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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS

CONTABILIDADE

INTRODUTÓRIA

Prof. Dr. Alexandre Vertes

Colaboradores:

Prof. Dr. Ernani Ott Prof. Ms. Osmar Silva Carneiro Profª. Ms. Charline Barbosa Pires Profª. Ms. Carla Rosangela Wachholz

OS AUTORES

ALEXANDRE VERTES Doutor em Economia pela Regiae Hungaricae Scientiarum Technicarum et Oeconomicarum – Palatinus Josephus, Hungria. Bacharel em Ciências Econômicas pela Regiae Hungaricae Sci- entiarum Technicarum et Oeconomicarum – Palatinus Josephus. Contador Público pela Regi- ae Hungaricae Scientiarum Technicarum et Oeconomicarum – Palatinus Josephus.

ERNANI OTT Doutor em Ciências Contábeis pela Universidad de Deusto, Espanha. Especialista em Conta- bilidade pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Bacharel em Ciências Con- tábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Professor no curso de Gradua- ção e Pós-Graduação – Mestrado na Unisinos.

OSMAR SILVA CARNEIRO Mestre em Administração – ênfase em Contabilidade e Finanças pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Cachoeira do Sul. Professor das disciplinas de Contabilidade e Fi- nanças dos cursos de Ciências Contábeis e Administração da Unisinos.

CHARLINE BARBOSA PIRES Mestre em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Ba- charel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Profes- sora da disciplina de Contabilidade dos cursos de Ciências Contábeis e Administração da Uni- sinos.

CARLA ROSANGELA WACHHOLZ Mestre em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Bacha- rel em Ciências Contábeis pela Universidade Católica de Pelotas. Professora em cursos de graduação em Administração e Hotelaria na Faculdade SENAC e em Ciências Contábeis nas Faculdades Integradas São Judas Tadeu.

2

APRESENTAÇÃO

“Um livro texto, no ensino de qualquer ciência, é um instrumento da maior importância. O êxito dele, quando possui as qualidades desejadas, depende basicamente dos

professores que ministram a disciplina. As características do livro texto influenciam a didática

e a metodologia aplicada pelos professores”. Estas são palavras iniciais do professor maior de

Contabilidade da UNISINOS e criador do Curso de Ciências Contábeis, o professor Dr. Alexandre Vertes, que legou aos professores desta Universidade a implantação de um método para o ensino de Contabilidade, tendo como base o Inventário Geral do patrimônio. Este livro texto para a disciplina de Contabilidade Introdutória reconduz ao seleto grupo de livros dos alunos e professores da UNISINOS o livro Iniciação a Dupla Contabilidade Geral, do professor Dr. Alexandre Vertes, do qual somos discípulos e seguidores.

Esta edição do livro tem o firme propósito de dar continuidade à metodologia implantada pelo insigne mestre, por se aprovar a sua praticidade e eficiência, assim como a facilidade que proporciona para a compreensão e assimilação da disciplina de Contabilidade, fato que se comprova de maneira irrefutável pelo resultado de pesquisas divulgadas pela Editora Abril, que tem posicionado o curso de Ciências Contábeis da UNISINOS, entre os dez melhores do Brasil.

Uma das características dos cursos noturnos, e este é o caso do curso de Ciências Contábeis da UNISINOS, é a presença maciça de alunos/trabalhadores; que dispõem de pouco tempo para o estudo; que muitas vezes chegam exaustos à sala de aula; e que por isso não dispõem de toda sua potencialidade produtiva.

Então, todo aprendizado depende da inicialização que o aluno terá, pois é no início do contato com os conhecimentos, de qualquer disciplina, que residem as maiores dificuldades e as grandes descobertas. A solidez dos conhecimentos introdutórios contribui para despertar a curiosidade do acadêmico, estimulando sua capacidade de aprender os conteúdos da disciplina, tornando mais compreensíveis os conceitos e solucionáveis os problemas que, com

o andamento do curso, lhe serão apresentados e propostos.

Neste sentido, a metáfora do Prof. Ms. Luiz Elimar Krause é preciosa e irrefutável. Ele comparava o professor com alguém que porta um balde de água e o aluno com alguém que está de posse de um garrafão. O balde com a água representa o conteúdo, os conhecimentos que o professor dispõe para repassar para o aluno; o garrafão é onde este conteúdo será depositado. Se a água for lançada de forma muito forte o garrafão só absorverá cerca de 5% ou 10% do líquido que sobre ele for jogado; se, todavia, a transferência for feita de forma equilibrada, muito pouco do que lhe for transmitido será desperdiçado. Este último procedimento é o que se entende deva ser introduzido nos primeiros ensinamentos de Contabilidade.

Com este propósito, pretende-se iniciar o ensino da Contabilidade, sendo que ao concluir o semestre, o aluno deverá ter sólidos conhecimentos sobre: (a) o "patrimônio", mediante o estudo e elaboração de Inventários Gerais; (b) as "variações patrimoniais”, permutativas e modificativas, através do registro de transações; (c) as "contas", sua natureza e classificação; (d) o "método das partidas dobradas", com ênfase especial à determinação racional do débito e do crédito das contas; (e) a escrituração das operações com mercadorias pelo sistema de "três contas"; (f) a escrituração de operações do dia-a-dia das empresas; (g) a elaboração da "Demonstração do Resultado do Exercício" e do "Balanço Patrimonial", devidamente estruturados.

São Leopoldo, janeiro de 2010.

Equipe de Colaboradores

4

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1: O INVENTÁRIO GERAL

7

1.1 A IMPORTÂNCIA DO INVENTÁRIO GERAL

7

1.2 ESTRUTURA GRÁFICA DO INVENTÁRIO GERAL

8

1.3 RELAÇÕES POSSÍVEIS ENTRE OS VALORES DO ATIVO TOTAL E DO PASSIVO TOTAL

11

1.4 CONCEITO DE PATRIMÔNIO

12

1.5 A EQUAÇÃO PATRIMONIAL BÁSICA

12

CAPÍTULO 2: O INVENTÁRIO GERAL FINAL

14

2.1 O NOVO LEVANTAMENTO INVENTARIAL: O INVENTÁRIO GERAL FINAL

14

2.2 RELAÇÕES POSSÍVEIS ENTRE OS VALORES DO CAPITAL PRÓPRIO DE DOIS INVENTÁRIOS

GERAIS

17

2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE OS INVENTÁRIOS GERAIS APRESENTADOS

18

2.4 CONCLUSÕES SOBRE A IMPORTÂNCIA DO INVENTÁRIO GERAL

19

CAPÍTULO 3: NOÇÕES SOBRE INVENTÁRIOS

21

3.1

CLASSIFICAÇÃO DOS INVENTÁRIOS

21

3.1.1 Classificação dos inventários quanto aos fins

21

3.1.2 Classificação dos inventários quanto à extensão

22

3.1.3 Classificação dos inventários quanto à forma de apresentação dos componentes

23

3.1.4 Classificação dos inventários segundo a sua periodicidade

23

3.1.5 Classificação dos inventários quanto ao aspecto legal

23

3.2

PRINCÍPIOS DOS INVENTÁRIOS

24

CAPÍTULO 4: NOÇÕES SOBRE BALANÇO

26

4.1

O BALANÇO PATRIMONIAL

26

4.1.1 Noções fundamentais sobre o Balanço Patrimonial

28

4.1.2 A contabilidade é uma seqüência de balanços

30

4.1.3 A contabilidade é um balanço único movimentado

34

4.1.4 A natureza das transações: as Variações Permutativas ou Variações Qualitativas

36

4.1.5 O nascimento das contas patrimoniais

38

4.l.6 A contabilidade é um circuito fechado

46

4.l.7 A conceituação de Débito e Crédito

49

CAPÍTULO 5: O NASCIMENTO DAS CONTAS DE RESULTADO

53

5.1 O NASCIMENTO DAS CONTAS DE RESULTADOS

53

5.2 A NATUREZA DAS TRANSAÇÕES: VARIAÇÕES MODIFICATIVAS OU VARIAÇÕES

QUANTITATIVAS DO PATRIMÔNIO

55

5.2.1 Variações modificativas (quantitativas) lançadas diretamente na conta Capital Próprio

56

5.2.2 A Conta Lucros e Perdas, como “sub-conta” da conta Capital Próprio e o surgimento da Dupla

 

Contabilidade

59

5.2.3

O nascimento das contas de resultado como sub-contas da conta Lucros e Perdas

62

CAPÍTULO 6: ADMINISTRAÇÃO DE MERCADORIAS PELO SISTEMA DE TRÊS CONTAS

67

6.1 A CONTA MISTA DE MERCADORIAS

67

6.2 ESCRITURAÇÃO DE MERCADORIAS PELO SISTEMA DE TRÊS CONTAS

68

6.3 A TÉCNICA DE INSTALAÇÃO DAS SUB-CONTAS DE MERCADORIAS

71

CAPÍTULO 7: PLANO DE CONTAS

80

7.1 INTRODUÇÃO

80

7.2 ELENCO DE CONTAS

81

CAPÍTULO 8: TRANSAÇÕES E SUA ESCRITURAÇÃO DETALHADA

85

8.1 FORMA DE ESCRITURAÇÃO DAS TRANSAÇÕES

85

8.2 O BALANCETE DE VERIFICAÇÃO

89

8.1.1

Etapas a serem seguidas na elaboração do Balancete de Verificação

90

CAPÍTULO 9: TABELA LEOPOLDENSE

96

9.1

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

96

9.1.1

Procedimentos a serem adotados na elaboração da Tabela Leopoldense

98

9.1.3

Lançamentos de encerramento das contas de resultado e patrimoniais

103

9.1.3.1 Encerramento das contas de resultado positivo (Lucro)

105

9.1.3.2 Encerramento das contas de resultado negativo (Perdas)

106

5

9.1.3.3

Registro e distribuição do lucro líquido ou prejuízo líquido

106

9.1.3.4 Encerramento das contas ativas

108

9.1.3.5 Encerramento das contas passivas

108

9.1.3.6 Encerramento das contas do capital próprio

109

9.1.4 Reabertura das contas patrimoniais ativas e passivas e do capital próprio

111

CAPÍTULO 10: DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

114

10.1

BALANÇO PATRIMONIAL

114

10.1.1 Apresentação gráfica do Balanço Patrimonial

115

10.1.2 Agrupamento das contas no Balanço Patrimonial

116

10.1.2.1 Ativo

116

10.1.2.2 Passivo

119

10.1.2.3 Patrimônio Líquido

120

10.2

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

121

10.2.1

Estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício

122

10.2.1.1 Agrupamento das contas da Demonstração do Resultado do Exercício

123

6

CAPÍTULO 1: O INVENTÁRIO GERAL

RESUMO DO CAPÍTULO

Este capítulo trata do Inventário Geral, um dos mais importantes instrumentos usados na Contabi- lidade. Aborda a importância do Inventário Geral, bem como sua estrutura gráfica (Cabeçalho, Corpo, Data e Assinatura). Apresenta as definições de Ativo (bens e direitos) e Passivo (dívidas e obrigações) e as relações possíveis entre estes elementos que compõem o Patrimônio de uma enti- dade. Por fim, discute o conceito de Patrimônio e descreve a Equação Patrimonial Básica.

1.1 A IMPORTÂNCIA DO INVENTÁRIO GERAL

O Inventário Geral permite conhecer a composição do patrimônio de uma entidade e através da comparação de dois inventários é possível determinar o resultado de um exercício. O patrimônio levantado e o resultado apurado com a utilização deste instrumento será o mais exato possível.

No tocante à apuração do resultado, o Inventário Geral é capaz de dispensar a escrituração contábil. Esta, no entanto, constitui-se em um instrumento indispensável e imprescindível para a contabilidade gerar informações que permitam a compreensão e a análise do resultado apurado.

As partes, científica e técnica do Inventário Geral, podem ser examinadas utilizando-se o seguinte exemplo: Com o falecimento do senhor Adriano da Silva, proprietário de uma empresa comercial do ramo de tecidos, a referida empresa foi herdada e ficou sob a responsabilidade do seu filho único, o senhor José da Silva. Este, que até então nunca havia se envolvido com os negócios, procurou imediatamente inteirar-se do que lhe fora legado por seu pai. Para tanto procurou, no dia 31 de março do ano X1, coincidentemente o último dia do mês de março, procurou verificar in loco a situação em que se encontrava a empresa, adotando os seguintes procedimentos:

a) verificou a quantidade de dinheiro existente no cofre, contando e ano- tando os valores encontrados;

7

b) verificou, também, que existiam alguns valores a receber provenientes de ven- das efetuadas a prazo. Anotou o nome de cada cliente, o número do documento (duplicata), a data do vencimento e o seu respectivo valor;

c) efetuou a medição das mercadorias (tecidos) destinadas à venda, anotando por espécie a quantidade física em metros, o preço unitário de compra e cal- culou o seu montante total (quantidade vezes preço unitário);

d) relacionou todos os móveis e utensílios e equipamentos existentes os quais se destinavam ao uso próprio da loja.

Além de encontrar todos os bens e direitos acima descritos localizou, também, algumas anotações onde estavam registradas dívidas e obrigações da empresa. Organizou-as em duas listas separadas. Em uma lista relacionou as dívidas provenientes de compras de mercadorias a prazo na qual fez constar além da data do vencimento, o nome do fornecedor, o número do documento (duplicata) e o seu respectivo valor. Na outra lista relacionou os empréstimos de dinheiro obtidos pela empresa junto a terceiros, mencionando além da data do vencimento, o nome da pessoa ou instituição que lhe havia feito o empréstimo, o número do documento (nota promissória, contrato) e o seu respectivo valor.

Obtidas todas estas informações e devidamente relacionadas, o Sr. José somou, separa- damente, os valores do grupo de bens e direitos e o de dívidas e obrigações e efetuou a compara- ção dos mesmos. Para isto utilizou um instrumento simples, claro e preciso: o Inventário Geral.

1.2 ESTRUTURA GRÁFICA DO INVENTÁRIO GERAL

O Inventário Geral apresenta a seguinte estrutura gráfica:

a) Cabeçalho, no qual constam:

- a denominação “Inventário Geral” (Inicial ou Final);

- o número de ordem dos inventários já feitos;

- o nome da empresa;

8

- a data do seu levantamento.

b) Corpo, que está dividido em três partes:

b.1) Ativo

Sob esta denominação são agrupados todos os bens e direitos da empre- sa. O ativo, inicialmente, se encontra segmentado nos seguintes itens:

-

Caixa

-

Clientes

-

Mercadorias

-

Móveis e Utensílios

b.2) Passivo

Sob esta denominação são agrupadas todas as dívidas e obrigações da empresa. O passivo, inicialmente, se encontra segmentado nos seguin- tes itens:

- Fornecedores

- Empréstimos a Pagar

b.3) Comparação

Sob esta denominação registra-se a diferença entre a soma dos bens e direitos e das dívidas e obrigações. Significa o que sobraria de recursos ao Sr. José da Silva se ele pagasse todas as dívidas/obrigações (Passi- vo), com os recursos provenientes da venda de todos os bens e cobrança de todos os direitos (Ativo), ou seja:

Comparação = Ativo Total - Passivo Total

c) Data e Assinatura

9

Na Figura 1, a seguir, apresenta-se o Inventário Geral (Inicial) da empresa José da Sil-

va, levantado em 31 de março do ano X1.

INVENTÁRIO GERAL (Inicial) - nº 1 Da empresa José da Silva, de São Leopoldo. Levantado em 31 de março do ano de X1

   

Quan-

Preço

Parcial

Total

 

Descrição

tidade

Unitário

 

I – ATIVO

       

1

Caixa: em moeda corrente nacional

1.000,00

2

Clientes

P. Afonso, duplicata nº 23, vencimento 15/04/X1

1.500,00

A. Paz, duplicata nº 31, vencimento 10/05/X1

500,00

2.000,00

3

Mercadorias Tecido Marca Estrela, cor rosa Tecido Marca Neve, cor preta Tecido Marca Ouro, cor azul

300m

12,00

3.600,00

120m

10,00

1.200,00

400m

8,00

3.200,00

8.000,00

4

Móveis e Utensílios Prateleira, nº 1, uso próprio Prateleira, nº 2, uso próprio Cofre Forte, nº 3, uso próprio Balcão de madeira, nº 4, uso próprio Escrivaninhas, nº 5 e 6, uso próprio Cadeiras Estofadas nº 7, 8, 9, 10, uso próprio

1

80,00

1

40,00

1

120,00

1

50,00

2

30,00

60,00

4

10,00

40,00

390,00

5

Equipamento de Informática Computador Dell, nº 11, uso próprio.

1

1.800,00

1.800,00

 

ATIVO TOTAL

     

13.190,00

 

II – PASSIVO

       

1

Fornecedores

L.

Ely, duplicata nº 16, vencimento 15/04/X1

1.000,00

H.

Leal, duplicata nº 36, vencimento 10/05/X1

1.500,00

2.500,00

2

Empréstimos a Pagar

 

R.

Ramos, NP nº 9103, vencimento 20/04/X1

800,00

Bradesco, NP nº 680X, vencimento 02/05/X1

2.700,00

3.500,00

 

PASSIVO TOTAL

     

6.000,00

 

III – COMPARAÇÃO Ativo Total (-) Passivo Total

     

13.190,00

6.000,00

 

CAPITAL PRÓPRIO

     

7.190,00

São Leopoldo, 31 de março do ano X1. José da Silva (assinatura)

Figura 1: Inventário Geral Inicial da empresa José da Silva

10

1.3 RELAÇÕES POSSÍVEIS ENTRE OS VALORES DO ATIVO TOTAL E DO PASSIVO TOTAL

A comparação entre os valores do Ativo Total e os valores do Passivo Total (parte III

do Inventário Geral), conduz à constatação da existência ou não de Capital Próprio.

O Capital Próprio é a parte da empresa que pertence ao proprietário, pois representa a

parcela que resta de todos os bens/direitos existentes (ATIVO), após serem liquidadas todas as dívidas e obrigações (PASSIVO). Esta comparação pode apresentar as seguintes situações:

AT > PT = Capital Próprio ou Patrimônio Líquido

AT < PT = Passivo à Descoberto (inexiste Capital Próprio ou Patrimônio Líquido)

AT = PT = Situação Nula (inexiste Capital Próprio ou Patrimônio Líquido)

Quando o valor do Ativo Total (AT) é maior do que o valor do Passivo Total (PT), tem-se como resultante o Capital Próprio ou o Patrimônio Líquido, como também é denominado. Assim:

Ativo Total

R$13.190,00

(-) Passivo Total

R$

6.000,00

(=) Capital Próprio/Patrimônio Líquido

R$

7.190,00

Quando o valor do Ativo Total (AT) é menor do que o valor do Passivo Total (PT), tem-se como resultante o Passivo à Descoberto, ou seja, os valores do Ativo não dão cobertura aos valores do Passivo, inexistindo, neste caso, Capital Próprio ou Patrimônio Líquido. Su- pondo-se que o Ativo Total seja de R$ 6.000,00 e o Passivo Total de R$ 13.190,00, tem-se:

Ativo Total

R$

6.000,00

(-) Passivo Total

R$13.190,00

(=) Passivo a Descoberto

(R$

7.190,00)(valor negativo)

Quando o valor do Ativo Total (AT) é igual ao valor do Passivo Total (PT), tem-se como resultante uma Situação Nula. Neste caso, também, inexiste Capital Próprio ou Patri- mônio Líquido, mas, a empresa não possui Passivo à Descoberto, pois os bens e direitos (Ati-

11

vo) cobrem exatamente as dívidas e obrigações (Passivo). Supondo-se então que o Ativo Total seja de R$ 6.000,00 e o Passivo Total de R$ 6.000,00, tem-se:

Ativo Total

R$

6.000,00

(-) Passivo Total

R$

6.000,00

(=) Situação Nula

R$

0,00

1.4 CONCEITO DE PATRIMÔNIO

O patrimônio é o conjunto de bens, direitos, dívidas e obrigações de uma empresa, o que significa que estes elementos não podem ser considerados separadamente.

Para melhor compreensão deste conceito, pode-se utilizar como metáfora o ser huma- no que pode ter associado a si virtudes e defeitos. As virtudes podem ser associadas aos bens e direitos e os defeitos podem ser associados às dívidas e obrigações. Então, é possível separar o ser humano em partes? Separar a parte que corresponde às virtudes e a parte que corresponde aos defeitos? Evidentemente que não, pois o ser humano é um ser único, estando nele concen- trados, ao mesmo tempo, os seus aspectos positivos e negativos.

Tomando-se por base o exemplo acima, pode-se afirmar que não é somente o conjunto dos valores ativos e nem somente o conjunto dos valores passivos, considerados de forma isolada, que compõem o patrimônio. O patrimônio é o conjunto de todo este conteúdo, sem que se expresse comparação entre seus valores ativos e seus valores passivos, o que significa que ele é o somatório destes conteúdos. Disto resulta, conceitualmente, a seguinte equação:

ATIVO + PASSIVO = PATRIMÔNIO

1.5 A EQUAÇÃO PATRIMONIAL BÁSICA

Uma vez conhecidos os valores do Ativo Total (bens e direitos) e do Passivo Total (dívidas e obrigações), pode-se efetuar o confronto dos mesmos.

12

Desse confronto o que resta é o Capital Próprio ou Patrimônio Líquido o que foi apu-

rado na terceira parte do Inventário Geral (III - Comparação), ou seja, a parte que pertence à

empresa (aos proprietários da empresa). Significa que ao liquidar-se o Passivo com os valores

do Ativo, os valores passivos desaparecem e então claramente se identificam quais os valores

ativos que formam o Capital Próprio ou Patrimônio Líquido. Esse fato dá base à equação pa-

trimonial básica, apresentada a seguir:

ATIVO + (- PASSIVO) = ±±±±

CAPITAL PRÓPRIO ou PATRIMÔNIO LÍQUIDO

ou

ATIVO -

PASSIVO =

±±±±

CAPITAL PRÓPRIO ou PATRIMÔNIO LÍQUIDO

PARA COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS

Para conhecer um pouco mais da história da Contabilidade em nosso país, acesse o site do 7º

Congresso USP de Controladoria e Contabilidade e leia o artigo intitulado “Pesquisa Docu-

mental e História Oral Temática: sua utilização na elaboração de biografias de professores e

pesquisadores da área contábil no Brasil”, elaborado pelos autores Carla Rosangela Wachholz

e Ernani Ott. O estudo traz a biografia do Professor Dr. Alexandre Vertes, que se dedicou du-

rante trinta anos ao ensino e à pesquisa na área contábil no Brasil, destacando elementos rela-

cionados à sua vida pessoal, acadêmica e profissional. Entre os temas abordados está o “In-

ventário Geral Patrimonial”, foco deste capítulo.

TERMOS-CHAVE

Inventário Geral – é o instrumento contábil que permite conhecer a composição do pa- trimônio de uma entidade e o seu resultado, quando da comparação entre dois inventários. Ativo – é o conjunto de bens e direitos de uma entidade. Passivo – são as dívidas e obrigações de uma entidade.

Patrimônio - é o conjunto de bens, direitos (Ativo Total), dívidas e obrigações (Passivo Total) de uma empresa. Patrimônio Líquido ou Capital Próprio – é o resultado do confronto entre o Ativo e o Passivo de uma entidade.

13

CAPÍTULO 2: O INVENTÁRIO GERAL FINAL

RESUMO DO CAPÍTULO

Neste capítulo se discute o Inventário Geral Final que ao ser comparado com o Inventário Ge- ral Inicial permite a apuração do Resultado (ganhos ou perdas) da entidade. As relações possí- veis entre os valores do Capital Próprio de dois inventários são descritas e, na sequência, tam- bém são discutidos os conceitos de liquidez e exigibilidade, bem como outros aspectos que devem ser observados na elaboração de um inventário, Inicial ou Final. Finalmente, são apre- sentadas conclusões sobre a importância do Inventário Geral para as entidades.

2.1 O NOVO LEVANTAMENTO INVENTARIAL: O INVENTÁRIO GERAL FINAL

Decorrido um ano, no dia 31 de março do X2, o Sr. José da Silva, que continuou as a-

tividades da empresa, resolveu examinar como está a sua situação atual. Para tanto, utilizando

a mesma maneira adotada quando tomou a posse da empresa de seu pai, levantou um novo Inventário Geral: o Inventário Geral (Final) nº 2.

Mesmo não tendo se preocupado com a escrituração contábil das transações efetuadas neste período, embora elas sejam necessárias e importantes, necessitava informações sobre a composição do seu patrimônio e sobre os resultados (ganhos ou perdas) ocorridos neste ano de atividades.

Para tanto, adotou a mesma técnica usada no ano imediatamente anterior, isto é, ano- tando o dinheiro encontrado em caixa, os valores a receber dos clientes, as mercadorias em estoque, os móveis e utensílios existentes e as dívidas e obrigações para com terceiros.

Ao relacionar os móveis e utensílios, observou que alguns componentes anteriormente

existentes não mais existiam, havendo outros que foram adquiridos durante o ano. Os móveis

e utensílios e o equipamento de informática que permaneceram, por se apresentarem mais

desgastados pelo uso, tiveram esta situação reconhecida mediante a redução de seu valor em

10% e 20%, respectivamente.

Conhecendo, então, o valor do Ativo Total e do Passivo Total, o que está discriminado na Fi- gura 2, a seguir, constatou que após a comparação do Ativo Total e do Passivo Total seu Capital Pró- prio (Patrimônio Líquido) em 31 de março do ano de X2 atingiu a soma de R$ 22.925,00. Isto permi- tiu que efetuasse, também, outra comparação desta feita entre os Capitais Próprios obtidos no Inventá- rio Geral Inicial e no Inventário Geral Final. Isto determinou que se fizesse a inserção de uma quarta parte no Inventário denominada de Resultado. Então, comparando-se os Capitais Próprios dos dois Inventários (Final e Inicial) constatou-se um aumento de R$ 15.735,00 no mesmo.

Esta variação (positiva), no exemplo, é representada pelo aumento do Capital Próprio do ano anterior em relação ao atual e demonstra o ganho obtido no período. Tecnicamente denomina-se este ganho de Lucro Líquido ou Rédito Positivo, assim representado:

Capital Próprio do ano X2

(-) Capital Próprio do X1

R$22.925,00

R$

7.190,00

(=) Lucro Líquido ou Rédito Positivo

R$15.735,00

O Inventário Geral (Final) nº 2, levantado em 31 de março do ano de X2, está repre- sentado na Figura 2.

15

INVENTÁRIO GERAL (Final) - nº 2 Da empresa José da Silva, de São Leopoldo. Levantado em 31 de março do ano de X2.

 

Descrição

Quanti-

Preço

Parcial

Total

dade

Unitário

 

I – ATIVO

       

1

Caixa: em moeda corrente

1.550,00

2

Clientes

H.

Troll, duplicata nº 111, vencimento 15/05/X2

2.100,00

M.

Prates, duplicata nº 117, vencimento 26/06/X2

4.500,00

A.

Tavares, duplicata nº 121, vencimento 30/06/X2

3.400,00

10.000,00

3

Mercadorias Tecido Marca M, cor amarela Tecido Marca R, cor azul Tecido Marca A, cor preta Tecido Marca T, cor cinza

700m

12,00

8.400,00

450m

10,00

4.500,00

200m

8,00

1.600,00

400m

25,00

10.000,00

24.500,00

4

Móveis e Utensílios Prateleira nº 12, uso próprio Cofre forte nº 3, uso próprio Balcão de madeira, nº 4, uso próprio Escrivaninhas, nº 6 e 7, uso próprio Cadeiras estofadas, nº 8, 9, 10 e 11, uso próprio

1

500,00

1

108,00

1

45,00

2

27,00

54,00

4

9,00

36,00

5

Equipamento de Informática Computador Dell, nº 11, uso próprio

 

743,00

1

1.440,00

1.440,00

 

ATIVO TOTAL

     

38.233,00

 

II – PASSIVO

       

1

Fornecedores Ouro Ltda, duplicata nº 138, vencimento 02/05/X2 Perfect S/A, duplicata nº 452, vencimento 20/05/X2

2.500,00

308,00

2.808,00

2

Empréstimos a Pagar Banco Itaú, contrato nº 6872, vencimento 15/05/X2

 

12.500,00

 

PASSIVO TOTAL

     

15.308,00

 

III

– COMPARAÇÃO

       

Ativo Total (-) Passivo Total

38.233,00

15.308,00

 

Capital Próprio

     

22.925,00

 

IV

– RESULTADO

       

Capital Próprio do ano atual (X2) (-) Capital Próprio do ano anterior (X1)

22.925,00

7.190,00

 

LUCRO LÍQUIDO

     

15.735,00

São Leopoldo, 31 de março do ano X2. José da Silva (assinatura)

Figura 2: Inventário Geral Final da empresa José da Silva

2.2 RELAÇÕES POSSÍVEIS ENTRE OS VALORES DO CAPITAL PRÓPRIO DE DOIS IN-

VENTÁRIOS GERAIS

Na quarta parte do Inventário (IV - Resultado), que possibilita apurar o resultado das ativida-

des, podem existir as seguintes alternativas:

Capital Próprio do ano atual maior que o Capital Próprio do ano anterior, de acordo com o

que consta no Inventário Geral Final nº 2:

Capital Próprio do ano atual (-) Capital Próprio do ano anterior (=) Lucro Líquido, Rédito Positivo, Resultado Positivo

R$

22.925,00

R$

7.190,00

.R$ 15.735,00

Capital Próprio do ano atual menor que o Capital Próprio do ano anterior, de acordo com o que

consta no Inventário Geral Final nº 2:

R$ 8.600,00

(-) Capital Próprio do ano anterior R$ 12.100,00

(=) Prejuízo, Rédito Negativo, Resultado Negativo

Capital Próprio do ano atual

R$ (3.500,00)

Capital Próprio do ano atual igual ao Capital Próprio do ano anterior, de acordo com o que

consta no Inventário Geral Final nº 2:

Capital Próprio do ano atual (-) Capital Próprio do ano anterior (=) Situação Nula, Rédito Nulo, Não houve Resultado

R$

4.000,00

R$

4.000,00

R$

ZERO

Generalizando a quarta parte do Inventário Geral, pode-se representá-la da seguinte forma:

Capital Próprio atual > Capital Próprio anterior =

Capital Próprio atual < Capital Próprio anterior =

Lucro Líquido, Rédito Positivo, Resultado Positivo

Prejuízo, Rédito Negativo, Resultado Negativo

Capital Próprio atual = Capital Próprio anterior = Situação Nula, Rédito Nulo, Não houve resultado

17

2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE OS INVENTÁRIOS GERAIS APRESENTADOS

Os inventários seguem uma determinada ordem na sua elaboração. Os valores do Ativo, por exemplo, estão colocados segundo a ordem decrescente de sua possível transformação em dinheiro, isto é, em ordem de liquidez:

Caixa

representa o dinheiro existente

Clientes

representam direitos de cobrança na data de seus venci-

mentos Mercadorias representam as existências em estoque que precisam ser vendidas para serem transformadas em dinheiro

representam os bens adquiridos para uso próprio da entidade. São os que estão mais longe de se transforma- rem em dinheiro, pois não se destinam à venda.

Móveis e Utensílios

A ordem de liquidez deve ser observada, também, dentro dos itens ou grupos do Ativo que repre-

sentam valores a receber de terceiros cujas datas de vencimento são identificadas nos documentos de origem. É o caso, por exemplo, de Clientes que devem ser descritos no Inventário pela ordem crescente de vencimento, isto é, do mais próximo do seu recebimento ao mais distante.

Já os valores do Passivo, estão colocados segundo a ordem crescente de vencimento das dí- vidas e obrigações, isto é, em ordem de exigibilidade:

Fornecedores representam as dívidas por compra de mercadorias a prazo

representam as dívidas por empréstimos recebidos em dinheiro

Empréstimos a Pagar

A ordem de exigibilidade deve ser observada dentro de cada elemento que compõe o Passivo, no

caso, Fornecedores e Empréstimos a Pagar. Por isto a ordem de descrição de cada dívida ou obrigações inicia-se pelo vencimento mais próximo à data do Inventário Geral até o mais distante. Costuma-se re- presentar “Fornecedores” como primeiro elemento do Passivo e assim as dívidas nele constantes serão descritas obedecendo a ordem de exigibilidade comentada anteriormente. Em seguida, aparecem os Em- préstimos a Pagar, cujo tratamento será idêntico.

Mesmo que haja um Empréstimo a Pagar cujo vencimento seja anterior a uma dívida descri- ta em Fornecedores, os Fornecedores sempre serão descritos em primeiro lugar no Passivo. Em to- dos os casos o que deve ser considerado é a ordem de exigibilidade dentro de cada elemento, o que está adequadamente demonstrado na Figura 2 (Inventário Geral Final nº 2).

18

Outro aspecto é que para apurar o resultado de um exercício, efetua-se o confronto dos Capi- tais Próprios de dois Inventários Gerais; o primeiro denominado Inventário Geral Inicial e o segun- do denominado Inventário Geral Final.

O Inventário Geral Final de um exercício será o Inventário Geral Inicial do exercício seguinte.

Um Inventário Geral tomado isoladamente revela a situação patrimonial de uma entidade em um determinado momento, ou seja, revela o patrimônio líquido sob seu aspecto estático.

A comparação entre dois Inventários Gerais apresenta o resultado obtido entre as duas datas do levantamento inventarial, ou seja, revela o patrimônio líquido em dois momentos, ou seja, seu aspecto dinâmico. Não explica, porém, nem como e nem de que forma foram produzidas as varia- ções que o alteraram. Consegue-se saber que as atividades apresentaram um lucro (houve um au- mento no Capital Próprio de R$ 15.735,00), mas não se sabe como foi gerado este lucro. Esta in- formação, como já enfatizado anteriormente, é obtida mediante o processo de escrituração contábil, que será detalho em capítulos específicos.

2.4 CONCLUSÕES SOBRE A IMPORTÂNCIA DO INVENTÁRIO GERAL

O que foi exposto permite concluir:

Sem o inventário geral, não existe contabilidade.

Sem o levantamento inventarial, não é possível apurar o resultado exato de um exercício.

Se o levantamento inventarial não for efetuado com exatidão, o resultado apurado através da escrituração não oferecerá a segurança necessária.

Um inventário revela o aspecto estático do patrimônio da entidade; a comparação de dois inventários revela o aspecto dinâmico do patrimônio.

A comparação de dois inventários (inicial e final) permite a apuração do resultado de um exercício.

19

O resultado obtido através da comparação de dois inventários (inicial e final) é o

mesmo que se obteria mediante a utilização da mais perfeita e organizada

escrituração contábil.

O inventário reúne todos os bens, direitos, dívidas e obrigações de uma entidade

em um determinado momento.

O Capital Próprio não é passivo. Ele é o resultado da soma algébrica do Ativo e

do Passivo; é o resultado da comparação entre os valores que a empresa possui

(ativos) e os valores que ela deve (passivo). Representa o valor que restaria à

entidade se ela vendesse todos os seus ativos, transformando-os em dinheiro, e

pagasse todas as suas dívidas.

PARA COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS

Como mencionado neste capítulo e no Capítulo 1, o Inventário Geral é capaz de dispensar a escritu-

ração contábil, pois possibilita que se conheça a composição do Patrimônio e o resultado de uma

entidade. Por outro lado, o Inventário Geral não explica como foram produzidas as variações que

alteram o Patrimônio Líquido da entidade. Faz-se necessário, então, realizar a escrituração contábil.

Diante disto, para compreender porque a escrituração contábil, que permite o registro e o controle

dos fatos que modificam a composição do Patrimônio da empresa é importante, e por conseqüência

proporciona a geração de informações, pode se pesquisar as finalidades para as quais se usa a in-

formação contábil, no livro Contabilidade Introdutória, elaborado pela Equipe de Professores da

FEA/USP.

TERMOS-CHAVE

Resultado – é a quarta parte do Inventário Geral Final, na qual são comparados os Capi- tais Próprios de dois Inventários (Inicial e Final) para apuração do resultado da entida- de. Lucro Líquido – é o ganho obtido no período. Representa uma variação positiva do Capital Próprio do ano atual em relação ao ano anteri- or. Prejuízo – é o resultado negativo (perda) do período. Representa uma redução do Capital Próprio do ano atual em relação ao ano anterior.

Situação Nula – significa que não houve re- sultado (ganho ou perda), pois o Capital Pró- prio do período atual não se modificou em relação ao Capital Próprio do período anterior.

Ordem de Liquidez – é a ordem decrescente de possível realização em dinheiro dos ele- mentos que formam o Ativo. Ordem de Exigibilidade – é a ordem cres- cente de vencimento na qual devem ser orga- nizadas as dívidas e obrigações da entidade.

20

CAPÍTULO 3: NOÇÕES SOBRE INVENTÁRIOS

RESUMO DO CAPÍTULO

Este capítulo apresenta os diferentes tipos de inventários, que podem ser classificados quanto: aos fins; à extensão, à forma; à periodicidade e aos aspectos legais. Além disso, são apresentados os princípios dos inventários, que devem ser considerados no momento da sua elaboração para que ele possa atingir seus objetivos (informar sobre a composição do patrimônio e o resultado de uma enti- dade).

3.1 CLASSIFICAÇÃO DOS INVENTÁRIOS

A classificação dos inventários depende das causas que motivam sua preparação. Como são muitas as causas que determinam a elaboração de um inventário, é difícil enumerar uma classifica- ção que esgote todas as classes de inventário.

Portanto, em cada empresa podem ser elaborados diversos tipos de inventários, para diversas finalidades. Isto torna necessário agrupá-los de acordo com as suas finalidades.

Pode-se então dizer que os inventários se classificam quanto: (a) aos fins; (b) à extensão; (c) à forma; (d) à periodicidade; e (e) ao aspecto legal.

3.1.1 Classificação dos inventários quanto aos fins

Quanto aos fins, pode se classificar os inventários em:

a) Inventário de exercício ou de gestão: tem a finalidade de demonstrar a situação patrimonial da entidade e fornecer os dados necessários para a determinação do resultado do exercício. Realiza-se anualmente, por imposição legal, embora nos dias

21

atuais seja recomendável sua elaboração ao final de cada mês. O critério de avaliação assume papel relevante neste tipo de inventário.

b) Inventário de instalação ou de constituição: tem como objetivo o levantamento dos valores com os quais a entidade está iniciando suas atividades. Em geral, consta somente de dinheiro (caixa), embora muitas vezes possam ser utilizados bens e outros valores para constituir uma empresa.

c) Inventário de liquidação: tem por finalidade determinar o valor dos bens/direitos e dívidas/obrigações, no momento em que a entidade decide encerrar suas atividades. Sua principal finalidade é transformar todos os valores em moeda (ativos), pagar todas as dívidas (passivos) e verificar a parcela que restará aos proprietários.

d) Inventário de fusão: é feito quando duas ou mais empresas pretendem se associar, formando uma nova entidade. As empresas anteriores, objeto da fusão, desaparecem.

e) Inventário de transferência: é levantado por ocasião da passagem de gestão entre responsáveis pela administração de uma entidade ou entre responsáveis por departamentos da entidade.

f) Inventário de cessão: é elaborado quando se efetua a venda completa da empresa.

g) Inventário de transformação: é levantado quando uma empresa muda sua característica jurídica; por exemplo, quando uma Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada se transforma em Sociedade Anônima.

3.1.2 Classificação dos inventários quanto à extensão

Quanto à extensão pode se classificar os inventários em:

a) Inventário geral ou total: é assim denominado porque abrange todo o patrimônio da empresa (bens, direitos, dívidas e obrigações).

22

b) Inventário parcial: como o próprio nome indica, refere-se a uma parte do conjunto patrimonial. O inventário de mercadorias é um exemplo típico de inventário parcial.

3.1.3 Classificação dos inventários quanto à forma de apresentação dos componentes

Quanto à forma pode se classificar os inventários em:

a) Inventário analítico ou descritivo: quando os seus componentes são descritos, pormenorizadamente, um a um, de forma individualizada.

b) Inventário

sintético:

quando

característica ou valor.

os bens são agrupados segundo sua espécie,

3.1.4 Classificação dos inventários segundo a sua periodicidade

Quanto à periodicidade, os inventários são classificados como:

a) Inventários ordinários: são os levantados periodicamente, em datas pré-fixadas.

b) Inventários extraordinários: são os levantados esporadicamente, em ocasiões especiais (entrada de novo sócio, transferência de direção, etc).

3.1.5 Classificação dos inventários quanto ao aspecto legal

Quanto ao aspecto legal, os inventários podem ser:

a) Inventários obrigatórios: são os levantados em obediência à legislação vigente.

23

b) Inventários estatutários ou contratuais: são os levantados em obediência a

cláusulas contratuais ou estatutárias.

c) Inventários livres: são aqueles executados em razão da simples vontade dos

responsáveis pela empresa.

3.2 PRINCÍPIOS DOS INVENTÁRIOS

As normas adotadas nos procedimentos do levantamento inventarial tomaram tamanha im- portância, que podem ser consideradas como princípios.

A falta da fiel observância destes princípios afasta o inventário de sua finalidade primordial.

a) Princípio da instantaneidade: o levantamento inventarial deve referir-se a um determinado momento (dia e hora), mesmo que na sua elaboração se leve dois ou mais dias.

b) Princípio da tempestividade ou da oportunidade: exige que o tempo do levantamento inventarial seja o menor possível. Trata também da fixação da época para o seu levantamento.

c) Princípio da integridade: estabelecidos os limites do inventário, todos os elementos do patrimônio que estão dentro desse limite devem ser arrolados. Qualquer elemento que não figure dentro dos limites, não deve ser incluído. Devem-se evitar omissões, inclusões impróprias e repetições, para não ferir este princípio.

d) Princípio da especificação: os componentes do patrimônio devem estar corretamente agrupados em conjuntos homogêneos e devidamente individualizados.

24

e) Princípio da homogeneidade: os elementos patrimoniais precisam ser

transformados em uma unidade de medida comum - a moeda - para poderem ser

somados.

f) Princípio da estabilidade ou uniformidade: também chamado de conservador, este

princípio pretende manter a mesma forma, estruturação e critérios dos inventários,

com a finalidade de possibilitar a comparação entre eles, tanto na sua totalidade

quanto em relação às suas partes.

PARA COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS

Neste capítulo, observa-se que os princípios do inventário são estabelecidos para que as informações

relacionadas à composição do patrimônio e ao resultado de uma entidade sejam fidedignas. Assim como

o Inventário Geral, as demais demonstrações contábeis também devem apresentar informações que refli-

tam a realidade da entidade. Portanto, elas precisam apresentar as seguintes características qualitativas

para se tornarem úteis aos seus usuários (aqueles que utilizam as informações para tomar suas decisões):

compreensibilidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade. Para saber o que cada uma destas ca-

racterísticas significa, acesse no site do Conselho Federal de Contabilidade (www.cfc.org.br), a Resolu-

ção CFC nº. 1.121/08 e realize a leitura do tópico Características Qualitativas das Demonstrações Con-

tábeis.

TERMOS-CHAVE

Finalidade do inventário: exercício ou de gestão; instalação ou de constituição; liqui- dação; fusão; transferência; cessão e trans- formação.

Extensão do inventário: geral ou total e parcial.

Forma de apresentação dos componentes do inventário: analítico ou descritivo e sinté- tico.

Periodicidade

do

inventário: ordinário

e

extraordinário.

Obrigatoriedade do inventário: obrigató- rio; estatutário ou contratual e livre. Princípios inventariais: são as normas ado- tadas nos procedimentos do levantamento inventarial.

25

CAPÍTULO 4: NOÇÕES SOBRE BALANÇO

RESUMO DO CAPÍTULO

Neste capítulo se apresenta o Balanço Patrimonial, que nada mais é do que um inventário sintético, ela- borado a partir do Inventário Geral. São discutidas as noções fundamentais sobre o Balanço Patrimonial, relacionadas principalmente à sua estrutura e funcionamento, bem como aos conceitos de origem e apli- cações de recursos. Apresenta-se a Contabilidade como uma sequência de balanços e como um balanço único movimentado. As variações permutativas ou qualitativas são descritas e a Contabilidade é apresen- tada como um circuito fechado. Por fim, são discutidos os conceitos de Débito e Crédito.

4.1 O BALANÇO PATRIMONIAL

Uma vez que se tenha um Inventário Geral bem elaborado, a dificuldade de se fazer um Ba- lanço Patrimonial praticamente desaparece. O Inventário Geral é, portanto, a base do Balanço Pa- trimonial, assim como os alicerces sobre os quais se constrói um edifício.

O Balanço Patrimonial é um inventário sintético, uma vez que se abstém de especificar em

detalhes os valores que compõem o patrimônio (Ativo e Passivo), apresentando-os em grupos ho- mogêneos. Trata-se da representação gráfica sintética do patrimônio de uma entidade em um deter- minado momento. Sua representação se apresenta sempre na forma da letra maiúscula “T”, o que lhe dá como característica a figura de uma “balança”.

O Ativo, que é o conjunto de bens e direitos de uma entidade e o Passivo, que agrupa suas dí-

vidas e obrigações. A diferença entre ambos é o Capital Próprio ou Patrimônio Líquido da entidade.

Assim, por exemplo, o Ativo do Inventário Geral nº 2 (Figura 2), está formado pelos seguin- tes itens e seus respectivos valores:

26

Caixa Clientes Mercadorias Móveis e Utensílios Equip. de Informática ATIVO TOTAL

R$

1.550,00

R$ 10.000,00

R$ 24.500,00

R$

743,00

R$

1.440,00

R$ 38.233,00

O Passivo do mesmo Inventário Geral nº 2 (Figura 2) encontra-se formado pelos seguintes itens e valores:

Fornecedores Empréstimos a pagar PASSIVO TOTAL

R$

2.808,00

R$

12.500,00

R$ 15.308,00

Por convenção é aceita a colocação dos valores ativos no lado esquerdo do Balanço, e por

conseqüência os valores passivos do lado direito do Balanço, ou seja, os valores passivos são colo-

cados no lado contrário aos valores ativos.

Ainda no Inventário Geral nº 2, além do Ativo e do Passivo encontra-se uma terceira parte,

chamada de “Comparação”, cujo resultado denomina-se de “Capital Próprio” ou “Patrimônio Líqui-

do”. Os valores correspondentes são os seguintes:

Ativo Total (-) Passivo Total CAPITAL PRÓPRIO ou PATRIMÔNIO LÍQUIDO

R$

38.233,00

R$

15.308,00

R$ 22.925,00

O Capital Próprio, assim obtido, é colocado no lado menor, normalmente no lado do Passivo,

com a finalidade de manter a igualdade do balanço. Isto ocorre porque, sendo o Capital Próprio a diferen-

ça entre o Ativo e o Passivo, sua colocação no lado do Passivo resulta, forçosamente, na igualdade entre

os dois lados do Balanço. Isto é o mesmo que ocorre na balança, a qual possui dois pratos e a igualdade

se dá no momento em que pesos iguais são neles colocados, ou seja, em cada um dos lados da balança,

provocando o equilíbrio entre ambos. Esta é a essência do conceito de balanço.

A representação do Balanço Patrimonial baseada nas premissas acima referidas é a seguinte:

27

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

Caixa

1.550,00

Fornecedores Empréstimos a pagar Passivo Total Capital Próprio

2.808,00

Clientes

10.000,00

12.500,00

Mercadorias 24.500,00

15.308,00

Móveis e Utensílios Equip. de Informática

743,00

22.925,00

1.440,00

 

Ativo Total

38.233,00

Passivo Total + Capital Próprio

38.233,00

4.1.1 Noções fundamentais sobre o Balanço Patrimonial

Como mencionado anteriormente, por uma questão de costume ou convenção, colocam-se os valores do Ativo no lado esquerdo do balanço e os valores do Passivo no lado direito. O Capital Próprio ou Patrimônio Líquido é colocado também no lado direito (lado do Passivo), forçando desta forma a igualdade entre os dois lados.

O Passivo, lado direito do balanço, é também denominado lado dos capitais, ou ainda o lado das origens dos capitais. Representam os recursos (capitais) capazes de dar origem a todos os valores que compõem o Ativo. Os capitais que formam o lado direito do balanço (origens) dividem-se em:

Capitais de Terceiros: Dívidas/Obrigações (fornecedores, empréstimos a pagar, notas promissórias a pagar, etc.);

Capital Próprio ou Patrimônio Líquido: Diferença entre o Ativo Total e o Passivo Total

Os capitais de terceiros e o capital próprio são os responsáveis pela formação de todo o con- junto de bens e direitos que constituem o Ativo da entidade. Portanto, pode-se afirmar que é no Ati- vo onde são aplicados todos os capitais (de terceiros e próprios), conseqüentemente, o Ativo é o lado da aplicação dos capitais.

Para que se tenha uma melhor compreensão a respeito, imagine-se a situação de uma empre- sa individual que esteja iniciando. O Sr. João Dias (proprietário) manifesta a intenção de fazer a entrega dentro de um prazo determinado de R$ 100.000,00 para a empresa dar início às suas ativi-

28

dades. O que significa esta intenção? Significa a quantidade de recursos que o Sr. Dias empregará na empresa, ou seja, o seu Capital Próprio inicial. O balanço que descreve esta situação é o seguinte:

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO (aplicações)

R$

PASSIVO + CAP. PRÓPRIO (origens)

R$

Capital a integralizar

100.000,00

Capital Próprio

100.000,00

Com a integralização do capital, isto é, no momento em que o Sr. Dias efetivamente entrega o di- nheiro para a empresa, o balanço passa a ter outro visual: a denominação “Capital a Integralizar” (repre- sentativa da intenção) desaparece por estar quitada, e em seu lugar surge a denominação “Caixa”, repre- sentativa dos bens numerários em disponibilidade (dinheiro). O balanço assim se apresentará:

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO (aplicações)

R$

PASSIVO + CAP. PRÓPRIO (origens)

R$

Caixa

100.000,00

Capital Próprio

100.000,00

Pode-se afirmar que os valores aplicados em “Caixa” tiveram a sua origem no “Capital Próprio”.

Assim, obtém-se o valor do Capital Próprio ou Patrimônio Líquido de R$ 100.000,00 (Ativo de R$ 100.000,00 menos Passivo de R$ 0,00).

Portanto, somente existirá aplicação se houver origem. Jamais ocorrerá o contrário.

O aparecimento do Capital de Terceiros

Se, por exemplo, num momento seguinte a empresa fizer uma compra de mercadorias a pra- zo no valor de R$ 65.000,00, o balanço patrimonial passa a apresentar a seguinte configuração:

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO (aplicações)

R$

PASSIVO + CAP. PRÓPRIO (origens)

R$

Caixa

100.000,00

Fornecedores

65.000,00

Mercadorias

65.000,00

Capital Próprio

100.000,00

Ativo Total

165.000,00

Passivo Total + Capital Próprio

165.000,00

29

Como se vê, o item “Mercadorias” passa a fazer parte do Ativo no valor de R$ 65.000,00 e no mesmo momento é contraída uma dívida que aparece no Passivo, no item “Fornecedores”, no mesmo valor de R$ 65.000,00.

Em outro momento, a empresa adquire móveis e utensílios à vista no valor de R$ 50.000,00, utilizando o dinheiro existente em caixa. Há uma diminuição das aplicações representadas por “Caixa” e ao mesmo tempo há um aumento de aplicações em “Móveis e Utensílios”. O balanço patrimonial refletirá esta situação:

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO (aplicações)

R$

PASSIVO + CAP. PRÓPRIO (origens)

R$

Caixa

50.000,00

Fornecedores

65.000,00

Mercadorias

65.000,00

Capital Póprio

100.000,00

Móveis e Utensílios

50.000,00

 

Ativo Total

165.000,00

Passivo Total + Capital Próprio

165.000,00

E assim seguem-se os registros das atividades da empresa, que vão alterando continuamente a representação do seu patrimônio, visando demonstrar sua posição atualizada, permanecendo imu- tável, sempre, a igualdade entre os dois lados:

Ativo (Aplicações)

Ativo (Aplicações) Passivo + Capital Próprio (Origens)

Passivo + Capital Próprio (Origens)

4.1.2 A contabilidade é uma seqüência de balanços

Para melhor entender a escrituração contábil e seus reflexos sobre o balanço, exemplificam- se a seguir, algumas transações (registro de operações), cujo raciocínio de seu registro mostra como acontecem as movimentações e seu efetivo reflexo sobre o Balanço. Inicialmente, a partir das in- formações do Inventário Geral nº 2 (final) elabora-se o primeiro Balanço Patrimonial (Inventário Sintético), retirando-se do inventário apenas os itens que o compõem (não seu detalhamento). Colo- cam-se os itens que compõem o Ativo em seu lado esquerdo e os itens que compõem o Passivo e o

30

Capital Próprio são colocados em seu lado direito. Este primeiro balanço passará a denominar-se de Balanço Patrimonial nº 1. A seguir registram-se as transações.

BALANÇO PATRIMONIAL nº 1

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

Caixa

1.550,00

Fornecedores Empréstimos a pagar Passivo Total Capital Próprio

2.808,00

Clientes

10.000,00

12.500,00

Mercadorias 24.500,00

15.308,00

Móveis e Utensílios Equip. de Informática

743,00

22.925,00

1.440,00

 

Ativo Total

38.233,00

Passivo Total + Capital Próprio

38.233,00

Primeira transação:

A empresa comprou à vista uma escrivaninha para uso em seu escritório, no valor de R$ 150,00. Com esta transação, verifica-se que o item “Caixa” situado no lado do Ativo sofreu uma diminuição (redução) no valor de R$ 150,00, mas, ao mesmo tempo, o item “Móveis e Utensílios” também localizado no lado do Ativo, teve um aumento (acréscimo) na mesma proporção de R$ 150,00, provocando, em conseqüência, uma alteração compensatória apenas no lado do Ativo, pois ao mesmo tempo este é diminuído e aumentado. Note-se que esta transação não muda o valor do Ativo Total, mantendo, portanto, a igualdade. Após a transação tem-se o seguinte Balanço Patrimo- nial nº 2:

BALANÇO PATRIMONIAL nº 2

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

Caixa

1.400,00

Fornecedores Empréstimos a pagar Passivo Total Capital Próprio

2.808,00

Clientes

10.000,00

12.500,00

Mercadorias 24.500,00

15.308,00

Móveis e Utensílios Equip. de Informática

893,00

22.925,00

1.440,00

 

Ativo Total

38.233,00

Passivo Total + Capital Próprio

38.233,00

Segunda transação:

31

A empresa, para prorrogar o pagamento de uma dívida junto a um Fornecedor, já vencida,

assina uma Nota Promissória no mesmo no valor da dívida de R$ 300,00. Apesar de não ter havido alteração quantitativa nas dívidas da empresa, ocorreu uma alteração qualitativa e esta alteração deve ser registrada. As dívidas com “Fornecedores” diminuem em R$ 300,00 enquanto os “Emprés- timos a pagar” aumentam em R$ 300,00, resultando em uma alteração compensatória no lado do

Passivo, pois ao mesmo tempo em que é diminuído e aumentado. Note-se que esta transação não muda o valor do Passivo Total + Capital Próprio, mantendo, portanto, a igualdade. O Balanço Pa- trimonial nº 3 reflete esta alteração:

BALANÇO PATRIMONIAL nº 3

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

Caixa

1.400,00

Fornecedores Empréstimos a pagar Passivo Total Capital Próprio

2.508,00

Clientes

10.000,00

12.800,00

Mercadorias 24.500,00

15.308,00

Móveis e Utensílios Equip. de Informática

893,00

22.925,00

1.440,00

 

Ativo Total

38.233,00

Passivo Total + Capital Próprio

38.233,00

Terceira transação:

A empresa compra mercadorias a prazo no valor de R$ 1.700.00. Nota-se agora que, se de

um lado aumenta o valor do item "Mercadorias" no Ativo, aumenta, também, na mesma proporção, o valor a pagar aos “Fornecedores” que está situado no Passivo. Esta transação provoca alteração no

Ativo Total e ao mesmo tempo alteração de mesma intensidade no Passivo Total + Capital Próprio. Note-se que os respectivos totais passaram de R$ 38.233,00 para R$ 39.933,00. O novo Balanço Patrimonial nº 4, assim se apresenta:

BALANÇO PATRIMONIAL nº 4

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

Caixa

1.400,00

Fornecedores Empréstimos a pagar Passivo Total Capital Próprio

4.208,00

Clientes

10.000,00

12.800,00

Mercadorias 26.200,00

17.008,00

Móveis e Utensílios Equip. de Informática

893,00

22.925,00

1.440,00

 

Ativo Total

39.933,00

Passivo Total + Capital Próprio

39.933,00

32

Quarta transação:

A empresa paga uma dívida a um fornecedor no valor de R$ 508,00. Nesta transação obser- va-se que houve uma diminuição no item “Caixa”, que está no Ativo, e que foi correspondida por uma diminuição equivalente no item “Fornecedores” que está posicionado no Passivo. Esta transa- ção provoca alteração no Ativo Total e ao mesmo tempo alteração de mesma intensidade no Passivo Total + Capital Próprio. Note-se que os respectivos totais passaram de R$ 39.933,00 para R$ 39.425,00. O Balanço Patrimonial nº 5 reflete esta transação:

BALANÇO PATRIMONIAL nº 5

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

Caixa

892,00

Fornecedores Empréstimos a pagar Passivo Total Capital Próprio

3.700,00

Clientes

10.000,00

12.800,00

Mercadorias 26.200,00

16.500,00

Móveis e Utensílios Equip. de Informática

893,00

22.925,00

1.440,00

 

Ativo Total

39.425,00

Passivo Total + Capital Próprio

39.425,00

Encerrado este conjunto de transações, pode-se concluir que:

a) Cada transação implica, necessariamente, em duas alterações no Balanço Patrimonial.

b) As alterações podem ocorrer em um mesmo lado do balanço, ou seja, só no lado do Ativo ou só no lado do Passivo e neste caso terão sinais distintos. Quando isto ocorre haverá uma diminuição e aumento simultâneo no lado afetado (ou do Ati- vo ou do Passivo). Isto está a seguir exemplificado:

Se no lado do Ativo se aumenta R$ 00,00, nele se diminui, imediatamente, R$ 100,00;

Se no lado do Passivo se aumenta R$ 80,00, nele se diminui, imediatamente, R$ 80,00.

c) As alterações podem ocorrer em lados opostos do Balanço. Quando isto ocorre haverá uma alteração no lado do Ativo e a outra no lado do Passivo e terão sinais iguais (aumentando ou diminuindo), pois o valor que é aumentado no lado do Ati- vo deve ser imediatamente aumentado no lado do Passivo e vice-versa.

33

Se no lado do Ativo se aumenta R$ 40,00, imediatamente se aumenta R$

40,00 no lado do Passivo;

Se no lado do Ativo se diminui R$ 35,00, imediatamente se diminui R$ 35,00

no lado do Passivo.

Nesta seqüência de balanços observa-se que cada lançamento atinge sempre dois itens que o compõem, individualmente, nos quais é registrado o mesmo valor. Este procedi- mento serve de base para a compreensão do "método das partidas dobradas".

4.1.3 A contabilidade é um balanço único movimentado

Mesmo se conhecendo pouco de contabilidade, torna-se claro que a execução da escrituração

por meio de inúmeros balanços é impraticável. Sua utilização se restringe ao processo de aprendiza-

gem. Então, imagine-se um procedimento que possibilite o registro das transações e, por conse-

qüência, a constante alteração dos valores, sem que se tenha que elaborar inúmeros e continuados

balanços ou apagar as cifras para modificá-las.

Utilizando-se o mesmo Balanço Patrimonial nº 1, do tópico anterior, faz-se o mesmo registro

das quatro transações apresentadas, porém, sob outra técnica a qual consiste em modificar um único

balanço, mas com espaço suficiente em seu corpo, para colocar e acumular as transações. Assim,

recuperam-se, a seguir, os dados do Balanço Patrimonial e as transações efetuadas, para posterior-

mente aplicar a técnica de um balanço único movimentado.

BALANÇO PATRIMONIAL 1

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

Caixa

1.550,00

Fornecedores Empréstimos a pagar Passivo Total Capital Próprio

2.808,00

Clientes

10.000,00

12.500,00

Mercadorias 24.500,00

15.308,00

Móveis e Utensílios Equip. de Informática

743,00

22.925,00

1.440,00

 

Ativo Total

38.233,00

Passivo Total + Capital Próprio

38.233,00

34

Primeira transação:

Compra à vista de uma escrivaninha, para uso próprio:

Segunda transação:

Assinatura de Nota Promissória: prorrogação de dívida com fornecedor:

Terceira transação:

Compra de mercadorias a prazo:

Quarta transação:

Pagamento, em dinheiro, de dívida a fornecedor:

R$ 150,00 ( +A-A).

R$ 300,00 (-P +P).

R$ 1.700,00 (+A+P).

R$ 508,00 (-A-P).

Os lançamentos ou registros destas transações no Balanço Patrimonial obedecem ao esque-

ma demonstrado a seguir.

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO

R$

PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

R$

1. Caixa

1.550,00

1. Fornecedores

2.808,00

1º lançamento

- 150,00

lançamento

- 300,00

4º lançamento

- 508,00

lançamento

+ 1.700,00

Saldo final

892,00

lançamento

- 508,00

2. Clientes

10.000,00

Saldo final

3.700,00

Saldo final

10.000,00

2. Empréstimos. A pagar 2º lançamento

12.500,00

 

+ 300,00

3. Mercadorias

24.500,00

Saldo final

12.800,00

3º lançamento

+ 1.700,00

 

Saldo final

26.200,00

3. Capital Próprio ou Patrimônio Líquido

 
 

22.925,00

4. Móveis e Utensílios 1º lançamento

743,00

 

Saldo final

22.925,00

+ 150,00

+ 150,00

Saldo final

893,00

5. Equip. de Informática

1.440,00

Saldo final

1.440,00

Ativo Total

39.425,00

Passivo Total+Capital Próprio

39.425,00

Observa-se que o “Saldo final” de cada item e o “Total” dos dois lados do Balanço Patrimo-

nial Movimentado são idênticos aos valores do Balanço Patrimonial nº 5, que foi o último balanço

da seqüência de balanços proveniente das mesmas transações. Confirma-se por esta demonstração a

35

possibilidade de juntar em um único Balanço todas as transações, o que corrobora o enunciado e as conclusões feitas após o Balanço Patrimonial nº 5, que são:

a) Cada transação implica, necessariamente, em duas alterações no Balanço Patrimonial.

b) As alterações podem ocorrer em um mesmo lado do balanço, ou seja, só no lado do Ativo ou só no lado do Passivo e neste caso terão sinais distintos. Quando isto ocorre haverá uma diminuição e aumento simultâneo no lado afetado (ou do Ati- vo ou do Passivo). Isto está a seguir exemplificado:

Se no lado do Ativo se aumenta R$ 100,00, nele se diminui, imediatamente, R$ 100,00;

Se no lado do Passivo se aumenta R$ 80,00, nele se diminui, imediatamente, R$ 80,00.

c) As alterações podem ocorrer em lados opostos do Balanço. Quando isto ocorre

haverá uma alteração no lado do Ativo e a outra no lado do Passivo e terão sinais i- guais (aumentando ou diminuindo), pois o valor que é aumentado no lado do Ativo deve ser imediatamente aumentado no lado do Passivo e vice-versa.

Se no lado do Ativo se aumenta R$ 40,00, imediatamente se aumenta R$ 40,00 no lado do Passivo;

Se no lado do Ativo se diminui R$ 35,00, imediatamente se diminui R$ 35,00 no lado do Passivo.

4.1.4 A natureza das transações: as Variações Permutativas ou Variações Qualitativas

Todas as transações (operações) até aqui apresentadas não provocaram alteração no CAPI- TAL PRÓPRIO ou PATRIMÔNIO LÍQUIDO, o que significa que a empresa não se tornou nem mais rica, nem mais pobre. Estas transações, também denominadas de variações, que não modifi- cam o Capital Próprio, são as Variações Permutativas ou Variações Qualitativas. Denominam-se

36

Permutativas porque provocam trocas entre os itens que compõem o Balanço na mesma intensidade

de valor; Qualitativas porque alteram a qualidade dos itens.

Cita-se, como exemplo, a aquisição a vista de uma escrivaninha para uso próprio. Na transa-

ção troca-se (permuta-se) bens numerários (Caixa: dinheiro existente) por bens de uso (Móveis e

Utensílios: escrivaninha) o que altera a qualidade dos ativos existentes no patrimônio da entidade.

Tem-se, então, menos disponibilidades, mas por outro lado tem-se mais um bem necessário para a

atividade da empresa.

Existem quatro tipos de variações permutativas:

1. Aumento do Ativo (+ A ) correspondendo a uma diminuição do Ativo ( - A );

2. Diminuição do Passivo ( - P ) correspondendo a um aumento do Passivo ( + P );

3. Aumento do Ativo ( + A ) correspondendo a um aumento do Passivo ( + P );

4. Diminuição do Ativo ( - A ) correspondendo a uma diminuição do Passivo ( - P ).

Então, tem-se:

+ A

- A

Permutação entre Ativos

- P

+ P

Permutação entre Passivos

+ A

+ P

Alongamento do Balanço (permutação compensatória)

- A

- P

Encurtamento do Balanço (permutação compensatória)

Dessa forma, cada alteração de um elemento patrimonial leva a duas compensações possí-

veis:

Aumento de um Ativo

Diminui outro Ativo ou Aumenta um Passivo

Diminuição de um Passivo

Aumenta outro Passivo ou Diminui um Ativo

Diminuição de um Ativo

Aumenta outro Ativo ou Diminui um Passivo

Aumento de um Passivo

Diminui outro Passivo ou Aumenta um Ativo

37

4.1.5 O nascimento das contas patrimoniais

O Balanço Patrimonial único movimentado, que mostrou a sua utilidade ao eliminar o levan- tamento de balanços diretamente associados à quantidade de transações, também tem seus inconve- nientes pela necessidade de se efetuar somas e subtrações intermediárias.

Visando evitar que se misturem somas e subtrações na mesma coluna, utiliza-se um proce- dimento técnico que é o de separar os aumentos e as diminuições isoladamente em lados opostos. Este procedimento é possível mediante o uso de contas, que correspondem a síntese de cada item que compõe o Balanço. As contas podem ser de natureza patrimonial e de natureza de resultado. Neste tópico são examinadas as contas patrimoniais, ou seja, aquela que representam o patrimônio.

Como visto no início deste capítulo, o balanço é uma representação gráfica sintética que contém os elementos que compõem o patrimônio de uma entidade em um determinado momento e, como a conta irá representar cada elemento deste patrimônio, é natural que esteja no mesmo forma- to adotado para o balanço. A conta é, pois, a representação gráfica de cada elemento do patrimônio de uma empresa.

O elemento “Caixa” (dinheiro ou disponibilidade), por exemplo, representa um item do patrimô- nio, assim como Mercadorias (estoques) ou como Fornecedores (dívidas por aquisição de mercadorias a prazo). Cada um dos citados representa e é um elemento do patrimônio, razão pela qual pode-se repre- sentar as contas sob a representação gráfica do Balanço. Note-se que tanto o Balanço como as contas possuem a mesma estrutura gráfica, ou seja, estão representados sob a forma de um “T” maiúsculo.

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO

CAIXA

SI

1.550,00

SI 1.550,00

CLIENTES

SI

10.000,00

SI 10.000,00

MERCADORIAS

SI

24.500,00

SI 24.500,00

MÓVEIS E UTENSÍLIOS

SI

743,00

SI 743,00

PASSIVO+CAPITAL PRÓPRIO

FORNECEDORES

SI 2.808,00

SI

2.808,00

EMPRÉSTIMOS A PAGAR.

SI 12.500,00

SI

12.500,00

CAPITAL PRÓPRIO

SI 22.925,00

SI

22.925,00

PRÓPRIO FORNECEDORES SI 2.808,00 EMPRÉSTIMOS A PAGAR. SI 12.500,00 CAPITAL PRÓPRIO SI 22.925,00

38

EQUIP. DE INFORMÁTICA

SI

1.440,00

Totais

38.233,00

0,00

Totais

0,00

38.233,00

No exemplo acima, verifica-se que as contas do Ativo, representativas dos bens e direitos da empresa, estão colocadas no lado esquerdo do balanço e que as contas do Passivo, que representam as dívidas e obrigações da entidade, estão colocadas no lado direito do balanço.

A conta representativa do Capital Próprio está colocada no lado direito do balanço, para forçar a igualdade dos dois lados deste.

É relevante observar que somando todo o lado esquerdo das contas (inclusive as contas do

Passivo) e somando todo o lado direito das contas (inclusive do Ativo) elas mostram a mesma i- gualdade. A partir desta constatação deve-se compreender como elas funcionam, ou seja, como se faz sua movimentação e isto passa pelo entendimento da sua estrutura, que está a seguir descrita.

A estrutura das contas que representam itens do ativo (bens e direitos), que são denominadas

de contas patrimoniais ativas, tem o seguinte formato:

CAIXA

SI

SI 1.550,00

1.550,00

SI 1.550,00
SI 1.550,00
SI 1.550,00

A conta patrimonial ativa sempre tem sua situação inicial (SI) posicionada no lado esquerdo

da conta, pois segue o paradigma do ativo que está, por convenção ou costume, posicionado no lado esquerdo do Balanço. No exemplo a conta “Caixa”.

A estrutura das contas que representam itens do passivo (dívidas e obrigações), que são de-

nominadas de contas patrimoniais passivas, tem o seguinte formato:

FORNECEDORES

SI 2.808,00
SI 2.808,00

SI

SI 2.808,00

2.808,00

SI 2.808,00

A conta patrimonial passiva sempre tem sua situação inicial (SI) posicionada no lado direito

da conta, pois segue o paradigma do passivo que está, por convenção ou costume, posicionado no lado direito do Balanço. No exemplo: a conta de “Fornecedores”.

39

Resumindo-se a estrutura das contas patrimoniais (ativas e passivas):

a situação inicial das contas (SI) segue o posicionamento do seu grupo (Ativo ou Passivo);

a conta patrimonial ativa (bens e direitos) tem sempre sua situação inicial no lado esquerdo do Balanço. Exemplo: conta Caixa;

a conta patrimonial passiva (dívidas e obrigações) tem sempre sua situação inicial no lado direito do Balanço. Exemplo: a conta “Fornecedores”.

Esta conceituação da conta ainda não esclarece como a mesma pode ser utilizada. É preciso, para isto, resgatar o conceito de Patrimônio inserido no item 1.4 Capítulo 1, onde está consignada a seguinte equação:

AATTIIVVOO ++ PPAASSSSIIVVOO == PPAATTRRIIMMÔÔNNIIOO

Resgata-se esta equação, pela simples razão de que com a mesma pode-se afirmar que os va- lores do Ativo podem ser designados como positivos (+) e os valores do Passivo também podem ser designados como (+), permitindo sinalizar tanto o Ativo como o Passivo ( + ), como segue:

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO

 

PASSIVO

( + )

 

CAIXA

FORNECEDORES

 

SI

1.550,00

 

SI

2.808,00

 

Esta sinalização mostra que, sendo “Caixa” uma conta pertencente ao Ativo, terá o sinal po- sitivo (+) no lado esquerdo, seguindo a mesma indicação do que está estabelecido para o Ativo (+) no Balanço.

( + ) SI

CAIXA

De igual forma mostra que, sendo “Fornecedores” uma conta pertencente ao Passivo, terá o sinal positivo (+) no lado direito, seguindo a mesma indicação do que está estabelecido para o Pas- sivo (+) no Balanço.

FORNECEDORES

( + )

SI

40

Observa-se, então, que instalada a conta, cada elemento do Balanço, seja do Ativo ou do
Observa-se, então, que instalada a conta, cada elemento do Balanço, seja do Ativo ou do

Observa-se, então, que instalada a conta, cada elemento do Balanço, seja do Ativo ou do Passivo possui, além de seu posicionamento natural (à esquerda se for um Ativo e à direita se for um Passivo), outro lado que lhe faz oposição e que por isto é sinalizado com sinal negativo ( - ).

Por meio desta técnica, cada item adquire uma dinâmica própria e, portanto, uma maneira bem mais adequada de registrar as transações do que foi visto no balanço único movimentado. Para tanto, é preciso considerar as seguintes afirmações:

a) os aumentos nas contas que pertencem ao Ativo são registrados em seu lado esquerdo; conse- qüentemente no lado que lhe faz oposição, o lado direito, são anotadas as diminuições;

b) os aumentos nas contas que pertencem ao Passivo são registrados em seu lado direito; conse- qüentemente no lado que lhe faz oposição, o lado esquerdo, são anotadas as diminuições;

c) a conta de Capital (Próprio) ou Patrimônio Líquido, por estar posicionada no lado do Passi- vo, funciona de forma idêntica ao ilustrado no item “b” acima.

Exemplifica-se isto por meio de uma conta do Ativo, no caso a conta “Caixa”.

( +

)

CAIXA

( - )

SI

1.550,00

 

150,00

 

508,00

 

1.550,00

Soma

.658,00

No exemplo, verifica-se que a conta “Caixa” (conta patrimonial ativa que representa a exis- tência de um bem: dinheiro) recebeu a sua grandeza inicial de R$ 1.550,00 no lado esquerdo. Regis- traram-se, em seguida, os valores das transações: no lado esquerdo nenhum lançamento no Caixa e no lado direito R$ 150,00 e R$ 508,00, que diminuíram o montante de recursos em Caixa. Estas movimentações determinaram que o lado esquerdo desta conta do Ativo somasse R$ 1.550,00 (R$ 1.550,00 do saldo inicial apenas, pois não houve lançamento que aumentasse o Caixa) e que o lado direito desta conta do Ativo somasse R$ 658,00 (R$ 150,00 e R$ 508,00).

Portanto, todas as contas patrimoniais ativas (provenientes do Ativo do Balanço) têm as suas grandezas iniciais inscritas no lado esquerdo, o que caracteriza a natureza destas contas, e seus au- mentos lançados em seu lado esquerdo significando, em conseqüência, que suas diminuições devem ser registradas em seu lado direito, lado oposto à sua natureza.

A título de exemplo, observe-se uma conta do Passivo, no caso a conta “Fornecedores”.

41

( - )

FORNECEDORES

( + )

 

300,00

2.808,00

508,00

1.700,00

Soma

.

.

.

.

.

808,00

4.508,00

No exemplo, verifica-se que a conta “Fornecedores” (conta patrimonial passiva que repre- senta as dívidas existentes por compras a prazo de mercadorias) recebeu a sua grandeza inicial de R$ 2.808,00 no lado direito. Registrou-se, em seguida, o valor de transação no lado direito de R$ 1.700,00, que aumentou o valor a pagar a Fornecedores e no lado esquerdo duas transações de R$ 300,00 e R$ 508,00, que diminuíram o montante a pagar a Fornecedores. Estas movimentações de- terminaram que o lado direito desta conta do Passivo somasse R$ 4.508,00 (R$ 2.808,00 do saldo inicial mais um aumento de R$ 1.700,00) e que o lado esquerdo desta conta do Passivo somasse R$ 808,00 (R$ 300,00 e R$ 508,00).

Portanto, todas as contas patrimoniais passivas (provenientes do Passivo do Balanço) têm as suas grandezas iniciais inscritas no lado direito, o que caracteriza a natureza destas contas e, portan- to, seus aumentos lançados em seu lado direito significando, em conseqüência, que suas diminui- ções devem ser registradas em seu lado esquerdo, lado oposto à sua natureza.

Então, o esquema geral de funcionamento das contas patrimoniais ativas e passivas é o se-

guinte:

 

CONTAS ATIVAS

   

CONTAS PASSIVAS

SITUAÇÃO

( - )

 

( - )

SITUAÇÃO

INICIAL

 

INICIAL

DIMINUIÇÕES

DIMINUIÇÕES

 

( + )

( + )

AUMENTOS

SITUAÇÃO FINAL

SITUAÇÃO FINAL

AUMENTOS

(saldo final)

(saldo final)

A conta Capital (Próprio) por estar posicionada no lado do Passivo tem o mesmo esquema de funcionamento das contas patrimoniais passivas, ou seja, situação inicial e aumentos no lado direito e diminuições no lado esquerdo.

42

Um aspecto importante relacionado ao Capital Próprio ou Patrimônio Líquido deve ser res- saltado neste momento. Utilizou-se, até então, o conceito de Capital Próprio de forma fechada, mas ele também tem desdobramentos internos que podem ser resumidos em três elementos, a saber:

Capital Social;

Reservas e

Prejuízos Acumulados.

O Capital Social é a representação legal da integralização dos recursos dos sócios derivada de cláusula inserida nos atos constitutivos da empresa (declaração de firma, contrato social, estatuto social, etc.) que deve ser registrados e arquivados nas Juntas Comerciais Estaduais. O Capital Social representa o valor inicial aplicado pelos sócios na empresa e somente pode ser modificado mediante alteração dos atos constitutivos devidamente registrados nas Juntas Comerciais.

As Reservas, em um plano restrito, representam as retenções de lucros gerados pela empresa.

Os Prejuízos Acumulados representam os prejuízos apurados pela empresa no exercício atual ou em exercícios anteriores, até que sejam compensados com lucros, saldos de reservas ou assumi- dos pelos sócios.

Transcrevendo, novamente, as transações já examinadas, agora sob a técnica da “conta”, tem-se a seguinte representação gráfica:

BALANÇO PATRIMONIAL.

(+)

ATIVO

( - )

( - )

PASSIVO+CAPITAL PRÓPRIO

(+)

+

CAIXA

-

-

FORNECEDORES

 

+

SI

1.550,00

150,00

(1)

(2)

300,00

SI

2.808,00

 

508,00

(4)

(4)

508,00

1.700,00

(3)

+

CLIENTES

-

-

EMPRÉSTIMOS A PAGAR

+

SI

10.000,00

 

SI 12.500,00

 
   

300,00

(2)

+

MERCADORIAS

-

-

CAPITAL PRÓPRIO

+

SI

24.500,00

 

SI 22.925,00

 

(3)

1.700,00

 

+

MÓVEIS E UTENSÍLIOS

-

SI

743,00

 

(1)

150,00

+

EQUIP. DE INFORMÁTICA

-

43

SI 1.440,00

SI

1.440,00

SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00
SI 1.440,00

Com base na representação gráfica acima se conclui que:

As contas patrimoniais representam uma parcela do patrimônio.

Toda

transação

(operação)

implica,

necessariamente,

em

dois

registros

(lançamentos): um, no lado esquerdo de uma conta, outro, do mesmo valor, no

lado direito de outra conta, e vice-versa (método das partidas dobradas).

Os aumentos do Ativo são registrados no lado esquerdo das contas ativas.

As diminuições do Ativo são registradas no lado direito das contas ativas.

Os aumentos do Passivo são registrados no lado direito das contas passivas.

As diminuições do Passivo são registradas no lado esquerdo das contas passivas.

Até o momento aprendeu-se a reconhecer a situação inicial (SI) de cada conta (ativa ou pas-

siva), sua movimentação com aumentos e diminuições, a aposição do sinal (+) e (-) e como eles

devem ser instalados na conta patrimonial ativa e na conta patrimonial passiva, faltando ainda um

último ponto que é a determinação da situação final (SF) das contas.

Para apurar o saldo final (SF) de uma conta, do ativo ou do passivo, deve-se efetuar as so-

mas de ambos os lados da mesma (lado esquerdo e lado direito). Depois de obtidas as somas, sub-

trai-se o valor da soma maior do valor da soma menor, apurando-se uma diferença. Esta diferença

deve ser colocada no lado da soma menor para que seja atingida a igualdade das somas dos dois

lados da conta. Veja o exemplo da conta “Caixa”, a seguir.

( + )

CAIXA

 

( - )

SI

1.550,00

 

150,00

(1)

 

508,00

(4)

Soma

1.550,00

658,00

Soma

 

892,00

SF

Total

1.550,00

1.550,00

Total

Soma do lado esquerdo da conta

1.550,00

Soma do lado direito da conta

658,00

Diferença, colocada no lado direito como Situação final, para forçar a igualdade dos dois lados da conta

892,00

44

Aplicando-se esta técnica para todas as contas que compõem o Ativo e o Passivo, obtém-se a representação gráfica completa da conta, que pode ser visualizada na Figura 3.

45

BALANÇO PATRIMONIAL

(+)

A T I V O

 

PASSIVO+CAPITAL PRÓPRIO

(+)

+

CAIXA

 

-

-

FORNECEDORES

 

+

SI

1.550,00

 

150,00

(1)

(2)

300,00

2.808,00

SI

 

508,00

(4)

(4)

508,00

1.700,00

(3)

SF

892,00

SF

3.700,00

 
 

1.550,00

1.550,00

 

4.508,00

4.508,00

+

CLIENTES

 

-

-

EMPRÉSTIMOS A PAGAR

 

+

SI 10.000,00 10.000,00
SI
10.000,00
10.000,00

SF

 

12.500,00

SI

10.000,00

 

SF

12.800,00

300,00

(2)

10.000,00

 

12.800,00

12.800,00

+

MERCADORIAS

 

-

-

CAPITAL PRÓPRIO

 

+

SI

24.500,00

 

22.925,00

SI

(3)

1.700,00

SF

26.200,00

 

SF

22.925,00

 

26.200,00

26.200,00

 

22.925,00

22.925,00

+

MÓVEIS E UTENSÍLIOS

-

SI 743,00 1) 150,00
SI
743,00
1)
150,00

893,00

SF

893,00

893,00

+

EQUIP. DE INFORMÁTICA

-

SI

1.440,00

SF

1.440,00

1.440,00

1.440,00

Figura 3: Patrimonial da empresa José da Silva

4.l.6 A contabilidade é um circuito fechado

O coroamento de toda a exposição é agora apresentado. Neste momento dá-se o fecho dos

procedimentos adotados desde a instalação do inventário sintético (Balanço Patrimonial) passando

por sua movimentação e apuração de saldos através da técnica da conta. O raciocínio é simples:

A partir do Balanço Patrimonial Inicial desprendem-se todos os itens do Balanço que

passam a ser apresentados sob a forma de conta, tomando posição individual, mas ex-

tremamente facilitadora para seu funcionamento do registro das operações.

O desmembramento do Balanço em contas individualizadas, nada muda, o Balanço Pa- trimonial apenas ganha outro formato. Permanece em vigor o entendimento de que cada variação atinge, sempre, duas contas, uma no lado esquerdo, outra no lado direito, resul- tando no registro duplo do mesmo valor (Método de Partidas Dobradas).

Dessa forma, o Balanço Patrimonial inicial é desdobrado em contas, nas quais são lançadas as operações apurando-se no final o saldo e novamente transportando as contas para o Balanço (Ba- lanço Final). O ciclo empreendido que se inicia no Balanço Patrimonial Inicial passando pelas vari- ações das contas (registro das transações) termina no Balanço Patrimonial Final, e isto constitui um circuito fechado, o que permite concluir que a contabilidade é um circuito fechado.

47

A CONTABILIDADE É UM CIRCUITO FECHADO

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO PASSIVO CAIXA 1.550,00 FORNECEDORES 2.808,00 CLIENTES 10.000,00 EMPRESTIMOS 12.500,00 MERCADORIAS
ATIVO
PASSIVO
CAIXA
1.550,00
FORNECEDORES
2.808,00
CLIENTES
10.000,00
EMPRESTIMOS
12.500,00
MERCADORIAS 24.500,00
CAP.PRÓPRIO
22.925,00
MÓVEIS e UTENSÍLIOS
743,00
EQUIP. de INFORMÁTICA
1.440,00
38.233,00
38.233,00
+
CAIXA
-
-
FORNECEDORES
+
SI
1.550,00
150,00
1.
2.
300,00
2.808,00
SI
508,00
4.
4.
508,00
1.700,00
3.
892,00
SF
SF
3.700,00
1.550,00
1.550,00
4.508,00
4.508,00
+
CLIENTES
-
-
EMPRÉSTIMOS
+
SI
10.000,00
12.500,00
SI
10.000,00
SF
300,00
2.
10.000,00
10.000,00
SF
12.800,00
12.800,00
12.800,00
+
MERCADORIAS
-
SI
24.500,00
-
CAITAL PRÓPRIO
+
3.
1.700,00
26.200,00
SF
22.925,00 SI
26.200,00
26.200,00
SF
22.925,00
22.925,00
22.925,00
+
MÓVEIS e UTENSÍLIOS
-
SI
743,00
1.
150,00
893,00
SF
893,00
893,00
+
EQUIP.de INFORMÁTICA
-
SI
1.440,00
1.440,00
SF
1.440,00
1.440,00
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO
PASSIVO
CAIXA
892,00
FORNECEDORES
3.700,00
CLIENTES
10.000,00
EMPRESTIMOS
12.800,00
MERCADORIAS 26.200,00
CAP.PRÓPRIO
22.925,00
MÓVEIS e UTENSÍLIOS
893,00
EQUIP. de INFORMÁTICA
1.440,00
39.425,00
39.425,00

4.l.7 A conceituação de Débito e Crédito

Evitou-se até o momento o uso dos termos “débito” e “crédito”, preferindo-se utilizar as ex-

pressões lado direito e lado esquerdo das contas.

Não se pode esquecer, entretanto, que se está fazendo até agora o uso de sinais (+ e -) e o

conceito de débito e crédito não é inteiramente compatível com estes sinais. Observe: no lado es-

querdo de uma conta patrimonial ativa o sinal é (+), enquanto que na conta patrimonial passiva ele é

(-); no lado direito de uma conta patrimonial ativa o sinal é (-), mas na conta patrimonial passiva o

sinal é (+). Esta pequena insegurança é imediatamente sanada ao reportar-se a equação do patrimô-

nio e aos conceitos estudados na instalação das “contas patrimoniais”.

Para iniciar o entendimento do conceito, é preciso aceitar como premissa básica que:

Há uma convenção internacionalmente consagrada que estipula que:

o Ativo é o lado dos DÉBITOS e que o Passivo é o lado dos CRÉDITOS.

Esta convenção permite que se expresse o Balanço, conforme abaixo especificado.

BALANÇO PATRIMONIAL

(+)

ATIVO (aplicações)

(+)

PASSIVO (origens)

 

DÉBITO

 

CRÉDITO

Atente-se para os sinais ( + ) que compõe o conceito básico sobre o Balanço Patrimonial, o

que mostra que o débito aumenta e o crédito também aumenta. Verifica-se que tanto o Ativo como o

Passivo tem o sinal positivo, isto equivale dizer que o lado esquerdo e o lado direito são positivos.

Por via de conseqüência, o débito está no lado positivo, e o crédito também está no lado po-

sitivo. Como compreender então esta pretensa anomalia? Como compatibilizar os dois conceitos?

Estas são inquietações que estão presentes quando se está diante desta problemática. Para is-

to deve-se examinar por partes o que está aqui enunciado. Para proporcionar a compreensão desta

problemática, primeiro desprende-se do Balanço uma conta patrimonial ativa e uma conta patrimo-

nial passiva. Tem-se então:

BALANÇO PATRIMONIAL

 

(+)

ATIVO (aplicações)

 

(+)

PASSIVO (origens)

 
 

DÉBITO

   

CRÉDITO

 
 

(+)

CAIXA

( - )

( - )

FORNECEDORES

( + )

Débito

 

Débito

Crédito

Crédito Nota-se que a conceituação está mantida, pois:

 

A conta patrimonial ativa inicia com sinal (+) e é um débito, conforme se definiu

em relação ao Ativo;

A conta patrimonial passiva inicia com sinal (+) e é um crédito, conforme se defi-

niu em relação ao Passivo.

Observe-se também que os lados que tem o sinal ( - ), tanto da conta patrimonial ativa como

da conta patrimonial passiva foram colocados na segunda linha, em itálico.

A expressão débito sempre se mantém na posição correspondente ao lado esquerdo da conta;

A expressão crédito sempre se mantém na posição correspondente ao lado direito da conta.

Então como interpretar o conceito de débito e crédito? Para poder definir-se adequadamente

o conceito, é preciso estabelecer o campo de movimentação de cada tipo de conta patrimonial (ativa

ou passiva) e então determinar a forma de funcionamento de cada conta dentro do conceito de débi-

to e crédito. A seguir descreve-se como funciona o débito em o crédito para:

a) Conta Patrimonial Ativa

débito representa um aumento, o que corresponde ao sinal ( + ) no Ativo, e o exemplo

é uma entrada de dinheiro, o que significa aumentar os valores da conta “Caixa”;

crédito representa uma diminuição, o que corresponde ao sinal ( - ) no Ativo, e o exem-

plo é uma retirada de dinheiro, o que significa diminuir os valores da conta “Caixa”.

Para apurar a Situação Final (SF) da conta, efetua-se a soma dos débitos e dos créditos, sub-

traindo-se a soma menor (créditos) da soma maior (débitos). Nesse caso, como o lado maior é o

lado dos débitos, a situação final (SF) é devedora, e o seu valor é colocado no lado menor, no crédi-

50

to, para igualar os dois lados.

b) Conta Patrimonial Passiva

débito representa uma diminuição, o que corresponde ao sinal ( - ) no Passivo, e o exemplo é a liquidação de dívida com fornecedor, o que significa diminuir os valores da conta “Fornecedores”;

crédito representa um aumento, o que corresponde ao sinal ( + ) no Passivo, e o exemplo é comprar mercadorias a prazo, o que significa aumentar os valores na conta de “Fornecedores”.

Para apurar a Situação Final (SF) da conta, efetua-se a soma dos débitos e dos créditos, sub- traindo-se a soma menor (débitos) da soma maior (créditos). Nesse caso, como o lado maior é o lado dos créditos, a situação final (SF) é credora, e o seu valor é colocado no lado menor, no débito, para igualar os dois lados.

Pelo exposto, está enfaticamente demonstrado que cada transação (lançamento) atinge sem- pre duas contas do patrimônio e registra nelas o mesmo valor, portanto, o valor é registrado de for- ma dupla. Assim como se vem afirmando ao se fazer um lançamento no lado direito de uma conta, deve corresponder imediatamente outro lançamento no lado esquerdo, e vice-versa.

Da mesma forma exige-se que ao se fazer um lançamento no débito, haja imediata corres- pondência de outro lançamento no crédito, e vice-versa. Esse sistema de lançamentos denomina-se método das partidas dobradas, é a base onde se assenta toda ciência da contabilidade.

PARA COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS

Para saber um pouco mais sobre o surgimento do “Método das Partidas Dobradas” acesse, no site da

Revista de Contabilidade e Finanças da USP, o artigo Contabilidade: aspectos relevantes da epo- péia de sua evolução, de autoria dos Professores Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Luís Nelson Carvalho, publicado em agosto/2005. A partir da leitura deste artigo, que discute as várias fases históricas do desenvolvimento da Contabilidade, desde o estado de simples método de escrituração,

é

possível compreender como surgiu o método das partidas dobradas e entender, por exemplo, como

o

desconhecimento do número negativo (sinal -) influenciou a técnica contábil.

51

TERMOS-CHAVE

Balanço Patrimonial: é uma representação gráfica sintética que contém os elementos que compõem o patrimônio de uma entidade em um determinado momento. Origens dos Capitais: representam os recur- sos (capitais) capazes de dar origem a todos os valores que compõem o Ativo. São forma- das pelos Capitais Próprios (Patrimônio Lí- quido) e de Terceiros (Passivo), que são os responsáveis pela formação de todo o conjun- to de bens e direitos da entidade.

Aplicação dos Capitais: representa o Ativo da entidade, onde são aplicados todos os ca- pitais (de terceiros e próprios).

Variações Permutativas ou Qualitativas:

são as transações (operações) que não provo- cam alteração no Capital Próprio ou Patrimô- nio Líquido. Provocam trocas entre os itens que compõem o Balanço na mesma intensi- dade de valor e alteram a qualidade dos itens. Conta Patrimonial: é a representação gráfi- ca de cada elemento do patrimônio de uma empresa. Método das Partidas Dobradas: exige-se que ao se fazer um lançamento no débito, haja imediata correspondência de outro lan- çamento no crédito, e vice-versa.

52

CAPÍTULO 5: O NASCIMENTO DAS CONTAS DE RESULTADO

RESUMO DO CAPÍTULO

Neste capítulo são discutidas as transações que modificam o Capital Próprio, ou seja, a rique- za de uma entidade: as transações Modificativas ou Qualitativas do patrimônio. Apresenta-se

o lançamento destas transações diretamente no Capital Próprio e, também, na sua sub-conta

auxiliar denominada “Lucros e Perdas” e descreve-se o nascimento da Dupla Contabilidade. Finalmente, é apresentado o funcionamento das contas de resultado, que são auxiliares da con-

ta “Lucros e Perdas” e refletem a situação líquida do patrimônio.

5.1 O NASCIMENTO DAS CONTAS DE RESULTADOS

Até o momento existe uma conta no lado do Passivo que não sofreu nenhuma altera-

ção. Trata-se da conta Capital Próprio. Esta conta embora se encontre no lado do Passivo não

é uma conta patrimonial passiva, pois a conta Capital Próprio, ou melhor, as contas que irão

representá-lo e que serão estudadas mais adiante, são conhecidas como contas que espelham a

situação líquida do patrimônio.

Para a sua devida compreensão, referencia-se o principal instrumento do levantamento patrimonial: o Inventário Geral. O Balanço Patrimonial, síntese do inventário, está expresso por meio de contas patrimoniais. As contas patrimoniais que constituem o Balanço foram extraídas do Inventário Geral (visualize-as no Inventário Geral Final nº 2) e são decorrentes do que está na parte I (Ativo), o que corresponde às contas patrimoniais ativas, e do que está na parte II (Passivo), o que corresponde às contas patrimoniais passivas.

No entanto, resta um grupo do Inventário Geral onde se encontra a conta Capital Pró- prio, e que consta na sua parte III (Comparação). Enfatiza-se que esta conta só é registrada no lado do Passivo do Balanço Patrimonial para forçar a igualdade entre os valores registrados no Ativo e os valores registrados no Passivo do Balanço.

Como a conta do Capital Próprio se encontra no lado do Passivo do Balanço Patrimo-

nial, é regida pelas mesmas regras das contas patrimoniais passivas, isto é:

sua situação inicial figura no lado direito da conta;

os aumentos (dinheiro entregue pelos sócios, lucros obtidos, etc.) são registrados no lado direito;

as diminuições, representadas pelas retiradas dos sócios e pelos prejuízos verificados, são registradas no lado esquerdo da conta.

Atenção: o Capital Próprio, embora figure no Passivo, não é uma contra patrimonial passiva.

Apesar disso, como se encontra no lado direito do balanço, é regido pelas mesmas regras das

contas passivas.

Assim, tem-se:

CAPITAL PRÓPRIO

(-) LADO ESQUERDO

LADO DIREITO (+)

Diminuições

Situação inicial

Situação Final

Aumentos

O Capital Próprio é constituído por diversas contas (até agora não especificadas por

conveniência das explicações) as quais representam em seu somatório, sempre, a diferença

entre os valores Ativos e os valores Passivos e estão constantemente em movimento. Entretan-

to, uma das contas que o compõem – Capital Social, sob o ponto de vista legal, é uma conta

imutável.

A

razão disso é que a conta Capital Social representa o valor que figura em clausula do

instrumento contratual da empresa (declaração de firma, estatuto social, contrato social), e seu

valor somente pode ser mudado mediante alteração desta clausula contratual. Assim, esta con-

ta somente poderá ser modificada após alteração da clausula contratual e devidamente regis-