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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

CENTRO DE AQÜICULTURA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AQÜICULTURA








Características limnológicas da água, sedimento e efluentes
em viveiros de crescimento final do camarão-da-amazônia,
Macrobrachium amazonicum, submetidos a diferentes níveis
de arraçoamento e tipos de despescas









Erlei Cassiano Keppeler
Bióloga













Jaboticabal - SP
2005





2
Erlei Cassiano Keppeler








Características limnológicas da água, sedimento e efluentes
em viveiros de crescimento final do camarão-da-amazônia,
Macrobrachium amazonicum, submetidos a diferentes níveis
de arraçoamento e tipos de despescas







Tese a ser apresentada ao Programa de Pós
Graduação em Aqüicultura do CAUNESP,
como parte dos requisitos para a obtenção do
título de Doutor em Aqüicultura.





Orientador: Prof. Dr. Wagner Cotroni Valenti
Centro de Aqüicultura, UNESP












Jaboticabal
2005



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AGRADECIMENTOS

A DEUS, força onipotente que nos dá força para sermos capazes de vencer todas as
barreiras, e sobretudo concretizar todos os sonhos, quando se possui fé.

Ao Prof. Wagner Cotroni Valenti, do Departamento de Biologia Aplicada da Faculdade de
Ciências Agrárias e Veterinárias e do Centro de Aqüicultura da UNESP, pela
oportunidade, orientação e amizade.

À especial secretária do Curso de Pós-Graduação Veralice, pelo inestimável apoio e
auxílio na Pós-Graduação.

Aos Coordenadores e Professores da Pós-Graduação do Centro de Aqüicultura, Prof.
Flávio Ruas de Moraes, Luiz Edivaldo Pezzato, Prof.ª Elisabeth Macedo, Prof. Francisco
Manoel de Souza Braga, Prof.ª Elisabeth Urbinarti.

Aos Professores de Estatística, Antônio Sérgio Ferraudo, Euclides Malheiros e Francisco
Manoel de Souza Braga, cujos cursos oferecidos muito contribuíram para a minha
formação.

À Universidade Federal do Acre, CAPES-PICDT, pela concessão de afastamento
remunerado e bolsa de Doutorado. Agradeço especialmente ao Prof. Dr. Alceu Ranzi,
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (2000-2002) pelo incentivo à continuidade da
vida acadêmica.

Agradeço aos auxílios concedidos pela Coordenação de Apoio à Pós-Graduação e
Diretoria do Centro de Aqüicultura da UNESP, pela disponibilidade do setor de
Carcinicultura.

À Doutoranda Patrícia Maria Contente Moraes Riodades, pela ajuda na coleta de dados
em parte da pesquisa, assim como sugestões sobre o cultivo de Macrobrachium
amazonicum.

Aos técnicos Valdecir e Roberto, pelas suas prestigiosas participações nos trabalhos de
campo.

À Dr.ª Ana Elisa Baccarin, pela infra-estrutura oferecida durante a sua Coordenação no
Laboratório Central.

Ao Prof. Dr. Antônio F. Camargo e o técnico Carlos pela cessão de alguns equipamentos
para utilização nas análises laboratoriais.

À Dr
a
. Mara Cristina Pessôa da Cruz, pelos ensinamentos e análises de sedimento
realizadas com o apoio da técnica Selma, do Departamento de Fertilidade do sedimento.
Igualmente, ao Prof. Dr. Manoel Evaristo Ferreira pelo simpático recebimento em seu
laboratório.

À Michelle Vetorelli, pelo auxílio nas contagens dos camarões de água doce.

Ao meu grande companheiro Flávio Carlos Altafim, pela grande ajuda e paciência nos
detalhes finais dessa Tese.

À Alessandra Messias, pela amizade, sempre presente nos cansativos finais de tarde.

4
Às amigas Carla Macedo e Cláucia Honorato, pelo grande apoio nos momentos difíceis.

Aos estagiários que muito contribuíram na coleta de dados: Priscila, Leonardo Vaz, Bruno
e Rodrigo Cotoni, Janaína, e outros.

Ao Sr. Américo Hayakawa pelo auxílio na impressão do trabalho.

Especialmente a toda a minha família e amigos, pela compreensão da grande distância
geográfica existente entre nós.

A todos os funcionários do CAUNESP e da FCAV/UNESP: Mônica, Fátima, Ana, Suely,
Auta, que ajudaram de alguma forma na condução deste trabalho.

Finalmente, a todos que de alguma forma contribuíram para a realização desta pesquisa.





































5

SUMÁRIO

RESUMO GERAL.............................................................................................................. 6
GENERAL SUMARY.......................................................................................................... 7
INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 8
Fundamentação teórica e hipóteses.................................................................................. 11
MATERIAL E MÉTODOS................................................................................................... 16
Descrição dos cultivos........................................................................................................ 16
Coleta de dados................................................................................................................. 21
Análise estatística............................................................................................................... 22
Funcionamento dos viveiros e teste das taxas de arraçoamento...................................... 22
Teste das despescas total e mista .................................................................................... 24
Análise global do experimento .......................................................................................... 24
RESULTADOS.................................................................................................................. 24
Funcionamento dos viveiros............ ................................................................................. 26
Efeito da taxa de arraçoamento (3%,5% e 7% da biomassa/dia) nos viveiros................. 45
Comparação para os tratamentos no sedimento .............................................................. 50
Efeito do tipo de despesca ................................................................................................ 54
Análise global do experimento .......................................................................................... 69
DISCUSSÃO ..................................................................................................................... 72
CONCLUSÕES ................................................................................................................ 84
REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 87




























6
RESUMO

Características limnológicas da água, sedimento e efluentes em viveiros de
crescimento final do camarão-da-amazônia, Macrobrachium amazonicum,
submetidos a diferentes níveis de arraçoamento e tipos de despescas

Os viveiros de cultivo semi-intensivo de camarões de água doce são
ecossistemas límnicos em fase inicial de sucessão ecológica. Neste trabalho, foi
realizado um estudo limnológico de viveiros de cultivo de Macrobrachium amazonicum
submetidos a diferentes taxas de arraçoamento e tipos de despescas, visando fornecer
subsídios para o entendimento desses ecossistemas e o estabelecimento de um manejo
adequado. Doze viveiros com cerca de 0,01 ha foram povoados com 20 juvenis de M.
amazonicum.m
-2
. Os animais foram alimentados com ração extrusada na proporção de 6
a 9% da biomassa até a 14.
a
semana. Então, os camarões contidos em cada três viveiros
foram arraçoados com 3%, 5% e 7% da biomassa dos camarões. Outros três viveiros
foram submetidos à despesca mista. Semanalmente, foram determinadas as seguintes
variáveis da água: temperatura, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio,
pH, alcalinidade total, condutividade elétrica, nitrato, nitrito, nitrogênio amoniacal,
nitrogênio total, ortofosfato solúvel, fósforo total, clorofila a, clorofila b, clorofila c, feofitina,
turbidez e sólidos totais suspensos. Após 145 dias, realizou-se a despesca total em todos
os viveiros. Não foi observado nenhum padrão de variação temporal das variáveis
limnológicas ao longo do cultivo. Estas foram mais dependentes dos processos biológicos
que ocorreram no interior dos viveiros do que da água de renovação. A ração diária teve
pouco efeito sobre a qualidade da água dos viveiros do que da água de renovação. A
ração diária teve pouco efeito sobre a qualidade da água dos viveiros, efluentes e
nenhuma sobre os depósitos de carbono, nitrogênio e fósforo no fundo. De um modo
geral, as variáveis limnológicas apresentaram baixa correlação entre si. Possivelmente,
as características intrínsecas de cada viveiro tiveram maior efeito sobre a qualidade da
água do que os níveis de arraçoamento e tipo de despesca.
Palavras chave: Macrobrachium amazonicum, limnologia, manejo alimentar e
despescas seletivas

7
ABSTRACT

Limnology of water, soil and effluents of grow-out ponds of Macrobrachium
amazonicum under different feed levels and harvest management

Grow-out ponds are ecosystems at the first stages of ecological succession. In this
research, a limnological study on grow-out ponds of Macrobrachium amazonicum
subjected to different feed levels and harvest management was performed. Twelve 0.01
ha earthen ponds were stocked with 20 juveniles.m
-2
. Prawns fed commercial diet at a
rate of 7 to 9% of biomass until 14
a
. week. Then, each three ponds were fed with 3%, 5%
and 7% of prawn biomass. Three other ponds were subjected to selective harvest. After
145 days of stocking, all ponds were drained and harvested. The following water
parameters were weekly determined: temperature, dissolved oxygen, oxygen biochemical
demand, pH, total alkalinity, electrical conductivity, nitrate-N, nitrite-N, ammonia-N, total
nitrogen, soluble orthophosphate, total phosphate, chlorophyll a, chlorophyll b, chlorophyll
c, pheophytin, suspended total solids and turbidity. Limnological parameters did not show
any temporal pattern. Exchange water and daily feeding slightly affected water quality and
effluents. Carbon and nitrogen did not accumulated in water column or soil while
phosphate was immobilized or trapped by the mud. Feeding rate and kind of harvest
showed low effect on water quality, effluents and none on accumulation of carbon,
nitrogen and phosphorus, in the mud. Correlation among water quality parameters are
weak or absent. Data suggest that intrinsic characteristics of each pond play a major role
on pond ecology.

Key-words: Macrobrachium amazonicum - limnology - different feed levels and
harvest management





8
INTRODUÇÃO
A aqüicultura é conceituada como o processo de produção em cativeiro de
organismos com habitat predominantemente aquático, em qualquer estágio de
desenvolvimento, ou seja, ovos, larvas, pós-larvas, juvenis ou adultos (Rana, 1997). A
aqüicultura moderna está embasada em três pilares: a produção lucrativa, a preservação
do meio ambiente e o desenvolvimento social (Valenti 2000, 2002a).
A qualidade da água dos viveiros é fundamental para o sucesso da aqüicultura
(Boyd & Zimmermann, 2000; Kubitza, 2003). Entre as variáveis mais importantes estão o
oxigênio dissolvido e o nitrogênio amoniacal. A importância do oxigênio reside no fato de
a maioria dos animais satisfazer sua necessidade de energia por meio da oxidação de
alimentos, com a formação de dióxido de carbono e água no processo (Schmidt-Nielsen,
2002). Portanto, este é de importância fundamental para a manutenção da vida
(Margalef, 1983). O nitrogênio amoniacal é o principal resíduo nitrogenado excretado
pelos camarões, tendo origem nos processos metabólicos de transformação e oxidação
da proteína (aminoácidos) obtida nos alimentos. Em geral, a ingestão de alimentos com
excessivo teor protéico e/ou com desbalanço na sua composição em aminoácidos
(unidades formadoras das proteínas) geralmente aumenta a excreção de nitrogênio
amoniacal pelos camarões. Outra importante fonte de nitrogênio amoniacal no cultivo é a
decomposição microbiana das proteínas e aminoácidos eliminados nas fezes
(Hargreaves, 1998). O nitrogênio amoniacal é tóxico aos camarões, o que obriga a
adoção de estratégias que evitem o seu acúmulo excessivo na água ao longo do cultivo
(Kubitza, 2003).
A aqüicultura depende fundamentalmente dos ecossistemas nos quais está
inserida (Valenti, 2000; Assad & Bursztyn, 2000). Estes devem permanecer equilibrados
para possibilitar a manutenção da sua atividade. A preservação ambiental é parte do
processo produtivo. Não se concebe o desenvolvimento de técnicas de manejo para
aumentar a produtividade sem se avaliarem os impactos ambientais produzidos (Valenti,
2000). Assim, a avaliação dos efluentes de viveiros de cultivo é de grande interesse.
9
O maior comprometimento da água usada em aqüicultura se deve ao seu
enriquecimento (eutrofização), por meio do arraçoamento (Boyd, 1979). Depois que um
corpo d’água é eutrofizado, pode custar muito mais reverter o dano do que teria custado
prevenir seu surgimento (Cairncross, 1992). Portanto, a ração alocada deve ser
ministrada proporcionalmente ao consumo dos organismos cultivados, bem como à
manutenção da qualidade de água.
Entre os organismos cultivados, os crustáceos aparecem com destaque. Em
2001, o grupo ocupou o quarto lugar em termos de produção mundial, com 1,9 milhões
de toneladas, porém, esteve em terceiro lugar em relação às receitas geradas com US$
11,5 bilhões (Borghetti et al., 2003). Aproximadamente, 1,7 milhões de toneladas foram
produzidas na Ásia. A América do Sul produziu 120,4 mil toneladas, seguida da América
do Norte e Central com 91,4 mil toneladas, a África com 5,8 mil toneladas, e a Oceania
com 5,1 mil toneladas (Borghetti et al., 2003).
O cultivo de camarões de água doce é um dos setores da aqüicultura que mais
cresce no mundo (Valenti, 2000). Conforme Valenti (2002b), a produção mundial de
camarões de água doce, seguramente, ultrapassou 240.000 t em 2000, e cresceu mais
de 1.000% na última década, movimentando mais de US$ 1 bilhão. De acordo com os
dados da FAO (2002), entre 1990 e 2000, o volume de Macrobrachium rosenbergii
produzido passou de 21.000 para 118.500 toneladas, correspondendo a um crescimento
de quase 500%. No Brasil, na última década foi estimada produção de cerca de 500 t
anuais (FAO, 2002), e o grupo GTCAD estimou em aproximadamente 400 t em 2001
(Valenti, 2003). Contudo, sabe-se que existe um potencial de espécies nativas, e, entre
elas, a mais importante é o camarão-da-amazônia, Macrobrachium amazonicum
(Moraes-Riodades & Valenti, 2004a). Esta espécie vem sendo explorada pela pesca
artesanal em açudes (Gurgel & Matos, 1984) e rios (Collart & Moreira, 1993; Valenti &
Moraes-Riodades, 2004; New, 2005).
O camarão-da-amazônia (Macrobrachium amazonicum) apresenta ampla
ocorrência no Brasil, sendo observado no Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão,
10
Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul (Young, 1998). Pesquisas recentes revelam que esta espécie possui
grande potencial para o cultivo comercial (Moraes-Riodades & Valenti, 2004b) com baixo
impacto ambiental (Moraes-Riodades & Valenti, 2001).
O sucesso do cultivo de camarão de água doce em viveiros depende da
manutenção da qualidade de água e do sedimento (Boyd & Zimmermann, 2000). Um dos
problemas resultantes do cultivo se deve a estratégias de alimentação inadequada
(Kubitza, 2003). Manejos com maiores taxas de arraçoamento, segundo Boyd (2004),
incrementam a produtividade em resposta à entrada de nutrientes oriundos da ração e
fertilização. Adicionalmente, para permitir-se o crescimento homogêneo em viveiros, em
virtude da dominância de machos e fêmeas maduras um outro manejo é a adoção de
despescas seletivas (Valenti, 2002b; Moraes-Riodades & Valenti, 2004; Yasharian et al.,
2004) a cada duas ou três semanas (Yasharian et al., 2004).
Os manejos com maiores taxas de arraçoamento promovem excesso de produtos
nitrogenados decorrentes da excreção, assim como da decomposição microbiana da
matéria orgânica (Hargreaves, 1998). Os principais compostos tóxicos são nitrogênio
amoniacal e nitrito (Shishehchian et al., 1999). Este último é um composto intermediário
da oxidação da amônia a nitrato (Midlen & Redding, 2000), sendo observado em águas
muito eutrofizadas ou nas camadas de água mais profundas, onde a decomposição
anaeróbica leva ao seu acúmulo (Ono & Kubitza, 2003). O nitrogênio amoniacal também
é um produto dessa decomposição, bem como da excreção nitrogenada (Boyd &
Zimmermann, 2000). O nitrogênio constitui um dos elementos fundamentais para o
metabolismo dos viveiros. Quando presente em baixas concentrações, pode atuar como
fator limitante na produção primária (Boyd, 1979).
Além dos compostos nitrogenados, outras características limnológicas estão
envolvidas na dinâmica de viveiros para permitir o desenvolvimento dos camarões (Boyd
& Zimmermann, 2000). A turbidez pode ser influenciada pelo material alóctone
proveniente da água de abastecimento ou da ração. Sua variação, quando advém da
11
água que mantém os viveiros, pode ter origem na erosão das margens da represa,
causada pela ação do vento e das chuvas, bem como o transporte dos sedimentos (Ono
& Kubitza, 2003).
O fósforo é geralmente o principal fator limitante ao desenvolvimento do
fitoplâncton em ambientes aquáticos (Esteves, 1988). Entre todas as formas ou frações
de fosfato, o ortofosfato assume maior relevância por ser a principal forma assimilada
pelos vegetais aquáticos. Sua concentração depende da densidade e da atividade de
organismos, especialmente fitoplanctônicos e de macrófitas aquáticas, os quais durante a
fotossíntese podem assimilar grandes quantidades destes íons (Boyd, 1979; Esteves,
1988). Em ambientes aquáticos de alta temperatura, a taxa metabólica dos organismos
aumenta consideravelmente, fazendo com que o ortofosfato solúvel seja mais
rapidamente assimilado e incorporado na sua biomassa (Boyd, 1979). Este é um dos
principais motivos pelo qual a concentração de ortofosfato solúvel é muito baixa.
Adicionalmente, Zimmermann (1998) e Boyd & Zimmermann (2000) listam
variáveis também fundamentais para o sucesso do cultivo de Macrobrachium, que são o
oxigênio, pH, alcalinidade total, sólidos totais suspensos. Em suma, aspectos biológicos,
químicos e físicos da água influenciam no crescimento, na resistência a doenças, na
reprodução e na tolerância a variação da temperatura dos camarões de água doce
extremas (Boyd & Zimmerman, 2000).

Fundamentação teórica e objetivos do trabalho
Os viveiros para cultivo semi-intensivo de camarões de água doce são
ecossistemas límnicos em fase inicial de sucessão ecológica (Valenti & New, 2000). Eles
apresentam diversidade biótica, teia alimentar, estrutura trófica e ciclagem de nutrientes
minerais (Valenti, 1995, 1998; Valenti & New, 2000). Quando são cheios, inicia-se um
processo de sucessão ecológica, ocorrendo vários estágios serais. Esta pode ser
autotrófica ou heterotrófica (Valenti, 1995). Geralmente, os viveiros recebem adubo
orgânico inicial e ração é adicionada ao longo do cultivo. Portanto, a sucessão é
12
principalmente heterotrófica e predominam as cadeias alimentares detríticas (Valenti &
New, 2000).
Os viveiros de carcinicultura de água doce podem ser estáticos ou dinâmicos. Nos
primeiros não há entrada e saída contínua de água, o que ocorre nos últimos. Os viveiros
estáticos funcionam como ecossistemas lênticos, enquanto que os viveiros dinâmicos
apresentam características intermediárias entre os sistemas lênticos e lóticos (Valenti,
1998).
Os viveiros são ecossistemas com grande entrada e saída de energia e materiais
(Valenti & New, 2000). As principais entradas são os camarões estocados, o adubo
orgânico, a ração administrada e a luz do sol, enquanto que as principais saídas são a
água do efluente e os camarões despescados (Valenti, 1998; Valenti & New, 2000). Com
o crescimento dos camarões, a ração fornecida vai aumentando ao longo do cultivo
proporcionalmente à biomassa. Esses fatores, aliados à sucessão ecológica, podem
resultar em modificações nas variáveis da água no decorrer do cultivo. Além disso, o
manejo empregado, tal como a taxa de arraçoamento e o tipo de despesca, pode
interferir nas variáveis ambientais.
Os camarões geralmente são alimentados com dieta peletizada ou extrusada,
com teor protéico variando de 30 a 40%. Os níveis de cálcio e fósforo adequados não são
conhecidos, mas Zimmermann (1998) recomenda 3 e 1,5%, respectivamente. A
quantidade de ração fornecida é proporcional à biomassa de camarões presente no
viveiro. Valores entre 2 e 20% da biomassa têm sido empregados (New, 2002), variando
de acordo com a fase de desenvolvimento dos camarões, e com o nível de intensificação
do cultivo e a produtividade natural dos viveiros. A ração diária é fornecida a "lanço" em
toda a superfície do viveiro (Zimmermann, 1998; Valenti, 1996).
A taxa de arraçoamento não é constante em todo o período de cultivo. À medida
que os camarões crescem, a necessidade diária de alimento por unidade de biomassa
diminui (Valenti, 1996). Por outro lado, com o aumento da biomassa total de camarões no
interior do viveiro, os recursos autóctones se esgotam e a dependência do alimento
13
alóctone é maior (New & D'Abramo, 2000). Portanto, a taxa ótima de ração no final do
cultivo pode diminuir, aumentar ou permanecer constante. Estudos variando a taxa de
alimentação no último mês de cultivo do camarão-da-amazônia são importantes para
definir o manejo alimentar adequado, de modo a maximizar a produção e reduzir os
custos e impacto ambiental.
Na carcinicultura de água doce, a despesca pode ser total, parcelada (seletiva) ou
mista (Valenti & New, 2000). Estes sistemas são descritos detalhadamente em Valenti
(1998), Valenti & New (2000) e New (2002). Resumindo, a despesca total é realizada
esvaziando-se o viveiro e coletando-se todas os camarões, enquanto que a despesca
parcelada é realizada com a passagem de redes de arrasto para coleta apenas de
camarões com tamanho comercial. Na despesca mista, são realizados arrastos com
redes durante o cultivo e, no final do período, os viveiros são esgotados e todos os
camarões remanescentes são retirados.
A despesca pode ser considerada como um fator ecológico periódico que modifica
bastante o ecossistema (Valenti, 1995). Evidentemente, a aplicação de arrastos com rede
tipo “picaré” revolve todo o fundo, ressuspendendo o sedimento e, possivelmente,
tornando os nutrientes e a matéria orgânica disponíveis para os processos biológicos que
ocorrem na coluna d’água. Supõem-se que o arrasto pode causar estresse nas
comunidades bentônicas e nos próprios camarões, alterar as características da água e os
processos de fixação de carbono orgânico por fotossíntese e de decomposição por
microorganismos. Assim, o manejo com despescas seletivas pode produzir alterações
momentâneas ou até permanentes nas características limnológicas da água e efluentes
dos viveiros.
Embora a qualidade da água de viveiros de carcinicultura de água doce seja
freqüentemente monitorada, pouca pesquisa foi realizada até o momento para
compreender-se a estrutura e funcionamento desses ambientes artificiais. Assim, neste
trabalho foi realizado um estudo limnológico dos viveiros de cultivo de Macrobrachium
amazonicum submetidos a diferentes taxas de arraçoamento e tipo de despesca, visando
14
fornecer subsídios para o entendimento desses ecossistemas, o que permitirá o
estabelecimento de um manejo adequado.
Neste experimento, os dados foram organizados de três modos diferentes para
possibilitar a realização de três análises, abordando:

1. Funcionamento dos viveiros. Esta análise visou descrever o comportamento das
variáveis limnológicas em viveiros de produção do camarão-da-amazônia, operados
em sistema semi-intensivo. Foram enfocados os seguintes aspectos:
1.1. Variações das variáveis limnológicas ao longo do tempo;
1.2. Efeito da água de renovação sobre as variáveis limnológicas no interior do
viveiro;
1.3. Variação das variáveis limnológicas nos períodos da manhã e tarde;
1.4. Efeito da quantidade de ração fornecida sobre as características da água dos
viveiros e dos efluentes;
1.5. Variação das quantidades de matéria orgânica, nitrogênio e fósforo no fundo
dos viveiros;
1.6. Estimativa do acúmulo de nitrogênio, fósforo e íons no interior dos viveiros (na
coluna d'água);
1.7. Variação das variáveis limnológicas entre a coluna d'água e a água do
efluente;
1.8. Correlação entre as diversas variáveis limnológicas da coluna d'água dos
viveiros.

2. Efeito da taxa diária do arraçoamento nos viveiros. Esta análise visou testar a
hipótese de que a variação na taxa de arraçoamento no último mês de cultivo não
afeta as características limnológicas da água e dos efluentes. Foram enfocados os
seguintes aspectos:
2.1. Variação nas características limnológicas nos períodos da manhã e tarde;
15
2.2. Variação das quantidades de matéria orgânica, nitrogênio e fósforo no fundo
dos viveiros;
2.3. Efeito da taxa de arraçoamento sobre o acúmulo de carbono orgânico,
nitrogênio e fósforo no fundo dos viveiros;
2.4. Estimativa do acúmulo de nitrogênio, fósforo e íons no interior dos viveiros (na
coluna d'água);
2.5. Variação das variáveis limnológicas entre a coluna d'água e a água do
efluente.

3. Efeito do uso das despescas seletivas. Esta análise visou testar a hipótese de que
a aplicação de despescas seletivas produz alterações permanentes, nas
características limnológicas dos viveiros. Foram enfocados os seguintes aspectos:
3.1. Efeito dos tipos de despescas (aplicação de despescas seletivas ou não)
sobre as variáveis limnológicas da coluna d'água e dos efluentes;
3.2. Efeito dos tipos de despescas sobre a deposição de carbono, nitrogênio e
fósforo no fundo dos viveiros, e conseqüentemente no aproveitamento desses
nutrientes minerais.

Além disso, realizou-se uma análise global do experimento, para analisar a
homogeneidade dos viveiros e o efeito dos tratamentos por meio da análise multivariada.

Este trabalho insere-se em um programa multidisciplinar e multi-institucional para
o desenvolvimento da tecnologia de produção do camarão-da-amazônia, que conta com
a participação de 12 instituições do Brasil.




16

MATERIAIS E MÉTODOS

Descrição dos cultivos
O experimento foi conduzido no Setor de Carcinicultura do Centro de Aquicultura
da UNESP (CAUNESP) por um período de aproximadamente cinco meses, de
dezembro/2003 a maio/2004. Foram utilizados doze viveiros de aproximadamente 0,01
ha, escavados com fundo de terra, sem revestimento nas laterais, e profundidade com
cerca de 1 m. Estes foram construídos sobre latossolo vermelho-escuro com textura
argilosa. As características gerais do sedimento foram descritas em Valenti (1989),
descritas na tabela 1. Os taludes foram protegidos com grama para prevenção de erosão.
Tabela 1. Análise do sedimento (química e granulométrica) formador do fundo dos viveiros
(Valenti, 1989)
Parâmetro Unidade Valor determinado
Potássio Meq.100cm
-3
0,3
Cálcio Meq.100cm
-3
2,6
Magnésio Meq.100cm
-3
0,7
Hidrogênio + Alumínio Meq.100cm
-3
1,9
Saturação % 65
pH (em CaCl
2
) - 5,5
Argila % 58,10
Silte (limpo) % 30,26
Areia % 11,64

Os viveiros localizam-se na cidade de Jaboticabal (21°15’22’’S e 48°18’48’’W),
Estado de São Paulo, no Campus da Universidade Estadual Paulista (Figura 1). O clima
é do tipo Cwa, segundo a classificação de Koepen, existindo duas estações, seca e
úmida, que se alternam. A precipitação e temperaturas atmosféricas médias anuais são
de 1350 mm e 21/22°C, respectivamente. A variação das médias das temperaturas do ar
máximas em janeiro é de 29 a 30°C e a média das mínimas em julho é de 11 a 12°C
(Troppmair, 1975).

17




18
Seguiu-se rigorosamente o manejo usado no sistema semi-intensivo de
camarões-de-água doce (New, 2002). Antes do enchimento, os viveiros foram drenados,
secos ao ar, e o excesso de sedimento foi retirado. Em seguida, realizou-se a calagem
através da aplicação de 1 t/ha de calcário dolomítico e fertilização orgânica com adição
de 3 t/ha de esterco bovino curtido.
Os viveiros foram abastecidos com água proveniente de duas represas que
reciclam os efluentes de outros viveiros e contêm peixes. Estas apresentam
características hipertróficas, e sua limnologia está descrita em Macedo (2004). A taxa de
renovação foi 5-10% do volume total por dia. Portanto, o tempo de retenção foi de 10 a
20 dias. Esporadicamente, quando algum viveiro apresentou oxigênio dissolvido abaixo
de 2 mg.L
-1
, pela manhã, acionou-se um aerador de emergência.
Os viveiros foram povoados com 20 juvenis de M. amazonicum.m
-2
, com 50 dias
após a metamorfose em berçários primários e secundários, com peso médio de 0,36 ±
0,09 g. Os animais foram alimentados com ração extrusada com 37% PB, cuja
composição é apresentada na tabela 2. Os viveiros receberam adubação química com
uréia + sulfato de amônia, NPK e uréia + superfosfato simples. As quantidades de N e P
aplicadas em cada semana são apresentadas na tabela 3.


Tabela 2. Composição da ração Laguna da Socil CRS-38, usada neste experimento.
Níveis de Garantia da ração Comercial Laguna da Socil (%)
Umidade (máxima) 13
Proteína bruta (mínimo) 37
Extrato etéreo (mínimo) 7
Fibra bruta (máximo) 7
Matéria mineral (máxima) 14
Cálcio (máximo) 4
Fósforo (mínimo) 1







19
Tabela 3. Quantidade de nitrogênio e fósforo das fertilizações a cada semana
Semanas N (Kg.ha
-1
) P(Kg.ha
-1
)
3 8,8 -
4 8,8 -
5 3,12 0,68
6 3,12 0,68
9 3,12 0,68
11 1,98 4,2
12 1,98 4,2
14 1,98 4,2
17 1,98 4,2

O delineamento experimental para o estudo dos diferentes níveis de
arraçoamento foi totalmente casualizado com três tratamentos (taxas de alimentação) e
três repetições. Cada três viveiros, sorteados ao acaso, foram arraçoados no último mês
de cultivo com 3%, 5% e 7% da biomassa de camarões estimada por biometria (tabela 4).


Tabela 4. Dimensão, número de indivíduos estocados, produção e tratamento dos tipos de
arraçoamento aplicado para cada viveiro.

Viveiros


Dimensão
do viveiro
(m
2
)
N.º indivíduos
estocados
Produção
(kg.ha
-1
)
Tratamentos
2 89 1780 793,05 7%
3 92 1840 637,03 5%
4 100 2000 642,53 5%
5 101 2020 729,13 7%
6 102 2040 612,6 3%
7 106 2120 695,53 7%
9 124 2480 597,11 3%
10 115 2300 615,76 3%
12 98 1960 630,29 5%

Paralelamente, três viveiros foram submetidos ao sistema de despesca mista
(tabela 5). Quando parte da população atingiu o tamanho comercial, em meados de
março, foram iniciadas as despescas seletivas. Estas consistiram em despescas
quinzenais com redes de arrasto com malhas 15 e 18 mm para a retirada de animais
20
maiores dos viveiros (Valenti & New, 2000). Ambas apresentam tralhas de chumbo em
poliéster com 300g.m
-1
. Este processo de despesca visa acelerar o crescimento dos
camarões menores, que é inibido na presença de animais grandes nos viveiros.

Tabela 5. Dimensão, número de indivíduos estocados, produção e tratamento das
despescas aplicadas para cada viveiro.
Viveiros


Dimensão
do viveiro
(m
2
)
N.º indivíduos
estocados
Produção
(kg.ha
-1
)
Tratamentos
1 89 1780 717,93 Despesca mista
3 92 1840 637,03 Despesca mista
4 100 2000 642,53 Despesca total
8 100 2000 666,27 Despesca total
11 120 2400 500,70 Despesca mista
12 98 1960 630,29 Despesca total

As despescas seletivas se realizaram nas semanas 12, 14 e 16, 0 a 3 dias antes
das coletas de água. Em meados de maio, decorridos 145 dias do povoamento, foi
realizada a despesca total, em todos os viveiros. Após as despescas, os animais foram
contados e pesados. Depois, foi determinada a produção para cada viveiro (tabela 4).
Nos viveiros submetidos à despesca mista, esta representa a soma de todas as
despescas.
Mensalmente foi coletada uma amostra de 3-5% dos camarões estocados em
cada viveiro. Os espécimes foram medidos em paquímetro de madeira com precisão de
0,1 mm e pesados em Balança Marte A 500, com precisão de 0,01 g, para o cálculo da
ração. Esta ração foi dividida em duas porções iguais e distribuída geralmente as 8 e 16h.
A taxa de alimentação até o dia 03 de abril de 2004 (9. ª semana) variou entre 7 e
9% da biomassa contida em cada viveiro. A biomassa foi estimada por meio de biometria
mensal e corrigida mensalmente nos dois primeiros meses. Nos dois meses seguintes, foi
corrigida quinzenalmente, acrescentando-se 20% ao valor calculado para o início do mês.
No último mês, a correção foi de 10% a cada semana.


21
Coleta de dados
Semanalmente, foram realizadas medições e coletadas amostras da água de
abastecimento, do interior dos viveiros e dos efluentes nos períodos da manhã (7h-9h) e
da tarde (15-17h). As variáveis limnológicas determinadas e os métodos usados são
apresentados a seguir: a temperatura (superfície e fundo), o teor de oxigênio dissolvido
(fundo) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO
5
) foram mensurados com oxímetro
marca YSI modelo 52 (amostra integrada). Para o cálculo da DBO
5
, considerou-se a
diferença inicial e final do oxigênio dissolvido no período de cinco dias de incubação, a
uma temperatura de 20±1 °C, com água de diluição geralmente a 40% (APHA, 1992). O
pH e a condutividade elétrica foram aferidos no fundo dos viveiros, com peagômetro e
condutivímetro marca YSI, modelo 63.
Para análise das formas de nitrogênio e fósforo foram coletadas amostras
integradas, incluindo a zona fótica e afótica. Os métodos utilizados nas análises
encontram-se descritos em APHA (1992) para nitrato, em Strickland & Parsons (1960)
para nitrito, em Solorzano (1969) para nitrogênio amoniacal e em Valderrama (1981) para
nitrogênio total. O fósforo total e ortofosfato solúvel foram determinados segundo Adams
(1990) e Boyd & Tucker (1992); a turbidez foi avaliada segundo Wetzel & Likens (1991)
por meio do espectrofotômetro, e os sólidos totais suspensos, pelo método gravimétrico,
segundo Boyd & Tucker (1992). Os pigmentos clorofila a, b, c e a feofitina foram
analisados de acordo com APHA (1992). Utilizou-se o espectrofotômetro marca Hach,
modelo 2000. Todas as determinações foram realizadas em duplicatas. Quando os
valores obtidos foram próximos, considerou-se como resultado o valor médio. Se os
valores foram discrepantes, realizou-se uma terceira leitura e descartou-se o valor
extremo.
As coletas de sedimento se realizaram em novembro, antes da implantação dos
cultivos, e na 1.ª, 9.ª e 18.ª semanas de cultivo. As coletas foram realizadas
aleatoriamente nos viveiros, usando-se uma pá, com capacidade de coleta de
aproximadamente 10 cm de profundidade. Em seguida, as amostras foram secas ao ar e
22
armazenadas em recipientes de isopor. Antes das análises laboratoriais, elas foram
peneiradas em malha com abertura de 2 mm e homogeneizadas. Utilizou-se o método da
Dakota do Sul, modificado para a determinação da matéria orgânica (Cantarella et al.,
2001). Realizou-se, também, a determinação do nitrogênio total conforme a metodologia
descrita em Tedesco et al. (1985). Esse método consiste, basicamente, na digestão das
amostras em bloco digestor, em temperatura de até 330 °C, na presença de oxidantes e
catalisadores. Posteriormente, destila-se o extrato em destilador microKjeldahl e
quantifica-se o N por titulometria ácido-base. As concentrações de fósforo total foram
determinadas com base na metodologia descrita por Kuo (1996), sendo efetuadas as
análises por meio de método colorimétrico.

Análise estatística
Todos os dados foram analisados utilizando-se os “softwares” “Statistica” versão
6.0 da Statsoft Company (Statsoft, 1996) e SAS versão 8.2 (SAS Institute, 2001). Foram
considerados resultados estatisticamente significativos aqueles para os quais o valor da
probabilidade (p) foi igual ou menor que 0,05.

Funcionamento dos viveiros e teste das taxas de arraçoamento
Para estudar o funcionamento dos viveiros, utilizou-se os dados dos nove viveiros,
operados com despesca total nas primeiras 14 semanas, isto é, antes do início do
arraçoamento diferencial. Assim, o estudo foi realizado com 9 réplicas, sendo que para
cada uma representa-se o sistema de cultivo semi-intensivo do camarão-da-amazônia. A
taxa de renovação da água foi 5-10% ao dia e densidade de estocagem de 20
juvenis.m
-2
.
Os dados obtidos para cada variável da água dos viveiros, a cada semana, nos
nove viveiros, foram juntados. Calculou-se a média e os desvios padrão para os períodos
da manhã e tarde, separadamente. A seguir, os valores obtidos foram lançados em
gráfico ao longo do tempo para avaliar-se a existência de um padrão de variação
23
temporal. Além disso, os dados de todos os viveiros foram agrupados por variável e
testou-se a normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk. Quando o resultado indicou que não
há desvio significativo da normalidade, testou-se a homocedasticidade pelo teste de
Levene. Satisfeitas estas premissas, calcularam-se as médias e desvios padrão e
aplicou-se o teste t de Student para compararem-se as médias obtidas para cada variável
nos períodos manhã e tarde. Quando houve desvio significativo da normalidade ou
homocedasticidade retirou-se os outliers e/ou realizou-se transformação dos dados. Esta
seguiu as interpretações dos resultados dos ajustes da lei de potência de Taylor e o
modelo de Lloyd, a fim de estimar os parâmetros a, b e a, B, respectivamente. Quando
não foram satisfeitas as premissas, aplicou-se o teste Mann-Whitney.
Os dados obtidos para cada variável da água e dos efluentes, após o início do
arraçoamento, com taxas diferentes, foram agrupados por tratamento (3%, 5% e 7% da
biomassa de camarões por dia). Posteriormente, testou-se a normalidade e
homocedasticidade, conforme procedimento descrito no parágrafo anterior. Satisfeitas
essas premissas, calcularam-se as médias e desvios padrão para cada tratamento nos
períodos da manhã e tarde. Aplicou-se a análise de variância pelo teste F com duas
classificações (nível de arraçoamento e período do dia). Quando as premissas não foram
satisfeitas, aplicou-se o teste de Friedman, que é uma análise de variância não
paramétrica, seguida pelo teste de diferença quadrada mínima (Zar, 1984).
Determinou-se o coeficiente de correlação linear de Pearson “r” (Sokal & Rohlf,
1995) entre a quantidade de ração fornecida no dia da coleta e o valor determinado de
oxigênio dissolvido, nitrogênio amoniacal (N-NH
3
), nitrogênio-nitrato (N-NO
3
), fósforo
total, clorofila, feofitina e sólidos totais suspensos. Determinaram-se, ainda, os
coeficientes de correlação linear de Pearson (r) para cada variável limnológica
determinada na água de abastecimento e no interior dos viveiros, e a correlação linear
entre todas as variáveis estudadas. Para essas análises, foram usados todos os dados
obtidos nos nove viveiros durante todo o cultivo. Portanto, o número de dados usados na
análise (N) foi ao redor de 300.
24
Para o sedimento, utilizou-se delineamento inteiramente casualizado (DIC), para
os tratamentos (3, 5 e 7%) da biomassa, bem como para as semanas (1, 2, 3 e 4).
Verificou-se, além da normalidade, também a Homocedastidade dos dados (Teste
Levene’s), cumprindo-se os pressupostos para a realização da Análise de Variância.
Quando necessário, as transformações dos dados ocorreram de forma similar à descrita
para as variáveis limnológicas. A análise de variância também foi complementada pelo
Teste Tukey, para a comparação de médias. Porém, quando os pressupostos para Anova
não foram satisfeitos, realizou-se o teste de Kruskall Wallis, seguido pelo teste diferença
quadrada mínima (Zar, 1984).

Teste das despescas total e mista
A análise do tipo de despesca foi realizada comparando-se os três viveiros que
receberam despesca seletiva com os três que receberam despesca total arraçoados com
5% da biomassa dos camarões no último mês.
Os dados obtidos para cada variável da água dos viveiros e dos efluentes, após o
início das despescas seletivas (aproximadamente três meses após o início do
experimento-12.ª semana), foram agrupados por tratamento (despesca mista e despesca
total) e por período do dia. A seguir, procedeu-se aos testes de normalidade e
homocedasticidade e as variáveis foram comparadas pelo teste t ou Mann-Whitney entre
os tratamentos e períodos do dia.
Os valores de carbono, nitrogênio e fósforo obtidos no sedimento na última coleta
(6 semanas após o início das despescas seletivas) foram comparados entre os dois tipos
de despescas, conforme explicado no item anterior.

Análise global do experimento
Os dados de todas as variáveis limnológicas obtidas na coluna da água e nos
efluentes dos 12 viveiros foram analisados em conjunto, por meio de uma análise
multivariada. Para isso, utilizou-se a análise de agrupamento complementada com a
25
análise de componentes principais (ACP). A análise de agrupamento foi processada
segundo a metodologia proposta por Sneath & Sokal (1973). Foi aplicada aos dados,
utilizando-se como coeficiente de semelhança entre os viveiros a distância euclidiana,
que é um coeficiente de dissimilaridade, pois quanto menor a distância entre dois locais,
mais similares eles são, segundo as características consideradas. A estratégia de
agrupamento adotada foi a Average Linkage - UPGMA (Unweighted Pair Group Method
with Arithmetic Averages).

RESULTADOS
A figura 2 apresenta as médias semanais da temperatura e precipitação durante
todo o período de estudo. A temperatura variou, em média, de 20,7 a 25,0°C, e a
precipitação máxima semanal foi 215,7 mm.


0
50
100
150
200
250
1 3 5 7 9 11 13 15 17
Semanas
P
r
e
c
i
p
i
t
a
ç
ã
o

(
m
m
)
0
5
10
15
20
25
30
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

d
o

a
r


(
o
C
)
Precipitação Temperatura

Figura 2. Temperatura do ar (°C) e precipitação (mm), ao longo do cultivo, de
Macrobrachium amazonicum



26
Funcionamento dos viveiros
A figura 3 apresenta as médias das temperaturas na superfície e fundo, nos
períodos manhã e tarde, durante todo o cultivo da água de abastecimento e dos doze
viveiros estudados.

Figura 3. Temperatura na superfície e fundo no período da manhã e tarde durante 18
semanas em viveiros de Macrobrachium amazonicum. Abast. = água de abastecimento;
SM=superfície manhã; ST=Superfície tarde; FM= fundo manhã; FT = fundo tarde

A figura 4 apresenta a quantidade fornecida da ração, dos nove viveiros, até a
décima quarta semana de cultivo. Esta atingiu 80 kg.ha
-1
. dia
-1
, mas a média,
considerando todo o período do cultivo foi de 29 kg. ha
-1
.dia
-1
(cerca de 290g por viveiro).
A quantidade total de ração, adicionada em cada viveiro, até a 14.ª semana foi, em
média, 39,69 kg.


27



Figura 4. Quantidade da soma da dieta fornecida semanalmente por viveiro. Os pontos
no centro correspondem às médias, as caixas, ao erro padrão, e as barras aos desvios
padrão.

A variação temporal das variáveis até a décima quarta da semana de cultivo são
apresentados nas figuras de 5 a 21, com suas respectivas médias e desvios padrão.
Apenas as variáveis condutividade elétrica, demanda bioquímica de oxigênio, clorofila a e
feotitina mostraram um padrão de variação definido, que seguem funções polinomiais.
Nas demais variáveis, observou-se uma variação aleatória ao redor da média obtida em
todo o período.
28
0
2
4
6
8
10
12
14
16
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
O
x
i
g
ê
n
i
o

d
i
s
s
o
l
v
i
d
o

(
m
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 5. Variação temporal do oxigênio dissolvido em mg.L
-1
, ao longo do cultivo, antes do
início do arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde;
Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada
representa a média geral.
0
50
100
150
200
250
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
O
x
i
g
ê
n
i
o

d
i
s
s
o
l
v
i
d
o

(
%
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 6. Variação temporal do oxigênio dissolvido (em porcentagem de saturação), ao
longo do cultivo, antes do início do arraçoamento diferencial. Água de abastecimento:
média entre manhã e tarde; Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados.
A linha pontilhada representa a média geral.


29

y = 0,0505x
3
- 1,1914x
2
+ 7,8139x - 4,7817
R
2
= 0,80
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
D
B
O
5

(
m
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 7. Variação temporal da demanda bioquímica de oxigênio, ao longo do cultivo, antes
do início do arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde;
Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A curva representa uma
equação polinomial.


6
6.5
7
7.5
8
8.5
9
9.5
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
p
H
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 8. Variação temporal do pH, ao longo do cultivo, antes do início do arraçoamento
diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros: Média ± desvios
padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média geral.


30
30
35
40
45
50
55
60
65
70
75
80
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
A
l
c
a
l
i
n
i
d
a
d
e

t
o
t
a
l

(
m
g
.
L
-
1

C
a
C
O
3
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 9. Variação temporal da alcalinidade total, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.

y = -0,2767x
3
+ 5,4358x
2
- 31,411x + 151,79
r
2
= 0,80
70
80
90
100
110
120
130
140
150
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
C
o
n
d
u
t
i
v
i
d
a
d
e

e
l
é
t
r
i
c
a


(
µ
S
.
c
m
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 10. Variação temporal da condutividade elétrica, ao longo do cultivo, antes do início
do arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A curva representa uma equação
polinomial.


31
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
N
i
t
r
a
t
o

(
µ
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros




Figura 11. Variação temporal do nitrato, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.

0
20
40
60
80
100
120
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
N
i
t
r
i
t
o

(
µ
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 12. Variação temporal do nitrito, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.

32
0
50
100
150
200
250
300
350
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
N
i
t
r
o
g
ê
n
i
o

a
m
o
n
i
a
c
a
l

(
µ
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros


Figura 13. Variação temporal do nitrogênio amoniacal , ao longo do cultivo, antes do início
do arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.


0
0.01
0.02
0.03
0.04
0.05
0.06
0.07
0.08
0.09
0.1
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
O
r
t
o
f
o
s
f
a
t
o

s
o
l
ú
v
e
l

(
m
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 14. Variação temporal do ortofosfato solúvel, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.


33
0
0.05
0.1
0.15
0.2
0.25
0.3
0.35
0.4
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
F
ó
s
f
o
r
o

t
o
t
a
l

(
m
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 15. Variação temporal do fósforo total, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.


y = -1.6772x
3
+ 45.99x
2
- 343.89x + 800.88
r
2
= 0.60
0
200
400
600
800
1000
1200
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
C
l
o
r
o
f
i
l
a

a

(
µ
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 16. Variação temporal da clorofila a, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.

34
0
100
200
300
400
500
600
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
C
l
o
r
o
f
i
l
a

b

(
µ
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros


Figura 17. Variação temporal da clorofila b, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde; Viveiros:
Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média
geral.

0
50
100
150
200
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
C
l
o
r
o
f
i
l
a

c

(
µ
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros
Figura 18. Variação temporal da clorofila c, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média geral. entre manhã e tarde;
Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada
representa a média geral.



35
y = 1.5802x
3
- 11.34x
2
- 105.11x + 955.72
r
2
= 0.61
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
F
e
o
f
i
t
i
n
a

(
µ
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros


Figura 19. Variação temporal da feofitina, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média geral. entre manhã e tarde;
Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada
representa a média geral.

0
0.02
0.04
0.06
0.08
0.1
0.12
0.14
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
S
ó
l
i
d
o
s

t
o
t
a
i
s

s
u
s
p
e
n
s
o
s


(
m
g
.
L
-
1
)
Água de
abastecimento
Viveiros

Figura 20. Variação temporal dos sólidos totais suspensos , ao longo do cultivo, antes do
início do arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média geral. entre manhã e
tarde; Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada
representa a média geral.


36
0
15
30
45
60
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Semanas
T
u
r
b
i
d
e
z

(
U
N
T
)
Água de
abastecimento
Viveiros


Figura 21. Variação temporal da turbidez, ao longo do cultivo, antes do início do
arraçoamento diferencial. Água de abastecimento: média geral. entre manhã e tarde;
Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada
representa a média geral.


A tabela 6 apresenta os valores médios da qualidade da água de abastecimento,
analisada durante todo o experimento, nos períodos da manhã e tarde. Observaram-se
valores elevados nos desvios padrão em todas as variáveis, mostrando que a qualidade
da água de abastecimento apresentou grau de variações ao longo do cultivo.

















37
Tabela 6. Médias (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas da água
de abastecimento ao longo de todo o cultivo
Variável Manhã Tarde
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
)
5,72±1,39 7,52±2,13
Oxigênio dissolvido (%)
70,97±16,93 96,87±28,93
DBO
5
(mg.L
-1
)
4,84±3,24 6,46±4,22
PH
8,04±0,78 7,73±0,59
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
)
45,86±5,34 40,67±6,77
Condutividade elétrica (µS.cm
-1
)
102±37 92±18
Nitrato (µg.L
-1
)
730±861 1129±1161
Nitrito (µg.L
-1
)
58±25 44±12
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
)
140±124 88±62
Nitrogênio total (mg.L
-1
)
- 4,98
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
)
0,029±0,032 0,022±0,029
Fósforo total (mg.L
-1
)
0,086±0,113 0,104±0,110
Clorofila a (µg.L
-1
)
388±634 218±175
Clorofila b (µg.L
-1
)
144±217 132±98
Clorofila c (µg.L
-1
)
106±148 131±265
Feofitina (µg.L
-1
)
1017±1666 556±433
Sólidos totais suspensos (mg.L-1)
0,030±0,078 0,011±0,008
Turbidez (UNT)
42±105 13±9

A tabela 7 apresenta a influência da água de abastecimento nos viveiros. Nota-se
que a água de abastecimento só influenciou as variáveis condutividade elétrica,
alcalinidade total, nitrato e fósforo total (p < 0,05).

38
Tabela 7. Coeficientes de concordância de Kendall (K) obtidos para expressar as
correlações entre cada variável na água de abastecimento e nos viveiros.
Variáveis

K
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 0,12
Oxigênio dissolvido (%) 0,15
DBO
5
(mg.L
-1
) 0,14
PH 0,20
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 0,32**
Condutividade elétrica(µS.cm
-1
) 0,39**
Nitrato (µg.L
-1
) 0,54**
Nitrito (µg.L
-1
) -0,02
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
)

0,11

Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
)

0,26*
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,003
Clorofila a (µg.L
-1
) 0,20
Clorofila b (µg.L
-1
) 0,23
Clorofila c (µg.L
-1
)
0,10

Feofitina (µg.L
-1
) 0,21
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 0,09
Turbidez (UNT) -0,21
* e ** Indica que r é significativo ao nível de 5% e 1% de significância

A tabela 8 demonstra as médias nos períodos da manhã e tarde das variáveis
limnológicas nos nove viveiros, nos períodos manhã e tarde até a 14.
a
semana. Os
desvios padrão foram altos, indicando grau de variabilidade em todas as variáveis.
Diferenças significativas foram observadas entre os períodos da manhã e tarde, no
oxigênio dissolvido, DBO
5
, pH, nitrogênio amoniacal, nitrato. O fósforo total e ortofosfato
39
solúvel apresentaram acentuada queda à tarde, mas não se obteve diferença
estatisticamente significativa (p > 0,05).
Tabela 8. Médias (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas nos
nove viveiros, nos períodos manhã e tarde até a 14
a
. semana. T = teste t de Student; U=
Teste de Mann-Whitney.
Médias seguidas para letras diferentes na mesma linha diferem ao nível de 5% de significância
Manhã Tarde Teste
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 7,83±2,54a 9,04±2,40b U
Oxigênio dissolvido (%) 95,80±32,64a 117,94±34,32b t
DBO
5
(mg.L
-1
) 6,47±3,80a 7,53±4,29b t
pH 7,30±0,67a 7,55±0,50b t
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO3) 48,35±7,97 48,76±10,01 t
Condutividade elétrica (µS.cm
-1
) 98,76±19,31 102,70±19,77 t
Nitrato (µg.L
-1
) 616±1012a 947±1233b U
Nitrito (µg.L
-1
) 40±21 42±27 t
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 130,30±112,31a 80,89±80,66b t
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,040±0,039 0,031±0,034 t
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,158±0,152 0,121±0,126 t
Clorofila a (µg.L
-1
) 231±336 210±257 U
Clorofila b (µg.L
-1
) 114±204 89±96 U
Clorofila c (µg.L
-1
) 70±96 53±59 U
Feofitina (µg.L
-1
) 585±789 624±707 U
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 0,025±0,049 0,017±0,038 t
Turbidez (UNT) 22±17 18±10 t
40

A tabela 9 apresenta as correlações entre a ração e algumas variáveis
limnológicas nos viveiros. A correlação significativa (p < 0,05) foi apenas para o oxigênio
dissolvido e nitrogênio amoniacal.
Tabela 9. Coeficientes de correlação linear de Pearson (r) obtidos para expressar as
correlações entre a quantidade de ração fornecida diariamente
Variáveis r
Oxigênio dissolvido -0,14*
Nitrogênio amoniacal 0,35*
Nitrato -0,09
Fósforo total -0,08
Clorofila a -0,05
Feofitina 0,10
Sólidos totais suspensos 0,10
**Indica que “r” é significativo ao nível de 5% de significância

As figuras 22, 23 e 24 mostram as variações no carbono, nitrogênio e fósforo ao
longo do tempo no sedimento.

Figura 22. Variação da concentração de carbono orgânico no sedimento dos nove
viveiros estudados. Os pontos indicam as médias, as caixas, o erro padrão, e as
barras, os desvios padrão. O número de amostras em cada coleta foi 9. Letras
diferentes sobre as barras indicam que as médias diferem ao nível de 5% de
significância. AE=antes do enchimento; S-1: semana 1; S-9: semana 9 e S-18:
semana 18
41

Figura 23. Variação da concentração de nitrogênio total no sedimento dos nove
viveiros estudados. Os pontos indicam as médias, as caixas, o erro padrão, e as
barras, os desvios padrão. O número de amostras em cada coleta foi 9. Letras
diferentes sobre as barras indicam que as médias diferem ao nível de 5% de
significância. AE=antes do enchimento; S-1: semana 1; S-9: semana 9 e S-18:
semana 18


Figura 24. Variação da concentração de fósforo total no sedimento dos nove viveiros
estudados. Os pontos indicam as médias, as caixas, o erro padrão, e as barras, os
desvios padrão. O número de amostras em cada coleta foi 9. Letras diferentes sobre
as barras indicam que as médias diferem ao nível de 5% de significância. AE=antes
do enchimento; S-1: semana 1; S-9: semana 9 e S-18: semana 18
42

A tabela 10 apresenta os coeficientes de correlação linear de Pearson (r),
obtidos entre as variáveis limnológicas. O oxigênio dissolvido teve correlação negativa
com nitrogênio amoniacal (-0,29) e com o ortofosfato solúvel (-0,35 a -0,38). O nitrogênio
amoniacal também apresentou correlação positiva com o nitrito (0,34) e turbidez (0,34).
O nitrito teve uma alta correlação com a turbidez (1,0). O nitrato apresentou correlação
positiva com a DBO (0,40) e com os sólidos totais suspensos (0,39). A feofitina
apresentou correlação significativa e positiva com a clorofila a (0,99), clorofila b (0,33) e
clorofila c (0,31).
43

Tabela 10. Coeficientes de correlação linear de Pearson ( r) obtidos para expressar as correlações entre as variáveis limnológicas estudadas
entre si, no interior dos viveiros no período da tarde
OD OD% DBO5 pH Alcal Amon Nitrat Nitrito Ortofos Fosf Clora Clorb Clorc Feof Std Turb
OD 1,00 OD
OD% 0,99* 1,00 OD%
DBO5 0,04 0,06 1,00 DBO5
pH -0,08 -0,07 0,04 1,00 pH
Alcal 0,20 0,23 0,24 -0,11 1,00 Alcal
Amon -0,25 -0,29* -0,09 -0,20 -0,09 1,00 Amon
Nitra 0,02 0,05 0,40* -0,14 0,24 -0,25 1,00 Nitrat
Nitri -0,05 -0,05 -0,14 -0,11 -0,03 0,34* -0,10 1,00 Nitrit
Ortofosf -0,35* -0,38* -0,02 -0,01 -0,16 0,15 -0,10 0,08 1,00 Ortofosf
Fosf 0,03 0,06 0,04 0,07 0,21 0,08 -0,05 -0,03 -0,14 1,00 Fosf
Clora 0,02 0,02 -0,10 -0,06 -0,13 -0,07 -0,02 -0,01 -0,05 -0,12 1,00 Clora
Clorb -0,05 -0,06 -0,27 -0,25 0,21 0,22 -0,06 0,10 0,07 -0,16 0,31* 1,00 Clorb
Clorc 0,18 0,19 0,27 -0,09 -0,20 -0,12 0,07 0,12 -0,01 -0,22 0,24 0,18 1,00 Clorc
Feof 0,01 0,01 -0,09 -0,07 -0,14 -0,07 -0,03 -0,02 -0,02 -0,14 0,99* 0,33* 0,31* 1,00 Feof
STD -0,20 -0,20 0,18 -0,08 0,07 -0,08 0,39* 0,17 0,02 -0,14 -0,10 0,02 -0,08 -0,10 1,00 Std
Turb -0,05 -0,05 -0,14 -0,11 -0,03 0,34* -0,10 1,00* 0,08 -0,03 -0,01 0,10 0,12 -0,02 0,17 1,00 Turb
OD= Oxigênio dissolvido em mg.L
-1
, Oxigênio dissolvido (%); DBO
5
= Demanda bioquímica de oxigênio; Alcal= Alcalinidade total; Amon=
Nitrogênio amoniacal; Nitra= Nitrato; Nitri=nitrito; Ortofosf= ortofosfato solúvel; Fosf=Fósforo total; Clora = Clorofila a; Clorb= Clorofila b; Clorc= Clorofila c;
Feof = feofitina; STD= sólidos totais suspensos e turb= turbidez
*indica que "r" é significativo ao nível de 5% de significância
45
A tabela 11 apresenta as médias nos períodos manhã e tarde. Diferenças
estatisticamente significativas foram observadas para as variáveis oxigênio dissolvido,
oxigênio em porcentagem de saturação, pH, nitrato, fósforo total e clorofila c.
Tabela 11. Média (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas nos
efluentes dos nove viveiros, nos períodos manhã e tarde até a 14.ª semana. T = teste t de
Student; U= Teste de Mann-Whitney.
Manhã Tarde Teste
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 6,34±2,71
a
7,45±2,81b U
Oxigênio dissolvido (%) 90,15±41,47
a
119,98±34,15b t
DBO
5
(mg.L
-1
) 6,57±3,54 6,42±3,38 t
pH 6,95±0,51a 7,24±0,52b t
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 50,89±9,51 49,58±9,69 t
Condutividade elétrica (µS.cm
-1
) 100±17 100±17 t
Nitrato (µg.L
-1
) 403±746a 898±1237b U
Nitrito (µg.L
-1
) 49±24 49±32 t
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 163±123a 122±92b t
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,047±0,042a 0,035±0,029b t
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,153±0,136 0,125±0,143 t
Clorofila a (µg.L
-1
) 264±369 308±372 U
Clorofila b (µg.L
-1
) 98±153 112±143 U
Clorofila c (µg.L
-1
) 87±198 77±86 U
Feofitina (µg.L
-1
) 648±844 840±935 U
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 0,016±0,023 0,015±0,011 t
Turbidez (UNT) 27±31 25±37 t
Médias seguidas por letras diferentes na mesma linha diferem ao nível de 5% de significância




46

A tabela 12 mostra a correlação entre a quantidade de ração e algumas variáveis
limnológicas nos efluentes. A ração apresentou correlação negativa significativa com o
oxigênio dissolvido e positiva com o nitrogênio amoniacal.

Tabela 12. Correlação entre a ração e algumas variáveis limnológicas nos efluentes
Variáveis r
Oxigênio dissolvido -0,21*
N-amoniacal 0,27*
Nitrato 0,02
Fósforo total -0,02
Clorofila a 0,04
Feofitina -0,04
Sólidos totais suspensos 0,03
*Indica que “r” é significativo ao nível de 5% de significância

As variáveis que apresentaram diferença entre viveiro e efluente, durante o
arraçoamento, foram oxigênio (%) (p= 0,01), pH (p = 0,04), DBO
5
(p=0,0001) e sólidos
totais suspensos (p=0,02). Essas variáveis diminuíram nos efluentes (tabelas 7 e 10). As
demais não diferiram significativamente.


Efeito da taxa de arraçoamento (3%, 5% e 7% da biomassa/dia) nos viveiros
As figuras 25, 26 e 27 apresentam a quantidade média da dieta, na forma de
ração, fornecida semanalmente por viveiro nos tratamentos 3, 5 e 7%.







47



Figura 25. Quantidade média de dieta fornecida semanalmente por viveiro, no tratamento
3%. Os pontos no centro correspondem às médias, as caixas, ao erro padrão, e as barras
aos desvios padrão

Figura 26. Quantidade média da dieta fornecida semanalmente por viveiro, no tratamento
5%. Os pontos no centro correspondem às médias, as caixas, ao erro, e as barras, aos
desvios padrão
48

Figura 27. Quantidade média da dieta fornecida semanalmente por viveiro, no tratamento
7%. Os pontos no centro correspondem às médias, as caixas, ao erro, e as barras, aos
desvios padrão

A tabela 13 apresenta as variáveis limnológicas nos diferentes níveis de
arraçoamento (3, 5 e 7%), nos períodos manhã e tarde. A tabela 14 também mostra as
diferenças estatísticas. Apenas a turbidez e a clorofila a apresentaram diferença
estatística entre os tratamentos (p < 0,05). Diferenças entre os períodos manhã e tarde
foram significativas para oxigênio (%), DBO e pH (p < 0,05).
49
Tabela 13. Médias (± desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas da água dos viveiros nos três níveis de arraçoamento
estudados (3%, 5% e 7% da biomassa) nos períodos da manhã e tarde, nas semanas 15 a 18, quando se iniciou o arraçoamento diferencial.
Turbidez e clorofila c diferiram entre os tratamentos, enquanto o oxigênio, DBO e pH diferiram nos períodos da manhã e tarde
Manhã Tarde
Variáveis 3% 5% 7% 3% 5% 7%
Oxigênio dissolvido (%) 81,50±27,87 66,68±22,80 72,24±20,54 81,45±32,41 57,35±20,66 66,56±16,66
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 6,60±2,19 5,40±1,74 5,88±1,65 7,63±2,75 6,54±2,76 6,80±2,60
DBO
5
(mg.L
-1
) 6,91±2,96 4,65±3,88 6,60±2,89 7,15±2,32 7,14±3,05 5,54±3,48
pH 7,46±0,73 7,37±0,20 7,14±0,40 8,48±0,64 8,28±0,58 7,82±0,50
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 47,51±4,39 47,18±3,64 46,54±3,87 47,18±4,76 46,08±4,83 45,53±2,65
Condutividade elétrica (µS.cm
-1
) 95±20 88±15 95±11 88±10 90±17 95±11
Nitrato (µg.L
-1
) 1294±1469 1492±1387 1286±1349 1191±1459 1627±1397 1418±1453
Nitrito (µg.L
-1
) 44±21 58±19 46±16 36±25 55±20 43±15
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 167±85 198±115 225±122 110±90 132±84 150±108
Nitrogênio total (mg.L
-1
) 4,77±0,31 4,10±0,56 4,64±0,55 4,54±0,37 4,98±0,07 4,97±0,04
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,03±0,04 0,03±0,04 0,04±0,05 0,02±0,03 0,05±0,04 0,03±0,03
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,10±0,07 0,11±0,06 0,09±0,05 0,06±0,03 0,09±0,05 0,06±0,05
Clorofila a (µg.L
-1
) 334±201 306±271 216±98 304±170 423±570 262±144
Clorofila b (µg.L
-1
) 102±123 107±93 139±137 126±111 171±176 112± 69
Clorofila c (µg.L
-1
) 97±149 116±124 101±78 44±41 124±141 82±72
Feofitina (µg.L
-1
) 692±411 752±759 985±825 749±524 877±1075 970±954
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 19,16±19,04 51,50±52,41 21,03±20,84 22,64±22,36 14,87±15,52 10,03±10,73
Turbidez (UNT) 20±8 14±7 17±7 22±9 21±23 18±9

50
Tabela 14. Valores das estatísticas F (Fisher), X
2
(Friedman) e U (Mann-Whitney) e respectivas
probabilidades obtidas para a comparação entre os níveis de ração (3%, 5% e 7% da biomassa)
e período do dia (manhã e tarde) para os dados das variáveis limnológicas obtidas nas
semanas 15 a 18, quando se iniciou o arraçoamento diferencial.
Tratamentos Períodos
Variáveis

F X
2

p

F U

p
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 1,30 0,28 2,97 *0,09
Oxigênio dissolvido (%) 0,12 0,89 4,29 *0,04
DBO
5
(mg.L
-1
) 0,12 0,88 7,28 *0,009
pH 2,77 0,07 25,59 *0,0001
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 0,03 0,96 0,41 0,66
Condutividade elétrica

(mg.L
-1
) 0,87 0,42 1,08 0,30
Nitrato (µg.L
-1
) 2,10 0,13 0,41 0,66
Nitrito (µg.L
-1
) 2,39 0,09 0,04 0,84
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 0,02 0,98 0,91 0,34
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,24 0,78 2,45 0,12
Fósforo total (mg.L
-1
) 1,34 0,26 0,04 0,84
Clorofila a (µg.L
-1
) 0,93 0,62 -0,25 0,79
Clorofila b (µg.L
-1
) 0,17 0,84 0,34 0,56
Clorofila c (µg.L
-1
) 6,40 *0,04 2,02 *0,04
Feofitina (µg.L
-1
) 2,23 0,32 -0,07 0,93
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 2,39 0,10 3,54 0,06
Turbidez (UNT) 3,16 *0,04 0,07 0,79
**Diferença estatística entre os tratamentos
51
A tabela 15 apresenta as médias com testes "a posteriori". Verifica-se que a clorofila c
apresenta diferença em todos os tratamentos. A turbidez apresenta diferença entre os
tratamentos 3 e 5%, com similaridades para o tratamento 7%.

Tabela 15. Médias (± desvios padrão) da clorofila c e turbidez obtidas para cada nível
de arraçoamento nas semanas 14 a 18.
Tratamentos Clorofila c (µg.L
-1
)* Turbidez (UNT)
3% 79±99A 21±9A
5% 57±116B 18±17B
7% 89±75C 17±8AB
Médias seguidas de letra diferente na mesma coluna diferem ao nível de 5% de significância

Comparação para os tratamentos no sedimento

A tabela 16 apresenta as médias para as variáveis do sedimento nos arraçoamentos
3, 5 e 7%. Não se verificou diferença estatística significativa entre os tratamentos (p > 0,05).
Tabela 16. Médias obtidas para o carbono orgânico, fósforo e nitrogênio totais no sedimento
dos viveiros em cada nível de ração estudada (3%, 5% e 7% da biomassa), p = probabilidade de
ocorrência do valor de F obtido por ANOVA.
3% 5% 7% p
Carbono orgânico (g.dm
-3
) 13,33±1,53 14,33±4,04 10,33±1,53 0,23
Fósforo total (g.kg
-1
) 1,90±0,15 1,80±0,10 1,83±0,26 0,19
Nitrogênio total (g.kg
-1
) 0,83±0,40 0,83±0,21 0,86±0,21 0,98

A tabela 17 apresenta as diferentes médias e desvios-padrões das variáveis
limnológicas obtidas nos efluentes dos viveiros dos três tratamentos testados, depois do
arraçoamento diferencial. Verifica-se, na tabela 18, que houve diferença estatística
significativa para o pH, nitrato e nitrito entre os tratamentos. Nos períodos manhã e tarde,
houve diferença para demanda bioquímica de oxigênio, pH e nitrogênio amoniacal ( p <
0,05).
52
Tabela 17. Variáveis limnológicas nos efluentes estudados após o início do arraçoamento diferencial. As variáveis pH, nitrato e
nitrito diferiram entre os tratamentos , enquanto que as variáveis DBO
5
, pH e nitrogênio amoniacal diferiram entre os períodos
manhã e tarde (P<0,05).
Manhã Tarde
3% 5% 7% 3% 5% 7%
Oxigênio dissolvido (%) 95,55±37,74 82,67±36,65 87,04±34,86 65,24±19,30 66,74±17,92 64,97±13,66
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 5,73±1,53 4,35±1,16 5,28±1,20 6,03±2,53 5,62±1,54 5,36±1,32
DBO
5
(mg.L
-1
) 5,16±1,51 7,14±3,05 5,30±2,97 4,46±3,29 4,18±2,65 4,83±1,75
pH 7,90±0,57 7,61±0,53 7,29±0,51 7,86±0,63 7,67±0,35 7,70±0,57
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 45,07±4,48 47,38±5,97 46,67±3,18 46,33±5,48 45,28±3,76 46,05±4,75
Condutividade elétrica (µS.cm
-1
) 91±11 87±10 89±11 91±14 90±11 92±10
Nitrato (µg.L
-1
) 1209±1441 1769±1872 1353±1533 1445±1821 2052±2565 1368±1542
Nitrito (µg.L
-1
) 46±19 55±19 50±15 44±24 55±22 49±20
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 192±157 185±139 200±202 168±86 243±153 231±179
Nitrogênio total (mg.L
-1
) 4,94±0,04 4,49±0,36 4,35±0,98 5,00±0,04 5,02±0,06 4,89±0,05
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,02±0,03 0,03±0,04 0,02±0,03 0,01±0,02 0,03±0,03 0,03±0,02
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,07±0,03 0,06±0,02 0,08±0,04 0,07±0,03 0,05±0,04 0,09±0,09
Clorofila a (µg.L
-1
) 231±111 240±108 203±98 408±356 222±147 333±282
Clorofila b (µg.L
-1
) 69±44 97±71 90±74 158±139 122±59 138±129
Clorofila c (µg.L
-1
) 63±52 62±36 81±77 96±62 52±42 97±73
Feofitina (µg.L
-1
) 598±504 618±448 650±476 990±1365 560±338 783±615
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 23,09±20,33 17,94±11,92 11,52±8,02 15,97±11,02 11,14±7,42 14,76±14,57
Turbidez (UNT) 19±9 14±6 18±12 24±8 19±7 23±11
53
Tabela 18. Tabela de análise de variância dos efluentes (Tratamento= 3, 5 e 7% e período =
manhã e tarde).
Tratamentos Períodos
Variáveis F X
2
p F U p
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 1,86 0,16 2,11 0,15
Oxigênio dissolvido (%) 1,37 0,26 0,03 0,86
DBO
5
(mg.L
-1
) 1,06 0,35 8,65 *0,004
PH 3,77 *0,02 4,81 *0,03
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 0,42 0,66 0,17 0,84
Condutividade elétrica

(mg.L
-1
) 1,32 0,27 1,38 0,24
Nitrato (µg.L
-1
) 6,33 *0,04 -0,16 0,86
Nitrito (µg.L
-1
) 3,10 *0,05 0,97 0,32
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 1,76 0,18 11,30 *0,001
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,01 0,98 0,07 0,79
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,30 0,74 0,14 0,71
Clorofila a (µg.L
-1
) -0,71 0,47 -1,23 0,21
Clorofila b (µg.L
-1
) 0,17 0,84 0,34 0,56
Clorofila c (µg.L
-1
) 3,78 0,15 0,13 0,88
Feofitina (µg.L
-1
) 1,00 0,60 -0,44 0,65
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 0,21 0,81 1,63 0,20
Turbidez (UNT) 1,96 0,14 1,29 0,25
*Diferença estatística entre os tratamentos

A tabela 18 apresenta as diferenças do pH, nitrato e nitrito entre os diferentes
arraçoamentos.
54

Tabela 18. Comparação por meio de médias (Diferença quadrada mínima* e tukey) dos
tratamentos para os efluentes
Tratamentos pH Nitrato (µg.L
-1
)* Nitrito(µg.L
-1
)
3% 7,88±0,58A 1327±1610A 45±21A
5% 7,64±0,43A 1911±2201B 55±20B
7% 7,49±0,57B 1359±1500A 49±17AB
Médias seguidas de letra diferente na mesma coluna diferem ao nível de 5% de significância


Efeito do tipo de despesca

A figura 28 apresenta a quantidade diária de ração fornecida depois da adoção das
despescas seletivas. Na tabela 19 são apresentadas as médias das variáveis da qualidade
de água dos viveiros.

Figura 28. Quantidade média da dieta fornecida semanalmente por viveiro, no tratamento 7%.
Os pontos no centro correspondem às médias, as caixas, aos erros padrão, e as barras aos
desvios padrão
55


Tabela 19. Médias (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas dos nove viveiros, nos períodos manhã e tarde
após as seletivas
Total Mista
Variáveis

Manhã Tarde Manhã Tarde
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 5,63 ±1,67 6,99 ±2,62 6,30 ±2,05 7,08 ±2,13
Oxigênio dissolvido (%) 68,85 ±21,20 89,01 ±35,35 77,58 ±26,05 91,29 ±29,44
DBO
5
(mg.L
-1
) 5,92 ±3,67 6,98 ±3,14 7,02 ±2,84 7,02 ±3,59
pH 7,09 ±0,44 7,92 ±0,64 7,18 ±0,40 7,94 ±0,67
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 45,42 ±3,95 44,58 ±5,61 46,54 ±4,57 44,86 ±5,40
Condutividade elétrica

(µS.cm
-1
) 91 ±15 88 ±9,00 95 ±27 89 ±9
Nitrato (µg.L
-1
) 1220 ±1238 1239 ±1696 1059 ±1332 707 ±1085
Nitrito (µg.L
-1
) 54 ±18 53 ±18 45 ±16 47 ±21
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 208 ±99 149 ±84 201 ±97 172 ±155
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,041 ±0,046 0,066 ±0,031 0,045 ±0,039 0,084 ±0,073
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,112 ±0,087 0,086 ±0,086 0,086 ±0,056 0,112 ±0,095
Clorofila a (µg.L
-1
) 359 ±512 343 ±413 278 ±197 264 ±246
Clorofila b (µg.L
-1
) 102 ±101 136 ±129 181 ±304 95 ±73
Clorofila c (µg.L
-1
) 89 ±103 93 ±101 98 ±84 62 ±57
Feofitina (µg.L
-1
) 902 ±1199 836 ±863 830 ±557 712 ±593
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 0,050 ±0,052 0,014 ±0,014 0,026 ±0,025 0,024 ±0,028
Turbidez (UNT) 20 ±10 21 ±19 23 ±12 25 ±11
56
A tabela 20 mostra também que não ocorreu diferença estatisticamente significativa
entre os tratamentos. Entretanto, houve diferença entre os períodos manhã e tarde (p < 0,05)
para as variáveis oxigênio dissolvido, pH, ortofosfato solúvel e sólidos totais suspensos. Os
resultados, das médias e desvios, nos efluentes nos diferentes períodos do dia, estão
descritos na tabela 21. Em geral, não se notou diferença entre os tratamentos, exceto para o
oxigênio dissolvido. Para os períodos (manhã e tarde) não se observou diferença estatística
significativa (tabela 21).

57
Tabela 20. Média (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas dos efluentes dos nove viveiros, nos períodos
manhã e tarde, após as seletivas
Total Mista
Variáveis

Manhã Tarde Manhã Tarde
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 5,14 ±1,73 5,09 ±1,74 5,93 ±2,65 5,46 ±1,57
Oxigênio dissolvido (%) 66,11 ±23,58 61,07 ±20,28 75,36 ±27,36 64,21 ±22,47
DBO
5
(mg.L
-1
) 5,63 ±3,39 4,69 ±2,49 5,72 ±2,63 4,90 ±2,41
PH 7,26 ±0,75 7,48 ±0,59 7,40 ±0,61 7,34 ±0,59
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 44,77 ±7,87 44,18 ±4,19 45,56 ±4,48 44,21 ±6,88
Condutividade elétrica

(µS.cm
-1
) 89 ±10 89 ±10 92 ±13 96 ±10
Nitrato (µg.L
-1
) 1181 ±1302 1424 ±2259 1162 ±130 1362 ±2011
Nitrito (µg.L
-1
) 61 ±26 57 ±20 54 ±25 58 ±33
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 197 ±128 234 ±153 215 ±118 158 ±121
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 0,044 ±0,049 0,064 ±0,061 0,059 ±0,085 0,076 ±0,058
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,122 ±0,075 0,077 ±0,073 0,113 ±0,111 0,097 ±0,096
Clorofila a (µg.L
-1
) 266 ±194 271 ±170 247 ±294 347 ±304
Clorofila b (µg.L
-1
) 91 ±71 101 ±59 74 ±59 109 ±64
Clorofila c (µg.L
-1
) 58 ±40 80 ±65 54 ±34 88 ±65
Feofitina (µg.L
-1
) 673 ±494 678 ±411 632 ±729 828 ±797
Sólidos totais suspensos (mg.L
-1
) 0,027 ±0,042 0,011 ±0,007 0,018 ±0,014 0,015 ±0,011
Turbidez (UNT) 19 ±12 23 ±9 24 ±13 27 ±12



58
Tabela 21. Tabela das variáveis limnológicas nos viveiros com os testes t e U de Mann-Whitney
para os tratamentos, (Tratamentos= Despesca mista e despesca total) e períodos manhã e
tarde
Tratamentos Períodos
Variáveis T U

p T U p
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) -0,72 0,47 -2,11 *0,03
Oxigênio dissolvido (%) -0,84 0,40 -2,46 *0,016
DBO
5
(mg.L
-1
) -0,62 0,53 -1,74 0,08
pH -0,70 0,48 -3,75 *0,001
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 0,07 0,93 -0,042 0,96
Condutividade elétrica (µS.cm
-1
) -0,92 0,36 0,84 0,40
Nitrato (µg.L
-1
) -0,31 0,75 1,29 0,19
Nitrito (µg.L
-1
) 1,67 0,10 -0,15 0,87
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) -0,011 0,99 -1,57 0,11
Nitrogênio total (mg.L
-1
) 0,24 0,80 -2,04 0,06
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) 1,25 0,21 -2,32 *0,02
Fósforo total (mg.L
-1
) 1,04 0,30 0,31 0,75
Clorofila a (µg.L
-1
) -0,29 0,76 0,45 0,64
Clorofila b (µg.L
-1
) 0,34 0,72 1,19 0,23
Clorofila c (µg.L
-1
) 0,29 0,76 1,26 0,21
Feofitina (µg.L
-1
) 0,12 0,89 -0,18 0,85
Sólidos totais suspensos (mg.L-1) -1,31 0,19 2,09 *0,03
Turbidez (UNT) 1,12 0,26 0,76 0,44
*P < 0,05


59


As figuras de 29 a 45 apresentam a variação temporal dos parâmetros limnológicos
nos viveiros e água de abastecimento nas semanas 12 a 18, isto é, após o início das
despescas seletivas. Nota-se que não houve padrão diferenciado do comportamento dessas
variáveis, nos diferentes tratamentos.



Figura 29. Variação temporal do oxigênio dissolvido após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.
60

Figura 30. Variação temporal do oxigênio dissolvido (%) após as despescas seletivas. Os
pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D.
mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 31. Variação temporal da demanda bioquímica de oxigênio após as despescas
seletivas. Os pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. =
abastecimento; D. mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.
61

Figura 32. Variação temporal do pH após as despescas seletivas. Os pontos representam as
médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca mista;
D. total = Despesca total.

Figura 33. Variação temporal da alcalinidade total após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.
62

Figura 34. Variação temporal da condutividade elétrica após as despescas seletivas. Os
pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D.
mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 35. Variação temporal do nitrato após as despescas seletivas Os pontos representam
as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca
mista; D. total = Despesca total.
63

Figura 36. Variação temporal do nitrito após as despescas seletivas. Os pontos representam
as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca
mista; D. total = Despesca total.

Figura 37. Variação temporal do nitrogênio amoniacal após as despescas seletivas. Os
pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D.
mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.
64

Figura 38. Variação temporal do ortofosfato solúvel após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 39. Variação temporal do fósforo total após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.
65

Figura 40. Variação temporal da clorofila a após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 41. Variação temporal da clorofila b após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.
66

Figura 42. Variação temporal da clorofila c total após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 43. Variação temporal da feofitina após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.
67

Figura 44. Variação temporal dos sólidos totais dissolvidos após as despescas seletivas. Os
pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D.
mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.


Figura 45. Variação temporal da turbidez após as despescas seletivas. Os pontos
representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista =
Despesca mista; D. total = Despesca total.


68
A tabela 22 apresenta os resultados dos testes estatísticos nos efluentes,
comparando-se os tipos de despesca mista e total, assim como períodos do dia. Apenas o
oxigênio dissolvido revelou diferença entre os tratamentos (p < 0,05).
Tabela 22. Tabela das variáveis limnológicas nos efluentes testes t e U de Mann-Whitney para
os tratamentos seletiva (Tratamento= Despesca mista e despesca total) e períodos manhã e
tarde

Tratamentos Períodos
Variáveis
T U

p T U p
Oxigênio dissolvido (mg.L
-1
) 19,44 0,0001** 0,45 0,64
Oxigênio dissolvido (%) -0,84 0,40 1,18 0,23
DBO
5
(mg.L
-1
) -0,37 0,70 -0,44 0,65
pH 0,21 0,83 0,26 0,78
Alcalinidade total (mg.L
-1
CaCO
3
) 0,48 0,63 0,23 0,81
Condutividade elétrica

(mg.L
-1
) 0,69 0,49 -0,08 0,93
Nitrato (µg.L
-1
) -0,07 0,93 1,04 0,29
Nitrito (µg.L
-1
) 0,72 0,47 -0,01 0,99
Nitrogênio amoniacal (µg.L
-1
) 0,88 0,38 -0,31 0,75
Ortofosfato solúvel (mg.L
-1
) -1,30 0,20 -1,41 0,16
Fósforo total (mg.L
-1
) 0,53 0,59 1,53 0,12
Clorofila a (µg.L
-1
) -0,44 0,65 -0,30 0,76
Clorofila b (µg.L
-1
) -0,25 0,80 -0,38 0,70
Clorofila c (µg.L
-1
) 0,00 1,00 -0,80 0,42
Feofitina (µg.L
-1
) -0,41 0,68 -0,24 0,80
Sólidos totais suspensos (mg.L-1) 0,67 0,50 1,32 0,18
Turbidez (UNT) 1,39 0,16 0,39 0,69
**Diferença estatística entre os tratamentos
69

A tabela 23 apresenta os dados das médias e desvios, comparando-se os tipos de
despesca mista e total no sedimento. Os resultados estatísticos não revelaram diferença
significativa entre os tratamentos (p > 0,05).
Tabela 23. Médias gerais na despesca mista e total
Despesca mista Despesca total p
Carbono orgânico (g.dm
-3
) 12,00±2,00 11,66±2,51 0,86
Nitrogênio total (g.kg
-1
) 1,56±0,50 2,06±0,95 0,46
Fósforo total (g.kg
-1
) 1,60± 0,17 1,63±0,73 0,94


Análise Global do experimento
A figura 46 apresenta o resultado obtido na análise de agrupamento dos viveiros,
mostrando a formação de alguns grupos. Não se observa nenhum agrupamento dos viveiros
relacionado à despesca seletiva ou aos diferentes regimes alimentares.

Figura 46. Análise de agrupamento dos 12 viveiros estudados. Os números fora dos
parêntesis identificam os viveiros. Sel = Seletiva, 3%, 5% e 7% correspondem aos
tratamentos testados.
70

O resultado da Análise de Componentes Principais (ACP) está representado no
diagrama de dispersão (Fig. 45), e a tabela 24 contém os coeficientes de correlação entre as
variáveis e os dois primeiros eixos da ordenação. Nestes, foram obtidos 39,01% de
explicação da variabilidade total do sistema, sendo 22,85% no primeiro eixo e 16,16% no
segundo. A figura 46 não sugere a existência de grupos.


Figura 46. Análise de Componentes Principais em viveiros de Macrobrachium
amazonicum






71
Tabela 24. Coeficientes de correlação entre as variáveis analisadas e os dois primeiros eixos
da ordenação na ACP em viveiros de Macrobrachium amazonicum
Fator 1 Fator 2 Fator 1 Fator 2
OD%mv -0,2649 -0,3857 FOSFmv -0,3419 0,4681
OD%tv -0,4233 *-0,6076 FOSFtv -0,3947 0,1875
OD%me *-0,5868 -0,3655 FOSFme *-0,8126 -0,0309
OD%te -0,0381 -0,3480 FOSFte *-0,6216 0,3338
PHmv -0,3539 0,0761 TURBmv *-0,6214 *0,6856
PHtv 0,0931 -0,0408 TURBtv -0,3827 *0,7078
Phme -0,1503 0,3724 TURBme *-0,6029 *0,7106
PHte 0,1016 0,3033 TURBte -0,4733 *0,6224
CONDmv 0,1351 -0,3118 SOLmv 0,2598 0,0062
CONDtv 0,1879 0,2041 SOLtv -0,4724 -0,1169
CONDme -0,0226 0,0387 SOLme 0,4194 0,2609
CONDte -0,2492 *0,5817 SOLte *-0,6682 0,3225
DBO5mv *-0,5830 0,4196 CLORAmv *-0,7946 -0,2568
DBO5tv -0,4101 0,3202 CLORAtv -0,3176 0,1770
DBO5me *-0,5692 0,4374 CLORAme *-0,8372 -0,1747
DBO5te -0,4551 0,3779 CLORAte *-0,5281 *-0,5740
ALCALmv 0,0376 0,3078 CLORBmv *-0,6716 -0,3827
ALCALtv *0,5678 *-0,5673 CLORBtv -0,2763 0,3402
ALCALme -0,2679 -0,0969 CLORBme *-0,6732 0,1281
ALCALte 0,2954 0,0266 CLORBte -0,4337 -0,2143
AMONmv 0,4215 0,3381 CLORCmv *-0,5447 *-0,5109
AMONtv -0,0232 *0,7626 CLORCtv -0,2111 -0,2974
AMONme 0,1637 *0,5686 CLORCme -0,3779 0,0873
AMONmv *0,5424 0,4678 CLORCte *-0,6775 -0,2971
NITRITmv *0,7503 0,0891 FEOFITmv *-0,7187 -0,3490
NITRITtv *0,5359 0,4060 FEOFITtv -0,3183 0,1485
NITRITme 0,2781 0,4266 FEOFITme *-0,8463 -0,2423
NITRITte 0,1862 *0,8505 FEOFITte -0,4295 *-0,5103
NITRAmv *0,7142 0,1323 CARB *-0,5960 0,0605
NITRAtv *0,8553 -0,1785 FOSF -0,0187 *-0,8294
NITRAme *0,8346 0,1823 NITROG *-0,7689 -0,1712
NITRAte 0,4597 0,4104
NITROGmv 0,0291 -0,1860
NITROGtv -0,0282 -0,0800
NITROGme 0,2553 0,1763
NITROGte 0,3057 *-0,7374
ORTOmv 0,0492 -0,2419
ORTOtv 0,2082 -0,5331
ORTOme -0,4985 *0,7327
ORTOte -0,3379 0,2416
Legenda: OD% - Oxigênio dissolvido em porcentagem de saturação (%); pH= pH; COND=
condutividade elétrica; DBO
5
Demanda bioquímica de oxigênio; ALCAL = alcalinidade; ALCAL=
alcalinidade total; AMOM = nitrogênio amoniacal; NITRIT=nitrito; NITRAT=nitrato; nitrog=nitrogênio
total; orto= ortofosfato solúvel; fosf= fósforo total; TURB=turbidez; sol= sólidos totais suspensos; clor
a=clorofila a; clor b = clorofila b; clor c= clorofila c; feofit=feofitina; carb= carbono orgânicono
sedimento; fosf= fósforo no sedimento; nitrog= nitrogênio no sedimento. m= Manhã; t= Tarde; v=
viveiro e e= efluente.

72
DISCUSSÃO

Os ecossistemas límnicos são classificados em oligotróficos, mesotróficos, eutróficos
e hipertróficos (Esteves, 1988), cuja classificação baseia-se, principalmente, nos teores de
fósforo total (Vollenweider,1968). Os dados obtidos indicam que os ambientes são
hipertróficos porque apresentam valores de fósforo total maiores que 0,1 mg.L
-1
. Estes
sistemas são bastante instáveis e apresentam grandes oscilações diárias no oxigênio e pH.
Os camarões crescem ao longo do cultivo e deveriam aumentar bastante seu efeito
sobre o ambiente. Aumentam a ação mecânica originada por seu movimento e manipulação
do sedimento, o consumo de oxigênio por respiração, a excreção de amônia, a predação
sobre os outros organismos da comunidade, a ingestão de alimento e a defecação. Por isso,
a ração diária adicionada nos viveiros vai sendo elevada; neste experimento aumentou mais
de cinco vezes. Além disso, o processo de sucessão ecológica leva ao estabelecimento de
vários estágios serais que alteram as características físicas, químicas e biológicas do
ambiente (Odum, 1985). Portanto, esperam-se variações nas variáveis limnológicas ao longo
do cultivo e estas poderiam seguir um padrão condicionado pelos processos descritos acima.
Isso, no entanto, não ocorreu no presente trabalho. A maioria das variáveis estudadas
apresentou padrão de variação aleatório ao longo do cultivo. Apenas a DBO
5
, a
condutividade, a clorofila a e a feofitina apresentaram um padrão definido.
A DBO
5
aumentou, diminuiu e, em seguida, aumentou novamente, enquanto que a
condutividade apresentou padrão inverso. A DBO
5
e a condutividade elétrica seguiram o
mesmo padrão de variação da água de abastecimento, e inclusive observou-se correlação
positiva entre a água de abastecimento, condutividade e DBO
5
da água do viveiro. A feofitina
resulta da degradação da clorofila a (Wetzel, 1981) e, portanto, aumentando-se o substrato
deve-se aumentar o produto. A feofitina e a clorofila a foram altas nas primeiras e últimas
semanas e baixa no meio do cultivo. Não se identificou nenhum significado biológico para
esses padrões de variação dessas quatro variáveis. Assim, repetindo-se este experimento,
73
os picos superiores e inferiores poderiam ocorrer em semanas diferentes daquelas em que
foram observados no presente trabalho. Logo, os dados obtidos sugerem que a sucessão
ecológica e o aumento na biomassa de camarões e de adição de matéria orgânica ocorrida
nos viveiros até a 14.ª semana de cultivo não tiveram ação significativa sobre o oxigênio
dissolvido, pH, compostos nitrogenados, fósforo, íons, material em suspensão e teores de
clorofila e feofitina do fitoplâncton nos viveiros. Possivelmente, o número de fatores que age
sobre essas variáveis seja muito grande e, por isso, nas condições de cultivo praticadas, não
se constatou nenhum padrão de variação. Isso está de acordo com a instabilidade nas
variáveis da água observada em ambientes hipertróficos.
No sistema de cultivo semi-intensivo, com muita freqüência, 5 a 20% da água é
renovada diariamente para manter a qualidade da água dos viveiros adequada aos
camarões (Nunes, 2001). Supõe-se que a água eliminada do fundo seja pobre em oxigênio e
carregue consigo amônia e outros produtos da decomposição, enquanto que a água nova
traga oxigênio e dilua a concentração de compostos tóxicos. No entanto, Boyd & Tucker
(1998) afirmam que esta prática tão difundida carece de embasamento em dados concretos.
No presente trabalho, apenas a alcalinidade, condutividade, nitrato e fósforo total
apresentaram correlação positiva entre a água de abastecimento e a água dos viveiros. Por
conseguinte, o oxigênio e o nitrogênio amoniacal aparentemente não foram influenciados
pela renovação da água na faixa de 5-10% ao dia como se praticou neste trabalho. Além
dessas, nos viveiros estudados, o pH, o nitrito, o ortofosfato, a biomassa de fitoplâncton e o
material dissolvido e em suspensão parecem ser mais dependentes dos processos
biológicos que ocorrem dentro do viveiro do que da água de abastecimento. Isso pode ser
decorrente do fato de que, tanto a água de abastecimento, como dos viveiros apresentam
características hipertróficas e, portanto, não ocorre o efeito da diluição. Além disso, o manejo
empregado no sistema semi-intensivo, com adição de grande quantidade de fertilizante e
ração, deve reduzir o efeito da água de renovação.
74
Os processos biológicos e químicos que ocorrem nos viveiros levam a mudanças nos
valores das variáveis limnológicas ao longo do dia. No presente trabalho, o oxigênio, a DBO
5
,
o pH e o nitrato aumentaram no período da tarde, enquanto que o nitrogênio amoniacal
diminuiu. Não se observou diferença significativa nas demais variáveis estudadas. Esses
dados devem refletir os processos de fotossíntese e nitrificação que ocorrem nos
ecossistemas límnicos. Estes, por sua vez, são influenciados principalmente pela variação na
intensidade luminosa e temperatura.
No período da manhã, o oxigênio medido corresponde ao que restou após os
processos de respiração dos camarões e outros organismos aquáticos, decomposição da
matéria orgânica e nitrificação da amônia em nitrato ocorridas durante a noite, quando não
há fotossíntese. Com o nascer do sol, inicia-se a fotossíntese, com o consumo de CO
2
e
produção de oxigênio. Conseqüentemente, o oxigênio medido à tarde representa o saldo
entre o que foi produzido pelo fitoplâncton e o que foi gasto nos processos descritos
anteriormente. A absorção do fósforo também está associada à produção primária (Wetzel,
1981). Portanto, ao longo do dia haverá consumo de carbono inorgânico, fósforo, nitrogênio
amoniacal e liberação de oxigênio.
A demanda bioquímica de oxigênio mede, primariamente, o oxigênio gasto para
degradar a matéria orgânica biodegradável na água (APHA, 1998). Assim, esta variável pode
fornecer uma estimativa grosseira da “poluição potencial” de um viveiro. Por outro lado,
grande quantidade de oxigênio pode ser usado pelas bactérias nitrificantes para oxidar o
nitrogênio amoniacal em nitrato. Essa demanda nitrogenosa de oxigênio (DNO) pode atingir
cerca de 40% do valor da DBO
5
em viveiros de cultivo de catfish nos Estados Unidos da
América (Boyd & Gross, 1999). Além disso, o consumo de oxigênio em cinco dias representa
apenas uma fração do oxigênio total que será consumido nos processos de decomposição e
nitrificação. Esta representa cerca de 35% da DBO
5
no período da tarde. Como não ocorreu
aumento na concentração de sólidos totais suspensos, turbidez e densidade de fitoplâncton
75
(mensurada pela clorofila) supõe-se que o aumento da DBO
5
esteja relacionado ao aumento
da nitrificação do nitrogênio amoniacal. Realmente, a concentração do nitrato aumentou à
tarde e existiu uma correlação positiva entre a concentração de nitrato e a DBO
5
.
A temperatura foi geralmente uniforme, considerando a superfície e fundo durante
todo o cultivo, ocorrendo estratificação térmica apenas em algumas coletas. Boyd (1979)
afirma que em sistemas rasos (aproximadamente 1 metro) e com comprimento de até 0,04
hectares, não se verifica estratificação. Os viveiros, deste estudo, tinham essa profundidade,
como também eram menores, cerca de 0,01 hectare. Acrescenta-se a isso, o fato de a
temperatura do cultivo apresentar uma faixa de variação satisfatória. Pois, esteve dentro do
intervalo ótimo de temperatura para a taxa metabólica máxima de Macrobrachium
rosenbergii (26-32°C ou 28-30°C), por exemplo, postulados por Zimmermann (1998) e Boyd
& Zimmermann (2000). Santos & Valenti (2000), estudando um policultivo de Macrobrachium
rosenbergii com Oreochromis niloticus, também verificaram temperatura média da água de
28,0±2,6°C na superfície e 27,4±1,3°C no fundo.
A temperatura diminuiu gradativamente do verão para o inverno nos viveiros
estudados. Sipaúba-Tavares et al. (1999) verificaram esta mudança gradativa, estudando
características limnológicas em viveiros de Pacu (Piaractus mesopotamicus), executado
também em Jaboticabal, Estado de São Paulo. Esses autores observaram uma variação da
água de 18 a 30°C nos viveiros de pacu.
Ao longo do dia, ocorreu aumento da temperatura, o que acelera a decomposição da
matéria orgânica, levando à formação de amônia. Esta é imediatamente assimilada pelo
fitoplâncton ou convertida em nitrato pelas bactérias nitrificantes (Esteves, 1988). Se a
concentração for muita elevada e o pH for fortemente alcalino, pode haver perda de amônia
gasosa para a atmosfera (Delincé, 1992). Neste trabalho, houve redução de amônia no
período da tarde, indicando que os processos de fotossíntese e nitrificação predominaram
sobre o processo de amonificação. Por outro lado, à noite não ocorre fotossíntese e o
76
oxigênio vai diminuindo, o que inibe a nitrificação (Kaizer & Wheaton, 1993). Os valores mais
elevados de nitrogênio amoniacal observados pela manhã indicam que a amonificação foi
maior que a nitrificação durante a noite. Como o pH foi sempre inferior a 9, e a concentração
do nitrogênio amoniacal baixa, não deve ter havido perdas desse gás para a atmosfera.
A decomposição libera CO
2
, que forma ácido carbônico ao dissolver-se na água. Este
se dissocia em íons H
+
e bicarbonato mais carbonato, diminuindo o pH (Boyd & Tucker,
1998). Os vegetais podem absorver tanto o CO
2
livre como os íons bicarbonato (Esteves,
1988). A elevação do pH no período da tarde indica que há um predomínio do processo de
fotossíntese sobre a respiração e decomposição, pois o CO
2
está sendo retirado. Durante a
noite não há fotossíntese e, por isso, o pH é mais baixo pela manhã. Sipaúba-Tavares (1998;
1999) também observaram relação entre os valores do pH e o oxigênio dissolvido em
tanques de piscicultura. Possivelmente, isso está relacionado à participação dessas variáveis
nos processos de fotossíntese e decomposição.
O nitrato origina-se do processo de nitrificação da amônia. Este pode ser acumulado
no sistema como nitrato, absorvido pelo fitoplâncton (Hargreaves, 1998), reconvertido em
amônia por amonificação ou convertido em nitrogênio molecular (Esteves, 1988). Estes dois
últimos processos ocorrem principalmente ao nível do sedimento em condições anaeróbicas
ou de baixa concentração de oxigênio (Esteves, 1988). Nos viveiros estudados, observou-se
que o nitrato aumentou à tarde. Isto indica que durante o dia ocorreu aumento no processo
de nitrificação. Portanto, havia amônia e oxigênio suficientes. A absorção de nitrato pelo
fitoplâncton ocorre apenas quando há falta de amônia, pois o nitrato deve ser reduzido a
amônia dentro das células antes de ser usado, com um gasto energético (Esteves, 1988).
Como durante o dia, tanto o fitoplâncton como as bactérias nitrificantes concorrem pela
amônia, o fato de haver maior formação de nitrato indica que a decomposição deve ser maior
do que à noite. Isto deve ser decorrente da maior temperatura e maior disponibilidade de
oxigênio. Por outro lado, à noite ocorreu uma redução média de aproximadamente 300 µg.L
-1

77
de NO
3
-N. Este não deve ter sido convertido em amônia, porque esta aumentou apenas
cerca de 50 µg.L
-1
de NH
3
-N, em média. Por conseguinte, à noite deve estar ocorrendo um
processo de desnitrificação e cerca de 300 µg.L
-1
de nitrogênio deve perder-se dos viveiros
para a atmosfera. Embora o oxigênio sempre foi superior a 1 mg/L no fundo dos viveiros,
condições anaeróbicas podem ter ocorrido ao nível do sedimento, propiciando a ação das
bactérias desnitrificantes, formando nitrogênio molecular.
A eficiência do processo de nitrificação no interior dos viveiros é corroborada pelos
baixos valores de nitrito, que é um composto intermediário no processo de nitrificação. Sua
presença nos ambientes aquáticos é sempre baixa e só aumenta quando as reações de
nitrificação são bloqueadas (Boyd & Tucker, 1998). Os valores baixos obtidos neste trabalho
indicam que o processo de nitrificação ocorreu regularmente nos viveiros. Isto é corroborado
pelos valores elevados de nitrato no período da tarde.
O fósforo é absorvido pelo fitoplâncton principalmente como ortofosfato, mas, na falta
deste, fósforo orgânico dissolvido também pode ser assimilado (Esteves, 1988). Nos viveiros
estudados, o ortofosfato e o fósforo total diminuiram à tarde, mas a diferença não foi
significativa. No entanto, observou-se correlação negativa entre o oxigênio dissolvido e
ortofosfato (tabela 9), sugerindo que este foi consumido durante a fotossíntese, que produziu
oxigênio. Logo, supomos que a concentração do fósforo realmente diminuiu à tarde, quando
a fotossíntese é mais intensa. De acordo com Esteves (1988), os fosfatos orgânicos são
decompostos por bactérias, que produzem fosfatases, ainda na coluna d’água e o fosfato
reativo formado é rapidamente assimilado pelas algas. De acordo com este autor, essa
assimilação é tão rápida que, em ambientes naturais, muitas vezes o nível de ortofosfato é
tão baixo que não é detectado. Talvez, nos viveiros, o fósforo combinado tenha-se
convertido em ortofosfato em uma taxa mais alta durante o dia do que à noite, devido ao
aumento da temperatura e conseqüente aumento da taxa de decomposição, tanto ortofosfato
como o fosfato orgânico foram absorvidos pelo fitoplâncton durante o dia. Por isso, os níveis
78
à tarde são menores. À noite, se as condições do sedimento se tornarem anaeróbicas,
poderá haver a liberação de fósforo para a coluna d’água (Delincé, 1992). Além disso, os
camarões são animais que apresentam maior atividade à noite (Valenti, 1985). A
movimentação dos animais e a manipulação de materiais contidos no substrato (bioturbação)
podem ressuspender o sedimento, liberando fósforo para a coluna d’água (Delincé, 1992).
A alcalinidade é a capacidade da água neutralizar ácidos (Esteves, 1988; Delincé,
1992). Em ambientes de água doce, ela é dada principalmente pelos íons carbonato e
bicarbonato, que juntamente com o CO
2
são as principais formas de carbono inorgânico
disponíveis na água. Os processos de fotossíntese, desnitrificação, redução do sulfato e
dissolução de calcário usado em aqüicultura podem aumentar a alcalinidade, enquanto que a
respiração, nitrificação e oxidação dos sulfitos podem diminuir (Delincé, 1992). Além disso, a
amônia produzida e liberada para a água, pelos peixes e outros organismos aquáticos, pode
causar um efeito direto sobre a alcalinidade (Boyd, 1990; Sipaúba-Tavares et al., 1998).
Sipaúba-Tavares et al. (1998) observaram que a diminuição da concentração do nitrogênio
amoniacal afetou a alcalinidade, quando estudaram a dinâmica de algumas variáveis
limnológicas em dois tanques de piscicultura. Nos viveiros estudados, a alcalinidade não
variou entre os períodos do dia. Possivelmente, a fotossíntese ocorrida durante o dia foi
compensada pela nitrificação, já que o nitrato aumentou significativamente à tarde, indicando
a ocorrência de nitrificação. Por outro lado, à noite, a respiração pode ter sido compensada
pela desnitrificação. A alcalinidade exerce pouco efeito sobre os organismos aquáticos:
peixes e camarões têm sido cultivados em intervalos muito grande de alcalinidade sem
nenhum problema aparente (Boyd & Tucker, 1998). O principal efeito da alcalinidade em
viveiros de cultivo é o tamponamento das variações no pH dadas pelos processos de
assimilação e eliminação de CO
2
pelos organismos. Os valores obtidos variaram ao redor 40
mg.L
-1
de CaCO
3
, o que é considerado por Boyd & Tucker (1998) e Boyd & Zimmermann
(2000) como adequado para aqüicultura.
79
A condutividade elétrica é uma medida da concentração de íons na água,
principalmente, cálcio, magnésio, potássio, carbonato, sulfato e cloreto (Esteves, 1988). Os
compostos nitrogenados e os fosfatos têm pouco efeito sobre a condutividade. Assim, esta
variável pode fornecer informações complementares importantes. A variação diária pode
indicar um predomínio da fotossíntese ou da decomposição, conforme a condutividade
aumente ou diminua (Esteves, 1988). Nos viveiros estudados não houve variação entre
manhã e tarde, sugerindo que os íons retirados da água pela fotossíntese foram
compensados pela decomposição. Em águas com baixa condutividade (<600 µS.cm
-1
), os
íons cálcio são os mais importantes (Delincé, 1992). Os viveiros estudados receberam a
aplicação de 100 g.m
-2
de calcário dolomítico antes do enchimento. Isto certamente
contribuiu significativamente para a elevação da condutividade. Além disso, observou-se que
a água de renovação influiu na variação da condutividade ao longo do tempo nos viveiros.
A clorofila a é a responsável pelos processo fotossintético de fixação da energia
luminosa, enquanto que as clorofilas b e c são auxiliares na captação de energia,
repassando para a clorofila a especial. A concentração de clorofila é usada como uma
medida do “standing crop” do fitoplâncton (Wetzel, 1981). Neste trabalho, a concentração de
clorofila não variou entre manhã e tarde, indicando que a densidade de fitoplâncton não deve
ter se alterado. No entanto, deve-se destacar que a quantidade de clorofila na mesma célula
varia como uma adaptação à disponibilidade de luz (Wetzel, 1981).
A feofitina se origina da degradação da clorofila, com a perda do átomo de magnésio
(Wetzel, 1981; Lewis, 1995). Esta pode ocorrer no interior das células, tomando parte no
metabolismo secundário (Margalef, 1983) ou pode estar presente nas células mortas em fase
de degradação. Neste trabalho, observou-se que a concentração de feofitina não mostrou
diferença entre a manhã e tarde, e foi superior à soma de todas as formas de clorofila, o que
indica elevada taxa de degradação da clorofila e sugere mortalidade do fitoplâncton e
elevada decomposição. Assim, pode-se supor que a renovação do fitoplâncton foi elevada.
80
Os sólidos totais suspensos e a turbidez refletem os materiais dispersos ou
dissolvidos na coluna d’água, sejam vivos ou não, orgânicos e inorgânicos. Neste trabalho,
estas variáveis não se alteraram ao longo do dia, indicando que os processos biológicos
tiveram pouca ação sobre o material na coluna d’água, detectáveis pelos métodos usados,
ou ocorreram processos antagônicos compensatórios, isto é, adição e subtração de
quantidades equivalentes de material em suspensão e dissolvido.
A ração teve efeito muito pequeno sobre as variáveis limnológicas e do sedimento.
Ela apresentou correlação significativa fraca apenas com o oxigênio dissolvido e nitrogênio
amoniacal. Isso possivelmente ocorreu como conseqüência da decomposição dos restos não
consumidos e fezes geradas, além da sua metabolização pelos camarões, que consomem
oxigênio para oxidar o alimento ingerido e excretam nitrogênio amoniacal.
Os resultados indicam que durante a passagem pela tubulação de drenagem e caixa
do monge, ocorre processo de decomposição. A água coletada após o monge apresentou
menores teores de oxigênio dissolvido, sólidos totais suspensos e, valores mais baixos de
pH e DBO
5
. Embora os sólidos totais suspensos e a DBO
5
foram coletadas como amostras
integradas, o oxigênio dissolvido e o pH foram medidos junto ao fundo e, portanto, deveriam
apresentar os mesmos valores nos efluentes e no interior dos viveiros.
Assim, a DBO
5
e os sólidos totais suspensos também foram reduzidos. O nitrogênio
amoniacal aumentou nos efluentes, corroborando a hipótese da ocorrência de
decomposição, embora a diferença não tenha sido significativa. Talvez a água do fundo dos
viveiros que é drenada para o efluente apresente valores menores, e ficou também
depositada no monge explicando os menores valores.
A ração total fornecida até a 14.ª semana foi, em média, 40 Kg por viveiro. Como esta
tem um teor de nitrogênio e fósforo de 6% e 1%, respectivamente, cerca de 2400 g de
nitrogênio e 400g de fósforo foram adicionados ao sistema. Assumindo que a proporção de
nitrogênio e fósforo na biomassa de M. amazonicum seja similar a encontrada nos camarões
81
marinhos, ou seja, 2,9% e 0,34%, respectivamente (Jackson et al., 2003), teríamos uma
assimilação no compartimento dos camarões de, aproximadamente, 188g e 22,1g de
nitrogênio e fósforo, respectivamente. Logo, apenas 8% do nitrogênio e 5,5% do fósforo
fornecidos na ração seriam incorporados ao organismo alvo do cultivo. O restante ficaria
disponível no ecossistema. Isto poderia condicionar uma concentração de 22,1mg.L
-1
de N e
3,8 mg.L
-1
de P ao final do período. Isto entretanto não ocorreu, indicando que esses dois
elementos foram transferidos para outros compartimentos. O nitrogênio não se acumulou no
solo, nem na coluna d’água e, assim, pode ter sido assimilado pelos organismos da
comunidade aquática, ter sido eliminado para a atmosfera como N
2
, ou ter sido lançado no
ambiente junto com os efluentes. Por outro lado, o fósforo acumulou-se no solo, além de,
possivelmente, ter sido incorporado à matéria viva, ou se perder nos efluentes. Embora muito
grosseira, essa análise sugere uma baixa eficiência do sistema de produção utilizado para
assimilar esses importantes nutrientes. Estudos detalhados sobre o balanço de nitrogênio e
fósforo nos sistemas de aqüicultura devem ser realizados para possibilitar um manejo mais
eficiente e sustentável dos cultivos.
Os níveis de arraçoamento afetaram o OD, pH, DBO
5
e turbidez, ou seja,
principalmente o oxigênio dissolvido juntamente com as variáveis que têm relação com este,
exceto a turbidez. A esse despeito, Allan et al. (1995) observaram os efeitos da quantidade
da dieta, considerando taxa menor de 2-4% e taxa maior de 4-8% sobre a qualidade da água
durante a produção de Penaeus monodon. Esses autores verificaram efeito no oxigênio
dissolvido, pH, nitrogênio amoniacal e clorofila a. Porém, salientaram que não houve efeito
para nitrito, nitrato, fósforo total, clorofila b, clorofila c e feofitina.
Nos viveiros do camarão-da-amazônia, os níveis de arraçoamento (3%, 5% e 7%)
tiveram efeito reduzido sobre as características limnológicas da água, neste estudo. Isso
pode ser decorrente do fato de os viveiros serem ambientes hipertróficos. A quantidade de
matéria orgânica e nutrientes é tão elevada que as variações na adição desses materiais, via
82
ração, não causa efeito. Portanto, o nível de arraçoamento no último mês de cultivo pode ser
definido com base no seu impacto sobre a produção e nos custos operacionais, sem
preocupação com os efeitos sobre as características limnológicas da água e do efluente.
Os níveis de arraçoamento (3%, 5% e 7%) não afetaram a deposição de carbono
orgânico, nitrogênio e fósforo no sedimento. Porém, observaram-se variações ao longo do
tempo. Tepe & Boyd (2002) fizeram observações similares acerca da acumulação de
carbono, nitrogênio e fósforo no sedimento em viveiros de Arkansas Bait Minnow, nos
Estados Unidos da América, embora o estudo de Tepe & Boyd (2002) tenha avaliado
viveiros com 7, 20 a 25 anos, e 30 a 35 anos de idade. Imediatamente após o enchimento
houve diminuição nesses três elementos, o que é esperado, pois nessa fase ocorre intensa
dissolução de materiais do sedimento para a coluna d’água (Delincé, 1992). Após nove
semanas, houve aumento de carbono orgânicoe fósforo e, 18 semanas após, observa-se
que não houve acúmulo de matéria orgânica, nem de nitrogênio, mas ocorreu retenção de
fósforo. Este nutriente normalmente perde para o sedimento, complexando-se com cálcio,
ferro ou alumínio (Delincé, 1992; Boyd & Tucker, 1998).
As despescas seletivas realizadas quinzenalmente não alteraram a qualidade da
água, nem a deposição de matéria orgânica, nitrogênio e fósforo no sedimento. O arrasto
com rede revolve o sedimento, e ressuspende grande quantidade de material, o que é
observado, visualmente, no momento da despesca. Assim sendo, seria esperado que o
material suspenso na coluna d’água servisse como substrato para os organismos
decompositores, aumentando as concentrações de compostos nitrogenados e fósforo na
coluna d’água, como também diminuindo a sua concentração no sedimento. Esse efeito
pode ser momentâneo, desaparecendo a seguir, ou alterar permanentemente as
características limnológicas da água e sedimento. Essas alterações não foram detectadas
nas amostras coletadas, considerando 0 a 3 dias após as despescas. Provavelmente, o
material suspenso sedimenta-se rapidamente antes de sofrer a ação dos organismos
83
decompositores. Portanto, o cultivo semi-intensivo de M. amazonicum e o uso de despesca
seletiva não prejudicam a qualidade da água para os camarões, de modo a alterá-la
significativamente.
Quanto ao sedimento, Tepe & Boyd (1992) afirmam que a despesca interfere,
incrementando o fósforo, tornando-o disponível para as populações fitoplanctônicas,
ocasionando "blooms" algais nos viveiros. Por conseguinte, deteriora-se a qualidade de água
nos viveiros. Schwartz & Boyd (1994) salientam que sua ressuspensão, ao drenarem-se os
tanques, pode aumentar as concentrações de sólidos suspensos totais e turbidez no
efluente. Neste estudo, somente o oxigênio dissolvido no efluente apresentou diferença
estatisticamente significativa para o efluente nos tratamentos despesca mista e total.
No que concerne à variação temporal, a adoção de despescas seletivas não mostrou
nenhum padrão. De um modo geral, a variação foi similar nos dois tratamentos para todas as
variáveis. Todavia, a turbidez foi mais elevada nos viveiros com despesca seletiva na maioria
das coletas. O nitrato foi mais afetado pela água de abastecimento do que pelas despescas,
enquanto que as demais variáveis devem ter sido mais influenciadas por outros processos
que ocorreram nos viveiros.
Considerando-se as características limnológicas dos viveiros e efluentes,
pertencentes a cada tratamento testado, não se observou diante dos resultados
apresentados pela análise multivariada qualquer agrupamento dos viveiros relacionados aos
tratamentos avaliados (despesca seletiva, 3%, 5% e 7%). Ou seja, cada viveiro apresentou
características peculiares, mais importantes para o funcionamento do sistema do que as
variações nos níveis de ração administrados ou do tipo de despesca. O efeito dos
tratamentos pode ter sido mascarado pelo fato de os viveiros serem ecossistemas
hipertróficos. Assim, as mudanças resultantes da aplicação de diferentes taxas de
arraçoamento e das despescas seletivas foram muito pequenas para alterar as
características limnológicas da água. Por outro lado, sabe-se que viveiros construídos lado a
84
lado, sobre o mesmo tipo de solo e manejados de forma idêntica, podem apresentar
características limnológicas totalmente diferentes. Isso decorre principalmente do fato de que
os rumos da sucessão ecológica são definidos pelo acaso, isto é, pelos organismos que se
instalam inicialmente em cada viveiro (O. Rocha, comunicação pessoal), o que pode explicar
a heterogeneidade observada nos viveiros.
Em geral, os valores das variáveis limnológicas nos viveiros, obtidos neste estudo,
estiveram de acordo com os padrões estabelecidos para o cultivo de Macrobrachium
rosenbergii ou para a manutenção da vida aquática (tabela 25).



Tabela 25. Qualidade de água para cultivo de Macrobrachium rosenbergii na fase de crescimento
final
Variável Faixa ideal Níveis
observados no
Brasil
Espécie Fonte
Temperatura 28-31°C - M. rosenbergii New (2002)
Oxigênio dissolvido 3 – 7 mg.L
-1
M. rosenbergii New (2002
pH 7-8,5 5,5-8,3 M. rosenbergii New (2002)
Alcalinidade total 20 - 60 mg.L
-1
7-102 M. rosenbergii New (2002)
Condutividade
elétrica
100-
200µS.cm
-1

- Outros
organismos
cultiváveis
Boyd &
Zimmermann (2000)
New (2002)
Nitrato < 10 mg.L
-1
- M. rosenbergii New (2002)
Nitrito < 2,0 mg.L
-1
- M. rosenbergii New (2002)
Nitrogênio
amoniacal
< 0,3 mg.L
-1
- M. rosenbergii New (2002)
Fósforo total 0,003-4,4 mg. L
-1
M. rosenbergii New (2002)
Ortofosfato solúvel

< 0,3 mg.L
-1
- Outros
organismos
aquáticos
Boyd &
Zimmermann
(2000)
Turbidez < 40 UNT - Outros
organismos
aquáticos
Boyd &
Zimmermann
(2000)





85

CONCLUSÕES
1. No sistema semi-intensivo de cultivo M. amazonicum não existiu um padrão
definido de variação temporal nas variáveis limnológicas estudadas.
2. De modo geral, a qualidade da água é mais dependente dos processos biológicos
que ocorrem dentro do viveiro do que as características da água de renovação
para algumas variáveis.
3. O oxigênio dissolvido, pH, DBO
5
, nitrato aumentaram no período da tarde,
enquanto que o nitrogênio amoniacal e o fósforo diminuíram. As demais variáveis
não se alteraram.
4. A ração fornecida diariamente teve efeito muito pequeno sobre a qualidade de
água, reduzindo levemente o oxigênio dissolvido. Por conseguinte, aumentou-se o
teor de nitrogênio amoniacal.
5. Aparentemente, não houve acúmulo de matéria orgânica ou nitrogênio amoniacal
na coluna d’água ou no fundo dos viveiros. A matéria orgânica também não é
liberada para o ambiente, mas se acumula na biomassa dos camarões, ou é
decomposta pelos microorganismos.
6. O fósforo acumulou-se no fundo dos viveiros no compartimento dos sedimentos.
7. As taxas de arraçoamento variando de 3 a 7% da biomassa não afetaram a
deposição de carbono, nitrogênio e fósforo no fundo dos viveiros. Igualmente,
tiveram pouco efeito sobre as variáveis limnológicas no interior dos viveiros e
efluentes.
8. Existem evidências de ocorrência de um processo de decomposição da matéria
orgânica durante sua passagem pelo sistema de escoamento. Com exceção das
variáveis influenciadas por esse processo, não houve diferença entre as variáveis
limnológicas nos efluentes, e no interior dos viveiros.
86
9. A correlação entre as diversas variáveis na coluna d’água foi fraca, ou inexistente,
exceto entre a clorofila a e a feofitina.
10. A aplicação das despescas seletivas não alterou a deposição de carbono,
nitrogênio e fósforo no sedimento. Do mesmo modo, exerceu efeito muito
reduzido sobre a qualidade da água permanente dos viveiros e efluentes.
11. As características intrínsecas de cada viveiro tiveram maior ação sobre a
qualidade da água, do que o arraçoamento diferencial na faixa de 3 a 7% da
biomassa e o uso de despescas seletivas.

















87
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Erlei Cassiano Keppeler

Características limnológicas da água, sedimento e efluentes em viveiros de crescimento final do camarão-da-amazônia, Macrobrachium amazonicum, submetidos a diferentes níveis de arraçoamento e tipos de despescas

Tese a ser apresentada ao Programa de Pós Graduação em Aqüicultura do CAUNESP, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Doutor em Aqüicultura.

Orientador: Prof. Dr. Wagner Cotroni Valenti Centro de Aqüicultura, UNESP

Jaboticabal 2005

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AGRADECIMENTOS
A DEUS, força onipotente que nos dá força para sermos capazes de vencer todas as barreiras, e sobretudo concretizar todos os sonhos, quando se possui fé. Ao Prof. Wagner Cotroni Valenti, do Departamento de Biologia Aplicada da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias e do Centro de Aqüicultura da UNESP, pela oportunidade, orientação e amizade. À especial secretária do Curso de Pós-Graduação Veralice, pelo inestimável apoio e auxílio na Pós-Graduação. Aos Coordenadores e Professores da Pós-Graduação do Centro de Aqüicultura, Prof. Flávio Ruas de Moraes, Luiz Edivaldo Pezzato, Prof.ª Elisabeth Macedo, Prof. Francisco Manoel de Souza Braga, Prof.ª Elisabeth Urbinarti. Aos Professores de Estatística, Antônio Sérgio Ferraudo, Euclides Malheiros e Francisco Manoel de Souza Braga, cujos cursos oferecidos muito contribuíram para a minha formação. À Universidade Federal do Acre, CAPES-PICDT, pela concessão de afastamento remunerado e bolsa de Doutorado. Agradeço especialmente ao Prof. Dr. Alceu Ranzi, Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (2000-2002) pelo incentivo à continuidade da vida acadêmica. Agradeço aos auxílios concedidos pela Coordenação de Apoio à Pós-Graduação e Diretoria do Centro de Aqüicultura da UNESP, pela disponibilidade do setor de Carcinicultura. À Doutoranda Patrícia Maria Contente Moraes Riodades, pela ajuda na coleta de dados em parte da pesquisa, assim como sugestões sobre o cultivo de Macrobrachium amazonicum. Aos técnicos Valdecir e Roberto, pelas suas prestigiosas participações nos trabalhos de campo. À Dr.ª Ana Elisa Baccarin, pela infra-estrutura oferecida durante a sua Coordenação no Laboratório Central. Ao Prof. Dr. Antônio F. Camargo e o técnico Carlos pela cessão de alguns equipamentos para utilização nas análises laboratoriais. À Dra. Mara Cristina Pessôa da Cruz, pelos ensinamentos e análises de sedimento realizadas com o apoio da técnica Selma, do Departamento de Fertilidade do sedimento. Igualmente, ao Prof. Dr. Manoel Evaristo Ferreira pelo simpático recebimento em seu laboratório. À Michelle Vetorelli, pelo auxílio nas contagens dos camarões de água doce. Ao meu grande companheiro Flávio Carlos Altafim, pela grande ajuda e paciência nos detalhes finais dessa Tese. À Alessandra Messias, pela amizade, sempre presente nos cansativos finais de tarde.

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4 . Janaína. Finalmente.Às amigas Carla Macedo e Cláucia Honorato. Ana. Suely. a todos que de alguma forma contribuíram para a realização desta pesquisa. Américo Hayakawa pelo auxílio na impressão do trabalho. e outros. Aos estagiários que muito contribuíram na coleta de dados: Priscila. Ao Sr. pela compreensão da grande distância geográfica existente entre nós. pelo grande apoio nos momentos difíceis. Bruno e Rodrigo Cotoni. Leonardo Vaz. que ajudaram de alguma forma na condução deste trabalho. A todos os funcionários do CAUNESP e da FCAV/UNESP: Mônica. Fátima. Especialmente a toda a minha família e amigos. Auta.

....................... Comparação para os tratamentos no sedimento ............................................. Efeito da taxa de arraçoamento (3%....................................................... 6 7 8 11 16 16 21 22 22 24 24 24 26 45 50 54 69 72 84 87 5 ...................................................................................................................................... Efeito do tipo de despesca .............................................................. Fundamentação teórica e hipóteses...5% e 7% da biomassa/dia) nos viveiros.................................. Análise global do experimento . MATERIAL E MÉTODOS.................... Análise global do experimento ....................... DISCUSSÃO .......................... Análise estatística.................................................................................. Teste das despescas total e mista ........................................................................................................................... CONCLUSÕES ................................................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................................................................................................... Coleta de dados..........................................................................................................................................................SUMÁRIO RESUMO GERAL............................................................................................................................................................................................................................ Descrição dos cultivos........................................... REFERÊNCIAS ...... INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................................... RESULTADOS. GENERAL SUMARY............................................................................................................................................................................ Funcionamento dos viveiros e teste das taxas de arraçoamento....................... Funcionamento dos viveiros....................................

A ração diária teve pouco efeito sobre a qualidade da água dos viveiros do que da água de renovação. foi realizado um estudo limnológico de viveiros de cultivo de Macrobrachium amazonicum submetidos a diferentes taxas de arraçoamento e tipos de despescas. alcalinidade total. Não foi observado nenhum padrão de variação temporal das variáveis limnológicas ao longo do cultivo. Outros três viveiros foram submetidos à despesca mista. Os animais foram alimentados com ração extrusada na proporção de 6 a 9% da biomassa até a 14. demanda bioquímica de oxigênio. nitrato. Possivelmente. feofitina. A ração diária teve pouco efeito sobre a qualidade da água dos viveiros. as características intrínsecas de cada viveiro tiveram maior efeito sobre a qualidade da água do que os níveis de arraçoamento e tipo de despesca. Semanalmente. Doze viveiros com cerca de 0. amazonicum. efluentes e nenhuma sobre os depósitos de carbono. clorofila c. nitrogênio amoniacal. turbidez e sólidos totais suspensos. Após 145 dias. nitrogênio e fósforo no fundo. nitrogênio total.01 ha foram povoados com 20 juvenis de M. pH. a semana. os camarões contidos em cada três viveiros foram arraçoados com 3%. condutividade elétrica. visando fornecer subsídios para o entendimento desses ecossistemas e o estabelecimento de um manejo adequado. oxigênio dissolvido. Estas foram mais dependentes dos processos biológicos que ocorreram no interior dos viveiros do que da água de renovação. as variáveis limnológicas apresentaram baixa correlação entre si. clorofila a. nitrito. ortofosfato solúvel. Neste trabalho. foram determinadas as seguintes variáveis da água: temperatura. manejo alimentar e despescas seletivas 6 . limnologia. Macrobrachium amazonicum. fósforo total. sedimento e efluentes em viveiros de crescimento final do camarão-da-amazônia. De um modo geral. Palavras chave: Macrobrachium amazonicum. clorofila b. realizou-se a despesca total em todos os viveiros.m-2.RESUMO Características limnológicas da água. submetidos a diferentes níveis de arraçoamento e tipos de despescas Os viveiros de cultivo semi-intensivo de camarões de água doce são ecossistemas límnicos em fase inicial de sucessão ecológica. 5% e 7% da biomassa dos camarões. Então.

total phosphate. nitrate-N. soil and effluents of grow-out ponds of Macrobrachium amazonicum under different feed levels and harvest management Grow-out ponds are ecosystems at the first stages of ecological succession. pheophytin.01 ha earthen ponds were stocked with 20 juveniles. Prawns fed commercial diet at a rate of 7 to 9% of biomass until 14a. Three other ponds were subjected to selective harvest. a limnological study on grow-out ponds of Macrobrachium amazonicum subjected to different feed levels and harvest management was performed. all ponds were drained and harvested. In this research.different feed levels and harvest management 7 . ammonia-N. Key-words: Macrobrachium amazonicum . chlorophyll b. The following water parameters were weekly determined: temperature. pH. chlorophyll c.ABSTRACT Limnology of water. Then. nitrite-N. 5% and 7% of prawn biomass. chlorophyll a. Twelve 0. week.m-2. in the mud. After 145 days of stocking. oxygen biochemical demand. nitrogen and phosphorus. Feeding rate and kind of harvest showed low effect on water quality. Correlation among water quality parameters are weak or absent.limnology . dissolved oxygen. suspended total solids and turbidity. total alkalinity. Data suggest that intrinsic characteristics of each pond play a major role on pond ecology. effluents and none on accumulation of carbon. total nitrogen. each three ponds were fed with 3%. Limnological parameters did not show any temporal pattern. electrical conductivity. soluble orthophosphate. Exchange water and daily feeding slightly affected water quality and effluents. Carbon and nitrogen did not accumulated in water column or soil while phosphate was immobilized or trapped by the mud.

8 . a avaliação dos efluentes de viveiros de cultivo é de grande interesse. 1997). 2000). Portanto. A aqüicultura depende fundamentalmente dos ecossistemas nos quais está inserida (Valenti. com a formação de dióxido de carbono e água no processo (Schmidt-Nielsen. O nitrogênio amoniacal é tóxico aos camarões. 2002). Não se concebe o desenvolvimento de técnicas de manejo para aumentar a produtividade sem se avaliarem os impactos ambientais produzidos (Valenti. a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento social (Valenti 2000. O nitrogênio amoniacal é o principal resíduo nitrogenado excretado pelos camarões. 2000). 2003). Assim. 2002a). A preservação ambiental é parte do processo produtivo. juvenis ou adultos (Rana. o que obriga a adoção de estratégias que evitem o seu acúmulo excessivo na água ao longo do cultivo (Kubitza. pós-larvas. A aqüicultura moderna está embasada em três pilares: a produção lucrativa. este é de importância fundamental para a manutenção da vida (Margalef. Em geral. a ingestão de alimentos com excessivo teor protéico e/ou com desbalanço na sua composição em aminoácidos (unidades formadoras das proteínas) geralmente aumenta a excreção de nitrogênio amoniacal pelos camarões. 2000. Outra importante fonte de nitrogênio amoniacal no cultivo é a decomposição microbiana das proteínas e aminoácidos eliminados nas fezes (Hargreaves. 2000. A importância do oxigênio reside no fato de a maioria dos animais satisfazer sua necessidade de energia por meio da oxidação de alimentos.INTRODUÇÃO A aqüicultura é conceituada como o processo de produção em cativeiro de organismos com habitat predominantemente aquático. 1998). Entre as variáveis mais importantes estão o oxigênio dissolvido e o nitrogênio amoniacal. tendo origem nos processos metabólicos de transformação e oxidação da proteína (aminoácidos) obtida nos alimentos. Assad & Bursztyn. 1983). ovos. em qualquer estágio de desenvolvimento. ou seja. Kubitza. A qualidade da água dos viveiros é fundamental para o sucesso da aqüicultura (Boyd & Zimmermann. 2003). Estes devem permanecer equilibrados para possibilitar a manutenção da sua atividade. larvas.

o grupo ocupou o quarto lugar em termos de produção mundial. Aproximadamente. 2004. Conforme Valenti (2002b). e o grupo GTCAD estimou em aproximadamente 400 t em 2001 (Valenti. e.000 t em 2000. Valenti & Moraes-Riodades. Contudo. 2003). entre 1990 e 2000. 2005). seguramente. a África com 5. a produção mundial de camarões de água doce.000 para 118.000% na última década. Macrobrachium amazonicum (Moraes-Riodades & Valenti.. ultrapassou 240. a ração alocada deve ser ministrada proporcionalmente ao consumo dos organismos cultivados. Amazonas.4 mil toneladas. 9 . os crustáceos aparecem com destaque. porém. 2003). 2002). Amapá. e cresceu mais de 1. O camarão-da-amazônia (Macrobrachium amazonicum) apresenta ampla ocorrência no Brasil.5 bilhões (Borghetti et al. Em 2001. 1984) e rios (Collart & Moreira. bem como à manutenção da qualidade de água. No Brasil. 1979). seguida da América do Norte e Central com 91. Entre os organismos cultivados. com 1. na última década foi estimada produção de cerca de 500 t anuais (FAO. 1992).O maior comprometimento da água usada em aqüicultura se deve ao seu enriquecimento (eutrofização). sabe-se que existe um potencial de espécies nativas. New. Maranhão.8 mil toneladas. a mais importante é o camarão-da-amazônia. por meio do arraçoamento (Boyd.4 mil toneladas.7 milhões de toneladas foram produzidas na Ásia. 2004a). O cultivo de camarões de água doce é um dos setores da aqüicultura que mais cresce no mundo (Valenti. 2003).1 mil toneladas (Borghetti et al. sendo observado no Acre. entre elas. 1. o volume de Macrobrachium rosenbergii produzido passou de 21. correspondendo a um crescimento de quase 500%. Portanto. Pará.9 milhões de toneladas. Depois que um corpo d’água é eutrofizado. 2000). e a Oceania com 5. Esta espécie vem sendo explorada pela pesca artesanal em açudes (Gurgel & Matos. De acordo com os dados da FAO (2002).500 toneladas. pode custar muito mais reverter o dano do que teria custado prevenir seu surgimento (Cairncross. movimentando mais de US$ 1 bilhão. esteve em terceiro lugar em relação às receitas geradas com US$ 11.. 1993. A América do Sul produziu 120.

O sucesso do cultivo de camarão de água doce em viveiros depende da manutenção da qualidade de água e do sedimento (Boyd & Zimmermann. Além dos compostos nitrogenados. Pesquisas recentes revelam que esta espécie possui grande potencial para o cultivo comercial (Moraes-Riodades & Valenti. 2004. 1998). bem como da excreção nitrogenada (Boyd & Zimmermann. 2004b) com baixo impacto ambiental (Moraes-Riodades & Valenti. A turbidez pode ser influenciada pelo material alóctone proveniente da água de abastecimento ou da ração. 1998). 2003). Manejos com maiores taxas de arraçoamento. Os manejos com maiores taxas de arraçoamento promovem excesso de produtos nitrogenados decorrentes da excreção. para permitir-se o crescimento homogêneo em viveiros. 2001). Moraes-Riodades & Valenti. Quando presente em baixas concentrações. 2000).. pode atuar como fator limitante na produção primária (Boyd. assim como da decomposição microbiana da matéria orgânica (Hargreaves. Um dos problemas resultantes do cultivo se deve a estratégias de alimentação inadequada (Kubitza. Adicionalmente. 2000). Goiás. onde a decomposição anaeróbica leva ao seu acúmulo (Ono & Kubitza.. Este último é um composto intermediário da oxidação da amônia a nitrato (Midlen & Redding. 2004) a cada duas ou três semanas (Yasharian et al. Os principais compostos tóxicos são nitrogênio amoniacal e nitrito (Shishehchian et al. outras características limnológicas estão envolvidas na dinâmica de viveiros para permitir o desenvolvimento dos camarões (Boyd & Zimmermann. 2000). Ceará. em virtude da dominância de machos e fêmeas maduras um outro manejo é a adoção de despescas seletivas (Valenti. Sua variação. segundo Boyd (2004). Yasharian et al. 2004). quando advém da 10 . Pernambuco. 2002b. O nitrogênio amoniacal também é um produto dessa decomposição. 2000).. O nitrogênio constitui um dos elementos fundamentais para o metabolismo dos viveiros. sendo observado em águas muito eutrofizadas ou nas camadas de água mais profundas. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Young.Piauí. 2003). 1999). Rio Grande do Norte. 1979). incrementam a produtividade em resposta à entrada de nutrientes oriundos da ração e fertilização. Paraíba.

Esteves. na reprodução e na tolerância a variação da temperatura dos camarões de água doce extremas (Boyd & Zimmerman.água que mantém os viveiros. Em suma. químicos e físicos da água influenciam no crescimento. Em ambientes aquáticos de alta temperatura. inicia-se um processo de sucessão ecológica. os viveiros recebem adubo orgânico inicial e ração é adicionada ao longo do cultivo. estrutura trófica e ciclagem de nutrientes minerais (Valenti. Sua concentração depende da densidade e da atividade de organismos. Valenti & New. Zimmermann (1998) e Boyd & Zimmermann (2000) listam variáveis também fundamentais para o sucesso do cultivo de Macrobrachium. O fósforo é geralmente o principal fator limitante ao desenvolvimento do fitoplâncton em ambientes aquáticos (Esteves. Eles apresentam diversidade biótica. os quais durante a fotossíntese podem assimilar grandes quantidades destes íons (Boyd. a sucessão é 11 . aspectos biológicos. 1988). Esta pode ser autotrófica ou heterotrófica (Valenti. 1995). 1979. 1979). 2000). a taxa metabólica dos organismos aumenta consideravelmente. pH. que são o oxigênio. Portanto. Este é um dos principais motivos pelo qual a concentração de ortofosfato solúvel é muito baixa. bem como o transporte dos sedimentos (Ono & Kubitza. 1995. Entre todas as formas ou frações de fosfato. especialmente fitoplanctônicos e de macrófitas aquáticas. 2000). 2000). 1998. alcalinidade total. Adicionalmente. o ortofosfato assume maior relevância por ser a principal forma assimilada pelos vegetais aquáticos. 2003). fazendo com que o ortofosfato solúvel seja mais rapidamente assimilado e incorporado na sua biomassa (Boyd. Quando são cheios. Geralmente. pode ter origem na erosão das margens da represa. teia alimentar. causada pela ação do vento e das chuvas. ocorrendo vários estágios serais. Fundamentação teórica e objetivos do trabalho Os viveiros para cultivo semi-intensivo de camarões de água doce são ecossistemas límnicos em fase inicial de sucessão ecológica (Valenti & New. 1988). na resistência a doenças. sólidos totais suspensos.

Os viveiros de carcinicultura de água doce podem ser estáticos ou dinâmicos. 2000). Valores entre 2 e 20% da biomassa têm sido empregados (New. A taxa de arraçoamento não é constante em todo o período de cultivo. A quantidade de ração fornecida é proporcional à biomassa de camarões presente no viveiro. enquanto que os viveiros dinâmicos apresentam características intermediárias entre os sistemas lênticos e lóticos (Valenti.5%. o adubo orgânico. mas Zimmermann (1998) recomenda 3 e 1. A ração diária é fornecida a "lanço" em toda a superfície do viveiro (Zimmermann. 1998. o manejo empregado. os recursos autóctones se esgotam e a dependência do alimento 12 . Além disso. tal como a taxa de arraçoamento e o tipo de despesca.principalmente heterotrófica e predominam as cadeias alimentares detríticas (Valenti & New. Os camarões geralmente são alimentados com dieta peletizada ou extrusada. enquanto que as principais saídas são a água do efluente e os camarões despescados (Valenti. Valenti & New. 2002). com teor protéico variando de 30 a 40%. 2000). Valenti. As principais entradas são os camarões estocados. Por outro lado. Os viveiros estáticos funcionam como ecossistemas lênticos. respectivamente. Os níveis de cálcio e fósforo adequados não são conhecidos. Nos primeiros não há entrada e saída contínua de água. variando de acordo com a fase de desenvolvimento dos camarões. 1998. Esses fatores. e com o nível de intensificação do cultivo e a produtividade natural dos viveiros. 1996). a ração fornecida vai aumentando ao longo do cultivo proporcionalmente à biomassa. 2000). Com o crescimento dos camarões. pode interferir nas variáveis ambientais. podem resultar em modificações nas variáveis da água no decorrer do cultivo. Os viveiros são ecossistemas com grande entrada e saída de energia e materiais (Valenti & New. a necessidade diária de alimento por unidade de biomassa diminui (Valenti. 1996). com o aumento da biomassa total de camarões no interior do viveiro. o que ocorre nos últimos. aliados à sucessão ecológica. 1998). a ração administrada e a luz do sol. À medida que os camarões crescem.

A despesca pode ser considerada como um fator ecológico periódico que modifica bastante o ecossistema (Valenti. Portanto. aumentar ou permanecer constante. possivelmente. Na carcinicultura de água doce. o manejo com despescas seletivas pode produzir alterações momentâneas ou até permanentes nas características limnológicas da água e efluentes dos viveiros. no final do período.alóctone é maior (New & D' Abramo. a despesca pode ser total. a taxa ótima de ração no final do cultivo pode diminuir. parcelada (seletiva) ou mista (Valenti & New. Estudos variando a taxa de alimentação no último mês de cultivo do camarão-da-amazônia são importantes para definir o manejo alimentar adequado. a despesca total é realizada esvaziando-se o viveiro e coletando-se todas os camarões. enquanto que a despesca parcelada é realizada com a passagem de redes de arrasto para coleta apenas de camarões com tamanho comercial. 2000). alterar as características da água e os processos de fixação de carbono orgânico por fotossíntese e de decomposição por microorganismos. Assim. neste trabalho foi realizado um estudo limnológico dos viveiros de cultivo de Macrobrachium amazonicum submetidos a diferentes taxas de arraçoamento e tipo de despesca. Valenti & New (2000) e New (2002). Supõem-se que o arrasto pode causar estresse nas comunidades bentônicas e nos próprios camarões. Assim. visando 13 . os viveiros são esgotados e todos os camarões remanescentes são retirados. Estes sistemas são descritos detalhadamente em Valenti (1998). Embora a qualidade da água de viveiros de carcinicultura de água doce seja freqüentemente monitorada. Evidentemente. Na despesca mista. Resumindo. de modo a maximizar a produção e reduzir os custos e impacto ambiental. tornando os nutrientes e a matéria orgânica disponíveis para os processos biológicos que ocorrem na coluna d’água. 2000). pouca pesquisa foi realizada até o momento para compreender-se a estrutura e funcionamento desses ambientes artificiais. são realizados arrastos com redes durante o cultivo e. ressuspendendo o sedimento e. 1995). a aplicação de arrastos com rede tipo “picaré” revolve todo o fundo.

abordando: 1.2. Funcionamento dos viveiros. nitrogênio e fósforo no fundo dos viveiros. Correlação entre as diversas variáveis limnológicas da coluna d' água dos viveiros. Efeito da água de renovação sobre as variáveis limnológicas no interior do viveiro. Variação das quantidades de matéria orgânica. 1.6. Efeito da taxa diária do arraçoamento nos viveiros. Variações das variáveis limnológicas ao longo do tempo. Foram enfocados os seguintes aspectos: 1.8.4. Efeito da quantidade de ração fornecida sobre as características da água dos viveiros e dos efluentes. 1. 1. Esta análise visou descrever o comportamento das variáveis limnológicas em viveiros de produção do camarão-da-amazônia.3.1. Estimativa do acúmulo de nitrogênio. Variação nas características limnológicas nos períodos da manhã e tarde. operados em sistema semi-intensivo.1. Esta análise visou testar a hipótese de que a variação na taxa de arraçoamento no último mês de cultivo não afeta as características limnológicas da água e dos efluentes. 1.7.fornecer subsídios para o entendimento desses ecossistemas. Variação das variáveis limnológicas entre a coluna d' água e a água do efluente. o que permitirá o estabelecimento de um manejo adequado. Variação das variáveis limnológicas nos períodos da manhã e tarde. os dados foram organizados de três modos diferentes para possibilitar a realização de três análises. 14 . 1. 2. 1.5. Neste experimento. Foram enfocados os seguintes aspectos: 2. 1. fósforo e íons no interior dos viveiros (na coluna d' água).

Efeito da taxa de arraçoamento sobre o acúmulo de carbono orgânico. Estimativa do acúmulo de nitrogênio. Variação das variáveis limnológicas entre a coluna d' água e a água do efluente. nitrogênio e fósforo no fundo dos viveiros. 2.2. Efeito dos tipos de despescas sobre a deposição de carbono. 3. realizou-se uma análise global do experimento. nas características limnológicas dos viveiros. 2. e conseqüentemente no aproveitamento desses nutrientes minerais. Foram enfocados os seguintes aspectos: 3. Esta análise visou testar a hipótese de que a aplicação de despescas seletivas produz alterações permanentes.2. que conta com a participação de 12 instituições do Brasil.2. para analisar a homogeneidade dos viveiros e o efeito dos tratamentos por meio da análise multivariada. Variação das quantidades de matéria orgânica. 2. nitrogênio e fósforo no fundo dos viveiros. Este trabalho insere-se em um programa multidisciplinar e multi-institucional para o desenvolvimento da tecnologia de produção do camarão-da-amazônia. fósforo e íons no interior dos viveiros (na coluna d' água).3. Efeito do uso das despescas seletivas.5. 3. Efeito dos tipos de despescas (aplicação de despescas seletivas ou não) sobre as variáveis limnológicas da coluna d' água e dos efluentes.4. 15 . Além disso. nitrogênio e fósforo no fundo dos viveiros.1.

100cm-3 Meq.100cm-3 -3 Os viveiros localizam-se na cidade de Jaboticabal (21° 15’22’’S e 48° 18’48’’W).100cm % % % % -3 Valor determinado 0. máximas em janeiro é de 29 a 30° e a média das mínimas em julho é de 11 a 12° C C (Troppmair. Foram utilizados doze viveiros de aproximadamente 0.64 Meq. descritas na tabela 1. Os taludes foram protegidos com grama para prevenção de erosão. segundo a classificação de Koepen. de dezembro/2003 a maio/2004. 1989) Parâmetro Potássio Cálcio Magnésio Hidrogênio + Alumínio Saturação pH (em CaCl2) Argila Silte (limpo) Areia Unidade Meq. no Campus da Universidade Estadual Paulista (Figura 1). Estado de São Paulo. 16 .5 58. O clima é do tipo Cwa. A precipitação e temperaturas atmosféricas médias anuais são de 1350 mm e 21/22° respectivamente.MATERIAIS E MÉTODOS Descrição dos cultivos O experimento foi conduzido no Setor de Carcinicultura do Centro de Aquicultura da UNESP (CAUNESP) por um período de aproximadamente cinco meses. Tabela 1.10 30.100cm Meq. Estes foram construídos sobre latossolo vermelho-escuro com textura argilosa. A variação das médias das temperaturas do ar C.7 1.9 65 5. que se alternam. e profundidade com cerca de 1 m.6 0. escavados com fundo de terra. Análise do sedimento (química e granulométrica) formador do fundo dos viveiros (Valenti. existindo duas estações.3 2.26 11.01 ha. 1975). As características gerais do sedimento foram descritas em Valenti (1989). sem revestimento nas laterais. seca e úmida.

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Os animais foram alimentados com ração extrusada com 37% PB. 2002). acionou-se um aerador de emergência.09 g. Portanto. com 50 dias após a metamorfose em berçários primários e secundários. pela manhã. amazonicum.L-1. quando algum viveiro apresentou oxigênio dissolvido abaixo de 2 mg. A taxa de renovação foi 5-10% do volume total por dia. e o excesso de sedimento foi retirado. os viveiros foram drenados. Os viveiros foram abastecidos com água proveniente de duas represas que reciclam os efluentes de outros viveiros e contêm peixes. Os viveiros foram povoados com 20 juvenis de M. Os viveiros receberam adubação química com uréia + sulfato de amônia.Seguiu-se rigorosamente o manejo usado no sistema semi-intensivo de camarões-de-água doce (New. Esporadicamente. Tabela 2. secos ao ar. realizou-se a calagem através da aplicação de 1 t/ha de calcário dolomítico e fertilização orgânica com adição de 3 t/ha de esterco bovino curtido. NPK e uréia + superfosfato simples. o tempo de retenção foi de 10 a 20 dias. Em seguida. usada neste experimento. com peso médio de 0. Antes do enchimento.36 ± 0. e sua limnologia está descrita em Macedo (2004). Composição da ração Laguna da Socil CRS-38. Estas apresentam características hipertróficas. cuja composição é apresentada na tabela 2. As quantidades de N e P aplicadas em cada semana são apresentadas na tabela 3.m-2. Níveis de Garantia da ração Comercial Laguna da Socil (%) Umidade (máxima) Proteína bruta (mínimo) Extrato etéreo (mínimo) Fibra bruta (máximo) Matéria mineral (máxima) Cálcio (máximo) Fósforo (mínimo) 13 37 7 7 14 4 1 18 .

53 597. Quando parte da população atingiu o tamanho comercial.ha-1) 0.12 1. foram iniciadas as despescas seletivas.53 729. Cada três viveiros. Quantidade de nitrogênio e fósforo das fertilizações a cada semana Semanas 3 4 5 6 9 11 12 14 17 N (Kg.68 0.ha-1) 793.Tabela 3. três viveiros foram submetidos ao sistema de despesca mista (tabela 5).2 4. Tabela 4.º indivíduos estocados 1780 1840 2000 2020 2040 2120 2480 2300 1960 Produção (kg.12 3.68 4.2 4.12 3.2 O delineamento experimental para o estudo dos diferentes níveis de arraçoamento foi totalmente casualizado com três tratamentos (taxas de alimentação) e três repetições. sorteados ao acaso.8 3. Dimensão.11 615.6 695.98 P(Kg.98 1.98 1.29 Tratamentos 7% 5% 5% 7% 3% 7% 3% 3% 5% Paralelamente.2 4. foram arraçoados no último mês de cultivo com 3%.13 612.8 8. Estas consistiram em despescas quinzenais com redes de arrasto com malhas 15 e 18 mm para a retirada de animais 19 .76 630.03 642.05 637. 5% e 7% da biomassa de camarões estimada por biometria (tabela 4). número de indivíduos estocados.68 0.ha-1) 8. Viveiros 2 3 4 5 6 7 9 10 12 Dimensão do viveiro (m2) 89 92 100 101 102 106 124 115 98 N. em meados de março.98 1. produção e tratamento dos tipos de arraçoamento aplicado para cada viveiro.

A biomassa foi estimada por meio de biometria mensal e corrigida mensalmente nos dois primeiros meses. foi corrigida quinzenalmente. em todos os viveiros. 0 a 3 dias antes das coletas de água. que é inibido na presença de animais grandes nos viveiros. esta representa a soma de todas as despescas. acrescentando-se 20% ao valor calculado para o início do mês.1 mm e pesados em Balança Marte A 500.03 642. No último mês. 14 e 16. A taxa de alimentação até o dia 03 de abril de 2004 (9. Esta ração foi dividida em duas porções iguais e distribuída geralmente as 8 e 16h. Os espécimes foram medidos em paquímetro de madeira com precisão de 0. Após as despescas. os animais foram contados e pesados. foi determinada a produção para cada viveiro (tabela 4).ha-1) 717. Mensalmente foi coletada uma amostra de 3-5% dos camarões estocados em cada viveiro. número de indivíduos estocados. 2000).º indivíduos estocados 1780 1840 2000 2000 2400 1960 Produção (kg. produção e tratamento das despescas aplicadas para cada viveiro. Dimensão. a correção foi de 10% a cada semana.53 666.27 500.01 g. foi realizada a despesca total.93 637. Em meados de maio.70 630.m-1. Nos dois meses seguintes. Nos viveiros submetidos à despesca mista.29 Tratamentos Despesca mista Despesca mista Despesca total Despesca total Despesca mista Despesca total As despescas seletivas se realizaram nas semanas 12. Tabela 5. Este processo de despesca visa acelerar o crescimento dos camarões menores. ª semana) variou entre 7 e 9% da biomassa contida em cada viveiro. com precisão de 0. para o cálculo da ração. decorridos 145 dias do povoamento. Ambas apresentam tralhas de chumbo em poliéster com 300g. Depois. Viveiros 1 3 4 8 11 12 Dimensão do viveiro (m2) 89 92 100 100 120 98 N.maiores dos viveiros (Valenti & New. 20 .

as amostras foram secas ao ar e 21 . segundo Boyd & Tucker (1992). Se os valores foram discrepantes. pelo método gravimétrico. O fósforo total e ortofosfato solúvel foram determinados segundo Adams (1990) e Boyd & Tucker (1992). o teor de oxigênio dissolvido (fundo) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO5) foram mensurados com oxímetro marca YSI modelo 52 (amostra integrada). incluindo a zona fótica e afótica. pH e a condutividade elétrica foram aferidos no fundo dos viveiros. e os sólidos totais suspensos. em Solorzano (1969) para nitrogênio amoniacal e em Valderrama (1981) para nitrogênio total. b. Para o cálculo da DBO5. com capacidade de coleta de aproximadamente 10 cm de profundidade. antes da implantação dos cultivos.ª e 18. O C. Em seguida. modelo 63. c e a feofitina foram analisados de acordo com APHA (1992). considerou-se como resultado o valor médio. Utilizou-se o espectrofotômetro marca Hach. 9. do interior dos viveiros e dos efluentes nos períodos da manhã (7h-9h) e da tarde (15-17h). usando-se uma pá. em Strickland & Parsons (1960) para nitrito. realizou-se uma terceira leitura e descartou-se o valor extremo. Os pigmentos clorofila a. 1992). e na 1. a turbidez foi avaliada segundo Wetzel & Likens (1991) por meio do espectrofotômetro. a uma temperatura de 20±1 ° com água de diluição geralmente a 40% (APHA. com peagômetro e condutivímetro marca YSI. Para análise das formas de nitrogênio e fósforo foram coletadas amostras integradas.ª semanas de cultivo. Os métodos utilizados nas análises encontram-se descritos em APHA (1992) para nitrato.Coleta de dados Semanalmente. As coletas foram realizadas aleatoriamente nos viveiros. modelo 2000. As coletas de sedimento se realizaram em novembro.ª. Todas as determinações foram realizadas em duplicatas. Quando os valores obtidos foram próximos. foram realizadas medições e coletadas amostras da água de abastecimento. considerou-se a diferença inicial e final do oxigênio dissolvido no período de cinco dias de incubação. As variáveis limnológicas determinadas e os métodos usados são apresentados a seguir: a temperatura (superfície e fundo).

também.. a cada semana. A taxa de renovação da água foi 5-10% ao dia e densidade juvenis. Antes das análises laboratoriais. Posteriormente. Assim. a determinação do nitrogênio total conforme a metodologia descrita em Tedesco et al. Realizou-se. em temperatura de até 330 ° na presença de oxidantes e C. Esse método consiste. separadamente. catalisadores. 2001). foram juntados. (1985).armazenadas em recipientes de isopor. Foram considerados resultados estatisticamente significativos aqueles para os quais o valor da probabilidade (p) foi igual ou menor que 0. basicamente. destila-se o extrato em destilador microKjeldahl e quantifica-se o N por titulometria ácido-base.m-2. modificado para a determinação da matéria orgânica (Cantarella et al. sendo que para cada uma representa-se o sistema de cultivo semi-intensivo do camarão-da-amazônia. Calculou-se a média e os desvios padrão para os períodos da manhã e tarde. isto é. Funcionamento dos viveiros e teste das taxas de arraçoamento Para estudar o funcionamento dos viveiros. na digestão das amostras em bloco digestor. 2001). As concentrações de fósforo total foram determinadas com base na metodologia descrita por Kuo (1996).0 da Statsoft Company (Statsoft. o estudo foi realizado com 9 réplicas. Utilizou-se o método da Dakota do Sul. nos nove viveiros. utilizou-se os dados dos nove viveiros.2 (SAS Institute. elas foram peneiradas em malha com abertura de 2 mm e homogeneizadas. A seguir. 1996) e SAS versão 8.05. antes do início do arraçoamento diferencial. operados com despesca total nas primeiras 14 semanas. Os dados obtidos para cada variável da água dos viveiros. os valores obtidos foram lançados em gráfico ao longo do tempo para avaliar-se a existência de um padrão de variação de estocagem de 20 22 . Análise estatística Todos os dados foram analisados utilizando-se os “softwares” “Statistica” versão 6. sendo efetuadas as análises por meio de método colorimétrico.

ainda. feofitina e sólidos totais suspensos. 1995) entre a quantidade de ração fornecida no dia da coleta e o valor determinado de oxigênio dissolvido. seguida pelo teste de diferença quadrada mínima (Zar. foram agrupados por tratamento (3%. Satisfeitas estas premissas. Aplicou-se a análise de variância pelo teste F com duas classificações (nível de arraçoamento e período do dia). Quando não foram satisfeitas as premissas. Determinou-se o coeficiente de correlação linear de Pearson “r” (Sokal & Rohlf. calcularam-se as médias e desvios padrão e aplicou-se o teste t de Student para compararem-se as médias obtidas para cada variável nos períodos manhã e tarde. aplicou-se o teste Mann-Whitney. após o início do arraçoamento. Os dados obtidos para cada variável da água e dos efluentes. os coeficientes de correlação linear de Pearson (r) para cada variável limnológica determinada na água de abastecimento e no interior dos viveiros. b e a. Para essas análises. Portanto. clorofila. aplicou-se o teste de Friedman. B. conforme procedimento descrito no parágrafo anterior. fósforo total. Satisfeitas essas premissas. Esta seguiu as interpretações dos resultados dos ajustes da lei de potência de Taylor e o modelo de Lloyd. foram usados todos os dados obtidos nos nove viveiros durante todo o cultivo. Além disso. os dados de todos os viveiros foram agrupados por variável e testou-se a normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk. o número de dados usados na análise (N) foi ao redor de 300. testou-se a homocedasticidade pelo teste de Levene. respectivamente. Quando o resultado indicou que não há desvio significativo da normalidade. Quando as premissas não foram satisfeitas. com taxas diferentes. Posteriormente. Quando houve desvio significativo da normalidade ou homocedasticidade retirou-se os outliers e/ou realizou-se transformação dos dados. 1984). nitrogênio-nitrato (N-NO3).temporal. testou-se a normalidade e homocedasticidade. que é uma análise de variância não paramétrica. e a correlação linear entre todas as variáveis estudadas. nitrogênio amoniacal (N-NH3). calcularam-se as médias e desvios padrão para cada tratamento nos períodos da manhã e tarde. Determinaram-se. a fim de estimar os parâmetros a. 5% e 7% da biomassa de camarões por dia). 23 .

conforme explicado no item anterior. A análise de variância também foi complementada pelo Teste Tukey. quando os pressupostos para Anova não foram satisfeitos. A seguir. para os tratamentos (3. realizou-se o teste de Kruskall Wallis. utilizou-se a análise de agrupamento complementada com a 24 . nitrogênio e fósforo obtidos no sedimento na última coleta (6 semanas após o início das despescas seletivas) foram comparados entre os dois tipos de despescas. cumprindo-se os pressupostos para a realização da Análise de Variância. por meio de uma análise multivariada. também a Homocedastidade dos dados (Teste Levene’s). 3 e 4). foram agrupados por tratamento (despesca mista e despesca total) e por período do dia. seguido pelo teste diferença quadrada mínima (Zar. procedeu-se aos testes de normalidade e homocedasticidade e as variáveis foram comparadas pelo teste t ou Mann-Whitney entre os tratamentos e períodos do dia. para a comparação de médias. 2. 1984). Os valores de carbono. as transformações dos dados ocorreram de forma similar à descrita para as variáveis limnológicas. Para isso. após o início das despescas seletivas (aproximadamente três meses após o início do experimento-12. Porém. utilizou-se delineamento inteiramente casualizado (DIC). além da normalidade. Quando necessário. 5 e 7%) da biomassa. Os dados obtidos para cada variável da água dos viveiros e dos efluentes. Verificou-se.Para o sedimento. Teste das despescas total e mista A análise do tipo de despesca foi realizada comparando-se os três viveiros que receberam despesca seletiva com os três que receberam despesca total arraçoados com 5% da biomassa dos camarões no último mês.ª semana). bem como para as semanas (1. Análise global do experimento Os dados de todas as variáveis limnológicas obtidas na coluna da água e nos efluentes dos 12 viveiros foram analisados em conjunto.

1 3 5 7 9 11 13 15 17 Semanas Precipitação Temperatura Figura 2.7 mm. Temperatura do ar (° e precipitação (mm). segundo as características consideradas. pois quanto menor a distância entre dois locais.UPGMA (Unweighted Pair Group Method with Arithmetic Averages).0° e a C. de 20. em média. de C) Macrobrachium amazonicum Temperatura do ar ( oC) Precipitação (mm) 25 . precipitação máxima semanal foi 215. A temperatura variou. utilizando-se como coeficiente de semelhança entre os viveiros a distância euclidiana. que é um coeficiente de dissimilaridade. Foi aplicada aos dados. A estratégia de agrupamento adotada foi a Average Linkage . RESULTADOS A figura 2 apresenta as médias semanais da temperatura e precipitação durante todo o período de estudo. ao longo do cultivo.7 a 25. mais similares eles são.análise de componentes principais (ACP). A análise de agrupamento foi processada segundo a metodologia proposta por Sneath & Sokal (1973).

SM=superfície manhã. FM= fundo manhã. Esta atingiu 80 kg. ha-1.Funcionamento dos viveiros A figura 3 apresenta as médias das temperaturas na superfície e fundo.dia -1 (cerca de 290g por viveiro). dia-1 . considerando todo o período do cultivo foi de 29 kg. mas a média.ª semana foi.ha-1. 39. FT = fundo tarde A figura 4 apresenta a quantidade fornecida da ração.69 kg. em média. = água de abastecimento. 26 . Abast. A quantidade total de ração. Figura 3. nos períodos manhã e tarde. durante todo o cultivo da água de abastecimento e dos doze viveiros estudados. adicionada em cada viveiro. Temperatura na superfície e fundo no período da manhã e tarde durante 18 semanas em viveiros de Macrobrachium amazonicum. dos nove viveiros. até a décima quarta semana de cultivo. ST=Superfície tarde. até a 14.

Nas demais variáveis. observou-se uma variação aleatória ao redor da média obtida em todo o período. Os pontos no centro correspondem às médias. Apenas as variáveis condutividade elétrica. com suas respectivas médias e desvios padrão. 27 . A variação temporal das variáveis até a décima quarta da semana de cultivo são apresentados nas figuras de 5 a 21.Figura 4. que seguem funções polinomiais. e as barras aos desvios padrão. clorofila a e feotitina mostraram um padrão de variação definido. Quantidade da soma da dieta fornecida semanalmente por viveiro. demanda bioquímica de oxigênio. as caixas. ao erro padrão.

Água de abastecimento Oxigênio dissolvido (%) Viveiros Semanas Figura 6.Oxigênio dissolvido (mg. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde.L-1. Variação temporal do oxigênio dissolvido (em porcentagem de saturação). Variação temporal do oxigênio dissolvido em mg. antes do início do arraçoamento diferencial. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. 28 . Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. ao longo do cultivo.L ) -1 Água de abastecimento Viveiros Semanas Figura 5. ao longo do cultivo. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. A linha pontilhada representa a média geral. antes do início do arraçoamento diferencial. A linha pontilhada representa a média geral.

y = 0.1. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde.80 3 2 Água de abastecimento Viveiros DBO5 (mg. A linha pontilhada representa a média geral. Água de abastecimento Viveiros pH Semanas Figura 8.0505x .4. ao longo do cultivo. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. Variação temporal da demanda bioquímica de oxigênio. antes do início do arraçoamento diferencial. antes do início do arraçoamento diferencial.8139x . Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados.L -1) Semanas Figura 7.7817 2 R = 0.1914x + 7. A curva representa uma equação polinomial. Variação temporal do pH. ao longo do cultivo. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. 29 .

4358x .Alcalinidade total (mg. ao longo do cultivo.2767x + 5.411x + 151.31. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. antes do início do arraçoamento diferencial.cm -1) y = -0.79 2 r = 0. ao longo do cultivo. Condutividade elétrica (µS. A curva representa uma equação polinomial. 30 . Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. Variação temporal da condutividade elétrica. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados.80 3 2 Água de abastecimento Viveiros Semanas Figura 10. Variação temporal da alcalinidade total. antes do início do arraçoamento diferencial.L CaCO3) Água de abastecimento Viveiros -1 Semanas Figura 9. A linha pontilhada representa a média geral. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde.

A linha pontilhada representa a média geral. Água de abastecimento Viveiros Nitrito (µg. ao longo do cultivo. Variação temporal do nitrato. antes do início do arraçoamento diferencial.L ) -1 Semanas Figura 12.Água de abastecimento Viveiros Nitrato (µg. antes do início do arraçoamento diferencial. Variação temporal do nitrito.L ) -1 Semanas Figura 11. 31 . Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. ao longo do cultivo. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. A linha pontilhada representa a média geral. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados.

Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. ao longo do cultivo. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. Variação temporal do nitrogênio amoniacal .L -1) Água de abastecimento Viveiros Semanas Figura 14. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. A linha pontilhada representa a média geral. antes do início do arraçoamento diferencial. A linha pontilhada representa a média geral. 32 . Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. antes do início do arraçoamento diferencial. Variação temporal do ortofosfato solúvel. Ortofosfato solúvel (mg.Nitrogênio amoniacal (µg.L-1) Água de abastecimento Viveiros Semanas Figura 13. ao longo do cultivo.

antes do início do arraçoamento diferencial. Variação temporal da clorofila a. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. Variação temporal do fósforo total. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. ao longo do cultivo. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. ao longo do cultivo. A linha pontilhada representa a média geral.L-1) Viveiros Semanas Figura 15. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. 33 . antes do início do arraçoamento diferencial.L -1) Viveiros Semanas Figura 16. Água de abastecimento Clorofila a (µg.Água de abastecimento Fósforo total (mg. A linha pontilhada representa a média geral.

A linha pontilhada representa a média geral.L ) Viveiros Semanas Figura 17. 34 .Água de abastecimento -1 Clorofila b (µg. Água de abastecimento: média entre manhã e tarde. Água de abastecimento Clorofila c (µg. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. ao longo do cultivo. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. Variação temporal da clorofila b. Variação temporal da clorofila c.L -1) Viveiros Semanas Figura 18. Água de abastecimento: média geral. antes do início do arraçoamento diferencial. ao longo do cultivo. entre manhã e tarde. antes do início do arraçoamento diferencial. A linha pontilhada representa a média geral.

L ) -1 Semanas Figura 20. Variação temporal da feofitina. entre manhã e tarde. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. Água de abastecimento: média geral. entre manhã e tarde. 35 . antes do início do arraçoamento diferencial. ao longo do cultivo.L -1) Semanas Figura 19.Água de abastecimento Viveiros Feofitina (µg. Água de abastecimento Sólidos totais suspensos Viveiros (mg. A linha pontilhada representa a média geral. antes do início do arraçoamento diferencial. Variação temporal dos sólidos totais suspensos . A linha pontilhada representa a média geral. Água de abastecimento: média geral. ao longo do cultivo. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados.

36 . nos períodos da manhã e tarde. antes do início do arraçoamento diferencial.Água de abastecimento Viveiros Turbidez (UNT) Semanas Figura 21. Viveiros: Média ± desvios padrão dos nove viveiros estudados. Variação temporal da turbidez. entre manhã e tarde. Água de abastecimento: média geral. A tabela 6 apresenta os valores médios da qualidade da água de abastecimento. ao longo do cultivo. mostrando que a qualidade da água de abastecimento apresentou grau de variações ao longo do cultivo. A linha pontilhada representa a média geral. analisada durante todo o experimento. Observaram-se valores elevados nos desvios padrão em todas as variáveis.

086±0.022±0.L-1) Fósforo total (mg.Tabela 6.L-1) Clorofila b (µg.34 102±37 730±861 58±25 140±124 0. Nota-se que a água de abastecimento só influenciou as variáveis condutividade elétrica.97±16.L-1) Turbidez (UNT) Manhã 5.L-1) PH Alcalinidade total (mg.77 92±18 1129±1161 44±12 88±62 4.52±2.L-1) Nitrito (µg.93 6.L-1) Nitrogênio total (mg.24 8.011±0.13 96.98 0.87±28.L-1) Clorofila a (µg.59 40.L-1) Clorofila c (µg. alcalinidade total.032 0.L-1) Feofitina (µg.030±0.L-1 CaCO3) Condutividade elétrica (µS.39 70.46±4.113 388±634 144±217 106±148 1017±1666 0.078 42±105 Tarde 7.72±1. Médias (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas da água de abastecimento ao longo de todo o cultivo Variável Oxigênio dissolvido (mg.93 4. nitrato e fósforo total (p < 0.67±6.86±5.110 218±175 132±98 131±265 556±433 0. 37 .78 45.029±0.L-1) Sólidos totais suspensos (mg.05).L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.84±3.22 7.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.73±0.cm-1) Nitrato (µg.029 0.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.04±0.008 13±9 A tabela 7 apresenta a influência da água de abastecimento nos viveiros.104±0.

26* 0.L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.39** 0.02 0.L-1) Clorofila a (µg. O fósforo total e ortofosfato 38 .cm-1) Nitrato (µg. Diferenças significativas foram observadas entre os períodos da manhã e tarde.003 0.20 0.11 0. nitrato.15 0. nos períodos manhã e tarde até a 14.L-1) PH Alcalinidade total (mg.20 0. Variáveis Oxigênio dissolvido (mg.09 -0.L-1) Fósforo total (mg. indicando grau de variabilidade em todas as variáveis.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.L-1 CaCO3) Condutividade elétrica(µS.L-1) Clorofila b (µg. no oxigênio dissolvido.a semana.32** 0.L-1) Nitrito (µg.L-1) Feofitina (µg.21 0.21 A tabela 8 demonstra as médias nos períodos da manhã e tarde das variáveis limnológicas nos nove viveiros. pH.23 0.Tabela 7. nitrogênio amoniacal.L-1) Turbidez (UNT) * e ** Indica que r é significativo ao nível de 5% e 1% de significância K 0.12 0.L-1) Sólidos totais suspensos (mg. Os desvios padrão foram altos.54** -0.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.10 0.L-1) Clorofila c (µg.14 0. DBO5. Coeficientes de concordância de Kendall (K) obtidos para expressar as correlações entre cada variável na água de abastecimento e nos viveiros.

152 231±336 114±204 70±96 585±789 0. Manhã Oxigênio dissolvido (mg.solúvel apresentaram acentuada queda à tarde.L-1) Fósforo total (mg. mas não se obteve diferença estatisticamente significativa (p > 0.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.038 18±10 Teste U t t t t t U t t t t U U U U t t Médias seguidas para letras diferentes na mesma linha diferem ao nível de 5% de significância 39 .54a 95.76±19.L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.L-1) Turbidez (UNT) 7.L-1) Clorofila a (µg.47±3.66b 0.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.76±10.77 947±1233b 42±27 80.034 0.31a 0.67a 48. Tabela 8.L-1) Feofitina (µg. semana.01 102.L-1) pH Alcalinidade total (mg.031±0.158±0.50b 48.70±19.30±112.94±34.97 98. T = teste t de Student.35±7.L-1 CaCO3) Condutividade elétrica (µS.80a 7.cm-1) Nitrato (µg.53±4.L-1) Clorofila b (µg.040±0. nos períodos manhã e tarde até a 14a.04±2.40b 117.89±80.L-1) Nitrito (µg.29b 7.30±0.L-1) Clorofila c (µg.017±0.55±0.L-1) Sólidos totais suspensos (mg.049 22±17 Tarde 9.31 616±1012a 40±21 130.025±0.83±2.039 0. Médias (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas nos nove viveiros.80±32. U= Teste de Mann-Whitney.126 210±257 89±96 53±59 624±707 0.121±0.64a 6.05).32b 7.

Tabela 9. Variação da concentração de carbono orgânico no sedimento dos nove viveiros estudados. e as barras. S-9: semana 9 e S-18: semana 18 40 . o erro padrão. as caixas.08 -0.A tabela 9 apresenta as correlações entre a ração e algumas variáveis limnológicas nos viveiros. nitrogênio e fósforo ao longo do tempo no sedimento. os desvios padrão. O número de amostras em cada coleta foi 9.10 0.09 -0.10 As figuras 22.05 0. A correlação significativa (p < 0. Os pontos indicam as médias.05) foi apenas para o oxigênio dissolvido e nitrogênio amoniacal. S-1: semana 1.14* 0.35* -0. Letras diferentes sobre as barras indicam que as médias diferem ao nível de 5% de significância. 23 e 24 mostram as variações no carbono. Figura 22. Coeficientes de correlação linear de Pearson (r) obtidos para expressar as correlações entre a quantidade de ração fornecida diariamente Variáveis Oxigênio dissolvido Nitrogênio amoniacal Nitrato Fósforo total Clorofila a Feofitina Sólidos totais suspensos **Indica que “r” é significativo ao nível de 5% de significância r -0. AE=antes do enchimento.

o erro padrão. Letras diferentes sobre as barras indicam que as médias diferem ao nível de 5% de significância. e as barras. as caixas. os desvios padrão. os desvios padrão. S-9: semana 9 e S-18: semana 18 Figura 24. S-9: semana 9 e S-18: semana 18 41 . S-1: semana 1. Os pontos indicam as médias. AE=antes do enchimento. as caixas. O número de amostras em cada coleta foi 9. O número de amostras em cada coleta foi 9. Letras diferentes sobre as barras indicam que as médias diferem ao nível de 5% de significância. Os pontos indicam as médias. o erro padrão.Figura 23. AE=antes do enchimento. e as barras. S-1: semana 1. Variação da concentração de nitrogênio total no sedimento dos nove viveiros estudados. Variação da concentração de fósforo total no sedimento dos nove viveiros estudados.

99).40) e com os sólidos totais suspensos (0.A tabela 10 apresenta os coeficientes de correlação linear de Pearson (r). O oxigênio dissolvido teve correlação negativa com nitrogênio amoniacal (-0.0). O nitrito teve uma alta correlação com a turbidez (1.31). obtidos entre as variáveis limnológicas.38).34) e turbidez (0. O nitrogênio amoniacal também apresentou correlação positiva com o nitrito (0.34).35 a -0. clorofila b (0.29) e com o ortofosfato solúvel (-0. A feofitina apresentou correlação significativa e positiva com a clorofila a (0.33) e clorofila c (0. O nitrato apresentou correlação positiva com a DBO (0. 42 .39).

03 -0.14 -0.33* 0.05 OD% 1.99* 0.06 -0.24 -0.00 0.03 0.01 -0.16 0.02 0. Coeficientes de correlação linear de Pearson ( r) obtidos para expressar as correlações entre as variáveis limnológicas estudadas entre si. Clorb= Clorofila b.00 -0.09 -0. Ortofosf= ortofosfato solúvel. STD= sólidos totais suspensos e turb= turbidez *indica que "r" é significativo ao nível de 5% de significância 43 .08 0.00 -0.04 -0.16 0.18 -0.01 0.01 -0.07 -0. Oxigênio dissolvido (%).21 -0.22 -0.34* 1.00 -0.10 1.02 0.02 -0.05 0.07 0.25 0.12 -0.08 0.22 1.07 0.00 -0.02 -0. Fosf=Fósforo total.12 -0.24 -0.10 1.05 -0.31* -0.18 0.L .14 0.20 -0.31* pH Alcal Amon Nitrat Nitrit Ortofosf Fosf Clora Clorb Clorc Feof Std Turb -0.07 0.00 0.02 -0.10 -0.06 0. no interior dos viveiros no período da tarde OD OD OD% DBO5 pH Alcal Amon Nitra Nitri Ortofosf Fosf Clora Clorb Clorc Feof STD Turb 1.20 -0. Amon= Nitrogênio amoniacal.12 0.24 -0. Nitra= Nitrato.10 -0. Alcal= Alcalinidade total.09 0.14 -1 DBO5 1.05 0. Clora = Clorofila a.20 -0. Feof = feofitina.20 -0.29* 0. Nitri=nitrito.02 0.08 -0.09 -0.14 0.01 OD= Oxigênio dissolvido em mg. DBO5= Demanda bioquímica de oxigênio.01 -0.17 1. Clorc= Clorofila c.05 DBO5 pH Alcal Amon Nitrat Nitrito Ortofos Fosf Clora Clorb Clorc Feof Std Turb OD OD% 1.Tabela 10.04 0.27 -0.06 0.25 0.00 0.38* -0.00 1.02 0.05 0.23 -0.06 0.19 0.13 -0.14 -0.00 0.10 1.01 -0.00 -0.03 1.07 -0.40* -0.18 0.34* 0.02 0.10 0.00 -0.07 -0.27 0.08 -0.11 -0.12 -0.06 -0.17 1.05 0.09 0.07 -0.00 -0.08 0.99* 0.14 -0.03 -0.07 -0.14 -0.08 -0.11 1.35* -0.04 -0.08 1.21 -0.25 0.39* -0.00* 1.11 -0.02 -0.10 -0.00 1.02 0.05 -0.00 0.10 -0.03 0.20 -0.00 0.15 0.00 -0.03 -0.

oxigênio em porcentagem de saturação.047±0.143 308±372 112±143 77±86 840±935 0. Manhã Oxigênio dissolvido (mg. Diferenças estatisticamente significativas foram observadas para as variáveis oxigênio dissolvido.L-1) Clorofila c (µg.136 264±369 98±153 87±198 648±844 0.54 6.016±0.52b 49.L-1) Clorofila b (µg.95±0. fósforo total e clorofila c.L-1) Feofitina (µg.71a 90.153±0.69 100±17 898±1237b 49±32 122±92b 0.34±2.L-1) Clorofila a (µg.L-1) Sólidos totais suspensos (mg.15±41.023 27±31 Tarde 7. T = teste t de Student.cm-1) Nitrato (µg.51 100±17 403±746a 49±24 163±123a 0. nitrato.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.L-1) Turbidez (UNT) 6.015±0.38 7.45±2. pH.125±0.L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.L-1) Fósforo total (mg.L-1) pH Alcalinidade total (mg.51a 50.15b 6.042a 0. Média (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas nos efluentes dos nove viveiros.58±9.47a 6.24±0.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.89±9. Tabela 11.L-1) Nitrito (µg.035±0.81b 119. U= Teste de Mann-Whitney. nos períodos manhã e tarde até a 14.57±3.42±3.011 25±37 Teste U t t t t t U t t t t U U U U t t Médias seguidas por letras diferentes na mesma linha diferem ao nível de 5% de significância 45 .L-1 CaCO3) Condutividade elétrica (µS.98±34.ª semana.029b 0.A tabela 11 apresenta as médias nos períodos manhã e tarde.

27* 0. durante o arraçoamento. na forma de ração. Efeito da taxa de arraçoamento (3%. As demais não diferiram significativamente. foram oxigênio (%) (p= 0. 26 e 27 apresentam a quantidade média da dieta.04 0.02). 5 e 7%. pH (p = 0.02 -0. 5% e 7% da biomassa/dia) nos viveiros As figuras 25. Correlação entre a ração e algumas variáveis limnológicas nos efluentes Variáveis Oxigênio dissolvido N-amoniacal Nitrato Fósforo total Clorofila a Feofitina Sólidos totais suspensos *Indica que “r” é significativo ao nível de 5% de significância r -0. 46 .02 0.01).21* 0.0001) e sólidos totais suspensos (p=0. fornecida semanalmente por viveiro nos tratamentos 3.A tabela 12 mostra a correlação entre a quantidade de ração e algumas variáveis limnológicas nos efluentes.03 As variáveis que apresentaram diferença entre viveiro e efluente. DBO5 (p=0. Essas variáveis diminuíram nos efluentes (tabelas 7 e 10). Tabela 12.04 -0. A ração apresentou correlação negativa significativa com o oxigênio dissolvido e positiva com o nitrogênio amoniacal.04).

e as barras. as caixas. e as barras aos desvios padrão Figura 26. as caixas. Quantidade média de dieta fornecida semanalmente por viveiro. aos desvios padrão 47 . Os pontos no centro correspondem às médias. Os pontos no centro correspondem às médias. no tratamento 3%. ao erro. ao erro padrão. no tratamento 5%. Quantidade média da dieta fornecida semanalmente por viveiro.Figura 25.

05). nos períodos manhã e tarde. Apenas a turbidez e a clorofila a apresentaram diferença estatística entre os tratamentos (p < 0. ao erro. DBO e pH (p < 0. aos desvios padrão A tabela 13 apresenta as variáveis limnológicas nos diferentes níveis de arraçoamento (3. 5 e 7%). A tabela 14 também mostra as diferenças estatísticas. Diferenças entre os períodos manhã e tarde foram significativas para oxigênio (%). no tratamento 7%.05). 48 . as caixas. Os pontos no centro correspondem às médias. Quantidade média da dieta fornecida semanalmente por viveiro.Figura 27. e as barras.

63±2.76 7.88 7.14±0.cm ) Nitrato (µg.03±0.88±1.06 306±271 107±93 116±124 752±759 51.31 0.02±0.54±0.89 7.41 7.54±3.75 7.L ) Nitrogênio amoniacal (µg.53±2.L ) Nitrito (µg.Tabela 13. nas semanas 15 a 18.04 20±8 66.80 5.14±3.03 0.L CaCO3) Condutividade elétrica (µS.09±0.15±2.04 0.04 0.51±4.05±0.37±0.64±0.56 0.03±0.03±10.60±2.04 0.55 0.76 88±10 1191±1459 36±25 110±90 4.39 95±20 1294±1469 44±21 167±85 4.L ) DBO5 (mg.45±32.10±0.05 216±98 139±137 101±78 985±825 21.40 46.52 21±23 66. quando se iniciou o arraçoamento diferencial.60±2.87±15.87 6.50±52.35±20.46±0.L ) Clorofila b (µg.83 90±17 1627±1397 55±20 132±84 4.05 0.05 262±144 112± 69 82±72 970±954 10.18±4.20 47.L ) Turbidez (UNT) -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 81.36 22±9 57.03 0.98±0.03±20.05 423±570 171±176 124±141 877±1075 14.64±22.50 45.05 8.03±0.18±3.50±27.41 14±7 72.65 6.04±0. 5% e 7% da biomassa) nos períodos da manhã e tarde.64 88±15 1492±1387 58±19 198±115 4. Turbidez e clorofila c diferiram entre os tratamentos.48±0.03 304±170 126±111 44±41 749±524 22.82±0.10±0.77±0.L ) Clorofila c (µg.04 0.58 46.L ) Clorofila a (µg.60 5.54±3.56±16.64 47.66 6.96 7.19 6.48 7. enquanto o oxigênio.91±2.68±22. Médias (± desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas da água dos viveiros nos três níveis de arraçoamento estudados (3%.16±19.28±0.66 6.84 17±7 81.73 18±9 49 .L ) Nitrogênio total (mg.L ) Feofitina (µg.06±0.65±3.40±1.08±4.06±0.L ) pH Alcalinidade total (mg.54±2.L ) Ortofosfato solúvel (mg.09±0.73 47.07 0.65 95±11 1418±1453 43±15 150±108 4. DBO e pH diferiram nos períodos da manhã e tarde Manhã Variáveis 3% 5% 7% 3% Tarde 5% 7% Oxigênio dissolvido (%) Oxigênio dissolvido (mg.37 0.54 5.97±0.11±0.24±20.L ) Sólidos totais suspensos (mg.74 4.32 8.87 95±11 1286±1349 46±16 225±122 4.80±2.L ) Fósforo total (mg.07 334±201 102±123 97±149 692±411 19.

03 0.07 p *0.30 p 0.87 2.98 0. X (Friedman) e U (Mann-Whitney) e respectivas probabilidades obtidas para a comparação entre os níveis de ração (3%.26 0.93 0.32 0.L-1) Fósforo total (mg.10 2. Valores das estatísticas F (Fisher).009 *0.66 0.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.L-1) Clorofila a (µg.L-1) Nitrato (µg.41 1.34 0.04 -0. 5% e 7% da biomassa) e período do dia (manhã e tarde) para os dados das variáveis limnológicas obtidas nas semanas 15 a 18.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.77 0.56 *0.17 6.L-1) Feofitina (µg.06 0.12 0.42 0.Tabela 14.34 0.L-1 CaCO3) Condutividade elétrica (mg.24 1.0001 0. quando se iniciou o arraçoamento diferencial.25 0.45 0.L-1) Clorofila b (µg.28 25.16 0.04 0.09 *0.07 0.12 0.79 F X2 1.L-1) Nitrito (µg.84 0.54 0.09 0.59 0.08 0.66 0.02 -0.L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.04 *0.89 0.96 0.84 *0.04 0.41 0. 2 Tratamentos Variáveis Oxigênio dissolvido (mg.L-1) Clorofila c (µg.L-1) pH Alcalinidade total (mg.79 0.23 2.29 7.30 0.62 0.40 2.88 0.04 50 .78 0.39 0.91 2.02 0.97 4.04 0.84 0.L-1) Sólidos totais suspensos (mg.07 3.13 0.L-1) Turbidez (UNT) **Diferença estatística entre os tratamentos Períodos F U 2.12 2.93 0.10 *0.28 0.34 2.39 3.

98 A tabela 17 apresenta as diferentes médias e desvios-padrões das variáveis limnológicas obtidas nos efluentes dos viveiros dos três tratamentos testados.21 p 0.90±0.05).33±4. 3% Carbono orgânico (g.dm-3) Fósforo total (g.80±0.19 0.53 1. fósforo e nitrogênio totais no sedimento dos viveiros em cada nível de ração estudada (3%. Tabela 15. Verifica-se que a clorofila c apresenta diferença em todos os tratamentos.23 0.21 7% 10.40 5% 14.04 1.A tabela 15 apresenta as médias com testes "a posteriori".83±0. depois do arraçoamento diferencial.15 0. Tabela 16.53 1. Não se verificou diferença estatística significativa entre os tratamentos (p > 0.05). 5 e 7%. pH e nitrogênio amoniacal ( p < 0. Tratamentos 3% 5% 7% Clorofila c (µg. p = probabilidade de ocorrência do valor de F obtido por ANOVA. com similaridades para o tratamento 7%. Médias (± desvios padrão) da clorofila c e turbidez obtidas para cada nível de arraçoamento nas semanas 14 a 18. Nos períodos manhã e tarde. 5% e 7% da biomassa). 51 .10 0. Verifica-se. A turbidez apresenta diferença entre os tratamentos 3 e 5%.33±1. que houve diferença estatística significativa para o pH. houve diferença para demanda bioquímica de oxigênio.kg-1) Nitrogênio total (g.26 0. Médias obtidas para o carbono orgânico.kg-1) 13.L-1)* 79±99A 57±116B 89±75C Turbidez (UNT) 21±9A 18±17B 17±8AB Médias seguidas de letra diferente na mesma coluna diferem ao nível de 5% de significância Comparação para os tratamentos no sedimento A tabela 16 apresenta as médias para as variáveis do sedimento nos arraçoamentos 3.83±0. na tabela 18. nitrato e nitrito entre os tratamentos.86±0.33±1.83±0.

Tabela 17.86±0.63 46. pH e nitrogênio amoniacal diferiram entre os períodos manhã e tarde (P<0.89±0.74 5.02±0.08±0.57 45.03 408±356 158±139 96±62 990±1365 15.02 24±8 5% 66.67±3.05).02±0.74±17.92 5.75 7.02 18±12 3% 65.55±37.94±0.03 0.42 19±7 7% 64.14±3.14±7.03±2.L ) Fósforo total (mg.05 7.54 4.53 47.70±0.02±0.cm ) Nitrato (µg.76 90±11 2052±2565 55±22 243±153 5.05±0.04 203±98 90±74 81±77 650±476 11.48 91±14 1445±1821 44±24 168±86 5.98 0.65 4.L ) Feofitina (µg.06±0.53 4.04 0.09±20.01±0.L ) Nitrogênio total (mg.49±0.38±5.86 5.L ) Sólidos totais suspensos (mg.94±11.30±2.02 0.07±0.51 46.76±14.16±1.67±36.65 7.35±1.20 5.03 0.03±0.83±1. Manhã 3% Oxigênio dissolvido (%) Oxigênio dissolvido (mg.75 92±10 1368±1542 49±20 231±179 4.04±34.16 7.05 0.36 0.29±0.06 0.03±0.62±1.61±0.L ) DBO5 (mg.L ) Clorofila b (µg.04 0.02 0.07±0.04 222±147 122±59 52±42 560±338 11.73±1.30 6.L ) Nitrito (µg.46±3. nitrato e nitrito diferiram entre os tratamentos .18±2.32 4.97 7.97 87±10 1769±1872 55±19 185±139 4.48 91±11 1209±1441 46±19 192±157 4.28±3.03±0.L ) pH Alcalinidade total (mg.03 231±111 69±44 63±52 598±504 23.67±0.57 23±11 5% 82.51 7.35±0.00±0. enquanto que as variáveis DBO5.33 19±9 52 . As variáveis pH.03 0.24±19.L ) Clorofila c (µg.33±5.09±0.36±1.05±4.28±1.09 333±282 138±129 97±73 783±615 14.04 0.L ) Turbidez (UNT) -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 Tarde 7% 87.66 5.L ) Nitrogênio amoniacal (µg. Variáveis limnológicas nos efluentes estudados após o início do arraçoamento diferencial.35 45.53 5.L CaCO3) Condutividade elétrica (µS.02 240±108 97±71 62±36 618±448 17.L ) Ortofosfato solúvel (mg.52±8.18 89±11 1353±1533 50±15 200±202 4.L ) Clorofila a (µg.29 7.97±13.57 46.92 14±6 95.90±0.07±4.97±11.

06 3.74 0.L-1) Nitrito (µg.84 0.24 0.79 0.81 0.L-1) Sólidos totais suspensos (mg.98 0.86 *0.17 3.18 0.02 0.32 *0.04 -0.15 F X2 1.56 0.35 *0.07 0.L-1) Fósforo total (mg.004 *0.65 0.65 4.17 1.16 U 2. Tabela de análise de variância dos efluentes (Tratamento= 3.L-1) Turbidez (UNT) *Diferença estatística entre os tratamentos Períodos F 0.20 0.77 0.L-1) PH Alcalinidade total (mg.L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.23 0.44 1.15 0.10 1.88 0.37 1.L-1) Clorofila b (µg.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.97 11.30 0. 5 e 7% e período = manhã e tarde).86 p 0.05 0.71 0.L-1 CaCO3) Condutividade elétrica (mg.21 0.42 1.03 0.14 0.14 A tabela 18 apresenta as diferenças do pH.001 0.78 1. Tratamentos Variáveis Oxigênio dissolvido (mg.81 0.96 0.11 0.33 3.34 0.71 0.00 0.29 0.84 0.01 0.L-1) Clorofila a (µg.30 -0.32 6. 53 .21 1.86 p 1.66 0.60 -1.L-1) Nitrato (µg. nitrato e nitrito entre os diferentes arraçoamentos.25 0.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.76 0.63 1.L-1) Feofitina (µg.03 8.26 0.13 -0.Tabela 18.38 *0.47 0.27 *0.L-1) Clorofila c (µg.16 0.

88±0. as caixas.57B Nitrato (µg. Na tabela 19 são apresentadas as médias das variáveis da qualidade de água dos viveiros. no tratamento 7%.L-1)* 1327±1610A 1911±2201B 1359±1500A Nitrito(µg. Figura 28. Comparação por meio de médias (Diferença quadrada mínima* e tukey) dos tratamentos para os efluentes Tratamentos 3% 5% 7% pH 7.43A 7. e as barras aos desvios padrão 54 . Os pontos no centro correspondem às médias.L-1) 45±21A 55±20B 49±17AB Médias seguidas de letra diferente na mesma coluna diferem ao nível de 5% de significância Efeito do tipo de despesca A figura 28 apresenta a quantidade diária de ração fornecida depois da adoção das despescas seletivas. Quantidade média da dieta fornecida semanalmente por viveiro.58A 7. aos erros padrão.49±0.64±0.Tabela 18.

025 23 ±12 Tarde 7.L ) Clorofila a (µg.64 ±5.44 45.35 ±3.L ) pH Alcalinidade total (mg.L ) Fósforo total (mg.40 46.09 ±0.67 68.99 89.L ) Ortofosfato solúvel (mg.29 7.86 89 707 47 172 0.44 ±3.L ) Sólidos totais suspensos (mg.14 ±0.052 20 ±10 Manhã 6.031 ±0.014 21 ±2.57 95 ±27 1059 ±1332 45 ±16 201 ±97 0.58 ±26. nos períodos manhã e tarde após as seletivas Total Variáveis Oxigênio dissolvido (mg.087 359 ±512 102 ±101 89 ±103 902 ±1199 0.13 ±29.L ) Clorofila b (µg.086 ±0.050 ±0.67 7.30 ±2.024 25 ±2.045 ±0.L ) Feofitina (µg.095 ±246 ±73 ±57 ±593 ±0.041 ±0.046 0.62 ±35.073 ±0.066 0.42 ±3.086 ±413 ±129 ±101 ±863 ±0.112 264 95 62 712 0.94 44.92 ±3.98 7.05 7.026 ±0.L ) Nitrito (µg.028 ±11 55 .cm ) Nitrato (µg.L CaCO3) Condutividade elétrica (µS.086 343 136 93 836 0.61 ±9.58 88 1239 53 149 0.54 ±4.02 ±2.20 5.L ) Clorofila c (µg.01 6.02 7.L ) Turbidez (UNT) -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 Mista Tarde 6.85 ±21.Tabela 19.014 ±19 Manhã 5.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.59 ±0.056 278 ±197 181 ±304 98 ±84 830 ±557 0.18 ±0.67 ±5.08 91.95 91 ±15 1220 ±1238 54 ±18 208 ±99 0.039 0. Médias (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas dos nove viveiros.92 44.84 7.00 ±1696 ±18 ±84 ±0.05 77.084 0.63 ±1.112 ±0.L ) Nitrogênio amoniacal (µg.40 ±9 ±1085 ±21 ±155 ±0.

05) para as variáveis oxigênio dissolvido. pH. Em geral. houve diferença entre os períodos manhã e tarde (p < 0. não se notou diferença entre os tratamentos. estão descritos na tabela 21. das médias e desvios. Os resultados. exceto para o oxigênio dissolvido. nos efluentes nos diferentes períodos do dia.A tabela 20 mostra também que não ocorreu diferença estatisticamente significativa entre os tratamentos. Para os períodos (manhã e tarde) não se observou diferença estatística significativa (tabela 21). 56 . Entretanto. ortofosfato solúvel e sólidos totais suspensos.

Tabela 20.36 ±2.059 0.88 96 ±10 1362 ±2011 58 ±33 158 ±121 0.007 23 ±9 Manhã 5.011 27 ±12 Manhã 5. após as seletivas Total Variáveis Oxigênio dissolvido (mg.18 ±4.74 61.L ) Nitrito (µg.075 266 ±194 91 ±71 58 ±40 673 ±494 0.L ) Fósforo total (mg.19 89 ±10 1424 ±2259 57 ±20 234 ±153 0.48 ±13 ±130 ±25 ±118 ±0.061 0.113 247 74 54 632 0.076 ±0.46 ±1.077 ±0.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.41 7.044 ±0.09 ±1.21 ±22.61 ±4.48 ±0.47 4.122 ±0.L ) Turbidez (UNT) -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 Mista Tarde 5.14 ±1.07 ±20.39 7.L ) Nitrogênio amoniacal (µg.59 44.65 ±27.027 ±0.L ) PH Alcalinidade total (mg.085 ±0.L ) Feofitina (µg.L CaCO3) Condutividade elétrica (µS.34 ±0.058 0.28 4.69 ±2.L ) Ortofosfato solúvel (mg.018 24 ±2. Média (±desvios padrão) dos valores obtidos das variáveis limnológicas dos efluentes dos nove viveiros.63 ±0.93 75.72 7.cm ) Nitrato (µg.73 66.111 ±294 ±59 ±34 ±729 ±0.57 64.21 ±6.87 89 ±10 1181 ±1302 61 ±26 197 ±128 0.L ) Sólidos totais suspensos (mg. nos períodos manhã e tarde.L ) Clorofila c (µg.77 ±7.49 7.049 0.073 271 ±170 101 ±59 80 ±65 678 ±411 0.042 19 ±12 57 .L ) Clorofila b (µg.L ) Clorofila a (µg.096 347 ±304 109 ±64 88 ±65 828 ±797 0.58 5.36 5.59 44.11 ±23.26 ±0.015 ±0.40 45.097 ±0.011 ±0.90 ±2.75 44.064 ±0.63 ±3.56 92 1162 54 215 0.014 ±13 Tarde 5.

93 0.016 0.L-1) Nitrogênio total (mg.L-1) Sólidos totais suspensos (mg.89 0.12 -1.31 1.40 0.L-1) pH Alcalinidade total (mg.21 0.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.23 0.10 0.92 -0.76 0.62 -0.03 *0.19 0.30 0.75 0.21 0.06 *0.74 -3.L-1 CaCO3) Condutividade elétrica (µS.24 1.80 0.25 1.36 0.75 1.12 0.19 T U -0.19 1.L-1) Turbidez (UNT) *P < 0.18 2.011 0.cm-1) Nitrato (µg. (Tratamentos= Despesca mista e despesca total) e períodos manhã e tarde Tratamentos Variáveis Oxigênio dissolvido (mg.05 Períodos T 0.75 -0.L-1) Clorofila c (µg.84 -0.72 p -0.29 -0.87 0.08 *0.02 0.L-1) Nitrito (µg.L-1) Clorofila a (µg.L-1) Feofitina (µg.26 -0.99 0.96 0.L-1) Fósforo total (mg.53 0.31 0.04 -2.26 58 .07 -0.44 0.84 0.48 0.29 0.76 0.72 0.001 0.46 -1.85 p *0.32 0.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.34 0.67 -0.15 -1.03 0.76 *0.042 0.57 -2.11 0.70 0.64 0.11 -2.47 U -2.L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.09 0.04 -0.31 1.Tabela 21.29 0. Tabela das variáveis limnológicas nos viveiros com os testes t e U de Mann-Whitney para os tratamentos.40 0.45 1.L-1) Clorofila b (µg.

após o início das despescas seletivas. Figura 29. = abastecimento.As figuras de 29 a 45 apresentam a variação temporal dos parâmetros limnológicos nos viveiros e água de abastecimento nas semanas 12 a 18. 59 . os desvios padrão. Nota-se que não houve padrão diferenciado do comportamento dessas variáveis. total = Despesca total. Abast. mista = Despesca mista. D. nos diferentes tratamentos. D. e as barras. isto é. Variação temporal do oxigênio dissolvido após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias.

Abast. = abastecimento. total = Despesca total. D. total = Despesca total. D. 60 . Os pontos representam as médias. D. e as barras. Os pontos representam as médias. Figura 31. mista = Despesca mista.Figura 30. os desvios padrão. Variação temporal do oxigênio dissolvido (%) após as despescas seletivas. e as barras. Abast. mista = Despesca mista. = abastecimento. D. Variação temporal da demanda bioquímica de oxigênio após as despescas seletivas. os desvios padrão.

Variação temporal do pH após as despescas seletivas. 61 .Figura 32. D. Variação temporal da alcalinidade total após as despescas seletivas. = abastecimento. Os pontos representam as médias. Abast. Abast. = abastecimento. mista = Despesca mista. Figura 33. D. os desvios padrão. total = Despesca total. D. mista = Despesca mista. total = Despesca total. os desvios padrão. Os pontos representam as médias. D. e as barras. e as barras.

62 . Figura 35. os desvios padrão. D. Os pontos representam as médias. = abastecimento. = abastecimento. total = Despesca total. Variação temporal do nitrato após as despescas seletivas Os pontos representam as médias. os desvios padrão. Abast. D. D.Figura 34. Abast. e as barras. e as barras. D. mista = Despesca mista. mista = Despesca mista. Variação temporal da condutividade elétrica após as despescas seletivas. total = Despesca total.

total = Despesca total. Os pontos representam as médias. = abastecimento. Figura 37. Variação temporal do nitrogênio amoniacal após as despescas seletivas. e as barras. total = Despesca total. Abast. mista = Despesca mista. D. Variação temporal do nitrito após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias. D. Abast.Figura 36. 63 . os desvios padrão. mista = Despesca mista. = abastecimento. os desvios padrão. D. e as barras. D.

Figura 38. Variação temporal do ortofosfato solúvel após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 39. Variação temporal do fósforo total após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

64

Figura 40. Variação temporal da clorofila a após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 41. Variação temporal da clorofila b após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

65

Figura 42. Variação temporal da clorofila c total após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

Figura 43. Variação temporal da feofitina após as despescas seletivas. Os pontos representam as médias, e as barras, os desvios padrão. Abast. = abastecimento; D. mista = Despesca mista; D. total = Despesca total.

66

D. Figura 45. Variação temporal dos sólidos totais dissolvidos após as despescas seletivas. = abastecimento. 67 .Figura 44. Abast. total = Despesca total. mista = Despesca mista. = abastecimento. D. Variação temporal da turbidez após as despescas seletivas. e as barras. Abast. total = Despesca total. os desvios padrão. mista = Despesca mista. D. D. Os pontos representam as médias. os desvios padrão. e as barras. Os pontos representam as médias.

81 0.72 0.16 68 .32 0.20 0.49 -0.80 -0.59 0.L-1) Oxigênio dissolvido (%) DBO5 (mg.65 0.93 1.67 1.44 p 0.00 -0.L-1 CaCO3) Condutividade elétrica (mg.12 0.50 0.29 p 0.76 0.75 0.38 0.69 0. comparando-se os tipos de despesca mista e total. Tabela das variáveis limnológicas nos efluentes testes t e U de Mann-Whitney para os tratamentos seletiva (Tratamento= Despesca mista e despesca total) e períodos manhã e tarde Tratamentos Variáveis Oxigênio dissolvido (mg.88 -1.23 -0.39 0.63 0.18 0.78 0.83 0.L-1) Nitrogênio amoniacal (µg.08 0.L-1) Feofitina (µg.53 -0.44 -0.24 1.42 0.23 0.L-1) Clorofila a (µg.68 -0.05). assim como períodos do dia.04 -0.45 1.0001** 0.L-1) Turbidez (UNT) **Diferença estatística entre os tratamentos Períodos T U 0.16 0.80 1.99 0.07 0.21 0.26 0.01 -0. Apenas o oxigênio dissolvido revelou diferença entre os tratamentos (p < 0.L-1) Nitrito (µg.39 0.93 0.31 -1.00 0.44 0.L-1) Clorofila b (µg.53 0.41 0.25 0.64 T U 19.41 1.L-1) Fósforo total (mg.40 0.L-1) Sólidos totais suspensos (mg.18 -0.48 0.47 0.80 0.L-1) Ortofosfato solúvel (mg.30 0. Tabela 22.70 0.L-1) Clorofila c (µg.30 -0.69 -0.84 -0.65 0.L-1) Nitrato (µg.70 0.38 -0.37 0.A tabela 22 apresenta os resultados dos testes estatísticos nos efluentes.L-1) pH Alcalinidade total (mg.

3%.66±2. Tabela 23.17 Despesca total 11. 69 .51 2.00 1. comparando-se os tipos de despesca mista e total no sedimento. Os números fora dos parêntesis identificam os viveiros.63±0. Sel = Seletiva. mostrando a formação de alguns grupos.86 0.A tabela 23 apresenta os dados das médias e desvios.kg-1) 12.95 1.94 Análise Global do experimento A figura 46 apresenta o resultado obtido na análise de agrupamento dos viveiros. Os resultados estatísticos não revelaram diferença significativa entre os tratamentos (p > 0. Médias gerais na despesca mista e total Despesca mista Carbono orgânico (g.56±0.50 1.00±2.06±0. Não se observa nenhum agrupamento dos viveiros relacionado à despesca seletiva ou aos diferentes regimes alimentares.kg-1) Fósforo total (g. 5% e 7% correspondem aos tratamentos testados.05).73 p 0.dm-3) Nitrogênio total (g. Análise de agrupamento dos 12 viveiros estudados.60± 0. Figura 46.46 0.

45). foram obtidos 39. e a tabela 24 contém os coeficientes de correlação entre as variáveis e os dois primeiros eixos da ordenação. Nestes.16% no segundo. Análise de Componentes Principais em viveiros de Macrobrachium amazonicum 70 .O resultado da Análise de Componentes Principais (ACP) está representado no diagrama de dispersão (Fig. Figura 46. A figura 46 não sugere a existência de grupos. sendo 22.85% no primeiro eixo e 16.01% de explicação da variabilidade total do sistema.

8126 -0. NITRIT=nitrito.2763 0.1351 -0.3779 0. v= viveiro e e= efluente.4196 CLORAmv *-0.0605 NITRAtv *0.3480 FOSFte *-0.2041 SOLtv -0.1323 CARB *-0. clor c= clorofila c.0232 *0.8463 -0.3947 0.8505 FEOFITte -0.4597 0.0226 0.6224 CONDmv 0.8553 -0.4233 *-0.4374 CLORAme *-0.4215 0.7374 ORTOmv 0.7327 ORTOte -0.2781 0. clor b = clorofila b.6775 -0.6029 *0.2143 AMONmv 0. COND= condutividade elétrica.0408 TURBtv -0.0282 -0.3118 SOLmv 0.7142 0. feofit=feofitina.5359 0.1860 NITROGtv -0.7078 Phme -0.3539 0.5817 SOLte *-0.5960 0.2419 ORTOtv 0.3724 TURBme *-0.3490 NITRITtv *0.4681 OD%tv -0.4104 NITROGmv 0.0387 SOLme 0.2974 AMONme 0.5673 CLORBtv -0. AMOM = nitrogênio amoniacal.5331 ORTOme -0.3183 0.6856 PHtv 0.4724 -0. t= Tarde. fosf= fósforo total.2598 0.5740 ALCALmv 0.4194 0.7106 PHte 0.3779 CLORAte *-0. nitrog= nitrogênio no sedimento.4266 FEOFITme *-0.0266 CLORBte -0.4101 0. Coeficientes de correlação entre as variáveis analisadas e os dois primeiros eixos da ordenação na ACP em viveiros de Macrobrachium amazonicum Fator 1 Fator 2 Fator 1 Fator 2 OD%mv -0.7503 0.3033 TURBte -0.3225 DBO5mv *-0.7626 CLORCtv -0.0309 OD%te -0.0873 AMONmv *0. nitrog=nitrogênio total.2111 -0.8294 NITRAme *0. TURB=turbidez.0376 0.0492 -0. fosf= fósforo no sedimento.2649 -0.3827 ALCALtv *0.2492 *0.2082 -0. clor a=clorofila a. carb= carbono orgânicono sedimento.1785 FOSF -0.4733 *0.5692 0. orto= ortofosfato solúvel.1770 DBO5me *-0.6716 -0.6732 0.0931 -0.0969 CLORBme *-0.3176 0.3419 0.6214 *0.5830 0.0187 *-0. ALCAL= alcalinidade total.3381 CLORCmv *-0.5103 NITRAmv *0.1503 0.2679 -0.7946 -0.4551 0.1747 DBO5te -0.1637 *0.1823 NITROG *-0. pH= pH.0062 CONDtv 0.5868 -0.7689 -0.2971 NITRITmv *0.0761 TURBmv *-0.5686 CLORCme -0.3202 CLORAtv -0. NITRAT=nitrato.3655 FOSFme *-0.3827 *0.7187 -0.2416 Legenda: OD% .2423 NITRITte 0.0381 -0.2954 0.0291 -0.5447 *-0.6076 FOSFtv -0.6216 0.1712 NITRAte 0.2568 DBO5tv -0. DBO5 Demanda bioquímica de oxigênio.2553 0.Oxigênio dissolvido em porcentagem de saturação (%).5109 AMONtv -0. ALCAL = alcalinidade. 71 . sol= sólidos totais suspensos.1281 ALCALte 0.3857 FOSFmv -0.4678 CLORCte *-0.8346 0.6682 0.0891 FEOFITmv *-0.4985 *0.4060 FEOFITtv -0.Tabela 24.4337 -0.4295 *-0.1169 CONDme -0.1879 0.3402 ALCALme -0.5424 0.1862 *0.2609 CONDte -0.8372 -0.0800 NITROGme 0.5678 *-0.3379 0.1875 OD%me *-0.5281 *-0.1016 0.1485 NITRITme 0.3078 CLORBmv *-0.3338 PHmv -0.3057 *-0. m= Manhã.1763 NITROGte 0.

72 . A DBO5 e a condutividade elétrica seguiram o mesmo padrão de variação da água de abastecimento. A DBO5 aumentou. mesotróficos. no entanto. principalmente. químicas e biológicas do ambiente (Odum. enquanto que a condutividade apresentou padrão inverso. Não se identificou nenhum significado biológico para esses padrões de variação dessas quatro variáveis. o consumo de oxigênio por respiração. eutróficos e hipertróficos (Esteves. em seguida. aumentando-se o substrato deve-se aumentar o produto. Os dados obtidos indicam que os ambientes são hipertróficos porque apresentam valores de fósforo total maiores que 0. Os camarões crescem ao longo do cultivo e deveriam aumentar bastante seu efeito sobre o ambiente. nos teores de fósforo total (Vollenweider. Por isso. 1985). repetindo-se este experimento. Aumentam a ação mecânica originada por seu movimento e manipulação do sedimento. A maioria das variáveis estudadas apresentou padrão de variação aleatório ao longo do cultivo. a clorofila a e a feofitina apresentaram um padrão definido. cuja classificação baseia-se.DISCUSSÃO Os ecossistemas límnicos são classificados em oligotróficos. a predação sobre os outros organismos da comunidade. a ingestão de alimento e a defecação. esperam-se variações nas variáveis limnológicas ao longo do cultivo e estas poderiam seguir um padrão condicionado pelos processos descritos acima. portanto. a condutividade. A feofitina e a clorofila a foram altas nas primeiras e últimas semanas e baixa no meio do cultivo. e inclusive observou-se correlação positiva entre a água de abastecimento.1968). A feofitina resulta da degradação da clorofila a (Wetzel. aumentou novamente. condutividade e DBO5 da água do viveiro. Portanto. 1981) e.1 mg. a excreção de amônia. Assim. Isso. não ocorreu no presente trabalho. diminuiu e.L-1. neste experimento aumentou mais de cinco vezes. Estes sistemas são bastante instáveis e apresentam grandes oscilações diárias no oxigênio e pH. o processo de sucessão ecológica leva ao estabelecimento de vários estágios serais que alteram as características físicas. a ração diária adicionada nos viveiros vai sendo elevada. Apenas a DBO5. Além disso. 1988).

Além disso. No sistema de cultivo semi-intensivo. não ocorre o efeito da diluição. 5 a 20% da água é renovada diariamente para manter a qualidade da água dos viveiros adequada aos camarões (Nunes. Além dessas. compostos nitrogenados. deve reduzir o efeito da água de renovação. íons. Logo. enquanto que a água nova traga oxigênio e dilua a concentração de compostos tóxicos. por isso.ª semana de cultivo não tiveram ação significativa sobre o oxigênio dissolvido. não se constatou nenhum padrão de variação. pH. nitrato e fósforo total apresentaram correlação positiva entre a água de abastecimento e a água dos viveiros. o ortofosfato. o nitrito. Possivelmente. Boyd & Tucker (1998) afirmam que esta prática tão difundida carece de embasamento em dados concretos. material em suspensão e teores de clorofila e feofitina do fitoplâncton nos viveiros. condutividade. tanto a água de abastecimento. No entanto. o número de fatores que age sobre essas variáveis seja muito grande e. o pH. 2001). com adição de grande quantidade de fertilizante e ração. nos viveiros estudados. apenas a alcalinidade.os picos superiores e inferiores poderiam ocorrer em semanas diferentes daquelas em que foram observados no presente trabalho. os dados obtidos sugerem que a sucessão ecológica e o aumento na biomassa de camarões e de adição de matéria orgânica ocorrida nos viveiros até a 14. 73 . Supõe-se que a água eliminada do fundo seja pobre em oxigênio e carregue consigo amônia e outros produtos da decomposição. Isso pode ser decorrente do fato de que. No presente trabalho. fósforo. a biomassa de fitoplâncton e o material dissolvido e em suspensão parecem ser mais dependentes dos processos biológicos que ocorrem dentro do viveiro do que da água de abastecimento. com muita freqüência. Por conseguinte. Isso está de acordo com a instabilidade nas variáveis da água observada em ambientes hipertróficos. o manejo empregado no sistema semi-intensivo. como dos viveiros apresentam características hipertróficas e. o oxigênio e o nitrogênio amoniacal aparentemente não foram influenciados pela renovação da água na faixa de 5-10% ao dia como se praticou neste trabalho. portanto. nas condições de cultivo praticadas.

Não se observou diferença significativa nas demais variáveis estudadas. No presente trabalho. esta variável pode fornecer uma estimativa grosseira da “poluição potencial” de um viveiro. Esses dados devem refletir os processos de fotossíntese e nitrificação que ocorrem nos ecossistemas límnicos. nitrogênio amoniacal e liberação de oxigênio. fósforo. o oxigênio medido corresponde ao que restou após os processos de respiração dos camarões e outros organismos aquáticos. ao longo do dia haverá consumo de carbono inorgânico. com o consumo de CO2 e produção de oxigênio. são influenciados principalmente pela variação na intensidade luminosa e temperatura. o oxigênio gasto para degradar a matéria orgânica biodegradável na água (APHA. o pH e o nitrato aumentaram no período da tarde. Essa demanda nitrogenosa de oxigênio (DNO) pode atingir cerca de 40% do valor da DBO5 em viveiros de cultivo de catfish nos Estados Unidos da América (Boyd & Gross. 1981). No período da manhã. o consumo de oxigênio em cinco dias representa apenas uma fração do oxigênio total que será consumido nos processos de decomposição e nitrificação. a DBO5. Conseqüentemente. o oxigênio. 1999). enquanto que o nitrogênio amoniacal diminuiu. Assim. 1998). Por outro lado. A demanda bioquímica de oxigênio mede. grande quantidade de oxigênio pode ser usado pelas bactérias nitrificantes para oxidar o nitrogênio amoniacal em nitrato. turbidez e densidade de fitoplâncton 74 . A absorção do fósforo também está associada à produção primária (Wetzel. Portanto. inicia-se a fotossíntese. decomposição da matéria orgânica e nitrificação da amônia em nitrato ocorridas durante a noite. Como não ocorreu aumento na concentração de sólidos totais suspensos. primariamente. Com o nascer do sol. o oxigênio medido à tarde representa o saldo entre o que foi produzido pelo fitoplâncton e o que foi gasto nos processos descritos anteriormente. quando não há fotossíntese.Os processos biológicos e químicos que ocorrem nos viveiros levam a mudanças nos valores das variáveis limnológicas ao longo do dia. Estes. por sua vez. Além disso. Esta representa cerca de 35% da DBO5 no período da tarde.

Neste trabalho.0±2. levando à formação de amônia. não se verifica estratificação. pode haver perda de amônia gasosa para a atmosfera (Delincé. ocorreu aumento da temperatura. deste estudo. considerando a superfície e fundo durante todo o cultivo. a concentração do nitrato aumentou à tarde e existiu uma correlação positiva entre a concentração de nitrato e a DBO5. Se a concentração for muita elevada e o pH for fortemente alcalino. esteve dentro do intervalo ótimo de temperatura para a taxa metabólica máxima de Macrobrachium C C). estudando características limnológicas em viveiros de Pacu (Piaractus mesopotamicus). o que acelera a decomposição da matéria orgânica. Esta é imediatamente assimilada pelo fitoplâncton ou convertida em nitrato pelas bactérias nitrificantes (Esteves. indicando que os processos de fotossíntese e nitrificação predominaram sobre o processo de amonificação. executado também em Jaboticabal. Pois. Santos & Valenti (2000). 1988). o fato de a temperatura do cultivo apresentar uma faixa de variação satisfatória.4±1. Estado de São Paulo. cerca de 0.6° na superfície e 27. C A temperatura diminuiu gradativamente do verão para o inverno nos viveiros estudados. rosenbergii (26-32° ou 28-30° por exemplo. A temperatura foi geralmente uniforme. estudando um policultivo de Macrobrachium rosenbergii com Oreochromis niloticus.04 hectares. Acrescenta-se a isso.3° C no fundo. Os viveiros. 1992). Esses autores observaram uma variação da água de 18 a 30° nos viveiros de pacu. (1999) verificaram esta mudança gradativa.(mensurada pela clorofila) supõe-se que o aumento da DBO5 esteja relacionado ao aumento da nitrificação do nitrogênio amoniacal.01 hectare. C Ao longo do dia. Sipaúba-Tavares et al. à noite não ocorre fotossíntese e o 75 . Boyd (1979) afirma que em sistemas rasos (aproximadamente 1 metro) e com comprimento de até 0. tinham essa profundidade. também verificaram temperatura média da água de 28. postulados por Zimmermann (1998) e Boyd & Zimmermann (2000). ocorrendo estratificação térmica apenas em algumas coletas. Por outro lado. Realmente. houve redução de amônia no período da tarde. como também eram menores.

pois o CO2 está sendo retirado. que forma ácido carbônico ao dissolver-se na água. absorvido pelo fitoplâncton (Hargreaves.L-1 76 . diminuindo o pH (Boyd & Tucker. Este se dissocia em íons H+ e bicarbonato mais carbonato. e a concentração do nitrogênio amoniacal baixa. o que inibe a nitrificação (Kaizer & Wheaton. Portanto. 1988). Nos viveiros estudados. Sipaúba-Tavares (1998. Durante a noite não há fotossíntese e. pois o nitrato deve ser reduzido a amônia dentro das células antes de ser usado. tanto o fitoplâncton como as bactérias nitrificantes concorrem pela amônia. 1988). o pH é mais baixo pela manhã. 1993). Isto deve ser decorrente da maior temperatura e maior disponibilidade de oxigênio. o fato de haver maior formação de nitrato indica que a decomposição deve ser maior do que à noite. Estes dois últimos processos ocorrem principalmente ao nível do sedimento em condições anaeróbicas ou de baixa concentração de oxigênio (Esteves. A decomposição libera CO2. Isto indica que durante o dia ocorreu aumento no processo de nitrificação. 1998). Os valores mais elevados de nitrogênio amoniacal observados pela manhã indicam que a amonificação foi maior que a nitrificação durante a noite. Como o pH foi sempre inferior a 9. 1988). reconvertido em amônia por amonificação ou convertido em nitrogênio molecular (Esteves. por isso. com um gasto energético (Esteves. 1998). à noite ocorreu uma redução média de aproximadamente 300 µg. Este pode ser acumulado no sistema como nitrato.oxigênio vai diminuindo. 1999) também observaram relação entre os valores do pH e o oxigênio dissolvido em tanques de piscicultura. Como durante o dia. havia amônia e oxigênio suficientes. Por outro lado. Os vegetais podem absorver tanto o CO2 livre como os íons bicarbonato (Esteves. isso está relacionado à participação dessas variáveis nos processos de fotossíntese e decomposição. observou-se que o nitrato aumentou à tarde. Possivelmente. não deve ter havido perdas desse gás para a atmosfera. 1988). O nitrato origina-se do processo de nitrificação da amônia. A absorção de nitrato pelo fitoplâncton ocorre apenas quando há falta de amônia. A elevação do pH no período da tarde indica que há um predomínio do processo de fotossíntese sobre a respiração e decomposição.

Embora o oxigênio sempre foi superior a 1 mg/L no fundo dos viveiros. o fósforo combinado tenha-se convertido em ortofosfato em uma taxa mais alta durante o dia do que à noite.L-1 de nitrogênio deve perder-se dos viveiros para a atmosfera. Logo. mas a diferença não foi significativa. tanto ortofosfato como o fosfato orgânico foram absorvidos pelo fitoplâncton durante o dia. A eficiência do processo de nitrificação no interior dos viveiros é corroborada pelos baixos valores de nitrito. os fosfatos orgânicos são decompostos por bactérias. observou-se correlação negativa entre o oxigênio dissolvido e ortofosfato (tabela 9). devido ao aumento da temperatura e conseqüente aumento da taxa de decomposição. De acordo com este autor. à noite deve estar ocorrendo um processo de desnitrificação e cerca de 300 µg. Isto é corroborado pelos valores elevados de nitrato no período da tarde. formando nitrogênio molecular. fósforo orgânico dissolvido também pode ser assimilado (Esteves. propiciando a ação das bactérias desnitrificantes. Por conseguinte. em ambientes naturais. 1988).de NO3-N. O fósforo é absorvido pelo fitoplâncton principalmente como ortofosfato. 1998). Sua presença nos ambientes aquáticos é sempre baixa e só aumenta quando as reações de nitrificação são bloqueadas (Boyd & Tucker. quando a fotossíntese é mais intensa. Este não deve ter sido convertido em amônia. na falta deste.L-1 de NH3-N. o ortofosfato e o fósforo total diminuiram à tarde. porque esta aumentou apenas cerca de 50 µg. Talvez. que produziu oxigênio. Nos viveiros estudados. No entanto. supomos que a concentração do fósforo realmente diminuiu à tarde. essa assimilação é tão rápida que. mas. ainda na coluna d’água e o fosfato reativo formado é rapidamente assimilado pelas algas. em média. condições anaeróbicas podem ter ocorrido ao nível do sedimento. De acordo com Esteves (1988). muitas vezes o nível de ortofosfato é tão baixo que não é detectado. que produzem fosfatases. que é um composto intermediário no processo de nitrificação. Os valores baixos obtidos neste trabalho indicam que o processo de nitrificação ocorreu regularmente nos viveiros. sugerindo que este foi consumido durante a fotossíntese. nos viveiros. os níveis 77 . Por isso.

o que é considerado por Boyd & Tucker (1998) e Boyd & Zimmermann (2000) como adequado para aqüicultura. 78 . 1992). a alcalinidade não variou entre os períodos do dia. a amônia produzida e liberada para a água. enquanto que a respiração. 1985). À noite. 1998). se as condições do sedimento se tornarem anaeróbicas. Por outro lado. 1992). à noite. liberando fósforo para a coluna d’água (Delincé. A movimentação dos animais e a manipulação de materiais contidos no substrato (bioturbação) podem ressuspender o sedimento. Além disso.à tarde são menores. 1992). Possivelmente. os camarões são animais que apresentam maior atividade à noite (Valenti. Os processos de fotossíntese. indicando a ocorrência de nitrificação. (1998) observaram que a diminuição da concentração do nitrogênio amoniacal afetou a alcalinidade. ela é dada principalmente pelos íons carbonato e bicarbonato.. poderá haver a liberação de fósforo para a coluna d’água (Delincé.L-1 de CaCO3. redução do sulfato e dissolução de calcário usado em aqüicultura podem aumentar a alcalinidade. Além disso. Sipaúba-Tavares et al. Nos viveiros estudados. 1990. a respiração pode ter sido compensada pela desnitrificação. já que o nitrato aumentou significativamente à tarde. 1992). Os valores obtidos variaram ao redor 40 mg. desnitrificação. que juntamente com o CO2 são as principais formas de carbono inorgânico disponíveis na água. A alcalinidade é a capacidade da água neutralizar ácidos (Esteves. Delincé. nitrificação e oxidação dos sulfitos podem diminuir (Delincé. O principal efeito da alcalinidade em viveiros de cultivo é o tamponamento das variações no pH dadas pelos processos de assimilação e eliminação de CO2 pelos organismos. pode causar um efeito direto sobre a alcalinidade (Boyd. A alcalinidade exerce pouco efeito sobre os organismos aquáticos: peixes e camarões têm sido cultivados em intervalos muito grande de alcalinidade sem nenhum problema aparente (Boyd & Tucker. 1988. a fotossíntese ocorrida durante o dia foi compensada pela nitrificação. quando estudaram a dinâmica de algumas variáveis limnológicas em dois tanques de piscicultura. 1998). pelos peixes e outros organismos aquáticos. Sipaúba-Tavares et al. Em ambientes de água doce.

o que indica elevada taxa de degradação da clorofila e sugere mortalidade do fitoplâncton e elevada decomposição. Nos viveiros estudados não houve variação entre manhã e tarde. Os viveiros estudados receberam a aplicação de 100 g. cálcio. potássio. tomando parte no metabolismo secundário (Margalef. deve-se destacar que a quantidade de clorofila na mesma célula varia como uma adaptação à disponibilidade de luz (Wetzel. principalmente. indicando que a densidade de fitoplâncton não deve ter se alterado. 1988). repassando para a clorofila a especial. Neste trabalho. os íons cálcio são os mais importantes (Delincé. Esta pode ocorrer no interior das células. sulfato e cloreto (Esteves. observou-se que a água de renovação influiu na variação da condutividade ao longo do tempo nos viveiros. magnésio. A variação diária pode indicar um predomínio da fotossíntese ou da decomposição. Os compostos nitrogenados e os fosfatos têm pouco efeito sobre a condutividade. Assim. observou-se que a concentração de feofitina não mostrou diferença entre a manhã e tarde. Além disso. com a perda do átomo de magnésio (Wetzel. e foi superior à soma de todas as formas de clorofila.A condutividade elétrica é uma medida da concentração de íons na água. pode-se supor que a renovação do fitoplâncton foi elevada. 1992). carbonato.m-2 de calcário dolomítico antes do enchimento. 1995). Neste trabalho. esta variável pode fornecer informações complementares importantes. A clorofila a é a responsável pelos processo fotossintético de fixação da energia luminosa. No entanto. A concentração de clorofila é usada como uma medida do “standing crop” do fitoplâncton (Wetzel.cm-1). 1981). 1981. A feofitina se origina da degradação da clorofila. enquanto que as clorofilas b e c são auxiliares na captação de energia. 1988). 1981). Em águas com baixa condutividade (<600 µS. Isto certamente contribuiu significativamente para a elevação da condutividade. conforme a condutividade aumente ou diminua (Esteves. 1983) ou pode estar presente nas células mortas em fase de degradação. Lewis. 79 . Assim. a concentração de clorofila não variou entre manhã e tarde. sugerindo que os íons retirados da água pela fotossíntese foram compensados pela decomposição.

ocorre processo de decomposição. A água coletada após o monge apresentou menores teores de oxigênio dissolvido. Os resultados indicam que durante a passagem pela tubulação de drenagem e caixa do monge. estas variáveis não se alteraram ao longo do dia. detectáveis pelos métodos usados. Assumindo que a proporção de nitrogênio e fósforo na biomassa de M. corroborando a hipótese da ocorrência de decomposição. isto é. indicando que os processos biológicos tiveram pouca ação sobre o material na coluna d’água. Isso possivelmente ocorreu como conseqüência da decomposição dos restos não consumidos e fezes geradas. em média. Assim. portanto. que consomem oxigênio para oxidar o alimento ingerido e excretam nitrogênio amoniacal. adição e subtração de quantidades equivalentes de material em suspensão e dissolvido. amazonicum seja similar a encontrada nos camarões 80 . orgânicos e inorgânicos. O nitrogênio amoniacal aumentou nos efluentes. Neste trabalho. e ficou também depositada no monge explicando os menores valores. o oxigênio dissolvido e o pH foram medidos junto ao fundo e. a DBO5 e os sólidos totais suspensos também foram reduzidos. Ela apresentou correlação significativa fraca apenas com o oxigênio dissolvido e nitrogênio amoniacal. embora a diferença não tenha sido significativa. A ração total fornecida até a 14. Talvez a água do fundo dos viveiros que é drenada para o efluente apresente valores menores. valores mais baixos de pH e DBO5. ou ocorreram processos antagônicos compensatórios. respectivamente. 40 Kg por viveiro.ª semana foi. deveriam apresentar os mesmos valores nos efluentes e no interior dos viveiros. sejam vivos ou não.Os sólidos totais suspensos e a turbidez refletem os materiais dispersos ou dissolvidos na coluna d’água. A ração teve efeito muito pequeno sobre as variáveis limnológicas e do sedimento. Embora os sólidos totais suspensos e a DBO5 foram coletadas como amostras integradas. cerca de 2400 g de nitrogênio e 400g de fósforo foram adicionados ao sistema. além da sua metabolização pelos camarões. sólidos totais suspensos e. Como esta tem um teor de nitrogênio e fósforo de 6% e 1%.

o fósforo acumulou-se no solo. os níveis de arraçoamento (3%. Esses autores verificaram efeito no oxigênio dissolvido. principalmente o oxigênio dissolvido juntamente com as variáveis que têm relação com este. (1995) observaram os efeitos da quantidade da dieta.marinhos.5% do fósforo fornecidos na ração seriam incorporados ao organismo alvo do cultivo. nitrogênio amoniacal e clorofila a.8 mg. via 81 .. 2. Isto poderia condicionar uma concentração de 22. Logo. assim. neste estudo. Por outro lado. aproximadamente.1g de nitrogênio e fósforo. pH. indicando que esses dois elementos foram transferidos para outros compartimentos. exceto a turbidez. 188g e 22.L-1 de P ao final do período. ter sido eliminado para a atmosfera como N2. nitrato. A quantidade de matéria orgânica e nutrientes é tão elevada que as variações na adição desses materiais. pode ter sido assimilado pelos organismos da comunidade aquática. 2003). clorofila b. clorofila c e feofitina. salientaram que não houve efeito para nitrito. pH. essa análise sugere uma baixa eficiência do sistema de produção utilizado para assimilar esses importantes nutrientes. ter sido incorporado à matéria viva.1mg. além de.9% e 0. Embora muito grosseira. Porém. teríamos uma assimilação no compartimento dos camarões de. nem na coluna d’água e. Isso pode ser decorrente do fato de os viveiros serem ambientes hipertróficos. 5% e 7%) tiveram efeito reduzido sobre as características limnológicas da água. A esse despeito. O nitrogênio não se acumulou no solo. ou ter sido lançado no ambiente junto com os efluentes. respectivamente (Jackson et al. Allan et al. ou se perder nos efluentes. Isto entretanto não ocorreu. Os níveis de arraçoamento afetaram o OD. fósforo total. ou seja. apenas 8% do nitrogênio e 5. possivelmente. respectivamente. considerando taxa menor de 2-4% e taxa maior de 4-8% sobre a qualidade da água durante a produção de Penaeus monodon. Nos viveiros do camarão-da-amazônia.L-1 de N e 3. O restante ficaria disponível no ecossistema. DBO5 e turbidez.34%. ou seja. Estudos detalhados sobre o balanço de nitrogênio e fósforo nos sistemas de aqüicultura devem ser realizados para possibilitar um manejo mais eficiente e sustentável dos cultivos.

sem preocupação com os efeitos sobre as características limnológicas da água e do efluente. Este nutriente normalmente perde para o sedimento. 1998). Imediatamente após o enchimento houve diminuição nesses três elementos. 1992. visualmente. Portanto. ferro ou alumínio (Delincé. nitrogênio e fósforo no sedimento. desaparecendo a seguir. Porém. considerando 0 a 3 dias após as despescas. aumentando as concentrações de compostos nitrogenados e fósforo na coluna d’água. nitrogênio e fósforo no sedimento em viveiros de Arkansas Bait Minnow. O arrasto com rede revolve o sedimento. embora o estudo de Tepe & Boyd (2002) tenha avaliado viveiros com 7. pois nessa fase ocorre intensa dissolução de materiais do sedimento para a coluna d’água (Delincé. Os níveis de arraçoamento (3%. Esse efeito pode ser momentâneo. o material suspenso sedimenta-se rapidamente antes de sofrer a ação dos organismos 82 . Provavelmente. e 30 a 35 anos de idade. 5% e 7%) não afetaram a deposição de carbono orgânico. seria esperado que o material suspenso na coluna d’água servisse como substrato para os organismos decompositores. ou alterar permanentemente as características limnológicas da água e sedimento. o que é observado. Tepe & Boyd (2002) fizeram observações similares acerca da acumulação de carbono. nem a deposição de matéria orgânica. mas ocorreu retenção de fósforo.ração. o que é esperado. houve aumento de carbono orgânicoe fósforo e. como também diminuindo a sua concentração no sedimento. 20 a 25 anos. complexando-se com cálcio. Assim sendo. 18 semanas após. nem de nitrogênio. no momento da despesca. Boyd & Tucker. Após nove semanas. o nível de arraçoamento no último mês de cultivo pode ser definido com base no seu impacto sobre a produção e nos custos operacionais. observaram-se variações ao longo do tempo. Essas alterações não foram detectadas nas amostras coletadas. observa-se que não houve acúmulo de matéria orgânica. não causa efeito. e ressuspende grande quantidade de material. nitrogênio e fósforo no sedimento. nos Estados Unidos da América. 1992). As despescas seletivas realizadas quinzenalmente não alteraram a qualidade da água.

De um modo geral. Neste estudo. cada viveiro apresentou características peculiares. O efeito dos tratamentos pode ter sido mascarado pelo fato de os viveiros serem ecossistemas hipertróficos. O nitrato foi mais afetado pela água de abastecimento do que pelas despescas. Por outro lado. No que concerne à variação temporal. deteriora-se a qualidade de água nos viveiros. a turbidez foi mais elevada nos viveiros com despesca seletiva na maioria das coletas. 3%. Portanto. amazonicum e o uso de despesca seletiva não prejudicam a qualidade da água para os camarões. enquanto que as demais variáveis devem ter sido mais influenciadas por outros processos que ocorreram nos viveiros. ao drenarem-se os tanques. Assim. não se observou diante dos resultados apresentados pela análise multivariada qualquer agrupamento dos viveiros relacionados aos tratamentos avaliados (despesca seletiva. a variação foi similar nos dois tratamentos para todas as variáveis. Por conseguinte. 5% e 7%). incrementando o fósforo. Tepe & Boyd (1992) afirmam que a despesca interfere. pode aumentar as concentrações de sólidos suspensos totais e turbidez no efluente. Considerando-se as características limnológicas dos viveiros e efluentes. mais importantes para o funcionamento do sistema do que as variações nos níveis de ração administrados ou do tipo de despesca. de modo a alterá-la significativamente. o cultivo semi-intensivo de M. Quanto ao sedimento. pertencentes a cada tratamento testado.decompositores. Schwartz & Boyd (1994) salientam que sua ressuspensão. somente o oxigênio dissolvido no efluente apresentou diferença estatisticamente significativa para o efluente nos tratamentos despesca mista e total. ocasionando "blooms" algais nos viveiros. tornando-o disponível para as populações fitoplanctônicas. sabe-se que viveiros construídos lado a 83 . Ou seja. as mudanças resultantes da aplicação de diferentes taxas de arraçoamento e das despescas seletivas foram muito pequenas para alterar as características limnológicas da água. Todavia. a adoção de despescas seletivas não mostrou nenhum padrão.

Isso decorre principalmente do fato de que os rumos da sucessão ecológica são definidos pelo acaso.5-8. os valores das variáveis limnológicas nos viveiros. rosenbergii New (2002) M. sobre o mesmo tipo de solo e manejados de forma idêntica. rosenbergii New (2002 M. obtidos neste estudo. rosenbergii New (2002) M.3 mg. Qualidade de água para cultivo de Macrobrachium rosenbergii na fase de crescimento final Variável Faixa ideal Temperatura 28-31° C Oxigênio dissolvido 3 – 7 mg. Rocha. isto é.cm-1 Nitrato Nitrito Nitrogênio amoniacal Fósforo total Ortofosfato solúvel Turbidez < 10 mg.5 Alcalinidade total 20 . rosenbergii New (2002) New (2002) Boyd & Zimmermann (2000) Boyd & Zimmermann (2000) < 40 UNT 0. o que pode explicar a heterogeneidade observada nos viveiros.60 mg. pelos organismos que se instalam inicialmente em cada viveiro (O.0 mg. rosenbergii New (2002) M. Em geral.3 mg.3 7-102 - Espécie Fonte M. rosenbergii New (2002) M.L-1 Condutividade 100elétrica 200µS.4 mg.L-1 < 0. Tabela 25.lado.L-1 pH 7-8.L-1 < 2. rosenbergii Outros organismos aquáticos Outros organismos aquáticos 84 . comunicação pessoal).L-1 < 0. L-1 M. estiveram de acordo com os padrões estabelecidos para o cultivo de Macrobrachium rosenbergii ou para a manutenção da vida aquática (tabela 25). rosenbergii New (2002) Outros Boyd & organismos Zimmermann (2000) cultiváveis New (2002) M. podem apresentar características limnológicas totalmente diferentes.L -1 Níveis observados no Brasil 5.003-4.

não houve acúmulo de matéria orgânica ou nitrogênio amoniacal na coluna d’água ou no fundo dos viveiros. 5. Existem evidências de ocorrência de um processo de decomposição da matéria orgânica durante sua passagem pelo sistema de escoamento. Com exceção das variáveis influenciadas por esse processo. De modo geral. 6. Igualmente. e no interior dos viveiros. No sistema semi-intensivo de cultivo M. 8.CONCLUSÕES 1. O fósforo acumulou-se no fundo dos viveiros no compartimento dos sedimentos. A ração fornecida diariamente teve efeito muito pequeno sobre a qualidade de água. mas se acumula na biomassa dos camarões. nitrato aumentaram no período da tarde. enquanto que o nitrogênio amoniacal e o fósforo diminuíram. O oxigênio dissolvido. DBO5. As taxas de arraçoamento variando de 3 a 7% da biomassa não afetaram a deposição de carbono. 85 . não houve diferença entre as variáveis limnológicas nos efluentes. 3. 4. nitrogênio e fósforo no fundo dos viveiros. As demais variáveis não se alteraram. 7. Por conseguinte. A matéria orgânica também não é liberada para o ambiente. aumentou-se o teor de nitrogênio amoniacal. amazonicum não existiu um padrão definido de variação temporal nas variáveis limnológicas estudadas. Aparentemente. tiveram pouco efeito sobre as variáveis limnológicas no interior dos viveiros e efluentes. reduzindo levemente o oxigênio dissolvido. ou é decomposta pelos microorganismos. a qualidade da água é mais dependente dos processos biológicos que ocorrem dentro do viveiro do que as características da água de renovação para algumas variáveis. pH. 2.

11. As características intrínsecas de cada viveiro tiveram maior ação sobre a qualidade da água.9. 10. nitrogênio e fósforo no sedimento. ou inexistente. exerceu efeito muito reduzido sobre a qualidade da água permanente dos viveiros e efluentes. 86 . exceto entre a clorofila a e a feofitina. A correlação entre as diversas variáveis na coluna d’água foi fraca. do que o arraçoamento diferencial na faixa de 3 a 7% da biomassa e o uso de despescas seletivas. Do mesmo modo. A aplicação das despescas seletivas não alterou a deposição de carbono.

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