A IMPORTÂNCIA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR1

ADRIANA RIBEIRO DE BRITO E SILVA (PG-UEMS) 2 ESTELA NATALINA MANTOVANI BERTOLETTI (UEMS) 3

Resumo: A presente pesquisa busca investigar a importância das histórias em quadrinhos para a formação do leitor. Este trabalho que foi motivado pela observação durante o período de estágio, na graduação quando constatei as imensas dificuldades dos discentes na leitura. Desse modo, pretende-se com esta pesquisa, colaborar com os educadores e futuros profissionais, para que possam incrementar suas aulas, tornando-as lúdicas e especiais, oferecendo aos discentes aulas entusiasmadas, por meio da inserção das histórias em quadrinhos como uma forma leve de aprendizagem. Palavras-chave: histórias em quadrinhos. Leitura e Aprendizagem. Abstract: This research seeks to investigate the importance of stories in comics for the formation of the reader. This work has been motivated by my observation during the graduation during the stage, where many see the difficulties of students in reading. Thus, it is with my research, collaborate with the educators and future employees so that they can enhance their lessons by making them play and special, offering classes enthusiastic learners, through the insertion of the stories in comics as a mild form of learning. Key-words: comic stories. reading and learning. INTRODUÇÃO

Conforme Vergueiro (2004), desde o surgimento da espécie humana, a escrita e os desenhos destacam-se como elo de comunicação entre os seres, seja por meio de um recado desenhado nas paredes das cavernas, nas quais viviam os seres primitivos, seja pelo desenho de uma experiência daquelas pessoas em seu cotidiano. Tais situações de escrita e de desenhos compõem a forma de comunicação, permeada de imagens gráficas, as quais somente após muitos estudos foram consideradas como tentativas de se falar, comentar os acontecimentos ocorridos durante o dia das pessoas. Estabelece-se, nessa época primitiva, a comunicação visual, um canal de informações próprio para o desenvolvimento da interação entre os seres humanos.

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Refere-se à parte da Monografia, cujo título é “As histórias em quadrinhos nos livros didáticos de Língua Portuguesa das séries iniciais do Ensino Fundamental”, orientada pela profª Dra. Estela Natalina Mantovani Bertoletti, na unidade da UEMS de Paranaíba. 2 Acadêmica do curso de Especialização em Educação – UEMS de Paranaíba 3 Orientadora e docente do curso de Pedagogia e de Especialização em Educação – UEMS de Paranaíba

para a globalização dos valores e cultura daquele país. nas quais se notava a veemente glorificação norte-americana e a valorização dos costumes e cultura daquela nação.. e a diversificar suas temáticas [. colaborando.. sejam as de amparo econômico e social para a consagração total que existe em torno das histórias em quadrinhos.] seu florescimento localizou-se nos Estados Unidos do final do século XIX.] as histórias em quadrinhos vão ao encontro das necessidades do ser humano. sejam as tecnológicas. Alguns anos depois. O aumento do número de leitores das histórias em quadrinhos (HQ). 2004) De um tema cômico. abordando a sátira e a caricatura. Tenho o objetivo de contribuir. destinada a um público-alvo: os migrantes. p. propus-me ao estudo da importância das Histórias em Quadrinhos (HQ) para a formação do leitor. A evolução da indústria tipográfica e o surgimento de grandes cadeias jornalísticas. além de altamente lucrativo para os empresários do ramo. As tiras eram uma maneira diferente e divertida de se lerem as histórias em quadrinhos. utilizei-me do método bibliográfico.. O homem primitivo [. Com o passar do tempo. 2004... [. (VERGUEIRO. 10) De início. despertando o interesse pelos estudos da importância das HQ para a formação de leitores e também para que educadores possam utilizar-se das HQ. por meio da pesquisa e análise documental. 2004. mencionei a importância das HQ para a formação do leitor.. analisando 08 (oito) livros didáticos. 2004). como recurso alternativo na aprendizagem. fundamentados em uma sólida tradição iconográfica. Para cumprir meu objetivo. Eram veiculadas preferentemente aos domingos nos jornais norte-americanos.] O advento do alfabeto fonético fez com que a imagem passasse a ter menor importância como elo de comunicação entre os homens [. (VERGUEIRO.. na medida em que utilizam fartamente um elemento de comunicação que esteve presente [.] (VERGUEIRO. a publicação que era de apenas uma vez por semana. com desenhos satíricos e personagens caricaturais. pesquisando diversos livros.]: a imagem gráfica. 8 e 9) Neste artigo. p.] transformou a parede das cavernas em um grande mural. 2004... Conforme Vergueiro (2004): Despontando inicialmente nas páginas dominicais dos jornais norte-americanos e voltados para as populações de migrantes..] essas histórias disseminaram a visão de mundo norte-americana.as célebres tiras-. É importante mencionar que todas as HQ tinham um conteúdo repleto de mensagens americanizadas... para estudos futuros dos profissionais da educação. (VERGUEIRO.. proporcionou um canal de comunicação viável para as histórias em quadrinhos.. passou a ser diária. juntamente com o cinema.[. p. as publicações das histórias em quadrinhos surgiram voltadas para o estilo cômico. Os Estados Unidos foram o local apropriado para o desenvolvimento das HQ. Observa-se a questão da ideologia. fortemente arraigada nas HQ e vendida pelo mundo afora numa forma de se mostrar o poderio do país mais rico do planeta. devido a todas as vantagens. No artigo. passaram a ter publicação diária nos jornais ..] (VERGUEIRO.. criaram as condições necessárias para o aparecimento das histórias em quadrinhos como meio de comunicação de massa. 10) . os quadrinhos eram predominantemente cômicos. apenas discorrendo e em minha monografia aprofundo-me sobre o tema e estudo as Histórias em Quadrinhos nos livros didáticos de Língua Portuguesa das séries iniciais do Ensino Fundamental. houve uma variação nos temas. quando todos os elementos tecnológicos e sociais encontravamse devidamente consolidados [. em que registrava elementos da comunicação para seus contemporâneos: o relato de uma caçada bem sucedida [.

as publicações e os demais escritos da época versavam sobre temas adultos e com a chegada de Lobato. tornando-os cada vez mais populares. 11) 1. de fundo moral e também fantasiosas. ampliou consideravelmente o consumo dos quadrinhos. atingindo cifras astronômicas naqueles anos. como as de Carlos Jansen (v.. os quais se tornaram a “coqueluche” da juventude. De acordo com Coelho (1991). nos quais logo despontaram os super-heróis. Tratava-se de uma publicação afinada com seu tempo.. representada principalmente por edições portuguesas. surgidos nos Estados Unidos.] (ZILBERMAN E LAJOLO.Tico pela Sociedade O Malho.] o aparecimento de um novo veículo de disseminação dos quadrinhos. as HQ conquistaram milhões de fãs. 2004.. AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS Há cem anos foi publicado o primeiro número da revista O Tico. tal o significado e a importância. “Carlos Jansen: Contos seletos das Mil e uma noites”) [. Os leitores de HQ. A Segunda Guerra Mundial contribuiu para a disseminação das HQ e inclusive nas vendagens estratosféricas das histórias em quadrinhos. De acordo com Zilberman e Lajolo (1986): A literatura infantil brasileira nasce no final do século XIX. fazendo muito sucesso entre os leitores. as publicações periódicas conhecidas como comic books – no Brasil... poucos lançamentos de livros brasileiros para crianças. 15). formavam e formam coleções. em 1905. Só aos poucos é que estas passaram a coexistir com as tentativas pioneiras e esporádicas de traduções nacionais. os mais ardorosos. com uma proposta séria de colaborar para o entretenimento e formação da criança brasileira. no entanto é preciso que se explique o panorama editorial antes do surgimento das HQ no Brasil. unindo-se pelo gosto dos HQ. p. a partir dos anos de 1920. com histórias voltadas às crianças. por mais de anos. do Rio de Janeiro. retrocedendo até os anos 20. (VERGUEIRO.] As revistas de histórias em quadrinhos tiveram suas tiragens continuamente ampliadas. de extrema penetração junto aos leitores mais jovens.. p.] a circulação de livros infantis era precária e irregular. ou como são conhecidos. marcando uma nova fase das histórias em quadrinhos e inaugurando uma nova visão das HQ. Antes de explorar a histórias das HQ no Brasil. 2005) Como se pode perceber na citação acima as Histórias em Quadrinhos tipicamente brasileiras apareceram no país com o lançamento de O Tico–Tico.Da eclosão das tiras de quadrinhos. Segundo Vergueiro (2004): [.. 1986. apareceram as histórias de aventuras e depois os comics books. os gibis. traduzidas. A Segunda Guerra Mundial ajudou a multiplicar essa popularidade [. um nacionalista convicto. eis então os super-heróis. quando existiam no país. Os livros. O idealizador da boneca Emília foi um grande representante da literatura infantil. que por ter um linguajar de fácil compreensão. gibis-.. [. transformando a literatura de uma vez por todas numa autêntica alternativa para as crianças e principalmente para os . (VERGUEIRO. Lançando uma febre mundial. transmitia histórias cômicas. em1920. a literatura infantil veio a ter um destaque maior com os livros de Monteiro Lobato. em contrapartida era grande a entrada de produções literárias provenientes do exterior. deu-se ênfase ao tema infantil.

lentamente. por meio de uma linguagem popular e criativa.] A partir daí abre-se o nosso mercado às produções de Walt Disney. assumia o governo o presidente Juscelino Kubitschek.250). influenciada pelos quadrinhos americanos. tanto no Brasil com a “Era Vargas” e a Ditadura. os quais atraiam a atenção de vários investidores. Nos anos 50. no qual ficavam compreendidos todos os setores na rápida resolução de todos os problemas brasileiros. conquistando leitores e leitoras assíduos. 1991.adultos. Segundo Coelho (1991). (COELHO. de início pelo caos econômico que se instaura no mundo com o crack da bolsa de Nova York (1929)[. p. caíram no gosto do povo. Em 1950. como pode ser visto em Coelho (1991). infelizmente.. Se em 1920 emergiu Monteiro Lobato. proporcionando lazer a quem não possuía outro tipo de informação. quanto no exterior (Quebra da Bolsa de Valores de Nova York) culminando com o aumento de escritos baseados em histórias infantis. seja no modo de se falar (gíria). a literatura-emquadrinhos afeta inúmeras áreas: desde a propriamente literária até a ética.. pois tinham uma forma de comunicação fácil. crianças que buscavam essa forma de diversão. Além disso. as HQ trouxeram para si inúmeros leitores. 240) Para Coelho (1991) a preocupação dos escritores era a de atingir as crianças com histórias engraçadas. transformando-se numa opção diferente à literatura adulta. dispostas em quadrinhos. a partir de 1930..] coincidindo.. (COELHO. Acompanhando a expansão da imagem. as produções em quadrinhos americanas adentram o país (Walt Disney) demonstrando que os popularmente conhecidos gibis.] prosseguia a fermentação das novas idéias pedagógicas e se debatiam as propostas para o novo planejamento da Educação nacional. inclusive as educacionais. É importante mencionar as vantagens financeiras para autores e o sucesso cada vez mais estrondoso dos gibis. (COELHO. a revista-em-quadrinhos Pato Donald é introduzida no Brasil [. p. em apenas um mandato seriam solucionadas todas as mazelas sociais. o que ficou. de se vestir e até mesmo ideologicamente. proferindo em seu discurso o lema “50 anos em 5”. começam a aparecer as Páginas Infantis nos jornais de grande circulação. p. Conforme Coelho (1991): Fenômeno extremamente complexo e dependendo de uma complicada política econômica para poder se realizar como produto de sucesso. certamente sedentos de saber. fazendo-os “devorar” as publicações de HQ. entre nós. Em contrapartida. Tal esforço foi provocado. Segundo Coelho: . como pode ser notado em Coelho (1991): Foi em pleno período de confronto entre o Tradicional (= formas já desgastadas do Romantismo/Realismo) e o Moderno (=representado pelo Modernismo de 22) que Monteiro Lobato inicia a invenção literária que cria o verdadeiro espaço da Literatura Infantil Brasileira. 1991. as histórias em quadrinhos tornaram-se necessárias..251) As HQ. na teoria. 1991. no campo político houve turbulência. assim contribuindo para o aumento do número dos leitores. isto é. 1991.. (COELHO.239). conseguiam ocupar posição de destaque na esquecida e desapoiada literatura brasileira. Assim. p. cuja temática era amplamente seguida. com o Estado Novo(ditadura implantada por Getúlio Vargas) [.

1991. que continua sendo publicado. inclusive pelas terras brasileiras.. a qual veio a ser uma fonte de alegria para todas as pessoas. é conveniente retomar a história do nascimento da revista O Tico-Tico. (COELHO.[. arte pop.] para atender ao crescente público em todo o Brasil (ou pelo menos nos centros urbanos mais importantes). slides. p.Tico nasceu da necessidade de se ter uma publicação totalmente brasileira e apareceu pelas mãos de Luís Bartolomeu de Sousa e Silva. 2005. na Itália. As editoras especializadas vão-se organizando cada vez mais com eficiência [. 252) A década de 60 espelhava o advento da tecnologia. [. principalmente para a faixa etária infanto-juvenil e também se tornou um modelo a ser copiado e reproduzido. O Tico. Naquele tempo. relegadas a uma literatura adulta e imprópria para sua idade. perfumes. as quais fascinavam os leitores. 152). à criação de um espaço..] Acompanhando o sucesso feito pelo O Tico Tico. jornalista mineiro. souvenirs. lançada em 11 de outubro de 1905. no qual seriam fornecidas a diversão e a informação por meio de uma revista em quadrinhos.) é o jornalzinho O Tico Tico.) alteram definitivamente o relacionamento do homem com o mundo e com seus semelhantes. embora de curta duração. então existentes não só nos Estados Unidos. como na França. era o descaso em relação às crianças. 1988. uma vez que foi a precursora do gênero infantil no Brasil. por ser a primeira revista de quadrinhos do Brasil. Conforme já informado. . Os audiovisuais (TV. Essa paixão pelas HQ estimulou o jornalista brasileiro. p. Após o esclarecimento inicial.. (COELHO. o que se via.. relegadas a uma literatura adulta e imprópria para sua idade. automóveis. a chegada da televisão e de todo o magnetismo exercido pela mesma.. está competindo com a forma tradicional de literatura – a expressa pela palavra. projetores. conforme Coelho (2005): O grande interesse para as crianças da época (além das estórias tradicionais e as de Lobato que continuavam sendo lidas e ouvidas com encanto. 242). publicidade. devido a sua proposta inovadora.conhecer.. na Inglaterra e na Espanha. o que se via. (COELHO. os Estados Unidos e a Europa já publicavam quadrinhos que mesmos circulavam por todo o planeta. revolucionando. o “pai” da primeira revista em quadrinhos do país. estampando histórias estrangeiras.254). posters. já prenunciam a nova era que se anuncia: a era da imagem. em nossos dias.] a literatura-em-quadrinhos. Naquele tempo. rádio.. era o descaso em relação às crianças. (ARROYO. a partir dos anos 50... realizando os sonhos de consumo de todo o mundo. surgem novas revistinhas infantis que. cresce em importância como produto dos mais lucrativos na área da imprensa. 1991. p. p. ou seja.. trazida pela Televisão. que. A imagem gerada pela televisão ofuscada pelo marketing despejado nas casas das pessoas e influenciava o desvairado consumo de roupas. Expande-se pelo mundo ocidental a nova maneira-de. algo totalmente inovador para a sociedade da época. outdoors. Mas é fora de dúvida que a idéia de publicar uma revista nos moldes com que foi publicado O Tico-Tico nasceu do conhecimento de algumas publicações mais ou menos semelhantes.

em imensa quantidade de exemplares vendidos. . podendo levar as crianças a se desinteressarem pelos estudos. Como toda inovação. Matemática. até mesmo milhões de exemplares. 1991. p. (MARTINS.. acabou suplantando a visão de alguns educadores e provando (sendo bem escolhida) que têm grande importância e eficácia nos trabalhos escolares.. impiedosos. 2004. 2008). HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E SEU PODER Por meio de leituras em quadrinhos. no mundo inteiro. o que ocasionava incoerentemente.] os quadrinhos representam hoje. apesar de provocarem muitas divergências. mais reflexivo e prazeroso em nossas salas de aula. muitas vezes aparentemente ingênuas. de servirem apenas como forma de divertimento. No entanto. as HQ na época foram vistas com desconfiança por parte dos educadores. talvez pelo medo do poder inserido nas histórias. (HAMZE. de maneira interdisciplinar. 7) Gradualmente as HQ superariam os obstáculos do preconceito de serem desaconselháveis como material de estudo. Amelia Hamze (2008) afirma que Apesar das histórias em quadrinhos terem sofrido acirradas críticas. as HQ. as publicações do gênero circulam com uma enorme variedade de títulos e tiragens de milhares ou às vezes. 2004. devido aos conteúdos educativo e moralista encontrados nas revistas. sobretudo no modo de ser e de agir das pessoas. (VERGUEIRO. isto é. fazendo com que o aprendizado se torne ao mesmo tempo.2. 102). a Secretaria da Educação e Cultura do Município de São Paulo designou uma Comissão para estudar quais publicações infanto-juvenis que podia ter ingresso nos Parques e Bibliotecas Infantis da Prefeitura paulista. 251). Nos quatro cantos do planeta. sempre ansioso por novidades. Assim as HQ estrangeiras deixavam os governantes preocupados com a implantação de idéias revolucionárias nas mentes dos jovens. viam os quadrinhos como prejudiciais para a juventude.. p. os quais poderiam ser desvirtuados de seu nacionalismo. conceitos e valores podem ser discutidos com o leitor iniciante. desfavoráveis às revistas em quadrinhos e todo o seu sucesso. Os críticos. Arte. um meio de comunicação de massa de grande penetração popular. Para Vergueiro (2004): [. Geografia. como uma ludicidade para os jovens e crianças. História. obtiveram êxito em sua caminhada rumo a um tipo de linguagem reconhecidamente popular. avidamente adquiridos e consumidos por um público fiel.] As histórias em quadrinhos possuem potencialidade pedagógica especial e podem dar suporte a novas modalidades educativas. Ciências. [. p. que consistiam em perigosos influenciadores. podendo ser aproveitadas nas aulas de Língua Portuguesa. pois o número de leitores crescia vertiginosamente. o que possibilitará uma melhor interpretação da realidade que o cerca. o que não aconteceu. (COELHO. Dentro da reação nacionalizante contra as estórias-em-quadrinhos importadas (que poderiam descaracterizar a criança brasileira) em 1956.. juntamente com as críticas.

Os livros . altamente explorada pela mídia e por ter essa característica de diversão sofreu um sério preconceito. também incorporavam a globalização econômica em seus processos de produção. garantindo.] os adultos tinham dificuldade para acreditar que. ou seja. as histórias em quadrinhos. Tamanha popularidade das histórias em quadrinhos. 7). A industrialização das revistas foi com o passar dos anos.. 2004). ideologia ou pensamentos. Segundo Vergueiro (2004): Essa inegável popularidade dos quadrinhos. não se deu por acaso. As revistas em quadrinhos auxiliam no processo de aprendizagem. a sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. (VERGUEIRO. p. dessa forma. a qual poderia ser prejudicial aos jovens leitores. possibilitando-lhes atingir tiragens astronômicas. Apesar do advento da internet. supondo que elas poderiam afastar crianças e jovens das leituras “mais profundas” (VERGUEIRO.. inúmeros professores deram as costas à entrada dos quadrinhos nas salas de aula. [. Se. A produção. É preciso explicar que as revistas em quadrinhos traziam uma bagagem lúdica. no início.É de conhecimento público a relevância das HQ em todo o mundo e do sucesso inerente às histórias. sendo realizada de forma profissional. por possuírem objetivos essencialmente comerciais. (VERGUEIRO. não contribuiriam em nada com a educação dos discentes. A contrariedade dos professores em relação aos quadrinhos somou-se a dos pais das crianças. as revistas em quadrinhos e suas histórias foram incluídas no planejamento dos educadores. porque achavam que as HQS não possuíam conteúdo educativo para as crianças. 8). 2004.. o que demonstra ser um meio de comunicação poderoso e influente. 2004) Os professores abominavam esse veículo de comunicação. 7) É verdade que as HQ geraram certo desconforto para muitos profissionais. p. p. as HQ não param de conquistar fãs e nem de se sair do topo de vendagens de revistas. seja incutindo cultura. de outros meios de comunicação. O esclarecimento também se deve ao seguinte fato: as HQ são um veículo comercial muito rentável. as HQS. pela abordagem lúdica de seus textos. As HQ tiveram que enfrentar muita resistência para sobressair e conseguir uma posição de destaque para o educador. com o passar do tempo e após muita luta. cuja “angústia” parte do fato de que as revistas em quadrinhos nada contribuem na formação escolar do aluno.] Pais e mestres desconfiavam das aventuras fantasiosas das páginas multicoloridas das HQS. organizada em uma escala industrial. além de serem um dos primeiros veículos a caminhar para a padronização de conteúdos. divulgação e comercialização. no entanto. (VERGUEIRO . tanto pelo seu apelo popular. talvez tenha sido também responsável por uma espécie de “desconfiança” quanto aos efeitos que elas poderiam provocar em seus leitores. Talvez seja pelo tremendo sucesso das revistas e do fascínio que exerciam (e exercem um carisma até hoje). os quadrinhos pudessem também contribuir para o aprimoramento cultural e moral de seus jovens leitores. contrariando boa parte de críticos. gerando um sistema organizado e culminando num processo globalizado e capitalista. A durabilidade do sucesso das HQ só reforça o quanto as interferem na vida das pessoas. (VERGUEIRO. o que contribuiu para ser considerada uma vilã em potencial. 2004. 2004. Os críticos eram muito desfavoráveis aos quadrinhos. inclusive da educação e para os pais dos alunos. Assim. permitiu a profissionalização das várias etapas de sua elaboração.. [. tanto pelo grande consumo das revistas pelas crianças e pelos jovens. A questão de ser popular e da fácil acessibilidade são provas da enorme lucratividade das HQS.

numa linguagem simples mais adequada ao mundo sócio-cultural do aluno. 2004). principalmente das crianças – as mais ardorosas fãs deste gênero infantil. decidi fazer minha monografia de especialização baseada nas histórias em quadrinhos. (VERGUEIRO. Apenas cair no gosto popular não significava necessariamente agradar aos críticos. refletindo a tendência mundial da inclusão das HQ nas escolas. dispostos em tiras. Por terem esta dinâmica e esta fácil acessibilidade. 2004. p. 3. apresentados no interior de figuras chamadas balões. A ESPECIFICIDADE DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS Dentre os diversos gêneros textuais para se iniciar a formação do leitor.. cores e expressões fisionômicas. 2004. A disposição dos balões dá uma idéia de rapidez e agilidade para as histórias e suas narrativas. conforme . pois eles não achavam que as HQ possuíam cunho educativo. até com textos inteiros. porque muitas vezes as crianças iniciam-se no mundo da leitura. 2353). a leitura de histórias em quadrinhos passou a ser estigmatizada pelas camadas ditas “pensantes” da sociedade. as HQ são consideradas um gênero textual..] É importante salientar que a HQ faz parte das narrativas. De acordo com Martins (2004). para que haja entre os leitores. (VERGUEIRO.] e das altíssimas tiragens das revistas. analisando livros didáticos e propondo-me a investigar como os livros didáticos utilizavam as HQ em suas unidades.. 16). com muitas ilustrações. Em virtude desta inserção das HQ como ferramenta de apoio à aprendizagem. As HQ constituem-se numa fonte de diversão constante e barata para crianças e adolescentes. o entendimento da história. (MARTINS. 93). diálogo. p. geralmente no sentido horizontal. 2004) Os críticos julgavam de maneira impiedosa o conteúdo dos gibis e o acesso fácil pelo qual os admiradores adquirem as HQ. sendo meramente um veículo desinformativo e totalmente anti-intelectual. apresentando diálogos dispostos em balões. um gênero textual que tem se destacado são as HQ por ser um texto com muita ação.. de diálogo e algumas descrições da situação. A crítica sustentava que as HQ não levariam conhecimento.]. As HQ são histórias narradas com desenhos em seqüência. p. as quais contribuem para a construção dos futuros leitores. Quadrinhos ou histórias em quadrinhos são narrativas feitas com desenhos seqüenciais. Tinha-se como certo que sua leitura afastava as crianças de “objetivos mais nobres” – como o conhecimento do “mundo dos livros” e o estudo de “assuntos sérios”-.didáticos também contam com atividades repletas de tiras de histórias em quadrinhos. convencionalmente. nas salas de aula. cuja relevância foi conquistada duramente e sofrendo inúmeras críticas.. 2004). (VERGUEIRO. que causava prejuízos ao rendimento escolar [. 2004. por meio do conhecimento e leitura dos gibis. (MARTINS. (MARTINS. e normalmente acompanhados de textos curtos.. em geral no sentido horizontal. são tecidas numa certa seqüência. [. Apesar de sua imensa popularidade junto ao público leitor [. por meio de textos didáticos e sim contribuíam negativamente para a deformação do intelecto das pessoas.

. por serem dispostas em tiras. num mundo globalizado e exigente de notícias e entretenimento. [. que é o caso do personagem “Chico Bento”. 2004). Segundo Assis (2003). sobre a conduta deles. verbal ou não. de seu linguajar. conseguindo para si fãs por todos os países. 2004) Este mesmo leitor cria expectativas sobre os personagens. p. as características textuais desse gênero. (MARTINS. são alegres e coloridas. (ASSIS. cuja sensação de divertimento pode ser percebida pela leitura das tiras. 2004. uma vez que tudo isso influencia na construção do significado e nas expectativas do leitor. por serem estimulantes visualmente e por conterem histórias simples e que provocam a curiosidade e a imaginação da criança ou do adulto. o que ocasiona na adoração do fã/leitor de histórias em quadrinhos. 2004. de seus vestuários. evidenciando o linguajar culto do coloquial. a do autor.] é um material de leitura bastante circulado socialmente. leitura oral e escrita. tem sido ponto de partida para a formação de muitos leitores. (MARTINS. transformando-o num ser crítico. na diferenciação das linguagens regionais. as expressões fisionômicas. Martins (2004) explica: Como esse gênero textual é rico em figuras e cores. 93).explicitado anteriormente.. As HQ contribuem muito para a formação inicial deste leitor.] pode levá-lo a ampliar seu poder de decisão ao mudar o final da história. ensinar diferenças regionais. 2004. pelas crianças e adolescentes. As histórias em quadrinhos influenciam pela comunicabilidade. 2003. As histórias em quadrinhos são elaboradas de forma a entreter. (MARTINS. o uso da linguagem coloquial e culta e sua aplicação. p. (MARTINS. capaz de agir e criar histórias. ao realizarmos nossa análise. procurando agradar o leitor. sobre as histórias. por isso. transformando-se num meio rápido de informações. tornar o leitor crítico de sua realidade. pretendemos focalizar não apenas a linguagem verbal apresentada nessas histórias. porém firmaram-se e solidificaram seu sucesso. as quais de curta durabilidade e com histórias simples e com uma linguagem. por isso. em suas habilidades. criar habilidades. 93). Tanto influem (as HQ) no contexto lingüístico quanto no contexto social. Por isso é muito importante a veiculação dos personagens. (MARTINS. como também a linguagem não verbal: as cores. os gestos das personagens... pois muitos gibis trazem os problemas existentes na sociedade. durante as situações criadas. auxiliam no processo cognitivo da criança. têm figuras. As HQ ajudam no processo de alfabetização. Sabemos que as histórias em quadrinhos (HQ) têm atraído a atenção do leitor principiante e. p. desenvolver aspecto cognitivo no aluno. p. 22). Os gibis são usados para a alfabetização. principalmente os que estão adentrando pela primeira vez no mundo da leitura. 2349). sobretudo. tem sido ponto de partida para a formação de muitos leitores. propagando uma ideologia. As HQ. [. Realmente as HQ atraem os leitores. Martins (2004) afirma: Um gênero textual que tem atraído muito a atenção do jovem e do adolescente são as histórias em quadrinhos (HQ) e. com isso distraem os leitores..

Este tema é muito instigante pela relevância das HQ como formador de futuros leitores. Leonardo. São Paulo.brasilescola. Mato Grosso do Sul. revendo o contexto histórico das HQ até a atualidade. MARTINS. São Paulo: Ática. por serem estimulantes visualmente e por conterem histórias simples e que provocam a curiosidade e a imaginação da criança ou do adulto. uma vez que as HQ são relevantes na formação dos leitores. Nelly Novaes. Literatura Infantil Brasileira. Histórias em Quadrinhos: Um convite Para a iniciação do leitor. conquistam leitores que poderão ingressar em outros gêneros também.com/trabalho-docente/historia-quadirnhos. um hábito saudável e necessário. Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil. pois as histórias contam fatos cotidianos e cômicos. por isso. São Paulo: Melhoramentos. 2003. ASSIS. 2004. Maria José. formam-se leitores permanentes e incentiva-se o hábito da leitura. 1988. As pessoas têm acesso fácil às HQ. In: I SIMPÓSIO CIENTÍFICO-CULTURAL. HAMZE.CONSIDERAÇÕES FINAIS Propus-me neste artigo a estudar a importância das HQ na formação do leitor. As HQ são atraentes e. História em quadrinhos e os Parâmetros Curriculares Nacionais. ed. Paranaíba: UEMS. já que na perspectiva atual. Monografia(Graduação) – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. As HQ contribuem muito para a formação inicial deste leitor. Disponível em: <http://pedagogia. uma vez que o mundo da leitura emana cultura e saber. uma vez que são um investimento barato e os textos curtos atraem muitos leitores. 4. contudo em minha monografia inserirei outros tópicos relativos aos estudos das histórias em quadrinhos. COELHO. Não pude me aprofundar neste artigo. . Amelia. assim. o que é uma pena. 1991. para que houvesse a compreensão de todos do desenvolvimento deste gênero. Cassilândia.htm> Acesso em: 31/03/2008. Maurício de Sousa: Uma análise ideológica de suas histórias. REFERÊNCIAS ARROYO. 2003. Silvane Aparecida de Freitas. 2004. Anais. sabemos que muitos o brasileiro não gostam muito de ler.

LAJOLO. .VERGUEIRO. São Paulo: Global. Uso das HQ no ensino In:_____(Org). W. Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula. Marisa. Um Brasil para crianças. 2004.ed. 2. ZILBERMAN. Regina.São Paulo: Contexto. 1986.