Princípios Orçamentários: Conceito: Segundo o Prof.

Francisco José Carrera Raya (Manual de Derecho Financiero, volumen III, Madrid, Editorial Tecnos, 1995), os "principios presupuestarios" constituem um "conjunto de regras jurídicas que devem inspirar a elaboração, aprovação, execução e controle do orçamento". A concepção moderna dos chamados "princípios orçamentários" compreende regras flexíveis, ou seja, que admitem exceções. Em concursos públicos, muito provavelmente, será exigido do candidato o conhecimento das exceções. 1. PRINCÍPIO DA UNIDADE: O orçamento deve constar de uma peça única ·Fundamento legal: Art. 2°, Lei n° 4.320/64 ·Observação: Cada esfera de governo deve possuir apenas 1 orçamento. O princípio da unidade não significa que deve existir apenas um orçamento aplicável para todos os entes federados. ·Unidade orçamentária x Unidade de Caixa[1] Exceções: Entidades Paraestatais dotadas de Autonomia Financeira (ex. Empresas estatais - apenas os seus investimentos devem constar da Lei Orçamentária Anual. O Plano de Dispêndios Globais (PDG), ato infralegal, constitui o orçamento das empresas estatais abrangendo também as despesas de custeio). Questão: A existência do orçamento fiscal, da seguridade social e o de investimentos das estatais viola o princípio da unidade? 2. PRINCÍPIO DA TOTALIDADE ORÇAMENTÁRIA: Admite a coexistência de diversos orçamentos, os quais, entretanto, deverão receber consolidação para que o governo tenha uma visão geral do conjunto das finanças públicas. O autor James Giacomonni sustenta que a CF/88 estabelece que a LOA respeita o princípio da totalidade orçamentária, pois os três orçamentos (Fiscal, Seguridade Social e Investimento das Estatais) são elaborados de forma independente sofrendo, contudo, consolidação que possibilita o conhecimento do desempenho global das finanças públicas. 3. PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE: O orçamento (uno) deve conter todas as receitas e todas as despesas do Estado. · Art. 2°, Lei n° 4.320/64 · Art. 3° e 4°, da Lei n° 4.320/64 · Art. 165, §5°, CF/88 [

Exceções: Vide as exceções do Princípio da Unidade. Por exemplo, as receitas e despesas operacionais das estatais não estão contidas no Orçamento de Investimentos das Estatais, que compõe a LOA. 4. PRINCÍPIO DO ORÇAMENTO BRUTO: (corolário do princípio da universalidade): Todas as parcelas da receita e da despesa devem aparecer no orçamento em seus valores brutos, sendo vedada qualquer dedução. · Art. 6°, da Lei n° 4.320/64 Existem despesas que, ao serem realizadas, geram receitas ao Ente Público. Por outro lado, existem receitas que, ao serem arrecadadas, geram despesas. O princípio do orçamento bruto veda que as despesas ou receitas sejam incluídas no orçamento, nos seus montantes líquidos. Exemplo: No exemplo abaixo, não poderá ser incluída, no orçamento, somente a Despesa Pessoal Líquida (R$ 700.000,00), mas deverão ser previstas as receitas de IRRF e a da Contribuição Social e autorizada a Despesa de Pessoal Bruta (R$ 1.000.000,00). Realização da Despesa de Pessoal Valor (R$) Despesa de Pessoal Bruta (+) R$ 1.000.000,00 Receita de IRRF (-) R$ 200.000,00 Receita de Contribuições Sociais (-) R$ 100.000,00 Despesa de Pessoal Líquida (=) R$ 700.000,00 5. PRINCÍPIO DA ANUALIDADE (OU PERIODICIDADE): O orçamento autoriza a realização das despesas por um período (exercício financeiro). Os créditos orçamentários tem vigência durante o período fixado. No Brasil, o exercício financeiro coincidirá com o Ano Civil (art. 34, Lei n° 4.320/64). A não coincidência do exercício financeiro com o ano civil não implica em violação o princípio da anualidade. Existem Estados em que o orçamento tem vigência iniciando-se em 01.Ago.X1 e terminando em 31.07.X2, sem que se possa falar em violação ao princípio da anualidade. A existência do PPA também não viola o princípio da anualidade. O PPA, segundo JAMES GIACOMONNI, não tem caráter autorizativo, mas informativo. 6. PRINCÍPIO DA NÃO AFETAÇÃO OU NÃO VINCULAÇÃO · Art. 167, IV, CF/88 - veda a vinculação de impostos à órgão, fundo ou despesa.

Art. 167 - São vedados: IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo; Exceções: a) Repartição dos impostos cf. arts. 158/159, CF/88; b) Destinação de recursos para a Saúde; c) Destinação de recursos para o desenvolvimento do ensino; d) Destinação de recursos para a atividade de administração tributária; e) Prestação de garantias às operações de crédito ARO; f) Art. 167, §4°, CF/88 - garantia, contragarantia à União e pagamento de débitos para com esta. No tocante a este Princípio, convém esclarecer que os impostos são tributos destinados a cobertura dos Serviços Públicos Gerais "Uti universi". FUNDOS: FORMAS DE VINCULAÇÃO Art. 71, Lei n° 4.320/64: Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que, por lei, se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços. Art. 167, IX, CF/88 - Vedação à instituição de fundos de qualquer natureza sem autorização legislativa. 7. PRINCÍPIO DA DISCRIMINAÇÃO OU ESPECIFICAÇÃO: discriminação ou detalhamento das receitas e despesas no orçamento. Art. 5°, Lei n° 4.320/64: Vedação às dotações globais destinadas a atender indiferentemente as despesas de pessoal, materiais e serviços de terceiros, etc. As entidades públicas podem realizar detalhamentos ainda maiores que os da Lei. 8. PRINCÍPIO DA EXCLUSIVIDADE · Art. 165, § 8°, CF/88 e art. 7°, da Lei n° 4.320/64. Regra: Matérias Exclusivas da LOA: Fixação da Despesa + Previsão da Receita Exceções: a) autorização para a abertura de créditos suplementares; b) autorização para a realização de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita orçamentária.

de alguma forma. 10. PRINCÍPIO DA PROGRAMAÇÃO: O orçamento deve expressar as realizações e objetivos da forma programada. Princípios Orçamentários [ . PRINCÍPIO DA CLAREZA: O orçamento deve ser apresentado em linguagem clara e compreensível para todas as pessoas que necessitam. que as disponibilidades de caixa relativas à Seguridade Social deverão ser apartadas das demais disponibilidades do ente público). 43. da Lei Complementar n° 101/2000 (estabelece. Finalidade: Evitar que as operações de crédito (receitas de capital) sejam usadas para financiar despesas correntes (custeio. despesas com manutenção das atividades. manipulá-lo. aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. 11. PRINCÍPIO DA EXATIDÃO: Preocupação com a realidade. Vide art.320/64 (veda a fragmentação no recolhimento das receitas) e art. [ 1] O princípio da unidade de caixa estabelece que todas as receitas devem ser recolhidas em uma única conta. da Lei n° 4.Preocupação com o déficit corrente Art. 9. III. CF/88 (REGRA DE OURO): Veda a realização de operações de crédito que excedam o montante das despesas de capital. Incide sobre os setores encarregados da estimativa de receitas e dos setores que solicitam recursos para a execução das suas atividades/projetos. República. Receitas Correntes + Receitas de Capital = Despesas Correntes + Despesas de Capital. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE: Publicidade Formal: Publicação no Diário Oficial 12. PRINCÍPIO DO EQUILÍBRIO: Receita Prevista = Despesa Fixada CF/88 .Finalidade: Evitar as chamadas "caudas orçamentárias". entretanto. 13. Exceção: operações de crédito autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa. 167. comuns na época da 1a. 56.). etc. §1°.

Autor: Vander Gontijo . não eram votados. Os princípios orçamentários são premissas a serem observadas na concepção da proposta orçamentária. Além disso. na Lei 4.COFF/CD. o fato de que apenas um único orçamento é examinado. sendo observado. ao excluir expressamente do orçamento anual as entidades que não recebessem subvenções ou transferências à conta do orçamento (exemplo: Banco do Brasil . Não ocorria nenhuma consolidação entre os mesmos. é possível obter eficazmente um retrato geral das finanças públicas e. da despesa e da receita dos órgãos da administração indireta será feita em dotações globais e não lhes prejudicará a autonomia na gestão legal dos seus recursos. o art. ou seja. da Constituição de 1967. As dificuldades começaram antes da Constituição de 88 em razão da própria evolução do sistema orçamentário brasileiro. a instituição orçamentária foi cercada de uma série de regras com a finalidade de aumentar-lhe a consistência no cumprimento de sua principal finalidade: auxiliar o controle parlamentar sobre os Executivos. São evidências do cumprimento deste princípio. 2º da Lei 4. emendada. Essa regras ou princípios receberam grande ênfase na fase que os orçamentos possuíam grande conotação jurídica. além do mais.exceto se houver integralização de capital pela União). O princípio da unidade é respaldado legalmente por meio do Art. chegando alguns incorporados na corrente legislação: basicamente na Constituição. deve existir apenas um orçamento para dado exercício financeiro. No seu § 1º. Ora. 165 da CF 88.320/64 e nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs). no orçamento anual. Desde seus primórdios. O orçamento deve ser uno. estabelecia que a inclusão. como o déficit público e os Unidade . tem-se um caixa único e uma única contabilidade. limitava o alcance de sua aplicação. O orçamento Fiscal era sempre equilibrado e era aprovado pelo Legislativo. o orçamento monetário e o orçamento das estatais.62. aprovado e homologado. permite-se ao Poder Legislativo o controle racional e direto das operações financeiras de responsabilidade do Executivo. na verdade. Na verdade. Dessa forma integrado. Na década de 80. Local e Data: Brasília. O orçamento monetário e o das Empresas Estatais eram deficitários e sem controle e. havia um convívio simultâneo com três orçamentos distintos &mdash o orçamento fiscal.320/64 e pelo § 5º do art. o princípio clássico da unidade não estava. o mais importante. Mas mesmo assim. setembro de 2004.

Indispensável para o controle parlamentar. então. . inclusive as operações de crédito autorizadas em lei.3º A Lei do Orçamento compreenderá todas as receitas. em linhas gerais segue o princípio da totalidade. Surgiu. o cumprimento da regra é exigido nos seguintes dispositivos: • Art. que possibilitava a coexistência de múltiplos orçamentos que. de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo. o Legislativo encontrava-se.2º A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e da despesa.320/64. excluídas apenas as entidades que não recebam subvenções ou transferências à conta do orçamento.º 1/69 consagra essa regra de forma peculiar: "O orçamento anual compreenderá obrigatoriamente as despesas e receitas relativas a todos os Poderes. alijado das decisões mais relevantes em relação à política fiscal e monetária da Nação. universalidade e anualidade. Totalidade Coube à doutrina tratar de reconceituar o princípio da unidade de forma que abrangesse as novas situações. obedecidos os princípios de unidade. Este modelo. A Emenda Constitucional n. tanto da administração direta quanto da indireta. praticamente. c) conhecer o exato volume global das despesas projetadas pelo governo. fundos.subsídios mais importantes estavam no orçamento monetário. o princípio da totalidade. Universalidade Princípio pelo qual o orçamento deve conter todas as receitas e todas as despesas do Estado. a fim de autorizar a cobrança de tributos estritamente necessários para atendê-las. A Constituição de 1988 trouxe melhor entendimento para a questão ao precisar a composição do orçamento anual que passará a ser integrado pelas seguintes partes: a) orçamento fiscal. pois possibilita : a) conhecer a priori todas as receitas e despesas do governo e dar prévia autorização para respectiva arrecadação e realização. • Art. Na Lei 4. entretanto. b) impedir ao Executivo a realização de qualquer operação de receita e de despesa sem prévia autorização Legislativa. b) orçamento da seguridade social e c) orçamento de investimentos das estatais. de forma a permitir uma visão geral do conjunto das finanças públicas. órgãos. devem sofrer consolidação.

pode ser entendido como um abandono parcial do princípio da anualidade. Nos Estados Unidos começa em 1/10. o exercício financeiro coincide com o ano civil. Além disso. Este princípio tem origem na questão surgida na Idade Média sobre a anualidade do imposto. Esses orçamentos são organizados e acompanhados com a participação do Ministério do Planejamento (MPO). que a programação financeira. como por exemplo. PIN/PROTERRA) não têm a obrigatoriedade de integrar suas despesas e receitas operacionais ao orçamento público. Exclusividade . Na Inglaterra. que é fundamental. O § 5º do art. não mais ao montante das dotações anuais. E aí se encontra a principal conseqüência positiva em relação a este princípio. 165 da CF 88 dá respaldo legal a este princípio quando dispõe que: "A lei orçamentária anual compreenderá:" O cumprimento deste princípio torna-se evidente nas ementas das Leis Orçamentárias. como sói acontecer na maioria dos países.320/64 e mensal nos Decretos de Contingenciamento. a da Lei 10. A inclusão de seus investimentos no Orçamento da União é justificada na medida que tais aplicações contam com o apoio do orçamento fiscal e até mesmo da seguridade. claramente. Mas isso não é regra geral. não são apreciados pelo Legislativo. pois dessa forma exige-se autorização periódica do Parlamento. no Japão e na Alemanha o exercício financeiro vai de 1/4 a 31/3. Banco da Amazônia. trimestral na Lei 4. Anualidade ou Periodicidade O orçamento deve ser elaborado e autorizado para um determinado período de tempo. prolongando-se até 30/9. BNB) e os Fundos Constitucionais (FINAM. A exceção se dá nos créditos especiais e extraordinário autorizados nos últimos quatro meses do exercício. da utilização ou não de recursos públicos. limitando a faculdade de os órgãos empenhar despesas. serão incorporados ao orçamento do exercício subsequente. ou seja." Observe-se. finalmente. Somente a partir de 1988 as operações de crédito foram incluídas no orçamento.Observa-se. reabertos nos limites de seus saldos. geralmente um ano. que houve um mal entendimento entre a condição de auto-suficiência ou não da entidade com a questão. CEF. Na Itália e na Suécia o exercício financeiro começa em 1/7 e termina em 30/6.837/2004: "Estima a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro de 2004. as empresas estatais e de economia mista. bem como as agências oficiais de fomento (BNDES. No Brasil. FINOR.

cujo título é "Capacitação de agentes atuantes nas culturas de oleaginosas".a discriminação da despesa far-se-á. pois inibe a concessão de autorizações genéricas (comumente chamadas de emendas curinga ou "rachadinhas") que propiciam demasiada flexibilidade e arbítrio ao Poder Executivo. Este princípio encontra-se expresso no art.. as origens dos recursos e sua aplicação. existem vários exemplos do não cumprimento como. por exemplo. pormenorizadamente.320/64 incorpora o princípio no seu art. " O art. Essas reduzem o grau de liberdade do gestor e engessa o planejamento de longo... dela deve ser excluído qualquer dispositivo estranha à estimativa de receita e à fixação de despesa. no mínimo. Como regra clássica tinha o objetivo de facilitar a função de acompanhamento e controle do gasto público. 158 e 159.. a destinação de recursos para .. 167 da CF de 88. 165.." Especificação. "São vedados "a vinculação de receita de impostos a órgão. Como evidência de cumprimento deste princípio pode-se citar a Atividade 4775. a Ação 0620 "Apoio a projetos municipais de infraestrutura e serviços em agricultura familiar’.. médio e curto prazos. Mas. a receita não pode ter vinculações. mas aplica-se somente às receitas de impostos. O objetivo deste princípio é evitar a presença de "caldas e rabilongos" Não se inclui na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito. fundo ou despesa.. § 8º da CF de 88: "A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa . Este princípio encontra-se claramente expresso no inciso IV do art. 15 da referida Lei exige também um nível mínimo de detalhamento: ". dando mais segurança ao contribuinte e ao Legislativo. Ou seja. de tal forma que se possa saber.. também. A Lei nº 4. por elementos". ainda que por antecipação de receita. ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. Especialização ou Discriminação As receitas e as despesas devem aparecer de forma discriminada. ou o subtítulo "Ações de Saneamento Básico em pequenas cidades da Região Sul" Não Vinculação ou Não Afetação das Receitas Nenhuma parcela da receita geral poderá ser reservada ou comprometida para atender a certos casos ou a determinado gasto.A lei orçamentária deverá conter apenas matéria orçamentária ou financeira. Ou seja. 5º: "A Lei de Orçamento não consignará dotações globais para atender indiferentemente as despesas.

previstas no art. A intenção é a de impedir a inclusão de valores líquidos ou de saldos resultantes do confronto entre receitas e as despesas de determinado serviço público. O keynesianismo (a partir dos anos 30) tornou-se uma contraposição ao princípio do orçamento equilibrado. 165. como receita.7 milhões. Say. fixa-se uma despesa relativa à Transferência para Municípios (UO 73108-Transferências Constitucionais) no valor de R$ 154. Ou seja.4 milhões. o § 1º do mesmo artigo estabelece o mecanismo de transferência entre unidades governamentais " Dessa forma.manutenção e desenvolvimento do ensino (art. contribuições: servem para custear certos serviços prestados. Lei 4. infelizmente. No mesmo orçamento. Ricardo). Todas as parcelas da receita e da despesa devem aparecer no orçamento em seus valores brutos. mesmo fora do âmbito específico do orçamento. vedadas quaisquer deduções. no orçamento da entidade obrigada à transferência e. As evidências de receitas afetadas são abundantes: • Taxas. O ministro Palocci recoloca essa idéia na ordem do dia. prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita. parte da história estaria perdida.320/64 consagra este princípio em seu art. no orçamento da que as deva receber. Equilíbrio Princípio clássico que tem merecido maior atenção. as cotas de receita que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão. justificando a intervenção do governo nos períodos de recessão. Observe-se ainda que as vinculações foram eliminadas no governo Figueiredo. Orçamento Bruto Este princípio clássico surgiu juntamente com o da universalidade. sem qualquer tipo de dedução. 212). pautado nos ideais liberais dos economistas clássicos (Smith. que se constitui numa receita prevista no orçamento da União para 2004 com o valor de R$ 309. como despesa. visando ao mesmo objetivo. ressuscitadas na Constituição de 1988. • Fundos: receitas vinculadas. Admitia-se . Como exemplo desse procedimento pode-se citar o caso da Arrecadação do Imposto Territorial Rural. 6º: "Todas as receitas e despesas constarão da Lei do Orçamento pelos seus totais. mas.7 milhões. Reforçando este princípio. § 8º". se o Orçamento registrasse apenas uma entrada líquida para a União de apenas R$ 154. • Empréstimos: comprometidos para determinadas finalidades.

as operações de curto prazo de recomposição de caixa e que se transformam em longo prazo pela permanente rolagem e a receita com a colocação de títulos e obrigações emitidas pelo Tesouro. veda: "a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital . O art. A Constituição de 1967 dispunha que : "O montante da despesa autorizada em cada exercício financeiro não poderá ser superior ao total de receitas estimadas para o mesmo período. conforme pode ser verificado nos Arts. exceto nos dois últimos (2003 e 2004). 12. recolocaria a economia na sua rota de crescimento. A CF 88 adotou uma postura mais realista. pois a utilização de recursos ociosos geraria mais emprego. nas cifras acima encontra-se um tremendo déficit.469. 167. mais receita para o Governo e. mas pode pegar emprestado para cobrir despesa de capital (o déficit aqui é permitido ). § 2º): "O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária.o déficit (dívida) e seu financiamento. A Regra de Ouro vem sendo adequadamente cumprida nos últimos orçamentos. mais renda. finalmente. art." Essa Regra também significa. 2º e 3º da Lei 10.087. inciso III.. Propôs o equilíbrio entre operações de crédito e as despesas de capital. No Brasil. o equilíbrio orçamentário é respeitado. por outro lado.336.469." Observa-se a existência de dificuldades estruturais para o cumprimento desse princípio. Economicamente haveria compensação. Ou seja. Entretanto. Para o exercício de 2004. é a Regra de Ouro reforçada na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF.00. O déficit aparece embutido nas chamadas Operações de Crédito que classificam tanto os financiamentos de longo prazo contratados para obras. que a receita corrente deve cobrir as despesas correntes (não pode haver déficit corrente). devidamente financiado por empréstimos.. Essa é uma norma lógica e de grande importância para as finanças públicas do País. o valor das . Na verdade. principalmente em fases de crescimento da economia. onde: A Receita Total é estimada em R$ 1.. e a Despesa Total é fixada em R$ 1.336. De qualquer forma. Qual a mensagem que se encontra vinculada a esse dispositivo? Claramente a de que o endividamento só pode ser admitido para a realização de investimento ou abatimento da dívida. deve-se evitar tomar dinheiro emprestado para gastar com despesa corrente.00. as últimas Constituições têm tratado essa questão ora de maneira explícita ora de forma indireta.087. pois as despesas públicas normalmente crescem mais que as receitas públicas quando há crescimento da renda interna .837/2003.". ex-ante.

um terceiro conceito surge a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal &mdash o chamado Equilíbrio Fiscal. Ou seja. por exemplo. 37 166 da CF de 1988.837/2003: "O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:" Publicidade O conteúdo orçamentário deve ser divulgado (publicado) nos veículos oficiais de comunicação para conhecimento do público e para eficácia de sua . Na verdade. exige-se um superávit (fiscal). para ser legal. ou seja. exige-se mais que o equilíbrio. a da Lei nº 10.7 milhões.5 milhões. às diretrizes orçamentárias.7 bilhões. O respaldo a este princípio pode ser encontrado nos art.8 do OIE. O Art. só se cumpre a regra de ouro se se considera na contabilização os dados relativos ao Orçamento das Estatais. ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional.707. Essa variação do princípio do equilíbrio faz parte das orientações orçamentárias constantes das leis de diretrizes orçamentárias. chega-se ao total de R$ 636. sempre se procurou dar um cunho jurídico ao orçamento.PIB. 15. Com R$ 23. ou seja. o valor corresponde ao Orçamento de Investimento das Estatais &mdash OIE . ou seja. conforme discriminado no Anexo de Metas Fiscais." A evidência de seu cumprimento encontra-se na própria ementa das leis orçamentárias. que: "Art." Legalidade Historicamente. A elaboração do projeto da lei orçamentária de 2004. constante do Anexo III desta Lei. a receita (primária) deve superar a despesa (primária) de forma que o saldo possa ser utilizado para pagamento do serviço da dívida pública.6 milhões. 15 da Lei nº 10. tanto as receitas e as despesas precisam estar previstas a Lei Orçamentária Anual. 166 dispõe que: "Os projetos de lei relativos ao plano plurianual.9 milhões) chega-se ao total de R$ 635. a aprovação do orçamento deve observar processo legislativo porque trata-se de um dispositivo de grande interesse da sociedade. Já as despesas de capital dos orçamentos fiscal e da seguridade social somam R$ 612. de 30 de julho de 2003 (LDO 2004) dispõe. O art. a aprovação e a execução da respectiva lei deverão levar em conta a obtenção de superávit primário em percentual do Produto Interno Bruto .(R$ 5. na forma do regimento comum.operações de crédito dos orçamentos fiscal e da seguridade é de R$ 629. como por exemplo. Se somado a esse. Ainda com relação ao princípio do equilíbrio.

sem nenhuma prioridade ou senso distributivo na alocação dos recursos públicos. está atrelado a um forte sistema de planejamento público das ações a realizar no exercício. dos Estados. Os primeiros Orçamentos que se têm notícia eram os chamados orçamentos tradicionais. mas um documento legal que contém programas e ações vinculados a um processo de planejamento público. Indiretamente." Clareza ou Objetividade O orçamento público deve ser apresentado em linguagem clara e compreensível a todas pessoas que. também. por força do ofício ou interesse. Eram meros documentos de previsão de receita e autorização de despesas sem nenhum vínculo com um sistema de planejamento governamental. que se importavam apenas com o gasto (ênfase no gasto). de forma a garantir à peça orçamentária um mínimo de consistência para que possa ser empregada como instrumento de programação. gerência e controle. Porém. aprovação e conversão em lei... AULA Nº 1 . por exemplo. O Orçamento evoluiu ao longo da história para um conceito de Orçamento-Programa. Difícil de ser empregado em razão da facilidade de a burocracia se expressar em linguagem complexa.ORÇAMENTO PÚBLICO – CONCEITO E PRINCÍPIOS O Orçamento Público. publicidade e eficiência e. com objetivos e metas a alcançar no exercício (a ênfase no Orçamento-Programa é nas realizações do Governo). moralidade. O Orçamento Público no Brasil (Orçamento Geral da União) inicia-se com um texto elaborado pelo Poder Executivo e entregue ao Poder Legislativo para discussão. Este princípio é consagrado no art. Simplesmente se fazia uma estimativa de quanto se ia arrecadar e decidia-se o que comprar. precisam manipulá-lo.validade. impessoalidade. 7º e 16 do Decreto-lei nº 200/67 como respaldo ao mesmo. O documento contém a estimativa de arrecadação das receitas federais para o ano seguinte e a autorização para a realização de despesas do Governo. segundo o qual o Orçamento não é apenas um mero documento de previsão da arrecadação e autorização do gasto. o título da ação nº 0373 do orçamento para 2004: "Equalização de Juros e Bônus de Adimplência no Alongamento de Dívidas Originárias do Crédito Rural". em sentido amplo. ao seguinte: . os autores especializados em matéria orçamentária apontam os arts. 37 da CF de 88: "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. Exatidão De acordo com esse princípio as estimativas devem ser tão exatas quanto possível. Observe-se. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. . é um documento legal (aprovado por lei) contendo a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem realizadas por um Governo em um determinado exercício (geralmente um ano).

o PPA deve conter “as diretrizes. A Lei Orçamentária Anual disciplina todos os programas e ações do governo federal no exercício. órgão do Poder Executivo. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República. fazendo modificações que julgar necessárias. na Lei 4. na Lei de Diretrizes Orçamentárias e na recente Lei de Responsabilidade Fiscal. De acordo com a Constituição Federal. o Governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei Orçamentária Anual ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano (4 meses antes do encerramento da sessão legislativa). Com base na LDO aprovada a cada ano pelo Poder Legislativo. Por determinação constitucional. consolida a proposta orçamentária de todos os órgãos dos Poderes (Legislativo. De acordo com a Constituição Federal. por meio de emendas. Depois de aprovado. votando ao final o projeto. O projeto de lei da LDO deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano (8 meses e meio antes do encerramento da sessão legislativa). que estão definidos no caso brasileiro na Constituição. Existem princípios básicos que devem ser seguidos para elaboração e controle dos Orçamentos Públicos. o Orçamento da Seguridade Social e o Orçamento de Investimento das Empresas Estatais Federais. no Plano Plurianual. No Congresso. a LDO estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro subseqüente. dispõe sobre alterações na legislação tributária e estabele a política de aplicação das agências financeiras de fomento. a Secretaria de Orçamento Federal.O OGU é constituído de três peças em sua composição: o Orçamento Fiscal. A LDO é a lei anterior à lei orçamentária. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. orienta a elaboração do Orçamento (Lei Orçamentária Anual). deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta orçamentária (projeto de lei) enviada pelo Poder Executivo.12 de cada ano). que define as metas e prioridades em termos de programas a executar pelo Governo. O projeto de lei do PPA deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato (4 meses antes do encerramento da sessão legislativa). o projeto é . A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura (15. Executivo e Judiciário) para o ano seguinte no Projeto de Lei encaminhado para discussão e votação no Congresso Nacional. A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento. e a iniciativa dos seguintes projetos de lei: • • • Plano Plurianual (PPA) Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) Lei de Orçamento Anual (LOA) O PPA é a lei que define as prioridades do Governo pelo período de 4 (quatro) anos. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada”.320/64. Nenhuma despesa pública pode ser executada sem estar consignada no Orçamento.

restringir a demanda. salários. aumentar a renda e o PIB e aquecer a economia. inflação. distribuir os recursos e estabilizar a economia. destacamos: • Função alocativa . utilizado para a alocação. aprovada em 2000 pelo Congresso Nacional introduziu responsabilidades para o administrador público em relação aos Orçamentos da União. Os objetivos de toda política orçamentária são corrigir as falhas de mercado e as distorções. impor choques na oferta ou restringir a demanda. A Lei de Responsabilidade Fiscal. abaixo dos limites autorizados pelo Congresso. O Governo pode provocar orçamentos expansionistas ou gerar um orçamento recessivo. O Governo intervém de várias formas no mercado. a necessidade de contenção dos gastos obriga o Poder Executivo muitas vezes a editar Decretos com limites orçamentários e financeiros para o gasto. dos Estados e Municípios. Por outro lado.sancionado e publicado pelo Presidente da República. Se temos elevados investimentos governamentais no Orçamento. um orçamento restrito em investimentos. Dentre as funções consubstanciadas no Orçamento Público. custo. provocará desemprego. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei. melhorar a distribuição de renda. leis. diversas condutas podem ser banidas. pode-se controlar a inflação. por exemplo. cartéis.. corrigir imperfeições no . etc) pelos produtores. expedidos como alternativa para se alocar.Oferecer bens e serviços (públicos puros) que não seriam oferecidos pelo mercado ou seriam em condições ineficientes (meritórios ou semipúblicos) e. com uma melhor distribuição de renda. problemas urbanos. Com o uso das normas. que limitam as despesas abaixo dos limites aprovados na lei orçamentária. como a criação de monopólios. o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional um novo projeto de lei solicitando crédito adicional. e decréscimo no produto interno bruto. distribuição de recursos e estabilização da economia. etc. preços. com a política fiscal. Em compensação. O Orçamento tem a função de também regular o mercado e coibir abusos. A LRF instituiu a disciplina fiscal para os três Poderes: Executivo. etc). etc. É possível. práticas abusivas. por exemplo. transformando-se na Lei Orçamentária Anual. visando manter a estabilidade. • • O Orçamento Público funciona como um balizador na Economia. Política Regulatória . A Lei Orçamentária Anual (LOA) estima as receitas e autoriza as despesas do Governo de acordo com a previsão de arrecadação. Política Monetária – envolve o controle da oferta de moeda. e alocar os recursos com mais eficiência. reduzindo falhas de mercado e externalidades negativas (fatores adversos causados pela produção. Por intermédio da política fiscal e da política monetária. provavelmente o número de empregos aumentará. da taxa de juros e do crédito em geral. poluição. criar condições para que bens privados sejam oferecidos no mercado (devido ao alto risco. etc. por investimentos ou intervenções. portarias. é possível controlar preços. como o limite de gastos com pessoal. Com a política monetária. além do cumprimento de metas e objetivos governamentais no orçamento. estendendo também a disciplina aos Orçamentos de Estados e Municípios. desaceleração da economia. como poluição. Legislativo e Judiciário. para efeito de estabilização da economia e influência na decisão de produtores e consumidores.envolve o uso de medidas legais como decretos. Instrumentos e recursos utilizados pelo Governo para intervir na Economia: • Política Fiscal .envolve a administração e a geração de receitas. assim como a renda agregada melhorará. São os intitulados Decretos de Contingenciamento.

cambial e fiscal. O período estabelece um limite de tempo para as estimativas de receita e fixação da despesa.sistema de mercado (oligopólios. de 01/01 a 31/12. ou outras medidas de intervenção econômica (controles por leis. nenhuma instituição pública que receba recursos orçamentários ou gerencie recursos federais pode ficar de fora do Orçamento. no Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes Orçamentárias. 2º): "A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa. e como tal. este período corresponde ao ano ou exercício financeiro. alocação de recursos em camadas mais pobres da população. obedecidos os princípios da unidade. PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS • Unidade – Só existe um Orçamento para cada ente federativo (no Brasil.320/64 estabelece os fundamentos da transparência orçamentária (art. A Lei nº 4. PRINCÍPIOS DO ORÇAMENTO PÚBLICO Existem princípios básicos que devem ser seguidos na elaboração e execução do orçamento. limites). estabilizar a moeda. que estão definidos na Constituição Federal. deve cumprir o rito legislativo próprio. subsídios. O que há é apenas volumes diferentes segundo áreas de atuação do Governo. O fato do Orçamento Geral da União possuir três peças. válido para os três Poderes. existe um Orçamento para a União. na Lei nº 4. Cada ente deve possuir o seu Orçamento. o orçamento deve se realizar no exercício que corresponde ao próprio ano fiscal. A Lei orçamentária deve incorporar todas as receitas e despesas. Universalidade – o Orçamento deve agregar todas as receitas e despesas de toda a administração direta e indireta dos Poderes. incentivos fiscais. mediante instrumentos de política monetária. monopólios. de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo. de 17 de março de 1964. Não há múltiplos orçamentos em uma mesma esfera. etc. No Brasil.320. etc) e corrigir os efeitos negativos de externalidades. universalidade e anualidade". Função estabilizadora – ajustar o nível geral de preços. • • Função distributiva – Tornar a sociedade menos desigual em termos de renda e riqueza. através da tributação e transferências financeiras. ou seja. • • • . o Orçamento da Seguridade Social e o Orçamento de Investimento não representa afronta ao princípio da unidade. um para cada Estado e um para cada Município). com o cumprimento de todos os quesitos. nível de emprego. pois o Orçamento é único. Anualidade / Periodicidade – o Orçamento cobre um período limitado. fundamentado em uma política orçamentária e estruturado uniformemente. Legalidade – O Orçamento é objeto de uma lei específica (Lei ordinária no Brasil). ou seja. inclusive seu sancionamento e publicação pelo Presidente da República ou Congresso Nacional. como o Orçamento Fiscal.

Equilíbrio – As despesas autorizadas no Orçamento devem ser. No Brasil. etc). programas e ações. em termos práticos. por exemplo. Ou seja. Há uma tabela de classificação funcional de despesas. nem sempre se programa a despesa respeitando-se a classificação funcional existente nas tabelas orçamentárias.transferências constitucionais). As diferentes funções se dividem em subfunções. por sua vez. ou qualquer outra). subfunção. ou seja. constante da tabela de classificação funcional. segundo a tabela de classificação orçamentária. ainda que por antecipação da receita.A receita e despesa constante no Orçamento. que classifica a despesa em funções. dizemos que ocorreu atipicidade na programação da despesa. iguais às receitas previstas. Programação. Não-afetação ou não-vinculação – É vedada a vinculação dos impostos a órgão. FPM. Programar uma despesa é classificar a despesa de maneira a ficar evidenciado onde será utilizado o recurso (em qual função. Não pode haver um desequilíbrio acentuado nos gastos. Publicidade – O Orçamento de um país deve ser sempre divulgado quando aprovado e transformado em lei. no mínimo. que. Ciência e Tecnologia. representando quase que uma área de atuação do Governo. sempre que possível. A tabela de classificação funcional da despesa por funções e subfunções está consignada no livro “Manual Técnico de Orçamento” publicado pela Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento. e as garantias às operações de crédito por antecipação da receita. Saúde. OU uma subfunção não se vincular à sua função típica. exceto as próprias transferências constitucionais para manutenção e desenvolvimento do ensino (FPE. compostos por ações (projetos. atividades ou operações especiais) a realizar no exercício. tipicidade e atipicidade – Durante a fase de consolidação da proposta de Orçamento.• Exclusividade – O Orçamento só versa sobre matéria orçamentária. programa ou ação do Governo). o Orçamento Federal é publicado no Diário Oficial da União. As despesas devem ser especificadas no Orçamento. subfunções. Orçamento e Gestão (MPOG). Há outra tabela de classificação da despesa por fontes de recursos e outra por unidade orçamentária. no processo de programação. devem aparecer no Orçamento pelo valor total ou valor bruto. Transportes. • • • • • • Princípios Orçamentários by Thais on 08/07/2010 . Orçamento-Bruto . por exemplo. geralmente se seguem determinadas classificações orçamentárias existentes. Especificação ou discriminação ou especialização – São vedadas autorizações globais no Orçamento. sem deduções de nenhuma espécie. comportam diferentes programas de Governo. No processo de programação da despesa no Orçamento. exceto os descontos constitucionais (ex. em primeiro lugar é preciso identificar a função a que pertence a despesa (se é uma despesa classificável na função Educação. Porém. não há uma classificação típica. podendo conter autorização para abertura de créditos suplementares e operações de crédito. fundo ou despesa. pode ocorrer de um programa não se vincular á sua respectiva subfunção da tabela de classificação funcional. O mesmo acontece quando uma despesa classificada no Orçamento em uma subfunção está vinculada a outra função que não a função correspondente. Quando um programa é vinculado a uma subfunção que não aquela correspondente à da tabela de classificação. por modalidade de aplicação. A função é o nível mais elevado de agregação de despesas.

obedecidos os princípios de unidade. 2º: Art. pois o próprio conceito de orçamento público está em constante evolução. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Govêrno.Legenda: LRF – Lei complementar nº 101/2000 ————————————————————————————————#CONCEITO Os princípios são premissas e linhas norteadoras de ação a serem observadas na concepção da proposta de orçamento. art.320/64. #MACETE: UAU U nidade A nualidade (ou periodicidade) U niversalidade OBS: Não há uma lista exaustiva de princípios orçamentários. Serão abordados a seguir os princípios mais aludidos pela doutrina e pelo ordenamento jurídico pertinente à área orçamentária. Sua principal finalidade é disciplinar e orientar a ação dos governantes. universalidade e anualidade. Artifício Mnemônico (acróstico) Publicidade E Anualidade Q Unidade U Legalidade I Orçamento bruto L Í B R Programação Exclusividade Não vinculação Especificidade Clareza Universalidade Unidade de caixa /unidade de tesouraria . #ATENÇÃO Só existem 3 princípios expressos na Lei 4.

Art. Essa sistemática tem como objetivo garantir maior transparência e independência a cada um deles. em cada exercício financeiro. Diante de tal mudança. Art. Orçamento da Seguridade Social. de 1º de janeiro a 31 de dezembro. o §5º do art. podendo-se falar em um princípio da totalidade. Não pode haver mais de um orçamento em cada unidade governamental. mais recentemente. Gabarito: Certo • Princípio da Anualidade (ou periodicidade): uma LOA vigora dentro de um exercício financeiro. orçamento. Estados. Este princípio estabelece que o orçamento deve ser “uno”. 167 da CF/88 estabelece uma tripartição do orçamento: o Orçamento Fiscal. 34. que. §5º. Estorno de verbas Quantificação de créditos orçamentários Precedência Uniformidade Anterioridade orçamentária PRINCÍPIOS • Princípio da Unidade (totalidade): art. cada Lei contém 3. deve existir somente uma única LOA. 2. (Lei 4.I O Outros princípios: 1. . Ou seja.320/64) . 165. Distrito Federal e Municípios). cada LOA é segregada em 3 orçamentos separados. uma vez que. No entanto. 5. 165. CF – No âmbito de cada ente político (União. #ATENÇÃO Vale ressaltar que o Princípio da Unidade refere-se à LOA. Orçamento de Investimento das empresas estatais. cada esfera do governo deve possuir apenas uma LOA. conforme mencionado acima: Orçamento Fiscal. afinal. foi relativamente esvaziado. (CESPE/ACE/TCU 2007 – adaptada) O princípio da unidade orçamentária. 4. por exigência constitucional o orçamento se tornou multidocumental. 3. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Exceção: Autorização e abertura de créditos orçamentários especiais e extraordinários com vigência Plurianual. ou seja. Comentários: Apesar do princípio da Unidade preconizar a existência de um único orçamento. CF.> ou seja. hoje já é possível falar-se em um princípio da totalidade. o Orçamento da Seguridade Social e o Orçamento de Investimento das Empresas Estatais. §5º. passando-se a admitir aexistência de orçamentos setoriais. devem ser consolidados emum único documento que permita a visão geral do conjunto das finançaspúblicas.

. Ou seja. A Lei de Orçamento compreenderá todas as receitas. #IMPORTANTE Art. não é especificada. PU e art. observado o disposto no artigo 2°. 2º. . 3º. ressalvado o disposto no artigo 2º e seu parágrafo único. Art. 5º A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal. ou que. transferências ou quaisquer outras. 6º Tôdas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento/ pelos seus totais. Lei 4. Os investimentos serão discriminados na Lei de Orçamento segundo os projetos de obras e de outras aplicações. Art. 6º Tôdas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais.(…) os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados. vedadas quaisquer deduções. Art. serão incorporados ao orçamento do exercício subseqüente. CF .“dotações globais” = é uma autorização genérica. serviços de terceiros. . Art.320/64. 12. caput.320/64.Art. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: Exceções ao princípio: Art. 167. § 2º. inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. III. . • Princípio da Universalidade: é um princípio infraconstitucional previsto na Lei 4. salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício. 2º. vedadas quaisquer deduções. • Princípio da Especificidade (princípio da especialização ou discriminação) – é um princípio constitucional. a LOA vai poder conter dotações globais. 12. 5º c/c art.depois da barra. ele se refere ao Princípio do Orçamento Bruto. • Princípio do Orçamento Bruto – o princípio do Orçamento Bruto é mais abrangente que o princípio da Universalidade. em que. #CONCLUSÃO Todas as receitas e todas as despesas devem estar no orçamento. 4º A Lei de Orçamento compreenderá tôdas as despesas próprias dos órgãos do Govêrno e da administração centralizada. Art. caso. LRF (reserva de contingências). ampla. reabertos nos limites de seus saldos. material. art. 5º.antes da barra é Princípio da Universalidade [Tôdas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento]. por intermédio dêles se devam realizar. Art.

destinada ao: • Princípio da Exclusividade: Art. Exceções: Não se inclui na proibição: 1) Autorização para o Poder Executivo de abertura de créditos adicionais suplementares. 12. CF. não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por dotações globais.320 é sempre de longo prazo. III. elaborado de forma compatível com o plano plurianual. Regra de ouro (167. . São receitas de capital. O que são operações de crédito? R: É todo empréstimo e financiamento obtido pelo setor público. serão estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. definido com base na receita corrente líquida. LRF): . classificadas entre as Despesas de Capital. nos termos da lei. Art. 5º O projeto de lei orçamentária anual. fixação de subsídios. não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito. CF – Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: § 8º – A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa. por sua natureza. Os programas especiais de trabalho que. 2) Autorização para contratação de operações de crédito (empréstimos ou financiamentos obtido pelo setor público para financiar desequilíbrio orçamentário). com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas desta Lei Complementar: III – conterá reserva de contingência. por exemplo. remuneração etc.> o único crédito adicional que admite autorização expressa nas Lei de Orçamento é o crédito adicional suplementar. ainda que por antecipação de receita. 165. A LOA não poderá tratar de outros assuntos como.Parágrafo único. Para fins da Lei 4. art. cuja forma de utilização e montante. Entende-se que o orçamento conterá apenas matéria financeira. 3) Autorização para contratação de operações de crédito por antecipação da receita orçamentária.operações de crédito orçamentárias – financiar o desequilíbrio na execução do orçamento. As operações de crédito estão divididas em: . São fontes de financiamento dos programas governamentais.

as leis que autorizam os créditos suplementares e especiais etc. princípio da transparência. CF) – > Este tipo de crédito é aberto por medida provisória ou decreto. (art. a Lei Orçamentária Anual – LOA. aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. I. II. Princípio da publicidade: tem a ver com dever prestação de contas. 5º. LRF. instrumentos à disposição do chefe do Poder Executivo.) devem ser aprovadas pelo Poder Legislativo. 165. CF: Art. CF c/c 62. . 165. da projeção para os dois seguintes àquele a que se referirem. considerarão os efeitos das alterações na legislação. . 5º. 167. até trinta dias após o encerramento de cada bimestre. LRF As previsões de receita observarão as normas técnicas e legais. para dar uma maior publicidade. O art. São vedados: III – a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital. Por este princípio. 167. • Princípio da clareza: o princípio da clareza diz que o orçamento deve ser elaborado de forma clara e compreensível para todos os cidadãos. 167.Art. e da metodologia de cálculo e premissas utilizadas. 12. de Diretrizes Orçamentárias – LDO. §3º.. ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: § 3º – O Poder Executivo publicará. 32 e mais as seguintes: • Princípio da Legalidade orçamentária: O princípio da Legalidade está previsto no art. Art. da variação do índice de preços. do crescimento econômico ou de qualquer outro fator relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos. Art. relatório resumido da execução orçamentária.> Toda operação de crédito quando contratada gera uma dívida chamada de Dívida Fundada ou consolidada. da CF é uma aplicação do princípio da legalidade: (…) é vedado o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária. II – Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.A operação de crédito por antecipação de receita destina-se a atender insuficiência de caixa durante o exercício financeiro e cumprirá as exigências mencionadas no art. todo o orçamento público deve ser elaborado por lei e todas as leis que tratam de matéria orçamentária (as leis do Plano Plurianual – PPA. §3º) • Art. 38. Exceção: abertura de crédito adicional extraordinário para atender despesas imprevisíveis e urgentes (art. conforme o caso.

o Banco Mundial. ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts.O. . § 2º. como determinado. Nordeste. fundo ou despesa: (art. bem como o disposto no § 4º deste artigo. significando que pode haver vinculação para as outras espécies tributárias (taxas.. 05/05/1964) . FPM. XXII. 15. • Princípio da discriminação (ou princípio da especificação ou especialização): (art.O objetivo é o de levar os atos praticados pela Administração ao conhecimento de todos. respectivamente. IV. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42. 167.Ações e serviços públicos de saúde.Atividades da Administração Tributária. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos. empréstimos compulsórios). CF) Art. 15 c/c art. • Princípio da não-vinculação (ou não afetação) da receita de impostos a órgão.12.Garantias às operações de crédito por antecipação da receita (ARO). 5º Lei 4320/64) Art.Todos os fundos constitucionais: FPE. 198. § 8º. fundo ou despesa. . de 19. 158 e 159. referente a um empréstimo tomado por Estado ou Município). a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde. contribuições de melhoria. 212 e 37. por exemplo. Centro Oeste. Norte.2003) #ATENÇÃO Observe que o artigo veda a vinculação de impostos. . . para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária. É por isso que a falecida CPMF pode ser vinculada à saúde!!!! Exceções: . 167. quando esta concede uma garantia para uma entidade internacional. . e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita.Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Básico e da Valorização do Magistério (FUNDEB).Vinculação de impostos estaduais e municipais para prestação de garantia ou contragarantia à União (contragarantia é a garantia que o Estado ou Município são obrigados a oferecer à União. 165. previstas no art. pelos arts. Compensação pela exportação de produtos industrializados etc. (Veto rejeitado no D. São vedados: IV – a vinculação de receita de impostos a órgão.

em instituições financeiras oficiais. Este princípio reza que os recursos do governo devem ser recolhidos em conta única. por sua natureza. que é uma dotação global para atender passivos contingentes.A primeira exceção está prevista no art. 164. §3º. Deve ser clara e compreensível para todos os cidadãos. O recolhimento de tôdas as receitas far-se-á em estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria. material. vedada qualquer fragmentação para criação de caixas especiais. 56. especificado. art. transferências ou quaisquer outras. ressalvados os casos previstos em lei. • Princípio da clareza: princípio doutrinário. classificadas entre as Despesas de Capital (são os chamados INVESTIMENTOS EM REGIME DE EXECUÇÃO ESPECIAL). § 3º – As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central. Exceção: Dessa forma. 56 Lei 4320/65) • • Art. para facilitar a comparação de um exercício financeiro com outro. obras e outros meios de que se serve a administração publica para consecução dos seus fins. as dos Estados. . Art. 5º A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal.320/64: Art. 164.§ 1º Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal. 2º da Lei 4. material. Princípio uniformidade (padronização): A LOA tem que obedecer a uma padronização quando ela for elaborada. CF. Não deve ser confundido com o princípio da unidade orçamentária. considera-se material permanente o de duração superior a dois anos. É uma clareza sem ferir as regras técnicas de elaboração (sem deixar de ser técnico). não são admitidas dotações globais: . (Veto rejeitado no D. #CONCLUSÃO O orçamento precisa ser detalhado. ressalvado o disposto no artigo 2º e seu parágrafo único. Art. para facilitar seu entendimento e acompanhamento. serviços.A outra exceção é a Reserva de Contingências. 2º – “Os programas especiais de trabalho que. do Distrito Federal.O. . não possam cumprir-se subordinadamente à normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por dotações globais. Princípio da unidade de caixa ou tesouraria: (art. dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas. 05/05/1964) § 2º Para efeito de classificação da despesa. facilitando a administração e o controle. serviços de terceiros.

o Poder Executivo pode remanejar os recursos de forma discricionária. os programas regionais devem estar em consonância com o Plano Plurianual (PPA). Exceção: se for na mesma categoria de programação. a existência de caixas paralelos. dessa forma. O que se deseja é uma única conta contábil. portanto. este princípio é obedecido pela criação da Conta Única do Tesouro Nacional. transferir ou alocar recursos de uma categoria de programação para outra sem prévia autorização do Poder Legislativo. fracionados. • Princípio da precedência: O PPA. Princípio da programação ou do planejamento: É um dos mais modernos princípios orçamentários que surgiu com a evolução dos conceitos e técnicas orçamentárias. Exceções: . FMDA. a elaboração precede a execução. Não se quer afirmar com isso que exista apenas uma conta-corrente (bancária). evitando-se. Exceções: . gestão descentralizada. Princípio do equilíbrio orçamentário: • • .No âmbito da União.A. tais como o FUNDEF. De acordo com esse princípio.Fundos especiais: possuem. ou seja.lei de crédito suplementar . gerenciamento e planejamento. que os valores arrecadados pelo governo devem ser contabilizados em uma única conta caixa. a LDO e a LOA são elaborados em um exercício financeiro e executados no exercício financeiro imediatamente subsequente. De acordo com esse princípio. facilitando a fiscalização. Esta conta é mantida no Banco Central do Brasil e operacionalizada pelo Banco do Brasil S. FUNDET e outros. o orçamento deve evidenciar os programas de trabalho. • Princípio da anterioridade orçamentária: Algumas bancas têm afirmado que não pode haver despesa sem lei anterior que a preveja. Dotação orçamentária = é o limite dos gastos. servindo como instrumento de administração do governo. Não existe despesa fora da categoria de programação. Depreende-se. • Princípio da quantificação dos créditos orçamentários: Crédito orçamentário = autorização do gasto.lei de crédito adicional especial • Princípio do estorno de verbas: É proibido de forma discricionária remanejar. dada a sua própria natureza.

Por isso não se deve prever mais receitas que despesas. Os princípios representam o primeiro estágio de concretização dos valores jurídicos a que se vinculam. e fossem realmente . principalmente no âmbito da LOA. Não se contrapõem às normas. permitindo às normas orçamentárias adquirirem crescente eficácia.fazem parte do complexo ordenamental. Os princípios financeiros são dotados de eficácia. pois. produzem efeitos e vinculam a eficácia principiológica. permitindo às normas orçamentárias adquirirem crescente eficácia. tivessem efetividade social.numa visão ampla. e não a eficácia própria da regra concreta. as normas jurídicas é que se dividem em normas-princípios e normas-disposições" (2) Resultado da experiência histórica da gestão dos recursos públicos. também eles . Mas os princípios ainda comportam grau elevado de abstração e indeterminação. os princípios orçamentários foram sendo desenvolvidos pela doutrina e pela jurisprudência. A priori. contrapõem-se tão-somente aos preceitos. que produzissem o efeito desejado. só é recomendável que se gaste aquilo que se tem. além ou acima do Direito (ou do próprio Direito positivo). contemplando gastos que serão realizados em função das receitas que serão arrecadadas. ou seja. Trata-se do equilíbrio formal. estão a meio passo entre os valores e as normas na escala da concretização do direito e com eles não se confundem. Tal princípio é absoluto. as receitas previstas devem. Assim o orçamento deve funcionar como uma ferramenta de planejamento real. rigorosamente.. . A justiça e a segurança jurídica começam a adquirir concretitude normativa e ganham expressão escrita. Jorge Miranda afirma : "Os princípios não se colocam. superadora de concepções positivistas. atributiva de direitos e obrigações. Evolução histórica dos princípios orçamentário-constitucionais brasileiros Resultado da experiência histórica da gestão dos recursos públicos. isto é. A finalidade deste princípio é a de impedir o déficit orçamentário. literalista e absolutizantes das fontes legais ." (1) Complementando a idéia do papel precursor e orientador dos princípios jurídicos. sendo enunciados genéricos que quase sempre se expressam em linguagem constitucional ou legal. os princípios orçamentários foram sendo desenvolvidos pela doutrina e pela jurisprudência.O princípio do equilíbrio pressupõe que a receita prevista na LOA deve ser igual à despesa nela fixada. pois.. No entender de Ricardo Lobo Torres : "Os princípios. ser iguais às despesas fixadas. conducente à normativa plena.

ou mesmo mitigados. o princípio do equilíbrio orcamentário foi revigorado e dada nova roupagem em face dos crescentes déficits estruturais advindos da dificuldade do Estado em financiar os extensos programas de segurança social e de alavancagem do desenvolvimento econômico.. auxiliando no exercício da função jurisdicional ao permitir a aplicação da norma a situação não regulada especificamente.o orçamento deve conter todas as receitas e despesas da entidade.Câmara dos Deputados e Senado . em movimento pendular. Entretanto.observadas pelos receptores da norma. Como princípios informadores do direito . portanto. foram sendo incorporados novos princípios orçamentários às várias cartas constitucionais reguladoras do Estado brasileiro. O primeiro orçamento geral do Império somente seria aprovado oito anos após a Independência. Alguns desses princípios foram adotados em certo momento por condizerem com as necessidades da época e posteriormente abandonados.12. inclusive a dos fundos. não sendo observado o princípio da universalidade . o Brasil somente teve orçamentos para a Corte e a Província do Rio de Janeiro.sua discussão e aprovação. aos balanços. a integração . e. g.significa que a autorização legislativa do gasto deve ser renovada a cada exercício financeiro . o que ocorreu com o princípio do equilíbrio orçamentário. Nossas Constituições. institui as primeiras normas sobre o orçamento público no Brasil .1830. no período de 1822 a 1829. gradativa e cumulativamente. pelo Decreto Legislativo de 15. desde a Imperial até a atual. procedência ou destino. Este orçamento continha normas relativas à elaboração dos orçamentos futuros.o orçamento era para viger por um ano e sua elaboração competência do Ministro da Fazenda. Os princípios orçamentários. em seus arts. a despesa pública deve ter prévia autorização legal.possibilitando a colmatagem das lacunas existentes no ordenamento . Pari passu com a inserção da anualidade.e são na verdade as idéias centrais do sistema dando-lhe sentido lógico . tão precioso ao estado liberal do seculo XIX. e que foi em parte relativizado com o advento do estado do bem estar social no período pós guerra. referente ao exercício 1831-32. cabendo à Assembléia-Geral . sujeita à sanção do Poder Executivo .a aprovação da peça orçamentária deve observar regular processo legislativo . Nos anos oitenta e noventa.e a interpretação do direito orçamentário.171 e 172. projetam efeitos sobre a criação subsidiando o processo legislativo -. ou pelo menos transformados. Estatui-se a reserva de lei . incorporados ao sistema normativo.para a aprovação do orçamento. e a Carta de 1824. fixa-se o princípio da legalidade da despesa advindo do princípio geral da submissão da Administração à lei. Instaura-se a ordem constitucional soberana em nosso Império.a competência para a aprovação é privativa do Poder Legislativo. de qualquer natureza. sempre deram tratamento privilegiado à matéria orçamentária. em especial o agente público.e a reserva de parlamento . ou temporalidade. De maneira crescente.foram sendo. Insere-se o princípio da anualidade. à instituição de comissões parlamentares para o exame de qualquer repartição pública e à obrigatoriedade de os ministros de Estado apresentarem relatórios impressos . relativizados. dos empréstimos e dos subsídios.

para tanto. a qual Aliomar Baleeiro definiu como ´´´´o parto da montanha ´´´´. limita o conteúdo da lei orçamentária. as denominadas "caudas orçamentárias". ressalvadas: a autorização para abertura de créditos suplementares e para operações de crédito como antecipação de receita. A mudança refletiu um aprimoramento da técnica orçamentária.320. A Constituição republicana de 1891 introduziu profundas alterações no processo orçamentário. promover duas alterações significativas: a proibição da concessão de créditos ilimitados e a introdução do princípio constitucional da exclusividade. . A reforma na Constituição imperial de 1824. Prática essa denominada por Epitácio Pessoa em 1922 de "verdadeira calamidade nacional". Os parlamentos. de 1964. podem ser autorizadas quaisquer operações de crédito. b) a determinação do destino a dar ao saldo do exercício ou do modo de cobrir o deficit. ou da pureza orçamentária. regulou o funcionamento das assembléias legislativas provinciais definindo-lhes a competência na fixação das receitas e despesas municipais e provinciais. ou ainda os cavaliers budgetaires dos franceses. com o advento principalmente da Lei 4. O princípio da exclusividade sofreu duas modificações na Constituição de 1988. como forma de se tirar proveito de um processo legislativo mais rápido. No dizer de Ruy Barbosa. Na segunda. orientava a comissão parlamentar de finanças na confecção da lei orçamentária. observa Arizio de Viana que "a iniciativa sempre partiu do gabinete do ministro da Fazenda que.. ou os Bepackungen dos alemães. mediante entendimentos reservados e extraoficiais. 34. bem como regrando a repartição entre os municípios e a sua fiscalização. A elaboração do orçamento passou à competência privativa do Congresso Nacional. eram os "orçamentos rabilongos". [4] A experiência orçamentária da República Velha revelou-se inadequada. emendada pela Lei de 12. tackings dos ingleses.1834. e a determinação do destino a dar ao saldo do exercício ou do modo de cobrir o déficit. impedindo que nela se pretendam incluir normas pertencentes a outros campos jurídicos. segundo a qual a lei orçamentária não deveria conter matéria estranha à previsão da receita e à fixação da despesa.sobre o estado dos negócios a cargo das respectivas pastas e a utilização das verbas sob sua responsabilidade [3]. O princípio da exclusividade. Na primeira. já na sua formulação clássica. são mais sensíveis à criação de despesas do que ao controle do déficit. Embora a Câmara dos Deputados tenha assumido a responsabilidade pela elaboração do orçamento.. Buscou-se. Essa foi a primeira inserção deste princípio em textos constitucionais brasileiros. que introduziram o registro de hipotecas no Brasil e até a alteração no processo de desquite propiciaram. em toda parte. A reforma Constitucional de 1926 tratou de eliminar as distorções observadas no orçamento da República. que regulou a utilização dos saldos financeiros .08. Não se incluem nessa proibição: a) a autorização para abertura de créditos suplementares e para operações de crédito como antecipação da receita. não mais se autoriza a inclusão na lei orçamentária de normas sobre o destino a dar ao saldo do exercício como o fazia a Constituição de 1967.§ 1º As leis de orçamento não podem conter disposições estranhas à previsão da receita e à despesa fixada para os serviços anteriormente criados. por antecipação de receita ou não. os riders dos norte-americanos. ao inserir-se preceito prevendo: Art.

uma vez que as casas legislativas não foram instaladas e os orçamentos do período 1938-45 terminaram sendo elaborados e aprovados pelo Presidente da República. O período do Estado Novo marca de forma indelével a ausência do estado de direito. 167. O princípio da especialidade abrange tanto o aspecto qualitativo dos créditos orçamentários quanto o quantitatiivo. ex vi do atual art. 62. § 4º. Além disso. a dotação. vedando a transposição. encontrase expresso no texto constitucional. estabelecia que a despesa deveria ser discriminada. na de 1969 e art. que previa a aprovação pelo Legislativo de verbas globais por órgãos e entidades. soberanamente aprovada pelo Parlamento. da discriminação da despesa. 167. § 2º (art. Trata-se do princípio da especificação. Norma no sentido da limitação dos créditos orçamentários permaneceu em todas as constituições subseqüentes à reforma de 1926. esteio da democracia. ou ainda. A elaboração do orçamento continuava sendo de responsabilidade do Poder Executivo . no plano constitucional. 75 na de 1946). na de 1969 e sem previsão na de 1946).agora a cargo de um departamento administrativo a ser criado junto à Presidência da República . art. limitando a vigência dos créditos especiais e extraordinários ao exercício financeiro em que forem autorizados. ser emendado. com a exceção da Superlei de 1937. com o assessoramento do recém criado Departamento Administrativo do Serviço Público-DASP. nem mesmo essa prerrogativa chegou a ser exercida. Pode ser também de caráter qualitativo. O princípio da especificação tem profunda significância para a eficácia da lei orçamentária. Exceção a este princípio basilar foi a Constituição de 1937.apurados no exercício anterior pelo Tesouro ou entidades autárquicas e classificou como receita do orçamento o produto das operações de crédito. inclusive. vedando a concessão de créditos ilimitados. proibindo a concessão de créditos ilimitados. determinando a fixação do montante dos gastos. A Constituição de 1934 restaurou. remanejamento ou a transferência de recursos de uma catergora de programação para outra ou de um órgão para outro. como hoje dispõe o art. caso em que reabertos nos limites dos seus saldos. que passou à responsabilidade direta do Presidente da República. para a manutenção da equipotência dos poderes constituídos. "a". na de 1969 e art. ou especialidade. salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício. 62.e seu exame e aprovação seria da competência da Câmara dos Deputados e do Conselho Fiscal. Ou. Durante o Estado Novo. VI (art. serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente. obedecendo. que podia. prescrevendo que a autorização legislativa se refira a despesas específicas e não a dotações globais. encerrando a explicitação da finalidade e da natureza da despesa e dando efetividade à indicação do limite preciso do gasto. que se confunde com a própria questão da legalidade da despesa pública e é a razão de ser da lei orçamentária. 62. VII (art. a Constituição de 1934. §1º. a competência do Poder Executivo para elaboração da proposta. ou seja. § 1º. 167. entretanto. pelo menos a parte variável. 75 na de 1946). "b". a rigorosa especialização. como nas demais anteriores. . finalmente pode o princípio referir-se ao aspecto temporal. como já mencionado anteriormente. Tal princípio só veio a ser expresso na Constituição de 1934. que na Constituição de 1988. demonstrando cabalmente a importância da existência de uma lei orçamentária. Cabia ao Legislativo a análise e votação do orçamento.

15. dos Estados. inclusive emendas à proposta do governo. numa única conta. A partir de 1967. ou o princípio da universalidade. Dessa forma. intactos os princípios orçamentários até então consagrados. estatuindo "Normas Gerais de Direito Financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. mas sim o equilíbrio amplo das finanças públicas. tendo sido abandonado pela doutrina o equilíbrio geral e formal. de 17. Sem ferir o princípio da unidade. Coincidentemente. se introduziu o orçamento plurianual de investimentos. art. de modo a evidenciar a completa situação fiscal para o período. complementar à autorização para a despesa contida na lei orçamentária anual. veio propiciar uma ligação entre o planejamento de médio e longo .64. III). introduziu-se um novo princípio constitucional-orçamentário. como ressalta Marco Nóbrega ao analisar a Lei de Responsabilidade Fiscal e o príncípio do equilíbrio: "O grande princípio da Lei de Responsabilidade Fiscal é o princípio do equilíbrio fiscal. acolhidas nas Constituições de 67 e de 88 (CF art.320/64. Esse princípio é mais amplo e transcende o mero equilíbrio orçamentário. órgãos e entidades devem estar consignadas num único documento. A Constituição de 1967 registrou pela primeira vez em um texto constitucional o princípio do equilíbrio orçamentário. ao lado do orçamento anual. Verdadeiro estatuto das finanças públicas. por se tratar de instrumento de planejamento. levando mais de dez anos sua tramitação legislativa. foi nessa Constituição que. Hoje não mais se busca o equilíbrio orçamentário formal. O axioma clássico de boa administração para as finanças públicas perdeu seu caráter absoluto." [5] Os princípios da unidade e da universalidade também sofreriam alterações na Constituição de 1967. mas devolveria ao Poder Legislativo suas prerrogativas quanto à análise e aprovação do orçamento. que diz respeito unicamente ao orçamento anual. embora não se deixe de postular a busca de um equilíbrio dinâmico. também. Sob a égide da Constituição de 1946 foi aprovada e sancionada a Lei nº 4. Manteria. inserto no texto constitucional desde 1934. inclusive com a introdução da técnica do orçamento-programa a nível federal. A Lei 4. Esses princípios são complementares: todas as receitas e todas as despesas de todos os Poderes. toda vez que ações ou fatos venham a desviar a gestão da equalização. Desta maneira. dos Municípios e do Distrito Federal". Equilíbrio fiscal significa que o Estado deverá pautar sua gestão pelo equilíbrio entre receitas e despesaa. tal lei incorporou importantes avanços em termos de técnica orçamentária.a programação constante da lei orçamentária relativa aos projetos com duração superior ao exercício financeiro devem observar o planejamento de médio e longo prazo constante de outras normas preordenadoras.320. medidas devem ser tomadas para que a trajetória de equilíbrio seja retomada. 169) e a vedação à realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital (CF art. a Constituição deixou de consignar expressamente o mandamento de que o orçamento seria uno. estabeleceu que a despesa fosse discriminada no mínimo por elementos. 167. o da programação .03.A Constituição de 1946 reafirmaria a competência do Poder Executivo quanto à elaboração da proposta orçamentária. Inserem-se neste contexto as normas que limitam os gastos com pessoal.

Esta última sim. que estabeleceu. 165. em relação promíscua com as prestações da Previdência Social. de economia mista.prazo com a orçamentação anual. a fim de que estejam livres para sua alocação racional. que consistia no orçamento de investimento das empresas públicas. ao invés. A Constituição de 1967 o adotou. Todos estes documentos eram aprovados exclusivamente pelo Presidente da República. coroadas pela promulgação da carta constitucional de 1988. Outra inovação da Constituição de 1988 foi o orçamento de investimentos das empresas estatais. como fundos e programas. observadas em seu âmbito a unidade e a universalidade. uma vez que se trata. quebra da unidade orçamentária. já que se trata de um sistema distinto de prestações e contraprestações de caráter continuado. parcela considerável dos dispêndios da União não passavam pelo Orçamento Geral da União . como vem ocorrendo por força de disposições contidas na últimas LDOs. que deve manter um equilíbrio econômicofinanceiro auto-sustentado. Somente a partir de 1984. detenha a maioria do capital com direito a voto. entretanto. para compor com elas um orçamento distinto. na prática. . a não ser no que se refere àquelas unidades empresariais dependentes de recursos do Tesouro para sua manutenção. A Carta de 1988. um plano plurianual (PPA). Tais despesas eram realizadas autonomamente pelo Banco Central e Banco do Brasil por intermédio do denominado "Orçamento Monetário-OM" E "Contamovimento". tipicamente financiadas com os recursos ordinários do Tesouro. extinção da "conta-movimento" no Banco do Brasil e de outras medidas administrativas. A adoção do Orçamento de Investimento nas empresas nas quais a União. embora o art. restringe a aplicação do princípio aos impostos. e somente esta. os gastos com subsídios e praticamente a totalidade das operações de crédito de responsabilidade do Tesouro. Não há aqui. relativamente aos tributos. porquanto deixou de fora do orçamento fiscal as ações de saúde e assistência social. correspondeu a um avanço na aplicação do princípio da universalidade dos gastos. respectivamente. [6] A aplicação do princípio da unidade foi elastecido na Constituição de 1988. de um segmento nitidamente distinto do orçamento fiscal.OPI não chegou a ter eficácia. Não obstante o fato das Constituições e normas a ela inferiores alardearem os princípios da universalidade e unidade orçamentária. suas subsidiárias e controladas direta ou indiretamente pela União. passou-se a dar efetividade ao princípio da unidade e universalidade orçamentária. 165 § 5º diga "A lei orçamentária anual compreenderá". O Orçamento Plurianual de Investimentos . por sua vez. ressalvados os impostos únicos e o disposto na própria Constituição e em leis complementares. conforme as prioridades públicas. O orçamento discutido e aprovado pelo Congresso Nacional não incluía os encargos da dívida mobiliária federal. não permitindo sua ampliação mediante lei complementar. ainda que excluídos os dispênidos relativos à manutenção destas entidades. direta ou indiretamente. observadas as exceções indicadas na Constituição e somente nesta. § 5º. nos termos do art. obviamente. merecedora de tratamento em documento separado. caso em que devem ser incluídas integralmente no orçamento fiscal. O princípio da não afetação de receitas determina que essas não sejam previamente vinculadas a determinadas despesas.OGU. no momento oportuno. até meados dos anos oitenta. com a gradativa inclusão no OGU do OM. não encontrando abrigo na Constituição de 1988. Ainda tinha-se o Orçamento-SEST.

J. anistias. em regra sobre o Poder Executivo. J. Edições Financeiras. elevando a nível constitucional os princípios da clareza e da publicidade. a exemplo do previsto no art.A emenda constitucional revisional nº 1. Notas 1TORRES. Arizio de.M. ainda que somente para os exercícios financeiros de 1994 e 1995. Brasília. 77.que estipula a publicação bimestralmente de relatório resumido da execução orçamentária. §3º . Jorge. 1950. 165. 199. anais do IV Seminário Nacional sobre Orçamento Público. a partir do instrumento da representação política.. subsídios e benefícios de natureza financeira. 2MIRANDA. apud GIACOMONI. de 1994. Renovar. demonstrou a necessidade de se permitir a flexibilidade na alocação dos recursos na elaboração e execução orçamentária. Curso de Direito Financeiro e Tributário . Submete-se este ente estatal ao ordenamento normativo gerado em seu próprio seio pela sociedade por ele regulada. Rio de Janeiro. 2002. balizando. "Sistema Orçamentário". sobre as receitas e despesas. pp. 1983. retirando previamente do legislador ordinário parcela de seu poder legiferante. foram precursoras da própria afirmação do controle social e parlamentar sobre o Estado. 20% dos impostos e contribuições da União. 1978. p. parametrizando as relações interpoderes quanto aos meios necessários à consecução dos fins estatais. A Constituição de 1988 inovou em termos de constitucionalização de princípios regentes dos atos administrativos em geral e aplicando-os à matéria orçamentária. tributária e creditícia . Almedina.43.que determina que o projeto da lei orçamentária venha acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito. 165. Orçamento brasileiro. in Transferência de Técnicas Orçamentárias para a América Latina. § 6º . São Paulo. Rio de Janeiro. Assim. p.45. . 4VIANA.e no art. Ricardo Lobo . Direito Constitucional. 1986. Comissão de Coordenação e Implementação de Técnicas Financeiras . 3FRANCO NETO. Orçamento Público. leit motiv para o surgimento de paramount laws. CONCLUSÕES As indagações aqui expostas dizem respeito à própria essência do Estado. e suas relações com a comunidade que o sustenta e que com ele mantém relações de subordinação e domínio. Coimbra. leis orçamentárias surgem como cerne. entendido este como provedor de bens e serviços. p. As leis financeiras. decorrentes de isenções. dentre as quais sobressai-se a lei orçamentária. fixando.B.COCITEF. ao criar o Fundo Social de Emergência-FSE e desvincular. remissões. Atlas. A relevância do tema orçamentário e sua essencialidade para o Estado seduz o constituinte a fertilizar os textos constitucionais com princípios destinados a orientar a futura elaboração legislativa.

Eduardo Refinetti . ou seja. pois no Plano Plurianual se estabelecem as diretrizes. ano a ano. ou sem lei que autorize a inclusão. São Paulo: Editora Malheiros. No entanto. que.320/64 coincide com o ano civil: de 01 de janeiro a 31 de dezembro. ultrapassa o período de um exercício financeiro. este princípio decorreu do abuso cometido na Republica Velha. Assim. programas e despesas de capital previstas no plano plurianual não ofendem o principio da anualidade. nos termos da lei. pois o Plano Plurianual não é operativo 1 SILVA. também denominado de principio da periodicidade. Conforme nos relata José Afonso da Silva 1 . Juarez de Oliveira. p. São Paulo. é estabelecido de forma expressa no art. São Paulo. 167. p. §8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa.br P rincípio da Exclusividade: Este princípio. Portanto. Ed. nos seguintes termos: Art. surge o principio da exclusividade com o objetivo de impedir que normas concernentes a outros ramos do direito sejam introduzidas nas leis orçamentárias. podemos afirmar que as metas. 4. 1993. não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito. sob pena de crime de responsabilidade. José Afonso. com efeito. cujas matérias eram alheias ao direito financeiro. Ao período de vigência do orçamento denominase exercício financeiro. 23 ed. É importante salientar que o art.com. 5. que nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual. 34 da Lei nº. 32 6GUARDIA. . O Processo Orçamentário do Governo Federal : Considerações sobre o Novo Arcabouço Institucional e a Experiência Recente. ainda que por antecipação de receita. 2002. onde os parlamentares apresentavam emendas à proposta de lei orçamentária encaminhada pelo executivo. Instituto de Economia do Setor Público.editoraferreira. § 1º dispõe. § 8º da Constituição Federal de 1988. 1 O SI STEMA CON STI TUCI ONA L ORÇAMENTÁRI O P arte 2 P RI N CÍ P I OS ORÇAMEN TÁ RI OS CON STI TUCI ON A I S A ntonio Henrique Lindemberg w w w . alterada pela EC de 1926. no orçamento anual.5NÓBREGA. o qual. deverão ser previstas receitas e autorizadas despesas para um determinado período. 165. verificamos que poderão ser previstos investimentos no plano plurianual. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. as previsões de receita e despesa devem referirse sempre a um período limitado de tempo. conforme dispõe o art. para o período correspondente ao exercício financeiro. haja vista que para a sua execução necessário se faz a previsão. Lei de Responsabilidade Fiscal e Leis Orçamentárias. P rincípio da anualidade: Em conformidade com o principio da anualidade. Marcos. 165. cuja origem é encontrada na primeira Constituição Republicana. Curso de direito constitucional positivo. assim.

Após a iniciativa serão estes instrumentos normativos 2 SILVA. podemos observar a incidência desta nova orientação do principio da unidade no texto constitucional de 1988.719 2 por si só. Curso de direito constitucional positivo. 165).2004. no entanto. após a deliberação legislativa encaminharseá para sanção do Presidente da República. visandose com isto eliminar a existência de orçamentos paralelos. o orçamento deve agregar todas as receitas e despesas de toda a administração direta e indireta dos Poderes. o fato do Orçamento Geral da União possuir três peças. O que há é apenas volumes diferentes segundo áreas de atuação do Governo. como o Orçamento Fiscal. e. P rincípio da Legalidade: O Orçamento é objeto de uma lei específica. José Afonso. sejam estruturados uniformemente e se ajustem a um método único 2 . 73. válido para os três Poderes. art. Assim estabelecia a Constituição de 1946 em seu art. o orçamento de investimento das empresas e o orçamento da seguridade social. o orçamento deverá ser uno.723 3 encaminhados à Câmara dos Deputados (Casa inicial) e posteriormente ao Senado Federal (Casa revisora). na sua forma clássica. §§ 1º a 5º. P rincípio do Equilíbrio Orçamentário: Por este principio almejase que em cada exercício financeiro o montante da . a necessidade de que todos os órgãos se fundamentem em uma única política orçamentária. incorporandose à receita. possui três orçamentos. o orçamento fiscal. é o orçamento anual. A rt. postulase a existência de uma unidade relativa ao sistema de planejamento/programa. no art. onde se previu a existência de uma lei orçamentária única que. P rincípio da Unidade: Segundo este princípio. neste caso. 73 O orçamento será uno. consoante nos aponta José Afonso da Silva. Assim. 2004. 165. deve existir um único orçamento (previsão de receitas e autorização de despesas) para um exercício financeiro. um único documento de previsão de receitas e despesas de todos os órgãos. verificamos que o Presidente da Republica detem a iniciativa exclusiva para o estabelecimento do Plano Plurianual. em vez da unidade formal. que. ou seja. p . e incluindose discriminadamente na despesa as dotações necessárias ao custeio de todos os serviços públicos. Entretanto. a Lei de diretrizes orçamentárias e orçamento anual (CF. Concluindo. fundos e órgãos. o Estado ampliou suas tarefas. § 5º. em decorrência da especialização das tarefas estatais. obrigatoriamente. 23 ed. especialmente no art. verificase a vinculação do orçamento público aos planos de governo. com surgimento do Estado social de direito. e como tal. P rincipio da Universalidade: Segundo as diretrizes deste princípio. ou seja. onde. Igualmente. p . precisa de um instrumento executor de suas previsões. fazendo com que este princípio tornasse impossível de ser cumprido. São Paulo: Editora Malheiros. 165. deve cumprir a formalidade prevista para o seu processo de elaboração legislativa. todas as rendas e suprimentos de fundos. e. No entanto. pois o Orçamento é único. a saber. o Orçamento da Seguridade Social e o Orçamento de Investimento não representa afronta ao princípio da unidade. ou seja.

com a finalidade de se impedir o endividamento estatal. São as subvenções sociais destinadas a cobrir despesas de custeio de instituições públicas ou privadas sem finalidade lucrativa. fundo ou despesa. IV que proíbe a vinculação de receita de impostos a órgão. § 2º. o qual estabelece vinculação de receitas próprias para prestação de garantia à União. parágrafo único. Incluído pela Emenda Constitucional nº 42. comercial. vedada a aplicação desses recursos no pagamento de: Idespesas com pessoal e encargos sociais; II serviço da dívida;III qualquer outra despesa corrente 3 Despesa corrente: São os gastos realizados pelo Estado que produzem variação negativa no patrimônio liquido.2003). ressalvadas: · A repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159; · A destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde. P rincípio da nãovinculação ou nãoafetação: Decorre da previsão constitucional contida no art. de 19.2003). As transferências correntes são despesas orçamentárias para as quais não corresponde uma contraprestação direta de bens e serviços. Uma das finalidades da adoção deste princípio é a tentativa de limitar os gastos públicos sem previsão de receitas. · A faculdade dos Estados e do Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida. parágrafo único. para que não haja um desequilíbrio acentuado nos gastos públicos. § 8º. Incluído pela Emenda Constitucional nº 42. As despesas correntes podem ser dividas em: (i) despesas de custeio e (ii) Transferências correntes. 198. redução do valor do ativo. 167. para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária. pelos arts. vedada a aplicação desses recursos no pagamento de: I despesas com pessoal e encargos sociais; II serviço da dívida; III qualquer outra despesa corrente 3 não vinculada diretamente aos investimentos ou ações apoiados. 4 não vinculada diretamente aos investimentos ou ações apoiados. bem como o disposto no § 4º deste artigo. (CF. (CF. art. · A faculdade dos Estados e do Distrito Federal vincular a programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida. o Orçamento é publicado no Diário Oficial da União. P rincípio da P ublicidade: O Orçamento de um país quando aprovado deve sempre ser divulgado através dos veículos oficiais de comunicação deste país para conhecimento e fiscalização do povo. São as subvenções econômicas que se destinam a cobrir despesas de custeio de empresas publicas de caráter industrial. e · A prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita. XXII. 212 e 37.12. incluindose nestas despesas os gastos com obras de conservação e de adaptação de bens móveis.12. agrícola ou pastoril.despesa não deve ultrapassar a receita prevista para o período. 204. 165. No Brasil. previstas no art. de 19. como determinado. respectivamente. As despesas de custeio destinamse a manutenção dos serviços criados pela Lei orçamentária. art. 204. ou seja. P rocesso de elaboração das leis orçamentárias: A Constituição estabelece o . para o financiamento de programas e projetos culturais.

decisão do Supremo Tribunal Federal. " Competência exclusiva do P oder Executivo iniciar o processo legislativo das matérias pertinentes ao P lano P lurianual. 35 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. ainda inexiste. 166 da Constituição Federal. inclusive dos créditos adicionais. ressalvado o disposto no art. I I – Lei de Diretrizes Orçamentárias: As emendas somente poderão ser aprovadas se compatíveis com o PPA. 5 b) As emendas devem indicar os recursos necessários. Municípios e Distrito Federal. in fine. 166. conforme art. Merece relevo que esta possibilidade de aumento de despesa dos projetos de lei do Presidente da Republica consta expressamente do art." (ADI 1. na comissão mista. conforme art. " O poder de emendar projetos de lei — que se reveste de natureza eminentemente constitucional — qualificase como prerrogativa de ordem políticojuridica inerente ao exercício da atividade legislativa. 84. a qual deverá ocorrer no prazo determinado pela lei complementar a que se refere o art. 63. M in. 163. 166. I. Merece atenção que. conforme art. que sobre elas emitirá parecer. Neste sentido.165. I I I – Lei de orçamento anual: As emendas somente poderão ser aprovadas se obedecerem três requisitos: a) Compatibilidade com o PPA e a LDO. art. §§ 3º e 4º. que. DJ 06/ 04/ 01) Deliberação P arlamentar: Após a iniciativa do Presidente da República. razão pela qual deverão ser adotados os limites temporais fixados no art. a lei de diretrizes orçamentárias e a lei de orçamento anual. § 4º. da parte cuja alteração é proposta. a proposta será encaminhada para a comissão mista permanente de deputados e senadores que irão emitir parecer sobre as propostas encaminhadas para posterior deliberação do plenário das duas casas parlamentares do Congresso Nacional. . excluídas as anulações de despesas que incidam sobre: · Dotações para pessoal e encargos · Serviço da divida · Transferências tributárias constitucionais para Estados. às Diretrizes Orçamentárias e aos Orçamentos A nuais. P recedentes: ADI 103 e ADI 550. § 5º. c) Sejam relacionadas com: · A correção de erros ou omissões · Os dispositivos do texto do projeto de lei. 165.processo especial de elaboração das denominadas leis orçamentárias. I niciativa legislativa: A Constituição determina ser da competência exclusiva do Poder Executivo a iniciativa da propositura das leis orçamentárias. 166. o Presidente da República poderá enviar mensagem ao Congresso Nacional para propor modificação nos projetos a que se refere este artigo enquanto não iniciada a votação. 63. § 2º). § 9º. IP lano P lurianual: Em relação ao Plano Plurianual aplicase a regra estabelecida no art. admitidos apenas os provenientes de anulação de despesas. o qual dispõe ser vedado o aumento de despesa prevista nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República.759M C. e as submeterá a apreciação do plenário das duas casas parlamentares CF. Neste sentido. Emendas aos projetos de leis orçamentárias: As emendas às leis orçamentárias serão apresentadas na comissão mista permanente. sendo que os Estados e os Municípios deverão adotar a mesma regra prevista na Constituição Federal no art. quais sejam. o plano plurianual. XXIII c/c art. I da Constituição Federal. no entanto. Rel. Néri da Silveira. que se referem ao projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei de Orçamento Anual.

mediante leis de abertura de créditos especiais” 5 . pois não pode ser aprovado outro. 6 “ diferente é a hipóteses de apreciação do projeto de lei orçamentária. § 8º. ficarem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados. M in. DJ 23/ 04/ 04) Após a apresentação de emendas na comissão mista de deputados e senadores (CF. Assim. (b) guardem afinidade lógica (relação de pertinência) com a proposição original e (c) tratandose de projetos orçamentários (CF. A Constituição dá a solução possível e plausível dentro da técnica do direito orçamentário: as despesas. poderá ser rejeitado caso em que será arquivado. Celso de M ello. 166. 4 Com o mesmo entendimento manifestase José Afonso da Silva. Créditos A dicionais: Os créditos adicionais são as autorizações de despesas não computadas ou computadas de maneira insuficiente na lei de orçamento anual.Essa prerrogativa institucional. que “ a sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias” . precisamente por não traduzir corolário do poder de iniciar o processo de formação das leis (RTJ 36/ 382. Não é possível elaborar orçamento para o mesmo exercício financeiro. N ão há possibilidade de o Congresso N acional rejeitar o projeto de lei de diretrizes orçamentárias. ou.art. terão que ser autorizadas previa e especificadamente. Rel. em decorrência de veto. §§ 3º e 4º da Carta P olítica. Rel. por imprescindível que. com previa e especifica autorização legislativa. § 2º). conforme o caso. Cumpre salientar." (A DI 1. Celso de Mello). 57. da Constituição Federal permite concluir pela possibilidade de rejeição total ou parcial do projeto. 166.050M C. § 2. pode ser legitimamente exercida pelos membros do Legislativo. observem as restrições fixadas no art. I I e I I I ). ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual. 166. 385 — RTJ 37/ 113 — RDA 102/ 261). que analisando os efeitos da rejeição do projeto de lei orçamentária aduz que “a conseqüência mais séria da rejeição do projeto de lei orçamentária anual é que a administração fica sem orçamento. que não podem efetivarse senão devidamente autorizadas pelo legislativo. os créditos . 165. mediante créditos especiais ou suplementares. caso a caso. Em relação à lei de orçamento anual preleciona o citado autor. uma vez que a Constituição Federal determina em seu art. M in. emenda. que irá aprovar o projeto e assim encaminhalo à sanção ou veto presidencial. em que a interpretação do art. ainda que se cuide de proposições constitucionalmente sujeitas à cláusula de reserva de iniciativa (A DI 865/ MA . I . o projeto será apreciado pelo plenário das duas casas do Congresso Nacional. art. desde que — respeitadas as limitações estabelecidas na Constituição da República — as emendas parlamentares (a) não importem em aumento da despesa prevista no projeto de lei. conforme posição abalizada de Alexandre de Moraes. afirmando que os recursos que.

reabertos nos limites de seus saldos. Créditos Extraordinários: São créditos destinados a atender despesas urgentes e imprevisíveis. porque reputadas normas individuais ou de efeitos concretos.adicionais são instrumentos de ajustes orçamentários que tem a finalidade de: · Corrigir falhas da Lei orçamentária; · Mudanças de rumo nas políticas públicas; · Variações de preços de mercado dos bens e serviços a serem adquiridos pelo governo; · Situações emergenciais inesperadas e imprevisíveis. Coerentemente o Constituinte originário veio a estabelecer que a abertura dos créditos extraordinários darseá por medida provisória. observado o disposto no art.5. V). · Recursos decorrentes de vetos. Cumpre salientar que. 2004. Os créditos adicionais podem ser classificados em: (i) Suplementares; (ii) especiais; (iii) extraordinários. normalmente. Direito Constitucional. 20. 17. Sua abertura depende da existência de recursos disponíveis para acorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa. Importante apontar que os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados. como. 167. V). acima do previsto. Alexandre de. entre a receita realizada (arrecadada) e a prevista. 4 Moraes. · Anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais eliminação de despesas. comoção interna ou calamidade pública.728 7 Créditos Especiais: Tem como finalidade custear despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica. os recursos decorrentes de: · Excesso de arrecadação — É o saldo positivo das diferenças acumuladas mês a mês. salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício. art. Os créditos suplementares são autorizados por lei e abertos do decreto do Poder Executivo (CF. 167. que se esgotam com a propositura e a votação . § 2º). a abertura de créditos suplementares e especiais depende de recursos disponíveis para tal fim. a criação de um novo órgão. haja vista a urgência e a imprevisibilidade do fato originador da necessidade dos créditos extraordinários. de emendas ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual. 2005. Assim. são fontes dos créditos especiais e suplementares. 23 ed. 62. Como afirmado. a própria lei orçamentária já autoriza o Poder Executivo a abrir créditos suplementares até um determinado limite.ed. art. p 623 5 SILVA. José Afonso. · Superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior — saldo positivo entre o ativo e o passivo financeiro. onde podemos apontar como exemplo o acréscimo das despesas com pessoal. p . serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente (CF. Créditos suplementares: Tem como finalidade reforçar a dotação orçamentária já existente. 167. · Operações de Crédito realizadas empréstimos tomados no mercado financeiro.6. art.São Paulo: Atlas. em virtude do aumento dos vencimentos. Os créditos suplementares são autorizados por lei e abertos do decreto do Poder Executivo (CF. Curso de direito constitucional positivo. por exemplo.7 – Controle de constitucionalidade e lei de diretrizes orçamentárias: O Supremo Tribunal Federal tem dado por inadmissível a ação direta contra disposições insertas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. caso em que. cria novo item de despesa para atender a um objetivo não previsto na Lei Orçamentária. São Paulo: Editora Malheiros. como as decorrentes de guerra. Sua abertura depende da existência de recursos disponíveis para acorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa.

g . desses precatórios. Min.editoraferreira. Neste sentido. na qual se exaure. configura norma geral. Jobim. sem a primeira. fixada segundo a LDO'. Rel." (ADI 2. ADI 2. 30/00. à qual confere a atribuição de proceder ao 'criterioso levantamento' dos precatórios a parcelar conforme a EC nº. ficaria sem objeto.535MC. Diferentemente. "O STF tem dado por inadmissível a ação direta contra disposições insertas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Sepúlveda Pertence. que institui comissão de representantes dos três Poderes e do Ministério Público. que..do orçamento fiscal.br . susceptível de controle abstrato de constitucionalidade a primeira das regras contidas no dispositivo legal questionado. A segunda norma questionada que condiciona 8 a inclusão no orçamento fiscal da verba correspondente a precatórios pendentes à 'manutenção da meta de resultado primário. DJ 01/06/1). é de conhecerse integralmente da ação direta se a norma de caráter geral é subordinante da norma individual. em tese. com vistas a 'apurar o seu valor real': o procedimento de levantamento e apuração do valor real.100.com. o que inviabiliza no ponto a ação direta. a partir dos limites temporais fixados. a determinabilidade. constitui exemplo típico de norma individual ou de efeitos concretos. DJ 21/11/03) A ntonio Henrique Lindemberg w w w . não subtrai da norma que a todos submete à comissão instituída e ao procedimento de revisão nele previsto a nota de generalidade. mas sim conduta a ser desenvolvida em relação a cada um dos precatórios a que alude; por outro lado. Não obstante. porque reputadas normas individuais ou de efeitos concretos. posto que subjetivamente complexa: a elaboração do orçamento fiscal. não substantiva conduta única. cujo objeto é a regulação de conduta única. que se esgotam com a propositura e a votação do orçamento fiscal (v. que nela se ordena.