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GPC - Gestão da Produção Cerâmica

9 – GESTÃO DE STOCKS

9.1 – A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DOS STOCKS

Não é raro que o montante de compras atinja 50% do volume de vendas da empresa. Pode-
mos afirmar que uma redução das encomendas, de somente 2%, ligada a uma sã gestão de
stocks, conduz a uma economia de 1% sobre as vendas.

Por outro lado a introdução das novas orientações estratégicas à gestão empresarial conduzi-
ram à segmentação da intervenção das empresas no ciclo total de obtenção dos produtos,
originando um aumento das aquisições de produtos semi-acabados e serviços, de modo a
permitir a concentração dos activos das empresas no núcleo duro do negócio, a fim de ganhar
competitividade. Um exemplo na cerâmica será a aquisição de pasta preparada. Quantas fábri-
cas, há vinte anos ou mesmo há dez anos atrás, adquiriam pasta preparada para utilizarem na
sua produção? A formulação da pasta era um “segredo” bem guardado e cada fábrica, por
mais pequena que fosse, tinha a sua própria pasta que não vendia a ninguém. O mesmo se
está a passar em relação aos vidrados, em relação aos moldes, etc.
Fora do sector da cerâmica, temos outros exemplos.

 no sector do calçado as compras de produtos e serviços representam 50 a 60% dos


custos industriais ou mesmo do valor de facturação
 no sector automóvel este valor sobe a 80% do custo de uma viatura no Japão, 75%
nos EUA e 70% na Europa
 na metalomecânica ligeira estes valores situam-se entre os 40 e os 50%.

Qualquer destes exemplos mostra que a gestão dos stocks e das compras são factores de
relevância na gestão actual das empresas.
Mas a gestão de stocks não constitui uma célula isolada na empresa. Em resumo, a gestão de
stocks, para além de uma organização própria que responda ao conjunto de economias possí-
veis de realizar, encontra-se, no seio da empresa, como um órgão integrado numa organização
global que, caso não esteja suficientemente desenvolvida, bloqueia a sua acção e a concreti-
zação dos seus objectivos.

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Gestão de Stocks

9.1.1 – TIPOS DE STOCKS

Numa empresa industrial podemos encontrar, basicamente, quatro tipos de stocks:


 Stocks, para fabricação
 matérias primas
 matérias subsidiárias
 embalagem e materiais de embalagem
 Stocks conservação
 Stocks em curso de fabrico
 Stocks de produtos acabados.

9.1.2 – POR QUE EXISTEM STOCKS NA EMPRESA?

São diversas as razões que estão na base da existência de stocks. Passamos a enumerar
aquelas que nos parecem mais importantes.
 Fluxo das entradas e fluxo das saídas com diferentes ritmos
 Erros de previsão
 Produção por lotes
 Produzir mais do que é necessário
 Prazos de fornecimento e pouca habilidade na negociação dos prazos acordados
 Deficiências de qualidade
 Sistemas fabris não balanceados (diferenças de cadências entre os equipamentos) ori-
ginando stocks entre as operações.
 E ainda, muitas vezes ligados ao processo do fabrico
 produção antecipada para reduzir o prazo de satisfação dos clientes
 produção antecipada para regular as oscilações da procura e para compensar irre-
gularidades da fabricação (avarias, paragens, etc.)
 mudanças de fabrico.

Para reduzir o stock é necessário reduzir o ciclo de produção, mas para isso é fundamental
 reduzir a dimensão dos lotes
 fiabilizar o equipamento
 eliminar as não conformidades
 reduzir o tempo de mudança de série.

Os efeitos mais importantes que resultam da existência de stock são:


 os custos ligados à sua existência
 as ineficiências que não são evidenciadas devido à sua existência.

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9.1.3 – CUSTOS ASSOCIADOS AO STOCK

Os stocks suportam, para além do custo de ruptura, duas espécies de custo: custo de passa-
gem encomendas para a constituição e reabastecimento e que vai somar-se ao preço de com-
pra artigos e custo de posse inerente à sua existência e que vai agravar os preços de saída de
armazém

Custo de Passagem

O custo de passagem, que corresponde a 1% - 2% do montante total das encomendas, com-


preende todos os gastos devidos ao procedimento de compra, como remunerações e encargos
com os agentes do aprovisionamento, estudos de mercado, despesas com negociações,
redacção das encomendas, controlo dos prazos, relance aos fornecedores, controlo das entre-
gas e conferência das facturas

Custo de Posse

O custo de posse do stock compreende duas categorias de despesas: o interesse financeiro


dos capitais imobilizados que se situa entre 10 e 15% e os gastos de armazenagem que po-
dem atingir 5 a 10% do valor imobilizado.

Os gastos de armazenagem são constituídos pelo custo de funcionamento dos armazéns


(remunerações e encargos, iluminação e força motriz, manutenção dos locais e dos equipa-
mentos), a amortização ou aluguer dos locais, a amortização dos equipamentos, seguros, per-
das por deterioração e roubo, custo de obsolescência.

Custo de Ruptura

A ruptura pode verificar-se nas duas actividades de produção:


 Fabricação: falta de materiais para dar continuidade ao processo produtivo
 Manutenção: falta de uma peça que origina paragem de fabrico e cuja produção não
pode ser recuperada.

No primeiro caso (fabricação) podemos considerar duas espécies de ruptura:


 Ruptura potencial: detectada antes do lançamento em fabricação, origina custos de
urgência e custos comerciais
 Ruptura real: detectada só após o lançamento em fabricação, obriga a outra natureza
de custos, seja o custo de posse de stock de produtos em curso, o custo associado ao
não cumprimento de prazos (perda da venda do produto/custo de oportunidade).

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Gestão de Stocks

Por outro lado, o custo da ruptura em manutenção é devido à falta de uma peça de substituição
o que dá origem a um conjunto de consequências financeiras que depende da peça e da má-
quina, da taxa de utilização da máquina e das possibilidades de reparação.

O custo de ruptura tem em conta o tempo suplementar t entre o tempo de reparação t1 com a
peça existindo no stock e o tempo t2 para arrancar a instalação quando a peça não existe no
stock.

Durante este tempo ( t2 – t1 ), o custo da ruptura integra, para além do custo de posse dos pro-
dutos em curso de fabrico e do suplemento de desperdícios, a

 perda de produção rendível expressa em margem bruta

Custo de Ruptura = Ph (t2 – t1) (PV – Cv)

Ph – Produção horária; PV – Preço de venda; Cv – Custos Variáveis


Em conclusão, para obter uma boa gestão de stocks é preciso minimizar os três factores de
custo: custo de passagem das encomendas, custo dá posse do stock e custo de ruptura.

Gerir um stock compreende a procura de uma solução optimizada em termos:


 físicos
 administrativos
 económicos

9.2 – GESTÃO FÍSICA DE STOCKS

A gestão física de stocks preocupa-se, por um lado, com a organização do espaço físico ocu-
pado em armazém e por outro com a conservação e movimentações necessárias desde a
recepção dos materiais, até à sua entrega aos utilizadores internos ou clientes externos.
Compreende a definição:
 do layout de implantação dos armazéns
 do plano de arrumação dos materiais
 dos meios de movimentação associados
 do plano de conservação dos materiais

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9.3 – GESTÃO ADMINISTRATIVA DE STOCKS

O conhecimento das existências, em quantidade e em valor, responde a várias necessidades


da empresa, servindo para alimentar a contabilidade, gerir a tesouraria e gerir os reaprovisio-
namentos.

É indispensável o conhecimento do preço unitário dos artigos para os poder integrar no cálculo
dos preços de custo dos produtos finais ou em curso. È portanto necessário que os stocks e os
seus movimentos sejam correctamente valorizados.

Em termos de gestão dos stocks, o inventário permanente permite informar as quantidades e


os preços unitários, bem como o valor dos consumos anuais, parâmetros de base para definir o
período económico de encomenda. Por outro lado, os preços unitários informados servem de
referência aos compradores permitindo determinar os preços de facturação dos artigos cedidos
a outros serviços da empresa ou vendidos ao exterior. Em resumo, o conhecimento global do
stock só se obtém quando se fala em unidades monetárias e não apenas em quantidades –
donde a necessidade de dispor de dados quantificados e valorizados sobre stocks: os consu-
mos, as entradas e os stocks detidos.

Os movimentos do stock devem estar concebidos de forma a assegurar o inventário contabilís-


tico permanente, apoiado no registo validado das entradas e saídas de modo a permitir conhe-
cer no curso do exercício, as existências em quantidade e em valor.

A Gestão Administrativa dos Stocks controla os fluxos de informação e fiabiliza os dados reco-
lhidos, ao mais baixo custo, através:
 da gestão eficiente do processo de recepção
 do registo correcto e funcional das movimentações
 do controlo do inventário permanente
 da gestão eficiente do processo do reaprovisionamento
 do controlo contabilístico dos stocks.

9.3.1 – TIPOS DE MOVIMENTOS MAIS CORRENTEMENTE UTILIZADOS

Os materiais dentro da empresa estão sujeitos aos mais diversos tipos de movimentos. Destes,
os mais utilizados são os seguintes:

Entradas de compras - produtos provenientes de fornecedores que provocam o aumento das


existências

Saídas para utilização interna - produtos requisitados para uso na própria empresa e que
originam a redução das existências

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Gestão de Stocks

Expedição - movimento de saída para o exterior que conduz à redução das existências

Transferências - movimentos entre armazéns ou entre locais de armazenagem, que não con-
duzem ao aumento em termos globais do inventário

Devoluções de fabricação - ou mais genericamente devoluções de utilização, compreende


movimento de entrada em stock proveniente de saídas de stock não utilizadas

Devoluções a fornecedores - movimento de saída resultante da não aceitação de materiais


provenientes de compras, mas cuja não conformidade só foi detectada após o movimento de
Entrada da Compra.

Convém, no entanto realçar que todos estes movimentos devem ser reduzidos ao míni-
mo estritamente indispensável.

9.3.2 – CRITÉRIOS VALORIMÉTRICOS

A valorização de qualquer elemento do Activo do Balanço de uma empresa tem reflexos natu-
rais ao nível dos seus Resultados pelo que os critérios de valorização dos stocks têm de ser
ponderados com toda a prudência.
Os critérios de valorização correntemente utilizados são os seguintes:

♦ 1 – Custo médio ponderado

A utilização deste critério faz distribuir por todos os artigos em stock com o mesmo código, as
alterações de custo resultantes de novas entradas. Obtendo-se assim uma Valorização ao
mesmo custo de todos os artigos desse código. É um critério correntemente utilizado e bem
aceite pelo Fisco.

Custo médio ponderado = Valor do stock + Valor da entrada


Qte. em Stock +Qte. Entrada

♦ 2 – Custo standard

É fixado um valor standard para cada artigo de stock. Todos os movimentos se processam com
base no valor estabelecido para o período de referência (normalmente 1 ano).
Os desvios, entre os valores reais e o standard fixado, vão a contas de desvios e são regulari-
zados no final do exercício.
É um método também muito utilizado e bem aceite pelo Fisco.

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♦ 3 – LIFO – Last in First Out

Este critério assume que o último lote que entrou será o primeiro a sair.
Os artigos iguais são valorizados de acordo com o lote que esteve na origem da sua entrada.
As saídas são valorizadas em função do lote movimentado na ordem inversa da sua entrada
(último a entrar - primeiro a sair).
Este critério conduz a uma tendência de inflacionamento do custo dos produtos produzidos,
uma vez que se utilizam sempre os lotes mais recentes existentes em stock.
Em contrapartida as existências são tendencialmente subavaliadas, uma vez que se mantém
os lotes mais antigos que integram o stock.

♦ 4 – FIFO – First in First Out

É exactamente o inverso do anterior, provocando efeitos contrários aos apontados. As existên-


cias têm tendência a ser sobreavaliadas e as imputações aos produtos conduzem tendencial-
mente à sua subvalorização

♦ 5 – NIFO – Next in First Out

Segue a mesma lógica do LIFO, considerando que as saídas se efectuam ao valor de merca-
do. Este critério afecta sobretudo a valorização dos produtos onde são imputados os artigos
movimentados

9.4 – GESTÃO ECONÓMICA DOS STOCKS

O problema da gestão económica dos stocks não se centra na aplicação de métodos de ges-
tão, mas na selecção do melhor método para cada artigo, conforme a sua identidade, as suas
características de consumo, de preço e de prazo, e os custos associados à armazenagem,
reabastecimento e ruptura.

Trata-se de garantir o abastecimento dos utilizadores ao menor custo total através da:
a) minimização dos custos de posse e de passagem
b) redução dos obsoletos
c) redução das rupturas.

Para o efeito
é preciso saber calcular com exactidão o stock médio
em quantidade e em valor e
avaliar os resultados obtidos com os métodos aplicados

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Gestão de Stocks

Para medir a eficiência da utilização de um stock recorre-se a indicadores que traduzem a rela-
ção entre o consumo e o stock médio detido.

Um desses indicadores é a taxa de rotação do stock

Consumo no período (ano)


Taxa de rotação =
Stock médio no período (ano)

Traduz o número de vezes que o stock se renova. Quanto mais elevada for esta taxa tanto
melhor é a gestão adoptada. Este indicador pode apresentar valores que se situam num inter-
valo muito largo que pode ir de valores inferiores à unidade até 100, dependendo do tipo de
artigos e da indústria de referência. Todavia considera-se positivo, um rácio superior a 5 para
uma indústria tradicional.

Se o consumo anual de um artigo for de 60 000 € e se o stock médio no período foi de 15 000
€, a taxa de rotação será igual a 4, o que significa que o stock se renova quatro vezes por ano
ou de 3 em 3 meses.

O stock médio deverá ser calculado somando o stock no final de cada mês ao longo do ano e
no final dividir por 12.

Outro indicador utilizado é a taxa de cobertura média do stock.

Stock médio
Taxa de cobertura =
Consumo médio mensal

Este indicador traduz o número de meses de consumo assegurado pelo stock médio.

Existe ainda um terceiro indicador que se traduz pela taxa de ruptura dos stocks e que se
pode medir através do seguinte rácio:

Nº de requisições não satisfeitas


Taxa de ruptura =
Nº total de requisições ao armazém

É difícil definir um valor óptimo para esta taxa dado que é função de um elevado número de
variáveis, todavia poderemos considerar como valores razoáveis para a taxa de ruptura um
intervalo entre os 2% e 4% para o stock global.

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9.5 – MÉTODOS DE CÁLCULO DAS NECESSIDADES DE STOCKS

É impossível prever o consumo ou a necessidade de um dado artigo com uma precisão perfei-
ta. Isto significa que variações devidas a erros de previsão ou a acontecimentos excepcionais
introduzem factores suplementares que afectam a planificação. Para antecipar flutuações que
não se podem prever, é usual introduzir stocks nos sistemas que permitem compensar todas
as variações, dentro das previsões efectuadas.

Para planificar o stock deve-se saber quando o artigo deverá ser armazenado e quantas unida-
des são preciso armazenar. Para isso é necessário prever o consumo médio e a variância
(desvio padrão) associada, no modelo de stock considerado, de modo a que, respondendo às
solicitações em prazo e em volume, se minimizar o custo médio envolvido.

O controlo do stock, em particular para o curto prazo é, em muitos casos, um meio mais prático
e mais barato de tomar em consideração o problema das flutuações dos pedidos, do que os
métodos de previsão muito sofisticados.

Neste sentido, o gestor tem de escolher entre três soluções:


 uma previsão grosseira, que naturalmente conduzirá à constituição
de stocks importantes e com rupturas em paralelo;
 um método de previsão elaborado, que pode conduzir a um fraco
nível de stocks ;
 um sistema de abastecimento relacionado directamente com o
consumo no conceito de Just-in-Time

A arbitragem entre estas três soluções deve fazer-se na base:


 do valor relativo de cada item;
 da lei que rege o seu comportamento no passado;
 do custo associado;
 da precisão do método utilizado.

Convirá todavia, acentuar que estamos a tratar de modelos de consumo independentes. Nos
modelos de consumo dependentes, em que o consumo de um artigo está directamente relacio-
nado com as necessidades do composto ao qual está ligado, serão utilizadas técnicas que se
combinam com as que iremos estudar, nomeadamente o MRP – Materials Requirement Plan-
ning ou Planeamento das Necessidades de Materiais e o já referido Just-in-Time.

Uma vez inventariados, identificados e classificados os artigos e conhecido o valor dos consu-
mos anuais, a empresa possui os mecanismos para a aplicação os métodos de gestão.

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Gestão de Stocks

Uma primeira etapa para definir o método mais económico consiste na repartição dos artigos
segundo o método ABC, seleccionando os stocks em função da importância do valor do con-
sumo de cada artigo.

Mas esta repartição não é suficiente para se resolver completamente o problema que se põe à
gestão económica dos stocks. e que se resume em saber:

QUANDO ENCOMENDAR
E
QUANTO ENCOMENDAR

de maneira a minimizar o custo global a suportar.

Os métodos clássicos de gestão de stocks - o método de Ponto de Encomenda e o método


do Plano de Aprovisionamento (ambos inseridos nos métodos de consumo independen-
te), apoiam-se numa base de dados constituída por:
 custo de passagem de uma encomenda;
 custo de posse do stock;
 consumo anual;
 preço unitário;
 prazo de entrega;
 lei dos consumos mensais;
 risco de ruptura aceite.

No entanto, a teoria dos stocks assenta sempre sobre a análise dos registos do passado.
Daí que a aplicação dos métodos de gestão deva incidir em particular nos artigos das classes
B e C. Os artigos da classe A deverão ser objecto de um tratamento específico não devendo
estar completamente dependentes de leis estatísticas.

9.5.1 – MÉTODO DA RECTA DE TENDÊNCIA

Este método insere-se nos métodos de previsão. O objectivo central dos métodos de previsão
consiste em isolar o melhor possível a lei dos consumos que caracteriza a sua utilização.

Podem ser usadas três formas de abordagem:

1) Análise do passado como base das projecções a fazer para o futuro

2) Análise do futuro a partir da pesquisa de informações exteriores à empresa relaciona-


das com o mercado, a evolução conjuntural e as tendências tecnológicas

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3) Uma mistura das duas abordagens, essencialmente uma correcção das previsões
baseadas nas expectativas do futuro a partir das projecções do histórico de consumos.

Como métodos de projecção de históricos são utilizadas essencialmente três técnicas:


- Método da Média Móvel,
- Método da Recta de Tendência
- Método do Alisamento Exponencial
No âmbito do nosso estudo vamos ver o método da Recta de tendência.

Método da Recta de Tendência

Quando se verifica uma tendência regular na lei dos consumos, pode ser definida uma recta
y = ax + b , chamada recta de tendência” que procura minimizar a soma dos quadrados das
distâncias entre cada valor de consumo e uma recta a determinar para a mesma abcissa.

Q(y)

A equação da recta t(x) a determinar será

y = ax + b que por mudança de variável dará


Q = at + b

em que:

a=
∑Q ⋅ t − n ⋅ t ⋅ Q e b = Q −a⋅t
∑t −n⋅t
2 2

sendo:

b - Ordenada na origem
a - inclinação da recta
Q - média dos valores de consumo tomados em ordenadas
t - média dos valores de tempo considerad os nas abcissas
n - número de pontos considerad os na série em estudo
t - abcissa considerad a
Q - ordenada em cada ponto

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Gestão de Stocks

Exemplo:

Na fábrica ABC verificaram-se os seguintes consumos de vidrado

Março 500 kg
Abril 550 kg
Maio 550 kg
Junho 600 kg
Julho 630 kg
Agosto 650 kg

Qual a previsão de consumo para os meses de Setembro,Outubro e Novembro ?

Q
t t2 Q.t
(consumo)
Março 1 500 1 500
Abril 2 550 4 1.100
Maio 3 550 9 1.650
Junho 4 600 16 2.400
Julho 5 630 25 3.150
Agosto 6 650 36 3.900
21 3.480 91 12.700
Média = 3,5 580 15,17 2116,667

n= 6

12.700 - 6 x 3,5 x 580


a= = 29,71
91 - 6 x 3,52

b= 580 - 29,71 x 3,5 = 476,00

Consumo previsto para Setembro ( t=7)


Q= 29,71 x 7 + 476 = 684,00 kg

Consumo previsto para Outubro ( t=8)


Q= 29,71 x 8 + 476 = 713,71 kg

Consumo previsto para Novembro ( t=9)


Q= 29,71 x 9 + 476 = 743,43 kg

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9.5.2 – MÉTODO DO PONTO DE ENCOMENDA

Definição

O método de Ponto de Encomenda consiste em encomendar uma quantidade fixa, chamada


Quantidade Económica, assim que o stock atinge o nível de reaprovisionamento chamado Pon-
to de Encomenda.
Caracteriza-se por encomendar quantidades fixas em datas variáveis.

PRAZO DE APROVISIONAMENTO

O prazo de aprovisionamento de um artigo é o prazo real total que decorre desde a comunica-
ção da necessidade até à disponibilização do artigo, quer dizer, que além do prazo fixado pelo
fornecedor é necessário juntar:

 os diferentes prazos administrativos antes do lançamento das encomendas: registo


do pedido, consulta ao mercado, exame das propostas, negociação e escolha do
fornecedor, redacção da encomenda;

 prazo de recepção, que decorre desde a chegada do artigo ao armazém até ao seu
registo de entrada no stock. Compreende o prazo de recepção qualitativa e de
recepção quantitativa.

P APR
= PADM + PFORN + PRECEP

NOÇÃO DE STOCK MÉDIO

Consideremos um artigo que é consumido à razão de 800 unidades/ano e suponhamos que o


seu stock é renovado uma única vez no ano. O stock deste artigo evolui de 800 a 0 unidades
em 12 meses e o seu nível médio do ano é de 400 unidades.

Se o stock fosse renovado duas vezes/ano variaria de 400 a 0 unidades em 6 meses e o seu
nível médio fixar-se-ia em 200 unidades.

É o valor deste nível médio que pesa na carga financeira dos stocks e isto mostra que
ela é influenciada pela quantidade encomendada e pelo número de encomendas feitas
no ano.

POEFDS/CENCAL Pág. - 137 -


Gestão de Stocks

Qte. Qte.

800 800

400 400

200

1 ano 6 meses 1 ano

Um aprovisionamento anual Dois aprovisionamentos anuais

NOÇÃO DO "STOCK DE SEGURANÇA”

Suponhamos que para um dado artigo, o nível de stock é 80 e que o consumo é de 10 unida-
des/semana, em média.
Deste modo, stock será nulo na 8ª semana
Para evitar uma ruptura é necessário efectuar uma nova encomenda tendo em conta o prazo
de entrega. Se este fosse de 3 semanas, a encomenda seria feita na 5ª semana.

Se os consumos fossem regulares, no fim da 8ª semana o stock cairia a 0 no preciso momento


em que a encomenda daria entrada no armazém retomando o nível do stock.
Consumo

Ponto de
encomenda
Tempo
to t1 t2
d
Prazo teórico
de entrega da
encomenda

Mas tudo isto é teórico e não existe nenhuma segurança


 nem contra um prolongamento do prazo
 nem contra a alteração da lei do consumo durante o prazo de aprovisionamento

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Portanto, lançar-se-á a encomenda de modo que esta entre em armazém, não quando o stock
é nulo, mas quando tiver caído a um nível chamado "stock de segurança".

Ponto de
encomenda

Stock de
Tempo
segurança

to d t1 t2

CUSTO ANUAL DE LANÇAMENTO DAS ENCOMENDAS

As despesas de lançamento de uma encomenda devem ser procuradas em todos os serviços


que intervêm no processo de compra: Serviços Utilizadores (Produção, Manutenção), Serviço
de Compras, Recepção e Armazém, Contabilidade. Em cada serviço é necessário determinar
as despesas que se consideram proporcionais ao número de encomendas.

Ao nível do Serviço de Compras a passagem (lançamento) de uma encomenda ocasiona des-


pesas administrativas relativas à procura de possíveis fornecedores, à negociação e redacção
das encomendas e ao relance dos fornecedores em atraso.

O custo anual de lançamento das encomendas inclui:


 o custo de funcionamento dos serviços de compra (salários, alugueres, mobiliário de
escritório)
 os custos de impressos, correio e telefone
 o custos de deslocações dos compradores
 o custo das recepções, ensaios e análises
 o custo dos procedimentos realizados pelos Serviços Utilizadores
 o custo dos procedimentos contabilísticos: conferência das facturas, classificação e
registo, pagamento.

O conhecimento deste custo permite calcular o custo médio de lançamento de uma encomen-
da. Sendo:
a custo de passagem da encomenda de um determinado artigo
Q quantidade de cada encomenda desse artigo
S consumo anual do artigo

POEFDS/CENCAL Pág. - 139 -


Gestão de Stocks

O custo médio anual de lançamento das encomendas, para um determinado artigo, obtém-
se multiplicando o número de aprovisionamentos anuais (S/Q) desse artigo pelo custo unitário
de passagem, seja:

S
⋅a
Q

Se o consumo anual for constante, quanto maior for a quantidade de cada encomenda, menor
será o número de encomendas anuais e menor será o custo médio de lançamento por unidade
do artigo.

Exemplo da Avaliação do Custo de Lançamento das Encomendas

 1 a 2% do montante total das encomendas lançadas (em valor sobre o número de


encomendas lançadas)

 em relação a uma encomenda, este custo pode representar valores entre os 15 e 20


euros/artigo (se considerarmos um número médio de itens por encomenda entre 2 e 3.
podemos dizer que o custo por encomenda poderá variar entre 30 e 60 euros).

CUSTO ANUAL DE POSSE DO STOCK

O custo anual de posse do stock é expresso em função do valor do stock, através da taxa
anual de posse do stock ( t ). Compreende o custo do capital imobilizado, os seguros, o custo
de funcionamento do armazém, a obsolescência e a depreciação e as perdas por deterioração.

- Custo do Capital Imobilizado

É um elemento dominante entre as despesas de posse. É à Direcção Financeira que o compe-


te determinar, pois está ligado à política de investimento da empresa. Com efeito, o capital
imobilizado no stock não está disponível para outros investimentos tais como o aumento ou a
modernização dos meios de produção, a publicidade, etc. Só a Direcção pode avaliar o rendi-
mento médio que espera desses investimentos.

- Custo dos Seguros

O seu montante é directamente proporcional ao valor do stock e à classe de risco dos materiais
armazenados

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- Custo de Funcionamento do Armazém

Na prática, divide-se o montante global da amortização e das despesas anuais de funciona-


mento do armazém (salários, alugueres, electricidade, manutenção, etc.) pelo valor do stock.

- Custo de Obsolescência e Depreciação

Este risco é difícil de calcular. Na prática, o melhor método consiste em não o correr e a limitar
a quantidade de encomendas dos artigos susceptíveis de obsolescência ou de depreciação.

- Custo das Perdas por Deterioração

Percentagem calculada por estatística, a seguir aos inventários físicos. Visa fazer face a per-
das que acontecem devido a deficiente manipulação ou acondicionamento e a possíveis rou-
bos.

Determinação do Custo Anual de Posse do Stock


 se u é o valor unitário de um artigo
 e t a taxa anual de posse do stock
 u.t representa o custo anual de posse de uma unidade
 ligue-se então esta noção à quantidade encomendada. Coloquemo-nos na hipótese de
um stock decrescer linearmente desde Q até 0 e sendo reaprovisionado instantanea-
mente de uma quantidade Q. Sabemos então que o stock médio será Q/2 e o custo
anual de posse do stock será então.

Q
⋅u⋅ t
2

A variação do custo anual de posse de stock em função da quantidade encomendada está


ilustrada na figura da página 142.

Exemplo de avaliação da Taxa Anual de Posse do Stock

Juro do dinheiro ………………………………………………………………………6,0%


Diferença de investimento que se podia realizar como capital parado no stock …4,0%
Recepção e movimentação………………………………………………………………1,0%
Seguros …………………………………………………………………………………0,5%
Obsolescência …………………………………………………………………………1,0%
Depreciação – Perdas – Deterioração – Roubo ……………………………………1,0%
13,5%

Em média, a taxa anual de posse do stock pode representar 10% a 20% do valor investido nos
stocks.

POEFDS/CENCAL Pág. - 141 -


Gestão de Stocks

CÁLCULO DA QUANTIDADE ECONÓMICA DE ENCOMENDA

Chegamos portanto a um paradoxo:

 ou se encomendam grandes quantidades e se lançam poucas encomendas, quer dizer


poucas despesas de passagem de encomendas, mas um nível de stock médio elevado
e, por conseguinte, despesas de posse elevadas

 ou se encomenda em pequenas quantidades, mas muitas encomendas, quer dizer,


temos um custo de passagem elevado, mas um nível de stock médio fraco e, por con-
seguinte, despesas de posse baixas.

Como estes dois resultados são inversos, é preciso procurar a solução que os optimize. A
quantidade resultante é exactamente a Quantidade Económica de Encomenda.

180

160
Cus to A nual
140

120
Cus to A nual de
V ALORES

100 P os se de S tock

80

60
Cus to A nual
40 de P ass agem

20

0
0 20 40 60 80 100
QUANTIDADE

Cálculo da Quantidade Económica (Qe)

O custo anual global de um artigo é a soma :

- do valor anual do consumo u⋅S

S
- do custo anual de lançamento das encomendas ⋅a
Q

Pág.- 142 - POEFDS/CENCAL


GPC - Gestão da Produção Cerâmica

- do custo anual de posse do stock Q


⋅u⋅ t
2

seja então:
S Q
y = u⋅S + ⋅a + u⋅t ⋅
Q 2

O mínimo desta função é encontrado quando a derivada se anula (a variável é o Q, os outros


valores são constantes)

dy S u⋅t 2⋅S⋅a
= 0 ⇒ 0 − 2 ⋅a + =0 ⇒ = Q2
dQ Q 2 u⋅t

2⋅S⋅a
Qe =
u⋅t

CÁLCULO DO PONTO DE ENCOMENDA

Designamos por

d – Prazo de aprovisionamento expresso em meses


Sf – Stock físico existente
Ec – Encomendas em curso
S – Consumo anual
Res – Quantidade reservada
Rupt – Quantidade em Ruptura
Ss – Stock de Segurança
Pe – Ponto de Encomenda
Sp – Stock Potencial

Se o consumo do artigo for regular a quantidade existente em armazém no fim do prazo de


aprovisionamento será:

S
Sf − Res + Ec − ⋅d = 0
12
É preciso que essa quantidade seja aumentada do Stock de Segurança (Ss) se nos quiser-
mos prevenir contra variações do consumo durante o prazo de aprovisionamento ou varia-
ções do próprio prazo de aprovisionamento

Obtemos assim:

S
Sf − Res + Ec = ⋅ d + Ss
12

POEFDS/CENCAL Pág. - 143 -


Gestão de Stocks

O consumo previsto durante o prazo de aprovisionamento aumentado do Stock de Segurança


é chamado Ponto de Encomenda (PE) e representa-se por:

S
PE = ⋅ d + Ss
12

O Stock Disponível Potencial (Sp) é dado por:

Sp = Sf − Res + Ec

Na prática desencadear-se-á um reaprovisionamento sempre que:

Sp ≤ PE

A quantidade a comprar será então igual a:

Qcomprar = Q económica + PE − Sp

Exemplo de aplicação

1- Calcular a quantidade a comprar (aprovisionar) de um artigo com o seguinte perfil

u=3€ Sf = 500 un
S = 2000 un Ec = 50 un
a = 15 € Res = 450 un
t = 20% Ss = 10 un
d = 20 dias

2 Sa 2 × 2000 × 15
Qe = = = 316 un
ut 3 × 0, 2

S 2000 20
PE = d + Ss = × + 10 = 121un
12 12 30

Sp = Sf − Res + Ec = 500 − 450 + 50 = 100 un

Como se verifica a condição

Sp ≤ PE

Pág.- 144 - POEFDS/CENCAL


GPC - Gestão da Produção Cerâmica

A quantidade a comprar será:

Qc = Qe + PE − Sp = 316 + 121 − 100 = 337 un

Cálculo do Custo Económico

S Qe
Custo Económico Total = u ⋅ S + ⋅a + u⋅ t ⋅
Qe 2
2000 316
Custo Económico Total = 3 × 2000 + × 15 + 3 × 0,2 × = 6189,74€
316 2
6189,74
Custo Económico Previsto (unitário) = = 3,095€
2000

Se, aplicando o método de gestão de stocks, o custo económico previsto for maior que o
custo (real) actual, quer dizer que ou o método não foi bem aplicado ou há variáveis
cujos valores não são exactos. Neste caso abandona-se temporariamente o método até
possuirmos valores mais consistentes.

9.5.3 – MÉTODO DO PLANO DE APROVISIONAMENTO

Este método consiste em encomendar quantidades variáveis em intervalos fixos. Este método
consiste em encomendar quantidades variáveis em intervalos fixos. È usado quando a um
mesmo fornecedor compramos diversos materiais e pretendemos que o seu reaprovisionamen-
to seja simultâneo, para reduzir custos de lançamento da encomenda, para reduzir custos de
transporte, etc

A primeira questão que se nos coloca é quando encomendar? Ou seja, de quanto em quanto
tempo é que eu faço a encomenda? – daí que também se chame a este método o Método do
Ciclo de Revisão Fixo.

A segunda questão é, obviamente, qual a quantidade a encomendar?

POEFDS/CENCAL Pág. - 145 -


Gestão de Stocks

Quando encomendar ?

Se lançarmos N encomendas por ano , a quantidade média de cada encomenda será S/N, e o
custo anual global (Y) será :

Valor do consumo anual Custo anual de posse do stock

S
Y = u ⋅S + a ⋅N + u ⋅t ⋅
2N

Custo anual de passagem das encomendas

Derivando Y em função de N e igualando a zero encontramos o mínimo de N:

u ⋅t ⋅S
N=
2a

N é assim, o número óptimo de encomendas que conduz ao valor mais baixo do custo anual
global

Daqui tiramos o Período de Aprovisionamento (expresso em meses)

12 12 2a
p= = p = 12 ⋅
N u ⋅t ⋅S u ⋅t ⋅S
2a

Quanto encomendar ?

A quantidade que devemos encomendar, partindo do zero, para nos precavermos durante o
período de aprovisionamento (p) e durante o prazo de aprovisionamento (d), acrescida do
stock de segurança (Ss) será:

S
Qmáx = ⋅ ( p + d ) + Ss
12

No momento de lançamento da encomenda deve-se ter em conta o Stock Potencial (Sp).


Assim, a quantidade a encomendar será:

Qcomprar = Qmáx − Sp

Pág.- 146 - POEFDS/CENCAL


GPC - Gestão da Produção Cerâmica

Cálculo do Stock de Segurança


O Stock de Segurança calcula-se de acordo com o ponto 9.6.2 (expressão [2])

Ss = zσ (Q ) d

1
Há, no entanto, autores que consideram o Stock de segurança dado pela expressão:

Ss = zσ (Q ) (d + p )
Esta expressão conduz a valores do stock de segurança mais elevados.

Cálculo do Stock de Alarme (SA)

Pode acontecer que durante o período de aprovisionamento (p) os consumos sejam anormais
e antes de chegarmos à data de lançamento da encomenda podemos atingir a ruptura. Para
evitar essa situação, define-se um valor de stock (stock de alarme) que uma vez atingido dará
lugar a uma encomenda fora do período. Este stock deve então fazer face aos consumos
durante o prazo de aprovisionamento e às flutuações do consumo no mesmo prazo.
É dado pela expressão:

S
SA = ⋅ d + Ss
12

9.6 – DETERMINAÇÃO DO STOCK DE SEGURANÇA

9.6.1 – BASEADO NA LEI DE GAUSS OU LEI NORMAL

Vimos que o papel do stock de Segurança é o de precaver:


 Contra um aumento eventual do consumo;
 Contra um aumento eventual do prazo.

Trata-se, portanto, de se precaver contra os desvios em relação aos valores escolhidos para
determinar o Ponto de Encomenda. Calcule-se então de novo este Ponto de Encomenda.
Fazendo
S
=M
12

Se for escolhido o desvio padrão como parâmetro de medida da dispersão a expressão do


Ponto de Encomenda apresentar-se-á:

1
Assis, Rui et Figueira, Mário – Microstock, IAPMEI

POEFDS/CENCAL Pág. - 147 -


Gestão de Stocks

PE = (M + σ (M) ) × (d + σ (d) )

(consumo + desvio sobre o consumo) x (prazo + desvio sobre o prazo)

PE = Md + Mσ ( d ) + dσ ( M ) + σ ( M )σ ( d )

Este valor é muito pequeno, pelo pode ser desprezado

Desprezando, então, o termo de 2ª ordem virá:

PE = M ⋅ d + (M ⋅ σ (d) + d ⋅ σ (M) )
Sendo o Ponto de Encomenda igual a :

PE = M ⋅ d + Ss

Deduz-se o Stock de Segurança que será:

Ss = (M ⋅ σ (d) ) + (d ⋅ σ (M) ) [1]

Stock de Segurança destinado Stock de Segurança destinado


a prevenir desvios de prazo a prevenir desvios de consumo

9.6.2 – PARA PREVENIR VARIAÇÕES DE CONSUMO DURANTE O PERÍODO DE RISCO

No caso dos métodos que estamos a estudar, o período de risco é igual ao prazo de aprovi-
sionamento (trata-se efectivamente de um período de tempo em que qualquer reposição, por
excesso de consumo ou por alargamento do prazo, traz custos suplementares)

Sendo σ(Q) o desvio padrão do consumo durante o prazo de aprovisionamento, virá:

Ss = zσ (Q ) d [2]

Em que:
Z  Valor fornecido pela Tabela 1 (função do risco de ruptura)
d  prazo de aprovisionamento

Pág.- 148 - POEFDS/CENCAL


GPC - Gestão da Produção Cerâmica

RISCO DE RISCO DE
VALOR DE Z VALOR DE Z
RUPTURA (%) RUPTURA (%)
0,01% 3,719 7,35% 1,450
0,05% 3,290 8,07% 1,400
0,10% 3,090 8,85% 1,350
0,25% 2,807 10,00% 1,282
0,50% 2,576 13,56% 1,100
1,00% 2,326 15,86% 1,000
2,50% 1,960 22,67% 0,750
4,01% 1,750 25,00% 0,674
5,00% 1,645 30,87% 0,500
6,68% 1,500 50,00% 0,000

Tabela 1 - Valor de Z em função da parcentagem do Risco de


de Ruptura pretendido (Distribuição Normal )

Função do EXCEL: INV.NORMP(1-Risco de ruptura)

POEFDS/CENCAL Pág. - 149 -


Gestão de Stocks

EXEMPLO

DE UM DETERMINADO VIDRADO, ANALISÁMOS OS CONSUMOS DOS


ÚLTIMOS21 MESES, QUE RESUMIMOS NO SEGUINTE QUADRO.

QUAL O VALOR (EM KG) DO STOCK DE SEGURANÇA ?

ANO X ANO X+1


MÊS CONSUMO MÊS CONSUMO
JANEIRO 1500 JANEIRO 1280
FEVEREIRO 1410 FEVEREIRO 1350
MARÇO 1600 MARÇO 1540
ABRIL 1300 ABRIL 1510
MAIO 1400 MAIO 1180
JUNHO 1165 JUNHO 1280
JULHO 1280 JULHO 1540
AGOSTO 1350 AGOSTO 1260
SETEMBRO 1550 SETEMBRO 1480
OUTUBRO 1430
NOVEMBRO 1510
DEZEMBRO 1380

Prazo de entrega (d) = 0,5 meses (15 dias)


Desvio do prazo de entrega = 0,0667 meses (2 dias)
Risco de ruptura = 5% => Z= 1,645
CONSUMO TOTAL = 29295 kg
CONS. ANUAL (S) = 16740 kg
CONS. MÉDIO MENSAL (M) = 1395 kg
DESVIO PADRÃO CONSUMO= 127,4 kg

Cálculo do STOCK DE SEGURANÇA


1 - Pela expressão [1]
STOCK SEGURANÇA = 156,7 kg

2 - Pela expressão [2]


STOCK SEGURANÇA = 148,2 kg

Pág.- 150 - POEFDS/CENCAL


GPC - Gestão da Produção Cerâmica

ANEXO – DESCONTOS DE QUANTIDADE

Muitas vezes o gestor depara-se com ofertas de descontos nos preços dos bens a adquirir em
função das quantidades compradas. Esses descontos podem assumir, basicamente, duas for-
mas:

Caso 1
Oferta de uma percentagem de desconto no preço de compra desde que se adquira mais do
que uma determinada quantidade.

Caso 2
Variação dos preços de compra conforme escalões de quantidades compradas.
Ex: até 99 unidades preço = 50/un
de 100 a 199 unidades preço = 45/un
200 ou mais unidades preço = 40/un

Como decidir ?

Caso1
Partindo do princípio que nos é proposta uma quantidade Qa a um preço unitário u’
1º - Calcular a Qe (com o preço unitário base – u)
2º - Calcular Qe’ (com o preço unitário com desconto – u’)
Se Qe’ ≥ Qa  Comprar a quantidade proposta
Se Qe’ < Qa  Calcular o custo anual (Y) do stock com e sem desconto

Se Y(Qa) ≤ Y(Qe)  Encomendar Qa porque o desconto é favoiável


Se Y(Qa) > Y(Qe)  Encomendar Qe pois o desconto não compensa

Exemplo
Para um produto com o seguinte perfil de consumo:
u= 900 u.m
S= 3500 unidades
a= 5000 u.m
t= 20%
o fornecedor propôs-nos fornecer 4500 unidades a um preço (u’) = 765 u.m. (15% de descon-
to). Devemos ou não aceitar?

1º - Calcular Qe

2 ⋅S ⋅a 2 × 3500 × 5000
Qe = = = 440
u ⋅t 900 × 0,2

POEFDS/CENCAL Pág. - 151 -


Gestão de Stocks

2º - Calcular Qe’

2⋅S ⋅a 2 × 3500 × 5000


Qe' = = = 478
u '⋅t 765 × 0,2

Como QE’ < QA nada podemos concluir pelo que é necessário calcular o custo anual global
para U e U’.
Sem desconto

a ⋅S Qe 5000 × 3500 440


Y (Qe ) = u ⋅ S + + u ⋅t ⋅ = 900 × 3500 + + 900 × 0,2 × = 3229373
Qe 2 440 2

Com desconto

a ⋅S Qa 5000 × 3500 4500


Y (Qa ) = u '⋅S + + u '⋅t ⋅ = 765 × 3500 + + 765 × 0,2 × = 3025639
Qa 2 4500 2

Como Y(Qa)<Y(Qe) (302563 < 322973) podemos concluir que é vantajoso aceitar a proposta
do fornecedor.

Caso 2
Neste caso podemos seguir o método de cálculo que se expõe:
1. Calcular para o preço mais baixo a quantidade económica. Se face
às condições do problema esta quantidade for praticável, este é o 2⋅S ⋅a
Qe =
lote escolhido. Caso contrário continuar a calcular as quantidades u ⋅t
económicas até encontrar a primeira possível.

2. Calcular o custo total da primeira quantidade eco-


a ⋅S Qe
nómica praticável e calcular os custos totais cor- Y (Qe ) = u ⋅ S + + u ⋅t ⋅
Qe 2
respondentes para os valores mais baixos de
cada intervalo.

3. O valor que apresentar o custo total mais baixo é o lote que se vai adquirir.

Exemplo
Para um produto com o seguinte perfil de consumo:
S= 3500 unidades
a= 5000 u.m.
t= 20%

o fornecedor propõe-nos as quantidades e preços que constam da tabela seguinte:

Pág.- 152 - POEFDS/CENCAL


GPC - Gestão da Produção Cerâmica

QUNTIDADE PREÇO
100 - 599 700
600 - 1999 650
2000 ou mais 600

Quanto devemos comprar?

1º Passo

Para 252 unidades é proposto um preço de


2⋅S ⋅a 2 × 950 × 5000
Qe( 600 ) = = = 252 700 u.m e não de 600 u.m., logo esta Qe
u ⋅t 600 × 0,25
não é praticável.

2⋅S ⋅a 2 × 950 × 5000


Qe( 650 ) = = = 242 Esta Qe também não é praticável, pelas
u ⋅t 650 × 0,25 razões atrás referidas

Esta Qe já é praticável. 233 unidades para


2⋅S ⋅a 2 × 950 × 5000
Qe( 700 ) = = = 233 um custo unitário de 700 u.m. já estão
u ⋅t 700 × 0,25
incluídas no primeiro intervalo

2º Passo
Para Qe = 233 e u = 700

a ⋅S Qe 5000 × 950 233


Y( 233) = u ⋅ S + + u ⋅t ⋅ = 700 × 950 + + 700 × 0,25 × = 70577
Qe 2 233 2

Para Qe = 600 (valor mínimo da classe) e u = 650

a ⋅S Qe 5000 × 950 600


Y( 600 ) = u ⋅ S + + u ⋅t ⋅ = 650 × 950 + + 650 × 0,25 × = 674167
Qe 2 600 2

Para Qe = 2000 (valor mínimo da classe) e u = 600

a ⋅S Qe 5000 × 950 2000


Y( 2000 ) = u ⋅ S + +u ⋅t ⋅ = 600 × 950 + + 600 × 0,25 × = 722375
Qe 2 2000 2

3º Passo
A quantidade a adquirir é 600 unidades porque é a que apresenta um custo económico mais
baixo (674167 u.m.). Todas as outras apresentam custos económicos mais elevados.

POEFDS/CENCAL Pág. - 153 -


Gestão de Stocks

QUESTÕES DE REVISÃO

9.1 – Por que motivo são os stocks importantes para a empresa?


9.2 – Quais os tipos de stocks que podemos encontrar numa empresa industrial?
9.3 – Enumere quatro razões que estão na base da existência de stocks na empresa.
9.4 – Para reduzir o stock é necessário reduzir o ciclo de produção. Como?
9.5 – Defina os três tipos de custo associados ao stock.
9.6 – Qual a diferença entre a ruptura real e a ruptura potencial?
9.7 – Em que consiste a gestão física de stocks
9.8 – Quais são as ferramentas de que se serve a gestão administrativa de stocks para contro-
lar a informação e fiabilizar os dados?
9.9 – Enumere e caracterize os tipos de movimentos de stocks mais utilizados.
9.10 – Enumere e caracterize os critérios valorimétricos.
9.11 – Quais são os objectivos da gestão económica dos stocks?
9.12 – Defina e caracterize:
a) Taxa de rotação do stock
b) Taxa de cobertura do stock
c) Taxa de ruptura do stock
9.13 – Quais são os métodos de cálculo das necessidades de stocks?
9.14 – Qual a diferença entre o método do ponto de encomenda e o método do plano de apro-
visionamento?
9.15 –a) O que representa o stock médio?
b) Como se determina?
9.16 –a) O que é o stock de segurança e qual a sua função?
b) Quais são as variáveis que determinam a sua dimensão?
9.17 – O que representa a quantidade económica de encomenda?
9.18 – Quais das seguintes afirmações são sempre verdadeiras?
Mantendo fixas as outras variáveis,
a) quando o consumo anual aumenta a Q.E. aumenta
b) quando o custo unitário aumenta a Q.E. aumenta
c) quando o custo unitário diminui a Q.E. aumenta
d) quando o custo de passagem aumenta a Q.E. diminui
e) quando o consumo anual aumenta e o custo unitário aumenta a Q.E. diminui.
f) quando a taxa de posse de stock diminui a Q.E. diminui.
9.19 – O que é o stock potencial? Qual a sua função?
9.20 – No sistema de ponto de encomenda a quantidade a comprar é sempre igual à quantida-
de económica? Porquê?

Pág.- 154 - POEFDS/CENCAL