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Louis Althusser

Louis Althusser (Birmandreis, Argélia, 19 de outubro de 1918 — Paris, 22 de outubro de 1990) foi um filósofo francês de origem argelina - um pied-noir, portanto. Seu nome foi uma homenagem ao seu tio paterno, que havia morrido na Primeira Guerra Mundial. Segundo o filósofo, sua mãe pretendia casar-se com esse tio, mas, após a morte deste e apenas em função disso, casou-se com o pai de Althusser. Ele também acreditava ser tratado como um substituto do tio falecido pela mãe, ao que ele atribui um grande dano psicológico. Após a morte de seu pai, Althusser, sua irmã e sua mãe se mudaram para Marseille, onde ele cresceu.

Em 1937 ele se uniu ao movimento da juventude católica. Althusser era um aluno brilhante, sendo aceito no prestigiado École Normale Supérieure (ENS) em Paris. Entretanto, ele não pôde freqüentar a escola, pois estava convocado para a Segunda Guerra Mundial e, como a maioria dos soldados franceses, ficou aprisionado em um campo de concentração. Althusser era um prisioneiro relativamente feliz, permanecendo no campo até o final da guerra, ao contrário dos demais soldados, que fugiram para lutar - motivo pelo qual Althusser se puniu mais tarde.
Após a guerra, finalmente Althusser pôde freqüentar a École Normale Supérieure. Entretanto, sua saúde mental e psicológica estava severamente abalada, tendo, inclusive, recebido

a terapia de eletrochoquesem 1947. A partir de então, Althusser sofreu de enfermidades periódicas durante o resto de sua vida. A Ecole Normale Supérieure foi simpática a sua condição, permitindo que ele residisse em seu próprio quarto na enfermaria, onde ele viveu por décadas, a não ser em períodos de internação hospitalar. Marxista, filiou-se ao Partido Comunista Francês em 1948. No mesmo ano, tornou-se professor da Ecole Normale Supérieure. Em 1946 Althusser conheceu Hélène Rytmann, uma revolucionária de origem judaico-lituana, oito anos mais velha. Ela foi sua companheira até 16 de novembro de 1980, quando foi estrangulada pelo próprio Althusser, num surto psicótico. As exatas circunstâncias do ocorrido não são conhecidas - uns afirmam ter se tratado de um acidente; outros dizem que foi um ato deliberado. Althusser afirma não se lembrar claramente do fato, alegando que, enquanto massageava o pescoço da mulher, descobriu que a tinha matado. A justiça considerou-o inimputável no momento dos acontecimentos e, em conformidade com a legilação francesa, foi declarado incapaz e inocentado em 1981. Cinco anos mais tarde após a morte da sua esposa, em seu livro L'avenir dure longtemps, Althusser refletiu sobre o fato, pretendendo reivindicar uma espécie de responsabilidade por seus atos quando do assassinato, o que gerou uma polêmica entre seus correligionários e detratores, sobre tal responsabilidade ser filosófica ou real. Althusser não foi preso mas foi internado no Hospital Psiquiátrico Sainte-Anne, onde permaneceu até 1983. Após esta data, ele se mudou para o norte de Paris, onde viveu de forma reclusa, vendo poucas pessoas e não mais trabalhando, a não ser em sua autobiografia.

inspirados em Hegel e Feuerbach. O ensaio estabelece seu conceito de ideologia. Na realização ideológica. respectivamente). A ideologia. deriva dos conceitos do inconsciente e da fase do espelho (de Freud e Lacan. . sem prioridade de um centro. faz uso de um termo do filósofo da ciência Gaston Bachelard ao propor uma "ruptura epistemológica" entre os escritos do jovem Marx. é a relação imaginária. Essa renovação na explicação marxista dos processos sociais superou efetivamente os extremismos de se imputar invariavelmente a causa econômica a todos os acontecimentos sociais e políticos. ganha assim estatuto de verdade e respeitabilidade na análise social. reproduzindo as relações de produção vigentes. diferente da lógica dialética. "todos parciais". condenando idéias como o "potencial humano" e o "ser-da-espécie" (Gattungswesen). Althusser é amplamente conhecido como um teórico das ideologias. ao "todo estruturado". transformada em práticas. são tanto agentes de repressão quanto são inevitáveis . até então determinadas do discurso marxista (como o político e ideológico). também de Pour Marx.é impossível escapar das ideologias ou não ser-lhes subjugado. que relaciona o marxismo com a psicanálise. é uma forte afirmação de anti-humanismo na teoria marxista. nesse caso. o peso de instâncias decisivas. O ensaio Sur le jeune Marx. em situações políticas (uma idéia muito próxima do conceito de hegemonia de Antonio Gramsci). a interpelação. aos 72 anos. o problema do político dominando historicamente sobre (às vezes até contra) o econômico na sociedade. que são freqüentemente apresentadas por marxistas como uma superação da ideologia burguesa de humanidade. É um todo sobredeterminado com níveis e instâncias relativamente autônomas: na configuração social há. que nos marxistas anteriores significava determinação e dominância só do econômico. Althusser satisfaz. e seus textos posteriores. a fim de substituir a idéia de "contradição" por um modelo mais complexo de casualidade múltipla. para ele. A rejeição da totalidade expressiva hegeliana. negando-se a realidade dos fatos ou invertendo-se a sua lógica. são quatro categorias básicas. a sujeição e os Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE). e seu ensaio mais conhecido é Idéologie et appareils idéologiques d'état (Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado). onde a totalidade expressiva de Hegel cede lugar. No ensaio Contradiction et surdétermination. dominantes em ser determinantes. propriamente marxistas. Pensamento Diversas posições teóricas de Althusser permaneceram muito influentes na filosofia marxista . constante de Pour Marx. oriundo da psicanálise. o reconhecimento. para Althusser. Althusser usa o conceito de superdeterminação. e descreve as estruturas e sistemas que permitem um conceito significativo do eu. A rejeição dos hegelianos parte da própria negação de estruturas hegelianas em Marx. A ideologia. para Althusser. na proposta althusseriana.Louis Althusser morreu de ataque cardíaco em 22 de outubro de 1990. Em nível do econômico opera-se a rejeição da unicausalidade econômica da história e das lutas sociais atribuindo-se a instâncias. Estas estruturas. Seu ensaio Marxisme et Humanisme.

Pour Marx (1965) ou Positions (1976). juntamente com Claude Lévi-Strauss. por exemplo. também no estruturalismo marxista de Althusser sob a forma de "a instituição além das classes e soberana". Sua fama se deve também ao fato de ter cunhado o termo "aparelhos ideológicos de Estado" e analisado a ideologia como espécie de prática em toda e qualquer sociedade e não somente como erro ou engano que o suposto iluminismo eliminaria. o seu funcionamento e suas conseqüências para o movimento social. filiou-se ao Partido Comunista Francês em 1948. Marxista. trabalho de séculos dos organizadores da cultura.ou a religião -. A teoria dos Aparelhos Ideológicos de Estado constrói uma visão monolítica e acabada de organização social. onde tudo é rigidamente organizado. Não há a noção de continuidade histórica e cada fase é uma fase em si. não. a dominação burguesa só se estabiliza pela autonomia dos aparelhos (de produção e reprodução) isolados. Não há mais nenhuma alternativa a não ser a resignação ante o Estado onipresente e absolutamente dominante. de tal sorte que não sobra mais nada para os cidadãos. O mito do Estado. A visão extremamente simplista dos aparelhos ideológicos como meros agentes para garantir o desempenho do Estado e da ideologia atraiu para Althusser as freqüentes críticas de funcionalismo. Assim a igreja . Muitos manuscritos foram publicados após a sua morte dando uma imagem completa dessa obra rica. Uma excelente mas incompleta biografia foi publicada emfrancês por Yan Moulier-Boutang. tornou-se professor da École Normale Supérieure. Para ele. como entidade incorporada pelos cidadãos e como instituição acima da sociedade. Jacques Lacan. A melhor apresentação de sua obra em inglês foi feita por Gregory Elliot. conforme a época. aparece.Em seu discurso sobre a Ideologia é patente sua preocupação em encontrar o lugar da submissão espontânea. Isto se deve ao fato de que ele não inclui nas suas preocupações questionamentos. Assim os Aparelhos Ideológicos do Estado são a espinha dorsal de sua teoria. No mesmo ano. planejado e definido pelo Estado. dentro da qual as diferentes instituições se articulam. obra Althusser é considerado um dos principais nomes do estruturalismo francês dos anos 1960. apesar de seu cuidado em criticar o estruturalismo como espécie de ideologia burguesa. Michel Foucault ou Jacques Derrida. radical e contraditória Sua principal tese é o anti-humanismo teórico que consiste em afirmar a primazia da luta de classes e criticar a individualidade como produto da ideologia burguesa. sempre de forma relativa. Autor de obras lidas e traduzidas no mundo inteiro como Lire Le Capital (1965). . sobre o surgimento desses aparelhos ideológicos e sobre sua lógica. A dimensão da "tradição de todas as gerações mortas que oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos" (Marx) desaparece. não é o resultado de uma sedimentação histórico-cultura de idéias e visões do mundo. a igreja é a instituição e seu funcionamento só é captado dentro da lógica respectiva do momento analisado.

O Aparelho de . e descreve as estruturas e sistemas que permitem um conceito significativo do eu. O livro reflete sobre o status filosófico da teoria marxista como "crítica da Economia política" e sobre sua finalidade. a fim de substituir a idéia de "contradição" por um modelo mais complexo de casualidade múltipla. não é assegurada em definitivo pela "ruptura epistemológica": esta ruptura não é um evento determinado cronologicamente. respectivamente). também originário do conceito gramsciano de hegemonia. faz uso dum termo do filósofo da ciência Gaston Bachelard ao propôr uma "ruptura epistemológica" entre os escritos do jovem Marx. que coleta a análise de Althusser e seus estudantes durante uma releitura filosófica d'O capital de Karl Marx. inspirados em Hegel eFeuerbach. Ao invés de uma vitória assegurada. O ensaio estabelece seu conceito de ideologia. condenando idéias como o "potencial humano" e o "ser-da-espécie" (Gattungswesen). constante de Pour Marx.Os primeiros trabalhos de Althusser incluem o volume Lire le Capital. extorquindo desta última a mais-valia. são tanto agentes de repressão quanto são inevitáveis . Seu ensaio Marxisme et Humanisme. que são frequentemente apresentadas por marxistas como uma superação da ideologia burguesa de humanidade. propriamente marxistas. Estas estruturas. uma máquina de repressão que permite às classes dominantes assegurar a sua dominação sobre a classe operária. termo que compreende não somente o aparelho especializado. em situações políticas (uma idéia muito próxima do conceito de hegemonia de Antonio Gramsci). em última análise. ou filosofia. Diversas posições teóricas de Althusser permaneceram muito influentes na filosofia marxista. Os Aparelhos Ideológicos de Estado O Estado A tradição marxista concebe o estado como um aparelho repressivo. essencial da teoria marxista do Estado O Estado (e sua existência em seu aparelho) só tem sentido em função do poder de Estado (manutenção ou tomada do poder de Estado). o Aparelho de Estado. também de Pour Marx. O ensaio Sur le jeune Marx. antes de qualquer coisa. e seus textos posteriores. por forças políticas. No ensaio Contradiction et surdétermination. o Chefe de Estado. muito embora eles sejam duas coisas distintas entre si. a ideologia se deriva dos conceitos do inconsciente e da fase do espelho (de Freud e Lacan. oriundo da psicanálise. mas também o exército (que intervém como força repressiva de apoio em última instância). definindo o Estado como força de execução e de intervenção repressiva a serviço da "classe dominante". Ao passo que a hegemonia é determinada. é uma forte afirmação de anti-humanismo na teoria marxista. A distinção entre ideologia e ciência. mas sim um processo. e seu ensaio mais conhecido é Idéologie et appareils idéologiques d'état (Notes pour une recherche). para Althusser. Althusser também é amplamente conhecido como um teórico das ideologias.é impossível escapar das ideologias ou não ser-lhes subjugado. O Estado é. tem-se uma luta contínua contra a ideologia: "A ideologia não tem história". o Governo e a Administração. Althusser usa o conceito de superdeterminação.

Gramsci também o fez: para ele. à utilização do Aparelho de Estado pelas classes. o da destruição do Estado (fim do poder de Estado e de todo Aparelho de Estado). Repressivo porque o Aparelho de Estado em questão funciona através da violência (física ou não. AIE cultural (Letras. etc. AIE jurídico. trataram do Estado como uma realidade mais complexa do que a definição da teoria marxista do Estado.  O proletariado deve tomar o poder do Estado para destruir o aparelho burguês existente. Gramsci não sistematizou suas intuições. Os Aparelhos Ideológicos de Estado designam realidades que se apresentam na forma de instituições distintas e especializadas. o rádio. o exército. como a violência administrativa). AIE político (o sistema político. substituí-lo em uma primeira etapa por um aparelho de Estado completamente diferente (proletário) e elaborar nas etapas posteriores um processo radical. a prisões. o Aparelho (repressivo) de Estado compreende o governo. Entretanto. AIE escolar (o sistema das diferentes escolas públicas e privadas). conseqüentemente. a polícia. AIE de informação (a imprensa. São eles:         AIE religiosos (o sistema das diferentes Igrejas). a televisão. esportes. porém. os tribunais. [editar]Os Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE) Os clássicos do marxismo.). em sua prática política. Deve-se distinguir o poder de Estado do Aparelho de Estado.Estado pode permanecer de pé sob acontecimentos políticos que afetem a posse do poder de Estado. AIE sindical. compreendendo também um certo número de instituições da sociedade civil. o Estado não se resumia ao Aparelho (repressivo) de Estado. AIE familiar. Para os clássicos do marxismo:    O Estado é o Aparelho repressivo do Estado. não a exprimiram numa teoria correspondente. que permaneceram no estado de anotações. etc. Na teoria marxista. etc. os diferentes Partidos). O objetivo da luta de classes diz respeito ao poder de Estado e. consistindo nos seguintes pontos essa diferença: . Os Aparelhos Ideológicos de Estado não se confundem com o Aparelho (repressivo) de Estado. a administração. pelo menos em situações limite. Belas Artes.).

Gramsci também chegou a essa conclusão. de forma duradoura. os Aparelhos Ideológicos de Estado funcionam todos predominantemente através da ideologia. sendo a Igreja o dominante. Então. resultando também . deter o poder do Estado sem exercer sua hegemonia sobre e nos Aparelhos Ideológicos de Estado simultaneamente. Comprovando sua afirmação. estando além do Direito. dissimulada ou simbólica. A partir dessa afirmação. De fato. Os Aparelhos Ideológicos de Estado moldam por métodos próprios de sanções. o número dos Aparelhos Ideológicos de Estado era maior. distingue-se o poder de Estado do Aparelho de Estado. exclusões e seleções não apenas seus funcionários. de informação e de cultura. Apesar de sua aparência dispersa. o qual compreende dois corpos: o corpo das instituições que constituem o Aparelho Repressivo do Estado e o corpo das instituições que representam a unidade dos Aparelhos Ideológicos de Estado. dispor do Aparelho (repressivo) de Estado. o Aparelho Ideológico de Estado escolar. nenhuma classe pode. além de deter o poder do Estado e. pois a distinção entre o público e o privado é intrínseca ao Direito burguês e o domínio do Estado lhe escapa. Althusser e a Educação . o que importa é o seu funcionamento e instituições privadas podem funcionar perfeitamente como Aparelhos Ideológicos de Estado. todo Aparelho Ideológico de Estado concorre – cada um da maneira que lhe é própria – para um mesmo fim. A Revolução Francesa resultou não apenas na transferência do poder do Estado para a burguesia capitalista comercial. a maior parte dos Aparelhos Ideológicos de Estado remete ao domínio privado. enquanto que os Aparelhos Ideológicos de Estado funcionam predominantemente através da ideologia e secundariamente através da violência. Tais instituições privadas podem ser consideradas Aparelhos Ideológicos de Estado. de modo a permitir ao proletariado soviético que se apropriara do poder garantir o próprio futuro da ditadura do proletariado e a passagem para o socialismo. constantemente combinam suas forças. de forma bastante resumida. Não importa se as instituições que compõem os Aparelhos Ideológicos de Estado são públicas ou privadas. a classe dominante também é ativa nos Aparelhos Ideológicos de Estado. entre outros. conseqüentemente. que é a reprodução das relações de produção.  O Aparelho Repressivo de Estado funciona predominantemente através da violência e secundariamente através da ideologia. O Estado (da classe dominante) não é nem público e nem privado.O Aparelho Ideológico de Estado escolar No passado. Atualmente. seja ela atenuada. que é unificada sob a ideologia da classe dominante. Embora diferente. enquanto que existe uma pluralidade de Aparelhos Ideológicos de Estado. sendo a condição de distinção entre estes dois últimos. como também as suas ovelhas. Existe um único Aparelho (repressivo) de Estado.  Enquanto que o Aparelho (repressivo) de Estado pertence inteiramente ao domínio público. pois neles a classe no poder não dita tão facilmente a lei quanto no Aparelho (repressivo) de Estado e também porque a resistência das classes exploradas pode neles encontrar formas de se expressar. reunindo funções religiosas. escolares. isto é. Althusser alerta para a preocupação de Lênin em revolucionar. das relações de exploração capitalista. pode-se concluir que os Aparelhos Ideológicos de Estado são meios e também lugar da luta de classes. Assim.

enquanto o Aparelho Ideológico de Estado político ocupava o primeiro plano no palco. o papel da educação e suas operações são determinados fora dela. a ciência. identificados com o marxismo. a matemática. O enfoque crítico-reprodutivista enfatiza o aspecto político em detrimento da técnica. Mas enquanto este último analisa a conservação do "equilíbrio social". denunciando o caráter reprodutor da escola. Eles questionam tão pouco que pelo próprio devotamento contribuem para manter e alimentar essa representação ideológica da escola. mas também direcionam os alunos para postos diferenciados na força do trabalho (Giroux. na base econômica da sociedade – perspectiva um tanto próxima a da de Bourdieu embora este último tenha incluído a especificidade da reprodução do capital simbólico. assim. críticos da sociedade capitalista. as contradições inerentes e necessárias ao capitalismo. já que em Althusser a educação tem uma papel tão fundamental quanto em Durkheim. Althusser busca a ruptura. o que é ainda pior. E nenhum outro Aparelho Ideológico de Estado dispõe de uma audiência obrigatória por tanto tempo (6h/5dias por semana) e durante tantos anos . Na verdade. filosofia). Althusser tradicionalmente se afirmava como marxista. formas de conhecimento. estando espremido entre o Aparelho Ideológico de Estado familiar e o Aparelho Ideológico de Estado escolar.no ataque ao Aparelho Ideológico de Estado número um . reproduzindo. educação cívica. 1988). Para Althusser. substituída em seu papel dominante pelo Aparelho Ideológico de Estado escolar. a revolução. onde a escola da maioria reduz-se totalmente à inculcação da ideologia dominante. contra o sistema e contra as práticas que os aprisionam. na coxia o Aparelho Ideológico de Estado escolar foi estabelecido como dominante pela burguesia. enquanto as elites se apropriam do saber universal nas escolas particulares de boa qualidade. A maioria nem sequer suspeita do trabalho que o sistema os obriga a fazer ou. A escola é vista como reprodutora porque fornece às diferentes classes e grupos sociais. . mas seu modo de pensar a educação também pode ser enquadrado na perspectiva funcionalista-durkheimiana. raros são os professores que se posicionam contra a ideologia. a história) ou simplesmente a ideologia dominante em estágio puro (moral. a literatura. Segundo Althusser. Os crítico-reproduvistas denunciam o caráter perverso da escola capitalista. põem todo o seu empenho e engenhosidade em fazê-lo de acordo com a última orientação (os métodos novos). defensores do ideário de Maio de 1968. Teoria Crítico-Reprodutivista Althusser foi o primeiro crítico-reprodutivista no qual a teoria crítico-reprodutivista foi proposta (em suas várias vertentes) por teóricos franceses de esquerda. A escola se encarrega das crianças de todas as classes sociais desde a mais tenra idade. inculcando nelas os saberes contidos da ideologia dominante (a língua materna.a Igreja -. que hoje faz da Escola algo tão natural e indispensável quanto era a Igreja no passado. habilidades e cultura que não somente legitima a cultura dominante.precisamente no período em que o indivíduo é mais vulnerável.

deixando os educadores de esquerda que atuem em sociedades capitalistas sem perspectivas: sua única alternativa honesta seria abandonar a ação educacional. Bourdieu/Passeron e Baudelot/Establet de crítico-reprodutivista. Por isso. Althusser. Saviani rotula as teorias de Althusser. erroneamente que. Aparelhos Ideológicos de Estado. ao mesmo tempo em que é por elas determinada. a educação apenas e tão somente reproduz os interesses do capital. O Período Critico-Reprodutivista brasileiro foi um período de avanço da consciência ingênua dos educadores para uma concepção mais crítica da educação escolar. L. . Limita-se apenas a constatar que é assim e não pode ser de outra forma. dada uma sociedade capitalista. Ela pressupõe. além de combater qualquer uma que se apresente".A perspectiva crítico-reprodutivista se revela capaz de fazer a crítica do existente. de explicitar os mecanismos desse existente. 1998. Rio de Janeiro: Graal. a teoria pedagógica crítico-reprodutivista erra porque acredita que a educação não tem poder de determinar as relações sociais. ela "não apresenta proposta pedagógica. mas não tem proposta de intervenção na realidade. Segundo ele. 7ª ed. P. que seria sempre "necessariamente reprodutora das condições vigentes e das relações de dominação (características próprias da sociedade capitalista)".