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O ATUAL MOMENTO DA AUDITORIA INDEPENDENTE NO MUNDO E A REVISÃO DOS PARES/SUPERVISÃO E CONTROLE DE QUALIDADE Com a falência da ENRON, que era a sétima maior corporação capitalista dos Estados Unidos, criou-se um clima geral de desconfiança no mercado financeiro. O que ninguém esperava, é como poderia ter ocorrido um fato destes, principalmente se tratando de uma empresa que vinha mostrando-se até então com excelentes índices de liquidez e rentabilidade em suas demonstrações contábeis. O problema é que essas demonstrações contábeis apresentadas pela Enron não representavam a realidade da organização. E quem realizava os trabalhos de auditoria nos balanços da empresa era uma das maiores firmas de auditoria do mundo, a Arthur Andersen, que prestava serviços externos de auditoria para a Enron desde a década de 80. A partir deste momento, verificou-se a fragilidade do sistema de auditoria. Onde a desconfiança no mercado de ações foi geral , já que os investidores sustentam-se em informações contábeis para a tomada de decisões. A Arthur Andersen além de auditar a Enron, também prestava serviços de consultoria contábil para a empresa, o que não deixa de se tratar de uma conduta antiética. já que, enquanto o trabalho da auditoria é fiscalizar, o da consultoria é apontar caminhos para a ação do administrador na busca de melhores resultados para seus investimentos. É incompatível então, fiscalizar – tarefa da auditoria e ao mesmo tempo, oferecer conselhos alternativos para tomadas de decisões – tarefa da consultoria. Por volta da década de 90, a Andersen recebeu também a tarefa de conduzir os trabalhos de auditoria interna na empresa, a acusação é que, na prática, os auditores supervisionavam os sistemas e controles contábeis com uma das mãos e com a outra atestavam a validade dos números que eles produziam. A partir de todos estes fatos, fortaleceu-se a pergunta: Quem audita os auditores ? E Uma das formas para evitar estes tipos de atitudes, como o desrespeito às normas contábeis ou a manipulação de dados por parte das empresas de auditoria, seria a chamada “revisão pelos pares”, que visa a garantia de qualidade dos serviços dos auditores externos. A auditoria terá agora que abrir suas portas para a fiscalização externa, que será feita por um concorrente - daí o conceito de revisão pelos pares. O objetivo principal desta medida é que todas as firmas de auditoria tenham um padrão mínimo de aplicação das normas de contabilidade. Forçando também que as firmas tenham uma documentação melhor dos seus trabalhos de auditoria. O único detalhe é que nos Estados Unidos em que essa prática já é utilizada, acabou mostrando-se pouco eficaz em relação a Arthur Andersen, já que a mesma submeteu-se anteriormente à uma avaliação feita por uma concorrente, no caso a firma Deloitte & Touche LLP, e acabou sendo aprovada na avaliação. Aí entra a questão, da qualidade e da competência da outra empresa de auditoria que vai auditar uma outra...porque senão, o que vai acontecer é que não vai ter razão para se criticar o trabalho de uma empresa concorrente, já que, todas agem da mesma maneira. Bom, Então o auditor tem o dever de proporcionar para o usuário da informação contábil uma confiança de que as demonstrações refletem a realidade das operações.