MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS INSTITUTO DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA

Monografia

Uma Análise do impacto das coligações nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão (1988-2008)

Rafael Nachtigall de Lima

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Pelotas, dezembro de 2010

Rafael Nachtigall de Lima

Uma Análise do impacto das coligações nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão (1988-2008)

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Instituto de Sociologia e Política como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Ciências Sociais

Orientador: Prof. Alvaro Augusto de Borba Barreto

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Pelotas, dezembro de 2010

Agradecimentos

Começo este trabalho, agradecendo às pessoas que me apoiaram e ajudaram a escrevê-lo. A todos aqueles que, com toda a certeza, fizeram desses quatro anos de graduação, os melhores da minha vida. Em primeiro lugar, agradeço ao meu orientador, professor Dr. Álvaro Barreto pela paciência e compreensão durante estes anos em que fui seu orientando, seja lá quando começamos, quando fui seu bolsista PIBIC-CNPq, e era de minha intenção trabalhar com dois tópicos primários: sistema eleitoral e sistema partidário no município do Capão do Leão, ou nestes últimos tempos, quando tornou-se imperativo concluir os estudos que durante três anos fui amadurecendo a ideia, escolhendo qual dos aspectos do sistema partidário tornaria a pesquisa mais interessante e coletando dados. Agradeço, também, à minha família que me apoiou intensamente nesses últimos quatro anos, confiando nas escolhas que fiz e colheu comigo os frutos e as agruras dessas escolhas. Aos meus pais, Marco Antônio e Tânia Maria, dedico especialmente este trabalho, pois sem os esforços deles, eu não poderia esforçarme apenas aos estudos, podendo fazer da graduação a melhor época da minha vida, uma época da qual vou lembrar sempre e servirá de base para o meu futuro. Aos meus irmãos Juliane e Filipe, dedico a minha graduação como prova de que os esforços são sempre recompensados desde que acreditemos naquilo que perseguimos e que persigamos com vontade de viver dias melhores. Aos meus tios e tias, minhas primas e primos também agradeço, pois tenho certeza que torceram por mim, assim como meus queridos avós falecidos Volnei e Ana Nachtigall e José Lima. Agradeço também à minha avó Elza que sempre me incluiu em suas preces.

que é a área que eu mais tinha curiosidade e apreço antes de entrar para a faculdade. foram de grande valia para os meus estudos. apesar de que algumas discussões sempre são bem vindas na construção do conhecimento teórico. Jorge e Charles e às suas famílias que sempre receberam-me em suas casas com muito carinho e atenção. com certeza. quanto em teoria das elites. agradeço aos meus amigos que tornaram esses quatro anos muito aprazíveis e que continuaram comigo nessa caminhada. Christian e Aline.4 Na graduação sempre tive excelentes professores que me ajudaram a concluí-la com mais facilidade e prazer. Thiago. Por último. são de uma capacidade teórica magnífica que prepara e nos instiga a questionar o social. . especialmente durante o ano de 2010. Léo Peixoto. os de Hemerson Pase e Rosângela Schulz em Democracia radical. apenas aumentaram os meus desejos de continuar estudando este campo. Tenho certeza que ficaram apenas boas lembranças dessa gurizada que sempre se divertiu. Paulo Cava e Francisco Vargas. também foram de grande importância na minha formação acadêmica. Agradeço aos meus colegas de graduação que. ajudaram-me a tornar esse período mais alegre e menos pesado. e sua didática impar. Matheus. Os conhecimentos de Daniel Mendonça tanto em análise do discurso. Matheus. Felipe. seja na aula propriamente dita e especialmente depois que a aula acabava. cito especialmente Leandro. Dos professores de Sociologia só tenho boas palavras: Maria Thereza. Agradeço especialmente a Fábio. Aqui. Agradeço especialmente àqueles ligados à Ciência Política. seja nos quinze minutos antes da aula começar. quando estávamos juntos sempre conversando e socializando.

Resumo Esse artigo é um estudo das coligações nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão (RS). em especial a distribuição de cadeiras entre os partidos e o aproveitamento de votos do eleitorado. Subsidiariamente. . no período 1988-2008. o que será realizado por meio de análise comparada do aproveitamento das legendas que coligaram e as que não coligaram. a pesquisa pretende observar a validade dessa estratégia para os diferentes partidos. O objetivo principal é analisar o impacto que estas causaram na representação política.

. Alternatively. The main objective is to analyze the impact that they caused to political representation. the research intends to observe the validity of this strategy to the different parties. particularly the distribution of chairs among the parties and the utilization of votes of the electorate. what will be accomplished through the comparative analysis of the use of legends that coalesced and not coalesced.Abstract This article is a study of coalitions in elections for City Council of Capão do Leão (RS) in the period 1988-2008.

.. 22 23 24 25 26 27 28 40 41 47 48 49 ........................................ no período 1988-2008 ...... no período 1988-2008 .... no período 1988 a 2008 Quadro 6 – Coligações efetuadas nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão................... Quadro 7 – Listas que concorreram às eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão........... Quadro 2 – Número de eleições para a Câmara Municipal do Capão de Leão disputadas pelos partidos..... no período 1988-2008 .................................... nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.................. Quadro 5 – Eleições disputadas pelos partidos e aquelas em que escolheu coligar para a Câmara Municipal de Capão do Leão...... no período 1988 a 2008 ................................ no período 1988 a 2008 ...... no período 1988-2008 ......................... Quadro 3 – Número de partidos que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.Lista de Figuras Quadro 1 – Partidos que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão...... Quadro 9 – Estratégias adotadas pelos partidos entre um pleito e outro....................................... no período 1988 a 2008 .....................Estratégia utilizada pelos partidos que não elegeram candidatos para a Câmara Municipal do Capão do Leão......................... Quadro 12 – Número efetivo de partidos nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão................................................................. no período 1988-2008 . Quadro 8 ..... Quadro 10 – Comparação entre o resultado oficial da distribuição de cadeiras e a simulação sem coligações nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão................... Quadro 4 – Estratégia escolhida pelos partidos que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.................. Quadro 11 – Votos nominais não aproveitados nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão......................... no período 1988-2008........ no período 1988-2008 .. no período 1988-2008 ..........

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................. nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.......... no período 1988-2008. Tabela 10 – Número de vagas conquistadas pelos partidos nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão............ Tabela 7 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.................... quantidade e percentual daqueles que se elegeram ou não.................................... nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão..................... 29 29 30 31 32 33 34 34 35 36 37 37 38 ......Lista de Tabelas Tabela 1 – Listas.............. Tabela 13 – Número de partidos concorrentes........................ no período 1988-2008 ........ Tabela 6 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão....................................... em 1996 ...... de partidos coligados e média de legendas por coligação................................. em 1992 ....... Tabela 3 – Número de coligações........................ Tabela 2 – Número de partidos concorrentes.................... conforme a eleição para a Câmara Municipal do Capão do Leão do período 1988-2008 ........................................................................................................................................................................... Tabela 12 – Número de candidatos eleitos por cada partido e qual a estratégia escolhida....................................... no período 1988-2008 ...... Tabela 9 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão........................................................ número e percentual daqueles que disputaram avulsos ou coligados............................... Tabela 11 – Número de vagas conquistadas pelos partidos nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão..................................................................... em 2004 ............................................ Tabela 5 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.............................................................................................. em 2000 ............................ no período 1988-2008 .......................................................... em 2008 ................................... conforme a condição em que disputou ..................... no período 1992-2008 ................ nas eleições para a Câmara de Municipal de Capão do Leão...... Tabela 4 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.................. número e percentual de partidos discriminados pela condição em que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.......................................................................... no período de 1988-2008 ........ em 1988 . Tabela 8 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão...............

.......................... caso não houvesse coligação ..... conforme a condição em que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão...................................... Tabela 21 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão................. caso não houvesse coligação ................. Tabela 16 – Número e percentual de partidos que não se elegeram. caso não houvesse coligação ............................ em 2008................. no período de 1988-2008 ........... no período de 1988-2008 . em 1996. Tabela 18 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão....................... Tabela 15 – Número e percentual de partidos que conquistaram representação............. em 1992.........10 Tabela 14 – Número e percentual de aproveitamento das coligações que disputaram as eleições para a Câmara de Vereadores de Capão do Leão............ caso não houvesse coligação ....................................................................... no período de 1988-2008 ........ no período 1988-2008........ 39 39 40 44 44 45 45 46 48 .. caso não houvesse coligação ....... caso não houvesse coligação ............ em 2000..... Tabela 22 – Número de vagas conquistadas pelos partidos nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão....... em 2004........................ Tabela 20 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão....................... Tabela 17 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão....................................... Tabela 19 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão................................................................ conforme a condição em que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.............................................

Lista de Siglas DEM PCdoB PDS PDT PFL PL PMDB PP PPB PPS PRB PSB PSDB PT PTB PT do B Democratas Partido Comunista do Brasil Partido Democrático Social Partido Democrático Trabalhista Partido da Frente Liberal Partido Liberal Partido do Movimento Democrático Brasileiro Partido Progressista Partido Progressista Brasileiro Partido Popular Socialista Partido Republicano Brasileiro Partido Socialista Brasileiro Partido da Social Democracia Brasileira Partido dos Trabalhadores Partido Trabalhista Brasileiro Partido Trabalhista do Brasil .

.............................. Capítulo 4 – Simulação de resultado sem as coligações ...................................................................................................2 As Vagas conquistadas por partido e conforme a estratégia adotada ................... 3.....2......................................... Abstract .................................................................................... Lista de Tabelas ..................................................................1 Distribuição de votos de 1988 a 2008 .......................................................... Introdução .........................1 Os Partidos que coligam ................................................................................................ Capítulo 2 – Listas e partidos que disputaram as eleições proporcionais de 1988 a 2008 ........................................................................................................................................... Capítulo 1 – Os Estudos sobre coligação ................ Capítulo 3 – Os Resultados das eleições ....................... 2.... 2.....................Sumário Resumo ................................ Lista de Siglas .................2 A Configuração das coligações ........................................................2... 4 5 6 7 9 11 16 22 22 24 24 26 28 31 31 36 43 50 52 ..................................................................2........................ 3..... Lista de Figuras ............................ 2............................................................................................................................................ Conclusão .................................2 A Estratégia de coligar ..............................................................1 Apresentação dos concorrentes ....... Referências .............................................................................................................3 As Listas que disputaram os pleitos .......................................................... 2.......................... 2..................................................................................

3 É importante destacar que coligação é o termo atualmente utilizado no Brasil.Outros termos utilizados são: aliança e apparentement (SCHMITT. ao contrário de grande parte dos municípios brasileiros. seja na Ciência Política ou na imprensa em geral. no caso dos municípios). a primeira eleição geral de âmbito municipal realizada depois que a legislação eleitoral brasileira voltou a permitir a coligação2.Os aspectos ideológicos serão mencionados na bibliografia. o que será realizado por meio de análise comparada do aproveitamento das legendas que coligaram e as que não coligaram. voltou a ser permitida a partir das eleições isoladas de 1985. 1996. em 2004.A aliança eleitoral de partidos. também no caso em estudo). que designa a união formal de dois ou mais partidos com vistas a participar de uma eleição. 1992. a pesquisa pretende observar a validade dessa estratégia para os diferentes partidos. determinada pela Justiça Eleitoral. no período 1988-2008. nos quais foram distribuídas 54 cadeiras (nove em cada um).4 A coligação pode ocorrer tanto em disputas majoritárias (Prefeito. como já foi indicado. o foco estará na disputa proporcional. registram-se seis pleitos (1988. Neste trabalho.Introdução O presente trabalho estuda as coligações nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão (RS). 1 . 2000. seja na legislação eleitoral. 4 . 2004 e 2008).Capão do Leão. Nesses 20 anos. O objetivo é analisar o impacto que estas causaram na representação política do município. a mais recente disputa de âmbito local já realizada. proibida pelo Código Eleitoral de 1965. quanto proporcionais (Vereadores. 2005). não foi atingido pela mudança no número de cadeiras das Câmaras de Vereadores. mas o trabalho não tem a intenção de seguir uma definição dos partidos no município quanto a este aspecto. 3 .1 O recorte temporal adotado abrange 1988. . 2 . Ele já mantinha e permaneceu com o número mínimo de cadeiras que compõem os legislativos municipais. em especial a distribuição de cadeiras entre os partidos e o aproveitamento de votos do eleitorado. Subsidiariamente. e 2008.

após 2002. foi o primeiro grande trabalho a analisá-las no atual período político-eleitoral do país e teve como foco principal avaliar o impacto das coligações nas eleições para a Câmara dos Deputados sobre o formato do sistema partidário e sobre o funcionamento do sistema eleitoral. apenas nos últimos anos as coligações praticadas no período pós-1985 passaram a ser analisadas de modo mais empírico. Schmitt faz um balanço sobre os estudos sobre alianças e coligações eleitorais na Ciência Política brasileira.1999). No entanto. Outra conclusão é a de que alguns partidos tendem a ser mais exigentes com relação a esse aspecto e cita o caso do PT como caso emblemático de partido exigente ideologicamente no passado que afetou diretamente a mudança entre 1986 e 2004. “Coligação em eleições proporcionais: a disputa para a Câmara de Vereadores de Pelotas (19882008)”. O livro de Alvaro Barreto. A tese de doutorado de Rogério Schmitt (1999). Suas conclusões apontaram que as coligações chamadas “inconsistentes”. é o maior esforço conjunto sobre o tema no Brasil. No capítulo seguinte. Ele conta com cinco artigos que abordam as coligações sob diferentes perspectivas. Vivaldo de Souza trata sobre o comportamento das coligações eleitorais entre 1954-1962 e compara pleitos majoritários coincidentes com proporcionais. ele flexibilizou este critério e chegou a coligar-se até mesmo com o PFL. SCHMITT. Isso porque. intitulada “Coligações eleitorais e sistema partidário no Brasil”. com estudos centrados em situações concretas e casos particulares (BARRETO. tentando unificar a literatura dos dois períodos democráticos recentes no Brasil. Yan Carreirão escreveu “Ideologia e Partidos Políticos: um estudo sobre coligações em Santa Catarina”. Em 2006. o livro “Partidos e coligações eleitorais no Brasil”. avalia a inserção das coligações naquele município e dimensiona os impactos por ela causados na representação partidária. aquelas realizadas entre parceiros de diferentes campos ideológicos foram aumentando com o passar do tempo.14 Apesar de muito comentada e referenciada em trabalhos sobre política brasileira. em 2005. analisando apenas parte do primeiro período. No artigo inaugural. organizado por Silvana Krause e Rogério Schmitt. Em “A Lógica das coligações no Brasil”. 2009. Aline Machado tem como objeto estudar as circunstâncias que levam os . com vistas a analisar os pleitos ocorridos entre 1986 e 2004 para todos os cargos daquele estado (exceto o de Senador e o de Vereador) e verificar se os partidos encaram os aspectos ideológicos como obstáculos na hora de procurar parceiros.

uma vez que o custo da primeira cadeira é muito grande em circunscrições de baixa magnitude. A escolha do Capão do Leão como foco do estudo se deve a dois fatores: o primeiro é a ausência de estudos sobre as relações políticas na localidade. O penúltimo capítulo é de autoria de Jefferson Dalmoro e David Fleischer. já que. As características e as contradições básicas das coligações. pois a maior parte delas envolve um grande partido com outro(s) de menor expressão. segundo o qual afirma-se que.15 partidos a optar pela coligação. eles criam um “partido virtual”. para o eleitor. o eleitor brasileiro não vota diretamente em coligações. para efeito de contagem de votos. Fala-se em “efeito de contagem” porque. e sim em candidatos ou partidos. Em outros termos. os efeitos das coligações e o problema da proporcionalidade. quando os partidos brasileiros formam uma coligação na disputa proporcional. como o caso do município a ser estudado. afirmado anteriormente. analisando os pleitos de 1994 e de 1998. que os partidos menores necessitem dos votos de partidos maiores para conquistar uma cadeira. 2005). esses partidos e seus respectivos candidatos continuam a existir separadamente. e o . quando da distribuição das cadeiras (SCHMITT. Silvana Krause escreve o artigo: “Uma análise comparativa das estratégias eleitorais nas eleições majoritárias (1994-1998-2002): coligações eleitorais x nacionalização dos partidos e do sistema partidário brasileiro”. Esses concorrentes são agregados pela fórmula eleitoral. Superar essa dificuldade é o principal motor das legendas pequenas em direção ao comportamento coligacionista. motivam esta pesquisa. pode-se destacar que a Ciência Política consolidou um conhecido campo sobre o tema. tornam-se uma única legenda ou lista concorrente (BARRETO. 2009). Por conta dessas contribuições. que busca trazer para o plano local a investigação sobre o efeito desse mecanismo nas estratégias partidárias e no aproveitamento dos votos dos eleitores. em que revisam a literatura e as principais fórmulas que poderiam resolver a desproporcionalidade entre o número de cadeiras e o número de votos. Parte-se da hipótese de que os grandes partidos são prejudicados pelas coligações nessa matemática da distribuição de cadeiras. Para encerrar o livro. e tem como preocupação a eleição proporcional. e que serão mais bem desenvolvidas na continuidade do trabalho. Não se quer dizer que coligações entre legendas de igual expressão não seja prática corrente entre grandes partidos ou partidos de mesma força eleitoral. Parte-se do pressuposto.

2010). político que exerceu um segundo mandato entre 1997 e 2000. Cerrito. em 1988. elegeu o seu primeiro prefeito. o eleito foi João Quevedo (PDT). Por isso.6 Informa-se que os dados referentes aos resultados eleitorais foram coletados a partir de duas fontes principais. comércio. portanto.Informações sobre a composição da Câmara de Vereadores serão apresentadas no decorrer do trabalho. especialmente com a liderança de Vilmar Schmitt e João Quevedo. o controle da Prefeitura alternou-se entre PMDB (1982 e 1992).575 eleitores aptos a votar (TRE-RS. A primeira foi o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) por intermédio do sítio institucional. em 1992. o escolhido foi Manoel Nei Neves (PP). e praticamente dois nomes: Getulio Victoria e Manoel Nei. Trata-se de um pequeno município da zona sul do Rio Grande Sul. As indústrias mais conhecidas localizadas no município são: Cooperativa Sul-Riograndense de Laticínios (Cosulati).399 pessoas. Avipal.Em 2008. e como forma de situar o leitor. SBS engenharia e Ivai Engenharia (PREFEITURA MUNICIPAL DO CAPÃO DO LEÃO. . Na segunda eleição da história município. foi eleito prefeito.647/82. 2010). Getúlio Victoria (PMDB). A emancipação ocorreu por força da Lei estadual 7. assim como com Rio Grande. Como dito anteriormente. extrativismo mineral em geral. deixando o exercício do cargo para seu vice. que até o ano 2000. Morro Redondo. com a qual faz divisa. 2010). Votorantim Celulose e Papel. o eleitorado apto era composto por 17. Conforme os dados do Censo 2010. até então vice de Schmidt.5 O município tem sua economia baseada nas seguintes atividades: agropecuária. Capão do Leão passou a existir como um município e. última eleição abordada pelo trabalho. o poder está sob controle do PDT e de seus aliados. que fora vereador em Pelotas durante muitas legislaturas. após plebiscito realizado no dia 28 de março daquele ano (PREFEITURA MUNICIPAL DO CAPÃO DO LEÃO. que até o dia três de maio de 1982 era distrito de Pelotas.267 pessoas (IBGE. Elberto Madruga (PMDB). Nas eleições de 2010. PP (1988 e 1996). serão apresentadas algumas informações básicas sobre o local. No pleito mais recente. Em julho de 1985. A partir da atual década. este veio a falecer. que completou o mandato e. 6 . prestação de serviços e indústrias. Vilmar Schmidt (PDT) foi escolhido prefeito em 2000 e reeleito em 2004.16 segundo os vínculos do autor com o município. em 1982. Pedro Osório e Arroio Grande. Vê-se. a população é de 24. 2010). onde 5 . havia 17. ainda naquele ano. frigoríficos Extremo-Sul e Mercosul.

e a mídia impressa (jornal Diário Popular. o esforço é medir a efetividade da estratégia com base nos resultados oficiais. O trabalho está organizado em quatro capítulos. O segundo tem como enfoque a apresentação dos partidos e suas estratégias. pois as informações referentes a estes dois pleitos não existem ou estão incompletas no sítio da Justiça Eleitoral. para posteriormente medir a utilização do recurso. Informações adicionais referentes aos estatutos legais que regiam as eleições foram encontradas em produções acadêmicas e em jornais. localizado no município de Pelotas. Começa apresentando os partidos. . passa a discriminálos quanto a coligados e não-coligados. em especial) para as disputas de 1988 e de 1992. No terceiro. O primeiro trata da bibliografia sobre coligações. além de outros dois indicadores: número efetivo de partidos e índice de votos desperdiçados.17 os dados dos pleitos de 1996 a 2008 foram encontrados. A segunda foi o Cartório Eleitoral. O quarto simula como ficaria a distribuição de cadeiras caso não houvesse coligações no município.

quando igual ou superior a 1. A primeira prioridade passa a ser a identificação das regras que regem essa distribuição. o modo como é realizada a distribuição de vagas nas eleições proporcionais brasileiras dificulta a entrada de pequenos partidos nas casas legislativas. A partir das eleições de 2000. A seguir. cuja principal função é distribuir o poder político nos corpos representativos entre os diversos segmentos existentes na sociedade. pois quem não o atinge está automaticamente excluído do rateio de cadeiras. ao lado dos nominais (em um candidato ou na legenda). pois o 7 dos cargos majoritários. Primeiramente.1% dos votos válidos (100% / 9 cadeiras). diferentemente representação. indica a quantidade de vagas já obtidas. pois equivale ao número de votos que um concorrente deve somar para conquistar a primeira cadeira.Capítulo 1 – Os Estudos sobre coligação O acesso à Câmara de Vereadores se dá pela disputa proporcional em lista aberta. maior a cláusula de exclusão. igualmente. que é o produto da divisão. ele opera como cláusula de exclusão. Na prática. pelo cociente eleitoral. excluídos nulos e em branco. a partir da divisão do total de votos válidos pelo número de cadeiras oferecidas em cada distrito (magnitude). Essas regras operam da seguinte forma. No caso específico do Capão do Leão. é calculado o cociente eleitoral.Até as eleições de 1996 os votos brancos eram contabilizados como válidos. do total de votos obtidos pelo conjunto de concorrentes da lista (candidatos mais os da própria legenda ou legendas. o que faz com que. os válidos incluem apenas os votos nominais. Isso significa. em caso de coligação). .7 Esse cociente é determinante para o sistema eleitoral. O número inteiro. que quanto menor a magnitude. No entanto. ou seja. Toda lista que atingiu uma cadeira está credenciada a participar da divisão de sobras. esse cociente equivale a 11. mais correntes políticas tenham . é calculado o cociente partidário. pois é inevitável que nem todas as cadeiras sejam distribuídas.

uma das características mais marcantes das coligações é ser uma alternativa para conseguir representação utilizada pelos partidos que. Em outras palavras. p. 22). Para a divisão das sobras. assim. se concorressem sozinhos. a coligação é apontada na literatura como responsável pela redução no número de listas concorrentes. O concorrente que tiver o produto maior fica com a cadeira em questão. pois os candidatos eleitos de uma lista podem ser de diferentes partidos. Essas regras que fazem do cociente eleitoral (calculado no patamar mais elevado dentre todas as fórmulas) cláusula de exclusão. 19) lista algumas das dificuldades presentes no modo como se organiza o sistema político que levam os partidos a coligarem em eleições proporcionais: . até que todas tenham sido distribuídas. sucessivamente. 16) “o calculo da proporcionalidade baseado na série de divisores D’Hondt é unanimemente apontado como o que gera os resultados menos proporcionais” e ainda “opera em favor dos grandes partidos. as legendas pequenas são muito prejudicadas. ainda mais porque. o método é o seguinte: para cada vaga. os partidos são estimulados a coligar. BARRETO. 2006. especialmente os pequenos. E. conforme as regras do sistema eleitoral brasileiro. provavelmente não obteriam tal espaço político. Outros elementos servem como incentivos à adoção da coligação. Porém. nas quais o cociente eleitoral é calculado no patamar mais elevado e opera como cláusula de exclusão. são apontadas por vários cientistas políticos como um fator que leva os partidos a optarem pelas coligações nas eleições proporcionais (BRAGA 2006.19 cociente eleitoral é estabelecido como a razão perfeita da divisão dos votos válidos pelas vagas disponíveis. Para Nicolau (1998. p. para superar as dificuldades oriundas da fórmula eleitoral. Como associa partidos diferentes. não se observa o mesmo efeito no que diz respeito ao número de partidos representados. divide-se o total de votos obtidos pela lista pelo número de cadeiras já obtidas mais um. pois legendas de menor expressão eleitoral tendem a eleger menos parlamentares sob a sua égide do que elegeriam sob outra séries de divisores” (Idem. Barreto (2009. Nesse sentido. NICOLAU 2006). p.

os sistemas eleitorais de lista aberta fomentam a falta de coesão e o individualismo dos políticos. que consegue apenas uma cadeira. 2006. A bibliografia evidencia que não importa a quantidade de votos que o partido obteve para a lista. p. se o partido A soma 70% e o B 30% dos votos da coligação. e sim a posição dos candidatos individualmente considerados. é o fato de o vínculo entre os partidos é meramente eleitoral. sem que os partidos tenham qualquer controle sobre a ordem dos candidatos na classificação. o que significa dizer que o voto é dado a um candidato dentro de uma lista de nomes oferecida pelo partido. gerando incerteza sobre o pleito (BARRETO 2006. . MAINWARING 2001). a vaga será ocupada pelo partido B. Outro desses resultados é ser responsável pela falta de identidade dos políticos com os partidos e a conseqüente fraqueza destes para com aqueles (BARRETO. 25). 2009. e se o A tem seus votos distribuídos entre vários candidatos e o B tem apenas um ou dois candidatos “bons de voto”. O Brasil utiliza o modelo lista aberta. também é preciso considerar os efeitos que ela produz no próprio sistema partidário-eleitoral. não existe nenhuma relação com coalizões parlamentares ou compromissos posteriores ao término da disputa pelos votos (SCHMITT. O que torna ainda mais grave a situação narrada acima. e ainda traz mais aspectos o voto uninominal introduz uma forte competição entre os candidatos do mesmo partido. NICOLAU 2002). produz migrações aleatórias de votos que afetam a sua contabilização e a verdade do escrutínio e. se a coligação tem como motivação esses elementos. o estabelecimento da fórmula de maiores médias para a distribuição dessas sobras (d’Hondt) e a inclusão de votos brancos (ocorrida até o pleito de 1996) são medidas fixadas pela legislação brasileira que geram dificuldades importantes aos partidos e tornam a coligação uma alternativa importante para tentar superá-las. enfim. O modo de disputa faz com que a competição dê-se tanto entre listas quanto entre candidatos do mesmo partido ou lista. o que é aumentado quando as coligações são efetuadas pelos partidos. atomiza o partido (apud SCHMITT. a exigência de obtenção do cociente eleitoral para que as legendas participem da distribuição das sobras. 1999). faz resultar o cociente partidário e a hierarquia dos candidatos partidários eleitos da soma dos votos em candidaturas individuais. 1999. Logo. Tavares (1994) corrobora a visão. No entanto. Para Nicolau (2006) e Samuels (1997).20 a adoção do sistema de lista aberta ou não ordenada.

Da mesma forma. 2009. p. Mainwaring (2001. 1999. os votos de um candidato fracassado. p.21 Machado critica a transferência de votos entre os candidatos na disputa proporcional sem a prévia concordância do eleitor. 38) diz que “os atores racionais têm um conjunto de preferências. A literatura também define outra problemática aos estudos sobre coligações no que tange à motivação dos partidos em coligar. p. Já a perspectiva pragmática acredita que os competidores com chances reais na disputa buscam o maior número possível de apoios. não tem o menor controle de como o seu voto será redirecionado. Para FIGUEIREDO que criou a Lei de Ferro das coligações. o chamado modelo analítico da escolha racional (BARRETO. Ao analisar o quadro do estado de Santa Catarina ele conclui que . Essa visão é compartilhada. afim de garantir a máxima vantagem sobre seus adversários (MIGUEL e MACHADO. não importa de onde venham. Para Miguel e Machado (2007) a perspectiva ideológica julga que a coligação é um instrumento que permite que partidos que se encontram próximos uns dos outros no espectro esquerda-direita ampliem suas chances de vitória contra adversários situados em posição oposta. 97). É consenso na teoria política atual que os atores se utilizam das regras do jogo para obter ganhos eleitorais. MAINWARING 2001). já que pertencem à legenda são transferidos a outros candidatos. Se isto tornar-se inviável. sem que o eleitor seja consultado. busca-se o campo mais próximo possível. maximizar votos é o objetivo principal de qualquer partido. ainda que com ressalvas por CARREIRÃO.81). os votos obtidos por um candidato que excede a quota eleitoral são transferidos àqueles que individualmente não a alcançarão (apud DALMORO e FLEISCHER. 759760). 2007. que. Segundo ela quando um partido concorre sozinho. Diferente da agenda institucional esse quadro teórico tem como preocupação principal estudar as motivações ideológicas das coligações. 2005. apesar de saber as regras. Mas quem comanda este processo a aritmética eleitoral (apud SCHMITT. levam em conta as regras do jogo e escolhem os meios que maximizam suas possibilidades de concretizar essas preferências e minimizar o custo de fazê-las”. Esta problemática é bem controversa e gera diferentes conclusões. secundariamente a preferência é aliar-se no seu próprio campo ideológico. p.

Nicolau expõe os principais motivos que levam um partido a coligar são: 1) a magnitude distrital. 4) o poder de chantagem do partido. mais exclusivamente coligações para as eleições proporcionais. LIJPHART. a coligação torna-se 8 . No que diz respeito a municípios de baixa magnitude. não há uma coerência ideológica total nas coligações realizadas. Se considerarmos que coligações que não envolvam simultaneamente partidos de esquerda e partidos de direita não provocam tanta rejeição. ficamos com um percentual médio. 2006.O autor uso este termo.22 o quadro mais geral que se visualiza mostra: por um lado. de cláusula de exclusão elevada. de origem francesa. 2) o tamanho do partido. 2009. Depois de apontar as regras que regem o jogo político e as motivações ideológicas e institucionais. em detrimento de coligações devido ao fato de a legislação brasileira do período democrático anterior (1950-1964). que. como o caso do Capão do Leão. Para Schmitt o apparentement[8] ajuda os menores partidos. p. ou coligam com partidos maiores (BARRETO. de fato. SAMUELS). 31). referir-se a essa união como alianças . 3) o tamanho no HGPE. 5) o numero de candidatos que poderão lançar” (apud SCHMITT. Para tal. 147). 1999. p. de 16% coligações inconsistentes nas eleições para prefeito (CARREIRÃO. porque estes aceitam coligar? Para os estudiosos. p. Então a pergunta que fica é: se apenas os pequenos ganham ou ganham muito mais do que os partidos grandes. no período. o propósito do trabalho é dimensionar o impacto causado pelas coligações na representação política de uma Câmara de Vereadores de baixa magnitude e. que distribui nove cadeiras para vereador no período estudado. as coligações realizadas não permitem concluir a existência de um grande caos partidário. em primeiro lugar toma-se como verdade algumas afirmações encontradas na literatura sobre coligações eleitorais no Brasil.82) Os partidos grandes tendem a não coligar entre si. De outro lado. e como a desproporcionalidade tende a se dar especialmente em detrimento dos pequenos partidos. portanto. assim como os pequenos partidos tendem a assumir dois comportamentos: ou coligam entre seus pares. os grandes partidos aceitam coligar em troca de apoio na disputa a cargos majoritários e esse apoio resultará em falta de apoio a partidos adversários. pode-se esperar que o apparentement reduza a desproporcionalidade (SCHMITT.

23 quase um imperativo para os menores partidos. pois. a ser apresentado na sequência. como os dados empíricos pretendem demonstrar. porque tendem a fazer com que mais partidos obtenham representação do que originalmente aconteceria caso elas não fossem permitidas. Quem não coligar. Como dito anteriormente. . procura discutir tais questões e ver como essas regras e os comportamentos dela decorrentes operaram no caso específico do município do Capão do Leão (RS). coligações têm um efeito fragmentador sobre o sistema partidário. maior o custo de uma cadeira. embora não tenha esta garantia. o que seria medido pelo aumento no número efetivo de partidos. quanto menor a magnitude. O levantamento empírico. corre sério risco de não conseguir representação. Quem coligar amplia as chances de conquistar cadeira.

o que realiza o Quadro 1. é necessário indicar as legendas que disputaram as eleições proporcionais no município. Nesta seção. antes de apresentar essas informações. nos seis pleitos ocorridos entre o período de 19882008. os dados coletados mostrarão a estratégia dos partidos em cada eleição. No entanto.1 Apresentação dos concorrentes A primeira intenção deste capítulo é mostrar o quadro das coligações no município do Capão do Leão. no período 1988 a 2008 . 1988 PDT PMDB PP DEM 1992 PDT PMDB DEM PSDB PT PL PTB PSB PCdoB 1996 PDT PMDB PP DEM PSDB PT PL PTB PSB PCdoB 2000 PDT PMDB PP DEM PSDB PT PSB PCdoB PPS PT do B 2004 PDT PMDB PP PSDB PT PL PTB PPS 2008 PDT PMDB PP DEM PSDB PT PTB PPS PRB Fonte: Diário Popular e TRE-RS Quadro 1 – Partidos que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.Capítulo 2 – Listas e partidos que disputaram as eleições proporcionais de 1988 a 2008 2.

11 . aquele que concorreu apenas em um pleito (2000). que PT do B pode ser considerado o caso de partido relâmpago. Partido PMDB PDT PP PT DEM PSDB PTB PSB PCdoB PPS PL PT do B PRB Fonte: Diário Popular e TRE-RS Eleições Disputadas 6 6 5 5 5 5 4 3 3 3 3 1 1 Quadro 2 – Número de eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão disputadas pelos partidos. PSB. PT do B. O Quadro 2 permite visualizar com mais propriedade as informações sobre a participação das legendas nas disputas analisadas. Em segundo lugar. Deve-se destacar. PL. que apenas dois partidos participaram de todas as eleições proporcionais no período: PDT e PMDB. PT.25 Nesse período. PMDB. Preferiu-se adotar a atual denominação. O último ponto a ser sublinhado é que PP e DEM disputaram todas as eleições do período. mas ainda não pode ser incluído nesta categoria. no período 1988 a 2008 9 . embora ela tenha sido utilizada apenas em 2008. A medida justifica-se com vistas a tornar a leitura mais simples. .O partido que desde 2004 se chama PP. mas tiveram uma descontinuidade nos anos de 1992 e de 2004. PSDB. ou seja. isso porque. 10 . PPS e PRB. PTB.Outro caso de partido que mudou sua designação com o passar dos anos. PCdoB.O PRB também só disputou um pleito. concorreu em 1988 como PDS e em 1996 e 2000 como PPB. PDT. PT e PSDB sempre concorreram às vagas na Câmara de Vereadores. 13 partidos disputaram as eleições proporcionais realizadas no município: PP9. depois de terem participado das eleições no município pela primeira vez em 1992. depois de ter disputado os pleitos de 1988 a 2004 sob a sigla PFL.11 Como terceiro ponto a ser destacado é aquilo que pode ser interpretado como a consolidação de duas das mais importantes organizações partidárias do Brasil também no município. DEM10. em primeiro lugar. pois esta única eleição foi a mais recente.

ou seja. 2. coligar ou concorrer de modo avulso. a seguir. qual seja. Na eleição mais recente.1 Os Partidos que coligam O Quadro 4 discrimina os partidos que disputaram os pleitos quanto à estratégia adotada. este índice ficou em nove legendas.2 A Estratégia de coligar Nesta seção. Ele permite verificar que. tendo esse número variado de oito (2004) a dez partidos (1996 e 2000).26 O Quadro 3. expõe o número de partidos que disputaram as eleições. Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Fonte: Diário Popular e TRE-RS Partidos 4 9 10 10 8 9 Quadro 3 – Número de partidos que disputaram as eleições para a Câmara Municipal do Capão de Leão. no período 1988-2008 2. . estudar as coligações e o impacto que elas causaram na representação parlamentar do município.2. o trabalho parte ao seu objetivo maior. depois de contar com quatro partidos no primeiro sufrágio analisado (1988). o município passou a contar com um grande leque de legendas que se apresentaram ao eleitor.

27 Sit. . no período 1988 a 2008 Verifica-se também um cenário de descontinuidade. sendo que o PT fez essa opção em duas delas. respectivamente. quando. No terceiro e no quarto pleito (1996 e 2000) elas foram pouco utilizadas. Coligar 1988 Não-coligar PDT PMDB PP DEM 1992 PDT PL PMDB DEM PSDB PTB PSDB PCdoB PT 1996 PT PCdoB 2000 PDT PCdoB PSB PT do B PPS 2004 PDT PP PMDB PSDB PTB PT PL PPS PDT PMDB PP DEM PSDB PTB PSB PL PSDB PMDB PP DEM PT 2008 PDT PP PMDB PSDB DEM PTB PPS PRB PT Fonte: Diário Popular e TRE-RS Quadro 4 – Estratégia escolhida pelos partidos que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. as eleições ocorridas em 1996 e em 1992 foram as que mais contaram com partidos concorrendo de forma avulsa. de 2004 e de 2008 foram as que contaram com maior número de legendas que utilizaram essa estratégia (nove nos dois primeiros casos e oito em 2008). apenas um em cada pleito. respectivamente. oito e cinco legendas. Elas foram também aquelas em que houve o menor número de partidos que tomaram a decisão de não-coligar. Por outro lado. apenas dois e cinco partidos coligaram. tendo em vista que ela não foi um expediente utilizado pelos partidos no primeiro pleito. Já as eleições de 1992.

PSB. Em termos absolutos. PL. no entanto. no período 1988 a 2008 Outra leitura possível dessas informações. PP e DEM foram partidos que coligaram duas vezes. representada pelo Quadro 5. PPS. Aqueles que coligaram apenas uma vez foram PT do B e PRB.7 100 66. PDT e PCdoB (todos com três). PTB.7 50 40 40 40 60 75 66. No entanto. PT do B e PRB.7 66.28 Partido PDT PMDB PP PT DEM PSDB PTB PSB PCdoB PPS PL PT do B PRB Fonte: Diário Popular e TRE-RS Eleições Disputad as 6 6 5 5 5 5 4 3 3 3 3 1 1 Coligação 4 3 2 2 2 3 3 2 3 2 2 1 1 % 66. refere-se ao número de vezes que cada legenda coligou. Em termos relativos. que coligaram em todas as oportunidades em que concorreram. destacam-se: PCdoB. PT. .2. A diferença entre eles é que os comunistas disputaram três eleições e os demais em apenas uma oportunidade. PSDB. a constatação mais importante trazida é a de que todos os partidos que concorreram à Câmara Municipal coligaram em ao menos uma oportunidade e o índice mínimo atinge 40% do total de coligações disputadas.2 A Configuração das coligações Nesta subseção o foco sai dos partidos individualmente considerados e suas opções de aliar-se ou não a outros e passa para as coligações formadas por aqueles que decidiram se vincular a outros.7 100 100 Quadro 5 – Eleições disputadas pelos partidos e aquelas em que escolheu coligar para a Câmara Municipal de Capão do Leão. o partido que mais o fez foi o PDT (quatro pleitos). seguido por: PMDB. 2.

A importância aqui é perceber que. No total.2. ou seja. além das 14 coligações celebradas. Outro dado interessante é que dessas 14 coligações. houve 14 coligações. no período 1988-2008 O Quadro 6 mostra a composição de cada coligação e os pleitos em que elas foram utilizadas. Todas as demais foram compostas pelo número mínimo de integrantes. . que ocorreu em 1992 e em 2004. no ano 2000.3 As Listas que disputaram os pleitos No Quadro 7 estão expostas as listas que efetivamente disputaram a s eleições ocorridas a partir de 1988. apenas duas repetiram-se integralmente: a aliança entre PTB e PSDB. e a entre PDT e PP.29 1992 PMDB PSB PTB PSDB DEM PL PDT PCdoB Fonte: Diário Popular e TRE-RS 1996 PT PCdoB 2000 PDT PPS PSB PCdoB PT do B 2004 PTB PSDB PT PMDB PL PDT PP 2008 PDT PP PTB PRB PMDB DEM PSDB PPS Quadro 6 – Coligações efetuadas nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. e PT-PMDB-PL. que foi utilizada em dois pleitos seguidos (2004 e 2008). em 2004. estes preferiram concorrer sozinhos. em ambos os casos): PSB-PCdoB-PT do B. 2. 20 listas eram formadas por apenas um partido. das quais apenas duas contaram com mais de dois integrantes (três.

em 1992. A associação entre esses dados também indica que o pleito de 1996 foi aquele em que mais partidos optaram por não coligar: oito concorreram isoladamente e apenas dois formaram a única coligação daquela disputa. . 1992 e 2008 foram os anos onde houve o maior número de coligações (quatro). dos partidos envolvidos na disputa. Essas questões serão mais bem desenvolvidas na sequência do texto. apenas um não coligou. em 2004. No que tange ao número de listas. no período 1988-2008 Ao excluir-se da análise a eleição de 1988. e quatro o mínimo. o que ocorreu em 1996. nove foi máximo. 2004 e 2008. o que faz com que quatro das cinco listas (1996 e 2008) ou três das quatro (2004) sejam coligações. tem-se 1996 como o ano em que menos coligações foram realizadas. na qual nenhum dos quatro partidos concorreu coligado. apenas uma. Ao inverso. No outro extremo dessa análise.30 1988 PP PDT PMDB DEM 1992 PMDB PSB PTB PSDB DEM PL PDT PCdoB PT 1996 PT PCdoB PP PDT PMDB DEM PSDB PTB PSB PL 2000 PDT PPS PSB PCdoB PT do B PP PMDB PSDB DEM PT 2004 PTB PSDB PT PMDB PL PDT PP PPS 2008 PDT PP PTB PRB PMDB DEM PSDB PPS PT Fonte: Diário Popular e TRE-RS Quadro 7 – Listas que concorreram às eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.

4 25 20 58. 4 9 10 10 8 9 50 Coligados 0 8 2 5 7 8 30 Avulsos 4 1 8 5 1 1 20 % Coligados 0 88.9 60 % Avulsos 100 11. depois.8% das listas foram compostas por uma única legenda e o pleito onde o índice de avulsos foi maior é o de 1988. 58. número e percentual daqueles que disputaram avulsos ou coligados.5 88.8 % Avulsos 100 20 88. no período 1988-2008 Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Total Fonte: Diário Popular e TRE-RS Listas 4 5 9 7 4 5 34 Coligados 0 4 1 2 3 4 14 Avulsos 4 1 8 5 1 1 20 % Coligações 0 80 11. sem importar-se com as legendas participantes. nas eleições para a Câmara de Municipal de Capão do Leão. no período.9 20 50 87. número e percentual de partidos discriminados pela condição em que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.9 71. quando 100% dos concorrentes utilizaram essa estratégia.1 28.6 75 80 41. Os números mostram um crescimento entre 1988-1996 (de quatro para nove). Pode-se ver que.1 80 50 12.31 Tabela 1 – Listas. quando cinco listas se apresentaram aos candidatos. O último aspecto a ser citado é o percentual de listas formadas pela associação de partidos e as avulsas. depois uma tendência de queda nos dois pleitos posteriores (de nove para sete e. Tabela 2 – Número de partidos concorrentes.8 A Tab. Os pleitos responsáveis pelo maior número de listas coligadas (1992 e 2008) foram também aqueles em que o índice de partidos concorrendo de forma avulsa foi menor. para quatro) e um pequeno crescimento no último pleito. quando apenas 20% das listas apresentaram-se dessa forma. 1 mostra a quantidade de listas concorrentes no município e tem a função geral de quantificar fenômenos. no período 1988-2008 Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Total Concor. discriminando partidos quanto a categorias.5 11.1 40 Fonte: Diário Popular e TRE-RS .

pois não apresentou coligações.3 2 2. Tabela 3 . no período 1992-200812 Eleição 1992 1996 2000 2004 2008 Total Fonte: Diário Popular e TRE-RS. aquele referente aos resultados obtidos pelos partidos avulsos e coligações. e não mais às listas. 12 . . 2004 e 2008). concentradas nos pleitos de 1992. Coligações 4 1 2 3 4 14 Partidos 8 2 5 7 8 30 Média 2 2 2. enquanto apenas um não o fez. no entanto. Enfim. nesta o número de partidos que participaram coligados assume a dianteira (30 contra 20). Essa fração. não há um comportamento uniforme dos partidos. em duas oportunidades mais partidos preferiram concorrer como avulsos (1988 e 1996). No próximo capítulo pretende-se explorar outro conjunto de informações. de 1996 e de 2008.32 A Tab. pois todas as demais foram formadas por dois partidos. houve igualdade na escolha da estratégia (2000) e em três a opção majoritária foi por coligar (1992. em uma. O cenário apresenta resultados opostos aos de listas: enquanto na tabela anterior o número de avulsos foi maior. é provocada pelas duas que reuniram três partidos (uma em 2000 e outra em 2004). agora relativamente às legendas. e ajuda a entender a escolha feita pelos partidos quanto a coligar ou não.5 2. Dos seis pleitos analisados. apenas pode-se evidenciar que nas duas disputas mais recentes manifestou-se o mesmo quadro: quase 90% dos partidos (sete e oito. 2 tem a pretensão de indicar os mesmos aspectos. nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.A eleição de 1998 foi excluída da tabela.16 No total. as 14 coligações reuniram 30 partidos. respectivamente) preferiam a aliança. de partidos coligados e média de legendas por coligação. equivalente a 60%.Número de coligações. o que dá uma média de 2.16 por aliança.

houve um baixo número de votos desperdiçados 13: apenas 13 . Para isso. .1 34.Para o cálculo de votos desperdiçados são contabilizados todos os votos nominais não aproveitados. 3.Capítulo 3 – Os Resultados das eleições Neste capítulo pretende-se identificar mais detalhadamente o impacto causado pela estratégia de coligar nas eleições do Capão do Leão. lançaram seus candidatos de maneira avulsa. tanto na majoritária quanto na proporcional. em 1988 Partido PMDB DEM PDT PP Brancos Total Fonte: Diário Popular e TRE-RS Votos 3.2 5. trabalha-se. Pode-se dizer que o reduzido número de partidos e a intenção que todos tinham de conquistar o executivo pesou na escolha. com o resultado das eleições e o percentual de votos não aproveitados.022 3. o voto em branco fosse considerado válido e contribuísse para o aumento do cociente eleitoral. os partidos leonenses resolveram não utilizá-la.0 6.852 Cadeiras 4 3 2 0 9 % votos 34.0 20.4 33. a de 1988.773 548 503 8.1 Distribuição de votos de 1988 a 2008 Tabela 4 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. embora.3 100 Na primeira eleição em que as coligações foram permitidas. naquele pleito. Como resultado. Logo os quatro partidos que se organizaram para aquelas eleições.006 1. inicialmente.7 100 % cadeiras 44.3 22.

34 6. No entanto.7 8. PTB-PSDB. Tabela 5 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.3% dos votos e 44. não conseguiram grande votação com seus candidatos. cinco listas se apresentaram aos eleitores do município nas eleições proporcionais.4%).0 100 % cadeiras 44. pois seus parceiros. enquanto DEM e PDT mantiveram equilíbrio entre quantidade de votos e espaço político obtido. .4% das cadeiras.4 33. cujo percentual de votos e de cadeiras equivaleram-se.3 8. O único partido a concorrer sozinho não conseguiu eleger-se. PCdoB e PSB.2% dos votos nominais dessa eleição não elegeram candidatos.6 21. Entre as quatro coligações. exatamente aqueles atribuídos ao PP (então PDS).509 2.3 22. pois somou cerca de um terço dos votos e conquistou 44.3 0 0 100 Neste pleito. ou seja. em 1992 Partido PTB-PSDB PDT-PCdoB PMDB-PSB DEM-PL PT Brancos Total Fonte: Diário Popular e TRE-RS Votos 3.898 2. a distribuição de cadeiras não prejudicou os chamados partidos grandes.3 26. reflexo do fato de duas listas não terem atingido o cociente eleitoral (DEM-PL e PT). a coligação que mais recebeu votos conseguiu otimizar o espaço político. sendo que quatro delas (80%) reuniam mais de um partido. eram coligações e três obtiveram representação.876 Cadeiras 4 3 2 0 0 0 9 % votos 32.1 3. Os números apontam. um percentual mais elevado de votos desperdiçados do que há quatro anos (11. ainda. O PMDB foi o grande beneficiado do processo eleitoral.4% das cadeiras. haja vista que os partidos mais votados de cada lista (PDT e PMDB) ficaram com a totalidade das cadeiras. respectivamente. Nas coligações. 75% obtiveram sucesso. a exemplo do que ocorrera com o PMDB quatro anos antes: obteve 32.359 882 357 871 10. O mesmo não ocorreu com as outras duas coligações vencedoras (PDT-PCdoB e PMDB-PSB).

a distribuição de vagas seguiu o padrão existente nos dois pleitos anteriores.8 16.09% e ficou a um voto de atingir o quociente eleitoral.165 11. pois não pertencia a uma das listas que ultrapassaram a cláusula de exclusão.7%.794 Cadeiras 4 3 2 0 0 0 0 0 0 0 9 % votos 20.919 1.310 votos.457 1.35 Tabela 6 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.3% dos votos ficou com 33.4 0.1% dos votos válidos.3 4.1 % cadeiras 44. foi premiada com duas cadeiras.3 11.801 1. .O PSDB conquistou 11.309 1.4 33. Édson Ramalho (PSDB). 14 . como aparece na tabela. seis listas não conquistaram cadeiras e os votos nominais desperdiçados atingiram 37. quando este ficou a apenas um voto do cociente eleitoral.0 100.1% dos votos válidos. a segunda mais votada fez três cadeiras e também dobrou o aproveitamento (com 16. mas os partidos que atingiram representação tiveram suas votações supervalorizadas: a lista recordista de votos (PP) conquistou quatro cadeiras e mais do que dobrou o aproveitamento (com 20. ele somou 11. a qual não conseguiu eleger candidatos.3 22. Dr. O candidato.219 712 623 523 66 1.15 Por outro lado. em 1996 Partido PP PDT PMDB PSDB PT-PCdoB PL PTB DEM PSB Brancos Total Fonte: TRE-RS Votos 2. Na realidade. nove listas concorreram e apenas uma coligação foi celebrada (PT-PCdoB).8% dos votos obteve 44. conquistou 830 votos.3% das vagas) e a terceira e última mais votada a conquistar espaço. que foi de 1.Outro aspecto que torna essa eleição única no município é o fato de o candidato individualmente mais votado não conseguir eleger-se. sendo responsável por 63% dos votos de seu partido.3 6.1 10.0 5. incluídos os brancos)14.3 0 0 0 0 0 0 100 Em 1996.6 10.4% das vagas). 15 . Com tantos partidos concorrendo individualmente e frente a uma cláusula de exclusão elevada para os padrões brasileiros (11.3 15.

085 2.3 100. número significativamente menor que o da eleição anterior. três dos cinco garantiram vagas. das quais apenas uma composta por partidos coligados (PDT-PPS).36 Tabela 7 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. o primeiro ficou com as quatro cadeiras a que a coligação tinha direito. o que leva a crer que os partidos pequenos começaram a entender o cálculo de distribuição de cadeiras ou passaram a ter maior poder de barganha.3 22.1 % cadeiras 44. Tabela 8 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.669 4.1 % cadeiras 44.5 6.3 22.9 0.3 11.3 3.7 16.216 1. Já entre os partidos isolados.766 41 13. Quanto ao índice de votos desperdiçados tem-se 18.9 9. em 2000 Partido PDT-PPS PPB PSDB PT PSB-PCdoB-PT do B PMDB DEM Total Fonte: TRE-RS Votos 4.8 19.3 0 100 . Na coligação realizada entre PDT e PPS.4 22.9 18. quatro conseguiram representação.425 2.965 1. Das sete listas concorrentes.251 836 402 13.1 0 0 0 100 No pleito realizado no ano de 2000 duas listas eram formadas por coligações e cinco com partidos avulsos.222 Cadeiras 4 2 2 1 0 0 0 9 % votos 30. pois o partido grande não se viu prejudicado por coligar com um partido de pouca expressão.901 Cadeiras 4 3 2 0 9 % votos 48.8 14. a afirmação da literatura não se confirmou. Novamente.467 2.4 33. muito pelo fato de PPS ter amealhado apenas 23 votos para a chapa.0 100.8%.0 31. em 2004 Partido PDT-PP PMDB-PT-PL PSDB-PTB PPS Total Fonte: TRE-RS Votos 6.

o que também contribuiu para a redução no índice de votos desperdiçados (apenas 0.3%) Das quatro cadeiras conquistadas pela coligação PDT-PP. Apenas PPS concorreu de modo isolado e foi a legenda que não conquistou representação. PDT.861 1. sendo três compostas por coligações. totalizando seis partidos com representação para o mandato seguinte. PT e PL.7 99. o PT ficou com duas das três vagas conquistadas e o PMDB amealhou a outra.9 % cadeiras 33. PMDB e PSDB ficaram com as cadeiras que cada coligação teve direito. intensificando a tendência presente no pleito anterior e que contraria frontalmente o quadro registrado em 1996.9 Esse pleito foi o responsável pelo maior número de listas que conseguiram ultrapassar o cociente eleitoral: todas as cinco chapas que concorreram elegeram. em 2008 Partido PDT-PP PTB-PRB PMDB-DEM PT PSDB-PPS Total Fonte: TRE-RS Votos 4. das quais quatro coligações e uma formada por uma candidatura isolada.164 Cadeiras 3 2 2 1 1 9 % votos 32. . e a outra foi para os progressistas. enquanto PT conseguiu representação por suas próprias forças.9 21. Dos partidos que coligaram. houve redução no número de listas concorrentes para quatro.661 3.2 11.821 1. PTB.1 11.9 13. Desse modo.021 2.3 22. Na coligação entre PMDB. nesta eleição não houve nenhum voto desperdiçado.800 14. três ficaram com o primeiro partido. Tabela 9 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.1 12. quando mais de um terço dos votos foram dados a concorrentes que foram excluídos do rateio de vagas. PSDB e PTB conquistaram uma vaga cada na sua coligação.2 22. que tinha o candidato à reeleição no Executivo.37 No pleito de 2004.1 99.3 19.

PT e DEM. em apenas uma oportunidade. no entanto.2 As Vagas conquistadas por partido e conforme a estratégia adotada Tabela 10 – Número de vagas conquistadas pelos partidos nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. desde então. seguido de PTB e PP. PCdoB. Outra seis participaram dos pleitos sem. PPS e PL. Esses dados levam a considerar PDT e PMDB como os grandes partidos do município. PSDB. como já visto. PSDB e DEM). sete legendas diferentes conquistaram representação: PDT. 10. Os outros cinco partidos que conseguiram representação farão parte do rol de partidos médios (PP. legendas que conquistaram representação a partir dos três pleitos mais recente. ao longo dos seis pleitos analisados. PT do B. PTB. conseguirem eleger um vereador. não obtém espaço pelas urnas. O partido que mais obteve cadeiras foi o PDT. O PMDB aparece em segundo lugar com cerca de 20% dos eleitos (11 vagas). PRB. O DEM figura com três vagas. pois de suas bases saiu um terço dos candidatos eleitos (18 de 54 vagas). O PMDB o fez em cinco pleitos e o ano de 2000 ficou marcado como a primeira e única vez que o partido não conseguiu eleger candidatos. 16 . figuram PT e PSDB (quatro cadeiras cada). PMDB. PP. . PT do B. PPS e PL) nunca conseguiram representação e serão consideradas pequenas. Seis legendas (PSB. PRB. mas nunca conquistaram cadeira: PSB.38 3. PTB. PTB. cada um com 13% (sete cadeiras). pois. PMDB. PT e PSDB tiveram sucesso em três disputas e o DEM. PT. A seguir.Também disputaram pleitos. conquistadas no primeiro pleito analisado. O PDT é o único partido que sempre elegeu candidatos. no período 1988-200816 Partido PDT PMDB PTB PP PSDB PT DEM Total 1988 2 4 0 3 9 1992 3 2 4 0 0 0 9 1996 3 2 0 4 0 0 0 9 2000 4 0 2 2 1 0 9 2004 3 1 1 1 1 2 9 2008 3 2 2 0 1 1 0 9 Total 18 11 7 7 4 4 3 54 Fonte: Diário Popular e TRE-RS Como mostra a Tab. PP. PCdoB.

a tabela padece de uma imprecisão. conforme a condição em que disputou Partido PDT PTB PMDB PT PSDB PP DEM Total Fonte: Diário Popular e TRE-RS Não-coligado 5 6 2 2 6 3 24 Coligado 13 7 5 2 2 1 30 Total 18 7 11 4 4 7 3 54 A Tab. PDT obteve mais vagas ao disputar coligado (13 a cinco). figuram PT e PSDB (duas para cada situação). enquanto o DEM. o que ocorre logo a seguir. conforme a eleição para a Câmara Municipal do Capão do Leão do período 1988-2008 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Total Sit. Em situação de igualdade. quando disputou coligado com outras legendas. Tabela 12 – Número de candidatos eleitos por cada partido e qual a estratégia escolhida.39 Tabela 11 – Número de vagas conquistadas pelos partidos nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. produto da agregação das informações. No entanto. no período 1988-2008. Partido Coligado PDT PTB PMDB PT PSDB PP Subtotal PP PMDB PDT DEM PSDB PT Subtotal Total 0 4 2 3 9 9 3 4 2 9 0 9 0 4 2 3 9 9 4 4 2 2 1 5 9 3 1 1 2 1 1 9 0 9 3 2 2 1 8 1 1 9 13 7 5 2 2 1 30 6 6 5 3 2 2 24 54 Fonte: Diário Popular e TRE-RS Não-coligado . 11 mostra que o PTB só conquistou cadeiras. e PP (seis a um) e PMDB (seis a cinco). quando avulsos. Consegue-se obter uma visão mais precisa se os dados forem discriminados por eleição. apenas nas ocasiões em que não coligou.

40 Os dados sobre o total de cadeiras conquistadas mostram que 44% delas foram para os partidos que disputaram as eleições não-coligados.6 48. apenas o PTB e o DEM elegeram candidatos com uma estratégia: o primeiro elegeu sete vereadores. eles vieram dos nãocoligados e em 1992. também. um amplo número de eleitos vinha de uma categoria apenas./ vaga 0.52 % Não eleitos 25 66. 72.1 0.4% respectivamente quando não-coligados. dos coligados.2% dos eleitos vieram quando o partido estava coligado.0 1. de outro lado.3 30 40 75 55. No PDT. Outro aspecto que deve ser explicitado é que. cinco o fizeram de ambos os modos.7 70 60 25 44.7% e 54. quando cinco vereadores foram amealhados entre os não-coligados e quatro entre os coligados. quando apenas 30% dos concorrentes se elegeram. no período de 1988-2008 Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Total Concor. nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. o PP e o PMDB elegeram 85. Tabela 13 – Número de partidos concorrentes. nos pleitos de 1988 e de 2004. que dos sete partidos que conquistaram representação no município. em 1988.4 1. PT e PSDB apresentam um índice de 50%. quando não-coligados. Entre os partidos que conquistaram cadeiras com ambas as estratégias. de um lado. em 2004 e em 2008. Somente nas eleições de 2000 os números foram semelhantes. O número de partidos eleitos manteve-se . quando coligado em 1992.9 1. em cinco eleições.0 0. ou seja. os democratas elegeram três.4 51.92 Fonte: Diário Popular e TRE-RS A Tab.1 1. a eleição de 1996 como a de menor aproveitamento. quantidade e percentual daqueles que se elegeram ou não. Mostram. Em 1988 e em 1996. 75% dos concorrentes conseguiram representação. 4 9 10 10 8 9 50 Eleitos 3 3 3 4 6 5 24 Não Eleitos 1 6 7 6 2 4 26 % eleitos 75 33. 13 mostra que o número de concorrentes que consegue se eleger é menor do que daqueles que não conseguem. Ao desagregar dados têm-se. eram pertencentes ou aos coligados ou aos não-coligados. em 2004 e em 2008.48 Conc.

4 Fonte: Diário Popular e TRE-RS Ao mudar o foco da análise para o aproveitamento das coligações os resultados são um pouco mais conclusivos: quase 79% das 14 coligações conseguiram representação. e em . no período de 1988-2008 Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Total Coligado 0 3 0 1 6 4 14 Não-Coligado 3 0 3 3 0 1 10 % Coligado 100 25 100 80 58. Em 1988 e em 1996. 100% dos partidos que conseguiram representação o fizeram de forma avulsa. 0 4 1 2 3 4 14 Eleita 0 3 0 1 3 4 11 Não eleita 0 1 1 1 0 0 3 % Eleita 75 50 100 100 78. o número de partidos que conquistaram representação veio totalmente de uma estratégia ou de outra. Tabela 15 – Número e percentual de partidos que conquistaram representação.41 estável em três entre 1988-1996.3 % Não-coligado 100 100 75 20 41. conforme a condição em que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. aumentou nos dois pleitos seguintes de quatro para seis. no período de 19882008 Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Total Coligaç. e caiu para cinco em 2008. Em outros termos. Tabela 14 – Número e percentual de aproveitamento das coligações que disputaram as eleições para a Câmara de Vereadores de Capão do Leão. PT-PCdoB (1996) e PSB-PCdoB-PT do B (2000). apenas três delas não se elegeram: DEM-PL (1992).6 % Não eleita 25 100 50 21.7 Fonte: Diário Popular e TRE-RS Em quatro dos seis pleitos.

38): a probabilidade de mais partidos conseguirem se eleger e não se eleger coligado “derivam do fato de haver muito mais legendas participantes de coligação do que avulso”. conforme a condição em que disputaram as eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. PSDB.4 33. PTB. Por conta desse alerta. é importante analisar a estratégia adotada pelos partidos.5 Fonte: Diário Popular e TRE-RS Os números entre os partidos que não se elegeram mostram um índice de 60% quando eles estavam coligados. no período 1988-2008 Coligado .42 1992 e em 2004 o mesmo índice para os partidos que concorreram coligados.3 28.6 66. PL e PSB DEM e PMDB PPS Não houve Não houve PSDB. PSB. Cond. PSB. como se segue. no período de 1988-2008 Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Total Coligado 0 5 2 4 1 4 16 Não-Coligado 1 1 5 2 1 0 10 % Coligado 83. Lembra-se que em 1988 não houve aliança entre os partidos.7 50 100 61. Não. PRB.Estratégia utilizada pelos partidos que não elegeram candidatos para a Câmara Municipal de Capão do Leão.coligado Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Partido PP PT DEM. PCdoB e PT do B PL PP. DEM e PPS Fonte: Diário Popular e TRE-RS Quadro 8 .5 % Não-coligado 100 16. PCdoB.7 71. A ressalva a ser feita aqui é a mesma encontrada em BARRETO (2009.3 50 38. p. DEM e PL PT e PCdoB PPS. Tabela 16 – Número e percentual de partidos que não se elegeram.

ou seja.Permaneceu.Não Concorreu. F. coligar em todas as oportunidades. o DEM não conseguiu eleger candidatos em quatro das cinco eleições que concorreu. são: PT. Esses dados sinalizam que os partidos trocam de estratégia para tentar eleger candidatos.43 Quanto aos partidos que não conseguiram representação. I – ingressou. Eleição 92-88 92-88 92-88 92-88 92-88 92-88 92-88 96-92 96-92 96-92 96-92 96-92 96-92 96-92 00-96 00-96 00-96 00-96 00-96 00-96 04-00 04-00 08-04 08-04 08-04 08-04 Partido PP DEM PT PSDB PSB PCdoB PL DEM PSDB PTB PL PSB PT PCdoB DEM PMDB PCdoB PSB PPS PT do B PPS PL PP PRB DEM PPS Situação atual NC M I I I I I M M M M M M P P P P M I I M R P I R P Estratégia atual C A C C C C A A A A A C C A A C C C C A C C C C C Resultado anterior F S F F S F F F F F S F F F S F P . sendo que em 50% dessas ocasiões estava coligado. NC . R – Reingressou. PSDB e PSB. M – Mudou.Fracasso Fonte: Diário Popular e TRE-RS Quadro 9 – Estratégias adotadas pelos partidos entre um pleito e outro. nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. Outros partidos que alcançam o índice de 50% de fracasso em cada categoria. mas nem sempre essa mudança produz resultados. S – Sucesso. O PCdoB é o único caso de partido que nunca elegeu candidatos utilizando-se apenas de uma estratégia. no período 1988-2008 .

quando não conseguiram se eleger. Destes. Ao excluir também aqueles partidos que tiveram sucesso na eleição anterior. PMDB e PTB concorreram avulsos e não conseguiram sucesso. PMDB (2000). quase 60% dos partidos que não conseguiram eleger candidatos modificaram suas estratégias. o universo de análise diminui para 12. Em outras palavras. O PTB conseguiu representação em 1992 e modificou a sua estratégia para 1996. PP e DEM estavam coligados. não conseguiu representação. fazendo a leitura de que a estratégia diferente poderia trazer benefícios. e PMDB permaneceu com a estratégia de não coligar. sendo que apenas o primeiro permaneceu com a estratégia do pleito anterior. em 2000. com sete partidos escolhendo modificar a estratégia. .44 Os partidos que tiveram sucesso na eleição anterior e não conseguiram a reeleição foram: PP (2008). quando concorreu avulso. Ao excluir dos dados das categorias “ingressaram” e “reingressaram” temos 16 partidos que tinham como opção modificar ou não modificar a sua estratégia. PTB (1996) e DEM (1992). dos quais nove modificaram. mas.

bem como não se têm como expectativa comparar resultados para definir se as estratégias foram corretas ou se teriam mais sucesso nas urnas se concorressem de outra forma os partidos. poder de veto e de chantagem (DALMORO e FLEISCHER. MAINWARING. já explorado anteriormente. não se tem a intenção de discutir se os partidos deveriam concorrer sozinhos tanto por força de lei quanto por força de vontade própria. De qualquer jeito. Os resultados da simulação e aqueles realmente ocorridos serão comparados. como visto no caso das eleições de 1988 no município. sendo efetividade traduzida como poder de coalizão. 2002) e (2) o índice de votos aproveitados/desperdiçados. O cenário a ser idealizado é aquele no qual os partidos seriam proibidos de usar tal manobra ou. os partidos não escolheriam esse recurso para conseguir se eleger. 2005. 1999. o método utilizado é o de simulações de cenários hipotéticos.Capítulo 4 – Simulação de resultados sem coligações Para definir quais são os efeitos das coligações no que tange à aritmética eleitoral. com base em dois indicadores principais: (1) o número efetivo de partidos. . que mede quantos partidos são importante dentro de uma casa legislativa. SCHMITT.

em 1992.3%) e PCdoB (0.3 0 0 0 0 0 0 100 Na primeira eleição simulada em que houve coligação (1992).3 0.33 22.6%).919 1.801 1.8 16. PDT e PMDB são os únicos partidos a superar a cláusula de exclusão.2 6.9 100 % Cadeiras 44.3 11.0 100 % Cadeiras 44.99 .1 7. respectivamente). que passa de 11.973 848 386 357 356 46 34 871 10. PSDB (3.309 1. caso não houvesse coligação Partido PTB PDT PMDB DEM PSB PT PSDB PCdoB PL Brancos Votos Válidos Fonte: Diário Popular e TRE-RS Votos 3. verifica-se que não há a mudança em nenhuma das cadeiras em relação à disputa efetiva. PTB.44 33. a ausência da coligação amplia significativamente o índice de votos nominais desperdiçados.6 9.3 8. em 1996.3 15.457 1.4% no pleito real para 18.22 0 0 0 0 0 0 0 99.4 33.3 22.852 1.46 Tabela 17 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.3 0.153 2. caso não houvesse coligação Partido PP PDT PMDB PSDB PT PL PTB DEM PCdoB PSB Brancos Votos Válidos Fonte: TRE-RS Votos 2.3 3.4 1.8 3.794 Cadeiras 4 3 2 0 0 0 0 0 0 0 9 %Votos 20.079 712 623 523 140 66 1.2 18.8%. o que mostra que não dependeram dos votos obtidos por seus aliados (PSDB.1 9.5 0.6 3.3 4.876 Cadeiras 4 3 2 0 0 0 0 0 0 9 %Votos 29. Tabela 18 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.5%).0 5. especialmente pelo acréscimo da votação somada pelos parceiros menores das coligações: PSB (3.0 26.165 11. PCdoB e PSB. No entanto.

8 14.222 Cadeiras 4 2 2 1 0 0 0 0 0 0 9 %Votos 30. em 2000. caso não houvesse coligação Partido PDT PP PSDB PT PSB PMDB DEM PT do B PCdoB PPS Votos Válidos Fonte: TRE-RS Votos 4.22 22.2 100 % Cadeiras 44. Desse modo.8 6. PCdoB e PT do B) não haviam conquistado vagas. Tabela 20 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.919 2. somou apenas 23 votos.44 22.6 16.8 5.3 1.9 6.99 Neste pleito.263 2.2 22.0 1. não há mudança na distribuição de cadeiras e o índice de votos desperdiçados sobe apenas 0.47 Em 1996.901 Cadeiras 5 2 2 0 0 0 0 0 9 %Votos 42.6 22.2%. como a única coligação realizada não elegeu nenhum candidato.01 % Cadeiras 55.1 0. a eventual ausência do uso deste recurso por parte das legendas não afeta a distribuição de cadeira entre os partidos ou o índice de votos desperdiçados.467 2. as alterações que seriam provocadas pela ausência da coligação são pequenas.3 3.015 1. que deixaria de estar aliado ao PDT.7 16.965 903 836 402 176 172 23 13. em 2004.22 11. e os outros membros de uma coligação (PSB.4 1.3 0.3 100.216 1.1 9. caso não houvesse coligação Partido PDT PMDB PT PSDB PTB PP PL PPS Votos Válidos Fonte: TRE-RS Votos 5.2 0 0 0 0 0 100 . Tabela 19 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.400 1. isso porque o PPS. quando concorreram unidos.366 750 147 41 13.3 14.7 18.062 2.5 10.11 0 0 0 0 0 0 99.

caso não houvesse coligação Partido PDT PTB PMDB PT PSDB PP PPS PRB DEM Votos Válidos Fonte: TRE-RS Votos 4. pois PSDB.861 1.5 18.435 441 365 256 172 14.4 22.8 19. seriam PSDB e PTB. não haveria mudanças: o primeiro permaneceria com as suas vagas conquistadas e o segundo. Os grandes prejudicados. no entanto. que concorreram unidos. perderia a cadeira. a simulação registra sensíveis diferenças no resultado final do pleito. ao não coligar com o PDT ficaria com uma vaga a mais e a quatro. Nesse sentido.2 100 % Cadeiras 44.2 22.6 1. Sem a parceria com o PP.164 Cadeiras 4 2 2 1 0 0 0 0 0 9 %Votos 29. A mesma variação pode ser identificada no índice de votos desperdiçados.1 0 0 0 0 0 99. em 2008. ao desmancharem a coligação que rendeu uma vaga para cada.1 2.7 13. assim como ocorreu em 2004. que passa de irrisórios 0. em razão da escassa votação (256 votos).8 1.1 10. respectivamente. Novamente. Logo.220 2. o PDT ganharia duas vagas e ficaria com cinco.649 1.1 3. observa-se que o fato de estarem aliados foi fundamental para ambos.9 A simulação relativa a 2008 identifica alterações dignas de destaque. os grandes prejudicados foram PDT e PMDB. pois não atingiria o cociente eleitoral. Outro dado importante é a diminuição do número de partidos representados de seis para três. Para PTB e PRB. que não atingiria o cociente eleitoral e perderia a cadeira que conquistou. PP e PTB conseguiram eleger candidatos graças ao fato de estarem coligados.3% para 26.48 Em 2004. ficariam na cláusula de exclusão. ao não coligar com o PPS. que passaria de uma para duas cadeiras. como quatro das cinco listas concorrentes originais eram coligações.2 11. Essa vaga seria obtida do PSDB que.765 2. que deixaram de ganhar duas e uma cadeiras.7% Tabela 21 – Resultado das eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. pois. Algo semelhante ocorreria com PMDB. não ultrapassaria o cociente eleitoral e continuaria sem .

No pleito mais recente. O mesmo vale para a aliança PMDB-DEM. elas passariam para PDT (duas) e PMDB. em 2004. os votos não aproveitados ou excluídos chegariam a 18. obtida pelo PSDB por meio de coligação. o PSDB se uniu a um pequeno partido (PPS) e conseguiu representação. Partido PMDB PDT PTB PP PT PSDB Real 1 3 1 1 2 1 2004 Simulado 2 5 2 - Dif. com suas votações próprias. Em 2008. . o PDT. apesar de terem sido beneficiados. não teriam direito e. sem alianças. dois destes três partidos (PTB e PSDB) não utilizaram os votos de grandes partidos para conseguirem representação. No total. no período 1988-2008 O Quadro 10 sintetiza o impacto da coligação na distribuição de cadeiras entre os partidos. O outro partido a ser beneficiado. ao contrário. que não amealhou nenhuma cadeira na disputa efetiva. Lembra-se que no pleito oficial o índice foi zero. que rendeu duas vagas ao primeiro: ao disputarem isolados. três vagas foram realocadas: PTB. ficaria na cláusula de exclusão. no período 1988-2008. e PSDB (duas) PTB e PP cederiam vagas.8%. houve uma realocação: o PDT ganharia uma vagas. caso as coligações não ocorressem. PP e PSDB ficaram com vagas que. uniram-se e ambos saíram vencedores. Desse modo. para conquistar a representação em 2004. Dessa forma. Em 2004. A eventual ausência de aliança entre os partidos mostrou-se efetiva e teve um impacto maior nessa distribuição nos dois pleitos mais recentes. o PP. o PMDB manteria suas cadeiras e o DEM. +1 +2 -1 -1 = -1 Real 2 3 2 1 1 2008 Simulado 2 4 2 1 - Dif.49 representação. o PDT teria três cadeiras a mais e o PMDB uma. = +1 = = = -1 Quadro 10 – Comparação entre o resultado oficial da distribuição de cadeiras e a simulação sem coligações nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão. Reflexo da ausência de coligações. verifica-se que a ausência de coligação modificaria a distribuição de uma vaga. aproveitou-se das forças de um partido grande. que passaria do PP para o PDT.

uma vez que na simulação de cenários. no período 1988-2008 .8 0. O mesmo não pode ser dito quanto ao número de cadeiras conquistadas por cada partido como foi visto anteriormente.50 Tabela 22 – Número de vagas conquistadas pelos partidos nas eleições para a Câmara Municipal de Capão do Leão.7 18. eles ficariam respectivamente com três e uma cadeiras a mais caso não houvesse coligações. O PT e o DEM manteriam seus níveis. caso não houvesse coligação Partido PDT PMDB PTB PP PSDB PT DEM Total 1988 2 4 0 3 9 1992 3 2 4 0 0 0 9 1996 3 2 0 4 0 0 0 9 2000 4 0 2 2 1 0 9 2004 5 2 0 0 2 9 2008 4 2 2 0 1 0 9 Total 21 12 6 6 2 4 3 54 Fonte: Diário Popular e TRE-RS O primeiro aspecto a ser enfatizado é que os mesmos sete partidos que conseguiram representação no resultado oficial conseguiriam eleger candidatos se não houvesse nenhum tipo de aliança. PTB e PP perderiam uma cadeira cada e o PSDB perderia duas cadeiras.7 20. foram os prejudicados pelas coligações. pois os grandes partidos PDT e o PMDB.2 11. Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Fonte: Diário Popular e TRE-RS Desperdício 6.7 18.8 37. Dessa forma. As conclusões encontradas na bibliografia quanto ao tamanho dos partidos foi a mesma identificada no trabalho.2 18.4 37.3 0 Sem coligação 6.8 Quadro 11 – Votos nominais não aproveitados nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão. aqueles que elegeram o Prefeito e fizeram as maiores bancadas. no período 1988-2008.0 26. o fato de coligar ou não coligar não prejudicou nenhum partido nesse aspecto.

Como as cadeiras foram realocadas apenas nas duas últimas eleições.0 3.4 (-) 1.0 partidos efetivos e.0 4.51 Outro efeito que as coligações provocam – sistematizado pelo Quadro 11 – é a redução no percentual de votos não aproveitados ou desperdiçados.0 3. mais votos são aproveitados. a aliança entre partidos é um mecanismo utilizado pelas legendas que sabem a dificuldade oriunda do fato de o cociente eleitoral. . respectivamente). Em todos os pleitos em que elas foram adotadas. em 2008. com exceção de 1996. É o que se viu nos pleitos de 2004 e 2008. Ao inverso. em razão do fato de quase todos os concorrentes serem coligações que atingiram o cociente eleitoral.7% e 18.0 Diferença = = = = (-) 0.0. no período 1988-2008. que quanto mais coligações existem e mais elas têm participação no total de listas concorrentes e de cadeiras obtidas. em que os índices de votos que ficaram na cláusula de exclusão foram irrisórios (0.3% e zero.4 3. os índices sobem a níveis significativos (26.2 Sem coligação 3. de 5.4 4. respectivamente). Os resultados encontrados no trabalho referendaram a bibliografia sobre o tema: com a ausência de coligações que obtenham cadeiras. operar como cláusula de exclusão. calculado em seu nível mais elevado.4 para 3. mais votos são desperdiçados.2 para 4.4 3. ainda. o número de partidos efetivos nas legislaturas diminuiria especificamente em 2004 e em 2008. Quando é simulada a inexistência de alianças nesses pleitos. tal como informa a Ciência Política. É destacável.4 5.8%. No primeiro pleito o índice cai de 3. Eleição 1988 1992 1996 2000 2004 2008 Fonte: Diário Popular e TRE-RS NEP 3.4 3. a diferença foi sensível. especialmente porque.2 Quadro 12 – Número efetivo de partidos nas eleições para a Câmara Municipal do Capão do Leão. o número efetivo de partidos se altera somente nessas.4 4. quanto mais as coligações existentes são desmanchadas e os partidos concorrem isoladamente.4 3.

Partindo para os resultados alcançados. Analisando esses dados quanto ao tamanho dos partidos temos que nunca um .4%. 14 eram coligações (42.7% se elegeu. com 18 cadeiras.Conclusão O objetivo principal do trabalho foi verificar o impacto das coligações eleitorais na representação política do município. PTB. Dos 50 partidos. Isso significa que dos 30 partidos que participaram de coligação. das 34 listas participantes. em especial na distribuição de cadeiras entre os partidos e o aproveitamento de votos dos eleitores. as coligações foram utilizadas por 60% dos concorrentes. bem como efeitos que ela produz no sistema partidário. as quais reuniram 30 partidos (média de 2. a maioria. não há diferença significativa entre as duas estratégias no que tange à representação.4% com partidos avulsos. No total. pois 11 das 14 conquistaram vaga (78. e 24 ou 44. sete partidos obtiveram representação nesses 20 anos: PDT. PSDB e DEM. o que se explica pelo fato de haver mais concorrentes coligados do que avulsos. O segundo capítulo apresentou os participantes dos pleitos e mostrou que. ficou com as coligações. o aproveitamento das coligações é mais elevado. Ou seja. De outra forma. dos quais 14 estavam coligados. das 54 cadeiras distribuídas nos seis pleitos. dos 20 que participaram. PMDB. 10 se elegeram (50%). o recordista. PP. conforme as afirmações da bibliografia especializada. Dentre os nãocoligados. 24 ou 48% foram eleitos. No entanto. As três coligações que não conseguiram representação no município foram compostas por DEM/PL (1992). No primeiro capítulo foram apresentados os principais incentivos que levam os partidos a adotarem tal estratégia.2%). PT.16 por aliança). 46. 30 ou 55. PT-PCdoB (1996) e PSB-PT do B-PCdoB (2000).6%).

2%. Para analisar os impactos três índices propostos pela literatura foram testados: a realocação de cadeiras. ou seja. pois em quatro dos cinco pleitos nos quais as coligações foram utilizadas o índice de votos aproveitados por aqueles que se elegeram sempre cresceu. Destes. os grandes partidos do município. o PTB e o DEM modificaram a estratégia da eleição em que haviam conquistado sucesso. preferiram coligar mesmo sabendo que poderiam vir a perder cadeiras. quando o PTB estava coligado em 1992 e os democratas não estavam coligados em 1988. de outra forma. 7. para agrupar força em outra frente. Em 2004 e em 2008 os índices obtiveram a maior alta (26. Esse método tem como proposta quantificar a força eleitoral do partido. No pleito de 1992.8%. a disputa ao pleito majoritário. Quais. Em duas das três vezes. coligados e os peemedebistas avulsos. PMDB (2000). Outra análise interessante refere-se aos partidos que tiveram sucesso num pleito. Na mesma medida. mais especificamente.4% mais votos foram arrebatados por listas que se elegeram. Os outros dois casos são de partidos que continuaram com suas estratégias de 2004 e 1996. ou seja. respectivamente PP e PMDB. O que se diz sobre as coligações quanto a esses três índices foi confirmado pelo trabalho. o número efetivo de partidos encontra no trabalho os mesmos resultados apontados pela bibliografia. a coligação interfere na distribuição de cadeiras. PDT e PMDB foram os únicos que ganhariam cadeiras caso as coligações não fossem permitidas. Por fim. o índice de votos desperdiçados e o número efetivo de partidos. o índice foi o mais baixo de 1. PTB (1996) e DEM (1992).4% e 18. A única coligação envolvendo apenas pequenos partidos não conseguiu representação. respectivamente). beneficiando algumas legendas e prejudicando outras. O quarto capítulo teve como enfoque a simulação do cenário onde as coligações não fossem permitidas. os progressistas continuaram . essa metodologia está interessada em saber quais partidos souberam aproveitar melhor as regras do jogo para conseguir representação.53 partido grande deixou de participar de uma coligação vencedora. Em 2000. as coligações produzem um maior aproveitamento de votos nominais. quais seja a ausência de coligações diminui Nesse caso. havia um partido médio unido a um pequeno partido. mas no pleito posterior não conseguiram eleger candidatos. Os partidos que tiveram sucesso na eleição anterior e não conseguiram a reeleição foram: PP (2008).

3 para 4.54 esse índice. nesses dois pleitos. de 3. da mesma forma. Enquanto no primeiro pleito citado a queda é pequena.4 para 3. . Tal qual a realocação de cadeiras se deu somente nos pleitos de 2004 e 2008.0 partidos efetivos.0 partidos efetivos. o número de partidos efetivos diminuiria. em 2008 o índice desce de 5.

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