1 – INTRODUÇÃO

Análise Orgânica Experimental A disciplina de Análise Orgânica Experimental consiste, resumidamente, na realização de uma série de procedimentos experimentais visando à identificação dos compostos químicos existentes em uma amostra desconhecida. Substâncias orgânicas são usualmente identificadas conjugando suas propriedades físicas e químicas. Os dados físicos e químicos obtidos na análise de compostos levam geralmente a uma ou mais estruturas prováveis. Todavia, informações adicionais são freqüentemente necessárias para identificação definitiva da substância. Este trabalho adicional inclui a obtenção de um ou mais derivados adequados ou de produto de degradação cujas propriedades confirmem a substância original 1. A metodologia clássica usada na identificação de amostras orgânicas foi desenvolvida anos depois da sistemática analítica inorgânica. O primeiro e bem sucedido programa de análise orgânica qualitativa foi apresentado pelo professor Oliver Kamm, em seu livro texto de 1922 2.

Amostras Etilbenzeno 3 (1)
O etilbenzeno (1) é um intermediário químico de alto valor comercial, utilizado

extensivamente nas indústrias química, petroquímica e farmacêutica, em diferentes aplicações, tais como solvente na fabricação de tintas e vernizes e como precursor de diversos outros produtos. O seu maior emprego, entretanto, é na manufatura do monômero estireno, um outro importante intermediário químico usado na produção de polímeros, resinas e borrachas sintéticas. A produção mundial de etilbenzeno (1) é estimada como 23 milhões de t/ano, com cerca de 90% sendo empregada diretamente na síntese do estireno. As rotas sintéticas mais comuns na produção de etilbenzeno (1) são a alquilação do benzeno com polipropileno ou etileno, a alquilação do tolueno com metanol, a transalquilação de dietilbenzeno com benzeno, o desproporcionamento e transalquilação do tolueno, e a transalquilação de trietilbenzeno com benzeno. Entre esses, os processos de alquilação são os mais utilizados industrialmente. Cerca de 40% das plantas industriais de etilbenzeno (1), em nível mundial, emprega o processo

1

de alquilação de Friedel-Crafts, baseado em catalisadores à base de cloreto de alumínio, implementado comercialmente na década de 50.

L-Ácido Tartárico (2) É um composto orgânico de função mista que apresenta os grupos funcionais ácido carboxílico e álcool. Este possui isomeria óptica e suas fórmulas estruturais correspondentes são4:
OH COOH HOOC OH HOOC OH OH COOH

L(+) Ácido Tartárico, 2
OH

D(-) Ácido Tartárico, 3

COOH HOOC OH

meso- Ácido Tartárico,4

O l-ácido tartárico (2) é amplamente distribuído na natureza, estando presente em várias frutas tanto livre ou combinado com potássio, cálcio ou magnésio4. É o principal dos ácidos formados na fermentação da uva e do vinho. É o mais forte, define o pH e dá maior resistência ao ataque bacteriano. Sua dosagem é elevada no início do processo e deve ser encontrada em quantidades menores quando a bebida for para a etapa de engarrafamento5. Este ácido (2) também é um acidulante orgânico natural utilizado na indústria de alimentos (produtos de pastelaria) e bebidas (fabricação de sucos e refrescos)Encontram-se aplicações específicas do ácido tartárico também na indústria química (tinturarias), farmacêutica e de cosméticos (shampoos e loções capilares)6.

2

1.1 – OBJETIVO E METODOLOGIA DA ANÁLISE ORGÃNICA A disciplina de Análise Orgânica Experimental tem como objetivo a identificação das substâncias presentes em uma amostra desconhecida. Para tal fim, uma série de procedimentos é realizada, como os listados abaixo: 1) Exame preliminar: observação do estado físico, cor, odor, volatilidade, simples queima; teste de solubilidade em HCl 10 %, NaHCO3 5% e NaOH 5%; 2) Cromatografia em camada fina (CCF): utilizada para avaliar a polaridade das amostras e propriedades como revelação no ultravioleta, no iodo, entre outros tipos de reveladores específicos para determinadas funções; 3) Separação dos constituintes: o método de separação varia de acordo com as características da amostra. Pode ser realizada por diferença de solubilidade, destilação, extração ácido-base, entre outros; 4) Purificação: irá depender do estado físico da amostra; podendo ser por recristalização, destilação, sublimação; 5) Determinação do Ponto de Fusão ou Ebulição; 6) Ensaios Preliminares: caráter ácido ou básico, oxidante ou redutor, aromático, etc; 7) Análise Elementar: permite avaliar a presença de oxigênio, nitrogênio, fósforo, enxofre e/ou halogênios na substância analisada; 8) Solubilidade: de acordo com o resultado deste teste é possível identificar possíveis grupos funcionais do componente; 9) Teste para grupos funcionais: permite a caracterização do(s) grupo(s) funcional (s) presente(s) no analito; 10) Síntese de derivados: consiste na obtenção de um produto através de uma reação química envolvendo o seu analito. E, seguida, correlaciona-se as características físico-químicas dos derivados com as do componente original; 11) Espectroscopia na região do infravermelho (IV); 12) Comparação dos dados experimentais com os da literatura.

1.2 – APRESENTAÇÃO DA AMOSTRA A amostra M 05 é constituída por dois componentes já separados e puros, o primeiro (M 05 – 1) apresenta-se na forma de um líquido incolor e o segundo (M 05 – 2) na forma de um sólido cristalino branco, ambos possuem um odor bem marcante.

3

Ácido Tartárico.1 foi identifica como sendo o Etilbenzeno (1) e a amostra M 05 .09 g/mol 168 – 170 0C 1. (2) Figura 1: Fórmula estrutural da amostra M 05 -1 e M 05 . (1) L . Tabela 1: Propriedades físicas e químicas dos compostos 1 e 2 Etilbenzeno.1 – APRESENTÇÃO A amostra M 05 .Ácido Tartárico (2).2 Os dados físicos e químicos pesquisados na literatura encontram-se na Tabela 1.75ml (25 0C) 4 das substâncias 1 e 2 4 .2 como sendo o L .2 – RESULTADOS DE DISCUSSÃO 2. (2) C4H6O6 150.16 g/mol 136.25 0C 0. (1) Fórmula Molecular Peso Molecular Ponto de Fusão Ponto de Ebulição Densidade Odor Aparência Solubilidade em água Observações C8H10 106.7598 g/cm3 Forte Cristais brancos 1g/0.866 g/cm3 Forte Líquido incolor Praticamente insolúvel Solúvel em Hexano L – Ácido Tartárico. OH COOH HOOC OH Etilbenzeno. A Figura 1 mostra as fórmulas estruturais das duas substâncias.

Contudo. o odor.2 – ANÁLISE PRELIMINAR O exame preliminar consiste em observar o estado físico da sua amostra. ponto de fusão ou ebulição.2 Não volátil Sólido Branco Forte inflamável. é provável que ela contenha um ou mais grupos cromóforos. NaHCO3 e NaOH. além de refinar as opções de busca em algumas literaturas. Características Volatilidade Estado Físico Cor Odor Simples Queima Amostra M 05 . funde e não se fuliginosa. tais como nitro. solubilidade da amostra em HCl. decompõe.chama fuliginosa Insolúvel Não Amostra M 05 . a cor. a volatilidade. Tabela 2: Dados físicos das amostras M 05 – 1 e M 05 – 2. os fenóis das aminas. Essas informações serão úteis para iniciação da identificação da amostra.2. Solubilidade – o teste de solubilidade em HCl. NaOH.1 Não volátil Líquido Incolor Forte Inflamável. grupos quinoidais ou ainda que apresente um sistema conjugado de quadro ou mais ligações duplas1.se uma amostra pura apresenta cor. pois: Cor . através do exame preliminar é possível fazer um refino inicial na identificação da amostra. Simples Queima . Os álcoois têm cheiros diferentes dos ésteres. NaHCO3 irá fornecer informações sobre a acidez e basicidade da amostra.através da simples queima é possível ter uma noção se a substância tem um núcleo aromático. Odor – muitos compostos orgânicos têm cheiro característico. nitroso ou azo. se possui oxigênio.2. Solubilidade em HCl 10 % Solúvel 5 . Estado Físico – o conhecimento do estado físico irá indicar o método de purificação a ser realizado. simples queima. 2.1 – CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA AMOSTRA Os dados físicos das amostras M 05 – 1 e M 05 – 2 obtidos após o exame preliminar encontram-se na Tabela 2. os aldeídos das cetonas7.

2 Literatura (L-Ácido Tartárico. A presença de insaturações nas cadeias carbônicas faz com que a queima seja incompleta. 1) 4 M 05 . encontrados na literatura4.250C Não volátil Sólido Branco 165-169 0C - Não volátil Sólido Branco 168-169 0C - Como é possível observar na Tabela 3.2. tanto o ponto de fusão da amostra M 05-2. Tabela 3: Dados experimentais e dados da literatura Propriedades M 05 . respectivamente. Ela proporciona um método valioso 6 .1370C Não volátil Líquido Incolor -95 0C 136. por isso a chama fica fuliginosa. 2.1 Literatura (Etilbenzeno.2 – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS ESPECTROS DE INFRAVERMELHO DAS AMOSTRAS A espectroscopia de infravermelho (IV) é um tipo de espectroscopia ótica que mede a absorção de radiação infravermelha. Na Tabela 3 é possível observar que alguns resultados experimentais estão coerentes com os da literatura4. gerando carbono elementar. mas mais testes serão preciso para confirmação. quanto o ponto de ebulição da amostra M 05-1 são bastante similares com os pontos de fusão e ebulição do ácido tartárico (2) e do etilbenzeno (1).Solubilidade em NaOH 5 % Solubilidade em NaHCO3 5 % Insolúvel Insolúvel 1350C Solúvel Solúvel: reagiu fortemente e houve liberação de gás 165 0C - Ponto de fusão Ponto de ebulição No procedimento de simples queima da amostra M 05 – 1 observou-se um chama amarelada e fuliginosa o que pode ser indicativo da presença de anel aromático. O que confere uma possibilidade das as amostras se tratem dos mesmos.2) 4 Volatilidade Estado Físico Cor Ponto de fusão Ponto de ebulição Não volátil Líquido Incolor _ 135 .

para se conhecer informações estruturais sobre os grupos funcionais presentes em um composto. fazendo com que os átomos ou grupos funcionais dos compostos orgânicos vibrem com maior rapidez e com maior amplitude em torno das ligações covalentes que os unem. Nesta técnica. também. 7 . as amostra M 05-1 e M 05.2 foram analisadas. Estas vibrações são quantizadas e. O espectrômetro plota os dados de absorção na forma de um gráfico que mostra a absorção em função da freqüência ou do comprimento de onda (espectro de IV). quando ocorrem. os compostos absorvem energia IV em certas regiões determinadas do infravermelho. um feixe de radiação IV passa pela amostra. por espectroscopia na região do infravermelho. respectivamente. e seus espectros podem ser visualizados na Figura 2 e 4. Logo.

8 . deformação axial de alifáticos. C=C. podem-se observar algumas bandas. observa-se uma grande similaridade. O espectro da amostra M 05-1 também pode ser visto no Anexo 1.1 no infravermelho obtidas Número de onda experimental (cm-1) 3070 – 2873 1494 697 Grupo funcional e faixa característica Deformação axial de C-H de aromáticos. Tabela 4: Resumo das bandas características experimentalmente para a amostra M 05 .Figura 2: Espectro de infravermelho da amostra M 05-2 Analisando a espectro da amostra M 05-1. as quais estão listadas na Tabela 4. E comparando o espectro de IV obtido experimentalmente (Figura 2) com o da literatura8 (Figura 3). Deformação de 5 hidrogênios adjacentes no anel aromático . vibrações de núcleos aromáticos. Figura 2.

O espectro da amostra M 05-2 também pode ser visto no Anexo 2. Figura 4.Figura 3: Espectro de infravermelho do etilbenzeno (1) da literatura 8. Analisando o espectro de IV da amostra M 05-2. também é possível destacar algumas bandas características. 9 . as quais estão na Tabela 5.

Tabela 5: Resumo das bandas características experimentalmente para a amostra M 05 – 2. 10 .2. Deformação axial de C-O de álcoois secundário A figura 5 a seguir mostra o espectro de IV da amostra M 05 – 2 encontrado na literatura8.Figura 4: Espectro de infravermelho da amostra M 05-2. Deformação axial de OH (associado) – banda fina resultante de ligações diméricas. Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos. Neste espectro (Figura 5) também são observadas as mesmas bandas características demonstradas na Tabela 5. nota-se certa semelhança ao compará-lo com o espectro obtido da amostra M 05. no infravermelho obtidas Número de onda experimental (cm-1) 3500-2300 (banda larga) 3406 (banda fina) 1740.78 Grupo funcional e faixa característica Deformação axial de OH de ácido carboxílico e álcool.21 1085.

A cromatografia pode ser definida como uma separação mediante a diferença de repartição dos componentes químicos entre duas fases7.81 Eluente: 7/3 (acetato de etila: etanol) Revelador: Vanilina Sulfúrica Rf: 0.3 – CROTAMOGRAFIA EM CAMADA FINA (CCF) A cromatografia em camada fina (ccf) é talvez o método prático mais rápido. mais fácil e mais usado para julgar a pureza (a complexidade e muitas vezes a natureza) dos compostos orgânicos. 11 . sílica) e a outra o meio transporte (o solvente ou eluente). Uma delas é uma fase estacionária ( por exemplo.Figura 5: Espectro de infravermelho do L-ácido tartárico (2) da literatura8. 2. Os resultados da análise por ccf da amostra M 05-1 e M 05-1 estão ilustrados na Figura 6.26 M 05-1 M 05-2 Figura 6: Resultados das ccf das amostras M 05-1 e M 05-2. Eluente: 9/1 (hexano : acetato de etila) Revelador: UV Rf: 0.

2. os quais são detectados mediante ensaios específicos. não possui ligações duplas conjugadas e pode possuir a função álcool. as quais são interações típicas entre substâncias apolares . Br.4. tem característica predominante apolar. onde átomos de nitrogênio. através das ccfs pode-se notar que a amostra M 05-1 trata-se de uma substância muito apolar. Heteoátomos como nitrogênio. em uma amostra orgânica desconhecida é de enorme significado no processo de identificação.Logo. a alta eluição da amostra revela que a mesma tem mais afinidade com a fase móvel. 12 . halogênios e enxofre Na / Calor NaCN NaX Na2S X = Cl. uma vez que como fase estacionária é constituída de sílica (substância polar) e o eluente utilizado possui característica predominante apolar. Substância Orgânica contendo nitrogênio. sulfeto ou halogeneto de sódio. possivelmente estas duas interagem através interações intermolecular dipolo instantâneo. ou seja. pois esta revela no ultravioleta. visto que sua maior afinidade foi com a fase estacionária. O teste consiste na fusão da amostra desconhecida com excesso de sódio metálico. I Figura 7: Teste Lassaige. enxofre ou halogênios presentes na amostra são convertidos em cianeto. pois o revelador vanilina sulfúrica é específica para revelação de álcoois.CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E GRUPO SOLUBILIDADE 2.4 .1 – ÁNALISE ELEMENTAR A determinação da presença de outros elementos. E a substância M 05-2 é muito polar. respectivamente. além de carbono e hidrogênio. enxofre e/ou halogênio podem ser detectado pelo teste de Lassaigne. Também se pode concluir que a amostra M 05-1 possui ligações duplas conjugadas.

Fe(OH)2 + Na2SO4 FeSO4 + 2 NaOH precipitado denso Fe(OH)2 + 6 NaCN  Na4[Fe(CN)6] + 2 NaOH 3 Na4[Fe(CN)6] + 2 Fe2(SO4)3  Fe4[Fe(CN)6]3 + 6 Na2SO4 precipitado colorido Este teste foi negativo para ambas as amostras.1. a presença de halogênios é determinada pela formação de halogenetos de prata. Através das reações abaixo é possível entender melhor o que ocorre neste teste. O cloreto de prata é branco. posteriormente. ao filtrado da fusão com sódio é adicionado FeSO4 e NaOH até ocorrer a precipitação de Fe(OH)2. a identidade do halogênio poderá ser constatada adicionando hidróxido de amônia concentrado ao precipitado até a 13 .1.2.4. a presença de nitrogênio no composto orgânico é indicada por um precipitado ou coloração que varia entre o azul carregado ou verde. ou de bromo ou de iodo. o brometo de prata é amarelo pálido e o iodeto de prata. a formação de um precipitado pesado indica a presença de cloro. amarelo. AgNO3 + NaX  AgX + NaNO3 Se o teste descrito for positivo. Contudo.2 – DETECÇÃO DE HALOGÊNIOS Acidificando o filtrado da fusão com sódio com ácido nítrico diluído e. 2.1 – DETECÇÃO DE NITROGÊNIO Neste teste. Após ferver por alguns minutos e acidificar com H2SO4.4. como é mostra na reação abaixo. fervendo suavemente durante alguns minutos (para expelir qualquer traço de cianeto de hidrogênio ou de sulfeto de hidrogênio que esteja presente) e adicionando então gotas de uma solução de nitrato de prata.

Se a substância possuir caráter ácido. Já para amostro M 05-2 o teste foi negativo. comprovando a presença de um núcleo aromático na estrutura da substância contida na amostra M 05-1. Nas amostras M 05-1 e M 05. houvera a formação de iodo.3 – CARÁTER ÁCIDO O caráter ácido é determinado através de um simples teste.4. Se a amostra possuir um núcleo aromático ocorrerá o aparecimento de uma coloração. Para a amostra M 05-1 o teste foi positivo. IO3. O AgCl se dissolve rapidamente. entretanto. E para melhor visualização adiciona uma gota de amido. O AgBr se dissolve com dificuldade e o AgI é insolúvel. o que é observado pelo aparecimento de uma coloração castanha.4.+ 5 I. no qual em uma pequena quantidade da amostra a ser analisada é adicionado KI e KIO3. característica do iodo.2 – CARÁTER AROMÁTICO A presença de um núcleo aromático é determinada através da reação denominada de Le Rosen.solução fortemente básica. que irá depender da estrutura do aromático. 2. na qual em uma pequena quantidade de amostra são adicionadas gotas de ácido sulfúrico e formaldeído.+ 6 H+  3 I2 + 3 H2O 14 . 2 + CH2O + H2O + H2SO4 O + 3 H2O + 2 SO2 A estrutura do produto colorido não é muito conhecida. Acredita-se. A reação abaixo ilustra melhor o que ocorre neste teste. o que irá formar um produto de coloração azul.2 o teste para halogênios foi negativo. que o ácido sulfúrico provoque a condensação do anel aromático com o formaldeído e posteriormente oxidação do diarilmetileno resultando em um produto p-quinoidal colorido. 2.

4. O resultado positivo é indicado pela formação de um precipitado vermelho. mas foi positivo para a amostra M 05-2. como é mostrado na reação a seguir. esta irá consumir o H+ . RNO2 + 6 Fe(OH)2 + H2O  RNH2 + 6 Fe(OH)3 Precipitado castanho 15 . deslocando o equilíbrio para a formação do precipitado vermelho. 2. Se a substância for básica.4. o Fe2+ irá se oxidar a Fe3+ e a precipitação de hidróxido férrico irá ocorrer.5 – CARÁTER OXIDANTE O teste de caráter oxidante é usado na identificação da presença de substâncias nitradas. FeSO4 e KOH. O teste foi negativo para ambas as amostras. 2.4 – CARÁTER BÁSICO O teste para identificação se a amostra possui caráter básico é realizado através de uma reação entre a amostra e níquel-dimetilglioxima.I2 + amido  coloração azul O teste de caráter ácido foi negativo para amostra M 05-1. conforme é mostrado na reação abaixo. Ele é feito através de um reação entre a amostra. Se a amostra possuir um caráter oxidante.

2. Embora as duas possam interrelaciona-se.4.6 – CARÁTER REDUTOR O caráter redutor é testado através do Teste de Jones. Álcoois terciários não reagem.4. indicando a possibilidade de a amostra M 05-2 se tratar de um álcool primário. descartando a possibilidade de as amostras possuírem grupamento nitro em suas estruturas. pois a oxidação adicional a ácido carboxílico necessita do rompimento da ligação carbono-carbono. Para a amostra M 05-1 o teste foi negativo. RCH2OH + CrO3 + H2SO4  RCOH  RCOOH + Cr2(SO4)3 (verde) R2CHOH + CrO3 + H2SO4  R2CO + Cr2(SO4)3 (verde) R3COH + CrO3 + H2SO4  não reage RCHO + CrO3 + H2SO4  RCOOH + Cr2(SO4)3 (verde) Nestas reações os álcoois primários sofrem oxidação e vai a ácido carboxílico e o cromo é reduzido do estado de oxidação de +6 (H2CrO4) ao estado de oxidação +3 (Cr3+). Já para a amostra M 05-2 o teste foi positivo. basicamente. ácido sulfúrico e acetona.7 – GRUPO DE SOLUBILIDADE A solubilidade dos compostos orgânicos pode ser dividida em duas categorias principais: a solubilidade na qual uma reação química é a força motriz. por exemplo. mostrando que a amostro não se trata nem de álcoois e aldeídos. em reagir amostra com ácido crômico. uma reação ácido-base e a solubilidade na qual está envolvida a simples miscibilidade. E aldeídos também são oxidados a ácido carboxílicos9 Logo. aldeídos e. consiste. que é o sulfato crômico. ou secundário ou de um aldeído 2. como é mostrado nas reações abaixo. a primeira é usada principalmente para identificar os grupos funcionais e a segunda para determinar os 16 .Tanto na amostra M 05-1. secundários. se o teste for positivo irá ocorre a formação de um precipitado verde. Já os álcoois secundários são oxidados a cetona. quanto na amostra M 05-2 o teste foi negativo. Este teste é usado na identificação de álcoois primários.

por intermédio da investigação do seu comportamento quanto à solubilidade em água. em solução de ácido clorídrico 5% e em ácido sulfúrico concentrado a frio. 17 . efetuar algumas deduções a propósito da massa molecular. a respeito de uma substância desconhecida. o benzoato de sódio. em solução de bicarbonato de sódio 5%. Por exemplo. numa solução de hidróxido de sódio é um forte indicação sobre o grupo funcional ácido. Solubilidade em água. mas a hidróxido de sódio diluído o converte a um sal. Três espécies de informações podem ser obtidas.solventes apropriados nas recristalizações. o ácido benzóico é insolúvel num solvente polar. é possível. Com o intuito de enquadrar as amostras M 05-1 e M 05-2 dentro de grupos funcionais específicos. que é facilmente solúvel em água.Neste caso. Em segundo lugar. a informações mais específicas a propósito do grupo funcional. como a água. em solução de hidróxido de sódio 5%. Figura 8: Fluxograma grupo de solubilidade1. o fluxograma mostrado na Figura 8 foi seguido por ambas as amostras. Finalmente. em ácidos e bases em solução aquosa e em éter7. a solubilidade em certos solventes leva. com freqüência. a solubilidade de um composto insolúvel em água. nas análises espectrais e nas reações químicas7. Por exemplo. em certos casos. uma vez que os hidrocarbonetos são insolúveis em água. Em primeiro lugar. então. encontram-se bastantes vezes indicações sobre o grupo funcional.

9 e 10. ou aquil benzeno. básico e ccf. podendo ser um dos grupos funcionais listados na Tabela 7. foi enquadra na classe S2 (Tabela 7). Org. O(H) C. Tabela 6: Classe de solubilidade I1. ou aquil naftaleno ou derivados halogenados. 18 . a amostra M 05-1 foi enquadra na classe I (Tabela 6).N (H. (H) Derivados halogenados I A amostra M 05-2. por sua vez. O. H C. (H) Ácidos Halogenados Álcoois Halogenados Aldeídos Halogenados S2 Ácidos Policarboxílicos Hidroxi ácidos Polifenóis Poliálcoois Açucares Sais de ácidos carboxílicos 2. (H. O(H) Grupos funcionais C. Org.4. O. N) Ácido Sulfônicos Mercaptanas Xantatos Ditiacarbonatos C. pois não reagiu com hidróxido de sódio e que não possui caráter básico. S. Hal. Tabela 7: Classe de solubilidade S21. Desse modo sua solubilidade em água evidencia que se trata de uma substância polar que provavelmente faz ligações de hidrogênio com as moléculas da água e que. S. H Alcanos Cicloalcanos Alquil Benzenos Alquil naftaleno Grupos funcionais C. ou cicloalcano.Após realização dos testes de solubilidade. N) C. fatos que já foram verificados nos testes de caráter ácido. a amostra M 05-1 poder um alcano.8 – RESULTADOS PARCIAIS Os resultados parciais até o momento estão ilustrados nas Tabelas 8. (H.O) C. pois não reagiu com ácido sulfúrico. Desse modo. que não possui caráter ácido. Hal. A partir do teste de solubilidade foi possível observar que a amostra M 05-1 pode se tratar de um composto apolar. Classe de Solubilidade C.N (H. Classe de Solubilidade C.O) Sais de Amônio Aminoácidos Aminas Nitro fenóis Nitro ácidos Amino fenóis Uréiia C. uma vez que não é solúvel em água.

700 cm .Deformação de 5 hidrogênios adjacentes no anel aromático. Testes Preliminares Ponto de Fusão Ponto de Ebulição Observações M 05. -1 -1 IV CCF Detecção de Nitrogênio Detecção de Halogênios Caráter Aromático Caráter Ácido Caráter Básico Caráter Oxidante Caráter Redutor Substância pouco polar ou apolar. ▪ IV (presença da banda 3200 – 2800 -1 cm . Grupos Funcionais Possíveis P/ M 05-1 (Classe I) Alcanos Observações Pertence ao grupo: Não Justificativa (s): ▪Teste Le Rosen positivo.1 137-137 0C Bandas características: 3200 – 2800 cm . Revela na Vanilina Sulfúrica.Deformação axial de C-H de aromáticos. ▪Teste Le Rosen positivo. negativo negativo negativo positivo negativo negativo positivo Tabela 9: Resultados Parciais – Classe de Solubilidade (M 05-1).Tabela 8: Resultados Parciais – Testes Preliminares.Deformação axial de C-H de aromáticos). Cicloalcanos Não Alquil Benzenos 19 . 1085. Não revela no UV. Possível ▪ IV (presença da banda 3200 – 2800 -1 cm .2 165-169 0C Bandas características: 1740.Deformação axial de C-O de álcoois secundário.21 cm .78 cm . ▪Teste Le Rosen positivo. -1 -1 M 05 . Revela no UV negativo negativo positivo negativo negativo negativo negativo Substância muito polar. ▪ IV (presença da banda 3200 – 2800 -1 cm .Deformação axial de C-H de aromáticos).Deformação axial de C-H de aromáticos).Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos.

21 -1 cm .78 cm Deformação axial de C-O de álcoois secundário).Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos) - Açucares Não ▪ IV (presença da banda 1740.Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos) ▪ Caráter ácido positivo. Grupos Funcionais Possíveis P/ M 05-2 (Classe S2) Ácidos Policarboxílicos Observações Pertence ao grupo: Justificativa (s): ▪Caráter ácido positivo.Deformação axial de C=O de -1 ácidos carboxílicos e 1085.21 -1 cm . ▪ Caráter redutor positivo. - Não ▪ Solúvel em NaHCO3 (reage fortemente e há liberação de gás).Alquil naftaleno ▪Teste Le Rosen positivo. Hidroxi ácidos Possível ▪ IV (presença das bandas 1740. Polifenóis Poliálcoois Não ▪ IV (presença da banda 1740.21 cm 1 .21 cm 1 . ▪ Solúvel em NaHCO3 (reage fortemente e há liberação de gás) ▪ IV (presença da banda 1740. ▪ Solúvel em NaHCO3 (reage fortemente e há liberação de gás) ▪ IV (presença da banda 1740.Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos) ▪Caráter ácido positivo.Deformação axial de C-H de aromáticos). Detecção de Nitrogênio e Halogênios negativa Derivados halogenados Não Tabela 10: Resultados Parciais – Classe de Solubilidade (M 05-2).Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos) - Sais de ácidos carboxílico.21 cm 1 . Possível ▪ IV (presença da banda 3200 – 2800 -1 cm . Possível Sais de Amônio Aminoácidos Aminas Nitro fenóis Nitro ácidos Amino fenóis Uréiia Ácidos Sulfônicos Mercaptanas Xantatos Ditiacarbonatos Não Detecção de Nitrogênio negativa Não Não foram distribuídas amostras com enxofre 20 .

5 – ENSAIOS DE CLASSE Após a realização dos testes preliminares. um hidroxi ácido ou sais de ácidos carboxílicos. O resultado do teste. e da identificação do grupo de solubilidade das amostras. 2.Ácidos Halogenados Álcoois Halogenados Aldeídos Halogenados Não Detecção de Halogênio negativa A partir dos resultados parciais pode-se observar que a amostra M 05-1 pode ser um aquil benzeno ou naftaleno e a amostra M 05-2 pode ser um ácido policarboxilíco. foi positivo. E estava indicado na literatura que o teste químico para confirmação de aromáticos era o Le Rosen. Abaixo se pode visualizar o mecanismo deste teste. Amostra M0 05-1 O teste químico para grupos funcionais realizado na amostra M 05-1foi o Le Rosen. testes químicos para grupos funcionais são feitos para esclarecer definitivamente o(s) grupo(s) funcional(is) presente(s) na amostra. que já tinha sido realizado anteriormente. pois a amostra que foi enquadrada na classe de solubilidade I e tinha a possibilidade de ser um aquil benzeno ou aquil naftaleno. confirmando que a amostra M 05-1 possui um núcleo aromático em sua estrutura. 21 . da análise espectroscópica.

H2O H2C H2C Carbocátion benzílico 22 .2 + CH2O + H2O Etilbenzeno (1) + H2SO4 O + 3 H2O + 2 SO2 Mecanismo: Etapa 1: O H H H OH H OH H H 2C OH H H2C O H H H + + HSO4 H 2C H H2 H O C H H2 HO C OH H H2C + O OH S O O .

Amostra M 05-2: Para amostra M 05-2 foram realizados testes para esclarecer a existência ou não de hidroxila(s). Teste para Aldeídos: O teste realizado para a identificação da função aldeído na amostra consistiu na reação da amostra com 2. 23 . só se pode afirmar que ocorre uma reação de oxidação. Não foi preciso a realização de mais nenhum teste químico para grupos funcionais. A reação abaixo mostra o que aconteceria se a amostra possuísse a função aldeído.H2C + H H H H + O OH S O O Etapa 2: + H2SO4 O Precipitado Colorido Para a etapa 2 não existe nenhum mecanismo esclarecido. pois para esta amostra o teste de caráter redutor foi positivo.4-dinitrofenilidrazina. uma vez que com as informações adquiras até o momento a estrutura da substância presente na amostra M 05-1 já esclarecida. da função aldeído na estrutura da substância. Teste positivo é indicado pela formação de um precipitado amarelo ou vermelho.

4-dinitrofenilidrazina H NO2 NO2 2. Se for um álcool secundário irá reagir em um intervalo de cinco minutos e após dez minutos ocorrerá o aparecimento de uma camada distinta na solução. OH HOOC COOH OH Cl + HCl HOOC Cl COOH + H2O L.4 -dinitrofenilidrazona correspondente ao aldeído.NH2 NH NO2 + R CH O C N NH R Aldeído NO2 2. Se o álcool é terciário. Neste teste adiciona-se HCl em uma pequena quantidade de amostra e observa-se por alguns minutos. O mecanismo descrito adiante explica melhor o que ocorre9. benzílico e alílico reagem instantaneamente. Para a amostra M 05-2 o teste foi positivo.Ácido Tartárico Mecanismo para álcoois secundários: R = COOH R1 = CHOHCOOH Etapa 1 R H C O H R1 + H O H H rápida R H H C O H R1 + O H H 24 . este é secundário. e identificou que além de a amostra possuir a função álcool. Precipitado Amarelo ou Laranja. Para a amostra M 05-2 o teste foi negativo. Teste para Álcool: O teste para identificação de álcoois foi o Teste de Lucas. tirando a possibilidade de a amostra possuir em sua estrutura a função aldeído. Álcoois primários não reagem.

houve uma reação instantânea e a liberação de gás. Este fato indica que a amostra é um ácido carboxílico. OH HOOC OH Ácido mais forte OH COOH + NaHCO3 Base mais forte H2O Na OOC OH Base mais fraca COO Na + CO2 + H2 O H2CO3 Ácido mais fraco 25 . No caso de álcoois sencudários os haletos de alquila formados são insolúveis em água. Teste para Ácido Carboxílico: Não foi realizado nenhum teste específico para ácido carboxílico. mas quando a amostra M 05-2 foi mistura com NaHCO3 durante as análises preliminares. Na etapa o carbocátion reage com um nucleófilo (um íon haleto) em uma reação SN1. O mesmo mecanismo irá ocorrer na outra hidroxila.Etapa 2 R H C R1 H O H lenta H C R1 R + O H H Etapa 3 R H C R1 + rápida R H C Cl R1 Cl Na primeira etapa o álcool aceita um próton e depois o álcool protonado se dissocia para formar um carbocátion e água. como é mostrado na reação a seguir. formando assim uma camada distinta da camada aquosa9.

6.2. redutor e oxidante e tem faixa de ponto de ebulição 135-137 0C.5 37 137 83 71 122 132 126 178 96 90 91 88 Optou-se pela preparação dos derivados através da nitração aromática e oxidação de uma cadeia lateral de um composto aromático. Para facilitar a busca consideraram-se os compostos com ponto de ebulição que se encontra em uma faixa 50C acima ou baixo do ponto de ebulição da amostra M 05-1. eb. C 135 137 139 142 0 Produto Nitração Posição P. básico. porque após todos os procedimentos realizados anteriormente a função química que a amostra possui e sua estrutura molecular já estão praticamente desvendadas e isso facilita a escolha dos derivados a serem feito.6 – PREPARO DE DERIVADOS A última etapa realizada na identificação de uma amostra desconhecida é a preparação de dois derivados da amostra. halogênios em sua estrutura molecular. através de dados da literatura7 foi possível chegar ao um determinado grupo de composto que possui as características descritas anteriormente. Tabela 11: Possíveis hidrocarbonetos – aromáticos (líquidos)7.f. Nome Etilbenzeno p-Xileno m-Xileno o-xileno P. Esta é a última etapa. 26 . Além disso. Desse modo.3.5 2.4 4. C 0 Derivados Ácido aroilbenzóico Picrato 2. 2.6 2. Este composto. propriedades como o ponto de fusão dos derivados são as ferramentas chaves para a conclusão da identificação. não tem caráter ácido. seus pontos de ebulição e derivados podem ser vistos na Tabela 11. o qual não possui nitrogênio.4.1 – DERIVADOS DA AMOSTRA M 05-1 A partir dos resultados descritos anteriormente foi possível chegar à conclusão que a amostra M 05-1 trata se de um aquil benzeno ou um aquil naftaleno líquido.

6.trinitroetilbenzeno Etapa 1 HO3SO H (H2SO4) + H O N O H O H O N O + O HSO4 Etapa 2 H H O N O O H2O + O N O Íon nitrônio 27 .1 – PREPARO DO DERIVADO ATRAVÉS DA NITRAÇÃO AROMÁTICA Para a preparação do derivado foram adicionados 1 g da amostra. o ponto de fusão do precipitado foi aferido.6 . Após esse período. pode-se concluir que a amostra M05-2 é o etilbenzeno.4. 40-430C. o qual provocou a precipitação do derivado. a mistura reacional foi vertida em gelo picado.2.1. Como não ocorreu precipitação imediata. Mecanismo envolvido na preparação do derivado9: + HNO3 + Etilbenzeno H2SO4 45 0C O2N NO2 + H3O + HSO4 NO2 2. foi adicionado a mistura éter etílico. 4 ml de ácido sulfúrico concentrado e 4 ml de ácido nítrico concentrado (gota a gota) em um balão de 25mL. Devido a grande proximidade do ponto de fusão obtido experimentalmente e o encontrado na literatura7 (Tabela 11). Após filtração e lavagem do precipitado. A mistura reacional foi mantida por cinco minutos em refluxo em um banho de água a 450C.

temperatura alta e ácido sulfúrico concentrado.4. Na primeira etapa do mecanismo. Aqueceu-se então durante meia hora e 28 . a nitração do etilbenzeno irá ocorrer nas posições 2. A mistura reacional foi mantida sob refluxo por duas horas. 80 ml de água. Já na segunda etapa. O íon nitrônio. o ácido nítrico agora que está protonado pode se dissociar para formar um íon nitrônio.1. na etapa 3.6. o ácido nítrico aceita um próton do ácido mais forte.2 – PREPARO DO DERIVADO ATRAVÉS DA OXIDAÇÃO DA CADEIA LATERAL Este derivado foi preparado através de um reação entre 1 g do composto. Na última etapa o íon arênio então perde um próton para uma base de Lewis e torna-se p-nitroetilbenzeno. 4 g de permanganato e 1 ml de solução de hidróxido de sódio a 10%. o ácido sulfúrico. O mecanismo demonstrado acima também é seguido na nitração das posições orto. até o desaparecimento da coloração púrpura do permanganato. Ao cabo deste intervalo de tempo a mistura foi resfriada e acidificada com ácido sulfúrico.Etapa 3 O N O Etilbenzeno lenta H NO2 Íon arênio H NO2 H NO2 Etapa 4 H + NO2 O H H NO2 + H O H H Devido às condições reacionais empregadas. devido a proximidade do grupamento etil. mas como as posições orto estão mais impedidas.6 do anel aromático. 2. a posição para é a primeira nitrada e depois as posições orto. é o eletrófilo real na nitração: ele reage com o etilbenzeno para formar um íon arênio estabilizado por ressonância. O grupamento etil é orientador orto-para.

ela continua nesse sítio. não caráter básico. obtendo-se um sólido cristalino com ponto de fusão de 115-118 0C. Mecanismo envolvido na preparação do derivado9: O (1) KMnO4. OH-. Evaporou-se o solvente. o qual não possui nitrogênio. através de dados da literatura7 foi possível chegar ao um determinado grupo de composto que possui as características descritas anteriormente. elimina os átomos de carbono remanescentes da cadeia lateral 9. oxidante. Este composto. Uma vez que a oxidação tenha começado no carbono benzílico. tem caráter ácido e redutor. o que se sabe é que na primeira etapa o agente oxidante (KMnO4) extrai um hidrogênio benzílico. análise espectroscópica foi possível chegar à conclusão que a amostra M 05-2 trata se de um ácido policarboxílico. o agente oxidante oxida o carbono benzílico a um grupo carboxila e.resfriou-se. seus pontos de ebulição e derivados podem 29 . determinação do grupo de solubilidade. Removeu-se qualquer excesso de dióxido de manganês pela adição de um pouco de solução de bissulfito de sódio. o qual é bem próximo ao encontrado na literatura7 (Tabela 11). nesse processo.DERIVADOS DA AMOSTRA M 05-2 A partir dos testes preliminares. halogênios em sua estrutura molecular.2 . 2. aromático e tem faixa de ponto de fusão 165-169 0C. ou um hidroxi ácido ou sais de ácido carboxílico sólido. Filtrou-se e o ácido benzóico formado foi extraído por meio de clorofórmio. calor (2) H3O+ Etilbenzeno Ácido Benzóico OH O mecanismo não é bem elucidado. ensaio de classe. Desse modo.6. Por fim. Esse derivado serviu para enfatizar a conclusão sobre a identificação da amostra M05-1.

f ºC Anilida (ºC) Amida (ºC) Èster p-nitrobenzílico (ºC) Èster p-bromofenancílico (ºC) Itacônico Mesitilênico Tricarbalílico dl-Fenilsuccínico d.1 – PREPARO DO DERIVADO ATRAVÉS DA FORMAÇÃO DE AMIDA Este derivado foi preparado através de uma reação com 1 g da amostra M 052. A amida precipitada foi recolhida num papel de filtro e apresentou faixa de fusão. 5 ml de cloreto de tionila.6. Mecanismo envolvido na preparação do derivado10: 30 .ser vistos na Tabela 12.2.ou l. 202-205 0C. confirmando assim que a amostra M05-2 trata se do ácido tartárico. 2. Após esse tempo.Tartárico 165d 166 166 167 169 190 252 222(di) 180 192(di) 133 207d 211(di) 195 91 163 117 138 216 240 Optou-se pela preparação dos derivados através da formação de amidas e anilidas. a mistura foi lançada em 15 ml de solução aquosa de amônia concentrada e resfriada a 0 0C. Para facilitar a busca consideraram-se os compostos com ponto de ebulição que se encontra s em uma faixa 50C acima ou baixo do ponto de ebulição da amostra M 05-2. Tabela 12: Possíveis ácidos carboxílicos (sólidos)7. a qual é bastante próxima da encontrada na literatura7. A reação foi mantida sob refluxo durante 15 minutos. Derivados Fenilhidrazida (ºC) Nome P.

OH COOH HOOC OH OH COCl OH + SOCl2  ClOC OH NH3 CONH2 H2NOC OH L-Ácido Tatárico Mecanismo: Etapa 1 OH O C H O OH Cl OH O C Cl S O Cl O HOOC + Cl S O HOOC OH H OH O C O H S Cl OH O C Cl S O O HOOC Cl OH O HOOC OH Cl H Clorossulfito de acila protonado OH O C Cl + Cl O H S O HOOC OH HCl + SO2 31 .

2 – PREPARO DO DERIVADO ATRAVÉS DA FORMAÇÃO DE ANILIDA O segundo derivado foi preparado utilizando 1 g da amostra M 05-2 e 2 ml de cloreto de tionila. Decantou-se então a solução. Logo. 5 ml de solução de hidróxido de sódio a 5 % e 2 ml de água. 32 .6.Etapa 2 OH O C HOOC OH Cl H N H H H R O C Cl R O H C N H Cl NH3 NH3 R= OH O C OH R N H H HOOC + NH4 + Cl Na primeira etapa do mecanismo ocorre uma adição nucleofílica-eliminação de um íon cloreto em um intermediário altamente reativo: um clorossulfito de acila protonado. O mecanismo descrito irá ocorrer também na outra carbonila 2. O tolueno foi evaporado e não ocorreu a formação de nenhum precipitado. A amônia é coloca em excesso para neutralizar o ácido clorídrico formado na etapa anterior 10. num funil de separação. 5 ml de ácido clorídrico a 5%. o que não prejudicou a identificação da amostra. A mistura reacional foi mantida sob refluxo durante 30 minutos. E na segunda ocorre uma reação de adição nucleofílica a carbonila do cloreto de acila. durante 2 minutos. o derivado da amostra M 05-2 através da formação de anilina não deu certo. seguido a eliminação do íon cloreto. e lavou-se sucessivamente com 2 ml de água. e adicionou-se 2 g de anilina e 30 ml de tolueno.2. a mistura foi aquecida em banho de vapor. A mistura é então resfriada.

f.8 . 0C) Derivado: formação amida (P. 0C) Derivado: (P. Ponto (0C) de fusão Ponto de ebulição Volatilidade Cor IV(Bandas características) ■ 700 cm-1 Deformação de 5 hidrogênios adjacentes no anel aromático Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos.7 – DISCUSSÃO FINAL E CONCLUSÃO Na Tabela 13 é possível observar alguns dos resultados finais da identificação das amostras M 05-1 e M 05-2. Tabela 13: Resultados Finais Características Amostra M 05-1 135-137 Não é volátil Líquido incolor ■ 3070-2870 cm – deformação axial de CH de aromáticos e alifáticos. 0C) de oxida 40-43 115-118 37 122 - - da cadeia lateral 202-205 199 33 . Derivado: nitração aromática (P. 1)4.2.deformação axial de OH de ác carboxílicos e álcooois. ■ 1740 cm -1 -1 Literatura (L-Ácido Tartárico.f. ■ 1750 cm-1 Deformação axial de C=O de ácidos carboxílicos.95 135 Não é volátil Líquido incolor ■ 3200-2800 cm deformação axial de CH de aromáticos e alifáticos -1 Amostra M 05-2 165-169 Não é volátil Sólido Branco ■ 3500-2300 cm deformação axial de OH de ác carboxílicos e álcooois.7.f.7. 2)4.8 169 Não é volátil Sólido Branco ■ 3500-2300 cm-1 . ■ 697 cm Deformação de 5 hidrogênios adjacentes no anel aromático -1 -1 Literatura (Etilbenzeno.

que não possui em sua composição nitrogênio nem halogênios. grupo de solubilidade e análise espectroscópica mostram que a amostra é um ácido carboxílico.12. A partir desse fato pode-se concluir que a amostra M 05-2 é o l – ácido tartárico (2). e que o l – ácido tartárico (2) é o comercializado. para o l – ácido tartárico (2) o [α]20D o único dado é + 12. básico. grupo de solubilidade e análise espectroscópica deixam evidente que a amostra é um aromático. pois os ensaios preliminares.A partir de todos os procedimentos experimentais desenvolvidos durante a disciplina de Análise Orgânica Experimental. A partir dos testes químicos foi possível identificar a presença da função álcool em sua estrutura. dados da literatura4 relatam que o d – ácido tartárico (3) não é comercializado e é difícil de ser encontrado na natureza. Os resultados dos ensaios preliminares. Os resultados de ponto de fusão da própria amostra e do derivado levam a possibilidade de ser tanto l – ácido tartárico (2) quanto o d – ácido tartárico (3). que não possui nitrogênio nem halogênio e tem caráter redutor. A amostra M 05-2 foi identificada.0o . os quais foram descritos no relatório. foi possível concluir a identificação das amostras.0o e para o d – ácido tartárico (3) é . E os resultados dos pontos de fusão dos derivados confirmam que a substância é realmente o Etilbenzeno (1). A amostra M 05-1 é a substância denominada Etilbenzeno (1). 34 . redutor e oxidante. sendo o [α]20D experimental que os difere. não tem caráter ácido. Contudo. e chegou-se a conclusão que é o L-Ácido Tartárico (2).

Quimica Orgânica 2 .com. Disponível em: http://riodb01. Quim.The Systematic Identification of Organic Compounds..460. [10] SOLOMONS.pdf (Acessado em 10/06/09). 7a.32p.jp/sdbs/cgi-bin/cre_index. [8] AIST – NATIONAL INSTITUTE OF ADVANCED INDUSTRIAL SCIENCE AND TECNOLOGY. Nova. FRYHLE. W. Quimica Orgânica .G. 28(1). 1982. 35 . A Laboratory Manual.B. [7] SHRINER.1174.ibict. Volume 1.. 3a. 112p.br/iq/litmo/disciplinas/LQO20061/Roteiros/Experimentos%207_8_9df (Acessado em 26/05/09). USA. 1989.595p. [6] http://www. 8a. [5]http://sbrtv1.br/conteudo/pdf/fol_gomas_nutricionais. Spetral Database for Organic Compounds.aist. 1948. W. C. Apostila de Análise Orgânica I Experimental. [3] OLIVEIRA. et al. Drugs and Biologicals.B. 1982. SDBS.html?PHPSESSID=a7c7ea2053c411d900126fb a1ece1337 (Acesso em 10/06/09). M. 496. A. C. 14. 11ª ed. R.ed.31.unb.424. 26. et al.F. [2]http://www.. ed. [4] THE MERCK INDEX – An encyclopedia of Chemicals. et al .440 e 488p.cgi?lang=eng ( Acessado em 04/06/09) [9] SOLOMONS.ibase.3-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] CUNHA. L.go. T.. FRYHLE. T.br/upload/sbrt4985. 2005. ed. Volume 2. Rio de Janeiro: Livro Técnicos e Científicos Editora. 37-41p.75.1175p.569.V..G. 4.. 423.viafarmanet. Rio de Janeiro: Livro Técnicos e Científicos Editora.C.

36 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful