ESTUDO DIRIGIDO DAS NOVAS NORMAS APLICÁVEIS À CONTABILIDADE PÚBLICA

Aula 01
MCASP, parte I, Procedimentos Contábeis Orçamentários Abordaremos os seguintes pontos: 01.03.03 – reconhecimento da receita orçamentária. 01.03.03.01 – relacionamento do regime orçamentário com o regime contábil. A contabilidade pública, ou governamental, é bastante influenciada pela execução orçamentária. Isto porque a grande maioria dos órgãos públicos depende, quase que exclusivamente, do orçamento, para dar cabimento aos seus gastos, projetos e atividades. Chegou-se a dizer que a contabilidade pública é uma “contabilidade orçamentária”. No entanto, a contabilidade pública é parte da ciência contábil e, como tal, deve registrar os atos e fatos no momento em que ocorrem, em obediência aos princípios contábeis da competência e da oportunidade. De maneira bem simples, podemos dizer que o alinhamento das normas brasileiras às práticas internacionais é no sentido de elevar o status da nossa contabilidade pública a uma contabilidade mais patrimonial, que privilegia a contabilização do fato gerador, em vez de se limitar apenas à execução orçamentária da receita e da despesa. No caso particular da receita, o fato gerador é o acontecimento real que ocasionou o ingresso da receita nos cofres públicos, nas palavras do próprio manual. Este deve ser contabilizado como uma variação patrimonial aumentativa, em contrapartida com um direito a receber. Num primeiro momento, este registro não afeta a disponibilidade financeira do ente, pois se trata de um crédito, que pode se realizar ou não. Ou seja, não há “dinheiro” envolvido, ainda. Caso este direito venha a se realizar, há a baixa do crédito anteriormente constituído e o processamento da receita orçamentária. O MCASP, parte I, traz como exemplo deste procedimento a contabilização do IPTU. A legislação deste tributo estabelece que o fato gerador ocorrerá no dia 1º de janeiro de cada ano.

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No lançamento do sistema patrimonial. Quando o contribuinte paga seu IPTU. Não faz sentido reconhecer duas vezes um aumento na situação líquida patrimonial. O impacto na situação líquida patrimonial ocorre apenas uma vez. tendo em vista que estes lançamentos harmonizam as exigências contábeis e legais (orçamentárias).ESTUDO DIRIGIDO DAS NOVAS NORMAS APLICÁVEIS À CONTABILIDADE PÚBLICA Todo dia 1º de janeiro. No recebimento deste direito. Isso é meio lógico. PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 2 . há a baixa do crédito e o reconhecimento da receita orçamentária. há o aumento do ativo e da situação líquida patrimonial da entidade. ocorrido o fato gerador da receita. por um mesmo motivo. Isto é fundamental para um preciso conhecimento dessa parte da disciplina. o ente deve contabilizar o crédito. com o reconhecimento da VPA. a contabilidade do ente deve processar os seguintes lançamentos: No sistema patrimonial: D – Ativo (caixa) C – Ativo (créditos a receber) No sistema orçamentário D – Receita a Realizar C – Receita Realizada No sistema de compensação: D – Controle da Disponibilidade de Recursos C – Disponibilidade por Destinação de Recursos Os últimos dois lançamentos são comuns à arrecadação de todas as receitas orçamentárias. no reconhecimento do crédito. O candidato deve entender que. o ente deve efetuar o seguinte lançamento no sistema patrimonial: D – Ativo (créditos a receber) C – Variação Patrimonial Aumentativa Como você pode perceber. os créditos a receber foram “transformados” em recursos na conta caixa.

obedecem ao regime da competência. como referência para seu reconhecimento. como um todo. Conforme vimos pelos lançamentos acima. O regime de caixa está adstrito ao âmbito orçamentário. as receitas públicas. isto já não é mais verdade. Na atividade tributária. Há a contabilização da variação ativa patrimonial no momento de ocorrência do fato gerador. 35.ESTUDO DIRIGIDO DAS NOVAS NORMAS APLICÁVEIS À CONTABILIDADE PÚBLICA A grande dificuldade disso tudo está em determinar o momento de ocorrência do fato gerador. Cabe destacar ainda que a receita orçamentária é reconhecida no momento da arrecadação. este regime era atribuído a toda receita pública. No passado. o procedimento de inscrição/recebimento da dívida ativa é muito parecido com o que foi apresentado. o manual orienta que se utilize o momento do lançamento. De maneira simplificada.” nele legalmente Ou seja. em obediência ao artigo 35 da lei 4. No extinto Manual de Receita Nacional. a receita reconhecida no momento de ocorrência do fato gerador era chamada de Receita sob o Enfoque Patrimonial. Pertencem ao exercício financeiro: I – as receitas nele arrecadadas. a receita orçamentária obedece ao regime de caixa. que dispõe: “Art. II – as despesas empenhadas. Logo.320/64. Justamente PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 3 .

PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 4 . em obediência aos princípios contábeis da competência e oportunidade. os saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações de créditos neles vinculadas. originária de receitas arrecadadas em exercícios anteriores e não de uma nova receita a ser registrada. Em resumo: 1 – A contabilidade pública está alinhando suas normas às práticas contábeis internacionais. As receitas públicas como um todo. O cancelamento de Restos a Pagar não se confunde com o recebimento de recursos provenientes do ressarcimento ou da restituição de despesas pagas em exercícios anteriores que devem ser reconhecidos como receita orçamentária do exercício”. Perceba que o Manual é de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. De maneira bem genérica. Exemplos desse procedimento: IPTU e dívida ativa. O superávit financeiro pode ser utilizado como fonte para abertura de créditos suplementares e especiais. há a arrecadação da receita orçamentária e a baixa do crédito anteriormente constituído. conjugando-se. trata-se de restabelecimento de saldo de disponibilidade comprometida. b) Cancelamento de despesas inscritas em Restos a Pagar → consiste na baixa da obrigação constituída em exercícios anteriores.ESTUDO DIRIGIDO DAS NOVAS NORMAS APLICÁVEIS À CONTABILIDADE PÚBLICA por isso. Isto é mais uma prova de que a STN quer enfatizar que a contabilidade pública está inserida no campo de aplicação da ciência contábil. o MCASP assevera que “não devem ser reconhecidos como receita orçamentária os recursos financeiros oriundos de: a) Superávit Financeiro → a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro. Portanto. 3 – Por ocasião do recebimento do direito. Por fim. podemos dizer que o cerne conceitual dessas mudanças é a transformação de uma contabilidade pública “orçamentária” para uma contabilidade pública “patrimonial”. ao da competência. a dívida ativa era considerada como exceção ao regime de caixa da receita. trata-se de saldo financeiro e não de nova receita a ser registrada. 2 – O fato gerador da receita deve ser registrado tempestivamente. ainda. no momento de sua ocorrência. portanto. 4 – A receita orçamentária obedece ao regime de caixa.

foram criados os atributos “F” ou “P”. PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 5 . Lançamentos completos (IPTU): Fato Gerador (1º de janeiro) Arrecadação Apesar de não ser mais utilizado. a conta “Créditos Tributários a receber” tem o atributo de permanente. Até a próxima! Abs! Igor. pois o mesmo é fonte de recurso para abertura de créditos adicionais. É importante que seja possível levantar o superávit financeiro do exercício.ESTUDO DIRIGIDO DAS NOVAS NORMAS APLICÁVEIS À CONTABILIDADE PÚBLICA 5 – Não são receitas: superávit financeiro e cancelamento de despesas inscritas em restos a pagar. de maneira a identificar se a conta é financeira ou permanente. o sistema financeiro deixou alguns resquícios. como em outros exemplos do MCASP. Assim. A rubrica “Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional” deveria vir com a letra F. No exemplo.