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A Sociologia

é uma das ciências humanas que estuda as unidades que formam a sociedade, ou seja, estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia, a Sociologia tem uma base teórico-metodológica, que serve para estudar os fenômenos sociais, tentando explicá-los, analisando os homens em suas relações de interdependência. Compreender as diferentes sociedades e culturas é um dos objetivos da sociologia. Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos. Cobrindo todas as áreas do convívio humano — desde as relações na família até a organização das grandes empresas, o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso —, a Sociologia pode vir a interessar, em diferentes graus de intensidade, a diversas outras áreas do saber. Entretanto, o maior interessado na produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente é o Estado, normalmente o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica. Assim como toda ciência, a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. Ainda que esta tarefa não seja objetivamente alcançável, é tarefa da Sociologia transformar as malhas da rede com a qual a ela capta a realidade social cada vez mais estreitas. Por essa razão, o conhecimento sociológico, através dos seus conceitos, teorias e métodos, pode constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida cotidiana, das suas múltiplas relações sociais e, consequentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais. A Sociologia ocupa-se, ao mesmo tempo, das observações do que é repetitivo nas relações sociais para daí formular generalizações teóricas; e também se interessa por eventos únicos sujeitos à inferência sociológica (como, por exemplo, o surgimento do capitalismo ou a gênese do Estado Moderno), procurando explicá-los no seu significado e importância singulares. A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XVIII, na forma de resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o mundo está ficando mais integrado, a experiência de pessoas do mundo é crescentemente atomizada e dispersada. Sociólogos não só esperavam entender o que unia os grupos sociais, mas também desenvolver um "antídoto" para a desintegração social.

Hoje os sociólogos pesquisam macroestruturas inerentes à organização da sociedade, como raça ou etnicidade, classe e gênero, além de instituições como a família; processos sociais que representam divergência, ou desarranjos, nestas estruturas, inclusive crime e divórcio. E pesquisam os microprocessos como relações interpessoais. Sociólogos fazem uso frequente de técnicas quantitativas de pesquisa social (como a estatística) para descrever padrões generalizados nas relações sociais. Isto ajuda a desenvolver modelos que possam entender mudanças sociais e como os indivíduos responderão a essas mudanças. Em alguns campos de estudo da Sociologia, as técnicas qualitativas — como entrevistas dirigidas, discussões em grupo e métodos etnográficos — permitem um melhor entendimento dos processos sociais de acordo com o objetivo explicativo. Os cursos de técnicas quantitativas/qualitativas servem, normalmente, a objetivos explicativos distintos ou dependem da natureza do objeto explicado por certa pesquisa sociológica: o uso das técnicas quantitativas é associado às pesquisas macrosociológicas; as qualitativas, às pesquisas micro-sociológicas. Entretanto, o uso de ambas as técnicas de coleta de dados pode ser complementar, uma vez que os estudos micro-sociológicos podem estar associados ou ajudarem no melhor entendimento de problemas macro-sociológicos. A Sociologia é uma área de interesse muito recente, mas foi a primeira ciência social a se institucionalizar. Antes, portanto, da Ciência Política e da Antropologia. Em que pese o termo Sociologie tenha sido criado por Auguste Comte (em 1838), que esperava unificar todos os estudos relativos ao homem — inclusive a História, a Psicologia e a Economia. Montesquieu também pode ser encarado como um dos fundadores da Sociologia - talvez como o último pensador clássico ou o primeiro pensador moderno. Em Comte, seu esquema sociológico era tipicamente positivista, (corrente que teve grande força no século XIX), e ele acreditava que toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas distintas e que, se a pessoa pudesse compreender este progresso, poderia prescrever os "remédios" para os problemas de ordem social. As transformações econômicas, políticas e culturais ocorridas no século XVIII, como as Revoluções Industrial e Francesa, colocaram em

destaque mudanças significativas da vida em sociedade com relação a suas formas passadas, baseadas principalmente nas tradições. A Sociologia surge no século XIX como forma de entender essas mudanças e explicá-las. No entanto, é necessário frisar, de forma muito clara, que a Sociologia é datada historicamente e que o seu surgimento está vinculado à consolidação do capitalismo moderno. Esta disciplina marca uma mudança na maneira de se pensar a realidade social, desvinculando-se das preocupações especulativas e metafísicas e diferenciando-se progressivamente enquanto forma racional e sistemática de compreensão da mesma. Assim é que a Revolução Industrial significou, para o pensamento social, algo mais do que a introdução da máquina a vapor. Ela representou a racionalização da produção da materialidade da vida social. O triunfo da indústria capitalista foi pouco a pouco concentrando as máquinas, as terras e as ferramentas sob o controle de um grupo social, convertendo grandes massas camponesas em trabalhadores industriais. Neste momento, se consolida a sociedade capitalista, que divide de modo central a sociedade entre burgueses (donos dos meios de produção) e proletários (possuidores apenas de sua força de trabalho). Há paralelamente um aumento do funcionalismo do Estado que representa um aumento da burocratização de suas funções e que está ligado majoritariamente aos estratos médios da população. O desaparecimento dos proprietários rurais, dos artesãos independentes, a imposição de prolongadas horas de trabalho, e etc., tiveram um efeito traumático sobre milhões de seres humanos ao modificar radicalmente suas formas tradicionais de vida. Não demorou para que as manifestações de revolta dos trabalhadores se iniciassem. Máquinas foram destruídas, atos de sabotagem e exploração de algumas oficinas, roubos e crimes, evoluindo para a criação de associações livres, formação de sindicatos e movimentos revolucionários. Este fato é importante para o surgimento da Sociologia, pois colocava a sociedade num plano de análise relevante, como objeto que deveria ser investigado tanto por seus novos problemas intrínsecos, como por seu novo protagonismo político já que junto a estas transformações de ordem econômica pôde-se perceber o papel ativo da sociedade e seus diversos componentes na produção e reprodução da vida social,

iniciada por Karl Marx. que mesmo não sendo um sociólogo e sequer se pretendendo a tal.o que se distingue da percepção de que este papel seja privilégio de um Estado que se sobrepõe ao seu povo. e (3) a linha de explicação sociológica dialética. . Ela traz diferentes estudos e diferentes caminhos para a explicação da realidade social. Entre os principais nomes do estágio inicial da sociologia norteamericana. não poderiam deixar de provocar modificações na forma de conhecer a natureza e a cultura. fundadas pelos seus autores clássicos. por motivações diferentes que as da velha Europa (mas certamente influenciada pelos europeus. Ainda que seja relativamente mais tardio seu aparecimento nos Estados Unidos. tendo como fundador Auguste Comte e seu principal expoente clássico em Émile Durkheim. Nos EUA a Sociologia esteve de certo modo "engajada" na resolução dos "problemas sociais". Hinkle. O surgimento da Sociologia prende-se em parte aos desenvolvimentos oriundos da Revolução Industrial. especialmente pela sociologia britânica e positivista de Herbert Spencer). podem ser citados: William I. das quais podem se citar. originadas pelos seus três principais autores clássicos. em grande medida. Thomas. Assim. originaram quase todos os posteriores desenvolvimentos da Sociologia. especialmente a teuto-francesa. algo bem diverso da perspectiva acadêmica europeia. deu início a uma profícua linha de explicação sociológica. levando à sua consolidação como disciplina acadêmica já no início do século XX. Mas uma outra circunstância concorreria também para a sua formação. Estas três matrizes explicativas. Trata-se das modificações que vinham ocorrendo nas formas de pensamento. Martin Bulmer e Roscoe C. (2) a sociologia compreensiva iniciada por Max Weber. Correntes sociológicas Porém. As transformações econômicas. Robert E. de matriz teórico-metodológica hermenêuticocompreensiva. ele se dá. não necessariamente em ordem de importância: (1) a positivista-funcionalista. Park. de fundamentação analítica. que se achavam em curso no ocidente europeu desde o século XVI. pelas novas condições de existência por ela criada. pode-se claramente observar que a Sociologia tem ao menos três linhas mestras explicativas. a Sociologia não é uma ciência de apenas uma orientação teórico-metodológica dominante. originada pelo Iluminismo. É interessante notar que a Sociologia não se desenvolve apenas no contexto europeu.

assim. vai debruçar-se sobre todos os aspectos da vida social. as ciências teóricas e experimentais desenvolvidas nos séculos XVII. políticas. que visa . Atualmente. hoje ela é mais uma entre as ciências. educacionais. com enfoque científico. Muitos dos teóricos que almejavam conferir à sociologia o estatuto de ciência buscaram nas ciências naturais as bases de sua metodologia já mais avançada. XVIII e XIX inspiraram os pensadores a analisar as questões sociais. sem jamais esquecer-se que o homem só pode existir na sociedade e que esta. A sociologia como ciência da sociedade Ainda que a Sociologia tenha emergido em grande parte da convicção de Comte de que ela eventualmente suprimiria todas as outras áreas do conhecimento científico. e as discussões epistemológicas mais desenvolvidas. instituições sociais e suas interações sociais. Esta disciplina tem se concentrado particularmente em organizações complexas de sociedades industriais. Desde o funcionamento de estruturas macrossociológicas como o Estado. a classe social ou longos processos históricos de transformação social ao comportamento dos indivíduos num nível micro-sociológico. Diferentemente da ética. O sociólogo dentro da organização intervem diretamente sobre os resultados da empresa. econômicas.A Sociologia. lhe será uma "jaula" que o transcenderá e lhe determinará a identidade. a observação empírica. Para compreender o surgimento da sociologia como ciência do século XIX. na observação casual de alguns fatos. psicológicas. inevitavelmente. Ao contrário das explicações filosóficas das relações sociais. e um ceticismo metodológico a fim de extirpar os elementos "incontroláveis" e "dóxicos" recorrentes numa ciência ainda muito nova e dada a grandes elucubrações. é importante perceber que. as explicações da Sociologia não partem simplesmente da especulação de gabinete. mormente o método comparativo. ela estuda organizações humanas. Uma das primeiras e grandes preocupações para com a sociologia foi eliminar juízos de valor feitos em seu nome. contribuindo com os lucros e resultados da organização. quando a organização é observada e estudada podem se verificar as falhas assim alterar seu sistema de funcionamento e gerar lucro. aplicando. quando muito. baseada. nesse contexto histórico social. Dessa forma foram empregados métodos estatísticos.

aquele que se refere à produção e troca de mercadorias. sociólogos e antropólogos que conduziam estudos sobre sociedades não-industrializadas ofereceram contribuições à Antropologia. kantiana. no entanto. Tais peculiaridades.discernir entre bem e mal. Já a Economia diferencia-se da Sociologia por estudar apenas um aspecto das relações sociais. imprevisíveis e impassíveis de uma análise objetiva. considerados por muitos. a diferença entre Sociologia e Antropologia tem mais a ver com os problemas teóricos colocados e os métodos de pesquisa do que com os objetos de estudo. Esforços nesse sentido são visíveis nas obras de modernos teóricos sociais. ao mesmo tempo. a pesquisa em Economia é frequentemente influenciada por teorias sociológicas. talvez. a Sociologia tem de obedecer aos mesmos princípios gerais válidos para todos os ramos de conhecimento científico. apesar das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos de natureza e. entretanto. sejam estes naturais ou sociais. que mesmo a Antropologia faz pesquisa em sociedades industrializadas. ela se preocupa também com as motivações exteriores que levam o indivíduo a agir de uma forma ou de outra. a teoria social de Marx e. a ciência se presta à explicação e à compreensão dos fenômenos. À primeira vista. Como ciência. até mesmo. seja . utilizando-se de os valores morais e políticos do iluminismo liberal mesclados com os ideais socialistas. além de se interessar mais pelos comportamentos do que pelas estruturas sociais. consequentemente. reunindo um arcabouço de conhecimento que entrelaça a filosofia hegeliana. da abordagem científica da sociedade. Max Weber. Comparação com outras ciências sociais No começo do século XX. foram e continuam sendo o foco de muitas discussões. objetivando explicar as variâncias no comportamento social em suas ordens moral. na ação geral. como mostrado por Karl Marx e outros. a Filosofia social intenta criar uma teoria ou "teorias" da sociedade. Já o enfoque da Sociologia é na ação dos grupos. Quanto a Psicologia social. Nesse aspecto. ora afastando-as e. ora tentando aproximar as ciências. negando às humanas tal estatuto com base na inviabilidade de qualquer controle dos dados tipicamente humanos. estética e histórica. Deve ser notado. Por fim.

como mais popularmente se diz Escola de Frankfurt.complexo apreender tal abordagem. Há. Ela pode partir desde a perspectiva do sociólogo individual. submetendo a produção do conhecimento não ao progresso da ciência por si ou da sociedade. A evolução da Sociologia como disciplina A sociologia no mundo foi-se mostrando presente em várias datas importantes desde as grandes revoluções. representada por aquilo que ficou conhecido como Teoria Crítica ou. Ela pode ser um tipo de conhecimento orientado no sentido de promover um melhor entendimento dos homens acerca de si mesmos. o meio indireto. o uso do conhecimento sociológico é potencialmente perigoso. Nesse sentido. Entretanto. para alcançarem maiores patamares de liberdades políticas e de bemestar social. representam uma das mais profícuas vertentes da filosofia social. as obras de Max Horkheimer. a Sociologia pode ser orientada como uma 'ciência da ordem'. Por outro lado. entre outros. A produção sociológica pode estar voltada para engendrar uma forma de conhecimento comprometida com emancipação humana. porém. à revelia dos interesses e valores da comunidade democrática com vistas a manter o status quo. no qual o Estado. como principal ente financiador de pesquisas nas áreas da sociologia escolhe financiar aquelas pesquisas que lhe renderam algum tipo de resultado ou orientação estratégica claras: pode ser tanto como melhor controlar o fluxo de pessoas dentro de um território. pode servir a diferentes tipos de interesses. em vista do tipo de conhecimento que produz. desde lá cada vez mais foi . Sociologia da Ordem e Sociologia da Crítica da Ordem A Sociologia. isto é. autoritárias e arbitrárias. seus resultados podem ser utilizados com vistas à melhoria dos mecanismos de dominação por parte do Estado ou de grupos minoritários. sejam eles empresas privadas ou Centrais de Inteligência. Jürgen Habermas. Theodor Adorno. As formas como a Sociologia pode ser uma 'ciência da ordem' são diversas. como na orientação de políticas públicas promovidas nem sempre de acordo com o interesse das maiorias ou no respeito às minorias. mas aos seus interesses materiais imediatos. podendo mesmo servir à finalidades antidemocráticas.

fundador da Sociologia e do Positivismo. com interesse pelas ciências naturais. e também comunidades rurais. e outros assuntos culminantes. iniciou a redação de Curso de filosofia positiva (renomeado para Sistema de filosofia positiva em 1848). ela vai sofrer influências das teorias marxistas. . ao trabalhador rural. No Brasil nas décadas de 20 e 30 a sociologia estava num estudo sobre a formação da sociedade brasileira. Além da preocupação com a economia política e mudanças sociais apropriadas com a instalação da nova república. eis o único princípio absoluto" (1819) e "Todas as concepções humanas passam por três estádios sucessivos . 19 de janeiro de 1798 — Paris. Na década de 80 a sociologia finalmente volta a ser disciplina no ensino médio.de fundamental participação para a sociedade mundial e também brasileira. voltam também em relação ao estudo da mulher. conjugado às questões históricas e sociais. e analisando temas como abolição da escravatura.Em 1826 sofreu um colapso nervoso enquanto trabalhava na criação de uma filosofia positiva.teológico metafísico e positivo -. aos 16 anos. por exemplo. êxodos. 5 de setembro de 1857) foi um filósofo francês. ingressou na Escola Politécnica de Paris. Em 1814. No período de 1817-1824 foi secretário do conde Henri de Saint-Simon. Na América Latina. por exemplo. Comte estava convicto que o mestre priorizava auxílio à elite industrial e científica do período com sacrifício da reforma teórica do conhecimento. isto diz respeito. aos conflitos entre as classes sociais. Desde o início a sociologia vem-se preocupando com a sociedade no seu interior.Em 1824 rompeu com Saint-Simon ao discordar das idéias deste sobre as relações entre a ciência e a reorganização da sociedade. a sociologia sofreu influencias americanas e europeias. IsidoreAuguste Marie François Xavier Comte(Montpellier. com uma velocidade proporcional à velocidade dos fenômenos correspondentes" (1822) . e estudos sobre índios e negros Nas décadas seguintes de 40 e 50 a sociologia voltou para as classes trabalhistas tais como salários e jornadas de trabalho. São dessa época algumas fórmulas fundamentais: "Tudo é relativo. nas questões de reforma agrária e movimentos sociais na cidade e no campo e a partir de 1964 o trabalho dos sociólogos se voltou para os problemas sócio políticos e econômicos originados pela tensão de se viver em um país cuja forma de poder é o regime militar. expoente do socialismo utópico."lei dos três estados". supostamente desencadeado por "problemas conjugais". na medida em que as suas preocupações passam a ser o subdesenvolvimento. Na década de 60 a sociologia se preocupou com o processo de industrialização do país. Recuperado. e também ocorreu a profissionalização da sociologia.

em termos gerais. a Física. Assim como nessas ciências. deve-se perceber que cada ciência. em 5 de setembro de 1857. que morreria no ano seguinte por tuberculose. a previsão científica caracteriza o pensamento positivo. psicologia. possivelmente de câncer. Além disso. provenha de um só princípio. A visão positiva dos fatos abandona a consideração das causas dos fenômenos (Deus ou natureza) e pesquisa suas leis. No social e no político. n. como obedecendo a leis gerais. de "pedantocracia"). Em 1856 publicou o primeiro volume de Síntese Subjetiva.ou seja: conhecer a realidade para saber o que acontecerá a partir de nossas ações. caracteriza-se pela observação.O método positivo. vistas como relações abstratas e constantes entre fenômenos observáveis. exclusivamente baseado nas opiniões e no aconselhamento. na Rua Monsieur-le-Prince. em Paris. segundo Comte. cujo poder é. o espírito positivo passaria o poder espiritual para o controle dos "filósofos positivos". Sua última casa. outras ciências abstratas antes da Sociologia. a Moral. projetada para abarcar quatro volumes. Dessa forma.Adotando os critérios histórico e sistemático.Pode-se dizer que o conhecimento positivo busca "ver para prever. em sua nova ciência inicialmente chamada de física social e posteriormente Sociologia. a fim de prover" . de modo que o método específico de observação para cada fenômeno será diferente. para conhecimento) da realidade social. segundo Comte.Em 1842 perdeu o emprego de examinador de admissão à Escola Politécnica por criticar a corporação universitária francesa. a Astronomia. nos termos comtianos.o que afasta o risco de tecnocracia (chamada. tem a ciência como investigação do real. propondo uma interpretação pura e plenamente humana para a sociedade e sugerindo soluções para os problemas sociais. para que o ser humano possa melhorar sua realidade. no volume final da obra apresentou as instituições principais de sua Religião da Humanidade. assim como sociais. entretanto. a experimentação.para a compreensão (isto é. ou seja. constituindo a sociedade civil e afastando-se a ação política prática desse poder espiritual . mas a relação entre . O espírito positivo. da comparação e a classificação como métodos . A filosofia positiva A filosofia positiva de Comte nega que a explicação dos fenômenos naturais. indústria. Não pôde concluir a obra ao falecer. Entretanto.resumidas na filiação histórica . nos termos comtianos. 10. como o pensador inglês John Stuart Mill (1806-1873).Em 1852 Comte instituiu uma sétima ciência. após 17 anos de casamento. cada tipo de fenômeno tem suas particularidades. Entre 1851 e 1854 redigiu o Sistema de política positiva. no qual expôs algumas das principais consequências de sua concepção de mundo não-teológica e não-metafisica. Comte afirmou que os fenômenos sociais podem e devem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza. a Química e a Biologia. cujo âmbito de pesquisa é a constituição psicológica do indivíduo e suas interações sociais. atingiram a positividade: a Matemática. Começou a ser ajudado por admiradores.trabalho que lhe tomou doze anos. Comte usaria a observação. a observação conjuga-se com a imaginação: ambas fazem parte da compreensão da realidade e são igualmente importantes. No mesmo ano separou-se de Caroline Massin. foi posteriormente adquirida por positivistas e transformada no Museu Casa de Augusto Comte. Em 1845 apaixonou-se por Clotilde de Vaux. sempre insistiu e argumentou que isso não equivale a reduzir os fenômenos sociais a outros fenômenos naturais (isso seria cometer o erro teórico e epistemológico do materialismo): a fundação da Sociologia implica que os fenômenos sociais são um tipo específico de realidade teórica e que devem ser explicados em termos sociais. ou melhor. cada um a tratar de questões específicas das sociedades humanas: lógica. pedagogia.

Segundo o marquês de Condorcet. tidas como a panacéia da humanidade. tecnológicas e científicas profundas decorrentes da consolidação do capitalismo. orgânico e simpático.Dessa forma. o espírito de conjunto (hoje em dia também chamado de "holismo") e a preocupação com o bem público (coletivo e individual). o “século de Comte” e sua amada França mergulharam de corpo e alma.ambas muda quando se passa da teologia para a positividade. para Comte. os fatos são explicados segundo leis gerais abstratas. já se passa a pesquisar diretamente a realidade. "o Povo". As conclusões epistemológicas a que Comte chega. o que implica a fundação da Sociologia. a humanidade avança de uma época bárbara e mística para outra civilizada e esclarecida. os fatos observados são explicados pelo sobrenatural. para ele. que. colocando sua fé numa “Nova Religião”. "A gênese do Positivismo ocorreu no século XIX. não é possível fazer ciência (ou arte. isto é. A fase teológica tem várias subfases: o fetichismo. O que a caracteriza são as abstrações personificadas. a compreensão da realidade lida sempre com uma relação contínua entre o abstrato e o concreto. o monoteísmo. certo. políticas e ideológicas. no contexto da expansão. além disso. Assim. pelo Globo. * No terceiro. mas não um método único para todas as ciências. Comte apresenta sete definições para o termo "positivo": real. só são possíveis com o estudo da Humanidade como um todo. "o éter". Assim. num momento de transformações sociais e econômicas. mas ainda há a presença do sobrenatural. segundo ele. A partir da percepção do progresso humano. Comte percebeu que essa evolução passa por três estados teóricos diferentes: o estado 'teológico' ou 'fictício'. é necessariamente histórica. busca-se o absoluto e as causas primeiras e finais ("de onde vim? Para onde vou?"). infindáveis . outros princípios caracterizam o Positivismo: o relativismo. ocorre o apogeu do que os dois anteriores prepararam progressivamente. de ordem inteiramente positiva. do Capitalismo Industrial. por entidades cuja vontade arbitrária comanda a realidade. de caráter ainda absoluto: "a Natureza". antes dele. em princípio. relativo. em que se deixa de lado o absoluto (que é inacessível) . a "Lei dos Três Estados". em que: * No primeiro. o estado 'metafísico' ou 'abstrato' e o estado 'científico' ou 'positivo'. de modo que a metafísica é uma transição entre a teologia e a positividade. útil. Além da realidade. com a objetividade. Portanto." (VALENTIM 2010) A lei dos três estados O alicerce fundamental da obra comtiana é. "o Capital". ou até mesmo amar!) sem a imaginação. para Comte há um método geral para a ciência (observação subordinando a imaginação). enquanto modo de produção. preciso. o politeísmo. entre o objetivo e o subjetivo. Observando a evolução das concepções intelectuais da humanidade. ou ações práticas. * No segundo. Comte formulou a Lei dos Três Estados. na obra "Apelo aos conservadores". Turgot. numa “deusa” chamada razão. caracterizada pela junção entre a ciência e a tecnologia. sem uma ativa participação da subjetividade individual e por assim dizer coletiva: o importante é que essa subjetividade seja a todo instante confrontada com a realidade.sendo essa marcha o que explicaria a marcha da história. indiscutivelmente. isto é. Neste. através da propagação das atividades industriais na Europa e outras regiões do mundo. em melhoramentos contínuos e. tendo como precursores nessa idéia seminal os pensadores Condorcet e. Na verdade.

isto é. suas observações e sua imaginação. o afastamento do Presidente da República. A Religião da Humanidade Os anseios de reforma intelectual e social de Comte desenvolveram-se por meio de sua Religião da Humanidade. em 6 volumes (1830-1842) (em 1848 foi renomeado para Sistema de filosofia positiva) * Discurso sobre o espírito positivo (1848) * Discurso sobre o conjunto do Positivismo (1851) (Introdução geral ao Sistema de política positiva) * Sistema de política positiva. Da mesma forma. em cujos quadros estiveram Benjamin Constant Botelho de Magalhães. atividade pacífica e industrial torna-se preponderante. cada uma delas consiste em uma forma de filosofar. todas elas engendram filosofias. Considerando o caráter histórico e a necessidade de unidade do ser humano. continua ativa no Rio de Janeiro. É importante notar que cada um desses estágios representa fases necessárias da evolução humana. Dessa forma. em 1854. o Positivismo religioso encontrou grande aceitação no século XIX. A Igreja Positivista do Brasil. assim como a Ordem dos Advogados do Brasil e Associação Brasileira de Imprensa. A par disso. o Positivismo religioso brasileiro teve grande importância: por exemplo.e busca-se o relativo. em que o Centro Positivista do Paraná também solicitou.respeitando. como apêndice ao volume IV do Sistema de política positiva) * Curso de filosofia positiva. em 4 volumes (1851-1854) * Catecismo positivista (1852) . o Marechal Rondon e o diplomata Paulo Carneiro. embora com menor intensidade no século XX. e durante o processo de impeachment do exPresidente Fernando Collor de Mello. Para Comte. OBRAS * Opúsculos de Filosofia Social (1816-1828) (republicados em conjunto. reconhecendo e celebrando o papel histórico desempenhado por esses estágios provisórios. fundada por Miguel Lemos e Teixeira Mendes em 1881. espiritual e social). "religião" e "teologia" não são termos sinônimos: a religião refere-se ao estado de unidade humana (psicológica.discussão que não é possível resumir no curto espaço deste artigo. o que muda é a forma como cada um desses elementos conjuga-se com os demais. durante a campanha "O petróleo é nosso!". enquanto a teologia refere-se à crença em entidades sobrenaturais. cada uma dessas fases tem suas abstrações. especialmente na III República francesa. Como é possível perceber. de real e de útil). A Religião da Humanidade encontrou em Pierre Laffitte seu principal dirigente na França após a morte de Comte. filosófica e epistemológica subjacente à lei dos três estados . No Brasil. em que a forma de compreender a realidade conjuga-se com a estrutura social de cada sociedade e contribuindo para o desenvolvimento do ser humano e de cada sociedade. a Religião da Humanidade incorpora nela a teologia e a metafísica . como cada um dos estágios é uma forma totalizante de compreender o ser humano e a realidade. cujo vice-Presidente era o positivista Alfredo de Moraes Filho. absorvendo o que eles têm de positivo (isto é. com as diversas nações colaborando entre si. há uma profunda discussão ao mesmo tempo sociológica.

deve-se favorecer o aparecimento de uma solidariedade entre seus membros. na Alsácia no dia 15 de abril de 1858. porém sua obra inteira é dedicada à Sociologia. Em sua obra. que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. Entrou na ÉcoleNormaleSupérieure em 1879 juntamente com Jean Jaurès e Henri Bergson. As regras do método sociológico. A este processo de aprendizagem. em 8 volumes (1816-1857) Émile Durkheim (Épinal. Sociologia e filosofia. ou seja. Durkheim formou-se em Filosofia. Partindo da afirmação de que "os fatos sociais devem ser tratados como coisas". Descendente de uma família judia. entre eles seu sobrinho Marcel Mauss formaram um grupo que ficou conhecido como escola sociológica francesa. Seu principal trabalho é na reflexão e no reconhecimento da existência de uma "Consciência Coletiva". 15 de abril de 1858 — Paris. antes mesmo de terem uma existência tangível.* Apelo aos conservadores (1855) * Síntese subjetiva (1856) * Correspondência. foi capaz de aprender hábitos e costumes característicos de seu grupo social para poder conviver no meio deste. A sociologia fortaleceu-se graças a Durkheim e seus seguidores. Regras do método sociológico (1895). indo depois para Alemanha. regras de cooperação e troca de serviços entre os que participam do trabalho coletivo (preponderância progressiva da solidariedade orgânica). Fundou também a revista L'AnnéeSociologique. uma vida bastante secular. O suicídio. explicava os fenômenos religiosos a partir de fatores sociais e não divinos. Suas principais obras são: Da divisão do trabalho social. a consciência coletiva seria então formada durante a nossa socialização e seria composta por tudo aquilo que habita nossas mentes e que serve para nos orientar . pelo contrário. posterior a Marx. É amplamente reconhecido como um dos melhores teóricos do conceito da coesão social. 15 de novembro de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna. Suas principais obras são: Da divisão do trabalho social (1893). As formas elementares de vida religiosa (1912). pois é preciso definir. Durante estes estudos teve contatos com as obras de Augusto Comte e Herbert Spencer que o influenciaram significativamente na tentativa de buscar a cientificidade no estudo das humanidades. Durkheim chamou de "Socialização". Essa preponderância da sociedade sobre o indivíduo deve permitir a realização desse. forneceu uma definição do normal e do patológico aplicada a cada sociedade. da comunidade judaica. desde que consiga integrar-se a essa estrutura. a norma moral tende a tornar-se norma jurídica. Ainda moço decidiu não seguir o caminho dos familiares levando. Muitos de seus colaboradores. Ele parte do princípio que o homem seria apenas um animal selvagem que só se tornou Humano porque se tornou sociável. Educação e sociologia. Durkheim foi o fundador da escola francesa de sociologia. O suicídio (1897). por exemplo. o que significa que a sociedade e a consciência coletiva são entidades morais. no entanto. Formas elementares da vida religiosa. Émile Durkheim nasceu em Épinal. Uma vez que a solidariedade varia segundo o grau de modernidade da sociedade. numa sociedade moderna. Para que reine certo consenso nessa sociedade. Iniciou seus estudos filosóficos na Escola Normal Superior de Paris. que afirmou a preeminência durkheimiana no mundo inteiro. em que o normal seria aquilo que é ao mesmo tempo obrigatório para o indivíduo e superior a ele. Tal fato não o afastou.

é um comportamento estabelecido pela sociedade. Durkheim deixa bem claro em sua obra o quanto acredita que essas instituições são valorosas e parte em sua defesa. Se tudo na sociedade está interligado. os quais serviram de pontos expiatórios para os inícios de debates contra Gabriel Tarde (o que perdurou praticamente até o fim de sua carreira). sem valores. Era necessário revelar as leis que regem o comportamento social. "em estado de anomia"). Nem tudo que uma pessoa faz é um fato social. o que comanda os fatos sociais. e chamou aquela sociedade doente de "Anomana". pensam ou fazem independente de suas vontades individuais. E esse "tudo" ele chamou de "Fatos Sociais". muita gente vivendo em condições miseráveis. protegido e respaldado. Basta uma rápida observação do contexto histórico do século XIX. sua defesa das instituições se baseia num ponto fundamental. Não é algo que seja imposto especificamente a alguém. elas agem fazendo força contra as mudanças. Partindo deste raciocínio ele desenvolve dois dos seus principais conceitos: Instituição social e Anomia. o que só é possível se admitirmos que a sociedade é um todo integrado. Em seus estudos. sem limites leva o ser humano ao desespero. é o conjunto de regras e procedimentos padronizados socialmente. que embora sendo em boa parte extraída das ciências naturais. que durante muitos anos causou antipatia a sua obra. toda ela sentirá o efeito. o ser humano necessita se sentir seguro.como devemos ser. ele concluiu que os fatos sociais atingem toda a sociedade. portanto. antes da existência da Psicologia. doentes e marginalizados. ou seja. aceitos e sancionados pela sociedade. Preocupado com esse desespero. quer seja família. conservadoras por essência. A instituição social é um mecanismo de proteção da sociedade. numa sociedade integrada essa gente não podia ser ignorada. dá seriedade à nova ciência. o que as pessoas sentem. é algo que já estava lá antes e que continua depois e que não dá margem a escolhas. Mas Durkheim não pode ser meramente tachado de conservador. do suicídio e da religião. Aos problemas que ele observou. Isto é. Uma sociedade sem regras claras (num conceito do próprio Durkheim. o que quer dizer que se algo não vai bem em algum setor da sociedade. qualquer alteração afeta toda a sociedade. o que o deixou com uma certa reputação de conservador. As instituições são. Durkheim se dedicou ao estudo da criminalidade. escola. para se perceber que as instituições sociais se encontravam enfraquecidas. reconhecidos. cuja importância estratégica é manter a organização do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam. O mérito de Durkheim aumenta ainda mais quando publica seu livro "As regras do método sociológico". A anomia era a grande inimiga da . Ora. sentir e nos comportar. polícia ou qualquer outra. exterioridade e coercitividade. para ser um fato social tem de atender a três características: generalidade. de uma forma ou de outra. pela manutenção da ordem. ele considerou como patologia social. governo. havia muito questionamento. desempregados. valores tradicionais eram rompidos e novos surgiam. O homem que inovou construindo uma nova ciência inovava novamente se preocupando com fatores psicológicos. e disse que esses eram os verdadeiros objetos de estudo da Sociologia. toda a sociedade estava ou iria sofrer as consequências. onde define uma metodologia de estudo. Seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da obra de outro grande homem: Freud.

* As coisas do nosso mundo atual. opondo-se ao racionalismo e ao idealismo. e o Positivismo Lógico (ou Círculo de Viena). * O homem. Obras * Da divisão do trabalho social. entender e ajudar a sociedade. 1897. * Sociedade e trabalho. Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo. o sentido da palavra mudou radicalmente. Otto Neurath e seus associados. interiorizada e não meramente mecânica. Nesse sentido. do austríaco Hans Kelsen. o Positivismo é uma doutrina filosófica. 1896. onde ele descreve a necessidade de se estabelecer uma solidariedade orgânica entre os membros da sociedade. O importante para ele é que o indivíduo realmente se sinta parte de um todo. portanto. de Rudolph Carnap. através da promoção do . seguindo o exemplo de um organismo biológico. Desde o seu início. com Augusto Comte (1798-1857) na primeira metade do século XIX. * O que fomos nós nas nossas vidas antepassadas?. ele será obrigado através de um sistema de direitos e deveres.processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). 1893. O papel do sociólogo seria. há correntes de outras disciplinas que se consideram "positivistas" sem guardar nenhuma relação com a obra de Comte. 1895. sociológica e política. afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história). 1907. Assim. Exemplos paradigmáticos disso são o Positivismo Jurídico. algo que devia ser vencido.sociedade. e a sociologia era o meio para isso. 1912. das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial . Durkheim escreve "Da divisão do trabalho social". Na tentativa de "curar" a sociedade da anomia. * Regras do método sociológico. * As formas elementares de vida religiosa. A solução estaria em. muitos deles opostos ou contraditórios entre si. Émile Durkheim morreu em 15 de novembro de 1917 em Paris. e também sentirá a necessidade de se manter coeso e solidário aos outros. estudar. onde cada órgão tem uma função e depende dos outros para sobreviver. até o presente século XXI. Em linhas gerais. ele propõe à existência humana valores completamente humanos. Para Comte. se cada membro da sociedade exercer uma função na divisão do trabalho. POSITIVISMO Positivismo é um conceito utópico que possui distintos significados. 1896. o Positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical. englobando tanto perspectivas filosóficas e científicas do século XIX quanto outras do século XX. 1910. que realmente precise da sociedade de forma orgânica. desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte. incorporando diferentes sentidos. * A Lei do Come e Mata. O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação dos fenômenos.

única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência(na concepção positivista). Para os Positivistas o progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos avanços científicos. o Mundo Espiritual pelo Mundo Humano. etc. Comte concluiu que deveria criar uma nova religião: afinal. não se busca mais o "porquê" das coisas. o Espírito pela Matéria. certo. tomando como base apenas o mundo físico ou material. isto é. desconsideram-se todas as outras formas do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. as religiões não se caracterizam pelo sobrenatural. de acordo com a qual o homem passou e passa por três estágios em suas concepções. sem qualquer atributo teológico ou metafísico. as religiões do passado eram apenas formas provisórias da única e verdadeira religião : a religião positiva. para ele. Comte foi profundamente influenciado a tal pela figura de sua amada Clotilde de Vaux. Tudo aquilo que não puder ser provado pela ciência é considerado como pertencente ao domínio teológico-metafísico caracterizado por crendices e vãs superstições. Assim sendo. Segundo os positivistas. ou seja. A imaginação subordina-se à observação e busca-se apenas pelo observável e concreto. útil.institui a Religião da Humanidade. No lugar dos deuses há entidades abstratas para explicar a realidade: "o Éter". através da descoberta e do estudo das leis naturais. orgânico e simpático. limitando a experiência humana ao mundo sensível e ao conhecimento aos fatos observáveis. subordinando a imaginação à observação. 2. a Religião da Humanidade. "o Mercado financeiro". buscando responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?". Após a elaboração de sua filosofia. pelos "deuses". Daí a necessidade do surgimento de uma nova Religião que apresenta um novo conceito do Ser Supremo. relações constantes de sucessão ou de coexistência. O Positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. preciso. mas sim o "como". A ideia-chave do Positivismo Comtiano é a Lei dos Três Estados. . Positivo: etapa final e definitiva. mas sim pela busca da unidade moral humana. Substitui-se a Teologia e a Metafísica pelo Culto à Ciência. Teológico: o ser humano explica a realidade apelando para entidades supranaturais (os "deuses"). busca-se o absoluto.primado da experiência sensível. "o Povo". Metafísico: é uma espécie de meio-termo entre a teologia e a positividade. Continua-se a procurar responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?" e procurando o absoluto. O Positivismo é uma reação radical ao Transcendentalismo idealista alemão e ao Romantismo. no qual os afetos das individuais e coletivos e a subjetividade são completamente ignoradas. 3. na forma de conceber as suas ideias e a realidade: 1. Auguste Comte . relativo. O Positivismo nega à ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais. Em sua obra Apelo aos conservadores (1855). além disso. Comte definiu a palavra "positivo" com sete acepções: real. único meio capaz de transformar a sociedade e o planeta Terra no paraíso que as gerações anteriores colocavam no mundo além-túmulo. considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível.através da obra Sistema de Política Positiva (1851-1854) . voltando-se para a descoberta e o estudo das leis (relações constantes entre os fenômenos observáveis).

representando as aspirações a uma sociedade justa. cuja instituição estaria reservada ao advento do espírito positivo. o progresso como meta"). as idéias de Augusto Comte permearam as mentalidades de muitos mestres e estudantes militares. O lema da religião positivista é : "O Amor por princípio e a Ordem por base. A Ciência Clássica se constitui no dogma da Religião da Humanidade. Também existem templos e capelas onde são celebrados cultos elaborados à Humanidade (chamada Grão-Ser pelos positivistas). Tais influências estimularam movimentos de caráter republicano e abolicionista. presentes e futuras que contribuíram. Seu regime é: "Viver às Claras" e "Viver para Outrém". Outros positivistas de importância para o Brasil foram Nísia Floresta Augusta (a primeira feminista brasileira e discípula direta de Auguste Comte). De acordo com VALENTIM (2010): "A partir da segunda metade do século XIX. foi o resultado “natural” desse movimento. Na bandeira lê-se a máxima política positivista Ordem e Progresso. ou melhor.[1] destacando-se o Coronel Benjamim Constant (que. Júlio de . a Religião da Humanidade possui como principal objetivo a Regeneração Social e Moral. com apoio de setores da aristocracia brasileira. pois várias das pessoas envolvidas no golpe militar que depôs a monarquia e proclamaram o Brasil República eram seguidores das ideias de Comte.Segundo os Positivistas. vestes litúrgicas. o Calendário Positivista (um calendário lunar composto por 13 meses de 28 dias). dias de santos (grandes tipos humanos). que contribuem e que contribuirão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento humano. sinais. Luís Pereira Barreto. se converteram ao Positivismo. foi homenageado com o epíteto de "Fundador da República Brasileira"). o Progresso por fim". Miguel Lemos. em oposição à monarquia e ao escravismo dominante no Brasil. escritores. dentre eles o professor de matemática da Escola Militar do Rio de Janeiro Benjamin Constant. Foi colocado. Estabelecendo a unidade espiritual através da ciência. leprogrèspourbut ("Amor como princípio e ordem como base.[2] A conformação atual da bandeira do Brasil é um reflexo dessa influência na política nacional. o mais influente de todos. Seria exagero atribuir aos positivistas a Proclamação da República: é no processo de consolidação da mesma que se verifica a influência que exerceram. Euclides da Cunha. filósofos e historiadores. especialmente a paulista. o marechal Cândido Rondon. A Proclamação da República. A Religião da Humanidade possui como Ser Supremo a Humanidade Personificada. a Teologia e a Metafísica. estandartes. depois. surgida a partir da divisa comteana O Amor por princípio e a Ordem por base. nunca inspiraram uma religião verdadeiramente racional. ocorrida através de um golpe militar. políticos. fraterna e progressista. Assim como o catolicismo está fundamentado na filosofia escolástica de São Tomás de Aquino. passadas. comemorações cívicas e pelo uso de um calendário próprio. A religião positivista caracteriza-se pelo uso de símbolos. o Progresso por fim. Ela representa o conjunto de seres convergente de todas as gerações." 3 O lema Ordem e Progresso na bandeira do Brasil é inspirado pelo lema de Auguste Comte do positivismo: L'amourpourprincipe et l'ordrepour base. a Religião da Humanidade está fundamentada na filosofia positivista de Auguste Comte. Vários brasileiros adotaram. tida como Deusa pelos positivistas. sacramentos.

Comte descartou toda pesquisa cosmológica. Comte. mais conhecido. Esse pequeno contexto histórico ajuda a entender a filosofia de Comte. Houve no Brasil dois tipos de positivismo: um positivismo ortodoxo. por exemplo. Henrique Batista da Silva Oliveira. Segundo ele qualquer fenômeno que não pudesse ser observado diretamente seria inacessível à ciência. e insistia na objetividade da informação. Esta nova realidade contrasta com o positivismo de Comte. Luís Hildebrando Horta Barbosa. Heisenberg e Kurt Gödel. ganha forças para transpor uma montanha e dominar o campo de batatas. Comte viveu num tempo intermediário entre o apagar das luzes do iluminismo e a era das grandes generalizações na ciência. A ciência moderna acabou com as esperanças de uma realidade universal harmoniosa e ordenada. na hierarquia e na obediência. Demétrio Ribeiro. enquanto que. graças ao trabalho de cientistas como Schrödinger. com as obras Memórias Póstumas de Brás Cubas e sobretudo Quincas Borba. ligado à Religião da Humanidade e apoiado pelo discípulo de Comte Pierre Laffitte. fortificada pela alimentação. embora tivesse visto o Manifesto Comunista. por seus contemporâneos Karl Marx e Friedrich Engels. a máxima "ao vencedor as batatas". Júlio Caetano Horta Barbosa. desconfiava da introspecção como meio de se obter o conhecimento. Essas duas posições positivistas foram colocadas em cheque com avanços na química e na física.. e um positivismo heterodoxo. Eduardo de Sá e inúmeros outros. no culminar do pensamento mecânico da Revolução Industrial. Roquette-Pinto. especialmente com Boltzmann (1844-1906) e Max Planck (1858-1947). Carlos Torres Gonçalves. que. Barbosa Lima. David Carneiro Jr. Também não viveu o suficiente para ver a publicação de O Capital (1867-1894). que se aproximava mais dos estudos primeiros de Augusto Comte que criaram a disciplina da Sociologia e apoiado pelo discípulo de Comte ÉmileLittré. considerando-a inútil e inacessível. Os positivistas também eram críticos quanto a fenômenos não observáveis. pois a mera observação altera e distorce estes estados. Seu Humanitismo faz uma paródia dos Três Estados do Positivismo através de uma história que o filósofo Quincas Borba conta ao personagem Rubião desse segundo livro: duas tribo de famintos onde as batatas de um campo chega somente a uma dessas tribos. Machado de Assis. Alfredo de Morais Filho. . Não é justo julgar o passado com os critérios do presente. assim. um tempo em que o mundo natural parecia acessível à força do intelecto. O determinismo na ciência perdeu força. não seria suficiente e morreriam de inanição criando. que pudesse ser traçada a régua e compasso. Ivan Monteiro de Barros Lins. Lindolfo Collor. sua crença no governo da elite intelectual e sua insistência em desprezar a teologia e a metafísica. Auguste Comte morreu dois anos antes de Darwin publicar A Origem das Espécies. David Carneiro. ambos inteiramente convencidos da existência de partículas não observáveis e confiando na intuição como meio de gerar conhecimento. num processo similar ao que foi chamado mais tarde de "abdução" por Charles SandersPeirce. em 1859. foi um notável sátiro do positivismo de Comte. caracterizado pela ênfase no determinismo.Castilhos.[3] além da seleção natural de Charles Darwin. João Pernetta. se dividissem com a outra tribo.

Na Idade Média. Uma classe à parte era a classe dos guerreiros. A partir da Idade Contemporânea. e da tomada da Razão. provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. Segundo a mesma visão de mundo. reproduzida inexoravelmente por uma estrutura social implantada pela classe dominante. fortemente ligados à concepção religiosa. em praticamente toda sociedade. saques. Há um sentimento de se "estar à deriva. ocasionando uma espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos.Segundo a óptica marxista.exercem profunda influência sobre a vida dos indivíduos com comportamento suicida. Para ele. É do papel ocupado por cada classe que depende o nível de fortuna e de rendimento. Algo desse corpo está funcionando de forma patológica ou "anomicamente. ocupações) que decorrem de uma conduta de rebeliões e explica comportamentos como os do alcoolismo e toxicodependência (evasão). ocorre quando o insucesso em atingir metas culturais. de forma que sempre que uma classe dominada passa a assumir o papel de classe dominante.A anomia[1] é um estado de falta de objetivos e perda de identidade. com o desenvolvimento do sistema capitalista industrial (e mesmo do pós-industrial). e aquela impõe a sua estrutura social mais adequada para a perpetuação da exploração. surge em seu lugar uma nova classe dominada.Este termo foi cunhado por Émile Durkheim em seu livro O Suicídio. e as classes dominadas por aquela. anomia significa uma incapacidade de atingir os fins culturais.). Durkheim emprega este termo para mostrar que algo na sociedade não funciona de forma harmônica.A Modernidade. explica os crimes de motivação política (terrorismos. seja ela précapitalista ou caracterizada por um capitalismo desenvolvido. a classe dominante era formada pelos senhores feudais. há um brusco rompimento com valores tradicionais. Classe social define-se como conjunto de agentes sociais nas mesmas condições no processo de produção e que têm afinidades políticas e ideológicas. Adivisão da sociedade em classes é consequência dos diferentes papeis que os grupos sociais têm no processo de produção. e a classe dominada era formada pelos camponeses. que controla direta ou indiretamente o Estado. normalmente existe a noção de que as .A teoria da anomia de Merton explica porque os membros das classes menos favorecidas cometem a maioria das infrações penais. com seus intensos processos de mudança. Diferencia-se da casta social na medida em que ao membro de uma dada casta normalmente é impossível mudar de status. o género de vida e numerosas características culturais das diferentes classes.Segundo Robert King Merton. seguindo a teoria de Karl Marx. especialmente o econômico. Durkheim mostra que os fatores sociais especialmente da sociedade moderna . Seu pensamento popularizou-se em 1949 com seu livro: Estrutura Social e Anomia. devido à insuficiência dos meios institucionalizados." Em seu famoso estudo sobre o suicídio. Uma classe socialé um grupo de pessoas que têm status social similar segundo critérios diversos. gera conduta desviante." participando inconscientemente dos processos coletivos/sociais: perda quase total da atuação consciente e da identidade. existe a classe dominante. não fornece novos valores que preencham os anteriores demolidos. que era composta pelos camponeses (alguns eram senhores feudais) e podia passar para uma classe dominante caso recebesse terras como prêmio de suas conquistas. a história da humanidade é a sucessão das lutas de classes. A partir do surgimento do Capitalismo. como forma de explicar o mundo. donos das terras através da aplicação de compulsão e coerção(Uso da força física ou ameaça direta ou indireta ao individuo podendo atingir sua moral a fim de levá-lo a praticar uma ação que o mesmo não tem vontade própria de praticá-la.

Classe B2: maior que R$ 2. Justamente como qualquer nação em desenvolvimento. porém. a estratificação das classes sociais segue a convenção baixa.400 2. Classe A1: inclui as famílias com renda mensal maior que R$ 14. de acordo a Fundação Getúlio Vargas. é possível encontrar outras classes. não vive propriamente com grande margem financeira. Classe D: maior que R$ 600 8. e a última possui grande margem financeira. Já o DIEESE utiliza uma classificação por salários mínimos [1]: * Até 1 Salário Mínimo * Mais de 1 a 2 Salários Mínimos * Mais de 2 a 3 Salários Mínimos * Mais de 3 a 5 Salários Mínimos * Mais de 5 a 10 Salários Mínimos * Mais de 10 a 20 Salários Mínimos * Mais de 20 Salários Mínimos Outra classificação da consultoria Target: 1. Classe B1: maior que R$ 4. em diversos países. Classe C1: maior que R$ 1.300 5. observa-se no país uma estrutura social típica de qualquer nação capitalista contemporânea. nos países de Terceiro Mundo. Classe F: menor que R$ 200 São frequentes as análises sobre a organização das classes socioeconômicas no Brasil. Embora sejam vistas como uma instituição social já antiga. Classe C2: maior que R$ 950 7.400 6.600 4. quando o país passou a vivenciar um verdadeiro boom de crescimento econômico que duraria até o final dos anos setenta. as classes sociais tais como as conhecemos no Brasil atual tem suas origens datadas do início dos anos cinqüenta. Atualmente. sendo que as duas primeiras designam o estrato da população com pouca capacidade financeira.100 3. média e alta. Desta interpretação. com três classes distintas. que.A classe média é. podem ser dividas em três níveis diferentes. a classe média é uma minoria e a classe baixa é a maioria da população. entretanto a avaliação ideal seria por bens disponíveis e não pela renda. Atualmente. dentro dos quais há subníveis. Nota-se. portanto. o estrato considerado mais comum e mais numeroso. tipicamente com dificuldades económicas. embora não sofra de dificuldades.classes sociais. Classe A2: maior que R$ 8. Classe E: maior que R$ 400 9. que. o maior contingente populacional se encontra classificado como parte das classes sociais mais baixas. Foi exatamente esse furor .

militares de alto escalão. donos de construtoras famosas e tradicionais. portanto. vendedores de lojas mais caras. 2. etc. tem um status social elevado e vivem na classe alta. e pelo seu ganho. Tendo suas variações. analistas.Em uma rápida análise da organização dessas classes no país. ou as tradicionais. Discute-se então a nova classe média brasileira. plantonistas de clínicas particulares. professores doutorados de colégios e universidades particulares e de cursinhos. engenheiros recém-formados. Composto por juízes. 4. presidentes de empresas estatais. Composto por grandes empresários. 1. ilustres e que detinham grande fortuna antigamente). cozinheiros-chefes. grandes industriais. aqueles que prestam serviços indiretamente ou atendem diretamente a classe mais abastada. grandes fazendeiros. arquitetos bem conceituados. Composto por chefes em geral. professores universitários bem graduados. assessores e gerentes de grandes empresas e indústrias em geral. os que gravitam em torno desse núcleo principal. como profissionais liberais escritores. Composto por médicos. ou seja. grandes acionistas. desembargadores. Os grupos sociais da classe social mais abastada são: 1. os que sobrevivem dos gastos dos quatro grupos. seguranças bemqualificados. criada pela expansão do emprego público e pela criação de empregos privados que exigiam qualificação intermediária. de academias caras. embora não tenham um ganho mensal altíssimo como os empresários de sucesso. proprietários de bares chiques. a classe média brasileira. Composto de diretores. pertencem a ela. ilustres e que detinham grande fortuna antigamente. 2. os que dirigem diretamente a maquinaria capitalista do país. políticos. grandes banqueiros. promotores. bem-qualificados ou que ocupam funções políticas e/ou de direção. de colégios particulares. etc. professores sem doutorado do colegial de colégios privados. . por que existem famílias nobres (elite tradicional. É com base na alta renda desses grupos sociais que se forma uma nova camada de clientes.econômico que possibilitou a criação de algo até então inédito na história do país. etc. as pessoas que pertencem a este grupo. de clubes. Em suma. advogados bemqualificados. empregadas domésticas mais qualificadas. percebe-se a seguinte distribuição: A classe mais abastada e com maior poder de renda. funcionários estatais eleitos. sendo que há exceções. funcionários bem situados dentro dos três poderes. estes participam de associações elitistas. os altos funcionários do Estado. de cursos de línguas conceituados. etc. especialistas. os trabalhadores que prestam serviços diretamente aos grupos mais ricos. e também de donos de empresas que assessoram as maiores. é composta de quatro grupos sociais distintos. Tendo as suas exceções. 3. pilotos e motoristas bem-qualificados. etc. os profissionais com ensino superior empregados em funções medianas em empresas. engenheiros conceituados ou bem-qualificados.

2. os trabalhadores industriais menos (ou não) qualificados. ou seja. onde as características do próprio primeiro mundo aparecem extremadas. toda a classe alta brasileira. Trabalhadores rurais de pequenas propriedades familiares. Classes sociais nos Estados Unidos . Composto por outros operadores industriais. Tais como os faxineiros. notaremos que essa parcela de apenas 20% controlaria quase 67% de toda a renda nacional. Se somarmos a esse contingente a parte mais rica da classe média brasileira. tais como os Office e Moto boys e faxineiros. chegavam. Composto por empregadas domésticas pouco qualificadas. advogados e funcionários concursados. pedreiros. etc. os que prestam serviços a baixos preços às classes médias. fornecidos por classes mais baixas: 1. o “Segundo Mundo” das classes médias. Composto por diretores e supervisores de colégios e escolas públicas. torneiros mecânicos. instrumentistas. Composto por aqueles que prestam serviços aos que trabalham dentro dos escritórios. garçons. Fora da distribuição de classes acima mencionada temos aqueles que estão desempregados ou aqueles que não possuem terras. fresadores. limpadores de rua. os trabalhadores manuais de maior qualificação e os operários especializados de indústrias públicas e privadas. em 1980. 4. É com base nessa constatação importante que se diz [carece de fontes?] que no Brasil a sociedade é fraturada em três mundos. 3. funcionários públicos em empregos bem situados. distribuição de classes no Brasil é distorcida pela desigualdade social. de empresas ou do governo. bancários de postos intermediários. os funcionários não-qualificados do Estado. inspetores de qualidade. merendeiras. Vale lembrar que a classe média brasileira está plenamente integrada nos modernos padrões de consumo de massas. etc. Composto por médicos do sistema público. os funcionários de escritório mais qualificados. delegados de polícia em início de carreira. 5. metalúrgicos. etc. já que ambos não possuem renda. Composto por mecânicos. vendedores de lojas baratas. e por fim temos o “Terceiro Mundo” das classes mais baixas. os profissionais com ensino superior. cozinheiros pouco qualificados. 4. longe de serem incluídas no mercado de consumo de massas. a controlar 50. cabeleireiros mal-pagos. O padrão de consumo da classe média também é muito beneficiado por serviços baratos. Os 10 % mais ricos da população nacional. enfermeiras experientes.3. O “Primeiro Mundo” vivido pela classe alta. outros 10 % da população nacional. mantidas em condições de pobreza e miséria. 5.9% de toda a renda disponível no país. que não passam de uma imitação mais barata do “primeiro mundo” das classes altas. ou seja. os funcionários não-qualificados de escritórios. eletricistas e encanadores de competência e renome. etc. jardineiros de praças públicas.

renda dupla combinada (dois indivíduos trabalham) e portanto tem uma renda equivalente àqueles profissionais da classe média-alta (como os advogados). a estratificação socialrefere-se a um arranjo hierárquico entre os indivíduos em divisões de poder e riqueza em uma sociedade. Essa classe inclue os pobres e os membros sem instrução e marginalizados da sociedade americana.000 anuais. Entre eles estaria a renda anual do lar. etc. fato que resulta em uma alta taxa de satisfação em relação aos seus empregos. Essa classe compõe cerca de 1% da população total do país e retêm em torno de um terço de todas as riquezas. A transferência de empregos para países em desenvolvimento aparece como sendo o principal problema desse estrato social. Hickey e Gilber). Embora seja possível identificar dezenas de classes sociais nos Estados Unidos apenas fazendo o uso de tais critérios.) e uma renda alta. podendo ou não possuir educação superior. A Classe Alta (UpperClass).000 anuais. é comum que fiquem no linear da pobreza. segundo suas posições (status). Possuem renda inferior a US$15. Possuem renda que pode variar de US$15. cursos.[2] 2. . No geral. Muitos só possuem o diploma de conclusão do colegial.000 anuais. Os trabalhadores dessa classe normalmente gozam de grande liberdade e autonomia no ambiente de trabalho.500 a US$150. São profissionais de qualificação intermediária. possuem uma renda que pode variar de US$32. Aqueles com enorme influência.000 até US$62. na Antropologia e em outras ciências sociais. Tipicamente. essa classe pode chegar a representar a maioria da população americana e pode também ser chamada de "Classe média-baixa (LowerMiddleClass). 5. doutorados.[5] Famílias típicas dessa classe possuem. diplomas. A Classe média-alta consiste dos chamados "profissionais do colarinho-branco" com alta qualificação (certificados.000 anuais. o nível de educação e a ocupação daqueles que estão em idade economicamente ativa.[3][4] 3. aqueles que compõe essa classe são cerca de 15% da população americana (de acordo com os estudos de Thompson. Na Sociologia.A estrutura social dos Estados Unidos é um conceito vagamente definido que faz uso de termos e percepções comumente usados no país. são essas as classes que são comumente identificadas na atual sociedade americana: 1. Embora grande parte desses indivíduos possua emprego. Classe Média (MiddleClass). estamentos ou classes.500 anuais.000 até US$32. É a diferenciação hierárquica entre indivíduos e grupos. Tem renda igual ou superior a US$ 200. Membros desse grupo tem uma tremenda influência sobre as principais instituições do país. em média. Considerando sua renda média. afetando a sensação de segurança no emprego.[6] Ela inclui os chamados "profissionais de colarinho-azul" assim como alguns "colarinhos-brancos" que ganham salários relativamente baixos. Classe Baixa (LowerClass). De acordo com alguns estudiosos como Michael Zweig. A Classe Média-Alta (Upper-MiddleClass). Classe Trabalhadora (WorkingClass). riqueza e prestígio. além de não possuirem na diplomas de ensino superior.[5] 4. pós-doutorados. Perfazem cerca de 45% da população americana que não freqüentou o ensino superior. a maior parte dos americanos utiliza um sistema de cinco ou seis classes para descrever sua sociedade. Sua renda varia de US$62.

fazendo com que haja pessoas ricas. * Estratificação política: baseada na situação de mando na sociedade (grupos que têm e grupos que não têm poder). católicos. pobres e em situação intermediária. Podemos perceber a desigualdade em diversas áreas: * Oportunidade de trabalho * Cultura / lazer * Acesso aos meios de informação * Acesso à educação * Gênero (homem / mulher) * Raça e/ou etnia * Religião * Economia (rico / pobre) * Origem geográfica (jus soli) * Dialecto / diferenças fonetico-linguisticas A estratificação social esteve presente desde os primórdios da civilização mas mudou de forma. a ausência ou má qualidade desse serviço pode levar a reivindicações por parte dos cidadãos.na qual quem nascesse servo morreria servo. transportes. e a mobilidade social (ascendente ou descendente) pode ocorrer como consequência. mulher. etc) os quais podem ou não ser de responsabilidade do Estado. por exemplo. com o surgimento da sociedade de classes e da desigualdade entre classes. por exemplo. A estratificação socialconsiste na separação da sociedade em grupos de indivíduos (estratos sociais) que apresentam características parecidas. homem. segurança pública. protestantes. não tendo a possibilidade de mudar de estamento na sociedade ocidental contemporânea isso é possível. em nossa sociedade valorizamos muito mais a profissão de advogado do que a profissão de pedreiro. saúde. Umas das características fundamentais que distingue as sociedades ocidentais modernas das sociedades tradicionais é a possibilidade de mobilidade social. Diferentemente das sociedades de castas ou da sociedade medieval . como por exemplo: negros. O advento do capitalismo e sobretudo a revolução industrial transformou os sistemas econômicos e a sociedade.Normalmente consideram-se três tipos principais de estratificação social: * Estratificação econômica: baseada na renda ou posse de bens materiais. que consiste na mobilização daqueles que acreditam ter seu direito . através do movimento social. A estratificação expressa desigualdades. * Estratificação profissional: baseada nos diferentes graus de importância atribuídos a cada profissional pela sociedade. habitação. ricos. brancos. é garantido constitucionalmente. da maior ou menor facilidade de acesso a serviços (de educação. pobres. Por exemplo. etc. Se o acesso à educação fundamental gratuita.

enquanto os proprietários se apoderam do restante. motivo pelo qual é chamada semi-aberta. pois a pessoa que pertence a uma casta só se pode casar com um membro da mesma casta. Os trabalhadores são forçados a vender seu trabalho por uma fração mísera do real valor da mercadoria que produzem. por isso é chamado de fechado. a luta de classesseria a força motriz por trás das grandes revoluções na história. Ex. já ter sido implementado em diversos países. ou seja. independente de sua condição de nascimento. portanto. mas há desigualdade de fato. ou seja. possuidores dos meios de produção e possuidores unicamente de sua força de trabalho. o prestigio é o que determina a posição da pessoa na sociedade.: a sociedade medieval. expressar não só a desigualdade entre os homens mas também a exclusão de indivíduos ou grupos da possibilidade de exercer determinado direito. consideradas classes antagônicas e existentes no modo de produção capitalista. apesar do socialismo. segundo Karl Marx. A luta de classesfoi a denominação dada por Karl Marx.desrespeitado ou que se consideram excluídos do acesso a um direito seu. Essa porcentagem pode ser atingida. A luta de classes. aumentando o tempo de trabalho dos operários e mantendo o salário. A maisvalia consiste basicamente dessa porcentagem a mais que os capitalistas retiram da classe do proletariado. não há desigualdade de direito. . só acabará com o fim do capitalismo e com o fim das classes sociais. A estratificação social pode ser feita através de: a) Castas compostas de um número muito grande de grupos hereditários. por exemplo. Até os tempos atuais. b) Estamentos: constituem uma forma de estratificação social com camadas sociais mais fechadas do que as das classes sociais e mais abertas do que as das castas. A proposta mais radical é abolição do Estado e sua reorganização descentralizada em moldes federativos anarquistas. ideológico e político. e ao produtor dessa mercadoria sobra apenas um salário que é pago de acordo apenas com o valor necessário para a sobrevivência desse. que seria como uma fase de transição do capitalismo para o comunismo. a burguesia se apodera da mercadoria produzida pelo proletariado. Os Estamentos são reconhecidos por lei e geralmente ligados ao conceito de honra. A luta de classes se expressa nos terrenos econômico. Segundo Karl Marx e vários outros pensadores como Ricardo e Proudhon. pois a lei prevê que todos são iguais. Ex. A partir daí. Ela teria começado com a criação da propriedade privada dos meios de produção. na Índia a estrutura de castas tem natureza religiosa. Nas sociedades democráticas. a sociedade passou a ser dividida entre proprietários (burguesia) e trabalhadores (proletariado). A estratificação social pode. Outra característica importante do capitalismo é o conceito criado por Karl Marx da mais-valia. para designar o confronto entre o que consideravam os opressores (a burguesia) e os oprimidos (o proletariado). c) Classes: constituem uma forma de estratificação social onde a diferenciação entre os indivíduos é feito de acordo com o poder aquisitivo. ideólogo do comunismo juntamente com Friedrich Engels. Na sociedade capitalista. Os papéis das pessoas na sociedade são determinados por sua ascendência. Esse é um modelo de estratificação que não apresenta nenhuma possibilidade de mudança de posição social. o comunismo ainda não foi posto em prática em nenhuma região do mundo.

não havia praticamente excedente. a sociedade original não possuía divisões sociais. a probabilidade de uma revolução tende a ser maior. descendência. e uma nova entra em seu lugar. pois este último pode vender os produtos de seu trabalho (ou vender o seu próprio trabalho enquanto serviço). segundo Karl Marx. que eles consomem para aumentar seu capital. A existência de indivíduos privados de propriedade. . A luta de classes origina-se. e simplifica a luta de classes ao separar toda a sociedade em apenas duas classes. A antiga classe exploradora é. Ao vender sua força de trabalho. O proletáriose diferencia do simples trabalhador. o proletário aliena-se de seus próprios atos e submete-os à vontade do comprador. o excedente abriu a possibilidade do jogo político. a dominadora e a dominada. Todos os membros da sociedade eram por isso obrigados a participar do processo produtivo. nesse estágio das forças produtivas sociais. O comprador (o capitalista) comanda o trabalho do proletário e se apropria de seus produtos para vendê-los no mercado. ter sido a história da luta de classes. de modo que era impossível a formação de uma hierarquia que diferenciasse as pessoas dessa sociedade. apesar de garantir uma proteção em tempos escassos. As classes de baixo reconhecem que a regência da classe exploradora torna-se desnecessária para a continuação do desenvolvimento técnico. e. no entanto. Essa divisão dos membros em classes foi possibilitada quando as forças produtivas atingiram um certo nível de produtividade. Dessa maneira. “filho. onde o excedente já promovia maior segurança à sociedade em relação às suas necessidades. assim. Entre as diversas classes que podem se formar. Mas. Isso se deveria ao fato de que.Apesar de toda a história da humanidade. Dessa maneira origina-se uma diferenciação quanto à tarefa social de cada membro. Uma das primeiras formas de hierarquização dos membros foi a divisão homem/mulher. os produtos de seu trabalho e o seu próprio trabalho não lhe pertencem. progênie”) é um conceito usado por anarquistas. Com o desenvolvimento das forças produtivas. permite que os capitalistas (os proprietários dos meios de produção e de vida) encontrem no mercado um objeto de consumo que age e pensa (as aptidões humanas). por meios oficiais. por exemplo. a história da sociedade humana é a história de classes dominantes. manter seu poder. comunistas e marxistas para definir a classe antagônica à classe capitalista. uma após a outra. que o domina autoritariamente. que ele vende para sobreviver. estão sempre presente as classes dos senhores (não-trabalhadores) e a classe trabalhadora. Proletariado (do latim proles. com isso. O controle sobre o excedente se desenvolve em conjunto com a formação de uma minoria que ganha assim poder sobre todos outros membros da sociedade. enquanto esta tenta. O proletário consiste daquele que não tem nenhum meio de vida exceto sua força de trabalho (suas aptidões). deposta. privados de meios de vida. no momento em que a sociedade passa a ser composta de diferentes castas. mas àqueles que compram sua força de trabalho e lhe pagam um salário. quando os homens começaram a explorar as mulheres. a devida classe dominante (diferente para cada período histórico) é posta em questão. O Capitalismo privilegia uma sociedade dividida em classes. enquanto o proletário só vende sua capacidade de trabalhar (suas aptidões e habilidades humanas). Nessas épocas de desacordo entre as relações sociais de produção vigentes e o patamar técnico dos meios de produção.

Na Roma Antiga. em suas lutas. no século XIX. Essa separação dos homens dos seus meios de produção é também chamada de proletarização e foi na maioria das vezes imposta pelo Estado. Historicamente. O termo proletário foi utilizado num sentido depreciativo. que passaram a ser instituições de negociação entre o Estado. MikailBakunin e PiotrKropotkin. Com isso. e esses artesãos falidos contribuíram para aumentar ainda mais a massa de proletários disponíveis para a indústria capitalista nascente. cujos capitais rapidamente se acumulavam mediante o uso de força de trabalho e pela extração da mais-valia que esta proporciona. A formação. foi massacrado por eles e submetido a um regime de trabalho militarista [6] que. socialistas e anarquistas que depois ficaram conhecidas através de autores como Karl Marx. Os proletários desenvolveram idéias comunistas. sempre se opuseram à intensificação do trabalho. quando todas as relações sociais entre os indivíduos passaram a ser mediatizadas pelo mercado. quando operários conseguiram pela primeira vez organizar greves de dimensões consideráveis e questionar a situação em que viviam de maneira que. os empresários e os operários. que se caracteriza por expulsões de camponeses de suas terras e pela destruição dos laços não-mercantis do artesanato urbano (por exemplo. entre os séculos XIV e XIX). na Rússia. formando uma massa de indivíduos destituídos de meios de produção e que nada tinham para oferecer ao mercado senão sua força de trabalho [5]. no entanto. também mediante a pressão de lutas radicais dos operários. os bolcheviques tomaram o poder do Estado usando o nome do proletariado. o rei Sérvio Túlio usou o termo proletarii para descrever os cidadãos de classe mais baixa. até que. Do fim do século XIX até meados do século XX. que substituiu os laços comunitários que caracterizavam as sociedades anteriores. que não tinham propriedades e cuja única utilidade para o Estado era gerar proles (filhos) para engrossar as fileiras dos exércitos do império [4].A palavra proletariado define o conjunto dos proletários considerados enquanto formando uma classe social. todos os bens passaram a ser mercadorias. que. Essas idéias desenvolveram-se pela sistematização do objetivo que emergia espontaneamente nas lutas proletárias que era o de estabelecer uma Livre associação de produtores. os artesãos urbanos não podiam concorrer no mercado com os capitalistas. mediante a pressão constante das lutas radicais dos operários. A idéia de proletariado como uma classe antagônica à dos capitalistas surgiu no século XIX. Além disso. suas exigências eram irreconciliáveis com a sociedade capitalista. à ditadura dos chefes e à própria escravidão assalariada. socialistas. o acesso a eles passou a ser permitido apenas a quem tivesse o dinheiro para comprá-los. para muitos. os Estados de diversos países resolveram conceder direitos trabalhistas e regular os sindicatos. pois a força de trabalho é a única mercadoria que produz mais-valia. anarquistas e comunistas utilizaram-no para identificar a classe dos sem propriedade do capitalismo industrial. as corporações de ofício). até os tempos presentes. . não tem absolutamente nada a ver com as reivindicações dos proletários. manutenção e o controle (através do aparato repressivo do Estado) de uma massa de indivíduos destituídos de tudo e tendo somente a sua força de trabalho para vender (qualificada ou não) é a condição sinequa non da acumulação do capital em qualquer lugar do mundo. na opinião de anarquistas e comunistas de conselhos. ou seja. Em 1917. o proletariado surge com o capitalismo industrial (na Europa. os quais. Isso só foi possível mediante a chamada acumulação primitiva do capital.

enquanto não ocorre o momento histórico-mundial propício para sua emergência. os capitalistas seriam apenas pessoas que são fortes adeptas da poupança e cujas contribuições ao mercado são de qualidade superior às contribuições do restante da população. Joseph Schumpeter) não acreditam em exploração e sustentam que a existência do proletariado é um sofismo. com jornadas cada vez maiores e a precarização advindos da flexibilização das leis trabalhistas. No entanto. Em outros países. mas de forma subterrânea e invisível. Atualmente. tais como: leis trabalhistas. e não pelo consumo a que ele tem acesso através de seu salário. pois os capitalistas necessitam domesticar os proletários para que estes ofereçam sua força de trabalho sem nenhuma reserva. ganha menos do que eles. Autores anarquistas e comunistas contra-argumentam que é natural que aqueles que formam a classe dominante (ou que servem a ela) afirmem que não exista exploração e nem dominação. Força de trabalho pode significar: . nos pontos capitalistas mais avançados do globo (países desenvolvidos ou cidades/bairros/regiões desenvolvidas de países pouco desenvolvidos). chegando até o extremo do uso de mão-deobra escrava. lutando apenas para ser um "funcionário do mês". Os trabalhadores imigrantes. que é alienado e opressivo. o Estado conseguiu administrar o antagonismo proletário a ponto de aparentemente dissolvê-lo (através de diversas medidas. eles negam que haja um conflito intrínseco ao capitalismo e inseparável dele. em especial. as condições de trabalho nos países/regiões/cidades desenvolvidos vem regredindo nos últimos anos com a introdução de reformas neoliberais. repressão. os órgãos de estatística estatais e privados classificam como "clase média" esse grupo social. como por exemplo. quando jornadas de mais de doze horas e a intensa utilização de mão-de-obra infantil eram a regra. que eles interpretam moralisticamente como motivadas meramente por inveja dos menos capazes com relação aos mais capazes. a transformação dos sindicatos em mediadores entre capitalistas e trabalhadores. já que seria imutável. Economistas (neo)liberais (por exemplo. têm sido submetidos a condições de trabalho degradantes na Europa. Alguns afirmam que a luta proletária continua. fazendo o proletariado ser hoje dificilmente reconhecível na superfície da sociedade. E temos a migração das fábricas para países sem leis trabalhistas. e que. Portanto. os salários simbólicos e jornadas cada vez maiores são práticas comuns. No entanto. a saber. imutável. dissolução do internacionalismo proletário nos nacionalismos e demais conflitos interburgueses).De meados do seculo XX até o presente. a sua separação de todos os meios de vida e produção e o consequente constrangimento imposto a eles de vender sua força de trabalho em troca do salário que lhe permita a sobrevivência. procurando fazê-los acreditar que a compra e venda de força de trabalho é apenas um fato natural. que. o proletariado tem padrão de vida muito superior em relação às suas condições do início da Revolução Industrial. com isso. aquilo que define-os como "proletariado" continua existindo. negam a existência do proletariado e as motivações de suas lutas. o trabalho infantil. Em geral. e o mercado retorna à cada pessoa o exato valor que essa pessoa introduziu nele. o melhor que o proletário pode fazer é não questionar. Para eles todos os indivíduos são iguais perante o mercado. O proletariado define-se pelo modo como produz suas condições de vida.

a compra e venda da força de trabalho é a base do capitalismo industrial. Trabalhadores. de suas aptidões e habilidades ao capitalista (proprietário dos meios de produção. Trata-se de um conceito crucial em Marx. as aptidões e habilidades humanas submetidas à condição de compra e venda. Segundo Marx. Marx afirma que o fetichismo da mercadoria é algo intrínseco à produção de mercadorias. já que na sociedade capitalista. mais precisamente. alimentação. o valor das mercadorias é determinado de maneira independente dos produtores individuais. portanto. o que só é possível de ser feito abolindo a propriedade privada dos meios de produção e transformando-os em propriedade coletiva. isto é. em uma determinada sociedade. como pessoas. Marx também argumenta que a economia política clássica não pode sair do fetichismo da mercadoria. portanto.a força de trabalho . Porém essa mercadoria . só possuem a sua força de trabalho. . o processo de produção se autonomiza com relação à vontade do ser humano. Esse excedente é a mais-valia. O resultado é a aparência de uma relação directa entre as coisas e não entre as pessoas. O proletariado como classe constituise. do trabalhador e sua família. Disso resulta que a mercadoria mesma (ou o mercado) parece determinar a vontade do produtor e não o contrário. Isso significa uma revolução nas relações de produção e de distribuição dos meios de vida.gera mais valor do que ela mesma custa. Tal autonomia desaparecerá apenas quando o ser humano controlar de maneira consciente o processo de produção. saúde. como mercadoria. etc. Marx considera a força de trabalho como a mais importante das forças produtivas. acabando com o caráter mercantil dos bens e preservando somente seu valor de uso. daqueles que não tem outro meio de subsistência a não ser a venda. trabalho não pago que é apropriado pelo capitalista sob a forma de lucro. Desse fetichismo que se dá na produção e na troca de mercadorias resulta a sobrestimação teórica do processo de troca sobre o processo de produção. Dessa maneira. O custo da força de trabalho corresponde ao salário e consiste no custo da sua reprodução (incluindo habitação. que consideram a oferta e a procura como as determinações fundamentais do preço das mercadorias. As pessoas agem como coisas e as coisas. Em O Capital. numa livre associação de indivíduos.[1] Pode ser usado como um sinônimo de população ativa. sob a forma de mercadoria. por definição.* O número de pessoas com capacidade para participar do processo de divisão social do trabalho. na sua crítica à economia política capitalista. [2] * A capacidade dos trabalhadores de produzirem riqueza material ou. pois considera a produção de mercadorias como um dado natural e não como um modo de produção histórico e. ocorre que a troca de mercadorias é a única maneira na qual os diferentes produtores isolados de mercadorias se relacionam entre si. No caso da produção de mercadorias. o fetichismo é uma relação social entre pessoas mediatizada por coisas. e cada produtor deve produzir sua mercadoria em termos de satisfação de necessidades alheias. transitório. Fetichismo da mercadoriaé o modo pelo qual Karl Marx denominou o fenômeno social e psicológico onde as mercadorias aparentam ter uma vontade independente de seus produtores. Daí o culto ao mercado de parte de alguns economistas.

até essa altura era o principal detentor da riqueza. Com os avanços da indústria.A burguesiaé uma classe social que surgiu na Europa na Idade Média (séculos XI e XII) com o renascimento comercial e urbano. alguns séculos mais tarde. ou seja. Os mais pobres ficavam fora das muralhas e eram denominados de "extraburgos". Com a aparição da doutrina marxista. surgiu uma classe mais baixa inteiramente nova. Os marxistas cunharam também o conceito de "pequena burguesia". Como eram pessoas que trabalhavam com dinheiro. por falta de alternativas. As igrejas do Período Medieval. o proletariado ou classe trabalhadora. não eram bem vistas pelos integrantes da nobreza. além de dar o conhecimento religioso aos cristãos. que era quem. quem tomara conta do ensino eram os burgueses que. e livre comércio todos derivam-se das filosofias burguesas. Em todos os países industrializados. direitos religiosos e civis. estes burgueses eram herdeiros da classe medieval dos vilões e. essa classe de forma geral apoiou a revolução americana e a revolução francesa fazendo cair as leis e os privilégios da ordem feudal absolutista. que ficavam no fundo dos mosteiros. regido por valores e aspirações da burguesia. que foi como chamaram o setor das camadas médias da sociedade atual. Aprofundamento . transformando-se gradualmente na classe governante de nação-estados industrializadas. ensinavam o comércio e o conhecimento dos números. os burgueses sonhavam em enriquecer-se e tomar o poder. a partir do século XIX. a aristocracia perdeu gradualmente o poder ou foi expurgada por revoltas burguesas. mas a burguesia proibiu a igreja de continuar a dar aulas. para enfraquecer o sistema feudal. dedicaram-se ao comércio que. tomaram conta do ensinamento nas escolas. Com a expansão do comércio e da economia de mercado. Ascensão da Burguesia Na alta Idade Média. a burguesia passou a ser identificada como a classe dominante do modo de produção capitalista e. Desprezados pelos nobres. ensinavam o que era preciso para ser um burguês. joias) e prestação de serviços (atividades financeiras). o poder e a influência da burguesia cresceu. Na baixa Idade Média. Eles formaram as guildas. quando as cidades começaram a se formar e crescer. Essas pessoas eram os burgueses originais. Os conceitos tais como liberdades pessoais. limpando o caminho para a rápida expansão do comércio. passando a burguesia para o topo da hieraquia social. artesãos e comerciantes começaram a emergir como uma força econômica. No entanto. Os burgueses eram os habitantes dos burgos. serviria de base para o surgimento do capitalismo. mas foi também responsabilizada pelos males da sociedade contemporânea. aliaram-se com a nobreza através de casamentos. como tal. que eram pequenas cidades protegidas por muros. Dedicava-se ao comércio de mercadorias (roupas. No século XVII e XVIII. especiarias. além do conhecimento religioso. que eram associações e companhias que tinham o objetivo de promover o comércio e seus próprios interesses. lhe foram atribuídos os méritos do progresso tecnológico.

Consoante as épocas e as regiões. porém. no entanto. como mercadores ou comerciantes. para este grupo é preferível usar expressões neutras do ponto de vista ideológico. muitas vezes. Se desde o século XII há burgueses (id est. para dessa forma revitalizarem as suas casas. a Nobreza. feitos mercadores. não impede subestratificações dentro das Ordens. são recompensados. aprendizes . por exemplo.Pela forte carga ideológica que o termo hodiernamente acarreta. os habitantes dos burgos). Sucede muitas vezes nobres arruinados financeiramente casarem com filhas de mercadores (ou vice-versa). divide-se. à nobreza tradicional.o acumular de riquezas possibilita aos filhos dos mercadores estudar nas universidades. emergem os seus habitantes. muitas das vezes. lá por sua vez criaram-se as oficinas. falar em burguesia para períodos anteriores ao século XVII constitui. Nobreza e Povo. com a oposição e interdependência entre oratores. consoante a permeabilidade dos soberanos. os quais. conducente mais tarde ao que se chamou de absolutismo. o Clero divide-se entre os que fazem vida no século e o que a fazem debaixo de uma regra monástica. ante a difícil e lenta mutação dos quadros mentais. do estudo . instruírem-se. senão um erro. desagradava). com o renascimento das cidades. E assim também. formadas por mestres. Isto. Mas a ascensão do elemento burguês também se verifica através. formada pelos mestres de todas as oficinas de um mesmo produto (ex: tapetes). bellatores e laboratores). a partir do século XII. poderão os novos representantes dessas famílias manter ou não o estatuto nobiliárquico. consoante a riqueza e as funções. em variadíssimos estratos. tornarem-se no corpo de letrados que auxilia o rei numa época de restauração do direito e de fortalecimento do poder real. de sangue. pelo menos uma inexatidão histórica que convém precisar. que vende sua força de trabalho e seu tempo a fim de se sustentar. que servem devotadamente o rei. filhos de burgueses. Em Portugal. Infanções (mais tarde Fidalgos) e Cavaleiros. consoante a ocupação e a riqueza.considerada de origem providencial à Idade Média. entre os burgueses. burguesia pode querer significar uma classe social detentora dos meios de produção e empregadora do proletariado. por exemplo. e estes paulatinamente vão fazendo do comércio a sua fonte de receitas. termo marxista apenas aplicável após à Revolução Industrial). com títulos de nobreza. o Povo. Na verdade. A burguesia tinha como principal economia o comércio. no quadro de uma sociedade europeia dividida em Três Ordens ou Três Estados (remontando esta ideologia trinitária . será mais ou menos fácil a mobilidade social entre elementos enriquecidos do Terceiro Estado e elementos do grupo nobre. especialmente para os intelectuais que possuem alguma forma de simpatia ao pensamento marxista. em Ricos-Homens. a existência da burguesia como Ordem (e muito menos como classe. verificando-se assim a estreita fusão entre os dois grupos que muitos. Muitos destes letrados. oficias. a burguesia mais tarde na Alta Idade Média aliou-se aos reis (que tinham apenas uma figura decorativa) pois os reis estavam querendo o poder . vão progressivamente aumentar as suas riquezas e aspirar ao ingresso na Ordem superior que é a Nobreza. Economia Na atualidade. as oficinas governadas pela coorporação de ofício. facilmente se compreende. propugnavam (mas que. aquilo que vulgarmente se designa por Clero.

bjeto central da sociologia de Émile Durkheim. Esse fato foi chamado "centralização política da Alta Idade Média" A escravidão do salárioé um conceito criado pelos autores comunistas e anarquistas. os indivíduos não têm liberdade enquanto indivíduos. o salário). a escravidão do salário só será abolida com o fim da propriedade privada sobre os meios de produção. Segundo estes autores. todos poderiam ter acesso aos recursos necessários para ganhar o próprio sustento. o trabalho assalariado se assemelha a uma escravidão de aluguel. No regime de escravidão. à exploração direta. recebendo em troca apenas comida. Também se define o fato social como uma norma coletiva com independência e poder de coerção sobre o indivíduo. sem a necessidade de se submeter à exploração de terceiros. etc. um fato social é qualquer forma de indução sobre os indivíduos que é tida como uma coisa exterior a eles.). onde o trabalhador é impelido à escravidão pela pobreza. que eram donos desses centros denominados Burgos. também são forçados a trabalhar em benefício dos proprietários dos meios de produção (fábricas. * Exterioridade . assim. voltar-se-ia ao chicote. Segundo eles. terras.esta característica transmite o fato desses padrões de cultura serem "exteriores aos indivíduos". Após isto. Para esses autores. tendo uma existência independente e estabelecida em toda a sociedade. . Os trabalhadores assalariados. que lhe são necessários para prover sua própria sobrevivência. há autores capitalistas que afirmam que com o fim da propriedade privada apenas se abririam novos meios de exploração. Alguns autores que advogam o fim da escravidão assalariada contra-argumentam que se a liberdade dos indivíduos é dada pelo dinheiro. sendo. Contudo. Estes padrões culturais são fortes de tal maneira que obrigam os indivíduos a cumpri-los. em troca de uma remuneração que é sempre inferior ao valor do trabalho realizado (ver mais-valia). os Fatos Sociais constituem o objeto de estudo da Sociologia pois decorrem da vida em sociedade. Em contrapartida. mas escravos dessa coisa e daqueles que detém essa coisa (os capitalistas). em lugar de pelo chicote. por sua vez.O sociólogo francês defende que estes têm três características: * Coercitividade .característica relacionada com a força dos padrões culturais do grupo que os indivíduos integram. eles não são livres. os que possuem bens podem se dar ao luxo de empregar outros para que ganhem para si seu sustento. Sociologia clássica Segundo Emile Durkheim.dos Senhores Feudais. pois sem o dinheiro para dar liberdade ao homem. Assim. a escravidão do salário um sofisma. mas por outra coisa (o dinheiro. mas apenas enquanto detentores de dinheiro. Se os indivíduos são livres não por si. as pessoas não são livres no capitalismo. ou seja ao fato de virem do exterior e de serem independentes das suas consciências. são privados dos meios de produção. que é considerada então como caracterizada pelo conjunto de fatos sociais estabelecidos. coagidos fisicamente a trabalhar em benefício alheio. os escravos são forçados.

Os nossos . e dotadas de um poder coercitivo. fatos sociais são "coisas". estabelecendo um conjunto de regras e determinando o que é certo ou errado.”. Analisando os fatos sociais chega-se à conclusão de que toda a educação dada às crianças consiste num esforço contínuo para impor à criança maneiras de ver. Esse é um fato social. etc. uma existência própria. permitido ou proibido. Chegam a cada um de nós do exterior e não têm sua origem em nenhuma consciência particular. indignação. Um pensamento comum a todos ou um movimento por todos os indivíduos não são por isso fatos sociais. além de psicológico. fatos sociais. Há certas correntes de opinião que nos levam ao casamento. mais do que seus criadores. Não podem ser confundidos com os fenômenos orgânicos nem com os psíquicos. sistemas financeiros. das crenças.os fatos sociais existem não para um indivíduo específico. agir e sentir desde que compartilhadas coletivamente. Têm grande poder de coação e são suscetíveis de nos arrastar. não são só fatos individuais e particulares que os levam a suicidar. São fatos sociais: regras jurídicas. Podemos perceber a generalidade pela propagação das tendências dos grupos pela sociedade. A educação tem justamente o objetivo de criar o ser social. O efeito de coação externa de um fato social é fácil de constatar quando se traduz por uma reação direta da sociedade. Toda cultura e a educação deste país exerce grande diferença no pensamento do indivíduo na hora de se suicidar. ou ainda. suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior. dogmas religiosos. como as grandes manifestações de entusiasmos. etc. mesmo contra a vontade. “É um fato social toda a maneira de fazer. em outra sociedade. de sentir e de agir às quais ela não teria chegado espontaneamente. Estamos então a ser vítimas de uma ilusão que nos faz acreditar termos sido nós quem elaborou aquilo que se nos impôs do exterior. dos usos e até das modas. evidentemente. Existem também as correntes sociais. Não é a generalidade que serve para caracterizar os fenômenos sociológicos. mas para a coletividade.* Generalidade . Variam de cultura para cultura e tem como base a moral social. São maneiras de agir. costumes. Se um indivíduo experimentar opor-se a uma destas manifestações coletivas. fixada ou não. Segundo Herbert Spencer. piedade. O mesmo caso particular de frustração do indivíduo. Percebemos então que fomos sua presa. “que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo. pensar. maneiras de agir. morais. Somente as estatísticas podem nos fornecer meios de isolar os fatos sociais dos casos individuais. Mas essa teoria pedagógica nunca foi praticada por nenhum povo conhecido. fazer. independente das suas manifestações individuais. ao suicídio ou a uma taxa de natalidade mais ou menos forte. a alta taxa de suicídio no Japão. ao mesmo tempo. estes são. Isso são só suas encarnações individuais. poderia não o levar ao suicídio. Por exemplo. como é o caso do direito.” Ou ainda:Todas as maneiras de ser. pensar e sentir exteriores ao indivíduo. constituem uma espécie nova de fatos. os sentimentos que nega voltar-se-ão contra ele. uma educação racional deveria deixar a criança agir com toda a liberdade. não passa então de um desejo pessoal. Não podemos escolher a forma das nossas casas tal como não podemos escolher a forma do nosso vestuário sem sofrer algum tipo de coação externa. por exemplo. Para Émile Durkheim.

no exemplo abaixo podemos ver nitidamente algumas delas. e incluir na mesma investigação todos os que correspondam a esta definição. Nota: Para Durkheim. etc. e há uma cooperação conscientemente instituída que supõe fins de interesse público nitidamente reconhecidos.". ou seja. uma evolução da humanidade. Tomar sempre para objeto de investigação um grupo de fenômenos previamente definidos por certas características exteriores que lhes sejam comuns.” “Há uma cooperação espontânea que se efetua sem premeditação quando se tenta atingir fins de interesse privado. Essas “noções vulgares” desfiguram o verdadeiro aspecto das coisas e que nós confundimos com as verdadeiras coisas. neste caso a idéia de cooperação. exterior e geral. então cada tipo superior poderá ser considerado como a simples repetição do tipo imediatamente inferior. se considera que as sociedades mais recentes continuam as que precederam. se desenvolvem e morrem. é diferente. independentemente umas das outras. quem nunca se deparou com uma pergunta desta ao rever um grande amigo. incluindo ele próprio. constitui uma individualidade nova. o de sociedades militares.. Isso portanto também é um fato social. 1. Método dos Fatos Sociais Devemos considerar os fatos sociais como “coisas”.gostos são quase obrigatórios visto que as vias de comunicação determinam de forma imperiosa os costumes. 2. As prenoções são capazes de dominar o espírito e substituir a realidade.” Às primeiras Spencer dá o nome de sociedades industriais e. aceitamos o mesmo de bom grado. visto que é geral. Esquecidas as prenoções devemos analisar os fatos sociais cientificamente. Até quando a situação tem como principal finalidade a descontração. mas sim das suas propriedades concretas. ou numa reunião com seus familiares que não os via há muito tempo? Apesar de ser dotado de um poder coercitivo. Para Spencer a sociedade não passa de realização de uma idéia. Todo o círculo de parentes e amigos que o cercam de forma direta ou indireta impõe que o cidadão deve se casar e constituir uma família. é dotado de uma lógica própria.. o que existe são sociedades particulares que nascem. É necessário que exprima os fenômenos não em função de uma idéia concebida pelo espírito. gozação e coisas do gênero. "coisa" é algo Sui generes. às segundas. Precisamos limpar toda a mente de prenoções antes de analisarmos fatos sociais. o que está em causa. para que todos saibam. Ex: "e você já se casou. O sociólogo deve definir aquilo que irá tratar. o fato social mostra suas características. não há um progresso. Um povo que substitui um outro não é apenas um prolongamento deste último com alguns caracteres novos. Spencer não aceita este conceito. . Por isso todo fato social é coercitivo. como proposição afirma que “uma sociedade só existe a partir do momento em que à justaposição se junta uma cooperação. além disso. Se. Contrariando Auguste Comte. As únicas características a que podemos recorrer são as imediatamente visíveis. trocas. O casamento é um exemplo de fato social o qual nos deparamos a todo momento em nossa sociedade.