A BUSCA – KRISHNAMURTI

Longamente peregrinei através de muitas vidas por muitas terras, entre muitos povos em busca da meta que não conhecia. Carreguei o pesado fardo de muitas posses, das riquezas do mundo, dos confortos que fazem a estagnação. Prostrei-me ante os altares dos santuários que encontrei à margem da estrada

Krishnamurti

e os deuses me recusaram a meta que pretendia. E na magia das palavras e na embriaguez do incenso permaneci abrigado nas sombras entre as paredes do templo. Criei filosofias e credos, complicadas teorias de vida. Entranhei-me das criações intelectuais do homem com elas me engrandeci em arrogância. E, tão súbito quanto a tempestade desaba, vi-me nu, esmagado pela agonia de coisas transitórias.

Vi e me ouvi eremita. Como o homem que não tem olhos. deves tu também conhecer teu próprio Ser. Livra-te do veneno do preconceito que corrompe tua verdade porque és imenso em teus preconceitos. Como o audaz alpinista que conquista os altos cumes. em ti fazem ocultos segredos de todos os mundos. Como o homem que não tem ouvidos. Como o mar encerra uma multidão de seres vivos. Como a rápida corrente conhece sua nascente. Como a trilha tortuosa da montanha. deves tu também penetrar fundo em ti mesmo. assim também em ti há uma revelação constante a cada experiência de encontro. rompendo o lodo. de onde todas as coisas são vistas em suas verdadeiras proporções. sentimentos de posse. ao céu se eleva deves tu também arredar todas as coisas transitórias se queres descobrir tua força oculta para enfrentar as viscitudes do mundo. Como o lótus que. tanto velhos quanto novos. hábitos. és cego para o esplendor do crepúsculo. és surdo para a música melodiosa. convenções. Livra-te da estreiteza de tuas tradições. descortina a cada instante vistas novas. Como o mergulhador que desce ao fundo do mar arriscando a vida pelo gozo transitório.E como as terras do deserto sem sombras assim se tornou minha vida. . deves tu também ascender àquela altura vertiginosa.

E como o rio misterioso que no largo mar se lança adentro me lancei no mar da libertação. deves tu te abrir. assim deverão os homens e as coisas em ti se refletir. se te queres conhecer. Perscruta tuas próprias profundezas com os olhos límpidos se queres perceber todas as coisas. Como o lago tranqüilo que reflete o céu. A Busca (Krishnamurti) .Como a flor que desabrocha à branda luz do sol.