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Universidade de Brasília

Faculdade de Direito

Tópicos de um Projeto Pedagógico.

Trabalho apresentada pelos alunos


Carlos Moraes de Jesus, Efinéias Stroppa
dos Santos, Luiz Eduardo Mendes e
Raphael Frondana como parte da
avaliação da Disciplina Pesquisa Jurídica,
sob a orientação da Professora. Dra.
Loussia P. Mousse Félix
Brasília, novembro/2010

Sugestões de formas de avaliação do ensino e da aprendizagem para o futuro projeto


pedagógico da Faculdade de Direito da UNB.
A resolução CNE/CES número 9, de 29 de setembro de 2004, foi instituída visando o
estabelecimento das diretrizes curriculares nacionais para os cursos de graduação em direito.
Desta forma, necessariamente, o currículo do curso de direito da Universidade de Brasília
deve ser elaborado com base nesta resolução, não excluindo eventual legislação
complementar. Além das diretrizes mencionadas, deve também observar o Texto Referência
para a elaboração do Projeto Político Pedagógico Institucional da UnB (PPPI), de agosto de
2010.
Como abordagem para a questão de como integrar um dos itens do art. 2º, § 1º da
supracitada resolução, devemos primeiro proceder à análise dos pontos existentes para então
julgar qual o mais relevante e adequado para a finalidade proposta. Em seguida, levando em
consideração o contexto da UnB e da PPPI, estudar uma forma de inserção do item
selecionado na grade de ensino da UnB.
São apresentados a seguir os tópicos a serem estudados, extraídos da resolução do
CNE/CES em questão:
Art. 2º […]
§ 1º [...]
I - concepção e objetivos gerais do curso, contextualizados em relação às suas
inserções institucional, política, geográfica e social;
II - condições objetivas de oferta e a vocação do curso;
III - cargas horárias das atividades didáticas e da integralização do curso;
IV - formas de realização da interdisciplinaridade;
V - modos de integração entre teoria e prática;
VI - formas de avaliação do ensino e da aprendizagem;
VII - modos da integração entre graduação e pós-graduação, quando houver;
VIII - incentivo à pesquisa e à extensão, como necessário prolongamento da atividade
de ensino e como instrumento para a iniciação científica;
IX - concepção e composição das atividades de estágio curricular supervisionado, suas
diferentes formas e condições de realização, bem como a forma de implantação e a
estrutura do Núcleo de Prática Jurídica;
X -concepção e composição das atividades complementares; e,
XI - inclusão obrigatória do Trabalho de Curso.

Ressalvando-se a menção ao Núcleo de Prática Jurídica no item IX, pode-se dizer, de


maneira generalista, que todos os itens possuem caráter universal, servindo pois como diretriz
aplicável para qualquer curso que não o de Direito. Desta forma a opção por algum item
específico dá-se apenas por sua presença incontestável e necessária residente na área fim de
uma instituição de ensino. Portanto o tópico a ser tratado de agora em diante e que deixa
explícito em sua descrição sua concordância com o que foi exposto será o de nº VI, formas de
avaliação do ensino e da aprendizagem.
Para facilitar a análise do item selecionado o mesmo pode ser separado em duas
questões: formas de se avaliar o ensino e formas de se avaliar a aprendizagem, implicando na
diferenciação em dois lados neste processo de ensino-aprendizagem, o da instituição de
ensino superior (IES)/professor e o lado do aluno.
Em primeira instância o estudante é o sujeito que recebe em primeira mão o resultado
da conjugação IES/Professor para a transmissão de conhecimento, portanto seria o mais
capacitado a emitir um parecer, baseado em sua percepção, sobre a qualidade daquilo que
recebe. Embora estejam em posição privilegiada para tal pode-se imaginar que alunos recém-
saídos do ensino médio tenham um choque com as diferenças naturais existentes entre os
níveis intermediário e superior de ensino.
Ao encontrar um sistema de aprendizagem diferente pode ser que seja provocado no
aluno uma avaliação viesada negativamente pois não estará habituado às novas exigências
demandadas por uma IES de ponta. Além disso o padrão de comparação será o ensino
secundário, fugindo da problematização inicial que é a avaliação do ensino/aprendizagem
oferecido.
Se há dúvidas quanto à capacidade de um calouro em avaliar a aprendizagem o mesmo
não se pode dizer sobre um aluno veterano. Por já ter critérios para efetuar tal discernimento
ao poder comparar técnicas de aprendizagem intra-universitárias, fugindo deste modo da
referência única anteriormente disponível, o ensino médio, poderá realizar um balizamento
aos executores e planejadores das políticas de aprendizagem da universidade.
Agora que se considera que os alunos estão capacitados para avaliar os profissionais
de ensino e antes de se considerar quais são os instrumentos adequados de como devem fazê-
la, cabe uma reflexão se devem mesmo realizá-la. Supondo que os alunos, veteranos, façam
uma avaliação honesta e criteriosa, de acordo com parâmetros determinados por uma
comissão responsável por processar tais resultados, o que deverá ser feito com os dados
obtidos?
Diversamente de uma avaliação no sentido oposto, ou seja, dos docentes verificando o
conteúdo assimilado pelo aluno, aquela não deve ter caráter personalizado, ou seja não deverá
ser útil se avaliar um professor nominalmente, mas a disciplina em seu conjunto. Ainda não
deverá surtir efeitos imediatos, como aprovação ou reprovação, mas servir de guia ao
departamento responsável para que sejam revistas suas políticas instrucionais cabendo a este a
determinação de onde se encontra uma eventual falha, se num professor específico ou em suas
diretrizes pedagógicas.
Despersonalizando a avaliação por parte dos alunos estes se concentrariam no método
com que a matéria foi ministrada, atenuando em longo prazo eventuais divergências pessoais
com os professores. Seus resultados se realizando em longo prazo evitaria que houvesse
revanchismos imediatos por conta de mau desempenho decorrente de falta de compromisso
com o curso.
Para a coleta de dados poderia ser utilizado ao final de cada período formulários
eletrônicos disponibilizados no portal da internet da universidade. O aluno ao fazer a
matrícula para o semestre seguinte deveria antes preencher formulários avaliativos sobre as
matérias cursadas, sendo que esta etapa deva ser obrigatória ainda que se ofereça a opção de
se deixar em branco as questões. Desta forma o método passaria a fazer parte da cultura
universitária após o estranhamento inicial de tal mecanismo, e sendo efetivo, poderia ser visto
como algo “cívico” da parte dos universitários.
A implementação de tal método é facilmente realizada visto que a universidade já
conta com uma infraestrutura eletrônica pronta e corpo técnico especializado, por conseguinte
a adição e armazenamento de tais respostas como etapa do processo de matrícula não
representariam gastos adicionais relevantes se comparados com a manutenção do sistema
como um todo.
Outra maneira de se avaliar a metodologia de ensino, além da avaliação pelos alunos,
seria a existência de uma avaliação por outros professores das matérias que tivessem outras
como pré requisitos. Desta forma poderiam fazer uma avaliação se a turma está chegando com
os conhecimentos necessários e portanto se as matérias foram bem aplicadas. O método
poderia ser esse mesmo do formulário online que é aplicado aos alunos, sendo feita uma lista
das competências que o aluno deveria desenvolver na disciplina, e os professores das matérias
que tivessem esta como pré requisito avaliaria se percebeu o desenvolvimento dessas
competências.
Independentemente da origem das avaliações, o ideal seria a criação de um Conselho
de Avaliação que analisaria os resultados sendo responsável por verificar se está havendo
adequação ao que a sociedade precisa. Afinal, é compromisso público da UNB vincular o
mérito acadêmico à melhoria da qualidade de vida da sociedade, portanto esse quesito não
pode deixar de participar da avaliação. Claro que para alcançar este fim seriam submetidas a
este conselho outras avaliações além das internas, como o desempenho dos alunos formados
em exames da ordem, desempenho em concursos públicos, avaliação feita por empregadores,
a avaliação do SINAES dentre outras. Na formação desse conselho, portanto, é importante
que além de acadêmicos e docentes, haja a participação de elementos da sociedade civil
visando alcançar a interlocução permanente com a sociedade, um dos valores da UNB.
O Conselho deve começar a coletar os dados o quanto antes, pois esta etapa não se
confunde com seu processamento, o qual depende de critérios subjetivos, necessitando de
material num espaço de tempo maior para que suas estatísticas sejam válidas.
Retomando a segunda questão, formas de se avaliar a aprendizagem, temos como
premissa de que grande parte da motivação dos alunos em estudar reside na necessidade de se
obter boas notas para que possam ter êxito na matéria e dar prosseguimento ao curso. Este
foco despreocupado com a aprendizagem mas centrado nas notas pode levar à desonestidade
acadêmica pois aprender deixa de ser a razão de se frequentar a universidade mas somente a
obtenção de um diploma. A despeito da razão desta migração de interesse, o importante é
fazer com que a preocupação em se obter boas notas deixe de ser um empecilho para o
estudante, de modo que seja estimulado seu interesse pelo assunto estudado.
Por sua responsabilidade em emitir um diploma certificando que uma pessoa é apta
para exercer determinada profissão, ou que desempenho a contento uma série de
competências, não é sensato cogitar que se abra mão de alguma forma de controle sobre o que
o aluno conseguiu aprender. O que cabe analisar é se a forma atual e mais comum de
avaliação, provas e média maior que cinco, é a mais adequada e razoável à finalidade de não
apenas avaliar mas incentivar, ou pelo menos não atrapalhar, o desenvolvimento acadêmico
do aluno.
A importância da forma de se avaliar um aluno foi verificada num estudo que
relacionou notas iniciais de alunos de um curso de matemática com seu desempenho e
retenção posteriores:
[...]
Math professor Vaden-Goad thought students might be more motivated to
study and better able to succeed in introductory math courses if he allowed them to
replace early grades with higher ones received subsequently.
In one of his courses, students had quizzes every two weeks and a test every
six weeks. If the test score was higher than scores on the quizzes, the test score could
replace the quiz scores. In another course, students had four exams and a cumulative
final. If a student’s score on the relevant section of the final was higher than the test
score, that section score on the final would replace the previous test score.
After using a statistical analysis that teased out how much of the achievement
gain was due to the approach as opposed to its positive effect on overall course grades,
Vaden-Goad found the effect on achievement was positive but small. However, the
effect on course retention was much more dramatic. In the replacement sections, more
than 90 percent of the students completed the course, compared with less than 70
percent in the traditionally graded sections. Vaden-Goad says the value of the strategy
is that it buys the instructor time—it keeps students in the course and lets the
instructor tackle negative attitudes and self-defeating study patterns. (Alternative
Grading Methods for the College Classroom, 02 nov. 2010. Disponível em:
<http://www.facultyfocus.com/articles/educational-assessment/alternative-grading-
methods-for-the-college-classroom/> . Acesso em: 04 nov. 2010)

Note que da avaliação deste estudo pode-se concluir que uma pequena modificação da
percepção do estudante em relação a seu próprio desempenho contribui positivamente para a
evolução de seu aprendizado. Deste e de outros exemplos fica clara a necessidade de que o
foco da estatística do aprendizado seja passado das notas para o desenvolvimento das
competências que o curso requer que os alunos possuam, devendo aquelas ser apenas parte do
processo avaliativo.
Integrando-se avaliações de maneira recursiva, ou seja, uma aprimorando a outra,
poderemos obter uma melhora significativa na qualidade do curso sem que sejam gastas
grandes somas financeiras. A mudança da cultura de avaliações exclusivamente por notas
agregaria mais responsabilidade ao curriculum dos alunos e aumentando a confiança dos
docentes nestes, fazendo com que a universidade produza alunos com uma formação mais
cidadã.