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1 UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

JOÃO RODRIGO DE SOUZA UZZUM

LEGISLAÇÃO E INVESTIGAÇÃO POLICIAL NOS DELITOS RELACIONADOS NAS LEIS DE TÓXICOS

SALVADOR 2005

JOÃO RODRIGO DE SOUZA UZZUM

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LEGISLAÇÃO E INVESTIGAÇÃO POLICIAL NOS DELITOS RELACIONADOS NAS LEIS DE TÓXICOS

Monografia apresentada à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção da conclusão do curso de pógraduação em Direito Penal e Processo Penal

ORIENTADOR: PROF. Dr. MARCOS TOUSSANT

SALVADOR 2005

JOÃO RODRIGO DE SOUZA UZZUM

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LEGISLAÇÃO E INVESTIGAÇÃO POLICIAL NOS DELITOS RELACIONADOS NAS LEIS DE TÓXICOS

Monografia apresentada à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção da conclusão do curso de pógraduação em Direito Penal e Processo Penal

Aprovada em:

BANCA EXAMINADORA

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RESUMO

15). com uma explanação acerca dos principais entorpecentes. tendo em vista a estreita ligação com a repressão aos delitos especialmente tráfico e associação ao tráfico de drogas. 12). interceptação telefônica. associação ao tráfico de drogas (Art. 17). Na conclusão procurei propor soluções para o combate ao tráfico de drogas e melhor estruturação dos organismos de repressão.368/76 e 10. Na parte B e abordada a investigação policial e seus diversos recursos tais como: infiltração de policiais.409/02. lavagem de dinheiro e outros temas pertinentes. seu principio ativo. procedimento penal e investigação policial. além de temas como interceptação telefônica. investigação e julgamento dos crimes de tóxicos. seqüestro e indisponibilidade de bens.4 Este trabalho tem o escopo de realizar um estudo aprofundado da legislação referente aos crimes. fabricação de entorpecentes (Art. Terá a presente monografia preocupação em analisar todo o aparato legal existente em nosso País destinado ao combate ao tráfico de drogas. quebra de sigilo bancário. lavagem de dinheiro e prisões cautelares. julgamento e políticos. forma de consumo e efeitos. ou seja. previstos nas Leis 6. 16) e violação de sigilo (Art. a legislação referente a entorpecentes. Inicio na parte A do trabalho. o qual e na atualidade o principal braço do crime organizado. fiscais e eleitorais. gravação ambiental. prescrição culposa de substância entorpecente (Art. Passo então a legislação propriamente dita estudando a inter-relação das duas principais legislações em estudo as Leis nº 6. tendo já se ramificado dentro de organismos estatais de repressão. 14).409/02. acesso a dados bancários. 13). ação controlada ou flagrante postergado. uso de entorpecentes (Art. reportando-me então aos delitos de tráfico de drogas (Art.368/76 e 10. . interrogatório policial do traficante.

acción controlada o flagrante aplazado. que es en la actualidad el principal brazo del crimen organizado. habiendo ya se ramificado dentro de los organismos estatales de represión. secuestro e indisponibilidad de bienes. fabricación de estupefacientes (Artículo 13). acceso a datos bancarios.368/76 y 10. Paso entonces a la legislación propiamente dicha estudiando la interrelación de las dos principales legislaciones en estudio. . asociación al tráfico de drogas (Artículo 14). fiscales y electorales. prescripción culposa de sustancia estupefaciente (Artículo 15). o sea. interrogatorio policial del traficante. En la parte B es abordada la investigación policial y sus diversos recursos tales como: infiltración de policías. Tendrá la presente monografía preocupación en analizar todo el aparato legal existente en nuestro País destinado al combate al tráfico de drogas. procedimiento penal e investigación policial. En la conclusión busqué proponer soluciones para el combate al tráfico de drogas y mejor estructuración de los organismos de represión. Empiezo en la parte A del trabajo con una explanación acerca de los principales estupefacientes. la legislación referente a estupefacientes. además de temas como interceptación telefónica. las Leyes n° 6. justicia y políticos.409/02. ruptura de sigilo bancario. lavado de dinero y otros temas pertinentes. volviéndome entonces a los delitos de tráfico de drogas (Artículo 12). considerando la estrecha ligación con la represión a los delitos especialmente tráfico y asociación al tráfico de drogas. lavado de dinero y prisiones cautelares.5 RESUMEN Este trabajo tiene el intento de realizar um estudio profundizado de la legislación referente a los crimenes. uso de estupefacientes (Artículo 16) y violación de sigilo (Artículo 17). su principio activo. investigación y juicio de los crimenes de tóxico.409/02. grabación ambiental.368/76 y 10. previstos en las Leyes 6. manera de consumo y efectos. interceptación telefónica.

. Consumo ..........1 4......................................................... Consumo .......2 4........4.................................................................................................................................................. Efeitos ............. Norma penal em branco e a lei nº 6368/76 ....4...................................................................................................... Consumo ................1 4..........................................10........................................................................................................ Ecstacy ................................1 4.... Crack e Merla ......................6...............................................................11 4....................................... Consumo .........2 4...........2 4............................................................................................ Ópio ..................................................................7 4.......12..................................................................................................................................... Inalantes . Efeitos ........................ Consumo ......................2 5 6 7 8 INTRODUÇÃO .....2 4.............2 4..........................1 4............1 4..............6 4............... 3........................................................................ Maconha ............................................................................................. Consumo .......................................................12 4................................. Drogas Proscritas – Portaria nº 344/MS de 15/02/2000 ........................10................ Mescalina ........................................12.............................................................2............................................................... Polêmica a cerca Cloreto de Etila componente do Lança-Perfume .......................8 4........................................ Lança – Perfume ...............9..... Efeitos .................. 2............................. Haxixe . Efeitos .................................................................................................1 4..........................................................................................................1 4.........................................................1 4...............................5............................1 4........................................8... 07 08 08 09 11 11 11 12 12 13 13 14 14 15 15 16 16 16 17 17 17 18 18 19 19 19 20 20 20 20 21 21 22 22 22 22 23 23 24 24 24 24 25 26 27 ........... Breve estudo sobre drogas ilícitas mais utilizadas ..................1 4. Efeitos ...........................................................................................11...................................................................................................................8......................1 4.............2 4.................................................................... Cocaína .............................................2 4....1......4 4.................................... 3...............................................................................1 4.............................................................................................11...............................................2 4.............................10 4........... Consumo .......9 4..........................3....... Heroína ....................................................................................................................... Efeitos ............................................................................6......................................... Alterações da Lei nº 10409/02 ...................2 4........................... Efeitos ..........9................................................3 4.......... Consumo ...........2 4..............................................................................7.....................3 4...........7........2 4.......3................................................................................................ Dependência ...... Morfina ............ Conceito de substância entorpecente .........................................................2.................................... Consumo ...................................... Efeitos ............ Consumo ....................1 4 4............2 4..................................... Efeitos ..... Consumo ....................... Efeitos ....... Efeitos .............. Breve contexto histórico do uso de drogas .................. Consumo ... Efeitos .6 SUMÁRIO 1............................................................................................................................... LSD ..............5....................1...................................................5 4....

...........................4 9............1 9........................................................................... Dependente químico que trafica – Isenção de pena ............2 9.............3 9............................ Qualificação Doutrinária do Art....1 9 9........ 12 da Lei nº 6368/76 ....12 9..........5 9...........15 Coexistência de ambas as leis( Lei nº 6368/76 e 10409/02) ........ trazer consigo e adquirir ...... Laudo Pericial ........................................................................... Objeto Material ........................................................................................... Art.................... Sujeito Ativo .......................................................... Elemento Subjetivo ............................................................................. Tentativa ..............................................7 9....... 28 30 30 30 31 31 31 32 39 40 41 41 42 45 46 48 .................. Objetividade Jurídica ..... 243 do ECA .................................6 9..........13 9... Consumação ...................... Sujeito Passivo ..........................................8 9.......... Diferenciação das condutas típicas Art’s 12 e 16 – guardar.................................... Art..........10 9.........7 8.................................................................... 12 da Lei nº 6368/76 ................................................9 9............................................................ Condutas Típicas/ Elemento Objetivo ...........................................................14 9.............................. Crime Formal e arrependimento eficaz ..........

A pesquisa demonstrou também que existe forte associação entre o consumo de drogas.8 PARTE A 1-INTRODUÇÃO Infelizmente consiste um fenômeno mundial a disseminação do uso de drogas. . estimulantes de apetite. acerca do uso de drogas a qual demonstrou números preocupantes: 19.1%. incluindo álcool. e 53% já fizeram uso das ilícitas. demonstrou que as drogas mais consumidas são o álcool e o tabaco. incluindo as licitas. sendo que a maconha vem em primeiro lugar. esmalte. sendo cada vez mais tenro o seu usuário. solventes (lança-perfume. Foi divulgada uma pesquisa domiciliar em junho de 2002. tabaco. Dos alunos pesquisados. feita pelo Governo Federal. como álcool e cigarro.9% já utilizaram a droga ao menos uma vez na vida e 1% e dependente usando-a com regularidade. thiner e cola de sapateiro). na faixa etária dos 14 aos 21 anos. isso equivale a um contingente de mais de 32 milhões de pessoas.7% consumiram bebidas alcoólicas e 41.4 % da população brasileira já usou drogas como maconha. 85% já experimentaram algum tipo de droga.2% dependente de álcool e 9% de tabaco. Das drogas ilícitas a mais consumida pela população e a maconha sendo que 6. cocaína ou outras substâncias. A USP realizou outra pesquisa no mesmo período nas escolas da capital paulistana que demonstrou um quadro alarmante. sendo 11. Apresentando os seguintes dados estatísticos tendo como referencial a população de São Paulo: ao menos uma vez na vida 68. Outro estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo em julho de 2004. Considerando a população total do Brasil.

A presente monografia tem o objetivo de fazer um estudo da legislação relativa ao tema entorpecentes. Ainda segundo a pesquisa o uso de álcool começa cedo. Os especialistas advertem para o consumo dos chamados “ices”. suas organizações criminosas e a lavagem de dinheiro proveniente do trafico. 2. no tocante aos aspectos penais. estas substancias serem na maioria das vezes o primeiro degrau para o declínio da juventude. bebida de teor alcoólico maior que o da cerveja. compreendido como inicio precoce da vida sexual. produz alteração de suas funções. natural ou sintética que. relações sem preservativo e sexo com prostitutas.CONCEITO DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE Consiste em toda e qualquer substância. ao ser introduzida no organismo. uma das pesquisadoras.9 e o comportamento sexual de risco. “Quanto mais cedo o contato com a droga. adverte a psiquiatra Sandra Scivolentto. gerando em decorrência disto mudanças . O cigarro vem aos 12 anos e a maconha aos 13 anos. porém o melhor caminho e a prevenção que vem sempre em primeiro plano da educação familiar que deve primar especialmente pela não utilização das chamadas drogas licitas por crianças e adolescentes. aos 11 anos. maior o risco de o adolescente se tornar usuário freqüente”. haja vista. mas que tem gosto parecido com o do refrigerante e são consumidos por crianças de até 8 ou 9 anos. procedimentais e especialmente investigatórios. Deve o estado combater de forma consistente e incessante o trafico de drogas.

cloreto de etila “lança-perfume”. poderem ser utilizados na fabricação e síntese de entorpecentes a exemplo da acetona (utilizada no refino da Cocaína em seu estado bruto “pasta-base”).10 comportamentais e fisiológicas. Os medicamentos muitas vezes produzem os efeitos acima descritos. no entanto para o nosso estudo apenas nos interessam as drogas ilícitas. atribuindo este encargo ao Ministério da Saúde. lança mão da referida portaria para classificar o material que lhe foi enviado a perícia como sendo ou não uma substância entorpecente. heroína. bem como. que possui inclusive do ponto de vista técnico maior capacidade para este mister. COMPONENTE DO LANÇA PERFUME . 3. em especial drogas sintéticas. deixou o legislador de prever na legislação afeta a entorpecentes quais seriam as drogas ilícitas. LSD etc). etc) e psicotrópicas (mescalina. O Perito Criminalistico ao elaborar um laudo de constatação de substância entorpecente. cannabis sativa L.POLÊMICA ACERCA DO CLORETO DE ETILA.. quais insumos químicos estão sujeitos ao controle da Polícia Federal.1. A Portaria nº 344 de 15/12/2000 do Ministério da Saúde em suas listas determina quais são as substâncias entorpecentes (cocaína. haja vista. 3-DROGAS PROSCRITAS – PORTARIA Nº344/MS DE 15-12-2000 Em razão da dinâmica e rapidez que os produtores de drogas elaboram novas substâncias.

A lista “F” relaciona as substâncias de uso proscrito no Brasil. a ocorrida no dia 7/12/2000 padecia de vicio de forma e. a resolução nº 104 foi republicada. tornou-a substância de uso permitido. controlada pela Vigilância Sanitária. a posse para uso próprio (art. o cloreto de etila saiu da lista “D2” (insumos) e entrou na lista “B1” da Portaria nº 344/98. todavia. Na mesma oportunidade. E. Entre os dias 7 e 14/12/2000.11 A primeira publicação da resolução n° 104. Tais insumos não são considerados substâncias entorpecentes. 12. tornou-se lícito. o cloreto de etila não era substância entorpecente ou psicotrópica. Preocupada com os efeitos da alteração. deve retroagir. liberando-se o condenado de todos os seus efeitos. no julgamento do Recurso Especial nº 299. porém controlado. Nesta republicação. A referida polemica chegou ao Superior Tribunal de Justiça.368/76. 16) ou qualquer comportamento descrito no art. ocorrida em 15/12/2000. Assim. no período compreendido entre os dias 7 e 14/12/2000.659-PR. ocorrida em 7/12/200. excluiu o cloreto de etila da lista “F”. finalmente. Tal efeito. a mesma Resolução incluiu o cloreto de etila na lista “D2”. que se refere às substâncias psicotrópicas. voltaram a ser reprimidos penalmente. todos da lei nº 6. Segundo o entendimento contido no referido acórdão. Assim. cujo rol contém os insumos químicos para a elaboração de substâncias entorpecentes ou psicotrópicas. ou seja. da Portaria nº 344/98. portanto. se houver condenação será anulada. que envolvam o cloreto de etila. a aludida transferência do cloreto de etila da lista “F” para a lista “D2”. o manuseio de cloreto de etila. Assim. não teria o condão de propiciar a transferência do cloreto de etila da lista F (substâncias entorpecentes de uso proscrito no Brasil) para a lista dos insumos químicos (lista D2). Se existe processo em andamento será julgado extinto. a partir de 15/12/2000. a transferência exigia deliberação de . Os inquéritos policiais que envolvam a substância deverão ser arquivados (extinção da punibilidade). por ser benéfico. da mesma portaria. o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a primeira publicação da Resolução nº 104.

Min. o reconhecimento de abolitio criminis. A cocaína e solúvel em água. da lista F para a B1. durante esse interregno.” 4-BREVE ESTUDO SOBRE AS DROGAS ILÍCITAS MAIS UTILIZADAS 4.12 órgão colegiado da ANVISA e não ato exclusivo de seu diretor-presidente. v Informativo nº 122). a resolução RDC 104. tal posicionamento do Superior Tribunal de Justiça rechaça. É um alcalóide extraído das folhas de coca (Erythroxylon coca) e transformada em sal (hidrocloreto de cocaína). Em resumo. Vulgarmente a cocaína e chamada de coca. Neste estado sua aparência e de um pó branco brilhante. . José Arnaldo da Fonseca. retirando tal substância da lista F2 (substâncias psicotrópicas de uso proscrito no Brasil). não teve validade até sua republicação. pó. branquinha. talco. agora por decisão da Diretoria Colegiada daquele órgão (DOU 15/12/2000) que a recolocou na lista B1 (substâncias psicotrópicas). comumente embalado em pequenos sacos plásticos denominados “sacolés” ou “papelotes” quando em quantidades maiores de “tijolo”.1 . conseqüentemente. o cloreto de etila foi transferido. diretamente. sem integrar a lista dos insumos químicos (lista D2). camisa branca. j. Caso esse precedente venha a ser reiterado em novos julgamentos. que é a forma mais utilizada. Vejamos a emenda da supracitada decisão: “Quanto à substância cloreto de etila.COCAÍNA Droga de ação estimulante. Destarte. tomada isoladamente pelo Diretor-Presidente da Agência nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA (DOU 7/12/2000). em 7/2/2002. farinha etc. não há como reconhecer que houve “abolitio criminis” (Rel. São também subprodutos da folha da coca o crack (pedra) e a merla (em pasta).

3. delírios.Ingerida por fricção nas gengivas. perseguido etc. De forma imediata à utilização ocorre uma sensação de intensa euforia e prazer. aumento das atividades motoras e intelectuais e diminuição do cansaço. A utilização intensa da cocaína pode levar a uma degeneração irreversível dos músculos esqueléticos denominada rabdomiólise.2. alucinações.MACONHA . danos aos pulmões. Os efeitos psicológicos são aumento da irritabilidade. como sentir-se constantemente vigiado.1. 4.Aspirada ou inspirada pelo nariz.3-EFEITOS Podem ser natureza física e psicológica. afeta a visão e causa hipotermia. (vulgarmente: cafungar ou cheirar).13 4. grande ansiedade. 4. 5. agressividade. De forma mediata ansiedade e dilatação das pupilas.1.Pelo reto ou pela vagina. 4.Injetada na veia depois de diluída. taquicardia e aumento da pressão arterial.Dissolvida em água ou misturada em bebidas.2-CONSUMO Na forma de pó a cocaína pode ser consumida da seguinte forma: 1. depressão e paranóias múltiplas. Podendo estes efeitos mediatos levar o usuário a morte por parada cardíaca ou derrame cerebral. 2.

Em doses maiores ocorre taquicardia. portanto sempre cultivada em beira de rios ou lagoas.2-EFEITOS Em dosagens moderadas a maconha provoca euforia. elemento químico responsável por seus efeitos no organismo humano.2. e já era conhecida na China desde 2. E uma planta que o formato da folha lembra a alfazema. os olhos ficam congestionados. a percepção do tempo e espaço ficam alteradas. as emoções afloram de maneira mais desinibida. ocorre baixa do hormônio testosterona causando uma queda muito grande no número de espermatozóides e . Esta e a única Droga que o Brasil produz em todas as sua etapas sendo sua produção concentrada na região nordeste do País especialmente nos Estados de Pernambuco. “fininho”. “beise” etc.14 A droga mais consumida no mundo tem como nome cientifico Cannabis Sativa. O principio ativo é o THC (tetrahidrocanabiol). para que o entorpecente seja compactado os Paraguaios utilizam dentre outras substâncias solução de bateria e depois colocam em prensas a droga. 4. haja vista.2. necessita a maconha de muito sol. do qual se faz cigarros chamados pelos usuários de “baseados”. 4. “bagulho”. Bahia e Alagoas. hilaridade seguido de sonolência. sendo trazida em boa parte em ônibus clandestinos de viagens com traficantes que se infiltram entre os denominados “sacoleiros”. sendo. Ingressa no território nacional também muita maconha do Paraguai que normalmente vem prensada. A “qualidade” da maconha Paraguai e inferior da produzida no Brasil.700 anos antes de Cristo. “tora”.1-CONSUMO Suas folhas são secas e transformadas em fumo. água e solo fértil.

Além disso. quando aquecida. vários órgãos são afetados.3. e por fim devemos considerar que a maconha e sem duvida o primeiro degrau na escalada do mundo das drogas.3. em razão disto atribuiu-se a droga o nome de crack. 4. a memória imediata fica prejudicada e surgem problemas psicomotores.15 reduzindo a libido. alcançando assim o pulmão que e um órgão com grande número de vasos e grande superfície. 4. a maconha pode levar as pessoas a um estado de dependência.1-CONSUMO Ambos são fumados. O crack é apresentado em pedras que são quebradas em pedaços. síndrome amotivacional. sendo que tudo perde o valor. Os pulmões são um exemplo disso. porém o produto final e uma pasta.CRACK E MERLA O crack é composto pela substância básica da cocaína. isto é. como ocorre também com o cigarro comum. A merla possui semelhante processo de confecção. Porém a maconha possui alto teor de alcatrão (maior mesmo que no cigarro comum) e nele existe uma substância chamada benzopireno. elas passam a organizar a vida de maneira a facilitar o uso da maconha. que em inglês significa quebrar. conhecido como agente cancerígeno. proporcionando uma rápida absorção do entorpecente que atinge o cérebro em cerca de 10 a 15 segundos após a “tragada”. muito mais rápido do que a cocaína . Os efeitos crônicos da maconha são maiores. levando a problemas respiratórios (bronquites). misturada a uma base que. permitindo que seja fumada em cachimbos. torna-se volátil. Com o continuar do uso.

O rápido efeito desta drogas gera uma grande compulsão para o seu uso viciando assim muito rapidamente os seus usuários. tremores e atitudes bizarras em razão de paranóias de perseguição. insônia. acompanhada muitas vezes de alucinações e delírios. A duração dos efeitos do crack e da merla são muito rápidos em media de 5 minutos. irritabilidade excessiva.LSD . Outra característica marcante da utilização destas drogas e acentuada perda do apetite sexual por parte de seus usuários. a se drogar após a cessação de seus efeitos. perda de sensação de cansaço.3. alterações respiratórias. Após um uso mais intenso o usuário enfrenta sensações desagradáveis como cansaço e intensa depressão. hiperatividade. A este conjunto de fatores se atribui o nome de “psicose cocaínica”. pulmonares e cerebrais.4. Maiores quantidades destas drogas podem conduzir o viciado a comportamentos violentos.16 que na forma de pó quando aspirada leva de 10 a 15 minutos e na forma de injeção de 3 a 5 minutos. 4. enquanto que após cheirar ou injetar a cocaína os efeitos duram em media de 20 a 45 minuto. dores no peito. estudos indicam que o crack vicia após apenas duas vezes de sua utilização. coma e morte. A compulsão “fissura” provocada induz o usuário novamente. aumento das pupilas “midriase” e falta de apetite. Provocam em geral estas drogas convulsão imediata (contração súbita e involuntária dos músculos voluntários) e também podem levar a infecções agudas. fazendo isto por inúmeras vezes até acabar com todo o estoque que possua ou o dinheiro para obter a droga. 4.2-EFEITOS Ambas provocam um estado de excitação.

fui para casa. havendo no entanto relatos de sua mistura com tabaco ou maconha para ser fumado.1-CONSUMO Normalmente o usuário utiliza a droga por via oral mediante por exemplo sua diluição em líquidos. no laboratório. 4. por acaso. ao aspirar pequeníssima quantidade de pó por descuido. podendo ate mesmo agredir outras pessoas). Foi descoberto em 1938 pelo cientista suíço Hoffman. principalmente os integrantes do movimento hippie.4.2-EFEITOS Psicotrópico altamente potente.17 O LSD 25. O usuário sente delírios de grandiosidade (julga-se capaz de voar. doses de 20 a 50 milionésimos de grama produzem efeitos de 4 a 12 horas. Fechei as cortinas do quarto e imediatamente cai em um estado mental peculiar. onde uma vontade irresistível de me deitar apoderou-se de mim. possuí o nome inglês de (lysergic saure diethylamine) em português “dietilamina do acido lisérgico”. Pode ocorrer o chamado efeito “flashback”. e vendido normalmente nos chamados “micropontos” que são partículas da droga inseridas em papel.4. mas caracterizado por imaginação exagerada. delírios persecutórios (acredita que existe uma conspiração contra si. Com os olhos fechados vi figuras fantásticas de extraordinária plasticidade e coloração que começaram a surgir diante dos meus olhos”. andar sobre a água etc). o LSD foi muito utilizado nas décadas de 60 e 70 pelos jovens. semelhante à embriaguez. tendo descrito os seguintes sintomas: “Os objetos e o aspecto dos meus colegas de laboratório pareciam sofrer mudanças óticas. num estado de sonambulismo. 4. semanas ou até . Não conseguindo me concentrar em meu trabalho.

. mesmo sem tomar a droga novamente.5. existindo. muito utilizado em festas especialmente carnavalescas. clorofórmio ou outras substâncias. A marca mais utilizada no Brasil e uma de fabricação Argentina denominada “Universitário” e o rotulo diz tratar-se de aromatizador de ambientes.LANÇA-PERFUME Entorpecente de origem Argentina. O “flashback” normalmente consiste em uma experiência dolorosa.18 meses após uma experiência com a droga. Não confundir o lança-perfume com o denominado “cheirinho-da-loló” que trata-se de um inalante fabricado clandestinamente utilizando éter.5. pois pode ocorrer em momentos impróprios e inesperados. 4. 4. podendo levar o usuário a pensar que esta ficando louco. o usuário repentinamente passa a ter todos os sintomas psíquicos daquela experiência anterior. Praticamente a totalidade entra no território nacional vindo do Paraguai em ônibus clandestinos trazidos por traficantes infiltrados entre os denominados “sacoleiros” ou “camuflado” no meio de cargas de caminhões que cruzam a fronteira. O principio ativo do Lança-Perfume e o Cloreto de Etila que era utilizado como anestésico. Existem usuários mais afoitos que chegam a beber a droga diluída com bebidas alcoólicas ou até mesmo pura. Geralmente vem acondicionado em tubos de vidro que lembram um spray.1-CONSUMO Normalmente o usuário embebeda um pano com a droga e leva a boca onde passa a aspira-lo com força. no entanto também outras vertentes.

4. .5. existindo casos registrados de usuários que tiveram parada cardíaca ao aspirar a droga. devendo o usuário para utiliza-la na forma injetável aquece-la para torna-la liquida e então injetar na veia poderá também aspirar o pó da heroína ou ainda fumar a droga em cachimbos. No ocidente o mais comum e a utilização da droga por via venosa.2-EFEITOS O Lança-Perfume provoca uma sensação de torpor.19 4.1-CONSUMO A Heroína após a sua síntese fica no estado sólido.HEROÍNA Consiste em um derivado sintético da morfina a qual e obtida de um dos componentes do ópio. que por sua vez e extraído da planta Papaver somniferum. portanto um opióide. O Lança-Perfume ataca o sistema nervoso central podendo ocasionar lesões. Sendo. Foi inicialmente elaborada para fins médicos tendo sido muito utilizada no século XIX pela medicina em decorrência das suas propriedades analgésicas e antidiarréicas. A Heroína foi criada em 1898 na Universidade de Berlim. possuindo como principio ativo a diacetilmorfina. sendo. 4.6. já no oriente os consumidores possuem o habito de inalar o entorpecente.6. no entanto sintetizada pelo químico Dreser em 1874. tontura e euforia além de uma dificuldade do usuário de entender o que estão falando ao seu redor.

quando a cabeça não se mantém no lugar e as pupilas ficam muito contraídas. O principio ativo do Ecstasy é o MDMA (metilenodioxometaanfetamina).6.7. haja vista. Passou a ser utilizada como droga de abuso no inicio dos anos 80. nunca. geralmente a droga ser encontrada sob a forma de comprimidos. neste caso sendo aspirado.2-EFEITOS Os efeitos imediatos são: euforia e conforto. porém. Esse estado e conhecido como “cabeceio” ou “cabecear”.20 4.1-CONSUMO Normalmente por via oral.ECSTACY Ao contrario do que se imagina o Ecstacy não e uma droga recente. o que o conduz a procurar novas e maiores doses para conseguir repetir o efeito inicial. Na atualidade e uma droga em expansão entre os jovens das classes media e alta dos grandes centros. 4. para ser utilizada como moderador de apetite. Porém logo em seguida entra o usuário em um estado de sonolência.7. 4. 4. o usuário experimenta uma depressão profunda. no entanto foi comercializada. sendo traficado e utilizado principalmente nas chamadas danceterias. desligando-se da realidade. até 1985 era uma droga licita. mas pode também ser encontrado em cápsulas gelatinosas e em pó.7. foi sintetizada e patenteada em 1914 pelo laboratório Merck na Alemanha. Em seguida.2-EFEITOS .

que é inalado. neurotransmissor responsável pelas sensações de bem-estar. alguns deles como dores musculares. O auge dos sintomas acontece em media após seis horas e permanece por em torno de doze horas. 4. aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca. e possível ainda mediante uma manipulação na formula do pó do ópio obter-se a heroína. 4. diminuição do apetite e contratura da mandíbula.2-EFEITOS .ÓPIO A palavra ópio significa suco em grego.1-CONSUMO O pó de ópio é aquecido e produz um vapor amarelo. obtido através da incisão feita nos bulbos da papoula branca (Papaver somniferum). sudorese. desinibição. aumento da energia física e emocional. A partir do ópio pode-se obter ainda outras substâncias entorpecentes que são: a morfina e a codeína. euforia. Ele pode também ser dissolvido na boca ou ingerido como chá. Depois de seco. o látex é transformado em pó de ópio.8. fadiga e depressão podem durar vários dias. conhecida popularmente como papoula do Oriente. Sendo estas drogas classificadas como opiáceas ou opiáceos. é um látex. boca seca. Provoca a droga após a sua ingestão em intervalos que variam de 20 a 60 minutos.8.8.21 O Ecstasy estimula a produção de serotonina. 4.

que geralmente é consumido por via oral (mastigado ou por infusão) ou ocasionalmente. um bruxo Yaki. A partir desta altura tornase num dos sinais de identidade do movimento contra-cultura.9. contudo a conquista e a conversão ao catolicismo limitaram o seu uso a setores marginalizados dos Huicholes e Yakis. Se não houver atendimento imediato. Sendo a época utilizada em rituais pelos chamanes de varias tribos na época pré-hispânica. estando associada a misticismo. é que foram descritos seus efeitos na mente humana. No final do século XIX. a obra de Aldous Huxley foi baseada neste alucinógeno. “As portas da percepção”. injetado por via venosa ou até mesmo inalado. o usuário pode perder a consciência e ficar com cor azulada (cianose) porque a respiração se torna muito fraca e não oxigena o sangue adequadamente. Nos anos 60. conhecida como Igreja Nativa americana (que surge parcialmente como reação aos problemas causados pelo álcool).1-CONSUMO A droga se apresenta sob a forma de pó branco. 4. as migrações para as reservas índias e o movimento de revitalização religiosa. ocasionando o estado de coma. . 4. A mescalina foi isolada em 1896 e sintetizada em 1919. a pressão arterial cai e o sangue não consegue circular direito. a mescalina torna-se popular com a obra de Carlos Castaneda sobre Don Juan. era uma planta sagrada para os Huichois mexicanos.MESCALINA A mescalina e um alucinógeno forte extraído do cacto Peyote (Lophophora Williamsii). O Peyote. faz com que o uso da mescalina volte a ocorrer em rituais. mas só mais tarde. Em doses maiores.22 Os opiáceos em geral podem causar grande depressão respiratória e cardíaca. cacto de onde é extraída a mescalina e que se desenvolve nas zonas desérticas do norte do México. pode levar à morte.9. em 1927.

transpiração. alucinações. visão enevoada e dilatação das pupilas.1-CONSUMO As bolotas são transformadas em pó e fumadas em forma de cigarros ou em cachimbos. sinestesias. hipetermia. A mescalina alcança seu maior potencial após 30 a 120 minutos depois de seu consumo e os efeitos podem durar até 10 horas 4.10. principalmente a nível visual. Pode provocar a intensificação da percepção. distorções da imagem corporal e da percepção do espaço e do tempo. sintomas de despersonalização e idéias paranoides. Ela e moldada em forma de bolotas. no entanto. Estes efeitos podem ser acompanhados de tremores. possuindo uma maior concentração 14% contra 1% do cigarro normal de maconha. aumento de capacidade sugestiva.HAXIXE O Haxixe e um óleo extraído da resina das flores da planta da maconha. podendo o pó ser adicionado à bebidas ou alimentos.23 4. taquicardia. Instala-se em receptores cerebrais provocando alterações de consciência e percepção. .10.9. intensificação e instabilidade emocional. tendo o mesmo principio ativo da maconha o tetrahidrocanabiol (THC). porém menos intensos. 4.2-EFEITOS Esta substância tem propriedades antibióticas e analgésicas. hipertensão. Seus efeitos são muito semelhantes ao do LSD.

tais como tolueno. São drogas voláteis e em sua maioria inflamáveis. Os solventes ou inalantes são pertencentes a um grupo químico chamado de hidrocarbonetos. INALANTES São todas as substâncias entorpecentes introduzidas no organismo mediante a inalação. removedores. 4. tricloroetileno e vários outros. São varias as substâncias utilizadas especialmente em razão do baixo custo e facilidade de acesso. . benzeno. tintas. haja vista. colas. aspirada pela boca ou nariz sendo conduzidas diretamente aos pulmões.10. nhexano. potencializados. vernizes. corretivos para escritório. Os inalantes são muito utilizados por jovens e em especial pelos que vivem nas ruas. tira-manchas. propelentes.11. serem substâncias “licitas”. clorofórmio. 4. sendo utilizado pelos usuários normalmente recipientes com uma pequena quantidade da droga ou um pano embebido com a mesma. acetato de etila.2-EFEITOS Os efeitos são os mesmos da maconha. thiners. xilo. são exemplos delas: esmaltes. benzeno ou benzina.1-CONSUMO Como já dito e utilizado mediante a inalação do produto. extintores de incêndio. Muitos produtos podem ter mais de uma substância.11. gasolina. éter etc. fluidos de isqueiro.24 4. no entanto em razão do maior nível de THC no Haxixe. acetona. solventes.

1-CONSUMO A morfina pode ser fumada.12 – MORFINA É derivada do ópio. E muito comum inclusive o uso destas substâncias associadas ao álcool. e se apresenta sob a forma de cristais solúveis. Destas drogas. codetilina.12. em honra a Mórfeu. 4. como diamorfina. A morfina é o mais ativo alcalóide de ópio. heroína. metopon etc. 4. atuando como um potente analgésico. com teor de 10% de seu peso. a mais famosa e a heroína. o deus do sono na mitologia grega. codína. devido ao seu efeito narcótico. Ela age sobre os mesmos receptores do ópio. No inicio do século XIX.2-EFEITOS .2-EFEITOS Em sua maioria os inalantes deprimem o sistema nervoso central com efeitos agudos semelhantes ao álcool. Os efeitos após a aspiração e bem rápido de segundos a minutos após desaparecendo após cerca de 15-40 minutos o que leva o usuário a aspirar por varias vezes a substância visando prolongar a sensação provocada. injetada ou inalada.25 4. o farmacêutico alemão Frederick Sertuner conseguiu isolar a substância que denominou morfina (Morphium). 4. servindo para a preparação de numerosos derivados.12. podendo levar o usuário a morte súbita. até alucinações.11. Os efeitos vão desde uma euforia inicial seguida de depressão.

causando desta forma rapidamente dependência.DEPENDÊNCIA Em termos gerais. o usuário sente grande angústia. Modernamente tem se utilizado o termo dependência cruzada que é um termo farmacológico utilizado para indicar a capacidade de uma substância (ou classes de substâncias) para suprimir as manifestações da síndrome de abstinência de outra substância ou classe e assim manter o estado de dependência física. além de suores intensos e cãibras. funcionamento ou sobrevivência. a dependência de um benzodiazepínico . e o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio. chegando ao torpor. o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. Quando aplicado ao álcool e outras drogas. no entanto. Note que neste contexto dependência tem um sentido psicofarmacológico mais estrito. Na síndrome de abstinência. A dependência psicológica ou psíquica refere-se a vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga. Por exemplo. Os sintomas são de grande insensibilidade. ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se a tolerância e aos sintomas de abstinência. associado à supressão dos sintomas da síndrome de abstinência. Uma conseqüência do fenômeno da dependência cruzada é a maior probabilidade de desenvolvimento de dependência de uma substância se o individuo já estiver dependente de uma substância relacionada. A dependência conforme a droga pode se referir aos elementos físicos ou psicológicos. 5 .26 São idênticos aos provocados pelo ópio. tremores. de maneira bem mais potente. diarréia.

20-21). além de adorarem as plantas das quais se extraem as substâncias. na obra: Leis Penais Especiais Anotadas –. 7. relatam sobre Baco. enquanto aos escritos romanos. americanas. tais como álcool e barbitúricos. é sabido que várias civilizações africanas e asiáticas. “a lei penal em branco é um corpo errante em busca de sua alma”. 6. bem como escritos gregos e romanos fazem relatos do uso de bebidas alcoólicas. A bebida alcoólica é usada desde os primórdios. bem como. Nas palavras de Binding. regulamento etc) para a sua completa aplicabilidade. quem deu origem ao que se conhece por bacanais. José Geraldo da Silva.368/76 Norma penal em branco ou leis penais em branco são aquelas normas que necessitam de complementação de outra norma jurídica (lei. permanecendo no decorrer dos nos. referem-se a Dionísio. o Deus do vinho e da fecundidade. Já. portaria.NORMA PENAL EM BRANCO E A LEI Nº 6. quanto às demais drogas.BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DO USO DE DROGAS As drogas estão sendo usadas pelo homem desde o inicio das civilizações.27 desenvolve-se mais rapidamente em indivíduos já dependentes de uma ou outra droga deste tipo ou de outras substâncias com efeitos sedativos. lembram que a própria Bíblia. Wilson Lavorenti e Fabiano Genofre. . exemplificando Noé (Gênesis 9. e. na mitologia grega. o que garantiu sua disseminação e tolerância até os tempos atuais. faziam uso destas durante as suas seções sagradas e com destinação medicinal. decreto.

contudo. substância entorpecente? O Ministério da Saúde tem esta incumbência e através da Portaria nº 344/98 em sua lista F define todas as substâncias entorpecentes consideradas ilícitas. mesmo que citação seja por Edital. tendo o mesmo o prazo de 10 (dez) dias a partir da juntada do mandado aos autos. tais prazos podem ser duplicados por decisão judicial a pedido justificado da autoridade policial. Na hipótese de ser revogado o complemento da norma penal em branco não ira ocorrer à revogação da lei. necessitam. pois sempre haverá uma lei anterior.409/02 O Inquérito Policial com agente preso passou a ter 15 (quinze) dias para conclusão e com o agente solto 30 (trinta) dias.1). estando o réu preso ou solto para que o RMP ofereça a Denúncia desde que embasada em laudo de constatação de substância entorpecente. faltar elemento essencial para a configuração da tipicidade (fato já abordado no item 3. . ocorrendo apenas uma inaplicabilidade temporária da mesma. Não ferem o principio da reserva legal as normas penais em branco.28 Os delitos de tóxicos relacionados na lei nº 6. 8. Os tipos penais fazem referencia a substância entorpecente! Mas o que define o que é. haja vista. salientando que o não atendimento. dará ao Juiz o poder para nomear defensor que apresentará a defesa dentro de igual prazo. embora complementada por regra jurídica de outra espécie. Delimitou-se o prazo de 10 (dez) dias. portanto de uma complementação para sua inteira utilização pelos operadores do direito.368/76.ALTERAÇÕES DA LEI Nº 10. A citação do acusado para apresentar defesa prévia será no prazo de 24 (vinte e quatro) horas.

virão os debates durante 20 (vinte) minutos para acusação e defesa. O recebimento da denúncia se fará no prazo de 5 (cinco) dias depois da manifestação do MP sobre a defesa preliminar. caso solto. dependerá de decisão fundamentada do Juiz. Contudo. 41. com o réu preso ou de 30 (trinta) dias. da Lei nº 8. interpretar esta verdadeira “salada de frutas legislativa” que se tornou a legislação de tóxicos. Defensores Públicos. conforme estabelecido pelo art.1-COEXISTÊNCIA DE AMBAS AS LEIS (LEI Nº 6. Juízes. aplicando a analogia ao art. 8. não podendo exceder o prazo máximo de 10 (dez) dias. Durante a audiência de instrução e julgamento.368/76 E 10. 2º. caso o mesmo não se julgue habilitado para tal julgamento imediato. através da hermenêutica.29 Será feito o interrogatório preliminar no prazo de 5 (cinco) dias. nesta ordem e em número não superior a cinco para cada parte. . Em seguida. podendo ser prorrogado por mais 10 (dez) minutos. § 2º. a possibilidade do condenado poder recorrer em liberdade. Advogados e Doutrinadores). Promotores.409/02) Infelizmente o nosso legislador deu mais uma vez prova de sua incapacidade legislativa ao promulgar a denominada “nova” lei de tóxicos. igualando o prazo ao do réu solto. que se realizará no prazo de 30 (trinta dias). Quanto aos recursos.072/1990. que sentenciará na própria audiência ou no prazo máximo de 10 (dez) dias. se observará a previsão geral constante no Código de Processo Penal. deve o operador do direito penal (Autoridades Policiais. a partir do oferecimento da denúncia. será novamente interrogado este e depois tomados os depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa. podendo o Juiz caso haja imprescindível determinar realização de diligências. a critério do Juiz. sendo que em seguida o Ministério Público terá 5 (cinco) dias para se manifestar quanto à defesa apresentada.

tendo em vista. Luis Flavio Gomes entre outros.409/02 anotadas e interpretadas.. fazendo com que ocorre-se a subsistência da lei nº 6. de 31-10-2002 entre outros. Logo os dispositivos do mencionado capitulo ficaram sem objeto.”. que em ambas as leis ocorrem previsões referentes as estes temas surgiram duas posições na doutrina: 1ª) Embora em vigor os artigos 27 a 34 não possuem eficácia.368/76 que passou a vigorar conjuntamente com a “nova” lei. Subsistem as disposições anteriores que tratam de institutos não disciplinados na nova lei. permanecendo unicamente os institutos não tratados na nova legislação.409/02. Alexandre de Moraes e Gianpaolo Poggio Smanio. perícia etc).368/76 (flagrante. Conseqüência. Já com relação ao procedimento e a instrução penal. 139:15. O artigo 27 determina: “O procedimento relativo aos processos por crimes definidos nesta lei rege-se pelo disposto neste capítulo. Tóxicos: Leis nº 6. Os tipos penais que estavam descritos no capitulo III do projeto de lei da 10.409/02 levou quase dez anos para ser discutida e aprovada pelo Congresso Nacional. . Tóxicos: Descriminalização?. 2004. Saraiva. que disciplinavam a parte inquisitiva do procedimento referente aos delitos de tráfico de drogas (nossa posição).368/76.30 A lei 10.368/76.409/02 não define crimes.. As normas constantes dos capítulos I e II da lei nº 10. foram totalmente vetados permanecendo em vigor os tipos penais da lei nº 6. 2º a 13) que tratam especialmente sobre prevenção e tratamento revogam parcialmente os artigos da Lei nº 6. Vicente Greco Filho.368/76 e 10. São Paulo. p. de acordo com essa orientação: na parte inquisitória do processo penal por crimes concernentes a tráfico de tóxicos subsistem as disposições da lei nº 6. Revista Consulex. 2ª) Os artigos 27 a 34 da nova lei revogaram parcialmente as disposições da lei nº 6.368/76. investigação. Ocorre que a lei nº 10. 405. Neste sentido Renato Flávio Marcão.409/02 (arts. tendo sido vetado pelo Presidente da Republica nada menos que 35 de seus dispositivos. Neste sentido: Damásio de Jesus.

vender.368/76 9 . sobre os efeitos da sentença. remeter. 12. dos crimes descritos nos arts.16 e 17 da lei nº 6.259/2001. de 3 (três) a 15 (quinze) anos. incide a Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei nº 9. a consumo substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. expor à venda ou oferecer. de menor potencial ofensivo por força da Lei nº 10.ART.368/76 O crime de Tráfico Ilícito de Entorpecentes propriamente dito esta definido no art.368/76.409/02 (arts.368/76. preparar.368/76 incide a lei dos Juizados Especiais Criminais. in verbis: • Art. 15. fabricar. produzir.099/95.31 Devemos ainda observar que com relação aos delitos capitulados nos artigos 15. revogaram parcialmente a mesma parte processual da lei nº 6. fornecer ainda que gratuitamente. a perda da nacionalidade e disposições finais. 12 da Lei nº 6. adquirir. ministrar ou entregar. As disposições do capitulo V da lei nº 10.16 e 17 da lei nº 6. Importar ou exportar.259/2001). que disciplinam a instrução criminal. entretanto. trazer consigo. prescrever. ter em depósito. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena – reclusão. 37 a 45). e pagamento de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. de qualquer forma. alterada pela Lei nº 10. guardar. . Os artigos 46 a 55 da lei nova (Capítulos VI a VIII). tratando-se.368/76 cujos institutos não foram disciplinados pela nova lei.368/76 (permanecendo em vigor as normas da lei nº 6. revogaram os dispositivos similares da lei nº 6. transportar.-12 DA LEI Nº 6.

SUJEITO ATIVO A regra geral é que o delito de tráfico de drogas e comum podendo. A convenção única sobre entorpecentes de Nova Iorque de 1961. de 7. portanto ser praticado por qualquer pessoa. excepcionalmente. 36 da Lei nº 6. de 27. . 9.3. sob a ótica da saúde pública. a incolumidade física. na modalidade “prescrever” torna-se crime próprio em decorrência da qualidade especial do sujeito ativo. ofender a incolumidade pública. não se exigindo. podendo caso necessário. tendo a referida convenção ingressado em nosso ordenamento jurídico por intermédio do Decreto legislativo nº 05. a vida.368/76. haja vista. conforme o preceituado no Art. servir como complemento das normas penais em branco existentes na Lei nº 6.8.216. a saúde individual é a família.1964.5.1998 do MS que definem quais são estas substâncias. portanto a ocorrência efetiva do dano. A objetividade jurídica primaria ou imediata é a saúde pública é a secundaria ou mediata.OBJETIVIDADE JURÍDICA O delito de tráfico de entorpecentes esta inserido entre os denominados crimes de perigo abstrato.32 9.1. no entanto. o qual deve ser médico ou dentista.OBJETO MATERIAL Substância ilícita que determine dependência física ou psíquica. também contem listas de substâncias consideradas entorpecentes.368/76. Sendo conforme já dito a portaria nº 344 de 12. o qual permanece em vigor. 9.4.1964 o qual foi promulgado pelo Decreto nº 54.2.

há vários crimes.-12 DA LEI Nº 6. 12. 243 do ECA) .368/76 Trata-se de crime de perigo e de mera conduta. se forem cometidos em contextos fáticos diversos. na hipótese de uma pessoa entregar substância entorpecente a um alienado mental. transporta. A conduta é única. se o agente faz ingressar no território nacional. A posse e a guarda de entorpecente consubstanciam núcleos do tipo e não concurso material considerada a . por exemplo. Havendo a prática de comportamentos num mesmo contexto fático. caput. 16 da Lei nº 6.QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DO ART. oferece e vende uma determinada quantidade de cocaína. 12 da lei nº 6. Com relação a criança ou adolescente na condição de sujeito passivo terá o trabalho item próprio para tratar do tema (art. que poderão ser unificados pela continuidade desde que estejam presentes os requisitos legais. Assim. isto é. Tomando o mesmo exemplo.33 9.368/76. se os comportamentos se mostrarem distintos entre si. Basta um só dos comportamentos tipificados para a configuração do delito. Como conseqüência.SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo principal é a sociedade. cometerá uma única infração ao art. deverá ser reconhecido um único crime. porções de cocaína.5. há 18 núcleos. em dias distintos. ou seja. caput. de conteúdo múltiplo ou variado. O tipo é misto alternativo. de forma secundária surgem as pessoas que venham a receber a droga. 12. desde que essa conduta não tipifique o art. 9. STF – “A teor do disposto no art.4. aplica-se o principio da alternatividade. o crime de tráfico de entorpecente pode revelar-se mediante procedimentos diversos. Conseqüentemente. se o individuo importa. haverá vários crimes.368/76. É alternativo porque no art.

Seção I. p. a prática de atos onerosos ou de comercialização” e ainda “Não é necessário. TJSP.893. Min. RevCrim 261.012. Rel. 2. Diário da Justiça. p. Rel. tendo em vista.6. 1º Gr. 779:554). 18 da Lei nº 6. neste sentido. 334 do Código Penal (contrabando ou descaminho) em decorrência do principio da especialidade. podendo o sujeito ativo praticar outras condutas previstas no caput. Como tem entendido a jurisprudência. 11. RT. Diário da Justiça.rel. – HC nº 69. a saber: 1º) Importar: é fazer a entrada de substância entorpecente no Brasil. tratando-se no caso de delito da competência da Justiça Federal.806/GO. Marco Aurélio. Min. para a existência do crime do art. Celso de Mello. podendo ser por via marítima. Dês. ocorrendo na hipótese a incidência da causa de aumento prevista no inciso I do art. 9.34 alienação” (2ª T.035-7/RS. Egydio de Carvalho. tratar-se de tráfico internacional. Câms.. 12 da Lei nº 6.CONDUTAS TÍPICAS/ELEMENTO OBJETIVO São 18 os núcleos constantes do art. 807:597 e TACrimSP. Ocorre a consumação do tipo no momento da entrada da droga em território nacional. RT. não e necessário para a sua configuração que ocorra o ato de tráfico/venda da droga. 12 não se exige ato de comércio” (TJSP. terrestre ou aérea.591). apesar do delito ser conhecido como tráfico de drogas. “Ainda que o dispositivo do art.368/76. necessariamente. “a noção legal de tráfico de entorpecentes não supõe. Conforme já decidiu o STF. 1993. 26 out. Não ocorre a aplicação do art. 12 da Lei nº 6. 12 . – HC nº 70.368/76.368/76 (tráfico com o exterior). 10-4-2000. 49:388. 1ª T. Passaremos a fazer uma analise de cada um dos núcleos do art. j. 4 Jun. Seção I. JTACrimSP. 1993.

nesse ponto correto o parecer do MPF. o cruzamento da linha da fronteira e da zona fiscal primária. se verifique a internação em território brasileiro. mas tentativa de importação. em verdade o fato mencionado na peça de acusação é o correspondente ao da ação de importar. RJTJSP 126/498). 2º) Exportar: É fazer sair do território nacional substância entorpecente. a industria extrativa. e a pena deve ser aplicada com atenção desse fato”.04. O réu foi preso ainda na aduana. ou a efetivação da importação. cito como exemplo. dando origem a outra que é entorpecente. haja vista. 6º) Fabricar: é a utilização de meio mecânico-industriais na produção do entorpecente. isto é. que se consuma quando o agente demitese da posse encaminhando-a a outrem” (TJSP-AC – Rel. que o traficante neste momento já se desfez da posse do entorpecente deixando portanto de guardar ou trazer consigo. em razão disso. inaptas para causar dependência física ou psíquica. estando. praticamente sobre a linha de fronteira.368/76 descreva um crime de ação múltipla. O ato de importar envolve normalmente a transposição de espaços físicos-territoriais e jurídicos-fiscais definidos. “Trafico – Remessa de maconha a preso por intermédio de terceiro – Delito instantâneo. gratia. 7º) Adquirir: obter a titulo oneroso ou gratuito a posse de substância entorpecente. do contrario estaremos diante da conduta descrita no . com intenção diversa de uso próprio. utilizando-se inclusive dos serviços postais. Cunha Camargo. de modo a que somente após certo momento. O verbo aumenta a proteção penal.35 da Lei nº 6. encaminhar substância entorpecente dentro do país. Volkmer de Castilho). 3º) Remeter: consiste no enviar para. – AC 92. valendo nesta modalidade todos os comentários relativos à conduta importar. não houve internação nem importação. (TRF 4º Reg. 4º) Preparar: consiste na combinação de substâncias inócuas. 5º) Produzir: Exige maior atividade e sofisticação que o ato de preparar. remeter.10114-8 – Rel.

dado que comprovado. Neste sentido: “Não há necessidade. não tem. embora sem posse direta. “O argumento no sentido da inexistência da tradição da coisa. que se efetue a tradição droga adquirida. na modalidade de adquirir substância tóxica. 12 da Lei nº 6. RSTJ 10/389). podendo. ou não. 8º) Vender: consiste na alienação mediante contraprestação que normalmente e dinheiro. a compra e venda do estupefaciente” (STF – HC 68. entretanto. A permuta.36 art. no entanto. No caso m tela.368/76.542-1 – Rel. escambo de substância entorpecente configura o verbo-núcleo do tipo vender. não se tem condições para afirmar se se trata. Dias Trindade. no campo penal. ainda que relevante no âmbito do Direito Civil.368/76. 16 da Lei nº 6. mediante depoimentos dos envolvidos. somado aos dos policiais formam um conjunto perfeitamente válido “ (TJ Rondônia – AC 865/92 – Rel. Gabriel Marques de Carvalho – RT 695/360). e ainda “o vender tem por objeto. a importância que lhe empresta o impetrante.697). É irrelevante para a configuração do ilícito que o agente tenha ou não em sua posse no momento da negociação a substância entorpecente ou que traficante e usuário não tenham entrado em acordo com relação ao preço. o depoimento do co-réu. A quantidade da droga apreendida para a configuração da venda e irrelevante. pois que a compra e venda se realiza pelo consenso sobre a coisa e o preço” (STJ – Resp – Rel. proprietário. troca. para a configuração do delito do art. outras provas podem conduzir à certeza do adquirente. evidentemente. o entorpecente ou substância que determine dependência física ou psíquica e desde que não se apreendeu a coisa vendida. ser de natureza diversa. de tóxico cuja venda é punível” (TACRIM-SP – AC 168. Carlos Velloso – RTJ 142/203 e JSFF – Lex 173/308) e “Para a configuração do delito pertinente ao tráfico de entorpecente não e preciso que o agente se encontre na posse direta da droga. para o fim de descaracterizar o tipo penal. importante e a investigação policial deixar claro a mercancia da droga neste sentido: “A quantidade da droga apreendida sob .

ou mesmo apresentar para suscitar interesse à compra. inc.130/RJ.499.37 responsabilidade do réu não é fator decisivo que gere conclusão de tráfico. proporcionar. não é vedada pelo fato de ser o agente um usuário da droga. . Rel.456-3 – Rel. Adolphino A Ribeiro – RDTJRJ 11/344). diferenciando-se da simples entrega ou venda. ou quando assim não seja.806/GO já citado e ainda STJ 3ª Seção – CC nº 4. Neste sentido: “Substância entorpecente – Oferecimento para consumo. Juiz Silva leme JUTACRIM 53/45). Incidência do art. – Rel. da Lei nº 6. na forma genérica de incentivar ou difundir o uso indevido (parágrafo 1º. para fim de tráfico” (TJSP – Ver. III). incide no tipo “oferecer” alcançado pelo art. Quem convida outrem para o consumo de substância entorpecente que porta. Min. p. ainda que gratuitamente: abastecer. 11º) Fornecer. pois os “passadores” nem sempre são colhidos com vultosa quantia” (TACRIM-SP AC – Rel. 12. Condenação acertada que se mantém com redução da pena ao mínimo legal” (TJRJ – AC 1062/89 – Rel. 1993. Pedro Acioli. Parte da doutrina entende que para caracterizar o comportamento seria exigida uma entrega continuada de substância entorpecente a outrem. 12. da Lei de Lei de Tóxicos. Vale destacar que a condenação pelo crime de trafico. 23. “A lei especial não distingue entre fornecimento gratuito ou remunerado da substância entorpecente.368/76. Diário da Justiça. apresentar para ser aceito como dádiva ou empréstimo. por si só. prover. 64. A legislação. 10º) Oferecer: significa ofertar. 9º) Expor à venda: exibir para a venda de qualquer forma a eventuais compradores a substância entorpecente. Seção I. ainda que na conduta do fornecimento gratuito. 8 nov. no entanto não faz qualquer distinção entre o fornecedor profissional do fornecedor habitual conforme já decidido pelo STF no HC nº 69. dar. ao reconhecimento de traficância” (TACRIM-SP – Rev. Geraldo Gomes – JUTACRIM 57/248) e “A quantidade da droga apreendida não basta.

sendo punível o agente que.804. “O fornecimento de cocaína. 12º) Ter em depósito: para Nelson Hungria ou Magalhães Noronha. entende que ambos os verbos têm o mesmo significado. O último é mais genérico em relação ao primeiro”. continua a mante-lo após atingir a maioridade penal” (TJPR – Rec. Vicente Greco Filho. “Na verdade. 12 da Lei nº 6. para o mencionado professor. pois a sua ausência momentânea do local não faz desaparecer a permanência do crime” (TACRIM-SP – AC – JUTACRIM 24/158. quer para outrem.38 Cunha Camargo – RJTJSP 116/483). ainda que a título gratuito quer para o próprio filho.368/76” (TJRS – AC 68. Ora. Ambos os verbos têm o mesmo conteúdo físico que é o reter. compreendendo a ocultação pura e simples. Rel. tipifica a conduta ilícita enquadrável no art.588-9 – Rel. Este verbo consiste em um delito permanente. continua a mantê-lo após atingir a maioridade penal. Ter em deposito. Nelson Luiz Púperi RJTJRS 131/171). “É punível o agente que. enquanto o guardar consistiria na retenção da substância em nome de terceiro. a detenção. Acyr Loyola – RT 499/375). . ou seja. Por ser crime permanente autoriza portanto a entrada na residência do possuidor do entorpecente sem ordem judicial para efetuar sua prisão. Camargo Sampaio). “Tóxico – tráfico – cessão gratuita de pequena quantidade – Irrelevância – Embargos rejeitados” (TJSP-EI 110. com o “deposito” e a “guarda” do entorpecente e da substância que determine dependência física ou psíquica – o crime esta consumado e legitima a prisão em flagrante do paciente. tendo entorpecente em deposito. “tem um sentido de provisoriedade e mobilidade do deposito. antes de completar a idade de 18 anos. permanente ou precária. Dirceu de Mello – RJTJSP 137/497). no entanto. o de reter. ao passo que o guardar não sugere essas circunstancias. a lei diz “ter em deposito” e “guardar”. ter em deposito é conservar a droga à sua disposição. no caso.193-3-Rel. tendo entorpecente em deposito antes de completar 18 anos. Dês.

1999. 104:475 e 476. de modo que o sujeito ativo conduz a substância entorpecente junto ao próprio corpo ou dentro dele.368/76. Mauricio Correa. respondem em associação. Gabriel Marques de Carvalho – RT 698/399).169:313) a tentativa é inadmissível (RT 613:288). HC 74. da Lei de Tóxicos” (TJR – AC 800/92 – Rel. 769:625. portanto inadmissível a tentativa.700:315 e 316. A minha posição segue o entendimento do Prof. 12 da Lei nº 6. 791:669). transporta maconha para o interior do presídio” (TJMS – AC 663/83 – Rel. RT 643:331 e RT 645:287. nessa ação. 2ª Turma re.039. 12. 791:593. mesmo que tão somente para facilitar a passagem do proprietário da droga na barreira policial. JTACrimSP. atendendo ao pedido de um detento.287. sendo de difícil ocorrência na pratica a tentativa. 10 dez.287. 14ª) Trazer consigo: consiste em uma modalidade de transporte. no sentido contrario RJTJSP.ACRIM 119. O delito e permanente sendo admissível segundo parte da doutrina e jurisprudência a tentativa na hipótese da droga não chegar ao seu destino. RT. Damásio de Jesus.368/76 o policial militar que. caracteriza o crime previsto no art. DJU.39 13º) Transportar: é o deslocamento da droga por intermédio de um meio de transporte. que basta o simples transporte não necessitando haver a entrega para a consumação do ilícito sendo. no sentido de que guardar o agente o faz para terceiros e no ter em deposito para si próprio (RT 587:362. RT 645. STF. (STF. RT. 3). “O transporte de substância entorpecente. os agentes que exercem a função de segurança da “boca de fumo” (TJRJ – AC . 15º) Guardar: Diferencia-se do ter em deposito. 56:293. JTJ. diferindo do núcleo “trazer consigo” porque. O delito e permanente. 12 da lei nº 6. p. O delito e permanente (TJSP. RT. “Comete o delito inscrito no art. “Entorpecente – Guarda – Configura a guarda de substância entorpecente o delito previsto no art. a substância é deslocada junto ao corpo ou dentro do próprio corpo do agente. Min. RT. 789:536: TJPB. Gerval Bernardino de Souza RT 578/386).

já se decidiu no sentido da existência do concurso formal de crimes (JC 49:402). podendo se dar por intermédio de inalação. 15 desta Lei. Ricardo Couto JUTACRIM 27/451). 9. Cuidando-se de terceiro não qualificado. eis que inexiste na conduta do agente o dolo genérico consistente na vontade consciente de prescrever o entorpecente de modo indevido. ou irresponsável” (TACRIM – SP – AC – Rel. seguindo orientação cientifica. TJRJ 10/256). o fato se enquadra no tipo do inciso I do § 2º do art.40 90/89 – Rel. estabelecendo desta maneira esta formula genérica para que um eventual comportamento que não viesse a se encaixar nos outros núcleos não ficasse sem punição. Nélson Pacegueiro do Amaral – Ver. Prescrição culposa: aplica-se o art. 18º) Entregar de qualquer forma a consumo: a conduta revela a preocupação do legislador em englobar todas as possíveis condutas exercidas pelos traficantes. que só pode ser cometido por médico ou dentista. trata toxicômano mediante ministração decrescente de psicotrópicos. “Não há como responsabilizar criminalmente médico que. 16º) Prescrever: Constitui o comportamento de receitar. Pode o delito ser cometido mediante paga ou gratuitamente. Impõe-se a solução. Na hipótese do agente furtar e depois guardar a droga. O delito pode ser praticado por qualquer pessoa inclusive profissional da área medica e de enfermagem. De Dir. ao invés de retirar abruptamente ao viciado a substância proibida.7. 12. 17º) Ministrar: Consiste na introdução no organismo alheio de substância entorpecente. ingestão ou injeção. Trata-se de crime próprio.ELEMENTO SUBJETIVO .

Caso contrário. Nesse sentido: RT. exige-se um segundo elemento subjetivo do tipo. 146:749. surgindo daí outra que é entorpecente. Neste sentido: STF. 15-16:135 e 136). JC.8.41 Consiste no dolo livre e consciente. no núcleo preparar ocorre a consumação no instante em que se combinam duas ou mais substâncias.020. contido na expressão “para” uso indevido.796. A cogitação é impunível. 51:203). No verbo prescrever exige-se consciência do uso indevido ou irresponsável da droga (JTACrimSP. Cuidando-se. Extradição 539.Acrim 20/464. Acrim 17. RT. II. entre os núcleos alguns dão ensejo a crimes instantâneos a exemplo do comportamento “importar”. Nas palavras de Nilo Batista. RTJ. Acrim 47. 52:408. Assim. rel.CONSUMAÇÃO Ocorre a consumação com a pratica de qualquer das condutas típicas. TAPR. estaríamos suprimindo a possibilidade da desistência voluntária e do arrependimento eficaz (JTACrimSP. exigindo-se o pleno conhecimento por parte do agente de que a substância é entorpecente ou que causa dependência física ou psíquica e de que não há autorização legal ou regulamentar. Na hipótese da venda ocorrerá a consumação com o recebimento do preço ou de outro bem que tenha valor econômico. 2ª Câm. manifestar a vontade de vender a droga não configura delito (TJSC. 586:272. entretanto.. A idéia não delinqüe. 51:203. JC. de médico ou dentista e culposa a conduta. Na hipótese do § 2º. 15 desta Lei. Plenário. no qual a consumação ocorre no momento em que a substância transpõe a fronteira brasileira. Dês. Crim. 9. aplica-se o art. 52:408). analisando o porte ilegal. TJSC. O fato culposo é atípico. já . José Arthur. RT. TJMG. 712:447. RDP. Acrim 20/464. 686:365. JTACrimSP. 27:451). “é necessário que o agente saiba que está portando substância entorpecente ou capaz de determinar dependência física ou psíquica” (Porte de entorpecente – erro.

“Tráfico de entorpecentes – Crime Permanente – O tráfico de entorpecente é crime permanente. tratando-se. por exemplo. ter em deposito. Existem outras condutas típicas.TENTATIVA Na pratica e de difícil ocorrência a tentativa. podendo ainda a Polícia ingressar na residência do marginal a qualquer hora sem a necessidade de Mandado de Busca e Apreensão. Poderá ocorrer a tentativa. conforme disposto no art. n. não tendo ainda o agente cruzado a fronteira. Por exemplo: guardar. Nos crimes permanentes. ministrar etc. haja vista. de tal sorte que não acaba elidido pelo gesto do policial que. via de regra. a tentativa de um comportamento ensejará. C. trazer consigo. 12.9 . na hipótese de tráfico internacional. Renato Nalini). Respondendo desta forma o agente pelo crime consumado. sendo absorvida a tentativa subseqüente. portanto de um crime de ação múltipla ou de conteúdo variado. 9. Não poderá ocorrer tentativa nas condutas instantâneas como vender. 111.42 no caso da aquisição irá ocorrer a consumação com o recebimento da substância entorpecente. a grande quantidade de núcleos do art. oferecer. para vende-la. preexistindo ao efetivo exercício da venda. no entanto que dão ensejo a delitos permanentes ou seja a sua consumação se prolonga no tempo. a prisão em flagrante poderá ocorrer em qualquer momento. podendo estas a consumação destas condutas serem interrompidas pela vontade do agente. 303 do CPP. fingindo-se usuário. .153-3/3 – Rel. integraliza-se a partir do instante em que o agente tem a droga consigo. simula interesse na compra do produto alucinógeno” (TJSP – Ap. outro já consumado previamente.

esta não chegou a transitar pelo território nacional” (TRF 4ª Reg. Lauro Malheiros JUTACRIM 57/158). Vale aqui rapidamente diferenciar o arrependimento eficaz da desistência voluntária.43 “As características do fato delituoso denotam que. “Em tema de comercio clandestino de entorpecentes. são delitos formais não podendo. apresenta a substância proibida às autoridades policiais. preso na aduana com a substância entorpecente. no entanto a sua ocorrência. “Aquisição e transporte de maconha caracterizam crime formal. se localiza na Ponte Internacional da Amizade. somente será possível a ocorrência do arrependimento eficaz nos crimes matérias. porque o delito se consuma com a simples aquisição e a guarda do inebriante” (TACRIM-SP – AC – Rel. de instantânea consumação. Ocorre o chamado arrependimento eficaz quando o agente após a completa execução do ilícito penal impede a produção do resultado. – AC 92. 9. 12.CRIME FORMAL E ARREPENDIMENTO EFICAZ Considera-se formal aquele crime que para a sua consumação não se exige a produção do resultado. esta ultima o agente interrompe a execução. não há falar em arrependimento eficaz na conduta do agente que. . portanto admitir a figura do arrependimento eficaz por exemplo adquirir e transportar os quais se consumam no momento de sua pratica. 12/363). sendo possível. Dínio Garcia – JUTACRIM 34/188).10114-8 – Rel. trata-se de forma tentada.04.10 . já que o réu. Boa parte dos núcleos do art. não é possível cogitar de arrependimento eficaz perante um delito consumado” (TACRIM-SP AC – Rel. Volkmer de Castilho – RTRF – 4ª Reg. nos quais existe o resultado naturalístico. o resultado é que vem a ser impedido. no primeiro a execução e realizada inteiramente. ainda espontaneamente.

respondendo o mesmo nos termos do art. 16 do citado diploma legal quando o viciado em tóxico pode ficar sob tal dependência que o torne incapaz de entender o caráter ilícito ou de se determinar de acordo com ele” (TJSP – AC – Rel. devendo o sujeito ser absolvido por ausência de reprovação social. ao tempo da ação ou da omissão. era. inexiste a culpabilidade. em que ambas se mesclam num mesmo agente.DEPENDENTE QUÍMICO QUE TRAFICA – ISENÇÃO DE PENA O simples fato de o traficante ser um dependente químico. 2º) possibilidade de conhecimento do injusto (potencial consciência da ilicitude). 12 da Lei nº 6. Onei Raphael – RJTJSP 101/498). Jarbas Mazzoni – RT 634/277). . inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se com esse entendimento.368/76 a chamada isenção de pena. ou sob o efeito de substancia entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito ou força maior. Esta prevista no art. sendo esta na realidade um excludente de imputabilidade ao agente que vem a praticar um delito em razão da dependência. de maior gravidade” (TJSP – HC 42.44 9.229-3 – Rel. E a este não se aplica o disposto nos arts. qualquer que tenha sido a infração penal praticada. “A condição de dependente não exclui.368/76. 19 da Lei nº 6. “A alegação de viciado não obsta o reconhecimento da figura do traficante. 3º) exibilidade de conduta diversa. preponderando a última. Ausente um deles.11. Os mesmos somente incidem nas infrações do art. por si só.368/76. não o isenta de pena. a condição de traficante do acusado. 19 e 29 da Lei 6. São três os elementos da culpabilidade: 1º) imputabilidade. mormente na hipótese vertente.

573:417.968. RT. Nesse sentido: TJSC. conforme art.098. possua capacidade intelecto-volitiva. 26. obrigatoriamente o réu será submetido a tratamento medico obrigatório que poderá ser em regime de internação hospitalar. no momento do fato.368/76. bastando à verificação dos critérios médico-periciais. mas sim a tratamento medico. Acrim 17.368/76. caput. determinando que se o agente não possuir ao tempo da conduta à plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 2º) que o sujeito. da Lei nº 6. RT. caput do CP) a lei de tóxicos adotou o critério biopsicológico na aferição da inimputablidade. Acrim 17. não causa inimputabilidade. No § único do art. JTACrimSP. no momento da realização da conduta. Neste sentido: TJSC. 570:370 e371). É preciso que concorra a incapacidade intelectiva ou volitiva.968. Em razão da lei em questão não fazer referencia a medida de segurança. Vindo o magistrado a reconhecer a inimputabilidade devera absorver o réu em virtude de fundamentada dependência. a simples dependência de drogas não favorece (JC. . seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com essa compreensão (efeito). razão pela qual não há necessidade de verificação de eventual periculosidade do réu. exigindo dois requisitos: 1º) que o crime tenha sido cometido em razão da dependência ou sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito ou de força maior (causas). com fulcro no art.368/76. 10. 573:417. 570:370. RT. ou em regime ambulatorial.Acrim 17. A presença isolada do primeiro requisito alternativo não conduz à inimputabilidade. Assim.45 Trilhando o mesmo rumo do Código Penal (art. TJSC. 19 da Lei nº 6. 52:223. RT. Significa que a simples dependência de drogas. esta prevista a semi-imputabilidade. conforme o § 1º do mesmo artigo. 29 da Lei nº 6. ainda que em relação a ela o sujeito tenha autodeterminação comprometida. desde que. 17:436 e 29:501.

CONTINUIDADE DELITIVA Considera-se como crime continuado quando o agente. por exemplo. 12 da Lei nº 6.Art.13 .46 em face de dependência ou influência de entorpecente ou substância capaz de causar dependência física ou psíquica. Tratando-se. em determinada data tem o inebriante em deposito e em data diversa coloca-o à venda.12. 9. Também nesta hipótese não será aplicada medida de segurança. dentro de um curto espaço de tempo.-243 do ECA O ato de vender. tendo como sujeito passivo uma criança ou adolescente ira em decorrência do principio da especialidade acarretar ao agente punição nos moldes da referida lei de tóxicos. fornecer ainda que gratuitamente substância entorpecente ilícita ou praticar qualquer dos verbos do art. “Crime continuado – Acusada que além de vender (fato de fevereiro de 1989) tinha em deposito (fato de 5 de abril do mesmo ano) maconha para o fim de comércio. a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. 9. 243 do ECA será utilizado subsidiariamente na hipótese do agente vir a fornecer a criança ou adolescente “produtos” que podem vir a causar dependência física ou psíquica. portanto nesta hipótese de crime permanente e continuidade delitiva. Reconhecimento da continuidade delitiva” (RJTJSP – AC – Rel. não estando estes catalogados como substância entorpecente de uso proscrito no Brasil pela portaria do MS. . O art.368/76. mas tão somente a diminuição da pena privativa de liberdade. Dante Busana – RJTJSP 128/477).

O art. se o fato não constituir crime mais grave. enquanto o art. em portaria competente.” “Venda de maconha a menor de 14 anos de idade. O elemento normativo do art. cigarro. 243 ECA: “Vender. “cheirinho da lolo”. sem justa causa. fornecer ainda que gratuitamente. Art. listada. tendo.409/02. esmalte. de qualquer forma. em linhas gerais. 243 do ECA por ser apenado com detenção e afiançável na fase policial. o que diz respeito a produtos cuja circulação no mercado. a necessidade da existência do laudo de constatação provisória da substância entorpecente para fins da lavratura do auto de prisão em flagrante delito.LAUDO PERICIAL Encontra-se previsto nos artigos 22 § 1º da Lei nº 6. 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente é crime de natureza subsidiária.368/76. Destaque-se que o delito previsto no art. é licita” (TJRS – AC 69. só se configurando se o fato não constituir infração mais grave. na hipótese de autuação em flagrante delito. Luiz Carlos de Carvalho Leite – RJTJRS 158/67). a criança ou adolescente. 9. e multa. produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica. a maconha é substância entorpecente. bebida alcoólica etc.9678-0 – Rel. portanto .203. 12 da lei nº 6. ministrar ou entregar.14 . Incidência no art. Ademais.47 como por exemplo cola de sapateiro (tolueno). ainda que por utilização indevida. ainda que por utilização indevida: Pena – detenção de seis meses a dois anos. 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente refere-se a produtos que contenham componentes que posam causar dependência física ou psíquica. thiner.368/76 e 28 § 1º da Lei nº 10. como proscrita no Brasil. 243 do ECA reside na expressão “sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”.

HC 58. 546:330. para se evitar casos de prisão por porte de substâncias evidentemente inócuas” (HC 116. RJTJSP. Para elaboração do laudo provisório deverá a Autoridade Policial enviar a substância entorpecente ao Departamento de Policia Técnica onde bastara um perito oficial para a elaboração do mesmo.838. devendo o mesmo ser devidamente fundamentado sob pena de perder a sua validade e causar nulidade.48 este laudo um caráter provisório não suprindo o laudo definitivo. 11413). 66:380”. policial etc). única e exclusivamente. não ficando este perito impedido de participar da elaboração do laudo de constatação definitivo (Art. Na ausência de perito oficial deverá a Autoridade Policial nomear conforme disposto na legislação de entorpecentes uma pessoa idônea para servir como perito ad hoc devendo preferencialmente possuir esta pessoa habilitação técnica (medico. 17 da Lei nº 6. como no delito tipificado no art. É necessário que conclua possuir a droga suas propriedades. Neste sentido: RT. químico. RT. 1981. A natureza jurídica do laudo pericial e de condição de procedibilidade da ação penal salvo nas hipóteses em que é dispensável. O laudo definitivo será subscrito por dois peritos.871. no sentido de causar dependência física ou psíquica. HC 116. uma aferição prévia da toxidade da substância apreendida. 674:305) ou sobre psicólogo (TJSP. farmacêutico. DJU. Neste sentido: RT. caso a denúncia venha desacompanhada de laudo de constatação será considerada nula (STF. nada impede que a nomeação recaia sobre policial (TJSP. 118:519).368/76 “Violação de sigilo ” . 674: 305). Não será suficiente que considere a substância objeto de exame dentre aquelas arroladas como tóxicas.871. 28 § 2º da lei nº 10. 13 nov. sob pena de ser considero imprestável. neste sentido RT: 617:303 e ainda “tal exame preliminar objetiva.409/02). 539:311 e ainda “deve o laudo pericial esclarecer o processo e a forma de analise da substância RJTJSP. RT. 1ª Turma. Maconha . p.

710:272 e 714:359. RT. 92:446. HC 173:873. 25 da Lei nº 6. pois o papel do Juiz perante a sociedade é o de garantidor dos valores e princípios constitucionais. O prazo para a juntada do laudo definitivo. RT. 31 § 1º da Lei nº 10. 549:352. 687:290 e 710:272). 109:433 e 434 e 122:486). Poderá por diversas razões ocorrer diferença de peso entre o laudo provisório e o definitivo da substância entorpecente. TJSP. 103:455. 714:359). 549:352). sendo nula a sentença (RJTJSP. TJSP. A nulidade é absoluta (TJSP. Não poderá o Magistrado designar nova data de audiência visando a juntada do laudo. a relevante necessidade da prova da materialidade nos delitos de tóxicos. 109:433 E 434 e 120:486). 522:396. RT. haja vista. RvCrim 13. Na persecução penal.409/02. mesmo em caso de motivo de força maior. não sendo em demasia esta diferença em nada acarretara problemas ao andamento do processo. 517:359 e 601: 320. Caso não ocorra a juntada do laudo de constatação no prazo acima entende boa parte da doutrina que ira acarretar a falta de materialidade do delito gerando por sua vez a absolvição do réu. RJTJSP. 82:143 e 88:104. todo o ônus probatório é da acusação. nem pela prova testemunhal (RT. Varias poderão ser as razões desta .368/76 comando semelhante. 67:348 e 85:433). Não poderá a ausência do laudo de constatação ser suprido por outros meios de prova. existia no art. RJTJSP. 94:460. Neste sentido: Não pode ser suprida pela confissão do acusado (STF. nem pelo laudo preliminar de constatação (RT. 571:320. 539:376. não deve o Magistrado visando sanar uma deficiência estatal “quebrar” a sua imparcialidade agindo assim na contramão dos princípios constitucionais. RTJ.49 de arbusto masculino ou feminino: é irrelevante que o laudo não esclareça essa circunstância (RT. bem como de outras diligências realizadas pela Autoridade Policial é até um dia anterior do marcado para a realização da audiência de instrução e julgamento conforme art.933.

a saber: guardar. 543:382. 16 devera haver a presença do elemento subjetivo “para uso próprio” do contrario a ação será enquadrada no Art. Para que a conduta do agente seja tipificada no Art. Acrim 120:199 RT. RT. 611:398). 9. configurar tráfico.DIFERENCIAÇÃO DAS CONDUTAS TÍPICAS DOS ARTS. TJRS. JTJ. tendo em vista. entretanto. Dante Busana. quando a diferença é gritante (TJSP. 150:286 e 288). 12. vem estendendo este entendimento para todas as outras condutas praticadas com o escopo do denominado “uso próprio” como transportar para uso próprio. acertadamente. não indica uso próprio. Dês. RT. A doutrina e a jurisprudência mais modernas apesar da taxatividade das condutas do Art.368/76. podendo. 576:364). RT. Dês.121. A pequena quantidade de substância entorpecente não pode por si só tipificar o ilícito devendo a investigação colher elementos para um correto enquadramento. rel. Acrim 199. TRAZER CONSIGO E ADQUIRIR Existem determinadas condutas típicas que são previstas tanto no Art. 687:290 e 291). ser a interpretação mais favorável ao agente. ACrim 684053184. Acrim 147.368/76.-12 E 16 – GUARDAR. Na duvida quanto à verdadeira conduta praticada pelo agente desqualifica-se a conduta do art. Gonçalves Sobrinho.15 .510. 2ª) muitas vezes a Delegacia de Polícia não possui balança de precisão (TJSP. trazer consigo e adquirir. rel. preparar para uso próprio ou mesmo plantar para uso próprio. Neste sentido: por si só. 16. 12 para o 16 da Lei nº 6.227. 16 da Lei nº 6. dependendo do caso concreto.50 diferença: 1ª) retirada de parte do material para “analise e contraperícia” (TJSP. 12 como no Art. Acrim 18. . Neste sentido: TJSP. O laudo pericial se apresenta imprestável.

HC 69. RT. JTJ. tendo os delitos de menor potencial ofensivo tratamento diferenciado (pena de detenção até 02 anos – Termo Circunstanciado na Delegacia de Polícia – Competência Jecrim). 1. Celso de Mello. rel. O referido princípio e uma teoria que não integra de forma expressa o ordenamento jurídico penal pátrio. 165:335. 701:401. não possuindo.51 Nesse sentido: STF. A jurisprudência do Supremo Tribunal . Min. Acrim 170. Já ocorreram decisões de 1ª grau que aplicaram o principio sendo reformadas a nível recursal como a que segue: “Somente uma quantidade de maconha totalmente inexpressiva. “HABEAS CORPUS”. RT.Direito Penal e Processual penal. TJRJ. 803:669). 1ª Turma. O STF já em varias vezes se manifestou a respeito do tema não adotando o principio conforme decisões abaixo: Ementa: .368/76): Pequena quantidade. incapaz inclusive de permitir “o prazer de fumar”.16 . 9.PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.977. 12 da Lei nº 6. Principio da insignificância ou crime de bagatela. APLICABILIDADE NOS DELITOS DE TÓXICOS O princípio da insignificância ou princípio da bagatela como era chamado por Claus Roxin. portanto tipicidade. possuindo considerável jurisprudência no sentido da não aplicabilidade do principio da insignificância ou bagatela. Posse Ilegal de Substância Entorpecente (Art. Alegação de falta de justa causa para a ação penal (atipicidade material da conduta). TJSP. surge quando a ofensa ao bem jurídico e tão ínfima e insignificante que não ocorre a denominada reprovação social. poderá ter o condão de tornar atípica a ação de seu portador RJTERGS 133/44” e ainda “RJTJERGS 149/220” tendo o Tribunal de Justiça daquele estado reformado as decisões “RJTERGS 151/189 e 155/169”.806.

973. com relação a militar que fumava cigarro de maconha na área sujeita a administração militar. os RHCs 51. Sydney Sanches.697. de que foi relator o eminente Ministro Sydney Sanches. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não abona a tese sustentada na impetração (principio da insignificância ou crime de bagatela).T.638 e 74. Precedentes do S. e o RC 108. Os próprios traficantes raramente são . esta primeira Turma. É ainda: “O art. Ementa: . Min. Crime previsto no artigo 12 da lei 6. E não é desprezível a circunstância de o militar ter sido preso em flagrante. Ementa: . Min. 2. 15/10/2002. 2. 26/03/2002. Precedentes.806. HC 81734/PR. “Hábeas corpus” indeferido. no sentido de que a pequena quantidade de tóxico encontrada em poder do réu não descaracteriza quer o crime do artigo 16 da Lei 6. – Ainda recentemente. da Lei Antitóxicos não distingue.“Habeas Corpus”. quer o artigo 12 da mesma Lei. “Hábeas corpus”.516.F. 290 do Código Penal Militar). Crime Militar de Posse e Uso de Substância Entorpecente ( Art.235 e 45. 71. HC 81641/RS 04/02/2003. não admitiu o princípio da insignificância ou crime de bagatela quanto a crime de posse e de uso de substância entorpecente. antigos e recentes. o tráfico de quantidade maior ou menor de droga.52 Federal não abona a tese sustentada na impetração (principio da insignificância ou crime de bagatela).368/76. citando uma série de precedentes desta Corte. Min. Não evidenciada a fauta de justa causa para a ação penal. 1. princípio da insignificância. na configuração do delito.Direito Penal e Processo Penal.734. Moreira Alves. quando fumava cigarro de maconha em área sujeita a administração militar. o “HC” é indeferido. HC 82324/SP – Rel. julgando o HC 81. Rel. 69. HCs 68. Princípio da insignificância ou crime de bagatela. Precedentes.368/76 (como ocorre no caso presente em que se trata de porte de “crack”).661. Rel. 12. 3. Sydney Sanches. “HC” indeferido. Neste sentido.

871. DJU. DJU. e (STJ. Andrade Cavalcanti – JTJ 141/394). transporta. Fernando Gonçalves. 28 maio 1990. HC 8. 2000. 5ª Turma. 29 maio 2000.53 encontrados com volume alentado de tóxicos” (TJSP – AC 130. subsidiarias possuindo aplicabilidade quando o fato não se amolda nos tipos descritos no caput do artigo 12 da Lei nº 6. traz consigo ou guarda matéria-prima destinada à preparação de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica”. 9. no entanto.695. Min. sendo-lhes atribuídas pena semelhante ao do caput.17 . Rel. “A quantidade de droga apreendida sob a responsabilidade do réu não é fator decisivo que gere conclusão de tráfico.179. 9.COMPORTAMENTOS ASSEMELHADOS: ART.1 .17. 188). rel. São figuras.489-3 Rel. Rel. STJ. p. fornece ainda que gratuitamente. No § 1º Inc. cultiva ou faz a colheita de plantas destinadas à preparação de entorpecentes ou de substâncias que determine dependência física ou psíquica”. I : “importa ou exporta. fabrica. p. 72. STJ. 11 out. tem em deposito. HC 10.368/76. adquire. 5ª Turma. 5ª Turma. 4738. 17 abr.12 § § 1º E 2º Da mesma forma que o caput as condutas previstas nos §§ 1º e 2º são de ação múltipla de conteúdo variado. 76. remete. expõe a venda ou oferece. Resp 2. Min. 6ª Turma. p.827.MATÉRIA PRIMA . STJ. No § 1º Inc. pois os “passadores” nem sempre são colhidos com vultuosa quantia” (TACRIM – SP – AC – Rel. Edson Vidigal.. DJU. Gilson Dipp. DJU. II: “Semeia. HC 11. Min. Geraldo Gomes – JUTACRIM 57/248). produz. p. vende. 1999.

ademais.096-3 – São Paulo. Exs. Nesse sentido: STF. 143:208 e 211. por exemplo. Neste sentido: “Pretendida a distinção entre cocaína base e cocaína pura.833-3 – Tietê. Rel. HC 69.699. ou seja. Celso Limongi. E ainda neste sentido: o éter (STF. Dês. j. tanto a substância que se destina exclusivamente ao preparo de drogas quanto substâncias. Éter e acetona.54 Considera-se matéria prima toda substância da qual possa ser extraído ou produzido substâncias entorpecentes ilícitas. RJT. Tanto cocaína como a sua pasta base são consideradas substâncias . Como já dito a figura típica abrange não somente as substâncias destinadas especificamente ao preparo de substâncias entorpecentes neste sentido: STJ. de aeronaves e veículo adaptados ao transporte de droga. 143:953). 15-5-91). no entanto haver o chamado liame. DJU. É irrelevante para a caracterização das condutas previstas na lei de entorpecentes que a cocaína já esteja refinada ou na forma da chamada “pasta base de cocaína”. Apelação criminal 91. RTJ. citando Vicente Greco Filho. Rel. HC 69. O objeto material para ser considerado matéria prima não necessita possuir efeito farmacológico do tóxico a ser produzido.388. que de forma eventual seja utilizada para este fim. Dirceu de Mello – 11-9-91. Para os efeitos da legislação de tóxicos considera-se matéria prima. bem como farta munição de diferentes calibres” (apelação criminal nº 103. 1997. 5ª Turma.411. HC 69. 1º Set. 40852.. permita a fabricação do entorpecente ou droga afim. 143:953) e a acetona (STF. RTJ. Devendo. para efeito de afastar o ilícito. uma ligação estreita entre as substâncias encontradas e o refino de cocaína. HC 5. p. Como já decidiu o TJSP: “Tóxicos – Tráfico – Caracterização – Apreensão de grande quantidade de tambores de éter e acetona – Produto destinado ao refino de cocaína – Apreensão. RT 613/354. a partir de sua adição etc. sendo suficiente que apresente características químicas que. No mesmo sentido: TJ/SP.388.

inciso II. Cultivar é trabalhar a terra torna-la fértil e dedicar-se a cultura do inebriante. não exigem por parte do sujeito ativo a condição de traficante ou usuário de drogas. sendo o agente flagrado no momento da semeadura devera ser autuado em flagrante delito. Rel. 9. será conforme meu entendimento. Toda área “gleba” que venha a ser utilizada para cultivo de substâncias entorpecentes será expropriada e destinada ao assentamento de colonos que a irão . salvo se a perícia toxicológica encontrar o principio ativo da droga. de modo que o porte de significativa quantidade da segunda pode caracterizar o crime de tráfico de entorpecente” (TJMS – AC 1. A simples posse de sementes a principio considera-se fato atípico.55 entorpecentes de uso proscrito no Brasil. § 1º. José Rizkallah – RJTJMS 28/140). a simples posse ou guarda de tais sementes tipifica a infração penal. Neste sentido decidiu o TJSP: “Se a perícia toxicológica encontra em sementes de maconha o princípio ativo do vegetal responsável pelo seu poder intoxicante (tetrahidrocannabinol). A conduta de semear consiste em delito autônomo. 1ª Ccrim. RF 274/300). Colheita por sua vez e extrair os frutos produzidos pelo cultivo. dês.2 – SEMEAR. sendo irrelevante que se demonstre a destinação final do produto da plantação se era venda ou uso próprio. (RJTJRS 83/84. CULTIVAR E FAZER COLHEITA Semear significa colocar a semente na terra. por exemplo. Interessante e aqui analisarmos a posse de sementes de substância entorpecente. TJ/SP. irrelevante que as sementes não venham a germinar. maconha.17.650-3 – Matão. Jarbas Mazzoni. 12. As condutas descritas no art.067/85 – Rel. j. 6-3-95”. – Apelação Criminal nº 168.

RJTSP. ou colheita”. 12. 520:399 e 408. 88:351. 544:422. 515:386.3– SEMEADURA. Neste sentido: RT. 560:322. que não existe previsão legal do denominado “cultivo para uso próprio”. 527:410. RJTJSP. 3º desta lei apresenta uma definição de cultura de plantas psicotrópicas :”A cultura das plantas psicotrópicas caracteriza-se pelo preparo da terra destinada a semeadura. 272:304. 103:465.368/76 não descreve especificamente a conduta de semear. (Lei nº 8. “não se pode crer. Essa posição jurisprudencial. § 1º. 672:300 e 693:332. o fato se enquadra no art. 556:375. 635:353 (com voto do Dês. aplica. Portanto. II. 598:321 e 623:291. 93:418. RBCC. 1ª) Como a lei nº 6. 623:291. 126:513 e 130:491. imperiosa é a desclassificação do fato para a figura do art. RF. RJTJRS. JTACrimSP. para tanto interpretação in . a analogia in bonam partem (RT. 572:300. 9. CULTIVO OU COLHEITA PARA USO PRÓPRIO Nos cumpri aqui destacar. 109:456). segundo seus fundamentos. 52:29. amplamente vencedora. 578:326. fosse o réu ter um arbusto – os demais eram muito pequenos – para vender ou fornecer a terceiros. cultivar ou fazer a colheita de substância destinada à preparação de entorpecente. O art. 565:298. 16 e não no art. tendo em razão disto se formado na doutrina e jurisprudência 03 (três) posicionamentos distintos os quais iremos aqui analisar. 2:229. 115:245. para uso próprio (RJTJSP. 109:452. 109:452 e 455).17.56 utilizar para o cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos. 515:386. Dante Busana). 558:295. não tendo o proprietário da gleba qualquer direito a indenização sem prejuízo a outras sanções de caráter penal. razoavelmente. ou plantio. Pelo menos não há a mínima prova disso. 610:410. 598:321.257. de 26 de novembro de 1991). 16 da Lei de Drogas realizando-se. 582:388. 156:116.

368/76. Costa Lima – RSTJ 14/351). 12. RT. RT. PJ. parágrafo 1º. RT 593/338)”. 83:84). 16 da Lei nº 6. Para essa posição. parágrafo 1º. seja em que circunstância for. planta e colhe para seu uso ou para terceiros” (TJSP. 34:208. 58 – O fato de semear. o juiz não pode lançar mão da analogia para criar delito que não esteja expressamente previsto em lei. Dante Busana: Punir-se alguém com o mínimo de três anos de reclusão desde que plante maconha.544.316 – Rel. TJPR. “A lei não distingue se o agente semeia. II. “semeadura e cultivo de pés de maconha no quintal da residência do réu.957-3/0 de Votuporanga e RJTJSP – 109/452. configurado. aliás. RSTJRS. RT.288. pés de maconha. se para comercio ou uso próprio. 555:324. 2ª) O fato se enquadra no art. 2005. RJTJRS. franca e escancaradamente subjetivista (TJSP. II da Lei nº 6.368/76.455. Rel Dirceu de Mello. Não está descrita na lei penal a conduta de cultivar a maconha etc. § 1º. Irrelevância sobre a destinação do produto. para . 668:303. para uso próprio. Acrim 8. 668:303. RT. 12.368/76. Acrim 10. da Lei nº 6. Descabido deslizamento do tipo para o do art. adotada em recente julgamento ocorrido nesta Egrégia Quinta Câmara em 2 de março último relativo à apelação criminal nº 138. Pág. 150:219. Saraiva. II. face à pequena quantidade de erva apreendida. da qul foi o Relator o eminente Dês. TJPR. não havendo crime.368/76” (TJPR).57 bonam partem já invocada em julgamentos cujas emendas foram trazidas pela nobre defensoria e. da Lei nº 6. 555:324. AC 21. cultivar ou fazer a colheita. Ed. é o objetivo que não se compadece com o estágio do Direito Penal moderno. Configuração do crime previsto n art. Acrim 8.. 3ª) O fato é atípico.455. “Agente que cultiva. 12. Não se pode considerar tratar-se de plantio para uso próprio se. 8ª Edição. Neste sentido: Damásio de Jesus (Lei Antitóxicos Anotada. em seu terreno. Neste sentido: TJSP. Delito previsto no art.544. também no interior da residência foi encontrada erva acondicionada em “pacaus” representando quase 500 gramas” (STJ – Resp 2. Acrim 10.

bem como o local em que o cultivo foi encontrado e a estrutura existente.368/76. E não há crime sem lei que o defina “CP. armamentos. INSTIGAR E AUXILIAR . agrotóxicos. É atípico. deve ser adotada a interpretação mais favorável ao agente). ferramentas agrícolas. A analogia empregada não é in bonam mas sim in malam partem. equipamento para irrigação seja manual ou por motores.58 uso próprio. 16 por analogia in bonam partem. Juiz de Direito e Ministério Público). existência de sementes da droga. enquadra-lo no art. 16 desta Lei.4– INDUZIR. não se pode enquadra-lo no art. havendo dúvida. Márcio Bártoli. de substância destinada à preparação de entorpecente não se encontra tipicamente definido como crime no art. já a segunda não resta outra alternativa a não ser enquadra-la no art. RT. 1º”. art. 12 da mesma lei. Ademais. 16 por semelhança vem prejudica-lo. atentarem principalmente na quantidade de pés existente na plantação. 16 da Lei nº 6. TJSP. devendo o profissional do direito (Autoridade Policial. como por exemplo: Uma situação e o encontro no fundo do quintal de uma residência de dois ou três pés de maconha. Sendo atípico o fato. E a analogia não pode ser empregada para prejudicar o agente. fertilizantes etc). já houve um plantio de proporções maiores (alojamentos para plantadores. alimentos em quantidade. 667:280. Márcio Bártoli). RT. Nossa posição: O primeiro entendimento. 109:452 e 653:353 (votos vencidos). 693:334 (voto vencido do Dês. RJTJSP. 93:421. outra e o encontro da mesma quantidade em um local de difícil acesso na zona rural com toda uma estrutura já preparada para se iniciar um plantio ou sinais que no local. 9.17. Dês. 12 nem no art. rel. RT. A primeira situação evidentemente deve ser inserida no art. 792:622. Além disso.

no mesmo sentido: RT 645/295. Não será necessário. I do. “A análise escrita do art. 12 da Lei nº 6.916. os fatos não passam da esfera do delito tentado” (TJSP – AC 59. Ângelo Gallucci. entretanto a existência da materialidade do delito.761. devendo o ato ser dirigido à pessoa ou grupo de pessoas determinado. Neste sentido: TJSP. que lhes vende a droga – Conduta que se enquadra no inc. 12. instigação ou auxilio ao uso de entorpecente quando a substância inebriante chegar ao poder do destinatário final. TJMG. Acrim 59. na modalidade de auxilio” (TJRS – AC 685049249 – rel. rel. Dês. como por exemplo: indicar ao viciado quem e o traficante.761-3 – Rel. 114:183. João Ricardo Vinhas – RJTJRS 114/183). parágrafo 2º. Se não chegar.368/76 pune pelo delito quem auxilia alguém a usar entorpecente ou substância que determine dependência física ou psíquica. Obviamente. 1ª Câm. I. Ângelo Gallicci – RT 630/295).368/76. da lei 6. O auxilio e o ato material que possibilita a outrem fazer uso de substância entorpecente. haja vista. 123:470 e 471. 765:665). RT.59 Entende-se por induzir o ato de introduzir na mente de outrem à vontade de utilizar entorpecente. Instigar por sua vez e estimular uma idéia já pré-existente na vitima ou em vitimas determinadas. É necessário que a conduta vise pessoa ou indivíduos determinados. RT 645/287. Edelberto Santiago. rel. Acrim 122. de fazer uso de substância entorpecente. do art. somente se pode dizer que há auxilio quando a substância proibida chega às mãos do destinatário final. 630:295.. Aproximar o viciado do traficante para a aquisição de drogas: tem-se entendido configurar o auxílio (RJTJRS. parágrafo 2º. No sentido de que o verbo “auxiliar” é especial em relação ao “transportar” do caput da disposição: RJTJSP. “Agente que. Consumado estará o delito de indução. os aproxima de traficante. Dês. cachimbos ou apetrechos que sejam úteis para o consumo da droga. RT 703/276). fornecer seringas. a . do contrario estaremos inseridos no universo da tentativa (RT 630/295. RT. a pedido de usuários.

Será admitida a co-autoria ou participação de terceiros. “Incide nas sanções do art. RT. em companhia de outros indivíduos.5– UTILIZAÇÃO DE LOCAL Delito próprio. § 2º. por exemplo.60 possibilidade da “vitima” já ter consumido o entorpecente. caso o agente vier a fornecer o entorpecente que for utilizado estará ele inserido no caput do art. não sendo exigido inclusive a finalidade de lucro. automóveis. interceptação telefônica. O delito não e habitual. 9. para fazer uso indevido de substância entorpecente. podendo ser provado de outras maneiras (testemunhas. Acrim 23.368/76. garagem.368/76 aquele que utiliza sua residência. etc). como na hipótese de um Guarda Municipal. 30 do Código Penal.17. 12 da Lei nº 6. 12. da Lei 6. aeronave. chácara. vigilância ou guarda de local onde ele permite que ou mesmo pratique atos de traficância ou uso de entorpecentes. II (TJSC. Restara configurado o ilícito nas hipóteses do agente locar o local para o depósito de drogas. hotel. fazenda. TJMG” (RT. barco. não sendo portando exigido a chamada reiteração de condutas. restaurante etc) ou até mesmo veículo (ônibus. no entanto de difícil prova o ilícito com a ausência do corpo de delito.368. pois exige qualidade especial do sujeito ativo. Será. O local poderá ser aberto ou não (casa. Consuma-se o crime com o efetivo uso do local para os fins ilícitos. neste sentido: “Se a conduta do sujeito se esgota com a locação de imóvel para servir de depósito de entorpecente. neste sentido: JUTACrim 50/315. trailer etc). que permite que elementos adentrem . 807:679). apartamento. sem prova de participação no tráfico responde somente nos termos do § 2º. II. posse. uma única conduta basta para a sua consumação. 640:330)”. bar. não qualificados conforme art. que é o fato dele possuir a propriedade. Nada impede a configuração do ilícito dentro de um prédio público.

Minha posição: O inciso III faz referencia a dois verbos. concordo que no verbo incentivar deve ocorrer o efetivo tráfico ou uso de drogas. portanto norma subsidiária em relação aos demais incisos. Entendo que a conduta do mesmo estará inserida no art. divulgar-se. 566:283 e 284). incitar e difundir que significa: propagar-se.61 em prédio em que ele tem a vigilância para fazer uso de drogas. portanto sinônimos. ou seja. que foi . No sentido contrario: “Não é exigido o dano pessoal do consumidor (TJSP. contra o evento. O inciso III é. RT. Questão interessante seria a do individuo que cede a sua casa ou estabelecimento comercial para traficantes se reunirem periodicamente e combinarem atividades ilícitas relacionadas ao tráfico de drogas. Não sendo.368/76. através de musicas que propagam o uso de entorpecentes a exemplo do ocorrido na Bahia com o grupo musical Jamil. punindo o agente que de qualquer forma vier a incentivar ou difundir o uso indevido ou o tráfico ilícito de entorpecente ou substância que determine dependência física ou psíquica. no entanto no verbo difundir basta o incentivo genérico como.368/76 valeu-se de uma formula genérica visando poder alcançar todas as outras possíveis condutas ainda não abrangidas. Existem entendimentos no sentido que deve ocorrer em virtude do incentivo do agente o efetivo tráfico ou consumo de drogas. incentivar que significa: estimular. associação para o tráfico de drogas. Acrim 16:360. Neste sentido: Vicente Greco Filho e Victor Eduardo Rios Gonçalves. por exemplo.6– DIFUSÃO DO USO OU DO TRÁFICO DE DROGAS ILÍCITAS O legislador no inciso III do § 2º do artigo 12 da Lei nº 6.17. do contrario não estará caracterizado o ilícito. 14 da Lei nº 6. 9. sem tomar qualquer atitude.

13. devendo o Inquérito Policial demonstrar o dolo especifico do agente de empregar estes bens na conformidade do disposto no art. 2º) adquirir (operação gratuita ou onerosa). Em decorrência do principio da especialidade não poderá se cogitar em casos referentes a este inciso a aplicação do art. bombas d’água. não se admite a .ART. Não e exigido pelo tipo que os aparelhos ou equipamentos tenham unicamente como destinação o fabrico ou preparo de entorpecentes. produzir). preparação. pipetas. 3º) fornecer ainda que gratuitamente. Não constituirá o delito em estudo.62 proibido pela justiça de executar no carnaval de 2005 a musica “Lança-Lança” a qual expressamente divulgava o uso do lança perfume “cloreto de étila”. prensas etc. a simples manifestação de pensamento no sentido da descriminalização do uso de entorpecentes. 9. tubos de ensaio. os quais serão aplicados quando ocorrer apologia ou incentivo a delitos de outra natureza. instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação. produção ou transformação de substância entorpecente. 5º) vender (título oneroso). vale destacar que o grupo foi indiciado em Inquérito Policial por infração do delito ora estudado. quer em livros ou musicas. lembrando que a apologia sempre se refere a elogios a fato criminoso pretérito. deverá haver um dolo especifico no sentido da difusão ou incentivo do uso de drogas. 286 do CP (incitação ao crime) e do art.18 . 4º) possuir (como proprietário ou simples possuidor). fornos. podendo como e comum os mesmos se prestar a outros fins como balanças. 287 do CP (apologia a fato criminoso).368/76 Pune o artigo 13 seis comportamentos típicos: 1º) fabricar (manufaturar. aparelho. quer em debates. -13 DA LEI Nº 6. 6º) guardar (abrigar). maquinismo.

A idéia não delinqüe “Asúa”). Boletim de Jurisprudência do IBCC. na hipótese do encontro no local.63 presunção do dolo. absorvido pelo art. maricas ou cachimbos (para fumar o “crack”). não pode ser aplicado na lei antitóxicos (TJSP. além dos equipamentos. (Neste sentido: JTACrimSP. com todos os petrechos necessários para tal. 56:194). Ficara o art. Acrim 131. 13. também de entorpecente. papel de seda (para confeccionar cigarros de maconha) etc. Também não será punida a cogitação do delito. 12. rel. Essencial para a caracterização do delito a realização de perícia nos instrumentos apreendidos. Destaca o renomado jurista Vicente Greco Filho: “configuraria crime se alguém instalasse uma destilaria completa de cocaína. Fortes Barbosa. p. preparo ou transformação de substância entorpecente. 25-10-1994. no entanto para o porte de objetos destinados ao consumo da droga tais como lâminas de barbear (utilizada para separar a cocaína). mas não iniciasse a produção ou preparação da droga por não ter comprado ainda a matéria prima. 686:365. pois este possui pena mais elevada. Não existe punição. 4)”. em face da autonomia da figura típica”. perícia que deverá demonstrar ser o equipamento apto para a produção.. Salutar será também a perícia do local em que foram encontrados os equipamentos/instrumentos visando demonstrar todo o contexto da apreensão.. Marcelo Fortes Barbosa. cit. neste sentido: “Inexiste em nossa legislação penal o chamado dolo in re ipsa e por isso. A lei incriminou de forma autônoma as condutas ligadas à infra-estrutura e à aparelhagem para a produção de substância que cause dependência física ou psíquica. Erro de Tipo.020. neste sentido: (TAPR. Dês. 1ª Câm. bem como a existência do laboratório ou . j. RT. Acrim 47. caso a perícia comprovar que ou o equipamento não esta funcionando ou ele não e apto para o alegado o crime será considerado impossível.021.

368/76. O tema. 56:194. não há crime quando se trata de lamina de barbear ou pedaço de plástico para a embalagem da droga ou fita gomada para fechar papelotes (TJSP.). pois nenhuma transformação química ocorreu com a utilização dos maquinismos apreendidos” (RT. 2ª ed. 80:385. autonomamente a decretação de prisão temporária.368/76. 13 da Lei nº 6. Bauru (SP). n. RT. estojo de madeira com pontas de pregos para desfiar folhas de maconha (RJTJSP. São Paulo. O TJSP já entendeu que: “A apreensão de balança de precisão. faz referencia única ao art. 80:385). da Lei nº 7. Acrim 123. Neste sentido (RJTJRS. 67. 784:611). 13. 704:287 e 289.200. colheres e sacos plásticos com resquícios de substância entorpecente pronta. aparelhos. sob pena de atipicidade como já dito anteriormente. p. que o art. instrumentos ou quaisquer objetos destinados à fabricação. É imprescindível. cit. 698:331). Dês. Ed.. O sujeito ativo do crime e qualquer pessoa. rel. RJTJRS. 12 da lei nº 6. p. RT. RT. Não será possível para o delito do art. entretanto e controvertido havendo opiniões em contrario (Vicente Grego Filho. Comercio ou Facilitação. Os objetos matérias do delito são maquinismos. que os objetos apreendidos tenham destinação especifica. 13 da lei nº 6. tigelas. 1993. 1º. Javoli. Acrim 123. Ariosvaldo de Campos Pires. produção ou transformação da droga. 1982. Sementes de maconha não constituem objeto material do art.. 107.. .64 local de preparo de entorpecente. Dante Busana. n 3.368/76. Saraiva. perfeita e acabada não caracteriza o crime previsto no art. TJSP. 698:331. fotografando e filmando se possível o local e a ação policial. tendo como sujeito passivo à coletividade.200. 110:165). tendo em vista. Tóxicos.960/89. JTACrimSP. Tóxicos. Assim. Neste sentido: Sergio de Oliveira Médici.

368/76.368/76 Trata o artigo em estudo de delito permanente (pois se prolonga no tempo) e de concurso necessário.65 10-Art. d) Escopo de praticarem as condutas descritas nos arts. b) Acordo prévio dos participantes. a) Participação de no mínimo duas pessoas – que podem até mesmo não se conhecer fisicamente. 14 um . caso a finalidade for diversa como a pratica do crime previsto no art.368/76. onde determina o aumento da pena de 1/3 a 2/3 quando os delitos previstos na citada lei forem praticados em associação. aceitando-se a inclusão de inimputáveis para compor o número mínimo de sujeitos ativos. possuindo o crime características próprias que devem ser praticadas pelos agentes para a sua caracterização. poderiam duas ou mais pessoas praticar apenas uma conduta de tráfico e estariam infligindo também o art. A letra da lei faz referência a pratica reiterada ou não dos delitos previstos nos arts. plurissubjetivo ou coletivo. vedado em nosso direito. A uma primeira leitura entende-se que para caracterizar o crime se associação para o tráfico. c) Vinculo associativo duradouro. –14 da Lei Nº 6. 12 e 13. 14 e quando então se aplicaria a causa de aumento? Entende a boa doutrina que e seguida por grande parte da jurisprudência que e necessário para a caracterização do delito do art. 16 da mesma lei o fato e atípico. 14 e ainda incidir a causa de aumento sob a pena de cometer o denominado bis in idem. Evidentemente que não se poderá condenar o réu como incurso na pena prevista para o art. o que acabou por criar uma dificuldade de interpretação no que concerne a aplicação da causa de aumento prevista no art. 18 inciso III da lei nº 6. 12 ou 13 da Lei nº 6.

não sendo necessário inclusive que ele venha a ocorrer. a investigação policial pode valer-se de interceptações telefônicas devidamente autorizadas . Acrim 23. RT. 6 de maio 1991. III (neste sentido: tratando-se. aplica-se o art. 549:289. um acordo prévio entre os envolvidos. 69:348). A consumação do ilícito irá ocorrer. Neste sentido STJ. 18 Inc. 22 jun. 93:400. 1992. natureza extraída do elemento subjetivo do tipo “para o fim de. nestes delitos.66 pacto. 5ª Turma. 5. Neste sentido: TJSP. Rel..671. Neste sentido: “Sob esse aspecto. RT.194. entretanto. A prova deve ficar bem robusta e evidenciada para a existência do crime em estudo. neste sentido: “Não se exige exame pericial. Neste sentido: RJTJSP. p. DJU. TJSC. – RHC nº 1096/RJ. concurso material. 9767). Caso venha efetivamente a ocorrer o tráfico responderão os envolvidos que se demonstre estarem de fato associados para a pratica dos delitos dos arts. 634:277 e 644:362. sendo somente um ato preparatório e atípico. de mera reunião ocasional de agentes em concurso (co-autoria ou participação). pois não se pune a cogitação de um crime. Acrim 184:888. 18 III. 12 e 14 e. 650:338. 12 ou 13 com a causa de aumento de pena do art. RT. devendo se demonstrar à existência do elemento subjetivo. 14. Min. HC 67:384. 84:376. uma vez que se trata de crime que não deixa vestígios (STJ. “STF. não sendo portando uma reunião eventual ou acidental o que caracterizaria neste caso a hipótese da causa de aumento do art. Diário da Justiça. que é o dolo de associarem-se para o cometimento do tráfico de forma organizada”. José Dantas.. 104:462 e 105:444. 640:330) poderá até ocorrer um único ato de traficância e se caracterizar o art. HC 1. p.” (RJTJSP.368. Seção I. 178:293. trata-se de crime formal ou de consumação antecipada. Não se exigindo a existência do corpo de delito. no momento em que se inicia a associação “crime formal”. Um simples convite para a formação da associação sem ter-se iniciado quaisquer ato criminoso. JTJ. 5ª T.

faz menção unicamente ao art.02.. quebra de sigilo bancário onde poderá se observar conforme o caso transferências.. rel.368/76.960/89. quando se tratar de . depoimentos de testemunhas que demonstrem a ligação entre os envolvidos. permitindo o esclarecimento do crime. 288 do Código Penal. 6º da Lei nº 9. 14.43451.. prisões pretéritas pelos crimes descritos nos artigos 12 e 13 da lei nº 6. a qual em seu art. Neste sentido: Acrim 98. TRF.67 onde apareçam os agentes se comunicando e combinando atos de traficância. Cruz Netto. Não será admitida a decretação da prisão temporária isoladamente para o delito de associação ao tráfico em decorrência que o art. 776:706).. pena esta inferior a do art. haja vista. Caso vier a existir duvida com relação à associação se imporá à absolvição dos envolvidos. 8º caput. 1ª Reg. 1º da Lei nº 7. Com o advento da Lei dos Crimes hediondos (Lei nº 8.. Hipótese infelizmente de difícil ocorrência na pratica. depósitos e saques de dinheiro entre os agentes. 2ª Turma.368/76. de 3 (três) a 6 (seis) anos de reclusão a pena do art. 14 (reclusão de 3 (três) a 10 (dez) anos. determina que a pena dos crimes hediondos será: “ . imperar entre os envolvidos a chamada “lei do silencio” a qual quando e quebrada normalmente e paga com a vida do delator e no Brasil não existe um serviço eficiente de proteção a testemunhas. acabou ocorrendo a derrogação do preceito secundário do art. 12 da Lei nº 6. reduzindo-se a pena de um a dois terços na hipótese do agente colaborar espontaneamente com a Justiça Criminal. e pagamento de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias multa). Admitir-se-á a chamada delação premiada prevista no art. RT. aplicando-se . ou seja a sua pena. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins”.034/95 (Lei do Crime Organizado).072 de 25 de julho de 1990). permanecendo desta forma a descrição típica contida no citado artigo . infiltração de policiais na organização criminosa e ainda averiguação da vida pregressa dos mesmos onde se observe. Dês.

68 no entanto a pena prevista no art. 51:300 e 324. 88: (“Entendemos que o art. TJRJ. em sua obra Lei Antitóxicos Anotada. 14 da Lei nº 6. A pena a ser aplicada será a prevista no art. Assim o tipo não alcança outras pessoas não indicadas. não foi revogado. 11. 14 não teve a redação típica revogada pelo art. HC 10. Pág.072/90. 8º. para praticar.072 acrescentou um parágrafo único ao art. Neste sentido STF: “Tratando-se de associação para o trafico de drogas prevalece a tipificação do art. Ed. como o balconista de farmácia e o veterinário. não admitindo ampliação por analogia ou interpretação extensiva. tipifica o delito do art. 8ª Ed. As condutas típicas são duas: prescrever e ministrar. Min. DJU. o tráfico de drogas. Gilson Dipp. 14. Saraiva.072/90. e o sujeito passivo a sociedade. dentista. reclusão de três a seis anos”. 12. 13 e 14” (grifo nosso). tanto que o art. Logo. vale dizer. Sujeito ativo do crime e qualquer pessoa.368/76. 10 da Lei nº 8. mas derrogado). 14 da lei nº 6. 35 da Lei de Tóxicos.989. 2000. A enumeração e taxativa. rel. Como se vê. reiteradamente ou não.368/76 Único delito culposo da Lei de Tóxicos. RT. . e ainda STJ. 792:693. crime próprio que só pode ser praticado por médico. 5ª Turma. devendo o agente encontrar-se no exercício regular de sua profissão. 15 DA LEI Nº 6. p. isto é. manteve-se o art. 20 mar. farmacêutico ou profissional de enfermagem (Enfermeiro-padrão ou Técnico). 8º da Lei nº 8. a associação de duas ou mais pessoas. Seque este entendimento o renomado jurista Damasio Evangelista de Jesús. neste sentido JTACrimSP.ART. 86 e 87. 8º da lei nº 8. 2005.368/76. com a seguinte redação: “Os prazos procedimentais deste Capítulo serão contados em dobro quando se tratar dos crimes dos arts.

Ministrar – Conduta própria de farmacêutico ou profissional de enfermagem que vem culposamente.368/76. 12. Caso a vitima venha a falecer ou sofrer lesões corporais em decorrência da dose prescrita. 16 o usuário de substância entorpecente que adquiri. respondera também o sujeito ativo por homicídio culposo ou lesão corporal culposa.69 Prescrever . Estará consumada esta conduta quando o médico ou dentista entregar a receita ao paciente. farmacêutico ou profissional de enfermagem” (TACRIM – SP – AC – Rel.368/76 e não pelo art. Caso em que a conduta seja dolosa responderá o agente pelo delito do art. o falso médico que receita medicamentos que causam dependência física ou psíquica. dentista. inocular na vitima a substância entorpecente. 57:194. em tese.368/76 Pune o art. 527:380. Geraldo Ferrari – JUTACRM 51/324). 12 da Lei nº 6. substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica em dose evidentemente maior que a necessária ou seja a diferença deverá ser gritante para a caracterização do ilícito.ART – 16 DA LEI Nº 6. consumando-se o delito neste instante. . 12 da Lei nº 6. o referido crime não e hediondo. Na hipótese de um falso médico receitar culposamente substância entorpecente. É que o preceito por último citado define um crime próprio. não e necessário que o paciente consiga obter a droga. 15 do mesmo diploma. JTACrimSP. responderá como incurso nas penas do artigo 12. cujo sujeito ativo só pode ser médico. pelo delito do art. Neste sentido: RT. guarda ou trás consigo para uso próprio a referida substância.Conduta própria de médico ou dentista que corresponde ao ato de receitar culposamente. Neste sentido: “Responde. sem autorização legal.

caput. positivo para substância entorpecente de uso ilícito para a configuração do ilícito. não se enquadrar na qualificação de tráfico ilícito de entorpecentes. ou ainda ter sido condenado a pena privativa de liberdade em sentença definitiva ou caso os seus antecedentes. Ary . sob a fundamentação que o estado não pode interferir na liberdade das pessoas fazerem o que quiserem com a sua saúde (Art. conforme o disposto no art. pois além de representar risco a saúde pública. 5º. O crime e de perigo abstrato.259/01 e considerado de menor potencial ofensivo. O consumo pretérito de drogas e fato atípico por ausência de previsão legal e impossibilidade de prova pericial da droga. sendo incabível a alegação de alguns que o delito em tela seria inconstitucional. admitindo. traz risco a coletividade tendo em vista que o elemento sob a influência de drogas muitas vezes torna-se violento. Rel. Como já visto anteriormente neste trabalho não se aplica o principio da insignificância aos delitos de tóxicos. devendo constar do procedimento (TCO ou IP) o laudo de constatação da droga. Neste sentido: “após aspiração pela seringa (TJSP. a sua conduta social. 2º. Acrim 53. causando prejuízo pessoal ao usuário.006. CF). passa quando não provem mais de recursos próprios. com entorpecente para uso próprio. não importando a quantidade de droga apreendida. O delito em razão do disposto na Lei nº 10. X. Dês. portanto a transação penal. lavrando-se termo circunstanciado.70 haja vista. sua personalidade ou as circunstancias em que ocorreram o ilícito não recomendarem a concessão do beneficio da transação penal. a cometer delitos contra o patrimônio e de outra natureza. que e essencial para a configuração dos crimes de tóxicos. da lei dos crime hediondos. salvo ter sido o autor já beneficiado anteriormente no prazo de cinco anos pela aplicação de pena restritiva ou multa. causa acidentes de todo gênero e em razão da necessidade de sustentar o vicio. Na fase policial se o usuário que for flagrado. assumir o compromisso de comparecer ao Jecrim não lhe será imposto prisão em flagrante delito.

JTJ 143/301). RECrim 145. 1994. JC. Resp 24. 19-51994. Acrim 92. 6ª Câm. J. JM. No sentido que o objeto jurídico e a saúde pública: STF. salvo se houver conexão com crime de competência do Juízo comum (CPP. A competência para julgamento do crime do art. Acrim 122/35.129. Ainda que recente e induvidoso o uso pretérito de droga por afirmação testemunhal ou pericial (TJSP. p. RECrim 113. 12. Neste sentido: (TJSP. 1971.368/76 e do Juizado Especial Criminal (Jecrim). a impossibilidade do consumo. DJU. RTJ.71 Belfort. RDP.OBJETIVIDADE JURÍDICA A saúde pública. TJMT. RT 624/289).844. 291. 59:275. Crim. 589:360. Acrim 151. STF. JTJ 143/301). 130:1177. §.339. 78 II). ACRim 72. STJ. RTJ. 16 da Lei nº 6. 702:334. Djalma Lofrano). Existem julgados no sentido de que resquício de droga que não apresente qualquer peso constitui fato atípico.OBJETO MATERIAL A substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. 6ª Turma.1.722. 130:342 e 848. RT. art. 21 nov. TJSP. . 31787 e 31788. 650:273.536. Acrim 122/315. único do CPM. RT. RT. rel. crime de perigo abstrato que não exige a ocorrência de dano.037. 2:99. 12. após injeção aplicada pelo próprio usuário (TJSP. Essencial a elaboração de laudo toxicológico com relação à substância apreendida.2. 101:248. haja vista.. 1ª Turma. JTJ. RECrim 114. 1ª Turma. 168:318. Dês. Caso seja flagrado militar em serviço em portando droga para uso próprio aplica-se o art.

que não há co-autoria quando existem duas pessoas no interior de um automóvel e os policiais encontram o entorpecente em poder de apenas uma delas. se não ficar provado quem era o responsável pelo tóxico.72 12. Nesse caso.4. Admite-se a co-autoria. contudo.SUJEITO ATIVO Qualquer pessoa. para o uso próprio. 12. de duas pessoas comprarem determinada quantia de droga para uso conjunto. 2005. 54. não exigindo qualidade especial do sujeito ativo. não se conseguindo provar que a outra tinha alguma relação com a droga. duas pessoas irem juntas adquirir a substância entorpecente. na pág. nenhum deles poderá ser processado ou condenado”. Editora Saraiva. p. Veja-se.SUJEITO PASSIVO A coletividade. trazer consigo e guardar. crime comum. por exemplo.”. da dois exemplos interessantes que valem aqui serem transcritos: “ A co-autoria é possível quando.5.3. O jurista Victor Eduardo Rios Gonçalves em sua obra Legislação Penal Especial.. 12. ex. “É também muito comum que policiais encontrem uma porção de maconha sob o banco de um carro em que estavam várias pessoas. . na hipótese de.CONDUTAS TÍPICAS/ ELEMENTO OBJETIVO São três a condutas típicas: Adquirir.

“no instante em que a ação . protraindo-se no tempo enquanto ele a mantiver. 1 .227.Trazer consigo – Sinônimo de portar. na boca (JTJ. 136:497 e RT. sendo irrelevante o local onde seja portado o objeto material. neste sentido: (TJSP. Hipóteses de portar: trazer no bolso. 619:405 e 406). conduzir pessoalmente o entorpecente.ELEMENTO SUBJETIVO Consiste no dolo livre e consciente de adquirir. 584:329 e 687:290 e 291). 687:290 e 291). manter o inebriante em determinado local. Neste sentido: “Consuma-se com o simples porte” (STF. na boca e sob a língua (RT. RT.Guardar – Conservar. na pasta.018.Adquirir – obter por meio oneroso ou gratuito. As modalidades trazer consigo e guardar constituem crimes permanentes e consumam-se no momento em que o agente obtém a posse da droga. guardar ou trazer consigo. 12. Neste sentido: TJSP. 3 . RT. do contrario o enquadramento legal será no art. 584:329). de uso proibido que cause dependência física ou psíquica. 12.7. na bolsa.368/76. no porta luvas do automóvel (TJSC. RT. Acrim 15:430. substância entorpecente.CONSUMAÇÃO Na modalidade adquirir é instantânea e consuma-se quando há o acordo de vontades entre vendedor e o comprador. RT. 651:263. conduta. RECrim 113. vale destacar que quem guarda para uso de terceiro responde por tráfico. na mão (JTACrimSP. 2 .73 Interessante observar que não foi tipificado o usar a droga. Acrim 72. 43:358). porém que para ser praticada obrigatoriamente deverá passar por uma das três descritas no tipo. 12 da Lei nº 6. 554:397).6. para uso próprio.

é necessário que já esteja realizando atos executórios de aquisição. 108:488).368/76. Para tanto. defensor público. ou processo penal que verse sobre os crimes tipificados na Lei nº 6. juiz de direito. 515:392 e 583:333).8. se o sujeito guarda a substância para uso próprio e depois a traz consigo. escrivão. peças de informação.368/76 Crime próprio só podendo ser cometido por funcionário público (policial. 13. uma vez que a simples intenção de comprar a droga não constitui delito (RT.TENTATIVA Nas modalidades permanentes (guardar e trazer consigo) a tentativa e impossível. 622:287 e RJTJSP. oficial de justiça etc) ou advogado que tenha acesso a inquérito policial. promotor de justiça.). Neste sentido: RJTJSP. –17 DA LEI Nº 6. delegado de polícia. Assim. 112:507 e 509. porém na modalidade adquirir será viável a tentativa na hipótese. vê frustrada a entrega da droga após ter acordado a venda com o traficante. Tratando-se de figuras típicas alternativas.74 se inicia” (RT. . o momento consumativo ocorreu com a guarda. 104:459). do usuário por razões alheias a sua vontade (intervenção policial por ex. 12. termo circunstanciado. O tipo prescinde de ocorrência de dano físico ou psíquico a alguém (RJTJSP.ART. dá-se a consumação quando da concretização do primeiro verbo. É possível que o sujeito venha a ser interrompido na compra do objeto material.

disposição expressa da própria lei “Art. 1995. referente à associação. as denominadas causas de aumento que majoram as penas dos crimes previstos na Lei nº 6. 16. sendo suficiente à violação a violação da norma. RT. 561:338 e 648:281. 325 do Código Penal. entendimento seguido por Damásio de Jesus.368/76 – CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Estipula o art. o qual faz referencia expressa ao tráfico. conforme artigo 26 da lei nº 6. 14 . HC 71.ART. não sendo necessário que um número indeterminado de pessoas tomem conhecimento da informação. existem entendimentos que seriam aplicáveis apenas sobre o delito de tráfico. STF. 18 – As penas dos crimes definidos nesta lei serão aumentados de um terço a dois terços”. sendo. 1ª parte. A única exceção seria a do inciso I.Neste sentido: RJTJSP.639. 88:382 e 90:504. Consuma-se o delito com a divulgação da informação por qualquer meio de comunicação.368/76. Admite-se a tentativa na revelação por escrito quando por razões alheias a vontade do sujeito a informação não chega a ser divulgada. o delito e de perigo. Neste sentido: TJSP. não se aplica ao crime do art.18 DA LEI Nº 6. p. 2ª Turma.368/76.75 O sujeito passivo e a coletividade. 14 (crime de associação). haja vista. 18. 13 e 14 da Lei nº 6. 558:310. 7 abr. DJU. Ressalva: o inciso III. Neste . excluindo o art. 8872. 12. O elemento subjetivo consiste no dolo do agente em divulgar informação que sabia encontrar-se em sigilo de justiça. Discute-se na jurisprudência e na doutrina se as mesmas teriam incidência em todos os delitos da referida lei. Entendo. sem necessidade da ocorrência de dano. portanto aplicável aos arts.368/76 de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços). no entanto que seja aplicável a todos os delitos previstos na lei de tóxicos. O presente delito em razão do principio da especialidade absorve o crime previsto no art.

Para caracterizar tráfico com o exterior não e necessário que o agente entra ou saia do País com a droga. Será possível que o Juiz reconheça mais de uma dessas causas de aumento de pena. O inciso I trata do aumento na hipótese de tráfico com o exterior e extraterritorialidade da lei penal – refere-se ao inciso de duas hipóteses de competência da justiça federal. com fundamento no art. I do CPP. porém que neste caso. 18. 144 da CF – Polícia Federal. cometer o delito prevalecendo-se de função pública relacionada com a repressão à criminalidade (referencia genérica que abrange todas as carreiras elencadas no art. 593. Nos termos do art. basta que se prove esta finalidade. Entendo ainda que a majoração será obrigatória quando devidamente comprovada a existência de uma das causas expressas no art. parágrafo único.76 sentido: Alexandre de Moraes e Gianpaolo Poggio Smanio no livro Legislação Penal Especial. caso o Juiz não aplique o aumento será cabível recurso de apelação por parte do Ministério Público. II e IV). Já o inciso II refere-se a uma causa de aumento que somente incidira na hipótese do sujeito ativo possuir as qualidades referidas no inciso. 7º do Código Penal. 145. ou seja. Polícia Militar. o Juiz aplicará apenas uma vez o índice de aumento. p. já que a lei possibilita um aumento de um a dois terços. onde se deve aplicar a lei brasileira a fatos ocorridos no exterior. 2002. Ed. Jurídico Atlas. . não deverá faze-lo no mínimo legal. Inc. Ex: policial que vende droga para preso (incs. do Código Penal. 68. Rodoviária e Ferroviária Federal. vigilante de um deposito de entorpecentes). Polícia Civil e Guarda Municipal) ou ainda mesmo que não seja funcionário publico tenha missão de guarda e vigilância (ex. 6ª Edição. É claro. A extraterritorialidade trata daquelas situações previstas no art.

15 .ART. 14 da Lei nº 6. no momento da realização da conduta. diminuída ou suprimida a capacidade de discernimento ou de autodeterminação. pessoa com idade igual ou superior a 60 anos (parte inserida pelo denominado estatuto do idoso. teatros. RT. Lei nº 10.368/76 – ISENÇÃO DE PENA – EXAME DE DEPENDÊNCIA Prevê o artigo 19 uma causa de exclusão de culpabilidade devendo existir para o seu reconhecimento dois requisitos essenciais: 1º) que o crime tenha sido cometido em razão da dependência ou sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito o força maior (causas).374 e 99:470. associações estudantis etc). No inciso IV e elencado uma serie de locais que se forrem praticados qualquer dos crimes previstos na lei de tóxicos. hospitais. 65.368/76). quer nas suas imediações (escolas. 14 que necessita de uma associação duradoura. 2º) que o sujeito. sendo aplicado unicamente na hipótese de associação eventual evitando-se assim um possível bis in idem. estabelecimentos penais. irá incidir o aumento. . Neste sentido: RJTJSP. quer seja o delito praticado no interior destes locais.741/03) ou quem tenha. por qualquer causa. cinemas.77 O inciso III trata da hipótese de aumento no caso de associação (tema já tratado no item referente ao art. 607:304. não incidindo nesta hipótese nos casos do delito previsto no art. –19 DA LEI Nº 6. existem julgados que exigem que o sujeito ativo tenha conhecimento de que o fato esteja sendo praticado nas imediações destes locais. seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esta compreensão (efeito). refere-se ainda o inciso ao aumento na situação em que os delitos praticados visarem menores de 21 anos.

ainda que completa.qualquer que tenha sido a infração penal praticada. a simples dependência de drogas não favorece (JC. JTACrimSP. 29 da Lei nº 6. impondo ao réu por força do art. TJSC. voluntária ou culposa. 570:370 e 371). RT. e não apenas aos previstos na lei de entorpecentes. Acrim 17. 16-6-94 e Alexandre de Moraes e Gianpaolo Poggio Smanio. no livro Legislação Penal especial. 6ª Edição. Dês. Rel. TJSC.968. 1ª declara a dependência como causa. no instante do evento. Neste sentido: (JC. impõe-se a sua absolvição com fulcro no art.368/76 : “. do CP). isto por expressa disposição legal do artigo 19 da lei nº 6. mesmo que o sujeito venha a ter sua autodeterminação comprometida. 570:370.478-3 – Bariri.78 Entende-se por caso fortuito. Neste sentido: TJ/SP. 573:417. Nelson Fonseca. 10 da mesma lei tratamento medico obrigatório.. Não existe na nossa legislação a hipótese de semidependência.. É preciso que concorra a incapacidade intelecto ou volitiva.”. 52:253.. a qualquer delito. não ira gerar inimputabilidade.. Apelação Criminal nº 148. se preenchido os seu requisitos.Acrim 17. Sendo reconhecida pelo magistrado após os competentes exames periciais que o agente de fato e inimputável. Uma simples dependência de drogas. 28 II.009. 539:316. Acrim 224. 2ª reconhecimento de caso fortuito ou força maior . A intoxicação aguda por entorpecentes. Pág. RT. Neste sentido: TACrimSP. 147. podendo o magistrado fundamentar sua sentença de duas maneiras. 17:436 e 29:501.368/76. 22:478). RT. desde que. J. não exclui a culpabilidade (art. RT. Aplica-se esta causa de exclusão de culpabilidade. Editora Jurídico Atlas.098. Assim. ele possua capacidade intelecto-volitiva. quando o sujeito desconhece a natureza entorpecente da substância ou não sabe que é portador de particular reação à sua ingestão ou consumo e força maior e a hipótese do sujeito ser coagido a consumir o entorpecente. Neste sentido.

368/76). A instauração desse incidente não suspende o andamento do processo (art. proferindo assim uma sentença condenatória. O laudo deve ser entregue antes da audiência para que as partes possam ter ciência de seu conteúdo e. 29 da lei nº 6. absolvendo o réu. eventualmente. mas sim a tratamento medico. O exame deve ser feito por dois peritos oficiais (art. mas a doutrina entende que os peritos podem pedir prorrogação quando impossível o termino dentro do prazo. Dependendo das conclusões dos peritos. 16. fazer algum questionamento. o juiz irá desmembrar o processo. 31). O laudo deve ser apresentado em trinta dias (art. O juiz não pode sentenciar antes da sua chegada. sempre que o réu se declarar dependente ou houver indícios neste sentido. não havendo nesta hipótese previsão legal de imposição de tratamento. Será determinado pelo juiz a realização do exame de dependência toxicológica. sendo reconhecido que o agente praticou um fato ilícito. 25 da Lei nº 6. Importante destacar que a lei nº 6. razão pela qual não há necessidade de verificação de eventual periculosidade do réu. poderá ser o réu considerado imputável.PROCEDIMENTO CRIMINAL .368/76 não se refere a medida de segurança.POLEMICAS . não irá neste caso. e o exame de dependência for determinado apenas em relação a um. bastando a verificação dos critérios médico-periciais.79 como causa da inimputabilidade. se houver dois ou mais réus.368/76). mas. Trata o parágrafo único do artigo em estudo da denominada semi-responsabilidade. inimputável ou semi-imputável. 159 do CPP e art. O incidente será autuado em separado e as partes poderão apresentar quesitos. ocorrer a sua absolvição o magistrado ira diminuir a sua pena de 1/3 a 2/3.

80 Com o advento da Lei nº 10.409/02, a qual teve a sua parte penal totalmente vetada, passou-se a surgir entendimentos que o procedimento penal previsto no capitulo V da referida lei não estaria em vigor, haja vista, o Art. 27, utilizar a seguinte expressão: “O procedimento relativo aos processos por crimes definidos nesta Lei rege-se pelo disposto neste Capítulo...”. Atualmente existem entendimentos jurisprudenciais e doutrinários nos dois sentidos, da aplicabilidade do novo procedimento ou da permanência do procedimento da Lei nº 6.368/76. Existe, porém a prevalência da aplicação do procedimento da lei nº 10.409/02, entendendo ser ele aplicável, tendo os arts. 27 a 34 da Lei nova revogado parcialmente disposições da lei nº 6.368/76, que disciplinavam a parte inquisitiva do procedimento referente aos delitos de tráfico de drogas. Subsistem as disposições anteriores que tratam de institutos não disciplinados pela nova lei. Neste sentido: Alexandre de Moraes e Gianpaolo Poggio Smanio, Legislação Penal Especial, São Paulo, Atlas, 2002; Luis Flavio Gomes, Nova Lei de Tóxicos (10.409/2002; Alexandre Bizzotto e Andréia de Brito Rodrigues, Tóxicos, Aspectos Processuais (Lei 10.409/02) , Goiás, AB Editora, 2ª Edição; Damásio E. de Jesus, Lei Antitóxicos Anotada, São Paulo, Saraiva, 8ª Edição, 2005; nulidade do processo por inobservância da fase preliminar, Revista Consulex, 139:23, de 31-102002, apud Rodrigo Régnier Chemin Guimarães, A nova Lei de Tóxicos – Lei 10.409/02 – Aspectos polêmicos, RT, 813:478-91.

17 – MODIFICAÇÕES PROCEDIMENTAIS DA LEI Nº 10.409/02

Inquérito policial – Prazo para conclusão: Indiciado preso 15 dias (prisão em flagrante ou cautelar); Indiciado solto 30 dias (inquérito instaurado mediante portaria). Poderão estes prazos ser duplicados a pedido justificado da Autoridade Policial.

81 Denúncia – Prazo para oferecimento: 10 dias, independentemente de o acusado estar solto ou preso. Poderá a denuncia basear-se em laudo provisório de constatação da substância entorpecente apreendida. Deverá ser juntado o laudo definitivo até o dia anterior ao designado para a audiência de instrução e julgamento, sob pena de se absolver o réu por ausência de comprovação da materialidade do delito. Citação do acusado para apresentar defesa preliminar – Prazo: 24 (vinte e quatro) horas. Defesa preliminar – Prazo: 10 dias contados da juntada do mandado aos autos ou da primeira publicação do edital de citação. Caso a resposta não seja oferecida no prazo, o magistrado nomeará defensor para faze-lo em 10 dias. Interrogatório preliminar – Prazo: 05 dias, com o réu preso e 30 dias com o réu solto, contados a partir do oferecimento da denúncia. Manifestação do Ministério Público – Após apresentação da defesa, será concedido pelo Juiz ao MP o prazo de 5 dias para a sua manifestação. Recebimento da denúncia – Prazo: 5 dias contados da manifestação do MP sobre a defesa preliminar. Poderá o Juiz caso venha a entender imprescindível determinar a realização de diligencias, antes de decidir, com o prazo máximo de 10 dias. Audiência de instrução e julgamento – Prazo: não existe previsão legal de prazo, mas o art. 41 indica que será realizado o interrogatório na audiência, mostra por analogia, que o prazo máximo deverá ser aquele de trinta dias, previsto para o interrogatório do réu solto. Interrogatório, oitiva de testemunhas de acusação e de defesa – Cuida-se na realidade, de uma audiência concentrada, onde irá ocorrer novo interrogatório do réu,

82 agora sob julgamento do mérito da causa, bem como serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa, no número de cinco para cada parte. Debates – ocorrem na própria audiência, possuindo cada parte 20 minutos, prorrogáveis por mais 10 minutos a critério do juiz. Sentença – Será prolatada na própria audiência ou no caso do Juiz não se sentir habilitado para faze-lo de imediato, o fará no prazo de 10 dias. Recursos – Segue as regras do Código de Processo Penal.

18 – ACORDO PENAL REALIZADO, ANTES DO INICIO DA AÇÃO PENAL

Instituto de péssima técnica legislativa, previsto no art. 32 § 2º da Lei nº 10.709/02, ressaltando que o caput e o § 1º foram vetados. Consta do § 2º o seguinte: “O sobrestamento do processo ou a redução da pena podem ainda decorrer de acordo entre o Ministério Público e o indiciado que, espontaneamente, revelar a existência de organização criminosa, permitindo a prisão de um ou mais dos seus integrantes, ou a apreensão do produto, da substância ou da droga ilícita, ou eu de qualquer modo, justificado no acordo, contribuir para os interesses da Justiça”. Encontramos no art. 5º XXXV da CF o seguinte: “- a lei não excluíra da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito;”. Considerando ainda que a aplicação da pena e matéria de exclusiva apreciação judicial (art. 59 CP) e ainda que o termo sobrestamento significa a suspensão temporária do andamento de um processo ou de ato jurídico, conforme o dicionário jurídico brasileiro acquaviva, de Marcus Cláudio Acquaviva, 8ª Edição, Editora Jurídico Brasileira, pág. 1296, sobrestamento este que não existe um prazo ou regras definidas na lei e por fim observa-se a gritante omissão do instituto em não exigir a homologação judicial do acordo. Entendo ser o referido artigo inconstitucional por cercear a ampla

A lei é omissa nesta questão. ou reduzi-la. por proposta do representante do Ministério Público. poderá deixar de aplicar a pena. eficaz.83 defesa do indiciado e evitar a apreciação da lide pelo Poder Judiciário. tratar-se ainda da fase inquisitória e mesmo se houve-se uma homologação judicial deste acordo digamos pré-processual estaríamos frente a graves problemas: a) O papel constitucional do juiz é o de garantidor dos valores constitucionais. c) Há falta de parâmetro legal para estabelecer os limites da quantidade da pena que pode ser diminuída. § 3º. abdicando da função ética do Judiciário. o juiz. subprincípio da legalidade. organização ou bando. ao proferir a sentença. possui o seguinte teor: “Se o oferecimento da denuncia tiver sido anterior à revelação. além do tramite regular do processo que garante ao processado o exercício pleno do . de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços). ou da localização do produto. 32. da Lei nº 10. pois haveria homologação sobre parcela da pena sem que houvesse o devido processo penal e o julgamento a que a defesa pessoal tem direito. grupo.409/02. justificando a sua decisão”. Deve ele atuar de forma imparcial. APÓS O INICIO DA AÇÃO PENAL Acordo previsto no art. resvalando no principio constitucional da taxatividade da previsão da pena. b) Há violação do principio da não culpabilidade. haja vista. Não pode participar de negociatas sobre segurança pública nem se deixar contaminar pelos percalços dos interesses em jogo. A principal diferença entre o § 3º e o anterior e a evidente participação judicial. dos demais integrantes da quadrilha. 19 – ACORDO PENAL REALIZADO. O indicado seria tratado como culpado sem que nem mesmo processo houvesse. substância ou droga ilícita.

portanto constitucional. o processado poderá faze-lo por sugestão de outrem ou por vontade própria. conforme o determinado no art. poderá ou não ser espontânea. sempre evidentemente fundamentando a sua decisão. A delação deverá ser eficaz. ou seja. 20 – EXPULSÃO DE ESTRANGEIROS CONDENADOS POR TRÁFICO O estrangeiro condenado por tráfico de entorpecentes após o cumprimento da pena será expulso do território nacional. lei nº 6. Poderá o magistrado conforme o grau de colaboração do processado com os interesses da justiça na hipótese do mesmo vir a ser condenado deixar de aplicar a pena ou aplicar sobre ela um redutor de 1/6 a 2/3. O brasileiro nato não. ou seja. prevendo em seu art. Conforme o determinado no art. 1º.DA INVESTIGAÇÃO POLICIAL .84 contraditório e da ampla defesa. após o cumprimento da pena. o brasileiro naturalizado também pode ser expulso. e no Decreto nº 98. havendo disposição quanto ao assunto ainda no estatuto do estrangeiro.961/90. § 2º uma hipótese de decretação de prisão administrativa. 42 da Lei nº 6.815/80. o qual determina as regras que tramitará o inquérito de expulsão. LI. efetivamente possibilitar o desbaratamento do restante da quadrilha ou apreensão de substância entorpecente. no decorrer do tempo necessário para a conclusão do inquérito de expulsão.368/76. PARTE B 21 . sendo. da Constituição Federal. 5º.

Evidentemente que se a autoridade policial não manter o sigilo da sua atividade investigativa.411. após a colheita que pode demorar algum tempo. podendo o juiz quando instaurada a ação penal manter o sigilo com fulcro no parágrafo único do mesmo artigo. No sentido da subsidiariedade do Código de Processo Penal: STF. podendo ela ocultar e manter em sigilo os elementos que pretende colher.409/02 e a lei do crime organizado a 9. contudo. do juiz. o indiciado e sua defesa terão acesso aos elementos contidos nos autos. os quais serão abaixo estudados. HC 69.368/76. da autoridade policial e do ministério publico.85 A investigação dos delitos previstos na legislação anti-tóxicos e presidida normalmente pelas autoridades policiais judiciárias estaduais ou federais conforme a sua competência funcional. como no caso de monitoramento bancário ou interceptação telefônica. 26 da Lei nº 6. salvo com relação à atuação profissional do advogado.368/76.034/95. fatalmente o seu trabalho será fadado ao insucesso. A investigação correrá em sigilo conforme determina o art. desnaturando o caráter inquisitório do inquérito policial. Poderá o ministério público como será visto adiante solicitar algumas medidas investigatórias visando a busca da verdade real.RECURSOS INVESTIGATÓRIOS Terá como base legal à investigação subsidiariamente o disposto no Código de Processo Penal e principalmente o teor das leis nº 6.1 . onde estão previstos os recursos investigatórios pertinentes. RTJ. o trabalho discricionário da autoridade policial e colocando em risco a integridade física de testemunhas e outros envolvidos. 10. 21. . 143:208 e 210. Do contrario estaríamos.

os quais ficarão à disposição da autoridade policial para eventuais diligências. .86 Com relação ao Código de Processo Penal poderemos utilizar os seguintes recursos: A) Realização de perícias em locais.2 . 158 a 184 do CPP. seguindo as regras gerais dos art. Prevê a lei que em qualquer fase da persecução penal poderá ser autorizada pelo juiz a infiltração de policiais em quadrilhas. 33 inciso I da lei nº 10. Esta diligencia tem o escopo de colher informações sobre as operações desenvolvidas pelas organizações de traficantes. D) Reconhecimento de pessoas e coisas. porém de alto risco para o agente infiltrado.409/02.INFILTRAÇÃO DE POLICIAIS EM QUADRILHAS DE TRAFICANTES Este recurso encontra-se previsto no art. Possui basicamente duas exigências para a realização deste tipo de investigação: A) Tratar-se de associação criminosa. devendo obrigatoriamente ser ouvido o ministério público. E) Realização de acareações. 21. B) Apreensão de objetos relacionados com o ilícito ou adquiridos com os proventos do ilícito. objetos e substâncias relacionadas com as atividades criminosas. C) Testemunhos e interrogatórios de pessoas. consiste em um instrumento valioso e inovador de investigação policial.

Devendo. omissão esta com certeza proposital por parte do legislador. pois deve o magistrado analisar cada caso concreto. não se . É finalmente poderá o agente atuar em conjunto com a organização criminosa. não será neste caso o agente responsabilizado por encontrar-se o agente inserido dentro do estrito cumprimento do dever legal. existirem três requisitos para a caracterização desta excludente: 1) atuação do agente infiltrado ser devidamente autorizada pelo judiciário. Primeiramente com relação à responsabilidade penal do agente infiltrado e segundo o valor da prova provocada. sob pena do agente infiltrado vir a sofrer funestas conseqüências. I) – Responsabilidade penal do agente infiltrado: O agente pode atuar basicamente de três formas – primeiramente como um simples informante. O pedido que será efetuado pela autoridade policial será autuado em apartado mantendo-se o mais irrestrito e absoluto sigilo ao longo da infiltração. além de ser proporcional a finalidade perseguida. transmitindo a autoridade policial informações acerca das atividades ilícitas da organização criminosa ou então o caso o agente por ação ou omissão venha a induzir um ato criminoso.87 B) Ser a decisão judicial fundamentada. 2) o cometimento da infração penal deve obrigatoriamente ser uma conseqüência necessária e indispensável para o desenvolvimento da investigação. no entanto. sendo passível de responsabilização o agente pelo delito de abuso de autoridade e sendo atípico o ato praticado pelo investigado. Surgem duas duvidas com relação à aplicabilidade deste recurso. Não foi pela lei estabelecido o prazo da medida. estaria neste caso caracterizado o flagrante preparado. causa de exclusão de ilicitude. praticando um fato típico.

034/95 autorização judicial ou . 2º inciso II. Itália. 21. 3) o agente não poderá como já dito induzir os integrantes da organização criminosa a cometer o ilícito penal. França.AÇÃO CONTROLADA OU FLAGRANTE POSTERGADO Nasceu em nosso ordenamento jurídico a ação controlada com a lei nº 9. 21. sendo totalmente descartado a colaboração de particulares.034/95 a denominada lei do crime organizado.88 admitindo excessos ou abusos. México. passou a prever a possibilidade de se retardar/protelar um flagrante delito visando com isto à identificação de um maior número de integrantes da organização criminosa o que possibilitaria sua mais completa e eficaz responsabilização. quando em seu art.034/95) e claro. em nenhum deles admite-se a legitimidade da infiltração de particulares.3 -PODE O PARTICULAR AGIR COMO AGENTE INFILTRADO? O ordenamento legal (Lei nº 9. Panamá. Argentina e Espanha. por ex. Não exige a lei nº 9. permitindo unicamente que participem desta diligencia policiais e agentes de órgãos de inteligência (Abin. como Alemanha. II) Valor da prova provocada: não ocorrendo a indução por parte do agente infiltrado na pratica de delitos por parte da organização criminosa e plenamente valida a prova colhida por intermédio desta diligencia que possui natureza instrutória. Estados Unidos. pois tem por objetivo a colheita de informações para a sua utilização como prova em um processo penal. Existe a previsão da aplicação desta ferramenta de investigação em vários Paises. onde será assegurado aos acusados todas as garantias constitucionais.).4 . Chile.

E possível que entre os participes do fato não ocorra à identificação de todos. Exige-se ao menos que a autoridade policial relate a identificação de uma ou algumas pessoas. haja vista. Com o advento da Lei nº 10. exigindo-se neste caso autorização judicial fundamentada e ouvida do ministério público. podendo a autoridade policial de oficio determinar a não autuação e o prosseguimento das investigações com relação aos delitos praticados por organizações criminosas. o qual obrigatoriamente ouvira o ministério público.409/02. bem como o seu modus operandi. a qual felizmente traçou claros requisitos para a sua concessão que serão a seguir abordados. A não-atuação na realidade é provisória. frente ainda ao principio da especialidade.409/02. possibilitando assim que identifique um maior número de integrantes da quadrilha. pois é aceitável pela natureza dos fatos que outros não identificados pela polícia participem da ação criminosa. devendo a autoridade policial deixar claro em seu requerimento a existência dos seguintes requisitos: I) Demonstre conhecer o itinerário provável dos marginais com o entorpecente.409/02 referir-se especificamente ao tráfico de drogas. II) Na hipótese de tráfico internacional que as autoridades competentes dos paises de origem ou de transito do entorpecente sejam notificados e ofereçam garantias .89 ouvida do ministério público. fazendo com que a polícia prolongue o flagrante. passou-se na hipótese da não autuação policial de elementos ligados ao tráfico a reger-se nos moldes da Lei nº 10. tornando o inquérito policial mais robusto de elementos probatórios. a lei nº 10. 33 inciso II. onde em seu art. onde também se passou a prever a não-atuação policial na hipótese de quadrilhas dedicadas ao tráfico de drogas. bem como a identificação dos mesmos e seus colaboradores. Para a concessão da medida em estudo deve a autoridade policial requere-la ao juiz.

em caso de urgência.5 . 2º e 4º. poderia tornar inútil à medida. não havendo outro recurso eficaz de investigação para que a policia possa tentar evitar uma serie de delitos. Consiste fato notório que inclusive dentro de presídios o uso de celulares e uma constante. . 21. 34 inc. faz referencia o citado artigo ao capitulo II da lei nº 9. III – Que a infração a ser apurada não seja punida com pena de detenção. A interceptação telefônica segue as regras traçadas na Lei nº 9. portanto.034/95 (lei do crime organizado). de formalmente instaurado o inquérito) e para a instrução criminal. II – Impossibilidade de obtenção da prova por outros meios admitidos em direito. especialmente telefones celulares. o que se fosse obrigatório. e fazendo prevalecer o bom senso. que a autoridade policial ou o ministério público poderão requerer a justiça a interceptação e a gravação de comunicações telefônicas.90 contra a fuga dos suspeitos ou de extravio dos produtos. O deferimento. Prevê o art. A providencia pode ser determinada para a investigação criminal (até antes. Não estabelece a lei o prazo para esta dilação.409/02. a saber: I – Existência de indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal.INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA Valiosa ferramenta de investigação. capitulo este que faz referência ao sigilo que deverá ser guardado pelos envolvidos. da medida. pois atualmente praticamente todas as pessoas possuem telefone. a qual determina os requisitos para a sua admissão pelo judiciário nos seus arts. depois de instaurada a ação penal. IV da Lei nº 10. ou não.296/96. devendo obviamente observar-se caso a caso. não depende de audiência previa do Ministério Público. substâncias ou drogas ilícitas transportadas.

contra o mesmo investigado. onde existem equipamentos e técnicos habilitados para a sua realização. Muito comum também e a utilização de aparelhos que utilizam o denominado “chip” que com a sua substituição também se troca o número do aparelho dificultando assim o seu monitoramento. também que surgindo fatos novos.91 IV – Descrição clara da situação a ser investigada e sendo possível a qualificação dos envolvidos. Ficara a interceptação em autos apartados do inquérito policial ou processo. dificultando assim a identificação de seus possuidores. podendo ser acompanhada pelo ministério público. o requerente venha a formular novo pedido de interceptação. aparelhos especialmente preparados para efetuarem ligações sem custo para o seu possuidor. Atualmente e muito freqüente a utilização pelos marginais de telefones móveis denominados na gíria “fala-brasil” que são na realidade. fraudando assim as operadoras do sistema e sendo estes aparelhos registrados no nome de “laranjas” ou adquiridos com documentos falsos. apensos aos autos. sendo transcrito os trechos de maior importância em relatórios digitados. Após o deferimento da interceptação a mesma será conduzida pela autoridade policial. para que se resguarde o sigilo da diligência. ao qual deve ser dada ciência. não limitando a lei a quantidade de renovações. V – Demonstração ao judiciário dos meios a serem empregados na diligência. . Este tipo de diligência e procedida na pratica da seguinte maneira: após a obtenção pela autoridade policial da ordem de interceptação a mesma normalmente e encaminhada ao setor de inteligência da instituição. Todo o teor das conversas monitoradas e gravado em uma mídia. O prazo da interceptação e de 15 dias renováveis por igual período. sendo tudo encaminhado a autoridade policial a qual acompanha a diligência. e posteriormente por esta a justiça. Nada impede.

92 No requerimento de interceptação deverá a autoridade policial ou membro do ministério publico que tiver interesse em um desenvolvimento salutar de sua diligencia requerer que seja incluído na ordem judicial o seguinte: a) identificação pelas operadoras dos interlocutores das conversações. b) fornecimento dos dados cadastrais dos números monitorados e dos respectivos contatos.12. Porém. c) que permaneça a monitoração com o novo número na hipótese de substituição do “chip”. Min. especialmente em casos de seqüestro. Rel. Min. O STF já tem entendido que não há qualquer violação constitucional ao direito de privacidade quando “a gravação de conversa telefônica for feita por um dos interlocutores ou com sua autorização e sem o conhecimento do outro. d) fornecimento da posição geográfica “erb” das torres de transmissão dos sinais de telefonia celular.2001). Sepúlveda Pertence. DJU 25. Assim. se a referida gravação foi feita por um terceiro. para se obter uma localização aproximada do individuo que esta operando o terminal de telefonia móvel. conexo ao crime apenado com reclusão? A interceptação telefônica pode ser renovada mais de uma vez? . inclusive remetentes e destinatários das mensagens de texto. quando há investida criminosa desde último” (HC 75.98). não importando o conteúdo do diálogo assim captado” (HC 80949/RJ. o Supremo Tribunal Federal tem aceitado como lícitas as provas colhidas através de escuta telefônica. em alguns casos. providencia muito útil. a prova é considerada ilícita: “a prova obtida mediante a escuta gravada por terceiro de conversa telefônica alheia é considerada ilícita em relação ao interlocutor insciente da intromissão indevida. Poderá a interceptação telefônica ser admitida na hipótese de crime apenado com detenção. mesmo sem autorização judicial. desde que a conversa tenha sido gravada por um dos interlocutores. Rel. Nelson Jobim. DJ 14.338/RJ.09.

em 26. nos autos do RHC n.296/96. fibras óticas ou ondas eletromagnéticas. senão a que o legislador constitucional. unicamente autorizou a interceptação de comunicações telefônicas e em momento algum a de correspondência. Vicente Greco Filho. por ordem judicial.13. Ademais. entendeu-se pela não-exclusão precipitada desse crime. sendo relator o Ministro Gilson Dipp.é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. no ultimo caso. Prevê o inciso XII do Art. Interceptação telefônica. comunicação telefônica é a comunicação de voz entre pessoas por meio de uma rede interligada que se utiliza de cabos de metal. pois cabe ao juiz avaliar se há provas e definir eventual condenação. 1º: “O disposto nesta Lei aplica-se `a interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”. São Paulo. comunicações telegráficas e de dados. Nasce a discussão com a expressão constitucional “no ultimo caso”. o Ministro relator sustentou a sua admissão por igual prazo inúmeras vezes.8. Prevê o § único do Art. portanto a autorização constitucional de interceptação às comunicações de faxsímile. até "porque é impossível em escuta interceptada separar as conversas em razão de os fatos serem apenados de forma mais grave ou mais branda". 5º da CF: “. MSG etc) entre outras.2003. . transmissão de dados (e-mail. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”. Não se aplicando. Editora Saraiva. pois a lei não restringe a quantidade de tal renovação.93 Ambas as questões foram objeto de recente julgamento pela 5. do ponto de vista técnico. de dados e das comunicações telefônicas. Em primeiro lugar.274. pela leitura do referido inciso não deixa outra interpretação plausível ao interprete.a Turma do Superior Tribunal de Justiça. Neste sentido. Já no que se refere à renovação da medida. Questão interessante de ser abordada e quanto a constitucionalidade do parágrafo único do artigo primeiro da Lei nº 9. salvo. no que se refere ao crime apenado com detenção conexo com o crime apenado com reclusão.

a conclusão é a de que a Constituição autoriza. considerando-se serem os interlocutores entidades públicas e análogas à correspondência)”. julgado este que considerou como sendo licita a prova. tendo a autoridade policial. . 21. 17: “Com esse entendimento. onde ocorrem atividades ilícitas (tráfico de drogas. Existem determinados ambientes como favelas. no primeiro caso da filmagem em que uma das partes não tem conhecimento. estando a segurança pública no caso em tela acima de um eventual resguardar da intimidade. obrigação legal de investigar e evitar delitos. sendo necessário a colocação de câmeras em locais públicos. somente a interceptação de comunicações telefônicas e não a de dados e muito menos as telegráficas (aliás. nos casos nela previstos. Este tipo de prova e valido no processo penal? Entendo. ou locais totalmente dominados pelo poder do tráfico de drogas. Com relação a filmagens em locais públicos. Pág. parte esta que na maioria das vezes esta praticando uma extorsão ou uma ameaça. ruas. praças etc. o recurso da filmagem e a única maneira da vitima poder provar a ocorrência do delito. podemos utilizar por analogia o já citado julgado do STF referente à gravação de conversa telefônica por apenas uma das partes. especialmente em casos de corrupção/extorsão ou ainda a gravação efetuada pela polícia em locais públicos. estelionato etc).GRAVAÇÃO AMBIENTAL É muito comum na atualidade nos deparamos na mídia com gravações efetuadas sem o conhecimento de uma das partes. não e necessária autorização judicial para faze-lo.6 . que se torna inviável outros métodos de investigação. roubos.94 2ª Edição. 2005. para que se identifique os criminosos possibilitando assim a sua responsabilização penal. seria absurdo pensar na interceptação destas.

PROVA – Gravação ambiental – Realização por um dos interlocutores para proveito próprio – . não tem o condão de tornar nulo o processo. que neste locais a possibilidade de se conseguir testemunhas por exemplo e praticamente inexistente.909-3/2-00 – 3ª Câm. 792/611-16). Walter Guilherme. porém elas não podem servir de manto para a impunidade de elementos inescrupulosos que põem em risco toda a coletividade com seus atos ilícitos.. se o decreto condenatório se embasou em outras provas convincentes quanto à materialidade e autoria do delito. levada a efeito pelos presentes. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. a luz do principio da proporcionalidade. J. levada a efeito pelos presentes..95 haja vista. Segue jurisprudência a respeito do tema: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. de forma clandestina. AP. Ademais. tal meio probatório não tem o condão de tornar o processo nulo se o decreto condenatório se embasou em outras provas convincentes quanto à materialidade e autoria do delito (RT. Ementa da Redação: A gravação ambiental. de forma clandestina. PROVA – Gravação ambiental. J. Gomes Lima. que. 271. Devemos fazer valer as garantias individuais previstas em nossa Constituição Federal. pois trata-se de expediente para salvaguardar os direitos da vítima – Prova. evitando assim o cometimento de injustiças. ainda que considerada ilegal. Processo-Crime de Competência Originaria 000254110-0/00 – 3ª Cam. ainda que considerado ilegal. pois se trata de expediente para salvaguardar os direitos da vítima. não ofende os direitos constitucionais do agente que exige vantagem indevida. ademais. Nestes casos o aplicador do direito deve pesar os bens jurídicos tutelados. que agiu em legítima defesa. sem o conhecimento de um dos interlocutores – Meio probante que não ofende os direitos constitucionais do agente que exige vantagem indevida. 18-3-2003 – Relator: Dês. 20-22001 – Relator: Dês. sem o conhecimento de um dos interlocutores.

7 – DO SEQÜESTRO E DA INDISPONIBILIDADE DE BENS Será regulado o seqüestro e a indisponibilidade de bens pelo disposto no Art. p. poderão requerer o seqüestro ou a indisponibilidade do produto do crime ou de qualquer outro bem ou valor adquiridos com o proveito da atividade criminosa. sendo resguardado futuro perdimento de bens conseguidos através da atividade criminosa ou o eventual sucesso do ressarcimento das responsabilidades patrimoniais que podem vir a surgir com a revelação dos fatos e ainda visam evitar que o indiciado possa extrair vantagens de suas ações ilícitas.257/91 e subsidiariamente pelo capitulo VI do Código de Processo Penal. Segue uma definição de seqüestro formulada por Vicente Grego Filho em seu livro Manual de Processo Penal. 8. Ambas medidas são de natureza cautelar. fundada no interesse público e antecipativa do perdimento de bens como efeito da condenação. pelas leis nº 10. Durante a persecução penal a autoridade policial ou o ministério público. tendo por objeto dar apoio à persecusão penal. 243 § único da Constituição Federal. .96 Licitude de sua utilização. 163 : “o seqüestro é medida assecuratória. Ementa da Redação: A gravação de conversa por um dos interlocutores para proveito próprio não constitui prova ilícita. no caso de produtos do crime ou adquiridos pelo agente com a prática do fato criminoso”.409/02. 21. Indisponibilidade por sua vez é a medida cautelar que tem o objetivo de proteger o ressarcimento dos danos que o acusado causou com a sua conduta e de garantir que os seus bens adquiridos de forma ilícita possam no momento adequado ser retirados definitivamente do seu poder.

409/02). prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias. a decretação da perda do bem iria prejudicar a instituição financeira. Relevante alteração da lei nº 10. § 1º.409/02. da Lei 10. por vezes financiando a sua fuga ou investindo na continuidade de suas praticas ilícitas. da lei nº 10. Essa inversão inicia-se no momento em que há o nascimento da medida cautelar e perdura para efeitos de provimento jurisdicional definitivo com eventual sentença condenatória. 45. Muito comum também e a locação pelos traficantes de veículos para o transporte de drogas. controle. o qual muitas vezes se encontrava foragido e visava ainda beneficiar-se economicamente com a restituição de seus bens apreendidos.97 O art. Evidentemente que serão assegurados os direitos de terceiro de boa-fé. . passou a inverter o ônus da prova da prova da origem lícita dos objetos seqüestrados ou colocados sob indisponibilidade. também e um terceiro de boa-fé.. 243 da Constituição Federal o seguinte: “Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em beneficio de instituições e pessoal especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização.”. Deverão ser adotadas pelo juízo medidas visando a conservação dos bens apreendidos. para que não percam o seu valor econômico. a locadora neste caso. Anteriormente o pedido era apresentado pelo advogado do acusado. 44 § único. Prevê o parágrafo único do Art. Neste caso. Ex: uma pessoa compra um caminhão com alienação fiduciária e utiliza-o para traficar.409/02 e a obrigação do comparecimento pessoal do acusado em juízo na hipótese do mesmo formular pedido de restituição de coisa apreendida (art.

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21.8 - UTILIZAÇÃO PELA POLÍCIA DE BENS APREENDIDOS

Valiosa contribuição para o trabalho policial e o disposto no art. 46 e no seu § 1º : “Art. 46. Os veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte, os maquinários, utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza, utilizados par a pratica dos crimes previstos nesta Lei, após a sua regular apreensão, ficarão sob custódia da autoridade de policia judiciária, excetuadas as armas, que serão recolhidas na forma da legislação especifica. § 1º Havendo possibilidade ou necessidade da utilização de qualquer dos bens mencionados neste artigo, a autoridade de polícia judiciária poderá deles fazer uso, sob a sua responsabilidade e com o objetivo de sua conservação, mediante autorização judicial, logo após a instauração da competente ação penal, observado o disposto no § 4º deste artigo”. Disposição semelhante encontra-se no Art. 1º § único da Lei nº 8.257/91, de 26 de novembro de 1991. Portanto a autoridade polícia sentido a necessidade da utilização de veículos, embarcações, aeronaves etc, os quais eram utilizados nas atividades dos crimes previstos na lei antitóxicos, quer seja para melhor instrumentalizar a atividade policial quer seja para propiciar a conservação do bem apreendido, poderão mediante requerimento ao judiciário, após autorização utiliza-lo nas atividades policiais.

21.9 – INFORMANTES

A figura do informante, que e aquele elemento que traz informações à autoridade policial e seus agentes e de suma importância para a investigação dos mais variados ilícitos e especialmente o tráfico de drogas, pois muitas vezes uma pessoa que não e dos

99 quadros policiais tem mais facilidade para a obtenção de informações. Deve, no entanto a autoridade policial, tomar muito cuidado com estes elementos, mantendo-os fora das atividades policiais, as quais devem ser exercidas com exclusividade por policiais de carreira, evitando-se assim a figura do famigerado “X-9 ou ganso”, como e denominado na gíria policial aquele elemento que não e policial, porém fica dentro da delegacia praticando atos policiais, participando de diligencias e até mesmo andando armado.

21.10 - DENÚNCIAS ANÔNIMAS

As denúncias formuladas por pessoas que não desejam revelar a sua identidade são por vezes de grande ajuda nas investigações e devem ser registradas pela equipe de plantão, para serem juntadas posteriormente em um futuro inquérito policial que vier a ser instaurado com uma eventual prisão do denunciado. O investigador deve atribuir sempre um valor relativo a estas informações, pois elas podem partir de pessoas motivadas por diversas razões (vingança, sadismo, desequilíbrio mental, brincadeiras etc). O policial vai valer-se das mesmas para dar inicio as suas investigações, estas e que vão lhe dar um real subsidio para confeccionar um juízo de valor, acerca do denunciado.

21.11 - USO DE CÃES

A toda unidade especializada na repressão ou investigação de entorpecentes e essencial possuir um canil com cães treinados para a localização de drogas. O traficante se utiliza, dos mais variados subterfúgios para esconder a droga visando assim se livrar do flagrante. No interior de residências, dentro de presídios, aeroportos,

100 rodoviárias, em diligências na zona rural, em veículos, embarcações e especialmente em bagageiros de ônibus e cargas de caminhões e de grande utilidade o cachorro adestrado possibilitando além da economia de tempo a equipe policial, o efetivo encontro do entorpecente, o que muitas vezes e impossível, quando ele esta, por exemplo, enterrado em uma fazenda ou no meio de uma carga de uma carreta.

21.12 - BUSCA E APREENSÃO

Será necessário expedição de mandado de busca e apreensão para a entrada em residências quando o morador não estiver dentro do chamado estado de flagrante delito, hipótese esta que não se faz necessário ordem judicial para a entrada em residência alheia. Do contrario deverá a autoridade policial com fulcro no artigo 240 do Código de Processo Penal e artigo 5º, IX, da Constituição Federal, representar pela busca e apreensão domiciliar quando vislumbrar a necessidade de adentrar em uma casa que suspeite funcionar como ponto de venda de entorpecente, local de estoque de drogas, laboratório de produção de substancia entorpecente etc. Não se faz necessário à expedição de mandado de busca, para a busca pessoal e a busca em veiculo automotor quando este transitar em via-pública. Segue uma interessante decisão do 3º TRF extraído do livro do jurista Damásio de Jesus, Lei Antitóxicos Anotada, Sariva, 8ª edição, 2005, p. 171 : “De acordo com o TRF da 3ª Região: “a busca realizada em pessoa, com o fim de localizar e apreender substância entorpecente transportada no interior do seu organismo, em cápsulas ingeridas pelo sujeito ativo do crime de tráfico de entorpecentes, não se submete às regras do art. 5º, XI, da CF, que se restringe à busca domiciliar, apenas nesta situação sendo exigível o mandado judicial, dispensável o mandado para fins de prisão em flagrante de pessoa que esteja praticando ilícito penal,

ou ainda quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. no entanto. obrigando assim a polícia e os agentes de presídio a procederem da forma descrita no parágrafo anterior. são grandes produtores do entorpecente. Jacobina. sendo dispensável mandado judicial e estando legitimada a conduta dos policiais desde que seja caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objeto ou papéis que constituam corpo de delito. e. .LOCALIZAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE PLANTAÇÕES DE MACONHA E EXPROPRIAÇÃO DAS TERRAS DESTINADAS AO CULTIVO DE SUBSTÂNCIAS ENTORPECENTES A única droga que e produzida em todas as suas etapas em nosso País e a maconha. submete-se as regras do art. Estados como Bahia. engulam a substância entorpecente para dificultar o seu encontro e em visitas a presídios o meio mais comum de se transportar drogas aos detentos e a introdução das mesmas nos órgão genitais das “mulas”. produzida especialmente na região nordeste onde encontra um clima e uma condição de solo propicia ao seu desenvolvimento. 240 do mesmo Código” (RT. Sobradinho. É muito comum que as denominadas “mulas do tráfico” quando em viagens nacionais ou internacionais. Campo Formoso. “a submissão da pessoa a exame radioscópico para constatar a presença das cápsulas estranhas ao seu organismo e.101 como seria o caso de crime de tráfico de entorpecentes”. Rodelas. de modo a causar o menor constrangimento possível ao suspeito. ainda. em seguida. visando a apreensão dos objetos das alíneas b a f e h do § 1º do art. Na Bahia a produção e concentrada especialmente nas cidades de Xique-Xique. Juazeiro. 244 do CPP.13 . devendo agir. Senhor do Bonfim. Chorrochó. 799:704-5). 21. a lavagem estômago-intestinal. Pernambuco e Alagoas.

que torne difícil o seu transporte ou apreensão. Estados com Bahia e Pernambuco.368/76. na conformidade do disposto no § 2º do Art. sem indenização.257/91. haja vista. O trabalho de erradicação de roças de maconha e uma atividade altamente especializada e de alto risco. Essencial neste tipo de diligência a Policia. necessitando de equipamento e treinamentos adequados. barcos e armamento de longo alcance (fuzis).102 Paulo Afonso e adjacências. 243 da Constituição Federal prevê a desapropriação. Localizada uma plantação de maconha. ser muito comum as grandes plantações possuírem seguranças armados. da sua destinação para o assentamento de colonos etc. e comum também o largo uso de agrotóxicos para se evitar pragas. Tanto na Bahia como em Pernambuco as terras que são banhadas pelo rio São Francisco e em ilhas do mesmo e comum o encontro de plantações da droga. disponibilizar de helicóptero. Em Pernambuco. boa parte da produção e na região do município de Belém do São Francisco. A desapropriação das terras foi regulamentada pela Lei nº 8. armadilhas e cães de guarda. A planta da maconha necessita para o seu bom desenvolvimento de água em abundancia e solo fértil. O art. Providencia idêntica será adotada na hipótese da apreensão de grandes quantidades de entorpecente. para desenvolver a atividade. da decretação da perda de terras em favor da União. lavrando-se de tudo um auto circunstanciado. 40 da lei nº 6. determinar sua retirada e posteriormente a destruição da mesma. (expropriação) de terras onde forem localizadas culturas ilegais de substâncias entorpecentes e o confisco de bens apreendidos em decorrência do tráfico. GPS. que dispõe acerca do procedimento. fotografar a mesma. deverá a Autoridade Policial. possuem unidades especializadas das Polícias Civil e Militar. .

tanto do traficante como do usuário de entorpecente. localização de armas. a qual o interrogado não terá acesso. onde serão fixadas fotos tiradas no dia a dia do interrogado sem o conhecimento dele. fornecedor e destinatários do entorpecente apreendido. as perguntas formuladas e ao ambiente que o cerca. obtenção dos vulgos dos comparsas. a partir destas reações e que serão formulados os questionamentos. além do interrogado. esta técnica permitira ao interrogador fazer crer ao interrogado que possui em seu poder farto material probatório. o que ira fazer com que as defesas do interrogado passem a enfraquecer. números de contas bancarias. veículos e imóveis utilizados ou adquiridos com o dinheiro obtido com o tráfico. decoração discreta e de cor neutra. além de evidentemente o interrogatório deve seguir as regras determinadas nos Arts. O ambiente a ser realizado o interrogatório também e de suma importância. a qual conforme o caso poderá ter um pequeno mural. 185 a 196 do CPP e os ditames da Constituição Federal. extração da confissão dos envolvidos. .INTERROGATÓRIO POLICIAL DO USUÁRIO E DO TRAFICANTE Instrumento de grande valia na investigação e o interrogatório. duas testemunhas e a defesa. Escrivão de Policia. números de telefones.14 . que deve ser realizado sempre visando a identificação de outros integrantes da organização criminosa. O ideal e o interrogado ser colocado inicialmente sozinho na sala.103 21. Deve permanecer na sala o número mínimo de pessoas de preferência apenas o interrogador (Autoridade Policial). obtenção da rota do tráfico. devendo ser utilizada uma sala com poucos móveis. após um tempo adentrara na sala o interrogador que deverá ter em mãos uma pasta com farta documentação. Importante que o interrogador tenha habilidade para observar as reações físicas do interrogado. valor pago.

Poderá evidentemente a defesa do interrogado caso queira participar do interrogatório. deve pedir licença ao interrogado e sair da sala alegando. podendo se valer dos benefícios da confissão espontânea e da delação premiada. deixar o interrogado mais inseguro. colaborando com a investigação e com a justiça. sempre a juízo da Autoridade Policial. No entanto. temas já abordados no presente trabalho. não deixa de ser uma oportunidade impar para o interrogado oferecer a sua defesa. Tem o interrogado o direito de permanecer calado. e depois de um tempo razoável retornar com outros documentos e pastas desconhecidos para o interrogado. por exemplo. Deve a Autoridade Policial. que vai atender a um telefone urgente. caso observe que o interrogatório não esta caminhando da maneira que deseja.104 Não poderá o interrogador ter pressa. obter detalhes da vida pessoal do mesmo. mesmo o defensor não querendo assinar ao auto. consignar a sua presença no recinto e sua recusa injustificada em assinar o documento. . o interrogador se nutrir de conhecimentos sobre esta pessoa como. Por ser o inquérito policial procedimento inquisitivo e sem o contraditório a interferência da defesa e mínima. conversar com os Policiais que efetuaram a investigação. inquirir primeiramente testemunhas. tortura do seu cliente. neste caso se reduzirão a termo todas as perguntas formuladas e a negativa de responder as mesmas. entrar em contato com informantes etc. fato que será comprovado com as testemunhas presentes (no mínimo duas) e depois submeter o interrogado a exame de corpo de delito. Importante e antes de interrogar alguém. sendo salutar inclusive que o faça. por exemplo. Outra providencia salutar e a filmagem ou gravação do interrogatório e a juntada aos autos da respectiva fita. existem defensores que apesar de presentes ao interrogatório se recusam a assina-lo para depois em Juízo alegarem fatos inexistentes como. o que inclusive ira. por exemplo: fazer a pesquisa da sua vida pregressa.

no § 4º. O tráfico de entorpecentes. 2º. A quebra de sigilo bancário. a possibilidade de acesso a dados bancários. 1º. podendo ela ser decretada para a apuração de ocorrência de qualquer ilícito penal.15 – ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. com o escopo da formação de prova em processo penal. o qual irá informar a partir do CPF do representado. aonde o mesmo possui contas bancarias. A Autoridade Judiciária endereçara a ordem de “quebra” ao banco central. 11 da LC 105/01. § 4º. por exemplo) e dados da Receita Federal. 34 inciso I da Lei nº 10.034/95 e Art. deverá a autoridade requisitante expor a fundamentação da referida mediada e solicitando ainda o período da “quebra”. e 3º da Lei Complementar 105/200. FISCAIS E ELEITORAIS Prevêem os Art. recebeu juntamente com outros delitos tratamento diferenciado pela referida lei complementar. acesso ao banco de dados da Justiça Eleitoral (obtendo-se endereços.105 21. possuindo responsabilidade objetiva pelo mau uso destes dados conforme determinação do Art.409/02. apresentando por conseqüência os dados solicitados. é regida pela leitura conjunta dos Arts. pois possibilita a identificação e rastreamento de transações financeiras. colocando-o dentro de um elenco de prioridade na hipótese de decretação de quebra de sigilo bancário. fiscais e eleitorais. bem como a sua colocação sob vigilância. De grande utilidade e este recurso de investigação. civil e administrativa. decretada pela autoridade judiciária competente. em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial. inciso III da Lei nº 9. . Deve o servidor público que tiver acesso a dados oriundos de quebra de sigilo bancário resguardar o devido sigilo e fazer uso devido dos mesmos sob pena de responsabilização penal. inciso II da Lei Complementar 105/01.

Salvo se autorizadas.106 22 . portanto. 20 do novo Código Civil. que em situações que se faça necessário à manutenção da ordem pública ou ainda a administração da justiça. a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas.IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL Será permitido nos termos do disposto na Lei nº 10. Concluímos da leitura deste artigo. Por exemplo: A Polícia prende um estuprador que vitimou inúmeras mulheres. ou se se destinarem a fins comerciais. algumas peculiaridades devem ser observadas. ou a publicação. será realizada a identificação criminal de elementos envolvidos com o crime organizado. da Constituição Federal de . a transmissão da palavra. ou ainda na prisão de um grande estelionatário. LXV. a divulgação de escritos. PREVENTIVA E TEMPORÁRIA Existindo prisão em flagrante. 23. Inicialmente é preciso observar o disposto no artigo 5º. poderá se utilizar à imagem de pessoas. acerca dos Direitos da Personalidade: “Art.PRISÕES EM FLAGRANTE. poderá ser muito útil para fins do interesse da justiça e da manutenção da ordem pública a exposição da imagem dos mesmos. será necessária a exposição da imagem do mesmo na imprensa falada e escrita para que as vitimas se apresentem na delegacia. a qual dispõe que mesmo que identificados civilmente. desarticulação de uma importante organização criminosa etc. 20.”. ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública. Interessante disposição encontramos no Art. a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber. a boa fama ou a respeitabilidade.034/95. se lhe atingirem a honra. de um assaltante. 5º da Lei nº 9.054/2000 e do Art.

com a remessa pela autoridade policial de cópia do auto lavrado. A prisão em flagrante. especialmente as modificações introduzidas no auto de flagrante delito. o juiz exigirá todas as manifestações de garantias contidas na Constituição Federal. além da observância da comunicação em um prazo razoável. a informação sobre o direito que o preso tem de ser assistido pelos seus familiares. Qualquer descompasso entre o flagrante – espécie de notitia criminis que deflagra uma possível acusação – e a sua normatização fulmina o falgrante de nulidade. A valoração do que seja o advérbio temporal “imediatamente” não poderá ser de interpretação ampla. Assim. Somam-se as garantias constitucionais. o auto de flagrante deverá conter: o expresso direito do preso ficar calado. Todo ato acusatório precisa ser revestido da mais absoluta formalidade. não deixa de ser o germe de uma acusção estatal. ensejando a imediata liberdade da pessoa presa em flagrante. sob pena de despeito ao comando constitucional. embora espécie de medida cautelar. Esta exigência será facilitada pelo Poder Judiciário com a criação de mecanismos de plantão para o comando temporal não se torne inviável pela falta de possibilidade prática para o bom cumprimento normativo. com o atendimento de todas as expectativas legais e constitucionais. pela Lei nº 11. O auto de flagrante regular conterá elementos suficientes para que seja demonstrada a justa causa para a prisão.113 de 13 de maio de 2005 (lei do flagrante eficiente) e por fim expedição de nota de culpa devidamente explicitada. a imediata comunicação à família do preso ou à pessoa por ele indicada.107 1988. Ao examinar a regularidade do flagrante. através do relaxamento judicial. como reclama a Constituição Federal. apontando-se as circunstancias que levaram a Autoridade Policial a suspeitar dela. a exigência da observância das formalidades do flagrante contidas no Código de Processo Penal. A materialidade necessita de comprovação . O juiz deve ser comunicado imediatamente da existência de prisão em flagrante. A autoria será retratada.

a ordem econômica. que a mesma e um mal necessário. uma medida de segurança. no trafico de drogas o laudo de constatação ou ainda na . no entanto praticamente todos concordam em um ponto. a sua prova material ou seja no homicídio o laudo cadavérico. Em razão disto dizia Faustin Hélie: “A prisão preventiva é. A medida e prevista nos Arts. Mal porque qualquer privação de liberdade antes da sentença condenatória com transito em julgado e uma medida odiosa. 606). devendo haver para a sua decretação prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria. As investigações continuam. ou seja que o indigitado com sua liberdade venha a atrapalhar ou inviabilizar a colheita de provas. independentemente da provocação da defesa. cit. p. Encontramos os pressupostos para a decretação da prisão preventiva no Art.108 através do laudo de constatação provisório que analise qual a substância apreendida e a sua quantidade (o laudo de constatação já possui tópico próprio no presente trabalho). 312 do CPP. uma garantia da execução da pena e um meio de instrução” (Traité. porém decreta-se a mesma para que se evite por vezes um mal maior. por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal. o primeiro pressuposto se refere a materialidade do crime. Concluindo-se pela necessidade do relaxamento. que são os seguintes: “prova da existência do crime” e “indícios suficientes de autoria”. que priva o indigitado de sua liberdade com o escopo de resguardar a ordem pública. ao mesmo tempo. sem que a coação penal direta seja legitimada por atos viciados para efeito da medida cautelar do flagrante.. pela inobservância de qualquer formalidade legal ou constitucional. 311 a 316 do CPP. 4. Existem muitos autores que tecem duras criticas a prisão preventiva. Prisão preventiva e uma medida cautelar. este relaxamento deverá ser feito de ofício pelo Juiz ou provocado pela manifestação do Ministério Público. t. fugir impossibilitando o seu julgamento e conseqüente cumprimento da pena ou ainda se torne uma ameaça à ordem pública. porém.

ainda nas palavras de Tourinho em seu livro Processo Penal Vol. testemunhas ou documentos que demonstrem que de fato o crime ocorreu. entendimentos estes certamente equivocados. sem que se consiga surpreende-lo em estado de flagrância. ou incitando ao crime. ser um absurdo o estado ao invés de garantir a integridade física do réu. para que ele seja devidamente julgado. Existem alguns entendimentos isolados na jurisprudência que o fato do réu ou indiciado estar sendo ameaçado pela vitima ou familiares desta estaria autorizado a decretação da medida cautelar. 25ª edição. b) garantia da ordem econômica. se o indiciado ou réu estiver cometendo novas infrações penais. a tranqüilidade no meio social.”. seja por haver indícios que o mesmo ira praticar crimes contra a vitima ou seus familiares. mas indícios suficientes para fazer crer no julgador que o indigitado e o possível autor do ilícito. se estiver fazendo apologia de crime. para que possa o julgador decretar a prisão preventiva. . segregá-lo a prisão antes do transito em julgado da sentença condenatória. pág 490: “Ordem pública. ou se reunindo em quadrilha ou bando. haverá perturbação da ordem pública. o segundo pressuposto reza que se deve contra o indigitado haver quase que uma certeza da sua participação no ilícito. é a paz. não se faz necessário no entanto indícios concludentes como em uma condenação. Assim. Entende-se por ordem pública a chamada paz social onde os indivíduos integrantes de uma sociedade vivem dentro de um clima de normalidade. Deve existir o chamado fumus boni júris. c) conveniência da instrução criminal e d) assegurar a aplicação da lei penal. 312 do CPP. devera a medida cautelar ser decretada evitando-se um mal maior. enfim.109 ausência de provas periciais. Refere-se a lei no mesmo Art. haja vista. ao chamado periculum in mora. Deve o julgador ao decretar uma prisão preventiva basear-se nos seguintes elementos: a) garantia da ordem pública. 03. no instante que o indiciado ou o réu seja por ser um criminoso contumaz de alta periculosidade.

312 do CPP. havendo farta jurisprudência nestas hipóteses. Tourinho em sua já citada obra na pág 492 diz: “. 7. Poderá o réu ou indiciado prejudicar a aplicação da lei penal quando. de ter residência fixa e profissão definida. aliciando testemunhas falsas.492/86. total ou parcialmente.521/52 etc. de ter instrução superior. praticando atos que possam prejudicar a colheita de provas para a formação de uma livre convicção por parte do julgador. dificultando o andamento do processo e tornando incerta a aplicação da lei penal. ser industrial. ameaçando policiais. a concorrência “ (art..110 Não devemos confundir ordem pública com o estardalhaço causado pela imprensa quando da ocorrência de um ilícito. “lei antitruste”..137/90). ou inutiliza bens de produção ou de consumo . ou seja.884/94. com o fim de estabelecer monopólio ou de eliminar. subornando peritos. Da mesma forma não impede a decretação da prisão preventiva o fato do acusado ter se apresentado espontaneamente a Autoridade se estiverem presentes os pressupostos legais para a decretação. por exemplo. ou ainda nas leis nº 8. Será a custodia conveniente para a instrução criminal quando o réu ou indiciado estiver ameaçando vitima ou testemunhas. sonega.”. destrói. Não impede a decretação da prisão preventiva as circunstancias do réu ser primário e de bons antecedentes.137/90. 1. ter família etc. Nem mesmo a pratica de um crime definido como hediondo autoriza a decretação da prisão preventiva quando não estiverem presentes os requisitos do Art. Garantia da ordem econômica se faz necessário preservar nas hipóteses previstas no art. é defensável a decretação da prisão preventiva do comerciante que “açambarca. se observe que o mesmo tenta fugir ou se escusa a comparecer ao chamamento judicial. 20 da lei nº 8. 4º da Lei nº 8. .

as condições de admissibilidade para a decretação da prisão preventiva. 313 e seus incisos do CPP. portanto incabível em crime culposo. Devera ainda o crime ser apenado com reclusão. Poderá haver decretação da prisão preventiva em crimes apenados com detenção quando se ficar demonstrado nos autos que o indiciado e vadio. ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita. sendo.” Ou ainda quando existir duvida com relação a identidade do indiciado. na hipótese do Juiz verificar que existem nos autos provas que indicam ter o indiciado ou réu praticado o crime inserido em uma da causas de exclusão da ilicitude. Poderá ser decretada a prisão preventiva em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal obedecendo ao disposto no art. sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência. 311 do CPP. seja por que o mesmo não forneceu dados suficientes seja outros motivos. Não se admite em razão da lei utilizar-se da palavra crime a decretação da prisão preventiva nas chamadas contravenções penais. entende-se por vadio o disposto no art. Não existe qualquer obste legal para a decretação da medida antes da conclusão do inquérito policial. Não será permitida a decretação da referida mediada cautelar nos termos do Art. .111 A prisão preventiva depende diretamente de circunstancias pessoais do acusado para a sua decretação. Prevê o Art. podendo não haver igualdade de tratamento entre co-réus em caso de concurso de pessoas. sendo admissível a medida com relação a um e não a outro co-autor. 59 da LCP “entregar-se alguém habitualmente à ociosidade. Ainda caberá a decretação da prisão preventiva quando o réu já houver sido condenado por crime doloso com sentença transitada em julgado. Somente será possível a imposição da medida nos crimes dolosos. sendo válido para o trabalho. 314 do CPP. mesmo na hipótese da inexistência do inquérito poderá o Representante Ministerial requerer a medida se julgar necessário.

V. 315 do CPP. Da decisão do Juiz que indeferir o requerimento caberá no entanto recurso em sentido estrito Art. sob pena do Magistrado ver a sua decisão atacada mediante hábeas corpus em decorrência de constrangimento ilegal. 581. 572/358). Não existe recurso contra a decisão que decreta a prisão preventiva restando ao indigitado recorrer ao hábeas corpus. Decidiu-se no entanto que não constitui constrangimento ilegal a decretação da medida nesta hipótese (RT 598/394). conforme o Art. A apresentação espontânea do acusado não impedira a decretação de sua prisão preventiva nos termos do Art. . existem elementos para o oferecimento da denuncia. Tanto o despacho que conceder como o que denegar a prisão preventiva devera ser fundamentado. falta de fundamentação legal. com base em constrangimento ilegal. conforme o disposto no Código Eleitoral. estranheza por conceder um verdadeiro salvo conduto aos marginais que se encontram com a prisão decretada e poderão neste período caminhar livremente pelas ruas afrontando as autoridades e até mesmo suas vitimas. Argumentando-se para tanto que se existem fundamentos para decretar a prisão preventiva. Não poderá a prisão preventiva ser cumprida desde 05 dias antes e 48 horas depois o enceramento das eleições. causa sem duvida. Após a decretação da Prisão Preventiva caso a mesma seja decretada no decorrer do inquérito policial terá a Autoridade Policial 10 dias para concluir o inquérito contado da captura do meliante.112 Existem entendimentos que não e possível o deferimento da medida na hipótese da devolução dos autos por parte do Ministério Público a Autoridade Policial para a realização de novas diligencias (RT 564/330. inexistência dos pressupostos etc. 317 do CPP poderá servir no entanto de circunstancia que facilite a sua revogação conforme o caso. Esta medida. do CPP.

caso venha observar ausência de motivo para a sua subsistência ou ainda novamente decreta-la se sobrevierem motivos para tanto. tendo sido criada com o escopo de eliminar as chamadas prisões correcionais ou por averiguação que anteriormente a vigência da Constituição Federal de 1988 eram amplamente utilizadas. Lei nº 8. 12 Inc. 311 do CPP.960/89 e são os seguintes: “ I – quando imprescindível para as investigações do inquérito policial”. prisões cautelares sendo atualmente prevista na Lei nº 7.. na fase do inquérito policial e pelo prazo de 05 dias prorrogados por igual período ou ainda na hipótese da ocorrência de crimes hediondos. mediante requerimento do Ministério Publico ou do querelante ou ainda conforme normalmente ocorre mediante a representação da Autoridade Policial. As hipóteses de cabimento desta custodia cautelar estão previstos nos incisos do Art.072/90. Evidentemente que a Autoridade competente para apreciar estes “pedidos” e a Autoridade judiciária. IV do CPP. constituindo-se inclusive em um de seus deveres conforme dispõe o Art. Será necessária a custodia do indiciado quando este de qualquer forma . Esta modalidade de supressão da liberdade somente poderá ser imposta por ordem judicial. A medida poderá ser decretada. pelo prazo de 30 dias podendo da mesma forma ser ampliada pelo mesmo prazo. 1º da Lei nº 7. até mesmo porque esta autoridade vislumbra primeiro a necessidade da decretação da referida medida. A prisão temporária e uma medida acauteladora que restringe a liberdade de locomoção do indiciado por tempo determinado para possibilitar as investigações policiais na fase do inquérito sendo somente decretada na ocorrência de crimes graves.113 Poderá Autoridade Judiciária valendo-se do Art. A prisão temporária e gênero das chamadas. conforme o disposto no Art.960 de 1989. 316 do CPP revogar a prisão preventiva no decorrer do processo. podemos concluir por este inciso primeiramente que a prisão em estudo nunca poderá ser decretada antes da instauração por parte da Autoridade Policial do competente inquérito.

12 da Lei 6. d) extorsão mediante seqüestro (art. e sua combinação com o art. e sua combinação com o art. 267. . caput. 2º e 3º). além da prisão de seus autores servir de exemplo a futuros meliantes. g) atentado violento ao pudor (art. caput. de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal. em qualquer de suas formas típicas. de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: a) homicídio doloso (art.06. de 16.10. c) roubo (art. de 21.1986). 2º e 3º).”. 223 caput.492. 288).114 puder prejudicar a colheita de provas e a completa elucidação do ato criminoso. este inciso deixa claro a preocupação do legislador em evitar a fuga do indiciado inviabilizando assim a salutar conclusão do inquérito policial.889 de 1. e parágrafo único) i) epidemia com resultado de morte (art. m) genocídio (arts. o) crimes contra o sistema financeiro (Lei 7. devendo a Autoridade Policial ou membro do Ministério Publico deixar claro em seu “pedido” a necessidade do encarceramento do indiciado para o bom andamento das investigações policiais. caput. e parágrafo único). l) quadrilha ou bando (art. e seu § 2º).368. caput. “ III – quando houver fundadas razões. b) seqüestro ou cárcere privado (art. 219. 148. n) trafico de drogas (art. combinado com o art. 159. 213. 157. elementos estes colhidos no inquérito policial em andamento. 2º e 3º da Lei 2. 270. 223 caput. foram estes delitos elencados na lei em estudo em razão da revolta social que provocam com sua ocorrência necessitando o aparato estatal dar uma rápida resposta à sociedade.10. e seus §§ 1º. caput.1976).1956). “II – quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade”. caput. 121. 214. 1º. 223 caput. e sua combinação com o art. caput. todos do Código Penal. e seus §§ 1º e 2º). h) rapto violento (art. § 1º). e parágrafo único). e seus §§ 1º. A expressão “fundadas razões” refere-se a indícios suficientes da participação ou autoria do indiciado nos referidos crimes e ainda prova da materialidade do fato. 285). j) envenenamento de água potável ou substancia alimentícia ou medicinal qualificada pela morte (art. f) estupro (art.

Devera o indiciado ainda no momento de sua prisão ser informado de suas garantias constitucionais. A doutrina e o direito pretoriano deixaram de lado a interpretação gramatical do texto. determinar que o preso lhe seja apresentado e solicitar esclarecimentos informações da Autoridade Policial e submeter o indiciado a exame de corpo de delito. apreciada pelo Juiz mediante a Representação da Autoridade Policial ou Requerimento do Ministério Público. Poderá o Magistrado de oficio ou a requerimento do Ministério Público ou do Advogado. Restrição esta a meu ver salutar. Deverá o despacho do Juiz que decretar a prisão temporária ser fundamentado sob pena de nulidade.115 Segundo a redação dos incisos I e II. para o Magistrado fundamentadamente decidir sobre a prisão. percebe-se que os mesmos fazem menção a toda e qualquer infração e o inciso III somente a aquelas ali relacionadas. Deverá em decorrência da mesma lei todas as comarcas e seções judiciárias haver um plantão permanente de 24 horas do Poder judiciário e Ministério Público para a apreciação da prisão temporária. e . isto em razão da urgência da medida. e restringiram a prisão temporária apenas àqueles crimes previstos no inciso III. não podendo em decorrência do disposto na lei o Magistrado expedir de oficio a prisão temporária devendo sempre aguardar solicitação.960/89. Nada impede que o despacho seja posteriormente reconsiderado caso se apresente fatos que indiquem não mais ser a medida necessária. O parecer ministerial não vincula a decisão do Juiz. A lei estabeleceu o prazo de 24 horas. Recebendo a representação da Autoridade Policial o Juiz deverá obrigatoriamente encaminhar os autos para o Ministério Publico opinar. pois do contrario estaríamos institucionalizando a odiosa prisão para averiguações. Será a prisão temporária segundo o Art 2º da Lei nº 7. contado do recebimento da representação ou requerimento. Será o mandado de prisão expedido em duas vias sendo que uma delas servira de nota de culpa ao indiciado.

o despacho que relaxar a prisão deverá ser fundamentado apresentando as razões da medida. Julio Fabbrini Mirabeti e Ismar Estulano Garcia. a autoridade mandara recolhe-lo à prisão . haja vista.” . advogado ou qualquer outra respeitando-se os regulamentos referentes às visitas a estabelecimentos penais e Delegacias de Policia. no entanto de difícil ocorrência na pratica. Devera valer-se para tanto a Autoridade Policial do disposto no § 1º do Art. estando proibida por disposição constitucional a sua incomunicabilidade podendo entrevistar-se com pessoa da família. No entanto poderá ocorrer que após a regular autuação em flagrante do conduzido chegue ao conhecimento da Autoridade Policial que o flagranteado não e o autor da infração. 24 . Hipótese. Dispõe o referido dispositivo legal que: “resultando das respostas fundada suspeita contra o conduzido.PODE A AUTORIDADE POLICIAL RELAXAR A PRISÃO EM FLAGRANTE? Sim poderá. diante da leitura deste parágrafo chegamos a conclusão que se não resultar suspeita poderá a Autoridade Policial relaxar a prisão do flagranteado. O indiciado sujeito a prisão temporária devera ficar em compartimento separado dos demais detentos. no mesmo sentido Fernando da Costa Tourinho Filho. ... 304 do CPP.116 O prazo da prisão como já dito e de 05 dias prorrogáveis em caso de extrema e comprovada necessidade por igual período ou na hipótese de crimes hediondos o prazo e de 30 dias podendo haver prorrogação caso se demonstre a necessidade da medida. que o exame da legalidade da prisão se da sempre antes da sua lavratura.. podendo a Autoridade Policial inclusive incorrer em abuso de autoridade caso de outra forma venha a proceder.

tornando assim até mesmo perigoso o armazenamento destas substancias.117 25 . serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas.368/76. Na pratica a aplicabilidade na integra deste artigo se torna inviável. hipótese que será competente a Justiça Militar) ou ainda quando o delito for praticado em detrimento de bens. especialmente de Delegacias Especializadas. Em decorrência disto por analogia ao referido artigo e comum após . referente aos crimes previstos na Lei nº 6. conforme determinação do § 1º da Lei nº 6. 109 da Constituição Federal. haja vista. a bordo de aeronaves ou embarcações (exceto as militares. conforme determina o Art. para proceder à investigação. acabarem em razão da demora processual e do grande número de apreensões. quando ocorrer tráfico internacional.DESTINAÇÃO DO ENTORPECENTE APREENDIDO O entorpecente ficará sob a guarda da Autoridade Policial. muitas vezes a Autoridade Policial. será de competência da Justiça Estadual e das Policias Civis. por ficarem com os depósitos lotados. o julgamento e investigação dos crimes previstos na legislação antitóxicos. sendo após o transito em julgado a droga enviada ao Ministério da Saúde. interestadual. até o transito em julgado da sentença. o qual deverá decidir o seu destino. Será competente a Justiça Federal e por conseqüência a Policia Federal.368/76.COMPETÊNCIA DAS JUSTIÇAS FEDERAL E ESTADUAL Não existe dificuldade para se determinar à competência no tocante ao julgamento e concessão de medidas cautelares. 26 . Ressalvadas as hipóteses acima citadas.

613/98. Falta. origem. especialmente o de “colarinho branco” tem muito mais medo de ficar pobre. de crime: I – de tráfico . A tipicidade do crime antecedente. O criminoso. Prevê o Art. para efetuar a recuperação deste capital. de modo a tornar inviável a atividade criminosa. localização. Mas passados sete anos será que os órgãos do sistema penal sabem utiliza-la? Não.”. Ministério Público e Poder Judiciário. disposição. A maneira mais eficiente de se desarticular o crime organizado e exatamente conseguir. Lavagem de dinheiro.613 de 03 de março de 1998.118 solicitação da Autoridade Policial o Juiz autorizar. com aparência de terem origem lícita. 27 . do que ir preso. direta ou indiretamente. Sabemos prender. pagina – 38. São Paulo. direitos ou valores provenientes. principalmente capacitação dos Organismos Policiais. 1º da Lei nº 9.LAVAGEM DE DINHEIRO Importante marco legislativo nacional foi à promulgação da Lei nº 9. mas não sabemos recuperar ativos. 2003. de sempre identificar o patrimônio adquirido ilicitamente com o produto do crime. a denominada lei de lavagem de dinheiro. lavrando-se auto circunstanciado do evento que deverá até por medida de cautela ser fotografado e filmado. Segue um conceito de lavagem de dinheiro extraído do livro de Antonio Sérgio ª de Moraes Pitombo. movimentação ou propriedade de bens. Editora RT. a incineração da mesma. “Desse modo. o seguinte: “Ocultar ou dissimular a natureza. entende-se que a lavagem de dinheiro consiste em ocultar ou dissimular a procedência criminosa de bens e integra-los à economia. de forma a criar uma cultura. descapitalizar os seus integrantes. após evidentemente a droga ter sido periciada.

119 ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins; ... Pena – reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos e multa”. Prevê o Art. 2º da mesma lei: “Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: II – independem do processo e julgamento dos crimes antecedentes referidos no artigo anterior, ainda que praticados em outro país;”. Pode-se concluir destes artigos a importância dada ao legislador ao crime de tráfico de entorpecentes, o qual ocupou o inciso primeiro do artigo 1º da lei de lavagem de dinheiro, preocupação esta certamente por ser o tráfico de drogas, um dos delitos que mais se dedica a lavagem de dinheiro. O traficante ao obter lucro com sua atividade maléfica necessita “limpar” este dinheiro, fazendo-o de inúmeras maneiras. Poderá a lavagem de dinheiro, ocorrer de formas mais simples, como por exemplo, a utilização de “laranjas” ou de documentos roubados para a aquisição de imóveis, automóveis, obras de arte, abertura de empresas etc, ou ainda de formas mais sofisticadas, como por exemplo, o envio de dinheiro ao exterior, aplicações em bancos estrangeiros, investimentos em bolsas de valores. São muito utilizadas para a lavagem de dinheiro, do tráfico de drogas, as aquisições de empresas como hotéis, restaurantes, postos de combustível, agências de viagens, lojas de material de construção e outros empreendimentos que permitam uma grande circulação de capital em espécie, com a conseqüência emissão de “notas frias”, tornando assim “quente” o dinheiro ilegal. Não será necessário o processo ou o julgamento do crime anterior, para a deflagração da ação penal pelo delito de lavagem de dinheiro. Certamente foi incluída esta previsão de duvidosa constitucionalidade, em razão, da demora processual em nosso país o que acabaria por inviabilizar a punição do “lavador de dinheiro”. Agora evidentemente que a Autoridade Policial, que estiver presidindo uma investigação sobre tráfico de drogas, deverá durante o curso dela ou ainda, após a prisão do traficante, fazer um levantamento

120 dos bens por ele adquiridos e procurar relacionar os mesmos com o dinheiro ilícito, provando, por exemplo, a desproporcionalidade do patrimônio do investigado com os ganhos por ele alegados, procurando ainda investigar a saúde financeira dos supostos “laranjas”, solicitar a quebra de sigilo bancário do investigado e dos demais envolvidos e muito comum a utilização de contas bancarias de parentes ou de empregados, efetuando o criminoso sempre pequenos depósitos para não levantar suspeitas do COAF, utilizando-se para tanto de diversas contas bancarias. Deverá, portanto ser demonstrado, sob pena de naufragar a ação penal do delito em estudo, fortes indícios do crime antecedente, o que possibilitará o seqüestro ou bloqueio dos bens adquiridos com dinheiro proveniente de atos ilícitos. Deverá o acusado por força do disposto no § 3º do Art. 4º, comparecer pessoalmente perante o Juiz para solicitar a restituição dos bens, evitando-se com isto que o acusado permaneça foragido, sendo o pedido de restituição apresentado pela defesa. Poderá o Juiz de oficio, por requerimento do Ministério ou representação da Autoridade Policial, determinar o seqüestro ou apreensão de bens, objetos ou valores do acusado. O Brasil infelizmente por ser um corredor de passagem de paises produtores de entorpecentes e apontado como sendo um dos principais pontos de lavagem de dinheiro no mundo.

28 – IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PENAS ALTERNATIVAS AOS CONDENADOS AOS ARTIGOS 12, 13 E 14 DA LEI Nº 6.368/76

Os crimes previstos nos referidos artigos, apesar da pena mínima cominada para esses ilícitos ser de 3 anos, parece-nos absolutamente inviável a aplicação dos

121 benefícios da Lei nº 9.714/98, aos traficantes. Com efeito, existe lei especial tratando do tema, qual seja, a Lei nº 8.072/90, que em seu Art. 2º, § 1º estabelece o cumprimento integral da pena em regime fechado para os crimes hediondos, tráfico de entorpecente e terrorismo. As novas regras são genéricas e, portanto não podem se sobrepor à lei especial que é expressa a respeito do assunto. Como substituir a pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos, se existe lei dispondo o cumprimento integral em regime fechado? Ademais, chega a ser extremamente estranho que o juiz imponha uma pena substitutiva ao traficante e, caso este descumpra a pena imposta, seja revogado o beneficio e tenha ele de cumprir a pena privativa de liberdade no sistema integralmente fechado. Esse, porém, não é o único argumento, o Art. 44, III, do CP, somente permite a aplicação das penas substitutivas quando, dentre outros requisitos, a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstancias do crime indicarem que essa substituição seja suficiente. Ora, admitir a aplicação da pena substitutiva ao traficante significa ignorar que ele comete o delito apenas em busca de lucros financeiros, sem qualquer pudor em relação a toda gama de malefícios que traz à sociedade. O traficante, de grande ou de pequeno porte (já que os esforços se unem para que o tóxico cheque ao destinatário final) é um dos responsáveis diretos pela onda de crimes que avassala o país: chacinas cometidas quase que diariamente na luta por pontos de vendas de entorpecentes, a corrupção tomando proporções inimagináveis, jovens praticando toda sorte de crimes patrimoniais para a obtenção de recursos visando a aquisição da droga, crianças atuando como intermediários do tóxico, tráfico de armas etc. Além disso, não podemos esquecer os males que a droga traz para a saúde e para a própria vida do usuário, seja ele viciado ou não.

IV). e perfeitamente compatível com as penas alternativas. As quadrilhas de narcotraficantes estão instaladas em praticamente todos os países do mundo. . sendo certo deve ser fixado o regime (inc. de tal sorte que o traficante não se amolda no mencionado Art.122 Por todos motivos. Outro argumento dos defensores da tese que permite a aplicação das penas restritivas aos traficantes é de que a pena alternativa melhor se adapta e é mais justa no caso de pessoa flagrada ao compartilhar um cigarro de maconha com um amigo. entretanto está em desacordo com o texto legal. parece-nos que a substituição por pena restritiva de direitos não é medida suficiente para a repressão e a prevenção do crime. acessória jurídica e treinamento policial/militar. III do Código Penal. Os que defendem a aplicabilidade do instituto ao tráfico alegam que o juiz não deve se quer fixar o regime de cumprimento de pena quando percebe ser possível a substituição em razão do montante da pena fixada. no entanto. na hipótese. deve ser reconhecido o delito de porte de entorpecentes. judiciário. Nesse caso. policias e ministério público. além estreita ligação com o poder publico. 44. III) e só posteriormente verificada a possibilidade de aplicação de pena substitutiva (inc. Assim. todavia apesar de os manuais de direito ensinarem que o delito em tela é o trafico. Muitas campanhas eleitorais são financiadas com o dinheiro do tráfico de drogas. possuindo organização empresarial. 59 estabelece uma seqüência a ser seguida pelo magistrado. o juiz fixa o regime integral fechado em fase anterior. uma vez que os incisos do Art. Esse argumento. 29 -CONCLUSÃO O tráfico de drogas e uma das atividades ilícitas que mais trazem lucros aos seus integrantes. e quase pacifico no entendimento jurisprudencial de que. sendo incabível a substituição.

conforme já disposto no Art. pois o criminoso não escolhe hora para delinqüir e normalmente fazendo-o em horas e dias diversos (finais de semana e feriados) momentos em que e impossível se encontrar um Juiz para despachar uma representação de busca e apreensão. Será necessário para combater este ilícito a adoção de diversas medidas de caráter legislativo e operacional. Outra medida importante para o bom andamento da investigação e a regulamentação da condução coercitiva daquele que após regularmente intimado por varias vezes deixa de comparecer. sem qualquer justificativa na Delegacia.034/95. sendo desperdiçado o principio da oportunidade que norteia a investigação policial. melhor qualificação de policiais judiciários visando a criação de grupos especializados na investigação deste delito. evidentemente que após o cumprimento do mandado haveria um controle por parte do Ministério Público e do Judiciário acerca da legalidade da medida. melhor remuneração dos órgão policiais evitando-se com isto a corrupção. seria a condução coercitiva realizada nos mesmos .123 comprometendo assim uma parcela de políticos. visando que o proveito obtido com o trafico seja revertido em beneficio de instituições de tratamento e recuperação de dependentes químicos e melhor aparelhamento dos órgãos de investigação e repressão. causou grande prejuízo ao trabalho policial e a sociedade. e sem duvida uma desvalorização deste importante profissional que a exemplo de Juízes e Promotores e também bacharel em direito. A retirada desta atribuição do Delegado de Polícia. como por exemplo: aprimoramento da legislação referente ao seqüestro de bens e lavagem de dinheiro. desdenhando da figura da autoridade. que depois de eleitos terão que trabalhar para quem os patrocinou. 4º da Lei nº 9. retornar para a Autoridade Policial a atribuição de expedir mandados de busca e apreensão. a retirada desta atribuição do Delegado de Policia. aprovado em concurso público e ainda passou por meses de academia de polícia para poder exercer o seu cargo.

se profissionalizar os soldados evitando o que acontece atualmente. táticas de . É fato notório que a única droga que o Brasil. flagrou o publicitário Duda Mendonça em uma rinha de galos. uso de armamentos. recebendo farto treinamento de combate.124 moldes da busca e apreensão. muito necessário e a atribuição da garantia da inamovibilidade da Autoridade Policial. o qual e basicamente preventivo e ostensivo. Pouco tempo após veiculou nos meios de comunicação que o referido Delegado tinha sido removido da Delegacia em que era lotado. devendo unicamente. com o jovem que ingressa para o serviço militar obrigatório. inteligência. são as Forças Armadas. recentemente tivemos um exemplo disto quando um Delegado da Policia Federal. III. saques a nossa flora. Prevê a Constituição Federal em seu Art. com o controle posterior do Ministério Público e Judiciário. tem a Policia Federal condições por mais boa vontade e profissionalismo que tenham seus integrantes de exercer a contento este tipo de Policiamento. ou seja. passagem de veículos e cargas roubados em nosso território além de tantos outros delitos. por onde ainda e praticado o tráfico de armas e animais. tendo sido o publicitário corretamente conduzido a Delegacia e lavrado o procedimento pertinente. que até pela sua natureza teriam melhores condições de desenvolve-lo. 144 § 1º. exercer as funções de polícia marítima. pois e fato comum em nosso País quando o Delegado durante a investigação acaba por descobrir o envolvimento de pessoas influentes na sociedade e efetuada a sua transferência pelo poder político que coloca em seu lugar outro Delegado a serviço dos interesses deste grupo. todo o restante entra pelas nossas fronteiras. chegando a ficar por oito anos no quartel quando atinge o posto de cabo ou quatro anos como soldado. que incumbe a Policia Federal. e ainda desenvolver todas as outras atividades que lhe são pertinentes. Quem deveria fazer este tipo de policiamento. produz e a maconha. contrabando. e realmente um absurdo acreditar que com um País com as dimensões continentais do Brasil. aeroportuária e de fronteira. no entanto.

para o administrador do . e encontrado uma impressão digital. imediatamente o enviariam por fax ou e-mail. impressões digitais e tipo sanguíneo de todas as pessoas. informações estas que seriam incluídas no momento em que alguém tira o documento de identidade por exemplo. assaltantes de bancos e outros criminosos. Serasa. existindo este banco de dados em minutos . de inteligência e as Forças Armadas. como já existe em diversos países. SPC etc. devendo ainda existir um cadastro especifico de condenados onde se teria a foto. profissional e bem equipada para guarnecer as nossas fronteiras. o autor do crime seria preso. tipo sanguíneo e o DNA do condenado. sendo que muitos deles acabam por não serem assimilados no mercado de trabalho. onde todas os organismos policiais. um banco de dados nacional das pessoas. dados da receita federal. um fio de cabelo. primeiros socorros etc. praticamente nada pode ser feito se a Autoridade Policial. afinal aprenderam apenas a serem militares. hoje quando em um local de crime. o que sem duvida iria ser de grande utilidade na elucidação de crimes. que pagam para que o ex-militar ministre os conhecimentos que possui e ainda faça manutenção nos armamentos da quadrilha. Atualmente não se pode dizer que os milhões gastos com as Forças Armadas brasileiras são bem empregados. arcada dentaria. Justiça Eleitoral. vestígios de pele debaixo das unhas de um cadáver. afinal qual e a utilidade social destes milhares de soldados dentro dos muros dos quartéis? Necessário também e que seja feito de fato. O Brasil precisa de uma Força Armada pequena.125 guerrilha. para depois ser posto para fora da instituição militar. não tiver um suspeito para fazer a devida comparação. também na medida que expedissem um mandado de prisão. Deverá este banco de dados ter as fotos. ainda em estado de flagrante. e estando desempregados são presas fáceis dos traficantes. impressões digitais (palmares e plantares). marcas de sangue. qualificação. possam ter acesso a dados da vida pregressa do pesquisado. Os Juizes.

o que evitaria os denominados “fala-brasil” e cadastramento de aparelhos em nome de “laranjas”. È ainda que se desenvolva uma tecnologia capaz de uma localização geográfica exata e rápida do usuário do telefone móvel (utilização de GPS. Deve o legislador impor mais exigências na aquisição de telefones celulares. Não basta nos presídios a colocação de bloqueadores de telefones. conviver com as brutalidades praticadas por adolescente que se valem da idade como um verdadeiro manto . por exemplo. pois como se sabe. no sentido de não permitir que lojas de consertos e habilitação de celulares não credenciadas com as operadoras funcionassem. O aparelho de telefone celular preferido dos marginais e aquele que possui “chip”. deveria ser proibida a comercialização deste tipo de aparelho no Brasil. por exemplo). em razão dos avanços tecnológicos da industria de telefonia. o qual só serve para melhor instrumentalizar o criminoso. dificultando a monitoração telefônica. Providencias também. não mais e possível. providencia esta que em muito dificultaria a utilização destes aparelhos pelos marginais no tráfico de entorpecentes e armas. seqüestros e o seu uso no interior de presídios.126 sistema que de pronto disponibilizaria o mesmo para as consultas dos organismos autorizados. troca o número da linha telefônica. que possuem em seu poder dezenas de “chips” pois cada vez que o substitui. sendo freqüente a prisão de traficantes. e somente seria liberada a venda do aparelho após a averiguação da veracidade da documentação e pelo menos a cada seis meses deveria ocorrer um recadastramento sob pena do usuário ter a sua linha bloqueada. Outro grande problema na atualidade e o uso de telefones celulares pelos criminosos que inclusive dentro dos presídios continuam comandando o crime. Entendo também que uma providência necessária para diminuir a criminalidade e o estabelecimento da idade penal em 16 anos. logo os bloqueadores estão obsoletos. exigindo-se cópias autenticadas de documentos e comprovantes de endereços.

Se outro levar 20 vezes uma caixa de . por exemplo. caso cometam atos infracionais. evidentemente que não proponho aqui a colocação de pessoas com 16 anos no inicio de uma carreira de crimes. devem ser como já ocorre aplicada a pena alternativa. serão 100 insignificâncias. o que não mais pode ser tolerado e que após matar pessoas. 1/3. Proponho inclusive que acha um atenuante de pena. paginas 36 a 40 : “.o secretário de Administração Penitenciaria do Estado de São Paulo.. por outro lado os delitos de pequeno potencial ofensivo.. a própria Autoridade Policial. É para os “menores” entre 12 anos e 16 anos incompletos. Ele defende uma reforma legal para fixar o valor mínimo como justificativa de detenção e abertura de processo nas delegacias. para pessoas que estejam entre 16 e 18 anos incompletos e pratiquem delitos. deverão diminuir os benefícios das penas pela pratica de delitos de maior gravidade. matéria jornalística interessante neste sentido: Revista ISTOÉ. juntamente com adultos já calejados nas praticas criminosas. no entanto criar-se um sistema que na hipótese da pratica de crimes de menor potencial. Nagashi Furukawa. agilizando assim o cumprimento das penas alternativas. mas que de fato sejam sancionados por seus delitos. nº 1874. 14 de setembro de 2005.127 da impunidade. sendo no caso destes delitos o encarceramento a certeza da não recuperação do infrator. para praticarem atrocidades. que sejam submetidos a mediadas sócioeducativas que possam chegar a no mínimo 5 anos e não os pífios 3 anos atuais. comandarem quadrilhas e tantos outros delitos de extrema gravidade e que estes “menores” fiquem a rir das pessoas de bem e dos poderes constituídos. aumentando para 40 anos o limite de encarceramento. Deve-se. possa passar a aplicar tais medidas. Já para os maiores de 18 anos. “Se alguém levar 100 vezes uma caixa de fósforo de uma loja. abaixo disso. traficarem drogas. Que se construam unidades prisionais adequadas para pessoas nesta condição. a autoridade policial teria condições legais de liberar o infrator. Editora três.

serão 20 casos de bagatela. fazendo-se permanentes investigações. mesmo que não se consiga provar que o servidor teve envolvimento com corrupção ou qualquer outro ilícito. fato inclusive que deveria ter tipificação penal especifica. O status permanece de crime insignificante. do patrimônio dele ou de seus parentes mais próximos. . visando identificar servidores com patrimônios incompatíveis com seus proventos. o Judiciário e o Ministério Publico de corregedorias eficientes. Não é aceitável colocar na prisão alguém envolvido apenas com este tipo de crime”. deve dar ensejo a punição.128 chocolate. o simples fato dele não poder ou não querer provar a origem de um aumento exagerado e sem causa aparente. para evitar a corrupção de seus servidores. É por fim equipar as Polícias.

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