Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas

Introdução

Vários pensadores dão a dimensão exata da importância da defesa do Estado e das instituições democráticas. Diego Valdez observa que "o equilíbrio é o elemento que caracteriza a ordem constitucional". Logo a seguir vem Catlin afirmando que "a democracia é o equilíbrio mais estável entre os grupos do poder". Isto nos leva a deduzir que, fora desse raciocínio, as questões podem tomar o grave rumo de uma crise, sendo a pior delas a crise constitucional, gerando uma perturbação do regime democrático. Na vida de uma comunidade política, podem ocorrer situações de crise (econômicas, bélicas, políticas, sociais, físicas, como epidemias, terremotos, inundações etc.), acarretando a ruptura do eq uilíbrio institucional. Para debelar a anormalidade, superando a situação de crise, a Constituição passa a estabelecer medidas destinadas à defesa do Estado e de suas instituições. Fala-se então em Direito Constitucional de Crise, ou legalidade especial, cuidando-se de fixar o alcance, os limites e as garantias das medidas excepcionais, sobretudo as referentes ao retorno à normalidade. A atual Constituição brasileira ao falar em defesa do Estado e das Instituições Democráticas, não está autorizando a defe sa do governo, que é transitória, ou de um determinado sistema político, que nem sempre representa o verdadeiro conceito de democracia, mas a integridade do sistema jurídico constitucional com respeito às liberdades e garantias individuais, traduzida na or igem popular do poder político e na prevalência da legalidade.
Estado de Defesa

A Constituição de 1988 consagra, no seu artigo 136, o Estado de Defesa. Este consiste na instauração de uma legalidade extraordinária, por certo tempo, em locais restritos e determinados, mediante Decreto do Presidente da República, ornados o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, para preservar a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calam idades de grandes proporções na natureza.

submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional. o Presidente da República. b) Manifestação de calamidade de grandes proporções na natureza que atinja a mesma ordem pública ou a paz social. no prazo de cinco dias. cessa imediatamente o estado de defesa. extraordinariamente. § 5º . ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. no decreto. do tempo de sua duração. em locais restritos e determinados. II . Observações: I . a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. mas ela terá que ser de grandes proporções e ainda gerar situação de séria perturbação à ordem pública e a paz social para servir de base para a decretação do Estado de Defesa. que não poderá ser . c) determinação. Art.Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação.Rejeitado o decreto. § 7º .Pressupostos DE FUNDO: a) Existência de grave e iminente instabilidade institucional que ameace a ordem pública ou a paz social.A calamidade é sempre um fato de desajuste no âmbito de sua verificação.O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento. após audiência desses doi s Conselhos. decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer. que decidirá por maioria absoluta.O Presidente da República pode. § 6º .Se o Congresso Nacional estiver em recesso. os motivos que podem ensejar as medidas cabíveis para a decretação das medidas excepcionais. será convocado. pelo Presidente da República. b) decretação. dentro de vinte e quatro horas.Os pressupostos de fundo são. § 4º . pois. FORMAIS: a) prévia manifestação dos Conselhos da República e Defesa Nacional. 136 . devendo continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa.

Estado de Defesa d) especificação das áreas por ele abrangidas. ainda que exercida no seio das associações. Contudo.O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração.Na vigência do estado de defesa: . b) sigilo de correspondência. e) indicação de medidas coercitivas dentre as discriminadas no artigo 136 § 1º da CF: § 1º . se opinarem contra a decretação da medida. O Estado de Defesa não é.superior a trinta dias. o Presidente da República. Art. e não pode ser. sob pena de inconstitucionalidade da medida. situação de arbítrio. c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica. por exemplo. § 3º . especificará as áreas a serem abrangidas e indicará. Por isso fica sujeito ao controle polític o e jurisdicional. poderá surgir hipótese de crime de responsabilidade do Presidente da República. se entender indispensável. as medidas coercitivas a vigorarem. Se o fizer e o Congresso aprovar. por igual período. nos termos e limites da lei. ficará com a grave responsabilidade de assim mesmo decretá -la.restrições aos direitos de: a) reunião. A audiência dos Conselhos da República e da Defesa Nacional é obrigatória. tudo fica conforme a Constituição. dentre as seguintes: I . será por ele comunicada imediatamente ao Juiz. O controle político é exercido pelo Congresso Nacional.O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias. podendo ser prorrogado apenas uma vez. Se o Congresso rejeitar a medida. podendo ser prorrogado uma vez. O controle jurisdicional consta. por igual período. II .ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos. que a relaxará. na hipótese de calamidade púb lica. mas situação constitucionalmente regrada. respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. do artigo 136 § 3°. sua opinião é sempre de ser levada em consideração mas não será vinculativa. 136/CF 88 § 2º . onde se prevê que a prisão por crime contra o Estado. se persistirem as razões que justificaram a sua decretação. determinada pelo executor da medida. se não for legal. Portanto.

a prisão por crime contra o Estado.é vedada a incomunicabilidade do preso. b) Declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 137.a comunicação será acompanhada de declaração. e por todo o tempo que perdu rar a guerra ou a agressão. IV . III . será por este comunicada imediatamente ao juiz competente. quando se tratar de estado de sítio com base no inciso I do art. b) Autorização por voto da maioria absoluta do Congresso Nacional. para reunir-se dentro de cinco dias. concedendo-a. Estas causas estão previstas no art. determinada pelo executor da medida. nem prorrogada. se não for legal. na hipótese do inciso II. Pressupostos Formais: a) Audiência dos Conselhos da República e da Defesa Nacional.a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias. facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial. II . Estado de sítio As causas da decretação do estado de sítio são as situações criticas que indicam a necessidade de instauração de correspondente legalidade de exceção (extraordinária). que a relaxará.I . para sua decretação em atendimento a solicitação fundamentada do Presidente da República. de cada vez ( o que permite mais de uma prorrogação ) por prazo superior. salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário. e. para fazer frente à anormalidade manifestada. pela autoridade.: Se o Congresso estiver em recesso será imediatamente convocado pelo Presidente do Senado. A duração do estado de sítio não poderá ser superior a trinta dias. a fim de apreciar a solicitação. c) Decreto do Presidente da República. do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação. . Obs. 137 da CF e são: a) Comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medidas tomadas durante o estado de defesa. permanecerá em funcionamento até o término das medidas coercitivas.

não se admitindo sejam elas ampliadas por norma infraconstitucional . sendo a intervenção federal.A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal. cláusula excepcional. objetivando garant ir o equilíbrio federativo contra situações que. I. MEDIDAS COERCITIVAS Se os executores ou agentes do estado de sítio cometer abuso ou excesso de poder durante sua execução. a intervenção federal. só poderá ocorrer nas hipóteses exaustivamente enumeradas no texto constitucional . b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição. seus atos ficam sujeitos a correção. V . O estado de sítio consiste na instauração de uma legalidade extraordinária. 137. objetivando preservar ou restaurar a normalidade constitucional perturbada por motivo de comoção grave de repercussão nacional ou por situação de beligerância com Estado estrangeiro.manter a integridade nacional. por via jurisdicional. 138/CF § 1º . no do inciso II. 34/CF . pela sua gravidade. Por se tratar de exceção.Art. exceto para: I . de cada vez.repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra. por prazo superior. no caso do art. nem prorrogado. no sistema federativo.garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação.pôr termo a grave comprometimento da ordem pública. poderá ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira.reorganizar as finanças da unidade da Federação que: a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos. a regra geral da autonom ia dos Estados-membros. 34 da CF consagra o princípio da não -intervenção: prevalece assim. que acarreta suspensão provisória dessa autonomia. dentro dos prazos estabelecidos em lei. salvo motivo de força maior. III .O estado de sítio. . Intervenção Federal A intervenção é cláusula de defesa da Federação. IV . não poderá ser decretado por mais de trinta dias. II . O art. possam comprometer a integridade ou a unidade do Estado Federal. Art. por determinado tempo e em certa área (que poderá ser todo território nacional). quer por via de mandado de segurança ou habeas corpus ou outro meio judicial hábil.

salvo motivo de força maior. VII . b) direitos da pessoa humana. .reorganizar as finanças da unidade da Federação que: a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos. c) Ordem financeira: Art. VII . ordem ou decisão judicial.assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana.assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana. 34/CF . sistema representativo e regime democrático. letras "a" e "d"): IV . 34/CF V . dentro dos prazos estabelecidos em lei. ordem ou decisão judicial. compreendida a proveniente de transferências. e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais. VI e VII. d) prestação de contas da administração pública.manter a integridade nacional. II . VI . direta e indireta. c) autonomia municipal. sistema representativo e regime democrático. direta e indireta.repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra." São hipóteses de intervenção federal: a) Defesa nacional interna e externa: Art. III . b) Respeito aos poderes constituídos e observância da CF (art. d) prestação de contas da administração pública.prover a execução de lei federal.pôr termo a grave comprometimento da ordem pública. incisos IV. 34. b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição. na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal.VI .garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação.prover a execução de lei federal. exceto para: I .

assim como Juiz de Direito. quando arbitrárias). as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão. PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. mas não os . devendo o decreto interventivo ser submetido à apreciação do Congresso Nacional.Compete ao Presidente da República decretar a intervenção. por iniciativa de qualquer d estes. São eles membros dos poderes. Também necessário salientar que no estado de sítio realiza -se tanto o controle político (via Congresso Nacional). tem-se que tal legalidade não poderá ser confundida com arbitrariedade. Juiz Federal. Das Forças Armadas A interferência das Forças Armadas na manutenção da lei e da ordem depende de convocação dos legítimos representantes de qualquer dos poderes federais. trazendo tranqüilidade interna e estabilidade às instituições. Importa salientar que tanto o estado de sítio como o de defesa estão subordinados ao ordenamento legal. As Forças Armadas sempre tiveram uma posição privilegiadas em todas as nossas Constituições. no prazo de 24 horas. salvo impedimento legal. A intervenção nem sempre ocorre sobre os três Poderes do Estado. e embora gerem uma legalidade extraordinária. garantidoras que são da subsistência do Estado. Cessados os motivos da intervenção. O artigo 142 da CF estabelece que as Forças Armadas "São instituições permanentes e regulares que se destinam à defesa da Pátria. PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL. o prazo e as condições de execução. nomeará o interventor. quanto jurisdicional. à garantia dos poderes constitucionais e. que é amplo em relaç ão aos limites de aplicação das restrições autorizadas. e. Tanto que qualquer pessoa que venha a ser prejudicada por tais medidas (vale dizer. podendo in cidir em apenas um ou dois deles. que são: PRESIDENTE DA REPÚBLICA. tem o direito de recorrer ao Poder Judiciário. Senador e Deputado. O decreto de intervenção especificará a amplitude. Ministro não é poder constitucional. se couber. da lei e da ordem". como por exemplo. mediante audiência dos Conselhos da República e de Defesa Nacional. suspensão ou perda dos direitos políticos e término do mandato.

convocado. nos termos do art. QUE É O VÍNCULO DE SUBORDINAÇÃO. ESCALONADA E GRADUADA DE INFERIOR A SUPERIOR.Todos são iguais perante a lei. será sujeito à pena de perda dos direitos políticos. são organizadas com base na HIERARQUIA. inciso IV.recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. recusando -a. A prestação do Serviço Militar é obrigatória. objeto de estudo logo a seguir.ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. sem distinção de qualquer natureza. Marinha e Aeronáutica). DISCIPLINA. apresentar-se e depois abandoná-lo. e exercida para a preservação da . Art. sendo. No caso de ser convocado. As Forças Armadas (Exército. QUE É O PODER QUE TEM OS SUPERIORES HIERÁRQUICOS DE IMPOR CONDUTAS E DAR ORDENS AOS SUBALTERNOS. garantindo aos -se brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida.representam. 15/CF . dever do estado. conforme prevê o art. Art. Tendo como princípios basilares a disciplina e hierarquia. sendo considerado insubmisso aquele que. à liberdade.É vedada a cassação de direitos políticos. VIII. nos termos da Constituição. 5º . salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa. não se apresentar. Se alguém se recusar a prestar o Serviço Militar estará sujeito a cumprir prestação alternativa e. será então considerado desertor. nos termos seguintes: VIII . pois inconstitucional e arbitrária qualquer convocação que não parta dos poderes acima elencados. Também é de se salientar que a defesa da lei e da ordem é de competência primária das forças de segurança pública. 5º. direito e responsabilidade de todos. 15. à segurança e à propriedade. à igualdade. fixada em lei. as Forças Armadas são subordinadas à autoridade suprema do Presidente da República. cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: IV . Da Segurança Pública O artigo 144 da Constituição Federal diz que "A segurança pública.

além de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. com exclusividade as funções de Polícia Judiciária da União. .ordem publica e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. V POLÍCIAS MILITARES E CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. POLÍCIA RODOVIÁRIA E FERROVIÁRIA Competem-lhes respectivamente o patrulhamento ostensivo das rodovias e ferrovias federais. POLÍCIA FEDERAL A Polícia Federal compete apurar as infrações penais contra a ordem pública e social ou em detrimento de bens. o contrabando e o descaminho. é exercida pelas Policias Civil. III POLÍCIA FERROVIÁRIA FEDERAL: IV POLÍCIAS CIVIS. no plano estadual. POLICIAS ESTADUAIS A Segurança Pública. cabendo-lhe ainda as funções de polícia marítima. nem privatizada a qualquer pretexto. aérea e de fronteiras e. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. Trata-se a Segurança Pública de atividade própria do Estado. segundo se dispuser em lei. Militar e Corpo de Bombeiros. bem como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. não podendo ser delegada a particulares. através dos seguintes órgãos: I POLÍCIA FEDERAL. II POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL.

juntamente com as polícias civis. para a preservação da ordem pública. POLÍCIA MILITAR Também órgão estadual. agindo para evitar . os Municípios podem constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens. Segundo o art. nem seja polícia armada. . ou território. a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar são forças auxiliares e reserva do Exército e se subordinam juntamente com a Policia Civil. ou do Distrito Federal. forças auxiliares e reserva do Exército. além das atribuições definidas em lei.ou pelo menos tentar evitar -.As polícias militares e corpos de bombeiros militares. A Polícia Civil investiga as infrações já cometidas. GUARDA MUNICIPAL Uma inovação na Constituição Federal. Atividade própria do Estado. 144/CF § 6º . razão pela qual o Estado deve estruturar -se objetivando dar satisfação a este anseio. excetuando -se as militares. do Distrito Federal e dos Territórios. cumprindo sua finalidade. 144 § 6º da Constituição Federal. tem por competência a tarefa de policia ostensiva repressiva. a Polícia Civil é o órgão estadual. a Segurança Pública não pode ser delegada a terceiros. cujo destinatário comum é a sociedade POLÍCIA CIVIL Dirigida por Delegado de Polícia de carreira.É uma atividade repressiva e preventiva. permanente. objetivando a apuração das infrações penais. conforme dispuser a lei. a prática de infrações penais. a execução de atividades de defesa civil. Art. concursado. Trata-se de uma das grandes preocupações do indivíduo. que tem por competência o exercitamento da Polícia Judiciária. bem como investigatória. preventivamente. aos Governadores dos Estados. desde que não invadam esfera de competência própria da polícia estadual. ao Governador do Estado. serviços e instalações. subordinam-se. CORPO DE BOMBEIRO MILITAR Compete-lhe.

. conforme dispuser a lei.Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens. 144/CF § 8º .Art. serviços e instalações.