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RIO GRANDE DO SUL 2020:

O NOVO CENÁRIO
SOCIOECONÔMICO
E SEU IMPACTO
SOBRE OS
NEGÓCIOS
Diretoria Fecomércio-RS – 2010/2014

Presidente
Zildo De Marchi

Vice-Presidentes
Luiz Carlos Bohn - 1º Vice-Presidente
Ronaldo Sielichow - Vice-Presidente Financeiro
Luiz Antônio Baptistella - Vice-Presidente Administrativo
Alécio Lângaro Ughini Ibrahim Mahmud Joel Vieira Dadda Moacyr Schukster
André Luiz Roncatto Itamar Tadeu Barboza da Silva Júlio Ricardo Andriguetto Mottin Nelson Lídio Nunes
Antônio Trevisan Ivanir Antônio Gasparin Leonardo Ely Schreiner Olmar João Pletsch
Arno Gleisner Ivo José Zaffari Leonides Freddi Olmiro Lautert
Cezar Augusto Gehm João Francisco Micelli Vieira Luiz Caldas Milano Walendorff
Flávio José Gomes João Oscar Aurélio Manuel Suarez Renzo Antonioli
Francisco José Franceschi Joarez Miguel Venço Maria Cecília Pozza

Diretoria
Levino Luiz Crestani - Diretor Financeiro
Jorge Ludwig Wagner - Diretor Administrativo

Adair Umberto Mussoi, Ary Costa de Souza, Carlos Antônio Demari, Liones Oliveira Bittencourt, Luís
Cezar Schneider, Celso Canísio Müller, Cladir Olimpio Alberto Ribeiro de Castro, Luiz Carlos Dallepiane, Luiz
Bono, Darci Alves Pereira, Edison Elyr dos Santos, Henrique Hartmann, Marco Aurélio Ferreira, Marcos
Edson Luis da Cunha, Élvio Renato Ranzi, Francisco André Mallmann, Marice Fronchetti Guidugli, Milton
Squeff Nora, Gabriel de Oliveira Souto Junior, Gerson Gomes Ribeiro, Paulo Renato Beck, Paulo Roberto
Jacques Müller, Gerson Nunes Lopes, Hélio Berneira, Kopschina, Rogério Fonseca, Rui Antônio dos Santos,
Henrique José Gerhardt, Isabel Cristina Vidal Ineu, Sérgio José Abreu Neves, Sueli Morandini Marini,
Jaime Gründler Sobrinho, Jamel Younes, Joel Carlos Tien Fu Liu, Túlio Luis Barbosa de Souza, Walter
Köbe, Jorge Salvador, José Nivaldo da Rosa, Jovino Seewald, Zalmir Francisco Fava

Diretoria Suplente
Airton Floriani, Alexandre Carvalho Acosta, João Antonio Harb Gobbo, Jorge Alfredo Dockhorn,
André Luis Kaercher Piccoli, Antônio Clóvis José Joaquim Godinho Cordenonsi, José Vagner
Kappaun, Arlindo Marcos Barizon, Carmen Flores, Martins Nunes, José Vilásio Figueiredo, Juares
Clobes Zucolotto, Daniel Miguelito de Lima, dos Santos Martins, Jurema Pesenti, Ladir Nicheli,
Dinah Knack, Eduardo Vilela Neves, Eider Vieira Luiz Alberto Rigo, Luiz Carlos Brum, Marcus Luis
Silveira, Ernesto Alberto Kochhann, Everton Barth Rocha Farias, Miguel Francisco Cieslik, Paulo
dos Santos, Francisco Amaral, Gilberto José Ganzer, Ramão Duarte de Souza Pereira, Régis Luiz
Cremonese, Gilmar Tadeu Bazanella, Hildo Luiz Feldmann, Ricardo Pedro Klein, Romeu Maurício
Cossio, Jair Luiz Guadagnin, Janaína Kalata das Benetti, Silvio Henrique Frohlich, Susana Gladys
Neves, Jarbas Luff Knorr, Coward Fogliatto, Valdir Appelt

Conselho Fiscal
Erselino Achylles Zottis, Fábio Norberto Emmel, Rudolfo José Mussnich

Conselho Fiscal Suplentes


Gilda Lúcia Zandoná, Luiz Roque Schwertner, Nelson Keiber Faleiro

2
índice

editorial
04
1 introdução
05
2 cenário 2020
07
2.1 Cenário demográfico
09
2.2 Cenário socioeconômico
11
2.2.1 Ampliação do produto e da renda
11
2.2.2 Configuração das classes sociais
13
3 Projeções para o consumo das famílias
18
3.1 Bens
19
3.2 Serviços
21
4 Considerações finais
23 NEGÓCIOS
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RIO GRANDE DO SUL 2020: O NOVO CENÁRIO SOCIOECONÔMICO


editorial

Zildo De Marchi
Presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac

A
o longo dos últimos anos foram percebidas algumas modificações no caráter
socioeconômico do Brasil e do Rio Grande do Sul. Em termos gerais, elevou-
se o nível de renda de forma significante e a população tornou-se mais velha
e mais educada, processos que terão continuidade ao longo desta década.
Esses fatores moldam as características básicas dos indivíduos que compõem a
economia gaúcha e influenciam diretamente seu perfil de consumo.

Nesse sentido, antevendo as mudanças que ocorrerão nos próximos anos, decorrentes
da continuidade desse processo de desenvolvimento, a Fecomércio-RS (Federação do
Comércio de Bens e de Serviços do Estado do RS) buscou, com o presente trabalho,
projetar o comportamento do consumidor gaúcho ao longo desta década, estimando o
crescimento de suas despesas em diferentes grupos de bens e de serviços.

A justificativa para realização de um estudo desse tipo está na importância que questões
como a composição e o volume dos gastos e o comportamento das famílias gaúchas
possuem para o planejamento das empresas do setor terciário do Estado. Decisões a re-
speito do perfil e do montante de investimentos a serem realizados, ramos de ampliação
de negócios, estratégias de vendas e publicidade, entre outras, dependem fundamental-
mente da demanda que é projetada pelas empresas para o futuro.

Assim, as projeções de características e despesas dos consumidores realizadas pelo


estudo auxiliam as empresas gaúchas a estabelecerem parâmetros fundamentais ao
planejamento e definição de estratégias para os próximos anos, considerando o perfil dos
clientes de cada uma delas.

4
1 \ introdução

A
dinâmica da economia brasileira
vem se modificando ao longo dos
últimos anos, com forte crescimento
do mercado interno e uma parcela significativa
da população saindo das classes D e E para
ingressar na classe C. Simultaneamente, tem-
se observado uma transformação na estrutura
etária da população brasileira, que vem
sofrendo um processo de envelhecimento, de
modo que as faixas de idade mais avançadas
passam a ter uma participação percentual
cada vez maior no total de indivíduos. Esses
dois fatores conjugados tendem a provocar Concomitantemente ao ritmo mais elevado de
alterações no perfil de consumo da população crescimento, observa-se que os rendimentos
nos próximos anos. O consumidor médio que das classes situadas à base da pirâmide social
irá compor as economias brasileira e gaúcha têm aumentado a taxas proporcionalmente
no futuro terá hábitos distintos do atual, maiores do que as dos estratos superiores,
exigindo adaptações do mercado de forma contribuindo para a ascensão dos indivíduos
a atender sua demanda que, além de maior, mais pobres e para uma distribuição mais
deverá sofrer algumas mutações. equânime da riqueza. Esse processo pode ser
A economia brasileira imergiu recentemente considerado permanente, visto que, segundo
em uma dinâmica de crescimento virtuosa, os estudos econômicos mais recentes e
proporcionada pela conquista e consolidação relevantes, a melhora no perfil de distribuição
de um ambiente de estabilidade que parece de renda está ligada, principalmente, à
não ser mais reversível. Fundamentos elevação dos níveis de escolaridade e não
macroeconômicos sólidos aliados a um apenas a transferências de renda transitórias,
ambiente institucional relativamente estável relacionadas às políticas de valorização do
e apropriado à realização de negócios salário mínimo e de bolsa família. Dessa
possibilitaram, auxiliados por uma conjuntura forma, projeta-se, em adição à continuidade
internacional favorável, a concretização de da ampliação do mercado consumidor interno,
uma sequência de taxas de crescimento do uma tendência de desaparecimento das classes
PIB positivas e expressivas nos últimos anos. sociais inferiores em um futuro não muito
Nesse contexto, os alicerces constituídos pela longínquo. Esses dois fatores representarão NEGÓCIOS
OS

economia brasileira ao longo das últimas efeitos distintos sobre a demanda por bens
BRE

décadas permitem vislumbrar um cenário e serviços, visto que a evolução da estrutura


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positivo em termos de expansão da atividade das classes sociais faz com que se vislumbre
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econômica e da renda. não apenas uma simples elevação do nível


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de consumo das famílias seguindo os moldes Fecomércio-RS busca no presente trabalho
atuais, mas também uma modificação na projetar o volume e a composição dos
composição desse consumo. À medida que os gastos das famílias gaúchas em consumo
indivíduos possuem mais renda e ascendem na de bens e serviços ao longo desta década,
escala social, seus hábitos tendem a adaptar- considerando a importância de um estudo
se a seu novo padrão de vida, impactando o deste tipo para as empresas que representa.
volume e o arranjo de seus gastos. Um exercício que produz estimativas para
Juntamente à perspectiva de elevação do a demanda das famílias ao longo dos
nível de escolaridade e de renda, a fase de próximos anos possui grande relevância
transição em que se encontram Brasil e Rio no que diz respeito ao planejamento de
Grande do Sul deve representar alterações empresas que atuam e que podem vir a
tanto no volume quanto na estrutura etária de atuar nos diversos segmentos do comércio
suas populações ao longo desta década. Em no Estado. Embora as projeções elaboradas
especial, a população gaúcha pertencente às estejam inevitavelmente sujeitas a fatores
faixas etárias mais jovens deve permanecer imponderáveis, elas baseiam-se em cenários
praticamente estagnada nos próximos 10 realistas e com grande probabilidade de
anos, enquanto as faixas intermediárias, que concretização e, portanto, podem servir como
representam o auge da capacidade produtiva guia de orientação para todas as empresas
da população, devem elevar sua participação ligadas ao setor de comércio e serviços.
no total de habitantes, passando a concentrar As projeções apresentadas neste
o maior número de indivíduos em comparação trabalho foram elaboradas com base no
com as faixas extremas. Naturalmente, também comportamento do consumidor gaúcho no
se espera um aumento do número de pessoas que diz respeito ao volume e à composição
de idade mais avançada e da participação de seus gastos ao longo dos últimos
de idosos no total da população. De forma anos, mapeado a partir da Pesquisa de
óbvia, tais transformações na pirâmide etária Orçamentos Familiares (POF) de 2008-
também possuem efeitos sobre os padrões 2009 e das Pesquisas Nacionais por Amostra
de consumo dos indivíduos. Uma população de Domicílios (PNADs), ambas do IBGE.
mais velha, em média, possui hábitos distintos Complementarmente, as projeções também
que impactam sua demanda e que, portanto, levam em conta as perspectivas para o
devem necessariamente ser levados em conta crescimento da renda familiar (e a consequente
quando se trata de inferir a respeito de seu alteração na configuração das classes sociais)
consumo no futuro. Por um lado, a estagnação e para o crescimento e mudança na estrutura
do número de crianças deve limitar a expansão etária da população nos próximos anos. O
do mercado de consumo de artigos e serviços conhecimento do perfil do consumidor que
relacionados à idade infantil. Por outro, uma participará do mercado ao longo dos próximos
parcela maior de indivíduos de meia idade anos, dada a construção de um cenário-
tende a impulsionar a demanda por bens base hipotético, alicerça a identificação dos
duráveis e imóveis, por exemplo, entre outros tipos de dispêndio que serão realizados pelas
bens e serviços. Por fim, itens típicos da cesta famílias gaúchas neste período. Com isso, este
de consumo de idosos, como medicamentos trabalho visa combinar a elevação da renda
e serviços de assistência à saúde, devem e a mudança nas estruturas etária e social da
ser afetados de maneira especial devido ao população Rio Grande do Sul para estimar
processo de envelhecimento da população. o crescimento dos diferentes segmentos de
Tendo todas essas perspectivas em vista, a consumo das famílias nesta década.
6
2 \ cenário 2020

U
ma estimativa para a evolução fundamental para que seja possível obter-
dos gastos em consumo da se uma estimativa para o volume e a
população gaúcha até 2020 exige composição de seu gasto. Assim, o primeiro
a construção de um cenário socioeconômico passo nesse sentido é projetar o desempenho
para o Brasil e para o Rio Grande do de alguns fatores-chave referentes à
Sul ao longo deste período. Com efeito, economia e à população gaúchas para a
o desempenho de diversos fatores nos próxima década, de modo a elaborar um
próximos anos, como nível de escolaridade, panorama que servirá de base para as
crescimento populacional, renda familiar, estimativas de consumo. Além disso, mais
mercado de trabalho, volume de crédito, importante do que basear estimativas exatas
entre outros, terá influência sobre os hábitos do crescimento que terá cada segmento de
dos indivíduos durante este período. A despesa das famílias gaúchas, a identificação
identificação do perfil socioeconômico da das tendências para o futuro desses fatores-
população que irá compor o mercado de chave é útil por si só, pois fornece uma
consumo ao longo da próxima década é perspectiva para o futuro dos gastos familiares.

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2.1 Cenário demográfico pode ser sintetizado no aumento da idade
As taxas de crescimento populacional, média dos indivíduos que habitarão nosso
em consonância com o processo de Estado, refletindo a estagnação do número de
desenvolvimento do País, vem passando crianças, a elevação robusta da proporção de
por uma desaceleração ao longo das indivíduos entre 20 e 40 anos e o aumento do
últimas décadas. Com a expectativa de número de idosos.
vida elevando-se, além do aumento da Em termos de volume total, a população
população total estar cada vez mais lento, sua gaúcha, que hoje é de 10,70 milhões, deverá
composição, em termos de faixas de idade, chegar em 2020 constituída por um número
vem se modificando, alterando as pirâmides de habitantes próximo a 11,41 milhões, se-
etárias brasileira e gaúcha, que já iniciaram gundo a última estimativa do IBGE, de 2008.
o processo de inversão em seu formato. Mais especificamente, tratando-se da decom-
Enquanto os níveis crescentes de educação posição desta população em termos de faixa
e de inserção das mulheres no mercado de de idade, as taxas de variação serão bastante
trabalho contribuem para reduzir as taxas de heterogêneas entre os grupos, conforme as
fecundidade, o aumento e melhor distribuição projeções da FEE. Primeiramente, deve-se ob-
da renda elevam a expectativa de vida da servar a estagnação do número de crianças
população, à medida que o acesso a serviços com menos de 10 anos entre 2010 e 2020,
básicos e de saúde é garantido a um número em reflexo das taxas de natalidade cada vez
maior de indivíduos. Esses dois processos menores. Em relação ainda às camadas mais
devem continuar ao longo dos próximos anos, jovens, deve haver uma redução de cerca de
com a economia aproximando-se de um 11% do número de jovens entre 10 e 20 anos
estágio de maturidade, em que sua população durante esta década, tendo em vista a maior
cresce muito pouco ou nada e concentra-se maturidade da pirâmide gaúcha, cuja base já
em faixas de idade mais velhas. possui contornos de um triângulo invertido.
No que diz respeito, particularmente, Por sua vez, a massa de indivíduos que existe
ao Rio Grande do Sul, o fenômeno de hoje concentrada nas faixas de idade entre 10
envelhecimento da população encontra-se em e 20 anos irá engordar o centro da pirâmide
estágios mais avançados em relação ao Brasil etária, aumentando o número de adultos entre
como um todo. Com uma taxa de crescimento 20 e 30 anos e fazendo com que os indivíduos
populacional menor do que a nacional desde em idade adulta mais jovem (de 20 a 40 anos)
a década de 1940, e com uma das maiores respondam por uma grande parcela – aproxi-
expectativas de vida do País, o Estado, madamente 30% – da população. Esse recorte
atualmente, já possui uma pirâmide etária de da transição irá conferir, pela primeira vez na
contornos menos triangulares, concentrando história, um caráter de equilíbrio na estrutura
boa parte dos indivíduos nas faixas acima dos etária do Rio Grande do Sul, que deixará de
30 anos de idade, conforme ilustra o Gráfico ser triangular e adquirirá um formato mais
1. Além disso, a combinação entre baixas próximo a um losango. Como consequência,
taxas de fecundidade e crescente expectativa tal transformação fará com que a capacidade
de vida ao nascer, fenômenos que não serão produtiva da população gaúcha atinja um má-
revertidos naturalmente, faz com que se projete ximo histórico em 2020, declinando ao longo
para esta década uma pirâmide etária de feitio das décadas seguintes.
ainda menos triangular para o Rio Grande do A parcela razoável de indivíduos que já existe
Sul, como evidencia o Gráfico 2. Em resumo, hoje inserida na camada entre 45 e 65 anos
o quadro demográfico projetado para 2020 de idade, aliada ao aumento esperado da
8
Gráfico 1 – Pirâmides Etárias em 2010

BRASIL RIO GRANDE DO SUL

Homens Mulheres Homens Mulheres


100 anos e mais
95 a 99 anos
90 a 94 anos
85 a 89 anos
80 a 84 anos
75 a 79 anos
70 a 74 anos
65 a 69 anos
60 a 64 anos
55 a 59 anos
50 a 54 anos
45 a 49 anos
40 a 44 anos
35 a 39 anos
30 a 34 anos
25 a 29 anos
20 a 24 anos
15 a 19 anos
10 a 14 anos
5 a 09 anos
0 a 04 anos
10.000

5.000

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300

200

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População (em milhares) População (em milhares) População (em milhares) População (em milhares)
Fonte: IBGE – Censo 2010

Gráfico 2 – Pirâmides Etárias Projetadas para 2020

BRASIL RIO GRANDE DO SUL

Homens Mulheres Homens Mulheres

70+ 70+
65 a 69 65 a 69
60 a 64 60 a 64
55 a 59 55 a 59
50 a 54 50 a 54
45 a 49 45 a 49
40 a 44 40 a 44
35 a 39 35 a 39
30 a 34 30 a 34
25 a 29 25 a 29
20 a 24 20 a 24
15 a 19 15 a 19
10 a 14 10 a 14
5 a 09 5 a 09 NEGÓCIOS
0 a 04 0 a 04
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População (em milhares) População (em milhares) População (em milhares) População (em milhares)
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Fonte: IBGE e FEE


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expectativa de vida, irá começar a inflar o Em específico, tendo em vista estagnação do
topo da pirâmide etária gaúcha, de forma número de crianças, bens e serviços voltados
que as camadas mais velhas da população a atender a faixa entre 0 e 10 anos de idade
começarão a representar, efetivamente, uma terão um crescimento alimentado somente
grande parte do total. Deve-se observar pela expansão da renda familiar, que não será
um crescimento razoavelmente rápido da desprezível, mas não gozarão de um aumento
proporção e do volume de idosos, com a significante no número de seus consumidores.
parcela de pessoas com 65 anos ou mais, Quanto aos produtos cujo alvo é a popula-
que hoje é de 8,9%, devendo chegar a ção de adultos nas faixas mais jovens (entre
12,1% em 2020. Assim, a parte superior da 20 e 40 anos), o quadro será bastante dife-
pirâmide também apresentará contornos com rente. Nesse caso, além do efeito importante
menor inclinação, concentrando boa parte da do aumento de renda, o número de pessoas
população gaúcha. consumindo será naturalmente maior. Por fim,
Todas essas transformações no caráter etário o aumento do número de idosos e o envelhe-
da população terão impacto sobre o perfil de cimento da população em geral terão efeitos
seus gastos, visto que os hábitos de consu- positivos sobre os gastos em bens e serviços
mo variam conforme cada estrato de idade. relacionados à assistência à saúde.

10
2.2 Cenário socioeconômico permitiram crescer mais nos últimos anos,
As conquistas atingidas pelo Brasil desde bem como elevaram sua potencialidade de
a década de 1990 em termos de política crescimento no futuro. Entre essas mudanças,
econômica, principalmente no que diz foram de grande relevância o período longo
respeito à política monetária, que ancora de estabilidade de preços, a solidificação de
a estabilidade de preços, não devem sofrer uma disciplina fiscal e a melhora nos perfis
reversões no futuro. Assim, esses avanços da dívida pública e das contas externas.
dos últimos 20 anos avalizam a formação Dessa forma, a consolidação de políticas
de perspectivas positivas para o crescimento macroeconômicas consistentes, que deram
do produto do País ao longo desta década, base a essas transformações e criaram
independentemente de fatores de ordem um ambiente econômico e institucional
exógena que possam impactar, tanto favorável, permitindo a elevação das taxas de
negativamente quanto positivamente, a investimento e de produtividade da economia
atividade econômica durante um período brasileira, auferem ao País capacidade de
delimitado. Inseridos nesse contexto, os crescer em torno de 4,5% ao ano (em termos
níveis crescentes de educação, que também reais) nesta década de modo contínuo e sem
contribuem para a geração de renda e, que ocorram pressões sobre a inflação. Dessa
principalmente, para sua melhor distribuição, forma, o PIB brasileiro, que em 2010 foi
devem, no mínimo, manter a tendência um pouco maior do que R$ 3 trilhões, deve
de crescimento dos últimos anos, fazendo chegar em 2020 na casa dos R$ 5 trilhões (a
indivíduos que hoje pertencem às classes D e E preços de 2010).
ascenderem ao que se pode caracterizar como Em termos de renda familiar per capita, é
uma nova classe média. Essa é, conforme um possível projetar um crescimento da mesma
recente estudo do Centro de Políticas Sociais ordem do PIB para esta década, balanceando
da Fundação Getúlio Vargas (CPS – FGV)1, seu comportamento dos últimos anos,
o principal motor do “boom” de consumo quando cresceu acima do PIB per capita, e a
recente observado no Brasil. Nas palavras de tendência esperada de convergência com o
Marcelo Neri, Doutor em Economia e chefe mesmo no longo prazo. Considerando que,
do Centro, “não é que os brasileiros estão conforme os cálculos do CPS-FGV a partir
indo fazer compras a crédito, mas quem foi dos dados da PNAD, a renda do trabalho
mais à escola no passado, isto é, os pobres, corresponde a 73% da renda familiar, os
estão obtendo agora proporcionalmente mais quadros atual e esperado para um futuro
empregos” (p.16). Dessa forma, os níveis próximo do mercado de trabalho, devem
crescentes de educação e a consequente fazer a renda continuar crescendo, pelo
ampliação da renda elevam a capacidade de menos nos próximos anos, acima do PIB per
consumo das famílias e, ainda, alteram o perfil capita. Assim, embora o hiato que vem se
desse consumo, tendo em vista a ascensão observando entre os crescimentos da renda e
social de quem tem sua renda ampliada. do PIB per capita deva, em algum momento,
ser reduzido, uma convergência total pode
2.2.1 Ampliação do demorar a ser observada.
produto e da renda No caso específico do Rio Grande do Sul, NEGÓCIOS
OS

O Brasil passou por algumas transformações o cenário construído para esta década leva
RE
OB

ao longo das últimas duas décadas que o em conta um crescimento médio de 3,5% ao
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A Nova Classe Média: o lado brilhante dos pobres. Disponível em http://www.fgv.br/cps/ncm/.


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ano para a renda familiar per capita. Dois um crescimento médio entre 3,0% e 4,0%
aspectos devem ser considerados a respeito para a economia gaúcha, no entanto, a
dessa projeção. Primeiramente, supondo um expectativa de ampliação da renda familiar
crescimento médio para o PIB gaúcho entre per capita significaria uma aproximação
2,5% e 3,0% (entre 2,0% e 2,5% em termos mais rápida de sua relação de longo prazo
per capita) nesta década, em linha com seu com o PIB per capita.
potencial e sua média de crescimento nos Em resumo, o cenário levado em conta para
últimos 10 anos, esse valor corresponderia a ampliação da renda familiar per capita é
a uma continuidade da tendência dos bastante realista, independentemente de uma
últimos anos em que, pelos mesmos motivos projeção mais ou menos otimista em relação
já atribuídos ao País como um todo, a ao crescimento do PIB do Rio Grande do Sul.
renda das famílias gaúchas cresceu mais Esse cenário leva em conta tanto uma tendência
do que o PIB per capita. Por outro lado, a de convergência no longo prazo entre a
projeção utilizada como hipótese-base para variação da renda e do PIB quanto o quadro
a expansão de renda também é coerente atual do mercado de trabalho, que provoca
com um cenário um pouco mais otimista um descolamento temporário entre essas
em termos de PIB, dadas as perspectivas variações, e é compatível com um intervalo de
para a economia nacional e uma possível possibilidades para o crescimento do produto
aceleração na eliminação de alguns do Estado, que deve chegar em 2020 próximo
gargalos logísticos no Estado. Considerando a R$ 300 bilhões, a preços de 2010.

Gráfico 3 – PIB e Renda familiar – Taxas de crescimento médias (%)

BRASIL RIO GRANDE DO SUL

5,00 4,5 4,7


4,5
4,50 4 4,1
3,9
4,00 3,5 3,5 3,5
3,50 3,3
3,00 2,7 2,7
2,5
2,50 2,3 2,2
2
2,00 1,6 1,7
1,50
1,00
0,50
0,00

PIB PIB per capita Renda familiar PIB PIB per capita Renda familiar
per capita per capita

2000 a 2009 2004 a 2009 2011 a 2020

Fonte: IBGE, FEE e CPS-FGV a partir de microdados da PNAD


Projeção: Assessoria Econômica - Fecomércio-RS

12
2.2.2 Configuração das processo de reversão da desigualdade, que
classes sociais atingiu um máximo na década de 1990. A
Considerando o objetivo deste trabalho, um inflação elevada e o aumento do diferencial
aspecto relevante, dentro do contexto de de escolaridade foram fundamentais para
ampliação da renda, é a identificação de explicar a piora de distribuição de renda nos
como essa ampliação distribui-se entre as anos 1970 e 1980. O fenômeno inverso
classes sociais, visto que possuem hábitos ocorre a partir de meados dos anos 1990,
de consumo distintos. Esse exercício também quando as faixas de renda mais baixas
possibilita uma projeção para configuração passaram a progredir de forma mais rápida
das populações brasileira e gaúcha em do que os estratos mais altos, fazendo o grau
termos de distribuição de renda para esta de concentração da renda começar a decair
década, visto que um aumento continuado desde então.
de renda das classes inferiores implica Sob a ótica de estratificação da população
sua ascensão na estrutura social, a qual, por classes sociais, adotando o critério do
consequentemente, acaba modificada. CPS-FGV (Quadro 1), o processo de reversão
O Brasil encontra-se, atualmente, em um da desigualdade manifesta-se por meio da

Quadro 1 – Critério de estratificação da população por classe social do CPS - FGV

Classe/Renda mensal (2009) Limite inferior Limite superior

Classe E R$ 0,00 R$ 705,00


Classe D R$ 705,00 R$ 1.126,00 NEGÓCIOS
Classe C R$ 1.126,00 R$ 4.854,00
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Classe B R$ 4.854,00 R$ 6.329,00


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Classe A R$ 6.329,00
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Fonte: CPS - FGV


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redução do número de pessoas inseridas brasileira, é o que faz esta ser denominada
nas classes D e E. Como vêm elevando pelo CPS-FGV como a Nova Classe Média.
sua renda mais significantemente do Conforme os dados de 2009, no Brasil,
que a população das classes mais altas, essa faixa de renda já concentra 94,9
muitos indivíduos classificados inicialmente milhões de pessoas, o que corresponde a
nesses estratos sociais, ao aumentarem 50,5% da população, enquanto
seus rendimentos, atingem o limite do no Rio Grande do Sul é composta por cerca
critério, ingressando na classe C. Dessa de 6,5 milhões de indivíduos, significando
forma, a referida classe fica cada vez mais 59,2% do total.
volumosa, visto que a melhor distribuição
dos ganhos de renda também faz o número Por que a distribuição de renda
de pessoas próximas a seu limiar superior, está melhorando?
que passam a fazer parte das classes A e
B, ser menor do que o de indivíduos que A questão pertinente, depois de constatada
ingressam em sua base ultrapassando seu a melhoria na distribuição de renda no
limite inferior. Nesse sentido, segundo as Rio Grande do Sul e no País como um
estimativas do CPS-FGV a partir da PNAD, todo ao longo dos últimos anos, o que
entre 2003 e 2009, as classes D e E no vem fazendo a classe média ganhar cada
Brasil encolheram seu volume em cerca de vez mais importância, é identificar as
23 milhões de pessoas, enquanto a classe causas dessa transformação recente. A
C, no mesmo período, passou a englobar pertinência de tal questão está no intuito
29 milhões de brasileiros a mais. As classes de inferir se a transformação que vem se
A e B também aumentaram ao longo da observando na configuração das classes
última década, chegando a englobar 20 sociais constituiu um movimento transitório
milhões de brasileiros em 2009, de um ou se é sustentável no médio e longo prazo,
número de 13,3 milhões em 2003. tendendo a perpetuar-se no futuro. Uma
No que diz respeito ao Rio Grande do conclusão a esse respeito é extremamente
Sul em específico, uma característica relevante, pois a distribuição dos ganhos
importante de sua população é que, de renda projetados para esta década irá
diferentemente do restante do Brasil, influenciar a composição dos gastos totais
há muitos anos a classe C já possui das famílias de forma direta e indireta. Por
participação mais elevada do que as um lado, o volume e o arranjo do consumo
classes D e E somadas. Mesmo assim, das famílias que será realizado com a
o Estado acompanha o processo que se renda adicional dependem dos hábitos dos
observa no resto do País, com aceleração indivíduos que terão acréscimo de renda.
no crescimento absoluto e relativo da classe Por outro, a distribuição dos ganhos de
média desde os anos 2000, como ilustram rendimento também irá afetar a estrutura
os Gráficos 5 e 6, ao final da seção. social ao longo dos próximos dez anos, o
Simultaneamente, as classes A e B vem, da que altera os hábitos do consumidor médio
mesma forma, aumentando de importância, e modifica a composição de suas despesas
de modo que as classes D e E estão realizadas mesmo com a renda que já
reduzindo gradualmente sua participação possui atualmente.
no total da população gaúcha. No debate público, é relativamente comum
Esse desenvolvimento, que vem provocando o argumento de que o processo de reversão
um crescimento vultoso da classe C da desigualdade, que vem sendo observado
14
recentemente, está unicamente ligado aos aumento dos níveis de escolaridade que
programas assistenciais de distribuição de vem ocorrendo desde metade dos anos
renda realizados pelo Governo federal. noventa. Em outras palavras, apesar da
Tendo em vista a criação e ampliação do baixa qualidade do ensino no País, a
programa Bolsa Família nos últimos anos e elevação dos níveis de escolaridade dos
que o salário mínimo, que carrega consigo pobres gera um aumento de produtividade,
os benefícios de menor valor da previdência que permite que os indivíduos possam
social, mais do que triplicou desde 2000, empregar-se formalmente e receber maiores
as classes D e E estariam aumentando suas salários. Assim, não são apenas as políticas
rendas mais rapidamente do que as classes sociais de transferência de renda ou a
A, B e C. Nesse caso, o processo não seria expansão do crédito que têm sustentado o
autossustentado, visto que o aumento de crescimento da renda e do consumo, mas,
renda das classes mais pobres poderia ser principalmente, o efeito da escolaridade.
transitório, sendo revertido caso as políticas O Gráfico 4 ilustra o desenvolvimento
assistenciais, principalmente o Bolsa educacional no caso específico do Rio
Família, chegassem ao fim. Grande do Sul, apresentando a evolução
O estudo intitulado “A Nova Classe Média”, do nível de escolaridade média desde
do CPS-FGV, mencionado anteriormente, 1992, bem como as projeções para esta
na seção que visa explicar os ganhos década. É possível identificar claramente
de renda das famílias mais pobres, a tendência de elevação do número de
avaliando a importância de diferentes anos de estudo ao longo das últimas
fatores, contudo, indica que pouco mais décadas e esse é o principal fator que
de 30% da redução da desigualdade está vem alimentando os ganhos de renda das
associada aos programas assistenciais e classes mais pobres. Em termos de previsão,
às transferências via previdência social. o cenário para a educação média nos
Em contrapartida, esse estudo indica que próximos 10 anos foi construído de forma
a maior parte dessa redução deve-se ao parcimoniosa, projetando a continuidade

Gráfico 4 – Nível de escolaridade (média de anos de estudo) no Rio Grande


do Sul - população com idade superior a 25 anos
10
8,80
9
8,21
8 7,63
7,02
7
6,16
6
5

3
2 NEGÓCIOS
OS
1992
1993
1994
1996
1997
1998
1999
2001
2002
2003
2004

2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020

RE
OB
S
TO

Fonte: CPS-FGV a partir de microdados da PNAD


AC

Projeção: Assessoria Econômica - Fecomércio-RS


MPI
EU

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RIO GRANDE DO SUL 2020: O NOVO CENÁRIO SOCIOECONÔMICO


da tendência de caráter linear que se os níveis de escolaridade devem continuar
observa nos últimos anos. No entanto, progredindo, esse processo também não
há grandes chances de que as taxas de é transitório. Assim, deve-se continuar
crescimento daqui em diante passem a observando nesta década um avanço, de
ser maiores a cada ano, devido ao efeito maior intensidade caso aprimore-se ainda
multiplicador característico da educação, mais a qualidade do ensino, no que diz
de forma que o cenário construído neste respeito a uma distribuição mais equânime
trabalho contempla o mínimo que pode ser da renda entre as classes sociais.
esperado em termos de ampliação do nível Nesse sentido, a tendência de aumento de
médio de escolaridade. participação das classes A, B e C deve ser
Conclui-se, então, que, devido às razões mantida ao longo dos próximos dez anos,
que o alimentam, o processo de diminuição tanto no Rio Grande Sul quanto no Brasil
da desigualdade não é reversível e a melhor como um todo. Em decorrência, as classes
distribuição da renda que já se observa hoje D e E irão perder importância em relação
é um elemento permanente na configuração às demais, devendo desaparecer em um
social das populações gaúcha e brasileira. futuro não muito longínquo. Os Gráficos
Os indivíduos mais pobres dedicaram 5 e 6 ilustram esse processo no caso do
mais tempo à sua educação e ganharam Estado, apresentando as projeções para
produtividade, podendo empregar-se e a estrutura social da população gaúcha
receber salários melhores por suas horas de nesta década. Até 2020, a classe C, a
trabalho, o que, consequentemente, elevou Nova Classe Média Gaúcha, irá representar
sua renda. Ademais, tendo em vista que quase 70% do total de habitantes,

Gráfico 5 – Participação percentual das classes sociais no total


da população gaúcha (%)
68,35
70

60

50

40
28,78
30

20

10
2,87
0
1992

1995

1997

1999

2002

2004

2006

2008

2010

2012

2014

2016

2018

2020

AB C DE

Fonte: CPS-FGV a partir de microdados da PNAD


Projeção: Assessoria Econômica - Fecomércio-RS

16
Gráfico 6 – Pirâmides sociais do Rio Grande do Sul (número de
habitantes por classe social)

1.114.545 1.756.206 3.282.570

5.165.213 6.476.144
7.795.819

3.909.058 2.463.181

327.344

2001 2010 2020

AB C DE

Fonte: IBGE e CPS-FGV a partir de microdados da PNAD


Projeção: Assessoria Econômica - Fecomércio-RS

englobando um número próximo de 8 na classe média irá comportar-se como


milhões de indivíduos. As classes A e B os indivíduos que anteriormente já se
somadas, já por volta de 2013, irão se encontravam nela, adaptando seus hábitos
tornar mais volumosas do que as classes e alterando sua cesta de consumo. Dessa
D e E juntas, que até o fim do período forma, o processo de desenvolvimento que
de projeção responderão por uma fatia se está observando, com a classe média
muito pequena da população gaúcha, absorvendo um número expressivo de
concentrando pouco mais de 300 mil indivíduos a cada ano transcorrido, altera
pessoas, frente às quase 3 milhões que as tanto o volume total quanto a composição
compõem atualmente. Consequentemente, dos gastos das famílias em bens e serviços.
as classes A, B e C irão deter, praticamente, Com o aumento de renda, a classe média
a totalidade do poder de compra das irá não só englobar um número maior de
famílias gaúchas em 2020. pessoas, como concentrará um poder de
As projeções desenvolvidas neste compra ainda maior. Dito de outra forma,
trabalho baseiam-se na hipótese de existirão mais pessoas com hábitos de classe
que os indivíduos apresentam, em um média, mas, adicionalmente, essas pessoas
período qualquer, hábitos de consumo possuirão mais renda do que possuem
que dependem, além de sua faixa etária, atualmente e, em consequência, irão NEGÓCIOS
OS

exclusivamente da classe social em que consumir mais, de forma que seus hábitos
RE
OB

estão inseridos naquele período. Em irão ditar a composição de grande parte do


S

outras palavras, um indivíduo pobre que volume total de gastos das famílias gaúchas,
TO
AC

sofre um aumento de renda e ingressa valendo o mesmo para as classes A e B.


IMP
EU

17
ES

RIO GRANDE DO SUL 2020: O NOVO CENÁRIO SOCIOECONÔMICO


3 \ Projeções para o consumo das famílias

C
onsiderando todos os aspectos • O nível de escolaridade da população
delineados ao longo do trabalho, com idade superior a 25 anos chegará a 8,8
referentes às perspectivas para anos de estudo em 2020;
o Rio Grande do Sul nestes próximos dez
• Em âmbito nacional, o volume de crédito
anos, apresenta-se as projeções a respeito
atingirá 60% do PIB em 2020; e
do comportamento, em termos de volume e
composição, do gasto das famílias gaúchas • Os preços relativos devem ser constantes.
nesse período. Tais projeções são baseadas Em geral, os resultados indicam um crescimento
em hipóteses cuja maioria já foi citada nos maior dos gastos familiares em serviços do que
cenários formulados ao longo do trabalho. com a aquisição de bens. Nesse sentido, tendo
Em resumo, as hipóteses básicas do trabalho em vista a ampliação da renda e o aumento de
são as seguintes: escolaridade, diversos segmentos de despesa
com serviços devem passar por aumentos expres-
• Crescimento da renda familiar per capita
sivos nesta década, com destaque para os gastos
será de 3,5% ao ano, em média;
em educação privada. No âmbito do consumo
• O crescimento populacional de bens, o dispêndio das famílias com a aquisi-
acontecerá conforme as projeções do ção de veículos deverá ter um comportamento
IBGE e da FEE; ressaltado em relação aos outros segmentos.
18
3.1 Bens ao ano, deve passar a representar 8,9% do
O Gráfico 7 apresenta as taxas de gasto total das famílias gaúchas em 2020,
crescimento médias anuais implicadas pelas 1,7 p.p. acima do que representa hoje. Em
projeções para as despesas das famílias consonância, com um número maior de
em consumo de bens para os próximos 10 famílias pertencentes às classes média e alta,
anos e o Gráfico 8 apresenta a participação juntamente com a aquisição de veículos,
percentual, atual e projetada para 2020, deverá aumentar, em média 4,1% ao ano,
de cada segmento de despesa no total. Os a despesa com combustíveis para o veículo
resultados, em geral, são condizentes com os próprio. No contexto de uma população
efeitos das transformações já mencionadas mais rica, a despesa com joias e bijuterias
pelas quais devem passar a população e com eletrodomésticos também devem ser
gaúcha, que deve ficar mais velha e mais rica destaques de crescimento nesta década.
nestes próximos anos, com as classes D e E No entanto, mesmo aumentando de
praticamente desaparecendo. Nesse contexto, forma expressiva, os gastos com essas
no que diz respeito ao consumo de bens, a categorias de consumo não devem ganhar
lógica é que a despesa com itens duráveis, participação no total.
como eletrodomésticos, móveis e veículos, Por fim, é possível destacar que a despesa
apresente desempenho destacado em relação com bens de subsistência, como os
aos outros segmentos, tendo em vista a segmentos de alimentação, gás doméstico
situação em que já se encontra o Rio Grande e artigos de limpeza não irá, conforme as
do Sul em termos de desenvolvimento. projeções, passar por ampliação expressiva.
Dentre a segmentação contemplada pela Como já foi mencionado nas seções
POF, o grupo que deve passar por maior anteriores, o Rio Grande do Sul encontra-
crescimento é o gasto com aquisição de se em um estágio de desenvolvimento mais
veículos, que, crescendo em média 7,8% avançado do que o do País, com uma classe

Gráfico 7 – Taxas médias de crescimento anual das despesas


das famílias com bens na década de 2010

Fumo -0,08%
Gás doméstico 0,90%
Artigos de limpeza 1,65%
Alimentação 2,04%
Tecidos e armarinhos 2,92%
Calçados e apetrechos 3,77%
Roupas 3,78%
Mobiliários e artigos do lar 3,81%
Combustível 4,11%
Eletrodomésticos 4,44%
NEGÓCIOS
OS

Joias e bijuterias 6,13%


RE

Aquisição de veículos 7,08%


OB
S

Fonte: Microdados da POF – IBGE


TO
AC

Projeção: Assessoria Econômica – Fecomércio-RS


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RIO GRANDE DO SUL 2020: O NOVO CENÁRIO SOCIOECONÔMICO


média já bastante volumosa, classes D e E já decorrência de uma base de consumo maior,
bastante encolhidas e população crescendo isto é, um número maior de indivíduos
muito pouco. Dessa forma, mesmo que consumindo. Consequentemente, o
haja uma melhoria na qualidade de vida crescimento da despesa com itens básicos
de algumas famílias de classes inferiores e é limitado por diferentes fatores, devendo
de classe média, principalmente no que diz ser cada vez menor ao longo dos próximos
respeito à alimentação, os ganhos adicionais anos. As projeções indicam uma queda
de renda não tendem a ser convertidos em expressiva da participação percentual dos
despesas com bens de subsistência, visto gastos com alimentação em relação ao
que grande parte da população montante total de despesas familiares,
gaúcha já possui sua demanda por essa devido a um crescimento médio de apenas
classe de bens saciada. Por outro lado, 2,0% ao ano até 2020. Da mesma forma,
com uma taxa de crescimento populacional os gastos com artigos de limpeza e gás
muito baixa, à parte do aumento de doméstico devem elevar-se 1,7% e 0,9% ao
consumo induzido pela melhor qualidade ano, respectivamente, confirmando o que a
de vida, deve haver pouco crescimento em intuição, por si só, já indicaria.

Gráfico 8 – Participação dos principais grupos de bens no


total das despesas das famílias
15,5%

12,1%
8,9%
7,2%

3,6%

3,5%
3,1%

2,7%
2,1%
2,0%

1,9%
1,6%
1,4%

1,3%
0,5%

0,3%

2010 2020
Alimentação Aquisição de veículos
Combustível (gasolina e álcool veículo próprio) Roupas
Mobiliários e artigos do lar Eletrodomésticos
Calçados e apetrechos Fumo
Artigos de limpeza Joias e bijuterias
Tecidos e armarinhos

Fonte: Microdados da POF – IBGE


Projeção: Assessoria Econômica – Fecomércio-RS

20
3.2 Serviços são apresentadas no Gráfico 9 e a participação
As taxas de crescimento médias anuais percentual de cada grupo no montante total
implicadas pelas projeções para as despesas gasto pelas famílias, atual e projetada para
das famílias com os diferentes grupos de serviços 2020, é apresentada no Gráfico 10. Conforme

Gráfico 9 – Taxas médias de crescimento anual das despesas das


famílias com serviços na década de 2010

Água e esgoto 1,17%


Transporte urbano 1,47%
Aluguel e condomínio 2,43%
Higiene e cuidados pessoais 2,46%
Energia elétrica residencial 2,92%
Assistência à saúde 3,62%
Recreação e cultura 4,42%
Serviços pessoais 4,63%
Manutenção do lar e consertos 5,10%
Manutenção e acessórios 5,40%
Viagens esporádicas 6,11%
Telefone, TV e internet 6,38%
Educação 6,80%

Fonte: Microdados da POF – IBGE


Projeção: Assessoria Econômica – Fecomércio-RS

Gráfico 10 – Participação dos principais grupos de serviços no


total das despesas das famílias
10,0%
12,3%
5,8%

5,3%
3,6%
3,6%

3,5%
2,9%
3,1%

2,6%
2,3%

2,4%
2,3%
2,1%

2,2%

1,8%
1,8%

1,7%

1,7%
1,4%
1,4%
1,2%

1,3%
1,1%
0,7%
0,7%

2010 2020
Aluguel e condomínio Assistência à saúde
Manutenção do lar e consertos Despesas diversas
Educação Telefone, TV e internet
Manutenção e acessórios Educação e e cultura
NEGÓCIOS
Energia elétrica Higiene e cuidados pessoais
OS

Viagens esporádicas Transporte urbano


RE

Serviços pessoais
OB
S

Fonte: Microdados da POF – IBGE


TO
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Projeção: Assessoria Econômica – Fecomércio-RS


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RIO GRANDE DO SUL 2020: O NOVO CENÁRIO SOCIOECONÔMICO


as projeções, todos os segmentos de serviços estagnação do número de crianças e pelo
passarão por ampliação de consumo, porém, decaimento da quantidade de jovens,
assim como no caso do dispêndio em aquisição resultando em um crescimento expressivo das
de bens, os itens mais sensíveis à elevação de despesas com educação.
renda e de volume das classes média e alta As despesas das famílias gaúchas com serviços
sofrerão maior impacto. de assistência à saúde devem ser impactadas
O destaque em termos de serviços são pelo envelhecimento da população, crescendo
as despesas com educação, que deverão em média 3,6%. Contudo, um aspecto
crescer em média 6,8% ao ano nesta importante a ser destacado é que esse impacto
década, ultrapassando o segmento de ainda é menor do que o efeito que a elevação
televisão, telefone e Internet, chegando a da renda terá sobre outros grupos de serviços,
uma participação de 2,9% no gasto familiar. de forma que os gastos com assistência
O aumento de renda, juntamente com o à saúde deverão perder participação nas
efeito multiplicador do próprio aumento despesas totais das famílias. Nesse sentido, o
de escolaridade, deverá fazer as famílias dispêndio com segmentos como o de viagens
dedicarem uma parte maior de seus gastos à esporádicas, telefone, televisão e internet e
educação privada nos próximos anos. Cabe manutenção e acessórios passará por uma
ressaltar que esses efeitos terão magnitude elevação expressiva, enquanto os grupos
tão expressiva que prevalecerão de água e esgoto e de transporte urbano
sobre o impacto negativo exercido pela crescerão muito pouco.

22
4 \ Considerações finais
Conforme as considerações apresentadas, vale impacto favorável gerado pelo aumento de seu
destacar, por fim, que os valores apresentados público-alvo, com destaque para as despesas
para as projeções foram calculados utilizando os com bens duráveis e com serviços de saúde,
dados da mais recente POF do IBGE e, portan- que são beneficiados com a elevação do núme-
to, baseiam-se no estado atual do mercado em ro de adultos e de idosos, respectivamente.
termos de produtos e de preços relativos. Com Além disso, foi destacada a importância que
isso, essas projeções não conseguem captar vêm ganhando as classes A, B e, principalmen-
possíveis alterações nos padrões de consumo te, C, com a elevação e melhor distribuição da
decorrentes de inovações e de mudanças no renda nos últimos anos. Nesse sentido, há de se
patamar de preços em determinado grupo de entender cada vez melhor como se comportam
bens ou serviços. Essa questão é particularmente os indivíduos desses estratos sociais, visto que
importante quando se trata, por exemplo, de representarão quase a totalidade do mercado
produtos de informática, serviços de manutenção em um futuro não muito longínquo. No que diz
e consertos, telefonia e internet, entre outros gru- respeito às pessoas pertencentes às altas classes
pos cuja dinâmica de inovações é muito rápida. de renda, qualidade e marca são fatores de
Sabe-se que esse grupo de bens e de serviços grande relevância para sua decisão de consumo,
é altamente sensível ao progresso da ciência e de forma que sua demanda é menos impactada
da tecnologia, que permite o desenvolvimento pelos preços dos produtos que costumam consu-
constante de novos produtos, cuja demanda mir. Os indivíduos da classe média, por sua vez,
pode ser maior em relação ao que existe hoje, também levam em conta a qualidade na hora
além do decaimento dos preços. Dessa forma, de consumir, principalmente quando se trata de
seu consumo possui um potencial de crescimen- bens e serviços de maior valor, que não podem
to maior do que o refletido em nossas estimati- ser adquiridos por essas pessoas com frequência.
vas, que não levam em conta essas tendências. Entretanto, a classe C é muito mais sensível aos
O caso dos bens e serviços mais afetados pelo preços do que os estratos superiores, de forma
progresso tecnológico é apenas a amostra de que, além de analisar a qualidade na hora de
uma propriedade do presente estudo que já foi comprar, também leva muito em conta o custo
ressaltada anteriormente. Independentemente dos produtos que adquire. Assim, o balanço ade-
dos números apresentados para as projeções quado entre qualidade e preço é fundamental
de crescimento dos diferentes segmentos de quando o público alvo de qualquer tipo de ven-
consumo, o principal atributo deste trabalho é da compreende os indivíduos da classe média.
apresentar algumas tendências para fatores so- Em termos conclusivos, o apontamento de
cioeconômicos que possuem grande importân- algumas tendências para esta década é a maior
cia na determinação do comportamento dos contribuição que pode ser dada aos empresários
gastos das famílias no futuro. do setor terciário pelo presente estudo, servindo
Primeiramente, o trabalho chamou a atenção como um guia de orientação sobre o comporta-
para o envelhecimento rápido da população mento do volume e da distribuição das despesas
gaúcha. Contudo, no que diz respeito à identi- das famílias gaúchas ao longo dos próximos
ficação dos reflexos desse envelhecimento nas anos. As estimativas de crescimento dos diferen-
despesas das famílias, é importante destacar tes grupos de gastos, em grande parte, refletem
que ainda encontra-se em um estágio interme- essas tendências, contudo devem ser interpre- NEGÓCIOS
OS

diário, de forma se observará o crescimento tadas como aproximações, de forma que sua
RE
OB

do número de pessoas concentradas em todas concretização exata depende de diversos fatores


S

as faixas de idade superior a 20 anos. Assim, imponderáveis, que não podem ser contempla-
TO
AC

diversos tipos de bens e serviços sofrerão um dos por um exercício de previsão.


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