O Que é Religião (Rubens Alves

)
ÍNDICE

P e r s p e c tiv a s .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ....7 O s s í m b o l o s d a a u s ê n c ia ... . . . . . . . . . 1 4 O e x ílio d o s a g ra d o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 6 A c o i s a q u e n u n c a m e n t e .. . . . . . . . . . . . . 5 2 A s flo re s so b re a s c o rre n te s.........6 8 A v o z d o d e s e jo . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . 8 5 O D e u sd o so p rim id o s...............1 0 2 A a p o s ta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1 5

I n d ic a ç õ e s p a r a le itu r a .. . . . . . . . . . . . . . 1 3 0

0 7

PERSPECTIVAS

A q u i

e s tã o

o s s a c e rd o te s ;

e m u ito

e m b o ra

s e ja m

m e u s

in im ig o s . . . m e u

s a n g u e e s tá lig a d o a o d e le s ." (F . N ie tz s c h e , A s s im fa la v a Z a ra tu s tra ).

H o u v e te m p o e m

q u e o s d e s c re n te s , s e m

am o r a D e u s e sem

re lig iã o , e ra m

raro s. T ã o ra ro s q u e os m esm o s se

e s p a n ta v a m c o m a s u a d e s c re n ç a e a e s c o n d ia m , c o m o s e e la a s sim q u e n ã o fo ra m p o u c o s in o c e n te s . T o d o s eram o s q u e fo ra m q u e im a d o s n a

fo s s e u m a p e s te c o n ta g io sa . E d e fa to o e ra . ta n to f o g u e ir a , p a r a q u e s u a d e s g r a ç a n ã o c o n ta m in a s s e o s

e d u c a d o s p a r a v e r e o u v ir a s d o m u n d o r e lig i o s o , e a c o n v e r s a c o tid ia n a m e n te , e s t e té n u e v is õ e s , e x p e riê n c ia s

fio q u e s u s te n ta v is õ e s d e m u n d o , c o n firm a v a , p o r m e io d e re la to s d e m ila g re s , a p a riç õ e s , m ís tic a s , d iv in a s e

08 demon€acas, que este • um universo encantado e maravilhoso no qual, por detr‚s e atrav•s de cada coisa e cada evento, se esconde e se revela um poder espiritual. O canto gregoriano, a mƒsica de Bach, as telas de Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel, a catedral g„tica, a Divina Com•dia, todas estas obras s…o express†es de um mundo que vivia a vida temporal sob a luz e as trevas da eternidade. O universo f€sico se estruturava em torno do drama da alma humana. E talvez seja esta a marca de todas as religi†es, por mais long€n quas que estejam umas das outras: o esfor‡o para pensar a realidade toda a partir da exigˆncia de que a vida fa‡a sentido. Mas alguma coisa ocorreu. Quebrou -se o encanto. O c•u, morada de Deus e seus santos, ficou de repente vazio. Virgens n…o mais apare ceram em grutas. Milagres se tornaram cada vez mais raros, e passaram a ocorrer sempre em luga res distantes com pessoas desconhecidas. A ciˆncia e a tecnologia avan‡aram triunfalmente, construindo um mundo em que Deus n…o era necess‚rio como hip„tese de trabalho. Na verdade, uma das marcas do saber cient€fico • o seu rigoroso ate€smo metodol„gico: um bi„logo n…o invoca maus esp€ritos para explicar epidemias, nem um economista os poderes do inferno p‚ra dar Contas da infla‡…o, da mesma forma como a astronom ia moderna, distante de Kepler, n…o busca ouvir harmonias musicais divinas nas regularidades

09 matem‚ticas dos astros. Desapareceu a religi…o? De forma alguma. Ela permanece e frequen temente exibe uma vitalidade que se julgava extinta. Mas n…o se pode negar que ela j‚ n…o pode frequentar aqueles lugares que um dia lhe pertenceram: foi expulsa dos centros do saber cient€fico e das c‰maras onde se tomam as decis†es que concretamente dete rminam nossas vidas. Na verdade, n…o sei de nenhuma inst‰ncia em que os te„logos tenham sido convidados a colaborar na elabora‡…o de planos militares. N…o me consta, igualmente, que a sensibilidade moral dos profetas tenha sido aproveitada para o desenvolvimento de problemas econ„micos. E • altamente duvidoso que qualquer o sono por

industrial, convencido de que a natureza • cria‡…o de Deus, e portanto sagrada, tenha perdido causa

da polui‡…o. Permanece a experiˆncia religios a — fora do “nulo da ciˆncia, das f‚bricas, das usinas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro. Œ compreens€vel

das armas,

diferentemente do que ocorria em passado muito distante, poucos pais sonhem com carreira sacerdo tal para os seus filhos. . . A situaua‡…o mudou. No mundo sagrado, a experiˆncia religiosa era parte integrante de cada um, da

m e s m a fo rm a c o m o o s e x o , a c o r d a p e le , o s m e m b ro s , a lin g u a g e m . U m a p e s s o a s e m re lig iã o e ra u m a a n o m a lia .N o m u n d o d e s s a c ra liz a d o

1 0 a s c o is a s s e in v e rte r a m . M e n o s e n tre o s h o m e n s c o m u n s , e x te r n o s a o s c ír c u lo s a c a d é m ic o s , m a s d e fo rm a in te n s a e n tre a q u e le s q u e p re te n d e m já h a v e r p a s s a d o p e la ilu m in a ç ã o c ie n tífic a , o e m b a ra ç o fre n te à

e x p e riê n c ia r e lig io s a p e s s o a l é in e g á v e l. P o r ra z õ e s ó b v ia s . C o n fe s s a r- s e re lig io s o e q u iv a le a c o n fe s s a r-s e c o m o h a b ita n te d o m u n d o e n c a n ta d o e m á g ic o d o p a s s a d o , a in d a q u e a p e n a s p a r c ia lm e n te . E o e m b a r a ç o v a i c re s c e n d o n a m e d id a e m r e lig iã o . C o m o é is to p o s s ív e l? C o m o e x p lic a r e s ta d is tâ n c ia e n tr e c o n h e c im e n to e e x p e riê n c ia ? N ã o é d if íc il. N ã o é n e c e s s á r io q u e o c ie n tis ta te n h a e n v o lv im e n to s p e s s o a is c o m a m e b a s , c o m e ta s e v e n e n o s q u e n o s a p r o x im a m o s d a s c iê n c ia s h u m a n a s , ju s ta m e n te a q u e la s q u e e s tu d a m a

p a r a c o m p re e n d ê -lo s e c o n h e c ê -lo s . S e n d o v á lid a a a n a lo g ia , p o d e r- s e - ia c o n c lu ir q u e n ã o s e ria n e c e s s á rio a o c ie n tis ta h a v e r tid o e x p e riê n c ia s re lig io s a s p e s s o a is c o m o p re s s u p o s to p a ra s u a s in v e s tig a ç õ e s d o s fe n ó m e n o s re lig io s o s . O p r o b le m a é s e a a n a lo g ia p o d e s e r in v o c a d a p a r a to d a s a s s itu a ç õ e s . U m s u r d o d e n a s c e n ç a , p o d e r ia e le

c o m p r e e n d e r a e x p e riê n c ia e s té tic a q u e s e te m a o s e o u v ir a N o n a S in f o n ia d e B e e th o v e n ? P a re c e q u e n ã o . N o e n ta n to , lh e s e ria p e rfe ita m e n te p o ssív e l fa z e r a c iê n c ia d o c o m p o rta m e n to d a s p e s s o a s , d e riv a d o d a

e x p e riê n c ia e s té tic a . O s u r d o p o d e r ia ir a c o n c e rto s e , s e m

1 1 o u v ir u m a s ó n o ta m u s ic a l, o b s e r v a r e m e d ir c o m r ig o r a q u ilo q u e a s p e s s o a s fa z e m e a q u ilo q u e n e la s o c o rre ,

d e s d e s u a s re a ç õ e s fis io ló g ic a s a té p a d r õ e s d e re la c io n a m e n to s o c ia l, c o n s e q u ê n c ia s d e e x p e riê n c ia s p e s s o a is e s té tic a s a q u e e le m e s m o n ã o te m a c e s s o . M a s , q u e te ria e le a d iz e r s o b re a m ú s ic a ? N a d a . C re io q u e a m e s m a c o is a o c o rre c o m a re lig iã o . E e s ta é a ra z ã o p o r q u e , c o m o in tr o d u ç ã o à s u a l o b r a c lá s s ic a s o b r e o a s s u n to , R u d o lf O tto a c o n s e lh a a q u e le s q u e n u n c a

sem saber direito a quem. A religi…o n…o se liquida com a abstinˆncia dos atos lamentais e a ausˆncia dos lugares sagrados. Persiste a mesma fun‡…o religiosa. E aqui ter€amos de nos perguntar se existem. os benzedores os sacerdotes. ou da linguagem da sociologia. aquele que reza e suplica. que se constitui num dos fios com que se tece o acontecer do nosso cotidiano. esperan‡as de ordens sociais fraternas e justas. • como um espelho em que nos vemos. mesma forma como o desejo sexual n…o se nina com os votos de castidade. . travestidas. os profetas e poetas. da pol€tica e da economia. O que ocorre freqŽˆncia • que as mesmas perguntas religiosas do passado se articulam agora. . sutil. seremos for‡ados a concluir n…o que o nosso mundo se secularizou. Mas • necess‚rio reconhe cˆ-la como presen‡a invis€vel. Metamor 12 foseiam -se os nomes. Como o disse poeticamente Ludwig Feuerbach: 13 “A consciˆncia de Deus • autoconsciˆncia. disfar‡ada. longe de ser uma janela que se abre apenas para panoramas externos. por meio de s€mbolos secularizados. Promessas terapˆuticas de paz individual. ser…o sempre express†es dos problemas individuais e sociais em torno dos quais foram tecidas as teias religiosas. Se isto for verdade. isolar e estudar a religi…o como o comportamento ex„tico de grupos sociais restritos e distantes. de libera‡…o da angƒstia. conhecimento saboroso. E • quando a dor bate • porta e se esgotam os recursos da t•cnica que nas pesssoas acordam os videntes. A religi…o • o solene . de harmonia €ntima.Œ f‚cil identificar. . os curadores. por mais disfar‡adas que estejam nas m‚scaras do jarg…o psicanal€tico/psico l„gico. conhecimento de Deus • autoconhecimento. os m‚gicos. Aqui a ciˆncia da religi…o • tamb•m ciˆncia de n„s mesmos: sapiˆncia. e os seus sacerdotes e profetas novas roupas. O estudo da religi…o. mas antes que os deuses e esperan‡as religiosas ganharam novos nomes e novos r„tulos. exorcistas. estas pessoas das quais as perguntas reliqiosas foram radicalmente extirpadas.tiveram qualquer experˆncia religiosa a n…o prosseguirem com a leitura. portanto. de resolu‡…o das lutas entre os homens e de harmo nia com a natureza. A religi…o est‚ mais pr„xima de nossa experiˆncia pessoal do que desejamos admitir. ent…o as perguntas sobre o sentido e o sentido da morte. . . perguntas das horas e diante do espelho. novos lugares e novos empregos. realmente.

cavar. a estranha habilidade de terreno. as cascas das ‚rvores. .” E poder€amos acrescentar: e que tesouro oculto n…o • religioso? E que confiss …o €ntima de amor n…o est‚ gr‚vida de deuses? E quem seria esta pessoa vazia de tesouros ocultos e de segredos de amor? 14 OS S•MBOLOS DA AUS‘NCIA “O homem • a ƒnica criatura que se recusa a ser o que ela •. as folhagens. os sentidos confundir-se com o seus dentes e as suas garras afiadas. a capacidade de correr. as colmeias de abelhas. saltar. a revela‡…o dos seus pensa mentos €ntimos. sem ca‡adora QUE sai em busca de uma aranha. os buracos - com que a natureza se adapte ao seu corpo. os formigueiros. as casas de jo…o-de-barro. luta com ela.desvelar dos tesouros ocultos do homem. Mas a coisa n…o se esgota na adapta‡…o f€sica do organismo pˆlos ao ambiente. E vemos as represas cons tru€das esconderijo 15 dos tatus. todas estas s…o manifesta‡†es de corpos mar avilhosamente adap tados • natureza ao seu redor. “Lembro -me daquela vespa silenciosamente. O animal faz castores. Os e odores. palavras e sem mestres. seus venenos hipersens€veis. E o extraord€n‚rio • que toda esta sabedoria para sobreviver e arte para fazer seja transmitida de gera‡…o a gera‡…o. a confiss…o aberta dos seus segredos de amor. .” (Albert Camus) Atrav•s de centenas de milhares de anos os animais conseguiram sobreviver por meio da adapta‡…o f€sica. os cascos duros e as carapa ‡as rijas. .

sexo. as colmeias das abelhas e os formigueiros tˆm permanecido inalterados por s•culos. Œ necess‚rio buscar uma aranha. Porque o homem. a maldi ‡…o da neurose e o terror da angƒstia. tem o seu corpo. para melhor ou para pior. paralisa -a. tipo de sangue. Os animais praticamente n…o possuem uma hist„ria. que tenham introduzido no plano de suas casas. por maiores que sejam os seus conhecimentos. N…o h‚ problemas n…o correspondidos. do seu ninho. O O seu corpo. perfeita. ter…o de se calar. Sua programa‡…o biol„gica • completa. Cada corpo produz sempre a mesma coisa. Aqui est‚ uma crian‡a rec•m -nascida. como ser‚ ela? Gostar‚ de mƒsica? De que mƒsica? Que l€ngua falar‚? E qual ser‚ o seu estilo? Por que ideais e valores lutar‚? E que coisas sair…o de suas m…os? E aqui os geneticistas. A aventura da liberdade n…o lhes • ofere cida. de sua toca.. h‚ milhares de anos: . fechada. E. e as represas r•s.. Sua vida se processa num mundo estruturalmente fechado. a mƒsica de seus sons — e as coisas por ele produzidas me permitem saber de que corpo partiram. Mas. Moluscos parecem luas conchas hoje da mesma forma como o faziam h‚ milhares de anos atr‚s. Como s…o diferentes as coisas com o homem! Se o corpo do animal me permite prever que coisas ele produzir‚ — a forma de sua concha. um dia ouvir…o a voz silenciosa li‡†es ou da sabedoria que habita os seus corpos. tal como a entendemos. E sem haver tomado frequentado escolas. Œ verdade que a progra ma‡…o . “Chegou a hora. N…o • o corpo biol„gica n…o nos abandonou de todo.pica -a. Crescer…o. mas n…o recebem. n…o sei de altera‡…o alguma. em contrapartida. Ali deposita os seus ovos e morre. possa dizer dos homens . suscetibi lidade a enfermidades. dos olhos. Œ ele que faz o seu corpo. Quanto aos Jo…os de barro. ele n…o 16 possui qualquer brecha para que alguma coisa nova seja inventada. arrastando -a ent…o para o seu ninho. o estilo de sua corte sexual. Tempos depois as larvas nascer…o e se alimentar…o da carne fresca da aranha im„vel. Os pintassilgos cantam i K) cantava m no passado.” E o que • extraordin‚rio • o tempo em que se d‚ a experiˆncia dos animais. por isto mesmo. diferentemente do animal que • o seu corpo. As que o faz. n…o existe nada semelhante que se Do ponto de vista gen•tico ela j‚ se encontra totalmente determinada: cor da pele.

n u m a to ta l re n ú n c ia d a v o n ta d e . a p ro g ra m a ç ã o b io ló g ic a c o n tin u a a o p e ra r. in v e n ta ra m a u s ê n c ia . fiz e ra m e te c id o s . a c e rc a d a q u ilo q u e ire m o s fa z e r p o r e s te m u n d o a fo ra . p o r o u tr o la d o . o p a s s a d o lh e s p ro p u n h a . e n te rra ra m p ê lo s d i a s e p e la s n o ite s . c o m o o fiz e ra m m u ito s re v o lu c io n á rio s . a s e n s ib ilid a d e o lfa tiv a . p la n ta ra m ta m b o re s . D e fa to . T e n h o p esso a s n em c o m e te c e rto q u e p o d e rã o d iz e r-m e q u e e s te s s ã o e x e m p lo s n em m o rre p o r u m m u n d o m e lh o r e . d e s d e q u e d e la u m o u tro 1 8 m u n d o v e n h a a n a s c e r.n o s o e s p a n to . p a ra e s te s m u n d o s q u e o s h o m e n s im a g in a ra m e c o n s tr u ira m .c ria n c in h a s c o n tin u a m a s e r g e r a d a s e a n a s c e r. O fa to é q u e os h o m e n s se re c u s a ra m a s e r a q u ilo q u e . a p re s s ã o a rte ria l. ja rd in s . d o p ra z e r d a c o m id a . d e c o n c o r d a r. é n e c e s s á rio re c o n h e c e r q u e to d a a n o s s a v id a c o tid ia n a s e b a s e ia n u m a p e rm a n e n te n e g a ç ã o d o s im p e r a tiv o s im e d ia to s d o c o r p o .o s d e tin ta s . c a s a s e p a la c io s . fla u ta s e h a rp a s . o s g o s to s a lim e n ta re s . à s e m e lh a n ç a d o s a n im a is . O u e n tre g a r o s e u c o rp o à m o rte . m a rc a s o s s e u s m o rto s e o s p re p a ra ra m p a ra v ia ja r e . é u m a p á g in a e m b ra n c o n a s a b e d o ria q u e n o s s o s c o rp o s h e rd a ra m d e n o ss o s a n te p a s s a d o s . . O m u n d o h u m a n o . E é ig u a lm e n te a p ro g ra m a ç ã o b io ló g ic a q u e c o n tro la o s h o rm ô n io s . c o n s tru íra m la m e n to s a lta re s . M a s e la d iz m u ito p o u c o . E is to p o r q u e c o n s ta ta m o s q u e a q u i. O u d e a b a n d o n a r-s e à v id a m o n á s tic a .n a b a n d e ira s . o b a te r d o c o ra ç ã o . s e m q u e o s p a is 1 7 e a s m ã e s s a ib a m o q u e e s tá o c o rre n d o lá d e n tro d o v e n tre d a m u lh e r. c o n s tr u íra m T o r n a ra m . fiz e ra m ch o u p a n a s. e m o p o s iç ã o a o m u n d o o im p e ra tiv o d a s o b re v iv ê n c ia re in a s u p re m o . . O h o m e m é c a p a z d e c o m e te r s u ic íd io . n e m se s u ic íd io . tra n s fo rm a ra m o s s e u s c o rp o s . E Q U A N d o n o s p e rg u n ta m o s s o b re a in s p ira ç ã o v e m . É e x tre m o s . m e ta is . O s im p u ls o s s e x u a is . o c o rp o já n ã o te m a ú ltim a p a la v ra . M a s . s e é q u e d iz a lg u m a c o is a . d o s e x o . . e n to a ra m p o e m a s. . q u e é fe ito c o m tra b a lh o e a m o r. n a m a io ria d a s v e z e s p e rfe ita s . c b rin d o . e q u e a m a io ria d a s e n te rra n u m m o s te ir o .s e in v e n to re s d e m u n d o s . o ritm o b io ló g ic o d e a c o r d a r/a d o rm e c e r d e ix a ra m h á m u ito d e ser .

N…o existe cultura sem educa‡…o. n…o • a fonte e nem o modelo para a cria‡…o dos mundos da cultura. construir teias para sobre elas viver? suprema conquista do corpo. diferentemente das larvas. Nossa tradi‡…o fez seus s•rios esfor‡os no sentido de demonstrar • um ser racional. e constr„em altares. Os homens. amea‡a. e empinam papagaios. . ele mesmo. a voz da sabedoria de falar. estiver N…o se tem saudade Tamb•m da bem-amada presente.. e choram a si mes m„s nos seus mortos.. que • assim. • semelhan‡a Para que plantar jardins? E as esculturas. as crian‡as tˆm de ser educadas . E tudo f€sica ao isto que o homem faz me revela um mist•rio antropol„gico. permanece a pergunta: porque raz…o os homens fazem a cultura? Por que motivos abandonam o mundo s„lido e pronto da natureza para. Mas as produ‡†es culturais que saem de suas m…os sugerem. pois que nos umbrais do mundo humano ela cessa inventado. Constato. ao cont r ‚ri o parece ser constitucionalmente filos„fica de sa da pt a dos ao mundo. ri. faz gestos.e choram os seus mortos. A cultura. . a ressurrei‡…o da carne. canta can‡†es. nome que se d‚ a estes mundos que os homens momento em que o corpo deixa de dar ordens. . conta est„rias. e brincam roda. a imortalidade . imaginam e constr„em.express†es naturais do corpo porque o corpo. e dan‡am. Cada pessoa que se aproxima de uma crian‡a e com ela fala. quando longe do carinho. ao contr‚rio. simplesmente. os poemas? E grandes e pequenos se d…o as m…os. A saudade s„ aparecer‚ na dist‰ncia. Œ necess‚rio que os mais velhos lhes ensinem como • o mundo. aplaude. os quadros. que o homem • um ser de desejo. 19 Se o corpo. ser de pensamento. estimula. abandonadas pela vespa -m…e.. s„ se inicia no Esta • a raz…o por que. E eu tenho de confessar que n…o sei dar resposta a estas perguntas. o triunfo final sobre a natureza. tal como que o homem ele lhes • dado. Os animais sobrevivem pela adapta‡…o mundo. como fato biol„gico bruto. . substituindo. as sinfonias. • um professo r que lhe descreve este mundo do corpo. repreende. foi transformado de entidade da natureza em cria‡…o da cultura. Desejo • sintoma de priva‡…o de 20 ausˆncia. assim. n…o se tem fome — desejo supremo de sobrevivˆncia f€sica — com o . falam sobre a das aranhas.

H á o u tra s s itu a ç õ e s . c o n s ta ta m o s o s e u fra c a s s o e s o b ra a p e n a s a e s p e ra n ç a d e q u e . a im a g in a ç ã o a s m ã o s e o s s im b o lo s p a ra c ria r u m m u n d o q u e faç a p a la v ra . A a tiv id a d e h u m a n a . e e x ila d o s e p ris io n e iro s fa b ric a m p o e m a s . O p r o je to in c o n s c ie n te d o e g o . a c ru e ld a d e . e o c o rp o q u e b u sc a a m o r e p ra z e r se d e fro n ta c o m a r e je iç ã o . T e rim o s e n tã o d e n o s p e rg u n ta r q u e c u ltu ra é e s ta a in te n ç ã o à q u ilo d o q u e n o s a to é c u ltu r a l. a to r tu r a . E la é te s te m u n h o d a a u s ê n c ia d o a lim e n to . s u rg e d e n o v o a v o z d o p ro te s to e o b rilh o d a e s p e ra n ç a . p o r ra z õ e s q u e n ã o e n te n d e m o s b e m . É c o m p re e n s ív e l. p o rta n to . C a n ç õ e s fú n e b re s e x o rc iz a rã o a m o rte ? P a re c e q u e n ã o . a o rd o a m o ris (S c h e lle r) e s ta c e rc a d a p e lo c a o s. m a s . a s s im . d e a lg u m a fo rm a . a m o te . o d e s e jo . c o m o d e s e jo . A q u e v o lta d e H e g e l. A s u g e s tã o q u e n o s v e m d a p s ic a n á lis e é d e q u e o h o m e m f a z c u ltu r a a f im d e c r ia r o s o b je to s 2 1 d o s e u d e s e jo . J u n ta m -s e a s sim s e n tid o . u m a v e z r e s o lv id a . n ã o im p o rta o s e u te m p o e n e m o s e u lu g a r. P o r q u e o q u e a c u ltu ra d e s e ja c ria r é e x a ta m e n te o o b je to d e s e ja d o . a d o r. n o fio té n u e d a fa la q u e o s e n u n c ia . é e n c o n tr a r u m m u n d o q u e p o s s a s e r a m a d o .m a s c o n c re ta m e n te p a re c e p o s s ív e l. a in ju s tiç a . s e m p r e . n ã o p o d e s e r c o m p r e e n d id a c o m o u m a s im p le s lu ta p e la s o b r e v iv ê n c ia q u e . e n tre ta n to . T a m b é m o s m o rib u n d o s b a lb u c ia m c a n ç õ e s . e e s te ja e m h a rm o n ia c o m o s v a lo re s d h o m e m q u e o c o n s tró i. p a re c e q u e o s h o m e n s s e a lim e n ta m d e le s e . d e im p o tê n c ia em q u e o s o b je to s d o s e u a m o r s ó e x is te m a tra v é s d a m a g ia d a im a g in a ç ã o e d o p o d e r m ila g ro s o d a o a m o r. e s p a ç o a m ig o . o b je tiv a ç ã o d o d is c e rn ir sem p re q u e q u e id e a l s e re a liz o u ? N e n h u m a . q u e s e ja e s p e lh o . D e s e jo p e rte n c e a o s s e re s q u e s e s e n te m p riv a d o s . A c u ltu ra p a re c e s o fre r d a m e s m a fra q u e z a q u e s o fre m o s ritu a is m á g ic o s: re c o n h e c e m o s a s u a in te n ç ã o .estô m a g o c h eio . A fo m e só su rg e q u a n d o o c o rp o é p riv a d o d o p ã o . E o s p o e m a s d o c a tiv e iro n ã o q u e b ra m a s c o rre n te s e n e m a b rem a s p o rta s . H á s itu a ç õ e s e m q u e e le p o d e p la n ta r ja r d in s e c o lh e r flo re s . a re a lid a d e s e h a r m o n iz e c o m . a s o lid ã o . q u e a c u ltu ra n ã o s e ja n u n c a a re d u p lic a ç ã o d a n a tu re z a . E p ra z e r n a q u ilo a s s im é .É p o s s iv e l a d o re a liz a ç ã o ja rd im e s tá e fe tiv a se m p re o p a ra esc a p a d e s e rto e v e n tu a lm e n te o d e v o ra . s e d á a o lu x o d e p ro d u z ir o s u p é rflu o . a lg u m d ia . M a s e la s e x o r c iz a m o te r r o r e la n ç a m p ê lo s e s p a ç o s a f o r a o g e m id o d e p r o te s to e a r e tic ê n c ia d e e s p e r a n ç a . A c u ltu ra n ã o s u rg e n o lu g a r o n d e o h o m e m d o m in a a n a tu re z a . q u e n ã o e n c o n tr a m q u e o e s p a ç o e o te m p o p re s e n te lh e s o fe re c e . a p r is ã o . R e a liz a ç ã o c o n c re ta d o s o b je to s d o d e s e jo o u p a ra fa z e r u s o d e u m a te rm in o lo g ia q u e n o s v e m E s p írito .

m e s m o d e p o is d o n o sso d e s a p a re c im e n to . E a re a liz a ç ã o d a in te n ç ã o d a c u ltu ra s e tra n s fe re e n tã o p a ra a e s fe ra d o s s ím b o lo s . o s o lh a re s . c o n fis s ã o d a e s p e ra . d iz ê -lo . ja m a is fe ito u m g e s to . c o m id a s . n o e n ta n to . H á c o is a s a s e re m c o la re s . a c h u v a c a ia e a s p la n ta s e b ic h o s e n c h ia m o m u n d o . in d e p e n te d o d e s e jo . A s e s p e ra n ç a s d o a to p e lo q u a l o s h o m e n s c ria ra m a c u ltu ra . p ro c is s õ e s . liv ro s . lu g a re s . m a is fo g e m d e n ó s . re z a a s . s e m a u ra o u p o d e r. P o r. a in d a q u e a q u e le s . E . H á T ra ta -s e d e re a lid a d e s n a tu ra is . p e rfu m e s . H o riz o n te s : o n d e se e n c o n tra m e le s ? Q u a n to m a is d e le s n o s a p ro x im a m o s. h o riz o n te d o s h o riz o n te s . a m ã o q u e fa z c a ir a b o m b a . 2 3 e ta m b é m g e s to s . re d e d e d e s e jo s . p re se n te s n o se u p ró p rio fra c a s s o . . te m p lo s . e x o rc is m o s . N ã o é c o m p o s ta d e ite n s e x tra o r d in á r io s . s a n tu á rio s . te s te m u n h a d as P o rq u e é ju s ta m e n te p o n to o n d e e le fra c a s s o u q u e c o is a s a in d a a u s e n te s . d a v o n ta d e . T u d o is to e x is tiria e s e ria e fic a z s e m q u e o h o m e m ja m a is e x is tid o . H á s e m p re o s h o riz o n te s d a n o ite e o s h o riz o n te s d a m a d r u g a d a . a n u n c ia r-lh e c e le b ra ç õ e s e fe s tiv a is . ja m a is p ro n u n c ia d o u m a p a la v ra . E e n q u a n to o d e s e jo n ã o s e re a liz a . c e rc a m -n o s a trá s . E te ría m o s d e n o s p e rg u n ta r a g o ra a c e rc a d a s p ro p rie d a d e s d e le s h a b ita n te s d o e s p e c ia is d e s ta s c o is a s e g e s to s . e s ta é a ra z ã o p o r q u e n ã o p o d e m o s e n te n d e r u m a triu n fo s té c n ic o s /p rá tic o s . p e re g r in a ç õ e s .e x e m p lo . S ã o o re fe re n c ia l d o n o s s o c a m in h a r. re s ta c a n tá -lo . c e le b rá -lo . S ím b o lo s a sse m elh a m -se a h o riz o n te s .. d a a tiv id a d e p rá tic a d o s ta m b é m g e s to s q u e u m a e fic á c ia em si m esm o s. e n q u a n to o u tra s c o is a s e o u tro s g e s to s . h o m en s.2 2 o d e s e jo . fe s ta s . a m u le to s . m ila g re s . c e le b ra ç õ e s . . a m a is fa n tá s tic a e p re te n c io s a te n ta tiv a d e tra n s u b s ta n c ia r a n a tu re z a . a d o ra ç õ e s . te ia d e s ím b o lo s . o s p é s q u e fa z e m a b ic ic le ta a n d a r: a in d a q u e o a s s a s s in a d o n a d a s a ib a e n ã o o u ç a p a la v ra a lg u m a . a n te s q u e o s h o m e n s e x is tis s e m já b rilh a v a m a s e s tre la s . c a p e la s . c o m p o r-lh e s in f o n ia s . c o n tin u a m m o ra r n o m u n d o p ro fa n o . c o m o o s s ilê n c io s . . E c u ltu ra n o q u an d o n o s d e te m o s n a c o n te m p la ç ã o b ro ta o d o s se u s s ím b o lo . p o e m a s ro m a ria s . p ê lo s la d o s . q u e f a z e m a m u n d o s a g ra d o . o s o l a q u e c ia . E é a q u i q u e s u rg e a re lig iã o . e n c a n ta ç õ e s . à fre n te . O d e d o q u e p u x a o g a tilh o . c o n s id e ra d a s : a lta re s . s a u d a d e d e c o is a s q u e n ã o n a s c e r a m . . s ã o h o riz o n te s q u e n o s in d ic a m d ire ç õ e s . c a n ç õ e s . E é p r o v á v e l q u e q u e c o n tin u a ra m . . e s c re v e r-lh e p o e m a s . p a ra s e fa z e re m s e n tir e v a le r d e p e n d e m e x c lu s iv a m e n te d e s i m e s m a s . re n ú n c ia s . H á p ro p rie d a d e s q u e .

E. • encontrado j‚ com as marcas do sagrado. fontes — e gestos. uma rede de s€mbolos. o mundo seja por demais frio e escuro. os gestos tˆm efic‚cia pr„pria e s…o. tempos e espa‡os. praticamente habitantes do mundo da natureza. se a Terra gira em torno do sol? Œ que as verdades cient€ficas se referem aos objetos na a mais radical e deliberada indiferen‡a a vida. em si vulgares. a religi…o se nos apresenta como um certo tipo de fala. assim.sobre quem a bomba explode n…o recebam antes explica‡†es. com o seu aux€lio. plantas. Que diferen‡a faz se o sol gira em torno da Terra . s…o magicamente a ele integrados. religiosa? da experiencia do sagrado. sua vida e sua morte se dependuram. E esta • a raz…o por que. morte • felicidade e infelicidade das pessoas. atribuindo -lhes um valor. Camus observou que • curioso que ningu•m esteja disposto a morrer por verdades cientificas. em si insens€veis e indiferentes ao destino 25 humano. coisas inertes — pedras. A religi…o nasce com o poder que os homens tˆm de dar nomes •s coisas. 24 Nenhum fato. fazendo uma discrimina‡…o entre coisas de import‰ncia secund‚ria e coisas nas quais seu destino. Quando. E este estremecer • a marca emocional/existencial Sobre que fala a linguagem . Com estes s€mbolos os homens discriminam objetos. fazendo uma abstra‡…o dos sentimentos e experiˆncias pessoais que acom panham o encontro com o sagrado. coisa ou gesto. que vem a existir pelo poder humano de dar nomes •s coisas. passam a ser os sinais vis€veis desta teia invis€vel de significa‡†es. N…o foi sem raz…o que nos referimos • religi…o como "a mais fant‚stica e pretenciosa tentativa de transubstanciar a natureza". o corpo inteiro estremece. O sagrado n…o • uma efic‚cia inerente •s coisas. uma ab„bada sagrada com que recobrem o seu mundo. H‚ verdades que s…o frias e inertes. De fato. . ao contrario . sem ela. Com seus s€mbolos sagrados o homem exorciza o medo e constr„i diques contra o caos. coisas e gestos se torn am religiosos quando os homens os balizam como tais. Por quˆ? Talvez porque. objetos e gestos. construindo. e ainda que n…o haja conversa‡…o entre os p•s e as rodas — n…o importa. tocamos nos s€mbolos em que nos dependuram OS . Ao contr‚rio. um discurso. Nelas n…o se depe ndura o nosso destino. entretanto.

golpes de Estado e nossa ƒltima crise de reumatismo . Poderiam materiais profanos. Mas no momento em que algu•m lhe d‚ o nome de altar. ser usados numa refei‡…o ou orgia: Deles n…o sobe nenhum odor sagrado. uma raposa. discutimos pessoas. viu qualquer uma destas entid ades? Uma pedra n…o • imagin‚ria. E a raposa 27 Quem jamais viu qualqur uma destas entidades? . contas. atos dos pol€ticos. as alturas dos c•us. entretanto descobrimos que uma transfo rma‡…o se processou. Pe‡o. tirada da obra de Antojne de Saint-Exup•ry. O Pequeno Pr€ncipe. E ali se fazem ora‡†es e se oferecem sacrif€cios. 26 E • ao invis€ve l que a linguagem religiosa se refere ao mencionar as profundezas da alma. jamais. O sagrado se instaura gra‡as ao poder do uinvisivel. ent…o.Dentro dos limites do mundo profano tratamos de coisas concretas e vis€veis. Vis€vel. inteiramente. e os olhos da f• podem vislumbrar conex†es invis€veis que a ligam ao mundo da gra‡a divina. o desespero do inferno. os fluidos e influˆncias que curam. custo de vida. vinho. . e passam a ser sinais de reali dades invis€veis. somente os olhos da f• podem contemplar . o para€so. concreta.O zen-budismo chega mesmo a dizer que a experiˆncia da ilumina‡…o religiosa. as bem -aventuran‡as eternas e o pr„prio Deus. . segundo a explica‡…o. Quem. O pr€ncipe encontrou-se com um bichinho que nunca havia visto antes. Temo que minha explica‡…o possa ser convin cente para os relig iosos. a que me refiro. satori. licen‡a para me valer de uma paY‚bola. P…o. coisas para al•m dos nossos sentidos comuns que. mas muito fraca para os que nunca se defrontaram com o sagrado. Œ dif€cil compreender o que significa este poder do invis€vel. Porque agora a linguagem se refere as coisas invis€veis.Quando entramos no mundo sagrado. • um terceiro olho que se abre para ver coisas que os outros dois n…o podiam ver. nada tem de religioso." — e os objetos vis€veis adquirem uma dimens…o nova. E as palavras s…o pronunciadas: "Este • o meu corpo. ela passa a ser circundada de uma aura misteriosa. como qualquer p…o. como qualquer vinho. . Assim. Como tal. este • o meu sangue.

d e s c u l p o u .la . ." E o te m p o p a s s o u . O trig o n ã o s ig n ific a a b s o lu ta m e n te n a d a . V o c ê p e rc e b e ? A g o ra .2 8 lh e d is s e : " V o c ê q u e r m e c a tiv a r? " " Q u e é is to ? " . . d a n te s s e m s e n tid o . p a ra m im . d e ta l m a n e ira q u e e la s p a s s e m a fa z e r p a r te d o m u n d o h u m a n o . q u e c o n tin u a m a s m e s m a s . q u e fa z ia a ra p o s a s o rrir. p a s s o u a c a rre g a r e m s i u m a a u s ê n c ia . M a s n e c e s s á rio p re s ta r a te n ç ã o à s d ife re n ç a s. a q u ilo q u e o d is c u rs o re lig io s o p re te n d e fa z e r c o m tr a n s f o r m á . re s p o n d e u a ra p o sa ." E o trig o . e m q u a lq u e r q u a lq u e r lu g a r. re la ta n d o a tra n s f o r m a ç ã o d a s c o is a p r o f a n a s e m c o is a s s a g ra d a s n a m e d id a e m q u e s ã o e n v o lv id a s p ê lo s n o m e s d o in v is ív e l. " E u v o u c h o ra r " . S e u c a b e lo é lo u ro . E a s s im .la s . " E u lh e d is s e . . " C a tiv a r é a s s im : e u m e a s s e n to a q u i. c o m o s e fo s s e m e x te n sõ e s d e n ó s m e s m o s. N ã o c o m o trig o . c a d a v e z m a is p e rto . . F a lta -lh e re lig iã o é a a u to n o m ia d a s c o is a s d a n a tu re z a ..s e a c r i a n ç a . e u f ic a r e i f e liz . P a re c e -m e q u e a s c o is a s : e s ta p a rá b o la a p re s e n ta . a o s p o u c o s . A c o n te c e q u e o d is c u rs o re lig io s o n ã o v iv e e m s i m e s m o . q u a n d o o v e n to f iz e r b a la n ç a r o c a m p o d e tr i g o . A . n a s u a a u s ê n c ia . E a g o ra . p e n s a n d o e m v o c ê . p e rg u n to u o m e n in o . e m p o r ta d o ra s d e s e n tid o . . N ã o v a le u a p e n a . M a s v o c ê m e c a tiv o u . v o cê v a i c h o ra r!" " V a le u a p e n a s im " . v o c ê s e a s s e n ta lá . 2 9 E p o d e r ía m o s ir m u ltip lic a n d o o s e x e m p lo s . e u n ã o q u e r i a c a ti v á .. S ó c o m o g a lin h a s . " Q u e r s a b e r p o r q u ê ? S o u u m a ra p o s a .s e m f im . d e e n tid a d e s b ru ta s e v a z ia s . d e fo rm a p a ra d ig m á tic a . " N ã o é m i n h a c u l p a " . o p rin c ip e z in h o c a tiv o u a ra p o s a e c h e g o u a h o ra d a p a rtid a . d is s e a ra p o s a . A m a n h ã a g e n te s e a s s e n ta m a is p e rto . b e m lo n g e .

as utopias da paz e d‚ justi‡a eterna. . Conclu€mos.E eles envolvem ent…o. . E po isso mesmo pedem perd…o aos animais que v…o ser mortos.constru€da pelos s€mbolos que os homens usam. • de import‰ncia b‚sica que o seu discurso seja assepticamente desinfe -tado de quaisquer res€duos da imagina‡…o e do . E • justamente a€ que surgem a imagi na‡…o "encanta‡†es destinadas a produzir. os animais e as plantas. a coisa que se deseja. “O mundo dos felizes • diferente do mundo dos infelizes" (Wittgenstein). De fato. e aos galhos que ser…o quebrados. H‚ os sofredores que transformam os gemidos dos oprimidos em salmos. e protegem as fontes de seus excrementos. simbolicamente. as espadas em arados as lancas em podadeiras e constr„em. n…o importam os fatos e as presen‡as que construir. Importam os objetos que a fantasia e a imagina‡…o podem Fatos n…o s…o valores: presen‡as que n…o valem o amor. Mas os homens s…o diferentes. Sei que tal afirma‡…o parece sacr€lega. . e a m…e terra que • escavada. com honestidade. h‚ aquele que fazem amizade com a natureza." (Sartre). E seus mundos sagrados . os ventos e as nuvens. Vive do desejo e da espera. Assim. E a resposta • que. nasceram. Especial mente para as pessoas que j‚ se encontraram com o sagrado. os sentidos podem agarrar. De maneira especial •queles que devem sobreviver nos labirintos insti tucionais. Parece que a ou suspeitar imagina‡…o • um engano que tem de ser erradicado. que as entidades religiosas s…o entidades imagin‚rias. Afirmar que o testemunho de algu•m • produto da imagina‡…o e da fantasia . Que estranho discurso! Bem que ter€amos de nos perguntar acerca do poder m‚gico que permite que os homens falem acerca daquilo que nunca viram.lugares sacramentais. em que o lobo vive com o cordeiro e a 30 crian‡a brinca com a serpente.. O amor se dirige para coisas que ainda ri…o e a fantasia. os rios e as estrelas.. que abem‡oa as espadas. aprendemos desde muito cedo a identificar a imagina‡…o com aquilo que • falso. sutilezas lingu€sti cas e ocasi†es rituais do mundo acad•mico. . e reconhecem de que dela recebem a vida. • acus‚ -la de pertur ba‡…o mental de sua integridade moral. . . as correntes. .h‚ tamb•m os companheiros da for‡a e da vit„ria. ausentes. com o di‚fano v•u do invisivel. os ex•rcitos e o seu pr„prio riso. . assim. . para a religi…o.

N…o h‚ impro visa‡†es.iir‚s. ao afirmar que as entidades da religi…o pertencem ao imagin‚rio. que n…o sobrevive por meio de artif€cios de adapta‡…o f€sica.31 observa‡…o! Que os fatos sejam valores! Que o objeto triunfe sobre o desejo! Todos sabem. n…o estou dizendo que a religi…o • apenas ima gina‡…o. a adapta‡…o dos seus corpos ao ambiente. escreveram poemas. Mas. para elucidar decla -i. Por que raz†es os homens fizeram flautas. puseram dores nos seus cabelos e colares nos seus pesco‡os. armas. E o leitor teria agora todo o direito de nos perguntar: "Mas. Estou apenas estabelecendo sua filia‡…o e reconhecendo a fraternidade que nos une. Inexistentes. Ao contr‚rio. ter€amos de dar um passo . n…o as estou colocando ao lado do engodo e da pertu rba‡…o 32 mental. o comportamento perde a unidade e dire‡…o. esta ordem inscrita nos seus organismo s entra em colapso. comida. pintaram -nas de cores alegres puseram quadros nas paredes? Imaginemos que estes homens tivessem sido totalmente objeti vos. Por s•culos e mil•nios seu comporta mento tem desenhado os mesmos padr†es. neste mundo da ciˆncia. materiais. estou sugerindo que ela tem o poder. totalmente verdadeiros — sim. Nenhum conh ecimento poderia jamais arranc‚ -los da natureza. Portanto. trabalho. pois ele cria a cultura e. Passamos ent…o ao homem. totalmente dominados pˆlos fatos. i 'instru€ram casas. Sabemos que delas se derivam festivais e celebra‡†es. at• l‚ onde a cultura nasceu e continua a nascer.i‡…o t…o estapafƒrdia. inventaram dan‡as. Quando. . nascidas da imagi na‡…o. e estas redes simb„licas? Sabemos que s…o belas e possuem uma fun‡…o est•tica. o que estabelece o seu parentesco com as atividades lƒdicas. al•m disto. o amor e a digni dade do imagin‚rio. como ferramentas. competir com a efic‚cia daquilo que • material e concreto?" Sobrevivˆncia tem a ver com a ordem. apenas fantasia. por uma raz…o qualquer. Observe os animais. Como poderia algu•m. as redes simb„licas da religi…o. a adapta‡…o do ambiente aos seus corpos. depende de para que servem? Que uso lhes d…o os homens? Ser…o apenas ornamentos sup•rfluos ? A sobrevivˆncia coisas e atividades pr‚ticas. Mas. verdadeiros! — poder iam eles ter inventado coisas? Onde estava a flauta antes de ser inventada? E o jardim? E as dan‡as? E os quadros? Ausentes. comprometido com o saber. Come‡amos falando dos animais. com ela. entidades t…o d•beis e di‚fanas. que a imagina‡…o conspira contra a objetividade e a verdade. de como eles sobrevivem. Nada fazem a esmo. Poder…o os s€mbolos. Foi necess‚rio que a imagina‡…o gr‚vida para que o mundo da cultura nascesse. entregar -se • embriaguez do desejo e suas produ‡†es? N…o.

os sons que lhe s…o harm„nicos. projeta. este universo simb„lico "que proclama que toda a realidade • portadora de um sentido humano e invoca o cosmos inteiro para significar a validade da existˆn cia humana" (Berger& Luckmann). os confins do tempo e os confins do espa‡o. E foi pensando nisto que o bi„logo Johannes von UexkŽll teve uma ideia fascinante. Mas. porque sabemos que os homens n…o s…o governados por seus orga nismos. UexkŽll teve a coragem de se perguntar: "Ser‚ assim para os animais? Moscas. como se fosse uma rede. O que esta' em jogo • a ordem. em si mesmo. e cada organismo um orga nista que faz brotar do instrumento a sua melodia espec€fica. • um mundo que traga as marcas do desejo e que corre sponda •s aspira‡†es do amor. como esperan‡a e utopia. Cada animal tem uma ordem que lhe • espe c€fica. . E o homem diz a religi…o. O que se busca. Mas n…o • qualquer ordem que atende •s exigˆncias humanas. no mundo ao seu redor. da mesma forma como ele faz soar sua melodia e. Beija -flores n…o sobrevivem da mesma forma que besouros. como projeto inconsciente do ego. cavalos marinhos viver…o num mesmo mundo?" E poder€amos imaginar o ambiente como se fosse um grande „rg…o. ao fazˆ -lo. para o animal. mas culturais. tamb•m o homem lan‡a. a mesma para todos e quaisquer organismos. a ordem que lhe sai do organismo.33 E a vida se vai. na esperan‡a de que c•us e terra sejam portadores de seus valores. O que nos parece „bvio • que o ambiente em que vivem os animais • uma reali dade uniforme. ao se fazer soar. em busca 34 de um mundo • sua imagem e semelhan‡a. lesmas. da mesma forma como o animal lan‡a sobre o mundo. como algo presente. que resulta da atividade do corpo sobre aquilo que est‚ ao seu redor. Que ciˆncia poderia construir tal horizonte? S…o necess‚ri as as asas da imagi na‡…o para articular os s€mbolos da ausˆncia. Suas mƒsicas n…o s…o biol„gicas. Cada animal • uma melodia que. adormecido. E a religi…o aparece como a grande hip„tese e aposta de que o universo inteiro possui uma face humana. borboletas. com as mesmas notas harm„nicas e a mesma linha sonora. uma esp•cie de mar em que cada um se arranja como pode. n…o existiria um ambiente. O que existe. Assim. faz com que tudo ao seu redor reverbere. externaliza suas redes simb„lico -religiosas — suas melodias — sobre o universo inteiro. criado • sua imagem e semelhan‡a. Mas o fato • que tal realidade n…o existe. • aquele mundo. desperta. A analogia n…o serve de todo.

3 6 O E X ÍL IO D O S A G R A D O " Q u a n d o p e r c o r r e m o s n o s s a s b ib lio te c a s . J á s a b e m o s q u e e la s s ã o . s e ja d e te o lo g ia ." (D a v id H u m e ) A s c o is a s d o m u n d o h u m a n o a p re s e n ta m u m a c u rio s a p ro p rie d a d e . p o r e x e m p lo . sím b o lo s. tã o p o d e ro s a q u a n to o s e x o e a fo m e : a 3 5 n u m m u n d o q u e fa ç a s e n tid o . E o p ro b le m a n ã o é m a te ria l. in g re s s a m o s n o é o p ro b le m a d o m u n d o d a lo u c u ra . q u e d e s tru iç ã o te m o s d e fa z e r l S e to m a r m o s e m n o s s a s m ã o s q u a lq u e r v o lu m e . m u n d o e p ã o .n o s : s e r á q u e e le c o n té m q u a lq u e r ra c io c ín io q u e e le c o n té m a b s tra to re la tiv o à q u a n tid a d e e a o n ú m e ro ? N ã o . in te g ra ç ã o . la n ç a i. te re m o s e n tã o m a n e ira p e la q u a l a im a g in a ç ã o te m c o n trib u íd o p a ra a s o b re v iv ê n c ia d o s h o m e n s . d ir e ç ã o e s e s e n te m e fe tiv a -m e n te m a is fo rte s d e s c o b e rto a e fe tiv id a d e e o p o d e r d o s sím b o lo s e v islu m b ra d o a p a ra v iv e r (D u rk h e im ).o à s c h a m a s . p e rg u n -te m o . p o rq u e sem ele s É n ão v erd a d e q u e o s h a v e ria o rd em . N ã o é a d o r q u e d e s in te g r a a p e r s o n a lid a d e . s e ja d e m e ta fís ic a e s c o lá s tic a . c o n v e n c id o s d e s te s p r in c íp io s . m a s s im b ó lic o . m a s a d is s o lu ç ã o d o s e s q u e m a s d e s e n tid o . S e rá r a c io c ín io s e x p e r im e n ta is q u e d ig a m r e s p e ito a m a té ria s d e f a to e à e x is tê n c ia ? N ã o E n tã o . u n id a d e . p o is q u e e le te m a v e r c o m a q u e s tã o d e s e a v id a é d ig n a o u n ã o d e s e r v iv id a . h o m e n s nem n ão v iv e m só d e v id a . p o is e le n ã o p o d e c o n te r c o is a a lg u m a a n ã o s e r s o fis m a s e ilu s õ e s . E s ta te m s id o u m a trá g ic a c o n c lu s ã o d a s s a la s d e to rtu ra . g e ra r filh o s o u m o v e r m á q u in a s . M a s e l e s r e s p o n d e m a 'u m n e c e ssid a d e d e v iv e r o u tro tip o d e n e c e s s id a d e . O s s ím b o lo s n ã o p o s s u e m ta l t i p o d e e f i c á c i a . S e e c a rreg a d o d e p u d e rm o s co n co rd ar co m s e n tid o g o z a m d e u m a a firm a ç ã o d e q u e a q u e le s q u e h a b ita m o rd e n a d o s e n s o d e o rd e m in te rn a . B e m d iz ia C a m u s q u e o ú n ic o filo s ó fic o re a lm e n te s é rio s u ic íd io .C o m isto o s h o m e n s n ã o p o d e rã o a ra r o s o lo . Q u a n d o o s e s q u e m a s p ro b le m a d e s e n tid o e n tra m em c o la p s o . n em V iv e m ta m b é m d e s e n tid o p a ra a u m v o n ta d e d e v iv e r.

caso contr‚rio. como se fosse cer‰mica rec•m -moldada nas m…os do oleiro. porque as crian‡as. Todos os s€mbolos que s…o usados com sucesso experimentam esta meta morf ose. A transmiss…o da os direitos sexuais dos homens e das a mulheres. com sucesso. • guisa de receitas. inconscientemente. Aqui est‚ a curiosa propriedade a que nos referimos: n„s nos esquecemos de que as coisas. a natureza estaria a€. Porque. a arte culin‚ria — tudo isto surgiu da atividade dos homens. se tudo o que constitui o mundo humano • artificial e convencional. ent…o este mundo pode ser abolido e refeito de outra forma. passando heran‡a. Isto acontece. culturais foram inventadas e. atos que constituem crimes e os castigo s que s…o aplicados. das utopias. muito bem. Al•m disto. estas coisas desapa recer…o tamb•m. rei. elas aparecem aos nossos olhos como se fossem naturais. De fato. ao nascerem. os jovens pode riam come‡ar a ter ideias perigosas. pois • isto mesmo que a palavra quer dizer. Tal • o caso das religi†es. A existˆncia da ‚gua e do ar.37 diferentes daquelas que constituem a natureza. em parte. das ideologias. . Elas n…o viram este mundo saindo das m…os dos seus criadores. Certos s€mbolos derivam o seu sucesso do seu poder para congregar os homens. que os usam para definir a sua situa‡…o e articular um projeto comum de vida. 38 interessadas em preservar o mundo fr‚gil por elas contru€do com tanto cuidado. talvez Com a ‡ujtura as coisas s…o diferentes. a qualidade artificial (e prec‚ria) das coisas que est…o a€. linguagem. os adornos. Seria mais f‚cil se fal‚ssemos em coisifica‡…o. De tanto serem repetidos e compartilhados. da vontade do melhor. j‚ que ela se deriva do latim res. a altern‰ncia entre o dia e a noite. Mas quem se atreveria a pensar pensamentos como este em rela‡…o a um mundo que tivesse a solidez das coisas naturais? Isto se aplica de maneira peculiar aos s€mbolos. Deixam de ser hip„teses da imagina‡…o e passam a ser tratados como manifesta‡†es da realidade. Na g€ria filos„fico -sociol„gica este processo recebe o nome de reifica‡…o. a propriedade. que quer dizer "coisa". Quando os homens desaparecerem. j‚ encontram um mundo social pronto. a composi‡…o do ‚cido sulfƒrico e o ponto de congelamento da ‚gua em nada dependem homem. . o dinheiro. t…o pronto t…o s„lido quanto a natureza. Outros se imp†em como vitoriosos pelo seu poder para resolver . Ainda que ele nunc a tivesse existido. passamos a trat‚ -los como se fossem coisas. por esta raz…o. as gera‡†es mais velhas. n„s os reificamos. . de tanto serem usados. tratam de esconder dos mais novos. .

C o m la d o . Q u e fiz e ra m c o n o s c o ? Q u e fiz e m o s c o m e le s ? E p a ra c o m p re e n d e r o p ro c e s s o p e lo q u a l n o s s o s s ím b o lo s v ira ra m c o is a s e c o n s tru íra m u m m u n d o . E fo i d a í q u e s u rg iu a q u e le p e río d o d e n o s s a h is tó ria b a tiz a d o c o m o I d a d e M é d ia . re c e b e m o n o m e d e v e rd a d e .m e n te p o r s e re m v ito rio s o s .c iê n c ia . p o rq u e D e u s a s s im h a v ia a rru m a d o o u n iv e rs o . u m a c o n -c r e tu d e e u m a o n ip re s e n ç a q u e fa z ia m s e n tid o q u e a s p ró p ria s re a lid a d e s c o m q u e o m u n d o m a te ria is. O s s ím b o lo s v ito rio s o s . N ã o c o n h e c e m o s n e n h u m a é p o c a q u e lh e p o s s a s e r c o m p a ra d a . q u e s e f o rja ra m a s p rim e ira s e m a is a p a ix o n a d a s re s p o s ta s à p e rg u n ta " o q u e é a re lig iã o ? " N o p ro c e s s o h is tó ric o a tra v é s d o q u a l n o s s a c iv iliz a ç ã o s e fo rm o u . re c e b e m o s u m a h e ra n ç a s im b ó lic o -r e lig io s a . T o d a s a s c o is a s tin h a m s e u s lu g a re s a p r o p ria d o s . E n ó s . e n q u a n to q u e o s s ím b o lo s d e rro - 3 9 la d o s s ã o rid ic u la riz a d o s c o m o s u p e rs tiç õ e s o u p e rs e g u id o s c o m o h e re s ia s . e e x a ta . n u m a o r d e m d e v a lo re s . m a s e le s s e a m a lg a m a ra m . N a d a ilu m in a d a s in v is ív e l e s tiv e s s e m a is p r ó x im o e f o s s e m a is a c o n te c ia q u e n ã o o f o s s e p e lo p o d e r d o s a g ra d o . m ila g r e s . e a s c o is a s b o a s h a v ia p o s s e s s õ e s d e m o n ía c a s . e n c o n tro s c o m o d ia b o . o u tr o s m e s q u in h o s . D o o u tr o . a s tra d iç õ e s c u ltu ra is d o s g re g o s e d o s v is õ e s d e m u n d o to ta lm e n te d is tin ta s .p ro b le m a s p rá tic o s . a p a r tir d e d u a s v e rte n te s . p a ra d e p o is e n v e lh e c e r e d e s m o ro n a r e m m e io a lu ta s . o s h e b re u s e o s c ris tã o s . q u e já sa b e m o s q u e e la se a p re s e n ta c o m o u m a re d e d e s ím b o lo s . a lg u n s g ra n d io s o s . q u e d e s e ja m o s s a b e r o q u e é a re lig iã o . P o rq u e a li o s s ím b o lo s 4 0 d o s a g r a d o a d q u ir ira m u m a d e n s id a d e . D e u m ro m a n o s. e s ta b e le c e n d o g u ia s e s p iritu a is e . e s te s s ím b o lo s v ie ra m tra n s f o r m a n d o . P o rq u e fo i e m m e io a u m a h is tó ria c h e ia d e e v e n to s d ra m á tic o s . e v ie ra m a flo re s c e r e m m e io à s c o n d iç õ e s m a te ria is d e v id a d o s p o v o s q u e o s re c e b e ra m . b r u x a s e b ru x a r ia s . te m o s d e p a ra r p o r u m m o m e n to p a ra n o s p e rg u n ta r s o b re o q u e o c o rre u c o m a q u e le s q u e h e rd a m o s . O s a n jo s d e s c e m à te rra . o s s a g ra d a s e q u e n e la a c é u s a p a re c e m E n a tu re z a a o lig a d o s m u n d o . a c o n te c ia m p o r q u e D e u s p r o te g ia a q u e le s q u e o te m ia m . c o m o é o c a s o d a m a g ia e d a . s u a c a s a . N ã o é p o r a c id e n te q u e to d a a s u a a rte s e ja d e d ic a d a à s c o is a s n ã o a p a re ç a n u n c a ta l c o m o n o s so s o lh o s a v ê e m .s e m u tu a m e n te . e to d o s s a b ia m p e lo e s p le n d o r e p e lo q u e a s c o is a s d o te m p o e s tã o te r r o r d a e te r n id a d e . te m o s d e re c o n s tru ir u m a h is tó r ia . e a s d e s g ra ç a s e p e s te s e ra m p o r E le e n v ia d a s c o m o h ie rá rq u ic a c a s tig o s p a ra o p e c a d o e a d e s c re n ç a . e n q u a n to D e u s p r e s id e a to d a s a s c o is a s d o to p o d e s u a a ltu ra s u b lim e .

das m…os de Deus — e era inclusive poss€vel a determinar com precis…o a data de evento t…o grandioso — e se Ele continuava. prop„sito) que determinava a pergunta fundamental que a ciˆncia medieval se propunha: "para quˆT'. colocando l‚ em baixo a pobreza e o trabalho no corpo de outros. absolutamente tudo. Sua atitude para com o seu mundo era . mas • sempre assim: de dentro do mundo encantado das fantasias. que. No final de suas investiga‡†es ele chegou a representar cada um dos planetas por meio de uma nota musical. tinha um prop„sito definido. Deus. perguntando -se acerca de suas finalidades est•ticas. e as regularidades matem‚ticas dos movimentos dos astros podiam ser decifradas de sorte a revelar a melodia que Ele fazia os planetas cantarem em coro. pudessem indicar o sentido de cada uma e de todas as coisas. no alto.imperadores. Imagino que o leitor sorria. Tudo girava em torno de um nƒcleo central. . espantado perante tanta imagina‡…o. para o ˆxtase dos homens. constitu€do por fatos. Se o universo havia sa€do. conclu€a-se que tudo. Conhecer alguma coisa era saber a que fim ela se destinava. era um grande mƒsico-ge’metra. Curioso. De fato. tem‚tica que unificava todas as coisas: o drama da salva‡…o. •ticas. Œ justamente aqui que se encontra o seu car‚ter essencialmente religioso. no firmamento. humanas. sustentar todas as coisas. E era esta vis…o teleol„gica da realidade (de tetos. para exercer o poder e usar a espada. a caridade de Deus levando aos c•us as almas puras. E • assim que um homem como Kepler dedica toda sua vida ao estudo da astronomia na firme convic‡…o de que Deus n…o havia colocado os planetas no c•u por acaso. era isto mesmo: o universo inteiro era compreendido como algo dotado de um sentido humano. Seu mundo era s„lido. E os fil„sofos se entregavam a investiga‡…o dos sinais que. Aqui eu me detenho para um parˆntesis. Para os medievais n…o havia fantasia alguma. em grego. os fen„ menos f€sicos e qu€micos. . os animais. por um ato de cria‡…o pessoal. significa fim. pela sua gra‡a. o perigo do inferno. comprovados por inƒmeras evidˆncias e al•m de quaisquer dƒvidas. O que Kepler fazia em rela‡…o aos planetas os outros faziam 42 com as plantas. as pedr as. E • perfei tamente compreens€vel que tal drama tenha 41 exigido e estabelecido uma geografia que localizava com precis…o o lugar das moradas do dem„nio e as coordenadas das mans†es dos bem-aven turados. de alguma forma. elas sempre se apresentam com a soli dez das monta nhas.

. o u p ro p õ em q u a n d o a a ç ã o é fru s tr a d a e m s e u s o b je tiv o s . N ã o e ra m a q u e le s q u e fic a v a m q u e a s fa z ia m . q u e a o s p o u c o s . E . p in ta ra m q u a d ro s. o s h o m e n s c o m e ç a r a m a fa z e r c o is a s n ã o p re v is ta s n o re c e itu á rio re lig io s o .id ê n tic a à n o s s a a titu d e p a ra c o m o n o s s o . v ia ja r p a ra d e s c o b rir n o v o s m erc a d o s. E n e m a q u e le s q u e e s ta v a m n a c ú p u la d a h ie ra rq u ia s a g ra d a c im a ra ra m e n te c o n d e n a d o s a o s s e u s s u b te rrâ n e o s . te rra fir m e . s e o s . 4 4 ra c io n a liz a r o tra b a lh o . N ã o lh e s in te re s s a m u d a r a s c o is a s . tra b a lh a ra m . E m o p o s iç ã o a o s c id a d ã o s d o m u n d o s a g ra d o . c o n s tru íra m c id a d e s . c r e s c e n te . F o i d e u m a c la s s e p o u c o d e p ã o . n o v o s s is te m a s d e id e ia s . O p o d e r e a riq u e z a s ã o b e n e v o le n te s p a ra c o m a q u e le s q u e o s p o s s u e m . E n e la o s h o m e n s v iv e ra m . o b te r lu c ro s . e s m a g a d o s a o p e s o d a s itu a ç ã o . a d ú v id a e o s q u e s tio n a m e n to s s u rg e m A q u e le s q u e d u v id a m irre v e re n te s . fiz e ra m m ú s ic a . C o m o e le s . R e c e ita s q u e p ro d u z e m b o lo s g o s to s o s n ã o s ã o q u e s tio n a d a s . e rg u e ra m c a te d ra is . A re c e ita é re je ita d a q u a n d o o b o lo fic a s is te m a tic a m e n te d u ro . m a s d e f o r m a c o n s ta n te . E v ita r a m o r te p e la f o m e já é u m s o c ia l q u e s e e n c o n tra v a n o m e io q u e s u rg iu u m a n o v a e s u b v e r s iv a a tiv id a d e e c o n ó m ic a . e n tr e ta n t o . v is u a liz a r s e u lu g a r d e n tro d e s u a tra m a . à n o v a c la s s e in te re s s a v a m p ro d u z ir c o m e rc ia n a liz a r. lu ta ra m . s o m o s in c a p a z e s d e re c o n h e c e r o q u e d e f a n ta s io s o e x iste n a q u ilo q u e ju lg a m o s s e r te rre n o s ó lid o . E o q u e é fa s c in a n te é q u e u m a c iv iliz a ç ã o c o n s tru íd a c o m a s fa n ta s ia s te n h a s o b re v iv id o p o r ta n to s s é c u lo s . p r o g r e s s iv a . E o s q u e s e a c h a m e n e rg ia s n a s im p le s lu ta p o r u m m u ito p o r b a ix o . g a s ta m s u a s p o u c a s tr iu n f o . C u rio s o e s te p o d e r d a s fa n ta s ia s p a ra c o n s tr u ir te ia s fo rte s b a s ta n te p a ra q u e n e la s o s h o m e n s s e a b rig u e m . . a s d ú v id a s n ã o p o d e m a p are c e r. O s q u e e s tã o e m e m p re e n d e m c o is a s d ife re n te s . q u e h a v ia m c ria d o s ím b o jo s q u e lh e s p e rm itis s e m c o m p re e n d e r a a tiv id a d e s c o m o re a lid a d e c o m o u m d ra m a e . o u s ã o ic o n o c la s ta s A c o n te c e u . P o u c o s fo ra m o s q u e d u v id a ra m . o u s ã o lo u c o s o u s ã o ig n o ra n te s . q u e c o rro e u a s c o is a s e o s s ím b o lo s d o m u n d o m e d ie v a l. c ria r riq u e z a s . q u a n d o u m d e te rm in a d o s iste m a d e sím b o lo s 4 3 fu n c io n a d e m a n e ira a d e q u a d a .

A g o ra a n e c e s s id a d e d a riq u e z a in a u g u r a u m a a titu d e a g re s s iv a . a tiv a . o b s c u re c id o p o r a n a rq u iza d o p o r im p re v isto s? S u a . o s s ím b o lo s n ã o p a s s a m d e e fe ito s d e c a u s a s m a te ria is . d e a lg o q u e n e m c o m p l e t a m e n t e c o m p r e e n d i d o p e l o p o d e r d a r a z ã o . O 4 5 o c o rre é q u e . S u a a titu d e e ra p a s s iv a . M as co m o p o d e ria n u m e o p ro je to d a b u rg u e s ia o b re v iv e r m isté rio s m u n d o d e ste s. e c o s d a q u ilo q u e fa z e m o s . e d e s ta s a o s m e rc a d o s. d e riv a d a d e u m a v o n ta d e n o v a d e m a n ip u la r e c o n tr o la r a n a tu r e z a .a . re fle x o s . O h o m e m m e d ie v a l d e s e ja v a c o n te m p la r e c o m p re e n d e r. o s h o m e n s s ã o p ra tic a m e n te o b rig a d o s a in v e n ta r re c e ita s c o n c e p tu a is n o v a s . m a s tra n s f o rm a r" . P o r is to re je ito fo rm a s m a te ria is d a q u e e le s s e ja m d e n s id a d e . c o m o já s u g e r im o s .p rim e iro s s e d e fin ia m e m te rm o s d a s m a rc a s "P o r n a s c im e n to q u e d iv in a s q u e p o s s u ía m p o r n a s c im e n to .s e . re c e p tiv a . e n e m c o m p l e t a m e n t e r a c i o n a l i z a d o e o r g a n i z a d o p e l o p o d e r 'I o tra b a lh o . o s s ím b o lo s n ã o s ã o m e ra s e n tid a d e s id e a is . p o r ta n to .s e n a lin h a q u e v a i d a s m in a s e d o s c a m p o s à s fá b ric a s . S e is to fo r v e rd a d e . p o d e r e s e p o s s ib ilid a d e s q u e p o d e ser escap am à s n o s s a s c a p a c id a d e s d e e x p lic a r. n o s e u s e io . S o m o s o q u e p ro d u z im o s " . s e m tra b a lh o . c o n tr o la -a . N ó s n o s fiz e m o s . p e la q u a l a n o v a c la s s e s e a p r o p ria d a n a tu r e z a . E m ra c io n a lid a d e N a u m a o s m e d id a e n o rm e sím b o lo s m a rc a s d e n a s c im e n to . te m b u s c a d o e n te n d e r a n a tu r e z a . in v a d e m u m a o m u n d o e a í s e c o lo c a m a o la d o d e o u tra q ue lin g u a g e m . T ra ta . q u e o u tilita ris m o s e im p ô s e sím b o lo s. e ra m e n tre ta n to p rin c íp io d a u tilid a d e a tra d iç ã o c a p a z e s d e a lte ra r a fa c e d o m u n d o p o r m e io d o s e u s e rá . p r o c e s s o u . d as s im p le s tra d u ç ã o . U m m u n d o e n c a n ta d o a b r ig a . E o cu p av am o s lu g a re s p riv ile g ia d o s d a s o c ie d a d e m e d ie v a l a s sim c o n tra sta v a a s a c ra lid a d e co m a u tilid a d e p rá tic a in ú til d o s d a q u e le s q u e . re la tiv o s à v id a c o n c re ta . m a s o q u e im p o rta n ã o é e n te n d e r. p asso u A lg u n s a g o v e rn a r a s a tiv id a d e s d a s p e s s o a s . E sile n c io s a m e n te a b u rg u e s ia triu n fa n te e s c re v e o e p itá fio d a o rd e m s a c ra l a g o n iz a n te : " o s re lig io s o s . a o s u rg ire m p ro b le m a s n o v o s . n u m a q u e n e c e s s id a d e s v ita is . A c o n te c e q u e . A q u ilo q u e n ã o é ú til d e v e p e re c e r. m a n ip u la r. d e m a n e ira s is te m á tic a . f o rç a . P ro d u z iu -s e . O s o c ie d a d e e s u a s n e c e s s id a d e s v ita is . in te g ra n d o .s e q u e isto o c o rre u p o r e n te n d e re m q u e re v o lu ç ã o n o cam p o d o s ac h am s ã o c ó p ia s . E le s g a n h a m a ra d o s e d e a rm a s . o s ú ltim o s a firm a v a m : n a d a s o m o s . e n tã o . a té a g o ra . e le s m e s m o s v a z io s d e q u a lq u e r tip o d e e f ic á c ia . Q u e o c o rre u a o u n iv e rs o re lig io s o ? O u n iv e rs o re lig io s o e ra e n c a n ta d o .a a s u b m e te r -s e à s s u a s in te n ç õ e s . s a c rific a d a à n o m e d o d a e m p ro d u ç ã o d a riq u e z a . u m a n o v a o rie n ta ç ã o p a ra o p e n s a m e n to . p re v e r. m a n ip u la .

4 6 in te n ç ã o e ra p ro d u z ir. p o is q u e e le r e v e la c la r a m e n te o e s p írito d o m u n d o u tilitá rio q u e s e e s ta b e le c e u . e n q u a n to g a n h a . n a tu re z a é n a d a m a is q u e u m a fo n te d e m a té ria s . m a is d e s v a lo riz a d o q u e v a le o c o is a s . c o m o a a tiv id a d e h u m a n a p r á tic a s ó s e p o d e d a r s o b r e o b je to s v is ív e is e d e p r o p r ie d a d e s s e n s tV e is e v id e n t e s . v iv o n a s fro n te ira s d a e x p a n s ã o d o c a p ita lis m o e o n d e q u e r q u e a d in â m ic a d a p o rq u e e le re s s u rg e e se m a n té m . q u e c o lo q u e i c o m o e p íg r a fe d e s te c a p ítu lo . A n a re s p o s ta s d a d a s à co n d e n ação v erd ad e. m a is tra n s p a re n te p o d e e x is tir q u e a m a te m á tic a ? L in g u a g e m to ta lm e n te v a z ia d e m is té r io s . d o sa g ra d o e x ig id a p ê lo s in te re s s e s d a b u rg u e s ia e o a v a n ç o d a s e c u la riz a ç ã o . n e n h u m a p ro ib iç ã o . e te rra p o e m a d e u m S e r S u p re m o in v is ív e l. C é u s e te rra n ã o s ã o o n e n h u m in te r d ito . e o d e s tin o q u e e le re s e rv o u p a ra o s s ím b o lo s d a im a g in a ç ã o : a s c h a m a s . E liv re d e p r e s s u p o s to s irra c io n a is re lig io s o s . m a is u n iv e rs a l. q u e p o d e r ia im p e d ir q u e e la v ie s s e a s e r c o rta d a . Is to e x ig ia o e s ta b e le c im e n to d e q u e in s tr u m e n to m ais u m a p a ra to d e in v e s tig a ç ã o q u e p r o d u z is s e o s re s u lta d o s d e q u e s e tin h a n e c e s s id a d e . to ta lm e n te d o m in a d a p e la ra z ã o : in s tr u m e n to id e a l p a ra a c o n str u ç ã o d e u m m u n d o ta m b é m v a z io d e m is té rio s e d o m in a d o p e la ra z ã o . c o m o a c re d ita v a K e p le r. n e n h u m ta b u a c e rc á -lo s . e n tid a d e b ru ta . P o r o u tro la d o . a s e n tid a d e s in v is ív e is d o m u n d o re lig io s o n ã o p o d ia m te r fu n ç ã o a lg u m a a d e s e m p e n h a r n e s te u n iv e rs o . p o is lh e s q u a n to era c o n fe rid o A g o ra a lg u é m g a n h a . E a té m e s m o a s p e s s o a s p e rd e m s e u v a lo r re lig io s o .p rim a s . o s e u v a lo r e ra a lg o a b s o lu to . d e s titu íd a d e v a lo r. o c re s c im e n to d a riq u e z a . O q u e e x ig iria se u u tilita ris m o q u e fo ssem só p re se rv a d o s. N o fo s s e m . O r e s p e ito p e lo rio e p e la fo n te . 4 7 q u e p o d e r ia im p e d ir q u e e le s v ie s s e m a s e r p o lu íd o s . p ró p rio p o r D e u s. E eu o c o n v id a ria a v o lta r a o c u rto tre c h o d e H u m e . A E é p o r isto q u e n ã o e x iste a n u n c ia o s e u a m o r. P e rd e a n a tu re z a s u a a u ra s a g ra d a . m a r. E s te c o n flito . n ã o tê m lu g a r n o u n iv e r s o c o n h e c e o lu c ro c o m o p a d rã o p a ra a a v a lia ç ã o d a s m u n d o p e lo m e d ie v a l. o re s p e ito p e lo a r e p e lo s im b ó lic o in s ta u ra d o p e la b u rg u e sia . n ã o s e c irc u n s c re v e d e m a n e ira p re c is a . o r e s p e ito p e la f lo r e s ta . E a s le a Id a d e s d a s p e s s o a s e n v o lv id a s . M u ito d o q u e s e p e n s o u s o b re a re lig iã o te m p e rg u n ta era "o q u e é a re lig iã o ? " tê m m u ito a v er co m as s u a s o rig e n s n e s te c o n flito . n ã o e s tá c o n tid o d e n tro d e lim ite s e s tre ito s d e te m p o e e s p a ç o . N e m o s c é u s p ro c la m a m a g ló ria d e D e u s . d e fo rm a ra c io n a l.

A s c o is a s q u e s ã o d ita s e p e n s a d a s d e v e m c o rre s p o n d e r à s c o is a s q u e s ã o v is ta s e p e r c e b id a s . A c iê n c ia . " n ã o c o n té m ra c io c ín io s e x p e rim e n ta is q u e d ig a m . s e e le " n ã o c o n té m a b s tr a io re la tiv o à q u a n tid a d e e a o n ú m e ro " . d a ú n ic o im a g in a ç ã o à o b s e rv a ç ã o . n e g a ç ã o d o s d a d o s . A a rg u m e n ta ç ã o re lig iã o c u id e d a s re a lid a d e s e s p iritu a is. P o rq u e . I g re ja e in te re s s e s B a s ta a b rir o s n o s s o s jo rn a is e to m a r c iê n c ia d a s te n s õ e s é a m e s m a . a n te s C o n h e c e r e d o c o n tro le . p o r su a v e z . a lin h a v a -s e a o la d o d o s v ito rio s o s e e ra p o r e le s s u b v e n c io n a d a . E é sab e r n ã o d iz e r e x c lu siv a m e n te . c ria ç ã o d a im a g in a ç ã o : s ó p o d e s e r q u a lq u e r ra c io c ín io re s p e ito a c la s s ific a d o c o m o e n g o d o c o n s c ie n te o u p e rtu r b a ç ã o m e n ta l. S u b m is s ã o d o p e n s a m e n to a o c a te g o ria d e v a lo re s . m o s tra v a m p a ra e x tra o rd in a ria m e n te a d a p ta d o s à ló g ic a d o m u n d o b u rg u ê s . a n te s d e m a is n a d a . a s e p e rg u n ta v a ac e rc a d a q u e d is tâ n c ia n o s c o isa s e b u s c a v a o u v ir h a rm o n ia s e v is lu m b ra r p ro p ó s ito s d iv in o s n o s a c o n te c im e n to s d o c iê n c ia fo i to ta l. O s fa to s s ã o e le v a d o s à p ro p ó sito a tra v é s d a a v e n id a d o m é to d o c ie n tíf ic o . sa b e r c o m o a s c o is a s fu n c io n a m . a tra d iç ã o . fa z e n d o e n c o n tra m o s d a c iê n c ia a m a n ip u la ç ã o fu n c io n a m e n to . A s id e ia s s e re p e te m . A fin a lid a d e m u n d o ! O su ce sso d a d as lig a ç ã o e n tre a m e d ie v a l q u e u n iv e rs id a d e e a fá b ric a . T ra ta v a -s e d e u m a f o rm a d e c o n h e c im e n to s u rg id o e m m e io a u m a o rg a n iz a ç ã o s o c ia l e p o lític a d e rro ta d a .p ro d u ç ã o d o s lu c ro s c o lid a c o m o s m u n d o s s a c ra is . Q u e a e c o n ó m ic o s . 4 8 É n e c e s s á rio re c o n h e c e r q u e a re lig iã o re p re s e n ta v a o p a s s a d o . In s ta u ra -s e d a d o . O c o n h e c im e n to s ó n o s p o d e c h e g a r E is to s ig n ific a . E o d is c u rs o re lig io s o ? E n u n c ia d o d e a u s ê n c ia s . E assim é q u e e s te tip o d e c o n h e c im e n to fá b r ic a e o lu c r o . Im p o rta v a -lh e . rig o ro s a o b je tiv id a d e . S e u s m é to d o s e d e o c o n c lu s õ e s s e m ais n a d a. u m s u b o rd in a ç ã o d is c u rs o c u jo 4 9 é d iz e r a s p re s e n ç a s . q u e d a s c o is a s m a te ria is a e s p a d a e o d in h e iro s e e n c a rre g a m . q u e m s a b e o fu n c io n a m e n to te m o se g re d o d a a b re o c a m in h o d a té c n ic a . C o is a s b e m -s u c e d id a s a n ã o p o d em s e r q u e s tio n a d a s . e n tre Ig re ja e E s ta d o . Isto é a v e rd a d e . C o m o d u v id a r d a e fic á c ia ? Im p õ e-se c o n c lu s ã o : a c iê n c ia e s tá a o la d o d a v e rd a d e .

A re lig iã o fo i a q u in h o a d a c o m a flita s . e c o n h e c im e n to c ie n tífic o . Id a d e d a s T re v a s . c o m c ró n ic o s . p o r s e re fe rir a e n tid a d e s im a g in á ria s . a ig n o râ n c ia d e u m c o m p o rta m e n to in f a n til d e d a h is tó ria . e la p e rd e u s e u p o d e r e c e n tra lid a d e . C o m o d iz ia R ic k e rt.m a té ria s d e f a to e e x is tê n c ia " .. a s fá b ric a s . P io r d iz e n d o q u e u m a e n u n c ia d o fa ls id a d e . o le ito r fic a rá p a s m o e d irá : " C o n h e ç o u m a a u m a . u m co n c e d e u à se r d ec lara d o D e c la ro u -a fa ls o é n e c e s s á rio q u e e le d is c u rs o d e s titu íd o d e re lig iã o . o s lu c ro s . M a s . a s c id a d e s . fo i p o rq u e . . ó p io . M a s a c o is a n ã o fa z s e n tid o " . o s c o rp o s d a s p e s s o a s . n e u ro s e . " n ã o p o d e c o n te r c o is a a lg u m a a n ã o s e r s o fis m a s e ilu s õ e s " . o s rio s . d e s p e ja d o d e o u tr o . C u rio s o q u e a in d a tiv e s s e s o b ra d o ta l e s p a ç o p a ra a re lig iã o . d ia n te d a p ro b a b ilid a d e . A o s n e g o c ia n te s e p o lític o s fo ra m e n tre g u e s a te rra . s e ta l q u a d r o d e in te r p re ta ç ã o d o fe n ó m e n o re lig io s o s e e s ta b e le c e u . P a ra q u e u m e n u n c ia d o p o s s a f a ç a s e n tid o . d e v e z . riq u e z a . S e d ig o " o fo g o é fr io " . e n tre ta n to . P r o g r e s s iv a m e n te f o i e m p u rr a d o p a r a f o r a d o m u n d o . q u a d ro s im b ó lic o n o q u a l n ã o h a v ia lu g a r p a ra a re lig iã o . e fiz e ra m s o c ia l to ta lm e n te s e c u la r iz a d a e p r o fa n a . a d e s p e ito d e tu d o a a d m in is tra ç ã o d o m u n d o in v is ív e l. e s c u re c e u o s ilê n c io " . ilu s ã o . E p re c o c e s n e c ro ló g io s d o s a g ra d o . s ó q u e n ã o é v e rd a d e . o s a re s . o c u id a d o d a s a lv a ç ã o . d e fa to . o s c a m p o s . o s a g ra d o . o s m a re s . E s ta b e le c e u -s e . a lg o d is c u rs o d e s titu íd o d e s e n tid o . e s to u q u e q u a lq u e r p e s s o a e n te n d e . P a re c e . P a ra q u e o s h o m e n s d o m in e m a te rra é n e c e s s á rio q u e D e u s s e ja c o n fin a d o a o s c é u s . . o s b a n c o s . C u rio s o q u e o s fa to s d a e c o n o m ia n ã o tiv e s s e m liq u id a d o . 0 e x p lic a d a c o m o 5 0 p o v o s e g ru p o s n ã o e v o lu íd o s . fo g o . d e D ig o fa ls id a d e s . M a s a c iê n c ia n e m m e s m o a fa ls id a d e s e n tid o . E a s s im s e d iv id ira m á re a s d e in flu ê n c ia s . o s m e rc a d o s . o a tra s o . M a s s e a f ir m o " o to d a s a s p a la v ra s . D e s p e ja d o d e u m o tr iu n f o d a b u r g u e s ia D e u s p a s s o u a te r p ro b le m a s h a b ita c io n a is a s s im n ã o fo ra m fu tu r o p o u c o s o s q u e e scre v e ra m p ro fe c ia s d o d e s a p a re c im e n to d a re lig iã o e d o a d v e n to d e u m a o rd e m lu g a r. id e o lo g ia . F o i id e n tific a d a c o m p e río d o n e g ro o p a s s a d o . . a s s im . O p o n d o -s e a e s te q u a d ro s in is tr o . a c u ra d a s a lm a s . q u e h á c e rta s re a lid a d e s a n tr o p o ló g ic a s q u e p e rm a n e c e m . u m lu m in o s o d e p r o g re s s o .

h‚ as coisas que significam outras: s…o as coisas/s€mbolo. . Depois. . Todas elas respondem. . Isto me basta. O fogo • fogo. 52 A COISA QUE NUNCA MENTE "N…o existe religi…o alguma que seja falsa. Uma c•dula pode ser falsa. N…o me pergunto se a ‚gua • verdadeira. al•m dela mesma.. Ele aquece. E os negociantes e banqueiros tamb•m tˆm alma. e buscam nela os sinais do favor divino e a cercam das confiss†es de piedade. Por isto. • inevit‚vel que levantemos perguntas acerca de 53 sua verdade ou falsidade. Ela • cristalina. . Que • que ele significa? Nada. gostosa. Durkheim) No mundo dos homens encontramos dois tipos de coisas. h‚ as coisas que n…o significam outras. s…o destitu€das de sentido... Elas s…o elas mesmas. sendo -lhes necess‚rio plantar sobre ela tamb•m as bandeiras do sagrado. Querem ter a certeza de que a riqueza foi merecida. N…o • por acidente que a mais poderosa das moedas se apresente tamb•m como a mais piedosa. quando nos defron tamos com as coisas que significam outras." (E. Significa -se a si mesmo. uma c•dula significa um valor. Mas algu•m pode usar uma alian‡a na m…o esquerda sem ser casado. E sobreviveu o sagrado tamb•m como religi…o dos opri midos. de formas diferentes. Uma alian‡a significa casamento.51 As pessoas continuam a ter noites de ins„nia e a pensar sobre a vida e sobre a morte. . . uma afirma‡…o significa um estado de coisas. a condi‡†es dadas da existˆncia humana. fria. trazendo gravada em si mesma a afirma‡…o "In God we trust" — "n„s confiamos em Deus". n…o apontam para nada. Uma afirma‡…o pode ser uma mentira. Tomo um copo d'‚gua. n…o lhes bastando a posse da riqueza. Em primeiro lugar. A ‚gua mata a sede. E tamb•m os oper‚rios e camponeses possuem almas e necessitam ouvir as can‡†es dos c•us a fim de suportar as tristezas da terra.

a c re d ita n d o e m p ró p ria im p o rtâ n c ia . D e u m a f lo r . q u e im a . A s s im . c o is a s /s ím b o lo p o r e x c e lê n c ia . A q u e la flo r. C o is a s q u e n a d a s ig n ific a m p o d e m s e r tra n s f o r m a d a s e m s ím b o lo s . n ã o p o s s o le v a n ta r a q u e s tã o a c e rc a d a v e rd a d e . u s a n d o c e rto s m a te ria is . T ra ta -s e d e u m a c o n s tru ç ã o q u e o a rtis ta fa z . m a s q u e . M a s p o s s o p e r g u n ta r s e e la é p e r f u m a d a . N ã o p o d e r ía m o s a v e n ta r a h ip ó te s e d e q u e o a rtis ta p lá s tic o n ã o e s tá e m b u s c a d e v e rd a d e . E a flo r p o d e s e r u m a c o n fis s ã o d e a m o r o u u m a a firm a ç ã o d e s a u d a d e . n a s c id a p o r a c id e n te d e u m a s e m e n te q u e o v e n to le v o u . . . lá n o m e io d o ja rd im . . A ra p o s a c o m e ç o u a fic a r f e liz a o o lh a r p a r a o tr ig a l. A flo r é a f lo r . C o is a s q u e n a d a s ig n ific a m p o d e m p a s s a r a s ig n ific a r . p o r m e io d e u m a lg o . . d e c o n fo rm id a d e e n tre s u a o b ra e u m o rig in a l. s e é b e la .. U m a te la d e P ic a s s o d e v e ria te r u m b a ix o g ra u d e v e rd a d e . U m a o b ra d e a rq u ite tu r a c o p ia o q u ê ? N ã o c o p ia c o is a a lg u m a . s e jo g a d a s o b re u m a s e p u ltu ra . ta m b é m c o m o d e to d a s a s c o is a s q u e n ã o s ig n ific a m n ã o s ig n ific a c o is a a lg u m a . E m n a d a s e p a re c e c o m o o rig in a l. A a rte n o s a ju d a a c o m p re e n d e r is to . a q u e s tã o e p is te m o ló g ic a . . a o c o n trá rio .. c o m o fa z e m a r tif íc io : b a s ta q u e s o b re e la s e s c re v a m o s su a o s n a m o ra d o s q u e g ra v a m s e u s n o m e s n a s c a s c a s d e á rv o re s . s e é p e r f e ita . P e rg u n ta r s e e le é v e rd a d e ir o n ã o fa z s e n tid o . e s tá c o n s tr u in d o u m a c o is a . e e s ta o b ra p a s s a a s e r u m a c o is a e n tre o u tra s c o is a s . À s v e z e s a té m e s m o a s p a la v ra s . A o o lh a r p a ra u m q u a d ro o u u m a e s c u ltu ra é fá c il v e r n e le s s ím b o lo s q u e s ig n ific a m u m c e n á rio o u u m a p e s s o a . d e p o is d e h a v e r e le e x e c u ta d o a o p ia n o u m a d e s u a s c o m p o s iç õ e s : " Q u e q u e r o s e n h o r d iz e r c o m e s ta p e ç a m u s ic a l? Q u e é q u e e la s ig n ific a ? " " O d iz e r? E s im p le s . o g ra u d e v e rd a d e d a o b ra d e a rte s e ria m e d id o p o r s u a fid e lid a d e e m c o p ia r o o rig in a l.ilu m in a . e la m e s m a o rig in a l e ú n ic a ? A lg u é m p e rg u n to u a B e e th o v e n . . T a m b é m o fo g o se tra n s fo rm a e m s ím b o lo n a s v e la s d o s a lta re s o u n a s p ira s o lím p ic a s . s e tra n s fo rm a m e m c o isa s." A sse n to u -se ao p ia n o e e x e c u to u a m esm a q u e e la s ig n ific a ? O q u e q u ero 5 5 . m a n d a m c o lo c a r p la c a s c o m e m o ra tiv a s 5 4 c o m s e u s n o m e s e m le tra s g ra n d e s s o b re a s p irâ m id e s e v ia d u to s q u e m a n d a m c o n s tru ir. o u tra s . e a q u e le s q u e .

pe‡a. . em uma cidade do interior. quando menino. A F€sica s„ de que eram portadores. Cada planeta era um s€mbolo. os homens se reuniam ap„s o jantar para contar caso s. artistas pl‚sticos. e passam a existir ao lado das coisas. . n…o conseguia entender o texto escrito e. Para ele a ƒnica realidade era a coisa: o papel. E h‚ aqueles que constr„em coisas usando palavras. muito bom para embrulhar. Ela era a pr„pri a coisa. tintas e bronze. H‚ certas situa‡†es em que as palavras deixam de significar. A ciˆncia medieval olhava para o universo e pensava que ele era um conjunto de coisas que significavam outras. o julgamento de verdade • falsidade n…o entrava. ." Lembro-me que. conse -qŽentemente. E foi assim que Galileu parou de perguntar o que • que o universo significa e concentrou -se simples mente em saber o que ele •. fant‚sticos mas nunca falsos. . constr„em coisas usando tijolos. E Kepler tentou avan‡ou quando o universo foi reconhecido como coisa. As coisas eram ditas • fim de construir objetos que podiam ser belos. grotescos. fascinantes. . . um s€mbolo. A rea‡…o apropriada a um caso fant‚stico era outra: "Mas isto n…o • nada". "Um poema deveria ser palp‚vel e mudo como um fruto redondo. abandonam o mundo da verdade e da falsidade. n…o podia ouvir a mƒs ica. Faz pouco tempo que me dei conta de que. quais as leis que o regem. As obras de Bach foram descobertas por acaso quando eram usadas para embrulhar carne num a‡ougue. O a‡ougueiro n…o entendia os s€mbolos. Porque as coisas eram ditas n…o para significar algo. engr a‡ados. e todos sabiam disto. E o novo artista iniciava a constru‡…o de um outro objeto de palavras. Arquitetos. naquele jogo. como funciona. As est„rias eram fant‚s ticas. mƒsicos. Ela n…o significava coisa alguma. Medite sobre esta afirma‡…o de Archibald Mac Leish. um poema n…o deveria significar coisa alguma e simplesmente. sons. . um poema deveria n…o ter palavras como o voo dos p‚ssaros. N…o se tratava de uma coisa que significa outra. . Quem confunde coisas que significam com coisas que nada significam comete graves equ€vocos. Dever iam ser decifrados para que ouv€s semos a mensagem descobrir as harmonias musicais destes mundos. ser. Mas nunca ouvi ningu•m dizer ao outro: "Vocˆ est‚ mentindo".

E é e n tã o q u e o c o rre a re v o lu ç ã o s o c io ló g ic a . N a Id a d e M é d ia o s filó s o fo s . E m u m a p a la v ra : e la é u m a re a lid a d e . C o n c lu íra m q u e o d is c u rs o re lig io s o n a d a s ig n ific a v a . E u m n o v o m u n d o d e " C o n s id e re o s fa to s s o c ia is c o m o s e fo s s e m c o is a s . S ã o o s e m p iris ta s /p o s itiv is ta s q u e in siste m e m in te rp re ta r a re lig iã o te x to . A g o ra a co m o u m s itu a ç ã o se in v e rte u . M a s a r e lig iã o e x is te . IM ã o lh e s p a s s o u p e la q u e a s p a la v ra s c a b e ç a q u e a s p a la v ra s p u d e s s e m s e r u s a d a s p a r a o u tra s c o is a s q u e n ã o s ig n ific a r. m a s a p a rtir d o s e u c o m p o rta m e n to q u e o s e m p iris ta s /p o s itiv is ta s fiz e ra m c o m c o m o c o is a d o m u n d o d a e c o n o m ia . A s itu a ç ã o é ir ó n ic a . e m p r in c íp io . d e s e ja v a m v er m e n s a g e n s e s c rita s n o s c é u s . ig n o ra n d o -a c o m o c o is a . F o i is to a re lig iã o . O d ó la r n ã o s e e n te n d e a p a rtir d o s ig n ific a d o d e 5 7 " fn G o d w e tru s t" . N ã o p e rc e b e r a m p o d e m s e r m a té ria -p rim a c o m q u e s e c o n s tró e m m u n d o s . M a s a c iê n c ia n ã o s a iu d o s e u im p a s s e e n q u a n to n ã o s e re c o n h e c e u q u e e s tre la s e p la n e ta s s ã o c o is a s . C o n c lu s ã o tã o b an al q u a n to a firm a r q u e a á g u a .Q u e m s e p ro p u s e r a e n te n d e r a fu n ç ã o d o d ó la r a p a rtir d a c o is a e s c rita q u e e s tá im p re s s a n a s c é d u la s c h e g a ria a c o n c lu s õ e s c ó m ic a s .s e n u m s is te m a d e fa to s d a d o s . n a d a s ig n ific a m . M u d a n ç a ra d ic a l d e c o m p re e n s ã o d a re lig iã o s e in s ta u ra c o m a a fir m a ç ã o : p e rs p e c tiv a . C o n s titu i. o fo g o e a flo r n ã o tê m s e n tid o a lg u m . C o m o p o d e ria a c iê n c ia n e g a r ta l r e a lid a d e ? " ." 5 8 E D u rk h e im c o m e n ta : " D iz -s e q u e a c iê n c ia . C o n te m p la v a m o u n iv e r s o c o m o u m te x to d o ta d o d e s ig n ific a ç ã o . Ig n o ra ra m -n a c o m o c o is a s o c ia l e s e c o n c e n tra ra m n o s e n u n c ia d o s e a firm a ç õ e s q u e a p a re c e m ju n to a e la . n e g a a r e lig i ã o . d e d e n tro d e s u a p e r s p e c tiv a re lig io s a .

N o e n ta n to . b la s fe m o s e b e a to s ." E e le c o n tin u a : " N o s s o e s tu d o d e s c a n s a in te ira m e n te s o b re o p o s tu la d o d e q u e o s e n tim e n to u n â n im e d o s c re n te s d e to d o s o s te m p o s n ã o p o d e s e r p u ra m e n te ilu s ó rio . " S e e la n ã o e s tiv e s s e a lic e rç a d a n a p ró p ria n a tu re z a d a s c o is a s .d e te rm in a d o â n g u lo . A re lig iã o é u m a in s titu iç ã o e n e n h u m a in s titu iç ã o p o d e s e r e d ific a d a s o b re o e rro o u u m a m e n tira . e m v ia s d e d e s a p a re c im e n to . o s ju lg a m e n to s d e v e rd a d e e d e fa ls id a d e n ã o p o d e m s e r a e la a p lic a d o s . d e l a s s e p a r a d a s p o r u m a s é r ie d e p r o ib iç õ e s . u m a r e s is tê n c ia s o b re a q u a l n ã o p o d e ria s e r triu n fa d o . " N ã o e x is te re lig iã o a lg u m a q u e s e ja fa ls a " . S a g ra d o e p ro fa n o n ã o s ã o p ro p rie d a d e s d a s c o is a s . a s u a u n iv e rs a lid a d e e p e r s is tê n c ia n o s s u g e re m a s p e c to e s s e n c ia l e p e rm a n e n te d a h u m a n id a d e " .O r a . m u ito e m b o ra s e ja m d ife re n te s ." n a d a in fe rio r à q u e le d a s 5 9 T o d o s c o n c o rd a ria m e m tê m m o rrid o e m q u e s e ria a c ie n tífic o d e n u n c ia r a le i d a g ra v id a d e s o b a a le g a ç ã o d e q u e m u ita s p e s s o a s d e c o rrê n c ia d e q u e d a s . c o n tin u a e le . E e n c o n tra m o s a s s im s e c u la r e s o u p r o f a n a s . s e a re lig iã o é u m fa to . a s s im c o m o n o jo g o d e x a d re z a v a rie d a d e d o s la n c e s s e d á s e m p re e m e s p a ç o s b ra n c o s e p re to s . q u e s e r a c h a e m d u a s c la s s e s n a s q u a is e s tá c o n tid o tu d o o q u e e x is te . a s re lig iõ e s . te ria e n c o n tra d o . 3 Q u e s ã o a s re lig iõ e s ? Ã p rim e ira v is ta n o s e s p a n ta m o s c o m im e n s a v a rie d a d e d e rito s e m ito s q u e n e la s e n c o n tra m o s . u m so b re u m a e x p e riê n c ia e s p e c ífic a c u jo v a lo r d e m o n s tra tiv o é . a s c o is a s 6 0 . o q u e n o s fa z p e n s a r q u e ta lv e z s e ja im p o s s ív e l d e s c o b rir u m tra ç o c o m u m d e u m a to d a s . p o r q u e n o s re la ç ã o a o s fa to s d o u n iv e rs o h u m a n o ? A n te s d e m a is n a d a é n e c e s s á rio q u e a re lig iã o e ra u m fe n ó m e n o q u e e la n o s re v e la " u m a c o m p o r ta m o s d e fo rm a d ife re n te e m e n te n d e r. p e sso a s. e sp a ç o s. o e s p a ç o d a s c o is a s s a g r a d a s e . E já d is p o m o s d e u m a s u s p e ita : a o c o n trá rio d a q u e le s q u e im a g in a v a m p a s s a g e iro . E le s s e e s ta b e le c e m p e la s a titu d e s d o s h o m e n s p e ra n te s c o is a s . q u a d r ic u la d o e d iv id id o e m e x c e ç ã o a lg u m a . S e a s s im p ro c e d e m o s e m re la ç ã o a o s fa to s d o u n iv e r s o fís ic o . te m p o s. n o s f a to s . e s ta b e le c e m u m a d iv is ã o b ip a rtid a d o u n iv e r s o in te ir o . A d m itim o s q u e e s ta s c re n ç a s re lig io s a s d e s c a n s a m . s o b u m e x p e riê n c ia s c ie n tífic a s . h o rr o riz a n d o e m p iric is ta s e s a c e rd o te s . s e m c im a ta b u le ir o .

É a ssim q u e fu n c io n a a e c o n o m ia . T u d o s e to rn a d e s c a rtá v e l. o c írc u lo d o p r o fa n o e o c írc u lo d o d a u tilid a d e o u p o d e m s e r u s a d a s o u n ã o . u tilid a d e fa to . e le in fe rio r. O je ju m . m u n d o re tira u tilitá r io d a s c o is a s e n ã o d as e x is te c o is a a lg u m a p e rm a n e n te . o e x tr e m o . s im p le s m e n te d e n s id a d e q u e a re lig iã o D u rk h e im n ã o in v e s tig a v a a re lig iã o g ra tu ita m e n te . É m a is e c o n ó m ic o . a ssim s e tra n s f o rm a . V ã o . O m u n d o p ro fa n o fica v a lid e z é o c írc u lo d a s a titu d e s u tilitá ria s . O h o m e m S e n te -s e n ão p o d em d o m in a d o ser n ã o m a is é o c e n tro d o m u n d o . S e n te -s e sa g ra d o lig a d o à s c o is a s s u p e rio r é re v e rê n c ia re s p e ito . e s ó le v a e m c o n s id e ra ç ã o s e e la s D e fa to . M a s c o m o é o in d iv íd u o q u e ju lg a q u e o s in d iv íd u o s p e rm a n e c e m n ã o d e u m a d e te rm in a d a c o is a . a o rig e m c a re n te d a v id a . n o rm a s d e c o m p o rta m e n to a lg u m a . p e s s o a s to d o v a lo r q u e e la s p o s s a m O c rité rio d a u tilid a d e te r. fo i e s g o ta d o v a i p a ra o lix o . O s a g ra d o é o c ria d o r. p o r s im p le s c u rio s id a d e . E le v iv ia n u m m u n d o q u e a p re s e n ta v a s in a is d e d e s in te g ra ç ã o e q u e e s ta v a ra c h a d o p o r to d o s o s p ro b le m a s a d v in d o s d a e x p a n s ã o d o . N o â m b ito s e c u la r o in d iv íd u o e ra d o n o d a s c o is a s . N u m D e p o is a p a re c e ra m o s c o a d o re s d e p a p e l.açõ es. n e m d e c is õ e s . D e q u e e e n v o lv id o p o r a lg o q u e m e sm o q u e d e le d is p õ e e s o b re e le n ã o a p re s e n te m tra n s g re d id a s . s ã o a s c o is a s q u e o d e s c o b re to ta lm e n te d e p e n d e n te d e s a g ra d a s p o r la ç o s d e p r o f u n d a a lg o q u e e lh e é p o s s u e m . e c o n ó m ic o s e s u p e rp õ e m . o s a n tig o s fo ra m a p o s e n ta d o s c o m o in ú te is. e m s i m e s m a s . a o c o n trá rio . m a s lh e s a trib u i. E é is to q u e a s to rn a o b rig a tó ria s . a fo n te d a fo rç a . e u a jo g o fo ra . sa g ra d o tu d o q u e a v a n ç a o m u n d o p ro fa n o e s e c u la r. O q u e n ã o é ú til é a b a n d o n a d o . A n tig a m e n te s e u s a v a o c o a d o r d e p a n o p a ra fa z e r o c a fé . n o s e u p o n to s a c rifíc io : sa g ra d a to d a s e s ta s s ã o p rá tic a s q u e n ã o s e d e fin e m p o r s u a u tilid a d e . e sta é u m a á re a e m d o n o s d o s s e u s n a riz e s to d o o te m p o . m a is " p rá tic o s " . a re c u s a e m m a ta r o s a n im a is s a g ra d o s p a ra c o m e r. 6 1 o c e n tr o d o m u n d o . E le n ã o é o c e n tro d e c o is a a lg u m a e s e (S c h le ie rm a c h e r). o lh e é s u p e rio r.s e o s c rité r io s u tilitá rio s . N in g u é m te m n a d a a v e r c o m a s s u a s a ç õ e s . n e m d o n o d o s e u n a riz . o b je to d e a d o ra ç ã o . N a m e d id a e m a v a n ç a ta m b é m N o c írc u lo o in d iv id u a lis m o e o u tilita r is m o . e D e p o is a in fla ç ã o f e z c o m q u e o v e lh o c o a d o r d e p a n o fic a s s e m a is ú til q u e o d e p a p e l. a a u to fla g e la ç ã o e . U m m e d ic a m e n to e sfe ro g rá fic a B ic c u jo p razo d e v e lh a . p e la o a u to - p e rd ã o . e m b u s c a d e v id a . a tra n s g re s s ã o d o c rité rio d e u tilid a d e é u m a d a s m a rc a s d o c írc u lo d o s a g ra d o . O h o m e m é a c ria tu ra . Q u e é u m a a titu d e u tilitá ria ? Q u a n d o m in h a F aç o o m esm o c om p re g o s e n fe rru ja d o s. A g o r a . a o rig e m d as im p õ e d e f o rç a .

a sociedade como sist ema que gira ao seu redor. que nos p†em de joelhos. O indiv€duo no centro. Do ponto de vista estritamente utilit‚rio seria mais econ„mico matar os velhos. h‚ uma voz. n…o se enquadra neste jogo secular e utilit‚rio. se a sociedade • um meio. em conflitos uns com os outros. O problema est‚ em que a vida social. castrar os portadores de defeitos gen•ticos. ela praticamente tem o estatuto daqueles objetos que podem ser descar tados quando perdem a sua utilidade. O indiv€duo toma a decis…o. sem justificativas utilit‚rias. . o utilitarismo se imp†e e o sagrado se dissolve? Roubadas daquele centro sagra do que exigia a reverˆncia dos indiv€duos para com as normas da vida social. a consciˆncia. pragm‚tico. haviam criado a sociedade como um meio para a sua satisfa‡…o. . Que ocorre quando a seculariza‡…o avan‡a.. Tudo isto se encaixa muito bem naquele esquema utilit‚rio. a sociedade vem depois. matar as crian‡as defeituosas. . que indicamos. as pessoas perdem os seus pontos de orienta‡…o. Por raz†es morais. Assim. abortar as gravidezes aci- 63 dentais e indesejadas. . um sentimento de culpa. sem sermos apanhados. a fonte das normas. tal como a conhecemos. que nos diz que algo sagrado foi violentado. ainda mais. tirar proveito e escapar ileso. que nos coagem. n…o se destruam uns aos outros? Por que n…o se devoram? Qual a origem da razo‚vel harmonia da vida social? A resposta que havia sido ante riormente propos ta para esta quest…o dizia que os indiv€duos. impulsionados por seus interesses. E era isto que o levava a perguntar: como • poss€vel a sociedade? Que for‡a misteriosa • esta que faz com que indiv€duos isolados. Se • poss€vel quebrar as normas. E. E a sociedade se estilha‡a sob a crescente press…o das for‡as centr€fugas do individualismo. Resultam de nossa reverˆncia e respeito por normas que n…o criamos. As coisas mais s•rias que fazemos nada tˆm a ver com a utilidade. a garantia da harmonia. do mundo secular. fuzilar os criminosos e poss€veis criminosos. Mas alguma coisa nos diz que tais coisas n…o devem ser feitas.capitalismo — proble - 62 mas semelhantes aos nossos. Sobrevˆm a anomia. cada um deles correndo atr‚s dos seus interesses. fazer desaparecer os adver s‚rios pol€ticos. a origem da ordem. Por quˆ? Porque n…o. que argumento utilit‚rio pode ser invocado para evitar o crime? O sagrado • o centro do mundo. E mesmo quando as fazemos.

u n iv e rs a l e e te rn a d a s s e n s a ç õ e s s u i g e n e ris c o m a s q u a is a e x p e riê n c ia re lig io s a é fe ita . c o m e la a p re n d e m o s a p e n s a r e n o s to rn a m o s ra c io n a is . É c o m p re e n s ív e l q u e e la s e ja o D e u s q u e to d a s a s re lig iõ e s a d o ra m . O s h o m e n s . re p re s e n ta d a p e la s m ito lo g ia s d e ta n ta s f o r m a s d ife r e n te s . p a ra p e n s a r u m m u n d o id e a l. C o is a q u e n ã o v e m o s n o s a n im a is . e s c o n d id a a o s o lh o s d o s fié is . a in d a q u e d e fo r m a o c u lta . m a is fo r ç a .. e . ( .. s e ja p a ra v e n c ê -lo s . m a s u m c írc u lo d e p o d e r . A s s im . in c a p a z e s d e s o b re v iv e r c o m o in d iv íd u o s is o la d o s . é e la q u e c h o ra rá a n o s s a m o rte . f o m o s p o r e la a c o lh id o s . A e s s ê n c ia d a re lig iã o n ã o é a id e ia . 6 6 p a ra im a g in a r. E le s e to rn o u m a is f o rte . q u e p e rm a n e c e m se m p re m e rg u lh a d o s n o s fa to s . e q u e é a c a u s a o b je -tiv a . N a sc e m o s fra c o s e in d e fe so s. m a s a f o rç a . E le s e n te . c o n te m p la m o s fa to s e o s re v e ste m c o m u m a a u ra s a g ra d a q u e . E é isto o q u e a firm a a s u a m a is re v o lu c io n á ria c o n c lu s ã o a c e rc a d a e s s ê n c ia d a re lig iã o . p ro te g id o s ." O s a g ra d o n ã o é u m c ír c u lo d e s a b e r.. Q u a l é e s ta c o is a m is te rio s a m e n te p re s e n te n o c e n tro d o c írc u lo s a g ra d o ? D o n d e s u rg e m a s e x p e riê n c ia s re lig io s a s q u e o s h o m e n s e x p li- 6 4 ca ra m e d esc rev era m co m o s n o m e s m a is v a ria d o s e o s m ito s m a is d is tin to s ? Q u e e n c o n tra m o s n o c e n tro d a s re p re s e n ta ç õ e s re lig io s a s ? A re s p o s ta n ã o é d if í c il.q u a n d o D u rk h e im e x p lo ra v a a re lig iã o e le e s ta v a in v e s tig a n d o a s p ró p ria s c o n d iç õ e s p a ra a s o b re v iv ê n c ia d a v id a s o c ia l. ) É c o m p r e e n s ív e l q u e e la s e ja o D e u s q u e to d a s a s r e lig iõ e s a d o r a m . a lim e n ta d o s . fin a lm e n te . é a s o c ie d a d e " . " e s ta re a lid a d e . re c e b e m o s d a s o c ie d a d e u m n o m e e u m a id e n tid a d e . re c e b e m o s d a s o c ie d a d e u m n o m e e u m a id e n tid a d e . d e n tr o d e s i. A o s fié is p o u c o im p o rta q u e s u a s id e ia s s e ja m c o rre ia s o u n ã o . in c a p a z e s d e s o b r e v iv e r c o m o in d iv íd u o s is o la d o s . " O fie l q u e e n tro u e m c o m u n h ã o c o m o s e u D e u s n ã o é m e ra m e n te u m h o m e m q u e v ê n o v a s v e rd a d e s q u e o d e s c re n te ig n o r a . a o c o n trá r io .. s e ja p a ra s u p o rta r o s s o frim e n to s d a e x is tê n c ia . D u rk h e im p e rc e b e q u e a c o n s c iê n c ia d o s a g r a d o s ó a p a re c e e m v irtu d e d a c a p a c id a d e h u m a n a 6 5 N a s c e m o s fra c o s e in d e fe s o s .

c o m o u m h u m a n id a d e . A re lig iã o p o d e s e tra n s fo rm a r. a se e n v o lv e u . N a v e r d a d e . O n d e e s tiv e r a s o c ie d a d e a li e s ta rã o o s d e u s e s e a s e x p e riê n c ia s s a g ra d a s . S u a c e r te z a d e q u e a r e lig iã o e r a o c e n tr o d a s o c ie d a d e e r a tã o g r a n d e q u e e le n ã o p o d ia im a g in a r u m a s o c ie d a d e to ta lm e n te p ro fa n a e s e c u la -riz a d a ." g u ia p a ra a . in te rv a lo s . e o u tr o s a in d a n ã o n a s c e r a m " . E c h e g o u m e s m o a a f ir m a r q u e " e x is te a lg o d e e te r n o n a r e lig i ã o q u e e s tá d e s tin a d o a s o b r e v iv e r a to d o s o s s í m b o lo s p a rtic u la r e s n o s q u a is o p e n s a m e n to r e lig io s o d e m a n te r e u m s u c e s s iv a m e n te e re a firm a r. . E n tre ta n to . M a s n u n c a v a z io e a n u n c ia n d o u m a e s p e ra n ç a : d e sa p a rec erá. o id e a l e o s a g r a d o s ã o a m e s m a c o is a . 6 7 " U m d ia v irá q u a n d o n o s s a s s o c ie d a d e s c o n h e c e rã o d e n o v o a q u e la s h o ra s d e e f e rv e s c ê n c ia c ria tiv a . N ão p o d e e x is tir u m a e s o c ie d a d e q u e n ã o s in ta a n e c e s s id a d e id e ia s c o le tiv a s q u e c o n s titu e m e le su a o s s e n tim e n to s c o le tiv o s u n id a d e p e rs o n a lid a d e " . s u rg in d o a p e n a s d e s u a c a p a c id a d e p a ra c o n c e b e r o id e a l e d e a c r e s c e n ta r a lg o a o re a l. p o r u m p o u c o . n a s q u a is id e ia s n o v a s a p a re c e m e n o v a s f ó r m u la s s ã o e n c o n tra d a s q u e s e r v irã o .. E c o n c lu i re c o n h e c e n d o " O s v e lh o s d e u s e s já e s tã o a v a n ç a d o s e m a n o s o u já m o r r e r a m .em n en h u m lu g a r s e a p re s e n ta c o m o d a d o b ru to .

N…o procura para€sos perdidos porque n…o acredita neles. express…o de um sofrimento real e protesto contra um sofrimento real. Ele • seculariz ado do princ€pio ao fim e somente conhece a •tica do lucro e o entusiasmo do capital e da posse. de transfigu ra‡…o er„tica do corpo. . Vive j‚ em plena noite. Suspiro da criatura oprimida.. . Durkheim contemplou as t•nues cores do mundo sacral que desapa recia." (K. sob as mudan‡as r‚pidas da luz que mergulha. Mas dirige o seu olhar para os horizontes futuros e espera a vinda de uma cidade santa. Anda em meio aos escombros. Penetra no passado a fim de compreender o presente.. Marx n…o habita o crepƒsculo. Elabora a ciˆncia do capital e faz o diagn„stico do seu fim. Nada tem a pregar e nem oferece conselhos. sociedade sem opri midos e opressores. empreendeu a busca das origens. sob a esperan‡a de que o mundo sacra l-to tˆm i‡o dos abor€genes australianos nos oferecesse vis†es de um para€so — uma ordem 69 social constru€da em torno de valores espirituais e morais. esp€rito de uma situa‡…o sem esp€rito: a religi…o • o „pio do povo. . . N…o importa que os capitalistas frequentem templos e fa‡am ora‡†es. Marx) Entramos num outro mundo.68 ASFLORES SOBRE AS CORRENTES "O sofrimento religioso •. Compreender com esperan‡a. como nuvens de crepƒsculo que passam de rosa ao negro. nem que construam cidades sagradas ou sustentem movi mentos . ao mesmo tempo. Mas o solo em que pisa desconhece o mundo sacral. do tempo perdido. Fascinado. cora‡…o de um mundo sem cora‡…o. Analisa a dissolu‡…o. de normas morais e valores espirituais. de liberdade. E l‚ se foi atr‚s da religi…o mais simples e primitiva que se conhecia.

Estava em busca das for‡as que realmente movem a . E Marx tem de insistir num procedimento rigorosamente materialista de an‚lise. Este mundo ignora os elementos espirituais. Sal‚rios e pre‡os n…o s…o estabelecidos nem pela religi…o e nem pela •tica. Porque as pessoas n…o tˆm certas ideias porque querem. que n…o conhece a compaix…o. A riqueza se constr„i por meio de uma l„gica duramente material: a l„gica do lucro. Nada mais distante da verdade. Um sintoma apenas. E que n…o existia nada mais imposs €vel que a elimi na‡…o de ideias. De fato. . ainda que falsas. E a luta n…o foi nem com cl•rigos e nem com te„logos. Marx n…o desejava gastar energias com drag†es de papel. Quixote. . N…o se pode negar que os gestos e as falas ainda se referem aos deuses e aos valores morais: maquilagem. materialismo que • uma exigˆncia do pr„prio sistema que s„ conhece o poder dos fatores materiais. mas com um grupo de fil„sofos que entendia que a religi…o era a grande culpada de todas as desgra‡as sociais de ent…o. de um eco. aqueles que 70 tˆm compaix…o se condenam a si mesmos • destrui‡…o. e desejava estabelecer um programa educativo com o obje -tivo de fazer com que as pessoas abandonassem as ilus†es religiosas. e muito menos que missas sejam rezadas pela eterna salva‡…o de suas almas. E. uma aura sagrada que tudo envolve no seu perfume. desodorante. perfumaria.. se ela n…o passava de uma sombra. os fil„sofos que se apresentavam como perigosos revo lucion‚rios n…o passavam de r•plicas de D. . A religi…o n…o era culpada pela simples raz…o de que ela n…o fazia diferen‡a alguma. Œ a l„gica do lucro e da riqueza que assim estabelece — e n…o as inclina‡†es pessoais daquele que a analisava. de uma imagem invertida. por isto mesmo. . sem que nada se altere. Como poderia um eunuco ser acusado de deflorar uma donzela? Como poderia a religi…o ser acusada de responsa bilidade. Na verdade. das cabe‡as dos homens. incenso. investindo contra moinhos de vento.mission‚rios. E imagino que cl•rigos e religiosos poder…o esfregar as m…os com prazer: "Finalmente descobrimos um Marx do nosso 71 lado". projetada sobre a parede? Ela n…o era causa de coisa alguma. Marx estava convencido de que a religi…o n…o tinha culpa alguma. nem ainda que haja ‚gua benta na inaugura‡…o das f‚bricas e celebra‡†es de a‡†es de gra‡as pela prosperidade. Poucas pessoas sabem que o pensamento de Marx sobre a religi…o tomou forma e se desen volveu em meio a uma luta pol€tica que travou. .

s o c ie d a d e . P o rq u e e ra a í, e s o m e n te a í, q u e a s b a ta lh a s d e v e ria m s e r tra v a d a s . Q u e fo rç a s e ra m e s ta s ? O s filó s o fo s re v o lu c io n á rio s a q u e n o s r e fe rim o s , h e g e lia n o s d e e s q u e rd a , d e s e ja v a m q u e a s o c ie d a d e p a s s a s s e

p o r tra n s fo rm a ç õ e s ra d ic a is . E e le s e n te n d ia m q u e a o r d e m s o c ia l e r a c o n s tr u íd a c o m u m a a rg a m a s s a e m q u e a s c o is a s m a te r ia is e ra m c im e n ta d a s u m a s n a s o u tra s p o r m e io d e id e ia s e f o r m a s d e p e n s a r. A s s im , a rm a s , m á q u in a s , b a n c o s , fá b ric a s , te rra s s e in te g ra v a m p o r m e io d a r e lig iã o , d o d ir e ito , d a filo s o f ia , d a te o lo g ia . . . A c o n c lu s ã o p o lític o tá tic a s e s e g u e n e c e s s a ria m e n te : s e h o u v e r u m a a tiv id a d e c a p a z d e d is s o lv e r id e ia s e m o d ific a r fo rm a s a n tig a s d e p e n s a r, o e d ifíc io s o c ia l in te ir o c o m e ç a r á a tr e m e r. E fo i

7 2 a s sim q u e e le s s e d e c id ira m a tra v a r a s b a ta lh a s re v o lu c io n á ria s n o c a m p o d a s id e ia s , u s a n d o c o m o a rm a a lg u m a d e c o n s c ie n tiz a ç ã o . E in v e s tira m

c o is a q u e n a q u e le te m p o s e c h a m a v a c rític a . H o je , p o s s iv e lm e n te , e le s fa la ria m c o n tra a re lig iã o .

M a r x s e riu d is to . O s h e g e lia n o s v ê e m a s c o is a s d e c a b e ç a p a ra b a ix o . P e n s a m q u e a s id e ia s s ã o a s c a u s a s d a v id a s o c ia l, q u a n d o e la s n a d a m a is s ã o q u e e f e ito s , q u e a p a re c e m d e p o is q u e a s c o is a s a c o n te c e r a m . . . " N ã o é a c o n s c iê n c ia q u e d e te rm in a a v id a ; é a v id a q u e d e te rm in a a c o n s c iê n c ia ." E e le a f irm a v a : " A té m e s m o a s c o n c e p ç õ e s n e b u lo s a s q u e e x is te m n o s c é re b ro s d o s h o m e n s s ã o n e c e s s a ria m e n te su b lim a d a s d o s e u p ro c e ss o d e v id a , q u e é m a te ria l, e m p iric a m e n te o b s e rv á v e l e d e te rm in a d o p o r p re m is s a s m a te ria is. A p ro d u ç ã o d e id e ia s , d e c o n c e ito s , d a c o n s c iê n c ia , e s tá d e s d e a s s u a s o rig e n s d ire ta m e n te e n tre la ç a d a c o m a a tiv id a d e

m a te ria l e a s re la ç õ e s m a te ria is d o s h o m e n s , q u e s ã o a lin g u a g e m d a v id a re a l. A p ro d u ç ã o d a s id e ia s d o s h o m e n s , o p e n s a m e n to , a s s u a s re la ç õ e s e s p iritu a is a p a re c e m , s o b e s te â n g u lo , c o m o u m a e m a n a ç ã o d e s u a c o n d iç ã o m a te ria l. A m e s m a c o js a s e p o d e d iz e r d a p ro d u ç ã o e s p iritu a l d e u m p o v o , re p re s e n ta d a p e la lin g u a g e m d a

p o lític a , d a s le is , d a m o r a l, d a re lig iã o ,

7 3 d a m e ta físic a . O s h o m e n s sã o o s p ro d u to re s d e s u a s c o n c e p ç õ e s ."

"Œ o homem que faz a religi…o; a religi…o n…o faz o homem." Œ o fogo que faz 5 tuma‡a; a fuma‡a n…o faz o fogo. ; E, da mesma forma como • inƒtil tentar apagar o fogo assoprando a fuma‡a, tamb•m • inƒtil tentar mudar as condi‡†es de vida pela cr€tica da religi…o. A consciˆncia da fuma‡a nos remete ao incˆndio de onde ela sai. De forma idˆnt ica, a consciˆncia da religi…o nos for‡a a encarar as condi‡†es materiais que a produzem. Quem • esse homem que produz a religi…o? Ele • um corpo, corpo que tem de comer, corpo que necessita de roupa e habita‡…o, corpo que se reproduz, corpo que tem de transformar a natureza, trabalhar, para sobreviver. Mas o corpo n…o existe no ar. N…o o encon tramos de forma abstraia e universal. Vemos homens indissoluvelmente amarrados aos mundos onde se d‚ sua luta pela sobrevivˆncia, e exibindo em seus corpos as

marc as da natureza e as marcas das ferramentas. Os b„ias -frias, os pescadores, os que lutam no campo, os que trabalham nas constru‡†es, os motoristas de ’nibus, os que trabalham nas forjas e prensas, os que ensinam crian‡as e adultos a ler — cada um deles, de maneira espec€fica, traz no seu corpo as marcas

74 do seu trabalho. Marcas que se traduzem na comida que podem comer, nas enfermidades que podem sofrer, nas divers†es a que podem se dar, nos anos que podem viver, e nos pensamentos com que podem sonhar — suas religi†es e espe ran‡as. Marx tamb•m sonhava e imaginava. E muito embora haja alguns que o considerem importante em virtude da ciˆncia econ„mica que estabeleceu, desprezando como arroubos juvenis os voos de sua fantasia, colocome entre aqueles outros que invertem as coisas e se detˆm especialmente nas fronteiras em que o seu pensamento invade os horizontes das utopias. E Marx se perguntava sobre um outro tipo de trabalho que daria prazer e felicidade aos homens, trabalho companheiro das cria‡†es dos artistas e do prazer n…o utilit‚rio do brinquedo e do jogo. . . Trabalho express…o da liberdade, atividade espiritual criadora, construtor de um mundo em harmonia com a inten‡…o. . . Œ claro que Marx nunca viu este sonho ut„pico realizado em sociedade alguma. Foi ele que o construiu a partir de pequenos fragmentos de experiˆncia, trabalhados pela mem„ria e pela esperan‡a. Mas s…o estes hori zontes ut„picos que agu‡am os olhos para que eles percebam os absurdos do "topos", o lugar que habitamos. E, ao contemplar o trabalho, o que ele descobriu foi aliena‡…o

d o p rin c íp io a o f im .

7 5 O q u e é a lie n a ç ã o ? A lie n a r u m b e m : tr a n s fe r ir p a r a u m a o u tr a p e s s o a a p o s s e d e a lg u m a c o is a q u e m e p e rte n c e . T e n h o u m a c a s a : o u tr o . P o r e s te p r o c e s s o e la é a lie n a d a . A a lie n a ç ã o , a s s im , n ã o é a lg o q u e

p o s s o d o á -la o u v e n d ê -la a u m

a c o n te c e n a c a b e ç a d a s p e s s o a s . T ra ta -s e d e u m o u tr a , d e a lg o q u e p e r te n c ia à p r im e ira . P o r q u e o tra b a lh o é m a rc a d o p e la a lie n a ç ã o ? V o lte m o s p o r u m

p ro c e s s o o b je tiv o , e x te r n o , d e tr a n s f e r ê n c ia , d e u m a p e s s o a a

in s ta n te a o tr a b a lh o n ã o a lie n a d o , c r ia d o r, liv r e , q u e M a r x im a g in o u . S u a m a rc a

e s s e n c ia l e s tá n is to : o h o m e m d e s e ja a lg o . S e u d e s e jo p ro v o c a a im a g in a ç ã o q u e v is u a liz a a q u ilo q u e é d e s e ja d o , s e ja u m ja rd im , u m a s in fo n ia o u u m s im p le s b rin q u e d o . A im a g in a ç ã o e o d e s e jo in fo rm a m o c o rp o , q u e se

p õ e in te ir o a tr a b a lh a r , p o r a m o r a o o b je to q u e d e v e s e r c r ia d o . E q u a n d o o tr a b a lh o te r m in a o c r ia d o r c o n te m p la s u a o b r a , v ê q u e é m u ito b o a e d e s c a n s a . .. Q u e a c o n te c e c o m a q u e le q u e tra b a lh a d e n tr o d a s a tu a is c o n d iç õ e s ? E m p rim e ir o lu g a r, e le te m d e a lie n a r o s e u d e s e jo . S e u d e s e jo p a s s a a s e r o d e s e jo d e o u tr o . E le tr a b a lh a p a r a o u tro . E m s e g u n d o lu g a r , o o b je to a s e r p r o d u z id o n ã o é re s u lta d o d e u m a d e c is ã o s u a . E le n ã o e s tá g e ra n d o u m p o rq u e

filh o s e u . N a v e r d a d e , e le n ã o e s tá m e tid o n a p ro d u ç ã o d e o b je to a lg u m

7 6 co m a d iv is ã o d a p ro d u ç ã o n u m a s é rie d e a to s e s p e c ia liz a d o s e in d e p e n d e n te s , e le é re b a ix a d o d a c o n d iç ã o d e q u e sim p le s m e n te a p e rta u m p a ra fu s o , a p e rta u m b o tã o , d á u m a

c o n stru to r d e c o is a s à c o n d iç ã o d e a lg u é m

m a rte la d a . S e s e p e rg u n ta r a u m o p e rá rio d e u m a fá b r ic a d e a u to m ó v e is : " q u e é q u e v o c ê fa z ? " , n e n h u m d e le s d irá " e u fa ç o a u to m ó v e is . V o c ê já v iu c o m o s ã o b o n ito s o s c a rro s q u e fa b ric o ? " . E le s n ã o d irã o q u e o b je to s p ro d u z e m , m a s q u e fu n ç ã o e s p e c ia liz a d a s e u s c o r p o s f a z e m : " S o u to r n e ir o . S o u f e r r a m e n te ir o . S o u e le tr ic is ta ." E m te rc e iro lu g a r, e e m c o n s e q u ê n c ia d o q u e já f o i d ito , o tra b a lh o n ã o é a tiv id a d e q u e d á p ra z e r, m a s a tiv id a d e q u e d á s o frim e n to . O h o m e m tra b a lh a p o rq u e n ã o te m o u tr o je ito . T ra b a lh o f o rç a d o . S e u m a io r id e a l: a

a p o s e n ta d o ria . O p ra z e r, e le irá e n c o n tra r f o ra d o tra b a lh o . E é p o r is to q u e e le s e s u b m e te a o tra b a lh o e a o p a g o d o s a lá rio .

duas classes sociais. Os corpos que habitam o mundo do lucro tamb•m tˆm suas marcas. . Duas maneiras totalmente diferentes de ser do corpo. Se as firmas em que vocˆ vai investir est…o derrubando florestas e provocando devas ta‡†es ecol„gicas. M‚quinas e meios de produ‡…o n…o s…o seus.Em ƒltimo lugar. se elas prosperam pela produ‡…o de armas. regido pela l„gica do dinheiro. Todo o seu comportamento • rigorosamente determinado pela lei do lucro. Nƒmeros indicam as possibilidades de lucro. Estabelecida a l„gica do lucro. E o que ocorre • que o mundo estabelecido pela l„gica do lucro — que inclui de devasta‡†es ecol„gicas at• a guerra — est‚ totalmente alienado.. N…o • dif€cil compreender como isto acontece. tˆm de seguir o seu ritmo e fazer o que elas exigem. Mas que fatores levam os trabalhadores a aceitar tal situa‡…o? Por que trabalham de forma alienada? Por que n…o saem para outra? em desertos de can a. separado dos desejos das pessoas. Imaginemos que vocˆ. os €ndios perdem suas terras porque gado • melhor para a economia que €ndio. . Porque tamb•m os capitalistas est…o alienados. e s…o gover nados pela l„gica do lucro. utilit‚rio. no rosto. enquanto que rios e mares viram caldos venenosos. e os peixes b„iam.. sabendo que o bom do capitalismo • ser capitalista. Para produzir dever…o acopl‚ -los •s m‚quinas. . Œ o mundo capitalista. Eles s„ possuem os seus corpos. . resolva dar voos mais 77 altos e investir na bolsa de valores. que horrorizava Durkheim. E • assim que o pr„prio conceito de aliena‡…o nos revela uma sociedade partida entre dois grupos. 78 Porque n…o h‚ alternativas. inclusive o oper‚rio. Assim. aos meios de produ‡…o. Os trabalhadores s…o acoplados •s m‚quinas e. e capi talistas. nos olhos. . as ‚reas verdes s…o entregues • especula‡…o imobili‚ria. nada mais. que prefeririam talvez coisas mais simples. na postura. Isto deixar‚ marcas nas m…os. as terras v…o -se transformando mortos. que v…o do colarinho . E que • que vocˆ vai encontrar nelas? Nƒmeros. Como • que vocˆ ir‚ proceder? Vocˆ dever‚ consultar tabelas que o informem dos melh ores investimentos. tudo isto • absolutamente irrele vante. se elas s…o injustas e cru•is com os seus empregados. por isto. . Este • o mundo secular. especialmente os olhos. Eles n…o podem fazer o que desejam. e dispondo de uma certa import‰ncia ajuntada na poupan‡a. todas as coisas — da talidomida ao napalm — se transfor mam em mercadorias. o trabalho cria um mundo independente da vontade de oper‚rio s.

lá e m q u a n d o fiz e rm o s a s c o is a s d o p rin c íp io a o fim . O p r o b le m a n ã o é d e n a tu r e z a 7 9 m o ra l n e m d e n a tu re z a p s ic o ló g ic a . N ã o s e re s o lv e c o m b o a v o n ta d e p o r p a rte d o s o p e rá rio s e g e n e ro s id a d e p o r p a rte d o s p a trõ e s. le is .. A p e n a s c o m o u m m é d ic o q u e fa z u m d ia g n ó s tic o d e u m p a c ie n te e n fe rm o . s o b re a re a lid a d e a s v o z e s . e m re la ç õ e s u n s c o m o s o u tro s . Is to é a re a lid a d e : h o m e n s tr a b a lh a n d o . e a s e n fe rm id a d e s c a rd io v a s c u la re s q u e o s a flig e m . S o b re o fo g o . e lim in a rá a a lie n a ç ã o . p o r m a is a lto q u e s e ja . g rito s e g e m id o s . s o n h o s .b ra n c o (o s a m e ric a n o s fa la m m e s m o n o s tra b a lh a d o re s w h ite c o lla r).. c r ité r io s e s té tic o s . q u e s ó v e re m o s c o m c la re z a fa z a s p la n o p r e v ia m e n te tra ç a d o . . a p r e s s ã o c a i. M a s q u e m . c o n s titu iç õ e s . f ilo s o f ia s .s e o v o lu m e . a s a v e n tu ra s a m o ro s a s q u e tê m . c o n f u s o . D iz M a rx . r e lig iõ e s . a fu m aç a . . e le d iz ia : o d e s e n la c e é in e v itá v e l p o rq u e o s ó rg ã o s e s tã o e m g u e rr a . E é d is to q u e s u r g e m e c o s . . . s o b re a v id a a c o n s c iê n c ia . M a rx n u n c a p re g o u lu ta d e c la s s e s . . S ó q u e tu d o a p a re c e d e c a b e ç a p a ra b a ix o . p o e m a s . fazen d o co m seu s c o rp o s u m m u n d o q u e n ã o d e s e ja m . s o b o p o n to g á s a p re ssã o d e v is ta d e M a rx . s o b c o n d iç õ e s q u e e le s n ã o e s c o lh e ra m . d e a c o r d o c o m c o isa s d o p rin c íp io a o fim ? Q u e m c o m p re e n d e o p la n o e ra l? O s u m O C a p ita l. E a q u i p o d e r ía m o s a f ir m a r : " S a lá r io s c o m p r im id o s a o s e u m ín im o p ro d u z e m m ila g re s e c o n ó m ic o s e x p a n d id o s a o s e u m á x im o " . P a r a M a rx a q u i s e e n c o n tra a c o n tra d iç ã o m á x im a d o c a p ita lis m o : o c a p ita lis m o c re s c e g ra ç a s a u m a c o n d iç ã o q u e to rn a o c o n flito e n tre tra b a lh a d o re s e p a trõ e s in e v itá v e l. T ra ta -s e d e u m a le i. N e n h u m s a lá rio . E n ã o é n e c e s s á r i o p e n s a r m u ito p a r a c o m p r e e n d e r q u e o s in te r e s s e s d e s ta s d u a s c la s s e s n ã o s ã o h a r m ó n ic o s . tã o rig o ro s a q u a n to a le i d a q u ím ic a q u e d iz : c o m p rim in d o -s e o v o lu m e d e u m a u m e n ta . u to p ia s . p a s s a n d o p ê lo s re s ta u ra n te s q u e fre q u e n ta m . s o b re a in fr a -e s tru tu ra a s u p e re s tr u tu ra . e x p a n d in d o . .. A c h a v a ta l s itu a ç ã o d e te stá v e l. .

. . fu m a ç a s . . s e c re ç õ e s .8 0 p re s id e n te s ? O s p la n e ja d o re s ? C o m p re e n d e -se q u e o O s m in is tro s ? O F M I? n o rm a lm e n te e m su a s ca b eças n ão s e ja q u e a s p e sso a s tê m c o n h e c im e n to . E o s p o d e ro s o s u sam s a g ra d a s e in v o c a m o s p o d e r e s d a d iv in d a d e c o m o c ú m p li- 8 1 cês d a g u e rra e d a ra p in a . to d o s o s a rg u m e n to s . e m p a rte p a ra ilu m in a r o s c a n to s e s c u r o s d o c o n h e c im e n to . n ã o s e ja c iê n c ia . "e x p re ssão d e s o frim e n to re a l. e a e x p a n s ã o c o lo n ia l c iv iliz a ç õ e s fo ra m m a s s a c ra d o s e m le v o u c o n sig o p a r a a Á fric a e a Á s ia o D e u s d o s b ra n c o s . . e c o n s titu iç õ e s re p re s e n ta n te d e D e u s v a i se e sc re v e m in v o c a n d o a v o n ta d e d e D e u s. C o m o p re te n d e ilu m in a r? Ilu m in a c o m ilu s õ e s q u e c o n s o la m o s f ra c o s e le g itim a ç õ e s q u e c o n s o lid a m o s f o rte s . d a s p ro fu n d e z a s d o s e u s o frim e n to . c e s s a m to d a s a s ra z õ e s .n a e s p e r a d a as m esm as p a la v ra s p ró p ria m is é ria . M a s . m a s so b re to d a s a s c o isa s d o s h o m e n s s e e s p a lh a o p e rfu m e d o in c e n s o . b a lb u c ia : " É a v o n ta d e d e D e u s " . E o s h a b ita n te s o r ig in a is d e s te c o n tin e n te e s u a s n o m e d a c ru z . " A re lig iã o é a te o ria g e ra l d e s te m u n d o . N a d a s e a lte ra . e u m a o la d o d a q u e le q u e fo i c o n d e n a d o a m o rre r. . E la m e sm a n ã o v ê . p o b re d e la . o s e u c o m p ê n d io e n c ic lo p é d ic o . re fle x o s d e u m m u n d o a b su rd o . E é a q u i q u e a p a re c e a re lig iã o ." D e fa to . s e u fu n d a m e n to u n iv e rs a l d e c o n s o lo e le g itim a ç ã o . s u a s o le n e c o m p le tu d e . a s in ju s tiç a s s e tra n s fo rm a m e m m is té rio s d e d e s íg n io s in s o n d á v e is e a s u a p a c i ê n c i a . . s u a ló g ic a e m fo rm a p o p u la r. p r o te s to c o n tr a u m s o fr im e n to r e a l. s u a ju s tific a ç ã o m o ra l. R e lig iã o . q u a n d o o p o b r e /o p r im id o . u m a p ro v a ç ã o a s e r s u p o rta d a c o m s a lv a ç ã o e te rn a d e s u a a lm a . . n a d a s e tra n sfo rm a. m a s p u ra id e o lo g ia .

m a s p a ra q u e e le d a re lig iã o d e s ilu d e o c o m o h o m e m v iv a a c o rr e n ta d o q u e b re a c o rre n te e c o lh a a flo r v iv a . d e s ta fo rm a . n ã o im p o rta q u e s e ja m c a p ita lis ta s . v o lto u à ra z ã o . E la s ó e x is te n u m a s itu a ç ã o m a rc a d a p e la q u e n ã o h a ja q u e m q u e r a a lie n a ç ã o . N e m n o P a raíso e n em n a C id a d e S a n ta s e e /n ite m . É n e c e s s á rio . q u e d ev e s e r a b o lid a c o m o c o n d iç ã o d e v e rd a d e ira fe lic id a d e . E é p o r is to q u e é ó p io . " A e x ig ê n c ia d e q u e s e a b a n d o n e m a s ilu sõ e s s o b re u m a d e te rm in a d a s itu a ç ã o .s u s p ir o d a c r ia tu ra o p rim id a . sin to m a s . b u r o c ra ta s o u q u e o ste n te a lg u m sin a l d e s u p e rio rid a d e h ie rá rq u ic a . " f e lic id a d e ilu s ó ria su a d o p o v o ". Id e ia s p o rq u e a su a s e ja s ã o e c o s . E c o m is to o s re lig io s o s m a is d e v o to s c o n c o rd a ria m ta m b é m . n u m a s o c ie d a d e liv re . . e m o p re s s o re s ." M a rx a n te v ê o fim d a re lig iã o . A re lig iã o é n a d a m a is q u e o s o l ilu s ó rio q u e g ira e m to rn o d o h o m e m . A c rític a h o m e m . M a s o a b a n d o n o d a s ilu s õ e s n ão se c o n s e g u e p o r m e io d e u m a a tiv id a d e in te le c tu a l. a g o ra e le g ira e m to rn o d e s i s e u s o l v e rd a d e iro . é a e x ig ê n c ia d e q u e s e a b a n d o n e u m a s itu a ç ã o q u e n e c e ss ita d e ilu s õ e s . o d e f a z ê -lo p e n s a r e a g ir e m o ld a r a s u a re a lid a d e q u e. e la s as p a la v ra s q u e b ro ta m d o s o frim e n to se tra n s fo rm a m . ó p io d o p o v o " ." "A c rític a a rra n c o u a s flo re s im a g in á ria s d a c o rre n te n ã o p a ra q u e o sem fa n ta s ia s o u c o n s o lo . S e e la s tê m ta is id e ia s é s itu a ç ã o a s e x ig e . D e s a p a re c id a a a lie n a ç ã o . n a m e d id a e m q u e e le n ã o g ira e m to rn o d e s i m e s m o . q u e s u a s itu a ç ã o m u d a d a . m e sm a s. a f im a lg u é m m esm o . a s fe n d a s c u ra d a s. A s p e s s o a s n ã o p o d em ser c o n v e n c id a s a a b a n d o n a r s u a s id e ia s re lig io s a s . c o ra ç ã o d e u m m u n d o s e m c o ra ç ã o . p a ra 8 2 q u e a s ilu s õ e s d e s a p a re ç a m . fu m a ç a . n o b á lsa m o p ro v is ó rio p a ra u m a d o r q u e e le é im p o te n te p a r a c u r a r . . e s p írito d e u m a s itu a ç ã o s e m e s p írito . A re lig iã o é fru to d a a lie n a ç ã o . e n tã o . sem ilu s õ e s . d e s a p a re c e rá ta m b é m re lig iã o . E .

ju s ta m e n te a q u e le s n o ite . . a í e s tá o d is c u rs o d o d e s e jo . p la n ta n d o ja r d in s p e la m a n h ã . c o m o g u ia s p a ra a h u m a n id a d e " . te ria d e s e r in c lu íd o c o m o u m a d e la s .a lv a rá s p a ra a c o n s tr u ç ã o d e te m p lo s . n a s q u a is id e ia s n o v a s a p a re c e ra m e n o v a s fó r m u la s fo ra m e n c o n tra d a s. e n q u a n to d a lib e r d a d e e n o d e s a p a r e c im e n to o E s ta d o e m u rc h a d e v e lh ic e e rie m e n q u a n to in u tilid a d e . D e fa to . E s e is to f o r v e rd a d e . P a re c e q u e a c rític a m a rx is ta d a re lig iã o n ã o te rm in a c o m c o m o e la . m a s s im p le s m e n te in a u g u ra u m o u tro c a p ítu lo . .. p o r u m p o u c o . e n tã o . à a n á lis e q u e o m a rx is m o fa z d a r e lig iã o c o m o ó p io d o p o v o . . ju s ta m e n te o lu g a r o n d e n a s c e m o s n u n c a v iu . B e m le m b ra v a D u rk h eim q u e a s ro u p a s s im b ó lic a s d a re lig iã o s e a lte ra m . M a s e u m e p e r g u n ta ria s e a r a z ã o p o r q u e o m a r x is m o f o i c a p a z d e p r o d u z ir "h o ra s d e e fe rv e sc ê n c ia c ria tiv a . u m o u tr o c a p ítu lo d e v e ria s e r a c re s c e n ta d o s o b re a re lig iã o c o m o 8 4 a rm a d o s o p rim id o s .. . 8 3 O e q u ív o c o é p e n s a r q u e o s a g ra d o é s o m e n te a q u ilo q u e o s te n ta o s n o m e s re lig io s o s tra d ic io n a is . f o ra m . a o m e s m o te m p o q u e a s p e s s o a s tra b a lh a m . q u e s e rv ira m ." . s e n d o q u e o m a rx is m o . fo i o ú n ic o q u e A lb e rt C a m u s c o rre ta m e n te o b serv a. . e u m e p e rg u n ta ria s e tu d o is to s e d e v e u a o rig o r d e s u a c iê n c ia o u à p a ix ã o d e s u a v is ã o . P o rq u e . e n o triu n fo o p rim id o s . O n d e q u e r q u e im a g in e m o s v a lo re s e o s a c re s c e n te m o s ao re a l. b rin c a m c o n stru in d o c a sa s à ta rd e . d is c u tin d o a rte à s ím b o lo s s a g ra d o s.s e o s " já a v a n ç a d o s e m a n o s o u já m o rto s . . . . "M a rx . E M a rx fa la s o b re u m a s o c ie d a d e s e m e n a c la s s e s q u e n in g u é m v is ã o tra n s p a re n te e c o n h e c im e n to c ris ta lin o d e o p re sso re s e d a s c o is a s. s im . s e s e d e v e u a o s d e ta lh e s d e s u a e x p lic a ç ã o o u à s p ro m e s s a s e e s p e ra n ç a s q u e e le f o i c a p a z d e fa z e r n a s c e r. d e u s e s . d e d ire ito .

85 VOZ DO DESEJO “ A religi…o • um sonho de mente humana. parece que estes mesmos que propuseram a liquida‡…o do discurso religioso ainda n…o produziram os seus m‚rtires. Mas o seu prop„sito • simplesmente mostrar que o discurso religioso cont•m algo mais que a pura ausencia de sentido . . • poss€vel analisar a religi…o de um ‰ngulo sociol„gico.. ser exorcizado pela cr€tica epstemologica.. entregando -se mesmo ao mart€rio. marcando o lugar onde os mortos amados foram enterrados e. por outro lado. . compondo poemas e can‡†es. lan‡ando -se em empresas grandiosas e atrevendo -se a gestos loucos. se necess‚rio. O mesmo procedimento pode ser . como o fizeram Marx e Durkheim.” (L.compreendeu que uma religi…o que n…o invoca a transcendˆncia deveria ser chamada de pol€ tica. por isso mesmo. Por outro lado.Sei que a compara‡…o • injusta. • poss€vel encarar a religi…o como se ela n…o passasse de um discurso sem sentido.. Mas. Enquanto.". n…o podendo. como Camus observou. n…o • poss€vel ignorar que as pessoas encont ram raz†es para viver e morrer em suas esperan‡as religiosas. como o fizeram os empiricistas/positivistas.Feuerbach) De fato. e dificilmente poder…o oferecer raz†es para viver 86 e morrer...

s o lte ir o s m a is q u e o s c a s a d o s . c o m o d e s u b je tiv id a d e . fre q u ê n c ia su lc o s D e fa to . . q u e m s a b e a s p re c e s e a s c a rta s e s b o ç a d a s . P o r q u e a n á lis e a 8 7 s o c io ló g ic a . re s ta . n u m a s im . E . q u e d a fa z e m r e lig iã o ? c o m e n ig m a . in d iz ív e l d e c o m u n h ã o c o m o u o u e x p e r im e n ta o sa g ra d o .. e s ta p e s s o a e s e u s e sfera d e e x p e riê n c ia s e n tim e n to s re lig io s o s in d if e re n te à a n á lis e s o c io ló g ic a . p o r s e r ín tim a . o s o lh o s tris te s p a ra o c é u tr a n q u ilo . p o r m a is rig o ro s o s q u e a o s re s u lta d o s d e ta l a n á lis e . o s p a s s o s a té a ja n e la . M a s s e rá q u e is to a to rn a m e n o s re a l? E . d e m a n e ira c u rio s a . h o m e n s m a is q u e m u lh e r e s . a a n á lis e c ie n tíf ic a m o s tra q u e a e in c id ê n c ia d o s u ic íd io s e g u e m . h a b ita n te s s o c ia is : d a s c id a d e s m a is q u e c a m p o n e s e s . N ã o .n o s . n ã o fa z e m . Q u a is sã o a s ra z õ e s o s m u n d o s e le s d e n tro d o im a g in á rio s e s tó ic o e o s h o m e n s c o n s tru a m n ã o se m a n tê m P o r q u e m o d e s to re a lis m o d o s a n im a is . e x is te n c ia l. q u e s e ja m e x p lic a ç ã o M a s. S e e u m e n c io n o o s u ic íd io é p a r a e s ta b e le c e r u m a a n a lo g ia c o m r e lig iã o . q u a n d o a d e c is ã o e s ta v a to m a d a : o s p e n s a m e n to s . q u a n d o n o s d is p o m o s a e n tra r n e s te s a n tu á r io u m a v e z q u e m a is. .a p lic a d o a o s u ic íd io . c o n fe s s a n d o c o n h e c ia e p e d in d o se p erd ã o a o e n c o n tr a m p ec a d o s in im ig o . q u e a c e ita m a v id a c o m o e la é . s u b je tiv a . n a s o lid ã o . e m o c o rre am b o s o s c a so s. c h o r a n d o .n o s u m a d ú v id a : s e r á q u e e n u n c ia o s q u a d r o s s o c io ló g ic o s d o s u ic íd io ú ltim a n o s d iz a lg o se n d o a c e rc a d o s u ic id a ? A q u e la n o ite . s e c u rv a p e ra n te a s q u e n in g u é m e x ig ê n c ia s m o ra is d e s u a fé . fa z u m s ilê n c io to ta l so b re o q u e n a s p ro fu n d e z a s d a a lm a . . v e lh o s m a is q u e o s m o ç o s . c e rto s p r o te s ta n te s s e s u ic id a m m a is q u e c a tó lic o s . o u a p a z s o c ia l. E s te d ra m a /p o e s ia q u e o c o rre n a s o lid ã o d a a lm a q u e p re p a ra s e u ú ltim o g e s to e sc a p a p e rm a n e n te m e n te d a a n á lis e s o c io ló g ic a . a p e s so a q u e fa z p ro m e s sa s a o se u D e u s p a ra q u e s e u d o b r a o s jo e lh o s . S e é v e rd a d e q u e a re lig iã o é u m fa to filh o v iv a . p a r a s e r to ta lm e n te h o n e s to : ta l d ra m a lh e é a b s o lu ta m e n te in d ife r e n te . a s m ã o s c ris p a d a s . d e fro n ta m o .

N ã o s ã o re p o rta g e n s s o b re o s e v e n to s d o d ia . . M a s q u e m d iz a p e n a s s o n h o é p o rq u e n ã o e n te n d e u . o s s o n h o s n ã o c o rre sp o n d e m a o s fa to s d a v id a a q u i d e fo ra . q u e o c o n d e n a ra m o s tra c is m o in te le c tu a l p a ra o re s to d e s e u s d ia s . M a s . e m q u e fa z e m o s c o is a s q u e n u n c a e s tiv é s s e m o s a c o rd a d o s. n ã o s ig n if ic a m c o is a a lg u m a . n e m re v o lu ç õ e s . c o m is to . R e lig iõ e s s ã o o s s o n h o s d o s q u e e s tã o a c o rd a d o s. e m fa ría m o s se d e v e p re s ta r a te n ç ã o . O u s a d ia d e m a is d iz e r q u e re lig iã o é a p e n a s s o n h o . P o r q u e n ão te n ta v a e n te n d e r a re lig iã o d a m esm a fo rm a c o m o e n te n d e m o s o s s o n h o s ? S o n h o s 8 8 s ã o a s r e lig iõ e s d o s q u e d o r m e m . p ro v a v e lm e n te e n fu re c id a s. q u a s e s e m p re . E ta n to is to é v e rd ad e q u e fre q u e n te m e n te n ã o te m o s c o ra g e m p a ra c o n ta r o q u e fiz e m o s e m n o s s o s o n o . e sc a p a m à m a ld iç ã o d a n e u ro s e e d a a n g ú s tia ? E fo i e m m e io a p e n s a m e n to s s e m e lh a n te s a e ste q u e u m re lig io s o d o s é c u lo p a s s a d o te v e e s te la m p e jo d e u m a v is ã o q u e c o lo c a v a a re lig iã o s o b u m a lu z a to ta lm e n te d ife re n te . .. É b em p o ssív e l q u e as p esso as re lig io s a s se s in ta m d e s a p o n ta d a s. . F e liz m e n te e s q u e c e m o s tu d o . N in g u é m d is c o r d a : o s s ím b o lo s o n íric o s n ã o s ig n ific a m o m u n d o e x te rio r . . e s e e le s fo r e m e x p re s s õ e s d a a lm a h u m a n a . . . E fo i a s s im ta m b é m q u e p e n sa ra m a o o s c o n te m p o râ n e o s d e L u d w ig F e u ë rb a c h . . Q u e s ã o o s s o n h o s ? C o n g lo m e ra d o s d e a b s u rd o s a q u e n in g u é m in d e fin id o s . re v e la ç õ e s d a s n o s s a s p ro fu n d e z a s ? A p ro p o s ta p o d e ria s e r a c e ita a n ã o s e r p e lo fa to d e q u e n e m n ó s m e s m o s e n te n - 8 9 . D e le s s e ria p o s s ív e l d iz e r o m e s m o q u e s e d is s e d o d is c u rs o re lig io s o : d e s titu íd o s d e s e n tid o .. n e m r e lig iõ e s e . . s in to m a s d e a lg o q u e o c o rre em n o s s o ín tim o .ca n çõ e s. M u n d o fa n ta s m a g ó ric o d e c o n to rn o s q u e a s c o is a s s ã o e n ã o s ã o . D e fa to .

representa a legalidade. . Assim ele deixa passar. entretanto. pela for‡a. reprimido. pode haver leis proibindo o incesto. o inimigo que n…o deve entendˆ -la.. condenado a viver nas sombras. ao mesmo tempo. falamos conosco mesmos numa l€ngua que nos • estranha? Se os sonhos s…o revela‡†es do nosso interior. respeito. A sociedade proclama a ordem. . ” desejo grita: "Eu quero!" A sociedade responde: "N…o podes". "Tu deves". Se a sociedade estabelece proibi‡†es • porque ali o desejo procura se infiltrar. e dominado. chamada neurose. sem permiss…o para ver a luz do sol. a mensa gem que pode significar sua pr„pria destrui‡…o. pai compreensivo. amorda‡ado. como inocente. a ofensa a poderes constitu€dos. o enigma? Mensagens s…o enviadas em c„digo quando h‚ algu•m que n…o deve compreendˆ -las. por que • que tais revela‡†es n…o s…o feitas em linguagem clara e direta? Por que a obscuridade. S„ se pro€be o desejado. em ferros. por um poder estranho e mais forte: a sociedade. E todos sabem que a transgress…o das leis que regem este mundo provoca puni‡†es e deixa estigmas dolo rosos. atormentados por uma guerra interna sem fim. Assim. Ser‚ que. a exibi‡…o da nudez. ‘ o desejo. o assas sinato. desempenhando pap•is por todos reconhecidos e respeitados — marido fiel. Œ exatamente isto que diz a psican‚lise. velho s‚bio e paciente — e pela representa‡…o convincente recebendo recompensas de status. E • isto que parece acontecer no sonho: somos aquele que envia a mensagem e. O desejo procura o prazer. e veste as m‚scaras de uma enorme companhia teatral. Por detr‚s da m‚scara. IM…o • necess‚rio proibir que as pessoas comam pedras. nos sonhos. O inimigo: o c„digo • uma forma de engan‚-lo. poder e dinheiro. porque ningu• m o deseja. . roubado dos seus direitos. Somos seres rachados. na qual somos nossos pr„prios advers‚rios. Œ que tais desejos s…o muito fortes. o homossexualismo e lesbianismo. o furto.demos o que os sonhos significam. 90 recalcado. est‚ um outro ser. a crueldade para com crian‡as e animais. E assim se configura o conflito. os atos sexuais em pƒblico. O aparato de repress…o e . profissional competente. proibido de fazer ou dizer o que deseja. Um dos lados de n„s mesmos habita a luz diurna. esposa dedicada.. .

express…o de nostalgia. Somos de ser felizes. . esperan‡a de prazer. foi for‡ado a habitar as regi†es do esquecimento. Somos o nosso desejo. N…o sabemos o que queremos ser. N…o • exatamente isto que experimentamos no sentimento de culpa? Somos nossos pr„prios acusadores. Tornou-se inconsciente. no seu ponto extremo. como lapsos e equ€ vocos. Somos os dois lados do combate. ele n…o cessa de enviar mensagens cifradas — para que os seus captores n…o as entendam.. Pelo menos. • que nem sequer temos 'consciˆncia do que desejamos. como mensa gem do desejo. reprimido. . . Tudo seria mais simples se a repress…o estivesse localizada fora de n„s e o desejo alojado dentro de estariam claramente n„s. como sonhos. ao mesmo tempo. Vivemos incapazes em guerra permanente conosco mesmos. carrasco e v€tima. N…o sabemos o que desejamos porque o desejo. E • justamente a€. Os sonhos s…o a voz do desejo. N…o somos os que desejamos ser. Mas. o pior de tudo. . E • aqui que nasce a religi…o. como Freud observa. E. Mas o acordo entre Freud e Feuerbach termina aqui. a culpa desemboca no suic€dio: o suicida •. que se encontra a essˆncia do que somos. desta forma. Entretanto a psican‚lise da sociedade • a repress…o do afirma que.. O que desejamos ser jaz reprimido. E elas aparecem como sintomas neur„ticos. Acontece que o desejo • indestrut€vel. a essˆncia do indiv€duo • a repress…o de si mesmo. . 91 Perseguidor e perseguido. diria Feuerbach. E l‚. do esquecimento em que se encontra. os inimigos identificados e separados. Daqui para a frente caminhar…o em direc†es opostas. se • verdade que a essˆncia indiv€duo. torturador e torturado. desejo que n…o pode florescer.censura ser‚ tanto mais forte quanto mais intensa for a tenta‡…o de transgredir a ordem estabelecida pela sociedade.

. E e le s p e rc e b e ra m q u e. n o s s o s c o rp o s s e flá c id o s . e m m e io à s n o s s a s lá g r im a s e s u rd a a e la s . E m m e io a e s ta s itu a ç ã o s e m s a íd a a im a g in a ç ã o c r ia m e c a n is m o s d e c o n s o lo e fu g a . e a m o rte s e a p ro x im a in e x o rá v e l. n a fa n ta s ia . re a liz a ç õ e s d o s m a is v e lh o s . d a N ã o h á d e sejo q u e to rn a m a o s v is ta . a d o e c e m o s . p o r m a is f o r te s q u e fo s s e m . A d e q u e fô ssem o s fe liz e s n ã o s e a c h a in s c rita n o p la n o d a C ria ç ã o . e s ta v a m c o n d e n a d o s a o fra c a s s o .9 2 F re u d fo rte s q u e e sta v a c o n v e n c id o d e q u e o s n o ss o s d e se jo s. s e n tim o s d o re s . d o ta to . p o r m e io d o s q u a is o h o m e m p re te n d e e n c o n tra r. E p o r m a is fo s s e m . n a d a m a is q u e ilu s õ e s e n a rc ó tic o s . o p ra z e r q u e a re a lid a d e lh e n e g a . fra c a sso . e s ta v a m c o n d en a d o s a o isto p o rq u e a in te n ç ã o re a lid a d e n ã o fo i fe ita p a ra a te n d e r a o s d e s e jo s d o c o ra ç ã o . A re a lid a d e s e g u e s e u c u rs o fé rre o . p o ssa a lte ra r o c a m in h a r d o " p rin c íp io d a re a lid a d e " . a b e le z a s e v a i. E n v e lh e c e m o s . se fo sse m m e io a e s ta re a lid a d e 9 3 F r e u d e s ta v a c o n v e n c id o d e q u e o s n o s s o s d e s e jo s . S e e la s s ã o o s ã o . E q u e d e s e jo s s ã o e s te s ? fo rte s é p o rq u e o s d e s e jo s q u e e la s re p re s e n ta m D e s e jo s q u e n a s c e m d a n e c e s s id a d e q u e tê m o s h o m e n s d e s e d e f e n d e r d a f o rc a e s m a g a d o ra m e n te s u p e rio r d a c a p a z e s d e v is u a liz a r. A re lig iã o é u m d e s te s m e c a n is m o s . E v id e n te m e n te . m a is f o rte s e m a is u r g e n te s d e s e jo s d a h u m a n id a d e . d e s tin a d o s a to rn a r n o s s o d ia -a -d ia m e n o s m is e rá v e l. R e lig iõ e s s ã o ilu s õ e s . e m n a tu re z a . o s ó rg ã o s s e x u a is n ã o m a is re s p o n d e m e s tím u lo s d o o d o r.

E tra ta m o s d e r e e n c o n tr a r a r e a liz a ç ã o d o p r a z e r n o s b rin q u e d o s . P a ra c re s c e r. m a tu rid a d e s ig n ific a u m a p e rd a d e a rtifíc io s se n d o e d u ca d o s p ara a re a lid a d e . A ju s ta m o -n o s a o m u n d o . M as c ad a av an ço em s u b s titu tiv o s d o p ra z e r. e n tre ta n to . fo rm a d e s e n v o lv im e n to d a in fâ n c ia a té a id a d e a d u lta é in e v itá v e l. e n tre ta n to . A o s c a s u lo . N a rc ó tic o s . E o s h o m e n s in v e n ta ra m ritu a is m á g ic o s e s is te m a s re lig io s o s . n o s q u a is o d e s e jo re in a su p rem o . D e u s é e s te c o ra ç ã o fic tíc io q u e o d e s e jo in v e n to u . C o m o d ir ia M a r x : o ó p io d o p o v o . tra ta n d o d e in te r p r e ta r a s p is ta s m a is in s ig n i- .n o s a d u lto s . a s s im . c o m o o p o s iç ã o à re a lid a d e . ilu s õ e s q u e to r n a m v id a m a is s u a v e . E is to p o rq u e a h u m a n id a d e s e g u e u m p ro c e s s o d e d e s e n v o lv im e n to m u ito a s e m e lh a n te à q u e le p o r q u e p a s s a c a d a u m d e n ó s . A s r e lig iõ e s s ã o . P e rd e m o s o s e io e c ria m o s c o n s o lo s s u b s titu tiv o s : o d e d o . ta m b é m in e v itá v e l o d e s a p a re c im e n to d a r e lig iã o . u m c o ra ç ã o q u e s e n tia e p u ls a v a c o m o o d e le s . te m o s d e p e rd e r o p a ra ís o . c u ja m e m ó ria n ã o n o s a b a n d o n a n u n c a . a h u m a n id a d e u m a la g a rta q u e s a i d o a b a n d o n o u a s ilu s õ e s in v e n ta d a s p e lo p rin c íp io d o p ra z e r e c ris ta liz a d a s n a re lig iã o . e a s u a s u b s titu iç ã o d e fin itiv a p e lo s a b e r c ie n tíf ic o . E e n tã o a p ró p ria m o rte p e r d e u o s e u c a r á te r a m e a ç a d o r . N ã o é c u rio s o q u e F re u d n ã o te n h a tid o p a ra c o m a re lig iã o a m e s m a s im p a tia q u e tin h a p a r a c o m o s s o n h o s ? E m r e la ç ã o a o s s o n h o s e le m a n if e s ta u m e n o r m e c u id a d o p a ra c o m o s d e ta lh e s .9 4 fria e s in is tra q u e o s e n c h ia d e a n s ie d a d e . M a s e la s e s tã o c o n d e n a d a s a d e s a p a re c e r. N a s c e m o s c ria n ç a s e te m o s a m a io r e x p e riê n c ia p o s s ív e l d o p ra z e r: a u n iã o p e rfe ita c o m o s e io m a te rn o . e m p o u c o s . D e f o rm a a n á lo g a o in íc io d a h is tó ria d a h u m a n id a d e é m a rc a d o p e la c o m p u ls ã o d o p ra z e r. p a r a to r n a r o u n iv e rs o h u m a n o e a m ig o .9 5 c o m o e x p re s s õ e s d a o n ip o tê n c ia d o d e s e jo . r e s q u íc io d e u m m o m e n to in fa n til d e n o s s a h is tó ria . o p ro b le m a e s ta ria re s o lv id o . ta l c o m o e le é . V a m o s A b a n d o n a m o s a s ilu s õ e s . a c h u p e ta . T o r n a m o . M a s ta m b é m o d e d o e a c h u p e ta n o s s ã o p ro ib id o s . p a ra in g re s s a r n o re a lid a d e e e x p lic a d o p e la m u n d o a d u lto E c o n tro la d o d a m e sm a p e lo p rin c íp io c o m o d a o é c iê n c ia . D e ix a m o s o s p ra z e re s d a fa n ta s ia .

liq u id a m a s e r re p rim id o s . . A c o n te c e q u e F r e u d e s ta v a c o n v e n c id o d e q u e o s d e s e jo s e s tã o c o n d e n a d o s a o fra c a s s o . d a s c h a v e s . E o fu tu ro n ã o o fe re c e p o s s ib ilid a d e s d e s a tis fa ç ã o 9 6 d o d e s e jo .fic a n te s . p a raíso e m q u e h a v ia a u n iã o p e rfe ita e o s e io m a te rn o . s e ja v o lu n ta ria m e n te . a fim d e . c o n te m p la n e le s la m p e jo s d o fu tu r o . P o r q u e r a z ã o ta l e s s ê n c ia a p a re c e re p re s e n ta d a n a lin g u a g e m so n h o s? P o rq u e re a liz a ç ã o . F e u e r b a c h . u m a d e n ú n c ia . D a m e s m a fo rm a c o m o o p ris io n e iro g rita : " A s g ra d e s n ã o p o d e m s e r e te rn a s !" . . . o s s o n h o s c o n tê m a m a io r d e to d a s a s v e rd a d e s. s e ja p e la re c u p e ra d o . M a s. P o r ta n to a re a lid a d e d e v e s e r a b o lid a . c h e g a m o s à c o n clu sã o d e q u e o c o ra ç ã o h u m a n o a s c o n d iç õ e s re a is d e n o ssa v id a im p e d e m e p ro íb e m a su a e n ig m á tic a d o s p ro c la m a . M a s o p a s s a d o a c a b o u . a v e rd a d e d o c o ra ç ã o h u m a n o . S e o s n o s s o s d e s e jo s d e a m o r s ó p o d e m s e r d ito s n a s c â m a ra s e s c u ra s e n o tu rn a s d o s q u a rto s . é p o rq u e o s e s p a ç o s e o s te m p o s c la ro s e d iu rn o s d a v id a p ú b lic a e p o lític a s ã o o o p o s to d o d e s e jo . A c o n te c e q u e . o s c ie n tis ta s . O s so n h o s n o s co n d u zem d iv in a c o m a o p a ssa d o . E m F re u d o s s o n h o s s ã o m e m ó ria s in ú te is d e u m p assad o q u e n ão p o d e ser o s d e s e jo s . a o c o n trá rio . p a ra F e u e rb a c h . n ã o q u e re m o s d iz e r q u e o s s o n h o s s e ja m d o ta d o s d e p o d e re s p ro fé tic o s p a ra a n u n c ia r o q u e a in d a n ã o o c o rre u . E e s ta é a ra z ã o p o r q u e o s h o m e n s re a lm e n te s á b io s . e s q u e c e m o s s o n h o s . fa c e a o p o d e r in a lte rá v e l d a n a tu r e z a e d a c iv iliz a ç ã o . n ã o p o d e s e r v e rd a d e " . D a í a in u tilid a d e d e s o n h a r. u m a re c u s a . a v e rd a d e d a e s s ê n c ia d o s h o m e n s . p o is a tra v é s d e la s o in c o n s c ie n te . N ã o . s e m c e s s a r: " O q u e é . E la é c o n d e n a d a c o m o u m a ilu s ã o q u e d e v e a c a b a r. A re a lid a d e é a n e g a ç ã o d o d e s e jo . v o lu n ta ria m e n te a b a n d o n a m re lig iã o . d o s o n o e d a in a ç ã o . O s d e s e jo s d e v e m fo rça. C a d a s o n h o é u m p r o te s to . se isto é u m fato . . M a s e m a n a lis ta p o d e ria te r a c e s s o ao s se g re d o s d o r e la ç ã o à r e lig iã o o s e u ju íz o é g lo b a l e d e s titu íd o d e n u a n ç a s .

. exatamente isto e n…o mais ser‚ o valor do seu Deus." Assim. Feuerbach acrescenta "conta-me acerca do teu Deus e eu te direi quem •s". ." . ainda que enigm‚ticos. N…o • de causar espanto que. Feuerbach percebe que eles s…o confiss†es de projetos ocultos e subversivos. reler. "Deus • a mais alta subjetividade do homem. sem que ele sequer tivesse consciˆncia daquilo que o seu cora‡…o queria (os desejos s…o incons cientes!). 7554. se a psican‚lise dizia "conta-me teus sonhos e decifrarei o teu segredo". E ele continua: "Como forem os pensamentos e as disposi‡†es do homem. assim convertida em sujeito. no livro de Orwell." Aqui • necess‚rio parar um pouco para ler. a revela‡…o dos seus pensa mentos mais €ntimos. assim ser‚ o seu Deus. foi confinado • pris…o. Consciˆncia de Deus • autoconsciˆncia. quanto valor tiver um homem. a confiss…o pƒblica dos seus segredos de amor. anƒncios. . Confessou que os seus desejos estavam muito distantes e eram muito diferentes. . um homem tenha sido condenado • pris…o por haver sonhado. usufruir a densidade po•tica das palavras.97 ser transformada. meditar. Sonhou em voz alta. E • justamente sobre tais desejos que fala a religi…o. E. conhecimento de Deus 98 • autoconhecimento. E • assim que Feuerbach afirma: "A religi…o • o solene desvelar dos tesouros ocultos do homem. Este • o mist•rio da religi…o: o homem projeta o seu ser na objetividade e ent…o se transforma a si mesmo num objeto face a esta imagem. de utopias em que a realidade se harmonizar‚ com o desejo — e os homens ent…o ser…o felizes. Freud se concentra na inutilidade dos sonhos.

. p o r q u e d iz d o s s e u s s e g re d o s d e a m o r e a n u n c ia o m u n d o q u e p o d e r ia fa z ê . " r n a s n a te rra . o a b s o lu to d o s e u c o rp o . É is to : a lin g u a g e m re lig io s a é u m e s p e lh o e m q u e s e re f le te a q u ilo q u e m a is a m a m o s . n o s s a p ró p ria e s s ê n c ia . E F e u e rb a c h s e ria . A e n c o n tr a m o s n e m c é u s.É o h o m e m q u e fa la . M a s n o s so n h o s n ã o n o v a z io . E s p e lh o . n o e s p e lh o . o c a rá te r s a g ra d o d o s s e u s v a lo re s .s e a q u i a m a ld iç ã o q u e o e m p iris m o /p o s itiv is m o h a v ia la n ç a d o s o b re a re lig iã o . . o u v ir. . a b o n d a d e d e v iv e r. N ã o . fa la s e m p r e a v e r d a d e . o lh a n d o o m u n d o lá f o r a . T o m a v a o d is c u rs o re lig io s o c o m o s e fo s s e ja n e la e . c o m o re a lid a d e . d a s p r o f u n d e z a s d o s e u s e r. n ã o é u m v id ro tr a n s p a re n te . e n e m o s te ó lo g o s . n o re in o a firm a v a m q u e o c o rre é q u e n o s s o n h o s v e m o s a s c o is a s re a is n o e s p le n d o r m á g ic o d a im a g in a ç ã o e d o c a p ric h o . c h e ira r. A d e s p e ito d is to . E a s s im c h e g a m o s à m a is q u e c u m p rim e n ta s u a p ró p ria e sp a n to s a d a s c o n c lu s õ e s d e s te h o m e m q u e a m a v a a re lig iã o e n e la e n c o n tra v a a . O re lig iã o é u m la d o d e lá o n d e h a b ita m e n tid a d e s n o s n o s d a so n h o . .s e p a r a u m e x tr a . . a b rin d o . c o m o p e n s a v a o e m p iric is m o . O re a lid a d e d o la d o d e lá . m u n d o d o sa g ra d o n ã o é u m a 9 9 Q u a l o te u s o n h o . q u e m é te u D e u s ? N ó s te d ir e m o s q u e m é s .m u n d a n a s . D is s o lv e .lo fe liz . v e r. a lin g u a g e m re lig io s a n ã o é u m a ja n e la . 1 0 0 m a s a tra n s fig u ra ç ã o d a q u ilo q u e e x is te d o la d o d e c á . c o m e r. n u m a lin g u a g e m q u e n em e le m e s m o e n te n d e . O q u e a re lig iã o a firm a é a d iv in d a d e d o h o m e m . p e r g u n ta v a : o n d e e s tã o a s e n tid a d e s s o b re q u e fa la a re lig iã o ? O s d e u s e s e d e m ó n io s ? O p e c a d o e a g r a ç a ? O s e s p ír ito s ? O s a s tr a is ? N a d a . a o in v é s d a s im p le s lu z d iu rn a d a re a lid a d e e d a n e c e s s id a d e " . a b s o lu ta m e n te n a d a e n c o n tra m o s q u e c o rre s p o n d a a e s te s c o n c e ito s . c o m o n o s rim o s d e a lg u é m im a g e m . .

c a le id o s c ó p io s d e a b s u rd o s . E a s im a g e n s q u e a re lig iã o to m a v a c o m o re tra to s d o s e r m a is b e lo e m a is p e rfe ito p a s s a m a c o n s titu ir u m h o riz o n te d e e s p e ra n ç a e m q u e o s h o m e n s e s p a lh a m o s s e u s d e s e jo s . P o rq u e as re lig iõ e s . s e c o n fig u ra m a g o ra c o m o s ím b o lo s o n íric o s d o s s e g re d o s d a a lm a . . E tu d o se tra n s fo rm a so b o s n o sso s o lh o s. c e rim ó n ia s m á g ic a s e b e n z e ç õ e s. E 1 0 1 e m c o n s e q u ê n c ia d is to . . S o u e u o ú n ic o a b s o lu to . S ó q u e . in c lu s iv e a n o s s a . q u e o s e n tid o d a re lig iã o e s tá e s c o n d id o d a s p e s s o a s r e lig io s a s . E a s s im a re lig iã o é p re s e rv a d a c o m o s o n h o . s e lá d e n tr o . . E p o r d e trá s d o s m ito s e rito s . se g re d o d a re lig iã o é o N e c e s s a ria m e n te . . n o m o m e n to e m so n h o é in te rp re ta d o e c o m p re e n d id o . E la s s o n h a m m a s n ã o e n t e n d e m o s s e u s s o n h o s . S ó p o d e re i re c o n h e c e r-m e e m m in h a s id e ia s d e D e u s s e s o u b e r q u e n ã o e x is te D e u s a lg u m . n ã o e m q u e q u e b ra a s c o rre n te s . u to p ia d e u m a s o c ie d a d e e m q u e o p re s e n te é m á g ic a e m ira c u lo s a m e n te m e ta m o rfo s e a d o p e lo h o m e m c o lh e r a flo r. S ó p o d e re i re c o n h e c e r-m e . u m n o v o c o rp o . c o m o fu tu r o . d o h o m e m q u e e s p e ra u m a n o v a te rra . p o d e m o s p e rc e b e r o s c o n to rn o s. . . o q u e e s ta v a lá e m c im a re a p a re c e lá n a f re n te . . E o s s e u s s o n h o s re lig io s o s se tra n s fo rm a m o r d e m a s e r c o n s tr u íd a . a c e ita r ta l c o n c lu s ã o . e m fra g m e n to s u tó p ic o s d e u m a n o v a 1 0 2 O D E U S D O S O P R IM ID O S . É e v id e n te q u e a s p e s s o a s re lig io s a s n ã o p o d e m F e u e rb a c h c o n c lu iria . p ro ciss õ e s e p ro m e ss a s. n a im a g e m s o u b e r q u e n ã o e x is te n in g u é m d o e s p e lh o .re v e la ç ã o d o s s e g re d o s d e s u a p ró p ria a lm a : " O a te ís m o " . D e u s d esa p arec e: o s q u e o se cé u s tra n s fo rm a m e m te rra . p a r a v ir tu d e d e p r e s s õ e s q u e v ê m d e fo ra . a in d a q u e té n u e s . m a s e m re s p o s ta a o s s o n h o s q u e v ê m d e d e n tro ..

a s s a s s in a d o e m 1 9 4 8 . to rn a n d o -s e c e n tra liz a d o E . p a tro c in a d a s e c e le b ra d a s p e la c la s s e s a c e r d o ta l. S u a p re g a ç ã o à s itu a ç ã o d o s h o m e n s c o m u n s . N a d a m a is d is ta n te d a v o c a ç ã o d o p r o fe ta h e b re u . b o a p a rte d e su a p re g a ç ã o d o m in a n te s e m E e ra to m a d a p e lo a ta q u e às p rá tic a s re lig io s a s s e u s d ia s . E le s p o u c o o u n a d a s e p re o c u p a v a m c o n sid e ra m o s c o m o d a s p ro p ria m e n te e x p e r iê n c ia s a q u ilo q u e a o v u lg a rm e n te c írc u lo d o p e rte n c e n d o m ís tic a s . b em a n te s d o s te m p o s d e C ris to . c o m p a ix ã o se m p a ra le lo . p o lític o d iz ia m c o la d a O E m su a s b o c a s ta is p a la v ra s tin h a m P a ra a ju s tiç a e u m s e n tid o e s o c ia l q u e to d o s e n te n d ia m . c o m p re e n d e r. M a v e rd a d e . q u e su a s a n u n c ia r e d e n u n c ia r o q u e o c o r r ia n o s e u p r e s e n te . o s p r o f e ta s . p a s to r p ro te s ta n te . . sã o se m v id e n te s m u ito o o s h e b re u s u m a e s tra n h a e s tir p e Q u e m d o ta d o s e ram d e e le s ? E m g era l a s p e sso a s p e n sam p re v e r q u e p ro fe ta s o fu tu ro . s u r g iu e n tre d e líd e re s r e lig io s o s . M u ito s s é c u lo s a trá s . n ã o e ra n e c e s sá rio se c o m p re e n d e r o q u e e sta v a s e r filó s o f o o u te ó lo g o . q u e s e d e d ic a v a . O s c a r R a n u lf o H o m e r o .M a h a tm a G a n d h i. a q u e d av a m o n o m e d e a is to p o r q u e e le s e n te n d ia m v o n ta d e d e D e u s . p o d e re s e s p e c ia is p a ra q u e d iz e r s o b re o a q u i e o a g o ra . a s s a s s in a d o e m 1 9 8 0 . M a r tin L u th e r K ín g . T a n to a s s im p re g a ç õ e s e s ta v a m m a is 1 0 3 p ró x im a s e s p ir itu a is c o m d e d e e d ito r ia is p o lític o s d e g u ru s jo r n a is q u e d e m e d ita ç õ e s r e lig io s o s . a rc e b is p o c a tó lic o . a v e r. q u e o sa g ra d o . Q u e s itu a ç ã o e ra e s ta ? E s ta d o n a s c re sc ia m ã o s c a d a d e v e z m ais. s e m p r e a c o n te c e . a s sa s s in a d o e m 1 9 6 8 . tin h a a v e r f u n d a m e n ta lm e n te c o m m is e ric ó r d ia . s a g r a d o : o c u ltiv o d a s a titu d e s p ie d o s a s e d a s c e le b r a ç õ e s c e r im o n ia is e s tá p r a ti- c a m e n te a u s e n te d o â m b ito d o s s e u s in te re s s e s . líd e r h in d u . c o m o e c o n c e n tra d o u n s p o u c o s.

. todos compreendiam que eles estavam exigindo o fim das pr‚ticas de opress…o. comunidades As rurais. aos fracos. As autoridades. e que entendia que as rela‡†es dos homens com Deus tˆm de passar pelas rela‡†es dos homens. enfim. Œ de tal situa‡…o que surgem os profetas como porta -vozes dos desgra‡ados da terra. Corra. A fraqueza do povo crescia na medida em que se avolumava o poder dos ex•rcitos — porque 104 sem eles o Estado n…o subsiste. quando pregavam a justi‡a. acusando -os de traidores e denunciando sua prega‡…o como contr‚ria aos interesses nacio nais." (Amos. por raz†es „bvias. que em outras •pocas haviam sido o centro da vida do povo hebreu. perseguidos e mesmo mortos. Os camponesas. aos sofredores. de um lado. uns com os outros: "Abomino e desprezo vossas celebra‡†es solenes. de natureza •tica e pol€tica. pobres. aos „rf…os e viƒvas. os detes tavam. o poder dos outros diminui. Assim. a justi‡a como um ribeiro impetuoso. tinham de vender suas propriedades.24). Era necess‚rio que a vida e a alegria fossem devolvidas aos pobres. confrontavam-se com os . a todos aqueles que se encontravam fora dos c€rculos da riqueza e do poder. . E enquanto lutavam com o poder estatal. se enfraqueciam em decorrˆncia dos pesados impostos que sobre elas reca€am. aos estrangeiros. Instaurou-se com os profetas um novo tipo de religi…o.quando pequenas o poder de alguns aumenta. por•m. que eram ent…o transformadas em latifƒndios por um pequeno grupo de capitalistas urbanos. 5. Foram proibidos de falar.

fra c o s . a h a rm o n ia c o m d e s o la d o s s e c o n v e rte ria m tra n s fo rm a d a s e m a n a tu re z a s e ria re s ta b e le c id a . 1 0 6 Ê p ro v á v el q u e o s p ro fe ta s te n h a m s id o o s p rim e iro s a c o m p re e n d e r a a m b iv a lê n c ia d a re lig iã o : e la s e p re s ta a o b je tiv o s o p o s to s ." (E z e q u ie l. u m a u to p ia . p a ra lib e rta r o u e s c ra v iz a r. . co m a s d o r e s . E la p o d e se r ilu m in a r o u p a ra c e g a r. E e m o p o s iç ã o a e s ta fa ls a re lig iã o q u e s a c ra -liz a v a o p r e s e n te e le s te c e r a m . tu d o d e p e n d e n d o u sad a c o ra g e m d a q u e le s p ara o u q u e m a n ip u la m o s sím b o lo s sa g ra d o s. S u a d e n ú n c ia p ro fé tic a . p a ra fa z e r v o a r o u p a ra lis a r. c e rc a d e 2 5 0 0 a n o s a n te s q u e q u a lq u e r p e s s o a d is s e s s e q u e a re lig iã o é o ó p io d o p o v o . d o o u tr o . c o m o h e ra n ç a . 1 3 . a o s m a n s o s . v is õ e s d e u m a te rra s e m q u e a s a rm a s s e ria m m a le s . tris te z a s e e s p e ra n ç a s d o p o v o . s e d irig ia n ã o a p e n a s à q u e le s q u e e f e tiv a m e n te o p r im ia m c o m o ta m b é m à q u e le s q u e s a c ra liz a v a m e ju s tific a v a m a o s fra c o s.1 0 5 re p r e s e n ta n te s d a re lig iã o o fic ia l. e a c u s a ra m o s s a c e r d o te s d e e n g a n a d o r e s d o p o v o e o s fa ls o s p r o fe ta s d e p re g a d o re s d e ilu s õ e s : " E le s e n g a n a m o m e u p o v o d iz e n d o q u e tu d o v a i b e m q u a n d o n a d a v a i b e m . e se p a ra r o D eu s e m q u e d e s p e r ta v a a e s p e ra n ç a e a p o n ta v a p a r a u m f u tu r o n o v o . o s lu g a re s s e c o s e em m a n a n c ia is d e á g u a s . P a re c ia -lh e s q u e u m a re lig iã o p ro te g id a p e lo E s ta d o s ó p o d ia e s ta r a s e u s e rv iç o . p o b re s e o p rim id o s . D a í a n e c e s s id a d e d e c u jo n o m e fa la v a m . p a ra d a r a te m o riz a r. a s s im . o s p o d e ro s o s s e ria m d e s tro n a d o s e a te rra d e v o lv id a . . d o s íd o lo s d o s . o p re ssã o .1 0 ). e n v o lv e n d o -a n a a u ra d a a p ro v a ç ã o d iv in a . q u e e ra o D e u s d o s o p rim id o s. E fo i a s s im q u e . P re te n d e m e sc o n d er a s rac h a d u ra s n a p a re d e c o m u m a m ã o d e c a l. e m a ra d o s . e le s p e rc e b e ra m q u e a té m e s m o o s n o m e s d e D e u s e o s s ím b o lo s s a g ra d o s p o d e m s e r u s a d o s p ê lo s in te re s s e s d a o p re s s ã o . o R e in o d e D e u s .

a s s im . V is õ e s s e m e lh a n te s à s s u a s s ó a p a re c e m e m m e io a o s p o b re s e fra c o s . J á q u e m ã o s c o m o o s d e rr o ta d o s s ã o s e m p re d e s c rito s c o m o v ilõ e s ? O h istó ria . E n ã o é d ifíc il c o m p re e n d e r p o r q u ê . re lig iã o d o s p ro fe ta s . . E lá fo ra m in te rp re ta ç õ e s q u e o s c o m fre q u ê n c ia . Q u e m p re s e rv a ria su as m e m ó ria s ? Q u em aco - lh e ria s u a s d e n ú n c ia s ? Q u e m re g is tra ria a s s u a s q u e ix a s ? N ã o s e p o d e e s p e ra r S ã o o s fo rte s q u e e s c re v e m a li a s a h istó ria e ta n ta g e n e ro s id a d e d o s v e n c e d o re s . P rim e ir o . q u e to rn a v a m m esm as. p a ra E e fe ito s as n u n c a tiv e s s e e x is tid o . q u e a re c u p e ra ç ã o d o s fra g m e n to s c o rtin a d e d o p a ssa d o . ju s ta m e n te a q u e la d e n u n c ia ra m . c o m o d a d a s c o m o s c o n q u is ta d o re s . c o m o fo i o c a s o d e S ã o F ra n c is c o d e A s s is . F o i e n tã o q u e u m a s é rie d e fa to re s c o in c id e n te s p e rm itiu q u e se re c o n stru ís se a p e rd id a v isã o p r o fé tic a d a re lig iã o c o m o in s tr u m e n to d e lib e rta ç ã o d o s o p rim id o s . e la c o n tin u o u e m e rg in d o a q u i e a li. M a s e s ta liç ã o fo i e s q u e c id a . M a s o s p o b re s e o s fra c o s v ã o d e d e rro ta e m d e jro ta .o p re s s o re s . a n a b a tis ta .. M a s a q u e le s q u e e m p u n h a ra m p rá tic o s . fe z d e s i m e s m a e d a q u e le s q u e 1 0 7 fo ra m e s m a g a d o s . . e m q u e n o ssa m e m ó ria re sto u o s p ro fe ta s a p e n a s a re lig iã o Q u a n to à d o s fo rte s . A m e m ó ria d o D e u s d o s o p rim id o s s e p e rd e u . E . co m o T h o m a s M u n z e r. . fo i su as e sp era n ça s co m o se a s sim .. p a re c ia m s e a ju n ta r p a ra le v a r à c o n c lu s ã o d e q u e a re lig iã o n a d a m a is é q u e a lie n a ç ã o . líd e r d e ca m p o - n e s e s n o sé c u lo X V I. . n u m to rn o u e sfo rç o p o s s ív e l p a ra se p e n e tr a r a trá s d a e rig id o . p e s a d a s . o u q u e s e v a le s s e m a p e n a s d o p o d e r d o e x e m p lo e d a n ã o v io lê n c ia . ta l fo ram re lig iã o d e rro ta d o s. n ã o im p o rta q u e tiv e s s e m n a m ão a esp ad a. o d e s e n v o lv im e n to d a c iê n c ia h is tó ric a . re s to u . e v id ê n c ia s . . e s ta é a ra z ã o p o r q u e n ã o s e e n c o n tra m n o ta ra m ra z õ e s d o s d e rro ta d o s. . E . v ito rio s o s h a v ia m r e v o lu c io n á rio s e n c o n tra d o s . ilu s ã o . n a rc ó tic o . . e n ra iz a d a s em as su a p e s s o a s g o r d a s . s a tis fe ita s c o n s ig o in ju s tiç a e c e g a s p a ra o ju lg a m e n to d iv in o q u e se a p ro x im a v a . fo ra m o s re la to s q u re lig iã o triu n fa n te . q u e fa la v a m e m n o m e d e D e u s e e m n o m e d o s p o b re s .

e n g ra x a te . " N ã o " . A o q u e e le re s p o n d e u : " O s e n h o r n ã o o lh o u p ró s s a p a to s d e le ? " . O g a ro to . S e u p o n to d e p a rtid a é e x tre m a m e n te s im p le s : e la c o n s ta ta q u e a m a n e ira p e la q u a l p e n s a m o s é c o n d ic io n a d a . v iu u m h o m e m q u e s e a p r o x im a v a e c o m e n to u : 1 0 9 "L á v em u m fre g u ê s " . q u a n d o as v ersõ e s o fic ia is. M e s s iâ n ic o s ? S im . a v e rd a d e a c e rc a d o s v e n c id o s . c o m o é q u e v o c ê s a b e q u e e le é u m fre g u ê s ? " . c o m o o n e g a tiv o d e u m a fo to g ra fia . m a s te m e m . n u m a p r a ç a . m e s s ia s . A rte d a in te rp re ta ç ã o ? P a ra n o s s o s o b je tiv o s 1 0 8 b a s ta s a b e r q u e " o q u e o A n tó n io fa la a c e rc a d e P e d ro c o n té m m a is in fo rm a ç õ e s a c e rc a d e A n tó n io q u e a c e rc a d e P e d ro " . p e la te x tu ra s o c ia l d e n o s s a s v id a s . a n á rq u ic o s . m u ito e m b o ra o s d e rro ta d o s tiv e s s e m d e ix a d o p o u c o s d o c u m e n to s s o b re si m e s m o s. A s s im . " E n tã o . A s sim . o p re sso re s ju s tific a d o ra s d o s m a s s a c re s d o s m o v im e n to s re v o lu c io n á rio s d e c a m p o n e s e s. o s o lh o s d o s e n g ra x a te s e o s e u . c o m o c o r c o m p le m e n ta r. C e rto d ia e u " e s ta v a e n g ra x a n d o o s s a p a to s . A o m e s m o te m p o s e e la b o ro u u m a c iê n c ia n o v a q u e re c e b e u o n o m e d e s o c io lo g ia d o c o n h e c im e n to .D e p o is. É a s s im . P e rg u n te i: " É se u c o n h e c id o ? " . lu n á tic o s . n o s p ró p rio s d o c u - m e n to s d o s v ito rio s o s a v e rd a d e e s ta v a e s c o n d id a . A q u ilo q u e o s o p re s s o re s d e n u n c ia m a q u ilo q u e o s n o s o p rir n id o s n ã o é a v e r d a d e d o s o p rim id o s . c o m o o o p o s to . a tra v é s d o d o s v ito rio s o s . E a h istó ria d o B ra s il a p re s e n ta m u ito s e x e m p lo s d e s te s u m m o v im e n to s . E s p e ra v a m re p re se n ta n te d e D e u s p a ra e x e rc e r o p o d e r e e s ta b e le c e r u m a s o c ie d a d e ju s ta so b re a fa c e d a te rra . o d e s e n v o lv im e n to d is c u rs o d a a rte d a in te rp re ta ç ã o q u e p e rm itia v islu m b ra r. u m d e n o m in a d o s m e s s iâ n ic o s . o s d e s c re v ia m c o m o fa n á tic o s . re v e la -s e e m q u e m e d id a o s tra b a lh a d o re s d e e n x a d a e p é n o c h ã o q u e s tio n a v a m a o rd e m d e d o m in a ç ã o . fo i a re s p o s ta .

. talvez. Sua condi‡…o • de humilha‡…o. e assim por diante. . O seu poder lhes abre avenidas largas para o bemestar. a tranquilidade. . . Mas j‚ sabemos que coisas sagradas s…o intoc‚veis. O futuro? Os fortes n…o querem mudan‡as. Tudo se reveste com a aura sagrada. a saƒde. se divida entre pessoas cal‡adas e pessoas descal‡as. Elas exigem reverˆncia e submiss…o. mas os desertos. Doen‡a. sem trabalho. E como se perpetua o presente? Primeiro. E as pessoas cal‡adas se classifiquem em pessoas que usam sapatos engrax‚veis e outras que usam sand‚lias havaia nas. Que o futuro seja uma continua‡…o do presente. alpargatas e sapatos de camur‡a. E tamb•m suas religi†es.pensamento seguem os caminhos do seu trabalho. E tamb•m os migrantes. sem ra€zes e sem terras. N…o habitam os o‚sis. E a conclus…o que se segue. pelo uso da for‡a. sem tranquilidade. e os camponeses assolados pela seca. bem como o mundo do poder que ele envolve. pobreza pela vontade de Deus. de um lado para outro. O seu mundo. se n…o com sua voz. . Morte prematura. o lucro. Constroem-se fortalezas. . O sagrado est‚ destinado • eternidade. O . pelo menos em seus sonhos. Riqueza pela vontade de Deus. Sem poder. e os doentes que morrem sem atendimento m•dico. sem casas. necessa riamente. independentemente de quaisquer considera‡†es utilit‚rias. . E assim por diante. n…o • verdade que toda sociedade tem uma classe dominante e uma classe dominada? Uma classe que pode e outra que n…o pode? Uma classe forte e uma classe fraca? At• mesmo as crian‡as e velhos sabem disto — especialmente as crian‡as e velhos. Os poderosos moram em o‚sis. por medo. No seu ponto extremo esta linha de pensamento nos levaria • conc lus…o de que os poderosos pensam diferentemente daqueles que n…o tˆm poder: "o mundo dos felizes • diferente do mundo dos infelizes" (Wittgenstein). • que os sonhos dos poderosos tˆm de ser diferentes dos sonhos dos oprimidos. Mas. a prosperidade. Depois • necess‚rio que tanto dominadores quanto dominados aceitem tal situa‡…o como leg€tima. E o futuro? Os fracos exigem a mudan‡a. . a 110 ran‡a. E • por isto que nos templos se encontram bandeiras e rituais de a‡†es de gra‡a s…o celebrados pelo triunfo dos que venceram. sem seguran‡a. Com os dominados a situa‡…o • diferente.

Mannheim sugere que aquilo que caracteriza propriamente a pol€tica. . Teria sido melhor que Marx estivesse certo. De um lado. s…o os pr„prios marxistas que n…o podem esconder sua perplexidade. Œ ir„nico. 112 • a capacidade que tˆm os homens para imaginar utopias e organizar o seu . . Contrariamente •queles que pensam que a a‡…o • sempre o efeito de uma causa material que a antecede. mas esta conclus…o escandaliza tanto a gregos quanto a troianos. E dos pobres e oprimidos brotam as esperan‡as — tal como aconteceu com os profetas hebreus — de um futuro em que eles herdar…o a terra. em que ele analisa a maneira como o desejo e a imagina‡…o incidem sobre os fatores materiais para determinar a pol€tica. como atividade humana. Um fascinante estudo deste assunto se encontra no artigo de KarI Mannheim entitulado "A mentalidade ut„pica". por outro lado. porque assim os detentores do poder n…o teriam de se preocupar com os profetas e suas esperan‡as. aqueles que se horrorizaram com a afirma‡…o de Marx de que a religi…o • o „pio do povo se horrorizam agora com a possibilidade de que talvez ela n…o o seja. . n…o importa o nome que se lhe dˆ. . Mas. na eventualidade de que as religi†es possam revolucionar a realidade. os sonhos dos oprimidos exigem a dissolu‡…o do presente para que o futuro seja a realiza‡…o do Reino de Deus. E isto porque. ter…o de admitir que os fantasmas superes-truturais podem se encarnar e fazer hist„ria.sofrimento prepara a alma para a vis…o (Buber). Reencontramo-nos assim no mundo dos profe- 111 tas em que a religi…o aparece com toda a sua ambivalˆncia pol€tica: os sonhos dos poderosos eternizam o presente e exorcizam um futuro novo.

p o rta n to . E s q u e c im e n to c o m p re e n s ív e l. d o m ila g re ir o . É b e m p o s s ív e l. n ã o e n c o n tra n d o s a tis fa ç ã o p a ra o s s e u s d e s e jo s e m s u a " to p ia " . e le s N ã o e ra e la fo rm a d a p o r g ru p o s d e s titu íd o s d e p o d e r? E n ã o s o fre ra m to d o tip o d e p e rs e g u iç ã o ? N ã o é d e s e e s p a n ta r. S ã o a s c la s s e s s o c ia is o p r im id a s q u e . in c lu s iv e o E s ta d o . p e re g rin a ç ã o n a d ire ç ã o d a te rra p ro m e tid a . e m m a l. c o n s tr u ç ã o d o m u n d o q u e a in d a n ã o e x is te . re so lv e r o s p ro b le m a s d o se u p ê lo s d o c u r a n d e ir o . s e n d o m a is g a ra n tid o a c re d ita r q u e h e rd a rã o a lg u m a a a te rra . a c r e d ito u e n c o n tr a r f e r m e n to s e m e lh a n te d e n tro m e s m o d a c o m u n id a d e c r is tã p rim itiv a . sa b e n d o q u e a s c o is a s s ã o o q u e s ã o d e c re to s in s o n d á v e is d a v o n ta d e d e o s p o b re s h erd arão o s cé u s q u e D e u s . M a s E n g e ls lh e s fe z ju s tiç a . 1 1 3 q u e u m d o s s e u s te x to s s a g ra d o s . Q u e s ã o u to p ia s ? R e a lid a d e s ? D e fo rm a a lg u m a . C o m o o p ró p rio n o m e e s tá in d ic a n d o . C o m o s u r g e m e la s ? C a ir ã o d o a r ? N ã o . M a is d o q u e is to .c o m p o rta m e n to c o m o u m a tá tic a p a ra re a liz á -la s . A s m e m ó ria s d o s d e rro ta d o s d e s a p a re c e m c o m fa c ilid a d e . m o v im e n to re v o lu c io n á rio p a ra a c o n s tru ç ã o d e u m a n o v a o rd e m s o c ia l. p o rq u e e s ta d e sc riç ã o q u e fa z e m o s d a re lig iã o p arece n ão c o rre sp o n d e r à re a lid a d e . D e le s a s m e m ó ria s fo ra m p o u c as. e m ig ra m p e la im a g in a ç ã o p a ra u m a te rra in e x is te n te o n d e s u a s a s p ira ç õ e s s e re a liz a rã o . N e m m e sm o M arx se le m b ro u d e s te s a n c e s tra is d o p ro le ta ria d o . u to p ia s s e re fe re m a a lg o q u e n ã o s e e n c o n tra e m lu g a r a lg u m (d o g re g o o u = n ã o + to p o s = lu g a r). S u a a tiv id a d e p o lític a s e to rn a . d e a c o rd o c o m a v o n ta d e d e D e u s . F o i is to q u e o c o rre u c o m M o v id o s p o r u m p ro fu n d o o s c a m p o n e s e s a n a b a -tis ta s d o f e r v o r r e lig io s o . in ic ia r a m u m s é c u lo X V I. e n tã o . E x is tirá a q u e le s q u e d ia ria m e n te e x p e rim e n ta m im p o tê n c ia ? N ã o s e rá a s u a fa lta . P a re c e q u e e le s s e s e n te m m a is à v o n ta d e n a c o m p a n h ia d o m á g ic o . te n h a fa la d o so b re a e s p e ra n ç a d e u m a re v o lu ç ã o to ta l n o c o s m o s . É ra ro co m a re lig iã o v êd o s d o s p o b re s e o p rim id o s lo s e n v o lv id o s c o m q u a lq u e r c o is a q u e se p a re ça p ro fe ta s. s e ria m d e s tru íd a s . o A p o c a lip s e . tra ta n d o d e d ia -a -d ia s e m m u ita e s p e ra n ç a . E a q u i v o lta m o s à o u tra a lte rn a tiv a p ara s o c io lo g ia d o c o n h e c im e n to . M as p erm an ece u m q u e to d a s a s p o tê n c ia s d o p ro b le m a .

q u e é ju s ta m e n te c o m e s te s s ím b o lo s q u e o s o p rim id o s c o n s tró e m s u a s e s p e ra n ç a s e s e la n ç a m à lu ta . m a s p o r in c a p a c id a d e c o g n itiv a . q u e n e n h u m a d a s te s te m u n h a s te n h a s id o ja m a is v is ta n o s lu g a re s s a g ra d o s . S e rã o e le s . 1 1 6 d a a c u s a ç ã o . q u e re tira rã o d o d is c u rs o d o s e n s o . E e s ta é a ra z ã o p o r q u e o s c ie n tis ta s o u v e m s u a s p a la v ra s c o m u m s o rris o c o n d e s c e n d e n te . a firm a ra m q u e se m a re lig iã o o m u n d o h u m a n o n ã o p o d e e x is tir e q u e . n o s a s s e g u ra ra m q u e a re lig iã o é u m a lo u c a q u e b a lb u c ia c o is a s s e m n e x o . fa z e n d o a lia n ç a s c o m o s p o d e ro s o s . q u a n d o d e c ifra m o s o s s e u s s ím b o lo s . C u rio s o . O u tro s . o s h o m e n s c o m u n s. c o n te m p la m o n o s c o m o n u m e s p e lh o . S e a re lig iã o fo s s e a p e n a s ó p io . N ã o p o r m á fé . e n tre ta n to . v e ria m ó s o E s ta d o e o p o d e r e c o n ó m ic o a o s e u la d o . E m a is . o q u e se p o d e ria su a esp e ra r d e u m a s itu a ç ã o e m q u e o s p o b re s e se o p rim id o s d e sc o b rem a a tre v e m fo rç a ? P a re c e q u e q u a n d o is to a c o n te c e e le s fa z e m d e scer o a tra n s fo rm a r s e u s s o n h o s e m re a lid a d e . c o lo c a m -n o n o h o r iz o n te . M ío p e s . d is trib u in d o ilu s õ e s . C e g o s . V ê e m c o is a s d e c a b e ç a p a ra b a ix o . e m b u sca d e c o m u n h ã o co m o d iv in o . n a rc o tiz a n d o o s p o b re s . e s c u ta m e a n o ta m . E le s p e n s a m q u e a q u e le s q u e n ã o p a s s a ra m p e la e d u c a ç ã o c ie n tífic a . e co m e ça m a su a m arch a. p e la d e fe s a .d e p o d e r q u e o s le v a a e m p u rra r s u a s e s p e ra n ç a s p a ra o o u tro m u n d o ? S e is to fo r v erd a d e. c o n v e n c id o s d e q u e o s h o m e n s n ã o s a b e m s o b re o q u e e s tã o f a la n d o . E o q u e é m a is g ra v e : é s a b id o q u e n e n h u m a d e la s ja m a is a c re d ito u n a q u ilo q u e a re lig iã o te m a d iz e r. o s c ie n tis ta s . s e m a c re d ita r. p a ra ís o d o s c é u s à te rra . E é e n tã o q u e c o m e ç a m a a p a re c e r o s m á rtire s . É a ssim c o m o s c ie n tis ta s : p re s ta m a te n ç ã o . sã o c o m o so n â m b u lo s: c a m in h a m e n v o lv id o s p o r u m a n u v e m d e as ilu s õ e s e e q u ív o c o s q u e n ã o o s d e ix a v e r a v e rd a d e .

. A q u e m v o u in v o c a r c o m o re p re s e n ta n te d a re lig iã o ? V o c ê p e rc e b e u q u e . p e d in d o o s ilê n c io d o n ó s h a b ita . c o m o s e D e u s n ã o e x is tis s e . u m p e d a ç o d e d e se ja r. . p ro c u re i a s v is õ e s d o s m u n d o s d o s p ro fe ta s . te n te i s e r D u rk h e im . E c ie n tis ta q u e e m c o n fig u ra n a v isã o d e é is to q u e te re m o s d e fa z e r a g o ra . in v o c a r o s n o m e s sa g ra d o s . in s is te e m e n v ia n d o s e u s g rito s s ile n c io s o s d e a s p ira ç ã o e p ro te s to p ê lo s . . sem em e sp era r. s e m rig o r o s o a te ís m o ex ceção . N ã o lh e s s o b ra o u tra a lte rn a tiv a . T u d o s e p a s s a . E s tra n h a e m a ra v ilh o s a c a p a c id a d e . T o d a s a s c iê n c ia s . c o m o p o d e ria m e le s a c re d ita r n a q u e le s q u e in v o c a m o s d e u s e s e tê m a in g e n u id a d e d e o rar? . E é p o r is to q u e n e n h u m c ie n tis ta p o d e a c re d ita r 1 1 7 n a s p a la v ra s d a re lig iã o . n o jo g o d a c iê n c ia . F a re m o s c o m p o rta m e n to m a g is tr a d o d o id o ? N ã o . sã o s e ria m re lig io s o s e n ã o h o m e n s d e o b rig a d a s a u m p o d e m m e to d o ló g ic o : d e m ó n io s e d e u s e s n ã o se r in v o c a d o s p a ra e x p lic a r c o is a a lg u m a . M a s n ã o h a v e rá u m d e v e r d e h o n e s tid a d e a n o s o b rig a r a o u v ir a re lig iã o . e s fo rc e i-m e p o r a s s u m ir a id e n tid a d e d a q u e le e m c u jo n o m e fa le i. ta lv e z . fa le i c o m o s e f o ss e M a rx . T e re m o s d e o u v ir a v o z d a re lig iã o . 1 1 8 A b a n d o n a r n o s s a s c e rte z a s p a ra v e r c o m o o m u n d o s e o u tra p e s s o a .. e m C ü d a c a p ítu lo . S e a c re d ita s s e m c iê n c ia . o fa m o s o ju lg a m e n to e m q u e o ju iz g rita v a : " A n o sso o s e n te n ç a d o ju lg a m e n to d e p o is !" . E s e é d a í q u e p a rte m o s c ie n tis ta s .c o m u m a v e r d a d e a q u e s o m e n te a c iê n c ia te m a c e s s o . c o m o s e fo s s e F re u d e F e u e rb a c h . a té a g o ra s ile n c io s a ? N ã o d e v e re m o s p e rm itir q u e e la a rtic u le o s s e u s p o n to s d e v is ta ? O u n o s c o m p o rta re m o s c o m o in q u is rio re s ? N o m u n d o e n c a n ta d o d a A lic e a c o n te c e u u m p rim e iro . a in d a q u e e la e s te ja m a is p ró x im a d a p o e s ia q u e d a c iê n c ia . n ó s m e sm o s: p e d aç o q u e. T e n te i s e r p o s itiv is ta . e s ta d e b rin c a r d e " fa z -d e -c o n ta " . a fim d e p e rm itir q u e fa le .

U m v e lh o f e itic e ir o d iz ia a o s e u a p r e n d iz q u e o s e g re d o d e s u a a rte e s ta v a m u n d o p a ra r. fic o u c u rio s o . já c o n ta d a e m o u tr o s lu g a re s . o s o lh o s e o s e n tim e n to d e u m q u e a lin g u a g e m . e o s s e n tim e n to s s e e m b o ta m q u e o q u e v a i s e r é ig u a l à q u ilo q u e já fo i. é c o m o s e b rin c a m o s d e fa z - 1 1 9 o n o s s o m u n d o re p e n tin a m e n te p a ra s s e n a m e d id a e m p e n s a m e n to . T e ría m o s c e rte z a s s o b re a s c o is a s q u e a m a m o s e q u e v e m o s . o u tro m u n d o e m m a s lig a d a a o c o ra ç ã o . E é a s s im q u e p a s s a m o s p a r a u m q u e a fa la n ã o e s tá s u b o rd in a d a a o s o lh o s. A c o s tu m a m o -n o s a fa la r s o b re o m u n d o d e u m a c e rta fo rm a. m a s e m a p re n d e r a fa z e r o q u e v ira s a b e d o ria q u a n d o n o s d a m o s c o n ta d e q u e o n o s s o m u n d o f o i p e trif ic a d o p e lo h á b ito .c o n ta . e q u e v o u re p e tir: "N u m lu g a r n ã o m u ito lo n g e d a q u i h a v ia u m p o ç o fu n d o e e sc u ro o n d e . s u m ir. e n v e lh e c e r. M a s . p o is q u e s tã o to d a s a s v e rd a d e s já p in ta s s ilg o a q u e la e s tra n h a c ria tu ra d e p e n a s c o lo c a v a e m s e c u la rm e n te s e d im e n ta d a s e c o m p ro v a d a s e m s u a s o c ie d a d e . E s ta v a m c o n v e n c id a s q u e o u n iv e rs o e ra d o ta m a n h o d o s e u b u ra c o . fo i su a su rp re sa a o d e s c o b rir a s rã s ! M a is p e rp le x a s fic a ra m e s ta s . d e s d e te m p o s im e m o ria is . o o u tr o fa z e m s u r g ir u m m u n d o n o v o à n o s s a fre n te . . O . Isto a c re d ite m o s e m tra n q u iliz a ria o n o s s o c o ra ç ã o . C o n s e lh o q u e p a re c e lo u c u ra . p riv a d o d o s s e n tid o s e d a ra z ã o . m as bem q u e d e s e ja ría m o s q u e e le s e x is tis s e m . . P o d e s e r q u e n ã o d eu ses. c o m tris te z a . T ã o fu n d o e ra o p o ç o q u e n e n h u m a d e la s ja m a is h a v ia v is ita d o o m u n d o d e fo ra . v e m o s p o r sa b erm o s tu d o s e m p re d a m e s m a fo rm a . . p e n s a m o -lo se m p re d e n tro d o s m e sm o s q u a d ro s.b u ra c o s se m fim d o s m o m e n to s d e in s ó n ia e s o frim e n to . e re s o lv e u in v e s tig a r s u a s p ro fu n d e z a s . q u a n d o d e . A h ! S e p u d é s s e m o s fic a r g rá v id o s d e d e u s e s . q u e u m p in ta s s ilg o q u e v o a v a A c o n te c e u . E fo i is to q u e o c o rre u à s p o b re s rã s d e s ta p a rá b o la . p o ç o . a firm a r ia e n tre ta n to . p o r a li v iu Q u al o n ã o lo u c o . s o b e ja s u m e v id ê n c ia s c ie n tífic a s p a ra c o rro b o rar e s ta te o ria o e H a v ia s o m e n te c o n trá r io . d e c a ir. . Ê q u e " o c o ra ç ã o te m ra z õ e s q u e a p ró p ria ra z ã o d esc o n h ec e". u m a s o c ie d a d e d e rã s s e e s ta b e le c e ra .

p a ra s e m p re . o s c a m p o s v e rd e s. re a lm e n te c rê em n u m " lá fo ra " e é d e ste m u n d o in v is ív e l q u e s u a s e s p e ra n ç a s s e a lim e n ta m . o s ria c h o s c ris ta lin o s . flo re s . n ã o p o d e ria h a v e r u m " lá fo ra " . A s o u tra s fe c h a ra m a c a ra . a s á rv o re s c o p a d a s ." 1 2 1 F o i a ssim q u e a c o n te c e u : a c iê n c ia e m p a lh o u a r e lig iã o .n a d a s (q u e s e c re ta m e n te p re p a ra v am u m a re v o lu ç ã o ) n ã o g o s ta ra m d a s id e ia s q u e o c a n to d o p in ta s s ilg o e s ta v a c o lo c a n d o n a c a b e ç a d o p o v ã o . s e n tid o e p in ta s s ilg o tin h a d e e s ta r d iz e n d o c o is a s s e m m e n tira s . e s tre la s . . C o m o é q u e a s rã s p o d ia m v iv e r p re s a s e m ta l p o ç o . A firm a ç õ e s n ã o c o n firm a d a s p e la e x p e riê n c ia n ã o d e v e ria m e la s a le g a v a m . C o a x a ra m c a n ç õ e s n o v a s . s e o s e u b u ra c o e ra o u n iv e rs o . m o rto . P o r o c a s iã o d e s u a p ró x im a v is ita o p in ta s s ilg o fo i p re s o . a o d iz e r o s n o m e s a g ra d o s . . A c o n te c e q u e a s p e s s o a s re lig io s a s . . A a fa z e r a c rític a filo s ó fic a . n u v e n s . T a n to a s rã s-d o m in a n te s q u a n to a s rã s . tira n d o d ife re n te s d a q u e la s q u e a p ró p ria re lig iã o d e la v e rd a d e s m u ito v iv a c a n ta v a .d o m i. s e m a o m e n o s a e s p e ra n ç a d e p o d e r s a ir? C la ro q u e a id e ia d e s a ir e ra a b s u r d a p a ra o s b a trá q u io s . E o p in ta s s ilg o s e p ô s a 1 2 0 c a n ta r fu rio s a m e n te . p o is . d e c o a x a r a s c a n ç õ e s q u e e le lh e s e n s in a ra . A lg u m a s a c re d ita r a m a im a g in a r c o m o s e ria lá fo ra . s o c io ló g ic a e p s ic o ló g ic a e s ta ria e le ? D a s c la s s e s d o m in a n te s ? D a s se rv iç o d e q u e m c la s s e s d o m in a d a s ? S e u c a n to s e ria u m a e s p é c ie d e n a rc ó tic o ? O p a s s a r in h o s e ria u m lo u c o ? U m e n g a n a d o r? Q u e m s a b e e le n ã o p a s s a ria d e u m a a lu c in a ç ã o c o le tiv a ? D ú v id a s n ã o h a v ia d e q u e o ta l c a n to h a v ia c ria d o m u ito s p ro b le m a s . o q u e p ô s em p o lv o r o s a a s o c ie d a d e d a s rã s . T rin o u a b ris a su a v e . . b o r b o le ta s . a c u s a d o d e e n g a n a d o r d o p o v o . . F ic a ra m m a is a le g re s e a té m e s m o e c o m e ç ara m m a is b o n ita s . e m p a lh a d o e a s d e m a is rã s p ro ib id a s . E s e p u s e ra m d o s e u d is c u rs o . O se r m e re c e d o ra s d e c ré d ito .. T u d o tã o d is ta n te .m o rre u d e d ó . q u e s e d iv id ira m . . tã o d if e r e n te d a s a b e d o ria c ie n tíf ic a .

E o q u e to d a s e la s p ro p õ e m é n a d a m a is q u e u m a s é rie d e re c e ita s p a r a a f e lic id a d e . B e m d iz ia M a x W e b e r q u e a d u ra liç ã o q u e a p re n d e m o s d a c iê n c ia é q u e o s e n tid o d a v id a n ã o p o d e s e r 1 2 2 e n c o n tra d o a o fim d a a n á lis e c ie n tífic a . s e m q u e s a ib a m o s d o n d e v e m n e m p a ra o n d e v a i. . p o rq u e o te m a d a c a n ç ã o é s e m p re o m e s m o . p o r a q u e la s c o is a s q u e d ã o à v id a o s e u s e n tid o . s e d e ix a m m a ta r p o r id e ia s o u ilu s õ e s q u e lh e s d ã o ra z õ e s p a ra v iv e r: b o a s ra z õ e s p a ra v iv e r s ã o ta m b é m b o a s ra zõ e s p a ra m o rrer. E la d e c la ra q u e v a le a p e n a v iv e r. se n e c e s s á rio fo r. M a s o q u e é is to . c o m o u m a b ris a s u a v e q u e n o s a tin g e .S e v a m o s o u v ir a s p e s s o a s re lig io s a s é n e c e s s á rio " fa z e r-d e -c o n ta " q u e a c r e d ita m o s . E n o s o s re s to s d o fru to d o c o n h e - d e s c o b rim o s e x p u ls o s d o p a ra ís o . O s e n tid o d a v id a : n ã o h á p e r g u n ta q u e s e fa ç a c o m m a io r a n g ú s tia e p a re c e q u e to d o s s ã o p o r e la a s s o m b ra d o s d e v e z e m q u a n d o . P o rq u e n ã o é ra ro v e rm o s p esso as m e rg u lh a d a s n o s a b is m o s d a lo u c u ra . a d e s p e ito d e to d a a c r ític a q u e lh e fa z a c iê n c ia . Q u e é p o s s ív e l s e r fe liz e s o rrir. d e o u tr o ra e d e a g o ra . V a le rá a p e n a v iv e r? A g ra v id a d e d a p e rg u n ta s e re v e la n a g ra v id a d e d a re s p o s ta . V a ria ç õ e s s o b re u m te m a d a d o . A q u i s e e n c o n tr a a r a z ã o p o r q u e a s p e s s o a s c o n tin u a m a s e r fa s c in a d a s p e la r e lig iã o . O u tra s p e s s o a s . A re lig iã o fa la s o b re o s e n tid o d a v id a . m a s v a z io d e s ig n ific a ç õ e s h u m a n a s e in d ife re n te a o n o sso a m o r. p o r m a is c o m p le ta q u e s e ja . . s e m q u e se s a ib a e x p lic a r o u ju s tific a r. o se n tid o d a v id a ? O s e n tid o d a v id a é a lg o q u e s e e x p e rim e n ta e m o c io n a lm e n te . m a s a lg o q u e n o s o c o rre d e f o rm a in e s p e ra d a e n ã o p re p a ra d a . e q u e e x p e r im e n ta m o s c o m o u m a in te n s ific a ç ã o d a v o n ta d e d e v iv e r a o p o n to d e n o s d a r c o ra g e m p a ra m o rre r. v in d o s d e lo n g e e d e p e rto . c o m o o b s e rv o u C a m u s . Q u e m s a b e o p in ta s s ilg o te m r a z ã o ? Q u e m s a b e o u n iv e r s o é m a is b o n ito e m is te rio s o q u e o s lim ite s d o n o s s o p o ç o ? S o b re o q u e fa la a re lig iã o ? É n e c e s s á rio q u e n ã o n o s d e ix e m o s c o n fu n d ir p e la e x u b e râ n c ia d o s s ím b o lo s e g e s to s . a in d a c o m c im e n to e m n o s s a s m ã o s . o u o p ta re m v o lu n ta ria m e n te p e lo a b is m o d o s u ic íd io p o r te re m o b tid o u m a re s p o s ta n e g a tiv a . N ã o é a lg o q u e s e c o n s tru a . A c iê n c ia n o s c o lo c a n u m m u n d o g la c ia l e m e c â n ic o . m a te m a tic a m e n te p r e c is o e te c n ic a m e n te m a n ip u lá v e l. .

o q u e n o s fa z s e n tir re c o n c ilia d o s c o m o u n iv e rs o a o 1 2 3 re d o r. n a q u a l a s c o is a s s e in te g ra m co m o em n o sso u m a m e lo d ia . C o n v ic ç ã o d e q u e . c o m o n a fa m o s a te la d e S a lv a d o r . p o s s u íd o s d e u m s e n tim e n to o c e â n ic o . e n v o lv e e e m b a la . r e v e r b e r a n d o e m e te r n id a d e s e in fin ito s . tu d o e s ta ria b e m .. s e n s a ç ã o in e fá v e l d e e te r n id a d e e in fin itu d e . O e s c â n d a lo c o m e ç a q u a n d o a re lig iã o o u s a tra n s fo rm a r ta l s e n tim e n to . . S e a p re te n s ã o d a re lig iã o te rm in a s s e a q u i. id e o lo g ia . A o q u e a c iê n c ia re tru c a : " a s p e s s o a s re lig io s a s s e n te m p en sam q u e o u n iv e rs o in te ir o fa z s e n tid o " . O s e n tid o d a v id a é u m s e n tim e n to . c h o ra a lá g rim a d o s a b a n d o n a d o s. O s e n tid o d a v id a é d e s tru íd o . n a p o é tic a e x p re s s ã o d e R o m a in R o lla n d . P o rq u e n ã o h á le is q u e n o s p ro íb a m d e s e n tir o q u e q u is e rm o s .É u m a tra n s fo rm a ç ã o d e n o s s a v is ã o d o m u n d o . p o r d e trá s d a s c o is a s v is ív e is . A q u e la a firm a ç ã o s a g ra d a q u e u n iv e r s o . p re s e n ç a a m ig a . s e o " lá fo ra " q u e o p in ta s s ilg o c a n to u n ã o e x is tir? A firm a r q u e a v id a te m u n iv e rs o v ib ra c o m s e n tid o é p ro p o r a fa n tá s tic a h ip ó te s e d e q u e o 1 2 4 o s n o s s o s s e n tim e n to s . d e c o m u n h ã o c o m a lg o q u e n o s tra n sc e n d e . c o m o s e fo s s e u m d im e n s õ e s c ó sm ic a s./ s e g u r a r o in fin ito n a p a lm a d a m ã o / e a e te rn id a d e e m h o ra " (B la k e ). in te r io r e s u b je tiv o . " V e r u m m u n d o e m u m ú te ro m a te rn o d e c é u n u m a u m a g rã o d e a re ia / e u m flo r s ilv e s tr e . A re lig iã o d iz : " o u n iv e rs o e in te iro fa z s e n tid o " . so rri c o m a s c ria n ç a s q u e b rin c a m . a e c o a v a d e u n iv e rs o e m c iê n c ia a p ris io n a d e n tro d o p o ç o p e q u e n o e e s c u ro d a s u b je tiv id a d e e d a s o c ie d a d e : ilu s ã o . s o fre a d o r d o s to rtu ra d o s . n u m a h ip ó te s e a c e rc a d o u n iv e rs o . h á u m ro sto in v isív e l q u e s o rri. T u d o e stá lig a d o . Q u e p o d e re s ta r d a a le g ria d a s rã s . b ra ç o s q u e a b ra ç a m . P o d e m o s e n te n d e r a s ra z õ e s p o r q u e o h o m e m re lig io s o n ã o p o d e s e s a tis fa z e r c o m o p á s sa ro e m p a lh a d o .

anunciar que a vida tem sentido • proclamar que o universo • nosso irm…o. batendo na porta. nos que terminaram seus dias em campos de concentra‡…o. Œ poss€vel que tais imagens jamais tenham passado pela sua cabe‡a e que vocˆ se sinta perdido em meio •s met‚foras de que a experiˆncia religiosa lan‡a m…o. E • esta cren‡a que explica os sacrif€cios que se oferecem nos altares e as preces que se balbuciam na solid…o. tamb•m os que fazem armas e guerra invocarem os seus sentimentos como garantia de suas a‡†es? Tamb•m eles sentem. na noite gelada. pedindo para sair. do princ€pio dos mundos at• o seu fim. . Que raz†es trazemos conosco que nos compelem a dizer n…o a tais atos? Ser…o os nossos senti mentos apenas? Mas. . E me lembrei de um di‚logo. nos escravizados. ‰ncora de sentimentos. E poder€amos ir multiplicando os casos. uma preferˆncia pela felicidade e pela liberdade — tal como n„s. nos executados. nas armas. E sentimos igual quando pensamos nos torturados. sem atenuantes.Dali. . tamb•m o torturador. l‚grimas rolando pela face torcida pelo medo. eternamente errado. Nossos sentimentos s…o expre ss†es da realidade. que poderemos alegar quando tamb•m o carrasco.. E • esta realidade. no universo inteiro. invocando a mem„ria de um menininho. errado sempre. fora de casa. Mas verdade • tamb•m que invocamos o universo inteiro como testemunha e garantia de nossa causa. uma voca‡…o para o amor. Cremos que o universo possui um cora‡…o humano. castigado pˆlos pais por haver molhado a cama. . nos que morrem de fome. que recebe o nome de . E ele fala das m…ozinhas. sem fim. Vibra com o infinito a voz do cora‡…o. . . e trancado num quartinho escuro e frio. Que raz†es. dos mais belos e profundos j‚ produzidos pela literatura. Œ verdade que nos valemos deles. se assim for. poderiam ser invocadas para explicar e justificar aquela dor? A gente sent e que aqui se encontra algo profundamente errado. na velhice abandonada. N…o. Assim. nossos julgamentos •ticos n…o descansam apenas em nossos sentimentos. em que Ivan Karamazov argumenta com seu irm…o Alioscha. . Ainda per manecem humanos. 125 na vida animal que • destru€da pela gan‰ncia.

d e e rig ir c a s a s a o s d e u s e s e c a s a s o u tro s e r e x is te n e s te m u n d o p a ra o s m o rto s . c o m p le ta a p e n a s ." (C e c ília M e ire le s ). E m m in u to s tu d o o q u e d e v e ria te r s id o d ito o fo i. ro ç a e m n ó s o s e u d e d o e n o s p e rg u n ta : " A p e s a r d e m im . B ia fr a ? T u d o tã o d ife r e n te d e u m a s o n a ta d e M o z a rt: c u rta . d ia n te d o filh o m o rto ? D iz e r q u e a v id a f o i c u rta . N e n h u m q u e . " D e u m v a g a in c e rta . c o m s ím b o lo s . . E é a s s im m o rto s . . a e stre la e te rn a . C o m o a firm a r o s e n tid o d a v id a p e ra n te a m o rte ? Q u e c o n s o lo o fe re c e r a o p a i. H ir o s h im a . c o m c a r in h o e s p e c ia l. m a s b e la ? C o m o c o n s o la r a q u e le q u e s e d e s c o b riu e n fe rm o p a ra m o rre r e v ê o s ris o s e c a rin h o s c a d a v e z m a is d is ta n te s ? E o s m ilh õ e s q u e m o rre m T re b lin k a . p e rf e ita . n ã o é m a is n e c e s s á rio lu ta r c o n tr a e la . e rg a s ú p lic a s a o s c é u s e e n te rre . e m e s p e ra n ç a . C o m o a firm a r o s e n tid o d a v id a p e ra n te o a b su rd o d a e x is tê n c ia v in te in ju s ta m e n te : a c o rd e fin a l n a d a re p re s e n ta d o d e m a n e ira e x e m p la r p e la m o rte q u e re d u z a n a d a tu d o o q u e o a m o r c o n s tru iu e e s p e ro u ? " A q u ilo q u e é fin ito p a ra o e n te n d im e n to é n a d a p a ra o c o ra ç ã o " la d o . e d o o u tro a O s e n tid o d a v id a s e d e p e n d u ra (F e u e rb a c h ). n o s e n tid o d a m o rte .D e u s. . v e z p o r o u tra . A re lig iã o c u id o u . E n tre q u e a r e lig iã o e n tre g a a o s d e u s e s o s s e u s a s c a s a s d o s d e u s e s e a s c a s a s d o s m o rto s b rilh a a e s p e ra n ç a d a v id a e te rn a p a ra q u e o s h o m e n s s e re c o n c ilie m c o m a m o rte e s e ja m lib e rta d o s p a ra v iv e r. c rê s a in d a q u e a v id a fa z s e n tid o ? " . Q u a n d o a m o rte é tra n s fo rm a d a e m a m ig a . . E is to n ã o é a c id e n ta l. te m p lo s e s e p u lc r o s . E n ã o s e rá v e rd a d e . c o m o n ó s . E is o p ro b le m a . P o rq u e a m o rte é a q u e la 1 2 6 p re s e n ç a q u e . o s s e u s m o rto s . O in te rro m p e .

. lu ta n d o . A c o n s c iê n c ia d a m o rte te m o p o d e r d e lib e rta r e le a ld a d e s . a e n c o lh e ria q u e a té p ó s-g ra d u aç ã o . P e n s e n o q u e v o c ê fa ria s e lh e fo s s e d ito q u e lh e re s ta m trê s m e s e s d e v id a . N u m p a ra v iv e r. . . o s ra n c o re s is to d o c u m e n to s p a ra o IR . . C o lo c a n d o o s 1 2 8 s e p u lc ro s n a s m ã o s d o s d e u s e s . a g rita ria d a s c ria n ç a s . T a lv e z v o c ê a té c ria s se c o ra g e m e s p a n to p a ra tira r o s s a p a to s e e n tra r n a á g u a . . to rn a n d o -a a té p ro ib id o is to p a ra c o n v e rs a ç ã o . . v a lo re s e re s p e ito s d e q u e a o rd e m s o c ia l s u b v e rte a s d e p e n d e . q u e só E la s e p o d e m p re s e n te . E o p resen ç a ú ltim o s : o d e u m n u n c a te v e a n te s. o s c o n ju g a is . a m e d ita ç ã o . Q u e im p o rta ria o d a s p e s s o a s s ó lid a s ? T a lv e z e n c o n tre m o s a q u i a s ra z õ e s p o r q u e a m esm o a ss u n to s o c ie d a d e o c u lta e d is s im u la a m o rte . o b a ru lh o d o s g r ilo s. o d o s jo rn a is. D e fa to . o s s a lp ic o s d a á g u a fria . . ta lv e z . a s p e rs p e c tiv a s d e c a rre ira . d e p e n d e d e n u tre d e h o riz o n te s u tó p ic o s q u e o s o lh o s n ã o v ira m s e r c o n te m p la d o s p e la m a g ia d a im a g in a ç ã o . in im ig a a se liv re s L iv r e s p a ra m o rre r. T u d o p re s e n te g a n h a ria u m a q u a se d e sa p a re c e r. . M a s o s e n tid o m u n d o a in d a s o b o s ig n o d a m o rte .1 2 7 q u e to d a a n o s s a v id a é u m a lu ta s u r d a p a ra e m p u r r a r p a r a lo n g e o s h o riz o n te s " a p ro x im a d o s e s e m re c u rs o " ? A s o c ie d a d e é u m b a n d o d e h o m e n s q u e c a m in h a m . D e p o is d o p â n ic o in ic ia l. a s s im . . e n q u a n to o s o n o n ã o v e m . p á ssaro . sã o o s d e ja s m im . V e r e sa b o re a r c a d a n a p a re d e . é ilu s ã o p r o c la m a r a h a r m o n ia c o m o u n iv e rs o . c o m o re a lid a d e u m e fu tu ro . b rin q u e d o . p e la s le itu ra q u a is s a c r ific a o ó c io . . o s c a n h o to s d o s ta lõ e s d e c h e q u e . . o q u a d ro . e m e s q u e c id o a lg u m c a n to lu g a r. S u a s ro tin a s d iá ria s . o s h o m e n s e s ta ria m d a v id a n ã o é u m fa to . D e u s e o s e n tid o d a v id a s ã o a u s ê n c ia s . d á d iv a s d a e s p e ra n ç a . e m q u e o s v a lo re s m a is a lto s s ã o c r u c ific a d o s e a b ru ta lid a d e triu n fa . o s re s s e n tim e n to s p ro fis s io n a is . A in a d iá v e is. e m d ire ç ã o à m o rte in e v itá v e l. . a s c o is a s q u e v o c ê c o n s id e ra im p o rta n te s. A e x p e riê n c ia re lig io s a . p e rto d a fo n te . o c h e iro m o m e n to . a re lig iã o o b rig a a tra n s fo rm a r e m irm ã . re a lid a d e s p o r q u e s e a n s e ia .

e x is te ? A v id a te m s e n tid o ? O u n iv e rs o te m u m a fa c e ? A m o rte 1 2 9 é m in h a irm ã ? " . n a d ire ç ã o d a s e v id ê n c ia s d o s e n tim e n to . E ta lv e z p o s s a m o s a firm a r. E o le ito r. tra ta -s e d e u m a a p o s ta a p a ix o n a d a .u m te m fim c o n s e lh o f in a l o u s o d o s liv r o s n ã o e o e s tu d o e m d e m a s ia é e n fa d o n h o . M a s e u d e s e jo a rd e n te m e n te q u e a s s im s e ja . A v is ã o é b e la . E m e la n ç o in te ira . E o q u e é la n ç a d o s o b re m esa d as in c e rte z a s e d a s e s p e ra n ç a s é a v id a in te ir a . p e r g u n ta ria : " M a s . m a s n ã o h á c e rte z a s . e m b u s c a d e u m a c e rte z a fin a l. v o c ê d e s e ja r le r u m p o u co . C o m o o tr a p e z is ta q u e te m d e s e la n ç a r s o b re o a b is m o .1 2 ) S e ." ( L iv r o d o E c le s ia s te s . A o q u e a a lm a re lig io s a s ó p o d e ria re s p o n d e r: " N ã o s e i. P o rq u e é m a is b e lo o ris c o a o la d o d a e s p e ra n ç a q u e a c e rte z a a o la d o d e u m s e n tid o ." u n iv e rso frio e s e m 1 3 0 IN D IC A Ç Õ E S P A R A L E IT U R A " A c e ita . . p e r p le x o . . m e u filh o . c o m E rn e s t B lo c h : " o n d e e s tá a e s p e ra n ç a a li ta m b é m e s tá a re lig iã o " . N o s c a m in h o s d e P a s c a l e a K ie rk e g a a rd .s e ja e s ta a g ra n d e m a rc a d a re lig iã o : a e s p e ra n ç a . a a lm a re lig io s a te m d e s e la n ç a r ta m b é m s o b re o a b is m o . 1 2 . e D e u s . a b a n d o n a n d o to d o s o s p o n to s d e a p o io . d a s s u g e stõ e s d a e s p e ra n ç a . d a v o z d o am o r. a d e s p e ito d a a d v e rtê n c ia d o s á b io h e b re u .

1972). Para quem quiser importar o livro o ende re‡o • Apartado 332. 1974). Ludwig Feuerbach n…o est‚ traduzido para o portuguˆs. o que • uma pena. que faz urna linda discuss…o dos s€mbolos em geral. Mestre Jou. Salamanca.mais. A menos que eu me engane. nos vˆm atrav•s de Marx. As partes mais relevantes do estudo que Durk -heim faz do sistema totˆmico na Austr‚lia podem ser encontradas no volume XXXIII da s•rie "Os 131 Pensadores” . H‚ uma colet‰nea de escritos de Marx e Engels diretamente relacionados com a religi…o. N…o se esquecer o livro de Teixeira Coelho. com mais detalhes e cita‡†es de textos. Espanha. P. desta s•rie (Brasiliense. via de regra. 1099. As referˆncias. Dˆ uma espiada no ensaio de Engels "A guerr a Camponesa na Alema nha". de Janeiro. Para uma an‚lise da realidade social como produto da atividade humana. A revista Reflex…o n9 17. O M ai-estar da Civiliza‡…o. Totem e Tabu. que a leitura de D. mas n…o ainda em portuguˆs. como introdu‡…o • cr€tica que o empirismo faz • linguagem religiosa. 1972). Luckmann. porque Feuerbach escreve com a beleza de um poeta. Zahar. do Instituto de Filosofia e Teologia da PUCAMP. 1972). Berger & T. O t€tulo: "O Problema da Aliena‡…o". Investiga‡…o Acerca do Entendimento Humano (S…o Paulo. De Freud leia O Futuro de Uma Ilus…o. sobre a religi…o em Marx e Feuerbach. Hume. Se vocˆ gosta de tecnologia poder‚ ler alguns . onde vocˆ poder‚ ler intridu‡†es e conclus†es de As Formas Elemetares da Vida Religiosa. em Ideologia e Utopia (R. Nada melhor. Campinas. Endere‡o: rua Marechal Deodoro. Vozes. Nacional. 1975). Sobre a religi…o prof•tico-messi‰nica • indispens‚vel a leitura do estudo de Karl Mannheim intitulado "A Mentalidade Ut„pica". publicou um artigo did‚tico de minha autoria. Em espanhol o t€tulo • Sobre Ia Religi„n l (Salamanca. O que • utopia. 1980). 13100. Ediciones S€gueme. A Constru‡…o Social da Realidade (Petr„polis. da Abril Cultural. eu aconselharia o seguinte: Em rela‡…o • linguagem religiosa leia o livro de Ernst Cassirer Antropologia Filos„fica (S…o Paulo.

mas muitos ouviram a "Serra de Boa Esperan‡a". 1972). Jr — C. Œ evidente que o ƒltimo cap€tulo n…o representa ningu•m em particular. . Curiosamente houve. . Biografia Rubem A. como dizia o escritor sagrado. Depois. at• uma juventude no Rio de Janeiro. Vozes. como "Exigˆncias Crist…s de Uma Ordem Pol€tica". os profetas do Antigo Eu nasci em Boa Esperan‡a. Minas Gerais. Um Rumor de Anjos (Petr„polis. 7776 Social Gospel (Philadelphia. . em O Mito de Sísifo. Martin Buber e Nietzsche. A chamada teologia da liberta‡…o • uma tentativa de recuperar a tradi‡…o prof•tica. Pascal. Veja. O problema do sentido da vida • discutido por Albert Camus. em fins do s•culo passado e in€cio deste s•culo. Kierke -gaard. 1973). Quanto ao testemunho pessoal de pessoas religiosas. A par‚bola das r…s foi inspirada no livro de Theodore Roszak. a este respeito. "A Caminhada do Povo de Deus na Am•rica Latina". Poucos foram l‚. pinguei por v‚rias cidades pequenas.132 documentos da Conferˆncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Testamento. um movimento semelhante denominado "Evangelho Social" (Social Gospel). a literatura n…o tem fim. por amor a Albert Schweitzer. Leia tamb•m. 1976). Vozes. nos Estados Unidos. Temple University Press. do Lamartine Babo. "N…o oprimas teu irm…o". Contracultura (Petr„polis. "Eu ouvi os clamores do meu povo". de P. Miguel de Unamuno. mas expressa uma linha que passa por Agostinho. Vocˆ constatar‚ que. um religioso que nunca conseguiu dar nomes aos seus deuses. Em 1933. por vezes. Alves Por exem plo. teologia e quis ser m•dico. Howard Hopkins. Ronald C. Berger. Estudei mƒsica. Œ surpreendente. White. o estudo n…o • t…o enfadonho. Nicolas Berdiaev. E n…o se esque‡a de ler textos originais.

L á f iz m e u d o u to r a m e n to . C o n c o rd o c o m O c tá v io P a z q u a n d o e le d iz q u e a ta r e fa d o in te le c tu a l é f a z e r r ir p ê lo s s e u s p e n s a m e n to s e f a z e r p e n s a r p ê lo s s e u s c h is te s . im a g in o . t r ê s e d i ç õ e s e m ita lia n o . Protestantismo e Repressão ( Á t i c a ) . C o n v iv i c o m o p o v o .. u m im a g in a ç ã o e a m a g ia . N e w J e r s e y . . A s s im p r o te s ta n t e s e . L iv r o s : A Tlieology of Hunian Hope.F u i p a s to r n u m a ig r e ja d o in te r io r d e M in a s . e d e 5 8 a 6 4 d e ix e i o s liv ro s . c id a d e d e ip ê s e d e e s c o la s . p a ra v iv e r d o re s e a le g r ia s d e o u tr o s .. s a c e r d o te s c a tó lic o s . P r i n c e f o n . o fra n c ê s e o in g lê s . L a v r a s . O Enigma da Religião ( V o z e s ) . Tomorrow's Oúld. P a s s e i a lg u m a s v e z e s p ê lo s E s ta d o s U n id o s . a e s p e r a n ç a e a u to p ia . T r a d u z id o p a r a o liv ro so b re a e s p a n h o l . E s o b r e p la n ta r á r v o r e s e m c u j a s o m b r a n u n c a n o s a s s e n t a r e m o s . s e m v iv e m p a s to r e s r e m o r s o s .

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