EDUCAÇÃO

DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR

Aluno(a): _________________________________________________________________ Curso: ____________________________________ Turma: _________________________

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Sumário
1. Programa da disciplina ........................................................................................................... 4 1.1 Ementa ................................................................................................................................. 4 1.2 Carga horária total ............................................................................................................... 4 1.3 Objetivos .............................................................................................................................. 4 1.4 Conteúdo programático ....................................................................................................... 4 1.5 Metodologia ......................................................................................................................... 4 1.6 Critérios de avaliação ........................................................................................................... 5 1.7 Bibliografia recomendada .................................................................................................... 5 2 Conhecimento Sobre a Finalidade da Universidade seus Problemas e Perspectivas ............ 8 2.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos ................................................... 8 2.1.1 A universidade que não queremos ................................................................................... 8 2.1.2 A universidade que queremos .......................................................................................... 9 2.2 Referencial do MEC ............................................................................................................ 11 3 Competência pedagógica do professor universitário ........................................................... 12 3.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula ........................................... 12 3.2 Técnicas usadas em ambientes presenciais e universitários ............................................. 14 3.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional ............. 31 3.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem ......................................................... 34 4 A docência superior e a interdisciplinaridade...................................................................... 39 4.1 A Intencionalidade do trabalho docente ........................................................................... 39 4.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno ................................................................ 40 4.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa .................................. 41 4.4 Competências para ensinar ............................................................................................... 42 4.5 Didática .............................................................................................................................. 44 4.6 A interdisciplinaridade ....................................................................................................... 45 4.6.1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar ............................................................... 46 5 O planejamento e a organização da prática docente ........................................................... 47 5.1 A aula na universidade ....................................................................................................... 47 5.2 Planejamento de ensino .................................................................................................... 50 5.3 Estratégias de ensino aprendizagem ................................................................................. 52 5.3.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas .............................................................. 54 5.3.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? ...................................................................... 55 5.3.3 Lista de atividades de ensino .......................................................................................... 56 5.4 Avaliação do ensino ........................................................................................................... 57 5.4.1. O que é medir e avaliar .................................................................................................. 57 5.4.2. Modalidade de avaliação ............................................................................................... 58 5.5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula ............................... 59 5.5.1 Planejamento de ensino ................................................................................................. 59 5.5.2 Como elaborar um plano de ensino ............................................................................... 61 5.5.3 Modelo de plano de ensino ............................................................................................ 63
Didática do Ensino Superior

3 5.6 Reflexão............................................................................................................................. 65 6 Avaliação do ensino .............................................................................................................. 66 6.1 O que é medir e avaliar ...................................................................................................... 66 6.2. Modalidade de avaliação .................................................................................................. 67 6.3 A aprendizagem de conceitos e princípios ........................................................................ 70 6.3.1 Conteúdos conceituais .................................................................................................... 70 6.3.2 Os conteúdos procedimentais ........................................................................................ 70 6.3.3 Conteúdos atitudinais .................................................................................................... 70

Didática do Ensino Superior

5 Metodologia A disciplina será desenvolvida através de aulas expositivas e dialogada. A aula como momento de ensino e aprendizagem. Componentes básicos de um Plano de Ensino.1 Ementa O processo educativo na Universidade. Refletir sobre a importância da Didática do Ensino Superior para o desenvolvimento da prática docente. 1. Unidade 3 : a docência superior e a interdisciplinaridade. na pesquisa e na extensão. pesquisa e extensão na universidade. 1. Específicos:        Analisar as funções de ensino. Despertar para o saber interdisciplinar na tentativa de superar a fragmentação do conhecimento científico. Identificar as novas tecnologias como recursos do ensino aprendizagem Aplicar situações pedagógicas que possibilitem a reflexão sobre situações concretas do exercício docente. leitura.2 Carga horária total A carga horária desta disciplina é de 48 horas. 1. Planejamento: fundamentos e etapas. Didática do Ensino Superior . Teoria e prática interdisciplinar no Ensino Superior.4 1. Discutir os fundamentos teóricos-metodológicos do trabalho pedagógico na universidade. Organização de Planos de Ensino. Unidade 2: o ensino superior no novo milênio. reflexão e debates.3 Objetivos Geral: Compreender as funções institucionais da Universidade a partir da análise sobre a produção e transmissão do conhecimento científico realizado nas práticas docentes do ensino supeiror.4 Conteúdo programático Unidade 1: conhecimento sobre a finalidade da universidade seus problemas e perspectivas. estudo. Produção de conhecimento. PROGRAMA DA DISCIPLINA 1. 1. Implicações conceituais do trabalho universitário: intencionalidade / especificidade do ato pedagógico. Unidade 4 : o planejamento e a organização da prática docente. Conhecer os principais aspectos relacionados ao planejamento didático.

1997. em que serão utilizados os seguintes critérios: participação. A. p. Rio de Janeiro: Ed. São Paulo: Paz e Terra. CASTRO.ª: A didática do ensino superior. Pedro.6 Critérios de avaliação O processo de avaliação será contínuo. Misto & Desafio.7 Bibliografia recomendada ALARCÃO. José Carlos. M. 1994. Coleção Educação. Porto Editora.: Novas metodologias em educação. 2001. clareza e consistência de argumentação capacidade de elaboração e leitura crítica. LIBÂNEO. A. saberes necessários à prática educativa. Papirus. GIROUX. São Paulo. São Paulo: 4ª ed. GODOY: A didática do ensino superior. Sistema de Avaliação e Aprendizagem. Campinas-SP. Campinas-SP. Papirus. 1990. 1999. São Paulo. São Paulo: Cortez.: O professor e a didática. D.2000. Cortez. (org). HAIDT.. LIBÂNEO. Curso de Didática Geral. CANDAU. MACHADO. São Paulo.São Paulo: Ática.: Formação reflexiva dos professores. CUNHA. Marcos T. (org) Didática e interdisciplinaridade. Pedagogia e Pedagogos. José Carlos: Didática. LEITE.30. 1. A. Autores Associados. LUCKESI. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. Pedagogia da Autonomia. M. 2002 MEDIANO. Estratégias de Supervisão. Vozes. São Paulo. Avaliação. Cipriano C. O Professor Universitário em sala de aula. GENTILI. Papirus. 1997. 1996. Brasília. mediante a avaliação qualitativa das atividades realizadas. Ed. HOFFMANN. Autores Associados. Zélia Domingues. 4º ed. Papirus. 28ª ed. Alegre: Saraiva. Amélia A. Jussara. _______Docência na Universidade. Terezinha. domínio do conteúdo. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. 1995. Campina/Sp. Porto Alegre. 2003 GARCIA. Campinas. D. 1995 MASSETO. Paulo. para quê? São Paulo: Cortez. P. 1998. y MOROSINI. 1995. Artes Médicas.): Universidade futurante: Produção do ensino e inovação. Ivani. Vera M. 1989. Cortez. 1998 FREIRE. A didática em questão: 5ª ed. Didática do Ensino Superior . Mundo Novo. 1994. Trad. 2002. Revista Educação. DEMO. Campinas. Petrópolis.: Qualidade total na educação. Iglu. Epistemologia e Didática: As concepções de conhecimento e a prática docente. 7º ed. Regina Célia Cazaux.5 1. Papirus. (orgs. Porto Editora. FAZENDA. 1996 CARVALHO. P. M. Maria Isabel: O bom professor e sua prática. I. Uma perspectiva construtiva. Henry A. 1992. 1995. Campinas. Daniel Bueno. 5º ed. 1997. Nilson I. Francisco Alves. Avaliação da Aprendizagem Escolar. DINIZ. 1981. São Paulo. Educar pela pesquisa. Módulos Instrucionais para medidas e avaliação em educação.

RJ: Vozes. Vozes. Antônio (coord. limites e perspectivas. Zahar. São Paulo. Artmédicas.: O estágio na formação de professores: unidade teoria e prática. 1995. Gimeno J. SANTANNA. Nova Enciclopédia. 176 pp. Papirus. São Carlos. 1996. 1994. Editora da Universidade. Libertad. 1996. EDUFAL. Avaliação.: O ensino superior: teoria e prática. N. 19-47. OLIVEIRA. Por que Avaliar? Como Avaliar?: critérios e instrumentos.: Aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. Campinas-SP.: Construção da disciplina consciente e interativa na sala de aula e na escola. 3. 1983. PIMENTA. 4ª ed.EdUFSCar.6 MERCADO. S. São Paulo. 1984. 2002 REVISTA EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: Revista de Ciência da Educação. São Paulo. 2002. PIMENTA. 2º ed. Campinas-SP. Papirus. São Paulo: Cortez. MIZUKAMI. 1998. Porto Alegre. SACRISTAN. São Paulo: Cortez. VASCONCELLOS. E. Campinas-SP.: Lições sobre Ética. NÓVOA. Petrópolis.out/2004. T. Philippe: Dez competências para ensinar. MENEGOLLA. 2000 SANTANNA. São Paulo: Libertad. Maria da Graça Nicoltte et. TUGENDHAT. Maximiliano.Didática: Aprender a ensinar. Libertad. in PIMENTA. v. Civilização Brasileira. SAVIANI. Rio de Janeiro. p. Compreender e Transformar o Ensino. OLIVEIRA.: Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. SEVERINO. 2. A nova lei da educação: trajetória. 1994.ª ed.: Filosofia da educação brasileira.. 1994. Autores Associados. Celso dos S. 8ª ed. G. __________________________Planejamento: Plano de ensino aprendizagem e projeto educativo. 25 nº 88Especial. Libertad. vol. 3a ed. ARTMED. R. P. M.: Didática: aprender a ensinar. Selma G.): Os professores e sua formação. MORAES. 2000. ___________Escola e democracia. Dermeval. 1998 VASCONCELOS. Porto Alegre. (orgs): Confluências e divergências entre didática e currículo. Ilza Martins.. R. Didática.: A didática como mediação na construção da identidade do professor: uma experiência de ensino e pesquisa na licenciatura. I. S. __________________________Avaliação: Concepção dialética libertadora do processo de avaliação escolar. Luiz Paulo Leopoldo: Formação continuada de professores e novas tecnologias. Cortez. G. 1999. SANTANNA. pp. Porto Alegre. 1993.: Melhoria do ensino e capacitação docente. São Paulo:Loyola. 1996. D. pp. 37-69. ruptura. 79-96) PERRENNOUD. J. MORRISA. 1997. Ilza Martins.: Tendências e correntes da educação brasileira. A. M. Rio de Janeiro. Didática do Ensino Superior . 2002. 1989. Maria Rita Neto Sales (org). Lisboa. CEDES. in MENDES. Maceió. S. (org) Docência no Ensino Superior. W. Cadernos Pedagógicos de Libertad. Campinas. Vozes. D. 1995 SAVIANI. 1972. Loyola. São Paulo. V. compromisso e pesquisa. Petrópolis. Celso dos S. São Paulo. 1995. Cadernos Pedagógicos.

br Cadernos de Educação: http://www. Sites: Revista de Educação e Informática: http: //www.7 __________________________A construção do conhecimento em sala de aula. VEIGA. Ed.jurere.org.htm Cadernos CEDES: http://cedes-gw.br/revistas.unesp.editora.fde.mtm.): Panejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação.unicamp.br/~raies http://www.ufsc.ufsc.a ed.fcc. 2002. Campinas.eduline.br Didática: http://www.gov.br Artigos de Educação em geral: http: //www. 1994.htm Debates sobre avaliação: http://www.mtm.br/~raies/ main2. Antonia: Repensando a Didática. São Paulo.ufpel. in: LOPES. Libertad. 2. br/amae/index. Ilma (coord.br Didática do Ensino Superior . Papirus.html Estudos em Avaliação Educacional: http://www.sp. com.

a realidade muda. Barreto. O melhor professor é aquele que traz maior número de informaçoes. é verbalizar ¨conhecimentos¨. profissionalizante ou técnico. ser chamada de universidade. erudiçoes. Ser alheia.1 A universidade que não queremos Não queremos uma universidade-escola. porque em dez. simplesmente. nos Estados Unidos. sujeito de um processo econstrutor de sua história. O nosso sistema educacional. bloqueadora de qualquer crise. Cipriano. de temppo e das reais do aqui e do agora. verbalístico. Não queremos uma universidade desvinculada. conteúdo de formas é implicitamente apregoar uma mentalidade estática. como um todo. em nosso país. e todo um processo de conhecimento intelectual e aprofundamento. Japao etc. com a função ambigua de profissionalização. dócil ao status quo.no que se refere a escola. proporemos a nossa reflexão na busca de entender a universidade que temos e de clarear a nossa tentativa de construir a universidade que pretendemos. de cultura. nível superior. onde o conteúdo como a forma não dizem respeito a um espaço geográfico e a um momento histórico concretos. mas o jeito de estudá-las. hoje. em que se faça tão somente ensino. Diante do sistema educacional.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos Livro: Fazer Universidade: Uma proposta metodológica. real e concreto. ou seja. a evolução no sentido de consrt uir um mundo onde o homem seja mais homem. desvinculada ou descomprometida com a realidade é sinônimo de fazer coisas. contrária ao crescimento. não identifica nem analisa problemas concretos a serem estudados. um ano.8 2 CONHECIMENTO SOBRE A FINALIDADE DA UNIVERSIDADE SEUS PROBLEMAS E PERSPECTIVAS 2. Eloy: Cosma. executar ensino. sem uma paralela visao do contexto social. portanto.. que não incentiva o hábito do estudo crítico. de percebê-las é necessariamente novo.Cortez 2002. o melhor aluno é o que mais fielmente repete o professor e seus eventuais textos nas provas. a heterogeneidade de lugar. não uma mera consumidora e repetidora de informaçoes importadas para ¨profissionalizar¨. abertura e infra-estrutura que permitam e incentivem a pesquisa. sem levarem em conta. Didática do Ensino Superior . compreende os graus: primeiro inicial. As aulas sao constituídas por falaçoes do professor e audiçoes dos alunos. Baptista. Luckesi. simplesmente como uma parasita ou um quisto. específico do ser humano. componente básico do sistema educacional. Sacralizar verdades. 2. O aprendizado é medido pelo volume de ¨conhecimentos¨. o processo de conhecer. avessa as modificaçoes. Em outros termos. José. criticamenta. ler matéria a fim de se preparar para fazer provas. Uma universidade sem pesquisa não deve. nesse modelo é. rigorosamente. mas sim um recanto privilegiado onde se cultive a reflexão crítica sobre a realidade e se criem conhecimentos com base científica. Em nossa cultura. nunca refletidas ou analisadas. Naidison.1. e da universidade. URSS. normalmente desmotivados. segundo médio. cinco anos passados podem até continuar válidas. ¨erudiçoes¨. Rejeitamos um modelo de universidade que não exercita a criatividade. em determinada área ou disciplina. Estudar. terceiro superior. fica encerrado com o anuncio da nota ou conceito obtido na prova. cinco. É vociferar indistintamente as mesmas coisas ditas na França. onde não exista efetivamente campo. O ensino repetitivo é geralmente. alheia a realidade onde está plantada. está profundamente vinculado a escola. informaçoes memorizadas e facilmente repetidas nnas provas. por sua vez. Verdades estudadas há dez. livresco e desvinculado da realidade concreta em que estamos.

organizados como instituições de direito privado. de produção nova. o magister.1. . Todas as demais atividades tomarão significado só na medida em que concorram para proporcionar a pesquisa. a atividade fundamental desse centro. é impossível uma universidade centro de reflexão crítica. sua função é. portanto. Por conseguinte. ao contrário. indiscutivelmente certas e detém os critérios incontestáveis do certo e do errado. a universidade deve ser o lugar por excelência do cultivo do espírito. o mestre que fala. O aluno é o ouvinte. Em síntese. ao intercâmbio das idéias. com referencia ao ensino superior: Art. Nesse centro buscaremos o máximo possível de informaçoes a todos os níveis. estruturadas. de ouvir. professores – alunos – administração. a revelia do corpo de professores e alunos. na medida em que o espaço-temporaliza. Trata-se de uma função nitidamente objetificnte e orientado para uma simples repetição cultural. não uma simples escola de nível superior. em consequência. não queremos uma universidade originada da improvisação e meramente discursiva. formando profissionais de alto nível tecnológico e fazendo ciência. nessa universidade. a fim de que a realidade seja percebida. Art. – O ensino superior tem por objetivo a pesquisa. diz verdades já prontas. reproduçãode idéias sem qualquer força de criação continua. estaelecer uma mentalidade criativa. para que possa ser continuamente ransformada. Uma universidade que se propõe a ser crítiica e aberta não tem o direito de estratificar. o centro da sabedoriae das decisões. memorizar e repetir bem o que lhe é transmitido. em estabelecimentos isolados.9 1. excepcionalmente. letras e artes e a formação de profissionais de nível universitário. ainda. 2. avaliada. uma vez que se bloqueia a fecundidade e o exercício da crítica. criando-a provocando-a permitindo-a e lutando continuamente para conquistar espaços de liberdade que assegurem a reflexão. a participação em iniciativas construtivas. 2º. portanto. Nestes termos. não está realizando sua essencia. o trabalo crítico no sentido de aumentar o cabedal cognitivo da humanidade.2 A universidade que queremos Queremos construir uma universidade. absolutizar qualquer conhecimento como um valor em si. questionada. a investigação crítica. da análise da avaliação das proporções e dos conhecimentos. todo o corpo universitário. Não queremos uma universidade na qual o professor aparece como o único sujeito. Presumimos que. por pessoas capazes de refletir e abertas a reflexão. aprender. e onde se desenvolvem as mais altas formas da cultura e da reflexão. 1º. indicada pura e simplesmente pelos donos do poder polítiico e econômico sem a interferência de sua célula básica – aluno e professor – e aja como se fosse senhora de tudo. sobre o projeto de sua comunidade. A Lei 5. Buscaremos. sua característica que a especifica como tal crítica. o receptor passivo do que é emitido pelo professor-mestre. preciisa comprometer-se com a reflexão. Isto Didática do Ensino Superior . – O ensino superior indissociável da pesquisa será ministrado em universidades e. do saber. Sem um minimo de clima de liberdade. com rigor. 540/ 68 da reforma universitária diz. todo o seu corpo seja constituído por pessoas adultas: todos já sabem muitas coisas a respeito de muitas coisas. A universidade que não toma a si esta tarefa de refletir criticamente e de maneira continuada sobre o momento histórico em que ela vive. Não queremos uma universidade onde a direção – administração – integrante fundamental do conjunto. através do exercício da assimilação – não simples deglutição – da comparação. A pesquisa será. comprometida exclusivamente com a busca cada vez mais séria da verdade. o desenvolvimento das ciências. Há sempre a necessidade de um entendimento novo. estudada e entendida em todos os seus ângulos e relações. reconhece que toda conquista do pensamento do homem passa a ser relativa. isto é. mas nunca a definição última da universidade – surja a partir de organismos e razoes outros que não os eminentemente pedagógicos e didáticos.

de criação. até as esferas mais remotas. debater. por excelência. na medida em que a estivermos construindo. desde a esfera mais próxima. mas pretendemos achar. crítica. enfim. Nesses termos. de criar uma relação entre dois sujeitos empenhados em edificar a reflexão crítica: de um ladoo professor. portanto. ela deve fazer avançar o saber. a região. Nesse contexto a validez de qualquer conhecimento será mensurada na proporção em que este possa. para analisar. lhe possibilitam escolher meios de superação das estruturas que o oprimem. porque isso marca a historicidade crítica de uma instituição humana. sujeito de criação. profissionais do saber. segundo. Se entendemos a função específica da universidade como desenvolvimento da dimensão de racionalidade. um corpo responsável por indagar. inventar. econômico e cultural. o terceiro mundo. entretanto. sujeito – nunca objeto – de seu aprendizado. Queremos uma universidade onde se torne possível e habitual trabalhar. deve se colocar num processo permanente de revisão de suas próprias categorias. discernir e. o Estado. o continente lainoamericano. do Estado. conservação e transmissão da cultura. investigar. razão concretizada. discernir. propor perspectivas racionais de ação. a realidade que a gera e sustenta. político. a universidade deve estar continuamente em interaao com a sociedade. daí ser. porque sua missao não se esgota na mera transmissão do que já está sabido. propor caminhos de soluções. refletir a nossa realidade histórico-geográfico nos seus níveis social. o município. por natureza. porque além de tomar consciência continuamente do que faz. para ver. Queremos uma universidade em contínuo fazer-se. ao debate. o planeta. na medida em que exercita as funções de criação. para que possa criticamente iidentificar e estudar seus reais e significativos problemas e desafios. so poderá desempenhar tais funções quando for capaz de formar especialistas para os quadros dirigentes da própria universidade. queremos criar um interrelacionamento professor-aluno. Queremos produzir conhecimento a partir de uma realidade vivida e não de critérios estereotipados e pré-definidos por situações culturais distantes e alheias as que temos aqui e agora. porque tem a universidade a responsabilidade de formar os quadros superiores exigidos pelo desenvolvimento do país. econômica e cultural e equipada com adequado instrumental científico e técnico que. Propondo-se a formar cientistas. criadora e crítica. poderemos visualizar o processar-se dessa mesma racionalidade em dois momentos complementares: promeiro. porque específico da universidade é o esforço de ser e desenvolver nos seus membros a dimensão de uma consciência crítica. o aluno. da nação. aquele potencial humano racional constantemente ativo na leitura dos acontecimentos da realidade. queremos construir uma universidade plantada numa realidade concreta. dentro do processo histórico.10 nos quer dizer que a universidade é. de outro. ao estudo e. do municipio. inteligência institucionalizada. em acordo sempre com as exigências do homem que aspira a ser mais. coordenação. Não imaginamos um modelo definitivo de uiversidade. uma universidade ¨consciência crítica da sociedade¨. finalmente. ou seja. na qual terá suas raízes. Criadora e crítica. Como essas pretensões. com isso. fazer entender melhor e mais profundamente a realidade concreta.. a micro-região. fundamentado no princípio do incentivo a criatividade. permitindo ampliar o poder do homem sobre a natureza ponha a serviço da realização de cada pessoa. política. as conquistas do saber humano. proposição de estudos. avaliar. está atentos para os desafios dessa nossa realidade e estudá-los é a grande tarefa do corpo universitário. porque a razão é emminentemente crítica. ou seja. julgar. de questionamento.conquistar nosso modelo. o país. a racionalidade instrumental-crítica. marcando a corresponsabilidade na condução do próprio processo. Para ser consciência crítica. ou não. a racionalidade crítico-criadora. Queremos. comparar. A universidade. questionamentos e debates. questionar. portanto. exercitando e desenvolvendo seu potencial crítico. Podíamos sintetizar as funções da universidade no esforço para imprimir eficácia na ação transformadora do homem sobre si mesmo e sobre as instituições que historicamente criou. com aguda consciência de nossa realidade social. Didática do Ensino Superior . a universidade ajuda a sociedade na busca de encontrar os instrumentos intelectuais que dando ao homem consciência de suas necessidades. através de um esforço inteligente de assimilação. a crítica. Trata-se.

É nesse sentido que o CELAM se expressa. Decreto nº 2. deve chegar a expressar em forma autenticamente pessoal o seu conteúdo. serviçalismo e subserviência ao poder dominante. questionamos livremente. propomos livremente e livremente avaliamos a nossa responsailidade. Enfim. mas em que muitos sabem algo e querem saber muito mais. Queremos. É nesses termos que pretendemos um corpo universitário que lute para eleger os seus diretores a partir de critérios que correspondam aos objetivos da Universidade. através do estudo e pesquisa. efetivamente. Enquanto pensamos livremente. problemas e fontes de estudos. político ou econômico. considerados imprescindíveis para o planejamento:   Lei 9394/96. Queremos uma universidade democrática e voltada inteiramente para as lutas democráticas. O corpo universitário.2 Referencial do MEC Os documentos do MEC são referenciais de qualidade para o Ensino Superior e podem ser utilizados para o planejamento e a operacionalização das atividades específicas. uma universidade onde. O educando é o primeiro agente do processo educativo. Didática do Ensino Superior . para que nessa busca de interação seja construída a universidade. proposiçoes criativas e originais. o professor se torna um motivador do saber. e de sua área de especialização em particular. a socialização e a reflexão coletiva das diretrizes do MEC como subsídios indispensáveis na gestão das ações pedagógicas. pelo contrário.026. política. decorrentes de incessante observação crítica da realidade. de 10 de outubro de 1996: Estabelece procedimentos para o processo de avaliação dos cursos e instituições superior. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Pareceres e Portarias. com os demais companheiros. isto é. 2. enfim. por isso transformador. administrativas e político-sociais. Ocasionando o desenvolvimento do potencial de reflexão crítica dos alunos. de maneira que não seja anulada a espontaneidade e criatiividade do educando. Enfim. Recomendamos o conhecimento. elaboração do projeto pedagógico do curso. Serão indicados alguns documentos do MEC. é obviamente necessário que o professor esteja sempre bem iinformado da realidade como um todo. todas as diretrizes referentes ao Ensino Superior. que jamais poderá existir sem professor e aluno voltados para a criação e construção do saber engajado. avaliação dos alunos. cada um a seu nível. Dessa forma não se trata mais de uma universidade em que uns sabem e muitos não sabem . professores e do curso e demais diretrizes de ação. ao aluno. As ferramentas do MEC colocadas à disposição do Ensino Superior são inúmeras e a proposta aos professores é que visitem sistematicamente a página do MEC. elaboração e reelaboração curricular. professor-aluno e administração. necessita de espaço para assumir. além de se consumir conhecimento. formação continuada de professores. a responsabilidade pelo todo.11 Para que um tal clima se faça. fazer-se sujeito em diálogo com o professor. buscando novos subsídios de informação e inovação. cabe ao professor-educador descobrir. professores e aluno optaram por criá-lo e produzí-lo. uma universidade onde possamos lutar para conquistar espaços de liberdade. a fim de que possa proporcionar a seus alunos temas de reflexão concretos. é ele quem se educa a si mesmo: ao educador compete apenas estimular e ordenar inteligentemente esse processo. O Ministério da Educação através de suas subsecretarias e órgãos. Um corpo universitário não mais deve presenciar passivamente a nomeação de dirigentes universitários estribada em critérios antidemocráticos de simpatia. desenvolvimento de projetos. tais como: reconhecimento do curso. com a realidade social. econômica e cultural. de 20 de dezembro de 1996. com o aluno. como ser sujeito em diálogo com a realidade. disponibiliza em sua página na INTERNET as Resoluções.

e considerando que os objetivos a serem alcançados deverão permitir o desenvolvimento dos aprendizes na área do conhecimento. ensino por projetos. diagnósticos. de 13 de maio de 1997: Credenciamento de centros universitários para o sistema federal de ensino superior. se procura ou demonstrar o que se disse na aula teórica. internet. Muitas vezes para a aula expositiva são usados alguns recursos audiovisuais. uso do quadro-negro. no uso e na atualização de suas técnicas cirúrgicas. São exemplos de técnicas: recursos audiovisuais. Portaria nº 2.041 de 22 de outubro de 1997: Define critérios adicionais aos já estabelecidos na legislação vigente.12    Decreto nº 2. de organização para Centros Universitários. o conjunto de recursos e “ meios materiais utilizados na confecção de uma arte”. os docentes do ensino superior preocupados em transmitir informações e experiências se utilizam praticamente de aulas teóricas expositivas e de aulas práticas. de coleta e interpretação dos dados de qualquer fenômeno social. de 18 de outubro de 2001: Oferta de disciplinas que. 253.306. o assunto deste capítulo se reveste de grande importância. utilizem método não presencial de organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos. ou seja.860. estudo de caso. aulas práticas. visitas técnicas. de uso e domínio de língua estrangeira e de informática. e servem para o professor ler suas anotações. Ainda hoje. Portaria nº 639. em seu todo ou em parte. de habilidades e de atitudes ou valores. Quanto à ação docente. porém. queremos em primeiro lugar dizer que entendemos por “técnica” o sentido que lhe atribuiu o Dicionário Larousse Cultural. como retro projetor e transparências (que em geral substituem o quadro-negro. aulas expositivas. Nestas. e em nosso caso na realização de uma arte que se chama docência. em sua grande maioria. dinâmicas de grupo. de interpretação dos código nos mais variados tratamentos de saúde. Decreto nº 3. há um descaso total com a tecnologia. Ao tratar das técnicas possíveis de serem usadas em aulas para colaborarem com a aprendizagem. É verdade que muitos dos docentes do ensino superior têm uma dupla atitude com relação às técnicas: super exigentes no conhecimento. branco ou verde). pesquisa.   3 COMPETÊNCIA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO Marcos Tarciso Masseto 3. Portaria nº 2. leituras.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula Tendo tratado da aprendizagem como ponto central em torno do qual deverá gravitar a ação docente. de 9 de julho de 2001: Dispõe sobre a organização do ensino superior. e outros mais como veremos adiante. Didática do Ensino Superior . Chegam mesmo a apelidar de “perfumarias” quaisquer tentativas de se procurar trabalhar tecnicamente em educação. de avaliação e planejamento. acreditando que é suficiente o domínio de conteúdo para entrar em uma sala de aula e conseguir que os alunos aprendam. a avaliação de cursos e institui providências. ou se exige que o aluno faça aquilo que foi ensinado na aula expositiva. de 19 de agosto de 1997: Regulamentação das instituições de ensino superior.

internet etc. A segunda conseqüência é a seguinte: cada grupo de alunos ou cada turma ou cada classe é diferente um do outro. de se expressar. A variação das técnicas permite que se atenda a diferenças individuais existentes no grupo de alunos da turma: enquanto uns aprendem mais ouvindo. afetivo-emocionais e de atitudes ou valores). não estará desenvolvendo a habilidade de trabalhar em grupo. entretanto. talvez desinformados. na medida em que exige renovação. Uma única maneira de dar aulas favorecerá sempre os mesmos e prejudicará sempre os mesmos. 3. ou outras atividades individuais. o que se faz oportuno. de diálogo com os alunos. mais ou menos responsáveis. ao clima estabelecido na classe. e assim por diante. Três conseqüências decorrem imediatamente dessa afirmação: 1. não sendo o desafio unicamente intelectual suficiente para manter os alunos em estado de alerta. determinada técnica pode ajudar um grupo e não servir para outro pelas mais diferentes razões. ou uso de dinâmicas de grupo. talvez de fato não dando valor às estratégias. se um curso todo é dado sob forma de aulas expositivas. não é possível querermos ajudar os alunos a conseguirem tantos objetivos usando apenas uma ou duas técnicas. por exemplo. é como se a classe começasse a se sentir “cansada” daquelas aulas. Todas as técnicas são instrumentos e como tais necessariamente precisam estar adequadas a um objetivo e ser eficiente para ajudar na consecução deste. dialogando. embora reconhecendo sua validade e bom nível do conteúdo fornecido. em outras palavras. a fatos supervenientes. Depois de dois ou três meses a produção da classe decaía. tarde ou noite). de resolver problemas. à energia pessoal do próprio professor. outros ainda realizando atividades individuais ou coletivas durante o tempo de aula. a incidentes críticos acontecidos com determinado grupo. devido ao turno em que acontece a aula (manhã. A variação de técnicas favorece o desenvolvimento de diversas facetas dos alunos: por exemplo. criatividade ao dar as aulas. Procurando conceituar de maneira mais formal. Há necessidade do conhecimento das diferentes técnicas que sejam mais adaptadas a este ou aquele objetivo. é lógico que tenhamos de usar múltiplas técnicas. que favoreçam o alcance dos objetivos educacionais pelo aprendiz. Ou. podemos lembrar de professores que eram excelentes especialistas em seus conteúdos e também capazes de estabelecer um clima de descontração em sala de aula. mais ou menos capazes para aprender. Como no processo de aprendizagem trabalhamos com vários objetos (de conhecimento. É o que se pede aos alunos no decorrer das aulas: eles se sentirão mais ou menos envolvidos. desafiador. por exemplo. repetiam uma única maneira de dar aula. recursos audiovisuais. desde a organização do espaço sala de aula com suas carteiras até a preparação do material a ser usado. Há necessidade de variar as técnicas no decorrer de um curso. dois fatores altamente favoráveis para uma aprendizagem significativa.13 Mais abrangente que técnicas me parece o termo “estratégia” para iniciar os meios que o professor utiliza em aula para facilitar a aprendizagem dos alunos. informação sobre estratégias. outros aprendem mais debatendo. flexibilidade. à composição do grupo. do começo ao fim do ano. Para o mesmo objetivo. pois elas são um forte elemento de atuação sobre a motivação dos alunos. mais ou menos participantes. Didática do Ensino Superior . podemos dizer que as estratégias para a aprendizagem constituem-se numa arte de decidir sobre um conjunto de disposições. Isso nos alerta para as necessidades de conhecermos e dominarmos várias técnicas que possam ser utilizadas tendo em vista o mesmo objetivo. a variação na maneira de dar as aulas traz vantagens: também para ele o curso se torna dinâmico. Também para o professor. De nossa própria experiência como alunos. apesar de estar desenvolvendo a capacidade de ouvir e receber informações. ao estado físico ou motivacional do aluno. assim como a necessidade de se propor claramente os objetivos a serem alcançados. de habilidades e competências. visitas técnicas.. 2. Essencial no conceito de técnicas ou estratégias é sua característica de instrumentalidade.

Este também é um ponto muito importante para nossa reflexão: se alguns docentes e instituições do ensino superior desqualificam qualquer importância ou relevância para o uso da tecnologia em seus cursos. aquecer um grupo ou desbloqueá-lo? São várias as técnicas de que dispomos para iniciar um curso ou aquecer um grupo de alunos para trabalharem em aula. É também o profissional da aprendizagem enquanto se responsabiliza pela gestão das situações da aprendizagem. 3. técnicas usadas em ambientes reais de profissionalização. Que o professor. enriquecer e ampliar essas sugestões. Afinal. querendo com isto indicar a modernidade ou atualização na formação de seus profissionais. modificando-as naquilo que for necessário para que possam ser usadas com aproveitamento pelos alunos individualmente ou em grupos. se torne capaz de criar novas técnicas que melhor respondam às necessidades de seus alunos. Só tecnologia moderna não resolve nossos problemas educacionais de aprendizagem e formação.14 A instrumentalidade das técnicas traz consigo uma decorrência: a relatividade da técnica. Assim sendo. pelo conhecimento e domínio prático de muitas técnicas e por sua capacidade de adaptação das técnicas existentes. se não revirmos nossa posição quanto aos grandes princípios educacionais. 2. no campo das técnicas. outros usam dessa tecnologia como chamariz para seus vestibulares. de nada adiantará dispormos de alguma tecnologia. Vamos indicar alguns exemplos apenas. técnicas são instrumentos e como tais podem ser criadas por aqueles que vão usá-las. bem como o domínio do uso destas para poder utilizá-las em aulas. Portanto. O que se espera do professor com relação às técnicas? Vale à pena a reflexão. pois muitas pessoas podem vê-lo apenas como um aplicador de técnicas. com que estratégias podemos contar? Para análise e discussão. Com isso queremos dizer que se espera do professor uma atitude muito ativa e de intervenção dinâmica no campo das estratégias. afinal. vamos organizá-las em três grupos: técnicas que são usadas em ambientes presenciais e universitários. Que o professor tenha conhecimento de várias técnicas ou estratégias. Tecnologia educacional em educação é muito importante desde que venha como instrumento colaborativo das atividades de aprendizagem. esperando que os professores possam.2 Técnicas universitários usadas em ambientes presenciais e Como iniciar uma disciplina. Ela é um instrumento. Mas. e não proporcionarmos formação continuada e em serviço para os professores. O professor para nós é um educador e como tal tem clareza dos objetivos educacionais que se pretende com seus alunos. bem como condições adequadas de trabalho. Que o professor desenvolva capacidade de adaptação das diversas técnicas.      Apresentação Simples Apresentação cruzada em duplas Complemento de frases Desenhos em grupo Deslocamento físico Didática do Ensino Superior . com sua prática. espera-se dele atitudes básicas: 1. 3. técnicas presentes em ambientes virtuais.

Essa estratégia é mais aconselhável para grupos pequenos (20-25 pessoas). essa técnica é mais aconselhável para grupos de 25 ou. Além desse número. dando a oportunidade de todos se manifestarem. Em seguida.. ela se torna cansativa.... outra técnica deverá ser escolhida. etc. se apresentar um ao outro nos mesmos moldes descritos na apresentação simples. e ninguém sabe por quem o foi. Nesta disciplina espero aprender. Meus colegas dizem que esta disciplina.. Didática do Ensino Superior . Em que consiste? O professor prepara um cartão para cada aluno. Socialmente eu. 3.. de forma que cada aluno. nesse período. criando freqüentemente momentos jocosos e hilariantes. Além desse número. A apresentação pode ser entremeada com perguntas feitas pelos participantes. pois aquela leitura praticamente não compromete o leitor. Como a anterior. com pouca disposição de se comunicar oralmente. agora. o objetivo da técnica.. e com base nela o professor pode fazer outras questões ou outros alunos podem querer ler frases semelhantes. oralmente. ouvirem uma grande parte de depoimentos e conhecerem o grupo de modo geral. Exemplos de frases: Vim para este curso. recolhem-se os cartões e se redistribuem aleatoriamente. mais favorável à aprendizagem da disciplina. desenvolver a originalidade e a desinibição. Por isso..   1. A apresentação cruzada costuma ser bastante informal. pois.15     Brainstorming São objetivos dessas técnicas: Colaborar para que membros de um grupo que vão trabalhar juntos durante certo tempo se conheçam em um clima descontraído. e é convidado a ler a frase em público para todos os colegas. encontramos uma turma muito inibida. que não foi escrita por ele.. uma técnica que pode ajudar o desbloqueio é a complementação de frases. tem uma frase completa. se apresenta. os quais professor e/ou alunos não percebam claramente ou tenham dificuldade de expressar de modo direto. no memento seguinte. Os participantes se reúnem em duplas durante seis minutos e deverão. Apresentação simples Cada membro do grupo. de fato. portanto. Com relação à minha profissão. livremente. que será complementado pelo aluno. sobretudo se o professor recolher os cartões e examiná-los posteriormente. deverá apresentá-lo ao grupo. e de grande aproximação entre o grupo.. Cada um tem três minutos para fazer sua apresentação ao colega. Este é. verbalmente.. Esta disciplina serve para. Quebrar percepções aprioristicamente preconceituosas entre os membros da classe. Produzir grande número de idéias em prazo curto.. Nessa condição.. inclusive suas preferências em momentos de lazer e em outros momentos de sua vida social. Apresentação cruzada em duplas Trata-se de uma variante da técnica anterior. no qual escreve um início de frase. Em meus momentos de lazer.. Cada elemento da dupla deverá dar toda atenção ao colega. 30 pessoas. no máximo. dizendo alguma coisa de si mesmo nos vários aspectos de sua vida.. O desbloqueio se inicia.. 2. Complementação de frases Por vezes... Expressar expectativas ou problemas que afetam o clima do grupo e o desempenho de seus membros.. Preparar uma classe que no início se mostra apática para um relacionamento mais vivo e. A inibição diminui.. É uma técnica que pode ser usada com pequenos e grandes grupos. precisamos escolher outra técnica.

bem como à produção de grande número de idéias em curto prazo de tempo. Evitar que se tenha tempo para pensar ou fazer longos raciocínios. o que favorece muito mais a participação dos alunos nas aulas. 5. Ou seja. É muito importante que o encaminhamento dessa atividade dado pelo professor esteja explicitamente relacionado com objetivos de aprendizagem esperados. Após esse tempo. procurem comunicar-se mediante outros recursos. é o seguinte: orienta-se a classe para a atividade que vai acontecer. outros vão afirmar que “isso é coisa de escola fundamental” etc. Dá-se um tema a respeito do qual se pede para os grupos debaterem durante 15 minutos. a representação estática ou dinâmica. pede-se que cada grupo procure uma forma de comunicar a toda a turma as idéias a que chegaram seus integrantes. logo no início da aula solicitar colaboração para arrumar as carteiras em forma de semicírculo. procurem verbalizar imediatamente. por exemplo: o desenho. descontraída. com plena liberdade. Didática do Ensino Superior . em geral. e ao professor oferece oportunidade de conhecer o que seus alunos pensam a respeito do assunto sobre o qual se dialogou. ela permite um desbloqueio. pedindo aos alunos que. sem censura. com pincéis atômicos para os desenhos. Por exemplo. lembrar que várias dinâmicas de grupo permitem deslocamentos maiores durante o tempo de aula. desde que tenhamos espaço físico suficiente. até o final da sala. Após cerca de dois minutos. que procurem ajuda entre os colegas de outros grupos (não esqueçamos que nosso objetivo é a interação grupal) etc. Seu funcionamento. cada grupo é chamado para fazer sua apresentação ou expor seu desenho. e fazer esse deslocamento aproximando-se dos mais variados alunos e ocupando os espaços da sala de aula diversas vezes durante a exposição. as associações que lhes vierem à mente. Isso poderá ser mais bem percebido adiante quando tratarmos das dinâmicas de grupo. Encerrado o tempo estipulado. em geral. Desenhos em grupos Essa é uma técnica que poderá ser usada com grandes grupos. O professor terá levado para sala de aula folhas de papel-jornal ou cartolinas. fotos etc. Ao que responderemos que desejamos apenas desenvolver outros tipos de comunicação que. dá-se a palavra ao grupo para se explicar. Deslocamento Físico Nem sempre damos conta de que o tempo que os alunos permanecem sentados. O diálogo aproxima muito os grupos e a turma de diversas formas. A técnica permite que os alunos do pequeno grupo se entrosem e interajam com a classe como um todo de uma forma. Divide-se a turma em grupos de cinco a sete pessoas no máximo. alguns dirão não saber fazer a atividade. sem usar a palavra oral ou escrita. Inicialmente. abrir espaço entre as carteiras para que possa transitar livremente entre os alunos. para se fazer uma colagem. pergunta-se à classe quais idéias estão sendo comunicadas. programar atividade de grupo que obrigue os alunos a mudarem de local na sala. procurando chegar à diversas idéias comuns. embora seu principal objetivo seja levar a um desenvolvimento da criatividade. como revistas. em geral. levando em consideração o desconforto das cadeiras. sem manifestação do grupo que está expondo. Nessa técnica é importante a manifestação espontânea. Dá-se um tempo de mais 15 minutos para a realização dessa atividade. sem preocupação com o certo ou errado. se o professor for dar uma aula expositiva. 6. ao ser apresentado o tema ou uma palavra. Brainstorming Incluímos nessa categoria a técnica brainstorming (tempestade cerebral) porque. traz grande probabilidade de desatenção e apatia durante as aulas. ou outro material que julgar conveniente. freqüentemente. estão embotados em nós. um aquecimento da classe. Certamente haverá muita reclamação por parte dos alunos que não estão acostumados a esse tipo de comunicação.16 4. Donde a necessidade de provocarmos deslocamentos físicos dos alunos e/ou do professor. gestos etc. para que os alunos não entendam a atividade apenas como uma “brincadeira” inconseqüente durante a aula.

congressos. a desatenção e o desinteresse pelo assunto. os professores a usam para transmitir e explicar informações aos alunos. isto é. ambulatórios. precisamos distinguir técnicas que poderão ser usadas em ambientes “universitários”. os aspectos pejorativos. por vezes perguntar. Aula expositiva Trata-se de uma técnica que a maioria absoluta dos professores do ensino superior usa freqüentemente. que idéias são mais próximas do tema ou do conceito que a palavra escrita contém. Vamos começar com técnicas que. novas experiências e com maior abertura para aprender. Didática do Ensino Superior . Essa atitude do aluno. juntamente com o grupo. um tempo não muito extenso). escritórios. Poderão surgir idéias que nada tenham a ver com o tema ou a palavra proposta. ou eliminar as que não possam ser colocadas em prática (o critério depende do tema proposto para a atividade). hospitais. o aspecto emocional apareceu aí e pôde ser trabalhado. o professor poderá mostrar porque não se incluem essas sugestões no trabalho realizado. empresas. vale a pena recordar que a aula expositiva pode responder a três objetivos: abrir um tema de estudo. de absorvê-las para reproduzir futuramente. justamente para incentivar as manifestações sem censura e total liberdade de associação. Não podemos nos esquecer de que hoje dispomos de outro ambiente de aprendizagem. prática clínica ou profissional em clínicas. quando o tema foi “Avaliação”. técnicas que poderão ser usadas em salas de aula. e sem fazer nenhum comentário a favor ou contra. Enfim. fazer uma síntese após o estudo do assunto procurando reunir os pontos mais significativos e estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. o coloca em uma situação passiva de receber e em condição que em muito favorece a apatia. em geral. Será interessante deixá-las por último para que os próprios alunos cheguem a essa conclusão. Em geral. Imediatamente se iniciam as verbalizações que o professor vai registrando na lousa. das técnicas que poderão ser utilizadas em ambientes “profissionais”. Como toda e qualquer técnica. por exemplo. excursões. escolas. Decorrido cerca de dois a três minutos (ou seja. ou seja. o brainstorming foi muito importante para se expor às defesas. tema em geral carregado de ansiedades e experiências negativas. ou agrupar as idéias por alguma semelhança. sua escolha deverá se orientar pelos critérios básicos de seleção: adequação ao objetivo de aprendizagem pretendido e eficiência para colaborar na consecução deste. postos de saúde. Por tais razões. em geral. anotar. os sentimentos negativos com relação ao tema. buscando e discutindo novas informações. então. o professor apresenta um tema ou uma palavra que seja provocador(a) e instigante. em um curso de formação de professores. E num processo contínuo. Para esse ambiente também dispomos de técnicas específicas que precisamos comentar.17 Combinado o procedimento. Estes têm uma atitude de ouvir. começa a organizar as manifestações solicitando agora a participação para. laboratórios. o professor vai construindo o conceito ou o tema utilizando as colaborações apresentadas. 1. visitas técnicas. sem se preocupar com nenhuma ordem ou organização. evitando inclusive que suas reações às verbalizações sejam percebidas. escrevendo-a na lousa. são usadas em ambientes presenciais. se identificar tudo que seja possível acerca do que está registrado na lousa. ao redor da palavra ou do tema escrito. mas. e assim por diante. o professor encerra as manifestações e. biblioteca. Se não perceberem. de preferência com os alunos. em geral. De que técnicas dispomos para dar sustentação a uma disciplina durante um semestre ou um ano? Tratando-se de ambientes presenciais em que a disciplina será ministrada. permitindo que em seguida se entrasse para a discussão do tema com mais tranqüilidade. próprio da era tecnológica que estamos vivendo: o ambiente virtual de aprendizagem. institutos de pesquisa. quando a aprendizagem se efetiva em ambientes próprios da atividade profissional para a qual o aluno está se preparando: estágios. fóruns. Certa vez.

tais como pesquisas. aprenderá a fazer uso dela. Pela preleção. para garantir que haja clareza e seqüência nas idéias. ou apresenta vários aspectos que precisam ser considerados. Essa preleção pode servir para motivar os alunos ao estudo do tema. ele conhecerá a biblioteca.      Ter claro o objetivo da aula. Para incentivar o aluno a buscar informações. preparar uma piada. como veremos adiante. O professor pode expor recentes descobertas. Considerar a classe para quem vai se dirigir. Estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. a atualidade do estudo a ser feito. atualizando o conhecimento existente nos livros-texto ou em publicações acessíveis ao aluno. desenvolverá mais o raciocínio e a capacidade de pensar e trazer sua contribuição. Fazer uma síntese do assunto estudado. há que se trabalhar de forma diferente com a leitura fora de aula e o uso de técnicas dinâmicas em aula. sem cair em digressões. etc. Na preparação da aula expositiva. em geral. jornais. Considerar que há limite de tempo. para o que se utilizará de outras técnicas. é interessante uma aula expositiva para recuperar esses aspectos de uma forma sintética. perguntas para formular aos alunos durante a explanação a fim de ativar a participação ou atenção dos alunos. Isso demandará um tempo de mais ou menos 20 minutos. escolhendo linguagem. uma vez que tais encontros se tornarão essenciais para a compreensão total do assunto. ou é resultado de contato com especialistas. aprenderá a ler e compreender o que os autores escrevem e resolver as dúvidas. encontram-se em fontes acessíveis a ele: livros-texto. ao se iniciar um tema. ou colhidas em fontes diversas. mas de fazer uma síntese conclusiva sobre o tema.18 Abrir um tema de estudo: por vezes é importante que. exemplos etc. matérias do curso. dar vida a um conteúdo que pode parecer frio e desinteressante e orientar a realização do estudo propriamente dito do tema. Mas observe: não se trata de repetir todas as informações estudadas. o que lhe será útil para o resto de sua vida. Se o aluno for incentivado a buscar as informações. a buscar informações. quando o professor for usar a aula expositiva como técnica. No entanto. Planejar a seqüência em que fará a explanação. mais que de alguma forma se perderam durante uma discussão ou um debate. Didática do Ensino Superior . conforme explicamos acima. o professor pode transmitir ao aluno explicações sobre os pontos difíceis. de acordo com os alunos. ou mesmo aprenderá a ler livros de sua área. bem como possibilitará ver a síntese feita pelo professor. ou não ficaram suficientemente claros. para não cansar os alunos e favorecer a divagação. ressaltar aqueles mais importantes e sintetizar informações de difícil acesso aos alunos. livros e revistas em bibliotecas.. de pesquisa ou de leituras. é preciso que se lembre de algumas medidas indispensáveis para prepará-la e ministrá-la. Aprenderá a ser mais ativo em seu processo de aprendizagem e a valorizar mais o encontro com o professor e seus colegas. Preparar uma notícia de jornal ou revista atual que poderá usar em determinado momento para chamar a atenção dos alunos. Por que descartei dos objetivos da aula expositiva a transmissão cotidiana e contínua de informações ao aluno? Por uma razão: as informações básicas e fundamentais para a aprendizagem do aluno. bem como suas relações com outros assuntos. por exemplo: atividades de grupo ou individuais. um exemplo ou caso bem adaptado ao que expõe. Será interessante porque os alunos já dominam o assunto. Quando um estudo é realizado por diversos grupos. com o exercício profissional. ou um caso hilariante para alegrar e minimizar a tensão durante a fala. ou novas teorias. o professor apresente um cenário bem amplo em que se coloca a importância. revistas etc.

argumentar e defender suas próprias posições. ou de se comentar uma notícia de jornal. Inclusive o próprio professor precisará se policiar para não interferir a todo instante e com grande tempo de manifestação. evitando o monopólio das intervenções por parte de alguns apenas. Preparar com antecedência os materiais e recursos necessários para a aula e verificar se. em vez disso. Procurar ganhar a atenção dos alunos de início. de uma pergunta ou de um desafio. refletir sobre o que está ouvindo. gráficos ou itens indicativos e nunca com textos longos para serem lidos durante o tempo todo. ouvir os outros. apresentando suas idéias. Utilizar-se livremente de recursos auxiliares à palavra para se fazer entender ou para manter o interesse e a atenção dos alunos. nem sempre fácil de se manter. Esse comportamento pode comprometer os objetivos da própria estratégia. Considerar o ritmo da classe para tomar notas. Afinal. suas experiências e vivências.  Ao se dar aula expositiva propriamente dita. Dirigir-se pessoalmente aos alunos. há condições para o uso dos recursos. Quanto a slides. na categoria de “recursos” e não de elementos principais. até por vezes pela própria iluminação natural que impede o uso de recursos audiovisuais. de contar uma piada. porém. Nunca usar um número excessivo que praticamente substitua a aula expositiva. por vezes. ou repetindo o mesmo conceito ou idéia sob diferentes formas. bem escolhidos. mantendo-os. suas reflexões. percebendo como a discussão entre todos e as experiências de todos são mais ricas do que as de uma só pessoa. prepará-los apenas com imagens. a aula expositiva exige do aluno uma posição passiva.    2. comunicar. mediante a apresentação de um problema. observar alguns pontos:    Deixar bastante claro para os alunos qual é o objetivo daquela aula. tabelas. ou de abrir uma janela para conseguir mais ventilação. permitir pausas rápidas para uma comunicação entre os próprios alunos. ou mesmo. o professor deverá garantir a participação de todos. pedindo deles um feedback sobre a clareza do que está expondo. no espaço físico onde a aula será dada. e para isso locomover. trazendo o material preparado para discussão.se com os alunos. Nada mais frustrante para o professor e para o aluno do que chegar a uma sala com tudo preparado para a aula e o recinto não se mostrar apropriado. Todos deverão ter oportunidade para fazer o uso da palavra. mesmo que seja para resolver mais rapidamente a questão apresentada. Evitar considerar as distrações dos alunos afronta pessoal ou desrespeito. Permitir ao aluno valorizar o trabalho de grupo. utilizar esses indícios para re orientar sua própria exposição: é o momento de uma pergunta à classe. apresentar os pontos difíceis mais devagar. dialogar.19  Se for usar slides ou transparências. que ajudem na explicação ou permitam o debate e a discussão.se pela sala. fazer perguntas. Debate com a classe toda O objetivo principal dessa técnica é permitir ao aluno expressar-se em público. respeitar opiniões diferentes da sua. calcular muito bem o número a ser usado: poucos. o tema indicado pelo professor deverá ser preparado pelos participantes do debate com leituras e pesquisas anteriores. Há alguns pressupostos básicos para o funcionamento dessa técnica:    o professor deve dominar bem o assunto sobre o qual se dará o debate. olhando-os nos olhos um a um. e. Como realizar essa técnica? Didática do Ensino Superior .

apresentar questões. O coordenador do grupo estará atento para contornar monopolizações. o professor ocupará o papel de mediador. a juízo do professor. Real. fixa um tempo para a atividade e abre a palavra aos participantes. sugere leituras e bibliografia básica e orienta para que se estude o assunto e se façam anotações. ou em discussão em duplas ou trios com os colegas usando as mesmas fontes. ou habilidades. ser capaz de aprender a trabalhar em equipe. como costumam ser denominados em quase todas as áreas de conhecimento. no qual havia situações conhecidas e desconhecidas dos alunos. Como usar essa técnica? Ela pode ser usada após o estudo de um conteúdo. As questões conhecidas permitiram revisão de matéria. e então o aluno já dispõe das informações básicas para resolver o caso. 3. Didática do Ensino Superior . Hoje encontramos estudos de caso ou cases. buscar informações necessárias para o encaminhamento da situação-problema. Nessa situação. as desconhecidas motivaram os alunos a aprenderem trabalhando em aula e fora dela. A técnica em geral é bem-sucedida com pequenos grupos. aplicar as informações à situação real. quando o professor toma uma situação profissional existente e a apresenta aos alunos para ser encaminhada com soluções adequadas. o painel integrado sobre o qual falaremos adiante. quando o professor. levantar dúvidas de compreensão do assunto. complementar comentários do colega. mediante a aprendizagem em ambiente não ameaçador (sala de aula). desenvolver a capacidade de analisar problemas e encaminhar soluções e preparar-se para enfrentar situações reais e complexas. se possa chegar a algumas conclusões para seu fechamento e para as questões não ficarem no ar. E a experiência foi um sucesso de aprendizagem segundo o depoimento do professor. formular perguntas. ou teorias. Apresenta maior dificuldade quando realizada com grandes grupos. integrando teoria e prática. ao final do debate. e então o caso será apresentado antes dos estudos teóricos. trazer o grupo de volta ao tema central sempre que houver dispersões. expõe o tema. levando em conta as variáveis componentes. e assim por diante. Simulada. ou valores. Conheci a experiência de um professor de Contabilidade que organizou todo o conteúdo de um bimestre num estudo de caso simulado para ser resolvido. administrar o tempo e orientar para que. como aplicação prática da teoria estudada. permitindo um debate com a própria máquina para a sua solução Qual é o objeto dessa técnica? O que ela ajuda a aprender?       entrar em contato com uma situação real ou simulada de sua profissão. sugiro o emprego de outra técnica. incluir a possibilidade de discussão entre os colegas na busca de solução. Estudo de caso Essa técnica tem por objetivo colocar o aluno em contato com uma situação profissional real ou simulada. fazer uma análise diagnóstica da situação. Daí para a frente procurará garantir a palavra a todos para fazer comentários. “compõe” uma situação simulada com vários aspectos reais. O assunto novo era por demais árido e difícil. ou solicitando auxílio do professor quando absolutamente necessário. tendo por objetivo a aprendizagem de determinados conceitos. por exemplo. No dia do debate.20 O professor em data anterior ao debate escolhe um tema. incentivando o aluno a buscar as informações necessárias para a solução do problema ou na bibliografia de que dispõe. e muitos deles já se encontram em sites ou em outros programas de computação (por exemplo. jogos de empresa). Ou poderá ser empregada como elemento motivador para aprendizagem. buscando uma solução para o problema. se a técnica.

de campo ou incluindo ambos os aspectos. é uma técnica que permite o desenvolvimento de várias aprendizagens:   tomar iniciativa na busca de informações. fotos etc. músicas. comparar. a importância e como se relaciona com a aprendizagem que se está desenvolvendo naquela disciplina e naquele semestre.21 Em qualquer das duas hipóteses (usar o estudo de caso como prática do que foi estudado ou como motivador para a aprendizagem). e-mails etc. lembrando que a pesquisa pode ser bibliográfica. Didática do Ensino Superior    o . sites etc. ou porque. Além disso. oralmente ou por escrito. revistas. organizar.). 4. ou porque os processos de solução podem ser variados. bibliografia a ser consultada. É a pesquisa se iniciando já na formação dos profissionais contemporâneos.) e com os mais diversos ambientes informativos (bibliotecas. reformulá-las e tirar conclusões.      Também precisa ficar claro que a técnica só pode ser levada a efeito se o professor estiver disposto a orientar seus alunos nessa atividade. com que método vai trabalhar para coletar informações necessárias para responder ao problema. discutindo com eles no que consiste a pesquisa. selecionar. ficando cada um com um aspecto do assunto a ser pesquisado ou com um tema próprio. Apresentar e discutir com os alunos o que vem a ser um plano de pesquisa. Sempre será interessante um plenário para se discutirem as soluções encontradas visando ao enriquecimento do grupo. precisão cientifica. comunicar o resultado obtido com clareza. Tempo esse que será em pequena parte dos momentos das aulas e em grande parte de momentos fora das aulas. a abrangência da experiência será bem maior. com especialistas de seu curso e de outras instituições mediante entrevistas. como vai organizá-las e interpretá-las. Discutir os critérios para a escolha do assunto ou da situação a ser pesquisada. dado o tempo que ela consome. Ensino com pesquisa Trata-se hoje de uma estratégia fundamental para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação.. dados e materiais necessários para o estudo. entrar em contato com as mais diferentes fontes de informações (livros. elaborar um relatório com características científicas. internet. ordem. anais de congressos. a riqueza de aprendizagem que encerra. aceita e defendida por todas as instituições de ensino superior. seus elementos e sua organização: o o definição precisa de um problema. checá-las. Essa é uma estratégia que pode ser usada uma vez no semestre ou duas no ano. se forem casos diferentes. correlacionar dados e informações. Não será suficiente “mandar o aluno fazer pesquisa”. ou porque é possível que as soluções sejam diferentes. levantar hipóteses. metodologia de pesquisa. analisar. pode-se trabalhar com um único caso ou com casos diferentes. Será necessário orientar como se faz uma pesquisa e acompanhar sua realização. fazer inferências segundo dados e informações. Dividir a turma em pequenos grupos. comprová-las. Quais são as etapas dessa estratégia?  Motivar os alunos a participarem da atividade. periódicos. ou seja. sua validade.

tempo. No estudo do caso. as etapas de realização do projeto. respondendo às hipóteses. Desenvolver atitude prospectiva e habilidade de planejamento diante de uma situação também faz parte dos objetivos. ações. Trata-se de uma estratégia do alto alcance no que diz respeito às aprendizagens profissionais.22 o o o o  escolha de procedimentos a serem usados. O professor deverá orientá-los e. elaborar relatório científico. os alunos não sabem pesquisar. lembrando que há várias publicações. indicando os objetivos a serem atingidos (situação ideal futura). perdendo assim a possibilidade de ajudar o aluno a aprender mediante a elaboração de um projeto. ora no final de uma aula. Evidente que o projeto proposto poderá ser mais simples ou mais complexo. Discutirá com o grupo os passos para a realização do projeto e acompanhará a elaboração deste de forma contínua. de tal forma que a realização e integração de várias etapas apresentem o projeto concluído. se estão no caminho correto ou se desviando muito do tema da pesquisa. relacionar as disciplinas entre si encaminhando para uma atitude interdisciplinar e para um exercício de integração dos conhecimentos de diferentes áreas. responsabilidades. Outro objetivo é ajudar o aluno a relacionar a teoria com a prática. O objetivo do ensino por projeto é criar condições para que o aluno aprenda a propor o encaminhamento e desenvolvimento de determinada situação. O tempo de aula usado será algumas vezes para orientar o trabalho de pesquisa e para a comunicação final. Duas questões sempre aparecem quando discutimos esse assunto: haverá tempo suficiente para se fazer um trabalho como esse? Qual será o comportamento do professor durante a atividade? Tempo para essa atividade: de dois a dois meses e meio. com linguajar adaptado aos alunos. paralelamente às outras atividades do semestre. que é profundamente interdisciplinar. coleta de dados e sua respectiva análise. de tempos em tempos. recursos e estratégias. se reunir com o grupo para acompanhar o desempenho deles na pesquisa. propiciando uma experiência integrativa de conhecimento e uma experiência de interdisciplinaridade. Grande parte dele fora de sala de aula. evitando vir a tomar conhecimento do resultado apenas no final do tempo estabelecido para tal. e para cada uma delas estabelecendo metas parciais. A finalização dessa atividade Didática do Ensino Superior . 5. o aluno aprende a resolver problemas. organizando um sistema de acompanhamento de avaliação e feedback. os fichamentos do material lido. O professor poderá solicitar que cada aluno (se o projeto for individual) ou cada grupo escolha um projeto que seja de seu interesse. É necessário também orientar para a elaboração do relatório final. participantes. partindo de uma análise diagnóstica. Aliás. A outra questão apresenta-se muito mais séria: a atitude do professor será a de um orientador de pesquisa. Em que tempo? Ora marca-se uma orientação durante o intervalo do cafezinho. E nessa orientação o que se faz? Observa-se se todos estão pesquisando. O encaminhamento dessa técnica é muito parecido com o procedimento da técnica do “ensino com pesquisa”. no ensino com pesquisa aprende a pesquisar. elaboração do relatório científico. cartazes ou outras formas que incentivem a participação de todos os alunos. PowerPoint. usando pôsteres. se o plano de pesquisa estabelecido está sendo cumprido. ora se destina o tempo de uma aula para orientação de todos os grupos. debater com colegas os resultados obtidos nas várias pesquisas. Comunicar os resultados a toda a classe e discuti-los em seguida. e o professor procurará sempre orientar para o objetivo daquela pesquisa e analisar com eles o tempo que vem sendo empregado. Poderá envolver só uma disciplina ou integrar várias delas em sua realização. relatórios de discussão do grupo. Sugere-se que essa comunicação seja dinâmica. Ensino por projetos Essa técnica apresenta um aspecto diferente das que a precederam. que dão indicações detalhadas sobre o como realizar trabalhos desse tipo. esta última forma de realizá-los é mais condizente com a realidade profissional. Em princípio. realizar a conclusão.

Essa estratégia em muito incentiva a participação dos alunos e permite avaliar de que modo ele se comporta. dialogue com os outros para resolver o problema apresentado. o que é fundamental para nossas atividades profissionais). outro de aluno. com debate sobre cada um deles. a capacidade de desempenhar papéis de outros e de analisar situações de conflito segundo não só o próprio ponto de vista. cada participante possa ter Didática do Ensino Superior . na qual um é o dono. o segundo do médico e o terceiro do observador. um terceiro do auxiliar. alunos do curso de Odontologia participam de uma equipe de consultório em que um faz o papel da secretária. outro do servente. defenda as posições próprias daquele papel. outro do bedel. para que todos possam aproveitar dos trabalhos realizados por cada grupo ou aluno e desenvolver assim suas aprendizagens. cada um defendendo seu papel. Além disso. Esses exemplos mostram como alunos podem aprender desempenhando papéis próprios de suas realidades profissionais.23 deverá contar com a apresentação dos projetos para toda a turma. trazendo sua colaboração. o primeiro aspecto a que precisamos estar atentos é o fato de tratar-se de técnicas coletivas. Desempenho de papéis (dramatização) Consideremos alguns exemplos: alunos do curso de Medicina participam de uma situação simulada de entrevista com um paciente. outro do professor. ampliando seu universo intelectual. outro do cirurgião-dentista-chefe. outro do promotor. Quais são estes objetivos que poderemos desenvolver?  A capacidade de estudar um problema em equipe. relacionando-os com seus conhecimentos e suas experiências. 6. na prática. um grupo de alunos do curso de Direito participa de um júri em que um faz o papel do advogado de defesa. o que não impede que ocorra. outro do secretário. 7. na qual um faz o papel do diretor. outros do júri. comporte-se como tal. outro do paciente. como profissional diante das questões colocadas. São objetivos dessa técnica: que seus participantes desenvolvam a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro. independência social e sensibilidade a situações grupais. procure ter as reações e atitudes próprias daquele personagem. que possam trabalhar com valores como desenvolvimento pessoal. de tal forma que. alunos do curso de Economia e Administração formam uma equipe para discutir os novos rumos de uma empresa. outro do pai de aluno. outro do protético. outro do juiz. consciência de si mesmo. outro do réu. Para que a aprendizagem aconteça é fundamental que cada elemento assuma integralmente seu papel. na qual um deles faz o papel do doente. outro pelo marketing. ouvindo as contribuições dos colegas. organiza-se uma equipe com membros diferenciados e pede-se que todos. O que isto quer dizer: elas deverão trazer algumas vantagens diferentes das técnicas usadas para aprendizagens individuais e colaborar para outras aprendizagens que não seremos capazes de obter apenas individualmente. aquisição de habilidades de relacionamento inter pessoal. Dinâmicas de grupo Ao analisarmos a utilização de estratégias envolvendo um grupo de alunos. outro é o responsável pelas finanças. isso é. outro pelo contato com os clientes. mais também o de outras pessoas envolvidas. alunos do curso de Pedagogia ou Licenciatura participam de uma reunião numa escola para definir o planejamento do ano. considerando determinados conteúdos já estudados ou sendo estudados naquele momento. outro pela pesquisa de mercado. É uma técnica mais voltada para o desenvolvimento de habilidades e atitudes dos alunos. debatendo e discutindo os vários aspectos do tema. um quarto pela matéria-prima. Cria-se uma situação-problema. outro do supervisor. e assim por diante. A apresentação também é um momento de aprendizagem e não apenas um encerramento de trabalhos. ao término do trabalho em grupo. seja pequeno ou grande. outro é o contador.

Valorizar o trabalho em equipe. “É. uma preparação imediata com leituras indicadas pelo professor ou sugeridas pelo aluno com aprovação do professor é fundamental para o êxito da dinâmica de grupo. Confiar na possibilidade de aprender também com os colegas (além do professor) a valorizar os feedbacks que eles podem lhe oferecer para a aprendizagem. Portanto. atua mais no sentido de dispersão do grupo. Para isso supõe-se sempre uma preparação prévia de estudo individual sobre o tema a ser discutido. e chegar-se a um ponto mais avançado e significativo da aprendizagem. considerarmos ao menos algumas das regras básicas para o bom funcionamento de um grupo: Que todos os participantes tenham muita clareza sobre qual é o objetivo daquela atividade em grupo. se transforme num bate-papo sem interesse e sem perspectiva de maiores aprendizagens. Se houver muita dificuldade. trabalho em grupo não adianta mesmo. em particular. A ausência dessa preparação faz com que o encontro dos grupos.      Antes de descrever algumas dinâmicas de grupo. chegando a conclusões. de um lado. então. hoje uma das exigências para atividade de qualquer profissional. Aumentar a flexibilidade mental mediante o reconhecimento da diversidade de interpretações sobre o mesmo assunto. quando as atividades grupais não saem a contento do professor. Isso aconteceu no ensino fundamental. onde se pretende chegar? Para garantir tal clareza sugere-se que alguém do grupo verbalize o objetivo e ele seja discutido até que se tenha um consenso sobre ele. as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos sobre o assunto são interessantes para o debate. para além daquele aonde se chegaria sozinho. sua verbalização. se o aluno não preparou o material proposto. em geral. Certamente conhecemos uma vasta literatura sobre dinâmicas de grupo que contém algumas regras básicas para se realizar bem a atividade grupal. O melhor é dar aula expositiva!”. nesse espaço. Em nenhum desses momentos houve preocupação de que os alunos aprendessem a trabalhar em grupo. durante o período da atividade de grupo.24 avançado e aprendido mais com relação ao tema em pauta do que se tivesse estudado sozinho. não lhes foi ensinado um conjunto mínimo de regras necessárias para que um grupo possa funcionar bem. Esse ponto é fundamental para se evitar a dispersão e o fato de que cada aluno apresentar suas contribuições num sentido diferente do outro. Aprofundar a discussão de um tema. É só solicitar que cada um coloque numa folha de papel suas idéias para que depois então as reunamos em um texto comum. o debate. E. acredito ser importante fazer ainda uma consideração: na maioria das vezes os professores “mandam” que os alunos façam uma atividade em grupo. Se. Pela mesma razão é desaconselhável que se permita ao aluno que não preparou o material participar da atividade de grupo. no ensino médio e se repete no ensino superior. a fim de se encontrar apto para aproveitar a continuidade das atividades. para que tenhamos um trabalho de grupo é fundamental a discussão. seu relacionamento em equipe e sua capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. para que cada um exponha suas idéias a outros e depois se faça uma síntese dessas contribuições não há necessidade de dinâmica de grupo. superando a simples justaposição de idéias. A sugestão. Mas penso que vale a pena. é no sentido de que o faça. Ele poderá se aproveitar das contribuições dos outros. Que se distribuam funções entre os participantes: Didática do Ensino Superior . Com efeito.  A capacidade de discutir e debater. mais não trará a sua própria colaboração e. o professor deve ser chamado para explicar melhor o objetivo. este é o primeiro a dizer. Ter oportunidade de desenvolver sua participação em grupos. por vezes.

estudar o mesmo caso e dar-lhe uma solução. o que dificulta perceber se o objetivo do grupo foi alcançado ou não e até onde se avançou. ou “não é solicitado pelo professor”. Vamos considerar alguns exemplos de dinâmica de grupo: 7.b PEQUENOS GRUPOS COM TAREFAS DIVERSAS: a turma é dividida em pequenos grupos. evite repetições (ficar “amassando barro”). Trata-se de uma forma bem simples de começar a desenvolver com uma classe a habilidade de trabalhar em equipe. sobre um assunto qualquer o professor apresenta dois ou três artigos ou autores que pensam de modo diferente e pede que um grupo resuma os pontos teóricos centrais de cada autor ou de cada teoria. se observarmos ao menos essas poucas regras e a colocarmos em pratica vamos perceber. por exemplo. Fim do tempo. decisões e conclusões ficam soltas no ar. com base nas quais os próprios alunos e o professor fazem comentários que completam as respostas. fazer uma síntese de um mesmo texto. quando necessário corte a palavra de alguém. estimule outro a participar. um relator que anote as manifestações dos participantes.   Que cada participante do grupo se disponha a ouvir seu companheiro de tal que suas contribuições sempre dêem continuidade ao que se manifestou antes. mais que dinamiza uma aula. Ao final de todas as respostas. que o trabalho de grupo pode ser muito eficiente e eficaz e ajudar de modo significativo a aprendizagem. embora possa e deva participar também como outro membro qualquer do grupo. Que a discussão do grupo em suas idéias principais e nas suas conclusões de grupo seja registrada em um relatório por escrito ou em outra forma. sendo que cada um realizará uma atividade diferente. procurando levar o assunto adiante a não tomar uma atitude de repetição do que já foi discutido anteriormente. nós e os alunos. por exemplo. o professor e os colegas dos outros grupos ficam sem este feedback. e assim por diante. Uma forma simples. administre o tempo dado para evitar que este se esgote e o grupo não chegue ao objetivo esperado. esse relatório é a materialização dos resultados obtidos e dos avanços do grupo na discussão proposta. a ponto de os alunos se motivarem a se preparar anteriormente para não perdê-las. o professor pede que cada dupla leia sua pergunta. em geral. entrando em conflito e exigindo um debate posterior em seu fechamento.a PEQUENOS GRUPOS COM UMA SÓ TAREFA: divide-se a classe em pequenos grupos e atribui a cada um uma tarefa. Em geral. É o que diz minha experiência de mais de 30 anos de docência no ensino superior. 7. Com efeito. não permitindo que a tarefa fique inconclusa por distração quanto ao tempo. alerte quando as repetições se fizerem presentes. Poderá fazer link com outras perguntas que virão. Por exemplo. para outro grupo pedirá que levante experiências concretas referentes ao tema Didática do Ensino Superior . pedirá que quem tem questão próxima ou parecida se apresente para lê-la com a devida resposta e assim por diante. a turma terá estudado o assunto de modo mais proveitoso do que se apenas ouvisse o professor falar sobre ele. as idéias. responda-a e em seguida ele pode abrir para comentários do grupo todo e inclusive para sua participação. responder a uma ou duas questões sobre o texto lido apresentadas pelo professor. fecha-se a atividade com a apresentação em plenário das tarefas realizadas por todos os grupos. o que nos impede de avaliar a aprendizagem. corrigem-nas ou ampliam-nas. Quando ele não ser faz. organize as idéias e primeiras conclusões de tal forma que facilite a elaboração de um relatório final.25  Um coordenador que esteja atento para que todos possam se manifestar e a palavra na seja monopolizada por um ou alguns dos membros do grupo. Em qualquer dinâmica de grupo. Um cronometrista para acompanhar o tempo para a atividade. Para cada uma o professor entrega uma pergunta a ser respondida em tempo curto. Sua função não é responder às questões ou dar as respostas esperadas. O grupo. as atividades se completam ou se contradizem. dez minutos. empreste dinamismo à discussão. é solicitar que no decorrer desta se leia um texto e formem-se duplas.

ou os números 2. o professor se colocará em alguns dos grupos reunidos e ouvirá. As conclusões serão explicadas e discutidas e poderão até ser modificadas pelo novo grupo a luz das outras questões que lhes serão trazidas. dividi-se a classe em grupos de cinco ou no máximo seis elementos. Por exemplo. e distribui-se entre os membros do grupo um número de 1 a 5 ou 1 a 6. e estes se sentarão no circulo do centro. Dessa forma ele estará se informando sobre o que está sendo trabalhado em todos os grupos. Essas estratégias apresentam algumas vantagens: exige a participação de todos. A eles será dado um tema para discussão que poderá basear-se em texto indicado previamente para a leitura. facilitando o encaminhamento para aplicações concretas. integrarão a compreensão do assunto e enriqueceram as experiências dos alunos. no centro. normalmente o professor sugere um ponto mais amplo que possa englobar as varias discussões e leve o assunto para um âmbito mais geral. 5. levando aleatoriamente os alunos a se encontrarem com colegas junto aos quais até este instante não haviam trabalhado e que nem conheciam. Aliás. que aponte questões importantes que merecem ser ouvidas. saberá o que esta sendo informado em todos os grupos e poderá completar. e desenvolve a responsabilidade pelo processo de aprendizagem próprio e do colega. sublinhando outras. De posse dessa informação. o papel de levar informações corretas de um grupo para o outro manifesta a responsabilidade do aluno para com o outro grupo. o professor. tais como: verbalizar. uma vez que não se pode confiar apenas na memória. acompanhando qualquer grupo do segundo momento. É uma técnica que pode ser mais bem usada com grupos de até 35 pessoas. A troca de informações é garantida pela presença de um componente que participou da discussão do primeiro momento e trouxe para este grupo as conclusões do grupo anotadas. No primeiro. ou em experiências próprias. com no máximo cinco pessoas. é uma forma de naturalmente se quebrarem “as panelas” existentes nas turmas. A nova discussão acontecerá ou mediante uma nova questão apresentada pelo professor. 7. Convidam-se 5 voluntários para participar da atividade. Com efeito. Trata-se de uma técnica que favorece em muito a participação dos alunos.26 em discussão. dialogar. Seu funcionamento exige que se formem dois círculos concêntricos. ampliando terceiras. formando-se agora vários grupos que realizarão duas outras atividades: trocar informações relatando o que aconteceu no primeiro grupo e fazer nova discussão. O resultado da discussão deverá ser anotado por todos. O terceiro momento será o do professor. que o tipo de discussão a ser realizado possa ser acompanhado igualmente por todos os participantes. o que estará sendo trazido de cada um dos grupos anteriores para este novo grupo. Ninguém poderá intervir no debate. É uma técnica que permite o desenvolvimento de varias habilidades. observar. debatendo pontos que ficaram obscuros. O fechamento dessa técnica deverá trazer ao plenário os aspectos diferentes que. discutidas por toda a classe. ou como resultado dos debates sobre as questões já estudadas. No segundo momento reunem-se os números 1 de todos os grupos. é uma técnica que pode ser usada com classes pequenas e com classes numerosas: sempre serão cinco ou seis alunos trabalhando em grupo. Deverão falar Didática do Ensino Superior . Indica-se a tarefa a ser realizada e o tempo que poderá ser gasto para tanto. cada grupo deverá ter lido e discutirá um capitulo de um livro. e durante esse tempo somente os cinco poderão verbalizar. o professor decidirá se deve intervir e como intervir: corrigindo alguma informação incorreta. 4.d GRUPO DE VERBALIZAÇÃO E GRUPO DE OBSERVAÇÃO (GVGO). que cada participante saia do primeiro grupo com anotações sobre as conclusões que deverá levar para o segundo grupo. Terão 15 minutos para fazer a discussão e fechá-la. debatidos. sem participar da discussão. durante o segundo momento. ouvir. pessoal e grupal. corrigir ou aperfeiçoar. 7. 3. Para o bom funcionamento da técnica é importante que o professor tome alguns cuidados de organização: uma previsão adequada e um controle rígido do tempo de cada momento. trabalhar em grupo. e a um terceiro. 6. Outro maior (o restante do grupo) circulando o primeiro. um menor. Ela se realiza em três momentos.c PAINEL INTEGRADO OU GRUPOS COM INTEGRAÇÃO HORIZONTAL OU VERTICAL.

Caso terminem a discussão antes dos 15 minutos avisarão ao professor. Essa técnica é a mais apropriada para compreender.f GRUPOS DE OPOSIÇÃO. Como funciona? Organiza-se a classe em dois círculos concêntricos: metade dos alunos na parte de fora. defender ou atacar determinadas posições e teorias. É uma técnica que pode funcionar com turmas grandes e pequenas. se há emprego adequado dos conceitos. passos de uma pesquisa. sempre baseandose em argumentos. se o grupo procura se organizar em relação a tarefa solicitada. contrapropor argumentos. aprendizagem significativa. na parte interna voltados uns para os outros (de frente um para o outro) formando pares. os elementos de fora e de dentro têm aspectos diferentes sobre os quais vão dialogar por um espaço de três a quatro minutos. analisar e avaliar argumentação. 7. o professor pode abrir para um diálogo entre os dois grupos sobre as observações feitas. aspectos de um vídeo.e DIÁLOGOS SUCESSIVOS. se estão relacionados os novos conceitos com conceitos já aprendidos. Quais elementos precisariam ser bem compreendidos e fixados? Conceitos de aprendizagem. no máximo. cenas de um filme. e produzir argumentos. distribuem. o professor orientará o grupo observador sobre o que deverá observar. de debater. discutir etapas de um projeto. depois. porque os participantes dialogarão. Dado um tema. Didática do Ensino Superior . 7. fixar e relacionar conceitos. papel do professor.se os conceitos aos alunos que estarão nos círculos e cada um falará sucintamente de seu conceito para outro colega e o giro dos círculos se inicia. E assim por diante. somente o último grupo pode verbalizar. Essa técnica de modo especial é apropriada para desenvolver a capacidade de argumentar. ou sobre experiências pessoais que estão sendo trazidas. Inicialmente. Exemplos de aspectos a serem observados: se o grupo verbalizador está usando todos os conceitos do texto lido. Terminado este tempo os elementos de dentro do círculo giram no sentido anti-horário e se encontram com um segundo elemento. apresentando as diferentes observações feitas e. Os elementos do lado de fora permanecem em seus lugares. por umas três ou quatro vezes. Poderão todos observar os mesmos aspectos ou dividir aspectos a serem observados por pequenos grupos de cinco ou seis alunos que estão no grupo de observação. aprendizagem de adultos. No segundo encontro cada um expõe ao outro seu aspecto do tema e o aspecto que ouviu de seu par no momento anterior. Esses assuntos já foram abordados. Em seguida. ou em relação a variáveis de funcionamento do próprio grupo. pode se repetir na mesma aula ou em outra a mesma técnica GVGO com outros elementos para se verificar se a aprendizagem das habilidades esperadas foi alcançada por outros também. se o grupo segue as mínimas regras de funcionamento de um grupo. Então. se as experiências são semelhantes ou não. de ensino. Passados 15 minutos. se todos os participantes têm oportunidade de falar. com quatro ou cinco colegas e cumulativamente poderão estar ouvindo até oito ou nove colegas sobre o tema. o grupo de verbalização passa a ser um grupo de observação e o grupo de observação passa a ser um grupo de verbalização. e assim por diante. e ouve o aspecto de seu novo parceiro e o que ele ouviu de seu par anterior. O movimento leva a um conhecimento cumulativo e/ou a formas melhores de expressar a mesma idéia. explicitar características de uma teoria. Talvez seja necessário um exemplo para explicar melhor esta técnica. mais queremos fixá-los. e assim por diante. o que depende do objetivo da estratégia. Poderá ser em relação a um conteúdo que está sendo discutido. Antes de começar a atividade de grupo. Vamos supor que o nosso tema fosse processo de aprendizagem.27 em voz bem alta para que todos ouçam. aprendizagem continuada. de tal forma que todos trabalharão com os aspectos de forma cumulativa. outra metade.

Claro que não é um seminário. Este terá 10 minutos para: ler as perguntas. então. aspectos importantes que se gostaria de ver estudados com mais profundidade. Eventualmente poderá se constituir um terceiro pequeno grupo que funcione como um grupo de juizes para julgar qual grupo conseguiu desempenhar melhor seu papel. Passa-se para um terceiro e. Terminando o prazo. 7. O professor ocupa o lugar do mediador. passaas para o grupo mais próximo. que poderá também concordar ou não com as respostas. o grupo deverá ler. Terminada a rodada a folha com as perguntas e as respostas dos três ou quatro grupos é devolvida ao grupo original que as formulou. permitindo esclarecimentos possíveis. mas apenas para dinamizar ou organizar a discussão quando necessário. cada grupo se reúne para organizar seus argumentos de acordo com a tarefa que lhe cabe. Essa é uma técnica das mais comuns no vocabulário de professores de ensino superior ou de alunos.g PEQUENOS GRUPOS PARA FORMULAR QUESTÕES. compreendê-las. enquanto. No dia da aula. Essa técnica é uma das mais dinâmicas para ser usada em aula e agrega em si a possibilidade de desenvolver vários aspectos de aprendizagem: aprofundamento de conhecimentos. redigir a sua. Visando desenvolver uma agilidade maior de argumentação. A intervenção é ver como os alunos reagem em posições inversas. poderá complementá-la. sendo que um deles tem por tarefa defender uma idéia ou encontrar as suas vantagens enquanto o outro deverá atacar a mesma idéia ou mostrar suas desvantagens. Inicia-se uma das várias rodadas: o grupo que formulou as duas perguntas. as perguntas respondidas são passadas para outro grupo. Essas perguntas deverão ser escritas em uma folha de papel sulfite. ouvir e dialogar com colegas. caberá ao professor mostrar os pontos não trabalhados. o professor apenas assiste sem interferir. formam-se grupos de 5 alunos cada um. perguntas que revelem dúvidas ou não compreensão do texto. habilidade de trabalhar em grupo. ou corrigi-la. refletir se isso será ou não prejudicial para a dinâmica da turma. Durante 15 minutos. Este vai agora analisar as respostas dos grupos e. mais escrevendo na mesmo folha. O professor não deverá entrar na discussão do tema. Como funciona? Uma semana antes se indica um texto a ser lido para o próximo encontro sobre um assunto que se está estudando. passe a atacá-la. para um quarto grupo que falarão do mesmo trabalho. com letra legível e com o nome do grupo que a formulou. No primeiro momento em aula. em plenário. Em seguida. Por último. A leitura. dentro do mesmo tempo. Dá-se essa denominação até para resumo de capítulos de livro feitos pelos alunos e apresentados para seus colegas em aula. deverá permitir que cada aluno traga para aula duas ou três perguntas inteligentes: isto é. cada grupo lê as perguntas e as respostas. poderá pedir que o grupo que ataca uma posição passe a defendê-la. nem arremedo de seminário.28 Seu funcionamento supõe a organização de pelo menos dois grupos de alunos. aprender com colegas. no máximo. compreensão do assunto.h SEMINÁRIO. porém. o professor está lidando com a competição entre grupos de classe. então. o professor pede que os dois ou três grupos se coloquem na sala de tal forma que todos vejam a todos. Inicia o debate dando a palavra a um dos grupos e a partir deste momento vale o diálogo entre os grupos. 7. e assim os demais grupos. Didática do Ensino Superior . É evidente que não serão aceitas perguntas que se retirem diretamente do texto e cujas respostas aí se encontrem com facilidade. Com essa técnica. Será preciso. e a que a defende. sem as responder. todos possam se olhar. Marca-se um tempo para essa atividade: vinte a trinta minutos. debate e até um comentário do professor sobre as pertinências das perguntas: foram elas de fato inteligentes? Representaram os aspectos mais importantes do texto e do tema? Se não. muitas vezes. tamas de grande atualidade. em seguida. Tudo isso sem rabiscar as respostas do primeiro grupo. Durante o debate o professor deverá inverter as posições dos grupos. ler as respostas que o primeiro grupo deu e redigir agora sua resposta que poderá ser de acordo com a resposta do primeiro grupo. compreender as dez ou no máximo 15 perguntas e selecionar duas. tendo em vista manter um clima de abertura e de cooperação dentro dela. O assunto indicado anteriormente foi estudado por todos individualmente. complementações por parte do professor. Dá-se um tempo de 15 minutos para que o grupo responda por escrito às duas perguntas que recebeu.

Aberta a discussão cada participante exporá os dados e as informações que suas pesquisa oferece para o desenvolvimento daquele tema. inclusive apresentando questões a serem debatidas. Por ocasião da realização do seminário. de organização e fundamentação de idéias. abrindo possibilidades de participação também para os ouvintes conduzindo os trabalhos de tal forma que. Ele envolve professor (professores) e alunos no trabalho de pesquisa por dois ou três meses. de comunicação. os diferentes grupos deveriam se preparar para isso. E. sementeira. pois trabalham o dia todo ou fazem outras tantas atividades. Os demais assistirão ao debate. procurar entender os textos. explica ou retoma em aula: então. O debate se instalará. e. A primeira delas corresponde ao ensino com pesquisa que já descrevemos. Orienta os diferentes grupos informando que não se trata de uma atividade em que cada um vai apresentar um resumo de sua pesquisa. o tempo previsto chegue a produzir um tema novo com base nos grupos de pesquisa. Leitura. 8. no início do curso. praticá-la e permitir que os nossos alunos a descubram também. de produção de conhecimento. então. Nesses moldes. sim. Fechado o compromisso. professor aleatoriamente escolhe um elemento de cada grupo de pesquisa formando com eles uma mesa-redonda. é importante que os textos indicados para leitura sejam de fácil acesso. o professor as repõem. Essa disposição exige trabalho do grupo durante o período de aula para aprender e esse tempo não pode ser ocupado só com aulas expositivas. com um número de páginas que possa ser lido e estudado em uma semana (supondo que os encontros de aula sejam semanais). portanto. em equipe. o professor mediará. que não aparecem á primeira vista. teremos realizado um seminário. Então. Como disse anteriormente. Cada aluno precisa ler. Em primeiro lugar. de forma coletiva. nas quais o professor apresenta de forma resumida e organizada um conteúdo necessário. vida nova. Eu também já vivi esse drama. A segunda parte consiste no seguinte: os assuntos de pesquisa que foram distribuídos pelos diferentes grupos guardam entre si uma relação de complementação. mas de se retirar das pesquisas os elementos necessários para a discussão do novo tema. buscar informações e se preparar para um tempo na Universidade (aula) onde ele vai se encontrar com seus colegas e com o professor e todos juntos. depois. ou de crítica. estabelece um tema para o seminário que diretamente não foi pesquisado por nenhum grupo. quando fazemos sua programação. em meus cursos. vale apena conhecê-la. indo para o lado prático. Como funciona? Em duas partes. de fazer inferências e produzir conhecimento em equipe. Didática do Ensino Superior . de elaboração de relatório de pesquisa. e após algumas tentativas. Por isso. E são muitas as reclamações de que os alunos não lêem. O professor. nem preparam nenhum material fora de aula porque não tem tempo. garantindo e incentivando a participação de todos. Ou seja: no primeiro momento usa-se a técnica do ensino com pesquisa até a comunicação final dos resultados de cada grupo. estudo.29 O seminário (cuja etimologia está ligada a sêmen. vão aprender o que se propuseram. é uma excelente técnica quando bem compreendida e adequadamente realizada. idéias novas) é uma técnica riquíssima de aprendizagem que permite ao aluno desenvolver sua capacidade de pesquisa. Marca-se o dia do seminário. mas para cujo debate encontram-se idéias e informações nos vários grupos de pesquisa. podendo participar pedindo a palavra ao coordenador. lembrando que o aluno não tem só a disciplina. Leituras Todos nós professores consideramos bastante importante que os alunos se preparem para as aulas lendo alguns textos ou preparando algum material. os alunos já lêem e preparam o material para o encontro seguinte. preparação pessoal é indispensável para se aprender e participar de uma atividade coletiva de aprendizagem. chegaria a afirmar que mesmo em cursos de pós-graduação o uso dessa técnica é por demais reduzido. ou porque “acham muito chatas essas leituras. para que estudar antes da aula?”. matutinos ou noturnos. combinamos que ali nos encontramos para aprender e não apenas para “tirar uma nota”.

os recursos audiovisuais são empregados com apoio às aulas expositivas ou atividades com todo o grupo da classe. Um segundo cuidado ao indicar uma leitura a ser feita. numa semana. Para exibí-los. baseado neste. som. tragam perguntas. um aspecto importante: a atividade que pedirmos para os alunos fazerem em casa deverá ter uma continuação em aula. power. mais chamar a atenção para alguns aspectos gerais que se referem a quase todos. filmes. vamos precisar de instrumentos e condições próprias para cada um. slides. pintura. TV. O aluno precisa sentir que seu trabalho é importante e ele próprio é valorizado pelo que está acontecendo em aula. no power point. conforme seu uso em aula. E o que vai acontecer em aula não poderá ser uma aula expositiva repetida do texto lido (esta é a melhor forma de desencorajar alunos a estudarem fora de aula). e por isso a primeira preocupação do professor será verificar se na sala de aula ou no local onde for usá-los dispõe-se destes instrumentos e das condições necessárias. e sobre os quais freqüentemente somos interrogados em nossos contatos com professores do ensino superior. por exemplo. numa terceira vez. em uma transparência. encontrando nele um significado próprio. projetor multimidiático. é fundamental que os textos indicados sejam bem dosados na quantidade e na complexidade (indo dos mais simples aos mais complexos). são cartazes. pode-se oferecer uma série de perguntas relacionadas ao texto de leitura que deverão ser respondidas por escrito e assim por diante. aqueles que não realizaram a tarefa solicitada não poderão participar da dinâmica da classe mais deverão ser convidados a aproveitar aquele tempo para uma segunda oportunidade de ler e se preparar individualmente para a continuidade da aula. aconselha-se a não colocar todos os itens de uma só vez nesses recursos. CD-ROM. O aluno deve perceber que não fez seu trabalho em vão e que o material que preparou é importante para as atividades da aula.se que em uma ou duas páginas tragam um caso resolvido. por exemplo: iluminação natural adequada. por exemplo. isoladamente ou em conjunto do tipo multimídia. a classe vai percebendo que é interessante ler. mais abrir ou colocar um Didática do Ensino Superior . Pela mesma razão. Cada um desses recursos possui regras próprias de uso. chateação que os professores mandam a gente fazer em casa. gráficos. o esquema de um estudo. mapas. Por vezes. telas. debater. Pode-se ainda. que escrevem seus textos de aula em transparências e passam o tempo de aula lendo-os. Aliás. que tragam redigidos em uma página os pontos ou conceitos-chaves do texto. mais neste caso a orientação é imprescindível. Por exemplo. computador. Recursos audiovisuais. que os alunos leiam um texto e tragam-no resumido em uma página. possibilidades de escurecer a sala. conhecer aspectos novos. Como o próprio nome diz. Há professores. pois deu uma tarefa para casa”. que leiam o texto e. músicas. Esses recursos devem ser usados para exibir. Ou seja. No entanto. a diferença de receber um material todo pronto e contribuir ele próprio para o seu conhecimento. visando motivar o aluno. interessantes. para várias atividades de leitura fora de aula. e existem muitas outras. São recursos usados esteticamente ou com movimentos. esses recursos não deveriam ser usados para a escrita e leitura de textos longos. fotos. ou para o professor não se sentir omisso. Em geral. Não queremos descer aos detalhes do uso de cada um. em outra semana. vir à aula pois se torna importante encontrar-se com colegas e professor para trocar idéia. em que a participação dos alunos com suas páginas escritas é fundamental. obrigação. participar de dinâmicas novas. Explorá-las leva a motivação e supera-se aquela sensação de “tarefa. Aos poucos. quadro negro. transparências.30 mais um conjunto de oito a dez. podemos solicitar que os alunos pesquisem outros materiais. 9. Vai notar. retroprojetor. O primeiro ponto. Veja quantas alternativas temos. discutir. aos poucos. mais atividades dinâmicas. é orientá-la para que em cada semana ela seja feita de um modo diferente. Para o professor uma aula assim será muito mais motivadora e instigadora e muito menos cansativa.point. num slide. Em geral. em outra oportunidade. ou um roteiro de aula apenas com palavras-chaves ou itens que serão desenvolvidos e poderão ser colocados no quadro-negro. solicitar que leiam um texto e dele façam um resumo com comentários pessoais e até mesmo. vídeo. tomadas elétricas convenientes. só por fazer. pede. etc.

gráficos. Um número razoável de slides que permita. debater. em cima do retroprojetor. a atenção precisa estar voltada para alguns pontos: a quantidade de pontos. que exige conhecimentos teóricos adquiridos ou a serem pesquisados. estão implementando projetos de cursos de graduação que. o uso de power-point leva grande vantagem operacional. o professor deve atentar para não se posicionar entre o aparelho e a tela cobrindo assim parte da projeção. Sem dúvida. Mesmo que se escolha a transparência ou power-point para poder escrever com caneta apropriada na hora da aula. e. numa conferência internacional: o conferencista usava transparências mal escritas. linhas. Um número ideal deles é que permite ao aluno. slides ou power-point. integrando teoria e prática. ver e compreender melhor o que se está explicando e discutir. e deve usar de preferência ponteira lazer para se chamar a atenção para algum ponto em especial. no uso de transparência.31 de cada vez para que os alunos não se destraiam e se concentrem em um ponto por vez. figuras. ou de parceria e co-responsabilidade. usos de figuras. Didática do Ensino Superior . é um ambiente extremamente motivador e envolvente para os alunos. colocando-a sobre a transparência. Poderão ser usadas para explicar o que estamos estudando ou tratando por meio de desenhos. mapas. gráficos. o estágio ou atividade equivalente só pode acontecer nos últimos períodos dos cursos. mapas. na prática. fotos. complexa. tabelas. outros tamanhos e tipos de letra. analisar o que está havendo. com pequeno intervalo. o que vim a assistir. fotos. a habilidade de os aplicar à situação real. ao mesmo tempo. inclusive com um acender de luzes para que todos se velejam no debate. Por último. não se esquecendo de escolher bem as cores do fundo e das letras. ou até mesmo 200 minutos. buscando solução ou encaminhamento para um problema. Por isso. tabelas. Trata-se de uma situação real. uma sessão com número menor de slides. por exemplo. ilegíveis. Em todos esses aspectos. no caso das transparências pode se usar uma caneta ou lapiseira como um pulsor. à mão. Cada recurso dispõe de forma própria de fazer isso. convivendo numa equipe de trabalho que envolve profissionais de áreas diferentes trabalhando conjuntamente. no meu modo de ver. há pouco dias.) quanto à apresentação: dinâmica.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional Hoje se tem por certo que o melhor local de aprendizagem para a formação de profissionais das mais diferentes carreiras é o próprio ambiente onde se vive e se atua profissionalmente. conflitante. Algumas carreiras convencidas da importância da formação do profissional no seu ambiente profissional. com quadros também mal escritos. Se não se dispuser deste instrumento. completamente tortos e rabiscados. com ou sem comentário. ao invés de fazer a indicação com a mão ou dos dedos apontando para a tela. revêem alguns princípios que se julgavam inquestionáveis até pouco tempo atrás. falhas e etc. a escrita precisa ser bem legível. No uso de transparências deve-se procurar elaborá-las com recursos de que dispomos hoje. É lamentável. tanto no que diz respeito na construção da imagem de textos (movimento por efeito. o raciocíonio universidade-instituição profissional é de justa posição. figuras. demonstrando a necessidade da multi ou interdisciplinaridade. de uma profunda falta de respeito com os participantes. inclusive. bem escolhidos e que permita discussão sobre eles. o estágio é uma aplicação da teoria estudada. o tamanho destas para que se permita visualizá-las de todos os lugares da sala (o mesmo valendo para o uso do quadro-negro). por partes. Neste sentido. que se interrompa sua seqüência para um debate e pedido de explicação ou apresentação de dúvidas comprime muito bem o seu papel de apoio à atividade em andamento. com o computador. a lógica dedutiva ao se trabalhar com teoria é básica. Por exemplo: não se pode ir à prática sem antes dominar toda a teoria necessária. 3. será algo muito mais incentivador da aprendizagem do que as sessões contínuas de slides (com certeza fotográficamente cada vez mais belos e perfeitos) durante 50 ou 100.

o que poderá aprender. conseqüentemente. pois lhe trará créditos e notas necessárias e da qual ele deverá se livrar de forma mais rápida. por fim. algumas que são comuns e sobre as quais me parece oportuno comentar. reorganizando o currículo. Em nosso entender. Assim entendido. em que condições ele deverá atuar. no entanto. escritórios. Os professores responsáveis pelo estágio em uma instituição educacional nem sempre são remunerados pelas horas que necessitam para orientar e acompanhar os estagiários. com que profissionais. Há. laboratórios. Para isto há que valorizá-lo institucionalmente colocando-o no lugar de destaque no currículo: ele deveria ser pensado como um dos eixos curriculares que perpassa todo o currículo. até mesmo contando com certa cumplicidade do responsável do local onde fará o estágio. 1. o processo de aprendizagem é mais eficiente. hospitais. como desenvolvê-las. não vamos necessariamente realizar uma prática conforme o padrão estabelecido pela teoria. Mais infelizmente não é aproveitada pedagogicamente. o que esperar da presença do aluno no ambiente profissional. em geral. mais de todos os professores em cujas as disciplinas ele é realizado. que é obrigatória. em vários ambientes. excursões. Em outra circunstância. Num projeto que conhecemos. E nesse caso. mas podemos entrar em contato com um ambiente profissional e aprender a observar o que ali acontece e por essas primeiras observações buscar as informações de que se necessita para a compreensão do ambiente e da situação profissional que ali se desenrola. ou seja. Por isso mesmo é realizado desde o início do curso. Didática do Ensino Superior . Por vezes buscamos conhecimentos e depois vamos ver como se comportam na pratica. poderá sofrer adaptações. se realiza durante todo curso em situações diferentes cada vez mais complexas. favorece a integração das disciplinas e da teoria com a prática. visitas técnicas. Há. de que forma realizar sua aprendizagem são definições próprias de cada profissão juntamente com os professores da universidade e certamente diferentes para cada curso de graduação. e não apenas uma atividade a mais. fóruns etc. há necessidade de se resgatar a importância e a validade do estágio como ambiente essencialmente necessário para a aprendizagem dos alunos. partindose da situação concreta para os princípios teóricos. ainda não dispomos da teoria. de várias formas. tratando-o como ambiente fundamental de aprendizagem. desenvolve-se o sentido de parceria e co-responsabilidade pela aprendizagem entre as instituições envolvidas no processo. ou mesmo poderá exibir nova pesquisa. O estágio é considerado eixo fundamental de um currículo. empresas. Ela precisa acontecer na realidade. com acompanhamento não apenas de um professor encarregado do estágio. E. o estágio pode inclusive colaborar para aperfeiçoar o próprio currículo. integrando disciplinas. prática clínica. a teoria de que dispomos não foi suficiente para a situação vivida. Vamos ver como a teoria se comporta na situação completa em que estamos: ela poderá ajudar a resolvê-la. A teoria vem em seguida ao contato direto com a situação profissional. Essas técnicas são específicas de cada profissão. Assim. uma vez que cabe à carreira profissional junto com a universidade definir as características próprias de seu profissional e. instituições de pesquisa.32 Que princípios substituem estes? A interação teoria-prática é fundamental para a aprendizagem. aulas práticas em escolas. portanto a valorização da lógica indutiva como forma de e construir o conhecimento. Consideramos técnicas para ambientes profissionais: o estágio. Estágio Esta é uma prática de forma comum em todas as profissões. inclusive a divisão do ano acadêmico foi alterada de dois semestres para três quadrimestres a fim de que se organizasse a formação com quadrimestre full time na universidade seguido de um quadrimestre full time na empresa. Senão vejamos: o estágio aparece na vida dos alunos como uma tarefa indesejável que ele deverá fazer fora do horário de aula.

33 Há que valorizá-lo diante dos alunos. Nesse debate é importante que sejam trazidas as questões teóricas buscando a interação teórica e prática. Tecnologia essa que pode ser usada para se realizar educação a distância. da hipermídia. Há algum tempo essas técnicas eram chamadas de “novas tecnologias” e. com os professores universitários. fóruns. de habilidades e de valores ou atitudes. de sites. a tal ponto que em vez de abreviá-lo procurem explorá-lo cada vez mais. Mas não vemos outra saída para melhorar a qualidade dos cursos de graduação. É uma visão realmente nova e talvez necessite de certa ousadia para po-la em prática. da multimídia. Interessante será que o aluno possa contar com várias dessas aulas práticas e laboratoriais. para que estes o percebam como uma situação real. Para isso. que cada grupo de alunos observe parte da situação para complementação posterior. Ás vezes será interessante que todos observem tudo. as técnicas que vamos analisar a seguir são aquelas que se baseiam em fundamentalmente no uso do computador e da informática. após a visita técnica ou excursão. é evidente que a preparação. percebendo como será interessante para ele relacionar-se com a universidade. trata-se de duas técnicas muito ricas que permitem ao aprendiz desenvolver aprendizagens cognitivas. Prática para aprendizagem em ambientes virtuais formando um conjunto. A instituição que vai abrir o estágio também deve valorizá-lo. entremeadas com visitas técnicas e excursões. Depende das circunstâncias e das possibilidades tanto da instituição educacional como do local da visita ou excursão. embora diferentes e específicas para cada curso e profissão. Os aspectos teóricos nunca estarão dispensados. cada aluno redija um relatório das observações e dados obtidos e os traga na aula seguinte para o estudo e debate entre colegas e com o professor. que seus funcionários se relacionem com futuros profissionais dando prosseguimento à sua formação continuada por intermédio desse contato. definindo-se o que observar e o que registrar. mas será mais interessante e motivador tratá-los e aprende-los de forma integrada com a realidade profissional do que apenas subjetivamente. principalmente da área de engenharia e da saúde. Que. vídeos e teleconferência. de ferramentas como o Chat. “novas tecnologias de informação e comunicação” (NTIC). É interessante que se organize com o grupo de alunos um roteiro de observações e/ou entrevistas que deverão ser realizadas por eles além de orientá-lo como registrar os dados em material adequado. poderá levar em conta as recomendações que fizemos acima para visitas técnicas e excursões visando à eficiência para a aprendizagem dos alunos. Em qualquer hipótese. profissional. para que funcionem bem. correios eletrônicos e de outros recursos e linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e eficaz. Elas podem ocorrer em grupos (pequenos ou com toda a turma). grupos ou lista de discussão. em que o computador passa a ser uma máquina de intermédios entre professor e alunos em locais físicos distantes visando Didática do Ensino Superior . Há instituições.  3. Visitas técnicas e excursões Como o estágio. realização e avaliação do estágio precisam ser muito bem planejadas e executadas juntamente com os alunos. 2. posteriormente. em que eles encontrarão as melhores condições de se formar e aprender. Aulas práticas e de Laboratório O uso de aulas práticas e de laboratório para a aprendizagem. precisamos tomar alguns cuidados:   Que as visitas técnicas e excursões estejam integradas aos assuntos que estão sendo estudados no momento: Que sejam preparadas juntamente com os alunos. outras. do CD-ROM. que estão ingressando por esse caminho e realizando projetos muito promissores. Essas novas tecnologias incluem o uso da internet.

ou do exterior. A escola ao possuir um laboratório de informática em várias disciplinas se apresenta como uma escola moderna. Os objetivos que poderão ser alcançados por esta tecnologia são:  Valorizar a auto-aprendizagem. Professor e aluno passam a trabalhar conjuntamente e não só na aula. perguntando. o registro de documentos. a pesquisa de informações básicas e das novas informações. Exploram o uso de imagem. Se em ambientes presenciais defendemos o uso de técnicas que possibilitem ao aluno encontrar um significado próprio para o conhecimento que esta construindo com o professor e com os colegas. conhecidas ou desconhecidas). quando se encontram fisicamente. Por exemplo. preferivelmente com a participação dos ouvintes. Nem o conferencista. por algum técnico em informática que recebendo informações do professor os disponibiliza no computador para uso e acesso direto dos alunos. fazendo perguntas. então. a informática e a telemática nos abre outro grande mundo de experiências e de contatos. se levarmos em consideração o possível número de pessoas contatáveis. 3. a elaboração de trabalhos. ou apenas fazer alguma pergunta. a discussão. o debate. e mais vinculados com a nova realidade de estudo. incentivar a formação permanente. ouvir. grandes autores e pesquisadores. respondendo. que para muito seriam inacessíveis. a exploração do vídeo ou teleconferência quando a participação dos telespectadores é mínima ou quase nenhuma. por vezes. Desenvolver a aprendizagem: a aprendizagem como produto das inter-relações entre as pessoas. mais também a distância em suas residências no período entre uma aula e outra dialogando. interessados. pesquisando. a rapidez e o imediatismo destes contatos (seja com pessoas de nossos pais. movimento simultâneo a máxima velocidade no atendimento às nossas demandas e o trabalho com as nossas informações dos acontecimentos em tempo real. Professores especialistas. comunicando informações. de algum modo. ou seja. A teleconferência se realiza em tempo real. com o uso das técnicas em ambiente virtual isto não será diferente. por meio deste recurso agora já podem ser consultados. É uma perspectiva “instrucionista” na informática educativa. dentre esse ângulo. Nessas circunstâncias. se pergunta o que deverá fazer agora. a construção de arquivos e textos. nem as pessoas precisam se deslocar dos vários lugares para participar da conferência. participantes. a construção da reflexão pessoal. A comunicação tecnológica dessa base de dados é realizada. o diálogo. ou especialista profere sua conferência em determinado local e todos poderão ouvi-lo e com ele debater estando cada um em sua escola ou em sua cidade. de pesquisa e de contato com os conhecimentos produzidos. discutindo. som. O professor.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem 1. pois oferece a seus alunos o uso do computador.  É verdade que muitos utilizam essas tecnologias para transmitir informações e conhecimentos. basta que disponhamos de um endereço eletrônico para multiplicar o número de contatos (professor e alunos passam a se encontrar não só em aula mais a todo o momento.34 o processo de aprendizagem ou poderá ser empregada como apoio às atividades presenciais de um curso de graduação de ensino superior tornando-os mais vivos. dialogando com o conferencista e o próprio conferencista dialogando com os Didática do Ensino Superior . Outro exemplo: o uso do computador como banco de dados de uma disciplina para consultas e responder a perguntas sobre os assuntos determinados. Teleconferência O que caracteriza a teleconferência é a possibilidade de colocar o professor ou um especialista em contato com telespectadores em locais físicos distantes daquele onde ela acontece. por meio do correio eletrônico). o professor se sente substituído em seu papel de transmissor de conhecimentos.

haverá a necessidade de uma continuidade individual ou em grupo. Essa participação só será possível de dispusermos de equipamentos (câmeras e som) onde a teleconferência está sendo ministrada e nos diferentes locais de assistência. Com essa técnica estamos interessados em conhecer as manifestações espontâneas dos participantes sobre determinado assunto ou tema. uma vez que todos podem se manifestar ao mesmo tempo. motivar um grupo para um assunto. para além do somatório de opiniões. depois de algum tempo. e serve para. Lista de Discussão Essa técnica cria a oportunidade de um grupo de pessoas poder debater um assunto ou tema sobre o qual ou sejam especialistas ou tenham realizado estudos prévios. das informações ou das experiências. orientar a atividade para o que se espera. quatro a sete dias. ou podemos simultaneamente dividir o assunto em vários tópicos e sobre cada um deles formar um grupo de discussão. Em outras palavras. com atividades que se integrem com a teleconferência. podendo cada participante avançar e modificar suas próprias reflexões nesse tempo com base em seus estudos ou analisando Didática do Ensino Superior . enfim. seja para se policiar e não entrar a todo o momento nas manifestações. incentivar um grupo quando o sentimos apáticos. A videoconferência é uma palestra gravada em vídeo. por exemplo. presencial ou não. Além disso. Nas duas hipóteses. 2. É um momento em que todos os participantes estão no ar. que serve para copensamento do conferencista e discutir o tema por ele apresentado. O objetivo do Chat e seu tema precisam estar bem definidos para que todos possam se expressar com liberdade. Seu objetivo é fazer uma discussão que leve ao avanço dos conhecimentos. Sua participação será importante ao final do Chat para tentar uma síntese da discussão. Chat ou bate-papo O Chat ou bate-papo on-line funciona como uma técnica de brainstorming. num Chat. ocorre-se o risco de perder o controle da situação. sem que seja on-line naquele momento. um debate no ar com perguntas. aquecer um posterior estudo e aprofundamento do tema. depois de certo tempo. de tal forma que o produto desse trabalho seja qualitativamente superior às idéias originais. durante um tempo de. informações sobre o pensamento do conferencista ou sobre os trabalhos que vem desenvolvendo o que permitiria um aproveitamento maior das contribuições do professor. A técnica normalmente envolve muito dos participantes e a velocidade com que acontecem as contribuições é surpreendente. Como a anterior. mais um diálogo. preparar uma discussão mais consistente. aportes. Pode-se organizar um único grupo para discutir. essa técnica também não pode existir sozinha. de forma a deixar maior tempo para os próprios alunos. e. exemplo. 3. exibida em qualquer tempo e para qualquer público em diferentes ocasiões. pois. Isso vai exigir um acompanhamento muito perspicaz por parte do professor. uma teleconferência que não seja monólogo. É muito importante que a participação de uma tele ou videoconferência possa ser precedida de estudos sobre o tema. dando continuidade as idéias produzidas e ao desenvolvimento da aprendizagem esperada. a teleconferência não poderá acontecer como uma atividade isolada. Há que está vinculada a outras que a seguem. O professor procurará coordenar essas manifestações apenas no sentido de mantê-las dentro do assunto combinado. a relação do tema com o programa que vem sendo desenvolvido naquele curso. ligados. Não é aconselhável que o professor interfira em todos os momentos do Chat. com grande facilidade salta-se de um assunto para o outro. criar ambientes de grande liberdade de expressão. e são convidados a expressar suas idéias e associações sobre um tema proposto.35 participantes. debates. por exemplo. seja para poder. Mesmo quando estes solicitam sua posição o melhor é analisar se é o caso de expressá-la ou devolver a questão para outros membros do grupo. há que se pensar em um assunto sobre o qual o grupo a se expressar. uma ou mais vezes.

pelo atendimento a um pedido de orientação urgente para não interromper um possível trabalho até o novo encontro com o professor na próxima aula. Tal forma de trabalhar grupalmente favorece o desenvolvimento de uma atitude crítica perante o assunto. 4. Trata-se da qualidade de emails que o professor poderá passar a receber. com intervenções do professor no sentido de incentivar o progresso dessa reflexão. ou com algum deles em participar durante o intervalo entre uma aula e outra com informações novas. por exemplo. e sustenta a continuidade do processo e da aprendizagem. permitirá selecionar as mensagens. esse recurso é ainda muito importante para sua aprendizagem. No segundo caso. Além da disponibilidade e da forma de responder ao correio eletrônico. Mais sim. ou avisos urgentes. suas reações ao fazer a pergunta e ao receber a primeira resposta. Muitos professores despedem um número elevado de horas diárias com esse novo trabalho. Incentiva o aprendiz a assumir a responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem. uma expressão pessoal fundada e argumentada sobre os vários aspectos que estão sendo debatidos e não pode ser atropelada pelo professor com interferências diretas “para resolver os conflitos. a resposta sempre deverá ser individualizada. e poderá ser diferente de um aluno para outro. poderemos reunir um conjunto de mensagens que são afins e dar uma reposta coletiva para o grupo. A dificuldade não nos deverá impedir de usar esse potente recurso de aprendizagem. e como membro do grupo também trazer suas combinações. alguns pontos merecem nossa reflexão. há outro problema que aos poucos vai se agravando e para o qual precisamos estar atentos. que em alguns dias será mais só que suficiente. ou sugestões interessantes. a resposta do professor poderá ser dirigida para o grupo todo ou para um aluno em particular. não dispomos desses recursos. de uma reflexão contínua. entre uma aula e outra. a troca de materiais. Isso quer dizer que conhecendo o aluno. e o aluno se sente desmotivado para continuar o diálogo. pois se à mensagem do aluno não se seguir imediatamente uma resposta do professor. o que fará de cada resposta “uma” resposta particular. quando um aluno nos faz uma pergunta. Didática do Ensino Superior . Principalmente para o aluno. o processo se interrompe. estamos vendo o aluno. suas dificuldades ou as situações particulares pelas quais está passando. Com relação ao papel do professor no uso desse recurso. sem nunca fechar o assunto. discutindo as idéias em questão. mais urgentes. Mas o problema existe e exige que pensamos em um encaminhamento para ele. porque coloca a todos em contato imediato. Não podemos esquecer que na situação presencial. Desconhecem-se soluções efetivas para tal problema. No uso do correio eletrônico. Pode-se tirar as primeiras conclusões e até produzir um texto: depende do objetivo prefixado e do tempo estabelecido para tal.36 as colaborações de seus colegas e do professor. uma hora. O que se tem experimentado é procurar delimitar um tempo diário para a atividade. Correio eletrônico Essa técnica facilita o encontro entre aluno e professor. A disponibilidade do professor para responder aos e-mails é fundamental. Além disso. o diálogo é um contato direto e poderá surgir a continuidade da orientação. Em outras circunstâncias. ou responder às duvidas que surjam”. do tempo que a leitura e resposta a eles vai consumir. respondê-las e deixar para o dia seguinte as demais. ou mediante uma comunicação geral do professor com todos os alunos da classe. a produção de textos em conjunto. favorecendo a interaprendizagem entre os próprios alunos. Não se trata de uma situação de perguntas e respostas entre os participantes e o professor. e por isso o que escrevemos e o modo como o fazemos deverá levar em conta a possível situação e reação do receptador da mensagem. há que se atender à situação concreta e individual daquele aluno. Em outros. e certamente o motivará para o trabalho necessário para isso. debate fundamentado de idéias. o que não só aumenta sua carga de trabalho como o tira de outras atividades igualmente importantes.

Internet Esse é um recurso que poderá ajudar a nós professores e aos alunos em seu processo de aprendizagem a superar duas dificuldades no incentivo à leitura e à pesquisa: certa rejeição dos alunos em ler livros. Didática do Ensino Superior . São técnicas multimidiáticas e hipermediáticas que integram imagem. Ao professor caberá o papel de orientar a leitura de um trabalho de reflexão. Assim somo há um sem número de informações absolutamente dispensáveis. principalmente. registra reflexões. discutir valores éticos. Todos nós sabemos que há muita coisa importante é interessante a que chegamos pela internet. Esses recursos disponibilizam informações e orientações de trabalho para os usuários de uma forma integrada. estar em condições de discutir e. luz com texto. o aluno encontrar dados ou informações que ele. debater as informações com ela. com seu contexto). Sem dúvida. como antes faziam com os textos de revistas ou de livros fotocopiados da biblioteca. busca informações. Há necessidade de o professor orientar como utilizá-lo para as atividades de pesquisa. 6. produz textos. há que se orientar com fazer trabalhos e monografias que sejam produção de conhecimento. reproduz textos e imagens. pesquisa. de construção do conhecimento e de elaboração de trabalhos e monografias. abrir os primeiros endereços ou sites que sejam relevantes para o assunto que se pretende pesquisar. políticos e sociais na consideração dos fatos e denomenos que chegam a nossos conhecimentos de todas as partes do mundo. atualizadíssimo. a internet é um grande recurso de aprendizagem múltipla: aprende-se. ainda não tenha descoberto. constrói pensamento. tudo ao mesmo tempo. lê. movimento. com os mais diversos centros de pesquisa. como pesquisar na internet. dos mais diferentes lugares. ativando todos os sentidos e incentivando a reflexão e compreensão do assunto que se pretende aprender. bem como ajudá-lo a desenvolver sua criatividade diante do que venha a encontrar. Alunos e professor vão aprendendo a desenvolver tal criatividade. analisá-os. organizá-os. pesquisa. Acrescente-se a tais vantagens a comodidade do acesso que se faz de casa. atraente. Com a internet podemos desenvolver habilidades para explorar esse novo recurso tecnológico. compara. mas estar aberto para aprender também com novas informações conquistadas pelo aluno e. links já organizados ou com possibilidades de torná-los presentes pelo acesso à internet. e alguma resistência em se dirigir à biblioteca para pesquisar. incentivar para que daí por diante o aluno faça suas próprias navegações. A internet se apresenta como um recurso dinâmico. busca. desenvolver nossa criatividade. Seu papel não é saber tudo o que existe sobre determinado assunto antes do aluno. com os periódicos mais importantes das diversas áreas do conhecimento. No fundo. professor. porém. como recursos facilitadores e mediadores de aprendizagem. de busca de informações. desenvolver a autoaprendizagem e a interaprendizagem (com os outros. penso que é interessante comentar o uso do CD e do Power Point em aula. porventura. CD-ROM e Power Point Ainda como exemplos de novas técnicas. com possibilidade de acesso a um número ilimitado de informações. do escritório. Deve-se orientar os alunos para que não transforme tão rico instrumento de aprendizagem em uma forma mais caprichada de apresentar uma colagem de textos. e não estranhar se.37 5. com os próprios pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais. Como todos os outros recursos. frutos da reflexão e do estudo pessoais e de discussões em grupo e não apenas cópias de textos já escritos. compra dados. e de estar em contado com todas as grandes bibliotecas do mundo. é preciso que se aprenda a usá-lo. preferindo substituí-los por apostilas. da biblioteca. com o mundo e suas realidades. Você acessa.

os alunos aprendem também. com o prof º de Educação Física. Mas professor é profissão. Rebuscando velhas gavetas da memória. você desconta na sua garotada? Ou sublima. (RUBEM ALVES). lá a elas com medo. para depois começar sua docência? Confidencialmente. dava um zero e depois sabia nos acariciar a auto-estima com um dez . momentos para o aluno perguntar. por amor. e eu errava muito. e se refaz para procurar graças na próxima noite? A ciência que você ensina é “chata” por natureza ou você a fez assim? Em classe. Concedi-lhe minha permissão psicoemocional de alargar meu pensamento e aumentar meu conhecimento. jovem mestre e colega. refletir. onde estão? Em que covas terão se escondido? Professores há milhares. quantas vezes você tem sido educador e elevado a auto-estima de seus alunos. não é profissão é vocação nasce de um grande amor. trabalhar.38 A confecção do CD-ROM exige cuidados e recursos técnicos especializados de que nem todos os professores dispõem. ou só se reconhecem incapazes.. redigir etc. sem saudades. Ele era também o diretor e orientador de nossas peças teatrais. tempo. não é algo que se define por dentro. porém dos que existem e a confecção de material em Power-point visando à aprendizagem do aluno não poderão desconsiderar alguns princípios básicos: o aluno não pode fazer o papel de assistente passivo diante do que se desenrola na frente. siciliano sanguíneo. manter sustendo de meus filhos. Se errávamos. debater. desprezei o corpore sano. um alongamento e uma catarse geral. com tal mister. Nunca mais gostei de Educação Física. CDROM e Power Point deverão funcionar como incentivadores dessas várias atividades de aprendizagem. durante muito tempo. encontro-me. Falava de Báscara e Moliere com a mesma deliciosa naturalidade. O uso. estultos e impermeáveis à sua disciplina? Você é daqueles que faz do conhecimento uma arma de cidadania e crescimento pessoal ou é da espécie que faz do zero uma arma cartorial. que nos estipulava “cangurus” e “polichinelos”. Educador ao contrário. há que prever atividades. se a noite anterior sua esposa for de pouca graças. Profº Roque. Pude. a ponto de nos levar à exaustão. deparo-me com meu professor de matemática Roque Baroni. o CD-ROM ou o Power-point não podem querer substituir as atividades do aprendiz.. Passei a adorar matemática e acabei me tornando professor dessa disciplina. Detestava suas aulas. dominadora e disciplinadora? Na sua aula os alunos têm cara de adolescentes ou ficam absolutamente imbecis e atônicos? Alguém já dormiu em sua classe e você contínuou achando sua aula muito interessante? Quando o aluno cochila. ou você é daqueles que acham que só Deus merece um dez? Nas suas avaliações. Quem me conhece sabe do que estou falando (é claro que a culpa não é só dele) – é assim: a gente só aprende com aqueles a quem outorgamos o direito de nos ensinar e para tanto é preciso um pouco de amor nesta relação de trocas. Fico agora conversando com um professor de hoje: meu caro. Também em meus guardados de ginásio. de uma grande esperança. muitas vezes confidente de meus sonhos e conflitos adolescente. se preciso. EDUCADOR OU PROFESSOR? (MERA CONVERSA DE UM VELHO PROFESSOR COM UM COLEGA MAIS JOVEM) Educadores. o professor tascava-nos um beliscão capaz de fazer corar um frasco de benzetacil. exigente e afável ao mesmo tempo. a culpa é só dele? Você gosta do som monocórdio de sua voz ou concorda com um relaxamento. pesquisar. o ideal é que você falasse o tempo todo e preferisse ouvir as moscas voarem a ouvir voz de aluno? Ou você gosta de fazer os meninos trabalharem e gosta de instigar o raciocínio da moçada? Toda pergunte de aluno de é cretina? Só você pergunta e responde bem? Ou você aprendeu mais dando aulas do que na sua própria escola? Você tem um caso de amor com o quadro negro-verde? Há quanto tempo você não usa outra coisa a não ser paleontolítico giz? A sirene toca e você começa a salivar à cão do Pavlov? Didática do Ensino Superior .

têm sua ação pautada em algum nível de reflexão. ensina mais não joga.. na escola tem essas coisas? Você sabe preparar uma transparência? E o computador você já o descobriu? Ou você é contra esses modernismos? Seria você um dos “neoluditas”? Você tem internet como ferramenta de pesquisa e gosta de navegar por suas ondas ou tem medo de se afogar nesse mar de recursos? Você já descobriu que seu aluno já sabe muito mais do que se pensa sobre essa parafernália tecnicista? Você já desconfio que essa geração parece ter um chip a mais? Você gosta de capacitar continuamente ou acha que já sabe tudo sobre sua matéria? Se um pupilo fizer uma pergunta para a qual você não se acha preparado. o professor é só rigoroso e competente. não sabe? Que habilidades e competências você espera ao final de seu trabalho? Você distingue Pedagogia de Didática? Ou tudo isso é coisa ara pedagogo passar fome? Já foi dito que o verdadeiro educador é como um técnico de futebol: orienta. Didática do Ensino Superior . Quem vai à luta são os jogadores. se uma ponte cair o engenheiro leva a culpa. teorias. pelo vídeo e outros bichos? Se sim.. se a colheita frustar o agrônomo é responsável. incompletas. A reflexão enquanto tal (atividade simbolizadora e seus produtos: representações. que pode colocar toda a tecnologia do mundo a serviço da Educação e que é preciso alongar o pensamento e dar dimensão humana aos futurismos. o médico está lascado. vídeo. Ocorre que estes. Certo? Se o aluno tomar bomba. pois as pessoas nascem sem saber as coisas do mundo. se a cirurgia der errada.se acha que há muito o que fazer. e cabe a você ensina-las. acalenta. os slides. nas condições objetivas. cobra. Agenor Cansado – Professor de Matemática.. O meio que estamos utilizando é a reflexão. pede um tempo e vai buscar a resposta ou o aluno vai para a sala do diretor por desrespeito a autoridade? Você que professor de português deve ou pode ser analfabeto em matemática ou vice versa? Ou você valoriza o conhecimento holístico e coloca em prática seus conhecimentos na hora da aula? Algum aluno já fez confidencia is pessoais para você e lhe contou coisas de sua vida? Ou. afinal para tanto. 4 A DOCÊNCIA SUPERIOR E A INTERDISCIPLINARIDADE 4. quando você chega.. e ele fica ao lado do campo a torcer e a gritar por eles. você é daqueles que pensa que sua carreira está em extinção e que seu lugar vai ser tomado pelo computador. ELE fez de você um educador. a rodinha muda de assunto e todos saem de fininho? Você prefere ser amigo ou bicho papão? Você acha que adolescente adolesce ou aborrece? Você entende que disciplina é meio ou fim em si mesmo? Disciplina é coisa de bedel ou você da conta de sua turma? Acha que nota ruim merece castigo ou recuperação? Você faz marketing com a cara feia ou é um mestre de verdade? Você sabe para que ensina seus conteúdos? Você sabe formular objetivos. portanto.1 A Intencionalidade do trabalho docente Nosso desejo é ajudar a transformar a prática educativa. etc) não pode.. por sua vez. de fato. presidente do SINEPE/GO e diretor do Colégio ALFA BETA.. interferir diretamente na realidade. e outro recurso didáticos com tv.? Alías.39 Ou há sempre um texto interessante para uma turma ler e uma dinâmica de grupo a ser adotada na aula? Você usa o retroprojetor. merece tão destino. Certo ou errado? Finalmente. e. São seus alunos que jogam? Ou só você faz gols? Aqui entre nós. então arregace as mangas e trate e de completar a obra de Deus. grita. quem age sobre a realidade – direta ou indiretamente (através de algum instrumento) – são os sujeitos. etc. conceitos. Agora . planeja.

. Campo Querer Área Necessidade Dimensões Vontade (motivo mais consciente) Desejo (motivo mais inconsciente) Poder Saber Ter *Saber *Saber Fazer * Saber Ser Recursos Matérias.. basicamente. duas funções na sua relação com o aluno: Didática do Ensino Superior . propicie o despertar do desejo para a consciência de se integrar. O quadro a seguir procura sistematizar as várias dimensões envolvidas neste processo. Quem age por condicionamento. O educador. Corresponde a uma mobilização inicial... e um novo plano de ação – (Formas de mediação). um sentido. embora limitada. Para resgatar o lugar do planejamento na prática escolar. se encontrar.. Muito sinteticamente. então. pois é por intermédio da relação professor-aluno e da relação aluno-aluno que o conhecimento vai sendo coletivamente construído. uma justificativa. quando em relação a ela há um querer (estar resolvido a fazer alguma coisa) e um poder (capacidade de realizar algo). Ajudar o sujeito (pessoal e coletivamente) a se convencer de que sua ação é importante.”Limpar o meio de campo”: desconstruir representações equivocadas. pois alguém já planejou por ele.acreditar na possibilidade de mudança da realidade. aleatório.querer mudar algo.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno No processo de construção do conhecimento. não carece de planejamento. 2.. qual seja.. A reflexão tem. Assim sendo. pois. se dispor para a ação. 3-perceber a necessidade da mediação teórico-metodológica. Indicar caminhos. 4. uma marca mana que é a intencionalidade. estimula e ativa o interesse do aluno e orienta o seu esforço individual para aprender. uma nova intencionalidade – Projeção de Finalidades. além de capacitá-lo para caminhar. Incessantemente há na ação consciente dos sujeitos um nível de elaboração. podemos dizer que o indivíduo está na condição de sujeito de transformação quanto a uma prática. desmontar mitos e preconceitos. remete a: 1. automático. na sua relação com o educando. então.. Convencimento – ser elemento que dê força à atividade. Ajudar a ganhar competência para a ação: entender o que está acontecendo. o professor tem. casuístico.Isto implica que a reflexão precisa articular duas dimensões: 1.vislumbrar a possibilidade de realizar aquela determinada ação. interesseira. seja ela ideológica. um fim. projetar objetivos para a ação. uma primordial tarefa da reflexão: Reconstruir o sujeito mediador 2. o valor pedagógico da interação humana é ainda mais evidente. apontar alternativas para a intervenção. Intervenção – ser uma guia para a prática que se quer transformadora. há um elemento fulcral que é o professor se colocar como sujeito do processo educativo.40 visto que a prática está sempre baseada numa significação. alienada. utilitária. (um conhecimento da realidade) – Análise da realidade. Recursos Políticos 4. à gênese do resgate do professor como sujeito. não é um processo mecânico. Planejar. se motivar. por função propiciar o despertar do sujeito. Esta é.

Humildade.... sincrético.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa Paulo Freire 1. Quem concebe assim o educando.. Ensinar exige pesquisa.. Reconhecimento e a assunção da identidade cultural. NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA                  Ensinar exige rigorosidade metódica....... explícita ou implicitamente ele veicula esses valores em sala de aula. Ensinar exige criticidade. Uma função orientadora. Ensinar exige estética e ética. mediante processos dinâmicos. Ensinar exige bom senso. Assim. O reconhecimento de ser condicionado... pois vê nessa interação um processo de intercâmbio de conhecimentos. pois ele deve aproveitar a curiosidade natural do educando para despertar o seu interesse e mobilizar seus esquemas cognitivos (esquemas operativos de pensamento). que atua diretamente na formação da personalidade. o professor não apenas transmite conhecimentos. idéias.. que se ajusta e se reajusta. tende a valorizar ainda mais a relação professor-aluno. durante sua intervenção em sala de aula e por meio de sua interação com a classe. NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO Ensinar exige consciência do inacabamento. ele é um educador. e consciente ou inconscientemente. que atualiza suas possibilidades. pois sua personalidade é norteada por valores e princípios de vida.. De acordo com nossa concepção.... Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos. Didática do Ensino Superior . valores e princípios de vida (elementos da esfera afetiva). Exige a corporeificação da palavra pelo exemplo. ao interagir com cada aluno em particular e ao se relacionar com a classe como um todo.41   Uma função incentivadora e energizante. Mas o professor deve ter bem claro que. Cabe ao professor.. aceitação do novo e rejeição a discriminação... tolerância e luta em defesa dos direitos.. Respeito à autonomia do ser do educando... o educando é “uma pessoa que se desenvolve. 4. Ensinar exige apreensão da realidade. a um saber organizado e preciso. mas também facilita a veiculação de idéias.. conceitos e idéias (aspecto cognitivo). 2. contribuindo para a formação da personalidade do educando.. pois deve orientar o esforço do aluno para aprender.. ajudar o aluno a transformar sua curiosidade em esforço cognitivo e a passar de um conhecimento confuso... manifestando-os a seus alunos.. A convicção de que a mudança é possível. Risco. fragmentado. ideais e valores. antes de ser um professor. orientados por valores que lhe conferem individualidade e prospectividade”.. Ensinar exige alegria e esperança. em forma de informações.. ajudando-o a construir seu próprio conhecimento.. Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática.

Rumo a ciclos de aprendizagem. Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas.. o sentido do trabalho escolar e desenvolver no aluno a capacidade de auto-avaliação. Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos a aprendizagem. Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino Estabelecer laços com as teorias subjacentes as atividades de aprendizagem. Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mutuo. ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto. os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem. Envolver os alunos em atividades de pesquisa.. É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA Segurança... explicitar a relação com o saber. ORGANIZAR E DIRIGIR SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM  Conhecer.. Ensinar exige saber escutar. para determinada disciplina. Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.. 4. ENVOLVER OS ALUNOS EM SUAS APRENDIZAGENS E EM SEU TRABALHO Suscitar o desejo de aprender. em projetos de conhecimento. Compreender que a educação é uma forma de Intervenção no mundo . Ensinar exige comprometimento. trabalhar com alunos portadores de grandes necessidades. 2. Didática do Ensino Superior . Ensinar exige tomada consciente de decisões. Ensinar exige liberdade e autoridade. competência e generosidade. Instituir um conselho de alunos e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos.. 4.. 3. Fornecer apoio integrado. ADMINISTRAR A PROGRESSAO DAS APRENDIZAGENS Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e as possibilidades dos alunos. Abrir...4 Competências para ensinar Philippe Perrenoud 10 Novas Competências para Ensinar 1.                  Trabalhar a partir das representações dos alunos..... Disponibilidade para o diálogo. Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem. Ensinar exige querer bem aos educandos.. de acordo com uma abordagem formativa. CONCEBER E FAZER EVOLUIR OS DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃO Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma.42           Ensinar exige curiosidade.. Reconhecer que a educação é ideológica. 3... Uma dupla construção.

Envolver os pais na construção dos saberes. a solidariedade e o sentimento de justiça. Coordenar. no âmbito da escola. Dirigir um grupo de trabalho. Utilizar editores de texto. Participar da criação de regras de vida comum referente à disciplina na escola. 5. Utilizar as ferramentas multimídia no ensino. Fazer entrevistas. INFORMAR E ENVOLVER OS PAIS Dirigir reuniões de informações e de debate. Desenvolver o senso de responsabilidade. Competências fundamentadas em uma cultura tecnológica. Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas praticas e problemas profissionais. Analisar a relação pedagógica. dirigir uma escola com todos os seus parceiros. representações comuns. Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais. 7. Dilemas e competências. a participação dos alunos. Didática do Ensino Superior .43                              Oferecer atividades opcionais de formação. Administrar os recursos da escola. Saber explicitar as próprias praticas. UTILIZAR NOVAS TECNOLOGIAS A informática na escola uma disciplina como qualquer outra. Comunicar-se a distancia por meio da telemática. 8. Explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino. 9. 10. a autoridade e a comunicação em aula.. Formar e renovar uma equipe pedagógica. Organizar e fazer evoluir. TRABALHAR EM EQUIPE Elaborar um projeto em equipe. PARTICIPAR DA ADMINISTRAÇÃO DA ESCOLA Elaborar. Administrar crises ou conflitos interpessoais. as sanções e a apreciação da conduta. negociar um projeto da instituição. conduzir reuniões. Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno. 6.. Competências para trabalhar em ciclos de aprendizagem. ENFRENTAR OS DEVERES E OS DILEMAS ETICOS DA PROFISSAO Prevenir a violência na escola e fora dela. étnicas e sociais. ADMINISTRAR SUA PROPRIA FORMAÇÃO CONTINUA. Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação continua.

o professor.Com o tempo. A didática pode ser definida como a “capacidade de tomar decisões acertadas sobre o que e como ensinar. Pedagógico – apresenta compromissos com o sentido sócio-moral da aprendizagem do educando visando não só a transmissão de conhecimentos.5 Didática A palavra Didática.sem a preocupação com valores sócio-morais. A didática ajuda a tomar decisões sobre a educação. Perrenoud Philippe. Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou do sistema educativo. do ensino. de educar e de aprender. críticos. vez. 2000. da intuição do professor. o ensino. A Didática busca eficiência no processo ensino-aprendizagem para que se possa obter aprendizagens significativas com menos esforços e em menos tempo. da política educacional. A Didática deve questionar por que educar. Esta palavra foi empregada pela 1a. do professor. aprendizagens. que quer dizer arte de ensinar. das disciplinas e conteúdos. escola. o que ensinar . a quem ensinar. A didática deve ser uma disciplina altamente questionadora da realidade educacional. as disciplinas. da escola. vinculado ao de Educação. sente necessidade constante de se perguntar o que é o homem. tendo em vista orientá-lo à atingir um estado de maturidade que lhe permita desvendar a realidade de maneira consciente.44     Negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe. eficientes e responsáveis. como ensinar e com que ensinar. por isso. considerando quem são os nossos alunos e porque o fazemos. eficiente . 4. a palavra Didática foi consagrada em 1657 quando João Amos Comenius lançou a famosa obra “ Didática Magna ”. responsável para na mesma atuar como um cidadão participante . A Didática é uma ciência dimensionada para o humano. o educando. Ser agente do sistema de formação continua. pode ser conceituado da seguinte forma: Didática é o estudo do conjunto de recursos que tem como objetivo dirigir a aprendizagem do educando. os conteúdos. A Didática primeiramente significou arte de ensinar. da realidade cultural. Tradução Patrícia Chittoni Ramos.os métodos e técnicas e sobre a comunidade escolar. A didática pretende orientar o agir do professor e do aluno na sua ação de ensinar. a Didática passou a ser conceituada como ciência e arte de ensinar. em seu livro “Principais aforismos Didáticos”. Acolher a formação dos colegas e participar dela. O objeto da didática é o ensino que se propõe estabelecer os princípios para orientar a aprendizagem com segurança e eficiência. rede). A didática objetiva resultados. mudanças significativas de comportamento. quando ensinar. E como arte. Didática pode ser compreendida em dois sentidos: 1. a Didática dependia muito do jeito de ensinar. porém. O conceito de Didática. ARTMED. vem do Grego Didaktiké. 2. com sentido de ensinar em 1629 por Ratre. Amplo – preocupa-se com os procedimentos que orientam o educando a aprender algo. da aprendizagem. 10 Competências para ensinar. mas sobretudo a formação de cidadãos conscientes. Didática do Ensino Superior . . da metodologia. Considerando ainda quando e onde e com que se ensina”. criativos. por que ensinar. para que se possa obter respostas para saber como ensinar.

onde cada indivíduo era tratado e respeitado como um todo –ser individual e social. ou seja. No ensino sempre se estabelecem certas prioridades. Inter/Disciplinar/ Idade: Deriva da palavra primitiva disciplinar ( que diz respeito a disciplina ) . ver o todo e as partes. por prefixação ( inter-ação: recíproca comum ) e sufixação (dade: qualidade. para melhor compreender a realidade. visando propiciar aos alunos a melhor aprendizagem. A escola.” Didática do Ensino Superior . mas também do futuro. ao aluno. é necessário que os professores tenham bem claro o que seja um trabalho interdisciplinar. onde o aluno abre “portas” e “janelas “ em seu cérebro.6 A interdisciplinaridade A sociedade é produto da evolução do homem e de seus relacionamentos. 4. Os procedimentos didáticos devem estar intimamente relacionados com o objetivo do ensino. Quem planeja o ensino deve partir de uma análise dos objetivos. fragmentando e/ou impedindo a construção de um saber integral. para sobreviver. a sociedade dividiu-se em classes. com ênfase na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais. A interdisciplinaridade apresenta-se como uma forma de permitir ao aluno visão global da realidade. Significa também “Matéria (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo ) tratada didaticamente. dos conteúdos. enquanto os seus professores só se preocupam com uma parcela do conhecimento – o seu saber específico. O professor deve ser capaz de selecionar adequadamente um método didático e organizar todos os procedimentos e técnicas. Para atingi-las. Originalmente significa submissão ou subordinação a um regulamento superior.. Houve uma época em que. espaço institucionalizado. Para que isto ocorra .45 O que ensinar. formando grupos coesos. tentando captar tudo. dividindo os conteúdos. como instituição social . A escola. entre os que planejam e os que executam”. os homens se uniram. Será que o professor sabe realmente por que ensinar cada disciplina. habilidade que requer conhecimentos e uma grande visão. traz para seu fazer essa dicotomia: discriminando uns e reforçando outros . inter-relacionado. Quando ensinar. nos diversos campos do conhecimento. Disciplina refere-se à ordem conveniente. integral. Ora. não só do presente. conceituando-os com clareza. tornando-se bem forte a diferença entre dois grupos: “entre os que pensam e os que fazem. ou determinado conteúdo? O que se pretende com a educação e com o ensino ? Será que o aluno sabe e entende por que está estudando? E os pais sabem por que mandam os filhos à escola? Quais são os reais objetivos do ensino. O melhor procedimento é aquele que atende as características individuais ou grupais. destinado à ( re ) construção do saber socialmente produzido e sistematizado. Por que ensinar. não permite o aprimoramento. tem que encontrar uma forma de quebrar a dicotomia e permitir. por que ensinar algo? Como ensinar. com os conteúdos a serem ensinados e com as características e habilidades dos alunos. dos procedimentos e de todas as possibilidades humanas e materiais que o ambiente escolar pode oferecer em termos de meios a empregar no processo ensino-aprendizagem. A didática pode oferecer perspectivas e ajudar a escolher o que ensinar para que o aluno aprenda como aprender. Com que ensinar. traçam-se estratégias que dirigem toda a ação. a visão do todo. o homem é um ser inteiro. Com o advento do capitalismo e da tecnologia. Para discutirmos o tema “interdisciplinaridade” . se esfacelado. começaremos pela compreensão de alguns termos específicos. estado ou resultado da ação) . a um funcionamento regular. O pensar.

desenvolver atitude de busca. participação. a administração participativa e a metodologia participativa. Pluridisciplinar . com menor fragmentação. construção. trabalho de equipe (parceria. com livre trânsito de um campo de saber para outro. vamos analisar os diversos tipos de composição curricular: Multidisciplinar – modelo fragmentado em que há justaposição de disciplinas diversas. causas. a interação. formando-se áreas de estudo com conteúdos afins ou coordenação de área. não só quanto a conteúdos.6. de transformação. De posse desses conceitos básicos . investigação e descoberta. a curiosidade e a autonomia na construção do conhecimento ( estabelecendo rede de significação interdisciplinar ). criativa. a comunicação existente entre as disciplinas e buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo . como o exército. sentir-se “parte do universo e um universo à parte” . 4. interessando-se por suas origens. frisando a interdependência. Para que este novo papel social da educação se cumpra. crítica. sua humildade. fragmentado e centralizador de administração e de produção do saber.46 É uma palavra muito presente em instituições. O segundo passo rumo à operacionalização do currículo interdisciplinar é. postura por parte dos educadores:      perceber-se interdisciplinar. mas também quanto à maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular. resgatar sua própria inteireza. historicizar e contextualizar os conteúdos ( resgatar a memória dos acontecimentos. sem relação aparente entre si . metodologias e atividades. aprender a ler jornal e a discutir as notícias ). entre outros. consciente ) . é preciso rever o funcionamento da escola. valorizar o trabalho em parceria. grande preocupação dos administradores escolares hoje.quando se justapõem disciplinas mais ou menos vizinhas nos domínios do conhecimento. como: a auto-expressão ( livre. Uma prática escolar interdisciplinar tem algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou “vistas” para uma transformação curricular e que exige mudança de atitude. estabelecendo pontos de contatos entre as diversas disciplinas do currículo. Interdisciplinar – com nova concepção de divisão do saber. pois. quanto ao tratamento didático que deve ser dado a cada matéria escolar. cooperação) e currículo interdisciplinar – todos estes mecanismos que superam o modelo individualista. definir uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar. de pesquisa. conseqüências e significações. procedimento. a auto-valorização ( reconhecimento da própria dignidade ) . colaboração ) . será alcançada via gestão participativa. a co-responsabilidade ( iniciativa. seja ideológico ( que tipo de homens queremos formar) psicopedagógica ( que teoria de Didática do Ensino Superior .1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar O primeiro passo rumo à nova proposta é a mudança do paradigma de escola e da postura dos professores. que valorizam a disciplina na formação de seu pessoal. A utilização desta mesma palavra para denominar os conteúdos escolares refere-se tanto à necessidade de submeter-se à mente a mesma ordem que controla o corpo dos educandos. A qualidade da educação. a fábrica e a Igreja. integrada ( tanto o corpo docente como o corpo discente ) . em equipe interdisciplinar. Transdisciplinar – quando há coordenação de todas as disciplinas num sistema lógico de conhecimentos.

assim. a concepção que o professor tem da aprendizagem. de seu papel nele. começando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas. ciência e realidade cotidiana fora da estrutura escolar. de profissionalização de aprendizagem.47 aprendizagem fundamenta o trabalho escolar ) . um tempo. resgatar o sentido do humano. evitando repetições inúteis e cansativos) . que realizei com alunos do curso de licenciatura da Faculdade de Educação da USP. Reflexões de uma equipe interdisciplinar. a criatividade. A importância de discutir e debater a “aula na universidade” advém do fato de ela constituir uma situação. Por essas razões. da autonomia e da centralização decisória na escola) . para citar alguns. Referência: GOULART. 1995). A forma como se der a interação desses três elementos ( professor. perguntando-se a todo momento : “o que há de profundamente humano neste novo conteúdo ?” ou “em que este conteúdo contribui para que os alunos se tornem mais humanos ? ” . remuneração. pesquisa. o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade. seguramente. responsabilidade social da universidade. trabalhar com a pedagogia de projetos. e estimula a iniciativa. a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo interdisciplinar. Didática do Ensino Superior .1995.. indicará as diretrizes políticas e educacionais tanto do MEC quanto da instituição concreta onde essa aula se realiza. 5 O PLANEJAMENTO E A ORGANIZAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE 5. que elimina a artificialidade da escola. Iris Barbosa ( org. diretrizes.1 A aula na universidade Tratar da ”aula na universidade” parece uma questão menor diante dos grandes problemas que afetam o ensino superior brasileiro: políticas. gratuidade. programa) revelará. ou seja.) A educação na perspectiva construtivista. vejo relevância em abordar esse tema da forma mais interrogativa e investigadora possível. Desenvolver projetos na escola é. em que está presente todos aqueles problemas. um espaço.ou relacional ( como são as relações interpessoais. nas ações e interações de professores-alunos-programa no dia-a-dia. do papel que cabe ao aluno. iniciando-se assim. acesso ao ensino superior. a aula é sim um pequeno mundo onde. modelos de estruturas universitárias etc. enriquecendo-os ou “enxugando-os “. custos. uma real revisão curricular. (Masetto. de sua competência pedagógica e política. a questão do poder. dinamizar a coordenação de área ( trabalho integrado com conteúdos afins. capacitação e condições de trabalho dos docentes. um ambiente. Petrópolis. qualidade do ensino. atualizando-os. Aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas. analisando e refazendo os programas em conjunto. investimentos. concretizados na interação educativa de professores e alunos que desenvolvem um programa de formação. discutindo menos como acontecem as aulas e mais como poderão acontecer de uma perspectiva eminentemente educacional. a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser. a cooperação e a coresponsabilidade. realiza-se a educação de nossos educandos e educadores. aproximando-a da vida real. A discussão desse assunto tomou para mim um interesse particular a partir de uma pesquisa.    Realiza-se. desvelará maneiras de integrar teoria e prática.RJ : Vozes. por exemplo. aluno. de sua visão de mundo e da sociedade contemporânea.

o trabalho em equipe. buscando pistas que fizessem com que os alunos superassem aquela sensação de que as aulas são inúteis e uma perda de tempo e com que os professores se sentissem gratificados ao realizar a docência e esta não lhes fosse um fardo e fonte de tantas frustrações. e precisa ser estudada. características dos professores que vão além do domínio do Didática do Ensino Superior . O estudo de alguns resultados dessa pesquisa levou-me a refletir sobre o significado do espaço “sala de aula”. as características de professores que foram marcantes para eles em seu período de formação. como nos grupos humanos fora da universidade. E vamos precisar aprender a viver com essas pessoas. Todas as características que apontam claramente para uma convivência humana no processo de ensino-aprendizagem. integração e complexidade – e assim são tratados.funciona como um espaço aberto que se impregna de fatos. Essa vivência e essa aprendizagem com os outros colegas em aula não costumam ser valorizados nem trabalhados por professores e alunos. conflitos. Aula como vivência quer dizer aula como vida. com elas aprender a construir conhecimentos e fazer ciência. eram abertos à crítica. que ainda não descobriram a riqueza desse intercâmbio. Investigando com professores de hoje. a buscar informações. a relação do conhecimento com a experiência. refletida e debatida por esse grupo. leva para a realidade extraclasse as reflexões. Talvez aqui se encontre a pedra de toque dessas reflexões. o estudo. acontecimentos. Acostumados por demais a ver nossas aulas como espaço físico. antes de mais nada. somos um grupo de pessoas que estão se reunindo durante uma grande parte de nossas vidas para buscar algo de muita importância para nós. pesquisas. com a realidade profissional e com as necessidades dos alunos. valorizando as ações participativas. os estudos. A aula acontece num movimento de mão dupla: recebe a realidade. professores e alunos é um grupo com características próprias. de vida de profissão. amizade. ensinavam a pensar. teorias que estão agitando o meio em que vivem alunos e professores. A sala de aula – vivência. É o vivo. paixão pela docência. a pesquisar. o atual presentes nessa ação educativa. ex-alunos universitários. a explicitação das expectativas e necessidades dos alunos. Esta aula traz o dia-a-dia para a sala. como realidade. as propostas das ciências a respeito dessa mesma realidade. Pesquisas indicam depoimentos de alunos que salientam as estratégias integradoras do grupo como importantes para a aprendizagem e o relacionamento de professores e aluno. formado por alunos e professores que existem historicamente. porque é real e desafiadora. cultura. prioridades. a demonstração de confiança no aluno e em sua responsabilidade pela aprendizagem como fatores fundamentais para fortalecer a convivência. Seus assuntos e temas se revestem das mesmas características da realidade – globalidade. encontram certa unanimidade de respostas: tinham respeito pelo aluno. A nossa experiência tem sido a de aprender apenas com nossos professores numa relação individual e de dependência em relação a eles. nós nos demos conta de que. O grupo classe. Permite aos alunos desenvolver uma visão crítica acerca dos problemas econômicos e sociais da atualidade e a pensar sua própria atuação profissional nas condições da realidade brasileira. etc. com visões de mundo. trabalha-a com a ciência e permite um retorno a ela com nova perspectiva para sua transformação. Essa realidade está diretamente integrada ao grupo classe. Aula como convivência humana. A aula como espaço que favoreça e estimule a discussão. a pesquisa e o debate.48 Essa pesquisa procurou identificar condições facilitadoras de aprendizagem em sala de aula de 3º grau. dialogar e trabalhar com elas. o científico. “aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas?”. dialogavam. tinham honestidade intelectual. onde predomina uma grande heterogeneidade. Mas o que quer dizer essa expressão. Ela permite aplicações práticas. estudos análises. Essa aula passa a ser interessante e motivadora para alunos e professores.

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conhecimento específico de determinada matéria, qualidade imprescindível para um professor, mas insuficiente para educar seus alunos para a vida. Dois filmes, relativamente atuais, que demonstram bem o significado desse aspecto de convivência humana como elemento básico de formação e educação para professores e alunos: Sociedade dos poetas mortos e Admirável professor, que me abstenho de comentar, dada sua divulgação e dado o fácil acesso a eles. A aula como espaço de relações pedagógicas. O encontro desse grupo humano formado de professores e alunos em uma escola tem objetivos educacionais bem definidos. Visa á aprendizagem na área do conhecimento: adquirir informações relacioná-las, contrapô-las a outras, criticá-las, reconstruir o próprio conhecimento, buscar novas informações, sintetizar e tirar conclusões, generalizar etc. A aprendizagem na área de habilidades humanas e profissionais visa aprender a pesquisar, a trabalhar em equipe, comunicar-se com diferentes públicos, relacionar-se com clientes, entrevistar pessoas, aprender a aprender, dominar línguas estrangeiras e recursos oferecidos pela informática. Além dessas, todas aquelas que são específicas de cada profissional e que caberá aos docentes do curso identificar para serem trabalhadas e desenvolvidas. Na área de atitudes e valores, visa o desenvolvimento da consciência da cidadania e de seu compromisso com ela, à discussão dos valores atuais e emergentes, aprendendo a fazer opções e tomar posição diante deles, á valorização da pesquisa e da produção do conhecimento, ao desenvolvimento de uma atitude crítica diante do exercício de sua profissão na sociedade brasileira contemporânea. Queremos chamar a atenção para o fato de que, se a aula na universidade existe para que se adquiram informações e conhecimentos, existe também e principalmente para outros objetivos que no momento parecem estar esquecidos. Sua ausência explica grandemente o desinteresse dos alunos, e sua presença devolveria o interesse e a motivação por ela. Essa concepção de aula traz consigo a modificação da postura do professor de “ensinante” para “estar com”; de transmissor para parceiro de troca, por meio de uma ação conjunta do grupo. Sala de aula: trabalho em equipe, que se explicita na revisão do programa da disciplina ou da matéria encaixando a vida, o concreto, o real, as expectativas, os interesses e os problemas dos aprendizes com a especificidade da disciplina. Nela as estratégias são selecionadas visando à formação do cidadão, do profissional, do pesquisador, favorecendo a iniciativa, a criatividade e a participação no processo. A avaliação é pensada como um feedback relacionado a todos os objetivos educacionais e não apenas àqueles de ordem cognitiva. Essa aula pode se transformar num instante inovador na vida de seus participantes, quando contradições se apresentam, evidências antigas são destruídas e novas, construídas. O professor Rualdo (1996), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, escrevendo sobre a melhoria do ensino e capacitação docente, faz uma reflexão sobre a sala de aula na qual discute a situação mais comumente encontrada de ver aquele espaço como oportunidade de passar conhecimentos versus outra em que pensar, refletir, reconstruir o conhecimento, trabalhar na biblioteca e em laboratórios e pesquisar passa, a ser as atividades rotineiras. Defendendo o contexto da sala de aula como um espaço multifacetado, professor Rualdo destaca, para o nosso debate, os seguintes pontos:    a sala de aula como local de crescimento pessoal e interpessoal; a busca de experiências significativas; a sala de aula como local de incentivo á descoberta: o conhecimento como construção/ aventura. a sala de aula como local de desenvolvimento de capacidade de raciocínio; a busca da habilidade de pensar sobre si mesmo.

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 a sala de aula como local de desenvolvimento da compreensão ética: o professor como modelo de integridade profissional.

Autor: Marcos T. Masetto Fonte; In: FAZENDA, Ivani (org). Didática e Interdisciplinaridade. Campinas-SP, 1998,( p.179-191)

5.2 Planejamento de ensino
Texto organizado por Clemência Maia Vital Mestre e Doutora em Educação. Para buscar respostas plausíveis aos desafios que essa nova educação impõe, o educador deve organizar-se buscando quatro aprendizagens essenciais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo sua bússola segura: essas aprendizagens seriam:  Aprender a conhecer. Isto é, adquirir as competências para a compreensão, incluindo o domínio dos próprios instrumentos de conhecimento. Em síntese, quem aprende a conhecer aprende a aprender, e essa aprendizagem é absolutamente essencial para as relações interpessoais, as capacidades profissionais e os fundamentos de uma vida digna. Essa primeira aprendizagem seria uma palavra de ordem que dá um basta à aprendizagem dos saberes inúteis que entulham nossos currículos e também o fim de uma visão de que o ensino deve estar restrito a certo número de horas por dia e de certo número de anos para sua conclusão. Em seu lugar devem imperar habilidades para se construir conhecimentos, exercitando os pensamentos, atenção e a memória, selecionando as informações que efetivamente possam ser contextualizadas com a realidade que se vive e capazes de serem expressas através de linguagens diferentes; Aprender a fazer. Embora quem aprenda a conhecer já esteja aprendendo a fazer, essa segunda aprendizagem enfatiza a questão da formação profissional e o preparo para o mundo do trabalho. Que não se entenda aqui que o tema possa se referir ao Ensino Técnico ou algo similar, mas sim que a escola, desde a educação infantil, ressalte a importância de se pôr em prática os conhecimentos significativos ao trabalho futuro. Aprender a fazer, portanto, não pode continuar significando “preparar alguém para uma tarefa determinada” , mas sim despertar e estimular a criatividade para que se descubra o valor construtivo do trabalho, sua importância com forma de comunicação entre o homem e a sociedade, seus meios como ferramentas de cooperação e para que transforme o progresso do conhecimento em novos empreendimentos e em novos empregos”; Aprender a viver juntos, viver com os outros. Para que isso possa verdadeiramente acontecer é essencial que os professores tenham coragem de desvestir a escola de sua fisionomia de quartel e deixar de ser um disfarçado campo de competições para, aos poucos, ir se transformando em um verdadeiro centro de descoberta do outro e também um espaço estimulador de projetos solidários e cooperativos, identificados pela busca de objetivos comuns. Essa missão é bem mais difícil de ser começada do que ser concluída e em diferentes pontos e lugares existem experiências extraordinárias da descoberta do outro a partir da descoberta de si mesmo. Os caminhos do autoconhecimento e da autoestima são os mesmos da solidariedade e da compreensão; Aprender a ser. Ouve um tempo na educação grega em que era quase impossível pensar na mente sem que se pensasse também no corpo. Essa visão holística e integral do homem, tempos depois, foi sendo devorada por uma concepção divisionária da educação, onde os atributos do corpo somente deveriam ser perseguidos pelos limitados em sua mente. Aprender a ser retoma a idéia de que todo ser humano deve ser preparado inteiramente – espírito e corpo, inteligência e sensibilidade, sentido estético e responsabilidade pessoal, ética e espiritualidade – para elaborar pensamentos autônomos críticos e também para formular os próprios juízos de valores, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir em diferentes circunstâncias da vida. Didática do Ensino Superior

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Evidente que os argumentos são sedutores, mas também é natural que surja no professor uma respeitável dúvida quanto a sua prática. Não seriam os pilares da educação propostos nesse relatório apenas “palavras vazias”, objetivas retóricos, discursos distantes do cotidiano em uma sala de aula? A resposta é não e o próprio relatório Educação – Um tesouro a descobrir já apresenta alguns caminhos. Outros são propostos por Perrenoud. Os conteúdos a serem trabalhados na formação dos sujeitos podem ser classificados em três grandes categorias, a saber:    Conceituais: relativos a informações, fatos, conceitos, imagens, etc. Procedimentais: habilidades, hábitos, aptidões, procedimentos, etc. Atitudinais: disposições, interesses, posturas, atitudes, etc.

A aprendizagem de conceitos e princípios1 Conteúdos conceituais:  Os conceitos se referem ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero, densidade, impressionismo, romantismo, sujeito, cidade, cambalhota,...); Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto ou situação em relação a outros fatos, objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes, as normas ou regras de uma corrente literárias,...). Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento, de fazê-la mais significativa. As condições para a aprendizagem são: o o o o Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais, proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações, ou para a construção de outras idéias.

 

Os conteúdos procedimentais:     Um conteúdo procedimental inclui, entre outras coisas, as regras, técnicas, os métodos, as destrezas ou habilidades, as estratégias, os procedimentos - um conjunto de ações ordenadas e com um fim, ou seja, dirigidas para a realização de um objetivo. Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma, pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso, sendo, então, imprescindível conhecer o conteúdo.

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ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. Didática do Ensino Superior

Como a aprendizagem é um processo dinâmico. para colocar o aluno em contato direto com coisas. isto é. Consideramos procedimentos de ensino as “ações. sendo. imprescindível conhecer o conteúdo. ou se fará um trabalho com texto.52    A aplicação.3 Estratégias de ensino aprendizagem O termo estratégia de ensino é empregado para designar os procedimentos e recursos didáticos a serem utilizados para atingir os objetivos desejados e previstos. ou se utilizará jogos educativos. ou se aplicará um estudo dirigido. o respeito. É a partir dos objetivos propostos para o ensino que se escolhem os procedimentos de ensino e se organizam as experiências de aprendizagem mais adequadas. 5. e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento. sente e atua de uma forma mais ou menos constante. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma. desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. ela só ocorre quando o aluno realiza algum tipo de atividade. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros. processos ou comportamentos planejados pelo professor. Engloba uma série de conteúdos que tratam de:  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. A aplicação. como a solidariedade. que se definem as formas de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento. então. Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutores ( ações e declarações de intenção). Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. sua escolha e aplicação dependem dos objetivos estabelecidos. Conteúdos atitudinais: Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências). podendo ser voluntária ou forçada. a partir desses critérios básicos. São exemplos: cooperar. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo.  Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. o professor fará em sua aula uma exposição dialogada. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. enfim. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la. Didática do Ensino Superior . ou se fará um trabalho em grupo. Portanto. de acordo com valores determinados. enfim. Refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso. e participar das atividades. em função dos objetivos previstos” Turra.126 Portanto. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos. Além do mais. fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta. a responsabilidade e a liberdade.  Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. é a partir desses aspectos que se estabelece o como ensinar. os procedimentos de ensino dizem respeito às formas de intervenção na sala de aula. Ou seja.p.

estabelecer relações. por tarefas que exijam dos alunos a execução de operações mentais. Cabe ao professor. ao planejar uma unidade didática. propor hipóteses. as tarefas mecânicas que apelam para a repetição e a memorização. o professor deve prever e determinar as operações mentais que serão realizadas pelos alunos. como pensamento reflexivo. se o aluno puder construir o objeto do ensino por meio de sua atividade mental. redigir. criando condições para que eles se mantenham numa atitude reflexiva. nas aulas. classificar. Didática do Ensino Superior . isto é. vivências e conhecimentos anteriores dos alunos. O procedimento didático mais adequado. observar. mas antes de tudo como ação interiorizada. estimular os esquemas mentais dos alunos. comparar. induzir. No entanto. à aprendizagem de um determinado conteúdo é aquele que ajuda o aluno a incorporar os novos conhecimentos de forma ativa. Nessa perspectiva. existem dois princípios pedagógicos fundamentais que devem ser postos em prática. construir. conceituar. refletir. criando condições para que eles construam o conhecimento através de sua própria atividade. ouvir. qualquer que seja o procedimento de ensino adotado. Por isso. provar. A aprendizagem será mais significativa se o ensino partir das experiências. assimilação e fixação. justificar e criar. isto é. pois aprender é agir e operar mentalmente é pensar. que concebe o conhecimento como uma redescoberta e uma reconstrução por meio da atividade do educando. garantindo uma aprendizagem mais duradoura. dialogando e dando explicações claras. Desses princípios podemos extrair algumas normas didáticas que podem nortear o trabalho docente. Por isso. Os esquemas de ação são a base dos esquemas operatórios. mais significativa e duradoura. ao aluno cabe manipular. seriar. é preciso substituir. ordenar. para facilitar sua compreensão. criando condições para que a pesquisa. situar fatos no tempo e no espaço. O professor pode utilizar os mais variados procedimentos de ensino e oferecer aos seus alunos as mais diversas experiências de aprendizagem. analisar. e para desenvolver habilidades operatórias. a função do professor é coordenar e facilitar o processo de reconstrução do conhecimento por parte do aluno:    apresentando situações desafiadoras que acionem os esquemas operatórios de pensamento.53 A aprendizagem ocorre quando o aluno participa ativamente do processo de reconstrução do conhecimento. Para que a aprendizagem se torna mais efetiva. física. a manipulação e a experimentação se realizem. São eles:   A aprendizagem será mais eficiente. ler. independentemente dos procedimentos adotados. São elas:  Incentivar sempre a participação dos alunos. Por sua vez. a aprendizagem supõe atividade mental. permitir que o aluno aplique seus esquemas mentais ao conteúdo a ser aprendido. compreensiva e construtiva. experimentar. tem dois objetivos básicos:   estimular as estruturas e os esquemas mentais do aluno. sintetizar. aplicando seus esquemas operatórios de pensamento aos conteúdos estudados. Uma didática operatória baseada no construtivismo cognitivo de Jean Piaget. estimulando o pensamento operatório. e ambos formam as estruturas mentais do indivíduo. independente dos procedimentos de ensino que usa e dos métodos que aplica. deduzir. E atividade aqui é entendida não apenas como ação efetiva. fazer estimativas. perguntar. conceituar. contribuindo para o desenvolvimento do pensamento operatório. como operação mental. enunciar conclusões. falar.

para fornecer informação e esclarecer conceitos. Painel Simpósio. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. Grupos de verbalização e Tempestade cerebral.3. nas mais variadas situações.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas OBJETIVO EDUCATIVO Possibilitar aos alunos numa classe numerosa ocasião de participar. TÉCNICAS ADEQUADAS Phillips 66 Díade Grupos de cochicho Times de observação Aprofundar a discussão de um tema ou problema. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. 5. por intermédio da avaliação contínua. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso. Desenvolver capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. Verificar constantemente. organizar o processo ensino-aprendizagem. Grupos de observação. Conseguir que todos os participantes expressem as suas opiniões. ou procedimentos de ensino e que são muitas vezes denominados de estratégias. A prática pedagógica deve ser analisada e repensada continuamente pela reflexão. Apresentar diversos aspectos de um mesmo tema ou problema. mas toda uma teoria que a sustenta. deve refletir sobre a melhor forma de ajudar seus alunos no processo de reconstrução do conhecimento e sobre a eficácia de sua ação didática. chegando a conclusões(consenso). com alto grau de originalidade e desinibição. expressa nos resultados da avaliação do aproveitamento do aluno. Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. ou expressando opiniões e posições. Por isso. A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimento metodológico. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino. para que eles possam associar os novos conteúdos assimilados às suas vivências significativas. Estudar e analisar um tema por um pequeno grupo de pessoas interessadas. Pergunta circular.54     Aproveitar as experiências anteriores dos alunos. relacionando-os com os objetivos. se o aluno assimilou e compreendeu o conteúdo desenvolvido. Didática do Ensino Superior . Grupos pequenos. quer formulando respostas e perguntas. Oferecer ao aluno oportunidade de transferir e aplicar o conhecimento aprendido a casos concretos e particulares. Produzir grande quantidade de idéias em prazo curto. integração. A metodologia refere-se ao “como” do processo de ensino. Adequar o conteúdo e a linguagem ao nível de desenvolvimento cognitivo da classe. O professor deve ter perante a didática uma atitude crítica.

adquirindo habilidades de interpretação. sente. Diálogos sucessivos. as técnicas de dinâmica de grupo são indispensáveis no processo de ensinoaprendizagem. Desenvolver a capacidade analítica e preparar-se para saber enfrentar situações complexas. Investigar diversos aspectos de um problema e colocar resultados em comum. pois quanto mais o aluno fala. com ajuda de pessoas para consulta. a fim de chegar a uma tomada de e posição. mediante o estudo coletivo de situações reais ou fictícias. Reconhecer a diversidade de interpretações sobre um mesmo assunto. Estudo orientado em equipes. Dramatização Seminário. Será que nós professores concordamos com isso? Façamos agora uma reflexão coletiva das questões abaixo:     Qual o professor que marcou positivamente em minha vida de estudante? Por que? Qual as lembranças desagradáveis do período em que passei na escola? Quais os momentos mais agradáveis vividos? Qual o tipo de aula que mais gostei? E as que detestei? O resultado dessas respostas discutidas e socializadas. ou para trabalhar. Oficina ou Laboratório (“Workshop”). Aprender fazendo e resolvendo problemas com a intervenção de recursos humanos competentes e o benefício da discussão. Estudo de casos. análise e síntese.3. Aprender a trabalhar em equipes na solução de problemas. Desenvolver a empatia ou capacidade de desempenhar os papéis de outros e de analisar situações de conflito. Reflexão ou círculo de estudos. com certeza nos ajudará a valorizar uma aula dinâmica. quais são as funções das técnicas de dinâmica de grupo? Eis algumas para reflexão: Didática do Ensino Superior . Na prática de sala de aula. estudar. mais ele interioriza conceitos. Enfrentar pessoas com idéias opostas para que de sua confrontação surjam subsídios para orientar as opiniões. participativa e prazerosa. vê e participa de atividades. ouve.55 Meditar coletivamente sobre um tema importante. Desenvolver a capacidade de estudar um problema em Equipe. 5. Método de Projetos.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? A Dinâmica de Grupo estuda as interações (influências mútuas) entre as pessoas que estão juntas para divertir-se. de forma sistemática. Na escola. possibilitando interação e aprendizagem. Painel de oposição. Debate.

Dinâmica de Grupo se faz pela COMUNICAÇÃO. Uso de gravadores Estágios . descrever situações e adquirir conhecimentos e informações. Exame dos objetos reais (espécies) Escrever o que foi observado. incluindo revistas e folhetos. mas a cultura é do grupo”. Consultas bibliográficas.é que não era um grupo. Se aparece o bode expiatório.) Uso de meios de comunicação pública(jornais. etc. Auxílios audiovisuais (flanelógrafo . evidentemente .       5. Desenho de objetos. A Dinâmica de Grupo torna o conhecimento próprio de cada um de seus membros um patrimônio do grupo pela intensificação da COMUNICAÇÃO entre seus membros. daí a repetição que se observa nas diversas listas parciais. sendo que uma mesma atividade de ensino .56  O trabalho em grupo possibilita que o aluno participe com o máximo de suas potencialidades. animais . Levantamento de campo. Cópias de fax . promovendo um relacionamento profundo e autêntico. Entrevistas de pessoas. rádio. etc. pode servir para desenvolver diversas capacidades . construções etc. Correspondência . Comparação de objetos e fenômenos.3. pedras. Seminários .CAPACIDADE DE OBSERVAR Inclui as operações: Perceber a realidade. Coleção de insetos. binóculos Uso de câmaras fotográficas e de cinema .3 Lista de atividades de ensino Lista de atividades de ensino . xerox e internet . donde surge intensa solidariedade e afetividade. Instrução programada Manuseio de máquinas . Toda comunicação produz aprendizagens. como do ponto de vista da coerência.. catalogadas segundo o tipo de capacidade que mais provavelmente desenvolverá . O incentivo e a fidelidade ao grupo são forças muito mais poderosas para a produtividade que o prêmio e o castigo.. a ponto de dizer que “a especialidade é dos indivíduos. fazendo as pessoas trabalharem por prazer e não como uma obrigação. O trabalho em grupo cria o ESPÍRITO DE EQUIPE e a FIDELIDADE AO PROJETO comum. cinema ) Uso de instrumentos de observação: microscópio. álbum seriado . lupa. No grupo não há o bode expiatório (culpado pelo fracasso). lâminas . Censo de problemas em reunião. Didática do Ensino Superior . Concurso sobre quem observa mais detalhes numa situação. O trabalho em grupo derruba as barreiras individuais e destrói as MÁSCARAS.                   Excursão e visitas. TV. Sociograma (sociometria). partes vegetais. 1. Apostilas mimeografadas. pois põe em comum experiência diversa. Pesquisa de informação . tanto do ponto de vista da criatividade (originalidade). mas um bando. convites a especialistas para proferirem palestras Assistência a exposições e exibições . Transmissão de informação por vários receptores. Comitês de observação ou escuta. simpósios e painéis.

procura descrever quantitativamente o grau em que o aluno dominou Didática do Ensino Superior . interpretar segundo critérios vários.chaves . fenômenos. executar. discriminar elementos de um problema . extrapolar . deduzir. construir modelos. Diagnóstico de situações (plantas. botânica etc . fatores varáveis e parâmetros de uma situação. ) Estudo dirigido . construir.1. pesquisas . relações e partes de um todo . tomar 5. discutir valores . associar . Painel de oposição . muitas vezes. formular hipóteses . objetos Execução de análise ( química . Leitura individual supervisionada 3 – CAPACIDADE DE TEORIZAR Inclui as operações: Repensar a realidade .           Instrução programada . Projetos de pesquisa individual e grupal       Preparação de instrumentos de coletar dados (questionários etc ) Prática de entrevistas . distinguir pontos. Análise de projetos Recursos visuais: diagramas esquemas gráficos . 5 – CAPACIDADE DE APLICAR E TRANSFERIR O APRENDIDO Inclui as operações : Planejar. Leitura de relatórios de pesquisa Coleções : herbário . física .. generalizar . debater. Discussão dirigida pelo professor Painel de discussão . “Medir é o ato de colher informações. Zélia Domingues Mediana. Leitura de textos sobre pesquisa Leituras de jornais diversos . passos de uma seqüência ou processo . faz a seguinte distinção entre medir e avaliar. Reflexão individual ou em grupos Contato com estudiosos 4 – CAPACIDADE DE SINTETIZAR Inclui as operações : Julgar . 2 – CAPACIDADE DE ANALISAR Inclui as operacões : decompor objetos ou sistemas em elementos constitutivos. produzir.. avaliar . Redação Discussão em pequenos grupos . Simpósios Comparação de teorias. aulas expositivas. dirigir. em educação. miniaturas. enumerar qualidades e propriedades .4. realizar. explicar ou desenvolver conceitos e proposições . Pesquisa bibliográfica. grupos ) Estudos de caso . criticar . modelos . Construção de maquetes . Pergunta circular Julgamento de concursos e exibições .. pesquisar . predizer . é empregada como mensuração. apreciar . conferências . insetário etc .4 Avaliação do ensino 5. Reflexão . inferir. transpor e transformar . Estudo dirigido . palestras. resolver problemas . animais. organizar. O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. A medida.57  Redação de relatórios . decisões . levando em conta seu aspecto quantitativo numérico.

2. professores/as. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos. O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. 1.58 determinado objetivo. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem. trabalhos dissertativos. É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. que conduzam a melhoria da aprendizagem. 5. O professor não irá apresentar verdades. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. etc. segundo níveis de aproveitamento apresentados. etc. etc. a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras. já que é o sujeito da ação educativa. 3. de objetivos educacionais.. de um ambiente educativo. com a participação do aluno. recebem a atenção de quem avalia em função de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback). É integrada: não é isolada do ensino. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido. problematizar. inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. programas. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. p. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los. É continua: não é terminal. Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000. mas com o aluno irá investigar. precisos. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. de materiais didáticos. 2. testes. ”(1995 p. É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. como qualitativas. simples. durante o desenvolvimento das atividades escolares. formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. É progressiva: não é estanque. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. Didática do Ensino Superior .4.

em seu artigo 24. Apresentar solução para um problema. Estabelecer relações entre essas informações. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno).5. Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação.5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula 5. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos.. destacando os aspectos mais significativos.59 Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais.. semelhanças e diferenças. consideramos as seguintes: Planejamento de Ensino é:   “previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. recolher e tratar informações válidas. de modo a tornar o ensino seguro. econômico e eficiente”. Imaginar o que faria se. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes. Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências. No entanto. Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense. Resumir um texto. Didática do Ensino Superior . Comparar idéias ou processos. nº 9394/96.. selecionar. apresentando seu ponto de vista. A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito. p. inciso V. Interpretar um texto. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas. alínea “a”. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. buscando encontrar relações mútua. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo. Segundo Sacristán (2000. até porque exige do professor dedicação. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:             Detectar. “Previsão de situações específicas do professor com a classe”.1 Planejamento de ensino Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. planejamento de atividades. 5. Entretanto.

desde a primeira até a última. derivados dos fins a serem alcançados. gradualmente. Flávia Maria et al. objetivos e sintaticamente impecáveis. ed. CARACTERÍSTICAS DO BOM PLANO DE ENSINO Ricardo Nervi em La prática docente e seus fundamentos psico-pedagógicos. considera como características essenciais do bom plano de ensino: Coerência As atividades planejadas devem manter perfeita coesão entre si.restrição ou supressão . as sugestões devem ser inequívocas. vai:    delinear. maior produtividade”. de temas ocasionais. As indicações não podem ser objeto de dupla interpretação.60  “processo de tomada de decisões bem informadas que visam à racionalização das atividades do professor e do aluno. 2 SANT’ANNA. em conseqüência. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos. pode organizar três tipos de planos. possibilitando melhores resultados e. bem como permitir alteração . toda a ação a ser empreendida (Plano de Ensino ou de Curso). globalmente. p. Didática do Ensino Superior . de acordo com as necessidades e/ou interesses dos alunos. precisos. conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. 1996.2 OBJETOS DO PLANEJAMENTO DE ENSINO São objetivos do planejamento de ensino:     racionalizar as atividades educativas. as distintas atividades. 1969. disciplinar partes da ação pretendida no plano global (Plano de Unidade). de sua unidade e correlação dependerá o alcance dos objetivos propostos. verificar a marcha do processo educativo. na situação ensino-aprendizagem. Buenos Aires. Kapelusz. Por ordem de abrangência. especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (Plano de Aula). é considerada etapa obrigatória de todo trabalho docente. PLANO DE ENSINO É um instrumento de trabalho amplo. subtemas não previstos e questões que enriqueçam os conteúdos por desenvolver. de modo que nada fique jogado ao acaso. bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. Planejamento de Ensino e Avaliação.56-57. Sagra: De Luzzatto. Seqüência Deve existir uma linha ininterrupta que integre. Flexibilidade Deve permitir a inserção sobre a marcha. 11. assegurar um ensino efetivo e econômico. de modo que não se dispersem em distintas direções. PRECISÃO E OBJETIVIDADE Os enunciados devem ser claros. O professor. Porto Alegre. genérico. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. sintético que serve de marco de referência às operações de ensino-aprendizagem que se desencadearão durante o curso.dos elementos previstos. durante o período (ano ou semestre) letivo.

.......... Segundo Cols e Marti (1972)........ Horário:................... isto é... Os gerais serão alcançados no final do curso e os específicos no final de cada aula.......................... toda experiência nova deve relacionar-se e integrar-se com as experiências prévias dos alunos.................... Município:....... Para tanto................. METODOLOGIA Esse componente é que dará vida aos objetivos e conteúdos... os elementos que garantam uma seqüência coerente nas situações de ensino-aprendizagem....... as informações consideradas valiosas para o alcance dos objetivos......... o professor buscará selecionar os pontos fundamentais........ e em critérios psicológicos que traduzem o sentido que o conteúdo tem para o aluno......................................... CONTEÚDOS / UNIDADES No Plano de Curso. homem... Professorª: ........ EMENTA A ementa é um resumo do conteúdo a ser ministrado........... todos os componentes do plano estarão organizados dentro de uma linha que haja coerência................................ porque indica o que o professor e os alunos farão no desenrolar de uma aula ou conjunto de aulas..... OBJETIVOS Os objetivos do plano de curso devem ser formulados em termos gerais e específicos........... Carga horária:. ou de cada unidade............................. Período:..................................................... organizando-as em seqüência de aprendizagem............. a organização seqüencial dos conteúdos implica relacionamento dos temas selecionados...... Ao realizar esta previsão............................ O Plano de Ensino será elaborado a partir da concepção que se tem sobre educação........... entretanto......... Todo plano.......2 Como elaborar um plano de ensino Não existe uma forma rígida e ser seguida na elaboração de planos.... objetividade e flexibilidade para que seja efetivamente um instrumento para a ação do professor e do aluno.. descrevendo comportamentos que se esperam dos alunos............ Nossa sugestão é a seguinte: DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Toda situação particular requer a determinação de sua identidade...................... Deverá ser um guia de orientação que estabelecerá as diretrizes e os meios de realização do trabalho docente.... Para isso.......................... No caso do Plano de Ensino................... essa asserção também é verdadeira.............................................................. favorecendo o processo de aprendizagem.......... sociedade.... trimestre ou mês).. 5.............5............................................................ ensino e aprendizagem.61 O Plano de ensino é o pré-estabelecimento do trabalho a ser desenvolvido enquanto durar o curso (semestre..... esta deve ser feita com base em critérios lógicos atendendo às necessidades do conteúdo....... todo professor deve ter o cuidado de iniciar seu plano fazendo constar os dados abaixo:        Entidade:.................. a previsão dos conteúdos deve enfatizar a dependência do novo conhecimento a ser adquirido com os conhecimentos já aprendidos................................................... Didática do Ensino Superior .... seqüência lógica................. deve conter...... em sua estrutura...................... Curso:.............................

Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. é necessário que o professor estabeleça um cronograma de execução. etc. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO Para que o plano de curso atenda a condição de exequibilidade em relação ao tempo disponível. Adotando tal medida. FORMAS DE APRESENTAÇÃO DE PLANO DE CURSO As formas de apresentação do plano de curso podem ser variadas. “a priori”. a importância de o plano guardar uma organização estrutural coerente com as situações de ensino-aprendizagem.62 O processo ensino/aprendizagem requer a presença de duas facetas: a assimilação de novos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. um modelo único. REFERÊNCIAS É uma lista de material publicado. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. no seu plano de curso. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino. apostilas. disporá para desenvolvimento de seu trabalho. RECURSOS DIDÁTICOS Os recursos de ensino devem também ser previstos pelo professor no seu plano de curso. relacionando-os com os objetivos. mas toda uma teoria que a sustenta. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. os instrumentos que utilizará e a forma de comunicação dos resultados. Dependendo do sistema de avaliação selecionado. o professor poderá adotar graus ou conceitos para especificar o nível de alcance dos objetivos. Só assim ele saberá o número de aulas que. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. a grande preocupação é que na metodologia esteja claro como se dará a relação teoria e prática. utilizado pelo instrutor para elaboração de seu curso. Ex: Quadro-de-giz. para que o conhecimento seja construído. ou na falta dos mesmos. porém. como serão organizadas as aulas teóricas e as aulas práticas. não perdendo de vista a articulação teoria e prática. AVALIAÇÃO Para avaliar o alcance dos objetivos propostos. o professor indicará. Ressaltando novamente. Didática do Ensino Superior . A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimentos metodológicos. organizar o processo ensino-aprendizagem. ou procedimentos de ensino muitas vezes denominados de estratégias. É super importante ter esse processo em mente. Refere-se ao “como” do processo de ensino. Não existe. cartazes. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso. providenciará a confecção do necessário. apagador. efetivamente. ou seja. retroprojetor. Neste sentido. antecipará a constatação da disponibilidade de recursos existentes.

_______________________________________________________ Horário_______________________________________________________ Período: ______________________________________________________ Carga horária: _________________________________________________ Professor (a): __________________________________________________ EMENTA REFERÊNCIAS LEGAIS HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NOS ALUNOS CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS Didática do Ensino Superior .5.63 5.3 Modelo de plano de ensino DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Entidade: _____________________________________________________ Município: ____________ ________________________________ Curso:.

Nota ESTRATÉGIAS CRITÉRIOS E PONTUAÇÃO 2A. Nota Didática do Ensino Superior . Nota 3A.64 OPERACIONALIZAÇÃO DO PLANO DE AULA MMês Total de aulas CONTEÚDOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO 1A. Nota 4a.

o tempo passando e o mundo evoluindo. Acontecem que as crises foram aumentando. Assim foi durante muito tempo! .... e do pai. O povo passava fome. do centro. O homem aos poucos se conscientizava e chegava a’ conclusão de que a bola não era.. responsabilizando-os dos pequenos e grandes problemas.. por todos os males que envolviam a sociedade. da mãe e da escola. fazia aumentar a prostituição. Adão e Eva No principio do mundo.. Os homens passaram a atribuir todo o mal do mundo .. E jogavam a bola para o governo. e a família o berço da aprendizagem. Didática do Ensino Superior .. Sim. do congresso. só pode ser o sistema. o sofrimento.Ou e dos educadores.Ele. O sistema: Vindo da direita.. Professores não eram competentes.. Culpa do governo... Culpa do governo. Alunos não tinham bom desempenho.65 5a.. as injustiças – a falta cometida por Adão e Eva. e do sistema... e do governo.6 Reflexão DE QUEM E A BOLA (Adaptação de texto-Carmen Lucia Carnieri) E de adão e Eva. Sim. de quem e a bola. Afinal.Culpa do governo. saindo da esquerda. Os homens jogavam então a bola para os governantes. tudo o que vem de um presidente vulnerável aos altos e baixos de popularidade. a marginalidade. as crises. culpa dos parlamentares. ou caindo pela tangente a bola estava nas mãos do sistema. ele devia ser a causa de tudo! O governo: O governo passou a ser responsável por todos os problemas. o responsável direto pela decadência da sociedade.. A educação não ia bem. da moral e dos bons costumes. não podia ser só de Adão e Eva. sim.Afinal. Adão e Eva cometeram a primeira falta contra Deus.as doenças. o sistema. E alguns pensadores começaram a questionar se a bola não ficaria melhor nas mãos do pai e da mãe . Culpa do governo. a violência que amedronta a todos. Nota REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _________________________ Professor(a) _______________________ Coordenador(a) 5... o senhor sistema não educou bem seus cidadãos! Houve um esforço grande para entender se realmente a bola ficaria na estante do sistema.

Como a crise permanência.. campo de concentração. do Adão.. E a escola resolve também se isentar dessa responsabilidade de educar e diz que o problema-a bola é do Pai. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”. carentes.. trabalha dois horários e não tem tempo para vê-los ou ouvi-los. A Escola: A escola recebe os reflexos dos problemas familiares e sociais traduzido em alunos problemáticos. AMIGOS A Bola está agora em suas mãos. e o mundo em decadência globalizada.. p. 6 AVALIAÇÃO DO ENSINO 6. desajustados. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa. do governo. testes. Zélia Domingues Mediano. passa a ser campo de batalha. Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. a educação para a paz universal. as crianças se degeneram e o mundo que foi criado para ser paraíso. da Mãe. etc. A população aumenta. não cuida da saúde deles. a escola só vai fazer aquilo que lhe compete e o que diz a Lei. os pais estavam com a bola nas mãos e se distraiam com ela. Educador: A bola continua solta.e a bola foi qui-can-do para a escola. recebem a atenção de quem avalia em função Didática do Ensino Superior . só pensa na emancipação. apáticos. em educação.A medida. por sua vez. os homens se violentam. professores/as... etc.. e se divertir em barzinho. campo de promiscuidade e corrupção. jogar futebol com os amigos. é empregada como mensuração. de objetivos educacionais. levando em conta seu aspecto quantitativo numérico. de materiais didáticos. faz a seguinte distinção entre medir e avaliar. procura descrevewr quantitativamente o grau em que o aluno dominou determinado objetivo. ficar o tempo todo no computador. a solidariedade. A mãe. ao ter uma folga.1 O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. O problema não chega a uma solução porque todos deveriam assumir. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido. “Medir é o ato de colher informações. por que não procurar alguém que possa ficar com a bola Para o casal era interessante.66 O pai e mãe: Sem perceber. como qualitativas. da Eva e que ela. Quem faz a Instituição são as pessoas. os direitos e deveres. a sensibilidade. A bola continua sendo jogada de uma escola para outra. A bola era acionada para os dois como um verdadeiro jogo de tênis em campeonato. sentindo-se injustiçada e magoada devolvia a bola para o Pai acusando-o por trabalhar demais. drogados.. O dialogo. a responsabilidade. O pai jogava para a mãe. de um ambiente educativo. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. acusando-a pela ma educação dos filhos dizendo: Você não para em casa. programas. do sistema. cômodo e ainda se livrava do sentimento de culpa.. muitas vezes. As pessoas fazem à diferença. Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas.”(1995 p. trabalhos dissertativos.

inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. durante o desenvolvimento das atividades escolares. 3. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. 6. Segundo Sacristán (2000. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. É continua: não é terminal. 1. problematizar. É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. recolher e tratar informações válidas. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback). 2. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem. formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem. inciso V. É integrada: não é isolada do ensino. já que é o sujeito da ação educativa. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los. em seu artigo 24. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. Didática do Ensino Superior . É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos.2. Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. segundo níveis de aproveitamento apresentados. alínea “a”. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:     Detectar. com a participação do aluno. É progressiva: não é estanque. O professor não irá apresentar verdades. que conduzam a melhoria da aprendizagem. mas com o aluno irá investigar. selecionar. p. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. nº 9394/96. etc. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. precisos. simples. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros.67 de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. Estabelecer relações entre essas informações.

apresentando seu ponto de vista. A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito. todos. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos.. Respeitar a boa forma gramatical. Substituir por outras inteiramente novas as questões muito defeituosas. principalmente nas destinadas a verificar discernimento.. Levar em conta a reação dos alunos à questão. Didática do Ensino Superior . Comparar idéias ou processos. buscando encontrar relações mútua. semelhanças e diferenças. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo.68         Interpretar um texto.. Apresentar solução para um problema. Usar vocabulário simples e acessível ao grupo. PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES OBJETIVAS       Abster-se de fazer perguntas sobre assunto controvertido. planejamento de atividades. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas. Formular as questões com precisão. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes.. destacando os aspectos mais significativos. Entretanto. Abordar apenas assuntos de importância. nunca... Evitar o emprego das palavras muito inclusivas. Colocar a dificuldade no conteúdo e não na forma de apresentação da questão. Reduzir ao mínimo as negativas simples e abster-se de usar negações duplas... Construir questões que separem os alunos fortes dos médios e estes dos fracos. Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação. Incluir apenas os dados que interessam à solução do problema. Enunciar as questões com concisão.. até porque exige do professor dedicação. Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense. como: sempre. Imaginar o que faria se... jamais ou invariavelmente. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno). Buscar situações novas para as questões. Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências. Prever apenas uma resposta certa para cada questão.           Redigir com clareza as questões. Resumir um texto. FORMA DE APRESENTAR AS QUESTOES.

o Verifica superficialmente.. Dificulta a dosagem de dificuldade das questões Abrange grande campo de conhecimento. Vantagens É de rápida elaboração.definindo o que quer verificar.revisão. Não há acerto por acaso.      Defina a finalidade da prova: diagnósticos. QUADRO COMPARATIVO DAS PROVAS OBJETIVAS E SUBJETIVAS/DISCURSIVAS PROVAS SUBJETIVAS PROVAS OBJETIVAS Vantagens Desvantagens Dificulta e torna demorada a elaboração. Desvantagens Facilita a correção Facilita o acerto por acaso.69 PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES SUBJETIVAS / DISCURSIVAS. Prepare o esquema básico da prova. Facilita a dosagem da dificuldade das questões Requer conhecimentos técnicos do elaborador. Verifica em profundidade. Há liberdade para expressão do pensamento.. Abrange limitado campo dos conteúdos estudados. Não há liberdade para expressão do pensamento. seleção... Planeje a prova com antecedência. Dificulta a correção Dificulta a cola. Utilize questões de resposta aberta se tiver certeza do objetivo. Didática do Ensino Superior . etc. Prefira empregar mais questões de resposta curta a menor número de perguntas extensas. Não requer conhecimentos técnicos profundos do elaborador. Facilita a cola.

Antoni. sujeito. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. Porto Alegre: Artes Médicas. Engloba uma série de conteúdos que tratam de: 3 ZABALA. cambalhota. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma. A prática educativa: como ensinar.). Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. densidade. ou seja. as estratégias. Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações.1 Conteúdos conceituais Os conceitos se referem ao conjunto de fatos.3 Conteúdos atitudinais Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências). 1998. pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso. imprescindível conhecer o conteúdo. 6.). objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero.3 A aprendizagem de conceitos e princípios3 6. A aplicação.3. entre outras coisas. então. 6. técnicas. os procedimentos .3. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. as destrezas ou habilidades.Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal. enfim. impressionismo. objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes.2 Os conteúdos procedimentais Um conteúdo procedimental inclui. dirigidas para a realização de um objetivo. proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento. as normas ou regras de uma corrente literárias. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais.um conjunto de ações ordenadas e com um fim. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutuais (ações e declarações de intenção). os métodos. Didática do Ensino Superior . Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato. Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. de fazê-la mais significativa. As condições para a aprendizagem são:     Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos.70 6. romantismo. cidade. sendo. as regras.3. ou para a construção de outras idéias. objeto ou situação em relação a outros fatos.

desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. sente e atua de uma forma mais ou menos constante. Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. podendo ser voluntária ou forçada. e participar das atividades. Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. a responsabilidade e a liberdade. e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento. de acordo com valores determinados. Observar Registrar. Fazer Retirar.Tirar Recortar Organizar Destacar Utilizar Aplicar Elaborar Classificar Calcular Traduzir Seriar ATITUDINAIS Valorizar Colaborar Apreciar Verbalizar Socializar Participar Respeitar Cooperar Perceber Saber ouvir Saber lidar Ser persistente Sensibilizar-se Agir de acordo com      Didática do Ensino Superior . Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la. Coletar Interpretar. PROCEDIMENTAIS Ler. procedimentais e atitudinais significa preocupar-se com a educação de forma integral. como a solidariedade. Escrever Desenhar. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma. EXEMPLOS DE VERBOS UTILIZADOS EM OBJETIVOS VOLTADOS PARA CONTEÚDOS CONCEITUAIS Analisar Desenvolver Inferir* Identificar Reconhecer Resumir Descrever Elaborar Enunciar Adquirir Compreender Entender Explicar Relacionar Comentar Concluir Trabalhar conteúdos conceituais.71  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros. São exemplos: cooperar. Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo. o respeito.