TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB

O Cine São José como espaço de lazer, diversão e sociabilidade
José Emerson Tavares de MACEDO1

Campina Grande, Ano II – Vol.1 - Número 02 – Março de 2011

Mestrando em História pelo PPGH/UFCG – Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Campina Grande. Graduado em Licenciatura em História pela UEPB – Universidade Estadual da Paraíba. E-mail: emersoncampina@hotmail.com
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Ano II – Vol. knowing the importance that this monument brings not only for the neighborhood. Campina Grande. sabendo da importância que esse monumento traz não apenas para o bairro. DIVERSÃO E SOCIABILIDADE RESUMO O presente artigo tem como pretensão fazer uma discussão sobre o Cine São José. vandalism attacks. PALAVRAS CHAVE: Cidade. We will make a historical review of its history to the problems of today is the old cinema as graffiti. mas também para cidade de Campina Grande. ABSTRACT This article intends to make a discussion about Cine São José. ataques de vandalismo. Cine São José.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB O CINE SÃO JOSÉ: COMO ESPAÇO DE LAZER. Cine São José. Discutiremos as ações tomadas pelo poder público bem como as ações daqueles que tentam preservar o espaço do antigo Cine São José.Número 02 – Março de 2011 .1 . Faremos um resgate histórico da sua história aos problemas que por hoje o antigo cinema passa como: pichações. but also for the city of Campina Grande. destruction caused by the action of time without it to be restored. We will discuss actions taken by the public as well as the actions of those who try to preserve the site of the former Cine São José KEYWORDS: City. Patrimônio. destruição ocasionada pela ação do tempo sem que o mesmo seja restaurado. Patrimony.

em 1939. mais conhecido como “Cine Pulga”. funcionava no prédio onde hoje é um Shopping Center. Ano II – Vol. O cinema chega a Campina Grande no ano de 1909 com o nome de Cine Brazil. na Rua Getúlio Vargas no centro da cidade. funcionou durante mais de 60 anos e foi último a fechar dos cinemas da cidade. Em 1910. o Cine São José. O último cinema construído na cidade.000 lugares. na rua Irineu Joffily. sendo frequentemente referidos como os pais do cinema. embora ambos sejam do mesmo proprietário.1 . na década de 70.000 lugares na Praça Clementino Procópio. na rua Lino Gomes no bairro do mesmo nome. Em seguida. Capitólio. o Avenida que funcionou onde hoje existe uma Igreja evangélica.Fotografias do antigo Cine São José. foi inaugurado o principal concorrente do Capitólio. Na primeira fase dos cinemas da cidade Campina Grande veio: Cine Apollo de 1912 e Cine Fox de 1918. o Real do Bairro da Prata. quando estava em atividade. Campina Grande. que funcionou no Centro Cultural. com capacidade para 1.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB O CINE SÃO JOSÉ Figura 1 . Foi o Olavo Wanderley que em 20 de novembro de 1934 inaugura a maior sala de exibição cinematográfica campinense. funcionava no antigo prédio da instrução no bairro das Boninas. Cinco anos depois. local onde era realizada a feira da cidade. O cinema Babilônia foi construido com cerca de 1. Mas a era de ouro do cinema campinense deu-se na transformação do cinema mudo para o falado. O Cinema chegou em Campina Grande 14 anos depois dos irmãos Auguste Marie Louis Nicholas Lumière e Louis Jean Lumière terem inventado o cinematógrafo. surgiu o Cine Popular do Sr. vieram os cinemas de bairro. foi o Cinema 1.Número 02 – Março de 2011 . José Gomes que ficava na Rua Maciel Pinheiro. o Cine Liberdade ou Imperial localizado no bairro da Liberdade e o Cine Arte de José Pinheiro. Após se espalhar por várias cidades do Brasil.

muito comum na época os cinemas “dividirem” o seu espaço com as peças teatrais. surgindo às primeiras residências da então cidade de Campina Grande. O primeiro da cidade. eram apresentados nos palcos dos cinemas: Apolo. Epaminondas. recreativas. Nomes importantes da cultura brasileira por lá passaram. O Cine São José foi inaugurado no dia 10 de novembro de 1945 4 com a exibição do filme “Sempre no Meu Coração”. o “bairro” de São José era a área habitada mais antiga da cidade2”.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB Entre esses cinemas de bairros que apresentamos. O Cine São José não ficou incumbido apenas nas apresentações de filmes. Campina Grande: Ed. p.84.Número 02 – Março de 2011 Entre os novos empreendimentos feitos na cidade entre as três primeiras décadas. afirma que: Campina Grande. Babilônia. A história do teatro em Campina Grande tem início em 1925. sendo inaugurado em 26 de maio de 1912. 1988. 4 CÂMARA.f CÂMARA. Datas Campinenses. o que acarretou no surgimento do primeiro grupo teatral campinense. quando foi fundado o “Cine Teatro Apolo”. que era separado pelo Açude Novo3. políticas e por que não modernas. 3 Foi construído no ano de 1830 com o objetivo de abastecer a população de água por conta da seca na época. Epaminondas. Datas Campinenses. p. Em Campina Grande surge com uma estrutura específica a partir de um duplo interesse. A importância deste bairro foi a de ter se organizado ao lado do centro. quando em 1945 passou a ter o seu próprio cinema.152. Capitólio e Cine São José. como Luiz Gonzaga e o ator Rodolfo Mayer. 2 . sendo o segundo açude da cidade (o primeiro foi o Açude Velho e o terceiro foi o Açude de Bodocongó). 5 C. Campina Grande: Editora Caravela.10). citamos também o advento do cinema e do teatro. Neste período. ainda do final do século XIX se constituíram as primeiras habitações e “ruazinhas” que deram origem ao bairro tempos depois. O exemplo de muitas casas de exibição do gênero era também palco para apresentações de espetáculos cênicos e musicais. Os anseios por essas atividades na cidade começam a se concretizar. daremos destaque a um. este foi um dos primeiros bairros da cidade onde passou a ser habitado. 1988. econômicas. logo passou a ter sinais de grandeza e de modernização. Campina Grande ainda vivia o final do ciclo do algodão e alimentava o desejo de ser uma cidade grande e moderna. negócios que se proliferam naquele momento histórico em todas as localidades. p.1 . Por se localizar em uma área central. "O Corpo Cênico do Grêmio Renascença". quando alguns empresários se reúnem para o projeto de construção de um cine-teatro em Campina Grande. Segundo CÂMARA.180) “Excetuando o sítio inicial e sua parte central. Os espetáculos montados na cidade ou vindos de fora. no inicio do século XX. p. Em termos de desenvolvimento urbano. unindo a tela e o palco. Caravela. Ano II – Vol. Segundo Fontes (2008. Para Sousa (2006. surgiu em um amplo salão com fundos para a Rua Barão do Abiaí. 1947:71. fruto dos anseios comuns do empresariado local e da elite que pretendia estabelecer na cidade um lugar onde fossem postas em prática as atividades artísticas. podemos destacar a bairro do São José. o Cine São José. Epaminondas. era o Cine-Theatro Apolo5. localizado na atual Rua Maciel Pinheiro.

p. já que se tratava da mesma empresa do Cine Capitólio. mas precisamente o Capitólio e Babilônia foram construídos enormes e sua elegância era cobrada nos preços dos ingressos.Cartaz que prenunciava a programação do dia O Cine São José foi construído para funcionar como cinema popular. que compareciam às suas salas quase todos os dias. Os que se localizava no centro da cidade. Campina Grande. apresentando o espetáculo “As Mãos de Eurídice. o que acabava afastando a camada popular desses cinemas “sofisticados”. este foi um dos primeiros cinemas de bairro de Campina Grande.” Nessa próxima imagem visualizamos um cartaz apresentando o espetáculo do dia. Outro cinema elitizado era Cine-Teatro Apolo.Número 02 – Março de 2011 Os cinemas também era um espaço que acontecia a separação de classe social. recebeu caravanas de artistas de todo o Brasil. os cines Avenida e São José. vadios. (2002. . trabalhadores.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB O Cine São José. mas que ao longo da sua história em 1935 mudou seu nome para “Cine Para Todos” tentando atrair a camada popular para que não acarretasse em sua falência. de qualquer forma ofereciam oportunidades para quem não podia pagar ingresso mais caro no Capitólio. inclusive o ator Rodolfo Mayer. recebiam os pobres.283) Enquanto o Capitólio e o Babilônia eram mais freqüentados pelas elites. também nas proximidades do centro.1 . o proprietário Olavo Wanderley. desocupados e estudantes viciados em cinema. Segundo Souza. sendo localizado no bairro São José logo o cinema recebeu esse nome. também foi Cine Teatro São José. As instalações do Cine São José eram mais precárias. Figura 2 . Ano II – Vol. o cinema exibia por um preço mais barato os mesmos filmes do Capitólio. mas.

a separação que Campina Grande. são classificados por ele como os de classe B. 1993. Esses na “periferia” da cidade tinham como uma das possibilidades de lazer e diversão os chamados cinemas de bairro. justamente por ter seu ingresso mais caro do que os cines Avenida e São José. questiona o ex-dirigente do Capitólio Lívio Wanderley sobre a divergência de classes dentro do Capitólio. Como você explica isso? LW .TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB Figura 3 . Com preços mais acessíveis custando quase sempre à metade do preço cobrado dos grandes cinemas: Babilônia e Capitólio. pode-se compreender o motivo da divergência de preço de um cinema para outro. Observando ainda a fala do Sr. mas também pagava o “luxo”. p. frequentadores dos cinemas de bairro. No caso do Capitólio. . Lívio Wanderley. devido ao melhor conforto que oferecia a seus frequentadores.Visão externa do Cine São José Do outro lado da sociedade temos a camada popular.461) Então podemos observar no depoimento do Sr.Em toda cidade existe o cinema classe A e o classe B. Lívio.O Cinema Capitólio tinha como seus freqüentadores aqueles mais afortunados.Número 02 – Março de 2011 acontecia entre os frequentadores de cinema da sociedade campinense. Ronaldo Dinoá em sua obra Memórias de Campina Grande. a classe elitizada da cidade. Dinoá faz a seguinte pergunta: RD . A elite da sociedade é caracterizada pelo ex-dirigente do Capitólio como os de classe A e a camada inferior. o mesmo era considerado classe A. Ano II – Vol. na época. ou seja. O consumidor do cinema não pagava só o espetáculo. (DINOÁ.1 .

mais conhecido como “Cine Pulga” e o Cine Vitória. italianos e mesmo franceses. Para Souza (2002. no bairro de mesmo nome. . o Cine São José. Até os anos setenta. O melhor do Cine São José eram as matinês dos domingos. Todavia. o São José sobreviveu sem grandes problemas. filmes que não tinham espaço no Capitólio. fazendo com que diminuísse o público desses cinemas. cumprindo o seu papel como espaço de cultura e lazer. além de outras salas de projeção espalhadas pela cidade. de caráter popular. os cinemas de bairro acabaram fechando ou perderam o seu público por uma imposição das distribuidoras que. como Cine Avenida. Mas. o Cine Arte.283-284): Os outros cinemas.1 . o Capitólio. até sucumbir diante da concorrência da televisão. As chanchadas foram comuns no Brasil entre as décadas de 1930 e 1960. p. do 6 É o espetáculo ou filme em que predomina um humor ingênuo.Número 02 – Março de 2011 O Cine São José teve seu auge nos anos 50. na década de 50). na rua Getúlio Vargas. ajudavam os mais pobres a travar contato com filmes e artistas que poderiam educar-lhes para as artes da convivência em sociedade. passando filmes estrangeiros como os filmes holiudianos. o Cine Liberdade (ou Imperial. também no bairro de igual denominação.Visão interna do Cine São José – 1952 Observamos na imagem acima. com destaque para o bom número de pessoas presente neste espaço. passaram a exigir igualdade no preço dos ingressos: fosse o mesmo que era cobrado pelos cinemas de primeira categoria. em José Pinheiro. Assim. por esse ser um cinema mais “elitizado”. tentavam trazer para seus espectadores um pouco da arte cinematográfica. a partir dos anos 60. levando-as a exigir dos administradores e políticos locais um desenvolvimento mais igualitário como o proposto em alguns filmes americanos.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB Figura 4 . Estes cinemas de bairro eram uma espécie de escola para as pessoas adquirirem o habito de ir ao cinema. Ano II – Vol. o cinema como educador poderia também tornar as pessoas simples mais exigentes. as pessoas de menor poder aquisitivo encontrava no Cine São José uma forma de assistir o mesmo filme do cinema mais sofisticado da cidade. em instituições religiosas ou de cunho cultural. burlesco. Campina Grande. com aqueles filmes romanos repetidos exaustivamente como: „O Pirata Sangrento‟. alguns filmes mexicanos e as chanchadas6 brasileiras. a visão interna do Cine São José no ano de 1952.

não sei o que poderá acontecer>>.Número 02 – Março de 2011 <<As dificuldades de atrair espectadores para o Cine São José. de fato. Quando em abril de 1983. A Televisão.1 . de Campina Grande. essa década era de exibição de filmes de lutas. O prenúncio desses tempos adversos coincide com o início dos anos oitenta. e contou com uma produção bem numerosa e comercial. mais disse ele. Chamado assim por trazer alguns elementos dos filmes do gênero conhecido como chanchada e pela dose alta de erotismo que. um velho filme japonês de kung-fu anunciava a sua última sessão. ou seja. embora não houvesse. caso as bilheterias‟ não melhorem. <<Esses cinemas também não têm correspondido à espectativa. em uma época de censura no Brasil. embora não possamos afirmar que esta fotografia foi da década de 80 por não conseguirmos a tal informação. localizado no bairro do mesmo nome. . destacamos a que se reporta sobre o cine. que a essas alturas poderia ser considerada o motivo principal desse acontecimento não foi cogitada pelo Sr Lívio como o obstáculo principal. o Sr Lívio Wanderley. Figura 5 . Com essas palavras. que. cenas de sexo explícito nos filmes. O Jornal da Paraíba. Há mais de um ano que alí tinhamos prejuízos. embora não tenha negado sua influência. em uma de suas matérias do dia. e a frequência tem deixado muito a desejar. não sigam o mesmo destino. Se não houver uma reação por parte do público. Assim decidimos fechá-lo no dia 03 de abril próximo>>. A exibição que predominava neste momento era os filmes brasileiros as chamadas Pornochanchada7 brasileiras e os filmes humorísticos a exemplo do filme: os trapalhões. da crise econômica. Ele disse que ainda tinha esperança que os outros cinemas. fazia com que fosse comparado ao gênero pornô. dizendo: “Mais um cinema poderá fechar”: Campina Grande.Visão interna do Cine São José A imagem acima retrata a evasão do público no Cine São José na década de 80.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB vídeo. gerente do Cine Capitólio. e anunciou igual destino para o cinema da Avenida. isso não pode ser levado tão a 7 É um gênero do cinema brasileiro comum na década de 70. Ano II – Vol. foram as razões que motivaram o seu fechamento. justificou o encerramento das atividades do Cine São José. Cine Babilônia e o Capitólio. Surgiu em São Paulo. já enunciava o possível fechamento do Cine São José.

de uma vez que isso só contribui para desabonar a cidade>. siquer cobrindo os custos com o pessoal. intitulada: Filme de Karate marca hoje o fim do Cine São José. o fechamento de um cinema de bairro. Assim. programação e conforto.1 . O fechamento do Cine São José ocorre em função do declínio crescente de sua bilheteria.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB sério <porque em todas as cidades do porte de Campina Grande. onde foi transferida para um abrigo quando foi feito uma restauração no prédio. 01. Só espero que os centrais não tenha o mesmo destino que está tendo o Cine São José. oma deficiência da própria cidade>. responsável pelas exibições dos filmes do Cine São José. apesar de grandiosidade do espetáculo. Quando são exibidas películas a nível de <Desaparecido> de Costa Gravas. já é coisa freqüente. desligando pela ultima vez os projetores do Cine São José A imagem acima é a de um projetista desligando a maquina responsável pelas exibições dos filmes no Cine São José. O funcionamento não estava. constituía . Lívio Wanderley disse que já baixou o prêço das matinês. também o local já foi alvo de igreja evangélica.e continuou – é lamentável que isso ocorra. Abordando sobre o fechamento do Cinema. em 1983 o cinema fecha as portas e desde então está entregue ao “relento”. A nível nacional. não está acontecendo esse tipo de coisa. material da melhor qualidade. outra matéria do Jornal da Paraíba.O projetista. Ano II – Vol. quando temos qualidade técnica. excelentes projeções. Destacamos ainda. Os exibidores de cinema estão vivendo um verdadeiro drama os filmes pornôs de certa forma afasta o considerado público classe <a>. funcionário da empresa de Cinemas Luciano Wanderley. Há portanto. tendo inclusive. Nesse espaço que está fechado já serviu de moradia para uma família pobre. o próprio alugel das fitas. ponto de pichação e de mural para propagandas.Número 02 – Março de 2011 Figura 6 . lançamos a hipótese de que a pessoa na imagem é do funcionário. Campina Grande. no qual se falava que o local seria deles. E atualmente tem servido de abrigo para parada de ônibus. (JORNAL DA PARAÍBA.Abr. por mais baratas que fossem. lançamentos simultâneos> . o projetista: José Martiníano dos Santos. a frequência é mínima. 1983) No fim da década de setenta o público já não era o mesmo. fazendo muita publicidade e a programação aqui exibida é a mesma em todo o Brasil.

de atores famosos ainda estavam penduradas nas paredes na noite de domingo. totalizou Cr$ 14.<Sempre em meu coração> produzido pela Warner Bross e estrelado pela Kay Francis e pelo Walter Huston. Alguns deixaram fotografias autografadas compondo uma pequena exposição na sala da gerencia. Essas mulheres compunham as <alas femininas>. uma serie de matérias lançadas por um dos jornais da cidade o JP (Jornal da Paraíba). As bilheterias entram em declínio e não há campanha de motivação que consiga vencer a rapidez.Abr. Apenas o cíneasta e professor Machado Bitencourt e o crítico Ronaldo Dinoá lá estiveram fazendo perguntas aos três funcionários da casa. Como sua localização está muito próxima dos seus concorrentes. 1983) Destacamos a seguir. Assim foi-se mantendo na base de <reprises> de filmes classe <C>. 1983) Campina Grande. Na noite de hoje. Sem instalações renovadas. o Cinema Capitólio e o Cinema Babilônia. segundo o último borderô assinado pelo bilheteiro Inaldo Torres. Apesar do anúncio que haveria um <hapening> de artistas e intelectuais no local. A matéria intitulada: “. Foi um fim Melancólico apenas marcados pelos <urros> dos incansavéis atores do Kung-Fu. Guerra Mundial e. os karatês e os pornôs de baixo nível com tal oferta de títulos. <Essa quantia foi até alta. da seguinte forma: As vinte e duas horas. Foi essa a última função do velho cinema de Campina Grande que há 38 anos vinha funcionando. siquer dizendo <boa noite> ao porteiro Cícero Fernandes. (JORNAL DA PARAÍBA. todavia uma grande estória. o projetista José Martiníano dos Santos. 03. Os expectadores simplesmente saíram pelo portão largo. sem ar condicionado. Em seu grande auditório reuníam-se mulheres campinenses para memoráveis saraus políticos. O Cinema do São José fecha suas portas para total desativação seguindo o exemplo de muitas outras casa de projeção espalhadas pelo Brasil. com o período da rede mocratização do país. O Cinema São José tem. Ano II – Vol. Não houve nenhum ato público de encerramento. seguidoras de Argemíro de Figueiredo e do Dr Elpídio de Almeida.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB sempre um prejuízo. Depois do Karatê apagaram-se as luzes” do Jornal da Paraíba que retratou o fechamento do Cine São José. na última sessão de Cinema. A abertura do Cine São José coincidiu com o período do encerramento da 2ª. Há poucos minutos êle havia terminado a projeção <No Violento Mundo do Karatê> último filme ali exibido para uma platéia de pouco mais de 50 pessoas. funcionário da empresa de Cinemas Luciano Wanderley desligou as duas máquinas <Velo-Cine> do Cine São José.1 . para assinalar o fechamento do Cine São José.00. o estabelecimento de uma concorrência entre as casas exíbidoras do mesmo círcuito não deixava alternativas para a sobrevivência do Cine São José – as fitas alí exíbidas estavam sempre na lista dos títulos reprísados. Por outro lado. os <campeões> de bilheteria. Com que a Televisão (que projeta filmes gratuitamente) vem ganhando os espectadores. o Cinema São José foi perdendo toda sua clientela. terminou reduzindo ainda mais a frequência..Número 02 – Março de 2011 . a velha casa de projeção perdeu todo o seu encanto. Para o Sr. Múcio Wanderley. o Cinema São José alugou seu palco para apresentação de famosas e curvilíneas <rumbeiras> que passaram pela cidade. Será uma última homenagem à velha casa que hoje será desativada. Política à parte. Essas dançarinas pasavam e íam ficando na boa memória dos seus fãs.. não podia justificar o aluguel de fitas tipo <road-show>. Parte dessas fotos e outras. Campina Grande – 05 Abr. com paredes sujas. o principal fator do fechamento do Cine São José é o <dado econômico> o povo já não está assistindo filmes. Pode-se dizer que o dinheiro apurado mal dava para apagar o aluguel das fitas. vinte e cinco minutos do último domingo.(JORNAL DA PARAÍBA. consíderando-se a baixa frequência nos dias de semana. nada de anormal aconteceu. também. Toda a renda do domingo somando-se a sessão da tarde com a nortuna. Como não tinha frequentadores. que apresentou em suas paginas os problemas do Cine São José no ano do seu fechamento. Ele começou a funcionar no dia 10 de novembro de 1945 com a exibição de um filme que foi o grande sucesso daquela época . alguns cinéfilos campinenses estarão-se reunindo no Cine São José para uma discussão conjunta sobre a <situação do Cinema> em Campina Grande.600. os chamados <bangue-bangues>.

no século XV. Após o fechamento. Ano II – Vol.11-23). Não cuidamos da pracinha. sobretudo. (JORNAL DA PARAÍBA. que no último domingo dia 03. pelo vereador Erinaldo Guedes.Número 02 – Março de 2011 PATRIMÔNIO E CIDADE De acordo com CHOAY (2001) em seus escritos sobre patrimônio como monumentalização. Erinaldo Guedes considerou. ocorrência que trouxe muita tristeza e sensibilizou a tantos quantos privaram do prazer de assistir a excelentes películas naquela casa de diversões. Ou nem percebemos. A cidade vai se apagando ao nosso redor e não nos damos conta. Campina Grande.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB Assim foi o fechamento do Cinema São José. é entendido como tudo aquilo que denota ou pode identificar o monumento de rememoração e de lembrança. 24. 2001. a noção de patrimônio como a de monumento veio se modificando ao longo dos séculos e passou do status de antiguidade. buscamos ainda em paginas de jornais se houve alguma mobilização quanto ao fechamento do cinema. dos brinquedos ou das árvores que existem nela. 1983) O Cine São José foi durante muito tempo um ponto de encontro da sociedade campinense. sucumbindo à concorrência da televisão e ao desprestígio do público.1 . Afinal. já que foi um dos primeiros cinemas instalados da cidade. Era o último cinema de bairro da cidade. . para sofrer “o complexo de Noé” nos dias atuais (CHOAY. fechando suas portas na noite de domingo do dia 03 de Abril de 1983. atender aos anseios do povo de Campina Grande. que encantou varias gerações. Um dia. com presença ativa na vida de milhares de campinenses durante várias décadas. percebemos que há um grande matagal ou um grande lixão no lugar da praça. Na derradeira sessão não houve ato público nem discurso. Alegou aquele edil campinense. terá que ser desapropriada pelo poder Público Municípal. com vista a desapropiar e indenízar os proprietários do prédio do cinema São José dando a destinação cultural àquela casa de espetáculo Este foi o requerimento apresentado ontem à Câmara Municipal. a fim de que seja transformada em Casa Cultural. ou seja em Casa dos Cantadores. ele serviu como lugar cultural. o cinema São José. devido as suas exibições dos filmes em si. p. que para que ela não mude totalmente a sua destinação social. Com esse entendimento estamos nos guiando pelo conceito de patrimônio conforme destaca Françoise Choay.Abr. como lugar de sociabilidade para as pessoas que habitavam o bairro do São José e como espaço de lazer e diversão para aqueles que o frequentavam. É um espaço de forte presença na memória do povo de Campina Grande. encerrou suas atividades. encontramos apenas a seguinte matéria jornalistica: O que será agora do “Cine São José”? Que se apele ao Prefeito Municipal de Campina Grande. Neste sentido. tudo tem ou obtém algum motivo para ser preservado para as gerações vindouras.

ocupando e conferindo um novo significado para um território. que desapareceram ou modificaram-se. a cidade guarda também. Temos tanta pressa para ver determinadas coisas. O ato do tombamento.115). E por falar em tempo é comum não termos tempo para olhar as coisas no caminho de casa para o trabalho. É esta dimensão que permite que o próprio espaço da cidade se encarregue de contar sua história. Raquel Rolnik. o panorama urbano da cidade de Campina Grande transformou-se. prerrogativa do poder Executivo.1 .. mas que em algum momento fez parte de seu tecido e que permanece latente. em seu livro O que é cidade. tratando-se sim de "uma fórmula realista de compromisso entre o direito individual à propriedade e a defesa do interesse público relativamente à preservação de valores culturais" (FONSECA. (ROLNIK. 1997. Os espaços de apropriação e as relações que seus habitantes estabelecem com o patrimônio histórico e cultural da cidade. estão escrevendo um novo texto (. apenas dois imóveis tombados: o Edifício-Sede da Reitoria da UEPB.245. de suas pedras e das suas casas. que “não é do nosso tempo”. Parafraseando Maria Luiza Dias (2005). e o Cine Capitólio. afirma que: A arquitetura da cidade é ao mesmo tempo continente e registro da vida social: quando os cortiçados transformam o palacete em maloca estão ao mesmo tempo. Para o bem ou para o mal.). Porém. inaugurado em 1934 e que fechou suas portas em 1999.. Através de um tombamento conjunto. p.12-13) Neste sentido. imagine algo que nunca usamos. para o supermercado ou para o shopping. Ano II – Vol. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) . quem ampliou o raio de atuação da preservação do patrimônio do município. uma vez que. as mudanças acontecem por ação ou inação do homem. a cidade da Serra da Borborema preservou mais uma dezena de imóveis construídos entre os séculos XIX e XX. de 21 de setembro de 2001. que acabamos não vendo o que há no caminho.Número 02 – Março de 2011 com o crescimento da cidade no sentido vertical. 1994. observamos os lugares que se constituem em patrimônio edificado. uma construção do início do século XX. fragmentos de algo que não lhe pertence. vivem na memória dos seus habitantes. na memória de suas esquinas. não implica desapropriação e nem determina o uso.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB Se não cuidamos daquilo que podemos usar. foi o Decreto nº 22. Campina Grande possuía até o ano de 2000. quando foi adquirido pela Prefeitura. Campina Grande. mas que fazem parte da memória da cidade. que apresenta predominantemente o estilo neoclássico em sua arquitetura e que foi local do 1º Grupo Escolar da Cidade de Campina Grande. quase sempre sem grande importância. p.

E nessa premissa. o pedido de tombamento conjunto foi encaminhado à Curadoria do Patrimônio de Campina Grande. artísticos e históricos no Estado.CONPEC. expressando o modo racional da vida burguesa adaptado aos trópicos. que posteriormente o enviou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba. a proteção.Número 02 – Março de 2011 apenas o tombamento é necessário ocupação e atividade. que cada Estado tem o poder de criar órgãos. não basta Campina Grande. responsáveis pelo cadastramento e tombamento de bens culturais. O Cine São José que estar sobre a guarda do Governo do Estado. 8 9 Informação obtida do blog: http://carlosmosca.8 Um edifício tombado pelo patrimônio histórico gera “riqueza” para cidade. órgão deliberativo do Instituto. . arte nouveau e futurismo. foi assinado o seu Tombamento através do Decreto nº 22. A Constituição da República Federativa do Brasil em uma das suas premissa. em nível estadual. que foi criado a partir do Decreto-Lei 5.255 de 31 de Março de 1971. uma mistura de vários estilos ecletismo movimentos do início do século XX. que aprovou o pedido de tombamento por unanimidade. Dos aspectos arquitetônicos e paisagísticos: o prédio do Cine São José é um exemplo típico do estilo Art déco9 que seguia os padrões das construções tradicionais da alvenaria de tijolos. Instruído o processo.245 que homologou a Deliberação nº 0077/2001 do Conselho de Proteção de Bens Históricos Culturais . estabelece que cabe ao poder público. Dada a importância do antigo Cine São José para a identidade cultural da cidade de Campina Grande. em 21 de setembro de 2001. incluindo construtivismo. Foi um movimento popular internacional de design de 1925 até 1939 que afetou as artes decorativas.com/ Publicada no dia 16 Mai. do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba .blogspot. A partir deste trabalho de garimpagem. além do valor sentimental que ele representa o monumento passa a ter um valor histórico. este movimento foi de certa forma.IPHAEP.1 . Ano II – Vol. espaço não só de lazer e diversão. com o apoio da comunidade.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB chegou a estes imóveis através de um levantamento histórico e arquitetônico realizado por professores e alunos da Universidade Estadual da Paraíba e Universidade Federal de Campina Grande. Mas. servindo como painel de pichações outdoor de propagandas e abrigo de parada de ônibus. modernismo bauhaus. 2010. que contribui para formação de várias gerações de campinenses.IPHAEP. preservação e gestão do patrimônio histórico e artístico do país. mas também lugar de sociabilidade. Surge mediante esses problemas o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba. cubismo. acompanhada das coberturas de telhas romanas de capa e canal desnudadas de qualquer ornamentação. Porém por não exercer nenhuma atividade se tornou uma área marginalizada. já passou por reformas desde o seu fechamento. ele foi finalmente apreciado pelo CONPEC – Conselho de Proteção dos Bens Históricos Culturais.

Observamos ainda. A segunda fotografia. a figura oito é da década de 1990.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB CINE SÃO JOSÉ APÓS O SEU FECHAMENTO O antigo cinema. nessa mesma imagem podemos visualizar a conservação da sua fachada. supomos que seja de um protesto da época. entre esses projetos está o da professora Eneida Maracajá que chegou a propor três projetos. . fechado há anos. porém nenhum foi colocado em prática. mas já com o “espírito” de solidão. José – Década de 1990 A figura sete é da década de 1980 e retrata o momento em que o Cine São José fechou suas portas.Número 02 – Março de 2011 Figura 7 . assim podemos acompanhar o abandono deste patrimônio histórico. para crianças e adolescentes em estado de risco social. provavelmente pedindo a sua reforma as autoridades públicas. na imagem podemos visualizar a ruína do prédio e a poluição visual feita por cartazes colados nas paredes do antigo cinema. a presença de uma faixa na fachada do prédio. Ano II – Vol. Campina Grande. cartazes colados em portas e muro do prédio. Várias reformas já foram feitas no prédio do antigo cinema. mas entre eles ela destaca um que era a utilização do prédio do antigo Cine São José como Cine Teatro – Escola. Apresentamos a seguir algumas imagens em ordem cronológica da fachada do antigo prédio Cine São José. além das pichações e traços vibrantes que lembram o grafite. José – Década de 1980 Figura 8 .1 .Cine S.Cine S. dos atos de vandalismo: quebrando e roubando objetos como portas. além desses problemas o Cine São José sofre até os dias atuais com a poluição visual de propagandas. fios e até mesmo o piso original do palco. Vários projetos foram idealizados para sua ocupação. está “hoje” nas “mãos” do Governo do Estado da Paraíba. porém a falta de atividade nesse espaço após as reformas deixaram a mercê da ocupação de sem tetos.

de 2006 Figura 10 . mas não sabemos até quando ele conseguirá “sobreviver” a essas atitudes de destruição. Mas. Assim.Jan. A última figura como vemos. novos cartazes são colados na sua parede. mas modificando a cromática do prédio.Número 02 – Março de 2011 . podemos visualizar que o prédio passou por uma reforma. o Cine São José foi o único cinema da cidade que resistiu aos tempos: “Os cinemas de Campina Grande que eram mais famosos na fase áurea do cinema que era o Capitólio e o Babilônia. Podemos visualizar ainda o Cine São José sofre com as ações dos vândalos que começam a fazer pichações em toda sua fachada. Getúlio Vargas foi transformado numa igreja evangélica e o Cine São José é o único cinema Campina Grande. 2010 A figura nove é do mês de janeiro do ano de 2006. As letras que apresentavam o nome do antigo prédio já estão quase todas caídas. Essa é a visualidade que temos do antigo Cine São José desde o momento que ele foi fechado. manchada por pichações que se misturam as cores vibrantes do grafite.Cine S. O Avenida na av. José . Um hoje é um Shopping Center.Cine S.1 . novas pichações são realizadas. Segundo a professora e ativista cultural Eneida Agra Maracajá. não mudando a sua arquitetura original o estilo Art Déco. José . a cromática vai desaparecendo pela ação do tempo. já apresenta arquitetura do prédio e sua fachada em quase que total ruína. Com ações e atitudes de vândalos. a história do Cine São José vai sendo esquecida a cada dia. além desse problema o prédio ainda continua servindo de painel para exibições de cartazes que tratam em sua maioria de propagandas de eventos artísticos. que é o Babilônia e outro virou uma mausoléu de abandono numa praça poética ecológica que é o Capitólio que também tem uma outra história belíssima. o prédio do antigo cinema persiste em ficar de pé. Ano II – Vol. mesmo com o passar do tempo a uma persistência em manter as paredes do antigo cine como outdoors de propagandas.Jul.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB Figura 9 .

que conseguimos as melhores (ainda assim pouquíssimas) informações acerca do São José: “A situação de conservação no monumento é razoável.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB da história de Campina Grande que esta com 62 anos com sua arquitetura original Arte decor”10 Lamentamos em ver as condições de desprezo e abandono por parte dos órgãos públicos com um dos nossos. Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado.Número 02 – Março de 2011 Destacamos que as falas dessas “autoridades” competentes pelo Cine São José. e a situação do prédio continua se arrastando à espera de uma solução concreta que coloque fim ao abandono. novos atos de vandalismo acrescidos ainda pela sua destruição natural.com/watch?v=CwtwO0JoOdQ 10 . novas pichações. (MOTA. possui projetos para revitalização do Cine São José. teatro e educação. Porém. quando diz que: “a maior preocupação é dar uma utilidade ao prédio”. Mas foi do Coordenador de arquitetura do IPHAEP. no qual Ramon Porto Mota escreveu uma matéria sobre a situação do Cine Capitólio e o Cine São José na atualidade.youtube. não é absoluto.1 . responsável pela reforma do prédio. Quanto ao Cine São José. Este que permanece resistindo às ações de vândalos e a sua destruição natural com o passar do tempo ficamos na esperança de ver o espaço do antigo Cine São José aberto novamente. Ano II – Vol. que nos contou que o projeto do São José inclui cinema. p. Patrimônio Histórico tão belíssimo que é o Cine São José. que a obra foi licitada e que será iniciada quando resolverem as questões burocráticas. 2008. trazendo um espaço de lazer de diversão e também de sociabilidade. são do ano de 2008 é muita coisa já aconteceu. Para obtermos a consciência de projetos para o Cine São José utilizemos do “folhetim” A MARGEM. O projeto está em análise dentro do patrimônio histórico. fomos em busca de informações na SUPLAN. Nada foi iniciado. estão aguardando a autorização do patrimônio histórico e desapropriação de casas e limpeza do terreno para poder iniciar a obra. Depoimento concedido a TV Itararé. tanto a Prefeitura como o Governo. a maior preocupação é dar uma utilidade ao prédio e recuperar sua função social. Disponível no endereço eletrônico: http://www. Esse projeto visa a conservação e manutenção de toda a volumetria do prédio e a adição de salas. Na atualidade o Cine São José carece de uma reforma e ai sim deverá ter uma utilidade. 06-07) Campina Grande. algumas atitudes e ações para revitalização do local foram tomadas. que será uma parte nova construída atrás do cinema. na pessoa de José Marques. nenhum projeto ainda saiu do papel. Essa destruição contradiz com o que foi apresentado pelo Raglan. Raglan Gondim. RESPOSTA DA PREFEITURA E DO ESTADO AO CINE SÃO JOSÉ O descaso da Prefeitura Municipal de Campina Grande e do Governo do Estado da Paraíba diante do Cine São José.

Observamos abaixo a imagem do Cine São José. onde possam ser desenvolvidas atividades artísticas. Campina Grande.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB O que podemos notar é que o projeto tem como ideia de criar um centro cultural multimídia voltado para comunidade campinense. ocuparam o prédio em ruínas do antigo Cine São José no dia 11 de maio de 2010. onde decidiram realizar uma pequena reforma. realizando mostra de filmes. professores. Assim o Cine São José respira novamente e ações como essa nos deixa a imaginar esse espaço sendo utilizado novamente.Fev. quando passou a ser ocupada por esse grupo de estudantes e artistas. Com a pretensão de transformar o Cine São José em um espaço produtivo. E ficamos assim na expectativa de que o Cine São José possa reabrir suas portas. para o bem da nossa cultura e do nosso patrimônio histórico. movimentos sociais e culturais de Campina Grande. Em defesa da sua reforma e sua utilidade. 2011 . bem como preservar a memória e o patrimônio artísticocultural do local.1 . se não for como cinema. O projeto consiste em fazer do Cine uma extensão do Departamento de Comunicação Social da UEPB. Logo que ocuparam o espaço esse grupo teve como uma das preocupações. pitando mesmo que de forma simples apenas as portas e o espaço central do prédio e realizaram também uma reforma interna de acordo com as condições desse grupo. estudantes. Ano II – Vol. que tenha uma utilidade cultural para os amantes das atividades culturais da cidade de Campina Grande. retirando os cartazes de propaganda em sua maioria de show´s da edificação do Cine São José.Número 02 – Março de 2011 Figura 11 . onde os alunos possam realizar seus laboratórios e projetos. encontro de reuniões. por o Cine São José em atividades. culturais e educacionais. Transformando esse espaço em mais uma alternativa de entretenimento e cultura para a população da cidade e instaurá-lo enquanto pólo base para a produção audiovisual da cidade. José .Cine S.

Françoise. mas até o presente momento não foi inaugurada. Alpharrabios revista do curso de História. ROLNIK.Número 02 – Março de 2011 Informações obtidas a partir do endereço eletrônico: http://www. João Pessoa: Santa Marta. O patrimônio em processo: trajetória da política federal de preservação no Brasil. MOTA.1 .com.TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB Segundo o estudante e presidente do centro acadêmico do curso de Comunicação Social. Ano II – Vol. Wills. Campina Grande: Núcleo Cultural Português. FONTES.1 nº1. Memórias de Campina Grande. 1998. São Paulo: Editora Brasiliense. A Margem. além de local de interação entre a academia e a sociedade civil organizada. 1994. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS CÂMARA. Welton Souto. DINOÁ. José Targino Maranhão. 1997. Campina Grande. Na propositura que foi aprovada por unanimidade na Casa”. Carcaças de cinema: a situação do Cine São José e do cinema Capitólio hoje. No clube AABB. CHOAY. In:__________. Em resposta a essa mobilização a: “Câmara Municipal de Campina Grande solicitou ao Governador do Estado. Epaminondas. Ramon Porto.1. FONSECA.asp?newsId=135593 11 . a cidade de Campina Grande conta com quatro modernas salas de projeção instalada no Shopping Boulevard.portalcorreio. M. objetivando fomentar as diversas expressões artísticas e culturais da cidade. para a Universidade Estadual da Paraíba. localizado no bairro de mesmo nome. Campina Grande: EDUEPB. 1993. Raquel. mas esse já não está funcionando. Bons Cinemas em Campina Grande ou a sua marcante participação no Brejo. 1983. São Paulo: UNESP. Clóvis Brasileiro: “A intenção é tornar o Cine São José. Ano1 nº7. Datas Campinense. LEAL. O que é cidade. 2001. A alegoria do Patrimônio. Cinema na Paraíba . V. 2008.Cinema da Paraíba. Campina Grande: Editoração Eletrônica. Campina Grande – Abr. 11 Atualmente. Cine-Theatros em Campina Grande: Sensibilidade e representações sociais nas três primeiras décadas do século XX. JORNAL DA PARAÍBA. Rio de Janeiro: UFRJ/IPHAN. um espaço de produção cultural com participação popular.Maio de 2008. Campina grande-PB. Ronaldo. da cidade foi instalado um cinema para a exibição exclusiva de filmes brasileiros. V. vol. que realize a doação das antigas instalações do Cine São José. 2007.C. In:__________.1. existe a promessa da empresa que explora as salas de abrir mais uma para exibição de filmes de arte.L. chamada de Cine Multiplex 5. como parte da referenciação social de uma instituição pública de ensino”.br/entretenimento/matler.

Antonio Clarindo Barbosa de. B de. Recife: UFPE. A CINEMATOGRAFIZAÇÃO DO COTIDIANO: O Cinema e o Cotidiano dos Campinenses. 2006. Campina Grande: EDUFCG. SOUZA. Tese de doutorado em História do Brasil. 2002. Territórios de Confrontos: Campina Grande 1920-1945. In:__________. Fabio Gutemberg R. Lazeres Permitidos. Cultura e Lazer em Campina Grande (1945-1965). Ano II – Vol.1 . Campina Grande. Prazeres Proibidos: Sociedade.Número 02 – Março de 2011 .TARAIRIÚ – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB SOUSA.