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ANA PAULA CARDOSO

O DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS E A REDEFINIÇÃO DE CIDADANIA NO BRASIL.

UNIVERSIDADE DE CUIABÁ – UNIC FACULDADE DE DIREITO CUIABÁ–MT 2011

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ANA PAULA CARDOSO

O DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS E A REDEFINIÇÃO DE CIDADANIA NO BRASIL.

TRABALHO ANALOGIA

METODOLÓGICO OS DA COMO SOBRE

DE A

TRATADOS PROFESSORA: EXIGÊNCIA DE

INTERNACIONAIS ORIENTAÇÃO ________________ REFERENTE _____________ A

PARA OBTENÇÃO DE NOTA PARCIAL DISCIPLINA

UNIVERSIDADE DE CUIABÁ – UNIC FACULDADE DE DIREITO CUIABÁ–MT 2010

3 APRECIAÇÃO ______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ _______________________ .

4 SUMÁRIO .

como categoria espiritual. Pretendemos demonstrar novas roupagens na historia dos tratados internacionais e traremos o máximo de informações possíveis em congruência com as mais importantes correntes doutrinarias envolvendo o tratamento jurídico dado às vitimas dos crimes contra a dignidade de pessoa Humana. como ensina Jaeger Zeller.5 INTRODUÇÃO O presente trabalho visa abordar um tema bastante polêmico e controverso: “O DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS E A REDEFINIÇÃO DE CIDADANIA NO BRASIL. era um animal político ou social. A proclamação do valor distinto da pessoa humana terá como conseqüência lógica a afirmação de direitos específicos de cada homem. na vida social. chega a afirmar que "na filosofia antiga falta até mesmo o termo para exprimir a personalidade". com o objetivo de que ao . como subjetividade. em conseqüência. O homem para a filosofia grega. cujo ser era a cidadania. sendo depois desenvolvida pelos escolásticos. o reconhecimento de que. e que. apenas busca iluminar as mentes dos operadores do direito de forma satisfatória. norteando seus conhecimentos a respeito das novas problemáticas propostas pelos tratados internacionais e a visão humanista da constituição de 1988. citado por Batista Mondin. não se confunde com a vida do Estado. com a natureza. como ser de fins absolutos. o fato de pertencer ao Estado. homem. ele. é possuidor de direitos subjetivos ou direitos fundamentais e possui dignidade. além de provocar um "deslocamento do Direito do plano do Estado para o plano do indivíduo.”. como em Aristóteles. já que o termo "persona" deriva do latim. que possui valor em si mesmo. Não tendo este trabalho pretensão de se tornar um marco na história do direito Constitucional ou mesmo no direito internacional. surge com o Cristianismo. O conceito de pessoa. que estava em íntima conexão com o Cosmos. Não há. com a chamada filosofia patrística. em busca do necessário equilíbrio entre a liberdade e a autoridade". nos povos antigos. o conceito de pessoa tal como o conhecemos hoje.

no domínio da prática. a razão está a serviço de si mesma. E o que caracteriza o ser humano. O que significa não procurar as normas do agir humano na experiência. mas fim em si mesmo. porquanto. melhor instruídos sobre a temática. e o faz dotado de dignidade especial. por conseqüência.6 final deste trabalho todos estejam ávidos sobre o assunto. pois isso significaria submeter o homem a outro homem. é que ele nunca pode ser meio para os outros. . Só através da práxis. a razão se libertará da autoalienação na teoria.

para Marx. Síntese Do Trabalho Utilizando-nos da terminologia empregada por Miguel Reale. protege e realiza. num balizamento da compreensão e interpretação do Direito e. que se salvaguardam os interesses individuais. Enfim. Já com o transpersonalismo. interpretar-se-á a lei com o fim de salvaguardar a autonomia do indivíduo. da Constituição. o indivíduo. inexistindo harmonia espontânea entre o bem do indivíduo e o bem do todo. os direitos do homem apregoados pelo liberalismo não ultrapassam "o egoísmo . o bem do todo. "como esferas de autonomia a preservar da intervenção do Estado". o quanto possível. os interesses coletivos. temos o contrário: é realizando o bem coletivo. Denominam-se-lhes. Redunda. cuidando dos seus interesses. os valores coletivos. que deve. ainda. Estes serão. preservandoo das interferências do Poder Público. portanto. como advertem Reale e Canotilho. antes de tudo. Seu ponto de partida é. transpersonalismo e personalismo. historicamente. Consectárias desta corrente serão as concepções socialista ou coletivista.7 CONSTRUINDO UMA IDENTIDADE 1. "dista de ser una respetable reliquia de la arqueologia cultural". a fortiori. São direitos contra o Estado. se abster. Caracteriza-se o individualismo pelo entendimento de que cada homem. portanto. por isso. por demais limitado. do qual a mais representativa será. privilegia-se aquele. num conflito indivíduo versus Estado. compreende um modo de entender-se os direitos fundamentais. a existência de. a pessoa humana como valor supremo. a marxista. constatamos. direitos inatos e anteriores ao Estado. pois. devem preponderar. a dignidade da pessoa humana realiza-se no coletivo. três concepções da dignidade da pessoa humana: individualismo. indiretamente. direitos de autonomia e direitos de defesa. sem dúvida. basicamente. e impostos como limites à atividade estatal. de se intrometer na vida social. Tal juízo da dignidade da pessoa humana. sempre. Com efeito. Assim. característico do liberalismo ou do "individualismo-burguês". Ademais.1. Nega-se.

que "não há no mundo valor que supere ao da pessoa humana". igualmente. enquanto valor. a primazia pelo valor coletivo não pode. citado por Mata-Machado. do indivíduo voltado para si mesmo. é absoluto. ferir o valor da pessoa. uma forma do mais alto gênero. o homem abstrato. em sentido amplo . ao qual o Estado. em sua arbitrariedade privada e dissociado da comunidade". Como uma pedra-de-edifício no todo.o que uma unidade coletiva jamais pode ser". sacrificar. para seu interesse particular. ser a preeminência de um ou de outro valor. não obstante. a pessoa é uma "unità aperta". rejeita quer a concepção individualista. sobre qualquer outro valor ou princípio. solução que pode ser a compatibilização entre os mencionados valores. como vimos. uma pessoa. principalmente. a interrelação entre os valores individuais e valores coletivos. exalta-se o individualismo. Se ali. como Lacambra.8 do homem. isto é. típico do liberalismo-burguês. numa preponderância do indivíduo sobre a sociedade. assim. Conseqüência lógica será uma tendência na interpretação do Direito que limita a liberdade em favor da igualdade. A solução há de ser buscada em cada caso. seja a subordinação daquele aos interesses da coletividade. Assim. Marcante nesta teoria. sempre. de que aqui se trata. e o princípio correspondente. ser. ou qualquer outra instituição. Em conseqüência. a compatibilização. como sintetiza Nicolai Hartimann. um minimun. ele é. Distinguindo os direitos dos homens dos direitos do cidadão. nunca. "fruto de uma ponderação na qual se avaliará o que toca ao indivíduo e o que cabe ao todo". de acordo com as circunstâncias. aqui. não há que se falar. que privilegia estes em detrimento daqueles. do homem como membro da sociedade burguesa. defende-se que a pessoa humana. que ora se denomina personalismo. aqueles nada mais são que os direitos do homem separado do homem e da comunidade. é a distinção entre indivíduo e pessoa. . Porém. em que se busca. A terceira corrente. quer a coletivista. valor não pode ultrapassar. mas que pode. num predomínio do indivíduo ou no predomínio do todo. e há de prevalecer. resultando. aprioristicamente. se se defende. nega seja a existência da harmonia espontânea entre indivíduo e sociedade. que tende a identificar os interesses individuais com os da sociedade. A pessoa é. destaca-se que ele "não é apenas uma parte. Neste sentido. enquanto o indivíduo é uma "unità chiusa in se stessa".

Tem-se que. e que assim formulou tal princípio: "No reino dos fins. Sendo a Constituição Federal a base e espinha dorsal do ordenamento jurídico e do estado brasileiro. devem se pautar e guardar referência. atendendo-se assim ao princípio da supremacia da constituição. tudo tem ou um preço ou uma dignidade. O Ordenamento Jurídico Brasileiro. pode ser substituída por algo equivalente.9 1. ainda mais. e por isso não admite qualquer equivalência. urge perquirir se esse princípio ganha prevalência entre os demais. para que haja efetividade na aplicação das normas jurídicas vigentes. ainda mais por se saber que não há hierarquia entre os princípios e regras constitucionais. todo ser humano é dotado desse preceito. e tal constitui o principio máximo do estado democrático de direito. na "Fundamentação da Metafísica dos Costumes" (título original em alemão: "Grundlegung zur Metaphysik der Sitten". dogmas e regras constitucionais. O Princípio da dignidade da pessoa humana é um valor moral e espiritual inerente à pessoa. nos quais todas as regras e normas jurídicas vigentes. Dignidade. . Quando uma coisa tem preço. compreende uma dignidade. Está elencado no rol de direitos fundamentais da Constituição Brasileira de 1988. que defendia que as pessoas deveriam ser tratadas como um fim em si mesmas. e não como um meio (objetos)." O rol da dignidade humana é uma das questões mais frequentemente presentes nos debates bioéticos. de 1785). ou seja. no próprio texto magno e abaixo dele. por outro lado.3. Ganhou a sua formulação clássica por Immanuel Kant. a coisa que se acha acima de todo preço. Do mesmo modo que estando o princípio da dignidade da pessoa humana inserido no texto constitucional como um dos fundamentos da Republica Federativa do Brasil que é constituída em um Estado democrático de direito.2. a interpretação constitucional e de toda a ordem infraconstitucional deve observar os princípios. 1. para a prevalência da própria constituição.

este estudo será desenvolvido de maneira a apresentar a distinção entre interpretação e hermenêutica.10 Buscar-se-á na atividade aqui proposta. valendo-se do método bibliográfico. surgidas com o novo enfoque constitucional decorrente do estado democrático de direito. sobre a interpretação constitucional. com base nas assertivas antes estabelecidas. e por fim. . se o princípio da dignidade da pessoa humana concentra ou é o ponto preponderante de análise e interpretação constitucional atual? Para tanto. como o principio da dignidade da pessoa humana deve ser observado na aplicação de tais regras interpretativas.

A fim de se dar efetividade nas normas constitucionais em si e nas infraconstitucionais. raça. devem do mesmo modo. interpretação conforme a constituição. Conseqüência do que as regras constitucionais além do seu caráter fundante. idade e quaisquer outras formas de discriminação (IV). garantir o desenvolvimento nacional (II). mesmo porque.2. detêm também o caráter aberto. O ordenamento jurídico em um Estado democrático de direito sem dúvida alguma urge ou postula pela criação de uma nova interpretação constitucional. 2. e assim. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais (III) e promover o bem de todos. Tais objetivos fundamentais. Em conseqüência do que.1. 1º) e o da igualdade (art. devem observar a unidade da constituição. o que lhes proporcionam estar em efetiva atualização. em que o Estado Democrático de Direito se assenta. para que o Estado Democrático de Direito seja respeitado. De fato.3º): a construção de uma sociedade livre. 2. empregar a análise do princípio da dignidade da pessoa humana. Interpretação Constitucional. Logicamente. cor. sexo. art. em toda e qualquer interpretação. tem como objetivos fundamentais (art. A interpretação constitucional atual. quais sejam. no qual o povo tem real participação via representação. em seus vários métodos. o faz em busca da justiça social.11 OS TRATADOS INTERNACIONAIS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. com ou sem redução de texto.5º da CF). caminho esse que conta com o elemento vitalizador que é o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana (III. a nova ordem jurídica constitucional assim estabelecida deve ser eficaz. justa e solidária(I). o que se dá via interpretação constitucional. Principio Da Dignidade Da Pessoa Humana . o ordenamento jurídico brasileiro constituído sob um Estado democrático de direito. sem preconceitos de origem. o texto magno deve ser interpretado de maneira a dar efetividade aos ditames constitucionais estabelecidos nessa modalidade de Estado.

em passado mais recente. inserido em inúmeros textos constitucionais. o primado do homem. consolidando-se assim.12 O princípio da dignidade da pessoa humana está inserto na Constituição Federal dentre os fundamentos do Estado Democrático de Direito. remonta há muito. Como tal deve permear e assegurar os direitos estabelecidos no texto magno.. honra. o ser humano. intimidade. como princípio fundamental. e a razoável duração do processo e meios garantidores da celeridade processual. saúde. enfim. desde então. reservando-lhe a dignidade de tratamento e consideração. na Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão. e como tal. de 26 de agosto de 1789 – decorrente da Revolução Francesa . em vários outros. A Constituição Federal. 1º. posto que no Estado Absoluto.. em inúmeros preceitos constitucionais. Desmembrando-se tais direitos de per si. ao estabelecer o princípio da dignidade da pessoa humana. tão só por essa característica. pelo cristianismo. e em razão do qual. imagem. no qual se constitui a República Federativa do Brasil – art. seu fundamento. passando o ser humano. etc. III. devendo sua dignidade ser respeitada. a qual culminou na Declaração Universal dos Direitos do Homem. E que foi buscar suas origens. após os episódios bárbaros dos regimes fascista e nazista. integridade física. tais como: vida. estabelecidos como direitos e garantias fundamentais – e direitos e deveres individuais e coletivos – art. Como princípio fundamental que é. liberdade física e psicológica. a uma luta de séculos. e assim. como se viu no desenrolar da história.bem como. segundo o valor dado aos homens. em decorrência da efetivação do princípio da dignidade da pessoa humana. após as conseqüências da grande guerra mundial. devendo assegurar esses direitos. e. o mesmo se dava em razão da propriedade. o homem ou mulher. nome. tem-se a criatura. propriedade. que teve aprovação na Assembléia Geral das Nações Unidas datada de 10 de dezembro de 1948. como pessoa humana. em seu caráter de ser espiritual como valor em si mesmo. A consagração dos direitos do homem. há que se espraiar em todos os direitos do homem e do cidadão. 5º e incisos. ante as atrocidades da mesma. estabelecendo . a figurar como o ponto principal do Direito e do Estado. Como pessoa humana. assim. como se vê. Sendo tal princípio. que os igualou.

Quando uma coisa tem um . como imperativo categórico – ação necessária em si mesma . como que uses a e humanidade. ou ser deixado de lado. humana. representada assim. na seguinte máxima: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal”. na qual o homem é um fim em si mesmo. não podendo sofrer tratamento. tanto na tua pessoa como na qualquer sempre fim e simultaneamente nunca simplesmente como meio”.13 também. ao homem. “Age como se a máxima de tua acção se devesse tornar pela tua vontade em lei universal da natureza”. cidadão. ou. que o homem – ser humano . esse “fim em si mesmo”. enfim. mas tão só da ação que deriva. tudo tem um preço ou uma dignidade. que retrata a dignidade da pessoa.onde não ficam subordinados a nenhum fim ou condição. veja-se: “Age de de tal maneira outro. resultando assim. em sua dignidade. e não meio para arbítrio de outra vontade. daí ter valor absoluto. apresentada na Metafísica dos Costumes. Está a dizer. ou não ser considerado como pessoa. direitos e mecanismos para estabelecimento e garantias destes direitos.há que ser respeitado como e tão só por ser tal. Kant em uma de suas teorias estabelece a moral como princípio supremo. Kant (1993:18) o extraí do reino dos fins. quando diz: “No reino dos fins. ou ser privado dos meios necessários a tal condição. E.( SANTOS.1999:26) Pensamento esse que acaba por concluir a própria condição humana. como à sua sobrevivência física – moral – psicológica – afetiva – econômica – jurídica.

portanto. os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e pluralismo político. então tem ela dignidade” Resta. no caso da República Federativa do Brasil. 2. tal pretensão como mostra o constitucionalismo. Conseqüência que dá a tal princípio característica de relevância. . galga o grau de princípio fundamental. a soberania. mas quando uma coisa está acima de todo o preço. caracterizando-o assim. pode pôr-se em vez dela qualquer outra como equivalente. As regras de interpretação constitucional fundadas na Supremacia e Unidade da Constituição devem ser efetuadas com base a dar efetividade aos ditames constitucionais. visando consagrar o Estado Democrático de Direito. Ainda mais. tal fundamento de validade da ordem jurídica e mais ainda da Constitucional deve tê-lo como princípio norteador e aplicável em toda interpretação. a dignidade humana é o ponto norteador do Estado e do Direito. portanto. cidadania.3. não permite equivalente. ainda mais no que se refere aos constitucionais. no sentido de que não se trata de ser o mesmo. serviu de base para o surgimento da formação de Estados com uma constituição escrita a fim de se assegurar os direitos do homem. quando esse Estado de Direito é agregado na forma democrática. ou melhor. Desse modo. Nesse contexto surge o princípio da dignidade da pessoa humana o qual. A Visão da ONU.14 preço. e. haja vista não o entendimento pacífico de haver hierarquia de princípios. A dignidade da pessoa humana sempre foi postulada pelo homem na relação Estado-Indivíduo. o que culminou com o estabelecimento dos direitos fundamentais. e assim. um princípio absoluto e ou superior aos demais princípios. que o ser humano. visto estar em mesma esfera de igualdade com os demais fundamentos do Estado como. toda interpretação quer seja das normas da própria constituição ou das normas infraconstitucionais devem observar e respeitar o princípio da dignidade da pessoa humana. como lócus hermenêutico da nova interpretação constitucional.

independentemente de suas características genéticas. De modo geral. A Resolução n. por exemplo. econômicos. III. sociais e políticos. juntamente com o direito à vida e à liberdade. afirma que a eticidade da pesquisa implica em tratar os indivíduos-alvo em sua dignidade. salientando que essa dignidade faz com que seja imperativo não reduzir os indivíduos à suas características e respeitar sua singularidade e diversidade. o que aparece também na consideração finalista kantiniana da pessoa. 1º afirma ser o genoma humano a herança da humanidade. Desse princípio podem-se deduzir algumas conseqüências explícitas que resultam. a. a dignidade da pessoa humana. objeto desta pesquisa. fazendo desprezar eticamente condutas incompatíveis com tal condição. logo em seu art. de determinadas experiências com seres humanos que poderiam gerar aberrações. tratando-o como unidade fundamental de todos os membros da família humana aos quais reconhece dignidade e diversidades inerentes. O princípio da dignidade da pessoa humana obriga ao inafastável compromisso com o absoluto e irrestrito respeito à identidade e à integridade de todo ser humano.” Premissa básica do jusnaturalismo é o reconhecimento no homem de sua própria dignidade. sobre a regulamentação das pesquisas em seres humanos. da UNESCO. são garantias individuais asseguradas pela Constituição Federal de 1988 e servem como fundamento e princípios informadores que legitimam as manipulações sobre a vida humana.15 O termo “dignidade é algo absoluto e pertence à essência. 196. um dos fins do Estado é propiciar as . n. pois nela intervém a combinação de aspectos morais. é a dignidade humana um atributo da pessoa. não podendo ser medida por um único fator.1. entre outros. Cabe recordar. A Declaração Universal do Direitos Genoma Humano e dos Direitos Humanos. indissoluvelmente. de 10 de outubro de 1996. 2º designa a todos o direito ao respeito por sua dignidade e seus direitos humanos. respeitando-os em sua autonomia e vulnerabilidade. Dignidade e liberdade atrelam-se à pessoa humana. No art. do Conselho Nacional de Saúde. Como princípio fundamental do Estado Democrático brasileiro.

como titular de direitos. Enquanto ao homem cabe dar sentido à sua própria vida. . entre estas. liberdade e dignidade ascendem ao patamar dos direitos fundamentais. de medidas como a tortura que. Todavia.16 condições para que as pessoas se tornem dignas. significa que ao ser humano corresponde a condição de sujeito e não de objeto manipulável. ao Estado cabe facilitar-lhe o exercício da liberdade. através da qualidade de vida desumana. a dignidade humana pode ser por diversas maneiras violada. Nesse diapasão. sob todas as modalidades. são inibidoras do desenvolvimento humano. pois dizer que à pessoa humana. é devido o direito à dignidade.

Reflexões dos estudiosos essa sensação dificultosa de assimilar as preocupações atuais com a preservação da dignidade da pessoa humana. constituído por quarenta e um países. a ONU fixa como objetivo primordial. em 1968. Por sua vez.1. considerando que a liberdade. e no art. ambos de 1966. a justiça e a paz no mundo têm por base o reconhecimento à dignidade intrínseca e aos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana. Contudo. reconhecendo em seus preâmbulos. pretende unir todos os países do Velho Continente à volta de uma convenção que leva o título de Convenção para a Proteção dos Direitos do Homem e da Dignidade do Ser Humano com Respeito às Aplicações da Biologia e da Medicina. O mesmo objetivo estampa-se na Proclamação da Conferência Internacional de Direitos Humanos de Teerã. 29 e o art. 13 do Pacto Internacional de Direitos Civis. o princípio mais importante a que se refere o parágrafo 3º do art. O compromisso de assegurar a dignidade humana vem também expressa no preâmbulo da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU). os Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos contêm a exigência de sua proteção. que a humanidade goze da máxima liberdade e dignidade. 30 da Declaração dos Direitos Humanos é o princípio do respeito à dignidade do indivíduo. A Proteção A Dignidade da Pessoa Humana No Brasil E No Mundo. Para tal convergem os Pactos de Direitos Civis e Políticos e dos Direitos Econômicos. em matéria de direitos humanos. O Conselho da Europa. no art.17 A INFLUÊNCIA DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS NO DIREITO INTERNO 3. Pretende-se com este documento orientar os que se embrenharam . que os direitos neles contidos derivam da dignidade inerente à pessoa humana. Com essa Declaração. Sociais e Culturais. 5º da Carta Africana.

Atualmente. Fazse mister reavaliar os interesses suscitados pelas situações subjetivas que se contrapõem aos interesses patrimoniais. Contudo. Mesmo que não se possa estimar a vida humana como um valor absoluto e seja legítimo tecer considerações sobre a qualidade de vida. atingindo-o na sua dignidade. como direito à morrer com dignidade. não existem equívocos. à frente da própria vida.18 pelos caminhos da biomedicina. quando não for favorecido por um marco jurídico de intervenção precisa. 5º da Constituição Federal de 1988. quanto à importância que tem o direito à vida em todas as culturas e civilizações atuais e passadas. em determinadas ocasiões. sobretudo no contexto da proximidade da morte. não pairam dúvidas de que onde mais se observa o recurso ao respeito à dignidade humana é na possível vulneração referente às biotecnologias aplicadas aos seres humanos. questiona-se se uma excessiva manipulação de seu conteúdo não resultaria em esvaziá-lo. A dignidade humana vem sendo posta. Em torno das garantias aos direitos invioláveis do homem. frente aos acelerados avanços da biotecnologia que favorecem situações limites. Também. direitos se impõem frente aos tribunais. ergue-se discussão sobre a exigência de redimensionamento ao conceito de valor da pessoa humana. assegurados no art. Surge nesta seara uma profunda inquietação ante a possibilidade de manipular a integridade do ser humano. concreta e racional. Com relação à tutela das situações existenciais. sente-se o embaraço de colocar no mesmo plano os interesses patrimoniais e aqueles existenciais. já que neste sentido existe um grande vazio legislativo. tornando necessária a reconstrução do ordenamento . particularmente relacionadas ao início e fim da vida humana. na atualidade. Por outro lado. estritamente ligados à pessoa. As questões morais ligadas ao valor da vida humana suscitam a qualquer tempo um grande interesse. é indiscutível que o respeito à vida humana é um valor básico em todos os ordenamentos jurídicos e em toda a convivência interhumana. especialmente.

Vale dizer. sobre a influência dos tratados internacionais de proteção aos direitos humanos no direito interno brasileiro. 1. II. b) quais são as regras de interpretação que devem ser adotadas. necessário se faz a discussão de: a) como os tratados internacionais que versam sobre os direitos humanos fundamentais incorporam-se ao direito interno. art. eficácia e aplicabilidade do direito internacional dos direitos humanos no direito interno brasileiro. indicando os meios em que deve ser utilizado e processado no direito interno do país. especialmente no que concerne à harmonização com o Direito interno.º. bem como a aplicação do princípio da primazia da norma mais favorável como regra de hermenêutica internacional.º e 2.º. fazendo uma interpretação sistemática entre os arts. c) como os tratados internacionais de proteção aos direitos humanos influem no processo de redefinição da democracia no âmbito brasileiro. todos da Carta Magna da República de 1988. importa examinar a dinâmica da relação entre o processo de internacionalização dos direitos humanos e seu impacto e repercussão no processo de redefinição e reconstrução da democracia no âmbito brasileiro. o processo de redefinição da democracia no Brasil.º. Considerando essencial que o direito internacional e o direito interno se integrem eficazmente na proteção dos direitos do homem.º. . Como resultado hermenêutico da interpretação de tais normas. Os Tratados Internacionais E A Postura Do Estado. III e art.19 jurídico civil através de uma redefinição qualitativa do valor à vida a ser então considerado. 5. 4.2. este estudo apresentará sua conclusão envolvendo o princípio da primazia da norma mais favorável ao ser humano. A integração. a Declaração Universal dos Direitos Humanos. §§ 1. 3. Para se enfrentar corretamente o presente tema.

em 1923. Desde já. se afigura um dos mais difíceis de se compreender. os tratados internacionais representam apenas compromissos exteriores do Estado. Noutra. dando prevalência aos tratados sobre o direito interno infraconstitucional. no âmbito do direito das gentes. Por regularem tais sistemas matérias diferentes. o direito interno de cada Estado e o internacional são dois sistemas independentes e distintos. enquadra-se nesse segundo sistema (monismo nacionalista). um tratado internacional não poderia. assumidos por Governos na sua representação. O ponto crucial da questão consiste em saber-se qual das normas deverá prevalecer em havendo conflito entre o produto normativo convencional (norma internacional) e a norma interna. em nenhuma hipótese. ou ser revogado (rectius: perder eficácia) diante de lei posterior.20 O problema da concorrência entre tratados internacionais e leis internas de estatura infraconstitucional. RTJ 83/809 e ss. em 1914. Numa. Para os dualistas. entre eles não poderia haver conflito. garantindo ao compromisso internacional plena vigência. é necessário dizer que o estudo das relações entre o Direito Internacional e o ordenamento interno. sem embargo de leis posteriores que o contradigam. Foi Alfred von Verdross que. por isso. de duas maneiras. pois consiste em sabermos qual o tipo de relações que mantêm entre si. podendo. tais problemas são resolvidos garantindo-se aos tratados apenas tratamento paritário. O Brasil. Para os adeptos dessa corrente. a qual foi aceita por Triepel. segundo o Supremo Tribunal Federal. pode ser resolvido. sem que isso possa influir no .). em princípio. ou seja. Para tentar resolver este problema. duas grandes concepções doutrinárias surgiram: a monista e a dualista. embora igualmente válidos. passa a ter força de lei ordinária (v. uma vez formalizado. regular uma questão interna sem antes ter sido incorporado a este ordenamento por um procedimento receptivo que o transforme em lei nacional. Há mais de vinte anos vigora na jurisprudência brasileira o sistema paritário onde o tratado. tomando como paradigma leis nacionais e outros diplomas de grau equivalente. cunhou a expressão "dualismo". revogar as disposições em contrário.

haver primazia de um sobre o outro. em 1905. é porque está se comprometendo juridicamente a assumir um compromisso. dentre elas a de que as regras internas de um Estado soberano são emanadas de um poder ilimitado. não pode um preceito do Direitos das Gentes revogar outro que lhe seja diverso no ordenamento interno. o que não acontece no âmbito internacional. Por isso é que esses compromissos exteriores. um de seus maiores e mais notáveis defensores. "as normas de Direito Internacional não têm força cogente no interior de um Estado senão por meio da recepção. entretanto. se um Estado assina e ratifica um tratado internacional. mas. trata-se de relações entre Estados. O Estado pactuante. estes dois ordenamentos jurídicos – o do Estado e o internacional – podem andar pareados sem. em decorrência de um ato do seu Poder Legislativo que as converte em regras de Direito Interno. um decreto. uma lei complementar. enquanto em outro as regras visam à regulamentação das relações entre indivíduos. de 1899). se tal compromisso . não têm o condão de gerar efeitos automáticos na ordem jurídica interna do país. isto é. por via de conseqüência. se não o fizer.21 ordenamento interno desse Estado. apenas. pois distintas são as esferas de suas atuações. na Itália. obriga-se a incorporar tais preceitos no seu ordenamento doméstico. os autores monistas. Já. que a adotou. Esta teoria teve em Carl Heinrich Triepel. responsabilizado no plano internacional. cuja concepção foi aprovada por Dionisio Anzilotti. Em um caso. colisões entre as duas ordens jurídicas". Assim. Foi de Triepel o primeiro estudo sistemático sobre a matéria (Volkerrecht und Landesrecht. De forma que. partem da inteligência oposta. Para eles. uma norma constitucional etc. em trabalho intitulado "Il Diritto Internazionale nel giudizio interno". em relação ao qual existe forte subordinação de seus dependentes. assumindo somente uma obrigação moral. não sendo possível. deverá ser. e aplaudida também por Oppenheim. Esta corrente dualista. por isso. para os dualistas. se todo o pactuado não se materializar na forma de diploma normativo típico do direito interno: uma lei. Para os dualistas. estabelece diferenças entre o direito internacional público e o direito interno. na Alemanha.

Assim. e outros. os mais moderados. Propendem. a normatividade dos tratados internacionais. seguida também por Wenzel e Chailley. sob pena de nulidade. assim como Kelsen (Das problem der souveränität und die theorie des völkerrechtes. apregoa o primado do direito nacional de cada Estado soberano. responsabilizando o infrator a indenizar os prejuízos decursivos. 1920). "relevo especial à soberania de cada Estado e à descentralização da sociedade internacional. a outra corrente (monismo nacionalista). Aceitam a integração do produto convencional ao direito interno. ao qual nenhum outro pode sobreporse na hora presente. no que concerne à hierarquia das fontes. dão. como Verdross. b) já. mas não em grau hierárquico superior. há de encontrar-se notícia do exato grau de prestígio a ser atribuído às normas internacionais escritas e costumeiras". ao culto da constituição. embora afirmem que tal lei constitui uma infração que o Estado lesado pode impugnar exigindo ou a sua derrogação ou a sua inaplicabilidade. Os monistas dividem-se em duas correntes: a) uma (monismo internacionalista). assim. dessarte. defensor da soberania absoluta do Estado. Os que defendem este posicionamento se bifurcam – uns não admitem que uma norma de direito interno vá de encontro a um preceito internacional.22 envolve direitos e obrigações que podem ser exigidos no âmbito interno do Estado. sustenta a unicidade da ordem jurídica sob o primado do direito internacional. dentro do sistema jurídico brasileiro. a edição de um novo diploma. permite. onde tratados e convenções guardam estrita relação de paridade normativa com as leis ordinárias editadas pelo Estado. situa-los (como quer o STF). não se faz necessário. estimando que no seu texto. vertente esta influenciada pela filosofia de Spinoza e de Hegel. a que se ajustariam todas as ordens internas (posição que teve em Hans Kelsen seu maior expoente). sob cuja ótica a adoção dos preceitos do direito internacional reponta como uma faculdade discricionária. no mesmo . Os monistas defensores do predomínio interno. materializando internamente aquele compromisso exterior. negam tal falta de validade. só por isso.

deve aquele responder".º. não estaria revogado? Segundo a orientação do STF.23 plano e no mesmo grau de eficácia em que se posicionam as nossas leis internas. do Pacto de San José da Costa Rica (o qual o Brasil aderiu sem reservas). neste momento histórico. desde que ratificado pelo Brasil. Segundo o entendimento da Suprema Corte. LXVII). frente a Constituição Federal. qualquer tratado internacional que seja. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel". permite em certas circunstâncias. ao produto normativo dos compromissos exteriores do Estado". o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. passa a fazer parte do . Seguindo esse raciocínio. "posto o primado da constituição em confronto com a norma pacta sunt servanda" – explicava o então Ministro Rezek –. no plano externo. não. dispõe que "Ninguém poderá ser preso apenas por não poder cumprir com uma obrigação contratual [grifos nossos]. corroborar o entendimento do art. "o ideal de segurança e estabilidade da ordem jurídica a ponto de subpor-se. por sua vez. o disposto na Constituição Federal acerca da prisão civil do infiel depositário. a si mesma. 5. e uma norma de direito internacional dispondo de outro. que exclui de seu texto a figura do depositário infiel. desses dois tratados internacionais. 7. À exceção da Constituição holandesa que. "é corrente que se preserve a autoridade da lei fundamental do Estado. assim. pelo Brasil. De forma que. ainda que isto signifique a prática de um ilícito pelo qual. que tratados internacionais derroguem seu próprio texto. Podemos exemplificar com a questão da prisão civil por infidelidade depositária: a Constituição Federal de 1988 (art. apregoa que "não haverá prisão civil por dívida. de outro. Pode surgir. um impasse: determinados dispositivos de ordem interna concernente à uma liberdade individual dispondo de um modo. tratado esse que vem. surge a indagação: com a ratificação.º. após a revisão de 1956. Esta é posição já firmada e sedimentada pelo Supremo Tribunal Federal. há mais de vinte anos. como veremos logo adiante. é muito difícil que uma dessas leis fundamentais despreze. sem embargo de vozes atualíssimas a proclamar a supremacia dos tratados de direitos humanos. 7.

no RE 71. relator do Acórdão Min. então. mesmo antes da Constituição de 1988. RE 80. deve ser garantida a autoridade da norma mais recente. como expressão máxima da soberania nacional.004-SE. Isto é.154-PR. neste caso. com base na especialidade das leis no sistema jurídico constitucional. não tem força nenhuma para mudar o texto constitucional. o plenário do STF voltaria a se manifestar. a edição de um segundo diploma legal específico que reproduza as normas modificadoras. como diz o Supremo Tribunal Federal. no sentido de que não é razoável que a validade dos tratados fique condicionada à dupla manifestação do Congresso Nacional. em destaque. Cunha Peixoto. a regra lex posterior derogat priori. além da aprovação do tratado. está acima de qualquer tratado ou convenção internacional que com ela conflite. não se exige. disso decorrendo a constitucionalidade e conseqüente validade do Decreto-lei 427/69. o que faz operar em favor delas. Não havendo na Constituição garantia de privilégio hierárquico dos tratados internacionais sobre o direito interno brasileiro. de que foi relator o Min Oswaldo Trigueiro. in verbis: "Embora a Convenção de Genebra.08. que instituiu o registro obrigatório da nota promissória em Repartição Fazendária. exigência que nenhuma das nossas Constituições jamais prescreveu. em 04. o STF já tinha se pronunciado a respeito.24 nosso direito interno. pois é paritário (repete-se: segundo o STF) o tratamento brasileiro. no âmbito da legislação ordinária. Para o STF. por serem estes normas infraconstitucionais gerais que. sob pena de nulidade do título" (publicado na íntegra o Acórdão na RTJ 83/809-848. não se sobrepõe ela às leis do país. por esse motivo. leis especiais tem prevalência sobre pactos ou convenções internacionais que lhes sejam posteriores. com um avanço significativo. como é sabido. Isto porque. A prevalência de certas normas de direito interno sobre as de direito internacional decorre de primados do próprio STF. a propósito da Convenção de Genebra da Lei Uniforme sobre Cheques.1977). a Carta Magna. por votação unânime. que previu uma lei uniforme sobre letras de câmbio e notas promissórias. Alguns anos mais tarde. de 01.06. porém. Aliás. Esta. dado às normas de direito internacional. não são aptos a revogar normas infraconstitucionais especiais anteriores (lex posterior generalis non derogat legi .1971. tenha aplicabilidade no direito interno brasileiro.

e considera-se de importância preponderante o que respeita diretamente à espécie". Ou como dizia Papiniano: In toto jure generi per speciem derogatur.25 priori speciali). o gênero é derrogado pela espécie. . et illud potissimum habetur quod ad speciem directum est – "em toda disposição de Direito.

. no âmbito da legislação ordinária. uma vez que o processo de alinhavar dos capítulos também nos repete ao processo de formação de idéia e compreensão de texto. com base na especialidade das leis no sistema jurídico constitucional. uma vez que. segundo o Supremo. posto que uma lei geral seria incapaz de derrogar uma outra que a ela seja especial (HC 72. No entanto. têm-se por firmadas as seguintes conclusões: I – Segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal. nossas conclusões são envoltas nos capítulos apresentado. Ao fim e ao cabo desta exposição teórica. histórico e mesmo social. A prevalência de certas normas de direito interno sobre as de direito internacional público decorre de primados do próprio STF. somos agora capazes de emitir uma opinião empírica a respeito da pesquisa do trabalho. voltado ao conhecimento empírico jurídico. sem força para mudar o texto constitucional. não podemos delinear esta conclusão de uma maneira única. portanto.26 CONCLUSÃO Pois bem. o que nos remete a um nível de compreensão lógica. qualquer tratado internacional ratificado pelo Brasil. está ela acima de qualquer tratado ou convenção internacional que com seu texto conflite. o temas nos trás diversos entendimentos sistêmicos e sociais. Não há. após todo o desenvolvimento do conteúdo. pois. passa a fazer parte do direito interno brasileiro. devendo-se garantir a autoridade da norma mais recente. dado às normas de direito internacional (lex posterior derogat priori). sendo a Constituição Federal a expressão máxima da soberania nacional. destarte. as abordagens foram as mais explanadoras possíveis e fundamentadas. faz apresentemos de um modo mais distinto e particular ao trabalho.131-RJ). pois é paritário o tratamento brasileiro. garantia de privilégio hierárquico dos tratados internacionais sobre o direito interno brasileiro. Assim tornasse indispensável demonstrar o raciocínio de cada capitulo disposto no trabalho.

da Carta Magna de 1988. 4. estando amparados inclusive pelas chamadas cláusulas pétreas (CF.º. § 4. 5. 60.º. "a natureza de norma constitucional". 102. como já bem sustentaram Antonio Carlos Malheiros. III. Quando um tratado internacional de proteção a direitos humanos vem ampliar alguns dos direitos contidos na Constituição. 5. b. não tem natureza de norma constitucional. em conjunto com o art. Antônio Augusto Cançado Trindade de princípio da primazia da norma mais favorável às vítimas. jamais por lei interna. chamado pelo Prof. passando tais direitos a integrar o elenco dos direitos constitucionalmente protegidos. tal tratado passa a ter. está ela própria atribuindo-os uma natureza especial e diferenciada. pelo critério cronológico.º da atual Carta Magna. a fim de ampliar a ela os direitos nele contidos. terão sim.º). V – Os tratados internacionais têm sua forma própria de revogação. por autorização expressa da Carta Magna (art. mesmo que esta seja uma imposição constitucional. . Haroldo Valladão e Philadelpho Azevedo. III – Os demais tratados internacionais que não versem sobre direitos humanos. IV – Esse resultado é obtido interpretando-se o § 2. art. VI – Os direito humanos devem ultrapassar qualquer barreira impeditiva à consecução dos seus fins. II. do mesmo diploma. . não se podendo mais falar que a legislação interna. que dispõe sobre o princípio da prevalência dos direitos humanos.º do art. tem poder para revogar ou derrogar tratado internacional. força para modificá-la. que é a denúncia. extraída do art. Este só pode ser alterado ou modificado por outra norma de categoria igual ou superior. que seja internacional.º. qual seja. ficou estabelecido que quando a Carta da República incorpora em seu texto direitos fundamentais provenientes de tratados. § 2.27 II – Sem embargo do entendimento da Suprema Corte nesta matéria. IV). natureza de norma infraconstitucional.

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