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INTRODUÇÃO A consolidação do sistema oligárquico no Rio Grande do Norte, no contexto a Primeira República brasileira, é o eixo central do presente trabalho

. O estudo abordou o período entre a década de 1860 e o governo de Ferreira Chaves (1896 / 1900). A escolha desse recorte temporal justifica-se pelo fato de ter sido no final da década de 1860 que as idéias republicanas tornaram-se realmente uma força organizada e devido o governo de Ferreira Chaves ter ajudado a completar o processo de oligarquização do Rio Grande do Norte, contribuindo com a ascensão da família Albuquerque Maranhão ao poder no Estado. O período da consolidação da República no Brasil, o fortalecimento das oligarquias estaduais e o coronelismo, já foram exaustivamente estudados pela historiografia brasileira e potiguar, tanto por historiadores como por sociólogos1. Porém, grande parte desses trabalhos analisaram o processo de consolidação das oligarquias locais analisando os aspectos políticos ou econômicos separadamente. Dessa forma, a compreensão do processo fica fragilizada, tendo em vista a forte interação entre essas duas áreas. O presente trabalho poderá contribuir para o estudo desse tema pois o analisará não apenas por campos isolados, mas levando em consideração as relações entre as estruturas partidário-ideológicas e econômicas existentes no Rio Grande do Norte, relacionando-as com o contexto nacional e também analisando as alianças e acordos políticos feitos por Pedro Velho de Albuquerque Maranhão que o levaram, junto com a sua família, ao controle da política potiguar durante grande parte da Primeira República. Utilizando a historiografia clássica norte-riograndense e brasileira, pretendeu-se obter um panorama geral dos acontecimentos políticos e do contexto econômico do Rio Grande do Norte e do Brasil, no período citado, procurando identificar algumas relações entre esses dois segmentos que pudessem contribuir com a compreensão do tema. No que se refere às fontes Primárias utilizadas na pesquisa, foram analisadas algumas edições do jornal A República, que trazia a visão política do grupo ligado à família Albuquerque Maranhão, e alguns manifestos e discursos proferidos por políticos de oposição a Pedro Velho, publicados em jornais oposicionistas como O Nortista, Rio

Grande do Norte e o Diário de Natal. Essas fontes primárias ajudaram a compreender melhor as “armas” utilizadas pela família Albuquerque Maranhão para se “encastelarem” no governo do Estado do Rio Grande do Norte. Para uma melhor compreensão sobre como ocorreu a “oligarquização” do Rio Grande do Norte durante os anos finais do século XIX e início do século XX, bem como a sua relação como o mesmo processo político que corria no cenário nacional, tornou-se necessária a análise de alguns conceitos teóricos, como por exemplo o de coronelismo, que foi definido por Eul-Soo Pang como sendo Um exercício de poder monopolizante por um coronel cuja legitimidade e aceitação se baseiam em seu status, de senhor absoluto, e nele se fortalecem, como elementos nas instituições sociais, econômicas e políticas, tais como as que prevaleceram durante o período de transição de uma nação rural e agrária para uma nação industrial2. Diretamente ligado ao conceito de coronelismo, durante a Primeira República no Brasil, está o conceito de oligarquia que, segundo Edward Shils, pode ser definida como sendo Um grupo de poder restrito, homogêneo, estável, com uma boa organização interna e fortes vínculos entre seus membros, pouco confiante na lealdade de quem a ele pertence e cautelosos na admissão de novos membros; é um grupo que governa de modo autoritário, robustecendo o Executivo, controlando o Judiciário, marginalizando e excluindo o Parlamento, desencorajando e eliminando a oposição3. O último conceito utilizado neste trabalho foi o de parentela que, segundo Maria Isaura de Queiroz, apresentava três aspectos interligados – o político, o econômico e o de parestesco – que garantia o funcionamento da sociedade a qual estava inserida4. Esta monografia esta dividida em três capítulos. No primeiro capítulo tratamos da conjuntura econômica, política e social do Brasil durante o final do século XIX, que contribuiu para a decadência do regime monárquico e do

processo de organização do regime republicano, enfatizando os diversos interesses ideológicos envolvidos e como esses interesses lutaram, influenciaram e se estabeleceram no novo governo republicano brasileiro. No segundo capítulo, procuramos traçar um contexto geral do Rio Grande do Norte no final do século XIX e início do século XX, levando em consideração a estrutura econômica do Estado, a organização político-partidária e próprio processo de implantação do regime republicano em terras potiguares. No terceiro e último capítulo, o tema central da monografia (a oligarquização do Rio Grande do Norte) foi trabalhado diretamente, abordando todos os fatos, alianças políticas, interesses pessoais e partidários que contribuíram para a consolidação da família Albuquerque Maranhão ao poder no Rio Grande do Norte durante quase toda a Primeira República.

contribuindo para o surgimento de um mercado interno.000 contos de réis) fossem direcionadas para outras atividades urbanas como a indústria”5. que determinava a proibição do tráfico negreiro. principalmente quando as fazendas de café do Oeste paulista diminuíram suas produções de gêneros alimentícios para o consumo próprio. que ajudaram a consolidar o trabalho assalariado no Brasil. No Brasil. “A proibição do tráfico negreiro permitiu que grandes somas de dinheiro. A decadência do trabalho escravo. o Brasil passou por profundas mudanças estruturais. principalmente pela incapacidade do governo brasileiro de articular uma estrutura econômica auto-suficiente. levou os grandes fazendeiros do Sudeste a incentivarem a vinda para o Brasil de imigrantes europeus. realizada por D. . João VI em 1808 e só tendeu a aumentar com o passar dos anos. A América Latina como um todo. a Europa Ocidental e os Estados Unidos viveram uma fase de forte avanço das forças capitalistas modernizantes e do próprio capitalismo monopolista-financeiro. bem como os de características industriais. iniciado efetivamente a partir da publicação da Lei Eusébio de Queirós (1850). antes investidas no comércio de negros (aproximadamente 16. capaz de livrá-lo dos constantes empréstimos que tinha que fazer junto a bancos britânicos e das constantes interferências inglesas nos assuntos internos brasileiros.CAPÍTULO 1 A QUEDA DO IMPÉRIO E OS TEMPOS REPUBLICANOS 1. o avanço do capitalismo inglês se tornou marcante desde a abertura dos Portos. logo se mostrou aberta a receber tais investimentos. Na segunda metade do século XIX.1 – O panorama econômico brasileiro no final do século XIX e início do século XX A partir da segunda metade do século XIX. o que muitas resultou na montagem de uma estrutura totalmente dependente desse capitalismo estrangeiro. notadamente italianos e alemães. que praticamente forçou uma busca por novas áreas de investimentos. tendo assim que comprar tais produtos.

20 companhias de navegação a vapor. A Casa Mauá operava associada aos irmãos Baring. Em 1854. dando origem ao novo Banco do Brasil. mais conhecida como Casa Mauá. fundiu-se com o Banco Comercial do Rio de Janeiro. Salto. mais tarde. e o trabalho era organizado por mestres e contramestres vindos da Europa. Mauá organizou várias sociedades por ações. que vivia um período (1850-1880) de relativo crescimento. a médio e a longo prazo. passou a se chamar Banco do Brasil. que produziam chapéus. sabão. Segundo Furtado. 8 estradas de ferro. Nova Iorque. Esse surto industrializante que vivia o Brasil teve como símbolo a figura do empreendedor Irineu Evangelhista de Souza. três caixas econômicas. por sua proposta. Mauá fundou o Banco Comércio e Indústria do Brasil (1851) que. Além dessas atividades bancárias.Todas essas mudanças motivaram o desenvolvimento de grupos econômicos dispostos a investirem em outras atividades econômicas. Além disso. com a participação . artigos que até então vinham do exterior. 23 companhias de seguro. Paissandu. Cerro Largo e Montevidéo. Mauá organizou a Casa Bancária Mauá. Este se tornou o maior investidor em atividades urbanas no Brasil da época. Segundo Alencar. Carpi e Ribeiro “Entre 1850 e 1860 foram inauguradas no Brasil 70 fábricas. com capital de 10 mil contos de réis. tecidos de algodão e cerveja. foram fundados 14 bancos. principalmente no setor urbano. Criaram-se ainda empresas de mineração. Buenos Aires. então. Mercedes. tendo algumas de suas empresas se tornado até mesmo multinacionais. fundiu-se ao London and Brazilian Bank. Manchester. Essas primeiras fábricas já apresentavam um aspecto diferente das antigas oficinas artesanais: utilizavam motor hidráulico ou a vapor. Seus investimentos se estenderam por praticamente todo o Brasil e sua organização possuía várias agências no exterior – Londres. Dois anos mais tarde. Era. a maior sociedade por ações da América do Sul. por imposição do governo. com o objetivo de suprir capital às indústrias. Mc Gregor & Cia. na Inglaterra e. gás etc6. o Barão de Mauá. transporte urbano.

tendo o Brasil como carro chefe do comércio mundial desse produto. água encanada e. Carpi e Ribeiro O desenvolvimento da lavoura cafeeira funcionava como uma faca de dois gumes: produzia capitais excedentes que eram aplicados em novas atividades. No setor ferroviário. A economia brasileira continuava mesmo voltada para os interesses agro-exportadores. que antes estava na casa de 15%. Além do fim da Lei Eusébio de Queirós. A cidade que mais viveu esse processo de urbanização no final do século XIX foi o Rio de Janeiro. mesmo que indiretamente. Essa nova tarifa aumentou para 20% a 60% ad valorem as taxas alfandegárias cobradas sobres os produtos importados que entravam no Brasil. a Tarifa Alves Branco também contribuiu. foi pioneiro ao construir a primeira estrada de ferro do país (1854). antes porém. Nesse sentido. iniciou a ligação do cabo submarino entre Brasil e Portugal. mas impedia o desenvolvimento dessas atividades. notadamente no setor de transporte. afirmam Alencar. se tornando o espelho de toda essa modernização. a nova tarifa deu um considerável impulso aos novos empreendimentos industriais brasileiros. e essa visão se fortaleceu ainda mais com o início da valorização do café no mercado internacional. o que ocorreu não passou de um rápido surto industrial. na medida em que o capital acumulado nos novos empreendimentos era em grande parte aplicado . implantou na cidade do Rio de Janeiro a iluminação às gás etc7. Mesmo não podendo ser considerada uma medida protecionista propriamente dita. comunicação e infra-estrutura urbana. foram alguns dos reflexos desse florescimento urbano do Rio de Janeiro. posteriormente. Iluminação à gás. Apesar desse cenário favorável ao desenvolvimento da indústria no Brasil.da com a participação de capital inglês. já que o governo brasileiro não tinha o que se pode chamar de interesses industrializadores. para o processo de “nascimento” e dos “primeiros passos” das acanhadas indústrias brasileiras. a substituição das carruagens pelos bondes elétricos. as quais desenvolveram atividades pioneiras nos mais diversos setores da economia.

que ao longo da maior parte do século XIX. reinvestiam parte de seus lucros em terras ou se vinculariam por laços de família e amizade aos grupos ligados à grande propriedade rural9. não era nada boa. Mesmo com todos esses avanços das forças urbano-industriais. que recebia o apoio espanhol e depois norte-americano. Essa tendência se fortaleceu ainda mais quando ocorreu o grande crescimento das exportações do café brasileiro. empresários. na metade do século XVIII. tanto mais que neste item está incluída a mineração”10. A tendência econômica manifestada embrionariamente desde o ciclo do ouro. ainda se manteve como o segundo produto mais importante nas pautas de exportações brasileiras.na compra de terras e plantações de café. que tinha como principal produtor europeu a Alemanha. afirma COSTA Assim como fazendeiros se convertem em empresários. 13% ao de serviços e 7% à indústria. o que gerou grandes rendas para os chamados “Barões do Café”. Segundo Fausto. o Brasil continuava a ser um país essencialmente agrícola “considerando as pessoas em atividades em 1872. que era a ascensão econômica do Sul-Sudeste em detrimento do Nordeste decadente. . consolidava-se no Brasil por volta de 1870. A atividade agrícola era vista como um investimento garantido e a propriedade de terras um fator de riqueza e status dentro dos moldes da sociedade tradicional8. para os Estados Unidos e para a Europa. A situação econômica do Nordeste. Ainda sobre esse tema. Observemos que na categoria ‘serviços’ mais da metade se refere a empregados domésticos. no final do século XIX. enfrentou nesse período duras concorrências: o açúcar cubano. 80% se dedicavam ao setor agrícola. e o açúcar extraído da beterraba. O açúcar. Vê-se como era ainda incipiente a indústria. cuja fortuna originalmente se formou na indústria.

Furtado afirmou As exportações continuavam concentradas em seis produtos – café. que só voltou a ter um novo ciclo de crescimento quando eclodiu a Guerra Civil Americana (1861-1865). A produção do café aumentou acentuadamente . tenha caído para 5%11. Esse crescimento possibilitou um grande crescimento e urbanização de cidades como Belém e Manaus. O algodão foi outro produto nordestino que se destacou ao longo do século XIX. se aproximando muito do açúcar que representava 9. Sua produção se destacou nos sertões de Pernambuco. mais precisamente para as fábricas de tecido paulistas que cresciam cada vez mais. fumo e borracha. A guerra contra a Inglaterra tirou dos Estados do Sul dos Estados Unidos. o algodão dos Estados Unidos desbancou a produção brasileira. tornou o terceiro produtos mais importante entre os anos de 1881 e 1890 (8%). peles e couro. sendo estes substituídos pelos produtores do Nordeste brasileiro. O primeiro boom da cotonicultura nordestina ocorreu no período da guerra entre a Inglaterra e as suas Treze colônias da América do Norte (1776-1783). por volta de 1875. Analisando esse contexto econômico brasileiro.9% dessas exportações. De insignificante porcentagem nos índices de exportações brasileiras em 1850. agora voltado para o mercado interno. Entre os anos de 1861-1870 o algodão superou o açúcar na pauta de exportações nordestinas. seguido pelo algodão. No início do século XIX. o posto de grandes fornecedores de algodão para as fábricas inglesas. a participação do Brasil no mercado mundial de açúcar.6%.6% e do açúcar. Em 1871-1873. Esse novo surto logo chegou ao fim e somente a partir de 1915 é que este produto voltou a se destacar no contexto econômico do Brasil. com auxílio governamental. Paraíba. foram lentos e os resultados bem mais restritos. Não é assim de surpreender que. açúcar. A borracha foi outro importante produto que se destacou no contexto econômico brasileiro no final do século XIX. com 16. os esforços de modernização. que sempre fora de 10%. com apenas 12. o café representava mais da metade do valor das exportações.No Nordeste brasileiro. Rio Grande do Norte e Alagoas. algodão.

Outro fator importante foi o aumento da corrente migratória européia. que consiste no pagamento de prestações. a balança comercial brasileira apresentou um saldo positivo. Entretanto. tendo o Estado de Minas Gerais se tornado o maior celeiro do país13. O crescimento da população. em grande parte. com menor ênfase. entre 1850 e 1900. Mesmo com a existência de outras culturas agrícolas. o que correspondia à metade da produção mundial12. o café seguiu hegemônico nos índices das exportações brasileiras a partir da segunda metade do século XIX e até a década de 1920.no qüinqüênio 1875-1880. deu maior dimensão à economia de subsistência. que permitiu maior disponibilidade de mão-deobra qualificada. notadamente em São Paulo. ganhando maior densidade no período 1881-1890. ofereceu condições para um desenvolvimento industrial. Analisando o cenário econômico brasileiro do final do século XIX. esses saldos tiveram de atender. atingindo 8. algumas regiões do Brasil acabaram se especializando em cultivou dos produtos voltados para o mercado interno. ao serviço da dívida externa. duas vezes e meia. A implantação da rede ferroviária apoiou a expansão do cultivo desse produto e. Fausto conclui A partir de 1861 até o fim do Império. juros e comissões . De acordo com Furtado A partir de 1850. dando início à uma corrente imigratória que se estendeu até o início do século XX. cerca de 130 mil imigrantes chegaram ao Brasil destinados à lavoura cafeeira.5 milhões de sacas. A imigração contribuiu muito para a elevação das rendas e expansão do mercado interno. inclusive com certa oferta de tecnologia. especialmente o Rio Grande do Sul. como gêneros alimentícios e a pecuária. Vários fatores contribuíram para esse grande desenvolvimento cafeeiro. ou seja. nesse aspecto podemos destacar Minas Gerais e a região sul do Brasil. o valor das exportações superou o das importações. Apesar da grande importância reservada às produções para exportação.

comprime a liberdade. percebemos que o governo de D. Esse serviço consumiu 50% a 99% dos saldos até 1889. o seu ambiente patriarcal era uma espécie de banho morno que entorpecia a nação. impulsionado pela formação do Partido Republicano em 1870. com a reação liberal após a queda do gabinete Zacarias16. estraga e corrompe os caracteres. representa o despotismo. mata o estímulo do progresso local. dá ao poder e pessoal que os perverte anarquiza força avassala.2 – A decadência do Regime Monárquico Ao analisar as estruturas sócio-econômicas das últimas décadas do século XIX no Brasil. liderado por Saldanha Marinho. constrange o cidadão. sem se incluir aí remessa de lucros e outros pagamentos14. José Maria Bello afirmou: “O Império esgotara a própria seiva. Somente a partir daí é que o republicanismo no Brasil passou a ter mais força e organização.) “A centralização. tal qual existe. Pedro II não mais se apresentava como um bom atrativo para as novas forças políticas que se desenvolviam no Brasil. Não poderia interessar às gerações novas. Esses primeiros acabaram aderindo à causa republicana17. subordina o direito de todos ao arbítrio de um só poder. suga a riqueza . a transformação da Idéia republicana em uma força organizada iniciou-se em 1868.. nulifica de fato a soberania nacional. A formação desse partido foi coroada com a publicação do Manifesto Republicano: (. Até os velhos servidores desiludiam-se dele havia muito tempo”. recém-chegado dos Estados Unidos e Salvador Mendonça. Essa reação foi marcada inicialmente pela divisão do Partido Liberal em dois grupos: os radicais e os moderados. Quintino Bocaiúva. Comentando sobre a decadência do governo imperial brasileiro. espíritos. 1. egresso do Partido Liberal.de empréstimos contraídos no exterior. que se abriam ao mais vivo contato com as grandes correntes mundiais de idéias e sentimentos.. 15 Segundo Oliveira Viana.

o Partido Republicano não apresentava uma supremacia dos setores urbanos. em janeiro de 1875 foi fundado o Clube Republicano Federal.. Buscando uma unificação dos vários elementos republicanos nacionais. a participação desses fazendeiros no Partido Republicano conferiu-lhe um caráter antiabsolutista21. tão atentas sempre a tudo que vem da França. a própria República espanhola de 1873. não havia uma burguesia forte e decidida em seus ideais. composto por um grande número de profissionais liberais. constituindo-as satélites obrigadas da corte – centro absorvente e compressor que tudo corrompe e tudo concentra em si – na ordem moral e política como na ordem econômica e administrativa. não podemos prender o processo de decomposição da Monarquia brasileira a um acontecimento de natureza exclusivamente política. É necessário também considerar alguns elementos sócio-econômicos e os reflexos dos acontecimentos internacionais nos rumos da vida pública nacional. (. que se julga conseqüência dos sistemas políticos. Porém. como teria sido a revolta nacionalista do México contra o Império de Maximiliano.. foram lideradas e ajudaram a consolidar a classe burguesa. ainda que de vida efêmera.peculiar das províncias.) Somos da América e queremos ser americanos.18 Porém.. readquirem o antigo prestígio. mesmo com todas as transformações sócio-econômicas. nem tão pouco uma certa homogeneidade social em seu quadro.. que ocorreram no final do século XIX. a nível mundial. Porém no Brasil imperial. Segundo Emília Viotti da Costa. em muitas outras províncias as camadas urbanas eram preponderantes. redimidos da escravidão pela guerra civil. os Estados Unidos.20 Em geral. e é. foi também outro possível fator de influência indireta. enquanto em São Paulo os cafeicultores do Oeste formavam a base do Partido Republicano. Os pequenos grupos burgueses que existiam dependiam direta ou indiretamente das riquezas produzidas pelo café. exemplo constante de extraordinária prosperidade.19 A maior parte das transformações importantes. Além de muitos fazendeiros do Oeste paulista aderiram ao republicanismo pós-1870. de novo. A vitória da Terceira República francesa repercutiu naturalmente entre as elites brasileiras. .

pois alguns de seus líderes eram abertamente escravistas. a chama republicana esfriou para somente por volta de 1886/87 se reerguer. como atesta Aristides Lobo: “ É triste ver a atitude indiferente. o movimento ser Republicano pós-1870 não obteve muito eco. com a atuação de Silva Jardim. Duas tendências delinearam-se no seio do Partido Republicano: a revolucionária. a qual via na República não um objeto em si mesmo. No NorteNordeste. quase nula. mas um meio de conquistar o poder político.jornalistas. liderada por Quintino Bocaiúva. liderada por Silva Jardim e que pregava a revolução popular e a evolucionista. apesar da tradição republicana de Pernambuco. que o movimento republicano realmente organizou uma propaganda militante. quando é assinada a Lei Áurea. era simpatia pelo poder” 22. “Não se tratava. Durante os anos que se seguiram após o lançamento do Manifesto Republicano. A República era por toda a parte uma aspiração de uma minoria constituída de alguma camadas da classe média. Porém foi somente no ano seguinte. para surpresa de muitos a proclamação da república se deu através de um golpe militar. as atividades do Partido Republicano ainda eram muito fracas e desarticuladas. perante os fatos eloqüentíssimos que se desdobram aos olhos do país”. que defendia a proclamação da República através da via eleitoral. advogados. Apesar de internamente o partido ter assimilado a tese evolucionista. apenas de simpatia pela República.23 A grande adesão ao Partido Republicano ocorreu após maio de 1888. Essa fraqueza pode relacionada ao fato de nessas duas regiões não haver uma classe média significativa e também pela abolição da escravidão não ter trazido grandes alterações econômicas e políticas. Mesmo assim. em que se acha o Partido Republicano da Corte. fazendo com um grande número de fazendeiros ex-donos de escravos aderissem à causa republicana. Várias são as críticas a esse inicial republicanismo paulista. visto que essa mão-de-obra já era quase insignificante. excetuando-se em São Paulo onde ela era principalmente a aspiração da nova aristocracia do café. . todavia. professores e um relativo número da aristocracia paulista.

O mês de novembro de 1889 correu marcado por uma forte tensão e expectativa em relação aos rumos da política nacional. “A inabilidade com que agiram no grave incidente com os bispos de Pernambuco e do Pará os tinha viciado e permitiu. o Ministro Ouro Preto apresentou. que se reuniram com o Marechal Deodoro da Fonseca. venais e sem nenhum sentimento patriótico”25. como Rui Barbosa. José do Patrocínio. Esse ambiente tenso foi aproveitado por alguns elementos dos Partidos Republicanos paulista e carioca. tentando mostrar o quanto a Monarquia possuía uma elasticidade política. Faltou ao Imperador e a seus assessores o necessário tato político para evitar o que mais tarde se chamou de “Questão Militar”. Na tentativa de anular os republicanos e suas idéias. ao passo que os civis. De nada adiantou a indecisão de Deodoro que. da mesma forma que Floriano. Capitão Mena Barreto e Lopes Trovão a queda ministerial se transformou em golpe militar no . Pedro II. Aristides Lobo. Durante todo o ano de 1889 esperava-se que o governo tomasse sérias medidas contra o Exército. tentando incentivá-lo a derrubar o governo de D. desejava apenas a deposição do Ministério Ouro Preto. difundidas principalmente por Benjamin Constant na Escola Militar. Após a ação ativa de civis e militares como Aristides Lobo. demasiada confiança a força do governo civil”24. nem a maior parte dos políticos que o cercavam pareciam compreender a transformação que se operava na mentalidade das novas gerações brasileiras e. da juventude militar. um grande número de deputados se manifestaram contra. os ‘casacas’. mostrando o quanto os grupos dominantes tradicionais não possuíam a flexibilidade necessária para manter a Monarquia26. talvez. influenciados pelas idéias positivistas e republicanas. Porém. Os jovens oficiais do Exército. “ Generalizara-se entre os militares a convicção de que só os homens de farda eram ‘puros’ e ‘patriotas’. um pacote de reformas políticas de caráter liberal.Nem o Imperador. em 11 de novembro de 1889. em 11 de junho de 1889. sobretudo. logo após a sua apresentação. sentiam-se encarregados da função purificadora da sociedade brasileira. Benjamin Constant. como diziam. Quintino Bocaiúva e Glicério. eram corruptos. Quintino Bocaiúva. A Questão Militar foi habilmente explorada pelos republicanos que não se cansavam de acirrar o ânimo dos militares contra o governo.

Pedro II e proclamou oficialmente a república no Brasil27. pertinazes e sinceros. adepta da ação revolucionária na imprensa e na rua. como os conservadores feridos pela abolição. podemos afirmar que duas forças agiram paralelamente: a direta dos republicanos e a indireta dos próprios monarquistas. a dos moços militares. Analisando então as origens imediatas da República. a dependência em relação aos mercados e capitais estrangeiros. Entre estes monarquistas que trabalharam conscientes ou inconscientemente pela República podemos destacar os liberais. os reformadores. A fraqueza política das classes médias e do proletariado urbano propiciou a hegemonia das oligarquias rurais até 1930” 28. os federalistas da espécie de Joaquim Nabuco e Rui Barbosa. doutrinários políticos. finalmente. sob a chefia de Quintino Bocaiúva. a da ardente juventude de Silva Jardim. Segundo Emília Viotti da Costa a proclamação da República “não significou uma ruptura no processo histórico brasileiro. permaneceram o sistema de produção e o caráter colonial da economia. a dos militares mais idosos – Deodoro é o seu símbolo – que foram até a República sem definidas inclinações doutrinárias.dia 15 que pôs fim a 49 anos de reinado de D. liderados por Benjamin Constant e. os abolicionistas. embora moderados.29 . e os desgostosos e displicentes. As condições de vida dos trabalhadores rurais continuaram as mesmas. imbuídos das doutrinas de Comte. Entre os republicanos. é possível também distinguir quatro correntes diversas: a dos históricos de 1870. e da linhagem de Tavares de Bastos.

O alto comando militar passou então a afirmar que. tinham consciência do papel que desempenharam na proclamação da República e do poder que possuíam naquele momento. que é ele que sabe purificar o sangue do corpo social. O Marechal Floriano Peixoto foi quem melhor esclareceu o espírito anticivilista que existia entre os militares: “Fato único. para consolidar as novas instituições republicanas era necessário que o poder permanecesse nas mãos dos militares. Os civis. nas mãos dos militares. O grupo dos militares. relutavam em entregar o governo aos civis. mas não há quem desconheça. ao menos uma grande parte destes. Dessa forma. que sou. por sua vez. que. ficando o poder político. a organização do Governo Provisório republicano coube ao Marechal Deodoro da Fonseca. “o governo não .1. está corrompido"30. nesses momentos iniciais. Como afirmou Carone. Logo após o 15 de novembro manifestou-se em vários membros do governo uma preocupação em relação a quando se daria o retorno à normalidade política. como o nosso. sempre encarados com suspeitas e acusados de serem os responsáveis pela corrupção que imperava na política brasileira. Como liberal. e aí estão os exemplos. não permaneceram inertes nesse período de formação do governo republicano. não posso querer para o meu país o governo da espada. que prova exuberantemente a podridão que vai por este pobre país e que muito necessita a ditadura militar para expurgá-la.3 – A organização do Regime Republicano Como já foi comentado neste trabalho. o golpe que proclamou a República no Brasil teve a participação de diversos setores da sociedade brasileira e que representavam ideologias políticas conflitantes. Porém.

os grupos ligados a agroexportação conseguiram vários lugares de destaques na política federal durante a chamada República da Espada e muitos de seus membros cravaram suas garras nas estruturas políticas estaduais. Segundo Carone. foi patente o desencontro entre o espírito representativo e a prática burocráticapolítica. os grupos estaduais provisoriamente estabelecidos passaram a pressionar no sentido de uma legalização do regime. as vitórias do momento não representam a consolidação do grupo no poder. a questão fundamental era a de saber quem substituiria. através de eleições indiretas. como força organizada. sobretudo porque grande parte do Ministério era favorável à volta da legalidade”. desde o governo provisório. Assim. a crise via continuar aprofundado-se ainda mais”. como se definiriam as regras do novo establishment”. o Poder Moderador.pode fugir a essas pressões. de fato. Mas. Mesmo atuando. Assim.32 Enquanto as disputas políticas a nível federal se desenrolavam. aparentemente. em 15 de setembro de 1890 realizaram-se eleições em todos os estados para a escolha dos constituintes federais e. no plano efetivo da Constituição não escrita. à vitória dos grupos militares representados pela figura de Deodoro. pouco tempo depois. imbricada diretamente no Exército e no zelo purgatório de que se imbuíram importantes setores seus. foi eleito Presidente do Brasil.31 De acordo com Cardoso. A consolidação do regime republicano nos Estados se deu de forma relativamente pacífica porém.33 A história do Governo Provisório e do governo de Deodoro foi marcada por um desgaste sucessivo da figura do proclamador da República e pela continuidade do jogo de interesses que predominava no regime imperial. “especialmente no governo do generalíssimo proclamador da República. por várias vezes como oposição. “os choques violentos de facção conduzem. iniciou-se um grande . em 15 de novembro do mesmo ano Deodoro. iniciando a partir de então a oligarquização da República. ou seja.

e não a fórmulas ideológicas ou partidárias”. a maioria dos governos estaduais que tinham sido nomeados por Deodoro. . para evitar o início de uma guerra civil. Importantes elementos da Marinha e do Exército no Rio de Janeiro não concordaram com o golpe e prepararamse para derrubar a nascente ditadura deodorista. desordenadamente prendendo-se a interesses locais e Coronelísticos. Floriano assumiu a presidência articulado com o Partido Republicano Paulista. ele também apoiou direta ou indiretamente as intervenções antilegalistas nos estados. Prudente de Morais (Presidente do Senado) e Rodrigues Alves (Ministro da Finanças). Deodoro acabou perdendo também o apoio de importantes líderes militares como Wandenkolk. militares – agiam em geral. Este. quando alguns navios se rebelaram na baía de Guanabara35. A luta por essa hegemonia foi complexa porque “as lideranças – ex-monarquistas. tendo figuras de destaque em seu governo. Essas oposições mergulharam o governo em crises praticamente impossíveis de serem superados. Deodoro renunciou e passou o poder para o seu vice que era Floriano Peixoto.36 O momento inicial do governo de Floriano foi marcado por uma política ambígua: ao passo que ele normalizou o funcionamento do Congresso. dirigindo-se ao Congresso. Assim. poderia levar o país a uma conflagração geral. Deodoro mandou fechar o Congresso no dia 3 de novembro de 1891. Alguns grupos passaram a defender o impeachment do presidente. com o argumento de que a sucessão se deu antes de dois anos de mandato do presidente titular. republicanos. Diante desse quadro desesperador.37 O quadro geral da política brasileira não se tranqüilizou com a ascensão de Floriano. O contra-golpe da oposição iniciou-se na madrugada dos dias 22 e 23 de novembro.34 Ao mesmo tempo em que sofria oposição do Congresso.conflito pela hegemonia do poder político. foram destituídos pelas novas oligarquias. Custódio de Melo e Floriano Peixoto. apoiadas por Floriano. membros desse partido como Bernadino de Campos (Presidente da Câmara). tenta justificar a conivência do governo federal diante das derrubadas nos estados afirmando que uma reintegração dos governos depostos através da força do governo federal. Logo no início do seu governo.

Após a intensificação da campanha antiflorianista, o governo decretou o estado de sítio para o Distrito Federal e prendeu vários líderes da oposição. A prisão do almirante Wandenkolk levou grande parte da oficialidade a um estado de revolta, que se traduziu na organização de uma segunda revolta da armada, novamente liderada pelo contra-almirante Custódio de Melo38 e que causou o bombardeamento da capital brasileira entre setembro de 1893 e março de 1894. Floriano, apoiado pelos republicanos paulistas e pelos jacobinos39, conseguiu derrotar os rebeldes e passou a executar uma grande perseguição política e ordenar freqüentemente fuzilamentos arbitrários. O ano de 1894 – ano das novas eleições presidenciais – correu sob um clima de grande expectativa, pois não se sabia ao certo se o presidente realmente entregaria o cargo ou se continuaria como um ditador. Segundo Queiroz, “o plano geral do grande golpe de estado foi seriamente estudado e suas medidas preliminares, contidas na prorrogação do estado de sítio e no adiamento do Congresso, chegaram ser publicamente apresentadas e defendidas. Argumentava-se que o marechal, pela necessidade de combater o espírito de revolta e sufocar a guerra civil, não pudera dar à organização geral do Brasil em moldes desejáveis aos verdadeiros patriotas todo o seu providencial devotamento. Era indispensável conservá-lo no poder por mais dez anos”.40 Após a conclusão do seu mandato Floriano, contrariando todas as previsões, não tentou nenhum golpe e passou pacificamente o governo para o paulista Prudente de Morais em 2 de novembro de 1894. Prudente de Morais inicia o seu governo de forma cautelosa, apesar de saber que contava com o importante apoio do poderoso Partido Republicano Paulista e de vários grupos partidários estaduais. Na verdade, “Prudente orienta-se determinantemente para o encerramento da fase revolucionária e a consolidação do domínio civil. O presidente procede a uma lenta estados”.41 mas Inexorável desarticulação dessa estrutura de poder florianista existente nos

A partir de 1896 a luta jacobinista contra o governo civil de Prudente ganhou força e passou a se organizar na tentativa de articular um novo golpe. O presidente enviou uma solicitação ao Congresso para decretação de estado de sítio, pois afirmava que existia uma conspiração contra o governo republicano. “O estado de sítio e as medidas enérgicas contra os jacobinos e a oposição como um todo, fizeram com que estes recuassem e se dividissem”42. Daí por diante, até o fim do seu mandato (15 de novembro de 1898), o Presidente da República “passa a ser, automaticamente, o chefe do partido. Este partido seria como uma organização que outra coisa não é senão o Grande Clube Oligárquico”43. A tarefa de operacionalização desse sistema coube a Campos Sales (sucessor de Prudente de Morais e que governou de 1898 a 1902) e por ele foi executada com perfeição. Segundo Cardoso, “Durante o governo de Campos Sales desenvolveu-se a teoria de que a orientação de um processo político é uma função que pertence a poucos e não à coletividade. Ele propôs um ‘Pacto Oligárquico’, para mover um sistema baseado numa liderança que mais do que pessoal, seja institucional. Esse sistema foi a base do fenômeno coronelístico e da cristalização de várias oligarquias estaduais”44. Durante toda a República Velha as oposições ainda existiram, porém sempre às margens dos grupos dominantes, dos coronéis e, mais do que esse, dos oligarcas que controlavam, além das fazendas, a máquina estatal.

CAPÍTULO 2 OS MOMENTOS INICIAIS DA REPÚBLICA NO RIO GRANDE DO NORTE 2.1 – A estrutura econômica do Rio Grande do Norte no final do século XIX e início do século XX Não podemos falara da economia do Rio Grande do Norte no final do século XIX sem abordarmos a temática da seca. Apesar de desde os tempos remotos do início de nossa colonização já existirem notícias desse problema, foi somente a partir do século XVIII, com a consolidação da presença branca no Sertão, que os dados sobre as secas se tornaram mais precisos. Existem consistentes dados sobre grandes secas que ocorreram entre os anos de 1816-1817 e a de 1824-1825, mas provavelmente a estiagem que ocorreu entre os anos de 1844-1846 foi a que mais deixou marcas econômicas e sociais para a província do Rio Grande do Norte. Em termos sociais, essa seca, ao que tudo indica, deu início efetivo a o processo de êxodo rural, com uma massa de sertanejos miseráveis migrando desesperadamente em busca dos centros urbanos, principalmente para Natal. Esse problema ficou evidente, num discurso proferido pelo Presidente da Província perante a Assembléia Provincial, em 7 de setembro de 1845: A mortandade do gado de todas as espécies e o aniquilamento as lavouras, tem obrigado grande parte da povoação do centro a abandonar as suas habitações e avir homisiar-se no litoral, onde a carestia e a escassez [de alimentos], que já se sentia, aumentou-se, como era natural, com o acréscimo de novos consumidores que sobrevieram, tornando-se por conseqüência geral a miséria e a indigência, cujas calamitosas conseqüências sofrem em maior

Após a eclosão da Guerra de Secessão (1861-1865). devidos as inconstâncias do clima sertanejo. as exportações norte-americanas entraram em declínio. e o algodão foram os .]45 Além dos problemas sociais citados acima. bem como durante toda a sua história. os quais. o Vale do Ceará-Mirim. o período entre os anos de 1850 e 1860. A integração norte-riograndense nesse processo se deu através da exportação de produto como o açúcar. principalmente as lavouras de cana-de-açúcar que se concentraram mais em uma nova área açucareira. notadamente os ingleses No período pós proclamação da República. o algodão e o couro e da importação de produtos industriais. apesar de se encontrar em decadência nesse período. não só de fome. De tão desgraçada situação tem resultado morrerem não poucos indivíduos. O algodão foi outro produto que teve um grande impulso na segunda metade do século XIX. o que possibilitou a entrada do algodão no mercado inglês principalmente.. O Estado passou a também fazer parte do amplo movimento de expansão mundial do capitalismo. Mesmo com os efeitos danosos das grandes secas. carecem de casas em que se abrigarem e de roupa que com se tirem da desnudez em que se acham. além da necessidade de alimentos. principalmente crianças e velhos. ligando as áreas mais remotas do planeta ao eixo de influência comercial e industrial das grandes potências. Como grande parte de nossos rebanhos bovinos foram aniquilados pela seca. mas de enfermidades [. Essa mudança no cenário internacional possibilitou a existência de um segundo ciclo do algodão no Nordeste e no Rio Grande do Norte. passando de 43 para 173 unidades produtivas46. No final do século XIX e início do século XX a cana-de-açúcar. o Rio Grande do Norte teve uma economia baseada em produtos agrícolas. Segundo Rocha Pombo. a seca de 1844-1846 também causou grandes mudanças no cenário econômico potiguar.. o número de engenhos no Rio Grande do Norte praticamente quadriplicou. foi de intenso crescimento das atividades comerciais no Rio Grande do Norte.escalas os retirados ou emigrados. ficou evidente a fragilidade dessa atividade. entre os anos de 1845 e 1861. Essa crise na pecuária motivou uma revalorização da agricultura litorânea.

formou a base do poderio econômico dos Albuquerque Maranhão. sendo substituída no controle da máquina estatal durante a década de vinte quando a oligarquia Bezerra de Medeiros. tinham destaque também o sal de cozinha e a carnaúba. o Cemitério Público no bairro do Alecrim (1865). Esse crescimento comercial verificado desde o final do século XIX gerou um aumento nas arrecadações de impostos. a Tesouraria Provincial e o Tribunal de júri (1865). o calçamento da “Ladeira da Cruz” que ligava a Cidade Alta à Ribeira – atual Av. o prédio para abrigar a Assembléia Provincial. logo os grupos que ocupavam o poder no estado trataram de adquirir o monopólio do sal. Por se tratar de um importante produto para a nossa economia. e ainda a construção da “Ladeira do Baldo”. juntamente com a cana-de-açúcar. Foi tão grande a importância desse produto que. oriunda da região do Seridó assumiu o poder. a Biblioteca Pública Municipal (1868). No que se refere às exportações norte-riograndenses no período estudado. como o Hospital Público (1856). posteriormente. Segundo Monteiro Com esses recursos. o segundo. entre a Cidade Alta e a fonte pública de abastecimento de água da cidade. existente no rio do Baldo (1866).47 Sobre a produção do sal no Rio Grande do Norte podemos afirmar que este merece um destaque especial na economia do estado durante a República Velha. tentando impedir que os pequenos e médios salineiros pudessem realizar . tinha como principal região produtora o Seridó. o Mercado Público (1860). a iluminação pública com lampiões (1859). oligarquia que dominou a vida política potiguar durante a maior parte da República Velha. O primeiro. além das tradicionais lavouras de açúcar e algodão.produtos mais cultivados no estado. sendo o Rio Grande do Norte o maior exportador de sal do Brasil. Junqueira Aires – onde se localizavam as Casas de Comércio e a Alfândega – (1870). o prédio próprio do Atheneu Norte-RioGrandense (1859). era cultivado principalmente no litoral sul do estado e na região de Ceará-Mirim. por parte do Governo Estadual. por sua vez. favorecida pela ascensão do algodão no mercado nacional. a primeira Escola de Ofícios (1858). a Câmara Municipal de Natal. foram feitas ou iniciadas obras na capital.

Apesar das tentativas de monopolizar a comercialização do sal terem antecedido a proclamação da República. porém esse número nos anos seguinte enfrentou uma drástica queda chegando à marca de 1. foi somente no governo de Ferreira Chaves (1897 – 1900). após o ano de 184549. Através desse contrato. o governador Alberto Maranhão tomou várias medidas para conceder vantagens para esses produtores51. Pressionado pelos grandes senhores de engenho. o Rio Grande do Norte não alcançou destaque no cenário nacional. no Rio Grande do Norte.525 quilos em 1905.534 quilos. se localizasse principalmente no interior do estado onde fica mais diretamente . O caráter monopolista fica explícito quando o contrato determina que: “os contratantes poderão entrar em acordo com os demais exportadores e produtores para o fim de auferirem as vantagens e sujeitarem-se aos ônus do contrato. No ano da proclamação da República o estado conseguiu exportar uma expressiva quantidade de açúcar. A nível de Nordeste a indústria potiguar superava apenas o Maranhão e o Piauí.760. chegando a 13. através do contrato de monopolização. Essa fraca industrialização contribuiu para que a população norte-rio-grandense. posteriormente.48 Quanto à cana-de-açúcar. que não queriam perder o poder econômico com a crise que afetava o setor.um comércio de forma direta desse produto. político ligado aos Albuquerque Maranhão. que esse monopólio se concretizou. ficando os que se recusarem ao acordo obrigados a pagar pelo sal que exportarem um imposto equivalente à metade da taxa no orçamento da União para a entrada do sal estrangeiro. No que se refere à indústria. na época da Primeira República. assinado em 13 de agosto de 1897. ela foi um dos principais produtos da economia brasileira até o período da República Velha e.244. foi produzido inicialmente no litoral sul e. teve uma grande expansão voltada para uma nova área canavieira – o vale do rio Ceará-Mirim50. a empresa Sal e Navegação obteve o monopólio da comercialização do sal no estado.

facilitando a consolidação do fenômeno coronelístico. a economia potiguar também possuía uma pecuária relativamente destacada e também se praticava a agricultura de subsistência. mandioca e outros produtos alimentícios.” 52 .. não podemos olvidar a contribuição da pecuária.. como atesta Paulo Pereira dos Santos: “As culturas de algodão e de cana-de-açúcar preenchiam grande parte do nosso território. Além dessas atividades agrícolas de subsistência e de exportação. secundados pelo plantio de feijão.sob o controle dos grandes coronéis. milho. Paralelamente às grandes lavouras para a exportação.

O Partido Liberal dividia-se entre a ala majoritária que seguia o exdeputado-geral Dr. Porém. Os partidos eram mais um ajuntamento de parentes. com programas definidos e soluções para os problemas da província.2 – A organização político-partidária do Rio Grande do Norte no final do século XIX e início do século XX A estrutura político-partidária do Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889). As disputas se resumiam à lutas por mais poder. cargos no governo e influência junto ao imperador. O Partido Conservador. também se encontrava fracionado em dois grupos: o da “Gameleira”. que seguiam o advogado Dr. compadres e agregados e clientes do que instituições representativas de setores sociais determinados. José Moreira Brandão Castelo Branco. entre esses dois partidos.53 Mesmo internamente. os partidos potiguares não apresentavam uma boa definição ideológica. forneciam o pano de fundo para a política potiguar no final dos anos 80 do século passado. por sua vez. em termos ideológicos. Essa carência de partidos políticos propriamente ditos foi a tônica desse final de Monarquia no Rio Grande do Norte e no Brasil e assim continuará sendo por quase toda a República Velha”. liderado pelo padre João Manoel .2. resumia-se à disputas entre os partidos Liberal e Conservador. uma sociedade agrária e patriarcal. No Rio Grande do Norte. Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti e a ala minoritária dos chamados “puros”. com as disputas entre os partidos Liberal e Conservador. os partidos Liberal e Conservador do Rio Grande do Norte não apresentavam uma unidade e encontravam-se profundamente divididos. como bem elucida Bueno: “Uma economia frágil e dependente. a organização político-partidária refletia a mesma existente a nível federal. Na verdade. existiam poucas diferenças.

merece destaque o Partido Republicano Federal do Rio Grande do Norte. influenciado pela propaganda de Silva Jardim. Miguel Castro (conservador). O próprio Pedro Velho. o Partido Republicano fez o seu ”batismo” nas urnas. pregava uma revolução no âmbito eleitoral. Agindo sem ética política. Pelo primeiro distrito. não há democracia”. os integrantes do Partido Republicanos construíram para si um pedestal de ‘glória’ pouco condizente com os ideais republicanos.57 Com o advento da República. esse partido impediu que se praticasse o princípio mais elementar do regime democrático: a rotatividade dos partidos no poder. mesmo com uma indiferença inicial. e pelo segundo. fundado por Pedro Velho no dia 27 de janeiro de 1889. Antes mesmo da proclamação da República. o partido foi crescendo à medida que os liberais e conservadores se desentendiam com a desagregação do regime monárquico55. o Dr. Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. saiu vitorioso Amaro Bezerra (liberal). Porém. como explica Itamar de Souza: “Realizando eleições a ‘bico de pena’. na eleição de 31 de agosto de 1889. que seguiam as orientações do professor da Faculdade de Direito de Recife. Dentre os partidos republicanos potiguares. seus métodos para se consolidar o poder seguiam as mesmas práticas violentas e corruptas que marcaram as disputas políticas brasileiras nas primeiras décadas do século XX. Realizado o pleito. esse partido passou a dominar completamente a política norte-riograndense durante toda a República Velha. o Partido Republicano não se constituía como uma ameaça. Inicialmente o partido não empolgou as massas. sem derramamento de sangue56. eliminando eleitores na hora do alistamento nos municípios onde a oposição poderia vencer e praticando toda sorte de arbitrariedade em favor dos seus candidatos. No período de sua fundação.de Carvalho e o da “Botica”. Tarquínio Bráulio de Souza Amaranto. o resultado foi o seguinte: o candidato Pedro Velho obteve apenas 56 votos.58 . Sem isso. Dr. os partidos monarquistas praticamente se dissolveram e seus membros ingressaram uns no partido republicano de tendências pedrovelhistas e outros passaram a fazer oposição ao novo líder político potiguar. Porém.54 Após o 15 de novembro.

. todos os governantes estaduais seguiam esta diretriz política: aos amigos. Esse partido foi fundado aos 27 de agosto de 1897 e sua reunião de fundação foi presidida pelo Dr. aglutinando em suas fileiras todos os descontentes com as diretrizes políticas tomadas por Pedro Velho. Enfraquecido por sucessivas derrotas e pelo falecimento de alguns de seus líderes.Os vários políticos descontentes com as diretrizes dadas por Pedro Velho acabaram se unindo e fundaram no dia 27 de agosto de 1897. Os republicanos “históricos”. presidido por Hermógenes Tinoco61. mas. afirmou que “o partido oposicionista ao governo estadual devia empenhar-se em aparar e prestigiar o princípio da autoridade sem o qual não evoluem os princípios de liberdade que estão consagrados na Carta Constitucional de 24 de fevereiro”59. Não se reconhecia à oposição o direito de existir. Apesar do partido ter nascido forte. que acabou se tornando o ponto de oposição a oligarquia Albuquerque Maranhão que dominava o Partido Republicano Federal. ao contrário. o Partido Republicano Constitucional. na República Velha. todas as benesses do poder. para os adversários. ao explicar as razões daquele evento. uniram-se aos liberais amaristas e aos conservadores da Gameleira para formar o chamado “Centro Republicano 15 de novembro”. segundo Souza Não demorou muito para esses políticos entenderem que era quase impossível se combater o Governo na República Velha. O Partido Republicano Constitucional já nasceu com uma relativa força. não é exagero afirmar que. José Paulo Antunes que. disposto a travar qualquer luta pelo poder. excluídos por Pedro Velho. como um terrível inimigo a quem o governo devia combater por todos s meios lícitos e ilícitos. o Partido Republicano Constitucional entrou num rápido processo de decadência. contando com uma empolgante esperança dos oposicionistas de Pedro Velho de conseguirem abalar a oligarquia Albuquerque Maranhão. Por isso. O oposicionista não era considerado como um adversário político. os rigores da lei e a violência do arbítrio60. que já se estruturava na política do Rio Grande do Norte.

Pedro Velho tratou de também de organizar um jornal que . o Partido Católico foi paulatinamente absorvido pelas oligarquias dominantes. pois não conseguiam concorrer com os candidatos apoiados por Pedro Velho. procurando denunciar todas as irregularidades e crimes cometidos pela oligarquia dominante do estado. que circulou entre 1885 e 1889 e era dirigido pelas duas facções dos liberais. Segundo Itamar de Souza. foi publicado em Caicó (na época chamada de Vila do Príncipe) o jornal O Povo. os grupos políticos do estado procuravam montar algum jornal que pudesse servir de porta-voz dos interesses e ideologias de cada uma dessas facções políticas. como nos demais estados brasileiros. Apesar de ter obtido uma boa votação nas eleições para deputados e senadores no Rio Grande do Norte. que circulou entre os anos de 1890 e 1896. Após a proclamação da República. Os liberais editaram em Natal o jornal A Liberdade. os candidatos do Partido Católico foram derrotados. Seguindo uma tendência da época. passou a editar o jornal Rio Grande do Norte. Desde o final da década de 1860 que se tem notícias de um partido católico no Brasil. Após a fundação do Partido Republicano do Rio Grande do Norte. Esse jornal era de tendência deodorista. em janeiro de 1889. “após a proclamação da República em 1889. tendência esta que se apresenta até os dias atuais. principalmente. a seu grande líder. rompendo com Amaro Bezerra. antiflorianista e anti-pedrovelhista. Pedro Velho64. o Partido Católico articulou-se para combater o positivismo. que não se alinharam com a política de Pedro Velho. que era a ideologia dominante entre os líderes do movimento republicano”62. publicando duras críticas à oligarquia Maranhão e. mas cada vez mais dominado pelos amaristas. A partir de março de 1889 até 1892. o jornal dominado pelos conservadores (tanto os da Botica quanto os da Gameleira) era a Gazeta do Natal. parte dos conservadores. que era o porta-voz da dissidência seridoense que. porém foi após a chamada “Questão Religiosa” (1872) que as forças católicas se agitaram em todo o Brasil. No final da Monarquia. passou a sofrer uma maior influência dos coronéis sertanejos liderados pelo “tenente-coronel” José Bernardo de Medeiros63. No Rio Grande do Norte.Essa agremiação política passou a fazer forte oposição a Pedro Velho e seus aliados. em 1890.

Assim. . cujo primeiro número circulou no dia 1º de julho de 1889. os republicanos liderados pelo jovem Janúncio da Nóbrega Filho utilizavam os espaços do jornal O Povo (de orientação liberal) para divulgar as idéias republicanas pelo Sertão65.ajudasse na divulgação das idéias republicanas. No Seridó. foi criado o jornal A República.

João Avelino já possuía uma extensa lista de nomes de republicanos norte-rio-grandenses. e que ocupavam os cargos públicos da província”66. teve lugar nesta capital na residência do cidadão João Avelino. segundo Tavares de Lyra “às 12 horas do dia 27 de janeiro de 1889. onde a nascente elite cafeeira se sentia prejudicada com a forte centralização monárquica. manifestos e fundação de clubes republicanos. João Avelino e Almino Afonso. se intensificou a partir da década de 1870.3 – O advento da República no Rio Grande do Norte O movimento republicano no Brasil.2. como já se estudou no primeiro capítulo deste trabalho. alguém que levasse adiante o processo de organização de um partido republicano no estado. Em 1888. o nome escolhido foi o de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão (primo de João Avelino)67. a primeira reunião do partido republicano . os divulgadores do republicanismo no Nordeste foram “essencialmente. principalmente na região Sudeste. No Rio Grande do Norte. o movimento republicano tinha inicialmente como principais líderes Janúncio da Nóbrega Filho. no entanto. Escolhido o líder do partido. os filhos da elite agrária local que passaram pelas escolas superiores de Medicina e Direito. quando as idéias republicanas passaram a circular através de jornais. marcada pela decadência das tradicionais lavouras canavieiras e algodoeiras. centros de circulação e debates de idéias. Este era acusado de “virar as costas” para os graves problemas que se abatiam sobre a sociedade e sobre a economia nordestina. Segundo Denise Monteiro. No Nordeste também existia um descontentamento da elite agrária em relação ao governo imperial. Faltava. Após muitas consultas. de Pernambuco e Rio de Janeiro.

Nóbrega era estudante de Direito em Recife quando redigiu o inflamado e empolgante “Manifesto Republicano”. em 1889: .)71 Também no Sertão norte-rio-grandense. de Caicó. realizada por jovens como Janúncio da Nóbrega Filho. Contamos com a vitória pacífica da opinião que progride e cada dia mais e mais se fortalece” (grifo nosso) (.) (.nesta província. no momento da fundação do partido..) “No terreno das idéias. Essa visão elitista e conservadora dos líderes do partido republicano do Rio Grande do Norte. fica evidenciada nas palavras de Pedro Velho. no ano de 1889. Cremos entretanto que a liberdade triunfará em curto prazo e sem abalos nem convulsões. a chama do republicanismo se espalhava e contagiava cada vez mais adeptos.. cujo pai era proprietário de terras e capitão da Guarda Nacional. sem violências nem excessos (grifo nosso). para vicepresidente Hermógenes Tinoco.) “Se trabalharmos em a esperança de gozar pessoalmente os frutos da grande reforma ao menos estamos preparando um futuro melhor para os nossos filhos. com a mais perfeita independência de pensar... “traduzia um comprometimento cada vez mais íntimo com os interesses e a perspectiva da classe dos grandes proprietários rurais e da burguesia comercial”70. que não desejavam em hipótese alguma perder seus privilégios. publicado no jornal O Povo.. Para Lindoso. A Comissão Executiva Provisória do Partido Republicano escolheu para presidente do partido Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. após os movimentos revolucionários tragicamente afogados no sangue dos patriotas de 1817 e 1824”68. sempre na linha reta da propaganda doutrinária” (. o movimento republicano no Rio Grande do Norte. para 1º Secretário João Avelino Pereira de Vasconcelos. contidas no manifesto escrito pelo mesmo após a fundação do partido: (. para 2º Secretário João Ferreira Nobre e. com as nossas convicções solidamente firmadas.... motivados pela crescente propaganda em torno da idéia republicana. para Tesoureiro Manoel Onofre Pinheiro69. mas com perseverança e constância.

entre os republicanos. “As 15 horas do dia 17 de novembro. Para surpresa dos chamados republicanos “históricos” Pedro Velho.) “Povo seridoense. pelo seu retardamento na escala ascendente do progresso. merecedora de um futuro melhor”72 (. É preciso que o Brasil se ‘americanize’.. e como medo de ser considerado um usurpador do poder. fruto do medo de um retrocesso monarquista73. naquela época. e sem nenhuma decisão de como seria também feita a proclamação no estado.. esquecendo as tendências anti-republicanas de vários deles. mais do que ninguém. vivemos no mais puro absolutismo disfarçado”(. Pedro Velho foi ao Palácio do Governo. que. funcionava na rua Tarquínio de Souza. perante uma multidão de cerca de trezentas pessoas e das autoridades militares aqui sediadas. após essa hesitação inicial. adversários naturais dos liberais depostos. que tem 67 anos de vida tem votado ao mais criminoso abandono e ao mais revoltante esquecimento esta nossa heróica província.) (. De posse do telegrama enviado por Aristides Lobo.. antes de assumir o governo. segundo Itamar de Souza. ainda existia. Lá.(.) “A monarquia não pode mais existir no solo americano pelo sacrifício da dignidade de um povo..) As notícias do ocorrido no Rio de Janeiro em 15 de novembro pegaram os norte-riograndenses desprovidos de qualquer informação. temos necessidade de sermos republicanos. porque é americano. Segundo Itamar de Souza. Pedro Velho foi aclamado Presidente do estado”74 ... pelo aniquilamento das suas liberdades. contra a índole de seu caráter. convocando-o para assumir o governo do Rio Grande do Norte. que é essencialmente livre. adaptando-se ao meio continental em que vive.. hoje Rua Chile.. procurou aconselhar-se primeiro com os conservadores do grupo da Botica. nós os rio-grandenses. Pedro Velho hesitou pois. apesar do entusiasmo contido no manifesto. quem de nós tiver o poder mágico de sentir as eletrizações sublimes do patriotismo não pode deixar de protestar contra a daninha existência deste império bragantino. um clima de expectativa. A monarquia entre nós foi instituída por um modo indigno e infante.

a grande questão que surgiu para as elites estaduais resolverem foi. Dessa forma. segundo Bueno. segundo Denise Monteiro. “A República na província potiguar nascia tranqüilamente. como manter o monopólio do poder com o fim do voto censitário. . como se fosse a transmissão formal de cargo de um partido a outro. A solução encontrada foi justamente a utilização do voto aberto. que passou a ser chamado de “voto de cabresto”. como ganharam ainda uma aparência de legitimidade”76. “as estruturas de poder não só foram mantidas. de acordo com a praxe imperial e não uma mudança radical de um regime político por outro”75 Com o fim da Monarquia.Assim.

e na presença de aproximadamente trezentas pessoas. Pedro Velho de Albuquerque Maranhão tratou logo de compor a estrutura do novo governo republicano. certo de que a moralidade. O Governo Provisório norte-rio-grandense foi composto praticamente por ex-monarquistas (conservadores da Gameleira e da Botica e liberais não-amaristas e dissidentes do Seridó). cujos direitos saberá respeitar e fazer respeitar em sua plenitude. Este governo recebeu o apelido de “Tríplice Aliança”77. que. tendo por norma e guia de seus passos. Pedro Velho lançou um “Manifesto ao Povo”.manter a ordem e assegurar a felicidade de seus concidadãos. conclamando a população do Estado à aderir com fervor os ideais e práticas republicanas. o padre José Paulino.CAPÍTULO 3 A OLIGARQUIZAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE 3. justiça e energia de . foi aclamado Presidente. Quatro dias após assumir o governo do Rio Grande do Norte. atual Rua Chile. As nomeações feitas por Pedro Velho surpreenderam e desagradaram profundamente os chamados republicanos “históricos”. deixando claro como seria a sua prática política a partir de então: O governo deste Estado. Janúncio da Nóbrega e Braz Melo. que não foram lembrados para nenhum cargo junto ao governo. continha uma forte e contundente ameaça aos seus oposicionistas. legítimo e imediato representante do Povo. Pedro Velho dirigiu-se ao Palácio do Governo. o conservador Amintas Barros e o republicano Pedro Velho. como Hermógenes Tinoco. na época localizava-se na Rua Tarquínio de Souza. Esse manifesto porém. Assim que foi aclamado Presidente do Rio Grande do Norte. tendo como principais líderes o liberal José Bernardo.1 – Das indefinições iniciais a oligarquização plena No dia dezessete de novembro de 1889.

evidenciam que o líder do governo potiguar. acima das convicções ideológicas. como uma série de nomeações e exonerações. faz saber: .Que será crime de lesapatriotismo tentar perturbar o estabelecimento do governo republicano deste Estado. Após a . levou os “históricos” a se aliarem com os seus tradicionais adversários. Ao excluir os “históricos” e nomear líderes seridoenses. quem pretende insinuar no ânimo generoso deste bom Povo Rio-Grandense que o Governo não seja encarnação firme e honrada do amor à causa pública e decidido mantenedor da tranqüilidade pátria. Que o advento da República dos Estados Unidos do Brasil é hoje um fato brilhantemente consumado e irrevogável78. durante a montagem do seu secretariado. num total de 32 mudanças de cargos entre os dias 18 e 22 de novembro de 188980. o Centro Republicano 15 de Novembro79. Pedro Velho procurava expandir a oligarquia Maranhão também ao interior do Estado. o primeiro grupo que se levantou contra a nascente oligarquia Albuquerque Maranhão e pelo “pedrovelhismo” que marcou os primeiros anos da República no estado. para formar.seu procedimento administrativo constituem a garantia mais perfeita do respeito à lei e à autoridade extraordinária de que se acha investido por aclamação do Povo e das classes militares. procurava manter ao seu redor políticos que pudessem fortalecer ainda mais o seu partido e ajudá-lo a consolidar-se e a sua família no poder. pois tradicionalmente a área de influência dessa família limitava-se ao litoral. Pedro Velho e seus correligionários foram surpreendidos com a notícia da nomeação do Dr. Após apenas dezenove dias no poder. em 22 de março de 1890. sem patriotismo e abnegação. que encheu de júbilo santo o grande coração dos filhos desta terra. fato grandioso e sublime. As primeiras medidas tomadas por Pedro Velho. bem como as suas nomeações para o Governo Provisório. .Que conspirar. (grifo nosso) A opção política tomada por Pedro Velho. os liberais amaristas e parte dos conservadores da Gameleira. cujas tradições de heroísmo já a história tem registrado em mais de um período solene e difícil de nossa existência política. pacífica e entusiasticamente organizado. Adolfo Afonso da Silva Gordo para assumir o governo do Rio Grande do Norte.

Pedro Velho conseguiu ainda que o governo contratasse o jornal A República para publicar todos os atos oficiais82. o novo governador atendia totalmente aos desejos de Pedro Velho. Pedro Velho procurou ao máximo se unir aos vários governadores que estavam sendo indicados para o Rio Grande do Norte. era o vice que governava”83. Adolfo Gordo deixou o governo em fevereiro de 1890 sem apresentar nenhuma justificativa. “na prática. Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão. A maior parte das medidas tomadas por ele evidenciava o quanto Pedro Velho já tinha conseguido influência nas decisões do governo. Apesar de excluído do Governo Estadual.saída de Pedro Velho. Pedro Velho conseguiu a nomeação para a administração estadual do Dr. Para governar Natal foi criado o Conselho de Intendentes. Adolfo Gordo contratou. respectivamente. sem concorrência e sem fiscalização. Essa medida favorecia seus interesses pois o jornal porta-voz de seu grupo se tornava agora quase um órgão oficial do governo. Agindo rapidamente junto ao governo provisório no Rio de Janeiro. Essa instabilidade do Governo Estadual era reflexo das acirradas disputas que estavam ocorrendo a nível federal. pai de Pedro Velho81. João Avelino e Jovino Barreto. o governo do Estado foi seguidas vezes ocupado por políticos nomeados pelo Governo Federal (7 governadores e uma Junta Governativa em apenas 2 anos e 2 meses). Como afirma Itamar de Souza. Joaquim Xavier da Silveira Júnior (governou de 10/03/1890 a 19/08/1890) e a sua para vice. cujos membros eram escolhidos pelo governador do Estado. Em seu curto governo (07/12/1889 – 08/02/1890) Adolfo Gordo não tomou nenhuma medida de impacto político. primo e cunhado de Pedro Velho. avô. . Os primeiros presidentes da Intendência de Natal foram Fabrício Gomes Pedroza. afim de gradativamente ir montando as bases de sua oligarquia que se estruturava no estado. procurando sempre que possível indicar algum parente para cargos públicos ou favorecer os negócios industriais e agro-comerciais de seus familiares. a abertura da estrada Natal-Macaíba com o Sr. Da mesma forma que ocorreu no governo de Adolfo Gordo. A importância para a oligarquia Maranhão de dominar este cargo devia-se ao fato de que o Presidente da Intendência de Natal era também presidente da junta apuradora de todas as eleições.

pertencente a Jovino Barreto. que entrou para a História do Brasil como “uma das mais fraudulentas”85. José Pedro de Oliveira Galvão (parente de Pedro Velho) e o erudito Dr. elevou a 10% o imposto pago pelo açúcar refinado de outros estados. foram eleitos os representantes dos antigos grupos monarquistas que haviam aderido praticamente desde a primeira hora. ela apenas confirmou uma tendência muito clara na política do Rio Grande do Norte: a centralização do PRRN e de toda a política nas mãos de Pedro Velho e de sua família. “ formou-se naquela ocasião a estrutura política para ele impor ao Rio Grande do Norte a sua oligarquia”87. Miguel Castro. após ter garantido o apoio em todas as regiões. Pedro Velho conseguiu a nomeação de Manoel do Nascimento Castro e Silva que tomou posse em 7 de dezembro de 1890. Para concorrer a essa eleição. por 50 anos. afim de proteger a produção açucareira de sua família. Imediatamente foi nomeado um novo governador. sua chapa saiu esmagadoramente vitoriosa. que se concentrava em Canguaretama84. concedeu ao seu irmão Augusto Severo de Albuquerque Maranhão o privilégio. sendo eleitos: o líder seridoense José Bernardo de Medeiros. eram eles: Almino Afonso. deixando Pedro Velho como governador provisório. Seu governo porém. Segundo Itamar de Souza. Amorim Garcia e o próprio Pedro Velho86. Xavier da Silveira retornou ao Sul. Durante o governo de Xavier da Silveira realizaram-se eleições para a Constituinte federal. Como um exemplo de prestígio junto ao Governo Federal. o Dr. durou apenas dois . para a Câmara dos Deputados. para construir uma estrada de ferro de Areia Branca à Luís Gomes. Segundo Bueno: “O resultado da eleição de 15 de setembro foi o esperado.O líder dos Albuquerque Maranhão conseguiu que fosse aprovado: a isenção do pagamento de direitos de exportação dos produtos da Fábrica de Fiação e Tecidos de Natal. João Gomes Ribeiro que tomou posse em 8 de novembro de 1890 e passou apenas 28 dias no cargo. seu cunhado. Amaro Cavalcanti para o Senado e. dando início ao chamado ‘pedrovelhismo”88 Alegando problemas de saúde. Pedro Velho procurou unir em um só grupo vários núcleos republicanos potiguares e.

Miguel Joaquim de Almeida Castro. principalmente após a nomeação. eleito para vice-governador e que renunciou com menos de um mês no cargo. o governador deodorista Miguel Castro foi derrubado por um movimento liderado por Pedro Velho e José Bernardo. “Seu governo decorreu num clima de acirrados debates a nível local e muito prejudicado pela crise política nacional. o governo de Deodoro mergulhava mais fundo na crise política”90. Contrariando toda a bancada potiguar. A cada dia. No Rio Grande do Norte. representante das oligarquias cafeeiras. ocorreram eleições indiretas para se escolher o Presidente da República. procurava mostrar que ele e José Bernardo “foram apenas instrumentos da vontade popular”91 . Em seu lugar assumiu o Cel. apontando para uma real oligarquização do Rio Grande do Norte. de Francisco Amintas da Costa Barros que assumiu no dia três de março e governou até 13 de junho de 189189. Após a vitória de Deodoro da Fonseca. Se o ano de 1890 marcou uma grande ofensiva de Pedro Velho e de sua família. Sucedendo Francisco Gurgel. candidato natural ao cargo. sendo o cargo entregue a José Inácio Fernandes Barros. Pedro Velho (Deputado Federal) e José Bernardo (Senador) votaram em Prudente de Morais. Apenas três dias após a renúncia de Deodoro da Fonseca. Deodoro da Fonseca acabou renunciando à presidência da República. o ano de 1891 trouxe grandes alterações nos rumos da política nacional e estadual. e o paulista Prudente de Morais. Após a eclosão da chamada Primeira Revolta da Armada. que governou de nove de setembro a 28 de novembro de 1891. No início deste ano. tendo como concorrentes o Marechal Deodoro da Fonseca. Francisco Gurgel de Oliveira que também passou pouco tempo no cargo (seis de agosto a nove de setembro de 1890). em novembro de 1891. para o governo do Estado.meses e vinte e seis dias e não teve nenhuma medida de peso para a política potiguar. A versão oficial. Em junho de 1891. Joaquim de Almeida Castro foi eleito para o governo estadual e nem chegou a assumir. iniciou-se uma grande ofensiva contra as oposições. lida por Pedro Velho na Câmara dos Deputados. os quadros pedrovelhistas começaram a ser derrubados.

Pedro Velho deixou a sua vaga na Câmara Federal aberta. formada predominantemente por elementos pedrovelhistas. Em junho de 1893 ele nomeou o seu irmão Alberto de Albuquerque Maranhão para o cargo de Secretário de Governo. para depor o líder norte-rio-grandense. que ocupou praticamente todos os lugares do novo Congresso. O líder da oligarquia Maranhão foi eleito indiretamente para Governador no dia 22 de fevereiro de 1892. porém. Floriano Peixoto passou a fazer uma forte oposição a Pedro Velho. Para enfrentar a crescente oposição que cada vez mais se fortalecia. O governo de Pedro Velho (28/02/1892 a 31/10/895) se destacou mais no setor político do que na realização de obras materiais. Para Bueno. Essa junta dissolveu o Congresso Legislativo estadual. o Coronel Virgínio Napoleão Ramos. Sua maior preocupação não era a construção de estradas nem escolas e sim a consolidação de sua família e correligionários no poder do Rio Grande do Norte95. Após desentendimentos durante a campanha presidencial. Apesar da cordialidade e cumplicidade iniciais (no caso das derrubadas estaduais dos elementos deodoristas). realizando uma nova eleição vencida pela chapa de Pedro Velho. Essa nomeação iniciou a consolidação definitiva da oligarquia Albuquerque Maranhão no Estado.Após a queda de Castro. Ao assumir o governo no dia 28 de fevereiro de 1892. Essa vaga foi preterida por Nascimento de Castro. Janúncio da Nóbrega. Este. contrariando todas as expectativas e elevando ao máximo os seus sonhos oligárquicos. as relações entre Pedro Velho e o Presidente da República Floriano Peixoto não continuaram eternamente pacíficas. a junta Governativa realizou “a transição que levou definitivamente Pedro Velho ao poder estadual”93. republicano “histórico”. e José Bernardo. também apelidado de “Congresso de Pedro Velho”92. foi formada uma Junta Governativa. antigo aliado de Pedro Velho. Procurava sempre cercar-se de seus familiares. Para manter o seu governo. Para Itamar de Souza. Pedro . apoiou a candidatura de seu irmão Augusto Severo de Albuquerque Maranhão. “a eleição de Pedro Velho representou o fim da instabilidade política no Estado e a consolidação do regime republicano no território norte-rio-grandense”94. chegando a designar o comandante do 34º Batalhão.

Pedro Velho conseguiu uma grande quantidade de votos para Prudente de Morais. eliminando qualquer veleidade mais significativa de oposição”98. Com essa eleição. foi nomeado pelo Governo Federal para o cargo de Engenheiro da Comissão de Melhoramentos do Porto. que acabou sendo eleito. Em 1897 o Cel. “A partir daí o domínio de Pedro Velho tornou-se absoluto. Pedro velho impôs a sua vontade à política estadual. João Lira Tavares. em 1895. Quando completou o seu mandato em outubro de 1895. “Ali. dizia a oposição. . o apoio dos aliados do Seridó e sensibilizar a opinião pública96. Fabrício Gomes de Albuquerque Maranhão foi Presidente da Intendência de Canguaretama de 1893 a 1913. havia mais protegidos da oligarquia Albuquerque Maranhão do que grãos de areia nas dunas da Redinha”97. para o estratégico cargo de administrador dos Correios do Rio Grande do Norte. Pedro Velho conseguiu eleger. o Sr.Velho precisou mobilizar todo o poder econômico de sua família. tais como: a nomeação do seu primo. o Desembargador pernambucano Joaquim Ferreira Chaves. mesmo num clima de constante hostilidades com Floriano Peixoto. O ano de 1894 foi marcado pela consolidação definitiva da oligarquia Albuquerque Maranhão no poder norte-rio-grandense. Pedro Velho conseguiu aprovar várias medidas que fortaleceram ainda mais a sua já consolidada oligarquia. Após esse incidente. que governou o Rio Grande do Norte de 25 de março de 1896 a 25 de março de 1900. sem ser engenheiro. Tavares de Lira e Pedro Velho. Pedro velho candidatou-se e conseguiu se eleger para preencher a vaga. Essa comissão funcionou durante muito tempo como um cabide de emprego. dos quatro representantes do Rio Grande do Norte na Câmara federal. Affonso Maranhão Filho. garantindo o apoio do Seridó. que ocorreu neste ano. o seu sucessor. Pedro Velho conseguiu se manter no poder. pelo voto popular. nomeou Affonso de Albuquerque Maranhão para o cargo de Promotor Público da Comarca de São José de Mipibú. Nas eleições diretas para Presidente. Esse apoio ao presidente rendeu ao líder potiguar um grande prestígio junto ao Governo Federal. três era da família Albuquerque Maranhão: Augusto Severo. José Bernardo reaproximouse. Após a morte do Deputado Federal Junqueiras Aires em 1896.

Durante o seu governo. que era Juiz Distrital em Nísia Floresta. Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão. Alberto Maranhão para o cargo de Secretário do Governo. atividade altamente lucrativa. Apesar de todo o favoritismo e nepotismo já citados. foram feitas realizadas eleições. Joaquim Scipião. Adelino Maranhão. Fabrício Maranhão assumiu a presidência do Congresso Legislativo em 1897. o exemplo maior do processo de oligarquização do Rio Grande do Norte ocorreu quando o Governador Ferreira Chaves. O governo de Alberto Maranhão (de 25/03/1900 e 25/03/1904) serviu apenas para fortalecer ainda mais a já consolidada e estruturada oligarquia Albuquerque Maranhão. para fiscalizar a estrada de ferro Great Western. Affonso d’Oliveira Maranhão99. estava removido o único empecilho à candidatura de Alberto Maranhão. . por Alberto Maranhão em junho 1899. como por exemplo: nomeou o Dr. Ferreira Chaves contratou a cobrança do imposto sobre o sal. vencidas. no trecho entre Natal e Nova Cruz. outro irmão de Pedro Velho. foi nomeado para a Promotoria Pública de Canguaretama. foi nomeado outro parente de Pedro Velho. com o Sr. Ferreira Chaves fez todos os arranjos políticos que interessavam a Pedro velho. O principal ponto desta reforma foi a redução da idade mínima exigida para Governador de 35 para 25 anos. convocou o Congresso Legislativo Estadual para reformar a Constituição do Estado. foi transferido para Arêz a fim de controlar melhor a política daquele município. “Dessa forma. a pedido de Pedro Velho. o Dr. Após a conclusão do mandato de Ferreira Chaves. seu irmão. que tinha apenas 26 anos de idade100. como se previa.

2 – O pedrovelhismo e a oposição Os dez primeiros anos da República no Rio Grande do Norte foram marcados pelo processo de montagem da Oligarquia Albuquerque Maranhão. era para amordaçar a opinião e coarctar a liberdade do pensamento.. Elias Souto. circulou com esse nome até o dia sete de setembro de 1895. era para ferir a pessoa dos jornalistas da oposição. arquitetada pelo Dr. no momento em que desapercebido. vítima de uma agressão brutal infamíssima... de propriedade de um líder da oposição a Pedro velho. Essa oposição teve como principais veículos de divulgação de suas idéias os jornais Rio Grande do Norte e O Nortista.. excluídos do poder. Durante o governo de Pedro Velho a liberdade de fazer oposição era algo pouco aceito pelos membros do governo.. sem suspeitar que estava apontado à senha espoletagem do Sr. Pedro Velho. Este último. que o odiento verdugo do povo. Como exemplo da violência cometida contra as oposições. Manoel Nascimento Castro e Silva. para intimidar a . No dia primeiro de janeiro de 1893. Nascimento Castro foi vítima de uma forte agressão física por um membro do Corpo de Segurança e Ajudante de Obras do Governador Pedro Velho.3. quando passou a ser editado com o nome de Diário do Natal. o ex-governador publicou no jornal Rio Grande do Norte um manifesto endereçado aos seus agressores: “Aos meus Concidadãos Fui ontem. Este... rodeava-se de soldados. o Dr.. apesar de contar com o apoio da maioria dos líderes estaduais teve de enfrentar duras contestações de grupos de oposição. que após deixar o governo passou a escrever duras críticas contra Pedro Velho. como os ex-monarquistas que não se enquadraram na política pedrovelhista e os republicanos “históricos”. podemos citar o fato que ocorreu com o quarto governador do Rio Grade do Norte. o covarde charlatão do governo. Pedro Velho. Era para desacatar a imprensa violentando os seus representantes. Revoltado com tamanha violência.

Pedro velho. em março de 1893: “Monarquistas.. destruir sedes de jornais de oposição. O que não somos é republicanos da rabadilha dos governos. não há força que nos prive de pensar como entendemos.opinião. para calar as oposições. que já não fazem efeito por gastas. para abafar a imprensa. do ponto de vista político.. processar jornalistas. nem intimida a imprensa. . porque não há governo. porque não podemos pactuar com o banditismo político-governamental que assola o estado(. que o Sr.. dizendo que somos monarquistas.. Pedro Velho exercia um governo autoritário e intolerante que. seria capaz dos mais variados artifícios. grupos oposicionistas precisavam recorrer a jornais para se defenderem de tais acusações. Enquanto os tartufos se banqueteiam a custa do suor do povo. como por exemplo o artigo publicado no jornal Rio Grande do Norte.) Assim não somos republicanos nem queremos sê-lo.101 Analisando este fato pode-se concluir que. o que não podemos é bater palmas ao governo desonrado e corrupto do Sr. nós iremos continuando em nossa faina de doutrinar o povo até que este se convença de que não deve mais tolerar os verdugos que embalam com meigas cantinelas para melhor o explorarem”102. nós? Vive todos os dias o órgão do governo a tirar-nos umas alusões. surrar. Por várias vezes. Outra prática comum da política de Pedro velho para desarticular as oposições era tentar desmoralizá-la e descredibilizá-la com argumentos de que quem fazia oposição ao governo republicano era monarquista. prostituindo a República. Pedro Velho mandou desacatar-me na rua pelo ajudante de ordens.) Dil-o-hiamos francamente. se o fossemos. transferir ou exonerar funcionários públicos que não estivessem de acordo com as arbitrariedades do governo. nem intimida a mim.. Mas fique sabendo: o desacato de ontem. como utilizar a polícia para ameaçar. prender. (. tem intuitos restauradores todo o trabalho da oposição contra os desmandos do atual governo....

do tresloucamento. havia mais respeito e obediência à lei. que achamos pior que a Monarquia.. Não é por amor. As eleições são mentirosas. o processo eleitoral não foi muito diferente do restante do país. porque. muito mais evidentes e cruentos eram essas disputas nos períodos de eleição. Se os artigos de jornais eram campos férteis para as batalhas entre os pedrovelhistas e seus opositores. o funcionalismo desfalca. apesar do anacronismo do sistema.. mais escrúpulos e mais critérios nas coisas públicas.. com o que inaugurava. Por estas manifestações fomos algumas vezes taxados de visionários e monarquistas. as eleições não eram a expressão do canalhismo como hoje.) tivemos necessidade de fazer a comparação do sistema que caía. “O mínimo que se pode dizer sobre as eleições da Primeira República é que constituíam verdadeiras farsas”104. como mostra um artigo publicado no jornal Diário do Natal: “Tal é a corrupção dos costumes dos próceres da República. que já deu em resultado o afrouxamento das instituições. do velho sistema que temos malsinado esta República. tão somente pelo modo porque tem sido levada e pela orientação que lhe tem sido dada”103. e manifestávamos a superioridade daquele sobre este.. ou saudades. o povo abdica os direitos mais importantes. nunca o Brasil viu de rojo. calcadas a pés de tiranos reguletes. .Também no jornal O Nortista. a magistratura se vende.. que observávamos na direção da República no Brasil.até mesmo por amigos nossos em cartas a nós dirigidas. No Rio Grande do Norte. No regime do governo monárquico.. as suas instituições fundamentais. grupos de oposição precisaram se defender das violentas acusações de Pedro Velho e seus correligionários: “Conversemos (. . em face do descalabro. tudo relaxa entre nós.

e assim ganhar terreno para viver mais tempo ainda que ingloriamente como tem vivido até hoje! O Dr. mesmo com as mais variadas ideologias. mostrando que mesmo com a máquina estatal nas mãos a elite predrovelhista não conseguia a tão sonhada hegemonia política. mas pelo menos os Albuquerque Maranhão e seus aliados. isto é facto sabido. de junho de 1893: “Governo de Mentira O Exm. é uma presa dos oligarcas. . E o governo entre nós mentindo para iludir o povo.A República não pertence ao povo. e que muitos lutaram. arvorando em princípio de verdade a mais requintada mentira de que fazem propaganda para manter o espírito à esta situação que ameaça cair de podre. num artigo publicado no jornal O Nortista. Ele pensa que pelo ciganismo. Esses textos-denúncias publicados pelos jornais da época. Nesse contexto. a figura de Pedro Velho pode ser apresentada como o reflexo perfeito da política nacional da época: centralizador. ditatorial. Pedro Velho tem se mantido até hoje no governo somente pela mentira. nos demonstram claramente a grande indignação da oposição frente ao sistema político oligarquizante lançado por Pedro Velho para o Rio Grande do Norte e pela sua forma de lidar com as diferentes visões de como se poderia montar um regime republicano. corrupção e ostentação criminosa. Todos tem visto o desfaçamento com que a imprensa do governo assoalha boletins. se assenhoraram do mando supremo”105. Essa postura foi duramente criticada por Elias Souto. para enriquecerem. para derrubar. mantida pela fraude. voltado para os interesses de uma minoria da sociedade. não há partidos políticos. Dr. Pedro Velho jurou aos seus deuses não escrever a verdade uma só vez na sua imprensa mercenária. se não o regime oligárquico como um todo. há corrilhos que. pela falta de sinceridade é que há de consolidar a República”106.

pela política de parentela e pela simbiose entre os interesses individuais e os do Estado. em termos econômicos. ocorreu na primeira década do regime republicano. não vivenciou o surto modernizante ligado à indústria e apoiado no braço imigrante como mão-de-obra. Todas essas práticas políticas já aqui citadas. letrados. vista como inimigos pessoais que não mereciam respeito nem piedade. não fugiam às regras nacionais. O processo que levou a oligarquia Albuquerque Maranhão e seus aliados ao poder no Rio Grande do Norte dos momentos iniciais da República até início da década de 1920 foi marcado por práticas como conchavos políticos. A economia potiguar manteve-se fiel ás tradições agro-exportadoras. nepotismo. ignoravam completamente a miséria de grande parte da população e transformaram o Rio Grande do Norte em uma espécie de feudo do século XX. famílias e/ou grupos políticos procuravam se encastelar no poder. quando Pedro Velho. Essa tendência econômica potiguar dificultou o surgimento de uma classe burguesa mais . No Rio Grande do Norte. consolidou-se no Brasil durante os primeiros anos da República quando. uma ou mais famílias se encastelaram no poder e passaram a utilizar a máquina administrativa apenas para consolidar-se ainda mais nos governos.CONCLUSÃO O chamado sistema oligárquico. ligados em sua maioria à agro-exportação. líder político da família Albuquerque Maranhão conseguiu estender a sua influência e a da sua família por todo o Estado. do litoral até as áreas mais distantes do Sertão. o Rio Grande do Norte. Os ideais da democracia republicana caíram no esquecimento para os líderes norte-riograndeses que passaram a governar o Estado como sendo quase uma propriedade privada e oposição. a consolidação do regime oligárquico. farsa eleitoral. pelo poder pessoal. negando qualquer tipo de jogo políticoeleitoral justo e honesto e lançando mão de práticas extremamente antidemocráticas. desmandos administrativos e violência física e moral contra os seus opositores. em cada Estado. Os líderes republicanos. aliados aos Albuquerque Maranhão. para conseguirem seus objetivos. seguindo a tendência nacional. Em todo o Brasil. Apesar de procurar seguir o mesmo modelo político nacional. caracterizado pelo mandonismo.

distribuições de cargos públicos. Os membros dessa família estavam presentes nas mais diversas instituições públicas e sempre trabalhando para defenderem os seus interesses e os da família. para se manter no poder. Durante os vários governos que se sucederam nos primeiros anos da República no Brasil e o governo do próprio Pedro Velho. ora fazia oposição. tanto as do litoral. e podiam variar desde transferências e exonerações de funcionários públicos oposicionistas até as vias de fato. como espancamentos. . com a conivência da polícia. contratações de empresas para obras públicas sem licitações. Porém. principalmente com os Coronéis do Sertão. Pedro Velho soube se articular com outros líderes estaduais. Mesmo tendo que enfrentar por várias vezes a oposição do Governo Federal (durante o curto governo do Marechal Deodoro da Fonseca e grande parte do governo do também Marechal Floriano Peixoto). muitos eram vítimas de espancamentos ou ameaça de toda a natureza e. Os momentos iniciais da República no Rio Grande do Norte foram marcados pela mesma indefinição política e fraqueza ideológica. muitas vezes. concessão de isenção de impostos e várias outras práticas que serviam apenas para fortalecer ainda mais os governantes potiguares e para sangrar o já minguado e drenado cofre público. facilitando a permanência do poder nas mãos da tradicional aristocracia rural. Até mesmo os jornalistas não eram respeitados. Os jornais que faziam oposição aos Albuquerque Maranhão viviam sob constante ameaça ou da intervenção do governo ou da depredação e destruição da estrutura física executada por grupos a mando dos líderes do governo. não só foram as práticas corruptas que auxiliara Pedro Velho e seus correligionários em seus objetivos e sonhos oligarquizantes. apoiados na cotonicultura. Em alguns momentos a elite potiguar estava ao lado do Governo Federal. vários membros da família Albuquerque Maranhão foram nomeados para cargos importantes do governo e estratégios para o processo de oligarquização do Rio Grande do Norte. como as do Seridó. que caracterizou o cenário nacional. O nepotismo também foi muito usado para consolidar a oligarquia Maranhão no Estado.dinâmica e liberal em seu cenário político. Esses acordos quase sempre implicavam em nomeações. a violência contra os opositores do governo era constante.

o modelo estabelecido no circuito político nacional. notadamente em São Paulo. então. como por exemplo.Podemos concluir. a redução da idade mínima exigida para ser Governador permitindo que Alberto Albuquerque Maranhão concorresse e fosse eleito Governador do estado. quando foi eleito o pernambucano Ferreira Chaves. marcado pelo clientelismo. mandonismo. REFERÊNCIAS . voto de cabresto e política de alianças. que apesar de não ser da família Albuquerque Maranhão. que o processo de oligarquização do Rio Grande do Norte seguiu em grande parte. quando Pedro Velho passou a traçar todas ações e regras do republicanismo potiguar e se consolidou totalmente após o seu governo (18921895). atendia totalmente aos pedido dos líderes dessa oligarquia. Essa oligarquização do Estado iniciou já no momento de fundação do Partido Republicano. dentre outras coisas.

ed. In: FAUSTO. 2. São Paulo: EDUSP. 103. 1. O coronelismo numa interpretação Primeira República brasileira. p.). História da República. 201. RIBEIRO. História da FURTADO. José Spinelli. Bóris (Org. História da COSTA. 1. p. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. 237. 2007. Lúcia. São Paulo: EDUSP. 5. CARPI. História da República. São Paulo: Livraria Ciências Humanas. 3 política do Seridó. cap. p.. Francisco. 1979. José Maria. 1984. Da oligarquia Maranhão à QUEIROZ. Coronelismo e oligarquias (1889 – 1943): a Bahia na SHILS. 1989. História do Brasil. Marcus Venício. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Edward apud LINDOSO. t. 149. História Geral da civilização brasileira. 2. Lúcia. Fernando Henrique. Rio de ALENCAR. 3. como COSTA. 12. Milton Braga. Da Monarquia à República: momentos decisivos. 3. FAUSTO. 2. 13 Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora AS. Francisco. 1979. COSTA. Milton Braga. Dos governos militares à Prudente – Campos Sales. Ed. 1985. 1979. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. RIBEIRO. 4 sociológica. Bóris. 107. Eul-Soo. 1984. Maria Isaura Pereira de. Rio de ALENCAR.) História da civilização brasileira. p. p. 5. Rio de FURTADO. Síntese da economia brasileira. ed. Ed. José Maria. Ed. 9 Paulo: Livraria Ciência Humanas. 317. CARPI. 12. Síntese da economia brasileira. 1985. 2007. 2. p. 1984. p. Da monarquia à república: momentos decisivos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. FURTADO. Emília Viotti da. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. ed. São Paulo: EDUSP. 108.ed. p. p. cap. p. Marcus Venício. 102. p. p. Rio de FAUSTO. 148. Milton Braga. 5. 5 FURTADO. Boris (Org. Emília Viotti da. 3. Bóris. Bóris. CARDOSO. 12. In: FAUSTO. 1989. BELLO. . 10 11 12 Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora AS. p. 2007.1 Podemos citar alguns trabalhos considerados clássicos sobre o assunto. 2 PANG. 8 Sociedade brasileira. 3. Emília Viotti da. 20. Milton Braga. 14 15 16 17 decisivos. v. Síntese da economia brasileira. Ed. 2. História do Brasil. 240. História do Brasil. t. 238. Síntese da economia brasileira. BELLO. ed. 1984. 6 Sociedade brasileira. 7 Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora AS. v. São FAUSTO. Da Monarquia à República: momentos Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora AS.

José Maria. BASBAUM. A República Velha: evolução política. p. Leôncio. 118. p. CARONE. Fernando Henrique. Da Monarquia à República: momentos decisivos. 52. Leôncio. p. CARONE. Este episódio ficou conhecido como a Primeira Revolta da Armada. 26. História da República. 36. 36 CARDOSO. Therezinha de. p. p. 19. Edgar. Da Monarquia à República: momentos decisivos. Da Monarquia à República: momentos decisivos. CARONE. p. 209. p. 207. História da República. p. Da Monarquia à República: momentos decisivos. História geral da civilização brasileira. Fernando Henrique. p. p. Emília Viotti da . História sincera da República. p. A República Velha: evolução política. BASBAUM. consultar QUEIROZ. 38 39 República brasileira. José Maria. A República Velha: evolução política. Edgar. 29. 27 28 326. 322. Edgar. p. Para saber mais sobre o movimento jacobino e suas teorias no início da 42. Leôncio. 37 42. História Documental do Brasil. Fernando Henrique. . 318. Fernando Henrique. COSTA. COSTA. 26. História da República. 31 32 38. CARONE. COSTA. 229-237. Emília Viotti da . CARDOSO. p. História sincera da República. BELLO. p. liderada p. 31. A República Velha: evolução política. Os radicais da República. BELLO. BASBAUM. Edgar. 210. A República Velha: evolução política. Emília Viotti da . 29 30 29. CARONE. Emília Viotti da . 33 34 35 pelo Contra-Almirante Custódio de Melo e que exigia a renúncia do presidente Deodoro da Fonseca. p. CARDOSO.18 19 20 21 CASTRO. Edgar. p. História geral da civilização brasileira. CARDOSO. 325. COSTA. História geral da civilização brasileira. José Maria. 26 p. BELLO. História sincera da República. Suely Robles Reis de. p. 22 23 24 25 p. História geral da civilização brasileira.

2000. p. Introdução à história do Rio Grande do Norte. 25. 45 Natal: EDUFRN. . Rocha. 47 Natal: EDUFRN. CARDOSO. 46 do Brasil. SOUZA. p. p. SOUZA. 133. 53 54 55 p. p. QUEIROZ. Câmara. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. 56 57 p. POMBO. Os radicais da República. p. 41. 183. 51 52 (do século XVI ao século XX).128. uma vez que esta era menos sujeita aos efeitos da falta ou da irregularidade das chuvas. História geral da civilização brasileira. Visões da República. História geral da civilização brasileira. 50. p. 44 49. Evolução econômica do Rio Grande do Norte BUENO. MONTEIRO. 49 50 MONTEIRO. Evolução econômica do Rio Grande do Norte (do século XVI ao século XX). Almir de Carvalho. História da República no Rio Grande do Norte. p. p. 49. História do Rio Grande do Norte. Fernando Henrique. Almir de Carvalho. SANTOS. 58 p. Itamar de. Introdução à história do Rio Grande do Norte. Edgar. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. 48 (do século XVI ao século XX). Fernando Henrique.129. Suely Robles Reis de. BUENO. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. SOUZA. 22. Denise Mattos. Suely Robles Reis de. p. CASCUDO. 2000. p. – MONTEIRO. 47. Denise Mattos. SANTOS. 361. p.40 41 42 43 QUEIROZ. Paulo Pereira dos. p. Introdução à história do Rio Grande do Norte. Itamar de.129. 133. A República Velha: evolução política. Denise Mattos. p. p. Introdução à história do Rio Grande do Norte. CARDOSO. 49.138. p. Evolução econômica do Rio Grande do Norte Nesse ano ocorreu uma grande seca que impulsionou a agricultura na faixa litorânea da província. Rio de Janeiro: Annuario MONTEIRO. Os radicais da República. 31. Paulo Pereira dos. SANTOS. 29. 134. p. Itamar de. CARONE. Visões da República. Denise Mattos. Paulo Pereira dos. 1922.

Tavares de. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. Tavares de. 73 SOUZA. LINDOSO. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. MONTEIRO. 112. pelos republicanos de Caicó (então Vila do Príncipe). 111. Visões da República. 140. Visões da República. intitulado “Manifesto Republicano ao Povo Seridoense”. 5-9-1897. 21.59 60 Diário de Natal. Visões da República. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. 52 BUENO. 75 76 p. Itamar de. História da República no Rio Grande do Norte. Almir de Carvalho. José Antônio Spinelli. . 67 p. p. 72 escrito em abril de 1889. SOUZA. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. Almir de Carvalho. p. Denise Mattos. Introdução à história do Rio Grande do Norte. Denise Mattos. Luís da Câmara. BUENO.161. MONTEIRO. 62 p. Itamar de. 118. Da oligarquia Maranhão à política do SOUZA. 68 69 70 Seridó. p.162. Ver anexo 2. LYRA. Da oligarquia Maranhão à política do Manifesto escrito por Pedro Velho após a reunião de fundação do Partido Este documento. 112. 112. p. 1965. SOUZA. SOUZA. foi p. p. 51 SOUZA. Itamar de. LINDOSO. p. 133. LTDA. 17. Ver anexo 1. 61 Seridó. p. p. p. BUENO. 74 p. 63 64 65 p. Almir de Carvalho. 135. Almir de Carvalho. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. 66 p. História da República no Rio Grande do Norte. Itamar de. 320. 71 Republicano em 27 de janeiro de 1889. História da República no Rio Grande do Norte. Itamar de. Visões da República. Introdução à história do Rio Grande do Norte. Itamar de. LYRA. p. CASCUDO. BUENO. 278-279. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. José Antônio Spinelli. 77 78 Rio de Janeiro: Edições do Vel. 315.

Almir de Carvalho. 120. p. SOUZA. 80 81 trabalho ficou mal feito e incompleto. Visões da República. BUENO. 85 86 87 p. 120. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. SOUZA. Itamar de. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. 96 Seridó. Da oligarquia Maranhão à política do A República. SOUZA. 224. 225. Itamar de. Almir de Carvalho. Visões da República. Itamar de. 82 SOUZA. BUENO. p. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. 84 p. 83 p. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. Visões da República. 222. José Antônio Spinelli. 140. 226.79 LINDOSO. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. A referida estrada não passava de uma vereda que. 226. p. 120. 117. 220. Itamar de. BUENO. p. Almir de Carvalho. terminava em guarapes. Itamar de. Almir de Carvalho. BUENO. avô de Pedro Velho. 91 92 p. 95 p. Visões da República. 124. 119. 1889. 121. erguera o seu empório comercial”. SOUZA. Itamar de. Itamar de. 88 89 p. 90 p. p. 93 94 p. Almir de Carvalho. Da oligarquia Maranhão à política do p. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. 25. Itamar de. 21. “Na execução dessa estrada foram gastos cerca de oitenta contos de réis e o Seridó. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. Visões da República. p. 142. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. p. SOUZA. 30 nov. BUENO. SOUZA. SOUZA. LINDOSO. José Antônio Spinelli. Itamar de. SOUZA. partindo de Natal. . A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. SOUZA. p. onde Fabrício Gomes Pedroza. Itamar de.

p. 26. PANG. 1893. p. José Antônio Spinelli. 25 dez. Ver Anexo 4. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. Diário do Natal. 100 1930. Da oligarquia Maranhão à política do SOUZA. 1893. Eul-Soo. Coronelismo e oligarquias.97 SOUZA. p. LINDOSO. 99 p. Itamar de. 23 jun. 123. 29 set. Itamar de. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889-1930. dois jan. p. 34. 1893. 101 102 103 104 105 106 FONTES E BIBLIOGRAFIA . 229. O Nortista. Itamar de. O Nortista. Ver Anexo 3. 1893. 1895. 98 Seridó. SOUZA. A Republica Velha no Rio Grande do Norte – 1889Rio Grande do Norte. 16 mar. Rio Grande do Norte. 124.

RIBEIRO. Rio de Janeiro: Edições do Val. 1985. cap. 1979. 1965. 1999. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. História da República. v. Rio de Janeiro: Record. RIO GRANDE DO NORTE. Natal. Da monarquia à república: momentos decisivos. 3. Therezinha. Natal. História da Sociedade brasileira. CARPI. Natal. 5. BELLO. Francisco. In: FAUSTO. 1989. . 1968. CARDOSO. Natal. 1893 NORTISTA. História documental do Brasil. CASCUDO. CASTRO. Lúcia. 5. 1889. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.3. t. BUENO.) História geral da civilização brasileira. São Paulo: Livraria Ciência Humanas. Natal. 1. Dos governos militares a Prudente-Campos Sales. 1893. Luis da Câmara. DIÁRIO DO NATAL. COSTA. Visões da República:práticas e idéias políticas no Rio Grande do Norte (1880-1895). Boris (Org. Bibliografia ALENCAR. Fernando Henrique.ed. 1964. 1895.Fontes A REPÚBLICA. José Maria. São Paulo: Companhia Editorial Nacional. Emília Viotti da. Almir de Carvalho. ed. Marcus Venício. 1999. História da república no Rio Grande do Norte. Tese (Doutorado) – UFPE.

v. Os radicais da república. FURTADO. 1984. São Paulo: EDUSP. 3. 1975. Denise Mattos. Suelly Robles Reis de. 1922. MONTEIRO. ed. QUEIROZ. 2. Introdução à história do Rio Grande do Norte. História do Rio Grande do Norte. Milton Braga. cap. 5. Rio de Janeiro: Annuario do Brasil. Raimundo. 2. Natal: IHGRGN. v. Vitor Nunes. 1998. ed. 1992. QUEIROZ. 2007. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. enxada e voto. José Spinelli. Porto Alegre: São Paulo: Globo : EDUSP. 1986. 1. 1979.FAORO. t. 2000. 2. In: FAUSTO. Ed. 3. ed.) História geral da civilização brasileira. Maria Isaura Pereira. Bória (Org. Bóris. São Paulo: Alfa-Omega. LEAL. 12. 5. São Paulo: Brasiliense. Síntese da economia brasileira. O coronelismo numa interpretação sociológica. A. FAUSTO. 3. LINDOSO. 1989. Tavares de. Os donos do poder: a formação do patronato político brasileiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1986. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora AS. Natal: EDUFRN. História do Rio Grande do Norte. História do Brasil. Coronelismo e oligarquias (1889-1943: a Bahia na Primeira República brasileira. Da oligarquia Maranhão à política do Seridó: o Rio Grande do Norte na República Velha. POMBO. ed. LYRA. PANG. Rocha. Coronelismo. . Natal: CCHLA. Eul-Soo.

n. SOUZA.SANTOS. Evolução econômica do Rio Grande do Norte: século XVI ao XX. Itamar de.]. A República Velha no Rio Grande do Norte (1889 – 1930). 1994. Natal: Clímax. Natal: [s. . 1989. Paulo Pereira dos.

ANEXOS ANEXO 1: Partido Republicano do Rio Grande do Norte .

com a mais perfeita independência de pensar. ao porto da felicidade e do progresso que aspiramos. se tiver igualmente libertado do monárquico.Manifesto escrito por Pedro Velho após a reunião de fundação do Partido Republicano em 27 de janeiro de 1889. que tendem a unificar sob a bandeira branca da democracia todos os povos americanos. nos pode tirar do abatimento e desânimo em que vemos arrastar-se o país. animando-a a novas conquistas. I Está sobejamente provado e é incontestável que a simples mudança de pessoal do governo é ineficaz e insuficiente para melhorar e moralizar a vida pública no Brasil. sempre na linha reta da propaganda doutrinária. oportunistas. mas com perseverança e constância. observem o muito que nos falta para a nossa felicidade e procurem conhecer as causas do mal. Quase todos os brasileiros são republicanos. Quando o Brasil. pedimos aos nossos comprovincianos que. Aqui as objeções não são todas afinadas pelo mesmo diapasão. por se e desapaixonadamente. Sabemos que muita gente é republicana no Rio Grande do Norte e que só considerações de natureza transitória demoram o aparecimento de numerosas adesões à causa da república. Mas o povo.. e antevistos com sobressaltos os desastres futuros. A missão que nos impomos é derramar pelo povo a propaganda democrática... Feita com sinceridade a crítica dos acontecimentos presentes. sem violências nem excessos. especuladores e amigos pessoais do rei. nos esforçaremos por convencer o eleitorado da incapacidade do atual governo para levar-nos com segurança e bom rumo. procurando conquistar adeptos convictos e leais.. confessando que o advento da república será o desfecho fatal e necessário da marcha da nossa civilização. iludidos. o verdadeiro povo brasileiro. relembradas com mágoa as desgraças do passado. Os pretensos monarquistas podem ser classificados em 7 categorias:indiferentes. sem uma completa e definitiva transformação da nossa forma de governo. retardando-lhes as forças progressivas e arrendando-a da comunhão dos interesses sociais. não pode . que já sacudiu o jugo do cativeiro. dando à política uma orientação mais séria e democrática. No terreno das idéias. dependentes. com as nossas convicções solidamente firmadas. Convencidos de que uma reforma radical. encontrará em si todas as forças necessárias para a grande romaria do progresso. Concordam que a lição do abolicionismo fez nascer no espírito nacional uma certa confiança em si. tímidos. cremos que no espírito de cada cidadão se firmará inabalável a certeza de que o que existe é péssimo e irremediável. Mas. mas os políticos sinceros hão de afinal reconhecer que na república está o remédio único aos males que afligem a nação. sem prestar ouvidos a intrigas nem calúnias.

Verdade é que o faziam pacificamente e sem desordens. Se assim não for. Contamos com a vitória pacífica da opinião que progride e cada dia mais e mais se fortalece. Se trabalharmos em a esperança de gozar pessoalmente os frutos da grande reforma ao menos estamos preparando um futuro melhor para os nossos filhos. mais tarde os próprios escravos começaram a abandonar o eito. que se pretende sublevar contra o generoso povo que lhe deu a liberdade. Aquele generosa e espontaneamente abriu mão da propriedade escrava. apenas livres de algemas do cativeiro. o partido constitucional hoje em oposição não a quer perfilhar e a tem repelido como coisa indigna da política de um povo civilizado. entretanto. instituindo a vergonha guarda-negra. há de procurar um bálsamo que lhe cure as chagas. Como e quando eis o problema. Felizmente a nefanda especulação que pretende reescravizar os libertos de ontem. à custa de heróicas dedicações e sublimes sacrifícios.estar em nenhuma destas condições. em janízaros não menos escravizados. Cremos entretanto que a liberdade triunfará em curto prazo e sem abalos nem convulsões. explorando-lhes uma pretendida gratidão. Os defensores do trono por um lado caluniam a república. Quando a nação viu que o governo não fazia a abolição. além de odiosa. A coroa terá de capitular. E se estes mesmos libertos. além de revoltante para todos os espíritos elevados e dignos. A república há de vir certa e infalivelmente. que vão compreendendo a pérfida manobra. Foi então que o trono resolveu não resistir mais. fazendo proselitismo ainda mais rápido e entusiasta do o pensamento abolicionista há pouco triunfante. A compressão do despotismo abafou-lhe longos anos a força e a vitalidade. Presentemente ei-la cheia de um novo e potente vigor que surge em todos os pontos do nosso vasto território. Para isto vão iludindo alguns e recrutando os outros. . Convém. esta não quer deixar-nos livres a nós. que as leis do Império garantiam. dizendo-a despeitada e indenizista. dizendo que não fugiam ao trabalho e sim da escravidão. por outro iludem e exploram os pobres libertos. mais uma vez ficará evidente o antagonismo entre a nação e o trono e provada a grande superioridade moral do homem do povo sobre a dinastia privilegiada. começou a faze-la por se. e a marcha triunfante que levara a idéia não deixava dúvidas sobre o resultado. Os dois recursos de que até hoje têm lançado não a monarquia para fazer face ao movimento republicano são duas indignidades de quem os inventou. todas incompatíveis com a consciência cívica e a soberania nacional. tem levantado enérgicos protestos entre os próprios libertos. impossível a resistência. e este achal-o-á seguro e pronto na proclamação da república. porque seria. e fez bem. Querem transformar os trabalhadores rurais. a nós que não quisemos a escravidão dos pretos. notar que a glória de tal criação pertence exclusivamente aos homens do poder. que nós arrancamos do azorrague e do tronco. Pouco importa. porém ela nunca se extinguiu. A idéia republicana sempre existiu em gérmen na alma deste povo. onde a inconsciência de uns é vítima da insensatez de outros. Quando a democracia brasileira abrir os olhos e compreender a lepra que tem derramado sobre o corpo da pátria o vírus monárquico.

Às vezes são hábeis para iludir incautos. cheia de perfídias e de intrigas. vai obtendo o fruto de seus esforços. (nota de Câmara Cascudo) . ou não sabe faze-lo. A infeliz província abisma-se desamparadamente. rebaixa-se o nível da moralidade. úteis umas. ao menos em nome. Também que cuidado pode dar aos poderes públicos este desprezível canto do vasto Império? Acresce que a indiferença e dobrez de seus representantes não procuram tornar conhecidas as suas mais urgentes e palpitantes necessidades. dirá quais foram os especuladores. Especuladores os republicanos ! quando são eles justamente aqueles que mais desinteressadamente militam na política. é permitido. e exausta de meios. começam a atribuí-la ardilosa e antecipadamente a outra para desviar de se as atenções. antepõe pequenos interesses individuais ao bem público. incansável em exigir que lhes dêm para lutar contra as hostilidades o clima. caluniar os adversários que pugnam com sinceridade pelas suas idéias. Aqui ela se estorce numa miséria vizinha da agonia. na sua sentença soberana e irrevogável. Uma política de aldeia. aqui morremos de fome resignadamente.Esta província nada deve à monarquia. Rio Grande do Norte não foi contemplado com a mínima parcela nesta chuva de favores. para procurar saná-las ou atenuá-las. da qual ainda infelizmente depende toda a vida social deste povo. Agora os mais desbragados nessa escura vereda da difamação chamam aos republicanos especuladores. há um verdadeiro delírio de concessões e contratos. A agricultura está farta de discursos. Os decantados auxílios se não foram uma inépcia foram uma burla. a lavoura vegeta desprotegida noutra crise igual. coisas vergonhosas. fazem-se estradas e portos. um estadista do norte1 e que portanto deveria conhecer as necessidades desta zona. Nascera em Pernambuco. O orçamento da agricultura abriu a válvula das obras públicas. fazem-se e dizem-se desassombradamente (sem medo da consciência. Os espíritos cegam-se e desvairam-se num partidarismo sem orientação e sem princípios. sem um protesto. sem medo da opinião). nem há de o governo incomodar-se por uma gente pobre e decaída de suas energias. outras duvidosas. presidente do então gabinete ministerial. O patriotismo dos cearenses. quando pelejam cometer alguma indignidade. O desmoralizado governo que hoje administra o país tem por chefe. porque tem contra se o ódio da monarquia. a justiça da história. todos vêm com tristeza a ruína dos recursos naturais: a indústria pastoril atravessa uma crise permanente. sem um reclamo. que nem ao menos sabe pedir e reclamar. mas ou não quer ou não pode. quais foram os patriotas leais e desinteressados ANEXO 2: “Manifesto Republicano ao Povo Seridoense” 1 O “estadista do norte” era o conselheiro Jòão Alfredo Correa de Oliveira. é meritório. Terminada a campanha. não se regateiam despesas quiçá infrutiferamente. a imigração no sul custa rios de ouro. Mas lá fora ninguém sabe disto. injuriar. outras vezes são bastante conhecidos os seus manejos e o efeito falha. que só agora vai reconhecendo o servilismo em que jazia e afinal emancipar-se. Há indivíduos tão corrompidos e tão perversos que.

que não tinha nenhum título para amar esta pátria . se apressou em representar aquela farsa. que é essencialmente livre. para a salvação pública. a grande aspiração nacional duas vezes secular. que não regatearam o seu generoso sangue para a constituição de uma pátria digna de seus filhos. João VI. vivemos no mais puro absolutismo disfarçado. Foi por isso que o aventureiro e grande traidor Pedro I. que não era brasileiro.Este manifesto foi escrito em 1889 pelos republicanos de Caicó (então Vila do Príncipe). Quem com imparcialidade e isenção de espírito examinar os fatos escandalosos que de dia a dia se dão na alta governação do Estado. porque é americano. contra a índole de seu caráter. pela força fatal dos acontecimentos. que fora fundado em 1886 pelo estudante de Direito Janúncio da Nóbrega Filho. Regeneremos a Pátria! No período de decomposição espontânea que atravessa a Pátria Brasileira. como era em geral prevista. Pela marcha evolutiva das idéias. foi vítima de uma traição. as suas únicas causas eram os ódios e as rivalidades tradicionais naquele tempo entre portugueses e brasileiros. que teve logo depois de atingir o cúmulo da ignomínia: sim. em que existir um grupo de patriotas que sonhem com a regeneração moral e política de nossa pátria. E o povo brasileiro na sua inexperiência e ingenuidade de povo jovem. que se levante bem alto em nome do direito. É tempo de consubstanciarmos em um fato o ideal dos nossos antepassados. no estado anômalo de anarquia governamental em que vivemos. o estandarte glorioso da república! Sim: a monarquia é um corpo estranho ao nosso organismo social. A monarquia entre nós foi instituída por um modo indigno e infamante. adaptando-se ao meio continental em que vive. em nome da humanidade. da implantação do regime democrático americano na Pátria Brasileira está prestes a converter-se em uma realidade. e pois a exploração de uma nação por família privilegiada. em que seu infame protagonista. é indispensável o esforço comum de todos. a fé monárquica está completamente extinta na consciência nacional. em nome especialmente da América. de acordo com seu pai. É preciso que o Brasil se americanize. E não se diga que as lutas posteriores entre as tropas brasileiras e as portuguesas tinham alguma significação. não visava outra cousa senão o seu interesse pessoal. O célebre grito do Ipiranga dado por um príncipe aventureiro. no Rio Grande do Norte. era um fato fatal e inevitável. verá que todos eles são unânimes na comprovação definitiva de uma só verdade: a imprestabilidade do regime monárquico. É preciso que no mais obscuro ponto do Brasil. pelo seu retardamento na escala ascendente do progresso. foi uma verdadeira farsa. pelo aniquilamento das suas liberdades. às suas liberdades e de uma afronta à sua dignidade. que reorganizaram o Centro Republicano Seridoense. que se tornará um dos principais líderes do republicanismo potiguar na fase da propaganda. o covarde D. na região sertaneja do Seridó. porque a nossa . A monarquia não pode mais existir no solo americano pelo sacrifício da dignidade de um povo. proclamando a nossa falsa independência. A emancipação política do Brasil naqueles tempos. fundida no regime republicano.

Seria o mesmo? ( nota de Câmara Cascudo) . Povo seridoense. É por isso. Janúncio da Nóbrega alude a um núcleo fundado a 25 de julho de 1886. em que o governo. Daí data a nossa dívida nacional que hoje já se eleva à assustadora soma de 1: 011:166:377$676. impotente para resistir à propaganda republicana. repito. que avassala o espírito nacional. a nobreza dos vossos sentimentos. precisamos lavar-nos desta desonra. outorga de um príncipe. 1 No seu “manifesto político” de maio de 1892. tendo por fim a paz. merecedora de um futuro melhor. O partido republicano brasileiro. instituindo o governo que se firme na soberania nacional. convidando-vos para a organização definitiva do Centro Republicano Seridoense. como se não tivéssemos o direito de ser livres. apelamos para o vosso patriotismo. para se tornar o problema do dia.1 Mas. nós trabalhamos diretamente pela organização da futura Potiguarânia. crer que o vosso concurso pela causa da república não se fará esperar. como já observou alguém. que se deverá realizar nesta cidade. mais do que ninguém. depois do memorável dia 30 de dezembro de 1888. Povo seridoense. no dia 7 de abril. a nós.liberdade não fora somente traída. para a vossa dignidade. cuja expressão mais completa é a República. nós os rio-grandenses. a palpitante questão da atualidade. O astucioso farsista inconstitucionalmente obrigou o governo do Brasil a pagar ao governo português. fundou pública e solenemente um núcleo republicano. Nós. a República deixou de ser o ideal fantasioso da mocidade. da mesma forma que a propriedade é o trabalho. na Federação Brasileira caberá à futura república norte-rio-grandense. entrou em um período de ação. armava o braço do capoeira e do vagabundo na Corte. que nos rege. o vosso devotamento pela sublime causa da liberdade já ficaram definitivamente provados na homérica cruzada abolicionista. tendo por fim o gozo. Aos 26 de julho de 1888 um punhado de moços. nesta cidade. entre as mais entusiásticas e ruidosas ovações do povo. esta data imorredoura da nossa história.000 de libras. que temos a intuição moderna do que o direito é a luta. de cuja solução depende o futuro da Pátria. para assassinar impunemente os republicanos. a enorme soma de 2:000. em que não é dado recuar a nós. que não estremecemos diante do fantasma negro do despotismo. que em 67 anos de vida tem votado ao mais criminoso abandono e ao mais revoltante esquecimento esta nossa heróica província. nome que. fora também comprada. não satisfaz às aspirações legítimas de um povo americano. temos necessidade de ser republicanos. quem de nós tiver o poder mágico de sentir as eletrizações sublimes do patriotismo não pode deixar de protestar contra a daninha existência deste império bragantino. concidadãos que nós os signatários deste manifesto. Cooperando valiosamente pela concretização da aspiração republicana no Brasil. para a vossa rebeldia de caráter. A velha e desprotegida Carta Constitucional. a nós que não nos deixamos levar pela onda deletéria da corrupção. em virtude de uma cláusula secreta do tratado de 29 de agosto de 1825. que assinala o triunfo da soberania do povo sobre a dinastia. os brasileiros. o partido republicano. é lógico pois.

a divisa dos lutadores: Vencer ou Morrer!. é por isso que nós. nós não a evitaremos. que todo direito foi adquirido pela luta. Felipe Ferreira Dutra. Misael Leão de Barros. não fazendo questão de meios para a consecução do nosso desideratum: ou pela evolução da idéia ou pela revolução! A História nos ensina. As tradições históricas da nossa província sancionam o nosso pronunciamento republicano. O nosso passado. Janúncio da Nóbrega Filho. onde quer que a coloque a fatalidade de um gôverno imoral e despótico: porque. nº 5. de Lucena. havemos de realizar. frase de grande propagandista da República.. Manuel Severiano da Nóbrega.A hipótese de um terceiro reinado é de tremendas conseqüências. Manuel C. Gorgônio Ambrósio da Nóbrega. de 6 abril de 1889) . que se deverá fazer efetiva no momento oportuno. que defendemos. Francisco H.. 4 de abril de 1889. Basílio Gomes de M. Cidade do Caicó (ou Príncipe). Germano Pereira de Brito. cônscios da grandeza da causa. da Nóbrega. Dantas. o sangue dos mártires rio-grandenses das adesões de 1817 e 1824 constituem um apelo eterno à geração atual para um futuro melhor. os regeneradores da pátria vamos trabalhando pela democratização do espírito do povo para uma resistência. Nós queremos a República. (Publicado n’ O Povo. E.

se o fossemos. o que não podemos é bater palmas ao governo desonrado e corrupto do sr. O que não somos é republicanos da rabadilha dos governos. nós iremos continuando em nossa faina de doutrinar o povo até que este se convença de que não deve mais tolerar os verdugos que embalam com meigas cantinelas para melhor o explorarem. porque não podemos pactuar com o banditismo políticogovernamental que assola o estado. Em quanto os tartufos se banqueteiam a custa do suor do povo. nós? Dil-o-hiamos francamente. nem queremos o papel de abutres das instituições republicanas. Monarquistas. Assim não somos republicanos nem queremos sê-l o.ANEXO 3: Rio Grande do Norte. nós? Vive todos os dias o órgão do governo a atirar-nos umas alusões. Não podemos nos ombrear com os especuladores e aventureiros que curvam o joelho diante do poder com tanto que este lhes escancare as portas do tesouro. p3. no posto de sacrifícios que tomámos. pelos balcões das tabernas. arrastam as funções públicas. Monarquistas. se é angustioso para a pátria o momento atual. prostituindo a República. não há força que nos prive de pensar como entendermos. 16/3/1893. a eles confiadas. não podemos fazer côro com os truões da praça pública que. tem intuitos restauradores todo o trabalho da oposição contra os desmandos do atual governo. Pedro Velho. Não nos quadra. pior ainda seria voltar atrás. não toleramos o tripudio insolente da mentira e da calúnia como armas de governo. que já não fazem efeito por gastas. 173. porque não há governo. . as crenças republicanas. mas nós temos por demais afirmado. Pela república combatemos porque. braço dado com a garotagem das ruas. dizendo que somos monarquistas.

o que estamos vendo em todo o País.e no começo da existência do “Nortista”.manifestou-os pela imprensa . Não somos monarquistas porque o redator-chefe deste jornal teve sempre intuitos republicanos desde que entrou na vida pública. em face do descalabro. É certo que arrefecemos há longo tempo na propaganda republicana que tínhamos iniciado. .até mesmo por amigos nossos em cartas a nós dirigidas.a fatal política que se levantou a 23 de Novembro. Tínhamos então mais garantidas as liberdades públicas. havia mais respeito e obediência à lei.1-2. do tresloucamento. diante da nova e pujante revolução da armada. porque. Não é por amor. era um estorvo aos excessos da política. Conversemos Quando muitas vezes combatimos destas colunas. pela República nascente.as eleições não eram a expressão do canalhismo como hoje. . com o que se inaugurava. do velho sistema que temos malsinado esta República.mostra que não éramos visionários. . p. tão somente pelo modo porque tem sido levada e pela orientação que lhe tem sido dada. e tínhamos razões de sobra em nossas sérias apreensões. destruindo o princípio da autonomia dos Estados que estava em formação. que a República veio pelas armas a 15 de Novembro e não pela vontade do povo. . como vemos abaixo. que observávamos na direção da República no Brasil. . . ou saudades. tendo tido sempre a vantagem de fazer conter a anarquia que nunca desenvolveu-se no reinado deposto. nunca o Brasil viu de rojo. . as suas instituições fundamentais. Tanto é essa a verdade. 29/09/1893.todos acatavam a pessoa do imperador que. quando seu irmão José Leão no Rio de Janeiro manifestava-se ao lado de Bocaiúva e de outros na grande propaganda daquele tempo. que achamos pior que a monarquia. especialmente no Rio Grande do Sul e na capital federal.ANEXO 4: O Nortista. .o voto nas urnas mais de uma vez derrotou ministros de Estado. e impossível seria prever as desgraças que em breve futuro nos aguardariam. e o número ia engrossando pelos despeitados que vinham de todos os partidos.em o ano de 1872. por sua vez. . O que de então para hoje se tem passado. apesar do anacronismo do sistema. e. e manifestávamos a superioridade daquele sobre este.tivemos necessidade de fazer a comparação do sistema que caía. . e o precioso sangue brasileiro havia de correr a jorros. Por estas manifestações fomos algumas vezes taxados de visionários e monarquistas. calcadas a pés de tiranos reguletes.no primeiro escrito que publicou em sua vida . Então dizíamos que a guerra civil alastraria todo País. isto porque fomos desde então observando que a idéia retrogradava. No regime do governo monárquico. 84. . mais escrúpulo e mais critério nas coisas públicas.

publicámos no ASSUENSE de 16 de Julho de 1872 o seguinte artigo: “CIDADE DA IMPERATRIZ. 27 de Junho de 1872 Já ninguém ignora a confusão e desordem que reina no seio do partido conservador que só por um escárneo à liberdade e ao bom senso do povo brasileiro. A cidade da Imperatriz desta província não dormiu demasiado o sono da indiferença. quando no poder.” conta do resultado da reunião. O que porém muitos não querem ainda crer. imenso. . governa nesse desafortunado país. que não tenha organizado o liberal partido que brevemente nos há de quebrar as peias que nos oprimem desde os tempos coloniais. então cidade da Imperatriz. é de alguns moços inteligentes e prestigiosos daqui. e que fez estremecer o déspota sanhudo.E assim como veio a República militar pela força suprema da espada. em que têm feito uma conquista admirável. pela anarquia que reina em toda a parte. No dia 30 do corrente haverá uma reunião. ecoou por todas as províncias do sul e do norte do Brasil. é no movimento crescente do partido republicano. Nunca fomos. suspeitos à causa da República. .e que é uma verdade irrefragável. vila. Dar-lhe-ei E. nem seremos. Esta cidade como que tem passado nestes últimos dias por uma transformação espantosa! É que o povo já vai conhecendo o jugo que o trucida e a necessidade que tem de ser livre. Ergue hoje bem alto a sua voz. tem se mantido pelo canhão. que se têm mostrado incansáveis na propagação de tão aceitável idéia. ou aldeia. para realizar as importantes reformas de que se ressente o império do Cruzeiro. na qual se constituirá regularmente o diretório do partido republicano nesta comarca. A iniciativa da idéia salvadora. A. e declara em seu seio um partido republicano. que dia a dia vai conquistando milhares de prosélitos! O grito revolucionário que se levantou na corte do império. Pode ser então que das ruínas surja uma República em moldes viáveis e que assente na força da soberania popular. nesta cidade. Não há cidade. que deverá tomar parte na cruzada que se levanta e que há de extirpar a tirania do solo brasileiro. Todos igualmente sabem – que o partido liberal tem se mostrado impotente. pela guerra civil.e há de dissolver-se ainda pelo arrasamento entre si das classes prepotentes. No verdor de nossa vida e quando éramos Professor no Martins.

Revela consignar que não se realizou a reunião para formar então o diretório republicano do Martins. mas a desilusão foi-se fazendo pouco a pouco. nem esperanças lisongeiras. Ulysses de Barros Mendonça. dos políticos partidários malogrados. . Pedro Velho.. e que a nossa desilusão também não é nova.. por desgraça estão investidos do supremo mando dos Estados: exemplo frisante. venham dias melhores. em que o povo possa livremente manifestar a sua soberania e fazer a verdadeira República. nessa República que somente pode triumfar no Brasil pela força armada e que tem servido apenas de exploração para cevar a ganância dos aventureiros especuladores que nunca foram coisa alguma no tempo do império. e a nossos olhos. nosso amigo. Isso não é República. o dr. apenas para comprovar que a nossa fé republicana vem de longe. Jesuino de Souza Martins. porque o Promotor Público da comarca. . como já dissemos. pela pulhice e pela incapacidade que os caracterizavam.e que não podemos ter plena confiança. Deus queira que desse horrendo caos que enegrece o sol da pátria brasileira. Resolvemos isso.(A coleção do ASSUENSE existe encadernada em poder do cidadão João Carlos Wanderley). quis processar -nos como cabeça da propaganda e conspirador contra as instituições Reais – ao que se opôs o íntegro juiz de direito dr.. e hoje. dr. de saudosa memória. porque depois desse tempo rara era a manifestação que não vinha pelo despeito. Eram essas as nossas crenças -talvez excessivas – de moço.

afirmando-se como um povo digno dos melhores destinos. quem pretende insinuar no ânimo generoso deste bom Povo Rio-Grandense que o Governo não seja encarnação firme e honrada do amor à causa pública e decidido mantenedor da tranqüilidade pátria.Que será crime de lesa-patriotismo tentar perturbar o estabelecimento do governo republicano deste Estado. que afinal conquista a sua autonomia. livres todos e todos iguais.Que conspira. . é ainda a prova mais segura de que a harmonia se estabelece. garantidos por um sagrado compromisso. que. que encheu de júbilo santo o grande coração dos filhos desta terra. Fraternidade Manifesto divulgado a 21 de novembro de 1889. em todo o . e de nossas irmãs das duas Américas. em uma palavra. leais. sem cabida no ânimo sincero do governo o pensamento estreito e detestável de represálias e ódios.manter a ordem e assegurar a felicidade de seus concidadãos. expondo o programa republicano recém-instalado. o congraçamento augusto de todos aqueles que neste mesmo torrão tiveram o seu berço. pacífica e entusiasticamente organizado. o de seus pais e de seus filhos. O governo deste Estado. a desigualdade e os privilégios. tendo por norma e guia de seus passos. certo de que a moralidade. cujos direitos saberá respeitar e fazer respeitar em sua plenitude. cedeu o passo a uma vida nova. sob a bandeira da paz e da concórdia. o governo promete sob sua honra o cumprimento de seus deveres. a generosidade que impõe o patriotismo. legítimo e imediato representante do Povo. . Igualdade.ANEXO 5: Ao Povo Liberdade. no seio da pátria. Assim. sem patriotismo e abnegação. Que o advento da República dos Estados Unidos do Brasil é hoje um fato brilhantemente consumado e irrevogável. altivos abnegados habitantes deste Estado. estabelecendo por toda parte a confiança nas relações econômicas. patrióticas e sociais. mas um desejo ardente de consolidar. justiça e energia de seu procedimento administrativo constituem a garantia mais perfeita do respeito à lei e à autoridade extraordinária de que se acha investido por aclamação do Povo e das classes militares. como também entre os briosos. asselado pela manifestação mais solene da soberania popular. cujas tradições de heroísmo já a história tem registrado em mais de um período solene e difícil de nossa existência política. que traziam a vergonha pública e o rebaixamento da dignidade cívica. . internas e externas. contraído perante a imagem sagrada da Pátria.Que os erros e desmandos do passado. era o primeiro documento destinado ao público. cuja expressão é o atual Governo Provisório. de horizontes largos. de abundâncias e glórias. a energia que a situação reclama. Escrito por Pedro Velho. faz saber: . fato grandioso e sublime. assombro das nações cultas da velha Europa.Que a generosidade e o patriotismo dos beneméritos filhos da heróica revolução de 15 de Novembro. não só nos Estados confederados da grande união brasileira. sem constituir a nova situação um assalto interesseiro às posições.

divisa do Governo no momento supremo em que nos achamos. Paz e prosperidade! Viva a República! Viva o Chefe do Estado. será – forte e justo. Cidadãos: o Governo atual é do Povo e pelo Povo! A aurora da Liberdade não pode ser toldada pela nuvem parda da discórdia e da desconfiança. Exmº Marechal Deodoro da Fonseca! Viva o Ministério Republicano de 15 de Novembro! Viva a Pátria Brasileira! Viva o Povo Rio-Grandense do Norte! Viva a Armada Nacional! Viva o Exército Brasileiro! .momento.