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SUMÁRIO

RESUMO.....................................................................................................................06 INTRODUÇÃO............................................................................................................07 CAPÍTULO I – A GLOBALIZAÇÃO E A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO...................09 A globalização e as exigências ao ser humano contemporâneo...............................09 A educação na nova ordem mundial..........................................................................19 CAPÍTULO II – A PEDAGOGIA E A CONTEMPORANEIDADE................................28 O conceito de pedagogia............................................................................................28 O pedagogo e os ambientes de aprendizagem..........................................................29 A pedagogia hospitalar...............................................................................................35 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................39

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RESUMO Com o advento da globalização, que para muitos se confunde com uma nova era, a do conhecimento, a educação é tida como o maior recurso de que se dispõe para enfrentar essa nova estruturação do mundo. Dela depende a continuidade do atual processo de desenvolvimento econômico e social, também conhecido como era pósindustrial, em que notamos claramente um declínio do emprego industrial e a multiplicação das ocupações em serviços diferenciados: comunicação, saúde, turismo, lazer e informação. A pedagogia contemporânea tornou o aluno sujeito do ensino e substituiu o individualismo do século XVIII por uma visão mais complexa dos fatores envolvidos no trabalho de ensinar. Com base nesse pressuposto o presente trabalho propõe estudar através de levantamento bibliográfico e pesquisa de campo os trâmites do processo educação, depois da globalização e ainda uma breve apresentação da Pedagogia Hospitalar. Palavras-chave: Educação; Globalização; Pedagogia Hospitalar.

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INTRODUÇÃO

O termo globalização tem vários significados e conceitos que exercem força política, econômica e social na nova ordem mundial, que expressa o

desenvolvimento do capitalismo. Globalização é o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa “aldeia-global”, explorada pelas grandes corporações internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação - telefones, computadores e televisão. As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar certa homogeneização cultural entre os países. A escola como instituição social, vem sendo questionada sobre o seu papel dentro desse mundo contemporâneo e globalizado. Desde os primórdios tempos, a educação está constantemente passando por várias transformações na sociedade capitalista. Libâneo, Oliveira e Toschi (2003, p. 52), descrevem as maneiras que os acontecimentos do mundo afetam a educação escolar:

a) Exigem um novo tipo de trabalhador, ou seja, mais flexível e polivalente, o que provoca certa valorização da educação formadora de novas habilidades cognitivas e de competências sociais e pessoais; b) Levam o capitalismo a estabelecer, para a escola, finalidades mais compatíveis com os interesses do mercado;

principalmente. A revolução tecnológica vem trazendo muitas inovações para o meio educacional e para área do conhecimento. uma vez que os meios de comunicação e os demais recursos tecnológicos são muito motivadores. Com o presente trabalho pretende-se não apenas questionar essa postura passiva. d) Produzem modificações nos interesses.4 c) Modificam os objetivos e as prioridades da escola. A reflexão sobre os impactos e as conseqüências da globalização e da política neoliberal na esfera da educação não é algo recente. na formação de profissionais qualificados que exigem muito dos indivíduos. . Não é somente na escola que o indivíduo aprende. este trabalho se propõe a estudar a globalização e a formação do pedagogo. parece que tais conseqüências e impactos foram gradativamente absorvidos. Na atualidade. f) Induzem alteração na atitude do professor e no trabalho docente. Essa suposta normalidade é justamente um dos fatores que influenciam o silêncio e o abandono do diálogo crítico sobre a realidade. Com base no exposto acima. nas necessidades e nos valores escolares. a escola está inserida no processo de formar cidadãos flexíveis e pensantes. a alta tecnologia está facilitando o processo de conhecimento. Entretanto. mas demonstrar a urgência em re-introduzir sua tematização no horizonte de nossas preocupações teóricas. de tal modo que passaram a ser vistos como algo “normal”. dando ênfase nas exigências ao ser contemporâneo e a educação na nova ordem mundial. Há muita concorrência no mundo capitalista. em todas as camadas sociais o aprendizado ocorre. Neste sentido. e) Forçam a escola a mudar suas práticas por causa do avanço tecnológico dos meios de comunicação e da introdução da informática. e com a modernidade do mundo virtual. será apresentada a pedagogia hospitalar como uma das possibilidades do pedagogo expandir seu alcance formativo.

mas pode-se afirmar que este fenômeno. e. No entanto. a globalização não é um fenômeno novo: é um novo nome que compreende diferentes processos sócio-políticos e econômicos. a partir. ela compreende mais do que o fluxo monetário e de mercadoria. mas é basicamente um processo ainda em curso de integração de economias e mercados nacionais. agredindo até a soberania de países mais vulneráveis. por ter sua ênfase no âmbito econômico. sobretudo.5 CAPÍTULO I GLOBALIZAÇÃO E A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO A globalização e as exigências ao ser humano Não há um consenso sobre o momento do surgimento do processo de globalização. com o expansionismo mercantilista. assim. oferecendo substrato para uma padronização de mercados e de comportamentos monetários induzidos pelo totalitarismo do poder econômico das grandes potências mundiais. datado desde 1450. iniciou-se no século XV e XVI. Não existe uma definição que seja aceita por todos. implica a . Apesar de ser um processo antigo. A globalização. cujo termo nos remete inicialmente às questões econômicas. de quando a tecnologia de informática se associou à de telecomunicações. realmente transmite uma idéia de supervalorização do ingrediente financeiro nas estruturas formadoras das diversas sociedades. mediante a constituição de um mercado mundial que culminou na economia global de nossos dias. de países como os Estados Unidos e Inglaterra e. apenas na década de 90 a globalização se impôs como um fenômeno de dimensão realmente planetária.

Oliveira e Toschi (2003. difusão e transmissão de informações). implementação de programas de qualidade total e de produtividade (processos de reengenharia em vista de maior . capitais e tecnologias sem identidade nacional. p. Mas não qualquer relação econômica e sim uma que conte. Oliveira e Toschi (2003). entre seus fatores de maior relevância. O que realmente globaliza o mundo? Na sociedade contemporânea. o que globaliza o mundo são as relações econômicas estabelecidas entre as nações. 75) afirmam que: As transformações gerais da sociedade atual apontam a inevitabilidade de compreender o país no contexto da globalização. uma vez que o processo de globalização significa que o espaço econômico é global. Libâneo. primeiro porque este deve adequar-se aos regimes internacionais. Fruto também da chamada de "terceira revolução tecnológica" (processamento. pode-se afirmar que a globalização é sentida com maior intensidade em suas manifestações relacionadas a produtos. juntamente com o projeto neoliberal. segundo porque. além da uniformização de padrões sociais e culturais. A globalização é uma tendência internacional do capitalismo que. capitalista e neoliberal. as decisões que incidem sobre o planejamento dos Estados escapam cada vez mais ao seu controle. acredita-se que a globalização define uma nova era da história humana.6 interdependência dos países e das pessoas. da revolução tecnológica e da ideologia do livre mercado (neoliberalismo). Partindo dessa afirmação de Libâneo. informatização e terceirização da produção. A globalização traz. impõe aos países periféricos a economia de mercado global sem restrições. automação. como uma de suas conseqüências. com o suporte técnicoeducacional a altura de suas necessidades. o enfraquecimento do Estado. a competição ilimitada e a minimização do Estado na área econômica e social. no que tange às decisões tomadas internacionalmente.

desqualificação do Estado. idealmente. eliminação de direitos trabalhistas e flexibilização dos contratos de trabalho. Esta especificidade dos processos industriais estende-se aos comunicacionais. os processos de produção e consumo em massa passam a integrar o cotidiano dos cidadãos. a sociedade capitalista desde sua origem. aos poucos. à globalização. em um bem de consumo necessário e padronizado. convertendo a informação. que sustenta. de sua plena realização e seu estado atual explicita esta tendência histórica. desemprego estrutural. A aceleração da automação da produção somada à agilização dos processos de comunicação. OLIVEIRA E TOSCHI. o movimento de expansão é uma característica de sua trajetória em busca de sua finalidade. No entanto. diminuição do poder sindical. desemprego. de atividades especulativas do mercado financeiro. os quais possibilitam afetar de forma imediata o mercado . Nesta nova modalidade da acumulação. p. o que acaba gerando uma desqualificação do trabalho e um domínio da tecnologia” (LIBÂNEO. a principal estratégia de acumulação capitalista concentrava-se na extensão da produção de valor e de mais valia. demissões. recessão. A vontade de construir uma sociedade global. e minimização das políticas públicas. 2003. diminuição de salários. acompanha o capitalismo desde que este modo de produção substituiu o modo de produção da velha sociedade. exclusão e crise social. A tendência à expansão. principalmente. a apropriação de riquezas é resultado. Então. racional e harmônica já estava presente no Iluminismo. homogeneizado. “Com o seu surgimento. Em momentos anteriores. 85). a globalização pode ser entendida também como uma nova modalidade de acumulação de capital.7 racionalidade econômica). como promotor do desenvolvimento econômico e social. subemprego.

O que caracteriza mais claramente o processo de globalização é a revolução tecnológica informacional. há troca de informações sobre papéis que significam dinheiro. 2003. Não há. sim. p. é acompanhada pelo neoliberalismo. conseqüentemente. O avanço da mundialização. Os fluxos financeiros e a velocidade de suas circulações no mundo fizeram com que o dinheiro virtual pudesse circular livremente sem fronteiras nacionais. É o momento em que a sociedade passa a integrar a chamada Sociedade da Informação. Esse processo alterou a correlação existente entre Estados-nação e os mercados globalizados. suas conseqüências continuam se aprofundando. “a fase concorrencial global apresenta. nem de moeda física. como estratégias de lucro. em que o conhecimento é o bem de maior valor e que integra com mais intensidade o sistema de trocas simbólicas. especialmente nos países do "Terceiro Mundo". promovem freqüentes retiradas de altos volumes de dólares do mercado financeiro. com objetivos de maximização dos lucros e de minimização dos riscos. troca de informações sobre dinheiro. Há uma grande abstração da troca. como características fortemente marcadas. essas movimentações provocam a desvalorização da moeda nacional e o aumento da dívida externa. OLIVEIRA E TOSCHI. os investidores estrangeiros. a velocidade das alterações técnicocientíficas e a valorização do conhecimento e da educação” (LIBÂNEO. mas de informação. a rigor. 35). troca de mercadorias nem de papel moeda. aumentando o abismo que separa ricos e pobres. . a assim chamada globalização. No Brasil. A evolução da internacionalização foi o resultado de acontecimentos diversos. permite a troca não de mercadoria. há. um fenômeno que atinge países de forma diferenciada.8 financeiro.

o individualismo. desta forma. o Estado neoliberal defende que estas desigualdades somente podem ser aliviadas com a liberdade de mercado. além de ser mais enfático no aspecto econômico do que no político. Assim.9 O modelo neoliberal defende a existência do Estado mínimo e a adoção de critérios empresariais na organização e gestão escolar. . como a competição. garantia da formação do trabalhador. O neoliberalismo em associação com o neoconservadorismo propõe governos fortes como garantia de estabilidade política e ideológica da governabilidade do sistema. Enquanto o Estado de bem-estar social propunha uma luta pela igualdade. De outro lado. mas na sua capacidade de inserir os Estados nacionais no jogo das relações planetárias. ou. de preparação para o trabalho. o processo educativo incorpora as idéias de organização social oriundas do projeto neoliberal. pelo menos. inclusive a escolar. traduz valores da ética pública sob a ótica da ética do livre mercado e do livre consumo. De um lado. etc. a consolidação da educação. A educação ocupa um papel estratégico no projeto neoliberal. pela minimização das desigualdades. que se vende e que se consome. a busca da qualidade. O discurso neoliberal no âmbito educacional. com a função ideológica de transmitir as idéias neoliberais. O que se percebe é que esse Estado busca fugir da responsabilidade de grande parcela de seus serviços. A ênfase do discurso neoliberal gira em torno da mercadorização da Educação. A legitimidade não se fundamenta mais na promoção do bem-estar social coletivo. sob nova base técnica: automação e multifuncionalidade. a Educação passa a ser um serviço que se compra.

No campo escolar. é a transformação. A ênfase posta nos estudos das globalizações e seus efeitos estimularam a preocupação em compreender a variedade das mudanças sócio-econômicas que afetam o mundo ocidental. A década de 90 caracterizou-se por um processo de transformação e globalização da economia.ou seja. definem novos objetivos e fins. isto significa reformas de programas . até que. com abertura dos mercados e redefinição do papel do Estado.10 A meta. das universidades em empresas econômicas. da cultura. em que a avaliação é parte que se relaciona com os demais elementos constitutivos do processo educacional. a rigor. As transformações do modelo de Estado conjugam novos interesses e forças sociais. descaracterizam sua função de produção e distribuição democrática do conhecimento e. habilidades e atitudes a serem difundidos para a população e que estabelece programas concretos de ação para responder às demandas sociais e culturais. dentro do ideário neoliberal. A recessão econômica mundial que eclodiu no princípio da última década de 80. principalmente. Autorizada porque a política para o ensino superior pressupõe que as universidades aceitem se reorganizar em busca da qualidade e da eficiência. traduzidos em políticas específicas. o impacto desta polarização foi imediato. As políticas públicas educacionais devem ser entendidas como um todo. pressupondo conhecimentos. autorizada. elas procurem . aceitem . os temores profundamente enraizados de uma guerra nuclear e a crescente preocupação pela degradação ambiental em escala mundial tendem a acentuar a tomada de consciência acerca do surgimento de uma situação global. como orientação para uma política que respalda um currículo escolar. A estratégia dos governos tem sido o abandono das Instituições de Ensino Superior à sua própria sorte. No âmbito da Educação.soluções que. pelo esgotamento e estrangulamento.

a ciência e a inovação tecnológica têm levado os estudiosos a denominar a sociedade atual de sociedade do conhecimento e sociedade tecnológica. a valorização do profissional da educação (melhoria de planos de carreira e salário. A importância dos conhecimentos do mundo atual. a diminuição da quantidade de turmas e de alunos por professor. o processo de globalização vem interferindo de maneira significativa nas políticas educativas. nos centros de informação. maior investimento na formação continuada). No Brasil. a nova realidade mundial. nos vídeos. resultando na ampliação dos seus conhecimentos. No contexto educacional. podemos citar como necessidades pendentes de atenção. Logo. sobretudo. que concebe a Educação sob uma perspectiva mercadológica. incertezas. O processo de globalização passa a exigir a formação de um profissional da educação. Hoje as pessoas aprendem na fábrica.11 educacionais e curriculares. em . no computador e cada vez mais. profecias. o conhecimento. Pode-se. na prática. para melhor atender as especificidades locais. nem sempre atendem às necessidades prioritárias. conquistam os espaços de aprendizagem. maior autonomia na definição dos currículos. o saber e a ciência assumem um papel muito mais destacado do que em períodos anteriores. mesmo afirmar. vive-se uma fase de medos. acarretando conseqüências indesejáveis. para viabilizar a construção de alternativas capazes de enfrentar os problemas educacionais advindos da globalização. que a educação está em crise e vem sendo responsabilizada por não solucionar problemas tidos como desafios do momento. É imprescindível compreender com a suficiente clareza este fenômeno. com capacidade de adaptação às inovações tecnológicas. especialmente em sua vertente neoliberal. Atualmente. desafios. e. na televisão. especulações. na rua. mas que.

o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento) têm buscado vincular educação e mercado. como o FMI (Fundo Monetário Internacional). em que. adequado às novas necessidades da sociedade contemporânea. dentre as quais. Nessa conjuntura. pais de alunos e de sindicatos. científico e tecnológico. no intuito de atender as demandas da globalização. no âmbito da educação.tanto inicial como continuada – são alvos de políticas empreendidas por instituições formadoras destes profissionais que usam uma formação de novo tipo. impõem desafio de educar as crianças e os jovens. funcionários.12 permanente processo de atualização. professores. estabelecidas pelas instituições financeiras e pelas corporações internacionais. propiciando-lhes um desenvolvimento humano. Os organismos multilaterais acoplados ao capitalismo traçam uma política educacional voltada exclusivamente para a otimização dos sistemas escolares. governantes e outros grupos sociais organizados. de uma escola provedora de educação que correspondesse a intelectualização do processo produtivo e formador de consumidores. Institui-se. o governo brasileiro vem implementando suas políticas econômicas e educacionais de ajuste às exigências da globalização. todas essas políticas. as medidas viabilizadas pelas reformas neoliberais impostas pelas corporações internacionais e pelas instituições financeiras. como: diretor. na maioria dos casos. o processo de formação de professores . Os países ricos efetuam suas reformas educacionais. submeteram a escolarização às exigências da produção e mercado. cultural. No âmbito da educação. Essa educação deve contar com a participação de todos envolvidos diretamente na escola. na realidade. . Nesse sentido. As exigências do mundo contemporâneo. para adequação às demandas e exigências do mercado.

da reestruturação do sistema de produção e desenvolvimento globalizado. passa a ser exigível judicialmente.13 o discurso da modernidade educativa. Portanto. A Constituição da República Federativa do Brasil estabelece que o acesso ao ensino fundamental. da eficiência e da qualidade dos sistemas educativos. sobretudo. sociais e culturais do mundo contemporâneo. da flexibilidade. da escola e do ensino. de aplicabilidade imediata e. da competitividade. na ótica das reformas neoliberais. As transformações políticas. obrigatório e gratuito. envolvendo em uma movimentação intensa de pessoas. o que é considerado um incentivo à livre iniciativa e ao desenvolvimento da criatividade. é direito plenamente eficaz. Existe uma coerência do discurso liberal sobre a educação no sentido de entendê-la como “definidora da competitividade entre as nações” e por se constituir numa condição de empregabilidade em períodos de crise econômica. da produtividade. da diversificação. É evidente que a preocupação do capital com a educação não é gratuita. importa então impregnar a cultura do povo com a ideologia da competição e valorizar os poucos que conseguem se adaptar à lógica excludente. A escola como uma instituição social educativa. dos avanços tecnológicos. é necessário entender que educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física. em meio a um acelerado processo de integração e de reestruturação capitalista. ou seja. . se não for prestado espontaneamente. decorrem. vem sendo questionada acerca do seu papel no mundo globalizado. intelectual e moral da criança e do ser humano em geral. é direito público subjetivo. visando à sua melhor integração individual e social. Como para os liberais está dado o fato de que todos não conseguirão “vencer”.

O tom das reformas pretendidas para a educação superior é o da eficiência e racionalidade. desarticulando. como instituições sociais de produção autônoma e desinteressada de conhecimento e de cultura. mesmo sendo um projeto perverso. possibilidades de crítica e oposição ainda podem ser visualizadas. não alcança a dominação total. percebemos que os serviços de educação estão totalmente inseridos nas exigências do mercado globalizado. pois. Caminhamos para a transformação dessas instituições em espaços políticos sem autonomia. usando-as como mais um instrumento de controle a seu favor. submetendo-as às novas formas de organização do capitalismo. Como se opor a reformas que pretendem a eficiência das instituições de ensino superior? As estratégias de caráter administrativo racionalizado escondem a intenção de descaracterização das instituições de ensino superior. mas também dos seus protagonistas imediatos: professores. O comprometimento dos profissionais da educação com a construção de uma sociedade pautada em valores promovedores de humanização e cidadania é fundamental para reverter a lógica das políticas educacionais que vêm sendo progressivamente implementadas pela maioria dos governos. professores e diversos outros segmentos da sociedade ao processo em curso. Por isso. .14 Com base no pressuposto acima. Um exemplo disso é constatado na decidida e corajosa resistência de estudantes. com isso. pais e alunos. Sabemos que a educação é uma responsabilidade do governo. as possibilidades de resistência. sem efetiva participação social e sem possibilidade de colaborar para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. sob a hegemonia das idéias neoliberais.

Oliveira e Toschi (2003. Nesse sentido. novas diretrizes foram traçadas. continua tendo uma grande influência e contribuição a dar à humanidade. As alterações ocorridas fizeram com que o panorama geopolítico nacional e internacional passasse a buscar novos arranjos. sem dúvida. acredita-se ser necessária uma reflexão sobre a importância da função social e a forma com que os movimentos sociais vêm se inserindo e participando na busca por um espaço de discussões e ampliação da cidadania. . Uma maior abrangência e atenção às políticas educacionais tornaram-se um verdadeiro desafio para a sociedade na atualidade. a estrutura social só é modificada na medida em que são transformadas as relações sociais que a sustentam. a interdependência econômica e o aumento do poder transnacional. p. como pode parecer em um primeiro momento. como resultado de conflitos e guerras. Logo. se para construir uma nova educação é necessário construir uma nova sociedade. E nisso. é cada vez mais articulado e centralizado”. Segundo Libâneo. a educação. ao contrário. 81) “o poder decisório do capital transnacional é desconcentrado e desarticulado. elaboradas novas legislações e tratados. um novo mapa mundial foi estabelecido. A Educação na Nova Ordem Mundial A abertura econômica e a crescente limitação dos poderes dos Estados nacionais têm como extensão a ampliação da autonomia do mercado mundial. acordos econômicos passaram a predominar na pauta dos assuntos mais importantes e a palavra de ordem atualmente passou a ser a globalização. modas padronizadas.15 Pois.

O desemprego em massa produzido pelo neoliberalismo em todas as partes do mundo é o componente mais perverso da nova ordem. considerados extensões do homem e agentes “produtores de acontecimentos”. cujo poder aquisitivo permite ter acesso às tecnologias de comunicação. A solução neoliberal para o avanço tecnológico é jogar fora parte da força de trabalho para manter um excedente de reserva que permita manter a concentração. garante maior taxa de lucro e. aumento de capital significa investimentos. mas não agentes “produtores de consciência”. Desta forma. Ela distanciou-se da rigidez acadêmica dos currículos. o que levou à construção de pontes para transposição das rígidas fronteiras disciplinares. tornar-se cidadão do mundo: participante da aldeia global. pela taxa de lucro cada vez maior. além de suas limitações. mesmo que isso tenha abalado também os limites dos profissionais preparados para atender às exigências específicas do mercado de trabalho. maior acumulação de capital. Assim. a taxa natural de desemprego. trouxe também alguns avanços possíveis ao indivíduo. ou melhor. isto é. confusa diante da quantidade de informações veiculadas. organizada segundo disciplinas estanques rumo à inter-relação dos conhecimentos. o desemprego não é uma conseqüência indesejada da economia neoliberal. a educação deixa de ser vista exclusivamente como instrução para ser entendida como descoberta capaz de alcançar maior eficiência em seus resultados.16 A globalização. que se multiplica intensivamente e avassala a mente humana. mas um de seus componentes estratégicos. a tecnologia eletrônica produziu a integração do mundo com a aceleração neural da informação. . Além disso. o desemprego. que faz diminuir os salários. portanto. Partindo do pressuposto de que só o capital concentrado cria riquezas. que são acontecimentos produzidos pelos meios de comunicação.

dada política. que significa a unidade. Sua base é a própria globalização. que são abafados e manipulados pela legitimação do poder dos blocos nacionais (União Européia. Busca garantir o desenvolvimento do capitalismo e estrutura-se segundo um conjunto de países. Nafta e outros). no quadro das transformações ocorridas no leste europeu com a desintegração do bloco soviético. Esse sistema não unifica o mundo. e é obrigado a redefinir o seu papel. sob cujas asas se aconchegam economia e mercado dos países em desenvolvimento. Tal ordem é capaz de tornar obsoleta a já existente: o Estado entra em crise. como o nome pelo qual é designado comumente. Estabeleceu-se no final da década de 80. o governo oculto do mundo. hierarquizados de acordo com seu desenvolvimento. Assim. . que direcionam também o Sistema Educacional. a Nova Ordem Mundial no final do milênio expressa essas transformações. embora na verdade não se trate de algo novo. O século XX se revelou o século das transformações cuja base foi e é o capital.17 Quando falamos de neoliberalismo e globalização estamos falando de uma nova ordem mundial.a queda do muro de Berlim se deu em 1989. a integração e a complementarização capitalista em nível mundial. econômica e ideologicamente. A nova ordem mundial caracteriza-se por um sistema de integração de mercado. Ela é simplesmente o atual sistema ou Ordem Internacional Capitalista. que torna dependentes da economia global as economias nacionais. com o fim da Guerra Fria . Oliveira e Toschi (2003) conceituam a Nova Ordem Mundial. cujas atividades produtivas são orientadas para o mercado externo. problemas sociais agravam-se cada vez mais e a desigualdade aumenta. pois nem todos se incluem no poder globalizado. Libâneo.

da política e da educação”. p. Essa nova ordem mundial alicerçada em um sistema de integração de mercado levou os países dos blocos nacionais. EUA representando o capitalismo e a URSS. representando o socialismo. Oliveira e Toschi (2003. p. Conforme Libâneo. ideologicamente. a criarem medidas de cerceamento e restrição ao mercado de importações para os produtos provenientes das nações em desenvolvimento. para garantir seu equilíbrio econômico. 97) “os elementos dessa nova ordem mundial e desse novo tempo podem ser encontrados no âmbito da economia. como decorrência da incapacidade administrativa e financeira de o Estado gerir o bem comum. No tocante à educação. como as que fazem parte da memória da educação direta ou formal. ao mesmo tempo em que se valorizam os métodos e o papel da iniciativa privada no desenvolvimento e no progresso individual e social. é necessário clareza a respeito da globalização. a orientação política do neoliberalismo de mercado evidencia. o papel do Estado é relegado em segundo plano. para que ela não perca seu rosto. para que se possam tomar decisões conscientes: as que signifiquem a atualização do sistema educativo. regidas pelas leis de mercado. . 101). porém muitos aspectos anteriores como. que aumentaram seus índices de pobreza. um discurso de crise e de fracasso da escola pública. já indicavam uma nova era econômica em formação.18 De acordo com Libâneo. Utiliza-se como marco inicial para a assim chamada “Nova Ordem Mundial” a queda do Muro de Berlim e a unificação da Alemanha. Oliveira e Toschi (2003. Desse modo. Por isso. A necessidade de reestruturação da escola pública advoga a primazia da iniciativa privada.

Face a acordos e interesses políticos à época. houve uma transferência muito grande de alunos dos estabelecimentos públicos para os da iniciativa privada. pois a partir desse momento. Entre os anos de 1960 e 1970. o ensino público inicia o seu período crítico. . a qualidade dos serviços oferecidos pela escola pública começou a se deteriorar. alunos oriundos das classes populares e portadores de atestado de pobreza. onde os estabelecimentos escolares são agora dirigidos por chefes que se tornaram "patrões". E a dependência das demandas dos diferentes componentes da sociedade. de capital individual para aumentar as rendas futuras. ou seja. onde ela apenas concebe o saber na sua dimensão de ferramenta para agir. Desta forma.foi se modificando e assumindo-se como escola popular. de acordo com um ranking classificatório. consolidaram essa caótica situação. as especificidades do ofício de docente se apagam em benefício de definições assimiladas às dos técnicos da pedagogia ou dos executivos. bem como o abandono dos estabelecimentos públicos por parte dos governantes. de instrumento para ter êxito social.19 A escola desejada por essas políticas neoliberais tem duas características principais: a submissão aos imperativos econômicos. escola somente para pessoas com baixa renda. A transferência de professores para as escolas particulares seduzidos por melhores condições de infraestrutura e salários. Nessa época.infelizmente . entre os quais estão os pais. O que causou um aspecto ruim. A escola pública . se configurou um quadro de migração das classes médias em direção ao ensino privado. tinham prioridade no acesso às vagas nas escolas públicas de ensino básico.

No que diz respeito à universidade pública. Nas orientações neoliberais. mas os indivíduos que devem capitalizar recursos privados aos quais a sociedade garantirá um rendimento futuro. a palavra escola designa um certo modelo escolar que considera a educação como um bem essencialmente privado e cujo valor é antes de tudo econômico. a educação deixa de ser parte do campo social e político para ingressar no mercado e funcionar à sua imagem e semelhança. competirem em melhores condições. o ensino privado pode investir com mais profundidade no preparo para o vestibular com o conseqüente ingresso daqueles com condições de pagar. o discurso neoliberal condena o populismo. o desperdício. a retórica neoliberal ataca desde os direitos trabalhistas. a ineficiência dos serviços. Defende uma reforma administrativa. critica-se desde a relação dialógica entre professores e alunos até o funcionamento da democracia universitária. as campanhas eleitorais. afirmando que sem essa reforma o país corre o risco de não ingressar na "nova ordem mundial". o corporativismo. o ensino ineficaz e a falta de produtividade. que passam a ser chamados de privilégios. tendo acesso às carreiras mais valorizadas social e economicamente. Com a palavra corporativismo. um número reduzido daqueles que possamos referendar. No discurso neoliberal. Não é mais a sociedade que garante a todos os seus membros um direito à cultura. até as . Com o termo populismo. os privilégios dos funcionários. Atribui à participação do Estado em políticas sociais a fonte de todos os males da situação econômica e social. restando atualmente. Desobrigado dessa tarefa. as eleições. tais como a inflação. fala em reengenharia do Estado para criar um "Estado mínimo".20 Os diversos estabelecimentos públicos de ensino com qualidade comprovada foram se extinguido. a corrupção.

Esta precisa sustentar-se também no plano das visões do mundo. altamente rendosa. utilitária. O tom das reformas pretendidas para a educação superior é o da eficiência e racionalidade. segundo critérios mercantis. por isso. o ato educativo pode contribuir imensamente na acumulação de forças contrárias à dominação. a hegemonia passa pela construção da realidade simbólica. 101): 1) Atrelar a educação escolar à preparação para o trabalho e a pesquisa acadêmica ao imperativo do mercado ou às necessidades da livre iniciativa. enquanto. . na prática. não hesitam em aproveitar os subsídios estatais para divulgar seus produtos didáticos e paradidáticos no mercado escolar. com incidência sobre a cultura das pessoas. ser um dos grandes agravantes. isto é. O que está em questão é a adequação da escola à ideologia dominante. 3) Fazer da escola um mercado para os produtos da indústria cultural e da informática.21 reivindicações salariais. as possibilidades de resistência. bem financiada. Apesar da exclusão social. desarticulando. característica do descaso com as políticas públicas na maioria dos governos. com isso. segundo Libâneo. o que aliás é coerente com a idéia de fazer a escola funcionar de forma semelhante ao mercado. sob a hegemonia das idéias neoliberais. A expressão falta de produtividade tem em contrapartida a produtividade da pesquisa relevante. Mas não se pode esquecer que o neoliberalismo torna-se hegemônico num momento em que a revolução tecnológica impõe o desemprego estrutural. Os serviços públicos de educação estão totalmente inseridos nas exigências do mercado globalizado. A escola continua sendo um espaço com grande potencial de reflexão crítica da realidade. os neoliberais condenam a participação direta do Estado no financiamento da educação. mas é contraditório porque. 2) Tornar a escola um meio de transmissão dos seus princípios doutrinários. A retórica neoliberal atribui um papel estratégico à educação e determina-lhe basicamente três objetivos. Oliveira e Toschi (2003. O discurso neoliberal insiste no papel estratégico da educação para a preparação da mão-de-obra para o mercado. p. no discurso.

É o modelo competitivo de universidade. com domínio de conteúdos.22 À universidade pública.. achatamento do salário. professores competentes. A retórica neoliberal resume este modelo na palavra qualidade. conseqüentemente. segundo Libâneo. o que obviamente ampliaria as barreiras sociais que entravam o acesso à universidade e elitizaria o ensino superior. engenharia de produção. científicos substantivos de alto nível e de conhecimentos instrumentais. em detrimento da tão desvalorizada área de humanas. associando-se a estas por meio de pesquisa. alunos aptos a ingressarem no mercado internacional etc. Oliveira e Toschi (2003): a) que parte dos estudantes arque com os custos do ensino nas universidades federais. biotecnologia. o neoliberalismo propõe. o que representa diminuição de gastos estatais e. consultoria. b) novos tipos de contrato de trabalho. a fazer pesquisas utilitárias de curto prazo. Isso certamente favoreceria ainda mais as áreas de microeletrônica. oferta de cursos etc. talvez para melhor distinguir as escolas de elite das de massa. . c) que vá buscar recursos para suas pesquisas nas empresas industriais e comerciais. Dita como se fosse uma palavra mágica que representasse uma idéia definitiva. por ter outro emprego. obrigando-a assim a responder às demandas de mercado. que tendem a eliminar a dedicação exclusiva e ampliar o quadro de professores de tempo parcial. Mas a retórica neoliberal afirma que o professor de tempo parcial. pesquisas de ponta capazes de gerar tecnologias competitivas na aldeia global. do tipo Oitava maravilha do universo: a excelência do ensino e da pesquisa. administração. tem condições de levar à sala de aula ensinamentos do mercado de trabalho.

. da reflexão e da crítica. social e político. que exclui milhares de pobres da educação.e. é importante saber o que se pode “tomar emprestado dos vizinhos” para que o sistema não se desfaça e nem se confunda.crítico . é um bem social. com vistas à consecução da sociedade mais justa. insatisfeito com o mundo globalizado. para modificá-la. a aceleração da formação e a integração do conhecimento ao mercado mundial. Importa definir limites para a Educação. a atualização de informações. que o dimensiona como ser histórico. que reconhecem valor mútuo e são capazes de comunicação e livres para aceitarem ou rejeitarem a oferta. Até então. com envolvimento de partes interessadas. Enfim. muitas vezes. quando os conhecimentos não mais são compartimentados. Na época da interdisciplinaridade. a universidade preocupa-se com a inserção do estudante no mercado de trabalho. colocaram como princípio a formação técnica e profissional do estudante mais que a humanística. para que não se submeta só aos interesses do mercado. a fim de promover a reestruturação curricular. ao abandonar sua história de avanços a partir da observação. as universidades brasileiras.23 Diante da mudança do mundo. Interessam agora a interdisciplinaridade. portanto. antes de tudo. porque nela se forma o cidadão consciente . O objetivo da educação é levar o estudante a observar a realidade criticamente. a qual. o conhecimento pode ser visto como produto. pois satisfaz necessidades e/ou desejos por meio de troca. a sala de aula deve estar isenta das relações de mercado.

admite-se no plano teórico que a mente humana é originalmente ativa.estudo do comportamento humano em suas diferentes fases. o principal sujeito da educação. em geral. Hoje. especialmente numa relação de confiança. considerado na sua totalidade e complexidade. pois cada fator é determinante para o indivíduo para o seu desenvolvimento. maturação (psicológica e dos órgãos). são tomados. qual a zona de desenvolvimento em cada idade. Para Freire (1996). e ver o que cai sobre sua delimitação e o que escapa de sua alçada. Freire (1996) explica também que a pedagogia contemporânea tornou o aluno sujeito do ensino e substituiu o individualismo do século XVIII por uma visão mais complexa dos fatores envolvidos no trabalho de ensinar. “didática” e “educação”. Ele deve ser ajudado. Para tal. Precisamos localizar o termo “pedagogia”.24 CAPÍTULO II A PEDAGOGIA E A CONTEMPORANEIDADE O conceito de pedagogia O primeiro passo para entendermos o que é pedagogia inclui uma revisão terminológica. A pedagogia contemporânea vê no educando. a pedagogia é a ciência da Educação . como seus sinônimos: “filosofia da educação”. enquanto na prática. erradamente. a desenvolver as suas capacidades para . ainda se costuma despejar conhecimento sobre o aluno. ou seja. no Brasil. a melhor maneira de agir é comparar o termo “pedagogia” com outros três termos que. o curso é voltado para o estudo da educação do ser humano desde quando nasce até envelhecer e procuramos saber quais os meios que mais influenciam.

o conhecimento de novos conceitos. Nesse contexto. mas sim em contínua reconstrução. a capacidade de gerenciar a informação se torna. Dessa forma. tanto as empresas . porém. A escola formal deixa de ser a principal fonte de informação e cada um procura sua formação através de uma conjugação de ensino regular. A memória da humanidade já não está confinada nas bibliotecas. Ele se modifica permanentemente. goza da máxima importância. cursos avulsos e. a competência mais valiosa. A pedagogia contemporânea tem plena consciência do fato de que a vida humana é assinalada por uma evolução constante e de que a formação pessoal é um processo permanente. ela evidentemente traz consigo riquezas e várias dificuldades a cada etapa do seu amadurecimento O pedagogo e os ambientes de aprendizagem Vivemos numa era em que o conhecimento assume novas configurações. Na educação. na grande rede do ciberespaço. Com muita facilidade isto é esquecido.25 o bem. muitas vezes. pela assimilação dos valores correspondentes e por uma vida tomada de consciência das responsabilidades pessoais relacionadas com a idade adulta. vivificado. que se exprime com características particulares nas diferentes fases da vida. principalmente. Isto é também verdade para a formação humana como um todo. A recepção passiva de informações já não mais é realidade e. quando é dada demasiada importância à simples informação com prejuízo das outras dimensões da formação humana. sendo atualizado dia-a-dia pelas descobertas das ciências e por essa inteligência coletiva que produz saberes em conjunto. de fato. o desenvolvimento de sua capacidade de ser autodidata.

avaliar currículos. planejar cursos. As metodologias empregadas no ensino precisam priorizar a construção do conhecimento. A formação de profissionais adaptados às bruscas transformações da sociedade exige que alunos e professores sejam flexíveis para se ajustarem à nova dinâmica. Lévy (1999). cita que. com capacidade de ajustar-se a situações novas. Um ambiente de aprendizagem deve permitir ao aluno construir seus próprios conhecimentos a partir da sua visão empírica. Outra observação estreitamente ligada à primeira refere-se à nova natureza do trabalho. remetendo para segundo plano o diploma fornecido pelas entidades de ensino tradicional. São funções do pedagogo: administrar. orçamentos e . referindo-se à velocidade da renovação do saber e do saber fazer. trabalhar é aprender. transmitir e produzir conhecimentos. ensinando a ensinar. esse ambiente deve ter características abertas e pouco estruturadas e não as características de um programa de treinamento. na história da humanidade. Toda sociedade está sofrendo bruscas transformações. Cada vez mais. pela primeira vez. privilegiam a capacidade de aprender e de buscar as informações de que o indivíduo necessita e a capacidade de se auto-desenvolver. O pedagogo está sempre à frente da educação. única forma de dar ao aluno capacidade de se ajustar às características do mercado de trabalho atual. Porém. Cada vez mais. mas sim. um ambiente capaz de despertar no aluno o interesse pelo conteúdo sugerido. constata-se que o mercado procura profissionais experientes.26 como escolas. A situação da educação não é um fato isolado neste processo. tampouco ser mais um livro eletrônico. a maior parte dos conhecimentos adquiridos por uma pessoa no início de sua vida profissional será obsoleta ao final de sua carreira.

p. traduz uma nova abertura em relação à comunidade na qual a escola está inserida. físicos e materiais que a comunidade tem a oferecer. A matriz educacional que se apresenta com base no novo paradigma é muito mais ampla em todos os sentidos. Médio e Superior. Ele pode atuar em escolas públicas e particulares de Educação Infantil. familiares dos alunos e autoridades do setor educativo. o desenvolvimento da autonomia. além de estabelecer vínculos entre instituições de ensino.. favorecendo a compreensão mútua e a tolerância. que pressupõe uma melhor interação e um aproveitamento mais adequado dos recursos humanos. comunidade. 115) propõe em seu trabalho a construção de um novo paradigma para a educação.) É uma matriz que implica a ampliação dos espaços.. ganha atualmente maior significado. Cumpre-lhes a árdua e difícil tarefa de despertar nos alunos o espírito de curiosidade. e empresas em treinamento de pessoal e recursos humanos.. revela o início de um período de aprendizado sem fronteiras. O mercado de trabalho para o pedagogo a cada dia se amplia mais. clínicas psico-pedagógicas. paradigma este que possa corresponder às expectativas do novo modelo que vivemos. (. uma estrutura dissipadora que troca energia com a comunidade que a cerca. do rigor intelectual e a criação de condições indispensáveis para a promoção do sucesso da educação informal e da educação permanente. diretorias de ensino e escolas e classes para alunos especiais. Ensino Fundamental..) no paradigma emergente.27 programas escolares. a escola é vista como um sistema aberto. . Moraes (2005. limites de idade e pré-requisitos burocráticos. enquanto agente da mudança. A importância do papel do pedagogo. É inegável que os professores desempenham um papel importante na formação de atitudes face ao processo de ensino e aprendizagem. (. a criação de novos espaços de convivência e aprendizagem.

a pensar. articulado.28 Em sua formulação sobre o paradigma educacional emergente. uma educação para a Era das Relações almeja uma proposta educacional que reflita e englobe tanto as dimensões materiais quanto espirituais da sociedade. múltiplo e exato. como desafio fundamental que decide a possibilidade e a qualidade de sua participação no mundo atual. simultaneamente. a superação dos índices de evasão e repetência. Uma educação para um mundo em constante transformação solicita o fortalecimento da unidade interior e a necessidade de privilegiar o desenvolvimento da intuição e da criatividade. mais coerente. mas que. o processo educacional deve levá-lo a desenvolver uma atitude construtiva. rápido. que é chamada pela autora de "Era das Relações". uma competência construtiva. a aprender a aprender. Assim. a autora relata sua proposta sobre o processo educacional: Se uma das metas educacionais é levar o indivíduo a manejar e produzir conhecimentos. que busque a superação de metas voltadas para a erradicação do analfabetismo. a aprender a conviver e a . favoreça a busca de diferentes alternativas que ajudem as pessoas a aprender a conviver e a criar um mundo de paz. fazer e compreender. que exigem um novo pensar. É essa capacidade de reflexão que leva o indivíduo a aprender a conhecer. a desenvolver valores e atitudes que permitam a adaptação às mudanças e às novas exigências do mercado de trabalho. A educação. 2005. a melhoria da qualidade com eqüidade. para que saiba lidar com o imprevisto. então. o novo e o caos. solidariedade e fraternidade. novas ordenações e novos significados. 117). Isso é importante para que o indivíduo possa sobreviver a qualquer tipo de mudança. não pode deixar de contemplar uma das mais marcantes características desta fase de nossa humanidade. harmonia. p. modos construtivos de conceber. segundo a autora. as injustiças. para que possa estabelecer novas relações. a aprender a fazer. uma prática adequada para a produção de conhecimentos (MORAES.

para que possa aprender a ser. na promoção do ato educativo. como atitude básica e essencial no jogo de relações. A aprendizagem individual tem como benefício permitir que o estudante determine o próprio ritmo de estudo como também defina as metas de aprendizagem. e o tempo gasto em tópicos . Em tais casos. e estar em condições de agir com consciência.29 aprender a amar. na aprendizagem individual não há uma meta uniforme. essa ação pedagógica deve acentuar a alegria do viver. esta combinação não é facilmente atingível. não há o conceito de uma “classe” trabalhando junto para atingir uma meta comum. autonomia e responsabilidade. muitas vezes ele precisa ser direcionado. A aprendizagem é um processo de interação social. Seria interessante. através do prazer da vida. proporcionará condições para um viver harmônico com o outro e com a natureza. A mediação seria a utilização desses recursos oferecidos por esse dia-adia. Porém. se possível. Por outro lado. sendo um paradigma adequado para a aprendizagem à distância. Porém. Esta transformação na concepção da educação ultrapassa rapidamente as fronteiras da educação clássica e acaba por determinar o perfil do trabalhador nesta Era das Relações. nem todo conhecimento pode ser totalmente livre. em que a paz de cada ser com ele mesmo. se apropria e adapta esse conhecimento pedagógico oferecido pelo seu cotidiano. Haverá a confiança no eu e a capacidade de aceitação mútua. contudo. o nosso viver no cotidiano é onde se dá a pratica pedagógica entendida como mediação. 1997). e até mesmo o conteúdo pode ser adaptado a perfis de estudantes diferentes (D’AMBRÓSIO. combinar o melhor dos dois mundos em um ambiente de aprendizado comum. Porque na verdade. em que o ser humano interioriza.

a reprodução de conhecimentos e fragmentação do saber é o grande desafio. autonomia. sujeitos que valorizam a ação. Os novos paradigmas epistemológicos apontam para a criação de espaços que privilegiem a co-construção do conhecimento. a curiosidade. é valioso que estes estudantes compartilhem dúvidas. argumentação. desconstrução e reconstrução. ou seja. Desenvolver tais habilidades é um dos benefícios da aprendizagem colaborativa que a aprendizagem individual não apresenta. a reflexão. é fundamental que os aprendizes sejam sujeitos “cognoscentes”. Combater o instrucionismo. A tradicional concepção de sala de aula. Não obstante. perguntas. Isto significa uma nova concepção de ambiente de aprendizagemcomunidade de aprendizes que se constituam numa nova perspectiva. intersubjetividade. o senso crítico. e comentários entre eles. por sua vez. estimular criticidade. neste processo. Em tal cenário. interdependência e conscientização. deve ocupar o papel de aprendiz e mediador pedagógico. interatividade. o alcance da consciência éticocrítica decorrente da dialogicidade.30 distintos pode variar significativamente de estudante para estudante. E o professor. eles devem ter a oportunidade de refletir sobre o tópico sendo estudado e expressar claramente seu raciocínio. a inovação. . Neste contexto. com alunos-expectadores enfileirados diante de um professor-especialista detentor da informação. deve ser modificada tanto nos ambientes presenciais quanto nos virtuais. o questionamento. autoorganização. até mesmo em tal cenário de aprendizagem pode haver outros estudantes que compartilham metas comuns durante alguns períodos de tempo. já que. responsável por provocar situações desafiadoras.

com isso. A Pedagogia Hospitalar O campo da Pedagogia Hospitalar surgiu da necessidade expressa de pessoas. Tanto ambiente como equipe hospitalar. aliviar possíveis irritabilidades e promover ocasiões que oportunizem a exteriorização de situações conflituosas do escolar doente. mais consciente e crítico articulado com o contexto não só individual. a comunidade possa desenvolver as suas habilidades e competências. este trabalho busca preservar o vínculo entre o processo educativo e a criança/adolescente. de um saber-fazer novo. De certa forma. as escolas não possuem nenhum tipo de tratamento especial para alunos que se enquadram nestas modalidades. propor a inserção. mas global. O profissional que tem a intenção de atender a essa educação hospitalizada necessita de uma formação diferenciada que desenvolva suas habilidades e competências. Nesta perspectiva. executando seu papel transformador da realidade presente. bem como um trabalho emocional qualificado que o beneficie diante de determinadas situações.31 Para que assim. permanência e continuidade do processo educativo. que garante uma educação gratuita. em busca de inovação. nela encontram-se alguns objetivos da Pedagogia Hospitalar. afastam-se do momento de escolarização e. para todos e com qualidade. que por motivos ligados a enfermidades. desestimulando-os a continuarem sua escolarização e confrontandose com o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente. A estrutura física do hospital também deve favorecer condições de se efetuar com êxito este trabalho humanizador. Contudo. a . tornam-se excluídos das instituições de ensino e da própria comunidade a que pertencem.

além das demais intervenções de fundamental importância que já estão envolvidas no contexto hospitalar. necessariamente têm de ser contados naquele dia. poderá vir a beneficiar de forma surpreendente determinados aspectos ali situados. ou então. vários livros de literatura infanto-juvenil podem auxiliar na temática. a medicação a ser utilizada é diferente de um para outro. a Pedagogia Hospitalar. mas.32 família e a escola devem trabalhar juntos. carregados de humanismo e com propostas pedagógicas. estarem usando uma medicação específica e não poderem sair de seus quartos. quando estamos trabalhando os animais marinhos. ou os livros. o tempo de internação é variável. ou ainda. ou mesmo estarem indispostos por fatores próprios do processo de internação. bem como. entre outros aspectos. Isso significa o planejamento de diversas atividades para um determinado dia. o livro a ser trabalhado. pois. mediada e coordenada por um educador da área. as atividades a serem realizadas. o ambiente hospitalar exige um planejamento bastante diversificado. neste caso. e. atendam as diferentes faixas etárias. e que a mesma não pode ser repetida outras vezes. De acordo com Fonseca (2003). o quadro clínico é variável. bem como. Por exemplo. a não ser de formas diferentes. os aspectos emocionais do processo de internação podem variar de criança para criança. Tudo isso faz com que tenhamos que organizar o trabalho didáticopedagógico no ambiente hospitalar de maneira a garantir que as atividades tenham início e fim todos os dias. as crianças e os adolescentes internados têm faixas etárias diferenciadas. terem realizado alguma cirurgia e permanecerem nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). . porque nos dias posteriores as crianças e os adolescentes podem receber alta. a aceitação da doença é vista de diversas maneiras tanto pela família como pelo paciente.

que não deve ser interrompido em função de uma hospitalização. da escola e dos amigos acaba alterando sua auto-estima. no que diz respeito à sua condição emocional. ao promover experiências vivenciais dentro de um hospital . trocar . envolvendo o lúdico e o pedagógico no seu contexto geral.brincar. suas necessidades físicas. contudo. criando ansiedade. respeitando. desânimo. pensar. criar. A visão humanística que muitos dos hospitais do Brasil procuram enfatizar na sua prática vem demonstrando que não é só o corpo que deve ser "olhado". mas o ser integral. pois algumas enfermidades requerem a permanência dos mesmos durante longo período em ambiente hospitalar. medo. psicológica e criativa para instalar no hospital. O pedagogo tem de se reconhecer como pesquisador do seu fazer. ambientes adequados a um procedimento próprio ao educando. O trabalho pedagógico em hospital não possui uma única forma de acontecer. buscando reduzir os impactos causados pela internação. As ações da pedagogia no hospital trouxeram novas perspectivas e desafios para o enfermo. tanto na vida escolar quanto no desenvolvimento da(do) criança/adolescente doente. psíquicas e sociais. depressão e tornando lenta sua recuperação.estará favorecendo seu desenvolvimento.33 A Pedagogia Hospitalar tem como objetivo possibilitar à (ao) criança/jovem hospitalizada (o) a continuação de suas atividades educativas. O pedagogo. buscando novas respostas para eternas novas perguntas. O elo entre a escola e o hospital visa proporcionar ao educando enfermo a continuidade de seus estudos mesmo estando hospitalizado. as condições ambientais e adequadas às restrições do tratamento médico do enfermo. O afastamento do internado de sua família. .

. Essas modificações tornaram necessário aperfeiçoamento do pedagogo e a adaptação do mesmo aos diversos ambientes. Neste sentido. O humano é um ser em construção. é preciso deixar claro que tanto a educação não é elemento exclusivo da escola quanto à saúde não é elemento exclusivo do hospital. o ensino através da internet e até mesmo a pedagogia hospitalar. Tentar definir pedagogia hospitalar trouxe esclarecimentos quanto à função e possíveis contribuições do pedagogo no hospital. explicar e construir um modelo que o possa enquadrar. esteja onde estiver. o ambiente de aprendizagem é o próprio mundo e o tempo em que a educação ocorre é a própria vida. por meio da qual não se fragmenta o humano. um trabalho pedagógico que apresenta diversas interfaces de atuação e está na mira de diferentes olhares que o tentam compreender. E ajudou também a analisar a formação e preparação para atuar com pessoas nesse ambiente visivelmente diferente da sala de aula. como ensino à distância. No entanto. Embora possa ter a impressão que esta proposta se trata de uma fragmentação do trabalho do pedagogo.34 CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo permitiu ampliar conhecimentos sobre o contexto educacional através do advento da globalização. abrindo novos horizontes e criando novos ambientes de aprendizagem. que modificou os métodos de ensino. na verdade se converte numa visão holística da educação.

35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS D'AMBRÓSIO. FONSECA. O paradigma educacional emergente. estruturas e organização. 11. 1997. 1999.. Ed. e TOSCHI. FREIRE. José Carlos. Ubiratan.. 2003. 2005. Peirópolis. políticas. Maria Cândida. São Paulo: Papirus. São Paulo. João Ferreira de. Paulo. Atendimento escolar no ambiente hospitalar. A Era da Consciência: aula inaugural do primeiro curso de pós-graduação em ciências e valores humanos no Brasil. A inteligência coletiva. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. LÉVY. Educação escolar. S. OLIVEIRA.ed. Cortez Editora. São Paulo: Memmon. Pierre. . LIBÂNEO. 12. São Paulo: Loyola. 2003. E. MORAES. Fund. 1996.