Livramento condicional

Por André Ricardo de Oliveira Rios, Estudante de Direito.

CONCEITO: Livramento condicional é a liberdade antecipada, mediante certas condições, conferida ao condenado que já cumpriu uma parte da pena imposta a ele. No livramento o condenado só alcança esse benefício no curso da execução, tendo ele cumprido uma parcela da pena que lhe foi imposta. Diferente do “SURSIS” quando o condenado não chega sequer a iniciar o cumprimento da pena privativa de liberdade. O SURSIS em regra é concedido na sentença e o recurso cabível é a apelação, sendo que o livramento é concedido pelo Juízo da execução, cabendo de sua decisão o recurso de agravo de execução.

REQUISITOS Sua concessão se faz com preenchimento de uma série de requisitos objetivos e subjetivos, sendo os primeiros relativos à pena imposta e a reparação do dano. Os segundos relacionam-se com o lado pessoal do condenado (subjetivo).

SÃO QUATRO OS REQUISITOS OBJETIVOS: Primeiro a pena deve ser privativa de liberdade (reclusão, detenção e prisão simples) Segundo é que a pena concreta deve ser igual ou superior a 2 anos de prisão, mesmo tratando-se de Contravenção Penal. Mesmo as penas de infrações diversas, devem ser somadas, mesmo em processos distintos, para efeito da concessão do benefício (art. 84 CP) Terceiro é que exista o cumprimento de mais da metade da pena, se o condenado for

exige-se o cumprimento de mais de dois terços da pena. mas sim. (salvo quando efetiva impossibilidade de faze-lo) esse requisito acaba sendo “letra morta” porque na prática isso não acontece. mas portador de maus antecedentes. não em proposta real de emprego. que ao ver de muitos de só cumprir somente um terço da pena. como atestado de conduta carcerária. SÃO QUATRO OS REQUISITOS SUBJETIVOS: Primeiramente é o comportamento carcerário satisfatório.reincidente em crime doloso. o último requisito é a reparação do dano causado pela infração. Essa condição só existe aos crimes dolosos.Nos casos de condenação por crime hediondo. e de um terço se não for reincidente em crime doloso e tiver bom antecedente (livramento condicional especial). São diversos fatores que caracterizam essa conduta. Por fim. O terceiro é aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto. Não se confunde com bom comportamento. se o apenado não for reincidente nessas penas (livramento condicional qualificado). esse requisito fica prejudicado. etc. o preso deve saber desempenhar certo ofício. O quarto é a constatação de condições pessoais que façam presumir que o preso não voltará a delinqüir. laudo criminológico. O segundo é o bom desempenho em trabalho que lhe foi atribuído. A lei diz sobre aptidão. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. podem comprovar o comportamento satisfatório. O reincidente específico em crimes dessa natureza está proibido de obter o livramento condicional. prática de tortura. Existe o caso do condenado do não reincidente em crime doloso. com comportamento satisfatório. cometidos com violência ou grave . Se devido à deficiência do presídio nenhum trabalho for incubido ao preso. Diante da omissão da lei. a dúvida deve ser resolvida em favor do condenado.

714 do CPP. não há mais necessidade de ouvir o diretor do estabelecimento carcerário. estando. parente. roubo. Deve o juiz fixar prazo para o Conselho penitenciário emitir seu parecer. que é realizada no estabelecimento onde o preso cumpre a pena (art. PERÍODO DE PROVAS E CONDIÇÕES O período de prova no livramento condicional é integrado pelo resto da pena. Conforme reza o art. Usando de perícia psiquiátrica para determinar esse diagnóstico. colher a manifestação do Promotor de justiça e do conselheiro penitenciário. na presença dos demais condenados. 138 da LEP) . cônjuge. 137 da LEP). Após a leitura. caso não aceite. Sendo a audiência presidida e marcada pelo presidente do conselho Penitenciário ou membro por ele designado.137 da LEP) Na audiência. o liberando declarará de aceita as condições. pois revogado o art. enviando eu a demora possa prejudicar o sentenciado. O juiz deve antes de decidir. a sentença será lida ao liberando. tendo inicio o período de prova com a audiência admonitória. ou pelo Juiz (inciso I do art. 131 da LEP.ameaça à pessoa (estupro. Com isso busca-se não conceder tal benefício para condenados que apresentem periculosidade. PROCESSAMENTO DO PEDIDO DE LIVRAMENTO O pedido é dirigido ao juízo de execução. fica sem efeito o livramento. diretor do estabelecimento penal e Conselho Penitenciário. homicídio) não exigido aos demais crimes. ao menos se o Juiz queira altera-las. sob pena de nulidade. Não é preciso a necessidade de advogado. Se aceitar o livramento o liberando recebe uma caderneta com sua identificação e as condições impostas (art. Da decisão que concede ou rejeita o livramento condicional é cabível o agravo de execução. podendo ser impetrado pelo sentenciado. .

159 da lei de Execução Penal). dentro de um prazo razoável. Pode o Juiz . c) Não mudar do território da comarca do juízo da execução. caso seja apto ao trabalho. REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA DO LIVRAMENTO (ART.Pode o tribunal que conceder a liberação em grau de recurso. b) Comunicar periodicamente ao juiz sua ocupação. 132 da LEP): a) não mudar de residência sem comunicar ao Juiz e á autoridade incumbida de da observação cautelar e de proteção. Existe a possibilidade de outras condições judiciais adequadas ao fato e á situação do liberado. Essa expressão “ocupação lícita” compreende cursos técnicos. podendo ser fixadas pelo juízo da execução( art. c) proibição de freqüentar determinados locais. b) recolher á habitação em hora fixada. que na maioria das vezes costuma ser mensal. fixar as condições judiciais (art. Sendo deficiente físico essa condição não tem validade. isso é. Cabendo ao juiz fixar o intervalo dessa comunicação. Portanto a lei não fala de mudança de residência. fixar as condições a critério do tribunal. sem prévia autorização deste. além dessas condições obrigatórias. obrigatórias : a) Obter ocupação lícita. mas de comarca.São condições legais. 86) . não somente trabalho.

A segunda causa de revogação obrigatória ocorre se o liberado venha a ser condenado a pena privativa de liberdade. 141 da LEP). Para poder obter o livramento para a segunda pena. Entretanto os efeitos não são tão drásticos. em relação à mesma pena. Exemplos: a) O período de prova é computado como tempo de cumprimento de pena (art. A primeira ocorre quando o liberado é condenado a pena privativa de liberdade em sentença irrecorrível. . sendo o livramento revogado. Produzindo três efeitos: a) Não se computa na pena o tempo que esteve solto. pois no que diz respeito a esta lhe é negado novo livramento. Caso o juiz opte pela revogação os efeitos serão os seguintes: a) Não se computa na pena o tempo que o condenado esteve solto. em sentença irrecorrível. por crime cometido no período da vigência do beneficio. novo livramento (art. por crime anterior. b) Não se concederá. c) O restante da pena cominada ao crime. REVOGAÇÃO FACULTATIVA (art.São duas as causas de revogação obrigatória do livramento condicional.141 da LEP) b) É possível a concessão de novo livramento desde que o condenado tenha cumprido a metade ou um terço. 88 do CP e 142 da LEP). da soma do tempo das duas penas (art. não pode somar-se à nova pena para efeito de concessão de novo livramento. ele deverá cumprir a pena da primeira condenação integralmente. conforme seja ou não reincidente em crime doloso. 87) São duas as hipóteses de revogação facultativa: A primeira ocorre quando o liberando deixa de cumprir qualquer das condições constantes da sentença.

prorrogando o período de prova até o trânsito da sentença em julgado. Transita em julgado a pena. pode ocorrer as seguintes hipóteses: a) O réu é absolvido. Nesse caso. PRORROGAÇÃO DO PERÍODO DE PROVA Prorroga-se o período de prova. b) não se concederá em relação à mesma pena novo livramento. A segunda ocorre se o liberando for condenado por crime ou contravenção. não é causa de revogação obrigatória nem facultativa. novo livramento.b) Não se concederá. em relação à mesma pena. Nos casos de condenação à pena privativa de liberdade (prisão simples) em razão de prática de contravenção. permitindo ainda novo livramento condicional em relação ao restante da pena. nos casos em que o liberado estiver sendo processado por crime cometido durante a vigência do livramento. a pena que não seja privativa de liberdade. o livramento condicional é extinto. Essas tais deliberações dão o ensejo à revogação facultativa. . computa-se na pena o tempo em que o réu esteve solto. b) O réu é condenado por contravenção. a pena de prisão simples. Sendo crime ou contravenção cometido antes de período de prova. Os efeitos na hipótese de crime ou contravenção cometidos durante o período de prova. são os seguintes: a) não se computa na pena o tempo em que o condenado esteve solto. Enquanto a pena não passar em julgado a sentença o juiz não poderá extinguir a pena.

a pena que não seja privativa de liberdade. – São Paulo: Saraiva. EXTINÇÃO DA PENA Expirando o prazo do livramento sem revogação ou prorrogação. . 1999. obter o Livramento Condicional. d) O réu é condenado. art. pois está proibido de exercer atividade honesta e remunerada. LIVRAMENTO CONDICIONAL EM FAVOR DE ESTRANGEIRO O princípio da Isonomia (CF. a menos que um decreto do Presidente da República. o livramento é obrigatoriamente revogado. determine a sua expulsão. parte geral: volume1/ Flavio Augusto Monteiro de Barros.c) O réu é condenado a pena privativa de liberdade por crime doloso.5 caput) resguarda o estrangeiro residente no Brasil. Podendo assim. condição obrigatória do livramento. considera-se extinta a pena privativa de liberdade. por crime ou contravenção. Sendo meramente declaratória a decisão que decreta a extinção da pena. O estrangeiro de passagem no Brasil. não pode obter “sursis” nem livramento condicional. Nesse caso. Bibliografia: Direito Penal. Antes de decretar a extinção o juiz deve ouvir o Ministério Público.

Quarto anista de Direito. na Prefeitura de São Paulo e na Secretaria da Juventude.com. Desenvolve seus estudos com ênfase na área Penal.br . trabalhou no jurídico do banco Itaú.Código Penal – Luiz Flavio Gomes – Revista dos Tribunais. Esporte e Lazer de São Paulo.direitonet. Site: www. André Ricardo de Oliveira Rios. RT 2000.

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