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Nutrição e Qualidade de Carcaça em Frangos de Corte

Antonio Gilberto Bertechini Professor Titular UFLA bertechini@ufla.br Introdução

A avicultura de corte tem evoluído muito nos últimos anos, graças ao trabalho de engenharia genética, manejo e nutrição dessas aves, aliado ao incremento constante observado no consumo de carne de aves pelos consumidores modernos, com grande apelo pela sua qualidade. Outro fato interessante, é que o incremento do consumo de carnes tidas como brancas é constante e existe uma clara preferência pelas carnes de aves pelos consumidores modernos. Estes fatos têm levado a primeira ordem de preferência de escolha de carnes pelos consumidores, onde a aparência, a qualidade higiênico-sanitária, a apresentação, o sabor e a saúde são fatores considerados. Na área da genética, a evolução se deu na velocidade de crescimento, na melhoria da eficiência alimentar e no rendimento de cortes nobres dessas aves, resultando em menores custos de produção comparativamente a outras carnes. A necessidade de maiores rendimento de partes nobres implicou na necessidade de desenvolvimento de trabalhos não só da genética, mas também da nutrição para adequar as rações dessas aves voltadas a estes rendimentos. Nos aspectos de nutrição, os estudos se concentram na adequação dos níveis de aminoácidos e da energia das rações. O frango moderno apresenta comportamento de hiperfagia, característica imprimida pelo melhoramento genético, que resulta também na maior velocidade de crescimento dessas aves. Este comportamento leva a maiores consumos de energia que podem comprometer a qualidade da carcaça, aumentando a deposição graxa, principalmente na região abdominal. Pesquisas evidenciam este fato

Existe correlação . Quanto aos níveis protéicos. Garcia et al. As pesquisas indicam correlações diversas entre nutrientes da ração e composição da carcaça.. O resultado indicou modificação significativa somente para a mastigabilidade da carne de peito. Silva et al. Pesquisa de Bertechini et al.. Alguns trabalhos têm sido realizados sobre o efeito de ingredientes específicos e a qualidade da carcaça dos frangos de corte. 2003) e os estudos atuais se concentram nos relacionamentos de aminoácidos com a energia. 1998. (2008) indicam elevação dos teores de gordura abdominal com o incremento da energia das rações finais de frangos de corte criados até 42 dias de idade. Para gordura. mantendo a relação aminoácido/energia constante. sendo mais mastigável para as aves que receberam a ração a base somente de milho como fonte energética. sendo que para as demais medidas não houve diferenças significativas.. Na maioria dos trabalhos. O aminoácido lisina tem sido objeto de muitos trabalhos relacionando níveis com rendimento de cortes nos frangos de corte. tem-se evidenciado a sua importância principalmente para o rendimento de peito dessas aves. se a mudança de ingredientes das rações poderia causar algum efeito na análise sensorial das carcaças dos frangos de corte? Para responder esta pergunta. Bartov & Plavnik. todo excesso de nutrientes carbonados são acumulados na forma de gordura orgânica. tem-se verificado a necessidade de uma quantidade mínima desse nutriente para manter baixos os teores de gordura abdominal (Silva et al.(Bertechini et al. A utilização de gordura vegetal ou animal também pode afetar as características sensoriais da carne dos frangos de corte. Os níveis de energia da ração afeta o rendimento da carcaça e os teores de gordura abdominal nos frangos. (2005) realizaram um experimento com substituições do milho pelo sorgo e avaliaram as características sensoriais das carcaças das aves. (1991) e de Barbosa et al. Este efeito é reduzido quando se faz a adequação dos níveis de proteína/aminoácidos quando se eleva o conteúdo de energia das rações. verifica-se correlação negativa entre os teores de umidade e gordura na carcaça. Por outro lado. 2003). O questionamento seria. ocorrendo também este efeito com níveis excessivos de proteína nas rações finais de criação dos frangos de corte. 1991.

o óleo de linhaça tem fatores anti-nutricionais que impede o seu uso direto devendo ser processado para as neutralizações necessárias evitando problemas nutricionais na ave. (2004) conseguiram elevar os conteúdos de ácidos graxos poliinsaturados (PUFA) da série ômega-3 no peito de frangos alimentados com dietas contendo níveis crescentes de óleos ricos nestes ácidos. podendo alterar as características sensoriais da carcaça. Bertechini e Bressan (2004) conseguiram elevar os conteúdos de EPA e DHA na carne de peito de frangos de dez (linolênico). Rosa. Os principais ácidos graxos desta série para a saúde humana são os de maior cadeia carbônica. Ao mesmo tempo. Por outro lado. Cortinas et al. . sete (EPA) e cinco (DHA) vezes os conteúdos normais com o uso de uma mistura de óleos PUFA-ômega-3 de até abate. presente em altas concentrações (45%) no óleo de linhaça e pequenas concentrações nos óleos de canola (10%) e soja (8%) segundo Bertechini (2006). principalmente provenientes do ácido graxo linolênico. 3% nas dietas de frangos de corte 15 dias antes do Considerações Finais • A nutrição tem influência fundamental na qualidade da carcaça dos frangos de corte.positiva entre o tipo de gordura consumida e a depositada. A exemplo disso. existe pequena biossintese desses ácidos normalmente no sistema hepático dos frangos de corte. Esses ácidos possuem propriedades benéficas relacionados com os fenômenos cardio-vasculares. Os ácidos graxos EPA (eicosapentaenóico) e DHA (docosaexaenóico) são os principais e são fornecidos aos peixes de águas frias pelo consumo de algas dessas regiões. Assim. o consumo de gorduras mais saturadas. e são provenientes de óleos de peixes de águas frias. pesquisas de enriquecimentos da carne com ácidos graxos da série ômega-3 tem sido realizadas com sucesso. Em trabalhos de enriquecimento de carcaças de frangos de corte com ácidos ômega-3. também leva a deposições semelhantes ao perfil do consumo. • A ingestão em excesso de energia e o desequilíbrio nutricional das dietas são os fatores que mais afetam a qualidade da carcaça dos frangos de corte modernos.

UFLA.G.. In: Bertechini (2006).T. e Zoot.• O consumidor moderno tem aumentado sua exigência por qualidade de produto.V. A... Garcia.I.. Nutrição de Monogástricos. 83:1155-1164.. 2006.Galobart. Fatty acid content in chicken thigh and breast as affected by dietary polyunsaturation level. 77:680-688. & Bertechini.G..I. de Zoot. et al. Rostagno. Figueiredo. 267-280. Bras. Revista Bras. Villaverde. 2005. C. Nascimento. Ed. C. Moderate excess of dietary protein increases breast meat yield of broiler chicks.L. Albino. Costa. J. F. Vet.A.C. Estudo de enriquecimento de carcaça de frangos de corte com ácido graxos da série ômega-3. 1998. Bressan..S. A. & Plavnik. A. 20(3). Barbosa. Revista Brás. et al. devendo os produtores se adequarem para o atendimento desse quesito. P. 2004.G. Arq. Bartov. H. et al. L.. 1991 Bertechini. 2003. A.R. 57(5):634-643.. de Zoot.V. Revista SBZ.J. Mendes. R..F. F. C. J. Cortinas. L. MG... Batista. Poultry Sci. Efeitos de programas de alimentação e níveis de energia da ração sobre o desempenho e a carcaça de frangos de corte.. et al. 2008. Soares.37: 849-855. Referências Bibliográficas Bertechini. Níveis de energia metabolizável em rações para frangos de corte mantidos em ambiente de alta temperatura. A. Méd.. 32:344-352. Poultry Sci. Estimativas da composição anatômica da carcaça de frangos de corte com base no nível de proteína da ração e peso da carcaça. . 303 p. Rosa. Silva. Lavras.H.G. Desempenho e qualidade da carne de frangos de corte alimentados com diferentes níveis de sorgo em substituição ao milho. J... A.