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Como fazer uma boa redação

Dominar a arte da escrita é um trabalho que exige prática e dedicação. No


entanto, conhecerseu lado teórico é muito importante. Aqui você encontra um resumo
desta teoria. Aplique-a em seu trabalho mas não se esqueça: você precisará fazer a sua
parte, isto é, escrever.

SIMPLICIDADE
Use palavras conhecidas e adequadas. Escreva com simplicidade. Para que se tenha
bom domínio, prefira frases curtas. Amarre as frases, organizando as idéias. Cuidado para
não mudar de assunto de repente. Conduza o leitor de maneira leve pela linha de
argumentação.

CLAREZA
O segredo está em não deixar nada subentendido, nem imaginar que o leitor sabe o que
você quer dizer. Evidencie todo o conteúdo da sua escrita. Lembre-se: você está
comunicando a sua opinião, falando de suas idéias, narrando um fato. O mais importante
é fazer-se entender.

OBJETIVIDADE
Você tem que expressar o máximo de conteúdo com o menor número de palavras
possíveis. Por isso não repita idéias, não use palavras demais ou outras coisas que só
para aumentem as linhas. Concentre-se no que é realmente necessário para o texto. A
pesquisa prévia ajuda aselecionar melhor o que se deve usar.

UNIDADE
Não esqueça, o texto deve ter unidade, por mais longo que seja. Você deve traçar uma
linha coerente do começo ao final do texto. Não pode perder de vista essa trajetória. Por
isso, muita atenção no que escreve para não se perder e fugir do assunto. Eliminar o
desnecessário é um dos caminhos para não se perder. Para não errar, use a seguinte
ordem: introdução, argumentação e conclusão da idéia.

COERÊNCIA
A coerência (coesão) entre todas as partes de seu texto, é fator primordial para se
escrever bem. É necessário que elas formem um todo. Para isso, é necessário
estabelecer uma ordem para as idéias se completem e formem o corpo da narrativa.
Explique, mostre as causas e as conseqüências.

EXEMPLOS
Obedecer uma ordem cronológica é um maneira de se acertar sempre, apesar de não ser
criativa. Nesta linha, parta do geral para o particular, do objetivo para o subjetivo, do
concreto para o abstrato. Use figuras de linguagem para que o texto fique interessante. As
metáforas também enriquecem a redação.
ÊNFASE
Procure chamar a atenção para o assunto com palavras fortes, cheias de significado,
principalmente no início da narrativa. Use o mesmo recurso para destacar trechos
importantes. Uma boa conclusão é essencial para mostrar a importância do assunto
escolhido. Remeter o leitor à idéia inicial é uma boa maneira de fechar o texto.

LEIA E RELEIA
Lembre-se, é fundamental pensar, planejar, escrever e reler seu texto. Mesmo com todos
os cuidados, pode ser que você não consiga se expressar de forma clara e concisa. A
pressa pode atrapalhar. Com calma, verifique se os períodos não ficaram longos,
obscuros. Veja se você não repetiu palavras e idéias. Àmedida que você relê o texto,
essas falhas aparecem, inclusive, erros de ortografia e acentuação. Não se apegue ao
escrito. Refaça se for preciso. Não tenha preguiça, passe tudo a limpo quantas vezes
forem necessárias. No computador, esta tarefa se torna mais fácil. Faça sempre uma
cópia do texto original. Assim você se sentirá à vontade para corrigir quanto quiser, pois
sabe que sempre poderá voltar atrás

O que você não deve fazer numa redação

Escrever bem não é fácil. Exige conhecimento, trabalho e dedicação. E, para ajudá-lo nessa
importantíssima atividade do vestibular, diremos o que você não deve fazer em um texto nestes dez
fragmentos selecionados.
I.
"Hoje ao receber alguns presentes no qualcompleto vinte anos tenho muitas novidades para contar.
Temos aí um exemplo de uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta de coesão pois não
consegue perceber a que antecedente ele se refere, portanto nada conecta e produz relação absurda.
II.
"Tenho uma prima que trabalha num circo como mágica e uma das mágicas mais engraçadas era uma
caneta com tinta invisível que em vez de tinta havia saído suco de lima."
Você percebe aí a incapacidade do vestibulando organizar sintaticamente o período. Selecionar as
frases e organizar as idéias é necessário. Escrever com clareza é muito importante.
III.
"Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de
mel.
"Tudo começou naquele baile de quinze anos"
"...é aos dezoito anos que se começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que
nos acompanham para sempre na estrada da vida."
Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, assim, construir um texto sem
erros. Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas
pelo uso contínuo. A boa qualidade do texto fica comprometida.
Tema
IV.
Para você, as experiências genéticas de clonagem põem em xeque todos os conceitos humanos sobre
Deus e a vida?
"Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem o seu valor e os homens a todo momento
necessitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca a todo instante."
É importante você escrever atendendo ao que foi proposto no tema. Antes de começar o seu texto leia
atentamente todos os elementos que o examinador apresentou para você utilizar. Esquematize suas
idéias, veja se não há falta de correspondência entre o tema proposto e o texto criado.
V.
"Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo(...) mostrou que ele não era maligno."
Esta frase está ambígua, pois não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou aoprimo. Para se
evitar a ambigüidade, você deve observar se a relação entre cada palavra do seu texto está correta.
VI.
"Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas uma criança."
O conectivo mas indica uma circunstância de oposição, de idéia contrária a. Portanto, a relação
adversativa introduzida pelo "mas" no fragmento acima produz uma idéia absurda.
VII.
"Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempestade sempre vem a bonança. Após longo
suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só estaríamos
separadas carnalmente."
Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles empobrecem a redação, pois fazer parecer que seu
autor não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso freqüente.
VIII.
"Estou sem inspiração para fazer em redação. Escrever sobre a situação dos sem-terra? Bem que o
professor poderia propor outro tema."
Você não deve falar de sua redação dentro do próprio texto.
IX.
"Todos os deputados são corruptos."
Evite pensamentos radicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim, posições extremistas.
X.
"Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar com
a decisão que você tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas você sabe - todos sabem - ele
pensa diferente. É bom a gente pensar como vai fazer para, enfim, para ele entender a decisão."
Não se esqueça que o ato de escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito deve se apresentar
desprovido de marcas de oralidade.

Uma redação não é uma peça literária. Não precisa ser Machado de Assis para ser aprovado. Não pode escrever
de maneira complicada, com palavras e construções difíceis. Quem lê quer entender”, diz Renato Aquino, autor
dos livros “Português para Concursos” e “Redação para Concursos”, pela editora Campus/Elsevier. “Não adianta
escrever impecavelmente se fugir do tema.”

De acordo com Aquino, que já participou de banca examinadora de provas de redação, 90% dos exames em
concursos pedem a modalidade de dissertação – é raro a banca pedir narração ou descrição. E o texto
geralmente deve ter 30 linhas. No caso da dissertação, o texto deve ser argumentativo e opinativo, e o candidato
deve ter conteúdo para argumentar, sempre com clareza e objetividade.
Segundo ele, as bancas examinadoras têm valorizado muito a concisão, que é dizer o máximo possível com
poucas palavras. No caso da dissertação, o candidato deve estruturar o texto em três partes: introdução,
desenvolvimento e conclusão. “Ao introduzir o assunto não se deve gastar mais do que cinco linhas, no máximo
outras cinco para a conclusão, e o restante deve ser destinado à defesa da idéia, à argumentação.”

Segundo Aquino, quem tem o hábito de ler leva vantagem porque tem mais conteúdo para argumentar. O
especialista salienta que o candidato não deve exagerar no tamanho da letra nem espaçar demais as palavras.
“Isso pode mostrar que o candidato não tem o que escrever e está enrolando. O examinador percebe”, diz.

Ele aconselha ainda que o candidato faça letra cursiva e não de forma. “Se for fazer de forma, tem que destacar
as letras maiúsculas, senão perde ponto.” O especialista diz que o importante não é ter letra bonita, mas
escrever de forma legível. Se o examinador não entender o que está escrito ele irá tirar pontos. “Já vi tirar ponto
porque o til estava em cima do O e não do A”, exemplifica.

Segundo ele, é fundamental que o candidato corrija os erros encontrados e evite rasuras ao passar a redação a
limpo para entregar à banca. “O candidato deve verificar repetições de palavras e idéias e evitar expressões que
ele não saiba como empregar adequadamente”, aconselha.

Critérios de correção

Silvia Bruni Queiroz, responsável pela área de medidas educacionais da Fundação Vunesp, uma das principais
organizadoras de concursos no país, revelou o que o candidato não deve fazer para zerar ou perder pontos na
redação. Segundo ela, a banca nem corrige a prova se o candidato fugir do tema solicitado. Se o concorrente não
aprofundar o tema ou não se restringir ao assunto, colocando idéias difusas, ele perde pontos.

Outro fator que acarreta perda de pontos é quando o autor do texto não desenvolve a modalidade de texto
solicitada, fazendo uma narração em vez de dissertação, por exemplo. Segundo ela, boa parte das organizadoras
prefere dissertação como modalidade de texto para verificar se o candidato tem maturidade para desenvolver o
assunto com coerência e concisão. “É possível ver se ele sabe fazer o encadeamento das idéias usando os
conectivos apropriados”, informa.

Outro aspecto que é levado em conta na correção é a gramática. São analisadas principalmente a concordância,
regência, ortografia, crase, pontuação e acentuação.

De acordo com Silvia, se o candidato ultrapassa ou escreve menos que o número de linhas estabelecido, mas é
coerente nas idéias, ele não tem pontos descontados. “O que é analisado é se ele repete as idéias e se o texto tem
sentido”, afirma. Segundo ela, as informações contidas no texto devem ser corretas. Se o candidato não tem
certeza do que irá escrever, deve preferir discorrer sobre assuntos que realmente sabe.

Banca

De acordo com Silvia, as bancas são treinadas para corrigir as provas e há critérios a serem seguidos para haver
uniformidade na correção. As redações são copiadas e os nomes dos candidatos são retirados para que os
examinadores não saibam de quem são as provas.

A prova passa por dois corretores – um não tem acesso à correção do outro -, que se atêm a dois aspectos
principais: tema e modalidade de texto e aspectos gramaticais. O responsável que coordena as bancas checa as
duas correções. Se houver discrepâncias, o texto passa por um terceiro examinador.

Redação nota dez

O professor de português Edelson Santana de Almeida, de 34 anos, aplicou seus conhecimentos de língua
portuguesa na prova de redação do concurso do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, realizada em junho, e tirou
nota máxima – as três correções assinaladas no texto dele não acarretaram perda de pontos. Ele agora espera
ser chamado para o cargo de analista judiciário na área de Letras, para trabalhar em Cuiabá.

O tema, segundo ele, era sobre até que ponto a Justiça poderia interferir na cultura indígena. O enunciado da
redação trazia o caso de uma tribo que tinha o costume de matar um dos filhos gêmeos por acreditar que o
nascimento de duas crianças era uma maldição.

Almeida conta que antes de começar a escrever ele fez um esquema com as idéias que iria abordar e como iria
defender a sua opinião. Depois ele fez a redação no papel de rascunho e, antes de passar para a folha oficial, fez
uma revisão completa e cortou os excessos. “Fiz exatamente o que ensino aos meus alunos”, disse.

“A prova de redação é antes de tudo uma prova de leitura. Precisa ler o que a banca pede, além da leitura de
mundo que o candidato deve ter.”

Segundo o professor, a redação exige que o aluno tenha conhecimentos gerais e de lógica e capacidade de
raciocínio. “É necessário pensar no interlocutor e a linguagem tem de ser simples, mas não simplória, para ser
interessante aos que têm pouca instrução e não ser irritante para quem tem mais conhecimento”, aconselha.

Para ele, o maior desafio é a concisão, porque geralmente os temas das dissertações são muito profundos.

E é justamente isso que ele enfatiza a seus alunos – a coerência e a coesão, para que o texto seja bem amarrado,
com clareza na seqüência dos argumentos e, claro, respeitando as normas gramaticais.