SIMULAÇÃO DE SISTEMAS DE COGERAÇÃO

Silvio Seiti Shimizu –

IC
E-mail: silvio03@h8.ita.br
Marcelo J.S. De-Lemos -

PQ

Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Divisão de Engenharia Mecânica-Aeronáutica
Departamento de Energia
Pça. Mal. Eduardo Gomes, n
o
50, Vila das Acácias
CEP: 12228-901, S. José dos Campos – SP

Resumo. A finalidade desse trabalho é analisar ciclos termodinâmicos com extração de vapor com
auxílio do programa IPSEPro [4]. A princípio, foi analisado um ciclo simples de cogeração. A
análise desse mesmo ciclo já foi efetuada como trabalho de iniciação científica onde o autor
utilizou os programas Mathcad 7.0 [6] e Interactive Thermodynamics [5] para determinar os
parâmetros do ciclo. Comparando os resultados dos programas IPSEPro, Mathcad 7.0 e
Interactive Thermodynamics com o resultado teórico calculado é possível verificar qual programa
possui algoritmo mais eficaz. Devido às funções de interpolação das tabelas de propriedades
termodinâmicas da água, percebe-se que os resultados encontrados com os programas IPSEPro e
Interactive Thermodynamics são próximos pois esses já possuem as funções de interpolação
inseridas em seus algoritmos. Já no Mathcad fez-se necessário gerar tais funções. Comparando
com o valor teórico, o qual teve como base para as interpolações termodinâmicas das propriedades
da água a tabela encontrada no Van Wylen [1] , em termos qualitativos os programas IPSEPro e
Interactive Thermodynamics tiveram melhor resultados do que o Mathcad 7.

Abstract. The purpose of this paper is to analyze thermodynamics cycles with extraction using the
IPSEPro system simulation tool. In principle, only a specific cogeneration cycle was analyzed. The
analysis of this same cycle has already been worked out by another author who used Mathcad 7.0
and Interactive Thermodynamics program tools. By comparing the cycle parameters obtained with
IPSEPro, Mathcad 7.0 and Interactive Thermodynamics program against theoretical results, it’s
possible to verify which program has the most powerful algorithm Due to the use of interpolating
functions of thermodynamic steam tables, results found with IPSEPro and Interactive
Thermodynamics codes are closer because they were obtained with similar interpolation functions
existing in the codes. When using the Mathcad computational platform, a few additional functions
are necessary. Comparing them all results with theoretical values, obtained by using steam tables of
Van Wylen [1], one can say that IPSEPro and Interactive Thermodynamics gave results closer to
the theory than using the Mathcad 7 approach.

1. INTRODUÇÃO
O Brasil possui um forte potencial hidroelétrico estimado em 286,8 GW. Em 1998, 185,8 GW
estavam sendo utilizados. Atualmente o Brasil vive um período de escassez de energia elétrica e uma
das alternativas seria aumentar a produção de energia gerada em hidroelétricas. No entanto, os
impactos ambientais e sociais devido à construção de hidroelétricas são substanciais, além de ser um
empreendimento que requer um alto investimento inicial.
Uma alternativa interessante para o Brasil é a cogeração de energia através da queima de
biomassa, mais particularmente de resíduos e bagaço de cana-de-açúcar. A proposta de cogeração é
interessante também devido à fragilidade em que o sistema de transmissão brasileiro se encontra,
deixando o usuário isento dos possíveis problemas de “blackout”.
O objetivo desse trabalho é analisar sistemas de cogeração com auxílio do programa IPSEPro. Para
realizar tal tarefa o autor começou simulando ciclos termodinâmicos simples com a finalidade de se
familiarizar com o programa. Nesse artigo é apresentada a análise de um sistema de cogeração
simples, o qual já foi analisado em outro trabalho de iniciação científica, Perote [3], a análise de um
ciclo Brayton e parte de um ciclo combinado.


2. COGERAÇÃO – DEFINIÇÃO E RETROSPECTIVA HISTÓRICA
Cogeração de energia pode ser definida como um processo termodinâmico no qual ocorre a
produção simultânea e seqüencial de energia elétrica ou mecânica, e energia térmica útil, a partir de
uma única fonte de energia. Ou seja, além da energia elétrica ou mecânica, ocorre o aproveitamento
para fins úteis, de parte da energia térmica rejeitada, através de um sistema de recuperação de calor.
Os primeiros sistemas de cogeração apareceram no começo do século XX quando o fornecimento
de energia elétrica pelas grandes centrais ainda era raro, o que obrigava aos consumidores de médio e
grande porte gerar toda energia elétrica necessária em seus processos de produção. Essa situação
perdurou até a década de 40 fazendo com que os sistemas de cogeração representassem 50% da
produção de energia elétrica dos EUA.
Com a proliferação das grandes centrais, a energia elétrica tornou-se barata e abundante, fazendo
com que os sistemas de cogeração perdessem importância. Tal impacto resultou que no início da
década de 70, a energia elétrica gerada por sistemas de cogeração caísse para 3% da produção elétrica
norte-americana.
No entanto esse quadro mudou com o primeiro choque do petróleo em 1973 e foi reforçado com o
segundo choque em 1978. Diversos países criaram programas para reduzir o consumo e a dependência
do petróleo importado.

3. PROGRAMA IPSEPro
O IPSEPro [4] é constituído de dois módulos principais: o MDK (Model Development Kit) e o
PSE (Process Simulation Environment).
Com o PSE, o usuário monta seu ciclo baseado em componentes pré-definidos ou criados com
Model Development Kit numa biblioteca. O ciclo é montado selecionando os componentes do menu e
colocando-os numa janela e interligando-os da maneira desejada. Logo após é inserido os dados dos
componentes e através de métodos matemáticos robustos o programa garante cálculos rápidos e
exatos.

4. CICLO DE COGERAÇÃO

Figura 1 - Ciclo de cogeração analisado para comparação
A figura 1 apresenta o ciclo de cogeração em estudo atribuindo um número a cada parte deste
ciclo. Assim quando for mencionado h
1
, significa que se faz referência à entalpia do ponto 1.
As hipóteses consideradas foram que o escoamento está em regime permanente e que há ausência
de perda de calor nas tubulações ou componentes do sistema.
Ocorre a extração de 10% do vapor antes de entrar na turbina, ou seja, para a válvula de expansão,
e de 70% (em relação à vazão mássica do ponto 1) do vapor após o primeiro estágio da turbina na
pressão de 500kPa.
Dados:
MPa P 5
1
= ; kPa P P 500
5 4
= = ; kPa P 200
6
= ; C T º 700
1
=


5. RESULTADOS E DISCUSSÃO DO CICLO DE COGERAÇÃO

Em todos os casos é feita a análise onde Mpa P 0 , 5
1
= e C T º 700
1
= .
Tabela 1 - Resultados da análise do ciclo de cogeração
T
1

(ºC)
h
1

(kJ/kg)
h
5

(kJ/kg)
h
6

(kJ/kg)

c
Q
(kW)

F
Q
(kW)

P
Q
(kW)
s
1

(kJ/kgK)

T
W
(kW)
ε
U

Teórico 700 3900,1 3088,23 2640,6 6407,7 49059 30594,2 7,5 12303,1 0,869
Mathcad 7 700 3900 2975 2879 7123 48400 29400 7,522 12780 0,853
Interactive
Thermodynamics
700 3900 3094 2873 7104 49300 30700 7,511 11500 0,856
IPSEPro 700 3900,5 3094,9 2873,4 7060,4 49257,3 30739,1 7,513 11606,6 0,857

Os resultados para os programas Mathcad 7 e Interactive Thermodynamics fazem parte do trabalho
de iniciação científica do aluno de graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica: Perote [3].
A figura 2 apresenta o layout de saída dos resultados do programa IPSEPro para o ciclo de
cogeração apresentado na figura 1.

Calor Condens. 7060.4234 kW
Calor Gerador 49257.2647 kW
Calor Processo 30739.0501 kW
Ciclo de Cogeração Básico
Trabalho Liq. 11606.6031 kW
mass[kg/s] h[kJ/kg]
p[bar] t[°C]
1.153e+004 1.087e+004
640.19 12.03
5 151.86
640.19 12.03
5 151.86
3900.5 15
50 700
645.11 12.03
50 152.36
3195.4 12.03
5 363.15
3094.9 10.53
5 314.69
3900.5 1.5
5 688.31
616.64 15
50 145.72
501.29 2.97
50 118.62
496.19 2.97
2 118.21
2873.4 2.97
2 201.32
3094.9 2.97
5 314.69
3094.9 13.5
5 314.69
3900.5 13.5
50 700
3900.5 1.5
50 700
3900.5 15
50 700


Figura 2 - Sistema de cogeração analisado com o programa IPSEPro

A Tabela (2) apresenta os desvios das propriedades segundo a seguinte fórmula:
100 ×

=
teórico
programa teórico
V
V V
Percentual

onde V
teórico
é o valor da propriedade calculada teoricamente e V
programa
é o valor da propriedade
calculada com auxílio ou do Mathcad 7, ou do Interactive Thermodynamics, ou do IPSEPro.


Tabela 2. Desvio entre os valores obtidos com os programas em relação ao valor teórico

Mathcad 7.0 Interactive
Thermodynamics
IPSEPro
h
1
(kJ/kg) 0,003% 0,003% 0,013%
h
5
(kJ/kg) 3,67% 0,19% 0,22%
h
6
(kJ/kg) 9,01% 8,8% 8,82%
C
Q

(kW)
11,16% 10,87% 10,19%

F
Q

(kW)
1,34% 0,49% 0,4%
P
Q

(kW)
3,9% 0,35% 0,47%
S
1
(kJ/kgK) 0,29% 0,15% 0,17%
T W

(kW)
3,88% 6,53% 5,66%
ε
U
1,84% 1,5% 1,38%

O autor Perote [3] atribui os desvios dos resultados, obtidos com os programas Mathcad 7.0 e
Interactive Thermodynamics, aos métodos de interpolação utilizados nos cálculos das propriedades
termodinâmica da água.
Observa-se que o método de interpolação utilizado pelo programa IPSEPro produz resultados
próximos aos obtidos com o Interactive Thermodynamics. Pode-se atribuir essa proximidade ao fato
de que ambos, IPSEPro e Interactive Thermodynamics, já possuem funções de interpolações inseridas
em seus algoritmos enquanto o Mathcad fez-se necessário desenvolver funções termodinâmicas nas
tabelas de propriedades da água.
De modo geral, em termos qualitativos, os resultados dos programas Interactive Thermodynamics
e IPSEPro foram melhores mas em termos quantitativos o programa IPSEPro foi muito melhor do que
os demais. Basta observar a figura 2 e ver a quantidade de dados fornecidos pelo programa.

6. CICLO DE POTÊNCIA A GÁS OU CICLO BRAYTON

Nas seções anteriores o fluido operante nos ciclos era vapor d´água. Nesta seção será analisado um
ciclo de potência a gás para verificar a eficiência e flexibilidade do programa IPSEPro quando o fluido
operante é um outro que não seja o vapor d´água.
Em cursos de graduação adota-se o fluido operante como gás ideal para simplificar o estudo dos
ciclos de potência a gás. Com essa restrição se tem a entalpia como função somente da temperatura.
Mas no caso do programa IPSEPro, essa restrição não é necessária pois seu algoritmo permite a
análise de ciclos operantes com quaisquer tipos de gases. A definição de qual gás é o fluido operante
se faz inserindo a proporção dos componentes químicos do gás.

Figura 3 - Fluidos operantes no ciclo de potência a gás
Na figura 3 está ilustrado o ciclo de potência a gás em estudo. Nota-se que o ciclo é aberto e
composto de um compressor, um combustor, uma turbina e um gerador.
Nota-se também a existência de três fluidos operantes no ciclo em estudo. Há a presença de ar, gás
e gás de exaustão. A mistura de gás mais ar é queimada no combustor e o produto da queima (gás de
exaustão) impulsiona a turbina.

mass[ kg/ s] h[kJ/kg]
p[bar] t[°C]
1453.5 12.24
19.97 1237.2
476.5 12
20 457.64
42.522 0.2424
25 20
594.66 12.24
1.03 542.96
20.215 12
1 20

Figura 4 - Resultados do ciclo de potência a gás analisado pelo programa IPSEPro
7. RESFRIAMENTO DOS GASES DE EXAUSTÃO DA TURBINA A GÁS DO CICLO
BRAYTON

Geralmente os gases de exaustão da turbina a gás saem a uma alta temperatura. Se esse gás fosse
liberado para atmosfera nessa condição, haveria o desperdício de energia térmica. Para evitar tal
desperdício retira-se parte desse excesso de energia térmica fazendo com que os gases de exaustão
passem por trocadores de calor aquecendo a água refrigerante.


Figura 5 - Refrigeração dos gases de exaustão do ciclo Brayton

Na figura 5 se tem o mesmo ciclo Brayton analisado na seção 6 com a diferença de direcionamento
dos gases de exaustão para trocadores de calor. Nota-se que os gases de exaustão na saída da turbina se
encontra a 548,06ºC, uma temperatura elevada, e logo depois de passar pelos trocadores de calor está a
130ºC, uma temperatura menor e menos agressiva ao ambiente. O mais importante é notar que a água
refrigerante entra a uma temperatura de 25,454ºC e sai a 440ºC. Isso significa que na saída se tem
vapor de água invés de água líquida. Portanto se pode acoplar um ciclo Rankini produzindo energia
através desse vapor de água. Dessa forma se tem um ciclo combinado.


8. Conclusão

A escolha do programa IPSEPro para a análise de sistemas de cogeração, nesse trabalho, se
justifica pela qualidade e quantidade dos resultados obtidos por tal programa.
As dificuldades encontradas pelo autor na análise do ciclo de cogeração foram:
• Simular um “aquecedor para processo” pois esse objeto não se encontrava na biblioteca do
programa;
• Acertar certos parâmetros os quais o programa considerava redundante;
• Garantir que na saída do “aquecedor para processo” o líquido fosse saturado.
O problema de simular um “aquecedor para processo” foi resolvido colocando em série um mixer
(misturador) e um heat_sink (absorvedor de calor).
Para eliminar parâmetros os quais o programa considerava redundante foi necessário acrescentar
um conector (conector) logo após o gerador de vapor.
E para garantir que na saída do “aquecedor para processo” o líquido fosse saturado, foi necessário
acrescentar um x_prescription (denomina propriedades do vapor) antes da bomba 2.
O programa também obriga o usuário a acrescentar um consumidor de energia, no caso deste
trabalho foi um generator (gerador), no caso da interligação de duas turbinas via shaft (eixo).
As dificuldades encontradas na simulação do ciclo Brayton foram:
• Ou definir a razão de mistura na câmara de combustão ou definir a temperatura de saída
dos gases da câmara de combustão;
• Mensagens de warning referentes à composição do gás de exaustão.
Na verdade não se pode chamar a primeira opção como um problema. Foi necessário decidir qual
dos parâmetros fixar e se fez à escolha de definir a razão de mistura na câmara de combustão pelo fato
de que essa escolha necessita estimar menos parâmetros.
As mensagens de warning foram eliminadas definindo limites para cada componente do gás de
exaustão.
Sugestões de trabalhos posteriores seria a análise de um ciclo combinado conforme citado na seção
7. Pode-se também criar novos componentes não só na área de termodinâmica, mas em mecânica dos
fluidos simulando perdas de carga e em outras áreas. Basicamente esses novos modelos tem por base a
conservação de massa e de energia.

AGRADECIMENTOS

Os autores são gratos ao CNPq pelo auxílio financeiro durante a preparação deste trabalho. O 1º
autor deseja expressar o seu agradecimento ao seu professor orientador Marcelo J.S. de Lemos, à
TecWare Consultoria em Sistemas Ltda, à Simtech Simulation Technoly e ao amigo José Albery
Perote Filho.

REFERÊNCIAS

1. Van Wylen, G., Sonntag, R., Borgnakke, C., Fundamentos da Termodinâmica Clássica, 1973,
Tradução da 4ª Ed. Americana, Ed. Edgard Blücher, São Paulo, Brasil.
2. Wilkinson, B. W., Barnes, R. W., Cogeneration of Electricity and Useful Heat, 1
st
Edition, CRC
Press, Boca Raton, Florida, EUA.
3. Perote, J.A., Saboya, S.M., Simulação de ciclos com cogeração, Anais do VII ENCITA, São José
dos Campos, pp. 235-240, 2000.
4. IPSEPro Process Simulator – Process Simulation Environment, 1999, Sim Tech – Simulation
Technology, version 3.1.001.
5. Interactive Thermodynamics, User’s Guide, 1998, New York
6. Mathcad 7 User’s Guide, 1997, MathSoft.Inc., Cambridge, Massachussets.

INFLU NCIA DA OROSIDADE E DA ERMEABILIDADE DE ALETAS
OROSAS NO ESCOAMENTO EM REGIME LAMINAR E TURBULENTO EM
CANAL ENTRE LACAS

Luzia A. Tofaneli

(PG)
Marcelo J.S. De-Lemos

(PQ)
Departamento de Energia – IEME
Instituto Tecnoló gico de Aeroná utica – ITA, 12228-900 – Sã o José dos campos – SP – Brasil
e-mail ltofa@ mec.ita.br, e-mail: delemos@ mec.ita.br

RESUMO
Neste trabalho s o apresentadas solu es num ricas para o escoamento em um canal
contendo obst culos porosos na forma de aletas. A condi o de periodicidade espacial ao
longo do dom nio de c lculo empregada. As equa es do movimento e continuidade de
massa s o integradas em um volume de controle elementar representativo acarretando em
um nico con unto de equa es governantes. tanto para o meio limpo quanto para o meio
poroso. Estas equa es s o discretizadas pelo m todo de volume de controle e para o
tratamento do acoplamento press o-velocidade. o algoritmo SIMPLE foi utilizado. A
condi o de salto na tens o de cisalhamento considerada na interface entre o meio limpo e
o meio poroso. S o apresentados resultados para o campo de velocidade e press o em fun o
da porosidade. permeabilidade e espessura das aletas porosas.

ABSTRACT
In this work. numerical solutions are presented for laminar flow in a channel finned with
porous material. The condition of spatiallv periodic cell is applied longitudinallv along the
channel. The equations of movement and mass continuitv are written for an elementarv
representative volume vielding a set of equations valid for the entire computational domain.
These equations are discretized using the control volume method and the resulting svstem of
algebraic equations is relaxed with the SIMPLE method. Results are presented for the
velocitv field as a function of the porositv and permeabilitv of the fins.

1.INTRODU O

O escoamento no entorno da interface entre um meio desobstruí do e um permeá vel ocorre em
inú meras situaç õ es de natureza prá tica, como em poç os de petró leo, sobre florestas e vegetaç õ es e em
equipamentos industriais diversos. Nos trabalhos de Ochoa-Tapia & Whitaker [1], [2] foi proposto um
coeficiente ajustá vel de salto da tensã o cisalhante para o escoamento no entorno da interface entre o
meio limpo e o meio poroso. K uznetsov [3], [4] e [5] fez investigaç õ es analí ticas da influê ncia da
condiç ã o de salto da tensã o cisalhante na interface em canais parcialmente preenchido com material
poroso
Motivados pela importâ ncia desta classe de escoamentos, De Lemos & Pedras, [6] e [7]
desenvolveram um modelo macroscó pico de duas equaç õ es para o tratamento de meios contendo uma
matriz porosa. Na literatura, soluç õ es numé ricas que contemplem o salto da tensã o cisalhante nos
obstá culos porosos sã o ainda em nú mero reduzido. Recentemente, Silva & De Lemos [8], [9] e [10],
apresentaram simulaç õ es numé ricas para escoamento laminar e turbulento em meio hí brido levando
em conta esta mesma diferenç a da tensã o em ambos os lados da interface.
Com base no exposto, este trabalho apresenta soluç õ es numé ricas para o escoamento em um canal
aletado com um material poroso onde sã o verificados os efeitos de duas propriedades do meio: a
permeabilidade e a porosidade. Aqui se faz uma extensã o do trabalho de Tofaneli & De Lemos [11],
onde a metodologia desenvolvida para meios hí bridos em Rocamora & De Lemos [12], foi també m
empregada.



2. MODELAGEM MATEM TICA

Nesta seç ã o é apresentado o modelo matemá tico para o escoamento em um canal contendo
obstruç ã o porosa. A Figura 1) ilustra a geometria analisada onde é a distâ ncia entre as paredes, L
comprimento do canal,
2
l
e h a espessura e altura da aleta, respectivamente.

v
L
1 = φ
x
H
D
u 1 0 < < φ 1 0 < < φ
2
l
h
2
l
h
Fronteira do dominio
computacional

Figura 1: Geometria analisada. Canal aletado e cé lula perió dica.

As equaç õ es que governam o escoamento do fluido, para este caso sã o:

Equaç ã o da continuidade:

0 = ⋅ ∇ D u (1)

Equaç ã o de quantidade de movimento:

( )

+ − + |
.
|

\
|
〉 〈 − ⋅ ∇ + ∇ + 〉 〈 −∇ =

|
|
.
|

\
|
⋅ ∇ +


K
u u c
u
K
g u u u p
u u
t
u
D D
F
D
i
D
i D D D
φρ
µφ
φρ ρφ µ φ
φ
ρ
' ' 2
(2)


onde o tensor de Reynolds macroscó pico e dado por:

I k D u u
i J
t
i
〉 〈 − 〉 〈 = 〉 〈 − φρ µ ρφ
φ
3
2
2
' '
(3)

e o tensor deformaç ã o é dado por:

( ) [ ]

〉 〈 ∇ + 〉 〈 ∇ = 〉 〈
T
i i J
u u D φ φ
2
1
(4)

Aqui ,
φ
µ
t
expressa a viscosidade turbulenta dada por:

i
i
t
k
f C
〉 〈
〉 〈
=
ε
ρ µ
µ µ
φ
2
(5)

Equaç ã o da energia ciné tica turbulenta:

( ) ( ) ( )
i
D
k
D
i
i
k
t
i
D
i
K
u k
C u u u
k k u k
t
〉 〈 − + ∇ 〉 〈 −

〉 〈 ∇
|
|
.
|

\
|
+ ⋅ ∇ =

〉 〈 ⋅ ∇ + 〉 〈


ε ρφ
φ
ρ ρ
φ
σ
µ
µ φ ρ
φ
φ
:
' '
(6)

onde
k
C e
k
σ sã o constantes adimensionais.

Taxa de dissipaç ã o de energia ciné tica turbulenta:

( ) ( ) ( )
( )
i
i
D
k
i
i
D
i
i
t
i
D
i
k
f C
K
u
C f C
k
u u u C
u
t
2
2 2 2 2
' '
1
:
ε
ρφ
φε
ρ
ε
ρ
ε φ
σ
µ
µ ε ε φ ρ
φ
ε
φ
− +
〉 〈
〉 〈
∇ 〉 〈 − +

〉 〈 ∇
|
|
.
|

\
|
+ ⋅ ∇ =

〉 〈 ⋅ ∇ + 〉 〈


(7)

onde
1
C ,
2
C e
ε
σ sã o constantes. Aqui
i
〉 〈ε representa a mé dia intrí nseca da taxa de dissipaç ã o de
energia ciné tica de turbulê ncia.

2.1. CONDI ES DE INTERFACE E DE CONTORNO

A equaç ã o que descreve o salto da tensã o cisalhante na interface entre o meio limpo e o meio
poroso, proposta por Ochoa-Tapia & Whitaker [1], [2] é dada por:

erface
D
D D
ef
u
K
u u
int 1 1
ε
ε ε
µ
β
η
µ
η
µ
φ φ
=





= ≠
(8)

onde
ξ
D
u é o componente da velocidade de Darcy paralela a interface alinhada com a direç ã o normal
ξ e normal à direç ã o η ,
ef
µ é a viscosidade efetiva para a regiã o porosa , µ é a viscosidade
dinâ mica do fluido, K é a permeabilidade do meio poroso e β é um coeficiente admensional
ajustá vel na representaç ã o do salto da tensã o cisalhamento na interface.
També m sã o utilizadas as condiç õ es de continuidade da velocidade, da pressã o, da energia ciné tica
de turbulê ncia, k e sua dissipaç ã o, ε e, dos fluxos difusivos de k e ε .

1 1 = ≠
=
φ φ
D D u u (9)

1 1 = ≠
〉 〈 = 〉 〈
φ φ
i i
p p (10)


1 1 = ≠
〉 〈 = 〉 〈
φ φ
v v
k k (11)

1
1
=


〉 ∂〈
|
|
.
|

\
|
+ =

〉 ∂〈
|
|
.
|

\
|
+
φ
φ
σ
µ
µ
σ
µ
µ
φ
v
k
v
k
v
k
t
v
k
t
(12)

1 1 = ≠
〉 〈 = 〉 〈
φ φ
ε ε
v v
(13)

1
1
=


〉 ∂〈
|
|
.
|

\
|
+ =

〉 ∂〈
|
|
.
|

\
|
+
φ
ε
φ
ε
ε
σ
µ
µ
ε
σ
µ
µ
φ
v v
v
t
v
t
(14)

( ) ( ) ( )
erface
D
t
D
t
D
t ef i
p p
u
K
v
u
v
u
int
1 1
β
µ µ µ µ µ µ
φ φ
φ
+ =


+ −


+
= ≠
(15)

As condiç õ es de contorno de (9) ,(10) foram propostas por Ochoa-Tapia & Whitaker [1],
propuseram as equaç õ es (11) e (14), assumindo continuidade de k e ε .
O domí nio computacional mostrado na Figura 1, de comprimento L e altura , corresponde a
uma cé lula espacialmente perió dica ao longo da coordenada x . Neste trabalho, a condiç ã o de
periodicidade espacial foi aplicada ao longo desta coordenada. Os valores inicialmente impostos na
entrada em 0 = x eram subseqü entemente substituí dos pelos valores na saí da, em L x = , num
processo repetitivo até que ambas as posiç õ es, no iní cio e no fim da cé lula perió dica, apresentassem
idê nticos perfis para todas as variá veis do problema.

3. RESULTADOS E DISCUSS O

O efeito da permeabilidade do material da aleta é mostrado na Figura (2). Para figura (2a) temos
que para maiores valores de K , o fluido permeia com maior facilidade atravé s do material poroso. O
aumento da vazã o má ssica para h v < é claramente observado na Figura.
A figura (2b) mostra o efeito da permeabilidade do material da aleta no perfil de velocidade mé dia
para
5
10 Re =

, nota-se que para maiores valores da permeabilidade K , o fluido permeia com maior
facilidade atravé s do material poroso, tendo em vista que a vazã o má ssica atravé s do canal é a mesma
para todas as curvas, o incremento da velocidade pela aleta porosa reduz a vazã o má ssica pela regiã o
desobstruí da de espessura H-h.
A Figura (3) mostra a influê ncia do valor de φ no perfil de velocidade longitudinal para L x = . Na
figura (3a) mostra que para um material com maior porosidade, a vazã o má ssica atravé s deste meio é
aumentada, reduzindo, portanto, a quantidade de fluido que atravessa a regiã o limpa (v h). A figura
(3b) mostra o efeito da porosidade do material da aleta na velocidade
D
u para 32000 Re =

, embora
nã o se tenha variado substancialmente a porosidade, observa-se que para uma permeabilidade baixa
nã o há uma influê ncia apreciá vel do valor da porosidade no padrã o do escoamento.


Figura 2: Efeito da permeabilidade para o campo de velocidade na saí da do canal, 9 , 0 = φ para a
aleta, a) escoamento laminar, b) escoamento turbulento.

Figura 3: Efeito da porosidade para o campo de velocidade na saí da do canal,
2 7
10 2 m K

× = para a
aleta, a) escoamento laminar, b) escoamento turbulento.

4. CONCLUS ES

Este trabalho apresentou resultados para a soluç ã o numé rica do escoamento em um canal contendo
obstruç ã o porosa. Foram considerados os efeitos da permeabilidade e da porosidade do material das
aletas, para escoamento laminar e turbulento.A discretizaç ã o das equaç õ es governantes utilizou o
mé todo de volumes finitos e para o tratamento do acoplamento pressã o-velocidade, o algoritmo
SIMPLE foi utilizado.Para escoamento laminar observamos que para aletas mais porosas e mais
permeá veis observou-se o aumento da vazã o má ssica atravé s do material poroso.Para escoamento
turbulento os resultados indicaram que o efeito da condiç ã o de salto nas caracterí sticas do escoamento
tem a influê ncia nos perfis de velocidade, acarretando em ú ltima aná lise na modificaç ã o dos valores de
K dentro do canal..
A vantagem tecnoló gica na aplicaç ã o dos resultados aqui apresentados consiste na obtenç ã o de um
sistema aletado que apresente uma menor perda de carga para uma mesma vazã o má ssica. A utilizaç ã o
de materiais permeá veis pode contribuir para este fim. Possivelmente, tais sistemas podem manter ou

×
β φ

×

×

×

×
β φ

×

×

×

×
β ×

φ
φ
φ

×
β ×

φ
φ
φ
a) b)
a) b)

até mesmo reduzir a perda de carga atravé s de todo o canal para uma mesma carga té rmica transferida.
Em ú ltima aná lise, é neste aspecto que o presente trabalho apresenta potencial para aplicaç õ es futuras.

AGRADECIMENTOS

Os autores sã o gratos ao CNPq pelo suporte financeiro durante a preparaç ã o deste trabalho.

REFER NCIAS

[1] Ocho-Tapia, J. A., Whitaker, S.,“ Momentum transfer at the boundary between a porous medium
and a homogeneous fluid-I” . Theoretical development, International Journal of Heat and Mass
Transfer, vol. 38, pp. 2635-2646, 1 5a.
[2] Ochoa-Tapia, J. A., Whitaker, S.,“ Momentum transfer at the boundary between a porous medium
and a homogeneous fluid-II” . Comparison with experiment, International Journal of Heat and
Mass Transfer, vol 38, pp.2647-2655, 1 5 .
[3] K uznetsov, A. V.,“ Analytical Investigation of the Fluid Flow in the Interface Region between a
Porous Medium and a Clear Fluid in Channels Partially with a Porous Medium” . Applied
Scientific Research, vol.56, pp.53-56, 1 6.
[4] K uznetsov, A. V.,“ Influence of the Stress Jump Condition at the Porous-Medium/Clear-Fluid
Interface on a Flow at a Porous Wall” . International Communications in Heat and Mass
Transfer, vol.24, pp.401-410, 1 7.
[5] K uznetsov, A. V., “ Fluid Mechanics and Transfer in the Interface Region between a Porous
Medium and a Fluid Layer: A Boundary Layer Solution” . Journal of Porous Media, vol.2(3),
pp.309-321, 1 .
[6] De Lemos, M.J.S., Pedras, M. H. J.,“ Simulation of Turbulent Flow Through Hybrid Porous
Mé dium Clear Fluid Domains” , Proc. of IMECE2000-ASME-Intern. Mech. Eng. Congr.,
ASME-HTD-366-5, pp. 113-122, IBSN:0-7918-1908-6, Orlando Florida, November 5-10,
2000 .
[7] De Lemos, M.J.S., Pedras, M. H. J.,“ Recent Mathematical Models For Turbulent Flow In
Saturated Rigid Poroua Media” , Journal of Fluids Engineering, vol. 123, n.4 (in press), 2001.
[8] Silva, R. A., de Lemos, M.J.S., “ Escoamento Laminar em um Canal Parcialmente Preenchido com
Material Poroso” (em CD-ROM) COBEM2001, Uberlâ ndia-MG, 2001a.
[9] Silva, R. A., de Lemos, M.J.S., “ Numerical Treatment of the Stress Jump Interface Condition for
Laminar Flow in a Channel Containing a Porous Layer” , (submitted), Numerical Heat Transfer,
PartA, 2001 .
[10] Silva, R. A., de Lemos, M.J.S., “ Turbulent Flow over a Porous Layer Considering the Shear Stress
Jump at the Interface” (submitted), International Journal Heat Mass and Transfer, 2001 .
[11] Tofaneli, L. A., de Lemos, M.J.S., “ Escoamento Laminar em Regiã o Espacialmente Perió dica em
Canal Contendo Obstruç ã o Porosa” , CONEM2002, Joã o Pessoa-PA, 2002.
[12] Rocamora Jr., F. D., de Lemos, M.J.S.,“ Prediction of Velocity and Temperature Profiles for
Hibrid Porous Medium-Clear Fluid Domains” , Proc.of CONEM2000 – National Mechanical
Engineering Congress (on CD-ROM), Natal, Rio Grande do Norte, Brazil, August 7-11, 2000a.
[13] Rocamora Jr., F. D., de Lemos, M.J.S.,“ Laminar Recirculating Flow And Transfer In Hybrid De
Lemos, M.J.S., Pedras, M. H. J.,“ Modeling Turbulence Phenomena in Incompressible Flow
Through Saturated Porous Media” , Proc. of 34
th
ASME-National Transfer Conference (on CD-
ROM), ASME-HTD-I463CD, Paper NHTC2000-12120, ISBN:0-7918-1997-3, Pittsburgh,
Pennsylvania, August 20-22, 2002a.

E ES SC CO OA AM ME EN NT TO O L LA AM MI IN NA AR R E EM M U UM M C CA AN NA AL L C CO ON NT TE EN ND DO O M ME EI IO O O OR RO OS SO O – – U UM MA A
A AB BO OR RD DA AG GE EM M M MI IC CR RO OS SC C I IC CA A

Renato A. Silva
1
(PG)
Marcelo J.S. de Lemos
2
(PQ)
Laborató rio de Computaç ã o em Fenô menos de Transporte - LCFT
Departamento de Energia – IEME
Instituto Tecnoló gico de Aeroná utica – ITA, 12228-900 – Sã o José dos Campos – SP - Brasil
1
e-mail: renatoas@ mec.ita.br,
2
e-mail: delemos@ mec.ita.br

RESUMO
Neste trabalho a matriz porosa foi modelada como sendo formada por um arran o
peri dico de hastes cil ndricas. Pretende-se. assim. mapear o comportamento das
propriedades do escoamento. As equa es que governam o escoamento s o numericamente
resolvidas na fase l quida ao redor das hastes s lidas. As equa es que governam o
escoamento s o discretizadas pelo m todo de volumes finitos e o sistema de equa es
alg bricas obtido resolvido pelo m todo SIP. Para o acoplamento press o-velocidade o
algoritmo SIMPLE utilizado. Os resultados num ricos indicam coer ncia.

ABSTRACT
In this work the porous matrix was modeled as an arrav of cvlindrical rods. It is intended.
with that. to investigate the behavior of the properties of the flow. The governv equations are
numericallv solved in the liquid phase around the solid rods. The equations that govern the
flow are discretized bv control volume method and the obtained svstems of algebraic equation
are solved bv the method SIP. For the pressure-velocitv coupling SIMPLE method is applied.
The numerical results indicate coherence of the calculated pressure and velocitv fields.

1. INTRODU O

Em funç ã o da ampla aplicaç ã o envolvendo o escoamento de fluidos em meios que sã o compostos
por meio limpo e uma matriz porosa, em diversos setores da indú stria e no meio ambiente, observou-
se, nas ú ltimas dé cadas, um interesse crescente de vá rios pesquisadores no sentido de descrever com
sucesso este tipo de escoamento. Vá rios sistemas de engenharia podem ser modelados por estruturas
compostas de uma regiã o limpa e um material poroso atravé s do qual o fluido penetra. Camada limite
atmosfé rica sobre florestas e, vazamento de contaminantes atravé s do subsolo até os lenç ó is freá ticos
sã o alguns exemplos da grande importâ ncia dos escoamentos ambientais que podem ser beneficiados
por um tratamento matemá tico adequado.
Recentemente, nos trabalhos [1], [2], [3], [4], [5], [6] e [7] foram apresentadas soluç õ es numé ricas
levando em consideraç ã o a condiç ã o de salto da tensã o de cisalhamento na interface entre o meio
limpo e o meio poroso, com e sem o termo nã o-linear de Forchheimer, com e sem zonas de
recirculaç ã o e, com e sem condiç ã o de periodicidade espacial para um meio poroso macroscó pico.
Com base no exposto, este trabalho estende os desenvolvimentos anteriores para o campo
microscó pico onde o meio poroso e considerado como formado por hastes cilí ndricas. A metodologia
numé rica utilizada é apresentada em [8] e [9].

2. GEOMETRIA E EQUA ES GOVERNANTES

O escoamento sob consideraç ã o é esquematizado na Fig. (1), onde a ilustraç ã o mostra a ampliaç ã o
de uma seç ã o de um canal contendo um obstá culo poroso onde é avaliado o campo de pressã o e
velocidade. As propriedades do escoamento sã o consideradas constantes. A fluido entra pela face
esquerda e permeia atravé s da regiã o limpa e dos obstá culos. O caso na Fig. (1) usa condiç ã o de
contorno de nã o-escorregamento na parede sul, de simetria na parede norte, velocidade preescrita na
entrada e, periodicidade espacial ao longo de x .


v
x
0,6L
L
D
u
0,275L
simetria






Figura 1. Escoamento em um canal contendo obstá culos só lidos.
L/10

A equaç ã o de continuidade microscó pica para um fluido incompressí vel escoando num meio
limpo é expressa por:

0 = ⋅ ∇
D
u (1)

A equaç ã o de momentum microscó pica (Navier-Stokes), para um fluido com ρ e µ constantes
escoando em regime permanente e, desprezando as forç as campo, pode ser escrita como:

u u u
2
) ( ∇ + −∇ = ⋅ ∇ µ ρ p (2)

3. M TODO NUM RICO

As equaç õ es (1) e (2) acima, sujeitas à s condiç õ es de contorno, foram discretizadas para um
domí nio bidimensional, em coordenadas generalizadas. Ainda, a discretizaç ã o das equaç õ es usa um
sistema de coordenadas generalizadas para uma generalizaç ã o ainda maior. O mé todo de volumes
finitos foi empregado na discretizaç ã o e, para o tratamento do acoplamento pressã o-velocidade, o
algoritmo SIMPLE foi utilizado { [10]} .

Figura 2: Notaç ã o e volume de controle.

A Figura 2 representa um volume de controle tí pico juntamente com o sistema de coordenadas
generalizadas η-ξ. A forma geral discretizada da equaç ã o de conservaç ã o bidimensional de uma
propriedade qualquer ϕ , em regime permanente, pode ser dada por,

ϕ
S I I I I
s n w e
= + + + (3)

onde
e
I ,
w
I ,
n
I e
s
I representam, respectivamente, os fluxos totais (convecç ã o e difusã o) de ϕ nas
faces leste, oeste, norte e sul do volume de controle, e
ϕ
S o termo fonte.
Sempre que o termo fonte for dependente de
i
〉 〈ϕ será linearizado da seguinte forma:

∗ ∗ ∗
+ 〉 〈 ≈
ϕ ϕ ϕ
ϕ S S S
i
P
(4)

Os termos fonte nas equaç õ es de momentum para a direç ã o x sã o dados por:

x
P P s P n P w P e
S S S S S S
x x x x x
+ − + − =
∗ ∗ ∗ ∗ ∗
) ( ) ( ) ( ) ( (5)

x
line − ξ
line − ξ
line η−
e
v
ξ

e
v
η

n
v
ξ

n
v
η

P
E
N
ne
se
sw
nw
e
s
n
w
e
x
ξ

e
x
η

n
x
ξ

n
x
η

y
→ →
= i i

→ →
= i
2

n
A

e
A
line η −


onde
x
S

é a parte difusiva tratada de forma explí cita.
Similarmente, para a equaç ã o de momentum na direç ã o v tê m-se,

v
P P s P n P w P e
S S S S S S
v v v v v
+ − + − =
∗ ∗ ∗ ∗ ∗
) ( ) ( ) ( ) ( (6)

4. RESULTADOS E DISCUSS O

Nas Figs. (3a) e (3b) sã o apresentados os campos de pressã o adimensional e o campo de
velocidade. Para o campo de pressã o, verifica-se, como esperado um valor maior pressã o atrá s do
obstá culo e conseqü entemente um valor menor à frente do obstá culo, devido ao descolamento da
camada limite e conseqü entemente formaç ã o de uma regiã o de baixa pressã o.

9.93E-01
9.41E-01
8.90E-01
8.38E-01
7.86E-01
7.34E-01
6.82E-01
6.30E-01
5.78E-01
5.26E-01
4.74E-01
4.22E-01
3.70E-01
3.18E-01
2.66E-01
2.14E-01
1.62E-01
1.10E-01
5.85E-02
6.58E-03

Figura 3: Campo de pressã o adimensional










min max
min
p p
p p
a), Campo de velocidade [m/s] u , b).

A Fig. (3b) mostra a aceleraç ã o causada no escoamento devido à contraç ã o ocasionada pelas
hastes cilí ndricas onde D
p
=5×10
-2
m e, para regiã o distante dos obstá culos uma velocidade uniforme,
isto é , nã o perturbado, devido à distâ ncia dos obstá culos; apresentando uma situaç ã o de escoamento
livre.

a) b)
Dp

Figura 4: Perfil de velocidade na posiç ã o
20
L
x = , a) e na saí da do canal, b).

Na Fig. (4a) e (4b) observam-se picos entre os obstá culos só lidos, este comportamento é devido à
contraç ã o causada pelas hastes cilí ndricas ocasionando uma aceleraç ã o no escoamento e
conseqü entemente um maior fluxo de massa nessa regiã o como ilustrado na Fig. (3b).
O valor da queda de pressã o mé dia apresentada na Fig. (4b) é obtida da seguinte forma:
( )

− = ∆
t
A
s e
t
dv p p
A
p
1
onde
t
A é a á rea da seç ã o transversal do canal,
e
p é a pressã o na entrada e
s
p
é a pressã o na saí da do canal.

5. CONCLUS O

Os resultados mostraram um campo coerente de velocidade e pressã o corroborando a eficá cia do
có digo computacional utilizado. També m eficaz foi o mé todo empregado para resoluç ã o de
escoamentos em canais contendo mú ltiplos obstá culos só lidos. Futuramente serã o realizadas
comparaç õ es com resultados da literatura afim de se obter uma validaç ã o mais completa.

AGRADECIMENTOS

Os autores sã o gratos à FAPESP e ao CNPq pelo suporte financeiro durante a preparaç ã o deste
trabalho.

REFER NCIAS

[1] Silva, R.A., de Lemos, M.J.S., “ Escoamento Laminar em um Canal Parcialmente Preenchido
Com Material Poroso” , Anais do X VI Congresso Brasileiro de Engenharia Mecâ nica (em
CD-ROM), Uberlâ ndia-MG, Brasil, 2001.
[2] Silva, R.A., de Lemos, M.J.S., “ Escoamento Laminar em um Canal com Material Poroso
usando o Modelo Nã o-Linear de Forchheimer e a Condiç ã o de Salto na Interface” . Anais do
II Congresso Nacional de Engenharia Mecâ nica. Joã o Pessoa– PB, Brasil, 12-16 de agosto,
2002a.
[3] Silva, R.A., de Lemos, M.J.S., “ Escoamento Turbulento em um Canal Contendo Obstá culo
Poroso Levando em Consideraç ã o o Salto da Tensã o Cisalhante na Interface” . ENCIT2002 -
0 0.2 0.4 0.6
0.0x10
0
1.0x10
-3
2.0x10
-3
3.0x10
-3
4.0x10
-3
Malha: 42×257, Re
L
=1×10
3
Microscó pico - posiç ã o x=L/20
a)
u [m/s]
y [m] 0 0.2 0.4 0.6
0.0x10
0
1.0x10
-3
2.0x10
-3
3.0x10
-3
Malha: 42×257, Re
L
=1×10
3
∆p=9,94×10
-7
N/m
2
, microscó pico - saí da do canal
b)
u [m/s]
y [m]
IX Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciê ncias Té rmicas, Paper CIT02-0252 (aceito para
apresentaç ã o). Caxambu-MG, Brasil, 13-18 de outubro, 2002 .
[4] Silva, R.A., de Lemos, M.J.S., “ Numerical Study of Shear Jump Coefficient for Laminar Flow
in a Channel” (in press), Numerical Heat Transfer, 2002 .
[5] Silva, R.A., de Lemos, M.J.S., “ Escoamento Turbulento em um Canal contendo Obstá culo
Poroso impondo uma Condiç ã o de Periodicidade Espacial” . ETT2002 - III Escola de
Transiç ã o Turbulê ncia, Florianó polis-SC, Brasil, 23-27 de setembro (submetido para
apresentaç ã o), 2002d.
[6] de Lemos, M.J.S., Silva, R.A., “ Numerical Treatment of Stress Jump Interface Condition for
Laminar Flow in a Channel Partially Filled with a Porous Material” , Proceedings of ASME
FEDSM’ 02 – Fluids Engineering Division Summer Meeting, Montreal, Quebec, Canada,
July 14-18, 2002a.
[7] de Lemos, M.J.S., Silva, R.A., “ Simulation of Turbulent Flow in a Channel Partially Occupied
by a Porous Layer Considering the Stress Jump at the Interface” , Proceedings of ASME
FEDSM’ 02 – Fluids Engineering Division Summer Meeting, Montreal, Quebec, Canada,
July 14-18, 2002 .
[8] Pedras, M.H.J., de Lemos, M.J.S., “ On the Definition of Turbulent K inetic Energy for Flow in
Porous Media” , Int. Comm. In Heat & Mass Transfer, Vol. 27 (2), pp. 211-220, 2000.
[9] Rocamora Jr., F.D., de Lemos, M.J.S., “ Heat Transfer In Suddenly Expanded Flow in a
Channel With Porous Inserts” , Proc of IMECE200 – ASME – Intern. Mech. Eng. Congr.,
ASME-HTD-366-5, pp. 191-195, ISBN 0-7918-1908-6, Orlando, Florida, November 5-10,
2000.
[10] Patankar, S.V., “ Numerical Heat Transfer and Fluid Flow” , Hemisphere, New Y ork, 1 0.


CONVEC O NATURAL EM REGIME LAMINAR E TURBULENTO EM
CAVIDADE CONTENDO MATERIAL OROSO

Viviani Tagliari Magro, (PG)
Marcelo J.S. De-Lemos, (PQ)
Departamento de Energia - IEME
Instituto Tecnologico da aeronautica – ITA
12228-900 – Sã o José dos Campos - SP - Brasil
e-mail: delemos@ mec.ita.br

RESUMO. Neste trabalho sã o apresentados resultados para o campo hidrodinâ mico e té rmico para a convecç ã o
natural laminar e turbulenta em cavidades contendo material poroso. As equaç õ es microscó picas do escoamento
laminar e turbulento sã o integradas em um volume elementar representativo para se obter equaç õ es
macroscó picas vá lidas també m no domí nio poroso. Um ú nico conjunto de equaç õ es é entã o discretizado e a
soluç ã o do sistema de equaç õ es algé bricas obtido seguem o mé todo SIMPLE. A intensidade da corrente
convectiva atravé s da matriz porosa é observada com o aumento do nú mero de Raleigh. A existê ncia de uma fina
camada limite pró ximas à s paredes de toda a cavidade é detectada assim como a estratificaç ã o do campo de
temperaturas para Ra 10
9
.

ABSTRACT. This work presents numerical solutions for flow and heat transfer in square cavities partiallv
obstructed with porous material. The microscopic flow and energv equations are integrated in a representative
elementarv volume in order to obtain a set of equations valid in both the clear flow region and in the porous
matrix. A unique set of equations is discretized with the control volume method and solved with the SIMPLE
algorithm. Enhancement of convective currents within the porous substrate is detected as Ra increases. Thin
boundarv lavers along the cavitv wall and stratification of the thermal field are observed for Ra ≥
9
.

1. INTRODU O

A aná lise de escoamentos em convecç ã o natural é um problema que atualmente recebe considerá vel atenç ã o
de muitos pesquisadores em vá rios campos de aplicaç ã o. A construç ã o de fornos, coletores solares, dispositivos
de isolamento de reator nucleares e a determinaç ã o das exigê ncias para isolamento de cabine de aeronave sã o
alguns exemplos de tais aplicaç õ es.
Neste trabalho o tratamento macroscó pico é utilizado na obtenç ã o de soluç õ es numé ricas em regime
permanente para um domí nio hí brido, i.e., meio poroso-meio limpo, para escoamentos laminares e turbulentos
em cavidade quadrada e entre placas planas preenchidas parcialmente com um meio poroso homogê neo Na
equaç ã o da energia é considerada a condiç ã o de equilí brio té rmico entre o fluido e a matriz porosa.
O problema considerado é mostrado esquematicamente na Figura 1, e é referente ao escoamento
bidimensional de um fluido em uma cavidade quadrada de altura H e largura L, parcialmente preenchida com
material poroso. O caso das cavidades com o meio poroso na vertical consideram temperaturas constantes nas
faces esquerdas, T
H,
e direita, T
C
, sendo T
H
> T
C
. Para cavidades com meio poroso na horizontal, as temperaturas
T
H
e T
C
sã o aplicadas à s faces abaixo e acima, respectivamente. As outras duas paredes, em todos os casos, sã o
isoladas.
T
H
T
C
dT/dy=0
dT/dy=0
g
y
x
H
L

Figura 1- Cavidades parcialmente preenchidas com material poroso

T
H
T
C
dT/dy=0 dT/dy=0
g
y
x
H
L
T
H
T
C
dT/dy=0
dT/dy=0
g
y
x
H
L
(a) (b) (c)
Em Magro & de-Lemos [1] o escoamento e a transferê ncia de calor na cavidade da Figura 1-a,b foi
investigado. Naquele trabalho o efeito do nú mero de Rayleigh e o tratamento da interface localizada em x=L/2
foram objetos de aná lise. Lá , empregou-se o tratamento proposto em Ochoa-Tapia & Whitake [2] para a
interface. Posteriormente, em Magro & de-Lemos [3] é complementada a investigaç ã o anterior, levando-se
entã o em consideraç ã o os efeitos de porosidade e de permeabilidade da regiã o porosa, e em Magro & de-Lemos
[4] foi analisado regime turbulento para a cavidade da Figura 1-c, para os mesmos casos dos trabalhos
anteriores.
A condiç ã o de nã o deslizamento é aplicada para a velocidade em todas as quatro paredes das cavidade. O
escoamento resultante da diferenç a de temperatura imposta é dependente do nú mero de Rayleigh definido como
να
β T L g
Ra

3
, onde g é a gravidade,

β é o coeficiente de expansã o volumé trica do fluido, ν é a
viscosidade cinemá tica, α a difusividade té rmica e T= T
H
- T
C
.

Figure 2– Malhas empregadas: a) Malha 50x50 refinada nas paredes, b) malha 50x50 regular.

2. MODELAGEM MATEM TICA

2.1. Equa es de Transporte e Constitutivas

O modelo matemá tico aqui empregado tem sua origem nos trabalhos de Pedras & de-Lemos [5] para o
campo hidrodinâ mico e Rocamora & de-Lemos [6] para o campo té rmico. A consideraç ã o de forç as de empuxo
foi abordada nos trabalhos de Braga & de-Lemos [7], [8], [9], [10] e [11] e a implementaç ã o da condiç ã o de
“ salto” na interface foi considerada em Silva & de-Lemos [12] baseada na teoria proposta em Ochoa-Tapia &
Whitaker [2]. Portanto, estas equaç õ es serã o aqui apenas reproduzidas e maiores detalhes sobre as suas
derivaç õ es podem ser obtidos nos trabalhos citados. Estas equaç õ es sã o:
a) Equaç ã o Macroscó pica da Continuidade
0
D
u (1)
onde a relaç ã o de Dupuit -Forchheimer,
i
D
u u φ , foi usada e
i
u identifica a mé dia intrí nseca (na fase
l quida) da velocidade local u .
b) Equaç ã o Macroscó pica da Quantidade de Movimento



K
c
K
T T g
p
t
D D F
D ref
i
ref
i
D
i D D D
u u
u
u u u
u u u
| |

2
ρ φ µφ
φ β ρ
ρφ µ φ
φ
ρ
φ
(2)
onde
I D u u
v i
t
i
k ρ φ µ ρφ
φ
3
2
2 (3)
e



T
i i v
u u D φ φ
2
1
(4)
(a)
(b)
é o tensor de deformaç ã o macroscó pico, 2
i i
k u u é a mé dia intrí nseca da energia ciné tica de
turbulê ncia, k, e

t
, é a viscosidade turbulenta, a qual é modelada semelhantemente ao caso de escoamento de
meio limpo em Pedras & de-Lemos [5] como,

i
i
t
k
c

ε
ρ µ
µ
φ
2

As equaç õ es de transporte para as variá veis macroscó picas
i
k e sua taxa de dissipaç ã o
ρ µ ε
i T i
u : u sã o també m propostas em Pedras & de-Lemos [5] como:

i i
k
i i i
k
t
i
D
i
G G P k k k
t

ε ρφ φ
σ
µ
µ φ ρ
φ
u (5)

i i
k
i i
i
i
i
t
i
D
i
c G c c G c P c
k t


ε ρφ
ε
ε φ
σ
µ
µ ε ε φ ρ
ε
φ
2 3 1 2 1
u (6)
onde c
1
, c
2
, c
3
and c
k
sã o constantes,
D
i i
P u u u ρ e
K
k
C G
D
i
k
i
| | u

φ
ρ sã o as taxas de produç ã o
de
i
k devido ao gradiente de
D
u à aç ã o da matriz porosa, respectivamente e
i
k
G representa a taxa
macroscó pica de geraç ã o de
i
k devido ao termo de empuxo na fase lí quida. Uma proposta para este termo foi
apresentada no trabalho de Braga & de-Lemos [11] e pode ser escrita como,
v
T
g G
i
T
t
i
k

φ
β
σ
ν
φ
φ
(7)
onde o sí mbolo
φ
ν
t
expressa viscosidade cinemá tica macroscó pica turbulenta,
f t t
ρ µ ν
φ φ
,

é a mé dia
volumé trica do coeficiente de expansã o volumé trica e σ
T
é uma constante.

c) Equaç ã o Macroscó pica de Energia.
De um modo semelhante, aplicando a mé dia temporal e volumé trica nas equaç õ es da energia microscó pica,
para o fluido e para a matriz porosa, duas equaç õ es surgem. Assumindo entã o a hipó tese de Equi rio T rmi o
Lo a , a qual considera
i i
s
i
f
T T T e somando s duas equaç õ es obtidas, tem-se (veja Braga & de-
Lemos ([7], [8], [9] [10] e [11] para detalhes)),


i
eff
i
D
f
p
i
s
p
f
p
T T c
t
T
c c

u ρ φ ρ φ ρ 1 (8)
onde

eff
=
t disp disp t tor s f
k k
,
) 1 ( I φ φ (9)
é o tensor condutividade efetiva.
Na interface, as condiç õ es de continuidade da velocidade, da pressã o, da energia ciné tica de turbulê ncia, k
e sua dissipaç ã o, ε e, dos fluxos difusivos de k e ε , sã dadas por,
1 1 0

φ φ
D D
u u (10)
1 1 0

φ φ
i i
p p (11)
1 1 0

φ φ
v v
k k (12)
1
1 0
) ( ) (

φ
φ
σ
µ
µ
σ
µ
µ
φ
v
k
v
k
v
k
t
v
k
t
(13)





1 1 0

φ φ
ε ε
v v
(14)
1
1 0
) ( ) (

φ
ε
φ
ε
ε
σ
µ
µ
ε
σ
µ
µ
φ
v v
v
t
v
t
(15)

3. RESULTADOS E DISCUSS O


(a) (b) (c) (d)
Figure 3- Efeito do nú mero de Ra nas linhas de corrente, malha 50x50 regular,a) Ra=10
3
, b)Ra=10
4
, c)Ra=10
5
,d)Ra=10
6


A
Figure 3 mostra o efeito do nú mero de Ra no campo hidrodinâ mico para ambas as regiõ es limpa e porosa. A
Figura claramente indica o aumento de intensidade de recirculaç ã o no meio limpo com o aumento de Ra. É
també m verificado a ausê ncia de escoamento intenso na regiã o porosa, conforme esperado.


















Figure 4 - Efeito do nú mero de Ra nas linhas de corrente para malha 50x50 refinada, . 0 β , φ =0,8,
K =8,88 10
-6
m
2
, Ra=10
3
, Ra=10
4
, Ra=10
5
, Ra=10
6
, Ra=10
7
, Ra=10
8
, Ra=10
9
, Ra=10
10
.













(a) (b)
Figure 5- Efeito de Ra no campo de velocidade vertical; a) laminar; b) turbulento






A Figura 4 mostra o efeito do nú mero de Rayleigh no campo hidrodinâ mico para ambas as regiõ es limpa e
porosa. Nota-se que para um baixo nú mero de Rayle igh, a baixa intensidade das forç as de empuxo provoca
escoamento apenas na regiã o limpa. A partir de Ra> 10
6
, o escoamento começ a a adentrar a regiã o porosa,
tornando-se mais intenso com o aumento de Ra. Para Ra> 10
7
, torna-se claro a existê ncia de uma camada limite
tanto na face direita (meio limpo) quanto no contato do meio poroso com a parede esquerda. Para Ra=10
10
,
embora o centro da zona de recirculaç ã o ainda seja na regiã o limpa, há uma apreciá vel corrente convectiva
atravé s da matriz porosa.
(a) (b) (c)
Figure 6- Efeito Porosidade no campo de temperatura, β =0, malha 50x50regular, Ra=10
6
a) φ =0.2, b) φ =0.5, c) φ =0.9

A Figura 6 mostra o efeito da porosidade para a cavidade mostrada na Figura 1- b

















Figure 7 - Efeito do nú mero de Ra no campo de temperatura para malha 50x50 refinada, . 0 β , φ =0,8,
K =8,88 10
-6
m
2
, Ra=10
3
, Ra=10
4
, Ra=10
5
, Ra=10
6
, Ra=10
7
, Ra=10
8
, Ra=10
9
, Ra=10
10
.
A Figura 7 indica que para baixo Ra (Ra=10
3
), o mecanismo predominante de transporte de calor atravé s da
matriz porosa é a conduç ã o. A partir de Ra=10
7
, a estratificaç ã o no campo té rmico começ a a se formar també m
dentro do material permeá vel. Para Ra=10
10
o campo té rmico apresenta o comportamento estratificado e uma
fina camada limite é existente ao longo de ambas faces laterais. A evoluç ã o desta camada limite ao longo das
laterais pode ser melhor observada na Figura 5.
Finalmente, a Tabela 1 apresenta valores para o nú mero de Nusselt definido como

Nudv

Nu
0
1
(16)
onde
C
T T
L
x
T
Nu

0
(17)

A Tabela mostra resultados para os casos de cavidades parcialmente preenchidas com material poroso e
totalmente limpo as malhas mostradas na Figura 2 e para os casos mostrados na Figura 1. Nota-se que o aumento
mais apreciá vel de Nusselt com Rayleigh, para os casos em que o escoamento é turbulento. A Tabela mostra
ainda que para baixos valores de Ra, a existê ncia da matriz porosa acarreta num aumento do nú mero de Nusselt.
Entretanto, para Ra elevado, a intensidade de corrente convectiva na situaç ã o de cavidade totalmente limpa
implica em um Nu maior que no caso com material poroso. Percebe-se també m que o nú mero de Nusselt
permanece de acordo com o refinamento da malha nas paredes. Estes resultados indicam, em ú ltima aná lise, uma
homogenização do nú mero de Nu com a aplicaç ã o de uma cavidade porosa na cavidade.
Ta e a 1– Nú mero de Nusselt para cavidades verticais.
CAVIDADE VERTICAL ARCIALMENTE REENCHIDA MALHA 50 50 REGULAR
β Ra
10
3
10
4
10
5
10
6
0.0 1,2079623 1,286290 1,7082272 2,0828133
CAVIDADE VERTICAL TOTALMENTE LIM A
0.0 1,14 2,279 4,749 9,410
CAVIDADE VERTICAL ARCIALMENTE REENCHIDA MALHA 50 50 REFINADA
0.0 1,227704 1,3019 1,71106 2,127757
CAVIDADE VERTIVAL ARCIALMENTE REENCHIDA MALHA 50 50 REFINADA
ESCOAMENTO TURBULENTO
φ Ra
10
7
10

10

10
10
0.5 1,69 2,901 14,11 53,97
0. 5,39 20,18 51,10 113,31

4. CONCLUS ES

Neste trabalho foram apresentados resultados numé ricos para escoamentos laminares e turbulentos em
domí nios hí bridos com transferê ncia de calor, os quais envolvem interface entre a matriz porosa e o meio limpo.
O mé todo numé rico utilizado possibilita o tratamento do meio poroso e do meio limpo em um ú nico domí nio de
cá lculo, respeitadas as condiç õ es de contorno na interface. Vá rios parâ metros de interesse foram analisados e os
resultados apresentados mostraram-se bastante coerentes com o esperado.

REFER NCIAS

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2002 .
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[3] Magro, V.T., de-Lemos, M.J.S., “ Efeito da Permeabilidade e Porosidade na Convecç ã o Natural em Cavidade
contendo Material Poroso” , ENCIT 2002 - Congresso Brasileiro de Engenharia e Ci ncias T rmicas. Caxambu,
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[4] Magro, V. t., de-Lemos, M.J.S., “ Convecç ã o Natural em Regime Turbulento em Cavidade Contendo Material
Poroso” , ETT 2002 - Escola de Transi o e Turbul ncia, Florianó polis, SC, 23 a 27 de Setembro. 2002c Pedras.
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Undeformable Porous Media, Int. J. Heat Transfer, Vol 44(6), pp. 1081-1093, 2002 .
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Media, Int, Comm. Heat Mass Transfer, Vol. 27(6), pp. 825-834, 2000 .
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rd
Congresso Nacional de Engenharia
Mec nica, Joã o Pessoa, PB, Brazil, August 12-16, 2002a .
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ANNULI, Proceedings of ENCIT2 2. 9
th
Brazilian Congress of Thermal Engineering and Sciences (accepted for
presentation), Caxambu, MG, Brazil, October 13-17, 2002 .
[8] Braga, E.J., de-Lemos, M.J.S., NATURAL CONVECTION IN TURBULENT REGIME IN CONCENTRIC AND
ECCENTRIC HORIZ ONTAL ANNULAR REGIONS, aper AIAA 2002 3316, Proc. of 8
th
AIAA/ASME. oint
Thermophvsics and eat Transfer Conference, St Louis, Missouri, U.S.A, June 23-27, 2002 .
[9] Braga, E.J., de-Lemos, M.J.S., NATURAL CONVECTION IN CAVITIES COMPLETELY FILLED WITH
POROUS MATERIAL, Proceedings of APM2 2.
st
International Conference on Applications of Porous Media,
aper A M 164, vol. 1, pp. 551-560, Jerba, Tuní sia, June 2-8, 2002d .
[10] Braga, E.J., de-Lemos, M.J.S., Turbulent Natural Convection in Enclosures Completely Filled With Porous Material,
aper IMECE2002 34403, 2 2 ASME International Mechanical Engineering Congress (accepted for
presentation), New Orleans, LA, USA, November 17-22, 2002, 2002e .
[11] Silva, R.A., de-Lemos, M.J.S., “ Numerical Treatment of the Stress Jump Interface Condition for Laminar Flow in a
Channel Containing a Porous Layer” , Numerical Heat Transfer – Part A (in press), 2002 .

2. COGERAÇÃO – DEFINIÇÃO E RETROSPECTIVA HISTÓRICA Cogeração de energia pode ser definida como um processo termodinâmico no qual ocorre a produção simultânea e seqüencial de energia elétrica ou mecânica, e energia térmica útil, a partir de uma única fonte de energia. Ou seja, além da energia elétrica ou mecânica, ocorre o aproveitamento para fins úteis, de parte da energia térmica rejeitada, através de um sistema de recuperação de calor. Os primeiros sistemas de cogeração apareceram no começo do século XX quando o fornecimento de energia elétrica pelas grandes centrais ainda era raro, o que obrigava aos consumidores de médio e grande porte gerar toda energia elétrica necessária em seus processos de produção. Essa situação perdurou até a década de 40 fazendo com que os sistemas de cogeração representassem 50% da produção de energia elétrica dos EUA. Com a proliferação das grandes centrais, a energia elétrica tornou-se barata e abundante, fazendo com que os sistemas de cogeração perdessem importância. Tal impacto resultou que no início da década de 70, a energia elétrica gerada por sistemas de cogeração caísse para 3% da produção elétrica norte-americana. No entanto esse quadro mudou com o primeiro choque do petróleo em 1973 e foi reforçado com o segundo choque em 1978. Diversos países criaram programas para reduzir o consumo e a dependência do petróleo importado. 3. PROGRAMA IPSEPro O IPSEPro [4] é constituído de dois módulos principais: o MDK (Model Development Kit) e o PSE (Process Simulation Environment). Com o PSE, o usuário monta seu ciclo baseado em componentes pré-definidos ou criados com Model Development Kit numa biblioteca. O ciclo é montado selecionando os componentes do menu e colocando-os numa janela e interligando-os da maneira desejada. Logo após é inserido os dados dos componentes e através de métodos matemáticos robustos o programa garante cálculos rápidos e exatos. 4. CICLO DE COGERAÇÃO

Figura 1 - Ciclo de cogeração analisado para comparação A figura 1 apresenta o ciclo de cogeração em estudo atribuindo um número a cada parte deste ciclo. Assim quando for mencionado h1, significa que se faz referência à entalpia do ponto 1. As hipóteses consideradas foram que o escoamento está em regime permanente e que há ausência de perda de calor nas tubulações ou componentes do sistema. Ocorre a extração de 10% do vapor antes de entrar na turbina, ou seja, para a válvula de expansão, e de 70% (em relação à vazão mássica do ponto 1) do vapor após o primeiro estágio da turbina na pressão de 500kPa. Dados: P1 = 5MPa ; P4 = P5 = 500kPa ; P6 = 200kPa ; T1 = 700º C

01% 11.5 688.013% 0.03 645. Tabela 2. A figura 2 apresenta o layout de saída dos resultados do programa IPSEPro para o ciclo de cogeração apresentado na figura 1.5 50 15 50 3900. 7060.19 5 151.69 2.0Mpa e T1 = 700º C .22% 8.69 2.087e+004 1.16% Interactive Thermodynamics 0.5 5 3094.9 5 314.4234 Calor Gerador 49257.87% IPSEPro 0.31 10.0 h1 (kJ/kg) h5 (kJ/kg) h6 (kJ/kg) Q C (kW) • 0.4 • QF (kW) 49059 48400 49300 49257.1 12780 11500 11606.86 496.Resultados da análise do ciclo de cogeração T1 (ºC) Teórico Mathcad 7 Interactive Thermodynamics IPSEPro 700 700 700 700 h1 (kJ/kg) 3900.97 2 12. Tabela 1 .03 640.82% 10.Sistema de cogeração analisado com o programa IPSEPro A Tabela (2) apresenta os desvios das propriedades segundo a seguinte fórmula: Percentual = Vteórico − V programa Vteórico × 100 onde Vteórico é o valor da propriedade calculada teoricamente e Vprograma é o valor da propriedade calculada com auxílio ou do Mathcad 7.511 7.67% 9.003% 3. Ciclo de Cogeração Básico Trabalho Liq.869 0.513 WT (kW) 12303.6031 kW kW kW kW 1. ou do IPSEPro.857 Os resultados para os programas Mathcad 7 e Interactive Thermodynamics fazem parte do trabalho de iniciação científica do aluno de graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica: Perote [3].72 12.19 5 151. ou do Interactive Thermodynamics.4 201.5 7.5 700 3900.97 2 2873.5.15 2.856 0.0501 13.7 7123 7104 7060.36 2.8% 10.19 118.4 363.9 h6 (kJ/kg) 2640.69 12.9 5 314.153e+004 Calor Condens.86 mass[kg/s] p[bar] h[kJ/kg] t[°C] 15 50 616.1 3900 3900 3900.2 29400 30700 30739. Desvio entre os valores obtidos com os programas em relação ao valor teórico Mathcad 7.5 700 12.97 50 501.853 0. RESULTADOS E DISCUSSÃO DO CICLO DE COGERAÇÃO Em todos os casos é feita a análise onde P1 = 5.5 700 3900.23 2975 3094 3094.5 50 700 1.5 h5 (kJ/kg) 3088.03 640.6 2879 2873 2873.53 3094.5 5 1.21 15 50 3900.6 • εU 0.9 314.03 5 3195.29 118.003% 0.19% 8.32 13.522 7.19% .64 145.2647 Calor Processo 30739. 11606.5 3900.3 • QP (kW) 30594.1 • s1 (kJ/kgK) 7.97 3094.62 Figura 2 .4 Qc (kW) 6407.11 50 152.

66% 1. Nota-se que o ciclo é aberto e composto de um compressor.5% 0.34% 3.Fluidos operantes no ciclo de potência a gás Na figura 3 está ilustrado o ciclo de potência a gás em estudo. aos métodos de interpolação utilizados nos cálculos das propriedades termodinâmica da água.53% 1. gás e gás de exaustão. os resultados dos programas Interactive Thermodynamics e IPSEPro foram melhores mas em termos quantitativos o programa IPSEPro foi muito melhor do que os demais. 6. um combustor.47% 0. .49% 0. Com essa restrição se tem a entalpia como função somente da temperatura. A mistura de gás mais ar é queimada no combustor e o produto da queima (gás de exaustão) impulsiona a turbina. Nesta seção será analisado um ciclo de potência a gás para verificar a eficiência e flexibilidade do programa IPSEPro quando o fluido operante é um outro que não seja o vapor d´água.4% 0.9% 0.15% 6. Figura 3 . De modo geral. Mas no caso do programa IPSEPro. Basta observar a figura 2 e ver a quantidade de dados fornecidos pelo programa.38% W T (kW) εU • O autor Perote [3] atribui os desvios dos resultados. uma turbina e um gerador. CICLO DE POTÊNCIA A GÁS OU CICLO BRAYTON Nas seções anteriores o fluido operante nos ciclos era vapor d´água.35% 0. Nota-se também a existência de três fluidos operantes no ciclo em estudo. essa restrição não é necessária pois seu algoritmo permite a análise de ciclos operantes com quaisquer tipos de gases.29% 3.84% 0. Há a presença de ar. A definição de qual gás é o fluido operante se faz inserindo a proporção dos componentes químicos do gás. já possuem funções de interpolações inseridas em seus algoritmos enquanto o Mathcad fez-se necessário desenvolver funções termodinâmicas nas tabelas de propriedades da água.Q F (kW) Q P (kW) S1 (kJ/kgK) • • 1. IPSEPro e Interactive Thermodynamics. Em cursos de graduação adota-se o fluido operante como gás ideal para simplificar o estudo dos ciclos de potência a gás. obtidos com os programas Mathcad 7.17% 5.88% 1.0 e Interactive Thermodynamics. em termos qualitativos. Pode-se atribuir essa proximidade ao fato de que ambos. Observa-se que o método de interpolação utilizado pelo programa IPSEPro produz resultados próximos aos obtidos com o Interactive Thermodynamics.

Se esse gás fosse liberado para atmosfera nessa condição.215 20 12.2424 25 42.5 457. Nota-se que os gases de exaustão na saída da turbina se encontra a 548.Resultados do ciclo de potência a gás analisado pelo programa IPSEPro 7.454ºC e sai a 440ºC.06ºC. e logo depois de passar pelos trocadores de calor está a 130ºC.96 mass[kg/ s] p[bar] h[kJ/kg] t[°C] Figura 4 .64 12.522 20 12 20 476.5 1237. O mais importante é notar que a água refrigerante entra a uma temperatura de 25.2 12 1 20. uma temperatura menor e menos agressiva ao ambiente. Dessa forma se tem um ciclo combinado.0. RESFRIAMENTO DOS GASES DE EXAUSTÃO DA TURBINA A GÁS DO CICLO BRAYTON Geralmente os gases de exaustão da turbina a gás saem a uma alta temperatura. uma temperatura elevada. .97 1453.03 594.24 19.66 542.Refrigeração dos gases de exaustão do ciclo Brayton Na figura 5 se tem o mesmo ciclo Brayton analisado na seção 6 com a diferença de direcionamento dos gases de exaustão para trocadores de calor. Portanto se pode acoplar um ciclo Rankini produzindo energia através desse vapor de água. Isso significa que na saída se tem vapor de água invés de água líquida. Figura 5 .24 1. Para evitar tal desperdício retira-se parte desse excesso de energia térmica fazendo com que os gases de exaustão passem por trocadores de calor aquecendo a água refrigerante. haveria o desperdício de energia térmica.

• Garantir que na saída do “aquecedor para processo” o líquido fosse saturado. Americana. CRC Press. O 1º autor deseja expressar o seu agradecimento ao seu professor orientador Marcelo J. Interactive Thermodynamics.001. Sonntag. 235-240. EUA.. R. E para garantir que na saída do “aquecedor para processo” o líquido fosse saturado. W. .8.. Massachussets.. Basicamente esses novos modelos tem por base a conservação de massa e de energia. Pode-se também criar novos componentes não só na área de termodinâmica. São Paulo. à TecWare Consultoria em Sistemas Ltda. Anais do VII ENCITA. Para eliminar parâmetros os quais o programa considerava redundante foi necessário acrescentar um conector (conector) logo após o gerador de vapor. Mathcad 7 User’s Guide. Saboya. Na verdade não se pode chamar a primeira opção como um problema. User’s Guide. REFERÊNCIAS 1.A. nesse trabalho. Sim Tech – Simulation Technology. Simulação de ciclos com cogeração. J. 3. à Simtech Simulation Technoly e ao amigo José Albery Perote Filho. B.. Ed. 1st Edition. O problema de simular um “aquecedor para processo” foi resolvido colocando em série um mixer (misturador) e um heat_sink (absorvedor de calor). Barnes. 2. As dificuldades encontradas pelo autor na análise do ciclo de cogeração foram: • Simular um “aquecedor para processo” pois esse objeto não se encontrava na biblioteca do programa. Brasil. de Lemos. Florida.1.Inc. W. O programa também obriga o usuário a acrescentar um consumidor de energia. Boca Raton. Foi necessário decidir qual dos parâmetros fixar e se fez à escolha de definir a razão de mistura na câmara de combustão pelo fato de que essa escolha necessita estimar menos parâmetros.S.M. Edgard Blücher. Cambridge. Van Wylen. 1997. As mensagens de warning foram eliminadas definindo limites para cada componente do gás de exaustão. • Mensagens de warning referentes à composição do gás de exaustão.... 1973. mas em mecânica dos fluidos simulando perdas de carga e em outras áreas. C. IPSEPro Process Simulator – Process Simulation Environment. Fundamentos da Termodinâmica Clássica. 1999. MathSoft. version 3. 2000. Tradução da 4ª Ed. foi necessário acrescentar um x_prescription (denomina propriedades do vapor) antes da bomba 2. no caso da interligação de duas turbinas via shaft (eixo). Borgnakke. Cogeneration of Electricity and Useful Heat. pp. R. se justifica pela qualidade e quantidade dos resultados obtidos por tal programa. 5. Conclusão A escolha do programa IPSEPro para a análise de sistemas de cogeração. • Acertar certos parâmetros os quais o programa considerava redundante. São José dos Campos. As dificuldades encontradas na simulação do ciclo Brayton foram: • Ou definir a razão de mistura na câmara de combustão ou definir a temperatura de saída dos gases da câmara de combustão. Wilkinson. Sugestões de trabalhos posteriores seria a análise de um ciclo combinado conforme citado na seção 7. G. Perote. S. New York 6. AGRADECIMENTOS Os autores são gratos ao CNPq pelo auxílio financeiro durante a preparação deste trabalho.. 1998. no caso deste trabalho foi um generator (gerador). 4.

INTRODUÇÃO O escoamento no entorno da interface entre um meio desobstruído e um permeável ocorre em inúmeras situações de natureza prática. onde a metodologia desenvolvida para meios híbridos em Rocamora & De Lemos [12].br. Aqui se faz uma extensão do trabalho de Tofaneli & De Lemos [11]. The condition of spatially periodic cell is applied longitudinally along the channel. 12228-900 – São José dos campos – SP – Brasil e-mail ltofa@mec. São apresentados resultados para o campo de velocidade e pressão em função da porosidade. Results are presented for the velocity field as a function of the porosity and permeability of the fins. 1.br Neste trabalho são apresentadas soluções numéricas para o escoamento em um canal contendo obstáculos porosos na forma de aletas. RESUMO . numerical solutions are presented for laminar flow in a channel finned with porous material. o algoritmo SIMPLE foi utilizado.S. soluções numéricas que contemplem o salto da tensão cisalhante nos obstáculos porosos são ainda em número reduzido. De Lemos & Pedras. permeabilidade e espessura das aletas porosas. De-Lemos (PQ) Departamento de Energia – IEME Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA. tanto para o meio limpo quanto para o meio poroso.ita. este trabalho apresenta soluções numéricas para o escoamento em um canal aletado com um material poroso onde são verificados os efeitos de duas propriedades do meio: a permeabilidade e a porosidade. apresentaram simulações numéricas para escoamento laminar e turbulento em meio híbrido levando em conta esta mesma diferença da tensão em ambos os lados da interface. sobre florestas e vegetações e em equipamentos industriais diversos.INFLUÊNCIA DA POROSIDADE E DA PERMEABILIDADE DE ALETAS POROSAS NO ESCOAMENTO EM REGIME LAMINAR E TURBULENTO EM CANAL ENTRE PLACAS Luzia A. [9] e [10]. Com base no exposto. As equações do movimento e continuidade de massa são integradas em um volume de controle elementar representativo acarretando em um único conjunto de equações governantes. [2] foi proposto um coeficiente ajustável de salto da tensão cisalhante para o escoamento no entorno da interface entre o meio limpo e o meio poroso. A condição de periodicidade espacial ao longo do domínio de cálculo é empregada. Na literatura. Tofaneli (PG) Marcelo J. The equations of movement and mass continuity are written for an elementary representative volume yielding a set of equations valid for the entire computational domain. Silva & De Lemos [8].ita. ABSTRACT In this work. Recentemente. Estas equações são discretizadas pelo método de volume de controle e para o tratamento do acoplamento pressão-velocidade. foi também empregada. Nos trabalhos de Ochoa-Tapia & Whitaker [1]. e-mail: delemos@mec. [6] e [7] desenvolveram um modelo macroscópico de duas equações para o tratamento de meios contendo uma matriz porosa. como em poços de petróleo. Kuznetsov [3]. A condição de salto na tensão de cisalhamento é considerada na interface entre o meio limpo e o meio poroso. [4] e [5] fez investigações analíticas da influência da condição de salto da tensão cisalhante na interface em canais parcialmente preenchido com material poroso Motivados pela importância desta classe de escoamentos. These equations are discretized using the control volume method and the resulting system of algebraic equations is relaxed with the SIMPLE method.

2. A Figura 1) ilustra a geometria analisada onde H é a distância entre as paredes. L comprimento do canal. µ tφ expressa a viscosidade turbulenta dada por: . respectivamente. para este caso são: Equação da continuidade: ∇ ⋅u D = 0 (1) Equação de quantidade de movimento: ρ  ∂u D uDuD + ∇ ⋅  φ ∂t     c F φρ u D u D     = −∇ φ 〈 p〉 i + µ∇ 2 u D + ∇ ⋅  − ρφ 〈u ' u ' 〉 i  + φρg −  µφ u D +    K    K      ( ) (2) onde o tensor de Reynolds macroscópico e dado por: 2 − ρφ 〈u ' u ' 〉 i = µ tφ 2〈 D〉 V − φρ 〈 k 〉 i I 3 (3) e o tensor deformação é dado por: 〈 D〉 V = 1 ∇ φ 〈 u 〉 i + ∇φ 〈 u 〉 i  2 ( ) [ ]  T (4) Aqui . 2 Fronteira do dominio computacional uD φ =1 0 <φ <1 l 2 0 <φ <1 l 2 H y h h x L Figura 1: Geometria analisada. l e h a espessura e altura da aleta. Canal aletado e célula periódica. As equações que governam o escoamento do fluido. MODELAGEM MATEMÁTICA Nesta seção é apresentado o modelo matemático para o escoamento em um canal contendo obstrução porosa.

µ ef é a viscosidade efetiva para a região porosa . Taxa de dissipação de energia cinética turbulenta: φk φ u D K (6) − ρφ 〈ε 〉 i ρ   µt   ∂ φ 〈ε 〉 i + ∇ ⋅ u D 〈ε 〉 i  = ∇ ⋅  µ + φ ∇ φ 〈ε 〉 i  σε    ∂t      ( ) ( ) ( ) + C1 − ρ 〈u ' u ' 〉 i : ∇u D ( ) 〈〈εk 〉〉 i i + C2 f 2Ck ρ φε φ u D K − C 2 f 2 ρφ ε k i2 i (7) onde C1 .µ tφ = ρC µ f µ 〈k 〉 i 2 〈ε 〉 i (5) Equação da energia cinética turbulenta: ρ   µt   ∂ φ 〈 k 〉 i + ∇ ⋅ u D 〈 k 〉 i  = ∇ ⋅  µ + φ ∇ φ 〈 k 〉 i   σk    ∂t      ( ) ( ) ( ) − ρ 〈u ' u ' 〉 i : ∇u D + C k ρ onde C k e σ k são constantes adimensionais. k e sua dissipação.1. ε e. da pressão. uD = uD onde u Dξ é o componente da velocidade de Darcy paralela a interface alinhada com a direção normal φ ≠1 φ =1 (9) (10) 〈 p〉 i φ ≠1 = 〈 p〉 i φ =1 . 2. µ é a viscosidade dinâmica do fluido. da energia cinética de turbulência. [2] é dada por: µ ef ∂u Dε ∂η φ ≠1 −µ ∂u Dε ∂η φ =1 =β µ K u Dε int erface (8) ξ e normal à direção η . Aqui 〈ε 〉 i representa a média intrínseca da taxa de dissipação de energia cinética de turbulência. proposta por Ochoa-Tapia & Whitaker [1]. C 2 e σ ε são constantes. dos fluxos difusivos de k e ε . CONDIÇÕES DE INTERFACE E DE CONTORNO A equação que descreve o salto da tensão cisalhante na interface entre o meio limpo e o meio poroso. K é a permeabilidade do meio poroso e β é um coeficiente admensional ajustável na representação do salto da tensão cisalhamento na interface. Também são utilizadas as condições de continuidade da velocidade.

(10) foram propostas por Ochoa-Tapia & Whitaker [1]. de comprimento L e altura H . Para figura (2a) temos que para maiores valores de K . no início e no fim da célula periódica. assumindo continuidade de k e ε . A figura (2b) mostra o efeito da permeabilidade do material da aleta no perfil de velocidade média para Re H = 10 5 . a condição de periodicidade espacial foi aplicada ao longo desta coordenada. propuseram as equações (11) e (14).〈k〉 v φ ≠1 = 〈k〉 v φ =1 (11)  µ = µ + t  σk   ∂〈 k 〉 v   ∂y  v µ    µ + tφ  ∂〈 k 〉  σ k  ∂y   (12) φ =1 φ ≠1 〈ε 〉 v φ ≠1 = 〈ε 〉 v φ =1 (13)  µ = µ + t  σε   ∂〈ε 〉 v   ∂y  v µ    µ + tφ  ∂〈ε 〉  σ ε  ∂y   (14) φ =1 φ ≠1 (µ ef + µ tφ ) ∂u y ∂ Dp − (µ + µ t ) φ ≠1 ∂u D p ∂y φ =1 = (µ + µ t ) β K u Di int erface (15) As condições de contorno de (9) . 3. num processo repetitivo até que ambas as posições. Os valores inicialmente impostos na entrada em x = 0 eram subseqüentemente substituídos pelos valores na saída. tendo em vista que a vazão mássica através do canal é a mesma para todas as curvas. RESULTADOS E DISCUSSÃO O efeito da permeabilidade do material da aleta é mostrado na Figura (2). o fluido permeia com maior facilidade através do material poroso. observa-se que para uma permeabilidade baixa não há uma influência apreciável do valor da porosidade no padrão do escoamento. embora não se tenha variado substancialmente a porosidade. apresentassem idênticos perfis para todas as variáveis do problema. corresponde a uma célula espacialmente periódica ao longo da coordenada x . A figura (3b) mostra o efeito da porosidade do material da aleta na velocidade u D para Re H = 32000 . A Figura (3) mostra a influência do valor de φ no perfil de velocidade longitudinal para x = L . reduzindo. nota-se que para maiores valores da permeabilidade K . a vazão mássica através deste meio é aumentada. o fluido permeia com maior facilidade através do material poroso. Na figura (3a) mostra que para um material com maior porosidade. O domínio computacional mostrado na Figura 1. em x = L . a quantidade de fluido que atravessa a região limpa (y>h). Neste trabalho. O aumento da vazão mássica para y < h é claramente observado na Figura. . o incremento da velocidade pela aleta porosa reduz a vazão mássica pela região desobstruída de espessura H-h. portanto.

03 y[m] 0.2 0.5. A vantagem tecnológica na aplicação dos resultados aqui apresentados consiste na obtenção de um sistema aletado que apresente uma menor perda de carga para uma mesma vazão mássica.9.9 0.8 φ=0. φ = 0.05 Figura 3: Efeito da porosidade para o campo de velocidade na saída do canal.5×10-8m2 sólido 0.5. −7 4.8 0.05 Figura 2: Efeito da permeabilidade para o campo de velocidade na saída do canal.2 0 0 0.02 0. K=2×10-7m2.5×10-8m2 a) 0. A utilização de materiais permeáveis pode contribuir para este fim.03 y[m] 0.5. a) escoamento laminar.01 0.9 para a aleta.04 0.2 0.000 φ=0. b) escoamento turbulento.02 0.4 u[m/s] 0. Possivelmente. ReH=32.5×10-6m2 K=2.03 y[m] 0.05 0 0 0.6 Malha:50×50 β=0.02 0.01 0. K=2×10-7m2.2 0 0 0.02 0.Para escoamento turbulento os resultados indicaram que o efeito da condição de salto nas características do escoamento tem a influência nos perfis de velocidade. b) escoamento turbulento. a) escoamento laminar.6 Malha:50×50 β=0.04 0. φ=0. Foram considerados os efeitos da permeabilidade e da porosidade do material das aletas.01 0. K = 2 × 10 m 2 para a aleta.Malha:50×50 β=0..5.04 0.4 u[m/s] 0. φ=0. o algoritmo SIMPLE foi utilizado.04 0.7 φ=0.5×10-6m2 K=2.6 b) 0.5×10-7m2 K=2. ReH=100. acarretando em última análise na modificação dos valores de K dentro do canal. Malha:50×50 β=0.01 0.6 b) 0.9. tais sistemas podem manter ou .9 a) 0.Para escoamento laminar observamos que para aletas mais porosas e mais permeáveis observou-se o aumento da vazão mássica através do material poroso.4 u[m/s] 0.7 φ=0. para escoamento laminar e turbulento. ReH=800 φ=0.5×10-7m2 K=2. CONCLUSÕES Este trabalho apresentou resultados para a solução numérica do escoamento em um canal contendo obstrução porosa.4 u[m/s] 0.000 K=2.03 y[m] 0.A discretização das equações governantes utilizou o método de volumes finitos e para o tratamento do acoplamento pressão-velocidade.05 0 0 0. ReH=800 K=2.8 0.8 φ=0.

A. Whitaker. de Lemos. “Escoamento Laminar em um Canal Parcialmente Preenchido com Material Poroso” (em CD-ROM) COBEM2001. International Journal of Heat and Mass Transfer. [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] .. S. J.J. J. Pedras. Numerical Heat Transfer.. Pittsburgh. M.53-56. João Pessoa-PA.S.“Modeling Turbulence Phenomena in Incompressible Flow Through Saturated Porous Media”.“Momentum transfer at the boundary between a porous medium and a homogeneous fluid-I”.. 38. de Lemos.J. 2001c. M. “Numerical Treatment of the Stress Jump Interface Condition for Laminar Flow in a Channel Containing a Porous Layer”. Silva. A. Comparison with experiment. Proc..S. of 34th ASME-National Transfer Conference (on CDROM)..401-410. D.S. Journal of Fluids Engineering.309-321. M. L. M. ISBN:0-7918-1997-3. Kuznetsov. Orlando Florida. V. 2000a. Theoretical development. 2002. vol. Kuznetsov. H. 123.. Kuznetsov. Mech.J. pp.. Em última análise. Eng. 2635-2646.S. PartA. de Lemos. M... Rocamora Jr. Pedras. J. Applied Scientific Research.J. 1997.. R. Tofaneli. vol 38.S. of IMECE2000-ASME-Intern. pp. R.. Silva. pp.até mesmo reduzir a perda de carga através de todo o canal para uma mesma carga térmica transferida.2(3). Rio Grande do Norte..56. REFERÊNCIAS [1] [2] [3] [4] [5] [6] Ocho-Tapia.. F. M.. International Journal of Heat and Mass Transfer. CONEM2002. é neste aspecto que o presente trabalho apresenta potencial para aplicações futuras. Ochoa-Tapia. “Escoamento Laminar em Região Espacialmente Periódica em Canal Contendo Obstrução Porosa”.. J. pp. November 5-10.“Prediction of Velocity and Temperature Profiles for Hibrid Porous Medium-Clear Fluid Domains”. vol. vol. M. De Lemos. Pennsylvania. ASME-HTD-I463CD. vol. de Lemos.“Influence of the Stress Jump Condition at the Porous-Medium/Clear-Fluid Interface on a Flow at a Porous Wall”.. International Journal Heat Mass and Transfer. Silva.. Paper NHTC2000-12120.“Laminar Recirculating Flow And Transfer In Hybrid De Lemos.24. 1995b. Natal. vol. 2000b.. Rocamora Jr. M.S..of CONEM2000 – National Mechanical Engineering Congress (on CD-ROM).J.. 1999. pp. A.J. M. 2001b. 2001a.“Analytical Investigation of the Fluid Flow in the Interface Region between a Porous Medium and a Clear Fluid in Channels Partially with a Porous Medium”.J. ASME-HTD-366-5.J..“Simulation of Turbulent Flow Through Hybrid Porous Médium Clear Fluid Domains”. Uberlândia-MG. International Communications in Heat and Mass Transfer.4 (in press). Journal of Porous Media. S. Proc... A. A.S.. 1995a. De Lemos.S. 113-122. “Turbulent Flow over a Porous Layer Considering the Shear Stress Jump at the Interface”(submitted). H. pp. Whitaker. Brazil. Congr. A. A. M. (submitted). n. Pedras. 1996.2647-2655.. H. D. AGRADECIMENTOS Os autores são gratos ao CNPq pelo suporte financeiro durante a preparação deste trabalho.“Momentum transfer at the boundary between a porous medium and a homogeneous fluid-II”.“Recent Mathematical Models For Turbulent Flow In Saturated Rigid Poroua Media”. V. R. F. M..S. August 20-22. Proc.J. 2002a. “Fluid Mechanics and Transfer in the Interface Region between a Porous Medium and a Fluid Layer: A Boundary Layer Solution”. August 7-11. de Lemos.. IBSN:0-7918-1908-6. M. de Lemos. A. J. 2001. A. V..

onde a ilustração mostra a ampliação de uma seção de um canal contendo um obstáculo poroso onde é avaliado o campo de pressão e velocidade. O caso na Fig. The equations that govern the flow are discretized by control volume method and the obtained systems of algebraic equation are solved by the method SIP. For the pressure-velocity coupling SIMPLE method is applied. Recentemente. ABSTRACT In this work the porous matrix was modeled as an array of cylindrical rods. nas últimas décadas. mapear o comportamento das propriedades do escoamento. em diversos setores da indústria e no meio ambiente. The numerical results indicate coherence of the calculated pressure and velocity fields. Com base no exposto. As propriedades do escoamento são consideradas constantes.br. A fluido entra pela face esquerda e permeia através da região limpa e dos obstáculos. com e sem zonas de recirculação e. um interesse crescente de vários pesquisadores no sentido de descrever com sucesso este tipo de escoamento. vazamento de contaminantes através do subsolo até os lençóis freáticos são alguns exemplos da grande importância dos escoamentos ambientais que podem ser beneficiados por um tratamento matemático adequado. Vários sistemas de engenharia podem ser modelados por estruturas compostas de uma região limpa e um material poroso através do qual o fluido penetra. [5]. (1) usa condição de . assim.S.ESCOAMENTO LAMINAR EM UM CANAL CONTENDO MEIO POROSO – UMA ABORDAGEM MICROSCÓPICA Renato A.LCFT Departamento de Energia – IEME Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA. to investigate the behavior of the properties of the flow. observouse. As equações que governam o escoamento são discretizadas pelo método de volumes finitos e o sistema de equações algébricas obtido é resolvido pelo método SIP. de Lemos2 (PQ) Laboratório de Computação em Fenômenos de Transporte . [6] e [7] foram apresentadas soluções numéricas levando em consideração a condição de salto da tensão de cisalhamento na interface entre o meio limpo e o meio poroso. GEOMETRIA E EQUAÇÕES GOVERNANTES O escoamento sob consideração é esquematizado na Fig. Pretende-se. [2]. [4]. INTRODUÇÃO Em função da ampla aplicação envolvendo o escoamento de fluidos em meios que são compostos por meio limpo e uma matriz porosa. 1. (1). with that. A metodologia numérica utilizada é apresentada em [8] e [9]. 12228-900 – São José dos Campos – SP . [3].ita. Os resultados numéricos indicam coerência. 2. Camada limite atmosférica sobre florestas e.br RESUMO Neste trabalho a matriz porosa foi modelada como sendo formada por um arranjo periódico de hastes cilíndricas. It is intended. Para o acoplamento pressão-velocidade o algoritmo SIMPLE é utilizado.ita. com e sem o termo não-linear de Forchheimer. nos trabalhos [1]. este trabalho estende os desenvolvimentos anteriores para o campo microscópico onde o meio poroso e considerado como formado por hastes cilíndricas. Silva1 (PG) Marcelo J. com e sem condição de periodicidade espacial para um meio poroso macroscópico. As equações que governam o escoamento são numericamente resolvidas na fase líquida ao redor das hastes sólidas.Brasil 1 e-mail: renatoas@mec. 2e-mail: delemos@mec. The governy equations are numerically solved in the liquid phase around the solid rods.

6L y x L/10 Figura 1. . de simetria na parede norte. Escoamento em um canal contendo obstáculos sólidos. periodicidade espacial ao longo de x .contorno de não-escorregamento na parede sul. velocidade preescrita na entrada e.275L uD 0. L simetria 0.

respectivamente. Sempre que o termo fonte for dependente de 〈ϕ 〉 i será linearizado da seguinte forma: ∗ ∗ Sϕ ≈ Sϕ ∗ 〈ϕ 〉 iP + Sϕ (4) Os termos fonte nas equações de momentum para a direção x são dados por: ∗ ∗ ∗ ∗ x S ∗ x = ( Se x ) P − ( S wx ) P + ( S n x ) P − ( S s x ) P + S P (5) . foram discretizadas para um domínio bidimensional. I n e I s representam. Ie + Iw + In + Is = Sϕ (3) onde I e . O método de volumes finitos foi empregado na discretização e. sujeitas às condições de contorno. norte e sul do volume de controle. MÉTODO NUMÉRICO (2) As equações (1) e (2) acima. A Figura 2 representa um volume de controle típico juntamente com o sistema de coordenadas generalizadas η-ξ. pode ser dada por. para um fluido com ρ e µ constantes escoando em regime permanente e. oeste. em coordenadas generalizadas. Ainda. e Sϕ o termo fonte. os fluxos totais (convecção e difusão) de ϕ nas faces leste. desprezando as forças campo. I w . o algoritmo SIMPLE foi utilizado {[10]}. pode ser escrita como: ρ∇ ⋅ (uu) = −∇p + µ∇ 2 u 3. y ξ − line nw n N ∆ xη ∆ yη ∆ yξ n n → An n n w η− line ∆ xξ P ∆ xξ e ne e sw s → 2 → Ae se ∆ yη e e ∆ yξ e i = j → → 1 ∆ xη η − line E i = i → ξ − line x Figura 2: Notação e volume de controle. em regime permanente. a discretização das equações usa um sistema de coordenadas generalizadas para uma generalização ainda maior. para o tratamento do acoplamento pressão-velocidade.A equação de continuidade microscópica para um fluido incompressível escoando num meio limpo é expressa por: ∇ ⋅ uD = 0 (1) A equação de momentum microscópica (Navier-Stokes). A forma geral discretizada da equação de conservação bidimensional de uma propriedade qualquer ϕ .

74E-01 4.70E-01 3.93E-01 9. (3b) mostra a aceleração causada no escoamento devido à contração ocasionada pelas hastes cilíndricas onde Dp=5×10-2m e. devido à distância dos obstáculos.58E-03 Dp  p − p min Figura 3: Campo de pressão adimensional  p  max − p min   a).38E-01 7. isto é. apresentando uma situação de escoamento livre. (3a) e (3b) são apresentados os campos de pressão adimensional e o campo de velocidade.30E-01 5.18E-01 2.onde S ∗ x é a parte difusiva tratada de forma explícita. .34E-01 6. não perturbado.62E-01 1. verifica-se.   A Fig. Campo de velocidade u [m/s] .22E-01 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Nas Figs.66E-01 2. b). para região distante dos obstáculos uma velocidade uniforme.82E-01 6.85E-02 6. como esperado um valor maior pressão atrás do obstáculo e conseqüentemente um valor menor à frente do obstáculo. Para o campo de pressão.10E-01 5. a) b) 9. para a equação de momentum na direção y têm-se.86E-01 7.90E-01 8. S ∗y y = ( S e y ) P − ( S wy ) P + ( S n y ) P − ( S s y ) P + S P ∗ ∗ ∗ ∗ (6) 4.26E-01 4.78E-01 5. devido ao descolamento da camada limite e conseqüentemente formação de uma região de baixa pressão.41E-01 8. Similarmente.14E-01 1.

2002a. (3b). ENCIT2002 - .0x100 0 0. de Lemos. Silva.A.0x10 -3 Malha: 42×257.6 L Figura 4: Perfil de velocidade na posição x = . Silva.J.0x10 -3 Malha: 42×257. REFERÊNCIAS [1] [2] [3] Silva..0x10 u [m/s] 2. este comportamento é devido à contração causada pelas hastes cilíndricas ocasionando uma aceleração no escoamento e conseqüentemente um maior fluxo de massa nessa região como ilustrado na Fig. (4a) e (4b) observam-se picos entre os obstáculos sólidos.2 y [m] 0.6 0. ReL=1×103 ∆p=9. Também eficaz foi o método empregado para resolução de escoamentos em canais contendo múltiplos obstáculos sólidos.posição x=L/20 3 a) 3. microscópico .S. Anais do XVI Congresso Brasileiro de Engenharia Mecânica (em CD-ROM).4 0.2 y [m] 0. AGRADECIMENTOS Os autores são gratos à FAPESP e ao CNPq pelo suporte financeiro durante a preparação deste trabalho.. a) e na saída do canal.0x100 0 0. R.. R. M.4 0. M. 20 Na Fig. M.0x10-3 1. Anais do II Congresso Nacional de Engenharia Mecânica. (4b) é obtida da seguinte forma: 1 ( p e − p s )dy onde At é a área da seção transversal do canal.. Brasil. “Escoamento Turbulento em um Canal Contendo Obstáculo Poroso Levando em Consideração o Salto da Tensão Cisalhante na Interface”.J.0x10-3 2. de Lemos. pe é a pressão na entrada e p s ∆p = At A ∫ t é a pressão na saída do canal. O valor da queda de pressão média apresentada na Fig. Brasil.S.J. Uberlândia-MG. 12-16 de agosto. João Pessoa–PB. CONCLUSÃO Os resultados mostraram um campo coerente de velocidade e pressão corroborando a eficácia do código computacional utilizado.0x10 -3 0. 2001.0x10 -3 -3 u [m/s] 1.saída do canal b) 3.94×10-7N/m2. R.A.A. ReL=1×10 Microscópico . de Lemos. Futuramente serão realizadas comparações com resultados da literatura afim de se obter uma validação mais completa.4. “Escoamento Laminar em um Canal com Material Poroso usando o Modelo Não-Linear de Forchheimer e a Condição de Salto na Interface”.S. “Escoamento Laminar em um Canal Parcialmente Preenchido Com Material Poroso”. b)... 5.

Florianópolis-SC. pp... M. 27 (2).. Silva. 2002b.A. M. Congr.J. Brasil.A. M. M. Caxambu-MG. M. R. de Lemos.. Vol. Montreal. Patankar.J. Brasil. November 5-10.. F.D.S. Comm..A. ETT2002 . ISBN 0-7918-1908-6. R. R. Silva.S. “Numerical Heat Transfer and Fluid Flow”.J. Proceedings of ASME FEDSM’02 – Fluids Engineering Division Summer Meeting. de Lemos.III Escola de Transição Turbulência. 2000. Proc of IMECE200 – ASME – Intern. Montreal. M..H. 211-220. 2002c.J. Pedras. ASME-HTD-366-5. Hemisphere.S.. “Escoamento Turbulento em um Canal contendo Obstáculo Poroso impondo uma Condição de Periodicidade Espacial”. de Lemos. Quebec. Mech. July 14-18. 1980. “Numerical Study of Shear Jump Coefficient for Laminar Flow in a Channel” (in press). . S.. Canada.V.S. Silva. 23-27 de setembro (submetido para apresentação).J. “Numerical Treatment of Stress Jump Interface Condition for Laminar Flow in a Channel Partially Filled with a Porous Material”. New York. R. de Lemos. Rocamora Jr..[4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] IX Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciências Térmicas. 2002d..S. “Heat Transfer In Suddenly Expanded Flow in a Channel With Porous Inserts”. M. Proceedings of ASME FEDSM’02 – Fluids Engineering Division Summer Meeting. de Lemos.J. Canada. 13-18 de outubro. Eng. “Simulation of Turbulent Flow in a Channel Partially Occupied by a Porous Layer Considering the Stress Jump at the Interface”. Numerical Heat Transfer. Orlando. 2002b. Quebec. 2000..J. In Heat & Mass Transfer. de Lemos. Int...A. Silva. 191-195. July 14-18. pp. 2002a..S. “On the Definition of Turbulent Kinetic Energy for Flow in Porous Media”. Paper CIT02-0252 (aceito para apresentação). Florida.

Cavidades parcialmente preenchidas com material poroso TH dT/dy=0 . A construção de fornos. Thin boundary layers along the cavity wall and stratification of the thermal field are observed for Ra ≥10 9 . meio poroso-meio limpo. A intensidade da corrente convectiva através da matriz porosa é observada com o aumento do número de Raleigh. (PQ) Departamento de Energia .CONVECÇÃO NATURAL EM REGIME LAMINAR E TURBULENTO EM CAVIDADE CONTENDO MATERIAL POROSO Viviani Tagliari Magro. e é referente ao escoamento bidimensional de um fluido em uma cavidade quadrada de altura H e largura L. A unique set of equations is discretized with the control volume method and solved with the SIMPLE algorithm. Um único conjunto de equações é então discretizado e a solução do sistema de equações algébricas obtido seguem o método SIMPLE. são isoladas. O caso das cavidades com o meio poroso na vertical consideram temperaturas constantes nas faces esquerdas. as temperaturas TH e TC são aplicadas às faces abaixo e acima.IEME Instituto Tecnologico da aeronautica – ITA 12228-900 – São José dos Campos . respectivamente. em todos os casos. i. e direita. Neste trabalho são apresentados resultados para o campo hidrodinâmico e térmico para a convecção natural laminar e turbulenta em cavidades contendo material poroso. O problema considerado é mostrado esquematicamente na Figura 1. This work presents numerical solutions for flow and heat transfer in square cavities partially obstructed with porous material. As outras duas paredes. A existência de um fina a camada limite próximas às paredes de toda a cavidade é detectada assim como a estratificação do campo de temperaturas para Ra ³109 . TH. ABSTRACT. sendo TH >TC.S..SP . As equações microscópicas do escoamento laminar e turbulento são integradas em um volume elementar representativo para se obter equações macroscópicas válidas também no domínio poroso. Neste trabalho o tratamento macroscópico é utilizado na obtenção de soluções numéricas em regime permanente para um domínio híbrido. dispositivos de isolamento de reator nucleares e a determinação das exigências para isolamento de cabine de aeronave são alguns exemplos de tais aplicações. dT/dy=0 g (a) TC dT/dy=0 H g (b) dT/dy=0 g (c) H TH TC dT/dy=0 H TH TC y x L y x y dT/dy=0 L x L Figura 1. coletores solares. (PG) Marcelo J. Para cavidades com meio poroso na horizontal. TC. para escoamentos laminares e turbulentos em cavidade quadrada e entre placas planas preenchidas parcialmente com um meio poroso homogêneo Na equação da energia é considerada a condição de equilíbrio térmico entre o fluido e a matriz porosa.ita.Brasil e-mail: delemos@mec. parcialmente preenchida com material poroso. INTRODUÇÃO A análise de escoamentos em convecção natural é um problema que atualmente recebe considerável atenção de muitos pesquisadores em vários campos de aplicação.br RESUMO. The microscopic flow and energy equations are integrated in a representative elementary volume in order to obtain a set of equations valid in both the clear flow region and in the porous matrix. Enhancement of convective currents within the porous substrate is detected as Ra increases. De-Lemos. 1.e.

[8]. A consideração de forças de empuxo foi abordada nos trabalhos de Braga & de-Lemos [7]. (a) (b) Figure 2– Malhas empregadas: a) Malha 50x50 refinada nas paredes. [9].1. para os mesmos casos dos trabalhos anteriores. Portanto. b) Equação Macroscópica da Quantidade de Movimento é ¶u æ u u öù ρ ê D + Ñ × ç D D ÷ú = -Ñ φ á p ñ i + µÑ 2 uD + Ñ × .Em Magro & de-Lemos [1] o escoamento e a transferência de calor na cavidade da Figura 1-a. em Magro & de-Lemos [3] é complementada a investigação anterior.φ ρ á kñ i I 3 e (3) á Dñ v = 1é Ñ φ áuñi + Ñ φ áuñi ë 2ê ( ) [( )] ù ú û T (4) . onde g é a gravidade. empregou-se o tratamento proposto em Ochoa-Tapia & Whitake [2] para a interface.TC . e em Magro & de-Lemos [4] foi analisado regime turbulento para a cavidade da Figura 1-c.ê uD + F ú K ëK û 2 . estas equações serão aqui apenas reproduzidas e maiores detalhes sobre as suas derivações podem ser obtidos nos trabalhos citados. A condição de não deslizamento é aplicada para a velocidade em todas as quatro paredes das cavidade.b foi investigado. MODELAGEM MATEMÁTICA 2.ρφ á u¢u¢ñ i = µtφ 2á Dñ v . α a difusividade térmica e D T= TH . u D = φ á u ñ i . levando-se então em consideração os efeitos de porosidade e de permeabilidade da região porosa. Estas equações são: a) Equação Macroscópica da Continuidade Ñ × uD = 0 (1) onde a relação de Dupuit-Forchheimer. O escoamento resultante da diferença de temperatura imposta é dependente do número de Rayleigh definido como Ra = gβ *L3DT * .Tref onde ( ) (2) c φ ρ |uD| uD ù é µφ . Posteriormente. Naquele trabalho o efeito do número de Rayleigh e o tratamento da interface localizada em x=L/2 foram objetos de análise. 2. ν é a να viscosidade cinemática. β é o coeficiente de expansão volumétrica do fluido. b) malha 50x50 regular.ρφáu¢u¢ñ i ç φ ÷ è øû ë ¶t ( ) ( ) + ρ ref β φ gφ á T ñ i . Equações de Transporte e Constitutivas O modelo matemático aqui empregado tem sua origem nos trabalhos de Pedras & de-Lemos [5] para o campo hidrodinâmico e Rocamora & de-Lemos [6] para o campo térmico. [10] e [11] e a implementação da condição de “salto” na interface foi considerada em Silva & de-Lemos [12] baseada na teoria proposta em Ochoa-Tapia & Whitaker [2]. Lá. foi usada e áu ñ i identifica a média intrínseca ( fase na líquida) da velocidade local u .

t [ ] (9) é o tensor condutividade efetiva. para o fluido e para a matriz porosa. k.é o tensor de deformação macroscópico. ν t φ = µ tφ ρ f . Na interface. [8].ρ á u ¢u ¢ñ i : Ñ u D e G i = C k ρ φ ák ñ i |u D| K são as taxas de produção i de á kñ i devido ao gradiente de u D à ação da matriz porosa. a qual é modelada semelhantemente ao caso de escoamento de meio limpo em Pedras & de-Lemos [5] como.c 2 ρφ áε ñ i ] (6) onde c1 . as condições de continuidade da velocidade. k e sua dissipação. sã dadas por. P i = . Uma proposta para este termo foi apresentada no trabalho de Braga & de-Lemos [11] e pode ser escrita como. respectivamente e G k representa a taxa macroscópica de geração de á kñ i devido ao termo de empuxo na fase líquida. ε e. De um modo semelhante.φ ) }¶ áT ñ + (ρ c ) i s ¶t p f Ñ × u D áT ñ i = Ñ × K eff × ÑáT ñ i ( ) { } (8) K eff = φ k f + (1 . duas equações surgem. [9] [10] e [11] para detalhes)). á k ñ i = áu ¢× u ¢ ñ i 2 é a média intrínseca da energia cinética de turbulência. Assumindo então a hipótese de Equilíbrio Térmico Local. i i i i Gk = -φ ν tφ gβ φ ¶áT ñ i ¶y (7) {( ρ c onde p f ) φ + ρ cp ( ) (1. bf é a média volumétrica do coeficiente de expansão volumétrica e σT é uma constante. (10) u D 0<φ <1 = u D φ =1 á pñ i ák ñ v (µ + 0 <φ <1 0 <φ <1 = á pñ i = ák ñ v ¶á k ñ v ¶y φ =1 φ =1 (11) (12) µ tφ σk ) = (µ + 0 <φ <1 µ t ¶á k ñ v ) σk ¶y (13) φ =1 . σT onde o símbolo ν tφ expressa viscosidade cinemática macroscópica turbulenta. e m tf . c) Equação Macroscópica de Energia. µ tφ = ρ c µ á kñ i áε ñ i 2 As equações de transporte para as variáveis macroscópicas á kñ i e sua taxa de dissipação á ε ñ i = µ áÑ u ¢ : (Ñu ¢ )T ñ i ρ são também propostas em Pedras & de-Lemos [5] como: éæ µt ö é¶ ù ρ ê φ ák ñ i + Ñ × u D ák ñ i ú = Ñ × êç µ + φ ÷ Ñ φ ák ñ i σk ÷ ë ¶t û êç ø ëè ( ) ( ) ( )ú + P ú û ù i i + G i + G k . c2 . a qual considera áT f ñ = áT s ñ = áT ñ e somando s duas equações obtidas. dos fluxos difusivos de k e ε . aplicando a média temporal e volumétrica nas equações da energia microscópica. c3 and ck são constantes. tem-se (veja Braga & deLemos ([7].ρφ áε ñ i (5) éæ µ tφ é¶ ù ρ ê φ áε ñ i + Ñ × u D áε ñ i ú = Ñ × êç µ + σε ë ¶t û êç ëè ( ) ( ) ö ÷Ñ φ áε ñ i ÷ ø ( )ú + ááε ññ [c P k i i ù ú û 1 i i + c 2 G i + c1 c 3 G k . é a viscosidade turbulenta.φ ) k s I + K tor + K t + K disp + K disp. da energia cinética de turbulência. da pressão.

6 0.Efeito de Ra no campo de velocidade vertical.8.6 -0.vmin -0. K=8.05 -0. Ra=10 .1 -0.2 0. -6 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Malha 50´50 b=0. .4 0. Ra=10 . Ra=10 .15 β = 0. Ra=10 .05 v [m/s] 0 -0. c)Ra=105 .8 0 0.Efeito do número de Ra nas linhas de corrente para malha 50x50 refinada. É também verificado a ausência de escoamento intenso na região porosa.6 0.2 0 v .88×10 m . A Figura claramente indica o aumento de intensidade de recirculação no meio limpo com o aumento de Ra. malha 50x50 regular.5.88x10-6 Ra=107 Ra=108 Ra=109 Ra=1010 0. b=0.472´1 0-5 Ra=10 3 Ra=10 4 Ra=10 5 Ra=10 6 0.Efeito do número de Ra nas linhas de corrente. f=0.8. Ra=10 . Figure 4 .d)Ra=106 A Figure 3 mostra o efeito do número de Ra no campo hidrodinâmico para ambas as regiões limpa e porosa. a) laminar.8 1 .4 -0. 0. K=8. φ =0.4 -0. K=3.1 0. conforme esperado.8 1 0 0. b)Ra=104 . Ra=10 .4 (a) (b) Figure 5.v min vmáx. Ra=10 . b) turbulento x[m] 0. Ra=10 .áε ñ v (µ + 0 <φ <1 = áε ñ v ¶á ε ñ v ¶y φ =1 (14) µ tφ σε ) = (µ + 0 <φ <1 µ t ¶á ε ñ v ) σε ¶y (15) φ =1 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO (a) (b) (c) (d) Figure 3.2 0.a) Ra=103 .15 x [m] 0.2 Malha 50x50 refinada f= 0.

tornando-se mais intenso com o aumento de Ra. a estratificação no campo térmico começa a se formar também dentro do material permeável. . β =0. A Tabela mostra ainda que para baixos valores de Ra. Ra=10 . Ra=10 . Para Ra=1010 o campo térmico apresenta o comportamento estratificado e uma fina camada limite é existente ao longo de ambas faces laterais. Ra=10 . b) φ =0. -6 2 3 4 5 6 7 8 9 10 β = 0. Ra=10 . há uma apreciável corrente convectiva através da matriz porosa. . A partir de Ra=107 . A evolução desta camada limite ao longo das laterais pode ser melhor observada na Figura 5. c) φ =0. a Tabela 1 apresenta valores para o número de Nusselt definido como 1 Nu = H onde H ò Nudy 0 (16) Nu = ¶T ¶x X =0 L TH . Ra=106 a) φ =0. Para Ra=1010 . embora o centro da zona de recirculação ainda seja na região limpa.2. φ =0. Ra=10 . o escoamento começa a adentrar a região porosa. torna-se claro a existência de uma camada limite tanto na face direita (meio limpo) quanto no contato do meio poroso com a parede esquerda. malha 50x50regular. A Figura 7 indica que para baixo Ra (Ra=103 ). a baixa intensidade das forças de empuxo provoca escoamento apenas na região limpa. Ra=10 . Nota-se que o aumento mais apreciável de Nusselt com Rayleigh. Nota-se que para um baixo número de Rayle igh. Ra=10 . (a) Figure 6.88×10 m .A Figura 4 mostra o efeito do número de Rayleigh no campo hidrodinâmico para ambas as regiões limpa e porosa. Ra=10 .Efeito Porosidade no campo de temperatura.TC (17) A Tabela mostra resultados para os casos de cavidades parcialmente preenchidas com material poroso e totalmente limpo as malhas mostradas na Figura 2 e para os casos mostrados na Figura 1.9 (b) (c) A Figura 6 mostra o efeito da porosidade para a cavidade mostrada na Figura 1. para os casos em que o escoamento é turbulento. Para Ra> 107 .b Figure 7 . o mecanismo predominante de transporte de calor através da matriz porosa é a condução. A partir de Ra>106 . Finalmente.8.5.Efeito do número de Ra no campo de temperatura para malha 50x50 refinada. a existência da matriz porosa acarreta num aumento do número de Nusselt. K=8.

J. PA. Int.J.7082272 2. Comm. (1995). REFERÊNCIAS [1] [2] [3] [4] Magro.. 15 a 18 de Outubro.39 2. MG. FREE CONVECTION IN SQUARE AND RECTANGULAR CAVITIES HEATED FROM BELOW OR ON THE LEFT. “Efeito da Permeabilidade e Porosidade na Convecção Natural em Cavidade contendo Material Poroso”. (2002b).0828133 CAVIDADE VERTICAL TOTALMENTE LIMPA 0. Ochoa-Tapia.S. Proc. M.410 CAVIDADE VERTICAL PARCIALMENTE PREENCHIDA MALHA 50X50 REFINADA 0.0 1. Tunísia. pp. Theoretical development”. Turbulent Natural Convection in Enclosures Completely Filled With Porous Material. Caxambu. Int. 2002. 551-560. Paper AIAA-2002-3316. 38. (2002d). M. João Pessoa. Macroscopic Turbulence Modeling For Incompressible Flow Through Undeformable Porous Media. “Convecção Natural em Regime Laminar em Cavidade Contendo Material Poroso”. Magro. Anais do CONEM 2002 . M. de-Lemos. vol.. “Numerical Treatment of the Stress Jump Interface Condition for Laminar Flow in a Channel Containing a Porous Layer”. NATURAL CONVECTION IN CAVITIES COMPLETELY FILLED WITH POROUS MATERIAL.286290 1. E.10 53. August 12-16. “ Convecção Natural em Regime Turbulento em Cavidade Contendo Material Poroso”. (2000). Vol 44(6).T. Proceedings of APM2002.J. U.J.S. Paper IMECE2002-34403. Whitaker. Proceedings of CONEM2002...J. CONCLUSÕES Neste trabalho foram apresentados resultados numéricos para escoamentos laminares e turbulentos em domínios híbridos com transferência de calor. (2002e).0 4.. New Orleans.. respeitadas as condições de contorno na interface.11 51. Estes resultados indicam.Entretanto. Jerba. em última análise.J. 825-834. De Lemos. Percebe-se também que o número de Nusselt permanece de acordo com o refinamento da malha nas paredes.0 1. J. (2002a).97 113. Brazil.S. os quais envolvem interface entre a matriz porosa e o meio limpo. V. June 2-8.227704 1.A. (2002b). João Pessoa. S. Heat Mass Transfer.S. November 17-22.II Congresso Nacional de Engenharia Mecânica.J. de-Lemos. ENCIT 2002 . de-Lemos. pp. LAMINAR NATURAL CONVECTION IN CONCENTRIC AND ECCENTRIC ANNULI. E. (2002b).. SC.S.8 1.31 0. 2002 ASME International Mechanical Engineering Congress (accepted for presentation). M. 2635-2646. Florianópolis.. (2002c). S..J. M.S.J.J. de-Lemos. Brazil. a intensidade de corrente convectiva na situação de cavidade totalmente limpa implica em um Nu maior que no caso com material poroso.S.J. R.. de-Lemos. J. V.J. O método numérico utilizado possibilita o tratamento do meio poroso e do meio limpo em um único domínio de cálculo. Missouri. S. de-Lemos. 2001. J. LA..69 5. Vol. 1. CAVIDADE VERTICAL PARCIALMENTE PREENCHIDA MALHA 50X50 REGULAR 103 104 105 106 \Ra β 1. Tabela 1– Número de Nusselt para cavidades verticais.749 9. F.J. M.18 14.. USA. NATURAL CONVECTION IN TURBULENT REGIME IN CONCENTRIC AND ECCENTRIC HORIZONTAL ANNULAR REGIONS.H. t. D. M. ETT 2002 . 23 a 28 de agosto. de-Lemos.A. V.Escola de Transição e Turbulência.3019 1. pp..71106 2. Magro. pp. Paper APM-164. Rocamora.. Silva.. 23 a 27 de Setembro. St Louis. Braga. 9th Brazilian Congress of Thermal Engineering and Sciences (accepted for presentation).127757 CAVIDADE VERTIVAL PARCIALMENTE PREENCHIDA MALHA 50X50 REFINADA ESCOAMENTO TURBULENTO 107 108 109 1010 φ / Ra 0. Proceedings of ENCIT2002. “Analysis Of Convective Heat Transfer For Turbulent Flow In Satured Porous Media. M. 27(6). J. E. Braga.. of 8th AIAA/ASME.S.901 20. M. Heat Mass Transfer.. Int. E.S. October 13-17. Joint Thermophysics and Heat Transfer Conference.. Vários parâmetros de interesse foram analisados e os resultados apresentados mostraram-se bastante coerentes com o esperado.J.. June 23-27. 1081-1093.2079623 1. MG.14 2. E.J.5 0. Numerical Heat Transfer – Part A (in press). deLemos. Heat Transfer...Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciências Térmicas..279 4. uma homogenização do número de Nu com a aplicação de uma cavidade porosa na cavidade. PB. “Momentum transfer at the boundary between a porous medium and a homogeneous fluid-I.. (2002c). Braga. (2002). para Ra elevado. Braga. de-Lemos.S.. M. [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] .T. Braga.J. M. de-Lemos. Caxambu. 3rd Congresso Nacional de Engenharia Mecânica. 1st International Conference on Applications of Porous Media. M. J.A. 2002c Pedras. vol.