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UNIVERSIDADE TIRADENTES

IRIS CARLA DOS SANTOS


JOÃO LUIZ SILVA GONZAGA ROCHA
VALESKA DOS SANTOS ALVES

NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS: CARTOGRAFIA DO


MOVIMENTO LGBTT NO MUNICÍPIO DE ARACAJU/SE

ARACAJU
2009/01
2

IRIS CARLA DOS SANTOS


JOÃO LUIZ SILVA GONZAGA ROCHA
VALESKA DOS SANTOS ALVES

NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS: CARTOGRAFIA DO


MOVIMENTO LGBTT NO MUNICÍPIO DE ARACAJU/SE

Monografia apresentada a Universidade


Tiradentes - UNIT como um dos pré-requisitos
para a obtenção do grau de bacharel em
Serviço Social.

ORIENTEDORA: Profª. Jesana Batista Pereira

ARACAJU
2009/01
3

IRIS CARLA DOS SANTOS


JOÃO LUIZ SILVA GONZAGA ROCHA
VALESKA DOS SANTOS ALVES

NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS: CARTOGRAFIA DO


MOVIMENTO LGBTT NO MUNICÍPIO DE ARACAJU/SE

Monografia apresentada a Universidade


Tiradentes - UNIT como um dos pré-requisitos
para a obtenção do grau de bacharel em
Serviço Social.

ORIENTEDORA: Profª. Jesana Batista Pereira

Aprovada em _____/_____/_____.
Banca examinadora

_____________________________________________________
Profª. Drª. Jesana Batista Pereira
(Orientadora)

_____________________________________________________
Profª. MSc. Kátia Maria Araújo Souza
Universidade Tiradentes

_____________________________________________________
Bárbara Barros de Olim (Historiadora)
(Co-orientadora)
4

A Deus, por iluminar cada passo

desta conquista e aos nossos pais,

familiares e amigos.
5

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu Deus que mesmo antes de pensar ele já coordena todo o meu

existir. Obrigada Senhor! Pelo dom da vida, pelos meus familiares, amigos, e também, pelos

que ainda não conseguiram ver em mim, uma amiga. É com o coração sereno e cheio da

alegria por saber que o dever foi cumprido, repleto de gratidão por toda força e incentivo que

me foram presenteados que agradeço imensamente.

De forma especial a minha mãe exemplo de mulher, meu pai, meu irmão, aos

meus queridos primos e a toda minha “Grande Família”, por ter acreditado em mim e pelos

incentivos imprescindíveis na jornada que apenas começou. Além de agradecer, dedico a

vocês essa vitoria. Amo vocês!

A todos os professores por todo o conhecimento compartilhado. Por terem

contribuído para a pessoa e profissional que sou hoje, pois sem vocês não teria a compreensão

de sociedade e do compromisso ético que devemos ter enquanto Assistente Social. Valeu!

À equipe do CREAS Despertar e Lumiar por ter contribuído de forma fantástica

em minha formação profissional.

Aos meus amigos e colegas da Faculdade por compartilharem inúmeros

conhecimentos durante o nosso período acadêmico; pelo companheirismo sempre, por toda

compreensão e por muitos momentos de descontração, emoções e, acima de tudo, a mais

verdadeira amizade, a qual levarei por toda a minha vida. Amo vocês!

A mim mesma por ter superado todas as barreiras e conseguido chegar a esse

momento de felicidade e a todos aqueles que contribuíram direta e indiretamente para este

trabalho. Obrigada!

IRIS CARLA DOS SANTOS


6

No decorrer da trajetória universitária, muitos foram os que contribuíram direta e


indiretamente para a minha formação, não só profissional como também moral. Acima de
tudo, primeiramente agradeço a Deus por sempre ter guiado meus passos, dar-me
perseverança para seguir em frente, por colocar pessoas competentes, boas e até mesmo
obstáculos em meus caminhos que serviram de aprendizado.

De nada serviria chegar ao ensino superior se não fosse a educação que meus pais
me forneceram desde quando pequeno. O esforço de meu querido pai João Gonzaga Rocha (in
memorian) e da minha amada mãe, Maria Das Dores da Silva Rocha, que ambos a tudo devo
e tudo hoje sou.

Obrigado aos familiares que estiveram presentes nessa etapa, padrinhos, meu tio
José Gonzaga Rocha, minha tia Vilma, primos e primas.

Agradeço a todos os professores por quais passei em minha vida, desde os do


Povoado Poço dos Bois a os de Cedro de São João, sem os quais eu hoje não teria o domínio
sobre as noções necessárias a um aluno acadêmico, muito menos o conhecimento passado por
eles. Entre todos os professores da Universidade Tiradentes, agradeço principalmente ao
aprendizado que obtive com a professora Kátia Maria Araujo. Durante dois anos, em quatro
diferentes disciplinas ela forneceu de forma admirável o conhecimento crítico, reflexivo e
analítico da realidade social nos seus diferentes âmbitos. Também a Jesana Batista, professora
orientadora sendo que me forneceu todo referencial para concluir meu Trabalho de Conclusão
de Curso – TCC, estando presente em todos os momentos. Agradeço as duas supervisoras de
estágio, a de ensino, Cândida Maria de Brito Mendes e a de prática, Maria Estefânia Matos
Morais, por efetivarem esse processo tão importante para minha formação profissional.

Fico grato a todos da equipe do João Bezerra por me receber de braços abertos.

Agradeço as duas companheiras de TCC, Irís e Valeska, por participarem da


mesma realidade que eu, pela qual buscamos objetivar passos de um mesmo ideal.

Valeu meus queridos colegas de classe, da época de trabalho e amigos, Aryane,


David, Diego, Lucileide, Fabrício, Grayce, Cassiano, Juninho, Jailton, Paula, Porto, Lourdes,
Lourdes Regina, Thaís Henrique, Laís Bittencourt, Marquês, Suelen, Smile, por me ajudarem,
sendo a companhia e o apoio fraternal que precisei.
7

Não poderia faltar o agradecimento àqueles que estiveram distante de mim, mas
que mesmo assim, deram força e incentivo pela luta de meus sonhos.

A todos que acreditaram, oportunizaram direta e indiretamente para minha


conquista, um muito obrigado!

JOÃO LUIZ SILVA GONZAGA ROCHA


8

Inicialmente agradeço a Deus por estar sempre ao meu lado, sendo a minha
fortaleza, o meu refúgio nos momentos mais difíceis e decisórios da minha caminhada.

Aos meus pais, Rivaldo e Eunice, que contribuíram para a formação da minha
personalidade e tiveram confiança na minha capacidade, sempre com muito amor e carinho,
fazendo com que eu realizasse meus sonhos. Quero ser sempre motivo de orgulho para vocês.
Agradeço por me ensinar que ter confiança é o primeiro grande passo para a conquista de um
desafio. Obrigada por me fazer acreditar na superação dos meus próprios limites, que tantas
vezes pareceram insuperáveis. Sem vocês eu não seria o que sou hoje. Amo muito vocês!
Aos meus tios, em especial a minha madrinha Lia, Tio Isaias, Tia Gil, Tio
Carlinhos, Tia Lau e Tia Silvia, por estarem ao meu lado comemorando mais uma vitória na
minha vida.

Aos meus primos em especial Euclides, Érica, Walber, Wolney, Verner, Isaias
Júnior, Jéssica e Jennifer (apesar da distância, mas esteve presente por meio de MSN e
Orkut), Jefferson por estarem ao meu lado nos momentos em que precisei de apoio, obrigada
pela presença de vocês na minha caminhada.

Aos meus pequenos Ruth, Gabriel, Alef, Thalia, Jonathan, Genisson (afilhado),
Noemi, Dudu e Lukinhas por estarem no meu dia a dia trazendo-me alegria e descontração.
Amo Vocês.

Ao meu namorado Rafael por me compreender e por se fazer presente na minha


caminhada.

A minha companheira de trabalho Iris (Siri) por toda a ajuda. Valeu, amiga, pela
força, pelos momentos de diversão que não foram poucos e pela cumplicidade, saiba que a sua
amizade vale muito para mim. Obrigada mesmo!

Ao meu companheiro João pelos momentos de descontração no decorrer do


trabalho (e olhe que não foram poucos, não é, João?). Valeu pelo seu lado intelectual. Durante
um ano aprendi muito com você. Que os nossos sonhos sempre se realizem. Como você
sempre dizia: “Relaxem, meninas vai dar tudo certo”. Realmente, a trancos e barrancos
conseguimos e hoje estamos realizando um dos nossos maiores sonhos. Valeu, João!
9

Aos amigos que fiz durante a minha longa jornada de faculdade. Muito obrigada
pelo companheirismo e pelos conhecimentos que aderimos juntos, mais uma vitória
conquistada. Sentirei saudades de vocês. Valeu, Galera!

Enfim, meu muito obrigada a todos aqueles que me ajudaram direta e


indiretamente nesse momento importante na minha vida. Muito obrigada mesmo!

VALESKA DOS SANTOS ALVES


10

Se você tem um sonho, lute por ele. Em


cada etapa que fizer aplique pequenas
doses de amor. E assim, dia a dia,
proceda como um dedicado artesão. Ao
final de um tempo, sem que perceba, terá
por galardão uma obra esplendorosa,
aquela que sempre sonhou realizar!

Inácio Dantas
11

RESUMO

Este estudo tem por finalidade a busca pelas instituições governamentais e não-

governamentais no município de Aracaju/SE, que dão suporte ao Movimento Lésbicas, Gays,

Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBTT, bem como caracterizar as atribuições

fornecidas por cada segmento institucional. A presente pesquisa resulta de um trabalho de

campo que visa coletar dados necessários para saber da atual cartografia do movimento

LGBTT do município de Aracaju, através da utilização de questionário aplicado aos

presidentes e/ou fundadores dos órgãos atuantes junto à demanda absorvida. Objetiva também

mostrar a necessidade de refletir sobre os direitos garantidos pelas instituições aos seus

usuários, visando identificar sob quais e como ocorrem as formas de interações do público

visado. Contudo, apresenta-se um breve histórico de como veio surgir o movimento

homossexual no mundo, evidenciando os avanços e movimentos pela qual a categoria

começou a se expandir. A relevância deste trabalho está pautada em aspectos de caráter

político, social e cultural, exercidos pelas organizações que têm um trabalho voltado somente

para o movimento homossexual. A pesquisa mostra as contribuições desempenhadas através

de ações, projetos, temáticas e formas de inserção de um grupo que vem sendo cada vez mais

evidenciado na sociedade brasileira e aracajuana.

PALAVRAS-CHAVES: Instituições; Movimento LGBTT; Cartografia.


12

ABSTRACT

This study is to search for government institutions and non-governmental organizations in the

city of Aracaju/SE that support the Movement for Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender

Travestis - LGBTT and characterize the functions provided by each institutional segment.

This research stems from a work camp that aims to collect data necessary to know the current

mapping of the movement LGBTT the city of Aracaju, using a questionnaire applied to the

presidents and / or founders of organs working together to demand absorbed. Both are needed

to reflect the rights guaranteed by the institutions to their users, to identify and place under

which the forms of interactions of target audience. However it presents a brief history of how

the homosexual movement was emerging in the world, highlighting the progress and

movements by which the category began to expand. The relevance of this work is based on

aspects of a political, social and cultural organizations that have held a job back only to the

homosexual movement, showing the contributions done through actions, projects, issues and

ways of inserting a group that each increasingly evident in Brazilian society and Aracajuana.

KEYWORDS: Government Institutions and Non Governmental; Movement LGBTT;

Cartography.
13

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................14

2 MOVIMENTOS SOCIAIS E MOVIMENTOS SOCIAIS HOMOSSEXUAIS...........18

2.1 O que são Movimentos Sociais ...............................................................................18

2.2 Movimentos Sociais Homossexuais.........................................................................23

3 O MOVIMENTO LGBTT ................................................................................................27

3.1 Histórico ..................................................................................................................27

4 NOVOS MOVIMENTOS HOMOSSEXUAIS: A CARTOGRAFIA DO


MOVIMENTO LGBTT NO MUNICÍPIO DE ARACAJU...........................................38

4.1 As instituições em Aracaju ......................................................................................38

4.2 O Trabalho de Campo ..............................................................................................39

4.3 A Cartografia ...........................................................................................................42

4.4 O papel das Instituições para o Movimento.............................................................50

5 CONCLUSÃO ....................................................................................................................51

REFERÊNCIAS ................................................................................................................53

APÊNDICE(S) E/OU ANEXO(S) ....................................................................................55


14

1 INTRODUÇÃO

Por reconhecermos a importância do tema e sua parca divulgação em nosso meio

acadêmico, decidimos nos debruçar sobre ele a fim de elaborarmos uma cartografia das

instituições que participam ativamente da luta pelos direitos do Movimento Lésbicas, Gays,

Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBTT, identificando a classe e caracterizando-a como

tal.

Ao reivindicar a busca por seus direitos em sociedade, a categoria LGBTT

enquanto questão social se torna uma das demandas impostas ao Serviço Social, cabendo a

categoria profissional orientar sob quais formas garantir a viabilização desses direitos,

mediando assim conflitos e promovendo a equidade social1. Por isso, diante das diversidades

e visibilidades dos novos movimentos sociais do cotidiano, percebemos a abrangência de um

movimento de massa popular2 que a partir da década de 1980 vem se destacando na

sociedade. Esta classe ganha presença e fortalecimento após a reformulação da Constituição

Federal de 1988, garantindo alguns direitos às categorias LGBTT que forma um grupo

minoritário.

O intuito de abordar o tema se deve por objetivar uma aproximação mais clara do

1 Igualdade; Disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um da sociedade. (HOUAISS,


Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio
Houaiss/Objetiva, 2007).

2
Conjunto não delimitado de indivíduos considerados fora das estruturas sociais tradicionais e que
constituem o objetivo sociocultural de certas atividades, como a publicidade, a cultura de massa, os
ócios. (HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de
Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
15

conhecimento relativo a pouca demanda de estudo nesta área no Estado de Sergipe. A

pesquisa apresenta em análises estruturais e históricas como o movimento veio a surgir, tendo

a intenção clara de mapear as referidas instituições aracajuanas vinculadas a esse âmbito.

Desta maneira, contribui para evidenciá-las em seus papéis a toda sociedade civil, para que

assim possamos ter acesso e esclarecimento das suas funções enquanto representação social.

Como maneira de abordar a temática escolhida, dentro das suas especificidades,

aderimos às seguintes questões norteadoras: Quais as definições dessa categoria? Qual a

finalidade do Movimento LGBTT na sua conjuntura atual? Como as instituições

governamentais e não-governamentais desempenham seu papel diante do público alvo

abordado? Quais os movimentos e entidades existem na cidade de Aracaju?

Por tais questões é necessário discutir as características políticas, sociais,

econômicas e culturais do Movimento LGBTT de Aracaju. Por ser um movimento pouco

trabalhado, buscou-se focar suas especificidades, fazendo dessa forma o mapeamento das

instituições que o apóiam em nível local, conhecendo os direitos sociais e pessoais dessas

categorias.

A investigação que fundamenta a presente pesquisa baseia-se na abordagem

qualitativa. Esta nos permite verificar e descrever a realidade enfocada nas diferentes

conjunturas econômicas, políticas, sociais e culturais, analisando o sujeito e estudando sua

realidade de maneira aprofundada. Também, no caráter bibliográfico e de campo, foram

realizados questionários sobre a origem, o histórico de cada instituição, como acontece

parcerias, quais os órgãos responsáveis pelos repasses, qual o público alvo e como ele é

trabalhado, os seus objetivos, como a organização vê seu público alvo, se existem dados

percentuais de público atendido, de que forma é atendido o público LGBTT, se há eventos

voltados para esse público (quais e como ocorrem), qual a maior característica do movimento,
16

dos membros da composição LGBTT, o qual mais se evidencia e por que, e se a organização

tinha dados de outras instituições que veio atuar como demanda, mas que foram desativadas.

O método de abordagem foi o exploratório, pois a pesquisa tende à realização de

um estudo mais aprofundado, o qual irá possibilitar uma explicação de todos os contextos. O

instrumento de coleta de dados se deu pela pesquisa de campo, observação sistemática,

entrevistas semi-estruturadas com os presidentes e fundadores de instituições governamentais

e não-governamentais situadas no município de Aracaju. Foram entrevistas individuais, com

questões abertas, respondidas simultaneamente pelos entrevistados, que ocorreram a partir de

visitas aos órgãos correspondentes. Dessa maneira a análise foi realizada a partir dos dados

coletados, com a consequente leitura desse produto, o que facilitou na compreensão e

interpretação dos resultados obtidos.

O resultado das pesquisas é uma resposta de um trabalho focado nas populações

sofridas por preconceito de gênero que tem apoio nas suas necessidades de direitos, mas que

não conhecem ou não sabem onde procurar para garanti-los. Espera-se, com isso, contribuir

para provocar uma reflexão, junto aos diversos atores do cenário sergipano.

Para melhor compreensão, o trabalho foi estruturado da seguinte forma: o

primeiro capítulo com a introdução, abordando a importância da temática, juntamente com os

objetivos, as questões norteadoras e a metodologia utilizada. O segundo capítulo faz um

pequeno apanhado sobre o surgimento dos Movimentos Sociais, as teorias acerca dos novos

movimentos sociais e origem do movimento LGBTT. O terceiro capítulo irá enfatizar a

discussão entre os dados obtidos em relação ao roteiro de entrevista e as suas ligações com a

fundamentação teórica. Já no quarto capítulo iremos desenvolver, de modo objetivo, a

cartografia do movimento LGBTT no município de Aracaju, tentando evidenciar os tipos de

políticas e atividades desenvolvidas por cada instituição pesquisada. Por fim, no último
17

capítulo concluiremos na tentativa de tornar visível as especificidades e características

comuns do Movimento LGBTT em Aracaju.


18

2 MOVIMENTOS SOCIAIS E MOVIMENTOS SOCIAIS


HOMOSSEXUAIS

2.1 O que são Movimentos Sociais

Conceituar precisamente movimentos sociais já de início nos revela a

complexidade deste campo, pois em cada momento histórico as teorizações percebem

diferenciadamente esses fenômenos e, via de regra, essas concepções jogam luz e obscurece

determinados aspectos da realidade social, apontando o que se entende como o campo

político, a cidadania etc. (Goss e Prudência, 2004).

O conceito de movimentos sociais toma força nos anos 1970, com o esgotamento

da noção de classe social e da insuficiência do marxismo tradicional em descrever o universo

das lutas sociais por justiça (Goss e Prudência, 2004). Este ponto de origem legou às teorias

sobre movimentos sociais a tendência de dividir os diferentes tipos de movimentos sociais em

duas categorias: Os “movimentos sociais tradicionais” e os assim chamados “novos

movimentos sociais”. Nesta clivagem, os “movimentos sociais tradicionais” seriam vistos

como a expressão coletiva de minorias em sociedades estratificadas e industrializadas, e seu

objetivo seria transcender as classes sociais buscando conquistas no plano econômico-

estrutural.

Em contrapartida, os “novos movimentos sociais” seriam aqueles que se

organizaram principalmente após a Segunda Guerra Mundial e que estariam associados a

demandas por reconhecimento ou contra opressões simbólicas. Os novos movimentos sociais


19

trouxeram em seus discursos a valorização de princípios como livre organização, autogestão,

democracia de base, direito à diversidade e respeito à individualidade, respeito à identidade

local e regional, e noção de liberdade individual associada à de liberdade coletiva (Scherer-

Warren, 1987).

Os Novos Movimentos Sociais tendem a perceber que as suas reivindicações

podem associar-se às demandas de outros movimentos, ainda que estes tenham surgido em

localidades muito distantes. Assim, na medida em que um movimento social interage com

outras organizações coletivas, nasce uma nova solidariedade, expressa nas “redes de

movimentos”. Essas redes oportunizam transformações mais abrangentes, que transcendem os

limites locais, pois através da comunicação entre grupos organizados disseminam-se os temas

e as estratégias de luta que envolve a superação de problemas pertinentes às questões da

cidadania. Desta forma, as ações coletivas tornam-se aptas para influir na elaboração de

políticas gerais de melhoria do contexto societário. (www.geocities.com/Athens

/Sparta/4021/micropolitica.html)

Os movimentos sociais são atores importantes desse processo e, embora os

movimentos e ações coletivas não totalizem a participação política em torno destas questões,

evidenciam e processam os pontos mais visíveis de embate público e de interpelação

institucional junto à sociedade civil, sobretudo junto ao que Tejerina (2005) chamou de

máquina modernizadora: o Estado Nação.

Os movimentos sociais desafiaram a noção de classes apontando que a política

não pode ser reduzida aos seus aspectos estruturais, o que nos leva a perceber os atores

políticos como agentes dinâmicos que operam na inter-relação entre estruturas e significados

sociais, ou entre economia e cultura (Machado e Prado, 2005; Scherer-Warren, 1993).


20

Em contexto globalizado, a análise sobre os movimentos sociais, na visão de

Maria Cristina Bunn (2000, p.105) sobre a análise da teoria (Scherer-Warren, 1997)

compreendem a complexidade das ações coletivas, sendo que sínteses de estudos especificam

as análises de redes3. As transformações entre micro e macro análises das estruturas sociais

cedem lugar ao processo de como estão estabelecidas as relações sociais em seus níveis

locais, transluzais e os mais globais. Nessa perspectiva, o que vem nutrir a visão de mundo e

da conhecida sociedade industrial num viés de modernização, irá diretamente confrontar-se

com a busca de modelos que não impulsionam as decisões das vontades humanas

possibilitando escolhas diversas e por conta própria.

Diante disso, diz a autora Maria Cristina Bunn (2000, p.106) que as pesquisas

sobre os movimentos sociais até a década de 1970 seguiam exclusivamente vertentes ligadas

sobre dois referenciais teóricos: marxista e funcionalista. No primeiro referencial, os sujeitos

centrais dos movimentos de origem emancipadora são determinados estruturalmente, ou seja,

procuram uma dinâmica entre estrutura e sujeito com as possibilidades de ruptura. Quanto à

corrente funcionalista, tende a procurar o oposto, o reequilíbrio, onde os agentes das ações

coletivas se mobilizam em torno de rupturas, só que de forma mais temporária. Em ambos os

casos, Scherer-Warren vem dizer que ambas as estruturas sociais são coerentes, apesar de

sujeitas, as formas contraditórias ou desvios. Foi o que ocorreu em meados dos anos 60,

críticas e revisões foram feitas a essas mobilizações coletivas que vieram a ser chamadas

também de „„movimentos culturais‟‟. A partir dessas críticas que houve emergências de novas

teorias acerca dos Movimentos Sociais - MS.


3
São interações sociais que tendem à horizontalidade, práticas políticas pouco formalizadas ou
institucionalizadas, entre organizações da sociedade civil, grupos identitários e cidadãos mobilizados,
engajados em torno de conflitos ou de solidariedades, de projetos políticos ou culturais comuns,
construídos sobre a base da identidade e valores coletivos. (HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico
Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
21

Essa diversidade de tendências dos MS são entendidas nas abordagens teóricas

conhecidas por Teoria dos Novos Movimentos Sociais (TNMS), referindo-se a produção

teórica européia e a Teoria da Mobilização dos Recursos (TMR), quanto a produção teórica

americana, a diferença das limitações desses movimentos segundo os pesquisadores derivam

do fato de abranger aspectos culturais (TNMS) e os aspectos institucionais (TMR).

De acordo com Maria Cristina Bunn existem limitações entre os movimentos

sociais, essa percepção é tida através das análises de redes que são contributivas para estudar

as ações coletivas dos próprios movimentos diante de suas vertentes e suas áreas geográficas.

Nesse sentido as redes de movimentos são caracterizadas como interações sociais que tendem

a horizontais práticas políticas pouco formalizadas ou institucionalizadas, entre órgãos da

sociedade civil, grupos identitários e cidadãos mobilizados, engajados em torno de conflitos

ou solidariedades de projetos políticos ou culturais comuns, construídos sobre a base de

identidades e valores coletivos.

Melucci, 1996, que diz ser através das redes que os indivíduos interagem,
influenciam-se mutuamente e se engajam em negociações, ao mesmo tempo em que
produzem os esquemas cognitivos e motivacionais necessários para a ação coletiva.
(Revista Antropológicas, 2000, p.107)

A autora Maria Cristina Bunn ressalta que a sociedade contemporânea por seus

avanços no campo da informação digital, acaba por criar um novo tipo de redes além da

materialidade, a chamada realidade virtual, definida por redes de comunicações interpessoais.

Os atores dessas redes são identificados, por idéias e causas comuns, onde potencializam seus

mesmos objetivos por meio de comunidades virtuais.

A espacialidade entre seus movimentos é notada pela forma em que as redes

sociais como redes técnicas, estão mais aperfeiçoadas, globais e locais, mantendo então
22

conexões a nível mundial. Gerando informações (Internet, fax, TV a cabo comunitária, rádios

piratas etc.), cujos atores coletivos e movimentos sociais ocasionam redes que percorrem seus

territórios de influência de uma ação comunitária de tempo real.

Uma outra visão histórica da construção dos movimentos sociais segundo

Scherer-Warren (1997, p. 109), se dá em torno da temporalidade, por proporcionar históricos

de feitos, manifestados pelo passado, presente e futuro, ambos movidos pelos interesses e

ações coletivas.

Mesmo havendo culturalmente em todos os tempos a resistência compulsória pelo

heterossexualismo4, a defesa por direitos e liberdade de expressão sexual de lésbicas e gays,

diante dos movimentos sociais, ocorreram somente nas três últimas décadas, iniciada nos

Estados Unidos em 1969-70, explodindo daí para a Europa e por quase o mundo inteiro.

Principalmente na América Latina, os movimentos sociais nos levaram a perceber

que a dicotomia entre política e cultura é um reducionismo5 teórico. Os espaços de produção e

significado, embora possuam ritmos diferentes, são inseparáveis e interdependentes, o que nos

leva a uma nova concepção de cultura, concebida como um conjunto indissociável de práticas

sociais e de representações simbólicas. Os movimentos sociais na América Latina apontaram

para “modernidades alternativas” por meio de “políticas culturais” (Alvares, Dagnino e

Escobar, 1998) ou novas “culturas políticas” (Kuschnir e Carneiro, 2000). Que nos fizeram

perceber que se ficarmos presos às dimensões institucionais da política, não seremos capazes

4
Prática Heterossexual.(HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão
2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).

5
Redução sistemática de um domínio do conhecimento a um outro mais particular, tido como mais
fundamental.( HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio
de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
23

de perceber a dinâmica dos antagonismos sociais e mesmo os embates que impulsionaram a

transformação social, além de não conseguirmos interferir no redimensionamento da própria

política institucional.

Após a abertura política na América Latina os movimentos sociais surgiram,

desenvolveram culturas políticas pluralistas que transcendem a política institucional e as

concepções de cidadania e democracia formais garantidas por meio das instituições sociais.

Para estes novos atores sociais o político é mais que um conjunto de procedimentos, vai além

dos espaços privados, sociais, econômicos e culturais, e a cidadania é algo dinâmico, em

constante movimento entre sujeitos, atores e instituições sociais (Alvares, Dagnino e Escobar,

1998).

2.2 Movimentos Sociais Homossexuais

Em sociedade, o patriarcalismo6 é uma das estruturas sobre as quais se assenta

todas as demais sociedades contemporâneas. Caracterizado pela autoridade imposta

institucionalmente e culturalmente, do homem sobre a mulher e filhos no âmbito familiar.

Para os fins que essa autoridade seja legitimada, o patriarcalismo necessita permear toda a

organização da sociedade, desde os meios de produção e consumo, da política, à legislação e à

cultura. Os derivados de seu processo, como os relacionamentos interpessoais,

consequentemente, as personalidades também são marcadas pela dominação e violência que

6
Comportamento, procedimento ou modo de vida próprios de patriarca.( HOUAISS, Antonio.
Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio
Houaiss/Objetiva, 2007).
24

tem sua origem na cultura e instituições pautadas nesse sistema. Cultura essa, contextualizada

historicamente tanto do ponto de vista analítico quanto político, que foi encorajada na

estrutura familiar e na reprodução sócio-biológica da espécie. Não fosse a família patriarcal, o

patriarcalismo ficaria exposto meramente como denominação pura e acabaria esmagado pela

revolta da “outra metade do processo‟‟, historicamente mantido em submissão.

Como base fundamental do patriarcalismo, a família vem sendo contestada no fim

do milênio pelos processos inseparáveis, de transformação do trabalho feminino e da

conscientização da mulher. O que vem a ocasionar isso são forças propulsoras desse processo,

como o crescimento econômico informal global, mudanças tecnológicas no processo de

reprodução da espécie e o impulso poderoso promovido pelas lutas do movimento feminista a

partir do final da década de 60.

A crise da família patriarcal é percebida na dissolução dos lares, por meio do

divórcio ou separação dos casais, constituindo o primeiro indicador de insatisfação do modelo

familiar que se baseia no comportamento duradouro de seus membros, sendo que cada vez

mais constante a formação de lares de solteiras ou lares com apenas um dos pares, cessando

assim a autoridade patriarcal sobre a família, mesmo que as estruturas de dominação

reproduzam mentalmente no novo lar. A inserção da mulher no mercado de trabalho

remunerado aumentou o seu poder de barganha frente a frente com o homem, abalando a

legitimidade e estrutura da dominação deste em sua condenação de provedor único da família.

Na concepção patriarcalista, a questão de gênero deve ser exercida e exige

condutas heterossexuais compulsórias, já que historicamente as civilizações foram construídas

em cima de tabus e repressões sexuais. Com isso a regulamentação desse desejo fica

subordinada as instituições sociais que canalizam e reprimem esse sentimento sob forma de

dominação. Coerente a essa forma de domínio, as artérias do Estado fazem parte da


25

integração da libido7 pela maternidade, paternidade e família, tendo como ponto fraco a

premissa heterossexual8, que quando questionada perde as estruturas de padrões almejados,

por querer manter o sexo controlado e a reprodução da espécie.

De modo geral a homossexualidade9 no tempo e espaço tinha suas expressões

sexuais sob vistas grossas em contextos específicos (por exemplo, nas ordens religiosas da

Igreja Católica). Ocasionando que os privilégios de gênero, classe e raça, sempre foram

reprimidos e seletivados pela sociedade, enquanto a norma estabelecida pelo patriarcalismo

ainda vem sendo a vida construída e organizada em volta da heterossexualidade 10, fazendo

com que ocasionalmente os desejos por pessoas do mesmo sexo fossem expressados, porém

desde que ocorridos apenas nos becos escuros do seio social.

No Brasil, os estudos sobre movimentos sociais demoraram a perceber na

homossexualidade um espaço de antagonismo social11 e produção de identidades coletivas e

políticas. Os estudos sobre estes agrupamentos desde o início estiveram ocupados em enfocar

questões mais político- identitárias do que político-institucionais. Isto manteve a luta contra o

preconceito e a discriminação sem um inimigo claro, relegando ao plano privado e à cultura

toda a hierarquização em virtude das posições sexuais, além de associar esta luta a outras, tais

7
Procura instintiva do prazer sexual; desejo.( HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da
Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
8
Relativo ao tipo de afinidade, atração e/ou prática sexual entre indivíduos de sexo oposto. (HOUAISS,
Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio
Houaiss/Objetiva, 2007).
9
Designa experiências onde sequer a atração pelo mesmo sexo é suficiente, enquanto predicado definitório
comum a todas elas. (COSTA, 1992, p. 44).
10
Condição ou caráter de heterossexual. (HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua
Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
11
Relações sociais capazes de reconhecer como opressivas, relações de subordinação postas pela hierarquização
de determinada sociedade. Demanda a desnaturalização e a historicização das formações simbólicas e estruturais,
e constitui um dos elementos importantes para a politização de demandas coletivas. (PRADO e MACHADO,
2008, p. 140).
26

como a luta contra a ditadura e a desigualdade social (Marsiaj, 2003), dissolvendo nelas seu

teor político. Talvez por essa razão a maior parte dos estudos sobre movimentos organizados e

a politização12 da homossexualidade surja da antropologia, tal como os estudos de Fry (1982),

MacRae (1990) e muitos outros. No difuso contexto brasileiro, os movimentos negro,

homossexual e feminista tiveram que construir seus adversários em função da invisibilidade e

da fragmentação do preconceito em nossa cultura.

Este panorama já não coincide mais com o diagnóstico atual. Estudos sobre os

movimentos sociais LGBTTs têm crescido muito no Brasil, em diversos campos de

conhecimento, evidenciando a crescente importância política destes atores para a sociedade.

Hoje temos movimentos LGBTs em muitos países, associações regionais e internacionais em

constante comunicação, e que formam um grupo, apesar de demasiadamente heterogêneo,

articulado e influente na agenda política global.

12
Processo de tornar (alguém ou grupo) capaz de reconhecer a importância do pensamento ou da ação política.
.( HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro,
Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
27

3 O MOVIMENTO LGBTT

3.1 Histórico

O termo “homossexualidade” apareceu pela primeira vez em 1880, anteriormente

conhecido pelo termo “inversão”. A palavra invertido foi usada em 1882 para estigmatizar

homens afeminados e mulheres masculinizadas e ainda, para definir um traço doentio na

homossexualidade, e a degeneração de tais pessoas que à época, já buscavam o

reconhecimento de suas parcerias. (MESQUITA, p.25)

Quando se fala de homo e heterossexualidade, significa enfatizar as diferentes

orientações sexuais existentes desde o início da humanidade, pelas quais conviveram juntas

até os dias atuais. Sobre essas formas distintas, estudos antropológicos revelam que na

maioria das sociedades primitivas, ser considerado homossexual era um privilégio, significava

exercer papel de destaque em várias tarefas, sendo respeitados também como conselheiros e

curandeiros por sua sabedoria.

Quando o cristianismo veio a se tornar religião dominante, desenvolvendo e

expandindo-se diante de todo seio social, ficou evidente a discriminação para com os

homossexuais, onde toda e qualquer prática relacionada a eles, acabou permanecendo como

condenada e como exemplo de desobediência, formas exemplares de punição. Pelo fato de

não reproduzirem diante de suas relações sexuais e assim não gerarem descendentes para o

modelo de sociedade familiar, o que era considerado algo imoral e antinatural.

Manuel Castells (2002) relata que alguns fatores contribuíram para o


28

desenvolvimento extraordinário do movimento gay e lesbiano tanto nos Estados Unidos

quanto no mundo, entre eles o fator estrutural. O surgimento de uma economia informacional

que atingiu as grandes áreas metropolitanas, gerando uma diversificação no mercado de

trabalho e inovando as redes de negócios flexíveis, oportunizando novas formas empregatícias

para todos os níveis e habilidades, independentemente das organizações cujo comportamento

individualista poderia ser controlado de forma mais fácil. Outro fator foi a proliferação, com

popularidade, da liberação sexual como tema contundente dos movimentos da década de

1960, afirmando que através do movimento estudantil radical formado por moças e rapazes, o

objetivo da liberação sexual e auto-expressão que tinham um grito de guerra impulsionados

por gerações se concretizou. Dentre os fatores controversos que impulsionaram o movimento

homossexual ao ver deste autor foi a retração física e psicológica entre os homens e mulheres

que o desafio feminista provocou ao patriarcalismo.

Efetivando a aparição e marco histórico para o movimento de defesa dos direitos

das pessoas LGBTT, em 28 de junho 1969 na cidade de Nova York, a revolta conhecida como

de Stonewall significou a abertura do movimento homossexual. Época marcada por

revoluções diversas, ano de rebeldia estudantil, transformações nos costumes e

comportamentos das sociedades dos países capitalistas. Assim para dar um basta as freqüentes

humilhações e perseguições ocorridas no bar de Stonewall em Greenwich Village (Nova

York), homossexuais liderados por travestis tomaram uma atitude única em suas vidas,

cansaram das batidas policiais que ali vinham acontecendo, pegando as autoridades,

trancando-as dentro do recinto e colocando fogo. As armas utilizadas no confronto eram

pedras, garrafas de cerveja, latas, levando vários dias este confronto.

A partir dessa mobilização, na década posterior vieram à tona centenas de

organizações de gays e lésbicas cujo objetivo era frisar a garantia dos direitos pelos quais
29

sempre foram negados. O movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais -

LGBTT surgiu a partir do dia do Orgulho Gay lembrado em todo mundo depois de um

confronto entre homossexuais.

Dessa forma, fez-se uma pesquisa desde as civilizações Greco-romanas até a

idade contemporânea, e constatou-se que os homossexuais sofreram discriminações e

preconceitos, chegando muitas vezes a ser assassinados ou condenados a pena de morte.

Apesar de todos os obstáculos que encontraram em toda evolução histórica, os homossexuais

tiveram seus direitos percebidos a partir de 1980, travando batalhas para verem seus direitos

reconhecidos, através dessa propagação a nível nacional é que se formaram redes do

movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - LGBTT em todos os

Estados brasileiros, por meio de paradas do Orgulho Gay, sendo que a nível local a primeira

manifestação ocorreu em 28 de julho de 2002.

A padronização da nova nomenclatura usada pelos movimentos sociais, como

também pelo governo juntamente com o padrão empregado no resto do mundo, deverá ser em

lugar de GLBT, a sigla passa a ser LGBTT, decisão esta tomada na 1ª Conferência Nacional

de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Essa mudança que parece ser

pequena, para o grupo foi significativa devido ao maior destaque nas reivindicações das

mulheres Lésbicas.

Na classificação dada à nomenclatura LGBTT, temos definidos como Lésbica a

mulher que sente atração por outra mulher em diferentes momentos das suas vidas

(adolescência, vida adulta, terceira idade), ou por toda vida, seja de forma exclusiva ou não;

Gay é a pessoa homossexual que sente atração por outra do mesmo sexo. Nesta categoria

estão compreendidos os gays (termo universalmente preferido pelos homossexuais

masculinos assumidos); Bissexuais são os indivíduos que tem relação ou relacionamento


30

sexual com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto, geralmente quando não assume a

condição bissexual podem ser confundidos como homossexuais e heterossexuais; já os

Travestis e os Transexuais são as pessoas que assumem pela aparência, a inclinação pelo sexo

oposto por meio de roupas e mudanças físicas, recorrendo ao uso de hormônios, silicone e

outros meios. Dizer que travesti é o indivíduo que apenas se traja de maneira oposta é

totalmente incorreto, pois é certo que grande parte assume uma nova identidade de gênero,

vivendo sua nova realidade.

Desde 1985 a homossexualidade foi retirada da relação de doenças pelos

Conselhos Federais de Medicina e de Psicologia. Mesmo diante desse fato, ainda persiste a

idéia, na sociedade, de que o homossexualismo é uma doença, e a visão de preconceito

estimulada nas pessoas, por ser algo novo, moderno e diferente dos tradicionais modos de

relação afetiva. Outro fator contribuinte para o preconceito é a questão da AIDS, já que a

maioria das pessoas portadoras do HIV eram homossexuais no surgimento da mesma. Por

outro lado, a AIDS ampliou a discussão sobre a sexualidade e prevenção das doenças

sexualmente transmissíveis, diminuindo a ligação Homossexualismo – HIV e encarando a

doença como decorrente do sexo inseguro e desprotegido.

As transformações oriundas do processo de globalização não são verificadas

apenas no nível macro, como o surgimento de organismos supranacionais que minoram a

hegemonia dos Estados-Nação, mas também redimensionam aspectos da vida local, de forma

que esta passa a ser remodelada a partir de acontecimentos de ordem global. Da mesma forma

que aspectos globais influenciam acontecimentos do âmbito local ou regional, também os

eventos locais podem determinar mudanças que atingem circunstâncias globais.


31

Na era pós-tradicional, os movimentos sociais criam suas próprias cartografias13,

mesclam ações estratégicas e identitárias com vistas a ampliar o seu rol de conquistas. No

Brasil, não há legislação que regule as uniões homossexuais. A Constituição Federal, que tem

como princípios basilares a igualdade de direitos e a dignidade da pessoa humana, veda a

discriminação por motivo de sexo, cor e idade. Contudo, juntamente com o Código Civil, não

reconhecem a união entre pessoas do mesmo sexo com entidade familiar, impedindo, pois,

que os parceiros usufruam dos mesmos direitos concedidos aos casais heterossexuais. Então o

preconceito exercido em sociedade representa a relevância hierárquica entre grupos sociais

partindo da inferiorização legitimada ao longo da história social que consolida por muitas

vezes sentimentos de violência e ódio de uns sobre outros.

Formados por conceitos distintos, tanto a hierarquia quanto a inferiorização, são

aproximadas por complementarem a significação nos processos de desigualdades geradores

de exclusão social ou até determinadas formas de inclusão subalternizadas, promovendo dessa

maneira, processos que não são restritos apenas a grupos sociais específicos, e sim a

sociedade como um todo. Configurado como mecanismo claro de inferiorização social, o

preconceito alimenta de forma evidente suas concepções ideológicas e cognitivas nos ramos

da legitimidade e ilegitimidade na pauta dos direitos sociais já alcançados, até a legalidade ou

não do cenário público onde ocorrem as lutas por tais direitos.

A lógica dos processos ligados ao preconceito revela as características pelas quais

estão vinculados, onde a hierarquização irá representar a subalternidade dos aspectos sociais.

Enquanto que essa mesma subordinação constrói uma funcionalidade entre os atores sociais

13
Descrição ou tratado sobre mapas.( HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua
Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
32

por ela instituídos em organizações que, na maioria das vezes, baseiam-se por uma

discriminação histórica.

Em se tratando de sexualidade, o preconceito social conseguiu produzir a

invisibilidade de determinadas identidades sexuadas, promovendo subalternidade em certos

direitos sociais, por assim legitimar práticas de inferioridade social, como a homofobia. Nesse

aspecto, o preconceito tem seu funcionamento ramificado pelas atribuições sociais negativas

ocasionadas da moral, da religião ou mesmo das ciências, para gerar a chamada hierarquia

sexual, a qual tem seus preceitos focados num conjunto de valores e práticas sociais que

fazem a heteronormatividade como um campo normativo e regulador das relações humanas.

Segundo a reflexão de Gilberto Velho e Marcos Alvito (1996) obtida por Luiz

Mott diz que a sociedade em geral da América do Norte não odeia os gays e as lésbicas, pois

através das pesquisas feitas por Ford e Beach mostrou que os homossexuais são respeitados e

muitas das vezes as mães desejavam ter um filho “invertido”. Já os deuses da Grécia e da

tradição Yorubá praticavam o homoerotismo14, ou era na metade do ano tornasse homem e na

outra metade mulher. Infelizmente no Brasil, considera-se o amor entre pessoas do mesmo

sexo como um problema, evidenciando que de todas as minorias sociais, a mais odiada é

formada pelos homossexuais.

Como explicar tanto ódio contra os homossexuais? É a história e a Antropologia que


nos dão a pista para entender e superar a homofobia em nosso meio. Quando muitos
pais dizem: „„prefiro ter um filho morto do que homossexual!‟‟, inconscientemente,
estão repetindo uma absurda ordem de Javé que, há quatro mil anos atrás, decretou
que „„o homem que dormir com outro homem como se fosse mulher deve ser
apedrejado‟‟. Por geração e geração, nossos anteparados aprenderam, na bíblia, no
Catecismo, através das fogueiras da Inquisição, que “viado tem mais é que

14
Satisfação encontrada por meio de um objeto do mesmo sexo; homossexualidade.( HOUAISS,
Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio
Houaiss/Objetiva, 2007).
33

morrer!‟‟(VELHO, ALVITO,1996, p. 99-100)

Com a fama internacional de ostentar uma maior visibilidade e aceitação social no

que se refere aos gays e lésbicas, o Brasil esconde altos índices de assassinatos para com os

homossexuais. Países como os Estados Unidos que entre 1992 e 1994 estimavam uma

população de 250 milhões habitantes, constataram que 151 homossexuais foram assassinados,

contrapondo que no País da America do Sul, possuindo 150 milhões de habitantes durante o

mesmo período, mais de 180 gays e lésbicas foram assassinados, número esse que deve maior

devido a precariedade das estatísticas criminais.

A terra do carnaval e das centenas de travestis exportados para França e Itália é um


país extremamente contraditório: em seu lado cor de rosa temos, por exemplo, o
Transsexual Roberta Close, que foi capa das principais revistas nacionais, sendo eleita
“modelo de beleza da mulher brasileira”; do lado sombrio, denunciamos que neste
mesmo Brasil, a cada quatro dias, um homossexual é barbaramente assassinado,
vítima da homofobia - termo que já faz parte do vocabulário corrente da população
média nos Estados Unidos e Europa e que no Brasil muitos acadêmicos não
conhecem seu significado: intolerância á homossexualidade. (VELHO, ALVITO,
1996, p. 100)

O vocabulário homofobia caracteriza-se na sua representação por ser um ato de

repulsa a homossexualidade e as suas práticas (afetivas e sexuais). Nem sempre ocorrendo

aversões diretas, porém perceptivelmente mantidas através de chacotas, expressões de nojo,

por meio de agressões de cunho verbal (xingamentos, desqualificação), ou ainda por

violências físicas (espancamentos e assassinatos).

Aliada a idéia de sociedade, a homofobia faz parte do imaginário humano desde

os tempos antigos. Com isso todas as instituições sociais apresentam mecanismo para policiar

e atentem quando os indivíduos tiverem posturas contra a heterossexualidade. Então o modelo

que é passado para as crianças, é que existem determinadas cores, brincadeiras, jeito de

sentar, falar, andar, até mesmo posturas apropriadas para cada sexo exercer ao urinar. Os pais

e a comunidade vão policiando a identidade sexual do sujeito nos „„jeitos‟‟ e „„trejeitos‟‟.


34

Ninguém está imune à dúvida, esta só acaba com a prova cabal do coito com a

pessoa de sexo oposto. Havendo ato sexual consumado, significa sinônimo de honra para

família, onde o que é passado de geração em geração pela pedagogia dos pais, tios e/ou avós,

que o jovem deve iniciar sua atividade sexual de forma coerente, mesmo que ainda ocorra

num prostíbulo.

Meados do século XVIII, a França foi o primeiro Estado a descriminalizar a

homossexualidade no interior dos Estados começaram a aparecer manifestações contrárias às

instituições que puniam ou recriminavam comportamentos não heterossexuais.

Em abril de 1978, surge o Jornal Lampião da Esquina tendo como uns do

componente da equipe do editorial João Silvério Trevisan que tentou formar um núcleo com

pessoas de práticas homossexuais, em São Paulo, sem êxito. Mais o Jornal que veio deu força

e praticamente apoio no começo do movimento homossexual, servindo como porta voz a

vários grupos estigmatizados, sendo este o primeiro que destacou questões sexuais com

enfoque político, daí sua importância. Portanto Lampião foi um representante da imprensa

que alcançou os mais altos, diversos níveis de transgressão e um divisor de águas na

construção da identidade gay. Diante destes fatos também contribuiu com transformações

culturais e a quebra de tabus que poderiam se difundir, mesmo que timidamente pelo interior

do país.

O primeiro “Jornal Gay”, o Snob, foi fundado por Anuar Farah e Aginaldo

Guimarães, onde conseguiram um levantamento das vinte e sete publicações da época.

Inclusive Anuar foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Imprensa Gay - ABIG

que tinha o objetivo de lutar pelos seus ideais, querendo mostrar que eram pessoas normais e

que faziam as mesmas coisas como elas, sem diferença.


35

No Brasil, em maio de 1978 surge o primeiro grupo militante organizado o

SOMOS/SP, homônimo do primeiro grupo homossexual da América Latina, a Frente de

Libertação Homossexual da Argentina - FILHA, a qual foi massacrada pela repressão estatal.

Desse modo, após o surgimento do SOMOS vários grupos começaram aparecer e

alguns deles composto de dissidentes da própria militância. E ao decorrer da década de 1979,

as poucas mulheres dentro do SOMOS se organizaram e passaram a formar o Lésbico

Feminista - LF, por acharem que seus problemas eram específicos, isto é, a maioria masculina

tendia a discutir assuntos masculinos, em detrimento dos femininos. Devido a isto foi

inaugurado o ativismo lésbico independente das outras categorias LGBTTs.

O antropólogo Luis Mott, foi um dos fundadores do grupo gay mais ativo da

Bahia, o GGB, que se apresentou como uma associação de homossexuais e teve como

objetivo refletir e trabalhar em prol da liberdade homossexual. Este grupo foi um dos poucos

que conseguiu agir junto às populações carentes, inclusive prestando serviços médicos

gratuitos e fazendo levantamento de doenças venéreas com as travestis do Pelourinho.

Segundo a Constituição Federal Brasileira de (1988) os direitos fundamentais dos

cidadãos estão basicamente relacionados nos artigos 5º e 6º. Eles asseguram que para

vivermos em harmonia é preciso não haver diferença entre nós. Sendo assim, o cidadão não

pode ser discriminado por sua condição pessoal, econômica, sexual, racial, religiosa ou

filosófica.

A Constituição do Estado de Sergipe no Art. 3º, II, diz que: “o Estado assegura a
proteção contra discriminação por motivo de raça, cor, sexo, idade, classe social,
orientação sexual, deficiência física, mental ou sensorial, convicção político –
ideológica, crença em manifestação religiosa, sendo os infratores passíveis de punição
por lei”.

A finalidade do Movimento LGBTT é evidenciada nas lutas e conquistas pela


36

cidadania em defesa dos direitos fundamentais dos seguimentos sociais, em função de sua

crescente organização e visibilidade permitindo avaliar com mais clareza a grave extensão da

violação de seus direitos e garantias fundamentais. A violência letal contra homossexuais,

mais especificamente contra travestis e transgêneros, é umas das faces mais trágicas da

discriminação por orientação sexual ou homofobia.

O preconceito contra homossexuais é freqüentemente chamado de homofobia,

apesar de o termo heterossexismo também aparecer freqüentemente na literatura

especializada. Ambos os conceitos surgiram no final da década de 60 como uma resposta às

mudanças trazidas pela revolução sexual, que fez com que a sociedade repensasse temas

relativos à orientação sexual. O termo orientação sexual surgiu na década de 80 como uma

forma de expressar a natureza profundamente enraizada do desejo sexual. Este conceito

possui implicações biológicas, pois até sua criação a homossexualidade era chamada de

preferência ou opção sexual, termos que implicam em uma escolha exclusivamente

consciente.

A introdução do termo homossexual foi um momento marcante no discurso das

ciências sociais sobre a orientação sexual, visto que a partir deste momento não era mais o

homossexual que estava doente, mas sim o indivíduo que tinha preconceito contra ele.

Heterossexismo, por sua vez, se apresenta como um termo similar a racismo e sexismo15,

descrevendo um sistema ideológico, social e institucional, que coloca a homossexualidade (e

outras formas de expressão sexual) como inferior a heterossexualidade. Ambos os conceitos,

no entanto, têm sido duramente criticados. Segundo este autor, preconceito sexual é um

15
Atitude de discriminação fundamentada no sexo.( HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da
Língua Portuguesa. Versão 2.0a. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2007).
37

conceito preferível à homofobia por várias razões. Em primeiro lugar, ele é um termo

descritivo que não assume motivações, dinâmicas ou origens inconscientes para as atitudes

negativas, além de evitar julgamentos morais sobre estas atitudes. Em segundo lugar, ele

coloca o estudo das atitudes relacionadas à orientação sexual dentro do contexto mais amplo

das pesquisas da Psicologia Social sobre preconceito. (PINTO, p. 07)

Neste sentido, menciona-se que o preconceito sexual é similar, em origem e forma

de apresentação, ao preconceito dirigido a outros grupos sociais. Por todas estas razões, o

termo preconceito sexual será privilegiado neste estudo em detrimento da palavra homofobia,

mais disseminada no discurso cotidiano.

Assim, entende-se que a sociedade brasileira avançou. Hoje são aceitos os seus

comportamentos que sempre existiram, mas que por preconceito tinham que ficar na

clandestinidade. A ordem do dia da sociedade democrática e pluralista é aceitar as opções

individuais dos seus cidadãos, que digam respeito a sua maneira de viver e se relacionar.

Assim tem ocorrido também nos países desenvolvidos do bloco ocidental. Em muitos países

os homossexuais já obtiveram muitas conquistas ao longo dos tempos, mas a luta no Brasil

ainda está para começar, principalmente em Estados nordestinos como Sergipe.

Até os anos 80, os homossexuais tinham pouco espaço na mídia. O debate em

torno da cidadania LGBTT era quase inexistente. Porém, essa visibilidade aumenta com a

eclosão da epidemia de AIDS, o sucesso das paradas gays, os debates em torno do projeto que

lei que disciplina a união civil entre pessoas do mesmo sexo e ao surgimento de um possível

mercado GLS.
38

4 NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS: CARTOGRAFIA DO


MOVIMENTO LGBTT NO MUNICÍPIO DE ARACAJU

4.1 As instituições em Aracaju

Entre as redes encontradas no Estado de Sergipe, especificamente na capital

Sergipana, destacam-se não somente as de ordem estatal, mas também as não governamentais

(ONGs). As instituições organizadas de forma heterogênea que se destinam no atendimento

ao público LGBTT são: Centro de Referência de Prevenção e Combate a Homofobia (CCH),

Associação de Defesa Homossexual de Sergipe (ADHONS), Associação Sergipana de

Transgênicos (ASTRA), Associação de Travestis Unidas pela luta da cidadania (UNIDAS) e

o Movimento de Lésbicas de Sergipe (MOLS).

Mediante as lutas por direitos requeridos e devido às inquietações e manifestações

sociais repercutidos por toda a Europa e mundo, o surgimento de movimentos organizados

como o movimento LGBTT aqui no Brasil, expressou-se por meio de grupos aglomerados

que enfocavam por meio de jornais e outras formas permitidas perante a mídia.

A partir da década de 80, o Dialogay foi o primeiro movimento homossexual

existente no município de Aracaju, denominado assim por objetivar ser um canal de diálogo

entre as pessoas homossexuais. Com a extinção deste segundo grupo mais antigo do País que

pertencia ao Estado sergipano, à comunidade gay sergipana perdeu representatividade, daí a

necessidade de criação de grupos que enfocassem essa questão. Dessa forma vieram as

iniciativas das novas instituições, tendo por base e referência um trabalho já realizado.
39

Provenientes de repasses e verbas, todas as instituições são caracterizadas como

Organizações Não Governamentais (ONGs), com exceção do CCH que tem suas verbas

providas não só do Estado, mas também do Governo Federal, sendo assim caracterizada de

entidade pública. Diferente das políticas de outros Estados, o CCH surgiu do Projeto

Nacional, Brasil sem Homofobia. Porém, no Estado Sergipano ele é implantado através da

Secretaria de Segurança Pública, já que a responsabilidade de assumir a entidade seria do

Estado ou município, pois as ONGs não tinham condições de manter nem as despesas básicas

após o fim do convênio por não dar suporte. Durante um ano o Estado se encarregou de

assumir o espaço físico juntamente com os profissionais, porém logo após isso quem se

colocou mediante a situação foi o Secretário de Segurança Pública.

Em se tratando da política das ONGs, é por meio dos projetos elaborados por elas

próprias que há um repasse de verba para execução de cada projeto. Ocorre em todas as

entidades não governamentais em Aracaju parcerias que vem do Ministério da Saúde,

Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Secretaria de Segurança Pública por intermédio da

Delegacia de Grupos Vulneráveis e Delegacia da Mulher, Defensoria Pública, Ministério

Público da Cultura e principalmente do Programa Nacional DST/AIDS, maior colaborador

para esses tipos de recursos.

4.2 O Trabalho de Campo

O trabalho de pesquisa de campo visou colher as informações necessárias sobre as

instituições governamentais e não governamentais que dão suporte ao movimento LGBTT no

município de Aracaju. Objetivou-se absorver o que existe de imprescindível para saber como

estão as representações da categoria homossexual e como elas são trabalhadas com os


40

membros desse grupo.

Diante do exposto, a metodologia utilizada consistiu em inferir de fatos

particulares, uma conclusão geral, ou seja, o uso do método indutivo, mas também o trabalho

é presumido da dedução, isto é, consequência tirada a partir de fatos ou dados conhecidos.

Pois sem a dedução não é possível a crítica do conhecimento estabelecido e nem a formulação

de novas ideias não estreitamente derivadas da observação. Ainda assim, percebe-se a

presença do método empírico, baseado por meio da vinculação presencial dos fatos.

A priori, a escolha do questionário aplicado se deu por conta de pensar em como

atuam as políticas institucionais LGBTT; sob quais formas de política se organizam e como

seus representantes embasam seu fazer profissional diante de sua ação administrativa; ou seja,

foi pensado de maneira óbvia quais os enfoques que as instituições abordam para seu público

de forma específica e ao mesmo tempo como um todo, por enfatizar um ou mais segmento de

um movimento que tem interesses coletivos. O que se busca diante das perguntas é conhecer

as características, diferenças e semelhanças das organizações distintas ao público focado,

onde através das análises dos dados é possível exteriorizar essas instituições para toda

sociedade.

A intenção em querer levantar o histórico de cada organização é perceber como

elas se inserem na conjuntura da sociedade, por que e em que momento isso acontece,

buscando o que as diferencia das demais, seus objetivos; além de analisar sua ação junto a

comunidade, caracterizando-a quanto ao seu caráter público, privado ou não-governamental.

Quanto aos membros que compõem as instituições, é importante conhecê-los, para

que verifiquemos quem assiste e quem é assistido nessas instituições. Geralmente, os

membros diretores dessas organizações possuem identificação de luta pelos mesmos direitos
41

que os usuários, o que torna a entidade um espaço de iguais em busca dos mesmos objetivos.

Quanto aos objetivos, é importante que saibamos claramente a que se apresenta cada uma

destas instituições, uma vez que isso pode diferenciá-las umas das outras, destacando assim o

papel de cada uma na sociedade.

Composta por um trio de acadêmicos, a aplicação do questionário foi propagada

pelos mesmos em todas as fases, através da pesquisa de campo, elaboração do questionário,

aplicação realizada com os presidentes ou fundadores das instituições, transcrição das

entrevistas e coleta dos dados necessários para a cartografia. Com a utilização de câmera

digital, como forma mais rápida de assimilar as informações para depois redigi-las, a pesquisa

de campo foi como visita técnica.

Assim como primeiro passo para começar a detalhar as entrevistas, foi agendada

uma visita ao CCH para o dia 06 de abril de 2009, às 09h00min. Através desta primeira visita

bouscou-se obter a relação de como e onde se encontrava todas organizações aracajuanas

ligadas ao movimento LGBTT na atualidade, já que essa Instituição em particular surgiu para

dar um suporte às demais, tendo o levantamento das mesmas. Sendo os discentes recebidos

por Cláudia Amélia Silveira Andrade, coordenadora e psicóloga do Centro, que relatou todas

as atividades desempenhadas ali, também mostrando como o público é atendido. A

coordenadora também forneceu a lista de endereços atuais das instituições que lidam com o

movimento, e a partir dessa lista foram realizadas as entrevistas restantes.


42

4.3 A CARTOGRAFIA

Segundo conceito encontrado no site do Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística - IBGE, a cartografia desde 1966 foi definida pela Associação Cartográfica

Internacional (ACI) e logo mais ratificada pela UNESCO. Como sendo o conjunto de estudos

e operações científicas, técnicas e artísticas que tem por base, os resultados de observações

diretas ou ainda as análises de documentação, voltadas para a elaboração de mapas, cartas e

outras formas de expressão representativa de objetos, elementos, fenômenos e ambientes

físicos e socioeconômicos, bem como sua utilização.

O processo cartográfico parte da coleta de dados, envolve estudo, análise,

composição, ou seja, por meio dele, podem-se conter as fontes precisas para fazer variáveis

estudos. O objetivo aqui não é referido a cartografia de gráficos, coordenadas, plantas ou

diagramas, mas sim, contemplar as questões voltadas as expressões representativas de fatos

obtidos a partir de documentos e análises colhidas das pesquisas de campo.

A cartografia em si, tem diversos objetivos, caracterizados meramente como

indicações da aplicabilidade para cada solução apresentada, existindo uma tendência de

superposição das características mencionadas. Em função dos objetivos a que se destina o tipo

da cartografia, podem ser classificados em mapas genéricos ou gerais, mapas especiais ou

técnicos, mapas temáticos e mapa ou carta imagem. Sendo a pesquisa cartográfica

caracterizada como temática e técnica, foi elaborada para fins específicos, com uma precisão

bastante variável, de acordo com a sua aplicabilidade, onde são representados determinados

aspectos, utilizando simbologias diversas para a representação dos fenômenos espacialmente

distribuídos na superfície.
43

O que se quer com a cartografia, é uma relação atual de como e onde estão

situadas as representações institucionais ligadas à categoria LGBTT no município de Aracaju,

mostrando as principais características políticas, sociais, econômicas e culturais de ambas,

para que assim, de forma sistematizada, todas as pessoas possam ter acesso ao conhecimento

das atribuições e importância social que essas instituições têm.

Assim como uma cartografia geográfica, traçaremos um mapa genérico das

instituições que atendem o público LGBTT na capital sergipana. Esperamos que através deste

trabalho, outros acadêmicos possam ter informações básicas e acesso rápido aos dados dessas

instituições, aumentando assim a visibilidade do movimento e seu caráter dignificante e

acolhedor para com a comunidade.


44

Centro de Referência de Prevenção e Combate à Homofobia – CCH

Endereço: Rua: Campos, 82 Bairro: São José Telefone: (79) 3213-7941

Horário de Funcionamento: Das 08h00min às 17h00min

Histórico: Surgiu do Projeto Brasil sem Homofobia, que é um Projeto Federal implantado no
governo de Lula e idealizado por ele, mas quem conquistou e batalhou foi o próprio
movimento social. Está inserido nas políticas públicas do movimento LGBTT e é um dos
objetivos do próprio governo, sendo também um dos objetivos do Brasil Sem Homofobia, que
foi o de inserir nessas políticas o Centro de Referência que é implantado em todos os Estados.
No Estado de Sergipe essa implantação deu-se através da Secretaria de Segurança Pública, já
em outros Estados, com prefeitura e em alguns com ONGs. Houve uma reunião de encontro
de referência determinada pelo Governo Federal para que quem assumisse a responsabilidade
do Centro de Referência fosse a prefeitura ou governo, por ser responsabilidades de políticas
do próprio governo, afinal, as ONGs não têm condições de assumir depois que acaba o
convênio. Diante disso, o Centro foi inaugurado em 2008 com verba Federal. Essa verba foi
durante um ano, dando suporte para abrir, inaugurar e começar as primeiras atividades. Quem
assume toda a responsabilidade do Centro é Dr. Kersio, da Secretaria de Segurança Pública,
reconhecendo o Centro como políticas públicas fornecendo grande suporte e ajuda, uma das
principais garantias da existência da entidade.

Tipo: Caráter público

Público-alvo: A categoria LGBTT, os homossexuais e sua família.

Objetivo(s): Em 2008 era a implantação para mapear todas as instituições e fazer as visitas
em todos os interiores, o que não ocorreu, realizando só por regiões; assim sendo o objetivo
inicial (a implantação) alcançados e contemplado. Já em 2009 começou a desenvolver fóruns,
seminários e capacitações com estagiário de todas as Secretarias de Segurança Pública,
participaram do evento Sergipe de Todos (evento Estadual), onde o Centro está inserido. Esse
evento foi em todos os interiores para fazer a divulgação da instituição, também participaram
do fórum Brasileiro de Segurança Pública no qual teve a permissão do trabalho do Centro de
Referência que é capacitar e fortalecer lideranças. Esse trabalho foi apresentado em Brasília
45

como atividade que capacita assim Cláudia Amélia Silveira Andrade, coordenadora e
psicóloga do Centro escreveu esse projeto no Fórum, o qual contemplou o Centro servindo
para ser apresentado em forma de painel neste Fórum, no Estado do Espírito Santo. Este foi
um evento muito importante para a instituição.

Serviços: Acolhimento, atendimento e acompanhamento jurídicos, sociais e psicológicos.

Eventos: Fóruns, seminários, capacitações dentro e fora da instituição visitando Centros de


Referência de Assistência Social – CRAS e Centros Especializados de Referência de
Assistência Social – CREAS, já capacitaram Psicólogos e Assistentes Sociais dos CREAS.

Associação de Defesa Homossexual de Sergipe – ADHONS

Endereço: Rua Própria, 48 (sala 14) Telefone: (79) 8814-0815

Horário de Funcionamento: Das 13h00min às 18h00min

Histórico: Foi fundada em 27 de fevereiro de 2003, com a extinção do segundo grupo


mais antigo do País, o Dialogay. Percebendo que a comunidade gay Sergipana perdeu uma
representatividade, houve a necessidade de se criar uma nova organização. Em março de
2003, deu-se início aos trabalhos de prevenção com a comunidade homossexual, através de
oficinas de sexo seguro e distribuição de preservativos em locais frequentados por
homossexuais e garotos de programa. Outro trabalho de extrema importância na área social
neste mesmo mês foi a parceria com o programa Estadual de DST-AIDS, na arrecadação de
alimentos não-perecíveis para serem doados as mulheres carentes portadoras do vírus HIV-
AIDS. Também neste período realizaram o primeiro Chá Cultural para comemorar o
lançamento do ADHONS, iniciando uma série de atividades na parte cultural que explorava o
transformismo, por compreenderem que faz parte da cultura dos homossexuais. Em junho
estiveram presentes na parada GLBT em Maceió realizada pelo Grupo Gay de Alagoas –
GGAL. Participaram ativamente com três fortes representantes no V Encontro Regional de
organizações não governamentais - EROGNG que trabalham com a problemática do HIV-
AIDS. No decorrer de todo festejo junino da capital Sergipana, em parceria com a Secretária
Municipal de Saúde estiveram presentes também na barraca da prevenção do conhecido e
46

popular Forró Caju. Contudo, a maior atividade no final do primeiro semestre de 2003 foi o
dia do Orgulho Gay, que resgatou um antigo concurso Rainha do Milho Fresco que escolheu a
Rainha Gay dos festejos juninos Sergipanos, uma festa popular da região nordeste.

Tipo: Organização não governamental - ONG

Público-alvo: Gays, Lésbicas, Bissexuais e Trangêneros, porém tem uma regra no


Estatuto que é aberto a qualquer cidadão maior de idade independente de sua orientação
sexual.

Objetivos: A diversidade cultural, a busca e a promoção da diversidade cultural homo


afetiva, como também a inclusão social em todas as políticas públicas e suas amplitudes, pois
o que almejam é educação, saúde, lazer e cultura.

Serviços: Acolhimento, encaminhamento, atendimento psicológico e jurídico.

Eventos: Seminários, debates, palestras e paradas gays.

Associação Sergipana de Transgêneros – ASTRA

Endereço: Rua Laranjeiras, 1473 Bairro: Getúlio Vargas, Telefone: (79) 3041-1303

Horário de Funcionamento: Das 13h00min às 19h00min

Histórico: Foi fundada em novembro de 2001 através de uma coordenação de estudos


junto com outro grupo que existia, o antigo Dialogay de Sergipe. A partir dessa coordenação
criaram um grupo de estudos sobre Travestis e Transexuais, amadurecendo a idéia da
fundação da ASTRA. Com um ano de instituição fundada, ganharam a responsabilidade de
fazer a primeira Parada GLBT do Estado, que já não era uma ação só de travestis e
transexuais, era mais ampla. Diante de críticas de que Sergipe não poderia ter um evento de
igual suporte ao de São Paulo, o grupo acreditou, investiu, produziu e hoje este evento é o
principal gancho da ASTRA. A realização da Parada Gay agora é a atividade que mais
priorizam e dão maior ênfase, juntamente com o apoio de outras organizações. Em 2003
quando o Dialogay, acabou receberam algumas pessoas que militavam na instituição; gays,
47

bissexuais, que dela faziam parte e que gostariam de continuar desempenhando o trabalho no
grupo. Houve então a necessidade de mudar o estatuto e fazer com que a entidade não fosse
só de travestis e transexuais, e sim mista. Por isso o primeiro nome foi Associação Sergipana
de Transgêneros, recebendo em 2003, a denominação geral de ASTRA – Direitos Humanos e
Cidadania GLBT. A partir dessa data, a diretoria é sempre dividida/mista. Atualmente faz
parte da diretoria travestis, transexuais e gays. No conselho fiscal têm também bissexual,
categoria cuja dificuldade de identificação é maior, devido ao grande preconceito.

Tipo: Organização não governamental - ONG

Público-alvo: Seria o público LGBTT, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e


transexuais, só que tem a maior facilidade de trabalhar com o público de gays, bissexuais
masculinos e com as travestis e transexuais, tendo a pouca freqüência de lésbicas.

Objetivos: Garantem os direitos humanos, a cidadania plena da população LGBTT,


trabalha diversas outras questões como a saúde, a educação, a cultura e as políticas públicas
tentando se inserir em todas as pastas governamentais.

Serviços: Distribuição de preservativos para mais de 380 pessoas na sede, reuniões


quinzenais e atendimento médico voluntário.

Eventos: A parada anual, o refresco cultural quinzenal, a quarta legal, atividades


externas, oficinas e projetos.

Associação de Travestis Unidas na Luta pela Cidadania – UNIDAS

Endereço: Rua da Integração, 212 Bairro: Luzia Telefone: (79) 3043-0986

Horário de Funcionamento: Das 14h00min às 17h00min

Histórico: Foi criada em 1999, no intuito de apoiar e exercer a cidadania das Travestis
no Estado de Sergipe. Naquela época elas sofreram muito preconceito, sem acesso aos
supermercados, bancos, lojas, devendo ter um companheiro para realizar essas atividades.
Quando uma travesti adoecia, não procuravam postos de saúde, hospitais devido o
48

preconceito, sendo que uma medicava a outra. Esse quadro foi modificado após a abertura da
instituição e da ajuda de Eliana Chagas, que teve a iniciativa de fundar o grupo com Luciana
Lins, primeira presidente. Elas se conheceram através de uma festa de uma travesti, onde
numa conversa, contaram as situações das travestis de Aracaju. Eliana se organizou junto às
travestis fundando a Associação das Travestis Unidas na Luta pela Cidadania. Depois de
Luciana, Jéssica foi a segunda presidente durante três anos; logo após, Cris por mais três anos,
passando novamente o cargo para Jéssica. A maior dificuldade para a fundação da entidade
foi a financeira. Eliana pagou os primeiros aluguéis da sede alugada no bairro Siqueira
Campos. Só a partir de um projeto de geração de renda, com cursos diversos como
cabeleireiro, corte e costura, manicure e pedicure, que a entidade conseguiu adquirir dinheiro
para pagar os débitos.

Tipo: Organização não governamental - ONG

Público-alvo: Travestis

Objetivos: Resgatar as travestis que não tem oportunidade de emprego, para que elas
não dependam unicamente da rua. A instituição trabalha muito essa questão, não objetivando
tirar as travestis da rua, e sim criar oportunidades além da rua, para que elas possam ter opção.

Serviços: Atendimento, reuniões.

Eventos: Seminários, palestras, comemoração de aniversários de cada travesti; por mês


e durante o ano todo são festejadas, sendo esses aniversários na associação; comemorações do
dia das mães e natal; fazem shows e apresentações artísticas.

Movimento de Lésbicas de Sergipe – MOLS

Endereço: Rua Franklin Campos Sobral, 1631 Telefone: 8832-0900

Histórico: Percebendo que não tinha nenhum tema que abrangesse a área relacionada
às mulheres, foi que a Ednalva, a fundadora do MOLS, começou a questionar com o próprio
presidente da ADHONS e os outros presidentes das associações. Questionava como estava
49

sendo a representatividade das mulheres no movimento social LGBTT de Sergipe,


acreditando não existir. A formação de Ednalva começou a partir de uma capacitação antes do
surgimento do MOLS, como processo de aprendizagem, como também, representando as
lésbicas de Sergipe através da ADHONS, porque era a única lésbica da instituição. Participou
da conferência do processo de mudança que era GLBT e foi para LGBTT, dessa forma
começou a se engajar na luta. Em Fortaleza teve uma visão mais ampla dos movimentos de
mulheres nacionais reunidos ali, representados por lideranças nacionais lésbicas feministas,
mulheres politizadas. Então começou a perceber que no Estado não havia nada que
representasse as lésbicas de Sergipe e foi uma de suas metas aprender pra trazer o movimento
para o Estado, e conseguiu. Em meados de junho de 2007, houve uma preparação para abrir o
MOLS. Já que era a única lésbica da ADHONS, começou a desbravar esse tema aqui no
Estado de Sergipe representando as lésbicas. Um dos fatores importantíssimos para MOLS foi
a representatividade na conferência Nacional GLBT, até então uma das vitórias. Já em 2008,
começou a se organizar como instituição dentro do Estado, o MOLS enviou delegadas para a
conferência nacional em processo eletivo a partir da conferência Estadual em Brasília, junto
com outras lideranças nacionais. Isto foi um grande orgulho para Ednalva que é lésbica
feminista, percebendo que suas articulações, a sua forma política levou até o processo de
mudança da sigla GLBT pra LGBTT. A partir disso, ela pode perceber enquanto presidente,
que essa mudança foi valiosíssima e evidente no processo de crescimento, pois trouxe a
abertura para o trabalho com políticas públicas voltadas para as mulheres.

Tipo: Organização não governamental - ONG

Público-alvo: As lésbicas e as bissexuais

Objetivos: Trabalhar pela cidadania das mulheres, com políticas voltadas para as
lésbicas, lutar, levar até os gestores governamentais a necessidade das lésbicas e bissexuais, e
começar a buscar essas políticas públicas, pois existem direitos que são negados, que não
temos conhecimentos e o papel do MOLS é trabalhar sobre tudo, inclusive informações e
sexualidade.

Serviços: Estão em processo de iniciação; partir de agosto terão uma estrutura física,
sendo as iniciativas do trabalho de informação com reuniões realizada na UNIT do centro
(Campus I).
50

Eventos: Por estar em processo de iniciação, o primeiro evento específico da entidade


será em agosto do decorrente ano, aonde ocorrerá uma semana de evento na Fundação de
Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe – FAPESE, com um curso de formação política onde
irão realizar atividades, palestras e oficinas.

4.4 O papel das Instituições para o Movimento

Independente de ser caracterizada de governamental ou não, todas instituições

ligadas ao movimento LGBTT,visam fornecer suporte a categoria, prestar assistência e

acolhimento no que diz respeito a formas de oportunidade da inclusão social, por meio dos

projetos, além de evidenciar para toda sociedade aracajuana que o preconceito é uma forma de

ignorância provida da falta de conhecimento e respeito. Através dos subsídios institucionais,

os assistidos podem ampliar ou reinvidicar sobre seus direitos, além de se organizarem,

enfatizando questões pertinentes as necessidades particulares dos grupos.

É importante compreender que por meio das organizações cartografadas os

membros do movimento homossexual poderão perceber quais funções em sentido de serviços,

são fornecidos para o público alvo focado, dessa maneira podendo ser assistido na instituição

que mais possa ser útil as suas necessidades.

Diante desse fato, com a inserção dos assistidos nas organizações, é contemplado

também a questão deles darem suporte enquanto pessoas que estão participando das

atividades destinadas a eles mesmo, ou seja, havendo a interação entre público e instituição,

há uma contribuição ainda maior para que se continue tendo visibilidade, repasses de verbas

destinadas a projetos, já que na maioria das vezes o receio e o não saber deixa de promover a

busca.
51

5 CONCLUSÃO

Muitas idéias surgiram ao nos depararmos com um tema complexo como a

questão de gênero. No entanto, à medida que nos aprofundamos, constatamos como a

perspectiva de gênero possibilita uma melhor compreensão acerca das relações de poder

desigual entre a sociedade e a comunidade LGBTT.

Muitos altos e baixos foram enfrentados no que se refere às dificuldades de tempo

e disponibilidade para a busca do conhecimento teórico-metodológico, a abordagem dos

sujeitos investigados e análise das respostas adquiridas através das entrevistas realizadas

durante esta pesquisa.

Enquanto estudantes, perguntamos se estávamos no caminho certo, o que só veio

a ser esclarecido após muita leitura, orientação e análise dos textos e depoimentos dos sujeitos

interrogados. E o interessante é que, na medida do desenrolar da pesquisa, tentamos descobrir

dentro de nós mesmos respostas para os questionamentos.

Falar de gênero, até então, não nos levava a um conceito definido, pois eram

conceitos empíricos. Porém, com esse estudo, descobrimos o verdadeiro sentido da categoria

LGBTT e de que forma eles buscam trabalhar suas políticas na sociedade.

Diante do que foi exposto, faz-se necessário compreender o surgimento do

movimento homossexual na América Latina para trazer a percepção sobre o aparecimento do

movimento no município de Aracaju. Assim, consideramos que a luta pelo direito à livre

orientação sexual e identidade de gênero constitui legítima reivindicação para o avanço dos

direitos humanos em nossa sociedade, e para o aprimoramento do Estado Democrático de

Direito.
52

Através da presente pesquisa vimos que é importante retratar de modo perceptível,

a cartografia das instituições governamentais e não governamentais ligadas ao movimento

LGBTT na cidade de Aracaju, enfatizando as distintas formas de representação social por elas

exercidas enquanto orientadoras de direitos a serem garantidos.

Visto as políticas de atendimento ao público homossexual, conforme as análises

feitas, observou-se que cada organização mantém uma especificidade particular ligada a um

dos membros encontrados na nomenclatura LGBTT, já que visam focos isolados. Porém, sem

perder a sensibilidade de reconhecer que determinados participantes da composição, como as

travestis, sofrem mais discriminação, mesmo estando todos componentes, diante da mesma

situação. Esse estudo ainda revelou a falta de participação dos que são assistidos pelas

instituições não governamentais, deixando assim, a iniciativa de interação das atividades

destinadas ao público, apenas para os responsáveis que as representam, pois poucos são os

que participam ativamente.

Dessa forma, o trabalho contribuiu para informar como a cidadania está sendo

estabelecida para os que são conceituados de grupos minoritários, podendo também levar o

entendimento do assunto a pessoas leigas, que agora dispõem do mesmo tipo de informação

que pudemos obter.

Quanto à intervenção do Serviço Social, não pode prescindir de uma leitura da

realidade social sob a perspectiva das relações de gênero. A busca por entender como os

papéis sociais são determinados pela sociedade e como eles são constituídos, vêm se

modificando. Sobre a pesquisa apresentada, relacionamos o Serviço social com as

contribuições que ele pode oferecer aos LGBTTs, para que eles busquem seus direitos

previsto por lei e presentes na Constituição Federal de 1988, que os garante de forma

igualitária para todos, independente do sexo, raça ou credo.


53

REFERÊNCIAS

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cultures: re – visioning Latin American Social Movements. Colorado: Westview. Press,
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promulgada em 5 de Outubro de 1988: atualizada até a emenda Constitucional nº 31, de 14
- 12- 2000. 27. Ed. São Paulo: Riddel, 2007.

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paradigma da complexidade. Revista Antropológicas. Ano V, v. 11, Série Imaginário,
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CASTELLS, Manuel. O poder da identidade: a era da informação: economia, sociedade e


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Janeiro: Relume-Dumará, 1992. (Introdução e Os amores que não se deixam dizer).

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GOSS, K. e PRUDÊNCIA, K. Conceitos de movimentos sociais. Revista eletrônica dos Pós-


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54

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2004. Monografia de graduação em Direito. Universidade Tiradentes, UNIT.

MÍCCOLIS, Leila e DANIEL, Herbert. Jacarés e Lobisomens: dois ensaios sobre a


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PINTO, Aída Pereira. União homoafetiva: uma realidade brasileira. Aracaju, 2004.
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SCHERER – WARREN, I. Redes de movimentos sociais. São Paulo: Loyola, 1993.

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www.agenciabrasil.gov.br/noticias > Acessado em 16/10/2008, às 16h00min.


55

APÊNDICE(S) E ANEXO(S)
56

O questionário a ser aplicado visa adquirir informações necessárias para mapear a


ação do movimento LGBT na cidade de Aracaju/SE, ocasionando conhecer seus aspectos
sociais,culturais, políticos e econômicos diante das Instituições que dão suporte ao segmento.

Questionário

1 - Histórico de fundação da Organização.

2- A organização Institucional é de caráter privativo, público ou ONG? Como acontecem as


parcerias e quais os órgãos responsáveis por esse repasse?

3 - Qual o público-alvo da Organização? Como ele é trabalhado?

4 - Comente os objetivos da Organização.

5 - Como a Organização vê seu público-alvo?

6 - Existem dados percentuais de público atendido?

7 - De que forma a Organização atende o público LGBT?

8 - Há eventos voltados para esse público na Organização ou fora dela? Em caso afirmativo,
quais são e como ocorrem?

9 - Qual a maior característica do Movimento LGBT, segundo a visão da Organização?

10 - Dos membros da Composição LGBT, qual mais se evidencia e por quê?

11 - A Organização tem dados de outras Instituições que atuam com a mesma demanda, mas
que foram desativadas ou mesmo deixaram de existir?
57

TRANSCRIÇÃO DE ENTREVISTAS

CENTRO DE REFERÊNCIA DE PREVENÇÃO E COMBATE À HOMOFOBIA - CCH

A presente pesquisa teve o objetivo de coletar informações sobre o Centro de


Referência de Prevenção e Combate à Homofobia, realizado no dia 06 de abril de 2009, às
09h00min.

O Centro de Referência surgiu do Projeto Brasil sem Homofobia, Projeto Federal


que foi implantado no governo de Lula e idealizado por ele. Então está inserido nas políticas
públicas do movimento LGBTT homossexual é um dos objetivos do próprio governo, um dos
objetivos do Brasil Sem Homofobia é inserir nessas políticas o Centro de Referência que é
implantado em todos os Estados, já no Estado de Sergipe essa implantação deu-se através da
Secretaria de Segurança Pública, já em outros Estados é com prefeitura e em outros é com
ONGs, houve uma reunião de encontro de referência em que foi determinado pelo Governo
Federal quem assumisse a responsabilidade do Centro de Referência era prefeitura ou
governo, porquê prefeitura ou governo? Porque são responsabilidades de políticas do próprio
governo, pois as ONGs não têm condições de assumir depois que acaba o convênio.

O Centro foi inaugurado em 2008 com uma verba Federal, que veio do Brasil Sem
Homofobia e essa verba foi para ser implantada durante um ano, por isso ela deu suporte para
abrir e inaugurar, e começar as primeiras atividades durante um ano, acabando essa verba o
Centro era responsabilidade de quem?Quem ia assumir? Porque o Estado já assumi o espaço
físico, os técnicos, os estagiários e se fosse da ONGs quem assumiria, então o que aconteceu
lá, as ONGs perderam o Centro por não terem como continuar dando esse suporte, assim
umas das metas do Governo Federal é que o Centro de Referência fosse implantado dentro de
uma política de governo, suposta, dentro da política, hoje no nosso Estado quem assumi toda
a responsabilidade do Centro é Drº Kersio da Secretaria de Segurança Pública, com isso
temos um secretário que teve a sensibilidade de reconhecer o Centro como políticas públicas e
ta sim dando um maior suporte e ajuda, assim uns dos motivos para hoje existir é essa ajuda
governamental.
58

O CCH trabalha com a parte de atendimento, acolhimento e acompanhamento,


como também assuntos jurídicos, sociais e psicológicos, dando um suporte não só na parte
clínica, na parte interna do Centro, mas na parte externa com capacitações, encontros nos
municípios mapeando toda a parte do movimento, não só ONGs, mas pessoas que tem a
liderança nos seus municípios. Este hoje é um dos seus focos, procurar pessoas que tenham
liderança nos municípios porque é necessário levar os direitos para que as pessoas saibam
quais direitos elas tem, que direitos eu tenho enquanto sociedade. É isso que o Centro está
fazendo, buscando esclarecer e capacitar essas lideranças, formando ONGs ou não, assim não
precisa formar a ONGs naquele município, basta as pessoas terem uma liderança para que
aconteçam as reuniões semanal, quinzenal e semestral, não importa mais que estejam sempre
em discussão o próprio movimento, quais são as suas dificuldades, seus desvelos e o que eles
esperam do governo, que políticas esse governo podem visar.

O CCH é de caráter público e hoje consegue manter a instituição não só com o


apoio do Estado, porque a verba Federal foi só para a implantação. Atualmente é visto
nacionalmente como referência de Centro; sua sede é super estruturada, tem um governo que
apóia a instituição, tem técnicos, tem estagiários; seus eventos são realizado, no entanto, com
certa dificuldade. Procuraram o Deputado Iran Barbosa que disponibilizou uma ementa
Federal; isso está dando suporte durante esse ano. Elaboraram um projeto e mandaram para a
Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que aprovaram contemplando assim estagiários,
seminários e fóruns, sem contar com o computador e alguns materiais que precisam para
trabalhar, pois trabalham com capacitações e oficinas na área de informática. Iran Barbosa é
uns dos seus parceiros e esse ano a instituição terá uma verba específica para ser trabalhada.

Já em relação as parcerias locais que é Estadual, tem a Secretaria de Segurança


Pública que dá toda a base. Mas na parte da execução do trabalho, o Centro conta com a
Defensoria Pública, porque por ser Estado o advogado não pode atuar, e assim todos os casos
que chega pedindo alguma orientação na área jurídica, precisam ter um complexo de
informações, alguns registros em cartório fazendo a parte de contrato. Ou seja, na área
jurídica onde se tem que entrar com uma ação, o CCH não pode atuar, quem faz é a
Assessoria Jurídica com a parceria da Defensoria Pública, tendo um defensor público para
atender a categoria LGBT; assim encaminhando através de ofício, como também com um
técnico ou um estagiário que leva toda a demanda para o defensor, com isto, a rede se torna
bem formada. Na área da Psicologia é simples de se lidar porque o psicólogo pode atuar
59

dentro da instituição que não fere em nada e desse modo pode ser feito o atendimento
específico clínico ou na parte de encaminhamento. Como também, pode-se encaminhar à
outras diversidades que tem suas clínicas onde faz o atendimento gratuito, isso é também uma
parceria do Centro. O Serviço Social é parecido com a Psicologia, pois ele pode atuar e fazer
toda a parte como assistente social que não interfere em nada no Estado. A única área que
precisa mais dessa parceria externa e a Jurídica. Portanto outro parceiro é a Universidade
Federal de Sergipe, que dá inteiramente suporte, disponibilizando certificados em qualquer
evento, seminário. Na área da Saúde tem um bom contato porque existe um trabalho de
DST/AIDS e que é governo com governo. Há parcerias formadas também com as outras
ONGs; além disso, com a OAB, assim as parcerias se tornam a depender das necessidades
como a de estruturação contando com a Casa das tintas, a Brotar mais que ainda não pode
estar utilizando por ser parte de estruturação (pintura, reforma), mas de atuação mesmo são
essas específicas: Defensoria Pública, OAB, as Universidades, as Secretarias de saúde,
educação e a própria Inclusão Social.

Seu público é a categoria LGBTT, os homossexuais e a família. O Centro de


Referência não é fechado, qualquer pessoa que queira algum atendimento vai ter, porque seria
estabelecer diferenças, a instituição não pode discriminar o heterossexual, pois se chegar um
querendo orientação Jurídica ou que deseja um atendimento psicológico, é atendido.

Os objetivos do Centro em 2008 foram todos cumpridos, que era a implantação


para mapear todas as instituições e fazer as visitas em todos os interiores, que fizeram por
regiões, assim sendo o objetivo inicial (a implantação) alcançados e contemplado. Neste
momento, em 2009 estão começando a desenvolver fóruns, seminários e capacitações;
capacitaram estagiários de todas as Secretarias de Segurança Pública, participaram do evento
Sergipe de Todos (evento Estadual), onde o Centro está inserido, assim esse é um evento que
vai em todos os interiores para fazer a divulgação da instituição, também participaram do
fórum Brasileiro de Segurança Pública no qual teve a permissão do trabalho do Centro de
Referência que é capacitar e fortalecer lideranças. Esse trabalho foi apresentado em Brasília
como atividade que capacita, o qual contemplou o Centro servindo assim para ser apresentado
em forma de painel neste Fórum no Estado do Espírito Santo, este foi um evento muito
importante para a instituição porque saiu do Estado de Sergipe para ser notório em outros
Estados, levando informativos e sendo um trabalho dentro e fora de Sergipe.
60

A instituição vê o público LGBT ainda muito fragilizado, invisível e que precisa


ser respeitado enquanto Direitos Humanos, pois a sociedade se faz em não ter conhecimento,
sendo fácil de esconder, e hoje eles querem credibilidade, isso incomoda a sociedade, mais
não como um todo, porque a partir do momento que você sabe que aquela sociedade não é
correta, existe sim uma diversidade, pessoas que tem desejos por pessoas iguais, isso não é
bicho de sete cabeças, e não uma coisa anormal e sim normal, então a sociedade tem que
começar a respeitar esses direitos. É isso que o Centro de Referência trabalha e está
começando a fazer, através de visitas nas Universidades com reuniões, sendo isso muito
importante porque sai da escuridão e passa a ir para um espaço onde a universidade detém um
saber se nos estamos formando opiniões, tão debatendo sobre o LGBT homossexualidade,
com certeza a sociedade começa a ter outra visão, vão formar opiniões, umas das metas do
Centro, justamente dá essa visibilidade.

Seu atendimento é feito através do acolhimento quando chega uma queixa; uma
queixa por agressão ou uma discriminação dentro do próprio trabalho. Atualmente o Centro
de Referência estar atendendo um Travesti que foi proibido de usar o banheiro, e ai esse
Travesti que é um ser humano, uma mulher e que se veste como tal, tem que ser respeitada
enquanto desejos, ela precisa utilizar o banheiro são coisas básicas de um ser humano, tem
que chegar a universidade prender suas necessidades até a hora de sair, ou seja, ela tem que
ser respeitada, então o Centro está tentando administrar isto através de uma reunião com o
coordenador sendo esta umas das metas, no caso desse a instituição desenvolve suas
atividades indo no local para levantar essa demanda, questionar e levar seus direitos; outro
caso é de uma Funcionária Pública travestir que entrou com o nome cartorial, nome
masculino, mais que se veste como uma Mulher e tem que ser chamada como mulher é como
ela está (como se veste e se sente), também entraram em contato através de ofício, marcando
uma reunião com a educação e o próprio Governo porque não é que queira mudar o papel,
mas que respeite o nome social dela, pois o que vai alterar para um colega de trabalho chamar
essa pessoa pelo nome social? Vai modificar alguma coisa na vida dele? Não muda nada,
então o Centro está querendo mudar esses conceitos, solicitando o respeito.

Os eventos voltados para esse público são fóruns, seminários, capacitações dentro
e fora da instituição visitando os CRAS e CREAS, já capacitaram Psicólogos e Assistentes
Sociais dos CREAS, o Centro de Referência estar desenvolvendo juntamente com a UNIDAS,
uma instituição Estadual, um trabalho muito interessante o Balcão dos Direitos e está sendo
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interessante para o Centro, onde tem a Defensoria Pública, Ministério Público, a Secretaria da
Saúde, OAB, UFS e UNIDAS, todos estes com representante, o quais tem trabalhado com
casos de Homossexuais na doação de sangue, sendo um tema bastante debatido na instituição
através desse Balcão de Direito.

A maior característica do Movimento LGBT é a luta pelos seus direitos. A


existência do Centro de Referência não se deu unicamente porque o Governo assumiu essa
responsabilidade, mas porque eles reivindicaram seus direitos, buscaram políticas específicas
para o movimento.

Não consigo ver o movimento como uma pessoa ou foco exclusivo, e sim, como
uma coisa, como um todo que está lutando pelos direitos, mas não só como um direito do
movimento LGBT que a partir do momento que você luta por um direito, você luta por um
direito de todos os cidadãos. Por serem mais vistos são mais discriminados as Travestis,
porque estão ali trabalhando, muitas delas em locais que incomoda a sociedade, como
também, o seu modo de se vestir onde impõe a sua presença.

Uma instituição muito importante que deixou de atuar e tão querendo reaver é a
Dialogay que foi o primeiro movimento do Estado, reconhecido Nacionalmente, se não
também Mundialmente. Entretanto, ela não se aprofundou no assunto porque é um tema que
não tem tanto embasamento para estar falando. Só sabe que a Dialogay tem uma história e que
se faz necessário colocar a tona, porque a história de Sergipe nasceu de um movimento social,
assim o movimento LGBT nasce a partir da Dialogay, primeira instituição do Estado de
Sergipe, onde o trabalho foi belíssimo dentro do Estado. Acabou por vários rumos, por ser a
primeira instituição e por ter muitas pessoas à frente, mas que deixou de existir, lógico que
outras pessoas nasceram antes da Dialogay, pois as pessoas não nasceram com esta
instituição, mas como uma conseqüência do movimento que ali surgiu a ONGs, sendo que
existiu uma história e várias pessoas trabalharam antes da Dialogay pela visibilidade.
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ASSOCIAÇÃO DE DEFESA HOMOSSEXUAL DE SERGIPE – ADHONS

O presente relatório teve o objetivo de coletar informações sobre a Associação de


Defesa Homossexual de Sergipe - ADHONS, realizado no dia 15 de abril de 2009, às 10h00.

A ADHONS foi fundada em 27 de fevereiro de 2003, com a extinção do segundo grupo


mais antigo do País, o Dialogay, percebendo que a comunidade gay Sergipana perdeu a
representatividade, sentiu-se a necessidade de criar uma nova organização. A partir do mês de
março de 2003, iniciou os trabalhos de prevenção com a comunidade homossexual Sergipana,
através de oficinas de sexo seguro, e distribuição de preservativos, em locais frequentados por
homossexuais e garotos de programa. Outro trabalho de extrema importância na área social
nesse mesmo mês foi a parceria com o programa Estadual de DST-AIDS, na arrecadação de
alimentos não perecíveis para serem doados às mulheres carentes portadoras do vírus HIV-
AIDS. Já no mês de março realizaram o primeiro Chá Cultural para comemorar o lançamento
do ADHONS, dando assim início há uma série de atividades na parte cultural explorando o
transformismo, por compreenderem que faz parte da cultura dos homossexuais. Em junho
estiveram presentes na parada GLBT em Maceió realizada pelo Grupo Gay de Alagoas-
GGAL, também participaram ativamente com três fortes representantes no V Encontro
Regional de organizações não governamentais - EROGNG que trabalha com a problemática
do HIV-AIDS. No decorrer de todo festejos juninos da capital Sergipana, em parceria com a
Secretária Municipal de Saúde estiveram presentes também na barraca da prevenção do
conhecido e popular Forró Caju. Mas a maior atividade no final do primeiro semestre de
2003, foi o dia do Orgulho Gay, que resgatou um antigo concurso Rainha do Milho Fresco,
que escolhe a Rainha Gay dos festejos juninos Sergipanos, uma festa popular da região
nordeste.

Marcelo fez um trabalho acadêmico relatando a história da ONG, como ela se deu, por
que nasceu, a origem do nome ADHONS, porque ADHONS é um Deus da mitologia Fenícia
e Grega, ele é filho de Zeus, Zeus na mitologia Grega, que teve um filho com sua filha; ele
teve um relacionamento com sua filha, nascendo ADHONS que é um dos mais belos dos
Deuses e como a maioria dos homossexuais tem muita vaidade, na época a concepção era
essa, hoje ele já discorda um pouco, mais naquela época o que se criou foi essa noção.
ADHONS era tão belo que as Deusas Isis e Osíris disputaram seu amor, então de tão belo se
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tornou o mais belo dos Deuses. Deste mito nasceu o nome ADHONS. Daí começaram a
surgir as propostas, as idéias, até chegar a fundação oficial, porque a principal promoção é a
de Direitos Humanos, a cidadania dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgênicos, a garantia
da saúde, da educação e da diversidade cultural; estes são os três principais temas e a luta na
comunidade.

A associação chega ao sexto ano numa maior dificuldade do mundo, porque


culturalmente as pessoas não sabem o que é uma ONG. Na comunidade LGBTT o
preconceito é muito grande, não é só da sociedade, mas da própria comunidade LGBTT,
porque culturalmente no Nordeste os homossexuais que se aglutinam nos grupos tem um
histórico de baixíssima renda. Portanto gays de classe média alta não frequentam a
associação, e isto é um preconceito. Já começa daí, isto não é culpa da comunidade, mais de
certa forma do histórico legal e cultural que a sociedade vem se impondo e isso é complicado.

A ADHONS é sem fins lucrativos, inclusive tem título de Utilidade Pública Municipal,
Estadual e atualmente foi encaminhado o titulo de Utilidade Pública Federal, por quê? Porque
entende que é preciso que se regularize a ONG em todos os aspectos. No Brasil o Terceiro
Setor tem caráter empresarial, é que conta com o CNPG para poder ter tudo o que manda o
figurino e assim compor essa instituição. Assim, em nosso Estatuto e na Constituição
Estadual rege que ela é sem fins lucrativos, e enquanto presidente, diretores e/ou membros de
ONGs não pode ser remunerado, recebam recursos para se manter e na visão dele isso é um
equívoco nas Leis Brasileiras, pois mantêm a sede, a água, a luz, o telefone, tudo na ONG.
Dessa forma, é que vem o grande problema do Terceiro Setor. No Brasil existem ONGs,
instituições financeiras internacionais que financia projetos sociais, como exemplo temos a
fundação Airton Sena, Ford, SESI e outras instituições, só que pra onde executar um projeto
algumas ações precisam de recursos. ONG basicamente hoje no Brasil sobrevive de projetos
sociais, e o que são esses projetos? São projetos executados pela pessoa que elabora e os seis
projetos da associação quem criou fui eu, com ajuda de algumas pessoas formadas em
Português, por que precisa corrigir. Um exemplo, o Ministério da Cultura abriu um edital para
premiar as instituições LGBTT que têm projetos executados de 2007 à 2008. A ADHONS
concorre a este prêmio, porque fizemos um projeto em parceria com o Ministério Público da
Cultura pra desenvolver ações na área do teatro, dança e maquiagem. Mas esses recursos são
pagos a profissionais, por isso o equívoco. Existe uma confusão no Brasil tão grande! Quem é
de ONGs tem dinheiro, pois a fundação Xuxa Meneghel e o Instituto Luciano Barreto Júnior
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tem muito dinheiro por que são empresários. Mas os representantes das ONGs só recebem no
mínimo 20 mil pra executar um projeto e este dinheiro é usado pra pagar profissionais,
técnicos, iluminador etc. Todo o dinheiro é gasto e ai o que acontece? O projeto e o dinheiro
da ONG acaba isso é o grande perigo, pois acaba o dinheiro da ONG e agora? Então no caso
da ADHONS através dos projetos que realizamos, conseguimos os recursos, assim a
associação realizou seis projetos sendo que coordeno alguns porque sou educador e trabalho
na assistência, uma de minhas paixões. Por exemplo, o I Seminário de Direitos Humanos e
DST/HIV/AIDS - Projeto Segura Meu Rei, que teve como público alvo educadores sociais na
luta contra AIDS. Este foi um projeto executado para crianças (meninas e meninos de rua) e o
dinheiro deste projeto acabou, pois foi destinado para pagar profissionais, foi um evento que
precisou de alimentação, transporte, palestrantes. Na realização de alguns projetos às vezes
pedimos a colaboração de algum participante, um exemplo disto é Robson Anselmo, da
Secretaria Municipal de Assistência Social - SEMASC, um especialista em Terceiro Setor,
educador, palestrante, que convidou técnicos da assistência pra fazer o projeto. Outro que
aconteceu da mesma forma foi o da Cultura onde foi convidado Satede, Virginia, Dotal e
Cristal pra fazer, o maquiador. Mas só que estes recursos não são destinados para a ONG, é
essa a confusão que existe no Brasil. Se algumas pessoas criam uma ONG para desviar
recursos público não é caso da ADHONS, porque a instituição tem seis anos de existência, e
parte da estrutura da associação vem do próprio recurso do presidente. Na Argentina as
pessoas doam recursos voluntariamente; já no Brasil os recursos vêm dos projetos sociais.

Em uma tarde foram na associação uns homossexuais e disseram cadê a água? E eu


respondi: Vamos fazer uma vaquinha, porque eu já mantenho a associação do meu próprio
bolso? Atualmente faço algumas articulações políticas pra sobreviver e ganhar uma ajuda para
a associação.

O público-alvo da ADHONS são Gays, Lésbicas, Bissexuais e Trangêneros, porém tem


uma regra no Estatuto que é aberto a qualquer cidadão maior de idade independente de sua
orientação sexual, o que não queremos é guetos e sim gays, heteros, lésbicas que compareçam
na associação. Convidei uma pessoa para conhecer a associação e esta disse que não ia entrar
nisso. Percebi um preconceito. No prédio no andar de cima tem uma sala em que trabalham
uns gays, e eles nunca entraram na ADHONS, mas é uma cultura que vai ser mudada. Na
Holanda as pessoas vão até as ONGs e doam dinheiro.
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São realizadas na associação palestras, oficinas de sexo seguro, participam de eventos e


seminários, como também criam, participam de atividades com outras instituições e
atualmente estão recebendo visitas de 10 à 15 homossexuais por dias, o perfil socioeconômico
é de baixíssima renda, onde começa todo o preconceito, tem o cadastro de preservativo, eles
vão até a associação para pegar camisinha, teste de HIV/AIDS assim diz o endereço do local
que é feito o exame. Um novo foco da associação é contratar um advogado pra Assessoria
Jurídica e Psicológica, sendo este um projeto que eles elaboraram e que teve a idéia de criar
um Centro de Acolhimento para os homossexuais vítimas de violência, mas esse é ainda um
projeto que estão analisando.

OBSERVAÇÃO:

Durante a entrevista presenciamos uma ameaça à Marcelo (presidente da ADHONS)


pelo telefone e devido a isto ele nós contou um outro fato que ocorreu com ele, foi na
campanha dos evangélicos contra os homossexuais em que ele se dirigiu até o CINFORM
onde deu sua opinião, e do CINFORM esteve na tevê cidade, assim quando estava passando
na rua vem em sua direção um rapaz e partiu pra cima dele, sorte dele foi que tinha dois
policiais passando e que o segurou se não ele tinha apanhado dessa pessoa que ele não
conhece.

Os objetivos da ADHONS é a promoção dos direitos humanos em sua plenitude, a


diversidade cultural, a busca e a promoção da diversidade cultural homo afetiva, como
também a inclusão social em todas as políticas públicas e suas amplitudes, pois o que querem
é educação, saúde, lazer e cultura.

Relatou como representante legal, que vê uma população muito despolitizada e que as
pessoas precisam se politizar, e o que é? É se apoderar de informações, e é este o grande
problema da sociedade, a falta de informações, pois existe um rótulo muito grande as pessoas
criticam sem conhecer, se morrer um homossexual atira uma pedra, cadê as ONGs e as
lideranças? Mas a associação estar lá aberta de segunda à sexta e tem gente que não vai,
porque acha que é um bando de viado com AIDS, infelizmente, junta o preconceito, a
sociedade, a igreja e os Gays de classe média alta, porque eles estão em seus apartamentos de
luxo, ricas finíssimas, maravilhosas, então não comparecem na associação que está na base,
sendo assim vejo um público que ainda precisa de informações e busca suas informações e se
apodera; uma massa ainda infelizmente, que deve se politizar e conhecer mais não só ... mas
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uma massa da sociedade , agora é um público que tenho tentado trabalhar, tem se organizado,
lutado, feito eventos, tem lutado de todas as formas para tentar ... essa população e ai o
processo de crescimento que aos poucos vou tentando compreender e vai se politizando cada
dia.

O percentual de público atendido estar entre 10 à 15 usuários, em que a frequência é de,


59 janeiro, 35 fevereiro, 26 março, sendo que abril ainda não tinha o levantamento total da
frequência. Então esses dados se tem a partir da assinatura dos homossexuais no livro de
frequência, tendo assim um controle por mês, e que no mínimo comparecem na associação é
26, geralmente acontece de ser mensalmente entre 59 à 30 usuários.

A forma que o público é atendido vai depender do caso, quando se trata de violência a
primeira coisa que se faz é o acolhimento, onde o presidente marca uma conversa para saber
do fato, de como ocorreu, e a depender do caso é encaminhado para a delegacia de grupos
vulneráveis e depois tenta conseguir um advogado na Assessoria Jurídica, atendimento
psicológico e assim é recaminhado pra as instituições responsáveis; na área da prevenção ele
acolhe na distribuição de preservativo que é na associação, quando tem alguma dúvida com as
doenças sexualmente transmissíveis, tem informativo na associação com os endereços dos
órgão responsáveis que é a delegacia de grupos vulneráveis, onde faz o teste de HIV/AIDS,
sendo assim o atendimento de diversas maneiras, já que a associação não tem uma equipe
técnica de psicólogos e assistente sociais voluntários.

Há vários eventos voltados para o público, trabalhando mais como o de


profissionalização e cultura, realizou curso de maquiagem, realizaram inúmeros seminários
um deles foi a 1ª Semana da Livre Expressão Sexual de Sergipe, onde foi entregue uma carta
as autoridades pedindo providencias contra homossexuais, realizaram também debates,
palestras e principalmente embora criticada pela maioria da sociedade, fortaleceram o maior
evento de visibilidade do movimento homossexual que são as paradas gays, infelizmente as
pessoas não estão entendendo esse processo, mas que ele entende que a parada gay é o maior
evento dos homossexuais e eles precisam ir para rua fazer a parada, outro exemplo é que um
dia antes da manifestação tem uma festa na AUKIMIA onde la ele falou para visitarem a
associação, sendo que eles não comparecem, mas quando ele estar na parada eles também
estão, assim na verdade se precisa aglutinar ainda o público de classe média alta que vão até a
associação, mais na parada tem atividades, eventos, palestras e esse é um momento que se tem
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de falar para eles, então tem a parada e eventos culturais.

A maior característica do Movimento LGBTT é a ousadia e irreverência, mais


principalmente a ousadia, e a coragem de mete a cara, porque, a exemplo dele se expor indo
ao cinforme, pois os grupos estão se organizando e atualmente existe mais de 150
organizações LGBTT no Brasil, então eles tem conseguido aglutinar esse grupo, assim a
marca registrada é a irreverência, a ousadia e a coragem de bota a cara e dizer que é gay, ele
acha que a marca principal que os Bissexuais não tem e que as Travestir estão em processo de
organização, sendo que o gays são bilhões.

O que mais se evidencia na comunidade homossexual são os gays, já as lésbicas impõe


muita coisa achando a sociedade machista mais se tem que mete a cara, pois elas ainda são
muito frágil na organização e os gays são muito aquém e desde de 1968 ... As lésbicas ainda
são pela própria sociedade que educou a mulher pra casar e ter filho.

O Dialogay foi um grupo importante que teve sua história cumprida, mais que chegou
em um determinado momento que não tinha mais condições de continuar e é um processo
histórico natural, assim chegando o seu momento, por exemplo quanto presidente ele luta
como cão de guerra pra que a ADHONS não acabe. Foi criada a Associação de Defesa
Homossexual - ADAH sendo que o presidente esteve na ADHONS, já outra instituição que
deixou de existir foi a Associação Lagartense de Gay e Afins - ALGA.
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ASSOCIAÇÃO DE TRAVESTIS UNIDAS NA LUTA PELA CIDADANIA – UNIDAS

O presente relatório teve o objetivo de coletar informações com a Presidente e


Fundadora da Associação de Travestis Unidas na Luta pela Cidadania - UNIDAS, realizado
no dia 23 de abril de 2009, às 13h00min.
A UNIDAS foi fundada em 1999, no intuito da cidadania das Travestis, apoio e
exercer a cidadania das Travestis aqui no Estado, porque na época elas sofreram muito
preconceito, e quando eu vim morar nessa rua (que reside até hoje), eu tinha que pagar
naquela época para passar na rua, como se fosse o toque de recolher, e aí as Travestis não
tinham acesso aos supermercados, bancos, lojas, etc, elas tinham que ter um companheiro
para que fizesse isso para elas. Quando um travesti adoecia, elas não iam aos postos de saúde,
hospitais devido também por sofrer muito preconceito, sendo que uma medicava a outra e as
vezes os medicamentos não serviam para aquela doença, mais elas eram obrigadas a tomar
porque não tinham acesso á saúde, então depois que a UNIDAS foi fundada com a ajuda de
uma Assistente Social chamada Eliana Chagas, sendo ela que teve a iniciativa de fundar essa
associação com Luciana Lins, essa sendo a primeira presidente da Associação, através de uma
festa de uma Travesti pela qual Eliana conheceu Luciana Lins e numa conversa contando as
situações das Travestis de Aracaju, Eliana se organizou junto as Travestis e fundaram assim a
Associação das Travestis Unidas na luta pela cidadania e de lá pra cá, muita coisa melhorou.
Depois de Luciana, eu fui a segunda presidente, passando por três anos, depois foi Cris que
depois de mais três anos passou novamente o cargo para mim. Quando se veio a fundar a
Instituição, foi com muita dificuldade, devido o fator financeiro, Eliana foi quem pagou os
primeiros alugueis da casa, que alugamos no bairro Siqueira Campos e quem pagava também
despesas de luz e água, depois sim é que veio a se conseguir um projeto de geração de renda,
onde teve curso diversos como: cabeleleiro, de corte e costura, manicure e pedicure, e foi aí
que adquirimos o dinheiro para poder pagar o aluguel, mias desse projeto só foi de seis meses
e depois tivemos que voltar a etapa zero novamente. Seguia-se a rotina de Eliana perpetuar o
pagamento do aluguel, e aí elas foram se segurando com as ajudas que recebiam e atualmente,
em 2009 vão completar 10 anos de existência (surgimento).

A instituição é ONG. A Unidas tem a parceria com o governo Federal, Estadual e


municipal, e seus projetos são mais vinculados pelo programa nacional de DST-AIDS, sempre
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os seus projetos são voltados mais para o programa, então os repasses são de acordo com os
projetos que a instituição mantém.

Quando as travestis chegam a ter algum tipo de problema, já sabem a quem


procurar, elas têm endereço certo, que é a associação. Na unidas trabalha-se a auto-estima
dessas Travestis, ofertando cursos na própria associação e quando não ha projetos, elas não
deixam de fazer reuniões para dar apoio, encaminhamentos médicos, sempre ocorridos por
meio da Assistente Social.

O objetivo, é resgatar as travestis que não tem oportunidade de emprego,por


exemplo,Jessica voltou agora a estudar pois ela quer uma vida diferente pra ela,não quer
depender da rua, e a unidas trabalha muito nesse lado,a instituição não quer tirar as travestis
da rua,quer dar outra oportunidade além da rua,que a travesti vá a rua se ela quiser,não por
depender ou necessitar,a instituição quer dar outro tipo de oportunidade,e aí a instituição está
tentando de alguma forma arrumar outros meios de trabalho para que elas não dependam
somente da rua.

A sociedade naquela época via as travestis como um tipo de coisa que só podia
sair a noite, parecendo um morcego, que não podia sair de dia, hoje depois da fundação d a
unidas, elas saem durante o dia, travestis vão a loja, shoppings, parques, e estão presentes em
todos os lugares,inclusive até nas novelas,então muita coisa mudou depois que as travestis
passaram a se organizar e lutar pelos seus direitos.

Semanalmente, têm nas quintas-feiras as reuniões, estas entre 10 e 15 e às vezes


tem 3,4,5,varia muito,porque a maioria das travestis são de fora(outras cidades,estados) e elas
não ficam aqui no estado,elas viajam muito para Pernambuco,Bahia,São Paulo, as daqui vão
pra lá e as de lá vem pra cá,e varia muito, na última vez que deram uma olhada no cadastro
eram de 30 a 40 travestis daqui do Estado de Sergipe.

A unidas tem uma Assistente Social que elas acostumaram a chamar de mãe,
então as travestis vão pra casa dela, porque tem uma carência muito forte desde infância, já
que a grande maioria das travestis saíram cedo de casa,então elas adotaram Eliana como mãe
e muitas das vezes,a própria é criticada por conta disso,por chamar e ter ela como mãe.Jessica
mesmo encontrou nela, o que não encontrou em sua mãe,ela foi bem acolhida,quando as
travestis chegam na Associação são bem tratadas,acolhidas,tem um apoio de Associação e
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tanto Eliana quanto Jessica dão um grande suporte a todas,se sentindo assim em
casa.Atualmente a associação tem advogado.

As datas comemorativas de cada travesti (aniversario) por mês e durante o ano


todo são festejadas, sendo esses aniversários lá na associação, também tem as comemorações
do dia das mães, também se fazem shows,onde elas aproveitam e transformam,tem as datas
natalinas, seminários, palestras. Dia 9 de julho elas organizaram um seminário de assessoria
sócio jurídico e atualmente estão com o balcão de dados, uma vez por mês no centro de
Referencia e combate a Homofobia, estando participando de uma conferencia livre na Fapese,
e sempre organizando outros eventos.

Tem a travesti Transexual e tem as Drag‟s quins que na maioria das vezes as
pessoas confundem. Jessica relata que certa vez estava conversando com uma pessoa que lhe
falou ter ido a uma festa onde tinha uma travesti fazendo performance, estando também
maquiada, logo Jessica veio esclarecer qual a diferença entre as partes,já que travesti se
traveste 24 horas de mulher,tem peito(seios),a maioria não tem pelo no rosto e corpo,é isso
que ela vê como sendo uma travesti,não o individuo que faz performances de shows .No
passado elas diziam que as travestis eram aquelas que tinham silicone,hoje não se vê mais
desse jeito,o fato da pessoa se travestir como mulher,já a faz ser travesti na concepção de
Jessica,já a transexual é a que faz cirurgia física ou de cabeça (ex:uma determinada pessoa
pode dormir e acordar e dizer que é transexual e ninguém vai dizer que não).Então a maior
característica da travesti é ser toda feminina(se sentir feminino,mulher)

A travesti ela já é notada em quase todo lugar, porque chama muito a atenção,
porque a travesti passa em qualquer lugar e as pessoas param, se ela tiver seios e bumbum
bem volumosos, as pessoas olham logo e dizem afé que travesti dos seios enormes, às vezes
está em certos lugares também faz a pessoa perceber e olhar de outra forma.
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MOVIMENTO DE LÉSBICAS DE SERGIPE – MOLS

A presente entrevista teve o objetivo de coletar informações com a Presidente do


Movimento de Lésbicas de Sergipe - MOLS, realizado no dia 29 de abril de 2009 às
18h00min.
O MOLS surgiu a partir [...]a ADHONS tem um período de seis anos, inclusive teve um
documentário sobre ela no centro de criatividade, e ela participou desde do inicio de sua
fundação e dentro desse período sendo mista por estar participando da instituição,

Sendo ONG, o MOLS vai fazer um ano em agosto [...] quando lançaram o MOLS e
houve uma preparação toda, esperou também por uma data especifica, uma data nacional, 29
de agosto, dia Nacional da Visibilidade Lésbica, é uma data comemorada nacionalmente e
então nesse processo de aprendizagem, ela esperou que chegasse no dia 29 de agosto, pra ser
lançado, a instituição praticamente em 2007, mais o MOLS já existia entre 2003 e 2004, só
que tem o processo de formação política, que você se da conta que tá preparando algo novo,
inédito, foi assim que ela começou a desbravar esse [...] já as parcerias procurou relacionar o
Centro de Referência que foi umas das vitórias também, que todos os Estados tem o centro
que vai da assistência ao movimento LGBTT e a seus usuários, Secretária de Segurança
Pública através do Centro de Referência, inclusive o lançamento do MOLS e foi no Centro e a
partir [...] fizeram parcerias com a Secretária de saúde porque uma das características e
trabalho vai ser e é voltado pra saúde pública da mulher, das lésbicas, das bissexuais, e já
fizeram parcerias com as Secretárias no intuito de começar a entrar dentro dessas áreas que
mexe muito com a saúde da mulher. Tem as lésbicas que já são idosas, tem a questão do sexo
seguro entre as mulheres, lésbicas que são virgens que nunca se relacionaram com homens,
como é que os postos de saúde trabalham com essas mulheres, como é o atendimento dado a
elas relacionadas a virgindade da própria mulher porque tem lésbicas que nunca se deitaram
com homens, nunca tiveram relacionamento hetero e elas por terem uma vida sexual ativa só
com mulheres, então a associação tem uma preocupação com a saúde da mulher, em questão
do útero, câncer de mama, é bem especifico, e também o fato da lésbica pra elas chegar ao
posto de saúde igual a uma “mulher normal” com o procedimento normativo que a sociedade
impôs, ai ela vai no posto de saúde e as perguntas voltadas pra ela sobre o relacionamento
dela, a intimidade,e elas ainda são um pouco inibidas,tem ainda aquela questão de expor a sua
72

intimidade, e elas ainda são um pouco inibidas, tem ainda aquela questão de expor a sua
intimidade, ai ela que faz capacitação dentro do[...], da saúde, nos hospitais, direitos humanos,
é muito extenso e muito trabalho.

As lésbicas e as bissexuais trabalha com as mulheres também, mais o seu público


especifico são as lésbicas, bissexuais. Nas suas especificidades, é um público diferenciado do
gay, as mulheres são mais, não se expõe tanto [...] a hetero também é bem evidente, porque as
mulheres são mais retraídas, porque os homens mostram mais atitudes em relação a algumas
coisas e isso acaba reproduzindo em alguns casais.

Começaram a trabalhar o publico através de palestras, campanhas preventivas, bares


com freqüência de lésbicas, no bairro Lamarão houve um evento porque existe um bar com
frequência de mais de 50 mulheres e conseguiram levar o Drº.Almir Santana, fizeram
divulgação de materiais preventivos sobre a saúde da mulher e aí começa a trabalhar nessa
área, o intuito é de está fazendo parcerias com as Secretárias, é justamente deixar os núcleos
do MOLS em cada município e começar a trabalhar dentro das periferias dos municípios do
Estado, estão tentando uma aproximação mais do governador do Estado pra ter uma
aproximação mais dele e mostrar realmente qual é a intenção de trabalho, porque existe as
áreas que se encaminha até ele, as Secretárias servem para isso, é uma ponte, mais quer
chegar até ele.

O objetivo do MOLS é trabalhar pela cidadania das mulheres, é trabalhar políticas


voltadas para as lésbicas, se Ednalva tiver algum dia que se mudar de Aracaju, ela quer deixar
as políticas públicas implantadas com implementação política, inclusive das que estão
trazendo pra cá é o dia da Visibilidade Lésbica e vai entrar para o calendário do Estado de
Sergipe como uma data a ser comemorada, o dia 29 de agosto e vai[...], com o aniversário do
MOLS que é dia 29 também, vão usar tribuna, e é um projeto de lei está em tramitação na
câmara dos vereadores, e isso já é um avanço, o objetivo dela quanto presidente é lutar, levar
até os gestores governamentais a necessidade da lésbicas e bissexuais, e começar a buscar
essas políticas publicas, pois existe direitos que nos são negados, que não temos
conhecimentos e o papel do MOLS é esse, trabalhar sobre tudo inclusive informações,
sexualidade.

Falando assim politicamente, eu estou começando a observar de outra forma, ainda vê o


público alvo opresso e estão tentando quebrar um monte de forma de preconceito e abrir
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espaços para que as mulheres comecem a se mostrar, ela vê um público ainda que não tem
uma preparação pra encarar esse preconceito da sociedade, aí o MOLS com esse trabalho do
tipo de informação, conscientização, quer trazer o público que geralmente está mais no
guetos, então o que querem é atrair essas mulheres e mostrar o caminho que elas tem com
direito de cidadã independente de sua orientação sexual, é como se essas mulheres, por ser
uma das características delas de não se expor, elas acabam se encontrando em bares e ainda
tem aquela reclusão de não se expor muito para a sociedade. O público ainda aqui no Estado
de Sergipe está começando a ter conhecimento dessa liberdade agora, e ela ainda se perguntou
por quê? Porque a partir do MOLS, a partir que se tem o movimento de lésbicas de Sergipe, é
significante que tem mulheres a mostrar a cara e exigir seus direitos como cidadã, e sendo eu
lésbica feminista, ela percebe com o também teve essa dificuldade de sair, começar a exigir
esses direitos e batalhar como uma lésbica feminista, ainda ela vê com o uma área muito, com
uma vasta dificuldade pra ainda trabalhar com esse público. Vão trabalhar conscientização,
informação, divulgação, porque trazer mulheres assim pra rua mesmo, elas querem fazer tipo
o como elas foram para o Fórum Social Mundial, é levar as mulheres pra rua, marcha,para a
parada gay que elas tem de especial, porque tem lésbicas que cometem o suicídio, elas não
dividem seus problemas interno, porque não quiseram se expor, uma coisa que aconteceu
muito nos interiores também é o suicídio, de mulheres que se descobrem lésbicas e devido
aquele tradicionalismo hetero patriarcado principalmente nos interiores que as mulheres são
tidas pro marido, pra cuidar da casa, dentro daqueles padrões conceituados de passividade,
submissão, ela foi feita pra procriar, cuidar do esposo, a sociedade é como se ela esculpisse a
mulher para aquele papel, quanto as lésbicas tem um histórico muito grande por traz, porque o
trabalho da associação não vem expor apenas a atração sexual que elas tem por mulheres ou
atração sexual por pessoas do mesmo sexo, vão além disso e isso é uma forma política de
reinvidicação, quando as mulheres começam a perceber que elas tem o direito de escolher ir
pra maternidade, se ela quer ou não se deitar com um homem. Nós temos um modelo de
sociedade totalmente voltado pra esse machismo, onde ela coloca a mulher no seu padrão
social, ai quando Ednalva diz que somos lésbicas, quer dizer que não são mulheres, quando
ela diz que não são mulheres, ela se refere as mulheres socialmente e culturalmente falando.

O MOLS ainda está em processo de iniciação e a partir de agosto que vai ter uma
estrutura física, que ainda não tem (ainda não tinha no período da entrevista), por isso para as
reuniões, elas são feitas na UNIT do centro (Campus I), que foi oficializado com o Diretor e
ele sede sala para as reuniões e não tem uma estrutura física assim pra ficar fazendo esse
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atendimento, tendo esse controle que pudesse nos passar no momento, mais tem pessoas
afiliadas ao MOLS, tem documentação, ta na agenda de processo de fase de crescimento, ta
dentro das iniciativas do trabalho de informação, filiação, atualmente legalizado na
documentação e tem em torno de 15 a 20 meninas (público atendido), é muita gente que tem
contato.

O MOLS surgiu foi no Conjunto João Alves, onde ela morava e trabalhava em uma
pizzaria nesta localidade, e a dona da empresa só contratava apenas mulheres com bio tipo
masculino, ai ela começou a conversar com as meninas, observar e que achava interessante, e
a gente poderia criar um movimento a partir daí tem que exigir seus direitos e ela começou a
conversar com elas sobre isso e ai nesse período ela não tinha nada, nem pensava no MOLS e
ela até levou o representante da ADHONS para a palestra e nessa reunião teve 30 pessoas,
este evento foi bem legal, daí acabou e tem aquelas questões internas quando a instituição
procura seu perfil, acaba criando uma situação desagradável com outras instituições, mas o
MOLS começou bem antes dentro assim Somos Lés que caracterizou, onde trouxe o
Movimento Lésbica de Sergipe, mais se discutia isso bem antes no Conjunto João Alves e foi
daí que começou exatamente as reuniões. Porém o Somos Lés foi bem antes do MOLS e ela
estava na ADHONS em que não tinha conhecimento, só que na ADHONS ela recebeu o
convite para representa as Lésbicas nesse evento já que ela era a única Lésbica na instituição e
sempre ficava questionando sobre as mulheres, cadê as mulheres, cadê o representante das
Lésbicas e ela percebeu que só era ela, então quando ela foi pra esse evento e começou a
conversar com as meninas ela viu a forma política de se trazer para o Estado o Movimento de
Lésbica de Sergipe.

Em agosto do decorrente ano vai ocorre uma semana de evento na Fapese que é um
curso de formação política com o professor [...] e as pessoas são super capacitadas que vão
estar ministrando temas e esse é o primeiro curso de formação política pra movimento sociais
e o MOLS vai ta coordenando, então esse vai ser o primeiro evento inédito no Estado de
Sergipe sendo um trabalho que antecede o dia 29 de agosto que é o Dia da Nacionalidade
Lésbica e Nacionalmente é a Semana da Visibilidade Lésbica e aqui no Estado vão fazer a
Semana da Visibilidade Lésbica com o curso, e isto será uma atividade especifica do MOLS,
onde serão realizadas atividades, palestras e oficinas. Já os eventos que Ednalva participou
como representante do MOLS foi de um trabalho realizado na UNIT( Campos II) pela
professora Jesana, parada Gay , mais voltadas para a associação ela foi em alguns eventos
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nacionais por ainda estar em processo de iniciação, estando com dez meses de funcionamento,
assim participou do Fórum Social Mundial levando materiais da associação, fazendo a
divulgação e participando de discussões com a Liga Brasileira de Lésbica – LBL, e a
Articulação brasileira de Lésbica - ABL com quem são afiliadas sendo este um órgão nacional
que tem afiliações com o MOLS, também são afiliadas com a ABGLT, então por conta da
associação estar em processo de criação, tem uma agenda muito grande pra começar a
trabalhar, e Ednalva objetiva uma meta para depois do dia 29 de agosto em que a associação
faz um ano, que é destrinchar todos os eventos do MOLS.

Na minha opinião a própria sigla é uma característica bem forte, sendo que dentro dos
movimentos sociais é a organização, pois quem estar de fora não percebe que é um
movimento organizado, bem e a outra característica é evidente.

Segundo a sua visão dos membros da composição que se evidencia mais atualmente e
justamente por ser uma questão de segurança que envolve violência, exposição física são as
Travestis, porque se expõe mais, é bem mais visualizadas, tendo o problema relacionado com
a prostituição que é uma questão de sobrevivência, como também a forma como ela se
apresenta na sociedade que é considerada muito chocante, assim o retorno quando a sociedade
vê é muito violento e acaba com a morte de um travestir, a exemplo, se elas são evidenciada
mais, se expõe mais, são atacada mais, então as lésbicas ainda não começaram as
reivindicações, assim ela acredita que as lésbicas não vão ser agredidas como são as travestir,
apesar de ter um termo em inglês [...] que são aquela mulheres que tem o biótipo masculino,
tem uma maneira de se expressar bem masculinizada.

Dessa forma quando ela se refere “masculino” porque a lésbica não que ser um homem,
ali é todo um processo psicológico a reprodução de um bio tipo masculino que não tem nada a
ver com a homossexualidade dela e que ta querendo ser um homem ou agir como tal, apesar
de que infelizmente um dos nossos grandes problema [...] da lésbica no geral, é a reprodução
da heterossexualização dentro dos casais homossexuais e que eles acabam reproduzindo a
sexualidade hetero, ou seja, em um casal de lésbica geralmente se pergunta quem é o homem
e quem é a mulher, ai eles colocam entre gênero, vai se descobrir quem é o sexo masculino ou
feminino, ai não existe isso e sim o que eles chamam a heterossexualização dos casais
homoafetivas e que acaba por reproduzir o que os casais hetero são, e isso é uma das falhas
saber se conscientizar dos papeis, sendo que elas acabam reproduzindo isso
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inconscientemente devido à sociedade, modelos culturais e depois que ela começou a fazer
umas pesquisas com lésbicas feministas, ela tem o maior orgulho de dizer hoje é que se
devem conscientizar essas mulheres de que é realmente ser lésbica, qual é o seu papel de
lésbica. Ainda falou de um texto de Safo que é uma sacerdotisa e poetisa que começou a
propagar o amor entre mulheres, e originou a lesbianidade milenar, antes de cristo, assim hoje
ela diz que é uma discípula de Safo e que tem lésbicas que não sabe quem foi Safo e esse é
um trabalho que ela que fazer de conscientização, de que elas não sabem da sua própria
lesbianidade e isto é uma coisa pra ser trabalhada, como também os aspectos políticos,
psicológico e culturais.

A associação se chama MOLS, porque uma pessoa disse a Ednalva para que não se
chamasse MOLS, pois poderia ser agressiva a palavra lésbica, mais ela disse que este era um
Movimento de Lésbica de Sergipe, ela é lésbica e a gente tem uma política pra ser trabalhada
aqui e sua intenção de criar esse nome era justamente atrair a atenção para o nome Lésbica.

Uma instituição que veio atuar e que foi desativa, ela só sabe do Dialogay, a mais antiga
que parou de atuar com demanda e inclusive seus representantes daquela época, estão
voltando a se encontrar e isso ela acha que eles estão querendo ativar a ONG, mais que dados
ela não tem disponível.
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DIALOGAY

A presente pesquisa teve o objetivo de coletar informações com uns dos


fundadores do Dialogay Wellighton, realizado no dia 30 de abril de 2009 às 17h00min.

Antes do Dialogay ele participava da Comunidade Católica de Homossexuais que


ficava no bairro Siqueira Campos e depois ele foi para a religião evangélica onde ele
trabalhava como professor de classe evangélica dos adolescentes, além disso, ele assumiu sua
sexualidade e fundou o primeiro jornal gay, o jornal homossexual aqui em Aracaju que era o
Jornal Lampião da Esquina no antigo DCE que ficava na Rua de Itabaiana e onde foi o
primeiro movimento LGBTT em Sergipe que fez trechos no DCE próximo a galeria Álvaro
Santos, sendo que depois do Lampião da Esquina nos anos 80, fundou-se o Jornal Gay
Internacional no calçadão da João Pessoa na antiga banca Coelho que ficava localizada em
frente ao antigo Cinema Palace, e logo após sair o seu nome nestes jornais é [...] do grupo gay
da Bahia no qual o procurou, sendo que ele morava na vila Senhor do Bonfim que ficava ao
lado do quartel da PM e onde foi procurado para fundar o grupo, em fundaram, se reuniram
com oito estudantes da UFS, em que fundaram esse grupo e daí foi escolhido três nomes
diferentes no qual não se recordava, só lembrava-se da época que é o mesmo até hoje que é o
Dialogay, por quê? Por que foi um diálogo entre as pessoas homossexuais, o Dialogay foi e é,
está sendo o primeiro movimento, o primeiro grupo do Brasil, do mundo com o nome
adequado para as pessoas LGBTTs, sendo hoje o segundo maior grupo mais antigo do mundo
em Sergipe.

Realizamos várias campanhas de Combate a AIDS, em que 83 foram realizadas


no hotel palace com a presença de médicos, a sociedade civil, trouxeram preservativos,
palestras, debates, seminários, filmes e depoimentos de pessoas com HIV/AIDS a nível
nacional, daí começaram a fazer um trabalho humano e voluntário, em que até hoje DST é um
trabalho humano e voluntário nas campanhas de combate a AIDS em relação ao carnaval, aos
grupos carnavalescos, em relação à praça do antigo clube do povo trouxeram um ator global
de São Paulo, sendo que a Globo patrocinou trazendo essa pessoa [...] é para o carnaval, para
o clube do povo, onde ele deu seu depoimento, em que todo mundo parou, se concentrou
pegou seu preservativo e ouviu o depoimento desse soro positivo, em que hoje é falecido,
assim criaram postos de atendimento 24 horas na semana do carnaval tanto na Praça Fausto
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Cardoso como na Atalaia, e discussões sobre a luta de combate a AIDS, sobre a luta LGBTT,
onde expôs materiais na UNIT, UFS e em várias faculdades onde realizaram vários tipos de
palestras sobre a violência, direitos humanos, sobre tudo a tudo, ele sabe que esse [...] fazer e
promover várias atividades, várias coisas, várias palestras, tanto para a PM quanto para
empresas de ônibus, para motoristas, também tiveram trabalhos em relação às pessoas que
sofrem preconceito, violência, hoje dá-se o nome de homofobia.

Diante disso conseguimos várias vitórias, como o nome em uma rua, na câmara
dos vereadores na época do vereador Juvenal Francisco Santos, com a Rua 28 de junho que é
uma comparação do dia do orgulho de identidades homossexuais por isso que hoje depois
dessa data existem as paradas, as diversidades, os games na Bahia, em Sergipe e no mundo,
graças a Deus estou vivo e com 54 anos de idade, três décadas de movimentos LGBTTs na
luta contra a AIDS, moro na Bahia em São Sebastião do Passé precisamente hoje fundei outro
grupo neste local pelos direitos humanos LGBTTs e aonde promovo a parada do Norte –
Nordeste, com 70 mil pessoas com direitos humanos, com diversidade, com palestras, com
condição, aonde vem gente de todo o mundo.
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ASSOCIAÇÃO SERGIPANA DE TRANSGÊNEROS – ASTRA

A presente entrevista teve o objetivo de coletar informações com a Presidente da


Associação Sergipana de Transgêneros – ASTRA- Direitos Humanos e Cidadania LGBTT,
realizado no dia 30 de abril de 2009 às 20h00min.
A ASTRA foi fundada em novembro de 2001 através de uma coordenação de estudos
junto com outro grupo que existia que era o antigo Dialogay de Sergipe que é o segundo
grupo mais antigo do país, a partir dessa coordenação a gente começou a fazer, o grupo de
estudo era sobre Travestis e Transexuais, a gente começou a amadurecer a idéia do grupo a
partir dessa coordenação, um ano depois da ASTRA fundada, com menos de um ano
ganhamos a grande responsabilidade de fazer a primeira Parada GLBT do Estado que já não
era uma ação só de travestis e transexuais, era uma ação mais ampla, que os outros grupos da
época não acreditavam, na época existiam outros dois grupos que diziam que não acreditavam
que Sergipe podia ter um evento daquele suporte igual tinha São Paulo, a gente bancou,
acreditou e hoje é principal gancho da instituição, é a atividade que a gente mais prioriza, que
a gente dá maior ênfase ao trabalho, é junto é com as outras organizações é a realização da
parada junto com o circuito do orgulho que é em anexo, então já em 2003 quando o Dialogay
acabou a gente recebeu muita gente que militava no Dialogay, gays, bissexuais, que eram é,
que já faziam parte do Dialogay que gostariam de continuar desempenhando o trabalho no
grupo, então houve a demanda da gente mudar o estatuto e fazer com que a entidade não fosse
só de travestis e transexuais, fosse entidade mista, por isso o primeiro nome chamava-se
Associação Sergipana de Transgêneros e depois ela muda em 2003 para ASTRA – Direitos
Humanos e Cidadania GLBT e até então a gente vem dessa data pra cá, a diretoria é sempre
dividida, mista, entendeu? Hoje em dia faz parte da diretoria travestis, transexuais, gays, no
conselho fiscal têm até bissexual que é muito difícil da gente identificar numa cidade
preconceituosa igual Aracaju e aí a gente mantêm essa regra desde mudança do estatuto em
2003.

A primeira parada aconteceu em 28 de julho de 2003. A ASTRA é uma organização


não – governamental é uma ONG, a gente já teve parcerias com diversas entidades, outras
entidades seriam parcerias de desenvolvimento de ações que são parcerias que às vezes
técnicas políticas e parcerias de repasse de recursos financeiros, a gente já teve com a Beth
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Fire do Brasil que é uma ONG de Salvador que é uma ONG internacional e que gerenciava
recursos da UNAIDS aqui, agora a gente tem uma parceria com a PACTE que é uma ação
regional que a ASTRA é responsável pelo Centro de Capacitação Regional de Travestis e
Transexuais, então a gente ta iniciando na verdade agora, ainda não começou a parceria com a
PACTE, e tivemos projetos já com o Ministério Cultura e o Ministério da Saúde através do
Programa da Saúde DST / AIDS que é parceiro nosso desde a primeira parada e assim em
outras ações como projetos de prevenção nos interiores do Estado e projeto de capacitação e
integração de travestis e transexuais, desenvolvimento na verdade do encontro do nordeste
que a gente ta fazendo no final desse mês com apoio do programa nacional.

O público alvo seria o público LGBTT seriam lésbicas, gays, bissexuais, travestis e
transexuais, só que para ser bem sincera a gente tem uma facilidade maior de trabalhar com o
público de gays, bissexuais masculinos e com as travestis e transexuais, a gente tem muita
pouca freqüência de lésbicas, tem até digamos algumas atividades, algumas reuniões a gente
recebe mais é muito menos, assim basicamente nosso trabalho fora a parada que é uma coisa
mais ampla é basicamente voltada para gays, bissexuais masculinos, travestis e transexuais.

O objetivo principal da organização é privar e garantir os direitos humanos da


população, direitos humanos, a cidadania plena da população LGBTT, mas dentro dessa
nuance se subdividindo a gente trabalha diversas outras questões como digamos a saúde dessa
população, a gente já teve um trabalho incisivo, hoje a gente da ASTRA é de lá do Conselho
Estadual de Saúde justamente por esse perfil que trabalhado muito campo da saúde da
população LGBTT, a ASTRA já trabalhou muito a questão cultural nos nossos refrescos
culturais aqui, até no ano de 2006, então a gente consegue o apoio do Ministério da Cultura
onde a gente trabalhou algumas atividades culturais dentro da parada, muito interessante nesse
ano (refere-se ao ano de 2008) no campo da segurança, no campo da educação,hoje a
instituição representa as travestis do Brasil todo no GT do Ministério da Educação pra
formular campanhas de políticas públicas na área da educação então a gente trabalha políticas
públicas inclusivas e acaba tentando se inserir em todas as pastas governamentais.

A organização vê um público vulnerável, que tem uma certa carga de preconceito,


discriminação oriunda da sociedade de uma forma geral, porém a gente tem muitos avanços
na questão assim de sociabilizar nossa própria comunidade fazer com que ela pare de se
esconder dentro do armário, pare essa auto organização em guetos, a gente não fez a
instituição para se transformar naquele grupinho só, daquelas pessoas que trabalham, por isso
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que a parada é muito importante, parada interage com toda sociedade, as atividades que a
gente faz do orgulho tem esse intuito de interagir fazer com que a sociedade comungue com a
comunidade LGBTT , uma sociedade sem nenhum tipo de distinção, como raça, sexo,
identidade de gênero, religião, então acho que é muito gostoso assim você visualizar esse
avanço, a parada tendo esse grande perfil de mudança cultural, mudança social,com a questão
da população nossa, então a gente visualiza isso que a gente tem muito que ainda trabalhar,
que a gente tem muito querer de inserir a população LGBTT digamos ainda temos coisas que
ainda parecem distantes do nosso universo como não ter como só alternativa a prostituição de
travestis e transexuais, a gente pensa que isso é algo que assim ta tão difícil de se concretizar
mas se a gente pensar que até mais ou menos quinze anos atrás travestis e transexuais só era
visto como objeto sexual, que só vivia a noite, que durante o dia vivia escondida de toda a
sociedade a gente vê que já deu um grande pulo.

A instituição tem um programa de distribuição de preservativos na sede que dá mais


ou menos um quadro de quantas pessoas a gente recebe aí o que acontece, a gente vai fazer
um diagnóstico, a gente não vai ser preciso pra vocês, até por que a gente tinha um
mecanismo aqui que era listas de presença e a gente acabou com isso, por que isso dava uma,
como é, uma prisão pra gente mediante a isso a gente não quer, a gente tem esse trabalho de
distribuição de preservativos, que agente faz um balancete que a gente hoje distribui
preservativos para mais de 380 pessoas aqui na sede, entendeu, essas pessoas pegam
camisinhas semanalmente, aqui então a gente recebe uma pessoa que pega hoje e só pega
daqui há dois meses, ta entendendo, eles não sentem necessidade, tem outras pessoas que já
pegam com freqüência toda semana, a gente tem as reuniões aqui quinzenais que a gente tem
o fluxo as vezes dá dezoito pessoas, quatorze, picos de trinta e dois, então é uma coisa muito
constante, a gente tem um atendimento médico voluntário aqui também, a gente atende dez
pessoas por mês, o médico que é homossexual se prestou a ser voluntário, a fazer um
atendimento mais especifico aqui na sede, entendeu, então tudo isso é um serviço de
atendimento, a gente recebe demandas digamos um mês a gente pode digamos mês de caça as
bruxas, então a gente recebe dez demandas daí direcionadas a delegacia questões de violência,
desrespeito, questão de agressão física, de repente tem outros meses só teve uma, duas e aí é
muito corriqueiro, muito inconstante a gente mapear esses dados.

Os eventos são a parada anual, o refresco cultural quinzenal é uma atividade onde
fazemos oficinas dentro dela, a quarta legal é uma atividade onde o psicólogo media uma
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discussão, provoca que essa discussão fique mais acalorada, que é uma estratégia nossa, é
uma vez por mês essa atividade, esse atendimento médico voluntário que é uma vez por mês,
a primeira segunda – feira de cada mês aqui na sede, a questão de nossas atividades externas
de intervenção hoje digamos alguns projetos a gente tem muitas atividades externas como a
questão do projeto [...] de drogas a gente ta executando junto com a ASTRA [...] nos pontos
de prostituição e pontos de sociabilização de gays a noite na capital, é as oficinas e os projetos
que são aqui também na sede, tem uma série de atividades.

A maior característica do movimento LGBTT é ser um movimento transformador,


movimento que assim é ta reivindicando que é engraçado quando você fala o Síntese
reivindica uma educação de qualidade, e o tratamento igualitário para os professores e a
questão de estrutura de salário aí você o movimento, o movimento LGBTT pede pra viver,
solicita que a pessoa tenha direito a vida, direito digamos a não ser assassinado, direito a ter
seu direito de vida respeitado, de não se sentir excluído no mercado de trabalho, não se sentir
discriminado no momento de alugar uma casa por ser homossexual, então assim é uma
característica bem diferente então o movimento é de luta e de luta por sobrevivência, então
isso é bem diferente assim, por um lado dá uma característica super de força para esse
movimento, as pessoas estão nele por força mesmo, por força de vontade, por questão de
causa própria e de causa coletiva, mas se vê no outro, vê no que você sofreu outro e digamos
assim como eu mesma é, um dia desses no posto de saúde com próprio problema de saúde
meu o quanto eu vi que pra mim que sou conhecida que as pessoas até olham com outro olhar
o quanto pra mim é tão difícil o acesso a saúde o quanto é difícil é a pessoa hoje ser travesti e
ser tratada igualitariamente dentro do serviço de saúde, imagine Maria lá na terra dura que
não tem acesso a educação,que não teve instrução, que foi excluída pela família, que foi
expulsa de casa e chegar até ter seu mínimo de direito a saúde garantido então é uma coisa
maluca, assim, mas é uma coisa legal.

A que mais evidencias são as travestis e os transexuais por assim na identidade de


gênero ela já expôs tudo, o gay e a lésbica podem viver uma vida social às vezes até não
demonstrando a sua sexualidade não to dizendo que isso é a prática, a gente até tenta que não,
que a maioria viva uma vida realmente de não ter bloqueio cm sua sexualidade, com sua
orientação, mas assim as travestis e transexuais são as mais discriminadas por isso, ela externa
por sua vestimenta, por sua forma física, é toda sua expressão na vida, ela vivencia aquilo 24
horas, então a carga de preconceito é maior, é a mais vulnerabilizada.
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A instituição que deixou de atuar foi o Dialogay, onde a ASTRA começou, o Dialogay
foi o segundo grupo mais antigo do país que deixou de existir por causa de é problemas
judiciais, ligadas a uma denunciação da última administração do grupo que acabou assim
tirando na verdade o cunho de organização não – governamental dando um cunho mais de
empresa Dialogay que foi muito nocivo quando as pessoas na verdade precisavam ter a alma
de militantes, as pessoas estavam com a alma de funcionários, então aí por isso a instituição
acabou, foi muito traumático na época mais aí por outro lado nasceu um novo movimento, a
gente deu um novo rumo pro movimento e a parada é muito importante pra isso, a parada foi
uma grande âncora pra assim não deixar acontecer como em outros Estados, a gente tem casos
em outros Estados que aconteceu algumas questões que acaba que no momento crucial o
movimento fragiliza e fica mais fraco e aqui em Sergipe não, Sergipe se deu uma nova cara,
uma nova visão e na minha avaliação o movimento ficou muito mais forte, muito mais cara de
movimento.
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Figura 1. II Seminário de Controle Social do SUS da População LGBTT, em 29/08/2008, em Aracaju/SE.


Foto: Valeska dos Santos Alves

Figura 2. II Seminário de Controle Social do SUS da População LGBTT, em 29/08/2008, em Aracaju/SE.


Foto: Valeska dos Santos Alves
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Figura 3. Parada Gay, em 31/08/2008, em Aracaju/SE.


Foto: Valeska dos Santos Alves

Figura 4. Parada Gay, em 31/08/2008, em Aracaju/SE.


Foto: Valeska dos Santos Alves