PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR

I. PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR
  I.1. Colocação inicial.    A  construção  do  Código  de  Defesa  do  Consumidor  foi  estruturada  sobre  princípios,  ou  seja,  linhas  mestras  e  diretrizes  que  constituíram  todo  o  corpo  deste  organismo.  Estes  princípios  foram  estabelecidos  visando  equilibrar  a  parte  mais  fraca  da  relação  jurídica:  o  consumidor. Nos contratos a proteção ao consumidor também se faz presente.    A presunção de vulnerabilidade do consumidor fez o legislador adotar como cláusula  geral nas relações de consumo o princípio da boa‐fé: 

Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: ... III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem relações entre consumidores e fornecedores;  PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas

    A  boa‐fé,  nas  palavras  de  MOTAURI  CIOCCHETTI  DE  SOUZA1  funciona  como  uma  autêntica  regra  de  conduta  para  as  partes,  impondo‐lhes  comportamento  leal  e  honesto  a  fim  de que seja obtido o equilíbrio na relação de consumo.    Para CLÁUDIA LIMA MARQUES2: 

                                                            
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Interesses difusos em espécie. 2 ed., São Paulo:Saraiva, 2007, p. 298.

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  “O  direito  opta  por  proteger  o  consumidor  como  parte  contratual  mais  débil,  a  proteger  suas  expectativas  legítimas,  nascidas  da  confiança  no  vínculo  contratual  e  na  proteção  do  direito.  Assim,  a  vontade  declarada  ganha  em  importância  (nova  noção  de  oferta),  assim  como  a  boa‐fé  das  partes”.     Em  face  da  existência  da  chamada  cláusula  geral  de  boa‐fé,  é  possível  identificar  as  seguintes decorrências:    1. O  princípio  da  conservação  do  contrato,  ou  seja,  a  regra  é  que  o  contrato  permaneça,  mas  com  a  possibilidade  de  modificação  de  cláusulas  contratuais  que  estabeleçam  prestações  desproporcionais  ou  sua  revisão  em  razão  de  fatos  supervenientes  que  as  tornem  excessivamente onerosas (CDC, artigo 6º, inciso V):  

 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; 

  2. A proteção contra as cláusulas contratuais abusivas (CDC, artigo 51): 
PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR 

§ 4° É facultado a qualquer consumidor ou entidade que o represente requerer ao Ministério Público que ajuíze a competente ação para ser declarada a nulidade de cláusula contratual que contrarie o disposto neste código ou de qualquer forma não assegure o justo equilíbrio entre direitos e obrigações das partes. 

  O  artigo  46  do  Código  de  Defesa  do  Consumidor  estabelece  que  os  contratos  de  consumo  não  obrigarão  os  consumidores  se  não  lhes  for  dada  a  oportunidade  de  tomar  conhecimento  prévio  de  seu  conteúdo,  ou  se  os  respectivos  instrumentos  forem  redigidos  de  modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.                                                                                                                                                                                
Cláudia Lima Marques. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. 3ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999, p. 393.
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    CDC: Art.  cabendo ao consumidor notificar o fornecedor para desobrigar‐se dos termos estabelecidos.  qualidade.  inexiste  obrigação  contratual.  A  finalidade  do  dispositivo  ora  citado  é  a  de  permitir  que  o  consumidor  tenha  consciência  não  só  dos  deveres  obrigacionais  que  estará  assumindo  em  decorrência  da  assinatura do contrato. 47.    São eles:    Princípio  da  Interpretação  mais  Favorável.  quando  se  retrata  a  todo  o  conteúdo  do  contrato  a  análise  deve  buscar  alcançar  também  as  especificidades  do  produto  ou  do  serviço  que  estará  sendo  adquirido  (quantidade.078/90  (RT  754/298).    Logo.  expressões técnicas ou linguagem estrangeira que dificulte o acesso à informação por parte do  consumidor).  as  cláusulas  contratuais  serão  interpretadas  de  maneira  mais  favorável  ao  consumidor  no  momento em que o magistrado aplicar a norma ao caso concreto. outros princípios também são aplicáveis ao sistema  de proteção contratual do consumidor.      PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  3  .    Além da cláusula geral de boa‐fé.  46  da  Lei  8.  forma  de  apresentação  o  que  envolve  evitar  a  utilização  de  códigos.    Assim. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor. não havendo transparência na relação contratual de consumo de modo que o  consumidor  não  tenha  conhecimento  do  conteúdo  do  contrato.  pois  de  acordo  com  o  artigo  47  do  CDC.  se  na  ocasião  do  evento  ainda  vigorava  a  avença  –  Cláusula  duvidosa  que  deve  ser  interpretada  em  favor  do  consumidor  –  Aplicação  do  art. mas de todo o seu conteúdo.    Seguro  –  Rescisão  unilateral  do  contrato  pela  seguradora  –  Admissibilidade  do  recebimento  de  indenização  paga  pela  segurada  em  decorrência  de  condenação  judicial.

 não  chegue  ao  conhecimento  do  consumidor.  isto  é. Por exemplo.  É  o  caso  de  expressões  exageradas. veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados.  A  utilização  do  puffing  em  relação ao preço impõe. com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada.  Em  segundo  lugar.  pois  nos  termos  dos  artigos  30  e  48  do CDC. Uma simples proposta que. o anunciante. 35. a vinculação”. as declarações de vontade constantes de escritos particulares. nos termos da oferta.aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente. alternativamente e à sua livre escolha: I . monetariamente atualizada. apresentação ou publicidade. de regra. o consumidor poderá. 30. recibos e pré‐contratos  relativos às relações de consumo vinculam o fornecedor. o que significa dizer que as propostas  nas  relações  de  consumo  possuem  a  carga  de  obrigatoriedade  mais  acentuada  do  que  nas  ofertas em geral reguladas no Código Civil:   Art.  podem ganhar precisão. II .  inexistirá  vinculação  se  não  houver  ‘exposição’.  Contudo.   PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  “Dois  requisitos  básicos  devem  estar  presentes  para  que  o  princípio  atue.  ‘o  mais  bonito’.  não  obriga  o  fornecedor.  como  ‘o  melhor  sabor’. apresentação ou publicidade.     ANTONIO HERMAN DE VASCONCELLOS E BENJAMIN esclarece:      Em havendo recusa do fornecedor em cumprir a oferta o consumidor poderá:  Art. então.  4  .  a  oferta  (informação  ou  publicidade)  deve  ser  suficientemente  precisa.  quando  o  fornecedor  afirma  ter  o  ‘o  melhor  preço  da  capital’  ou  a  ‘garantia  mais  completa  do  mercado’. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta. e a perdas e danos.  o  simples  exagero  (puffing)  não  obriga  o  fornecedor.  Em  primeiro  lugar. mesmo colocada no papel.exigir o cumprimento forçado da obrigação.  em  alguns  contextos.  que  não  permitem  verificação  objetiva. Toda informação ou publicidade.  até  nessas  expressões.  ‘o  maravilhoso’. III . obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. vinculando. suficientemente precisa.rescindir o contrato.Princípio  da  Vinculação  da  Oferta  ou  Escritos.

Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta. especialmente por telefone ou a domicílio. sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial.  etc. REDAÇÃO  CLARA  E  COMPREENSÍVEL  DO  CONTRATO.    3.  ou  seja.  o  pactuado. no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço. o consumidor poderá. apresentação ou publicidade. Deve ser analisado no caso prático. 49. O consumidor pode desistir do contrato. 6.)  levará  à  interpretação  ao  lado  mais  fraco  da  relação  jurídica:  o  consumidor.  nos  termos  e  prazos especificados:  Art.  como  vimos. leasing.  INTERPRETAÇÃO  FAVORÁVEL  AO  CONSUMIDOR. plano de saúde. o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. apresentação ou publicidade. São elas:  1. 46. nos termos da oferta.I. Art.exigir o cumprimento forçado da obrigação.   PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  5  . Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer. . 46  do CDC:  2.  ensejando.. inclusive a EXECUÇÃO ESPECÍFICA se assim quiser o consumidor:  4. § 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será admissível se por elas optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente. alternativamente e à sua livre escolha: I .    por  adesão..  seja  em  qualquer  tipo  de  negociação  (verbal. 5. ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.    Smanio  aponta  uma  série  de  observações  que  fixam  as  disposições  nos  contratos  inerentes à relação de consumo. 84.  escrita.  VINCULAÇÃO  da  OFERTA  –  impõe  ao  fornecedor  o  dever  de  prestar  a  declaração  de  vontade  se  tiver  veiculado  a  oferta  ou  publicidade. de cartões de crédito. Art. etc. Disposições Gerais nos contratos de consumo. se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo. 35. Art. 2.  seja  qual  for  o  tipo  de  negociação:  bancária.  sem  o  uso  de  palavras  técnicas  ou  que  impeçam  que  o  consumidor  entenda  as  obrigações  que  está assumindo. DIREITO  DE  ARREPENDIMENTO  por  parte  do  consumidor. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores.   CONTEÚDO PRÉVIO DO CONTRATO pelo consumidor: conforme dia o art. CONTRATOS  sob  a  égide  do  CDC:  qualquer  contrato  que  seja  caracterizado  como  relação  jurídica  de  consumo.

  VI  –  determinem  a  utilização  compulsória  da  arbitragem.  abusivas. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo. 7.  VII  –  imponham  representante  para  concluir  ou  realizar  outro  negócio  jurídico  pelo  consumidor.  que  coloquem  o  consumidor  em  desvantagem  exagerada. XI – obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua  obrigação.  VIII  –  deixem  de  fornecer  a  opção  de  concluir  ou  não  o  contrato. a garantia do fornecedor. O termo de garantia ou equivalente deve ser padronizado e esclarecer.  passíveis de nulidade. X –  autorizem  o  fornecedor  a  cancelar  o  contrato  unilateralmente.  IX  –  permitam ao fornecedor.  por  escrito. Cláusulas abusivas nos contratos de consumo. durante o prazo de reflexão. variação do preço de maneira unilateral.  IV  –  estabeleçam  obrigações  consideradas  iníquas.  sendo. direta ou indiretamente.  XII  –  autorizem  o  fornecedor  a  modificar  unilateralmente  o  conteúdo  ou  a  qualidade  do  contrato. a qualquer título. 50. com ilustrações. no ato do fornecimento.078/90 (RT 755/342). de instalação e uso do produto em linguagem didática. acompanhado de manual de instrução.  embora  obrigando  o  consumidor. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito.  II  –  subtraiam  do  consumidor  a  opção  de  reembolso  de  quantia  já  paga. XIV – estejam em    Ação  indenizatória  –  Furto  de  veículo  em  estacionamento  rotativo  de  “área  azul’  –  Cláusula  de  não‐ indenizar constante dos cartões – Nulidade – Inteligência do art. de maneira adequada em que consiste a mesma garantia.  Art.  V  –  estabeleçam  a  inversão  do  ônus  da  prova  em  prejuízo  ao  consumidor. monetariamente atualizados.  após  sua  celebração. da Lei 8.  além  da  garantia  legal  o  próprio  negócio  pode  oferecer  livremente.  ou  sejam  incompatíveis  com  a  boa‐fé  e  a  eqüidade.  3                                                                PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  6  .     I. I. bem como a forma. Parágrafo único.  um  adicional. devendo ser-lhe entregue.Parágrafo único.  são  nulas  de  pleno  direito.  as  cláusulas  contratuais  relativas  ao  fornecimento  de  produtos  e  serviços  que:  I  –  impossibilitem.  entre  outras.  ressaltando  que  nas  relações  de  consumo  entre  fornecedor  e  consumidor  ‐  pessoa  jurídica.    Assim.    O  Código  de  Defesa  do  Consumidor  aponta  no  artigo  51  algumas  espécies  de  cláusulas  presentes  em  contratos  de  consumo  que  justificam  abusividade. XIII – infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais. serão devolvidos.  exonerem  ou  atenuem  a  responsabilidade  do  fornecedor  por  vícios  de  qualquer  natureza  dos  produtos  e  serviços  ou  impliquem  renúncia  ou  disposição  de  direitos. os valores eventualmente pagos. 3. de imediato.  portanto.  a  indenização  pode  ser  limitada  em  situações  justificáveis3. o prazo e o lugar em que pode ser exercitada e os ônus a cargo do consumidor. 51. POSSIBILIDADE  DE  GARANTIA  CONTRATUAL.  III  –  transfiram  a  responsabilidade  a  terceiros. devidamente preenchido pelo fornecedor.  sem  que  igual  direito  seja  conferido ao consumidor.  sem  que  igual  direito  lhe  seja  conferido  contra  o  fornecedor.  um  “plus”.

  171).078  apenas  reconhece  as  nulidades  absolutas  de  pleno  direito.  que  estabelece  que  as  normas  que  regulam  as  relações  de  consumo  são  de  ordem pública e interesse social”. São Paulo: Saraiva. portanto.  fundadas  no  seu  artigo  1º.  a  nulidade  das  cláusulas  no  contexto  dos  contratos  de  consumo. dificultando a defesa – Possibilidade de declaração. 655.  8.  XV  –  possibilitem  a  renúncia  do  direito  de indenização por benfeitorias necessárias.  a  Lei  n.    Neste sentido:    Cláusula de eleição de foro – Busca e apreensão – Compra e venda – Contrato regido pela Lei 8.  a  existência  de  cláusula  abusiva  não  torna  nulo  o  contrato. isto é. bem como da declinação da competência. pois se reconhece  a nulidade existente  desde o fechamento  do negócio.    O  primeiro  ponto  a  ser  observado  no  tocante  a  questão  da  presença  de  situações  que  envolvem  as  chamadas  cláusulas  abusivas  é  o  fato  de  que  o  rol  do  artigo  51  do  CDC  é  meramente  exemplificativo.    Neste sentido.  mas  sim  a  cláusula  que  desobriga  o  consumidor  e. 4 ed. p.  por  conta  disso.desacordo  com  o  sistema  de  proteção  ao  consumidor.  que  dispõe  sobre  dois  tipos  de  nulidade:  a  absoluta  (nulidades  de  pleno  direito  do  art.  166)  e  a  relativa  (anulabilidades  do  art.  se abusivas.  a  eficácia  da  decisão  judicial  que  a  declare nula  é ex  tunc  (retroage). geram nulidade absoluta. 2009. de ofício.   PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  7  .078/90 – Cláusula de eleição de foro – Condição que coloca o consumidor em vantagem exagerada.  As  disposições  contratuais  que  possam  ser  atingidas  pelo  regime  de defesa do consumidor não se esgotam.    Em  segundo  lugar.. da nulidade da referida cláusula. ainda que sem prévia provocação da parte (RT 766/186)                                                                4 Curso de direito do consumidor. reforçam as palavras de RIZZATO NUNES4:    “Diferentemente  do  Código  Civil. é de pleno direito. nas hipóteses previstas no artigo 51.    Por  conta  disso.

 com ou sem financiamento. p.§ 2º É assegurado ao consumidor a liquidação antecipada do débito.  O número e a periodicidade das prestações.    As multas de  mora decorrentes do inadimplemento  de obrigações  no seu termo não  poderão  ser  superiores  a  dois  por  cento  do  valor  da  prestação. 656.  é  dever  do  magistrado  se  pronunciar  de  ofício  tendo em vista a disposição do artigo 1º do Código de Defesa do Consumidor.  29)  –  Juros  que  constituem  o  “preço”  pago  pelo  consumidor  –  Cláusula  prevendo  alteração  unilateral  do  percentual  prévia  e  expressamente  ajustado  pelos  figurantes  do  negócio  –  Nulidade  pleno  iure – Possibilidade de conhecimento e decretação de ofício”.  52.  do  art.   A informação sobre o preço do produto ou serviço em moeda nacional.                                                                 5 Rizzatto Nunes. 8. ob..  podendo  o  consumidor  concluir  o  contrato  e  pagar  antecipadamente sua dívida:  8  . é importante verificar que  de acordo com a disposição do artigo  52 todo qualquer tipo de contratação feito pelo consumidor sob forma de financiamento deve  guardar algumas condições:    1. cit. 4.  O montante de juros de mora e da taxa efetiva anual de juros. total ou parcialmente.  Os acréscimos legalmente previstos.078/90).  conforme  dispõe  o  §1°. 2. 3.    Neste sentido:    “Banco  –  Contratos  de  mútuo  e  de  abertura  de  crédito  rotativo  –  Negócios  inseridos  entre  as  relações  de  consumo  –  Equiparação  aos  consumidores. 5.   PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  O  parágrafo  segundo  ainda  previu  a  possibilidade  de  liquidação  antecipada  que  não  pode  ser  afastada  por  cláusula  contratual.  todas  as  pessoas  expostas  às  práticas  previstas  no  CDC  (art.  A soma total a pagar.Mesmo  que  a  parte  não  alegue. do CDC. 52 .5    Ainda no que diz respeito ao regime contratual estabelecido no Código de Defesa do  Consumidor (Lei n. mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos.    Art.

  analisaremos  a  regra  do  CDC  que  garante  o  acesso  ao  consumidor  das  informações  existentes  em  cadastros.      I. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços.  além  das  suas  respectivas  fontes. por parte do consumidor aderente.    O  art.I.  pois  não  há  possibilidade  de  qualquer  embate  ou  discussão  entre  as  partes  na  elaboração  das  cláusulas.5. com cláusulas uniformes e impositivas.  fichas. de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor. todos os princípios protetivos analisados são  cabíveis. desde que a alternativa.    Contratos de Adesão são contratos já escritos. cabendo a escolha ao consumidor.  no  caso  o  consumidor.  seja  nos  contratos  firmados  pelo  Poder  Público  (como  no  fornecimento  de  água. preparados com anterioridade pelo fornecedor. sob pena de nulidade do estabelecido.  54  do  CDC  impõe  regras  específicas  para  proteção  do  consumidor  neste  tipo  de pacto:  Dos Contratos de Adesão Art.  aderindo  a  uma estipulação genérica e massificada. sendo que para sua caracterização exige-se a aceitação.  Um  dos  contratantes. sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo.  se  limita  a  aceitar  o  que  foi  predeterminado. energia elétrica. cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze. 54. permitindo sua imediata e fácil compreensão. Contratos de Adesão ou por Adesão. Dos bancos de dados e cadastros de consumidores    Na  abordagem  dos  bancos  de  dados  e  cadastros.  regra  essa  prevista no artigo 43 do CDC. Os  contratos  de  adesão  afrontam  a  idéia  de  paridade. § 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato. etc. ressalvando-se o disposto no § 2° do artigo anterior. de uma série de cláusulas pré-elaboradas unilateralmente.      PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  9  . 4.785. de 2008) § 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser redigidas com destaque. Portanto.  registros  e  dados  pessoais  e  de  consumo  arquivados  sobre  ele. (Redação dada pela nº 11.) ou  por fornecedores. resguardando o direito do consumidor. § 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis. § 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória.

  43. clara.  terá  acesso  às  informações  existentes  em  cadastros.  fichas.  não  podendo  conter  informações  negativas  referentes a período superior a cinco anos.  sempre  que  encontrar  inexatidão  nos  seus  dados  e  cadastros.     A  inobservância  desses  requisitos.  §  4°  Os  bancos  de  dados  e  cadastros  relativos  a  consumidores.  no  prazo  de  cinco  dias  úteis.  §  5°  Consumada  a  prescrição  relativa  à  cobrança  de  débitos  do  consumidor.       II. objetiva e.  Importante  salientar.  poderá  exigir  sua  imediata  correção.  ainda.  a  título  de  exemplo  do  instrumento  protetivo  previsto  neste  artigo.  mesmo  no  caso  de  existência  da  dívida.  será cabível a indenização nos moldes acima mencionados.Art. bem como sobre as suas respectivas fontes. A DEFESA ADMINISTRATIVA DO CONSUMIDOR   PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  10    .  pelos  respectivos  Sistemas  de  Proteção  ao  Crédito.  claros. comunicar a alteração aos eventuais destinatários das informações incorretas. registro e dados pessoais e de consumo deverá ser  comunicada por escrito ao consumidor. além de constar expressamente a regra de que o consumidor  seja  comunicado  previamente  acerca  do  referido  registro.  podendo.  os  serviços  de  proteção ao crédito e congêneres são considerados entidades de caráter público. questionando sua exatidão e veracidade. exige o  CDC que toda informação seja verdadeira.  não  serão  fornecidas. quando não solicitada por ele.  registra‐se  que  o  CDC  impõe  uma  série  de  condições  e  deveres  a  serem  observados  nas  hipóteses  da  inscrição  de  informações de consumidores em bancos de dados de proteção ao crédito.  § 2° A abertura de cadastro.  além  de  extremamente  depreciativo  ao  bem‐estar  das  relações de consumo.  86.  quaisquer  informações  que  possam  impedir  ou  dificultar  novo  acesso  ao  crédito  junto  aos  fornecedores. ficha.    No  tocante  aos  bancos  de  dados  e  cadastros  de  consumidores.  com  fundamento  no  artigo  6º.  inciso  VI  do  CDC. dá poderes ao consumidor para exigir indenização por danos materiais e  morais.  que  na  hipótese  de  publicação  de  informações  equivocadas  ou  falsas  de  consumidores. que seja expressa através de  linguagem de fácil compreensão. ainda.  ter  acesso  às  informações pessoais. Em síntese.  §  1°  Os  cadastros  e  dados  de  consumidores  devem  ser  objetivos.  §  3°  O  consumidor.  registros  e  dados  pessoais  e  de  consumo arquivados sobre ele.  verdadeiros  e  em  linguagem  de  fácil  compreensão.  sem  prejuízo  do  disposto  no  art.  O  consumidor.  devendo  o  arquivista.

industrialização. revisão e atualização das normas referidas no § 1°. sob pena de desobediência. no uso da atribuição que lhe confere o art. baixando as normas que se fizerem necessárias. da segurança.181 de 20 de março de 1997 é o diploma legal que regula o funcionamento do SNDC: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Integram o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC). de 11 de setembro de 1990. sendo obrigatória a participação dos consumidores e fornecedores.078. 105. os Estados. o Distrito Federal e os Municípios fiscalizarão e controlarão a produção. em âmbito nacional. a publicidade de produtos e serviços e o mercado de consumo. 11    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  O SNDC foi pensado para atuar conforme a própria organização político administrativa que temos no país: nível federal. § 4° Os órgãos oficiais poderão expedir notificações aos fornecedores para que. resguardado o segredo industrial.O Código de Defesa do Consumidor defendeu. 53. da Constituição. a participação de diversos órgãos públicos na utilização de instrumentos para a realização da Política de Consumo. 55.SNDC e estabelecidas as normas gerais de aplicação das sanções administrativas. 84. baixarão normas relativas à produção. a partir do seu art.SNDC para a implementação efetiva dos direitos do consumidor e para o respeito da pessoa humana na relação de consumo: Art. em caráter concorrente e nas suas respectivas áreas de atuação administrativa. estaduais. A União. da informação e do bem-estar do consumidor.078. da saúde. inciso IV. os órgãos federais. . industrialização. distribuição e consumo de produtos e serviços. 1º Fica organizado o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor . integrando os mais diversos segmentos no Brasil: Art. do Distrito Federal e municipais com atribuições para fiscalizar e controlar o mercado de consumo manterão comissões permanentes para elaboração. e tendo em vista o disposto na Lei nº 8. nos termos da Lei nº 8. prestem informações sobre questões de interesse do consumidor. O Decreto 2. DECRETA: Art. de 11 de setembro de 1990. distribuição. do Distrito Federal e municipais e as entidades privadas de defesa do consumidor. estaduais. § 3° Os órgãos federais. no interesse da preservação da vida. Foi criado o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor . estadual (e Distrito Federal) e municipal. § 1° A União. os Estados e o Distrito Federal.

estaduais. de 1990. coordenar e executar a política nacional de proteção e defesa do consumidor.CAPíTULO I DO SISTEMA NACIONAL DE DEFESA DO CONSUMIDOR Art. elaborar. penais e civis.078. IX . a coordenação da política do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. propor.solicitar o concurso de órgãos e entidades de notória especialização técnico-científica para a consecução de seus objetivos. e os demais órgãos federais.levar ao conhecimento dos órgãos competentes as infrações de ordem administrativa que violarem os interesses difusos. de 1990.solicitar à polícia judiciária a instauração de inquérito para apuração de delito contra o consumidor. PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  12    .fiscalizar e aplicar as sanções administrativas previstas na Lei nº 8. do Distrito Federal e dos Municípios. cabendo-lhe: I . para fins de adoção de medidas processuais. 2º Integram o SNDC a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça SDE. 44 da Lei nº 8. de 24 de julho de 1985. XI .representar ao Ministério Público competente. abastecimento. coletivos ou individuais dos consumidores. CAPíTULO II DA COMPETÊNCIA DOS ORGÃOS INTEGRANTES DO SNDC Art. avaliar e apurar consultas e denúncias apresentadas por entidades representativas ou pessoas jurídicas de direito público ou privado ou por consumidores individuais. do Distrito Federal. no âmbito de suas atribuições. bem como auxiliar na fiscalização de preços.receber. XIII . XII . na forma do § 6º do art.prestar aos consumidores orientação permanente sobre seus direitos e garantias. analisar.solicitar o concurso de órgãos e entidades da União. 5º da Lei nº 7. 3º Compete ao DPDC.078. VI . conscientizar e motivar o consumidor. nos termos da legislação vigente. V .DPDC. e em outras normas pertinentes à defesa do consumidor. X . II . por intermédio dos diferentes meios de comunicação.provocar a Secretaria de Direito Econômico para celebrar convênios e termos de ajustamento de conduta.informar. inclusive com recursos financeiros e outros programas especiais.347. a criação de órgãos públicos estaduais e municipais de defesa do consumidor e a formação. por meio do seu Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor . quantidade e segurança de produtos e serviços. III . VIII .elaborar e divulgar o cadastro nacional de reclamações fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços.incentivar.planejar. dos Estados. a que se refere o art. de entidades com esse mesmo objetivo. pelos cidadãos. IV . municipais e as entidades civis de defesa do consumidor. VII .

   as entidades civis de defesa do consumidor.desenvolver outras atividades compatíveis com suas finalidades.   Assim. visando garantir os direitos dos consumidores. papel fundamental na atuação do SNDC. por meio do seu Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor .XIV . Estados e Municípios no que se refere aos direitos dos consumidores.181/97. os órgãos oficiais locais. especificamente para este fim. portanto. com competências. além da Justiça comum. portanto. Também são os PROCONS espalhados em cada unidade da federação que fazem a elaboração.   as Delegacias de Polícia especializadas.   as Promotorias de Justiça. no âmbito de sua jurisdição. integram o SNDC: a Secretaria de Direito Econômico – SDE.   o Instituto Nacional de Metrologia. relação hierárquica entre o DPDC e os PROCONS ou entre PROCONS. Outros órgãos que fazem parte do SNDC são: PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR          a vigilância sanitária e agropecuária. coordenação e execução da política local de defesa do consumidor.DPDC. estaduais. para exercitar as atividades contidas no CDC e no Decreto nº 2. do Distrito Federal. Conforme o Código. dentre outras.   a Embratur. Normalização e Qualidade ‐ INMETRO. concluindo as atribuições de orientar e educar os consumidores. e os  Institutos de Pesos e Medidas ‐ IPEM. dessa forma. que as competências são concorrentes entre União.   os Juizados Especiais. na forma da lei. órgãos do Ministério Público. não havendo. que atuam junto à comunidade. prestando atendimento direto aos consumidores. criados. então a própria lei determinou 13    .  mas  a  própria  sociedade  através  de  entidades  organizadas.  desenvolve  papel  importante  na  política  nacional  de  defesa  do  consumidor.   a SUSEP. e os demais órgãos federais. tendo. Os PROCONS são órgãos estaduais e municipais de defesa do consumidor. Verifica-se. do Ministério da Justiça. Os PROCONS são. O organismo que coordena a política do SNDC e atua concretamente em casos de relevância nacional e assuntos de maior interesse para a classe consumidora é o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor – DPDC. desta forma. municipais e entidades civis de defesa do consumidor.    Apesar de todos os esforços para proteção do consumidor é possível que o fornecedor descumpra as regras determinadas pelo CDC.  verifica‐se  não  só  os  órgãos  públicos.

inclusive de forma cautelar.. XI . Art. conforme o caso. X .revogação de concessão ou permissão de uso.sanção na órbita administrativa para coibir abusos na relação de consumo.graves: aquelas em que forem verificadas circunstâncias agravantes. total ou parcial. São estas sanções: CDC .cassação do registro do produto junto ao órgão competente. sem prejuízo das de natureza civil. As sanções previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa.imposição de contrapropaganda.suspensão temporária de atividade. Das Penalidades Administrativas Art. 17. V . Parágrafo único.intervenção administrativa. As infrações das normas de defesa do consumidor ficam sujeitas. que poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente. IX . de obra ou de atividade. e das demais normas de defesa do consumidor constituirá prática infrativa e sujeitará o fornecedor a penalidades. de estabelecimento.proibição de fabricação do produto. VIII . A inobservância das normas contidas na Lei nº 8. II . 56.Art. XII . antecedente ou incidente no processo administrativo. IV .interdição.leves: aquelas em que forem verificadas somente circunstâncias atenuantes. às seguintes sanções administrativas.181/97  que  detalha  a  questão:   . VII . inclusive por medida cautelar. VI . II .multa. As práticas infrativas classificam-se em: I .  No  caso  das  infrações  administrativas  na  órbita  consumerista  é  o  Decreto    nº  2. podendo ser aplicadas cumulativamente. antecedente ou incidente de procedimento administrativo. III . de 1990.078.   14    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR    Como  toda  sanção  administrativa  sua  imposição  obedece  ao  ditame  legal.suspensão de fornecimento de produtos ou serviço. 18.cassação de licença do estabelecimento ou de atividade..apreensão do produto. penal e das definidas em normas específicas: I .inutilização do produto. no âmbito de sua atribuição.

67. Omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos. Fazer afirmação falsa ou enganosa. recipientes ou publicidade: Pena . 65. 66. São elas: Art. Executar serviço de alto grau de periculosidade. Parágrafo único. § 1° Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de alertar. quantidade. nas embalagens.Detenção de seis meses a dois anos e multa. imediatamente quando determinado pela autoridade competente. 64. sobre a periculosidade do serviço a ser prestado. A DEFESA DO CONSUMIDOR NA ÓRBITA PENAL    O CDC apresenta normas penais que criminalizam determinados comportamentos. 63. Art. qualidade. Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de retirar do mercado. Art. nos invólucros.Detenção de três meses a um ano e multa. ou omitir informação relevante sobre a natureza. Pena Detenção de um a seis meses ou multa. os produtos nocivos ou perigosos. mediante recomendações escritas ostensivas. segurança. Art.  III. considerados graves para a sociedade que não poderiam ficar adstritos à mera indenização civil ou às punições administrativas. Art. § 2° Se o crime é culposo: Pena Detenção de um a seis meses ou multa. As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à lesão corporal e à morte. Parágrafo único. característica. na forma deste artigo. durabilidade. § 1º Incorrerá nas mesmas penas quem patrocinar a oferta. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa ou abusiva: 15    . desempenho. § 2º Se o crime é culposo. Deixar de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado: Pena . preço ou garantia de produtos ou serviços: Pena . contrariando determinação de autoridade competente: PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  Pena Detenção de seis meses a dois anos e multa.Detenção de seis meses a dois anos e multa.

Pena Detenção de três meses a um ano e multa. Art. bem como o diretor. Art. visando desestimular a reincidência de práticas abusivas na relação de consumo. a ridículo ou interfira com seu trabalho. de qualquer forma.Detenção de seis meses a dois anos e multa: Parágrafo único. Art. fichas e registros: Pena Detenção de seis meses a um ano ou multa. 73. exposição à venda ou manutenção em depósito de produtos ou a oferta e prestação de serviços nas condições por ele proibidas. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança: Pena . coação. sem autorização do consumidor: Pena Detenção de três meses a um ano e multa. concorrer para os crimes referidos neste código. Deixar de organizar dados fáticos. administrador ou gerente da pessoa jurídica que promover. 75. Pena Detenção de um a seis meses ou multa. 71. Art. 68. (Vetado). sobretudo preventivo. constrangimento físico ou moral. Empregar na reparação de produtos. 70. descanso ou lazer: Pena Detenção de três meses a um ano e multa. banco de dados. técnicos e científicos que dão base à publicidade: Pena Detenção de um a seis meses ou multa. Art. Art. banco de dados. 74. Deixar de corrigir imediatamente informação sobre consumidor constante de cadastro. Quem. 72. de ameaça. (Vetado). Art. Parágrafo único. 69. 16    . Verifica-se que as sanções penais no CDC estão dotadas de caráter. oferta. fichas ou registros que sabe ou deveria saber ser inexata: PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  Pena Detenção de um a seis meses ou multa. Utilizar. injustificadamente. Impedir ou dificultar o acesso do consumidor às informações que sobre ele constem em cadastros. Art. Deixar de entregar ao consumidor o termo de garantia adequadamente preenchido e com especificação clara de seu conteúdo. incide as penas a esses cominadas na medida de sua culpabilidade. na cobrança de dívidas. permitir ou por qualquer modo aprovar o fornecimento. peça ou componentes de reposição usados. afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor.

assim entendidos. de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. então há a previsão de que outras normas inseridas nas legislações codificadas e extravagantes resguardem o direito consumerista caso seja necessária punição da órbita criminal. roubo.. 1.interesses ou direitos difusos. III . Porém não é possível ao legislador pensar em todos os casos que possam atentar às relações de consumo. sim.347/85  e  após. de natureza indivisível de que seja titular grupo. Apontamentos iniciais.  7.    Antes  da  reflexão  acerca  do  principal  instrumento  processual  de  defesa  coletiva  do  consumidor  em  juízo. estupro. etc”. JOSÉ GERALDO BRITO FILOMENO. é importante frisar que: “. II . categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base. Parágrafo único.  importante  ressaltar  a  existência  de  mecanismo  de  natureza  extraprocessual na defesa de interesses metaindividuais. 81.interesses ou direitos coletivos.  17    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  . ou a título coletivo.   VI. dentre eles. assim como também são passíveis de pena corporal rigorosa os autores de crimes de homicídio.   IV. os transindividuais.. o direito do consumidor.    Instituído  pela  Lei  n. as penas sugeridas para os comportamentos delituosos previstos são efetivamente para os responsabilizados por fraude na venda de produtos ou prestação de serviços.interesses ou direitos individuais homogêneos. para efeitos deste código.  o  Inquérito  Civil  é  um  instrumento  extrajudicial  de  que  dispõe  o  Ministério  Público  para  proceder  a  investigações  que  possam  subsidiar  o  exercício  de  sua  função  institucional  em  sede  de  eventual ajuizamento de ação civil pública.  consagrado  na  Constituição  Federal. para efeitos deste código. A DEFESA DO CONSUMIDOR EM JUÍZO – ASPECTOS PRINCIPAIS   Art. e não para os fornecedores de bens e serviços que agem corretamente. assim entendidos os decorrentes de origem comum. os transindividuais. assim entendidos. de natureza indivisível. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I .Para o Prof. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente.

”6. destinado a apurar a autoria e  a materialidade de fatos que  possam ensejar uma atuação a cargo da instituição.  Trata‐se  de  um  “instrumento  de  investigação  administrativa  prévia. Tutela dos interesses difusos e coletivos..  por  força  constitucional  (CF. §1º)8. 114. de instauração prévia do inquérito civil.  trata‐se  de  caso  de  legitimação  exclusiva  que  não  comporta  exceções. §1º).    Como  pressupõe  a  existência  de  fato  determinado  do  qual  possa  decorrer  lesão  a  interesse  tutelado  pelo  órgão  ministerial.  presidido  e  arquivado pelo Ministério  Público. 8º.  art.  inc.. Ao contrário da legitimação concorrente restrita aos órgãos públicos para a iniciativa do ajustamento de conduta. direcionada à aferição de elementos embasadores da                                                               Hugo Nigro Mazzilli.  III). decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo:    “Ação  Civil  Pública  –  Requisito  –  Instauração  prévia  de  inquérito  civil  –  Desnecessidade – Procedimento facultativo e dispensável – Preliminar de  inépcia da inicial rejeitada. ou não. art.    Neste sentido.” 7 6 18    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  .     Por essa razão.  Nas  ações  civis  públicas  cabe  à  Promotoria  de  Justiça  dispor  sobre  a  necessidade.  129..  O  inquérito  civil  não  comporta  classificação  como  documento  indispensável  à  propositura  (da  ação). 8 “O Ministério Público poderá .).  (.  (. o inquérito civil não é condição de procedibilidade da ação civil pública.  uma  vez  que  o  legislador  constitucional  somente  abriu  espaço  para  a  legitimação  concorrente  ampla7  quando  se  tratar  do ajuizamento da ação civil pública (CF... p.  coletivos  e  individuais  homogêneos  e  subsidiar  o  recolhimento  de  elementos  preparatórios  –  peças  de  informação  –  para a instauração ação civil pública.  Trata‐se  de  mera  investigação.    Tem  a  finalidade  de  apurar  eventual  lesão  a  interesses  difusos.    Nota‐se  que  a  instauração  do  inquérito  civil  por  parte  do  órgão  do  Ministério  Público  é  uma faculdade (LACP.)..  de  caráter facultativo. 129.

)”.    O  compromisso  de  ajustamento  de  conduta  tem  natureza  administrativa. é que cabe dispor sobre sua necessidade ou não.. À Promotoria de Justiça. 11 CPC.  tendo  como  características  sua  tomada  por  termo. esgotadas todas as diligências.    Já  em  relação  a  celebração  dos  compromissos  de  ajustamento  de  conduta. Se o órgão do Ministério Público. A defesa dos interesses difusos em juízo. 5º. 585.10. 155. p. fazendo‐o fundamentadamente. 9º.”9     Seu  arquivamento  submete‐se  a  controle  pelo  Conselho  Superior  do  Ministério  Público. 19    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  .  (. a formação de um título executivo extrajudicial e  a  possibilidade  de  o  próprio  título  fixar  as  cominações  para  o  caso  de  descumprimento  das  obrigações por ele fixadas. VIII – São títulos executivos extrajudiciais todos aqueles que.  no  prazo  de  3 (três) dia..  §1º. art. titular da  ação.  de acordo com o disposto no artigo 9º da Lei da Ação Civil Pública:    “Art..  que  terá  eficácia  de  título executivo extrajudicial11 (LACP. a lei atribuir força executiva. 10 Hugo Nigro Mazzilli. 385.propositura  da  ação  civil  pública. (multa fixa ou multa diária – astreintes).  mediante  cominação. §6º).  a  impossibilidade  de  concessões  de  direito  material.    Os  órgãos  públicos  legitimados  poderão  tomar  dos  interessados  o  compromisso  de  ajustamento  de  sua  conduta  às  exigências  legais.  o  inquérito é perfeitamente dispensável.  promoverá  o  arquivamento  dos  autos  do  inquérito  civil  ou  das  peças informativas.  sob  pena  de  se  incorrerem  em  falta  grave.  se  convencer  da  inexistência  de  fundamento  para  a  propositura  da  ação  civil. art.  a  dispensabilidade  da  participação  de  advogados e testemunhas  instrumentárias. ao Conselho Superior do Ministério Público.                                                                 9 Acórdão citado por Álvaro Luiz Valery Mirra.  Entretanto. por disposição expressa.  percebe‐se  uma alternativa para a superação do excesso de formalismo do processo judicial. p.  É  um  ato  administrativo  negocial. inc. Ação civil pública e a reparação do dano ao meio ambiente.  Os  autos  do  inquérito  civil  ou  das  peças  de  informação  arquivadas  serão  remetidos.  se  outros  dados  convergem  e  são  suficientes  para  o  aforamento  dessa  demanda.

 estético. a ordem econômica e a economia popular. a ordem urbanística.  5. nos termos  do art.  2.  mandado  de  segurança  coletivo.                                                                  12 CDC.      Podem  ser  exercidas  ações  com  cumprimento  de  obrigação  de  fazer  ou  não  fazer.  4. ao meio ambiente.  ação  civil pública entre outras. 2. 83 do CDC:    Art. parágrafo único. Art. 20    .Isto  equivale  dizer. histórico. turístico e paisagístico.  na  sistemática  de  defesa  ao  consumidor  e  da  tutela  coletiva  em  geral. aos bens e direitos de valor artístico.      A  ação  mais  utilizada. 5º) podem capitanear o compromisso de ajustamento de conduta que será tomado  por termo.      Muitas  são  as  possibilidades  de  defesa  do  consumidor  em  juízo.  3.  órgãos  públicos  legitimados  para  o  ajuizamento  da  ação  civil  pública  (LACP.        IV. art.  perdas  e  danos. 83.   PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR    A ação civil pública se presta à defesa dos interesses transindividuais12 ligados:    1. tem sido a ação civil pública. Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela. 81.  ações  cautelares. ao consumidor. propriamente dita.  O  interessado  ou  prejudicado pode manejar vários tipos de ação para tutelar o direito consumerista.  tutelas  antecipadas. A defesa do consumidor em juízo.

Súmula 37: São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.  o  Fundo  de  Garantia  do  Tempo de Serviço – FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem  ser  individualmente  determinados.  461.  Art.  já  que  obstaculizaria  as  ações  tendentes  a  combater  programas  governamentais e exigências indevidas que atingem a população ou grupos específicos.  2.  se  esta  for  suficiente  ou  compatível.347/85.  A  Medida  Provisória  n.  ou  de  cominação  de  multa  diária. tem‐se que:    A)  A  legitimidade  ativa  para  o  ajuizamento  da  ação  civil  pública.  Na  ação  que  tenha  por  objeto  o  cumprimento  de  obrigação  de  fazer  ou  não  fazer.  sob  pena  de  execução  específica.  contribuições  previdenciárias.”    Em relação a algumas questões processuais.  independentemente  do  requerimento  do  autor”.  passando  a  dispor  que  não  seria  cabível  ação  civil  pública  para  veicular  pretensões  que  envolvam  tributos.  5º.    “LACP.  11.180‐35/2001  acrescentou  o  parágrafo  único  ao  artigo  1º  da  Lei  n.  comporta  a  análise  do  disposto no artigo 5º da Lei n.  o  juiz  determinará  o  cumprimento  da  prestação  da  atividade  devida  ou  a  cessação  da  atividade  nociva.347/85:    “Art. 21    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  .  o  juiz  concederá  a  tutela  específica  da  obrigação  ou.    “CPC. 7.  Na  ação  que  tenha  por  objeto  o  cumprimento  de  obrigação  de  fazer  ou  não  fazer.  Art.  7.  ou  o  cumprimento  de  obrigação  de  fazer  ou  não  fazer  que  pode  ensejar  execução  específica nos termos do artigo 11 da LACP c/c artigo 461 do CPC.  determinará  providências  que  assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.    A ação civil pública tem por objeto a condenação em dinheiro visando reparação a danos  materiais  ou  morais13  causados  aos  interesses  destacados  nos  incisos  do  artigo  1º  da  referida  lei.  Todavia  este  parágrafo  está  sendo  questionado  por  inconstitucionalidade.  se  procedente  o  pedido.  Têm  legitimidade  para  propor  a  ação  principal  e  a  ação  cautelar:                                                                 13 Podem ser cumuláveis se oriundos do mesmo fato – STJ.

 consiga o magistrado  detectar  manifesto  interesse  social  na  admissão  em  juízo  de  associação  constituída  há  menos  de  um  ano”14  a  teor  do  parágrafo  quarto  do  artigo  5º da Lei da Ação Civil Pública. art.  a  proteção  ao  meio  ambiente.  III – a União.  ao  passo  que  a  pré‐constituição  impõe  um  lapso  temporal  de  constituição  da  associação  de  acordo  com  as  leis  civis  vigentes. p. nas mesmas  hipóteses.I – o Ministério Público.    No  tocante  às  associações  que  visem  a  defesa  do  consumidor. o Distrito Federal e os Municípios.  ou  pela  relevância  do  bem  jurídico  a  ser  protegido. 129.  porém.”    Trata‐se  de  legitimação  concorrente  ampla.  IV  –  a  autarquia.  b)  inclua.  à  livre  concorrência  ou  ao patrimônio artístico. a avaliação a ser feita no caso concreto.  II – a Defensoria Pública.  não  raro  por  razões  políticas. 517 22    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  .”(CF.  pela  dimensão  ou  características  do  dano.  entre  suas  finalidades  institucionais.  §1º).  A  esse  último  respeito.  deixa  de  existir  quando. estético.  Semelhante  perigo. histórico.  a  legislação  impôs  dois  requisitos elementares: a pertinência temática e a pré‐constituição.  de  associações  para  a  propositura  de  certas  ações  coletivas.  pertinente  registrar  a  análise  de  Kazuo Watanabe:    “O  requisito  da  pré‐constituição  foi  estabelecido  para  o  fim  de  coibir  abusos  consistentes  em  constituição  ad  hoc.  empresa  pública. turístico e paisagístico.  à  ordem  econômica.  fundação  ou  sociedade  de  economia  mista. os Estados.  V – a associação que.  pois  conforme  previsão  constitucional  “a  legitimação  do  Ministério  Publico  para  as  ações  civis  previstas  neste  artigo  não  impede  a  de  terceiros.                                                                 14 Código Brasileiro de Defesa do Consumidor.  ao  consumidor. concomitantemente:  a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil. segundo o disposto nesta Constituição e na lei.    A  pertinência  temática  vincula‐se  à  caracterização  das  suas  finalidades  institucionais.

  o  juiz  condenará  a  associação  autora  e  os  diretores  responsáveis.  cremos  que  resta  uma  certa  discricionariedade ao Ministério Público para decidir.  cujo  juízo  terá  competência  funcional  para  processar  e  julgar a causa (LACP. se  a  assunção  da  ação  de  que  outrem  desistiu  ou  que  outrem  abandonou  consulta ou não ao interesse público. interna corporis. 127 23    PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  . art.”17                                                               15 16 Ação civil pública.  a  competência  se  fixará  pelo  critério  da  prevenção16. “A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto” (LACP. 2º. Rodolfo de Camargo Mancuso15 assevera:  “É  compreensível  o  propósito  do  legislador:  evitar  que  as  associações  não  suficientemente  sólidas. art. é a lição de Rodolfo de Camargo Mancuso:  “Em  que  pese  o  imperativo  “assumirá”.    Muito  embora  o  dispositivo  legal  em  comento  fixe  a  expressão  “assumirá”. o  Ministério Público ou outro legitimado pode assumir a titularidade ativa (LACP.  solidariamente. do patrimônio cultural e dos consumidores. 2º).  esta  assunção  é  relativa  na  medida  em  que  não  existe  uma  obrigatoriedade.    Neste sentido.347/85. redação do art. 7.  mas  sim  uma  facultatividade dos legitimados ativos para a propositura da ação civil pública.  sem  maior  ponderação.    Caso  o  dano  ocorra  em  mais  de  uma  comarca. parágrafo único). 17 da Lei n.    C) Em relação à desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada. 115 do CDC.No mesmo sentido. é pertinente observar que a ação será proposta  no  foro  do  local  onde  ocorrer  o  dano.  proponham.”    B) Em relação à fixação de competência. art.  ou  cujos  objetivos  não  se  coadunem  com  o  interesse  judicializado.  se  tal  falta  de  seriedade  caracterizar  a  litigância  de  má‐fé. p.    Em  se  tratando  de  matéria  de  competência  da  Justiça  Federal  e.  na  honorária  e  no  décuplo  das  custas  sem  eventuais  perdas e danos (art. §3º). 142.ação  coletiva:  aliás. 5º. p. 17 Ação civil pública: em defesa do meio ambiente.  não  sendo  o  local  do  fato  sede  de  Vara  da  Justiça  Federal.  competirá  ao  juiz  estadual  de  primeiro  grau  processar  e  julgar a causa.

  D) No que diz respeito à sentença e coisa julgada.  com  idêntico  fundamento. Todavia.  8.      O  ponto  de  partida  para  a  análise  da  produção  da  prova  em  relação  aos  direitos  do  consumidor  é  o  CDC.    Assim.  Entretanto.  da  decisão  em  sede  de  ação  civil  pública  cabe  recurso  de  apelação o qual será recebido no efeito devolutivo. de acordo com o artigo 6º.    E)  Quanto  aos  recursos. A inversão do ônus da prova no direito do consumidor.  a  inversão  não  é  automática. reconhecidas pela Lei n. o legislador abriu espaço para que  o magistrado conceda  efeito suspensivo ao recurso para evitar dano irreparável à parte  (LACP.  É  preciso  que  o  juiz  se  manifeste  acerca  da  possibilidade ou não de inversão no caso concreto. cabe ao juiz decidir pela inversão do  ônus da prova se for verossímil a alegação ou hipossuficiente o consumidor.    Logo.078/90. nos limites da competência territorial do órgão prolator.  art. exceto se o pedido for julgado  improcedente por insuficiência de provas. art. 16). 3. a sentença civil fará coisa julgada erga  omnes.  identificam  um  regime  jurídico‐processual  próprio  que  possibilita  atender  ao  comando  normativo em relação à inversão do ônus da prova.  não  se  deve  perder  de  vista  a  aplicação  das  regras  do  Código  de Processo Civil como complementaridade do sistema de defesa e harmonização das relações  de consumo.      PROTEÇÃO CONTRATUAL AO CONSUMIDOR  24    . hipótese em que qualquer legitimado poderá ajuizar  outra  ação. 14).    IV.  valendo‐se  de  nova  prova  –  coisa  julgada  secundum  eventum litis ‐ (LACP.    A vulnerabilidade e a hipossuficiência do consumidor. inciso VIII do CDC.