Síndromes Dolorosas - Diagnóstico - Terapêutica - Saúde Física e Mental - 1ª Ed.

- Capítulo 09 Ergonomia- 1995

Seção 1 - Ergonomia e Dores Músculo-Esqueléticas José Knoplich O Que é Ergonomia? Etimologicamente, a palavra vem do grego erg (trabalho) e nomos (leis); isto é, ergonomia trata das leis que regem o trabalho. O termo foi usado pela primeira vez pelos ingleses, em 1949, significando o estudo da relação entre o homem e a sua ocupação, equipamento e ambiente. A Organização Internacional do Trabalho O.I.T., em 1960, definiu ergonomia como "a aplicação das ciências biológicas conjuntamente com as ciências da engenharia para lograr o ótimo ajustamento do homem, e seu trabalho, e assegurar, simultaneamente, eficiência e bem-estar" (Grandjean, 1980). A ergonomia clássica, no início do século, preocupou-se com a engenharia de tempos e movimentos (taylorização = racionalização das fábricas de montagem, introduzidas por Taylor). O homem era visto como fonte de energia mecânica. Após a II Guerra Mundial, surgiu uma maquinaria mais sofisticada, em que os instrumentos exigiam aptidões sensoriais de percepção, julgamento, decisão, mais do que força muscular. Os complicados sistemas mecânicos exigiam uma interação homem-máquina, que os engenheiros sozinhos não podiam equacionar. Assim, em 1949, em Oxford, Inglaterra, foi fundada a ErgonomicsResearchSociety, que se expandiu muito na Europa e só posteriormente veio a influir nos Estados Unidos. O conceito da ergonomia ampliou-se muito e hoje "é a adaptação das condições de trabalho à natureza física e psicológica do homem". A ergonomia ficou tão ampla e tão indefinida que, praticamente, tudo o que se relaciona com o trabalho humano está nela incluído. E a Medicina do Trabalho, praticamente, é a sua resultante. As ciências matemáticas, físicas, biológicas, sociais e do comportamento trazem sua contribuição à ergonomia. Na década de 30, na cidade de Gotemburg (Suécia), Carl Hirsh, professor de ortopedia da Faculdade de Medicina local, começou a estudar a coluna vertebral, tentando correlacionar a anatomia e a fisiologia com os problemas posturais. Foi pioneiro nessa correlação clínico-postural, lançando a idéia de que se deveria estudar a coluna vertebral sob o ponto de vista biomecânico, ou seja, o estudo de forças que agem sobre discos e articulações causando alterações nas estruturas e que resultam em dores e doenças. Nesse laboratório, a partir da década de 50, assumiu as funções Alf Nachemson, que também se dedicou aos estudos biomecânicos da coluna vertebral. A principal contribuição de Nachemson para a ergonomia aplicada foi medir a pressão intradiscal que sofria o núcleo polposo (que é a parte gelatinosa) do disco nas diferentes posturas da pessoa em pé, sentada e deitada (Fig. 9-1), (Nachemson e Elfstrom, 1970). Quando o trabalhador fica muitas horas numa posição inadequada para o disco, portanto, ergonomicamente errada, o disco inicialmente perde água, depois rompe o anulus, que segura o núcleo, permitindo que esse núcleo saia do seu local anatômico e passe a agredir o nervo, causando dor. O disco intervertebral quando fica alterado, doente, dá origem ao que se chama discopatia. Como o disco não tem circulação, é um tecido sem possibilidade de regeneração; uma vez que surge a discopatia, as articulações e os ligamentos sofrem várias alterações concomitantes, semelhantes

seu interesse ampliou-se para várias outras posturas no trabalho. principalmente na região lombar. estudando a posição de trabalhar sentado. Anderson. As afecções músculo-esqueléticas são muito freqüentes na população adulta. não obstante. Segundo a revisão feita por Nachemson (1991). para cada cinco pacientes com incapacitação por dores crônicas da coluna. (Kelsey et al. nos primeiros dois anos. Os homens sofrem mais de dores na região lombar e as mulheres de dores na região cervical. Sem dúvida. Esses dados constituem as únicas informações publicadas pela instituição até o presente momento (Quadro 9-1). 1976. referentes ao ano de 1978 (INPS 1982). 90% dos casos não terão nenhuma sintomatologia com ou sem tratamento medicamentoso. associados ao sistema músculo-esquelético. Pode-se atribuir essa diferença aos tipos de profissão que geralmente predominam nos dois sexos (Ruhimaki. Epidemiologia Estudos prospectivos e retrospectivos demonstram que 60% a 80% da população adulta têm ou tiveram um período na vida com um episódio incapacitante de dor na coluna vertebral. . relacionado ao trabalho. No Brasil.. em pessoas com menos de 45 anos de idade. foi Grandjean (1980) quem chamou atenção para os problemas posturais relacionados às queixas de dores músculo-esqueléticas no âmbito da ergonomia. e a terceira causa de afastamento de serviço de pessoas com 45 a 64 anos de idade (Quadro 9-1). constataram que as classes com menor nível sócio-econômico têm mais dores na coluna e maior número de afastamentos do trabalho do que as classes sociais mais privilegiadas. Em 6% a 10% dos casos. afecções músculo-esqueléticas ocupam importante lugar como causa de absenteísmo. Homens e mulheres se queixam igualmente de dores na coluna. Quase a metade (47. No serviço médico inglês. é de 60% dos casos. dois precisam buscar trabalhos mais leves e dois permanecem no mesmo emprego. Anderson et al. 1979) comentam que as afecções da coluna representavam a primeira causa de incapacitação relacionada ao trabalho. propondo novos modelos de cadeiras. a dor aguda volta a manifestar-se nos primeiros 15 dias.. a perícia do INSS publicou extenso relatório a respeito das principais causas de afastamento do trabalho por parte de seus segurados. Nas estatísticas apresentadas. apenas um fica impedido de trabalhar. tendo que limitar o número de horas no serviço. as dores crônicas da coluna. Kelseyet al. Tem-se observado que as algias da coluna afetam os trabalhadores em várias faixas etárias.8%) dos adultos apresenta sintomas ou patologias crônicas. O índice de recorrência. Não há diferenças significantes entre trabalhadores brancos e negros. diminuindo com o tempo. Isso parece decorrer da atividade de ocupações que exigem maior esforço físico (trabalho pesado ver adiante). Lombalgia e Outras Dores Agudas Vários relatos concordam que o episódio de dor aguda costuma ocorrer em acidentes do trabalho em pacientes com idade em torno de 25 anos e. Estatísticas de vários países europeus confirmam esses dados de morbidade em relação à coluna. o início dos ataques agudos das dores da coluna começa aos 25 anos. Snook (1988) demonstrou que os homens sofrem maior número de acidentes de trabalho e recebem mais auxílio-doença do seguro do que as mulheres.a uma artrose. 1981). Depois. em 30 dias. por isso também é chamada de discartrose (Anderson e Ortengren 1974. 1991). fisioterápico ou repouso.

ligadas à depressão. entretanto. se não for feita uma educação preventiva. hoje uma patologia definida. Síndrome das dores crônicas. trabalho sentado e falta de exercícios. As Três Síndromes das Dores Crônicas Músculo-Esqueléticas Deve-se sempre considerar a associação das seguintes síndromes: 1. Disability. e nos testes fisiológicos e num questionário de avaliação ergonômica que poderiam servir de valor preditivo para indicar a possibilidade de se ter um acidente de trabalho que resultasse em lombalgia aguda. Falta um estímulo para a ação. esse tipo de operário tem 3. Síndrome da fadiga crônica. com inúmeros pontos dolorosos. São fatores que ajudam a recidiva: a idade. com 3. que complicam essa falta de motivação. gravidez e fumo. de simulação ou sinistrose (quando essa "disability" está relacionada ao acidente de trabalho). alta escala de hipocondria e história de episódios anteriores de lombalgia. Pacientes com altos escores de hipocondria no teste MMPI (Minnesota MultiphasicPersonalityInventory) têm duas vezes mais acidentes nessa área. torções no trabalho.020 empregados numa companhia que constrói aviões. motivações sóciopsicossomáticas. Disability. em inglês. Lombalgia e Outras Dores Crônicas É considerada lombalgia crônica a dor persistente durante três meses. principalmente nos músculos e inserções tendinosas. ansiedade e frustrações. trabalho pesado. Os operários que quase nunca estão satisfeitos com as atividades de seu emprego têm duas vezes e meia mais acidentes agudos de lombalgia e outras dores músculo-esqueléticas do que aqueles que quase sempre estão satisfeitos. levantamento de peso.Os riscos da recorrência da lombalgia aguda. corresponde a 20% a 30% dos pacientes acometidos por lombalgia aguda ou recidivante. 3. condução de veículos e vibração. Há. Waddel (1991) afirma que "disability" é a dificuldade de trabalhar que está ligada à motivação. causada por fatores conscientes ou inconscientes. no mínimo. (1991) fizeram um estudo prospectivo durante quatro anos. 2. 2. anos de emprego. Os seguintes fatores causam a cronicidade das dores crônicas músculo esqueléticos e inclusive da coluna vertebral: problemas psicológicos (inclusive alcoolismo). é de 60% dos casos no mesmo ano ou no máximo em dois anos. Quando se soma pouca satisfação no trabalho. no Brasil.3 vezes mais propensão a ter acidente de trabalho relacionado com a coluna. estilo de vida. A média de idade desses pacientes é de 45 a 50 anos. nos pacientes com dores crônicas e a volta ao seu trabalho habitual. posturas ergonômicas inadequadas e fadiga no trabalho. A síndrome das dores crônicas músculo-esquelética é chamada de fibromialgia. 3. baixo nível de escolaridade. foi possível concluir: 1. Quando conscientes e visando ganhos (econômicos e sociais) são chamados. Bigos et al. para verificar se havia indícios no exame físico. não é incapacidade em português. Nas dores crônicas da coluna vertebral. Do tratamento estatístico dos 279 trabalhadores com lombalgia por acidente de trabalho e um grupo equivalente. os pacientes com fibromialgia e aqueles com "disability" têm em comum .

há fatores emocionais envolvidos. é a da fadiga crônica. perfazendo um total de 4. 9-2A). estado de São Paulo. Responderam ao questionário 147 (58. Esses são os novos desafios antropométricos e biomecânicos para desenvolver um desenho adequado desses sistemas "homem-máquina". ansiedade. 378 pessoas (261 homens e 117 mulheres). Pois. 1989). Vários trabalhos confirmam a alta incidência de dores músculoesqueléticas na coluna e outras articulações. no emprego. o principal objetivo permanece o mesmo: "Adequar os locais de trabalho e as máquinas ao homem. Ergonomia do Trabalho Sentado Calcula-se que três quartas partes de todos os operários nos países industrializados têm funções sentadas. Grandjean (1980) observou.complexos problemas sociais (no casamento. 1 hora e 50 minutos numa jornada de 8 horas. dificuldade de dinheiro. ao contrário.alterações emocionais ligadas à depressão. Também na fadiga crônica. assim como aos fatos que envolvem as funções orgânicas. daí a origem da palavra sedentária. (1992). e não o contrário".2% do tempo. em resposta a um questionário.6%) trabalhadores sedentários formados por 62 bancários e 85 secretários cuja idade variava de 20 a 50 anos. 9-1A). dando uma média de 1. aos efeitos nocivos da incorreta posição de sentar são. o trabalhador sentou-se ergonomicamente de forma adequada para evitar problemas de coluna e outras estruturas músculo-esqueléticas.3%) referiam sintomas músculo-esqueléticos em diferentes regiões . A soma das respostas é maior do que 100% porque houve queixas múltiplas. Nesse trabalho pioneiro. antiexercício. somatização. Nota-se que somente 18. A porcentagem significa o tempo que o trabalhador ficou nessa posição durante a jornada de trabalho. etc. com freqüência. 246 (65% da amostra) apresentavam queixas de dores músculo-esqueléticas devido ao trabalho sentado. que não estão relaxados. frustrações etc. ergonomistas da Universidade Federal de São Carlos. na qual os pacientes referem fadiga ao invés de dor. Grandjean tentou associar a posição do trabalho e a freqüência das dores músculo-esqueléticas. que permeia essa série de queixas. que complicam o problema dos trabalhadores e dos médicos que os atendem (Knoplich. Quanto tempo as pessoas ficam sentadas numa mesma posição numa jornada regular de trabalho? Usando a técnica fotográfica. A posição sentada aumenta a pressão intradiscal. Nesses locais de trabalho que obrigam a uma postura inadequada. o que significa que essa postura está ligada a um aumento do desajuste do disco e da coluna (Fig. ou seja. a fim de se adequar as dimensões do local de trabalho ao tamanho do corpo. foi possível identificar a localização das dores referidas (Fig.). esforços físicos e posições ergonômicas inadequadas ao trabalho.920 fotos de observação. além de dores nos braços e nas pernas dos que trabalham sentados. Lopes et al. além de problemas anatômicos degenerativos ligados à idade. sedentarismo. fizeram um estudo semelhante ao enviar um questionário a 251 pessoas que trabalharam sentadas para informar sobre as dores músculo-esqueléticos que apresentavam. sexualidade. Verificou que os trabalhadores de escritórios assumem algumas posturas básicas principais (Fig. acrescidos grandes esforços visuais. mas em 30% dos casos foi constatada uma patologia viral (White. 93 deles (63. mas. Na segunda parte do trabalho. 1986).6 de queixas de dores por trabalhador. por essa metodologia. Usou o teste do qui quadrado para estudar a significância estatística dos achados. Em latim sentar é sedentare. consideravelmente contraídos. Do total de 378 trabalhadores observados. Dos 147 trabalhadores estudados. Os principais problemas da posição de sentar envolvem a coluna vertebral e os músculos das costas. A terceira síndrome. 9-1A). ou 1 hora numa jornada de 6 horas.

4%) consideravam seu mobiliário muito confortável. As características da atividade dos bancários ou secretários. b) vibrações. enquanto que 66 pessoas que apresentavam movimentos de posturas variadas (59%) relatavam sintomas. 1974.7% nuca: 32.6%) referiam sintomas.fatores individuais. Na avaliação clínica do problema da coluna cervical. Comparando a posição deitada.5% dos secretários apresentaram sintomatologia.7%) apresentavam sintomas. De 81 pessoas que reportaram realizar poucos movimento ou apresentavam posturas fixas.6%) apresentam sintomas de dolorimento que ocorrem na coluna e também nos membros superiores. tem-se comprovado a grande incidência de dores em professoras que trabalham nessa posição ao escreverem no quadro negro. 79 (68. Os resultados indicam que dois em cada três trabalhadores sedentários (66. a tensão muscular e a posição do corpo. a presença de escoliose. Anderson et al. 3. 1976). pode-se perceber que esta última é a mais danosa para a coluna. 32 (34. torcendo e dobrando o corpo). mostraram que existe certo relacionamento entre a pressão abdominal. não revelaram ter qualquer influência em relação à sintomatologia. membros inferiores e nuca. 2. A relação entre índice de sintomas e desconforto na mobília quando aplicado o teste do qui quadrado.7%). 38. já referida. . c) posição sentada prolongada no trabalho burocrático ou dirigindo automóveis. que variam conforme a postura corporal. Dos 115 trabalhadores que permaneciam mais de 4 horas sentados. Não acha importante os seguintes fatores: medidas antropométricas (altura. Mas se a posição sentada não se realizar com um apoio lombar que a cadeira fornece. O estudo do componente muscular da posição sentada e. Fatores psicológicos e sociais. a pressão intradiscal sobe de 3 a 4 vezes em intensidade. comparando-se com a posição de repouso (Fig. lordose ou cifose ou discrepância de comprimento das pernas. de pé e sentada.fatores do ambiente de trabalho e 2. peso. 54 (66. 34. Anderson (1981). na presença ou ausência de movimentos repetitivos. 63% dos bancários e 63. a força muscular ou preparo físico também não influem na incidência maior ou menor de dor músculo-esquelética dos trabalhadores. chamou-se a atenção para o movimento de estiramento. Como fatores individuais cita: 1. Idade: (máximo de incidência 35 aos 55 anos). dirigindo um simpósio sobre as dores da coluna lombar na indústria. No ambiente de trabalho cita: a) trabalho pesado (levantando peso. Sexo (mais homens são operados de hérnia de disco). enquanto que apenas 7 (13%) dos sintomáticos o classificaram da mesma forma. posturas fixa ou não. De 135 que tinham mais de dois anos de serviço 89 (66%) eram sintomáticos.7% nos membros superiores. Com relação ao tipo de trabalho. e ou com o corpo fletido para frente. Nachemson e Elfstrom (1970) estudaram as pressões intradiscais. Apesar de não se conhecer nenhum estudo biomecânico e ergonômico. envergadura). em vários tipos de cadeiras. E dos 93 trabalhadores sedentários assintomáticos. Já a jornada diária e o tempo de trabalho aumentado relacionaram-se de maneira expressiva com os índices reportados.01). d) trabalho repetitivo. mostrou alto índice de significância estatística (p 0. que pioram com o movimento de torção do tronco (Anderson e Ortengren. Knoplich (1993) estudou desenhistas profissionais com incidência de 100% de dores músculo esqueléticas na nuca e cervical. ao trabalhar com os braços levantados acima da altura do ombro.8% membros inferiores.do corpo: costas (49. identificou dois fatores que precisam ser avaliados: 1. 9-1)..

leve. nos quais foi usado um tratamento agressivo baseado em exercícios ao invés de repouso. são denominados de LER (lesões por esforços repetitivos). Muitos estudos biomecânicos estáticos foram realizados para determinar como esses elementos tem relação com o aparecimento das dores músculo-esqueléticas. microtraumas crônicos sobre a estrutura osteomúsculo-esquelética. Os trabalhadores brasileiros chamam de tenossinovite e os médicos brasileiros. mas que não serão comentados. 1993). na segunda etapa. a dor só surge durante o trabalho. conseguindo uma volta ao trabalho de 79%. Granjean criou a cadeira do tipo integral. com maior gravidade. incluindo trabalhadores com queixas vagas de dores que podem ter origem psicossomáticas. costuma ficar doendo duas horas após o término do trabalho. moderada. Incluem-se nos casos de trabalho pesado. empregando uma equipe multidisciplinar: incluiu melhora da postura no trabalho. o disco intervertebral). Na Austrália e no Canadá. os casos de doenças dos tendões (cistos). os movimentos de torções e estiramentos. sendo a mais importante a coluna (e nessa.172 trabalhadores afastados com essas queixas. Nos países escandinavos. Nos Estados Unidos. A cadeira também deve ter assento reto (aceitável uma inclinação de 10%). chamam de distúrbios cérvico-braquiais ocupacionais (Ronney. Todos os autores afirmam que deve-se excluir dessas denominações. ou à noite. em comparação à ausência desse componente nos escandinavos. Na terceira etapa. são menos numerosos do que se supõe. Assim. Tenossinovite ou Lesão de Esforços Repetitivos (LER) Depois das dores crônicas nas costas. a pessoa também tem uma movimentação corporal que pode influir no aparecimento de dores. Ergonomia do Trabalho Pesado As considerações da influência da ergonomia nas profissões que fazem o trabalho pesado são mais evidentes. Um indivíduo de 20 a 35 anos tem capacidade de levantar na posição correta. fisioterapia. e/ou torções do tronco. 1993). Esse tipo de trabalho é caracterizado pelo levantamento de cargas excessivas. há uma sensação de frustração e depressão que resulta numa perda de valores e da posição dentro da sociedade que dificulta a readaptação. das bainhas tendinosas e principalmente a síndrome do túnel do carpo (Loslever e Ronaivosoa. O excesso de uso (over use) dos dedos poderá ter as seguintes etapas: na primeira. com peso até 40 kg/homem e 24 . O autor relata a experiência de 2. são as dores no punho e todo o braço a segunda maior causa de gastos com operários que ficam afastados do trabalho. de menor custo de fabricação. principalmente se o trabalho for com o computador ou de movimentos repetitivos. que pioram as dores referidas.A posição de sentar-se está muito ligada à forma adequada da cadeira em si e à posição ergonômica do corpo em relação a mesa. No ato de trabalhar sentada. são denominados de distúrbios por traumas cumulativos. Quanto mais tempo o trabalhador fica em repouso sem trabalhar ou o atleta sem praticar. em que o encosto e o assento fazem uma única peça. por essa razão. os casos de LER. assim. de LER. Knoplich (1992) defende que a cadeira deve ter uma abertura para as nádegas devido a grande massa muscular dos glúteos dos brasileiros. a dor persiste na manhã seguinte (Quadro 9-2). psicoterapia. altura adequada para os pés.

As fábricas de maior porte e alguns convênios médicos adotaram essa idéia no Brasil. engenheiro. A Escola de Postura permite que a enfermeira. O trabalho pesado pode ser de pé e também sentado levantando pesos menores e com as mesmas conseqüências para os músculos. 24% de dores no pescoço e ombros. causam dores osteomúsculo esqueléticas. a que deu o nome de Back-school. se forem realizados em posturas inadequadas (Sievers e Klaukka. Assim.33) da portaria nº 3751 que trata sobre ergonomia relacionada ao assento. encosto com abertura para nádegas. profundidade e largura do assento. em 1972.kg/mulheres. diretor de patrimônio. isto é 3. para homem e 28 kg. mas ela só publicou o método em 1981 (Zachrisson. captando o complexo problemático que leva à lombalgia e à dor músculo esquelético crônica. pois tanto faz levantar o pesos na fábrica. as considerações são válidas também para as agressões do esporte nas estruturas músculo esqueléticas. Para transportar na cabeça e ombros. Essas dores podem surgir em todo o corpo. Nós introduzimos a Escola de Postura. que deu origem a um livro conjunto de slides e um vídeo chamado de "Viva bem com a coluna que você tem". indo ao detalhe do deslocamento máximo permitido ao encosto em relação ao ângulo de rotação. Mesmo esses limites máximos realizados constantemente. altura e apoio para os pés. altura. é uma das programações básicas da educação do trabalhador. A constituição da cadeira varia de acordo com a finalidade para a qual é usada. assegurando melhores graus de produtividade. Os vários autores incluem nas considerações ergonômicas os acidentes de trabalho e os acidentes esportivos que aqui não serão consideradas. 19% de dores nas coxas. ao contrário da back-school sueca e da americana. ossos. premisses. É um estudo propositado de medidas adequadas. seja ele arquiteto. semelhante a back-school. no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. 29% de dores nos joelhos e pés. . ângulo de inclinação. o usuário. 1991). As cadeiras para o trabalho são chamadas operacionais. médico de segurança no trabalho passa a ter garantias via este guia da aquisição de cadeiras que colaborem com a saúde dos funcionários. Dentro da ergonomia do trabalho pesado.2 horas. Este suplemento é formado por medidas adequadas para altura. dá ênfase ao componente emocional e às técnicas de relaxamento. contribuindo para a complementação da norma reguladora nº 17 (item 17. os limites mais comumente aceitos são de 55 kg. tendo. 1995). Além disso são apresentadas algumas tabelas com os valores limites para a cadeira operacional e cadeira operacional alta. 1981). ligamentos e articulações de todo o corpo e principalmente da coluna. segundo estudos de Grandjean (1980) a seguinte distribuição: 57% de dores nas costas. além de fadiga muscular crônica. A Escola de Postura. A cadeira deve ter características básicas no assento. desenhista e similares). medida de braços. A Cadeira no Trabalho Sentado O trabalho realizado na posição sentada causa o aparecimento de inúmeras queixas. para mulheres. A seguir apresentamos o detalhamento ergonômico para a cadeira operacional e a cadeira operacional alta (usada para o caixa. em 40% da jornada de trabalho de 8 horas. a terapeuta ocupacional e a fisioterapeuta tenham um contato mais demorado com o paciente. como na academia de ginástica ou nas quadras esportivas. Nos Estados Unidos. largura do encosto. uma fisiatra da equipe do professor Nachemson introduziu uma série de aulas para pessoas com dores na coluna. 16% nas nádegas e 14% na cabeça (Nota: a soma é maior do que 100% porque as queixas são múltiplas). Escola de Postura Desde 1969. sem afetar a relação médico-paciente (Knoplich. como fadiga muscular e dores músculo-esqueléticas.

ambas. Características da "Cadeira Operacional" e "Cadeira Operacional Alta": devem possuir regulagem de altura do assento da cadeira.5 kg cada. medida no eixo de simetria do mesmo. Todas as "cadeiras operacionais" com regulagem de altura do assento tipo mecânico devem possuir uma mola amortecedora de impacto. Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada é obrigatório o uso de "cadeira operacional" ou "cadeira operacional alta" de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupação (CBO). devem possuir regulagem de inclinação e também de altura do encosto. A "cadeira operacional" e a "cadeira operacional alta (cadeira para caixa.. Definições e Procedimento de Medidas Altura "A" do Assento Definida convencionalmente como altura do ponto mais alto da borda frontal do assento. Esta medição deve ser feita com o estofamento (quando houver) e com a mola central comprimidos. Sobre essa peça deverá ser acoplado um peso de 40 kg. 2. . 9-1B).Cadeiras Utilizadas nos Postos de Trabalho 1. desenhista e similares)" podem ser. com o centro de gravidade alinhado ao eixo de rotação do assento e mais dois pesos iguais com 7. com ou sem braços. medida ao longo do eixo longitudinal do assento entre as bordas anterior e posterior (Fig. 1. estes dois com o centro de gravidade que tenha a linha vertical tangente à borda frontal do assento. Isto é conseguido com uma peça de madeira de 3 4 kg tendo as bordas de contato com o assento com um raio de 60 mm. Profundidade "B1" do Assento: distância horizontal. A "cadeira operacional alta" deve ter apoio para os pés com regulagem de altura.

Raio da Curva "U " do Encosto: medido no plano horizontal passando pelo ponto "X" (Fig. Espaço "D: espaço livre para os glúteos determinado da posição de "V". Fig. 8. (Fig. 10. 9-1B). Profundidade Útil "B2" do Assento: distância horizontal medida ao longo do eixo longitudinal do assento. Cruzamento "Z": ponto de cruzamento entre o eixo vertical de rotação do assento e a superfície inferior do plano . Ângulo de Inclinação "Alfa" do Assento: ângulo de inclinação do plano de carga (nas condições descritas no B-1.2. da borda frontal ao ponto mais saliente do encosto (ponto "X". 9-1B).0. 4. A profundidade útil "B2" é medida com encosto regulado na metade do curso vertical. Largura "F" do Encosto: medida horizontalmente passando pelo ponto "X" (Fig. 9. 9-1B). 9-1C). 3. 9-1C). 9-1 B). Largura "C" do Assento: distância entre as bordas superiores do assento. 5.) em respeito com a horizontal (Fig. Altura "V" da Superfície do Encosto: altura da saliência para o apoio lombar (Fig. Ponto "X" da Superfície do Encosto: ponto mais saliente do apoio lombar ("V"). 6. 7.

Largura "G5" dos Braços: largura da superfície praticamente plana dos braços (Fig. 9-1C). Raio P do Centro da Coluna ao Eixo Vertical da Sapata (Fig. 9-1C). 9-4). Assento recomenda-se que não seja maior de 600 mm . 21. Raio "R" do Centro da Coluna ao Centro do Apoio para os Pés (Fig. 15. Deslocamento Máximo "N" Permitido do encosto em Relação ao Eixo de Rotação: é a distância horizontal entre o ponto de suporte do encosto "X" e o eixo de rotação da cadeira (Fig. 16. Dimensões: "Cadeira Operacional" com/sem Braços. 9-3). 11. Altura "S" do Assento ao Centro do Apoio para os Pés: Medida nas condições da altura "A" (Fig. 24. 9. na quantidade não menor a 5. A base deverá estar sempre na posição de estabilidade mais desfavorável (Fig.1B). (Fig. A base deve ter rodízios duplos orientáveis ou sapatas de apoio. 17. Distância Vertical "W": distância entre "X" e "Z". 9-1C). Comprimento "G4" dos Braços: medido horizontalmente na distância praticamente plana dos braços (Fig. 9-3) 23. 22. 9-3): 20. medido horizontalmente a partir do eixo de rotação. 9-3). b) se o encosto pode girar em torno de um eixo horizontal. Altura "A1" do Assento: medida nas condições da altura (Fig. 9-3). 14. 93A). Dimensão de Estabilidade "M": é a distância mínima entre a linha de conexão dos extremos de dois suportes adjacentes (pontos com movimento ou partes rígidas da cadeira que estão permanentemente em contato com o solo) e o eixo de rotação da cadeira. 9-2A). Bases O comprimento total dos elementos da base. Distância Vertical "G1": distância entre a superfície superior do braço e o ponto "Z". Quantidade Ö" de Pés (Patas). 19. Distância Interna "G2": medida entre os braços (Fig. 12. 18. sendo medida considerando que: a) o encosto deve ser regulado na posição mais avançada. não deve ser maior que 350 mm. Recuo "G3" dos Braços: com referência à borda frontal do assento (Fig. Distância Externa "G6" entre os Braços: valor não Normalizado por motivos funcionais. 13. 9-1C). deve ser colocado na posição vertical ou na posição mais próxima ao vertical (Fig.de carga (Fig.

e a parte inferior permita um apropriado espaço para os glúteos. A superfície anterior do encosto deve ter uma curva com raio. 9-2B). . A distância interna G2 está relacionada à largura C do assento e deve ser dimensionada de tal forma a permitir um fácil movimento lateral do usuário. Estes não devem interferir nos movimentos das costas e dos braços. Encosto O encosto deve oferecer uma superfície de apoio tal que a borda superior deixe livre os ombros do usuário.O assento deve ter a regulagem de altura e apresentar pouca conformação em sua superfície. Scand J Rehab Med Suppl 3:1974. Deve permitir a abertura das gavetas sem deslocamento lateral da cadeira com braços. Não deve prejudicar o dimensionamento de G4. 9-3A). A distância externa G6 está relacionada à largura livre sobre o plano de trabalho. Uma curvatura transversal do assento é recomendada desde que não apresente profundidade maior de 25 mm em nenhum ponto da superfície do assento (Fig. Braços A altura G1 refere-se à distância cotovelo-assento. no plano horizontal maior que o valor mínimo U (ver Quadros 9-3 e 9-4) na finalidade de não limitar a possibilidade do movimento do usuário). Quantitative estudi es of back load in lifting. Bibliografia ANDERSON GBJ. 9-2C). 9-2B). mudanças de posição com facilidade. A borda frontal do assento deve ser arredondada com um raio de 40 a 120 mm (Fig. ANDERSON GBJ. A largura G5 deve ser de tal forma a oferecer um suficiente conforto. O encosto deve ser um apropriado suporte ao tronco na região lombar e deve permitir. 1976. On myoelectric back muscle activity and lumbar disc pressure in sitting posture. O recuo G3 destinado a permitir uma suficiente aproximação da cadeira ao plano de trabalho da mesa. ORTENGREN R. Uma curvatura longitudinal também é admitida desde que não apresente profundidade superior a 40 mm em nenhum ponto da superfície do assento (Fig. NACHEMSON A. O comprimento G4 deve permitir o apoio do cotovelo nas diversas posições. ORTENGREN R. A distância entre a borda frontal e o plano horizontal tangente ao assento na parte superior não deve ser menor de 40 mm (Fig. Spine 1:178.

DEYO RA. Lombalgia e lombociatalgia na medicina ocupacional. Epidemiology of musculoskeletal impairements and associated disability . São Paulo. Viva bem com a coluna que você tem. Síndrome das dores crônicas da coluna. Spine 6:53. Rio de Janeiro. São Paulo. 1995. . KNOPLICH J. CUNNINGHAN LS. Am J Publ Health 74:574. Patologia do Trabalho. In: Rene Mendes. 1984. INPS. mimeografado. Pastides H. The role of primary case physician in reducing work absentencisin and costs due to back pain. KELSEY JL. São Paulo. Fitting the Task to the Man. 1993. BIGOS SD. The Impact of musculoskeletal disorders on the population of the United States. Atheneu. Panamed. Ibrasa.ANDERSON GBJ. Sistema músculo-esquéletico: coluna vertebral. A prospective study of work perceptions and psychosocial factors affecting the report of back injury. Bisbel GE. KNOPLICH J. 1991. 1981. 1982. Atuação da perícia médica. Taylor. Spine 16:1. 1986. 1980. Occup Med 3:17. 1988. In: Knoplich J. GRANDJEAN E. KNOPLICH J. KNOPLICH J. Enfermidades da coluna vertebral. Londres. 1992. 21ª edição. KELSEY JL. J BrasMedOcup50:1106. Epidemiologic aspects on low back pain in industry. 2ª edição. 1979. BATTIE MC. J Bone Joint Surg 61:959.