Moda

HIPPIES E PUNKS RETORNAM À PASSARELA DA MODA

Moda dos anos 70 invade as passarelas

Não é segredo que a moda é cíclica. O hit de ontem, vira cafona hoje e volta às vitrines renovado amanhã. Os desfiles do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week para o inverno só confirmaram a regra. Os olhos mais atentos identificaram aqui e ali referências sutis ou explícitas à década de 70 – a "época em que as mulheres foram mais lindas, pois a moda ajudava a embelezá-las", nas palavras de Danuza Leão. Eliza Conde radicalizou no retorno aos anos 70 em sua coleção, mostrada no Rio. Modelos de cabelos soltos e frisados entraram na passarela usando calças largas, coletes, vestidos esvoaçantes, meias soquetes com sandálias, tudo numa cartela de cores em que predominavam as neutras, como os tons marinho e marrom. A inspiração na moda marginal dos punks, uma manifestação cultural juvenil que surgiu em meados da década de 70, apareceu na coleção da Ellus, apresentada na São Paulo Fashion Week. Os modelos desfilaram com muito jeans preto, com aspecto destruído e bordados com tachas, plaquetas e medalhas de metal. Na coleção de Tony Jr., que apresentou sua coleção no Projeto Lab, espaço laboratorial destinado a experiências de novos estilistas da São Paulo Fashion Week, predominou o clima disco music. No desfile, macacões esvoaçantes, brilho e cabelo armado deram o tom. Releitura classuda – De olhos atentos para a passarela, a consultora e professora de moda Phaedra Brasil identificou referências não apenas da década de 70, mas também dos anos 20 e 40. “A própria década de 70 foi um período em que as pessoas buscaram

referência no passado”, explica. “O visual andrógino, que tantos atribuem aos anos 70, por exemplo, deu seus primeiros passos nos anos 20”. A docente classifica como “classuda” a releitura feita dos visuais hippie, disco e punk. “O visual está mais reservado e as modelagens mais bem feitas”, avalia. Ela atenta ainda para o fato de que as referências se misturam e aparecem sempre de modo sutil. “Não dá para ter todas as referências em um look só – isso não seria moda, seria figurino”, brinca. Mais do que retornar aos 70, Phaedra avalia que os estilistas “alongaram” o período que serviu de referência para as criações. “As coleções estavam muito anos 80, com todos aqueles volumes e balonês”, explica. O que aconteceu foi um olhar um pouco mais para trás. “Fico me perguntando o que dirão os pesquisadores do futuro, quando tentarem entender a moda do nosso tempo!”, brinca Phaedra. Manual de instruções – E dá pra usar no dia-a-dia? A consultora de imagem e moda Luciana Dalmagro responde com um sonoro “sim”. Faz apenas algumas ressalvas para quem quer aproveitar os looks da passarela para valorizar o que tem de melhor e esconder uma ou outra imperfeição. Na opinião da profissional, as calças bocas-de-sino valorizam o perfil da mulher brasileira. “É uma boa escolha para quem tem quadril grande e culote e não é muito baixa (acima de 1,60), pois oculta todo o excesso”, explica. “Para quem tem perna curta, também é uma opção positiva, pois cria a ilusão de que a perna é mais longa. Dê preferência às cores escuras, pois elas camuflam o que a pessoa quer disfarçar”. A sugestão é usar com blusas que tenham menos volume. Para as retilíneas e altas, estão liberadas as estampas grandes e coloridas, que criam a ilusão de aumento de volume – basta escolher o contrário se quiser disfarçar as gordurinhas. “Se a idéia é passar uma imagem mais alegre e romântica, a estampa floral é ideal”, orienta Luciana. Para usar a maxibolsa, escolha uma roupa simples e esteja atenta à proporção. “Como fazer isso? Olhe no espelho, e veja se está em harmonia”, diz Luciana. Os maravilhosos anos 70 – “Há quem diga que a década de 70 começou em 68, com as graves mudanças políticas do período. Outros, que ela começou em 69 e até em 71”, polemiza Virgínia Saback, coordenadora dos cursos de gestão e consultoria de moda da Unifacs. “Mas todos concordam que foi um período que modificou radicalmente o comportamento dos jovens, e muitas dessas mudanças permanecem até hoje”. De um lado, a celebração da vida alternativa, com a consolidação do movimento hippie, com suas roupas largas e sandálias rasteiras. Outra tribo, a turma da curtição, esbaldavase na pista de dança de plataformas altíssimas. E havia os punks, que faziam um contraponto a tanta leveza e achavam os hippies uns ingênuos e os fãs da discoteca, frívolos. “Os jovens queriam ser livres e chocar. A roupa que usavam era uma afirmação disso”, esclarece Virgínia. Hoje, a globalização e a comunicação em rede acabam por suavizar este efeito. “Continuamos a querer liberdade, e isso explica a aceitação de referência setentistas na moda. Mas a intenção não é mais chocar, e sim incluir-se na variedade que já existe”, conclui.

Brilho para o verão 2009
Há alguns dias, o Exclusivo On Line vem mostrando a moda apresentada nas passarelas espanholas. Sem dúvida, o colorido chamativo, as estampas e a diversidade na modelagem das peças são grandes destaques das coleções. Nesse contexto, vale falar sobre a preseça marcante dos materiais acetinados. Eles serão muito utilizados no vestuário da temporada quente. Já nos calçados e acessórios, o brilho ficará por conta do verniz.

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