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Regulamentação do Sistema Nacional de Transplantes

A partir da edição da Lei dos Transplantes (Lei n.º 9.434, de 4 de fevereiro de 1997) e do Decreto n.º 2.268, de 30 de junho de 1997, coube ao Ministério da Saúde o detalhamento técnico, operacional e normativo do Sistema Nacional de Transplantes. Esse detalhamento foi estabelecido em agosto de 1998 com a aprovação do Regulamento Técnico de Transplantes. O Regulamento estabelece: - as atribuições das Coordenações Estaduais; - fluxo e rotinas com vistas à autorização às equipes especializadas e estabelecimentos de saúde para proceder à retirada e transplantes de órgãos, partes e tecidos do corpo humano; - as condições para a retirada desses órgãos, partes e tecidos, para a realização de transplantes ou enxertos; - normas operacionais para a execução desses procedimentos; - as exigências técnicas quanto a recursos humanos e materiais para a realização de transplante de cada órgão especificado; - a disponibilidade desses recursos em tempo integral; - as condições da recomposição do cadáver; - a formalização dos procedimentos realizados; - as normas para o processo de cancelamento de autorização para as equipes especializadas ou para os estabelecimentos; - a periodicidade de renovação das referidas autorizações de estabelecimentos e equipes para a retirada e transplante de órgãos, partes e tecidos; - o sistema de lista única, previsto no Decreto n.º 2.268, de 1997; - constituição dos conjuntos de critérios específicos para a distribuição de cada tipo de órgão ou tecido para os receptores; - a priorização de atendimento por gravidade em cada modalidade de transplante. Por proposição da Coordenação Nacional do Sistema Nacional de Transplantes e com o aval de toda a comunidade transplantadora do País, a Lei dos Transplantes teve algumas de suas disposições alteradas. As alterações, inicialmente promovidas por meio de edição de Medida Provisória em outubro de 2000, foram aprovadas pelo Congresso Nacional e consolidadas na forma da Lei n.º 10.211, em março de 2001. As mudanças envolvem a retirada da obrigatoriedade do registro da manifestação de vontade ± "doador" ou "não doador" ± das carteiras de identidade e de habilitação (essa manifestação foi substituída posteriormente, e por Portaria Ministerial, pelo Registro Nacional de Doadores, já abordado acima), a consolidação da obrigatoriedade de consulta à família para autorização da doação e retirada de órgãos e ainda o estabelecimento de critérios melhor definidos para a efetivação

a Coordenação Nacional do SNT. responsáveis pelo desenvolvimento do processo de captação e distribuição de tecidos. passou a ser exigida autorização judicial para a realização do procedimento. Estruturação do Sistema Nacional de Transplantes Em conformidade com o Regulamento Técnico estabelecido. além da análise das comunicações advindas da imprensa e da sociedade. transplantes ou enxertos de tecidos. das atividades que se desenvolvem no País nesta área. inclusive social. para o planejamento estratégico da atividade do sistema e identificação e correção de falhas verificadas no seu funcionamento. III ± promover e coordenar a implantação de mecanismos e instrumentos de acompanhamento dos procedimentos de transplantes realizados nos serviços de saúde do SUS. ó rgãos e partes retiradas do corpo humano para finalidades terapêuticas. mediante articulação com todos os integrantes do SNT. diretrizes e orientações necessárias à execução da política nacional de transplantes. Segundo o Regimento Interno da Secretaria de Assistência à Saúde/Ministério da Saúde . publicado em dezembro de 2002. o Ministério da Saúde adotou as medidas necessárias à estruturação do Sistema Nacional de Transplantes. . órgãos e partes do corpo. alocação e distribuição de órgãos. 2. compete à Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes: I ± coordenar a elaboração de normas. É também atribuição do órgão central do SNT credenciar centrais de notificação. Nas doações intervivos em que o receptor e doador não são parentes próximos ou cônjuges (exceção feita à doação de Medula Óssea). foi implantada. Está sob sua responsabilidade o controle.1 Coordenação Nacional do Sistema Nacional de Transplantes Em agosto de 1998.das doações de órgãos intervivos. IV ± propor mecanismos e desenvolver sistemas de registro das informações dos procedimentos de transplantes realizados nos serviços de saúde do SUS. Essa Coordenação é responsável pela normatização e regulamentação dos procedimentos relativos à captação. II ± coordenar as atividades relativas à definição de parâmetros operacionais para as instâncias gestoras do Sistema Nacional de Transplantes / SNT. captação e distribuição de órgãos e autorizar estabelecimentos de saúde e equipes especializadas a promover retiradas. sejam órgãos estaduais e municipais ou prestadores de serviços. no âmbito da Secretaria de Assistência à Saúde. Essas medidas podem ser sinteticamente apresentadas como segue: 2.

. Tem por atribuição propor diretrizes para a política de transplantes e enxertos. foi criado. analisar os relatórios com os dados sobre as atividades do SNT e dar parecer sobre os processos de cancelamento de autorização de estabelecimentos e equipes para a retirada de órgãos e realização de transplantes ou enxertos. 2.2 Grupo Técnico de Assessoramento Para assistir a Coordenação Nacional do SNT no exercício de suas funções.V ± coordenar as ações de cooperação técnica junto às instâncias gestoras do SUS. do Ministério Público Federal e da Associação Médica Brasileira. Até outubro de 2002. no que se refere às normas e diretrizes para execução de procedimentos de transplantes. representação das Centrais de Notificação. em agosto de 1998. um grande esforço no sentido de implantar nos estados as Centrais de Notificação. VI . Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO). nos seguintes estados: Norte y y Amazonas Pará Nordeste y y y y y y Alagoas Bahia Ceará Maranhão Paraíba Pernambuco . propor temas de regulamentação complementar. O GTA tem sido importante fórum de discussão e balizador das decisões do Ministério na área. identificar os índices de qualidade para o setor. Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO). também chamadas de Centrais Estaduais de Transplante. o Ministério da Saúde desenvolveu. de associações nacionais de pacientes candidatos a transplante. foram implantadas 22 CNCDOs (estaduais) e 10 Centrais Regionais. Esse Grupo reúne o Coordenador Nacional do SNT.propor normas e estabelecer critérios para regulamentação dos atos inerentes à competência da Coordenação-Geral. do Conselho Federal de Medicina (CFM).3 Centrais Estaduais de Transplante A partir da aprovação do Regulamento Técnico de Transplantes. em parceria com as Secretarias Estaduais de Saúde. o Grupo Técnico de Assessoramento (GTA). 2.

A Central Nacional articula o trabalho das Centrais Estaduais e provê os meios para as transferências de órgãos entre estados com vistas a contemplar as situações de urgência e evitar os desperdícios de órgãos sem condições de aproveitamento da sua origem.Central Estadual. de equipes médicas de retirada. Para apoiar as ações da Central Nacional. Esta atividade tem garantido um melhor aproveitamento dos órgãos captados. quando um coração é doado e retirado num estado que não realize transplante desse órgão. em 16 de agosto de 2000. Regional Metropolitana-BH. viabilizar e agilizar seu trabalho dentro dos prazos exíguos que se dispõem para operacionalizar os procedimentos envolvidos na sua atividade. Assim.4 Central Nacional de Transplante Como a atividade das Centrais Estaduais se dá no âmbito estadual e com o desenvolvimento e incremento das atividades de transplante no País. foi criada aCentral Nacional de Transplantes. em janeiro de 2001. celebrou Termo de Cooperação com 15 empresas aéreas reunidas no Sindicado Nacional das Empresas Aéreas. o mesmo é disponibilizado para a Central Nacional que o transfere para o estado mais próximo que realize o procedimento. Regional Sul. Regional Uberlândia. Esta cooperação vem garantindo o transporte gratuito de órgãos e. surgiu a necessidade da criação de uma estrutura que articulasse as ações interestaduais.5 Comissões Intra-Hospitalares de Transplante . eventualmente. Assim. Central Regional 1 (capital) e Regional 2 (Interior) Sul y y y Paraná . Regional Norte/Nordeste. 2. Regional Juiz de Fora.y y y Piauí Rio Grande do Norte Sergipe Sudeste y y y y Espírito Santo Minas Gerais . Regional Zona da Mata. que funciona 24 horas por dia no Aeroporto de Brasí lia.Central Estadual. o Ministério da Saúde. exemplificando.Central Estadual. Regional Londrina e Regional Maringá Rio Grande do Sul Santa Catarina Centro-Oeste y y y y Distrito Federal Goiás Mato Grosso Mato Grosso do Sul 2. Regional Leste Rio de Janeiro São Paulo .

6 Bancos de Órgãos e Tecidos Os Bancos são responsáveis pela retirada. 2. foram estabelecidas normas de funcionamento e cadastramento e criados os seguintes bancos: Banco de Valvas Cardíacas Banco de Olhos (córneas) Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (transplante de medula) Banco de Ossos (enxertos de ossos e tecidos ligamentosos) ± revogada pela Portaria GM/MS 1686 de setembro de 2002 Em 2002. encurtar o tempo de espera em fila e aumentar significativamente (multiplicar por quatro nos próximos três anos) o número de transplantes de córnea realizados no Brasil. A meta é ampliar a captação de córneas para fins de transplante. 2. 30 córneas por mês. Essas comissões desenvolvem. autoclave de mesa. . Se considerarmos a atual capacidade de captação de córnea e que são realizados. centrífuga de bancada. o processo de identificação de potenciais doadores em morte encefálica ou coração parado.00.Com o objetivo de aumentar a captação de órgãos e apoiar as atividades da CNCDO. o Programa Nacional de Implantação de Bancos de Olhos. refrigerador. Os recursos destinados à implantação do Programa são da ordem de R$ 1. a abordagem familiar para autorização. suporte para lâmpada de fenda e instrumental cirúrgico. Banco de Tecidos Musculoesqueléticos. Cada Banco de Olhos integrante do Programa. deve firmar um compromisso de captar. além da triagem clínica e sorológica. Também articulam com a CNCDO estadual e/ou nacional a formalização da documentação necessária e o processo de retirada e transporte de órgãos e equipes. foi estabelecida a obrigatoriedade da existência de Comissões IntraHospitalares de Transplantes nos hospitais com UTI do tipo II ou III. Os equipamentos previstos são os seguintes: lâmpada de fenda. hospitais de referência para urgência e emergência e hospitais transplantadores. para receber os recursos. em seus hospitais.400. pelo menos. Assim. foi instituído em setembro de 2001. especial atenção tem sido dada pelo Ministério da Saúde à implantação de Bancos de Olhos. 2. Esse Programa tem por objetivo gerar as condições necessárias para a implantação de 30 Bancos de Olhos distribuídos em todo País.547. esta fila só seria resolvida em sete anos (sem contar o aumento de casos neste período). processamento e conservação de órgãos e tecidos para fins de transplante.9 Qualificação de Recursos Humanos O adequado treinamento dos profissionais envolvidos no processo de captação de órgãos nas CNCDO e nos hospitais é essencial para a ampliação. Em 2000. câmara de fluxo laminar.5 mil transplantes de córnea por ano. em média. Em função da grande lista de espera para transplante de córnea.

O financiamento da atividade de transplantes foi fruto de uma série de medidas adotadas pelo Ministério. o que desonerou os tetos financeiros dos estados e municípios. No período de setembro de 2000 a setembro de 2002. Esta medida tem como objetivo estimular a realização dos transplantes.1998 Medicamentos para transplantados ± 1998 Busca internacional de medula óssea.1999 Hepatectomia Parcial para Transplante Intervivos .1998 Acompanhamento pós-transplante . o Ministério da Saúde formatou e começou a ministrar os Cursos para Formação de Coordenadores Intra-Hospitalares de Transplantes. Os cursos buscam a difusão do conhecimento dos aspectos técnicos. éticos e legais da atividade de transplante e a consolidação das técnicas de captação de órgãos. bem como a identificação de dificuldades logísticas e a co nstrução de alternativas locais para a superação dos obstáculos identificados. uma significativa ampliação da captação de órgãos. como segue: Busca ativa de doador de órgãos para transplantes . Financiamento dos Transplantes O incentivo por meio de uma remuneração atrativa para esse segmento tem ocorrido de uma maneira sem precedentes na história dos transplantes no País. da obtenção de órgãos e tecidos para transplante. 50% ou 75% pagos sobre a produção de serviços destes hospitais. Em todos os locai s em que foram realizados os cursos. que podem ser sintetizadas como segue: a) Inclusão de novos procedimentos relacionados a transplantes na Tabela SUS. ampliar o número de leitos disponíveis e criar novos serviços.qualitativa e quantitativa.2002 b) FAEC ± em 1999 foi criado o Fundo de Ações Estratégicas e de Compensação e todo o financiamento de transplantes foi incluído nele. Esse estímulo era pago aos Hospitais de Ensino e Universitários e representava um adicional de custeio de 25%. envolvendo o treinamento de cerca de 867 profissionais. observou-se. resultando no aumento de transplantes realizados. a medida representou um aumento de 75% na Tabela de Procedimentos.2001 Transplante de Fígado Intervivos ± 2001 Processamento/Preservação/Avaliação Microscópica de Córnea ± 2002 Processamento de Tecido Musculoesquelético . a Tabela de Procedimentos de Transplantes foi inteiramente revisada. c) Reestruturação e reajuste da Tabela/Transplantes ± Em janeiro de 2001. Com esse objetivo. foram realizados dezessete cursos em quinze estados. no curto prazo.1998 Transplante de pâncreas .1998 Transplante simultâneo de pâncreas e rim . . Foram incorporados a ela os valores relativos ao Fator de Incentivo ao Desenvolvimento do Ensino e Pesquisa (FIDEPS). Para os hospitais que não recebiam esse incentivo. coleta e transporte . Essa medida fez com que todos os procedimentos de transplante fossem pagos di retamente pelo MS. 3.

procurando. Sistema Nacional de Transplantes Coordenação Geral . Isto fez aumentar o valor gasto total em transplantes de 75. Em 1996 (antes da criação da SNT) foram realizados 3. Além disso.clicando aqui.981 transplantes pagos pelo SUS. Pode-se consultar os números de transplantes realizados no SUS e o valor gasto com estes procedimentos. dessa forma.4 milhões de reais em 1996 para 280.5 milhões de reais em 2001. No ano de 2002 este número chegou a 7.979 transplantes. com o objetivo de incentivar as atividades de captação e retirada de órgãos para transplantes. foram incluídos na Tabela procedimentos de retirada parcial de fígado de doador vivo e de transpl ante de fígado intervivos. os valores de remuneração dos procedimentos de captação e retirada de órgãos constantes da Tabela SUS foram triplicados.d) Em agosto de 2001. ampliar a oferta de órgãos e reduzir o tempo de espera em fila. A criação do Sistema Nacional de Transplantes fez o Brasil despontar como um dos maiores países em número de transplantes no mundo. representando um crescimento de mais de 100%.