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Instituto de Letras e Ciências Humanas

Paulo Henrique Veloso Ferreira da Silva

Peter Singer e os seus críticos

Trabalho realizado no âmbito da disciplina Seminário de Estudo Orientado V Licenciatura em Filosofia

Fevereiro de 2010

ÍNDICE

Introdução................................................................................................3 1. Origem da problemática.......................................................................5 2. Perscrutando seu pensamento............................................................7 3. Sed Contra.........................................................................................10 3.1. Albert Schweitzer......................................................................12 3.2. Aldo Leopold.............................................................................15 3.3. Jane Maschio...........................................................................17 4. Bibliografia.........................................................................................20

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na Sorbonne. (O comentário citado encontra-se na contra-capa do livro.INTRODUÇÃO Para melhor introduzir este trabalho sobre o pensamento de Peter Singer e de seus críticos. a ignorância. transmitidos de geração em geração durante séculos e ensinados pela Igreja Católica Apostólica Romana. p. acreditando que esta poderia resolver todos os seus problemas. aquando do desmoronamento das torres gémeas em consequência do atentado realizado. Porém. eliminando “a dor. OLIVEIRA. a perspectiva começou a tornar-se mais sombria: as guerras. a perda da inocência pela revolução sexual. em Abril de 1974. os problemas sociais e todos os outros que foram surgindo parecem servir de prova de que a revolução dos costumes e 1 Cf. à medida que o século caminhava para o seu ocaso. Editora Retornarei. mas pela importância dos acontecimentos nele ocorridos e pela velocidade com que estes se deram. na qual faz a seguinte análise do séc. marcar o seu início em 1889. Ele considera ter sido este século. ano da inauguração da Torre Eiffel. as revoluções de Maio de 68.89. 3 . recentemente publicada. 3 Cf.) 2 Ibid. por ocasião da Exposição Mundial. uma época histórica. o terrorismo. 2008. Idem.2 A leitura destes dois factos oferece-nos uma perspectiva elucidativa do séc. Opera Omnia. XX. as novas experiências com as drogas. São Paulo. o mundo vibrava com as promessas da ciência. especialmente no que tange à crença na ortodoxia e autenticidade da moral e dos bons costumes. 4 Ibid. Alguns factos que ilustram estas tendências são o surgimento dos movimentos punk e hippie e outros movimentos civis reivindicadores de direitos para os homossexuais. etc. 2002. um ápice para a expansão destas ideias e tendências revolucionárias. pela propaganda e pela psicologia” poderia realizar “sem o sobrenatural. e o seu término em 2001. Porém se quisermos definir no tempo. não pela sua duração.1 Considera que poderíamos. enfim tudo aquilo a que chamamos efeitos do pecado original ou actual”3. Nestas. XX. Revolução e Contra Revolução. este situar-se-ia certamente entre as décadas de 60 e 70. simbolicamente.ª edição. Acreditava que sendo “dirigido pela ciência e pela técnica. verificamos um impulso vigoroso de rejeição de todo e qualquer legado da tradição. e a dos “cravos”. São Paulo. a felicidade definitiva do homem”4. João Scognamiglio Clá Dias. Plínio Corrêa de. a pobreza. No seu início. os crimes. 5. ocorreu-me expôr uma consideração feita pelo Mons. em Portugal. num certo sentido. a insegurança. Editora Retornarei.

como o da existência de Deus. tendo iniciado a sua carreira académica em 1971. avaliar bem a geração de que são fruto. é bem característica da época. Por isso é fundamental. antes considerados como indubitáveis. em 1975. foi testemunha e actor deste movimento entusiástico de “libertação” e de rejeição da tradição. Peter Singer. A forma categórica com que contesta certos princípios. o da dignidade humana e da superioridade do homem ao resto da criação.mentalidades não constituíra a solução. 30 anos depois. o da inviolabilidade da vida humana. Porém. há muito esquecidos. leccionando ética na Universidade de Oxford. na análise das suas teorias. escreveu o seu livro “Libertação Animal”. Averiguemos a plausibilidade das mesmas… 4 . o do respeito pelo matrimónio. Começa-se a pensar a hipótese de readoptar os valores. há diversas objecções que são levantadas à sua teoria. no auge do qual.

ELLIOTT. 2009] 8 Cf. MASON. ou da grande maioria das pessoas da campanha contra investigação animal. para tornar beneficiados mais seres humanos do que o número de Judeus 5 6 Cf. eu penso que se o senhor coloca um caso como esse. se tornar um best-seller: linguagem pouco académica e portanto mais acessível. o filósofo e bioético australiano Peter Singer publicou o seu livro “Libertação Animal”. p. Cf. declarou: “(Os seus comentários) certamente não representam a visualização da SPEAK. p.. cuja investigação. Judy. o seu livro levou Ingrid Newkirk e Alex Pacheco. obviamente eu tenho de concordar que foi uma experiência justificável. 177. Isso é um título que lhe foi atribuído pela media. 7 Cf. WALSH. in Vegetarian Times. Father of animal activism backs monkey testing. Singer afirmou: “Bem. e contava com os principais factores requeridos para.5 O livro chegou mesmo a ser apelidado de “a bíblia dos direitos dos animais”. tema polémico e propostas empolgantes. a considerarem-no como o “pai do movimento de libertação dos animais”.abolitionistapproach. Ibidem.6 Porém em 26 de Novembro de 2006. perante uma exposição do Dr. Research ethics: a reader. pelos Nazis. Tipu Aziz. <Disponível em http://www. do movimento People for the Ethical Treatment of Animals. O livro prometia constituir uma base filosófica sólida para permitir o desenvolvimento das actividades dos mesmos movimentos. ORIGEM DA PROBLEMÁTICA Quando em 1975.”8 Outros fazem ainda mais sérias acusações: «Não há ninguém no movimento dos direitos dos animais que veja Peter Singer como o pai do movimento moderno de direitos dos animais. permitiu desenvolver técnicas de tratamento de doentes com Parkinson.1.”7 Os meios de comunicação social fizeram ecoar esta resposta e as manifestações de desacordo não se fizeram esperar. IDEM. Jim. a partir de experiências com macacos.pdf> [Consulta em: 6 Nov. 273. 5 . Mel Broughton. Deni e STERN. um dos líderes da campanha SPEAK (a voz dos animais). Gareth. pelo seu carácter de ruptura absoluta com os princípios anteriormente reconhecidos. naquela década. um neurocirurgião de Oxford. [Em linha]. Juntamente com a sua militância na ALRM (animal liberation/ rights movement).com/media/links/p5/the-sunday. rejubilaram-se os integrantes dos movimentos defensores dos direitos dos animais. por ele ter escrito um livro intitulado “Libertação Animal”». em campos de concentração. e mesmo alguns antigos admiradores afirmam: «O senhor Singer nunca acreditou em direitos dos animais pois é um utilitarista que presumivelmente concordaria em que fossem feitas experiências em Judeus. “In print”.

Ele é o mesmo homem que defende que se pode matar crianças deficientes em circunstâncias nas quais. não se pode mantê-las vivas sem que isso seja um fardo para os pais.mortos. Como explicar estas recentes acusações? Em 1975. entendido erroneamente o pensamento de Singer ou tê-lo-iam aceite por ver nele o apoio imediato de que necessitavam? Fará ainda sentido considerar Peter Singer o “pai da libertação animal”? Quais são as alternativas actuais na defesa dos direitos dos animais? Entram estas em contradição com o utilitarismo singeriano? Para mais acertadamente respondermos a estas questões analisemos as suas próprias afirmações… 9 Cf. teria Singer utilizado o pretexto dos direitos dos animais para dar um invólucro simpático às suas convicções utilitaristas? Teriam os defensores dos direitos dos animais. por ser visto pelos utilitaristas como sendo para um maior bem. IDEM. em 1975. então de certa forma isto seria aceitável. Ibidem.»9. 6 .

7 . p. p. segundo ele. pois para Singer “o limite da senciência… é a única fronteira defensável de preocupação relativamente aos interesses dos outros”.000 exemplares. p. SINGER. Ryder. Animal Liberation.. 2. Cf. os princípios que o orientaram para elas. surge a denúncia de que os maus tratos para com os animais são fruto de uma suspensão da consciência moral em relação a estes. p. Peter. pois. e de outro. do que o benefício de qualquer outro indivíduo. Libertação Animal. mas aplicada à discriminação entre espécies. Singer partilha o ponto de vista do filósofo Inglês Henry Sidgwick (1838-1900). Nesta abordagem filosófica. 1990. SINGER. Op. 2. Porto: Via Óptima. 177. procuraremos não apenas considerar apenas as conclusões a que chega em seu livro sobre o tratamento para com os animais. com um número considerável de integrantes. 11 12 Cf. nota de rodapé 4. para significar uma deficiência da formação moral dos indivíduos.ª ed. SINGER. Com efeito. representando a defesa filosófica de um movimento que contava. 14 Cf. animais irracionais. Ibidem. PERSCRUTANDO SEU PENSAMENTO O seu livro “Libertação Animal”. Peter. 13 SINGER. MASON. New York: Random House. Cit. 15 Cf.. os seres humanos dos demais animais.14 Para aprofundar o estudo sobre esta concepção. Singer utilizou o termo especismo. do ponto de vista (se assim se pode dizer) do Universo. para melhor formarmos uma opinião a respeito do seu pensamento. p. humanos. Peter.10 Na análise que agora faremos. já naquela época. Op. 269.8.8. 8.ª ed. Jim. 15 anos após a 1ª edição já se encontrava traduzido em 5 línguas e haviam-se vendido cerca de 300. Peter.11 ainda que nos pratos desta balança estejam de um lado.. p. O princípio que serve de pedra angular para a sua construção filosófica é o de que a consideração dos interesses numa decisão é moralmente independente da natureza dos indivíduos envolvidos. pela ideia de que a espécie humana é superior às demais." 13 Desta igual consideração de interesses. o qual havia sido cunhado por Richard D. não poderia deixar de ter tido uma impactante difusão. Jim.2. Por isso. irmã do racismo e do sexismo.15 10 Cf. Ibidem. afirma que pode ser facilmente demonstrada a superioridade de muitos dos sentidos destes em relação aos sentidos humanos.12 E esta fronteira já não divide.. 2008. procuraremos sobretudo a causa destas mesmas conclusões. Cit. baseando-se nos estudos neurológicos de Richard Sarjeant. citando-o: " O benefício de um qualquer indivíduo não tem mais importância. 177. MASON.

no plano de igual consideração de interesses. Hélio. que conduta adoptar. No entanto. A mais singela das aplicações desta teoria é a proposta de uma dieta vegetariana. mas pelo facto de a maior parte dos elementos desta espécie serem pessoas. 2nd edition.Porque o macaco pode sentir dor. SINGER. Peter. mas não pessoas. Peter. o sofrimento que os humanos teriam ao privar-se deste tipo de alimentos seria menor do que o sofrimento infligido na morte dos mesmos. admite que matar um ser humano é mais grave do que matar um animal não humano. pelo qual. para saber como agir. 91. 13. Isto o verificamos numa entrevista exclusiva. Op. independentemente da espécie a que pertençam. porém. não provocar sofrimento aos animais causando-lhes a morte para a alimentação humana. Cambridge: Cambridge University Press. e pode gozar a vida. pelo facto de possuírem uma menor capacidade de sofrer. estar num patamar inferior a animais irracionais.Assim. SINGER.16 As consequências desta teoria são as mais variadas: algumas delas satisfizeram inicialmente as exigências dos defensores dos direitos dos animais. Practical Ethics. dado não possuírem as características acima referidas. auto-conscientes e racionais. 1993.17 Outras. Cit. uma vez que. para além salvaguardar ao máximo a natureza. outras suscitaram grandes polémicas. segundo Singer. e tem uma ligação social com outros membros de sua espécie. dado serem. 8 . surge um primeiro princípio de definição de moralidade. A sua ética torna-se uma ética utilitarista. na qual encontramos as seguintes pergunta e resposta: IHU On-Line – Por que um chimpanzé tem mais direito à vida do que um feto? Peter Singer . são seres humanos. O curso de acção moralmente virtuoso é aquele que produz a maior satisfação total de preferências ou interesses. Practical Ethics. p. não por considerar que a espécie humana tenha um estatuto superior. O embrião não pode 16 Cf. dada por Peter Singer à IHU On-Line. SCHWARTSMAN. têm um colorido diferente: Em Ética Pratica. é necessário considerar com igual peso os interesses de todos os que poderão ser afectados pelas nossas acções. 18 Cf. com a finalidade de. poderão. no capítulo "Qual é o mal de matar?". ao colocar todas as espécies num mesmo amálgama.18 Deste modo. p. baseada no principio de igual consideração de interesses. pelo mesmo princípio argumenta que se deve admitir que os fetos. 17 Cf.

Ibidem. estas pessoas que têm possibilidade de salvar vidas e não o fazem. para tal. [Em linha]. Practical Ethics. 23 Cf. de sacrificar algo de importância comparável. 9 . mas ainda como consequência dos mesmos princípios.21 Entrando em outros problemas práticos. para surpresa dos defensores dos direitos dos animais. London. mas não menos controversos. Pela igualdade das espécies. o autor aborda o tema riqueza-pobreza: pondera as obrigações morais que pessoas de condição económica superior têm para com as de condição inferior. Peter.20 Já em outra âmbito. 221. O autor defende que não existe diferença intrínseca entre matar e deixar morrer e que as diferenças normalmente associadas a esta distinção. pp. 2009] 20 Cf. Heavy Petting. 24 Cf. “A Philosophical Self-Portrait”. [Em linha]. SINGER. não são senão extrínsecas. e uma vez que a pobreza absoluta é algo mau que pode ser parcialmente impedido por quem tem mais posses. SINGER.. p. afirmando que a rejeição da relação sexual entre espécies diferentes é um taboo herdado da tradição judaico-cristã. Singer dá o seu aval à eugenia e ao infanticídio contanto que estas práticas respeitem as regras da igualdade de interesses e da maximização da satisfação dos interesses.nerve. e não tem tais ligações. Singer explica como.sentir nada. 224. Peter. necessário para satisfazer as necessidades humanas básicas para si e para a família 22. SINGER. The Penguin Dictionary of Philosophy. são culpadas da morte dos outros.19 Seguindo o mesmo percurso argumentativo escreve. 231.com/opinions/singer/heavypetting/> [Consulta em: 13 de Jan. tem a obrigação de o fazer. in Thomas Mautner.com/doc/7990428/Por-uma-etica-do-alimento-Sobriedade-e-compaixao> [Consulta em: 6 Nov. Peter. sem ter. e tendo feito uma análise do mínimo contributo dado pelos países desenvolvidos aos mais de 100 milhões de pessoas em situação de pobreza absoluta. SINGER. estas pessoas têm o dever de impedi-la. Ibidem. a qual não considera uma forma de abuso sexual. p.scribd. <Disponível em http://www. 22 Cf. Peter.23 Esta tese apoia-se no silogismo pelo qual se considera que alguém que tenha possibilidade de impedir algo mau. 2010] 21 Cf. um artigo no qual apoia a pratica da bestialidade.24 19 IHU Online.. de certo modo. <Disponível em: http://www. Peter. 1997. p. 521-522. Após definir riqueza absoluta como sendo a posse de um volume significativo de rendimento. SINGER.

como ele mesmo admite em Pratical Ethics. 29 Cf. a sua argumentação utilitarista ao definir a ética em função da igual consideração de interesses e da regra de maximização da satisfação dos interesses 25. 2010] 27 Cf. Op. e não como um meio para os fins humanos”26. SED CONTRA Após viajarmos pelas considerações singerianas. 15. Libertação Animal. Ibidem. Peter. 4. o seu utilitarismo pode violar os direitos individuais em função de interesses colectivos. e o da minimização do sofrimento ou da maximização da satisfação dos interesses pareciam. pode ser considerada como um enunciado de pressupostos: To Those who think these undiscussed objections defeat the position I am advancing. Assim parece entrar em contradição pois apesar de afirmar.27 Por isso. Practical Ethics. Practical Ethics. De facto. again.3. Peter. [Em linha]. that this whole chapter may be treated as no more than a statement of the assumptions on which this book is based. à primeira vista.scribd. No entanto. não expõe um dispositivo que garanta que os interesses de um indivíduo não podem ser sacrificados em função de interesses de outros: para ele o que conta é o resultado global. I can only say. p.28 […] But I shall not take utilitarianism as the only ethical position worth considering. SINGER. SINGER. 28 Cf. Gareth. seria difícil não ficarmos impressionados com as conclusões a que seus silogismos chegam.com/doc/7343381/Peter-Singer-Libertacao-Animal > [Consulta em: 13 de Jan. de certa forma. 8. SINGER. 15. Peter. p. independente da natureza dos seres afectados pela decisão. Cf.. no seu prefácio à edição de 1975 de Animal Liberation: “Queríamos simplesmente que eles fossem tratados como os seres independentes e sencientes que são. In that way it will at least assist in giving a clear view of what I take ethics to be. <Disponível em: http://www. I shall try to show the bearing of other views…29 25 26 Cf. não hesita em declarar mais tarde que em certas circunstâncias é legítimo que isto ocorra. Outra frequente objecção é que a forma como Singer justifica os princípios dos quais parte é muito elementar e. tendo dado especial enfoque aos seus livros Libertação Animal e Ética Prática. WALSH. se for a única forma de não violar os princípios acima expressos. p. SINGER. O atraente princípio da igual consideração de interesses. cit. ser a chave para a filosofia da defesa animal. Peter. 10 . não foi por acaso que as consequências destes geraram a polémica citada na pág.

as conclusões que são defendidas neste livro derivam apenas do princípio de minimização do sofrimento. p. Difere do utilitarismo clássico no facto de "melhores consequências" ser entendido como aquilo que.scribd. para melhor ficarmos elucidados nesta temática. e não meramente o que aumenta o prazer e reduz o sofrimento. 2010]. p.”30 e todavia. Cf. pelo que. apresentar as perspectivas de alguns de seus críticos. em Ética Prática declara: “A forma de pensar que esbocei é uma forma de utilitarismo. [Consulta em: 13 de Jan. 20. ponderadas as alternativas. Peter.. SINGER. SINGER. Deste modo.. [Em linha]. Peter.Outra objecção que pode ser pertinente é a diferença que existe em alguns matizes entre Libertação Animal e Ética Prática. parece pertinente. Em Libertação Animal o autor afirma: “Em todo o caso. <Disponível em: http://www. 15. Libertação Animal. 30 31 Cf.”31 A sua forma de considerar a conduta Ética parece comutar de um princípio de minimização do sofrimento para um princípio de maximização da satisfação de interesses. Ética Prática. aprofunda os interesses dos afectados. Peter Singer tornou-se um autor bastante polémico.com/doc/7299953/Peter-Singer-Etica-Pratica> . sublinhados nossos 11 .

achamos pertinente dar relevo à perspectiva de Albert Schweitzer. às quais acusa de superficialidade e de terem instigado os homens a comportamento egoístas. deveria ser substituída pela máxima “Ich bin Leben das leben will inmitten von Leben das leben will” (“Eu sou vida que quer viver em meio à vida que quer viver”). e aqueles evocam o respeito devido a qualquer forma de vida. constituiu aos olhos de outros uma proposta pouco abarcativa. que opondo-se ao antropocentrismo dominante. veremos que não é grande a sua variedade e que podem ser agrupados em dois conjuntos: os que tomam como base a questão do sofrimento.. C. 12 . galardoado em 1952 com o prémio Nobel da Paz. assumiu a defesa de uma posição ética radicalmente oposta às tendências do pensamento iluminista. Entre os inúmeros filósofos desta corrente. Segundo ele. a compaixão pode ser um valioso sentimento moral. aplicada à resolução de conflitos morais nas relações entre seres humanos e animais irracionais. vista de certo prisma.172. excluindo as demais formas de vida. 1996. dado limitar-se aos seres sencientes. A. Granada: Comares.1. A pedra fundamental do seu pensamento é o reconhecimento do valor intrínseco das entidades naturais vivas e não apenas do seu valor instrumental. Na verdade esta pode ser considerada. estas duas modalidades de considerabilidade moral têm no entanto. Se o objecto que se afirma merecedor de respeito moral é o ser vivo. matrizes axiológicas bastante diferentes.3. está em causa uma Ética Biocêntrica.32 32 SCHWEITZER. apud VELAYOS. ALBERT SCHWEITZER A filosofia Singeriana não constituiu no séc. mas não deixa de ser um fundamento ético demasiadamente restrito. XX a única proposta de ruptura com o antropocentrismo e.. p. Esse valor intrínseco fundamenta-se na existência de uma componente espiritual presente em todas as formas de vida que se sintetiza na “vontade de viver”. argumentando a favor dos seres sencientes. Este renomado filósofo. propôs um biocentrismo alicerçado no que chamou “reverência à vida”. se analisarmos os argumentos usualmente utilizados nos discursos activistas pró-animal. como apenas uma forma mais ampla do utilitarismo hedonista tradicional. La dimensión moral del ambiente natural: ¿Necesitamos una nueva ética?. De facto. Na óptica dos biocentristas. se bem que por alguns tenha sido considerada uma ousadia escandalosa. Apesar de se apresentarem unidas. a máxima cartesiana “cogito ergo sum”.

Assim sendo. Schweitzer. 236. chega a expressá-lo com certa truculência: I’ll be damned if I recognize any objectively valid distinctions in life. 1990. trad. dado o autor ter vivido em regiões do oriente nas quais predominava a influência das referidas tendências religiosas. dando assim relevo à posição humana: se o centro da moral é a própria vida. one that reaches deep into the foundation of my outlook on life. In this respect I will always remain a heretic. 124. Value judgments are made out of subjective necessity. independentemente da forma em que esta se apresenta. 34 ALBERT..O valor incondicional desta “vontade de viver” é a componente espiritual que determina a sacralização da vida. Numa carta que escreve a Oskar Kraus. consequentemente. Antje Bultmann Lemke. 13 . para o autor. Esta concepção levou-o. in Letters 1905–1965. conforme explica: “To the person who is truly ethical all life is sacred. o valor das outras formas de vida torna-se independente do ser humano. é também um acto denunciado por Schweitzer como irreverência à vida. p. including that which from the human point of view seems lower. p. não admite qualquer agressão. Para demonstrá-lo expõe a incoerência que se revela no facto de os seres humanos praticarem o respeito pelo desejo de viver que está em si mesmo e negligenciá-lo em relação aos casos semelhantes: What shall be my attitude toward this other life which I see around 33 ALBERT. a uma postura filosófica de biocentrismo igualitário. pois em relação a esta. Every life is sacred! . .” 33 É de salientar. dado que. o homem não é mais que um elemento do grande conjunto dos viventes e merece a mesma consideração que qualquer outro ser vivo. but they have no validity beyond that. . Out of My Life and Thought: An Autobiography. que a semelhança entre esta ideologia schweitzeriana e o culto à vida das religiões hinduístas não parece ser fortuita. Schweitzer. a atitude moral só pode ser de “reverência à vida”. New York: Henry Holt & Company. The proposition that every life is sacred is absolute. correspondence with Oskar Kraus (7 November 1931). pela qual considera que não devem ser feitas distinções entre formas mais altas e mais baixas de vida. It is a question of principle. um filósofo seu amigo. A formulação de condições sob as quais seria moralmente legítimo tirar a vida a um organismo vivo. para ele a vida é o dinamismo sagrado que pulsa em toda natureza.34 Ademais.

mas sim da importância dos interesses em questão. 2008. 35 36 ALBERT. são. BARSAM.me? It can only be a piece of my attitude toward my own life. Reverence for Life: Albert Schweitzer’s Great Contribution to Ethical Thought. I must regard other life than my own with equal reverence. impõem ao homem uma responsabilidade ilimitada e giram o eixo da resolução de conflitos de interesses. os quais não poderão continuar a ser solucionados em função da importância dos seres implicados no conflito.36 As objecções e obstáculos que os defensores do biocentrismo têm de enfrentar. e a sua Ética da Vida chega a ser. é necessário respeitar o princípio de imparcialidade. segundo Schweitzer. de crescer e de se converter numa Filosofia Ambiental que abrange uma metafísica. por muitas vezes. acusada de irrealista e anti-humanista. 236. Cf. por isso. todos eles devem ser respeitados. If I am a thinking being. uma filosofia política. e uma vez que se pode encontrar este desejo de viver em todos os seres vivos. “The Ethics of Reverence for Life”. 1 (Winter 1936). Estes pressupostos que descreve. 14 . Porém. enormes. Ara. New York: Oxford University Press.35 Segundo ele. uma estética e uma epistemologia. pelo qual casos semelhantes devem ser tratados de maneira semelhante. Schweitzer. in Christendom. p. é um facto consumado que esta corrente de pensamento não deixou.

Ibidem. 2008. a ética que deve nortear os actos humanos.206. Pensar como uma montanha. para Leopold. No entanto. a estabilidade e a beleza da comunidade biótica. p.2. publicada após seu falecimento.38 Para ele. o ecocentrismo. É errada quando tende no sentido oposto”. cunha o sentido da sua perspectiva ecocêntrica: para o autor. não só deve preservar qualquer forma de vida. Afirma que “A ética da terra apenas alarga os limites da comunidade por forma a incluir nela os solos. na qual integra não apenas os seres vivos. mas inclui toda a matéria inorgânica. o qual procurava ser mais abrangente do que os que anteriormente se formaram.190.3.41 37 LEOPOLD. do qual Singer é o mais renomado representante. Aldo. na qual o ser humano é considerado apenas mais um elemento desta comunidade e não seu soberano. as bases para esta nova ética ecológica foram lançadas pelo Prof. Oxford University Press. as plantas e os animais. IDEM. Para os defensores desta corrente de pensamento. as águas. 39 IDEM. A metáfora na qual Leopold alicerça o seu pensamento é a da comunidade biótica. Aldo Leopold na sua famosa obra. expressão que intitula a 3ª parte da obra. 15 . pode ser entendida a ética: para ele “Uma coisa é certa quando tende para preservar a integridade. Aldo.39 Assim. 1949. propõe uma concepção holística da relação eu-natureza. 190. incorre no mesmo erro do antropocentrismo pois confere direitos aos indivíduos em função dos seus atributos mentais. A Sand County Almanac and Sketches Here and There. LEOPOLD. Ibidem.40 É apenas em função desta concepção comunitária que. como também deve respeitar o valor intrínseco das entidades colectivas que compõe o planeta. p. os diversos valores que os seres vivos e os ecossistemas possuem não se resumem a bens materiais ou económicos. mas procurou salientar a relevância moral de entidades supra-individuais como os ecossistemas. Ibidem. vivendo em simbiose com os demais indivíduos. ou colectivamente: a terra”. p. 41 IDEM. ALDO LEOPOLD No final da década de 40 surgiu um outro movimento de contestação ao antropocentrismo. em 1949. 40 Cf. 38 Cf. p. Na opinião de muitos. o senciocentrismo. Porto: Edições Sempre em Pé. A Sand County Almanac.37 “Ética da terra”.22. rejeitando uma visão atomista e individualista da realidade. esta filosofia não se ateve às propostas biocêntricas.

Ibidem.44 Assim a ética da terra de Aldo Leopold consistiu numa objecção audaz e precoce ao antropocentrismo. Ibidem. […] Que a terra é uma comunidade. Longe da frieza da moral kantiana. provocando a passagem de um universo mental focado no homo sapiens para um universo ecocêntrico. e por isso eventualmente eliminar numerosos elementos da comunidade da terra desprovidos de valor comercial. Cf. dos vegetais ou dos animais.204. podemos começar a usá-la com amor e respeito.198. eis o conceito básico da ecologia. Porém a sua critica foi além do senciocentrismo singeriano e da ética de reverência pela vida de Schweitzer. Desvalorizando o individualismo. Ibidem. Segundo o mesmo. ela deve apenas alterar a postura do homem que deixa de ser conquistador e passa a ser membro de uma comunidade alargada. Quando vemos a terra como uma comunidade à qual pertencemos. p. pelo menos em reservas. p. p. O autor entende que só a razão humana pode modificar o papel de predador assumido pelo homo sapiens e fazer cessar os nefastos efeitos que essa atitude tem provocado. um dos corolários desta concepção autoritária é a tendência para “ignorar. 16 . considera que se deve pelo menos respeitar os seus direitos de continuarem a existir e. quando não é possível impedir o uso destes recursos. o autor considera que a concepção do ecossistema como uma comunidade deve gerar sentimentos de benevolência e de respeito.22. 44 IDEM. mas que são (tanto quanto sabemos) essenciais para que ela funcione saudavelmente”. a sua ética 42 43 IDEM.42 O autor expõe a necessidade da formação de uma consciência ecológica que preserve e respeite a integridade dos ecossistemas mas salvaguarda que a ética da terra. não impede a alteração e gestão do solo. IDEM. Deste modo. que deverá operar como todas as éticas: aprovação social de acções certas e desaprovação social de acções erradas. por não limitar a consideração bioética aos seres sencientes ou aos que são dotados de vida e por expandi-la aos ecossistemas e à biosfera. conforme afirma: Nós abusamos da terra porque a vemos como um bem que nos pertence. de permanecerem em seu estado natural.Esta regra de ouro dá-nos a dimensão natural da sua proposta de ética.43 A componente afectiva também não está ausente na filosofia do autor. mas que a terra deva ser amada e respeitada é já uma extensão da ética. das águas.

Como consequência desse direito. violenta. são detentores de uma dignidade que lhes é própria. uma teoria da acção que procura legitimar moralmente a natureza. <Disponível em: http://www. direito à liberdade. Assim sendo.3. degradante para com os animais… …há uma base mínima de direitos inerentes a todos os seres vivos: direito de viver. A sua posição de tal forma se coaduna com os valores expressos na UDAR46. A força desta nova proposta não fez esperar as suas consequências: A 15 de Outubro de 1978 era proclamada a Declaração Universal dos Direitos dos Animais pela UNESCO. que parecem ser os argumentos que lhe deram origem: Os animais – selvagens. pois não se pronuncia necessariamente acerca da questão hierarquia/igualdade das espécies. numa sessão realizada em Bruxelas. [Em linha]. de 45 Cf. encontra-se Jane Justina Maschio.htm > [Consulta em: 6 Nov. 3. UNESCO. cruel. na verdade.45 Entre os representantes desta corrente de pensamento. têm direito à vida e a uma existência dignas. resguardadas as características de cada espécie. Esta concepção parece comportar uma argumentação mais simples e de maior facilidade de aceitação. não apenas moral. direito de se alimentar.. encontramos a perspectiva dos direitos dos animais. JANE MASCHIO Paralelamente às perspectivas filosóficas anteriormente referidas sobre a temática em questão. mas também jurídica. Talvez por esse motivo tenha conquistado o apoio daqueles que procuravam a resolução de questões como a da dignidade animal mas que não desejavam romper com a perspectiva antropocêntrica.net/quatropatasecia/e/infos/animal_rights. aos humanos impõem-se o dever e a obrigação. como as anteriores. silvestres ou domésticos – a exemplo do homem. valorizando não apenas as substâncias individuais. Universal Declaration of Animal Rights.chbr. 2009] 46 Universal Declaration of Animal Rights 17 . mas também a verdade existente nas relações. de se absterem de qualquer prática abusiva. de saciar a sede.é. as quais procuravam colocar a espécie humana no mesmo patamar que outras. Analista Judiciária do TRESC e pós-graduanda em Direito pelo Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina (CESUSC).

49 Cf. Registos disto encontram-se no papiro de Kahoun.br/doutrina/texto. Ibidem. 18 .49 Pelo contrário. Para Maschio. a consciência de si mesmo. Esclarece que o acto de matar só é justificável em duas 47 MASCHIO. nos escritos de Demócrito e Aristóteles…48 Para Maschio. 50 Cf. Para justificar isto. as faculdades de que o homem é dotado. só seriam legítimas experiências feitas em humanos. A respeito da alimentação de base animal.50 Em relação às experiências em animais. sempre houve. de perpetuar a espécie. IDEM. a autora rejeita a sua legitimidade a não ser em casos extremos. mas julga não serem estes motivos suficientes para lhe conferir o direito de sujeitar as demais espécies vivas como lhe aprouver. explica como. 2009] 48 Cf. Crê que para beneficiar elementos da espécie humana. no caso dos animais.uol. encontrado em 1890. entre os quais o respeito aos direitos naturais dos outros homens. o agir ético e a autonomia da vontade conferem-lhe responsabilidade pelos seus actos e.com. no qual se lê ter Deus ordenado que se preservassem todas as espécies animais do dilúvio universal pela Arca de Noé. ao longo de toda a história. outras que têm algo de eterno. inúmeros deveres. IDEM. Jane.. de não sofrer violência ou crueldades. considera-as ética e moralmente repudiáveis quando redundam em benefícios exclusivamente em favor de homens. no Código de Hamurabi onde se encontram normas que prevêem obrigações dos humanos em relação à saúde dos animais.asp?id=7142&p=4 > [Consulta em: 6 Nov. [Em linha]. são inerentes à natureza e estão inscritas no coração do homem. A autora considera que não é possível negar uma certa superioridade humana no que diz respeito às habilidades para transformar o meio ambiente. homens sábios que reconheceram os seus direitos. dos animais e das demais espécies vivas. Ibidem. IDEM. no livro do Génesis. na Bíblia. Ibidem. esta dignidade é-lhes inerente pela simples condição de serem seres vivos. estas só seriam legítimas no caso de serem realizadas em favor de outros animais e contanto que sejam minimizadas as suas dores ao máximo. Os animais: Direitos deles e ética para com eles. tais como o uso da razão. consequentemente. documento do antigo Egipto. e que data de 4000 anos atrás. <Disponível em: http://jus2.47 A autora parte do princípio de que existe uma dignidade própria aos animais. dotados de sensibilidade.proteger-se do frio. a qual justifica diferenciando dois tipos de leis: umas que são adoptadas pelo homem em função de um contracto social.

por não estar de acordo com a sua natureza. não o faz. dado não ter outra forma de sobrevivência. Pelo contrário para uma animal. A respeito dos direitos das espécies. dotado de razão. expõe ainda um matiz de importância considerável: não pensa que os direitos sejam semelhantes para todas elas. No entanto. não considera ilegítimo que um esquimó do Alasca se alimente de carne animal. isto poderá ser penoso.circunstâncias: em caso de defesa da própria vida ou em estado de necessidade. Por isso.51 51 Cf. Havendo alguns direitos que são comuns a qualquer indivíduo. Ibidem. 19 . denúncia como culpado aquele que vivendo num grande centro urbano e tendo possibilidade de subsistir à base de produtos de origem vegetal. IDEM. tem direito à educação pois está na sua natureza a necessidade de recebê-la. crê há alguns específicos para cada espécie: um homem.

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