UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR – UCSal FACULDADE DE DIREITO

ORÇAMENTO PÚBLICO BRASILEIRO

.

NOVEMBRO/ 2010

UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR – UCSal FACULDADE DE DIREITO

ORÇAMENTO PÚBLICO BRASILEIRO

O presente trabalho é válido como nota da 1ª avaliação, da matéria Dir. Financeiro, turma 32, noturno, ministrada pelo Prof. Mário Jorge Castro Lima.

ANA PAULA GORDILHO

NOVEMBRO/ 2010

Princípio da Não-Afetação da Receita 6. Princípio do Equilíbrio Orçamentário 7. Princípio do Equilíbrio Regional 8. Conceito Legal e Doutrinário 2. Classificações DESPESAS PÚBLICAS 1. Princípio da Exclusividade 5. Princípio da Anualidade 4. Ciclo Orçamentário a) Elaboração da proposta orçamentária b) Discussão e Aprovação da Lei do Orçamento c) Execução Orçamentária e Financeira d) Controle PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS 1. Classificações CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . Princípio da Unidade 2. Natureza Jurídica do Orçamento Público 3.Instrumento de Ação do Estado 4. Conceito de Orçamento Público 2.SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1. Orçamento Público . Princípio da Especificação RECEITAS PÚBLICAS 1. Princípio da Universalidade 3. Conceito Legal e Doutrinário 2.

O orçamento público é uma lei que.” René Stourn entende: “O Orçamento do Estado é o ato contendo a aprovação prévia das Receitas e Despesas Públicas”. o Congresso Nacional. Esta condição lhe confere uma das maiores responsabilidades na vida política. ao distribuir entre os vários órgãos o dinheiro arrecadado dos cidadãos. para serem realizadas. com maior nitidez. na medida em que os valores expressos em termos reais tendem a não ficar defasados. O orçamento é a peça mais importante da Administração Pública. feita no âmbito do Poder Executivo. favorecendo o acompanhamento e a avaliação das ações governamentais. por certo período. e em pormenor. No Brasil. dinâmico e flexível. exprime em termos financeiros a alocação dos recursos públicos. ajustando o ritmo de execução ao fluxo de recursos previstos. os planos e programas de trabalho. Para Aliomar Baleeiro. Conceito de Orçamento Público O orçamento é um processo contínuo. para a construção de um estado moderno. em face da escassez de recursos. caracterizando-se por configurar quatro fases distintas: 1 – a elaboração da proposta. o orçamento público “é o ato pelo qual o Poder Executivo prevê e o Poder Legislativo lhe autoriza. consubstanciado no acompanhamento e avaliação da execução. como ocorria no período inflacionário. de modo a assegurar a contínua e oportuna liberação desses recursos. financeira e de controle. Nele estão os programas e projetos de um governo que. passa a espelhar. As despesas. a alocação dos recursos. Trata-se de um instrumento de planejamento que espelha as decisões políticas. Apresenta múltiplas funções – de planejamento. e 4 – o controle. o processo orçamentário reflete a co-responsabilidade entre os poderes. entre outros aspectos. econômica e social do país. Afinal. voltado para os interesses da sociedade. em termos financeiros. “para um período determinado”. têm que estar autorizadas na lei orçamentária anual. assim como a arrecadação das receitas já criadas em lei. colaborando assim. a execução das despesas destinadas ao funcionamento dos serviços públicos e outros fins adotados pela política econômica ou geral do país. 2 – a apreciação e votação pelo Legislativo – no caso do governo federal.INTRODUÇÃO 1. principalmente pelo contribuinte e seus representantes. . Em conseqüência. define suas prioridades. como na maioria dos países de regime democrático. como arrematou o Prof. É esta responsabilidade que deve levá-lo a ser zeloso e fiscalizador com os gastos públicos. Amaro Cavalcanti. contábil. 3 – a sua execução. O Poder Legislativo é a representação direta e democrática da sociedade na Administração Pública. o orçamento se reveste da maior importância. estabelecendo as ações prioritárias para o atendimento das demandas da sociedade. que traduz. Com a estabilização econômica. para determinado período. é o dinheiro da população que está sendo aplicado.

E em relação à despesa.Instrumento de Ação do Estado A Secretaria de Orçamento Federal – SOF tem a responsabilidade principal de coordenar. As metas para a elaboração da 1 Há uma classificação dos atos jurídicos em função de seu objeto que os diferenciam em atos-regra (contém normas de direito em caráter geral e impessoal). atos subjetivos (todo ato lícito que tenha por fim imediato adquirir. as situações gerais estatuídas no ato regra). ainda. considerando-o simples ato ou operação administrativa. Orçamento Público . O orçamento possui duas funções básicas: a) b) autorizar as despesas prever a arrecadação 3. a da revogação das leis financeiras materiais. Essa limitação obriga o governo a definir prioridades na aplicação dos recursos estimados. em parte. O certo é que a doutrina brasileira acredita que a teoria que melhor se adapta ao nosso sistema constitucional é a de que o orçamento é lei formal. a dotação orçamentária é a condição necessária para o agente administrativo realizar o gasto. em constraste com o orçamento da receita que pode ser considerado lei material naqueles países em que se renova anualmente a autorização parlamentar para a cobrança dos tributos. introduzir preceitos novos. esta teoria. transferir.1 Nos países que adotam a regra da anualidade tributária. não pode fixar despesas em valores superiores aos recursos disponíveis. supervisionar e estabelecer normas para elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento Geral da União. porque distingue o orçamento da despesa. É uma lei que revela a intenção do governo em investir em determinados setores. com eficácia material constitutiva e inovadora. Assim sendo. ou casos. poderia o orçamento modificar ou alterar quaisquer leis precedentes. A teoria segundo a qual o orçamento tem natureza material sustenta que o orçamento possui conteúdo normativo. Leon Duguit adotou. O Orçamento é elaborado pelos três poderes da República e consolidado pelo Poder Executivo. Em certa medida. consolidar. modificar ou extinguir direitos) e atos-condição (são aqueles que têm por fim tornar aplicável a determinados indivíduos. sem criar direitos subjetivos e sem modificar as leis tributárias e financeiras. como sejam a impossibilidade de suas normas sejam derrogadas ou modificadas por simples regulamentos e até o poder de derrogar normas precedentes de igual hierarquia. Ele precisa ser equilibrado. continua relevante.2. A SOF integra a estrutura do Ministério do Planejamento e Orçamento – MPO. com eficácia de lei. É uma questão que há muito tempo preocupa a ciência jurídica. eis que dele dependem outras questões: a da obrigatoriedade de o Estado realizar as despesas previstas. Possuiria todas as características de valor e força de lei. segundo Ricardo Lobo Torres. resguardar. Natureza Jurídica do Orçamento Público Indaga-se se o orçamento é lei material ou formal. o orçamento é uma condição para a incidência da lei instituidora do tributo. Resta assinalar a teoria do publicista francês Gaston Jèze que conferia ao orçamento a natureza de ato-condição. pois apenas prevê as receitas públicas e autoriza os gastos. quanto à receita pública. como. . Ou seja. O problema da natureza jurídica do orçamento. a da criação de direitos subjetivos para terceiros.

objetivos e metas. O projeto da LDO é elaborado pelo Poder Executivo. o PPA é válido para os quatro anos seguintes. até o dia 31 de agosto do primeiro ano do mandato de cada presidente. com a participação dos Ministérios (órgãos setoriais) e as unidades orçamentárias dos Poderes Legislativo e Judiciário. de forma regionalizada. benefícios previdenciários. na Secretaria de Orçamento Federal . O PPA precisa ser aprovado pelo Congresso até o final do primeiro ano do mandato do presidente eleito. que terá validade para o ano seguinte. é a de estabelecer objetivos e metas que comprometam o Poder Executivo e o Poder Legislativo a dar continuidade aos programas na distribuição dos recursos. O acompanhamento e a avaliação são feitos pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. como determina a Constituição.relativas a despesas com pessoal. A finalidade do PPA. O projeto da LDO tem como base o PPA e deve ser apreciado pelo Congresso Nacional até 30 de junho de cada exercício. para definição dos limites de gastos por unidade orçamentária da União. 2ª Etapa: No mês de junho. em termos orçamentários.proposta orçamentária são definidas pelo Plano Plurianual (PPA) e priorizadas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).gastos requeridos para aumento da capacidade física de atendimento ou inserção de uma ação nova nas atribuições dos órgãos. define um limite adicional e o remete aos órgãos para complementar a sua programação orçamentária. Despesas Obrigatórias . o projeto é sancionado pelo Presidente da República. Com base na LDO. O PPA estabelece as diretrizes. Projetos . para ser discutido e votado. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prioriza as metas do PPA e orienta a elaboração do Orçamento Geral da União. O projeto do Plano Plurianual precisa ser elaborado pelo governo e encaminhado ao Congresso.envolvendo o montante de recursos necessários para assegurar a manutenção da execução das ações atualmente desenvolvidas para a prestação de serviços à comunidade. observando os seguintes procedimentos: 1ª Etapa: Entre os meses de janeiro e maio. Depois de aprovado. e precisa ser encaminhado ao Congresso até o dia 15 de abril de cada ano. . é desenvolvida a análise da série histórica da execução dos últimos exercícios. os órgãos setoriais apresentam uma proposição detalhada relativa às suas programações em: Atividades . 3ª Etapa: Com a estimativa da Receita a ser arrecadada e o montante de gastos projetados para o exercício na 2ª Etapa. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. sob a direção do MPO e a coordenação da Secretaria de Orçamento Federal (SOF).SOF.os valores necessários para expansão dos serviços. da administração pública federal. o governo é obrigado a encaminhar o projeto de lei do orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. O Executivo e pelo Tribunal de Contas da União. Depois de aprovado. a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte. Por determinação constitucional. compreendendo: Expansão de atividades . serviço da dívida. Acompanha a proposta uma mensagem do Presidente da República.

portanto. basicamente. procedendo a alterações. conforme dispõe o art. inicia em 01 de janeiro e encerra em 31 de dezembro de cada ano. No Brasil. Preliminarmente. Utilizando o Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR). No Congresso. portanto. quando necessário. A partir de 1988. deputados e senadores discutem a proposta que o Executivo preparou. do governo. 34 da Lei n° 4. é o período durante o qual se executa o orçamento. e d) Controle. transforma-se em lei. através do qual se elabora. Preliminarmente. Após a sanção. o exercício financeiro coincide com o ano civil. Identifica-se. b) Discussão e Aprovação da Lei do Orçamento. através de créditos adicionais. dependem de Lei Complementar para sua estrutura e elaboração. deputados e senadores adquiriram o direito de emendar o orçamento.320/64 e pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. fazem as mudanças que consideram necessárias e votam o projeto. A Secretaria do Tesouro Nacional registra no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) a execução orçamentária realizada pelos órgãos da administração pública. Até à Constituição de 1988. o projeto é enviado ao Presidente da República para ser sancionado.4ª Etapa: Formaliza o documento final elaborando todos os demonstrativos exigidos pela Lei Federal no 4. A Constituição determina que o Congresso deve votar o Orçamento até o encerramento da sessão legislativa de cada ano. ou seja. de curto prazo. aprova. corresponde. Depois da aprovação pelo Legislativo. dinâmico e flexível. 4. o Congresso apenas homologava o orçamento tal qual ele vinha do Executivo. c) Execução Orçamentária e Financeira. iniciando com o processo de elaboração do orçamento. quatro etapas no ciclo ou processo orçamentário: a) Elaboração da Proposta Orçamentária. desde que sejam compatíveis com o Plano Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. na realidade. ao período de tempo em que se processam as atividades típicas do orçamento público. correspondendo. Ressalte-se. passando pela execução e encerramento com controle.320/64. é conveniente ressaltar que o ciclo orçamentário não se confunde com o exercício financeiro. Na Constituição anterior esse plano era denominado de Plano Nacional de . a uma das fases do ciclo orçamentário. ou seja. hoje denominadas pela atual Constituição de Plano Plurianual. o que significa que os parlamentares podem propor alterações em programas e projetos apresentados pelo Poder Executivo. executa. o ciclo orçamentário é um período muito maior. Este. que ela se insere nas políticas de médio e longo prazo do país. observa-se que o Orçamento-Programa Anual é um instrumento de nível operacional. Por outro lado. Ciclo Orçamentário O ciclo orçamentário. a Secretaria de Orçamento Federal acompanha e avalia a execução orçamentária. a) Elaboração da Proposta Orçamentária. no entanto. As políticas de médio longos prazos. ou processo orçamentário. pode ser definido como um processo contínuo. controla e avalia os programas do setor público nos aspectos físicos e financeiro.

Nesta fase os ministérios ou órgãos executam os programas governamentais contemplados na Lei Orçamentária. . constando: 1. a administração procura obter informações físico-financeiras que possibilitem controlar e avaliar os planos e programas a executar. isto é. 2. 4. 34 da Lei n° 4. as metas e prioridades da Administração Pública Federal para o exercício. sendo que seu alcance se estende ao primeiro ano do mandato presidencial subsequente. A Secretaria de Orçamento Federal tem a função de consolidar as propostas orçamentárias de todos os órgãos dos poderes da União e de elaborar o projeto de lei correspondente que será submetido ao Presidente da República para encaminhamento ao Congresso Nacional para discussão e votação.Desenvolvimento – PND que tinha a duração de um mandato presidencial. A execução orçamentária constitui uma atribuição do Executivo. conforme dispõe o art. procurando uma melhor distribuição de renda para diminuir as desigualdades sociais e proporcionar um crescimento compatível com a nossa realidade. 3. as orientações para os orçamentos anuais da |União. setoriais e regionais. em execução ou executados constantes do OrçamentoPrograma Anual. Elaboração da proposta orçamentária está hoje definida na Lei de Diretrizes Orçamentárias. d) Controle No decorrer do processo de execução orçamentária e financeira. que definem os prazos para o seu recebimento e consolidação. c) Execução Orçamentária e Financeira Publicada a Lei de Meios (Lei Orçamentária). é desencadeado o processo da execução orçamentária do governo. com o respectivo QDD. A elaboração e administração orçamentária e financeira se desenvolvem dentro do exercício definido com o ano civil. Em princípio o Plano Plurianual deverá perseguir esses mesmos objetivos (linha de ação). b) Discussão e aprovação da Lei do Orçamento Cada órgão deve orientar e consolidar as propostas orçamentárias de suas unidades em conformidade com Lei de Diretrizes Orçamentárias e as instruções estabelecidas pela Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento e Orçamento. O seu procedimento molda e influencia a tomada de decisões e desenvolve-se de acordo com distribuição de poder dentro do governo. os limites para elaboração das propostas orçamentárias de cada Poder. mediante uma série de decisões e atividades financeiras que possibilitam atingir as metas e objetivos explicitados no OrçamentoPrograma Anual que deverá estar em harmonia com o Plano Plurianual do Governo. Ressalta-se aqui a importância desse plano. tornando transparente os propósitos nacionais conduzindo as ações de suas instituições de forma harmônica para o alcance dos objetivos estabelecidos. política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. onde seriam definidos objetivos e políticas globais. pois ele deverá divulgar as intenções e prioridades do governo para o período. de 01 de janeiro a 31 de dezembro.320/64.

. por agentes do mesmo poder. de 17 de março de 1964. no Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes Orçamentárias. e e) aplicação das medidas corretivas. c) análise dos problemas observados e determinações de suas causas. PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS Existem princípios básicos que devem ser seguidos para elaboração e controle do orçamento. No mesmo sentido Kiyoshi Harada ao afirmar que “a unidade orçamentária não mais se preocupa com a unidade documental.320/64 estabelece os fundamentos da transparência orçamentária no seu artigo 2º: "A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa. ou seja. articulando-se com o princípio da programação”. No processo de controle e avaliação orçamentária identificam-se as seguintes etapas: a) comparação dos resultados obtidos e efeitos produzidos. obedecidos os princípios da unidade. universalidade e anualidade". Denomina-se interno quando exercido dentro da própria administração. mas de forma alguma a menos importante.320. b) comparação dos resultados e efeitos obtidos com os objetivos e metas programadas. mas a integração finalística e a harmonização entre os diversos orçamentos. Aliás. de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo. mas com a unidade de orientação política. No âmbito do governo podem-se distinguir dois tipos de controle interno e externo. os orçamentos se estruturem uniformemente ajustando-se a um método único. vale dizer. consoante o art. que estão definidas na Constituição. 6° do Decreto-Lei n° 200/67. d) definição e tipificação das medidas corretivas que se devam tomar. A Lei nº 4. Princípio da Unidade Todas as receitas e despesas devem estar previstas em um único documento.O controle e a avaliação constituem a última fase do ciclo orçamentário. Segundo Ricardo Lobo Torres. e externo se exercido por órgãos independentes desse poder. o Princípio da Unidade não significa a existência de um único documento. Clássicos Unidade Universalidade Anualidade Exclusividade Não-afetação da receita Equilíbrio Orçamentário Equilíbrio Regional Especificação “Modernos” 1. na Lei nº 4. de sorte que. o controle constitui um dos cinco princípios fundamentais que norteiam a Administração Pública Federal.

nos termos da lei”. § 5o da CF/88 dividiu o orçamento em três compartimentos: a) Orçamento Fiscal b) Orçamento de Investimento das Estatais c) Orçamento da Seguridade Social 2. fundos. apenas dividindo-se em três compartimentos por uma questão de organização. do art. Princípio da Não-Afetação da Receita 2 Lei 4320/64. o exercício financeiro. ainda que por antecipação de receita. etc. Atualmente só vale para o orçamento que deve viger durante um ano. 4. Princípio da Universalidade Todos os Poderes. 165. Princípio da Exclusividade Esse princípio diz respeito ao conteúdo do orçamento e está expresso no §8o. por exemplo. O art. 158. Princípio da Anualidade A anualidade tributária deixou de existir após a CF/88. 3. IV da CF/88 estabelece que 25% da arrecadação do ICMS pertence aos municípios. Uma das características fundamentais do orçamento é a sua periodicidade. Um exemplo. nos seguintes termos: “A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa. órgãos e entidades da administração direta e indireta. Isto porque a autorização para a abertura de créditos suplementares tem a mesma natureza da despesa respectiva e os empréstimos têm a natureza de antecipação de receita orçamentária.2 Está previsto também no art. órgãos e entidades da Administração Pública direta e indireta têm que estar contemplados pela lei orçamentária. Art. 165. Evita as chamadas “caudas orçamentárias”. decorrentes de introdução de matérias estranhas ao respectivo projeto de lei. vedadas quaisquer deduções.Mesmo assim. 165 da CF/88. não se incluindo na proibição a autorização para a abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito. §5o da CF/88. tais como as que modificam e ampliam. através de emendas relativas a outros ramos do direito. 6a – Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais. 5. No quadro das receitas o Estado deverá escriturar até a parte da arrecadação que será transferida aos municípios. Significa a inclusão de todas as rendas e despesas dos Poderes. O Código Comercial. O art. . Segundo Ricardo Lobo Torres. o Código Civil. Celso Belmiro insiste na afirmação de que o orçamento é uno. seja de um ano. as duas exceções – abertura de créditos suplementares e as operações de crédito – não desnaturam o princípio. e é da tradição da maioria dos países que esse período. o prof.

Kiyoshi Harada : “É comum a tese da inconstitucionalidade de determinada exação fiscal. pois. como a unificação dos orçamentos (art. b) repartição das receitas tributárias (arts. sustentada pelos contribuintes perante os tribunais do país. 212). Ricardo Lobo Torres. no entanto. Em relação ao princípio. A teoria econômica de Keynes é que passou a recomendar os orçamentos deficitários nas épocas de recessão. a proibição de o Banco Central conceder empréstimos ao tesouro (art. 167. 167. chega a dizer que a CF/88 aderiu à idéia da necessidade do equilíbrio econômico. um princípio tributário o sujeito passivo da obrigação tributária não tem legitimidade para invocá-la. 165. §2o) e a reserva da lei específica para as renúncias de receita e para a concessão de subsídios (art. principalmente pelos economistas de linha Keynesiana. §6o). sem levar em conta os efeitos sobre a economia em geral. a transparência dos incentivos (art. prevalece o pensamento de que o equilíbrio orçamentário não pode ser entendido como um fim em si mesmo. fundo ou despesa (art. o endividamento limitado. c) prestação de garantia na contratação de operações de crédito por antecipação de receita (art.IV e art. portanto. § 3o ). Revogado pela EC-1/69. §4o). O princípio do equilíbrio orçamentário. Este equilíbrio era conseguido pela comparação. 164. vale dizer. porém. acrescenta o prof. Por outro lado. . Por ser um princípio orçamentário.A CF/88 veda a vinculação do produto da arrecadação de impostos a órgão. para conquistar o pleno emprego e a conquista do equilíbrio econômico geral.167.IV). Tratava-se de concepção tradicional e fora princípio expresso na Constituição de 1967 (art. invocando a vulnerabilidade desse princípio. não tem eficácia vinculante. §5o). Segundo o autor citado. permitindo. 158 e 159). ao menos enquanto contribuinte. a CF/88 contém inúmeras normas que induzem o equilíbrio orçamentário. estabelece algumas exceções: a) verbas destinadas à educação (art. sendo-lhe irrelevante a ulterior destinação do recurso financeiro ingressado. pelo cotejo mensal entre a receita arrecadada e a despesa prevista. §6o). 66. A relação jurídico-tributária existente entre o fisco e o contribuinte extingue-se com o pagamento do imposto.150. Hoje. 165. mas como um instrumento a serviço do desenvolvimento da nação. Era um verdadeiro axioma nas finanças clássicas que condenava qualquer idéia de orçamento desequilibrado e recomendava todas as medidas para mantê-lo equilibrado. 165. Princípio do Equilíbrio Orçamentário O equilíbrio do orçamento consubstancia-se numa relação de equivalência entre o montante das despesas autorizadas e o volume da receita prevista para o exercício financeiro. e não. não foi restabelecido em texto expresso pela CF/88. A partir da crise de 1929 a tese do equilíbrio orçamentário foi vigorosamente combatida. §8o).” 6. d) prestação de garantia de empréstimo contraído por Estado ou Município com a União (art.

pelo que os benefícios maiores para as áreas pobres ficam plenamente justificados. terão entre as suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais. O orçamento da seguridade social não foi previsto pela redação do artigo. §2o) RECEITAS PÚBLICAS 3 Ver redação do art. Prescreve uma certa necessidade de tratamento desigual conforme as diferenças existentes entre as regiões. VII) e a realização de despesas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais (art. b) qualitativa – veda a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro.4 Ricardo Lobo Torres fala em Princípio da Especialidade do Orçamento. Ficam vedadas as “dotações globais”. Princípio do Equilíbrio Regional Aparece no art. o que se leva a concluir que não pode ser utilizado para reduzir desequilíbrios regionais (Celso Belmiro). As despesas devem ser acompanhadas com a indicação de onde serão aplicadas. §7o. Significa que os orçamentos devem discriminar e especificar os créditos. 8. 167. 167. compatibilizados com o plano plurianual. serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente (art. portanto. onde se lê que os orçamentos fiscal e de investimento das estatais. reabertos nos limites dos seus saldos. material. caso em que. segundo critério populacional. os órgãos a que tocam e o tempo em que se deve realizar a despesa. este princípio se insere num conceito mais amplo que é o da eqüidade entre regiões. 167. transferências ou quaisquer outras.3 Art. II). ressalvado o disposto no art. Desdobra-se. II da CF/88. Princípio da Especificação Toda receita e despesa prevista no orçamento deve figurar de forma especificada e discriminada. 167. sem prévia autorização legislativa. c) temporal – limita a vigência dos créditos especiais e extraordinários ao exercício financeiro em que forem autorizados. O orçamento e à legislação tributária devem garantir e promover esta eqüidade. salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício. o princípio em três vertentes: a) quantitativa – ficam proibidas a concessão ou utilização de créditos ilimitados (art. Para ele. serviços de terceiros. 5o – A lei do orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal.7. Lei 4320/64 4 . 167. 20 e seu parágrafo único. Ricardo Lobo Torres utiliza outra nomeclatura.

Este apenas contém a autorização das despesas e previsão das receitas. . Conceito Legal e Doutrinário Em um primeiro momento de sua evolução histórica o Estado vivia de recursos oriundos da exploração de seu patrimônio. A contabilidade pública. pois alguns deles não passam de “entradas de caixa”. Não será. 116. ulteriormente restituído6... 2. As Extraordinárias são aquelas produzidas em função de uma determinada conjuntura. O crescimento das despesas públicas fez surgir a necessidade do Estado contar com outras fontes de receitas. p. Os ingressos obtidos por esse último processo denomina-se tributo. cit. de doações e de tributos impostos em virtude de guerras e conquistas. portanto. fianças. como cauções. tendo caráter excepcional e temporário. através do normal desenvolvimento da atividade financeira do Estado. como elemento novo e positivo”. na 6 categoria de receitas de capital. O patrimônio do Estado não figura no orçamento. além de manter as receitas oriundas do processo de obtenção dos lucros pela venda de seus bens e serviços. 20). porém. decorrentes de calamidade pública. integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas. Vejamos o conceito de receita pública formulado por Aliomar Baleeiro: “receita é a entrada que. empréstimos etc. Kiyoshi Harada (Ob. portanto. A Receita Pública é o ingresso que integra-se ao patrimônio público como elemento novo e positivo. não é elaborada da mesma forma que a privada. guerra externa ou sua 5 Ob. oportunamente. Constituem fonte regular e permanente de recursos financeiros necessários ao atendimento das despesas públicas. constituem receitas públicas. Receita X Patrimônio O Patrimônio Público é o conjunto de bens materiais e imateriais que pertencem direta ou indiretamente ao poder público.1. depósitos recolhidos ao tesouro. p. pois nesta incluem-se além das contas de resultado as contas patrimoniais. É o caso dos empréstimos compulsórios que a União poderá lançar mão sempre que houver necessidade de atender despesas extraordinárias. Assim. Classificação da Receita Pública a) Receitas Ordinárias e Extraordinárias As Receitas Ordinárias são aquelas que ingressam com regularidade. Apesar do conceito doutrinário de receita pública. vem acrescer o seu vulto.. devolvidas. condições ou correspondência no passivo. a lei 4320/64 inclui os empréstimos públicos (compulsórios ou voluntários).5 Receita X Ingresso Ingresso é um conceito genérico que abarca todas as quantias recebidas pelos cofres públicos. que são representativos de entradas provisórias que devem ser. A advertência é feita pelo prof. O Estado passou a usar a sua força coercitiva para retirar dos particulares parcela de suas riquezas. capazes de manter um fluxo regular e permanente de ingressos. cit. Nem todos os ingressos.

É OBS: Taxas x Tarifas: um tributo. Remunera serviço essencial. porque atua sob regime de direito privado. Compensações Financeiras: estão previstas no art. pois mesmo que se possa dispensar o serviço a taxa é cobrada (compulsoriedade jurídica). como uma empresa privada na busca do lucro. informado pelo princípio da autonomia da vontade. 154. na exploração da atividade econômica. sob regime de direito privado. pois o Estado jamais poderia se afastar de uma normatividade específica. submetendo-se a todas as limitações constitucionais. absolutamente despido de poder coercitivo próprio. É a prestação pecuniária que é exigida como remuneração de serviços públicos inessenciais. de bens dominiais. 20. da manutenção de empresas estatais e da exploração de loterias. Há também o imposto extraordinário de guerra previsto no art. etc. Seu regime jurídico é de direito privado. Preço Público: é uma obrigação ex voluntae.eminência. II da CF/88. b) Receitas Originárias e Derivadas Receitas Originárias são aquelas que resultam da atuação do Estado. foros. . Patrimoniais: Receitas Originárias Imóveis/Móveis: exploração laudêmios. Exploração da Atividade Econômica: São aquelas geradas no exercício de atividade empresarial. É claro que a submissão ao regime de direito privado não significa o total afastamento das normas de direito público. Possuem a natureza de indenização pela perda de recursos naturais. destinada à preservação do interesse público. § 1º da CF/88. Provém da exploração de monopólios. É compulsória. O que caracteriza a receita originária é a sua percepção pelo Estado. Regime jurídico de direito público.

No caso de a atuação estatal referente às atividades não essenciais do Estado. por conseguinte a taxa. visando . No caso. • Nas Receitas Derivadas o Estado se utiliza de seu jus imperii para retirar de seus súditos parcelas de suas riquezas para a consecução de seus fins. Regime de direito privado. . O prof. Não é compulsória. desenvolvendo o poder público a sua atividade como um particular. p. 29. representadas pelo tributo. Remunera serviço inessencial. foi encampado como de interesse público. que passará a cobrar diretamente do usuário do serviço a respectiva tarifa. e. por decisão política. no segundo não haverá serviço público. Em havendo obrigatoriedade de utilização de determinado serviço significa que aquele serviço. No primeiro caso haverá serviço público em sentido formal. hipótese em que poderá transferir a execução desse serviço ao concessionário. inexistindo lei da entidade política competente.o bem estar geral. que torne obrigatória a utilização do serviço. Kiyoshi Harada assim resume toda a questão: • “A atuação estatal no tocante às atividades essenciais e indelegáveis do Estado só pode ser desenvolvida pelo regime de direito público. Derivadas são as receitas provenientes da economia privada. hipótese em que a observância do regime jurídico se impõe. Ob. 7 Kiyoshi Harada. cit..Taxas Tarifas Não é tributo. o legislador pode dar ao pagamento a estrutura de taxa ou de tarifa. teremos “serviço público” do ponto de vista material e formal. pelos ingressos parafiscais e pelas multas. dando origem à taxa”7.

que. Já a taxa de serviços pressupõe a utilização efetiva ou potencial. por parte de cada um de seus usuários. o fato descrito em lei elaborada de acordo com a competência especificamente outorgada pela Constituição. Há tributos vinculados a uma atuação estatal e outros não vinculados. que não seja multa. ICMS e IPVA. Imposto é o dever consistente em prestação pecuniária. Os impostos são exações desvinculadas de qualquer atuação estatal. IPI. intervindo na propriedade e na liberdade dos indivíduos. Específicos são os serviços que podem ser destacados em unidades autônomas de intervenção. a mais importante receita do Estado. IR. É cobrada em razão do exercício do poder de polícia ou da prestação de serviços públicos. empréstimos compulsórios e contribuições sociais. contribuições de melhoria. sob a diretiva do princípio da capacidade contributiva e com a finalidade principal ou acessória de obtenção de receita para as necessidades públicas gerais. prestados ao contribuinte ou postos a disposição do contribuinte. O tributo é um gênero que comporta as seguintes espécies: impostos. instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 8 Art. Estados: ITD. separadamente. ISS e ITBI. independente de qualquer atividade estatal em seu benefício. objetivando o bem estar geral. A taxa é um tributo vinculado a uma atuação estatal específica em favor do contribuinte. toda prestação pecuniária obrigatória. impondo-lhes comportamentos comissivos ou omissivos. Municípios: IPTU. 3º CTN. Taxas. A CF/88 distribui a competência para instituir impostos da seguinte maneira:    União: imposto de importação e exportação. A taxa de polícia pressupõe atuação do poder público. de utilidade ou de necessidade públicas. Contribuições de melhoria. decretadas exclusivamente em função do poder de império do Estado. E divisíveis são aqueles suscetíveis de utilização. é exigido de quem tenha realizado. IOF.Tributos: Receitas Derivadas Impostos. configura o tributo.”8 Então. taxas. IGF. em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. que não constitua sanção de ato ilícito. Ingressos Parafiscais Multas e Penalidades Ingressos Tributários O CTN conceitua o tributo como sendo “toda prestação pecuniária compulsória. de serviços públicos efetivos e divisíveis. . imposto de guerra e competência residual.

lucro. Empréstimos compulsórios são tributos decretados exclusivamente pela União. no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. para o custeio. Ingressos Parafiscais “Enquanto a fiscalidade se caracteriza pela destinação dos ingressos ao FISO. por lei complementar. As contribuições especiais são tributos afetados a finalidades específicas e se dividem em:    Contribuições Sociais: destinam-se a acudir as necessidades financeiras dos sistemas oficiais de previdência e assistência social. É devida em decorrência da realização de obra pública da qual decorre valorização para o proprietário. em benefício deles. Municípios: art. Estados e DF: art. I F/88). Trabalhadores Receita de jogos Compete a União instituir as contribuições especiais. faturamento. Contribuições Interventivas: destinam-se a fornecer recursos às políticas de intervenção do Estado no campo econômico e social. ou. isto é. Dos empregadores. 154. não Contribuições Sociais . 30 CF/88. a competência para institui-las se relaciona com a competência político administrativa da entidade. 154. incidentes sobre: folha de salários. decorrentes de calamidade pública. hipótese em que deverá ser obedecido o princípio da anterioridade. Contribuições Corporativas: destinam-se a garantir o financiamento dos órgãos corporativos. 149. 21 e 22 da CF/88. aos órgãos que. a parafiscalidade consiste na sua destinação ao PARAFISCO. guerra externa ou sua eminência. para atender despesas extraordinárias. Pode ser instituída pela pessoa jurídica que realizar a obra de que decorra a valorização imobiliária. pois só será legítima a cobrança dessa espécie tributária se houver serviço ou exercício do poder de polícia. A contribuição de melhoria é de competência comum. conforme o art. dentre elas a reserva de lei complementar (art. 25. com as restrições estabelecidas no art. Contribuição de melhoria é espécie tributária que tem por fato gerador atuação estatal apenas mediatamente referida ao contribuinte. parágrafo único da CF/88. I da CF/88. O Estados e Municípios também podem cobrar contribuições de seus servidores. O produto de sua arrecadação fica vinculado à despesa que fundamentou a sua instituição.    União: art. § 1o da CF/88 (competência residual). tais como os sindicatos e órgãos de representação classista.Em razão da taxa ser um tributo vinculado. Há também a competência da União para instituir “contribuições residuais” destinadas a garantir a manutenção e expansão da seguridade social. de sistema de previdência e de assistência social (contribuição social).

enquanto a hipótese de incidência do tributo é sempre algo lícito.. Hugo de Brito Machado. de conteúdo exclusivamente econômico. a mesma natureza do tributo e lhes estendeu os mesmo princípios. todo recurso que ingressa nos cofres públicos será considerado receita. administrativas ou penais.pertencendo ao núcleo da administração do Estado. É o que ocorre com os empréstimos compulsórios.”10 c) Receitas Correntes e de Capital: A lei 4320/64 não adotou a distinção doutrinária entre receita e ingresso. Assim sendo. Curso de Direito Tributário. o art. A extrafiscalidade pode acompanhar a fiscalidade na tarefa de desestimular o consumo de certos produtos. cit. o incentivo no consumo de certas mercadorias. Conceito Legal e Doutrinário 9 Ricardo Lobo Torres. sem o objetivo de contribuir para as despesas gerais do Estado. 11 da lei classifica como receita ingressos que pela doutrina são considerados meros ingressos. O art. No Brasil as contribuições extrafiscais foram incorporadas ao rol dos tributos pela CF/88. p. 148. desapareceu das finanças brasileiras a figura dos ingressos parafiscais. a inibição da importação e o incentivo às exportações. 10 . objeto da incidência seletiva do IPI e do ICMS. Assim sendo. portanto. pelo qual todo ingresso de dinheiro deve ser centralizado no tesouro público e classificado como receita. p. As multas e penalidades pecuniárias aplicadas pelo descumprimento da legislação fiscal não tem natureza tributária (art. buscando efeitos diversos da simples arrecadação de recursos financeiros. A CF/88 trouxe para o sistema tributário todas as contribuições sociais e de interesse das categorias profissionais e econômicas. Malheiros. incumbidos de prestar serviços paralelos e inessenciais através de receitas paraorçamentárias”9. Ob. sejam elas fiscais. 45. 56 da lei consagra o princípio da unidade de tesouraria. 3 CTN). São receitas derivadas porque provenientes da economia do cidadão. Ademais. são paraestatais. e será classificado como receitas de capital ou receitas correntes. Deu-lhes. Os ingressos extrafiscais possuem o objetivo principal de assegurar a intervenção do Estado no domínio econômico. conforme o artigo11. Multas e Penalidades Entram também para o quadro das receitas derivadas as multas e penalidades. DESPESAS PÚBLICAS 1. “O tributo se distingue da penalidade exatamente porque esta tem como hipótese de incidência um ato ilícito. A parafiscalidade não se confunde com a extrafiscalidade. A extrafiscalidade também pode aparecer sob a forma de ingressos não tributários.

 2. significar “a aplicação de certa quantia. dentro de uma autorização legislativa. para a execução de fim a cargo do governo”. 11 São as necessidades coletivas encampadas pela lei. em dinheiro. Pode. também. dentro de uma autorização legislativa.O Estado tem por fim último a satisfação das necessidades públicas. A maior parte dos doutrinadores acolhem o conceito de despesa pública formulado por Aliomar Baleeiro.g. Com o surgimento do liberalismo e das conquistas democráticas. Segundo este autor a despesa pública pode significar duas coisas: “Em primeiro lugar.11 Como no Estado moderno não mais existe a requisição de bens e serviços dos súditos. então. V. pois as divide em despesas correntes e despesas de capital. e. Não há. portanto. nem a colaboração gratuita destes no desempenho de funções públicas – salvo em algumas hipóteses excepcionais em serviços temporários12 . para o funcionamento dos serviços públicos”. Rio de Janeiro. Classificações A Lei 4320/64 classifica as despesas por um critério preponderantemente econômico. Forense.surge a necessidade do Estado arrecadar recursos e promover despesas públicas para o regular funcionamento dos serviços públicos. realização de despesa sem prévia autorização legislativa através da previsão orçamentária. por parte de autoridade ou agente público competente. 65. para a execução de fim a cargo do governo”13. designa o conjunto dos dispêndios do Estado. Uma introdução à Ciência das Finanças. É uma classificação que leva em conta o impacto da despesa na economia. Efetiva utilização dos recursos (já há dotação orçamentária): “aplicação de certa quantia. Aliomar Baleeiro. 12 13 . Aparece. em dinheiro. a despesa pública como forma de controle do legislativo sobre os gastos da Administração. membros de mesas receptoras e apuradoras de eleições e jurados. por parte da autoridade ou agente público competente. ou de outra pessoa de direito público. os indivíduos e seus bens tornaram-se intocáveis pelo Estado a não ser nos limites balizados pela lei. Despesa Pública quanto ao momento:  Parte do orçamento: “conjunto de dispêndios do Estado ou de outra pessoa jurídica de direito público para o funcionamento dos serviços públicos”. 1994. p.

da lei 4320/64. Amortização da divida pública (principal). etc. Despesas sem contraprestação (distribuição feita sem critério pela lei): v. Transferências de Capital (se destinam a investimentos na doadora): Auxílios. OBS: 14 Ver art. programas especiais de trabalho aumento de capital (exceto de sociedades comerciais e financeiras). . aumento de capital em sociedades comerciais e financeiras concessão de empréstimos. 12 e ss. b) Transferências Correntes (classificação utilizada pela doadora): Custeio das Beneficiadas. compra de material de consumo. g. Despesa Pública14 . mas apenas houve uma troca de propriedade): aquisição de imóveis já construídos. Contribuições. pensionistas e juros.subvenções econômicas. Inversões Financeiras (há aumento do Estado.subvenções sociais. Despesas de Capital (tem a finalidade de adquirir bens de capital para a realização de novos serviços): Investimentos (haverá um efetivo acréscimo no produto nacional): imóvel para obra. equipamento/material permanente. aquisição de ações (não há aumento de capital). .Despesas Correntes (manutenção/operação dos serviços): a) Despesas de Custeio (manutenção + conservação de imóveis): salários de funcionários.

Subvenções Econômicas: se destinam a empresas públicas ou privadas com caráter comercial. em seu art. através de delegação. 14 – Constitui unidade orçamentária o agrupamento de serviços subordinados ao mesmo órgão ou repartição a que serão consignadas dotações próprias. 15 Lei 4320/64. industrial.15 Elementos As contas públicas se desmembram na seguinte ordem. com fins lucrativos. atribui-se a um órgão a função de realizar os pagamentos. Exemplos: juros e pensionistas. excepciona o princípio especificidade ao permitir dotações globais. Estes órgãos são chamados de unidades orçamentárias. a) Transferência Corrente: a verba se destina :   a despesas sem contraprestação para a Administração Pública doadora. b) Transferência de Capital: se destinam a investimentos ou inversões financeiras na beneficiada. Parágrafo único: Em casos excepcionais. sendo da previsão mais abrangente em diante: FUNÇÃO → PROGRAMA → SUBPROGRAMA → PROJETO/ATIVIDADE → ELEMENTO → SUBELEMENTO → ÓRGÃO DE DESPESA. Art. serão consignadas dotações a unidades administrativas subordinadas ao mesmo órgão. agrícola e pastoril. a despesa de custeio da entidade beneficiada: .1) Transferências: a Administração retira recursos de um setor e aplica em outro. 2) Em relação aos programas especiais de trabalho a lei 4320/64. . descontados os juros que são enquadrados nas transferências correntes sob a rubrica de “despesa sem contraprestação”. pois permite a discriminação da despesa até o elemento. 15 da lei 4320/64 mitiga o princípio da especificação. 20.Subvenções Sociais: para instituições públicas ou privadas. É o pagamento de empréstimos tomados pelo Estado. Unidade Orçamentária Em nome da descentralização na execução orçamentária. com caráter social ou cultural e sem fins lucrativos. A art. A lei também classifica com inversão financeira a despesa com amortização da dívida pública.

A lei 4320/64 estabelece um “caminho legal” pelo qual a despesa pública deve percorrer.p. O art. São Paulo. o empenho só cria a obrigação para efeito de execução do orçamento.Procedimento da Despesa a) Legal: EMPENHO → LIQUIDAÇÃO → PAGAMENTO b) Efetivo O procedimento legal possui três fases: empenho16.1994. 60 da lei 4320/64 determina que nenhuma despesa será realizada sem prévio empenho. As fontes continuam sendo a lei. do implemento da obrigação de quem irá receber as verbas. portanto. momento final da realização da despesa pública. liquidação e pagamento. A segunda etapa na realização de uma despesa é a sua liquidação. Somente em alguns casos especiais a lei poderá dispensar a nota de empenho. EMPENHO → LIQUIDAÇÃO → PAGAMENTO O empenho é o ato que reserva recursos de uma dotação orçamentária para uma dada despesa. ao pagamento precede a ordem de pagamento que é o despacho da autoridade competente – ordenador da despesa determinando o pagamento. 58 e ss. que consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. Ver art. a liquidação nada cria. Essa é a definição legal que deve ser interpretada com cuidados. Resenha Tributária. Se limita a diminuir de um determinado item orçamentário a quantia necessária ao pagamento do débito. Com efeito. 17 18 19 Kiyoshi Harada Compêndido financeiro. Por fim. que é o documento e não deve ser confundida com o próprio ato que corporifica. contas de água e luz). O empenho é ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente de implemento de condição. A soma dos empenhos deve ser igual à dotação. limitando-se a tornar líquida e certa a obrigação preexistente”17. há o pagamento. exceto nos seguintes casos:  Empenho por Estimativa – ocorre quando não há como precisar o valor da despesa (vg. salvo nas hipóteses de 16 Ver art. Consiste no efetivo cumprimento da prestação e efetua-se nas tesourarias ou nos estabelecimentos bancários autorizados. da Lei 4320/64.  Empenho Global – utilizado para despesas contratuais ou sujeitas a parcelamento. “Da mesma forma que o empenho. É a verificação.17. a declaração unilateral de vontade e o ato ilícito. o contrato. 47 da Lei 4320/64. . 58 e ss da Lei 4320/64. a regra é que o empenho seja realizado no valor da despesa. Ver art. O empenho não é fonte de obrigação. Mas. Na verdade.

XXI da CF/88. Dispositivos Constitucionais Vedação de aumento de despesa – art. Mas na verdade o empenho não cria a obrigação de pagamento pois não é fonte de obrigação. que constituem exceções ao princípio pelo qual o empenho deve expressar o valor exato da despesa. 37. faz-se necessária uma programação pela qual a verba será liberada paulatinamente. Na prática. de acordo com a arrecadação das receitas. A lei diz que o empenho “é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente de implemento de condição”. Art. apenas reserva recursos para determinada despesa. § 3o . 169. 47 da Lei 4320/64. há o pagamento pelo qual o credor recebe o seu crédito e dá a respectiva quitação. 63. porém. O empenho. Precatórios Precatório Requisitório é a comunicação expedida pelo juízo da execução (juiz de 1 instância) aos presidentes de Tribunais a fim de que. DOTAÇÃO LICITAÇÃO PAGAMENTO A programação da despesa20 é um programa para a utilização dos créditos orçamentários. a despesa pública percorre caminho um pouco mais longo e com algumas outras fases. na verificação do implemento de condição. se autorizem e se expeçam as respectivas ordens de pagamento de créditos contra a Fazenda Pública.empenho global18 e por estimativas19. Consiste na verificação do direito adquirido pelo credor. Publicidade da despesa – art. As verbas são liberadas trimestralmente. Como não é de boa técnica liberar no início do ano toda a verba orçamentária. a 18 ORÇAMENTÁRIA → EMPENHO → PROGRAMAÇÃO → LIQUIDAÇÃO → DA DESPESA → → SUPRIMENTO 19 20 Ver art. I e II. A liquidação é o segundo momento legal da despesa pública. sob pena do administrador gastar todos os recursos. por seu intermédio. na realidade. Licitação21 é o procedimento administrativo que visa a escolher a melhor proposta dos licitantes habilitados Por fim. pelo suprimento o Tesouro entrega aos agentes pagadores – pagadorias e tesourarias – as verbas necessárias ao pagamento. com a redação dada pela EC-19. Por fim. 165. É a fase pela qual a Administração verifica o cumprimento da obrigação por parte do contratante. Os limites para despesa com pessoal deverão ser fixados por lei complementar – art. 21 .

Alexandre Freitas Câmara.)23”. pois o art. porém. admite a execução fundada em título extrajudicial. 335. que o procedimento se dê da forma comum. 730 do CPC não os excepciona e também porque os bens públicos são impenhoráveis. O precatório deve vir acompanhado de uma série de documentos. a fim de conferir se os documentos apresentados conferem com os originais. e a sentença que os rejeitar também ficará sujeita ao reexame obrigatório (. mas sim no Regimento Interno dos Tribunais. autarquias e fundações públicas). 100 da CF/88 que se refere a “sentença judiciária”. Segundo esta corrente. a Fazenda Pública é citada para opor embargos. por conseguinte. no entanto. Ademais.. aqueles que tivessem título extrajudicial contra a Fazenda Pública precisariam ajuizar demanda cognitiva prévia para obter o título judicial. Lições de Direito Processual Civil. A execução por quantia certa contra a Fazenda Pública terá no polo passivo apenas pessoas jurídicas de direito público (administração direta. antes da expedição do precatório. que os créditos de natureza alimentícia não se submetam ao regime de precatório. Aliás. A corrente predominante. não há como rever o valor do crédito exeqüendo em sede de precatório. não se admitindo. A Constituição diz que à exceção dos créditos de natureza alimentícia os pagamentos serão feitos na ordem cronológica de apresentação dos precatórios. 297 23 . Mas em se tratando de valores absurdos alguns tribunais tem admitido a revisão da liquidação do crédito. Em regra. portanto. responde-se com a lembrança de que nenhuma constrição patrimonial se faz sobre o patrimônio da Fazenda Pública. p.O nosso sistema jurídico adota um regime especial para a execução por quantia certa contra a Fazenda Pública. impenhoráveis. Lições Preliminares de Direito. p. nem. pois a sentença proferida no processo cognitivo já transitou em julgado. ainda que executada seja a Fazenda Pública22. Eles se enquadram em uma ordem cronológica específica e privilegiada em relação a ordem cronológica dos créditos em geral. Outra questão que vem suscitando dúvidas na doutrina é a possibilidade ou não de demandar-se a execução por quantia certa contra a Fazenda Pública fundada em título executivo extrajudicial. Tal regime é todo construído a partir da premissa de que os bens públicos são inalienáveis e. “ao argumento de que seria estranho admitir a eficácia executiva de títulos extrajudiciais quando para os títulos judiciais exige-se o duplo grau de jurisdição obrigatório. Alguns autores afirmam que só pode haver execução contra a Fazenda Pública fundada em título judicial em face da redação do art. Juiz da execução → PRECATÓRIO → Tribunal → ORDEM DE PAGAMENTO → Administração Pública. O elenco não se encontra na lei. muito menos. O regimento interno do TRF da 2ª região apresenta o rol de documentos que devem acompanhar o precatório no art. Isto não significa. Entre os diversos documentos há a exigência de parecer do Ministério Público. As execuções para entrega de coisa e de obrigação de fazer e não fazer seguem o regime comum. 22 Alexandre Freitas Câmara. nem depois. 296. Tal regime se refere apenas às execuções por quantia certa.. O regime especial não se aplica quando o executado for uma empresa pública ou sociedade de economia mista.

730 do CPC não impede a execução provisória contra a Fazenda Pública. 730 do CPC e não a da lei 6830/80. no entanto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . sendo certo que não deverão constar os números de registro e os nomes dos beneficiários. A despesa referente a precatórios é classificada como corrente. A dotação é global. OBS: a) Quando uma Fazenda Pública executa outra. utilizar-se-á a execução do art. faz a previsão das receitas e autoriza o poder executivo a aplicar esses recursos com o fim de atender a demanda publica. b) O STJ entende que o art. se a quantia já tiver sido levantada. poderá atualizar os valores. A Administração. Os valores constantes no precatório deverão ser atualizados pelo Tribunal até a data da ordem de pagamento. direcionando a sua aplicação conforme as necessidades da sociedade em determinado momento. o credor deverá requerer a expedição de precatório suplementar Caso não seja observada a ordem cronológica o credor preterido poderá pedir o seqüestro da quantia depositada em favor daquele que recebeu em desconformidade com a ordem estabelecida. é através do orçamento que o povo controla a aplicação dos recursos arrecadados na sociedade. órgão representante do povo. Uma parte minoritária da doutrina entende que o sujeito passivo do seqüestro poderá ser a Fazenda Pública ou o servidor faltoso. Assim. c) Os bens das empresas públicas e das sociedades de economia mista não serão penhoráveis quando a lei assim determinar ou estiverem afetados à execução do serviço. Mas se não o fizer. sempre com observância dos princípios constitucionais quando de sua elaboração e controle. No orçamento deverão constar as dotações referentes ao pagamento dos precatórios. ao liberar a verba no exercício seguinte. CONCLUSÃO O orçamento público é um dos instrumentos de afirmação do principio democrático. nos termos da Lei 4320/64. autuado e registrado no Tribunal. em ultima analise.A ordem cronológica é aferida a partir do momento em que o precatório é recebido. Isto não ocorrerá. vez que através dele o poder legislativo.

__________. Curso de Direito Financeiro e Tributário. Curso de Direito Tributário. 2006. MACHADO. 2009. Apostila Resumo Gastos Públicos. TORRES. Uma introdução à Ciência das Finanças. HARADA. Apostilas do Curso de Direito Financeiro. __________. Kiyoshi. Hugo de Brito. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Alexandre Freitas. 19ª Ed. 2010. Compêndido Financeiro: Resenha Tributária. Kiyoshi. HARADA. BALEEIRO. 2009. Ricardo Lobo. 13ª ed. . Código Tributário Nacional – CTN e legislação processual em vigor. SIMPROFAZ. Brasília: Edições Câmara. Constituição da República Federativa do Brasil:1988. 2010. 2010 CASTRO. Vade Mecum . 20ª ed. 1994 CÂMARA. São Paulo: Saraiva. Apostila de Processo Orçamentário Brasileiro. Flávia Falcão. 31ª. Salvador-Ba. 2010. Brasília. Lições de Direito Processual Civil. revisada e atualizada Rio de Janeiro: Malheiros. GORDILHO. 1994. 7ª ed. Direito Financeiro e Tributário. São Paulo. 2010. São Paulo: Malheiros. 1999. Aliomar. São Paulo: Atlas. Lei 4320/64. 2001. __________. 7ª ed. Róbison Gonçalves de. Vade Mecum. 32ª ed. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Forense. Itabuna-Ba.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful