12 - Vibração Forçada Harmonicamente com Amortecimento Viscoso Balanceamento de Máquinas Rotativas Balanceamento de Máquinas Alternativas

Balanceamento de máquinas rotativas: L.T.: 9.4 Problemas: 9.3 a 9.12 Balanceamento de máquinas alternativas: L.T.: 9.6 Problemas: 9.22 a 9.26

12.1 Balanceamento de máquinas rotativas
A presença de um desbalanceamento mr em uma peça girante causa vibração, a qual pode ser aceitável até um certo nível. Causas do desbalanceamento: não homogeneidade das peças, erros de fabricação, variações nos tamanhos de parafusos, porcas, rebite e soldas, etc. No caso de a vibração alcançar um nível inaceitável, podemos minorá-la retirando a massa m que está causando o desbalanceamento ou adicionar uma massa igual em uma posição tal que cancele o efeito do desbalanceamento. Para fazer isso, precisamos determinar experimentalmente o valor e a localização de tal massa, operação que constitui o chamado balanceamento Consideraremos, aqui, dois tipos de balanceamento • balanceamento estático ou em um só plano • balanceamento dinâmico, ou em dois planos

12.2 Balanceamento estático
Seja um elemento de máquina rotativo, tal como um disco, um volante, uma engrenagem, uma polia, etc., que apresente um desbalanceamento Procedimento 1 • Montamos o disco sobre um eixo apoiado em dois mancais • Giramos o disco até que ele pare; marcamos o ponto mais baixo do disco com uma marca de giz • Repetimos o processo várias vezes; se as marcas estiverem marcadas aleatoriamente ao longo da circunferência, o disco está balanceado; caso contrário, se as marcas coincidirem, o disco está desbalanceado

retirando massa (processo de furação) ao longo do raio que passa pelas marcas de giz. podemos usar qualquer uma das expressões das forças nos mancais para determinar o desbalanceamento mr Procedimento 2 (usando um analisador de vibrações) Antes de ligar o motor. F2. F1.• O desbalanceamento pode ser corrigido por tentativa e erro. que faz 1800 com as marcas de giz Determinação mais precisa do desbalanceamento O desbalanceamento pode ser determinado girando o disco a uma velocidade conhecida ω e medindo as reações nos dois mancais: Uma vez conhecidas ω. ou adicionando massa ao longo do raio oposto. a1. a2 e l. fazemos marcas de referência tanto no disco como no estator: .

devido ao atraso da resposta. Au. agora. isso faz com que a marca de referência do disco girante pareça estacionária. Uma lâmpada estroboscópica é disparada na mesma freqüência da rotação do disco girante. com comprimento Au. O vetor → desbalanceado original A u é desenhado em uma direção qualquer. porém posicionada a um ângulo θ (o qual é medido) em relação à marca de referência do estator.Funcionamento O analisador de vibração é sintonizado na velocidade de rotação do disco girante. Após.θ com a direção de A u e com comprimento Au+w → O vetor diferença → A w = A u+ w − A u → → representa. desenha-se o vetor A u+ w formando um ângulo → φ . um diagrama vetorial para achar a magnitude e a localização da massa corretora mo. formando um ângulo θ com a posição original: Quando o motor gira novamente à mesma velocidade ω. é medida pelo analisador. captada pelo sensor. A amplitude do deslocamento. então. o vetor desbalanceamento devido à massa conhecida m e sua magnitude é calculada pela lei dos cossenos: Aw = 2 2 A u + A u+ w − 2A u A u+ w cos( φ − θ) (9. causada pelo desbalanceamento combinado do rotor e da massa conhecida m: Constrói-se. O motor é então parado e é colocada uma massa conhecida m no rotor. obtemse uma nova posição angular φ e uma nova amplitude de vibração Au+w.9) .

o desbalanceamento pode estar em qualquer posição ao longo do comprimento do corpo. etc. o desbalanceamento original deve estar a um ângulo α. se o rotor for um corpo rígido alongado. engrenagens. Nesse caso. localizada na mesma direção radial que a massa m. o rotor pode ser balanceado adicionando-se duas massas balanceadoras em dois planos quaisquer do rotor. 12. em oposição à direção da massa conhecida m: O ângulo α pode ser obtido a partir da lei dos cossenos: 2  A 2 + A 2 − A u+ w w α = arccos  u 2A u A w       (9. polias. como discos.Como a magnitude da massa conhecida m e sua direção α em relação ao desbalanceamento original são conhecidas. Por conveniência. é normal escolher os planos das extremidades do rotor: Consideremos um rotor com uma massa desbalanceada m. volantes.10) A magnitude do desbalanceamento original é dada por mo = (Au/Aw).3 Balanceamento dinâmico O balanceamento estático pode ser usado para rotores estreitos.m. Entretanto. a qual dá origem a uma força centrífuga desbalanceadora F = mω2R: . situada a uma distância l/3 da extremidade direita.

analisaremos uma máquina alternativa e determinaremos as forças desbalanceadas inerentes ao mecanismo biela-manivela.12).4 Balanceamento de máquinas alternativas As peças móveis de uma máquina alternativa. (9. . vamos estudar um meio de contrabalançar tais forças.A massa desbalanceadora m pode ser substituída por duas massas m1 e m2. 12.5 Forças desbalanceadas devido às flutuações de pressão no interior do cilindro A máquina é acionada pela expansão dos gases no interior do cilindro.12) m = 3m1 Combinando as eqs. localizadas nas extremidades do rotor. as quais originam as forças F1 e F2: Condições de equilíbrio: (1) mω2R = m1ω2R + m 2 ω2R m = m1 + m2 (9.11) e (9. são o pistão. Em seguida. o que dá origem a uma força F que é transmitida à manivela através da biela. As vibrações em máquinas alternativas aparecem em conseqüência de: • • variações periódicas de pressão no interior do cilindro forças de inércia associadas com as peças móveis Inicialmente. tal como um motor de combustão interna ou um compressor alternativo. de modo a reduzir a vibração da máquina.11) ( 2) m ω 2R l = m 1ω 2 Rl 3 (9. a biela e a manivela. obtemos m1 = m 3 2m m2 = 3 12.

. existe um torque resultante que atua sobre o bloco do motor. de módulo F/cosφ. Em regime permanente. logo o torque induzido sobre a árvore de manivelas devido à pressão do gás no interior do cilindro é "sentido" pelo suporte do motor. F tanφ. (b)) em uma componente horizontal de módulo F tanφ (reação da parede do cilindro sobre o pistão) e em uma componente ao longo da biela. cujo módulo é dado por MQ = Fh tanφ onde h pode ser encontrado a partir da geometria do sistema como (ver fig.54). atuando lateralmente para a esquerda sobre o mancal da árvore de manivelas. logo o seu módulo varia entre um mínimo e um máximo. F tanφ.52) Forças transmitidas às peças estacionárias da máquina: F. gera um torque motor Mt que tende a girar a manivela. do tipo de ciclo e da velocidade de rotação da máquina.A reação à força F pode ser decomposta (ver fig. atuando verticalmente para baixo sobre o mancal da árvore de manivelas.54) Comparando (9. Como F varia com o tempo. da biela sobre a manivela. F é periódica. (b)) h = MQ = r cos θ sen φ F r cos θ cos φ (9. atuando lateralmente para a direita sobre o bloco do cilindro. cujo módulo vale Mt = F r cos θ cos φ (9. em uma freqüência que depende do número de cilindros. A força F/cosφ.52) e (9. vemos que MQ = Mt. atuando verticalmente para cima sobre o bloco do cilindro. também MQ é função do tempo.53) (9. Embora a resultante dessas quatro forças seja nula. F.

θ = ωt com o Posição xP do pistão: (9. r l 〈 1 4 . (9.59) Como. cuja origem está situada no chamado de ponto morto superior (PMS).58) considerando que.58) Podemos simplificar a eq. em geral.58) e escrever (9. a manivela faz um ângulo eixo do cilindro. (9. para um número ε pequeno: (9.6 Forças desbalanceadas devido à inércia das peças móveis Aceleração do pistão A figura mostra um mecanismo biela-manivela. podemos associar a ε o termo muito pequeno que aparece no interior do radical da eq. Sistema de coordenadas: Oxy.61) . Num instante qualquer t. no qual a manivela gira no sentido anti-horário com velocidade constante ω.60) Levando em conta a relação trigonométrica (9.12.

.66) (9. r sen 2 ω t ) 2l (9.. a componente vertical da força de inércia é dada por: Fx = mp xp + mc x c .61) em relação ao tempo: x P = r ω(sen ω t + . podemos derivar a eq.68) (9. ou seja.70) . Então. respectivamente. r x P = rω2 (cos ωt + cos 2ωt) l Aceleração da manivela Coordenadas do ponto C (pino de articulação biela-manivela): xC = AO + AB = l + r(1 . a velocidade e a aceleração instantâneas do pino de articulação biela-manivela: (9.63) . (9. Sejam mp = massa total do pistão mc = massa total da manivela incluídas nelas as duas massas concentradas da biela.cosωt) yC = CB = r senωt Derivando as equações acima em relação ao tempo.. obtemos.69) Forças de inércia Embora a massa da biela esteja distribuída ao longo do seu corpo. ela é geralmente idealizada como uma peça com duas massas concentradas nas suas extremidades.. uma no pino de articulação biela-pistão e outra no pino de articulação biela-manivela.Para obtermos a velocidade e a aceleração do pistão num instante qualquer.62) (9.67) (9. (9.

(9.71) e (9. particularizada para um motor de 6 cilindros: .68). Vamos ver. pois. uma máquina alternativa com N cilindros. Consideremos. (9. e de uma componente secundária. (9. Em uma máquina multicilíndrica é possível balancear algumas ou todas as forças de inércia através de um arranjo apropriado das manivelas. . Examinando a eq. donde concluímos que a máquina alternativa monocilíndrica é inerentemente desbalanceada. (9. na eq. o que acontece com a força Fx quando temos máquinas com mais de um cilindro.. de freqüência 2ω.63) e (9.73).73) 12.7 Balanceamento de máquinas alternativas Conforme vimos.Substituindo na eq.73).69). a seguir. o que pode ser feito colocando-se "contrapesos" na manivela: Já a força Fx sempre existirá. As manivelas estão posicionadas entre si conforme mostra a figura. Analogamente. de freqüência ω. respectivamente: r 2ω2 Fx = (m p + m rc )rω 2 cos ω t + m p cos 2ω t (9. . cujos comprimentos de todas as manivelas e de todas as bielas são iguais.72) y p = 0 e y c é dada pela eq. (9.. (9.71) l Podemos observar. F y = − m c r ω 2 sen ω t (Fy tem apenas uma componente primária). (9. que Fx é composta de uma componente primária. logo . as forças de inércia desbalanceadas são dadas pelas eqs..71). dadas pelas eqs. podemos obter a componente horizontal da força de inércia para um cilindro: Fy = m p y p + m c y c . (9. podemos observar que a força Fy pode desaparecer se a massa mc for nula..70) as acelerações dos pontos P e C.

73): (9. as massas alternativas e rotativas de todos os cilindros são iguais. (9.74) (9.71) e (9. é. α3 = 1200 e l3. (9. α5 = 2400 e l5. o cilindro 5. conforme mostra a figura: . o cilindro 6. Além disso.76) (9.. o cilindro 4.75) onde são as componentes vertical e horizontal da força de inércia do i-ésimo cilindro. podemos aplicar as eqs. no caso geral de um motor com N cilindros devemos ter: (9.75) no instante t = 0. ou seja. α6 = 600 e l6 Para haver balanceamento das forças de inércia.O cilindro 1 serve de referência para os demais: o cilindro 2 faz com ele α2 = 1800 e dista dele l2.74) e (9. α4 = 3000 e l4. i. de modo que as condições para que as resultantes das forças de inércia sejam nulas se tornam (9. as forças de inércia do i-ésimo cilindro provocam torques de inércia em torno dos eixos y e x. o cilindro 3.79) Por outro lado.78) (9. as resultantes das mesmas nas direções x e y devem ser nulas. respectivamente. são dadas por (conforme adaptações das eqs.77) Em geral.

82) (9.78). (9. de modo a satisfazer as eqs. (9. de modo que as condições para que as resultantes dos torques de inércia sejam nulas se tornam (9. (9.82) e (9.81) no instante t = 0.83). podemos arranjar os cilindros de um motor multicilíndrico. ou seja. além disso. completamente balanceado contra forças e torques de inércia. .81) Analogamente ao que foi feito com as forças de inércia. eles devem ser nulos.Tais torques são dados por Para haver balanceamento dos torques de inércia.79). e.80) e (9.80) (9. podemos considerar que as massas alternativas e rotativas de todos os cilindros são iguais. podemos aplicar as eqs.83) Assim. (9. então. (9. estando.