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A transmissão digital com múltiplas portadoras Cadernos de

Pós-Graduação
em Engenharia
Elétrica

Evair Gallardo da Silva


Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
Maria D. Miranda
Professora do Programa de Engenharia Elétrica da
Universidade Presbiteriana Mackenzie

RESUMO

Neste trabalho descreve-se a técnica de transmissão digital com


múltiplas portadoras conhecida como OFDM (Orthogonal
Frequency Division Multiplexing) no contexto de comunicação
digital. Na Seção 1 é feita uma breve introdução sobre os efeitos
do meio de transmissão e das técnicas de recuperação do sinal. Na
Seção 2 são apresentados os princípios básicos do OFDM e exem-
plos de aplicação. A Seção 3 descreve a formação do símbolo
OFDM destacando o tempo de guarda e o prefixo cíclico. Na Se-
ção 4 são abordados a implementação do OFDM e os seus efei-
tos. A Seção 5 conclui com observações sobre implementação e a
utilização do OFDM em redes wireless.
Palavras-chave: Transmissão com múltiplas portadoras. Transfor-
mada de Fourier discreta. Transmissão digital.

1 INTRODUÇÃO

A comunicação sem fio, conhecida como comunicação wireless, já faz parte


do nosso cotidiano. Ninguém mais se assusta ao ver ou ao falar em um telefone celular,
ou receber uma mensagem via pager, ou via satélite pela Internet. Entretanto, com
tanta tecnologia wireless, existe uma poluição no espectro de freqüências, ou seja, as
diversas transmissões e serviços em rádio-freqüência geram interferências entre os
canais de transmissão e, em conseqüência, um desvanecimento dos sinais recebidos. MACKENZIE

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Cadernos de Estas interferências podem ser ocasionadas por diversas razões, sendo que uma delas
Pós-Graduação
é a propagação devida a múltiplos percursos. Por se tratar de uma transmissão wireless,
em Engenharia
Elétrica a posição dos obstáculos e o próprio meio mudam conforme os transceptores se
deslocam. Com isso, vários sinais refletidos e refratados chegam ao receptor em tem-
pos diferentes, ocasionando uma confusão nos símbolos. Faz-se necessário o uso de
técnicas que cancelem esta interferência, para que o sinal digital tenha qualidade e
possa ser interpretado de maneira correta pelo receptor (CARLSON, 1975; LATHI,
1989; NASCIMENTO, 2000; RAPPAPORT, 1996).
Dependendo do tipo de informação do sinal e conforme as alterações
provocadas neste sinal pelo meio de transmissão, diferentes técnicas podem ser apli-
cadas no transmissor e no receptor. No caso dos sistemas de comunicações sem fio, o
meio de transmissão muda suas características constantemente, devido ao desloca-
mento dos transceptores em relação às estações fixas. Em sistemas digitais de comu-
nicações, a propagação por múltiplos percursos gera a ISI (Inter-Symbol Interference),
que é uma sobreposição dos símbolos recebidos. Além disso, nestas situações é usual
a sobreposição do espectro dos canais adjacentes, sendo usualmente denominada de
ICI (Inter-Chanel Interference) (NEE; PRASAD, 2000).
Entre as técnicas de cancelamento de interferências, pode-se citar a equalização
adaptativa (HAYKIN, 1996) e a transmissão por múltiplas portadoras conhecida na
literatura como OFDM – Orthogonal Frequency Division Multiplexing (NEE;
PRASAD, 2000; WEINSTEIN; EBERT, 1971; ZOU; WU, 1995). A técnica de
equalização com filtragem adaptativa é uma técnica corretiva, uma vez que ela se dá no
receptor, na tentativa de corrigir o problema que já ocorreu durante a transmissão. Já
a técnica de transmissão por múltiplas portadoras pode ser considerada uma técnica
preventiva, uma vez que ela busca maneiras de minimizar as chances do sinal ser des-
vanecido e/ou interferido pelas imperfeições e reflexões do meio de transmissão.

2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRANSMISSÃO COM


MÚLTIPLAS PORTADORAS

A técnica OFDM atua no transmissor e no receptor. No transmissor a dura-


ção dos pulsos transmitidos é alterada sem alterar a taxa de transmissão. Isto é feito
atribuindo uma portadora a cada pulso de período T (CIMINI, 1985; WEINSTEIN;
EBERT, 1971). A cada conjunto de N pulsos considera-se um conjunto de N porta-
doras distintas.
A Figura 1 mostra um exemplo onde são considerados 6 pulsos. Os pulsos bn
são modulados pelas portadoras , com n = 0 a 5 (CIMINI, 1985).
Uma portadora distinta é atribuídacos( 2nπtpulso
a cada / T ) serial de período T, ou seja, a cada
conjunto de N pulsos considera-se um conjunto de N portadoras distintas. Cada pul-
so modulado pode ser interpretado como um canal diferente, multiplexado em fre-
qüência em relação aos demais (WEINSTEIN; EBERT, 1971). Em seguida somam-
se os N pulsos modulados. O sinal resultante desta multiplexação é chamado de sím-
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bolo OFDM. A duração do símbolo OFDM é N´T, ou seja, N vezes a duração do Cadernos de
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período original de cada pulso. A demodulação conveniente no receptor garante a
em Engenharia
recuperação da seqüência original de símbolos. O OFDM transforma um trem serial Elétrica
de símbolos emitidos em vários pulsos modulados de longa duração, diminuindo assim
os prejuízos causados pela dispersão temporal do canal. A modulação no transmissor
e a demodulação no receptor usualmente é feita com algoritmos que implementam a
Transformada de Fourier Discreta de forma eficiente, ou seja, algoritmos de FFT –
Fast Fourier Transform.

Figura 1 – Trem de pulsos e as portadoras, n=0, 1, ... , 5.

A transmissão OFDM começou a ser utilizada no início da década de 90 para


comunicações de banda larga, como em HDSL (high bit-rate digital subscriber lines),
em ADSL (asymmetric digital subscriber lines) e VHDSL (very high speed digital
subscriber lines) (PAIEMENT, 1994). Atualmente o OFDM também é usado em
sistemas de comunicação sem fio, como o sistema celular de terceira geração, que
opera com taxas de transmissão de até 2 Mbps. O uso do OFDM é freqüente em
sistemas de transmissão broadcast de áudio (DAB – Digital Audio Broadcasting), e
de televisão digital, que incluem o DVB – Digital Video Broadcasting e o HDTV –
Hight Definition TV.
Outra aplicação do OFDM são as redes de computadores sem fio, wireless
LAN’s – Local Area Network (WLAN), nos padrões IEEE 802.11 e ETSI BRAN.
Os grupos de pesquisa destes dois padrões tem escolhido o OFDM como a melhor

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Cadernos de maneira de transmitir dados a altas taxas com a confiabilidade necessárias às WLAN’s.
Pós-Graduação
O sucesso do OFDM neste tipo de aplicação foi confirmado por ter sido a modulação
em Engenharia
Elétrica escolhida pelo comitê IEEE 802.11g , que é uma extensão do padrão IEEE 802.11b.
A razão da escolha do OFDM foi baseada na capacidade de tratar as distorções
causadas por multipercursos, muito comum nas WLAN’s, e com a vantagem de não
requerer algoritmos complexos no receptor (GEOFFREY, 2002). A LAN IEEE
802.11b opera na freqüência de 2,4 GHz e pode transmitir 1 Mbps, 2 Mbps em
BPSK/QPSK e 5,5 Mbps e 11 Mbps em CCK. A IEEE 802.11a opera em 5 GHz ou
6 GHz, com uma taxa de transmissão mais alta, podendo chega a 54 Mbps (NEE;
PRASAD, 2000). Estas redes WLAN’s são projetadas e implementadas para utiliza-
ção limitada em cobertura, normalmente aplicações indoor tais como prédios, aero-
portos e outros. Alguns engenheiros de planejamento tecnológico estão projetando ou
prevendo a concepção de redes wireless em áreas metropolitanas, outdoor, e siste-
mas de quarta geração (4G) que também utilizarão a tecnologia OFDM. A nível mun-
dial, para atender à solicitação dos usuários por diversas gamas de serviços, as opera-
doras, em conjunto com os fabricantes, começaram a usar técnicas mais sofisticadas
nos equipamentos, tanto nos aparelhos celulares quanto na estação rádio base. O
sistema de comunicação resultante com as novas técnicas de processamento e trans-
missão de sinais deu origem à terceira geração das comunicações móveis, a 3G.

3 O SÍMBOLO OFDM

A principal característica dos subcanais no OFDM é que são mutuamente


ortogonais. O Gráfico 1 mostra a resposta em freqüência dos subcanais do símbolo
OFDM. Cabe notar que a resposta em freqüência dos subcanais é uma função sinc(x),
tendo seu primeiro nulo na freqüência central do subcanal adjacente. A ortogonalidade
é assegurada quando as subportadoras estão mutuamente afastadas de 1/T Hz. Com
este espaçamento, cada subportadora tem um nulo na freqüência central das outras
subportadoras, evitando interferências mútuas, permitindo que estejam teoricamente o
mais próximo possível umas das outras, propiciando economia de banda.
O símbolo OFDM é transmitido através de um canal de comunicação. No
receptor, o sinal recebido passa por um banco de demoduladores, os quais transfor-
mam cada subportadora em um nível DC, para que os símbolos originais sejam recu-
perados através da integração do sinal ao longo do período de um símbolo. Todas as
outras subportadoras, desde que não haja a presença de interferência intercanal, terão
um número inteiro de ciclos num período T, resultando em uma contribuição nula.
Assim, se o espaçamento de freqüência entre portadoras adjacentes for igual a 1/T, as
subportadoras são ortogonais, isto é, linearmente independentes. Cada subcanal tem
largura de banda ilimitada, já que o espectro correspondente é uma função sinc. Po-
rém, a utilização de janelamento dos pulsos através de formatos especiais de pulso,
como o coseno levantado, contribui para que os símbolos OFDM sejam limitados em
banda e, portanto ainda menos sujeitos a distorções adquiridas no canal (CIMINI,
MACKENZIE 1985).

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Cadernos de
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em Engenharia
Elétrica

Gráfico 1 – Resposta em freqüência dos subcanais OFDM, com os máximos em amplitude de um subcanal
no primeiro nulo do subseqüente.

A presença de dispersão temporal no canal de comunicação acarreta uma


resposta impulsiva com um determinado atraso (NEE; PRASAD, 2000). Este atraso
implica no aumento da probabilidade de haver o efeito indesejável da ISI, ocasionada
por amostras atrasadas de símbolos OFDM sendo recebidas juntamente com as amos-
tras atuais. Para evitar a ISI entre os símbolos OFDM, uma solução é inserir um
intervalo de guarda entre estes símbolos. Se o intervalo de guarda for maior que o
atraso máximo do canal pode-se garantir que não haverá a presença de ISI no sistema
(ZOU; WU, 1995). Esta solução significa acrescentar entre os símbolos OFDM um
tempo de guarda vazio, fazendo com que a distorção se torne insignificante dentro do
tempo de transmissão. Entretanto, este método pode ser de difícil implementação por
causa de alguns fatores, tais como a instabilidade das portadoras, o efeito Doppler, o
número de portadoras e a latência (EDFORS; SANDELL; BEEK; LANDSTRÖM;
SJÖBERG, 1996; NEE; PRASAD, 2000).
Uma outra maneira de prevenir a ISI entre os símbolos OFDM é criar um
intervalo de guarda ciclicamente estendido, onde uma parte inicial de cada símbolo
OFDM é repetida após o final do mesmo. A extensão cíclica é chamada usualmente de
prefixo cíclico, como mostra a Figura 2 (NEE; PRASAD, 2000). A duração total do
símbolo é de Ttotal=Tg + T, onde Tg é o tempo de guarda, ou o tempo do prefixo
cíclico, e T é a duração do próprio símbolo. Quando o tempo de guarda, ou intervalo
de guarda é maior do que a resposta impulsiva do canal, ou maior que o atraso ocasio-
nado por multipercurso, a ISI pode ser eliminada. A duração do intervalo de guarda é
dependente da duração do símbolo OFDM. Quanto maior for a duração do intervalo
de guarda, menos dados úteis poderão ser transmitidos. Portanto, o Tg é geralmente
menor que T/4. A maioria das implementações usa 20% do sinal para a parcela de
prefixo cíclico (EDFORS; SANDELL; BEEK; LANDSTRÖM; SJÖBERG, 1996;
FALCONER; ARIYAVISITAKUL; BENYAMIN-SEEYAR, 2002; NEE; PRASAD,
2000).
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Cadernos de Tamanho total do símbolo OFDM (Ttotal)
Pós-Graduação
em Engenharia
Conjunto de M bits de dados úteis (T)
Elétrica Tg

P bits Prefixo
Cíclico

Repetição dos primeiros P bits

Figura 2 – O símbolo OFDM e a extensão cíclica.

Uma conseqüência importante da inserção do prefixo cíclico é que o sinal fica


menos susceptível a problemas de multipercurso, desde que o intervalo entre o sinal
principal e o eco mais longo seja mais curto do que o prefixo cíclico (EDFOR;
SANDELL; BEEK; LANDSTRÖM; SJÖBERG, 1996; FALCONER;
ARIYAVISITAKUL; BENYAMIN-SEEVAR; EIDSON, 2002; NEE; PRASAD,
2000). Entretanto, durante o tempo do prefixo cíclico não há transmissão de nenhuma
informação útil, ocasionando uma queda na eficiência de utilização do canal.

4 IMPLEMENTAÇÃO DO OFDM UTILIZANDO A


TRANSFORMADA DE FOURIER DISCRETA

Em sua proposta original a modulação no transmissor e a demodulação no


receptor, para implementar o OFDM, era feita através de um banco de osciladores,
como mostra O Diagrama 1. Neste caso o sinal de entrada passa por um conversor
S/P (série/paralelo) e depois é modulado pelo banco de osciladores. Tal implementação
torna-se complexa e cara, já que estes equipamentos são difíceis de serem
implementados, possuindo também alto custo. Existe ainda a possibilidade de interfe-
rência entre os subcanais devido à distorção causada pelo meio de transmissão e pela
não-linearidade de seus componentes. Os tais bancos de demoduladores precisam
estar em sincronismo de fase perfeito com as subportadoras a serem demoduladas.
Na prática este sincronismo é muito difícil de ser alcançado (SALZ; WEINSTEIN,
1969; WEINSTEIN; EBERT, 1971).

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cos ù0 t cos ù0 t Cadernos de
Pós-Graduação
em Engenharia
Elétrica
d(t)

Multiplex
S/P canal P/S
D(t)

cos ù N 1 t osciladores cos N 1t

Diagrama 1 – Implementação do OFDM com banco de osciladores.

Uma simplificação significativa na implementação da transmissão com múlti-


plas portadoras foi proposta por (WEINSTEIN; EBERT, 1971). Este trabalho pro-
pôs substituir bancos de osciladores pela Transformada de Fourier Discreta (TFD)
para gerar as portadoras. A TFD é aplicada em uma seqüência x(n) de comprimento
N. A TFD desta seqüência, denotada como X(k), é

N −1 2π
−j nk
X (k ) = ∑ x ( n )e N , (1)
(1)
n =0
para 0 ≤ k ≤ N − 1 e X(k) = 0 para os demais valores de k . A Transformada de
Fourier Discreta inversa (TFDI) é

N −1 2π
j nk

1
x( n ) = X ( k )e N (2)
(2)
N k =0

para 0 ≤ n ≤ N − 1 e x(n)=0 para os demais valores de n.

A princípio, a implementação das Equações 1 e 2 pode ser complexa. Entre-


tanto, o desenvolvimento de circuitos integrados específicos ao processamento digital
de sinais, possibilitou a implementação do OFDM de forma eficiente através da Trans-
formada de Fourier Discreta. O algoritmo que implementa a TFD (ITFD) de forma
eficiente é chamado de FFT – Fast Fourier Transform (IFFT - Inverse Fast Fourier
Transform) (CIMINI, 1985; EDFORS; SANDELL; BEEK; LANDSTRÖM;
SJÖBERG, 1996). O diagrama de blocos que descreve este tipo de implementação é
ilustrado no Diagrama 2. O sinal do Diagrama 2 após a passagem pelo bloco IFFT é

1 −
N 1 j kn
D( n ) =
N k =0
d (k ) e N ∑ (3)
(3)


j
kn
O termo e N faz o papel do banco de osciladores, modulando cada trem de
dados por uma portadora distinta. MACKENZIE

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Cadernos de d(n)
trem de
Pós-Graduação Sinal de
d(n-1) pulsos
entrada D(n)
em Engenharia d(n) dˆ ( n )
Elétrica S/P IFFT P/S
Meio de
S/P FFT P/S
transmissão
h(n)

d(n-N+1)

Ruído

Diagrama 2 – Sistema com transmissão e recepção OFDM com DFT.

Uma implementação típica do OFDM é ilustrada no Diagrama 3 (ZOU; WU,


1995). Neste diagrama um trem de dados de entrada d(n) é dividido em subseqüências
de N bits cada uma, transformando uma seqüência serial em paralela. O número N de
bits de cada subseqüência depende da constelação associada a cada portadora, tal
como 4, 16 ou 32 QAM. Os números complexos são modulados na banda base pela
inversa da FFT (IFFT) e aí são convertidos de volta para dados seriais. Um intervalo
de guarda é adicionado entre os símbolos para se evitar a sobreposição dos símbolos
OFDM. Neste ponto, os símbolos discretos são transformados em analógicos e pas-
sam por um filtro passa baixa (LPF) para a conversão em RF. No receptor, o proces-
so inverso é implementado. Um equalizador pode ser usado para corrigir a distorção
do canal. Os coeficientes do equalizador são calculados baseados na informação des-
te canal (NEE; PRASAD, 2000).
O Diagrama 4 mostra um diagrama simplificado de um transmissor e receptor
OFDM implementado com TFD. Observe que v(n)=ITFD(x(n)), ou seja o sinal
x(n) pode ser interpretado como a TFD de v(n), isto é x(n)=V(k). O sinal
u(n)=TFD(y(n)), u(n) pode ser interpretado como a TFD de y(n), ou seja u(n)=Y(k).
Além disso

u(n) = TFD(y(n)) = TFD(v(n) ∗ h(n)) = TFD(ITFD(x (n)) ∗ h(n)) (4)


(4)

x bits

Entrada
de dados
seriais Prefixo
d(n) Conversor I D/A Up
Serial/Paralelo P/S Cíclico
F LPF Converter
(PC)
F RF
T

Canal de
transmissão

Saída
de
dados Conversor Prefixo Down
F S/P Cíclico LPF
seriais Paralelo/Serial Equali- F A/D Converter
(PC)
RF
zador T

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Diagrama 3 – Sistema OFDM utilizando FFT. PC-Prefixo Cíclico, LPF – Low pass filter,
D/A – Digital/Analógico.
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sendo * a operação de convolução linear. Cadernos de
Pós-Graduação
x(n) v(n) y (n) v(n) h(n) u(n) em Engenharia
h(n)
Elétrica
ITFD TFD

Diagrama 4 – Diagrama simplificado do sistema OFDM.

Foi demonstrado em (EDFORS; SANDELL; BEEK; LANDSTRÖM;


SJÖBERG, 1996) que se o prefixo cíclico tiver duração mais longa que a resposta ao
pulso do canal, então o sinal recebido é

u(n) = TFD(ITFD(x(n )) ⊗ h(n)) (5)


(5)

sendo ⊗ a operação de convolução circular (MITRA, 1998). O fato de aparecer


uma convolução circular permite rescrever a expressão do sinal recebido como:

u(n) = x ( n) • TFD(h(n)) , (6)


(6)

sendo que “ •” indica multiplicação termo a termo. Com esta expressão é possível
concluir que o sinal recebido é igual ao sinal transmitido antes da inserção do prefixo
cíclico, modificado pela resposta em freqüência do canal, porém sem a interferência
entre os símbolos. Cabe observar que a resposta em freqüência do canal modula o
sinal dos símbolos emitidos, com um período que é a duração do símbolo OFDM.
Esse efeito pode ser observado por simulações.
Para efetuar as simulações os símbolos transmitidos foram gerados como uma
seqüência binária de números randômicos, normalizados em +1 ou –1. Como canal foi
utilizada a função co-seno levantado,

1  2π 
h( k ) = 1 + cos ( k − 2)   , (7)
(7)
2 W 

com k=1, 2 e 3, e h(k)=0 para os demais valores de k. O parâmetro W controla a


interferência intersimbólica que o canal insere no sinal. Para simular as mudanças do
canal, foram usados os valores de W=2,9 e W=3,5. As Figuras 8, 9 e 10 mostram o
erro entre a seqüência de entrada e a saída do decisor, o sinal após o demodulador
FFT e o sinal antes do decisor sem tratamento de equalização ou OFDM. A Figura 3
mostra o resultado em um canal ideal, portanto, não houve alteração no sinal transmi-
tido. A diferença entre as Figuras 4 e 5 é o canal utilizado, que é o especificado na
Equação 7 variando somente o parâmetro W. Pode-se observar na Figura 4 que o
sinal não tratado pela IFFT sofre um desvanecimento ocasionado pelo canal e isto
depende da resposta em freqüência do mesmo. O sinal transmitido via OFDM é mo-
dulado pelo canal. Tanto o sinal tratado via OFDM quanto o não tratado possuem os
mesmos limites de dispersão. A diferença fundamental entre eles é que os símbolos
OFDM têm uma certa periodicidade e podem ser interpretados pelo decisor mais
facilmente. Cabe verificar que esta recuperação do sinal via decisor dependerá de MACKENZIE

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Cadernos de quanto o sinal foi desvanecido pelo canal e o quanto de ruído foi adicionado. Na
Pós-Graduação
Figura 5, com um canal mais dispersivo, com W=3,5, pode-se verificar que o sinal não
em Engenharia
Elétrica tratado está quase no limiar do eixo x. Se for adicionado algum ruído a este sinal, os
pontos próximos ao eixo o ultrapassarão, fazendo com que a interpretação de bit seja
errada. Isto já não acontece com o sinal transmitido via OFDM, pois apenas em uma
parte do sinal, que está mais próxima do eixo, é que ocorrerá erro.

Figura 3 – Sinal no receptor pelo OFDM com um canal ideal.

Figura 4 – Sinal “quase” periódico pós FFT, modulado pelo canal h, com W=2,5.

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Cadernos de
Pós-Graduação
em Engenharia
Elétrica

Figura 5 – Sinal pós FFT, modulado pelo canal h, com W=3,5.

Uma forma de compensar o efeito da resposta em freqüência do canal no sinal


recebido é realizar uma estimação do canal e efetuar uma compensação (FALCONER;
ARIYAVISITAKUL; BENYAMIN-SEEYAR; EIDSON, 2002). Para isso pode se
utilizar equalizadores adaptativos. Estudos recentes abordam o uso da equalização
combinada com a transmissão por múltiplas portadoras, OFDM. O equalizador pós-
FFT tem sido usado para reduzir os efeitos da resposta em freqüência do canal no
sinal que chega no receptor (BENVENUTO; TOMASIN; TOMBA. 2001;
DLUGASZEWSKI; WESOLOWSKI, 2000; FALCONER; ARIYAVISITAKUL;
BENYAMIN-SEEYAR; EIDSON, 2002; STEENDAM; MOENECLAEY, 2000).

5 CONCLUSÕES

O OFDM é uma técnica que vem sendo usualmente utilizada em sistemas de


comunicação sem fio, principalmente em ambientes em que existe propagação por
multipercursos. Um exemplo típico destes sistemas são as WLAN’s IEEE 802.11,
que precisam de uma técnica eficiente de cancelamento de interferência para atingir as
altas taxas de transmissão requeridas. Estudos recentes a respeito do OFDM buscam
o aprimoramento da técnica e a eliminação das dificuldades de implementação da
mesma. Entre as causas dos problemas de implementação e de eficiência do OFDM,
pode-se citar o tamanho do prefixo cíclico, os deslocamentos de freqüência (offset), a
potência média do sinal OFDM e o sincronismo (DLUGASZEWSKI;
WESOLOWSKI, 2000; STEEDAM; MOENECLAEY, 2000).

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Cadernos de The digital transmission technique by multiple carriers
Pós-Graduação
em Engenharia
Elétrica
ABSTRACT

The digital transmission technique by multiple carriers known as


Orthogonal Frequency Division Multiplexing (OFDM) is considered.
In Section 1, channel effects and signal recovering methods are
considered. In Section 2, basic principles of the OFDM and
applications examples are presented. Section 3 describes the shape
of the OFDM symbol giving emphasis to guard interval and cyclic
prefix. In Section 4, the OFDM implementation and its effects are
considered. Section 5 presents some concluding remarks considering
the implementation and use of OFDM in wireless networks.
Keywords: Multiple carriers’ transmission. Discrete Fourier transform.
Digital transmission.

REFERÊNCIAS

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