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A ideologia do Estado Novo

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Autoritário e Dirigista ² Presidencialismo de chanceler - rejeição dos
princípios liberais e repudiou o sistema parlamentar pluripartidário - a autoridade era exercida pelo Governo, na pessoa do seu presidente ² O presidente, governava de forma totalitária e superintendia na acção governativa de todos os sectores da vida pública; nomeava e exonerava o seu conselho de ministros; referendava os actos do Presidente da República e tinha amplos poderes de legislar. Tinha o dever de submeter as propostas de lei à Assembleia Nacional, que era constituída por deputados provenientes da União Nacional. ² Regime

Presidencialista onde o poder executivo era detido pelo presidente de
Governo q se sobrepunha ao Presidente da República.
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Autoritarismo

e

dirigismo

²

antiliberal,

antidemocrático

e

antiparlamentar; regime presidencialista, o poder concentrava-se no presidente do conselho. A Nação como um todo orgânico e não um conjunto de indivíduos isolados pelo que os partidos eram considerados um factor desagregador. O Estado forte e autoritário assentava na valorização do poder executivo.
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Culto da personalidade ² Salazar era o intérprete do supremo interesse
nacional. Era apresentado pela propaganda como o «Salvador da Pátria», o «Guia da Nação». A sua imagem estava presente em todos os lugares públicos e era venerado pelas multidões. Nunca usou farda, não gostava de multidões, cultivava uma imagem de discrição, austeridade e sobriedade.

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Conservadorismo ² tradição e ruralidade - Distinto dos demais
fascismos pelo seu carácter conservador e tradicionalista (também discordava do carácter violento do fascismo italiano e do nazismo), o seu ideário baseava-se nos seguintes valores «inquestionáveis»: Deus, Pátria, família, Autoridade, Paz social, Hierarquia, Moralidade,

Austeridade.
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Crítica à sociedade urbana e industrial e valorização da ruralidade (família rural, tradicional e conservadora, era o modelo da sociedade portuguesa).

patriotismo) nas crianças na escola. nada contra a Nação». Mulher ² modelo: esposa submissa. 1930 Salazar concebeu esta organização como não partidária. dirigido por António Ferro. União Nacional . literárias e desportivas) e económicas (Casas do Povo. culturais (universidades e outras agremiações científicas.y y Protecção do catolicismo. y Corporativismo ² a concórdia na organização económica e social -A Nação organizava-se em torno da família e das corporações morais (instituições de assistência e caridade). 1933. religião oficial do Estado. torturava e matava quem discordasse do regime. dona de casa exemplar. Casas dos Pescadores). . exaltação dos valores nacionais e inculcação de valores (tradição.INCULCAÇÃO DE VALORES Secretariado de Propaganda Nacional (SPN).Criou-se um poderoso aparelho repressivo que subordinava os direitos e liberdades individuais aos interesses do Estado. Obj: divulgação do ideário do regime e padronização da cultura de massas. Sindicatos Nacionais. Glorificação do passado. y Nacionalismo exacerbado ² «Tudo pela Nação. respeito pela autoridade. mãe sacrificada e virtuosa. Grémios. prendia. O Estatuto do Trabalho Nacional estabelece a organização dos patrões em grémios e os trabalhdores em sindicatos nacionais y Repressão política . perseguia. artísticas. mas na prática assumiu-se como partido único logo em 1934 elegendo os 90 deputados para a Assembleia Nacional. -O ENQUADRAMENTO DAS MASSAS . obediência. y Censura prévia ² vigilância rigorosa sobre so intelectuais que exercia uma verdadeira ditadura intelectual y Polícia política (1933) ² PVDE / PIDE apoiada numa estrutura de delatores anónimos (informadores).

Legião Portuguesa ² defesa do «património espiritual da Nação . equilíbrio orçamental ² aumentar a receita. boné. cadetes) ² formação ideológica da Juventude. saia e boina). milícia armada que incluia funcionários públicos. Usavam uniforme (camisa verde.«O estado tem o direito e a a obrigação de coordenar superiormente a vida económica e social» (artº 31 da Constituição de 1933). protecção aos proprietários (compra de colheitas e estatização do mercado do trigo). Infantes. calças castanhas e botas). redes telegráfica e telefónica. Dirigismo estatal: Estabilidade financeira . imposto de salvação pública. Junta de colonização interna (1936) ² arborização. Campanha de consumo dos produtos nacionais. Todos os estudantes do primário e do secundário eram obrigados a inscrever-se. Livro único ² o Estado adopta um livro «oficial» que e ra concebido de acordo com a ideologia do regime. portos. barragens hidroeléctricas (Castelo . Mocidade Portuguesa. Meios: imposto complementar sobre o rendimento. imposto profissional. oliveira. 1936 (Lusitos. Promoção de obras públicas ² Estradas. botas). cortiça e frutas. Medias promotoras da «lavoura» nacional: barragens para irrigação. caminho de ferro e pontes (Douro e Tejo). «o trigo da nossa terra é a fronteiar que melhor nos defende»). FNAT (1935)² promoção de ocupação dos tempos livres e acordo com os padrões morais do regime. diminuir a despesa. calção. A Mocidade Portuguesa Feminina foi criada em 1937 (uniforme: camisa verde. Uma economia submetida aos imperativos políticos Modelo económico intervencionista . vinha. taxa de salvação nacional. cultura cerealífera (campanha do trigo ² 1929-37. Defesa da ruralidade ² exacerbado ruralismo . Obra das mães para a Educação Nacional (1936) ² inculcação dos valores do regime nas famílias através das mães. incentivo à auto-subsistência. vanguardistas. Usavam uniforme (camisa verde. aumento ads taxas alfandegárias. batata.

de Bode). exposições. estabeleceu -se um regime de tipo «pacto colonial» segundo o qual as colónias teriam de fornecer à metrópole as matérias-primas para a indústria que exportava para as colónias os produtos fabricados. As grandes empresas estavam vocacionadas para sectores de consumo popular (tabaco. Sob o ponto de vista económico. bairros operários. hospitais. A POLÍTICA COLONIAL ² PORTUGAL NÃO É UM PAÍS PEQUENO O Acto colonial afirma a «missão histórica civilizadora dos Portugueses nos territórios ultramarinos» considerados parte integrante do território nacional. Condicionamento industrial ² a indústria não era uma prioridade.projecto totalizante que usou os artistas e escritores como instrumentos do regime para inculcar os seus valores através do SPN . cerveja)e apoio à agricultura (adubos e química). «Política do espírito» . Os «assimilados» (aqueles que eram instruídos nas escolas portuguesas e adoptavam o comportamento e o modo de vestir dos colonizadores) eram em escasso número. O regime incutia no povo uma mística imperial defendendo uma missão civilizadora do povo português e representando Portugal «uno» cuja dimensão imperial era equivalente ao conjunto dos estados da Europa ocidental. cartazes e textos nos manuais escolares. prisões. conferências e exposições O Projecto cultural do Regime 1.Lisboa e IST). Obstáculos à modernização: qualquer indústria carecia de prévia autorização do Estado para se estabelecer ou para efectuar qualquer alteração. Esta mística era alimentada com congressos. Embora a escravatura fosse proibida. Controle da produção artística e cultural e da informação através da censura. estádios (Nacional em Lisboa). dificultava-se a garnde empresa com receio de agitação social e desemprego. Mística imperial ² destino da pátria associado à unidade do Império: propaganda através de congressos. 2. Biblioteca Nacional. os indígenas eram considerados inferiores eram segregados. etc. estimulava-se a pequena empresa e a utilização de força motriz tradicional. escolas. restauro de monumentos históricos. universidades (Cidade universitária . tribunais. fósforos.

do turismo e de concursos sobre aldeias pitorescas. do cinema. 3. admirador de Mussolini e de Hitler). Mediatização do regime ² artes e letras como propiciadoras de uma «atmosfera saudável» estimulando o amor à pátria. 4. do bailado. as virtudes familiares e a confiança no progresso. . o culto dos heróis. Propaganda do ideário do regime.(1933) dirigido por António Ferro (futurista. 5. do teatro. Promoção das festas populares. fundador da Orfeu em 1915. Em 1940 o Estado cria a Emissora Nacional. Aproveitamento da estética futurista. a rádio do regime. da rádio.