Elenilda Gramiscelli Sales

TEOSOTERIOLOGIA

ESCOLA DE THEOLOGIA MINAS GERAIS Belo Horizonte / MG Março / 2011

Elenilda Gramiscelli Sales

TEOSOTERIOLOGIA

Trabalho apresentado à disciplina Teosoteriologia, como exigência parcial para a obtenção do grau de Bacharel em T eologia - na Escola de Theologia Minas Gerais - Extensão Belo Horizonte / MG, no 12º Período. Professor Otávio Alexandre Souza

ESCOLA DE THEOLOGIA MINAS GERAIS Belo Horizonte / MG Março / 2011

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO................................ ................................ ................................ ................................ ................ 3 ÉTIMO DE SOTERIOLOGIA ................................ ................................ ................................ ......................... 4 A OBRA SALVÍFICA DE CRISTO................................ ................................ ................................ ................ 4 O SIGNIFICADO DE SAL VAÇÃO ................................ ................................ ................................ ................ 5 AS NATUREZAS DE DEUS E DA HUMANIDADE ................................ ................................ ..................... 7 A SANTIDADE E O AMOR DE DEUS ................................ ................................ ................................ ......... 9 A BONDADE, GRAÇA E M ISERICÓRDIA DE DEUS ................................ ................................ .............. 11 O AMOR DE DEUS ................................ ................................ ................................ ................................ ...... 14 AS MÚLTIPLAS TEORIAS SOBRE A EXPI AÇÃO ................................ ................................ .................. 16 ASPECTOS DA OBRA SAL VÍFICA DE CRISTO ................................ ................................ ..................... 17 O SACRIFÍCIO ................................ ................................ ................................ ................................ ............. 17 A RECONCILIAÇÃO ................................ ................................ ................................ ................................ ... 19 A REDENÇÃO ................................ ................................ ................................ ................................ .............. 21 O ALCANCE DA OBRA SALVÍFICA DE CRISTO ................................ ................................ ................... 23 A ORDEM DA SALVAÇÃO ................................ ................................ ................................ ........................ 25 A ELEIÇÃO................................ ................................ ................................ ................................ ................... 26 O ARREPENDIMENTO E A FÉ ................................ ................................ ................................ .................. 32 A REGENERAÇÃO................................ ................................ ................................ ................................ ...... 35 A JUSTIFICAÇÃO ................................ ................................ ................................ ................................ ....... 36 A ADOÇÃO................................ ................................ ................................ ................................ ................... 38 A PERSEVERANÇA ................................ ................................ ................................ ................................ .... 39 CONCLUSÃO ................................ ................................ ................................ ................................ ............... 44 BIBLIOGRAFIA ................................ ................................ ................................ ................................ ............ 45

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INTRODUÇÃO A salvação do homem é o tema de maior relevância das Escrituras e é por assim dizer, a razão máxima da existência da própria Bíblia. De acordo com Stanley M. Horton: A Obra Salvífica de Cristo é a Coluna central no templo da redenção divina. É o sustentáculo que carrega a maior parte do peso, sem o qual a estrutura jamais poderia ter sido completada. Sob a ótica teológica, a doutrina bíblica da salvação é tecnicamente chamada de Soteriologia. Entendida de forma ativa, a salvação é a obra completa de Deus que consiste em trazer homens do estado de pecado ao esta do de glória através de Jesus Cristo, o Deus-homem. No estado anterior, o homem está espiritualmente morto e sujeito à ira divina; neste último, ele está sob a graça de Deus, e experimentando a vida eterna. Entendida de forma passiva, a salvação é um presente completo e não merecido a ser desfrutado pelos verdadeiros crentes em Cristo, a oferta de si mesmo que foi feita por Deus através de seu Filho. Embora a segurança que a Bíblia dá ao crente quanto à certeza da salvação pela operação do Espírito Santo em cada um seja indubitavelmente plena, teologicamente a forma como se dá esta salvação de Deus para com a humanidade é por assim dizer, um verdadeiro divisor de águas. Que Cristo morreu pela salva ção dos homens, nisto há consenso. Entretanto, por quais ou por quantos Ele teria morrido, é tema de intermináveis debates em duas correntes muito bem definidas em linhas paralelas, as quais jamais se cruzam. Em De um lado estão os Calvinistas, que argumentam que Deus predestinou aqueles aos quais queria salvar antes mesmo que estes viessem a cometer atos bons ou maus e, como conseqüente dedução, deixou que os demais perecessem no seu pecado por sua exclusiva vontade, sustenta ndo suas afirmações na Bíblia, usando como texto de prova, Jonas 2.9 entre outros. Do outro lado estão os arminianos, que crêem que Deus estende o convite à salvação para toda a humanidade, fazendo o por meio de seu Espírito, e o homem tem diante de si a benção e a maldição para que então escolha qual o caminho a seguir. Os arminianos defendem que Deus quer que todos os homens se salvem, argumento que defendem usando 1 Tm 2.4 e muitos outros textos com base na própria Obra Redentora de Cristo na Cruz.

O termo grego sotería.4 ÉTIMO DE SOTERIOLOGIA Nossa palavra "salvação" vem do latim salvare. segundo a aliança do Antigo Testamento. que significa "salvar". Essa palavra pode ser usada em conexões totalmente físicas e temporais. A palavra hebraica traduzida em português por "salvação" indica segurança. e às nações em redor. antigamente. Deus falou de modo infalível e relevante no passado. que significa "saúde" ou "ajuda". muitas vezes e d e muitas maneiras. remédio. e de salus. permanece sua incalculável relevância. falado. A OBRA SALVÍFICA DE CRISTO A obra salvífica de Cristo é a coluna central no templo da redenção divina. pelo Filho". E a obra que fornece uma cabeça ao corpo. no seu "tipo" de vida. nestes últimos dias. sem o qual a estrutura jamais poderia ter sido completada. e suas formas cognatas. .1: "Havendo Deus. tem a idéia de cura. Pod emos compará-la também ao eixo em torno do qual gira toda a atividade de Deus na revelação. a justificação. Para os estudiosos das Escrituras. presente e eterna. aos pais. a nós falou -nos. fala do livramento do pecado. Tais afirmações em nada diminuem a importância do que Deus fez em favor do seu povo. A idéia de "salvar". recuperação. quando usada para indicar a salvação espiritual. redenção. e o registro dessa vind a aparece de forma infalível e definitiva nos 27 livros do cânon do Novo Testamento. uma substância às sombras e prefigurações. Mas o livramento também nos confere algo. refletindo o pensamento de hebreus 1. que consiste na participação na própri a vida de Deus. a saber: o perdão. ou no que diz respeito ao bem-estar da alma. bem-estar e resgate. como o julgamento divino. um antítipo ao tipo. É o sustentáculo que carrega a maior parte do peso. pelos profetas. mas não pela última vez. da degradação moral e das penas que devem seguir -se. Sua derradeira palavra só chegou com a vinda de seu Filho. a transformação moral e a vida eterna.

21. Deus da minha salvação. Parir de nossas descobertas provém da terminologia empregada no Antigo Testamento para descrever a salvação tanto a natural quanto a espiritual. "conceder vitória" ou "ajudar". é provável que Davi tenha em mente a restauração e salv ação espirituais pessoais. Qualquer um que tenha estudado o Antigo Testamento hebraico sabe quão rico é o seu vocabulário. Os escritores sagrados empregam várias palavras que fazem referência ao conceito geral de "livramento" ou "salvação". onde descobrimos. Descobrimos tipos e predições específicos daquEle que eslava para vir e do que Ele estava para fazer. 35. nas ações e palavras divinas.4 Em Salmos 51. 9). mais frequentemente com o significado de "livrar" ou "libertar".17. Significa "salvar". tem Deus como o sujeito e o pov o de Deus . Frequentemente.2.1). O termo assume ainda conotação espiritual: a salvação mediante o perdão dos pecados.5 O SIGNIFICADO DE SALVAÇÃO O estudo da obra salvífica de Cristo deve começar pelo Antigo Testamento. 140. "livrar".14. 69.17). O emprego do verbo indica haver em vista uma "salvação" física. O primeiro ocorre 212 vezes. ó Deus. Embora o Salmo 79 seja uma lamentação por causa da invasão de Israel e da profanação do Templo pelos inimigos. Deus revelou a Moisés ter descido para "livrar" Israel das mãos dos egípcios (Ex 3.8) . 71. Mais frequentemente. o salmista implorava o salvamento divino (SI 22. O enfoque recai em dois verbos: natsal e yasha'.14. pessoal ou nacional. a palavra ocorre sem matizes teológi cas. Senaqueribe escre veu ao rei em Jerusalém: "O Deus de Ezequias não livrará o seu povo das minhas mãos" (2Cr 32. por exemplo. porém. sendo a maior concentra ção nos Salmos (136 vezes) e nos livros proféticos (cem vezes). Ocasionalmente. jurídico ou espiritual. seja no senti do natural. a natureza redentora de Deus.8). quando ora: "Livra-me dos crimes de sangue. o salmista reconhece que um livramento só seria possível com o perdão dos seus pecados (v. A raiz yasha' ocorre 354 vezes.17). quando Moisés defende as filhas de Reuel e as livra da ação opressiva dos pastores (Ex 2. Davi apela a Deus para salvá -lo de todas as suas transgressões (SI 39. e a minha língua louvará altamente a tua justiça".

onde Javé "salvou Israel da mão dos egípcios" (v.18) e outros líderes.6. Lendo o Antigo Testamento e considerando séria e literalmente a sua mensagem. Deus.8) e Davi (l Sm 19.a todos. inimiga de Israel.12). "Este é o protoevangelium. que incluirá todas as pessoas sob suas bênçãos". O evento veio a ser o protótipo do que o Senhor faria no futuro para salvar o seu povo. a evidente riqueza lexical do Antigo Testamento não ocorre no Novo. inclusive de inimigos nacionais e pessoais (Ex 14. mais frequentemente. o termo assume qualidades morais. O tema da salvação já aparece em G ênesis 3.5). é Êxodo 14. como Samuel (l Sm 7.29). SI 27. Ele diz ao Servo: "Também te dei para luz dos gentios. No entanto os obstáculos a serem vencidos eram tão espetaculares que. Por isso.16. O texto clássico do emprego teológico de yasha'. Jz 3. Yahweh é "Salvador" (Is 43.3.1). 45. Ele livrou os seus de todos os tipos de aflição. por meio de Naamã (2 Rs 5.15.4). não somente a Israel. entre os narrativos. era necessária a ajuda especial da parte do p róprio Deus". Javé livrou até mesmo a Síria. "meu Salvador" (SI 18.4.14 -18) e de calamidades (2 Cr 20.23). Tudo indican do o tempo em que Deus traria a salvação.21. para seres a minha salvação até à extremidade da terra".1). Em Ezequiel. Não há salvador à parte do Senhor (Is 43. o primeiro vislumbre da salvação que virá através daquEle que restaurará o homem à vida". Jave salvava o seu povo através de j uizes (Jz 2. facilmente concluiremos que a salvação é um dos temas dominantes. No que diz respeito ao conceito de "salvar".ou "semente" . Os 13.11.9). Em Isaías 49. Este emprega primariamente a .da mulher esmagará a cabeça da serpente. sem a mínima dúvida. Jr 17. mediante o Servo sofredor . Deus promete: "E vos livrarei de todas as vossas imundícias" (36. Dt 20. o protagonista.1 4) e "minha salvação" (2 Sm 22. na promessa de que o Descendente . "livrar" ou "libertar".9. "E os livrarei de todos os lugares de sua residência em que pecaram e os purificarei" (37.11. e Deus.6 como o objeto.30. escolhia representantes para trazer a salvação. 30). Os "atos salvíficos no Antigo Testamento vão preparando o palco para o derradei ro ato salvífico.

"preservar" ou "tirar do perigo". sõzõ traduz yasha' em sessenta por cento das ocorrências. que significa "salvar". Mas . ao interpretar assim o nome de Josué: lêsous sõtêría kyriou .52.15). porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1. "O exegeta e filósofo judeu da Alexandria. sõtêr) fosse atribuído pelos gregos aos seus deuses. O substantivo "salvação" (gr. da possessão demoníaca (Lc 8.19. atesta qu e o significado do nome era muitíssimo bem conhecido. refere-se à salvação espiritual que Deus providenciou por meio de Cri sto (l Co 1. líderes políticos e outros que trouxessem honra ou benefícios ao seu povo. na literatura cristã era aplicado somente a Deus (l Tm 1.. que é a possessão presente e futura de todos os crentes verdadeiros.31). um Deus que redime. não teria sido .25. Sõzõ pode referir-se a salvar a pessoa da morte (Mt 8. Filo.20). O que aconteceria se Deus não fosse como a Bíblia nos revela. e lhe porás o nome de JESUS. na grande maioria das ocorrências.21. Embora o título "salvador" (gr. Por isso. sõtêría) apa rece 45 vezes e se refere quase exclusivamente à salvação espiritual. e não tivéssemos sido criados à sua imagem e subsequentemente caído? A salvação. a palavra empregada no Novo Testamento para a obra salvífica de Cristo reflete idéias veterotestamentárias.20. e as respostas que oferecemos relacionam -se ao nosso modo de ver a natureza de Deus e a da humanidade.7 palavra sõzõ. Na Septuaginta. AS NATUREZAS DE DEUS E DA HUMANIDADE A Bíblia. conforme a Bíblia a descreve.22. Fp 3.36) ou da morte que já sobreveio (Lc 8.Jesus significa salvação mediante o Senhor".50). Todavia. revela um Deus que salva. e suas formas derivadas.15) e que as pessoas experimentam pela fé (Ef 2. o próprio Jesus proclama o tema do Novo Testamento quando diz: "O Filho do Homem veio buscar e salvar [sõsai] o que se havia perdido" (Lc 19. Por que é necessária a salvação espiritual? O que torna possível a salvação espiritual? São perguntas que surgem. e sõtêria é empregada principalmente para os derivados de yasha'.. Tg 5.23.10). Lc 17. embora as palavras gregas traduzidas por "salvar" e "salvação" não sejam muito frequentes.21). portanto. da enfermidade física (Mt 9. l Tm 1. Mc 10.1) e a Cristo (At 13. At 27. O termo hebraico sustenta o nome que o anjo anunciou a José: ".8).

seja segundo as minhas condições. Deus procurava mostrar ao povo o abismo existente entre Ele e as pessoas. a Bíblia é uma longa cantilena de atitudes degradadas e pecados deliberados da raça humana. como e o que Deus exigia e aceitava. nos trovões e nas trevas do Sinai e no estabelecimento do sistema sacrificial. A Bíblia deixa claro que todas as pessoas precisam de um Salvador e que elas não podem salvar a si mesmas. que somente Eterno poderia ligar. de um planejador social. e não da propiciação de um Salvador.8 possível nem necessária. Nm 3. que Deus diz a todos nós: "Se você quer se aproximar de mim. A despeito de tudo que tinha visto e experimentado. . Desde a tentativa feita pelo primeiro casal de cobrir-se e de esconder-se de Deus (Gn 3) e a primeira rebeldia que culminou com um assassinato (Gn 4) até a última tentativa rebelde de desfazer os propósitos de Deus (Ap 20). Seria a experiência de Ananias e Safira (At 5. Boa parte do pensamento moderno parece acreditar que necessitamos de educação. o drama da reden ção tem como pano de fundo o caráter de Deus e a natureza da criação humana.1-11) um exemplo paralelo? Deus não permitirá a ninguém brincar com o que é exigido por sua santidade. Nadabe e Abiú aprenderam isso de modo fulminante (Lv 10. que mais comumente reflete idéias pelagianas. Na coluna de nuvem e de fogo. Talvez achemos cansativo ler os pormenores sobre quem. e não de uma cruz. e não de salvação. que vivemos sob a nova aliança? Possivelmente. no seu diário: "Continuo crendo que as pessoas realmente têm bom coração". Todos esses pensamentos otimistas colocam-se em contradição direta contra o ensino das Escrituras. e todo o Israel com eles.4).1. tem-se comprometido com a bondade essencial da humanidade. Você não tem o direito de inventar o seu próprio caminho". Logo.2. Que significado têm para nós. quando. O pensamento do iluminismo moderno. Anne Frank chega à conclusão. de um campus. com todos os seus preceitos e proibiç ões.

5). então o amor. Não existe a mínima possibilidade de se negar o ensino do Novo Testamento de que Jesus Cristo morreu para ligar o abismo entre um Deus santo e uma raça pecaminosa que não podia salvar a si mesma. "Cristo padeceu uma vez pelos pecados" (l P e 3. não menciona que Deus é retidão ou bondade.142. NEle.45.9 A SANTIDADE E O AMOR DE DEUS Sendo nós ímpios e Deus pura santidade. a retidão e a bondade não se colocam em oposição entre si.13). emprega o substantivo para descrevê -lo.8).3. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento revelam -no como um Deus de santidade total (Lv 11. a sensibilidade e a receptividade. reprimindo ou compensando a outro.2. segundo as Escrituras" (l Co 15. Ele não poderá tolerar nem desculpar a impieda de ou a iniquidade (He 1.25). isto é possível. bem com a fidedignidade e a autoridade. Lc 1. Is 6. que seria uma caracterização mais fraca.19. Eis algumas delas: "O qual por nossos pecados foi entregue" (Rm 4. santidade. nenhuma investigação da natureza de Deus deve considerar um atributo sobressaindo. como po deríamos pensar até mesmo em nos aproximar dEle? No entanto. não o adjetivo "amoroso". Os 2. o controle e a soberania são as qualidades divinas preeminentes. Ao consideramos as características de Deus. sendo nós ainda peca dores" (Rm 5. quando . Embora a Bíblia re almente fale em retidão. segundo o calvinismo. 19.25. "Cristo morreu por nossos pecados. são as qualidades essenciais de Deus.3). Jo 17. é importan te evitar a tendência de tratar seus atributos de modo a neutralizar a unidade de sua natureza. p ortanto. Todavia. para os arminianos". Tal fato tem levado alguns a afirmar: "Na realidade de Deus. Todos os termos empregados na Bíblia para descrever o caráter de Deus estão em pé de igualdade.18).19.49) e justiça reta (SI 119. o amor é mais fundamental que a justiça ou o poder. porque Ele não só escolheu o caminho como o preparou: a cruz de Cristo. justiça e bondade de Deus. Quando a Bíblia diz: "Deus é amor". Ap 16. E: "Se o poder . e é anterior a eles". Js 24. "Cristo morreu por nós. O Novo Testamento contém numerosas referências a "pecados" ou "pecadores" em conexão com a morte de Crist o.19 Constatamos esse fato quan do Ele julga Adão e Eva. como qualidades essenciais de sua natureza. a santidade e o amor.

"O que justifica o ímpio e o que condena o justo abomináveis são para o Senhor. só fará sentido diante de um Deus reto e justo. tanto um como o outro" (Pv 17. na cruz. De outra forma. porém. o Deus amoroso seria transformado em nulidade. que exige julgamento.25). O Senhor não justifica o ímpio (Êx 23. Deus "deixou andar todos os povos em seus próprios caminhos" (At 14. Tentativas de enfraquecer o significado das palavras que descrevem Deus e suas ações. embora hoje deseje que se convertam "dessas vaidades" (14.16). Se. Paulo diz que. a agonia de Cristo no Getsêmani e sua morte excruciante teriam sido mero teatro de Páscoa. Aquele que põe à prova a paciên cia de Deus "entesoura ira para si no dia da ira e da manifes tação do juízo de Deus" (Rm 2. Deus procurou demonstrar sua justiça "pela remissão dos pecados dantes cometidos.17). "Com justiça julga rá o mundo e o povo. Nas gerações passadas. Além disso. embora finalmente o seu julgamento tenha caído sobre eles com irresistível força. e tudo quanto ela subentende.13). que diríamos dos termos que descre vem seu amor e sua graça? Enfraquecer um grupo de palavras é enfraquecer a outro. demonstram que. que se arrependam (At 17. As Escrituras. levam à tolice semântica.9). cuja iniquidade já havia atingido uma "medida cheia" (Gn 15. Se Ele não está realmente irado com o pecado nem exigindo sua condenação. De us esteve disposto a não levar em conta a ignorân cia da humanidade no tocante a idolatria. quando ordena a Israel que extermine os cananeus. rejeitarmos o seu sentido integral. quando julga seu próprio povo escolhido.29.5).10 destrói a raça humana no dilúvio. talvez por considerá-las expressões exageradas do desagrado de Deus à desobediência.15). . A cruz. pesar de agora ordenar a todas as pessoas. pois.30). mais importante de tudo.16).15). sob a paciência de Deus" (Rm 3. Deus suportou durante quatrocentos anos a iniquidade gritante dos amorreus (Gn 15. na cruz.7) "nem aceita recompensas [propi nas]" (Dt 10. a cruz seria o menos amoroso dos atos. Também no julgamento (final) de todos quantos rejeitaram seu Filho. durante algum tempo. com equidade" (SI 98. e. em todos os lugares.

Por isso. a palavra primária (neste assunto) segue o modelo hebraico. longanimidade e tolerância. No Novo Testamento. Mas .9). Nada existe nEle que o possa tornar "não-bom". Paulo emprega anochê (que significa "moderação". entretanto. não fosse a sua tolerância. paciência") ao advertir os que julgavam ao próximo . Também declara: "O Senhor é bom" (100.8). e longanimidade".a não desprezar "as riquezas da sua benignidade. revela que a natureza de Deus é boa na sua própria essência. tov) e que Ele somente faz coisas boas.pois faziam as mesmas coisas . quem poderia ser salvo? A Bíblia revela a natureza salvífica de Deus ao descrever sua misericórdia. senão que todos venham a arrepender -se" (2 Pé 3. não querendo que alguns se percam" (3.5) e diz ao Senhor: "Tu és bom e abençoador" (119. "tolerância". a paciência de Deus reflete mais uma razão reativa que pró -ativa ao fornecer a salvação por meio de Cristo. Pedro diz também: "Tende por salvação a longanimidade [gr. boulomai) "que alguns se percam. que é mais uma ação que uma qualidade. Em alguns aspectos. makrothumia] de nosso Se nhor" (2 Pe 3. subentende a perfeição absoluta dessa característica nEle.68). O Antigo Testamento afirma continuamente que o Senhor é bom (heb. e paciência. O salmista nos convida: "Provai e vede que o Senhor é bom" (SI 34. que o levou a adiar seu julgamento e salvar a humanidade. Da mesma forma. makrothume i] para convosco. Mas.4. A Bíblia afirma com clareza sua paciência.15). GRAÇA E MISERICÓRDIA DE DEUS A Bíblia mostra que devemos levar em conta a santidade e retidão da natureza divina ao considerar a mensagem de salvação. A paciência não requer ação. Certo escritor declara: "A palavra 'bom' é o termo mais compreensível para louvar a excelência de alguma coisa".11 A BONDADE. conforme evidencia a declaração bíblica de que Ele não deseja (gr.9). sim. Em Romanos 2. a misericórdia. Quando aplicado a Deus. Em 2 Pedro lemos que o Senhor "é longânimo [gr. a atividade redentora de Deus expressa a sua bondade. A bondade de Deus. é expressa por várias idéias-chaves (embora não apareçam tão frequentemente indicando características afetivas de Deus). sendo qu e os escritores do Antigo Testamento expressam esse conceito mais frequentemente com a expressão "tardio em irar -se".

A inspirada profecia de Zacarias revela de modo especial a conexão entre a misericórdia e a salvação. 77.Hb4. regozija-se em Deus porque Ele "atentou na humildade de sua serva" (v. chemlah]. Havendo méritos.54.72. que se encontram principalmente nos escritos de Paulo (26 vezes) e em Lucas e Atos (vinte vezes). "para mani festar misericórdia a nossos pais" (v. Davi compara a compaixão (heb. o grandioso capítulo que introd uz a redenção divina final.58. Em Lucas l. porém.a expressão ulterior da misericórdia.12 não existe aqui nenhum tipo de dicotomia. Na segunda estrofe. mas ela inclui na misericórdia divina "os que o temem" (v. Na primeira estrofe. 54).9). eleeõ) aparece principalmente nos pedidos de misericórdia dirigidos a Jesus. Isaías diz: "Pelo seu amor [heb. rachem) do Senhor à compaixão de um pai (SI 103.78) Maria. Tg 3.15-18. l P e 1.13). a palavra "misericórdia" ocorre cinco vezes (w. l Pe 2. Nos evangelhos sinóticos. . Pelo contrário. 50) e "seu servo Israel" (v. A condição superior de quem concede a misericór dia. não conduz ao pro tecionismo.10).47).16. porém.17) quanto divina (Rml5. no seu cântico (Magnifica t). pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus" (w. O Novo Testamento emprega primariamente eleos e suas formas derivadas. "filho de Davi" (Mt 9. rachem). Mc 10. A idéia essencial de misericórdia requer uma condição: quem a recebe não tem méritos para exigi -la. Ao refletir sobre o que Deus havia feito no passado em favor do povo da aliança. enfatiza uma salvação vindoura semelhante a do Êxodo. 'ahavah] e pela sua compaixão [heb. deixa de ser misericórdia.9. Quatro passagens do Novo Testamento que colocam juntas a misericórdia e a salvação exigem atenção especial. ao passo que nas Epístolas a palavra refere-se principalmente a Deus. Salmos 116. compaixão e bondade de Deus. Deus humilhou -se a si mesmo e se tornou um de nós .27. 48). demonstrando misericórdia ou deixando de demonstrá-la (Rm 9. A misericórdia é tanto humana (Mt 23. canta o "conhecimento da salvação.3).78). cinco importantes grupos de palavras referem -se à misericórdia. 72). na remissão dos seus pecados. No Antigo Testamento.5 diz: "O nosso Deus tem misericórdia" (heb. ele os remiu" (63. 50.23. o verbo (gr.

Em Cristo. concluindo a explicação do lugar de Israel no plano de Deus. mas. nos vivificou juntamente com Cristo". "não pelas obras de justiça que houvéssemos feito.7) ou aos rogos pelo perdão de pecados (SI 41.29. l Sm 20. 2 Sm 15. A primeira refere-se usualmente ao favor de livrar o seu povo dos inimigos (2 Rs 13. de Deus: Êx 34. A riqueza de sua misericórdia levou-o a salvar. Deus manifestou sua benignidade e sua caridade quando nos salvou. 51.27.5.1). expresso espontaneamente em atos de na desobediência a fim de que t odos vissem que a salvação depende da misericórdia.2.25). Outra maneira de Deus demonstrar sua bondade é na graça salvífica. pelo seu muito amor com que nos amou. O substantivo chên aparece principalmente na frase "achar favor aos olhos de alguém" (dos ho mens: Gn 30.4.4. Paulo revela a opera ção do amor. em Mateus 18.23. As palavras mais frequentemente usadas no Antigo Testamento para transmitir a idéia de graça são chanan ("demonstrar favor" ou "ser gracioso") e suas formas derivadas (especialmente chên) e chesedh ("bondade fiel" ou "amor infalível").23 -34. Efésios 2. misericórdia e graça de Deus na nossa salvação..5. a fim de que os israelitas. Paulo liga a misericórdia a duas outras palavras de ternura. extraí -la dele. A parábola do credor incompassivo. refere -se à misericórdia divina outorgada aos gentios. Na quarta passagem.13 Na segunda passagem.18).28 -32. SI 6. antes desobedientes. Paulo. segundo a sua misericórdia".4. Mas a salvação pessoal não é o assunto de ne nhum desses textos. Paulo diz que Deus encerrou a humanidade globalmente não de identidade nacional. Isaías revela que o Senhor anseia por ser gracioso com o seu povo (Is 30. o rei não buscava. Deus tem feito o mesmo em nosso favor. Tito 3. Pelo contrário. perdoou-lhe graciosamente. ilustra o ensino neotestamentário da misericórdia de Deus. agora desobedientes. e .. recebessem misericórdia. O sentido literal é o que temos em nossa Bíblia [ARC]: "Mas Deus. que é riquíssimo em misericórdia. Na terceira passagem. Romanos 11. Chesedh contém sempre um elemento de lealdade às alianças e promessas.9. sem misericórdia. Embora o primeiro servo devesse uma soma impossível de restituir.

8). a "graça". Num capítulo a respeito da redenção segundo a aliança. mas porque o Senhor vos amava [heb. a Bíblia associa mais frequentemente o desejo de Deus em nos salvar ao seu amor. a remissão das ofensas.. como se vê em Deuteronômio 7: O Senhor não tomou prazer [heb. é essencial". segundo as riquezas da sua graça". "Ele não fala do Deus gracioso. demonstrando livre graça imerecida. como o dom imerecido mediante o qual as pessoas são salvas. . te guardará o concerto e a beneficência [heb. aparece primariamen te nos escritos de Paulo.. e não a sua natureza... Deus amava com amor eterno. porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos.. que.. diz o Senhor: "Com amor [heb. Paulo enfatiza a ação de Deus. Em Efésios 1. embora as demais nações também estejam incluídas.. e. No Antigo Testamento.5.13). se. A despeito da apostasia e idolatria de Israel. 'ahev]. pois. 7. No Antigo Testamento... teu Deus. a ênfase recai sobre o favor demonstrado ao povo da aliança. É um "conceito central que expressa mais claramente seu modo de entender o evento da salvação. e amar-te-á [heb. O elemento da liberdade . para guardar o juramento que jurara a vossos pais. misericórdia e graça de Deus. o enfoque primário recai sobre o amor segundo a aliança. Paulo afirma: "Em quem temos a redenção pelo seu sangue.3). também com amável benignidade [heb. 'ahavah] eterno te amei [heb. Será. chesedh] que jurou a teus pais. o Senhor. No Novo Testamento. O AMOR DE DEUS Sem menosprezar a paciência. chesedh] te atraí" (Jr 31.14 misericórdia e amor.7. 'ahev].8. 'ahev] e abençoar-te-á (vv. fala da graça concretizada na cruz de Cristo". os guardardes e fizerdes. nem vos escolheu. vos resgatou da casa da servidão.12. pois "pela graça sois salvos" (Ef 2. ouvindo estes juízos.. chashaq] em vós.

são óbvios o seu poder e calor. embora dê "vários indícios do princípio segundo o que a expiação é levada a efeito". comprometer sua soberania.4. a misericórdia. No grego pré-bíblico. No Novo Testamento. ensina também que nada fora dEle mesmo o compeliu a fazer assim.6. a graça e o amor demonstram a sua bondade ao prover a nossa redenção. Embora não devamos comprometer o poder infinita mente impulsor do amor divino. A despeito da abordagem não -teorética do Novo Testamento. estes quatro atributos de Deus . por outro lado. porém.16). O caráter do próprio Deus. nosso Pai". segundo a vontade de Deus. Por isso. por não oferecer nenhuma teoria da expiação. mas porque Ele os amava e era fiel à sua promessa. embora fossem teimosos (Dt 9. É espontânea. O Novo Testamento preserva tanto o amor quanto a soberania de Deus.16) para salvar a humanidade. "Deus é ágape" (l Jo 3. No dia de Pentecostes. consignou -se quando Ele os escolheu e redimiu.8). para nos livrar do presente sécu lo mau. cada uma delas pode conter um núcleo de verdade . Por isso. Em Gálatas 1. O Novo T estamento dá amplo testemunho do fato de que o amor de Deus impeliu -o a salvar a humanidade perdida. afirmando que o Senhor não escolheu Israel pelo que eram os israelitas. A redenção tem a sua origem no amor e na vontade de Deus. . Se a Bíblia ensina que a bondade de Deus o levou a salvar a humanidade perdida. Pedro declarou que Je sus fora entregue à morte "pelo determinado conselho e presciência de Deus" (At 2. 10. Em Deuteronômio 7. não podemos. isto é. Paulo proclama que Cristo "se deu a si mesmo por nossos pecados. Como sempre acontece quando várias teorias tentam explicar uma verdade bíblica. "ele deu seu Filho unigénito" (Jo 3. Ele não se vê obrigado a isso.a paciência. sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8. no decurso dos anos os teólogos da Igreja têm proposto várias teorias.16). o seu amor e fidelidade.7. essas palavras tinham pouca relevância.15 O Novo Testamento emprega agapaõ ou ágape para referir-se ao amor salvífico de Deus.23). Deus tem demonstrado seu amor imerecido para conosco "em que Cristo morreu por nós. Moisés ressalta esse fato.

aproxima-se com maior clareza do objetivo real da morte de Cristo. deixado por Cristo A Teoria da Influência Moral reduz a obra expiatória a uma graça por parte de Deus com o fim de expressar o maior atributo de Deus. Nosso papel é apenas corresponder ao chamado do amor divino. Peca ao expor Deus como um governante político omisso. que tem poder para punir. Peca quando coloca este atributo acima da santidade e da justiça divinas. ou Teoria como compensação ao Pai. o amor. várias teor ias se formaram tentando explicar a morte expiatória de Cristo. Nisto consiste a salvação. A justa retribuição a que todo homem estaria sujeito por sua própria conduta pecaminosa. ressaltando que Cristo morreu para satisfazer um princípio na própria natureza de Deus Pa i. para que Nele. Mas peca em sua visão dualista em que coloca Deus e Satanás em pé de igualdade e ainda. afastam -se das Escrituras e tonam-se alvo de rejeição.16 AS MÚLTIPLAS TEORIAS SOBRE A EXPIAÇÃO Ao longo da história da Igreja Cristã. mas naquilo em que falham. segundo crêem seus defensores possível ao homem fazer. foi. de onde não poderia livrar -se por seu esforço. A Teoria do Resgate foi a concepção padrão da história da Igreja primitiva. o que é. mas pode optar não punir em nome de um interesse maior. muito embora haja um pouco de verdade em cada uma delas. o homem fosse livre para viver segundo os padrões divinos. Partes destas teorias são conflitantes. E r eduz a responsabilidade do pecador à uma mera alienação em relação ao amor dispensado em Cristo. no seguir o exemplo perfeito. de uma vez por todas cobrada em Cristo. A Teoria da Satisfação . Observamos que a Teoria Sociniana coloca Cristo meramente como um exemplo perfeito a ser seguido e assim anula a expiação reduzindo -a a um assentimento mental favorável a imitar Cristo. . A Teoria Governamental constrói seus argumentos longe das Escrituras. ao compreender que o homem foi resgatado das amarras do pecado. retrata Deus como quem pagou o resgate da sua própria criação ao diabo. baseados na noção jurídica de crime e imputação da justiça terrena. P ossui pontos relevantes.

que tira o pecado do mundo" (Jo 1. como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (l P e 1. "pacificar" ou "conciliar" (isto é. Filipe apli ca às boas novas a respeito de Jesus a profecia de Isaías que diz que o Servo seria levado como um cordeiro ao matadouro (Is 53. A figura de um cordeiro ou cabrito sacrificado como parte do drama da salvação e da redenção remonta à Páscoa (Ex 12. o Leão da tribo de Judá era louvado e adorado como o Cordeiro que fora morto (Ap 5).7). hilaskomai e seus derivados. No Antigo Testam ento. Deus veria o sangue aspergido e "passaria por cima" daqueles que eram protegidos por sua marca.1 -13). Várias palavras bíblicas a caracterizam. Quando o crente do Antigo Testamento colocava as suas mãos no sacrifício. Os dois grupos de palavras significam "aplacar". Era um substituto sacrificial (isto é: "Sacrifico isto em meu lugar").29). propiciar) e "encobrir com um preço" ou "fazer expiação por" (a fim de remover pecado ou . Embora alguns possam achar "sanguinário" o con ceito do sacrifício. Embora não se deva forçar demais as comparações. removê-lo arranca da Bíblia o seu próprio âmago. Paulo se refere a Cristo como "nossa páscoa" (l Co 5. Pedro afirma que fomos redimidos "com o precioso sangue de Cristo. faz-se necessário examinar mais de perto alguns aspectos da obra redentora de Cristo. Ninguém que leia as Escrituras de modo perceptivo pode fugir à realidade de que o sacrifício está no âmago da redenção. tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. refletem Kipper e seus derivados. Em Atos 8. o significado era muito mais que identificação (isto é: "Meu sacrifício"). Os termos "propiciação" e "expiação" relacionam-se estreitamente com o conceito de sacrifício e procuram informar o efeito do sacrifício de Cristo.19).7).17 ASPECTOS DA OBRA SALVÍFICA DE CRISTO O SACRIFÍCIO Embora algumas idéias já tenham sido estudadas. João Batista apresentou -o. anunciando: "Eis o Cordeiro de Deus. Até mesmo nas regiões celestiais. no Novo. a figura é claramente transferida a Cristo no Novo Testamento.

A Bíblia abandona a crueza frequentemente associada à pr opiciação nos rituais pagãos. Nem a Septuaginta nem o Novo Testamento esvaziaram o pleno significado de hilaskomai como "propiciação". hilasmos] pelos nossos pecados". no entanto. Berkouwer refere-se à declaração de Adolph Harnack.10 diz: "Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus. Mas significam expiação quando o enfoque recai em nós e em nosso pecado. A diferença está na inter pretação de seu significado nas matérias bíblicas que tratam da expiação. A Bíblia. mas "tanto/quanto". As palavras têm uma referência vertical e uma horizontal. evitada pela oferta expiadora de Cristo. ensina que Deus..18 ofensa da presença de alguém: expiar). em seu amor. G. sua obra salvífica é corretamente chamada propiciação". podemos tomar uma decisão teológica a respeito do que a Bíblia quer dizer com ira de Deus. Às vezes a dec isão de escolher um significado em preferência a outro tem mais a ver com a posição teológica que com o significado básico da palavra. No caso do ensino neotestamentário. falam da propiciação. misericórdia e fidelidade às suas promessas. mas em quem ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação [gr. O Senhor não é uma divindade malévola e caprichosa. forneceu os meios pelos quais a sua ira seria aplacada. Deus não somente forneceu os meios como também veio a sê-los. . uma solução possível se apresenta. O contexto histórico e literário determina o signifi cado apropriado. Precisa ela ser a placada? Colin Brown refere-se a um "amplo segmento de estudiosos bíblicos que sustentam que o sacrifício na Bíblia tem mais a ver com a expiação que com a propiciação".. Deste ponto de vista. Se aceitarmos o que a Bíblia diz a respeito da ira de Deus. cuja natureza permanece tão inescrutável que nunca se sabe como Ele agirá. l João 4. Leon Morris assim expressa o consenso geral dos evangélicos: "O ensino bíblico consistente é que o pecado do homem tem incorrido na ira de Deus. Por exemplo. Todos os léxicos demonstram que kipper e hilaskomai significam "propiciar" e "expiar". Mas sua ira não deixa de ser uma realidade. C. Não escolhemos "ou/ou". Quando o contex to focaliza a expiação em rel ação a Deus. no sentido de a ortodoxia conferir em Deus o "horrível privilégio" de não ter "condições de perdoar por amor".

Ele era um só. Cristo era perfeito em santidade e. sofrer o pior caso de braço quebrado é sofrer todos os casos. que teríamos ao saber que estávamos sofrendo o justo castigo pelos nossos pecados. Em certo sentido. Ele bem sabia o sofrimento que o esperava. pela sua própria nature za. na verdade. Morrer uma só morte excruciante e agonizante é morrer todas elas. Todo relacionamento interrompido clama por reconciliação. porque recebemos o que os nossos feitos mereciam. A perfeição de Cristo não lhe diminuiu o sofrimento. Assim como a muitíssimas interrogações desse tipo. estando n a mesma condenação? E nós. Há algo de heróico na incisiva repreensão do ladrão da cruz ao seu companheiro de crimes: "Tu nem ainda temes a Deus. no entanto. que não temos na cruz um evento mecânico ou uma transaç ão comercial. pedin do que não lhe fosse necessário "beber o cálice" não era um gesto teatral. Primeiramente. por saber Ele que era imerec ido. não está sujeito a cálculo matemático nem a ser pesado na balança. A obra da salvação atua no plano espiritual. portanto. É um termo tirado do âmbito social. A Bíblia não faz nenhuma tentativa nesse sentido. O Novo Testamento ensina com clareza que a obra salvífica de Cristo é um trabalho de reconciliação. teria sofrido exatamente as mes mas consequências e o mesmo tipo e grau de castigo que aqueles em favor dos quais morreu sofreriam cumulativamente? Afinal de contas. O grupo de palavras empregado no Novo Testamento (gr. o sofrimento. e não há analogias para explicar tudo isso.40. Pela sua morte. O fato de Ele ter sofrido como Deus certamente lança luz sobre a questão. allassõ) ocorre raramente na Septuaginta e é incomum no Novo . e nós somos muitos. e até pode tê -lo intensificado. mas este nenhum mal fez" (Lc 23. com justiça. Se Jesus suportou a penalidade da nossa culpa ao tomar sobre si a ira de Deus e cobrir o nosso pecado. Em segundo lugar. A RECONCILIAÇÃO Diferente de outros termos bíblicos e teológicos.41). Ele removeu todas as barreiras entre Deus e nós. "reconciliação" aparece em nosso vocabulário comum. Sua oração. não há uma resposta definitiva.19 Uma pergunta pode surgir. não possuía nenhum senso de culpa ou remorso pessoal. Lembremo -nos. é preciso relembrar o caráter e a natureza do sofrimento pessoal.

Observe como acontece a reconciliação nos relaciona mentos humanos. até mesmo no sentido religioso.19.20 Testamento.9) e que quando ainda éramos inimigos (Cl 1.com presentes. Estes versículos enfatizam o que pode ser sim chamado reconciliação ativa: isto é. Paulo coloca a ênfase na certeza de salvação. A obra reconciliadora de Cristo restaura-nos ao favor de Deus porque "foi tirada a diferença entre os livros contábeis". Se a pessoa lesada não demonstrar a disposição de acolher quem a lesou. flores ou rogando de joelhos .20).51. Em Romanos. Ele já nos perdoou. e entrar . o assunto em pauta é primariamente o relacionamento entre Deus e a humanidade. Se em Romanos a ênfase recai sobre o que Deus fez "por nós" em Cristo. Deus nos garante que já tomou a iniciati va. Cl 1. O sermos novas criaturas provém de Deus "que nos reconci liou consigo mesmo por Jesus Cristo" (2 Co 5. Usando duas vezes a expressão "quanto mais". At 6. o fato de Ele estar vivo garante a nossa salvação (Rm 5.14.18) e que "estava em Cristo reconciliando consigo o inundo" (5.19). devemos corresponder. sem referência à doutrina da reconcili ação (por exemplo. para que a reconciliação aconteça. ele assevera que a obra de Cristo nos salvará da ira de Deus (Rm 5. Se eu pecasse contra minha esposa e assim provocasse um rompimento em nossa relação. O verbo katallassõ e o substantivo katallagê transmitem com exatidão a idéia de "trocar" ou "reconciliar". entre marido e mulher. O verbo básico s ignifica "mudar".16 -21. O Novo Testamento emprega -o seis vezes. "fazer uma coisa cessar e outra tomar o seu lugar".seria necessário ela me perdoar de coração para que a restauração pudesse aconte cer. l Co 15.52). mesmo que eu tomasse a iniciati va e pedisse com sinceridade a reconciliação . pois sua atitude é fator crucial. não poderá haver reconciliação. Ela teria de tomar a iniciativa. Logo. Podemos regozijar-nos em nossa reconciliação com Deus por meio de Cristo (5. por exemplo. Em Cristo. em 2 Coríntios incide sobre Deus como agente principal da reconciliação (cf.11). 10). reconhecendo que já rasgou de cima a baixo o véu que nos separava dEle. Os textos mais relevantes são Romanos 5. da maneira como se conciliam os livros contábeis. Somente Paulo dá conotação religiosa a esse grupo de palavras. a parte lesada desempenha papel primário. No Novo Testamento.9-11 e 2 Coríntios 5.21 -22) a sua morte nos reconciliou com Deus. Agora.

14. 43. ge'ulim. apolutrõsis] efetivado mediante a morte de Cristo. aceitando o que Deus tem feito através de Cristo. e redenção" (l Co 1. 13. e justiça.12). O "parente redentor" funciona como um go'el. Diz ainda que a "filha de Sião" será chamada "povo santo. e santificação. go'e l) do seu povo (Is 41. e eles são os redimidos (heb.11).11. antilutron] por todos" (l Tm 2.45).12).9. Mas a obra divina na redenção é primariamente moral no seu escopo. a redenção clara mente diz respeito aos assuntos morais. apolutrõsis nestes dois textos). 62.8. Is 35. pedindo a redenção divina (SI 26. Diz. Lv 25. A REDENÇÃO A Bíblia também emprega a metáfora do resgate ou da redenção para descrever a obra salvífica de Cristo. lutron] de muitos" (Mt 20.21 com ousadia na sua presença perdoadora. O próprio Javé é o Redentor (heb. Ele declara que veio "para dar a sua vida em resgate [gr. Diz que Cristo "para nós foi feito por Deus sabedoria.6. Se não ocorrerem as duas ações.24. Rt 3 e 4.15. Paulo liga nossa justi ficação e o perdão dos pecados à redenção que há em Cristo (Rm 3. O tema aparece muitas vezes no Antigo Testamento.18). Isaías diz que somente os "remidos". andarão pelo chamado "O Caminho Santo" (Is 35.8-10). a reconciliação jamais acontecerá. 69.2 3).11.14. No Novo Testamento. Cl 1. As vezes Deus redime um indivíduo (SI 49. os "resgatados".28. Era um "livramento [gr. tam bém que Cristo "se deu a si mesmo em preço de redenção [gr. que empregam a palavra hebraica ga'a l). O tema aparece muito mais frequentemente no Antigo Testamento que no Novo. O Novo Testa mento demonstra claramente que Ele proporcionou a re denção mediante o seu sangue (Ef . Jesus é tanto o "Resgatador" quanto o "resgate". Dt 7. Salmos 130.8 diz: "Ele remirá a Israel de todas as suas iniqiiidades". Em alguns textos bíblicos. Mc 10. os pecadores perdidos são os "resgatados". padhah) os primogênitos (Êx 13. Essa é a parte que devemos cumprir. os remidos do Senhor" (62.5) e também os remirá do exílio (Jr 31.6).14).13-15). referindo-se aos ritos da "redenção" no tocante às pessoas ou aos bens (cf. ou um indi víduo ora.30). que libertou da ira retributiva de Deus e da penalidade merecida do pecado". 71. O Senhor tomou medidas para redimir (heb. Ele redimiu Israel do Egito (Êx 6.

É . Ef 4.10-13). ou ambos? Ambos. Haverá. recebestes dos vossos pais" (l Pe 1.7. por tradição. agorazõ) de volta para Deus. Hb 9. Pedro diz que "fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que. anomía]" (Tt 2. A sua redenção conseguiu para nós o perdão dos pecados (Ef 1. Hb 9.4).22. remiu-nos "de toda iniquidade [gr. de que fomos libertos? A contemplação dessas coisas é motivo de grande alegria! Cristo nos livrou do justo juízo de Deus que realmente merecíamos.14). Os evangélicos crêem que o Novo Testamento ensina haver Cristo pago o preço pleno do resgate para nos libertar. Sendo que as palavras subentendem o livramento de um estado de escravidão mediante o pagamento de um preço. l Pé 1. 10. provavelmente.1.23).22 1.3.4). ao referir -se ao "homem do pecado".20. por causa dos nossos pecados (Rm 3. já não estamos debaixo de uma maldição. 7.9).7) e nos libertou deles (Hb 9. Rm 1. mas não para usar a "liberdade para dar ocasiã o à carne" (Gl 5. Não podemos ter certeza de quem são os "pais". ao entregar-se por nós.17) e também vê certa futilidade nas práticas externas da religião judaica (At 15. (Anomia é a mesma palavra que Paulo usa em 2 Tessalonicenses 2. gr.26. 5. Cristo nos comprou (l Co 6. não deixam nada a ser completado por nós. judeus. Ap 5. Embora não façamos tudo quanto a Lei requer. e veremos o resultado de termos sido adotados como filhos de Deus mediante a obra de Cristo na nossa redenção (Rm8. Gl 2. zeloso d e boas obras" (Tt 2. Cristo tomou sobre si essa maldição (Gl 3.23. Ele.3.10. que nos sujeitava à ira divina.24.25.13) ou como "cobertura da malícia" (l Pé 2. pois era impossível que o sangue dos touros e dos bodes tirasse os pecados (Hb 10. pois o Novo Testamento considera fúteis os modos pagãos (At 14 -15.14).18-19. também. então.18).16). Seriam pagãos.12. quando aplicados a nós.25).10.) O propósito de Cristo ao redimir-nos é "purificar para si um povo seu especial. Sua é a obra objetiva da expiação.21.15).16. e o preço foi o seu sangue (Ap 5. uma redenção final dos gemidos e dores da era presente quando acontecer a ressurreição.9). cujos benefícios. Ele nos livrou das consequências inevitáveis de se quebrar a lei de Deus.

Os dois concordam que a questão não é de aplicação. l Co 15. Os dois concordam que. que jamais será imitada ou compartilhada por outros. não podemos. O fato de existir uma nítida diferença de opinião entre crentes bíblicos igualmente devotos acon selhanos a evitar a dogmatização extrema que temos visto no passado e ainda hoje. onde Pedro diz que Jesus deve permanecer no Céu "até aos tempos da restauração de tudo". o amor divino não permitirá que nenhum ser humano ou mesmo o diabo e os anjos caídos permaneçam eternamente separados dEle). o versículo chave do universalismo é Atos 3. das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas". Alguns entendem que a expressão grega apokastaseõs pantõn ("restauração de todas as coisas") tem significado absoluto. Uma obra incomparável. de modo global. a diferença acha -se na escolha entre o particularismo. O ALCANCE DA OBRA SALVÍFICA DE CRISTO Há entre os cristãos uma diferença significativa de opini ões quanto à extensão da obra salvífica de Cristo. Embora as Escrituras realmente se refiram a uma restauração futura (Rm 8. cada um pertencente a uma doutrina específica da eleição. mas sua obra salvífica é levada a efeito somente naqueles que se arrependem e crêem). Além dos textos bíblicos que demonstram ser a natureza de Deus de amor e de misericórdia. Os dois pontos de vista. têm sua base na Bíblia e na lógica.13). rejeitam a doutrina do universalismo absolu to (isto é. Por quem Ele morreu? Os evangélicos.24-26. usar esse versículo para apoiar o universalismo. direta ou indiretamente. e o universalismo qualificado (Cristo morreu por todos. ao invés de simplesmente "todas as coisas. ou expiação limitada (Cristo morreu somente pelas pessoas soberanamente eleitas por Deus). Entre os evangélicos. não poderá ser repetida. Fazer assim seria uma violência exegética contra o que a Bíblia tem a dizer deste assunto. O universalismo postula que a obra salvífica de Cristo abrange todas as pessoas. 2 Pe 3. O ponto de discórdia está na intenção divina: tornar a salvação possível a todos ou somente para os eleitos? .23 uma obra definitiva. Nem todos serão salvos.18-25.21. sem exceção. todas as pessoas receberão benefícios da obra salvífica de Cristo. à luz dos os ensinos bíblicos sobre o destino eterno dos seres humanos e dos anjos.

em alguns de seus comentários. não uma mer a parte do mundo. A aplicação da obra de Cristo não é automática. Mas seria esta uma oferta genuína da parte de Deus.4. (2) A doutrina da expiação ilimitada leva logicamente ao universalismo. mas a raça humana inteira'". l Pe 2. "Entre os reformadores.9. Uma vez que a Bíblia ensina a eleição e não sabemos quais são os eleitos (cf. não podem ser sustentadas.32. a doutrina encontra -se em Lutero.10: "Tenho muito povo nesta cidade [Corinto]"). Citam também numerosas passagens que. Se alguém optar por não crer.9.25.18. Marcos quer dizer. At 18. Os oponentes respondem que ardem no sentido de pregar o Evangelho a todos acha -se na Grande Comissão. Lc 2. Os particularistas argumentam: (1) Se Cristo morreu por todos. devemos pregar a to dos. 2 Tm 1.11). pois Cristo tomou sobre si a penalidade total. pela Igreja (Ef 5. Por exemplo. Até mesmo os eleitos precisam crer para ser salvos .3. At 20. pelos pecados de todos.24 Os particularistas olham para os textos bíblicos que di zem que Cristo morreu pelas ovelhas (Jo 10. 'que por muitos é derramado: Com a palavra muitos. Deus não cobraria duas vezes a mesma dívida. quando Ele sabe que isso não é realmente possível? (2) Antes da ascensão do calvinismo. Cl 3.13. Cranner. (3) A exegese e a hermenêutica sadias deixam claro que a linguagem univer sal nem sempre é absoluta (cf. Bullinger. que diz: "Todo aquele que desejar". Gl 1.24).. (3) As acusações de que. o universalismo qualificado havia sido a opinião majoritária desde o início da Igreja. Jo 12.1. não significa que Cristo não tenha morrido por ele ou que se pode lançar suspeitas sobre o caráter de Deus.24. Rm 5. em seus respecti vos contextos. Os defensores do universalismo qualificado argumen tam: (l) Somente este dá sentido à oferta sincera do Evangelho a todas as pessoas. que era para "todos". a respeito de Mar cos 14. Tt 2. Deus estaria sendo injusto se alguém perecesse pelos seus próprios pecados. Latimer. claramente associam os que crêem à obra expiadora de Cristo (Jo 17.11.45). 3. se fosse verdade uma expiação ilimitada Deus seria injusto e que o universalismo seria a conclusão lógica.28) ou por "muitos" (Mc 10. Calvino diz. Melanchthon. . Coverdale e até mesmo Calvino. 15). pois pensar de outra maneira lançaria dúvidas sobre a eficácia da obra de Cristo..

25 O ponto crucial da defesa. atribuída ao teó logo luterano Jakob Karpov.2. Por exemplo.5-8. mas é eficiente apenas para os eleitos". enviou seu Filho unig ênito à cruz a fim de suportar a penalidade total do pecado e poder perdoar livremente e com justiça todos quantos comparecerem diante dEle.15).1. "mundo" se refere à Igreja ou aos eleitos.9 diz que Jesus. é não se poder facilmente des considerar o significado óbvio dos textos universalistas. Certamente a Bíblia emprega a palavra "mundo" num sentido qualitativo. referindo se ao sistema maligno que Satanás domina. 2) para ambos. pela graça de Deus. Paulo diz que Jesus "Se deu a si mesmo em preço de redenção por todos" (l Tm 2.29) ou que Ele é "o Salvador do mundo" (l Jo 4. Está à disposição de todos. por sua infinita bondade e justiça. "é a propiciação" (v. Semelhante conclusão. expressão que remonta a 1737. Fica bastante fácil argumentar que o contexto (2. significa isso mesmo. Em texto algum do Novo Testamento. C. no entanto. no entanto. é limitada no sentido de ser eficaz somente para aqueles que crêem.10 -13) não significa todos de modo absoluto. Mas Cristo não morreu em favor de um sistema. Thiessen reflete o pensamento do Sínodo de Dort (1618 -19): "Concluímos que a expiação é ilimitada no sentido de estar à disposição de todos. H. Hebreus 2. vai além da credibilidade exegética. embora a idéia propriamente dita seja mais antiga. Em l João 2.16) ou que Cristo é "o Cordeiro de Deus. há um sentido universal no contexto (2.70 Quando a Bíblia diz que "Deus amou o mundo de tal maneira" (Jo 3. Além disso. provou a morte para "todos". A ORDEM DA SALVAÇÃO Deus.4). temos uma separação explícita entre os crentes e o mundo e uma afirmação de que Jesus Cristo. Diz Millard Erickson: "A hipótese da expiação universal consegue levar em conta um segmento maior do testemunho bíblico com menos distorção que a hipótese da expiação limitada". que tira o pecado do mundo" Jo 1.14). Qual a ordem lógica (não a cronológi ca) na qual experimentamos o .6) e que Deus "quer que todos os homens se sal vem" (l Tm 2. Entregou sua vida em favor das pessoas que dele fazem parte. Como isso acontece na vida de uma pessoa? Pensar a respeito da aplicação da obra de Cristo a nós leva a considerar a chamada ordo salutis ("ordem da salvação"). mas os "muitos filhos" que Jesus traz à glória. o Justo.

13) ou coletivamente (Rm 8.4. onde Paulo alista a presciência.6). Davi (l Rs 11. Subentenderia esta uma incapacidade total. presciência.6. Jerusalém (2 Rs 23.2. o perdão dos pecados não-mortais.28-30. quer individual (Rm 16. Crist o (Mt 12. a justificação e a glorifica ção. onde a pessoa necessita da obra regeneradora do Espírito Santo para tornasse capaz de se arrepender e crer a posição reformada? Neste caso. a par ticipação da presença física de Cristo. a ordem seria eleição. os eleitos. 2 Jo 1. justificação. arrependimento. A diferença encontra -se na ordem dos três primeiros. At 13.13. a diferença está primariamente. a escolha divina inclui anjos (l Tm 5. e no posicionamento da regeneração nessa ordem.1.26 processo de passar de um estado pecaminoso para o da plena salvação? A Bíblia não oferece uma ordem específica. santificação e glorificação. temos a capacidade de corres ponder com arrependimento e fé quando Deus nos atrai a si? Neste caso. embora se ache embrionariamente em Efésios 1. à penitência. o chamamento. a Bíblia ensina uma escolha feita por Deus: a eleição divina. e à extrema-unção. A ELEIÇÃO Evidentemente.27) e o Servo (Is 42. isto é: ao batismo. 14.18.33. à confirmação. sendo cada conceito edificado na idéia anterior.7). na qual a pessoa recebe o Espírito Santo. Ou suben tende que. quando a pessoa recebe a certeza da entrada no Reino de Deus. fé.17). a ordem seria presciência. fé. 43. por continuarmos a levar em nós a imagem de Deus. adoção. Entre os protestantes.1.5) e os crentes.21). predestinação. Sempre a .34). isto é. No Novo Testamento. regeneração. l P e 2. O catolicismo romano direciona essa ordem aos sacra mentos. l Pé 2. um remanescente de Israel (Rm 11. mesmo no estado caído. à eucaristia. arrependimento. chamamento. O Antigo Testamento diz que Deus escolheu Abraão (Ne 9. regeneração e os demais. predestinação.1114 e em Romanos 8. chamamento.9). A opinião que seguimos depende da nossa doutrina da depravação. no qual a pessoa experimenta a regeneração. a predestinação. o povo de Israel (Dt 7. A segunda das duas ordens é o ponto de vista adotado nesse capítulo.10). entre a abordagem reformada e (de modo geral) a wesleyana. que se referem à atividade de Deus na eternidade. eleição.

Paulo afirma: "Deus. não somos forçados a uma única conclusão. Jesus diz aos seus discípulos: "Não me escolhestes vós a mim. a eleição incondicional.25). pois. que a vossa eleição [gr. achamos o amor. segundo a eleição. e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo.21. que não leva em conta a respon sabilidade e participação humanas. seja tida forçosamente por suspeita. Portanto.nesse contexto.32). 7 -8) e que. E toda conclusão teológica que não fizer referência ao coração e aos ensinos do Salvador.30-33. é relevante que em quatro ocasiões Paulo vincule o amor à eleição ou à predestinação: "Sabendo.20). Paulo enfatiza a misericórdia divina que inclui os gentios j unuamente com os judeus (Rm 9. mas o contexto parece relacioná-lo à sua desobediência. e não o seu g êmeo.". e não de algo que sejamos ou façamos.14. II). Sua natureza reflete o Deus que elege. Paulo declara que a razão por que "Deus encerrou a todos debaixo da desobediência" é "para com todos usar de misericórdia" (11. Por isso.6 -24. Além disso.18).9-11. Qualquer estudo sobre a eleição deve sempre começar por Jesus. Precisamos notar as ênfases de Paulo. 10. Essa.20. Ele não escolheu Israel pela grandeza da nação (Dt 7. amados irmãos. para si . Uma delas é que ser filho de Deus depende da livre e soberana expressão de sua misericórdia. O calvinismo entende que esse trecho bíblico afirma a doutrina de uma escolha arbitrária d e Deus. 10.7). não é a única possibilidade.16). eklektoi] de Deus. Na mesma seção bíblica (Rm 9-11). porém.13. 11. (Cl 3. ao declarar que Deus escolhera apenas os descendentes de Isaque para serem seus filhos (vv.. antes do nascimento. "Como também nos elegeu [gr.27 iniciativa é de Deus.24-26. Diz ainda que Israel havia experimen tado "o endurecimento em parte" (11. e em Jesus não achamos nenhum particularismo. NEle. Ele escolheu Jacó. surgem evidências da participação e responsabilidade huma nas (cf.12) .23). mas eu vos escolhi a vós" (Jo 15. "para que o propósito de Deus. santos e amados.22 .12).16. amados por Deus. 9. isto é. compadece-se de quem quer e endurece a quem quer" (9.73 Paulo deixa bem claro esse fato em Romanos 9.3-6.4). 11. Esaú... "Como eleitos [gr. exelaxato] nele antes da fundação do mundo. obstinação e incre dulidade (10. eklogên] é de Deus" (l Ts 1. ficasse firme" (v.

A forma verbal aparece em Mateus 3. sua presciência por certo incluiria o nosso arrependi mento e fé em correspondência ao seu chamamento. Finalmente. heilato] desde o princípio para a salvação. refletindo o que Ele sabe. A declaração.77 Portanto.4.17.27. não compromete a atuação soberana de Deus. Paulo diz: "Mas devemos sempre dar graças a Deus. segundo o beneplácito [gr.19 -31). Sabia que Judas o trairia (Jo 13. O Deus que elege é o Deus que ama. de que os que Deus "dantes conheceu. a Bíblia não dá o mínimo indício do que Deus sabia com antecedência. eudokêsa]". Se. Depois de curado o coxo.17. quando a Bíblia liga nossa eleição à presciência (l P e 1. a culpa ainda era deles (At 4. em santificação do Espírito e fé da verdade" ( 2 Ts 2. Deus não os levou a crucificar Jesus.28 mesmo.18-27) e que Pedro o negaria (Mc 14. a presciência. e Ele ama o mundo. porém.29. eudokia] de sua vontade" (Ef 1.34). por vós. Ele sabia que morreria numa cruz (Jo 12. em Romanos 8.33. sustentarmos uma doutrina de onisciência total. Deus não precisa predestinar para saber de antemão. deixando -os ir à perdição eterna. Pedro declarou que os judeus em Jerusalém haviam agido na ignorância ao crucificar Jesus.32) e conhecia alguns pormeno res de sua morte (Mc 10. Tornar -se-ia válido o conceito de um Deus que arbitrariamente escolhe alguns e desconsidera os demais. em quem me comprazo [gr. na tentativa de fazê -la depender de alguma coisa que .2) não devemos ver nisso a causalidade. irmãos amados do Senhor. também os predestinou" não apóia semelhante idéia: a presciência seria um termo sem significado. no tocante a nossa parte na salvação. mas que também a morte de Cristo cumprira o que Deus falara através dos profetas (At 3. onde o Pai diz: "Este é o meu Filho amad o. diante de um Deus que ama o mundo? Em Jesus vemos também a presciência. olha em direção a D eus. Embora a intenção divina não esteja ausente nesta última palavra grega (eudokia).13). Mas. ela inclui também um sentido de calor que não fica tão evidente em thelõ ou boulomai.28).18). por vos ter Deus elegido [gr. Não poderíamos considerar a presciência e a predestinação como dois lados de uma mesma moeda? O lado de cima.5). Esta declaração. Mas certamente não devemos atribuir causalidade à sua pre sciência.

embora seja diferente a ênfase. João diz que "já conhecestes aquele que é desde o princípio" (l Jo 2. têm-se dito que o verbo "conhecer de ante mão" (gr.29) e "para louvor da sua glória" (Ef 1.34) e para conhecer aquilo que v ai além de meros fatos a respeito de uma pessoa. Ele chama as pessoas a si mesmo (Is 55. seu ancestra l. Lc 18 .29 fazemos. Ao dirigir-se aos "pais". l Pe 1..1). porém. pri mariamente com o propósito salvífico. a Bíblia se refere àqueles que crêem no seu Filho. Aqueles que Deus conheceu de antemão (Rm 8. Às vezes o chamamento refere-se à (1) conclamação para seguir a Jesus (Mt 4.22). ou (4) ao propósito para o qual Deus os chamou (por exemplo. proginõsko) sugere algo mais que a mera cognição mental. senão que todos venham a arrepender -se" (2 Pe 3. Ef 4.. Poderíamos.28).21. Em consonância ao seu propósito soberano e amoroso assim expresso: ".. No Novo Testamento. Ele realmente possui presciência cognitiva de tod os os pensamentos e ações de todas as pessoas. 17. ver na presciência de Deus sobre nós uma expressão de seu amor e solicitude? E Deus ama a todas as pessoas no mundo.2]).24]). cf. Além disso. olha em direção aos seres humanos e demonstra a operaçã o soberana da vontade de Deus. Mc 2. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento empregam a palavra "conhecer" para referir a intimidade do relaci onamento entre marido e mulher (Gn 4.29).11. para conhecê-lo [Cristo]" (Fp 3. o chamamento veio a ser mais universal e individualista.. Estes exemplos por certo dem onstram que "conhecer". para serem "santos" [Rm 1.9). Um Pai amoroso apresenta uma Noiva ao seu Filho amado.1. a vós somente conheci" (3.1. o lado de baixo da moeda.14). 2 Tm 1.1-8. a presciência é aplicada a eles e a eles somente. quando se refere aos crentes (Rm 8.30.2). então. não que rendo que alguns se percam.14. "os que são chamados" [l Co 1. (2) a uma chamada divina. (3) a uma descrição daqueles que correspondem (ou seja. fala ndo através de Amós. Ele os elegeu em Cristo (Ef 1.4) e os predestinou "para serem conformes à imagem de seu Filho" (Rm 8. a partir de Abraão. pode incluir amor e relacionamento.10).. Paulo disse: ".12). Mas se a Bíblia não declara o que Deus conheceu de antemão. na Bíblia. Mt 11. o chamamen to divino tinha a ver em primeiro lugar com o povo de Israel..9).29. O Senhor. ativa e interior.7. diz a Israel: ". A predestinação. Lc 1. l Co 1. Quando. clara mente se refere a quem (Rm 8. .13. No Antigo Testamento.

é sempre uma chamada da graça. Poder-se-ia afirmar. "Demonstra que. Estêvão fustiga os seus ouvintes: "Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido. Sua graça é eficaz. pois a operação de Deus sempre alcança os seus propósitos. também Ele chama irresistivelmente as pessoas à redenção. vós sois como vossos pais" (At 7. mesmo sendo o presente oferecido por um Soberano gracioso. e tal presente pode ser aceito ou rejeitado. escolhidos [gr. Klêtoí]. assim. Os profetas deixam claro que quando o povo não acolhia bem as expressões da graça de Deus. falei.4). 13). como "bondade cruel". Se aceitarmos a ordo salutís. na qual a regeneração segue o cha mamento mas antecede o arrependimento e a fé. Ef 1. e não ouvistes" (Is 65. mas poucos. 13). Assim como Deus chamou irresistivelmente a criação à existência. A pessoa já nasceu de novo. Parece claro que Estêvão tinha em vista a resistência à obra do Espírito Santo. estaremos entre os eleitos. porque a própria natureza da graça subentende que um dom gratuito é ofe recido. e não respondestes. O Senhor diz: "Estendi as mãos todo o dia a um povo rebelde" (Is 65. então. se correspondermos a ela. vós sempre resistis ao Espírito Santo. certamente a graça é irresistível. em semelhante caso. A própria palavra "chamada" subentende uma resposta. Este fato é evidente no Antigo Testamento.12). amoroso e pessoal. pelo menos do ponto de vista da resposta humana. que queria levá -los a Deus. Poderemos resistir a essa chamada graciosa? O calvinismo ensina que não.30 Ao concluir a parábola das bodas (Mt 22.51). num contexto que certamente tem em vista o destino eterno (v. tornamo -nos eleitos de Deus. e. que a expressão "graça irresistível" é tecnicamente imprópria? Parece ser um oxímoro. eklektoi]" (v. visando a salvação. proposta pelos calvinistas. Quando Deus nos chama para si. o círculo dos chamados e o dos eleitos não coincidem necessariamente entre si".1 -14). O fato de alguns deles (inclusive Saulo de Tarso) terem crido posteri ormente não serve como evidência em favor da doutrina da graça irresistível. independente de qualquer distinção que façamos entre a graça "preveniente " e a graça "eficaz". E assim acontece. já não faz sentido. A idéia de resistir. nem por iss o ficava ameaçada a sua soberania. Se o propósito eterno de Deus estiver em perspectiva (cf. Jesus disse que "muitos são chamados [gr. E sua soberania não será ameaçada ou diminuída se recusarmos o dom gratuito. .2). E: "chamei.

no entanto. que buscam atrair todas as pessoas a si mesmos. Deus pareceria mais um soberano caprichoso que brinca com os seus súditos que um D eus de amor e graça. de modo mais expressivo. O monergismo tem suas raízes no agostinianismo. Se o pecador optar por arrepen der-se e crer. Mas o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo não brinca conosco. remonta a Armínio e. não são produzidas em nós sem o nosso consentimento. e a própria natureza do amor subentende que ele pode ser resis tido ou rejeitado. não por não quererem corresponder. sendo que estes dois teólogos enfatizavam nossa capacidade de escolher livremente. mesmo nas questões que afetam o nosso destino eterno. Neste caso. Sua promessa: "todo aquele que quer" seria uma brincadeira de inigualável crueldade. Deus é amor.31 Além disso. forçosamente é de uma grandeza que ultrapassa a nossa imaginação. fosse im possível resistir à graça de Deus. Ele abrangeu a todos. pois Deus ama o mundo. Deus é o único agente ativo. a Wesley. mas por não poderem. Formas extremadas de sinergismo remontam a Pelágio. o amor é vulne rável. Deus. Se o pecador optar por não se arrepender ou não crer. cujo amor anseia que todos cheguem a Ele mas não os obriga irresistivelmente a vir e cujo coração fica magoado com a recusa. Na sua expressão evangélica moderada. Quando os braços de nosso Senhor Jesus Cristo se estenderam na cruz. pois Ele é quem estaria brincando. a culpa é inteira mente deste. Somos depravados. entretanto. A conversão é uma obra que somente Deus leva a efeito. Pela sua própria natureza. A situação é a inversa. que negava a depravação essencial da humanidade. Por outro lado. e afirma que a pessoa. para ser salva. não é capaz de fazer abso lutamente nada para levar a efeito a sua salvação. necessário é dizer que. mas acredita que as exortações . Há somente uma resposta apropriada a tamanho amor: arrepender -nos e crer. nem mesmo os mais depravados entre nós perderam totalmente a imagem de Deus. O sinergista evangélico afirma que somente Deus sal va. A graça de Deus não seria eficaz para eles. Evitemos as expressões extremadas do sinergismo (a "operação em con junto") e do monergismo (a "operação isolada"). Claro está que não podemos produzir tais ações sem a capacitação divina. os incrédulos pereceriam. Não lhe diminuímos a magnífica grandeza ou a soberania se cremos possível recusar seu amor e graça.

7.30). A pessoa também pode desviar-se do bem (Ez 18. Deus "anuncia agora a todos os homens. em todo lugar.19). que se arrependam" (At 17.16) e metanoeõ metanoia para a idéia de "arrependimento" (At 2. para expressar a idéia de arrependimento são shuv ("virar para trás". isto é. de Jesus (Mt 4. Rm 2. seja quanto ao desviar -se de Deus (l Sm 15. Utiliza-se de metanoeõ para express ar o significado de shuv.23).19).38) era "Arrependei -vos!" Todos devem arrepender-se. seja no sentido de voltar para Deus (Jr 3. Embora o arrependimento por si só não possa nos salvar. no Antigo Testamento. 26) ou desviar-se do mal (Is 59. mas declarar este fato não exige que diminuamos a nossa responsabilidade quando confrontados pelo Evangelho. . 2 Co 3. Mas também é certo que metanoia.2).30. 17. O ARREPENDIMENTO E A FÉ O arrependimento e a fé são os dois elementos essenciais da conversão. A salvação provém in teiramente da graça de Deus. Shuv ocorre mais de cem vezes no sentido teológico. arrepender-se.17) e dos apóstolos (At 2.32 universais ao arrependimento e à fé fazem sentido apenas se pudermos.19. 20.1). "consolar").24.21. porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3. aceitar ou rejeitar a salvação. que indica uma ênfase à mente e à vontade. no Novo Testamento. Envolvem uma "virada contra" (o arrependimento) e uma "virada para" (a fé). O verbo nicham tem um aspecto emocional que não fica evidente em shuv.38. é mais que uma mudança intelectual.11. é impossível ler o Novo Testamento sem tomar consciência da ênfase deste sobre aquele. O Novo Testamento emprega epistrephõ no sentido de "voltar -se" para Deus (At 15. "voltar") e nicham ("arrepender-se". mas ambas as palavra s transmitem a idéia do arrependimento.20. Os 6. A mensagem inicial de João Batista (Mt 3. que passa a operar uma mudança fundamental de atitudes básicas. Jr 3. As palavras primárias. na realidade.4). Ez 3. Ressalta o fato de uma reviravolta da pessoa inteira.

mas o rei não quis ser persuadido a tornar -se cristão (At 26. A infidelidade de Israel Gr 3.6). embora não negasse a vera cidade do que Paulo lhe dizia a respeito de Cristo.30. Quando cremos em Deus e confiamos totalmente nEle. voltamo-nos para Ele. é a vontade que está mais profundamente envolvida. conceito este que afirma a fé (SI 18.21) e no seu amor inabalável (SI 13. Portanto. A fé abrange a confiança. Moisés ligou a rebelião e desobediência dos israelitas à sua falta de confian ça no Senhor (Dt 9. Difi cilmente poderíamos imaginar que João Batista não lhe tenha proporcionado uma oportunidade de se arrepender. Quanto a isso. Alegramo -nos porque podemos confiar no seu nome (SI 33. ver também Is 57. sabendo que era varão justo e santo" (Mc 6. Podemos "depender" do Senhor ou nEle "fiar -nos" (heb. Não quis arrepender -se. um déspota imoral que encarcerou João Batista por ter este denunciado o cas amento com a esposa de seu irmão Filipe. e foi -lhe imputado isto por justiça" (Gn 15.23.24). batach) com confiança. possuía algum entendimento teológico.7).20). A conversão subentende "voltar-se contra" o pecado.1 -8. Entre as declarações bíblicas sobre o assunto. assim como o filho pródigo: "Levantar-me-ei. cf Os 2.13). . não está fora de propósito uma distinção. chasah) nEle. mas igualmente "voltar -se para" Deus. 'aman] no Senhor. mas ao mesmo tempo "Herodes temia a João. Podemos também "refugiar-nos" (heb. SI 89.5).5. Os 2.33 Embora o arrependimento envolva as emoções e o inte lecto. e irei ter com meu pai" (Lc 15. basta citarmos como exemplos os dois Herodes. Embora não devamos sugerir uma dicotomia absoluta entre as duas ações (pois só quem confia em Deus dá o passo do arrependimento). Quem assim fizer será bem-aventurado (Jr 17. O evangelho de Marcos apresenta o enigma de Herodes Antipas.28). esta é a fundamental: "Abraão creu [heb.9.2. Paulo confrontou Herodes Agripa II com a própria cren ça do rei nas declarações proféticas a respeito do Messias. Segundo parece. Todos nós precisamos dizer.6 -14) forma um nítido contraste com a fidelidade de Deus (Dt 7.16).18). Herodes acreditava em algum tipo de ressurreição (6.20).

Fp 1. 2 Pé 1.9. obviamente. portanto. Crer no Filho de Deus leva à vida eterna (Jo 3. Gl 5. afir ma que semelhantes anseios.8. mas de Deus? Alguns citam determinados versículos como evidên cias em favor de semelhante opinião. Seriam tais anseios inválidos em si mesmos.10).8).10. A fé. é a atitude da nossa dependência confiante e obediente em Deus e na sua fidelidade. no entanto.16). a quem se dirigem. I. nada tem a ver com a presença ou exercício da fé. e então declara: "A fé é um dom de Deus (Rm 12. para protegermos o ensino bíblico da salva ção pela graça mediante a fé somente. no Evangelho (Mc 1. Mas ensina a Bíblia que.24). e um lado humano". Gl 5. Thiessen afirma que há "um lado divino da fé. à parte da atividade divina direta? Não podemos.23. é o autor de toda a fé salvífica (Ef 2. 31). Sem fé. portanto. Packer diz: "Deus. . normalmente funciona como um termo técnico. não poderemos agradar a Deus (Hb 11.20). Essa fé caracteriza todo filho de Deus fiel. exercer a fé salvífica à parte da capacitação divina. cons tituem-se evidências favoráveis à existência de um Deus. Mt 23. Poucas vezes o substantivo reflete a idéia da fidelidade como no Antigo Testamento (por exemplo. na Bíblia. em Cristo (At 16.15) ou no nome de Cristo Jo 1. É o nosso sangue espiritual (Gl 2. A maioria dos evangélicos. Rm 3.3.3.1) outorgado soberanamente pelo Espírito de Deus (l Co 12.22). Somos salvos pela graça mediante a fé (Ef 2.34 No Novo Testamento. Pode-se argumentar que a fé salvífica é um dom de Deus. Tt 2.8). Paulo diz que todos os aspectos da salvação são um dom de Deus (Ef 2.22. universalmente presentes. H. a fé não é "um salto no escuro". cf.12). Ap 13.6). confio") e o substantivo pistis ("fé") ocorrem cerca de 480 vezes.29)". inclusi ve entre os pagãos. usado quase exclusivamente para se referir à confiança ilimitada (com obediência e total dependência) em Deus (Rm 4. e por certo a fé está incluída aí . estamos simplesmente devolvendo o dom de Deus? Seria necessário. J. Tudo isso deixa claro que. o verbo pisteuõ ("creio. Pelo contrário. até mesmo dizer que a presença de anseios religiosos. insistir que a fé não é realmente nossa. quando cremos. C.

Normalmente. O versículo em Efésios desperta dúvidas.22 certamente não. A fé não é obra. E porei dentro de vós o meu espírito e farei que andeis nos meus estatutos" (Ez . é a resposta do hom em.. mas a fé (o ato de crer) não é de Deus. mediante a qual Ele cria de novo a natureza interior.5 se refere à renovação espiritual do indivíduo. mas sim a mão estendida que se abre para aceitar a dádiva divina da salvação. mas do homem". porque "fé" é feminino e "isso" é neutro (em grego). Deus realiza atos soberanos que nos introduzem na família do seu Reino: regenera os que estão mortos nos seus delitos e pecados. Embora estes ato s ocorram simultaneamente na quele que crê. A REGENERAÇÃO Quando correspondemos ao chamado divino e ao convi te do Espírito e da Palavra.. e Gaiatas 5. A fé considerada nesses versí culos é a fé (ou fidelidade) demonstrada pelos crentes na contínua experiência cristã. ao invés de conquistarmos a salvação pelas nossas boas obras. e ficareis purificados. e adota os filhos do inimigo.19). Somen te em Tito 3. Louis Berkhof diz: "A verdadeira fé salvífica é a que tem seu centro no coração e está arraigada na vida regenerada". O Senhor "tirará da sua carne o coração de pedra e lhes dará um coração de carne" (Ez 11.28 emprega-o com referência aos tempos do fim. é possível examiná -los separadamente. o pronome concorda com o antecedente quanto ao seu gênero.9 não se referem a ela. justifica os que estão condenados diante de um Deus santo.. E vos darei um coração novo e po rei dentro de vós um espírito novo. É Deus quem possibilita a fé. Poderíamos olhar para aque les versículos de modo diferente? Por exemplo: "A fé. a Bíblia empreg a várias figuras de linguagem para descrever o que acontece. no entanto: Indicam todas as referências citadas inequivocamente a fé "salvífica"? Parece que Romanos 12. Deus diz: "Espalharei água pura sobre vós.. A regeneração é a ação decisiva e instantânea do Espírito Santo.35 E necessário perguntar.. Paulo quer dizer que a questão inteira de sermos salvos é dádiva de Deus. Embora o Antigo Testamento tenha em vista a nação de Israel..3 e l Coríntios 12. Mateus 19. O substantivo grego (palingenesia) traduzido por "regeneração" aparece apenas duas vezes no Novo Testamento.

Constamos.15) e pelo Novo Testamento (gr. na nossa experiência de Cristo e do Espírito e no nosso caráter moral. na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (Jo 3..1.4. Ele "circuncidará o teu coração. gennaõ. O Novo Testamento apresenta a figura do ser criado de novo (2 Co 5.7. Pv 17. em sua grande misericórdia. porque Cristo já pagou a penalidade integral do pecado (Rm 3. declarando -os plenamente justos aos seus olhos.. l Rs 8.34) sugerem um contexto judicial e forense.3). Não devemos. considerá -la uma ficção jurídica. portanto. Para descrever a ação de Deus a justificar-nos. A regeneração é o início do nosso crescimento no conhecimento de Deus. Mas ainda se faz mister um processo de amadurecimento. . "gerar" ou "dar à luz"). Dt 25. dikaioõ: Mt 12. Ela é imputada a nós. 8. como se estivéssemos justos sem no entanto sê-lo. Jesus disse: "Na verdade. Nascer de novo diz respeito a uma transformação radical.5).25-27).3). E uma obra que somente Deus realiza. para amar es ao Senhor" (Dt 30. O Deus que detesta "o que justifica o ímpio" (Pv 17. Deus colocará a sua lei "no seu interior e a escreverá no seu coração" (Jr 31. Jesus Cristo tornou-se a nossa justiça (l Co 1. no entanto.6).20. diante de Deus como plenamente absolvidos. O termo "justificação" refere se ao ato mediante o qual.21-26).37. a justificação modifica a nossa situação diante de Deus. Rm 3.33).30). os termos empregados pelo Antigo Testamento (heb. 11).32. tsaddiq: Êx 23.33. Deus credita ou contabiliza (gr. "nos gerou de novo para uma viva esperança" (l Pé 1.36 36. porém a mais comum é a de "nascer" (gr. A JUSTIFICAÇÃO Assim como a regeneração leva a efeito uma mudança em nossa natureza. Por estarmos nEle (Ef 1. 7. com base na obra infinitamente justa e satisfatória de Cristo na cruz. Deus declara os pecadores condenados li vres de toda a culpa do pecado e de suas consequências eternas. Pedro declara que Deus.15) mantém sua própria justiça ao justificá-lo. logizomaí) sua justiça em nosso favor.17) e a da renovação (Tt 3.

chashav] isto por justiça" (Gn. Em primeiro lugar. a fé (ou o crer) achar-se ligada a ela (cf.19).16. Quem imagina estar mais justificado depois de servir ao Senhor durante cinco ou 55 anos ou pensa que boas obras obtêm mérito diante de Deus. independente de qualquer bem que porventura fa çamos. não é por causa de nenhuma boa obra de nossa parte. A Bíblia não considera meritória a fé. quando ocorre a idéia da justificação no Novo Testamento. no qual Davi pronu ncia uma bênção sobre "o homem a quem o Senhor não imputa maldade" (Rm 4.4). E comum. Paulo cita dois exemplos do Antigo Testamento como argumento em favor da justiça imputada.8. Quem procura ser justificado mediante a Lei está sujeito à maldição (Gl 3. A fé tem sido sempre o meio de se receber a justificação.24) e sua provisão no sangue que Cristo derramou na cruz (Rm 5. diz que "c reu ele no Senhor. A fé nunca é o fundamento da justificação.8). "Cristo morreu debalde" se a justiça provém da obediência à Lei (Gl 2. ver também 2 Co 5.30. Isto ocorreu antes de Abraão ter obedecido a Deus no tocante à circuncisão. mas sempre dia pisteos.28. Deus.21).37 Em Romanos 4. Como ocorre a justificação. Realmente. tem graciosamente feito as duas coisas .5. Mas é ainda mais glorio so não sermos considerados culpados de nossos pecados e más ações. 5. mesmo no caso dos santos do Antigo Testamento (cf.1.10). 15. mas simplesmente como a mão vazia estendida para aceitar o dom gratuito de Deus. Rm 3. ao nos justificar. At 13. Paulo cita Salmos 32. em relação ao crente? A Bíblia de ixa duas coisas bem claras.39. pois o sacrifício de Cristo pagou o preço. Em segundo lugar.2. De modo talvez ainda mais dramático. 4. Gl 3. foi "separado de Cristo" e "caiu da graça" (Gl 5. Gl 2.69). e foi lhe imputado [heb. .8). A respeito de Abraão. O Novo Testamento jamais afirma que a justificação é dia pistin ("em troca da fé"). Já é glorioso receber em nossa conta corrente a retidão de uma pessoa perfeita.3. e nós a recebemos mediante a fé (Ef 2. deixou de compreender o ensino bíblico. sinal da aliança.e de modo lícito. 3. no próprio âmago do Evangelho en contra-se a verdade de que a justificação tem sua origem na livre graça de Deus (Rm 3. ("mediante a fé").6).26.19).

Diz também.2). a idéia se acha ali (Pv 17. Embora o termo não apareça no Antigo Te stamento. outra vez. "adoção".33. Vivo em Jesus minha salvação.4. ho patêr]" (Rm 8. Somos plenamente fi lhos.38 Tendo sido justificados pela graça. não nos tornamos divinos. Sou do Senhor e Ele é meu. Conduz nos também a um novo relacio namento.30) e a libertação presente e futura da condenação (Rm 8. A divindade pertence ao único Deus verdadeiro. ao sermos feitos filhos de Deus. Charles Wesley escreveu: Não temo agora a condenação .34.7). somente nos escritos de Paulo e sempre no sentido religioso. estardes em temor. Vestido da justiça que vem de Deus. vai além de nos colocar em situação correta diante dEle.1) e estamos preservados "da ira de Deus" (Rm 5. privilégios e obrigações da afiliação àqueles que aceitam Jesus Cristo.9). A doutrina da adoção. Temos a certeza da glorificação final (Rm 8. A justificação nos torna "herdeiros. A palavra grega huiothesia. Paulo diz que Deus "nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo" e "nos predestinou para filhos de ado ção por Jesus Cristo" (Ef 1. A ADOÇÃO Deus. "Temos paz com Deus" (Rm 5.1). para. embora . aparece cinco vezes no Novo Testamento. Em louvor à justificação. é o ato da graça soberana mediante o qual Deus concede todos os direitos. desde a eternidade passada e através do presente. no entanto. segundo a esperança da vida eterna" (T t 3. experi mentamos grandes benefícios de agora em diante. Ressalve -se que. um termo jurídico. pelo qual clamamos [em nosso próprio idioma]: Aba [aramaico: Pai].5). mas rece bestes o espírito de adoção de filhos [huiothesia]. no Novo Testamento.15). Pai [gr. leva -nos. ver também 8. a respeito de nossa experiência presente: "Porque não recebestes o espíri to de escravidão. A "adoção". mediante a fé. até a eternidade futura (se for apropriada semelhante expressão). pois nos adota em sua família.

no futuro.11). se fossem de nós. Qualquer pessoa bíblica e teologicamente alerta reconhecerá a mentira em cada uma dessas ca ricaturas. uma vez salvos. mas será plenamente rea lizada na ressurreição dentre os mortos. daquEle que não se envergonha de nos chamar irmãos (Hh 2. não se apartará definitivamente da fé. . tantas vezes quantas quiserem. As caricaturas que os proponentes das várias opiniões pintam dos conceitos de seus oponentes usualmente não têm base na realidade. receberemos "a adoção. é impossível aceitar como igualmente ver dadeiras as posições calvinista e wesleyana. Saíram de nós. A presença de extremos tem levado a generalizações lastimáveis. calvinistas insistem que os wesleyanos-arminianos acreditam que qualquer pecado co metido compromete a salvação. Deus nos concede privilégios de família mediante a obra salvífica do seu Filho incomparável. Alguns da persuasão wesleyana -arminiana insistem acreditarem os calvinistas que. paciência e graça de Deus são tão frágeis que rompem à mínima pressão. Mas é possível buscar uma orientação bíblica mais equilibrada. ao deixarmos de lad o a mortalidade. A adoção é uma realidade presente.23). por mais lo nge que se afaste da prática do cristianismo bíbli co. de modo que "caem dentro e fora" da salvação cada vez que pecam como se acreditassem que o amor. entre os crentes a doutrina da perseverança surte o mesmo efeito. ou essa garantia não existe.19. ficariam conosco. Mas. a saber. lemos que o surto de "anticristos" demonstra que "é já a última hora.18. Ambas as posições não podem ser verdadeiras. A PERSEVERANÇA Se a doutrina da eleição provoca a ira dos incrédulos. porque. e ainda continuarem salvos como se acreditassem que a obra santificadora do Espírito e da Pala vra não os afeta.39 ainda não sejamos totalmente maduros. perseveran ça não significa que todo aque le que professar a fé em Cristo e se tornar parte de uma comunidade de crentes tem a segurança eterna. mas não eram de nó s. Biblicamente. podem cometer os pecados que quiserem. Ou a Bíblia oferece à pessoa verdadeiramente salva a garantia de que. a redenção do nosso corpo" (Rm 8. Por outro lado. Naturalmente. Em l João 2.

27 30).5). a esse respeito? Há relevante apoio. Parece que ninguém. O Espírito Santo em nós é o selo e a garantia da nossa redenção futura (2 Co 1. Este é um dos textos prediletos dos calvinistas. Porém. tendo em vista a necessidade da exegese da bíblica com integridade.18). Jesus não perderá nada de tudo quanto Deus lhe deu (Jo 6. E gostaríamos que o assunto pudesse ser deixado como está. a posição do calvinismo estaria segura e inabalável. é um exemplo de semelhante pessoa. especificamente. para apoiar o argumento de que os que "saem" da fé a ponto de se perderam eram apenas crentes nom inais.40 mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós".38 -40). seja qual for a sua orientação teológica. De acordo com as Escrituras. Ef 1. mas advertir aqueles que dependem de realizações exteriores para ter a certeza da salvação.14).21 -23). O seu poder nos guarda (l Pé 1. O que diz a Bíblia.9-24).4). à posição calvinista. Deus em nós é maior do que qualquer coisa fora de nós (l Jo 4. Ele é poderoso para salvar em todo o tempo aqueles que nEle crêem (Hb 7. As ovelhas jamais perecerão (10.22.42).11). tal desejo r evela-se impossível. Que garantias grandiosas! Ne nhum crente pode (nem deve) viver sem elas. se fosse apenas isto que o Novo Testamento tivesse a dizer. e Ele orou ao Pai que guardasse e protegesse os seus seguidores (17. E.25). .6). Jesus disse a alguns que reivindicavam possuir po deres espirituais extraordinários (e Ele não negava o fato) nunca os haver conhecido (Mt 7. a perseverança refere -se à operação contínua do Espírito Santo. no Novo Testamento. Nem todas as pessoas em nossas igrejas e nem todos os que oferecem evidências exteriores de fé são crentes de verdade.12). o mago (At 8. é capaz de levantar objeções a seme lhante declaração. Deus sempre atende as orações de Jesus (11. Declarações desse tipo não visam aterrorizar o coração do crente genuíno e sincero. mediante a qu al a obra que Deus começou em nosso coração será levada a bom termo (Fp 1. 5. Os não -calvinistas não prestam nenhum serviço à sua posição teológica quando procuram diminuir o impacto dessas declarações.24. Deus guardará o que confiarmos a Ele (2 Tm 1. Somos conservados por Cristo (l Jo 5.5. Alguns argumentam que Simão.

a fim de evitar as implica ções de outros textos neotestamentários. Mas parece que os calvinistas às vezes apelam a métodos tortuosos.4-6. A palavra grega apostasia ("apostasia".26-31). Jesus diz ainda que. mas sejais imitadores dos que.26-31. para que vos não façais negligentes. pode -se entender que a Bíblia diz que poderíamos apostatar.19). Rm 11. se tão -somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim" (3.12). na exegese e na hermenêutica. se a pessoa não permanecer nEle.28] está nos dizendo o que vai acontecer: as suas ovelhas não perecerão. Continuar na fé e na prática confirma nossa esperança e herança. por que a possibilidade existiria somente em hipótese? Erickson e a maioria dos calvinistas referem -se a Hebreus 6. e não real? Prosseguindo nesse raciocínio. mas também a real (Hb 6. mesmo a despeito do v.12: "Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim. Jesus [Jo 10.41 Porém há mais. Se tal pode acontecer. Não é possível apenas a apostasia formal. l Co 9. O escritor aos Hebreus diz que "a casa [de Deus] somos nós. Ele diz que olhar para trás nos torna indignos do Reino (Lc 9. mediante o poder d e Cristo para nos conser var. É realmente possível fazer uma exegese de Hebreus 10. "rebelião") provém de aphistêmi ("partir". 39.13). está tratando de uma situação hipotética.9 como evidência: "Mas de vós. herdam as promessas".27).. Millard Erickson diz: "O escritor. Paulo diz que podemos ser alienados de Cristo e cair da graça (Gl 5. e que "se o negarmos. cf.12. 10. ainda que assim falamos".62) e adverte: "Lembrai -vos da mulher de Ló" (Lc 17. pela fé e paciência. que devemos cuidar para que ninguém entre . de modo a concluir que se refira meramente a uma possibilidade lógica. citemos a advertência de Jesus: "O amor de muitos se esfriará. para completa certeza da esperança. Então.. porém. ó amados.6. que alguns abandonarão (gr. isso não nos acontecerá". "ir embora") e transmi te o conceito de modificar a posição em que a pessoa está de pé. esperamos coisas melho res e coisas que acompanham a salvação. Mas aquele que perse verar até ao fim será salvo" (Mt 24.. aphistêmí) a fé (l Tm 4.11.. Os wesleyanos-arminianos aceitam sem hesitação a relevância e garantias dos textos supra.17 -21.1).32). será cortada (Jo 15. Semelhante justificativa fica sendo tênue à luz de Hebreus 6.4).6). também ele nos negará" (2 Tm 2. que alguns naufragaram na fé (l Tm 1.

independente de ele ter a Cristo (l Jo 5. se retiver mos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim" (3. e nós a possuímos somente à medida que estamos "em Cristo". a porca lavada. passamos por sinais de advertência: "Curva fechada!" "Ponte caída!" "Deslizamento!" "Estrada estreita e sinuosa!" "Declive forte!" "Obras na estrada!" E nenhum desses perigos acaba surgindo. dizendo que essas advertências são essencialmente hipotéticas para os crentes verdadeiros.12). ao espojadouro de lama" (2 P e 2. João diz que a vida eterna não é possessão do crente. porém. conhecendo -o. Em dife rentes trechos. A vida eterna é a vida de Cristo em nós.11.20-22). os automóveis (os perigos) realmente não existem. Deste modo. tornou -se-lhes o último estado pior do que o pri meiro. ou algum louco colocou . empregam várias ilustrações. à noite. para se apartar [gr. desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. forem outra vez envolvidos nelas e vencidos. Erickson refere-se a pais que temem que seus filhos saiam correndo para a rua e sejam atropela dos por um automóvel. aphistamai] do Deus vivo" (3. mas não o fará). sobreveio -Ihes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito. Os calvinistas. ou pode m advertir a criança contra o perigo de sair correndo para a rua (neste caso. a criança poderia fazer isso. e que "nos tornamos participantes de Cristo. Vamos imaginar que estamos dirigindo nosso carro pela estrada. A nós não foi concedido esse direito. pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Se. Iremos pensar que foi uma brincadeira de mau gost o. O Pai "deu também ao Filho ter a vida em si mesmo" no mesmo sentido em que o Pai tem vida por seu próprio direito e natureza (Jo 5. Pedro menciona aqueles que "depois de terem escapado das corrupções do mundo. e se a criança sabe disso. funcionará realmente a advertência como dissuasão? Permita-me uma outra analogia.42 nós tenha "um coração mau e infiel. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que.26). Eles têm duas opções: construir um muro alto que impossibilite a saída de dentro do quintal (mas isto restringiria a liberdade da criança).12).14).

nossa redenção e justiça. a certeza da salvação dada a todos os crentes verdadeiros mediante o Espírito Santo que em nós habita. de onde provém essa certeza maior? Na realidade. Esta verdade aplica -se aos calvinistas e também aos wesleyanos-arminianos. estamos em Cristo. em 2 Pedro e em Mateus 7. ao contrário dos wesleyanos -arminianos. mas não precisamos ter medo. Mas seria essa a verdade? Tendo em vista passagens bíblicas como os capítulos 6 e 10 de Hebreus e as demais mencionadas. Ambos os pontos de vista concordam que não ousamos presumir. . E. é que. se não correspondessem à realidade? Os calvinistas argumentam ter a certeza da salvação em virtude de sua posição teológica. temos a segurança eterna.22 e ainda não estar "dentro" do Reino. pela graça mediante a fé. estando nEle. como podem os calvinistas alegar mai or certeza de salvação que os arminianos? Como poderão ter certeza de estar entre os eleitos antes de chegar ao Céu? Se a pessoa pode chegar tão perto do Reino quanto descrito na Epístola aos Hebreus.43 aqueles sinais. De que maneira seriam advertências.

fazendo -nos concordar com o apelo do sistema calvinsita. mas tenha a vida eterna. contra a Doutrina da Trindade pela Igreja Católica em Genebra. ainda que ele não nos satisfaça. em 1553. Desejando e apoiando a execução de Servet. vasculhando a história dos dois postulados e seus pr ecursores. se lidos em sua inteireza. e o aprendizado obtido lendo pela primeira vez Jacobus Armínius sob uma ótica verdadeiramente arminiana e ao mesmo tempo imparcial no que diz respeito ao fato de ele conquanto se ndo arminiano. . Talvez porque para ele cust asse bem pouco a vida de um não eleito . como que seriamente comprometida. quando lemos Jacobus Armínius. para que TODO aquele que nele crer não pereça. na verdade está longe de compreender a extensão da graça e do amor de Deus demonstrado na Cruz. não tenha tentado distorcer os pressupostos da teoria calvinista.44 CONCLUSÃO O ponto de vista calvinista que advoga encontrar na Bíblia apoio para a Eleição Incondicional e a Pré-destinação Arbitrária de Deus. cujos livros. Quanto à controvérsia Predestinação x Livre-arbítrio. Nosso amado irmão e Apóstolo João que o diga. fez com que a leitura fosse gratificante e extremamente reveladora . Por este motivo. desmerecem todo o sistema calvinsita de argumentações muito bem emaranhadas e muito seguras em sua metodologia extremamente fatalista. a escolha do autor neste trabalho foi criteriosa. o Evangelho segundo escreveu João diz: Porque Deus amou o mundo (A HUMANIDADE) de tal maneira que deu seu Filho Unigênito. difícil é encontrar material expondo a inteireza do pensamento de Jacobus Armínius. cuja execução Calvino proferiu que usaria de todos os poderes que lhe cabiam na época para assegurar que seria cumprida. o que me faz mais convicta ainda de que seu sistema é falho. Trata -se da condenação à fogueira por heresia do Médico humanista Miguel Servet. Obviamente que. (João 3.16). e isso porque quase que a totalidade dos teólogos de renome disponíveis para consulta hoje defendem o calvinismo. sob as lentes de Calvino. Ademais. encontramos algo intrigante a respeito de João Calvino que os calvinistas de hoje procuram deixar bem enterrado no passado. Calvino violou sem arrependimento o segundo mandamento. Aliás. nossa percepção do pensamento deste fica embaçada.

mas o homem é responsável por suas próprias escolhas. algumas declarações Bíblicas pareceriam hipócritas. e eu vos aliviarei. do Deus que permitiu que seu Filho Unigênito padecesse tão grandes sofrimentos numa morte vexatória para salvar a todos quantos nele cressem. De forma que. que defender que Deus escolhe alguns dentre milhares de milhares para salvar e deixa trilhões de pessoas abandonadas à sua própria sorte. antes. não quero eu.Acaso. objeto crer que Deus escolheu alguns e outros não e ainda assim. que se converta do seu caminho e viva? Logo. se na verdade não fossem para todos. inclusive por sua própria escolha de rejeitar a graça da salvação oferecida em Cristo e escolher a separação eterna de Deus. ou ainda o que dizer do texto de Ezequiel 18:23 . (Mateus 11:27). do Deus que mandou Jonas pregar para uma cidade de inescrupulosos assassinos como os assírios.45 exclusivista e fatalista e incorre nos mesmos erros pelos quais Jesus tantas vezes repreendeu os Doutores da Lei durante seu ministéreio terrenal . permitiu que os não eleitos nascessem e não fossem regenerados. compete a Deus saber. eu mantive minha posição arminiana por compreender que Deus criou todos os homens e os predestinou a todos para morar no céu. que foi criada para estar próxima de seu Criador . quantos e quais são os que vão obedecer e ter vida plena em Cristo. não concorda com o caráter do Deus que não faz acepção de pessoas . Fato é. para serem lançados no inferno. diante do qual. como por exemplo: Vinde a mim. Ademais. A cada ser humano individualmente cabe corresponder ao amor de Deus destinado a redimi -lo. Isto posto. nenhum se justificará no dia do Juízo Final. todos os que estais cansados e sobrecarregados. A predestinação pode sim ser vista no sentido de que ela é direcionada à toda a humanidade. Muitas e muitas linhas poderiam ser escritas nesta conclusão e a despeito de tudo o que foi lido sobre os dois postulados. a salvação é extensível à toda a humanidade e não pertence somente a um grupo previamente escolhido e predestinado por Deus que seria especialmente capacitado por Ele a crer em detrimento dos demais que perecem. (mas falhou no Éden e em Cristo encontra remissão). tenho eu prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Jeová. BIBLIOGRAFIA .

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