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Medicina, Ribeir„o Preto, 37: 240-245, jul./dez. 2004

SimpÛsio SEMIOLOGIA CapÌtulo V

MEDIDA INDIRETA DA PRESS O ARTERIAL SIST

MICA

BLOOD PRESSURE MEASUREMENT

AndrÈ Schmidt; AntÙnio Pazin Filho & Benedito Carlos Maciel

1 Docentes. Disciplina de Cardiologia. Departamento de Clinica MÈdica da Faculdade de Medicina de Ribeir„o Preto da USP. CORRESPOND NCIA: Prof.Dr. AndrÈ Schmidt. Departamento de ClÌnica MÈdica. Faculdade de Medicina de Ribeir„o Preto - USP. Campus Universit·rio ñ CEP 14048-900 ñ Ribeir„o Preto - SP.

SCHMIDT A; PAZIN FILHO A & MACIEL BC. Medida indireta da press„o arterial sistÍmica. Medicina,
SCHMIDT A; PAZIN FILHO A & MACIEL BC.
Medida indireta da press„o arterial sistÍmica. Medicina, Ribei-
r„o Preto, 37: 240-245,
jul./dez. 2004.
RESUMO: Este artigo revisa a mediÁ„o da press„o arterial atravÈs do mÈtodo indireto. S„o
discutidos a tÈcnica de medida e fatores que interferem no mÈtodo, situaÁıes especiais e os
valores de referÍncia com base nos consensos recentemente publicados.
UNITERMOS: Press„o Arterial; mediÁ„o. Semiologia.

1- INTRODU« O

A medida da press„o arterial sistÍmica È um procedimento fundamental na avaliaÁ„o semiolÛgica do aparelho cardiovascular. N„o obstante a adequada quantificaÁ„o dessa vari·vel hemodin‚mica possa ser obtida, no contexto clÌnico, mediante a utilizaÁ„o de tÈcnicas relativamente simples, em face das impor- tantes implicaÁıes diagnÛsticas e prognÛsticas da medida, deve-se analisar, criteriosamente, todos os fa- tores que podem influenciar sua aplicaÁ„o. O compo- nente mais importante do seu impacto clÌnico relacio- na-se ao diagnÛstico da Hipertens„o Arterial SistÍmi- ca (HAS). Por outro lado, do ponto de vista epidemio- lÛgico, a presenÁa de nÌveis mais elevados de press„o arterial, isoladamente, modifica o prognÛstico dos pa- cientes hipertensos no que tange ‡ ocorrÍncia de even- tos cardiovasculares sÈrios, como infarto agudo do mioc·rdio e acidentes vasculares cerebrais. Sendo assim, uma medida inadequadamente realizada pode implicar em diagnÛstico errado, determinando, conse- q¸entemente, a instituiÁ„o de um tratamento clÌnico inapropriado, alÈm da estigmatizaÁ„o do indivÌduo, ou,

240

ainda, determinando o oposto, como o n„o tratamento de paciente com indicaÁ„o terapÍutica.

2- M…TODOS DE MEDIDA DA PRESS O

ARTERIAL SIST

MICA

A medida da press„o arterial sistÍmica pode ser

realizada por mÈtodo direto ou indireto. A medida di- reta da press„o arterial È obtida de forma invasiva, mediante a introduÁ„o de um cateter em artÈria peri- fÈrica, o que permite sua quantificaÁ„o continuamen- te, batimento a batimento. Tal tÈcnica foi a primeira utilizada, pelo Reverendo Stephen Hales, no sÈculo XVIII, para medida da press„o arterial em um cavalo. No contexto clÌnico, a medida direta da press„o arte- rial È reservada para situaÁıes em que essa vari·vel

apresenta valores muito baixos, como ocorre, por exem- plo, nos estados de choque circulatÛrio.

A medida indireta da press„o arterial pode ser

efetuada, utilizando-se diversas tÈcnicas, sendo aque- la realizada com o esfigmomanÙmetro de coluna de merc˙rio ou anerÛide, a mais utilizada na pr·tica clÌni- ca di·ria. Exatamente por isso, o presente artigo se

Medida indireta da press„o arterial sistÍmica

restringir· ‡ an·lise desse mÈtodo. O equipamento foi desenvolvido, inicialmente, pelo mÈdico italiano Riva Rocci, em 1896, e aperfeiÁoado, no que tange ao mÈ- todo de medida, por Nikolas Korotkoff, no inÌcio do sÈculo XX. A padronizaÁ„o da tÈcnica de medida, ent„o estabelecida, permanece praticamente inalterada desde ent„o. Este autor verificou que, ao desinflar o manguito que ocluÌa totalmente a artÈria, diferentes tipos de sons eram perceptÌveis com o estetoscÛpio, o que correspondia a diferentes graus de obstruÁ„o par- cial da artÈria.

Os ruÌdos ou fases de Korotkoff podem ser detectados na maioria dos indivÌduos se o procedimento de medida for executado dentro do rigor estabelecido para tal tÈcnica. S„o cinco as fases:

Fase I ñ Corresponde ao aparecimento do pri- meiro som, ao qual se seguem batidas progressiva- mente mais fortes, bem distintas e de alta freq¸Íncia. Correlaciona-se com o nÌvel da press„o sistÛlica. Fase II ñ Neste momento, o som adquire ca- racterÌstica de zumbido e sopro, podendo ocorrer sons de baixa freq¸Íncia, que eventualmente determinam

o hiato auscultatÛrio. Fase III ñ Sons nÌtidos e intensos. Fase IV ñ Abafamento dos sons, correspon- dendo ao momento prÛximo ao desaparecimento deles. Fase V ñ Desaparecimento total dos sons. Cor- relaciona-se com a press„o diastÛlica.

3- FATORES QUE INFLUENCIAM A MEDIDA

DA PRESS O ARTERIAL SIST

MICA

A press„o arterial sistÍmica È influenciada por um conjunto de fatores, que podem determinar varia- Áıes significativas de seus valores ao longo do dia. A variabilidade pode ser evidenciada com a utilizaÁ„o da MonitoraÁ„o Ambulatorial da Press„o Arterial (MAPA). Em um indivÌduo normal, a press„o arterial, geralmente, sofre reduÁ„o em cerca de 10 %, quando comparadas as medidas dos perÌodos de vigÌlia e sono,

o mesmo podendo ocorrer no paciente hipertenso, por

vezes determinando nÌveis pressÛricos normais durante

o sono. Entre os fatores que podem influenciar a medi- da da press„o arterial incluem-se aqueles relativos ao ambiente, ao equipamento, ao observador e ao paci- ente. O ambiente adequado ‡ medida da press„o ar- terial deve ser tranq¸ilo, silencioso e com temperatura agrad·vel. A detecÁ„o de nÌveis elevados de press„o arterial, em situaÁıes n„o ideais de medida, com ex-

ceÁ„o daquelas relacionadas a emergÍncias hiperten- sivas, deve ser confirmada por medidas posteriores, realizadas em local adequado.

O esfigmomanÙmetro, seja anerÛide ou de co-

luna de merc˙rio, deve estar adequadamente calibra- do. De maneira geral, os anerÛides devem ser calibra- dos semestralmente, enquanto que os de coluna de merc˙rio, anualmente. O tamanho do manguito È de vital import‚ncia na qualidade e validade do mÈtodo. Deve, nos adultos, envolver, pelo menos, 80% da cir- cunferÍncia braquial. AlÈm disso, sua largura deve

cobrir, pelo menos, 40 % do braÁo. Em crianÁas, o manguito deve envolver 100% do braÁo e sua largura atingir 75% da dist‚ncia entre o acrÙmio e o cotovelo. Portanto, deve-se medir a circunferÍncia e tamanho do braÁo com fita mÈtrica e selecionar o manguito, conforme Tabela I. Deve-se, ainda, evitar que o esfig- momanÙmetro e o estetoscÛpio estejam muito frios, o que pode estimular variaÁıes nos nÌveis de press„o.

O observador que realiza a medida da press„o

arterial deve conhecer a tÈcnica e explic·-la sucinta- mente ao paciente. Sua posiÁ„o deve ser confort·vel

e permitir, em caso de utilizaÁ„o de aparelho de colu-

na de merc˙rio, boa visibilidade do nÌvel da coluna. Dessa forma, ser„o evitadas leituras errÙneas em vir- tude de posicionamento oblÌquo em relaÁ„o a ela. Em caso da utilizaÁ„o de aparelho anerÛide, este dever· estar sob vis„o direta e prÛxima, para permitir uma distinÁ„o adequada da escala. Outra imprecis„o muito freq¸ente na determinaÁ„o da press„o arterial sistÍ-

mica È a aproximaÁ„o para valores mÈdios, termina- dos em zero ou cinco. Por exemplo, pressıes arteriais de 98 mmHg s„o aproximadas para 95 ou 100 mmHg. AlÈm disso, por vezes, expressa-se a press„o arterial em n˙meros Ìmpares, apesar de a gradaÁ„o da coluna de merc˙rio ou aparelho anerÛide apresentar escala de n˙meros pares. Considera-se isso, tambÈm, um erro sistem·tico, que deve ser evitado. N˙meros Ìmpares podem aparecer eventualmente, quando expressarem

a mÈdia de v·rias mediÁıes.

O paciente deve estar, tambÈm, em posiÁ„o

confort·vel, e permanecer em repouso por 5 a 10 mi- nutos antes do inÌcio do procedimento. Ao realizar a mediÁ„o na posiÁ„o sentada, o tronco deve estar en- costado e os braÁos relaxados. … ainda desej·vel que as pernas n„o estejam cruzadas. Em avaliaÁıes de consultÛrio, deve-se esvaziar a bexiga urin·ria antes do procedimento e abster-se do fumo e ingest„o de estimulantes (cafÈ, ch·, chocolate, etc.) por, pelo me- nos, 30 minutos antes da medida.

241

Schmidt A; Pazin Filho A & Maciel BC

4- T…CNICA DE MEDIDA DA PRESS O AR- TERIAL

A medida da press„o arterial tem sua tÈcnica padronizada e publicada em diversas diretrizes inter-

nacionais. No Brasil, foi publicada, mais recentemen- te, como parte do III Consenso Brasileiro de Hiper- tens„o Arterial. Abaixo est· transcrita a seq¸Íncia de passos a serem executados para uma medida ade- quada da press„o arterial. 1) Explicar o procedimento ao paciente. 2) Certificar-se de que o paciente:

ï n„o est· com a bexiga cheia;

ï n„o praticou exercÌcios fÌsicos;

ï n„o ingeriu bebidas alcoÛlicas, cafÈ, alimentos, ou fumou atÈ 30 min antes da medida. 3) Deixar o paciente descansar por 5 a 10 min em ambiente calmo, com temperatura agrad·vel. 4) Localizar a artÈria braquial por palpaÁ„o.

5) Colocar o manguito firmemente cerca de 2 cm a 3

cm acima da fossa antecubital, centralizando a bol-

sa de borracha sobre a artÈria braquial. A largura da bolsa de borracha do manguito deve correspon-

der a 40% da circunferÍncia do braÁo, e seu com-

primento envolver, pelo menos, 80% do braÁo. As- sim, a largura do manguito a ser utilizado estar· na dependÍncia da circunferÍncia do braÁo do paci- ente (Tabela I). 6) Manter o braÁo do paciente na altura do coraÁ„o. 7) Posicionar os olhos no mesmo nÌvel da coluna de

merc˙rio ou do mostrador do manÙmetro anerÛide. 8) Palpar o pulso radial e inflar o manguito atÈ seu desa- parecimento, para a estimativa do nÌvel da press„o sistÛlica, desinflar rapidamente e aguardar de 15 a 30 seg antes de inflar novamente.

9) Colocar o estetoscÛpio nos ouvi- dos, com a curvatura voltada para a frente. 10) Posicionar a camp‚nula do este- toscÛpio, suavemente, sobre a artÈria braquial, na fossa antecu- bital, evitando compress„o ex- cessiva. 11) Solicitar ao paciente que n„o fale durante o procedimento de me- diÁ„o. 12) Inflar rapidamente, de 10 mmHg em 10 mmHg, atÈ 10 a 20 mmHg acima do nÌvel estimado da pres- s„o arterial.

13) Proceder ‡ deflaÁ„o, com velocidade constante inicial de 2 mmHg a 4 mmHg por segundo, evi- tando congest„o venosa e desconforto para o pa- ciente. 14) Determinar a press„o sistÛlica no momento do aparecimento do primeiro som (fase I de Korotkoff), que se intensifica com o aumento da velocidade de deflaÁ„o. 15) Determinar a press„o diastÛlica no desaparecimen- to do som (fase V de Korotkoff), exceto em con- diÁıes especiais. Auscultar cerca de 20 mmHg a 30 mmHg abaixo do ˙ltimo som, para confirmar seu desaparecimento e, depois, proceder ‡ deflaÁ„o r·- pida e completa. Quando os batimentos persistirem atÈ o nÌvel zero, determinar a press„o diastÛlica no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff) e ano- tar o valor final de zero, por exemplo, 136/78/0. 16) Registrar os valores das pressıes sistÛlica e dias- tÛlica, complementando com a posiÁ„o do paci- ente, o tamanho do manguito e o braÁo em que foi feita a mensuraÁ„o. Dever· ser registrado sem- pre o valor da press„o, obtido na escala do manÙ- metro, que varia de 2 mmHg em 2 mmHg, evitan- do-se arredondamentos e valores de press„o ter- minados em ì5î. 17) Esperar 1 a 2 min antes de realizar novas medidas. 18) O paciente deve ser informado sobre os valores da press„o arterial e a possÌvel necessidade de acompanhamento. Em caso de dificuldade para auscultar os ruÌ- dos de Korotkoff, pode-se lanÁar m„o de uma ma- nobra simples: fechar e abrir a m„o do membro em que a press„o est· sendo medida, durante alguns se- gundos.

Ta be la I : D ime ns ı e s re c o me nda da s da bo ls a infl· v e l do ma ng uito .

i r c u n fe r Í n c i a d o b r a Á o (c m)

C

D e n o mi n a Á „ o d o ma n g u i t o

L a r g u r a d a b o l s a (c m)

C o mp r i me n t o d a b o l s a (c m)

 

5

- 7 , 5

Re c È m- na s c id o

3

5

 

7

, 5 - 1 3

La c te nte

5

8

 

1 3 - 2 0

C

ria nÁ a

8

1 3

 

1 7 - 2 4

Ad ulto ma gro

11

1 7

 

2 4 - 3 2

Ad ulto

1 3

2 4

 

3 2 - 4 2

Ad ulto o b e s o

1 7

3 2

 

4 2 - 5 0

C

o xa

2 0

4 2

242

Medida indireta da press„o arterial sistÍmica

A etapa de avaliaÁ„o da Press„o SistÛlica Esti-

mada (PSE) È importante para se evitar uma sÈrie de inconvenientes e erros na medida indireta da press„o arterial. Em primeiro lugar, ao estimar a press„o sistÛ- lica pela tÈcnica de palpaÁ„o, evitando-se insuflaÁıes exageradas, causadoras de desconforto para o paci- ente e erro na mediÁ„o. Em segundo lugar, evitam-se erros decorrentes do fenÙmeno conhecido como ìhia- to auscultatÛrioî. Este evento decorre de curto inter- valo, em que os ruÌdos de Korotkoff n„o s„o audÌveis, e pode estender-se por intervalos de atÈ 40 mmHg. Ao realizar a medida da press„o arterial sem utilizar a PSE, pode-se interromper, eventualmente, a insuflaÁ„o dentro do perÌodo de hiato auscultatÛrio, e, desse modo, obter leituras falsamente baixas para a press„o sistÛ- lica. Esse fenÙmeno ocorre, geralmente, em idosos com HAS, arteriosclerose e estenose aÛrtica grave. Deve-se, tambÈm, evitar insuflaÁıes e deflaÁıes re- petidas do manguito durante uma mesma medida, o que pode provocar estÌmulos dolorosos e variaÁ„o dos valores da press„o arterial.

5- SITUA«’ES ESPECIAIS DE MEDIDA DA PRESS O ARTERIAL

A medida da press„o arterial, nos membros

inferiores, pode ser realizada sempre que houver im- possibilidade nos membros superiores ou em caso de suspeita de doenÁa vascular. Neste caso, deve ser uti- lizado manguito mais largo, que respeite as relaÁıes acima descritas. O paciente deve, preferencialmente, posicionar-se em dec˙bito ventral, com o manguito acoplado ao terÁo inferior da coxa e o estetoscÛpio sobre a artÈria poplÌtea. … importante ressaltar que, em condiÁıes normais, a press„o sistÛlica È 20 a 30 mmHg mais elevada nos membros inferiores, em re- laÁ„o aos membros superiores, enquanto a press„o dias- tÛlica È semelhante. Na presenÁa de algumas doenÁas vasculares (CoarctaÁ„o de Aorta ou obstruÁıes vas- culares), a press„o sistÛlica apresenta valores meno- res que aqueles observados nos membros superiores. Em estados de choque circulatÛrio, pode ser impossÌvel caracterizar os ruÌdos de Korotkoff, e a PSE pode ser a ˙nica tÈcnica indireta para estimativa da press„o sistÛlica. Nesses casos, geralmente se re- corre ‡ medida direta da press„o arterial. Pacientes com suspeita de hipotens„o ortos- t·tica devem ter a press„o arterial medida na posiÁ„o ortost·tica. Em tal caso, deve-se tomar o cuidado de posicionar o braÁo ao qual o manguito est· acoplado na altura do coraÁ„o, recorrendo a suportes fixos, ou

com o auxÌlio de terceiros. Os valores de reduÁ„o s„o, muitas vezes, arbitr·rios, devendo-se sempre correla- cionar a queda nos nÌveis de press„o de pelo menos 20 mmHg com a histÛria clÌnica de sintomas corres- pondentes. A medida deve ser feita apÛs o paciente permanecer deitado por cinco minutos, pelo menos, medindo-se imediatamente apÛs levantar-se e a cada 2 min, durante atÈ 10 min, em casos muito suspeitos. N„o se deve utilizar medidas de press„o com o paci- ente sentado. Pulso paradoxal È definido como reduÁ„o su- perior a dez milÌmetros de merc˙rio da press„o arte- rial sistÛlica durante a inspiraÁ„o. Apesar de classica- mente associado ao tamponamento cardÌaco, pode ocorrer tambÈm em situaÁıes clÌnicas, como doenÁa pulmonar obstrutiva crÙnica, insuficiÍncia respiratÛria aguda e asma brÙnquica. A determinaÁ„o do pulso paradoxal requer tÈc- nica adequada. Inicialmente, insufla-se o manguito cerca de 10 mmHg acima do ponto em que desapare- ce o pulso braquial. Em seguida, coloca-se o estetos- cÛpio sobre a artÈria braquial e inicia-se a desinsufla- Á„o do manguito de modo gradual atÈ que se ausculte

o primeiro ruÌdo de Koratkoff. Neste ponto, oclui-se o

manguito e observa-se a respiraÁ„o do paciente. Se o ruÌdo desaparecer com a inspiraÁ„o, constata-se que

a press„o arterial sistÛlica est· caindo com a inspira-

Á„o. Prossegue-se com a desinsuflaÁ„o do manguito para 5 mmHg abaixo desse ponto inicial e novamente observa-se a inspiraÁ„o; se o ruÌdo desaparecer, nes- se ponto, constata-se que a queda da press„o arterial

sistÛlica È de pelo menos 5 mmHg. Repete-se esta etapa, com reduÁıes sucessivas de 5 mmHg, atÈ que n„o se perceba mais o desaparecimento do ruÌdo com

a inspiraÁ„o. Quando isto ocorrer, determina-se o va-

lor de queda como sendo o total de etapas em que esta queda foi documentada, multiplicado por 5 mmHg. Em caso de suspeita de processos obstrutivos arteriais acometendo a aorta e seus ramos tor·cicos ou de membros superiores, a medida da press„o arte- rial pode apresentar diferenÁas de 20 ou mais mmHg na press„o sistÛlica. Em situaÁıes clÌnicas especiais, em que se do- cumenta reduÁ„o da resistÍncia vascular perifÈrica, a press„o diastÛlica È melhor determinada pelo abafa- mento dos sons de Korotkoff e n„o ao seu desapare- cimento. Isso pode ocorrer na insuficiÍncia aÛrtica. Finalmente, o diagnÛstico de pseudo-hiperten- s„o, presente em muitos pacientes idosos, pode ser esclarecido com manobras simples. Esse diagnÛstico decorre da rigidez das artÈrias, com calcificaÁ„o, con-

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Schmidt A; Pazin Filho A & Maciel BC

seq¸ente ‡ idade avanÁada. No caso, ao inflar o man- guito, podemos encontrar valores falsamente eleva- dos de press„o arterial, em decorrÍncia da dificuldade para ocluir a artÈria braquial. Ent„o, podemos recorrer ‡ manobra de Osler. Tal manobra consiste em inflar o manguito atÈ que ultrapasse a press„o sistÛlica. Caso a artÈria braquial ou radial do membro em que est· sendo insuflado o manguito permaneÁa palp·vel, con- sidera-se ìOsler positivoî. Se n„o for mais palpada, significa que colapsou e, portanto, ¥considera-se ìOsler negativoî. A positividade da manobra indica que o vaso È rÌgido e existe a possibilidade de estarmos diante de um caso de pseudo-hipertens„o. Contudo, resposta definiti- va sÛ poder· ser obtida com a medida direta da pres- s„o arterial. Em tais casos, n„o se exclui o diagnÛstico de HAS, mas, eventualmente, os nÌveis tensionais s„o menores que os medidos pela tÈcnica indireta.

6- VALORES DE PRESS O ARTERIAL

Na Tabela II, est„o expressos os valores de press„o arterial considerados na avaliaÁ„o diagnÛsti-

Ta be l a I I : C l a s s i f i c a Á „ o da Pre s s „ o A rt e ri a l , s e - g undo o I I I C o ns e ns o B ra s i l e i ro de H i pe rt e ns „ o Arte ria l e VI J N C (Co ns e ns o Ame ric a no . )

 

C

a t e g o r i a

i s t Û l i c a (mmHg )

S

 

i a s t Û l i c a (mmHg )

D

tima

< 1 2 0

e

< 8 0

N o rma l

< 1 3 0

e

< 8 5

N o rma l Alta

1 3 0 - 1 3 9

o

u

8 5 - 8 9

Hip e rte ns „ o

-

 

-

- Es t· gio I

1 4 0 - 1 5 9

o

u

9 0 - 9 9

- Es t· gio II

1 6 0 - 1 7 9

o

u

1 0 0 - 1 0 9

- Es t· gio III

1 8 0

o

u

11 0

ca e prognÛstica da populaÁ„o adulta com dezoito anos ou mais e sem doenÁas agudas concomitantes. A Tabela III expressa os valores para o diag- nÛstico de HAS em crianÁas e adolescentes. Nesse caso, o valor È definido com base, alÈm da idade, no

Ta be la III: Va lo re s da Pre s s „ o Arte ria l e m cria nÁa s e a do le s ce nte s , e xpre s s o s s e g undo pe rce ntil de a ltura e s e xo .

d a d e

I

E

s t a t u r a

S e x o Ma s c u l i n o P r e s s „ o A r t e r i a l (mmHg )- P e r c e n t i l

E

s t a t u r a

 

S e x o F e mi n i n o P r e s s „ o a r t e r i a l (mmHg ) P e r c e n t i l

(a

n o s )

P e r c e n t i l (c m)

P e r c e n t i l (c m)

   

P 9 0

P 9 5

 

P 9 0

P 9 5

 

5 0 % (7 6 ) 7 5 % (7 8 )

9

8 /5 3

1 0 2 /5 7

5 0 % (7 4 )

1 0 0 /5 4

1 0 4 /5 8

 

1

1 0 0 /5 4

1 0 4 /5 8

7 5 % (7 7 )

1 0 2 /5 5

1 0 5 /5 9

 

3

5 0 % (9 7 ) 7 5 % (9 9 )

1 0 5 /6 1

1 0 9 /6 5

5 0 % (9 6 )

1 0 3 /6 2

1 0 7 /6 6

 

1 0 7 /6 2

111

/6 6

7 5 % (9 8 )

1 0 4 /6 3

1 0 8 /6 7

 

6

5 0 % (11 6 ) 7 5 % (11 9 )

11

0 /7 0

11

4 /7 4

5 0 % (11 5 )

1 0 7 /6 9

111

/7 3

 

111

/7 0

11

5 /7 5

7 5 % (11 8 )

1 0 9 /6 9

11

2 /7 3

 

9

5 0 % (1 3 2 ) 7 5 % (1 3 6 )

11

3 /7 4

111

/7 9

5 0 % (1 3 2 )

11

3 /7 3

11

7 /7 7

 

11

5 /7 5

11

9 /8 0

7 5 % (1 3 7 )

11

4 /7 4

11

8 /7 8

 

5 0 % (1 5 0 ) 7 5 % (1 5 5 )

11

9 /7 7

1 2 3 /8 1

5 0 % (1 5 2 )

11

9 /7 6

1 2 3 /8 0

 

1 2

1 2 1 /7 8

1 2 5 /8 2

7 5 % (1 5 5 )

1 2 0 /7 7

1 2 4 /8 1

 

1 5

5 0 % (1 6 8 ) 7 5 %(1 7 4 )

1 2 7 /7 9

1 3 1 /8 3

5 0 % (1 6 1 )

1 2 4 /7 9

1 2 8 /8 3

 

1 2 9 /8 0

1 3 3 /8 4

7 5 % (1 6 6 )

1 2 5 /8 0

1 2 9 /8 4

 

1 7

5 0 % (1 7 6 ) 7 5 % (1 8 0 )

1 3 3 /8 3

1 3 6 /8 7

5 0 % (1 6 3 )

1 2 5 /8 0

1 2 9 /8 4

 

1 3 4 /8 4

1 3 8 /8 8

7 5 % (1 6 7 )

1 2 6 /8 1

1 3 0 /8 5

P a ra e fe ito d ia gnÛ s tic o , s e ria c o ns id e ra d a a s e guinte c la s s ific a Á „ o :- va lo re s a b a ixo d o p e rc e ntil 9 0 = no rmo te ns „ o ; - va lo re s e ntre o s p e rc e ntis 9 0 e 9 5 = no rma l limÌtro fe ; - va lo re s a c ima d o p e rc e ntil 9 5 = hip e rte ns „ o a rte ri. a l.

244

Medida indireta da press„o arterial sistÍmica

percentil de altura e pelo sexo da crianÁa ou adoles-

95

= normal limÌtrofe valores acima do percentil

cente. … importante salientar a possibilidade de uma

95

= hipertens„o arterial

causa secund·ria para a HAS em tal faixa et·ria, abrin- do perspectivas para a prevenÁ„o de lesıes em Ûr- g„os-alvo. Para efeito diagnÛstico, seria considerada a seguinte classificaÁ„o: valores abaixo do percentil 90 = normotens„o valores entre os percentis 90 e

ConvÈm lembrar que o diagnÛstico deve ser realizado dentro de critÈrios rÌgidos, que fogem ao es- copo desta publicaÁ„o, e que a medida indireta, reali- zada de forma criteriosa como a descrita acima, pos- sibilitar· melhor acur·cia e reprodutibilidade no acom- panhamento dos pacientes.

SCHMIDT A; PAZIN FILHO A & MACIEL BC. Blood pressure measurement. Medicina, Ribeir„o Preto, 37:
SCHMIDT A; PAZIN FILHO A & MACIEL BC.
Blood pressure measurement. Medicina, Ribeir„o Preto, 37:
240-245,
july/dec. 2004.
ABSTRACT:
This article reviews the basis of indirect blood pressure measurement. The
technical aspects, confounding factors and special situations, and the normal values supported
by literature consensus are reviewed.
UNITERMS:
Blood Pressure; measurement. Semiology.
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
3 - PORTO CC. Semiologia mÈdica. 3 a . ed. Guanabara Koogan,
Rio de Janeiro, 1997.

1 - III CONSENSO BRASILEIRO DE HIPERTENS O ARTERIAL - http:/ /publicacoes.cardiol.br/consenso/

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