QUANTUM DOTS *Wyllian Franz dos Santos Oliveira RESUMO Este trabalho apresenta a história, definição, organização e aplicações

de quantum dots. Para tanto, utilizou-se como ponto de partida os semicondutores comuns passando pelos nanocristais semicondutores com sua organização e novas propriedades e finalizando com suas aplicações. Palavras-Chave: Quantum Dots. Nanocristais semicondutores. Bandgap. Éxcitons. Confinamento Quântico.

*Graduando em Química, Instituto de Química/UFBA, Salvador, BA, E-mail: wyllianfranz@gmail.com

O escopo destas publicações reside. Alguns materiais semicondutores são feitos de uma liga cristalina com mais de um tipo de átomo. Essas minúsculas partículas nanoestruturadas possuem propriedades diferentes do mesmo material massivo a partir do qual é formada.1. no entanto. Por exemplo: “um emissor de radiação eletromagnética com um badgap facilmente ajustável”[1]. como o de 1833. Este artigo pretende não somente mostrar as aplicações de QDs. R. Os exemplos mais populares de semicondutores são o silício (Si) e o germânio (Ge). “Hoje em dia dispositivos semicondutores estão por toda parte. No ano de 1936 a Bell Labs decide criar um grupo de pesquisa específico para estudar e desenvolver dispositivos semicondutores. Em 1940. O autor sabe que. mas também defini-los e explicar as novas propriedades à luz de sua organização como partícula. INTRODUÇÃO Quantum Dots (QDs) são partículas formadas a partir de materiais semicondutores inorgânicos e que medem de 2 – 10 nm (dots) constituídos de 10 a 50 átomos. A possibilidade de manipular partículas tão pequenas visando usufruir dos benefícios advindos das novas propriedades do mesmo material é recente. Em relação ao semicondutores “historicamente temos relatos muito antigos. O semicondutor é um material que possui uma condutividade intermediária entre o condutor e o isolante. Scaff e H. Como exemplos destas ligas podemos citar o arseneto de gálio (GaAs) e o fosfeto de índio (InP). Algumas das propriedades divergem tanto do seu respectivo material massivo que chegam a ser usadas como definição de QDs. J. 2. Esta é apenas uma das três formas com que a Evident Technologies define quantum dots. existem muitas publicações cientificas sobre o assunto por serem materiais inovadores. Theuerer mostram que tanto o nível quanto o tipo de condutividade do Si. pois este tem um coeficiente positivo de resistência. basicamente. No mesmo ano. Estes dois . com o objetivo de fabricar o transistor de efeito de campo. Ohi identifica pela primeira vez semicondutores de Si tipo p e tipo n. O oposto é verdadeiro para um condutor. por se tratar de um material inovador o número de aplicações aqui relatadas serão cada vez menor à medida que o conhecimento sobre organização e manipulação destas partículas se alargam e que nem mesmo as fronteiras da definição são inamovíveis para um material cujo as pesquisas os tornam tão dinâmicos . é devido à presença de impurezas (dopagem) “[2]. Faraday descobriu que o composto sulfito de prata tem um coeficiente negativo de resistência com a temperatura1* e esta é uma propriedade típica nos materiais semicondutores. uma descoberta feita por Michael Faraday que abriu caminho para as pesquisas em semicondutores. Um outro grupo bastante ativo nesta área e que contribuiu significativamente com o trabalho na Bell Labs foi o grupo da universidade de Purdue. HISTÓRIA Quantum dots são formados a partir de materiais semicondutores. em apontar uma ou mais propriedades dos QDs e mostrar suas aplicações como utilidades inovadoras. Definir e explicar o funcionamento de QDs não são prioridades destas muitas publicações científicas.

Para excitar os elétrons do nível de Fermi para os orbitais vazios logo acima precisa-se de pouca energia. para todos os efeitos práticos. A fig. sugere-se que com o aumento de átomos que se interagem entre si aumenta-se a superposição de orbitais atômicos levando ao aumento de igual número de orbitais moleculares. 2. um a mais para cada átomo adicionado. portanto. Nesta teoria. Quando o número de átomos que se interagem são muito grandes a separação de energia entre os orbitais moleculares são tão minúsculas que. Logo acima do nível de Fermi existem orbitais vazios e com energia muito próximas a este nível como mostrado na Fig. Fig.últimos materiais são muito usados na 2*optoeletrônica.1 Com o aumento do número de átomos que se interagem os orbitais moleculares ligantes e antiligantes formam um banda de energia O efeito de acrescentar sucessivamente os átomos é de espalhar a banda de energia coberta pelos orbitais moleculares. À medida que a superposição dos orbitais atômicos ocorre formam-se combinações de orbitais moleculares ligantes e antiligantes. e também preencher esta banda d energia com cada vez mais orbitais. de Bandgap pelos físicos e HOMOLUMO gap pelos químicos. Se os átomos tiverem orbitais p disponíveis então o mesmo procedimento conduz a uma banda p. preferencialmente. Uma característica fácil de se observar nos metais é que à medida que . O HOMO dessa banda é chamada de nível de Fermi. podemos pensar nos orbitais moleculares como formando uma banda contínua de estado de energia permitidos chamados de banda de energia. A lacuna para o qual não corresponde nenhum orbital é uma faixa de energia proibida chamada. Uma das grandes vantagens dos semicondutores é o fato de sua condutividade poder variar fortemente com as condições externas [3]. O mecanismo de condução elétrica nos metais e semicondutores e de não condutividade elétrica para os isolantes está baseado neste bandgap. 1 mostra esquematicamente o que acontece à medida que um número maior de átomos metálicos unem-se para formar orbitais moleculares. O comportamento dos semicondutores pode ser explicado pela Teoria das Bandas que também explica o comportamento de condução elétrica dos metais e isolantes. muito móveis e são eles os responsáveis pela condutividade elétrica nos metais. Se esta banda p for mais energética que a banda s ela estará acima da banda s com uma lacuna entre as duas bandas. O metal apresenta uma banda de energia parcialmente preenchida. Esta lacuna possui uma faixa de energia para o qual não corresponde nenhum orbital. Estes elétrons são.

Outras substâncias obtidas por combinação de alguns elementos também funcionam como semicondutores. abaixo do tamanho crítico capaz de alterar . A banda superior vazia é chamada de banda de condução. na banda de valência que permitem a condutividade. Os semicondutores e isolantes possuem duas bandas de energia uma acima da outra intercalada pelo bandgap. com um aumento de temperatura criam-se buracos. desta forma. Alguns elementos funcionam como semicondutores como. aumentando conseqüentemente o número de colisões entre os elétrons e os átomos o que resulta em uma menor eficiência dos elétrons como transportadores de carga. Zarbin enfatiza que ter tamanho nanométrico não é condição suficiente para que um material possa ser considerado novo material. por exemplo. Como Emil Roduner destaca. temos nos acostumados ao fato que isso também não é verdade e depende do tamanhão quando a espécie é suficientemente pequena [4]. estes são os materiais isolantes. “Nós poderíamos até querer pensar. platina é platina e CDs é CDs. os materiais ganham novas propriedades desde que se tornem suficientemente pequenos. Arseneto de Gáliol (GaAs). o Silício e o Germânio. que ouro é ouro. por exemplo. mas nós. isolantes e semicondutores O bandgap dos semicondutores é pequeno o suficiente para que ao excitar elétrons com pouca energia. Os elétrons na banda de condução também funcionam como transportadores de corrente elétrica. Seleneto de Chumbo (PbS) e muito outros. orbitais vazios. pensando. A banda inferior preenchida é chamada de banda de valência e o nível de Fermi coincide com o topo desta banda. “Podemos definir nanomateriais como sendo materiais que possuem ao menos uma dimensão na faixa de tamanho nanométrica. estes passem da banda de valência para a banda de condução. vagarosamente. aumenta-se o movimento térmico dos átomos. Fig.se aumenta a temperatura. Em alguns materiais o bandgap é tão grande que o material exigirá grande quantidade de energia para transpor a lacuna de energia proibida e conduzir eletricidade.2 Bandas de energia em condutores.

De forma mas concisa. mas a pergunta fundamental é: A que é devido as novas propriedades destes nanocristais semicondutores? Para facilitar a compreensão desta resposta é preciso que o raciocínio lógico linear passe pela organização dos semicondutores massivos e. Os elétrons no seio de um material semicondutor (bulk) comum possuem faixas de energias. QDs também são conhecidos como “fragmentos de tamanho nanométrico (pontos) de material semicondutor cristalino que emitem fótons”[7].2 ORGANIZAÇÃO DE UM SEMICONDUTOR MASSIVO Muitas propriedades dos átomos da tabela periódica são devidos a sua estrutura eletrônica e não é diferente para os QDs cuja organização força os pesquisadores a chamá-los de átomos artificiais. de igual forma os semicondutores apresentam muitas excelentes propriedades. Estas minúsculas partículas possuem propriedades extraordinárias. 2). em seguida. NANOCRISTAIS SEMICONDUTORES 3. Leo Kouwenhoen e Charles Marcus definem QDs como “gotículas artificiais de carga que podem conter desde um único elétron a uma coleção de vários milhares” [6]. pela organização dos QDs. quantum dots são nanocristais semicondutores cujo diâmetro não mede mais que 10 nm. . As duas definições complementam-se e é notório que ao descrever QDs utilizem uma ou outra propriedade distintiva do material. III – V e IV – VI da tabela periódica. abaixo do seu tamanho crítico. Existe um tamanho crítico para semicondutores massivos que será discutido mais adiante. Os elétrons no 3 *bulk de 4*materiais massivos estão em níveis de energia tão próximos que é possível descrevê-los como em uma banda de energia (ver Fig 1). 3. Essa região é o bandgap e esse bandgap muda de semicondutor para semicondutor. 3. a menos energia será obtida quando o número de elétrons com o mesmo spin for maximizado [9]. Podem ser compostos por elementos dos grupos II – VI. Assim como os metais ganham novas propriedades em escala nanométrica.1 Definição QDs pertencem à classe dos semicondutores e também são conhecidos por nanocristais semicondutores com o seu tamanho variando de 2 – 10 nm. No bulk destes semicondutores massivos existem regiões de energia proibida para os elétrons. Os elétrons são alocados segundo a regra de Hund que afirma que “ para orbitais degenerados. Nos semicondutores existem duas bandas de energia intercaladas pelo bandgap (ver Fig. “O mais interessante é que muito dos fenômenos quânticos observados em átomos e núcleos reais – a partir de estrutura de camadas em átomos para caos quântico em núcleos – podem ser observados em quantum dots e ao invés de ter que estudar os diferentes elementos ou isótopos estes efeitos podem ser investigados em um quantum dot simplesmente mudando seu tamanho e forma [8].algumas de suas propriedades” [5]. Elétrons com energias diferentes estão em níveis de energias diferentes.

A figura à direita mostra a transição do elétron com sua emissão e absorção de energia 3. Cada material possui uma separação física média do par eleton-buraco (éxciton) conhecido como Raio de Bohr do Éxciton (Fig. Em (b) é mostrado o par elétron-buraco. O elétron tende a saltar da parte inferior da banda de condução para o topo da banda de valência. Elétrons podem ser excitados da banda de valência para a banda de condução através do bandgap por estímulos como calor.4).Os elétrons que ocupam a banda de energia inferior estão na Banda de Valencia e os elétrons que ocupam a banda de energia superior estão na Banda de Condução. enchendo-a quase que completamente. Outra observação importante nos semicondutores massivos é que os elétrons instalados na banda de condução devido a estímulos externos ficarão na banda de condução apenas momentaneamente antes de voltar à banda de valência através do bandgap. Aqui reside as propriedades excepcionais dos quantum dots: A possibilidade de ajustar o bandgap. No bulk de semicondutores massivos. devido aos níveis contínuos de energia dos elétrons e o grande número de átomos a faixa de energia do bandgap é fixo. Quando o estímulo é suficientemente forte para o elétron se deslocara da banda de valência. ele viaja de uma extremidade a outra do bandgap. um bandgap ajustável. O par elétron-buraco é denominado éxciton (Fig. Como o bangap do semicondutor massivo é fixo a radiação eletromagnética emitida pelo elétron ao retornar a banda de valência também é fixa.3 (a) mostra a banda de valência cheia e a banda de condução. As dimensões do semicondutor massivo são muito maiores que essa separação física média do material o que permite o par elétron-buraco se estender ao seu limite natural.3 ORGANIZAÇÃO DE UM QUANTUM DOT Os fenômenos observados nos semicondutores massivos também podem ser observados nos nanocristais semicondutores com a exceção de que estes últimos apresentam.3). Fig. Ao retornar à banda de valência o elétron emite a radiação eletromagnética absorvida no primeiro processo de transição. éxciton. isto é. Pouquíssimos elétrons ocupam a banda de condução e a maior parte dos elétrons ocupam a banda de valência. vazia. tensão ou fluxo de fótons. atravessar o bandgap e se instalar na banda de condução a localização da valência desocupada é chamada de buraco. além do tamanho nanométrico. acima. .

orbitando ao redor do centro de massa A discretização dos níveis de energia dos elétrons é justamente o oposto do efeito da adição de átomos formando uma banda contínua de estados de energia permitidos.[10] Fig. A redução de um semicondutor massivo a um dot também é chamado de confinamento quântico ou confinamento eletrônico e é devido a diminuição do semicondutor massivo em três dimensões (Fig. O semicondutor massivo passa por uma diminuição progressiva em três dimensões até formar um ponto. Fig. se um semicondutor massivo torna-se pequeno o suficiente para que ele se aproxime do Raio de Bohr do Éxciton. os níveis de energia dos elétrons não podem mais serem tratados como discretos.No entanto. com o buraco (círculo cheio próximo do centro) e um elétron separados pelo Raio de Bohr do éxciton λ. 5 Discretização dos níveis de energia com a diminuição da partícula .4 Diagrama esquemático de um éxciton em um material massivo. então. O Raio de Bohr do Éxciton é o tamanho crítico para os semicondutores abaixo do qual o material apresenta novas propriedades como bem frisou Zarbin. 5). significando que há uma pequena e finita separação entre os níveis de energia.

Tendo em mente todos os aspectos organizacionais de um quantum dot é fácil notar que a adição ou a subtração de alguns átomos da partícula tende a alterar os limites do bandgap devido à mudança do tamanho do ponto e os efeitos de confinamento eletrônico. com a retirada de átomos.”[12] Para se obter QDs com as qualidades referidas usa-se: a precipitação homogênea de partículas em fase coloidais. Com efeito. 4.1 Métodos químicos “O método “ideal” de síntese de QDs semicondutores deverá permitir a preparação de nanopartículas que apresentam uma uniformidade de composição. alterando o número de átomos na partícula. Á medida que se diminui um quantum dot. forma. Deve se tornar possível. para maiores comprimentos de onda e violeta. por precipitação em fase homogênea a partir de soluções aquosas de CdSO4 e (NH4)2S [12].1. SÍNTESE 4. Sabendo que a energia é determinada pela equação de energia do fóton. a síntese partindo de precursores organometálicos ou ainda utilizando-se materiais com estruturas confinadas. dimensão. permitindo obter propriedades físicas acordáveis dependentes do tamanho dos nanocristais A obtenção de uma amostra em que os nanocristais se apresentem com reduzida dispersão de dimensão só é possível se o procedimento de síntese assegurar uma elevada velocidade de nucleação e uma baixa velocidade de crescimento das partículas. São vários os procedimentos de preparação atualmente conhecidos. simplesmente. Partículas de CdS é praticamente insolúvel em água e isso permite obter tais partículas partindo de soluções muito diluídas dos referidos íons. através deste método controlar o processo de crescimento do cristal e assegurar que este processo seja interrompido imediatamente após os pequenos germens cristalinos estejam completamente nucleados de forma homogênea para impedir a agregação destes pequenos cristais que formariam . cairá a uma distância maior em termos de energia e o comprimento de onda emitido na radiação poderá esta na região do visível do vermelho. para menores comprimentos de onda.1 Precipitação de partículas coloidais Um clássico exemplo é a síntese de soluções coloidais contendo nanocristais de CdS. é possível controlar a radiação emitida na região do visível com grande precisão. como já dito. maior se torna o bandgap. Com efeito. E = h/λ. alocado acima do bandgap. estrutura e cuja superfície deverá estar apropriadamente derivatizada. 4. a utilização de nanocristais em dispositivos optoeletrónicos requer a preparação de nanocristais monodispersos e amostras bem caracterizadas. isto é observado no fato de que com a diminuição do quantum dot o elétron excitado. Para efeitos de comparação o bandgap de um quantum dot é energeticamente maior que o bandgap do seu respectivo material massivo. A formação dos núcleos de cristalização e a sua agregação determinam as dimensões e propriedades das partículas.

(TMS)2Se ou TOPSe. na presença de um solvente com propriedades tensoativas. no qual são injetadas soluções com compostos de cádmio e selênio. geralmente. A seguinte reação de equilíbrio determina a estabilidade dos nanocristais: Para formar os núcleos de cristalização a síntese deve assegurar que os cristais de menores dimensões não sofram um processo de dissolução espontânea (Ostwald ripening). na sua vizinhança. O modo mais simples de estabilizar as partículas da solução coloidal é por via de fenômenos de repulsão eletrostática[14]. a respectiva dispersão de tamanhos e obter nanoparticulas com forma esférica e de elevada cristalinidade. cristais de maiores dimensões. “Um solvente é aquecido a 260º C. Cd(DH3)2. o método se estende para outros semicondutores.os QDs. o tamanho das partículas. Este fenômeno ocorre com maior intensidade em solventes polares em que as espécies de um dado íon estão em excesso na solução. mas tem sido uma das melhores formas de controlar.o que é definido pelo tempo que eles ficam "cozendo" no óleo quente” [16] Apesar de a resumida descrição sobre a síntese do CdSe. originando.2 Síntese utilizando precursores metálicos Este método permitiu a obtenção de nanopartículas com melhores qualidades e com menor dispersão de tamanho. isto implica em maior energia livre superficial o que os torna menos estáveis gerando. É possível definir suas propriedades ópticas ajustando seus tamanhos . Uma escolha apropriada de solventes. Já o crescimento das partículas é controlado fazendo com que a formação da solução coloidal(sol) não evolua no sentido de agregar as partículas ou sedimentá-las posteriormente. pela adição de um composto organometálico. que estabelece ligações com a superfície dos átomos de cádmio. a partícula formada [15]. com elevada precisão. As nanopartículas são obtidas na forma de pós e que podem ser posteriormente dispersas quer em solventes quer em matrizes poliméricas. Os compostos se decompõem e se recombinam como nanopartículas puras de CdSe . A síntese é realizada. Este modo de estabilização não permite a obtenção de soluções coloidais com elevada concentração e o processo de agregação das partículas decorre num curto intervalo de tempo 4. Consiste num simples e curto processo de nucleação seguido por um passo de lento crescimento dos núcleos existentes. uma nuvem de íons de carga oposta. que são assim atraídos para a superfície dos pequenos cristais carregados. tida apenas como exemplo. A explicação do procedimento é longa. contendo o metal.1. Cristais menores apresentam uma relação área/volume superior a cristais maiores. conseqüentemente. por exemplo. temperatura em que ocorre a síntese e pH do meio reacional reduzem a solubilidade dos menores cristais. Em síntese. . estabilizando deste modo. e de um precursor do respectivo calcogeneto.grandes partículas indesejáveis reduzindo-se a dispersão dos tamanhos das partículas formadas. tri-n-octilfosfina(TOP) ou óxido de tri-noctilfosfina (TOPO).

“Uma alternativa barata e não-tóxica vem sendo idealizada por Sameer Sapra e colaboradores. Alguns cientistas avaliaram sua citotoxicidade e concluem que seu uso em seres humanos. campo em que estas partículas se mostram mais promissoras com potenciais para a cura do câncer. Paul Mulvaney. O método poderá abrir possibilidades para a produção em massa dos nanocristais. na Universidade Ludwig Maximillians. Vitória (Austrália).Zeólitas . professor de química inorgânica no Trinity College de Dublin[18]. A agregação. ‘A síntese proporciona flexibilidade adicional no design e crescimento de nanocristais semicondutores’. Yurii Gun'ko. de Munique (Alemanha). mas foge à intenção de explicá-los. assim. Afirma Dr. a qualidade dos nanocristais obtidos por essa rota é a mais alta já vista para métodos livres de fosfinas”. ou ODE. claro. Como o objetivo do artigo é fazer uma apresentação à comunidade de química o autor não se delonga em métodos físicos de síntese. A principal razão desse custo astronômico é o solvente octadeceno. Sapra e seus colegas usaram óleo de oliva comum como solvente para fazer quantum dots cádmio-selênio. “Nosso recente trabalho se esforça para reduzir esta toxicidade inerente. vê potencial nessa descoberta. De acordo com Sapra. da necessidade de usar fosfinas. estabilidade e degradação de quantum dots em um ambiente intracelular é de grande preocupação e compreender seu comportamento biológico é de fundamental importância. [17] Há uma grande discussão sobre a aplicação de quantum dots no campo da nanomedicina. ainda é inviável. conforme Mulvaney. E.00 o grama .Entre outros métodos químicos estão: • Síntese em materiais com cavidade de geometria bem definida . outros pesquisadores conseguiram diminuir a citotoxicidade de um quantum dot. um perito em quantum dots da Universidade de Melbourne. 5. evitar a propagação da AIDS e outras doenças infecciosas. Seu preço está ao redor de US$2. Esses quantum dots estabilizados foram chamados por eles de Jelly Dots . pelo fato de que eles são produzidos "artesanalmente" não existe ainda uma produção em escala industrial [13].000. adicionando gelatina como um co-agente de nivelamento para reduzir o impacto que a QDs têm sobre as células". VIABILIDADE Embora promissores.é isto mesmo. o que os torna um dos materiais mais caros do mundo. Por outro lado. os pontos quânticos são muito caros.Micelas Inversas • Processos de síntese pelo método sol-gel e aplicação dos materiais preparados como meios hospedeiros para a encapsulação de nanopartículas de semicondutores • Polímeros contendo nanopartículas de semicondutores O presente trabalho poderia apresentar os métodos físicos de síntese de quantum dots. fugindo. US$2 milhões o quilo. mais caros até do que os nanotubos de carbono. disse Sapra. responsável por cerca de 90% do preço final dos pontos quânticos.

geralmente epóxi ou silicone. Vejamos apenas algumas de suas aplicações: 6. Os QDs são encapsulados em uma matriz polimérica. Laura Rohwer com quantum dots encapsulados em uma matriz polimérica e integrados a um substrato para LEDs . os LEDs – quantum dots irradiam luz em um comprimento de onda que varia de acordo com o tamanho do ponto: 2 nanômetros emitem luz azul. A cor da luz emitida varia em função da dimensão dos "quantum dots" e da composição química de sua superfície[19]. “Quando excitados por uma fonte de luz . podendo ter aplicações em telecomunicações. A combinação de quantum dots de diferentes tamanhos permitem obter cores desejadas inclusive a branca (Fig.neste caso.1 Dispositivo Emissor de Luz Branca de Estado Sólido A emissão de luz fria e de baixo consumo de energia é uma das mais promissoras áreas da nanotecnologia.Existem muitas pesquisas em andamento sobre como tornar viável a síntese de quantum dots. 4 nanometros emitem verde e seis nanômetros emitem luz vermelha”[20]. por demais. Eles oferecem inovação tanto na tecnologia como na medicina.6) . O enfoque utilizado baseou-se no encapsulamento de "quantum dots" (nanocristais semicondutores) e no polimento de suas superfícies de forma tão eficiente que eles passaram a emitir luz visível quando excitados por radiação emitida por LEDs que operam na faixa do infravermelho próximo. e depois são integrados a um substrato para LEDs. reemitindo luz visível. coordenadora dos trabalhos. "O entendimento da física da luminescência em nanoescala e a aplicação desse conhecimento para o desenvolvimento de fontes de luz baseadas nos 'quantum dots' é o foco da nossa pesquisa. Os "quantum dots" absorvem fortemente a luz na faixa do infravermelho próximo. pretensão mostrar todas as possíveis aplicações de quantum dots mesmo porque este artigo é necessariamente limitado. 6 ILUMINAÇÃO DO FUTUTO." afirmou Lauren Rohwer. em chips óticos e na iluminação em geral. Enquanto alguns pesquisadores se debruçam sobre métodos alternativos de síntese outros já exploram a recém descobertas propriedades dos quantum dots 6. Fig. APLICAÇÕES Seria.

O professor Okada empilhou semicondutores em série . e. constituída de uma camada de material na forma de quantum dots.  células solares O cientista Yoshitaka Okada. Possui estrutura simples. cada um com a espessura de 10 a 20 nanômetros. Devido às peculiaridades dos quantum dots estes monitores têm possibilidade de apresentar uma qualidade visual superior ao monitores atuais somada a uma experiência de uso melhor que os monitores de cristal líquido ( LCDs ). “A idéia é criar monitores de mais alta qualidade. podem gerar eletricidade através de um espectro luminoso bastante amplo. O estudo abre uma porta para a construção de lasers mais eficientes. e necessitam uma insolação direta. Japão. QDs teriam grande potencial para tal uso. consumindo menos energia”[21] .7). lasers e células solares. "ensanduichada" entre duas regiões semicondutoras. Com 32 por 64 pixels. indo do ultravioleta ao infravermelho (o que significa que funcionam muito bem em pleno sol e na penumbra). da Universidade de Tsukuba. o QD Display é do tamanho de uma tela de telefone celular e com aproximadamente meio centímetro de espessura. contudo.2 Optoeletrônica A optoeletrônica trabalha com dispositivos que interagem com a luz. As células atuais permitem 20% de eficiência. Os dots são feitos de arseneto de índio e têm atualmente uma eficiência de conversão de 7%. como em tecnologias de microlaboratórios em pastilhas (lab-ona-chip) ou em dispositivos de processamento de informação quântica. ao ser estimulado por uma fonte de energia externa. com uma perspectiva de 30% no futuro. amplifica um feixe de luz. produzindo cores mais luminosas.6. especialmente porque as cores da luz emitida podem ser ajustadas em muitas variações. mais ricas e precisas.  Lasers No interior de todo laser se encontra um material que. para chegar a uma célula de alguns milímetros quadrados. Porém o nível de eficiência teórica de 63% não será atingido antes de 2020. Em teoria. ainda. que podem ter diversas aplicações na optoeletrônica.3 QD DISPLAY É um monitor à base de quantum dots (Fig. QDs são muito utilizados em aplicações de optoeletrônica. 6. criou um protótipo de célula baseada em quantum-dots mais eficiente que as atuais.quantum-dots -. tais como.

que pode ser negativa (um 0) ou positiva (um 1). ao invés de Norte e Sul.os qubits podem também assumir um número arbitrário de estados intermediários.7 Protótipo de monitor de quantum dot. para cura e detecção de doenças. conhecidos como estados quânticos superpostos.4 COMPUTADOR QUÂNTICO Os atuais computadores tem como bloco básico o bit que é uma carga elétrica. 8 D-wave Orion 16-qubit processor (Credit: D-Wave/J. Só que.0s e 1s . mas seu spin . podendo ser produzido numa escala que pode competir com as telas convencionais 6. Com cada bit podendo assumir diversos valores. os computadores quânticos poderão fazer uma quantidade de cálculos simultaneamente que é impensável na arquitetura dos computadores atuais”[22]. (Fig. Cada monitor emite cores extremamente puras. estes “não exploram as cargas dos elétrons. o spin pode ser "para baixo" ou "para cima. Chung) 6. Já os computadores quânticos têm como bloco básico o quibit (bit quântico)." Além dos estados clássicos de informação .5 Nanomedicina A nanomedicina se utiliza de materiais abaixo do seu tamanho crítico. Cargas elétricas se formam em um material pela ausência ou pelo acúmulo de elétrons.8) Fig.Fig. Os QDs são .uma propriedade quântica que pode ser entendida comparando-se o elétron a uma bússola. geralmente em escala nano.

que é particularmente sensível à toxicidade do cádmio (um dos elementos mais comuns na fabricação de quantum dots)“[24]. por exemplo. que denunciaria a atividade dos anticorpos e revelaria. de maneira geral. potencial de QDs.apenas umas destas partículas utilizadas pela nanomedicina com um potencial medicinal crescente. Ao serem iluminados. Fig. Esta evolução de testes em tão pouco tempo mostra um dos maiores. é possível melhorar em muito os procedimentos de diagnóstico com os quantum dots. Para identificar uma bactéria infecciosa. QDs podem detectar tumores cancerígenos sem agredir as células saudáveis (ver fig. eles emitem luz de uma determinada cor. com o material biológico do ser vivo isolado. QDs podem causar reações alérgicas perigosas sem contar que as substâncias utilizadas em sua estabilização e constituintes. a presença de potenciais patógenos ligados a eles”[23]. bastaria conectar alguns quantum dots em anticorpos e então usar as propriedades luminosas dos dots para observar como eles reagiriam numa amostra tirada do organismo. isto é. de pronto. senão o maior. que ocorre ou tem lugar dentro de um ser vivo. isto é. Chega a ser assustador a passagem dos testes in vitro.9). podem ser tóxicos ao ser humano. para os testes in vivo. 9 Localização de um tumor em humanos (esquerda) e teste já realizado em ratos com sucesso usando quantum dots (direita) Apesar de significativos na detecção de câncer ainda existem problemas a serem superados. “O tamanho dos complexos de quantum dots é superior ao necessário para a eliminação pelos rins – isso faz com que eles sejam eliminados pelo fígado. Depois de injetado no ser vivo uma simples exposição à raios UV marcaria o local do tumor “Segundo Alivisatos. Para minorizar a acumulação nos rins e no baço devido à captura pelo sistema monocítico fagocitário. responsável por eliminar qualquer .

a corrente elétrica aumenta com o aumento da temperatura. 1 *O coeficiente negativo de resistência de temperatura diz de uma outra maneira que a resistência à passagem de corrente elétrica do material diminui quando a temperatura aumenta. a forma mais didática para isto. Este artigo propôs lograr sucesso com uma explicação simples destes novos materiais já que a disponibilidade de material didático nesta área em português ainda é escasso. contudo com um número significante de artigos didáticos em inglês. Os impeditivos que aparecem são eliminados com intensas pesquisas tornando quantum dots viáveis às suas possíveis aplicações. Muitos destes dispositivos são feitos de semicondutores. 3 * bulk: seio de um material massivo 4 * materiais massivos são materiais que possuem mais de 108 átomos . ou seja. É importante destacar que os exemplos de aplicações de quantum dots aqui mencionados são poucos e que. uma equipe de pesquisadores revestiram os QDs com peptídios e polietilenoglicol (PEG). segundo o autor. em cerca de 95%.corpo estranho que se introduz em um organismo. O revestimento de PEG não altera a acumulação de qdot no tecido tumoral”[25] À medida que as pesquisas avançam em conhecimento e síntese de QDs paralelamente aumenta suas aplicações no campo da eletrônica e medicina. apesar de ser um material novo. 7. fazer uma descrição e explicação linear começando pela história dos semicondutores massivos passando pelas propriedades e concluindo com aplicações de quantum dots foi. 2 *A optoeletrônica se refere a dispositivos eletrônicos que interagem com a luz. “Nós estimamos que a co-adsorção do PEG e peptídeo na superficie dos qdots reduziu a acumulação no fígado e no baço. já existem inúmeras publicações sobre eles. Conclusão Quantum dots é a mais nova classe de semicondutores com potenciais ainda desconhecidos. quase todos mostrando suas propriedades e possíveis aplicações.

J. Ellison. capítulo 2: Técnicas de Produccíon de Nanoestructuras Semicondutoras. R. E.nanowerk.Rossetti.htm [4] RODUNER. Charles. Leo. pag. 82 (1). Brus. Editores: J. J. T. June 1998. G. Leo.. E. Chemicals Society Reviews. pag. REFERÊNCIAS [1] http://www. Phys. 9ª Ed.com. Armelles-Reig. MARCUS. Química Nova.RodríguezCoppola.xis&task=exact_term&previous_page=homepage&in terface_language=p&search_language=p&search_exp=Nanocristais %20Semicondutores [8] KOUWENHOVEN.. Quantum Dots..php [19]http://www.com/quantum-dots-explained/quantum-dotglossary. J. No. Physics World. H. H. pag 35 .br/noticias/noticia. Al J. MARCUS. 583 – 592 [5] ZARBIN.com.php? artigo=010165050919 [12] Trabalho publicado no livro “Nanoestruturas Semicondutoras – Fundamentos y Aplicaciones”. L. pag 35 .br/~pires/Semicondutores. Phys.if. Chem. [13] R.com/energy/22641/ [21]http://lqes. [16]http://www.com/spotlight/spotid=2220. 2005 [10] http://www.tecnosapiens.technologyreview. capítulo 2: Técnicas de Produccíon de Nanoestructuras Semicondutoras. (2003) 180-194. M.. Tutor Sánchez.39 [9] BROWN.iqm. Gibson.1479 [6] KOUWENHOVEN. CYTED.39 [7] http://decs. 552.inovacaotecnologica. Prentice Hall. G.br/cgi-bin/wxis1660. ISBN: 84-96023-00-1. 1985. Emil.php? artigo=010165050919 [17]http://lqes.unicamp.RodríguezCoppola. M. Armelles-Reig. G.exe/decsserver/?IsisScript=. de Souza Silva..com..html [18] http://www. 2007.. [15] Trabalho publicado no livro “Nanoestruturas Semicondutoras – Fundamentos y Aplicaciones”.php? artigo=010110030730 [20] http://www.iqm. Editores: J. CYTED. [14] R. E.br/noticias/noticia.ufrj. Vol. Quantum Dots.com/quantum-dots-explained/how-quantum-dotswork. 80 (9). 4464. Hull.inovacaotecnologica. J. Physics World. Size Matters: Why nanomaterials are different. and L. São Paulo: Pearson . tradutor Robson Matos.inovacaotecnologica. Chem. JR./cgibin/decsserver/decsserver. Charles. Brus. 30. Tutor Sánchez. 1984. a ciência Central. E. J. 35. 6. LEMAY. L. 1469 . Gibson.br/canal_cientifico/lqes_news/lqes_news_cit/lqes_n ews_2006/lqes_news_novidades_800.br/canal_cientifico/lqes_news/lqes_news_cit/lqes_n ews_2006/lqes_news_novidades_836.8.com.evidenttech. Consutores técnicos: André Fernando de Oliveira e Andréa F.html [11]http://www. L.html [2] http://www. H.evidenttech.br/2008/09/historia-semicondutor-a-partir-de1900/ [3] http://omnis.br/noticias/noticia.. June 1998. (2003) 180-194. Rossety. Química. 2006.html . Química de (nano)materiais. B..bvs.unicamp. ISBN: 84-96023-00-1.

316. Phillip R. Hemmer.com/2009/07/nanoparticulas-que-emitem-luzparte-iii.nanotecexpo. Vol. Jeronimo Maze.br/news/?cat=14 [24] http://bala-magica. published online before print September 16.[22] M.. Quantum Register Based on Individual Electronic and Nuclear Spin Qubits in Diamond.V. Lukin.: Vol. Mikhail D. Gurudev Dutt. doi:10. 1 June 2007.152463399 . Liang Jiang. 2002. Childress. pag. Zibrov. Emre Togan.com.1073/pnas.html? utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+balamagica+(Bala+M%C3%A1gica) [25] Nanocrystal targeting in vivoPNAS 2002 99:12617-12621. Science. 1312-1316 [23] http://www.blogspot. Fedor Jelezko. Alexander S. Lilian I.

Master your semester with Scribd & The New York Times

Special offer for students: Only $4.99/month.

Master your semester with Scribd & The New York Times

Cancel anytime.