando lançar e vender novos produtos no mercado para a obtenção de lucro e, ao mesmo tempo, maximizar o prazer de consumo das pessoas, as empresas diversificam seus produtos. Uma maior variedade de produtos pode levar as pessoas a consumirem mais, contribuindo para o aumento no volume do lixo nas cidades, conforme veremos mais adiante em números. O consumo vinculado a desejos e não necessariamente ao suprimento das necessidades humanas pôde apresentar-se com maior expressão na década de vinte, quando ocorreu a alavancada do processo de “criação” de novas necessidades. De acordo com a citação de RIFKIN(1995:22) abaixo, já naquela época: (...)Era preciso criar necessidades, fazer com os indivíduos sentissem vontade de consumir e não apenas consumir por necessidade e para isso os produtos deveriam trazer consigo características de utilidade e praticidade.” Visto a formação do lixo, encontramos nos resíduos que o compõe uma diversidade de produtos. O tipo de resíduos encontrado no lixo é característico do seu local de origem, ou da idade das pessoas que o formaram. Podemos então concluir que a formação do lixo é reflexo da sociedade que o produz.

1.2 – Classificação do Lixo

Os resíduos sólidos ou lixo podem ser classificados sob várias formas, como por exemplo, pela sua natureza física – se é seco ou molhado – por sua composição química – se proveniente de matéria orgânica ou inorgânica – e pelos riscos que pode causar ao meio ambiente – sendo perigosos, não inertes ou inertes. O lixo também pode ser classificado segundo a sua origem, sendo portanto domiciliar, comercial, público, hospitalar, industrial e agrícola.

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Mostraremos a seguir de que é formada a composição do lixo no que tange a sua classificação por origem, segundo informações colhidas juntas ao MATRIX1 – Instituto Virtual de Educação para Reciclagem.

1.2.1 – Domiciliar

O lixo domiciliar é aquele originado da vida diária das residências, constituído por restos de alimentos – tais como cascas de frutas e verduras – produtos deteriorados, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis, etc. Esse lixo contém ainda alguns resíduos que podem ser tóxicos, como as baterias de telefones celulares e pilhas.

1.2.2 – Comercial

É todo o lixo formado nos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como, supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares e restaurantes dentre outros. O lixo destes estabelecimentos e serviços tem um forte componente de papel, plásticos, embalagens diversas e resíduos de asseio dos funcionários – papéis toalha, papel higiênico, etc.

1.2.3 – Públicos

São todos aqueles originários dos serviços de limpeza urbana, incluindo todos os resíduos de varrição, limpeza de praias, de galerias, de córregos e de terrenos, restos de podas de árvores e de

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O instituto MATIX difunde através da comunicação virtual a problemática da poluição do espaço urbano, e aponta a reciclagem dos materiais existentes no lixo como uma das alternativas possíveis para a resolução dessa temática.

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limpeza de áreas como feiras livres. Esse lixo é constituído por restos de vegetais diversos e embalagens, dentre outros materiais encontrados.

1.2.4 – Hospitalar

Constituem os resíduos sépticos, ou seja, que contem ou potencialmente podem conter germes patogênicos. São produzidos em serviços de saúde tais como hospitais, clínicas em geral, laboratórios, farmácias e postos de saúde. Nesse lixo existem materiais como agulhas, seringas, gazes, bandagens, algodões, órgãos e tecidos removidos, animais usados em testes laboratoriais, sangue coagulado, luvas descartáveis, remédios com prazo de validade vencidos, instrumento de resina sintética e filmes fotográficos de raios X. Dado o perigo que esses materiais podem causar ao meio ambiente, a sua coleta é feita em separado dos demais resíduos e tem como sua disposição final a incineração.

1.2.5 – Industrial

São os resíduos formados nos mais diversos ramos da atividade industrial tais como a metalúrgica, a química, a petroquímica, a papeleira, a alimentícia, dentre outras. O lixo industrial é bastante variado, podendo ser representado por cinzas, lodos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas, etc. Nessa categoria, inclui-se a grande maioria do lixo considerado tóxico.

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1.2.6 – Agrícola

Resíduos sólidos das atividades agrícola e pecuária, como embalagens de adubos e fertilizantes, defensivos agrícolas, ração e restos de colheita. Em várias regiões do mundo, estes resíduos têm se constituído uma preocupação crescente, haja vista o elevado volume que se forma em um espaço reduzido. Dada a formação do lixo segundo sua origem, para a realização do presente trabalho não será enfatizado qualquer tipo de lixo conforme sua especificidade, entretanto, procurar-se-á questionar as implicações que os materiais – papel, plástico, metal e vidro – provenientes do lixo causam ao meio ambiente e a sociedade em geral.

1.3 – Valor do lixo na sociedade

Como já discutido anteriormente, os resíduos sólidos encontrados no lixo estão diretamente atrelados à existência da espécie humana. Diferentemente dos outros animais que para sobreviverem se adequam ao seu ambiente, o homem necessita transformar o seu espaço a fim de criar condições mínimas para a sua sobrevivência. Entretanto, são dois os resultados dessas transformações: o conforto e a satisfação do homem devido a melhoria da qualidade de vida e os transtornos sofridos em virtude da formação do lixo. Os resíduos do lixo, quando maléficos, fazem com que as pessoas se desfaçam deles rapidamente. Com isso, os bens que tiveram importância por serem úteis, necessários e em alguns casos imprescindíveis, tornam-se, a partir daí, inconvenientes. Carros, roupas, embalagens, restos de alimentos, etc., tudo o que até então havia sido utilizado pelo homem perde seu valor devido ao desuso. Conforme LEME (1984:247): “Os resíduos sólidos que constituem o lixo se apresentam nos estados sólidos e semi-sólidos, sendo resultantes das atividades humanas e dos animais e são abandonadas como imprestáveis e/ou indesejáveis.”

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A interpretação dada ao lixo como sendo um amontoado de resíduos dos mais diversos tipos, desnecessário, inconveniente e sem valor algum, toma nova conotação a partir do momento em que surge a perspectiva de inserir estes resíduos novamente no contexto social, mesmo que seja para desempenhar funções diferentes das realizadas anteriormente. Para SILVERSTAIN (1993:34):
“De uma maneira equivalente, o que se chama de lixo é meramente o sintoma de uma economia que ainda não se desenvolveu, não amadureceu completamente, e o que se chama de poluição é o sintoma de uma doença econômica que requer tratamento.”

Para uma melhor interpretação da citação acima, convém esclarecer o porquê, de atrelar a designação lixo para economias imaturas, bem como o termo poluição a uma doença do sistema econômico de alguns países. Conforme vimos anteriormente, o lixo é uma conseqüência das atividades humanas, sendo por isso considerado como resíduos que são incômodos a quem produz. Sendo os resíduos do lixo reaproveitados, a definição do termo lixo ganha um novo significado pois estes materiais passam a serem reutilizáveis junto a sociedade. Estes resíduos uma vez reaproveitados passam a poluir menos, o que proporciona uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que os produziram. Embora a reutilização dos resíduos do lixo traga benefícios às pessoas, infelizmente nem todas as sociedades atentaram para este fato, conforme veremos adiante. Em alguns países, os resíduos produzidos são encarados como lixo, nocivos e inconvenientes, o que revela uma sociedade possuidora de uma economia imatura por não perceber as implicações econômicas que poderiam ser geradas a partir da utilização desses resíduos. Partindo-se do princípio do desenvolvimento sustentável2, a poluição proveniente da formação do lixo pode ser encarada como incompatível pois a preservação do meio ambiente e a conservação dos recursos naturais não-renováveis são condições necessárias ao desenvolvimento de um país. Ultimamente tem havido um maior interesse por parte de alguns setores da sociedade das regiões mais desenvolvidas do mundo por tentar solucionar os problemas ambientas urbanos, causados pela formação do lixo nas cidades. Surgindo a reciclagem como uma alternativa, dada a constatação das

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Para saber sobre Desenvolvimento Sustentável, ver SANDRONI (2000:156).

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implicações ambientais e econômicas3 favoráveis a esta atividade, os resíduos provenientes do lixo passam a possuir valor. Conforme a citação de MARX (1996:166) abaixo, valor pode ser definido como sendo:
“(...) uma característica que as mercadorias possuem de serem úteis e esse valor se realiza no ato de consumir algo, portanto todas as mercadorias desde que sendo úteis, são valores de uso4 e a sua utilidade é determinada pelo momento histórico em que passa uma sociedade.”

De fato, parte-se do princípio de que uma mercadoria terá valor se for útil a alguém em determinado momento histórico. No caso dos resíduos encontrados no lixo, temos que a sociedade que os produz trata de se livrar justamente por eles não mais servirem ao uso, sendo chamados de lixo. Em outro momento histórico, alguns segmentos da mesma sociedade que gerou estes resíduos passam a aceitalos no seu convívio por estes serem agora úteis. Portanto, para estes segmentos da sociedade, um maior volume de lixo implica em uma maior satisfação por ser o lixo útil a estas pessoas. Dessa forma, os resíduos do lixo passam a ter valor de uso, portanto valor. Essa constatação pode ser feita se reportarmos às informações obtidas junto ao CTR – Centro de Triagem de Resíduos, empresa participante do projeto Consócio do Lixo5, desenvolvido em Fortaleza-CE. Segundo o gerente do CTR, a empresa está adotando a política de elevar o valor pago pelos resíduos por ela comprados em até 50% acima do valor de mercado, pois a demanda por materiais reciclados, notadamente os materiais plásticos, cresce a um ritmo bastante elevado e que não está sendo acompanhado pela oferta desses produtos no mercado. Do exposto, conclui-se que os resíduos do lixo, como todo e qualquer objeto, possui valor na medida em que sua utilização se faz necessária pela sociedade. Como toda e qualquer mercadoria, seu valor está condicionado a aceitação por parte das pessoas, que conforme o momento em que vivem podem ou não utilizá-los.

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As implicações ambientais e econômicas referentes a reciclagem dos resíduos do lixo serão explicitadas no Capítulo 02. Para entender o termo Valor de Uso, ver MARX (1996:165). 5 Ver GRADVOHL(1998).

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1.4 – O lixo em Números

A produção do lixo vem aumentando em todo o mundo e uma prova disso são as informações prestadas pelo instituto MATRIX. No período compreendido entre 1970 a 1990 houve um crescimento populacional na ordem de 18%. No mesmo período, a produção de lixo atingiu um incremento de 25%. Este número reflete a necessidade de se encontrar soluções alternativas para a disposição final do lixo em todo o mundo haja vista que segundo as informações acima, enquanto a população mundial cresceu a uma taxa de 0,9% ao ano, o volume do lixo obteve uma taxa significativa de 1.25% no mesmo período. O Brasil produziu no ano de 1998, algo em torno de 241.614 toneladas de lixo por dia, destes aproximadamente 40.000 toneladas ficam sem serem coletados. Cada brasileiro produz o equivalente a 0,5 kg/dia, número bem inferior se compararmos com os países europeus e os Estados Unidos, com 1,0 kg/dia e 2,0 kg/dia respectivamente, (MATRIX, 1998). Apresentado o ritmo da formação do lixo no Brasil, no ano de 1998, resta-nos agora saber de que forma este lixo foi formado. O Gráfico 01 apresenta os percentuais dos materiais que compuseram o lixo brasileiro no ano de 1998, segundo o Instituto MATRIX. De acordo com o gráfico acima, o lixo brasileiro foi composto no ano de 1998, em sua grande maioria, por material orgânico que compreende restos de alimentos, chegando a 65,0%. O papel vem em segundo com 25,0% do volume total dos resíduos encontrados no lixo brasileiro. Os metais – provenientes do alumínio e outros – participaram do lixo com 4,0%, seguidos pelos plásticos e vidros percentuais de 3,0% (MATRIX, 1998).

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Gráfico 01: Gravimetria dos residuos solidos brasileiros, ano 1998

Fonte: Instituto MATRIX (1998) Tabulação Própria

Uma vez que sabemos como o lixo foi composto em um determinado lugar, podemos fazer algumas discussões sobre a origem dos resíduos que vão para a reciclagem, conforme veremos nos capítulos 3 e 4 a seguir. Assim, diante do nosso conhecimento a respeito da formação e composição do lixo de um determinado lugar, discutiremos nos capítulos seguintes a respeito da reciclagem de seus resíduos.

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CAPÍTULO 2: A RECICLAGEM

Sempre que se emprega o termo reciclagem vem à tona a idéia do novo, uma transformação ocorrida com o intuito de aperfeiçoar e/ou adequar algo que perdeu sua condição de existência no meio social justamente por não mais ser útil da forma como se apresenta. Quando os materiais – papéis, plásticos, metais e vidros dentre outros – são designados como lixo, isso quer dizer que o ciclo de vida útil destes materiais acabou, ou seja, que da forma como se encontram não mais serão utilizados. Sendo os materiais provenientes do lixo, reciclados, estes passam a ter vida nova. Se antes eram encarados como descartáveis, a partir de agora o uso destes novos materiais torna-se necessário, e porque não dizer imprescindível à indústria de transformação.

2.1 – Vantagens e implicações decorrentes da reciclagem de lixo

O século XX poderia entrar para a história como sendo o século das grandes catástrofes ambientais. Em menos de cem anos, rios inteiros foram poluídos, grandes extensões de terra perderam sua capacidade de germinação e houve a contaminação dos lençóis freáticos das cidades. Diferentemente

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dos séculos anteriores nos quais a destruição do meio ambiente se deu majoritariamente pela extração dos recursos naturais, os últimos cem anos tem se destacado pela poluição oriunda do lançamento dos resíduos industrias no meio ambiente e pela equivocada disposição final dada ao lixo6 gerado nas cidades. Felizmente, o mesmo século que está sendo caracterizado pela destruição impetrada à natureza também tem se destacado, sobretudo após a segunda guerra, por intensos movimentos sociais7, que na busca de uma sociedade mais justa e uma maior interação homem-natureza, apresentam-se com discursos favoráveis a preservação ambiental. Conforme SILVERSTAIN(1993:18):
“O ambientalismo que floresceu em fins dos anos 60 e início dos anos 70, construiu elementos que combinavam a rejeição dos jovens aos valores consumistas de seus pais com a busca idealista pela simplicidade rústica, contrariando um estabelecido culto à ganância das grandes corporações.”

Esses movimentos de caráter eminentemente sociais surgiram inicialmente, nos países do Ocidente Europeu e na América do Norte e tinham como bandeira de luta a não poluição e preservação ambientais nas cidades, fato que incitou as autoridades governamentais a tomarem medidas de combate a tais práticas que nas palavras de SILVERSTEIN(1993:18), foram:
“Movimentos de massa que surgiram demandando que políticas destrutivas de todos os tipos fossem modificadas. E a maneira como se esperava que estas mudanças acontecessem foi fortemente influenciadas pelas atitudes políticas diante dos sistemas econômicos e dos governos que estavam no poder naquele momento.”

Diante desse quadro de insatisfação social devido a poluição ambiental, aconteceu em 1972 na Suécia a primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, que tratou de apontar algumas saídas para a questão. A participação do Brasil na Conferência da Suécia de 1972 foi considerada um escândalo internacional. Em meio a propostas que visavam a manutenção de um meio ambiente saudável e sem

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Poderíamos citar a contaminação do ar devido aos gases poluentes expelidos pelas fábricas e a contaminação radioativa, como o desastre de CHERNOBYL em 1986 na Rússia e o CÉSIO 137 na cidade de Goiania, no ano de 1987. 7 Notadamente as ONG’s que defendem questões de interesse social que não são consideradas prioridades pelos Governos.

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poluição, a delegação brasileira utilizou de um discurso anti-preservacionista, por atrelar a degradação ambiental como sendo uma condição necessária ao desenvolvimento industrial de um país8. Essa Conferência teve como resultado a busca de formas alternativas pelas indústrias de tratamento de seus resíduos, e que o lixo gerado nas cidades deveria receber um tratamento especial antes da sua disposição final. Propôs-se então, dentre várias outras medidas, que os materiais provenientes do lixo – papéis, plásticos, metais e vidros – fossem reciclados. Essa atividade de reciclagem traria benefícios ao meio ambiente pois reduziria o enorme volume do lixo que se formara nas cidades. Outra função importante que a reciclagem do lixo poderia assumir seria a de gerar emprego e renda já que uma vez que essa atividade se tornasse industrial, demandaria por mais fator trabalho. Sobre implicações que a reciclagem do lixo traria, CALDERONI (1996:34) comenta:
“Em termos específicos, a reciclagem do lixo apresenta relevância ambiental, econômica e social, com implicações que se desdobram em esferas como as seguintes: organização espacial, preservação e uso racional dos recursos naturais, conservação e economia de energia, geração de emprego e renda, desenvolvimento de novos produtos, finanças públicas, saneamento básico e proteção de saúde pública, além de redução de desperdício.”

Implementada a prática da reciclagem do lixo residencial nos países desenvolvidos, observou-se que a questão não se restringia apenas a questões de cunho ambiental, mas também merece destaque a atividade econômica que surge a partir dessa atividade, a qual será mostrada adiante no item que trata das implicações econômicas. A reciclagem de lixo no Brasil configura-se como sendo uma atividade recente se comparado com os países europeus pois enquanto que na Europa a experiência de se reciclar os resíduos tenha surgido durante a Segunda guerra mundial, no Brasil esta atividade inicio-se apenas em meados dos anos setenta. Embora os meios de comunicação de massa apresentem matérias jornalísticas alertando a população para os possíveis perigos com a formação dos lixões nas cidades e apontem a reciclagem

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Para saber mais sobre a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e a participação brasileira neste evento, ver DIAS (1992).

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como uma alternativa viável no combate à poluição ambiental, o tema ao que parece, ainda não tem despertado maior interesse perante a sociedade. Tal desinteresse pode também ser apontado como resultado da falta de uma política educacional básica que incuta na sociedade a necessidade e a importância da reciclagem, tanto pelo caráter ambiental no sentido de preservar o meio ambiente, quanto pelo aspecto sanitário e também geração de emprego e renda. Salvo algumas poucas manifestações por parte de grupos isolados da sociedade brasileira, não houve até o final da década de 1990 nenhum ato público de maior relevância que tratasse de defender questões de interesse ambiental, sobretudo no âmbito das cidades. No que se refere aos órgãos públicos municipais, o cuidado com a preservação ambiental nas cidades encontra-se ainda em estágio pouco evoluído. Segundo dados fornecidos pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, até 1994 apenas 82 cidades brasileiras possuíam políticas claras de controle do lixo antes da sua disposição final. A importância de se desenvolver nos municípios brasileiros programas de incentivo a reciclagem dos materiais que formam no lixo, com o intuito de preservar o espaço urbano pode ser avaliada na citação de MOTA (1997:23): “Independentemente do aspecto econômico e da diminuição da utilização dos Recursos Naturais, a reciclagem tem sido uma realidade no combate à poluição ambiental e ao crescimento do ciclo de vida dos aterros sanitários.“ Sendo assim, surgindo a reciclagem como uma alternativa no combate à degradação do espaço urbano devido a reutilização dos resíduos, que de poluentes passam a necessários, analisaremos as implicações ambientais que constituem motivos para que os resíduos sólidos do lixo sejam cada vez mais utilizados na reciclagem.

2.1.1 – Implicações ambientais

Como visto anteriormente, a preocupação com o meio ambiente surgiu a partir do momento em que a sociedade industrial conseguiu atingir um elevado padrão de vida, notadamente os países mais

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desenvolvidos da Europa Ocidental e os países da América do Norte – Estados Unidos, Canadá e Japão, isso porque, segundo SINGER (1986:155):
“(...) A partir de um determinado período, o aumento do consumo nos países ricos não traz consigo um aumento de satisfação das pessoas que dele usufruem. Daí surgirem propostas visando conter o desenvolvimento, mantendo a economia em crescimento zero e em seu lugar cultivar outros valores como questões de cunho ambiental.”

Para BLAUTH (1996) no Brasil, a discussão em torno da minimização de resíduos tomou impulso com a Agenda 21, documento que representa o acordo entre as nações no sentido de melhorar a qualidade de vida no planeta, elaborada durante a Conferência Eco–92. Esse pouco interesse com as questões ambientais por parte da maioria da população brasileira pode ter como uma possível explicação os baixos índices dos indicadores sociais, com destaque para a falta de escolaridade básica e o baixo nível de renda, esta última se comparada com a renda dos indivíduos dos países desenvolvidos é irrisoriamente menor.

Quadro 01: Comparativo entre renda per capita e índice de reciclagem entre paises

PAÍSES

RENDA PER CAPITA1 US$

RECICLAGEM2 ( % )

SUIÇA JAPÃO ESTADOS UNIDOS BRASIL
Fonte 1: IBQP/PR (2000:02) Fonte 2: CALDERONI (1997:140) Tabulação Própria

25.240 24.070 29.010 6.480

75,09 50,0 48,0 <1,0

9

Segundo o autor, devido aos elevados índices de coleta seletiva, este percentual é uma meta a ser alcançada.

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Conforme apresentado no Quadro 01, temos um comparativo entre a renda per capita de alguns países e seus percentuais de reciclagem dos materiais encontrados no lixo por eles gerados com os mesmos valores de renda per capita percentuais e os percentuais de reciclagem do Brasil. Podemos dividir o Quadro 01 abaixo em dois extremos, no primeiro percebemos que os países onde a renda a per capita é maior, existe um maior interesse pela reciclagem, conforme apresentado nos percentuais do quadro em análise. Na Suiça, país que possui uma das maiores rendas per capitas do mundo, os percentuais de reciclagem dos resíduos sólidos chegam a patamares próximos a 75,0%. Os números seguem com o Japão, que possui uma renda per capita de US$ 24.070 e recicla praticamente 50,0% dos seus resíduos e Estados Unidos com uma renda per capita anual em torno de US$ 29.010 e que possui um percentual de reciclagem em torno de 48,0%. No outro extremo do Quadro 01 temos o Brasil que possui uma renda per capita de US$ 6.480 e que recicla menos de 1,0% do todos os resíduos que compõem o seu lixo. Os números apresentados denotam a discrepância existente entre as duas variáveis em questão, nível de renda e percentuais de reciclagem. Essa possível relação direta existente entre nível de renda da sociedade e reciclagem dos resíduos do lixo pode ser evidenciada em MAY(1995:14):
“Apesar de todo o apelo global para a preservação do meio ambiente brasileiro, a ecologia é uma questão de pobreza. Uma vez que acima de 40% da população brasileira ganha abaixo do que é necessário para encher a cesta básica, a maioria das casas carece de sistema de coleta lixo e tratamento de esgotos sanitários, e a mortalidade infantil mantendo-se na faixa de 57 por 100, como se poderia acatar as necessidades e aspirações dessas multidões permanecendo dentro dos limites ambientais?”

No outro “viés da moeda” encontram-se os países os quais a população possui um elevado padrão de vida em virtude das altas taxas de renda recebida. Nesses países, as pessoas possuem uma consciência ecológica bastante acentuada, fato que corrobora para o surgimento de vários movimentos sociais de defesa do meio ambiente e políticas governamentais de controle ambiental. A citação de CALDERONI (1996:140) a seguir confirma proposição:
“O Japão é, destacadamente, o país líder em reciclagem, em todo o mundo, uma vez que lá a reciclagem atinge praticamente 50% do total do lixo e grande número dos municípios

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japoneses desenvolvem programas de coleta seletiva. A participação social, nessa questão, alcança níveis muito elevados, iniciando-se nas escolas e permeando o cotidiano da população(...)”

O Gráfico 02 apresenta, em termos percentuais, qual a disposição final que foi dada ao lixo nos municípios brasileiros no ano de 1989, segundo a última estatística fornecida pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – no que concerne a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, PNSB. Nesse gráfico, evidencia-se que mesmo sendo de conhecimento geral que a formação dos lixões nas periferias das cidades traz malefícios à população, essa prática foi até aquele ano preponderante em relação a outras medidas tomadas.

Gráfico 02: Destino final dos resíduos sólidos brasileiros, ano 1989

Fonte: IBGE – PNSB(1992)

Os percentuais presentes no Gráfico 02 denotam que de todo o lixo formado nas cidades brasileiras no ano de 1989, 76,0% teve como disposição final os lixões a céu aberto, 13,0% foram para os aterros controlados, 10,0% para aterros sanitários e apenas 1,0% do total dos resíduos encontrados no lixo tiveram como destino final as indústrias recicladoras, a compostagem e incineração IBGE-PNSB (1992).

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Os percentuais do gráfico acima nos confirmam que é uma prática na maioria do municípios brasileiros a formação dos lixões a céu aberto, devido não haver um melhor tratamento do lixo antes de sua disposição final, sendo este simplesmente lançado a céu aberto. As estatísticas apresentadas pela ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – tornaram-se ainda mais alarmantes, visto que, no período compreendido entre 1989 a 1998, a quantidade de lixo jogado a céu aberto passou de 76,0% para 85,0%, contribuindo para a formação dos lixões públicos nos diversos municípios brasileiros.
Quadro 02: COMPOSIÇÃO DE ALGUNS RESÍDUOS SÓLIDOS NA NATUREZA

RESÍDUOS SÓLIDOS

TEMPO PARA DECOMPOSIÇÃO

EMBALAGENS DE PAPEL JORNAIS CASCAS DE FRUTAS GUARDANAPOS PONTAS DE CIGARROS FÓSFOROS CHICLETES NÁILON LATAS DE ALUMÍNIO TAMPAS DE GARRAFAS PILHAS SACOS E COPOS PLÁSTICOS GARRAFAS E FRASCOS DE VIDRO BORRACHAS
Fonte: REVISTA CIÊNCIA HOJE DAS CRIANÇAS (1999:04)

DE 1 A 4 SEMANAS DE 2 A 6 SEMANAS 3 MESES 3 MESES 2 ANOS 2 ANOS 5 ANOS 30 A 40 ANOS 100 A 500 ANOS 100 A 500 ANOS 100 A 500 ANOS 200 A 450 ANOS 1 MILHÃO DE ANOS OU MAIS TEMPO INDETERMINADO

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Acima temos o Quadro 02 mostrando o tempo que alguns resíduos sólidos do lixo leva para serem decompostos pela natureza, caso tivessem como disposição final os aterros sanitários dos municípios brasileiros. Diante do exposto, uma solução imediata para este acumulo de resíduos nas superfícies do solo seria os aterros sanitários, apesar de tal prática resolver apenas parcialmente o problema da formação do lixo nas cidades brasileiras, uma vez que seu volume torna esse recurso inviável para sanar a problemática do lixo. Outro motivo que leva a inviabilidade dos aterros sanitários nas cidades diz respeito ao tempo em que cada produto leva para ser absorvido pela natureza, conforme mostrado no Quadro 02, tendo como conseqüência um crescente aumento no seu volume. Deste modo, se uma maior quantidade de vidro, papel e alumínio, que têm como disposição final os lixões públicos, fossem reciclados, e aproveitados como matérias-primas pelas indústrias, certamente a poluição no meio ambiente urbano seria reduzida pois a utilização dos reciclados polui menos o ar e a água, em se comparando com a matéria-prima virgem no processo de produção, conforme mostra o Gráfico 03.
Gráfico 03: Redução da poluição ambiental a partir de uso de reciclados na produção

Fonte: Tabulação própria a partir de dados de CALDERONI apud POWELSON(1992)

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Segundo os resultados apresentados no Gráfico 03 acima, a produção do vidro com material reciclado polui 20,0% o ar e 50,0% menos a água se comparado a mesma produção com matériaprima virgem, não reciclada. Para a produção do papel, temos que o uso dos recicláveis polui 74,0% menos o ar e 35,0% menos a água em relação ao uso de matérias-primas virgens. O destaque do uso dos materiais recicláveis na produção é o alumínio, que uma vez utilizado reduz a poluição do ar em até 95,0% e da água 97,0%. Estes percentuais que mostram as vantagens para o meio ambiente do uso dos materiais recicláveis evidenciam a necessidade se encontrar formas alternativas de não poluição ambiental. Para tentar conter a poluição ambiental no país, foi apresentado no ano de 1997 o Projeto de Lei n.º 3.029, de autoria do Deputado Federal Luciano Zica. O projeto que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos contém medidas como:  Autorização aos municípios para cobrar serviços especiais de limpeza;  Princípio do berço ao túmulo, onde a indústria passa a ser responsável pelo seu produto da criação até o descarte;  Definição das responsabilidades da gestão dos resíduos e garantia dos padrões de qualidade e segurança ambiental nos tratamentos;  Direito ao Saber a todo cidadão brasileiro de como está a situação ambiental da sua cidade, estado região e/ou país;  Estímulo às soluções regionais, além de propor vários programas para tornar viável a sua aplicação. Até a presente data, apesar das várias audiências públicas, debates e contribuições técnicas, o referido Projeto ainda não foi à votação no plenário da câmara federal. Entretanto, seu conteúdo está sendo utilizado como suporte à definição da proposta do CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente – para a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

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2.1.2 – Vantagens econômicas

Embora a reciclagem tenha surgido da necessidade de se preservar o meio ambiente, que é o pano de fundo da questão, deve-se levar em consideração que não foi apenas a preservação ambiental o único motivo que fez nascer a idéia de reciclagem do lixo. Implicações de caráter econômico também foram fatores que contribuíram para o desenvolvimento dessa indústria de reciclagem do lixo. A questão econômica no que concerne a perspectiva de obtenção de lucro por parte de quem recicla, foi um fator preponderante para a implementação da reutilização do lixo como alternativa viável no combate a poluição ambiental. Em um sistema capitalista que se reproduz através da obtenção do lucro, os investimentos são canalizados para atividades que possuam viabilidade econômica. Sendo assim, não se deve pensar que tais investimentos se prestam para outros fins senão para aqueles prédeterminados. Seguindo esse raciocínio, a alternativa de reciclagem do lixo nos países desenvolvidos, mesmo maquiada com o propósito de preservação ambiental, teve como essência a reprodução capitalista. Os investimentos feitos nessa área visavam aumentar os lucros e a competitividade das empresas através de uma redução dos custos com matérias-primas. Em uma economia de mercado GALBRAITH (1985:31) explica que: “Conta-se com o preço que se oferece para obter o resultado que se procura. Portanto uma redução nos custos de produção implica numa maior competitividade dos preços no mercado.” Assim, a utilização de materiais reciclados no processo de produção, pode contribuir para uma maior competitividade de preços das empresas por reduzir os custos, sendo um desses fatores a energia. O gráfico a seguir apresenta em valores percentuais, o quanto se reduz em energia utilizando materiais reciclados na produção destes mesmos produtos. No gráfico abaixo vimos que as indústrias que utilizam o vidro para a fabricação do novo vidro, conseguem reduzir o consumo em até 13,0% de energia durante a produção, se comparado com o uso das matérias-primas virgens não recicladas. Os percentuais seguem com Papel 71,0%, Aço 74,0% e Plásticos 79,0%. O destaque é dado a utilização de alumínio reciclado que chega a diminuir o consumo de energia em até 95,0% CALDERONI(1997). Constata-se, portanto que do ponto de vista da economia de energia elétrica, o uso de recicláveis como insumo na produção de novos materiais torna-se bastante satisfatório, já que reduz consideravelmente o consumo de energia elétrica.

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Gráfico 04: Redução de energia com uso de reciclados na produção

Fonte: Tabulação própria a partir de dados de CALDERONI(1997:36)

Os percentuais de redução de energia elétrica com o uso de materiais reciclados pelas indústrias poderia beneficiar o setor energético do país. Com uma demanda crescente de energia e, paralelamente, com investimentos escassos, esse setor tende a entrar em colapso devido ao baixo nível de oferta. Portanto, o uso de materiais reciclados pelas indústrias reduziria bastante a taxa de crescimento da demanda de energia elétrica. Para se ter noção da redução do consumo de energia com o uso dos materiais reciclados, basta acompanhar o Gráfico 05.

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Gráfico 05: Consumi de energia em MWh/T com e sem uso de recicláveis na produção

Fonte: Tabulação própria a partir de dados de CALDERONI(1997:87)

No Gráfico 05 tem-se relacionado o uso necessário de energia elétrica em MWh10 por tonelada na fabricação dos materiais alumínio, plásticos, papel e vidro. Conforme apresentado, a produção do alumínio sem o uso de matéria-prima reciclada consome o equivalente a 17,6MWh/t, sendo este consumo reduzido para 0,7MWh/t quando se utiliza o material reciclado do alumínio como matériaprima para a produção de alumínio. Os plásticos sem os reciclados consomem 6,74MWh/t e 1,44MWh/t em se utilizando os reciclados. Os números seguem com papel que consome 4,98MWh/t sem uso dos reciclados e 1,47MWh/t com o uso dos reciclados e o vidro com 4,83MWh/t sem reciclados e 4,19MWh/t com os reciclados. Portanto se estes materiais possuíssem um percentual de

10

MWh significa, segundo a COSERN, uma unidade de medição do consumo de energia elétrica e eqüivale a 1000Kwh

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reciclagem maior – conforme será visto no item 2.2 deste trabalho – certamente haveria uma folga bastante considerável no setor de eletricidade do país. Para se ter uma noção do que estes números representam, basta analisar o caso do alumínio. Segundo a CEMPRE11 – Compromisso Empresarial para a Reciclagem – no ano de 1997 a produção total de latas de alumínio foi da ordem de 95.313 toneladas. Se toda essa produção tivesse sido feita com matérias-primas recicladas, a redução no consumo de energia seria de 1.610.790 MWh. Considerando-se que 1MWh ilumina aproximadamente 5 residências compostas por 6 indivíduos que consomem em média 200Kgh12/mês, teríamos então que a redução no consumo de energia abasteceria durante um mês cerca de 8.054 residências desse porte, ou 48.324 pessoas.

Quadro 03: Economia de energia com uso de materiais reciclados na produção

MATERIAL

s/ RECICLAGEM MWh/t1

VALOR R$/t2

c/ ECICLAGEM MWh/t

VALOR R$/t

ECONOMIA c/ RECICLAGEM R$/t

%

ALUMÍNIO PLÁSTICOS PAPEL VIDRO
Fonte 2: COSERN Tabulação Própria

17,60 6,74 4,98 4,83

3.439,22 1.317,06 973,14 943,83

0,70 1,44 1,47 4,19

136,79 281,39 287,25 818,77

3.302,43 1.035,67 685,89 125,06

96,0 78,6 70,5 13,3

Fonte 1: CALDERONI (1997:87)

11

A CEMPRE é um orgão não governamental formada por empresas que utilizam materiais reciclados e que são favoráveis a pratica de reciclagem no país. 12 Informações prestadas pela COSERN.

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Poder-se-ia ainda com os dados contidos no Gráfico 05 quantificar a redução em valores monetários conseguida pelas indústrias que se utilizam de materiais reciclados na produção, em comparação com o uso de matérias-primas virgens não recicladas. O Quadro 03 acima nos apresenta o consumo gasto de energia em MWh por tonelada na produção do alumínio, plástico, papel e vidro, comparando-se o consumo de energia necessário à produção desses materiais quando há a utilização de matérias-primas recicladas. Percebe-se que os percentuais de redução de energia são bastante expressivos. O uso da matéria-prima reciclada na produção do alumínio chega a reduzir o consumo de energia por tonelada em até 96,0%. Os números seguem com 78,6% para o plástico, 70,48% para o papel e 13,3% para o vidro. Em relação aos custos evitados, ainda conforme apresentado no Quadro 03, o uso da matéria-prima reciclada na produção de novos materiais reduziria bastante os gastos com energia elétrica, implicando em uma diminuição dos custos desse insumo. Tomando como exemplo o alumínio, que é destacadamente o material, que se consegue obter uma maior redução no consumo de energia elétrica, sendo utilizado materiais reciclados, a economia nos custos por tonelada produzida seria de R$ 3.302,43. O plástico produzido com materiais reciclados teria os custos reduzidos em R$ 1.035,67. O papel reduziria os gastos com energia em R$ 685,89 e o vidro R$ 125,06. No momento em que as empresas passam por contenção de custos, consequentemente maximização de seus lucros, o uso dos recicláveis na produção apresenta-se como primordial para a consecução desse objetivo. Em relação a geração de emprego e renda, a reciclagem do lixo poderia funcionar como uma indústria absorvedora de mão-de-obra menos qualificada pois o ciclo dessa indústria se inicia com a coleta do lixo. Para VALLE (1995:77): “Do ponto de vista social, pode-se acrescentar mais um fator positivo à reciclagem que é a geração de emprego nos níveis mais baixos da sociedade através da utilização de mão-de-obra menos qualificada, na figura de catadores e carrinheiros.” A indústria da reciclagem uma vez estimulada teria condições de absorver a camada social que encontra maiores dificuldades em conseguir emprego nas cidades devido, dentre vários motivos, a baixa qualificação profissional. Esses indivíduos, conforme IANNI (1997:67): “(...)são os trabalhadores que compõem a subclasse, uma categoria de indivíduos, membros das mais diversas etnias e migrantes que se encontram na condição de desempregados permanentes nas cidades (...)”

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No tocante as matérias-primas utilizadas nas indústrias com a reciclagem, pode haver uma substancial redução destas, pois segundo CALDERONI (1997:257):
“No ano de 1996, foi estimada em R$ 4,2 bilhões a economia de matéria-prima possível no Brasil através da reciclagem do lixo domiciliar, tendo sido alcançado R$ 0,7 bilhão, 18% do total estimado, e perdidos nos aterros R$ 3,4 bilhões, ou 82% do mesmo total anterior.(...) A maior contribuição desses valores provém do plástico, em função do elevado custo da resina termoplástica que custa R$ 1.310 por tonelada.”

Em conformidade com estes resultados, percebe-se que a atividade da reciclagem do lixo contribui na melhoria da qualidade de vida da população, gera emprego e renda, reduzindo a proliferação de doenças oriundas do lixo e ainda, contribuindo para a preservação do espaço urbano.

2.2 – Produtos mais utilizados na reciclagem

Conforme dados obtidos no IPT (1995) – INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS – aproximadamente 35,0% dos resíduos que vão para os aterros sanitários e lixões das médias e grandes cidades brasileiras, poderiam ser reutilizados pelas indústrias de reciclagem. Sendo assim, produtos como papel, plástico, metais e vidros se fossem reciclados em sua totalidade e/ou em escala maior, reduziria bastante os problemas relacionados a degradação ambiental nas cidades em virtude da volumosa quantidade de lixo gerado nestas. Assim, destacar-se-á aqui os principais produtos utilizados na reciclagem, traçando um breve perfil de cada um, tendo como base os dados da CEMPRE e comparando, sempre que possível, com os indicadores dos países desenvolvidos.

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2.2.1 – Plásticos

Já que dos materiais plásticos recicláveis o PET13 é o mais utilizado pela indústria de reciclagem no Brasil e no mundo, mostraremos alguns indicadores sobre esse material. O mercado dos plásticos PET encontra-se em plena expansão no Brasil e no mundo devido a infinidade de formas que esse material pode ser utilizado e por ser o PET facilmente reciclável. Sua utilização se dá tanto sob a forma de garrafas de refrigerantes, as mais comuns, podendo também ser encontradas sob a forma de fios de costura, fibras para a fabricação de cordas (multifilamento), bem como de cerdas de vassouras e escovas (CEMPRE, 1997) De acordo com dados fornecidos pelo CEMPRE (1997), o Brasil produziu no ano de 1997 algo em torno de 121.000 toneladas de plástico sob a forma de PET. Desse total 15,0% foram produzidas com resinas de material reciclado, totalizando assim 18.000 toneladas. A utilização do material reciclado na indústria, comparando-se com a resina virgem, reduz em até 70,0% o consumo de energia durante a produção.

2.2.2 – Papeis

O papel, assim como o plástico, possui várias especificações diferentes. O papel pode ser de escritório, de embalagens cartonadas de longa vida e o ondulado, que é utilizado na confecção de caixas. Este último é o material mais reciclado no país14. Segundo dados colhidos junto ao CEMPRE (1997), o Brasil tem reciclado cerca de 1.500 toneladas de papel ondulado por ano, o que corresponde a um montante de 62,7% do volume total de papel que é reciclado no país. Do volume total de papel ondulado consumido, 71,0% é proveniente de material reciclado. Esses números podem ser considerados satisfatórios haja vista nos Estados Unidos 70,0% de todo o papel que vai para a reciclagem ser utilizado como papel ondulado. No mercado norte-

13

PET cujo nome científico significa polietileno tereftalato – CEMPRE (1997).

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americano apenas 21,0% das caixas onduladas que circulam são provenientes de material reciclado, este número é devido o elevado volume de caixas que são produzidas naquele país. No âmbito econômico-ambiental, a reciclagem do papel ondulado reduz os desmatamentos pois uma tonelada de aparas15 pode evitar o corte de 10 a 12 árvores provenientes de plantações comerciais reflorestadas. A fabricação de papel – de todos os tipos – com o uso das aparas gasta entre 10 e 50 vezes menos água no processo de produção se comparado com a utilização de celulose virgem, além de reduzir o consumo de energia em até 50,0% CEMPRE (1997).

2.2.3 – Metais

Conforme os dados do CEMPRE, o Brasil configura-se como um dos maiores recicladores do mundo das latinhas de alumínio. No ano de 1997 o país reciclou 64,0% do total das latinhas consumidas, o que eqüivale a 4,1 bilhões de latinhas ou 61.000 toneladas. Esses números são expressivos já que supera os resultados obtidos em países como a Inglaterra, com 23,0% e a Itália, com 41,0%. Os Estados Unidos reciclaram naquele ano cerca de 66,0% de suas latinhas e o Japão 73,0%. Em termos econômicos, a reciclagem de latinhas de alumínio movimentou no ano de 1997 algo em torno de US$ 55 milhões de dólares no mercado brasileiro. Embora esse número seja bastante significativo, ele encontra-se ainda distante dos obtidos pelos norte-americanos, pois no mesmo ano a indústria levantou um volume de US$ 2,5 milhões de dólares por dia. A discrepância pode ser explicada pelo consumo per capita, pois cada brasileiro consome em média 25 latinhas por ano, enquanto que nos Estados Unidos o número é 15 vezes maior, com 375 latinhas por habitante, CEMPRE (1997). Uma comparação bastante significante pode ser feita para ilustrar a redução de energia obtida com o uso das matérias-primas recicladas na produção do alumínio. Segundo CEMPRE (1997), a utilização de uma tonelada do material reciclado proveniente das latinhas de alumínio na produção de novas

14

Conforme CEMPRE (1997).

32
latas reduz em até 95,0% o consumo de energia necessário, se comparado com o alumínio virgem. Isso significa que cada latinha reciclada pode reduzir em energia elétrica o eqüivalente ao funcionamento de uma televisão por 3 horas.

2.2.4 – Vidro

As informações do CEMPRE (1997) demonstram que o Brasil produziu no ano de 1997 em média 890.000 toneladas de embalagens de vidro por ano. Desses, 35,0% provém de material reciclado na forma de cacos. O número é considerado baixo, já que nos Estados Unidos esse índice chegou a 37,0%, ou seja, 4,4 milhões de toneladas. A Alemanha reciclou naquele mesmo ano 75,0%, o Reino Unido 28,0%, Suíça 84,0% e a Áustria 76,0%. A utilização do material reciclado para a fabricação do vidro, assim como os outros materiais já citados, também funciona como redutor de energia no processo de produção, em se comparando com a matéria-prima virgem16. Ainda de acordo com os dados do CEMPRE (1997), pode-se afirmar que para cada tonelada de vidro produzido, a utilização de 10,0% de material reciclado pode reduzir em até 2,5% o consumo de energia necessária à fusão nos fornos industriais, CEMPRE (1997). Mesmo considerando os indicadores referentes ao uso de reciclados na fabricação do vidro, existem atualmente no Brasil poucas indústrias de reciclagem. Tal fato pode ser explicado pelos os altos custos de implementação dessas recicladoras e pela facilidade de se encontrar as matérias-primas que constituem o vidro, fato este que barateia os custos finais. Exposto os dados referentes à reciclagem dos principais resíduos encontrados no lixo, podemos fazer um quadro demonstrativo relacionando a produção desses produtos, à reciclagem e aos índices de reciclagem de cada um desses produtos citados.

15 16

Aparas é o nome dado ao material fruto da reciclagem do papel. A composição química do vidro é formada por areia, calcário, barrilha e feldspato, CEMPRE (1997).

33
Quadro 04: Produção e reciclagem de resíduos sólidos brasileiros, ano 1997 MATERIAL RECICLÁVEL PRODUÇÃO – t RECICLAGEM – t RECICLAGEM (%)

Papel Ondulado Metais/Alumínio Vidros Plástico PET TOTAL
Fonte: CEMPRE 1997 Tabulação Própria

2.113 95.313 890.000 121.000 1.108.426

1.500 61.000 311.500 18.000 392.000

71,0 64,0 35,0 15,0 ***

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CAPÍTULO 3: O LIXO EM NATAL

Na cidade do Natal, os serviços de limpeza e coleta do lixo urbano da cidade são de responsabilidade da URBANA – Companhia de Limpeza Urbana da Cidade do Natal, que se encarrega de administrar tais serviços públicos. Segundo informações cedidas por aquele órgão, a coleta do lixo urbano da cidade está sendo realizada, em sua grande maioria, por empresas prestadoras de serviços, na ordem de 70,0%. O restante da coleta é realizada pela própria URBANA.

3.1 – A dura realidade da situação do lixo em Natal

Conforme apresentado no Capítulo 02 deste trabalho, algo próximo de 85,0,% de todo o lixo produzido no Brasil no ano de 1998 tiveram como destino final os lixões a céu aberto das cidades. Considerando esse contexto, frisa-se que a realidade em Natal não difere muito da maioria dos municípios brasileiros, visto que não existe, por parte do poder público municipal, um maior engajamento no que tange a resolução dos problemas decorrentes do inadequado manejo de lixo. Portanto, todo o lixo de Natal que é coletado pela URBANA e empresas terceirizadas de coleta de

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lixo tem como destino final o lançamento a céu aberto; como já foi elucidado, isso acarreta inúmeros problemas de ordem ambiental e prejuízos à população.

3.2 – Tratamento final dado ao lixo de Natal

No tocante ao tratamento final dado ao lixo da cidade do Natal, pode-se afirmar segundo informações colhidas junto a URBANA, que ele é feito de forma equivocada, uma vez o lixo é lançado a céu aberto, inclusive o lixo hospitalar, considerado um dos mais nocivos ao meio ambiente, contribuindo para que a área de despejo, localizada no bairro de Cidade Nova na zona oeste da cidade, transformese em um verdadeiro lixão. Esta prática equivocada da disposição final dada ao lixo, tem como conseqüências a poluição visual, a contaminação e poluição do lençol freático e do solo e ainda, problemas relacionados a saúde pública devido a proliferação de microorganismos, insetos e ratos.

3.2.1 – O lixão de Cidade Nova

Diferentemente do nome designado pela Prefeitura de Aterro Controlado, a área utilizada para o despejo do lixo em Natal é na verdade um grande lixão. Este estudo constatou que o lixo produzido em Natal é depositado da maneira mais equivocada possível. A área do lixão é dividido em duas partes, em uma delas o lixo oriundo da coleta residencial é jogado a céu aberto, sem que seja dado nenhum tratamento específico. Na outra parte do aterro, o lixo hospitalar juntamente com corpos de animais mortos, estes últimos em sua grande maioria provenientes dos canis públicos da cidade, também são enterrados, prática equivocada pois o correto segundo as normas ABES17 – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária – seria a incineração para estes tipos de dejetos. Segundo a reportagem veiculada no jornal Tribuna do Norte, datado em 13/08/1999, havia naquele momento por parte da Prefeitura, a intenção de resolver a questão referente à destinação final dado ao

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lixo em Natal. Para isso, existia nos cofres públicos uma verba disponível no valor de R$ 1 milhão para a recuperação da área que estava sendo utilizada para a disposição final do lixo da cidade, transformando-o em um Aterro Controlado. Ainda conforme a reportagem, a obra constaria de vias de acesso dentro e fora da área, guaritas, a recuperação do galpão para a triagem e reciclagem do lixo, recuperação da área frontal do aterro e implementação de setes valas hospitalares, além de uma câmara de incineração. Como relata a reportagem, o diretor da URBANA Cláudio Porpino garantia que a referida obra deveria ser entregue em no máximo cinco meses. Na data da visita ao Aterro Controlado da cidade do Natal, 14/11/2000, constatou-se que existem duas guaritas, acesso ao local da disposição final do lixo e que toda a área do Aterro é cercada. Entretanto, a máquina de triagem encontrava-se sem funcionamento, não havendo reciclagem naquela área, conforme esclarecimentos por parte dos catadores daquele local. Não existe também a vala de contenção para o lixo hospitalar e para os corpos dos animais mortos, bem como a câmara de incineração não foi construída. Conforme informa a mesma reportagem do jornal Tribuna do Norte de 13/08/1999, após uma pesquisa realizada na área do Aterro Controlado da cidade, verificou-se que 206 famílias sobreviviam catando o lixo reciclável – papel, plástico, vidro e alumínio – e vendendo para as indústrias recicladoras, bem como recolherendo os alimentos provenientes dos supermercados que chegavam ao local. Constatou-se na mesma pesquisa, um considerável número de crianças que ajudava seus pais na atividade de coleta dos resíduos do lixo. Era intenção da Prefeitura do Natal controlar a entrada dos catadores à área do despejo do lixo e retirar as crianças daquele local. Os catadores a partir de então, só poderiam entrar para catar o lixo se fossem cadastrados. Para isso, criou-se a COORESOL – Cooperativa de Tratamento de Resíduos e Desenvolvimento Sustentável, que se encarregaria do cadastro dos catadores. A Prefeitura através da URBANA daria, segundo informações de um dos seus representantes, todo o apoio logístico à COORESOL, assim como se encarregaria de manter a máquina de triagem dos resíduos sólidos em funcionamento.

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Para saber mais sobre a ABES e as normas que regem a disposição final dado ao lixo, consultar www.abes-dn.org.br.

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Segundo informações prestadas pelo vice-presidente da COORESOL, a realidade do Aterro Controlado é bastante diferente do que é mostrado à sociedade. Quando a máquina de triagem estava em funcionamento, chegou-se a separar no máximo 60 toneladas dos resíduos sólidos do lixo. Isso equivaleria a um salário médio mensal para os catadores em torno de um salário mínimo. Esse valor, entretanto, não estimula a separação dos resíduos através da máquina de triagem haja vista que catando diretamente os resíduos do lixo sem que estes passem pela máquina, cada catador consegue uma renda média mensal entre R$ 250 e R$ 300. Desta forma, seria mais interessante para os cooperados da COORESOL que houvesse uma coleta seletiva para o lixo em Natal, pois desta forma o lixo viria separado, o que facilitaria a venda do material e consequentemente aumentaria a renda dos catadores, já que pelas informações prestadas pelos cooperados não existem dificuldades em vender os resíduos e sim de encontrar os resíduos para vender. Até o presente momento não há nenhum projeto implementado na cidade no que concerne a coleta seletiva dos resíduos sólidos encontrados no lixo. Todavia os representantes da URBANA garantiram que é intenção da Prefeitura do Natal implementar para o ano de 2001, a coleta seletiva nos bairros da cidade. O objetivo dessa coleta é reduzir o volume do material que vai para o Aterro Sanitário, uma vez que o material recolhido separadamente será doado para a COORESOL, sendo vendido diretamente às indústrias recicladoras.

3.2.2 – Riscos devido a formação do lixão

Conforme relatado anteriormente, a disposição final dado ao lixo em Natal leva a um risco eminente de doenças, àquelas pessoas que vão para a área do despejo para catar objetos oriundos do lixo para seu consumo e/ou para a venda desses materiais – geralmente papel/papelão, plásticos, vidros e metais – às recicladoras. Essas pessoas, por terem o contato mais direto com os resíduos são as mais propícias a doenças relacionadas ao lixo. Outro perigo eminente é a contaminação do lençol freático da cidade do Natal. Segundo reportagem vinculada ao jornal Diário de Natal de 03/11/2000:

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“ Os dados fornecidos pela CAERN – Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte – 25,0% dos 169 dos poços tubulares de Natal estão com índices de contaminação por nitrato acima do máximo permitido pelo Ministério da Saúde, tal contaminação se deve, dentre outros fatores, a contaminação do lençol freático da cidade.”

Esses dados são considerados preocupantes pois essa contaminação dos poços alimentadores da água potável da cidade, poderá levar a um verdadeiro caos no sistema de abastecimento d’água caso essa contaminação se mantenha neste mesmo ritmo. Diante das implicações ambientais citadas no Capítulo 02 deste trabalho e de alguns riscos que podem vir a tornar a convivência em Natal insuportável, torna-se imprescindível que a sociedade natalense, juntamente com a Prefeitura Municipal, adquiram consciência para o perigo eminente que é a poluição do espaço urbano e desta forma, procurem alternativas viáveis para o combate a essa poluição. Essa preocupação com o meio ambiente se faz jus na citação de VALLE (1995:05), pois: “Preservar o meio ambiente não é mais um modismo de minorias, mas uma necessidade universal para a preservação de nossa espécie.” Os problemas relacionados ao meio ambiente urbano da cidade do Natal, são problemas sistêmicos, isto é, interligados e interdependentes que requerem mudanças nos valores da sociedade local, acompanhado de percepções e práticas novas e um processo de conscientização coletiva, incentivado e apoiado pelo poder público municipal.

3.3 – Os números do lixo em Natal

Segundo dados obtidos na URBANA os custos financeiros por tonelada recolhida no ano de 1999 foram os seguintes, conforme a classificação do lixo:

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Coleta Domiciliar........................................................R$ 34,51 por tonelada; Poliguindaste18............................................................R$ 35,45 por tonelada; Varrição, Podas, Entulhos, Capinação, Remoções.....R$ 24,18 por tonelada; Coleta Hospitalar........................................................R$ 83,73 por tonelada. Segundo os dados apresentados no Quadro 05, o volume de lixo médio gerado em Natal no período 1980-1999 foi de 340,704 mil toneladas, o que representa uma variação anual média em volume de lixo, na ordem de 11,498 mil toneladas, ou 6,7%. Podemos ainda perceber que durante sete anos da série supra citada, 1982-1984-1985-1988-1993-1996 e 1999, houve uma diminuição do volume de lixo produzido na cidade. Como não houve por parte da URBANA nenhuma explicação para o fato, podemos supor que isto ocorreu devido a alguns bairros como Nova Parnamirim, na zona sul da cidade, e o Conjunto Amarante, na zona norte do Natal, deixaram de pertencer à Natal , passando a serem considerados bairros dos municípios de Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, respectivamente. Uma outra possível explicação para este fato pode estar nas informações colhidas junto a URBANA, a qual consta que até 1995 não havia um controle tão rigoroso no que tange a dados referentes ao volume do lixo produzido na cidade. Este controle passou a ser mais rigoroso a partir do ano de 1996, quando ocorreu a terceirização dos serviços de limpeza pública da cidade do Natal.

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Poliguindaste é o nome dado as caixas coletoras de lixo que são colocadas nos bairros da cidade.

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Quadro 05: Evolução na quantidade de resíduos sólidos produzidos em Natal, 1980 a 1999 ANOS VOLUME GERADO DE LIXO MIL ton VOLUME MIL ton VARIAÇÃO ÍNDICE VARIAÇÃO (%) 1980=100%

1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Média

162,5 223,5 222,9 247,9 242,2 215,9 297,4 307,4 297,4 326,9 352,7 414,9 431,3 368,0 378,5 479,3 426,4 464,4 482,5 471,2 ***

*** 60,9 -0,6 25,0 -5,6 -26,3 81,5 10,0 -10,0 29,4 25,7 62,2 16,4 -63,3 10,5 100,7 -52,8 38,0 18,0 -11,2 ***

*** 37,5 -0,2 11,2 -2,2 -10,8 37,7 3,3 -3,2 9,9 7,8 17,6 3,9 -14,6 2,8 26,6 -11,0 8,9 3,8 -2,3 6,7

100,0 137,5 137,1 152,5 149,0 132,8 183,0 189,1 183,0 201,1 217,0 255,3 265,4 226,4 232,9 294,9 262,3 285,7 296,8 289,9 209,6

Fonte: URBANA (2000)

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Os números que representam o crescimento no volume do lixo em Natal podem ser explicados, dentre outros fatores, pelo aumento populacional no município nos últimos anos. Um outro aspecto que também pode ser destacado embora não se tenha dados para ilustrar é o grande volume de produtos descartáveis lançados no mercado, inclusive da industria de alimentos. Conforme podemos abservar no quadro seguinte, temos a evolução populacional em Natal no período entre 1994 a 1999, e a correspondente evolução do volume do lixo no mesmo período.
Quadro 06: Comparativo entre população e volume de lixo de Natal, 1994 a 19999UADRO 06 ANOS POPULAÇÃO1 VARIAÇÃO % VOLUME LIXO2 ton (mil) VARIAÇÃO %

1994 1995 1996 1997 1998 1999 Média

649,357 659,302 656,037 668,293 678,623 688,955 ***

*** 1,5 -0,5 1,8 1,55 1,52 1,17

378,5 479,3 426,4 464,4 482,5 471,2 ***

*** 26,6 -11,0 8,9 3,8 -2,3 5,2

Fonte 1: IDEMA (2000). Fonte 2: URBANA (2000) Tabulação Própria.

Os dados percentuais de variação do Quadro 06 confirmam a hipótese de que um aumento populacional é acompanhado por um aumento na produção do lixo em uma escala maior, particularmente, quando essa população não tem educação básica. no período analisado. A variação da população da cidade do natal foi de 1,17%, enquanto que a variação no volume de lixo19 gerado

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As informações cedidas por Ricardo Cezar Varella Duarte, Gerente de Planejamento, Controle e Fiscalização e são de inteira responsabilidade da URBANA. No ano de 1999, conforme informativo cedido pela URBANA, constava que o consumo per capita de lixo em Natal era de 0,684 t/hab ano; já no segundo informativo, esse valor caiu para 0,553 t/hab ano. Consideraremos, portanto, o primeiro informativo por acharmos que melhor se adeque ao presente trabalho.

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chegou ao patamar de 5,2%, demonstrando que o lixo aumenta quase cinco vezes mais que a população. Pode-se argumentar que mesmo com aumento populacional se houvesse educação adequada e reciclagem, o volume de lixo gerado seria menor e melhor aproveitado tanto ambiental como economicamente. A fórmula abaixo é utilizada para encontrar a produção diária da formação do lixo urbano na cidade do Natal. Com essa metodologia obteve-se a produção diária de lixo para o ano de 1999. Esta fórmula pode ser aplicada a todos os anos, desde que se tenha disponíveis a população e o volume de lixo formado na cidade. PDLH – PRODUÇÃO DIÁRIA DO LIXO URBANO – kg. PDLH = A = X x 1000 = Y B 365

A – Volume do lixo gerado no ano de 1999, dado em toneladas; B – População em Natal no ano de 1999, dado em número de habitantes; Divide-se A/B, encontrando-se X. X – A produção per capita do lixo/ano, dado em toneladas Multiplica-se X por 1000, encontrando a produção do lixo Kg, assim Y. Y – A produção do lixo no ano de 1999, dado em quilos. Divide-se Y por 365, os dias do ano, tendo produção per capita do lixo em kg/dia. ASSIM: 471,245 = 0,684t/ano por habitante x 1000 = 684kg/ano por habitante = 688,955 1,87kg/hab dia 365 dias do ano

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Como se observa no cálculo acima, a produção do lixo em natal por habitante diariamente no ano de 1999 foi de 1,87kg. esse número é quase quatro vezes maior que a produção do lixo encontrado a nível nacional, 0,5kg/hab dia já mencionado anteriormente, o que leva a uma enorme quantidade de resíduos que têm como disposição final o aterro controlado da cidade, além de onerar os custos financeiros com a coleta. Embora Natal não disponha de uma coleta seletiva, foi realizado no ano de 1999 um estudo em conjunto entre a URBANA e alunos do Curso de Engenharia Sanitária do CEFET/RN – Centro Federal de Ensino Técnico, juntamente com alunos da UnP – Universidade Potiguar, a cerca da composição dos resíduos que formam o lixo da cidade. O Quadro 07 nos apresenta os resultados obtidos, comparando-os com o mesmo estudo realizado na cidade de São Paulo no ano de 1996. Entende-se que as realidades históricas, econômicas, políticas e culturais das duas cidades citadas são diferentes, mas nesse caso pode ser uma forma ilustrativa de demonstrar a proposta de estudo em pauta. O Quadro 07 acima nos traz a constatação de que tanto em Natal quanto em São Paulo há uma predominância dos resíduos de origem orgânica, com 68,0% e 69,1% respectivamente. Metais e vidros aparecem com ligeira variação para ambas as cidades e os papéis são encontrados em Natal na ordem de 14,5%, enquanto que em São Paulo esse resíduo forma 17,2% do lixo daquela cidade.

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Quadro 07: Gravimetria do lixo em Natal, ano 1999, São Paulo, ano 1996 RESÍDUOS DO LIXO NATAL1 Mil t/ano (%) SÃO PAULO2 Mil t/ano (%)

Matéria Orgânica20 Papéis Plásticos Metais (alumínio e metais) Vidros Outros21 TOTAIS
Fonte 1: URBANA (2000) Fonte 2: CALDERONI (1997:116) Tabulação Própria.

138,499 68,566 64,466 12,158 6,550 181,005 471,245

29,4 14,6 13,6 2,5 1,3 38,6 100,0

2.488,000 619,000 309,000 123,000 61,000 *** 3.600.000

69,1 17,2 8,6 3,4 1,7 *** 100,0

Considerando os dados dos Quadro 07 pode-se elaborar o quadro o Quadro 08, que trata da formação dos resíduos do lixo aptos para a reciclagem, comparando-se os resultados obtidos na cidade do Natal no ano de 1999 e no município de São Paulo no ano de 1996.

20 21

Para São Paulo os valores deste material foram somados com Outros. Nesta categoria incluem-se materiais de origem têxtil, folhas, vegetais, inertes e outros, classificação da URBANA.

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Quadro 08: Recicláveis encontrados no lixo de Natal, ano 1999, e São Paulo, ano 1996 RESÍDUOS DO LIXO NATAL1 t/ano (%) SÃO PAULO2 t/ano (%)

Total Recicláveis22 Lixo Orgânico e Outros TOTAIS
Fonte 1: URBANA (2000) Fonte 2: CALDERONI (1997:116) Tabulação Própria.

151,741 319,504 471,245

32,2 67,8 100,0

1.112,000 2.488,000 3.600.000

30,9 69,1 100,0

Os dados apresentados no quadro acima merecem uma observação, uma vez que o total dos resíduos do lixo que poderiam ter sido reciclados na cidade de São Paulo no ano de 1996 foi de 1.112,000 toneladas, ou 30,9%. Já em Natal, o volume dos resíduos do lixo que poderia servir para a reciclagem foi de 151,741 toneladas ou 32,2%. O resultado obtido em Natal merece uma melhor apreciação pois as indústrias recicladoras adquirem parte considerável de suas matérias-primas oriundas de outras cidades e até mesmo de outros Estados, conforme citado no capítulo 04.

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Para este resultado não se computou o material de origem orgânica, que poderia ser compostado.

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CAPÍTULO 4: A INDÚSTRIA DA RECICLAGEM DO LIXO EM NATAL

Assim como na maioria das cidades brasileiras, também em Natal a reciclagem dos resíduos sólidos encontrados no lixo configura-se como uma atividade recente, se comparado com esta mesma atividade em algumas cidades dos países mais desenvolvidos do mundo. Não se sabe ao certo o porquê, mas a atividade de reciclagem dos resíduos o lixo tomou um maior impulso somente a partir da última década. Visto que não existe na cidade um maior incentivo por parte do Governo no que se refere à conscientização da população sobre a questão da poluição do espaço urbano, podemos supor que o interesse de alguns setores da sociedade natalense pela reciclagem dos resíduos sólidos do lixo se faz presente devido esta ser uma atividade econômica altamente lucrativa, com taxas de retorno de capital rápidas e bastante significativas para quem investe nesta atividade.

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4.1 – Características da indústria da reciclagem em Natal

Em Natal a reciclagem dos resíduos sólidos do lixo se dá apenas com os materiais provenientes do papelão, embalagens PET e o plástico filme23. Não são reciclados o alumínio e nem o vidro, sendo estes materiais apenas coletados pelos catadores e vendidos pelos atravessadores para outros Estados que os reciclam, destacadamente para o Estado de Pernambuco. Percebe-se que na última década houve na cidade do Natal uma verdadeira pulverização de micro indústrias de reciclagem do plástico – PET e filme – e do papelão. Tal surgimento repentino destas indústrias pode ser explicado pela facilidade de se reciclar estes produtos e pelo baixo capital inicial necessário para a abertura de uma indústria desse porte. Essas recicladoras são caracterizadas, em sua grande maioria, pela clandestinidade, ou seja, são empresas de pequeno porte que funcionam na informalidade, por esse motivo localizando-se a maior parte delas nos bairros mais pobres da cidade, locais onde se supõem que a fiscalização dos órgãos governamentais seja menos eficiente. De acordo com informações colhidas junto a algumas recicladoras24 da cidade do Natal, estas indústrias geralmente operam com capacidade ociosa próxima de zero durante todo o ano, o que significa dizer que há um elevado índice de produtividade na produção. Uma informação interessante cedida pelos representantes destas indústrias foi que todas, sem exceção, teriam condições de duplicar sua escala de produção, sem que houvesse dificuldades de comercialização dos produtos por eles produzidos, haja vista elas operarem praticamente com estoque zero não devido a um planejamento feito pelas empresas, mas pela elevada demanda de materiais por elas produzidos. Conforme informado nas entrevistas, a maior dificuldade encontrada pelas indústrias recicladoras em expandir suas escalas produtivas está na falta de matérias-primas, os resíduos encontrados no lixo, para a produção. As empresas de maior porte no setor da reciclagem chegam a importar os resíduos do lixo de outras cidades e até mesmo de outros estados. Embora confessada a prática da importação

23

O plástico filme conforme nomenclatura do CEMPRE (1997) são películas plásticas normalmente usadas como sacolas de supermercados, sacos de lixo, embalagens de leite, lonas agrícolas e proteção de alimentos em geladeiras ou microondas. 24 Foram consultadas quatro recicladoras em Natal,destas apenas uma possuía registro formal. É conveniente não revelar as fontes consultadas já que os dados fornecidos nas entrevistas não são passíveis de comprovação documentária.

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do papelão nas entrevistas, este fato parece ser impensado já que o volume da produção do lixo na cidade do Natal foi de 471,245 mil toneladas no ano de 1999, conforme apresentado no Quadro 05 do Capítulo 03 deste trabalho. Outro dado que repudia tal atitude pode ser evidenciado no Quadro 07 do mesmo Capítulo citado, o qual é mostrado a composição do lixo em Natal no ano de 1999, onde somente o papel/papelão foram responsáveis por 14,6% do volume do lixo gerado na cidade naquele ano. Podemos ainda citar as informações prestadas pelos cooperados da COORESOL, ainda no Capítulo 03 deste trabalho, no qual eles se queixam da falta de resíduos para poderem comercializarem com as recicladoras. A prática da importação dos resíduos do lixo – notadamente o papelão – poderia ser evitada caso houvesse em Natal a coleta seletiva nos bairros da cidade, pois sendo o lixo separado na fonte geradora – as residências – este poderia ser comercializado diretamente entre os catadores e as recicladoras, evitando danos ao meio ambiente e contribuindo para a geração de emprego e renda dos catadores da cidade.

Quadro 09: Rendimento possível de catadores caso houvesse coleta seletiva em Natal, ano 1999 MATERIAIS VOLUME25 MIL t VALOR1/t R$ TOTAL/t R$ 5 SM/CATADOR

PAPELÃO PET ALUMÍNIO VIDRO TOTAIS
Fonte 1: COORESOL Tabulação Própria

68,566 64,466 12,158 6,550 151,730

50,00 30,00 1.000,00 30,00 ***

3.428.300,00 1.933.980,00 12.158.000,00 196.500,00 17.716.780,00

4.541 2.562 16.103 260 23.471

25

Consideraremos para a confecção do Quadro 09 como sendo todo o papel proveniente do papelão, o plástico dos PET e os metais sendo alumínio.

49
O Quadro 09 a nos mostra os ganhos salariais que poderiam ser conseguidos pelos catadores caso houvesse uma coleta seletiva nos bairros de Natal, de forma a haver uma coleta próxima a 100,0% de todo o lixo gerado nas residências e considerando-se que toda a oferta dos resíduos seriam demandados pelas indústrias recicladoras. Para a confecção deste quadro, tiramos as informações apresentadas no Quadro 07 do capitulo 03. A metodologia de cálculo do Quadro 09 considera o volume da formação do lixo em Natal no ano de 1999, e multiplica-se esse valor pelo preço pago por tonelada dos materiais relacionados. Se considerarmos que cada catador recebe o equivalente a 05 salários mínimos, totalizaremos R$ 755,00 por catador. Após esse cálculo, dividiremos o valor total de cada materiail pelo valor do salário estipulado, encontrando-se assim a quantidade de trabalhadores que seriam beneficiados. De acordo com o Quadro 09, se todo o papelão encontrado no lixo de Natal no ano de 1999 tivesse sido coletado e vendido às recicladoras, teríamos 4.541 catadores com um rendimento médio mensal em torno de 05 salários mínimos. No caso das embalagens PET, poder-se-ia ter 2.562 catadores recebendo 05 salários mínimos mensais. Com o vidro, seriam 260 catadores beneficiados com R$ 755,00 por mês. O destaque porém, é dado para o alumínio, que por ser o material vendido com um preço bem acima dos demais, poderia ter gerado uma renda de 05 salários mínimos a 16.103 catadores. No geral, constatamos que se tivesse havido uma coleta seletiva em Natal no ano de 1999, isso implicaria em uma geração de renda da ordem de R$ 17.716.780,00, beneficiando 23.471 famílias com um salário médio de R$ 755,00. Dada a atual conjuntura de elevadas taxas de desemprego, os números apresentados são bastante expressivos e interessantes. Portanto, esta atividade econômica surge como um potencial significativo, gerador de emprego e renda, constituindo-se mais um motivo para a implementação da coleta seletiva na cidade do Natal. O mercado de trabalho das indústrias da reciclagem é composto por pessoas de baixo nível de escolaridade. Os catadores não possuem vínculo empregatício com as indústrias, sendo encarregados de coletar os resíduos do lixo da cidade e vender aos atravessadores, normalmente sucateiros, que cuidam de organizar os resíduos e revender o material para as recicladoras. Dentro da indústria da

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reciclagem existem os manipuladores das máquinas, que por serem de fácil operacionalização, também não requer profissionais de alta qualificação profissional. Na pesquisa constatou-se que embora a maioria dos trabalhadores possuam vínculo empregatício com as empresas, é praxe que os contratos de trabalho não sejam cumpridos conforme deveriam, pois a maioria dos trabalhadores são contratados como ASG – auxiliar de serviços gerais – e não nas funções em que realmente exercem dentro das indústrias26. Supõe-se que esta prática é utilizada pelas empresas devido ao barateamento dos encargos sociais dessa função, já que o cargo de ASG requer uma menor contribuição empregatícia por parte da empresa se comparado com as funções industriais realmente exercidas pelos trabalhadores das recicladoras. Podemos dizer que a indústria da reciclagem do lixo é uma atividade econômica diferenciada das demais, pelo fato de abranger não apenas o aspecto econômico mas também o ambiental, podendo ser considerado uma atividade benéfica à sociedade pelo fato de contribuir para a preservação do meio ambiente urbano. Todavia, diante das características dessa indústria, deve-se uma maior participação por parte dos órgãos públicos nesse setor. Conforme CALDERONI (1996:72):
“A conseqüência da ausência do Estado nas questões relativas à reciclagem do lixo consiste, primeiramente, no não desempenho de seu papel de instituidor e de mantenedor da lei e da ordem. A não normatização das relações envolvidas pode levar à prevalência, inclusive de situações de clandestinidade. Isso se verifica, por exemplo, no mercado ligado à reciclagem, onde os catadores usualmente não contam com o amparo efetivo da legislação que regula a atuação de empregos e autônomos (...).”

Desta forma, a atuação da Prefeitura Municipal do Natal junto à atividade da reciclagem dos resíduos do lixo, no que concerne a uma coleta de lixo mais eficiente, bem como um acompanhamento das indústrias do setor, é uma condição necessária para que esta indústria cresça a taxas ainda maiores e não se transforme em mais uma atividade econômica concentradora de capital.

26

As informações foram prestadas em 03 recicladoras visitadas. Elas utilizam essa prática de assinar a carteira profissional dos funcionários como ASG são micro indústrias. A recicladora que não contarta sues funcionarios é a de maior porte entre as 04.

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4.2 – O mercado da reciclagem do lixo

A estrutura organizacional que compõem a indústria da reciclagem do lixo na cidade do Natal começa pelas matérias-primas utilizadas pelas empresas, que são os resíduos sólidos – plásticos PET e filme e papelão. As recicladoras têm seus estoques de matérias-primas abastecidos pelos supermercados que vendem suas embalagens, pelas empresas privadas de grande porte que também se desfazem dos seus resíduos vendendo-os à recicladoras e pelos atravessadores e/ou sucateiros que compram os resíduos dos catadores e repassam às indústrias. Observamos que a estrutura de mercado entre os catadores dos resíduos do lixo encontra-se próximo a uma concorrência perfeita27, devido esse mercado satisfazer quase todas as suposições necessárias para que se tenha essa estrutura de mercado. Em relação aos atravessadores, notou-se que estes operam em uma estrutura de mercado próximo da concorrência imperfeita28, quando compram os resíduos dos catadores. Os atravessadores ao venderem os resíduos às indústrias recicladoras, compõem dois mercados, o monopsônio29 quando vendem os materiais para as grandes indústrias recicladoras, e a concorrência monopolista quando vendem os materiais para as recicladoras de pequeno porte. Em relação aos materiais reciclados, as indústrias recicladoras operam em um mercado de concorrência perfeita e de monopsônio, já que em alguns casos algumas empresas fecharem contratos com indústrias que necessitam dos produtos reciclados.

4.3 – Perspectivas da atividade da reciclagem em Natal

Torna-se precipitado traçar um cenário futurista para a atividade da reciclagem dos resíduos sólidos do lixo em Natal devido a quase inexistência dos dados estatísticos do setor, assim como pela

27

Sobre a estrutura de mercado caracterizada pela concorrência perfeita, ver FERGUSON (1982:273) Parte III, Capítulo Sobre Concorrência Imperfeita ver FERGUSON (1982:350) parte III, Capítulo 10. Sobre o Monopsônio ver FERGUSON (1982:470) Parte IV, Capítulo 14.

8.
28 29

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imprecisão com que os poucos dados existentes nos são revelados. Porém, haja vista as características específicas desta atividade e o surgimento de várias microempresas desse setor nos últimos anos, podemos supor que esta atividade encontra-se em plena expansão e que muito provavelmente será a reciclagem do lixo uma das atividades econômicas que mais crescerão na cidade do Natal nos próximos anos.

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CONSIDERACOES FINAIS

Diante do aumento do volume dos resíduos do lixo da cidade do Natal acima do crescimento populacional, e da constatação de que o lixo é maléfico ao meio urbano, reduzindo a qualidade de vida do homem, torna-se imprescindível que a sociedade natalense adquira consciência do perigo eminente que é a poluição ambiental e desta forma procure alternativas no combate à formação do lixo, dentre as quais, a reciclagem dos seus resíduos. Faz-se necessário também que haja uma postura mais atuante por parte do Governo Municipal, no tocante ao destino final que é dada ao lixo e ao surgimento de indústrias de reciclagem, visto que estas proporcionam benefícios à sociedade, uma vez que a reciclagem perpassa os campos da economia, contribuindo para a preservação do espaço urbano do Natal. Embora neste estudo esteja ressaltado a reciclagem dos resíduos sólidos como alternativa para a resolução do problema do lixo em Natal, não se configura como objetivo fim fazer apologia à indústria da reciclgem, mas alertar à sociedade natalense e aos órgãos governamentais para os riscos iminentes devido a não haver, até a presente dada, uma solução para a problemática do lixo na cidade.

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REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

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