SERVIÇO SOCIAL

“EU E OS OUTROS”

CÁRITAS DO ENTRONCAMENTO

António Alexandre Nobre Evaristo

29 de Julho de 2010

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NOTA PRÉVIA

“Em sociedades cada vez mais diversificadas, torna-se indispensável garantir uma interacção harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a um só tempo plurais, variadas e dinâmicas, as como a sua vontade de conviver. As políticas que favoreçam a inclusão e a participação de todos os cidadãos garantem a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e a paz. A riqueza cultural do mundo reside na sua diversidade em diálogo” Declaração Universal da Diversidade Cultural – UNESCO

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AGRADECIMENTOS

Não sei se terminou ou se iniciou uma nova etapa na minha vida. Mas uma certeza tenho, sem aqueles que ajudei a encontrar o rumo que julgavam ter perdido nas suas vidas nunca teria sentido a necessidade de encontrar outro rumo para a minha, entrando nos meandros das Ciências Sociais. Agradeço a todas as pessoas, únicas, que se cruzaram no meu caminho, passando a fazer parte de mim e da minha vida. O que sou neste momento devo-o a todos os que tornaram o sonho e o projecto da Cáritas do Entroncamento possível. Se tivesse que os nomear a lista seria interminável, pelo que referirei apenas aqueles que de todo se tornaram uma referência de vida, pelas diversas funções que desempenham e pelo exemplo que me proporcionaram para ganhar força, numa etapa que julgava já ser impossível. Assim, o meu obrigado a Dom Manuel Pelino Domingues, Bispo da Diocese de Santarém, à Cáritas Portuguesa no nome do seu Presidente Prof. Eugénio da Fonseca e ao Elmano José Nazareth Barbosa, e à Técnica Social da Câmara Municipal do Entroncamento Dr.ª Laura Maia. Claro que o agradecimento especial vai para os meus pais, esposa e filhos por nunca me abandonarem no meio deste sonho. Não se tendo tratado de um trabalho de 3 meses mas sim de 5 anos, de árduo e sério trabalho, jamais esquecerei as actividades desenvolvidas e os que comigo privaram para que as mesmas fossem o caminho para o sucesso que se quer, mas que dificilmente se consegue atingir.

A todos sem excepção, o meu Muito Obrigado!

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INDICE NOTA PRÉVIA AGRADECIMENTOS
INDICE DE ANEXOS .................................................................................................................. 7 LISTA DE SIGLAS ...................................................................................................................... 8 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 10 I CAPÍTULO ............................................................................................................................... 11 1. INTERVENÇÃO SOCIAL ............................................................................................. 11 1.1. 2. A Acção Social e as suas problemáticas ................................................................. 11

A DIMENSÃO DO SERVIÇO SOCIAL ........................................................................ 14 2.1. 2.2. Breve abordagem ao serviço social e seus métodos de trabalho ............................. 14 A Cáritas e o Serviço Social .................................................................................... 19

II CAPÍTULO ............................................................................................................................. 21 3. CARACTERIZAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DA CÁRITAS DO ENTRONCAMENTO ............................................................................................................. 21 3.1. Caracterização do Meio Ecológico............................................................................... 21 3.1.1. Enquadramento Histórico .......................................................................................... 21 3.1.2. Contexto Geográfico ................................................................................................. 22 3.1.3. Contexto demográfico ............................................................................................... 23 3.1.4. Características Socioeconómicas .............................................................................. 24 3.1.5. Rede Básica de Serviços e Equipamentos ................................................................. 24 - Educação ........................................................................................................................... 24 - Saúde ................................................................................................................................. 26 - Habitação .......................................................................................................................... 26 - Cultura e Desporto ............................................................................................................ 27 3.1.6. Acção Social.............................................................................................................. 28 3.1.7. Associação de Voluntariado do Entroncamento........................................................ 29 3.2. CÁRITAS ......................................................................................................................... 31

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3.2.1 Cáritas Portuguesa ...................................................................................................... 32 3.2.2. Princípios Fundamentais da Cáritas .......................................................................... 33 3.2.3. Voluntariado na Cáritas ............................................................................................. 34 3.2.4. A Cáritas no Entroncamento ..................................................................................... 35 III CAPÍTULO ............................................................................................................................ 37 4. UMA MISSÃO ................................................................................................................... 37 4.1. Actividades ....................................................................................................................... 38 4.1.1. Loja Cáritas ............................................................................................................... 38 4.1.2. Cooperação com a Autarquia .................................................................................... 40 4.1.3. Recenseamento .......................................................................................................... 43 4.1.4. Produtos Alimentares ................................................................................................ 44 4.1.5. Cartão de Utente ........................................................................................................ 44 4.1.6. Base de Dados CLAS ................................................................................................ 45 4.1.7. Fim-de-semana da solidariedade ............................................................................... 46 4.1.8. Divulgação ................................................................................................................ 49 4.1.9. Comparticipação para Farmácias .............................................................................. 52 4.1.10. Reinserção Sem-abrigo ........................................................................................... 52 4.1.11. Apoio ao orçamento familiar ................................................................................... 55 4.1.12. Viatura ..................................................................................................................... 55 4.1.13. Venda de Natal ........................................................................................................ 57 4.1.14. Stand Festas da Cidade ............................................................................................ 57 4.1.15. Peditório Anual ....................................................................................................... 58 4.1.16. O dia-a-dia da instituição ........................................................................................ 58 4.2 REFLEXÃO CRITICA - O Papel do Técnico de Serviço Social na Cáritas. ....................... 59 BIBLIOGRAFIA......................................................................................................................... 62 WEBGRAFIA ............................................................................................................................. 65

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INDICE DE ANEXOS ANEXO I ANEXO II ANEXO III ANEXO IV ANEXO V ANEXO VI ANEXO VII – Mapa do Distrito de Santarém – Evolução Demográfica – Notícia “Inauguração da Loja Cáritas” – Estatutos da Cáritas do Entroncamento – Análise SWOT à Cáritas do Entroncamento – Fotografias – Proposta da Cáritas ao Município

ANEXO VIII – Rede Social ANEXO IX ANEXO X ANEXO XI ANEXO XII – Convocatória para Sessão de Implementação do Programa Rede Social – Rede Social - Envio do Diagnóstico Social – Rede Social – Workshop, – Rede Social – Convite para Participação em Workshop

ANEXO XIII – Convocatória Rede Social – Programa PARES ANEXO XIV – Cartão de Utente ANEXO XV – Artigos das Revistas Municipais do Entroncamento ANEXO XVI – Noticia da Corrida da Solidariedade ANEXO XVII – Almoço Convívio de Natal ANEXO XVIII – Modelo para comparticipação de medicamentos ANEXO XIX – Recenseamento população Sem-abrigo ANEXO XX – Cedência Camarim Municipal

ANEXO XXI – Autorização de Peditório ANEXO XXII – Relatórios de contas 2003-2008

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LISTA DE SIGLAS AMI - Assistência Médica Internacional ASC – Animação Sócio Cultural AVASOCIAL - Associação Voluntariado e Acção Social do Entroncamento BA - Banco Alimentar BLVE - Banco Local de Voluntariado do Entroncamento CAO - Centro de Actividades Ocupacionais CAT - Centro de Apoio à Toxicodependência CATL - Centro de Actividades de Tempos Livres CERE - Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento CLAC - Clube de Lazer Aventura e Competição CLAS - Conselho Local de Acção Social CME - Câmara Municipal do Entroncamento CP - Comboios de Portugal CPCJ - Comissão de Protecção de Crianças e Jovens EUA - Estados Unidos da América FAO - Food and Agriculture Organization - Organização das Nações Unidas para a Agricultura
e a Alimentação

GAS NOVA - Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa - Gabinete de Acção Social IEFP - Instituto de Emprego e Formação Profissional INE - Instituto Nacional de Estatística OEA - Organização dos Estados Americanos

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ONG - Organização Não Governamental ONU - Organização das Nações Unidas PIPE - Projecto de Intervenção Precoce do Entroncamento PSP – Policia de Segurança Pública RSI - Rendimento Social de Inserção SADE - Serviço de Apoio Domiciliário do Entroncamento SIDA - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida SSC - Serviço Social de Casos SSG - Serviço Social de Grupos TRENDIRIVIR - Associação Sócio – Cultural para o Desenvolvimento UNESCO - United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization – Organização da Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura

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INTRODUÇÃO As funções desempenhadas, para a elaboração deste trabalho, decorreram no período de Setembro de 2003 a Setembro de 2008, na Cáritas do Entroncamento, mais precisamente no desempenho das funções de Presidente da mesma Instituição, funções essas que dispunham de um horário de trabalho indefinido devido à necessidade de estar sempre contactável para resolver qualquer caso social urgente. Foi no terreno e na cooperação com os demais parceiros sociais da cidade do Entroncamento que surgiu a necessidade de querer saber mais e cimentar os conhecimentos adquiridos na prática com o preenchimento de uma lacuna, a da teoria académica. O presente trabalho encontra-se dividido em capítulos de modo a facilitar a sua leitura e compreensão. Desta forma, o primeiro capítulo corresponde ao enquadramento teórico das problemáticas associadas à área de intervenção da Cáritas, sendo o segundo destinado à contextualização da Cáritas do Entroncamento e do seu meio envolvente e o terceiro, à descrição do trabalho realizado no estágio. Conta ainda, com uma análise e reflexão crítica relativa aos 5 anos de funções e aos constrangimentos encontrados na elaboração do presente trabalho académico e sugerem-se, ainda, pistas para trabalho futuro. De forma a preservar a identidade de todos aqueles, mencionados na discrição das actividades, os nomes utilizados serão fictícios. Foi durante a construção desta dissertação que surgiu o título “Eu e os O utros”, dado que a relação dialógica é fundamental para o processo de globalização, perspectivando nas relações interpessoais o direito à vida…à plena cidadania.

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I CAPÍTULO 1. INTERVENÇÃO SOCIAL 1.1. A Acção Social e as suas problemáticas

O ser humano é um ser eminentemente social, que procurou sempre a vida em sociedade, em grupo, não vive isolado, mas em contínua interacção com os seus semelhantes. Devido às suas limitações individuais, os seres humanos são obrigados a cooperarem uns com os outros, formando grupos, organizações para alcançar certos objectivos. É no grupo que desempenhará os diferentes papéis sociais e é aí que os seus estatutos são reconhecidos (Cuche, 1999). A ideia / expressão “Exclusão Social” foi apresentada pela Comissão Europeia no início dos anos de 1990, em substituição da noção de pobreza. Vários autores deixam a ideia de que pobreza, se trata de um conceito diferente do conceito de Exclusão Social. A pobreza é muitas vezes, o fim do processo, as pessoas não são socialmente excluídas por serem pobres. Segundo Xiberras (1993), as pessoas sofrem de um processo de exclusão quando fogem à norma, quando divergem das expectativas normativas. Há vários factores que podem potenciar a exclusão social, não é um factor por si só que a determine.”...a exclusão está relacionada com a insatisfação, o mal-estar de todo o ser humano quando se encontra em situações nas quais não pode realizar aquilo que deseja e ambiciona para si próprio e para a sua família” (Estivill, 2003: 13). Exclusão e pobreza não são equivalentes, é possível ser pobre e não ser excluído e nem todos os excluídos são pobres, apesar das investigações mostrarem grande percentagem de coincidência de pobres e excluídos. Não sendo palavras sinónimas complementam-se e conjugam-se, porque tanto os que vivem uma ou outra situação fogem à norma, ao padrão social (Estivill, 2003). Encontram-se diferentes definições ou interpretações do mesmo conceito consoante, se de origem Francesa ou de origem Anglo-saxónica. A de origem francesa tem matriz sociológica que refere uma privação ou insuficiência no estabelecimento de relações sociais e a anglo-saxónica de matriz institucional, revela-se quando os direitos sociais ou o recurso às instituições (trabalho, educação, saúde,...) são negados. De acordo com os objectivos que se pretende relevar, as sociedades hodiernas têm sido caracterizadas de diferentes maneiras. Sociedades de informação e da comunicação, sociedades pós industriais, mas também podem ser designadas de sociedades da exclusão, dado que nos dias de hoje, os que enfrentam o fenómeno de
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exclusão social, por um motivo ou por outro, estão em grande número (Fernandes, 2000). O conceito pobreza não é moderno, nem pós moderno. As sociedades modernas, vivem segundo dois conceitos fundamentais deixados pela Revolução Francesa, a liberdade e a igualdade, sentimentos que despertam, em todos, uma consciência generalizada e aguda de justiça entre as diferentes classes sociais. Os pobres das sociedades tradicionais não se sentiam humilhados ou injustiçados, a exclusão social é diferente na medida em que, destrói a dignidade e a honra do ser humano que lhe permitiam ser e viver como pessoas, porque as faz entrar em situações de sub-humanidade. O excluído vê-se diminuído na sua humanidade e enredado em laços de dependência (Fernandes, 2000). O homem como ser social, individual e cultural (Lima, Martinez e Filho, 1985), actualmente, desenvolve-se entre dois conceitos, o de Estado-nação que procura promover a participação na base da cidadania ou de responsabilização individual (direita partidária) e o de Estado-providência que tende a assegurar a protecção de todos, procurando elaborar projectos integrados de desenvolvimento nacional, associando objectivos económicos, sociais, culturais e políticos (esquerda partidária). Com a globalização e a liberalização dos mercados, os modelos nacionais integrados desapareceram, desagregando as diferentes dimensões da vida (Fernandes, 2000)1. A Sociedade Portuguesa e o Fenómeno Social “A cidadania plena é uma condição indispensável, à vida em sociedade. A exclusão surge, nesta perspectiva, como a privação do sentido colectivo e como o não exercício da cidadania.” (Fernandes, 2000: 48). A questão da inserção social, também passa, pelo facto de se ter ou não ter emprego, o trabalho nele efectuado e os diferentes salários auferidos. Todas as sociedades geram diversas formas de pobreza, importantes partes da população são, frequentemente, privadas dos bens e privilégios que o dinheiro proporciona (Fernandes, 2000), como acima referido, isso só por si, não lança as pessoas na exclusão. O desemprego é um dos factores que leva o indivíduo a auto excluir-se, procurando o isolamento, indo contra a sua natureza social, levando-o à anomia. O que leva à exclusão social é a incapacidade

À medida que a economia se foi separando do sistema social, foi sendo acompanhada de uma progressiva desresponsabilização da politica em relação aos problemas sociais que tem vindo a conduzir à separação do funcionamento das actividades sociais e culturais, bem como, o enfraquecimento da acção do poder politico sobre a actividade colectiva, originando a procura de novas respostas em matéria de trabalho social.

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de cumprir uma série de normas. Castells (2007) refere que a exclusão social é gradual, o indivíduo vai fazendo a ruptura de uma forma descendente começando pelo mercado de trabalho, relações familiares / afectivas e de amizade, por outro lado, Xiberras (1993) diz que, as pessoas sofrem de um processo de exclusão quando fogem à norma, quando divergem das expectativas normativas. Bruto da Costa (2004) refere que exclusão social não é só na fase terminal, mas o próprio processo de marginalização já é exclusão social. A impossibilidade do cidadão recorrer a um conjunto de sistemas sociais levamno a 5 tipos de exclusão básicos2, desvirtuando-o do estatuto de cidadania. Em Portugal a pobreza é o factor mais relevante de exclusão. Esta está relacionada “em grande medida, embora não exclusivamente, a problema de desenvolvimento” (Almeida et al, 1994: 4). O mesmo autor identificou 7 categorias sociais susceptíveis de situações de pobreza, sendo as mais importantes: os idosos pensionistas, os agricultores de baixos rendimentos, os assalariados, os trabalhadores precários, as minorias étnicas, os desempregados sendo a taxa maior de desemprego “entre as mulheres, que representam dois terços do total dos desempregados” (Almeida et al, 1994: 90), por fim, os jovens de baixas qualificações. Uma das categorias sociais susceptível de ser referida é a etnia cigana, neste concelho, algumas famílias devido à conjuntura económica nacional, são levadas à Cáritas para colmatar as suas necessidades. Apesar dos diversos autores apresentarem diferentes teorias, uns atribuem relevo às questões económicas, dizendo que essa insuficiência leva às restantes insuficiências e outros autores referem que o individuo mentalmente e afectivamente carenciado é levado a ter dificuldades financeiras, motivo porque se auto exclui. No entanto, todos concordam que em algum momento as pessoas se afastaram, levando a que as suas relações sociais – direitos e obrigações, deixaram de ser atendidos ou satisfeitos. “A cidadania plena é uma condição indispensável, à vida em sociedade. A exclusão surge, nesta perspectiva, como a privação do sentido colectivo e como o não exercício da cidadania” (Fernandes, 2000: 48).

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O autor agrupa os sistemas sociais em 5 domínios: área social – conjunto que liga o individuo à família à vizinhança, à comunidade e ao mercado de trabalho, em caso de privação destas relações o individuo fica votado ao isolamento; área económica – mecanismos geradores de recursos e o acesso que as populações dispõem à compra de bens de consumo, a privação por falta deste recurso leva às más condições de vida, baixos níveis de instrução e qualificação profissional, elevadas taxas de desemprego e emprego precário; área institucional – os sistemas institucionais que não dependem do indivíduo mas do estado; área territorial – território onde o individuo habita, bairro da lata e habitação social; área das referências simbólicas – que se refere à perda de identidade, de autonomia, de perspectivas de futuro, de auto-estimas, de laços sociais, entre outros.

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2. A DIMENSÃO DO SERVIÇO SOCIAL 2.1. Breve abordagem ao serviço social e seus métodos de trabalho “Hoje a tónica do trabalho social é colocada na estratégia para uma mudança que não se encara apenas ao nível individual, de desenvolvimento da pessoa, mas mudança que engloba as circunstâncias exteriores” (Silva, 2001: 15). Olhando cronologicamente para a historia do Serviço Social conclui-se que foi no ano 1897 que se iniciaram as primeiras experiências de formação que deu origem à institucionalização do Serviço Social. Este facto faz com que esta profissão seja uma profissão centenária. A institucionalização do Serviço Social inicia-se, com a proposta de Mary Richmond, em 1897, de criar a Escola de Filantropia Aplicada. A institucionalização é acompanhada pelo fenómeno de desenvolvimento político do reconhecimento da necessidade de criar um espaço estruturado de moralização do processo de legitimação das desigualdades sociais. A legitimação do Serviço Social está ligada à necessidade de dar resposta às necessidades sociais que surgiram com a I Grande guerra Mundial e com a Revolução Russa de 1917. Para colmatar conflitos sociais surgidos com a guerra e com a revolução Russa era premente o surgimento de uma nova profissão social, com conceitos e princípios definidos.3 A sua legitimação é fundamentada com o surgimento do livro “Diagnóstico Social”4 escrito por Mary Richmond em 1917. Em 1922 publica “What is Social case-work” onde dá alguns exemplos de prática profissional. Com a publicação destas obras à uma valorização da profissão num contexto académico. Ainda em 1922 é criada por Marie Baers com sede em Bruxelas a União Católica Internacional de Escolas de Serviço Social5. Constituída como uma entidade que reúne diversas escolas e associações católicas funcionando com um estatuto consultivo junto de diversas organizações internacionais6. Surgem duas vertentes de actuação apesar dos interesses profissionais e ideológicos serem comuns. Nos países anglo-saxónicos a profissão é conhecida por “Trabalho Social” nos países francófonos “Serviço Social”. O modelo anglo-saxónico opta pela
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Foi importante para a sua legitimação a necessidade de refutar as ideias socialistas que surgiram com a Revolução Russa. Passando assim a ter, também, um cariz político e não ser uma questão de fazer caridade não importa como. 4 Com a publicação desta obra estão traçadas as grandes linhas de orientação metodológica para a nova profissão. 5 Em 1925 realiza-se o I Congresso Internacional de Serviço Social em Milão que tinha como objectivo a discussão da organização da União Católica Internacional de Escolas Católicas de Serviço Social. 6 ONU, UNESCO; FAO e a OEA.

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teoria de um reformismo social baseado num plano de capacitar os indivíduos a potencializar os recursos oferecidos pela sociedade, enquanto o modelo francófono opta por uma fórmula identificada com o humanismo cristão. A grande aposta feita no crescimento das metodologias profissionais adquire uma suficiente visibilidade após a publicação, em 1936, por Clara Kaiser, da obra “Objectives of group work” que continha um estudo sobre os objectivos do Serviço Social de Grupo. Em Portugal, a primeira escola apareceu em Lisboa, no ano de 1935, ligada à pessoa Condessa de Rilvas que foi responsável pela proposta de organização do curso de Serviço Social apresentada no 1º congresso da União Nacional em 1934. Em Coimbra, também é fundada, em 1937, a “Escola Normal Social – A Saúde”, como em resposta a uma estratégia política de desenvolvimento social na zona centro do país. Ao mesmo tempo que cresce o fenómeno de institucionalização do Serviço Social evolui numericamente a criação de escolas de serviço social e, desenvolve-se uma tendência cada vez maior para uma bifurcação do processo social de construção processual do seu modelo de legitimação social. Isto acontece devido ao Serviço Social estar assente em diferentes formulações de concretização histórica do seu processo de emergência e de institucionalização social. Daí a sua institucionalização ter sido sustentada em modelos construídos em função de interesses político-religiosos. O processo institucional do Serviço Social está na origem da conceptualização do modelo francófono e do modelo anglo-saxónico. O que distingue estes dois modelos de institucionalização é a forma atribuída à sua vinculação académica e à natureza da sua filosofia de formação7. O movimento de institucionalização do Serviço Social não está limitado a realidades políticas precisas, como por exemplo, em Portugal o enquadramento da institucionalização do Serviço Social ocorreu em realidades políticas não democráticas8. O serviço social tem como objectivo promover o bem-estar, o autoconhecimento e a valorização dos indivíduos, grupos e comunidades no contexto de aplicação de conhecimentos científicos, com vista à detecção das necessidades humanas e sociais decorrentes da interacção indivíduo-sociedade, procurando o desenvolvimento

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O modelo francófono qualifica-se por um etnicismo social de cariz religioso enquanto, o modelo anglosaxónico caracteriza-se por estar desvirtuado de interesses vincadamente religiosos. 8 O seu conceito é procurar conhecer as causas e o processo dos problemas sociais e a sua incidência sobre as pessoas, grupos e comunidades; capacitá-las para a tomada de consciência dos seus problemas, de modo a assumirem uma atitude crítica da realidade onde estão inseridas, para alcançarem as suas metas como seres sociais.

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dos recursos que satisfaçam as necessidades e aspirações individuais, colectivas, nacionais e internacionais, na prossecução da justiça social. Em 1946 realizou-se um colóquio para definir o novo processo de Intervenção Profissional, promovido pela associação Americana para o estudo do Serviço Social de Grupos. A função principal do serviço social de grupos (SSG) é inserir ou reinserir os grupos na comunidade a que pertencem. É através do SSG que se ensinam as pessoas a viver em democracia, a conquistar um sentimento de comunidade e a ter uma atitude activa para poder participar. O Técnico de SSG tem a oportunidade de na actualidade se encontrar no seio de situações estratégicas a partir das quais pode adquirir um conhecimento profundo tanto da psique individual como da sociedade. O SSG tem como objectivos levar o grupo a uma atitude crítica, que lhes vai permitir, através do diálogo, aprofundar e interpretar os seus problemas tornando-os agentes da sua própria mudança e do bem-estar social numa perspectiva globalizante (Ander-egg, 1995). Quando se trabalha com populações fragilizadas, dificilmente se consegue ter um grupo homogéneo, o que requer um esforço redobrado por parte do Técnico de Serviço Social. Tem que se conhecer as características do grupo, verificando o modo como o grupo se comporta, as linguagens e expressões correntes no meio, as realidades sociais, culturais e económicas locais, as tradições, etc. Conhecer os mecanismos de compreensão e memorização do grupo, tendo em conta as suas necessidades e os seus interesses. (Maisonneuve, s/d). «O Serviço social de casos (SSC) é o processo que desenvolve a personalidade através de um ajustamento consciente, indivíduo por indivíduo, entre os homens e seu ambiente.» (Vieira, 1988: 44). Frase proferida por Mary Richmond – a precursora do Serviço Social9. O SSC não tem uma definição universal. Diversos autores, ao longo dos anos apresentaram diferentes definições que se completam umas às outras. O SSC tem como objectivo melhorar o inter-relacionamento dos indivíduos com dificuldades de inserção no seu meio. O SSC teve como base científica dois tipos de teorias, as sociológicas e as psicológicas. Nas primeiras, a Teoria do Diagnóstico Social de Mary Richmond,10 fortemente influenciada pela sociologia, uma vez que, a recolha de dados permite conhecer melhor a realidade interna e externa do cliente - o indivíduo

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Profissão que inicialmente se destinava a acompanhar casos individualmente e só mais tarde se alargou aos grupos e à comunidade. 10 1922, Edição do livro What is Social Casework?

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e o seu meio envolvente, depois da fase de diagnóstico aplica-se o tratamento. As segundas, foram as influencias que os Assistentes Sociais receberam na década de 1930, da Escola de Chicago, “... as teorias que descrevem a personalidade, ...” (Vieira, 1988 : 54) na perspectiva de melhor compreender os fenómenos que se passavam no interior de cada indivíduo, valorizando a história de cada um a partir das suas angústias e medos. “O indivíduo com problemas não alcança, em geral, uma percepção nítida da situação em que se encontra; seu espaço de vida é limitado e as regiões indiferenciadas; é uma questão de percepção, de conscientização e de conhecimento do mundo exterior.” (Vieira, 1988). O Técnico Superior de Serviço Social (TSSS) tem uma profissão que constitui uma tecnologia social, utiliza uma série de procedimentos formais diagnóstico e tratamento, realizados em entrevista que deve obedecer a um guião de entrevista ajustado caso a caso (Ander-Egg, 1995) em que, o relacionamento é especial, na medida em que, é temporário, há diferença de papéis, é emocionalmente controlado, está orientado para a vida consciente e não é autoritário. Neste relacionamento, que tem de ser empático, a escuta activa é essencial para que o Técnico possa potenciar as boas capacidades latentes do cliente, fazendo com que ele melhore a sua auto-estima e responsabilizá-lo (dar-lhe poder - empowerment) de modo a que participe no seu próprio processo de tratamento (Biesttek, 1965), “... trabalha com as componentes emocionais da pessoa que quer ajuda e apela para todos os recursos da personalidade dela, tanto para examinar a situação do usuário, como para programar seu tratamento” (Ander-Egg, 1995: 85). Assim, permite ao cliente o seu desenvolvimento psicossocial a partir para a construção do projecto de vida que em conjunto devem delinear, dado que, o TSSS não trabalha para o cliente mas com o cliente. Os princípios do SSC são sete: Individualização; Expressão de sentimentos tendo em vista um objectivo; Envolvimento emocional controlado; Aceitação; Atitude de não julgamento; Auto-determinação do cliente e a Discrição. A actuação do TSSS em SSC baseia-se nos Sete Princípios de relacionamento: 1. Individualização – pressupõe que cada situação / problema é um caso específico, o Técnico vai ao encontro das necessidades específicas de cada cliente, tem de reconhecer e compreender as qualidades individuais; 2. Expressão de Sentimentos tendo em vista um Objectivo – o cliente tem que expor os seus sentimentos livremente, enquanto que o técnico tem de ouvir a situação, não desanimando nem criticando mas sim estimulando o cliente e esta expressividade;

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3. Envolvimento Emocional Controlado – é um processo bidireccional onde o cliente e o Técnico interagem, combinando assim pensamentos e sentimentos, mas o profissional não deve ser nem demasiado brusco, nem demasiado afável, deve ser sensível, compreensivo e activo, não apático mas simpático; 4. Aceitação – (um dos princípios mais usados em SSC) entende-se em três dimensões: aceitar o problema do cliente (a coisa); aceitar os pontos de vista do cliente (intelecto); refere-se à pessoa, ou seja, é o conjunto das duas anteriores, aceitar a pessoa e aceitar o problema da pessoa, porque, o problema não é a pessoa e a pessoa não é o problema. Aceitar é diferente de aprovar, o Técnico aceita e tem de agir de acordo com a lei mesmo que não aprove; 5. Atitude de Não Julgamento – o Técnico tem de controlar os seus sentimentos perante seja o que for que lhe estão a contar, julgar pode ser maléfico no processo de tratamento. A atitude de não julgamento por parte do profissional proporciona a compreensão e respeito mútuo facilitando a resolução do problema do cliente, tendo em conta os seus sentimentos e o plano intelectual em que se insere; 6. Auto Determinação do Cliente – apesar do cliente precisar de apoio do Técnico, ele vai querer sempre permanecer livre para tomar as suas próprias decisões, deve aprender a fazer escolhas; 7. Discrição – sigilo profissional, é a preservação da informação secreta relativa ao cliente. A discrição é uma obrigação do TSSS e está consagrada no seu Código de Ética profissional. O TSSS11 deve ter sempre em mente, que, o cliente quando recorre aos seus serviços já está muito fragilizado e com muitos problemas. Normalmente, o seu processo de privação que o pode atirar para a exclusão / marginalização, já há muito terá começado, logo, traz muitas queixas. Cabe ao TSSS ajudar o cliente a concentrar-se apenas num problema, idealmente, centrar-se no problema que considera responsável pela situação em que se encontra, para que comece, a partir dai verdadeiramente, a reflectir para resolver o problema e criar condições para prevenir, melhor e lidar com os problemas futuros.

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Tendo em consideração que, se respeitados os princípios dois, quatro e sete, está-se diante da chave do sucesso na relação TSSS / Cliente, uma relação em que ambos saem necessariamente mais enriquecidos.

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2.2.

A Cáritas e o Serviço Social

O sentido da cidadania12 é muito plurifacetado (CITE, 2003), a cidadania política, a cidadania civil, a cidadania económica, a cidadania cultural e a cidadania social. Estas várias dimensões ligadas pelo que está subjacente à cidadania – a relação de direitos e deveres entre o individuo e a comunidade politica na qual se insere. António Barreto refere que participação social “... diz respeito ao envolvimento de cidadãos e grupos de cidadãos em actividades conjuntas de carácter específico e de interesse, comum... a título de exemplo, de carácter religioso, sindical, desportivo e cultural entre outros. Muitas destas actividades são do tipo, voluntário e unidimensionais” (2002: 50). A existência do Banco de Voluntariado contempla diferentes faixas etárias, é uma realidade no concelho, contribuindo para a participação social, sendo uma mais-valia, no projecto da Cáritas. Esta Instituição ao utilizar este recurso humano, envolvendo a população nos diversos problemas sociais, tentando a resolução dos mesmos, fomenta o desenvolvimento comunitário. O conceito de comunidade, na maior parte das sociedades, pode ser definido por 2 grandezas – pelas particularidades e experiências dos seus membros e pelos interesses comuns que os ligam entre si (Henriques, 1990). É constituído por 5 princípios, princípios esses, as necessidades vividas, a participação, a cooperação, a auto-sustentação e a universalidade. Os pressupostos do desenvolvimento Comunitário são políticos, sociais, culturais e económicos (Ander-Egg, 1995)13. Assim, intervir para minorar a Exclusão Social, deve ser um trabalho partilhado entre as entidades públicas e privadas, em que a comunidade deve tomar parte, numa atitude consciente, exercendo a sua cidadania, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para que os cidadãos sejam mais felizes. O exercício da cidadania passa pela mudança de comportamentos tanto a nível individual como colectivo e para o desenvolvimento de atitudes e condutas solidárias. São valores que contribuem para a cooperação e a solidariedade, ajudando na luta contra a desigualdade. Ser cidadão implica “…uma apropriação de valores, de códigos e de competências inerentes à conduta democrática em que se fundamenta, no essencial, o exercício da cidadania” (Fonseca, 2000: 27). Não se restringe unicamente ao conhecimento de direitos e deveres a que o cidadão está sujeito, mas sim ao comportamento e atitude que deve ter, à forma
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Cidadania é um conceito complexo, parte da dificuldade em entender este conceito provém do que ele tem evoluído (CITE, 2003). 13 Pode ser transmitido por diferentes entidades: qualquer pessoa do concelho, um dirigente, um órgão da administração, os grupos comunitários, uma associação social.

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como encara os problemas da sociedade onde está inserido, à sua actuação como individuo na sociedade respeitando a diversidade e a diferença. Na maioria dos Estados e incluindo Portugal, os temas nacionalidade e cidadania significam virtualmente a mesma coisa (CITE, 2003). A cidadania abrange direitos e deveres sociais económicos e culturais, além do gozo de direitos civis (séc. XVIII) e dos direitos políticos ou cívicos (séc. XIX). O conceito de cidadania abrange desde o século XX uma dimensão social, ao que Marshall em 1950 designou como direito a um nível de vida, e à partilha das riquezas da sociedade. Tourraine em 1992 referiu que a cidadania implica, também, uma dimensão cultural, no sentido do direito à cultura14 (CITE, 2003). Pode ver-se a educação como um fenómeno cultural, mas a acção educativa deve ser baseada na relação espontânea, afectiva e instintiva. As teorias não educam, os princípios, conceitos e preconceitos adquiridos na experiência e no convívio do grupo familiar e comunitário é que contribuem para a educação (Santos, 1991). Esta afirmação leva à concordância com Petrus (1997), quando diz que toda a educação é educação social. Esteban (2004), vai mais longe, dizendo que todo o desenvolvimento do ser humano é social, desde o núcleo mais pequeno (família), passando pela escola, pelos grupos de pertença e ao longo de toda a idade adulta, o enriquecimento pessoal e profissional faz-se no seio de redes sociais mais ou menos complexas, esta sociedade de redes e por consequência, uma sociedade de trocas é capaz de educar e de desenvolver os seus elementos. Concretizando estas ideias nas famílias da Cáritas, denota-se, que são indivíduos fragilizados, sem a escolaridade obrigatória, o que leva ao trabalho precário e baixos rendimentos. Habituados a usufruírem dos apoios institucionalizados, sem capacidade de ultrapassarem esta situação, não desenvolvem as suas competências mínimas de autonomia. São problemas que se repercutem na sua vida familiar e profissional, quando ela existe.

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Neste sentido a plena cidadania só se concretiza através de uma consciencialização que deve passar por uma aprendizagem ao longo da vida onde as mudanças sociais obrigam a uma constante adaptação e aprendizagem.

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II CAPÍTULO 3. CARACTERIZAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DA CÁRITAS DO ENTRONCAMENTO 3.1. Caracterização do Meio Ecológico 3.1.1. Enquadramento Histórico A história do Entroncamento estará sempre ligada à linha férrea15. Apesar do seu desenvolvimento surgir com a linha ferroviária, anteriormente já existiam povoações naqueles lugares que remontam no mínimo à última metade do século XVI. O Casal das Vaginhas e o Casal das Gouveias, foram os dois lugares antigos que deram lugar à cidade do Entroncamento. A linha ferroviária surge na planície das Vaginhas devido a interesses económicos, para não afectar o tráfego fluvial por essa altura muito próspero, na vila da Barquinha, povoação inicial para a linha férrea, já que se receava que a concorrência do transporte ferroviário viesse afectar a via fluvial. Os moradores iniciais foram um número restrito de famílias, em parte estrangeiras devido à necessidade de mão-de-obra especializada no arranque do caminho-de-ferro no nosso país. Entretanto, a manutenção dos serviços ferroviários chamou numerosos empregados16. Assim, foi crescendo uma aldeia de casas dispersas ao redor das linhas, sem a coordenação eficiente das entidades oficiais, ao sabor do capricho de cada proprietário, irregular, numa amálgama em alguns casos confrangedora, ocupando uma área enorme17 em quatro braços distintos. O deflagrar da 1ª Guerra Mundial e a entrada de Portugal no conflito exigiram a fixação de aquartelamentos militares mais ou menos fixos num centro de transportes e comunicações tão importante como já era o caso do Entroncamento18. No ano de 1926, pelo Decreto. Lei. N.º 12.192 de 25 de Agosto, o Entroncamento foi elevado à categoria de freguesia19 que ficou integrada no concelho de Vila Nova da
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Foi esta que fez crescer e desenvolver o Entroncamento, fazer dela a cidade que é hoje. O incremento dos transportes ferroviários, exigindo maior desenvolvimento dos serviços e a situação geográfica do local, foi atraindo à terra mercadores e comerciantes e pequenas indústrias, melhorando aos poucos as condições de vida dos residentes. 17 Em 1911 esta pequena povoação encontrava-se repartida pelas freguesias da Atalaia e de Torres Novas, com uma população de 1269 habitantes e 311 fogos. 18 Foi por isso que o Ministério da Guerra estabeleceu no Entroncamento, e nas proximidades, uma grande rede de serviços (Batalhão de Sapadores do Caminho de Ferro, Esquadrão de Cavalaria Motorizada, Sucursal da Manutenção Militar, Secção do Depósito Geral de Medicamentos Sanitários e de Hospitalização e Posto Fiscal). A este acréscimo de valências correspondeu naturalmente um muito significativo aumento demográfico. 19 Uma das primeiras realizações da Junta de Freguesia recém estabelecida foi a construção de um mercado coberto, inaugurado em 1930 (actualmente o Centro Cultural), no local onde, desde 1927, se realizava o mercado mensal do gado.

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Barquinha. Releva-se, daqui em diante, mais uma fase muito marcada de franco desenvolvimento. Começaram também a aparecer, um pouco por todo o lado, diversos fontanários que assinalam outros tantos núcleos habitacionais em rápido crescimento. A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha passou a ter, a partir desta altura, requerimentos constantes a solicitar licença para construção20. A partir de 1932, ano em que o Entroncamento foi elevado à categoria de vila, passaram a ser frequentes os requerimentos em que se solicitava a reconversão de edifícios no sentido de os transformar em estabelecimentos comerciais. O rápido crescimento demográfico resultante do elevadíssimo número de pessoas que continuamente aqui vinham fixar residência justificou a satisfação de outras necessidades como a construção de uma central elevatória e de depósitos de água bem como de um posto de distribuição de energia eléctrica. A justa promoção a concelho foi fundamentada pela Junta de Freguesia não apenas pela rápida aceleração e densidade demográfica como também pela lógica comparativa das receitas fiscais do Entroncamento que sozinho quadruplicava as receitas das restantes freguesias do concelho da Barquinha. Como consequência da sua crescente importância, foi elevada a cidade em 20 de Junho de 199121. Em termos demográficos, apresenta a melhor taxa de crescimento e a maior densidade populacional do distrito de Santarém (Serviços Sociais, CME, 2008). Por ter uma pequena extensão, somente 13,7 Km2 para uma população de cerca de 18.127 habitantes (Censos, 2001), o Entroncamento, está hoje numa encruzilhada como qualquer cidade moderna, como crescer e desenvolver mantendo padrões de qualidade de vida fortes e sãs. 3.1.2. Contexto Geográfico O Concelho do Entroncamento22, está localizado no centro do País, o Entroncamento, de características essencialmente planas, situa-se na transição entre a Charneca e a Zona de Pinhal e integra-se no clima moderado do Vale do Tejo. Está integrado na Região de Turismo dos Templários (Floresta Central e Albufeiras), localiza-se a 110 km a nordeste de Lisboa, a 30 km de Fátima, a 150 km da Fronteira de
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Embora a maioria dos edifícios fosse para habitação, surgem também aos poucos casas comerciais, cafés e salões de jogos. 21 Hoje a cidade do Entroncamento continua, sem dúvida, a constituir um dos pólos de referência para o crescimento regional. 22 Vide em Anexo I – Mapa do Distrito de Santarém.

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Caía, a 40 km de Santarém e a 2,5 km da margem direita do Tejo, bem no centro do País23. O Entroncamento confina a Norte e a Poente com o concelho de Torres Novas a Sul com o concelho da Golegã e a Leste com o concelho de Vila Nova da Barquinha. Foram surgindo novas infra-estruturas que proporcionaram o desenvolvimento local, nomeadamente a zona industrial, a ligação rodoviária Este/Oeste através da actual A23 que permite a ligação a Espanha e a A1 que faz a ligação Lisboa – Porto, o pequeno comércio, os preços atractivos do parque habitacional, tornando-se a cidade satélite que se encontra mais distante da metrópole (Serviços Sociais, CME, 2008). 3.1.3. Contexto demográfico À data de 1926 a população do Entroncamento pouco excedia os 800 habitantes no entanto esta foi aumentando e evoluindo ao longo dos anos sendo que no ano de 2008 apresenta um total de 21751 habitantes24. O Entroncamento a partir da criação da Junta da Freguesia começa a progredir verificando-se simultaneamente um surto de construção associado ao aparecimento de estabelecimentos comerciais. Os Caminhos-de-ferro Portugueses iniciam a construção de bairros sociais destinados aos seus trabalhadores25. Num espaço de 7 anos a população passou de 18174 habitantes em 2001 para 21751 habitantes em 200826. Relativamente aos indicadores demográficos, o concelho do Entroncamento, apresenta uma densidade populacional de 1584,3 habitantes por quilómetro quadrado sendo da região do Médio Tejo aquele que ostenta uma maior densidade populacional. No que diz respeito aos habitantes, cerca de 50% da população do concelho do Entroncamento, encontra-se activa, contando apenas com 14% de reformados. No entanto, existe uma fatia elevada de população não activa que conta com 26%, o que suscita alguma preocupação, visto ser uma percentagem expressiva. A população estudante apenas conta com 10% do total da população. A área geográfica tem-se mantido nos 13,7 Km2, mas com a variação da população residente27, a densidade populacional alterou-se, em 2001 correspondia a 1325
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O melhor acesso rodoviário vindo de Lisboa, do Porto ou do Litoral é pela A1 saindo em Torres Novas, seguindo pelo A 23 em direcção ao Entroncamento. Existe um terminal rodoviário na própria Cidade para quem pretender utilizar os transportes públicos. Nos caminhos-de-ferro, cruzam-se linhas vindas de todas as direcções (linha do norte e do leste) que dão ligação aos mais diversos pontos do País. 24 Vide em Anexo II – Evolução Demográfica. 25 Todos estes factores constituíram um contributo para um aumento populacional ao longo das décadas. 26 Podemos ainda salientar que relativamente à população residente em 2008 o número de mulheres (11233) é superior ao dos homens (10518).

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habitantes/Km2, e em 2008 a concentração ascendeu aos 1584,3 habitantes/Km2 (Serviços Sociais, CME, 2008). 3.1.4. Características Socioeconómicas Ao nível económico o concelho, após o boom industrial e terciário das últimas décadas, tem-se afirmado mais recentemente por uma efervescente actividade comercial. Após o apogeu do comboio, em que o Entroncamento chegou a ter mais de 5000 pessoas a trabalhar nas oficinas dos Comboios de Portugal (CP), nas duas últimas décadas do século XX registou-se uma alteração gradual, com a diminuição da importância do comboio e consequentemente a redução do número de pessoas afectas à sua manutenção – actualmente estima-se que só emprega 3000 pessoas, mas a perspectiva é de uma contínua redução. Além da ocupação na CP, também professores, domésticas e militares eram actividades que predominavam28. No que diz respeito ao desemprego e segundo os dados de 2008 e 2009 do IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional), existe uma maior expressão do desemprego para o género feminino, no entanto a diferença não é significativa, visto que é seguida de muito perto pelo género masculino (Serviços Sociais, CME, 2008). 3.1.5. Rede Básica de Serviços e Equipamentos - Educação No concelho do Entroncamento existe para além dos estabelecimentos de Ensino Básico e Secundário, que funcionam como escolas inclusivas (Públicas), a Escola de Ensino Especial – Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento (CERE), e a Associação Sociocultural para o Desenvolvimento (TRENDIRIVIR). O CERE29 conta com uma equipa multidisciplinar que tem um papel fundamental na estimulação, capacitação e valorização de cada cliente nas diversas actividades30 em que
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Por se encontrar a uma hora de Lisboa, quer por via-férrea, quer por via rodoviária, com um parque habitacional a menor custo, a população residente aumentou 51% nos últimos 20 anos, enquanto que na região em que está inserido diminuiu, o que evidência o poder de atracção do concelho sendo que a estimativa em 2007 se apresentava com um valor de 21329 (INE) e em 2008 de 21751 habitantes. 28 Esta realidade surge na sequência da existência de uma unidade militar do ramo do Exército, e a localização do concelho ser central em relação ao Polígono de Tancos, Santa Margarida e Tomar. 29 É de salientar que este estabelecimento é o único do seu género em todo o concelho. 30 Entre as diferentes actividades podemos encontrar a Expressão Corporal, Sensibilização musical; sensibilização ao meio aquático; educação física; hidroterapia; sensibilização à informática; visitas e passeios turísticos e educativos; organização e participação em acontecimentos desportivos e culturais; organização e participação em festividades e animações, tapeçaria, a tecelagem, a expressão plástica, o treino de competências da vida diária, pessoal e social, entre outras.

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este se insere. Estas vão de encontro aos interesses e capacidades de cada um. É uma Instituição Particular de Solidariedade Social que, somente desde o ano de 2001 dispõe de instalações adequadas para a sua especificidade. O CERE surge a 28.de Maio de 1980. A sua área de intervenção abrange os concelhos do Entroncamento, Golegã, Barquinha e Chamusca31, contando ainda com as valências de:  CATL – Centro de Actividades Tempos Livres destinada a crianças dos 6 aos 10 anos;  C.A.O - Centro de Actividades Ocupacionais a qual procura proporcionar à pessoa com deficiência (com mais de 18 anos) um conjunto de actividades socialmente úteis e/ou estritamente ocupacionais, de forma a promover a sua valorização pessoal e o aproveitamento das suas capacidades;  PIPE – Projecto de Intervenção Precoce do Entroncamento destinado a crianças dos 0 aos 6 anos e suas famílias e tem como missão criar uma rede de suporte social às famílias de crianças com problemas de desenvolvimento e/ou em risco;  Lar Residencial. Esta valência permite o acolhimento de pessoas com deficiência (com mais de 16 anos e de ambos os sexos) que se encontram impedidos, temporária ou definitivamente, de residir no seu meio familiar;  Projecto Escola Activa - destina-se, através de uma intervenção educativa e articulada com a família/comunidade, à inclusão dos jovens na escola e comunidade em geral;  SADE - Serviço de Apoio Domiciliário do Entroncamento. Esta resposta social tem como principal finalidade a prestação de cuidados individualizados e personalizados, no domicílio, a indivíduos e famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e/ou as actividades da vida diária. A Trendirivir é uma Associação Sociocultural, que tem como objectivos apoiar a intervenção social das crianças, dos jovens e da comunidade em geral, promover novas aprendizagens de forma a proporcionar a tomada de consciência de que somos parte integrante do mundo em que vivemos, apoiar as escolas e outras instituições que visem a Educação e a Formação profissional dos cidadãos, desenvolver valores, atitudes e
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Esta instituição teve o seu arranque com a Valência Educacional, cujo objectivo é proporcionar o desenvolvimento global da pessoa com deficiência. Actualmente esta valência conta com um total de 10 clientes, entre os 6 e os 18 anos.

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práticas que contribuam para a formação de cidadãos conscientes e participativos na sociedade democrática, fomentar a formação cultural, promover actividades artísticas e culturais (Serviços Sociais, CME, 2008). A instituição tem ainda associado a si:  O projecto Sol Nascente32 - aprovado no âmbito do Programa PROGRIDE33 Medida II, com o objectivo de apoiar as crianças e jovens em risco por via a permitir “uma melhor inserção social”.  Valência Creche Familiar - amas Formadas e Certificadas pela Segurança Social. Tem ainda a decorrer a implementação/construção de uma Creche tradicional ao abrigo do Programa Pares34. - Saúde O Centro de Saúde do Entroncamento funciona das 8H00 às 20H00, com consultas médicas e de enfermagem, dispondo ainda de consultas de especialidade no âmbito da saúde oral, da cardiopneumografia e fisioterapia. É promotor de programas de preparação para a parentalidade, programas de narcóticos de substituição, rede de cuidados continuados, entre outros. O Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento, o Hospital de S. João Baptista está dotado de um serviço de atendimento permanente35. - Habitação O Entroncamento surge com um dos mais importantes crescimentos do País nos últimos 30 anos, reflectindo-se num parque habitacional recente com prédios de média dimensão – no geral não mais que 3 pisos – ou vivendas (INE – Estatísticas da Construção e Habitação, 2003). No que diz respeito à habitação social, existe o Bairro
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O projecto Sol Nascente implementou uma Oficina de Artes e Ofícios que estimula e apoia actividades dirigidas aos jovens dos 6 aos 16 anos, favorecendo a sua autonomia e inclusão social e um Clube de Pais cujo grande objectivo é o de aproximar famílias mais vulneráveis ou em situação de disfunção social. 33 Programa vocacionado para o combate à pobreza e exclusão social, financiado exclusivamente por verbas Nacionais (http://www.cnpcjr.pt/left.asp?03.02.04). 34 “O Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES) tem como objectivo a ampliação da Rede de Equipamentos Sociais, constituindo-se como um dos pilares da estratégia de desenvolvimento integrado das políticas sociais do país. Este é um factor determinante do bem-estar e da melhoria das condições de vida dos cidadãos e das famílias” (http://www.capitalsemente.pt/index.php/servicos/consultoria/pares-programa-de-alargamento-da-redede-equipamentos-sociais.html). 35 30 camas para Medicina e 25 camas em Cirurgia. São efectuados exames complementares de Raio X, Ecografia, Osteodensitometria, Mamografia, Endoscopia Digestiva, Electrocardiografia, bem como consultas e tratamentos de fisioterapia (Serviços Sociais, CME, 2008).

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Camarário José Frederico Ulrich composto por 120 fogos, construídos em meados do século XX. Na continuação deste Bairro existiu o chamado Bairro das Pré-Fabricadas que contava com cerca de 36 fogos. Actualmente essas habitações foram demolidas sendo os seus residentes realojados no Bairro Frederico Ulrich e para a zona de blocos habitacionais. Para além destes dois bairros constituídos por construções horizontais, existem ainda 64 fogos, cujas construções são verticais, que se encontram distribuídos por quatro Blocos, construídos no início da década de 9036.

Não se prevê que a curto/médio prazo, venham a ser construídas novas habitações com cariz social (Serviços Sociais, CME, 2008). - Cultura e Desporto O concelho do Entroncamento tem diversas infra-estruturas que permitem à população ocupar os seus tempos livres com actividades culturais e/ou desportivas, contando com um elevado grau de associativismo. Existem diversos Clubes e Associações, que dão uma resposta efectiva à população, nas diversas áreas sociais, desportivas e culturais. Em relação aos equipamentos, dispõem de um Centro Cultural37, onde está inserido a Galeria Municipal, com exposições de carácter temporário, no âmbito da pintura e escultura. O Cine-Teatro S. João foi inaugurado no 20º Aniversário da criação do concelho do Entroncamento, a 24 de Novembro de 1965, pela Companhia Nacional de Teatro38. No âmbito das actividades ao ar livre, o Entroncamento dispõe de diversos campos de jogos39, bem como de piscinas Municipais. O Pavilhão Desportivo, inaugurado em 24 de Novembro de 2004, oferece excelentes condições para todas as modalidades que possam realizar em espaço coberto e para a realização de competições nacionais e internacionais40 (Serviços Sociais, CME, 2008). No âmbito cultural, o Entroncamento dispõe ainda de um Jornal “Notícias do Entroncamento” e uma rádio local, a “Rádio Voz”.

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Existia anteriormente uma preocupação crescente relativamente à existência de 11 barracas identificadas que foram erradicadas, procedendo-se ao realojamento das famílias no Bairro Camarário. 37 O Centro Cultural, foi inaugurado no dia 24 de Novembro de 1991, resultado de obras efectuadas no antigo Mercado Diário. 38 A Câmara Municipal do Entroncamento adquiriu o Cine-Teatro S. João em 1999 e em 2000 iniciou a sua recuperação. 39 Futebol, pista de atletismo, salto em comprimento 40 Todas estas organizações, têm como principal objectivo satisfazer necessidades específicas dos indivíduos de uma comunidade, ajudando desta forma, a contribuir para o seu bem-estar e qualidade de vida.

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3.1.6. Acção Social O Decreto-Lei nº 115/2006 de 14 de Junho, consagra os princípios, finalidades e objectivos da Rede Social, bem como a constituição, funcionamento e competências dos seus órgãos. A Rede Social, impulsionou um trabalho de parceria alargada, incidindo na planificação estratégica da intervenção social local, abarcando actores sociais de diferentes naturezas e áreas de intervenção, visando contribuir para a erradicação da pobreza e da exclusão social e para a promoção do desenvolvimento social ao nível local. A Rede Social do Entroncamento é constituída pelo Conselho Local de Acção Social (CLAS) que integra um representante da Câmara, representantes dos organismos da administração pública central com responsabilidades na área social implantados na área e entidades particulares sem fins lucrativos que tenham actividade no local e queiram aderir, constituindo para tal uma plataforma de planeamento e coordenação da intervenção social, tanto a nível do concelho como ao nível das freguesias. No domínio da Acção Social, os habitantes do concelho do Entroncamento podem usufruir de recursos a vários níveis, das diferentes Associações e parcerias existentes. Entre as diversas Associações, temos a Associação de Lares Ferroviários – Lar do Entroncamento e a Santa Casa da Misericórdia – Lar Fernando Eiró Gomes, que além do Lar, oferecem outras respostas sociais, como o Centro de Dia e o Apoio Domiciliário e Apoio Domiciliário integrado. A Câmara Municipal do Entroncamento (CME), através dos seus Serviços Sociais, é promotora e parceira em diversos programas, que visam a promoção da qualidade de vida de todos os munícipes, em especial das crianças, dos idosos e daqueles que têm menores recursos. Para o efeito a Câmara possui um gabinete de psicologia, com atendimento gratuito, bem como o “Programa Entroncamento Solidário” 41, criado em Maio de 2008, com o qual pretende prestar apoio aos idosos do Concelho do Entroncamento com idade superior a 65 anos. Constata-se em muitos casos que, para além dos problemas de saúde, a população idosa se defronta com dificuldades operacionais ou de simples logística na sua vida diária, que começam dentro da própria habitação: uma torneira que pinga, uma lâmpada fundida, uma porta que funciona mal, e tantas outras situações análogas, que podem constituir um obstáculo ao desenvolvimento normal da sua vida. Neste sentido foi criado o “Cartão Municipal do
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O presente regulamento é elaborado ao abrigo dos termos do disposto no artigo 241.º da Constituição da República Portuguesa, na alínea a) do n.º 2 do artigo 53.º e na alínea c) do n.º 4 do artigo 64.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, com a redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro.

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Idoso”42, para usufruírem de apoios a diversos níveis, tais como, Pedreiro, Electricidade/electrónica, Serralharia, Carpintaria, Canalizador, entre outros (Serviços Sociais, CME, 2008). O Centro de Convívio da Terceira Idade foi inaugurado a 10 de Junho de 1990, aberto a todos os munícipes interessados, que deverão efectuar uma inscrição nos Serviços Sociais da Câmara. Atendendo às necessidades dos clientes, é elaborado um Plano Anual de Actividades, onde são contempladas actividades físicas e culturais43. Para além das actividades incluídas no Plano Anual, há ainda a referenciar a participação nas festas do Programa Reviver44. 3.1.7. Associação de Voluntariado do Entroncamento “ Viver e relacionar-se com outros em grupos, associações e organizações é um aspecto universal da vida de virtualmente todos os seres humanos.” (Giddens, 1997: 348). A Associação Voluntariado e Acção Social do Entroncamento (AVASOCIAL) é uma Organização não Governamental (ONG)45, que surgiu pela necessidade de não existir no concelho, uma Organização devidamente estruturada e organizada que se dedicasse continuada e voluntariamente a visitar e fazer companhia aos utentes internados no Hospital de S. João Baptista do Entroncamento, bem como nos Lares e Associações do Entroncamento46, sendo solicitados ainda, para Entidades exteriores ao concelho, nomeadamente para o Estabelecimento Prisional Regional de Torres Novas. Ainda na vertente do Voluntariado, refere-se a celebração do Protocolo com o Município do Entroncamento a 25 de Outubro de 2006 que possibilitou a implantação de um Banco Local de Voluntariado no concelho e que foi apresentado publicamente a 20 de Junho de 2007 (Serviços Sociais, CME, 2008).
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Encontram-se inscritos no cartão Municipal do Idoso 1201 idosos do Concelho do Entroncamento. Nomeadamente aulas de ginástica e hidroginástica, idas a espectáculos de revista e teatro, visitas a museus e monumentos, participação nas festas da cidade, com a execução das flores decorativas de papel e com as marchas alusivas aos Santos Populares. 44 O programa REVIVER tem como entidade promotora o Clube Lazer de Aventura e Competição do Entroncamento, contando com as parcerias das Associações já mencionadas. Este pretende “promover actividades que contribuam para um bom equilíbrio psico-motor; fomentar actividades de ocupação dos tempos livres; criar hábitos de exercício físico; prevenir doenças, nomeadamente as cardiovasculares; promover convívio saudável interpares e intergeracionais; sensibilizar para os aspectos sócio culturais; sensibilizar a comunidade para a prática de exercício físico; promoção da participação da população do sexo masculino” (Serviços Sociais, CME, 2008). 45 Foi constituída por Escritura Pública a 13 de Outubro de 1999, tendo 10 cidadãos do Entroncamento como fundadores. 46 Para que se possa aferir melhor sobre a importância, a vários níveis, da colaboração dos voluntários nas Instituições, é de anotar que em 2007 e 2008, respectivamente, essa colaboração foi contabilizada em 1262 e 1908 Horas de actividade.

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Como Serviço à Comunidade para a área do Voluntariado o Banco Local de Voluntariado do Entroncamento (BLVE) é um local de encontro entre cidadãos que desejam realizar Voluntariado e Organizações Promotoras de Projectos de Voluntariado, onde se disponibilizam oportunidades. É assumido um Compromisso entre Voluntários e Instituições, visando o desenvolvimento de acções em favor dos cidadãos e da comunidade em geral, tendo como objectivos, informar e receber candidaturas de cidadãos a Voluntários e de Instituições candidatas a Entidades Promotoras de Projectos de Voluntariado, receber e divulgar Projectos de Voluntariado, divulgar o Voluntariado, promover Formação para Voluntários e candidatos, e organizar e manter actualizada uma Base de Dados de Voluntários e Entidades. As associações com o apoio das autarquias fomentam o desenvolvimento e crescimento económico das regiões ajudando a comunidade ao seu desenvolvimento e inter-ajuda. Elas integram as comunidades onde se inserem e são a solução para as necessidades sem resposta da crise do Estado Providencia. A solidariedade social, assim como o trabalho dos voluntários dos quais estas organizações dependem, assumem aqui a maior das importâncias, dando continuidade às práticas tradicionais da caridade, trabalhando para realizar objectivos sociais públicos, proporcionando à sociedade a melhoria da qualidade de vida.
“Desde que o homem passou a viver em sociedade s urgiu a necessidade de superar as insuficiências individuais, que a nível do conhecimento, quer da produção, quer do consumo, através da junção num grupo, das vontades e capacidades dos indivíduos. Esta união, que inicialmente estava cingida à família e aos grupos informais evoluiu para grupos mais organizados, com objectivos mais idealistas, de dimensão natural, cultural, constituindo claramente um vector essencial da socialização humana” (Mendes, 2001: 7).

As organizações sem fins lucrativos, mostram-se desligadas de uma procura de ganhos monetários, as suas actividades estão centradas em acompanhar e tentar colmatar falhas em ambientes sociais específicos, assumido um papel cada vez mais significativo na economia. As associações ao longo dos anos têm desempenhado diversas funções (económicas, sociais) sendo instituídas para dar resposta às necessidades e aspirações dos seus associados e das comunidades em que estão inseridas (Pinheiro e Gomes, 2005). O direito de Associação é simultaneamente natural e fundamental, já que o seu princípio é inerente à condição humana, sendo um direito essencial do indivíduo, julgado fundamental para a democracia dos Estados e liberdade dos homens (Mendes, 2001).

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Com o intuito de se entender o trabalho desenvolvido pela Cáritas do Entroncamento, torna-se pertinente abordar a origem e necessidade da Cáritas, como se contextualizam estas organizações nas suas comunidades, o que são, como funcionam e como se formam. 3.2. CÁRITAS A Revolução Industrial apesar de ter sido o boom da humanidade, contribuindo para o seu desenvolvimento, trouxe novas formas de pobreza e carência à população. Assim, nos finais do sec. XIX surgiram várias Organizações com o intuito de colmatar estas carências. Entre as várias organizações, destaca-se a Cáritas, de cariz católico, que se expandiu por diversos países. Já no sec. XX, com a II Guerra mundial a Cáritas chega a Portugal. As consequências deste conflito, que devastou a Europa, foram catastróficas, deixando milhões de pessoas sem casa, sem emprego e sem comida, surgindo a necessidade de criar soluções para estes problemas de carência. Em 1950 nasceu em Roma a Cáritas Internacional, expandindo-se pela América do Sul. Hoje esta instituição está presente em 198 países nos cinco continentes. A Cáritas Internationalis é uma confederação das cerca de 162 organizações católicas, de relevo no desenvolvimento do serviço social e que trabalham para a construção de um mundo melhor, em especial para os pobres e oprimidos. A Cáritas47 é uma das maiores redes humanitárias do mundo, indiferente a crenças e religiões, raça, género, ou etnia, oferecendo um caminho de esperança para os mais de dez milhões de seres humanos que passam por dificuldades, contribuindo para o desenvolvimento da justiça social. A Cáritas é uma Organização que se centra na dignidade da pessoa humana, sendo um agente de mudança, para erradicar a pobreza e a desumanização, com a sua presença activa nas comunidades, lutando contra a pobreza, a exclusão, a intolerância e a discriminação. Mais importante ainda, permite aos povos participarem activamente em todas as matérias que afectam as suas vidas, e advoga em seu nome em fóruns nacionais e internacionais. A Cáritas promove a parceria; a autonomia local é primordial para assegurar trabalhos de equipa eficazes para o bem de todos.

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O mandato de Cáritas inclui o desenvolvimento, o apoio de emergência, a defesa, a preservação da paz, o respeito pelos direitos humanos e a sustentação integral para a supervisão apropriada do ambiente e dos recursos do planeta.

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Foi em Dezembro de 1951, com a aprovação dos estatutos pela Santa Sé, que teve lugar a Assembleia Geral constituinte da Cáritas Internacionalis. Os membros fundadores procediam de organizações Cáritas de 13 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Suíça48. 3.2.1 Cáritas Portuguesa A evolução do movimento associativo em Portugal focalizou sempre a sociedade, apesar das mudanças que sofreram ao longo do tempo os seus valores associativos tendo como base a solidariedade, a democracia e a cidadania como luta pelos seus direitos sociais económicos e culturais nunca deixaram de ser transversais e hoje as associações continuam o seu trabalho tendo sempre como “pano de fundo” esses valores (Malheiro, 1996). Em Portugal, a Cáritas inicia a sua actividade no final da década de 40, embora o seu primeiro estatuto, como entidade canonicamente constituída, seja só de 1956. Os primeiros anos da Cáritas Portuguesa são marcados por três fases: •1ª Fase: desde a origem até à primeira revisão dos estatutos (1975). Entre as décadas de 50 e 70 a Cáritas centralizou a sua actividade na distribuição de géneros alimentares49, concedidos pelos Estados Unidos da América (EUA) no âmbito do Plano Marshall50, na promoção do acolhimento de crianças oriundas do centro da Europa durante a Guerra Fria, na construção de casas e na alfabetização. • 2ª Fase: Período compreendido entre 1975 até à segunda revisão estatutária, em 2000. Implementação da promoção social, com o incentivo à criação de postos de trabalho; novos equipamentos sociais; formação de agentes; actuação, de forma efectiva no desenvolvimento local, e intervenção em centros de decisão política; • 3ª Fase: Com a revisão estatutária de 2000 surge uma nova etapa assente na consolidação da autonomia das Cáritas Diocesanas e na promoção da clarificação e actualização dos objectivos da Cáritas no contexto da Igreja e da sociedade portuguesa. As dioceses foram criando estatutos próprios para as suas Cáritas diocesanas, passando a Cáritas Portuguesa a ter mais um papel de animação, promoção da comunhão,
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http://www.caritas.org/ Como a farinha e o leite em pó, tendo, neste aspecto, modificado costumes alimentares, num sentido positivo, de certos meios sociais, sobretudo das populações do interior. 50 Plano elaborado pelos Estados Unidos e destinado à recuperação dos países da Europa Ocidental após a Segunda Guerra Mundial (http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/p/plano_marshall.htm).

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formação, proposição de iniciativas de âmbito nacional e representação junto dos foros internacionais (Cáritas, Revista de Acção Social da Igreja , nº 2). A Cáritas51 é assim “uma instância oficial da Igreja para a promoção da sua acção social” (Conferência Episcopal Portuguesa, 1997, Instrução Pastoral). A sua acção baseia-se na solidariedade, procurando dar resposta a situações de pobreza, exclusão social e situações de emergência (catástrofes naturais ou calamidade pública)52. 3.2.2. Princípios Fundamentais da Cáritas Norteada pela Doutrina Social da Igreja, a Cáritas Paroquial orienta-se pela solidariedade e pela legislação civil e canónica, atribuindo prioridade às situações mais graves de pobreza e exclusão social53. A ideia / expressão Exclusão Social foi apresentada pela Comissão Europeia no início dos anos de 1990, substitui o termo e a noção de pobreza. Os vários autores deixam a ideia de que pobreza, se trata de um conceito diferente do de exclusão social. Esta constitui um processo “ao longo do qual se verificam sucessivas rupturas na relação do indivíduo com a sociedade” (Costa, 2004: 11). A pobreza é muitas vezes, o fim do processo, as pessoas não são socialmente excluídas por serem pobres. Bruto da Costa (2004) refere que exclusão social não é só na fase terminal, mas o próprio processo de marginalização já é exclusão social. A impossibilidade do cidadão recorrer a um conjunto de sistemas sociais levam-no a 5 tipos de exclusão básicos, desvirtuandoo do estatuto de cidadania. O autor agrupa os sistemas sociais em 5 domínios54.

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A Cáritas Portuguesa é constituída pelas 20 Cáritas Diocesanas repartidas pelo país, que se regem pela doutrina social da Igreja. 52 http://www.caritas.pt/ 53 A assistência, em situações de dependência ou emergência; A promoção social, visando a superação e prevenção da dependência ou emergência e o reforço da autonomia pessoal; O desenvolvimento solidário, integral e personalizado e a transformação social, especialmente nos domínios das relações sociais, dos valores e do ambiente. 54 área social – conjunto que liga o individuo à família à vizinhança, à comunidade e ao mercado de trabalho, em caso de privação destas relações o individuo fica votado ao isolamento; área económica – mecanismos geradores de recursos e o acesso que as populações dispõem à compra de bens de consumo, a privação por falta deste recurso leva às más condições de vida, baixos níveis de instrução e qualificação profissional, elevadas taxas de desemprego e emprego precário; área institucional – os sistemas institucionais que não dependem do indivíduo mas do estado; área territorial – território onde o individuo habita, bairro da lata e habitação social; área das referências simbólicas – que se refere à perda de identidade, de autonomia, de perspectivas de futuro, de auto-estimas, de laços sociais, entre outros.

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3.2.3. Voluntariado na Cáritas O trabalho social, existe de forma voluntária há mais de uma centena de anos, instituições como a Cáritas ou a Cruz Vermelha são exemplos, mas na sua forma sistemática e popular, o trabalho de voluntariado é recente, contudo, presentemente, já existem escolas para voluntários e têm existido congressos internacionais para voluntários. A missão da Cáritas seria impossível sem o esforço incansável dos voluntários, que dedicam parte da sua vida na ajuda aos que mais necessitam. Segundo a Declaração Universal Sobre o Voluntariado, inspirado na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, voluntariado é uma decisão espontânea, apoiada em motivações e opções pessoais, que consiste na participação activa do cidadão na vida das comunidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, realização pessoal e uma maior solidariedade. Uma acção de voluntariado traduz-se num movimento organizado, no âmbito de uma associação, contribuindo para dar resposta aos principais desafios da sociedade, com vista a um desenvolvimento económico e social mais equilibrado55. Para ser voluntário é necessário estar disposto a doar o seu tempo livre, sem qualquer benefício material em troca, consiste em desenvolver actividades que visam minimizar as carências de um meio social ou de uma comunidade. Ao longo da história56 observamos uma constante transformação da noção de tempo, onde a média semanal de trabalho vai diminuindo, logicamente aumentando o tempo livre57 (Proni, 2001). Assim, tempo livre, é todo o tempo liberto de actividades ligadas ao trabalho e à satisfação das necessidades básicas (Dumazedier, 2000). Maslow identificou 5 necessidades humanas58, segundo uma hierarquia (pirâmide) em que,

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Também segundo esta declaração se instituíram princípios fundamentais, onde se reconhece que todo o ser humano se pode associar independente da sua religião, condição física, social ou material. Outro dos princípios é o respeito por todo o ser humano assim como a sua cultura (http://www.fcsh.unl.pt/cadeiras/ciberjornalismo/ciber2000/voluntariado/dec_univ.htm). 56 Após a revolução industrial, devido ao avanço tecnológico, o número de horas de não trabalho foi gradualmente aumentando, libertando o trabalhador para outras actividades, fundamentais para o seu desenvolvimento pessoal e de bem-estar (Proni, 2001). 57 Dumazedier (1962), divide o tempo livre em quatro períodos básicos, são eles: o tempo livre do fim do dia; o tempo livre do fim-de-semana; o tempo livre sazonal ou anual (férias) e o tempo livre do fim da vida activa (reforma). 58 Necessidades Fisiológicas – os bens de primeira necessidade, como, a alimentação, o abrigo, o descanso; as Necessidades de Segurança – ter um emprego estável e protecção contra a violência; as Necessidades Sociais – as relacionadas com o afecto, a pertença a um grupo; as Necessidades de AutoEstima – o reconhecimento das capacidades pessoais, a reputação, a admiração e o auto-respeito; as Necessidades Auto-Realização – referem-se à realização pessoal de cada indivíduo e à utilização plena dos seus direitos.

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enquanto as necessidades básicas não forem satisfeitas as outras não se manifestam no comportamento do indivíduo – princípio da dominância. Cada indivíduo tem que ascender a cada um dos níveis da pirâmide de necessidades para atingir a autorealização (Câmara, Guerra, Rodrigues, 1999). Um voluntário é incontestavelmente uma pessoa motivada por valores e sentimentos de solidariedade, compaixão, entrega ao próximo, e sensível à realidade social59. Segundo definição das Nações Unidas "…o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de actividades, organizadas ou não, de bemestar social, ou outros campos..."60. Neste sentido, o voluntário tem como princípios o respeito e a tolerância, a capacidade de adaptação, a capacidade de trabalhar em equipa, ter iniciativa, ser solidário e empático. Cada instituição tem a sua própria forma de actuação, dependendo da área do voluntariado61. No caso da Cáritas do Entroncamento a formação é ministrada na Cáritas Diocesana de Santarém, e através de acções, conferencias, e painéis de trabalho realizadas ao longo do ano por outras instituições, parceiros sociais, e nas quais os voluntários vão participando na medida dos seus interesses e disponibilidades. 3.2.4. A Cáritas no Entroncamento Não se deve pensar no associativismo como uma actividade menor, mas sim como um pólo de desenvolvimento, para a criação de novos empregos inclusão social e divulgação da cultura e da história das diferentes regiões. “...o desenvolvimento local deve ser um processo global,” (Castro, 1999: 34). A Cáritas Paroquial da Sagrada Família do Entroncamento surgiu pela mão da Irmã Alice Maria Brás da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima. A Irmã Alice, desde muito cedo, esteve ligada à Paroquia do Entroncamento, apesar de ter passado por diversas Congregações, foi no Entroncamento que permaneceu durante mais tempo, 35 anos. O seu trabalho desenvolveu-se no Centro Social e Paroquial,
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Por isso, este tipo de actividades são normalmente executadas com grande afinco, dedicação e “apenas” são recompensadas com um sorriso, um abraço, com sentimentos de realização pessoal e de missão cumprida. 60 (http://www.voluntarios.com.br/oque_e_voluntariado.htm). 61 Assim, cada voluntário tem direitos e deveres de acordo com os estatutos da instituição onde exerce voluntariado, prestando esta, a formação adequada, para que o voluntário saiba agir de forma correcta e eficaz, consoante as necessidades.

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exercendo as funções de Técnica de Serviço Social. Com o seu cariz solidário e dinâmico, em 1983 iniciou a Cáritas Paroquial62. A comunidade com o seu sentido de responsabilidade social, no exercício pleno da sua cidadania, com solidariedade, tolerância e cooperação participou na vida colectiva com todo o empenhamento. A Instituição iniciou a sua actividade numa garagem húmida e sem condições, contigua ao Centro Social, na qual as roupas e alimentos se deterioravam rapidamente. Até 2004 a direcção da Cáritas era constituída por pessoas de boa vontade, idosas, reformadas ou sem ocupação, que trabalhavam pelas necessidades sentidas, contudo sem uma estrutura organizacional. Com a chegada do novo pároco, a Cáritas desenvolveu-se de uma forma organizada, tendo sido eleita uma direcção, constituída por uma equipa activa, que impulsionou, dinamizou e ampliou todo o trabalho até então realizado. Esta nova direcção, com o apoio do Governo Civil e do Município, conseguiu novas instalações, cuja inauguração teve o apoio da Câmara Municipal, no dia 21 de Fevereiro de 2005, onde foi prestada homenagem à mentora da Cáritas, à qual deu o seu nome “Casa Irmã Alice”
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. As

associações com o apoio das autarquias fomentam o desenvolvimento e crescimento económico das regiões ajudando a comunidade ao seu desenvolvimento e inter-ajuda. Nos últimos vinte anos a liberdade de associação tem-se traduzido em associações de protecção dos direitos consagrados (crianças, idosos, mulheres, pobreza e exclusão social) pelo reconhecimento de novos direitos (minorias, anti-racismo, ambiente) e pela experimentação de novas formas de desenvolvimento, o desenvolvimento local (Mendes, 2001). Após a inauguração da Casa Irmã Alice, surge uma nova dinâmica no funcionamento da Cáritas do Entroncamento, que, pelo seu modus operandum64, foi visitada pela RTP2, Rádio Renascença, Agencia Eclésia e ainda reconhecido o seu sucesso pela Cáritas Portuguesa, sendo utilizada como modelo de referência, devido à sua capacidade de encontrar novas respostas para as necessidades da comunidade carenciada. Com as alterações legais que normalmente vão acontecendo, a Conferência Episcopal Portuguesa viu-se na necessidade de definir princípios gerais para ajudar a
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Esta iniciativa da Irmã Alice teve como suporte a Comunidade do Entroncamento, a qual se revelou muito receptiva a este projecto, demonstrando o seu empenho, através das doações de vestuário e alimentos à população carenciada. 63 Vide em Anexo III – Noticia “Inauguração da Loja Cáritas” 64 A Cáritas passou a ter um horário de expediente, com a porta aberta, o que proporcionou um atendimento mais eficaz.

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clarificar a perspectiva das instituições sócio caritativas da Igreja, de maneira a que as mesmas contribuam para a melhoria dos estilos de cooperação entre os parceiros sociais e nomeadamente com o Estado. Assim, a Conferência Episcopal reunida em Fátima a 7 de Abril de 2005, redigiu os Princípios e Orientações da Acção Social e Caritativa da Igreja, pelos quais todas as instituições sócio caritativas eclesiásticas se regem e que lhes serve de base para a elaboração dos seus estatutos65 (Princípios e orientações da Acção Social e Caritativa da Igreja, 1 – 2005). A Associação é uma pessoa colectiva composta de pessoas singulares e/ou colectivas unidas em torno de um objectivo comum, sem ter por fim o lucro66. Funciona com três órgãos directivos regidos por um estatuto interno. A Assembleia-geral é o seu órgão máximo, que elege a Direcção e o Conselho Fiscal de acordo com os associados (Mendes, 2001). Para constituir uma associação, tem que haver no mínimo, um grupo de três pessoas. Com o posterior funcionamento legal dos órgãos obrigatórios são necessárias tantas pessoas, quantas as que determinarem os estatutos, não podendo ser inferior a nove elementos, ou seja, três por cada órgão67. III CAPÍTULO 4. UMA MISSÃO Depois de um ano de missão de paz militar, na Ex-República Jugoslava da Macedónia e de ver crianças, em pleno Inverno, despidas da cintura para baixo com temperaturas negativas, com pés descalços, sobre a neve, a comer dos contentores do lixo, os restos em parte deixados pelas forças militares, a minha concepção de ver o mundo mudou radicalmente, aos 35 anos. Senti-me incapaz de agir, perante aqueles seres humanos, e impedido de intervir fora do contexto da minha missão militar, num ambiente cultural totalmente diferente. No regresso a Portugal e depois de falar sobre esta experiência, o pároco da Sagrada Família, convidou-me para a dinamização da Cáritas do Entroncamento. Desconhecia por completo esta Instituição, que na altura era formada por um grupo de voluntários idosos, limitando-se a receber e distribuir roupa, numa garagem velha, além deste trabalho, também era efectuado o peditório anual autorizado. Aceitei mudar o rumo da Instituição, pelo que depois de uma reunião do

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O manual foi de imediato publicado pelo Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa e distribuído pelas instituições. 66 A constituição jurídica das associações vem regulamentada no Código Civil. 67 Vide em Anexo IV – Estatutos da Cáritas do Entroncamento.

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conselho Pastoral da referida Paróquia foi aprovado o meu nome como novo Presidente da Instituição para a qual formei direcção. Após vários contactos, foi possível em Outubro de 2003 realizar a primeira reunião de direcção, daquela que viria a ser uma referência a nível nacional no âmbito da acção sócio caritativa. 4.1. Actividades 4.1.1. Loja Cáritas A convite do presidente da Cáritas, o Governador Civil de Santarém, Paulo Fonseca, visitou as velhas instalações da Cáritas no Entroncamento, uma garagem velha e húmida onde roedores também se alimentavam do vestuário, único tipo de ajuda que era recebido e distribuído. Depois de coordenado com o Município, estiveram também presentes o Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Jaime Ramos e o Presidente da então única freguesia existente, a de São João Baptista, Ezequiel Estrada. O Governador no final da visita solicitou directamente aos dois autarcas a necessidade da mudança da Instituição para um local condigno onde se pudesse concretizar o projecto da loja Cáritas. Ambos os autarcas concordaram em disponibilizar uma verba para um aluguer de um novo espaço, a Câmara disponibilizando 250 € e a Junta 150 €. Iniciou-se a procura de local, onde se pudesse efectuar um atendimento directo. Encontrou-se uma loja de uma ex-clínica de reabilitação na zona nobre da cidade, já com os espaços divididos, entrada para atendimento, escritório para a direcção e atendimento personalizado, zona de triagem de donativos, armazém, e área de banhos privados. O primeiro problema surgiu com o custo do aluguer, de 800€, 300€ acima do orçamento oferecido. Reunido com o proprietário e explicadas as intenções e objectivos da Instituição o mesmo concordou em alugar o espaço pela verba subsidiada. A divulgação da Loja Cáritas foi o passo seguinte, assim como traçar o rumo a seguir e de delinear os objectivos para a intervenção. Entendi, ser necessário proceder a um diagnóstico para o levantamento de necessidades e a definição dos indicadores. “O objectivo do diagnóstico é o conhecimento da realidade. Constitui uma das ferramentas teórico-metodológicas mais importantes para nos aproximarmos do conhecimento da realidade objecto de estudo” (Serrano, 2008: 29). Na elaboração de um projecto de intervenção a fase de diagnóstico é uma das mais importantes sendo “…necessário distinguir e diferenciar as necessidades dos

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problemas” (Idáñez, Ander-Egg, 2007: 30), assim “Um bom diagnóstico é garante da adequabilidade das respostas às necessidades locais e é fundamental para garantir a eficácia de qualquer projecto de intervenção” (Guerra, 2002: 131). A observação participante, conversas exploratórias e uma análise SWOT68 (Strenghts, Weaknesses, Opportunities e Threats) realizada na Instituição com a equipa existente, foi a metodologia que utilizei, para conhecer e delimitar as problemáticas existentes. Neste contexto, achei que a análise SWOT seria o método mais apropriado para a “…tomada de decisões relativamente à estratégia ou estratégias a seguir…” (Idáñez, Ander-Egg, 2007: 66). Através da análise SWOT69 observa-se como necessidade fundamental estruturar um projecto tendo como base o apoio às famílias, de forma a dar resposta às suas carências, tanto na satisfação de necessidades básicas, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida, como para o seu desenvolvimento integral, desenvolvendo competências, para se adaptar ao seu meio físico, social e cultural. Com os elementos analisados são identificadas as principais problemáticas, incidindo no desemprego e nos problemas associados a este constrangimento, tais como baixo nível de competências profissionais, sociais e pessoais. São factores que contribuem para o enfraquecimento das normas sociais e da sua integração, tornando-os anómicos e levando-os à exclusão social, excluindo-se da participação activa na sociedade. O meu projecto de investigação-acção70 incidiu na promoção e capacitação das famílias, contribuindo para uma mudança de atitudes e comportamentos levando-os a desenvolver as suas competências e a sua autonomia. Assim é importante ter presente que “Não se elaboram planos, programas e projectos, para redigir documentos com “boas intenções”, mas para os levar a cabo” (Ander-Egg, Idáñez 1998: 22).
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A análise SWOT é um método que consiste em ordenar a informação recolhida, em função das potencialidades e limitações, orientando face aos aspectos negativos e positivos, internos e externos, que o problema de diagnóstico apresenta. Tem como indicadores: os pontos fortes e fracos referentes ao ambiente interno e as, oportunidades e ameaças que são referentes ao ambiente externo, permitindo fazer uma analise global do problema (Idáñez, Ander-Egg, 2007). 69 Vide em Anexo V – Análise SWOT à Cáritas do Entroncamento 70 A investigação-acção é uma das estratégias metodológicas, que proporciona uma percepção real das capacidades/limitações/necessidades do sujeito educativo. Podemos dizer que a metodologia investigação-acção permite que esta tenha melhores resultados ao nível da prática numa diversidade de campos de intervenção (Trilla, 1998). Esta metodologia por se centrar em fenómenos reais, a sua intervenção ocorre em pequena escala, seguida de um exame rigoroso dos seus efeitos. Tem como objectivo promover mudanças sociais, recorrendo à praxis, através da recolha sistemática de informação. Efectua-se através de um processo em espiral, constituído por planeamento, acção e avaliação dos resultados da acção. É inovadora no sentido em que os participantes intervêm em todas as fases da investigação (Guerra, 2002).

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Havia muito a mudar para primeiro se conseguir chegar à população alvo do Entroncamento. Foi dada a conhecer a nova Direcção a todas as autoridades, Instituições, escolas, colectividades, não só do concelho mas também do distrito de Santarém, com a solicitação expressa de uma reunião formal entre os seus responsáveis e o Presidente da Cáritas do Entroncamento. Mais reuniões, mais pedidos de apoio, e a pouco e pouco conseguiu-se um alarme gratuito, um balcão de atendimento, várias prateleiras para vestuário e para produtos alimentares71. 4.1.2. Cooperação com a Autarquia No combate à exclusão social, as autarquias têm um papel fulcral, optando por uma política de parceria e não por uma promoção afirmativa de iniciativas de combate à pobreza e à exclusão social (Ruivo, 2002). Desde o primeiro dia que a Cáritas se apoiou no Presidente da Autarquia, dado que o mesmo detém o pelouro da Acção Social. Ficou acordado, a Cáritas dar conhecimento das suas actividades ao Presidente e à sua Técnica Social. As autarquias atendendo à realidade das suas comunidades tem vindo a definir prioridades de intervenção, recursos e parcerias que visem garantir a implementação de políticas de inclusão social, devido às políticas de descentralização, necessariamente, implementadas pelos organismos locais. É neste sentido que surge este projecto, tendo como objectivo contribuir para a diminuição de situações de pobreza e exclusão social, nomeadamente, nas situações de satisfação das necessidades básicas, alimentação e vestuário. Para o efeito reunimos todas as Sextas-feiras das 14h00 às 17h00 com a Técnica Social da Câmara Municipal, onde eram discutidos os casos sociais de carência, formas de apoio, e elaborada e actualizada a lista mensal de ajudas a conceder.  Apoio financeiro Na primeira reunião com o Presidente do Município foi abordado o assunto das verbas para ajuda a carenciados do concelho. Questionei acerca do dispêndio de 15.000€ anuais para o canil municipal, enquanto não havia um cêntimo para ajuda a população carenciada do concelho. Após definição de objectivos, o Município decidiu contribuir com 1500€ mensais para a Cáritas do Entroncamento. A verba seria concedida mensalmente após a Cáritas entregar na última reunião mensal, uma listagem com os carenciados beneficiários e o montante de ajuda a conceder, para que o
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Vide em Anexo VI – Fotos 1 a 6

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presidente da Autarquia despachasse em conformidade. A Cáritas passou assim a ter um orçamento extra de 1500€ mensais. O problema é que a ajuda apenas era desbloqueada no mês seguinte, sendo necessário para receber essa verba mensal, dirigir-me à tesouraria do Município, onde recebia o respectivo cheque contra quitação através de recibo da Instituição, sendo esta transacção sempre morosa, ficando o dinheiro disponível, apenas na semana seguinte. Uma vez que a ajuda aos clientes era efectuada em numerário, tornava-se necessário mudar a forma de actuação.  Mudança de Actuação A Cáritas concluiu que o sistema/metodologia que vinha sendo aplicado para as ajudas às famílias carenciadas do concelho, não se adaptava às novas e urgentes necessidades. A ajuda aos carenciados deveria ser imediata e limitada ao menor espaço de tempo possível e sempre que possível, evitar a ajuda em numerário, sendo pertinente os pagamentos de dívidas dos carenciados a outras Instituições, serem efectuados directamente pela Cáritas, sempre que se justificasse, visto serem indivíduos com baixas capacidades de gestão dos próprios recursos, oriundos de estratos sociais vulneráveis, de pobreza e de exclusão social. A ajuda em numerário, passaria para uma distribuição de alimentos, podendo a verba a despender com a alimentação ser utilizada pelo agregado familiar, em outras necessidades ou encargos. Também pelo método anterior a ajuda imediata não era possível uma vez que a burocracia financeira só desbloqueava a verba, dois meses após a necessidade. E por último passar a uma ajuda a curto prazo para não criar dependência por parte dos beneficiários. Foi assim proposto pela Cáritas, ao Município adequar os procedimentos às necessidades. Assim e depois da aceitação e aprovação por parte da Autarquia, foi possível uma ajuda mais eficaz, chegando a todos os casos pontuais que solicitavam ajuda tanto na Acção Social do Município como na Cáritas Do Entroncamento. Foi nesta altura que a verba passou também a ser disponibilizada através de transferência bancária diminuindo o tempo de espera para a sua disponibilidade72.

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Vide em Anexo VII – Proposta da Cáritas ao Município.

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 Implementação da Rede Social Uma das atribuições dos municípios é o enquadramento dos agentes que constituem a Rede Social73 na articulação de esforços para a erradicação da pobreza e da exclusão social e promoção do desenvolvimento social. Fomentar estratégias em parceria de forma a contribuir para o desenvolvimento social, reduzindo as desigualdades sociais e proporcionando o acesso a serviços, recursos e direitos sociais básicos à população que carece destes serviços, para assegurar a sua integração e participação na sociedade. Devido à dinâmica adquirida, a Cáritas tornou-se num dos parceiros imprescindíveis para a implementação da Rede Social no concelho do Entroncamento74, fazendo parte do pré-diagnóstico elaborado pela Câmara Municipal, Junta de Freguesia, Segurança Social e Lar dos Ferroviários75. Segundo Roque Amaro (2004), parceria, é um trabalho de acção conjunta entre Instituições ou actores de tipo diferente, normalmente, no mesmo território em projectos comuns. Espera-se das parcerias que divulguem e sensibilizem as comunidades para uma participação activa, visto que nenhuma entidade, consegue satisfazer, sozinha, todas as necessidades dos seus destinatários. Baseando-se na análise SWOT efectuada pela Cáritas, este núcleo elaborou o diagnóstico Social76 de Fevereiro de 2006 e participou em vários workshops77 também para o mesmo efeito. Fazendo também parte do núcleo executivo, a Cáritas deu aval, no âmbito do processo de análise das candidaturas do PARES (criado pela portaria nº426/2006 de 2 de Maio), às candidaturas da Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento para a construção de um equipamento social destinado ao apoio a

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A Rede Social é constituída por autarquias e entidades públicas e privadas trabalhando em parceria na definição de prioridades e optimização dos recursos, baseada na responsabilização e mobilização da sociedade e do indivíduo para o esforço da erradicação da pobreza e da exclusão social. Foi criada através da resolução do Conselho de Ministros nº 197/97 de 18 de Novembro de 1997 e Declaração de Rectificação nº 10-0/98. Regulamentado pelo Despacho normativo nº8/2002 de 12 de Fevereiro e o DecLei nº115/2006 de 14 de Junho (www.seg-social.pt/redesocial). A Rede Social materializa-se a nível local através da criação das Comissões Sociais de Freguesia e/ou Inter-Freguesia (CSF/ CSIF) e dos Conselhos Locais de Acção Social (CLAS), constituindo plataformas de planeamento e coordenação da intervenção social, respectivamente, a nível de freguesia e concelhio. 74 Vide em Anexo VIII – Rede Social. 75 Vide em Anexo IX – Convocatória para Sessão de Informação e Implementação do Programa Rede Social. 76 Vide em Anexo X – Rede Social - Envio do Diagnóstico Social 77 Vide em Anexos XI – Rede Social – Workshop, XII – Rede Social – Convite para Participação em Workshop

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idosos, e do TRENDIRIVIR – associação sócio-cultural para o Desenvolvimento, para a construção de raiz de um equipamento de apoio á 1ª infância – creche.78 A Rede Social, é uma estratégia de comunicação e partilha de informação entre actores de tipo semelhante que trabalham em territórios e projectos diferentes, mas do mesmo tipo (Amaro, 2004). 4.1.3. Recenseamento A Cáritas participava em várias Reuniões mensais, na pessoa do seu Presidente. Nomeadamente nas Reuniões do CLAS e da Rede Social, da qual a Cáritas foi convidada a fazer parte do núcleo dinamizador desde o primeiro dia. Nas primeiras reuniões do CLAS, e através da participação no projecto de Diagnóstico Social do Concelho do Entroncamento, foi possível ter uma primeira percepção do número de famílias carenciadas do Entroncamento e encaminha-las para a Cáritas a fim do seu recenseamento na instituição e assim beneficiarem de ajuda. O primeiro passo consiste na inscrição das famílias, tendo como objectivo efectuar um levantamento das suas necessidades. Para ser beneficiário é necessário verificar-se certos requisitos, tais como situação de desemprego, beneficiar do Rendimento Social de Inserção (RSI), possuir baixos rendimentos ou ainda outros casos que justifiquem a intervenção, devidamente identificados. Com a finalidade de recolha, tratamento confidencial e armazenamento de dados, criei uma base de dados, interna, na Instituição, contendo a identificação do cliente79, o seu agregado familiar, a sua situação profissional, habitacional e socioeconómica, bem como outros assuntos relevantes e pertinentes para abertura de processo. É no atendimento que se avalia a situação, podendo ser necessário o encaminhamento para outros serviços, tais como a Segurança Social, apoio psicológico, Centro de Alcoologia, toxicodependência, entre outros. Sendo este um exemplo da aplicação do SSC, que tem como finalidade o inter-relacionamento dos indivíduos com dificuldades de inserção na comunidade. O TSSS através do fornecimento de serviços práticos (Vieira, 1988), disponibiliza informação de modo a que os clientes possam utilizar de forma correcta os serviços disponibilizados pelas instituições (recursos materiais, legais, jurídicos, etc.) – deve agir como um advogado social, bem como, capacitá-los psicologicamente, com vista a uma mudança de atitude que os leve a ser
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Vide em Anexo XIII – Convocatória Rede Social – Programa PARES Foi solicitado a todas as famílias inscritas, declaração de rendimentos ou certidão negativa das finanças, Número de Identificação Fiscal, e Bilhete de Identidade.

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autónomos para resolver e prevenir os seus próprios problemas, alcançando o máximo de satisfação pessoal e a melhor integração social (Biesttek, 1965). O Técnico Superior de Serviço Social é o facilitador das relações entre o indivíduo em dificuldades e as Instituições. 4.1.4. Produtos Alimentares  Banco Alimentar Com o intuito de prestar mais ajuda aos carenciados, a Cáritas estabeleceu um protocolo com o Banco Alimentar contra a fome, de Abrantes (BA)80. Todas as famílias da Cáritas foram inscritas no referido BA, levantando, mensalmente, os alimentos para fazer face às suas necessidades (per capita), tendo a Cáritas a responsabilidade de participar na recolha bianual do BA, realizada em Maio e Novembro/Dezembro, no supermercado LIDL do Entroncamento.  Outros protocolos Para garantir a satisfação das necessidades dos seus carenciados, em géneros de difícil aquisição e conservação, a Cáritas contactou os hipermercados da região tendo conseguido protocolos com o Pingo Doce, e Hipermercado E. Leclerc, para lhe serem facultados os frescos diários que por motivos de validade para o dia seguinte não poderiam ser comercializados, assim como todos os artigos que por ruptura da embalagem não poderiam também ser comercializados. 4.1.5. Cartão de Utente Dada a afluência de clientes, na loja da Cáritas, tornou-se necessário criar um “Cartão de Utente”81, no qual constava os seus dias de atendimento. Os atendimentos eram efectuados às terças e quintas-feiras, quinzenalmente. Criei este cartão no intuito de proporcionar aos clientes, um atendimento personalizado, bem como para repartir o atendimento pelos dias estipulados. Eu, como Presidente, atendia às sextas-feiras, por marcação, quando solicitado. As estratégias de intervenção devem estar enquadradas com a população a quem se destina o projecto, indo de encontro à realidade observada, bem como às necessidades
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“Os Bancos Alimentares são Instituições Particulares de Solidariedade Social que lutam contra o desperdício de produtos alimentares encaminhando-os para distribuição gratuita às pessoas carenciadas… A acção dos Bancos Alimentares assenta na gratuidade, na dádiva, na partilha, no voluntariado e no mecenato”(http://www.bancoalimentar.pt/quemsomos.html). 81 Vide em Anexo XIV – Cartão de Utente

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sentidas, de forma a atingir os resultados pretendidos. Neste sentido pretendi efectuar um atendimento aos clientes, individualizado, estabelecendo uma relação de empatia e confiança, incentivando-os à socialização dentro de uma didáctica de compreensão do contexto social e de acção reflexiva, com o objectivo de melhorar as condições de vida (Vieira, 1988). Este é o trabalho do TSSS, que deve assentar a sua intervenção na relação e na empatia, num trabalho sócio educativo. Realizei no atendimento pequenas acções de sensibilização, trabalhando com o cliente de forma a valoriza-lo e dar-lhe confiança, para que possa utilizar as suas capacidades e dessa forma agir sobre si próprio. Este trabalho visa a inserção numa vida social, profissional e política, para assim o indivíduo exercer a sua cidadania plena. Estes são os pressupostos dos princípios do SSC82. O TSSS no seu trabalho adequa o método a cada situação, utiliza a escuta activa, está atento ao cliente, partilhando das suas preocupações, age de forma controlada com sensibilidade e compreensão, não faz juízos de valor, o cliente tem a liberdade para fazer as suas escolhas e tomar as suas decisões, preserva a informação que lhe é dada pelo cliente (Vieira, 1988). Mais uma vez se inter-relacionam os métodos utilizados, tanto pelo TSS, como por mim, enquanto Presidente da Instituição. 4.1.6. Base de Dados CLAS Ao criar a Base de dados na Cáritas e de ter dado conhecimento no CLAS, da sua existência, foi decidido adaptá-la de modo a fazerem parte todos os parceiros, havendo assim a possibilidade de cruzamento de dados, evitando a duplicação de ajudas. Com a aprovação no CLAS, a base de dados foi reajustada à realidade de todos os parceiros sociais e colocada em rede de modo a todos poderem consultar e inserir os seus dados. Este trabalho em rede, segundo Roque Amaro (2004), é uma estratégia de comunicação e partilha de informação entre parceiros de tipo semelhante que trabalham em territórios e projectos diferentes, mas do mesmo tipo. Assim, quando um possível carenciado se dirigia a uma Instituição para solicitar ajuda, era imediatamente possível verificar se já se encontrava inscrito noutra Instituição e se já recebia algum tipo de ajuda. O problema foi a não-aceitação por parte de algumas Instituições, quer pelos seus estatutos, quer

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Os princípios do SSC são sete: Individualização; Expressão de sentimentos tendo em vista um colectivo; Envolvimento emocional controlado; Aceitação; Atitude de não julgamento; Autodeterminação do cliente; discrição.

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pelo seu cariz espiritual, como o caso das Conferências de São Vicente de Paulo da Igreja católica. 4.1.7. Fim-de-semana da solidariedade Decidiu-se chamar assim ao fim de semana em que, para além de decorrer a Operação da Cáritas Internacionalis, 10 Milhões de Estrelas – um gesto de paz, a Cáritas do Entroncamento realizava um outro conjunto de actividades para dar uma maior continuidade, visibilidade e dinâmica a todo o fim-de-semana. Esta actividade foi alvo de uma entrevista televisiva, pela RTP2, na qual fui entrevistado sobre toda a dinâmica da Cáritas do Entroncamento83.  Campanha Internacional 10 Milhões de Estrelas – um gesto de paz A implementação desta operação em Portugal por parte da Cáritas Portuguesa tem como objectivo motivar cada cidadão para a aquisição de uma vela que, quando acesa (na noite da consoada), simbolize a adesão de toda a população portuguesa à causa da Paz. As Cáritas locais adquiriam à respectiva Cáritas diocesana o material necessário à realização da actividade, conjuntos de 4 velas que poderiam ser vendidos em conjunto ou à unidade, e fotóforos – vasos vela – com os quais no caso da Cáritas do Entroncamento era escrita na escadaria da Igreja matriz a palavra PAZ. Neste caso os fotóforos, aproximadamente 240 (oitenta por cada letra de PAZ) eram adquiridos por representantes de todas as associações, colectividades, parceiros sociais, grupos da paróquia e por particulares que se quisessem associar. Cada um era depois chamado e acompanhado por um escuteiro colocava o seu fotóforo no local destinado na escadaria. Das verbas recolhidas pela campanha, 30% revertia para a Cáritas Portuguesa e era aplicada no apoio a um país em vias de desenvolvimento, num projecto especialmente pensado para dar resposta às necessidades/urgências das crianças das zonas mais desfavorecidas do globo. Os restantes 70% ficavam para cada Cáritas Diocesana, para apoiarem igualmente projectos nacionais no âmbito desta temática.  Corrida da Solidariedade Devido à necessidade, cada vez maior, de géneros alimentares para fazer face ao aumento de inscrições de carenciados e para ultrapassar o problema do prazo de validade dos mesmos que nos chegavam do banco alimentar, alimentos esses recebidos,
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Vide em Anexo XV – Artigos das Revistas Municipais do Entroncamento

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recolhidos e armazenados seis meses antes, tornou-se necessário projectar actividades que proporcionassem uma alternativa para este problema. Assim, a corrida/Marcha da solidariedade foi o projecto pelo qual se decidiu, e também o mais trabalhoso em termos organizativos e coordenativos. O objectivo principal era o facto de a inscrição dos participantes se fazer em vales de compras que adquiriam num hipermercado local e que entregavam na Cáritas para formalizar a inscrição na prova, assim a Cáritas passaria a dispor dos vales que trocaria pelos géneros necessários e quando necessário. Tratando-se de um evento que na sua componente especifica de atletismo a própria Cáritas não estava preparada para realizar, foi solicitado o apoio a uma das colectividades locais ligadas à actividade, Clube de Lazer Aventura e Competição (CLAC). Depois de estabelecida a parceria e sendo uma iniciativa da Cáritas, teve a mesma de providenciar todas as autorizações e patrocínios. Autorização da Câmara Municipal e Associação de Atletismo de Santarém, seguro desportivo e publicação nos órgãos de comunicação social do percurso e respectivos encerramentos de vias ao trânsito. O reabastecimento dos atletas durante o percurso, troféus e medalhas, foram patrocinados por diversas empresas, que colaboraram com esta iniciativa. No final a corrida foi um sucesso e o objectivo pretendido, superou as expectativas84.  Marcha da Paz Sempre com o mesmo intuito de envolver a população, a Marcha da Paz, que não era mais do que uma manifestação pacífica, tornou-se num modo de despertar a atenção para a Instituição. Com autorização do Município e escolta da Policia de Segurança Pública (PSP), a marcha saía no dia e do local do almoço convívio de Natal, passava pelo maior número de vias principais do Entroncamento. Pelo seu percurso ia granjeando simpatizantes que a acompanhavam até ao Adro da Igreja Matriz, onde depois se realizava a cerimónia dos 10 Milhões de Estrelas – Um gesto de Paz. Foi das mais importantes demonstrações realizadas pela Cáritas do Entroncamento, porque todos os anos desde a sua realização e até ao Natal, os donativos monetários aumentavam consideravelmente, assim como a inscrição de novos voluntários para prestarem serviço na Instituição.

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Vide em Anexo XVI – Notícia da Corrida da Solidariedade

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 Almoço de Natal Desde o primeiro ano que se ofereceu, aos voluntários, autoridades locais, e famílias que com a Instituição privavam um ano inteiro, um almoço de confraternização de Natal. Este almoço envolvia todos os grupos da paróquia em especial o grupo de jovens e a Acção Social do Município. Todos os anos uma Instituição diferente era convidada a ceder o espaço e a ajudar em todo o processo de realização do evento. Os géneros para a confecção do almoço eram solicitados porta a porta nos feriados de 1 e 8 de Dezembro pelos jovens da Paróquia numa acção primeiramente publicitada nos órgãos de comunicação local. Os brinquedos para as crianças dos 0 aos 14 anos eram adquiridos pela Instituição85. Esta iniciativa foi acompanhada por uma reportagem da Rádio Voz do Entroncamento, que para além de alertar a população para a recolha de géneros por parte dos jovens da paróquia, nos dias mencionados, acabou no final por salientar uma vez mais as actividades que a instituição ia desenvolvendo86.  Concertos de Natal na Igreja Matriz No Fim-de-semana da solidariedade, em cooperação com a Autarquia, que suportava as despesas de alimentação e transporte aos participantes, a Cáritas organizava também um concerto de Natal na Igreja Matriz87. Durante o ano eram contactados vários grupos líricos e eruditos acerca das suas disponibilidades de actuação caritativa, ou seja a custo zero para a Instituição, o que foi conseguido sempre com sucesso. A participação mais importante, e que actuou por vários anos consecutivos, foi o Coro Regina Coeli de Lisboa acompanhado pela Orquestra Filarmónica das Beiras, sob a direcção do maestro António Vassalo Lourenço. Esta actividade tinha como objectivo proporcionar momentos lúdicos e de confraternização, utilizando a cultura como veiculo para a coesão social. As actividades realizadas neste fim-de-semana, só foram possíveis, devido ao esforço conjunto do grupo de trabalho, onde utilizei diversas dinâmicas para conhecimento mútuo, formando um grupo coeso e confiante. Os grupos criam uma consciência colectiva, a troca de informações entre os seus membros ajuda cada elemento a formar uma identidade própria e a estabelecer normas e papéis sociais. São formados com o intuito de realização de determinadas tarefas,
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Vide em Anexo VI – Fotos 7 e 8 Vide em Anexo XVII – Almoço Convívio de Natal 87 Vide em Anexo VI – Foto 9.

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levando o grupo a interagir de forma confiante e coesa, para a obtenção dos objectivos comuns, pretendidos (Fachada, 2000). A Animação Sócio Cultural (ASC)88, foi preponderante nestas actividades (Trilla, 2004). A postura por mim utilizada, foi a de TSSS, mais uma vez foram utilizados os métodos do SSC e do SSG de uma forma empírica pois ainda não tinha todos os conhecimentos que adquiri após a frequência do curso. António Barreto refere que participação social “... diz respeito ao envolvimento de cidadãos e grupos de cidadãos em actividades conjuntas de carácter específico e de interesse, comum... a titulo de exemplo, de carácter religioso, sindical, desportivo e cultural entre outros. Muitas destas actividades são do tipo voluntário e unidimensionais” (2002: 50). 4.1.8. Divulgação Sem divulgação das suas actividades e sem aceitação das solicitações que lhe eram efectuadas, a Cáritas arriscaria a perder tanto os seus doadores e patrocinadores, como cair no esquecimento. A regra de ouro foi a divulgação, a todos os níveis, do trabalho desenvolvido de maneira a adquirir a confiança de quem já colaborava assim como aumentar o seu número. As organizações do 3º sector utilizam estratégias de marketing social, sendo que os seus objectivos são essencialmente sociais, que visam desenvolver acções que estimulem para o desenvolvimento rural, cultural e social, no combate à exclusão social, no sentido de integração dos indivíduos. No 3º sector o marketing social surge como uma ferramenta capaz de provocar mudanças cognitivas, de comportamento, de valores, novas formas de pensar e agir, em determinados públicos sobre determinadas questões. O Marketing Social consiste na utilização de princípios e técnicas de marketing comercial para influenciar determinados públicos-alvo, para que estes aceitem, rejeitem, alterem ou abandonem um comportamento voluntariamente, contribuindo desta forma para o bem-estar de indivíduos, grupos ou da sociedade em geral (Carvalho, 2005). Desta forma a Cáritas divulgou o seu trabalho através de acções de elevada visibilidade, tais como as corridas, marchas e manifestações, de colóquios e
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A ASC apareceu em França nos anos seguintes à II Guerra Mundial como uma ferramenta de “reconstrução” humana, social e cultural dos países devastados pela guerra. O animador começou no plano popular, era o animador vocacional, quase sempre voluntário, com uma simples autoformação. A actividade ganhou importância, apareceram as escolas de formação adequada com o desejo, de que passem a funcionar ao nível de graduação universitária (Petrus, 1997).

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conferências, de notas de imprensa e facultando anualmente à população do concelho o seu relatório de contas e acção social.  Estágios/Trabalhos Universitários Muitos estudantes universitários de Ciências Sociais por aconselhamento dos seus professores, realizaram o seu estágio curricular89 na Instituição. Os seus estágios foram sempre dinamizados, no sentido de desenvolverem novas ideias e colocarem em prática novos conceitos, além da experiencia do terreno90. Com a colaboração das estagiárias, a Cáritas beneficiou desta mais-valia, quer com a teoria, quer com as novas práticas utilizadas, dando dinamismo à Instituição. A Instituição foi também escolhida por estudantes universitários para realizarem alguns dos seus trabalhos sobre voluntariado, nomeadamente da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria.  Escolas Sempre que solicitado, a Cáritas colaborou com os alunos do 12º ano no âmbito da disciplina de Área Projecto, em temas como a solidariedade, exclusão social, pobreza e voluntariado. Depois de se aperceberem da realidade, no final dos seus projectos, esses mesmos alunos acabavam por desenvolver campanhas de apoio à Cáritas, a nível escolar, envolvendo toda a comunidade de alunos com recolhas de brinquedos, alimentos e vestuário, donativos monetários, que eram depois entregues em conjunto na Instituição, às famílias referenciadas91. Com estes elementos constituiu-se como objectivo estabelecer a relação escola/família/comunidade, através de uma intervenção socioeducativa, incidindo na problemática da multiculturalidade e exclusão social utilizando para esse efeito estratégias de acção que modifiquem a vida escolar, familiar e comunitária. “…re -situar a actividade educativa a partir do seu sentido social e comunitário” (Canastra & Malheiro 2009: 2024).

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O estágio é considerado como um espaço privilegiado para a aprendizagem social, profissional e cultural, que são proporcionadas ao estudante, aprofundando a relação prática e o confronto com a realidade social e profissional, sendo a responsabilidade e coordenação da Instituição de ensino. Segundo o D.L. nº 87.497 de 18 de Agosto de 1982 90 O que se pretende num estágio curricular é a ligação do meio académico com o meio profissional, permitindo observar no terreno, diversas problemáticas até então consideradas apenas teoricamente. 91 Vide em Anexo VI – Foto 10

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A interacção da comunidade com a escola passa pela sensibilização dos educadores, pois a escola é da comunidade. O desenvolvimento do território acontece na educação para a cidadania, passando pela comunidade. Partindo deste princípio, o TSSS é um mediador que estabelece a comunicação numa tríade conjunta, possibilitando assim o auto-desenvolvimento social, através de uma cultura de participação cívica. A Cáritas, ao utilizar este recurso humano, envolvendo a população nos diversos problemas sociais, tentando a resolução dos mesmos, fomenta o desenvolvimento comunitário92. O conceito de comunidade, na maior parte das sociedades, pode ser definido por 2 grandezas – pelas particularidades e experiências dos seus membros e pelos interesses comuns que os ligam entre si (Henriques, 1990).  Conferências A Cáritas do Entroncamento, na pessoa do seu Presidente, foi convidada a participar como oradora, em conferências organizadas pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) e pela Assistência Médica Internacional (AMI), tanto dirigidas às escolas do Concelho, como aos parceiros sociais e população em geral.  Feiras Sociais A convite do Município do Entroncamento a Cáritas disponibilizou-se sempre a estar presente, durante vários dias, na exposição de actividades tanto a nível da Cáritas Portuguesa como da própria Cáritas do Entroncamento, sendo dos únicos parceiros sociais a marcar presença no stand nas Feiras Sociais de Rio Maior e Torres Novas93. Neste caso a Cáritas, através do gabinete de relações públicas, requereu sempre à Cáritas Portuguesa material de apoio e publicitário de todas as campanhas e trabalho realizado, não só para dar a conhecê-lo no Concelho do Entroncamento, mas também a nível nacional. O Marketing social, utiliza o Marketing comercial para a divulgação das suas iniciativas. É utilizado para a sensibilização e mobilização dos parceiros
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As raízes do Desenvolvimento Comunitário surgiram no período que mediou as 2 Guerras Mundiais. Conceito utilizado com diversos sentidos. Hoje reconhece-se como consagrado na Conferência de Bandum em 1954, onde os países ditos desenvolvidos – colonizadores se comprometeram em contribuir com 1% do PIB para o desenvolvimento das ex-colónias. Contrato que não foi cumprido, no entanto, com as crises socioeconómicas surgiu a necessidade de repensar o Desenvolvimento Comunitário e o modelo de intervenção envolvendo várias Instituições, como a ONU e o FMI. Da Conferência de Estocolmo saiu o documento da ONU intitulado Progresso Social Através do Desenvolvimento Comunitário (Henriques, 1990). 93 Vide em Anexo VI – Foto 11

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socioeconómicos, principalmente as empresas, de forma a dar acesso ao mercado de trabalho, aos públicos mais desfavorecidos, para a sua integração social. O marketing social procura essencialmente “comercializar” ideias/comportamentos ou parcerias, tendo como objectivo principal o ganho social e não o lucro (Carvalho, 2005). 4.1.9. Comparticipação para Farmácias A Cáritas nunca pagava a totalidade de despesas solicitadas pelos clientes. Este procedimento era utilizado no sentido obrigar a uma responsabilização, não criando dependência e facilitismo. Com este intuito criou os vales para farmácias. Depois de reunir com todas as farmácias do Entroncamento, sem excepção, produziu um modelo a ser entregue aos seus clientes, para os mesmos adquirirem medicamentos, comparticipados também pela Cáritas. Consoante o grau de carência era atribuída uma percentagem de comparticipação no respectivo vale unipessoal e apenas para os números de receitas mencionados no vale94. O cliente dirigia-se à farmácia, adquiria os medicamentos mediante o pagamento do restante valor e a Cáritas procedia à regularização da restante despesa em todas as farmácias do concelho95. 4.1.10. Reinserção Sem-abrigo A Cáritas, já identificada pela Segurança Social como Instituição de apoio aos sem abrigo, foi convidada a partilhar as suas metodologias de intervenção, assim como participar no recenseamento dos indivíduos a quem prestava apoio96. Segundo Bruto da Costa (2004), em Portugal, o conceito de sem-abrigo refere-se a todas as pessoas que se deparam com a falta de domicílio fixo, pernoitando nas ruas, espaços públicos, bem como todas aquelas pessoas que se encontram em centros de acolhimento temporários, em suma, são todos aqueles que não possuem habitação digna e estável. Estão inseridos numa dinâmica de progressivas perdas. Muitas vezes relacionamos pobres com sem abrigo, embora em muitos casos, a situação de sem abrigo derive de situações de extrema pobreza, noutras, a ruptura de laços sociais e familiares, está na base desta condição, sendo necessário ter em conta toda uma história de vida que conflui na condição de sem abrigo,”Ocorre dizer que não há duas situações de sem abrigo, iguais…”, (Costa, 2004:80). Os sem abrigo são o melhor exemplo de um

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Este era assinado e carimbado pelo Presidente da Instituição. Vide em Anexo VIII – Modelo para comparticipação de medicamentos 96 Vide em Anexo XIX – Recenseamento população Sem-abrigo

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caso de ruptura de múltiplos direitos de cidadania, conduzindo-os a uma situação de extrema exclusão social. No trabalho efectuado com os sem-abrigo estão casos de sucesso e de insucesso da Cáritas do Entroncamento. Neste contexto a Cáritas do Entroncamento foi escolhida durante o período da Quaresma para ilustrar o trabalho de campo e sensibilizar, a nível nacional para os problemas da exclusão social, tendo a reportagem da Rádio Renascença pela Jornalista Marta Ventura incluído entrevistas não só ao Presidente mas também aos carenciados durante o acompanhamento no terreno. Os dois casos, abaixo descritos, são exemplo do trabalho do TSSS, onde está implicado o SSC. O SSC não pode devolver na totalidade as “vidas perdidas”, que muitas vezes “é recuperada”, através do trabalho / ligação a uma vida profissional, caso nem essa boa relação exista a pessoa pode sentir-se profundamente excluída, até desistir, de modo inconsciente, tornando-se dependente das instituições.  Maria e Manuel, nomes fictícios (estudo de caso) A Cáritas prestava serviço de apoio aos sem abrigo, ao nível de alimentação e vestuário. Este tipo de apoio era efectuado todas as noites na estação de caminho de ferro, espaço escolhido para pernoitarem. Na distribuição, em três noites consecutivas deparei-me com um casal desconhecido, que abordei, a fim de perceber em que situações se encontravam. A primeira abordagem foi infrutífera, não se conseguindo obter qualquer informação, para uma possível ajuda. A partir daí iniciou-se o processo de abordagem sistémica para perceber o motivo da sua presença constante, naquele local. Como a presença da Cáritas era diária, consegui conquistar a confiança do casal e perceber que eram oriundos de Leiria e que tinham sido excluídos da família, devido à toxicodependência. Através do diálogo, fui prestando ajuda a este casal, incentivando-os para uma visita ao Centro de Atendimento à Toxicodependência (CAT) de Abrantes, conseguindo ainda, junto da Segurança Social, que usufruísse do Rendimento Mínimo Garantido (RMG)97, actualmente designado por Rendimento Social de Inserção (RSI)98, que sendo uma medida político-social activa e um factor de coesão social, visa asseverar a inserção de pessoas e agregados familiares, excluídas ou em risco de exclusão, proporcionando a satisfação de necessidades básicas.

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Lei nº 19-A/96, de 29 de Junho. Lei n.º 13/2003, de 21 de Maio.

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Este foi um caso de sucesso, pois, após a visita ao CAT, iniciaram o tratamento de desintoxicação. A sua reintegração social e profissional, foi efectuada na nova área de residência, devido ao esforço da Cáritas que diligenciou junto da Câmara Municipal uma habitação. A Câmara Municipal proporcionou-lhes uma habitação social, sendo esta mobilada pela Cáritas. O Membro masculino foi o primeiro a ter emprego no quiosque de jornais e revistas da estação que os abrigou, devido à intervenção da Acção Social da CME, o membro feminino obteve emprego por intermédio das Cáritas no Pingo Doce do Entroncamento como repositora de stocks. Em menos de 6 meses este casal com uma situação de exclusão e toxicodependência, passou por um processo de reintegração social e profissional, inserindo-se na comunidade, sempre com o olhar atento da Cáritas do Entroncamento, quer nos respectivos empregos quer no domicílio. Relativamente aos parceiros da Rede Social foi efectuada uma abordagem estratégica fundada nos elementos educação, formação e preparação para a aceitação e reintegração numa região que não a do casal sem-abrigo em causa. Este caso foi depois divulgado a nível das Redes Sociais nacionais, referindo tanto a Cáritas do Entroncamento como o próprio concelho, como um local onde as parcerias conseguiam resultados de sucesso, nunca antes atingidos sem um trabalho em rede.  Joaquina, nome fictício (estudo de caso) Este caso de sem abrigo foi sempre um caso de muito trabalho por parte da Cáritas, devido à sua complexidade. Tratava-se de uma mulher, nascida no Entroncamento, de etnia cigana, sem pais, criada pela avó que não a deixava frequentar a escola, obrigando-a a mendigar para os irmãos mais novos. Foi obrigada a casar aos 11 anos, casamento esse sem sucesso e do qual nasceram 3 filhas. Para subsistência, dedicou-se à prostituição na estrada, onde também se viciou em heroína e onde acabaria por contrair o Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) e hepatite B. Vivia numa barraca/tenda, entre os concelhos do Entroncamento e Vila Nova da Barquinha. Para além de lhe tratar de toda a documentação como BI e NIF, que nunca tinha tido até então, podendo assim usufruir do RSI, a Cáritas tentou sempre proporcionar-lhe o mínimo de condições de habitabilidade no seu espaço limitado e garantindo-lhe os mínimos básicos de alimentação para tentar que a mesma não recorresse á prostituição

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já com todas as doenças que adquirira. Estas tentativas acabaram sempre por se tornar infrutíferas, porque a mesma tinha recaídas, abandonava os tratamentos de metadona, e prostituía-se para adquirir droga, recomeçando o processo. A Cáritas reconduzia-a ao CAT de Abrantes sempre esta recomeçava os tratamentos, deixando-lhe sempre a refeição no Centro de Saúde do Entroncamento. O último esforço da Cáritas foi a transformação da barraca em quatro paredes e um tecto, local esse mais condigno e onde viria a ser entrevistada pela Jornalista Marta Ventura da Rádio Renascença, no acompanhamento do trabalho da Cáritas. Uma semana após a entrevista, esta mulher de 46 anos, foi assassinada por alguém a quem teria contagiado com SIDA. Nessa noite como sempre a Cáritas teve de estar presente para reconhecimento do corpo, para facultar todos os dados relativos a familiares e comparticipar com a verba do funeral social por indisponibilidade financeira da Junta de Freguesia de São João Batista do Entroncamento, solicitando ainda à paróquia onde foi sepultada a não cobrar quaisquer despesas com o funeral. 4.1.11. Apoio ao orçamento familiar Desde o inicio, que um dos pressupostos da Instituição, foi o de iniciar um controle e gestão sob o orçamento familiar das famílias carenciadas, com o intuito destas saírem da situação de carência, sobretudo, devido à desorganização no planeamento da gestão dos rendimentos mensais familiares, na maioria dos casos. Assim foram promovidos workshops por parte da Tesoureira, Licenciada e Professora de Gestão, de modo a promover competências de organização e planeamento do orçamento familiar, às famílias. Em muitos casos as mesmas famílias requereram à Cáritas para num certo período de tempo ser a mesma a gerir os seus orçamentos com justificações práticas, até que fossem capazes de o controlar elas mesmas. Devido a esta acção, 8 famílias conseguiram sair da situação de carência, sendo este um exemplo do trabalho desenvolvido pelo TSSS, aplicando a metodologia do SSG. 4.1.12. Viatura O aumento do volume de trabalho e crescimento da cidade do Entroncamento fez com que a Instituição tivesse necessidade de uma viatura, uma vez que eram os voluntários com as suas viaturas particulares que faziam atendimento domiciliário, recolhiam os alimentos do Banco Alimentar, entre outras solicitações. Esta unidade móvel seria então, para fazer a articulação entre a Cáritas e a população que carece de

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meios para se deslocar. Ao saber desta necessidade um comerciante de automóveis, acreditando no trabalho desenvolvido, ofereceu em Dezembro de 2006 uma Renault Kangoo99 à Cáritas do Entroncamento100. Este donativo, foi de máxima importância, visto permitir uma ajuda mais rápida e eficaz a todos os carenciados do concelho do Entroncamento. Para o registo da viatura, foi necessário pedir autorização à Diocese de Santarém, a qual decidiu nomear o próprio presidente da Cáritas através de documento legal, ao abrigo do Direito Canónico, para aceitar a viatura em seu nome e proceder ao registo em nome da Instituição.  Apoio Domiciliário Com a oferta da viatura, o apoio domiciliário passou a ser possível noutros moldes e dinâmicas. Passou-se desde logo a prestar apoio domiciliário a acamados, à distribuição de refeições quentes, gentilmente cedidas pela Manutenção Militar do Entroncamento, e ao encaminhamento e acompanhamento de toxicodependentes ao Centro de Apoio a Toxicodependentes de Abrantes.  Visitas domiciliárias Sempre que uma nova inscrição acontecia, a Cáritas efectuava uma visita domiciliária, onde procedia ao levantamento das condições habitacionais e dos equipamentos existentes, de modo a verificar as necessidades do agregado familiar para se proceder ao tipo de intervenção adequada, tendo por vezes de recorrer a parcerias para assegurar as mínimas condições de habitabilidade e sustentabilidade. Sempre que necessário, eram efectuadas visitas domiciliárias, com o intuito de acompanhar a evolução dos casos, sendo aplicada a metodologia do SSC. Eram visitados anualmente, todos os carenciados, em cooperação com os estudantes de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa – Gabinete de Acção Social (GAS NOVA). Esta visita tinha como objectivo prestar apoio psicológico a muitos carenciados e reavaliar as situações de carência e habitabilidade das famílias inscritas na Instituição.

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Vide em Anexo VI – Foto 12 Garantiu também, todas as despesas de manutenção, circulação e inspecção, sendo este, um dos melhores donativos, até então efectuados à Instituição.
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4.1.13. Venda de Natal Com o intuito de realização monetária e de prestar sempre mais apoio, a Cáritas realizava uma venda de Natal, alternadamente entre a Galeria do Centro Cultural do Entroncamento e uma loja gentilmente cedida na zona pedonal e nobre da cidade101. Educar em valores é educar para a cidadania, é contribuir para a mudança de comportamentos e para o desenvolvimento de atitudes e condutas solidárias (Fonseca, 2000: 15). Numa carta dirigida e entregue pessoalmente a cada comerciante do Entroncamento eram solicitados bens para poderem ser vendidos de 01 a 24 de Dezembro nos referidos espaços. Apesar da realização monetária que a venda proporcionava havia no entanto um esforço enorme por parte dos voluntários para a manter em funcionamento durante 10 horas diárias incluindo nos fins-de-semana102. O objectivo é contribuir para a erradicação da pobreza e da exclusão social, promovendo a cooperação entre as entidades e a criação de uma rede de solidariedade entre os actores locais (Amaro, 2004). 4.1.14. Stand Festas da Cidade Outra das oportunidades oferecidas à Cáritas por parte do Município era poder explorar um espaço/stand103 nas Festas da Cidade do Entroncamento durante o mês de Junho. Para o efeito, a Cáritas solicitou a colaboração de uma estufa local, para a cedência de uma estufa, bem como de plantas, para posterior venda no referido stand. Assim, houve disponibilidade por parte da estufa, cedendo parte do seu espaço, de Março a Junho, para plantar plantas que viriam a ser rifadas nos 7 dias da Semana das referidas Festas. Novamente grande esforço era requerido à direcção e voluntários uma vez que as plantas tinham de ser cuidadas e regadas 3 vezes ao dia, e tudo só com o esforço da Instituição. No final acabava por ser uma recompensa enriquecedora, ver o esforço recompensado, permitindo à Instituição continuar a trabalhar para o fim a que se propunha. O voluntário desenvolve acções de qualidade, que são exercidas com prazer, visando uma solução eficaz, que se reflectirá na comunidade. A sociabilidade consiste nas relações sociais que se estabelecem entre os membros de uma comunidade e as diversas formas por que esses membros estão ligados ao todo social. Qualquer forma de
101 102

Vide em Anexo VI – Fotos 13 e 14 Vide em Anexo XX – Cedência Camarim Municipal 103 Vide em Anexo VI – Fotos 15 e 16

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sociabilidade – qualquer relação social – se apoia na partilha de um número mínimo de normas ou comportamentos tacitamente acordados. 4.1.15. Peditório Anual O peditório anual, é a única forma de realização monetária dirigida directamente à população e autorizada pelo Governo Civil para todas as Cáritas a nível Nacional, que decorre sempre na segunda semana da Quaresma, durante 4 dias e que culmina no dia Nacional da Cáritas. Foi necessário solicitar autorização a todos os grandes espaços comerciais104 para a aceitação da presença dos voluntários para o referido peditório, assim como o levantamento dos kits – Latas, autocolantes, cartazes e calendários de bolso na Cáritas Portuguesa, responsável também pela publicidade a nível nacional. Desde a mudança de direcção os peditórios que rondavam os 900€ passaram a atingir os 4000€, sendo o ano de 2008 o mais proveitoso chegando mesmo aos 5000€105. Convêm referir que do montante realizado localmente, 10% reverte a favor da Cáritas Portuguesa, para fazer face às despesas com as várias campanhas que opera. 4.1.16. O dia-a-dia da instituição A direcção da Cáritas era constituída por 5 elementos, o Presidente, Vice-Presidente, Tesoureiro, Secretário e Vogal. Para além de tudo o que foi referido, a Cáritas tinha uma rotina normal de funcionamento, estando sempre o seu número de telemóvel contactável 24h por dia. Com o atendimento diário movimentavam-se em média anualmente, mais de 30000 €, 2,5 toneladas de alimentos, 35000 peças de vestuário e calçado, e cerca de 2 mil brinquedos. As ajudas para além da distribuição alimentar e vestuário, passavam por comparticipações de pagamentos de facturas domésticas, farmácias, acção escolar, ópticas, funerais, e todas as outras necessidade para a vida normal de uma família que se vê deparada com uma situação de carência. Se tivermos em conta que a Autarquia contribuía com 18000€ e o peditório anual rendia perto de 5000€ ainda ficavam mais de 7000€ para conseguir com as actividades referidas anteriormente. A Cáritas possuía um horário de funcionamento para atendimento, as terças e quintas das 15 às 17h30, e às sextas para inscrições de primeiros casos e atendimentos de direcção. Fora do horário de atendimento faziam-se as visitas e atendimentos domiciliários diários, efectuava-se a triagem de roupas na Instituição, recolhia-se
104 105

Vide em Anexo XXI – Autorização de Peditório Vide em Anexo XXII – Relatórios de contas 2003-2008

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mobiliário doado, electrodomésticos, assim como os alimentos frescos dos Hipermercados para imediata distribuição. Na triagem das roupas, procedia-se ao reaproveitamento de botões, fechos e outros acessórios, de forma a serem posteriormente vendidos, sendo que na triagem, o material danificado ou impróprio, era vendido para desperdício. Nas reuniões quinzenais de direcção, quando não necessárias semanalmente, discutiam-se os novos casos a apresentar aos parceiros sociais, pensando-se nas estratégias adequadas aos novos projectos, de forma a efectuar uma intervenção eficaz, conseguindo assim, responder às expectativas da Instituição. Para a dinamização dos projectos, era necessário proceder à angariação de patrocínios, sendo este um trabalho moroso, ao qual despendia muito do meu tempo. Eram efectuadas também, visitas de representação por parte do presidente, a todos os que contribuíam para que a Cáritas existisse. É necessária uma intervenção educativa para “promover uma educação para a vida pública, único meio (…) para reconstruir a sociedade contemporânea em torno de um conjunto de valores que transmitam uma alma colectiva…” (Fonseca, 2000: 15). 4.2 REFLEXÃO CRITICA - O Papel do Técnico de Serviço Social na Cáritas. Nas últimas décadas tem-se vindo a assistir, a uma acentuada evolução de problemas sociais, com novos contornos, exigindo aos cientistas sociais uma mudança a nível de enquadramentos conceptuais e novas metodologias a fim de dar resposta a esta emergente problemática (Guerra, 2002). Depreende-se que a actuação do TSSS está muito limitada às vontades, possibilidades e decisões políticas das Instituições. O sucesso da profissão de TSSS, depende dos vários actores intervenientes na sociedade. O TSSS é o veículo que proporciona aos indivíduos chegarem junto das Instituições que mais estão direccionadas para resolver os seus problemas. Este profissional trabalha com pessoas/ Instituições de modo a promover a autonomia de outras pessoas que se encontrem fragilizadas. A oportunidade de integrar a Cáritas, possibilitou pôr em prática, todo um trabalho do TSSS, de forma a adquirir uma melhor compreensão e percepção da realidade e das verdadeiras necessidades e recursos das famílias, ou comunidade.

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Apesar de se localizar nas organizações do terceiro sector, realidades muito heterogéneas com objectivos específicos diferentes e normativas jurídicas

diversificadas, a sua finalidade é sempre a de garantir a resolução de problemas sociais. Nos dias de hoje o TSSS assume um papel relevante no novo modelo de desenvolvimento, em que as organizações necessitam adaptar-se continuamente às alterações do seu meio envolvente. Assim este deve conciliar, o melhor possível, o desenvolvimento integral dos indivíduos bem como a preparação cívica dos mesmos. Deve capacitar as pessoas para viverem em democracia, de modo a conquistarem um sentimento de comunidade e a desenvolverem uma atitude activa de participação, deve “impulsionar e gerar acções que potencializam o desenvolvimento de indivíduos, grupos e comunidade, tendendo a fornecer as condições para a participação activa das pessoas na solução dos próprios problemas.” (Ander-Egg, 1995: 48). Este profissional, tem de se munir de todos os instrumentos ao seu alcance para conseguir atingir os objectivos, tem de possuir uma” inteligência prática”. Deve saber comunicar e saber partilhar sentimentos de empatia, conseguindo transmitir o que se pretende. O trabalho desenvolvido na Cáritas, teve como qualquer actividade, os seus pontos fortes, tais como a realização com sucesso dos projectos idealizados e a valorização e reconhecimento da Instituição a nível nacional. Permitiu-me perceber as exigências inerentes à execusão deste tipo de trabalho, bem como compreender que um projecto é sempre um produto inacabado, que exige constantes alterações e por isso em constante reformulação. Neste sentido, considero que desenvolvi a capacidade de adaptação e reformulação face aos problemas e necessidades que foram emergindo. Os momentos de avaliação, ao longo de toda a intervenção, foram também um processo de aprendizagem, onde através do diálogo e reflexão colectiva se apresentavam os resultados obtidos, debatendo os principais problemas e dificuldades sentidas. Estes momentos permitiram reflectir criticamente, tomar consciência e fazer um balanço dos aspectos positivos e negativos da intervenção, mas mais importante, dos aspectos que poderiam ser melhorados ou serem alvo de mudança, adequando as estratégias sempre que necessário. Como refere Guerra (2002: 185-187), “A avaliação deve ser entendida como um processo de aprendizagem, tratando-se de um instrumento de reflexão e de racionalização face a contextos e resultados de acção (…) avaliar é sempre comparar com um moldo - medir - e implica uma finalidade operativa que visa corrigir ou melhorar.”

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O facto de ter trabalhado numa instituição como a Cáritas, levou-me a perceber a abrangência da sua intervenção, permitiu a minha integração numa equipa multidisciplinar, sendo bastante enriquecedor, mobilizando esforços e contribuindo para um mesmo objectivo comum. Compreendi que neste contexto de intervenção é essencial um envolvimento pessoal, um espírito de entrega e capacidade de compromisso, pois trabalhando com pessoas é necessário um acompanhamento sistemático, estar atento aos pequenos sinais que cada indivíduo pode transmitir e despertar neles o desejo de futuro e construção de um projecto de vida. O contacto com esta realidade ajudou a reforçar a necessidade e a exigência de uma contínua postura crítica e reflexiva perante as problemáticas da sociedade. É indispensável analisar as várias perspectivas de um problema, conhecer o teor e origem dos conflitos para os potenciar em intervenções construtivas. Outra questão que não posso deixar de referir, sendo estes os pontos fracos, passa pela frustração que muitas vezes, enquanto pessoa e principalmente, enquanto profissional, se pode sentir, perante a impotência na resolução dos problemas, bem como, quando os resultados obtidos, não são os esperados. Nesta intervenção, direccionada, sobretudo, à exclusão social e às problemáticas associadas, percebi que trabalhar neste contexto, as expectativas têm de ser sempre contidas, uma vez que as circunstâncias obrigam a uma constante alteração e adaptação de estratégias. Esta experiencia de cinco anos, onde mais de 14000 horas de trabalho voluntário foram passadas directa e indirectamente a ajudar centenas de famílias, tornou-me numa pessoa mais consciente das realidades sociais. Para concluir, considero a aprendizagem adquirida com a praxis, como sendo o aspecto mais importante, a qual o meu trabalho me proporcionou. Sendo assim, esta intervenção tornou-me uma pessoa mais autónoma, incentivou à minha capacidade individual na resolução de problemas, de forma a ultrapassar barreiras, tomar decisões assertivas, resistir a frustrações, inovar, sendo criativo quando necessário. Além disto, aumentou a minha capacidade de ser rigoroso e empenhado em tudo o que faço. Como profissional, considero que esta experiencia foi uma mais-valia e que aliada aos conhecimentos teóricos, me tornarão um profissional munido de instrumentos necessários para a boa prática da profissão. Certamente numa intervenção futura como TSSS mudarei a minha actuação, tanto na tomada de decisões como na escolha de metodologias.

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Relativamente à elaboração deste trabalho, devo referir que a maior dificuldade sentida, foi conseguir reunir toda a informação relacionada com uma intervenção de cinco anos, onde só a pesquisa tomou grande parte do meu tempo. Foi igualmente difícil recolher e escolher a bibliografia a integrar. A elaboração da dissertação é muito absorvente, sendo uma nova realidade que nos envolve a todos os níveis.. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, João Ferreira de, et al (1994), Exclusão Social – Factores e Tipos de Pobreza em Portugal, Oeiras: Celta. AMARO, Rogério Roque, (2004), Desenvolvimento – um conceito ultrapassado ou em renovação? - da teoria à prática e da prática à teoria, Cadernos de Estudos Africanos: Lisboa. ANDER-EGG, Ezequiel (1995), Introdução ao Trabalho Social, Rio de Janeiro: Editora Vozes. ANDER-EGG, Ezequiel, IDÁÑEZ, Maria José (1998), Como Elaborar um Projecto – Guia para desenhar projectos sociais e culturais, (16ºed.), Lisboa: Projecto Atlântida. ANTÓNIO, Barreto, (2001), O Estado e o Cidadão, in, JUSTINO, Ana Clara (Resp.), Actas dos VIII Cursos Internacionais de Verão de Cascais, (2002), (Vol. 1), Cascais: Câmara Municipal de Cascais. BIESTEK, Félix P. S.J. (1965), O Relacionamento em Serviço Social de Casos, Porto Alegre, Faculdade de Serviço Social Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, (2ª ed.). CAMARA, Pedro B. da, GUERRA, Paulo Balreira, RODRIGUES, Joaquim Vicente (1999), Humanator – Recursos Humanos e Sucesso Empresarial, Lisboa: Publicações Dom Quixote. CANASTRA, Fernando, MALHEIRO, Manuela (2009), O Papel do Educador Social no Quadro das novas Mediações Socioeducativas, Acta do X Congresso Internacional Galego-Português de Psicopedagogia, Braga: Universidade do Minho. CÁRITAS (1981), Revista de Acção Social da Igreja (nº 2), dir. José M. Serrazina, Lisboa: Cáritas Portuguesa.

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OUTROS DOCUMENTOS Serviços Sociais da Câmara Municipal do Entroncamento (2008) - Doc. Internos

WEBGRAFIA http://www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/images/DIST-santarem.gif, consultado em 13 de Junho de 2010, 2H00. http://www.cnpcjr.pt/left.asp?03.02.04, consultado em 26 de Junho de 2010, 16H00. http://www.caritas.pt/, consultado em 26 de Junho de 2010, 16H10. http://www.caritas.org/, consultado em 26 de Junho de 2010, 16H15. http://www.capitalsemente.pt/index.php/servicos/consultoria/pares-programa-dealargamento-da-rede-de-equipamentos-sociais.html, consultado em 26 de Junho de 2010, 16H20

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http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/p/plano_marshall.htm, consultado em 27 de Junho de 2010, 02H42. http://www.voluntarios.com.br/oque_e_voluntariado.htm, consultado em 29 de Junho de 2010, 21H05. www.seg-social.pt/redesocial, consultado em 2 de Julho de 2010, 15H00. http://www.bancoalimentar.pt/quemsomos.html, consultado em 23 de Julho de 2010, 22H42. www.cm-entroncamento.pt, consultado em 25 de Julho de 2010, 03H10.

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                                    Figura nº 1 – Mapa da Localização do concelho do Entroncamento no Distrito de Santarém   http://www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/images/DIST‐santarem.gif 

Ano 2001 2007 2008

População Residente 18174 21329 21751

Tabela 1 _ Evolução da população residente no Entroncamento entre 2001 a 2008

22000 21000 20000
2 00 1

19000 18000

2 00 7 2 00 8

     

17000 16000 Po pulação Re sident e

  Figura 2 _ Evolução da população residente no Entroncamento entre 2001 e 2008 Fonte: INE 2008

 

24 | Revista Municipal | n.º44 | Acção Social

Inauguração do novo espaço CÁRITAS
Alice Maria Brás
f A Irmã Alice da Piedade nasceu a 10 de Março de 1909, em Santarém. Entrou no Noviciado da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima em 14 de Maio de 1937. Fez a sua primeira profissão como religiosa desta Congregação em 12 de Fevereiro de 1940. De 1940 até 2001 viveu em várias Comunidades da Congregação entre elas a do Entroncamento onde esteve por três vezes perfazendo um total de 35 anos. Nesta Comunidade, trabalhou no Centro Social e Paroquial onde desempenhou funções como técnica de serviço social, tendo em 1983 iniciado a Cáritas Paroquial da Sagrada Família do Entroncamento. Em Setembro de 2001, por motivos de doença, foi residir em Santarém na Casa Mãe da Congregação, onde se encontra presentemente. f Foi inaugurado no Dia Nacional da CÁRITAS o novo espaço de apoio aos carenciados no Entroncamento. Embora a cidade já dispusesse de Cáritas a mesma tem agora, com a ajuda da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, e umas novas instalações na Rua Sozzi nº 5 – loja. Na inauguração estiveram presentes o Presidente da Câmara, Jaime Ramos, o Presidente da Junta de Freguesia, Ezequiel Estrada, que com o Presidente da Cáritas local, Alexandre Evaristo, receberam a Irmã Alice, das Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima,. A Irmã que, durante 35 anos, ajudou os mais carenciados do Concelho, deslocou-se da Casa Mãe da Congregação, em Santarém em viatura disponibilizada pelos Bombeiros do Entroncamento. Chegou pelas 11h15 à Igreja da Sagrada Família onde foi aclamada pelos presentes, entre os quais alguns carenciados antes ajudados pela benfeitora. Após a missa, celebrada pelo Padre Vicente, os convidados dirigiram-se às instalações a inaugurar, onde o Presidente da Câmara e o Presidente da Junta descerraram uma placa de homenagem que dá o nome ao novo espaço “CASA IRMÃ ALICE”. Na visita ao interior sucedeu o simbólico corte da fita pelas mãos da homenageada. Antes do almoço partilhado, que decorreu no Salão Paroquial, foi assinado pelos presentes o Livro de Honra da Instituição.

http://www.cm-entroncamento.pt/NR/rdonlyres/00000e46/guonosxasnrbwwrlavaqaegrcnjtzhrb/revista_44.pdf

ESTATUTOS DA CÁRITAS PAROQUIAL DA SAGRADA FAMILIA DO ENTRONCAMENTO
CAPÍTULO I DENOMINAÇÃO, NATUREZA, ÂMBITO E FINS Art.º 1º 1. A Caritas Paroquial da Sagrada Família do Entroncamento, que se passará a designar apenas por Caritas Paroquial, é, ao nível da paróquia, um organismo da Igreja, destinado a promover e a coordenar a partilha cristã de bens bem como a suscitar e fazer crescer a dimensão social como exigência própria da comunidade cristã. 2. O âmbito de acção da Caritas Paroquial abrange toda a área geográfica da Paróquia da Sagrada Família, estando sediada na Rua Sozzi n.º 5 – Entroncamento. 3. A Caritas Paroquial tem como orientações fundamentais a doutrina social da Igreja e as definidas pelo plano pastoral diocesano e paroquial, os imperativos da solidariedade e a legislação civil e canónica, atribuindo prioridade às situações mais graves de pobreza e exclusão social. 4. As orientações previstas no número anterior são prosseguidas através de quatro objectivos: a) a assistência, em situações de dependência ou emergência; b) a promoção social, visando a superação e prevenção da dependência ou emergência e o reforço da autonomia pessoal c) o desenvolvimento solidário, integral e personalizado; d) a transformação social em profundidade, especialmente nos domínios das relações sociais, dos valores e do ambiente. 5. A Caritas Paroquial é membro da Caritas Diocesana 6. A Caritas Paroquial, não tendo personalidade jurídica própria, é representada pela Fábrica da Igreja Paroquial nos assuntos em que é necessária tal personalidade e respectivo número de contribuinte. Art.º 2º (Objectivos e Actividades) 1. A Caritas Paroquial deve promover a acção social da Igreja, a partir da assunção de responsabilidades inerentes à comunidade cristã enquanto tal. 2. Na preservação da sua identidade e na prossecução dos seus objectivos, incumbe em especial à Caritas Paroquial: a) O conhecimento dos problemas sociais no território do seu âmbito de acção e dos meios de solução; b) A promoção da consciência social na comunidade local, nomeadamente a partilha de bens

c) O fomento do voluntariado, a dinamização de agentes e a criação de condições para a sua participação em acções de formação; d) Fomentar o espírito cristão nas diversas actividades; e) A congregação de esforços, na área da paróquia, tendentes à prevenção e solução de problemas sociais, com prioridade para os mais graves; f) A intervenção e mediação junto de entidades públicas ou privadas, visando idêntico objectivo; g) A cooperação com outras entidades e a participação em órgãos, iniciativas ou actuações que possam contribuir para o mesmo objectivo, designadamente, no âmbito do órgão coordenador da pastoral paroquial e pastoral social da Diocese. 3. A Caritas Paroquial procurará ainda: a) A prossecução e realização, por si só e/ou em colaboração com outras entidades, mediante a concessão de bens e a prestação de serviços, de iniciativas de apoio à comunidade local, das famílias em geral e das crianças, jovens e idosos em particular; b) Promover acções de intervenção comunitária e apoio à família, nomeadamente através de cursos de formação e de alfabetização, seminários, mesas redondas, palestras, publicações, campanhas, informações na comunicação social e outros meios; c) Apoiar a integração social e comunitária das famílias; d) Promover acções de assistência nas situações de emergência e de calamidade local, ou de âmbito mais vasto, pela mobilização de recursos materiais e humanos e a prestação de serviços; e) Preparar e coordenar campanhas de solidariedade a nível paroquial; f) Articular com a Caritas Diocesana e as outras Caritas Paroquiais actividades de Solidariedade a nível Diocesano; g) Cooperar com os órgãos do poder local e com entidades privadas, na consecução de fins e programas comuns, que contribuam para a resolução, entre outros, de problemas sociais, económicos e educacionais da paróquia; Art.º 3º A organização e funcionamento dos diversos sectores de actividade e regime de prestação de serviços constarão de regulamentos internos elaborados pela Direcção. CAPÍTULO I DOS ORGÃOS SOCIAIS SECÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS ART.º 4º A Caritas Paroquial é gerida por uma Direcção. ART. º 5º

O exercício de qualquer cargo nos órgãos gerentes é gratuito, mas pode justificar o pagamento de despesas dele derivadas. ART.º 6º 1. A duração do mandato dos órgãos sociais é de três anos renováveis, devendo procederse à sua substituição ou renovação no mês de Dezembro do último ano de cada triénio 2.Os membros dos órgãos sociais só podem ser designados consecutivamente para três mandatos, salvo se o pároco reconhecer expressamente que é necessário manter a sua continuidade. 3. O pároco deverá proceder à nomeação dos novos órgãos sociais durante o mês de Dezembro. 4. Quando a designação não tenha sido feita atempadamente, considera-se prorrogado o mandato em curso até à posse dos novos titulares dos órgãos sociais. ART.º 7º 1. Em caso de vacatura da maioria dos membros de cada órgão social, depois de esgotados os respectivos suplentes, o pároco deverá designar novos titulares para o preenchimento das vagas verificadas, no prazo máximo de um mês, e a posse deverá ter lugar nos trinta dias seguintes à nomeação. 2. O termo do mandato dos membros designados nas condições do número anterior, coincidirá com o dos titulares iniciais. ART.º 8º 1. Os órgãos sociais são convocados pelos respectivos presidentes, e só podem deliberar com a presença da maioria dos seus titulares. 2. As deliberações são tomadas por maioria dos votos dos titulares presentes, tendo o presidente , além do seu voto, direito a voto de qualidade. 3. As votações respeitantes a assuntos de incidência pessoal dos seus membros serão feitas obrigatoriamente por escrutínio secreto. ART.º 9º Não é permitido aos membros dos órgãos sociais o desempenho simultâneo de mais de um cargo na mesma Caritas Paroquial. ART.º 10º 1. Os membros dos órgãos sociais não poderão votar em assuntos que directamente lhes digam respeito ou nos quais sejam interessados os respectivos cônjuges, ascendentes, descendentes e equiparados.

2. Os membros dos órgãos sociais não podem contratar directa ou indirectamente com a Caritas Paroquial, salvo se do contrato resultar manifesto benefício para a instituição. 3. Os fundamentos das deliberações sobre os contratos referidos no número anterior deverão constar das actas das reuniões do respectivo órgão social.

ART.º 11º Das reuniões dos órgãos sociais serão sempre lavradas actas, que serão obrigatoriamente assinadas pelos membros presentes. SECÇÃO II DA DIRECÇÃO ART.º 12º 1. O pároco escolhe o presidente e de comum acordo, escolhem os restantes membros da Direcção que serão apresentados à comunidade paroquial e comunicada à Caritas Diocesana. 2. A Direcção da Caritas Paroquial é constituída por um número ímpar de membros efectivos, no mínimo de três e no máximo de sete, tendo obrigatoriamente, um presidente, um secretário e um tesoureiro. 3. Mediante proposta da Direcção, o pároco poderá designar um dos membros daquela como vice-presidente. ART.º 13º 1. Compete à Direcção gerir a Caritas e representá-la, incumbindo-lhe designadamente: a) Definir as linhas fundamentais de actuação da Caritas Paroquial, nomeadamente através da elaboração de um programa anual de actividades a submeter à aprovação do Conselho Pastoral, ou na sua falta ao pároco; b) Promover a realização dos objectivos específicos da Caritas, bem como programar, orientar e exercer as actividades previstas no artigo 2º deste Estatuto; c) Garantir a efectivação dos direitos dos beneficiários; d) Elaborar anualmente e submeter ao parecer do Conselho económico Paroquial o relatório e contas de gerência, bem como o orçamento e programa de acção para o ano seguinte; e) Elaborar os regulamentos internos necessários ao bom funcionamento da Caritas Paroquial, em geral, dos seus equipamentos e serviços, em particular; f) Assegurar a organização e o funcionamento dos serviços, bem como a escrituração dos livros nos termos da lei; g) Providenciar sobre fontes de receita da Caritas; h) Elaborar e manter actualizado o inventário do património da Caritas Paroquial; i) Zelar pelo cumprimento da lei, estatutos, regulamentos e deliberações dos órgãos sociais;

j) Fornecer aos Conselhos Pastoral e Económico da Paróquia todos os esclarecimentos que lhe forem solicitados para cumprimento da sua missão; k) Deliberar, como julgar mais conveniente e de harmonia com a legislação em vigor, devendo em todos os casos omissos nos Estatutos, recorrer ao Conselho Paroquial; ART.º14º 1. Compete ao presidente da Direcção: a) Superintender na administração da Caritas Paroquial, orientando e fiscalizando os respectivos serviços; b) Convocar e presidir às reuniões da Direcção, dirigindo os respectivos trabalhos; c) Representar a Caritas Paroquial; d) Assinar e rubricar os termos de abertura e encerramento do livro de actas da Direcção; e) Despachar os assuntos normais de expediente e outros que careçam de solução urgente, sujeitando estes últimos à confirmação da Direcção na primeira reunião seguinte; f) Exercer outras funções que nele sejam delegadas. 2. Ao presidente compete, ainda, assinar diplomas, cartões de identidade, convites e mais expediente considerado de especial importância. ART.º15º Compete ao vice-presidente, quando o houver, coadjuvar o presidente no exercício das suas funções e substituí-lo nas suas ausências e impedimentos. ART.º16º Compete ao secretário: a) Lavrar as actas das reuniões da Direcção e superintender nos serviços de secretaria e expediente; b) Cooperar com o presidente na preparação da agenda de trabalhos para as reuniões da Direcção, organizando os processos dos assuntos a serem tratados; c) Substituir o presidente na sua falta e impedimentos, quando não houver vicepresidente; d) Exercer outras funções que nele sejam delegadas pela Direcção, ART.º17º Compete ao tesoureiro: a) b) c) d) Receber e guardar os valores da Caritas Paroquial; Satisfazer as despesas autorizadas; Promover a escrituração dos livros de receita e de despesa; Assinar as autorizações de pagamento e as guias de receita, conjuntamente com o presidente;

e) Apresentar mensalmente à Direcção, para aprovação desta, o balancete documentado das receitas e despesas do mês anterior; f) Superintender nos serviços de contabilidade e tesouraria; g) Fiscalizar a cobrança de receitas e depositar em estabelecimento bancário todos os fundos que não tenham imediata aplicação; h) Promover as diligências tendentes ao conveniente financiamento da Carita Paroquial; i) Exercer outras funções que nele sejam delegadas pela Direcção. ART.º18º Compete aos vogais, quando os houver, coadjuvar os outros membros da Direcção, nas respectivas competências, e exercer as funções que a Direcção lhes atribuir.

ART.º19º 1. A Direcção reunirá sempre que o julgar conveniente, por convocação do presidente, e, obrigatoriamente, pelo menos uma vez por mês. 2. A Direcção só pode deliberar validamente se estiverem presentes a maioria dos seus membros. 3. As deliberações da Direcção são tomadas por maioria simples, tendo o presidente voto de qualidade, no caso de empate. ART.º20º 1. Nas operações financeiras são obrigatórias as assinaturas conjuntas do presidente e tesoureiro. Na ausência de algum deste pode assinar o secretário. 2. Nos actos de mero expediente bastará a assinatura de qualquer membro da Direcção. CAPÍTULO II DO REGIME FINANCEIRO E PATRIMONIAL ART.º21º A Caritas Paroquial tem como regime económico a partilha cristã dos bens materiais e espirituais, como expressão concreta da solidariedade e amor fraternos, sem qualquer intuito lucrativo ART.º22º São recursos da Caritas Paroquial: a) O produto de campanhas de solidariedade lançadas em ordem à recolha de bens, os ofertórios e 90% dos peditórios públicos; b) O produto de quaisquer contribuições e donativos; c) Os rendimentos de bens próprios;

d) As doações, legados e heranças e respectivos rendimentos; e) Quaisquer outras receitas que estejam em conformidade com a lei e os Estatutos. CAPÍTULO III DISPOSIÇÕES FINAIS ART.º23º Compete ao conselho Pastoral Paroquial, e nomeadamente ao pároco, acompanhar a Caritas Paroquial no desenvolvimento dos seus objectivos e das actividades com eles relacionadas. ART.º24º No caso de extinção da Caritas Paroquial, competirá à autoridade eclesiástica definir o destino do seu património, no âmbito da acção social da Igreja, tendo em conta a legislação canónica e civil aplicável bem como as responsabilidades contratuais assumidas. ART.º25º Os casos omissos nestes Estatutos e que não impliquem a sua directa violação, serão resolvidos pela Direcção da Caritas Paroquial, ouvido o pároco, de acordo com o espírito e os princípios neles expressos com base nas linhas de orientação traçadas pela Diocese para a pastoral social e de acordo com a legislação canónica e civil.

Análise SWOT realizada na Cáritas do Entroncamento

PONTOS FORTES
• • • • • • • Resposta Social Rede Voluntários Parceiros Rede Social Envolvimento das Escolas Participação activa da comunidade na recolha de bens Promoção acções de formação, específicas para os beneficiários Mecenato • • • •

PONTOS FRACOS
Dependência das pessoas Não há envolvimento nem participação activa das pessoas beneficiárias no seu processo de mudança para a autonomia Desemprego Exclusão social

OPORTUNIDADES
• • • Ajuda pontual Satisfação das necessidades básicas O próprio envolvimento da comunidade e o bem-estar que provoca • Oportunidade de realização pessoal dos indivíduos que se envolvem no projecto quer através do voluntariado quer através da disponibilidade de bens • • • • • • • •

AMEAÇAS
Risco de dependência das famílias Risco dos fins para o qual foi criado não serem atingidos Falta de financiamento para desenvolvimento das acções de formação Os estereótipos criados em relação aos beneficiários Juízos de valor (isenção) Falta de financiamento Recolha de bens alimentares com regularidade Má gestão dos recursos existentes por parte dos beneficiários

Análise SWOT Unidade móvel PONTOS FORTES
• • • • • Resposta Social Rede Voluntários Parceiros Rede Social Encurtar as distâncias Mecenato • • •

PONTOS FRACOS
Dependência da população Não se desnvolvem as competências para atingir a autonomia Concelho com 2 freguesias extensas

OPORTUNIDADES
• • • Ajuda mensal Satisfação das necessidades básicas O próprio envolvimento da comunidade e o bem-estar que provoca • Mais-valia para o Concelho • • • •

AMEAÇAS
Orçamento Municipal Recursos humanos Vontade política Manutenção e combustivel para a unidade móvel

Foto 1 – Loja Cáritas - Fachada exterior Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08

Foto 2 – Loja Cáritas – Balcão de atendimento Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08

Foto 3 – Loja Cáritas – Sala de espera Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08

Foto 4 – Loja Cáritas - Escritório de direcção e gabinete de atendimento personalizado Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08

Foto 5 – Loja Cáritas – Triagem de vestuário e calçado Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08

Foto 6 – Loja Cáritas – Armazenamento de vestuário e calçado Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08

Foto 5 – Loja Cáritas – Armazenamento de vestuário e calçado e cabines de banhos Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08
 

 

Foto 6 – Loja Cáritas – Armazenamento de géneros alimentares Tirada por Alexandre Evaristo em 20/06/08

 

 

Foto 7 – Almoço de Natal 2005 – Entrega de Presentes Tirada por Rita Páscoa em 10/12/05
 

 

 

Foto 8 – Almoço de Natal 2006 – Entrega de Presentes Tirada por Pedro Faria em 16/12/06

 

 

Foto 9 – Concerto de Natal Tirada por Manuel Tavares em 15/12/07
 

 

 

Foto 10 – Entrega de Cabaz de Natal por alunos da Escola Dr. Ruy d’Andrade Tirada por José Maia em 14/12/2007

 

 

Foto 11 – Feira Social de Torres Novas – Pavilhão da CME Tirada por António Evaristo em 05/05/06
 

 

 

Foto 12 – Viatura de Apoio Tirada por António Evaristo em 20/06/08
       

 

 

Foto 13 – Venda de Natal Tirada por Hélia Evaristo em 18/12/07
 

 

 

Foto 14 – Venda de Natal Tirada por Hélia Evaristo em 18/12/07

 

 

Foto 15 – Stand Festas da Cidade do Entroncamento Tirada por António Evaristo em 23/06/06
 

 

 

Foto 16 – Stand Festas da Cidade do Entroncamento Tirada por António Evaristo em 19/06/07 

 

Cartão de Utente - Frente

 

Cartão de Utente - Verso

Acção Social | n.º46 | Revista Municipal |41

Almoço Cáritas - Convívio de Natal
10 milhões de estrelas - Um gesto de Paz
Teve lugar no dia 10 de Dezembro no Parque de Campismo do Entroncamento, um almoço convívio de Natal para os mais carenciados do Concelho. Esta iniciativa do Grupo de Jovens da Paróquia da Sagrada Família do Entroncamento, contou ainda com a colaboração de outros jovens do Concelho que se lhes quiseram juntar assim como dos da Paróquia da Olaia. Por intermédio da Cáritas Paroquial da Sagrada Família, os jovens puderam contar com a colaboração do Município do Entroncamento, da Conferência de São João Baptista e do Clube de Campismo do Entroncamento. A realização do evento só foi possível com a extrema generosidade da população do Entroncamento que contribuiu com os géneros alimentares num peditório efectuado pelos jovens no dia 1 de Dezembro. Para o sucesso deste almoço contaram ainda com a colaboração incansável dos membros de todos os grupos da Paróquia da Sagrada Família, que prepararam e confeccionaram as cerca de 200 refeições necessárias. O almoço, marcado para as 12h30, contou com a presença do Vice-Presidente, do Vereador da Educação e da assistente social da Edilidade, do representante da Junta de Freguesia de Na Sra de Fátima, do pároco da Sagrada Família, do presidente, tesoureiro e vogal da Cáritas Paroquial, do presidente e do vogal do Clube de Campismo e do presidente da Conferência de São João Baptista. Foram servidas várias entradas, caldo verde, bacalhau cozido com batatas, grão e ovo, salada de fruta, arroz doce e bolo-rei. Às 15h00 foram distribuídos presentes de Natal a todos, entre os 0 e os 14 anos de idade. Pelas 16h00 saiu do parque de campismo a marcha da paz, integrada na campanha nacional da Cáritas “10 milhões de estrelas – Um gesto de Paz”, que atravessou o Entroncamento e culminou na Igreja da Sagrada Família com a Eucaristia e com uma cerimónia de colocação de fotóforos (vaso-vela) a formar a palavra “P A Z” na escadaria da Igreja. No final ficou a promessa da repetição deste evento no próximo ano, que será um outro enorme sucesso destes jovens que com tão nobre coração continuarão a fazer do Entroncamento uma cidade em movimento.
Alexandre Evaristo Presidente da Cáritas Paroquial da Sagrada Família

http://www.cm-entroncamento.pt/NR/rdonlyres/00000e5a/gjoubepjvofbcnvbiolscogifqwibqoy/revista_46.pdf

revista municipal

ACÇÃO SOCIAL
revista municipal #50

1.a CORRIDA DA SOLIDARIEDADE

II ALMOÇO CONVÍVIO DE NATAL

10 MILHÕES DE ESTRELAS - UM GESTO DE PAZ

Teve lugar no dia 16 de Dezembro, no Salão Paroquial da Sagrada Família do Entroncamento, mais um almoço convívio de Natal para os mais carenciados do Concelho. Esta iniciativa do Grupo de Jovens da Paróquia da Sagrada Família do Entroncamento pôde ainda contar, por intermédio da Cáritas Paroquial da Sagrada Família, com a colaboração do Município do Entroncamento e da Conferência de São João Baptista. A realização do evento só foi possível com a extrema generosidade da população do Entroncamento que contribuiu com os géneros alimentares num peditório efectuado pelos jovens no dia 8 de Dezembro. Para o sucesso deste almoço contaram ainda com a colaboração incansável dos membros de todos os grupos da Paróquia da Sagrada Família, que prepararam e confeccionaram as cerca de 100 refeições necessárias. O almoço, marcado para as 12h30, teve início depois da chegada do Presidente e da técnica da Acção Social da Edilidade, do representante das Conferências de São João Baptista, do pároco da Sagrada Família e do Presidente da Cáritas Paroquial. Foram servidas várias entradas, caldo verde, bacalhau cozido com batatas, grão e ovo, salada de fruta, arroz doce e bolo-rei. Às 15h00 foram distribuídos presentes de Natal às crianças entre os 0 e os 14 anos de idade. Pelas 17h00, integrada na campanha nacional da Cáritas “10 milhões de estrelas – Um gesto de Paz”, teve lugar a Eucaristia com a bênção da viatura gentilmente doada à Cáritas Paroquial, por um benfeitor anónimo, culminando a cerimónia na escadaria da Igreja Matriz com uma cerimónia de colocação de fotóforos (vaso-vela) a formar a palavra “PAZ”. No dia 17 de manhã, teve início a 1ª Corrida da Solidariedade que começou com as provas das crianças na Zona Verde junto à sede da Cáritas na Zona Verde, que contou com mais de 200 atletas, federados e não federados, que percorreram 8,5 km pela cidade do Entroncamento, acompanhados por uma marcha de 4 km pela solidariedade. Todos os participantes receberam uma T-Shirt alusiva ao evento. Com esta iniciativa a Cáritas dispõe agora dos vales de compras das inscrições para trocar por alimentos para os mais carenciados do Concelho. Uma vez mais a população está de parabéns por aderir em massa a tão nobre causa e que assim continua a fazer do Entroncamento uma cidade em movimento. Alexandre Evaristo Presidente da Cáritas Paroquial da Sagrada Família

http://www.cm-entroncamento.pt/NR/rdonlyres/00008049/tlutarfsuphflinkeyjiacvqqcvtfmnw/revista_50.pdf

http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=266&id=30858&idSeccao=3699&Action=noticia

 

Modelo para Farmácias - comparticipação de medicamentos

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