Princípios Essenciais para uma Supervisão Bancária Eficaz

OS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS DA BASILÉIA

Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia

Basiléia Setembro de 1997

Título original: CORE PRINCIPLES FOR EFFECTIVE BANKING SUPERVISION

A versão original em inglês da presente publicação, bem como dos demais documentos nela citados, encontra-se disponível no website do BIS (http://www.bis.org). © Bank for International Settlements, Basiléia, Suíça. Todos os direitos reservados. Pequenos excertos podem ser reproduzidos ou traduzidos, desde que a fonte seja citada.

Essa não é uma tradução oficial do Comitê da Basiléia ou do Banco de Compensações Internacionais. This is not an official translation by the Basle Committee or the Bank for International Settlements.

Tradução e editoração eletrônica: Jorge R. Carvalheira Analista do Banco Central do Brasil

BANCO CENTRAL DO BRASIL

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Tradução concluída em dezembro/1997 e revista em fevereiro/2000.

ÍNDICE
PREFÁCIO ............................................................................................................................................................ 1 LISTA DOS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS PARA UMA .......................................................................................... 4 SEÇÃO I: INTRODUÇÃO............................................................................................................................... 7 SEÇÃO II: PRECONDIÇÕES PARA UMA SUPERVISÃO BANCÁRIA EFICAZ ........................................... 9 SEÇÃO III: PROCESSO DE AUTORIZAÇÃO E APROVAÇÃO DE MUDANÇAS DE ESTRUTURA........... 12 A. Estrutura de Propriedade........................................................................................................................... 13 B. Plano Operacional, Sistemas de Controle e Organização Interna............................................................... 13 C. Teste de Aptidão e Adequação para Diretores e Principais Administradores.............................................. 14 D. Projeções Financeiras, Inclusive Capital.................................................................................................... 14 E. Aprovação Prévia do Supervisor do País de Origem Quando o Proprietário Proponente For um Banco Estrangeiro (Ver também Seção VI.B).............................................................................................................. 14 F. Transferência de Ações de um Banco........................................................................................................ 15 G. As Principais Aquisições ou Investimentos de um Banco .......................................................................... 15 SEÇÃO IV: DISPOSIÇÕES PARA A SUPERVISÃO BANCÁRIA CONTÍNUA ............................................. 17 A. Riscos na Atividade Bancária.................................................................................................................... 17 B. Desenvolvimento e Implementação de Regulamentos e Requisitos Prudenciais ......................................... 19 1. Adequação de capital ............................................................................................................................ 19 2. Administração do risco de crédito ......................................................................................................... 21 3. Administração do risco de mercado....................................................................................................... 23 4. Administração de outros riscos.............................................................................................................. 24 5. Controles internos................................................................................................................................. 25 C. Métodos de Supervisão Bancária Contínua................................................................................................ 27 1. Levantamentos indiretos ....................................................................................................................... 28 2. Inspeções diretas e/ou utilização de auditores externos .......................................................................... 28 3. Supervisão em bases consolidadas......................................................................................................... 29 D. Requisitos de Informações de Organizações Bancárias .............................................................................. 30 1. Normas contábeis.................................................................................................................................. 30 2. Escopo e freqüência das informações..................................................................................................... 31 3. Confirmação da exatidão das informações submetidas........................................................................... 31 4. Confidencialidade das informações de supervisão.................................................................................. 31 5. Divulgação............................................................................................................................................ 32 SEÇÃO V: PODERES FORMAIS DOS SUPERVISORES .............................................................................. 33 A. Medidas Corretivas................................................................................................................................... 33 B. Procedimentos de Liqüidação.................................................................................................................... 33 SEÇÃO VI: ATIVIDADES BANCÁRIAS INTERNACIONAIS....................................................................... 35 A. Obrigações dos Supervisores do País de Origem........................................................................................ 35 B. Obrigações dos Supervisores do País Hospedeiro....................................................................................... 36 APÊNDICE I ....................................................................................................................................................... 37 APÊNDICE II...................................................................................................................................................... 38

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PREFÁCIO 1. A fragilidade do sistema bancário de um país, seja ele desenvolvido, seja em desenvolvimento, pode ameaçar a estabilidade financeira tanto internamente quanto internacionalmente. A necessidade de fortalecer a solidez dos sistemas financeiros tem suscitado crescente preocupação internacional. O Comunicado divulgado ao final da Cúpula do G-7 em Lyon, em junho de 1996, reclama por ações nesse campo. Diversas organizações oficiais, inclusive o Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia, o Banco de Compensações Internacionais - BIS, o Fundo Monetário Internacional - FMI e o Banco Mundial, têm examinado recentemente formas de fortalecer a estabilidade financeira em todo o mundo. 2. O Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia1 vem trabalhando nesse campo há muitos anos, diretamente ou por intermédio de seus muitos contatos com supervisores bancários de todo o mundo. Nos últimos dezoito meses ele vem examinando a melhor maneira de expandir seus esforços no sentido de fortalecer a supervisão prudencial em todos os países, estendendo, em seus relacionamentos com países fora do G-10, os trabalhos desenvolvidos nesse campo pelos países membros. Concretamente, o Comitê preparou dois documentos para divulgação: • um conjunto abrangente de Princípios Essenciais para uma supervisão bancária eficaz (Os Princípios Essenciais da Basiléia) (adiante, nesse documento); e, • um Compêndio (a ser atualizado periodicamente) das recomendações, orientações e normas do Comitê da Basiléia, às quais o documento dos Princípios Essenciais faz muitas referências. Ambos os documentos foram endossados pelos Presidentes dos bancos centrais dos países membros do G-10, tendo sido submetidos aos Ministros das Finanças dos países do G-7 e do G-10 na preparação para a Cúpula de Denver, em Junho de 1997, na esperança de que tais documentos fornecessem um útil mecanismo para o fortalecimento da estabilidade financeira em todos os países 3. Ao desenvolver os Princípios, o Comitê da Basiléia trabalhou junto a autoridades de supervisão de países não-membros do G-10. O documento foi preparado por um grupo formado por representantes do Comitê da Basiléia e também do Chile, da China, da República Checa, de Hong Kong, do México, da Rússia e da Tailândia. O trabalho contou também com a estreita colaboração de nove outros países (Argentina, Brasil, Hungria, Índia, Indonésia, Coréia do Sul, Malásia, Polônia e Cingapura). Para o esboço dos Princípios houve uma consulta ainda mais ampla, com um grupo maior de supervisores individuais, seja diretamente, seja por meio de grupos de supervisão regionais. 4. Os Princípios Essenciais da Basiléia compreendem 25 Princípios básicos, indispensáveis para um sistema de supervisão realmente eficaz. Os Princípios referem-se a: Precondições para uma supervisão bancária eficaz - Princípio 1 Autorizações e estrutura - Princípios 2 a 5 Regulamentos e requisitos prudenciais - Princípios 6 a 15 Métodos de supervisão bancária contínua - Princípios 16 a 20
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O Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia (Basle Committee on Banking Supervision) congrega autoridades de supervisão bancária e foi estabelecido pelos Presidentes dos bancos centrais dos países do Grupo dos Dez (G-10), em 1975. É constituído por representantes de autoridades de supervisão bancária e bancos centrais da Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Luxemburgo, Holanda, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. Normalmente se reúne no Banco de Compensações Internacionais, na Basiléia, Suíça, onde se localiza sua Secretaria permanente.

a partir daí. SEANZA Forum of Banking Supervisors (Fórum de Supervisores Bancários do SEANZA). com a agilidade que a competência formal de cada um permitir. 7. Os membros do Comitê da Basiléia e as outras dezesseis agências supervisoras que participaram de sua elaboração concordam com o conteúdo do documento. Arab Committee on Banking Supervision (Comitê Árabe de Supervisão Bancária). . individualmente. Encontram-se em andamento discussões para definir o papel que os grupos regionais podem desempenhar no sentido de assegurar a adesão aos Princípios e de monitorar a implementação por seus membros.Princípio 22. 5. a estabilidade macroeconômica e financeira.Princípio 21 Poderes formais dos supervisores . Regional Supervisory Group of Central Asia and Transcaucasia (Grupo Regional de Supervisão da Ásia Central e da Transcaucásia). Committee of Banking Supervisors in West and Central Africa (Comitê de Supervisores Bancários da África Ocidental e Central). Association of Banking Supervisory Authorities of Latin America and the Caribbean (Associação de Organismos Supervisores Bancários da América Latina e do Caribe).Princípios 23 a 25. poderão requerer suplementação mediante outras medidas definidas para atender a condições e riscos particulares nos sistemas financeiros de cada país. em muitos casos. a cada dois anos. muitas das quais buscam ativamente fortalecer seus atuais sistemas de supervisão. As autoridades supervisoras de todo o mundo são estimuladas a endossar os Princípios Essenciais da Basiléia. Eastern and Southern Africa Banking Supervisors Group (Grupo de Supervisores Bancários do Leste e do Sul da África). Gulf Cooperation Council Banking Supervisors’Committee (Comitê do Conselho de Cooperação de Supervisores Bancários do Golfo). EMEAP Study Group on Banking Supervision (Grupo de Estudos de Supervisão Bancária do EMEAP). combinando com ações que visem promover. devem usar o documento anexo para revisar seus atuais procedimentos e para iniciar um programa voltado para reduzir quaisquer deficiências. por grupos regionais de supervisão e pelo mercado. As agências nacionais devem aplicar os Princípios na supervisão de todas as organizações bancárias dentro de suas jurisdições. 6.–2 – Requisitos de informação . para o fortalecimento de seus procedimentos de supervisão. Os presidentes dos grupos regionais de supervisão3 dão suporte aos esforços do Comitê da Basiléia e se dispõem a promover a adesão de seus membros aos Princípios Essenciais.2 Os Princípios são requisitos mínimos e. As autoridades supervisoras. o Banco Mundial e outras organizações interessadas usem os Princípios na assistência individual aos países. A implementação dos Princípios será revista e avaliada na Conferência Internacional de Supervisores Bancários. juntamente com outras organizações interessadas. será o de monitorar o progresso dos países na implantação dos Princípios. sobretudo. 8. muitos dos Princípios definidos neste documento são também passíveis de aplicação para tais instituições. Adicionalmente. Os Princípios foram concebidos para serem amplamente seguidos por supervisores locais. e. Caribbean Banking Supervisors Group (Grupo de Supervisores Bancários do Caribe). Group of Banking Supervisors from Central and Eastern European Countries (Grupo de Supervisores Bancários dos Países da Europa Central e Oriental). 2 3 Em países onde instituições financeiras não-bancárias prestam serviços semelhantes aos dos bancos. Os Princípios Essenciais da Basiléia se apresentam como referência básica para órgãos supervisores e outras autoridades públicas em todos os países e internacionalmente. e Atividades bancárias internacionais . Sugere-se que o FMI. o documento contém explanações sobre os vários métodos que os supervisores podem adotar para implementação dos Princípios. em Outubro de 1998. O papel do Comitê da Basiléia. Offshore Group on Banking Supervision (Grupo Offshore de Supervisores Bancários).

o Comitê se compromete a fortalecer sua interação com supervisores de países não-membros do G-10 e a intensificar seus já consideráveis investimentos em assistência técnica e treinamento. porque muitos desses órgãos não dispõem de autoridade legal para a implementação dos Princípios. o Comitê da Basiléia entende ser essencial que os legisladores dêem.–3 – 9. conforme tem feito em documentos tais como os reproduzidos no Compêndio. para assegurar que os Princípios sejam aplicados em todos os seus aspectos materiais. Em tais casos. O Comitê da Basiléia continuará desenvolvendo suas atividades normais nas áreas-chave de risco e de elementos de supervisão bancária. onde couber. suporte às mudanças necessárias. internamente e internacionalmente. 10. O Comitê da Basiléia entende que a adequação de todos os países aos Princípios Essenciais será um passo significativo no processo de fortalecimento da estabilidade. A velocidade com que esse objetivo será alcançado depende de vários fatores. com urgência. Os Princípios Essenciais da Basiléia servirão como ponto de referência nos futuros trabalhos a serem desenvolvidos pelo Comitê e. O Comitê permanece à disposição para apoiar trabalhos de âmbito nacional visando a implementação dos Princípios em conjunto com outros órgãos supervisores e entidades interessadas. . em cooperação com supervisores não-membros do G-10 e seus grupos regionais. Finalmente. Em muitos países serão necessárias substanciais mudanças no ordenamento legal e nos poderes dos órgãos de supervisão.

incluindo dispositivos relacionados com as autorizações às organizações bancárias e sua supervisão contínua. As atividades permitidas às instituições autorizadas a operar como bancos. poderes voltados para a verificação de conformidade legal. práticas e dos procedimentos de um banco. Os supervisores bancários devem estabelecer.–4 – LISTA DOS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS PARA UMA SUPERVISÃO BANCÁRIA EFICAZ Precondições para uma Supervisão Bancária Eficaz 1. Um sistema eficaz de supervisão bancária terá claramente definidas as responsabilidades e os objetivos de cada agência envolvida na supervisão de organizações bancárias. 5. 7. e suas condições financeiras projetadas. Os supervisores bancários devem ter autoridade para examinar e rejeitar qualquer proposta de transferência significativa. do controle ou da propriedade de bancos existentes. devem ser claramente definidas e o uso da palavra “banco” nos nomes das instituições deve ser controlado na medida do possível. requisitos mínimos. relacionados com a concessão de . para todos os bancos. Regulamentos e requisitos prudenciais 6. 3. bem como para interesses de segurança e solidez. levando em conta a capacidade de absorção de perdas de cada um. Também devem ser contemplados dispositivos referentes à troca de informações entre supervisores e à proteção da confidencialidade de tais informações. nem impeçam uma supervisão eficaz. sujeitas à supervisão. prudentes e apropriados. Tais requisitos devem refletir os riscos a que os bancos se submetem e devem definir os componentes de capital. Os supervisores bancários devem ter autoridade para estabelecer critérios para exame das aquisições e dos investimentos mais relevantes de um banco. 4. Quando o proprietário ou controlador da instituição proponente for um banco estrangeiro. inclusive a estrutura de capital. Pelo menos para os bancos com atuação internacional. Autorizações e Estrutura 2. assegurando que as estruturas e ramificações corporativas não exponham o banco a riscos indevidos. e proteção legal para os supervisores. esses requisitos não devem ser menos rigorosos do que os estabelecidos no Acordo de Capital da Basiléia. no mínimo. Um elemento essencial de qualquer sistema de supervisão é a avaliação das políticas. O processo de autorização deve consistir. Um ordenamento legal apropriado à supervisão bancária também é necessário. de adequação de capital. deve-se condicionar a autorização a uma prévia anuência do órgão supervisor do país de origem. para terceiros. de uma avaliação da estrutura de propriedade da organização bancária. seus diretores e principais administradores. seu plano operacional e seus controles internos. O órgão autorizador deve ter o direito de estabelecer critérios e de rejeitar pedidos de autorização para operação que não atendam aos padrões exigidos. Cada uma dessas agências deve ter independência operacional e recursos adequados.

medir. assim como às leis e regulamentos aplicáveis. a proteção de seus ativos. por elementos criminosos. Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos adotam um processo abrangente de administração de risco (incluindo a supervisão adequada pelo conselho de diretores e pela administração sênior). Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos adotam políticas e procedimentos adequados para identificar. para identificar. 11. incluindo regras rígidas do tipo “conheça-seu-cliente”. Visando prevenir abusos decorrentes de concessão de crédito a empresas e/ou indivíduos ligados ao banco concedente. para que sejam efetivamente monitoradas. 13. 10. Os supervisores bancários devem determinar que os bancos mantenham controles internos adequados para a natureza e para a escala de seus negócios. Outras medidas apropriadas devem ser adotadas para controlar ou reduzir os riscos inerentes a tais operações. a utilização de seus recursos financeiros e a responsabilidade por seus ativos e passivos. pelos administradores. monitoram e controlam adequadamente os riscos de mercado. para manter capital contra tais riscos. os supervisores bancários devem estabelecer critérios que assegurem um rígido controle de tais operações. práticas e procedimentos adequados à avaliação da qualidade de seus ativos e para adequação de suas provisões e de suas reservas para perdas em operações de crédito. 12. de concentrações dentro de suas carteiras. internas ou externas. Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos estabelecem e cumprem políticas. Um sistema de supervisão bancária eficaz deve consistir da combinação de atividades de supervisão direta (in loco) e indireta. Os instrumentos de controle devem incluir disposições claras para a delegação de competência e responsabilidade. quando necessário. 14. . para verificar a adesão a tais controles. práticas e procedimentos. 8. e as funções apropriadas de auditoria e de conformidade independentes. Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos mantêm sistemas que avaliam com precisão. e para manter reservas apropriadas contra tais riscos. monitorar e controlar riscos de país e riscos de transferência em suas atividades de empréstimo e de investimento internacionais. Os supervisores devem estabelecer limites que restrinjam a exposição dos bancos a tomadores individuais de crédito ou a grupos de tomadores inter-relacionados. a reconciliação de tais processos. Métodos de Supervisão Bancária Contínua 16. Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos adotam sistemas de informações gerenciais que possibilitem a identificação. Os supervisores bancários devem determinar que os bancos adotem políticas. 9. a separação de funções que envolvem a assunção de compromissos pelo banco. 15. bem como com as rotinas de administração de suas carteiras de crédito e de investimento. se necessário.–5 – empréstimos e com as decisões de investimento. monitorar e controlar todos os demais riscos materiais e. os supervisores devem ter poderes para impor limites específicos e/ou um encargo específico de capital sobre exposições a riscos de mercado. intencionalmente ou não. que promovam elevados padrões éticos e profissionais no setor financeiro e previnam a utilização dos bancos.

monitorando adequadamente e aplicando normas prudenciais adequadas em todos os seus negócios de alcance mundial. principalmente as autoridades supervisoras do país hospedeiro. ou para recomendar sua revogação. Requisitos de Informação 21. Os supervisores bancários devem requerer que as operações locais de bancos estrangeiros sejam conduzidas com o mesmo padrão de exigência requerido das instituições locais e devem ter poderes para fornecer informações requeridas por autoridades supervisoras do país de origem. principalmente suas filiais estrangeiras. Os supervisores bancários devem dispor de meios para adotar ações corretivas oportunas quando os bancos deixarem de cumprir requisitos prudenciais (como índices mínimos de adequação de capital). Os supervisores bancários devem dispor de meios para validação independente das informações pertinentes à supervisão. . Um elemento essencial da supervisão bancária é a capacidade de supervisionar grupos ou conglomerados bancários em bases consolidadas. seja por intermédio de inspeções diretas. Os supervisores bancários devem se assegurar de que cada banco mantém registros adequados.–6 – 17. deve-se incluir a competência para revogar a autorização de funcionamento da instituição. 18. Um elemento chave da supervisão consolidada é o estabelecimento de contatos e o intercâmbio de informações com os vários outros supervisores envolvidos. 19. visando possibilitar-lhes a supervisão consolidada. Os supervisores bancários devem dispor de meios para coletar. examinar e analisar relatórios prudenciais e estatísticos dos bancos. e de que os bancos publicam regularmente relatórios financeiros que reflitam com fidelidade suas condições. joint-ventures e subsidiárias. definidos de acordo com políticas e práticas contábeis consistentes. Os supervisores bancários devem realizar supervisão global consolidada nas instituições que atuam internacionalmente. quando houver violação de regulamentos ou quando. Atividades Bancárias Internacionais 23. Para circunstâncias extremas. houver ameaça para os depositantes. em bases individuais e consolidadas. seja pelo uso de auditores externos. Os supervisores bancários devem manter contato regular com as administrações dos bancos e conhecer profundamente todas as operações das instituições bancárias. 24. 25. Poderes Formais dos Supervisores 22. de alguma outra forma. 20. que possibilitem uma avaliação precisa da real condição financeira do banco e da lucratividade de seu negócio.

contrariamente. Por esta razão. o conselho tem a principal. Devido a tais diferenças. um supervisor deve dispor de independência operacional. no que se refere às funções do conselho de diretores e da administração sênior de uma organização. • os supervisores devem entender a natureza dos negócios conduzidos pelos bancos e assegurar. No delineamento desses princípios essenciais para uma supervisão bancária eficaz. É tarefa da supervisão assegurar que os bancos operem de maneira saudável e segura e que mantenham capital e reservas suficientes para suportar os riscos inerentes a seus negócios. seja de forma direta (in loco). qualquer função executiva. mas para definir duas funções executivas. ele é denominado conselho de supervisão. conjuntamente com uma política macroeconômica eficaz. são fundamentais os seguintes preceitos: • o objetivo-chave da supervisão é a manutenção da estabilidade e da confiança no sistema financeiro. seja de forma indireta. função de supervisionar o corpo executivo (administração sênior. . é indispensável para a estabilidade financeira em qualquer país. 4 Este documento se refere a uma estrutura gerencial composta de um conselho de diretores e da administração sênior. mediante a redução do risco de perdas para depositantes e outros credores. que os riscos assumidos pelos bancos sejam adequadamente administrados. Apesar de o custo da supervisão bancária ser comprovadamente elevado. meios e poderes para buscar informações.–7 – SEÇÃO I: INTRODUÇÃO A supervisão eficaz de organizações bancárias é um componente essencial de um ambiente econômico forte à medida que os sistemas bancários desempenham um importante papel nas operações de pagamento e na mobilização e distribuição de poupança. O Comitê reconhece que há significativas divergências entre as leis e regulamentos dos países. em alguns casos. de tomada-de-decisão. o custo da falta ou da deficiência de supervisão é ainda maior. na medida do possível. difundindo bons princípios de gestão corporativa (por meio de uma estrutura apropriada e da formatação do conjunto de responsabilidades do conselho de diretores e da administração sênior de um banco)4 e intensificando a transparência do mercado e o acesso a suas informações. Supervisão bancária forte e eficaz representa um bem público que nem sempre se encontra presente nos mercados e que. Em outros países. e deve dispor ainda de autoridade para fazer prevalecer suas decisões. • os supervisores devem encorajar e perseguir a disciplina de mercado. não tendo. conseqüentemente. Em muitos países. • uma supervisão bancária eficaz requer que o perfil de risco de cada banco seja avaliado individualmente e que os recursos para supervisão sejam alocados adequadamente. dentro de um banco. se não exclusiva. as noções de conselho de diretores e de administração sênior são usadas neste documento não para identificar atribuições legais. gerência geral) de modo a assegurar que estes executem suas tarefas. • para desenvolver suas tarefas eficazmente. o conselho tem ampla competência para estabelecer todo o ordenamento geral para a administração do banco.

supervisão bancária é uma função dinâmica que precisa acompanhar e responder às mudanças no mercado. a custos razoáveis. sua infra-estrutura. e • uma estreita cooperação com outros supervisores é essencial. o processo de autorização estabeleça padrões de exigência tão elevados quanto os do processo de supervisão. portanto. até que ponto será necessário suplementar essas normas com critérios e requisitos adicionais. Quanto menor a tolerância aos riscos dos bancos e do sistema financeiro. Conseqüentemente. em todas as situações. os supervisores devem estabelecer medidas adequadas para equacionar as situações de dificuldade dos bancos. Esses elementos são discutidos na Seção II. os supervisores devem procurar convencer o governo a providenciá-los (e podem assumir as tarefas referentes a sua concepção e desenvolvimento). de forma geral. Há certos elementos de infra-estrutura que são necessários no suporte a uma supervisão eficaz. portanto. Numa economia de mercado.–8 – • os supervisores devem assegurar que os bancos disponham de recursos apropriados para assumir riscos. em grande parte. não podem ficar inteiramente sob a responsabilidade dos supervisores bancários. a responsabilidade pelas autorizações de operação dos bancos é separada do processo de supervisão. acarretando eventualmente efeito adverso na inovação e na alocação de recursos. Geralmente. deve-se reconhecer que há uma relação entre o nível de proteção exercido pela supervisão e o custo da intermediação financeira. assunto de natureza política que envolve decisões acerca do comprometimento de fundos públicos na sustentação do sistema bancário. os supervisores devem estar preparados para reavaliar periodicamente suas políticas de supervisão e suas práticas. que é o foco principal desse documento. incluindo capital adequado. Um ordenamento legal suficientemente flexível é necessário para permitir tais adaptações. administração sólida e sistemas de controle e registros contábeis eficazes. discute alguns princípios e questões que devem ser considerados no processo de autorização. A maneira como as falências são conduzidas e como seus custos são suportados é. onde quer que esteja a responsabilidade. que atenda à demanda da população por serviços financeiros de boa qualidade. à luz das novas tendências e desenvolvimentos. listados na página 4 e comentados nas Seções III-VI desse documento. Características locais devem ser consideradas na definição da forma como esses padrões serão implementados. Os sistemas de supervisão devem levar em consideração a natureza dos riscos envolvidos no mercado bancário local. Em alguns países. É claramente essencial que. particularmente quando as operações das instituições bancárias ultrapassam fronteiras. Os princípios essenciais para supervisão bancária. . Adicionalmente. maiores serão o nível de intervenção e os custos do supervisor. para contemplar os riscos que lhe são peculiares e as condições gerais que prevalecem em seus próprios mercados. assim como. Os supervisores não podem e não devem garantir a solvência dos bancos. Os Princípios são necessários mas podem não ser suficientes. Cada país deve considerar. entretanto. portanto. Tais assuntos. Quando esses elementos não estão presentes. Os supervisores devem adotar um sistema bancário eficiente e competitivo. as falências são parte dos riscos dos negócios. A Seção III. fornecerão as bases necessárias para a obtenção de um sistema de supervisão saudável. de per si.

Os auditores também assegurariam a conformidade dos relatórios com relação aos princípios contábeis estabelecidos. um sistema de auditoria independente. se não forem adequadamente cobertos. Tal sistema deve ser consistentemente cumprido e respeitado e deve prover mecanismos para resolução satisfatória de disputas. 1. no entanto. de contratos. os quais. com adequada supervisão. de modo que os usuários de relatórios financeiros. 5. efetiva disciplina de mercado. Eles. de falências. podem contribuir significativamente para a desestabilização dos sistemas financeiros: • um sistema de direito comercial compreendendo leis de corporações. para seus participantes. O estabelecimento de políticas macroeconômicas sólidas e sustentáveis não é da competência de supervisores bancários. leis e regulamentos bem definidos. uma supervisão bancária eficaz (conforme destacado nesse documento). Portanto. para liqüidação das transações financeiras. respondendo solidariamente. e mecanismos para o estabelecimento do nível apropriado de proteção sistêmica (ou rede de proteção pública). • • • • • . 2. e um sistema seguro e eficiente de pagamento e compensação. para outros segmentos do mercado financeiro e. 4. princípios e regras de contabilidade abrangentes e bem-definidos. 3. os supervisores bancários enfrentarão dificuldades virtualmente impossíveis de suplantar. políticas macroeconômicas sólidas são fundamentais para um sistema financeiro estável. onde os riscos das contrapartes sejam controlados. disponham de uma opinião independente que lhes assegurem que os relatórios contábeis refletem uma posição financeira satisfatória e verdadeira da companhia. Na ausência de políticas macroeconômicas sólidas. políticas macroeconômicas sólidas e sustentáveis. procedimentos para solução eficiente de problemas nos bancos. 2. pelo conteúdo de tais relatórios. que mereçam larga aceitação internacional. de proteção ao consumidor e de propriedade privada. Esse sistema compreende: 1. com as empresas auditadas. onde couber. infra-estrutura pública bem desenvolvida. inclusive bancos. precisam reagir se perceberem que as políticas existentes estão ameaçando a segurança e a solidez do sistema bancário. Uma infra-estrutura pública desenvolvida deve compreender os seguintes dispositivos. para companhias de porte significativo.–9 – SEÇÃO II: PRECONDIÇÕES PARA UMA SUPERVISÃO BANCÁRIA EFICAZ A supervisão bancária é apenas parte de um amplo sistema necessário à promoção da estabilidade nos mercados financeiros.

os interesses dos depositantes podem ser melhor atendidos por meio de alguma forma de reestruturação. 5 Uma vez que os seguros de depósito se inter-relacionam com supervisão bancária. inteligíveis. Procrastinação. e. entre outras.– 10 – 3. No sentido de preservar a independência operacional dos supervisores. devido a seu profundo conhecimento das instituições envolvidas. também podem ser acionados. . os riscos de crise de confiança no sistema financeiro e de contágio das instituições sadias. até onde for possível. elas sejam divulgadas e que mecanismos sejam definidos para compensar as instituições financeiras quando a política de empréstimos for descontinuada. de outro. transparentes e oportunas. Nesse campo. talvez pela transferência de controle para uma instituição mais forte. seja ou não devido a pressões políticas. Na condução das questões sistêmicas é necessário contemplar. Em certos casos. A definição do nível apropriado de proteção sistêmica é. de incentivos financeiros apropriados para recompensar as instituições bem administradas e de mecanismos que assegurem que os investidores não são imunes às conseqüências de suas decisões de investimento. Nessas circunstâncias. normalmente conduz a uma ampliação dos problemas e a soluções de custos mais elevados. Uma efetiva disciplina de mercado depende de um adequado fluxo de informações entre os seus participantes. Os supervisores devem facilitar tais desfechos. de um lado. se forem concedidas garantias para tais empréstimos. merecem destaque. com recursos dos próprios bancos (suplementado eventualmente por seguro de depósito)5 e com preferência sobre acionistas. Os dispositivos de seguro de depósito. particularmente quando pode resultar no comprometimento de recursos públicos. Os sinais do mercado podem ser distorcidos e a sua disciplina ameaçada se os governos procurarem influenciar ou se sobrepor às decisões comerciais. visando assegurar que os depositantes sejam ressarcidos. que seja realisticamente exeqüível num curto e determinado período de tempo e que. ao longo do processo. o imediato e ordenado fechamento das instituições que não estiverem mais aptas a atender aos requisitos de supervisão é um fator necessário para um sistema financeiro eficiente. Quando os problemas são remediáveis. Os supervisores também devem ter participação. das suas atividades de supervisão contínua. quando os problemas não são remediáveis. uma questão política a ser decidida pelas autoridades competentes (inclusive o banco central). em geral. 4. visando alcançar objetivos de política pública. os supervisores buscarão normalmente definir e implementar soluções à altura das dificuldades identificadas e que as neutralizem. O órgão supervisor deve ser responsável pelo – ou dar assistência ao – fechamento dos bancos em dificuldade. Poderes suficientemente flexíveis são necessários para a obtenção de solução eficiente de problemas nos bancos. ou pela injeção de capital novo ou de novos acionistas. é importante separar claramente o seu papel no mecanismo de proteção sistêmica (ou rede de proteção). particularmente no que se refere a decisões de empréstimo. É essencial que o resultado final do programa de reestruturação atenda por completo a todos os requisitos de supervisão. quando existirem. a necessidade de minimizar as distorções à disciplina e aos sinais do mercado. 5. os depositantes sejam protegidos. alguns de seus princípios básicos são discutidos no Apêndice II. credores subordinados e outras partes interessadas. as questões referentes à gestão de corporações e à necessidade de que as informações prestadas pelos tomadores aos investidores e credores sejam precisas. é importante que. voltadas para as instituições solventes.

para que suas funções sejam desempenhadas a salvo de pressões políticas e com responsabilidade. mas com independência operacional.– 11 – Princípio 1: Um sistema eficaz de supervisão bancária terá claramente definidas as responsabilidades e os objetivos de cada agência envolvida na supervisão de organizações bancárias. que estabeleçam os padrões mínimos a serem observados. • • • • . e um sistema de cooperação e compartilhamento de informações relevantes entre as várias agências oficiais. financeiros e tecnológicos). responsáveis pela segurança e pela solidez do sistema financeiro. estabelecer sanções e cassar autorizações). que conceda poderes para coletar e verificar informações com independência. poderes voltados para a verificação de conformidade legal. e que dê aos supervisores competência para impor penalidades que podem ser aplicadas quando requisitos prudenciais não forem observados (inclusive poderes para afastar indivíduos. um conjunto de leis voltadas para a atividade bancária. Um ordenamento legal apropriado à supervisão bancária também é necessário. a independência e a integridade da agência supervisora. recursos adequados (humanos. compatíveis com os objetivos definidos e providos de forma que não fragilizem a autonomia. incluindo dispositivos relacionados com as autorizações às organizações bancárias e sua supervisão contínua. assegurando que elas sejam utilizadas exclusivamente para fins relacionados com a supervisão das instituições. Esse princípio requer que os seguintes componentes sejam implantados: • uma clara. que conceda aos supervisores flexibilidade suficiente para definir regras prudenciais em nível administrativo. domésticas e estrangeiras. no cumprimento das responsabilidades inerentes à função. e proteção legal para os supervisores. essa cooperação deve se amparar em medidas para proteção da confidencialidade das informações. bem como para interesses de segurança e solidez. Cada uma dessas agências deve ter independência operacional e recursos adequados. estabelecida pela legislação para todos os supervisores envolvidos. para a consecução de objetivos e para a utilização de métodos qualitativos de julgamento. exeqüível e consistente definição de responsabilidades e objetivos. quando necessário. proteção (normalmente definida em lei) contra imputabilidade pessoal e institucional nas ações de supervisão realizadas de boa fé. Também devem ser contemplados dispositivos referentes à troca de informações entre supervisores e à proteção da confidencialidade de tais informações.

por meio do bloqueio do acesso. capacidade financeira adequada. NT) . Quando as autoridades de supervisão e de autorização são diferentes.– 12 – SEÇÃO III: PROCESSO DE AUTORIZAÇÃO E APROVAÇÃO DE MUDANÇAS DE ESTRUTURA Princípio 2: As atividades permitidas às instituições autorizadas a operar como bancos. de uma avaliação da estrutura de propriedade da organização bancária. constitui um método eficaz de redução do número de instituições instáveis que ingressam no sistema bancário. Ambos os elementos são necessários para a manutenção da confiança da população no sistema bancário. Princípio 3: O órgão autorizador deve ter o direito de estabelecer critérios e de rejeitar pedidos de autorização para operação que não atendam aos padrões exigidos. inclusive a estrutura de capital. sem inibir a eficiência e a competitividade da indústria bancária. Os regulamentos de autorização de funcionamento. (E deve se estender também a expressões como “caixa econômica”. Critérios claros e objetivos também reduzem a possibilidade de interferência política no processo de autorização. e suas condições financeiras projetadas. devem ser claramente definidas e o uso da palavra “banco” nos nomes das instituições deve ser controlado na medida do possível. de modo que estes também sirvam de base para cassação de autorização. estrutura legal condizente com sua estrutura operacional e administração com suficientes experiência e integridade para operar o banco de maneira sólida e prudente. Visando propiciar um sistema financeiro saudável e definir precisamente o universo de instituições a serem supervisionadas. Ao vincular a supervisão bancária a um sistema de autorização (ou de credenciamento) de instituições de depósito (e. seu plano operacional e seus controles internos. O termo “banco”6 deve ser claramente definido e sua utilização em títulos. deve-se condicionar a autorização a uma prévia anuência do órgão supervisor do país de origem. os supervisores terão meios de identificar o universo a ser supervisionado e a admissão ao sistema bancário será controlada. seus diretores e principais administradores. A autoridade de licenciamento deve determinar que as novas organizações bancárias tenham acionistas ou cotistas apropriados. Em especial. 6 Isso inclui qualquer termo derivado da palavra “banco”. pelo menos a atividade de aceitar depósitos bancários do público deveria tipicamente ser reservada para instituições que sejam autorizadas a operar como bancos e que estejam sujeitas à supervisão bancária. Quando o proprietário ou controlador da instituição proponente for um banco estrangeiro. se for o caso. é essencial que haja estreita cooperação no processo de autorização e que a autoridade supervisora disponha do direito legal de ter suas opiniões consideradas pelo órgão autorizador. Embora o processo de autorização não possa garantir que um banco seja bem conduzido depois de aberto. quando uma instituição estabelecida não mais atender a seus critérios. outros tipos de instituições financeiras). nomes e designações deve ser controlada tanto quanto possível. sujeitas à supervisão. os procedimentos de autorização para as instituições bancárias e o escopo das atividades nela compreendidas devem ser claramente definidos. no mínimo. devem ser concebidos de modo a limitar o número de falências e a quantidade de perdas para os depositantes. O processo de autorização deve consistir. para evitar que a população seja confundida ou ludibriada por instituições não autorizadas e não sujeitas à supervisão bancária. assim como os dispositivos de supervisão. É importante que os critérios para emissão de autorizações sejam consistentes com os aplicados na supervisão.

Isso pode incluir estruturas em que partes importantes se encontram em jurisdições onde leis de sigilo ou supervisão financeira inadequadas são obstáculos significativos. a entidade autorizadora deve ter o direito de rejeitar requerimentos se não se convencer de que os critérios estabelecidos foram atendidos. O órgão de autorização deve determinar se esses pontos são consistentes com a estratégia proposta e deve também determinar se políticas internas e procedimentos adequados foram desenvolvidos. seu plano operacional e seus controles internos. seus diretores e principais administradores. inclusive a adequação do capital. por não haver uma ligação corporativa comum. o supervisor deve identificar a fonte do capital inicial a ser investido. Sistemas de Controle e Organização Interna Outro ponto a examinar durante o processo de licenciamento ou de autorização de funcionamento são as operações e estratégias propostas pelo banco. Ao avaliar as ligações e a estrutura do banco proposto como parte integrante de um conglomerado. deve-se condicionar a autorização a uma prévia anuência do órgão supervisor do país de origem. Isso inclui determinar que um gerenciamento 7 Em muitos países. Quando um banco fizer parte de uma organização maior. A avaliação deve incluir os controladores diretos e indiretos do banco e os principais acionistas7 diretos ou indiretos. Os outros interesses dos principais acionistas devem ser examinados e devem ser avaliadas as condições financeiras das entidades coligadas. os órgãos de autorização e de supervisão devem determinar que a estrutura organizacional e de propriedade não será uma fonte de fraqueza e que serão minimizados. Finalmente. as autoridades de supervisão e de autorização devem verificar se haverá suficiente transparência para permitir a identificação individual dos responsáveis pelas operações do banco e para assegurar que essas pessoas terão autonomia dentro da estrutura do conglomerado para responder rapidamente às recomendações e solicitações do supervisor. 10% ou mais do capital acionário de um banco. caso seja necessário. . os principais acionistas são aqueles que detêm. O banco não deve ser utilizado como uma fonte cativa de recursos financeiros para seus proprietários. assim como estruturas onde os mesmos proprietários controlam bancos com estruturas paralelas que não podem ser submetidas à supervisão consolidada. assim como o poder financeiro de todos os principais acionistas e sua capacidade de alocar recursos financeiros adicionais. os riscos de contágio de atividades conduzidas por outras empresas dentro do conglomerado. B. O plano operacional deve descrever e analisar o segmento de mercado para o qual o banco deseja direcionar a maior parte de seus negócios e estabelecer uma estratégia para suas operações. assim como se foram alocados recursos suficientes. individualmente. Plano Operacional. O pedido de autorização deve descrever também como o banco será organizado e controlado internamente. Como parte do processo de verificação da integridade e da posição dos controladores. os órgãos de autorização e de supervisão devem ter autoridade para impedir afiliações ou estruturas que dificultem a supervisão efetiva dos bancos. A. O processo de autorização deve consistir. no mínimo. Essa avaliação deve consistir de exame dos negócios anteriores dos controladores nos segmentos bancário e não-bancário e de sua integridade e posição na comunidade de negócios. de uma avaliação da estrutura de propriedade da organização bancária. para os depositantes. Estrutura de Propriedade Os supervisores devem ser capazes de avaliar a estrutura de propriedade das organizações bancárias. Quando o proprietário ou controlador da instituição proponente for um banco estrangeiro. e suas condições financeiras projetadas.– 13 – Tendo estabelecido critérios rígidos para o exame de solicitações de autorização para operação.

deve ser efetuada uma avaliação de suas condições financeiras. nem de forma consolidada. Inclusive Capital O órgão de autorização deve examinar os relatórios financeiros pro-forma e outras projeções do banco proponente. O órgão de autorização deve obter as informações necessárias acerca dos diretores e principais administradores. Na maioria dos países. . após o início das atividades do banco. ou uma instituição financeira não-bancária estrangeira (sujeita à autoridade supervisora) propõe estabelecer um banco ou uma filial local. comprometem seus conceitos perante o mercado. Teste de Aptidão e Adequação para Diretores e Principais Administradores Um aspecto chave do processo de autorização é a avaliação da competência. a entidade autorizadora deve avaliar se as projeções são consistentes e realísticas e se são boas as chances de viabilidade do banco proposto. pode ser feita distinção entre o conselho de supervisão e o conselho executivo.B) Quando um banco estrangeiro.– 14 – corporativo apropriado será adotado (uma estrutura gerencial com responsabilidades bem definidas. para avaliar. Projeções Financeiras. a integridade pessoal e as habilidades relevantes. a autoridade licenciadora deve 8 Com relação à avaliação de aptidão e adequação. C. especialmente em face dos custos de implantação e de possíveis perdas operacionais nas etapas iniciais. duplo controle de ativos. O órgão de autorização deve também considerar a capacidade dos acionistas de fornecer suporte adicional de capital. Se houver um acionista corporativo com participação significativa no capital. se necessário. Adicionalmente. da integridade e das qualificações dos propostos componentes da administração. Os supervisores devem ter autoridade para exigir notificação das subseqüentes mudanças de diretores e principais administradores e para impedir tais mudanças. E. D. etc. e que o supervisor terá acesso adequado à administração e às informações. os supervisores não devem conceder autorização de funcionamento a banco cuja diretoria se localize em área fora de sua jurisdição. a não ser que se assegure que o supervisor terá acesso adequado à administração e às informações (Ver Item E adiante. visando estabelecer se suas atividades anteriores. Aprovação Prévia do Supervisor do País de Origem Quando o Proprietário Proponente For um Banco Estrangeiro (Ver também Seção VI. inclusive da solidez de seu capital. individualmente e coletivamente. e funções de conformidade e de auditoria independentes) e que o “princípio dos quatro olhos” será obedecido (segregação das várias funções. Por essa razão. Essa avaliação deve envolver investigações da vida pregressa dos administradores propostos. É essencial determinar que as estruturas legal e operacional não dificultarão a supervisão. um conselho de diretores com capacidade de efetuar verificações independentes na administração. sua experiência com bancos e com outros negócios. os órgãos de autorização estabelecem um valor para o capital mínimo inicial. assinaturas duplas. se for o caso. inclusive resultados de processos judiciais e administrativos. se julgarem que elas ferem os interesses dos depositantes. verificações cruzadas.). nem em bases individuais. É indispensável que a equipe de administradores propostos inclua um número substancial de pessoas com comprovada experiência em atividades bancárias. No exame deve-se avaliar se o banco terá capital suficiente para suportar o plano estratégico proposto. uma subsidiária de um grupo bancário internacional. inclusive do conselho de diretores8. boa reputação ou honestidade. referente a autorização para implantação de bancos no exterior). no que diz respeito à competência.

G. Em certas circunstâncias. direto ou indireto. A autoridade local deve também avaliar se o supervisor do país de origem cumpre satisfatoriamente suas funções supervisoras em bases consolidadas10. e devem ter poderes de impedir tais investimentos. ou de qualquer aumento ou de outras mudanças na estrutura de propriedade acima de um determinado nível. para terceiros. . a autoridade local deve considerar não apenas a natureza e o escopo do regime de supervisão do país de origem. Ao avaliar se uma supervisão consolidada é cumprida de forma satisfatória.– 15 – avaliar se os Padrões Mínimos da Basiléia9 são obedecidos e. do controle ou da propriedade de bancos existentes. Transferência de Ações de um Banco Princípio 4. Os supervisores bancários devem ter autoridade para estabelecer critérios para exame das aquisições e dos investimentos mais relevantes de um banco. não deve autorizar o funcionamento até que o consentimento do supervisor do país de origem do banco ou do grupo bancário seja obtido. os supervisores exigem dos bancos o fornecimento de informações ou a obtenção de permissão explícita antes de fazerem certos investimentos ou aquisições. Os supervisores bancários devem ter autoridade para examinar e rejeitar qualquer proposta de transferência significativa. Conseqüentemente.para orientação na avaliação do desempenho dos supervisores em tais tarefas.Volume III do Compêndio . As Principais Aquisições ou Investimentos de um Banco Princípio 5. Em muitos países. F. os supervisores devem avaliar se os bancos dispõem dos recursos financeiros e gerenciais necessários para efetuar a aquisição e devem considerar também se o investimento é permitido pelas leis e regulamentos existentes. O patamar que define a necessidade de aprovação prévia de mudanças significativas na estrutura de propriedade pode ser maior que o estabelecido para as notificações. O supervisor deve definir 9 10 11 Ver “Minimum Standards for the supervision of international banking groups and their cross-border establishments” (“Padrões Mínimos para a supervisão de grupos bancários internacionais e seus estabelecimentos no exterior”) . se eles não atenderem a critérios comparáveis aos utilizados na aprovação de novos bancos. assegurando que as estruturas e ramificações corporativas não exponham o banco a riscos indevidos. uma vez autorizado a operar. Além de autorizar o funcionamento de novos bancos. Nestes casos. São exigidas notificações sempre que as mudanças na estrutura de propriedade ou na composição do capital votante de um banco envolverem uma determinada porcentagem de seu capital acionário11. os supervisores bancários devem ser notificados acerca de qualquer futuro investimento significativo no banco. Esta percentagem estabelecida varia tipicamente entre 5% e 10%. um banco.Volume III do Compêndio. determinadas aquisições ou investimentos podem ser automaticamente permitidos se atenderem a certos limites estabelecidos pelos supervisores ou pelas leis e regulamentos da atividade bancária. pode desenvolver qualquer atividade normalmente permitida aos bancos ou qualquer grupo de atividades especificadas em sua autorização. mas também se a estrutura do proponente ou de seu grupo não irá dificultar ou inibir as ações das autoridades supervisoras locais e as do país de origem. particularmente. ou de proibir o direito do exercício de voto relacionado com os mesmos. nem impeçam uma supervisão eficaz. Ver “The Supervision of cross-border banking” (“A Supervisão de atividades bancárias internacionais”) (Anexo B) .

– 16 – claramente que tipos e valores de investimentos necessitam de aprovação prévia e para que casos uma notificação é suficiente. A notificação após o fato é mais apropriada nos casos em que a atividade é de natureza bancária e o investimento é pequeno em relação ao capital total do banco. .

um risco importante que os bancos enfrentam é o de crédito ou a falha de uma contraparte no desempenho de compromissos contratuais. pois as decisões relacionadas com a capacidade de crédito do tomador nem sempre são definidas objetivamente. social e político do país tomador. setores econômicos. empresas afiliadas. porque representam concentração do risco de crédito. regiões geográficas. A moeda de que o tomador necessita para saudar suas obrigações pode não lhe estar disponível. pode acarretar problemas significativos.ex. subsidiárias. Para desenvolverem suas atividades de empréstimo. ou por meio da utilização excessiva de modalidades de empréstimos cujas características os tornam vulneráveis aos mesmos fatores econômicos (p. os bancos precisam fazer avaliações da capacidade de crédito dos tomadores. Os supervisores bancários precisam entender tais riscos e se assegurar de que os bancos os avaliam e os administram adequadamente. Exposições excessivas a um único tomador ou a um grupo de tomadores interrelacionados. por sua natureza. são causas comuns de problemas para os bancos. Sérios problemas bancários têm ocorrido em razão de deficiências dos bancos no reconhecimento de ativos inválidos. Este risco se aplica não apenas a empréstimos. mas é importante considerá-lo em todos os empréstimos e investimentos externos. independentemente de sua condição financeira particular. diretores e executivos. Conseqüentemente. na criação de reservas para a baixa contábil desses ativos e na interrupção da apropriação de receitas de juros quando recomendável. denominado “risco de transferência”. o inter-relacionamento pode acarretar tratamento preferencial nos empréstimos e. O risco país é mais visível nos empréstimos aos governos estrangeiros e a suas agências. são exemplos de entidades ligadas a bancos. para tomadores públicos ou privados. tais como garantias. principais acionistas. os empréstimos internacionais incluem também o risco país. conseqüentemente. Risco de crédito A concessão de empréstimos é a atividade básica da maioria dos bancos.. implica a exposição a uma variada gama de riscos. transações altamente alavancadas). Há também um componente de risco país. seja por meio da capacidade de exercer controle direto ou indireto – se não for controlada de forma apropriada. Riscos na Atividade Bancária A atividade bancária. Grandes concentrações podem surgir também com relação a determinados segmentos industriais. mas também a outras operações intra e extra-balanço. maiores riscos de perda. Em circunstâncias iguais ou semelhantes a estas. . A concessão de crédito a indivíduos ou empresas ligadas ao banco concedente – seja por meio de relações de propriedade. aceites e investimentos em títulos. Risco país e risco de transferência Além do risco de crédito inerente às operações de empréstimo. que surge quando as obrigações do tomador não são expressas em moeda local. Essas avaliações nem sempre são acuradas e a capacidade de crédito de um tomador pode se reduzir ao longo do tempo devido a uma série de fatores. Organizações controladoras. Empresas são também inter-relacionadas quando são controladas pela mesma família ou grupo. Os riscos mais relevantes enfrentados pelos bancos são discutidos a seguir. que é associado aos ambientes econômico. já que tais operações são tipicamente não-garantidas.– 17 – SEÇÃO IV: DISPOSIÇÕES PARA A SUPERVISÃO BANCÁRIA CONTÍNUA A.

Em casos extremos. mesmo quando tais instrumentos possuem características semelhantes de valorização. decorrente da possibilidade do exercício de opções implícitas e explícitas vinculadas aos ativos. e (4) risco de opções. ou nas posições referentes aos mercados de câmbio ou de commodities. Quando um banco apresenta liqüidez inadequada. Os bancos atuam como indutores do mercado de moedas estrangeiras ao estabelecerem suas cotações junto aos clientes e ao assumirem posições abertas em moedas. que decorre de correlações imperfeitas no ajustamento de taxas recebidas e pagas nos diversos instrumentos. afetando assim sua rentabilidade. podem representar uma significativa ameaça para os resultados e para a estrutura de capital de um banco. Embora normais na atividade bancária. comprometimento dos interesses do banco. O controle de tais riscos tem importância crescente em mercados financeiros sofisticados. Risco de taxa de juros O risco de taxa de juros se refere à exposição da situação financeira de um banco a movimentos adversos nas taxas de juros. seja por meio de um aumento de seus exigíveis. tanto nas que envolvem capital de terceiros como nas que envolvem capital próprio. onde os clientes administram ativamente suas exposições a taxas de juros. liqüidez insuficiente pode acarretar a insolvência de um banco. de alguma outra forma. os riscos de taxas de juros. que decorre de diferenças nos períodos de tempo de maturação (para taxas fixas de juros) e de apreciação ou depreciação (para taxas flutuantes) de ativos. aos passivos e às carteiras extra-balanço de muitos bancos. (3) risco de base. particularmente na condução de posições abertas em moedas estrangeiras.– 18 – Risco de mercado Os bancos também enfrentam riscos de perdas em suas posições intra e extrabalanço. fraudes ou deficiência no desempenho oportuno de atividades. Os riscos inerentes às operações de câmbio. por seus representantes (dealers). (2) risco da curva de retorno. mediante excessos no uso de suas competências e atribuições. quando excessivos. Risco operacional As modalidades mais relevantes de risco operacional envolvem o colapso de controles internos e do domínio corporativo. em decorrência de movimentos nos preços de mercado. agentes de concessão de crédito ou outros componentes administrativos. por exemplo. passivos e instrumentos extra-balanço. crescem durante os períodos de instabilidade das taxas de câmbio. Uma modalidade específica do risco de mercado é o risco de câmbio. Os princípios de contabilidade geralmente aceitos tornam esses riscos mais evidentes em suas atividades mercantis. ou pela condução . podendo ainda causar. Esse risco impacta os ganhos de um banco e o valor econômico de seus ativos. Deve-se prestar atenção especial a esse tipo de risco em países onde as taxas de juros estão sendo desregulamentadas. seja pela pronta conversão de ativos. de passivos e de posições extra-balanço do banco. a custos razoáveis. Os principais tipos de riscos de taxa de juros aos quais os bancos normalmente se expõem são: (1) risco de apreciação ou depreciação. Tais colapsos podem acarretar perdas financeiras por meio de erros. Risco de liqüidez O risco de liqüidez em um banco decorre da sua incapacidade de promover reduções em seu passivo ou financiar acréscimos em seus ativos. perde a capacidade de obter recursos. que decorre de mudanças na inclinação e no perfil da curva de retorno de uma operação.

de credores e do mercado em geral. de falhas operacionais e de deficiências no cumprimento de leis e de regulamentos relevantes. O patrimônio líqüido de um banco. requisitos mínimos. Riscos de reputação são particularmente danosos para bancos. inclusive os que envolvem adequação de capital. Os requisitos não devem substituir decisões gerenciais. para todos os bancos. monitorados e controlados. seu capital próprio. Pelo menos para os bancos com atuação internacional. já que a natureza de seus negócios requer a manutenção da confiança de depositantes. não somente para a organização diretamente envolvida. tem várias funções: ele representa uma fonte permanente de receitas para os acionistas e serve de lastro para as operações do banco. B. entre outras causas. Desenvolvimento e Implementação de Regulamentos e Requisitos Prudenciais Os riscos inerentes à atividade bancária devem ser reconhecidos. Adequação de capital Princípio 6: Os supervisores bancários devem estabelecer. serve de .– 19 – dos negócios de maneira aética ou arriscada. Tais requisitos devem refletir os riscos a que os bancos se submetem e devem definir os componentes de capital. Risco legal Os bancos estão sujeitos a várias formas de risco legal. Tais requisitos podem ser de natureza qualitativa e/ou quantitativa e visam limitar a exposição imprudente dos bancos a riscos. Um processo judicial envolvendo um determinado banco pode ter amplas implicações para todo o segmento bancário e acarretar custos. A natureza dinâmica das atividades bancárias exige que os supervisores examinem periodicamente seus requisitos prudenciais e avaliem a relevância da continuidade dos requisitos existentes. administração de riscos e controles internos. prudentes e apropriados. mas também para muitos ou todos os outros bancos. Risco de reputação Os riscos de reputação se originam. assim como a necessidade de novos requisitos. Adicionalmente. presta-se ao suporte de riscos e à absorção de prejuízos. esses requisitos não devem ser menos rigorosos do que os estabelecidos no Acordo de Capital da Basiléia. Ademais. Os bancos são particularmente suscetíveis a riscos legais quando adotam novos tipos de transações e quando o direito legal de uma contraparte numa transação não está estabelecido. concentrações de ativos. reservas para perdas com empréstimos. levando em conta a capacidade de absorção de perdas de cada um. 1. ou seja. de adequação de capital. Aí encontra-se incluído o risco de desvalorização de ativos ou de valorização de passivos em intensidades inesperadamente altas por conta de pareceres ou documentos legais inadequados ou incorretos. a legislação existente pode falhar na solução de questões legais envolvendo um banco. liqüidez. Outras formas de risco operacional incluem deficiências graves nos sistemas tecnológicos de informação ou eventos como grandes incêndios ou outros desastres. pode haver mudanças nas leis que afetam bancos ou outras empresas comerciais. mas sim impor padrões prudenciais mínimos para assegurar que os bancos conduzam suas atividades de forma apropriada. Os supervisores cumprem um papel essencial zelando para que a administração de cada banco aja dessa maneira. Um ponto importante do processo de supervisão é a autoridade dos supervisores de desenvolver e utilizar regulamentos e requisitos prudenciais para controle desses riscos.

. para bancos internacionalmente ativos. O Acordo estabelece requisitos de índice mínimo de capital. O Acordo também reconhece outras formas suplementares de capital (referidas como capital de segunda linha). 50% e 100%. os supervisores bancários devem se assegurar de que ele tem planos realísticos para restaurar o índice mínimo em curto prazo. Muitos outros países têm adotado o Acordo de Capital ou algo muito próximo a ele. tais como as demais modalidades de reservas e instrumentos de capital híbridos. O Acordo associa fatores de risco (ponderações) a exposições intra e extrabalanço segundo uma ampla gama de categorias de risco relativo. Se o índice de um banco encontra-se abaixo do mínimo. O Acordo define os tipos de capital que são aceitáveis para fins de supervisão e dá ênfase à necessidade de níveis adequados de “capital essencial” (no Acordo este capital é classificado como sendo de primeira linha). . Os supervisores devem considerar o estabelecimento de índices de capital superiores ao mínimo quando lhes parecer apropriado em razão do perfil de risco particular do banco. de concentrações de risco ou de outras características adversas do perfil financeiro de um banco. que atendam aos seguintes critérios: (1) as alocações dos recursos nos fundos de reserva devem ser feitas dos lucros retidos pós-impostos. de 4% para o capital de primeira linha e de 8% para o capital total (primeira linha mais segunda linha). A estrutura de pesos foi mantida tão simples quanto possível. O Acordo contempla dois importantes elementos das atividades de um banco: (1) os diferentes níveis do risco de crédito inerente a seu balanço patrimonial e (2) atividades extra-balanço. mas sim da conta de lucros e prejuízos.Volume I do Compêndio. ou se houver dúvidas e incertezas acerca da qualidade de seus ativos.ex. que consiste do capital social permanente e de reservas livres. e fornece aos acionistas razões para assegurar que o banco está sendo dirigido de maneira sólida e segura. muitos países também o aplicam a seus bancos domésticos. Embora o Acordo se aplique a bancos internacionalmente ativos. Os supervisores devem estabelecer requisitos prudentes e adequados de capital mínimo e incentivar os bancos a operar com capital superior ao mínimo. com a utilização de apenas cinco pesos: 0%.– 20 – base para o crescimento e o desenvolvimento do banco. Reservas livres também compreendem fundos de reserva em geral. Índices de adequação mínima de capital são necessários para reduzir o risco de perda dos depositantes. 20%. 12 13 Ver “International convergence of capital measurement and capital standards” (“Convergência internacional de medições de capital e de padrões de capital”) . margens na venda de ações representativas do capital do próprio banco. criadas ou mantidas pela apropriação de rendimentos retidos ou outros superávits (p. lucros retidos. (3) os fundos devem se prestar para a compensação de prejuízos do banco. Os supervisores devem também considerar a eventual adoção de restrições adicionais em tais casos. com relação aos ativos ponderados segundo seus riscos13. e (4) os prejuízos não podem ser descontados diretamente do fundo de reserva. os países membros do Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia concordaram com um método de assegurar a adequação de capital de um banco12. reservas gerais e reservas legais). Em 1988. que podem representar uma exposição significativa a riscos. 10%. (2) as informações sobre os fundos de reserva e seus lançamentos a crédito e a débito devem ser mostrados separadamente nas publicações dos relatórios financeiros e contábeis dos bancos. ou dos lucros pré-impostos ajustados para todas as exigibilidades fiscais potenciais. credores e demais investidores do banco e para ajudar os supervisores na busca da estabilidade global da indústria bancária. que devem ser incluídos num sistema de medição de capital.

considerar a monitoração da adequação de capital de bancos em bases não-consolidadas. (ii) Avaliação da qualidade dos ativos e adequação das provisões e das reservas para perdas em empréstimos Princípio 8: Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos estabelecem e cumprem políticas. bem como com as rotinas de administração de suas carteiras de crédito e de investimento. incluindo as condições financeiras de tomadores. relacionados com a concessão de empréstimos e com as decisões de investimento. práticas e procedimentos adequados à avaliação da qualidade de seus ativos e para adequação de suas provisões e de suas reservas para perdas em operações de crédito. 14 Os supervisores também devem. procedimentos para aprovação e administração de empréstimos e documentação apropriada das operações de concessão de crédito são essenciais para o gerenciamento da função de empréstimo de um banco. Eles devem se assegurar de que tais políticas estão sendo reavaliadas regularmente e implementadas de forma consistente. Os supervisores devem examinar as políticas de um banco referentes a reavaliação periódica de créditos individuais.– 21 – Tais requisitos se aplicam a bancos em bases consolidadas14. Os supervisores precisam se assegurar de que as funções de crédito e de investimento de um determinado banco são desenvolvidas de forma objetiva e fundamentadas em princípios sólidos. Administração do risco de crédito (i) Padrões de concessão de crédito e processo de monitoramento de crédito Princípio 7: Um elemento essencial de qualquer sistema de supervisão é a avaliação das políticas. É também fundamental para os supervisores que se determine até que ponto as instituições adotam suas decisões de crédito a salvo de interesses conflitantes e de pressões impróprias de terceiros. . ou ponderações de risco mais rigorosas que as estabelecidas no Acordo. estes devem requerer da instituição mais rigor em suas práticas e normas de concessão de crédito e o fortalecimento de sua situação financeira geral. é claro. classificação de ativos e aprovisionamento. Deve ser enfatizado que esses índices representam padrões mínimos e que muitos supervisores definem índices mais rígidos ou aplicam definições mais restritivas de capital. 2. Quando o volume de créditos problemáticos de um banco vier a preocupar os supervisores. práticas e dos procedimentos de um banco. aprovadas por seu conselho de diretores e amplamente divulgadas junto a seus agentes de concessão de crédito e componentes administrativos. Um elemento chave de qualquer sistema de informações gerenciais deve ser uma base de dados que forneça detalhes essenciais da carteira de empréstimos. inclusive classificações internas segundo critérios qualitativos e quantitativos. As atividades de empréstimo e de investimento de um banco devem se basear em normas prudenciais formalmente definidas. A manutenção de políticas prudentes de empréstimo formalizadas. Os bancos devem ter também um processo bem desenvolvido de monitoramento contínuo de relações de crédito. Os supervisores devem também se assegurar de que os bancos dispõem de um processo para administração de créditos problemáticos ou de difícil liqüidação e para cobrança de dívidas vencidas.

a tomadores não-ligados ao banco. o banco deve dispor de um mecanismo para examinar continuamente a solidez dos avais e para fazer estimativas atualizadas dos valores das garantias. embora variem. necessitando níveis superiores de capital para fazer face ao risco resultante. (iii) Concentrações de risco e exposições elevadas Princípio 9: Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos adotam sistemas de informações gerenciais que possibilitem a identificação. 10% do capital) ou quando ocorrer exposições a grandes tomadores. os supervisores bancários devem estabelecer critérios que assegurem um rígido controle de tais operações. em circunstâncias similares. Isso requer que se assegure que tais empréstimos sejam conduzidos com isenção de interesse e que o montante de crédito concedido seja monitorado.. assim como os riscos associados a diferentes formas de concentração de ativos. Os supervisores bancários devem ter autoridade para prevenir abusos decorrentes de empréstimos a entidades ligadas ao banco emprestador. quando elas implicam riscos contingenciais.Volume I do Compêndio. o Comitê da Basiléia adotou um documento que se refere às melhores práticas ligadas a grandes exposições a riscos de crédito. Em alguns países o valor consolidado de operações com tomadores individuais também é sujeito a limite. para que sejam efetivamente monitoradas. Outras medidas apropriadas devem ser adotadas para controlar ou reduzir os riscos inerentes a tais operações. Os Supervisores bancários devem estabelecer limites prudenciais que restrinjam a exposição dos bancos a tomadores individuais. Admite-se que bancos recém-estabelecidos ou muito pequenos possam enfrentar limitações práticas na sua capacidade de diversificação. de 1991. a grupos de tomadores inter-relacionados e a outras concentrações significativas de riscos15. Tais limites são normalmente expressos em termos de uma porcentagem do capital do banco e. de concentrações dentro de suas carteiras. Ver “Measuring and controlling large credit exposures” (“Medindo e controlando grandes exposições a riscos de crédito”) . em circunstâncias 15 Como guia para um controle apropriado de concentrações de risco. Os supervisores devem estabelecer limites que restrinjam a exposição dos bancos a tomadores individuais de crédito ou a grupos de tomadores inter-relacionados. Os supervisores também devem se assegurar de que os bancos registram de forma apropriada as exposições a riscos de operações extra-balanço e mantêm patrimônio líqüido compatível. Este documento. e também discute limites para grandes exposições a riscos. Os supervisores devem ter autoridade para. de tomadores individuais e demais tomadores. Esses controles são mais facilmente implementados por meio da exigência de que os termos e condições de tais créditos não sejam mais favoráveis que aqueles concedidos. sem prévia aprovação específica do supervisor. pelos administradores.– 22 – Quando avais ou garantias são fornecidos. 25% do capital é tipicamente o máximo que um banco ou um grupo bancário pode disponibilizar para um tomador privado do setor não-bancário ou para um grupo de tomadores estreitamente inter-relacionados. impondo-se ainda limites restritivos a tais empréstimos. Os supervisores devem monitorar a forma com que os bancos lidam com concentrações de risco e podem exigir notificações quando tais concentrações excederem a um limite específico (p. . (iv) Empréstimos a empresas e indivíduos ligados ao banco Princípio 10: Visando prevenir abusos decorrentes de concessão de crédito a empresas e/ou indivíduos ligados ao banco concedente.ex. trata das definições de exposições a riscos de crédito.

16 3. ou ser inteiramente proibidas. monitorar e controlar riscos de país e riscos de transferência em suas atividades de empréstimo e de investimento internacionais. e para manter reservas apropriadas contra tais riscos. Os supervisores devem também ter autoridade para fazer julgamentos discricionários sobre a existência de ligações entre os bancos e terceiros. Administração do risco de mercado Princípio 12: Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos mantêm sistemas que avaliam com precisão. particularmente aqueles associados a suas atividades mercantis. (v) Riscos de país e de transferência Princípio 11: Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos adotam políticas e procedimentos adequados para identificar. Em janeiro de 1996. os supervisores devem ter poderes para impor limites específicos e/ou um encargo específico de capital sobre exposições a riscos de mercado. Ver “Overview of the Amendment to the Capital Accord to incorporate market risk” (“Resumo da Emenda ao Acordo de Capital para incorporar riscos de mercado”). irem além. estabelecendo limites absolutos para certas modalidades de tais empréstimos. A introdução da disciplina que os requisitos de capital impõem pode ser um grande passo no sentido de fortalecer a solidez e a estabilidade de mercados financeiros. Este encargo de capital será adotado no final de 1997.– 23 – apropriadas. monitoram e controlam adequadamente os riscos de mercado. ser informadas aos supervisores. Quando possível. A supervisão de organizações bancárias em bases consolidadas permite.e. “Amendment to the Capital Accord to incorporate market risk” (“Emenda ao Acordo de Capital para incorporar riscos de mercado”) e “Supervisory framework for the use of ‘ backtesting’ in conjunction with internal models approach to market risk capital requirements” (“Referências de supervisão para o uso de ‘ retroteste’ em conjunto com a abordagem de modelos internos para o capital requerido para risco de mercado”) . é conveniente a adoção de um “colchão” de capital para os riscos de preços a que os bancos se expõem. Transações com partes relacionadas que imponham riscos especiais ao banco devem se sujeitar à aprovação do conselho de diretores. o Comitê da Basiléia emitiu um documento alterando o Acordo de Capital e implementando um novo encargo de capital relacionado com risco de mercado. identificar e reduzir dificuldades decorrentes de empréstimos a entidades ligadas. Isso é especialmente necessário quando o banco e entidades ligadas adotam medidas para ocultar tais conexões. Deve haver também padrões quantitativos e qualitativos bem estruturados para o processo de administração do risco de mercado17. se necessário. Os supervisores bancários devem determinar que os bancos avaliem com precisão e controlem adequadamente os riscos de mercado. Em seu cálculo os bancos terão a opção de usar um método padronizado ou seus próprios modelos internos.Volume II do Compêndio. As autoridades supervisoras do G-10 pretendem utilizar o “retroteste” (“backtesting”) (i. em certas circunstâncias. ou requisitando garantias adicionais..Volume I do Compêndio. deduzindo seus valores do capital nas avaliações de adequação de capital. comparações ex-post entre os resultados do modelo e o desempenho real) em conjunto com sistemas internos de medição de riscos dos bancos como base para a aplicação do encargo sobre capital. intitulado “Management of banks’international lending” (“Gerenciamento de empréstimos bancários internacionais”) . . Os supervisores bancários devem 16 17 Estas questões foram contempladas num documento de 1982 do Comitê da Basiléia.

(ii) Administração de liqüidez A finalidade da administração de liqüidez é assegurar que o banco é capaz de cumprir integralmente todos os seus compromissos contratuais. políticas e procedimentos adequados de administração de riscos. promovendo e exigindo políticas sólidas nos bancos e requerendo procedimentos que assegurem que as informações necessárias serão disponibilizadas. tais como a distinção entre atividades relacionadas e não-relacionadas com o negócio bancário. que resume alguns princípios para uso das autoridades supervisoras no tratamento de tais riscos em bancos individuais. o efeito de novas tecnologias nos mercados financeiros tanto permite quanto requer dos bancos o monitoramento diário de suas carteiras e um rápido ajuste das exposições a riscos. os supervisores devem receber informações suficientes e oportunas dos bancos. e controles abrangentes20. monitorar e controlar todos os demais riscos materiais e. Os supervisores podem contribuir para esse processo. O Comitê da Basiléia emitiu recentemente um documento relacionado com a administração do risco de taxa de juros. Os elementos fundamentais para uma sólida administração de liqüidez incluem um bom sistema de administração de informações. no sentido de avaliar os riscos de taxa de juros. para manter capital contra tais riscos.Volume I do Compêndio. e para fornecer orientação à indústria bancária. controle central de liqüidez. Ver . O Comitê da Basiléia emitiu um documento que define os principais elementos de uma estrutura modelo analítica para medição e gestão de liqüidez. Ver “Principles for the management of interest rate risk” (“Princípios para o gerenciamento do risco de taxa de juros”) . em resposta às necessidades do mercado e da clientela. investidores e supervisores necessitam de informações corretas. O Comitê da Basiléia estabeleceu recentemente um subgrupo para estudo de questões relacionadas com administração de risco e controles internos. (i) Risco de taxa de juros Os supervisores devem monitorar a maneira pela qual os bancos controlam riscos de taxa de juros. Os 18 19 20 21 Ver “Supervision of banks’foreign exchange positions” (“Supervisão das posições de câmbio dos bancos”) . administradores. esclarecedoras e oportunas sobre as exposições de um banco. Essas informações devem levar em consideração toda a gama de prazos de maturação e de moedas estrangeiras na carteira de cada banco. Nesse ambiente.Volume I do Compêndio. Embora o documento enfoque o uso da estrutura por bancos grandes e internacionalmente ativos. Adicionalmente.– 24 – também assegurar que a administração do banco estabeleça limites apropriados e implemente controles internos adequados para seus negócios no mercado de câmbio18. diversificação das fontes de financiamento e plano de contingências21. Ademais. ele fornece orientações que podem ser úteis para todos os bancos. Administração de outros riscos Princípio 13: Os supervisores bancários devem se assegurar de que os bancos adotam um processo abrangente de administração de risco (incluindo a supervisão adequada pelo conselho de diretores e pela administração sênior). As normas de administração de risco19 constituem um elemento necessário de supervisão bancária. sistemas de medição e de monitoração de risco. 4. incluindo a supervisão efetiva pelo conselho de diretores e pela administração sênior. assim como outros fatores relevantes. para identificar. e com importância crescente à medida que os instrumentos financeiros e as técnicas de medição de riscos se tornam mais complexos. quando necessário. análise de necessidades líqüidas de financiamento sob cenários alternativos. medir.

). Controles internos Princípio 14: Os supervisores bancários devem determinar que os bancos mantenham controles internos adequados para a natureza e para a escala de seus negócios. Os instrumentos de controle devem incluir disposições claras para a delegação de competência e responsabilidade. a reconciliação de tais processos.. assim como às leis e regulamentos aplicáveis. Eles devem também manter um nível adequado de ativos líqüidos.). balancetes periódicos de verificação. Os bancos devem ter uma base diversificada de financiamento. precisas e oportunas. para verificar a adesão a tais controles. incluindo regras rígidas do tipo “conheça-seu-cliente”. avaliar. listas de controle. a separação de funções que envolvem a assunção de compromissos pelo banco. verificações cruzadas. . por meio de um seguro ou de um plano de contingência). etc. a proteção de seus ativos. Princípio 15: Os supervisores bancários devem determinar que os bancos adotem políticas. o “princípio dos quatro olhos” (segregação das várias funções. Os supervisores devem determinar que os bancos disponham de planos de restabelecimento adequados e bem-testados para todos os principais sistemas. e que a administração seja capaz de identificar. que os ativos sejam protegidos e os exigíveis controlados.– 25 – supervisores devem esperar dos bancos que eles administrem seus ativos. São quatro os principais campos de ação associados aos controles internos: • estrutura organizacional (definições de encargos e de responsabilidades. que as transações somente sejam efetuadas mediante autorização competente. tanto em termos de origem de recursos quanto do prazo de vencimento de seus passivos. A finalidade dos controles internos é assegurar que os negócios de um banco sejam conduzidos de maneira prudente e de acordo com políticas e estratégias estabelecidas pelo conselho de diretores. administrar e controlar os riscos do negócio. incluindo recursos e instrumentos alternativos situados em locais diferentes. e as funções apropriadas de auditoria e de conformidade independentes. práticas e procedimentos. que promovam elevados padrões éticos e profissionais no setor financeiro e previnam a utilização dos bancos. duplo controle de ativos. e • • “A framework for measuring and managing liquidity” (“Um esquema para medir e gerenciar a liqüidez”) – Volume I do Compêndio. etc. de que ela dispõe de uma política para administração e redução do risco operacional (p. para proteção contra tais eventos. limites de competência para aprovação de empréstimos e procedimentos de tomada-dedecisão). além disso. (iii) Risco operacional Os supervisores devem se assegurar de que a administração sênior adota procedimentos eficazes de controle interno e de auditoria e. que a contabilidade e outros registros forneçam informações completas. intencionalmente ou não. a utilização de seus recursos financeiros e a responsabilidade por seus ativos e passivos.ex. internas ou externas. procedimentos contábeis (reconciliação de contas. por elementos criminosos. seus passivos e contratos extra-balanço de modo a manter um nível adequado de liqüidez. 5. duplas assinaturas.

Ver “Prevention of criminal use of the banking system for the purpose of money-laundering” (“Prevenção do uso criminoso do sistema bancário com o propósito de lavar de dinheiro”) . tanto dentro de sua estrutura administrativa quanto por meio de um sistema interno de segurança ou vigilância. a eficácia operacional e a eficiência dos sistemas de controle dentro de uma organização. mesmo não sendo geralmente responsáveis pelos processos criminais por crimes de lavagem de dinheiro ou pelas ações contínuas anti-lavagem em seus países. devem ter funções independentes de verificação de conformidade e os supervisores bancários devem determinar que essas funções estejam operando efetivamente. Este comitê tem por finalidade facilitar o efetivo desempenho. à diligência crescente das instituições financeiras na detecção e na comunicação de transações suspeitas. Os bancos são sujeitos a um grande conjunto de leis e regulamentos bancários e não-bancários e devem estabelecer políticas e procedimentos adequados para assegurar a sua conformidade. os supervisores bancários desempenham a função de assegurar que os bancos adotam os procedimentos pertinentes. que irão requerer atenção do supervisor. A confiança pública nos bancos pode ser enfraquecida e suas reputações prejudicadas como resultado de associações (mesmo que inadvertidamente) com narcotraficantes e outros criminosos. para evitar associações ou envolvimentos com narcotraficantes ou outros criminosos. as violações aos requisitos estabelecidos podem causar danos à reputação do banco e expô-lo a punições. de suas funções de supervisão. independente da administração. Deficiências de conformidade às leis e regulamentos também indicam que a instituição não está sendo administrada com a integridade e a habilidade que se espera de uma organização bancária. para o relato 22 23 Em alguns países. isso pode ser um indicativo de fragilidade nos controles internos. os auditores internos devem ter status apropriado dentro de um banco e sua independência de ação deve ser adequada e formalmente estabelecida22. que avalie independentemente a adequação. particularmente. que podem se espalhar de uma determinada instituição para todo o sistema. isso pode ameaçar a solvência dos bancos e a integridade e solidez do sistema financeiro. há implicações potenciais. ou envolvendo-os. Especificamente. e medidas referentes a negociações com países que não adotam procedimentos antilavagem ou onde esses procedimentos são insuficientes. Por essas razões os bancos devem estabelecer linhas de comunicação. Os supervisores bancários devem se assegurar de que políticas e práticas eficazes são seguidas e de que a administração adota medidas corretivas apropriadas quando os auditores internos e externos identificam qualquer ponto de fragilidade nos controles internos. Em segundo lugar. Em larga escala. assim como uma ampla promoção de elevados padrões éticos e profissionais no setor financeiro23. em terceiro. A ocorrência de fraude em bancos. Tais recomendações se referem à identificação de clientes e ao registro de suas transações. Em casos extremos esses danos podem ameaçar a solvência do banco. Conseqüentemente. pelo conselho. E. Os bancos de maior porte.FATF) que se aplicam às instituições financeiras. os supervisores bancários recomendam que os bancos estabeleçam um “comitê de auditoria” dentro do conselho de diretores. Do contrário. Tais controles devem ser suplementados por uma função eficaz de auditoria. . também preocupa os supervisores bancários por três razões. incluindo políticas rígidas do tipo “conheça-seu-cliente” (“know-your-customer”). Conseqüentemente.Volume I do Compêndio. os supervisores devem incentivar a adoção das recomendações da Força Tarefa de Ação Financeira na Lavagem de Dinheiro (Financial Action Task Force on Money Laundering . relacionadas com reputação e confiança.– 26 – • controle físico de ativos e investimentos. A auditoria externa pode fornecer uma verificação cruzada quanto à eficácia desse processo.

Princípio 20: Um elemento essencial da supervisão bancária é a capacidade de supervisionar grupos ou conglomerados bancários em bases consolidadas. por auditores externos qualificados. ou do uso de auditores externos. Se surgirem problemas. Métodos de Supervisão Bancária Contínua Princípio 16: Um sistema de supervisão bancária eficaz deve consistir da combinação de atividades de supervisão direta (in loco) e indireta. bem como se manter atualizados com relação aos tipos de atividades fraudulentas que estão sendo desenvolvidas ou tentadas com mais freqüência. os supervisores bancários devem manter contato regular com a administração dos bancos e ter amplo conhecimento das operações bancárias. examinar e analisar relatórios prudenciais e estatísticos dos bancos. em bases individuais e consolidadas. deve ser exigido dos bancos que informem aos supervisores sobre atividades suspeitas e incidentes significativos de fraude. no sentido de assegurar que os bancos disponham de controles capazes de se antecipar a elas. Os diversos fatores considerados no processo de autorização de funcionamento devem ser periodicamente avaliados como parte da supervisão contínua. o que requer especialização. se necessário. Dos empregados. Princípio 18: Os supervisores bancários devem dispor de meios para coletar. Deve-se estabelecer para os bancos a submissão em bases periódicas de informações para exame dos supervisores. os bancos devem também sentir que podem confiar nos supervisores e com eles se consultar. as inspeções diretas são realizadas por inspetores do próprio supervisor.– 27 – de problemas. C. mas os supervisores devem assegurar que as autoridades competentes sejam alertadas. A extensão das inspeções diretas e a metodologia nelas utilizada dependem de vários fatores. . esperando que os problemas sejam discutidos construtivamente e tratados de modo confidencial. As atividades de supervisão requerem a coleta e a análise de informações. Isso pode ser feito de forma direta (in loco) ou indireta. seja pelo uso de auditores externos. Adicionalmente. Em alguns países. e estes devem se manter capacitados para discutir regularmente com os bancos as questões mais relevantes e as áreas mais significativas de seus negócios. Um sistema de supervisão eficaz adota as duas maneiras. O exame de relatórios de auditores externos e internos pode ser parte integrante das atividades de supervisão direta e indireta. Não é necessariamente dos supervisores a função de investigar fraudes em bancos. Princípio 19: Os supervisores bancários devem dispor de meios para validação independente das informações pertinentes à supervisão. em outros. agir para prevenir efeitos junto a outros bancos. Em outros países existe ainda um sistema misto de inspeções diretas e colaboração entre os supervisores e os auditores externos. Independentemente da intensidade com que adotam a supervisão direta e a indireta. Eles devem ainda ter consciência de sua responsabilidade de informar os supervisores sobre os assuntos importantes de maneira tempestiva. seja por intermédio de inspeções diretas. Os supervisores precisam ser capazes de levar em consideração e. Princípio 17: Os supervisores bancários devem manter contato regular com as administrações dos bancos e conhecer profundamente todas as operações das instituições bancárias. deve ser exigido que informem sobre comportamentos suspeitos ou problemáticos a um superior ou à segurança interna.

seja por intermédio de inspeções diretas. Esses relatórios podem ser utilizados para verificar a conformidade com requisitos prudenciais ou com limites de devedores individuais. a competência da administração. Devem ainda servir como um componente-chave do programa de inspeção. Os supervisores bancários devem ainda usar plenamente as informações e análises publicamente disponíveis. inclusive provisões e atividades extra-balanço. as operações e as condições gerais dos bancos. Aí devem ser incluídos relatórios financeiros básicos. incluindo: • • • • • • a exatidão dos relatórios recebidos dos bancos. a adequação dos sistemas de contabilidade e de gestão de informações. sejam eles efetuados por inspetores da agência de supervisão bancária. Por meio da monitoração indireta pode-se identificar com freqüência certos problemas potenciais.– 28 – 1. exame e análise de relatórios prudenciais e resultados estatísticos dos bancos. ou apenas controlados por supervisores. com maiores detalhes sobre exposições aos diferentes tipos de riscos e vários outros aspectos financeiros do banco. seja pelo uso de auditores externos. . possibilitando assim a detecção com antecedência e permitindo ação corretiva antes de o problema tornar-se mais grave. Os trabalhos in loco. 24 Em alguns países. mas também para o sistema bancário como um todo. a adequação do sistema de administração de riscos do banco e dos procedimentos de controle interno. mas efetuados por auditores externos. assim como as programações correspondentes. seja em intervalos periódicos. Tais relatórios podem também ser utilizados para identificar tendências. Inspeções diretas e/ou utilização de auditores externos24 Os supervisores devem ter meios para verificar a validade das informações de seu interesse. particularmente no intervalo entre inspeções diretas. seja quando surgirem problemas. os auditores externos contratados pela agência supervisora para desenvolver trabalhos em seu nome são denominados contadores relatores (reporting accountants). O órgão supervisor deve ter também capacidade de obter informações sobre entidades não-bancárias coligadas aos bancos. devem ser estruturados visando verificar se existe controle corporativo adequado em cada banco e se as informações prestadas pelos bancos são confiáveis. a qualidade da carteira de empréstimos e a adequação das provisões e reservas para perdas com empréstimos. 2. individualmente ou em bases consolidadas. As inspeções diretas fornecem aos supervisores meios de verificação e de avaliação de uma série de assuntos. para permitir que se alcance o benefício máximo no limitado período de tempo reservado para as inspeções de campo. Eles podem ainda fornecer as bases para as discussões com as administrações dos bancos. Levantamentos indiretos Os supervisores devem dispor dos meios para coleta. não somente para determinados bancos.

O órgão supervisor deve estabelecer orientações internas claras relacionadas com a freqüência e o escopo das inspeções. o órgão supervisor pode valer-se de auditores externos para completar as funções acima. Os 25 O Comitê da Basiléia examinou o relacionamento entre supervisores bancários e auditores externos e elaborou orientações de conduta para supervisores em suas interações com auditores externos. os supervisores devem exigir dos conglomerados ou grupos bancários que. profissionais de auditoria bem formados e profissionalmente independentes. Uma sistemática deve ser estabelecida para facilitar as discussões entre supervisores e auditores externos25.. Em muitos casos os bancos também devem participar dessas discussões. de tais informações. o supervisor deve ter poderes suficientes para requisitar força de trabalho a ser alocada especificamente para fins de supervisão (p. o trabalho de auditores externos deve ser utilizado para fins de supervisão somente quando houver. Em alguns casos.ex. utilizem os mesmos auditores e adotem o mesmo calendário contábil em todas as empresas ou unidades do grupo.ex. Ver “The relationship between bank supervisors and external auditors” (“O relacionamento entre supervisores bancários e auditores externos”) . o órgão supervisor deve se reservar o direito de vetar a indicação de uma determinada empresa de auditoria externa quando o conceito e a confiança do supervisor dependerem do trabalho dessa empresa. Antes que os problemas sejam detectados num banco. devem ser desenvolvidas políticas e procedimentos de inspeção visando assegurar que os trabalhos sejam efetuados de forma completa e consistente. seja direta ou indiretamente (por meio de subsidiárias ou afiliadas). o órgão supervisor deve ter autoridade e meios legais para conduzir verificações independentes em bancos. nas verificações da exatidão dos relatórios mantidos com os supervisores e da adequação de sistemas de controle). no todo ou em parte. Adicionalmente. Em todo caso. Nessas circunstâncias. Em outras áreas. avaliação da qualidade da carteira de empréstimos e do nível de provisões correspondentes que precisam ser mantidas). tanto quanto possível. Entretanto. tais funções podem compor o processo normal da auditoria (p.– 29 – • • questões identificadas em procedimentos de supervisão indireta ou em inspeções diretas anteriores. Dependendo do uso que faz de sua equipe de inspeção. os auditores externos devem entender claramente suas responsabilidades quanto à comunicação ao órgão supervisor e devem também ser protegidos da imputabilidade legal pela revelação. 3.Volume III do Compêndio. Adicionalmente. no mercado. É também importante que os supervisores e os auditores externos tenham uma clara compreensão de seus respectivos papéis. com objetivos claros. com aptidão para desenvolver o trabalho requerido. e atividades conduzidas tanto nos escritórios domésticos quanto nos internacionais. e a aderência do banco às leis e regulamentos e aos termos estipulados em sua autorização de funcionamento. . baseadas em problemas identificados. em boa fé. Supervisão em bases consolidadas Um elemento essencial da supervisão bancária é a capacidade de atuação dos supervisores nos conglomerados bancários em bases consolidadas. Isso inclui a capacidade de examinar as atividades bancárias e não-bancárias de tais organizações.. Os supervisores devem levar em conta que as atividades não-financeiras de um banco ou de um grupo bancário podem expô-los a riscos.

É importante que os bancos submetam suas informações numa formatação que permita comparações com outros bancos. Normas contábeis Visando assegurar-se de que as informações submetidas pelos bancos são de caráter comparativo e de que seu significado é claro. embora. em bases líqüidas. Os relatórios periódicos devem compreender. e que o lucro reflita. Para que a contabilidade represente uma verdadeira e correta visão do banco. Se um banco fornece informações ao supervisor sabendo que são materialmente falsas ou enganadoras. uma boa aproximação do que será recebido e leve em conta transferências adequadas para reservas contra perdas de empréstimos. e as mais relevantes exposições a riscos. é essencial que os ativos sejam registrados a valores que sejam consistentes e realísticos. para certas finalidades. Os supervisores podem ser obstruídos ou ludibriados se os bancos. Em todos os casos. . deliberadamente ou não. e de que os bancos publicam regularmente relatórios financeiros que reflitam com fidelidade suas condições. ou se o faz de forma irresponsável. pelo menos. o órgão supervisor deverá fornecer instruções e/ou manuais que estabeleçam claramente os padrões contábeis a serem utilizados na preparação dos relatórios. definidos de acordo com políticas e práticas contábeis consistentes. com os detalhes correspondentes. onde for relevante. Para a condução efetiva da supervisão indireta de bancos e para avaliar a condição do mercado bancário local.– 30 – supervisores devem decidir sobre quais requisitos prudenciais serão aplicados em um banco individualmente. Os supervisores bancários devem também estar aptos para agir de forma coordenada com outras autoridades responsáveis por entidades específicas dentro da estrutura da organização. 1. que possibilitem uma avaliação precisa da real condição financeira do banco e da lucratividade de seu negócio. fornecerem informações falsas de caráter importante para o processo de supervisão. ações administrativas e/ou criminais devem ser adotadas contra as pessoas envolvidas e contra a instituição. que permitam ao supervisor obter uma visão verdadeira e correta da condição financeira do banco e da lucratividade de seus negócios. um balanço do banco. D. e tais informações devem ser periodicamente verificadas por meio de inspeções diretas ou auditorias externas. Requisitos de Informações de Organizações Bancárias Princípio 21: Os supervisores bancários devem se assegurar de que cada banco mantém registros adequados. um extrato dos exigíveis e dos recebíveis contingenciais. os supervisores devem receber informações financeiras em intervalos regulares. valores atuais. quais serão aplicados em bases consolidadas e ainda quais serão aplicados em ambas as bases. os supervisores bancários devem atentar para a estrutura geral do grupo ou da organização bancária quando estiverem aplicando seus métodos de supervisão26. Os supervisores bancários devem assegurar que cada banco mantenha registros contábeis adequados. dados retirados de sistemas internos de administração também podem ser úteis para os supervisores. 26 As recomendações do Comitê da Basiléia sobre supervisão em bases consolidadas são as que constam no documento “Consolidated supervision of banks’ international activities” (“Supervisão consolidada das atividades internacionais de bancos”) .Volume I do Compêndio. efetuados de acordo com políticas e práticas contábeis consistentes. Esses padrões devem ser baseados em regras e princípios contábeis de larga aceitação internacional e devem ser voltadas especificamente para instituições bancárias. levando em consideração.

Confidencialidade das informações de supervisão Embora os agentes do mercado devam ter acesso a informações corretas e oportunas. de modo que reflitam a volatilidade do negócio e permitam ao supervisor o acompanhamento do que acontece aos bancos. em bases individuais e consolidadas. Adicionalmente. . e talvez necessitem reservar-se o direito de aprovar previamente a divulgação de relatórios ao público. Entretanto. contribuindo ativamente nas análises do supervisor. 4. Confirmação da exatidão das informações submetidas É responsabilidade da administração do banco assegurar a exatidão. Escopo e freqüência das informações O órgão supervisor precisa ter poderes para determinar o escopo e a freqüência dos relatórios de informações submetidos pelos bancos. bem como com os problemas que os supervisores ajudam os bancos a solucionar. financeiros e outros submetidos aos supervisores. ou dos trabalhos desenvolvidos pelos auditores externos. a administração do banco deve se assegurar de que os relatórios são examinados e de que os auditores externos verificam se os sistemas de emissão de relatórios são adequados e fornecem dados confiáveis. assim como ao sistema bancário como um todo. derivativos. outros o serão trimestral ou anualmente. a abrangência e a oportunidade dos relatórios prudenciais. securitizações de recebíveis e adequação dos controles internos com relação aos relatórios financeiros. há certos tipos de informações sensíveis27 que devem ser preservadas como confidenciais pelos supervisores. ativos sem rendimento (inclusive o tratamento dos encargos sobre tais ativos). ou seja. no seu tamanho e nos tipos de atividades que conduz. Em casos extremos. investimento numa nova empresa coligada). os bancos devem saber que tais informações sensíveis serão mantidas como confidenciais pelo 27 Os tipos de informações consideradas sensíveis variam de país para país. reservas para perdas com empréstimos. alguns relatórios podem ser “eventuais”. quando for insatisfatória a qualidade das contas anuais e dos relatórios regulamentares. Os supervisores devem desenvolver um conjunto de relatórios informativos para os bancos prepararem e submeterem em intervalos regulares. os supervisores devem ter poderes para adotar medidas que provoquem uma oportuna ação corretiva. Se forem competentes e independentes da administração. Enquanto alguns relatórios podem ser preenchidos mensalmente. negócios com ações e outros títulos mobiliários de emissão própria. Portanto. serão fornecidos apenas se algum evento em particular ocorrer (p. Essa necessidade deve se basear na estrutura organizacional do banco. assim como dos padrões a serem adotados. elas incluem tipicamente informações relacionadas com contas de clientes individuais. Conseqüentemente.ex..– 31 – 2. avaliação de ativos. Fragilidades nos padrões de auditoria bancária num determinado país impõem aos supervisores bancários a necessidade do estabelecimento de orientações claras acerca do escopo e do conteúdo de programas de auditoria. as auditorias internas podem ser adotadas como fonte confiável de informações. Para que se desenvolva um relacionamento de mútua confiança. nem todos os relatórios precisam ser fornecidos por todos os bancos. Os supervisores devem ter consciência do encargo que a elaboração de relatórios representa. os supervisores devem considerar a profundidade com que o programa de auditoria examinou áreas tais como carteira de empréstimos. Os auditores externos devem expor seu parecer nos relatórios contábeis anuais e no relatório da diretoria fornecidos aos acionistas e ao público em geral. Na avaliação da natureza e da adequação do trabalho desenvolvido por auditores. e do grau de confiança que pode ser depositada nesse trabalho. 3.

Essas informações devem ser oportunas e em quantidade suficiente para que os participantes do mercado avaliem os riscos inerentes a qualquer organização bancária28. 5. ajudando assim a desenvolver um sistema financeiro estável e eficiente. A divulgação de informações é.– 32 – supervisor bancário e por suas contrapartes em outros órgãos supervisores domésticos e estrangeiros. um complemento da supervisão. portanto. Por essa razão. de forma completa e ordenada. as informações referentes a suas atividades e posição financeira. . Divulgação Para que as forças de mercado funcionem efetivamente. deve ser exigido dos bancos que divulguem para o público. 28 O Comitê da Basiléia estabeleceu recentemente um subgrupo para estudar questões relacionadas com a divulgação de informações e fornecer orientação à indústria bancária. os participantes do mercado precisam ter acesso a informações corretas e oportunas.

de alguma outra forma. que é o principal responsável pela instituição. Essas ações remediadoras têm maiores chances de sucesso quando compõem um programa abrangente de ações corretivas desenvolvidas pelo banco e com um calendário de implementação. É importante que todas as ações corretivas sejam dirigidas diretamente ao conselho de diretores do banco.– 33 – SEÇÃO V: PODERES FORMAIS DOS SUPERVISORES Princípio 22: Os supervisores bancários devem dispor de meios para adotar ações corretivas oportunas quando os bancos deixarem de cumprir requisitos prudenciais (como índices mínimos de adequação de capital). houver ameaça para os depositantes. Para circunstâncias extremas. Uma vez adotadas as ações ou impostas as medidas saneadoras. entretanto. Em casos extremos. Eles devem também ter autoridade para suspender dividendos e outros pagamentos a acionistas. por meio de verificações periódicas para examinar a conformidade do banco quanto às medidas. bem como para restringir transferência de ativos e a compra. Noutros casos. de excluir pessoas dos negócios bancários. podem ser suficientes. que lhes permitam uma resposta condizente. mas também para negar aprovação de novas atividades ou aquisições. o supervisor pode se envolver em soluções que requeiram . podem ocorrer situações em que os bancos falham no cumprimento de requisitos de supervisão ou em que suas condições de solvência se tornam questionáveis. Nas situações em que os problemas detectados são de menor importância. os supervisores devem ter competência para impor medidas de proteção do interesse público em relação a um banco que não consegue cumprir requisitos prudenciais ou outros. de suas próprias ações. A. ações formais adicionais podem ser necessárias. por um banco. ações informais. diretores e administradores. ou de restringir seus poderes. inclusive poderes para substituir controladores. B. tais como comunicações orais ou escritas à administração do banco. os supervisores devem ficar atentos no acompanhamento dos problemas que as geraram. O supervisor deve ter meios eficazes de lidar com os problemas da administração. Os supervisores bancários devem dispor de instrumentos de supervisão adequados para efetuar as ações corretivas oportunamente. assim como de prevenir o alastramento contagioso de tais problemas. quando necessário. os supervisores devem estar preparados para intervir nas instituições sempre que necessário. Em tais casos. as dificuldades para se estabelecer um acordo com a administração do banco não devem inibir a autoridade supervisora de requerer as ações corretivas necessárias. e a despeito de contínuas tentativas dos supervisores de assegurar que uma situação-problema seja resolvida. Deve haver uma escala progressiva de ação ou de medidas saneadoras se os problemas se agravarem ou se a administração do banco ignorar as exigências informais do supervisor para adoção de ações corretivas. dependendo da natureza dos problemas detectados. ou para recomendar sua revogação. deve-se incluir a competência para revogar a autorização de funcionamento da instituição. Medidas Corretivas Mesmo com o esforço de supervisores. No sentido de proteger depositantes e credores. Procedimentos de Liqüidação Nos casos mais extremos. e. uma instituição bancária pode deixar de ser financeiramente viável. Os supervisores devem ter autoridade não apenas para restringir as atividades correntes do banco. quando houver violação de regulamentos ou quando.

. Quando todas as demais medidas falharem. visando proteger a estabilidade geral do sistema bancário.– 34 – a transferência de controle ou a fusão com uma instituição mais saudável. o supervisor deve ter poderes para fechar ou dar assistência ao fechamento de um banco insolvente.

Esses acordos mostram-se úteis na definição do escopo da informação a ser compartilhada e nas condições sob as quais tal compartilhamento de informação irá ocorrer. principalmente as autoridades supervisoras do país hospedeiro. O Pacto estabelece entendimentos referentes a contatos e colaboração entre autoridades de países de origem e de países hospedeiros na supervisão de estabelecimentos bancários transnacionais. os supervisores bancários devem monitorar adequadamente e aplicar normas prudenciais apropriadas a todos os aspectos dos negócios conduzidos mundialmente pelas organizações bancárias. joint-ventures e subsidiárias. inclusive as autoridades supervisoras do país hospedeiro. um escritório estrangeiro de um banco pode conduzir negócios totalmente diferentes dos de suas operações domésticas. “Minimum standards for the supervision of international banking groups and their cross-border establishments” (“Padrões mínimos para a supervisão de grupos bancários internacionais e seus estabelecimentos no exterior”) e “The supervision of cross-border banking” (“A supervisão de atividades bancárias internacionais”). todos no Volume III do Compêndio. . Em muitos casos. quando o supervisor do país hospedeiro deve buscar aprovação do supervisor do país de origem. Obrigações dos Supervisores do País de Origem Princípio 23: Os supervisores bancários devem realizar supervisão global consolidada nas instituições que atuam internacionalmente. monitorando adequadamente e aplicando normas prudenciais adequadas em todos os seus negócios de alcance mundial. o recebimento adequado e regular de informações e a verificação periódica das informações recebidas. antes de emitir a autorização.– 35 – SEÇÃO VI: ATIVIDADES BANCÁRIAS INTERNACIONAIS Os Princípios expostos nesta seção são consistentes com o denominado Pacto da Basiléia (Basle Concordat) e documentos subseqüentes29. A supervisão do banco proprietário deve incluir o monitoramento da conformidade com controles internos. há acordos entre supervisores. mas também às joint-ventures e subsidiárias. Salvo se acordos satisfatórios para a obtenção de informações forem celebrados. Princípio 24: Um elemento chave da supervisão consolidada é o estabelecimento de contatos e o intercâmbio de informações com os vários outros supervisores envolvidos. O mais recente de tais documentos. O referido documento contém 29 recomendações voltadas para a remoção de obstáculos à implementação de uma supervisão consolidada eficaz. Um componente importante da supervisão consolidada é o estabelecimento de contatos e a troca de informações com os outros supervisores envolvidos. os supervisores 29 Ver “Principles for the supervision of banks’ foreign establishments” (“Princípios para a supervisão dos estabelecimentos estrangeiros dos bancos”). Como forma de realizar supervisão bancária consolidada. principalmente suas filiais estrangeiras. os supervisores devem examinar se o banco detém a especialização necessária para a condução dessas atividades de maneira sólida e segura. Conseqüentemente. joint-ventures e subsidiárias. foi desenvolvido pelo Comitê da Basiléia em colaboração com o Grupo Offshore de Supervisores Bancários e subseqüentemente endossado por 130 países participantes da Conferência Internacional de Supervisores Bancários. Tais contatos devem se iniciar no estágio de autorização de funcionamento. “The supervision of cross-border banking” (“A supervisão de atividades bancárias internacionais”). A. Uma responsabilidade importante do supervisor do banco proprietário é determinar que tal banco confira acompanhamento adequado não apenas a suas filiais estrangeiras. Em muitos casos. em junho de 1996. inclusive por suas filiais estrangeiras.

as autoridades hospedeiras devem agir para que suas leis sejam modificadas no sentido de permitir aos países de origem uma supervisão consolidada eficaz. o supervisor do país hospedeiro deve compartilhar com ele as informações sobre as operações locais dos bancos estrangeiros. Para que o supervisor do país de origem exerça efetivamente a supervisão consolidada. com relação aos riscos envolvidos. portanto. Os supervisores bancários devem requerer que as operações locais de bancos estrangeiros sejam conduzidas com o mesmo padrão de exigência requerido das instituições locais e devem ter poderes para fornecer informações requeridas por autoridades supervisoras do país de origem. a ser conduzida pelo país hospedeiro. as operações de bancos estrangeiros devem se sujeitar a requisitos prudenciais. Obrigações dos Supervisores do País Hospedeiro Princípio 25: Os supervisores bancários devem requerer que as operações locais de bancos estrangeiros sejam conduzidas com o mesmo padrão de exigência requerido das instituições locais e devem ter poderes para fornecer informações requeridas por autoridades supervisoras do país de origem. tais como a que diz respeito à não capitalização em separado de agências). Adicionalmente. Se tais opções não puderem ser desenvolvidas de modo satisfatório. partícipes importantes no mercado bancário local. Conseqüentemente. o supervisor do país de origem deve adotar medidas adicionais especiais para compensar. para fins apropriados de supervisão. a não ser requerer o fechamento dos estabelecimentos estrangeiros. então o supervisor do país de origem pode não ter outra alternativa. seja por meio de inspeções diretas. Nos países hospedeiros cujas leis impõem obstáculos à troca de informações ou à cooperação com os supervisores dos países de origem. de inspeção e de informações similares aos dos bancos domésticos (reconhecendo.– 36 – bancários devem proibir os bancos de realizarem operações em países com leis de sigilo ou outros regulamentos que impeçam o fluxo de informação julgado necessário para uma supervisão adequada. . Como o órgão supervisor do país hospedeiro supervisiona apenas uma parte limitada das operações gerais do banco estrangeiro. O supervisor do país de origem deve também determinar a natureza e a extensão da supervisão local das operações internacionais de seus bancos. Quando a supervisão do país hospedeiro é inadequada. visando possibilitar-lhes a supervisão consolidada. B. desde que haja reciprocidade e proteção à confidencialidade da informação. Os bancos estrangeiros intensificam e incrementam a competição e são. visando possibilitar-lhes a supervisão consolidada. óbvias diferenças. deve ser concedido aos supervisores do país de origem acesso aos escritórios locais e às subsidiárias. é claro. deve-se estabelecer que o supervisor do país de origem efetue a supervisão consolidada nas operações domésticas e estrangeiras do banco. seja mediante a requisição de informações adicionais do escritório central do banco ou de seus auditores externos.

os supervisores devem aplicar seus métodos de supervisão junto aos bancos comerciais estatais da mesma maneira que os aplicam junto aos demais bancos comerciais. os bancos comerciais estatais compreendem a maioria do sistema bancário. ao governo nacional ou a outras entidades públicas30. Adicionalmente. total ou substancialmente. . se especializam em certas modalidades de empréstimos. todos os bancos devem se sujeitar aos mesmos padrões operacionais e de supervisão. de bancos “políticos”. é importante que os supervisores bancários procurem assegurar que os bancos comerciais estatais operem com os mesmos níveis de disciplina e de habilidade profissional requeridos dos bancos comerciais privados. entretanto. Portanto. esse suporte pode induzir a adoção de posições de risco excessivo pela administração do banco. independentemente de sua estrutura de propriedade. Ao mesmo tempo. 30 Isso inclui bancos de poupança e bancos cooperativos. porém. Estes são diferentes. há bancos comerciais que pertencem. Em princípio. a disciplina de mercado pode ser menos efetiva quando seus participantes sabem que um determinado banco tem total suporte do governo e. ou se voltam para certos setores da economia. normalmente por razões históricas. Adicionalmente. tipicamente. para que se preserve uma forte cultura de crédito e de controle no sistema bancário como um todo. há que se notar que a correção de problemas nesses bancos é muitas vezes lenta e que os governos nem sempre se encontram em posição de recapitalizar o banco quando necessário.– 37 – APÊNDICE I Questões Especiais Relacionadas com Bancos Estatais Em muitos países. conseqüentemente. tem acesso a fundos maiores (e possivelmente mais baratos) que aqueles normalmente disponíveis aos bancos privados. as peculiaridades dos bancos comerciais estatais devem ser reconhecidas. os quais. Embora esse suporte governamental possa ser vantajoso. Os bancos comerciais estatais contam tipicamente com o apoio da totalidade dos recursos do governo. Noutros. Isso confere suporte adicional e força para tais bancos.

Outros métodos incluem a cobrança de um prêmio baseado no risco ou a exclusão de grandes depositantes institucionais da cobertura do seguro de depósito. 90%) dos depósitos individuais e/ou fornece cobertura apenas até um certo valor absoluto. o seguro de depósito cobre uma porcentagem (p. Esses planos são normalmente organizados pelo governo ou pelo banco central. reduzindo assim um importante ponto de verificação da gestão imprudente ou temerária. Sob tal sistema. bem como a suas características históricas e culturais31.. e são compulsórios. muitos países estabeleceram planos de seguro de depósito para proteção de pequenos depositantes. Em tais momentos. em conjunto com procedimentos lógicos de fechamento. em vez de voluntários. Ver “Deposit protection schemes in the G-10 countries” (“Esquemas de proteção de depósito nos países do G-10”) . ou então por uma associação de bancos.ex. Pequenos depositantes se sentirão menos inclinados a sacar seus fundos mesmo se o banco adota estratégias de alto risco. . 31 Existem diversas formas de seguro de depósito bancário nos países membros do Comitê da Basiléia. a possível perda total ou parcial de fundos aumenta os riscos de que os depositantes percam a confiança noutros bancos. Agentes governamentais e supervisores precisam reconhecer tal efeito de uma rede de proteção e adotar medidas para prevenir a exposição a riscos excessivos pelos bancos. Uma rede de proteção pode também limitar o efeito que os problemas de um banco acarretam em outros mais saudáveis num mesmo mercado. O seguro de depósito representa uma rede de proteção para muitos credores de bancos. O seguro de depósito pode entretanto aumentar o risco de comportamento imprudente pelos bancos individualmente. reduzindo portanto a possibilidade de contágio ou de uma reação em cadeia no sistema bancário como um todo.Volume III do Compêndio. As experiências destes países se mostram úteis na concepção de um programa de seguro de depósito. ele dá aos supervisores bancários maior liberdade para permitir a falência de bancos problemáticos insolventes. de modo que os depositantes ainda terão algum capital sob risco. Conseqüentemente. aumentando portanto a confiança popular nos bancos e tornando o sistema financeiro mais estável. Um benefício importante do seguro de depósito é que. Um método de limitar a exposição a riscos consiste em utilizar um sistema de seguro de depósito com base no “co-seguro”. falências de bancos podem ocorrer. A forma final de tais programas deve ser adaptada às circunstâncias de cada país.– 38 – APÊNDICE II Proteção de Depósito Mesmo com os esforços de supervisores.