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DESENVOLVIMENTO URBANO DE BAIXO IMPACTO Christopher Freire Souza1; Carlos Eduardo Morelli Tucci2 Resumo – A drenagem urbana, especialmente

nos grandes centros, tem sido efetuada de forma insustentável com aumento do volume de escoamento superficial e contaminação devido a impermeabilização, canalização e resíduos sólidos. Estas condições são uma ameaça considerável ao homem e ao ecossistema do corpo receptor. O Desenvolvimento urbano de baixo Impacto (Low Impact Development, LID) (Department of Defense, 2004) objetiva atingir paisagens hidrológicas funcionais, com comportamento mais similar ao natural, por controlar não somente o pico de vazões, mas volume, freqüência/duração além de qualidade dos escoamentos pluviais. Este tipo de desenvolvimento trata de recuperar a capacidade de infiltração das superfícies urbanas, reduzindo os impactos acima, com ganhos econômicos e paisagísticos em comparação ao controle efetuado pelos métodos tradicionais de controle com condutos e mesmo detenções. A utilização de LID se aplica a implantação de novos desenvolvimentos e re-desenvolvimentos, a priori, apresentando vantagens para implantação destas a velhos empreendimentos com relação a métodos tradicionais. Neste artigo é apresentado uma revisão das vantagens e desvantagens destas técnicas. Abstract – The urban drainage has been unsustainable developed with increase in the overland volume and contamination due to impervious surfaces, channels and conduits and total solids. Theses conditions are impacting the population and the environment. Low Impact Development (LID) aims to achieve hydrologic functional landscapes, closer to the natural behavior, by controlling not just the peak descharge flow, but volume, frequency/duration and stormwater quality. Along these, some other benefits where achieved such as financial and landscaping improvements comparing to conventional controls by Best Management Practices (BMPs). LID should be stimulated to new developments and redevelopments, at first, with advantages on retrofitting when compared to BMPs. In this paper are presented the difficulties and advantages of this type of development. .

Palavras-Chave: Drenagem Urbana, Sustentabilidade, Low Impact Development

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, IPH/UFRGS; R. Gen. Lima e Silva, nº 234, aptº 304, Cidade Baixa, CEP 90050-100, Porto Alegre-RS; (51)3228-1939; cfsouza@ppgiph.ufrgs.br 2 Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, IPH/UFRGS

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(2002) salienta que para o desenvolvimento de gestão apropriada devem ser levadas em consideração as complexas interações existentes entre hidrologia. armazenamento e reuso de água (Department of the Environment and Heritage. Com este enfoque. mas também o volume. controlando não somente o pico. sendo utilizada por planejadores e arquitetos paisagistas para desenvolver vazões de pré-urbanização (Department of the Environment and Heritage. obviamente. Ganhos paisagísticos. a freqüência e a duração. ecologia. baseia-se no entendimento do ciclo do material e do fluxo de energia. evitando impactos ambientais e gastos com sistemas de tratamento (Stormwater. em detrimento ao método adotado tradicionalmente (National Guide to Sustainable Municipal Infrastructure. sendo. Niemczynowicz (1993) e Pyzoha (1994) comentam que a grande crítica concernente à prática convencional seria quanto à utilização de medidas que trabalham na reação em vez da prevenção. novas soluções alicerçadas em uma aproximação ecológica e ambiental devem ser encontradas para cessar a degradação do ambiente. 2002). uma nova abordagem em busca de soluções ecologicamente sustentáveis. mais elaborada e integrada. Com isso. . quanto mais distante o tratamento se encontrar da fonte. 2003). na diluição de efluentes em vez de concentração seletiva e reuso. geomorfologia. opções economicamente eficientes para ser sustentadas por países em desenvolvimento. além de sua rede de curso d’água. além da qualidade do escoamento. estudos comprovam que (Figura 1). Na busca por imitar a situação natural. Manuais australianos apontam como solução ótima para a gestão de um aumento de escoamento o encorajamento da infiltração. uso da terra e características culturais. Quanto a este aspecto.INTRODUÇÃO NSW Environment Protection Autority (1997) apud Department of the Environment and Heritage. 2002). as estratégias de Low Impact Development (LID) atuam estimulando processos físicos. como as práticas convencionais. o uso da vegetação (Figura 2) é empregado como peça-chave. 2004). ambientais e econômicos reforçam as vantagens apresentadas por esta concepção do tratamento da drenagem urbana. Segundo Niemczynowicz (1993). químicos e biológicos naturais. Falha na interpretação pode resultar em impacto ambiental maior que o obtido para a situação sem tratamento algum. solo. menor a relação custo-efetividade das medidas.

por intermédio de regulamentações. c) economias para o empreendedor de 72% para construção de controles de águas pluviais e 20% para custos de construção totais. 2004). (Fonte: Department of Environmental Resources.e. 1999a. A aplicação destas para empreendimentos anteriores à sua implementação se mostra difícil. d) e) f) 62% de preservação de áreas “abertas” naturais. i. redução ou até eliminação da necessidade de detenções com conseqüente benefício pela utilização desta área para outros fins. . emprego apenas de detenções e retenções: a) b) economias no custo de implantação dos lotes. NAHB Research Center (2004) e U. obtidos pela implantação de LID para novos empreendimentos quando comparados às práticas americanas convencionais. planejamento e práticas convencionais necessitam ser ainda pensados e utilizados tanto para a micro quanto para a macrodrenagem.S.. Custo do controle com relação à distância da fonte. Department of Housing and Urban Development (2003). embora apresente maior viabilidade que a aplicação de técnicas convencionais (Department of Defense. p. senão para redesenvolvimentos (reformas). principalmente em novos conjuntos habitacionais.S. a utilização destas estratégias deve ser forçada. Environmental Protection Agency (2000) apresentam bons resultados financeira e ambientalmente. eliminação de condutos pluviais e 0% de efetividade de áreas impermeáveis. Tendo em vista que o tratamento convencional apresenta-se incipiente quanto à sua tentativa de devolver a água ao ambiente em condições e quantidades compatíveis com a sua extração. Portanto. 23) U.Figura 1.

infra-estruturas. de pequena escala. e facilitar a infiltração da água para o solo.U.A. LID incorpora um conjunto de estratégias de projeto. ainda na década de 90. Projetos novos. projetos de re-desenvolvimento. Em vez de coleta de escoamento em encanamentos ou redes canalizadas e controle do fluxo à jusante em um grande dispositivo de gestão de águas pluviais.Figura 2. IMPs podem ser integradas a edificações. LID emprega uma variedade de características naturais e construídas para reduzir a taxa de escoamento. 15) Definição de LID Segundo o Department of Defense (2004). Histórico A utilização de LID é originária do Maryland Department of Environmental Resources. 2002.. LID toma uma abordagem descentralizada que dispersa fluxos e gerencia o escoamento perto de onde este se origina. LID auxilia a melhorar a qualidade dos corpos receptores e a estabilizar as taxas de fluxo de rios adjacentes. (Fonte: City of Portland. bem como às restrições locais. Como LID apresenta uma variedade de técnicas úteis para controle de escoamento. p. Pela redução da poluição da água e aumento da recarga subterrânea. e projetos de melhoria substancial podem ser vistos como candidatos para implementação de LID. projetos podem ser otimizados de acordo com regulamentações locais e requerimentos de proteção aos recursos naturais. E. bem localizadas. LID é uma estratégia de gestão de águas pluviais focalizadas na gestão e restauração de funções hidrológicas naturais do local para atingir objetivos de proteção do recurso natural e requerimentos regulamentários ambientais. O esforço de LID começou . ou projeto paisagístico. bem como técnicas de controle na fonte. Utilização de vegetação e prática de reuso na cidade de Portland. filtrar os poluentes. mais especificamente do condado de Prince’s George. conhecidas como práticas de gestão integrada (IMPs).

com o desenvolvimento e uso de células de bio-retenção (Figura 3). Figura 3. Um estudo de viabilidade foi preparado pelo LID Center em 2002 providenciando diretrizes em como LID poderia ser ajustado a áreas urbanas. que é criada pela substituição do solo existente. 1) A experiência inicial com bio-retenções levou ao esforço maior de incorporar LID ao programa de proteção dos recursos naturais do condado. A efetividade desses projetos está gerenciando o escoamento. p. por outro altamente poroso. O desafio é adaptar esta abordagem e técnicas em larga escala. Exemplo de IMP: Bio-retenção (Fonte: Weinstein. manutenção de cursos de drenagem. Embora conceitos e de LID sejam novos para muitos planejadores nos Estados Unidos. Muitos projetos-piloto têm sido construídos pela Marinha e outras agências do Departamento de Defesa durante os últimos anos. Numerosas municipalidades estão incorporando técnicas de LID em seus programas de proteção de recursos urbanos. incluindo diminuição de áreas impermeáveis. muitas destas técnicas têm sido utilizadas com sucesso na Europa e Ásia por muitos anos. o condado produziu o primeiro manual municipal de LID. No Brasil. Souza (2004) vem desenvolvendo estudos quanto à viabilidade de aplicação em Porto Alegre. conservação de recursos e ecossistemas naturais. redução de encanamentos e minimização de nivelamentos e limpezas de terra. . além do nivelamento para que forme uma depressão rasa e replantio por vegetação selecionada para tolerar condições temporárias de saturação do solo e poluentes contidos no escoamento local. Este foi expandido depois para uma versão distribuída nacionalmente em 2000. podendo ser alcançada através de: a) Minimização de impactos por águas pluviais. e criando benefícios suplementares. 2003. ESTRATÉGIAS DE LID A obtenção da paisagem hidrológica funcional que imite a natureza apresenta-se como meta. Em 1998. reduzindo custos de construção e manutenção. como envolvimento da comunidade.

c) Manutenção do tempo de concentração de pré-desenvolvimento por estrategicamente propagar fluxos e manter o tempo de deslocamento e controle de descarga e. d) Implementação de programas de educação pública efetiva para encorajar proprietários a usar medidas de prevenção à poluição e a manter práticas de gestão da paisagem hidrológica funcional no lote (Department of Environmental Resources. minimizando prioritariamente os impactos hidrológicos criados pelo desenvolvimento do local. Resumidamente. através do projeto. químicos e . As seguintes ações sobre o meio são utilizadas em uma variedade de combinações em projetos de LID: a) b) c) d) e) f) Redução/minimização de impermeabilidade. 1999a). Mitigação de superfícies impermeáveis através de práticas de gestão integradas (IMPs). Diante desta meta. Para isso. faz-se interessante observar os objetivos de LID: a) sensível. eliminando virtualmente a necessidade de controles centralizados (Department of Environmental Resources. b) c) d) Desenvolver todo o potencial de projeto e planejamento ambientalmente sensível. Localização de áreas impermeáveis em solos menos permeáveis. Desconexão de superfícies impermeáveis inevitáveis. metas e objetivos hidrológicos devem ser incorporados ao processo de planejamento o mais breve possível. a meta do planejamento de LID é permitir o completo desenvolvimento da propriedade enquanto mantém as funções hidrológicas essenciais. Auxiliar a construir comunidades baseadas em administração ambiental. Dispositivos de Controle IMPs podem reduzir escoamento pela integração de controles em numerosas unidades discretas. próximo às fontes. Manutenção do tempo de concentração (Tc). A grande vantagem destas práticas encontra-se no estímulo à realização de processos físicos. 1999a). e então providenciar controles para mitigar ou restaurar distúrbios inevitáveis para o regime hidrológico. Preservação e proteção de locais ambientalmente sensíveis. detenção e escoamento. Encorajar a flexibilidade em regulamentações que permitam inovações quanto à Providenciar incentivos econômicos que encorajem o desenvolvimento ambientalmente engenharia e ao planejamento para promover princípios de “crescimento inteligente”. através do uso de práticas de retenção. econômica e ambiental e quanto à aplicabilidade de práticas correntes em águas pluviais e aproximações alternativas. e) Encorajar debates sobre a viabilidade técnica.b) Provimento de medidas de armazenamento uniformemente dispersas. em pequenas partes de cada lote.

além de melhorias. Deposição de sedimentos. Infiltração. Depressões e Armazenamento) Redução na recarga Recarga de Água Subterrânea Offsite Redução em cargas de poluição. Controle total para eventos menores que descarga de projeto. Duração do Escoamento porque o volume não é controlado Grande redução em todos os Abstração de chuvas elementos (Interceptação.biológicos naturais (Stormwater. Comparação entre atributos hidrológicos de práticas de LID e convencionais Parâmetro Hidrológico Cobertura Impermeável Cobertura Natural/Vegetação Tempo de Concentração Convencional Onsite Encorajada para atingir uma drenagem efetiva Reduzida para melhorar drenagem local eficiente Reduzido como produto da eficiência drenagem Grande aumento em volume de escoamento não controlado Controlado para chuva de projeto de pré-desenvolvimento (2 anos) LID Minimizada para reduzir impactos Maximizada para manter hidrologia de prédesenvolvimento Maximizada e aumentada para aproximar às condições de pré-desenvolvimento Controlado para condições de pré-desenvolvimento Controlado para condições de pré-desenvolvimento para todas as chuvas Controlado para condições de pré-desenvolvimento para todas as chuvas Controlado para condições de pré-desenvolvimento Mantida para condições de pré-desenvolvimento Volume de Escoamento Descarga de Pico Freqüência de Escoamento Grandemente aumentada. Tabela 1. ou eliminada. através de práticas integradas e estratégias de projeto. 57. Adequabilidade do habitat diminuída. Fluxo de base reduzido. Inundações a Jusante Controladas para condições de pré-desenvolvimento Adaptado de Department of Environmental Resources.1 compara os atributos de dispositivos de convencionais aos de LID. Mantida para condições de pré-desenvolvimento Aumento em reduções de cargas poluentes. mas podem aumentar inundações a jusante através de impactos cumulativos e superposicionamento de hidrogramas. p. O desafio de projetar com LID se encontra em providenciar controle de quantidade e qualidade. especialmente para chuvas pequenas. Controle de descarga do pico reduz inundações imediatamente abaixo de estruturas de controle. incluindo: . Corpos receptores Impactos severos documentados Erosão e degradação de canais. A Tabela 3. freqüentes Aumentada para todas as chuvas. 2004). Ecologia do sistema mantida para condições de prédesenvolvimento. 1999a. Qualidade da Água mas controle limitado para eventos menores que descarga de projeto.

Tabela 2. Uso múltiplo de áreas. Valorização estética da propriedade. procedimento muito estimulado na gestão da drenagem em manuais australianos (Department of the Environment and Heritage. N N N M N N M A A A . 1999a. sendo efetivo em reduzir tanto o volume como a taxa de pico. p. 72. 1999a) e demais dispositivos que encorajem infiltração e/ou reuso. para atingir o pico de vazão natural. Tabela 3. A Tabela 3 relaciona os IMPs às funções hidrológicas que estes podem desempenhar. Trincheiras e Valos de Infiltração. sendo descritas práticas recentes no próximo item. Dentre os IMPs atualmente empregados.a) b) c) d) e) Recarga subterrânea. práticas de pequena escala com características de tratamento natural são utilizadas. IMPs e suas funções hidrológicas IMP Funções Hidrológicas Interceptação Armazenamento em Depressões Infiltração Recarga Sub. Cisternas (ver Department of Environmental Resources. Permanece sendo incentivada a utilização de Poços. Eficiência de IMPs na remoção de poluentes IMP Bio-ret. satisfazendo em alguns casos requerimentos governamentais locais por áreas verdes ou espaço vegetado. Retenção ou detenção para armazenamento permanente. Volume de Escoamento BioRet A A A A A Poço de Inf. Controle e captura de poluentes. Valo Molhado Barril Cisterna TSS 80-100 80-100 20-100 30-65 90 80 NA NA Total P 81 40-60 40-60 0-60 10-25 65 20 NA NA Total N 43 40-60 40-60 0-60 0-15 50 40 NA NA Zinco 99 80-100 80-100 20-100 20-50 80-90 40-70 NA NA Cobre 99 80-100 80-100 20-100 20-50 80-90 40-70 NA NA DBO 60-80 60-80 0-80 NA NA Bactéria 60-80 60-80 Neg. na saída de IMPs. Pode-se ainda fazer uso de dispositivos convencionais como retenções e detenções. NA NA Adaptado de Department of Environmental Resources. Posicionar dispositivos em série providencia o máximo controle de águas pluviais. Poço Trincheira Faixa de Proteção Valo Gramado Valo Inf. N N A A A Faixa Proteção A A M M M Valo Barril Gramado M N A N M M M N N B Cisterna Trincheira Infilt. caso este não tenha sido alcançado. 2002). A Tabela 2 explicita a eficiência de IMPs quanto à remoção de poluentes.

sem contar os benefícios da redução de águas pluviais e poluentes (McDonald. além de restos de agricultura. entulhos de construção e nivelamento de terras. Redução de 50% em escoamento pluvial foi atingido para solo melhorado por compostagem. enquanto melhora a vegetação em longo-prazo e a estabilidade de taludes (Tyler apud McDonald. 2001). e ainda melhor aparência em longo-termo. ou de cascalho. arenosos. reduz a necessidade de manutenção e pode ser paga em poucos anos pela economia de água e químicos. em compostagem reduz a demanda por espaço e o escoamento de nutrientes para rios. p.consiste (ver Figura 3) em uma prática de gestão e tratamento de escoamento de águas pluviais pela utilização de um solo condicionado à plantação e a materiais para filtrar . 2001). p. Para proprietários.1) Reciclagem de restos de comida e jardinagem. a correção do solo antes do plantio resulta em melhor sobrevivência da planta. compostagem reduz a necessidade de irrigação e. Figura 4. Melhoria por compostagem funciona bem para solos argilosos.Descarga de Pico Freqüência de Escoamento Qualidade de Água Fluxo de Base Qualidade do Rio M A A M A B M A A A B M A A A M M A M M M M B M N M M B N B M M A B A Legenda: A = Alta M = Moderada B = Baixa N = Nenhuma Adaptado de Department of Environmental Resources. 2004. Melhoria do solo . Para empreendedores e paisagistas. resistência a doenças e pestes. 1999a. apud McDonald. a demanda de pico. processos em estações de tratamento. 71. por conseguinte. taxa de crescimento.Uma forma de restaurar algumas das funções naturais em áreas urbanizadas consiste na incorporação de compostagem ou outra matéria orgânica ao solo (Figura 4). comparado a outro sem melhoria (Kolsti et al. Cobertura de compostagem em declividades íngremes e em bermas têm provado ser eficientes no controle de erosão em curtoprazo. Bio-retenção . 2001). Melhoria do solo por compostagem (Fonte: Low Impact Development. Com a melhoria da retenção de umidade do solo e a profundidade das raízes das plantas.

armazenam permanentemente para um volume de projeto. i. Amenização de temperaturas e aumento de umidade pela evaporação natural. providenciando alguma infiltração e tornando mais lentos e dispersos os fluxos de água pluvial.. providenciando os seguintes benefícios: a) b) c) Melhoria da qualidade do ar (até 85% de partículas de poeira podem ser filtradas). . comerciais e industriais. Um tipo de espalhador de nível pode ser uma trincheira rasa preenchida com pedras trituradas (Figura 5).e. i. encontrada na Figura 2) consistem na utilização de vegetação rasteira pré-cultivada no telhado de edificações. sendo necessária para sua manutenção o que requere um jardim. p.Jardins suspensos (rooftop storage. Jardins Suspensos .80) Barris de chuva . Embora esta prática realize um ótimo trabalho de engenharia. O método combina filtragem física e adsorção por processos biológicos. em torno de áreas sensíveis como corpos hídricos. banhados.consiste em faixas de vegetação (presentes na Figura 3).e. Espalhador de nível (Trincheira de britas). Figura 5.escoamento armazenado dentro de uma depressão rasa. Espalhador de nível . 1999a. Uma tubulação de extravasamento providencia detenção através da capacidade de retenção do barril de chuva. seu aspecto parece com o de um jardim simples. criação de paisagem esteticamente mais agradável (Department of Environmental Resources. florestas ou solos altamente erodíveis. 1999a).são dispositivos eficientes (Figura 6) de baixo custo e fácil manutenção aplicáveis a localidades residenciais. (Fonte: Department of Environmental Resources. as quais podem ser empregadas para usos menos nobres. os quais operam retendo volumes prédeterminados de escoamento do telhado. Estas faixas auxiliam na redução de impactos por capturar sedimentos e poluentes agregados a estes. Proteção natural ..é tipicamente uma saída projetada para converter escoamento concentrado em fluxo raso e o dispersar uniformemente prevenindo erosão. 1999a). natural ou plantada. com a vantagem de reuso destas águas. apenas tratamento paisagístico (Department of Environmental Resources. Armazenamento de 30% a 100% de chuvas anuais.

2003. 2001). Práticas interessantes já estão a caminho.e. Barril de chuva. economia em concreto e tempo de trabalho.. p.Figura 6. p. 2004. Algumas destas foram pinçadas e serão apresentadas a seguir. as fundações apresentam-se econômicas.Nos próximos anos. possibilitando que a estrutura nativa do solo sob a residência continue a desempenhar sua função hidrológica. papel que as fundações convencionais desempenham (Palazzi & Gagliano. (Fonte: Low Impact Development.Trata-se de fundações que seguem a filosofia de LID (Figura 7). enquanto no estudo desenvolvido para uma residência simples unifamiliar.1) Outras Alternativas . utilizando pouco manejo de terra. removendo “reservatórios subterrâneos”. o custo de implantação deste dispositivo foi 5% superior ao convencional (Puget Sound Action Team. embora apresentem informação limitada sobre as mesmas. Fundação de Baixo-Impacto (Fonte: Puget Sound Action Team. 2003). escavações e nivelamento por ser empregável para declividades de até 8%. Figura 7. Para a construção de conjuntos habitacionais. 28) Planejamento local . Recomenda-se a observação de práticas ambientalmente sustentáveis com finalidades de reuso de águas pluviais aplicadas no Japão. novas práticas de gestão integradas e melhorias à aproximação de LID serão introduzidas. i. apresentadas em Group Raindrops (2002). Fundações de Baixo-Impacto .

Focalizar micro-gestão consiste em mudar a perspectiva ou aproximação com respeito ao tamanho da área sendo controlada.g.Estratégias e técnicas de planejamento providenciam os caminhos para alcançar as metas e objetivos de gestão de águas pluviais. A aplicação de técnicas de LID resulta na criação de uma paisagem funcional hidrológica. incluindo: a) b) c) d) e) Usar hidrologia como estrutura integradora. Uma das dicas das estratégias de LID consiste em observar as características naturais para buscar utilizar as “digitais” do local. Alguns conceitos fundamentais que definem a essência da tecnologia de LID devem ser integrados ao processo de planejamento.. Utilizar métodos simplistas não-estruturais. compensando para alterações significativas na capacidade de infiltração. . minimização de impactos. emprego de micro-técnicas. técnicas de distúrbios mínimos locais.g.. Controlar as águas pluviais na fonte. mantém o rendimento do lote. facilitam o desenvolvimento de planos adaptados a restrições topográficas naturais.g. armazenamento e aumento do tempo de concentração. Estas técnicas de micro-gestão seriam os supracitados IMPs. e/ou com respeito ao tamanho do controle. uso de práticas de micro-gestão distribuídas. e. trabalhando com micro sub-bacias. Focalizar micro-gestão. e. Criar uma paisagem multifuncional.e. i. e redução de impermeabilidade efetiva permitindo manutenção da capacidade de infiltração. e freqüentemente o emprego de controles de gestão de águas pluviais menos caros. fazendo uso do trabalho normalmente efetuado naturalmente em detrimento ao desenvolvimento completo desta tarefa pelo homem. o caminho normalmente percorrido para drenagem. Para determinar os objetivos que fazem parte do anseio de conservar as condições naturais e definir as condições de desenvolvimento. b) Permitir uso de práticas de controle que possam providenciar controle de volume e manter as funções de recarga de pré-desenvolvimento. devem ser avaliadas as condições prévias. mantém as funções hidrológicas do local. como a existência de áreas protegidas. e. e providenciam o conforto estético.. A redução de áreas de limpeza e nivelamento para a manutenção das condições naturais auxilia por diminuir a necessidade de mitigação do impacto causado por estas alterações a jusante.. A utilização de micro-gestão apresenta como vantagens: a) Providenciar um maior leque de práticas que podem ser utilizadas e adaptadas às condições locais.

d) Reduzir os custos de construção e manutenção através de projetos com boa relação custo-efetividade e participação e aceitação civil. minimização de impermeabilidade.A seguir serão apresentados métodos para reduzir o volume de escoamento total de áreas impermeáveis no lote: a.Estratégias para atingir esta meta incluem: ! Desconectar calhas e direcionar para áreas vegetadas. forma e materiais componentes do canal.c) Permitir práticas de controle no lote a ser integradas na paisagem. construções verticais são favorecidas em relação às horizontais por reduzir a área de telhado. . proteções vegetais. Sistemas pequenos. reter. usar e tratar escoamento em dispositivos paisagísticos multifuncionais únicos para aquele uso de terra. ! Localizar cuidadosamente áreas impermeáveis para que estas drenem para sistemas naturais. ! Tipo. ! Declividade da superfície do solo e/ou superfície da água. Tipo de casa. aumento dos caminhos de fluxo e. superfícies impermeáveis e características naturais do local. Minimização de áreas impermeáveis diretamente conectadas . ! Quebrar direções de fluxo de largas superfícies pavimentadas. A incorporação de conceitos de LID ao processo de planejamento inclui a consideração de hidrologia como um foco de projeto. ! Direcionar fluxos de áreas pavimentadas para áreas vegetais estabilizadas. ! Encorajar escoamento raso através de áreas vegetadas. ! Rugosidade da superfície. Casas rurais normalmente requerem maior cobertura por se espalhar em um nível. deter. O Tc e as condições hidrológicas locais determinam a taxa de descarga do pico de um evento chuvoso. Telhados. Portanto. definição e localização de dispositivos de controle de micro-gestão. distribuídos de micro-gestão também podem oferecer uma grande vantagem técnica: um ou mais sistemas podem falhar sem comprometer a integridade total da estratégia de controle local. áreas de recursos naturais ou zonas (solos) infiltráveis. desconexão de superfícies impermeáveis. Componentes de infra-estrutura e da localização que afetam o tempo de concentração incluem: ! Tempo de deslocamento da onda de cheia. Aplicar LID a qualquer uso de terra é simplesmente uma questão de desenvolver caminhos numerosos para criativamente prevenir. forma e tamanho podem afetar a impermeabilidade do telhado. Minimização da Impermeabilidade .

Construção de ruas através de áreas com declividades íngremes aumenta desnecessariamente o distúrbio no solo local. ! Minimização de recuos para reduzir o comprimento. Aumento dos caminhos de fluxo . A área construída não necessita . como também pode ser criado um gramado plano na parte superior da proteção. Velocidade de fluxo. Caminho de Fluxo. ! Aumentar e melhorar vegetação do local e do lote. O local deveria ser nivelado para maximizar a distância do fluxo e minimizar distúrbios florestais ao longo do caminho do Tc de pós-desenvolvimento. ! Maximizar o uso de sistemas de canais naturais abertos (valos de infiltração). Fluxo Raso de Superfície.b. diminuindo. Técnicas de LID de nivelamento para locais com pouco relevo apresentam declividades de um mínimo de 1% para aumentar infiltração e tempo de deslocamento. Uma das metas de LID é providenciar o máximo de fluxo raso permitido por jurisdição local. Talvez seja desnecessário dispor de terra adicional para criar esta área. como pavimentos porosos ou pedregulhos. em áreas niveladas. ! Alongar e achatar declividades locais e do lote. Um espalhador de fluxo pode ser utilizado ao longo da borda superior do caminho de proteção da drenagem natural. caso as ruas sigam layout convencional. ! Utilização de materiais que reduzam o escoamento superficial e aumentem o tempo de deslocamento da onda de cheia.A seguir serão descritas as técnicas que podem afetar e controlar o Tc: ! Maximizar o fluxo raso de superfície. evitando erosão do solo. incluindo áreas de estacionamento. conseqüentemente. ! Limitação de larguras. Nivelamento estratégico do gramado pode ser utilizado para aumentar tanto a rugosidade como o tempo de deslocamento do escoamento superficial. ! Aumentar e alargar caminhos de fluxo. O projetista pode direcionar estas águas a bio-retenções. especialmente em áreas sensíveis. Algumas técnicas utilizáveis são as ! Compartilhamento. deve ser mantida a mais baixa possível. trincheiras de infiltração. seguintes: Garagens e vias privadas (ligam a rua à residência). o pico de descarga. poços de infiltração ou cisternas localizadas estrategicamente para capturar o escoamento antes que este alcance o gramado. sendo boas construções as que seguem as linhas de cume e nivelamentos. Declividades íngremes normalmente requerem maiores cortes e aterros. onde o escoamento possa se espalhar. Declividades do lote e do local. para aumentar o tempo de escoamento de telhado e vias privadas a sistemas de canais abertos de drenagem (valos).

que pode ser avaliado pelo Curve Number (CN). 1999b). Replantio de áreas niveladas. bem como. O projetista é responsável por assegurar que a declividade do lote não cause inundações durante um evento de 100 anos de Tr. Canais abertos. Nivelamento. Vegetação local e do lote. Hidrograma da melhoria do CN por técnicas de LID (Fonte: Department of Environmental Resources. contanto que fora desta os impactos sejam regulados. manutenção do Tempo de Concentração (Figura 9) e microgestão através de práticas integradas locais (Figura 10) (Department of Environmental Resources. por providenciar retenção adicional. ou preservação de vegetação existente podem reduzir a taxa do pico de descarga pela criação de rugosidade adicional. Planejamento hidrológico do lote O planejamento do lote consiste na melhoria do potencial de escoamento (Figura 8).receber aplicação de práticas de LID. e aumentando o tempo de deslocamento. reduzindo o volume de escoamento superficial. p. plantio. Esta técnica tem o benefício adicional de providenciar habitat além de melhorar esteticamente a comunidade. Para suavizar problemas de inundação e reduzir a necessidade de sistemas de drenagem convencionais. Figura 8. 19) . controles de infiltração e terraços podem ser utilizados para reduzir a quantidade do escoamento. sistemas de drenagem abertos compostos por pedregulhos ou vegetação devem ser providenciados. Engenheiros e empreendedores deveriam conectar áreas de proteção vegetadas com áreas florestais ou vegetadas existentes para ganhar créditos por retenção/detenção pela redução de volume e pico. com a área construída apresentando um nivelamento de 4%. 1999b.

p. 23) Como previamente mencionado. Armazenamento requerido para manutenção da descarga de pico. Hidrograma da manutenção do Tc por técnicas de LID (Fonte: Department of Environmental Resources. . Hidrograma 1 se refere ao hidrograma natural. (Fonte: Department of Environmental Resources. 1999b. Hidrograma 7. a utilização de práticas convencionais pode servir para complementar o controle do pico de vazão (Figura 11). p. 1999b. 21) Figura 10. à resposta da condição de pósdesenvolvimento que incorpore práticas de LID de retenção. Hidrograma 8 ilustra o efeito de detenções adicionais para reduzir a descarga de pico às condições de pré-desenvolvimento.Figura 9.

além de não provocar novos impactos. Comparação entre hidrograma natural. 1999b. caso os resultados sejam satisfatórios. (Fonte: Department of Environmental Resources. o que não acontece para práticas convencionais (Figura 12). uma vez que aproxima a resposta hidrológica da área desenvolvida com a resposta da área para condições naturais. como ressalta Richter et . 9) Estudos. 1999b. (Fonte: Department of Natural Resources. tanto de cunho financeiro quanto hidrológico.Figura 11. 24) CONSIDERAÇÕES FINAIS LID aparece como alternativa sustentável para o controle da drenagem. possa ser estimulada a implantação de projetos com base nestas. caso mais edificações sejam instaladas à montante da área em análise. necessitam ser realizados para que. A necessidade de estudos hidrológicos diz respeito à relação que a variação no comportamento de hidrogramas tem com a degradação dos ecossistemas. pós BMP e pós LID. p. para averiguar a aplicabilidade no país das estratégias de LID. Figura 12. p. Efeito de detenção adicional em práticas de retenção de LID. como os efetuados por Souza (2004).

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