CARLOS EDUARDO SOARES DE LIMA carloseduardo.lima@ig.com.

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EQUALIZAÇÃO DE POTENCIAL ELÉTRICO

INSTITUTO BRASILEIRO DE PESQUISAS HOSPITALARES

SÃO PAULO, 16 DE SETEMBRO DE 2002 Carlos Eduardo Soares de Lima

Equalização de Potencial Elétrico

Monografia de conclusão do curso de especialização em Engenharia e Manutenção Hospitalar Ministrado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Hospitalares IPH Orientador: Prof. Dr. Alexandre H. Hermini

São Paulo, 16 de Setembro de 2002.

Pagina de Avaliação

a corrente elétrica. Para a compreensão do choque elétrico e seus riscos ao ser humano. Esta equalização visa proteger os equipamentos eletro/eletrônicos e o ser humano de possíveis fugas de correntes elétricas geradas por cargas estáticas. como produzi-la. Com uma linguagem simples e com figuras ilustrativas de fácil compreensão. tais como: um bom aterramento e o uso de pisos semicondutivos. são apresentadas algumas maneiras para melhorar a equalização dos potenciais. Por fim.Resumo Como falar de equalização de potencial elétrico sem antes ter uma prévia do que é a energia elétrica. . Quando cito equalização de potencial . sendo estes assuntos também abordados. As descargas atmosféricas e as eletrostáticas são grandes geradoras de desequilíbrio dos potenciais. tais como. um capítulo sobre o choque elétrico foi inserido. a força que a desloca e como controla-la. e assim. descargas atmosféricas ou falta/falha em equipamentos. refiro-me a um mesmo nível de potencial elétrico para todas as massas presentes em um determinado local. procuro deixar o mais claro possível quais são os agentes que fazem parte desta energia . A ênfase é o ser humano. cito o funcionamento do coração e de quais maneiras estamos sujeitos a uma descarga elétrica.

2 Funcionamento do Coração-------------------------------------------------------------23 5.3 Influência do valor da Corrente Elétrica-------------------------------------------------28 5.3.) A CAUSA DA CORRENTE-----------------------18 3.7 Medida de Potencial de Toque------------------------------------------------------------34 5.M.1 Potencial de Toque Máximo------------------------------------------------------------32 5.1 Funcionamento Mecânico do Coração-------------------------------------------------22 5.1 O que é F.1 O que é o Choque Elétrico-----------------------------------------------------------------22 5.2 Como o magnetismo produz eletricidade------------------------------------------------12 CAPÍTULO III FORÇA ELETROMOTRIZ (F.2 Limite de Corrente para Não Causar Fibrilação--------------------------------------30 5.2.1 Descargas atmosféricas--------------------------------------------------------------------37 .1 Curva Tempo X Corrente----------------------------------------------------------------28 5.3 Fibrilação Ventricular do Coração pelo Choque Elétrico---------------------------25 5.8 Medida de Potencial de Passo-------------------------------------------------------------36 CAPITULO VI DESCARGAS ATMOSFÉRICAS-------------------------------------------------------------------37 6.4 Potencial de Toque-------------------------------------------------------------------------31 5.4 Desfibrilador Elétrico--------------------------------------------------------------------26 5.2.6 Correção do Potencial de Passo e de Toque Máximo Admissível Devido à Colocação de Brita na Superfície---------------------------------------------------------33 5.ÍNDICE INTRODUÇÃO-----------------------------------------------------------------------------------------01 CAPÍTULO I ELETRICIDADE---------------------------------------------------------------------------------------02 1.2 O coração------------------------------------------------------------------------------------22 5.3.-------------------------------------------------------------------------------18 CAPITULO IV RESISTÊNCIA O QUE CONTROLA A CORRENTE--------------------------------------20 4.e.1 Como a fricção produz eletricidade------------------------------------------------------06 2.2.1 O que é Resistência------------------------------------------------------------------------20 CAPÍTULO V O CHOQUE ELÉTRICO-----------------------------------------------------------------------------22 5.1 O que é eletricidade-------------------------------------------------------------------------02 1.m.2.5 Potencial de Passo--------------------------------------------------------------------------32 5.E.2 O que é corrente elétrica-------------------------------------------------------------------03 CAPÍTULO II PRODUÇÃO DA ELETRICIDADE----------------------------------------------------------------06 2.4.

3 Aterramento utilizando o sistema IT---------------------------------------------------52 CAPÍTULO IX ATERRAMENTO EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS HOSPITALARES--------------------------------------------------------------------53 9.4 Elementos de aterramento-----------------------------------------------------------------55 9.1 Descargas eletrostáticas--------------------------------------------------------------------41 CAPÍTULO VIII ATERRAMENTO--------------------------------------------------------------------------------------42 8.2 Verificação da qualidade de pisos semicondutivos-----------------------------------64 CONCLUSÃO-------------------------------------------------------------------------------------------65 BIBLIOGRAFIA---------------------------------------------------------------------------------------66 .CAPÍTULO VII DESCARGAS ELETROSTÁTICAS---------------------------------------------------------------41 7.1 Pisos semicondutivo----------------------------------------------------------------------62 10.5.2 Proteção contra choques elétricos--------------------------------------------------------44 8.5 Métodos mais comuns de aterramento---------------------------------------------------49 8.1 Principal Motivo----------------------------------------------------------------------------53 9.5 Elaboração do projeto----------------------------------------------------------------------56 9.6 Métodos de medição da resistência de aterramento------------------------------------57 9.3 Proteção contra contatos diretos----------------------------------------------------------45 8.3 Princípios e funcionamento de um sistema de aterramento---------------------------54 9.5.1 Importância do aterramento em instalações elétricas----------------------------------42 8.2 Aterramento utilizando o sistema TT--------------------------------------------------51 8.4 Proteção contra contatos indiretos--------------------------------------------------------47 8.1 Aterramento utilizando o sistema TN--------------------------------------------------50 8.2 Generalidades-------------------------------------------------------------------------------53 9.7 Sistemas de distribuição elétrica em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde----58 CAPÍTULO X PISOS SEMICONDUTIVOS PARA SALAS DE CIRURGIA--------------------------------62 10.5.

Assim. Entende-se por perfeito funcionamento a correta captação. Toda a filosofia desenvolvida nos sistemas de proteção é baseada no comportamento das falhas. qualquer um dos fatores citados pode vir a causar danos irreversíveis ao ser humano.Introdução Em ambientes hospitalares. uma fuga de corrente em um equipamento. . O fator mais importante que afeta a questão de segurança é o da dinâmica das faltas do sistema ou dos equipamentos médico-hospitalares. nos referimos aos danos que podem ser causados ao ser humano. como por exemplo. Estes sinais elétricos têm amplitudes de milivolts e microvolts. um cabo de energia sem a devida isolação. Estando o equipamento bem conectado a uma malha de terra e esta sendo de boa qualidade. Quando falamos em choque elétrico. uma descarga eletrostática. sendo esta uma área de importância vital para qualquer estudo a ser desenvolvido na estrutura elétrica hospitalar. são extremamente vulneráveis a interferências se o equipamento que os capta não estiver bem aterrado. uma das grandes preocupações continua sendo a proteção contra choques elétricos. por exemplo. uma descarga atmosférica. sem distorções nem interferências. De maneira direta. dos diversos sinais elétricos representativos de atividades biológicas humanas. Os males causados de maneira indireta também podem ser grandes se. Muitos são os fatores que podem vir a gerar este choque elétrico. respectivamente. podemos minimizar os efeitos das descargas elétricas indesejáveis. Durante um exame clínico se ocorrer algum distúrbio na rede elétrica ou interferências eletromagnéticas na região próxima ao equipamento. a escolha dos padrões de isolação dos materiais empregados na construção. pode-se comprometer o perfeito funcionamento do equipamento e este pode vir a mascarar os resultados obtidos. A questão de segurança elétrica de todo o sistema envolve inúmeros problemas durante a elaboração do projeto. por exemplo. um aparelho de Eletrocardiograma ou Eletroencefalograma não estiver bem conectado à barra de terra e esta a uma boa malha de aterramento.

1 CAPÍTULO I ELETRICIDADE 1. Como a simples concepção da existência dos elétrons dá margem a tantas descobertas importantes em eletricidade.1 O que é eletricidade Todos os efeitos da eletricidade são conseqüência da existência de uma partícula minúscula chamada elétron . o elétron terá que se movimentar. O elemento mais simples. química e física atômica. Para produzir eletricidade. o hidrogênio. Quando estas cargas existirem. podem ter mais de 100 elétrons em órbita ao redor do núcleo. que equivalem a um próton e um elétron intimamente ligados. denominamos de teoria eletrônica as leis que governam o seu comportamento. MAGNETISMO e AÇÃO QUÍMICA. ela explica as ações físicas e químicas e está auxiliando os cientistas na pesquisa da verdadeira natureza do universo e da própria vida. De acordo com a teoria eletrônica. Para originar uma carga positiva ou negativa. O núcleo e o número de elétrons variam de elemento para elemento. e sim apenas os efeitos que ele produz. CALOR. todos os efeitos elétricos e eletrônicos são causados pelo movimento de elétrons de um local para outro ou pela existência de um excesso ou falta de elétrons em um certo local. Entretanto. Algumas fontes básicas de energia que podem ser utilizadas são: FRICÇÃO. No entanto. As cargas positivas são denominadas prótons . a ação desse elétron passará a ser conhecida pelo nome de eletricidade . . enquanto que a falta de elétrons é conhecida como carga positiva . Átomos de elementos diferentes contém quantidade diferente de nêutrons no núcleo. A Teoria eletrônica não é somente a base dos projetos de todos os equipamentos elétricos e eletrônicos. Como ninguém pode realmente ver um elétron. Os elétrons das órbitas mais externas do átomo são atraídos pelo núcleo com menor força que os elétrons das órbitas mais próximas do núcleo. Em um átomo. se forçarmos um elétron a sair de sua órbita. tem apenas um elétron em órbita em torno do núcleo. chamadas nêutrons . porém o número de elétrons que giram em torno do núcleo é sempre igual ao número de prótons livres (ou cargas positivas) dentro do núcleo. teremos o que é conhecido como eletricidade estática . PRESSÃO. É o movimento dos elétrons livres que constitui uma corrente elétrica. Como se sabe. todos os átomos são formados por um núcleo rodeado de elétrons que se movem em torno do mesmo. obtidos com os reatores atômicos. enquanto que alguns dos complexos e pesados elementos artificiais. podemos admitir sem dúvida alguma que o elétron realmente existe. O excesso de elétrons em uma substância é chamado de carga negativa . alguma forma de energia deve ser usada para movimentar os elétrons. Além dos prótons. Todas as variedades de matéria são constituídas por átomos de muitos tamanhos diferentes e de complexidades diversas. toda matéria é formada por moléculas e todas as moléculas são compostas por átomos. lembramos que os elétrons circulam ao redor do núcleo de um átomo e são mantidos nas suas órbitas pela ação da carga positiva do núcleo. Os elétrons que foram retirados de suas órbitas sob uma ação qualquer causarão uma falta de elétrons no lugar de onde saíram e um excesso de elétrons no ponto que atingiram. LUZ. eletrônica. o núcleo contém ainda partículas eletricamente neutras. Todos os equipamentos elétricos e eletrônicos têm sido projetados utilizando a teoria eletrônica. o número total de elétrons carregados negativamente que circulam ao redor do núcleo é igual exatamente ao número de cargas positivas existentes no núcleo. Estes elétrons externos são chamados elétrons livres e podem ser retirados das órbitas com facilidade. Para a produção de cargas elétricas.

exceto quanto ao fato de ficar carregado positivamente. enquanto que os elétrons internos. de tal maneira que nenhuma região da substância ganha ou perde elétrons no fim das contas. Estes elétrons externos podem ser facilmente retirados de suas órbitas. O movimento errático dos elétrons livres. pronto a capturar outros elétrons livres para compensar os que perdeu. Quando o movimento é mais intenso em uma determinada direção. Os prótons possuem carga positiva. de átomo para átomo. Os átomos e moléculas de uma substância estão animados de um movimento contínuo e errático que depende da natureza da substância. de átomo para átomo. que podem ser chamados de elétrons presos . prótons e elétrons.2 O que é corrente elétrica Os elétrons das órbitas externas do átomo são atraídos pelo núcleo com menor força que os elétrons das órbitas mais próximas do núcleo. assim. no interior das substancia. . entretanto. tem excesso de elétrons. não é afetado pela perda de elétrons. dificilmente podem ser retirados das órbitas. 1. resultando assim um movimento continuo de elétrons. quando uma corrente começa a circular. Já vimos anteriormente que um átomo é composto de um determinado número de nêutrons. é normalmente igual em todas as direções. o movimento resultante ou fluxo é chamado de corrente. da temperatura e da pressão. o átomo não possui carga. Um material carregado negativamente. de modo que uma parte da substância perde elétrons em favor de outra. Os elétrons livres são atraídos por outros átomos que tenham perdido elétrons. O átomo. O núcleo do átomo compõe-se de nêutrons e prótons e apresenta uma carga positiva igual ao número de prótons. o número de elétrons que giram em torno do núcleo é igual ao número de prótons no núcleo e. como já foi dito. Qualquer material que apresente uma carga positiva tem o seu número normal de cargas positivas no núcleo e falta de elétrons. Todos os efeitos elétricos dependem de elétrons livres extraídos das órbitas externas dos átomos. Nas condições normais.2 enquanto as cargas positivas do núcleo permanecem imóveis. Suponhamos que observássemos cuidadosamente o que acontece no interior de uma substância. em si. Este movimento errático possibilita a saída de elétrons das órbitas externas e eles se tornam elétrons livres . os elétrons carga negativa e os nêutrons não tem carga.

então. atraem-se com muito pouca intensidade. Assim. mesmo que alguma distância os separe. Quando estes elétrons recém-libertados chegarem próximo dos átomos vizinhos forçarão. outros elétrons de suas órbitas e assim se repetirá o processo inicial. ele apresenta uma carga positiva. linhas de força invisíveis irradiam-se em todas as direções e a área ocupada por estas linhas imaginárias constitui um campo elétrico . Como os elétrons se repelem mutuamente e são atraídos para os locais onde existe falta. e assim eles se afastarão deste terminal. Quando isto acontece. 4 . por seu turno. Na extremidade positiva do condutor há falta de elétrons. porque os campos elétricos existentes os obrigarão a se afastar da concentração de carga existente no terminal negativo. se um elétron em movimento se aproxima de outro elétron. Em outras substâncias. estes elétrons terão a liberdade de abandonar suas órbitas. e alguns destes elétrons abandonam seus campos e se dirigem para a extremidade positiva. há excesso de elétrons no terminal negativo e falta no terminal positivo. Os campos elétricos destes elétrons repelirão os elétrons dos átomos do fio. a não ser sob a ação de campos elétricos muito poderosos. este último é afastado sem que haja contato entre os dois. No instante em que é feita a ligação. Tal condição existe nos metais. a madeira. e. Se a constituição do átomo de uma determinada substância for tal que a atração entre o núcleo e os elétrons externos seja pequena.3 Se um átomo perde qualquer de seus elétrons livres. É a força de atração entre a carga positiva do núcleo e os elétrons da órbita externa que determina as características elétricas de uma substância. se um elétron se aproximar de uma carga positiva. donde se conclui que uma forte atração se exerce entre o terminal positivo e os elétrons externos dos átomos vizinhos. Da mesma forma. quando influenciados por campos elétricos. e assim o processo continua. do cobre. há uma ligação muito forte entre o núcleo e os elétrons externos e estes dificilmente abandonarão seus átomos. fica com mais prótons do que elétrons. Ao redor de cada carga positiva ou negativa. e assim o núcleo e os elétrons externos da prata. etc. Os campos elétricos destes elétrons externos são fortemente atraídos pelo campo elétrico do terminal positivo. e alguns deles serão assim retirados de suas órbitas. como o vidro. Imagine o que acontece quando se liga um fio metálico entre os terminais. os elétrons do terminal negativo tem agora um lugar para onde se dirigir.. As cargas de mesmo nome se repelem e as de nomes opostos se atraem. do alumínio. Uma pilha comum (bateria) tem a propriedade peculiar de apresentar um excesso de elétrons no terminal negativo e uma falta de elétrons no terminal positivo. os quais tomam a direção do terminal positivo. Estes elétrons livres não poderão permanecer no local. as cerâmicas. os dois campos se encontrarão e uma força de atração surgirá. os plásticos. estes átomos adquirem uma carga positiva que imediatamente passa a atrair elétrons dos outros átomos.

Os elétrons que chegam a todo instante à extremidade negativa prosseguem empurrando os elétrons livres do condutor. um fluxo constante de elétrons começará a existir no condutor.Se o excesso e a falta de elétrons nas duas extremidades do condutor fossem quantidades definidas. respectivamente. e a remoção constante de elétrons da extremidade positiva continua atraindo os elétrons livres para a mesma. com carga negativa e positiva. às custas da remoção de elétrons do outro terminal. 5 . decorrido um curto espaço de tempo todo o excesso ter-se-ia deslocado pelo condutor para a extremidade positiva. durante toda a vida da pilha. A pilha. Nestas condições. a partir do momento em que for feita a ligação. entretanto. de tal maneira que os dois terminais permanecem. mantém um excesso de elétrons em um terminal.

2. o rayon e o nylon. aparecem cargas elétricas nos dois corpos e assim a fricção funciona como fonte de eletricidade. a flanela. pode-se retirar alguns elétrons das órbitas dos átomos de um dos corpos. Quando se esfrega a ebonite com uma pele. O material que recebe elétrons adquire carga negativa. e o que perde fica com carga positiva. Abordaremos aqui duas das fontes que no momento mais nos interessa. Algumas substâncias que facilmente produzem eletricidade estática são o vidro.CAPÍTULO II PRODUÇÃO DA ELETRICIDADE As Seis Fontes de Eletricidade Para produzir eletricidade. LUZ. MAGNETISMO e AÇÃO QUÍMICA. CALOR. A carga que você poderá provocar poderá ser positiva ou negativa.1 Como a fricção produz eletricidade A fricção é a principal fonte conhecida de eletricidade estática. Devido ao contato por fricção. A Fricção e o Magnetismo. algumas órbitas de elétrons se cruzam e um dos corpos pode fornecer elétrons ao outro. a ebonite. 6 . o âmbar. o bastão de vidro perde elétrons e se carrega positivamente. a seda. esta última perde elétrons para o bastão de ebonite o bastão carrega-se negativamente e a pele positivamente. Quando se esfrega o vidro com um pedaço de seda. mas a fonte original destas cargas estáticas é a fricção. Esfregando-se dois corpos diferentes. dependendo do corpo que apresentar maior facilidade para liberar elétrons. enquanto o outro trata de aprisionar estes elétrons. È possível que uma carga estática transfira-se de um material para outro sem que haja fricção. alguma forma de energia deve ser usada para movimentar os elétrons. Quando isto acontece. As seis fontes básicas de energia que podem ser utilizadas são: FRICÇÃO. PRESSÃO. as ceras.

Se as cargas forem suficientemente grandes e as esferas forem leves e tiverem liberdade de movimento ou não. se você colocar uma esfera carregada positivamente próximo de uma outra carregada negativamente. carregando a barra positivamente e diminuindo a carga positiva do bastão.Atração e Repulsão de Cargas Quando os corpos se apresentam carregados de eletricidade estática. o excesso de elétrons da carga negativa se transferirá para o corpo onde faltam elétrons. Esta influência poderá ser exercida por contato ou por indução. os elétrons da barra serão atraídos para o ponto de contato. elas também podem ser produzidas por outros meios. Se um objeto possuir uma carga estática ele influenciará todos os outros objetos próximos. elas se atrairão mutuamente. Esta atração existe porque o excesso de elétrons da carga negativa procura encontrar um lugar que tenha necessidade de elétrons. Se você juntar dois corpos de cargas opostas. Carga positiva significa falta de elétrons e sempre atrai elétrons. Transferência de Cargas Estáticas por Contato Embora a maioria das cargas estáticas seja devida à fricção. eles se comportam de modo diferente do normal. Esta transferência ou passagem de elétrons de uma carga negativa para uma positiva é chamada de descarga Usando duas esferas com o mesmo tipo de carga (positiva ou negativa) você verá que elas se repetirão mutuamente. uma força de atração existirá sempre entre as cargas de nomes opostos. enquanto que carga negativa significa excesso de elétrons e sempre repele elétrons. Se você tocar com um bastão carregado positivamente uma barra metálica sem carga. Assim. 7 . Alguns destes elétrons deixarão a barra e entrarão no bastão.

a fim de neutralizar a carga positiva vizinha. Quando um objeto carregado toca um objeto sem carga. Quando o bastão se afastar da barra. À medida que o bastão carregado negativamente se aproximar da barra sem carga. ao passo que o extremo oposto da barra continuará retendo sua carga negativa. 8 . a carga negativa permanecerá nela. e o bastão apresentar-se-á ainda carregado negativamente. ele perde um pouco de sua carga em favor do objeto sem carga até que seja atingindo o equilíbrio elétrico. O extremo da barra próximo do bastão será então carregado positivamente e o lado oposto será carregado negativamente.Tocando uma barra sem carga com um bastão carregado negativamente você provocará também o aparecimento de uma carga negativa na barra. Quando o bastão tocar a barra. se bem que com muito poucos elétrons em excesso. os elétrons da parte da barra mais próxima do bastão serão repelidos para o extremo oposto. alguns dos seus elétrons excedentes escaparão para a barra.

os elétrons da barra serão atraídos ao ponto mais próximo do bastão. 9 . Neste caso.Transferência de Cargas Estáticas por Indução Você já viu o que acontece quando se toca uma barra metálica com um bastão carregado positivamente. Permitindo que elétrons de uma fonte externa (seu dedo. produzindo uma carga negativa neste ponto. que assim se torna também carregada. Parte da carga do bastão é transferida para a barra. Três cargas então existem: a carga positiva no bastão. O extremo oposto da barra fica com falta de elétrons e portanto. a carga negativa no ponto da barra mais próximo do bastão e a carga positiva no outro lado da barra. Suponhamos que ao invés de tocar a barra com o bastão carregado positivamente você apenas coloque este último próximo da barra. por exemplo) entrem no extremo positivo da barra você poderia dar uma carga negativa à barra. carregado positivamente.

se antes da retirada do bastão fosse proporcionado um caminho para os elétrons. 10 . Entretanto. ela ficaria carregada positivamente quando o bastão fosse removido. Removendo-se o bastão. a fim de que eles saíssem da barra. a barra voltaria à condição inicial. A carga negativa original do bastão daria origem a duas cargas adicionais na barra. uma positiva e outra negativa. Os elétrons desta parte seriam repelidos e se deslocariam para o extremo oposto.Se o bastão estivesse carregado negativamente ao ser aproximado da barra induziria uma carga positiva na extremidade da barra mais próxima do bastão. pois o excesso de elétrons da extremidade carregada negativamente retrocederia e neutralizaria a barra.

você oferecerá um caminho para os elétrons do corpo com carga negativa se deslocarem em direção ao corpo com carga positiva. 11 . e então as cargas se neutralizarão. Ao invés de ligar os corpos por um fio. Unindo os dois corpos por um fio. você poderá encosta-los (contato) e outra vez as cargas se neutralizarão.Descarga das Cargas Estáticas Sempre que dois corpos carregados com cargas opostas são aproximados. os elétrons em excesso no corpo carregado negativamente serão atraídos na direção do corpo carregado positivamente.

por turbinas a vapor ou um motor de combustão interna. a eletricidade estática poderá ser descarregada entre grandes espaços. Com cargas muito elevadas. antes mesmo dos dois entrarem em contato. Quando se desloca um condutor em torno de um imã ou um imã em torno de um condutor. 2. a força magnética pode ser sentida. O número de linhas de força por unidade de área é chamado de densidade de fluxo . porem não se pode ser visto. O campo magnético ao redor de um imã pode ser explicado sob a forma de linhas de força invisíveis. Os pontos em que as linhas de força deixam e entram no imã são chamadas pólos . O gerador pode ser acionado por energia hidráulica. As cargas estáticas naturais são formadas sempre que ocorre fricção entre as moléculas de ar. Quase toda a energia elétrica que se usa é originada nos geradores das usinas de força. A fonte de eletricidade deve ser capaz de manter uma carga considerável porque seta carga será usada para fornecer energia elétrica. mas não vista. Embora a fricção. o seu uso é limitado a aplicações especiais pois não são capazes de manter uma carga suficiente para fornecer energia em grande escala. O raio é um exemplo da descarga de eletricidade estática resultante do acúmulo de cargas estáticas nas nuvens. que deixam o imã em um ponto e entram em outro ponto. O que é Magnetismo O magnetismo é uma força invisível que se pode apreciar pelos efeitos que produz. o calor e a luz sejam também fontes de eletricidade.2 Como o magnetismo produz eletricidade Energia Elétrica Produzida pelo Magnetismo O método mais usual de produção de eletricidade em larga escala deriva da utilização do magnetismo. e você poderá verificar que estas cargas serão maiores nos climas muito secos ou sempre que a umidade for reduzida. a energia elétrica que ele produz é resultante da ação entre condutores e imãs que ele encerra. Estas linhas de força invisíveis constituem o fluxo magnético e a área que ocupam constitui o espectro magnético do imã.Se você aproximar corpos com cargas elevadas. a pressão. produz-se eletricidade no condutor devido ao magnetismo do imã. Da mesma forma. O circuito magnético é o caminho das linhas de força magnéticas. Neste caso você verá de fato a descarga sob a forma de uma centelha. Você sabe que o vento por exemplo. tal como acontece com as nuvens que se deslocam ou os ventos fortes. os elétrons poderão pular do corpo com carga negativa para o corpo com carga positiva. à medida que elas se deslocam no ar. exerce uma força tremenda. causando centelhas de muitos centímetros de comprimento. Qualquer que seja o método usado para acionar o gerador. 12 .

estas linhas se estabelecem mais facilmente em determinadas substâncias do que em outras. ou o seu desvio de uma área ou instrumento. Como já foi explicado. você sentirá uma força de repulsão entre os mesmos. Este fator possibilita a concentração de linhas de força onde se desejar utiliza-las. No interior do imã. mas se compõem e formam um campo deformado. pela aproximação de dois imãs. e cargas e pólos de nomes contrários se atraem. mas um pólo norte colocado defronte a um pólo sul produzirá uma força de atração. de maneira que o circuito não é interrompido. 13 .Se você aproximar dois imãs. (Note que as linhas de força não se cruzam) Não existem isolantes para as linhas magnéticas. Sob este aspecto. Uma característica das linhas de força magnéticas é que elas se repelem e não se cruzam. as linhas dirigem-se do pólo sul para o pólo norte. A atração ou repulsão entre pólos magnéticos é devida ao campo magnético que envolve o imã. o campo invisível é representado pelas linhas de força que deixam o pólo norte e entram no pólo sul do imã. No entanto. Verificou-se que as linhas de força passam através de todas as substâncias. Se dois campos magnéticos são colocados lado a lado. A aproximação de dois pólos sul redundará em idêntica repulsão. os pólos magnéticos comportam-se como cargas estáticas. Cargas e pólos de mesmo nome se repelem. de modo que dois pólos norte se defrontem. os campos não se misturam.

O movimento é necessário. Repetindo este movimento e observando com maior atenção o medidor. você observará que não haverá deflexão do ponteiro. você precisará manter um movimento constante do condutor ou campo magnético. o medidor se movimentará e assim estará provado que o imã e o condutor sozinhos não são capazes de produzir eletricidade. Assim. o ponteiro do medidor sofrerá uma deflexão. verificamos que só se gera eletricidade quando o imã e o seu campo se movimentavam próximo do condutor. Esta deflexão ocorrerá somente quando o fio estiver em movimento através do campo magnético. Colocando o imã perto do condutor sem movimenta-lo. Se deslocarmos o condutor próximo de um imã fixo. para usar o magnetismo como fonte de eletricidade. A fim de deslocar o ponteiro é necessário o movimento do imã. Quando o imã e o seu campo estiverem fixos. 14 . para produção contínua de eletricidade. entretanto. você concluirá que só há deflexão no medidor quando o imã é movimentado perto do condutor. o imã desta posição. Movimento de um Condutor Próximo de um imã Estudando o efeito do movimento de um imã nas proximidades de um condutor. Se você ligar um medidor sensível às extremidades do condutor e movimentar um imã nas proximidades. porque o campo magnético do imã só produz uma corrente elétrica em um condutor quando o campo magnético corta o condutor. ou o condutor através do campo magnético.Movimento de um Imã Próximo a um Condutor Um dos métodos pelos quais o magnetismo produz eletricidade é pelo movimento de um imã nas proximidades de um condutor fixo. Deslocando-se. Entretanto. o campo não cortará o condutor e não provocará o movimento de elétrons. observaremos uma vez mais a deflexão do ponteiro do medidor. A deflexão indicará a produção de eletricidade no condutor. você poderá movimentar um campo magnético próximo de um condutor.

A fim de manter um movimento constante. O movimento de uma bobina. a saída do gerador de eletricidade poderá ser controlada variando-se: (1) a potência do imã ou (2) a velocidade de rotação da bobina. enrolando-se o mesmo em várias voltas (espiras). nas proximidades de um imã fraco. Cada espira adicional representará um aumento na deflexão igual à produzida por um condutor isolado. a deflexão do medidor será muito maior que a provocada pelo condutor simples. usar um imã mais potente ou ainda imprimir um movimento mais rápido ao condutor. ou seja. Um meio mais prático será o de imprimir ao condutor um movimento circular dentro do campo magnético. 15 . aumentamos também o fluxo de elétrons. O movimento da mesma bobina ou pedaço de fio. indicado pela deflexão do medidor. ou de um pedaço de fio. Na produção de energia elétrica. Para aumentar a quantidade de eletricidade produzida pelo movimento do condutor nas proximidades do imã. pode-se aumentar o comprimento do condutor que cruza o campo magnético. o condutor ou imã terá que se deslocar para frente e para trás continuamente. com a mesma velocidade. Movendo-se a bobina nas proximidades do imã. Aumentado a velocidade do movimento. Este método de produzir eletricidade. O comprimento do fio pode ser aumentado. nas proximidades de um imã potente provocará um maior fluxo de elétrons. o de fazer o condutor girar perto do imã é o princípio do gerador elétrico e é a fonte mais comum de eletricidade. redundará num pequeno fluxo de elétrons. de modo a formar uma bobina.

ou ainda a intensidade do campo magnético. com o uso de um eletroímã. Isto pode ser conseguido. fato este da maior importância em eletricidade. Como o magnetismo pode gerar eletricidade.O que é Eletromagnetismo Já vimos que uma corrente elétrica pode ser produzida pelo movimento de uma bobina em um campo magnético. No entanto. Os dois primeiros métodos podem ser facilmente realizados nos geradores elétricos usuais. A corrente gerada poderá ser aumentada se for aumentado o número de espiras da bobina ou a velocidade do movimento da bobina. Os eletroímãs funcionam segundo o princípio pelo qual um campo magnético pode ser produzido pela passagem de uma corrente elétrica através de uma bobina. bastaria um pouco de imaginação para que se fizesse uma pergunta: será que a eletricidade pode gerar campos magnéticos? Sim. para que se consiga gerar grandes quantidades de eletricidade. Usando imãs permanentes podemos produzir corrente elétrica. porém torna-se muito difícil aumentar a potência dos imãs permanentes. isto acontece. além de certos limites. 16 .Vimos também que este era o modo mais difundido de produção de eletricidade para fins domésticos e industriais. necessita-se de campos magnéticos muito mais fortes.

Um campo eletromagnético é um campo magnético produzido pela passagem da corrente elétrica em um condutor. quando a corrente se deslocar da esquerda para a direita. Na figura que mostra a vista em corte do condutor. entrando no papel. As figuras a seguir mostram correntes percorrendo condutores em sentidos diferentes. 17 . com o campo magnético em volta. o sentido do campo magnético também se inverterá. e a cruz representa uma corrente cujo sentido é o de se afastar de você. O campo magnético terá o sentido contrário ao do movimento dos ponteiros dos relógios. na sua direção. dependendo o sentido do campo do sentido da corrente. Toda vez que há uma corrente elétrica num condutor cria-se um campo magnético ao redor do condutor. se o sentido da corrente se inverter. o ponto no centro do círculo representa uma corrente para fora do papel.

ele será positivo em relação a uma carga negativa e negativo em relação a uma carga positiva. Da mesma forma. a diferença de potencial também se exprimirá em volts. desde que não esteja sendo utilizada.M. a energia elétrica das cargas é utilizada para movimentar os elétrons. da carga menos positiva para a carga mais positiva. A CAUSA DA CORRENTE Todas as vezes que o movimento de elétrons em uma substância é orientado no mesmo sentido. A energia potencial de uma carga é igual à quantidade de trabalho realizado para produzir esta carga.m. Uma carga pode ser produzida por qualquer das fontes de eletricidade que já conhecemos.E. Qualquer que seja o tipo de energia usado para produzir uma carga. Os elétrons podem ser deslocados. Você já sabe que este movimento tem o sentido da carga (-) para a carga (+). sob a forma de corrente.) 3. quando os elétrons se movem de uma carga para outra. para a produção de uma carga. Assim. em outras palavras. Uma carga elétrica. haverá sempre uma tensão entre duas cargas positivas desiguais ou entre duas cargas negativas desiguais. ela será transformada em energia elétrica logo que se der o aparecimento da carga. Existirá sempre uma tensão ou diferença de potencial entre as duas cargas que não forem exatamente iguais. Mesmo um corpo descarregado terá uma diferença de potencial em relação a um outro corpo carregado. e que sempre ocorre quando se estabelece uma ligação condutora entre pontos de cargas diferentes.) a força responsável pela corrente.e. Esta reserva de energia é uma energia potencial. A força eletromotriz que existe entre duas cargas desiguais é a diferença de potencial entre as duas cargas. Como o potencial de cada carga se exprime em volts. porém.1 O que é F. Para produzir uma carga. há corrente. a tensão é essencialmente relativa e não é usada para exprimir quantidade de carga e sim para comparar uma carga com outra.e. a quantidade de energia que existirá na carga será exatamente igual à quantidade de energia fornecida pela fonte para gerar esta carga. Quando há corrente.CAPÍTULO III FORÇA ELETROMOTRIZ (F. Estas fontes fornecem a energia necessária para efetuar o trabalho de deslocar os elétrons e que provocará uma carga. elétrons devem ser deslocados para provocar um excesso ou uma falta de elétrons no ponto em que se deseja que apareça a carga. Chama-se força eletromotriz (f. por qualquer das seis fontes de eletricidade. e é medida em volts . a força que os impulsiona é a f. 18 . representa uma reserva de energia. A diferença de potencial entre duas cargas é a força eletromotriz que atuará entre as duas e que comumente se denomina tensão ou voltagem .m.e.m. positiva ou negativa.

19 .

CAPITULO IV

RESISTÊNCIA O QUE CONTROLA A CORRENTE
4.1 O que é Resistência A oposição à corrente não é igual em todas as substâncias. A corrente propriamente é o movimento de elétrons livres do interior da substância, e o número de elétrons livres que a substância possui determina sua oposição à corrente. Os átomos de algumas substâncias libertam seus elétrons externos com muita facilidade e assim estas substâncias oferecem pequena oposição à corrente. Os átomos de outras substâncias mantém rigidamente nas órbitas os elétrons externos, oferecendo assim uma oposição considerável à corrente. Todas as substâncias, entretanto, oferecem alguma oposição à corrente, oposição esta que pode ser pequena ou grande e que é chamada de resistência.

A fim de explicar a resistência de modo mais familiar, imagine a figura anterior, como se fosse uma canalização. Como vemos, o cano contem um grande número de bolas de golfe mantidas firmemente em seus lugares por fios e cada uma delas representa um átomo com os seus elétrons. O espaço entre as bolas de golfe foi completado com pequenas balas metálicas do tipo usado nas espingardas de ar comprimido. Cada uma destas balas representa um elétron livre. Quando as balas eram removidas de uma extremidade e introduzidas na outra extremidade, se movimentam no cano. Para firmar o conceito de resistência imagine que cada bola de golfe foi recoberta com um tipo especial de cola. A cola não sai das bolas de golfe, porém ela faz com que as balas fiquem grudadas em sua periferia. O poder da cola varia com o tipo de substância que se quer 20

representar. Se a substância é o cobre, a cola é muito fraca e os elétrons livres não aderem firmemente aos átomos. Se a substância é o vidro, a cola é muito forte, segura firmemente os elétrons livres e não os deixa caminhar. O mesmo empurrão (tensão) que provoca a saída de bilhões de balas, apenas conseguiria remover duas ou três balas se fosse empregada uma cola muito poderosa. A resistência de uma substância pode se comparada ao poder da cola acima imaginada. Quando o empurrão (tensão) é mantido constante, o fluxo de balas metálicas (elétrons) irá diminuindo gradativamente, à medida que se aumentar o poder da cola (resistência). Um átomo não possui realmente uma cola em sua periferia, mas os campos elétricos das cargas positivas do núcleo atuam sobre os campos elétricos dos elétrons externos de modo análogo. Esta força de atração poderá ser maior ou menor, dependendo da estrutura do átomo (tipo de substância).

Como vimos a corrente elétrica é o movimento de elétrons livres em uma substância e que a corrente não se inicia espontaneamente, necessitando de uma fonte de força elétrica para impelir os elétrons livres através da substância. Vimos também que, removendo-se a fonte de energia, a corrente elétrica deixa de existir. Analisando os fatos acima, você pode deduzir que existe alguma coisa na substância que resiste à corrente elétrica e que segura os elétrons livres até que uma força suficiente é aplicada. Esta oposição à corrente elétrica é chamada resistência. A resistência corresponde ao poder da cola citada anteriormente. Com uma força elétrica (tensão) constante, quanto maior a oposição à corrente (resistência), menor será o número de elétrons que circularão através da substância (corrente). Usando-se a mesma fonte de tensão, quanto menor a resistência, maior será a corrente. Assim, possuindo uma fonte de tensão constante, você poderá aumentar a corrente diminuindo a resistência, ou diminuir a corrente aumentando a resistência. Pelo aumento ou diminuição da resistência de um circuito, ou seja, da oposição ao movimento de elétrons, pode-se ajustar a intensidade da corrente, de modo que ela satisfaça às necessidades de um determinado equipamento elétrico.

21

CAPÍTULO V

O CHOQUE ELÉTRICO
5.1 O que é o Choque Elétrico É a perturbação de natureza e efeitos diversos que se manifesta no organismo humano quando este é percorrido por uma corrente elétrica. Os efeitos das perturbações variam e dependem de: Percurso da corrente elétrica pelo corpo humano; Intensidade da corrente elétrica; Tempo de duração do choque elétrico; Espécie da corrente elétrica; Freqüência da corrente elétrica; Tensão elétrica; Estado de umidade da pele; Condições orgânicas do indivíduo.

As perturbações no indivíduo manifestam-se por: Inibição dos centros nervosos, inclusive dos que comandam a respiração produzindo PARADA RESPIRATÓRIA; Alteração no ritmo cardíaco, podendo produzir FIBRILAÇÃO VENTRICULAR e uma conseqüente PARADA CARDÍACA; Queimaduras profundas, produzindo NECROSE do tecido; Alterações no sangue provocadas por efeitos térmicos e eletrolíticos da corrente elétrica.

Se o choque elétrico for devido ao contato direto com a tensão da rede, todas as manifestações podem ocorrer. Para os choques elétricos devido à tensão de toque e passo impostas pelo sistema de aterramento durante o defeito na rede elétrica, a manifestação mais importante a ser considerada é a FIBRILAÇÃO VENTRICULAR DO CORAÇÃO. 5.2 O coração 5.2.1 Funcionamento Mecânico do Coração Para compreender como ocorre a fibrilação ventricular no coração pelo choque elétrico, há necessidade de conhecer o funcionamento normal do coração. Do ponto de vista mecânico, o coração é uma bomba hemo-hidráulica que faz o sangue circular continuamente pelo corpo humano. O sangue venoso, isto é, pobre em O2 e rico em CO2, entra no coração pela veia cava inferior e superior, ocupando o átrio direito. Do átrio é bombeada para o ventrículo direito e deste para os pulmões, onde é feita a troca do CO2 pelo O2, formando o sangue arterial. Este sangue retorna ao átrio esquerdo onde é bombeado ao ventrículo esquerdo. Este último ao se contrair, impulsiona o sangue arterial para todo o corpo. A contração dos dois átrios dá-se no mesmo instante, o mesmo ocorrendo com os dois ventrículos. As paredes do coração são formadas por fibras musculares especializadas em efetuar as contrações cardíacas de maneira permanente e ritmada. 22

2.2 Funcionamento do Coração O funcionamento mecânico do coração é controlado e comandado eletricamente por dois módulos existentes no átrio direito do coração.1. emitindo o sinal (pulso) elétrico. pontos (1) e (2) da figura 5. O NSA é um gerador elétrico que. acompanhando em sincronismo o sinal do NSA.1 e da 5. o NAV assume a responsabilidade.2. O NAV é o reserva. promove a sua contração e o sangue passa para o ventrículo. provocando a contração deste. passando pela parede muscular do átrio. processa a alteração dos íons Na+ e K+. Portanto. 23 . Nesta contração. FIGURA 5.2. Os dois pontos são chamados de Nódulo Sino Atrial (NSA) e Nódulo Átrio Ventricular (NAV). é nesta região que ocorrem os problemas cardíacos de enfarte e fibrilação ventricular.1.As paredes musculares do ventrículo são as mais solicitadas.2. O NSA comanda eletricamente o batimento do coração. O sinal elétrico é então captado pelo feixe de His (3) e distribuído pela rede de Purkinje (4) a todas as fibras musculares (5) do ventrículo.1. Se o NSA tiver problemas e falhar.2. quimicamente. o sangue contido na cavidade direita é impulsionado para os pulmões e o do lado esquerdo para todo o corpo. Este sinal. que opera em flutuação.1: Coração humano 5. porque a sua contração deve ser forte e eficiente para prover o bombeamento do sangue com pressão adequada a todo o corpo.

1.2. apresenta um circuito análogo ao circuito elétrico do coração. elas se contraem. Em seguida. As fibras musculares do ventrículo estão polarizadas.1.2 A figura a 5. Ao receberem o sinal proveniente do NSA. Se a 24 . deve ocorrer o processo de repolarização das fibras.2 O sinal elétrico do gerador é captado pela barra (feixe de His) e distribuído pela rede de transmissão (rede de Pukinje) às cargas (fibras musculares).FIGURA 5.3. Esta etapa de repolarização das fibras é conhecida como o período mais vulnerável e é o momento mais perigoso para ocorrência da fibrilação ventricular do coração devido ao choque elétrico.2. despolarizando-se.2. FIGURA 5.1.

há pouco tempo atrás.corrente elétrica do choque passar pelas paredes do ventrículo no instante da repolarização das fibras a probabilidade de fibrilação ventricular é grande. 25 . Pensava-se. isto é. produzindo a fibrilação ventricular. posteriormente.2.2.1. o que acontece é que o coração humano é um órgão muito complexo. fazia com que estes se desregulassem.1 A pressão arterial cai a zero. o sangue está parado no corpo. Os nódulos têm uma rápida recuperação. que a corrente elétrica do choque.3.3. da corrente que passa pelo corpo.2. apenas uma densidade menor afeta o coração e desta. somente uma íntima parcela passa pelos nódulos. - Na realidade. com perda total da eficiência do bombeamento do sangue. ao passar pelo coração. As paredes do ventrículo são formadas por tecidos diferentes superpostos de maneira estratificada. FIGURA 5. passando a emitir sinais caóticos e desritmados. Isto porque: Os NSA e NAV são muito pequenos. Este estado é conhecido por MORTE APARENTE.3 Fibrilação Ventricular do Coração pelo Choque Elétrico A fibrilação ventricular é o estado de tremulação (vibração) irregular e desritmada das paredes dos ventrículos. Verificou-se. que os NSA e NAV não são os responsáveis pela fibrilação ventricular devido ao choque elétrico. O sinal detectado no eletrocardiograma e a pressão arterial são mostrados na figura 5. 5. Em conseqüência. mais precisamente pelo NSA e NAV.

FIGURA 5. são as células cerebrais as primeiras a serem prejudicadas.4. ao passar por estas camadas.FIGURA 5.3.2 Esta heterogeneidade confere a cada camada. passando para o regime de parada cardíaca. tremulando. A corrente elétrica do choque.2. Além disso.2. produz vibrações distintas. Como o sangue não mais circula pelo corpo. densidade e espessura diferentes. Isto gera uma despolarização caótica nas fibras musculares que compõem as paredes do ventrículo. Se nenhuma providência for tomada dentro de quatro minutos. cada camada tem sua própria freqüência mecânica natural de ressonância. Dentro de oito a doze minutos a fibrilação vai diminuindo a sua intensidade. Conseqüentemente. As paredes ficam então. caracterizando o estado de fibrilação. os danos cerebrais são comprometedores. 5.4 Desfibrilador Elétrico O desfibrilador elétrico é um aparelho usado para reverter a fibrilação ventricular. quebrando a eficiência da repolarização. as fibras não mais obedecem e não respondem sincronicamente aos sinais emitidos pelo NSA.1 26 .2. A fibrilação ventricular é irreversível espontaneamente.

e corresponde ao tempo de 10ms.2.na figura seguinte. 2 FIGURA 5.3 Ec C Energia do Capacitor Capacitor (F) Tensão do Capacitor (V) 27 V0 .2. Obtendo-se a polarização. no sentido do átrio ao ventrículo.4. as fibras voltam a obedecer o sinal emitido pelo NSA e o coração restabelece o seu ritmo de batimento. A descarga produz uma avalanche de corrente unidirecional forçando as fibras a ficarem polarizadas. A energia da carga do capacitor é dada pela fórmula: Ec 2 1 CV0 . A área hachurada é a região efetiva da corrente.3 e passe através do coração. A descarga de um capacitor C é feita de modo que sua corrente elétrica tenha a forma da figura 5.2.Seu funcionamento é simples.4.4.2 Corrente de descarga do Capacitor (C) FIGURA 5.

3. apresenta os efeitos das correntes elétricas alternadas de 50 a 60 Hz no corpo humano.1. a tensão no capacitor varia de 2 a 9Kvolts. Onde: Zona 2 Geralmente nenhum efeito patofisiológico perigoso. ainda não se obteve muito sucesso. No entanto. devido às diferentes condições de choque e do próprio corpo humano. O valor da corrente elétrica para causar determinado efeito no corpo humano é muito variado.1) é uma das alternativas de mostrar o relacionamento entre a corrente elétrica aplicada por certo tempo e seus efeitos no corpo humano.1 Curva Tempo X Corrente Muitas pesquisas foram feitas no sentido de obter-se um equacionamento que espelhasse a realidade do efeito da corrente elétrica no corpo humano. Portanto. é difícil fazer uma correlação dos efeitos através de equações matemáticas.3. e a corrente de descarga pelo tórax do paciente na ordem de 1 a 30 Ampéres. A tabela apresenta apenas uma estimativa do efeito da corrente no corpo humano.A escala do aparelho vai até 500J.3 Influência do valor da Corrente Elétrica A tabela a seguir. 5. 5. A curva Tempo X Corrente (figura 5. sem levar em conta o tempo de duração do choque. 28 .

5% de ocorrência de fibrilação ventricular.1 29 . O efeito mais importante é o pulmonar.3. Zona S Curva de segurança com probabilidade de 0.1. Já pode haver risco de fibrilação. FIGURA 5.Zona 3 Zona que produz algum efeito perigoso. Zona 4 Zona perigosa com probabilidade de fibrilação superior em 50% das pessoas.

para a maior corrente de defeito no sistema que passa pelo aterramento. de acordo com a curva do relé. a curva do relé fornece o tempo de atuação da proteção. Vide figura 5. Assim.3.3.5. após pesquisa que 99. durante o tempo em que a pessoa fica submetida à tensão de toque ou passo.1 FIGURA 5. podem suportar sem a ocorrência de fibrilação ventricular.03s t 3s I choque t Corrente (A) pelo corpo humano. para que não ocorra fibrilação.2 Limite de Corrente para Não Causar Fibrilação Charles Dalziel conclui.2.1 30 .2. limite para não causar fibrilação Tempo (S) da duração do choque A expressão é usada para obtenção do limite permissível e aceitável de corrente. O tempo de choque é limitado pela atuação da proteção.5% das pessoas com peso de 50Kg ou mais.3. a corrente elétrica determinada pela expressão: I choque 0.116 t Sendo: 0.

4 Potencial de Toque É a diferença de potencial entre o ponto da estrutura metálica.4.000 Rc Resistência de contato que pode ser considerada igual a 3 s (resistividade superficial do solo). Pela figura a seguir.1. situado ao alcance da mão de uma pessoa. FIGURA 5. obtém-se a expressão do potencial de toque em relação à corrente elétrica de choque. O potencial máximo gerado por um aterramento durante o período de defeito. e um ponto no chão situado a 1 metro da base da estrutura.5 s) I choque 31 . de acordo com a recomendação da IEEE-80 I choque R1 Corrente de choque pelo corpo humano e R2 Resistências dos trechos de terra considerados A expressão do potencial de toque pode ser escrita da seguinte maneira: Vtoque (1000+1. não deve produzir uma corrente de choque superior à limitada por Dalziel. Onde: Rch Resistência do corpo humano considerada 1.5.

não haverá a tensão de passo.1. As tensões de passo ocorrem quando entre os membros de apoio (pés). Estas linhas equipotenciais se formam na superfície do solo quando do escoamento da corrente de curto-circuito.mácimo = (1000 + 1.5 s) 116 0. A figura 5.116 t (Volts) Vtoque.174 s t 0. aparecem diferenças de potencial. É claro que.5 Potencial de Passo Potencial de passo é a diferença de potencial existente entre os dois pés. se naquele breve espaço de tempo os dois pés estiverem sobre a mesma linha equipotencial ou.5.5.1. obtém-se: Vtoque.4. da expressão anterior. se um único pé estiver sendo usado como apoio. Isto pode acontecer quando os membros se encontram sobre linhas equipotenciais diferentes.5. 32 .1 Potencial de Toque Máximo O potencial de toque máximo permissível entre a mão e o pé. Assim. é o produzido pela corrente limite de Daizel. para não causar fibrilação ventricular.mácimo = 5. FIGURA 5. mostra o potencial de passo devido a um raio que cai no solo.

máximo e V passo. deve-se fazer uma correção no parâmetro que contém s das expressões Vtoque.A definição clássica do potencial de passo para análise de segurança é a diferença de potencial que aparece entre dois pontos situados no chão e distanciados de 1metro (para pessoas).2. R2 . Esta confere maior qualidade no nível de isolamento dos contatos dos pés com o solo. o solo é revestido por uma camada de brita.6 Correção do Potencial de Passo e de Toque Máximo Admissível Devido à Colocação de Brita na Superfície. Onde: R1 . R3 são as resistências dos trechos de terra considerados A expressão do potencial de passo é: V passo Fazendo Rc 3 s . K ) no s = brita = 3000 . 5. Deve-se fazer uma correção Cs (hs .m (brita molhada). 33 . Como a área da subestação é a mais perigosa. Portanto.máximo . devido à passagem de corrente de curto-circuito pela terra.5. tem-se ( Rch 2 Rc ) I choque V passo (1000 6 s) I choque FIGURA 5. Esta camada representa uma estratificação adicional com a camada superficial do solo.

34 . K ) 1 1 2 0.7 Medida de Potencial de Toque Para determinação do potencial de toque.116 t 5. A seguir.116 t V passo.O fator de correção C (hs . K ) s ] 0. ficam: Vtoque.96 n Kn 1 1 ( 2n hs 2 ) 0. deve-se colocar 40kg sobre cada placa (admitindo um peso humano de 80kg). Deve ser usado um voltímetro de alta sensibilidade (alta impedância) e intercalar entre os pontos de medição uma resistência com o valor de 1000 para simular a resistência do corpo humano. de dimensões 10x20cm e com um terminal próprio para interligação com os terminais do voltímetro. K ) s ] 0. com superfícies bem polidas. utiliza-se duas placas de cobre ou alumínio.08 Onde: hs Profundidade (espessura) da brita (m) a a s s K= a Resistividade aparente da malha. K ) é dado por: Cs (hs . as expressões Vtoque. com a resistência inserida entre estes dois pontos.5 Cs ( hs . com o fator de correção.máximo = [1000+1. As dimensões acima simulam a área do pé humano e.máximo e V passo.máximo = [1000+6 Cs (hs . sem considerar a brita s Cs 1 brita Resistividade da brita Se a resistividade da brita for igual a resistividade do solo Assim. mede-se o potencial entre o solo (placa colocada a 1metro de distância do pé da estrutura) e a estrutura metálica no ponto de alcance da mão. para simular o peso.máximo .

supondo que a terra mantenha as características resistivas invariáveis para altas correntes. para valores referidos à máxima corrente de curto-circuito fase-terra.FIGURA 5. onde se aplica o voltímetro. e verificar se os pontos da estrutura. o valor de Vtoque é 2000(V). Na prática. estão limpos. 35 . etc.7. com relação à estrutura. os valores medidos devem ser menores do que os valores determinados pelos limites de segurança.1. Para a extrapolação desse valor de tensão. Exemplo: Se para 5(A) o potencial de toque é 10(V). pode-se considerar extrapolação linear. devido à corrente aplicada ao solo. livres de pinturas. para uma corrente de curto de 1000(A). óxidos. Deve-se efetuar a medida em todos os quadrantes do solo.

medido com voltímetro de alta impedância interna.1. FIGURA 5. que serão colocadas no solo espaçadas de 1(metro). como descritas no item anterior. também deve-se ter valores medidos abaixo dos valores especificados pelos limites de segurança. O potencial obtido. como já foi explicado no item anterior.5. Na prática.8. 36 . são utilizados duas placas de cobre ou alumínio. Deverá ser aplicado um peso de 40kg a cada placa para simular o peso do corpo humano e inserir entre os dois pontos uma resistência de 1000 . deverá ser extrapolado para valores de corrente de curto-circuito fase-terra.8 Medida de Potencial de Passo Para a medida do potencial de passo.

tem-se como certa que a fricção entre as partículas de água que formam as nuvens. FIGURA 6. Atualmente. que se denomina gradiente de tensão. A concentração de cargas elétricas positivas e negativas numa determinada região faz surgir uma diferença de potencial entre a terra e a nuvem. além de provocarem danos materiais às construções por elas atingidas. cujo fenômeno é conhecido como descarga piloto. 37 . obrigando a utilização de cabos-guarda ao longo das linhas de tensão mais elevada e pára-raios a resistor não linear.1. A ionização do caminho seguido pela descarga piloto propicia condições favoráveis de condutibilidade do ar ambiente. poderá atingir um valor que supere a rigidez dielétrica do ar interposto entre a nuvem e a terra. normalmente elevada. constituída de cargas elétricas positivas. num trajeto tortuoso e normalmente cheio de ramificações. Verifica-se.1 Descargas atmosféricas As descargas atmosféricas causam sérias perturbações às redes aéreas de transmissão e distribuição de energia elétrica. em função da aproximação do solo de uma das ramificações da descarga piloto.CAPITULO VI DESCARGAS ATMOSFÉRICAS 6. que depende de certas condições ambientais. que as cargas elétricas positivas ocupam a parte superior da nuvem. As descargas atmosféricas induzem surtos de tensão que chegam a centenas de kV nas redes aéreas de transmissão e distribuição das concessionárias de energia elétrica. experimentalmente. fazendo com que as cargas elétricas migrem na direção da terra. acarretando conseqüentemente uma intensa migração de cargas elétricas positivas na superfície da terra para a área correspondente à localização da nuvem. várias teorias foram desenvolvidas para explicar o fenômeno dos raios. enquanto as cargas elétricas negativas se posicionam na sua parte inferior. para a proteção de equipamentos instalados nesses sistemas. uma descarga ascendente. o ar apresenta uma determinada rigidez dielétrica. surge. conforme se pode observar na figura anterior.1. provocada pelos ventos ascendentes de forte intensidade.É de aproximadamente 1 kV/mm o valor do gradiente de tensão para o qual a rigidez dielétrica do ar é rompida. dá origem a uma grande quantidade de cargas elétricas. Ao longo dos anos. Mantendo-se elevado o gradiente de tensão na região entre a nuvem e a terra. O aumento dessa diferença de potencial. sem contar os riscos de vida aos quais as pessoas e animais ficam submetidos. No entanto.

pode haver acoplamento magnético entre 38 . a proteção contra as descargas atmosféricas é feita através da instalação no topo da construção de um sistema de hastes acopladas a captores metálicos. Na tentativa de manter o equilíbrio dos potenciais elétricos no interior da nuvem. As descargas reflexas ou secundárias podem acontecer por várias vezes. dando início às chamadas descargas reflexas ou secundárias. deixou o ar intensamente ionizado. provoca. numa determinada região da mesma. que é o deslocamento da massa de ar circundante ao caminhamento do raio. em função da elevação de temperatura e conseqüentemente do aumento de volume.2. ou seja: a) Proteção do patrimônio e segurança pessoal Nesse caso.denominada descarga de retomo ou principal. A descarga de retomo. ligados diretamente a um sistema de aterramento eficaz na base da edificação. Cabe salientar que durante o escoamento de uma descarga atmosférica pelo cabo de descida da edificação ou pela ferragem estrutural. de grande intensidade. Não se tem como precisa a altura do encontro entre esses dois fluxos de carga que caminham em sentidos opostos. após cessada a descarga principal.1. em sua trajetória ascendente. responsável pelo fenômeno conhecido como trovão. FIGURA 6. surgem nesta. conforme se observa na figura anterior. ao atingir a nuvem. uma neutralização eletrostática temporária. intensas descargas que resultam na formação de novas cargas negativas na sua parte inferior. mas acredita-se que seja a poucas dezenas de metros da superfície da terra. no sentido da nuvem para a terra. A proteção contra descargas atmosféricas se dá de duas formas distintas. tendo como canal condutor aquele seguido pela descarga de retomo que.

Associada à onda de tensão. que podem atingir o interior das instalações. FIGURA 6. podendo provocar surtos de tensão elevados. enquanto nos sistemas de 69 kV. tanto no sentido da fonte como no sentido da carga. Quando uma descarga atmosférica atinge uma rede de energia elétrica diretamente ou as proximidades do seu caminhamento. A descarga também poderá ser conduzida externamente. a TSI é de 355 kV. esse valor é de 10 kV. Essa onda é conduzida pela rede de energia.este e os circuitos da instalação. atingindo os equipamentos ligados às duas extremidades do circuito. b) Proteção contra surtos de tensão Já a proteção contra os surtos de tensão. a qual se dá o nome de tensão suportável de impulso (TSI). fica presumivelmente estabelecido um curtocircuito monopolar à terra. ocorrerá uma descarga através desses. surge. propiciando a queima de equipamentos. Em ambos os casos.1. Todo componente ou parte de um sistema elétrico é caracterizado por uma tensão de suportabilidade aos surtos de tensão. um surto de tensão. faz surgir nela. Esse fato pode ser observado através da próxima ilustração. também. por indução.3. resultando o desligamento do sistema pela proteção de neutro. é feita através da aplicação de pára-raios a resistor não linear no ponto de conexão da referida instalação com o sistema da concessionária. Se o valor do surto de tensão superar a TSI dos isoladores da rede de energia elétrica. Nos sistemas de baixa tensão. podendo perfurá-los. 39 . a tensão suportável de impulso é de 95 kV. um surto de corrente que é conduzido pela rede de energia da mesma forma que o surto de tensão. No caso de sistemas de distribuição da classe de 15 kV.

5 /km para redes aéreas. será levada também à terra. é necessária uma proteção adequada através de varistores. é necessária a instalação de pára-raios nos pontos de conexão da rede pública de energia elétrica com a rede do consumidor. O valor da intensidade de corrente depende da impedância característica da rede elétrica. que constitui uma de suas características técnicas. pois. que deve ser entendida como sendo a impedância que esta oferece à passagem da corrente de surto. está desempenhando as funções básicas de proteção contra surtos atmosféricos. a onda de tensão caminhará nos sentidos mostrados na figura anterior. todo condutor elétrico é caracterizado por uma impedância que este oferece à passagem da corrente elétrica na forma de onda senoidal. cessada essa condução. os EES s estarão sujeitos a seus efeitos e. à freqüência industrial. denominada corrente subseqüente. portanto. Quando é estabelecida a disrupção do pára-raios. denominada tensão residual. somente a corrente de surto atmosférico deve ser conduzida à terra. Como esta tensão é levada do primário para o secundário do transformador. Nos sistemas aéreos de distribuição e transmissão. Estabelecida a disrupção do pára-raios. Essa queda de tensão pode ter valor expressivo e depende também da intensidade da corrente que é conduzida pelo pára-raios.Se o valor do surto de tensão for inferior à TSI dos isoladores. provoca entre os terminais do pára-raios uma queda de tensão. centelhadores a gás etc. dessa forma. será conduzida à terra a corrente de surto. Também. freqüência industrial (60 Hz). 40 . a corrente de carga. Ao mesmo tempo em que a rede elétrica está conduzindo as ondas de surto de tensão e de corrente. que é conduzida à terra. até atingir os equipamentos que estão conectados às duas extremidades do circuito. São característicos os valores de 0. o que pode ser observado também através da figura anterior.3 a 1. diodos zener. a TSI varia entre 350 a 450 . É importante observar que a corrente de descarga. Para que esses equipamentos não sejam danificados. está também conduzindo as ondas de tensão e de corrente de carga. o que é prontamente interrompida na sua primeira passagem por zero pelo resistor não linear do pára-raios que.

apenas provocam anomalias no seu desempenho operacional. No entanto. ao se estabelecer um campo eletrostático intenso nas suas proximidades. pode funcionar inadequadamente quando submetido a descargas da ordem de 600V. cargas estáticas bem inferiores podem modificar o desempenho do componente. é importante distinguir a condução de corrente entre dois eletrodos por efeito de centelhamento e por efeito de arco elétrico. existem materiais que têm a predisposição de ceder ou absorver elétrons de outros materiais. já que normalmente não destroem o componente. ao lado dos nêutrons.4 kV: pessoas trabalhando em bancadas. O primeiro caso. denominadas elétrons. Os níveis de potencial eletrostático verificados usualmente nas pessoas envolvidas no processo de montagem de placas eletrônicas são de: 12 kV: pessoas andando sobre carpete. Um dos motivos de acúmulo dessas cargas se deve ao movimento de materiais em processo no interior das próprias máquinas. que giram em tomo do núcleo. No entanto. Pesquisas verificaram que cerca de 30% das falhas em linhas de manutenção de placas e de equipamentos eletrônicos têm a sua origem na eletricidade estática. 41 . O resultado sobre os EES s pode ser a perda de dados ou erro de processo e redução da sua vida útil. capazes de destruir um componente sensível. sem que seja percebida. existem facilidades de acumulação de cargas estáticas que podem acarretar perigo às pessoas e ao patrimônio. e de cargas elétricas negativas. interposto entre os referidos eletrodos. separam-se. Quando se trata de descargas eletrostáticas. para duração de cerca de 2 micro segundos. 0. acumulam-se em materiais condutores não aterrados ou em superfícies não condutivas. denominadas prótons. provocando descargas elétricas. Assim é que um amplificador operacional. quando submetidos a uma determinada diferença de potencial.1 Descargas eletrostáticas A eletricidade estática é um fenômeno natural em que cargas elétricas estacionárias. A primeira forma está relacionada com o stress a que eles submetem os componentes eletrônicos. No entanto. o centelhamento se caracteriza pelo rompimento do meio dielétrico. Nos processos industriais. através de uma fonte de calor ou por meio de fricção. As cargas estáticas estabelecem potenciais elétricos muito elevados. isto é.CAPÍTULO VII DESCARGAS ELETROSTÁTICAS 7. valor de pico. cujo nível de imunidade nominal é cerca de 2 kV. localizados no núcleo. Quando os fabricantes fornecem os níveis de suportabilidade de seus componentes eletrônicos. os valores referem-se à condição de destruição. O componente sensível não é destruído. produzidas pela fricção ou separação de materiais distintos. esses mesmos equipamentos possuem sensibilidade a potenciais elétricos da ordem de 25 V. por uma ação deliberada. o campo eletrostático pode atuar sobre os EES s. Já o arco elétrico se estabelece quando dois eletrodos estão previamente em contato firme e. Os potenciais eletrostáticos atuam de duas diferentes formas sobre os EES s. 4 kV: pessoas andando sobre piso cerâmico. A eletricidade estática produz pequenas correntes e altas tensões. Na segunda forma. Os átomos dos materiais são dotados de cargas elétricas positivas. A maioria dos componentes dos equipamentos eletrônicos apresentam nível de suportabilidade inferior a 3 kV.

sem que se forme o centelhamento. a pessoa pode injetar um surto de tensão de alto valor. a não ser pelas bordas. ou ainda que os técnicos que manuseiam componentes eletrônicos utilizem os braceletes de escoamento de cargas estáticas acumuladas. evitando deixá-la em cima de uma superfície qualquer. Tanto o armazenamento.Muitas vezes se estabelece uma descarga eletrostática entre dois pontos quaisquer. podem ser utilizados. durante um tempo mínimo de 3 s. Se isto não for possível. como o manuseio de placas de equipamentos eletrônicos sensíveis. Existem muitos recursos para reduzir ou eliminar as cargas eletrostáticas. no qual se desenvolvem atividades com placas de componentes eletrônicos. ou seja: Barras ionizadoras. Limitar os movimentos das pessoas. do equipamento. ou seja: Dispor de proteção das placas através de invólucros condutivos. não conduz à solução final. quando manusearem um componente eletrônico. para que se mantenham a segurança e a integridade das mesmas. Se os materiais envolvidos forem bons condutores. e. grau de ionização do meio etc. Esse valor pode variar em função das condições de umidade. E necessário um campo elétrico com valor aproximado de 30 kV/cm para que se forme um centelhamento no ar. fazer o contato da embalagem de proteção eletrostática. Como exemplo. adicionalmente ao aterramento. suficiente para danificar definitivamente um componente do equipamento eletrônico sensível. usar a tampa de um slot de expansão. Ao instalar um novo opcional no EES. devem obedecer a alguns requisitos básicos. 42 . procurar instalar diretamente. Ao remover um dispositivo opcional da embalagem para aplicar no EES. não pintada. Tratando-se de ambientes de laboratório. Não tocar o circuito impresso fora do seu invólucro.000 (pessoa com o corpo seco e tranqüila). aconselhável que a superfície das oficinas de reparo de equipamentos eletrônicos seja constituída de pisos de resistividade adequada para permitir o fácil escoamento das cargas estáticas. Descargas eletrostáticas entre materiais isolantes são formadas por um grande número de descargas parciais. Os invólucros dos equipamentos eletrônicos sensíveis muitas vezes são abertos por pessoas não capacitadas para trabalharem nessa atividade. contendo o dispositivo. Ao tocar uma placa eletrônica sensível. deixar o dispositivo sobre a embalagem de proteção estática. por si só. a descarga eletrostática ocorre de uma só vez. com qualquer parte metálica. O aterramento dos materiais carregados tem sido tradicionalmente o recurso mais bem-sucedido nesses casos. a segunda condição é mais desfavorável devido ao maior valor da potência transferida. sem se aperceberem podem danificar o aparelho com o qual trabalham. Isto reduz a eletricidade estática da embalagem e do corpo da pessoa. Pistolas de ar comprimido ionizado. outros recursos. É que uma pessoa pode ser comparada com uma capacitância da ordem de 200 pF e com uma resistência elétrica variando entre 700 (pessoa suada) até 2. Para evitar riscos de destruição dos circuitos impressos dos EES s. Geradores de cortina de ar ionizado. porém. Para a mesma quantidade de energia transferida entre materiais isolantes ou entre materiais condutores.

m.m.m e inferior a 10 9 . cadeiras e mesas devem ser confeccionados com materiais do tipo condutivo. O uso das pulseiras de aterramento evita que os técnicos acumulem cargas estáticas. Cerâmica: 10 9 . São muito utilizados em bancadas de manutenção de EES s e têm a função de dissipar as cargas estáticas dos materiais não condutivos. 43 . qualquer dispositivo opcional. Utilizar shunts condutivos nos terminais das placas. Utilizar sopradores especiais de ar ionizado. A vestimenta eficiente de trabalho é o guarda-pó. a fim de proteger o referido técnico de contatos acidentais com partes vivas da bancada. ou seja: Granito: 10 4 . O armazenamento dos componentes eletrônicos deve ser feito em estantes metálicas aterradas. Argila: 10 3 . O manuseio dos componentes eletrônicos deve ser feito por pessoas vestidas com roupas antiestáticas.m. Como informação. a fim de se estabelecer condutividade entre o técnico e o piso. ou outra superfície metálica. Dispor de ambientes de trabalho com piso de material considerado de dissipação estática. são fornecidas as resistividades médias de alguns materiais utilizados em pisos. São providas de um resistor com valores entre 0. cuja resistividade característica é superior a 10 5 . Não utilizar tecidos de poliéster puro pois é um material de grande capacidade de geração de cargas eletrostáticas. Borracha: 10 4 . confeccionado em algodão.m . São consideradas superfícies condutivas aquelas cujas resistividades são inferiores a 10 5 .3 e 1 M .m. Os sapatos. impedindo que diferenças de potenciais sejam conduzidas para os componentes das mesmas. A melhor superfície para as oficinas de reparo é aquela denominada dissipação estática.m. Os componentes eletrônicos devem ser manuseados por pessoas portadoras de pulseiras antiestáticas.Evitar depositar sobre a tampa do EES. Esse tipo de superfície não permite grandes variações de potencial eletrostático. originadas da sua própria movimentação no ambiente.

intimamente ligado aos problemas de aterramento. proporcionar um caminho de escoamento para a terra de descargas atmosféricas. com uma garantia de que os limites de segurança pessoal não serão ultrapassados. É fato que estes potenciais podem atingir níveis razoavelmente elevados. é fundamental que a questão aterramento mereça um cuidado especial. eliminando o defeito o mais rapidamente possível. com uma adequada continuidade de serviço. entre outros: obter uma resistência de aterramento a mais baixa possível. espera-se que a corrente esteja dentro do calculado. fazer com que os equipamentos de proteção sejam mais sensibilizados e isolem rapidamente as falhas à terra. Quando ocorre um curto-circuito envolvendo a terra. para que a proteção possa operar e atuar com fidelidade e precisão. procura-se efetuar uma adequada ligação dos equipamentos elétricos à terra. dentro das condições do solo.CAPÍTULO VIII ATERRAMENTO 8. Este cuidado deve ser traduzido na elaboração de projetos específicos. A maneira de prover a ligação íntima com a terra é ligar os equipamentos e massas a um sistema de aterramento conveniente. 44 .1 Importância do aterramento em instalações elétricas Para que um sistema de energia elétrica opere corretamente. -O segundo algarismo indica a proteção contra infiltração de líquidos (água). Os métodos mais comuns de aterramento serão discutidos mais adiante.2 Proteção contra choques elétricos As indicações de graus de proteção são freqüentes nos equipamentos elétricos de manobra e suas combinações. para se ter o melhor aterramento possível. de modo que a proteção seja sensibilizada rapidamente e os potenciais de toque e de passo fiquem abaixo dos limites críticos da fibrilação ventricular do coração. Por enquanto. porém. deve-se especificar certos conceitos que são amplamente utilizados quando se trata do assunto choque elétrico. manter os potenciais produzidos pelas correntes de falta dentro de limites de segurança. A norma IEC-144 Graus de Proteção de Invólucros para Equipamentos de Controle e Manobra de Baixa Tensão define que o grau de proteção é dado por uma abreviação composta das letras IP e dois algarismos significativos. para que correntes de falta sejam facilmente drenadas à terra. com um desempenho seguro do sistema de proteção e. 8. Os objetivos principais do aterramento são. de modo a não causar danos físicos às pessoas que por acaso estiverem em contato com os mesmos. Durante o tempo em que a proteção ainda não atuou. explicado a seguir: -O primeiro algarismo faz menção quanto ao contato manual e quanto à entrada de corpos estranhos. nos quais. a corrente de defeito que escoa pelo solo gera potenciais distintos tanto na sua superfície (potenciais de passo) quanto nas massas metálicas sobre ele (potenciais de toque). Portanto. com base em dados disponíveis e parâmetros pré-fixados. sejam consideradas todas as possíveis condições a que o sistema possa estar submetido. mais ainda.

A isolação deve ser de material resistente às solicitações mecânicas. Por exemplo. Pode-se citar. Observe que: a ) Para os componentes montados em fábrica. A proteção contra choques elétricos está fundamentada em dois princípios: a) Proteção contra contatos diretos (primeira linha de defesa): todo equipamento.É possível. Porém o número zero O indica ausência de proteção contra infiltração de água. componente ou parte da instalação deve ser de tal forma construído e/ou protegido que. Nota: Quando a isolação for feita durante a execução da instalação. componente ou parte da instalação deve ser de tal forma construído e/ou protegido que impossibilite o contato de qualquer parte do corpo humano com qualquer parte energizada ou energizável (partes vivas). sendo que o segundo algarismo X irá indicar a proteção que o equipamento deve ter contra a penetração de líquidos. considerados como constituindo uma isolação suficiente no quadro da proteção contra os contatos diretos. em caso de falha da isolação básica (funcional). a isolação deve atender às prescrições relativas a estes componentes. de tal maneira que este só possa ser retirado através da sua destruição. a proteção deve ser garantida por uma isolação capaz de suportar as solicitações mecânicas. vernizes. químicas. uma série de combinações entre contato manual e entrada de corpos estranhos por um lado. com a proteção contra infiltração de água por outro lado. os condutores elétricos isolados. às quais possa ser submetida. geralmente. lacas e produtos análogos não são. 8. b) Proteção contra contatos indiretos (segunda linha de defesa): todo equipamento. térmicas e elétricas a que possa ser submetido em uso normal. Já a sigla IP2X indica proteção contra contato com os dedos e proteção contra penetração de corpos estranhos sólidos médios. portanto.3 Proteção contra contatos diretos São recomendadas pela NBR 5410 /1990 cinco medidas para a proteção contra os contatos diretos: 1) Isolação das partes vivas: Consiste em recobrir estas partes com material isolante. elétricas e térmicas. 45 . como exemplo. a sigla IP10 quer dizer proteção contra contato acidental e contra entrada de corpos estranhos sólidos de grandes dimensões. b) Para os demais componentes. c) As tintas. não haja risco de choque elétrico para pessoas ou animais. a qualidade desta isolação deve ser verificada através de ensaios análogos aos destinados a verificar a qualidade da isolação de equipamentos similares industrializados.

4 (pág. bem como a retirada das barreiras. o circuito aciona um disjuntor que desliga todo o sistema. pelo menos. dispositivos fusíveis. Por exemplo. b) Garantir. 5) Uso de dispositivos de proteção à corrente diferencial residual (DR): Dispositivos de proteção à corrente diferencial residual são equipamentos que constantemente monitoram a resultante da corrente nas fases contra a corrente nos condutores de neutro e terra. Os obstáculos devem impedir: a ) Uma aproximação física não intencional das partes vivas (por exemplo. As barreiras e invólucros devem ser fixados de forma segura. quer seja por uma fuga. 30). Se a diferença entre estas correntes for maior que um valor pré-determinado. inclusive com desenhos orientativos. etc. deve ser possível somente através do uso de chaves ou ferramentas. por meio de telas ou painéis sobre os seccionadores). Neste caso. O grau de IP2X assegura proteção contra corpos estranhos cujas dimensões sejam superiores a 12 mm. de modo a dar acesso somente à alavanca dos disjuntores é uma barreira. A NBR 5410/1990. acidentalmente. que significa Fault 46 . 4) Colocação fora de alcance: Este tipo de procedimento não é considerado medida de proteção contra contatos diretos em ambientes domésticos ou análogos. quer seja por um choque. as partes vivas. por meio de corrimões ou telas de arame). levando-se em conta as condições de influências externas relevantes. que as pessoas sejam advertidas de que as partes acessíveis através da abertura são vivas. a caixa moldada de um disjuntor é um invólucro. b) Contatos não intencionais com partes vivas. tomadas de corrente. 3) Uso de obstáculos Os obstáculos são destinados a impedir os contatos fortuitos com partes vivas. durante a manipulação ou substituição de componentes tais como lâmpadas. ao passo que a chapa metálica colocada nos quadros de distribuição.2) Uso de barreiras ou invólucros: As barreiras ou invólucros são destinados a impedir todo o contato com as partes vivas da instalação elétrica. ser de uma robustez e de uma durabilidade suficientes para manter os graus de proteção e a apropriada separação das partes vivas nas condições normais de serviço. algumas precauções devem ser tomadas para: a) Impedir que as pessoas ou animais domésticos toquem. no item 5.1. detalha este tipo de proteção. se tiverem aberturas que sejam necessárias para permitir o funcionamento adequado dos componentes ou se produzirem. ao grau de proteção IP4X. Tais dispositivos são também referenciados pela abreviatura FI. na medida do possível. isto indica que há corrente sendo desviada do seu caminho normal. e não devem ser tocadas acidentalmente.2. As superfícies superiores das barreiras ou dos invólucros horizontais que sejam facilmente acessíveis devem atender. Os obstáculos podem ser desmontáveis sem a ajuda de uma ferramenta. por ocasião da operação de equipamentos sob tensão (por exemplo. Entretanto. entretanto devem ser fixados de forma a impedir qualquer remoção involuntária. mas não os contatos voluntários por uma tentativa deliberada do contorno do obstáculo. aberturas maiores do que as admitidas para IP2X. Os invólucros ou barreiras devem possuir pelo menos um grau de proteção IP2X. A abertura dos invólucros.

sem barreira ao contato. A norma não considera a colocação fora de alcance (no teto. Exemplos deste tipo de ligação são muito comuns em equipamentos médicos hospitalares. a alimentação de tais equipamentos provém de um tipo de ligação chamada de flutuante. isto é. 1:1) entre os equipamentos e a rede elétrica. por exemplo) como medida de proteção. A proteção por separação elétrica deve ser assegurada através da obediência às seguintes prescrições: a) Quando um circuito separado só alimentar um aparelho. Assim. ainda têm uma segunda camada de isolação. massas de outros circuitos ou a elementos condutores estranhos à instalação. e em quadros que não possuem a chapa frontal. onde chaves-faca e porta-fusíveis são freqüentemente utilizados sem proteção ao toque. não devendo ser utilizada isoladamente. este tipo de dispositivo é referenciado pela sigla DR. ou seja. O circuito de separação elétrica deve ser alimentado por intermédio de uma fonte de separação. sua massa não deve ser ligada intencionalmente a condutores de proteção. no que tange a estas cinco recomendações.Interrupter. um grupo motor gerador com enrolamentos que forneçam uma separação equivalente. ou Interruptor de Falhas. um transformador de separação ou uma fonte de corrente que assegure um grau de segurança equivalente ao do transformador de separação. são previstas cinco medidas de proteção: 1) Proteção pelo emprego de equipamentos classe II: Equipamentos classe II são equipamentos que possuem dupla isolação. ou seja. Outra violação comumente observada é o uso de receptáculos para lâmpadas incandescentes com bornes expostos ao toque. Equipamentos acondicionados em invólucros não-metálicos também são classificados como equipamentos classe II. onde as partes que ficam em contato com o paciente não devem ter nenhuma ligação física com a rede de alimentação. 2) Proteção por separação elétrica: Consiste na não ligação física dos equipamentos na rede elétrica principal. são equipamentos que. b) Se forem tomadas precauções para proteger o circuito secundário contra danos ou falhas de isolamento. Isto é conseguido pela instalação de transformadores isoladores (cuja relação e. Tampouco os globos removíveis sem auxilio de ferramentas podem ser considerados como barreiras. desde que todas as exigências a seguir sejam atendidas: 47 .1. sendo assim chamado no decorrer dos próximos capítulos. Neste caso. ou uma segunda proteção às partes vivas. 8. 31) da norma NBR 5410/1990.3 (pág. Em normas brasileiras. As violações mais freqüentes à norma.4 Proteção contra contatos indiretos A proteção contra contatos indiretos é abordada no capítulo 5. Deve ser observado. além da isolação e proteção normal das partes vivas. Por exemplo. são observadas em quadros de distribuição. normalmente. que esta última medida destina-se apenas a complementar as medidas clássicas de proteção. Outra maneira de fazer a separação elétrica é utilizar circuitos separados para cada equipamento. uma fonte de separação pode alimentar vários aparelhos. ficando o barramento de energia exposto. todavia.

Por condições convencionais. 5) Proteção por seccionamento automático da alimentação: O seccionamento automático da alimentação. protegendo os operadores de eventuais choques. porém sem que este potencial seja forçado à terra. já que protegerá o operador somente enquanto este não tocar o equipamento. quando sua aplicação for difícil. os valores de resistência do corpo humano podem ser admitidos. deve ser usada preferencialmente a proteção por seccionamento automático da alimentação. De modo geral. garante-se uma ligação equipotencial de todas as carcaças dos equipamentos. nas condições convencionais. em hipótese alguma. porém o mais ineficaz deles. Assim.1. Vale lembrar que nunca deve ser ignorado o sistema de aterramento usado no hospital ou clínica médica. Os valores nesta tabela são válidos para condições normais de influências externas. TABELA: 8. deve-se aplicar a medida de proteção por seccionamento automático da alimentação. Entretanto. corpo seco em ambiente seco. No entanto. irrealizável ou insuficiente. a relação entre a corrente e a tensão não é linear.4.2. extraída da NBR 5410/1990.4. nem a massas de outros circuitos nem a elementos condutores estranhos à instalação. 3) Proteção por ligação equipotencial não aterrada: Consiste basicamente na interligação de todas as massas dos equipamentos em um único ponto. Apesar disto. Segundo a NBR 6533/1981. não devendo. destina-se a impedir a manutenção da tensão de contato por tempo suficiente para que possa resultar em perigo para as pessoas. ou seja. uma vez que a resistência do corpo humano varia com a tensão de contato. ser aplicada individualmente. Estes condutores não devem ser ligados a condutores de proteção.4. 4) Proteção por colocação do equipamento em locais não condutores: Este tipo de proteção é o mais óbvio de todos. A tabela a 8. de acordo com a tabela 8. sendo que este ponto não é aterrado. entenda-se uma situação em que o acidente 48 . após o aparecimento de uma falta. devem ser considerados os outros métodos de proteção. estabelece os tempos máximos admissíveis para cada tensão de contato presumida. -Todas as tomadas de corrente devem possuir um contato exclusivo para ligação aos condutores de equipotencialidade previstos no item anterior. Nota: Se essa condição não puder ser cumprida. esta técnica é válida para complementar outras medidas de proteção.1 A tensão de contato depende da tensão de alimentação e da relação entre a impedância do caminho para a terra e a impedância total do caminho de falta.-As massas dos circuitos separados devem ser ligadas entre si por condutores de equipotencialidade não aterrados.

é utilizada a seguinte simbologia. TABELA: 8. Massas simultaneamente acessíveis devem ser ligadas à mesma rede de aterramento. gás. condutor ou terminal de aterramento principal. por grupos ou coletivamente. classificados de acordo com padrões internacionais.mais provável é o que faça passar a corrente de uma mão a outra. independentemente do aterramento eventual de um ponto da alimentação.4. 49 . A proteção por seccionamento automático de alimentação deverá ser utilizada em uma instalação em conjunto com o sistema de aterramento definido para a mesma. aproximadamente.2 Resistência do Corpo Humano à Tensão de Contato. colunas ascendentes de sistemas de aquecimento central ou de condicionamento de ar. ou de uma mão a um pé. Todavia. eletrodos de aterramento do sistema de proteção contra descargas atmosféricas e outros.5 Métodos mais comuns de aterramento São três os sistemas básicos de alimentação e aterramento em baixa tensão. Os valores indicados na tabela são os valores mínimos prováveis admitidos usualmente. I: significa isolação de todas as partes vivas em relação à terra. 8. Para classificação dos sistemas de aterramento. -A segunda letra indica a situação das massas da instalação. ou aterramento de um ponto através de uma impedância. -Ligação equipotencial principal: em cada edificação deve existir uma ligação equipotencial principal reunindo os seguintes elementos: condutor de proteção principal. Válida para Correntes Contínuas e Alternadas. os valores mínimos de resistência do corpo humano com pele seca (nenhuma umidade. ao dobro dos valores indicados na tabela. canalizações metálicas de água. estruturas metálicas. de acordo com a norma NBR 54 10/1990: -A primeira letra indica a situação da alimentação em relação à terra: T: significa um ponto diretamente aterrado. em relação à terra: T: significa massas diretamente aterradas. com Freqüências de até 100Hz A proteção por seccionamento automático da alimentação possui os seguintes princípios básicos: -Aterramento: as massas devem ser ligadas a condutores de proteção nas condições especificadas para cada esquema de aterramento. individualmente. inclusive suor) correspondem.

chamado de condutor PEN.1 Aterramento utilizando o sistema TN O sistema TN é tal que toda corrente de falta direta fase-massa é considerada uma corrente de curto-circuito. sendo as massas ligadas a este ponto através de condutores de proteção. de acordo com a disposição do condutor neutro e do condutor de proteção. 8. As Figuras 8.5.3 ilustram o esquema de ligação para o sistema TN. 8.1: Sistema TN-S: condutor neutro e condutor de proteção Separados ao longo de toda a instalação 50 .2 e 8. particularmente quando a proteção contra contatos indiretos for realizada por dispositivos acionados por sobrecorrente. fica condicionada à integridade do condutor neutro o que.5.1. São considerados três tipos de sistemas TN. a saber: a)Sistema TN-S. Observação importante: A confiabilidade do sistema TN.5. C: significa funções de neutro e de proteção combinadas em um único condutor.1. no qual o condutor neutro e o condutor de proteção são distintos.N: significa massas ligadas diretamente ao ponto da alimentação aterrado (em corrente alternada.1. o ponto aterrado é normalmente o neutro). c)Sistema TN-C. FIGURA 8.1. Os sistemas TN possuem um ponto da alimentação diretamente aterrado. no caso de instalações alimentadas por rede pública em baixa tensão. b)Sistema TN-C-S. no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em um único condutor em uma parte da instalação. -Outras letras (eventuais) indicam a disposição do condutor neutro e do condutor de proteção: S: significa funções de neutro e de proteção asseguradas por condutores distintos.5.1.5. no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em único condutor ao longo de toda a instalação. dependerá das características do sistema da concessionária.

FIGURA 8. ser suficientemente grandes para provocar o surgimento de tensões perigosas é chamado de sistema TT.3: Sistema TN-C: as funções de neutro e de condutor de proteção estão combinadas em um único condutor durante toda a instalação 8.5.2: Sistema TN-C-S: as funções de neutro e de condutor de proteção são combinadas em um único condutor (condutor PE) em uma parte da instalação. todavia.1.2 Aterramento utilizando o sistema TT O sistema no qual as correntes de falta direta fase-massa são inferiores a uma corrente de curtocircuito podendo.5. O sistema TT possui um ponto da alimentação diretamente aterrado. 51 . A Figura 8.5.1.1.5. a seguir.2. ilustra o esquema de ligação do sistema TT. estando as massas da instalação ligadas a eletrodos de aterramento eletricamente distintos dos eletrodos de aterramento da alimentação.FIGURA 8.

1: Esquema de ligações do sistema TT. Observações: a) Quando a alimentação provier de uma rede de distribuição pública de baixa tensão. O sistema IT não possui qualquer ponto da alimentação diretamente aterrado.5. estando aterradas somente as massas da instalação.1 esquematiza as ligações do sistema IT.5.3.3 Aterramento utilizando o sistema IT Este é o sistema no qual a corrente resultante de uma única falta fase-massa não tem intensidade suficiente para provocar o surgimento de tensões perigosas.FIGURA 8. 8.1: Esquema de ligações do sistema IT. FIGURA 8.5. A Figura 8. 52 . conforme critério de projeto atualmente padronizado pelas concessionárias de energia elétrica.3.5. o condutor neutro deve ser sempre aterrado na origem da instalação. b) Os aterramentos providos pelos consumidores alimentados em baixa tensão são essenciais ao atingimento do grau de efetividade mínimo requerido para o aterramento do condutor neutro.2.

são extremamente vulneráveis a interferências se o equipamento que os capta não estiver bem aterrado. . 53 .1 Principal Motivo Em ambientes hospitalares. Assim. sem distorções nem interferências. porém nos capítulos posteriores serão abordados casos específicos com mais profundidade. deve-se considerar o sistema de distribuição de energia e seus objetivos. e distribuir aos consumidores individuais ou em grupo (unidades de internação. Vários outros exemplos poderiam ser citados.transmitir em quantidades suficientes aos centros de carga (sem queda de tensão). laboratórios e outros) em forma adequada. serão comentados os aspectos mais importantes no que se refere a aterramento. portanto.gerar energia elétrica em quantidades suficientes e nos locais onde haja necessidade. qualidade e segurança. e as proteções contra choques atuando dentro dos padrões que foram calculados. o corpo humano faz parte do circuito elétrico. Pode-se notar.2 Generalidades O aterramento é um dos fatores que minimizam a intensidade do choque elétrico.CAPÍTULO IX ATERRAMENTO EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS HOSPITALARES 9. Os sistemas de distribuição de energia elétrica normalmente chegam ao Estabelecimento Médico Hospitalar em uma tensão mais alta do que a usada pelos consumidores finais. porém deve-se levar também em consideração o perfeito funcionamento da enorme quantidade de equipamentos eletrônicos presentes. com o menor custo possível. e a intensidade da corrente deste circuito irá depender de todos os elementos que o constituem. centros de tratamento intensivo. Quando há um choque. a preocupação fundamental continua sendo a proteção contra choques elétricos. Um sistema de energia elétrica deve ter como objetivos: . Quando se discute aterramento. tratando-os de maneira generalizada. a complexidade de detalhes que envolvem o item aterramento dentro de um hospital. Estes sinais elétricos. Se o item aterramento for projetado e construído seguindo todas as normas e cuidados. 9. respectivamente. conforme a cidade onde o estabelecimento está localizado. A seguir. Entende-se por perfeito funcionamento a correta captação. sendo rebaixada por elementos transformadores para uma tensão de 220/121 Volts. como por exemplo ECG (eletrocardiograma) e EEG (eletroencefalograma) têm amplitudes de milivolts e microvolts. dos diversos sinais elétricos representativos de atividades biológicas humanas. As instalações elétricas devem estar bem dimensionadas. o corpo humano certamente não sofrerá danos quando incluido dentro do contexto eletricô. ou 380/220 Volts.

Algumas características do solo devem ser consideradas na elaboração do projeto de aterramento.teor de umidade. c)correntes de alta amplitude e alta freqüência resultantes de descargas atmosféricas. Por exemplo: . profundidade e natureza do lençol freático. b)correntes de origem eletrostática.000 ohms x metro. O sistema de aterramento deve ser projetado de modo a suportar as seguintes solicitações de correntes e tensões: a)correntes de amplitudes variáveis e de baixa freqüência (60 Hz). em virtude da quantidade de água existente no solo variar com as condições atmosféricas. . . pois o mesmo pode apresentar variações consideráveis em função da região e do clima onde está localizado. Esta resistividade é bastante variável. ou induzidas pelas mesmas. devidas a descargas estáticas oriundas de carcaças e estruturas metálicas. Com base nestas alterações. estações do ano. O solo é o meio de dispersão das correntes que circulam quando existe uma falta no sistema elétrico e o aterramento é solicitado. hastes e conectores interligados que permitem a condução e dissipação para a terra das correntes que sejam impostas a esse sistema . a resistividade pode ser mantida conforme cálculos de projeto através de produtos específicos e conhecimento das propriedades físicas e elétricas dos materiais condutivos. . Todos estes componentes participam diretamente da resistividade do solo. podendo assumir valores entre 20 e 20.9. cabos. resultantes de falhas faseterra dos sistemas aumentadores.formação geológica. A tabela abaixo mostra a variação da resistividade em função do tipo de solo: 54 .3 Princípios e funcionamento de um sistema de aterramento Um sistema de aterramento é o conjunto de condutores.nível de compactação. .teor de sais. A resistividade da terra varia significativamente inclusive durante o ano.

por uma baixa resistência de aterramento. e) armações metálicas do concreto. ou seja. chapas ou tubos de aço zincado. d) barras ou placas metálicas. o tipo e a profundidade de instalação dos eletrodos de aterramento devem ser tais que as mudanças nas condições do solo (por exemplo. o material de que é feito cada haste e o número de hastes ligadas entre si. por exemplo: chapas. possui resistividade que produz efeitos variados quando percorridos por uma corrente elétrica de escoamento. como a várias hastes enterradas e eletricamente interligadas. Ambos são excelentes isolantes.Observação: O valor da resistividade é expresso em ohms x metro. pela capacidade de dispersar a maior corrente possível com a menor tensão possível. da forma e da própria colocação topográfica do sistema. homogêneo ou heterogêneo. conseqüentemente. Um eletrodo deve oferecer. Apesar desta constituição heterogênea. a) Eletrodo de aterramento: Constitui a parte colocada em contato intimo com o solo. os seguintes tipos de eletrodos podem ser usados: a) condutores nus. As correntes têm fluxo de dispersão diferentes em cada tipo de solo. o comprimento de cada haste. Este fenômeno depende de vários fatores. inúmeros agentes quimicamente redutores. hastes ou fitas de cobre. dissolvido em sua estrutura. como por exemplo a resistividade do terreno. sendo devida principalmente aos sais dissolvidos em seu interior. 9. Segundo a NBR 5410/1997. visto que o solo tem. causadora da corrosão em metais. Obviamente. dependendo do layout do sistema. a uma eventual corrente de falta. Assim. em conjunto com os elementos que formam o sistema de terra. Cada tipo de solo. sendo que o dimensionamento deve ser definido através do material. Deve ser lembrado que o solo é um corpo de três dimensões. é baixa em comparação com a dos metais. perda de umidade).4 Elementos de aterramento O aterramento é a ligação intencional com o terra. hastes de aço revestidas de cobre. fitas de aço galvanizado. sendo necessário um estudo apurado do terreno onde será instalado o sistema de aterramento. A eficiência do mesmo é caracterizada. a fim de que a corrente possa fluir e difundir-se. ou por um conjunto de elementos. sob hipótese alguma. O tipo de material utilizado não pode. os materiais permitidos no uso em eletrodos de aterramento são. sendo composto por um ou vários elementos. Segundo os geólogos. em princípio. não aumentem significativamente a resistência do aterramento projetado. A condutividade do solo. ser facilmente suscetível à corrosão. f) outras estruturas metálicas apropriadas. com o objetivo de dispersar a corrente. O termo tanto se aplica a uma simples haste metálica enterrada. onde o trajeto das correntes elétricas não é balizado como nos fios e cabos. o que influi preponderantemente na qualidade do conjunto de aterramento é a condutividade do próprio solo. cabos de aço zincado. facilitando a ocorrência da reação conhecida como oxiredução. entre outros. e é definida como a resistência elétrica de um cubo de material homogêneo com 1 metro de aresta. Pode ser constituído por um único elemento. c) fitas ou cabos de aço embutidos nas fundações. o solo é composto principalmente por óxido de silício e óxido de alumínio. b) hastes ou tubos de aterramento. um percurso rápido e fácil através do terreno. 55 . Ainda segundo a NBR 54 10/1997.

d) Condutores de proteção das massas: São os condutores de aterramento das massas dos equipamentos. condutores de ligação equipotencial e outros. A ligação eqüipotencial suplementar é a ligação das massas. visto que no momento de uma descarga elétrica. bem como para o dimensionamento dos mesmos durante a elaboração do projeto. Todos estes componentes não são necessariamente essenciais ao funcionamento da instalação. a um mesmo potencial. em alguns casos. estanho. de dois ou mais objetos ou partes metálicas de um objeto. praticamente. inclusive. toda a estrutura se eleva em um mesmo potencial. platina. alumínio. A função da eqüipotencialidade é evitar o contato do usuário com duas ou mais massas que possam apresentar diferença de potencial entre si. O perigo deste contato depende do valor da tensão entre os dois pontos simultaneamente acessíveis. etc. para que sejam ligados os condutores de aterramento. fazendo com que os mesmos fiquem. Sendo assim. mas as definições claras dos elementos são as bases técnicas para inspeção. Alguns passos devem ser seguidos para que se atinja os objetivos básicos do projeto. acompanham os circuitos terminais. ouro.) e outros elementos metálicos da construção. a estrutura do prédio. todas as partes metálicas podem ser interligadas usando. medição e manutenção do sistema. gases. chumbo e outros metais sensíveis não devem ser utilizados para eletrodos de aterramento. os condutores de eqüipotencialidade. visto que estão em contato freqüente com os usuários do sistema. Observação: As canalizações metálicas do fornecimento de água e outros serviços não devem ser utilizadas como eletrodos de aterramento. pode ser tudo eqüipotencializado. Normalmente. ou elementos condutores estranhos à instalação. 9.5 Elaboração do projeto Um projeto de aterramento deve levar em consideração a carga elétrica total do estabelecimento. ar condicionado. A ligação equipotencial principal é a ligação de canalizações metálicas não elétricas (água. condutores de eqüipotencialidade são os condutores usados para as ligações eqüipotenciais (principal e suplementar). por um condutor. condutores de proteção. 56 . etc. b) Condutores de eqüipotencialidade: Eqüipotencialização é a interligação. prata. como o cobre.elementos como o ferro. Esta prática é hoje muito usada. São eles: l) Definir o sistema de aterramento de acordo com as normas de instalações elétricas em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. e) Terminal de aterramento principal: É o terminal ou barra que deve ser previsto em qualquer sistema. Em uma indústria ou em edificações comerciais. dando-se preferência àqueles que apresentam baixo potencial de oxidação. o condutor de aterramento e. Assim. já instalada ou a instalar. cromo. c) Condutor de proteção principal: E o condutor no qual são ligados os condutores de proteção das massas.

O ponto de terra auxiliar poderá ser constituído por uma única haste. 5) Determinar a resistividade do solo através de métodos de medições. e abaixo do nível de isolação dos equipamentos. 12) Medir a resistência de aterramento. 6) Definir a resistência de aterramento para o sistema elétrico. e um ponto onde se retira a corrente a corrente injetada (ponto de terra auxiliar). ou por um conjunto de hastes interligadas. 9) Determinar os equipamentos de proteção a serem usados no sistema como um todo. A corrente injetada provocará o aparecimento de tensões nas camadas da terra. 13) Corrigir e aperfeiçoar o projeto. Não se deve jamais esquecer que um projeto de aterramento deve manter os potenciais resultantes no solo e nos equipamentos aterrados dentro dos limites toleráveis pelo corpo humano. 3) Definir os melhores lugares para o aterramento (observar a possibilidade de deixar pontos de inspeção e a possibilidade de futuras manutenções). utilizando adequadamente as características do solo. 8) Determinar o limite de potencial de passo e de toque.6 Métodos de medição da resistência de aterramento Para medirmos a resistência de terra. a corrente ou a própria resistência. outras pessoas ou meio ambiente .2) Cruzar as normas sobre o tema aterramento com as de instalações elétricas pertinentes ao assunto. 9. ou seja. dependendo da precisão de medição desejada. Os processos de medição variam na maneira de como medir a tensão. 11) Construir o sistema de aterramento projetado. se necessário. 10) Projetar o sistema de aterramento baseado nos dados previamente levantados. de um ponto de terra onde se injeta a corrente (ponto de terra a ser medido). o efeito potencialmente danoso sobre o paciente. provenientes do produto: resistência de terra até o ponto de medição X corrente injetada (lei de Ohm). As maneiras de medição mais empregadas são: a) Através do medidor de resistência de terra tipo Megger ou equivalente 57 . considerando toda a estrutura que o sistema de aterramento atenderá. basicamente. considerando todos os riscos de segurança. teremos que dispor. Alguns métodos serão citados neste capítulo. 4) Verificar o tipo de solo dos lugares escolhidos no item 3. 7) Determinar a máxima corrente de falta à terra.

costuma-se generalizadamente chamar de Megger qualquer equipamento de medição de resistência de terra.1 ilustra a ligação dos condutores no sistema TN-S. Este é o método mais simples de todos. Entretanto. dentro dos sistemas aprovados como adequados para os estabelecimentos médicos. monitorações.7. este nome é a marca de um dos fabricantes de tais equipamentos. embora todos sigam o mesmo princípio de funcionamento.). transporte. cada fabricante projeta o seu próprio equipamento usando diferentes tecnologias. Sabendo-se o valor da tensão aplicada (V) e da corrente circulante (I). sendo as massas da instalação ligadas a este ponto. Não será aqui discutido o circuito interno de cada aparelho. -sistema IT-médico. 9. Importante: A norma NBB 13534/1995 não permite o uso do sistema TN-C em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. através do desbalanceamento de uma ponte de Wheatstone (interna ao equipamento). FIGURA 9. b) Método Volt-Amperimétrico Este método é idêntico ao processo utilizado nos Megger. através do terra. Assim. -sistema TT. com o centro de neutro).7. etc. a) Sistema TN-S: Neste sistema. de enfermagem e paramédicos (exames. tratamentos. Esta corrente. em ohms. existe um ponto de alimentação (via de regra o secundário do transformador. são os seguintes: -sistema TN-S. As funções de neutro e de proteção são asseguradas ao longo do percurso por condutores distintos. respectivamente.Na verdade. conforme a NBR 13534/1995.1: Sistema TN-S 58 . calcula-se a resistência de aterramento através da lei de Ohm (R=V/I).7 Sistemas de distribuição elétrica em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde Os sistemas de distribuição são determinados em função do esquema de condutores vivos e do esquema de aterramento. explicando-se somente o princípio teórico básico de tais instrumentos. rotulados como N e PE. diretamente aterrado. em que o instrumento aplica uma tensão conhecida entre o terra a ser medido e o terra auxiliar. deflexionará o ponteiro de um galvanômetro que indicará ao usuário diretamente a resistência de aterramento daquele terreno. através de condutores de proteção. medindo-se a corrente circulante no terra através de um amperímetro. com a diferença de que utilizase uma fonte de excitação com tensão alternada ajustável. A Figura 9. Na realidade. Isto gerará uma corrente circulante pelos dois eletrodos.

O dispositivo DR deve ser conforme as normas IEC 1008 e IEC 1009. é diretamente aterrado. O dimensionamento dos circuitos também toma-se mais complexo. pois deve-se tomar cuidado com os comprimentos máximos dos mesmos. Neste caso.7.7. O princípio básico de proteção das pessoas aos contatos indiretos é o uso de dispositivos contra sobrecorrentes. Para circuitos cuja proteção nominal for superior a 63 A. o contato de uma pessoa com o condutor fase pode provocar o fechamento do circuito pelo terra. tendo sua origem em uma malha de aterramento totalmente separada do ponto de aterramento do neutro.Neste tipo de layout. ou por dispositivos diferenciais residuais (DR).1. Necessidades complementares: os comprimentos máximos dos circuitos em função das condições de seccionamento devem ser definidos. Sua corrente diferencial nominal de atuação dependerá da corrente nominal da proteção contra sobrecorrente do circuito onde está inserido: Para circuitos cuja proteção nominal for de até 63 A. 59 .7. O sistema TN-S exige certos cuidados. a proteção por seccionamento automático da alimentação deve ser confiada a dispositivos DR. classifica os recintos para fins médicos de acordo com a Tabela 9. geralmente o secundário do transformador. pois as massas estão sujeitas a sobretensões do neutro de alimentação. As massas da instalação estão ligadas a um ou mais eletrodos de aterramento. b) Sistema TT: No sistema TT. delineada a seguir: TABELA 9. independentemente do eletrodo de aterramento da alimentação. Em locais do Grupo 1. Portanto. a segurança deve ser completada por ligações equipotenciais.2. a corrente diferencial do dispositivo DR deverá ser menor ou igual a 30 mA. conforme ilustra a Figura 9. A norma NBR 13534/1995. o percurso de uma corrente de falta fase-massa é constituído exclusivamente por elementos que conduzem e que têm baixíssima impedância. a corrente diferencial do dispositivo DR deverá ser menor ou igual a 300 mA. o condutor de proteção PE é independente do condutor neutro.1: Classificações dos locais de acordo com os tipos de Equipamentos eletromédicos nele utilizados. o ponto de neutro.

se houver instalação de mais de um dispositivo diferencial-residual (DR). A corrente de uma falta fase-massa ocorrida através de um componente ou equipamento terá seu valor limitado pela elevada impedância encontrada durante o seu percurso. o ponto neutro (via de regra no secundário do transformador) não é ligado diretamente ao terra. Tal esquema de ligação é ilustrado na Figura 9.7. de acordo com a necessidade das instalações. As prescrições da NBR 13534/1995 para o esquema TT são as mesmas do esquema TN-S.2: Sistema TT As correntes de falta direta fase-massa serão de intensidade inferior à de uma corrente de curto circuito fase-neutro.3. e sim através de uma impedância de valor elevado. c) Sistema IT-médico: No sistema IT. Ou seja. As massas são ligadas ao terra por meio de um ou mais eletrodos de aterramento próprio. é que serão ligados os circuitos alimentadores das máquinas (equipamentos). a partir do secundário deste transformador. bem como os dispositivos de proteção. deve haver seletividade entre eles. inclusive o dispositivo supervisor de isolação (DSI). O princípio básico de proteção das pessoas é que a ligação do neutro da alimentação é independente do aterramento das massas. O sistema IT-médico é construído a partir de um transformador de separação.FIGURA 9.7. 60 . Quanto à proteção por seccionamento automático.

em locais do Grupo 2. a proteção contra contatos indiretos por seccionamento automático de alimentação do sistema ITmédico deve contar com um dispositivo supervisor de isolamento (DSI). Deve ser provido um dispositivo de teste que permita verificar a conformidade com esta característica em particular. ou no máximo quando ela atingir este valor. 61 . mesmo sob condições de falta. a corrente de medição.3: Sistema IT-médico A NBR 13534/1995 prescreve que. a indicação de queda da resistência de isolamento deve ocorrer antes que esta atinja 50 k .FIGURA 9. não deve ser superior a 1 mA.7. a tensão de medição não deve ser superior a 25 Volts. que preencha os seguintes requisitos adicionais: a resistência interna CA deve ser de. 100 k . no mínimo.

um caminho com resistência elétrica suficientemente baixa para impedir o aparecimento de potenciais eletrostáticos perigosos. a literatura considera piso semicondutor aquele que oferece condições de condutibilidade elétrica e resistência entre 25k e 1 M . medida na superfície do piso. E fundamental que a resistência elétrica do piso não seja inferior a 5Ok . como umidade do ar. da mesma forma. 62 . E fundamental. Algumas normas estrangeiras diferem nos limites inferiores e superiores de resistência elétrica para a aceitação de pisos semicondutivos. Nota: acredito que por um erro gráfico. sem valor normativo. os itens relativos a pisos semicondutores estão parcialmente em conformidade com os estudos mais modernos (executados pela Siemens. há risco de que uma explosão seja deflagrada por descargas eletrostáticas. As cargas eletrostáticas são geradas por atrito entre materiais isolantes (por exemplo. Embora as propriedades antiestáticas de um piso possam ser influenciadas pelas características eletrostáticas dos materiais. para pisos hospitalares semicondutivos. Estas publicações. podendo trazer risco de choque elétrico caso o indivíduo que esteja sobre este piso toque algum fio vivo. muitas vezes conflitantes. embora alguns outros materiais também tenham sido testados pelos fabricantes. Praticamente. visto que neste caso caracterizar-se-á material isolante. com receitas . GE e outras fabricantes de equipamentos para centros cirúrgicos). que o meio técnico nacional se ressente da falta de um código que fixe os parâmetros ou exigências para estas zonas de risco . pode gerar potenciais eletrostáticos da ordem de milhares de Volts. e dependem de uma série de fatores. Entenda-se por bom caminho. Observa-se. Apesar desta norma ter sido editada em 1994. hoje usados em grande escala. características triboelétricas (eletricidade desenvolvida por fricção) dos materiais envolvidos e caminho elétrico para o escoamento destas cargas. a norma IEC fixa os limites entre 5Ok e 25M . têm sido usadas indiscriminadamente para a especificação de pisos semicondutivos. Existe uma variedade de publicações sobre este assunto. e sob este aspecto existem métodos de ensaio para medir a carga acumulada por atrito e o tempo de decaimento (dissipação) desta carga. pois neste caso caracterizar-se-á material condutivo (NBR 54 10/1997). o meio condutor mais largamente utilizado na confecção de pisos semicondutivos é o carbono. Philips. caminhando sobre piso isolante. entre dois pontos distantes de 85 cm. entre outros. Apesar disso. enquanto que a norma DIN fixa estes limites entre 1OOk e 1OM . em locais onde se usam anestésicos. claramente.1 Pisos semicondutivos A eliminação ou redução de cargas eletrostáticas é importante em muitas aplicações. Uma das normas que trata sobre pisos semicondutivos é a Portaria 1884 (15 de dezembro de 1994) que agora foi substituída pela RDC 50 (21 de fevereiro de 2002). Uma pessoa. com calçados isolantes. a norma cita piso Condutivo quando na realidade trabalhamos com pisos Semicondutivos . perdendo a instalação a sua função principal. Por exemplo. sapato com sola de látex contra carpete). e mais as normas estrangeiras. todas as normas que se referem a pisos hospitalares procuram garantir a proteção eletrostática pelo controle da resistência superficial do piso para a terra. Assim. No caso particular de hospitais ou clínicas. materiais químicos de limpeza. misturados com borrachas e PVCs. a maneira mais segura de certificar-se de que não haverá acúmulo de carga eletrostática no piso é garantir um bom caminho ao seu escoamento para o potencial de terra.CAPÍTULO X PISOS SEMICONDUTIVOS PARA SALAS DE CIRURGIA 10. que o piso semicondutivo não apresente resistência elétrica maior do que 1M . que estará praticamente ligado à terra.

da malha metálica com o piso semicondutivo.1. de preferência na forma de fitas de cobre de 0.1: FIGURA 10. isolada do piso. faz com que o caminho da corrente seja perpendicular à superfície do piso. de forma a minimizar a formação de poros junto à superfície interna do piso semicondutivo. detalhando a malha de captação aterrada. devendo ser também considerada a corrosão eletrolítica na união de diferentes metais e o ataque químico dos aditivos eventualmente presentes na argamassa.1: Instalação do piso semicondutivo. Esta malha metálica pode ser de qualquer material condutor. entre a base e o piso.1 mm de espessura e 10mm de largura. Deve-se tomar cuidado também para a possibilidade de necessidade de impermeabilização da base. Uma visão detalhada do piso semicondutivo instalado pode ser observado na Figura 10. Este procedimento. fazendo-se com que esta malha fique o mais intimamente possível em contato com o piso semicondutivo. e tendo-se o cuidado de soldar os cruzamentos. A base deve ser. 63 .Na instalação de um piso semicondutivo. em direção à malha aterrada. tanto físico quanto elétrico. Durante a preparação da mistura da base do piso. sempre que possível. a água adicionada ao cimento deve ser na quantidade mínima que permita o manuseio da massa. para impedir que a umidade altere as características elétricas do piso. O próximo cuidado que deve-se ter é na instalação de uma malha metálica aterrada. dispostas formando quadrados de 40 x 40cm. Uma das formas de garantir este contato. A resistência elétrica da base pode prejudicar seriamente a resistência do piso. além de homogeneizar a resistência do piso e produzir uma condição de eqüipotencialidade elétrica.1. O material de que será composta a malha deve ser resistente à corrosão no meio em que estará imerso. o primeiro cuidado a ser tomado é com a base. é adicionar à cola certa quantidade de grafite em pó.

25 kg. com dureza de 40 a 60.2 Verificação da qualidade de pisos semicondutivos Para fazer a verificação da integridade de um piso semicondutivo. operando com 500 Volts DC. com 0. nenhum local deve ter resistência inferior a 5Ok . consistindo em dois discos de alumínio ou latão. Se a resistência varia apreciavelmente durante o tempo das medidas. d) As medidas devem ser feitas em cinco ou mais locais de cada recinto. e os dois conjuntos devem estar afastados de 85 cm. o intervalo entre testes pode ser ampliado para três meses. e o recinto não deve conter gases inflamáveis. Os procedimentos para o ensaio de condutibilidade do piso são os seguintes: a) O piso deverá estar limpo e seco. que deve ser repetido mensalmente durante o primeiro ano de uso e.10. b) Devem ser preparados dois eletrodos. e nenhum local pode ter resistência superior a 5M . c) A resistência entre os eletrodos deve ser medida com um ohmímetro previamente calibrado. com a parte metálica em contato com o piso sob teste. Além disto. e corrente de curto de 2. tirando-se a média dos resultados. segue-se um procedimento simples de medição. Cada conjunto destes deve pesar 2. A fim de ser considerada satisfatória a condutividade do piso. deve-se considerar o valor obtido após cinco segundos de aplicação do ohmímetro. de borracha. e a resistência entre um eletrodo e uma ligação à terra deve ser maior do que 5Ok .5 a 10 mA. a média das medidas deve estar compreendida entre os seguintes limites: a resistência entre os dois eletrodos afastados de 85 cm deve ser maior que 5Ok . se os resultados forem satisfatórios dentro deste primeiro ano.25 mm de espessura e diâmetro de 6 cm. Sobre cada disco metálico deve ser aplicado outro disco. 64 . e menor do que 1M . de mesmo diâmetro e 6 mm de espessura.

A intenção não foi defender nenhum novo método para proteção do ser humano e dos equipamentos/instalações. pois realmente ele envolve muitas teorias o que pode vir a confundir na hora de uma pesquisa sobre o assunto. Acredito que a partir desta orientação inicial e estando sempre atentos às necessidades dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde dentro das possibilidades que hoje encontramos. procurei com uma linguagem simples. 65 . podemos com uma engenharia simples eliminar em muito os riscos e danos causados pelas cargas elétricas. abordar os itens que estão mais próximos do nosso tema. Procuro alertar sobre sua importância e deixar uma fonte de consulta inicial para que gerentes de manutenção.CONCLUSÃO Não é fácil expor uma conclusão definitiva sobre o tema equalização de potencial . Nos dez capítulos que compõem esta monografia. técnicos e projetistas possam se orientar.

Jorge Mário. Ed. Geraldo Descargas Atmosféricas. Sagra. Walfredo Materiais Elétricos 1997 1997 1960 Condutores e Semicondutores. Van Valkenburgh Neville Eletricidade Básica. Ed. Geraldo Campagnolo. São Paulo. Aterramento Elétrico. Ed. Ed. SP 1991 COTRIM. MM . Porto Alegre NOOGER.1992 66 . Ed. McGraw-Hill. Livraria Freitas Bastos. João Mamede Proteção de Equipamentos Eletrônicos Sensíveis. Crismara Janina da Rosa Instalações Elétricas Hospitalares. Ed. Instalações Elétricas. Ed.1998 SANTANA. B. Edgar Blücer. Ed. M.2001 MINISTÉRIO DA SAÚDE RDC 50 Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde 2002 KINDERMANN. Edipucrs. Érica. São Paulo 3º Edição .1997 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR5419: Proteção de Estruturas Contra Descargas Atmosféricas . São Paulo KINDERMANN.1995 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR5410: Instalações Elétricas de Baixa Tensão . 4º edição 1998 GROUPE SCHNEIDER A Compatibilidade Eletromagnética. Porto Alegre. Ademaro A. Sagra-luzzatto. Porto Alegre 1999 FILHO. São Paulo SCHMIDT.BIBLIOGRAFIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR13534: Instalações Elétricas em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde .

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