You are on page 1of 12

Direito adquirido

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Direito adquirido é espécie de direito subjetivo definitivamente incorporado (pois, adquirido) ao patrimônio jurídico do titular (sujeito de direito), já consumado ou não , porém exigível na via jurisdicional, se não cumprido voluntariamente pelo obrigado (sujeito de dever). Diz-se que o titular do direito adquirido está, em princípio, protegido de futuras mudanças legislativas que regulem o ato pelo qual fez surgir seu direito, precisamente porque tal direito já se encontra incorporado ao seu patrimônio jurídico ² plano/mundo do dever-ser ou das normas jurídicas ² ainda que não fora exercitado, gozado ² plano/mundo do ser, ontológico. O titular do direito adquirido extrairá os efeitos jurídicos elencados pela norma que lhe conferiu o direito mesmo que surja nova lei contrária à primeira. Continuará a gozar dos efeitos jurídicos da primeira norma mesmo depois da revogação da norma. Eis o singelo entendimento do direito adquirido, conformado pela ortodoxia das ciências jurídicas.
Índice
[esconder]

1 Introdução 2 Generalidades 3 Natureza do direito adquirido
o

3.1 Base conceitual

4 Ontologia e semiologia do direito adquirido 5 Fundamento histórico do instituto 6 Direito Adquirido no Direito Público 7 Referências bibliográficas 8 Bibliografia

[editar]Introdução

Direito adquirido. sob qualquer forma ² muito embora seja sempre esse o caso. pode significar tanto uma "pessoa física ou natural". da dificuldade de seu destemido e veraz tratamento. numa compreensão ampla (lato sensu). a priori. pois o que se examina refere-se à vida do ser humano em sociedade. passa por escoimações de ordem técnica específica. o que se fará no momento adequado à concatenação das idéias. complementam-na. A sua conceituação jurídica. É SÓ. de modo que nem norma. direito adquirido é "aquele que já se integrou aopatrimônio e à personalidade de seu titular. que. Com os reflexos favoráveis e também os desfavoráveis. é de se observar que não se fez alusão alguma a uma ordem jurídica organizada e estabelecida. Também é relevante observar que sujeito. longe de ferirem a idéia ampla. numa larga medida. geral ou jurídica. Outra diz que é "todo direito que é conseqüência de um fato idôneo para gerá-lo em razão de norma vigorante antes da entrada em vigor de nova norma . com o mérito e também o demérito. essa "abordagem conceitual ampla. em sumaríssima declinação. Eis o porquê. caracterizam-na precisamente. Segundo uma delas. Outras conceituações podem-se apresentar. é mesmo indispensável.é. como aqui compreendido. contudo. contudo. melhor. com efeito. especificam-na. é sinônimo do próprio Direito. chamado de sujeito de direito daquele direito.".Direito adquirido. [editar]Generalidades Preliminarmente. apenas a sua conceituação ² diga-se ² ingênua. a existência daquela ordem jurídica acima referida. é valiosa. embora ingênua". é "tão-somente aquele poder realizar determinada vontade conquistado por alguém".O direito adquirido funcina como a lei de tabaco em vigor. nãotécnica no atinente às ciências jurídicas. Sob a óptica da filosofia. como uma "pessoa jurídica" ² e tal consideração já importa em admitir. nem fato posterior possam alterar situação jurídica já consolidada sob sua égide.

um direito adquirido ² como quer que se o compreenda ² não precisa ser constitucionalmente respaldado. Observa-se das duas últimas conceituações que (1º) vinculam necessariamente a idéia do direito adquirido já a uma ordem jurídica preestabelecida. o significante "direito" pode significar outros que não os bens ou direitos materiais. usualmente um bem material]). em sumaríssima declinação. adquirere = alcançar. haver ele precedido os demais ramos do direito. econômico-financeiro). Conquanto possa haver-lhe ² e inegavelmente o há ² mérito em muitíssimos casos e . por razões históricas. imediatamente. Com os reflexos favoráveis e também os desfavoráveis. Essa freqüente conexão. Não necessariamente. conexão primária. com efeito) acepções diversas da usual. pois. por meio econômicofinanceiro. assim como o significante "adquirido" pode significar coisa diversa da aquisição. todavia. com "patrimônio adquirido". Eis o porquê. de algo. ainda é válido nos dias atuais ² e. em primazia. com o mérito e também o demérito. Assim. por conseguinte. como quer que se o compreenda. é sinônimo do próprio Direito. destarte. a integrar o patrimônio de quem o adquiriu. Direito adquirido. nos termos do novo preceito sob o império do qual o fato aconteceu. de foro apenas contábil. conseguir. (Ademais.". patrimônio (<latim patrimoniu = patri + moniu = bens e/ou herança havida do pai) e adquirido (<latim acquirere. conforme já dito. da dificuldade de seu destemido e veraz tratamento. quer seja material ou não o objeto dessa aquisição. Porém. nem sempre um direito adquirido tem natureza patrimonial. nem em tal nível.relativa ao mesmo assunto e que. No entanto. (2º) são patrimonialistas. é imprescindível esclarecer que patrimônio pode ter (e tem. como visto. obter [algo. A expressão "direito adquirido" faz remissão ideológica ² no sentido de etimológico-semântica ² com a idéia (e o correspondente binômiosignificante versus significado)e. devese ao fato histórico de originariamente haver-se constituído o direito civil como direito do patrimônio ² o que. monetário. numa larga medida. Por seu turno. tenha ele (o direito originado do acontecido) entrado.

A distinção preliminar básica que se deve fazer entre direito adquirido e ato jurídico perfeito consiste na própria idéia semântica de um e de outro. pode raciocinar (e. com significado social e esse é precisamente o cerne da questão. de agravamento da injustiça social. Esse objeto desdobra-se em:     a) Compreender a natureza do instituto direito adquirido na dinâmica social contemporânea.". nem sempre aquilo que é apreciado em foro íntimo pessoal observa os ditames de um interesse maior. exigível na via jurisdicional. com freqüência. no sentido de que o direito adquirido em exame expressa uma injustiça. em especial na sociedade contemporânea. pois. O primeiro nada mais é do que uma espécie de direito subjetivo definitivamente incorporado ao patrimônio jurídico do titular. mas ainda não consumado. é justo. dá-se justamente o oposto: há-lhe claro demérito. É preciso analisar o uso que muitas vezes se tem feito do instituto "direito adquirido" como forma de convalidação. em um incontável elenco de outros casos e situações. se não cumprido voluntariamente pelo obrigado. b) Descrever os usos justificável e injustificável do direito adquirido. Em sendo para mim. o faz) determinado sujeito: "em sendo o benefício. social. é também igualmente verdadeiro que. sendo. O contrário é que. é aceitável. O titular do direito adquirido está protegido de futuras mudanças legislativas que regulem o ato pelo qual fez surgir seu direito. d) Propor soluções que viabilizem a extirpação do direito adquirido injusto. de modo a lançar luzes sobre as medidas a serem tomadas no sentido de se aperfeiçoar a justiça social no Estado Democrático de Direito. precisamente . é justo. em muitos casos. c) Explicitar o uso. o ganho. a conquista ² em suma. de fato. Assim. do direito adquirido como acobertamento licitante.situações. Uma injustiça com reflexo social. é desejável. por exemplo. Pois. coletivo. o direito adquirido ² para mim. convalidação licitante do ilícito. de perpetuação. se verifica.

ao passo que o ato jurídico perfeito é um negócio jurídico ou o ato jurídico stricto sensu. Deve-se enfocar o direito adquirido sob a óptica de fundo. porém em ambos inexiste direito adquirido. já o ato jurídico perfeito sob a óptica de forma. aquele surge antes deste. e.81/CC). o ato jurídico perfeito deve ser analisado sob a óptica de forma. Nesses exemplos. Ou seja. De fato. há ato jurídico perfeito. segundo a visão civilista. Já o ato jurídico perfeito é o título ou fundamento que faz surgir o direito subjetivo. vez que. declarações unilaterais de vontade etc. Segundo Limongi França. como no caso do testamento válido. não houve a completude do fato concreto gerador do direito subjetivo. Algumas vezes. umnegócio jurídico sujeito a condição suspensiva. resguardar. enquanto que o ato jurídico perfeito é negócio fundado na lei. O constitucionalista José Afonso da Silva ainda distingue os institutos ao dizer que o direito adquirido emana diretamente da lei em favor de um titular. mas ainda vivo o testador. pois tais atos foram constituídos validamente sob a égide de uma lei válida. art. O titular do direito adquirido extrairá os efeitos jurídicos elencados pela norma que lhe conferiu o direito mesmo que surja nova lei contrária à primeira. Assim. o testador ainda vive. ontológico.118 CC. lavrado e assinado. ² e. respectivamente. Logo. . Continuará a gozar dos efeitos jurídicos da primeira norma mesmo depois da revogação da norma. o direito adquirido é uma espécie de direito subjetivo. a condição suspensiva ainda não ocorreu. ou. é todo ato lícito que tenha por fim imediato adquirir. conformado pela ortodoxia das ciências jurídicas.porque tal direito já se encontra incorporado ao patrimônio jurídico do titular ² plano/mundo do dever-ser ou das normas jurídicas ² só não fora exercitado. Eis o singelo entendimento do direito adquirido. ato jurídico perfeito é aquele que sob o regime de determinada lei tornou-se apto para produzir os seus efeitos pela verificação de todos os requisitos a isso indispensável. modificar ou extinguir direitos (art. Pode-se dizer que o ato jurídico perfeito é instituto irmão do direito adquirido. gozado ² plano/mundo do ser. transferir. quer direta e imediatamente da lei ou dos atos jurídicos ² contratos.

pode significar tanto uma "pessoa física ou natural". Que vem a ser direito adquirido? Ora. prudentemente requer esclarecimento conceitual adequado. esse. pois o que se examina refere-se à vida do ser humano em sociedade. de modo a se saber precisamente com o que se está lidando. podem ensejar direito adquirido. a bem do rigor e lato sensu. já goza da proteção.portanto. Com efeito. devido às implicações sociais profundas que suscita. a priori. elencados pelo regime jurídico peculiar do direito positivo que rege o ato. seja lá o que for em sua essencialidade. "direito adquirido é tão-somente aquele poder realizar determinada vontade conquistado por alguém". particularmente na atual ordem jurídica brasileira (também na da maioria das nações contemporâneas) vincula-se à idéia de intangibilidade. sob qualquer forma ² muito embora seja sempre esse o caso. preliminarmente não se fez alusão alguma a uma ordem jurídica organizada e estabelecida. logo de início. como aqui compreendido. como uma "pessoa jurídica" ² e tal consideração já importa em admitir. da Carta Magna que regula a vida do povo em exame. [editar]Natureza [editar]Base do direito adquirido conceitual Pareça suficientemente óbvio. Mais: essa intangibilidade tem respaldo constitucional. Atente-se para o fato de que só surgirá direito adquirido quando houver a completude dos seus requisitos e fatores de eficácia. Também é relevante observar que sujeito. a compreensão atual desse conceito ² desse instituto ². É de se observar que. o direito adquirido. o conceito de direito adquirido. indireta e mediatamente da lei. incidindo por completo o direito objetivo fazendo assim nascer o direito subjetivo. chamado de sujeito daquele direito. a existência . entretanto. a partir daí adquirido. da tutela maior. vale dizer.

Outra diz que "direito adquirido é todo direito que é conseqüência de um fato idôneo para gerá-lo em razão de norma vigorante antes da entrada em vigor de uma nova norma relativa ao mesmo assunto e que. de modo que nem norma. então.  Segundo uma delas. Ganha os domínios da Filosofia. nem em tal nível.". "direito adquirido é aquele que já se integrou ao patrimônio e à personalidade de seu titular. Assim. Outras conceituações podem-se apresentar. uma vez adquirido. nem fato posterior possam alterar situação jurídica já consolidada sob sua égide. Não necessariamente. E a insuscetibilidade ao fenecimento varia na . um direito adquirido ² como quer que se o compreenda ² não precisa estar constitucionalmente respaldado. entre outras. Essa freqüente conexão. a fronteira entre o Direito e a Moral. da Psicossociologia. tenha ele (o direito originado do fato acontecido) entrado. o que se fará no momento adequado à concatenação das idéias. No entanto.  Pode-se observar das duas últimas conceituações que:   (1º) vinculam a idéia do direito adquirido já necessariamente a uma ordem jurídica preestabelecida. e ainda hoje. Para que. todavia. nem sempre um direito adquirido tem natureza patrimonial. nos termos do novo preceito sob o império do qual o fato aconteceu. a fazer parte do patrimônio de quem o adquiriu. direito do patrimônio) precedido os demais ramos do direito. como é o caso na ordem jurídica brasileira atual? Para assegurar-lhe a máxima proteção. não padeça ele da fragilidade de eventualmente fenecer.". deve-se ao fato histórico de haver o direito civil (primordialmente. A questão do mérito ontológico de cada direito adquirido perpassa. (2º) são patrimonialistas. da Sociologia. Por que. imediatamente.daquela ordem jurídica acima referida. se dá tal ligação.

passíveis de interpretações diferenciadas. entende-se por ordem jurídica "o conjunto sistematizado de normas de condutaestabelecido por e em vigor num dado estado político. numa dada ordem jurídica. Isso posto. De fato. O que. nem sempre. uma nova ordem será instituída. acha-se imbricada inextrincavelmente à idéia de estabilidade per se "em uma" e "de uma" determinada ordem jurídica. sem um certo lastro de direitos adquiridos. convém logo definir o que se entende por ordem jurídica. nem em todo caso. da boa Moral. e aquele direito. perpetuar um poder. por que falar-se emontologia e em semiologia. ainda que em moldes representativos) fizer-se presente. [editar]Ontologia e semiologia do direito adquirido A idéia de direito adquirido. De uma. Se a democracia (governo do povo. pois. significa. pelo povo e para o povo. em tal caso. Assim concebido. garantir a imutabilidade de um direito. a seu turno. para bem esclarecer isso.razão direta do quantum de poder que é detido pelo sujeito do direito sub examine na roda do jogo de poder ±± o grande jogo de poder numa determinada sociedade. lato sensu. a bem dizer. De fato. refere-se à estabilidade da própria ordem jurídica em si. não . dir-se-á um estado democrático de direito. ainda que tais conceitos e idéias e significados sociais sejam relativos. um elemento de direito adquirido é um elemento de poder perpetuado. e. o estado político passa a ser reconhecido como estado de direito. considerado tal conjunto em sua relação dinâmica com o estado e dentro dele". Terá fenecido. Para fixar idéias. A menos que sobrevenha uma revolução. observa os ditames do bom Direito. no tocante ao direito adquirido? Precisamente para ² investigando-lhe a natureza do ser (<grego ontos = ser) e osignificado (<grego semeio = signo) ² compreender a sua essência enquanto fundamento próprio de uma ordem jurídica estável. Em uma significa a inserção de dado direito na ordem jurídica. poderá não permanecer. num dado país. ainda que adquirido e tutelado na ordem de até então. Como quer que seja. no mundo. talvez melhor denominadaordem jurídico-política (ou juspolítica).

a merecerem. à semelhança de um organismo ² e aqui se toma empréstimo semântico-cultural às ciências biológicas.haveria que se falar em uma ordem jurídica estável. [editar]Fundamento histórico do instituto Ainda que não expressamente declarado como tal. . ainda. até mesmo tal consideração padece de questionamento. adequadas decifração e leitura. o direito adquirido encontrava-se já presente em graus e em gêneros variados nassociedades humanas antigas organizadas em civilizações. Essas considerações são importantes a bem da conciliação entre a generalidade (que foi analisada) e a especificidade (a ser. porque as sociedades humanas são dinâmicas e dialeticamente (sob a ótica hegeliana ou a marxista) instáveis. desde que não se tivesse concebido e instaurado uma democracia. podem ser considerados formas amplas de escrita. precisamente pelo fato de serem elas organizadas. que possam tornar perceptíveis as mudanças. as organizações político-sociais antigas. privilegiavam as classes detentoras do poder. certamente. Pouco se dispõe em termos de informações suficientemente detalhadas a respeito do chamado período pré-histórico. Naturalmente. Na atualidade. a situação ainda guarda ranços daquela estrutura antiga. conseqüentemente. examinada) ² objeto in situ do amplo e polêmico estudo do instituto direito adquirido. de conhecimento cultural atinente. na maior parte em todos os sentidos. Embora se considere que a história da humanidade tenha começado com o advento da escrita. num sentido amplo perfeitamente razoável. vale dizer comportarem-se. costumeiramente a cúpula diretiva (imperadores e sacerdotes). ainda que a mesma estabilidade padeça da suscetibilidade de fenecimento. quando se consideram contextos espaço-temporais suficientemente amplos. pois as pinturas rupestres e outros registros e mesmo os demais vestígios da chamada pré-história. a despeito da evolução e do progresso havidos desde então. de modo integrado e interdependente.

Já havia uma configuração tripartite no governo: o legislativo. contudo. hebreus (1800AC ± 100AC). resguardavam-se os direitos adquiridos. Isso. fenícios ehititas (3200AC ± 1400AC). Assim. produziu uma como que estrutura cultural-institucional . então. cretenses. tais que perpassam os domínios amplos do Direito e da Moral. Com efeito. E isso. sumérios e acádios (2800AC ± 2000AC). assim também os chamados direitos adquiridos. ainda que com as feições híbridas político-religiosas como era usual. ojogo do poder dava o tom. notadamente aos Gregos. Foi na Grécia antiga (2000AC ± 100AC) que os primeiros passos para a construção democrática ocorreram. os chineses (3000AC ± 210AC). na Grécia. por decisão em assembléias etc. participação representativa dos cidadãos no governo.. com o advento daquela reforma. persas (539AC ± 331AC). Isso é mais bem entendido à luz da Antropologia Cultural Comparada. tutela ² ou não ² de tais direitos. em relação ao poder. tal ideal foi aprimorado: direitos políticos para todos os cidadãos. nem havia que se falar em resguardar ou tutelar de qualquer forma os direitos: eles defluiam naturalmente da condição superior ostentada. com efeito. O advento da civilização romana (750AC ± 470DC) é que. É. que se passam a resguardar e tutelar mais os direitos dos cidadãos. era incipiente e frágil. assírios (1875AC ± 612AC). Há. osbabilônios (1800AC ± 539AC).Na antiguidade histórica ocidental e médio-oriental. Quanto aopovo. Não se deve deixar de mencionar as civilizações e culturas do extremo oriente. com Clístenes. que foge ao escopo deste trabalho. os indianos (2500AC ± 300AC) e os japoneses (2700AC ± 200AC) apresentaram notáveis contribuições ao patrimônio cultural da humanidade como um todo. entre os egípcios (3200AC ± 525AC). tanto mais quanto mais elevada. certas diferenças e especificidades muito acentuadas entre os dois pólos. realmente se pode falar em resguardo. através da absorção cultural aos vencidos. o reformador. o executivo e o judicativo. tem sido um traço característico da jornada humana em toda a sua existência. estivesse o beneficiário. Realmente. como cá. sobretudo. Lá. naturalmente. para os detentores do poder per se.

óbvios.poderosa a tal ponto que lançou as bases para os tempos seguintes. A idade contemporânea (1750 ± atualidade) é o cenário do que se examina presentemente. A Revolução Francesa (1789 ± 1799). posto que idiossincrásico. resguardados os interesses maiores dos detentores do poder. como hoje conhecidas. A atualidade é-lhe tributária. surgida do renascimento científico-cultural. como. de resto. como é hoje conhecida. de direito. essa obviedade costuma trazer transtornos. neminem laedere: a ninguém prejudicar. do ferimento essencial. naturalmente. suum cuique tribuere: dar a cada um o que a este pertence) afiguram-se. objeto presente. A idade média ocidental (470AC ± 1450DC) denuncia a mescla cultural havida da hegemonia exercida pela Igreja Católica Apostólica Romana sobre tudo mais. segundo o paradigma do racionalismo bacon-cartesiano. de democracia e derepública. era influenciado pelo direito eclesiástico. como. de resto. todas as decisões e os escassos direitos cidadãos tutelados. consolidaram-se as práxis de cidadania. não apenas pelo legado do Corpus Iuris Civilis . começa a dar a feição em bases metodológicas científicas. Lá. Os princípios clássicos de Ulpiano para o Direito (honeste vivere: viver honestamente. e de ser ela mesma tributária da Revolução Estadunidense (1776 ± 1783). Também lá. liberdade e fraternidade". Há de ficar suficientemente claro que por ferimento tem-se em mente o dano causado à . que caracteriza o direito adquirido. mas de toda a moderna concepção essencial da práxis jurídica. apesar de controvertida. até os dias atuais. O direito comum. havia uma base legal e uma prática regrada destinados a assegurar a prestação jurisdicional. classicamente consagrou o respeito aos e a busca dos ideais de "igualdade. todavia. tributária de vários pensadores de renome. padece. A idade moderna (1450 ± 1750). de tão irrefutáveis. traz a tudo aquilo que é examinado superficialmente. Dotada de enorme diversidade de correntes e escolas e tendências. a despeito das oscilações a que todas as nações estão sujeitas. Contudo. eis que se não lhe conheçam os desígnios profundos.

especificamente do direito intertemporal. § 2º). Na ordem jurídica brasileira.5º. entrou imediatamente a fazer parte do patrimônio de quem o adquiriu. referência em Direito Adquirido]. do mesmo modo que Lei de Introdução ao Código Civil de 1942 (art.6º. pela doutrina subjetivista da escola italiana. eles perduram até hoje. José Eduardo Martins Cardozo. embora a ocasião de fazê-lo valer não se tenha dado antes da atuação de uma lei nova sobre o mesmo direito. em especial no direito administrativo. Zélio Furtado da Silva). XXXVI/CF). Optou. Omitidos na Carta de 1937. 1897 e 1898). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada" (art. em virtude da lei do tempo no qual o fato foi consumado. a do social sobre o individual. preconizada por Carlo Francesco Gabba [(1835 ± 1920) jurista italiano renomado. [editar]Direito Adquirido no Direito Público O direito adquirido é tema de teoria geral do direito.primazia do individual justo sobre o individual injusto. restaurados na de 1946. e que nos termos da lei sob cujo império se entabulou o fato do qual se origina. [editar] . Segundo Gabba (Teoria della retroatività delle leggi. Autores brasileiros discutem o tema abstratamente (Celso Antônio Bandeira de Mello. Maria Garcia. Elival da Silva Ramos[1])ou de forma aplicada (Fábio Mauro de Medeiros. 1891. claramente. é adquirido o direito conseqüente a fato idôneo a produzi-lo. Hugo de Brito Machado. e tem crescido de importância no direito público. Daí o constituinte de 1988 ter enunciado que "a lei não prejudicará o direito adquirido. desde a Constituição de 1934 os direitos adquiridos vêm assegurados em nível constitucional. a da justiça sobre a injustiça.